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GERAL

"Ilustres desconhecidos" marcam a história de


Alagoas nos últimos 200 anos
 Por Eduardo Almeida e Jamylle Bezerra 30/05/2017 10h51 - Atualizada às 31/05/2017 09h36

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Com suas obras e ideais, personalidades de EM ÁGUA BRANCA


Criminosos
diversas áreas explicam parte da identidade invadem agência
alagoana que existe hoje bancária e tentam
explodir cofre

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Exaltado em verso e prosa, Alagoas completa 200 anos de emancipação Estado terá hospital de
política em 16 de setembro campanha entre os municípios
de 2017. O estado carrega de Marechal Deodoro e Pilar
Unidade de saúde móvel vai garantir
uma história escrita por assistência às pessoas afetadas pelas
pessoas com ideais chuvas
progressistas e contribuições
CUMPRIMENTO DE
significativas na busca por MANDADOS

desenvolvimento, mas nem Operação policial


sempre lembradas. São prende suspeitos
de roubo em São
"ilustres desconhecidos", que
Sebastião
até emprestam seus nomes a
 História de Alagoas é marcada ruas e praças, mas que são PUBLICIDADE
por 'ilustres desconhecidos' esquecidos pela maioria da
população.
FOTO: DIVULGAÇÃO

A terra dos escritores


Graciliano Ramos, Lêdo Ivo e Jorge de Lima é a mesma de Dias Cabral,
Thomaz Espíndola, Craveiro Costa e Moreno Brandão. Se o estado é
conhecido por ser berço da médica Nise da Silveira e do dicionarista
Aurélio Buarque de Hollanda, também é "terra mãe" de Pedro Nolasco,
Abelardo Duarte, Félix Lima Júnior, Alfredo e Octávio Brandão.

Embora muitas vezes esquecidos, esses intelectuais estão presentes hoje


em dia por meio de suas obras. São livros, análises antropológicas,
contribuições políticas e colaborações decisivas para a criação de
instituições como a Biblioteca Pública do Estado, a Faculdade Alagoana
de Medicina e o Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano, que se
transformou no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGA).

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 Luitgarde Barros fala sobre 'ampliar visão' e enxergar os
intelectuais

FOTO: DIVULGAÇÃO/AGÊNCIA ALAGOAS

"Infelizmente, em todo lugar pequeno, os mais importantes são os que


ocupam cargos políticos, os ricos, os que aparecem na crônica social. Isto GAZETA DE ALAGOAS
é comum. Só quando a gente cresce, que entra na teia do mundo
intelectual, é que amplia a visão", explica a professora e antropóloga
Luitgarde Barros, sertaneja de Santana do Ipanema que vive no Rio de
Janeiro desde 1960 e conviveu com muitas dessas figuras.

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Professora e antropóloga alagoana fala sobre a importância de algumas
personalidades 'anônimas' para Alagoas

 Everton Heleno deixa o CSA


Entrevista com Luitgarde Barros

De acordo com ela, a segunda metade do século passado foi marcada por
um intercâmbio cultural intenso e muitos alagoanos "beberam" em fontes
intelectuais de outros estados antes de promover realizações significativas
em Alagoas.

"No Rio de Janeiro, eu encontrei o Cristo de braços abertos e também NOTÍCIAS ESPECIAIS
alagoanos fantásticos. Quando eu sai daqui, o doutor Théo Brandão "Ilustres
estava criando o Arquivo Público. Sempre que viajava ao Rio, entrava em desconhecidos"
contato comigo e nos encontrávamos com figuras como Ledo Ivo, Buarque marcam a história
de Hollanda e com filhos do Jorge de Lima. Os intelectuais nunca de Alagoas nos
abandonaram o estado", ressalta a antropóloga. últimos 200 anos

Robótica e suas
invenções:
Alagoas dispara
com ousadia e
inspiração de
alunos

'Minidigitais
influenciers'
disputam espaço
com profissionais
na internet

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VIOLÊNCIA
SEXUAL: casos de
abuso
infantojuvenil
acontecem dentro
de casa

 Douglas Apratto destaca contribuições de personalidades para


Alagoas

FOTO: FELIPE BRASIL/ GA

INTELECTUAIS EM DIFERENTES ÉPOCAS E CENÁRIOS


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SOCIOPOLÍTICOS

Para o professor e historiador Douglas Apratto, Alagoas contou, em


diferentes épocas e cenários sociopolíticos, com figuras que
"ultrapassaram barreiras e deixaram um legado de conhecimento nas
áreas em que produziram". De acordo com ele, o Brasil não seria o que é
atualmente, em importância histórica e cultural, se não fosse a contribuição
do estado por meio de figuras que ele classifica como "ímpares".

"Os contextos sociopolíticos são distintos, porque cada um viveu numa


época com características diferentes. Suas obras têm um valor científico
inegável e o reconhecimento nacional, embora regionalmente a memória
alagoana os deixe esquecidos. Deixaram um legado de trabalho, de
constância nas suas publicações, e deixaram uma contribuição afetiva
com suas obras. Alagoas não é só a Terra dos Marechais, mas é também
a terra dos cientistas sociais, dos seus poetas, de seus artistas", destaca
Apratto.

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 Ilustres 'desconhecidos' ajudam a construir história de Alagoas
O professor Sávio de Almeida destaca a importância dos intelectuais para
FOTO: GAZETAWEB

a formação histórica de Alagoas e cita alguns nomes que deveriam servir


de referência para qualquer alagoano que queira conhecer um pouco mais
sobre o estado.

"Alagoas tem intelectuais de respeito e chaves enquanto referências, tudo


vai depender da área. De raspão, lembro-me agora do Abelardo Duarte,
Craveiro Costa e Moreno Brandão. É interessante esta ligação entre a
vida intelectual e os passos da formação histórica. Somos diferentes a
cada passo", afirma.

Para conhecer um pouco melhor esses "anônimos", a Gazetaweb fez um


levantamento e ouviu estudiosos no assunto.

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CONHEÇA ALGUNS DESSES EXPOENTES:

THOMAZ ESPÍNDOLA

Como explica o professor,


escritor e historiador Álvaro
Queiroz, Thomaz Espíndola
foi um dos intelectuais
alagoanos mais importantes
nesses 200 anos. Foi
médico, jornalista, escritor,
professor, inspetor geral da
Instrução Pública da Província
 Thomaz Espíndola é uma das das Alagoas, deputado
referências intelectuais de AL provincial e geral, inspetor de
Higiene e Saúde Pública,
FOTO: GAZETAWEB
vice-presidente e presidente
interino da Província
alagoana. Com um currículo extenso, ele foi professor do Lyceu Alagoano
e desenvolveu pesquisas em diversas áreas, entre elas a de geografia e
história.

"Sua obra magna é 'A geografia alagoana ou descrição física, política e


histórica da Província das Alagoas', publicada em 1860 e reeditada em 2ª
edição em 1871. O livro se apresenta dividido em três partes: a primeira
trata sobre geografia física, a segunda parte aborda geografia política e a
terceira fala acerca de geografia histórica. Trata-se do primeiro grande
trabalho de peso no âmbito da pesquisa historiográfica produzido nas
Alagoas. É considerada obra de referência imprescindível a qualquer
pesquisa na área", destaca Álvaro Queiroz.

Nascido em 1832, na capital alagoana, Thomaz Espíndola ainda foi


membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, onde
ocupou a cadeira de nº 38.

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DIAS CABRAL

Defensor da abolição da
escravatura quando os
negros ainda eram vistos
como pessoas inferiores,
João Francisco Dias Cabral
nasceu em 1834 e foi um dos
criadores do Instituto
Arqueológico e Geográfico
de Alagoas. Como intelectual,
 Dias Cabral se destacou na assumia uma posição de
criação do Instituto Histórico contestação, introduzindo
elementos novos às
FOTO: GAZETAWEB
discussões sobre Alagoas,
aproximando-se mais do
cotidiano e, como evolucionista, assumindo uma postura de contestação.

"Dias Cabral introduz os Palmares, a história da imprensa e assume uma


plataforma política identificada com a superação da escravidão nas
discussões sobre Alagoas", pontua o professor, pesquisador e escritor
Sávio de Almeida.

Formado em medicina, Dias Cabral atuou no Hospital da Caridade, a atual


Santa Casa de Maceió, e também foi vice-diretor do Asilo de Nossa
Senhora do Bom Conselho e incumbido de ajudar a tratar os flagelados da
seca. Por seus ideais abolicionistas, ele foi eleito sócio da Sociedade
Libertadora Alagoana e presidente honorário do Clube Castro Alves.

Integrou ainda a Sociedade Montepio dos Artistas Alagoanos e Academia


Alagoana de Letras. Morreu em 1885, sem ver o fim oficial da escravidão,
com a assinatura da Lei Áurea, que aconteceu em 1888.

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ALFREDO BRANDÃO

Natural de Viçosa, Alfredo


Brandão estudou no Colégio
Liceu Alagoano e se formou
em Medicina pela Faculdade
da Bahia. Autor de livros que
apresentavam aspectos
culturais e antropológicos do
estado, Alfredo ingressou no
Exército e atuou na
 Alfredo Brandão abordou Campanha de Canudos,
aspectos antropológicos de AL participou da Missão Rondon
FOTO: GAZETAWEB
e foi diretor do Hospital Militar
do Recife. Trabalhou ainda
em estados como Paraná,
Rio de Janeiro e Pernambuco.

"O Alfredo Brandão colaborou com várias revistas e entidades científicas e


teve uma produção fantástica, sempre presente em diversos congressos e
simpósios nacionais. Autor fértil, entre os seus trabalhos estão Tabagismo,
Viçosa de Alagoas, Amor e Sofrimento, Noites do Paraguai, Contribuição
para a Geografia Botânica do Estado de Alagoas, A Pré-História de
Alagoas, A poesia popular em Alagoas e Os Negros na História de
Alagoas", afirma o professor e historiador Douglas Apratto.

Alfreto foi tutor do ambientalista Octávio Brandão, que estudou o complexo


estuarino-lagunar Mundaú-Manguaba e é autor do livro Canais e Lagoas.

CRAVEIRO COSTA

Considerado uma das mais


vivas expressões da
inteligência e da cultura do

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estado, o jornalista,
pesquisador, historiador,
escritor e professor João
Craveiro Costa deixou como
herança de sua
intelectualidade quatro livros
que têm Alagoas como tema
central. Nascido em janeiro
de 1874, na capital alagoana,
ele exerceu, entre outros
cargos, o de Administrador e
 Craveiro Costa se destaca Contador da Recebedoria de
como historiador e escritor Rendas, o de Diretor do
Grupo Escolar Diégues
FOTO: GAZETAWEB
Júnior e o de Contador Geral
do Estado. Também foi
membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, onde
ocupou a cadeira de número 48. Craveiro Costa morreu em agosto de
1934, enquanto trabalhava. Ele foi vítima de um infarto.

"Em seus escritos históricos, Craveiro Costa deixa sempre transparecer a


sua visão mais sociológica da história. Ele é, sem dúvida, um dos
melhores nomes da escassa bibliografia histórica de nosso Estado,
aparecendo como uma das mais vivas expressões de nossa inteligência e
cultura", reflete Álvaro Queiroz, que destaca as obras 'História das
Alagoas - resumo didático'; 'Instrução pública e instituições culturais de
Alagoas'; 'O Visconde de Sinimbu: Sua vida e sua atuação na política
nacional - 1840-1889', e 'Maceió', como as grandes contribuições dessa
personalidade para a posteridade.

MORENO BRANDÃO

Da mesma geração de
Craveiro Costa, Francisco

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Henrique Moreno Brandão
nasceu em setembro de
1875, na cidade de Pão de
Açúcar, situada às margens
do Rio São Francisco, no
interior de Alagoas. Ele foi
historiador, professor,
escritor, jornalista, deputado
estadual e funcionário
público. Gostava de literatura
e escrevia contos, novelas e
 Moreno Brandão se destacou no romances. Foi fundador da
universo acadêmico e científico revista literária e científica
Pirausta, além das revistas
FOTO: GAZETAWEB
Argos e Mundus e ocupou a
cadeira de número 23 do
Instituto Histórico e
Geográfico de Alagoas.

"Moreno Brandão é, inegavelmente, um dos nomes mais representativos


da ciência e da pesquisa histórica nas Alagoas", pontua Álvaro Queiroz,
destacando que ele atingiu a marca de sessenta trabalhos entre inéditos e
publicados.

Moreno Brandão lecionou Pedagogia no Lyceu de Penedo e também foi


professor catedrático de Português e Geografia da Escola Normal de
Maceió. Como político, assumiu dois mandatos como deputado estadual,
entre os anos de 1921/22 e 1923/24. Morreu em 1938, na capital
alagoana, deixando trabalhos de destaque como 'História das Alagoas',
'Floriano Peixoto', 'Calabar' e 'Vade mecum do turista alagoano'. No
bicentenário do estado, ele é também lembrado por ter organizado o livro
"O Centenário da Emancipação de Alagoas", onde fez uma nova
abordagem historiográfica.

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ABELARDO DUARTE

Um dos fundadores da
Universidade Federal de
Alagoas, Abelardo Duarte foi
um dos mais destacados
representantes do
pensamento alagoano. O
intelectual se formou pela
Faculdade de Medicina da
Bahia e foi professor na
 Abelardo Duarte é o fundador universidade que ajudou a
da Faculdade de Medicina de AL criar. Também recebeu o
título de secretário perpétuo
FOTO: GAZETAWEB
do Instituto Histórico e
Geográfico de Alagoas.

"Escreveu vários trabalhos aclamados por várias instituições acadêmicas


do país. Foi colaborador da imprensa e de periódicos culturais e
científicos. Foi, portanto, um grande ensaísta, jornalista, pesquisador,
folclorista, biógrafo e historiador. Entre as suas principais obras,
destacamos Folclore Negro das Alagoas: Áreas da Cana de Açúcar, Um
Folguedo do povo, o Bumba meu Boi, Os grupos sanguíneos da Bahia,
suas teses de doutorado na Bahia, Três Ensaios, Dom Pedro II e Dona
Teresa Cristina em Alagoas, Os Malês: Negros Muçulmanos nas Alagoas,
Folclore Negro das Alagoas", explica Douglas Apratto.

FÉLIX LIMA JÚNIOR

Nascido em Maceió, em
1901, Felix Lima Júnior
começou a publicar crônicas
nos jornais ainda muito
jovem. Foi um dos

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fundadores do Grêmio
Guimarães Passos e das
Academia dos Dez Unidos e
participou ativamente da vida
literária e acadêmica do
estado.

Membro da Academia
Alagoana de Letras e do
Instituto Histórico e
Geográfico de Alagoas,
 Félix Lima Júnior participou era sempre ressaltou suas
ativo na vida literária no estado origens humildes.

FOTO: GAZETAWEB
Deixou obras como Maceió
de Outrora, além de Uma
Tragédia Alagoana, História
dos Teatros em Maceió, João
Barafunda, o Mauá do Sertão
Alagoano, As Emboladas do
Chico Barbeiro, Igrejas e
Capelas de Maceió, Periquitos, Dois Maestros Alagoanos.

IVAN FERNANDES LIMA

Considerado homem da
pesquisa de campo e
inovador no meio
metodológico, desbravou
Alagoas para fazer seus
trabalhos. É apontado como
grande nome da geografia
alagoana no século XX.
"Tinha absoluto domínio da

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metodologia no ensino da
Geografia em todos os seus
ramos. Foi ele quer fez a
marcação dos pontos
extremos de Alagoas.
'Maceió, Cidade Restinga' é
sua obra prima, Geografia de
Alagoas, excelente trabalho,
de um autor que percorreu
exaustivamente todos os
rincões do território alagoano.
 Ivan Fernandes Lima é o grande Alagoas não deve deixar Ivan
nome da Geografia Fernandes Lima no
esquecimento", afirma
FOTO: GAZETAWEB
Douglas Apratto.

"A aventura humana na terra,


desde os seus primórdios,
encontra-se marcada pela
criação, inovação e ousadia
de pessoas vocacionadas e
especiais. São figuras com
atuação icônica que através
de seus trabalhos em vários
campos de habilidade,
ampliaram o campo do saber, elevaram o nome de suas comunidades e
se tornaram referências para as gerações que se seguiram", conclui o
professor e historiador.

MANUEL DIÉGUES JR.

O sociólogo, antropólogo, jurista e folclorista brasileiro Manuel Diégues Jr.


nasceu em Maceió em 1912 e ganhou reconhecimento internacional por
seus estudos sobre cultura e folclore. Foi professor da PUC do Rio de

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Janeiro e ministrou cursos em universidades estrangeiras, integrando o
Centro Latino-Americano de Pesquisa Social e o Instituto Histórico
Brasileiro. Destacado que era no estudo da sociedade, chegou a presidir
a Associação Latino-Americana de Sociologia.

 Professor Sávio destaca papel de Manuel Diégues e Théo


Brandão

FOTO: MAÍRA VILELA/ARQUIVO GA

"Diégues chegou a ir mais longe, mormente quando esteve à frente do


Centro Latino-Americano de Pesquisa Social. Aliás, Diégues jamais saiu
de Maceió, embora estivesse fora. Ele será sempre um grande articulador
da escrita que veio de trinta, aqui em Alagoas", pontua o professor Sávio
de Almeida.

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Entre as várias obras que deixou, "O Banguê nas Alagoas. Traços da
influência do sistema econômico do engenho de açúcar na vida e na
cultura regional", de 1949, é um dos destaques. Também escreveu sobre
folguedos populares, folclore do Brasil e Literatura de Cordel.

THÉO BRANDÃO

Professor e folclorista, Théo Brandão dá nome a um dos museus mais


visitados de Alagoas, que abriga uma coleção de arte popular doada por
ele à Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Nascido em janeiro de
1907, na cidade de Viçosa, Theotônio Vilela Brandão formou-se em
medicina no Rio de Janeiro, de onde enviava textos como crônicas e
poemas que tinham o folclore como temática e eram publicados em
pequenos jornais da sua cidade natal.

Ao voltar para o estado e instalar-se em Maceió, montou uma clínica de


pediatria e conviveu com intelectuais como Rachel de Queiroz e Graciliano
Ramos. Foi membro do Instituto Histórico de Alagoas e dedicou-se aos
estudos da medicina popular, como suas superstições e crenças.

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 Museu Théo Brandão guarda acervo do professor e folclorista
alagoano
FOTO: RICARDO LÊDO/GA

Faleceu em 1981, deixando obras importantíssimas para o estudo da


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cultura popular e do folclore de Alagoas. Entre elas, estão "Folclore de
Alagoas", de 1949; "O Reisado Alagoano", de 1953; "O Guerreiro", de
1964; e "O Pastoril", 1964, além daquela que é considerada a sua obra-
prima: "Folguedos Natalinos de Alagoas", de 1961.

"Diégues e o Théo nasceram como intelectuais na famosa década de


trinta. Tive a oportunidade de ser amigo do Diégues e de ser
extremamente ligado ao Théo. Dele recebi algo importante: a necessidade
de ver detidamente Alagoas.Eles partilharam da entronização do
folclorismo em Alagoas, que durante longo tempo primou por ser o nosso
viés de ver a sociedade. Ambos foram autores de textos de leitura
obrigatória. Diégues com o Banguê e o Théo, especialmente, com seu
livro sobre folguedos natalinos e que é, a meu ver, seu melhor texto. Eu
dizia isto a ele e julgo que ele levava em conta", comenta Sávio de
Almeida.

PEDRO NOLASCO

Autor do primeiro romance de


costumes alagoanos,
intitulado Traças e Troços e
publicado em 1886, Pedro
Nolasco Maciel seguia a
corrente abolicionista,
republicana e socialista.
Integrou a primeira diretoria
da Sociedade Montepio dos
 Praça Montepio dos Artistas Artistas Alagoanos, que tinha
fotografada nos anos 50 como principal objetivo o de
FOTO: STUCKERT/ANOS 50
auxiliar os familiares de
artistas que ficassem
impossibilitados de trabalhar
por algum motivo.

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Nolasco foi ainda jornalista, tipógrafo e fundador da Associação
Tipográfica Alagoana de Socorros Mútuos e do Jornal Gutemberg.

"Pedro Nolasco Maciel é o outro nome de extrema importância. Em suas


origens, ele era um operário gráfico e termina por manter uma grande
participação em movimentos como o abolicionismo, republicanismo e
socialismo. Foi ele o fundador do Terceiro Paradigma e de Germinação
Dialética. É autor de um romance que, como literatura, pouco pesa, mas é
indispensável para se entender Maceió, o modo como a cidade começava
a expressar-se e resulta em uma espécie de escrita de uma etnologia
urbana", avalia o professor Sávio de Almeida.

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