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5 ELETRICIDADE LEIS DE OHM E POTÊNCIA

RASTRO LUMINOSO Como ocorre com toda fonte luminosa, também nos faróis de um automóvel a intensidade da luz emitida depende da potência deles

A dificuldade
criada pelo resistor

E
m meados do século XIX, George Ohm os chamados resistores ôhmicos. A expressão
fez uma série de experimentos e percebeu matemática dessa lei é:
que, num grande número de resistores
(principalmente nos resistores metálicos), a U = R $ i , em que:
corrente elétrica é diretamente proporcio-
nal à tensão aplicada. Quanto maior a tensão, � U é a tensão aplicada entre os terminais do
maior a corrente elétrica. Ele notou também que resistor, medida em volts (V);
a constante que define a proporção entre tensão � R é a resistência do resistor, em ohms (�);
e corrente é a medida de resistência elétrica do � i é a corrente elétrica que atravessa o re-
resistor. Essa é a primeira lei de Ohm, que rege sistor, medida em ampères (A).

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Com a primeira lei de Ohm, definimos a tensão
aplicada num resistor qualquer, calculando o NA PRÁTICA
produto de sua resistência pela intensidade da
corrente que o atravessa. RESISTOR ÔHMICO
Um cientista anota os valores da corrente elétrica que atravessa um resistor, em
i = corrente elétrica R = resistência elétrica do resistor função da tensão aplicada sobre ele. Com esses valores, ele constrói o gráfico abaixo.
Vamos verificar se o dispositivo estudado pelo cientista é um resistor ôhmico.

V (v)
U = tensão aplicada entre os terminais
30

Em outras palavras, a primeira lei de Ohm


estabelece que em todo resistor ôhmico a re- 20
sistência elétrica permanece constante, inde-
pendentemente da tensão aplicada sobre ele. 10
O gráfico da tensão pela corrente em um resistor
ôhmico é uma reta que passa pela origem dos eixos.
E a resistência é o coeficiente angular da reta. Veja: i (A)
0 0,2 0,4 0,6 0,8

U (V) O gráfico é uma reta. Então, a resistência do dispositivo se mantém constante,


independentemente da tensão aplicada. Portanto, o resistor é ôhmico, sim.

Para um resistor ôhmico, calculamos a resistência aplicando a equação da primeira


lei de Ohm a qualquer ponto da reta.

� Para o ponto de coordenadas (20,0,4), temos:


i (A)
0 U = 20 V
R = tg�
i = 0,4 A

Segunda lei de Ohm Então:


Os fios metálicos de circuitos elétricos não são U=R.i
ideais – são condutores, mas oferecem certa difi- 20 = R . 0,4 & R = 50 �
culdade ao movimento dos elétrons. A segunda
lei de Ohm afirma que a resistência elétrica Este é o valor da resistência do resistor em questão: 50 �
oferecida por um fio metálico é proporcio-
nal a seu comprimento ( � , na figura abaixo)
e inversamente proporcional à área de sua
seção transversal (A). Depende, também, do
material de que é feito o condutor. TOME NOTA
área da seção fio condutor
COEFICIENTE ANGULAR DE UMA RETA
transversal Toda reta é definida por uma função de 1º grau, que tem como forma geral y = ax +
b. O coeficiente angular da reta – ou seja, o valor que define o ângulo da reta com o
A eixo x – é a (coeficiente de x). No gráfico, o valor de a é dado por:

Dy (y - y ) (y - y )
a= = =
A B B A

��comprimento do condutor Dx (x - x ) (x - x )
A B B A

BLAINE FRANGER/ISTOCK GE FÍSICA 2017 107


5 ELETRICIDADE LEIS DE OHM E POTÊNCIA

A expressão matemática da segunda lei de Associação em série


Ohm é: Resistores estão associados em série quando
são conectados em sequência, de modo que to-
R = t $ L , em que: dos sejam percorridos por uma mesma corrente
A elétrica. Veja:
� l é o comprimento do condutor, medido
em metro (m); R1 R2 R3
B
A
� A é a área de seção transversal do condutor
cilíndrico, em metro quadrado (m2); U1 U2 U3
� t é a resistividade do material de que U
é feito o condutor, medida em ohms por
metro (� . m), no S.I. Os resistores R1 , R2 e R3 A tensão total fornecida (a voltagem
são atravessados entre os pontos A e B) é dividida
Repare que, quanto maior for o comprimento por uma mesma entre os três resistores de tal maneira
do condutor, maior será a resistência elétri- corrente elétrica i que U = U1 + U2 + U3
ca oferecida. Isso é natural, pois, quanto mais
comprido for o “caminho”, maior será a barreira
enfrentada pelos elétrons em seu deslocamen- Essa associação de resistores em série pode
to. Por outro lado, quanto maior for a área de ser substituída por um resistor equivalente. Em
seção transversal, mais elétrons passarão por qualquer associação em série, o resistor equi-
ela – ou seja, menor será a resistência imposta valente tem resistência igual à soma algébrica
pelo condutor. de todas as resistências existentes no circuito.
Reforçando: a resistência elétrica depende, De forma geral, num circuito com n resistores,
além das características espaciais do condutor, o resistor equivalente imporá uma resistência de
também da resistividade do material de que o
condutor é construído. Ou seja, resistividade R eq = R 1 + R 2 + R 3 + ... + R n
é uma característica própria de cada material.
Um fio de cobre de 1 metro de comprimento O resistor equivalente dos três resistores asso-
tem resistência elétrica diferente da de um fio ciados em série do circuito com que trabalhamos
de cobre de 2 metros de comprimento. Mas a acima seria, então:
resistividade dos dois fios é a mesma – a do co- Req = R1 + R2 + R3
bre. Veja abaixo uma tabela com a resistividade i
B
A
de alguns materiais:
U = U1 + U2 + U3
Quanto menor é a resistividade do material,
melhor condutor ele é
Material Resistividade (� . m) Associação em paralelo
É a associação em que os resistores têm as ex-
Cobre 1,68.10 –8
tremidades conectadas aos mesmos pontos. Veja:
Chumbo 2,2 . 10–8
MENOR RESISTIVIDADE

R1
Alumínio 2,82 . 10–8 i1
Ferro 1.0 . 10–7
Silício 6, 40 . 102
i2 R2
Quartzo 7,5.1017
A tensão
A corrente aplicada
Associação de resistores total da entre os
Geralmente, um circuito elétrico é composto associação i3 R3 pontos A e B é
de dois ou mais resistores, que podem estar as- é a soma compartilhada
sociados de várias maneiras. Para simplificar o algébrica das por todos os
estudo de um circuito, seja qual for o número de correntes que resistores
atravessam os i em paralelo:
resistores que ele contenha, podemos reduzir a A B
associação de resistores a um único resistor – o resistores: U U = U1 = U2 = U3
chamado resistor equivalente – sem modificar i = i1 + i2 + i3
as características gerais do circuito.

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Retomando a primeira lei de Ohm, verifica-
mos que, quanto menor a resistência, maior a NA PRÁTICA
corrente:
WATT E QUILOWATT-HORA
U = R$i & i = U A unidade utilizada para medir a energia elétrica consumida mensalmente numa
R residência é o quilowatt-hora (kW . h). E a quantidade de energia elétrica consumida
Como na associação em paralelo a tensão U é em cada mês sai da equação de potência:
constante, concluímos que os ramos da ligação
P = E elétrica & E elétrica = P $ Dt
em paralelo que apresentam menor resistência Dt
elétrica serão percorridos por maior corrente.
Em circuitos com resistores também em pa- Assim, 1 kW . h é a energia elétrica consumida por um aparelho de 1 kW (1 000 W)
ralelo, podemos substituir a associação de resis- de potência quando permanece uma hora ligado.
tores por um resistor equivalente. A resistência
do resistor equivalente de uma associação em A relação de conversão entre kW.h e joule é 1 kW.h = 3,6 . 106 J
paralelo é a soma algébrica do inverso das re-
sistências elétricas do circuito inteiro. Com a equação de potência, pode-se calcular, também, o consumo mensal de
Genericamente, num circuito com n resistores qualquer eletrodoméstico. Basta verificar a potência do equipamento, em kW.h, e
associados em paralelo, o resistor equivalente multiplicar esse valor pelo número de horas que o aparelho permanece ligado num mês.
imporá uma resistência de:

1 = 1 + 1 + 1 + ... + 1 INSTRUMENTOS DE MEDIDAS ELÉTRICAS


R eq R1 R2 R3 Rn

i = i1 + i2 + i3 1/Req = 1/R1 + 1/R2 + 1/R3


A B

U = U1 = U2 = U3

Potência elétrica
Aparelhos elétricos sempre convertem energia AMPERÍMETRO VOLTÍMETRO
elétrica em alguma outra forma de energia – em É o equipamento que mede Mede a tensão, ou a diferença de
energia mecânica numa batedeira e num liqui- a intensidade da corrente potencial, entre dois pontos de um
dificador, em energia térmica num chuveiro. A elétrica num circuito. Para isso, circuito elétrico. O voltímetro deve
quantidade de energia elétrica que um aparelho o amperímetro dever ser ligado ser sempre conectado em paralelo
consegue converter por unidade de tempo é ao circuito sempre em série ao componente elétrico em questão
chamada potência elétrica. Matematicamente: (lembre-se de que, em ligações (lembre-se: em ligações em paralelo,
em série, a corrente i é constante). a tensão U se mantém constante).
Ou seja, seus fios devem integrar O voltímetro ideal é aquele que não
P = E el�trica , em que: o circuito como mais um dispositivo interfere na medição da tensão do
Dt na sequência dos resistores já circuito porque tem uma resistência
existentes no circuito. E, para ser infinita. Assim, não passa praticamente
� P é a potência elétrica do aparelho, medida um amperímetro ideal, ele deve nenhuma corrente pelo voltímetro, e
em watt (W); oferecer resistência nula à ele mede a diferença de potencial antes
� Eelétrica é a energia elétrica consumida pelo passagem da corrente. e depois de um resistor.
aparelho, em joules (J);
� D t é o tempo que o aparelho permanece
ligado, em segundos (s).
R₁ R₁
Também podemos calcular a potência elétrica
i
de um aparelho em função da corrente elétrica, i
da resistência e da tensão desse aparelho, com R₂
i
uma das equações abaixo:
R₂
2
P= U 2 i
P = U $ i, ou P = R$i A V
R

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