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Aprender a ensinar ou ensinar a aprender? - Não posso evitar...

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Não posso evitar...


Minhas opiniões são mais fortes que o meu juízo. Por Rodolfo Araújo

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Experimentos em Psicologia
08/08/2011
Aprender a ensinar ou ensinar a aprender?
Educação tem sido um tema recorrente aqui no blog. Algumas vezes é o meu lado ogro falando da falta dela. Outras, é dentro de
um dos meus esportes favoritos: dar pitaco sobre o que não sei. Este texto encaixa-se na segunda categoria, tomando Educação no
sentido puramente pedagógico.
O ponto de partida é o excelente Disrupting Class: How Disruptive Innovation Will Change the Way the World Learns
(McGraw-Hill, 2008), de Clayton Christensen e Michael Horn. Na obra, os autores fazem uma profunda análise do sistema
educacional adotado atualmente, destacando seus prós e contras e, principalmente, sugerem uma radical solução de
transformação.

Os autores valem-se, basicamente, a teoria de Inovação Disruptiva do próprio Christensen para fundamentar suas ideias que,
embora espelhem o modelo americano, servem à maioria dos países, por adotarem metodologias semelhantes.

Grosso modo, o estudo parte do conceito de Inteligências Múltiplas de Howard Gardner, que sustenta a tese de que cada
pessoa tem um tipo particular de inteligência predominante, da qual desenvolve suas habilidades características. Gardner
identificou ao menos sete diferentes características.
Um atleta ou bailarino, por exemplo, tem a Inteligência Cinética mais desenvolvida, que alia a coordenação dos seus movimentos
a uma percepção espacial mais desenvolvida. Do mesmo modo, um artista terá como habilidade principal a Inteligência Estética
ou a Inteligência Sonora, conforme o caso.

O reflexo disso no aprendizado é que cada uma destas predisposições influencia no modo como cada pessoa aprende. Se uma
pessoa tem uma Inteligência Visual diferenciada, aprenderá melhor através de estímulos visuais - o mesmo se aplicando para as
demais.
Ocorre que o sistema educacional ocidental foi desenvolvido com o objetivo de atender ao maior número possível de pessoas,
numa época em que ainda não havia estudos mostrando as diferentes formas de aprendizado. Noutras palavras, as escolas hoje
buscam a melhor maneira de ensinar - que não necessariamente coincide com a melhor maneira de aprender.

Esta padronização - que serviu muito bem ao objetivo da inclusão - deixa sérias lacunas no quesito efetividade. Enquanto alguns
alunos se destacam por se adaptarem bem ao atual modelo, a maioria fica para trás, passando de ano aos trancos e barrancos. Em
Drive: The Surprising Truth About What Motivates Us, Daniel Pink deixa claro que passar na prova de Francês é uma coisa e
aprender o idioma é outra, completamente diferente.

A solução apontada por Christensen e Horn apoia-se no aprendizado individualizado, possível através da informatização das salas
de aula. Eles alerta, no entanto, que entupir as escolas de computadores está longe de ser a solução. Até porque a maioria das
experiências neste sentido falhou no sentido de melhorar o nível do ensino, uma vez que continuavam reproduzindo o atual
modelo de ensino.
Na proposta dos autores, softwares específicos preparariam os planos de aulas mais adequados à forma como cada aluno melhor
aprende, a partir de bancos de conteúdos preparados pelos professores - e até pelos próprios alunos ou seus pais.

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http://www.naopossoevitar.com.br/2011/08/aprender-a-ensinar-ou-ensinar-a-aprender.html 02/09/2011
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O mais curioso desta proposta é que recentemente tive a oportunidade de experimentá-la na prática, mesmo sem saber. Por acaso
comecei a assistir a um documentário da BBC, com o sugestivo título de Power, Proof and Passion - The Story of Science. O
programa, dividido em seis episódios, busca responder às questões que mais intrigaram a humanidade desde os seus primórdios,
como De que o mundo é feito? ou É possível ter energia inesgotável? Veja abaixo uma parte do primeiro episódio (em Inglês):

A produção absolutamente impecável da TV inglesa, aliada ao primoroso texto de Michael Mosley, também o entusiasmado
apresentador da série, abordam temas com os quais todos nós brigamos em nossos tempos de escola.

Mas quando Mosley nos mostra os primeiros motores a vapor construídos por James Watt, fica fácil aprender as leis da
termodinâmica. Quando o vemos repetindo os experimentos de Lavoisier nos castelos franceses, a explicação da lei da
conservação das massas parece simples. Ao entrarmos nos subterrâneos de Paris, onde os primeiros fósseis encontrados deram
origem à Origem das Espécies, entender a evolução torna-se um prazer. Ou então conhecer o caminho do estudo do peixe elétrico,
ao desenvolvimento da primeira pilha por Alessandro Volta - que, pasme, não tinha nenhuma utilidade! -, à descoberta acidental
do eletromagnetismo, ter um déjà vu acadêmico é inevitável.
Mais importante do que isso, talvez seja o modo como Mosley mostra o todo o desenvolvimento de determinadas áreas do
conhecimento, os caminhos percorridos pelos cientistas da época, a destruição de antigas teorias para o aparecimento das novas.
O espectador participa da evolução das ideias, compartilhando as dúvidas geradas e respondidas, num fluxo intelectualmente
estimulante e de contínua surpresa.

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Outra grata surpresa em documentários é The Ascent of Money*, baseada no livro homônimo de Niall Ferguson (The Ascent of
Money: A Financial History of the World), que faz uma viagem através da história mostrando a influência do dinheiro nos
acontecimentos mais marcantes da humanidade. O trailer abaixo também está em Inglês.

http://www.naopossoevitar.com.br/2011/08/aprender-a-ensinar-ou-ensinar-a-aprender.html 02/09/2011
Aprender a ensinar ou ensinar a aprender? - Não posso evitar... Página 3 de 5

Em vários aspectos, The Ascent of Money vale por diversas aulas de História e várias de Geografia, ou um período inteiro de
Economia, dependendo das suas aspirações acadêmicas.

Mas talvez a maior contribuição destes exemplos seja mostrar, no sentido mais amplo da palavra, como temas desinteressantes
nas aulas com a tradicional combinação cuspe e giz (ou mesmo datashow), podem se tornar interessantes e estimulantes
dependendo do formato. E, mais do que isso: alguns destes formatos já estão disponíveis por aí.

A pergunta passa a ser, então: por que não experimentar?


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* O documentário já tem a sua versão em Português: A Ascensão do Dinheiro está disponível na Livraria Cultura.

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Posted by Rodolfo Araújo at 15:46 in Estratégia, Inovação, Livros, Televisão, Trabalho & Carreira | Permalink
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