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Sistemas

Analógicos e Digitais
Licenciatura em Engenharia de Sistemas Informáticos
2ºAno – 1ºSemestre
2016/2017

Transístores
Transístor

O transistor de junção bipolar é um dispositivo semicondutor como o diodo,


porém possui três terminais, com duas camadas de material tipo "N" e uma de
tipo "P" ou duas de material tipo "P" e uma de tipo "N".

Formando assim os transistores NPN e PNP.

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Conceitos básicos

Emissor é constituído por semicondutor densamente dopado; a sua função é


emitir eletrões, ou injetar eletrões na base.

Base é um semicondutor levemente dopado e muito fino; permite que a


maioria dos eletrões injetados pelo emissor passe para o coletor.

Coletor Agrupa os eletrões que vem da base, é a parte mais extensa das três
portanto dissipa mais calor.

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O transistor e sua representação

Devemos ser capazes de conhecer e identificar de maneira esquemática e real


cada um dos terminais presentes no transistor seja ele NPN ou PNP.

Vejamos a simbologia utilizada.

Representação real

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Polarização do transistor

Polarizando o transistor de forma adequada consegue-se estabelecer um fluxo de


corrente, permitindo que o transistor seja utilizado em inúmeras aplicações.

Polarização direta - direta


Estando as junções base-emissor e base coletor
diretamente polarizada a corrente que circula
por essas junções serão altas e o transístor
funciona na região de saturação.

Polarização reversa - reversa


Polarizando reversamente as junções PN,
haverá uma baixa circulação de corrente que
será considerada nula e o transístor funciona
na região de corte.

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Polarização do transistor

Polarização direta - reversa

“O efeito transistor ”
Nesse tipo de polarização o inesperado acontece, pois estamos à espera de uma
corrente baixa na junção base-coletor por estar reversamente polarizada, porém isso
não ocorre o fluxo de eletrões injetados pelo emissor atravessam a base (que é muito
fina) e chegam ao coletor.

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Analise de correntes e tensões no transistor

Quando um transístor é polarizado corretamente, haverá um fluxo de corrente,


através das junções e que se difundirá pelas camadas formadas pelos cristais P ou N.
Para analise dos transístores usaremos o sentido convencional da corrente elétrica,
ou seja, o contrário do fluxo de eletrões.

Aplicando-se a lei de Kirchhoff das correntes (LKC), obtemos:

IE = IC + IB

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Analise de correntes e tensões no transistor

Para facilitar a analise representaremos as tensões através de setas onde, a ponta


da seta aponta sempre para o potencial mais positivo, ou seja, contrário da
corrente.

Aplicando-se a lei de Kirchhoff das tensões (LKV), obtemos:

Vce = Vcb + Vbe

A tensão de polarização base-emissor é aproximadamente 0,7 V para transistors


de silício.

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Parâmetro αDC

A quantidade de corrente que chega no coletor proveniente do emissor depende


do tipo de material e da dopagem do emissor. Essa quantidade de corrente varia
de acordo com o tipo de transistor.

Alfa é a quantidade de eletrões que saem do emissor e conseguem chegar ao


coletor. Os valores típicos de α variam de 0,9 a 0,99. Isto significa que parte da
corrente do emissor não chega ao coletor.

Matematicamente, podemos dizer que α ( Alfa ) é a relação entre IC e IE, com uma
tensão coletor-base constante.

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Exemplo

Qual é a corrente de emissor de um transistor com α = 0.95, sabendo-se que a


corrente de coletor é 2mA?

Isso significa que 2,1 mA saem do emissor e 0,1 mA ficam na base e apenas 2mA
chegam ao coletor.

Uma vez que a maioria dos eletrões que saem do emissor chegam ao coletor,
ficando somente uma minoria na base, aproximaremos, a fim de facilitar a análise,
o valor de alfa para 1 significando que 100% da corrente que sai do emissor chega
ao coletor. Matematicamente teremos:

IC = IE

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Parâmetro βDC

Beta Na maioria dos transistores menos de 5% dos eletrões produz a corrente


de base IB; portanto βDC será sempre maior que 20, ou seja, a corrente de coletor
será 20 vezes maior que a corrente de base.

Matematicamente, Beta é a relação entre a corrente de coletor e a corrente de


base, com VCE constante.

Exemplo: Um transistor BC548 possui um beta mínimo especificado de 110. Qual é


a mínima corrente de coletor, sabendo-se que a corrente de base é 100µA?

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Relação entre α e β

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Exemplo

a) Um transistor possui um fator α = 0,92. Qual é o fator β?

β = α / ( 1 - α )
β = 0,92 / ( 1 – 0,92 )
β = 0,92 / ( 0,08 )
β = 11,5

b) Um transistor possui um fator β = 100. Qual é o fator α?

α = 100 / ( 100 +1 )
α = 100 / ( 101 )
α = 0,99

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Funcionamento básico do transistor

Para entender o funcionamento do transistor, devemos conhecer as suas


características elétricas, ou seja, a relação entre as tensões e correntes presentes
em seus terminais. Uma das formas de entender as relações entre tensões e
correntes envolvidas na polarização do transistor bipolar é através de um circuito
simples. Vejamos:

O potenciómetro serve para controlar a tensão VBB


e consequentemente a intensidade da corrente de
base.

Inicialmente faremos com que a corrente IB seja


igual a 0 (zero), observe que o LED esta apagado.

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Região de corte Aumentando gradualmente a tensão da base, até ao instante em
que alcançamos aproximadamente 0,7 V o LED continua apagado. Essa é a nossa
primeira região de operação do transístor a região de corte.

Região Linear Após romper a barreira dos 0,7 V o transístor começa a conduzir e
o LED acende. À medida que, aumentamos a corrente de base o brilho do LED vai
ficando mais intenso, até o momento em que o brilho estabiliza. A essa região
compreendida entre a menor corrente necessária para acender o LED e corrente
necessária para atingir a estabilidade, damos o nome de região Linear.

Região de saturação Após a corrente de coletor atingir a estabilidade não adianta


mais aumentarmos a corrente de base, pois o transístor está a operar na região de
saturação.

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Curvas características
Outra maneira de se obter as relações entre tensões e correntes envolvidas na
polarização do transistor bipolar é através de curvas características, que nem
sempre estão nos manuais, mas podem ser obtidas através de um circuito teste, o
qual permite traçar curvas em gráficos (Ib x Vbe) e (Ic x Vce).

A analise é semelhante a do exemplo anterior. O transístor só começa a conduzir


após aproximadamente 0,7 V, isso permite traçar a curva da base em função de VBE.

Curvas da base IB = f (VBE)


A junção base emissor de um transístor,
assemelha-se a um díodo, então a curva
que encontraremos será parecida com a
curva do díodo. De notar que é uma
curva exponencial e para fins de cálculo
usamos 0,7V como o ponto limiar de
condução.

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Curvas características

Curvas do coletor IC = f (VCE)


Se fixarmos a corrente de base em 10µA, teremos uma corrente de coletor de
2mA, se a corrente de base for 20µA a corrente de coletor será 4mA, ou seja, à
medida que, IB aumenta IC aumenta. A razão desse aumento é o βDC visto
anteriormente.

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Curvas características

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• Zona de Corte
• IB=0mA IC=0mA IE=0mA

• Saturação
• NPN - VBE ≈ 0,7V ; VCE sat ≈ 0,3 V
• PNP - VEB ≈ 0,7V ; VEC sat ≈ 0,3 V

Transístor como interruptor

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Dissipação de potência
O transistor aquece, então, uma potência será dissipada e como o coletor é a maior
parte do transistor a potência dissipada pode ser dada pelo produto entre IC e VCE.

PD = IC . Vce

A quantidade de potência dissipada também pode classificar e definir o tipo de


encapsulamento dos transistores.

Transistores de baixa potência: São pequenos e não suportam muito


calor.

Transistores de média potência: São maiores que o anterior e muitos


vêm com um furo onde pode ser parafusado um dissipador de calor.

Transistores de alta potência: Tem o corpo grande, são envoltos por


uma carcaça que suporta grandes temperaturas. Sempre são
acompanhados de dissipadores de calor.

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Transístor como Interruptor

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Exercício 1
Para o interruptor eletrónico abaixo, quais são as correntes IC e IB?

IC = 21,28mA IB = 2,02mA

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Exercício 2
O circuito ao lado foi projetado e testado para operar como interruptor
eletrónico. No seu coletor foi colocado um cooler 12V/1A que é ligado quando
VBB = 12V. Qual a corrente de base?

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