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Ela disse isso tão casualmente, como se realmente fosse fácil assim. Como se Catra pudesse só escolher
virar as costas e ir embora da incessante miséria da Zona do Medo a qualquer momento que ela
quizesse, escolhido comer boa comida e estar com Adora e ser feliz. E ela poderia, não é? Cada noite
sem dormir, todo tormendo infligido pela Shadow Weaver ou Hordak, todo acesso de raiva arranhando
as paredes e sua cama e seu próprio corpo. Foi tudo inútil. Foi só perda de tempo. Ela poderia ter virado
as costas ao seu orgulho e sua raiva e sua necessidade de destruição. Ao invês ela deixou-se ser
consumida até não restar nada bom nela e o mundo estar queimando ao redor.

E se for muito tarde?

A pressão em seu peito se fixou em seu estômago, fez ela sentir-se como se fosse formitar. Ela forçava o
vômito a cada respiração, mas não parecia sair nada, só mais ansia. Ela deixou eles virem.

Ela chorou até se esvaziar. Os olhos aflitos e seu corpo dolorido e pesado; ela continuou deitada lá,
muito exausta para se mover. Ouviu alguém se aproxímar da curva no corredor, ela ficou tensa - Ela não
queria que a Adora a visse daquele jeito. Mas não é Adora.

Os olhos de Entrapta fixados em seu Tablet de rastreamento - Ela quase tropeçou em Catra antes de
nota-la.

" Oh, desculpe," ela disse empolgada "Eu estava no meu caminho pra ver como está indo o reboot da
Darla." Então ela percebe o rosto manchado de lágrimas de Catra e seus olhos se arregalem. "Oh. Hm.
Você está...bem?"

Catra não responde de imediato. Entrapta se inquieta, claramente infornfortável com a situação. "Você
precisa de atenção médica? Eu vou, hm, chamar alguém..."

"Entrapta," disse Catra disse em fim, levantando a cabeça "Como você faz isso?"

Entrapta coça a cabeça, confusa. "Como eu faço o que?"

"Como vo - " Exita, Catra engolindo a seco "... como você fez eles perdoarem você? Como você perdoou
a si mesma?"

Entrapta considera a pergunta, mechendo com as pontas de seus cabelos. "Eu não sei," ela admite.
"Adora e Arqueiro vieram me resgatar mesmo que eu tenha bagunçado tudo com as Pedras Rúnicas. Eu
até fiz robôs pra machucalos. Mesmo que minha maquina de portal quase tenha detruído a realidade."

Catra se encolhe e desvia o olhar, enroscando-se, tremendo. Entrapta vê a reação e entra em pânico - ela
faz a primeira coisa em que consegue pensar e por impulso segura na mão de Catra, em um aperto
estranho. Os olhos de Catra encontram os dela, chocada. Entrapta olha chocada também, então ela
decide que precisa de seriedade e segurar a mão de Catra com mais firmeza.

"Eu acho que eles voltaram por mim porque eles acreditaram que eu poderia ser melhor," ela disse,
claramente escolhendo cada palavra o melhor que ela poderia. "Eles não me deixaram, mesmo quando
eu pedi pra que me deixassem. Então eu decidi que eu queria ser a pessoa que eles pensavam que eu
era. No começo, eu não sabia como. Eu continua estragando tudo. Mas eles não desistiram de mim. Eu
não acho que eles desistiram de você também, eu acho que você só tem de.... continuar tentando"

Há um longo momento de silêncio, Entrapta fazendo o possível para manter o olhar de Catra, mesmo
que isso a esteja claramente a matando. Ela não a deixa ir até Catra lhe dar um pequeno sorriso vacilante
e apertar a mão levemente em troca. Satisfeita com o sucesso do gesto, Entrapta a solta e dá um passo
para trás. Catra a observa.

"Você fez um grande progresso" murmura Catra.

"Obrigado!" diz Entrapta com orgulho. "Aprendi a coisa da mão com o Arqueiro, parece realmente
confortar as pessoas." Ela avalia Catra e depois assente decisivamente. “Você precisa de roupas novas.
Eu vou fazer umas para você. Um traje espacial também. Você quer que seu capacete tenha orelhas?
Vou fazer orelhas nele. " Com isso, Entrapta dispara pelo corredor, tagarelando alegremente em seu
gravador de voz sobre "outra conexão emocional bem-sucedida!"