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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOU TOR(A) JUIZ(A) DE

DIREITO DA SEGUNDA VARA CÍVEL ESPECIALIZADA EM


FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE CAXIAS DO SUL/RS.

PROCESSO nº 5017196-08.2020.8.21.0010/RS

SILVANA FORTUNA PECCIN, já qualificada nos


autos do processo retro epigrafado, que move em face do INSTITUTO DE
PREVIDÊNCIA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (IPERGS),
também igualmente qualificado, vem, com a devida vênia, perante Vossa
Excelência, manifestar-se em RÉPLICA à CONTESTAÇÃO apresentada
pelo IPERGS, constante ao evento 21 dos autos, para o que aduz o
seguinte:

DA BREVE SUMA DA QUAESTIO


1) PRIMEIRAMENTE, não podemos deixar de
consignar que a propositura da presente AÇÃO ORDINÁRIA À
CONCESSÃO DE BENEFÍCIO A PENSÃO POR MORTE, onde tenta o
IPERGS com tanto fervor, criar CORTINA DE FUMAÇA quanto ao que é
óbvio: a PROCEDÊNCIA DA AÇÃO. É o caso dos autos.

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2) A intenção do Instituto, desde a seara
ADMINISTRATIVA, até a esfera JUDICIAL, vem culminando com
inúmeros pedidos de benefícios previdenciários e pensões devidas, a ex-
servidores e aos seus familiares, postergando o RECONHECIMENTO
DO DIREITO destes, incluindo os da Autora, sendo certo o destino
destes, o de buscar amparo ao PODER JUDICIÁRIO e clamar pela
PROTEÇÃO JURISDICIONAL do Estado, diante do direito que
assistem, pois, ao caso em comento, trata-se, como já fartamente
demonstrado e provado, de DIREITO ADQUIRIDO.

3) Feito estas considerações, as quais servem de


alicerces ao êxito total da presente ação, passaremos agora IMPUGNAR
item por item, os argumentos suscitados pela Autarquia em sua peça
contestatória, das quais em sua totalidade são desprovidas de amparo
legal.

4) Pretende a parte Autora com seu pleito:

I) O RECONHECIMENTO do DIREITO à BENEFÍCIO


PREVIDENCIÁRIO à PENSÃO POR MORTE que faz jus, na condiçã o de
COMPANHEIRA do extinto servidor público Estadual, aposentado,
ALEXANDRE DANTE DE ALMEIDA, integrante dos QUADROS da Secretá ria da
Justiça e da Segurança Brigada Militar, no CARGO de COMISSÁRIO de POLÍCIA,
o qual faleceu em 05.07.2015;

II) A sua INSCRIÇÃO junto PLANO DE SAÚDE │IPERGS, e

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III) O PAGAMENTO dos ATRASADOS (observada a prescrição
quinquenal).

5) Conforme consta na peça portal, a Autora,


CONVIVEU MARITALMENTE pelo período de 21 (vinte e um) anos,
entre o MARCO INICIAL: 08/1994, até a DATA do ÓBITO do extinto
servidor, ALEXANDRE DANTE DE ALMEIDA, ocorrido em 05.07.2015.

6) Em data de 10.05.2015, a Autora AJUIZOU a


AÇÃO de RECONHECIMENTO de UNIÃO ESTÁVEL Post Mortem
(PROCESSO nº 010/1.15.0016738-0), onde obteve o
RECONHECIMENTO JUDICIAL da UNIÃO ESTÁVEL (SENTENÇA
DECLARATÓRIA PUBLICADA em data de 20.03.2018).

7) Assim, tendo sido DECLARADA


JUDICIALMENTE a UNIÃO ESTÁVEL, vivida pelo casal, que perdurou
por 21 (vinte e um) anos, de agosto de 1994 até 05 de julho de 2015, data
do óbito do instituidor da pensão, ficou também RECONHECIDA, que o
extinto, por anos DECLAROU a Autora como sua DEPENDENTE PARA
FINS DE IMPOSTO DE RENDA, desde 2004 até o ano do seu ÓBITO,
conforme se observa dos DOCUMENTOS de FOLHAS 25/58; 90/136 dos
autos da AÇÃO RELATIVA à UNIÃO ESTÁVEL em comento, o que
INDICA NÃO SÓ COMUNHÃO DE VIDAS, o que resta caracterizada a
DEPENDÊNCIA FINANCEIRA por parte da Autora.

8) Após a PUBLICAÇÃO da SENTENÇA ocorrido


em 14.09.2018, que DECLAROU a UNIÃO ESTÁVEL, a Autora

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PROTOCOLIZOU na VIA ADMINISTRATIVO junto ao IPERGS o
PEDIDO de CONCESSÃO de PENSÃO POR MORTE tombado sob o nº
119108-2442/18-0, o qual foi INDEFERIDO pela Autarquia Demandada
sob o argumento de que, tanto a autora como o instituidor do benefício
eram casados (fls. 20 e 21), advindo daí o ajuizamento da presente ação
previdenciária em 01-06-2012 (fl. 02), a qual foi julgada improcedente em
primeira instância sob a alegação de configuração da prescrição do fundo
de direito.

Trata-se de AÇÃO ORDINÁRIA ajuizada por SILVANA FORTUNA


PECCIN contra o INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DO ESTADO DO
RIO GRANDE DO SUL (IPERGS), pleiteando seu direito à PENSÃO
POR MORTE na condição de COMPANHEIRA do extinto
servidor/segurado, ALEXANDRE DANTE DE ALMEIDA, falecido em
05 de julho de 2015.

DA PRELIMINAR ARGUÍDA EM CONTESTAÇÃO

DA PRESCRIÇÃO DE FUNDO DE DIREITO INA


Em sua PEÇA CONTESTATÓRIA, PRELIMINARMENTE
sustenta o IPERGS: I) a caracterização de PRESCRIÇÃO do FUNDO DE
DIREITO e a INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 85 STJ, para o caso de
superação dessa prefacial; II) a não comprovação dos requisitos legais para a
DEPENDÊNCIA ECONÔMICA; III) a AUSÊNCIA de HABILITAÇÃO DE
COMPANHEIRA, e, SUCESSIVAMENTE, no caso de eventual condenação da

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Autarquia Previdenciária Estadual, no tocante ao, IV) pagamento de
PRESTAÇÕES VENCIDAS, tratando-se, EM TESE, o presente feito de
RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL, a Autora não encontrava-se
previamente habilitada como dependente do falecido servidor, devendo ser
aplicada a regra disposta no artigo 27, §3º, da LEI ESTADUAL n 7.672/82, com
a redação dada pela LEI nº 7.716/72, LIMITANDO o pagamento dos valores
pretéritos devidos, caso não seja pela DATA DO REQUERIMENTO
ADMINSTRATIVO, no mínimo, deverá ser limitada a contar do dia em que se
encerrou o pagamento do benefício a outra habilitada, qual seja, a ex-esposa do
extinto instituidor da pensão, IRMA FALCONI, A CONTAR DO DIA em que,
SE ENCERROU O PAGAMENTO DO BENEFÍCIO DESTA, ou seja, em de
21.08.2017.

Como foi dito na peça vestibular, existe muita confusão a respeito da prescrição e da decadência em direito
previdenciãrio. Equivoca-se o magistrado ad quo ao extinguir a presente ação pela prescrição do fundo de
direito. Na verdade Excelência, trata-se de prazo decadencial (preclusão) e não de prescrição, que tem seu
marco inicial com o indeferimento administrativo do pedido.

Os prazos prescricional e decadencial limitam sobremaneira o direito à revisão dos benefícios previdenciários.
Por outro lado, solidificam os procedimentos adotados pelo ente Previdenciário em épocas passadas, evitando
o pagamento de indenizações de grande vulto.

Como bem disse o MM. Juiz ad quo, a prescrição quinquenal em relação às dividas passivas da União, dos
Estados e dos Municípios tem sido aplicada desde o advento do Decreto nO 20.910, de 1932. Analisando-se
mais profundamente esta norma, vê-se que possui a seguinte redação, no artigo 1.0:

Art. 10 As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação
contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos
contados da data do ato ou fato do qual se originarem.

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A prescrição prevista no art. 1.0 Decreto n.0 20.910/32 pode ser tida como PRESCRIÇÃO DE FUNDO DE
DIREITO pelo fato de autorizar extinguir o próprio direito caso ultrapassado o período de cinco (05) anos desde
a constituição da dívida, ou seja, prescrição total.

Diz-se PRESCRIÇÃO TOTAL porque determina a completa extinção da pretensão (e não parte dela),
representando medida extremamente agressiva, penalizadora da demora do demandante na propositura de
medida judicial, como determinou o MM. Juiz ad quo no caso em tela.

Já o parágrafo 3.0 do mesmo decreto ilustra o que se denomina de PESCRIÇÃO QUINQUENAL, ou seja, não
atinge o direito em si, mas as prestações porventura decorrentes do direito reclamado, o que se pode
denominar como prescrição parcial.
Art. 30 Quando o pagamento se dividir por dias, meses ou anos, a prescrição atingirá progressivamente as
prestações à medida que completarem os prazos estabelecidos pelo presente decreto."'

Veja Excelência, que as duas (02) modalidades são resumidas no teor do enunciado da na súmula n1 85, do
egrégio STJ, emitida em 1993, in verbis:

STJ - Súmula n 85- "Nas relações jurídicas de trato sucessivo, em que a Fazenda Pública figure como devedora,
quando não tiver sido negado o próprio direito reclamado, a prescrição atinge apenas as prestações vencidas
antes do quinquênio anterior à propositura da açao-'

Essa já era a jurisprudência dominante no eg. Supremo Tribunal Federal, extratificada na Súmula n1 443: "A
prescrição das prestações anteriores ao período previsto em lei não ocorre quando não tiver sido negado,
antes daquele prazo, o próprio direito reclamado ou a situa çáojurídica de que ele resulta."

Dddddddddddddddddddddddddddddddddddd
A situação dos autos é peculiar e, já adianto, em parte assiste razão à
apelante, embora não se olvide que, quando do ajuizamento desta ação, assim
como quando do pedido administrativo, já havia decorrido mais de dez (10)
anos da data do óbito do instituidor do benefício (de onde deriva seu direito à
pensão), o que, conforme o entendimento que se adote, pode levar ao

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reconhecimento da prescrição do fundo de direito, na forma do art. 1º do
Decreto nº 20.910/32 .
Veja-se que, no caso, o óbito do instituidor do benefício ocorreu em 13-01-
2001 (fl. 17) e, logo em seguida, ou seja, já em 15-01-2001, a demandante
promoveu ação de reconhecimento de união estável (Processo nº
001/10500378103 – Apelação Cível nº 70024617482 ), com acórdão de
procedência do pedido lançado em 29-04-2009 e trânsito em julgado em 02-
12-2011 (após confirmação da decisão que negava seguimento ao Recurso
Especial – Ag 1284106/RS – fls. 42-43 e 44-58); e, em 10-12-2010, promoveu a
ação de divórcio (Processo nº 001/1103235329), obtendo sentença de
procedência exarada em 29-03-2012 (fls. 32 e 33-35), enquanto que o pedido
administrativo de concessão de pensão por morte foi protocolizado em 2010,
ou seja, cerca de um ano após o acórdão que julgou a ação de união estável,
tendo sido indeferido em 26-04-2011 (fls. 20 e 21) e a presente ação de
reconhecimento de direito a pensão por morte foi distribuída em 01-06-2012
(fl. 02).
Como se vê, diante do óbito, a demandante primeiro tratou de providenciar o
reconhecimento judicial de sua condição de companheira do ex-servidor
falecido, bem como de obter o divórcio relativamente à união anterior. E é
inegável que, nas circunstâncias, o êxito do pedido administrativo não
prescindia disso. Tanto é assim que, mesmo tendo formulado o pedido
administrativo quando já contava com acórdão de procedência na ação de
reconhecimento de união estável, foi indeferida a pretensão, mas não com
base em suposta prescrição, e sim, no fato de ela e o instituidor do benefício
ainda ostentarem a condição de casados.
Considerando que o que se busca é o reconhecimento de direito que, até
então (antes do reconhecimento judicial da união estável), jamais havia sido

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pleiteado perante a Administração Pública e sobre o qual, até então, a autora
sequer ostentava segura condição (pois noticiava conviver em união estável,
mas ainda ostentava vínculo conjugal com terceiro), a rigor, não há como
contar a prescrição da data do óbito do instituidor do benefício, como de
regra tem entendido esta Corte.
Somente com o indeferimento do pedido administrativo, em 26-04-2011, que,
friso, foi formulado após o reconhecimento judicial da união estável, é que
teve curso o lapso prescricional. Reitero que, aqui, antes do pedido deduzido
após o reconhecimento judicial da união estável jamais houve manifestação
da Administração Pública, mesmo que implícita, negando ou concedendo o
benefício, pois embora os noticiados trinta anos de convivência conjugal e os
três filhos dela decorrentes, a demandante sequer figurava como dependente
no IPÊ-Saúde, justamente por ambos não terem dissolvido os casamentos
anteriores. E, por isso, não restava caracterizada a lesão ao direito (actio
nata), a qual somente ocorreu com a negativa administrativa exarada em
2011.
Na espécie, pois, encontra plena aplicação a Súmula 85 do STJ: “Nas relações
jurídicas de trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure como devedora,
quando não tiver sido negado o próprio direito reclamado, a prescrição
atinge apenas as prestações vencidas antes do qüinqüênio anterior à
propositura da ação”.
A respeito da teoria da actio nata, destaco a lição de Odete Medauar:

Conforme se conclui da leitura de inúmeros acórdãos do STF a prescrição


começa a correr a partir da possibilidade de ajuizamento de ação contra a
Administração e esse momento surge com a lesão do direito. É o princípio da
actio nata, repetido em muitas ementas e votos. A orientação jurisprudencial

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tem a ver com a questão de ter havido ou não manifestação do Poder Público
- mesmo implícita - a respeito do direito pleiteado. Inexistindo manifestação
alguma, ou seja, mantendo-se a Administração silente quanto a direito do
interessado, não se caracteriza lesão de direito propiciadora de ajuizamento
de ação. No entanto, havendo manifestação do Poder Público, seja por ato
individual ou ato geral, que expressa ou implicitamente lese direito, a partir
daí se inicia o prazo da prescrição; em matéria de direitos de servidores, o
STF tem considerado atos de aposentadoria ou reforma, quando arrolam
parcelas de proventos ou indicam a importância dos mesmos, como
manifestação da Administração sobre direitos, correndo daí o termo da
prescrição; o mesmo tem sido decidido para atos ou decretos de
enquadramento. (in RT, vol. 642, pág. 91).

Nesse sentido, há recente julgado do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no


AREsp 282.263/RS), que se ajusta perfeitamente à situação dos autos,
ressaltando a inocorrência de prescrição do fundo de direito, porque a ação
de reconhecimento de união estável foi proposta no ano do óbito do
instituidor da pensão e a ação de pensão por morte logo após o
reconhecimento judicial dessa união, in verbis:

AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. PENSÃO POR


MORTE. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. AÇÃO DE
RECONHECIMENTO DA UNIÃO ESTÁVEL. AJUIZADA NO MESMO
ANO DO ÓBITO DO INSTITUIDOR DA PENSÃO.
1. A tese jurídica veiculada nas razões do regimental não é capaz de
modificar o posicionamento anteriormente firmado no decisum ora
impugnado.

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2. No caso dos autos, não procede a alegação de que teria ocorrido a
prescrição da pretensão ao próprio fundo de direito, uma vez que a ação de
reconhecimento de união estável foi proposta no ano do óbito do instituidor
da pensão e a ação de pensão por morte foi proposta um ano após o
reconhecimento judicial da união estável.
3. Decisão que se mantém por seus próprios fundamentos, pois o agravante
não trouxe argumentos novos, capazes de infirmar os fundamentos que
alicerçaram o julgado.
4. Agravo regimental não provido.
(AgRg no AREsp 282.263/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/03/2013, DJe 18/03/2013)

Para além disso, ainda destaco outro recente precedente do Superior


Tribunal de Justiça, Recurso Especial nº 1439299/PB , Relator o Ministro
Mauro Campbell Marques, julgado em 22-05-2014, o qual inclusive sublinha
que o benefício previdenciário em si, por estar ligado ao direito à vida e
compor o quadro dos direitos fundamentais, não prescreve, sujeitando-se a
prescrição tão somente as prestações não reclamadas em certo tempo, uma a
uma, em decorrência da inércia do beneficiário. No mesmo julgado, o
Ministro Relator ainda chama à atenção para a existência de precedentes do
STJ, em sentido contrário, mas pontualmente destaca que não mais refletem
o entendimento daquela Corte, enaltecendo estar consolidado entendimento
no sentido de que, nos feitos em que se discute a concessão ou o
restabelecimento de pensão por morte, apenas se opera a prescrição das
parcelas não pleiteadas anteriormente aos cinco anos (5) do ajuizamento da
ação, inexistindo prescrição do fundo de direito.
Ainda no mesmo sentido:

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PREVIDENCIÁRIO. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO. PENSÃO POR
MORTE. PRESCRIÇÃO.
"Em matéria de previdência social, a prescrição só alcança as prestações, não
o direito, que pode ser perseguido a qualquer tempo" (REsp 1.319.280/SE,
Rel. Min. Ari Pargendler, Primeira Turma, julgado em 6.8.2013, DJe
15.8.2013).
Recurso especial provido.
(REsp 1416885/PB, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA
TURMA, julgado em 04/02/2014, DJe 10/02/2014) (grifos meus)

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REVISÃO DE BENEFÍCIO


PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. PRESCRIÇÃO
QUINQUENAL. ART. 1º DO DECRETO 20.910/1932. RELAÇÃO DE
TRATO SUCESSIVO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 85/STJ.
1. Consoante a jurisprudência desta Corte, nas demandas em que se busca a
revisão de benefício previdenciário, aplica-se a prescrição quinquenal,
conforme disposição do art. 1º do Decreto 20.910/1932, e, por se tratar de
relação de trato sucessivo, abrange apenas as parcelas vencidas no
quinquênio anterior à propositura da ação, consoante a Súmula 85/STJ.
2. Recurso especial provido.
(REsp 1242692/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA,
julgado em 12/11/2013, DJe 20/11/2013) (grifos meus)

PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. INVALIDEZ


SUPERVENIENTE. PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE DIREITO.

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PRINCÍPIO DA ACTIO NATA. EXISTÊNCIA DE REQUERIMENTO
ADMINISTRATIVO. TERMO INICIAL DO LAPSO PRESCRICIONAL.
CONTADO DA NEGATIVA DA ADMINISTRAÇÃO. NÃO
OCORRÊNCIA DE PRESCRIÇÃO NO CASO CONCRETO.
INTERRUPÇÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE DE INOVAÇÃO
RECURSAL. SÚMULA 383/STF.
1. O termo inicial do prazo prescricional previsto no art. 1º do Decreto
20.910/32 dá-se no momento em que constatada a lesão e seus efeitos,
conforme o princípio da actio nata. No caso, inocorrente a prescrição.
2. A apresentação de novos fundamentos para reforçar a tese trazida no
recurso especial representa inovação, vedada no âmbito do agravo
regimental.
3. Ainda que se admitisse a discussão quanto à possível interrupção do prazo
prescricional, advinda do requerimento administrativo, - pretensa inovação
recursal - a tese encontraria óbice na Súmula 383 do STF, pois "a prescrição
em favor da Fazenda Pública recomeça a correr, por dois anos e meio, a
partir do ato interruptivo, mas não fica reduzida aquém de cinco anos,
embora o titular do direito a interrompa durante a primeira metade do
prazo".
Agravo regimental improvido.
(AgRg no AgRg no REsp 1396117/RS, Rel. Ministro HUMBERTO
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/10/2013, DJe 14/10/2013)

PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO


ESPECIAL. PRESCRIÇÃO DE FUNDO DE DIREITO.
INAPLICABILIDADE NAS DEMANDAS PREVIDENCIÁRIAS.
RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO. INDEFERIMENTO

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ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL
DECENAL PREVISTO NO ART. 103 DA LEI 8.213/91. AGRAVO
REGIMENTAL DO INSS DESPROVIDO.
1. As normas previdenciárias primam pela proteção do Trabalhador
Segurado da Previdência Social, motivo pelo qual os pleitos previdenciários
devem ser julgados no sentido de amparar a parte hipossuficiente e que, por
esse motivo, possui proteção legal que lhe garante a flexibilização dos rígidos
institutos processuais.
2. Os benefícios previdenciários envolvem relações de trato sucessivo e
atendem necessidades de caráter alimentar, razão pela qual a pretensão à
obtenção de um benefício é imprescritível.
3. As prestações previdenciárias tem características de direitos
indisponíveis, daí porque o benefício previdenciário em si não prescreve,
somente as prestações não reclamadas no lapso de cinco anos é que
prescreverão, uma a uma, em razão da inércia do beneficiário, nos exatos
termos do art. 3o. do Decreto 20.910/32.
4. Contudo, nos casos em que a Administração negou expressamente o
requerimento administrativo, incide o prazo decadencial na revisão do ato
administrativo que indefere o pedido do autor, com prescrição apenas das
parcelas vencidas além do quinquênio, nos termos do art. 103 e parágrafo
único da Lei 8.213/91, tendo o segurado dez anos para intentar ação judicial
visando ao direito respectivo.
5. No caso dos autos, o indeferimento do benefício, na via administrativa,
ocorreu em 2000 e o ajuizamento da ação se deu em 10.8.2009, ou seja, antes
da consumação do prazo de dez anos estipulado no artigo 103 da Lei
8.213/91. Logo, não se consumou nem prescrição de fundo de direito, nem
decadência do direito à revisão do ato indeferitório.

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6. Agravo Regimental do INSS desprovido.
(AgRg no REsp 1364155/SE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA
FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/12/2013, DJe 19/12/2013)
(grifos meus)

Portanto, é de ser reconhecido o direito da demandante à pensão por morte


deixada pelo instituidor do benefício, Florindo José Gonçalves, uma vez que a
condição de companheira já foi definitivamente reconhecida em ação judicial
pertinente, desimportando que a Autarquia demandada dela não tenha sido
parte ou mesmo notificada, porquanto se trata de ação de estado e a
participação de autarquia, para o fim específico daquela ação, em nada
repercutiria.
De qualquer modo, a eficácia positiva da coisa julgada vincula o julgamento
deste processo. Nesse sentido, esclarece OVIDIO A. BAPTISTA DA SILVA:
“enquanto a exceptio rei iudicatae é forma de defesa, a ser empregada pelo
demandado, o efeito positivo da coisa julgada pode ser fundamento de uma
segunda demanda ”.
Além do mais, está evidenciado nos autos que a demandante, ora se
qualificada como “do lar” e ora como faxineira, bem como que se trata de
união estável de cerca de trinta (30) anos e que dessa união resultaram três
filhos, Rosimeri, nascida em 1974, Carlos José, nascido em 1975 e Alex
Sandro, nascido em 1976 (conforme Certidões de Nascimento das fls. 25, 26 e
27). Portanto, resultam plenamente preenchidos, e com folga, os requisitos da
Lei Estadual nº 7.672/82 (que dispõe sobre o Instituto de Previdência do
Estado do Rio Grande do Sul), lembrando que esta Corte, com fulcro na Lei
Federal nº 9.278/86, que regulamentou o art. 226, § 3º, da Constituição
Federal, bem como o art. 1.723 do Código Civil, tem afastado a imposição de

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qualquer exigência temporal mínima, bem como tem entendido que,
reconhecida a união estável, a dependência econômica passa a ser presumida
perante a legislação previdenciária, a exemplo do que ocorre com a(o)
cônjuge.
Portanto, se o reconhecimento da união estável era pressuposto lógico para o
conhecimento da pretensão à pensão por morte, tal se mostra evidenciado
nestes autos.
Nesse sentido:

APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR


MORTE. UNIÃO ESTÁVEL. EXIGÊNCIA DE DEPENDÊNCIA
ECONÔMICA E INVALIDEZ. - Caso em que a autora se encontra na
condição de ex-companheira de servidor falecido. União estável
suficientemente comprovada pelos elementos de convicção disponíveis,
notadamente por encontrar-se o servidor falecido separado de fato á época,
impondo-se o reconhecimento do direito à pensão por morte. -
Desnecessidade de demonstração da dependência econômica. Procedência da
pretensão. Benefício devido a partir do falecimento da dependente
registrada, nas peculiaridades do caso concreto. - Correção monetária
(IPCA) e juros moratórios conforme orientação do Superior Tribunal de
Justiça (REsp 1270439/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 26/06/2013, DJe 02/08/2013). - Honorários advocatícios.
Critérios de fixação. Art. 20 do Código de Processo Civil. Limitação, no caso,
ao percentual entendido como justo por esta Câmara, 5% sobre as parcelas
vencidas até a data da sentença. - Reconhecimento da isenção das pessoas
jurídicas de direito público ao pagamento de custas e emolumentos, mantida
apenas a exigibilidade do recolhimento das despesas judiciais, por força do

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julgamento da ADI 70038755864. APELO DO IPERGS DESPROVIDO.
APELO DA AUTORA PARCIALMENTE PROVIDO. SENTENÇA
REFORMADA EM PARTE EM REEXAME NECESSÁRIO. (Apelação
Cível Nº 70058601527, Vigésima Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça
do RS, Relator: Marilene Bonzanini, Julgado em 01/04/2014) (grifos meus)

PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. UNIÃO ESTÁVEL. LEI


ESTADUAL Nº 7.672/82. REQUISITOS IMPLEMENTADOS. A existência
de prova quanto à união estável, como reclama a Lei Estadual nº 7.672/82
para a concessão do benefício, agregada à dependência econômica,
presumida quanto à companheira, a exemplo do que se dá com a esposa,
notadamente por reconhecer a Constituição Federal a união estável como
entidade familiar (art. 226, § 3º), equiparando-a ao casamento, impõe seja
reconhecido à autora direito ao recebimento da pensão por morte do
segurado. (Apelação e Reexame Necessário Nº 70060052289, Vigésima
Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Armínio José
Abreu Lima da Rosa, Julgado em 26/06/2014) (grifos meus)

APELAÇÃO CÍVEL. PREVIDENCIA PUBLICA. PENSÃO POR MORTE.


UNIÃO ESTÁVEL. DEPENDÊNCIA PRESUMIDA DA COMPANHEIRA
EM RELAÇÃO AO SERVIDOR FALECIDO. Haja vista que a Constituição
Federal comparou a união estável ao casamento (art. 226, §3º), a dependência
econômica da companheira de servidor falecido é presumida. Logo, uma vez
comprovada a união estável entre ambos, impositiva a sua habilitação como
pensionista junto ao Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do
Sul. Sentença de procedência confirmada. RECURSO DESPROVIDO.
(Apelação Cível Nº 70059849489, Primeira Câmara Cível, Tribunal de

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Justiça do RS, Relator: Carlos Roberto Lofego Canibal, Julgado em
11/06/2014) (grifos meus)

APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PREVIDÊNCIA


PÚBLICA. SERVIDOR PÚBLICO. PENSÃO POR MORTE. INCLUSÃO
DA COMPANHEIRA COMO BENEFICIÁRIA. UNIÃO ESTÁVEL
CONFIGURADA. DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. DESNECESSIDADE.
PRINCÍPIO DA ISONOMIA: Inequívoca a união estável entre a parte
autora e o ex-servidor, eis que consubstanciada nos pressupostos elencados
no art. 1.723, do CC. Descabe a comprovação de dependência econômica,
tendo em vista o princípio constitucional da igualdade entre homens e
mulheres, bem como levando-se em consideração que a dependência
econômica é presumida perante a lei previdenciária. CUSTAS E DESPESAS
PROCESSUAIS: Em razão dos efeitos da ADI nº 70038755864 e artigo 11,
parágrafo único, do Regimento de Custas (Lei Estadual nº 8.121/85), com a
redação dada pela Lei nº 13.471, permanece a isenção do Estado de pagar
custas, devendo esse arcar apenas com as despesas, excluindo-se as de Oficial
de Justiça. À UNANIMIDADE, DERAM PROVIMENTO AO APELO.
(Apelação Cível Nº 70058583055, Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça
do RS, Relator: João Barcelos de Souza Junior, Julgado em 21/05/2014)
(grifos meus)

APELAÇÃO. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO. COMPANHEIRA


DEPENDENTE DO SEGURADO FALECIDO. IPERGS. REQUISITOS
LEGAIS. INTELIGENCIA DA LEGISLAÇAO ESTADUAL E DO
CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO. UNIÃO ESTÁVEL. PROVA

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INSUFICIENTE. INADMISSIBILIDADE DO PENSIONAMENTO. A
CRFB reconhece a união estável como entidade familiar (art. 236, § 3º), e o
Código Civil (art. 1.723) dispõe sobre os requisitos para a sua configuração: a
convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de
constituição de família. Requisitos não preenchidos. A Lei n. 7.672/82, que
institui o regime próprio de previdência do Estado do Rio Grande do Sul,
deve ser interpretada em conformidade com a CRFB e com o Código Civil,
que é a norma que dispõe sobre os institutos jurídicos de direito privado. No
que diz com o caso, sobre os requisitos para a configuração da união estável
como unidade familiar. Caso em que a autora não logrou comprovar,
consoante lhe incumbia, ex vi do artigo 333, I, do CPC, que mantinha
relacionamento com o segurado falecido nos moldes de uma entidade
familiar, ou seja, com convivência pública, contínua e duradoura, o que
afasta por completo o direito à percepção do benefício previdenciário.
Precedentes. RECURSO DESPROVIDO. (Apelação Cível Nº 70056905102,
Vigésima Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Denise
Oliveira Cezar, Julgado em 27/03/2014) (grifos meus)

APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. HABILITAÇÃO DE


COMPANHEIRA DE SEGURADO COMPROVADA A UNIÃO ESTÁVEL.
DEPENDÊNCIA PRESUMIDA. CONHECIMENTO PARCIAL DO
APELO. 1. Parcial conhecimento do apelo. Não tem interesse recursal o réu
quanto ao pedido de complementação de pensão que recebe a autora do
INSS, pois a sentença não dispôs de forma diversa. 2. Direito à pensão. Em
equiparando-se a união estável ao casamento, da mesma sorte que ocorre
quando os conviventes estão unidos pelo instituto do casamento, a
dependência econômica é presumida. Satisfatoriamente comprovada a

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convivência entre a autora e o ex-segurado, como se casados fossem, deve a
mesma ser habilitada como pensionista por morte do segurado. Direito
constitucional à pensão integral, observando-se as alterações levadas a efeito
pela EC nº 41/03. 3. Honorários advocatícios. Verba honorária mantida, por
atender as moduladoras do art. 20 do cpc e aos princípios da razoabilidade e
modicidade. APELO CONHECIDO EM PARTE E DESPROVIDO.
(Apelação Cível Nº 70048351985, Primeira Câmara Cível, Tribunal de
Justiça do RS, Relator: Carlos Roberto Lofego Canibal, Julgado em
21/11/2012) (grifos meus)

No mesmo sentido, embora tratando de união homoafetiva, recentemente se


manifestou o Primeiro Grupo Cível:

EMBARGOS INFRINGENTES. PREVIDÊNCIA PÚBLICA. INSTITUTO


DE PREVIDÊNCIA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - IPERGS.
HABILITAÇÃO DE COMPANHEIRA COMO DEPENDENTE
PREVIDENCIÁRIA. DIREITO AO PENSIONAMENTO POR MORTE DE
SEGURADA. COMPROVAÇÃO DA DEPENDÊNCIA ECONÔMICA.
DESNECESSIDADE. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. A companheira
sobrevivente de segurada guarda direito à pensão previdenciária por morte,
independentemente da condição de inválida ou de dependente econômica. No
contexto constitucional atual, não há mais espaço a qualquer norma escrita
que ainda implique discriminação por gênero. Tratando-se de interpretação,
máxime a constitucional, necessário lançar mão de parâmetros
hermenêuticos obrigatórios que levem em conta a estruturação do
ordenamento jurídico como um sistema aberto, composto por princípios e

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regras, sob pena de romper-se o sistema. Preponderância dos princípios
constitucionais na construção do sentido normativo. POR MAIORIA,
VENCIDO O RELATOR, ACOLHERAM OS EMBARGOS
INFRINGENTES. (Embargos Infringentes Nº 70055829428, Primeiro Grupo
de Câmaras Cíveis, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luiz Felipe Silveira
Difini, Julgado em 14/03/2014) (grifos meus)

Na mesma linha já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça:

PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE DE SERVIDOR CIVIL.


COMPANHEIRA. COMPROVAÇÃO DE DEPENDÊNCIA ECONÔMICA.
DESNECESSIDADE.
A teor do art. 217, I, c, da Lei nº 8.112, de 1990, são beneficiários das pensões
"o companheiro ou companheira designado que comprove união estável
como entidade familiar". A norma não exige a prova de dependência
econômica em relação ao de cujus.
Recurso especial conhecido e provido. (REsp 1376978/RJ, Rel. Ministro ARI
PARGENDLER, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2013, DJe
04/06/2013) (grifos meus)

Assim, comprovada a união estável e sendo presumida a dependência


econômica, o acolhimento do pedido de inclusão como beneficiária da pensão
por morte é de rigor, lembrando que aqui não incide o limitador previsto no
art. 40, § 7º, combinado com o art. 201, ambos da Constituição Federal, uma
vez que o instituidor do benefício percebia valor inferior ao teto da
previdência (fl. 100).

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De regra, a pensão previdenciária deve ser paga a contar da data do
requerimento administrativo , sendo que, no caso, à falta de outro documento
e de impugnação efetiva pela Autarquia demandada, embora sem carimbo de
protocolo administrativo, poderia ser considerada a data do requerimento da
fl. 21 (15-10-2010). Contudo, a parte autora postulou o pagamento da pensão
a contar “da data do protocolo da presente demanda” (fl. 11), o qual ocorreu
em 01-06-2012 (fl. 02), sendo esta a data a ser observada em atenção aos
limites do pedido (art. 128 do CPC).
Reconhecido o direito à percepção do benefício, cumpre fixar os consectários
legais incidentes na espécie.
Em se tratando de valores decorrentes de benefício previdenciário, os juros
de mora incidem a partir da citação válida, nos exatos termos da Súmula 204
do STJ . Já a correção monetária incide desde a época em que deveriam ser
pagas as parcelas do benefício.
Além disso, ainda sobre os consectários legais, cumpre observar o
entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça por ocasião do
julgamento do REsp nº 1270439/PR, submetido ao rito do art. 543-C do CPC,
nestes termos:

RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.


543-C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N.º 08/2008. ADMINISTRATIVO.
SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. INCORPORAÇÃO DE QUINTOS.
MEDIDA PROVISÓRIA N.º 2.225-45/2001. PERÍODO DE 08.04.1998 A
05.09.2001. MATÉRIA JÁ DECIDIDA NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C
DO CPC. POSSIBILIDADE EM ABSTRATO. AUSÊNCIA DE INTERESSE
PROCESSUAL NO CASO CONCRETO. RECONHECIMENTO
ADMINISTRATIVO DO DIREITO. AÇÃO DE COBRANÇA EM QUE SE

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BUSCA APENAS O PAGAMENTO DAS PARCELAS DE RETROATIVOS
AINDA NÃO PAGAS.
1. Esta Corte já decidiu, por meio de recurso especial representativo de
controvérsia (art. 543-C do CPC e Resolução STJ nº 8/2008), que os
servidores públicos que exerceram cargo em comissão ou função
comissionada entre abril de 1998 e setembro de 2001 fazem jus à
incorporação de quintos (REsp 1.261.020/CE, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, Primeira Seção, DJe 7.11.12).
2. No caso concreto, todavia, a União é carecedora de interesse recursal no
que toca à pretensão de rediscutir a legalidade da incorporação dos quintos,
pois esse direito foi reconhecido pela própria Administração por meio de
processo que tramitou no CJF, já tendo sido a parcela, inclusive, incorporada
aos vencimentos do autor.
PRESCRIÇÃO. RENÚNCIA. INTERRUPÇÃO. REINÍCIO PELA
METADE. ART. 9º DO DECRETO 20.910/32. SUSPENSÃO DO PRAZO
NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. ART. 4º DO DECRETO
20.910/32. PRESCRIÇÃO NÃO VERIFICADA.
3. Nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, as "dívidas passivas da União,
dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação
contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua
natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual
se originarem".
4. Pelo princípio da actio nata, o direito de ação surge com a efetiva lesão do
direito tutelado, quando nasce a pretensão a ser deduzida em juízo, acaso
resistida, nos exatos termos do art. 189 do Novo Código Civil.
5. O ato administrativo de reconhecimento do direito pelo devedor importa
(a) interrupção do prazo prescricional, caso ainda esteja em curso (art. 202,

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VI, do CC de 2002); ou (b) sua renúncia, quando já se tenha consumado (art.
191 do CC de 2002).
6. Interrompido o prazo, a prescrição volta a correr pela metade (dois anos e
meio) a contar da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo
do respectivo processo, nos termos do que dispõe o art. 9º do Decreto n.º
20.910/32. Assim, tendo sido a prescrição interrompida no curso de um
processo administrativo, o prazo prescricional não volta a fluir de imediato,
mas apenas "do último ato ou termo do processo", consoante dicção do art.
9º, in fine, do Decreto 20.910/32.
7. O art. 4º do Decreto 20.910/32, secundando a regra do art. 9º, fixa que a
prescrição não corre durante o tempo necessário para a Administração
apurar a dívida e individualizá-la a cada um dos beneficiados pelo direito.
8. O prazo prescricional suspenso somente volta a fluir, pela metade, quando
a Administração pratica algum ato incompatível com o interesse de saldar a
dívida, quando se torna inequívoca a sua mora.
9. No caso, o direito à incorporação dos quintos surgiu com a edição da MP n.
2.225-45/2001. Portanto, em 04 de setembro de 2001, quando publicada a
MP, teve início o prazo prescricional quinquenal do art. 1º do Decreto
20.910/32.
10. A prescrição foi interrompida em 17 de dezembro de 2004 com a decisão
do Ministro Presidente do CJF exarada nos autos do Processo
Administrativo n.º 2004.164940, reconhecendo o direito de incorporação dos
quintos aos servidores da Justiça Federal.
11. Ocorre que este processo administrativo ainda não foi concluído. Assim,
como ainda não encerrado o processo no bojo do qual foi interrompida a
prescrição e tendo sido pagas duas parcelas de retroativos, em dezembro de
2004 e dezembro de 2006, está suspenso o prazo prescricional, que não voltou

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a correr pela metade, nos termos dos art. 9º c/c art. 4º, ambos do Decreto
20.910/32. Prescrição não configurada.
VERBAS REMUNERATÓRIAS. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS
DEVIDOS PELA FAZENDA PÚBLICA. LEI 11.960/09, QUE ALTEROU O
ARTIGO 1º-F DA LEI 9.494/97. DECLARAÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL POR ARRASTAMENTO (ADIN
4.357/DF).
12. O art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação conferida pela Lei 11.960/2009,
que trouxe novo regramento para a atualização monetária e juros devidos
pela Fazenda Pública, deve ser aplicado, de imediato, aos processos em
andamento, sem, contudo, retroagir a período anterior a sua vigência.
13. "Assim, os valores resultantes de condenações proferidas contra a
Fazenda Pública após a entrada em vigor da Lei 11.960/09 devem observar os
critérios de atualização (correção monetária e juros) nela disciplinados,
enquanto vigorarem. Por outro lado, no período anterior, tais acessórios
deverão seguir os parâmetros definidos pela legislação então vigente" (REsp
1.205.946/SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe 2.2.12).
14. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade parcial,
por arrastamento, do art. 5º da Lei 11.960/09, que deu nova redação ao art.
1º-F da Lei 9.494/97, ao examinar a ADIn 4.357/DF, Rel. Min. Ayres Britto.
15. A Suprema Corte declarou inconstitucional a expressão "índice oficial de
remuneração básica da caderneta de poupança" contida no § 12 do art. 100
da CF/88. Assim entendeu porque a taxa básica de remuneração da
poupança não mede a inflação acumulada do período e, portanto, não pode
servir de parâmetro para a correção monetária a ser aplicada aos débitos da
Fazenda Pública.

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16. Igualmente reconheceu a inconstitucionalidade da expressão
"independentemente de sua natureza" quando os débitos fazendários
ostentarem natureza tributária. Isso porque, quando credora a Fazenda de
dívida de natureza tributária, incidem os juros pela taxa SELIC como
compensação pela mora, devendo esse mesmo índice, por força do princípio
da equidade, ser aplicado quando for ela devedora nas repetições de indébito
tributário.
17. Como o art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação da Lei 11.960/09,
praticamente reproduz a norma do § 12 do art. 100 da CF/88, o Supremo
declarou a inconstitucionalidade parcial, por arrastamento, desse dispositivo
legal.
18. Em virtude da declaração de inconstitucionalidade parcial do art. 5º da
Lei 11.960/09: (a) a correção monetária das dívidas fazendárias deve
observar índices que reflitam a inflação acumulada do período, a ela não se
aplicando os índices de remuneração básica da caderneta de poupança; e (b)
os juros moratórios serão equivalentes aos índices oficiais de remuneração
básica e juros aplicáveis à caderneta de poupança, exceto quando a dívida
ostentar natureza tributária, para as quais prevalecerão as regras específicas.
19. O Relator da ADIn no Supremo, Min. Ayres Britto, não especificou qual
deveria ser o índice de correção monetária adotado. Todavia, há importante
referência no voto vista do Min. Luiz Fux, quando Sua Excelência aponta
para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística, que ora se adota.
20. No caso concreto, como a condenação imposta à Fazenda não é de
natureza tributária - o crédito reclamado tem origem na incorporação de
quintos pelo exercício de função de confiança entre abril de 1998 e setembro
de 2001 -, os juros moratórios devem ser calculados com base no índice oficial

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de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança, nos
termos da regra do art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação da Lei 11.960/09.
Já a correção monetária, por força da declaração de inconstitucionalidade
parcial do art. 5º da Lei 11.960/09, deverá ser calculada com base no IPCA,
índice que melhor reflete a inflação acumulada do período.
21. Recurso especial provido em parte. Acórdão sujeito à sistemática do art.
543-C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008.
(REsp 1270439/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO,
julgado em 26/06/2013, DJe 02/08/2013) (grifos meus)

Assim, adequando-me ao posicionamento do STF e do STJ, destaco que, nas


condenações exaradas contra a Fazenda Pública cuja citação ocorra após a
vigência da Lei nº 11.960/2009 (30-06-2009) permanece a incidência dos juros
aplicados à caderneta de poupança. Mas, nas ações em que a citação for
anterior à vigência da Lei nº 11.960/09, os juros incidem conforme a antiga
redação do art. 1º-F da Lei nº 9.494/1997 , isto é, no percentual de 6% ao ano,
desde a citação, e, a contar de 30-06-2009, de acordo com os juros aplicados à
caderneta de poupança. Já a correção monetária deve incidir com base no
IPCA, índice que melhor reflete a inflação acumulada do período.
Nesse sentido:

APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR


MORTE. UNIÃO ESTÁVEL. EXIGÊNCIA DE DEPENDÊNCIA
ECONÔMICA E INVALIDEZ. - Caso em que a autora se encontra na
condição de ex-companheira de servidor falecido. União estável
suficientemente comprovada pelos elementos de convicção disponíveis,
notadamente por encontrar-se o servidor falecido separado de fato á época,

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impondo-se o reconhecimento do direito à pensão por morte. -
Desnecessidade de demonstração da dependência econômica. Procedência da
pretensão. Benefício devido a partir do falecimento da dependente
registrada, nas peculiaridades do caso concreto. - Correção monetária
(IPCA) e juros moratórios conforme orientação do Superior Tribunal de
Justiça (REsp 1270439/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 26/06/2013, DJe 02/08/2013). - Honorários advocatícios.
Critérios de fixação. Art. 20 do Código de Processo Civil. Limitação, no caso,
ao percentual entendido como justo por esta Câmara, 5% sobre as parcelas
vencidas até a data da sentença. - Reconhecimento da isenção das pessoas
jurídicas de direito público ao pagamento de custas e emolumentos, mantida
apenas a exigibilidade do recolhimento das despesas judiciais, por força do
julgamento da ADI 70038755864. APELO DO IPERGS DESPROVIDO.
APELO DA AUTORA PARCIALMENTE PROVIDO. SENTENÇA
REFORMADA EM PARTE EM REEXAME NECESSÁRIO. (Apelação
Cível Nº 70058601527, Vigésima Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça
do RS, Relator: Marilene Bonzanini, Julgado em 01/04/2014) (grifos meus)

APELAÇÃO REEXAME NECESSÁRIO. PREVIDÊNCIA PÚBLICA.


UNIÃO ESTÁVEL ENTRE A AUTORA E EX-SERVIDOR PÚBLICO
FALECIDO E DEPENDÊNCIA ECONÔMICA COMPROVADAS.
HABILITAÇÃO. CABIMENTO. Havendo demonstração de união estável
entre a autora e ex-servidor falecido, bem como da dependência econômica,
preenchendo os requisitos legais para a habilitação, devido o recebimento de
pensão por morte à companheira. Caso concreto em que a convivência foi
retomada após o divórcio da autora e do ex-servidor. Aplicação do art. 9º da
Lei nº 7.672/82. Precedentes do TJRGS e STF. PENSÃO.

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INTEGRALIDADE. ÓBITO DO EX-SERVIDOR OCORRIDO APÓS A
ENTRADA EM VIGOR DA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 41/03.
Falecido o ex-servidor na vigência da Emenda Constitucional nº 41,
publicada no DOU em 31/12/03, há de ser considerado o novo regime
constitucional, nos termos do § 7º do art. 40 da Constituição Federal. Após a
edição da Emenda Constitucional nº 41/03 apenas existe na hipótese de
benefício dentro do limite para os benefícios do Regime Geral de Previdência
Social de que trata art. 201 da Constituição Federal. No caso, como o
servidor recebia proventos em valores inferiores ao limite constitucional, a
pensão deve ser calculada sem alteração ao limite máximo no caso concreto.
Precedentes do TJRGS. JUROS MORATÓRIOS. PERCENTUAL.
CORREÇÃO MONETÁRIA. IPCA. Os juros moratórios nas ações
previdenciárias ajuizadas após a edição da MP 2.180-35/01 são de 6% ao ano.
Impossibilidade jurídica da utilização do índice de remuneração da
caderneta de poupança como critério de correção monetária Posição do STF.
ADI 4357 Precedentes do TJRGS. e ADI 4425. Incidência de correção
monetária com base no IPCA, índice que melhor reflete a inflação acumulada
do período. CONDENAÇÃO DO ENTE PÚBLICO AO PAGAMENTO DAS
CUSTAS PROCESSUAIS. DESCABIMENTO. Tratando-se de pessoa
jurídica de direito público, incabível a condenação no pagamento de custas
processuais, observado o teor do art. 11 do Regimento de Custas, alterado
pela Lei nº 13.471/2010. PREQUESTIONAMENTO. A apresentação de
questões para fins de prequestionamento não induz à resposta de todos os
artigos referidos pela parte, mormente porque foram analisadas todas as
questões entendidas pertinentes para solucionar a controvérsia submetida à
apreciação. Apelação do IPERGS com seguimento negado. Apelação da
autora provida em parte liminarmente. Sentença modificada em parte em

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reexame necessário. (Apelação e Reexame Necessário Nº 70059823369,
Vigésima Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Carlos
Eduardo Zietlow Duro, Julgado em 04/06/2014) (grifos meus)

Por fim, a par do largo tempo em que a demandante ficou sem receber a
pensão a que faz jus, não há falar em dano moral, notadamente porque a
Administração Pública não deu causa a qualquer dissabor suportado pela
demandante, lembrando que cabia a ela e ao falecido instituidor do benefício
diligenciar para a adequação de seu estado civil.
Isso posto, DOU PARCIAL PROVIMENTO à apelação, para julgar
parcialmente procedente o pedido deduzido por MELÂNIA SALLETE DE
OLIVEIRA RAMOS contra INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DO ESTADO
DO RIO GRANDE DO SUL – IPERGS, condenando o demandado ao
pagamento da pensão por morte pleiteada, desde 01-06-2012 (fl. 02) até a
implementação em folha de pagamento, com juros de mora na forma da Lei
nº 11.960/2009, ou seja, de acordo com os juros aplicados à caderneta de
poupança, além de correção monetária pelo IPCA, desde a época em que
deveriam ser pagas as parcelas do benefício.
Em face do resultado do julgamento e considerando que é mínimo o
decaimento da parte autora, responde o demandado (IPERGS) pelas
despesas processuais (observadas as isenções legais – art. 11 do Regimento de
Custas e ADI nº 70038755864 ), bem como por honorários advocatícios que,
com base no art. 20, §§ 3º e 4º, do CPC, arbitro em R$ 2.000,00 (dois mil
reais), tendo em vista a natureza e a importância da causa, bem como o fato
de restar vencida a Fazenda Pública Municipal.
É o voto.

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(artigos 9º e 11 da Lei Estadual nº 7.672/82), argumentando que, contra si, a ação
declaratória de união estável não faz coisa julgada, pois não integrou o polo
passivo daquela ação (fls. 90-98).
A Autora SILVANA FORTUNA PECCIN, manteve
convivência pública e duradoura caracterizada como UNIÃO ESTÁVEL
conforme o artigo 1.723 do CÓDIGO CIVIL com o extinto servidor Estatual,
ALEXANDRE DANTE DE ALMEIDA, inclusive participou como meeira no
inventário do de cujus 010/1.15.0018198-6

A Autora, vem buscar seu direito subjetivo, de receber proteção


do ESTADO do RIO GRANDE DO SUL │ PENSÃO POR MORTE do IPERGS,
a QUALQUER TEMPO REQUERÍVEL, amparada na GARANTIA do
PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL esculpido no artigo 226, §3º, da
CONSTITUIÇÃO FEDERAL; bem como, no princípio cinstitucuibna
fortalecida

DA BREVE SUMA DA QUAESTIO


Insurge-se a Autarquia Requerida quanto à concessão da
PENSÃO POR MORTE em favor da Autora SILVANA FORTUNA PECCIN,
em virtude do falecimento do seu companheiro ALEXANDRE DANTE DE
ALMEIDA, alegado principalmente a PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE
DIREITO. No entanto, como restará demonstrado, não procedem as alegações da
Requerida, uma vez que a Autora, tem direito ao reconhecimento do benefício

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postulado, por isso rebatemos um a um os argumentos apresentados pelo
IPERGS.

PRELIMINARMENTE
DA ALEGAÇÃO DA PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE DIREITO
DA APLICABILIDADE DA SÚMULA 85 STJ

O objeto da controvérsia no presente feito visa pacificar o


entendimento sobre a existência ou não da PRESCRIÇÃO do FUNDO DE
DIREITO para a CONCESSÃO INICIAL de BENEFÍCIO
PREVIDENCIÁRIO.

Excelência, muito embora o ÓBITO do EXTINTO


SEGURADO tenha ocorrido em 05.07.2015, a se cogitar o DECURSO do
LAPSO PRESCRICIONAL, diante da, DATA em que AJUIZADA a
PRESENTE DEMANDA 17.09.2020, tem-se sua INTERRUPÇÃO decorrente
do PROTOCOLO de REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO nº 119108-
2442/18-0 junto a Autarquia Estadual no tocante ao BENEFÍCIO em questão,
em data de 14.09.2018, tomando conhecimento da DECISÃO
INDEFERITÓRIA DEFINITIVA no ÂMBITO ADMINISTRATIVO em
21.02.2020, o que leva à CONTAGEM DO PRAZO de 05 (cinco) anos, do
artigo 1º, do Decreto nº 20.910/32.

LAPSO TEMPORAL ENTRE


O INDEFERIMENTO E A PROPOSITURA DA
AÇÃO
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01 ano
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PRAZO TRANSCORRIDO
03 anos
ÓBITO + ENTRADA REQUERIMENTO

ÓBITO REQUERIMENTO INDEFERIMENTO


PROPOSITURA DA
EX-SEGURADO ADMINSTRATIVO 21.02.2020AÇÃO
05.07.2015 14.09.2018 17.09.2020

MARCO INTERRUPTIVO
DA PRESCRIÇÃO

Portanto, ao caso concreto, tendo como norte o pacífico


entendimento consolidado no SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

no STJ o entendimento de que, tendo sido negado formalmente pela administração


o
direito pleiteado, o termo inicial do prazo prescricional é a data do
conhecimento pelo administrado do indeferimento do pedido.

NÃO IMPLEMENTANDO o PRAZO PRESCRICIONAL entre a


NEGATIVA ADMINISTRATIVA do benefício e a PROPOSITURA DESTA
AÇÃO.

ASSIM, a apresente PRELIMINAR deve ser DESPREZADA,


uma vez que, não está a Autora postulando mais do que a Lei lhe assegura.

DA INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 219 DA LEI nº 8.112/1990


PEDIDO A QUALQUER TEMPO

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Em outras palavras, o benefício previdenciário deve ser requerido
até cinco dias contados da morte do instituidor nos termos do artigo 1º do
DECRETO nº 20.910/32, ou, por se tratar de DIREITO FUNDAMENTAL nos
termos do artigo 6º da CONSTITUIÇÃO FEDERAL, o PRAZO para
REQUERER a CONCESSÃO INICIAL seria IRRELEVANTE, por ser
IMPRESCRITÍVEL.
No caso dos servidores públicos, a intepretação do artigo 1º do
Decreto nº 20.910/1932 deve ocorrer em consonância com o que prevê a
legislação que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis.

Para os servidores públicos federais, a Lei nº 8.112/1990 prevê


que a pensão poderá ser requerida a qualquer tempo, havendo a prescrição
somente das prestações exigíveis há mais de cinco anos.

Vejamos o art. 219:

"Art. 219. A pensão poderá ser requerida a qualquer tempo, prescrevendo tão-somente as
prestações exigíveis há mais de 5 (cinco) anos. Parágrafo único. Concedida a pensão, qualquer
prova posterior ou habilitação tardia que implique exclusão de beneficiário ou redução de
pensão só produzirá efeitos a partir da data em que for oferecida"

Nesse sentido, os dependentes podem pleitear a qualquer tempo o


direito à pensão por morte. Ou seja, a inércia do beneficiário não causa a
prescrição do direito de requerê-la junto à Administração, somente leva à
prescrição das parcelas anteriores ao prazo de cinco anos.

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Por isso, o PRAZO PRESCRICIONAL previsto no artigo 1º do
Decreto n.º 20.910/1932 se aplica em caso de pedido que foi negado e que precisa
ser desconstituído judicialmente, sob pena de prescrição do fundo do direito.

Dessa forma, a interpretação do artigo 1º do Decreto nº


20.910/1932 deve se dar conjuntamente à interpretação do artigo 219 da Lei n.º
8112/1990, ainda que não se trate de servidores públicos federais, afinal, é cabível
a intepretação analógica na discussão, uma vez que o prazo de prescrição de
demandas judiciais é matéria relacionada com direito civil e processual, assuntos
cuja competência para legislar é privativa da União (art. 22, I, da CF/88).

DA PRESCRIÇÃO DO FUNDO DO DIREITO PARA A


CONCESSÃO INICIAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO │
IMPRESCRITÍVEL │ DIREITO FUNDAMENTAL

5) A presente AÇÃO ORDINÁRIA tem por escopo central a


CONCESSÃO INICIAL do benefício de PENSÃO POR MORTE, em razão do
óbito de servidor estadual. Apesar da matéria já estar pacificada, a Autarquia
Previdenciária insiste e defende com fervor, manter este pensamento retrogrado,
no tocante a incidência da PRESCRIÇÃO do FUNDO DE DIREITO da
CONCESSÃO INICIAL de BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO.

6) O presente feito versa sobre a CONCESSÃO INICIAL de


benefício previdenciário, ou seja, OBRIGAÇÃO de TRATO SUCESSIVO de
CARÁTER ALIMENTAR, razão pela qual, a PRESCRIÇÃO atinge apenas as
PRESTAÇÕES VENCIDAS antes do QUINQUÊNIO ANTERIOR à
PROPOSITURA DA AÇÃO.

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7) decurso do tempo é irrelevante para a concessão de benefício
previdenciário, por se tratar de direito fundamental (art. 6° da Constituição
Federal), que visa garantir a subsistência e a vida quando da incapacidade laboral
de fato (invalidez), presumida (idade ou tempo de contribuição) ou morte
(pensão), jamais se admitindo que um mero decreto cerceie direito fundamental
assegurado, expressamente, na Carta Magna.

8) Assim, consoante decidido na Repercussão Geral n° 313,


Recurso Extraordinário 626.489, Relator Ministro Luís Roberto Barroso,
INEXISTE PRAZO PARA A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO, por se tratar
de DIREITO FUNDAMENTAL, somente para a revisão do seu valor, in verbis:

“DIREITO PREVIDENCIÁRIO. REGIME GERAL DE


PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS). REVISÃO DO ATO DE CONCESSÃO DE
BENEFÍCIO. DECADÊNCIA. 1. O direito à previdência social constitui direito
fundamental e, uma vez implementados os pressupostos de sua aquisição, não deve ser
afetado pelo decurso do tempo. Como consequência, inexiste prazo decadencial para a
concessão inicial do benefício previdenciário. 2. É legítima, todavia, a instituição de
prazo decadencial de dez anos para a revisão de benefício já concedido, com
fundamento no princípio da segurança jurídica, no interesse em evitar a eternização dos
litígios e na busca de equilíbrio financeiro e atuarial para o sistema previdenciário. 3. O
prazo decadencial de dez anos, instituído pela Medida Provisória 1.523, de 28.06.1997,
tem como termo inicial o dia 1º de agosto de 1997, por força de disposição nela
expressamente prevista. Tal regra incide, inclusive, sobre benefícios concedidos
anteriormente, sem que isso importe em retroatividade vedada pela Constituição. 4.
Inexiste direito adquirido a regime jurídico não sujeito a decadência. (RE 626489,
Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 16/10/2013,
ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-184 DIVULG
22-09-2014 PUBLIC 23-09-2014).”

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9) Pedimos vênia para transcrever trecho do voto do eminente
Relator Ministro Roberto Barroso, que diferencia de forma didática a
CONCESSÃO INICIAL de benefício previdenciário da hipótese de revisão do seu
valor mensal, ressaltando, expressamente, a validade da Súmula 85 do STJ,
verbis:

“Vale dizer: o direito fundamental ao benefício previdenciário pode


ser exercido a qualquer tempo, sem que se atribua qualquer consequência negativa à
inércia do beneficiário. Esse ponto é reconhecido de forma expressa no art. 102, § 1°,
da Lei n° 8.213/1991, bem como em diversas passagens em que a referida lei apenas
dispõe que o atraso na apresentação do requerimento fará com que o benefício seja
devido a contar do pedido, sem efeito retroativo. Nesse sentido, permanecem
perfeitamente aplicáveis as Súmulas 443/STF e 85/STJ, na medida em que registram a
imprescritibilidade do fundo de direito do benefício não requerido.”

10) O voto da Ministra Cármem Lúcia explicitada que o direito à


concessão inicial é “intocável”, verbis:

“Espero que tenha ficado claro - não apenas para nós, mas,
principalmente, para aqueles que são os beneficiários - que não se cuida aqui, como
posto também pela doutora Luysien, de tangenciar, tocar, diminuir, comprometer o
direito material à previdência, ao benefício, ou à nada que o valha. Estamos todos de
acordo - Juízes, advogados dos dois lados - em que este direito é intocável. Faço essa
referência porque a clareza do voto do Ministro Barroso, que é o Relator, creio, deixou
isso devidamente patenteado. E é uma preocupação, Presidente, porque, quando se trata
de Direito Previdenciário, especialmente direito a benefícios, estamos lidando com
direito de pessoas que já prestaram o serviço à sociedade e que têm consolidado no seu
patrimônio aquele direito. Não pode, agora, o Poder Judiciário - não poderia, muito
menos em face da Constituição brasileira - tirar aquilo que já foi adquirido.”

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11) Após o voto da Ministra Carmem Lúcia, o nobre Relator Min.
Roberto Barroso volta ao tópico, esclarecendo novamente que a concessão inicial
de benefício previdenciário é imprescritível, verbis:

“Só um comentário. Com esta preocupação que é a mesma de Vossa


Excelência, eu abri a ementa do voto, dizendo: O direito à previdência social constitui
direito fundamental e, uma vez implementados os pressupostos de sua aquisição, não
deve ser afetado pelo decurso do tempo. Como consequência, inexiste prazo
decadencial para a concessão inicial do benefício previdenciário. Essa é a primeira
proposição da minha ementa.”

12) Veja que o julgamento versa sobre a “previdência social”


ainda, por se referir a “direito fundamental” é aquele previsto no art. 6º da
Constituição Federal1, ou seja, independente de qual for o regime, a concessão
inicial de benefício previdenciário é imprescritível, não podendo o estado se
beneficiar da sua própria torpeza ao violar a lei e negar o benefício na via
administrativa e, ainda, levar proveito dessa conduta criminosa.

13) No mesmo sentido, entendimento do SUPERIOR


TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ), que entende que o benefício previdenciário se
trata de direito fundamental, por sua vez, IMPRESCRITÍVEL:

“PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO NEGADO NA VIA


ADMINISTRATIVA. PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE DIREITO. INOCORRÊNCIA.
SÚMULA 85/STJ. INAPLICABILIDADE. 1. A jurisprudência desta Corte é firme no
sentido de que, mesmo na hipótese de negativa de concessão de benefício
previdenciário e/ou assistencial pelo INSS, não há falar em prescrição do próprio fundo

1
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a
segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma
desta Constituição.

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de direito, porquanto o direito fundamental a benefício previdenciário não pode ser
fulminado sob tal perspectiva. 2. Em outras palavras, o direito à obtenção de benefício
previdenciário é imprescritível, apenas se sujeitando ao efeito aniquilador decorrente
do decurso do lapso prescricional as parcelas não reclamadas em momento oportuno. 3.
Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 506.885/SE, Rel.
Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/05/2014, DJe
02/06/2014).”

“PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO


REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONCESSÃO DE
BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. ART. 103
CAPUT DA LEI 8.213/1991 APLICÁVEL AO ATO DE REVISÃO DO BENEFÍCIO.
AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. No presente caso, o benefício
previdenciário ainda não foi concedido. O caput do art. 103 da Lei 8.213/1991 está
voltado tão somente para o ato revisional de concessão do benefício. Prescrição do
fundo de direito não há, quando se trata de concessão de benefício previdenciário,
inserido no rol dos direitos fundamentais. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no
AREsp 493.997/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA
TURMA, julgado em 03/06/2014, DJe 09/06/2014).”

“PREVIDENCIÁRIO. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO. PENSÃO


POR MORTE. PRESCRIÇÃO. "Em matéria de previdência social, a prescrição só
alcança as prestações, não o direito, que pode ser perseguido a qualquer tempo" (REsp
1.319.280/SE, Rel. Min. Ari Pargendler, Primeira Turma, julgado em 6.8.2013, DJe
DJe 15.8.2013). Recurso especial provido. (REsp 1416885/PB, Rel. Ministro
HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/02/2014, DJe
10/02/2014).”

“PREVIDENCIÁRIO. CONCESSÃO DE PENSÃO POR


MORTE. BENEFÍCIO DE RENDA MENSAL VITALÍCIA CONCEDIDO

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ERRONEAMENTE PELA ADMINISTRAÇÃO ANTES DA MEDIDA
PROVISÓRIA. TRIBUNAL CONSIDEROU CORRETA A CONCESSÃO DE
APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. 1.
Caracterizado o benefício previdenciário como de caráter eminentemente alimentar,
constituindo obrigação periódica e de trato sucessivo, não admite a pretendida
prescrição do fundo do direito, mas tão somente das parcelas vencidas há mais de cinco
anos, consoante já fixado pela Súmula 85/STJ. 2. O caput do art. 103 da Lei
8.213/1991 está voltado tão somente para o ato revisional de concessão do benefício.
Não há que falar em prescrição do fundo de direito quando se trata de concessão de
benefício previdenciário, inserido no rol dos direitos fundamentais. 3. O Tribunal de
origem, mediante análise das provas dos autos, acolheu a argumentação da autora de
que seu falecido cônjuge fazia jus à aposentadoria por invalidez, e não à Renda Mensal
Vitalícia. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1502460/PR, Rel. Ministro
HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/03/2015, DJe
11/03/2015). 15.8.2013). Recurso especial provido. (REsp 1416885/PB, Rel. Ministro
HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/02/2014, DJe
10/02/2014).”

14) Pedimos vênia para transcrever trecho da decisão proferida


pelo Ministro BENEDITO GONÇALVES no REsp n° 1.421.150/PB
(2013/0392002-8), proferida em 08.08.2017, que ressalta com maestria que o
direito à concessão do benefício de pensão por morte NÃO prescreve o fundo de
direito, verbis:

“Assentada esta premissa, observa-se tratar-se, no caso, de ação


em que a parte autora objetiva o restabelecimento da pensão por morte, na
qualidade de companheira, face ao óbito de Raimundo Correia. A sentença foi de
procedência do pleito autoral. O Tribunal a quo, no julgamento da apelação do
INSS e ao reexame necessário, manteve in totum a sentença. No entanto, em sede

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de embargos de declaração, entendeu por atribuir-lhe efeitos infringentes e,
reconhecendo a prescrição do fundo de direito julgou improcedente a demanda.

Cinge-se a controvérsia recursal em afastar a prescrição do fundo


de direito da parte autora. Nesse passo, o caput do artigo 103 da Lei n. 8.213⁄91,
norma específica a tratar da decadência no âmbito das relações entre a Previdência
Social e seus segurados ou dependentes destes, declara que a prescrição do fundo
de direito atinge a revisão do ato que concedeu o benefício.

Pressupõe, portanto, benefício que está ou pelo menos esteve em


manutenção (concessão e pagamento inicial ou restabelecimento). A norma citada,
não diz respeito à extinção do direito de reclamar a proteção securitária, porque
sendo direito fundamental não se sujeita à caducidade.

Assim, tem-se que a regra matriz prevista no caput do artigo 103


da Lei n. 8.213⁄91 não dispôs a respeito de prazo que fulmine o direito à obtenção
do benefício ou serviço, não sendo o caso de se cogitar na aplicação dos demais
normativos legais suscitados porque a garantia à cobertura pelo sistema
previdenciário traduz inequívoca proteção à manutenção da vida digna.

Nessa linha, cito trecho do voto proferido pelo Ministro Luís


Roberto Barroso, relator do RE 626.489⁄SE, julgado pelo Plenário do Supremo
Tribunal Federal sob o rito da repercussão geral, disponibilizado no Informativo
de Jurisprudência n. 725⁄STF, no qual se tratou da aplicabilidade imediata do
prazo decenal à revisão de benefício previdenciário concedido antes da introdução
do instituto da decadência no caput do artigo 103 da Lei n. 8.213⁄91, momento em

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que foi ressalvada a inaplicabilidade da caducidade para a obtenção da prestação
securitária:

9. [...]

No tocante ao direito à obtenção de benefício previdenciário, a


disciplina legislativa não introduziu prazo algum. Vale dizer: o direito
fundamental ao
benefício previdenciário pode ser exercido a qualquer tempo, sem que se atribua
qualquer consequência negativa à inércia do beneficiário. Esse ponto é
reconhecido de forma expressa no art. 102, § 1°, da Lei n° 8.213⁄1991, bem como,
em diversas passagens em que a referida lei apenas dispõe que o atraso na
apresentação do requerimento fará com que o benefício seja devido a contar do
pedido, sem efeito retroativo. Nesse sentido, permanecem perfeitamente
aplicáveis as Súmulas 443⁄STF e 85⁄STJ, na medida em que registram a
imprescritibilidade do fundo de direito do benefício não requerido (grifo nosso).

Sendo assim, esta Corte Superior de Justiça fixou entendimento


de que não há falar em prescrição do direito à concessão de benefício do regime
geral de previdência social, haja vista constituir direito de natureza alimentar, de
caráter imprescritível. Nesse sentido:

“PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RESTABELECIMENTO DE


PENSÃO POR MORTE. PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE DIREITO. NÃO OCORRÊNCIA.
RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. A questão central do recurso
especial gira em torno da ocorrência ou não da prescrição da pretensão ao reconhecimento do
direito à pensão por morte. 2. Relativamente à ocorrência ou não da prescrição do fundo de direito,

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parte-se da definição de que os benefícios previdenciários estão ligados ao próprio direito à vida e
são direitos sociais que compõem o quadro dos direitos fundamentais. 3. A pretensão ao benefício
previdenciário em si não prescreve, mas tão somente as prestações não reclamadas em certo
tempo, que vão prescrevendo uma a uma, em virtude da inércia do beneficiário. Inteligência do
parágrafo único do art. 103 da Lei 8.213⁄1991. 4. Recurso especial conhecido e não provido. (REsp
1.439.299⁄PB, Rel. Min. Mauro Campbell Maques, DJe de 28⁄5⁄2015).”

“PREVIDENCIÁRIO. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO. PENSÃO POR


MORTE. PRESCRIÇÃO. "Em matéria de previdência social, a prescrição só alcança as
prestações, não o direito, que pode ser perseguido a qualquer tempo" (REsp 1.319.280⁄SE, Rel.
Min. Ari Pargendler, Primeira Turma, julgado em 6.8.2013, DJe 15.8.2013). Recurso especial
provido. (REsp 1.416.885⁄PB, Rel. Min. Humberto Martins, DJe 10⁄2⁄2014).”

“PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM


RECURSO ESPECIAL. PRESCRIÇÃO DE FUNDO DE DIREITO. INAPLICABILIDADE NAS
DEMANDAS PREVIDENCIÁRIAS QUE ENVOLVEM RELAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO
E ATENDEM NECESSIDADES DE CARÁTER ALIMENTAR, RAZÃO PELA QUAL A
PRETENSÃO À OBTENÇÃO DE UM BENEFÍCIO É IMPRESCRITÍVEL. AGRAVO
REGIMENTAL DO INSS DESPROVIDO. 1. As normas previdenciárias primam pela proteção do
Trabalhador Segurado da Previdência Social, motivo pelo qual os pleitos previdenciários devem
ser julgados no sentido de amparar a parte hipossuficiente e que, por esse motivo, possui proteção
legal que lhe garante a flexibilização dos rígidos institutos processuais. 2. Os benefícios
previdenciários envolvem relações de trato sucessivo e atendem necessidades de caráter alimentar,
razão pela qual a pretensão à obtenção de um benefício é imprescritível. 3. É firme o entendimento
desta Corte de que, cumpridas as formalidades legais, o direito ao benefício previdenciário
incorpora-se ao patrimônio jurídico do beneficiário, não podendo ser objeto, destarte, de
modificação ou extinção. 4. Agravo Regimental do INSS desprovido. (AgRg no AREsp
311.396⁄SE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 03⁄04⁄2014).”

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“PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO NEGADO NA VIA
ADMINISTRATIVA. PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE DIREITO. INOCORRÊNCIA. SÚMULA
85⁄STJ. INAPLICABILIDADE. 1. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que, mesmo
na hipótese de negativa de concessão de benefício previdenciário e/ou assistencial pelo INSS, não
há falar em prescrição do próprio fundo de direito, porquanto o direito fundamental a benefício
previdenciário não pode ser fulminado sob tal perspectiva. 2. Em outras palavras, o direito à
obtenção de benefício previdenciário é imprescritível, apenas se sujeitando ao efeito aniquilador
decorrente do decurso do lapso prescricional as parcelas não reclamadas em momento oportuno. 3.
Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no AREsp 506.885⁄SE, Rel. Ministro Sérgio
Kukina, Primeira Turma, DJe 02⁄06⁄2014).”

“PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. PRESCRIÇÃO. ART. 103,


PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 8.213⁄1991. INDEFERIMENTO DE BENEFÍCIO. NEGATIVA
EXPRESSA DO INSS. FUNDO DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DO
ART. 103 DA LEI 8.213⁄199 1. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO. 1. A autarquia previdenciária
pretende configurar a prescrição do fundo de direito em razão de o benefício ter sido negado
administrativamente, com amparo no art. 103, parágrafo único, da Lei 8.213⁄1991 e na Súmula
85⁄STJ. 2. O STJ sedimentou compreensão de que não há prescrição do fundo de direito dos
benefícios previdenciários do Regime Geral de Previdência Social, e que tal instituto somente
atinge as parcelas sucessivas anteriores ao prazo prescricional. Nesse sentido: AgRg no REsp
1.384.787⁄CE, Rel. Ministro Humberto Mar ns, Segunda Turma, DJe 10.12.2013; AgRg no REsp
1.096.216⁄RS, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Sexta Turma, DJe 2.12.2013. 4. A interpretação
contextual do caput e do parágrafo único do art. 103 da Lei 8.213⁄1991 conduz à conclusão de que
o prazo que fulmina o direito de revisão do ato de concessão ou indeferimento de benefício
previdenciário é o decadencial de dez anos (caput), e não o lapso prescricional quinquenal
(parágrafo único) que incide apenas sobre as parcelas sucessivas anteriores ao ajuizamento da
ação. 5. A aplicação da prescrição quinquenal prevista no parágrafo único do art. 103 da Lei
8.213⁄1991 sobre o fundo de direito tornaria letra morta o previsto no caput do mesmo dispositivo
legal. 6. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 451.468⁄SE, Rel. Min. Herman
Benjamin, Segunda Turma, DJe 19⁄03⁄2014).”

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“PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REVISÃO DE BENEFÍCIO
PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. ART. 1º DO
DECRETO 20.910⁄1932. RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO. APLICAÇÃO DA SÚMULA
85⁄STJ. 1. Consoante a jurisprudência desta Corte, nas demandas em que se busca a revisão de
benefício previdenciário, aplica-se a prescrição quinquenal, conforme disposição do art. 1º do
Decreto 20.910⁄1932, e, por se tratar de relação de trato sucessivo, abrange apenas as parcelas
vencidas no quinquênio anterior à propositura da ação, consoante a Súmula 85⁄STJ. 2. Recurso
especial provido. (REsp 1.242.692⁄RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe 20⁄11⁄2013).”

Vigora no Direito Previdenciário o PRINCÍPIO DA


IMPRESCRITIBILIDADE dos DIREITOS PATRIMONIAIS relativos ao
BENEFÍCIO em si. A este princípio opõe-se à regra da
PRESCRITIBILIDADE das MENSALIDADES não reclamadas no prazo de 05
(cinco) anos.

4) O MM. Juiz ad quo, em sua sentença, insiste em dizer que o


termo inicial prescricional surge com o advento do falecimento do servidor,
inclusive colacionou jurisprudências desatualizadas. No entanto, segundo a
jurisprudência predominante, a pretensão ao fundo de direito prescreve, em
Direito Administrativo, em cinco anos a partir da data de sua violação, pelo não
reconhecimento inequívoco do mesmo por parte da Administração. Exegese do
art. 10 do Decreto nº 20.910/92.

O ex-servidor faleceu na data de 29/02/1 996, tendo a Autora


requerido administrativamente sua habilitação na pensão "post mortem" em 1
B'02'201 3, somente tomando ciência do indeferimento administrativo em
12/03/2014, ajuizando a presente ação no ano de 2015. Percebe-se que o lapso
temporal decorrido foi de um ano entre o requerimento e o indeferimento do

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pedido de pensionamento e de dois anos entre o indeferimento e ação judicial. A
jurisprudência atual é unânime:

Com efeito, em recente decisão do Superior Tribunal de


Justiça, nos autos do Resp nº. 1.439.299-PB, de lavra do Ministro Mauro
Campbell Marques “a pretensão ao benefício previdenciário em si não prescreve,
mas tão somente as prestações não reclamadas em certo tempo, que vão
prescrevendo uma a uma, em virtude da inércia do beneficiário. Inteligência do
parágrafo único do art. 103 da Lei 8.213/91”.

5) Elucidativos são os acórdãos a seguir transcritos:

“PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RESTABELECIMENTO DE


PENSÃO POR MORTE. PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE DIREITO. NÃO OCORRÊNCIA.
RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. A questão central do recurso
especial gira em torno da ocorrência ou não da prescrição da pretensão ao reconhecimento do
direito à pensão por morte. 2. Relativamente à ocorrência ou não da prescrição do fundo de direito,
parte-se da definição de que os benefícios previdenciários estão ligados ao próprio direito à vida e
são direitos sociais que compõem o quadro dos direitos fundamentais. 3. A pretensão ao benefício
previdenciário em si não prescreve, mas tão somente as prestações não reclamadas em certo
tempo, que vão prescrevendo uma a uma, em virtude da inércia do beneficiário. Inteligência do
parágrafo único do art. 103 da Lei 8.213/1991. 4. Recurso especial conhecido e não provido.
(REsp 1439299/PB, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA,
julgado em 22/05/2014, DJe 28/05/2014).”

6) Alega a Autarquia Requerida, a PRESCRIÇÃO


QUINQUENAL prevista no artigo 1º do DECRETO 20.910/32 e SÚMULA 85
do STJ, pleiteando seja RECONHECIDA sua incidência sobre as parcelas
anteriores aos 05 (cinco) anos – CONTADOS da DATA do ATO ou FATO do

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qual se ORIGINAREM, devendo ser EXTINTO, o presente feito COM
RESOLUÇÃO de MÉRITO com fulcro no artigo 487, inciso II, do
NCPC/2015.

7) Com amparo à JURISPRUDÊNCIA do TJ e dos


TRIBUNAIS SUPERIORES, alega ainda, a Autarquia Requerida, que o pleito
ora proposto pela Autora, com o único propósito a CONCESSÃO de
BENEFÍCIO POR MORTE de ex-servidor Estadual, qual seja, o Sr.
ALEXANDRE DANTE DE ALMEIDA, FALECIDO em 05.07.2015, onde,
DECORRIDOS MAIS de 05 ANOS entre o ÓBITO (05.07.2015) do instituidor
da pensão, e do AJUIZAMENTO da presente AÇÃO (17.09.2020), encontra-se
PRESCRITO o FUNDO DE DIREITO, tendo como TERMO INICIAL a
DATA do FATO GERADOR: ÓBITO do SEGURADO.

8) Alega, portanto, a PRESCRIÇÃO do FUNDO DE


DIREITO, em prol da Autora para fins de habilitação como pensionista, sendo,
ao caso concreto, a INAPLICABILIDADE da SÚMULA nº 85 do STJ, o QUE
NÃO MERECE PROSPERAR.

9) Conforme se depreende da SÚMULA 85 do STJ: Nas relações


jurídicas de trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure como devedora,
quando não tiver sido negado o próprio direito reclamado, a prescrição atinge
apenas as prestações vencidas antes do quinquênio anterior à propositura da ação.
(Sumula 85, CORTE ESPECIAL, Julgado em 18.06.1993, DJ 02.07.1993).

10) Assim, não há que se falar em PRESCRIÇÃO do FUNDO


DE DIREITO, o que estaria prescrito, seriam as parcelas que antecedem o

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ajuizamento da ação. Conforme se observa nos autos, o PEDIDO
ADMINSTRATIVO se deu em 14.09.2018, e o AJUIZAMENTO da AÇÃO em
17.09.2020. Assim, não se configura a PRESCRIÇÃO, já que do PEDIDO
ADMINSTRATIVO até o AJUIZAMENTO da presente AÇÃO transcorreram
apenas 02 anos, 00 meses, e 03 dias.

ÓBITO REQUERIMENTO PROPOSITURA DA


EX-SEGURADO ADMINSTRATIVO AÇÃO
05.07.2015 14.09.2018 17.09.2020

11) Coleciona-se a seguinte Jurisprudência que ampara o direito


da Autora, in verbis:

“AÇÃO DECLARATÓRIA. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. INCLUSÃO DE


FILHA SOLTEIRA COMO PENSIONISTA, EM RAZÃO DE ÓBITO DE SEGURADO.
PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE DIREITO. Não tendo a autora requerido em tempo hábil, dentro
do qüinqüênio posterior ao indeferimento do pedido administrativo do benefício, administrativa ou
judicialmente, sua inclusão como pensionista junto ao IPERGS, operou-se a prescrição do fundo
de direito, estabelecida no Decreto nº 20.910/32. APELAÇÃO PROVIDA. (Apelação Cível, Nº
70020956041, Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Henrique Osvaldo
Poeta Roenick, Julgado em: 12-09-2007).”

12) Observa-se que, na jurisprudência colecionada acima, restou


configurada a prescrição do fundo de direito uma vez que a solicitante não
requereu sua inclusão como pensionista do benefício dentro de 5 anos posteriores,
ao indeferimento do pedido administrativo, o que não é o caso dos autos.

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13) Reiteramos que o PEDIDO ADMINISTRATIVO ocorreu
em 14.09.2018, 2o INDEFERIMENTO ADMINISTRATIVO se deu em
21.02.2020, e o AJUIZAMENTO DA AÇÃO ocorreu em 17.09.2020, portanto o
direito da Autora, NÃO FOI ATINGIDO PELA PRESCRIÇÃO como
menciona a Autarquia Requerida.

14) Coleciona-se as seguintes jurisprudências, datadas de


28/04/2016, onde reforça o direito da autora, confirmando que o prazo
prescricional atinge apenas as parcelas vencidas há mais de 5 anos antes da
propositura da ação, verbis:

“APELAÇÃO. PREVIDÊNCIA PÚBLICA. PENSÃO POR MORTE.


CÔNJUGE VARÃO. PRESCRIÇÃO DO FUNDO DO DIREITO AFASTADA. PEDIDO
ADMINISTRATIVO. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. PRINCÍPIOS DA BOA
FÉ OBJETIVA E DA SEGURANÇA JURÍDICA. O pedido administrativo interrompe a
prescrição do fundo de direito, sendo que o prazo prescricional volta a fluir apenas após a ciência
da decisão pelo interessado. Caso em que o pedido administrativo, realizado tanto em nome do
filho como em próprio nome, na condição de viúvo, foi equivocadamente apreciado como se
tivesse sido formulado apenas pelo filho, sob o fundamento de que aquele teria figurado somente
como representante deste. Com base no princípio da segurança jurídica e na boa-fé do dependente
na espécie, deve-se considerar que o primeiro pedido administrativo tem o efeito para interromper
o prazo prescricional da pretensão de pensionamento do autor na condição de cônjuge viúvo. Não
transcorridos mais de cinco anos entre o óbito da servidora e a formalização do pedido
administrativo da pensão, bem como entre a notificação do indeferimento e o ajuizamento da ação,
não está implementada a prescrição do fundo de direito. Prescrição afastada. PENSÃO POR
MORTE. EXTENSÃO AO CÔNJUGE VARÃO. DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO
DA DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. Viola o princípio da isonomia a exigência de requisitos
diversos para a mulher e para o homem para a concessão de pensão por morte ao cônjuge
supérstite, à luz da igualdade de gêneros assegurada pela Constituição de 1988. PARCELAS
VENCIDAS. Considerando que a pensão foi implementada, em sua integralidade, em favor do

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filho, o viúvo não faz jus ao pagamento das parcelas vencidas. DANO MORAL. NÃO
CONFIGURAÇÃO. DESCABIMENTO. Não havendo comprovação adequada dos danos morais
alegadamente experimentados, afigura-se descabida a indenização pleiteada. APELAÇÃO
PARCIALMENTE PROVIDA. UNÂNIME.(Apelação Cível, Nº 70070875919, Vigésima
Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Denise Oliveira Cezar, Julgado em:
29-09-2016).”
15) Assim, com relação à PRESCRIÇÃO do FUNDO DE
DIREITO, tratando-se de pedido de concessão de pensão por morte, as prestações
são de cunho sucessivo e, portanto, o prazo prescricional atinge apenas as parcelas
vencidas há mais de cinco anos antes da propositura da ação, razão pela qual não
há que se falar em prescrição do fundo de direito, no presente caso.

16) Vale ressaltar que esta é a orientação pacifica do TJRS em


casos análogos, ou seja, tratando-se de pedido de concessão de pensão por morte,
as prestações são de cunho sucessivo e, portanto, o prazo prescricional atinge
apenas as parcelas vencidas há mais de cinco anos antes da propositura da ação.
Vejamos as seguintes decisões:

17) Assim, no CASO CONCRETO, devesse por adotar o atual e


recente entendimento do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ), a fim
de considerar que a pretensão ao BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO NÃO
PRESCREVE, mas apenas as prestações pleiteadas anteriores aos 05 (cinco)
anos do AJUIZAMENTO da presente ação ocorrido em 17.09.2020, conforme
Súmula 85 do STJ.

18) DIANTE DE TODO EXPOSTO, deve ser considerada a


legislação vigente, afastando a prescrição de fundo de direito alegada pela

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Autarquia Requerida, determinando a habilitação da Autora no benefício de
pensão por morte, observada apenas a prescrição quinquenal, que não se aplica
neste caso, uma vez que o ajuizamento da ação ocorreu antes de 5 anos a contar
do INDEFERIMENTO ADMINISTRATIVO.

DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA
DEPENDÊNCIA ECONÔMICA DA AUTORA
19) No que tange ao MÉRITO, registro, de início, que a
Suprema Corte firmou entendimento no sentido ao DIREITO À PENSÃO POR
MORTE a COMPANHEIRA oriunda da UNIÃO ESTÁVEL.

20) Neste sentido, na forma do artigo 9º da LEI ESTADUAL nº


7.672/82, são DEPENDENTES do SEGURADO,

I - a esposa; a ex-esposa divorciada; o marido inválido; os filhos de qualquer


condição enquanto solteiros e menores de dezoito anos, ou inválidos, se do sexo masculino, e enquanto
solteiros e menores de vinte e um anos, ou inválidos, se do sexo feminino; (redação dada pelo art. 1º da
Lei nº 7.716/82 – DOE de 26.10.82);

II - a companheira, mantida como se esposa fosse há mais de cinco anos, desde


que se trate de solteira, viúva, desquitada, separada judicialmente ou divorciada, e solteiro, viúvo,
desquitado, separado judicialmente ou divorciado seja o segurado;

III - o tutelado e o menor posto sob guarda do segurado por determinação judicial,
desde que não possuam bens para o seu sustento e educação;

IV - a mãe, desde que não tenha meios próprios de subsistência e dependa


economicamente do segurado;

V - vetado;

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VI - o marido ou o companheiro de servidora pública e o companheiro ou a
companheira de pessoa do mesmo sexo que seja segurada, uma vez comprada a dependência na forma
desta Lei (inciso VI incluído pelo art. 1º da Lei nº 13.889, de 30 de dezembro de 2011 – DOE de
02.01.2012).

21) Segundo o artigo 11 do aludido diploma legal,

“A condição de companheira, para os efeitos desta lei, será comprovada pelos


seguintes elementos, num mínimo de três conjuntamente:
a) teto comum;
b) conta bancária conjunta;
c) outorga de procuração ou prestação de garantia real ou fidejussória;
d) encargos domésticos;

e) inscrição em associação de qualquer natureza, na qualidade de dependente do


segurado;
f) declaração como dependente, para os efeitos do Imposto de Renda;
g) qualquer outra prova que possa constituir elemento de convicção.

Parágrafo único - A existência de filho em comum dispensa a exigência de cinco


anos de convívio more uxório, desde que este persista até o óbito do segurado.

22) A Autora pretende ver RECONHECIDO o DIREITO À


PENSÃO PREVIDENCIÁRIA, na QUALIDADE de COMPANHEIRA, do
segurado falecido ALEXANDRE DANTE DE ALMEIDA.

23) A Autarquia Requerida INDEFERIU,


ADMINISTRATIVAMENTE, o PEDIDO administrativo pleiteado pela Autora
pela AUSÊNCIA de COMPROVAÇÃO da DEPENDÊNCIA ECONÔMICA e

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de CONVÍVIO, consoante exige a LEI ESTADUAL nº 7.672/82 (artigo 9º,
inciso II, § 5º, artigos 11 e 13, caput).

24) Consoante a JURISPRUDÊNCIA MAJORITÁRIA do


Tribunal Gaúcho, NÃO MAIS SUBSISTE A EXIGÊNCIA DE
CONVIVÊNCIA POR MAIS de 5 (cinco) anos, prevista na LEI ESTADUAL
nº 7.672/82, para o RECONHECIMENTO da UNIÃO ESTÁVEL ao efeito do
DIREITO À PENSÃO PREVIDENCIÁRIA ESTADUAL, de que são
exemplos os seguintes acórdãos das 2ª, 21ª e 22ª Câmaras Cíveis, verbis:

“APELAÇÃO CÍVEL. REEXAME NECESSÁRIO. DIREITO


PREVIDENCIÁRIO. PREVIDÊNCIA PÚBLICA. SERVIDOR PÚBLICO. INCLUSÃO DA
COMPANHEIRA COMO DEPENDENTE NO IPE-SAÚDE E NO IPE-PREVIDÊNCIA. UNIÃO
ESTÁVEL CONFIGURADA. DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. DESNECESSIDADE. PRINCÍPIO
DA ISONOMIA. LIMITADOR TEMPORAL DE CINCO ANOS PREVISTO NO ART. 9º, II, DA
LEI nº 7.672/82. INAPLICABILIDADE. PREVALÊNCIA DO DISPOSTO NA LEI FEDERAL E NA
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REDUÇÃO.
CABIMENTO. CUSTAS PROCESSUAIS. Caso em que não pode prevalecer o limitador temporal
disposto na Lei Estadual nº 7.672/82 (prazo de cinco anos) para configuração da união estável, quando
à luz do sistema não há a referida limitação, bastando para o reconhecimento da união estável a prova
da convivência duradoura, pública e contínua, ainda que com prazo inferior a cinco anos, como
ocorreu no caso em exame. Descabe a comprovação de dependência econômica, tendo em vista o
princípio constitucional da igualdade entre homens e mulheres, bem como levando-se em consideração
que a dependência econômica é presumida perante a lei previdenciária. HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS: Cabível a redução dos honorários advocatícios, eis que em dissonância com o
entendimento desta Câmara e dos termos do art. 20, §§3º e 4º, do CPC. CUSTAS PROCESSUAIS:
Em razão dos efeitos da ADI nº 70038755864, permanece a isenção do IPERGS de pagar custas,
devendo esse arcar apenas com as despesas, excluindo-se as de oficial de justiça. Prequestionada a
matéria, porquanto não se negou vigência a qualquer dispositivo constitucional ou infraconstitucional.
APELAÇÃO PROVIDA EM PARTE. PREJUDICADO O REEXAME NECESSÁRIO.

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UNÂNIME.”(Apelação e Reexame Necessário, Nº 70061642138, Segunda Câmara Cível, Tribunal de
Justiça do RS, Relator: João Barcelos de Souza Junior, Julgado em: 05-11-2014).”

“APELAÇÃO REMESSA NECESSÁRIA. PREVIDÊNCIA PÚBLICA.


HABILITAÇÃO DE COMPANHEIRA NA QUALIDADE DE DEPENDENTE DE SEGURADO
JUNTO AO IPERGS. POSSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE UNIÃO
ESTÁVEL. DISPENSADA A COMPROVAÇÃO DO TEMPO MÍNIMO DE UNIÃO ESTÁVEL.
ARTIGO 226, §3º, DA CF. PRESUNÇÃO DA DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. ART. 9º, II, E 11
DA LEI Nº 7.672/82. PRECEDENTES DESTE TRIBUNAL A companheira faz jus ao recebimento de
pensão por morte do segurado, nos termos do art. 9º, II, da Lei nº 7.672/82. Comprovada a união
estável com o ex-servidor segurado até o seu óbito, presumida está sua dependência econômica para
com ele, sendo dispensável a demonstração de convivência por tempo superior a cinco anos, nos
termos do artigo 226, §3º, da CF e artigo 1.723 do CC, que não exigem requisito temporal, impondo-se
o reconhecimento do direito de se ver habilitada junto ao IPERGS. Isenção à autarquia do pagamento
de custas processuais, com base no artigo 5º da Lei Estadual nº 14.634/2014. APELAÇÃO
PARCIALMENTE PROVIDA.” (Apelação Cível, Nº 70082371956, Vigésima Primeira Câmara Cível,
Tribunal de Justiça do RS, Relator: Marcelo Bandeira Pereira, Julgado em: 04-09-2019).”

“APELAÇÃO CIVEL. PREVIDÊNCIA PÚBLICA. IPERGS. PENSÃO POR


MORTE. COMPANHEIRA. UNIÃO ESTÁVEL CARACTERIZADA. REQUISITO TEMPORAL
DE CINCO ANOS. DESCABIMENTO. DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. COMPROVAÇÃO. - Caso
em que as provas produzidas no processo demonstram que a autora e o falecido conviviam como se
casados fossem. - A alegação do apelante de que não restou comprovado requisito temporal de cinco
anos de relação é afastada pelos elementos probatórios muito bem apontado na sentença atacada.
Ainda que assim não fosse, a exigência temporal para caracterização da união estável, art. 9º, II, da Lei
Estadual 7.672/82, sucumbe diante do art. 1.723, do Código Civil, o qual não estabelece qualquer
requisito de tempo para a sua caracterização. - Por outro lado, quanto à dependência econômica, o
entendimento jurisprudencial desta Corte é no sentido de que a exigência de dependência econômica
sucumbe diante da nova ordem constitucional. APELO DESPROVIDO.”(Apelação / Remessa

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Necessária, Nº 70082517699, Vigésima Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
Marilene Bonzanini, Julgado em: 16-09-2019).”

25) Nessa linha, também, decidiu a Egrégia Câmara Cível, em


julho de 2020, no JULGAMENTO da APELAÇÃO CÍVEL, nº 70084179357,
Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Newton Luís
Medeiros Fabrício, Redator: Sergio Luiz Grassi Beck, Julgado em: 28-07-2020,
em acórdão assim ementado:

“APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PREVIDÊNCIA


PÚBLICA. PENSÃO POR MORTE. INCLUSÃO DE COMPANHEIRA COMO PENSIONISTA.
POSSIBILIDADE. LAPSO TEMPORAL À CARACTERIZAÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL.
DESNECESSIDADE. DEPENDÊNCIA ECONÔMICA PRESUMIDA. PRINCÍPIO DA ISONOMIA.
REQUISITOS LEGAIS CONFIGURADOS. TERMO INICIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO. 1.
Comprovada a condição de companheira, existe a presunção de que a parte autora dependia
economicamente do segurado, a teor do que estabelece o art. 226, parágrafo 3º, da Constituição
Federal, que reconheceu a união estável como entidade familiar, estendendo aos companheiros os
mesmos direitos e deveres dos cônjuges. 2. Descabe a exigência de lapso temporal superior a 5 (cinco)
anos para a configuração de união estável, porque a Constituição Federal, no art. 226, no § 3º,
preconiza a facilitação da conversão desse instituto em casamento, como medida de proteção à
entidade familiar, não se mostrando razoável a criação de impedimentos infraconstitucionais ao seu
reconhecimento. 3. A condenação ao pagamento do pensionamento deve ter como termo inicial o
pedido administrativo, pois, no momento do falecimento do seu companheiro, não estava inscrita no
plano de previdência, inscrição que somente pode ser autorizada após o reconhecimento judicial da
união estável. 4. Em relação aos índices de atualização das condenações impostas à Fazenda Pública, a
parcial inconstitucionalidade do art. 1º-F da Lei 9.494/97 restringe-se tão somente ao índice de
correção monetária, devendo incidir o IGP-M até 28-06-2009, data da publicação da Lei nº
11.960/2009, momento em que passa a incidir pelos índices previstos no Manual de Cálculos da
Justiça Federal até o início da vigência da Lei nº 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei nº
8.213/91 e, após, pelo INPC. 5. Os juros de mora, por outro lado, devem incidir, a contar da citação, no
percentual de 1% ao mês até 28-06-2009, data da publicação da Lei nº 11.960/09 e, após, em índices
oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança. 6. Remessa Necessária
conhecida de ofício, por se tratar de sentença ilíquida, hipótese descrita no enunciado da Súmula nº

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490 do STJ, estando sujeita ao duplo grau de jurisdição. POR MAIORIA, RECURSO
PARCIALMENTE PROVIDO. SENTENÇA PARCIALMENTE CONFIRMADA EM REMESSA
NECESSÁRIA CONHECIDA DE OFÍCIO. VOTO VENCIDO. JULGAMENTO CONCLUÍDO NA
FORMA DO ART. 942 DO CPC. (Apelação Cível, Nº 70084179357, Primeira Câmara Cível, Tribunal
de Justiça do RS, Relator: Newton Luís Medeiros Fabrício, Redator: Sergio Luiz Grassi Beck, Julgado
em: 28-07-2020).”

26) Nesse sentido a jurisprudência do SUPERIOR TRIBUNAL


DE JUSTIÇA (STJ), segundo a qual “A LEI NÃO EXIGE TEMPO MÍNIMO NEM
CONVIVÊNCIA SOB O MESMO TETO, MAS NÃO DISPENSA OUTROS REQUISITOS
PARA IDENTIFICAÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL COMO ENTIDADE OU NÚCLEO
FAMILIAR, QUAIS SEJAM: CONVIVÊNCIA DURADOURA E PÚBLICA, OU SEJA,
COM NOTORIEDADE E CONTINUIDADE, APOIO MÚTUO, OU ASSISTÊNCIA
MÚTUA, INTUITO DE CONSTITUIR FAMÍLIA, COM OS DEVERES DE GUARDA,
SUSTENTO E DE EDUCAÇÃO DOS FILHOS COMUNS, SE HOUVER, BEM COMO OS

DEVERES DE LEALDADE E RESPEITO” (REsp 1194059/SP, Rel. Ministro


MASSAMI UYEDA, TERCEIRA TURMA, julgado em 06/11/2012, DJe
14/11/2012).”

27) Citamos, também, o seguinte julgado:

“RECURSO ESPECIAL. CIVIL. FAMÍLIA. RECONHECIMENTO DE


UNIÃO ESTÁVEL POS MORTEM. ENTIDADE FAMILIAR QUE SE CARACTERIZA PELA
CONVIVÊNCIA PÚBLICA, CONTÍNUA, DURADOURA E COM OBJETIVO DE
CONSTITUIR FAMÍLIA (ANIMUS FAMILIAE). DOIS MESES DE RELACIONAMENTO,
SENDO DUAS SEMANAS DE COABITAÇÃO. TEMPO INSUFICIENTE PARA SE
DEMONSTRAR A ESTABILIDADE NECESSÁRIA PARA RECONHECIMENTO DA UNIÃO
DE FATO. 1. O Código Civil definiu a união estável como entidade familiar entre o homem e a
mulher, "configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo
de constituição de família" (art. 1.723). 2. Em relação à exigência de estabilidade para
configuração da união estável, apesar de não haver previsão de um prazo mínimo, exige a norma

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que a convivência seja duradoura, em período suficiente a demonstrar a intenção de constituir
família, permitindo que se dividam alegrias e tristezas, que se compartilhem dificuldades e
projetos de vida, sendo necessário um tempo razoável de relacionamento. 3. Na hipótese, o
relacionamento do casal teve um tempo muito exíguo de duração - apenas dois meses de namoro,
sendo duas semanas em coabitação -, que não permite a configuração da estabilidade necessária
para o reconhecimento da união estável. Esta nasce de um ato-fato jurídico: a convivência
duradoura com intuito de constituir família. Portanto, não há falar em comunhão de vidas entre
duas pessoas, no sentido material e imaterial, numa relação de apenas duas semanas. 4. Recurso
especial provido. (REsp 1761887/MS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA
TURMA, julgado em 06/08/2019, DJe 24/09/2019).”

28) Adotado esse entendimento, o RECONHECIMENTO da


UNIÃO ESTÁVEL, no caso em tela POST MORTEM se DISPENSA A
PROVA DO PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS DE CONVIVÊNCIA
PÚBLICA, CONTÍNUA e DURADOURA.

29) Cumpre, então, apreciar se há prova de convivência pública,


contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família nos
termos do artigo 1723 do CÓDIGO CIVIL.

30) Registre-se que a SENTENÇA que RECONHECEU o pleito


da Autora no tocante a UNIÃO ESTÁVEL POST MORTEM oriundo do PROCESSO
nº 010/1.15.0016738-0 (DOC. 02) pleito que tramitou perante a 2ª Vara de Família
desta Comarca de Caxias do Sul, sendo ajuizada pela Autora em 10.07.2015, pôr
SILVANA FORTUNA PECCIN em face de MARILI TERESINHA DE ALMEIDA
BARRETO, PAULO ALEXANDRE DE ALMEIDA e RENATO DE ALMEIDA,
todos filhos do falecido ALEXANDRE DANTE DE ALMEIDA.

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31) OPORTUNO CONSIGNAR, que a acima exarada, foi
DISTRIBUIDA 05 (cinco) dias, após o falecimento do ex-segurado ALEXANDRE
ocorrido em 05 de julho de 2015.

32) PROSSEGUINDO, em 20.03.2018 foi PUBLICADA nos autos


da AÇÃO DECLARATÓRIA de UNIÃO ESTÁVEL POST MORTEM, a
SENTENÇA de PARCIAL PROCEDÊNCIA, (DOC. 03), com fulcro nos artigos
1.566 e 1.723 do CÓDIGO CÍVIL, onde RECONHECEU e DECLAROU de forma
absoluta e incontest, a existência de UNIÃO ESTÁVEL havida entre a Autora e o ex-
servidor falecido ALEXANDRE DANTE DE ALMEIDA, por 21 (vinte e um) anos,
período correspondido de agosto/1994, até o seu término em 05/julho/2015, em razão
do FALECIMENTO do varão, ora instituidor da pensão.

33) A SENTENÇA singular, assim dispôs:

“DIANTE DO EXPOSTO, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O


PEDIDO DE DECLARAÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL AJUIZADA POR SILVANA
FORTUNA PECCIN em face de Marli Teresinha de Almeida Barreto, Paulo Alexandre de
Almeida e Renato de Almeida, Sucessores de ALEXANDRE DANTE DE ALMEIDA, para o
fim de DECLARAR A UNIÃO ESTÁVEL PELO PERÍODO DE 21 ANOS, DE AGOSTO DE
1994 ATÉ 05 DE JULHO DE 2015”.

34) Tal fundamento, em reduzir o lapso temporal da já


RECONHECIDA UNIÃO ESTÁVEL, teve supedâneo forte na ESCRITURA
PÚBLICA DE DIVÓRCIO CONSENSUAL DIRETO e PARTILHA DO
BEM nº 12.726 │do LIVRO 129 │ TD, do ofício do Tabelionato Marcos, 1º
Serviço Registral (23 de setembro de 2009), quando os então consortes
ALEXANDRE DANTE DE ALMEIDA e IRMA FALCONI DE ALMEIDA,

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expressamente, DECLARARAM estarem SEPARADOS DE FATO desde o
mês de julho de 1994 (DOC. 04).

35) A DECISÃO SINGULAR, foi inclusive, confirmada em


GRAU RECURSAL em 27.03.2019 nos autos da APELAÇÃO CÍVEL nº
70079446837 (DOC. 05) cujo TRÂNSITO EM JULGADO ocorreu em
29.04.2019, tendo a seguinte EMENTA, verbis:

“APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE


RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL POST MORTEM. REQUISITOS. ÔNUS DA
PROVA. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA CONFIRMADA. Nos termos da legislação civil
vigente, para o reconhecimento de união estável, incumbirá a prova, a quem propuser o seu
reconhecimento, de que a relação havida entre o casal foi pública, contínua, duradoura e destinada
à constituição de um núcleo familiar. COMPROVADA A PRESENÇA DA AFFECTIO
MARITALIS NA RELAÇÃO DESCRITA NOS AUTOS, CONFORME SE EXTRAI DO
CONJUNTO PROBATÓRIO, IMPÕE-SE A CONFIRMAÇÃO DA SENTENÇA DE
PROCEDÊNCIA. APELAÇÃO DESPROVIDA. (Apelação Cível, Nº 70079446837,  Sétima
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Sandra Brisolara Medeiros, Julgado em: 27-03-
2019).”

36) Em 25.04.2019, com TRÂNSITO EM JULGADO, ainda


que tenha RECONHECIDO “a EXISTÊNCIA DE UNIÃO ESTÁVEL entre a
Autora SILVANA e o falecido ALEXANDRE, no período compreendido entre
08/1994 - ATÉ – 05.07.2015 (DATA DO FALECIMENTO), NÃO FAZ
COISA JULGADA em relação a AUTARQUIA REQUERIDA, tendo em vista
QUE NÃO FOI PARTE daquele feito. Todavia, a PROVA LÁ PRODUZIDA –
CUJA CÓPIA FOI JUNTADA NA INTEGRALIDADE NESTES AUTOS,
NÃO SÓ SENDO UTILIZADA PARA ESTE FEITO, sendo, INCLUSIVE,

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UTILIZADA PARA INSTRUIR O PEDIDO de HABILITAÇÃO a PENSÃO
POR MORTE na seara ADMINISTRATIVA nos autos do PROCESSO
ADMINISTRATIVO nº 119108-2442/18-0.

37) IMPERIOSO se faz MENCIONAR quando do encaminhamento


do REQUERIMENTO ADMINSTRATIVO de CONCESSÃO da PENSÃO POR
MORTE, foi JUNTADO ao PROCESSO ADMINISTRATIVO nº 119108-2442/18-
0, TODA a DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA a COMPROVAÇÃO da
EXISTÊNCIA da CONVIVÊNCIA da Requerente com o seu falecido companheiro
na época do óbito, onde, o farto conjunto probatório, extrai-se de forma inequívoca da
prova produzida nos autos da AÇÃO DECLARATÓRIA de UNIÃO ESTÁVEL
POST MORTEM nº 010/1.15.0016738-0 e das PROVAS PRODUZIDAS do
INGRESSO do PEDIDO ADMINSTRATIVO a CONCESSÃO de PENSÃO POR
MORTE, entre elas:

i) Há PROVA INCONTROVERSA de COABITAÇÃO, haja vista o


ENDEREÇO COMUM (Rua Bento Osvaldo Trisch, nº 203), constatado em inúmeros
documentos que VINCULAM tanto o NOME do FALECIDO, quanto da REQUERENTE.

i.1) POSSÍVEL OBSERVAR que esse é o endereço que o de cujus


descreveu, em sua qualificação quando da formalização do divórcio, bem como é o constante na
CERTIDÃO de ÓBITO do EX-SERVIDOR.

i.2) Da mesma forma, há várias FATURAS (LUZ; TELEFONE, e


outros) e CORRESPONDÊNCIAS enviadas para o mesmo local em nome da Autora, ou seja,
Rua Bento Osvaldo Trisch, nº 203, Bairro Pendacino, na Cidade de Caxias do Sul/RS.

ii) As PROVAS consideradas pela Autora como, ROBUSTAS e


INQUESTIONÁVEIS, a COMPROVAR a sua CONVIVÊNCIA com o EX-SEGURADO, são:

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ii.1) O EX-SERVIDOR por anos DECLAROU a Autora como SUA
DEPENDENTE para FINS de IMPOSTO DE RENDA, desde 2004 até o ano do seu óbito, ou
seja, 2015, o que indica, não só comunhão de vidas, como a, DEPENDÊNCIA FINANCEIRA
por parte da Autora.

38) ASSIM, efetivamente, a prova oral produzida atestou a


convivência contínua e duradoura com ânimo de constituir família, entre a Autora
e o falecido instituidor da pensão.

39) Além de todo o farto conjunto probante, para fins de


cumprir com todas as exigências a concessão ao pedido de pensão junto a
Autarquia, se observa do CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
expedido pelo HOSPITAL POMPÉIA em data de 06.06.2015, por ocasião da
internação do ex-segurado ALEXANDRE, onde se observa que, este, sempre
apresentou em documentos oficiais, que a Autora, a Sra. SILVANA como sua
CONJUGÊ, onde está sempre esteve ao seu lado.

40) Acerca da INEXISTÊNCIA DE PROVA de


COABITAÇÃO, a par de superada a questão do TEMPO MÍNIMO de 05
(cinco) anos, o SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ) assentou, na
TESE 2 que “A COABITAÇÃO NÃO É ELEMENTO INDISPENSÁVEL À
CARACTERIZAÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL.”

41) Há, portanto, PROVA SATISFATÓRIA da UNIÃO


ESTÁVEL que consolidaria, o DEFERIMENTO ainda na ESFERA
ADMINISTRATIVA ao pedido ora pleiteado.

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42) Finalmente, quanto à PROVA DA DEPENDÊNCIA,
a jurisprudência majoritária é no sentido de que, COMPROVADA A UNIÃO
ESTÁVEL, AFIGURA-SE DESNECESSÁRIA A DEMONSTRAÇÃO DA DEPENDÊNCIA

ECONÔMICA EM RELAÇÃO AO INSTITUIDOR DA PENSÃO, A QUAL SE PRESUME.

43) Aliás, nesse sentido é a decisão proferida pelo


Colegiado da Egrégia Câmara Cível do TJRS, de relatoria do em. Des. SÉRGIO
LUIZ GRASSI BECK, quando do DEFERIMENTO da ANTECIPAÇÃO DE
TUTELA RECURSAL, que concedeu o BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO à
Autora, in verbis:

“AGRAVO DE INSTRUMENTO. PREVIDÊNCIA PÚBLICA. PENSÃO


POR MORTE. INCLUSÃO DA COMPANHEIRA COMO PENSIONISTA. UNIÃO ESTÁVEL
DEMONSTRADA. SENTENÇA DE DECLARAÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL PÓS-MORTE.
DEPENDÊNCIA ECONÔMICA PRESUMIDA. REQUISITOS LEGAIS CONFIGURADOS. 1.
Hipótese em que restou comprovado nos autos a verossimilhança do direito alegado – união
estável – e a urgência da tutela pretendida. 2. Demonstrada a condição de companheiro, existe a
presunção de que o autor dependia economicamente da segurada, a teor do que estabelece o art.
226, parágrafo 3º, da Constituição Federal, que reconheceu a união estável como entidade familiar,
estendendo aos companheiros os mesmos direitos e deveres dos cônjuges. 3. Presentes os
requisitos caracterizadores da antecipação de tutela, a teor do que disciplina o art. 300 do NCPC,
impõe-se o deferimento da tutela de urgência. RECURSO PROVIDO. (Agravo de Instrumento, Nº
70082027806, Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Sergio Luiz Grassi
Beck, Julgado em: 02-10-2019).”

44) Esse posicionamento encontra guarida na


jurisprudência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), segundo o qual é
INCONSTITUCIONAL DISTINGUIR O REGIME JURÍDICO ENTRE a FAMÍLIA
DECORRENTE DO CASAMENTO OU DE UNIÃO ESTÁVEL CÔNJUGES E

COMPANHEIROS. No RE 646721, o Tribunal Pleno assentou que “Tal

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hierarquização entre entidades familiares é incompatível com a Constituição de
1988. Assim sendo, o art. 1790 do Código Civil, ao revogar as Leis nº 8.971/1994
e nº 9.278/1996 e discriminar a companheira (ou o companheiro), dando-lhe
direitos sucessórios bem inferiores aos conferidos à esposa (ou ao marido), entra
em contraste com os princípios da igualdade, da dignidade humana, da
proporcionalidade como vedação à proteção deficiente e da vedação do retrocesso.
3. Com a finalidade de preservar a segurança jurídica, o entendimento ora firmado
é aplicável apenas aos inventários judiciais em que não tenha havido trânsito em
julgado da sentença de partilha e às partilhas extrajudiciais em que ainda não haja
escritura pública” (Rel. Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão:
ROBERTO BARROSO,, julgado em 10/05/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-204 DIVULG 08-09-2017 PUBLIC
11-09-2017).

45) Igualmente, o SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA


(STJ) já reconheceu que “o entendimento do Tribunal de origem está em
consonância com a orientação do STJ de que a existência de união estável faz
presumir à companheira sua dependência econômica quanto ao falecido,
legitimando-a à percepção de pensão por morte”(REsp 1678887/RS, Rel. Ministro
HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/09/2017, DJe
09/10/2017).

46) Citam-se, ainda, os seguintes julgados do Egrégio TJRS,


verbis:

“APELAÇÃO CÍVEL. PREVIDÊNCIA PÚBLICA. PENSÃO POR MORTE.


MARIDO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. ATUALIZAÇÃO DOS VALORES. 1. Tem o

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marido/companheiro de servidora pública direito ao benefício da pensão por morte, sendo
descabida a exigência de prova da dependência econômica, em razão do princípio constitucional
da isonomia. 2. Valores atrasados devidos desde o óbito da segurada, por ser este o fato gerador do
benefício. 3. Devido à modulação de efeitos realizada pelo STF nas ADIs nº 4357 e 4425, incide o
art. 1º da Lei nº 9.494/97, com a alteração da Lei nº 11.960/09 até 25 de março de 2015, e a contar
de 26 de março de 2015 incide “correção monetária pelo IPCA-E e juros simples de 0,5% ao mês”,
conforme deliberado pela Corte Suprema. POR MAIORIA, RECURSO PROVIDO EM PARTE.
CONFIRMADA A SENTENÇA, NO MAIS, EM REMESSA NECESSÁRIA. JULGAMENTO
REALIZADO NA FORMA DO ART. 942 DO CPC.(Apelação / Remessa Necessária, Nº
70082515941, Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Carlos Roberto Lofego
Canibal, Julgado em: 13-12-2019).”

“APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR


MORTE. IPERGS. INCLUSÃO DA COMPANHEIRA COMO PENSIONISTA.
POSSIBILIDADE. UNIÃO ESTÁVEL RECONHECIDA. DEPENDÊNCIA ECONÔMICA
PRESUMIDA. Comprovada a condição de companheira, diante do conjunto probatório constante
dos autos, existe a presunção de que a parte autora dependia economicamente do segurado, a teor
do que estabelece o art. 226, parágrafo 3º, da Constituição Federal, que reconheceu a união estável
como entidade familiar, estendendo aos companheiros os mesmos direitos e deveres dos cônjuges.
Não conhecido o ponto atinente à forma de cálculo do benefício previdenciário, na medida em que
o pedido inicial se limitou à inclusão da companheira como beneficiária do ex-servidor público.
Além de violar o princípio dispositivo, eventual modificação no valor do pensionamento
representaria grave afronta à segurança jurídica e ao direito de defesa das demais pensionistas,
filhas do de cujus. APELAÇÃO PARCIALMENTE CONHECIDA E DESPROVIDA. (Apelação
Cível, Nº 70084468008, Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Newton Luís
Medeiros Fabrício, Julgado em: 30-09-2020).”

47) Portanto, COMPROVADA a CONDIÇÃO DE


COMPANHEIRA, PRESUMIDA a DEPENDÊNCIA ECONÔMICA da
Autora em relação ao segurado, fazendo, assim, JUS À HABILITAÇÃO

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COMO PENSIONISTA POR MORTE do ex-segurado ALEXANDRE
DANTE DE ALMEIDA junto ao IPERGS.

DO TERMO INICIAL DO PENSIONAMENTO

48) O TERMO INICIAL DA PENSÃO está previsto no artigo


26 da Lei Estadual nº 7.672/82:

Art. 26 - Ao conjunto de dependentes de segurado falecido o Instituto pagará


uma quantia mensal sob o título de Pensão por Morte, calculada na forma do art. 27 e seus
parágrafos, devida a partir da data do óbito do segurado.

49) Assim, no tocante ao TERMO INICIAL da


CONDENAÇÃO, deve ser a contar da DATA DO ÓBITO DO SERVIDOR
(05.07.2015).

50) Neste sentido, A JURISPRUDÊNCIA, verbis:

“RECURSO INOMINADO. TURMA RECURSAL DA FAZENDA


PÚBLICA. REGIME DE EXCEÇÃO. PREVIDENCIÁRIO. IPERGS. PENSÃO POR MORTE.
MARIDO DE SERVIDORA PÚBLICA ESTADUAL FALECIDA. DESNECESSIDADE DE
PROVA DA DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Sentença, no
mérito, mantida pelos próprios fundamentos, conforme autoriza o art. 46 da Lei nº 9.099/95.
Alterado, apenas, o termo inicial da condenação, que deve corresponder à data do óbito da
segurada, na esteira de inúmeros precedentes da jurisprudência. DESPROVIDO RECURSO DO
RÉU E PROVIDO O RECURSO DA AUTORA. (Recurso Cível Nº 71006430110, Turma
Recursal Fazenda Pública - Regime de Exceção, Turmas Recursais, Relator: Marialice Camargo
Bianchi, Julgado em 01/02/2017)
RECURSO INOMINADO. PREVIDÊNCIA PÚBLICA. IPERGS. PENSÃO POR MORTE DE
SEGURADA. MARIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO ECONOMICA.

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DESNECESSIDADE. No tocante à alegação de necessidade de comprovação de dependência
econômica do marido, há que se observar o princípio da isonomia, consagrado no art. 5º, caput, da
Constituição Federal e o art. 201, V, da Constituição Federal, com redação conferida pela EC nº
20/98, que não traz qualquer diferenciação segundo o sexo do beneficiário da previdência social. O
Supremo Tribunal Federal já pacificou o entendimento de que não há necessidade de que o marido
seja inválido ou dependente economicamente da esposa falecida para ter direito a pensão por
morte, pois isso ofenderia o princípio da isonomia. TERMO INICIAL DA CONDENAÇÃO. No
tocante ao termo inicial para implementação do benefício, melhor sorte não assiste ao recorrente,
porquanto há que se considerar o disposto no art. 26 da Lei Estadual nº 7.672/82.
PREQUESTIONAMENTO. Ao magistrado impõe-se a observância do conjunto de fatos trazidos a
julgamento e do conjunto de argumentos jurídicos elencados pelas partes interessadas no resultado
da lide, pelo que entendo que a fundamentação exposta mostra-se suficiente para a resolução de
todas as questões submetidas à apreciação deste Colegiado. RECURSO INOMINADO
DESPROVIDO. (Recurso Cível Nº 71006475743, Segunda Turma Recursal da Fazenda Pública,
Turmas Recursais, Relator: Rosane Ramos de Oliveira Michels, Julgado em 26/01/2017).”

“RECURSO INOMINADO. PREVIDENCIÁRIO. IPERGS. ESPOSA DE


SERVIDOR ESTADUAL FALECIDO. INCLUSÃO COMO DEPENDENTE PARA FINS DE
PENSÃO POR MORTE. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TERMO INICIAL. DATA DO ÓBITO. 1.
Havendo previsão de que à esposa é concedido o direito de inclusão como dependente, afastando-
se o requisito da invalidade por ferir o princípio da isonomia, é de ser utilizado idêntico critério
para o requisito de dependência econômica. Precedentes desta Turma Recursal da Fazenda Pública
- Agravo de Instrumento Nº 71004163499, Relator: Ricardo Bernd, Julgado em 19/02/2013 e do
TJRS. 2. TERMO INICIAL - O PAGAMENTO DA PENSÃO DEVE OCORRER A PARTIR
DA DATA DO ÓBITO DO SERVIDOR, UMA VEZ QUE A PENSÃO PREVIDENCIÁRIA
DECORRE DESTE EVENTO (MORTE), CONFORME PRECEITUA O ARTIGO 26 DA
LEI ESTADUAL Nº 7.672/82. 3. Sentença de procedência confirmada por seus próprios
fundamentos, nos moldes do artigo 46, última figura, da Lei nº 9.099/95. RECURSO
INOMINADO DESPROVIDO. UNÂNIME. (Recurso Cível Nº 71006125694, Turma Recursal da
Fazenda Pública, Turmas Recursais, Relator: Volnei dos Santos Coelho, Julgado em 15/12/2016).”

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ANTE O E X P O S T O, o RECEBIMENTO da presente
petição de MANIFESTAÇÃO sobre a CONTESTAÇÃO apresentada pelo de
INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
(IPERGS), constante ao evento 21 dos autos, JULGANDO-SE PROCEDENTE
a AÇÃO, para que se MANTENHA os EFEITOS da TUTELA ANTECIPADA
que CONCEDEU a Autora em sede de LIMINAR a HABILITAÇÃO da
AUTORA no beneficio de PENSÃO POR MORTE, do deixado pelo instituidor
da pensão, o ex-segurado ALEXANDRE DANTE DE ALMEIDA, recebendo as
PARCELAS PRETÉRITAS desde o ÓBITO do instituidor, observado o
PRAZO QUINQUÊNAL.

Termos em que,
Pedem Deferimento.
Caxias do Sul, 08 de janeiro de 2020.

RENATO PAESE
OAB/RS 24.006

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