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A avaliação no sentido de julgar o valor das ações com o propósito de melhorá-las é tão

antiga quanto a consciência humana.

Avaliar é um ato natural do homem. Todos são avaliadores nas escolhas que fazem e no
projeto de vida que escolhem. Avaliar é proceder a uma análise daquilo que foi feito e
considerar aquilo que pode ser feito para melhorar ou alterar o rumo de alguma coisa.
Entendida nesta primeira simples definição, a avaliação surge como uma atividade
indispensável na vida do homem. Está fundamentalmente associada à natureza do
Homem.
Identificam-se três questões-chave nas diversas definições sobre a avaliação: a) atenção
conferida às questões metodológicas; b) preocupação com a finalidade e utilidade da
avaliação e com a necessidade de aumentar o seu valor de uso no âmbito dos processos
de tomada de decisões; c) reconhecimento do pluralismo de valores e da importância de
incluir diversas perspetivas e grupos de interesses no processo avaliativo.
Para que os propósitos de uma avaliação possam ser alcançados utilizam-se podem
utilizar-se avaliações formais, enquadradas por um determinado modelo teórico,
avaliações informais e/ou combinações de abordagens mais e menos formais.
A avaliação tem que se fazer tendo por base a qualidade do que se avalia que, no fundo,
é o cerne de qualquer processo de avaliação.
Em avaliação, existem duas questões de suma importância e que que lhe estão
subjacentes: a) como se poderão descrever as perceções das pessoas acerca da qualidade
do que se está a avaliar b) qual é a qualidade do que se está a avaliar?
No entanto, para avaliar é necessário selecionar as abordagens que irão ser utilizadas.
Pode-se optar por abordagens que produzem medidas da qualidade, isto é, onde a
qualidade é determinada através da comparação entre as evidências obtidas no processo
de avaliação e os critérios definidos de acordo com uma variedade de processos; ou
pode-se optar por abordagens baseadas na descrição, análise e discussão das perceções
que os intervenientes no processo têm dessa mesma qualidade (Fernandes, 2007).
Em qualquer das abordagens, a avaliação, será sempre uma construção feita por seres
humanos e, dessa forma, estará sempre relacionada com a experiência pessoal de cada
um. Logo, sabe-se que nem todos verão e/ou sentirão o que outros veem e/ou sentem e,
por isso mesmo, a qualidade para uns não se chega a revelar enquanto que, para outros,
é possível identificá-la quer através do que parece ser bom quer através do que parece
não o ser (Fernandes, 2009).
Tendo em conta as debilidades e fragilidades das abordagens mencionadas, a avaliação
de programas e a avaliação de projetos de natureza pedagógica deve ter na sua base uma
elaboração teórica com um mínimo de consistência para que possa ser avaliado com
rigor.
Por outro lado, na e para a avaliação de programas e projetos a mesma deve ser
planeada a montante da sua concretização por forma a que a avaliação propriamente dita
possa ter a qualidade desejada.
Entre muitos outros aspetos que é necessário considerar na avaliação de programas
e de projetos há três que merecem particular destaque. A saber:
- Propósitos da Avaliação ( a avaliação pode ter propósitos estritamente formativos,
estando, neste caso, mais associada ao desenvolvimento ou melhoria do programa ou do
projeto; a avaliação pode ter propósitos estritamente sumativos e, neste caso, estará mais
associada à prestação de contas ou à responsabilização);
- Avaliação Interna/ Externa (a avaliação pode ser interna, da integral responsabilidade
de um grupo de participantes diretos no projeto ou programa, ou externa, da
responsabilidade de uma entidade ou grupo que não tem quaisquer interesses diretos no
seu desenvolvimento);
- Participação dos intervenientes (a participação na avaliação dos intervenientes garante
a diversidade de pontos de vista sobre o seu mérito e o seu valor, permitindo uma visão
mais rigorosa das realidades a avaliar).
BIBLIOGRAFIA

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