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Ambientes de Cultos

Roberto Torres Hollanda

Em nosso livro “Culto – Celebração e Devoção” (Rio de Janeiro: JUERP, 2007)


comentamos os formatos, estilos e ambientes de culto.

Formato é a forma pela qual uma igreja realiza os seus cultos.

Os formatos não são usados em sua natureza pura; podem ser mesclados; o que
modifica o uso do formato é o estilo, a maneira de expressar o culto segundo
fórmulas próprias escolhidas pelas igrejas e seus pastores.

Conhecemos, por experiência, os estilos de três igrejas batistas: Primeira do Rio


de Janeiro, “Itacuruçá” e Memorial de Brasília. No decorrer de 50 anos (1957-
2007) mudou sensivelmente o estilo de culto nessas igrejas.

Antes da década de 80, quando alguém entrava numa igreja, pertencente a uma
denominação evangélica tradicional, sabia que tipo de culto seria realizado.
Devido ao pluralismo e consumismo da sociedade pós-moderna, também se
diversificaram os formatos, estilos e ambientes de culto. Para ser fiel à identidade
denominacional, é importante examinar os conteúdos e as características dos
formatos de culto; são compatíveis com a Palavra de Deus? respeitam as
doutrinas batistas? Cada igreja, ao escolher o seu estilo de culto, deve refletir
sobre essas questões.

Neste artigo, consideramos tradicionais as oito denominações e igrejas,


protestantes e evangélicas, que atuam no Brasil desde o século XIX: anglicana
(1810), luterana (1824), congregacionalista (1855), presbiteriana (1859), metodista
(1871), batista (1871), darbista (1875) e episcopal (1890); contemporâneas, as
pentecostais que foram organizadas no Brasil desde o início do século XX:
Assembléia de Deus, Congregação Cristã e “Evangelho Quadrangular”, e, desde
a década de 70, as neopentecostais: Universal do Reino de Deus, Internacional da
Graça de Deus, “Renascer” e “Sara a nossa Terra”.

Adotam o formato litúrgico, além das igrejas católicas romana e ortodoxa, as


igrejas protestantes luterana, anglicana e presbiteriana. Este formato tem o
propósito de destacar a grandeza e a glória de Deus. Na Igreja Presbiteriana
Independente (1903) o formato litúrgico é mais flexível.

Usam o formato ritual: as igrejas evangélicas reformada, puritana,


congregacionalista e batista, visando enaltecer a bondade de Deus. Em certas
igrejas batistas o formato ritual tem sido atenuado, quanto à rigidez na
elaboração da Ordem de Culto.

O formato avivado é observado principalmente na igreja metodista, mas


encontra adeptos em igrejas “ritualistas”. Algumas igrejas batistas, que saíram da
Convenção Batista Brasileira, celebram o culto na forma avivada; algumas
(organizadas desde o início deste século XXI) chegam ao formato extático;
outras, importam costumes, trazidos por movimentos extra-denominacionais,
por meio de espetáculos musicados (“musical shows”).

O formato extático (em que a congregação é levada ao êxtase espiritual) é


praticado nas igrejas pentecostais e neopentecostais. A ênfase neste formato é
louvar ao Senhor, relembrando o dia de Pentecoste.

O formato facilitador é o formato experimentado nas igrejas que seguem a


orientação de “Willow Creek” (Bill Hybels), “Cristal” (Robert Schüller),
“Saddleback” (Rick Warren) e “Vineyard” (John Wimber).

O objetivo original dos formatos avivado e facilitador era anunciar o Evangelho


aos descrentes por meio de campanhas de reavivamento.

Em 2003 foi sugerido o formato alternativo, que pretende tornar a igreja


relevante para a sociedade pós-moderna (op. cit., pp. 38 e 39).

Características dos formatos e ambientes

No formato litúrgico é conferida muita importância à reverência, ao


planejamento e estruturação racional do culto, ao sermão baseado no calendário
eclesiástico e ao uso de fórmulas para orações públicas.

O perigo é cair no formalismo, e, em conseqüência, no sacramentalismo e


sacerdotalismo.

No formato ritual são enfatizadas a reverência e a tradição eclesiástica. O culto é


orientado pela racionalidade. O planejamento e a estruturação do culto são
baseados nos temas escolhidos pelo pastor e pelo ministro de música. No culto
são incentivadas as orações espontâneas, dirigidas por pessoas designadas pelo
pastor, e a leitura pública da Bíblia é feita com maior freqüência. Algumas igrejas
“ritualistas” comportam-se, no “período de louvor”, como igrejas “avivadas”;
note-se que, apesar disso, ainda são consideradas “tradicionais”.

No formato avivado o culto é orientado pelo emocionalismo. O reavivamento


espiritual costuma estar na pauta da igreja, que estimula a participação do
cultuante. O perigo é a ocorrência de manipulação psicológica do auditório.
O formato extático incentiva a descontração e espontaneidade do cultuante, que
fica sujeito ao emocionalismo provocado pela sentimentalidade da execução
musical. Há o perigo de subjetividade na leitura da Bíblia e de contágio
psicológico por meio de testemunhos pessoais.

Em algumas igrejas o formato facilitador reserva o culto dominical para atender


os “não-cristãos” que comparecem ao templo, quando e onde é realizado “show”
de finalidade evangelística, sendo dramatizado o tema da mensagem pastoral, na
qual é feita a contextualização da leitura bíblica. O perigo é dar oportunidade à
mercantilização dos recursos de entretenimento da igreja.

Ambiente é o conjunto de condições materiais, morais e espirituais que envolve a


realização do culto público da igreja.

Há dois ambientes de culto: o formal e o informal.

(Publicado em “O Jornal Batista”, 11 nov 2007, p. 12).

Fonte: http://www.nassau.mus.br/?p=141

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