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História da Arte I

Trabalho parcial

Gabriel Tincani Ramos


Enrico Zago Moro

4° ano

Faculdades de Campinas

19 de Abril de 2021
Um Breve Histórico da Vida de Leonardo di Ser Piero da Vinci
Nascido em 15 de abril de 1452, na pequena vila de Vinci na Toscana, filho ilegítimo
de sua mãe Catarina e um tabelião da vila, Pierro, que o teria tomado pelo para ser criado
pelo pai, Leonardo se tornaria um dos maiores nomes da arte mundial, além de suas inúmeras
contribuições para o estudo de engenharia, arquitetura e anatomia seus feitos marcaram
gerações e deixaram um impacto enorme em nossa história da arte tanto quanto na história do
conhecimento como um todo.

Aos 16 anos o jovem de Vinci mudou para Florença, onde começou a trabalhar como
aprendiz no ateliê de Andrea del Verrocchio, importante pintor e escultor florentino da época,
a quem trabalhava sob o mecenato de Lorenzzo de Médici, governador da cidade-estado
italiana e importante apoiador das artes na época. Em seu tempo em Florença, Leonardo
adquiriu renome, pintando pela primeira vez em uma obra importante ao pintar os anjos e a
paisagem no canto esquerdo do quadro de Verrocchio, “O Batismo de Cristo”.

Nos próximos anos o


grande pintor foi aprofundando seu trabalho, tanto no âmbito da pintura quando das outras
ciências do qual se ocupava, pintando painéis e grandes conventos e igrejas, até se mudar
para Milão em 1482, onde passou a se ocupar sob a tutela do Duque Ludovico Sforza, O
Mouro, a quem pintou algumas de suas obras mais famosas, “ A Dama com Arminho”, “A
Virgem das Rochas” e “A Última Ceia”

Nesses longos anos de muita produção artística Leonardo também foi um grande
inventor realizando diversos estudos na área da engenharia militar, ele escreveu esboços de
fortificações variadas e diversas engenhosidades bélicas, como um protótipo de tanque de

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guerra, uma roupa de mergulho para desempenhar ataques surpresa em navios inimigos, uma
asa-delta e até mesmo um paraquedas. Apesar de a maioria de suas invenções não funcionar
de fato, o estudo das mesmas proporcionou importantes observações para o que usamos hoje
e como nota Vasari em sua obra “Le Vite”, um compêndio de diversas biografias de artistas
florentinos, Leonardo da Vinci se mostrava como um homem pacifista que criticava em
diversos momentos as crueldades da guerra e dava em suas obras de engenharia militar um
sentido de um ataque menos ofensivo e mais evasivo, visando a defesa da vida.

Entre as características descritas por Giorgio Vasari em sua obra é sobre a suposta
homosexualidade de Leonardo, que fica aparente em diversos esboços de seus amantes e por
alguns documentos que mostravam uma relação clara com Gian Giacomo Caprotti da Oreno,
ou como o chamava Salai, e posteriormente ao final de sua vida com o conde de Melzi. Outra
curiosidade sobre o grande gênio é sobre seu suposto vegetarianismo, citado por Edward
MacCurdy, um tradutor e compilador das notas de Leonardo do século XX, mostra em cartas
trocadas por governantes de Florença se referindo a um povo indiano que não come carne, “
Como nosso Leonardo”, além disso há uma série de notas e escritos do pintor relatando suas
opiniões sobre a crueza contra os animais.

Após sua passada por Milão e algumas outras cidades italianas, Leonardo se assentou
na França, sendo pintor e da corte do rei Luís XII da França, falecendo em 2 de maio de 1519
em Ambroise, também na França, deixando aos 67 anos de idade um dos maiores legados que
as artes e a ciência já viram em um só homem.

Da Vinci enquanto Renascentista

O Renascimento, como movimento histórico-cultural, tem seu local de criação e


desenvolvimento centrado primeiramente na Itália, durante os séculos XIV, XV, XVI e XVII.
A nomeação do período como Renascimento remete a ideia propagada por autores adeptos do
Humanismo, escola filosófica e literária que se destaca durante o mesmo período e
influenciou fortemente a criação artística, de que a época seria uma nova era, uma novo
nascimento após a Idade Média, a época das trevas, da barbárie, do obscurantismo, do
retrocesso e da decadência.

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Com tal intuito, os artista da época enxergaram no resgate à cultura da Antiguidade
clássica greco-romana, como o resgate do latim e dos textos clássicos, o melhor modo de
basear a cultura, entendida como meta e ideal de existência, de modo a construir, como
intuito final, uma nova sociedade, não mais voltada a Deus e suas leis mas sim voltada aos
seres-humanos, a mais importante criação divina, capaz de produzir obras a partir do
conhecimento da natureza e de suas racionalidades, e na lei natural, preexistente e implícita
nas coisas e nas relações e que cabe ao homem estabelecer e descobrir.
A pintura renascentista italiana tem como características mais básicas a humanização
das representações e o realismo dos indivíduos e da natureza, mas sem deixar de lado o ideal
que se tinha sobre o ideal de mulher ou homem em um verdadeiro culto ao belo. Uma das
características da representação dos corpos nesse período foi marcado pela caracterização das
mulheres, que apareciam com um ar enigmático em suas expressões.
Essa investida em trazer um carácter realista e muito parecido ao que os olhos
humanos enxergam, levaram os artistas do período a buscar uma melhor compreensão sobre
perspectiva, tridimensionalidade e profundidade, culminando, portanto, num melhor
manuseio de técnicas como o chiaroscuro, contraste entre luz e sombra nas representações
com pouca variação de tons, criando a ideia de profundidade, com dois planos, um frontal e
um secundário.

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Esta técnica do chiaroscuro pode ser vista com clareza na obra “A Virgem das
Rochas”, acima, usando o artifício das cores para dar a ideia de profundidade em um plano
bidimensional, Leonardo traz para o lugar mais claro do quadro, ou em primeiro plano a
Virgem Maria, São João Batista, Uriel e o menino Jesus, colocando em contraste com o
fundo da caverna escuro e ainda com um plano ainda mais distante clareando novamente o
ambiente da tela.
Como próprio de Da Vinci, deve-se destacar também as técnicas de precetti e
sfumato, utilizadas pelo artista como modo de representar a ideia de movimento em seus
personagens, consistindo, o precetti em leves traços e delineamento e, o sfumato sensação de

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leve esfumaçamento cobrindo a representação. Quando unidas ambas as técnicas, as posturas
físicas e expressões faciais davam um efeito típico de vivacidade.

A técnica do sfumato pode ser vista em seu ápice na em sua grande obra da Mona
Lisa, em seu fundo esfumaçado dá a ideia de uma profundidade em um plano bidimensional
com uma técnica e maestria ainda melhores do que no quadro apresentado anteriormente.
Ainda com o intuito de proporcionar uma representação mais realista da natureza, os
artistas renascentistas buscavam maiores compreensões sobre a geometria e a matemática,
que acrescentavam na fidelidade das representações de perspectivas na medida em que

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garantia tamanhos e distanciamentos mais fidedignos e precisos evitando distorções e
deformações na reprodução naturalista da obra. Estudos de anatomia, no mesmo sentido,
possibilitaram um maior conhecimento sobre o corpo humano e as melhores formas de
representá-lo nas obras. Essas tendências levaram, de modo mais geral, a necessidade, por
parte dos artistas da época, de tornarem-se estudiosos e cientistas, que buscavam no
conhecimento empírico e na natureza os meios para aprimorar sua produção artística. Da
Vinci, por sua vez, também não fugiu dessa propensão, dedicando-se durante sua vida ao
estudo da matemática, engenharia, botânica e anatomia, além do seu óbvio envolvimento com
as artes, como pintura, escultura, música, poesia e arquitetura.
Seus estudo sobre anatomia e proporção são culminados, ou tem como seu principal
expoente o desenho do homem vitruviano, um estudo complexo sobre proporcionalidade e a
perfeição analisados sob a anatomia do ser humano, trazendo para si uma grande
representação do que seria o corpo humano perfeitamente simétrico e proporcional, ligados
com o ideal de beleza da época.

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Dessa forma, Da Vinci é tido como o representante mais exemplar do Renascimento,
no sentido de ter se configurado como a pessoa que aplicou de forma mais concisa e
aprofundada os preceitos renascentistas em sua vida e obras. Ao aplicar seus conhecimentos
desta maneira, Da Vinci foi capaz de proporcionar tamanha realidade, técnica e racionalidade
de modo que buscava se assemelhar a Deus e se apresentava em sua arte idealizadas na
representação realista da natureza, sobre a qual ele possui imenso conhecimento assim,
revelando sua tendência humanista, que unida a sua racionalidade apresentam o interesse do
artista em conhecer a natureza e seus detalhes a partir de suas próprias experiências,
possibilitando enorme autenticidade em suas representações

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REFERÊNCIAS

● The Notebooks of Leonardo da Vinci, Edward MacCurdy, 1956


● The Mind of Leonardo da Vinci, Edward MacCurdy, 1928
● DE SOUZA TEIXEIRA, Everton Souza. Valores da Renascença em Leonardo da
Vinci. Revista Eletrônica Discente História. com, v. 3, n. 6, p. 195-211, 2016.
● Le vite: As Vidas dos mais Excelentes Pintores, Escultores e Arquitetos, Giorgio
Vasari, 1550
● PARISOTTO, Giovanna Chaves. A Vênus do Renascimento. II Encontro Nacional
de Estudos da Imagem–A mulher sob diferentes aspectos: construções e leituras
de imagens/Maio, p. 700-711, 2009.