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FATOR ACIDENTÁRIO PREVIDENCIÁRIO

A proteção acidentária é determinada pela Constituição Federal - CF como a ação


integrada de Seguridade Social dos Ministérios da Previdência Social - MPS,
Trabalho e Emprego - MTE e Saúde - MS. Essa proteção deriva do art. 1º da
Constituição Federal que estabelece como um dos princípios do Estado de Direito
o valor social do trabalho. O valor social do trabalho é estabelecido sobre pilares
estruturados em garantias sociais tais como o direito à saúde, à segurança, à
previdência social e ao trabalho. O direito social ao trabalho seguro e a obrigação
do empregador pelo custeio do seguro de acidente do trabalho também estão
inscritas no art. 7º da CF/1988.

A fonte de custeio para a cobertura de eventos advindos dos riscos ambientais do


trabalho - acidentes e doenças do trabalho, assim como as aposentadorias
especiais - baseia-se na tarifação coletiva das empresas, segundo o
enquadramento das atividades preponderantes estabelecido conforme a
SubClasse da Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE. A
tarifação coletiva está prevista no art. 22 da Lei 8.212/1991 que estabelece as
taxas de 1, 2 e 3% calculados sobre o total das remunerações pagas aos
segurados empregados e trabalhadores avulsos. Esses percentuais poderão ser
reduzidos ou majorados, de acordo com o art. 10 da Lei 10.666/2003. Isto
representa a possibilidade de estabelecer a tarifação individual das empresas,
flexibilizando o valor das alíquotas: reduzindo-as pela metade ou elevando-as ao
dobro.

A flexibilização das alíquotas aplicadas para o financiamento dos benefícios pagos


pela Previdência Social decorrentes dos riscos ambientais do trabalho foi
materializada mediante a aplicação da metodologia do Fator Acidentário de
Prevenção. A metodologia foi aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência
Social - CNPS, (instância quadripartite que conta com a representação de
trabalhadores, empregadores, associações de aposentados e pensionistas e do
Governo), mediante análise e avaliação da proposta metodológica e publicação
das Resoluções CNPS Nº 1308 e 1309, ambas de 2009. A metodologia aprovada
busca bonificar aqueles empregadores que tenham feito um trabalho intenso nas
melhorias ambientais em seus postos de trabalho e apresentado no último período
menores índices de acidentalidade e, ao mesmo tempo, aumentar a cobrança
daquelas empresas que tenham apresentado índices de acidentalidade superiores
à média de seu setor econômico.

A implementação da metodologia do FAP servirá para ampliar a cultura da


prevenção dos acidentes e doenças do trabalho, auxiliar a estruturação do Plano
Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador - PNSST que vem sendo
estruturado mediante a condução do MPS, MTE e MS, fortalecendo as políticas
públicas neste campo, reforçar o diálogo social entre empregadores e
trabalhadores, tudo afim de avançarmos cada vez mais rumo às melhorias
ambientais no trabalho e à maior qualidade de vida para todos os trabalhadores no
Brasil.
c

A ocorrência de acidentes de trabalho implica danos sociais imediatos. Primeiro, e mais importante,
pelo comprometimento da saúde e integridade física do trabalhador. Segundo, pelos seus
dependentes que podem eventualmente perder a base de sustentação familiar. Terceiro, pelos custos
que ocorrem nas áreas sociais, principalmente na Saúde e na Previdência Social.
Um empregado formal que sofre um acidente de trabalho e é afastado de suas atividades
profissionais por mais de quinze dias, ou então fica incapacitado de trabalhar, tem direito a receber
um benefício da Previdência Social, seja um auxílio temporário no primeiro caso, seja uma
aposentadoria no segundo. Em um caso extremo, quando o empregado venha a falecer em razão do
acidente de trabalho, também é gerado um benefício previdenciário, neste caso uma pensão por
morte em acidente de trabalho paga ao seu dependente. A Previdência Social paga também um
auxílio vitalício aos acidentados que ficaram com seqüelas do acidente mesmo que, uma vez
recuperados, voltem a trabalhar. Com o empregado afastado, seja de forma temporária ou
permanente, tanto eles como seus empregadores deixam de contribuir para a Previdência, o que
reduz a arrecadação previdenciária.
Claro que a previdência não estava apenas preocupada com a saúde do trabalhador, sua saúde
financeira estava se deteriorando. E a coisa começa a ficar pior se levarmos em consideração o
desequilíbrio atual, que provém da aposentadoria ou pensão por morte por acidente de trabalho.
Geralmente, um empregado que se aposenta por acidente de trabalho ainda não tem idade e nem
tempo de contribuição suficiente para uma aposentadoria regular, o que significa que ele teve um
tempo de contribuição menor do que o esperado e tem grande probabilidade de receber
aposentadoria por um tempo maior que o esperado.
Doença que gerou um gasto em 2005 em torno de R$ 39,32 bilhões
“A previdência não conseguiria honrar com seus compromissos…”
Foi então, que a titulo de combater todos esses desequilibrios atuais e continuar a financiar os
beneficios por acidentes de trabalho, os empregadores são obrigados a pagar uma alíquota adicional
a em forma de contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de
incidência de incapacidade decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Assim nasce a alíquota
SAT.
SAT: Seguro de Acidente do Trabalho
Como funciona a cobrança do SAT?
As alíquotas do SAT (Seguro Acidente de Trabalho) – Lei 10.666 de 08/05/03 – são pagas pelas
empresas sobre o total da Folha de Pagamentos mensal. Estas alíquotas são determinadas pelo
Ramo de Atividade Econômica – CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas)
informadas na GFIP, e conforme o Art. 86 da IN 03/2005 – INSS, pelo Grau de Risco da empresa
em cuja Atividade Preponderante o Risco de Acidente de Trabalho seja considerado :
Leve : 1%
Médio : 2%
Grave : 3 %
Esse sistema de cobrança se mostrou ineficiente a partir do momento que nivelou todas as empresas
com o mesmo CNAE, explico: Dois empresários com o mesmo CNAE pagavam o mesmo valor de
alíquota sendo que um investia pesado na segurança de seus funcionários, preservando a integridade
e com baixo índice de acidentes enquanto o outro empresário não adotava nenhuma medida
preventiva. No mínimo Injusto!
SAT após o Decreto 6.042/07:
Para tornar a coisa mais coerente a Previdência Social sofreu alteração do regulamento em seu
anexo V e reclassificou os graus de riscos dos ramos de atividades das empresas.
Como?
Tomou por base o histórico dos benefícios concedidos pelo INSS entre 2000 e 2004. Desta forma,
as empresas foram reclassificadas em função da sinistralidade dos acidentes, e não mais apenas pelo
perigo potencial dos mesmos.
Entretanto, as empresas ainda continuarão a ser taxadas em função de seus ramos de atividades,
mesmo aquelas que possuem um melhor nivel em termos de medidas preventivas.
A grande novidade fica mesmo pelo ajuste em função da gestão das questões de segurança e saúde
ocupacional, com a criação do FAP:
FAP: Fator Acidentário de Prevenção
Agora a coisa ficou mais coerente…
O FAP permite as empresas reduzirem em até 50% ou aumentarem em até 100% as alíquotas de
contribuição do SAT. As empresas passarão a ser taxadas de acordo com o grau individual de
sinistralidade para a Previdência Social, por meio da medição da freqüência, gravidade e custo dos
acidentes e doenças ocupacionais de cada uma delas. Por exemplo, uma empresa que tenha sido
reclassificada como de risco grave (alíquota de 3%), em função dos resultados obtidos com sua
gestão em segurança e saúde ocupacional, sua alíquota poderá variar entre 1,5% e 6%.
O FAP é um coeficiente – que vai de 0,5 a 2,0 – que é multiplicado pelo Grau de Risco da empresa.
Se a empresa tiver SAT ótimo (1%) e FAP ótimo (0,5), multiplicará sua alíquota 1% por 0,5
obtendo 0,5% sobre a folha de pagamento.
Se a empresa tiver SAT ruim (3%) e FAP ruim (2), multiplicará sua alíquota 3% por 2 obtendo 6%
sobre a folha de pagamento.
O fato é que ainda há muito que se fazer; o FAP deve passar ainda por aperfeiçoamentos nas
metodologias aplicadas. Porém, o certo é que mudará a preocupação que as empresas terão em
relação à segurança do trabalhador.
Lembro que, a base para a metodologia será a CID 10 (Classificação Internacional de Doenças)
dada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), e não mais a CAT (Comunicação de Acidente do
Trabalho), pois independerá da comunicação da empresa ao INSS. E como é feito isso?
NTEP: Nexo Técnico Epidemiológico,
O NTEP foi criado pela Lei nº 11.430 de 26/12/06, e seu Decreto regulamentador nº 6042 de
12/02/07 – Instrução Normativa 16 – INSS de 27/03/07, que definiu os seus critérios e
fundamentos.
Trata-se de uma metodologia que objetiva identificar se existe correlação entre determinado setor
de atividade econômica e determinadas doenças. Desta forma, para cada código da CNAE foi
estipulada uma correspondência de doenças presumidas para as referidas atividades, de acordo com
a CID 10 da Organização Mundial da Saúde. De forma resumida, passa-se a presumir a correlação
das doenças com o ramo de atividade.
Isso significa que ao adoecer e buscar a perícia do INSS, o trabalhador terá um enquadramento
automático da doença com o setor de atividade;

A ocorrência de acidentes de trabalho implica danos sociais imediatos. Primeiro, e mais importante,
pelo comprometimento da saúde e integridade física do trabalhador. Segundo, pelos seus
dependentes que podem eventualmente perder a base de sustentação familiar. Terceiro, pelos custos
que ocorrem nas áreas sociais, principalmente na Saúde e na Previdência Social.
Um empregado formal que sofre um acidente de trabalho e é afastado de suas atividades
profissionais por mais de quinze dias, ou então fica incapacitado de trabalhar, tem direito a receber
um benefício da Previdência Social, seja um auxílio temporário no primeiro caso, seja uma
aposentadoria no segundo. Em um caso extremo, quando o empregado venha a falecer em razão do
acidente de trabalho, também é gerado um benefício previdenciário, neste caso uma pensão por
morte em acidente de trabalho paga ao seu dependente. A Previdência Social paga também um
auxílio vitalício aos acidentados que ficaram com seqüelas do acidente mesmo que, uma vez
recuperados, voltem a trabalhar. Com o empregado afastado, seja de forma temporária ou
permanente, tanto eles como seus empregadores deixam de contribuir para a Previdência, o que
reduz a arrecadação previdenciária.
Claro que a previdência não estava apenas preocupada com a saúde do trabalhador, sua saúde
financeira estava se deteriorando. E a coisa começa a ficar pior se levarmos em consideração o
desequilíbrio atual, que provém da aposentadoria ou pensão por morte por acidente de trabalho.
Geralmente, um empregado que se aposenta por acidente de trabalho ainda não tem idade e nem
tempo de contribuição suficiente para uma aposentadoria regular, o que significa que ele teve um
tempo de contribuição menor do que o esperado e tem grande probabilidade de receber
aposentadoria por um tempo maior que o esperado.
Doença que gerou um gasto em 2005 em torno de R$ 39,32 bilhões
“A previdência não conseguiria honrar com seus compromissos…”
Foi então, que a titulo de combater todos esses desequilibrios atuais e continuar a financiar os
beneficios por acidentes de trabalho, os empregadores são obrigados a pagar uma alíquota adicional
a em forma de contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de
incidência de incapacidade decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Assim nasce a alíquota
SAT.
SAT: Seguro de Acidente do Trabalho
Como funciona a cobrança do SAT?
As alíquotas do SAT (Seguro Acidente de Trabalho) – Lei 10.666 de 08/05/03 – são pagas pelas
empresas sobre o total da Folha de Pagamentos mensal. Estas alíquotas são determinadas pelo
Ramo de Atividade Econômica – CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas)
informadas na GFIP, e conforme o Art. 86 da IN 03/2005 – INSS, pelo Grau de Risco da empresa
em cuja Atividade Preponderante o Risco de Acidente de Trabalho seja considerado :
Leve : 1%
Médio : 2%
Grave : 3 %
Esse sistema de cobrança se mostrou ineficiente a partir do momento que nivelou todas as empresas
com o mesmo CNAE, explico: Dois empresários com o mesmo CNAE pagavam o mesmo valor de
alíquota sendo que um investia pesado na segurança de seus funcionários, preservando a integridade
e com baixo índice de acidentes enquanto o outro empresário não adotava nenhuma medida
preventiva. No mínimo Injusto!
SAT após o Decreto 6.042/07:
Para tornar a coisa mais coerente a Previdência Social sofreu alteração do regulamento em seu
anexo V e reclassificou os graus de riscos dos ramos de atividades das empresas.
Como?
Tomou por base o histórico dos benefícios concedidos pelo INSS entre 2000 e 2004. Desta forma,
as empresas foram reclassificadas em função da sinistralidade dos acidentes, e não mais apenas pelo
perigo potencial dos mesmos.
Entretanto, as empresas ainda continuarão a ser taxadas em função de seus ramos de atividades,
mesmo aquelas que possuem um melhor nivel em termos de medidas preventivas.
A grande novidade fica mesmo pelo ajuste em função da gestão das questões de segurança e saúde
ocupacional, com a criação do FAP:
FAP: Fator Acidentário de Prevenção
Agora a coisa ficou mais coerente…
O FAP permite as empresas reduzirem em até 50% ou aumentarem em até 100% as alíquotas de
contribuição do SAT. As empresas passarão a ser taxadas de acordo com o grau individual de
sinistralidade para a Previdência Social, por meio da medição da freqüência, gravidade e custo dos
acidentes e doenças ocupacionais de cada uma delas. Por exemplo, uma empresa que tenha sido
reclassificada como de risco grave (alíquota de 3%), em função dos resultados obtidos com sua
gestão em segurança e saúde ocupacional, sua alíquota poderá variar entre 1,5% e 6%.
O FAP é um coeficiente – que vai de 0,5 a 2,0 – que é multiplicado pelo Grau de Risco da empresa.
Se a empresa tiver SAT ótimo (1%) e FAP ótimo (0,5), multiplicará sua alíquota 1% por 0,5
obtendo 0,5% sobre a folha de pagamento.
Se a empresa tiver SAT ruim (3%) e FAP ruim (2), multiplicará sua alíquota 3% por 2 obtendo 6%
sobre a folha de pagamento.
O fato é que ainda há muito que se fazer; o FAP deve passar ainda por aperfeiçoamentos nas
metodologias aplicadas. Porém, o certo é que mudará a preocupação que as empresas terão em
relação à segurança do trabalhador.
Lembro que, a base para a metodologia será a CID 10 (Classificação Internacional de Doenças)
dada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), e não mais a CAT (Comunicação de Acidente do
Trabalho), pois independerá da comunicação da empresa ao INSS. E como é feito isso?
NTEP: Nexo Técnico Epidemiológico,
O NTEP foi criado pela Lei nº 11.430 de 26/12/06, e seu Decreto regulamentador nº 6042 de
12/02/07 – Instrução Normativa 16 – INSS de 27/03/07, que definiu os seus critérios e
fundamentos.
Trata-se de uma metodologia que objetiva identificar se existe correlação entre determinado setor
de atividade econômica e determinadas doenças. Desta forma, para cada código da CNAE foi
estipulada uma correspondência de doenças presumidas para as referidas atividades, de acordo com
a CID 10 da Organização Mundial da Saúde. De forma resumida, passa-se a presumir a correlação
das doenças com o ramo de atividade.
Isso significa que ao adoecer e buscar a perícia do INSS, o trabalhador terá um enquadramento
automático da doença com o setor de atividade;
A aplicação do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) específico por empresa ocorrerá a partir
de janeiro de 2010. O prazo está previsto no Decreto 6.577/2008.
O FAP, criado pelo artigo 10 da Lei nº 10.666/2003 é um mecanismo para aumentar ou diminuir as
alíquotas de contribuição das empresas ao seguro de acidente de trabalho (SAT), dependendo do
grau de risco de cada uma delas.

Para o cálculo do FAP, a Previdência considerou as ocorrências acidentárias conforme metodologia


aprovada pelo Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS). Foram consideradas as
ocorrências do dia 1º de maio de 2004 a 31 de dezembro de 2006.
Atualmente, há três alíquotas de contribuição ao seguro de acidente de trabalho, de 1%, de 2% e de
3%. Elas são aplicadas de acordo com o grau de risco do ramo de atividade, cabendo aos setores
com maior incidência de doenças e acidentes uma contribuição maior. Com a instituição do FAP, a
alíquota será definida pelo desempenho de cada empresa.

A nova metodologia vai beneficiar as empresas que investem em prevenção de acidentes, que terão
redução de alíquotas de contribuição de até 50%.

Aquelas com alta incidência de acidentes deverão arcar com aumento de até 100% na alíquota de
contribuição, pois não cabe a todos os cidadãos via previdência a responsabilidade pelo custo dos
acidentes devido a condições insalubres e inadequadas oferecidas por alguns segmentos
econômicos. A intenção, segundo ele, é criar a cultura da prevenção de acidentes e doenças
ocupacionais.

FAP - O FAP é um multiplicador a ser aplicado às alíquotas de 1%, 2% ou 3% incidentes sobre a


folha de salários, para financiar o Seguro Acidente de Trabalho (SAT). Ele varia de 0,5 a 2,0, o que
significa que a alíquota de contribuição da empresa pode ser reduzida à metade ou dobrar.

Exemplo: uma determinada empresa que faz parte de um ramo de atividade de alto risco (que tem
alíquota de 3%), isoladamente, apresenta os menores indicadores de risco de acidentes. Graças ao
bom desempenho dessa empresa em relação à segurança do trabalho, ela tem um FAP de 0,5. Então
multiplica-se a alíquota de 3% (do ramo de atividade) por 0,5 (da empresa). O resultado, de 1,5%,
será a nova alíquota de contribuição dessa empresa. Já a empresa classificada no mesmo ramo de
atividade, com alta incidência de morbidade, terá um FAP de 2,0, que multiplicado pelos 3% chega-
se a alíquota de 6%.