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OPERADORES HIPERCÍCLICOS EM

ESPAÇOS DE BANACH
Anderson Jose Mercado Salcedo
May 22, 2021

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1 Introdução
Na dissertação do mestrado estudamos a dinâmica de operadores lineares em
espaços de Banach, sob o aspecto de hiperciclicidade. Vimos em quais condições
o fenômeno da hiperciclicidade se apresenta e relacionamos com outros fenômenos
que ocorrem na dinâmica de operadores como transitividade topológica, topo-
logicamente mixing, topologicamente weakly mixing e caoticidade (caos no sen-
tido de Devaney). Estudamos a relação do Teorema da Transitividade de
Birkhoff e a hiperciclicidade. Mostramos o Critério de Hiperciclicidade como
condição suficiente para determinar se um operador definido em um espaço de
Banach é hipercı́clico. Além disso apresentaremos alguns exemplos clássicos de
operadores que são hipercı́clicos e, ao final, o Teorema de Bès-Peris.

2 Conceitos básicos de sistemas dinâmicos


Seja X um espaço topológico e T uma aplicação continua T : X −→ X. O par
(X, T ) é dito um sistema dinâmico discreto (topológico) ou simplesmente dize-
mos que (X, T ) é um sistema dinâmico. Quando X for um espaço de Banach e
T linear, dizemos que (X, T ) é um sistema dinâmico linear.

Dado x ∈ X, definimos a órbita de x sobre T como


orb(x, T ) := {T n x}n∈Z
Seja (T, X) um sistema dinâmico linear. Entao temos as seguinte definições:

O operador T é dito topologicamente transitivo ou simplesmente transitivo se


para quaisquer par de abertos U e V não vazios em X, existe n ∈ tal que
T n (U ) ∩ V 6= ∅.

O operador T é topologicamente weakly mixing se T × T é topologicamente


transitivo i.e., dado dois abertos (U1 × U2 ), (V1 × V2 ) ⊂ X × X existe n ∈ N tal
que
(T × T )n (U1 × U2 ) ∩ (V1 × V2 ) 6= ∅.
Agora temos um resultado que coneta a transitividade com nosso principal

Teorema: Seja T : X −→ X uma função continua no espaço métrico com-


pleto separável X sem pontos isolados. Se T tem órbita densa em X se e só se
T é topologicamente transitivo.

Demostração: Neste resumo vamos demostrar só a ida.


⇒] Sejam U, V ⊂ M abertos não-vazios. Como {T n (x)}n∈N é uma órbita densa
de x em X, existe n ∈ N tal que T n x ∈ U e existe m ∈ N tal que T m x ∈ V .

Observe que
T m−n (T n x) = T m x

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isto é que T m−n (T n x) ∈ V e por outro lado T m−n (T n x) ∈ T m−n (U ).
Logo existe m − n ∈ N tal que T m−n (U ) ∩ V 6= ∅ e concluı́mos que T é topo-
logicamente transitivo.

Seguemos com a definição central da dissertação, que é de operadores hipercı́clicos.

Definição: Seja (X, T ) um sistema dinâmico linear. O operador T é dito


hipercı́clico se existe um x ∈ X tal que o conjunto {T n (x)}n∈N é denso em X.
O vetor x é chamado vetor hipercı́clico.

A importância dos vetores hipercı́clicos para T : X → X vem do estudo dos


subespaços T -invariantes, isto é, sobre a existência de um subespaço para X que
seja fechado, não trivial e T -invariante. O subespaço vetorial fechado gerado
pela órbita de um vetor é o subespaço ”mais pequeno” que define o vetor, e é
T -invariante.

Segue-se o resultado.

Proposition Seja (X, T ) um sistema dinâmico linear. O operador T não ad-


mite subespaço fechado invariante não-trivial se e só se cada vetor não-nulo é
cı́clico para T .

3 Existência de operadores hipercı́clicos em espaços


de Banach
Com um resultado interessante com uma prova difı́cil, temos

Teorema: Seja X 6= ∅ um espaço vectorial de dimensão finita. Então T não é


hipercı́clico.

Então seguemos com algums exemplos clássicos de operadores hipercı́clicos.

Exemplos:
• Operador Traslação

Ta : H(C) −→ H(C)
con a 6= 0.
f 7→ Ta (f ) = f (· + a)

• Operador Diferenciação

D : H(C) −→ H(C)
f 7→ f0

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Para demostrar que os operadores anteriores são hipercı́clicos, provamos que são
Topologicamente Transitivos, portanto esses operadores admitem órbita densa
e isso é exatamente a definição de Operador Hipercı́clico, que possuam órbita
densa.

Não é fácil mostrar que um operador em um espaço de Banach é hiércı́clico,


pois não é fácil mostrar a existência de um vetor que seja hipercı́clico portanto
mostramos o seguinte critério relevante neste estudo. O critério de hipercı́clicidade,
ele nos garante com certas condições quando um operador é hipercı́clico o não.

4 Criterio de Hiperciclicidade
Dizemos que T satisfaz o Critério de Hiperciclicidade se existir subconjuntos
densos X0 , Y0 ⊂ X, uma sequência (nk ) de inteiros positivos e aplicações Snk :
Y0 → X tal que T satisfaz:
(i) T nk x → 0 para cada x ∈ X0 ;

(ii) Snk y → 0 para cada y ∈ Y0 ;


(iii) T nk Snk y → y para cada y ∈ Y0 .
Se T satisfaz o Critério de Hiperciclicidade, então T é hiperciclico. Mas isso
depende da sequência, então temos
Se T satisfaz o Critério de Hiperciclicidade com respeito a sequência (nk ), então
T é topologicamente transitivo e portanto hipercı́clico.
Se T satisfaz o Critério de Hiperciclicidade com respeito a sequência (n), então
T é topologicamente mixing e portanto hipercı́clico.

Do anterior vimos que é necessário que o espaço que estejamos trabalhando seja
separável e de dimensão infinita, caso contrario não terı́amos Hiperciclicidade
(conforme vimos no teorema da transitividade de Birkhoff). Logo apresentamos
o Critério de Hiperciclicidade como condição suficiente para que um operador
seja hipercı́clico. Mas nem sempre é fácil encontrar um vetor do espaço que
tenha órbita densa. Estudamos que, quando um operador é Weakly mixing,
então implica que é Hipercı́clico, isso é exatamente o que mostramos anterior-
mente, que se T satisfaz o Critério de Hiperciclicidade então é Weakly mixing,
ou seja, quando T ⊕T é hipercı́lico (pois T ⊕T é Topologicamente Transitivo pela
definição). Então a próxima pergunta surge, que foi reconhecida como um dos
problemas mais empolgantes da dinâmica linear: De este jeito, nos perguntamos
o seguinte. Todo operador hipercı́clico em um espaço de Fréchet separável (ou
Banach naturalmente) satisfaz o Critério de Hiperciclicidade? A resposta dessa
pergunta anterior é negativa e foi dada recentemente em 2009 por De la Rosa e
Read
Teorema: Existe um operador hipercı́clico em um espaço de Banach que
não é weakly mixing.

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5 Referencias