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Aula do dia 22/10/10

REALIZAÇÃO DO ATIVO (Artigo 139)


O administrador escolhe o momento para vender os bens, ele
antes da venda, tem que ser arrecadado e avaliado os mesmos.
O artigo 140 traz um rol exemplificativo da realização do
ativo. O administrador escolhe que forma adotar, mas tem que
justificar sua escolha no plano de venda.

- Modalidades (artigo 142).: também são exemplificativas. O


administrador quando segue este artigo justificando suas escolhas
não precisa da anuência dos credores. Para fazer qualquer coisa
diferente do determinado no artigo 142, o administrador tem que
convocar uma assembléia.
I- Leilão_ parecido com o processo civil, publica-se o edital com as
condições por 15 dias. 1º leilão= valor da avaliação; 2º leilão= valor
oferecido. Difere do processo civil quanto ao pagamento, que, pela
Lei 11.101/05, poderá ser parcelado, se o parcelamento estiver
previsto no edital (o parcelamento não se presume).
II- Proposta Fechada_ parecido com a licitação. Primeiro publica-se
o edital com o prazo para os interessados entregarem envelopes
lacrados contendo suas propostas, no cartório do juízo. Depois, no
dia e hora agendados, esses envelopes serão abertos para que o juiz,
em audiência publica, veja qual é a melhor proposta. A melhor não
será, necessariamente, a de maior valor, por causa da possibilidade
de parcelamento.
III- Pregão_ composto de duas fases: 1) semelhante à proposta
fechada; 2) semelhante ao leilão.
1ª FASE: publicado o edital com o prazo para a entrega dos
envelopes, ocorrerá a audiência publicada para a abertura dos
mesmos e habilitação para a 2ª fase. A maior proposta será
automaticamente habilitada e junto com ela, habilitam-se as que
alcançarem 90% da proposta mais alta.
2ª FASE: agenda-se o leilão e nele o lance mínimo será o valor da
maior proposta, e dele só participam os habilitados. Se o maior
proponente se ausentar do leilão, o lance mínimo será a avaliação
das demais propostas.
Se o bem for arrematado por valor inferior à maior proposta, o
maior proponente será obrigado a depositar a diferença em favor da
massa falida.
Qualquer modalidade diferente dessas três hipóteses deverá ser
submetida à assembléia, que é soberana (artigo 142).
Artigo 143_ da arrematação, abre-se prazo de 48 horas para a
impugnação e qualquer interessado pode impugnar. O MP tem prazo
de 5 dias para se manifestar.
OBS: Quando um dos entes federativos pede a adjudicação do
bem, ele tem preferência sobre a arrematação (essa regra não se
encontra na Lei 11.101/05, mas sim em processo tributário).

PAGAMENTO
Todo o dinheiro recebido é depositado em uma conta em favor
do juízo. O administrador poderá ir liberando os pagamentos aos
poucos ou pagar tudo de uma vez só.
O credor é intimado a ir buscar o dinheiro (artigo 149, §2º).
O prazo é de 60 dias para o credor retirar o dinheiro, sob pena de
perda do direito de recebê-lo naquele momento. O dinheiro é
revertido para a massa falida e esse credor entrará no final da fila,
junto com os retardatários.

ENCERRAMENTO E EXTINÇÃO (artigo 154)


O pedido de falência é provocado pelo credor ou pelo
próprio devedor. O pedido de encerramento do processo falimentar é
provocado pelo administrador judicial, quando ele já tiver terminado
sua tarefa, momento em que poderá receber os 40% restantes dos
honorários.
Quando o administrador entrega o relatório, o juiz publica um
resumo do parecer do administrador, e abre-se um prazo de 10 dias
para impugnações.
OBS: O estado de falência do devedor continua, o que acaba é
o trabalho do administrador > 2ª sentença- ENCERRAMENTO (e não
término) DA FALÊNCIA. Desta sentença cabe apelação.
O juiz julgará procedente ou não as contas do administrador
judicial. Se ele julgar procedente, os 40% são liberados; caso
contrário, os 40% servirão de indenização a algum eventual lesado.
Depois da 2ª sentença, o administrador tem 10 dias para
apresentar o relatório completo, desde o inicio de seu trabalho.

EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO (artigo 158)


Quem pede a extinção é o falido (devedor). Com a 3ª sentença,
envia-se um oficio ao Registro para dar baixa na matrícula da
empresa.
Há 4 hipóteses para a extinção:
1- pagamento de todos os créditos;
2- pagamento de pelo menos 50% dos credores quirografários;
3- prazo prescricional de 5 anos, no caso de não haver crime
falimentar. Esse prazo conta-se do encerramento do
procedimento falimentar.
4- prazo prescricional de 10 anos, no caso de crime falimentar
a contar da 2ª sentença.

Da 3ª sentença cabe apelação (devolve ao falido sua


capacidade empresarial).
Aula do dia 25/10/10

RECUPERAÇÃO JUDICIAL (artigo 47 ss)


-Conceito: procedimento pelo qual se reconhece a viabilidade
da atividade empresarial mediante a sua capacidade de solvência,
tendo como objetivo afastar o devedor da grave crise econômico-
financeira em que se encontra. A premissa é o Principio da Viabilidade
Econômica e a preservação da atividade empresarial.

-Natureza Jurídica: a recuperação tem natureza contratual,


porque há uma união de vontades entre credores e devedor. Difere
da falência cuja natureza é executiva. Este conceito pode tramitar
judicial ou extrajudicialmente.

-Parâmetros para a concessão: o juiz verifica a possibilidade


de recuperação com base no que o devedor apresentou, para depois
deferir ou não o prosseguimento da recuperação.
O momento para o devedor pedir recuperação é na defesa, ou
em um procedimento específico, por isso, quem pede a recuperação é
o devedor.
Se o juiz não deferir o prosseguimento, será decretada a
falência.
(1º) se há a possibilidade de redução de custos, sem afetar a receita
do devedor;
(2º) não se refere à redução dos custos, mas a uma reestruturação
da atividade, aumentando os preços de forma a manter ou a
aumentar a receita;
(3º) redução de custos e aumento de receita;
(4º) possibilidade de concessão de empréstimo por uma instituição
financeira, mas o devedor deve provar que tem condições de pagar
(último parâmetro a ser utilizado).
O devedor, ao pedir a recuperação, deve se basear em uma ou
mais das hipóteses acima para provar a sua capacidade de solvência.
-Requisitos (artigo 48):
a) ser empresário ou sociedade empresária devidamente registrada e
regular – OBS: artigo 966 CC >equiparados podem pedir
recuperação;
b) estar praticando a mesma atividade há pelo menos 2 anos;
c) o devedor não pode ter contra ele uma sentença de falido. Se ele
um dia faliu, ele já deve ter passado pela extinção da falência (3ª
sentença);
d) o devedor não pode ter entrado com pedido de recuperação, e
este ter sido deferido, há 5 anos. OBS: o plano de recuperação tem
prazo máximo de 2 anos.
e) não ter pedido recuperação especial, que tenha sido deferida, no
prazo de 8 anos (micro e pequenas empresas, e empresário
individual);
f) não ter sido condenado pela pratica de crime falimentar, seja como
sócio, como administrador judicial, como controladora...

-Legitimidade e Juízo Competente

*LEGITIMIDADE ATIVA_ devedor (na defesa de um processo


falimentar ou em pedido específico_ artigo 966 CC c/c artigo 1º da
Lei 11.101/05).
*LEGITIMIDADE PASSIVA_ na recuperação judicial, envolve todos
os credores. OBS: quanto ao crédito tributário, o devedor deverá
provar que pediu parcelamento através de uma certidão (a
jurisprudência entende que a falta dessa certidão não acarreta a
falência. Uma vez concedida a recuperação judicial, todos os credores
ficam vinculados).
OBS: na recuperação, não é necessário haver débitos vencidos,
basta que o devedor entenda que não tem condições de pagar as
contas que estão por vencer. O foco do devedor é provar que ele é
solvente, mas que naquele momento não tem como pagar sua
dívidas.
O quadro de credores e de pagamento são os mesmos dos da
falência, porém, ele é mais flexível porque há acordo que podem
afetar a podem.
*Juízo Competente_ artigo 3º
*Petição Inicial_ artigo 51 (requisitos)
1- não interessa a impontualidade, o foco é a solvência, então o
primeiro requisito da petição inicial é: a exposição das causas que
acarretaram a grave crise econômica do devedor;
2- demonstrações contábeis do devedor. Se o devedor não completou
o terceiro ano na atividade, ele entrega os demonstrativos referentes
aos dois anos completos e ao terceiro ano proporcional;
3- laudo ou parecer de um profissional da área dando os parâmetros
para a concessão;
4- relação de todos os credores, o valor dos créditos e a natureza da
divida;
5- relação dos empregados com cargos e salários;
6- relação dos bens particulares dos sócios administradores ou
majoritários, para uma eventual desconsideração.
OBS: aqui vigora a TEORIA INSTITUCIONAL (organicista), ou
seja, a vontade dos sócios pouco importa porque a atividade
empresarial é uma instituição, então, se ficar provado que o sócio é
causador da crise, ele pode ser retirado da empresa.
7- certidões de protesto;
8- se o devedor tiver alguma ação tramitando, ele deve relacioná-la
no pedido. Qualquer processo judicial do que ele seja parte, deverá
ser informado no pedido.
OBS: uma vez distribuído o pedido e o mesmo sendo deferido,
o devedor não pode desistir da recuperação (TEORIA DA
INSTITUIÇÃO artigo 52, §4º).
*Decisão (artigo 52)_ parece com a decisão de falência porque
nesta manifestação do juiz, a primeira providência é a nomeação do
administrador judicial. O administrador também só recebe 60% dos
seus honorários.
Na decisão o juiz coloca a dispensa de apresentação de
certidões para as concorrências, salvo o caso de licitações publicas.
Suspendem-se todas as ações e execuções.
Expede-se oficio para o registro da empresa para a anotação na
matrícula de sua condição, alem de serem expedidos oficiso também
para o MP e para a Fazenda Publica.
Publica-se um edital informando os credores sobre a
recuperação.

Publicado o edital...
Plano de recuperação (artigo 53)_ o devedor tem prazo de 60
dias para apresentar uma proposta de plano de recuperação, pautada
nas hipóteses do artigo 50 (rol exemplificativo).
Artigo 53:
I- concessão de prazo para pagamento e desconto
(refazer os prazos e juros pactuados).
II- operações societárias = cisão, incorporação, fusão e
transformação societárias (quando se altera o tipo
societário = LTDA para S/A, por exemplo).
III- Alteração do controle societário que é quem tem o
maior numero de ações ou quotas, quem tem i poder
de voto.
IV- Substituição total ou parcial dos administradores (os
próprios credores podem exigir esta proposta e incluir
alguém de sua confiança).
V- Exigência do voto múltiplo (quebra de chapas).
VI- Aumento de capital social- se for S/A há o aumento das
ações (S/A de capital autorizado).

Aula do dia 29/10/10

(continuação...)
Artigo 53, VI_ aumento de capital social. As S/As podem se
tornar S/As de capital autorizada. Há uma assembléia na qual se
aprova o aumento do numero de ações, que serão emitidas e
oferecidas no mercado em uma data futura estabelecida pela
assembléia.
 Bônus de subscrição_ valores imobiliários que dão direito de
preferência para a compra de ações (pagamento pela
reserva daquelas ações).

VII- arrendamento do estabelecimento ou venda – os


funcionários da recuperada podem constituir uma
cooperativa e adquirir a empresa. O adquirente deste
estabelecimento não se sub-roga nas dividas do
recuperando. O dinheiro do trespasse pode ficar
consignado para o pagamento do tributo devido, mas o
adquirente não é responsável por ele. Se fosse adotada
a mesma postura de uma execução fiscal normal
(sucessão) a recuperação ficaria inviabilizada porque a
venda ficaria prejudicada.
No caso de arrendamento ou venda, o recuperando deve dar ao
dinheiro recebido o destino determinado no plano de
recuperação.
OBS: os incisos do artigo 50 devem ser adequados à realidade
do devedor.

VIII- deve-se fazer um acordo com o sindicato.


IX- a garantia pode ser trocada ou aumentada.

- constituição de sociedade de credores (SPE) que existe somente


durante o período da recuperação – ela pode participar da atividade
empresarial, ou arrendar um de seus estabelecimento.
- venda de unidades – devem-se usar os meios da falência (leilão,
pregão, proposta fechada). Qualquer outra forma depende de
autorização da assembléia.
- renegociação de dívidas financeiras.
-usufruto, por prazo determinado, da empresa.
- administração compartilhada = governança corporativa -
administração transparente que procura os administrados e os
clientes.
- emissão de valores mobiliários – ações, debêntures, bônus de
subscrição, partes beneficiárias, notas promissórias (Lei 6404).

O plano de recuperação baseado no artigo 50 é entregue ao


juiz pelo devedor e o juiz agenda uma assembléia de credores para
deliberar sobre o plano (artigo 54). OBS 1: o plano não pode prever
prazo maior que 1 ano para pagar o atraso trabalhista; OBS 2: o
primeiro pagamento tem que ser realizado dentro de 30 dias a
contar do deferimento do pedido.
Pode haver quantas assembléias forem necessárias para
deliberar sobre o plano, porque deve haver unanimidade para deferi-
lo (maioria de cada classe). Se o devedor não tiver como pagar no
prazo de 30 dias, ele deverá se comprometer, no plano, que pagará
em 30 dias a contar da data em que o plano foi aprovado.

Artigo 55_ juntado o plano, o juiz publica o edital informando


aos credores do plano, para que ele se ,manifestem, impugnando o
plano, no prazo de 30 dias. Se houver uma impugnação, o juiz
obrigatoriamente marca a assembléia. Se não houver impugnações, o
juiz poderá homologar o plano, deferindo o pedido de recuperação.
REGRA GERAL: se uma classe não aprovar o plano, convola-se
em falência. Porém, há uma EXCEÇÃO: artigo 58. São
possibilidades que podem acarretar deferimento do plano pelo juiz,
passando por cima da vontade da vontade dos credores que não o
aprovaram. Esses incisos devem estar presentes cumulativamente.
Na prática, mesmo quando a lei determina a convolação em falência,
o juiz pode manter a recuperação, alegando função social da
empresa.
I- não interessam as classes, o que importa é mais da metade
do total de créditos presentes;
II- aprovação de uma classe, quando houver duas e de duas
classe quando houver três;
III- percentual de 1/3 favorável na classe que não aprovou o
plano;

Aula do dia 05/11/10

Recuperação Judicial (continuação)


-Deferimento do plano - assembléia para deliberação
- Deferimento pelo juiz
- Efeitos da Recuperação
- Prazo
- Procedimento de recuperação e especial (artigo 70)
- Procedimento de recuperação extrajudicial (artigo 161)
- Convolação da recuperação em falência (artigos 73 e 74)

A manifestação sobre o plano tem 30 dias (artigo 55) a contar


da publicação da relação de credores. Quando não houver esta
publicação, a doutrina entende que os 30 dias podem ser contados da
publicação do edital.
Se houver uma impugnação, o juiz tem que convocar a
assembléia para aprovar ou não o plano. O prazo é de 150 dias a
contar da sentença que deferiu o prosseguimento (artigo 56, §1º).
Quando uma classe não aceita o plano, a regra geral é que haja
a convolação em falência. A exceção está no artigo 58. O juiz poderá
passar por cima do que foi deliberado na assembléia se ocorrerem
todas as hipóteses do artigo 58.
Sendo deferido o plano, por deferimento ou pela assembléia,
haverá a prolatação de uma sentença de deferimento (artigo 59).
>Principais efeitos da recuperação judicial:
1) impossibilidade de distribuição de novos processos e a suspensão
dos que já estão em curso;
2) ERGA OMNES_ o credor que não participou do procedimento ou
que não concordou com o plano é obrigado a acatar a decisão.
OBS: a suspensão do juros não é obrigatória, isto deve estar previsto
no plano.
3) os créditos trabalhistas tem que ser quitados no primeiro ano
(artigo 54). E o primeiro pagamento dos salários atrasados, tem
que ser efetuado em 30 dias (§ único).
4) a sentença que defere a recuperação é um título executivo. Se
após 2 anos a recuperação não tiver surtido resultado, o credor
poderá executar seu credito através da sentença.
5) esta sentença acarreta uma novação nos créditos.
OBS: um dos efeitos da convolação é a volta ao STATUS QUO. Se um
credor abriu mão de uma garantia em prol da recuperação, se esta
for convolada, ele volta a ter sua garantia.
6) qualquer descumprimento do plano pelo devedor acarreta
convolação em falência.

O administrador judicial aqui apenas acompanha os


procedimentos, pois não há, necessariamente, o afastamento dos
devedores de suas funções.
O administrador vai acompanhando o cumprimento do plano,
sendo remunerado tanto quanto como na falência.

- Prazo
Passados o prazo de dois anos só há dois caminhos: o
encerramento da recuperação ou a convolação em falência.
Mas há uma terceira situação: passados os dois anos o plano
não terminou, qualquer credor pode executar seu crédito, voltando o
seu crédito ao status quo ante ao início da recuperação

*ATENÇÃO! (Resumindo)
-REALIZAÇÃO DO ATIVO:
Não há necessidade de que o quadro geral esteja consolidado.
Pode ser feita a qualquer momento, de acordo com a
determinação do administrador.
O rol do artigo 140 é exemplificativo, as características do
bem determinarão como será feita a alienação.
A forma da alienação (leilão, proposta fechada e pregão =
artigo 142) é preferencial.

- Sucessão Empresarial (artigo 141, II):


O arrematante não se sub-roga nas obrigações, não responde
pelas dívidas trabalhistas que serão pagas pela massa falida.

-Impugnação (artigo 143):


Qualquer credor, o falido, o MP ou interessados podem
impugnar a alienação.

- Pagamento (artigo 149):


Os credores têm o prazo de 60 dias para levantarem o credito,
passando esse prazo, o dinheiro retorna à massa falida.
- Encerramento no processo falimentar = 2ª sentença (artigo 154):
Encerra o processo mas não o estado falimentar. Cabe apelação
da sentença.
A partir do encerramento, tem inicio o prazo da extinção das
obrigações do falido (artigo 158). A extinção das obrigações pode
ocorrer no momento do encerramento quando todos os créditos
forem pagos.

-RECUPERAÇÃO JUDICIAL:
-Objetivo: superação da crise econômico financeira do empresário,
manutenção da atividade empresarial alcançando assim, a sua função
social.
O juiz defere o pedido de processamento (artigo 47).

- Principio da Conservação da Empresa Viável:


a) possibilidade de cortes de custos sem prejudica a obtenção de
receita.
b) o aumento de preços não pode acarretar queda na receita; deve
haver anuência dos credores.
c) corte de custos e aumento de preços de forma conjugada.

-Natureza Jurídica: contrato; não basta a decisão do juiz, deve haver


participação ativa dos credores.

-Requisitos: a) o devedor é quem pede a recuperação; b) na


petição inicial, ele deve indicar as causas determinantes do pedido,
fundamentando a viabilidade da empresa. Importante! Se houver
débito fiscal, deve haver acordo com a Fazenda porque os créditos
tributários não entram na recuperação; c) tem que estar
devidamente constituído como empresário; d) tem que provar que
não foi concedida a recuperação nos últimos 5 anos (reincidência) =
8 anos no caso de recuperação especial (micro e pequena empresa);
e) sócios ou acionistas não terem sido condenados por crime
falimentar; f) relação de todos os processos judiciais e
administrativos em que o devedor participe como ativo ou passivo.
A recuperação judicial abrange todos os créditos do devedor,
com exceção dos tributários.
Os credores com garantias reais podem ter a garantia
substituída.
Os contratos com leasing e alienação fiduciária continuam sem
a possibilidade de retomada do bem e os contratos de promessa de
compra e venda com eficácia real são mantidos.

-Plano de recuperação judicial (artigo 50): a) concessão de


novos prazos e benefícios; b) cisão, fusão, incorporação; c) alienação
do controle societário (Teoria da Empresa como Instituição); d)
substituição total ou parcial dos administradores não sócios; e)
aumento do capital social; f) alienação do estabelecimento; g)
redução salarial ou de jornada; h) novação de dívidas; i) constituição
de sociedade credora; j) emissão de valores mobiliários – somente
sociedades anônimas de capital aberto – deve ser autorizado pela
CVM.
Atenção! O plano apresentado pelo devedor não pode prever
prazo superior a 1 ano para o pagamento dos créditos trabalhistas
(artigo 54).

Efeitos da aprovação do plano de recuperação:


- impossibilidade de se arrepender;
- novação dos créditos (se for convolada em falência, a situação volta
ao status quo);
- a recuperação se torna obrigatória a todos os credores;
- as ações de credores pendentes após o prazo de 2 anos serão
cumpridas de forma individual.
-RECUPERAÇÃO ESPECIAL:
Destinada às micro e pequenas empresas. Abrange apenas os
créditos quirografários que poderão ser parcelados em até 36 meses.
O plano apresentado pelo devedor deverá prever o pagamento da 1ª
parcela em 180 dias a contar da distribuição do pedido (artigo 71,
III). A alienação de bens depende de autorização judicial (não
precisa de assembléia nem de autorização dos credores). O juiz pode
deferir o plano sem a assembléia (artigo 72). O juiz pode rejeitar o
plano e decretar a falência.
Portanto, é destinada as micros e pequenas empresas, assim
como ao empresário individual. Trata-se de uma procedimento
completamente diferente, pois só abrange os créditos quirografários
(não são todos os créditos). O plano, nesse caso, pode prever o
pagamento em até 36 meses (três anos). O deferimento do plano não
suspende as ações e execuções. A prioridade é para o pagamento
mais imediato (art. 71), no prazo de 180 dias, da distribuição do
pedido, pois no plano especial não existe assembléia. A manifestação
dos credores se dá por meio de petição. Se houver uma única
impugnação, o juiz pode indeferir a execução do plano, havendo a
convolação em falência. Se houver a objeção de mais da metade dos
créditos, o juiz é obrigado a convolar em falência (art. 72, § único).

-RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL – art. 161


É um acordo pactuado fora do procedimento judicial é a única
finalidade é a obtenção da homologação pelo juiz. Portanto, cabe ao
juiz falimentar a homologação do plano de recuperação.
Só abrange créditos quirografários. Normalmente é indicada
para credores quirografários pois os com garantia real geralmente
optam pela via judicial pedindo a falência.
Qualquer devedor pode utilizar da recuperação extra-judicial.
Pode ser de qualquer empresário (grande, médio ou pequeno porte).
Uma vez homologado o plano também se transforma em título
extra-judicial.
O plano tem que estar assinado por todos os credores (artigo
162). A recuperação extrajudicial só abrangerá os credores que
assinarem o plano.
Esse plano, por regra geral, só vincula os signatários. A exceção
está no art. 163, se três quintos da totalidade dos créditos estiver
presente no termo de acordo, ele se torno obrigatória e vincula os
demais credores.
Alineação de bens tem de ter a concordância dos credores.
Recebido o pedido de homologação, o juiz vai publicar um edital
dando ciência aos credores (art. 164) e abre-se um prazo de 30 dias
para impugnação. Havendo impugnação, abre-se o prazo de cinco
dias para a defesa.

(FALTOU FALAR SOBRE Convolação da recuperação em falência – art. 73 e 74)