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REGISTRO PÚBLICO E PESSOA NATURAL

A utilidade do registro é importantíssima, pois o instituto fixa a condição jurídica do homem,


em seu próprio interesse, de sua família, da sociedade e do Estado. O Registro Civil, em especial,
constitui uma segurança não só para o próprio indivíduo como também para aqueles que com ele
contratam, já que fornece um meio seguro que prova o estado civil e a situação jurídica, em geral,
das pessoas.

Os principais fatos da vida civil de uma pessoa natural, como o nascimento, o casamento e o
óbito, são registrados pelos Oficiais de Registro Civil das Pessoas Naturais, profissionais do Direito que
prestam serviço público por delegação do Poder Público, existentes em todos os Municípios e na
maioria dos Distritos do país, cuja atividade é regulamentada pelas Leis 8.935, de 18/11/1994 e 6.015,
de 31/12/1973 (Lei de Registros Públicos).

E como são feitos os registros?

Os registros são feitos em livros numerados seqüencialmente, precedidos de uma letra de acordo com
a natureza do registro ("A" para nascimento, "B" para casamento, "B-Aux" para casamento religioso
com efeitos civis, "C" para óbitos, "E" para outros registros).

Feito o registro é expedida no ato uma certidão (primeira via), relatando o que consta do assento.

Além da certidão expedida no ato do registro, é possível pedir certidão a qualquer tempo, e o pedido
pode ser feito por qualquer pessoa, já que os registros são públicos.

Além das certidões de nascimento, casamento e óbito, podem ser pedidas certidões de outros registros
feitos pelos ofícios de Registro Civil:

• Registro de emancipação: registro de aquisição da capacidade civil plena, por concessão dos
pais ou sentença judicial, antes dos 18 anos;
• Registro de interdição: registro da sentença judicial que declara a pessoa incapaz de reger a si
própria e administrar seus bens;
• Registro de ausência: registro da sentença judicial que declara a pessoa como desaparecida;
• Registros de inscrição de sentenças de separação, restabelecimento de sociedade conjugal e
divórcio, relativos a casamentos realizados em outros Estados;
• Registro de opção de nacionalidade brasileira: feito por filhos nascidos no estrangeiro cujos pais
brasileiros não estejam a serviço do país;
• Registro de transcrição de nascimento de brasileiro, ocorrido no exterior;
• Registro de transcrição de casamento de brasileiro, realizado no exterior;
• Registro de transcrição de óbito de brasileiro, ocorrido no exterior.

Em várias oportunidades já nos referimos à Lei no 6.015, de 31-12-73, a Lei dos Registros
Públicos.

O art. 1o dessa lei explica a finalidade do Registro Público, ao dizer: "Os serviços
concernentes aos Registros Públicos, estabelecidos pela legislação civil para autenticidade,
segurança e eficácia dos atos jurídicos, ficam sujeitos ao regime estabelecido nesta lei.

§ 1o Os Registros referidos neste artigo são os seguintes:


I - o registro civil de pessoas naturais;
II - o registro civil de pessoas jurídicas;
III - o registro de títulos e documentos;
IV - o registro de imóveis.

§ 2o Os demais registros reger-se-ão por leis próprias."

O CC nos artigos 9º e 10º faz referencia ao registro público de questões relacionadas às pessoas
naturais.

O artigo 9º determina o registro do nascimento, do casamento e óbito, assim como a emancipação


voluntária, por outorga dos pais e judicial, nos casos de tutela.
Também estão sujeitos ao direito civil a interdição em decorrência da incapacidade absoluta ou
relativa e a sentença declaratória de ausência, proferida na primeira fase4 do procedimento de
ausência, artigo 22 do CC, e a sentença de morte presumida, sem decretação de ausência, nas
hipóteses do artigo 7º da lei civil.

O registro civil produz três efeitos jurídicos:

1. Constitutivos: existência do direito

2. Comprobatórios: comprovação da existência e a veracidade do ato

3. Publicitários: o ato deve ser conhecido por quem quer que tenha interesse ou não

Para o legislador, portanto, os registros públicos têm a finalidade de conferir autenticidade,


segurança e eficácia aos atos jurídicos atinentes à matéria. O registro público, quer para atos que a
lei tem como obrigatórios, quer para os atos que a lei tem como facultativamente registráveis, além
dessas finalidades interpretadas pela própria lei, tem em mira, na grande maioria dos casos, a
formalidade de oponibilidade a terceiros.

Além dessa importante formalidade de valer e ter eficácia contra terceiros, os atos constantes do
registro ganham eficácia entre as partes envolvidas no ato registrado.

Sinteticamente, podemos afirmar que o registro público tem feição de publicidade, de


notoriedade dos atos registrados. Se for público, desejando saber a quem pertence determinado
imóvel, basta pedirmos uma certidão desse bem. Se pretendemos saber a filiação de determinada
pessoa, basta pedirmos certidão de seu assento de nascimento.

Portanto, a finalidade dos registros públicos é mais ampla do que a princípio parece indicar o
caput do art. 1o da Lei dos Registros Públicos.

Para os registros públicos há atos obrigatórios, quando o ato jurídico apenas ganha eficácia com
o registro, e atos facultativos, quando se trata de interesse do próprio interessado, para a
perpetuação e segurança do ato, além de sua autenticação.

Nesse diapasão, para adquirir propriedade por nosso direito é imprescindível a transcrição no
Registro Imobiliário (a matrícula do imóvel, com suas vicissitudes). Só será proprietário de um
imóvel, regra geral, quem o registro público assim indicar.

Por outro lado, se duas partes contratam particularmente um empréstimo, podem,


facultativamente, registrar o documento no competente registro de títulos e documentos, para se
acautelarem contra possível destruição ou extravio do documento, bem como para comprovação de
data.

A Lei dos Registros Públicos trata, portanto, do registro civil das pessoas naturais e jurídicas, do
registro de títulos e documentos e do registro de imóveis.

O registro civil da pessoa natural, além das finalidades gerais dos registros públicos já
delineadas, apresenta a utilidade para o próprio interessado em ter como provar sua existência, seu
estado civil, bem como um interesse do Estado em saber quantos somos e qual a situação jurídica
em que vivemos.

O registro civil também interessa a terceiros que vêem ali o estado de solteiro, casado, separado
etc. de quem contrata, para acautelar possíveis direitos. No Registro Civil encontram-se marcados
os fatos mais importantes da vida do indivíduo: nascimento, casamento e suas alterações e morte.

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. Nascimentos

De acordo com o art. 50 da Lei de Registros Públicos, todo nascimento deve ser dado
a registro, no lugar em que tiver ocorrido o parto, dentro do prazo de 15 dias, ampliando-se até
três meses para os locais distantes mais de 30 km da sede do cartório.

Nos termos do art. 348 (art. 1.604) do Código Civil, ninguém pode vindicar estado
contrário ao que resulta do registro de nascimento, salvo provando-se erro ou sua falsidade. A
filiação legítima é provada pela certidão do termo de nascimento (art. 347 do antigo diploma
legal), decorrendo daí a obrigatoriedade do registro do nascimento e a imposição de multas para
o não-cumprimento.
Aos brasileiros nascidos no estrangeiro são aplicadas as mesmas disposições (§ 4o do
art. 50 da Lei dos Registros Públicos), sendo competentes as autoridades consulares brasileiras
para os atos do registro civil, de acordo com o art. 18 da Lei de Introdução ao Código Civil.
O art. 52 da Lei dos Registros Públicos, por sua vez, determina que são obrigados a
fazer a declaração de nascimento: o pai; em falta ou impedimento do pai, a mãe, sendo nesse
caso o prazo para declaração prorrogado por 45 dias; no impedimento de ambos, o parente mais
próximo, sendo maior e achando-se presente; em falta ou impedimento do parente referido, os
administradores de hospitais ou os médicos e parteiras que tiverem assistido o parto; ou pessoa
idônea da casa em que ocorrer, sendo fora da residência da mãe; finalmente, as pessoas
encarregadas da guarda do menor. O § 1o do citado artigo dispõe que, quando o oficial do
registro tiver motivo de dúvida da declaração, poderá ir à casa do recém-nascido verificar sua
existência, ou exigir atestado médico ou parteira que tiver assistido o parto, ou o testemunho de
duas pessoas que não forem os pais e tiverem visto o recém-nascido.

Existe, portanto, uma gradação, uma ordem de pessoas obrigadas a fazer a


declaração de nascimento.

Se ocorrer erro no registro de nascimento, atribuindo-se pais diferentes, ou sexo


diverso, por exemplo, é indispensável a retificação, por via judicial.

O dispositivo do art. 52 não prevê penalidade para a obrigação, mas o art. 46 da


mesma lei dispõe que as declarações de nascimento feitas fora do prazo só serão registradas
mediante despacho do juiz e recolhimento de multa de um décimo do salário mínimo da região,
sem estabelecer penalidade para a pessoa que deixa de fazer a declaração.

O art. 54 da mencionada lei diz quais os requisitos essenciais do assento de


nascimento, colocando entre eles, no IV, o nome e o prenome, que forem postos à criança.

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. Óbitos

A morte deve ser atestada por médico, se houver no local (art. 77 da Lei dos
Registros Públicos). Se não houver, deve ser atestada por duas pessoas qualificadas que a
tiverem presenciado ou verificado.

O registro do óbito é regulado pelos arts. 77 a 88 da Lei dos Registros Públicos.

O sepultamento sem assento de óbito prévio é admitido por exceção, quando não
houver possibilidade de se efetuar dentro de 24 horas do falecimento, pela distância ou outro
motivo relevante. Nesse caso, a lei recomenda urgência no registro, que deve ser feito dentro de
15 dias, prazo ampliado para três meses para lugares distantes mais de 30 km da sede do
cartório. A lei prevê as hipóteses comuns no interior do país, com dimensões continentais.

As pessoas obrigadas a declarar o óbito vêm discriminadas no art. 79 e o conteúdo


do assento é estatuído no art. 80.

Não só no tocante ao nascimento, como também ao óbito ou com referência a


qualquer erro constante dos registros públicos, sempre deve ser feita a retificação mediante
autorização judicial.

Quanto à justificação de óbito de pessoas desaparecidas em acidentes ou tragédias


(art. 88 da LRP), já nos referimos anteriormente.

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. Emancipação, Interdição e Ausência

A emancipação, concedida pelos pais ou por sentença do juiz, de acordo com o art.
5o do atual Código, deverá ser também inscrita no registro público (art. 89 da Lei dos Registros
Públicos).

As sentenças de interdição serão registradas (art. 92; novo, art. 145), assim como as
sentenças declaratórias de ausência (art. 94; novo, art. 147).

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. Averbação e Anotações
Todos esses registros são inscritos no Registro Civil. A inscrição é o registro básico,
mas pode vir a sofrer alterações, como, por exemplo, um reconhecimento de filiação.
Tais alterações são procedidas mediante averbações nos assentos, a sua margem. As
averbações são, portanto, complemento do registro e vêm reguladas pelos arts. 97 a 105 da Lei
dos Registros Públicos, que explicitam o modo pelo qual tais averbações devem ser feitas.

A averbação é, pois, um registro feito à margem do assento ou, não havendo espaço,
no livro próprio, corrente, com notas e remissões que facilitem a busca dos dados. Para qualquer
averbação do Registro Civil é indispensável a audiência do Ministério Público. Em caso de dúvida,
a solução é entregue ao juiz.

Além das averbações, o oficial do registro deve proceder a anotações (arts. 106 a
108 da Lei dos Registros Públicos), que são remissões feitas nos livros de registro para facilitar a
busca e favorecer a interligação dos diversos fatos acontecidos na vida do indivíduo. Por
exemplo, o art. 107 determina que deverá ser anotado, com remissões recíprocas, o óbito, nos
assentos de casamento e nascimento, e o casamento deve ser anotado no registro de
nascimento.