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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS


ALUNO: MATHEUS DE MELLO DE OLIVEIRA

Segundo Foucault o poder disciplinar age de forma que adestra, normatiza,


objetifica o sujeito para que este se autogoverne de acordo com as normas
constituídas em uma macro estrutura, fazendo com que o sujeito as reproduza de
forma autônoma nas lacunas da lei.
O poder disciplinar se articula a partir de algumas frentes: olhar hierárquico, a
sanção normalizadora e a combinação num processo específico, o exame. Para que
seja possível exercer a relação de poder disciplinar o espaço físico é essencial,
existem diversos exemplos ao longo da história de arquiteturas pensadas para
manter e propagar essa relação de poder. Assim, a arquitetura serve para vigilância
interna dos presos, dos alunos, dos funcionários etc. Desta forma ela impele a
individualidade e mina as relações. Com a divisão do trabalho cada vez mais e com
os instrumentos cada vez mais caros a vigilância se torna parte do êxito econômico.
A vigilância é exercida pelos funcionários mais especializados e a partir disto se cria
uma distinção, onde quem possui este status lutará para mantê-lo e os demais
funcionários almejam esta posição. Logo, com esta elevada complexidade nas
relações e a obtenção de equipamentos cada vez mais caros, qualquer falha, por
mínima que seja, causará uma despesa enorme, logo, vigiar faz parte do processo
econômico.
Já no ensino, a vigilância atua como um mecanismo que multiplica a sua
eficácia, assim a vigilância atua em forma de rede que perpassa o vigilante e o
vigiado e forma um conglomerado normatizador. Para que isso funcione, é
necessário que a disciplina atue na lacuna das leis, onde a disciplina caracteriza e
reprime comportamentos que não fazem parte da alçada de castigos do direito.
Desta forma, a disciplina atua sobre modos, o corpo, a sexualidade. Portanto,
mesmo existindo regras de punição disciplinar por processos naturais e
observáveis, assim o castigo disciplinar serve para evitar desvios e não punir erros,
logo o castigo dentro deste tipo de relação de poder o castigo serve como forma de
adestramento quando impõe exercícios. Assim a disciplina funciona dentro de um
sistema de recompensa-sanção: primeiro conquista-se o coração e só após isso
começa o castigo. Este sistema possibilita a estruturação de uma economia
disciplinar que caracteriza bons e maus alunos.
Desta forma, a disciplina funciona como divisor e classificador de classes,
promovendo apenas os melhores e punindo aqueles que ainda não assimilaram as
normas na subjetividade. Assim, a disciplina coloca em funcionamento operações
bem diferentes: relacionar os atos, os desempenhos e os comportamentos únicos
em um arcabouço que ao mesmo tempo é um campo de comparação, espaço de
diferenciação e início de uma norma a seguir.
Desta forma, o sistema necessita de uma forma de avaliação que organize a
conjuntura e a ordem, a forma escolhida foi o exame, sua função é qualificar,
classificar e punir. O exame atua como uma relação de poder que permite obter e
constituir saber, assim ele permitiu o desbloqueio epistemológico da medicina e
marcou quando a pedagogia passou a funcionar como ciência. Pois, o exame
constrói a formação do saber a uma forma de exercício de poder, nesse contexto o
exame é a técnica que o poder prende o sujeito dentro de um mecanismo de
objetificação.