UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CENTRO INTERDISCIPLINAR DE NOVAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO

MARIA DO CARMO BIGOLIN

PROFESSORES BLOGUEIROS E O USO DOS BLOGS EM SUA PRÁTICA DOCENTE

2 Porto Alegre 2010

MARIA DO CARMO BIGOLIN

PROFESSORES BLOGUEIROS E O USO DOS BLOGS EM SUA PRÁTICA DOCENTE

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como requisito parcial para a obtenção do grau de Especialista em Mídias na Educação, pelo Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – CINTED/UFRGS.

Orientador(a): Maria Rosangela Bez

4 Porto Alegre 2010

DEDICATÓRIA

Para Bigolin, Michele, Felipe e Gustavo. Meus eternos amores.

AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar a Deus, pela vida e pela saúde. Em segundo lugar, é claro, para minha família, principalmente o maridão, por dividir comigo o tempo que poderia ser nosso e acaba sendo do computador. Não poderia deixar de agradecer também as queridas colegas Marlize, Elaine e Maria Dalva; aos meus alunos do 2º ano do ensino médio do Ruyzão; as multiplicadoras, colegas e amigas do NTE de Ijuí, aos professores e tutores do curso Mídias na Educação e a querida orientadora professora Maria Rosangela Benz

RESUMO

Hoje os blogs não se constituem apenas como um simples aparato técnico, mas sim como um fenômeno social que cresce a cada dia, a sua utilização nas mais diversas áreas, inclusive na educação. Os blogs tornam as notícias independentes das fontes tradicionais, como rádio, TV e mídia impressa, democratizando a informação. Tendo em vista esse rápido e grande crescimento dos blogs, principalmente no meio educacional, optou-se por realizar uma pesquisa qualitativa/quantitativa usando como instrumentos de coleta de dados a observação nos blogs, o que me permitiu uma análise mais aprofundada sobre suas características e potencialidades, sob a ótica do contexto educativo. Realizou-se também uma análise de blogs de professores, principalmente aqueles voltados à disciplina de geografia, que falassem e refletissem sobre a prática docente, suas articulações, relacionamentos. Ainda foi realizada uma análise procurando identificar se os mesmos são ou podem ser considerados instrumentos de aprendizagem, quais suas potencialidades dentro o contexto educativo e o que os alunos pensam sobre estes blogs.

Palavras-chave: Blogs – tecnologias da Informação e Comunicação -Educação

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AVA BR UFRGS TIC TDIC CMC

Ambiente Virtual de Aprendizagem Brasil Universidade Federal do Rio Grande do Sul Tecnologia da Informação e Comunicação Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação Comunicação Mediada por Computador

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1. – Blog baseado em textos (escrita) ...................................................19 Figura 2. – Exemplo da utilizando de imagens e sons em Blogs......................21 Figura 3. – Exemplo da organização do tempo nos Blogs................................23 Figura 4. – Exemplo do uso de links e outras informações nos Blogs..............24 Figura 5. – Exemplo do uso de textos curtos nos Blogs...................................24 Figura 6. – Exemplo de Blogs com idéias, conceitos e opiniões do autor.......25 Figura 7. – Exemplo de interatividade em Blogs...............................................25 Figura 8. – Exemplo de Hipertextualidade nos Blogs.......................................26 Figura 9: Quadro sete motivos pelos quais um professor deveria criar um weblog.................................................................................................................36 Figura 10: Representação esquemática da exploração dos blogs como recurso ou como estratégia pedagógica.........................................................................43 Figura 11: Representação esquemática das explorações educacionais dos blogs, centradas na vertente de “recurso pedagógico” e na vertente de ”estratégia pedagógica”......................................................................................45 Figura 12: Questionário para entrevista aos Blogueiros...................................50 Figura 13: Atualizações do blog........................................................................55 Figura 14: Desvantagens no uso dos blogs.....................................................56 Figura 15 Benefícios do uso de Blogs ............................................................57 Figura 16: Quadro Contribuições dos Blogs para o processo ensino/aprendizagem........................................................................................ 58 Figura 17: Quadro Contribuições dos blogs aos alunos.................................. 59 Figura 18 Blog como espaço para o diálogo, troca de experiências................60

LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Alternativas da questão de número 1................................................54 Tabela 2. Síntese das respostas da pergunta 3................................................55

SUMÁRIO

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS........................................................8 LISTA DE FIGURAS......................................................................................9 LISTA DE TABELAS...................................................................................10 1 INTRODUÇÃO...........................................................................................13
1.1 Justificativa ...................................................................................................................................13 1.2 Problema de Pesquisa...................................................................................................................14 1.3.1 Objetivo geral.......................................................................................................................14 1.3.2 Objetivos específicos .............................................................................................................14 2.1 A tecnologia educacional ...........................................................................................................18 2.2 Blog – o que é?..............................................................................................................................20 2.3 Blog – Características..................................................................................................................25 2.4 A Blogosfera................................................................................................................................29

3 OS WEBBLOGS NA EDUCAÇÃO............................................................32
1.3 Os avanços tecnológicos na melhoria da educação....................................................................33 1.4 Weblogs Educacionais – Edublogs.............................................................................................36 3.3 Blog - ambiente de aprendizagem?.............................................................................................42 1.5 Blogs - recurso e/ou estratégia pedagógica?...........................................................................45

2 METODOLOGIA.........................................................................................51 3 ANÁLISE DE WEBLOGS E DOS DADOS COLETADOS........................54
3.1 Características observadas nos blogs..........................................................................................54

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3.2 Análise dos dados coletados nas entrevistas...............................................................................57

4 CONCLUSÃO.............................................................................................66 REFERÊNCIAS............................................................................................71 ANEXO - QUESTIONÁRIO USO DO WEBLOG NA EDUCAÇÃO.............78 76

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1 INTRODUÇÃO

Com os avanços tecnológicos e a facilidade de uso da internet os blogs não se apresentam apenas como uma simples ferramenta de lazer, de divulgação de conteúdos e notícias ou um mero aparato técnico, mas sim como um fenômeno social. Cresce a cada dia a sua utilização nas mais diversas áreas, inclusive na educação. Desta forma optou-se por analisar como os blogs educativos podem influenciar no desempenho dos alunos, dando-se enfoque na disciplina de geografia.

1.1 Justificativa
Ao se introduzir as TICs no setor educacional, se oportunizará a união de novas formas de ensinar com novas formas de aprender. Dessa forma, entre os diversos espaços disponíveis na web, os Weblogs Educacionais ou Edublogs se constituem em uma excelente ferramenta para dinamizar o processo de construção do conhecimento. A partir destes argumentos, por acreditar que o uso das TIC na educação permite uma compreensão mais profunda do mundo em que vivemos, por ter plena consciência da utilidade prática e funcional que os blogs colocam nas mãos de nós professores, alunos, e em especial para a disciplina de Geografia no Ensino Médio é que desenvolvo este estudo monográfico. Também pelo fato da carência de pesquisas na área de blogs educativos com enfoque na geografia.

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1.2 Problema de Pesquisa
De que forma os blogs educativos podem contribuir para um maior interesse e desempenho dos alunos, com enfoque na disciplina de geografia?

1.3 Objetivo
1.3.1 Objetivo geral Realizar uma análise de blogs de professores de geografia quanto a sua importância no processo pedagógico, . 1.3.2 Objetivos específicos • Identificar e observar as características dos weblogs de professores da disciplina de geografia. • Realizar um questionário com os professores escolhidos e que possuem blogs na área da geografia. • Analisar quais as vantagens e as desvantagens que o uso dos edublogs apresentam para a aprendizagem e interesse pela disciplina, e como esta ferramenta de apoio didático pode contribuir em nossa prática pedagógica diária no ensino da disciplina de Geografia no Ensino Médio.

Desta forma, para que se pudesse efetivar esta pesquisa procurando responder aos questionamentos que propomos, esta monografia foi dividida em capítulos, sendo que no capítulo dois buscamos apresentar um referencial teórico a respeito dos blogs, mostrando-os como tecnologia educacional, descrevendo conceitos e características. Já no capítulo três os estudos foram focados nos weblogs na educação, estes sendo apresentados como avanços tecnológicos para melhoria da educação, com apresentação dos Edublogs, do blog como ambiente de aprendizagem e como recurso ou estratégia

15 pedagógica de ensino. No capítulo quatro mostra-se a metodologia empregada e no capítulo seguinte a análise dos webblogs e dos dados coletados.

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CONHECENDO MAIS SOBRE BLOGS
Não convém “pedagogizar” os blogs, convertendo-os numa ferramenta para passar conteúdos previamente estruturados. Em bons usos dessa alternativa de cibercomunicação o que se espera são aprendizagens não reguladas, ou seja, aprendizagens que nascem de um processo que se constrói na direção daqueles famosos versos de Antonio Machado: “Caminante no hay camino. Se hace camino al andar”. “Isso parece muito pouco pedagógico, pois o que estou dizendo aqui é que a aprendizagem será conseqüência do blogar, mas não é possível prever que resultados serão obtidos”. (BARATO, 2010).

Segundo Castells (1999), em seu livro “A era da informação: economia, sociedade e cultura”, a partir das décadas 60 e 70, passa a surgir “um novo mundo”, em que sociedade, economia e cultura estão interligadas graças às tecnologias, fazendo surgir uma sociedade em rede – a sociedade informacional. Ainda segundo o autor, graças às novidades trazidas pela era tecnológica, ocorreu uma difusão de culturas pelo mundo, tornando-o cada vez mais virtualizado, isso porque o espaço-tempo foi encurtado, fazendo com que aumentasse a velocidade da informação passada. Dowbor (2001, p. 37) complementa ao afirmar que “o século XX foi o século da produção industrial, dos bens de consumo durável “e que o novo milênio “será o século da informação, da sociedade do conhecimento”, indica também que grandes mudanças paradigmáticas devem ocorrer no campo da produção do conhecimento”. Desse modo, ao se integrar à escola as Tecnologias da Informação e Comunicação, estas introduzem novos desafios, entre eles a inclusão digital de seus alunos. A utilização de tecnologias digitais na midiatização dos processos

17 educativos evidencia novos espaços de ensinar e aprender diferentes dos espaços convencionais. Assim sendo, Tecnologia é um conceito com múltiplos significados, que variam conforme o contexto. E em 1995, Reis (apud Almeida e Moran, 2005, p. 40), afirmou: “A tecnologia possui múltiplos significados que variam conforme o contexto, podendo ser vista como: artefato, cultura, atividade com determinado objetivo, processo de criação, conhecimento sobre uma técnica e seus respectivos processos, etc”. Dentro dessa perspectiva Litwinc (1997) nos esclarece o que se entende por Tecnologia Educacional:
Entendemos a Tecnologia Educacional como o corpo de conhecimentos que, baseando-se em disciplinas científicas encaminhadas para as práticas de ensino, incorpora todos os meios a seu alcance e responde à realização de fins noscontextos sóciohistóricos que lhe conferem significação. A Tecnologia Educacional, assim como a Didática, preocupa-se com as práticas do ensino, mas diferentemente dela inclui entre suas preocupações o exame da teoria da comunicação e dos novos desenvolvimentos tecnológicos: a informática, hoje em primeiro lugar, o vídeo, a TV, o rádio, o áudio e os impressos, velhos ou novos, desde os livros até os cartazes. (LITWIN, 1997, p.13).

Essa forma de uso das tecnologias representa um impulso intelectual, social e político em direção a uma sociedade menos excludente e mais solidária, cujo exercício da democracia é interpretado como uma "forma de vida associada, de experiência conjunta e mutuamente comunicada" (DEWEY, 1979, p.93). Coube a John Dewey fixar com clareza o papel que à educação incumbia desempenhar na medida em que se consolidava e difundia o sistema democrático representativo. Nesse sentido a Tecnologia Educacional exerce um papel fundamental. E o objetivo desse capítulo é justamente discutir os significados de Tecnologia Educacional, o que são blogs e quais suas principais características, e o que se entende por blogosfera.

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2.1 A tecnologia educacional
Segundo Oliveira (1976), as propostas de uso da tecnologia apoiaramse, historicamente, nas ciências da informação e da comunicação, na psicologia da aprendizagem e da instrução e nos novos métodos e conceitos de planejamento. Desse modo, a tecnologia educacional surge como conseqüência da constatação de um hiato entre as práticas educativas consideradas convencionais e os conhecimentos científicos já disponíveis. Atualmente a sociedade exige do indivíduo uma educação que “prepare para o trabalho em equipe, para aprender a conviver, a desenvolver a percepção de interdependência e a administrar conflitos” (Martins; Fiorentin,: Michelin, 2007, p. 15). No entanto as práticas tradicionais da escola ainda seguem a lógica da transmissão de conteúdos, em que o educando é um mero receptor de informações e o educador o detentor do saber. Desse modo, na educação, a tecnologia não deve ser encarada como fim, mas como processo intermediário e sua inserção no processo educacional têm possibilitado que tanto professores como alunos, avancem no sentido de incorporar novos saberes e novos conhecimentos a partir do tempo de cada um. Assim, com suas inúmeras possibilidades pedagógicas, a Internet, é o meio de comunicação de inigualável abrangência global e participação coletiva. Para Pierre Lévy, através da Internet é possível “trocar idéias, compartilhar informações e interesses comuns, criando comunidades e estimulando conexões” (LÉVY 2000, p. 171). Segundo o autor, a Internet deve ser um espaço onde:
Os professores e os estudantes partilhem os recursos materiais e informacionais de que dispõem. Os professores aprendem ao mesmo tempo que os estudantes e atualizam continuamente tanto seus saberes 'disciplinares' como suas competências pedagógicas. A formação contínua dos professores é uma das aplicações mais evidentes dos métodos de aprendizagem aberta e a distância. (LÉVY, 2000, p. 171).

19 Daí por que, a utilização das tecnologias da informação e comunicação potenciam o sucesso pedagógico quando utilizadas como ferramentas mediadoras e promotoras do processo de ensino aprendizagem. Para Valente (2007) atualmente as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) resultam da convergência de distintas tecnologias, tais como vídeo, TV digital, imagem, DVD, celular, Ipod, jogos, realidade virtual, que se associam para compor novas tecnologias. E a tecnologia digital, ao associar-se com as telecomunicações, incorporou a internet com os recursos de navegação, envio e recebimento de textos, imagens, sons e vídeos. E, na atualidade, temos também a telefonia móvel ou o telefone celular que passaram a incorporar a câmera para captação de imagem, o gravador de som e a imagem, o vídeo game, o acesso à internet. Conforme o autor citado, devido ao processo atual de integração das diferentes tecnologias em um mesmo artefato, é necessário se desenvolver diferentes habilidades de comunicação em rede, navegação em hipermídias em busca de informações para se obter aprendizagem significativa, autônoma e contínua. Daí por que se percebe cada vez mais o quanto ao uso da tecnologia digital está presente nas práticas cotidianas. Segundo a autora Coscarelli (2002).
Não há dúvidas de que a informática e, sobretudo, a Internet têm provocado inúmeras mudanças em nossa sociedade. Já não precisamos mais esperar tempos para uma carta chegar ao destinatário, sair de casa para ir ao banco, ler enciclopédias na estante, fazer supermercado, ir à escola. Podemos conversar com desconhecidos sem que eles nos vejam e sem que saibamos quem são; programar as músicas que a rádio vai tocar;enviar para o destinatário cartões que cantam e dançam; criar histórias animadas sem saber desenhar; entre outras coisas que soariam estranhas há pouco tempo. ( Coscarelli, 2002:65)

Conforme Simões (2002) as teorias e estudos voltados para a área das Tecnologias Educacionais hoje podem representar um caminho para se chegar à aproximação entre tecnologia e escola, para que essa possa cumprir o papel de preparar os alunos para dominarem, utilizarem e exercerem uma atitude crítica em relação às modernas tecnologias. Podem, inclusive, servir como instrumento para realizar um trabalho pedagógico de construção do

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conhecimento e de interpretação e aplicação das tecnologias presentes na sociedade. Já Silva (2003, p. 14), afirma que,
“na medida em que há uma apropriação efetiva das novas tecnologias de comunicação, alunos e professores podem fazer parte de uma nova escrita e de uma nova dinâmica educacional, participando do desenvolvimento desses gêneros emergentes, ao invés de ficar à margem desse processo.

Hoje, com um simples toque em um mouse nos conectamos com o mundo, visitando espaços diferentes e novas culturas. Podemos constatar que a integração e o u so de múltiplas mídias na educação como fonte de aprendizagem é cada vez maior. Essa interação pode ocorrer por diferentes ambientes, tais como chats, e-mail, Orkut, MSN, e os blogs e podem levar o aluno a engajar-se de forma mais efetiva e participativa nas atividades escolares. O texto a seguir nos leva a refletir e conhecer mais sobre essa ferramenta de comunicação e hoje também considerada como ferramenta pedagógica, os blogs.

2.2 Blog – o que é?
Hoje já é uma realidade a popularização dos computadores, e consequentemente, da facilidade de acesso à informação que a Internet trouxe. E como maior revolução está a possibilidade do usuário “interagir”, interferir nesse processo, sendo autor e não apenas receptor de informações. Encontramos novas e diversas ferramentas de comunicação, espaços de comunicação instantânea sem fronteiras onde se desenvolvem os processos de comunicação, onde a escrita on-line ou digital levou a linguagem escritural novamente a um lugar de destaque na comunicação interpessoal. E os weblogs são um exemplo de ferramenta do ambiente virtual baseada na escrita e segundo Halmann,

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dão espaço para algumas formas de expressão da linguagem, com bastante destaque para a escrita, tanto na forma de processo quanto na forma de produto. A escrita enquanto processo possibilita um repensar do objeto da escrita e a provocação das idéias em um ato de articulação de idéias, formulação de questões e respostas, buscando a sistematização da ordem mental para uma forma “compreensível” aos olhos dos outros, questionando-se sobre os principais problemas, a forma como os temas se relacionam e o que pensamos sobre eles. HALMANN,. 2006, p.2)

De forma bem específica, a seguir cita-se um exemplo de blog baseado na escrita.

Figura 1. – Blog baseado em textos (escrita)

Fonte: (http://naohadeque.wordpress.com/) O termo weblog, segundo Gutierrez (2004), surgiu com o hábito de alguns pioneiros em logar a web “anotando, transcrevendo, comentado as suas andanças por territórios virtuais”. Quanto a sua definição, para Baltazar e Aguaded (2005, p. 01)
são várias as definições que encontramos para weblog. Podemos começar por dividir a palavra para compreender o seu significado original: Web(rede) e Log (diário de bordo), sendo que o verbo to log significa registrar o diário e bordo. Assim, um blog pode ser definido como uma espécie de diário pessoal electrónico frequentemente actualizado [...]

A trajetória histórica do blog, de acordo com Orihuela e Santos (2008) está relacionado ao sítio What's new in 92, de autoria do físico inglês Tim Berners Lee, em janeiro 1992. Seu objetivo era tornar público o projeto World

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Wide Web, que teve inicio em Genebra. Por volta de 1993, a página da web, “What´s New” da NCSA, destacou-se no sítio denominado Nescape, ficando em evidência até o ano de 1996. Já o primeiro a usar a palavra weblog foi Jorn Barger, que juntamente com outros, deram continuidade aos primeiros weblogs, ou blogs, como hoje são reconhecidos. Assim, no início de 1999, a Page of Only Weblogs de Jesse James Garrett apresentava somente 23 blogs, porém logo foram lançados os serviços gratuitos de edição e publicação de weblogs Blogger e Pitas, o que contribuiu para que essa mídia se tornasse mais popular e se consolidasse. Conforme Pinto (2002), o surgimento dos blogs representou “uma revolução dentro da revolução”, ou seja, revigorou o movimento de livre troca de idéias, num momento em que a Internet já estava, na opinião do autor, muito voltada para questões comerciais. Diante disso, Guttierrez (2005, p.3), afirma que,
em 1999, foram criados os primeiros aplicativos e serviços de weblog, como o Blogger, do Pyra Lab (hoje do Google), e o Edith ThisPage (hojeManila), a Userland. Estes serviços gratuitos ou de baixo custo facilitaram a disseminação da prática do weblog, por dispensarem conhecimentos técnicos especializados e agregarem num mesmo ambiente, diversas ferramentas para uso nos weblogs.

Portanto, Weblog ou blog, segundo Mantovani (2005, p.12), “é um tipo de publicação on-line que tem origem no hábito de alguns pioneiros de logar (entrar, conectar ou gravar) à web, fazer anotações, transcrever, comentar os caminhos percorridos pelos espaços virtuais”. Já Inagaki (2005, p.1) define blog como “um site regularmente atualizado, cujos posts (entradas compostas por textos, fotos, ilustrações, links) são armazenados em ordem cronologicamente inversa, com as atualizações mais recentes no topo da página”. Esta ferramenta permite, além da utilização de textos escritos, o uso de imagens (fotos, desenhos, animações) e de sons. Atualmente, a maioria dos provedores não cobra taxa para a hospedagem de um blog, o que contribui para que sua criação e expansão.

23 Terra (2006, p. 1) afirma que:
weblog é uma palavra de origem inglesa composta das palavras web (página de internet) e log (diário de bordo), mais conhecida como blog”. No Brasil, a palavra blog foi adotada com grande facilidade e blogueiro – aquele que possui um endereço de blog – também foi assimilado muito bem por profissionais e acadêmicos.

Figura 2. – Exemplo da utilizando de imagens e sons em Blogs.

Fonte: quimilokos.blogspot.com Segundo Guttierrez (2004, p. 3) “o que distingue os weblogs das páginas e sítios que se costuma encontrar na rede é a facilidade com que podem ser criados, editados e publicados, sem a necessidade de conhecimentos técnicos especializados”. Dando continuidade, Barbosa (2003), através do conceito estrutural propõe ainda, a visão do blog como uma ferramenta que facilita a publicação pessoal, anexando à estrutura o caráter da pessoalidade. Já Marlow (2004), considera weblogs
uma mídia, que difere das demais pelo seu caráter social, expresso através do seu caráter conversacional tanto dos textos publicados quanto pelas ferramentas anexadas e que hoje são características dos sistemas, como os comentários. Weblogs constituem uma conversação massivamente descentralizada onde milhões de autores escrevem para a sua própria audiência. (MARLOW, 2004 p.3)

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Para esses autores, o blog é mais do que uma ferramenta de publicação caracterizada pelo seu formato: é uma ferramenta de comunicação, que é utilizada como forma de publicar informações para uma audiência. Os blogs são construídos de acordo com suas necessidades, como, manter o registro de certos processos na web, como diário virtual, divulgação de temas e discursos variados que se voltam para o entretenimento, corporativismo e atividades de profissionais como jornalistas, empresários, políticos, escritores. Dessa forma, as pessoas foram se apropriando, adaptando os blogs às suas necessidades, e assim, eles chegam à educação. Podemos constatar, baseados em Recuero (2004), que se os blogs são primordialmente um espaço de construção do “eu” no ciberespaço, é preciso concluir que blogs institucionais anônimos não podem ser considerados verdadeiros blogs, ou que esse traço não pode ser determinante na definição do que é um blog. Da mesma maneira, à medida que blogs passam a ser criados visando exclusivamente à “monetização”, o cunho não-comercial deixa de ser útil para delimitar esse objeto. Dessa forma, podemos citar Barbosa e Granado (2004) que defendem o uso dos blogs como ferramentas que apresentam características especiais como ajudar alunos e professores a se comunicarem mais e melhor, sem necessidade de grandes conhecimentos em informática, recursos tecnológicos ou financeiros, bastando apenas uma ligação à Internet. Segundo Oliveira (2002), embora os blogs apresentem muitas características específicas e marcantes, a organização da informação publicada de forma cronológica, do mais recente para o mais antigo, e a inclusão de links, vêm se diversificando tanto no tipo de áreas de intervenção em que são utilizados, quer nos objetivos de sua criação, até no formato das linguagens suportadas. A seguir, será feita uma análise mais detalhada das características mais marcantes dos weblogs apontadas por diferentes pesquisadores.

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2.3 Blog – Características
Os weblogs fazem parte do contexto da Web 2.0 com um formato de páginas dinâmicas que podem ser fácil e constantemente renovadas. Sua administração é simples e propicia relacionamento que abrange todo o espaço da web, enfim, podemos dizer que entre suas características também estão a oportunidade de se expressar, divulgar projetos, manter contato com amigos, colegas, profissionais da área de atuação e da família, etc. Para distinguir os weblogs de outros tipos de websites na rede temos algumas características principais responsáveis pela sua formatação: 1- Organização pelo tempo: Segundo Johnson (2002), os blogs são organizados em torno dos tempos e são mostrados o dia e a hora em que o texto foi escrito.

Figura 3. – Exemplo da organização do tempo nos Blogs.

Fonte: http://blogdofovest.folha.blog.uol.com.br/ Os textos de um blog ficam organizados em uma única página, de modo que cada nova postagem fica no topo da página, e assim o leitor pode acompanhar mais facilmente as novas atualizações. 2- Arquitetura da informação – sua divisão em uma das laterais pode ser considerada uma característica marcante, é onde se pode inserir links para outros blogs, colocar os blogs seguidores, contagem de visitas, etc, dando uma identidade visual em cada blog.

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Figura 4. – Exemplo do uso de links e outras informações nos Blogs.

Fonte: http://penaafrica.folha.blog.uol.com.br/ 3- Microconteúdo – os textos são, geralmente, curtos, um apanhado de informações e opiniões.

Figura 5. – Exemplo do uso de textos curtos nos Blogs.

Fonte: http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2007/09/24/297853436.asp Pode também ocorrer, em alguns blogs, a publicação do primeiro parágrafo de seu texto na página inicial e inserir um link para o restante do texto, contribuindo assim que o leitor escolha se deseja ler os demais parágrafos ou não.

27 4- Informação pessoal – a pessoalidade é a característica registrada como unificadora dos blogs na rede. Portanto, a assinatura, a personificação dos blogs com as idéias, os conceitos e opiniões do autor são marcas nos weblogs.

Figura 6. – Exemplo de Blogs com idéias, conceitos e opiniões do autor.

Fonte:http://wp.clicrbs.com.br/rsvip/2010/10/06/ 5- Interatividade – representa o eixo de desenvolvimento do estilo weblog. A forma mais comum de interatividade é a ferramenta de comentários.

Figura 7. – Exemplo de interatividade em Blogs.

Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/rsvip/ Situada abaixo do texto postado pelo autor, possibilita a interação entre autor e leitor.

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Segundo Primo (2007, p. 132), “nessas janelas que se abrem para a discussão, não se responde apenas ao responsável pela página. Um verdadeiro debate de fato passa a ocorre entre os visitantes diários”. 6- Hipertextualidade – característica mais importante, pois foi para a divulgação de links que os blogs foram, originalmente, criados.

Figura 8. – Exemplo de Hipertextualidade nos Blogs

Fonte: www.bolsademulher.com Lévy (1999) define o hipertexto dessa maneira:
Tecnicamente um hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou parte de gráficos, seqüências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser hipertexto. Os itens de informação não são ligados linearmente, como em uma corda como nós, mas cada um deles, ou a maioria, estende suas conexões em estrela, de modo reticular. LÉVY (1999 p. 33)

Segundo Garcia (2007), os weblogs podem apresentar outras características que completam sua utilidade, tais como: pesquisador, contador de visitas, RSS, administração de arquivos gráficos, gestão de comentários e o bloqueio de comentários e comentaristas não desejados. Nessa perspectiva, como destacam Primo e Recuero (2003, p. 57) “mais do que seguir links e trilhas preestabelecidos nos websites, o blog

29 permite ao blogueiro e aos internautas criar novas trilhas, criar novos nós e links.” De acordo com Oravec (2003), a identidade do blogueiro toma forma e vai refletir em outros aspectos como a escolha do título do blog, a informação pessoal oferecida, os diretórios nos quais nos inscrevemos, o formato utilizado, os temas tratados, os links do blogroll, as fontes mais utilizadas, os comentários postados em outros blogs etc. Lembrando que tudo isso vai ficando na Rede e construindo uma idéia de quem somos e que visão de mundo temos aos olhos de nossos leitores. Podemos constatar por que se determinou nomear a comunidade de blogueiros, ou, aos internautas que mantém blogs e que dialogam entre si (seja através de comentários ou posts), de blogosfera. Portanto, o universo de blogs na web é o que chamamos e blogosfera. Dessa forma, o subcapítulo que segue pretende ilustrar um pouco mais o que se entende por blogosfera.

2.4 A Blogosfera
Cunhado por Brad L. Graham, em 1999, o termo Blogosfera foi criado para definir o universo dos blogs. Segundo Orduña (2007) foi quase como uma brincadeira. Já em 2001, um conceituado blogueiro William Quick, mais conhecido como Dailypundit, renomeou:
Sugiro um nome para o ciberespaço intelectual, que nós, blogueiros, ocupamos: blogosfera. É suficientemente simples: a raiz da palavra é `logos` que em filosofia pré-socrática significa princípio que governa o cosmos, a fonte desse princípio ou a razão humana sobre o universo. (William Quick apud Orduña, 2007:63)

Conforme o autor citado, a blogosfera é um “sistema complexo, autoregulado, extraordinariamente dinâmico e especialmente perceptível à informação que produz os meios tradicionais” (p.3). É um meio coletivo que compreende todos os blogs.

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Esta comunidade cria-se através dos links a sites externos e dos links e comentários que recebe, além da familiaridade que se adquire com o grupo de referência. No ano de 1995, a internet foi aberta para fins comerciais, a partir daí, se iniciava uma nova era, e nos dias de hoje, a internet, é considerada o maior sistema de comunicação desenvolvido pelo homem. Nesse contexto e segundo Braga (2009),
a internet reforça e estende redes sociais ao interconectar indivíduos em um diálogo de âmbito global, altera a maneira como muitas pessoas trabalham, aprendem, jogam e se comunicam, tornando-se difícil de imaginar hoje, um mundo sem a internet. (BRAGA, 2009, p. 76).

Percebe-se então que, a partir da evolução da internet, surgem ferramentas que tornaram mais fácil a comunicação e viram uma verdadeira febre entre os que se conectam a rede mundial de computadores, e vem ganhando mais espaço. Desse modo,
desde a introdução dessa tecnologia, a Comunicação Mediada por Computador (CMC), tem desenvolvido várias modalidades que incluem e-mail, listas de discussão, salas de bate-papo, MUDs, mensagens instantâneas, blogs, Orkut, MySpace, Facebook e a própria web, cada uma delas a criar um ambiente social específico. As modalidades de CMC são atualizadas rapidamente. Em um período de desenvolvimento e estabelecimento de scripts, ferramentas, interfaces e programas são aprimorados e substituídos por outros mais avançados e condizentes com necessidades específicas identificadas pelo uso (AMARAL; RECUERO; MONTARDO, 2009, p.5).

É possível concluir que “Blogosfera” se refere a tudo que circula no mundo dos blogs. Daí por que, Orihuela, quando analisa os blogs e a blogosfera no meio e na comunidade, afirma que:
No novo cenário da comunicação, as funções da blogosfera são múltiplas: um filtro social de opiniões e notícias, um sistema de alerta prévio para as mídias, um sistema de controle e crítica dos meios de comunicação, um fator de mobilização social, um novo canal para as fontes convertidas em mídias, (...) um enorme arquivo que opera como memória da web, o alinhamento privilegiado e uma alta densidade de links de entrada e saída e, finalmente, a grande conversação de múltiplas comunidades cujo objetivo comum é o conhecimento compartilhado (2007, p.9).

Já segundo GUTIERREZ (2003. p. 5),
a blogosfera promove a globalização dos contatos e mantém suas raízes com os territórios locais, procurando mapear e situar parceiros próximos, com iniciativas pioneiras como o brasileiro Blogchalk, de

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Daniel Pádua, que gera um código para ser anexado ao weblog e que, capturado pelos mecanismos de busca, possibilita o encontro de blogueiros. Há também o GeoUrl, que mapeia as coordenadas de latitude e longitude que integramos ao código de nosso blog ou página e nos possibilita listar todos as páginas situadas num raio de 500 milhas da nossa localização. Existe, também, o The world as a blog, que captura, localiza e publica num enorme mapa a localização do blog e cada post que for adicionado.

Como vimos, na blogosfera não há barreiras à entrada de conteúdo, possui uma platéia quase ilimitada e pode também ser uma importante fonte de consulta, informação e entretenimento. E os weblogs são uma ferramenta alternativa na mediação do processo educativo, facilitam a interdisciplinaridade, são um ambiente de criação, edição e publicação. Segundo Barbosa e Granado (2004, p. 69) “se há uma área onde os weblogs podem ser utilizados como ferramentas de comunicação e de troca de experiências com excelentes resultados, essa área é, sem dúvida, a da educação”. Dando continuidade e para direcionar nosso olhar ao foco de nosso estudo, o próximo capítulo explora esse mundo dos blogs no setor educacional ou pedagógico. Iniciamos uma explanação sobre os avanços tecnológicos na melhoria da educação, fazendo uma diferenciação entre blogs como ambientes de aprendizagem e blogs como recurso ou estratégias pedagógicas. Fazemos também uma reflexão sobre os edubglos ou os blogs educacionais bem como uma a demonstração de boas práticas que ocorrem com o uso dos blogs na educação.

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3 OS WEBBLOGS NA EDUCAÇÃO

“Educar é colaborar para que professores e alunos - nas escolas e organizações - transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional - do seu projeto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e comunicação que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais, sociais e profissionais e tornarem-se cidadãos realizados e produtivos”. MORAN (2000 p.137)

Segundo Valente (1988) o computador pode ser usado na educação como máquina de ensinar quando consiste na informatização dos métodos de ensino tradicionais, ou como ferramenta, quando o aprendiz esta construindo algo através do computador. Vai mais além ao afirmar que “o objetivo da introdução do computador na educação não deve ser o modismo ou estar atualizado com relação às inovações tecnológicas”. Portanto, Valente (1993a) sugere a reflexão sobre o contexto educacional ou pedagógico ao se utilizar os novos recursos tecnológicos, a necessidade de se analisar qual a finalidade educacional e do modo como ele será utilizado. É necessário ter muito clara a abordagem educacional a partir da qual as TICs serão utilizadas e qual o papel do computador, do professor e do aluno nesse contexto. E isso implica ser capaz de refletir sobre a aprendizagem a partir de dois pólos: a promoção do ensino ou a construção do conhecimento pelo aluno. Podemos afirmar que a história dos blogs voltados à educação, os edublogs, ainda é curta, porém revela-se como uma poderosa ferramenta interativa, que possibilita à professores e alunos publicarem suas produções, interagir com outras pessoas, tornarem-se autores e construtores de conhecimento, formando redes virtuais de aprendizagem, as quais utilizam estratégias comuns para elaboração de projetos colaborativos.

33 Neste capítulo realizei uma reflexão de alguns aspectos relacionados com as tecnologias da informação e comunicação, mais precisamente do computador, e seu uso na educação, principalmente quanto aos avanços tecnológicos na melhoria da educação, sobre o uso de blogs pelos professores em sua prática docente como ambientes de aprendizagem ou como estratégia pedagógica, no sentido de melhor compreender como têm sido exploradas as potencialidades desta ferramenta no processo ensino-aprendizagem.

1.3 Os avanços tecnológicos na melhoria da educação
Em uma era marcada pelo intenso uso das ferramentas tecnológicas, a educação passa a ser um dos campos que mais requer revisão e incorporação, criteriosa, de novas propostas para a incorporação das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) como um dos principais objetivos das políticas públicas e programas educativos programados e impulsionados pelos governos. Segundo Moran (2007, p. 7), “na sociedade da informação, todos estamos reaprendendo a conhecer, a nos comunicar, a ensinar e a aprender; a integrar o humano e o tecnológico; a integrar o individual, o grupal e o social”, sintetiza o especialista em projetos inovadores na educação presencial e a distância. Com tal responsabilidade, escolas e educadores precisam reconhecer a infra-estrutura tecnológica disponível como um recado maior, pois,
cada docente pode encontrar sua forma mais adequada de integrar as várias tecnologias e procedimentos metodológicos. Mas também é importante que amplie, que aprenda a dominar as formas de comunicação interpessoal/grupal e as de comunicação audiovisual/telemática. Não se trata de dar receitas, porque as situações são muito diversificadas. É importante que cada docente encontre o que lhe ajuda mais a sentir-se bem, a comunicar-se bem, ensinar bem, ajudar os alunos a aprenderem melhor. É importante diversificar as formas de dar aula, de realizar atividades, de avaliar. (MORAN, 2009 p. 101-111).

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Portanto cabe ao professor a condução do aprendizado voltado para a descoberta de novos significados, porém de forma colaborativa, criando envolvimento, participação e muita criatividade. Moran (2009, p. 11) conclui: “O conhecimento que é elaborado a partir da própria experiência se torna muito mais forte e definitivo em nós”. Ao se introduzir as novas tecnologias no setor educacional, se estará oportunizando a apropriação significativa das mesmas. Hoje, através de programas governamentais, as escolas públicas estão sendo providas de equipamentos de informática, no entanto, há ainda uma carência de capacitação de docentes para atuarem e utilizarem as tecnologias da informação e comunicação em seu fazer pedagógico. E é desse modo que a escola, deixará de ser um mero centro educativo, passando a ser a instituição que vai em busca de uma saída possível na modificação das estratégias de ensino com propostas didáticas inovadoras. Segundo Perrenoud, (2000, p.125), a escola não pode ignorar o que se passa no mundo, uma vez que as novas tecnologias da informação e comunicação “transformam espetacularmente não só a maneira de comunicar, mas também de trabalhar, de decidir, de pensar”. Ainda conforme autor citado, a escola que não ficar atenta a essas modificações, se desqualificará. Portanto, hoje temos como desafio enfrentar a ‘era da telemática’, que une as telecomunicações e a informática, com todas as suas possibilidades técnicas, fortalecendo o sistema educacional e apontando para uma nova sociedade, rompendo velhos paradigmas, e abrindo novos espaços para a nova era midiática. Nesse sentido, em matéria tecnológica, a formação dos professores é fundamental, já que eles têm que se atualizar no uso das ferramentas que seus alunos dominam quase à perfeição. Segundo Correa (2002, p.44):
as inovações tecnológicas não significam inovações pedagógicas. Por meio de recursos considerados inovadores, reproduzem as mesmas atitudes, o mesmo paradigma educacional pelo qual fomos formados. Não basta trocar de metodologia, sem antes de reformular a sua prática, porque senão estaremos repetindo os mesmos erros. Devemos [...] compreender a tecnologia para além do artefato, recuperando sua dimensão humana e social”

35 Segundo Perrenoud (2000, p. 128):
Formar para as novas tecnologias é formar o julgamento, o sensocrítico, o pensamento hipotético e dedutivo, as faculdades de observação e de pesquisa, a imaginação, a capacidade de memorizar e classificar, a leitura e a análise de textos e de imagens, a representação de redes, de procedimentos e de estratégias de comunicação.

Nessa perspectiva o professor é um mediador do processo educativo, o que segundo Gutierréz (1996, p. 11),
condicionaria o uso das tecnologias a quatro aspectos: o desenvolvimento de relações subjetivas, suportes necessários para o desenvolvimento da interlocução no processo; a utopia de uma sociedade melhor, consciente dos riscos a correr; dar um sentido ao processo, objetivando assegurar uma meta; crença na produção pedagógica como resultado do processo, que é ao mesmo tempo tangível, interrelacionado e participativo.

Por outro lado, Medeiros e Medeiros (2006), apontam para o fato de que para que o estudante se envolva cognitivamente, é necessário se propor atividades que o leve para além da pura memorização. Esse conhecimento deve ser construído e reconstruído, pois se for apenas implementado ou transferido, incorre-se no erro de se estar no patamar da aprendizagem mecânica, que não é o objetivo desta pesquisa. Já Veiga (2001, p. 2), enfatiza que:
Ao utilizar o computador os alunos entram em um ambiente multidisciplinar e interdisciplinar, ou seja, ao invés de apenas receberem informações, os alunos também constroem conhecimentos, formando assim um processo onde o professor educa o aluno e ao educar, é, transformado através do diálogo com os alunos.

Podemos constatar que, mudanças profundas estão ocorrendo e em um período de tempo muito curto. É necessário analisarmos e repensarmos a educação hoje, a escola de hoje. A maneira de se ensinar hoje, século XXI, é igual, ou deve continuar igual, a de anos ou séculos passados? E a maneira de ensinar a estes jovens, os nativos virtuais, como deveria/poderia ser? O professor nesse novo contexto, qual o papel que deve desempenhar? Em busca de um maior entendimento a respeito de educação TICs e weblog, discutiremos a seguir, sobre alguns dos elementos da blogosfera mais

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focados ou direcionados para a área educacional, ou seja, discutiremos sobre o uso dos weblogs na educação, os edublogs.

1.4 Weblogs Educacionais – Edublogs
Como vimos, vivenciamos numa sociedade com mudanças em todos os sentidos e essas mudanças também estão atingindo a educação em suas formas de ensinar e de aprender. Segundo Moran (2000, p.11) “muitas formas de ensinar não se justificam mais”, e há de se questionar e refletir sobre os tipos de aula tradicionais hoje ainda existentes no meio escolar. Diante disso, Valente, (1993 apud ALMEIDA, 2000) nos lembra que a entrada e uso dos computadores na educação acontecem juntamente com essa necessidade de repensarmos os rumos da educação, da escola e do papel do professor nesse mundo globalizado. Prosseguindo nesse sentido, e para aqueles que acham que o uso do computador e a introdução das TICs na educação resolverão todos os problemas da educação, Moran (2000,p.12) nos adverte: “se ensinar dependesse só de tecnologias já teríamos achado soluções há muito tempo”. Sobre o mesmo tema, Castells (1999), no início desse século, mencionava a incapacidade do sistema educativo tradicional em introduzir os estudantes nessa enorme quantidade de opções e plataformas tecnológicas existentes e que surgem a todo instante. Isso devido a estrutura financeira existente bem como a necessidade de estimular uma cultura de inovação e identidade, como estímulo social. Nesse sentido vale a pena lembrar o que Drucker (1993 apud ALMEIDA, 2000, p.15) enfatiza sobre o papel da escola e do professor diante da tecnologia da informática na educação: “A tecnologia será importante, mas principalmente porque irá nos forçar a fazer coisas novas, e não porque irá permitir que façamos melhor a coisas velhas”.

37 Diante disso vemos nossos jovens estudantes rodeados de novas tecnologias e formas de comunicação tais como emails, orkut, MSN, You Tube, My Space, Twiter, celulares, participando de comunidades, de grupos onde encontram novas e diferentes formas de informação, saberes e relacionamentos com o mundo. Assim, Castellón & Jaramillo (2005), nos levam a concluir que hoje a universidade perdeu o monopólio do conhecimento e o professor deixou de ser a única forma de sabedoria e informação. Daí por que a nova geração é “digital” (TAPSCOTT, 1998) e vive na “galáxia da internet” (CASTELLS, 2003). Já Ciltelli (2000) dá ênfase a velocidade das linguagens midiáticas e questiona: “Como pensar o sistema educacional, a escola, o discurso pedagógico exercitado nas salas de aula, considerando esse mundo fortemente mediado pelas relações comunicacionais, na sua dupla face de sedução e desconforto?” (Citelli; 2000, p.16). Nesse contexto vamos analisar as competências das TICs em outro campo, o da educação, reorientar um novo olhar entre os processos educativos e novos caminhos à aprendizagem que se transformará e trará aspectos mais contemporâneos à educação. Assim as possibilidades criativas e transformadoras das tecnologias poderão ser exploradas a fim de proporcionar ao aluno e aos professores novos meios de construção do conhecimento. Portanto, a educomunicação, conforme Soares (2002) pode ser definido como:
O conjunto das ações inerentes ao planejamento, implementação e avaliação de processos, programas e produtos destinados a criar e fortalecer ecossistemas comunicativos em espaços educativos presenciais ou virtuais, assim como a melhorar o coeficiente comunicativo das ações educativas, incluindo as relacionadas ao uso dos recursos da informação no processo de aprendizagem. (SOARES, 2002a, p. 115).

A junção das palavras education e blog derivou o termo “edublog”, que devemos entender como os edublogs ou aqueles weblogs cujo principal objetivo é apoiar o processo de ensino e aprendizagem em um contexto educativo.

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Os professores inovadores, ou pioneiros na adoção dos weblogs na educação surgiram no portal britânico Schoolblogs, em 2001, e nos EUA, com o grupoEducation Bloggers Network (LARA, 2005). Hoje podemos encontrar vários blogs educativos povoando o dia a dia dos alunos, dos professores e suas disciplinas, também se constituindo em uma ferramenta a mais no processo ensino e aprendizagem das crianças e jovens. Betina von Staa coordenadora de pesquisa em tecnologia educacional e articulista da divisão de portais da Positivo Informática, autora e docente de cursos on-line para a COGEAE, a Fundação Vanzolini e o UnicenP, aponta sete motivos pelos quais um professor deveria criar um weblog: 1- Pois é divertido: ao fazer um post, pensou, escreveu e os outros comentam. O professor vira
autor e pode conferir a reação de seus leitores. Nos weblogs a linguagem é a do cotidiano, gostosa de escrever e de ler, sem compromisso nem necessidade de textos longos. Inserindo imagens o professor tem a oportunidade de explorar essa linguagem. Também descobrirá a magia da repercussão de suas palavras digitais e das imagens selecionadas (ou criadas).

2- Pois aproxima professor e alunos: hábito de escrever e ter seu texto lido e comentado e é
um excelente canal de comunicação com os alunos. O weblog serve para a troca de idéias com a turma, este bate papo entre professor e aluno é realizado em um meio conhecido por eles, a internet. O professor “blogueiro” certamente se torna um ser mais próximo deles, comenta Betina von Staa.

3- Pois permite refletir sobre suas colocações: os comentários que os weblogs propiciam é um
aspecto saudável, encantador, onde o professor “blogueiro” tem oportunidades de refletir sobre as suas colocações, o que só lhe trará crescimento pessoal e profissional. Desse modo, começa a refletir mais sobre suas próprias opiniões, prática desejável para um professor que acredita que a construção do conhecimento se dá pelo diálogo.

4- Liga o professor ao mundo: ao se conectar às tecnologias e com um nova maneira de se
comunicar com os alunos, o professor vai conectando-se mais ao mundo em que vive. Isso ocorre por meio dos links (que significam “elos”, em inglês) que ele irá inserir em seu espaço. Indicando um link, o professor acaba descobrindo uma novidade ou outra e tornando-se uma pessoa ainda mais interessante. E assim estamos todos conectados: professor, seus colegas, alunos e mundo reforça Betina von Staa.

5- Pois amplia a aula: o professor ampliar sua aula, pois o que não foi debatido nos 45 minutos
de seu período poderá ser explorado com maior profundidade no weblog. Desse modo os alunos interessados podem pensar mais um pouco sobre o tema.

39 6- Pois permite trocar experiências com colegas: os colegas professores entrar nos weblogs
uns dos outros, trocar de experiências e reflexões. Em um ambiente onde a comunicação é entrecortada e limitada poderá propiciar oportunidade de se aprender uns com os outros.

7-

Torna o trabalho visível: é muito bom e interessante saber que saber que tudo o que é publicado (até os comentários) no weblog está disponível para quem quiser ver. O weblog é uma vitrine que possibilita ser visto, comentado e conhecido por seu trabalho e suas reflexões. Figura 9: Quadro sete motivos pelos quais um professor deveria criar um weblog

Fonte: (http://www.educacional.com.br/articulistas/betina_bd.asp? codtexto=636%20) É possível concluir que os weblogs pedagógicos permitem uma abordagem diferenciada no cotidiano escolar, onde os professores se tornam co-autores de atividades e de assuntos, que podem ser abordados com os alunos ao mesmo tempo em que vão desenvolvendo o domínio da ferramenta. O weblog substitui o antigo paradigma linear onde o professor ensina e o aluno aprende sem nenhuma interação. Portanto, o professor é o mediador de todo o processo, levando o aluno a alcançar a autonomia necessária para aquisição de aprendizagens significativas (CARVALHO et al, 2006). Para Baumgartner (2004) os weblogs têm potencial para revolucionar a estrutura organizacional tradicional do ensino. Conforme autor citado, o diferencial é permitir controlar o nível de abertura desejado, facilitando sua integração nas instituições educativas em relação a outros sistemas de gestão de conteúdo mais abertos, como é o caso específico dos wikis. O autor ainda aponta para uma outra vantagem dos weblogs em relação ao espaço educativo, uma vez que os mesmos são formados de hiperlinks e porque não dependem exclusivamente de um servidor único centralizado. No artigo Weblogs in education de David Carraher (2003), (professor de Educação Matemática no TERC – Massachusetts – USA), o autor sugere a utilização dos weblogs nas seguintes categorias:

weblog de estudante: onde os estudantes mantivessem uma linha de pensamento com o passar do tempo, postar assuntos e receber comentários através dos colegas.

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weblog de professor: documentaria a evolução do seu pensamento e de sua pesquisa com o passar do tempo, compartilhando seus pensamentos com outros colegas, contribuindo assim para a educação continuada. Certas seções poderiam estar abertas a estudantes, outras para professores, algumas para ambos.

weblog de elaborador de currículo serviria a ele, mas permitiria que os pesquisadores entendessem como o elaborador pensa e toma decisões com o passar do tempo. Ainda, os elaboradores de currículos poderiam ter acesso a exemplos de estudantes, professores e ao pensamento dos pesquisadores.

É importante lembrar também, segundo Ferreira (2007), que os weblogs não se restringem apenas à língua portuguesa. Ao contrário, eles são um ótimo recurso para todas as áreas do conhecimento, pois o conhecimento busca uma apresentação menos fragmentada. É certo que em alguns momentos eles podem conter mais informações sobre uma determinada área, ou disciplina, mas de maneira nenhuma se fecham para qualquer outra e em nenhum momento. Daí por que lembrar, segundo a autora citada, das inúmeras possibilidades educativas dos blogs, tais como: aproximam as pessoas e as idéias, permitem reflexões, colocações, troca de experiências, amplia a aula e a visão de mundo. E a melhor vantagem a ser destacada é o fato de ser um recurso extremamente prazeroso a quem o elabora e a quem o desenvolve. Assim se constata que, “partindo do espaço comentários, o professor interage com o aluno mais facilmente, instigando-o a pensar e resolver soluções”. Dando continuidade, Carvalho (2006) também destaca possibilidades que as tecnologias da informação oferecem para o uso de uma série de suportes em sala de aula - através da internet, os professores têm acesso a ferramentas gratuitas que podem auxiliar suas atividades na classe. Destaca ainda a área de geografia, pois na web encontramos diversos e interessantes sites que disponibilizam gráficos, cartografias, dados populacionais e indicadores sociais, dando condições, por exemplo, para a realização de uma

41 análise comparativa de geografia física e política entre todas as regiões do mundo. E com um adicional: as grandes possibilidades de manipulação e interação com todos os dados apresentados. Do mesmo modo percebe-se que, por ter como uma de suas características mais importantes a capacidade de interatividade, esta permite que o edublog passe de um monólogo a um diálogo, sendo um convite para o diálogo (EFIMOVA & DE MOOR, 2005; WREDE, 2003). Assim o aluno pode receber o feedback de outros participantes no debate e tornar-se mais consciente de sua aprendizagem (FERDIG & TRAMMELL, 2004). Além de observar as conversas em seu edublog por meio dos comentários, ou ver as referências a seu edublog com os trackbacks [referências inversas], o aluno também pode acompanhar a evolução do debate dos blogs onde tenha deixado seus comentários, graças aos serviços de agregação de conteúdos. Os blogs, entretanto, são mais úteis na organização da conversa se o objetivo for inserir novos dados e links (WISE, 2005). Desse modo e apoiada na fala de Moran (2007) é possível concluir que existem diversas possibilidades de utilização dos blogs na escola, quer pela facilidade de sua publicação, que não exigirá conhecimentos específicos de tecnologia de seus usuários; quer pelo fascínio que estes recursos exercem sobre os alunos. No entanto, aos professores, cabe a tarefa de se adequarem ao mundo virtual de seus alunos e não ficar alheios a este contexto. Devem se estimular os alunos para a construção de seus próprios conteúdos, com práticas abertas em que se estimule o enfrentamento à tecnologia, desde a intuição e a reflexão. Esse é o verdadeiro objetivo dos blogs pedagógicos. Os autores Orihuela e Santos (2004, p. 65) enfatizam três vantagens facilitadoras da utilização dos blogs na educação:
- a facilidade de aprender a criar e a publicar a informação num blogs, isto comparativamente com uma página web; - a disponibilização de templates com design de qualidade e bastante interessantes, por parte dos serviços de alojamento; - e a existência de um conjunto de recursos associados aos blogs, facultando a exploração pedagógica.

Todas estas vantagens associadas ao caráter gratuito e à facilidade de interação fazem com o que blog se torne cada vez mais popular, com um

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número cada vez mais elevado de adeptos, resultando assim numa forma privilegiada de publicação na Web. Uma proposta de ensino com weblogs numa perspectiva construtivista entende o blog como um meio particular e próprio do aluno, de tal maneira que possa utilizá-lo transversalmente ao longo de sua vida acadêmica, e não dentro de uma determinada classe. Nesse modelo, o papel do professor seria o de facilitador nesse novo espaço de liberdade, acompanhando o aluno em seu caminho de experimentação e de aprendizagem por meio do blog (O’DONNELL, 2005). A seguir propomos uma análise a respeito dos que sejam os weblogs: ambientes de aprendizagem ou recurso e/ou estratégia pedagógica?

3.3 Blog - ambiente de aprendizagem?
Diante do mundo tecnológico em que vivemos a informática educativa possibilita os mais diversos caminhos para que o professor incorpore as novas tecnologias no processo educativo, na sua prática docente, contribuindo assim com a melhoria nos processos de aprendizagem. Podemos constatar que as pessoas hoje são bombardeadas simultaneamente com uma grande quantidade de informações. É a sociedade do conhecimento, que
traduz-se por redes, ‘teias’ (Illich), árvores do conhecimento, sem hierarquias, em unidades dinâmicas e criativas, em conectividade, intercâmbio, consulta entre instituições e pessoas, articulando contatos e vínculos.(GADOTTI, 2000, p.251)

Dessa forma e segundo Citelli (2002), “os novos cidadãos que estamos formando necessitam saber ‘ler e interpretar’ o que vêem e também produzir e se expressar em meio audiovisual e virtual”. (CITELLI, 2002, p. 119). Conforme Primo e Recuero (2003), tecnologias como o sistema wiki bem como os weblogs, possibilitam espaços cooperativos e viabilizam a construção de uma "web viva", pois passa a ser redigida e interligada pelos próprios usuários.

43 Dando continuidade e se entendermos por ambiente tudo aquilo que envolve as pessoas, a natureza ou as coisas, bem como objetos técnicos (SANTOS 2003, p. 2) e que aprender é incorporar um novo comportamento (NORONHA e NORONHA 1985), os weblogs segundo GUTIEREZ (2003, p.7),
terão cada vez maior importância, especialmente na comunicação e na educação” uma vez que os mesmos vêm se fortalecendo como ambientes de construção cooperativa do conhecimento, onde o processo de construção ocorre aberta e livremente, colocando o uso social da informação e do conhecimento, como direito de todos.

Conforme autor citado, ao se utilizar os weblogs em projetos educacionais, estes
podem desencadear entre os participantes o exercício da expressão criadora escrita, artística, hipertextual. Pela sua estrutura, permitem o exercício do diálogo, da autoria e co-autoria, inclusive na alteração da própria estrutura. Eles possibilitam, também, o retorno à própria produção, a reflexão crítica, a re-interpretação de conceitos e práticas. Professores e alunos, parceiros de aprendizagem, podem retroagir sobre seu trabalho, revendo etapas e processos, tomando consciência de sua prática. O weblog registra de forma dinâmica todo o processo de construção do conhecimento e abre espaço para a pesquisa. Deste modo, os weblogs contribuem para a consolidação de novos papéis para alunos e professores no processo educativos, com uma atuação menos diretiva destes e mais participante de todos. (GUTIEREZ, 2003, p.7 e 8)

Entendemos que um ambiente de aprendizagem seja o modo ou a ferramenta que irá dar suporte para as atividades realizadas pelo aluno, e que poderão ser usadas em quaisquer situações no seu processo de aprendizagem. Ou nos dizeres de Galvis (1992, p. 52), “um ambiente de aprendizagem poderá ser muito rico, porém, se o aluno não desenvolve atividades para o aproveitamento de seu potencial, nada acontecerá”. Já para Soares e Almeida (2005, p. 3):
Um ambiente de aprendizagem pode ser concebido de forma a romper com as práticas usuais e tradicionais de ensino-aprendizagem como transmissão e passividade do aluno e possibilitar a construção de uma cultura informatizada e um saber cooperativo, onde a interação e a comunicação são fontes da construção da aprendizagem.

Diante disso e se considerarmos que, conforme Lollini,
[...] ante o computador, aluno e professor são pesquisadores. O professor procura quais sejam as interações mais produtivas dentre as possibilidades que a máquina apresenta ao usuário. O aluno, por sua vez, procura a solução dos seus problemas e, assim fazendo,

44 constrói ao mesmo tempo concreta, física e mentalmente o próprio pensamento (1991 p.43).

O uso das TICs, e por conseguinte, a criação de weblogs, proporcionar um ambiente facilitador de investigação e de crítica, conhecimento.

vai

que irá

despertar no aluno o prazer pela pesquisa e por conseqüência, a construção do

Nesse contexto é necessário que o ambiente permita a interação do aprendiz com o objeto de estudo. Segundo FERREIRA (2001, p. 5),
o quesito mais importante para a construção de um "ambiente construtivista" é que o professor realmente conscientize-se da importância do "educador-educando", e que todos os processos de aprendizagem passam necessariamente por uma interação muito forte entre o sujeito da aprendizagem e o objeto, aqui simbolizando como objeto o todo envolvido no processo, seja o professor, o computador, os colegas, o assunto. Somente a partir desta interação completa é que poderemos dizer que estamos "construindo" novos estágios de conhecimento, tanto no aprendiz como no feiticeiro.

Conforme Oliveira e Pereira (apud RIBEIRO, 2001), acredita-se que os ambientes Web devem ser concebidos para apoiar a aprendizagem, providenciando mecanismo de representação do espaço conceitual diferente das ligações e nós do hiperespaço, e instrumentos para o aprendente construir, modificar e interagir com o seu próprio mapa conceitual. As ligações entre nós devem ser visíveis, e aquelas que forem percorridas deverão estar assinaladas, apoiando, assim, a aprendizagem. Nesse contexto conclui-se que, com o uso do weblog, o professor instiga os alunos a estudar mais. Eles, os alunos, poderão buscar no weblog conteúdos para complementar seus conhecimentos, desafios, exercícios e gabaritos. O weblog também coloca na vitrine da internet as atividades da escola para pessoas de outras escolas, cidades e até países conhecerem e colaborarem. Isso amplia a visão de mundo da turma. O weblog pode servir também para divulgar o trabalho do aluno e do professor, uma vez que as produções do aluno ou do professor podem ser vistas, comentadas e conhecidas por qualquer internauta do mundo.

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1.5

Blogs - recurso e/ou estratégia pedagógica?
As novas tecnologias podem se unir as novas formas de ensinar e de

aprender, permitindo maior dinamismo no processo de construção do conhecimento. Se os blogs são uma nova forma de mídia estratégia, uma revolução como querem alguns, a grande variedade de blogs existentes hoje dificulta categorizá-los, respeitando suas diferenças. Uma tendência que cresce a cada dia são os chamados weblogs grupais, os weblogs organizacionais e até mesmo aqueles weblogs gerados automaticamente por algoritmos para a divulgação de spams, os chamados splogs (Keen, 2007). Diante de tal variedade, como diferenciar os blogs? Diante disso, temos a seguinte afirmação de Primo (2008, p. 5):
Ao expressar-se como arquiteto ou professor, a fala do blogueiro é restrita por sua posição no mercado, pelo papel de profissional que desempenha. Ou seja, seus textos não podem ser tomados como sinceras e livres manifestações de sua subjetividade. O sujeito pode manter dois blogs individuais: um pessoal e outro profissional. Nesta situação, o primeiro é mantido para interação com seus amigos e familiares. Ali ele narra suas viagens, fala de suas preferências musicais e publica divertidos posts sobre festas, seus filhos e animais de estimação. Já em seu blog profissional ele escreve como professor de arquitetura de uma universidade católica. Naquele blog/espaço ele discute grandes obras internacionais, seus estilos, problemas de execução e características de conforto, design e circulação. Enquanto no primeiro blog a voz é de um pai/amigo/parente, no segundo tipo quem fala é um profissional de respeito no mercado e na academia. Ainda que esses dois perfis identitários sejam desempenhados por um mesmo sujeito, eles se manifestam de forma distinta em espaços virtuais distintos. Além disso, é possível que a audiência de um blog desconheça a existência da outra publicação.

Já Gomes (2005, p.312-313) considera que enquanto recurso, os blogs podem constituir-se como "um espaço de acesso à informação especializada" e/ou” um espaço de disponibilização de informação por parte do professor". Autores como Gomes e Lopes (2007, p. 121) apresentam uma representação esquemática da exploração dos blogs como recurso ou como estratégia pedagógica que se apresenta a seguir.

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Figura 10: Representação esquemática da exploração dos blogs como recurso ou como estratégia pedagógica.

Fonte: http://tecnologiasnaeducacao.pro.br/revista/a1n1/art10.pdf

Conforme autor citado, o que diferencia os weblog utilizados como um recurso pedagógico dos weblog utilizados como uma estratégia pedagógica são as atividades e estratégias propostas no ambiente e o papel assumido pelo professor e pelos alunos. Desse modo cabe ressaltar que: as estratégias e atividades que serão propostas pelos professores, utilizando qualquer tipo de ambiente (sala de aula, laboratório de informática ou ambiente virtual de aprendizagem) e ou utilizando qualquer tipo de recurso (giz, livro, computador...) vão depender da sua Epistemologia, da sua visão e concepção de aprendizagem, do seu conhecimento e do tipo de aluno que apóia sua prática. Os weblogs educativos exercem um papel relevante na interação pedagóica e a sua utilização como um recurso ocorre quando este é utilizado como um depósito de informações, onde o papel dos alunos é um mais papel receptivo e do professor, um papel mais ativo, quando disponibilizar links, materiais de aula e conteúdos selecionados que devem ser consultados pelos alunos na sua disciplina. Desse modo o professor assume uma posição mais diretiva, uma vez que impõe os conteúdos e fontes de pesquisa e o aluno tem um papel de mero receptor de informações.

47 Entretanto também encontramos blogs que disponibilizam espaço para os comentários e a livre exposição de idéias dos alunos. Estes podem ler, refletir sobre os conteúdos estudados e links acessados e a partir daí, fazer seus comentários, sua reflexão, deixar sua opinião, seu entendimento, as possíveis dúvidas e sugestões sobre o assunto estudado, o que possibilitará uma troca de opiniões sobre determinado assunto. Novamente nos reportamos a Gomes e Lopes (2007, p. 124) cuja representação esquemática apresenta e expõe os principais tipos de explorações pedagógicas dos weblogs, tanto em uma perspectiva de “recurso” como em uma perspectiva de “estratégia pedagógica”. Desse modo teremos um ótimo suporte e interface tecnológica para diversas atividades de aprendizagem

Figura 11: Representação esquemática das explorações educacionais dos blogs, centradas na vertente de “recurso pedagógico” e na vertente de ”estratégia pedagógica”.

Fonte: http://tecnologiasnaeducacao.pro.br/revista/a1n1/art10.pdf Dando continuidade, outra estratégia para a utilização dos weblogs educativos que o professor poderá lançar mão é convidando seus alunos para que participem junto com ele como autores de um weblog. Nesse contexto teremos uma construção coletiva que valoriza a interação e a linguagem, para o desenvolvimento dos alunos. Conforme Vygotsky:
A colaboração entre pares ajuda a desenvolver estratégias e habilidades gerais de solução de problemas pelo processo cognitivo

48 implícito na interação e na comunicação. A linguagem é fundamental na estruturação do pensamento, sendo necessário para comunicar o conhecimento, as idéias do indivíduo e para entender o pensamento do outro envolvido na discussão ou na conversação. O trabalho em colaboração com o outro, enfatiza a zona de desenvolvimento proximal (ZDP) que é “algo coletivo” porque transcende os limites dos indivíduos. A aprendizagem acontece através do compartilhamento de diferentes perspectivas, pela necessidade de tornar explícito seu pensamento e pelo entendimento do pensamento do outro mediante interação oral ou escrita. (VYGOTSKY, apud MANTOVANI (2005, p. 12)

É possível também aos professores, desafiarem seus alunos para que criem e administrem seus próprios weblogs, proporcionando a eles, além da oportunidade de criarem um espaço seu, a interação social, a capacidade de comunicar-se, o desenvolvimento do pensamento crítico e o prazer de aprender, na qual a construção coletiva do conhecimento ocorra, também explorarem os weblogs dos colegas e conheçam um pouco mais de seus interesses. Nesse sentido estes ou quaisquer weblogs podem também ser criados a partir das perguntas sobre os assuntos que os alunos tenham interesse em pesquisar, não direcionando a um conteúdo específico em que todos pesquisam nas mesmas fontes. Já a coordenadora do projeto de Comunidades Virtuais do EducaRede, Sônia Bertocchi (2005), salienta que os weblogs oportunizam o reinventar o trabalho pedagógico e desse modo passam a envolver muito mais os alunos em suas atividades e nas disciplinas escolares: "Há aqui um grande poder de comunicação e os alunos passam a ser escritores, leitores e pensadores”. A coordenadora afirma também que os weblogs são um excelente recurso para desenvolver trabalhos em equipe, discutir e elaborar projetos, servem como espaço para anotações de aula e discussão de textos: "os blogs ajudam a construir redes sociais e redes de saberes, mas é a criatividade, de professores e alunos, que vai determinar a otimização da ferramenta”. Como vimos, as possibilidades de uso dos weblogs são inúmeras, cabendo ao professor ou professores usarem de criatividade para colocar em prática com seus alunos.

49 E quanto a avaliação formativa e contínua, os weblogs são excelentes instrumentos, pois permitem avaliar a redação e a qualidade da escrita hipertextual (links), a capacidade de criar ligações, a forma de redigir e de fazer comentários. Deverá ser avaliado também o grau de consciência crítica sobre a ciência e os fatos, a capacidade de transformar as informações e os dados em conhecimento (GUTIERREZ MARTIN, 2003), a capacidade do aluno de trabalhar em grupo em colaboração com colegas, a capacidade e a qualidade de seus post, a capacidade de inserir pluggins ou agregadores (tagclouds, últimos comentários, etc.). Gutierrez sugere também, por ser muito interessante e motivador para os alunos, acompanharem o dia a dia e o sucesso de seu weblog, colocar um medidor de acessos, pois eles saberão que seus posts são lidos por tantas pessoas e até mesmo em quais localidades geograficamente distantes. O grande desafio está aí, a nossa frente: explorar as infinitas informações disponíveis na web, e das TIC, e transformá-las em conhecimento. Mas o que é necessário para que isso ocorra? É necessário agir levando em conta o aprendizado, o conhecimento, a capacidade e compreensão sobre as informações que temos acesso e não apenas e simplesmente ter acesso à informação, pois isso sozinho não garante conhecimento. É nessa perspectiva que a exploração de weblogs transforma-o numa estratégia de ensino-aprendizagem em que o papel do professor é fundamental e não simplesmente em um recurso pedagógico. Daí por que, no âmbito pedagógico-metodológico, o professor de geeografia se depara com o seguinte desafio: conduzir o processo de ensinoaprendizagem dos conteúdos da Geografia de uma forma que eles tenham relações significativas com a realidade espacial vivida pelo alunoe de uma maneira que cative a participação e envolvimento dos alunos. Portanto, os weblogs como uma estratégia para a aprendizagem, torna os alunos mais participativos e não apenas como meros receptores de informações, cabendo ao professor mediar todo o processo em que os alunos realizam atividades de pesquisa, seleção, análise, síntese e publicação de

50

informação com o uso da web. Enfim, processo em que os alunos utilizam as estruturas mentais existentes para trabalhar as novas informações e a partir desta reflexão-ação modificar suas estruturas e construírem seu conhecimento. É cada vez maior o uso dos weblogs na sociedade contemporânea, e nas escolas seu uso ocorre como mais uma ferramenta para produção e até mesmo de divulgação de conhecimentos. Professores e alunos devem estar preparados para esta sociedade cada vez mais dinâmica e globalizada, por isso a importância da atualização permanente.

51

2 METODOLOGIA

No presente trabalho, optou-se por adotar uma abordagem qualitativaquantitativa. A abordagem qualitativa, por ser o método mais utilizado e necessário nas ciências sociais, onde o pesquisador participa, compreende e interpreta os dados coletados (MICHEL, 2005). Também porque o pesquisador é o instrumento principal, que valoriza o processo e não apenas o resultado, dado que abre espaço para a interpretação. Segundo Minayo (1999), na abordagem qualitativa não podemos pretender encontrar a verdade com o que é certo ou errado, ou seja, devemos ter como primeira preocupação à compreensão da lógica que permeia a prática que se dá na realidade. Ela se preocupa com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Já a condução de uma pesquisa quantitativa, se justifica em razão de ser mais apropriada para medir as opiniões, atitudes e preferências dos entrevistados. Segundo Falcão e Régnier (2000, p. 232), a análise de dados quantitativos é um trabalho que propicia que,
"a informação que não pode ser diretamente visualizada a partir de uma massa de dados poderá sê-lo se tais dados sofrerem algum tipo de transformação que permita uma observação de um outro ponto de vista". E que "a quantificação abrange um conjunto de procedimentos, técnicas e algoritmos destinados a auxiliar o pesquisador a extrair de seus dados subsídios para responder à(s) pergunta(s) que o mesmo estabeleceu como objetivo(s) de seu trabalho".

A definição dos critérios para a seleção dos blogs a serem observados e analisados deu-se a partir de: o primeiro critério é que seja um blog educativo; o segundo critério refere-se à seu conteúdo, ou seja, que trate de questões relativas a disciplina de Geografia e sobre a prática pedagógica; o

52

terceiro critério é que seja blog do Brasil, apresentar na língua portuguesa; o terceiro critério diz respeito ao estilo dos blogs. Definiu-se, assim, que os blogs selecionados e que fizeram parte desta pesquisa seriam os seguintes: 1-Geografia Hoje, ( http://geografianovest.blogspot.com/); 2-Galera em ação (http://tusgeo.blogspot.com/); 3-Geografia e Tal (http://geografiaetal.blogspot.com/); 4- Geografia http://geografia.blogspot.com/); 5-Lucianogeo,com (http://www.lucianogeo.com/); 6-Visão Geográfica (http://visaogeografica.blogspot.com/); 7-Geoteorizando (http://geoteorizando.blogspot.com/) A referida pesquisa nos permitiu a observação, a descrição, a compreensão e a análise da experiência de professores sobre a criação e o uso de weblogs em sua prática pedagógica, com vistas a responder ao problema de pesquisa: De que forma os blogs podem influenciar no processo de aprendizagem dos alunos, com enfoque na disciplina de geografia? Nesse sentido a pesquisa qualitativa/quantitativa constou de um trabalho com observação, comparações, descrição, análise e interpretações que nos levou a uma compreensão mais rica da ferramenta de comunicação weblogs na educação. Foram usados como instrumentos para coleta de dados a observação, leitura na web de weblogs, na busca de melhor entender e em maior profundidade a respeito do uso de weblogs educativos pelos professores denominados blogueiros, especialmente aqueles voltados à disciplina de geografia, se os mesmos são ou podem ser considerados instrumentos de aprendizagem, quais suas potencialidades dentro o contexto educativo e o que alguns professores blogueiros pensam sobre estes weblogs e como os avaliam como instrumento para a aprendizagem dos alunos. Foram utilizados também entrevistas por meio eletrônico, visando esclarecer as questões de nosso objeto de pesquisa. Desse modo, queria saber dos professores blogueiros:

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1) Qual o motivo que te faz usar, ou ter um BLOG? 2) Com qual freqüência você atualiza seus post? 3) Aponte algumas vantagens sobre o uso do BLOG para as aulas de geografia: 4) Aponte cinco desvantagens sobre o uso do BLOG para as aulas de geografia. 5) O uso de um Blog trouxe benefícios na sua prática pedagógica? ( ) SIM ( ) NÃO 6) Em que aspectos pedagógicos o blog contribuiu para o processo ensino/aprendizagem do seu aluno. Cite alguns deles. 7) Seu blog é voltado para sua disciplina? Quais as contribuições que percebes que o mesmo trás para o aluno?

8) Seu blog propicia espaço para o diálogo, troca de experiências? Com colegas
professores? Com alunos? Com a comunidade escolar?

Figura 12. Quadro questionário para entrevista aos Blogueiros

Como vimos, a grande novidade educacional neste novo milênio é a difusão do conhecimento e a evolução das tecnologias centradas na comunicação de massa. Assim também a educação ultrapassa as operações ligadas somente na linguagem escrita e caminha ao encontro de operações da cultura atual, ou seja, passa a operar também uma nova linguagem, a das mídias. Dando continuidade, e a fim de esclarecer melhor a presente

pesquisa, o capítulo que segue contém a análise efetuada em blogs com enfoque na disciplina de geografia e em entrevista com professores blogueiros.

54

3 ANÁLISE DE WEBLOGS E DOS DADOS COLETADOS

Como

foi

anteriormente

apresentado,

a

pesquisa

qualitativa-

quantitativa, constou da analise a partir das observações de blogs que tratavam de assuntos com enfoque na disciplina de geografia, e de um questionário (anexo 1) com questões relativas ao uso de blogs pelos professores e sua importância como ferramenta, recurso, de melhoria do processo ensino aprendizagem dos alunos . Nesse contexto, e dentre os recursos computacionais que podem auxiliar no processo de ensino e aprendizagem, estão os aplicativos de programas para produção de textos, planilhas, gráficos e apresentações de trabalhos (Word, Excel e PowerPoint). Também citamos os jogos educativos e a internet com suas possibilidades como a pesquisa, o correio eletrônico, os chats, as teleconferências e o hipertexto. Portanto, uma ação do professor inovador precisa contemplar a instrumentalização desses recursos disponíveis. Diante disso, o ensino de Geografia por meio do uso do computador permite que os alunos se insiram cada vez mais nesses ambientes interativos, pois estes recursos tecnológicos podem tornar as aulas mais dinâmicas e motivadoras. A dinâmica moderna exige do ensino de Geografia sua adaptação às novas tendências pedagógicas e aos novos caminhos que a tecnologia apresenta. Portanto, cabe ao professor de Geografia deve conhecer novas tecnologias para tornar suas aulas mais atrativas.

3.1 Características observadas nos blogs
Como vimos nos capítulos anteriores, as novas tecnologias vêm modificando significativamente as relações do homem com o mundo, visto que

55 em cada segmento social encontramos a presença de instrumentos tecnológicos. E os weblogs permitem a socialização on-line de acordo com os mais variados interesses, é um meio acessível e de fácil de comunicação, são baseados em mecanismos que facilitam a colocação de um website no ar, "a qualquer hora, em qualquer lugar" (necessita somente ligação à Internet), o que se publica aparece no ecrã quase de imediato, tem facilidade em seu uso (simples de criar e manter), é flexível, ou seja, pode ser usado individual ou colaborativamente, e para diversos fins, podendo ser automaticamente atualizado (diário, semanal ou mensalmente). Daí porque durante a análise e pesquisa em weblogs, algumas características que observamos navegando pela blogosfera e que são comuns à maioria deles foram: Quanto ao layout: a maioria dos weblogs observados possui layouts prontos dispensando a necessidade de que o blogueiro saiba a linguagem HTML. Conforme Prange (2003), nos weblogs, em sua maioria,
[...] há um layout padronizado, constituído de alguns elementos, alguns fixos e outros variáveis. Entre os elementos fixos dos blogs podemos citar três. A apresentação do blog – ou do autor do mesmo – inclui, geralmente, uma frase e, em alguns casos, imagens. Essas imagens são exibidas como sendo próprias do próprio autor ou, então apresentadas como representações do mesmo. Há também links para outros blogs e links para arquivos de outros meses. (Prange, 2003, p.63)

Quanto a apresentação do weblog, ou de seu autor: encontramos alguns com o título, o uso de uma frase com o objetivo do mesmo e apresentação do mesmo e, em outros casos, algumas imagens ilustrativas. Como o próprio site que oferece o serviço e a hospedagem também disponibiliza alguns formatos disponíveis, o autor escolhe os templates (modelos prontos para serem usados). Quanto aos textos: na maioria dos weblogs os textos dos posts, ou seja, as atualizações são curtas, somente com as informações relevantes colocados de modo padrão, em blocos, e com atualização freqüente.

56

Já nos espaços para conteúdos variáveis, estes incluem os textos, as imagens e as reproduções publicadas por seus autores. Também a interatividade se encontra presente quando do uso de textos e enunciados interrogativos explicitando um convite à participação do leitor, dos alunos, para a discussão dos temas nos blogs. Porém, é importante salientar que nem todas as características foram encontradas em todos os blogs, mas em todo o grupo. Alguns blogs apresentam mais indicativos de personalização, outros, menos. Além disso, outras características encontradas e analisadas serão destaque nos próximos itens. Foi possível constatar que muitos weblogs apresentam constantemente como característica, o uso da informação opinativa. Como exemplo podemos citar a existência de discussão e debate estimulados através da constante análise e opinião nos textos dos posts. Ou seja, os professores blogueiros utilizam-se de exploração de assuntos que, em geral foram levantados pela grande mídia (atualidades), assuntos que fazem parte do currículo escolar, atividades para revisão e fixação, ou pela leitura de outros weblogs, e passam a discutí-los com seus alunos, quer através dos comentários, quer com o uso de links para os posts de outros blogs ou sites. Nesse contexto lembramos de Lejeune (2000, citado por Komesu, 2004, p. 114), que menciona a importância dada ao tempo, ao espaço e à estética como uma das características mais importantes dos weblogs. Constatamos também, que a relação de tempo está presente no cabeçalho e na data que antecedem o corpo do texto e na própria apresentação dos textos [em ordem de data, da mais recente para a mais antiga ou ao contrário]. Daí porque os blogs serem considerados como produções síncronas, em razão da quase simultaneidade entre o que se escreve, sua veiculação na rede e seu acesso por alguém que esteja conectado. Agora, quanto às questões de espaço, é comum que, nas matérias publicadas, se faça menções a locais determinados, para contextualizar as experiências sobre as quais se escreve.

57 Já no quesito estético (design ou layout), o próprio site que oferece o serviço e a hospedagem do blog, dispõe de alguns formatos prontos, que facilita ao leigo a utilização dos templates (modelos prontos para serem usados). Esses modelos subdividem o blog com texto em colunas, editoriais, imagens, comentários com uma ótima estética. Portanto, cabe ao blogueiro, no nosso caso observado, aos professores, escolher um modelo que esteticamente lhe agrade mais e tenha a ver com o assunto e conteúdo que irá desenvolver no blog.

3.2 Análise dos dados coletados nas entrevistas
De posse de todos os questionários distribuídos e respondidos pelos professores blogueiros, passou-se para a tabulação e posterior análise dos mesmos. Os dados coletados e sintetizados a seguir reportam as opiniões dos seis entrevistados, referentes aos questionários para pesquisar o que pensam os professores blogueiros. Pela análise dos questionários respondidos podemos constatar que na questão de número um: Qual o motivo que te faz usar, ou ter um BLOG? Dos seis entrevistados, a sua totalidade, cerca de 100%, usam o blog como apoio no processo ensino-aprendizagem, pois esta ferramenta constituiu uma importante ferramenta de partilha de informação, de recursos e de resultados de pesquisas na Internet. As alternativas E e F ( vide tabela 1), foram elencadas por 5 entrevistados, como motivo para terem um blog. Tabela 1. Alternativas da questão de número 1

ALTERNATIVAS
A) É um elemento facilitador da relação aluno X professor B) Auxilia a fixar os conteúdos programáticos, melhorando o desempenho dos alunos.

Nº DE RESPOSTAS

2 3

58 C) Desperta o interesse dos alunos D) Serve como apoio no processo ensino/aprendizagem E) Torna as aulas mais dinâmicas e enriquecedoras. F) Registrar os trabalhos feitos pelos meus alunos

4 6 5 5

Quanto a freqüência ou periodicidade com que é feita a atualização dos post, pergunta dois ( Figura 13), dois professores responderam que sempre que possível dão atenção ao seu blog, pois a falta de tempo muitas vezes impedem de atualizem com mais freqüência, dois professores responderam que foi pouca a atualização enquanto um lembrou que somente usou o blog para atualização uma vez neste semestre. No entanto, uma das professoras respondeu:” Eu atualizo, se necessário, todos os dias, mas os alunos autores de secções tem dia fixo de postagem”. Nesse sentido Zabalza ( 2004) argumenta que os “diários” ou blogs
“não têm por que ser uma atividade diária. Cumprem perfeitamente sua função ( e sua realização se torna menos trabalhosa em tempo e esforço) mesmo que sua periodicidade seja menor: duas vezes por semana, por exemplo, variando os dias para que a narração seja mais representativa. O importante é manter uma certa linha de continuidade na coleta e na redação da narrações ( enfim, que não seja uma atividade intermitente, feita apenas de vez em quando e sem nenhuma sistematicidade” . Zabalza ( 2004 p. 13)
17% 33%
Sempre que possível

17%

Pouca atualização Uma vez neste ano Todos os dias

33%

Figura 13 Atualizações do blog Dando continuidade, a pergunta três solicitava que o entrevistado citasse vantagens do uso do BLOG na sala de aula. Nesse sentido o resultado demonstrou que os entrevistados elencam (Tabela 2) certas vantagens como fundamentais, tais como, é um espaço virtual onde o aluno constrói e reconstrói

59 o seu conhecimento de forma contínua, permanente e sustentável, maior socialização das produções dos alunos, permite e favorece ao aluno o processo criativo de suas produções de autoria ou de co-autoria, oferece liberdade e flexibilidade de criação, e ainda, utilizar a linguagem das novas gerações (web). E como nos lembra Papert (1985, p.29) “a melhor aprendizagem ocorre quando o aprendiz assume o comando, de seu próprio desenvolvimento em atividades que sejam significativas e lhe despertem o prazer”. Tabela 2. Síntese das respostas da pergunta 3 Vantagens no uso de blogs na sala de aula.
Nº de respostas

1. Estimula a criatividade, a participação dos alunos;

6 4 6 4 3 1 6 4 3 4

2. Incentiva a autoria, a escrita e a leitura;
3. Aumenta o interesse pelo conteúdo e disciplina, bem como o diálogo e comunicação professor e aluno;

4. Gera cooperação e colaboração; 5. É do gosto dos alunos;
6. Inserção no mundo digital; 7. Divulgação de projetos, atividades dos alunos e escola; 8. Complementação de estudos; 9. Incorpora materiais audiovisuais nem sempre disponíveis em classe 10. Propicia o desenvolvimento de experiências pedagógicas inovadoras

Na

pergunta

quatro,

quando

questionados

sobre

possíveis

desvantagens que viam no uso de blogs nas aulas de geografia (Figura 14), três dos entrevistados afirmaram não verem desvantagens. Porém cabe ressaltar as colocações dos demais entrevistados que declararam: Entrevistado 2: “Não vejo desvantagens, porém talvez o fato de que muitos blogs são abandonados depois de tarefas concluídas, trabalhos feitos e apresentados, participação em cursos ... possa ser citado como desvantagem”

60

Entrevistado 3: “Pode fazer com q se fique “dependente” do blog pois exige tempo e disponibilidade para alimenta-lo sempre”. Entrevistado 4: “ Não acho que tenham desvantagens porem, alguns pontos merecem ser discutidos: O texto (quase jornalístico) necessita ser direto e relativamente curto o que pode levar o aluno a uma preguiça a leituras mais elaboradas. Dificuldade temporária ou permanente de alguns alunos com acesso a web”.

50%

Não vê de svantagens Com algum as restrições

Figura 14 Desvantagens no uso dos blogs Já nas respostas à pergunta cinco (Figura 15) tivemos uma unanimidade, pois todos os professores blogueiros afirmaram que o uso de um Blog trouxe somente benefícios em sua prática pedagógica.
O uso de blogs trouxe benefícios na sua prática pedagógica?
0%

SIM NÂO

100%

Figura 15 Benefícios do uso de Blogs Como vimos, existem inúmeros recursos tecnológicos que podem facilitar o processo de aprendizagem do ensino da Geografia. O computador ganha destaque e importância neste quesito. Sendo rico em recursos audiovisuais, possibilita o entrecruzamento de imagens, sons e textos. Exemplificando: os Atlas digitais, podem ser muito utilizados na educação

61 geográfica, assim como diversos softwares educativos de apoio aos conteúdos curriculares, de jogos e simulações para o ensino de Geografia que podem estimular os alunos para a aprendizagem desta disciplina. Nesse sentido Richardson (2006, citado por MARINHO 2007 p.2), afirmam serem vários os aspectos que confirmam os benefícios dos blogs e importância de sua utilização para a escola e especialmente à geografia. Tratase de uma ferramenta construtivista de aprendizagem; sua audiência potencial ultrapassa os limites da escola, permitindo que aquilo que os alunos produzem de relevante vá muito além da sala de aula; são arquivos da aprendizagem que alunos e até professores construíram; é uma ferramenta democrática que suporta vários estilos de escrita e podem favorecer o desenvolvimento da competência em determinados tópicos quando os alunos focam leitura e escrita num tema. Desse modo, através das respostas dos entrevistados à pergunta seis: “Em que aspectos pedagógicos o blog contribuiu para o processo ensino/aprendizagem do seu aluno”, podem-se inferir opiniões diversas. Diante disso e conforme Glogoff (2005, citado por MARINHO 2007 p.3), os blogs educacionais são vistos
como uma ferramenta instrucional centrada na aprendizagem. Como atividade centrada nos alunos, os blogs permitem a eles construir capacidade de atuarem tanto individualmente como em grupo, atributos que hoje são reconhecidos como importantes, essenciais para as pessoas na sociedade contemporânea.

Desse modo, as opiniões dos entrevistados são unânimes em afirmar os seguintes aspectos:

62

- Maior participação e interesse pelas aulas e disciplina; maior e melhor relacionamento professor e aluno; mais motivação à pesquisa e estudo; alunos adoram, pois se usa as tecnologias que eles tanto prezam e manuseiam. - As aulas tornaram-se mais agradáveis e estimulantes; incentiva a pratica da leitura e também da escrita; proporciona o uso das tecnologias; saímos dos livros e apostilas para uma parte mais pratica. - Dá autonomia ao aluno; exige criatividade e independência em relação a manutenção dos mesmos; propicia a colaboração e cooperação entre os alunos e com os professores. - Construção do conhecimento de forma colaborativa. Oportuniza aos alunos a possibilidade de reorganizar suas idéias, pensamentos e deixar escrito seu posicionamento. Também i favorece a análise reflexiva. - Acesso fácil a assuntos e matérias desenvolvidas em classe (nos marcadores: Que país é esse? Brasil, Mundo em transformação, textos de apôio, etc...); Postagem de pesquisas e trabalhos produzidos por alunos ( nos marcadores acesse : trabalhos de alunos) ; Exercícios ou tarefas propostas às turmas ; Diferentes secções semanais como: Você Sabia? Dicas do Vestibular, salageo Literária, salageo Meio Ambiente e muito mais... Figura 16: Quadro Contribuições dos Blogs para o processo ensino/aprendizagem Sabemos que a Geografia no Ensino Fundamental e Médio enfrentam grandes barreiras. É vista como uma disciplina de menor importância em relação a outras. Para os alunos, na maioria dos casos é percebida como uma disciplina desinteressante, com pouca finalidade prática, como algo de pouca relevância. Como afirma Lacoste (2004, p.7): “a pergunta essencial que perpassa é esta: Para que serve a geografia? Ou em outros termos, qual é sua função social? Possui alguma utilidade que não seja dar aula de geografia? e afinal para que existem essas aulas?”. Porém as demais disciplinas da área de humana são vistas pelos alunos como desinteressante, apenas como integrantes do currículo escolar, consideradas como disciplinas decorativas.

63 Os alunos não consideram a Geografia importante, pois não sabem identificar qual a importância do conhecimento da disciplina para sua vida, para que serve tal conhecimento, não conseguem perceber possíveis relações em seu cotidiano que exemplifique os temas tratados em sala de aula. No dizer de Penteado (2003, p.167),
“Um dos sérios problemas do ensino de geografia é o fato de que tais conhecimentos são apresentados aos alunos como uma série de fatos a ser decorados, totalmente desvinculado da vida e da realidade social”.

Diante do uso das TIC e mais diretamente, do uso dos blogs na sala de aula de geografia, encontramos hoje muitos professores que pensam e se preocupam em fazer sua prática pedagógica de forma diferente, se propondo a testarem novas ferramentas como alternativas de educação. Nesse sentido a pergunta sete questionou a respeito do tipo de orientação dado ao blog do entrevistado, ou seja, se o blog é ou não voltado para sua disciplina? Podemos constatar que todos os seis professores blogueiros entrevistados possuem blog voltados a sua disciplina, a geografia, e como afirma uma das entrevistadas: “uso mais para postagens em minha disciplina nas minhas disciplinas que são três, Ensino Religioso, Historia e Geografia.” Também esclareceram que em seus posts as contribuições que o mesmo trás para o aluno: - Uso para fazer postagens relacionadas com a disciplina de Geografia, conteúdos, exercícios e os trabalhos trimestrais. Também assuntos da atualidade. Vejo que os alunos valorizam + o professor, deixam recados fazem visitas comentam trabalhos é isso, aproximam + prof e alunos. - É voltado á disciplina de geografia, com conteúdos, tarefas, projetos, enfim, é um canal de comunicação com os alunos, fora da sala de aula. Vejo o blog como uma ótima ferramenta para o aluno e professores. O aluno só tem vantagens com o blog do professor e se este também construir o seu blog. Tudo tem como foco a Geografia, mas, trata de outros assuntos também como, por exemplo, a seção SalageoLitérária postada sempre às quintas-feiras (ultimamente ausente em razão da aproximação do vestibular) pelo aluno Marcos Heloy que além de falar de autores brasileiros faz uma referência geográfica ao local de origem do mesmo. ( localize nos marcadores esta

64

secção . - Para o aluno em geral, é usado de forma prazerosa como complemento do currículo escolar e para os alunos autores acrescenta-se ainda o crescimento individual como ser humano e como produtor de cultura. Figura 17: Quadro Contribuições dos blogs aos alunos De acordo com Carlos (2002, p.111) “o docente de geografia precisa propor atividades para desenvolver o raciocínio geográfico dos alunos, como pensar nesse espaço, como dialogar com esse espaço”. Diante disso, constata-se que a estrutura dos weblogs, ou blogs, permite a elaboração do pensamento de modo seqüencial e estabelece grande controle sobre o que se produz. A liberdade de poder fazer modificações, para publicar e republicar em um blog sem afetar sua disposição geral: pois se pode reeditar uma postagem, indicar uma nova categoria, adicionar novos links ao blogroll e inclusive mudar o formato quando desejado, dá autonomia ao aluno blogueiro,o revela um esforço de reflexão constante no estudante e torna-o partícipe de um projeto global, aberto e colaborativo, em que o conhecimento é construído de baixo para cima. Ou nas palavras de LÉVY (1999):
Aprendizagens permanentes e personalizadas através de navegação, orientação dos estudantes em um espaço do saber flutuante e destotalizado, aprendizagens cooperativas, inteligência coletiva no centro de comunidades virtuais, desregulamentação parcial dos modos de reconhecimento dos saberes, gerenciamento dinâmico das competências em tempo real... esses processos sociais atualizam a nova relação com o saber” (LÉVY, 1999: p. 177).

Assim,

os

elementos

obtidos

do

levantamento

feito

com

os

questionários respondidos pelos professores blogueiros na última pergunta nos indicam que, seus blogs propiciam espaço para o diálogo e troca de experiências.

65

Blogs como espaço de diálogo

14% 19%

29%

Propicia m ostrarm os nosso trabalho Troca atravéz dos links Com entários com função de Fórum

14% 24%

Mais com os alunos por enquanto, Entre alunos e alunos ou alunos e professor

Figura 18 Blog como espaço para o diálogo, troca de experiências. Em suma, o que se pode depreender da realidade pesquisada é que o uso de blogs na disciplina de geografia influencia positivamente na aprendizagem dos alunos. Percebe-se a valorização e estímulo à criatividade e produção dos alunos. Também amplia a autonomia e a aprendizagem, pois o aluno vai relacionando os temas abordados em sala com o contexto. Atravéz dos blogs se ultrapassa os muros da escola, pois se estabelece contato entre o conteúdo produzido e o público externo. Pode-se perceber também que o blog provoca grande atração pelos recursos da multimídia que possibilita utilizar.

66

4 CONCLUSÃO

[...] no processo de aprendizagem, só aprende verdadeiramente aquele que se apropria do aprendido, transformando-o em apreendido, [...] Aquele que é “enchido” por outro de conteúdo cuja inteligência não percebe; de conteúdos que contradizem a forma própria de estar em seu mundo, sem que seja desafiado, não aprende (FREIRE, 1979, p.28).

Atualmente, com a emergência das Tecnologias da Informação e Comunicação, modifica-se a forma de pensar e construir conhecimentos, de se relacionar e de trabalhar. A escola não pode e não deve ficar alheia a essas transformações, ao contrário, necessita interagir, na perspectiva de que o conhecimento seja construído a partir de múltiplas relações, trazendo outros elementos que possam ressignificar a aprendizagem, dentro e fora dos espaços escolar, envolvendo as diversas linguagens e suportes tecnológicos que estão à disposição. Desse modo, de acordo com Silva (2003, p. 138) o professor deve assumir uma postura dialógica e “passar a exercer o papel de condutor de um conjunto de atividades que leve a construção do conhecimento”. Conforme Kenski (2007, p. 85)
Independentemente do uso mais ou menos intensivo de equipamentos midiáticos nas salas de aula, professores e alunos têm contato durante todo o dia com as mais diversas mídias. Guardam em suas memórias informações e vivências que foram incorporadas das interações com filmes, programas de rádio e televisão, atividades em computadores e na internet.

Nesse contexto, a busca pela qualidade do ensino deve ser uma constante na vida do geógrafo-professor, quando pode recorrer a recursos didáticos, tais como: documentários, filmes, músicas, cartilhas educativas, cordéis, mapas temáticos, imagens de satélites, músicas, jogos educativos,

67 computadores com acesso à internet e suas ferramentas tais como os blogs. Evidencia-se que estes recursos, propiciam ao professor adotar uma metodologia mais participativa. Podemos constatar que cresce a cada dia a utilização dos blogs nas mais diversas áreas, e na educação não poderia ser diferente. Daí porque o referido tema “PROFESSORES BLOGUEIROS E O USO DOS BLOGS EM SUA PRÁTICA DOCENTE“ se impõe pela atualidade, pois muito se tem discutido sobre a importância e a validade das TICs. As escolas estão sendo permanentemente desafiadas e, portanto devem ser um espaço que estimule a criatividade, ser dinâmica, participativa e democrática. Também seus professores não podem fazer de conta que os blogs não existem e sim fazer uso e reflexão sobre as sua possibilidades pedagógicas dessa ferramenta no seu fazer pedagógico. Nesse contexto a indagação que se faz neste Trabalho de Conclusão de Curso é em relação a forma que os blogs podem influenciar no processo de aprendizagem dos alunos, com enfoque na disciplina de geografia. Através da pesquisa foi possível identificar, analisar e caracterizar algumas práticas existentes nos blogs escolhidos, tais como: a criação e manutenção dos blogs possuem autoria individual dos professores; são espaços de publicação na web utilizados para maior contato com os alunos e colegas blogueiros, para divulgação de projetos, atividades e trabalhos desenvolvidos durante um período; um espaço de troca de idéias e reflexões que disponibiliza informações Interessantes e da atualidade para seus alunos, sempre procurando acompanhar abordagens dos conteúdos curriculares de suas disciplina, no caso, a geografia. Constata-se e ressalta-se também que a utilização dos blogs como uma estratégia e ferramenta que influencia no processo de aprendizagem dos alunos, depende do interesse do professor, da sua concepção de educação, de aprendizagem, de conhecimento e de aluno, em que apóia sua prática. Como vimos, os blogs continuam sendo bastante explorados e a cada dia surgem novas formas de explorar seus recursos e potencialidades. Neste aspecto, destaca-se que cabe ao professor apropriar-se destas possibilidades,

68

propondo atividades e estratégias diferenciadas. E um ponto que nos chamou a atenção quanto a utilização dos blogs na educação, e mais precisamente em geografia, é o fato de que propicia o desenvolvimento de experiências pedagógicas inovadoras como, por exemplo, a que uma das entrevistadas cita:” a subida virtual a Pedra da Gávea que uma turma simulou (acesse pelos marcadores: Geólogo Ivo Medina Uma excursão ecológica a Pedra da Gávea e veja o resultado nos comentários )”. Levando em consideração que os blogs possuem muitas

características que propiciam a melhor qualidade no processo ensinoaprendizagem, convém destacar que, através das respostas às entrevistas, são diversas as habilidades e capacidades que podem ser desenvolvidas pelo aluno autor de um blog na disciplina de geografia: sua estrutura a elaboração do pensamento de uma maneira sequencial, pois o aluno pode editar e reeditar conteúdo quantas vezes desejar; há a possibilidade do debate uma vez que as pessoas que visitam o blog poderão se comunicar com o autor através dos comentários; o aluno é autor em seu blog, e será o leitor de outro. O blog do aluno possibilita também maior contato com o professor e com colegas; melhoram as técnicas de escrever, pois passam a ser responsáveis pelos conteúdos postados, para manter atualizado seu blog, realiza muita pesquisa, tornando-se um “especialista” no tema tratado. Diante disso ficou demonstrado que o processo ensino-aprendizagem na disciplina de Geografia, utilizando os blogs como uma ferramenta e o Laboratório de Informática como espaço de aprendizagem, procura produzir um meio capaz de auxiliar a compreensão e a construção do conhecimento bem como de conceitos da referida disciplina. Também aumentam o interesse dos alunos pelo estudo e pesquisa da matéria, possibilita a promoção de debates, com temas de interesse da turma de alunos, como geografia e educação ambiental, diversidade cultural e alfabetização cartográfica entre outros, oferecendo subsídios para a formação e melhor desempenho do aluno Ainda podemos destacar segundo Valente (1998, p.49) que está sendo proposta uma nova abordagem educacional que muda o paradigma pedagógico do instrucionismo para o construcionismo, onde o objetivo do uso

69 do computador na educação não deve ser um modismo ou estar atualizado com relação às inovações tecnológicas. Desse modo, apesar de todas as novas relações estabelecidas entre os elementos envolvidos no processo ensino/aprendizagem, nenhum deixou de ser importante, pelo contrário, todos ganharam novas possibilidades e percepções através das novas interações entre os mesmos. Assim o aluno, através do computador, ganhou uma nova ferramenta de pesquisa; o professor ganhou uma nova fonte de atualização e conhecimento; e o computador se estabeleceu como uma ferramenta determinante nos níveis de informação e conhecimentos através das diversas possibilidades de armazenamento, acessibilidade, difusão, interatividade. Todo este conjunto acima é responsável por alterar o processo de aprendizagem da educação na era da informática. Portanto, diferentes e criativas situações de ensino – aprendizagem organizados pelo professor devem integrar o maior número possível de aspectos pertinentes ao objeto geográfico de estudo, de forma a promover uma visão contextualizada do mesmo. O uso de blogs nas aulas de geografia proporciona uma organização de tarefas em grupos, valorizando o trabalho colaborativo e cooperativo e as experiências vividas, permitem também desenvolver a pluralidade de percepções sobre o tema e aprofundar a argumentação. (Schäffer, 2003, p.169) É possível concluir que os blogs podem ser muito eficazes no processo de ensino/aprendizagem, pois: é uma forma muito útil de comunicação professor/aluno, sobretudo na disciplina de geografia, com reduzida carga horária semanal, uma vez que vai mantendo o aluno ligado à disciplina; pode ser mais um instrumento de estudo e de apoio às aulas, através da divulgação de outros documentos, imagens, aprofundar temas e, ainda pode conter correção de testes e divulgação de sites de interesse. Também pode ser uma forma muito eficaz para a motivação dos alunos, para as diferentes unidades temáticas, nele estão publicados numerosos trabalhos de alunos que sentem orgulho em ver o seu nome nos artigos e seu trabalho tornado visível. Cabe ressaltar ainda que os blogs não requerem muitos recursos da escola, somente a sala de

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informática com alguns computadores com ligação à internet que gere o blog.

são

suficientes. Implica, no entanto, algum envolvimento extra do professor

Para finalizar reafirmamos a necessidade de se ampliar o espaço para o professor se qualificar, para buscar novas possibilidades de utilização e exploração dos inúmeros recursos disponíveis atualmente e suas potencialidades, utilizando os blogs como recurso e como estratégia pedagógica de motivação e aprendizagem dos alunos, bem como um ambiente de aprendizagem valorizando também o papel mais ativo para seus alunos no processo de aprendizagem.

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ANEXO - QUESTIONÁRIO USO DO WEBLOG NA EDUCAÇÃO

Colega: Você poderia responder as questões abaixo? 1) Qual o motivo que te faz usar, ou ter um BLOG: 2) Com qual freqüência você atualiza seus post? 3) Aponte algumas vantagens sobre o uso do BLOG para as aulas de geografia: _______________________________________________________________ 4) Aponte cinco desvantagens sobre o uso do BLOG para as aulas de geografia. _______________________________________________________________ 5) O uso de um Blog trouxe benefícios na sua prática pedagógica? ( ) SIM ( ) NÃO 6) Em que aspectos pedagógicos o blog contribuiu para o processo ensino/aprendizagem do seu aluno. Cite alguns deles. 7) Seu blog é voltado para sua disciplina? Quais as contribuições que percebes que o mesmo trás para o aluno? ____________________________________________________ 8) Seu blog propicia espaço para o diálogo, troca de experiências? Com colegas professores? Com alunos? Com a comunidade escolar?

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