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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A sociedade brasileira, a partir da redemocratização do País, passou por um processo de reorganização


social, política e econômica que está expresso na Constituição Federal, promulgada em 1988, em seu
artigo 1º, que prevê a democracia participativa e representativa, reconhece que “todo o poder emana do
povo, que o exerce por meio de representantes eleitos, ou indiretamente”.
As secretarias de educação têm o dever e a responsabilidade de fazer as escolas funcionarem e, para
isso, é necessário que os professores tomem conhecimento de certas normas e diretrizes, se convenças
de sua legitimidade e passem a agir de acordo com as expectativas dos dirigentes. A direção da escola,
por sua vez, deve reunir o corpo docente para comunicar novas normas legais, diretrizes pedagógicas e
mudanças de rotina de trabalho. Quanto ao professor, para ser um ativo participante no processo de
tomadas de decisão na escola, precisa conhecer bem a estrutura e a organização do ensino, as
políticas educacionais e as normas legais, os mecanismos de sua elaboração e divulgação, bem como
desenvolver habilidades de participação e de atuação em trabalho de equipe.
Conforme a Constituição Federal no seu artigo 205: “A educação, direito de todos e dever do Estado e
da Família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho” assegura que a educação deve ser desenvolvida com a participação de diferentes segmentos
da sociedade, em uma ação articulada e de co-responsabilidade, em relação à qual o Estado e a família
têm papéis decisivos. Cabe a família, uma ação direta nesse processo, como tomar providencia para
que seus filhos freqüentem efetivamente a escola, incluindo desde a matricula, o acompanhamento e a
avaliação do trabalho realizado pela instituição, ate a cobrança e a fiscalização das ações do Estado.
Isso requer o seu engajamento no processo de construção e execução do PPP da escola.
A educação brasileira passa a visar ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao seu preparo para o
exercício da cidadania e à sua qualificação para o trabalho. As mudanças democráticas, para serem
efetivas devem ocorrer dos níveis federal e estadual para a municipal, a democratização da gestão do
ensino público nos estabelecimentos oficias, obedecendo aos princípios da participação dos
profissionais da educação na elaboração do PPP da escola e da participação da comunidade escolar e
local em conselhos escolares e equivalentes.
Ao administra uma escola o gestor deve abandonar o tradicional modelo de concentração da autoridade
nas mãos de uma só pessoa, o diretor, evoluindo para formar equipes coletivas que propiciem a
distribuição da autoridade de maneira adequada a atingir os objetivos identificados com a transformação
social.
A nova LDB trata, ainda, da gestão da educação, ao determinar os princípios que devem reger o ensino
e indica que um deles é a gestão democrática. No Art. 15 é tratada a questão da autonomia em
dispositivo que prevê: os sistemas de ensino assegurarão às unidades de ensino públicas de educação
básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão
financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro publico. A LDB ainda revela que no caso
do estabelecimento de ensino, as autonomias pedagógicas, administrativas e a de gestão financeira
trazem novas competências a serem assumidas pelo diretor e por todo o pessoal da escola, que, de
forma coletiva, deve definir o PPP da escola e os meios de transformar em realidade as propostas nele
contidas.
Não basta a Lei determinar a gestão democrática para o ensino público. Na realidade, as exigências
legais feitas para a gestão democrática da escola devem ser vistas como uma das garantias do direito à
Educação. Independentemente da condição social, política ou cultural do cidadão.
A gestão das escolas é, essencialmente, administrar a elaboração e o acompanhamento do projeto de
qualidade da educação que se deseja através do PPP da escola, a fim de se caracterizar a
especificidade da organização escolar. Essa especificidade precisa ser identificada a partir da leitura
das demandas da sociedade e dos espaços abertos na legislação.
Cury (1997, p. 108) afirma que “a gestão democrática da educação, como princípio, deve perpassar o
conjunto dos órgãos e instituições que têm por função o dever de educar”. Os professores e demais
membros da comunidade escolar, ao assumir a incumbência dada pela LDB de elaborar o PPP da
escola, estarão exercitando a participação mo gerenciamento das políticas educacionais. A elaboração
do PPP é uma constante recriação da atividade educativa, porque implica constante planejamento e
avaliação do processo educativo. A participação pode ser a oportunidade de estar reformulando as
expectativas de todos esses segmentos em relação à educação que desenvolvem.
Repensar a escola como espaço democrático de troca de produção e conhecimento é o grande desafio
que os educadores deverão enfrentar neste início de milênio, especificamente o gestor escolar, por ser
um elemento significativo e articulador de uma prática capaz de romper com as relações competitivas,
autoritárias e corporativas que permeiam as relações internas da escola. Assim torna-se urgente a
construção de uma proposta pedagógica com um planejamento articulando o processo coletivo na
tomada de decisões.
Segundo VEIGA (2001),

A elaboração do projeto pedagógico tem a ver com o trabalho da escola como um todo e com a
participação da sala de aula, considerando o contexto social e a preservação de uma visão da
totalidade”. Logo, o projeto pedagógico busca a organização global da escola.

A divisão do trabalho, como um dos princípios de administração capitalista, empregada na escola e a


coordenação administrativa do diretor, demonstra que o seu poder de decisão permaneceu intocado por
um longo período da administração escolar brasileira. Mas uma nova estrutura de gestão escolar busca
a representação de integrantes da comunidade interna e externa, como meio de promover a
participaçao coletiva, buscando uma gestão descentralizada com a finalidade de alcançar uma
educação preocupada com a aprendizagem de qualidade.
O conceito de gestão já pressupõe a idéia de participaçao, que deve ser um trabalho associado de
pessoas analisando situações, decidindo sobre seu encaminhamento e agindo sobre elas em conjunto,
pois o êxito de uma organização depende da ação construtiva conjunta de seus componentes, da
vontade coletiva requer esforços de toda comunidade escolar como o diretor, professor, alunos e pais
na direção de ações administrativas e pedagógicas que viabilizem a solução de problemas cujos
resultados culminem na realização dos fins educativos. É fundamental o envolvimento de todos os
participantes do cotidiano escolar nessa nova modalidade de administrar a escola, cabendo aos
profissionais da educação, com competência técnica, política e humana, assegurar uma adequada
leitura da realidade. Inclusive no enfrentamento das praticas sociais, bem como na superação de
obstáculos que serão o suporte de uma escola que se pretende cidadã. Vivenciar a gestão democrática
nas escolas significa estar em consonância com esse momento de cidadania que reclama uma
participaçao cada vez mais rica e atuante da sociedade.
Para a gestão ser verdadeiramente democrática, é necessário que todos os que estão direta ou
indiretamente envolvidos no processo escolar participem das decisões que dizem respeito à
organização e ao funcionamento da escola. Mas falta aos pais, ainda, consciência do papel que podem
desempenhar e contribuir para a melhoria da qualidade na educação dos filhos. Os professores,
principalmente, não demonstram estar motivados para incentivar, ou despertar essa participaçao,
embora a valorizem, pois temem a interferência dos pais nos aspectos pedagógicos da escola.
Mas os avanços tecnológicos, as exigências da globalização, um mercado de trabalho cada vez mais
competitivo e parte integrante de uma sociedade em mutação e por isto desafiadora, levaram diversos
segmentos sociais, políticos e econômicos a uma postura diferenciada e a enfrentar os desafios da
democratização na gestão escolar.
É preciso enfrentar os desafios democratizando realmente a instituição educativa. Trazer o aluno e sua
família para dentro da escola, propiciando sua permanência. O diretor deve ser antes de tudo, um
educador, um articulador e exercer sempre liderança democrática que seja capaz de dividir o poder de
decisão e de deliberação sobre os assuntos escolares com professores, funcionários da escola, pais de
alunos, alunos e comunidade escolar, criando e estimulando a participaçao de todos. Isso não significa
abrir Mao de responsabilidades ou funções ligadas ao seu cargo.
A gestão da escola deve contribuir para a construção do conhecimento da clientela escolarizável do
país, destacando a formação cidadã do educando. A abordagem participativa na gestão escolar
demanda participaçao de todos os interessados no processo decisório da escola, envolvendo-os
também na realização das múltiplas tarefas de gestão. Nos mais bem-sucedidos exemplos de gestão
escolar participativa os diretores dedicam uma quantidade considerável de tempo à capacitação
profissional a ao desenvolvimento de um sistema de acompanhamento escolar e de experiências
pedagógicas caracterizadas pela reflexão-açao.

A gestão democrática implica primeiramente o repensar da estrutura de poder da escola, tendo em vista
sua socialização. A socialização do poder propicia a prática da participação coletiva, que atenua o
individualismo da reciprocidade, que supera a expressão da autonomia, que anula a dependência, de
órgão intermediário que elaboram políticas educacionais tais quais a escola é mera executora. (VEIGA,
2001, p.18)
Portanto, a escola deve ser organizada como um espaço democrático, no qual, por meio do dialogo, do
questionamento e da crítica. A educação deve ser fortalecida e dando voz aos diferentes segmentos da
comunidade escolar, pertencentes aos diversos grupos sociais e culturais. Ela deve se transformar em
um espaço publica, onde diferentes vozes tenham possibilidades de articular seus discursos,
estabelecendo um dialogo em que as diferenças sejam respeitadas, na busca do bem coletivo. No
ambiente escolar deve ser assegurada a discussão aberta para o processo de seleção democrática da
direção escolar, a escolha de representantes das classes. Todos os atores da escola devem ser
envolvidos na elaboração de normas disciplinares, organização e planejamento da escola e da sala de
aula e dos momentos de avaliação.
Partimos do pressuposto de que a educação é o processo concreto de produção da existência humana.
O homem é um ser histórico em contínua construção. E a interação do conhecimento, gera seu
desenvolvimento.
Neste contexto a escola desempenhará o papel da mediação, partindo do que a criança sabe e
construindo novos conhecimentos e desafiando estes conhecimentos. Construir conhecimentos implica
numa ação partilhada já que é através dos outros que as relações sujeito e objeto de conhecimento são
estabelecidos.
A Escola Municipal Padre Nicolau Gouverneur conta com os profissionais da educação pautados em
uma visão global de sociedade, e busca tornar a escola e a educação escolar questionadora, politizada,
criativa, inclusiva, solidária e, acima de tudo, capaz de desafiar o educando a resolver seus problemas e
os da coletividade através da perseverança, cooperação coletiva, e preparando-os ao pleno exercício da
cidadania.
Visa também construir uma educação coletiva, capaz de melhorar a realidade social, tornando-os
homens críticos, ativos, enfatizando a importância de investirem em seus projetos de vida, assegurando
a melhoria da qualidade de vida no meio rural, evitando assim a migração e o êxodo.
Enfim, queremos e faremos de tudo para termos uma escola onde se possa dialogar duvidar, discutir e
compartilhar saberes onde haverá espaço para transformação, para as diferenças, ao erro, à
colaboração mútua e a criatividade. Uma escola onde professores e alunos possam refletir sobre seu
processo de construção de conhecimentos: conhecimento autêntico e significativo. Onde se leve em
conta à historicidade e a socialização do saber.