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Depois de ler estas páginas, você poderá perguntar a si mesmo: "O que é que eu vou

fazer agora?" Ler acerca da total suficiência de Jesus Cristo é uma coisa, obtê-la e
experimentá-la na sua vida é outra.
Mais do que qualquer outra coisa, este livro constitui um apelo e um guia para a
autenticidade da vida cristã. O padrão do cristianismo vivo descrito nestas páginas não se
atingirá facilmente. Não ocorrerá através duma breve oração de entrega, ou por qualquer
espécie de experiência crucial. Deus pode usar uma crise para sacudir o cristão para a ação,
mas é necessário uma crise mais um processo para mantê-lo em movimento como discípulo
revolucionário de Jesus Cristo. A fim de que este livro se torne significativo para você, você
terá de "declarar uma revolução pessoal". Isto exigirá toda a sua dedicação e a aplicação de
todos os meios de graça oferecidos na Palavra de Deus. Não pode haver uma revolução para
aqueles que meramente "entram no jogo" ou se deixam ir na onda. Nem a revolução é
possível para o cristão que não está disposto a negar-se a si mesmo, a tomar diariamente a
sua cruz e a seguir a Jesus.
Não estamos prontos para a revolução, se ainda não nos apercebemos da esquizofrenia
em nós e à nossa volta. Deus tem de nos convencer de que "o coração é enganoso mais do
que todas as coisas e desesperadamente perverso". O nevoeiro espiritual deste mundo penetra
nos nossos corações e só Deus pode dissipá-lo em resposta à oração fervorosa.
Se queremos aprontar-nos para a revolução, temos de admitir que somos culpados por
não vivermos uma vida cristã dinâmica. Cristo vive dentro do cristão, e Ele é o
revolucionário. Temos de estar dispostos a morrer para os nossos próprios interesses e
determinação, e deixar que Cristo viva a Sua vida através de nós.
Muitos cristãos entram no ministério, nos campos missionários e noutros lugares de
serviço cristão, sem estarem espiritualmente preparados. Temos de reconhecer que estamos
em território perigoso, se o serviço que fazemos para Deus nos leva além da nossa
experiência com Ele. Satanás está lá, pronto para nos atacar — e nós somos muito
vulneráveis. A vida espiritual revolucionária emana duma profunda relação e experiência
com Deus, que faz do discípulo um fiel soldado de Cristo.
Estou absolutamente convencido de que os cristãos que dão os seguintes passos para a
revolução descobrirão que eles "dão resultado". Eles são eficazes, porque o cristianismo é
eficaz. Estes passos são princípios bíblicos básicos que Jesus Cristo e os apóstolos
repetidamente salientaram perante aqueles que queriam ser discípulos de Jesus.
1. Uma revolução na nossa vida de oração. Um dos mais deprimentes sinais na igreja
de hoje é a falta de oração tanto a sós como em grupos. É quase incrível ver quão pouco a
igreja evangélica em geral se apóia na oração para fazer a obra de Deus. Quando há uma
reunião de oração, só um pequeno número participa. Noites de oração, reuniões de oração
nos lares, dias de oração e jejum — uma parte tão importante da Igreja primitiva — parecem
não ser mais que relíquias cristãs, hoje em dia. Porque estão ocupadas, as pessoas
convencem-se de que estão demasiado ocupadas para orar. A Igreja tem procurado inúmeros
substitutos para a oração a fim de levar a cabo o trabalho que só pode ser feito através da
oração.
Se levarmos a sério o fato de sermos revolucionários espirituais, temos de decidir
aprender a orar! Há muitos livros excelentes sobre o assunto, mas não há nada que substitua
o ajoelharmo-nos e começarmos a orar. Samuel Chadwick disse: "A única preocupação do
diabo é afastar os santos da oração. Ele nada receia de estudos sem oração, de trabalho sem
oração, de religião sem oração. Ri-se do nosso labor, troça da nossa sabedoria, mas treme
quando oramos."
O cume do monte da nossa vida de oração será adoração. Todos os dias se deve
reservar tempo específico para subir ao cume da realidade espiritual através da adoração,
louvor e ação de graças. O rei Davi declarou: "Louvarei com cânticos o nome de Deus,
exaltá-lo-ei com ações de graça. Será isto muito mais agradável ao Senhor do que um boi ou
um novilho com chifres e unhas" (Salmo 69:30,31).
A autenticidade no culto criará uma revolução espiritual no homem interior, algo que
poucas pessoas têm experimentado no século vinte. Não se conseguirá num ano ou dois, nem
talvez em dez ou vinte. Contudo, uma vez que esta é a mais alta chamada do cristão, vale
bem a pena, seja qual for o número de anos, chegar a conhecer a realidade no culto diário.
Não há aspecto mais importante do que esta na revolução espiritual.
Há um sentido em que nós podemos "orar sem cessar", e fazer oração e louvar a Deus
a qualquer hora do dia. Contudo, há também a necessidade de nos separarmos a nós mesmos
dos outros seres humanos e de ficarmos a sós com Deus. Toda a Igreja e a causa de Cristo ao
redor do mundo estão a sofrer por falta deste tipo de oração. Se a única resposta dada a este
livro fosse a determinação de separar todos os dias um período definido para oração, louvor e
deleite na Palavra de Deus, o livro seria eminentemente bem sucedido. Pois pela oração
podemos chegar a ver os outros princípios da revolução espiritual, os quais nos levarão de
vitória em vitória, na medida em que a Palavra de Deus se mistura com a nossa fé.
2. Uma revolução no nosso estudo bíblico. Os revolucionários espirituais têm de se
tornar a todo o custo "homens do livro". D.L. Moody declarou: "O pecado te fará evitar este
Livro, ou este Livro te fará evitar o pecado." A maior parte dos cristãos dá pouco valor à
memorização e meditação da Palavra de Deus. Contrastando com isso, milhares de
muçulmanos deixam as suas universidades com o Alcorão totalmente decorado. Atores e
atrizes decoram milhares de linhas para ganharem fama e riqueza. A despeito das
recompensas espirituais prometidas aos estudantes da Palavra de Deus, poucos cristãos as
buscam. O resultado são igrejas povoadas por anões espirituais, alguns deles tendo estado a
"crescer" há dez ou vinte anos na fé.
Em alguns casos, os anões espirituais tornam-se líderes da congregação, e o contraste
com as igrejas do Novo Testamento é chocante. Se alguém chama a atenção para isso, é
considerado um fanático, um extremista ou um intrometido.
Por outro lado, tenho encontrado por todo o mundo um crescente número de crentes
que estão cansados de comer miolo de pão e desejam penetrar na Palavra de Deus, dum
modo novo e revolucionário. Contudo, o importante não é tanto "penetrarmos nós na Palavra
de Deus", como "a Palavra de Deus penetrar em nós!" Isto significa que devemos empenhar-
nos em mais do que simples leitura da Bíblia; temos de meditar intensamente na Palavra de
Deus, como o salmista nos ensina no Salmo 119:9,11.
O nosso estudo da Bíblia deve ser tão honesto e livre de preconceitos, quanto possível.
Não podemos aproximar-nos da Palavra de Deus com o nosso ponto de vista favorito,
esperando que a Bíblia derrame nova luz. Temos de nos abeirar das Escrituras, com
humildade e mente aberta, e tentar obedecer na nossa vida diária a cada verdade que lá
encontramos.
Certo evangelista advertiu: "Nós temos pegado na Palavra de Deus, a Espada do
Espírito, e temo-la usado para nos ferirmos uns aos outros, em vez de avançarmos numa
grande ofensiva em nome de Cristo: É muito mais fácil guerrear por doutrinas prediletas e
versículos favoritos, do que continuar a receber todo o conselho de Deus e avançar contra o
inimigo.
Temos, não só de determinar obedecer aos versículos de que gostamos, ou que nos
impressionam como sendo importantes, mas também estarmos prontos a obedecer aos
versículos que, por vezes, nos chocam no sentido oposto.
Não raro estamos ansiosos por aceitar aqueles versículos que falam acerca de bênção,
negligenciando os que falam de sofrimento. Recebemos alegremente a primeira parte de 1
João 3:16, "Nisto conhecemos o amor (de Deus), em que Cristo deu a sua vida por nós" — e
o resto passa pela nossa consciência e desaparece: "... e devemos dar nossa vida pelos
irmãos". A admoestação seguinte também nos merece pouca atenção: "Ora, aquele que
possuir recursos deste mundo e vir a seu irmão padecer necessidade e fechar-lhe o seu
coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?"
Isto também é Palavra de Deus! Que desculpa podemos dar por não atendermos ao
mandamento "não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade"?
Obediência aqui é revolução!
3. Uma revolução de disciplina. Para muitos, disciplina é uma palavra desagradável.
Contudo, a história da igreja não mostra qualquer homem ou mulher sem disciplina que
tivesse feito muito por Cristo. A base de apoio para a disciplina é a motivação, e a melhor
motivação é o amor de Cristo que constrange.
Cristo disse: "Se me amardes guardareis os meus mandamentos."E disse também: "Se
guardardes a minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos." Isto é um ponto
crítico, como podemos verificar pela preocupação de Paulo em 1 Coríntios 9:26,27: "Assim
corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro
o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo
a ser desqualificado." Paulo era disciplinado, mas reconhecia o perigo de escorregar e cair
em pecado.
A verdadeira disciplina é possível, somente por causa da promessa de Deus. Nós
achamo-nos incapazes de guardar um mandamento em especial, ou de empenharmos numa
forma de autodisciplina, mas podemos ser apoiados por promessas tais como estas: "Tudo
posso naquele que me fortalece" (Fil. 4:13). Para cada batalha e dificuldade na vida, há uma
afirmação da graça e suficiência de Deus que nós podemos reivindicar.
Ouvimos falar cada vez mais nos círculos cristãos acerca duma vida vitoriosa que se
obtém através duma teoria especial de santificação ou duma experiência de crise que inicia
um descontraído e alegre passeio com Deus. Mas para cada versículo bíblico que fala de
descanso, permanência, confiança e submissão à atuação de Deus em você, há outra palavra,
bem perto, que fala de batalha, prova, obediência, e da necessidade de apresentarmos os
nossos corpos como um sacrifício vivo para fazermos a vontade de Deus. Estes são
complementares e essenciais para uma vida equilibrada.
Nós não pomos Josué contra Calebe por usarem terminologia e conceitos diferentes ao
desafiarem o povo a entrar na Terra Prometida. O revolucionário espiritual aprende a ver o
equilíbrio entre a ação de Deus e a sua própria. Ele depende da força e sabedoria de Deus
para operar a vida de salvação dentro de si.
Por exemplo, se amanhã de manhã você estiver na cama e orar para que o Senhor o
levante, provavelmente irá tomar o café da manhã muito tarde! O recitar "Não eu, mas
Cristo" produzirá poucas mudanças, se não entrar em movimento. Mas se você se mover, a
consciência de "Não eu, mas Cristo" produzirá resultados eternos pelo Espírito de Deus.
Uma das disciplinas importantes é o arrependimento. Quando pecamos ou falhamos,
podemos recuperar-nos e prosseguir, se imediatamente encontrarmos perdão junto à cruz.
Muitos cristãos têm desfalecido em depressão e derrota por não terem aprendido a disciplina
do arrependimento. Nem mesmo Jesus Cristo "sentiu" vontade de ir à cruz, mas foi porque
nos amava e porque era obediente à vontade de Deus. Nós podemos não "sentir" vontade de
ir à cruz, mas iremos por causa do nosso amor a Cristo. Lá, receberemos perdão total e uma
renovação jubilosa que nos capacitará para vivemos em disciplina.
4. Uma revolução de amor. Jesus Cristo disse que as pessoas conheceriam que os
cristãos são seus discípulos, por causa do seu amor uns pelos outros. A maior acusação
contra o cristianismo evangélico é que os cristãos não têm evidenciado esta espécie de amor.
Todavia, sempre que tenho visto este amor nuns poucos cristãos, isso me tem impressionado
como sendo a expressão do cristianismo genuíno.
É admirável ver como o Senhor Jesus Cristo pode transformar uma alma sem amor e
perdida. Tenho visto o poder desta revolução de amor em muitos países. Se mais de entre nós
entrassem e ateassem as chamas deste amor, creio que veríamos uma revolução espiritual por
todo o mundo, na nossa geração. Isto não significa necessariamente a conversão de grandes
multidões, mas sim indivíduos por todo o lado transformados pelos princípios
revolucionários do Novo Testamento, e vivendo-os diante dos outros.
Contudo, a não ser que "declaremos uma revolução" nas áreas da vida já mencionadas,
não veremos uma revolução de amor. Pois é só quando chegamos a conhecer Deus a um
nível profundo e confiamos em Cristo a fim de que Ele opere através de nós, que podemos
receber e demonstrar amor revolucionário. Antes de experimentarmos realmente este amor, a
revolução espiritual não irá muito longe.
Nada obstrui tanto o cristianismo revolucionário como o oposto do amor —
ressentimento, inveja, ira, medo, ciúme e ódio. A tolerância mútua evidenciada nos apertos
de mão depois de um típico culto de domingo de manhã, também está longe do amor
revolucionário que une irmãos em comunhão dinâmica. No entanto, uma maior exibição de
interesse uns pelos outros não é a resposta autêntica; o amor revolucionário é o resultado da
obediência a Cristo e da comunhão com Ele.
O maior impacto possível no mundo seria feito se os cristãos de muitas raças,
ambientes, igrejas e temperamentos trabalhassem juntos em amor e harmonia com Jesus
como Rei e Senhor. A Bíblia diz: "O amor lança fora o temor" e nós podíamos avançar na
base desta promessa, verificando que o amor divino lançaria fora o temor dos nossos
corações — o temor das pessoas que não entendemos que são duma raça diferente ou que
prestam culto de maneira diversa.
Temos de abandonar completamente as nossas facções e trabalhar com todo o povo de
Deus temos de nos unir sob a bandeira do amor de Cristo e as doutrinas fundamentais e
princípios do cristianismo do Novo Testamento. O orgulho que despreza os cristãos fora do
“nosso grupo” terá de morrer na cruz, antes que possamos juntar-nos em revolução. Se
qualquer de nós recebeu mais luz, exerceu mais dons ou recebeu mais atenções, isso deve
demonstrar-se em mais humildade e mais amor.
Este é o princípio essencial do viver cristão e da revolução espiritual, sem ele, não há
poder.
5. Uma revolução de honestidade. Honestidade espiritual é uma das nossas maiores
necessidades. Nós, evangélicos, temos vindo a acostumar-nos cada vez mais às nossas
máscaras religiosas, pretendendo ser uma coisa e vivendo de modo completamente diferente.
Isto se tem prolongado por tanto tempo, que agora dificilmente sabemos onde está a
realidade. Poderá você imaginar o que é que uma revolução de honestidade faria nas nossas
igrejas? Se fôssemos honestos, muitos de nós teríamos de mudar as palavras de "Avante
Soldados Cristãos" em algo do seguinte teor:
Pra trás soldados cristãos, fugi da dura peleja, fazei com que a cruz de Cristo neste
mundo se não veja; Jesus nosso bom Senhor quer Satanás destruir, mas em frente para a
batalha, nós recusamos seguir. Qual pesada tartaruga move-se a Igreja de Deus; irmãos, nós
marcamos passo na senda que vai aos céus. Tantos corpos divididos no trabalho do Senhor,
tendo diferentes doutrinas, e carecendo de amor.
Coroas e tronos passam, e reinos perecerão, mas a Igreja de Cristo é procurada em
vão; portas do inferno sobre ela jamais hão de triunfar, é a promessa de Cristo que, cremos,
irá falhar.
Sentai-vos, povos, conosco, engrossai a multidão; misturai as vossas vozes na nossa
débil canção. Bênçãos, alívio e conforto a Cristo o Rei suplicai, Com o nosso pensar
moderno o tempo desperdiçai.
Estas palavras poderão parecer duras, mas você encontrará palavras mais fortes no
Novo Testamento: "Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses
frio, ou quente! Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de
vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de cousa alguma,
e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu" (Apoc. 3:15-17).
Temos de declarar guerra a esse tipo de auto-ilusão descrita nestes versículos. Para
isso, temos de determinar tornarmo-nos espiritualmente honestos. Temos de nos ver como
somos, e temos de permitir que Deus comece a produzir mudanças revolucionárias. Muitos
de nós tentam viver num nível espiritual especial, quando sabem que estão muito longe dele!
Isto leva a todos os gêneros de irrealidade, confusão e, por vezes, até a esgotamentos
nervosos.
Acontece também que o cristão mais ansioso por melhorar a sua vida espiritual acaba
tendo os maiores problemas - porque tenta ele próprio mudar as coisas. A necessidade não é
de extremistas espirituais, mas de revolucionários espirituais que conhecem a realidade do
equilíbrio espiritual. O revolucionário espiritual sabe que, de acordo com Efésios 1:6, ele é
plenamente aceito no Amado e, portanto, deixa de tentar ganhar mérito através da sua
atividade espiritual. Reconhece que é um pecador, mas que em Cristo é vitorioso.
Os líderes cristãos podem cair nesta armadilha mais depressa do que o cristão em
geral. Quando os crentes fazem dos seus líderes heróis, estes podem sentir-se forçados a
representar os seus papéis, ao mesmo tempo que desprezam a hipocrisia de tais atitudes. É
um caminho muito pouco saudável e precário para se seguir. Uma das razões por que muitos
jovens crentes abandonam a igreja e os seus pais, é a pretensão espiritual muito espalhada.
Um jovem normal compreende que as falhas são inevitáveis, mas uma incoerência e
desonestidade espiritual contínuas confundem-no tremendamente. Alguns ficam tão
revoltados com essa duplicidade que "desistem". Eles prefeririam conviver com um
agnóstico "honesto", a viver à sombra de esquizofrenia espiritual. Poderá ser necessária uma
revolução espiritual para trazer estes rebeldes à comunhão da igreja. Eu desafio os rebeldes a
seguirem a Cristo e a ajudarem a fazer surgir esta revolução.
6. Uma revolução de testemunho. Quando a revolução tem lugar nas áreas descritas,
trará espontaneamente uma revolução de testemunho. Metade do mundo ainda permanece
em trevas espirituais, no que se refere ao conhecimento de Jesus Cristo.
Ao avançarmos, temos muitas vezes seguido uma forma de cristianismo não
revolucionária. A.W. Tozer escreveu: "A noção popular de que a primeira obrigação da
Igreja é levar o Evangelho a todos os cantos da terra é falsa. A sua primeira obrigação é ser
espiritualmente digna de disseminá-lo. Espalhar um tipo de cristianismo estéril e degenerado
às nações pagas não é cumprir os mandamentos do Senhor."
Tozer foi um profeta do século vinte que falou da parte de Deus no púlpito e nos seus
livros. Se pusermos em prática os princípios que ele apresentou (descontando o erro
humano), veremos uma revolução espiritual. Isto, por seu lado, levará a testemunhar de todas
as formas, o que agregaria muitas pessoas à Igreja do Senhor Jesus Cristo. Através da
história, homens que tinham diferentes perspectivas teológicas têm vivido o mesmo tipo de
cristianismo dinâmico e revolucionário, e nós devemos ser capazes de largar as nossas armas
explosivas doutrinárias e trabalharmos juntos na evangelização e revolução espiritual do
mundo.
As Testemunhas de Jeová, com todas as suas falsas doutrinas, orgulham-se de serem
noventa por cento ativas. Isto é, noventa por cento dos seus membros estão envolvidos em
ação definida e testemunho. Que poderemos nós dizer da mobilidade das nossas igrejas
evangélicas? Em algumas igrejas parece que só o pastor e talvez alguns outros sabem como
ganhar almas para Cristo. Mas o Novo Testamento ensina claramente que cada crente em
Cristo é uma testemunha. O fato de haver pessoas que têm vindo a Cristo apenas pela leitura
duma porção de literatura cristã, devia mostrar-nos que nenhum cristão precisa chegar ao céu
sem ter ajudado alguém a ir para lá.
Há muitos meios de testemunhar e, embora alguns possam ser melhores do que outros,
o ensino das é que devemos em primeiro lugar testemunhar através da vida e da palavra.
Muito mais do que uma cruzada, um projeto especial ou um programa de ação evangelística,
o verdadeiro testemunho é um jorrar espontâneo do Cristo que em nós habita.
Cessemos de nos agarrar às nossas fraquezas, timidez, falta de treino, temor, ou a
qualquer outra desculpa, e comecemos a crer no Deus do impossível que é perito no uso de
vasos fracos. Não há um único cristão que não possa tornar-se uma testemunha eficiente e
revolucionária de Jesus Cristo, se realmente quiser.
Em conclusão, tenho dois pedidos a fazer. O primeiro é o mais importante. Peço que
se una comigo em arrependimento aos pés da cruz e creia que Deus pode trazer uma
revolução às nossas vidas e às vidas de outros cristãos. Inclinemo-nos em arrependimento
diário, reconhecendo os nossos fracassos e crendo em Deus para grandes e dinâmicas
mudanças nos dias vindouros.
Segundo, peço-lhe que use alguns minutos e me escreva uma expressando o que sente
após a leitura destas páginas. Talvez este possa ser o seu primeiro ato de disciplina, depois de
ler este livro. Eu sinto um profundo desejo de orar por qualquer pessoa que deseja
verdadeiramente uma revolução espiritual no seu próprio coração e vida. Aqueles de nós que
desejam uma revolução espiritual no século vinte devem unir-se e trabalhar juntos para
atingir este alvo. Deus está do nosso lado — e se Ele é por nós, quem será contra nós?
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