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Origem, Tradição e Uso do CORDÃO ORTODOXO

I - A Oração de Jesus: a mais importante oração da tradição Bizantina

«Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador!»

ma das mais simples orações da Tradição Ortodoxa, uma oração de poucas


palavras e tão antiga quanto os Evangelhos, ocupa um lugar destacado como a
principal oração do Oriente Cristão: a ORAÇÃO DE JESUS, também
conhecida como a ORAÇÃO INCESSANTE DO CORAÇÃO.

Encontramos sua origem nos Evangelhos, em passagens como a da mulher Cananéia


(Mt 15, 22), a dos cegos de Jericó (Mt 20, 30) e da oração do publicano (Lc 18, 13). Em
todas estas passagens, encontramos a petição sincera por misericórdia, dirigida direta
e confiantemente a Deus, tanto na Pessoa do Pai, quanto na do Filho.

A forma estabelecida da Oração tomou por base o Nome de Jesus e a oração do


publicano, pois o Nome de Jesus é a oração por excelência, invocação de Deus, e «em
nenhum outro [Nome] há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome
há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos» (At 4, 12); e, na oração do
publicano, encontra-se a verdade da alma contrita, pecadora e humilhada, que busca
ardentemente a justificação perante Deus. Desta forma, teve início o cumprimento do
mandamento do Apóstolo, de “orar sem cessar” (1Ts 5, 17).

Nos tempos atuais, a ORAÇÃO DE JESUS encontrou sua popularização através do


livro «Relatos de um peregrino Russo» e da coletânea de textos patrísticos, intitulada
«Filocalia».

II - O cordão de oração ortodoxo: um instrumento vindo do Céu


Para que pudéssemos manter nossa vida de oração, nosso Pai celestial não nos negou
auxílio.

A Tradição reza que o cordão de oração vem das mãos de São


Pacômio, discípulo de Santo Antão, no século III. A preocupação de
São Pacômio era auxiliar seus monges iletrados a manterem uma vida
de oração ativa, sem a necessidade da leitura dos Salmos.

Decidiu, então, fazer uso da ORAÇÃO DE JESUS, para suprir essa


necessidade; e de um cordão com nós, para contar as orações. Como o
demônio desatava os nós que o santo fazia, o anjo Gabriel ensinou-lhe
um nó formado por sete cruzes intercaladas, o qual o demônio não
conseguiria desatar. Neste momento, foi dado ao mundo o cordão de
oração ortodoxo - denominado, em russo, CHOTKI; e, em grego,
KOMBUSKINI.

fonte: http://www.ecclesia.com.br/
III - Descrição simbólica do cordão de oração

Ao ter nas mãos um cordão de oração ortodoxo, não temos apenas um instrumento
sagrado para orações, mas, igualmente, um objeto carregado de simbolismo teológico,
o que o torna um repositório de espiritualidade cristã.

O cordão de oração ortodoxo é formado por um número determinado de nós (33, 50,
100 ou 300 nós), com as extremidades unidas em forma de cruz. E finalizado por uma
franja. Independente do seu tamanho, sua função é recordar ao orante a obrigação de
orar permanentemente.

O cordão tem a cor negra. Ele é negro, porque simboliza luto e escuridão, que a
humanidade experimenta por causa de seus pecados. Lembra que nossos pecados
perante Deus nos afastam da Luz Verdadeira e somente através do verdadeiro
arrependimento e da oração constante nos reconciliamos com o Pai.

Os cordões de oração ortodoxos são feitos de lã. Lembram-nos que nossas orações são
dirigidas ao Cordeiro de Deus, imolado voluntariamente por nós, e que levou sobre si
todos os nossos pecados, purificando-nos com Sua Misericórdia. Recorda-nos também
que somos ovelhas guiadas pelo Bom Pastor, que não demora em deixar todo o rebanho
para recuperar uma única ovelha que se perde; Ele é atraído pelo balido desesperado da
ovelha desgarrada, que é a oração.

Os separadores colocados entre cada conjunto de (10 ou 25) nós recordam-nos o louvor
necessário à Mãe de Deus, em união paralela ao louvor ao Seu Filho Jesus.
O Espírito Santo, de Natureza Divina, unido a Maria, de natureza humana, formaram
Jesus, Deus feito homem, na união perfeita do homem com Deus, que é o objetivo da
oração - meio de comunicação entre o homem e Deus.

As duas extremidades do cordão de oração ortodoxo são unidas por um nó principal,


que fecha o conjunto. Este representa Aquele que disse: «Eu Sou o Alfa e o Ômega, o
princípio e o fim» (Ap 21, 6). De Deus, viemos; e, para Ele, retornaremos.

A Cruz está também presente em nosso cordão de oração ortodoxo. Ela é a


representação do Sacrifício voluntário de Jesus, e de Sua Vitória sobre a morte na
manhã de Páscoa. Ela também lembra-nos do abandono das coisas deste mundo, pela
busca dos bens espirituais.

Por fim, finalizando o cordão de oração ortodoxo, encontramos uma franja. Ela
representa a consequência do encontro da oração com o coração daquele que ora:
as lágrimas. A alegria indizível, proporcionada pelo conforto que a oração traz ao
coração do orante, o perdão dos pecados. A escuta da Voz de Deus, dizendo à alma
«Teus pecados estão perdoados», culmina em júbilo e no transbordar das lágrimas,
enxugadas na franja do cordão de oração ortodoxo.

Assim, conhecemos o nosso cordão de oração ortodoxo e o profundo simbolismo que


ele encerra.

fonte: http://www.ecclesia.com.br/
IV - A oração em ação: como utilizar o cordão para orar

Segurando a Cruz:
Em nome do Pai †, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Santo Deus†, Santo Forte, Santo Imortal, tem piedade de nós (três vezes).
Glória ao Pai†, ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre, e pelos séculos dos séculos. Amém.

A cada nó:
Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador!

A cada separador:
Santíssima Mãe de Deus, intercede por mim, pecador!

V - Considerações finais
1. Sempre que possível, devemos realizar nossas orações diante de um ícone de
Jesus ou de Sua Mãe.
2. É de uso manter o cordão sob o travesseiro durante o sono, pendurá-lo na porta
de entrada, ou junto a um ícone.
3. Utiliza-se o cordão de oração para abençoar a família, lar e alimentos, visto que
o chefe da família tem prerrogativas para rogar pelas bênçãos de Deus sobre os
que estão sob sua responsabilidade: «Abençoa, Senhor Jesus Cristo, a minha
casa (a minha família, o nosso alimento...) e tem piedade de nós!».
4. O cordão de oração ortodoxo não é um talismã, logo, não podemos usá-lo para
outro fim, que não seja a oração; e nem devemos supor que ele tem «poderes»
por si só.
5. Este presente instrumento de oração traz consigo mil e setecentos anos de
tradição, além de uma teologia simples, clara e verdadeira.
6. Os nomes «Rosário» e «Terço» são designações de um instrumento de oração
(ou à terça parte dele) Mariano da Igreja Católica Romana, que nada tem a ver
com o Chotki (Kombuskini). Portanto, as denominações «terço bizantino» ou
«rosário bizantino» não são corretas, ao referirem-se ao Chotki (Kombuskini).
7. O uso do cordão de oração ortodoxo é para a prática privada da oração, não
podendo ser utilizado em liturgias (orações públicas ou comunitárias), senão, em
comunidades monásticas.
8. O Chotki (Kombuskini) está intimamente relacionado à Oração de Jesus, tal
qual ensinado pela tradição: «Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade
de mim, pecador!». Utilizar «jaculatórias» em lugar desta fórmula é uma prática
controversa, pois o uso do cordão de oração ortodoxo não é uma prática de vã
repetição, mas a INVOCAÇÃO DO NOME DE JESUS.
9. A prática com o cordão de oração ortodoxo não envolve nenhum tipo de
“meditação de mistérios”, sendo isto uma prática reservada ao Rosário Mariano.
10. Que Deus, pelas intercessões de Sua Mãe Santíssima e dos Santos Padres,
abençoe e ilumine o seu entendimento para iniciar uma vida de oração
verdadeira e frutífera no SANTO NOME DE NOSSO SENHOR JESUS!

fonte: http://www.ecclesia.com.br/