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ÁREA DE CONCENTRAÇÃO

OBSERVAÇÃO

A profissional entrevistada tem 32 anos e possui graduação em Psicologia. Há

nove anos atua na área de recursos humanos, sendo 5 como consultora de RH.

Atualmente trabalha como Analista de Recursos Humanos na empresa de produtos de

limpeza Ypê, localizada na cidade de Amparo, São Paulo. O primeiro contato com a

psicóloga, chamada Paula Neri Silva, foi realizado por telefone. Na conversa foi

solicitada a entrevista, tendo sido argumentado que a mesma tinha finalidades

acadêmicas, de complementação dos conhecimentos adquiridos por meio da leitura de

artigos científicos escolhidos pelos próprios alunos, na área que desejassem. A

entrevista foi realizada na própria sede da Ypê, em uma pequena sala na qual eram

realizadas atendimentos de candidatos a vagas. Durante a atividade, Paula mostrou

domínio das temáticas abordadas na entrevista, de modo que as perguntas foram

respondidas com propriedade, fornecendo informações relevantes de como funciona a

dinâmica do seu campo de atuação na prática cotidiana. Pela pouca disponibilidade de

tempo por parte de ambos, não foi possível a flexibilização da entrevista, de modo que a

mesma ficou limitada a perguntas previamente elaboradas pelo entrevistador.

Entretanto, na atividade foi possível o esclarecimento de diversas questões e aspectos

relevantes da prática em psicologia organizacional, podendo ser considerada de grande

contribuição na complementação das informações obtidas mediante o levantamento dos

estudos acerca do tema proposto, que é o construto de Satisfação no Trabalho.

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ÁREA DE CONCENTRAÇÃO
INSTRUMENTOS

Quais os principais benefícios que trabalhadores satisfeitos podem trazer à organização?

O tempo na empresa se mostra um preditor da satisfação no trabalho?

Até que ponto o cargo ou função exercida tem influencia na satisfação sentida no

trabalho?

Fatores como autonomia, participação nas decisões, maiores responsabilidades nas

funções, também exercem influência?

Alguns estudos demonstram que a implementação de práticas de suporte familiar aos

empregados contribui para a satisfação no trabalho. Quais os benefícios que programas

deste tipo podem trazer para a organização?

Quais os principais benefícios trazidos pela implementação de práticas de suporte

familiar aos colaboradores?

Como conscientizar os colaboradores que práticas de suporte familiar lhes permitem

desenvolver competências e atitudes que são úteis ao desempenho familiar, de modo

que possam vir a valorizá-las?

A falta de flexibilidade e suporte por parte das empresas influencia de forma

significativa a capacidade de os funcionários manterem-se produtivos e criativos?

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O envolvimento excessivo com o trabalho é gerador de sobrecarga?

A imagem da organização na sociedade tem repercussões na maneira como o

colaborador se sente fazendo parte daquela equipe?

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ÁREA DE CONCENTRAÇÃO
ENTREVISTA

Emerson: Atualmente, no Brasil, é grande a quantidade de empresas que implementam

programas que visem um maior nível de satisfação de seus colaboradores? Em sua

opinião, como se situa o Brasil, neste termo, em relação aos países desenvolvidos?

Paula: Acredito que no Brasil ainda é pequeno o número de empresas que

implementam programas que visem a satisfação dos colaboradores, mas o importante é

que esta consciência está crescendo e que as expectativas para o futuro são muito boas.

A dificuldade maior é a implantação destes programas em empresas de pequeno e

médio porte.

Emerson: Quais os principais benefícios que trabalhadores satisfeitos podem trazer à

organização? Estes efeitos são notados em curto prazo?

Paula: Colaboradores satisfeitos produzem mais, pois sentem orgulho da empresa e do

trabalho que realizam.

Emerson: Em sua prática no trabalho, é visível alguma discrepância em níveis de

satisfação no trabalho de acordo com o setor em que se atua?

Paula: Sim, para um bom resultado neste tipo de programa é necessário um estudo de

quais são as necessidades e expectativas dos colaboradores. Por exemplo, para um

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ajudante de produção possui necessidades diferentes de um Gerente de Produção, assim

como um colaborador casado e com filhos tem necessidades diferentes de um que é

solteiro e mora com os pais.

Emerson: A falta de flexibilidade e suporte por parte das empresas influencia de forma

significativa a capacidade de os funcionários manterem-se produtivos e criativos?

Paula: Na maioria das vezes sim, pois os colaboradores precisam ter espaço para

sugerir melhorias, sentir que são importantes para a empresa e que possuem o apoio

para desenvolver-se.

Emerson: Quais as principais dificuldades encontradas na tarefa de buscar e criar

alternativas que mantenham os colaboradores satisfeitos ao longo do tempo, visto que as

necessidades e aspirações destes são sempre mutáveis?

Paula: As mudanças na sociedade alteram o comportamento das organizações. Adaptar-

se às circunstâncias presentes e instantâneas da realidade mundial é questão de

sobrevivência para as organizações no processo de globalização da sociedade. A grande

dificuldade é criar um plano único que atenda às diferentes necessidades dentro da

mesma empresa, e que estão em mudança constante.

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Emerson: De acordo com a sua experiência, o tempo na empresa tende a aumentar ou

diminuir os níveis de satisfação no trabalho?

Paula: Tudo depende de como a gestão é conduzida. O maior desafio de um gestor é

manter sua equipe motivada, mesmo com a rotina de trabalho e tempo de empresa,

propondo sempre novos desafios e buscando atender às necessidades e expectativas dos

seus colaboradores.

Emerson: A imagem (positiva ou negativa) da organização na sociedade tem

repercussões na maneira como o colaborador se sente fazendo parte daquela equipe?

Paula: Claro que sim, quando a empresa possui imagem positiva ele tem orgulho de

dizer que trabalha nela.

Emerson: Na sua avaliação, quais as principais limitações encontradas quando se busca

introduzir nas empresas novas práticas que visem um maior bem-estar no trabalho?

Paula: A principal limitação é a resistência a mudanças e a visão de que o programa vai

trazer mais custos ou ônus para a organização, sendo que na verdade os resultados serão

a favor da empresa, pois trabalhadores satisfeitos produzem mais.

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ARTIGOS ESCOLHIDOS

Satisfação no Trabalho

Chambel, M.J. & Santos M.V. (2009). Práticas de conciliação e satisfação no trabalho:

mediação da facilitação do trabalho na família. Estudos de Psicologia, 26(3), 275-286.

Martinez, M.A., Paraguay, A.I.B.B. & Latorre, M.R.D.O. (2004). Relação entre

satisfação com aspectos psicossociais e saúde dos trabalhadores. Rev. Saúde Pública, 38

(1), 55-61.

Martinez, M.C. & Paraguay, A.I.B.B. (2009). Satisfação e saúde no trabalho – aspectos

conceituais e metodológicos. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 6, 59-78.

Mendes, A.M. & Tamayo, A. (2001). Valores organizacionais e prazer-sofrimento no

trabalho. Psico-USF, 6 (1), 39-46.

Pelisoli, C., Moreira, A.K. & Kristensen, C.H. (2007). Avaliação da satisfação e do

impacto da sobrecarga de trabalho em profissionais de saúde mental. Mental, 9, 63-78.

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Auto-eficácia

Baptista, M.N., Alves, G.A.S. & Santos, T.M.M. (2008). Suporte familiar, auto-eficácia

e lócus de controle: evidência de validade entre os construtos. Psicologia Ciência e

Profissão, 28 (2), 260-271.

Barreira, D.D. & Nakamura, A.P. (2006). Resiliência e a auto-eficácia percebida:

articulação entre os conceitos. Aletheia, 23, 75-80.

Nunes, M.F.O. (2008). Funcionamento e desenvolvimento das crenças de auto-eficácia:

uma revisão. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 9 (1), 29-42.

Nunes, M.F.O. & Noronha, A.P.P. (2009). Auto-eficácia para atividades ocupacionais e

interesses profissionais em estudantes do ensino médio. Psicologia Ciência e Profissão,

29 (1), 102-115.

Nunes, M.F.O. & Noronha, A.P.P. (2008). Escala de auto-eficácia para atividades

ocupacionais: construção e estudos exploratórios. Paidéia, 18 (39), 111-124.

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ARTIGOS ESCOLHIDOS

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CURSO DE PSICOLOGIA
PROFA. FERNANDA ANDRADE DE FREITAS
PROFA. FERNANDA OTTATI
1 . SEMESTRE DE 2010
O

Aluno: Emerson Felipe Pedroso RA: 002200800456

Escala adaptada e traduzida de Ward, A. M.; Hall, B. W. e Schramm, C. F. Evalution of


published educational research: A national survey. American Research Journal, 12(2):
109-129.

Avalie cada item da escala (1 a 18) de acordo com a seguinte escala de avaliação:
Nível Descrição
5. Excelente Um modelo de boa prática
4. Bom Poucos defeitos menores
3. Medíocre Nem bem nem mau
2. Pobre Alguns defeitos sérios
1. Completamente incompetente Um exemplo ruim

Chambel, M.J. & Santos M.V. (2009). Práticas de conciliação e satisfação no trabalho:
mediação da facilitação do trabalho na família. Estudos de Psicologia, 26(3), 275-286.

O artigo apresenta estudo realizado com 342 indivíduos de diferentes profissões e

empresas, e teve por objetivo a avaliação do efeito que a inserção de práticas

conciliadoras do trabalho e da família tem no sentimento de satisfação com o trabalho

por parte dos funcionários. Neste sentido, foram estabelecidas quatro medidas para

avaliação, a saber: Práticas de conciliação do trabalho e da família; Satisfação como

trabalho; Facilitação do trabalho na família e Variáveis controle. Para cada uma das

medidas, foram definidas escalas de avaliação e suas respectivas análises fatoriais. Os

resultados obtidos apontaram, na maioria das medidas, correlações positivas

significativas, embora fracas, entre as variáveis.

No que concerne aos resultados, o artigo aponta que os mesmos foram de encontro com

as hipóteses levantadas, entretanto, as correlações obtidas entre as variáveis, apesar de

11
positivas, foram pequenas. Questões a respeito dos fatores que se mostraram

potencialmente influenciadores nos resultados é o fato de a pesquisa ter sido realizada

em organizações que oferecem poucos serviços de suporte familiar aos seus

funcionários; também é pertinente a hipótese de que os trabalhadores não tenham

conhecimento da relevância da disponibilização de tais recursos em suas vidas

familiares. Possíveis limitações encontradas neste estudo referem-se ao modelo de

pesquisa adotado, tendo em vista que os dados coletados foram obtidos por meio de um

questionário, o qual foi aplicado durante um único período de tempo, de modo que as

respostas podem refletir o estado emocional dos sujeitos quando da coleta das

informações, e não uma postura estável ao longo do tempo. Outro entrave neste

trabalho pode ser o fato deste ter sido realizado em diversas empresas, as quais podem

diferir significativamente em dimensões relativas à cultura, suporte e clima.

12
Dimensão ITEM 1 2 3 4 5
Problema 1 – O problema da pesquisa está claramente X
estabelecido.
2 – As hipóteses e/ou base teóricas estão claramente X
definidas
3 – A definição do problema indica o tipo de pesquisa X
Método 4 – O delineamento da pesquisa é descrito X
completamente
5 – O método adotado está claramente determinado X
pelos objetivos
6 – O método e apropriado para o problema estudado X
7 - O método escolhido permite a falseabilidade da X
hipótese/teoria adotada
8 – O delineamento da pesquisa está livre de fraquezas X
9 – O método de amostragem é adequado (quando X
couber)
10 – São descritas a população e amostra (quando X
couber)
11 – Foram estabelecidas a validade e a fidedignidade X
dos procedimentos de coleta de dados
12 - Foram estabelecidas a validade e a fidedignidade X
dos instrumentos utilizados
13 - Os sujeitos tiveram garantidos seus direitos à X
privacidade, ao sigilo, à liberdade e ao conhecimento
sobre os objetivos da pesquisa?
Conclusões 14 – As conclusões são estabelecidas claramente X
15 - As conclusões são substanciadas pelas evidências X
apresentadas, apresentando o método
16 - As conclusões são relevantes para os objetivos X
17 - As conclusões restringem-se aos limites naturais X
dos objetivos e ao método
18 – As generalizações restringem-se à população de X
que se extraiu a amostra

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Aluno: Emerson Felipe Pedroso RA: 002200800456

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Escala adaptada e traduzida de Ward, A. M.; Hall, B. W. e Schramm, C. F. Evalution of
published educational research: A national survey. American Research Journal, 12(2):
109-129.

Avalie cada item da escala (1 a 18) de acordo com a seguinte escala de avaliação:
Nível Descrição
5. Excelente Um modelo de boa prática
4. Bom Poucos defeitos menores
3. Medíocre Nem bem nem mau
2. Pobre Alguns defeitos sérios
1. Completamente incompetente Um exemplo ruim

Pelisoli, C., Moreira, A.K. & Kristensen, C.H. (2007). Avaliação da satisfação e do
impacto da sobrecarga de trabalho em profissionais de saúde mental. Mental, 9, 63-78.

O artigo tem por objetivo principal avaliar graus de satisfação e sobrecarga no trabalho

em profissionais da área de saúde mental, visando à tentativa de se levantar as

dificuldades e as facilidades no serviço, bem como a implementação de estratégias

resolutivas. Para isso, foi realizada a aplicação de testes com questões quantitativas e

descritivas na equipe técnica de uma sede do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial)

em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, a qual é composta por uma equipe

multidisciplinar. Foi avaliada a satisfação com o trabalho em suas diversas

manifestações, como no relacionamento interpessoal, condições de trabalho,

remuneração, qualidade dos serviços.

Após a aplicação dos testes, as informações foram submetidas a procedimentos

estatísticos de avaliação. Os resultados obtidos indicaram que, de maneira ampla, os

profissionais estão satisfeitos com seus respectivos trabalhos, e não sentem efeitos de

sua sobrecarga. Integrando estas informações, destaca-se que o bom relacionamento

entre os colegas, a participação nas discussões e decisões internas, bem como o serviço

propriamente dito, figuram entre os fatores experenciados pela equipe como positivos e

geradores de satisfação. Já entre os fatores que são geradores de sobrecarga na opinião

dos profissionais, os principais são: a dificuldade burocrática relacionada à

14
administração pública, a falta de recursos, a baixa adesão dos pacientes ao tratamento.

Outro fator gerador de sobrecarga se relaciona ao público que é atendido, visto que o

trabalho com pacientes crônicos é lento e demorado, o que pode ser causador de

frustrações.

Uma possível limitação deste estudo consiste no fato de que a pesquisa foi realizada

com uma amostra pequena (nove trabalhadores) de uma única instituição, o que

certamente compromete a generalização dos resultados para outros contextos.

Entretanto, a partir deste trabalho é possibilitada a possibilidade de utilização dos

resultados no sentido da criação de planos de intervenções visando aprimorar os fatores

geradores de satisfação no trabalho, bem como conter os geradores de sobrecarga, além

de comparação e avaliação dos resultados em instituições similares.

Dimensão ITEM 1 2 3 4 5
Problema 1 – O problema da pesquisa está claramente X
estabelecido.
2 – As hipóteses e/ou base teóricas estão claramente X
definidas
3 – A definição do problema indica o tipo de pesquisa X
Método 4 – O delineamento da pesquisa é descrito X
completamente
5 – O método adotado está claramente determinado X

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pelos objetivos
6 – O método e apropriado para o problema estudado X
7 - O método escolhido permite a falseabilidade da X
hipótese/teoria adotada
8 - O delineamento da pesquisa está livre de fraquezas X
9 – O método de amostragem é adequado (quando X
couber)
10 – São descritas a população e amostra (quando X
couber)
11 – Foram estabelecidas a validade e a fidedignidade X
dos procedimentos de coleta de dados
12 - Foram estabelecidas a validade e a fidedignidade X
dos instrumentos utilizados
13 - Os sujeitos tiveram garantidos seus direitos à X
privacidade, ao sigilo, à liberdade e ao conhecimento
sobre os objetivos da pesquisa?
Conclusões 14 – As conclusões são estabelecidas claramente X
15 - As conclusões são substanciadas pelas evidências X
apresentadas, apresentando o método
16 - As conclusões são relevantes para os objetivos X
17 - As conclusões restringem-se aos limites naturais X
dos objetivos e ao método
18 – As generalizações restringem-se à população de X
que se extraiu a amostra

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Aluno: Emerson Felipe Pedroso RA: 002200800456

Escala adaptada e traduzida de Ward, A. M.; Hall, B. W. e Schramm, C. F. Evalution of


published educational research: A national survey. American Research Journal, 12(2):
109-129.

Avalie cada item da escala (1 a 18) de acordo com a seguinte escala de avaliação:
Nível Descrição
5. Excelente Um modelo de boa prática
4. Bom Poucos defeitos menores
3. Medíocre Nem bem nem mau
2. Pobre Alguns defeitos sérios
1. Completamente incompetente Um exemplo ruim
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Mendes, A.M. & Tamayo, A. (2001). Valores organizacionais e prazer-sofrimento no
trabalho. Psico-USF, 6 (1), 39-46.

O artigo apresenta os resultados de uma pesquisa de campo, na qual foram avaliadas

as percepções de prazer e sofrimento no trabalho em 554 funcionários de uma

empresa pública de abastecimento e saneamento do Distrito Federal. O método

consistiu na aplicação de inventários e questionários que avaliam as diversas variáveis

implicadas no sentimento de satisfação e sofrimento no ambiente da organização, bem

como suas relações com a cultura e valores da empresa.

Tendo os dados obtidos devidamente submetidos a análises estatísticas, foram

estabelecidas as correlações entre as variáveis estudadas. Através da análise das

informações foram estabelecidos os resultados, sendo que estes indicaram que, na

empresa estudada, há predominância do sentimento de prazer no trabalho, sendo que a

vivencia de sofrimento foi considerada moderada, o que indica que estes construtos

não são excludentes, mas sim permanecem em uma relação dialética. Os resultados

também indicam que fatores como identificação com a tarefa, colegas e superiores

relacionam-se com o sentimento de prazer no trabalho, fatores estes que trazem

sentimentos de valorização e reconhecimento nos funcionários.

Em relação aos sentimentos de sofrimento no trabalho, tarefas consideradas

cansativas e repetitivas foram relacionadas pelos funcionários a sensações de

desgaste. Sistemas de avaliação considerados injustos e sistemas de poder desonestos,

além de um ambiente restritivo e inflexível, foram considerados como geradores de

sofrimento no ambiente de trabalho.

Pelo fato de o estudo ter sido realizado em uma única empresa, a possibilidade de

generalização dos seus resultados é discutível. Entretanto, proporcionam diretrizes

para a compreensão dos problemas levantados, visando soluções para os mesmos,

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bem como para a realização de pesquisas futuras com objetivos semelhantes.

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Dimensão ITEM 1 2 3 4 5
Problema 1 – O problema da pesquisa está claramente X
estabelecido.
2 – As hipóteses e/ou base teóricas estão claramente X
definidas
3 – A definição do problema indica o tipo de pesquisa X
Método 4 – O delineamento da pesquisa é descrito X
completamente
5 – O método adotado está claramente determinado X
pelos objetivos
6 – O método e apropriado para o problema estudado X
7 - O método escolhido permite a falseabilidade da X
hipótese/teoria adotada
8 – O delineamento da pesquisa está livre de fraquezas X
9 – O método de amostragem é adequado (quando X
couber)
10 – São descritas a população e amostra (quando X
couber)
11 – Foram estabelecidas a validade e a fidedignidade X
dos procedimentos de coleta de dados
12 - Foram estabelecidas a validade e a fidedignidade X
dos instrumentos utilizados
13 - Os sujeitos tiveram garantidos seus direitos à X
privacidade, ao sigilo, à liberdade e ao conhecimento
sobre os objetivos da pesquisa?
Conclusões 14 – As conclusões são estabelecidas claramente X
15 - As conclusões são substanciadas pelas evidências X
apresentadas, apresentando o método
16 - As conclusões são relevantes para os objetivos X
17 - As conclusões restringem-se aos limites naturais X
dos objetivos e ao método
18 – As generalizações restringem-se à população de X
que se extraiu a amostra

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Escala adaptada e traduzida de Ward, A. M.; Hall, B. W. e Schramm, C. F. Evalution of
published educational research: A national survey. American Research Journal, 12(2):
109-129.

Avalie cada item da escala (1 a 18) de acordo com a seguinte escala de avaliação:
Nível Descrição
5. Excelente Um modelo de boa prática
4. Bom Poucos defeitos menores
3. Medíocre Nem bem nem mau
2. Pobre Alguns defeitos sérios
1. Completamente incompetente Um exemplo ruim

Martinez, M.A., Paraguay, A.I.B.B. & Latorre, M.R.D.O. (2004). Relação entre
satisfação com aspectos psicossociais e saúde dos trabalhadores. Rev. Saúde Pública, 38
(1), 55-61.

O referido artigo apresenta um estudo realizado com 224 empregados de uma empresa

na cidade de São Paulo, e teve por objetivo avaliar se a saúde dos trabalhadores está

relacionada com aspectos psicossociais no trabalho. O estudo feito é do tipo

transversal, sendo que foram aplicados quatro questionários e as devidas associações

entre variáveis. Os maiores níveis de satisfação no trabalhão apareceram associados às

variáveis tempo na empresa, cargos (neste caso, os que ocupavam cargos de direção

apresentavam escores mais altos satisfação ocupacional), saúde mental e capacidade

para o trabalho. Como conclusões, são enfatizadas as dimensões de saúde e bem-estar

dos trabalhadores como determinantes nos níveis de satisfação no trabalho, sendo que

os autores sugerem a realização de estudos longitudinais que verifiquem as associações

obtidas.

Um possível fator que pode comprometer a viabilidade da generalização dos dados

obtidos neste estudo é que, por se tratar de uma empresa de gestão de planos de

previdência privada e de saúde, a própria cultura da organização tenha como critérios

de exclusão indivíduos que apresentem limitações relativas à saúde.

Também há a possibilidade de que, pelo tipo de serviços que a empresa oferece, os seus

colaboradores tenham fácil acesso aos serviços de saúde. Esta questão foi enfatizada,

20
pois, como relatado no artigo, não foi encontrada correlação entre satisfação no

trabalho e saúde física, diferindo do que apresenta a literatura.

Mediante todos os métodos, resultados e conclusões apresentados pelo artigo, pode-se

verificar que, apesar de algumas limitações apresentadas pelas variáveis

(principalmente tempo), o estudo conseguiu chegar aos seus objetivos propostos, sendo

que os testes foram corretamente administrados, e seus resultados foram de encontro

com o que a maioria dos estudos nesta área retrata.

Dimensão ITEM 1 2 3 4 5
Problema 1 – O problema da pesquisa está claramente X
estabelecido.
2 – As hipóteses e/ou base teóricas estão claramente X
definidas
3 – A definição do problema indica o tipo de pesquisa X
Método 4 – O delineamento da pesquisa é descrito X
completamente
5 – O método adotado está claramente determinado X
pelos objetivos
6 – O método e apropriado para o problema estudado X

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7 - O método escolhido permite a falseabilidade da X
hipótese/teoria adotada
8 – O delineamento da pesquisa está livre de fraquezas X
9 – O método de amostragem é adequado (quando X
couber)
10 – São descritas a população e amostra (quando X
couber)
11 – Foram estabelecidas a validade e a fidedignidade X
dos procedimentos de coleta de dados
12 - Foram estabelecidas a validade e a fidedignidade X
dos instrumentos utilizados
13 - Os sujeitos tiveram garantidos seus direitos à X
privacidade, ao sigilo, à liberdade e ao conhecimento
sobre os objetivos da pesquisa?
Conclusões 14 – As conclusões são estabelecidas claramente X
15 - As conclusões são substanciadas pelas evidências X
apresentadas, apresentando o método
16 - As conclusões são relevantes para os objetivos X
17 - As conclusões restringem-se aos limites naturais X
dos objetivos e ao método
18 – As generalizações restringem-se à população de X
que se extraiu a amostra

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Escala adaptada e traduzida de Ward, A. M.; Hall, B. W. e Schramm, C. F. Evalution of


published educational research: A national survey. American Research Journal, 12(2):
109-129.

Avalie cada item da escala (1 a 18) de acordo com a seguinte escala de avaliação:
Nível Descrição
5. Excelente Um modelo de boa prática
4. Bom Poucos defeitos menores
3. Medíocre Nem bem nem mau
2. Pobre Alguns defeitos sérios
1. Completamente incompetente Um exemplo ruim

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Martinez, M.C. & Paraguay, A.I.B.B. (2009). Satisfação e saúde no trabalho – aspectos
conceituais e metodológicos. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 6, 59-78.

O artigo relata pesquisa do tipo descritiva realizada com o objetivo de contribuição na

analise e discussão sobre os construtos teóricos que norteiam o conceito de satisfação

no trabalho. Este conceito é apresentado como variável em função da pessoa, do

contexto e de circunstancias, sendo por esta razão apresentado como fenômeno

complexo e de difícil descrição e generalização.

É apresentado levantamento bibliográfico, no qual são apresentadas as contribuições

teóricas de diversos autores a respeito do tema, sendo que as propostas variam desde

teorias que valorizam o trabalho como devendo ser unicamente motivado por meio de

recompensas, até teorias que versam sobre as questões interpessoais e sociais

envolvidas no bem-estar dos trabalhadores, com destaque para os postulados de Locke

a respeito da satisfação no trabalho.

Estabelecendo um diálogo entre as teorias apresentadas, são apresentados os fatores

determinantes da satisfação no trabalho, sendo que diferenças de personalidade,

diferenças no trabalho e diferenças nos valores mostram-se as mais relevantes.

Outro conceito que ganha destaque no artigo é saúde no trabalho, sendo que as autoras,

por meio da citação de diversos outros estudos realizados, buscam estabelecer um

paralelo entre saúde e satisfação no trabalho, sendo que conclui-se que é difícil

estabelecer uma relação de causa e efeito definitiva entre ambos, visto que os

fenômenos se relacionam mutuamente, além da inquestionável complexidade acerca do

construto.

O artigo apresenta um vasto levantamento bibliográfico, de grande relevância para o

tema da satisfação no trabalho e suas conseqüências, sendo que o estudo pode trazer

grandes contribuições e servir de ponto de partida para a realização de outros estudos

23
que tenham por objetivo estudar o fenômeno da satisfação no trabalho em suas mais

diversas manifestações.

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Dimensão ITEM 1 2 3 4 5
Problema 1 – O problema da pesquisa está claramente estabelecido. X
2 – As hipóteses e/ou base teóricas estão claramente definidas X
3 – A definição do problema indica o tipo de pesquisa X
Método 4 – O delineamento da pesquisa é descrito completamente X
5 – O método adotado está claramente determinado pelos X
objetivos
6 – O método e apropriado para o problema estudado X
7 - O método escolhido permite a falseabilidade da hipótese/teoria X
adotada
8 – O delineamento da pesquisa está livre de fraquezas X
9 – O método de amostragem é adequado (quando couber)
10 – São descritas a população e amostra (quando couber)
11 – Foram estabelecidas a validade e a fidedignidade dos X
procedimentos de coleta de dados
12 - Foram estabelecidas a validade e a fidedignidade dos X
instrumentos utilizados
13 - Os sujeitos tiveram garantidos seus direitos à privacidade, ao X
sigilo, à liberdade e ao conhecimento sobre os objetivos da
pesquisa?
Conclusões 14 – As conclusões são estabelecidas claramente X
15 - As conclusões são substanciadas pelas evidências X
apresentadas, apresentando o método
16 - As conclusões são relevantes para os objetivos X
17 - As conclusões restringem-se aos limites naturais dos X
objetivos e ao método
18 – As generalizações restringem-se à população de que se X
extraiu a amostra

RESUMO TESE/DISSERTAÇÃO

ESTÁGIO BÁSICO EM PESQUISA


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PROFA. FERNANDA OTTATI
1 . SEMESTRE DE 2010
O

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Aluno: Emerson Felipe Pedroso RA: 002200800456

ANÁLISE DE DISSERTAÇÃO

Título do trabalho: As relações entre a satisfação com aspectos psicossociais no trabalho e a saúde

do trabalhador.

Modalidade: Dissertação

Autor: Maria Carmen Martinez

Ano de Defesa: 2002

Instituição: Universidade de São Paulo

RESUMO

Martinez MC. As relações entre a satisfação com aspectos psicossociais no trabalho e a saúde

do trabalhador. São Paulo; 2002. [Dissertação de Mestrado – Faculdade de Saúde Publica da

USP].

26
Objetivo. Este estudo pretendeu colaborar com a análise das relações entre satisfação com aspectos

psicossociais no trabalho e saúde do trabalhador. Método. Realizou-se estudo transversal junto aos

empregados de uma empresa de auto-gestão em saúde e previdência privada em São Paulo. O

estudo incluiu três etapas: (a) 42 entrevistas exploratórias para verificar a semelhança entre

referencias da literatura com percepções dos empregados quanto ao conceito e às fontes e satisfação

no trabalho; (b) questionários auto-aplicados respondidos por 224 empregados para analise das

associações entre satisfação no trabalho e saúde: a escala Satisfação no Trabalho do Occupational

Stress Indicator, o SF-36, e o Índice de Capacidade para o Trabalho; e (c) analise ergonômica de 43

postos de trabalho por meio da técnica AET – Analise Ergonômica do Trabalho de Rohmert e

Landau, visando identificar aspectos da organização do trabalho interferindo na satisfação no

trabalho. Resultados. As percepções dos empregados quanto ao conceito e fontes de satisfação no

trabalho foram semelhantes aos conhecimentos da literatura adotada como referencial teórico.

Satisfação no trabalho esteve associada com aspectos da saúde mental e com capacidade para o

trabalho e estas associações ocorrem independentes de aspectos sócio-demográficos e funcionais.

As condições e a organização do trabalho apresentaram características que podem configurar

elevada carga mental no trabalho. Conclusões. Foram discutidas as relações entre satisfação no

trabalho e saúde do trabalhador e feitas considerações referentes a mudanças visando melhorias

quanto aos aspectos psicossociais no trabalho, favorecendo a satisfação no trabalho e a saúde do

trabalhador.

Descritores: satisfação no trabalho, fatores psicossociais no trabalho, analise ergonômica do

trabalho, saúde mental, capacidade para o trabalho, saúde do trabalhador.

27
INTRODUÇÃO

O conceito de satisfação no trabalho surgiu na década de 30, e pode ser considerado como um
estado subjetivo percebido pelo individuo de como os fatores relacionados ao seu trabalho estão
ocorrendo em seu favor. Este conceito não pode ser considerado um estado estático, visto que é
composto por componentes cognitivos e afetivos, que variam mediante a avaliação que o sujeito faz
da sua vida em determinado momento.
Diversas teorias acerca do construto foram desenvolvidas por importantes autores, sendo que todas
elas adotam diferentes enfoques teóricos, mas que contribuem significativamente de alguma forma

28
na compreensão do fenômeno. Entretanto, por se tratar de uma experiência do campo intersubjetivo,
o estabelecimento de padrões absolutos para a explicação é considerado tarefa inalcançável.
A idéia de satisfação no trabalho é de interesse multidisciplinar, e disto decorre o surgimento de
diversas conceituações ao longo do tempo. Várias teorias apontam para a existência de fatores
intrínsecos e extrínsecos que são fundamentais na determinação dos níveis de satisfação no trabalho
sentidos pelos indivíduos. Sendo assim, é concebido que todas as pessoas possuem uma hierarquia
de necessidades, e que estas necessidades variam de pessoa para pessoa. De maneira geral, as
expectativas do individuo em alcançar objetivos, aliado à percepção que este tem do trabalho como
potencial impulsionador na realização destes objetivos determina os fatores que irão originar como
se dará a motivação para o trabalho. Os êxitos sucessivos nos objetivos traçados são fundamentais
para que se estabeleça uma relação de bem-estar com o trabalho. Alem disso, as percepções dos
indivíduos em relação à situação de trabalho, como sendo geradora ou bloqueadora de objetivos,
metas e potencialidades determinam a carga emocional que a pessoa atribuirá ao trabalho.
Dentre os determinantes da satisfação no trabalho, fatores relacionados às diferenças na
personalidade, diferenças no trabalho e diferenças nos valores atribuídos ao trabalho são decisivos
em seu estabelecimento. As conseqüências de fatores que proporcionem um sentimento de bem-
estar no trabalho repercutem tanto sobre os indivíduos como sobre as organizações, e se manifestam
em quesitos como saúde, comportamento e qualidade de vida.
O conceito de fatores psicossociais no trabalho refere-se à interação no ambiente de trabalho, e é
composta pelas condições e habilidades do trabalhador, necessidades, cultura, além de causas extra-
trabalho que podem influenciar a saúde e o desempenho no contexto em que se exercem as tarefas.
Este conceito é considerado de difícil definição, pois engloba experiências e percepções individuais,
além das condições de trabalho e influência que este desempenha na vida do profissional.
Entre os fatores psicossociais no trabalho, existem aqueles que são potenciais fontes de estresse, e
se mostram associados ao ambiente e a organização do trabalho, causas extra-organizacionais e
aspectos relacionados ao individuo. Neste caso, o estresse pode ser definido como a experiência
subjetiva que o individuo apresenta em relação à situação, e podem ser emocionais,
comportamentais, cognitivas e fisiológicas. A demasiada exposição a condições estressantes pode
levar o individuo a precursores de doenças, e estes podem levar ao desgaste.
Mediante as informações acima citadas, passa a ganhar espaço o conceito de saúde do trabalhador,
no qual a atenção passa a ser focada no contexto geral do trabalho e a organização deste, onde são
analisadas as cargas e exigências decorrentes desta organização. Sendo assim, a prioridade é o bem-
estar do trabalhador, pautado na idéia de satisfação do individuo com aquilo que o contexto lhe
oferece, onde fatores ambientais, sociais, culturais, econômicos e físicos contribuem de maneira
decisiva para a manutenção deste bem-estar.
A saúde do trabalhador passa a ser concebida como um estado concreto e dinâmico do qual o
trabalhador se apropria para elaborar e seguir seus objetivos no sentido do bem-estar físico,
psíquico e social, sendo que sua saúde é influenciada tanto pelas condições e organização que o
trabalho lhe oferece, como pelo contexto no qual o sujeito está inserido.
Pelo fato de ser pequeno o número de estudos que se propõem a avaliar as relações entre satisfação
no trabalho, fatores psicossociais no trabalho e saúde do trabalhador, as associações entre estes
conceitos não são consideradas como suficientemente definidas.
Como referencial teórico do estudo, foi adotada uma abordagem multidisciplinar, sendo que esta
envolve conceitos da psicologia, medicina, ergonomia e epidemiologia. Optou por dar ênfase à
teoria de Locke sobre satisfação no trabalho, a qual concebe que satisfação e insatisfação não são
fenômenos distintos, mas sim pólos opostos de um mesmo construto. A opção da autora pela teoria
de Locke se da pelo fato de ela proporcionar um indicador de satisfação global no trabalho, de
modo que pode servir de fundamento tanto para estudos qualitativos como quantitativos. Para
compreensão dos fatores psicossociais, foi adotada a teoria proposta por Levi, o qual leva em conta

29
fatores psicossociais como exercendo papeis fundamentais no processo saúde/doença e no bem-
estar no trabalho.

OBJETIVOS

Este estudo pretende colaborar com a análise das relações entre satisfação com aspectos

psicossociais do trabalho e saúde do trabalhador, definida em termos de saúde física, saúde mental e

capacidade para o trabalho.

30
Para tal, tem como objetivos:

- Reconhecer qual o conceito que os trabalhadores que compõem a população de estudo têm de

satisfação no trabalho e quais os aspectos psicossociais do trabalho que consideram que influenciam

na satisfação no trabalho.

- Verificar se o conceito de satisfação no trabalho e se os aspectos psicossociais do trabalho citados

pelos trabalhadores que compõem a população de estudo coincidem com os da literatura.

- Identificar os níveis de satisfação no trabalho dos trabalhadores que compõem a população de

estudo em relação ao seu trabalho.

- Identificar quais as características sócio-demográficas e funcionais que estão associadas à

satisfação no trabalho.

- Verificar se satisfação no trabalho esta relacionada à saúde dos trabalhadores que compõem a

população de estudo.

- Verificar quais aspectos da organização do trabalho podem estar influenciando a satisfação no

trabalho dos trabalhadores que compõem a população de estudo.

MÉTODO

31
A etapa da coleta de dados ocorreu entre julho e novembro de 2001, sendo que todas as etapas

passaram por processos rigorosos por parte da instituição responsável pela pesquisa e da empresa na

qual seria realizado o estudo.

Integraram a amostra de estudo todos os funcionários que estivessem trabalhando quando da coleta

de dados, de modo que os que estavam de férias, os afastados por motivos de doença e a

pesquisadora, a qual é empregada da empresa, não participaram.

Foram estabelecidas as variáveis a serem abordadas no estudo, as quais foram divididas nos

seguintes itens: sexo; idade; escolaridade; estado civil; cargo; tempo de empresa; renda; satisfação

com aspectos específicos do trabalho; satisfação no trabalho; saúde.

O estudo foi pautado e norteado pelo levantamento de duas hipóteses, que são (1) a satisfação com

aspectos psicossociais no trabalho está relacionada à saúde dos trabalhadores da população de

estudo, e (2) níveis mais elevados de satisfação com aspectos psicossociais do trabalho estão

relacionados a uma melhor condição de saúde entre os trabalhadores da população de estudo.

Para isto, optou-se por estudo do tipo transversal, no qual exposição e efeito são explorados

simultaneamente. Também foram realizadas entrevistas exploratórias e análises ergonômicas.

Pelo fato de se tratar de um fenômeno subjetivo e que é reconhecidamente de difícil avaliação

quantitativa, foram adotadas três estratégias para a coleta de dados: entrevista exploratória,

questionário auto-aplicado e analise ergonômica do trabalho.

A utilização da entrevista exploratória justificou-se por conta da variância em relação aos

indivíduos na satisfação no trabalho, e teve a pretensão identificar a percepção dos funcionários em

relação aos aspectos psicossociais no trabalho.

A maior relevância na utilização dos questionários auto-aplicados foi por conta de os mesmos

possibilitarem a análise conjunta de diversas variáveis segundo a identificação dos trabalhadores,

além de proporcionar a obtenção de um indicador quantitativo para dados qualitativos estudados.

32
No estudo, foram empregados quatro instrumentos diferentes de auto-avaliação, sendo que cada um

mensurava aspectos distintos da saúde e dos fatores do trabalho sentidos pelos indivíduos. Os

instrumentos utilizados foram: Identificação, escala OSI (Occupational Stress Indicator), SF-36

(Medical Outcomes Study 36 – Item short from health survey), e o Índice de Capacidade para o

Trabalho.

Cada um dos instrumentos acima citados destina-se a avaliar aspectos distintos de fontes que

possam intervir na maneira como os indivíduos se sentem em relação ao seu trabalho.

O OSI é instrumento construído para mensurar fontes de estresse no trabalho e suas conseqüências

para o trabalhador a partir de uma abordagem do indivíduo e da situação, por meio de escala Likert.

Já o SF-36 contempla as percepções de saúde do individuo e é composto por 36 itens subdivididos

em oito escalas, as quais representam os conceitos mais frequentemente mensurados em inquéritos

de saúde. Aborda aspectos distintos da saúde, tanto física como mental, possibilitando a

identificação de comprometimentos que possam estar interferindo nas atividades do individuo. Por

fim, o ICT – Índice de Capacidade para o Trabalho é um instrumento que avalia a percepção do

trabalhador em relação aos mais distintos aspectos relacionados à capacidade para exercer as

funções determinadas pelo cargo que ocupa.

Para a análise estatística das variáveis propostas pelo estudo, foram utilizados os Coeficientes de

Correlação de Spearman e Alpha de Cronbach, além dos testes Qui-quadrado, Kolmogorov-

Smirnov, Mann-Whitney e Kruskal-Wallis.

Para a realização da análise ergonômica do trabalho foi utilizado o método AET – Análise

Ergonômica do Trabalho, o qual avalia a presença de cargas e exigências no trabalho que estejam

influenciando como fatores estressantes. Sua adoção se justificou pelo fato de o fator ergonomia

estar intimamente relacionado com a satisfação dos trabalhadores com aspectos psicossociais do

ambiente de trabalho.

33
RESULTADOS

34
Nas entrevistas exploratórias, foram identificados alguns sentimentos e condições favorecedoras

que os funcionários esperam ter em relação à sua atividade. As conclusões às quais se chegaram

permitiram contemplar a ampla gama de fatores e aspectos relacionados ao contexto trabalhista, e

como estes podem influenciar tanto positivamente como negativamente no bem-estar dos

colaboradores. Fatores relacionados às questões do trabalho propriamente dito, ao pagamento,

promoção, reconhecimento, dentre outros aspectos relacionados à cultura da organização ou

instituto em que se atua, são decisivos na maneira como os funcionários percebem-se em relação à

atividade que exercem, tanto na direção de uma satisfação com o trabalho, como também nos

sentimentos de mal-estar com o emprego.

Em relação aos questionários auto-aplicados, estes foram respondidos por 224 funcionários da

empresa onde se realizou o estudo, o que compreende 77,8% do total de funcionários. Mediante a

análise das respostas obtidas nos questionários, verificou-se que os aspectos do trabalho nos quais

os colaboradores se sentem mais satisfeitos são nos relacionamentos com os colegas, conteúdo do

trabalho e grau de flexibilidade que julga ter no trabalho. Já em relação aos aspectos que os

funcionários percebem como motivos de insatisfação no trabalho sobressaíram-se salários

proporcionais à experiência e responsabilidade, clima psicológico na empresa e oportunidades que o

trabalho oferece no sentido da satisfação de objetivos individuais.

No questionário de avaliação da capacidade para o trabalho, constatou-se que 84% dos funcionários

apresentam boa capacidade para o trabalho, e 15,2% tem capacidade moderada.

Mediante a análise das associações, verificou-se que não há existência de correlação significativa

entre satisfação no trabalho e idade, sexo, renda, escolaridade e estado civil. Por outro lado, pôde-se

constatar a íntima relação entre satisfação no trabalho com as variáveis sócio-demograficas e

funcionais.

Obteve-se, também, associação entre o cargo ocupado e satisfação no trabalho, sendo que aqueles

que detinham cargos de direção apresentavam esses índices mais elevados. Em relação ao tempo de

35
empresa, foi verificada correlação negativa entre as variáveis, sendo que os funcionários que

estavam mais satisfeitos com o trabalho eram os que tinham menos tempo de trabalho dentro da

empresa (até três anos).

Com relação às correlações entre satisfação no trabalho e aspectos genéricos referentes à saúde,

verificou-se que satisfação no trabalho está atrelada à capacidade para o trabalho e saúde mental. O

único domínio que não esteve associado à satisfação no trabalho foi a saúde física.

Para a realização da análise por postos de trabalho, foi selecionado o grupo que apresentou maior

satisfação com seus postos e o grupo que apresentou maior insatisfação com seus postos. Os

resultados encontrados não indicam diferenças expressivas entre as fontes de estresse vivenciadas

pelos funcionários dos dois postos, sendo que as condições de trabalho são semelhantes. Um único

item foi estabelecido como significativamente divergente entre estes dois postos, que é “freqüência

de estresse que pode ter origem em conflitos com padrões sociais”, onde os funcionários mais

satisfeitos apresentavam menor exposição aos fatores relacionados a este item.

Pelo fato de as variáveis estudadas terem sido advindas de resultados obtidos com um numero

reduzido de funcionários, estes devem ser contemplados com relutância, pois existe a possibilidade

de os mesmos serem devidos ao acaso.

CONCLUSÕES

36
O estudo revelou a importância dos aspectos psicossociais presentes no ambiente de trabalho como

geradores de uma melhor condição de saúde mental e capacidade para o trabalho, as quais estão

intimamente relacionadas com a satisfação dos colaboradores. Isto ocorre porque o trabalho é

concebido como uma atividade que, quando de encontro a valores e ideais de quem o exerce,

proporciona prazer e dá sentido à vida, além de possibilitar ao indivíduo oportunidade para as

realizações de suas metas e aspirações individuais.

Foi constatado que a saúde dos funcionários está fortemente atrelada à satisfação no trabalho, e que

tem como fator determinante a presença de aspectos psicossociais favorecedores no ambiente

trabalhista. O grau de flexibilidade no trabalho, conteúdo do trabalho e o relacionamento com os

colegas, além de cargo e tempo de empresa, destacaram-se como os aspectos psicossociais que são

vivenciados como positivos pelos colaboradores que integraram a amostra de estudo.

À luz destas afirmações, é possível o estabelecimento de uma série de planos e estratégias de

intervenção no ambiente de trabalho, visando uma participação conjunta de toda a equipe na tomada

de decisões, uma melhor forma de comunicação entre os diversos níveis hierárquicos, mudanças nas

organizações do trabalho e melhor adequação do ambiente de trabalho às necessidades tanto dos

colaboradores quanto da própria empresa.

As mudanças sugeridas devem ser aplicadas de maneira gradual, das mais necessárias para outras

de caráter secundário, devendo sempre se considerar os recursos disponíveis para tal.

Uma limitação do estudo realizado ocorre por se tratar de um estudo transversal, o qual não

possibilita o estabelecimento de relações de causa e efeito entre as variáveis. Outro obstáculo que se

interpõe a uma melhor compreensão do fenômeno estudado é o caráter quantitativo da pesquisa, que

se limita a identificar a existência ou não de relações entre as variáveis, mas não explica

completamente como estas relações se estabelecem e se mantém.

ANÁLISE CRÍTICA

37
Durante a realização das atividades propostas ao longo da disciplina, foi possível o

aprofundamento de conhecimentos teóricos por meio de diversas estratégias de coleta de dados.

Num primeiro momento, vejo como principal contribuição da disciplina para a formação acadêmica

a oportunidade que esta possibilitou de que se fizesse a escolha de temáticas de interesse dos

próprios alunos, de modo que cada um pôde se aprofundar em temas que tivesse desejo de adquirir

maior conhecimento. Também pode ser considerado relevante o fato de a disciplina colocar-nos em

contato com diversos materiais para o recolhimento de dados, tais como artigos científicos, teses e

dissertações. Fazer a avaliação destes materiais, identificando elementos relevantes dos construtos

aos quais nos propomos a estudar, além da adoção de uma postura crítica perante os mesmos foi

uma tarefa que pode ser considerada de grande importância, sendo que abriu novos vértices na

maneira de como proceder com maior rigor quando de novos contatos com materiais semelhantes.

Com relação aos temas escolhidos, foi julgado que os conceitos de Satisfação no Trabalho e

Auto-eficácia podem se relacionar de forma significativa na dinâmica dos ambientes de trabalho, e

que o aprofundamento de conhecimentos nestas áreas proporcionaria um olhar mais crítico

mediante os fenômenos manifestados nas relações interpessoais dentro dos contextos

organizacionais. Optou-se pela preferência de análise de estudos referentes à Satisfação no

Trabalho, dada a rica quantidade de informações relevantes disponíveis à compreensão deste

fenômeno, além do fato de que a aplicação de seus conceitos serem possíveis em qualquer contexto

onde haja um trabalho minimamente organizado.

Tanto nas pesquisas quanto na atividade prática (entrevista), foi possível verificar que há

interdependência entre diversos fatores para que um empregado venha a se sentir satisfeito ou

insatisfeito com a atividade que exerce dentro de uma empresa ou instituição, e que estes fatores

devem ser tomados em conta levando-se sempre em consideração os valores pessoais, preferências,

aspirações, desejos, prioridades e intenções de cada funcionário no que concerne tanto à sua área

profissional, como nas esferas da vida pessoal. A oportunidade de ouvir depoimentos de uma

38
profissional da área se fez relevante pelo fato de a pesquisa não ficar somente limitada à observação

de aspectos teóricos, sendo que foram extraídas informações relevantes a respeito de como se dá a

aplicação dos conceitos estudados na prática, e que esta, muitas vezes, pode ficar limitada devido a

fatores culturais e econômicos dentro do contexto em que se atua.

De maneira geral, o legado das atividades realizadas pode ser avaliado como extremamente

positivo, visto que a presença dos construtos apresentados se dá em qualquer situação onde haja

relações interpessoais, e um conhecimento das maneiras mais adequadas e assertivas de como

proceder às demandas impostas nas práticas profissionais é um diferencial que pode contribuir na

maneira como se pretende fazer as intervenções necessárias dentro de determinado contexto.

ANEXO

39
40
Emerson Felipe Pedroso
Curriculum Vitae

Maio/2010

41
Emerson Felipe Pedroso
Curriculum Vitae
_______________________________________________________________________________
_______
Dados Pessoais
Nome Emerson Felipe Pedroso
Filiação Donizete Benedito Pedroso e Vera Lúcia Fagionatto Pedroso
Nascimento 09/02/1988 - Serra Negra/SP - Brasil
Carteira de Identidade 428698876 SSP - SP - 13/02/2007
CPF 36864970850

_______________________________________________________________________________
_______
Formação Acadêmica/Titulação
2008 Graduação em Psicologia.
Universidade São Francisco, USF, Braganca Paulista, Brasil

_______________________________________________________________________________
_______
Atuação profissional

1. Centro de Referência de Assistência Social - CRAS


_____________________________________________________________________
_______
Vínculo institucional

2008 - 2008 Vínculo: Estagiário , Enquadramento funcional: . , Carga horária:


30, Regime: Parcial

_______________________________________________________________________________
_______
Idiomas
Inglês Compreende Razoavelmente , Fala Pouco, Escreve Pouco, Lê Razoavelmente

Português Compreende Bem , Fala Bem, Escreve Bem, Lê Bem

42