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Estamos nestes dias, de perto ou de longe, acompanhando o ritmo do carnaval.


Percebemos a alegria extasiante do povo nas ruas, acompanhando o ritmo
alegre do frevo, dos blocos, dos trios. Nós brasileiros somos um povo festeiro,
que gosta de fazer festa, de se alegrar mesmo que a vida concreta teime em
desmentir a euforia da alegria.

A festa nos permite viver aquilo que o cotidiano frenético do dia-a-dia não nos
deixa saborear. Vivemos num corre-corre que muitas vezes não permite que
estejamos vivendo cada momento com toda a sua intensidade. Mas a festa ela
forja este espaço. Ela permite que a vida possa extravazar-se até mesmo além
do permitido, de maneira excessiva. Por isso que todos nós passamos a vida
juntando dinheiro, mas na festa gastamos, às vezes até além do que era
possível. Trabalhamos o tempo inteiro, na festa paramos de trabalhar.

Mas a festa ganha um colorido todo especial quando ela vem motivada por
alguma conquista. Por exemplo, um re-enlace, as pazes refeitas entre dois
amigos e que juntos saem para comemorar, mais um ano de vida, de
casamento, etc.

Tudo isso que disse acima se justifica na palavra do senhor que ouvimos hoje.
O tema é o da alegria, da festa, hoje tratada com simbolismo de um
casamento. Hoje nós temos uma alegria que brota de um amor reconquistado
(1a. leitura) e a alegria pela presença do esposo (evangelho).

Nas aldeias palestinenses, um casamento era motivo de festa de alegria. O


ponto culminante era a festa nupcial, o banquete que os noivos davam para
celebrar o enlace. Para o povo do AT, o Messias era comparado a um esposo
que mandava organizar um grande banquete para celebrar o seu casamento.
Para o NT, este esposo era o próprio Jesus que veio tomar refeição com sua
esposa, a comunidade.

Por isso Jesus diz que seus discípulos não jejuam, pois o esposo está presente.
Jesus não tem nada contra o jejum, mesmo porque ele mesmo jejuou. Ele está
se referindo a outro alimento...a fé. O povo está em festa, está alegre, pois o
Messias encontra-se no meio deles. E é por este motivo também que a Igreja
prega o jejum na sexta-feira santa onde nós celebramos o dia em que o
“esposo” nos foi tomado...

Se a alegria caracteriza o tempo do Messias, então a missão do cristão deveria


ser a de comunicar alegria ao mundo.. Ele sabe que foi salvo por Jesus, então
ele pode viver alegre. No entanto, se há um aspecto no qual os cristãos hoje
têm dificuldade de testemunhar este é a alegria.

Às vezes percebemos a tentação de se apresentar a figura de um cristão


piedoso, quase sempre triste, pessimista quanto ao mundo, temeroso em
cometer pecados, falando muito em renúncia e mortificação. Isso porque a
nossa imagem de Deus pode não ser aquela de Deus presente em nosso meio,
vivo e ressuscitado!
Nossa falta de alegria vem do fato de sermos cristãos ou é expressão de não
sermos cristãos suficientemente? A sabedoria popular diz que um “santo triste
é um triste santo”. Poderíamos completar dizendo que só uma tristeza que nos
pode abater: é aquela de não sermos santos.

Mas a alegria da qual estamos falando não é aquela do carnaval que dura 4
dias... A alegria do carnaval é um modelo mesmo que imperfeito, do que
deveriam ser os 365 dias do ano...nossa vida...a vida em Deus. Uma alegria
que brota da proximidade com Deus e ...em por falar em proximidade...

Hoje, na primeira leitura o profeta Oséias usa uma imagem muito interessante
para falar da relação do povo com Deus. É a imagem do homem traído que vai
ao encontro de sua esposa para reconquista-la. Para dizer a ela que não lhe
interessam os deslizes...mas ele quer lhe falar ao coração e ela voltará de novo
apara ele, como na juventude....como durante o namoro....É bom lembrar que
Oséias viveu um casamento atribulado...ele teve dificuldades com sua
esposa...mas viu neste problema uma imagem da relação entre Deus e o seu
povo. O amor que Deus tem por nós não é carregado de ressentimentos, mas
de misericórdia e perdão.

E os remendos em panos velhos e o vinho novo em odres novos. O que queria


dizer Jesus com isso? Jesus vem trazer uma experiência nova. Algo antigo vai
ser superado. Isso aconteceu com os judeus e poderá acontecer também
conosco. A novidade de Jesus significa rever modos de proceder, idéias,
atitudes. O que não serve mais tem de ser deixado de lado para dar lugar
espaço para podermos crescer em Cristo.