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“Culturas, Religi•es e Sexualidades nos Tempos Modernos” IV CONIEC 22-24 de setembro de 2009

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SEXUALIDADE E CULTURA ATRAVÉS DOS TEMPOS O TESTEMUNHO DAS ARTES VISUAIS
Solange Ribeiro de Oliveira1

Na esteira da postura semi€tica, segundo a qual a arte pode constituir uma linguagem, mostra-se singularmente frut•fera a an‚lise de obras espec•ficas, ilustrativas do conluio entre a criaƒ„o art•stica e as posturas culturais e ideol€gicas de determinados grupos sociais. O fato mostra-se particularmente evidente no que diz respeito …s metamorfoses ocorridas no Ocidente em relaƒ„o ao comportamento sexual. Nesse contexto, salta … vista a associaƒ„o entre pecado, puniƒ„o e pr‚tica sexual, sobretudo entre amantes ad†lteros. A prop€sito, busco o testemunho de diversos c€digos art•sticos. Comeƒo pela criaƒ„o liter‚ria, ilustrada pela Commedia de Dante, no canto V de seu Inferno (127-138). Entre as incont‚veis representaƒ‡es do epis€dio ali narrado, seleciono trˆs obras de arte visuais, todas do s‰culo XIX : uma ilustraƒ„o de Gustavo Dor‰, intitulada Francesca da Rimini e Paolo Malatesta, o quadro Paolo e Francesca da Rimini, de Jean Auguste Ingres e a escultura O Beijo, de Auguste Rodin. Conforme veremos, a s criaƒ‡es de Dor‰ e Ingres ratificam totalmente a condenaƒ„o dos amantes … puniƒ„o eterna, como conseqŠˆncia da m†tua paix„o a que se entregaram a partir do dia em que, interrompendo sua leitura conjunta de uma narrativa sobre amores c‰lebres, o par se beijou pela primeira vez. Lembremos inicialmente o epis€dio, cuja narrativa Dante confia … pr€pria protagonista, condenada, com o amante, a arder no fogo do inferno, sem jamais poder unir-se a ele:

Dante, Divina Commedia, Inferno, V (127-138) 127 “Noi leggiavamo un giorno per diletto • • • • • • • • • 128 di Lancialotto come amor lo strinse; 129 soli eravamo e sanza alcun sospetto. 130 Per pi• fiate li occhi ci sospinse 131 quella lettura, e scolorocci il viso; 132 ma solo un punto fu quel che ci vinse. 133 Quando leggemmo il disiato riso 134 esser basciato da cotanto amante, 135 questi, che mai da me non fia diviso, 136 la bocca mi basci‚ tutto tremante.

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Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Federal de Ouro Preto

Associaƒ„o Brasileira de Estudos Comparativos – ABRAEC

MLI-Universidade Estadual da Paraiba

o belo irm„o de Giovanni. estimulando a recepƒ„o do leitor. rapaz corajoso. sendo Paolo. Dante usou a referˆncia ao romance de Lancelote para situar o epis€dio no esquema da poesia l•rica amorosa. 128 Est†vamos a s„s. com as transformaƒ‡es previs•veis. pelo autor da Divina Com‰dia. Sabendo que a filha n„o concordaria com a uni„o. 132 Foi quando lemos sobre o beijo 133 Depositado sobre o sorriso desejado 134 Pelo amante fiel. para passar o tempo. O texto de resgata a hist€ria de Francesca da Rimini e Paola Malatesta. 135 Este. imitada nas linhas atribu•das a Francesca no Canto V do Inferno. o casal foi surpreendido e assassinado pelo marido . Francesca apaixonou-se por ele. sem suspeitar de nada. o adult‰rio pode ter sido premeditado. 131 Mas um ‡nico ponto precipitou nossa queda. empalidecer nosso rosto. Religi•es e Sexualidades nos Tempos Modernos” IV CONIEC 22-24 de setembro de 2009 • • • 137 Galeotto fu 'l libro e chi lo scrisse: 138 quel giorno pi• non vi leggemmo avante”. que estivera em guerra com a fam•lia Malatesta. entˆo. e aquele que o escreveu. beijou-me os l†bios. Francesca e Paolo tornaram-se amantes ap€s ler a hist€ria do amor proibido de Lancelote pela rainha Genebra. Associaƒ„o Brasileira de Estudos Comparativos – ABRAEC MLI-Universidade Estadual da Paraiba . Francesca era filha de Guido I da Polenta. personagens hist€ricos. cuja poderosa ret€rica projeta o tema. tamb‰m casado. que jamais se afastar† de mim. mas aleijado. Guido quis consolid‚-la casando a ilha com o herdeiro do senhor de Rimini. o representante do noivo. o pai providenciou o casamento por procuraƒ„o. Francesca e Paolo. 138 Desse dia em diante. relembrados. 136 Tremendo todo inteiro. . 2 Numa traduƒ„o livre: • • • • • • • • • • • • • 126 Um dia. a leitura fez 130 Nosso olhar se encontrar. Na vida real. Segundo a narrativa de Dante. 137 L† se foi o livro. n„s nˆo lemos mais. 127 N„s dois l…amos sobre o amor de Lancelot. Giovanni Malatesta da Verucchio. Assinada a paz. j‚ tinham seus pr€prios filhos. e s€ soube do ardil na manh„ seguinte ao casamento. 129 Vezes seguidas. Sem ter a oportunidade de se arrepender.“Culturas.

iniciaram seu romance ilícito. abandonando a leitura. beijando-se pela primeira vez. destaco as de dois artistas do século XIX. Dentre essas. Francesca da Rimini. Religi•es e Sexualidades nos Tempos Modernos” IV CONIEC 22-24 de setembro de 2009 3 A alusão ao momento em que os amantes. um quadro de Jean Auguste Ingres e uma ilustração de Gustave Doré.“Culturas. inspirou inúmeras obras de arte. Jean Auguste Ingres Associaƒ„o Brasileira de Estudos Comparativos – ABRAEC MLI-Universidade Estadual da Paraiba .

as duas representações corroboram o substrato cultural e ideológico subjacente ao poema de Dante. a escultura O Beijo de Auguste Rodin. Ao incluir na obra o braço vingador do marido traído. Gustave Doré Descontadas as diferenças estilísticas. ambas subscrevem o anátema cristão contra o amor carnal _especialmente o adúltero-que condena à morte e ao inferno os pares de amantes lembrados no episódio narrado por Dante. Religi•es e Sexualidades nos Tempos Modernos” IV CONIEC 22-24 de setembro de 2009 4 Paolo e Francesca. também inspirada pela história de Paolo e Francesca. Algo inteiramente diverso ocorre em outra obra de arte.“Culturas. Associaƒ„o Brasileira de Estudos Comparativos – ABRAEC MLI-Universidade Estadual da Paraiba .

O pr€prio Rodin considerou O Beijo uma obra excessivamente tradicional. Inicialmente intitulava-se Francesca da Rimini. o que motivou outra intervenƒ„o (n„o autorizada). Do ponto de vista do tema que aqui nos interessa_ a relaƒ„o entre a arte e a criaƒ„o art•stica_ a escultura distancia-se claramente da atmosfera de culpa e terror que envolve as ilustraƒ‡es de Ingres e Dor‰. a artista Cornelia Parker realizou uma intervenƒ„o.Posteriormente. O Beijo fazia parte de um grupo de esculturas que ornamentavam o monumental portal de bronze intitulado Portões do Inferno. consagrada como uma das mais belas imagens do amor carnal. em referˆncia a Marcel Duchamp que. descartando simbolicamente a vis„o medieval do poema. Em 2003. o interesse pela uni„o de Francesca da Rimini e Paolo Malatesta continua a inspirar os artistas. a escultura foi substitu•da. a escultura s€ foi exibida ao p†blico no Salão da Sociedade Nacional de Belas Artes. O p†blico repudiou o resultado. “uma grande bugiganga esculpida de acordo com a f€rmula tradicional”. Como v‚rias das obras mais conhecidas do Rodin. liberta da noƒ„o de pecado que ronda a Divina Commedia. continua a atrair os apreciadores da arte. a escultura. com a permiss„o da Tate Gallery. Nesse Associaƒ„o Brasileira de Estudos Comparativos – ABRAEC MLI-Universidade Estadual da Paraiba . tendo o nome sido alterado por sugest„o de cr•ticos da ‰poca. que associa amor e pecado. envolvendo a obra com meio quil•metro de barbante. Eternizada no m‚rmore. Entretanto.“Culturas. Elas n„o impediram a recepƒ„o de O Beijo como magn•fica celebraƒ„o do amor romŽntico. na qual o barbante foi cortado por Stuckist Piers Butler. O Beijo Encomendada pelo governo francˆs para a Exposiƒ„o Universal de 1889. devido a seu erotismo. encomendado para um museu parisiense. At‰ o momento atual. a obra suscitou controv‰rsias. o amante parece prestes a jogar ao ch„o o manuscrito de Dante. Na escultura. exp•s em uma galeria uma rede de barbante do mesmo comprimento. enquanto pares se beijavam a seu redor. Religi•es e Sexualidades nos Tempos Modernos” IV CONIEC 22-24 de setembro de 2009 5 Auguste Rodin. em 1942. com sua mistura de erotismo e idealizaƒ„o. incluindo O Pensador. cujas obras igualmente ilustram as metamorfoses sociais e culturais insepar‚veis da passagem do tempo.

destaca-se o contraste entre as criações do passado e uma produção pós-moderna. Religi•es e Sexualidades nos Tempos Modernos” IV CONIEC 22-24 de setembro de 2009 6 sentido.“Culturas. a instalação O Beijo. releitura da escultura de Rodin. Associaƒ„o Brasileira de Estudos Comparativos – ABRAEC MLI-Universidade Estadual da Paraiba .

Esta reflex„o sobre a representaƒ„o da sexualidade nas artes visuais n„o estaria completa sem a citaƒ„o de algumas obras que simultaneamente associam a explicitaƒ„o de temas sexuais … censura por sua representaƒ„o. sugerindo dois corpos interligados. no endereƒo http://images. a instalaƒ„o ‰ criaƒ„o de Sarah Lucas. colecionador de imagens pornogr‚ficas. O contraste lembra o abandono. As figuras de Lucas lembram tamb‰m o contraste entre antigas e recentes posturas diante da arte. cuja reproduƒ„o pode ser visualizada na internet. o quadro. Em 1995. Foi terminar na casa de campo de Jacques Lacan. escondido debaixo de uma pintura de seu cunhado. Religi•es e Sexualidades nos Tempos Modernos” IV CONIEC 22-24 de setembro de 2009 Sarah Lucas. a tela provocou intensa discuss„o. Os chap‰us sem cabeƒa sugerem casais an•nimos.google. sobrevivente a s‰culos de estatu‚ria universal. n„o constru•do pelo artista_ projeta uma vis„o totalmente diversa da uni„o entre os sexos e da pr€pria arte. mais pr€pria de objetos que de pessoas. Por esse motivo. Amarrados por tiras de couro. O m‚rmore usado por Rodin. Nada poderia ser mais diferente de o Beijo de Rodin. a escultura do escultor francˆs.Proibida sua exibiƒ„o p†blica. nada mais adequado que lembrar Origem do Mundo. de velhos ideais de beleza. tornando-se uma das mais famosas do seu s‰culo e do que se seguiu. a tela continua a chocar. encimando rolos de linha fusiformes. emblem‚tica de um amor idealizado. na p€s-modernidade. A julgar pela venda de postais. de Renoir. total e venturoso. o quadro ‰ o segundo mais popular do Museu. membro dos YBA (Young British Artists). conhecida ap€s os anos 1990 por suas criaƒ‡es provocantes. a vi†va doou a tela ao governo francˆs. Nesse sentido. utilit‚rio. onde se encontra. Com sua crua representaƒ„o da genit‚lia feminina. Ao mesmo tempo. artista feminista. como Associaƒ„o Brasileira de Estudos Comparativos – ABRAEC MLI-Universidade Estadual da Paraiba . durante mais de um s‰culo. indiv•duos vazios. descart‚vel. permanˆncia. As figuras dos amantes s„o substitu•das por chap‰us vazios. est„o presos por um jugo impiedoso. os corpos est„o amarrados um ao outro por uma tira de couro. desprovidos de identidade e sentimentos. foi substitu•da no Beijo de Lucas por materiais perec•veis: novelos de linha. vale a pena recapitular a trajet€ria do quadro. classificado logo ap€s Le Moulin de La Galette. sobreviveu obscuramente. €leo sobre tela de Gustave Courbet (1866)). subjetividade.com. Ap€s a morte do fil€sofo. pedra virtualmente indestrut•vel. Sem descartar a noƒ„o de penetraƒ„o sexual. foi pela primeira vez exposta publicamente no Museu d‘Orsay. O Beijo 7 Datada de 1991. a opress„o da mulher numa sociedade falocˆntrica — leitura autorizada pela €tica feminista da artista. fabricado em s‰rie.br .“Culturas. Com suas curvas caprichosas. parece desafiar a rigidez do m‚rmore para acompanhar o enlace dos amorosos. A Origem do Mundo foi o mais famoso de uma s‰rie de quadros er€ticos pintados por Courbet nos anos 1860. passando por v‚rios esconderijos. absortos em seu ˆxtase. a instalaƒ„o evoca uma aproximaƒ„o impessoal e mecŽnica. contemplaƒ„o. Resultou de uma encomenda feita pelo diplomata turco Khalil-Bey. incluiu-se entre as mais censuradas e mais interditadas da hist€ria da arte. A instalaƒ„o de Lucas_ feita com material de carregaƒ„o. Pintada numa era em que se questionavam valores morais. cheias de humor e trocadilhos visuais obscenos. mobili‚rio banal. tiras de couro. descart‚vel. Encaixados em banais cadeiras contemporŽneas.

exemplares de um livro com sua reproduƒ„o na capa foram apreendidos como “pornografia p†blica “ pela pol•cia portuguesa de Braga. de falar bem alto sobre o sexo. mas uma ampliaƒ„o ordenada de forƒas coletivas e individuais. bem como de estudos quantitativos ou causais relativos …s populaƒ‡es. continua Foucault. no entender do fil€sofo. em contraste com o fato de ter sido conservado em segredo por tanto tempo. em fevereiro de 2009. Courbet se dizia herdeiro do Ticiano. Por outro lado. surgiram campanhas que buscavam transformar a conduta sexual dos casais em comportamento econ•mico e pol•tico. expressivo da determinaƒ„o. O sexo tornou-se “caso de pol•cia” no mais amplo sentido da express„o: n„o a repress„o da desordem. o realismo de Courbet n„o exclui v•nculos com a arte tradicional. bem como a fama de que gozou. p. que. Paul (Ed). vol I In: RABINOV. proibido. Entretanto. continua Foucault. Se considerarmos o sexo como tema reprimido. ‰ bastante conveniente situar naquele s‰culo o advento da era da repress„o. Lado a lado com estudos sobre as taxas de natalidade e morte. Mas. Pantheon Books. O colorido e as amplas pinceladas lembram a pintura veneziana. doenƒa. o simples fato de tocar no assunto cria para o falante a aparˆncia de uma transgress„o proposital. que no in•cio do s‰culo dezoito florescia o est•mulo para que se tratasse da quest„o sexual. parte integrante da ordem burguesa.“Culturas. A repress„o sexual torna-se. quando. Um de seus argumentos centrais gira precisamente em torno desta contradiƒ„o: o sexo ‰ um dos temas mais freqŠentes no discurso social. assim. h‚bitos alimentares e domiciliares . paradoxalmente. A partir do s‰culo XVIII houve uma intensa proliferaƒ„o de discursos sobre o sexo. 2 Foucault alude ao s‰culo XVII. existe talvez outra raz„o que torna muito gratificante definir a relaƒ„o entre sexo e poder em termos de repress„o. sob a forma de an‚lise. Foucault demonstra. expectativa de vida. segundo o discurso tradicional. 1984. ao in•cio do s‰culo XIX a justiƒa passou a legislar 2 Cito e traduzo livremente o texto de Michel Foucault “The repressive hypothesis. tamb‰m insiste em mantˆ-lo na sombra. por meio de in†meros exemplos. por parte dos agentes do poder. Segundo o fil€sofo. New York. classificaƒ„o e especificaƒ„o. que assim coincide com o desenvolvimento do capitalismo. Entretanto. Na verdade.301-316 Associaƒ„o Brasileira de Estudos Comparativos – ABRAEC MLI-Universidade Estadual da Paraiba . The Foucault Reader. lembra algumas reflex‡es de Michel Foucault em Hist„ria da Sexualidade. fertilidade. Continuando a argumentaƒ„o. o que ocorreu foi praticamente o contr‚rio do que se costuma afirmar. nasce a era de repress„o sexual t•pica das chamadas sociedades burguesas_ era que talvez ainda n„o tenha sido completamente ultrapassada. Veronese e Correggio e da tradiƒ„o de uma pintura carnal e l•rica_ o que contribui para justificar a continuada fama de sua Origem do Mundo. condenado ao silˆncio e … inexistˆncia. A longa discuss„o em torno desse quadro. esp‰cie de “fermento discursivo “. from the History of Sexuality” . Religi•es e Sexualidades nos Tempos Modernos” IV CONIEC 22-24 de setembro de 2009 8 testemunha o fato de que. sa†de. ao n•vel dos discursos e de seus dom•nios.

continua-se a falar sobre ele ad infinitum. Da perspectiva da representaƒ„o art•stica. O Sono. inspirada na arte rococ€ do s‰culo XVIII e nos poemas de Safo. um hermafroditismo da alma. Religi•es e Sexualidades nos Tempos Modernos” IV CONIEC 22-24 de setembro de 2009 9 sobre pequenos crimes e at‰ pervers‡es insignificantes. No quadro. Pelo contr‚rio. o pente no cabelo e o vaso esmaltado.316-329 3 Associaƒ„o Brasileira de Estudos Comparativos – ABRAEC MLI-Universidade Estadual da Paraiba . O homossexual passou a ser uma esp‰cie” 3. como o colar de p‰rolas. O Sono. Mais uma vez. a an‚lise e a investigaƒ„o de condutas sexuais. mostrando ser esta uma das formas mais instigantes encontradas pelos grupo s€cias para se dizer e pensar. (ent„o muito lidos. apesar do puritanismo da ‰poca). lembro outro quadro de Gustave Courbet. New York. enquanto. de Gustave Courbet ’ interessante observar que a data da tela (1866) coincide quase exatamente_ precedendo-a de quatro anos_ com a do famoso artigo de Carl Westphal (1870) "As Sensaƒ‡es Sexuais Contr‚rias" . de pais e filhos_ todo um maquin‚rio voltado para a verbalizaƒ„o. foi proibida a exibiƒ„o p†blica da tela. situando os nus voluptuosos em um interior neorococ€ com detalhes sugestivos de luxo. o tema da homossexualidade revela-se igualmente objeto da arte e dos coment‚rios de Foucault. Segundo Foucault. 1984. O sodomita tinha sido uma aberraƒ„o tempor‚ria. ao fim do s‰culo. ‰ explorado como o segredo por excelˆncia. Paul (Ed). o texto de Westphal marca o nascimento da homossexualidade enquanto categoria m‰dica. • A prop€sito. ao mesmo tempo. a pintura foi alvo de um processo judicial por conter material explicitamente er€tico. surgiram todos os controles que vigiavam a sexualidade dos casais. p. as palavras do fil€sofo encontram-se com a pr‚tica art•stica. Courbet enfatiza a sensualidade de duas jovens. ver Foucault: the perverse implantation from the History of Sexuality. prova da “depravaƒ„o” do pintor. The Foucault Reader. Em 1872. de pr‚tica da sodomia. Pantheon Books. Como ocorreu com A origem do Mundo. vol I In: RABINOV. transformou-se em uma esp‰cie de androginia.“Culturas. Finalmente. Como a sexualidade em geral. Foucault acaba por concluir que a caracter•stica das sociedades modernas n„o ‰ ter relegado o sexo a uma existˆncia na sombra. S„o palavras do fil€sofo: a “homossexualidade emergiu como uma das formas de sexualidade no momento em que. sobretudo por sua alus„o ao lesbianismo.