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Impacto Ambiental das Barragens Hidrelétricas

Autores:
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Luis Edouard Marsaioli RA: 962749 - Engenharia Elétrica Michel Claude Monteiro Mera RA: 951823 - Engenharia Elétrica

Introdução

Dentre as fontes que compõem nossa matriz energética, a hidroeletricidade é a menos poluente. Entretanto, se não forem tomadas as devidas precauções, os impactos ambientais causados pela construção das barragens hidrelétricas podem ser devastadores. Como resultado de nossos estudos, foi elaborado uma tabela contendo os vários tipos de impactos ambientas que podem ocorrer com a instalação de hidrelétricas. Além disso, para cada tópico abordado, falamos sobre como esses impactos podem ser minimizados.

Redução da concentração de oxigênio Estratificação térmica Águas (hidro e Limnologia) Estratificação hidráulica Retenção de material sólido hidrotransportado Variações do nível e da vazão do reservatório Elevação dos níveis freáticos Temperatura Clima Umidade relativa Insolação Ventos Geologia Aumento na frequência de abalos sísmicos (Sismologia)

Fatores abióticos

Produção de gases sulfídricos e metano Eutrofização da água Afogamento da vegetação Ploriferação de algas Ploriferação de macrófitas Depleção do oxigênio dissolvido Ameaça à biodiversidade local

Fatores bióticos Fauna terrestre

Deslocamento de animais de seu habitat natural Afogamento de animais que não conseguiram fugir Desequilíbrio de outros habitats onde foram introduzidos animais resgatados

Alteração das espécies aquáticas no reservatório Fauna Aquática Influência na ocorrência da Piracema Obstáculo na migração reprodutiva dos peixes

1 - Fatores abióticos

1.1 - Águas (Hidro e limnologia)

Os ambientes hídricos podem ser classificados em lóticos (rios) e lênticos (lagos). A maior alteração causada pela construção das barragens fica por conta da transformação de meios lóticos em lênticos. Devido a esta mudança, as características físico-químicas das águas sofrem alterações bruscas, criando um novo ecossistema que, aos poucos, retorna a seu equilíbrio. 1.1.1-Redução da concentração de oxigênio O agito das águas é muito importante para a sua oxigenação. Com a transformação de um meio lótico em lêntico, a concentração de oxigênio dissolvido na água diminui. O gran de potencial oferecido pelas quedas d'água atraem a construção de barragens para estes locais, extinguindo um importante mecanismo de oxigenação da água.

Para minimizar o efeito da redução de oxigênio dissolvido, deve -se estudar a altura, na coluna de água do reservatório, onde será feita a tomada de água para a geração de energia elétrica, evitando uma depleção do oxigênio ainda maior. Também pode -se construir pequenas quedas d'água artificiais para a oxigenação da água. 1.1.2-Estratificação térmica A estratificação térmica pode ser observada no grande lago formado pela barragem, onde, com suas grandes profundidades, formam-se camadas de água com diferentes temperaturas e consequentemente, camadas com diferentes concentrações de oxigênio, limitando o desenvolvimento de espécies aquáticas a uma camada em específico. Sobre isto não há muito o que fazer mas o estudo da altura da tomada de água para as turbinas, com o intuito de diminuir o gradiente de temperatura, pode ajudar. 1.1.3-Estratificação hidráulica Assim como a estratificação térmica, a hidráulica forma várias camadas de água com diferentes concentrações de material hidrotransportado, inclusive nutrientes, resultado da tomada de água da hidrelétrica. Novamente, o estudo da altura onde deve ser realizada a tomada de água é tudo que podemos fazer. 1.1.4-Retenção de material sólido hidrotransportado Os rios que deságuam no reservatório são responsáveis pelo transporte de material sólido hidrotransportado que, ao encontrarem um meio lêntico (águas calmas), este material decanta no fundo do reservatório causando o assoreamento do mesmo (diminuição da profundidade do lago formado). Não há como evitar a retenção do material sólido mas a manutenção das mat as ciliares, dos rios que deságuam no reservatório, evitam que este material sólido seja transportado do solo para os rios, pela chuva. 1.1.5-Variações do nível e da vazão do reservatório A inconstância das tomadas de água, que dependem da demanda de energia elétrica, pode causar erosão das margens e piracemas (migração de peixes para a reprodução) fora da época. Neste caso, o estudo estatístico da demanda de energia elétrica e de épocas de cheia ou secas, ajuda a programar uma tomada de água mais constante, diminuindo as oscilações do nível de água do reservatório.

1.1.6-Elevação dos níveis freáticos

A pressão hidrostática pode aumentar os níveis freáticos da região, causando uma maior ocorrência ou inversão dos lençóis freáticos. Isto pode c ausar a poluição de poços artesianos, o alagamento de áreas não previstas, causando a necessidade de indenizações adicionais ou a inviabilidade de culturas agrícolas, e até o aumento da ocorrência de abalos sísmicos, que será tratado mais adiante. O estudo das alterações dos níveis freáticos é muito difícil e não se pode prever seus efeitos. O que se pode fazer é estudar a região, localizando fossas, depósitos de dejetos químicos e orgânicos, e baixadas que podem se tornar pântanos, próximos ao reservat ório a ser criado.
1.2 - Clima

Para descobrirmos as influências de um reservatório sobre o clima de uma região precisamos entender as condições meteorológicas antecedentes à formação do lago e verificar quais são os fatores que determinam as propriedades climáticas desta área.
1.2.1 - Temperatura

As médias de temperatura podem apresentar variação na região, principalmente em áreas anteriormente protegidas por vales, ou ambientes protegidos de ventos, que ficarão expostos à margem do novo lago.

1.2.2 - Umidade Relativa

Em regiões de alta umidade atmosférica, a presença do lago não afeta este indicador. Porém, em regiões de clima seco, como em Brasília, o reservatório propicia a evaporação, aumentando a umidade relativa do ar. Além disso, em regiões de clima frio, como no sul do país, o aumento da umidade relativa, devido a presença do reservatório, ajuda a prevenir a formação de geadas.
1.2.3 - Insolação

A formação de neblinas, devido ao aumento da umidade relativa do ar pela barragem, pode concorrer para reduzir a quant idade de horas de incidência solar nas regiões próximas ao reservatório.
1.2.4 - Ventos

A eliminação dos obstáculos ou rugosidades naturais, substituído por um espelho líquido da barragem, faz com que a velocidade dos ventos aumente e se tornem mais perce ptíveis à superfície. Além disso, a alteração no padrão dos ventos pode ser prejudicial no caso das dispersões gasosas de indústrias instaladas nas proximidades da barragem.

1.3 - Geologia (Sismologia)

A sismologia estuda as causas e efeitos dos fenômeno s relacionados com as fraturas das camadas rochosas da crosta terrestre e os deslizamentos de uma camada ou um bloco de camadas em relação a outras. No caso de barragens, o aumento da pressão hidrostática, produzido pela ação da água infiltrada, pode dimin uir a resistência das rochas, reativar falhas geológicas, quebrar camadas rochosas e alterar a resistência do substrato.
1.3.1 - Aumento na frequência de abalos sísmicos

Os abalos sísmicos provocados pelas barragens variam de acordo como as peculiaridades geológicas da área, a velocidade de enchimento da represa e o tamanho da coluna de água.Além disso, seus efeitos são sentidos depois de algum tempo que o reservatório atingiu sua cota máxima. Apesar da magnitude e intensidade destes abalos não ultrapassam os de origem natural e de serem considerados eventos raros, as soluções de engenharia e a escolha do tipo de barragem devem prever estes fenômenos. Abaixo segue uma tabel a com o registro dos abalos sísmicos ocorridos num raio de 600km da represa de Itaipú.

2 - Fatores bióticos
2.1 - Afogamento da Vegetação

2.1.1-Produção de gases sulfídricos e de metano A depleção do oxigênio, causada pelo consumo do mesmo na decomposição da vegetação submersa, é responsável pelo surgimento de gases sulfídricos e de metano, que são poluentes por causarem a chuva ácida e o efeito estufa. 2.1.2-Eutrofização da água

A eutrofização da água é a alta concentração de nutrientes nesta, intensificando o surgimento de macrófitas (plantas flutuantes), que por sua vez, causam outros problemas que serão discutidos adiante. 2.1.3-Proliferação de algas A depleção de oxigênio também favorecem a proliferação de algas, alterando o odor, a cor e o gosto da água. 2.1.4-Proliferação de macrófitas A proliferação de macrófitas é intensificada com a eutrofização da água, causada pelo afogamento da vegetação, e pode ser responsáv el pela disseminação de vetores de doenças, como insetos e caramujos (vetor da esquistossomose).

2.1.5-Depleção do oxigênio dissolvido Como explicado anteriormente, o consumo de oxigênio na degradação da biomassa submersa, causa uma depleção do mesmo, prejudicando as formas de vidas aeróbicas, e acelerando o surgimento de algas e a produção de gases. 2.1.6-Ameaça à biodiversidade local O afogamento de grandes áreas de vegetação pode causar uma diminuição da biodiversidade local e até ameaçar espéc ies vegetais endêmicas (existentes apenas ali). A preservação de matas nativas próximas às áreas alagadas é essencial à manutenção da vida animal. Também deve ser feito o resgate e cultivo de espécies vegetais em Unidades de Conservação, para manter a biodiversidade. Com exceção do último item apresentado, que já teve suas soluções ou ações de atenuação dos impactos apresentados, o meio de combate à todos estes problemas é a remoção prévia da vegetação a ser alagada. Um outro cuidado a ser tomado é evitar o desmatamento total das áreas a serem alagadas, pois diminuiria a fonte de nutrientes e de abrigo à vida aquática.
2.2 - Fauna terrestre

Os aspectos físicos e morfológicos da vegetação condicionam seu habitat e sua fauna. Além deles, as relações interespecíficas (presas e predadores, competidores e parasitas etc.) e o que se convenciona chamar de "nicho", determinam o equilíbrio entre as espécies da região a ser alagada. 2.2.1 - Deslocamento de animais de seu habitat natural Salvar todos os seres vivos de uma área em inundação é naturalmente impossível, especialmente quando se sabe que 85% das espécies animais pertencem à classe dos incetos e que, por sua vez, compreendem 90% da biomassa animal das regiões tropicas.

Atenuar este forte impacto implica em resgatar a flora e a fauna, assim como preservar áreas representativas dos ecossistemas com riscos de alteração. 2.2.2 - Afogamento de animais que não conseguiram fugir O pensamento acadêmico defende a tese de que a morte das e spécies pertencentes à região a ser alagada é preferível a deslocalas para regiões onde a vida silvestre ainda não foi afetada. Neste caso há um conflito de interesses entre a empresa concessionária, que deseja preservar a sua imagem, e a linha de pensamen to proposta acima. 2.2.3 - Desequilíbrio de outros habitats onde foram introduzidos animais resgatados Quando o resgate da fauna é promovido com o objetivo único e exclusivo de causar boa impressão à opinião pública, os resultados são sempre insatisfatóri os. As experiências mostram que o resgate dos animais em áreas em inundação e sua posterior liberação em outros locais, sem os devidos critérios, acabam levando à morte tanto os animais resgatados como os outros animais, vítimas da competição por alimento e espaço, anteriormente inexistente.
2.3 - Fauna aquática

2.3.1-Alteração das espécies aquáticas no reservatório Com a transformação de um ambiente lótico em lêntico, os organismos aquáticos que precisam de águas com características lóticas, com alta taxa de oxigênio dissolvido, mecanismos especializados de alimentação, nutrientes típicos de águas correntes e outros fatores, migraram para os rios contribuíntes do reservatório, em busca destes ambientes. No reservatório, se desenvolverá espécies favorecidas pelos meios lênticos mas mesmo estes sofreram certas dificuldades como a estratificação térmica e oscilações no nível do reservatório. A alteração das espécies aquáticas não apresenta ameaça à vida, e este novo ecossistema atingirá seu equilíbrio, não sendo um mal permanente. 2.3.2-Influência na ocorrência da Piracema A Piracema é um importante mecanismo de reprodução de alguns peixes, que induz a um processo reofílico (de nadar contra a correnteza), que queima a gordura dos peixes, ativando mecanismos hormonais complexos e preparando -os para a reprodução. A Piracema é comandada pelos processos físico -químicos relacionados com a elevação do nível das águas, em épocas de fotoperíodo mais prolongado e com temperaturas mais elevadas. Portanto, a oscilação do nível do reservatório, provoca a Piracema em períodos anormais. A ocorrência da Piracema em períodos anormais não tem um impacto grande mas, como em casos anteriores, a tentativa de manter uma vazão constante do reservatório é necessário.

2.3.3-Obstáculo na migração reprodutiva dos peixes As barragens constituem grandes obstáculos à Piracema, migração reprodutiva dos peixes, reduzindo o espaço da migração e muitos peixes acabam se reproduzindo próximo aos canais de fuga das represas. Este sim tem se apresentado como o maior impacto sobre a vida aquática. Para amenizar este problema, o que se tem feito é a construção de estruturas que auxiliam os peixes a vencerem o grande desnível apresentado pelas barragens. Citarei algumas técni cas de transposição de peixes, como as escadas, eclusas, elevadores e dispositivos de captura a jusante e soltura no reservatório. Todos estes métodos são dispendiosos, difíceis e não apresentam um rendimento total mas já é alguma coisa. Abaixo está um croqui de uma eclusa e um elevador.