TEMA: ARREPENDIMENTO
INTRODUÇÃO
O arrependimento é fundamental no processo da salvação. Ele abrange não somente uma
mera tristeza pelo pecado.
O arrependimento implica em uma mudança de pensamento, de propósitos e de novas
ações. Esse foi o tema central da mensagem de Jesus Cristo (Mt 4.17).
Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino
dos céus.(Mt 4.17)
1. O arrependimento e seu significado.
O termo usado para arrependimento é “metanoeo” (Gr), e não se restringe apenas a uma
mera tristeza pelo pecado, significa uma mudança de pontos de vista, de pensamento e de
propósito (At 2.38; 3.19).
1.1 “arrependimento é a graça salvadora, pela qual o pecador, sentindo verdadeiramente
o seu pecado, e lançando mão da misericórdia de Deus em Cristo, e sentindo tristeza por
causa do seu pecado e ódio contra ele, abandona-o; e aproxima-se de Deus, fazendo o
firme propósito de, daí em diante, ser obediente a Deus” (At 11.18; 20.21).
O verdadeiro arrependimento vai resultar em mudança de comportamento (Lc 3.8-14; At
3.19).
O pecador arrependido se propõe a mudar de vida e voltar-se para Deus; o resultado
prático é que ele produz frutos dignos do arrependimento (Mt 3.8).
É como um viajante que descobre estar viajando num trem errado. Ao descobrir, ele desce
e toma a direção correta. Assim é o arrependimento.(Revista do professor)
Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e
venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor,(At 3:19).
SIGNIFICADO DE ARREPENDIMENTO
A história do filho "pródigo", contada por Jesus em Lucas 15.11-32, demonstra
quais os passos de um verdadeiro arrependimento.
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1. Reconhecer a ofensa a Deus
Em Lucas 15.18, o filho mais moço ensaiou o que ia dizer ao seu genitor: “Pai, pequei
contra Deus e contra o senhor”. Ele reconhecia que seu erro magoou a Deus e a seu pai.
Nessa ordem. "Se confessarmos os nossos pecados...” (1 Jo 1.9). Essa convicção profunda
do pecado é o primeiro passo.
...os passos de um verdadeiro arrependimento.
2. Tristeza pelo pecado
O pecado trouxe tristeza ao filho pródigo. Quando ele estava no meio dos porcos, sentiu o
peso do seu pecado (v. 17): “caindo em si. pensou..." Ele estava triste com o que
cometera, lembrando-se da fartura que havia na casa paterna.
Isso era uma ação do Espírito Santo. De um jeito, ou de outro, o pecado sempre produzirá
tristeza... Ou em nós, ou no Espírito Santo, o qual tem ciúmes de nós quando pecamos (Tg
4.5).
Essa maravilhosa tristeza, em nós, vem de Deus, e é um dos pilares do arrependimento (2
Co 7.10), como aconteceu com Pedro (Lc 22.61,62).
A tristeza do mundo, porém, causada pelo remorso, leva à morte, como aconteceu com
Judas Iscariotes (Mt 27.5).
...os passos de um verdadeiro arrependimento.
3. Mudança de mentalidade
Uma das palavras para arrependimento é metanoia, do grego, que significa "mudança de
mente". Do amor pelo pecado ao ódio por ele.
Isso é uma total alteração do jeito de pensar, adotando o padrão estabelecido na Bíblia.
Isso aconteceu em Lucas 15.21, quando o filho caçula disse:"... Não sou digno de ser
chamado teu filho". Aquele moço, outrora arrogante e egoísta, desaparecera.
Agora, ele não se via mais com direito algum. Tornou-se uma pessoa humilde e obediente.
Certamente seu estado anterior lhe causava muita vergonha.
...os passos de um verdadeiro arrependimento.
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4. Disposição para mudar de conduta e reparar o dano
Chorar resolve? Neste caso, não. O arrependimento acontece quando a pessoa muda, não
quando chora, como aconteceu tristemente com Esaú (Hb 12.17).
O filho pródigo resolveu mudar de conduta e reparar o dano, tão logo se arrependeu. Ele
queria agora ser apenas um trabalhador (Lc 15.19).
Talvez para reparar o estrago que deixou nas finanças paternas, ao conseguir o
adiantamento da herança.
Esse desejo mudança e de reparação do dano também aconteceram com Zaqueu, após
sua conversão (Lc 19,8). Por isso Jesus disse: "Hoje a salvação entrou nesta casa" (Lc 19.9 -
NTLH).
1.1. História Bíblica
A Bíblia, do início ao fim, diz que, para sermos perdoados, precisamos nos arrepender.
A) arrependimento foi a causa de Nínive não ser destruída (Jn 3.5-10),
B) do juízo de Deus sobre Acabe ter adiado (1 Rs 21.29),
C) do rei Manasses ter sido restaurado (2 Cr 33.11-13),
D) do filho “pródigo" ter sido recebido pelo Pai de braços abertos (Lc 15.18-20),
E) de Zaqueu ter sido salvo (Lc 19.8-10), dentre outros exemplos.
2. Por que necessitamos de arrependimento:?
1. O pecado encerrou todos os seres humanos em uma mesma condição: perdidos (Rm
3.23; 11.32).
Rm 3:23 Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus,
E a Bíblia revela que Deus manifesta a Sua ira contra a impiedade e injustiça dos homens
(Rm 1.18).
2. Era preciso solucionar esse problema. Deus tomou a iniciativa de reconciliar o mundo
por intermédio de Jesus Cristo (2Co 5.18).
2Co 5:18 E tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo
e nos deu o ministério da reconciliação,
3. O arrependimento é a reação positiva do homem ao chamado divino à reconciliação.
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Devemos nos arrepender porque:
1. É uma ordenança: (At 17.30);
At 17:30 Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos
os homens, em todo lugar, que se arrependam,
2.porque todos somos pecadores (Rm 3.10);
Rm 3:10 como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.
3. porque estamos separados de Deus (Is 59.2);
Is 59:2 Mas as vossas iniqüidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus, e os vossos
pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.
4. porque sem arrependimento não seremos salvos (Lc 13.5).
Lc 13:5 Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis .
O homem não tem o poder de mudar sua própria natureza. Por isso, precisa se
arrepender, de forma que sua vida inteira se converta a Deus.
O maior pregador de todos os tempos foi Noé, pois conseguiu salvar a sua vida e de sua
família.
ALGUÉM PODE ESTÁ AQUI NESSA NOITE E DIZER PASTOR, EU AINDA VOU PENSAR MAIS
UM POUCO...AINDA TENHO TEMPO.
Se há algo que pode destruir o homem, isso é o pecado. Observemos:
1. Jonas, que trouxe um grande prejuízo às pessoas que navegavam com ele, as quais
quase morreram.
2. Ou o caso de Herodes, que foi comido por vermes, por causa de sua arrogância (At
12.21-23),
3. Ananias e Safira, fulminados pelo Senhor por causa de uma mentira (At 5.1-10).
4. O arrependimento, por outro lado, restaura o equilíbrio.
O arrependimento de Jonas, por exemplo, trouxe as coisas à normalidade. O plano do
Senhor foi cumprido em Nínive. Infelizmente, Herodes, Ananias e Safira não tiveram
tempo de se arrepender.
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3. O PROCESSO DO ARREPENDIMENTO
Três coisas importantes estão envolvidas no processo do arrependimento.
2.1. A convicção.
O primeiro sintoma que surge no homem que está no processo de arrependimento é a
certeza de que algo está errado.
Nessa hora, o pecador se sente indefeso, envergonhado e miserável (2Co 7.10). Sua
primeira reação é reconhecer que está perdido, e, como resultado da obra do Espírito
Santo, ele sente um vazio, sente que algo lhe falta e que, após ouvir a Palavra de Deus,
é impelido a confessar suas culpas (1Co 14.24-25).
O arrependimento tira do homem todo o pensamento velho, fazendo com que novos e
melhores pensamentos tomem conta da sua mente (2Co 5.15-18).
Enquanto o sistema do mundo procura tirar pessoas de uma vida de miséria, Cristo,
através de Sua Palavra, tira a miséria da vida das pessoas.
2.2. A contrição.
Segundo o dicionário , a contrição é um sentimento pungente de arrependimento por
pecados cometidos e por ofensas a Deus.
Menos pelo receio do castigo, mais por amor e gratidão à divindade. Sem esse
profundo sentimento de tristeza, não há arrependimento frutífero.
No Salmo 51 Davi demonstra que não apenas estava convicto de seu pecado, mas
tambémquebrantado e contrito (Sl 51.17). “Perto está o Senhor” dos quebrantados
e contritos para salvar (Sl 34.18).
Uma pessoa arrependida passa a odiar suas antigas práticas e se empenha em reparar os
danos que foram causados a outros (2Co 7.10).
A verdadeira contrição não sente simplesmente as conseqüências do ocorrido, mas odeia
o realizado.
“Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém
se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte” (2Cor. 7:10).
Existe uma diferença muito grande entre arrependimento e remorso. O remorso jamais
age para mudar, ele entristece, revela a falta cometida, mas é só um ressentimento em
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face ao castigo. Judas e do Rei Saul são exemplos de pessoas que sentiram remorsos em
vez de arrependimento. O arrependimento genuíno exige contrição e pesar pelas faltas
cometidas (At 2.37).
2.3. A confissão.
A convicção acerca dos pecados produzida pela Palavra de Deus e a ação do Espírito Santo,
resultará em contrição e conduzirá à confissão. A tendência humana é esconder e cobrir os
pecados.
Porém, aquele que encobre não prospera (Pv 28.13). A confissão expressa que recebemos
e admitimos que somos pecadores. Vide a atitude do profeta Isaías (Is 6.5) e dos
convertidos em Éfeso (At 19.18).
[...] A confissão de pecados é feita primeiramente a Deus (Sl 32:3-6), áquele que sofreu o
dano (Lc 17:4), a um conselheiro espiritual (2 Sm 12:13), ou a congregação de crentes (1Co
5:3). (Dicionário Bíblico Wycliffe, RJ: CPAD, 2006, pp.443,1501-2).
O Perdão Pela Confissão
“Qual é a garantia de que a confissão é importante para Deus? A própria Palavra de Deus.
Ela garante que a confissão é premiada com a misericórdia. ‘O que encobre as suas
transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia’ (Pv
28.13).
‘Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos
purificar de toda injustiça’ (1 Jo 1.9).
4. OS FRUTOS DO ARREPENDIMENTO
As atitudes que sucedem após o arrependimento determinarão a natureza dele. Tais
procedimentos indicarão inicialmente se foi um arrependimento profundo e sincero, ou se
foi mera experiência emocional (remorso), que em nada afetou a vida posterior.
Enfim, o genuíno arrependimento deve ser caracterizado ´por bons frutos, caso contrário,
tal experiência é imprestável.
4.1. Abandono das práticas do velho homem.
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Arrependidos, agora vivemos reconciliados com Deus, e estar aliançado com Deus é
manifestar uma atitude diferente de comportamento. Escrevendo aos Efésios, Paulo diz
que devemos nos despojar do velho homem. Renovar-nos no espírito de nossa mente, e
nos revestir do novo homem, que segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e
santidade (Ef 4.22-24).
E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça
e santidade.(Ef. 4:24)
O arrependimento nos transforma em boas árvores, e, como tal, deveremos dar bons
frutos.
Agora, após a regeneração, ouvimos, compreendemos e conservamos a Palavra,
frutificando em perseverança.
Ninguém pode produzir sem estar conectado a Cristo, mas isso envolve disciplina,
compromisso e uma compreensão perfeita de nossas responsabilidades diante de Deus (Jo
15.1-5).
OS FRUTOS DO ARREPEDIMENTO.....
3.2. A novidade de vida.
Novidade é algo que muitos desejam e poucos adquirem . É isso que Jesus nos oferece.
Algo que ninguém pode dar e que muitos necessitam (Is 61.1).
O mundo oferece sempre algo que com o tempo perde a graça e se torna obsoleto. Jesus
não. O que Ele nos dá nunca sai de moda, nunca perde o valor.
Quando estamos em Cristo, somos sempre renovados. Por isso devemos sempre nos
comportar como diz a Escritura (Ef 5.8). Tudo o que é de valor deve ser bem cuidado para
que seja preservado.
Assim é o que recebemos de Deus. Somos a novidade de Deus nessa terra e devemos estar
sempre renovando nossa mente (Rm 12.2). Devemos vencer as artimanhas do inimigo,
que visam nos fazer voltar à velha vida.
"assim andemos nós também em novidade de vida" (Rm 6:4)
Esta vida de novidade envolve uma vida justificada e disposta a viver em santificação
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Santidade e novidade de vida. A santidade não isola o crente do convívio social; pelo
contrário: é demonstrada em nossos relacionamentos cotidianos (1 Co 1.2; 10.31; Cl 3.12;
1 Pe 1.15).
Entretanto, não basta deixarmos a conduta da vida passada; é necessário passar a viver a
nova vida em Cristo (Rm 6.4).
Isto significa que não é suficiente deixar de mentir; é necessário dizer a verdade (Ef 4.25-
32).
Não basta despojar-se do “velho homem”; é essencial vestir-se do novo (Ef 4.22,24).
A santificação, por conseguinte, é viver de acordo com a nova vida que recebemos.
Isso exige esforço por parte do crente.
Muitos imperativos bíblicos acionam a responsabilidade humana: Operai (Fp
2.12,13); buscai (1 Ts 4.1); mortificai (Cl 3.5); andai (1 Ts 4.1-5); fugi (2 Tm 2.22); segui (Hb
12.14).
OS FRUTOS DO ARREPEDIMENTO.....
3.3. Diligência.
A vida cristã é desafiadora e a permanência nela é uma questão de sobrevivência
espiritual, onde nossas escolhas, com a ajuda do Espírito Santo, determinarão nosso
crescimento (Dt 30.19).
Devemos sempre nos perguntar: Estou perseverando na fé? Minha conduta demonstra
um cristianismo aprovado, dúbio ou reprovado? O que estou fazendo para melhorar meu
relacionamento com Deus, com meus parentes e com os irmãos em Cristo?
Qual tem sido o meu interesse pelas Escrituras, EBD, cultos e pela comunhão com os
irmãos?
Estou contribuindo com os meus dons e talentos, ou os enterrei por algum motivo? A
Bíblia nos alerta a sempre nos apresentarmos aprovados diante de Deus e com afinidade
na Palavra de Deus (2Tm 2.15).
Segundo o dicionário Aurélio, diligente é uma pessoa ativa: zelosa; aplicada. A diligência é
resultado da profunda convicção gerada pela Palavra de Deus e ação do Espírito Santo
mencionada no tópico 2.21.
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Assim, a pessoa está plenamente consciente que precisa estar em Cristo (Jo 15.5) e andar
no espírito (Gl 5.16, 25), para não mais viver segundo a natureza pecaminosa. A diligência
aponta para um viver não acomodado passivo, mas em constante renovação (Rm 12.1-2).
CONCLUSÃO
O Senhor Jesus foi claro que os Seus discípulos devem pregar “o arrependimento e a
remissão de pecados” (Lc 24.47). O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer denominou de
“graça barata” a mensagem de salvação destituída de arrependimento. Que Evangelho
estamos pregando?
Pr. Reginaldo Santos