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105ºaNiVersário

Director: Jorge ValaDares /// Director-aDJUNto: aNtóNio armaNDo Da costa /// aNo XVi /// N.º 124

publicação regionalista propriedade da casa De trás-os-moNtes e alto DoUro

14 de Maio de 2011: O Dia de Mirandela na CtMaD
ealizou-se no passado dia 14 de Maio na sede da nossa casa o primeiro dia d (dia de uma cidade/vila/aldeia de tMad), o “dia de Mirandela”. esta iniciativa fundadora inscreve-se no desejo de realizar muitos dias d na nossa casa. e foi um êxito extraordinário, por vários motivos: a grande afluência de convivas (sala completamente cheia); a prova do azeite; a saborosa refeição servida; os momentos musicais; a palestra sobre a história de Mirandela; a sessão de lançamento de livros de dois autores mirandelenses; a presença da drª Maria gentil, vereadora da educação, cultura e turismo da câmara Municipal de Mirandela (cMM). iniciou-se este memorável dia com a visão atenta de um dVd, Terra Ólea, muito bem realizado. seguiu-se a prova de azeite soberbamente demonstrada pelo engº emanuel baptista (aotad), assistido por ana almeida pimpão, do posto de turismo da cMM. Ficámos a saber, simplificadamente, como é feita esta prova nos aspectos olfactivo e gustativo: contrariamente à prova de vinhos em que se bochecha e se deita fora, na prova de azeite este é passado pelas diferentes partes da boca e lín-

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gua e depois engole-se! e um alerta: nunca adquira uma garrafa que diga apenas azeite. ela terá cerca de 20% de azeite virgem, e o restante é azeite reciclado, de qualidade inferior. opte sempre por um garrafa que diga no rótulo azeite virgem ou extra virgem, de preferência de trás-os-Montes. seguiu-se o almoço que constou do prato típico de Mirandela, a alheira, acompanhada de batatas cozidas e grelos, bem diferente do crime gastronómico consumado quando ela é acompanhada com batatas fritas e ovos estrelados… a alheira (certificada) estava muito saborosa, pena que não estivesse um pouco mais tostada, as batatas (de lamego) e os grelos muito bons. o nosso colega Manuel Martins apresentou-os o mais frescos possível, tal como o pão caseiro. tivemos ainda a bola de azeitonas vinda de Mirandela. os vinhos engarrafados eram de altíssima qualidade, de duas aldeias do concelho de Mirandela, Vale de salgueiro e s. pedro Velho, ofertas do prof. luís garcia e sr. carlos pires, respectivamente, que fizeram as delícias de quem os sabe apreciar. umas excelentes cerejas de alfândega da Fé,

Festa do Folar e do azeite da CtMaD em Lisboa No dia 17 de abril de 2011
oderia chamar-se-lhe mais propriamente “Festa dos sabores transmontanodurienses”, pois ali encontra-se de tudo um pouco, com o genuíno sabor das nossas terras, da nossa infância, da nossa criação em geral. pelas dez horas da manhã, quando lá cheguei, era já um corropio de gente a entrar e a sair, numa ânsia de abastecimento eficaz, não fosse acontecer, como já algumas vezes sucedeu, virem a faltar os géneros que procuravam. os expositores estavam lá quase todos: pastelaria nilde de lisboa, padaria Fontoura e padaria Moutinho, alheiras de Vinhais e alheiras angelino, vinhos da Quinta do roncão, vinhos de sobreiró de cima, douro caves, enchidos aurélios, Maria da conceição borges com produtos diversos, cooperativa de castmonte de carrazedo de Montenegro com produtos variados não faltando o azeite, carnes e sabores com produtos vários, augusto Máximo também com produtos vários e por fim os célebres e afamados pastéis de chaves, que estavam ali mesmo na entrada da feira e com um cheiro que rescendia por todo o lado. além disto havia um prato de carne para o almoço de quem quis aproveitar, bem regado e acompanhado com fruta à sobremesa. na hora do lanche/merenda, alheira, uma fatia de folar, pão e vinho. tudo em abundância e bem servido. naquele dia só passava fome quem não podia comer. só as provas oferecidas gratuitamente pelos diversos e generosos expositores davam para saciar. Foi tudo muito bom, num ambiente agradável e franco à boa maneira das nossas terras. em termos culturais( ainda há quem pense que os nossos encontros não são culturais, mas creio que estão enganados), tivemos a Banda de música de sendim do concelho de tabuaço da zona do douro, cuja atuação foi simplesmente espetacular. conheço muitas bandas e todas excecionais, mas aquela surpreendeu-me pela positiva. tocou cerca de doze a quinze números,

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Próximas actividades ctmaD
18 de Junho: dia de chaves (na sede) ver última página 24 de Junho: sardinhada da ctMad (no bairro da bica) 2 de Julho: passeio – convívio a Óbidos, caldas da raínha e Foz do arelho
Nota: Para estas actividades é necessário inscrição prévia até uma semana antes.

reuniões de Direcção: 7 de Junho e depois de 2 em 2 semanas às 2.as Feiras

Outras actividades futuras:
aniversário: 24 de setembro; Magusto: 6 de novembro; ceia de natal: 19 de dezembro

com um rigor, com uma perfeição, uma destreza de espantar vivos e mortos. eram cerca de 50 elementos de idades variadas, desde os jovens de pouco mais de seis anos até aos adultos de 50/60. tudo muito certinho, e arrumado em termos de harmonia e compostura. um espanto. o seu maestro o dr. Jaime pedruco, com um currículo invejável, tinha toda a gente bem treinada e muitíssimo bem afinada. Merece os parabéns e o profundo agradecimento da ctMad e de quantos o ouviram. Muito obrigado pela lição magistral que nos ofereceu. Queremos ainda agradecer à câmara de tabuaço que disponibilizou o transporte para esta deslocação. depois atuou o grupo de Danças e cantares dos Professores de almada, coordenado pela professora glória roberto, que rodopiou, dançou, cantou e nos encantou a todos. É já a 2ª vez que este grupo tão distinto nos delicia com as suas danças tradicionais, que lembram outros tempos da nossa provecta idade. dele faz parte a esposa do nosso sócio e amigo, tesoureiro da casa, antónio Medeiros amaro. a este grupo queremos também agradecer não só a presença como também a simpatia e o grande empenho que demonstram nestas magníficas sessões que divertem e fazem pensar na alegria de viver, apanágio de quem sabe e quer caminhar mais alto e mais além. parabéns. por fim e como sempre chegou a vez do grupo maranus, já muito nosso conhecido, que encerrou a festa com chave de ouro, pondo toda a gente a dançar e a cantar. as modas e canções foram muito variadas e mobilizaram quase por magia e encanto quantos puderam ouvi-los e presenciá-los. obrigado a todos . e tudo isto aconteceu no externato marista de lisboa, que nos franqueou as suas portas, como vem acontecendo há muito tempo, e a quem muito agradecemos. lisboa, 7 de Maio de 2011 Serafim de Sousa

A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro é a mais antiga Associação Regionalista de Lisboa (alvará de 23 de Setembro de 1905) – Condecorações: Membro Honorário da Ordem do Infante Dom Henrique (21 de Abril de 2005); Ordem de Benemerência (5 de Outubro de 1931); Medalha de Honra da Cidade de Lisboa (20 de Julho de 2005) Pessoa Colectiva de Utilidade Pública (D.R. n.° 117, 11 Série de 22-05-1990) Campo Pequeno, 50 3.0 Esq. – Tel. e Fax 21 793 93 11 – 1000-081 Lisboa – E-mail: ctmad.lisboa@gmail.com

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Sem o merecido brilhantismo
Jorge ValaDares
ão há a menor dúvida que o nosso país está a atravessar uma das maiores crises no pós-25 de abril. a crise é tal que até a própria comemoração desse importante acontecimento, que virou uma página na história do nosso país, não teve, de um modo geral, o brilhantismo que merecia. no que diz respeito à nossa instituição, onde a larga maioria dos seus associados viveram uma parte da sua existência antes do 25 de abril de 1974, essa data histórica muito importante do século passado no nosso país, a comemoração esteve muito longe do brilhantismo que merecia ter. Queixam-se alguns associados, sempre prontos a apontar o dedo acusador à direção, que as nossas atividades não têm a merecida participação por deficiente divulgação. não foi claramente o caso que sucedeu com a comemoração do 25 de abril que, apesar de ter sido divulgada logo no plano de atividades aprovado por unanimidade na assembleia geral de Janeiro, ter sido anunciada no jornal em papel e no jornal eletrónico, e, além disso, ter sido enviado e na antevéspera reenviado um especial convite aos cerca de 300 associados que já têm e-mail, só conseguiu reunir no jantar pouco mais do que uma dúzia de associados. interpreto este desinteresse em larga medida com o desânimo e sentimento de desilusão que se instalou numa larga faixa da sociedade portuguesa, por razões mais que conhecidas da larga maioria do povo português e que dispenso de aqui referir. para ajudar à pobreza da comemoração, o representante indigitado pela associação 25 de abril para estar presente entre nós no jantar de comemoração não compareceu, como que adivinhando que viria encontrar um ambiente pouco adequado ao alto significado do ato, isto sem desprimor e até com grande consideração para quem se dignou comparecer. para esse punhado de associados (as) vai o meu sentimento de irmandade no espírito e na causa do 25 de abril e, tal como tive oportunidade de lá afirmar numas curtas mas sentidas palavras de improviso, não devemos ter má memória e «contra todos os ventos e marés» que tentam minar e desvirtuar o grande sonho e o renascer da esperança que se viveu nessa data, temos de afirmar convictamente que muitas mudan-

actividade Federativa (CPCCRD)
accl a associação das colectividades do concelho de lisboa (accl), estrutura da confederação portuguesa das colectividades de cultura recreio e desporto (cpccrd), aonde a ctMad está filiada, comemorou o seu 9º aniversário no passado dia 30 de abril. esteve presente antónio da costa pela ctMad. constou de uma demonstração de variedades, seguida de uma sessão solene e finalmente terminando com um lanche volante. a sessão de variedades foi conduzida pelo grupo de teatro “os resistentes”, do grupo recreativo “os escorpiões”, que representou várias pequenas peças e momentos de fado, no que foram acompanhados por rafaela bastos, uma jovem cantora de 15 anos com um potencial enorme, e pelo consagrado acordeonista tino costa, considerado o maior acordeonista vivo, que nos brindou com uma brilhante actuação. na sessão solene, presidida pelo presidente da Mesa da assembleia-geral, professor Francisco teófilo, soube-se que foi finalmente firmado o protocolo entre a câmara Municipal de lisboa e a accl que permitirá a esta passar a ter novas instalações. Falaram o presidente da direcção, o presidente da direcção da Federação das colectividades de cultura, recreio e desporto do distrito de lisboa (Fccrddl), o presidente da Junta de Freguesia de s. Vicente de Fora e o representante do grupo cdu na assembleia Municipal de lisboa, que para além de enaltecerem a importância do Movimento associativo popular e no seu interior da accl, referiram as dificuldades porque este passa, finalizando com as saudações das colectividades federadas, entre as quais a ctMad. o lanche volante de grande generosidade e qualidade, onde foi partido o bolo de aniversário. FccrDDl dia 7 de Maio reuniu a assembleia-geral da Fccrddl, estrutura intermédia da cpccrd, na sociedade Filarmónica João rodrigues cordeiro,. a reunião que tinha poderes eleitorais, e na qual esteve presente como delegado da ctMad antónio da costa, tinha a seguinte ordem de trabalhos: 1. discussão e votação do plano de actividades e orçamento para o ano de 2011; 2. discussão e votação do relatório e contas e do parecer do conselho Fiscal referente ao exercício de 2010; 3. eleição dos Órgãos sociais para o próximo triénio no período antes da ot, o presidente da direcção referiu vários problemas que afectam as colectividades, pela desadequação das leis do país à realidade destas. são exemplos: as implicações legais da gestão dos bares e do sector da restauração, já abordada na reunião entre a cpccrd e a asae na casa do alentejo referida no último número e que aguardam desenvolvimentos positivos; e a aplicação da legislação sobre direitos de autor aos televisores pelas colectividades. os pontos 1 e 2 decidiram-se pela aprovação dos documentos propostos por unanimidade. Foi referida a necessidade de uma maior informação da actividade das colectividades entre si, através do uso sistemático das novas tecnologias, nomeadamente as já existentes a nível da Fccrddl e da cpccrd. o ponto 3 foi usado para explicar os motivos por que não se podia realizar, ficando a actual direcção com mandato extendido até que nova direcção seja eleita, o que acontecerá no futuro próximo, em assembleia-geral a convocar. com a ordem de trabalho completa, deu-se por encerrada a reunião.

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ças para melhor ocorreram desde então, nos mais diversos campos, com realce para o bem mais precioso que devemos defender a todo o custo e que é a liberdade de opinião e não subjugação a quem nos queira violentar o nosso pensamento e a nossa consciência. a liberdade de pensamento e ação deveria estar sempre apoiada num enorme sentido de responsabilidade, honestidade e respeito pelos outros, valores que deveriam ser cultivados na escola e em casa, mas infelizmente tal não se tem verificado em muitos casos e daí a desilusão que se instalou na mente de alguns que lutaram pela liberdade. tendo sido aluno universitário e membro dos órgãos sociais da associação de estudantes da Faculdade de ciências nos anos quentes da década de 60, tive oportunidade de sentir na pele a dureza do regime anterior e o quanto custa viver em ditadura, sem poder questionar aquilo com que não se concordava. como era um jovem estudante, acreditava que um dia ainda haveria de viver num portugal livre onde os governantes seriam democraticamente eleitos pelo povo e com o apoio deste construiriam um portugal muito mais justo e fraterno. acreditava, influenciado pela leitura de rousseau e outros pensadores, que a liberdade faz parte da natureza do ser humano e que todo o ser humano nasce para ser livre, tem direito à liberdade e merece a liberdade a que tem direito. sinto hoje que fui um idealista e sonhei demasiado alto. continuo a não acreditar que a natureza humana está muito longe da que revelavam aqueles «iluminados» que nos controlavam e amordaçavam antes do 25 de abril, mas sinto hoje que infelizmente nem todos os seres humanos merecem a liberdade de que reclamam o direito. Houve, há e haverá sempre seres humanos em que a parte racional do cérebro controla o mau instinto e a parte reptileana do mesmo, assim como outros em que sucede exatamente o contrário. estou algo frustrado porque a sociedade portuguesa de hoje está longe de ser aquela que ambicionava. Mas tal desilusão não deverá destruir felizmente os neurónios da nossa memória a longo prazo. e por isso, enquanto pudermos, continuaremos a comemorar o 25 de abril, em especial os que o vivemos com muita alegria.

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Dia de Mirandela na CtMaD (cont.)

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da propriedade da nossa colega, dr.ª Maria de lourdes Falcão, aletria e café completaram a soberba refeição. seguiram-se os discursos da praxe intervalados por uma intervenção musical a cargo do eng.º laertes cordeiro, do dr. luís Verdelho e de mim próprio. o nosso presidente abriu os discursos e, em traços largos, fez o historial da ctMad, referiu as actividades desta, congratulou-se com a iniciativa de se implantar o dia d, e agradeceu a presença da dr.ª Maria gentil, bem como as ofertas da cMM à ctMad: 4 quadros com vistas de Mirandela e ainda um com a estátua de luciano cordeiro. isto para além de azeite para as mesas, pequenas garrafas para os participantes, bem como um cd da orquestra esproarte de Mirandela com obras de offenbach e bizet. seguiram-se as palavras da dr.ª Maria gentil, muito satisfeita por se comemorar na ctMad o dia de Mirandela, e declamou um poema da sua autoria com grande emoção, que contagiou os convivas. a ctMad, pelo seu presidente, fez então a entrega do medalhão, livro e revista comemorativos dos 100 anos da casa à cMM, na pessoa da sua vereadora. Foi um momento muito aguardado, a palestra sobre a história de Mirandela, a cargo do nosso prezado sócio tenente-coronel engº Jorge golias. elucidou-nos sobre vários aspectos da cidade, nomeadamente a sua origem, a concessão dos forais, a chamada ponte velha, os távoras. algum cansaço das pessoas, motivado pelo calor e pela duração da própria reunião, forçou aquele nosso conterrâneo, distinto investigador e historiador, a abreviar a sua exposição. levantámo-nos então para desentorpecer as pernas e passámos ao salão nobre onde foi feita o lançamento dos livros Passos e laços de Maria augusta ribeiro e Contos Nebulosos de nuno nozelos, ambos de Mirandela. a apresentação dos autores

foi feita por Jorge golias, acima mencionado, tendo os autores recitado alguns dos seus poemas. gostaríamos de frisar e agradecer, em nome da ctMad, aos mesmos e à cMM, pois todo o produto da venda dos seus livros reverteu a100% para a ctMad, gesto que muito nos sensibilizou. terminamos reproduzindo a penúltima quadra e a quintilha final de um poema da autoria de um colega nosso do técnico, engº domingos cardoso, natural de Ílhavo, poema esse que fez propositadamente para este dia. rezam assim: tens os teus filhos amados Que sendo teus te engrandecem: andam no mundo espalhados Mas no peito não te esquecem. Mirandela de riqueza exposta ao sol e ao luar diz-me com toda a franqueza: assim com tanta beleza, Quem é que não te há-de amar? e assim se concluiu o 1º dia d—Mirandela, na ctMad. Já estão outros na forja, que desejamos com tanto êxito. ou melhor, quase tanto êxito, porque Mirandela é o MáXiMo! Carlos Cordeiro

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Entrevista com a Drª Maria Gentil, da Câmara Municipal de Mirandela
NtmaD — a sua presença aqui mostra que a cmm deu uma grande importância á realização deste Dia de mirandela. É o primeiro mas outros se seguirão visando outras cidades vilas e aldeias. como a cmm valoriza estas realizações da ctmaD e nomeadamente na cidade de lisboa? Mg. — nós valorizamos porque acima de tudo pensamos que a aposta do futuro é realmente a preservação dos valores culturais, porque as obras estão praticamente quase todas feitas, e agora a forma de aproximar as pessoas, de as valorizar, de irmos preservando as suas raízes, é realmente a cultura. e estamos a apostar muito na cultura e no turismo um vez que Mirandela tem particulares potencialidades turísticas que chegam e sobram para que possamos dar o tal salto qualitativo nos tempos actuais. Um dos vectores importantíssimos desta jornada foi a divulgação do azeite com um dos produtos de grande qualidade que está a ser produzido na região de tmaD e nomeadamente na região de mirandela. como pensa a cmm fazer a ligação entre o turismo, levando pessoas a mirandela, em ligação com a promoção destes produtos únicos que podem ser importantíssimos para o desenvolvimento de mirandela em particular, e tmaD em geral? antes de mais quero dizer que nós, Município, já fazemos uma festa anual, o Festival dos sabores do azeite novo, em que homenageamos o azeite como sendo o produto-rei de Mirandela. É essa a principal forma de promovermos a cultura do azeite, visto que esta não é só agricultura, mas também uma cultura que tem de ser transmitida para os nossos vindouros. É através desse festival que começamos a fazer a promoção turística. Fazemos sempre a promoção do azeite, em colaboração com a turismo portinorte de portugal e com a participação em eventos que se realizam em todo o país, inclusive na btl de lisboa, e em especial nos dias dedicados ao concelho de Mirandela, e depois através do turismo avançamos com a nossa agenda cultural e conseguimos chegar a muita gente, a muitos sítios e a muitos países. em especial com este projecto terra Ólea, desenvolvido entre portugal, espanha e França, tornamos o azeite um vector de turismo. procuramos que os que nos visitam se tornem os embaixadores de Mirandela, e para isso fazemos com frequência semanal visitas e passeios pedestres a olivais e a lagares de azeite, divulgando o azeite. claro que nesta altura a visita a um olival não será tão interessante como quando se está a apanhar a azeitona, mas insistimos muito com este tipo de divulgação. por outro lado estamos presentes em qualquer ponto do país aonde haja provas de azeites em que estejam associados vários pontos do país, levando sempre uma prova. e essa prova é uma coisa simples que consegue sensibilizar as pessoas, porque em geral as pessoas ou não sabem ou não estão motivadas para uma prova de azeites, visto estarem mais sensibilizadas para uma prova de vinhos. e nós temos uma carta de azeites. em Mirandela nesse Festival de sabores tem de se actualizar de meio em meio ano a respectiva carta, por causa do prazo de validade dos azeites. e os restaurantes que aderem ao fim-de-semana gastronómico do Festival têm no seu restaurante uma carta de azeites. ou seja qualquer turista que vá a esses restaurantes tem uma ementa obrigatoriamente com alheira, e azeite, procurando que as sobremesas também contenham azeite, e.g. laranja fatiada com azeite, pudim de azeite, torta de azeite, gelado de azeite, e têm também uma carta de azeites. Para terminar, vivemos num período de grande dificuldade nas contas públicas. Qual vai ser o impacto da austeridade imposta sobre os projectos da cmm cujo interesse é manifesto?

eu vejo com grande preocupação esse impacto pois alguns equipamentos que faziam parte desses projectos da regeneração urbana não vão poder ser feitos. Já reunimos para ver quais são as prioridades, e estas são sempre viradas para a educação e a cultura. estamos a pôr de lado outros projectos como estradas e outros equipamentos que podemos dizer que são secundários, mas vamos investir na cultura e educação. muito obrigado Drª maria gentil pela sua disponibilidade para responder às nossas perguntas, uma boa viagem de regresso e um grande abraço para o município de mirandela. um grande abraço para o vosso Jornal.

Sempre! Sempre! Sempre 25 de abril!...
o “prémio nobel das revoluções”, ao passar a ser conhecida como a “revolução dos cravos”. na verdade, poder-se-ia dizer, que desde as primeiras horas do início das operações militares, os populares desobedeceram às ordens do então MFa (Movimento das Forças armadas) para ficarem em casa e não interferirem nas operações militares. Vieram para a rua e juntaram-se aos militares, de certa forma conferindo-lhe protecção e mostrando ao regime político de então, de que lado o povo estava. Já não era um golpe militar em curso, mas a revolução que estava na rua… numa breve resenha, foi lembrado, porque nestes tempos de “crise” é necessário não esquecer, o que para a grande maioria dos portugueses foram os quarentas anos do regime político antes do 25 de abril de 1974, que assentava na inexistência de liberdade. apenas se era livre para ser pobre. a maioria da população, designadamente no interior, vivia com usos e costumes, economia (muita gente não conhecia a cor do dinheiro), e a subserviência aos”senhores”, semelhantes à idade Média. a polícia secreta, a pide, intrometia-se e controlava todas as manifestações e instituições sociopolíticas, e em conjunto com as “forças vivas” criavam o receio e o medo, não permitindo qualquer crítica ou contestação, de forma a manter as “coisas“ pobrezinhas mas asseadas. entretanto, portugal isolado, diplomaticamente, de quase todo mundo, envolve-se numa guerra colonial, em três frentes: guiné, angola e Moçambique. Foram 12 anos de guerra de guerrilhas para tentar manter as colónias, algo de que todos os outros países colonialistas já, há muito, tinham desistido. as consequências, dessa estúpida política, de pretender o impossível, foram desastrosas, designadamente sobre aqueles que nela participaram, e nos seus familiares. após o 25 de abril foi necessário enfrentar um processo de descolonização com grandes dificuldades. em pouco tempo, portugal viuse na necessidade de acolher e integrar cerca de um milhão de retornados (alguns de facto “refugiados”), e conseguiu-o espantando os outros países que tinham passado por processos idênticos. claro que, neste convívio, não poderia deixar de se falar na “crise”. e, de alguma forma, estabelecer paralelismo com o 25 de abril. dizia-se então, que portugal não estava preparado para a democracia e que, por isso, a sua implementação iria ser um descalabro. na verdade, os primeiros anos, em termos sociopolíticos, não foram fáceis. Mas aprendemos. politicamente, os portugueses, no seu conjunto, têm demonstrado uma participação de bom senso, conforme as sucessivas eleições o demonstram. em termos económico, apesar de limitado nos habituais recursos geradores e riqueza, portugal tem vindo a atingir estádios de desenvolvimento impensáveis há 40 anos. sendo assim, porque é que esta “crise” não deverá ser uma oportunidade, p.e., uma “revolução” de mentalidades que propicie a alteração, à maneira do 25 de abril, as estruturas e os procedimentos políticos e socioeconómicos, para reflectir e aprender a viver com outros padrões, designadamente limitando o consumismo e o endividamento… para finalizar é sabido que além dos militares que a comunicação social deu a conhecer, uma ou duas dezenas de militares de abril, foi necessário arregimentar largas centenas de oficiais, sargentos e praças para desenvolver as operações militares traduzidas no êxito que foi a revolução dos cravos. são hoje ilustres anónimos, pois com excepção de alguns familiares ou amigos, ninguém os conhece e pode homenagear… enfim, “tudo está bem quando acaba bem”… Teófilo Bento

casa de trás-os-Montes e alto douro continua a manter viva a memória do dia de todas as manhãs que cantam… em franco convívio, no jantar do dia 27 de abril, recordaram-se os antecedentes e as consequências da “revolução do 25 de abril”. esta revolução, iniciada e liderada por jovens militares, na sua grande maioria do exército, aconteceu de forma pacífica e vitoriosa, embora não tenham estado ausentes situações de provável conflito, com iminência de tiroteio de consequências imprevisíveis. apesar de hoje ser fácil dizer como muitos que “o regime estava podre, pronto para cair”, ele já se mantinha há 40 anos, e anteriores tentativas para o derrubar tinham fracassado. conforme se recordou, a nível operacional, a história teria sido outra se uma fragata “desavinda”, sediada no tejo, tivesse disparado o “1º tiro”, bem assim com uma força de cavalaria que, no terreiro do paço, se tentou opor às forças do então cap. salgueiro Maia. Felizmente, após “negociações adequadas”, o bom senso prevaleceu. Mas, sem dúvida, a intervenção popular foi o factor mais decisivo que possibilitou uma revolução com características únicas e, possivelmente, sem igual na história moderna universal, o que lhe valeu

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Encontro dos amigos de Vila Marim/Vila Real
em condições mais familiares, de envolvimento humano e de custos. Mas deixemos os problemas! o que importa é reunir-nos sempre os que ainda temos a noção das raízes onde nascemos. Foi muito divertido, como sempre. cantou-se a marcha de Vila real, porque ainda não temos a de Vila Marim, que precisa de uma. se já tem um site onde se podem ver os acontecimentos culturais e outros fatos relevantes, a marcha é indispensável. Que os músicos da terra oiçam este apelo e metam as mãos à obra. para uma letra que entreguei ao anterior presidente da Junta, ainda não tenho conhecimento da música adequada. depois foi uma amena cavaqueira até às 17 horas da tarde. recordaram-se velhos tempos, velhos amigos, antigos hábitos, tradições que nos deixaram saudades e que ainda se vão reconstituindo de vez em quando, só para não esquecer tudo, como foi a desfolhada em Quintela e outras coisas mais de sabor especial, onde nos vamos revendo e nos fazem refletir. dos presentes referirei o luís da giesta (luís Frutuoso), conceição taveira de sousa e toda a família; o sr. gomes e os seus todos, até dois netos amorosos; o jovem ricardo filho do Manuel eugénio (nelito), que fez anos nesse dia; o Manuel Martins e esposa; o serafim e esposa. afinal nomeei quase tudo. os outros que me desculpem, em especial a olga que referiu em dada altura que o porto ia ganhar e adivinhou. parece que foi bruxa. terá sido transmissão magnética da experiência da d. lurdes? creio que sim.

á lá vão dez anos que o grupo completa nestas reuniões de carácter familiar. começámos por ser quase uma centena e depois fomos diminuindo até fazer a média de 30/40 pessoas. este ano foi um pouco menos, éramos apenas 25 no total por motivos pessoais de alguns e por razões de perdas familiares muito próximas da parte de outros. seja como for e haja as razões que houver a data está marcada e vai manter-se sempre no domingo a seguir ao 28 de Março, por causa da rotina e para não haver desculpas para ninguém que pretenda comparecer. É claro que o almoço na ctMad implica uma logística pontual que não temos e precisamos de ter um número mínimo para que possa justificar-se uma refeição aqui, onde naturalmente estamos mais à vontade, e

Valeu a pena. para o ano seremos muitos mais se cada um de nós levar os mais resistentes e pelo menos alguns daqueles que ainda não estão atacados de muitos achaques. Mas uma vez por ano até se pode ir de muletas. agora já temos elevador. talvez com uma foto do nelito possamos ver os que lá estavam felizes e contentes. Serafim Sousa

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Retalhos... de Burel e Ouro
Armando Jorge e Silva
tamente do local para portugal e para o Mundo para os responsáveis do certame, o resultado foi francamente positivo e a cidade e o concelho ganharam outra visibilidade projetando-se com esta feira no país e no estrangeiro. o volume de vendas diretas ultrapassou o valor do milhão de euros. o processo da certificação do folar como produto de qualidade, em que a autarquia tem estado empenhada há anos, deve ficar ainda este ano concluído e isso contribuirá imenso para a difusão e comercialização do folar. também em carrazeda de ansiães, a autarquia com a colaboração dos bombeiros Voluntários organizou a ii Feira do Folar. José Viegas; cds-pp, nuno sousa; cdu, Manuela cunha; be: liliana Fernandes; no distrito de Vila real – psd, pedro passos coelho; ps, outro pedro, de apelidos silva pereira; cdu, Manuel cunha; cds e be jogam no feminino com Joana rapazote e irina castro. além dos partidos representados na assembleia da república, oito outros partidos e movimentos se apresentam a sufrágio em Vila real, mostrando que não é por falta de partidos que a democracia entre nós vai manca. tudo leva a indicar, a menos que haja complicações, possíveis mas não previstas, que o próximo primeiro-Ministro de portugal terá “cheiro e sabor” transmontanos, colhidos nas serranias do Marão.

alunos de Montalegre ganham Festival Mundial de Criatividade

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ste festival mundial de criatividade dirigido às escolas italianas e escolas de todo o mundo tem lugar em sanremo, itália. na 13ª edição do festival, ocorrido entre 06 e 10 de abril deste ano, o grupo de concertinas da escola secundária bento da cruz, de Montalegre, consciente do seu valor, arranjou, com enormes dificuldades diga-se, as condições necessárias para se deslocar a itália e concorrer aos prémios em disputa. pois bem, foi, viu, atuou e…venceu. tirou o primeiro prémio na categoria de música popular. participar num festival mundial, com centenas de escolas a concorrer, atuar numa sala com 1500 espetadores a aplaudir e receber o galardão da vitória foi uma emoção muito forte para a comitiva barrosã. por isso mesmo e, justificadamente, a comitiva e, sobretudo, “os nove magníficos” artistas foram recebidos triunfalmente em Montalegre com aplausos, foguetes, fanfarra e subiram ao salão nobre dos paços do concelho. parabéns.

arquitetura de classe no Douro Vinhateiro

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Feiras do Folar

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or altura da páscoa, o Folar é rei na gastronomia transmontana.

Valpaços, cidade que já garantiu o título de capital do Folar, realizou nos dias 15,16 e 17 de abril a Xiii Feira Do Folar — ProDUtos Da terra seUs saBores. Milhares de pessoas estiveram e deambularam pelo pavilhão Multiusos, contactaram com 70 expositores do concelho, viram, provaram, apreciaram, compraram folar e outros produtos, partilharam a emissão da rtp1 que transmitiu direc-

esde que em 2001 o douro Vinhateiro foi classificado como património da Humanidade têm-se feito esforços para que esta zona demarcada tenha infraestruturas de qualidade niveladas pelo prestígio que tal título contém. a estrutura de Missão do douro, departamento operacional da comissão de coordenação e desenvolvimento regional do norte, tenta com várias iniciativas, dar visibilidade a esse propósito. por exemplo, em 2006 instituiu o prémio bienal de arquitetura, cuja edição 2010/2011 foi ganha pelo arquiteto siza Vieira. o premiado recebeu o prémio no dia 18 de abril, no Museu da Vila Velha, em Vila real, e a obra ganhadora, entre catorze concorrentes, foi a adega da Quinta do pontal, localizada no concelho de sabrosa.

do em título o seu habitual encontro de convívio. este ano com o aliciante momento da eleição dos corpos sociais para o triénio 2011/2014. o seminário foi sempre na cidade de Vila real, ao lado dos outros estabelecimentos de ensino e formação, uma escola de reconhecido mérito que honrava a região. destinado primordialmente à preparação e formação de sacerdotes, era sabido que a grande maioria dos alunos percorreria outros caminhos na vida, tornando-se assim o seminário num alfobre de competências muito diversificadas. saídos do seminário há profissionais distintos espalhados pelo país na justiça, na política, na ciência, na música, no ensino, nas artes, na administração, no tecido empresarial e, naturalmente, na religião. este ano, a direcção da associação resolveu homenagear todos os ex-alunos já reformados ou em vias de reforma que fizeram da Justiça o seu campo de actividade. alguns antigos alunos foram e são associados e colaboradores da nossa ctMad como é, por exemplo, o redator destes retalhos.

Gente do alvão disposta a não votar
s habitantes das aldeias de barreiro, Varzigueto, Fervença, e cavernelho, situadas na serra do alvão estão dispostos a não participar no próximo ato eleitoral se as autoridades competentes não concluírem 800 metros de estrada que faltam para ligar as povoações de barreiro a lamas d’olo, facilitando-lhes o acesso a Vila real. esta ligação devia ter sido concluída em 2001, sim há dez anos, mas não foi. nós, que estamos longe, não conhecemos bem as razões de tal situação, mas pasmamos que num país a abarrotar de autoestradas, de ic e ip, os responsáveis não encontrem no diálogo, na boa vontade, na colaboração mútua e na capacidade de decisão uma forma airosa de a solucionarem. um mínimo de sensibilidade e bom senso é quanto bastaria, parece-nos.

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Eleições à Vista

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aaaSVR reune no dia 21 de Maio

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associação dos antigos alunos do seminário de Vila real faz nesta cidade e no dia indica-

êm aí novas eleições. É já no próximo 05 de Junho o dia da votação. a campanha eleitoral oficialmente ocorrerá entre 22 de Maio e 03 de Junho e vamos continuar a ter que eleger 230 deputados. apesar de desconfiada e reticente, a região de trás-os-Montes e alto douro prepara-se para participar no acto eleitoral esperançada, uma vez mais, de que “agora as coisas vão melhorar”. as “máquinas partidárias” já apresentaram as listas dos seus representantes cujas cabeças são: no distrito de bragança – ps, Mota andrade; psd,

Macedo de Cavaleiros avança com Feira de S.Pedro

a

associação comercial, que este ano conta com o patrocínio dos supermercados continente, vai realizar, entre os dias 25 de Junho e 2 de

Padaria

Pastelaria

Fundada em 1942
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Retalhos... de Burel e Ouro
Julho, a tradicional Feira de s.pedro. e quer fazer dela o primeiro ecoevento de todas as cidades do eixo atlântico, (galiza e norte de portugal) que são 18. isso significa criar um sistema de ações várias que conduzam à redução de gastos de energia, água, materiais possibilitando a sustentabilidade da organização. para o efeito, vai ser implantada uma rede de ecopontos que permitam a recolha e separação dos resíduos sólidos e uma ampla campanha de esclarecimento cívico. esperam-se 250 expositores no recinto da feira e 50 artesãos. tony carreira, camané, Mikael carreira, Quim barreiros, lucenzo, irmãos Verdades, são os artistas convidados para uma feira e festa que se deseja venha a ser o acontecimento mais importante do ano. uma boa oportunidade para visitar Macedo. tome nota, prepare-se e… vá. a França continua a relembrar a data e nas cerimónias oficiais deste ano o presidente da câmara de Murça, dr. João teixeira, em nome do Município, depositou uma coroa de flores no cemitério militar português de richebourg e outra em frente ao monumento ao soldado português, em la couture. entre as muitas pessoas francesas e portuguesas presentes nesta cerimónia de memória e homenagem estava também o embaixador de portugal em França, dr. seixas da costa, outro ilustre transmontano de Vila real. om 211 anos de vida e uma meritória acção no ensino da música recebeu como distinção nacional a medalha de mérito cultural. a medalha foi-lhe entregue pela Ministra gabriela canavilhas. a banda já atuou algumas vezes, em lisboa, para a ctMad

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Universidade Sénior em Vila Pouca de aguiar

a Igreja de Santo Cristo vai encerrar para obras

É

Uma Pré-Visão da Foz do tua

a Batalha de La Lys e trás-os-Montes e alto Douro
sta batalha que aconteceu em 9 de abril de 1918, no último ano da i grande guerra, foi a maior derrota sofrida pelos portugueses em toda a sua história. no cemitério militar português, em richebourg, há 1831 sepulturas de portugueses mortos. apesar da derrota, foi heróica a resistência dos portugueses, tendo o regimento de infantaria 13, de Vila real, e a unidade de braga sido louvadas e condecoradas pelos actos de bravura demonstrados. entre todos, celebrizou-se o soldado Milhões, natural de Murça, que foi condecorado com a medalha de torre e espada. ainda me lembro de na minha adolescência ver o soldado Milhões percorrer as ruas da cidade de Vila real com a bandeira nacional ao ombro ostentando no peito a medalha e eu pasmar cheio de admiração quando via os polícias e militares fardados porem-se em sentido e fazerem a continência à passagem daquele homem simples, mas herói..

já no mês de setembro deste ano que se prevê a abertura da universidade sénior em Vila pouca de aguiar. a câmara Municipal, a empresa Vitaguiar e a comunidade local assumem a responsabilidade do projeto. a universidade destina-se a maiores de 50 anos e as pessoas interessadas na sua frequência têm (ou tinham) de inscrever-se até finais de Maio. (em caso de dúvida informe-se junto da Vitaguiar pelo telefone 259 403 133). solicita-se a adesão de docentes que queiram colaborar em regime de voluntariado. a universidade funcionará no edifício dos antigos paços do concelho.

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e
ara os conhecedores da zona actual da foz do rio tua damos uma antevisão de como ficará a paisagem naquela área depois de concluída a barragem e os equipamentos que a apoiam. a publicação da imagem destina-se a prestar uma ajuda aos nossos leitores que se interessam pela problemática da foz do rio e da linha férrea do tua.

p

sta majestosa igreja localizada na povoação de outeiro, concelho de bragança, foi construída no século XVii e bastante alterada no século XViii. tem três naves. em 1927 foi declarada monumento nacional. entra agora em obras de conservação, sendo as verbas necessárias suportadas pela câmara Municipal, pela direcção regional da cultura norte e comunidade europeia. seis meses é o tempo previsto para a execução das obras.

Retalhos Finais
• Virgílio Gomes, especialista em assuntos de gastronomia, nosso associado e colaborador assíduo do ntMad, lançou no passado dia 12 de Maio, no Museu abade de baçal, em bragança, o seu último livro de gastronomia Transmontanices, causas de comer. o livro é enriquecido com o prefácio da escritora inês pedrosa e com desenhos da pintora graça Morais. • A Alheira de Mirandela foi escolhida entre 71 iguarias nacionais para fazer parte das 21 que em concurso nacional, a efetuar no dia 7 de setembro selecionará as 7 Maravilhas gastronómicas de portugal. se desejar participar no concurso e votar na alheira aqui lhe deixamos os contactos: tel. 760 302 701; Site oficial www.7maravilhas.pt; sMs enviar nº701 para nº 68933. • Especialistas da revista Wine&Spirits escolheram entre 157 vinhos portugueses dois vinhos do douro como os melhores atribuindo-lhes 95 pontos entre 100 possíveis. Foram eles a grande escolha douro 2008 e reserva douro 2008, ambos da Quinta da Fronteira. também vinhos das Quintas do Meão e noval receberam alta pontuação.

a Banda Musical de S.Mamede de Ribatua (alijó)

Sinal dos tempos

s

egundo informação do esta escola, localizada algures no concelho de alijó, virou, por força das circunstâncias e vontade da respectiva autarquia, em casa mortuária.

Visita à Sociedade de Geografia de Lisboa
o passado dia 4 de Maio cerca de vinte sócios da ctMad, acompanhados do seu presidente, dr. Jorge Valadares, e do responsável pelo pelouro cultural, eng.º carlos cordeiro, realizaram uma visita à sociedade de geografia de lisboa (sgl). Fundada em 1875, como o apoio do rei d. luís, tinha como objectivos o ensino e a exploração científica na área da geografia. Mas num mo-

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mento histórico internacional de partilha dos territórios africanos portugueses, cedo evoluiu no sentido de salvaguardar o património português em áfrica. Foi seu fundador e secretário perpétuo o mirandelense luciano cordeiro, que também foi fundador da carris, caminhos de Ferro de lisboa, em 1901. luciano cordeiro, polígrafo eminente, representou portugal na conferência de berlim (1855) e deixou um trabalho notável na recuperação de padrões dos descobrimentos e de escritos científicos sobre a política colonial, conhecidos por “Questões coloniais”. Foi ele também quem organizou a expedições de serpa pinto, brito capelo e roberto ivens (1877-80-84). a receber-nos esteve o secretário perpétuo, dr. João neto, que nos deu uma explicação sobre a história da instituição, o seu espólio, o modo como se organiza e as suas relações privilegiadas com os países da lusofonia. a sgl organiza-se em cerca de trinta comissões gerais e secções profissionais, que se ocu-

pam desde temas de largo âmbito regional como a comissão africana, de largas tradições históricas, ou a recém-criada comissão europeia, até temas mais específicos como a secção de antropologia, secção de História, secção de arte e literatura, secção de ciências sociais e Jurisprudência, etc. ao longo desta visita guiada tivemos oportunidade de ver objectos de arte africana e asiática de grande raridade e valor, muito procurados por pesquisadores estrangeiros. na memória de todos terão ficado os cadeirões trabalhados como peças de filigrana, um dos quais levou 30 anos a ser produzido e uma caixa trabalhada com imagens de ícones religiosos de todas as religiões conhecidas. Mapas antigos, dos primeiros tempos das descobertas e, num deles, as viagens dos navegadores portugueses, numa demonstração da primeira vaga de globalização feita pelo Homem. Vitrais temáticos, instrumentos científicos (globo celeste e globo terrestre, séc. XViii), objectos

de grande valor etnográfico, pinturas, contadores e o cadeirão de campo com óculo de livingstone. na passagem pela biblioteca fomos surpreendidos pela atenção da bibliotecária em pôr na mesa documentos sobre trás-os-Montes, nomeadamente do ii congresso, realizado há cerca de 70 anos. a visita terminou no salão nobre da sgl que é um portento de arte, de luminosidade e de condições acústicas. ali se realizam muitas conferências, simpósios e reuniões internacionais. ao dr. João neto agradecemos a simpatia com que nos acolheu, o vivo interesse como que nos ia informando sobre o que víamos e que suscitou da assistência muita participação, com questões e apontamentos históricos complementares. no final, o presidente da ctMad ofereceu ao secretário perpétuo um medalhão comemorativo do centenário assim como o livro e a revista desta efeméride. Jorge Sales Golias

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Visões de teatro

Grupo de teatro do Clube Pt: “O meu filho chama-se Laura”
peça de teatro “o meu filho chama-se laura” encenada por Francisco brás, e levada à cena pelo grupo de teatro do clube pt constitui uma lufada de ar fresco no panorama do teatro amador em portugal. partindo dum tema, a homossexualidade, que ainda levanta alguns sobrolhos entre gente bem pensante, o autor em vez de nos dar o habitual tratamento, o que se passa numa relação homossexual, que tantas vezes configura uma descarada promoção, procurou fazer uma digressão pelos estereótipos que circulam à volta desta questão na sociedade em que vivemos. um honrado cidadão de arco de baúlhe, Vila real, duma comunidade alheia ao colorido das relações sexuais, quando a mulher foge com o irmão, resolve vir par lisboa para confraternizar com o filho e esquecer as suas mágoas. porém é confrontado com o facto deste viver intimamente, não com uma mulher, mas com um homem. ao fazer a descoberta fica perplexo pois o filho tem todas as características heterossexuais, não se encaixando nas suas ideias feitas sobre os indivíduos homossexuais. resolve então submetê-lo a uma terapia de choque contratando uma prostituta para o tornar “normal”. Manifesta-se então o outro lado dos estereótipos, quando se ensaia uma descarada violação do direito à privacidade, que assume um carácter algo violento. como não consegue convencer o filho, tenta a mesma dose com o amante e falha igualmente. com esta sucessão de desaires, o nosso homem reencontra-se com a mulher que afinal depois das suas experiências com o cunhado, já tinha tido a dose de transgressão por que tanto sonhara, e queria voltar para o conforto do lar, numa existência menos atribulada, a do marido, mas agora mais esclarecida. a peça em apreço, ao fazer uma digressão crítica pela envolvência da homossexualidade, constituía já um trabalho de enorme valor. acontece porém que ao incluir o tratamento das relações extraconjugais da mãe do nosso herói, ultrapassa esta já ampla digressão e projeta-se em questões mais vastas como o exercício da monogamia e da sua transgressão extraconjugal. o tratamento é de grande rigor, reforçado pelo esforço de projectar uma peça norte-americana, escrita por ron clark e sam bobrick, cujo título original é Norman is that you?, na nossa realidade rural e na ideologia subjacente. o esforço é realmente pedagógico e didáctico, e ao optar-se pelo registo humorístico, ele sai reforçado, numa manifestação de uma dimensão maior do teatro. a encenação é brilhante, mas tem uma mossa: uma das cenas centrais da peça, quando o pai quer obrigar o filho homossexual a ter relações sexuais com a prostituta, não é suficientemente violenta para expor toda a miséria da homofobia. o conjunto dos actores tem uma prestação notável, de nível quaseprofissional, com maior destaque para carlos cordeiro, dirigente da ctMad, no papel do pai, e para nicole carlos no papel da prostituta. o grupo de teatro do clube pt convidou todos os sócios da ctMad para as representações a custo zero. os que se dignaram lá ir, honrando os anfitriões, divertiram-se imenso. contribuíram assim para a afirmação dum grupo com um trabalho muito sério e de excelente qualidade, que mereceu plenamente as enchentes das suas representações. a ctMad agradece este gesto de generosidade, que a obriga também, a bem do teatro, a que no futuro quando voltar a ter o seu grupo, ele não poder ter prestações inferiores ao deste que hoje assinalamos. António A. da Costa

omo se construiu, e se reconhece uma identidade regional na alimentação? Hoje parece-nos, ainda, fácil caracterizar uma região pois ainda temos na memória hábitos e tradições que se instalaram durante gerações. e a minha geração ainda viveu e foi educada com essas tradições que tinham origem naquilo que a natureza espontaneamente produzia, ou aquilo que os homens orientavam na agricultura de feição com as estações do ano. depois essa identidade também se marcou pela dificuldade de transportes. como o prof .cláudio torres afirmou a identidade é resultado da distância que uma mula se poderia deslocar durante um dia. significava que a partilha de alimentos, perecíveis, só se efetuava até onde o transporte era possível num dia. assim foi criado um receituário de acordo com os produtos que a região produzia e esse receituário executado em calendário da natureza ou de festividades quase sempre de origem religiosa. claro que havia outros produtos como o bacalhau e o polvo que chegavam com facilidade por serem secos e permitirem o seu armazenamento. outras artes de culinária instalaram também um receituário que

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Identidade Regional? até quando?

permitia com facilidade manter em qualidade produtos alimentares mais duradouros como eram as bolas de carne, e todo o tipo de folares, e ainda como exemplo o escabeche. Faziam-se também cuscos. e assim podemos, ainda hoje, definir a identidade de trás-os-Montes pela alimentação e seus festejos associados. Mas durante quanto tempo poderemos ainda confirmar essa identidade? Às vezes afirmo, de forma exagerada, que dentro de cinquenta anos, os elementos, que caracterizam a nossa identidade, farão parte de um capítulo arqueológico. e porquê? será só pelo avanço civilizacional? será pela nossa passividade? um pouco de tudo. ora vejamos como os hábitos sociais, as necessidades de trabalho, o desenvolvimento dos transportes e especialmente a velocidade da informação. de que modo temos nós as culpas, ou passividade, e como podemos inverter o círculo? porque foi tão fácil as pizzas, os hambúrgueres e os sushis entrarem no nosso quotidiano? porque aceitamos fruta acompanhada de açúcar? será que a linguagem da nossa comida era complexa e difícil? eu sei que os tempos mudaram e que as nossas mães tinham como tarefa de vida a

nossa educação, e comíamos em casa. Hoje têm que trabalhar fora de casa e os filhos comem nos refeitórios das escolas. eu só conheci essa realidade quando fui para o ensino superior no porto. corremos o risco de rapidamente descaracterizarmos as nossas origens. e porque devemos fazer a defesa e manutenção das nossas tradições? porque temos uma história. porque o futuro só se constrói com um passado que evolui. a cozinha, ou a arte culinária, é um ato de criatividade. e que acompanhou ritualidades, festividades e até um certo cerimonial. a cozinha desenvolveu os primeiros atos conviviais. e foi sempre evoluindo. Mas quando essa evolução apresenta ruturas cria abismos como os que vivemos atualmente e pouco respeitar aquilo que era nosso. por isso é importante proteger e apoiar as comunidades ou associações que continuam as tradições e respeitam a sua evolução. Força com o nosso pão, as nossas frutas nas suas épocas, o bom cabrito, a boa vitela, o bom queijo, os doces simples, os doces conventuais, e naturalmente o bom vinho. © Virgílio Nogueiro Gomes

Mosenses homenageados no Centenário da 1.ª República
m 26 de Fevereiro último as homenagens póstumas aos combatentes da 1ª grande guerra e a lúcio do nascimento Ferreira com o patrocínio da câmara Municipal e a preparação do Museu da “casa grande” (da a.c.d.r. de Freixo de numão), semelhantes às doutras freguesias do nosso concelho, permitiram que mais uma vez ficassem publicamente perpetuados nas Mós o respeito e a veneração por aqueles que no passado, pela sua generosidade, pelo seu sacrifício ou pelo seu talento e civismo, se foram da lei da morte libertando, como escreveu camões. o mesmo já anteriormente acontecera com personalidades da primeira república, quando ficou gravada na pedra a gratidão da comunidade mo-

e

sense ao grande benemérito antónio augusto de oliveira Mendes e ao insigne pedagogo e autarca, professor José antónio saraiva. o evento começou por reunir na sede de associação de cultura e recreio “as Mós” representantes das referidas instituições, membros da Junta de Freguesia e da associação local, muitos mosenses e alguns amigos e convidados. por sugestão do nosso presidente da Junta, eng.º carlos correia, o início das homenagens teve lugar nas proximidades de Fonte do barreiro, num sítio onde fora erguida uma bem aparelhada estela, tendo numa das faces a inscrição HoMenageM do MunicÍpio de Vila noVa de FoZ cÔa aos coMbatentes Mosenses da 1ª grande guerra, na face oposta gravados os 17 nomes dos homenageados, e coberta com a bandeira nacional. descerrada a estela pela senhora Vereadora andreia polido de almeida e pelo nosso presidente da Junta, e após uma breve introdução de ambos, usou da palavra o Mestre antónio sá coixão. começou por dizer que a elaboração do rol dos homenageados só era possível graças às informações colhidas na obra de Joaquim castelinho, mormente no seu livro “Memórias de um combatente”, passando depois a louvar o laborioso trabalho deste nosso comum amigo em prol dum melhor conhecimento das Mós e das suas gentes.

tomou depois o uso da palavra o autor destas linhas, que disse: No dia em que o tribunal da história das Mós nos dá o presente ensejo, não podíamos deixar de lembrar os mosenses que, há noventa e tal anos, foram obrigados a deixar o aconchego do seus lares e os afectos de noivas e familiares para irem combater em França, na 1ª Grande Guerra, sacrificando a saúde e alguns a própria vida nas trincheiras dos campos gelados da Flandres. É portanto mais do que justo que se erga um memorial perpetuando os respectivos nomes. e quando o engrossado acompanhamento se dirigia para o Fundo do povo, no largo da escola Velha, chamou a atenção dos edis para que as dívidas de gratidão para com os homens notáveis do período agora relembrado, só ficarão saldadas quando o referido largo se chamar professor José antónio saraiva. Minutos depois, a comitiva chegou junto do frontispício da casa onde fora colocada a placa de homenagem a lúcio do nascimento Ferreira, coberta com a bandeira nacional. descerrada a placa, usou da palavra o autor destas linhas, sobrinho neto do homenageado, dizendo ter sido nesta casa que este republicano nasceu a 29 de dezembro de 1882, e que devotadamente serviu a sociedade no exercício de três funções: responsável pelo registo civil de 4 freguesias; regedor, durante algum tempo, nas Mós; e após o

falecimento do professor José antónio saraiva, secretário da Junta de Freguesia. o seu desempenho nestes cargos mereceu louvores. referiu ainda que mesmo depois de derrubada a 1ª república, a Junta de Freguesia, presidida por Francisco Mendes Júnior, atribui-lhe o encargo de orientar e fiscalizar os trabalhos relativos à reparação de ruas da freguesia, pela sua manifesta competência. porém em finais dos anos vinte, desgostoso com a consolidação da ditadura, e preocupado com a saúde de uma filha e o futuro profissional dos restantes 4 filhos, deixou definitivamente a Mós, passando a residir no porto, onde sempre manteve as portas abertas de sua casa para receber familiares e amigos. Finda esta singela homenagem, dirigimo-nos todos (e já éramos muitos) à sede da associação, onde também chegaram os senhores presidente e Vicepresidente da câmara Municipal de Foz côa. a terminar o dia comemorativo usou da palavra o Mestre antónio sá coixão que pormenorizadamente explicou o significado dos documentos, imagens e objectos alusivos a estas e às restantes homenagens levados a cabo nas comemorações do centenário da república no nosso concelho. em nome de todos o que organizaram este evento, agradeço aos que a nós se juntaram para pagarmos mais estas dívidas de gratidão. José Gomes Quadrado

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antónio Borges Coelho
asce em Murça (trás-os-Montes), em 1928, no seio de uma família modesta, cujas deambulações acompanha: passa por lisboa, regressa às origens, sendo que só conclui a 4ª classe da instrução primária em 1940. Frequenta o seminário de braga, de onde virá a ser expulso, em 1945, quando preparava uma fuga colectiva. presta provas no liceu de Vila real, sucessivamente, como aluno voluntário, nos 3° e 6° anos (numa mesma época), no 7° ano e na aptidão a direito, sendo admitido na universidade de lisboa em 1948, mas logo forçado a abandoná-la no 1° ano, por contingências da vida, que o atiraram para a Junta autónoma das estradas para exercer a profissão de escriturário. abandona, em definitivo, a matriz burguesa da formação em direito que iria ser a sua, “tocado” pela leitura da obra “os thibauld” do escritor francês roger Martin du gard, prémio nobel da literatura em 1937, e decide matricular-se na Faculdade de letras de lisboa no ano lectivo 1949/50, no curso de ciências Histórico-Filosóficas. abandona o curso, no 2° ano (1951), para se entregar, por inteiro, à actividade política: é membro da comissão central do Mud Juvenil, apoia a campanha do general norton de Matos para a presidência da república, mais tarde é um dos 100 subscritores da candidatura de rui luís gomes e torna-se funcionário permanente do partido comunista português, sendo responsável, a nível nacional, pelo sector da Juventude. É constituído arguido no célebre “processo do Mud Juvenil”, na boa companhia de oscar lopes, agostinho neto, José augusto seabra e Ângelo Veloso, entre outros, e vem a ser “contemplado” com 2 anos e 9 meses de pena maior, acrescidos de medidas de segurança e da perda de direitos políticos pelo período de 15 anos. passa pelos Fortes de peniche (onde casa) e de caxias e pelas prisões do aljube e da rua do Heroísmo, no porto, cumprindo um total de quase seis anos e meio de prisão, com dois anos e meio em regime celular, sendo libertado em Maio de 1962. Matricula-se de novo nesse ano no curso de ciências Histórico-Filosóficas, na Fa-

Personalidades de trás-os-Montes e alto Douro

Jornadas de Reflexão - ação
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oi em 1905 que algumas figuras notáveis nascidas na nossa região natural se reuniram e criaram a agremiação que hoje é conhecida como casa de trás-os-Montes e alto douro. Fizeram-no por dois grandes motivos, por um lado proporcionar o convívio e a comunhão de sentimentos de ligação à terramãe dos que abandonaram as suas aldeias e cidades e migraram para lisboa numa altura em que, em termos de desenvolvimento e promoção de vida, “portugal era lisboa e o resto paisagem” e, por outro lado, para defenderem e promoverem os interesses da sua e nossa região através da união entre todos, os que migraram e os que lá permaneceram, no sentido da afirmação regional. estes dois desígnios foram sendo cumpridos ao longo de mais de 100 anos, umas vezes com mais dificuldade outras vezes com esplendor Mas de então para cá tudo mudou e, particularmente nestas últimas décadas, de uma forma bastante acelerada. a sociedade de hoje pouco tem que ver com a de então e o regionalismo de hoje em que levamos umas poucas horas para ir de lisboa às nossas terras pouco tem que ver com o regionalismo de então em que para o mesmo trajeto se levava mais de um dia, muitas vezes um dia e uma noite, quando não eram dois dias. É muito diferente do dessa época histórica, o que obriga as organizações a terem de se adaptar a essa evolução, sob pena de definharem. o mesmo ou ainda mais do que instituições de outro tipo, a ctMad terá de estar adaptada aos tempos de hoje e preparada para o amanhã. a experiência que temos da vida da ctMad leva-nos a pensar que ela não está adaptada aos tempos de hoje, a legislação por que se governa está desatualizada e enferma de incoerências e limitações, e impõe-se repensar a nossa casa e efetuar as mudanças necessárias para que ela se robusteça e enriqueça, no sentido do seu desenvolvimento sustentável. para isso, todos aqueles que ao longo de muitos anos dedicaram uma parte do seu tempo à ctMad, a conhecem bem e conhecem as grandes potencialidades de alguns dos seus associados, são desafiados pela atual direção a reuniremse em torno desta juntamente com os associados que quiserem participar para levarmos a cabo umas Jornadas em que baseados numa muito necessária reflexão crítica sobre o presente da nossa casa passemos à ação no sentido de um futuro risonho para esta vetusta instituição. a divisa poderá ser: todos unidos a caminho de uma CTMAD para o século XXI! Jorge Valadares

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culdade de letras de lisboa, como aluno voluntário, e vai sobrevivendo à custa das suas actividades de explicador e tradutor, para além de outras mais fugazes. conclui a licenciatura em 1967, com a apresentação e defesa da tese leibniz - o homem, a teoria da ciência. lecciona História e Filosofia em externatos de lisboa e ingressa, como professor convidado, (“por uma assembleia de professores e alunos”), no departamento de História da Faculdade de letras de lisboa, após “o 25 de abril de 1974”, passando a leccionar introdução à História económica e social. em 1987, apresenta-se a provas de doutoramento em História com uma teses sobre a inquisição de Évora, sendo aprovado, por unanimidade, com distinção e louvor. concorre a uma vaga de professor catedrático em 1993, sendo aprovado por unanimidade, na sequência de um percurso académico em que, designadamente, é eleito pelos seus pares para a comissão coordenadora do conselho científico da Faculdade (1988), é encarregado de organizar o ramo educacional que irá habilitar os licenciados em História à docência dessa disciplina, é eleito presidente do conselho pedagógico da Faculdade em 1992/93, rege as mais diversificadas disciplinas, integra a direcção do centro de História da univer-

sidade de lisboa, ocupa a presidência da direcção do instituto de cultura iberoatlântica, por si fundado, participa em vários júris de provas de mestrado, doutoramento e agregação e orienta diversos investigadores, prosseguindo assim, como professor jubilado e no dizer de antónio dias Farinha e José nunes carreira “uma missão de ensino dos mais jovens, uma prestação de serviço à universidade e um exemplo de cidadão empenhado no devir da época em que vive e de comunhão com as pessoas com quem partilha a necessidade de aperfeiçoamento permanente, de exigência intelectual e de coerência nas atitudes que justamente o distinguiram”. numa atitude de partilha alargada, o historiador, poeta e teatrólogo português natural de Murça, antónio borges coelho, vai pronunciando conferências, participando em colóquios, congressos e reuniões científicas em portugal, espanha, França, brasil e bulgária, deixando a marca da sua palavra em universidades e escolas secundárias, palácios e bibliotecas públicas, museus e câmaras municipais, casas regionais e salões de bombeiros. leva à imprensa escrita o registo da sua mensagem, colaborando em diversos jornais nacionais e conceituadas revistas, dirigindo a edição portuguesa do Lê Monde Diplomatique (de abril de 1999 a Janeiro de 2005) e alimentando a nossa cultura com um punhado de obras históricas e poéticas de valor reconhecido a nível nacional e internacional. este reconhecimento está patente em factos como, por exemplo, o de ser sócio honorário da associação dos professores de História, sócio emérito da academia da Marinha, presidente da assembleia geral da união dos resistentes anti-Fascistas (urap), membro do conselho editorial ou consultor de revistas científicas, o de ter recebido o prémio da Fundação internacional racionalista e o de ter sido agraciado pelo então presidente da república, Jorge sampaio, com a grã-cruZ da ordeM de santiago. (Dr. Manuel Ferreira e Drª Isalita Ferreira)

O Canto do Editor
António Armando da Costa
ste é o segundo jornal produzido sob a égide desta direcção. É com muita prazer que registamos a satisfação dos associados pela edição anterior. porém este facto não nos pode impedir de continuar o esforço de renovação que torne este jornal um elemento indispensável na vida dos transmontanos e altodurienses, visando o contacto entre si e a terra de onde partiram. nesta edição quisemos transmitir a nossa satisfação pelo início da realização dos dias d, desta feita com o dia de Mirandela, a que a presença duma vereadora da câmara Municipal de Mirandela deu um brilho e importância especial. sentiu-se que a ligação à terra saiu reforçada. Quisemos ainda celebrar o 25 de abril, e essa celebração está contida no testemunho do nosso dirigente teófilo bento, um dos capitães de

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abril. e ao escolher a personalidade tMad antónio borges coelho, estamos por extensão a homenagear também os que puseram em perigo as suas vidas para nos devolver a liberdade, no fim duma noite de 40 anos, aonde pontificou a paz dos cemitérios. chamamos ainda a atenção para as realizações futuras. em particular das Jornadas de reflexãoacção; do dia de chaves, que queremos tão celebrado como o de Mirandela. e de algumas mais lúdicas, como assinaladas neste Jornal. da participação de todos vós depende que a ctMad cumpra os fins para que foi criada, e seja cada vez mais a embaixada do reino Maravilhoso de Miguel torga, testemunhando este encontro fraterno de todos nós. criámos mais secções. e ao depositar nas vossas mãos este jornal, esperamos a vossa crítica sempre construtiva. e que não se esqueçam, os que ainda não o fizeram, de pagar as vossas quotas…

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trás Montes &alto douro
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notícias

N.º 124 /// JUNho 2011

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O dia de Chaves na CtMaD
ai realizar-se no próximo dia 18 de Junho, sábado, o dia que a ctMad dedica à cidade e concelho de chaves. se o primeiro destes dias dedicados às várias microrregiões da nossa bela e variada região natural da casa de trás-os-Montes e alto douro se revestiu de enorme êxito e esgotou a capacidade da nossa atual sede, há todas as razões para esperar que irá também ser um grande êxito este outro dia que vai ser dedicado àquela região, onde o imperador romano Titus Flavius Vespasianus fundou, em 79 d.c., o Município chamado Aquae Flaviae e onde provavelmente terá sido impresso o primeiro livro em língua portuguesa, uma tradução do tratado de liturgia, «el sacramental», de clemente sánchez de Vercial. para além de uns apontamentos históricas que se anteveem muito interessantes pelos temas importantes que irão abordar, iremos ter o melhor da gastronomia flaviense, documentos multimédia sobre chaves e a sua região e a sempre rica e elevada participação da declamadora glória sousa que nos irá sensibilizar com poemas de dois poetas intimamente ligados a chaves e de gerações bem diferentes mas igualmente dignos de serem relembrados: artur Maria afonso e eduardo guerra carneiro. embora sendo natural de Montalegre, o pai de nadir afonso dedicou a chaves alguns dos seus poemas e, como alguém escreveu, “cantou chaves como ninguém”. por sua vez, o poeta eduardo guerra carneiro, filho do professor e também poeta edgar carneiro, era dotado de enorme sensibilidade e poder criativo, muito exigente consigo próprio e votado a uma existência muito peculiar. segundo quem de poesia entende e conheceu bem a sua poesia, esta teria começado por de uma primitiva faceta surrealista para um lirismo amoroso até acabar no campo do neo-romantismo. a ctMad já há anos atrás prestou a este singular poeta uma justa e mais que merecida homenagem. para a realização desta iniciativa iremos contar com o apoio de alguns produtores da região de chaves e para que ela tenha a grandeza que a cidade bem merece, aguardamos ansiosamente a presença do senhor dr. João batista, digmo presidente da câmara de chaves e do Vereador do pelouro da cultura, dr. antónio ramos, do qual iremos receber um contributo em termos de documentos vários a apresentar nesse dia. para todos eles o nosso muito obrigado. e finalmente, para que não aconteça o que sucedeu no dia de Mirandela em que várias pessoas não puderam inscrever-se porque só à última hora se lembraram de o fazer, apelo a que quem pretenda participar se inscreva com antecedência. a terminar, lembro os dois grandes objetivo destes «dias das cidades»: um é, sem dúvida, o convívio entre os que têm raízes lá; o outro é dar a conhecer a cultura, a história e o turismo da região a quem não é de lá. em conclusão: as inscrições no «dia de chaves» não estão abertas apenas às gentes de chaves. Jorge Valadares

Festa dos sendinenses
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caba de ser realizada uma grande Festa dos sendinenses (e seus amigos, designadamente os oriundos d’las tierras de Miranda) em lisboa. no próximo número, daremos notícia.

noVos associados
noMe concelHo

laurindo augusto teixeira Fernando afonso alves Francisco assis rodrigues pereira isilda Maria gonçalves Veiga

Mirandela Montalegre Mirandela (a esposa) Valpaços (a mãe)

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Comunicado da Direcção: Envio de Jornais
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atraso no pagamento de quotas levanta problemas de gestão à direcção, um dos quais se repercute sobre a execução e envio do Jornal devido aos encargos elevados que acarreta. tendo em conta este facto a direcção apela a que os associados paguem as suas quotas em atraso ou por transferência para o nib 0035 0001 0001 3051 53056. a direcção apela ainda a que os sócios disponibilizem os seus endereços de e-mail para que possam receber as e-circulares que estamos a enviar com a regularidade possível aos sócios de que sabemos ter e-mail. ctMad, Maio de 2011 A Direcção

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Propriedade: casa de trás-os-Montes e alto douro contribuinte 500 788 863 n.º de registo no i.c.s. 11389 Redacção, Administração e Publicidade: campo pequeno, 50-3.º e – 1000-081 lisboa

Director: Jorge Valadares // Director-adjunto: antónio armando da costa // Colaboram nesta Edição: antónio a. da costa, armando Jorge e silva, carlos cordeiro, isalita Ferreira, Jorge sales golias, Jorge Valadadres, José gomes Quadrado, Manuel Ferreira, searfim sousa, teófilo bento e Virgílio nogueiro gomes // coordenação gráfica: antónio armando da costa // Paginação: nuno leite // Projecto Gráfico e Consulturia de Design: nuno leite // Revisão de Textos: antónio armando da costa e serafim de sousa // Impressão: textype, artes gráficas, lda // Tiragem desta edição: 2000 exemplares // Depósito legal: 178581/02

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