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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR .

8 EM 1 – ACADÊMICO
Lemos & Cruz – Livraria e Editora

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
Lemos & Cruz – Livraria e Editora
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 17, DE 22 DE NOVEM- Art. 19. (Alterações já inseridas no texto Constitucional).
BRO DE 1997 Art. 20. (Alterações já inseridas no texto Constitucional).
Art. 21. (Alterações já inseridas no texto Constitucional).
Altera dispositivos dos arts. 71 e 72 do Ato das Disposi- Art. 22. (Alterações já inseridas no texto Constitucional).
ções Constitucionais Transitórias, introduzidos pela Art. 23. (Alterações já inseridas no texto Constitucional).
Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1994. Art. 24. (Alterações já inseridas no texto Constitucional).
Art. 25. Até a instituição do fundo a que se refere o inciso
As mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Fede- XIV do art. 21 da Constituição Federal, compete à União
ral, nos termos do $ 3º do art. 60 da Constituição Fede- manter os atuais compromissos financeiros com a prestação
ral, promulgam a seguinte emenda ao Texto Constitu- de serviços públicos do Distrito Federal.
cional: Art. 26. No prazo de dois anos da promulgação desta E-
Art. 1º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). menda, as entidades da administração indireta terão seus
Art. 2º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). estatutos revistos quanto à respectiva natureza jurídica,
Art. 3º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). tendo em conta a finalidade e as competências efetivamente
Art. 4º Os efeitos do disposto nos arts. 71 e 72 do Ato das executadas.
Disposições Constitucionais Transitórias, com a redação Art. 27. O Congresso Nacional, dentro de cento e vinte dias
dada pelos arts. 1º e 2º desta emenda, são retroativos a da promulgação desta Emenda, elaborará lei de defesa do
1.7.1997. usuário de serviços públicos.
Parágrafo único. As parcelas de recursos destinados ao Art. 28. É assegurado o prazo de dois anos de efetivo exer-
Fundo de Estabilização Fiscal e entregues na forma do art. cício para aquisição da estabilidade aos atuais servidores
159, I, da Constituição, no período compreendido entre em estágio probatório, sem prejuízo da avaliação a que se
1.7.1997 e a data de promulgação desta emenda, serão refere o § 4º do art. 41 da Constituição Federal.
deduzidas das cotas subseqüentes, limitada a dedução a Art. 29. Os subsídios, vencimentos, remuneração, proven-
um décimo do valor total entregue em cada mês. tos da aposentadoria e pensões e quaisquer outras espé-
Art. 5º Observado o disposto no artigo anterior, a União cies remuneratórias adequar-se-ão, a partir da promulgação
aplicará as disposições do art. 3º desta emenda retroativa- desta Emenda, aos limites decorrentes da Constituição
mente a 1.7.1997. Federal, não se admitindo a percepção de excesso a qual-
Art. 6º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data quer título.
de sua publicação. Art. 30. O projeto de lei complementar a que se refere o art.
Brasília, 22 de novembro de 1997. 163 da Constituição Federal será apresentado pelo Poder
Executivo ao Congresso Nacional no prazo máximo de cen-
to e oitenta dias da promulgação desta Emenda.
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 19, DE 04 DE JUNHO DE
1998 Art. 31. Os servidores públicos federais da administração
direta e indireta, os servidores municipais e os integrantes
da carreira policial militar dos ex-Territórios Federais do
Modifica o regime e dispõe sobre princípios e normas Amapá e de Roraima, que comprovadamente encontravam-
da Administração Pública, servidores e agentes políti- se no exercício regular de suas funções prestando serviços
cos, controle de despesas e finanças públicas e custeio àqueles ex-Territórios na data em que foram transformados
de atividades a cargo do Distrito Federal, e dá outras em Estados; os policiais militares que tenham sido admiti-
providências. dos por força de lei federal, custeados pela União; e, ainda,
As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Fede- os servidores civis nesses Estados com vínculo funcional já
ral, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Fede- reconhecido pela União, constituirão quadro em extinção da
ral, promulgam esta Emenda ao texto constitucional: administração federal, assegurados os direitos e vantagens
inerentes aos seus servidores, vedado o pagamento, a qual-
Art. 1º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). quer título, de diferenças remuneratórias.
Art. 2º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). § 1º Os servidores da carreira policial militar continuarão
Art. 3º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). prestando serviços aos respectivos Estados, na condição de
Art. 4º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). cedidos, submetidos às disposições legais e regulamentares
Art. 5º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). a que estão sujeitas as corporações das respectivas Polí-
cias Militares, observadas as atribuições de função compa-
Art. 6º (Alterações já inseridas no texto Constitucional).
tíveis com seu grau hierárquico.
Art. 7º (Alterações já inseridas no texto Constitucional).
§ 2º Os servidores civis continuarão prestando serviços aos
Art. 8º (Alterações já inseridas no texto Constitucional).
respectivos Estados, na condição de cedidos, até seu apro-
Art. 9º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). veitamento em órgão da administração federal.
Art. 10. (Alterações já inseridas no texto Constitucional). Art. 32. (Alterações já inseridas no texto Constitucional).
Art. 11. (Alterações já inseridas no texto Constitucional). Art. 33. Consideram-se servidores não estáveis, para os
Art. 12. (Alterações já inseridas no texto Constitucional). fins do art. 169, § 3º, II, da Constituição Federal aqueles
Art. 13. (Alterações já inseridas no texto Constitucional). admitidos na administração direta, autárquica e fundacional
Art. 14. (Alterações já inseridas no texto Constitucional). sem concurso público de provas ou de provas e títulos após
Art. 15. (Alterações já inseridas no texto Constitucional). o dia 5 de outubro de 1983.
Art. 16. (Alterações já inseridas no texto Constitucional). Art. 34. Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data
Art. 17. (Alterações já inseridas no texto Constitucional). de sua promulgação.
Art. 18. (Alterações já inseridas no texto Constitucional). Brasília, 4 de junho de 1998

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ao Congresso Nacional no prazo máximo de noventa dias
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEM- após a publicação desta Emenda.
BRO DE 1998 Art. 8º (Revogado pela Emenda Constitucional n° 41, de
2003).
Modifica o sistema de previdência social, estabelece Art. 9º Observado o disposto no art. 4º desta Emenda e
normas de transição e dá outras providências. ressalvado o direito de opção a aposentadoria pelas normas
As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Fede- por ela estabelecidas para o regime geral de previdência
ral, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Fede- social, é assegurado o direito à aposentadoria ao segurado
ral, promulgam a seguinte emenda ao texto constitucio- que se tenha filiado ao regime geral de previdência social,
nal: até a data de publicação desta Emenda, quando, cumulati-
vamente, atender aos seguintes requisitos:
I - contar com cinqüenta e três anos de idade, se homem, e
Art. 1º (Alterações já inseridas no texto Constitucional).
quarenta e oito anos de idade, se mulher; e
Art. 2º (Alterações já inseridas no texto Constitucional).
II - contar tempo de contribuição igual, no mínimo, à soma
Art. 3º É assegurada a concessão de aposentadoria e pen- de:
são, a qualquer tempo, aos servidores públicos e aos segu-
a) trinta e cinco anos, se homem, e trinta anos, se mulher; e
rados do regime geral de previdência social, bem como aos
seus dependentes, que, até a data da publicação desta b) um período adicional de contribuição equivalente a vinte
Emenda, tenham cumprido os requisitos para a obtenção por cento do tempo que, na data da publicação desta E-
destes benefícios, com base nos critérios da legislação menda, faltaria para atingir o limite de tempo constante da
então vigente. alínea anterior.
§ 1º O servidor de que trata este artigo, que tenha comple- § 1º O segurado de que trata este artigo, desde que atendi-
tado as exigências para aposentadoria integral e que opte do o disposto no inciso I do caput, e observado o disposto
por permanecer em atividade fará jus à isenção da contribu- no art. 4º desta Emenda, pode aposentar-se com valores
ição previdenciária até completar as exigências para apo- proporcionais ao tempo de contribuição, quando atendidas
sentadoria contidas no art. 40, § 1º, III, “a”, da Constituição as seguintes condições:
Federal. I - contar tempo de contribuição igual, no mínimo, à soma
§ 2º Os proventos da aposentadoria a ser concedida aos de:
servidores públicos referidos no caput, em termos integrais a) trinta anos, se homem, e vinte e cinco anos, se mulher; e
ou proporcionais ao tempo de serviço já exercido até a data b) um período adicional de contribuição equivalente a qua-
de publicação desta Emenda, bem como as pensões de renta por cento do tempo que, na data da publicação desta
seus dependentes, serão calculados de acordo com a legis- Emenda, faltaria para atingir o limite de tempo constante da
lação em vigor à época em que foram atendidas as prescri- alínea anterior;
ções nela estabelecidas para a concessão destes benefícios II - o valor da aposentadoria proporcional será equivalente a
ou nas condições da legislação vigente. setenta por cento do valor da aposentadoria a que se refere
§ 3º São mantidos todos os direitos e garantias assegura- o caput, acrescido de cinco por cento por ano de contribui-
dos nas disposições constitucionais vigentes à data de pu- ção que supere a soma a que se refere o inciso anterior, até
blicação desta Emenda aos servidores e militares, inativos e o limite de cem por cento.
pensionistas, aos anistiados e aos ex-combatentes, assim § 2º O professor que, até a data da publicação desta Emen-
como àqueles que já cumpriram, até aquela data, os requisi- da, tenha exercido atividade de magistério e que opte por
tos para usufruírem tais direitos, observado o disposto no aposentar-se na forma do disposto no caput, terá o tempo
art. 37, XI, da Constituição Federal. de serviço exercido até a publicação desta Emenda contado
Art. 4º Observado o disposto no art. 40, § 10, da Constitui- com o acréscimo de dezessete por cento, se homem, e de
ção Federal, o tempo de serviço considerado pela legislação vinte por cento, se mulher, desde que se aposente, exclusi-
vigente para efeito de aposentadoria, cumprido até que a lei vamente, com tempo de efetivo exercício de atividade de
discipline a matéria, será contado como tempo de contribui- magistério.
ção. Art. 10. (Revogado pela Emenda Constitucional n° 41, de
Art. 5º O disposto no art. 202, § 3º, da Constituição Federal, 2003).
quanto à exigência de paridade entre a contribuição da pa- Art. 11. A vedação prevista no art. 37, § 10, da Constituição
trocinadora e a contribuição do segurado, terá vigência no Federal, não se aplica aos membros de poder e aos inati-
prazo de dois anos a partir da publicação desta Emenda, vos, servidores e militares, que, até a publicação desta E-
ou, caso ocorra antes, na data de publicação da lei com- menda, tenham ingressado novamente no serviço público
plementar a que se refere o § 4º do mesmo artigo. por concurso público de provas ou de provas e títulos, e
Art. 6º As entidades fechadas de previdência privada patro- pelas demais formas previstas na Constituição Federal,
cinadas por entidades públicas, inclusive empresas públicas sendo-lhes proibida a percepção de mais de uma aposenta-
e sociedades de economia mista, deverão rever, no prazo doria pelo regime de previdência a que se refere o art. 40 da
de dois anos, a contar da publicação desta Emenda, seus Constituição Federal, aplicando-se-lhes, em qualquer hipó-
planos de benefícios e serviços, de modo a ajustá-los atua- tese, o limite de que trata o § 11 deste mesmo artigo.
rialmente a seus ativos, sob pena de intervenção, sendo Art. 12. Até que produzam efeitos as leis que irão dispor
seus dirigentes e os de suas respectivas patrocinadoras sobre as contribuições de que trata o art. 195 da Constitui-
responsáveis civil e criminalmente pelo descumprimento do ção Federal, são exigíveis as estabelecidas em lei, destina-
disposto neste artigo. das ao custeio da seguridade social e dos diversos regimes
Art. 7º Os projetos das leis complementares previstas no previdenciários.
art. 202 da Constituição Federal deverão ser apresentados Art. 13. Até que a lei discipline o acesso ao salário-família e
auxílio-reclusão para os servidores, segurados e seus de-

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pendentes, esses benefícios serão concedidos apenas à- EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 41, DE 19 DE DEZEM-
queles que tenham renda bruta mensal igual ou inferior a R$ BRO DE 2003
360,00 (trezentos e sessenta reais), que, até a publicação
da lei, serão corrigidos pelos mesmos índices aplicados aos Modifica os arts. 37, 40, 42, 48, 96, 149 e 201 da Consti-
benefícios do regime geral de previdência social. tuição Federal, revoga o inciso IX do § 3 do art. 142 da
Art. 14. O limite máximo para o valor dos benefícios do Constituição Federal e dispositivos da Emenda Consti-
regime geral de previdência social de que trata o art. 201 da tucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, e dá outras
Constituição Federal é fixado em R$ 1.200,00 (um mil e providências.
duzentos reais), devendo, a partir da data da publicação As MESAS da CÂMARA DOS DEPUTADOS e do SENA-
desta Emenda, ser reajustado de forma a preservar, em DO FEDERAL, nos termos do § 3 do art. 60 da Constitu-
caráter permanente, seu valor real, atualizado pelos mes- ição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto
mos índices aplicados aos benefícios do regime geral de constitucional:
previdência social.
Art. 1º (Alterações já inseridas no texto Constitucional).
Art. 15. Até que a lei complementar a que se refere o art.
Art. 2º Observado o disposto no art. 4º da Emenda Consti-
201, § 1º, da Constituição Federal, seja publicada, perma-
tucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, é assegurado o
nece em vigor o disposto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8213,
direito de opção pela aposentadoria voluntária com proven-
de 24 de julho de 1991, na redação vigente à data da publi-
tos calculados de acordo com o art. 40, §§ 3º e 17, da Cons-
cação desta Emenda.
tituição Federal, àquele que tenha ingressado regularmente
Art. 16. Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data em cargo efetivo na Administração Pública direta, autárqui-
de sua publicação. ca e fundacional, até a data de publicação daquela Emenda,
Art. 17. Revoga-se o inciso II do § 2º do art. 153 da Consti- quando o servidor, cumulativamente:
tuição Federal. I - tiver cinqüenta e três anos de idade, se homem, e qua-
Brasília, 15 de dezembro de 1998. renta e oito anos de idade, se mulher;
II - tiver cinco anos de efetivo exercício no cargo em que se
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 32, DE 11 DE SETEM- der a aposentadoria;
BRO DE 2001 III - contar tempo de contribuição igual, no mínimo, à soma
de:
Altera dispositivos dos arts. 48, 57, 61, 62, 64, 66, 84, 88 a) trinta e cinco anos, se homem, e trinta anos, se mulher; e
e 246 da Constituição Federal, e dá outras providências. b) um período adicional de contribuição equivalente a vinte
As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Fede- por cento do tempo que, na data de publicação daquela
ral, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Fede- Emenda, faltaria para atingir o limite de tempo constante da
ral, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitu- alínea a deste inciso.
cional: § 1 º O servidor de que trata este artigo que cumprir as exi-
Art. 1º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). gências para aposentadoria na forma do caput terá os seus
Art. 2º As medidas provisórias editadas em data anterior à proventos de inatividade reduzidos para cada ano antecipa-
da publicação desta emenda continuam em vigor até que do em relação aos limites de idade estabelecidos pelo art.
medida provisória ulterior as revogue explicitamente ou até 40, § 1º, III, a, e § 5º da Constituição Federal, na seguinte
deliberação definitiva do Congresso Nacional. proporção:
Art. 3º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data I - três inteiros e cinco décimos por cento, para aquele que
de sua publicação. completar as exigências para aposentadoria na forma do
Brasília, 11 de setembro de 2001 caput até 31 de dezembro de 2005;
II - cinco por cento, para aquele que completar as exigên-
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 33, DE 11 DE DEZEM- cias para aposentadoria na forma do caput a partir de 1º de
BRO DE 2001 janeiro de 2006.
§ 2º Aplica-se ao magistrado e ao membro do Ministério
Altera os arts. 149, 155 e 177 da Constituição Federal.
Público e de Tribunal de Contas o disposto neste artigo.
As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Fede- § 3º Na aplicação do disposto no § 2º deste artigo, o magis-
ral, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Fede- trado ou o membro do Ministério Público ou de Tribunal de
ral, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitu-
Contas, se homem, terá o tempo de serviço exercido até a
cional:
data de publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 15
de dezembro de 1998, contado com acréscimo de dezesse-
Art. 1º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). te por cento, observado o disposto no § 1º deste artigo.
Art. 2º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). § 4º O professor, servidor da União, dos Estados, do Distrito
Art. 3º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fun-
Art. 4º Enquanto não entrar em vigor a lei complementar de dações, que, até a data de publicação da Emenda Constitu-
que trata o art. 155, § 2º, XII, h, da Constituição Federal, os cional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, tenha ingressado,
Estados e o Distrito Federal, mediante convênio celebrado regularmente, em cargo efetivo de magistério e que opte por
nos termos do § 2º, XII, g, do mesmo artigo, fixarão normas aposentar-se na forma do disposto no caput, terá o tempo
para regular provisoriamente a matéria. de serviço exercido até a publicação daquela Emenda con-
Art. 5º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data tado com o acréscimo de dezessete por cento, se homem, e
de sua promulgação. de vinte por cento, se mulher, desde que se aposente, ex-
Brasília, 11 de dezembro de 2001 clusivamente, com tempo de efetivo exercício nas funções
de magistério, observado o disposto no § 1º.

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§ 5º O servidor de que trata este artigo, que tenha comple- Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, que
tado as exigências para aposentadoria voluntária estabele- tenha ingressado no serviço público até a data de publica-
cidas no caput, e que opte por permanecer em atividade, ção desta Emenda poderá aposentar-se com proventos
fará jus a um abono de permanência equivalente ao valor da integrais, que corresponderão à totalidade da remuneração
sua contribuição previdenciária até completar as exigências do servidor no cargo efetivo em que se der a aposentadoria,
para aposentadoria compulsória contidas no art. 40, § 1º, II, na forma da lei, quando, observadas as reduções de idade e
da Constituição Federal. tempo de contribuição contidas no § 5º do art. 40 da Consti-
§ 6º Às aposentadorias concedidas de acordo com este tuição Federal, vier a preencher, cumulativamente, as se-
artigo aplica-se o disposto no art. 40, § 8º, da Constituição guintes condições:
Federal. I - sessenta anos de idade, se homem, e cinqüenta e cinco
Art. 3º É assegurada a concessão, a qualquer tempo, de anos de idade, se mulher;
aposentadoria aos servidores públicos, bem como pensão II - trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta
aos seus dependentes, que, até a data de publicação desta anos de contribuição, se mulher;
Emenda, tenham cumprido todos os requisitos para obten- III - vinte anos de efetivo exercício no serviço público; e
ção desses benefícios, com base nos critérios da legislação IV - dez anos de carreira e cinco anos de efetivo exercício
então vigente. no cargo em que se der a aposentadoria.
§ 1º O servidor de que trata este artigo que opte por perma- Parágrafo único. Os proventos das aposentadorias conce-
necer em atividade tendo completado as exigências para didas conforme este artigo serão revistos na mesma propor-
aposentadoria voluntária e que conte com, no mínimo, vinte ção e na mesma data, sempre que se modificar a remune-
e cinco anos de contribuição, se mulher, ou trinta anos de ração dos servidores em atividade, na forma da lei, obser-
contribuição, se homem, fará jus a um abono de permanên- vado o disposto no art. 37, XI, da Constituição Federal.
cia equivalente ao valor da sua contribuição previdenciária Art. 7º Observado o disposto no art. 37, XI, da Constituição
até completar as exigências para aposentadoria compulsó- Federal, os proventos de aposentadoria dos servidores
ria contidas no art. 40, § 1º, II, da Constituição Federal. públicos titulares de cargo efetivo e as pensões dos seus
§ 2º Os proventos da aposentadoria a ser concedida aos dependentes pagos pela União, Estados, Distrito Federal e
servidores públicos referidos no caput, em termos integrais Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, em frui-
ou proporcionais ao tempo de contribuição já exercido até a ção na data de publicação desta Emenda, bem como os
data de publicação desta Emenda, bem como as pensões proventos de aposentadoria dos servidores e as pensões
de seus dependentes, serão calculados de acordo com a dos dependentes abrangidos pelo art. 3º desta Emenda,
legislação em vigor à época em que foram atendidos os serão revistos na mesma proporção e na mesma data,
requisitos nela estabelecidos para a concessão desses sempre que se modificar a remuneração dos servidores em
benefícios ou nas condições da legislação vigente. atividade, sendo também estendidos aos aposentados e
Art. 4º Os servidores inativos e os pensionistas da União, pensionistas quaisquer benefícios ou vantagens posterior-
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas mente concedidos aos servidores em atividade, inclusive
suas autarquias e fundações, em gozo de benefícios na quando decorrentes da transformação ou reclassificação do
data de publicação desta Emenda, bem como os alcança- cargo ou função em que se deu a aposentadoria ou que
dos pelo disposto no seu art. 3º, contribuirão para o custeio serviu de referência para a concessão da pensão, na forma
do regime de que trata o art. 40 da Constituição Federal da lei.
com percentual igual ao estabelecido para os servidores Art. 8º Até que seja fixado o valor do subsídio de que trata o
titulares de cargos efetivos. art. 37, XI, da Constituição Federal, será considerado, para
Parágrafo único. A contribuição previdenciária a que se os fins do limite fixado naquele inciso, o valor da maior re-
refere o caput incidirá apenas sobre a parcela dos proventos muneração atribuída por lei na data de publicação desta
e das pensões que supere: Emenda a Ministro do Supremo Tribunal Federal, a título de
I - cinqüenta por cento do limite máximo estabelecido para vencimento, de representação mensal e da parcela recebida
os benefícios do regime geral de previdência social de que em razão de tempo de serviço, aplicando-se como limite,
trata o art. 201 da Constituição Federal, para os servidores nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no
inativos e os pensionistas dos Estados, do Distrito Federal e Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbi-
dos Municípios; to do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais
II - sessenta por cento do limite máximo estabelecido para e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos
os benefícios do regime geral de previdência social de que Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noven-
trata o art. 201 da Constituição Federal, para os servidores ta inteiros e vinte e cinco centésimos por cento da maior
inativos e os pensionistas da União. remuneração mensal de Ministro do Supremo Tribunal Fe-
Art. 5º O limite máximo para o valor dos benefícios do regi- deral a que se refere este artigo, no âmbito do Poder Judici-
me geral de previdência social de que trata o art. 201 da ário, aplicável este limite aos membros do Ministério Públi-
Constituição Federal é fixado em R$ 2.400,00 (dois mil e co, aos Procuradores e aos Defensores Públicos.
quatrocentos reais), devendo, a partir da data de publicação Art. 9º Aplica-se o disposto no art. 17 do Ato das Disposi-
desta Emenda, ser reajustado de forma a preservar, em ções Constitucionais Transitórias aos vencimentos, remune-
caráter permanente, seu valor real, atualizado pelos mes- rações e subsídios dos ocupantes de cargos, funções e
mos índices aplicados aos benefícios do regime geral de empregos públicos da administração direta, autárquica e
previdência social. fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da
Art. 6º Ressalvado o direito de opção à aposentadoria pelas União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
normas estabelecidas pelo art. 40 da Constituição Federal dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes
ou pelas regras estabelecidas pelo art. 2º desta Emenda, o políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remune-
servidor da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos

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ratória percebidos cumulativamente ou não, incluídas as Altera o Sistema Tributário Nacional e dá outras provi-
vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza. dências.
Art. 10. (Alterações já inseridas no texto Constitucional). As MESAS da CÂMARA DOS DEPUTADOS e do SENA-
Art. 11. Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data DO FEDERAL, nos termos do § 3º do art. 60 da Constitu-
de sua publicação. ição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto
Brasília, em 19 de dezembro de 2003. constitucional:

EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 42, DE 19 DE DEZEM- Art. 1º O inciso III do art. 159 da Constituição passa a vigo-
BRO DE 2003 rar com a seguinte redação: (Alterações já inseridas no
texto Constitucional)
Art. 2º Esta Emenda à Constituição entra em vigor na data
Altera o Sistema Tributário Nacional e dá outras provi-
de sua publicação.
dências.
Brasília, 30 de junho de 2004.
As MESAS da CÂMARA DOS DEPUTADOS e do SENA-
DO FEDERAL, nos termos do § 3º do art. 60 da Constitu-
ição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 45, DE 08 DE DEZEM-
constitucional: BRO DE 2004.

Art. 1º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). Altera dispositivos dos arts. 5º, 36, 52, 92, 93, 95, 98, 99,
Art. 2º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). 102, 103, 104, 105, 107, 109, 111, 112, 114, 115, 125, 126,
Art. 3º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). 127, 128, 129, 134 e 168 da Constituição Federal, e a-
Art. 4º Os adicionais criados pelos Estados e pelo Distrito crescenta os arts. 103-A, 103-B, 111-A e 130-A, e dá
Federal até a data da promulgação desta Emenda, naquilo outras providências.
em que estiverem em desacordo com o previsto nesta E- As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Fede-
menda, na Emenda Constitucional nº 31, de 14 de dezem- ral, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Fede-
bro de 2000, ou na lei complementar de que trata o art. 155, ral, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitu-
§ 2º, XII, da Constituição, terão vigência, no máximo, até o cional:
prazo previsto no art. 79 do Ato das Disposições Constitu-
cionais Transitórias. Art. 1º Os arts. 5º, 36, 52, 92, 93, 95, 98, 99, 102, 103, 104,
Art. 5º O Poder Executivo, em até sessenta dias contados 105, 107, 109, 111, 112, 114, 115, 125, 126, 127, 128, 129,
da data da promulgação desta Emenda, encaminhará ao 134 e 168 da Constituição Federal passam a vigorar com a
Congresso Nacional projeto de lei, sob o regime de urgência seguinte redação: (Alterações já inseridas no texto Constitu-
constitucional, que disciplinará os benefícios fiscais para a cional)
capacitação do setor de tecnologia da informação, que vige- Art. 2º A Constituição Federal passa a vigorar acrescida dos
rão até 2019 nas condições que estiverem em vigor no ato seguintes arts. 103-A, 103-B, 111-A e 130-A: (Alterações já
da aprovação desta Emenda. inseridas no texto Constitucional)
Art. 6º (Alterações já inseridas no texto Constitucional). Art. 3º A lei criará o Fundo de Garantia das Execuções
Brasília, em 19 de dezembro de 2003. Trabalhistas, integrado pelas multas decorrentes de conde-
nações trabalhistas e administrativas oriundas da fiscaliza-
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 43, DE 15 DE ABRIL DE ção do trabalho, além de outras receitas.
2004 Art. 4º Ficam extintos os tribunais de Alçada, onde houver,
passando os seus membros a integrar os Tribunais de Jus-
tiça dos respectivos Estados, respeitadas a antiguidade e
Altera o art. 42 do Ato das Disposições Constitucionais classe de origem.
Transitórias, prorrogando, por 10 (dez) anos, a aplica-
Parágrafo único. No prazo de cento e oitenta dias, contado
ção, por parte da União, de percentuais mínimos do da promulgação desta Emenda, os Tribunais de Justiça, por
total dos recursos destinados à irrigação nas Regiões ato administrativo, promoverão a integração dos membros
Centro-Oeste e Nordeste. dos tribunais extintos em seus quadros, fixando-lhes a com-
As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Fede- petência e remetendo, em igual prazo, ao Poder Legislativo,
ral, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Fede- proposta de alteração da organização e da divisão judiciária
ral, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitu- correspondentes, assegurados os direitos dos inativos e
cional: pensionistas e o aproveitamento dos servidores no Poder
Judiciário estadual.
Art. 1º O caput do art. 42 do Ato das Disposições Constitu- Art. 5º O Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Na-
cionais Transitórias passa a vigorar com a seguinte reda- cional do Ministério Público serão instalados no prazo de
ção: (Alterações já inseridas no texto Constitucional). cento e oitenta dias a contar da promulgação desta Emen-
Art. 2º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data da, devendo a indicação ou escolha de seus membros ser
de sua publicação. efetuada até trinta dias antes do termo final.
Brasília, 15 de abril de 2004. § 1º Não efetuadas as indicações e escolha dos nomes para
os Conselhos Nacional de Justiça e do Ministério Público
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 44, DE 30 DE JUNHO DE dentro do prazo fixado no caput deste artigo, caberá, res-
2004 pectivamente, ao Supremo Tribunal Federal e ao Ministério
Público da União realizá-las.

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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§ 2º Até que entre em vigor o Estatuto da Magistratura, o II - prejudicada substancialmente em suas condições de
Conselho Nacional de Justiça, mediante resolução, discipli- exploração econômica, caso seja o seu valor inferior ao da
nará seu funcionamento e definirá as atribuições do Minis- parte desapropriada.
tro-Corregedor. Art. 5° A petição inicial, além dos requisitos previstos no
Art. 6º O Conselho Superior da Justiça do Trabalho será Código de Processo Civil, conterá a oferta do preço e será
instalado no prazo de cento e oitenta dias, cabendo ao Tri- instruída com os seguintes documentos:
bunal Superior do Trabalho regulamentar seu funcionamen- I - texto do decreto declaratório de interesse social para fins
to por resolução, enquanto não promulgada a lei a que se de reforma agrária, publicado no Diário Oficial da União;
refere o art. 111-A, § 2º, II. II - certidões atualizadas de domínio e de ônus real do imó-
Art. 7º O Congresso Nacional instalará, imediatamente após vel;
a promulgação desta Emenda Constitucional, comissão III - documento cadastral do imóvel;
especial mista, destinada a elaborar, em cento e oitenta IV - laudo de vistoria e avaliação administrativa, que conte-
dias, os projetos de lei necessários à regulamentação da rá, necessariamente:
matéria nela tratada, bem como promover alterações na a) descrição do imóvel, por meio de suas plantas geral e de
legislação federal objetivando tornar mais amplo o acesso à situação, e memorial descritivo da área objeto da ação;
Justiça e mais célere a prestação jurisdicional.
b) relação das benfeitorias úteis, necessárias e voluptuárias,
Art. 8º As atuais súmulas do Supremo Tribunal Federal das culturas e pastos naturais e artificiais, da cobertura
somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação florestal, seja natural ou decorrente de florestamento ou
por dois terços de seus integrantes e publicação na impren- reflorestamento, e dos semoventes;
sa oficial.
c) discriminadamente, os valores de avaliação da terra nua
Art. 9º São revogados o inciso IV do art. 36; a alínea h do e das benfeitorias indenizáveis.
inciso I do art. 102; o § 4º do art. 103; e os §§ 1º a 3º do art.
V - comprovante de lançamento dos Títulos da Dívida Agrá-
111.
ria correspondente ao valor ofertado para pagamento de
Art. 10 Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data terra nua; (Incluído pela LC 88, de 23.12.1996).
de sua publicação.
VI - comprovante de depósito em banco oficial, ou outro
Brasília, em 08 de dezembro de 2004. estabelecimento no caso de inexistência de agência na
localidade, à disposição do juízo, correspondente ao valor
LEI COMPLEMENTAR N° 76, DE 6 DE JULHO DE 1993 ofertado para pagamento das benfeitorias úteis e necessá-
rias. (Incluído pela LC 88, de 23.12.1996).
Dispõe sobre o procedimento contraditório especial, de Art. 6° O juiz, ao despachar a petição inicial, de plano ou no
rito sumário, para o processo de desapropriação de prazo máximo de quarenta e oito horas:
imóvel rural, por interesse social, para fins de reforma I - mandará imitir o autor na posse do imóvel; (Redação
agrária. dada pela LC 88, de 23.12.1996).
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Con- II - determinará a citação do expropriando para contestar o
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei pedido e indicar assistente técnico, se quiser; (Redação
Complementar: dada pela LC 88, de 23.12.1996).
Art. 1° O procedimento judicial da desapropriação de imó- III - expedirá mandado ordenando a averbação do ajuiza-
vel rural, por interesse social, para fins de reforma agrária, mento da ação no registro do imóvel expropriando, para
obedecerá ao contraditório especial, de rito sumário, previs- conhecimento de terceiros.
to nesta lei Complementar. § 1° Inexistindo dúvida acerca do domínio, ou de algum
Art. 2° A desapropriação de que trata esta lei Complemen- direito real sobre o bem, ou sobre os direitos dos titulares do
tar é de competência privativa da União e será precedida de domínio útil, e do domínio direto, em caso de enfiteuse ou
decreto declarando o imóvel de interesse social, para fins de aforamento, ou, ainda, inexistindo divisão, hipótese em que
reforma agrária. o valor da indenização ficará depositado à disposição do
§ 1° A ação de desapropriação, proposta pelo órgão federal juízo enquanto os interessados não resolverem seus confli-
executor da reforma agrária, será processada e julgada pelo tos em ações próprias, poderá o expropriando requerer o
juiz federal competente, inclusive durante as férias forenses. levantamento de oitenta por cento da indenização deposita-
§ 2° Declarado o interesse social, para fins de reforma agrá- da, quitado os tributos e publicados os editais, para conhe-
ria, fica o expropriante legitimado a promover a vistoria e a cimento de terceiros, a expensas do expropriante, duas
avaliação do imóvel, inclusive com o auxílio de força policial, vezes na imprensa local e uma na oficial, decorrido o prazo
mediante prévia autorização do juiz, responsabilizando-se de trinta dias. (Renumerado pela LC 88, de 23.12.1996).
por eventuais perdas e danos que seus agentes vierem a § 2° O Juiz poderá, para a efetivação da imissão na posse,
causar, sem prejuízo das sanções penais cabíveis. requisitar força policial. (Renumerado pela LC 88, de
Art. 3° A ação de desapropriação deverá ser proposta den- 23.12.1996).
tro do prazo de dois anos, contado da publicação do decreto § 3° No curso da ação poderá o Juiz designar, com o objeti-
declaratório. vo de fixar a prévia e justa indenização, audiência de conci-
Art. 4° Intentada a desapropriação parcial, o proprietário liação, que será realizada nos dez primeiros dias a contar
poderá requerer, na contestação, a desapropriação de todo da citação, e na qual deverão estar presentes o autor, o réu
o imóvel, quando a área remanescente ficar: e o Ministério Público. As partes ou seus representantes
legais serão intimadas via postal. (Incluído pela LC 88, de
I - reduzida a superfície inferior à da pequena propriedade
23.12.1996).
rural; ou

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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§ 4° Aberta a audiência, o Juiz ouvirá as partes e o Ministé- Art. 12. O juiz proferirá sentença na audiência de instrução
rio Público, propondo a conciliação. (Incluído pela LC 88, de e julgamento ou nos trinta dias subseqüentes, indicando os
23.12.1996). fatos que motivaram o seu convencimento.
§ 5° Se houver acordo, lavrar-se-á o respectivo termo, que § 1° Ao fixar o valor da indenização, o juiz considerará, além
será assinado pelas partes e pelo Ministério Público ou seus dos laudos periciais, outros meios objetivos de convenci-
representantes legais. (Incluído pela LC 88, de 23.12.1996). mento, inclusive a pesquisa de mercado.
§ 6° Integralizado o valor acordado, nos dez dias úteis sub- § 2° O valor da indenização correspon-derá ao valor apura-
seqüentes ao pactuado, o Juiz expedirá mandado ao regis- do na data da perícia, ou ao consignado pelo juiz, corrigido
tro imobiliário, determinando a matrícula do bem expropria- monetariamente até a data de seu efetivo pagamento.
do em nome do expropriante. (Incluído pela LC 88, de § 3° Na sentença, o juiz individualizará o valor do imóvel, de
23.12.1996). suas benfeitorias e dos demais componentes do valor da
§ 7° A audiência de conciliação não suspende o curso da indenização.
ação. (Incluído pela LC 88, de 23.12.1996). § 4° Tratando-se de enfiteuse ou aforamento, o valor da
Art. 7° A citação do expropriando será feita na pessoa do indenização será depositado em nome dos titulares do do-
proprietário do bem, ou de seu representante legal, obede- mínio útil e do domínio direto e disputado por via de ação
cido o disposto no art. 12 do Código de Processo Civil. própria.
§ 1° Em se tratando de enfiteuse ou aforamento, serão cita- Art. 13. Da sentença que fixar o preço da indenização cabe-
dos os titulares do domínio útil e do domínio direto, exceto rá apelação com efeito simplesmente devolutivo, quando
quando for contratante a União. interposta pelo expropriado e, em ambos os efeitos, quando
§ 2° No caso de espólio, inexistindo nventariante, a citação interposta pelo expropriante.
será feita na pessoa do cônjuge sobrevivente ou na de § 1° A sentença que condenar o expropriante, em quantia
qualquer herdeiro ou legatário que esteja na posse do imó- superior a cinqüenta por cento sobre o valor oferecido na
vel. inicial, fica sujeita a duplo grau de jurisdição.
§ 3° Serão intimados da ação os titulares de direitos reais § 2° No julgamento dos recursos decorrentes da ação de-
sobre o imóvel desapropriando. sapropriatória não haverá revisor.
§ 4° Serão ainda citados os confron-tantes que, na fase Art. 14. O valor da indenização, estabelecido por sentença,
administrativa do procedimento expropriatório, tenham, deverá ser depositado pelo expropriante à ordem do juízo,
fundamentadamente, contestado as divisas do imóvel ex- em dinheiro, para as benfeitorias úteis e necessárias, inclu-
propriando. sive culturas e pastagens artificiais e, em Títulos da Dívida
Art. 8° O autor, além de outras formas previstas na legisla- Agrária, para a terra nua.
ção processual civil, poderá requerer que a citação do ex- Art. 15. Em caso de reforma de sentença, com o aumento
propriando seja feita pelo correio, através de carta com do valor da indenização, o expropriante será intimado a
aviso de recepção, firmado pelo destinatário ou por seu depositar a diferença, no prazo de quinze dias.
representante legal. Art. 16. A pedido do expropriado, após o trânsito em julgado
Art. 9° A contestação deve ser oferecida no prazo de quinze da sentença, será levantada a indenização ou o depósito
dias se versar matéria de interesse da defesa, excluída a judicial, deduzidos o valor de tributos e multas incidentes
apreciação quanto ao interesse social declarado. sobre o imóvel, exigíveis até a data da imissão na posse
§ 1° Recebida a contestação, o juiz, se for o caso, determi- pelo expropriante.
nará a realização de prova pericial, adstrita a pontos impug- Art. 17. Efetuado ou não o levantamento, ainda que parcial,
nados do laudo de vistoria administrativa, a que se refere o da indenização ou do depósito judicial, será expedido em
art. 5º, inciso IV e, simultaneamente: favor do expropriante, no prazo de quarenta e oito horas,
I - designará o perito do juízo; mandado translativo do domínio para o Cartório do Registro
II - formulará os quesitos que julgar necessários; de Imóveis competente, sob a forma e para os efeitos da Lei
III - intimará o perito e os assistentes para prestar compro- de Registros Públicos. (Redação dada pela LC 88, de
misso, no prazo de cinco dias; 23.12.1996).
IV - intimará as partes para apresentar quesitos, no prazo Parágrafo único. O registro da propriedade nos cartórios
de dez dias. competentes far-se-á no prazo improrrogável de três dias,
§ 2° A prova pericial será concluída no prazo fixado pelo contado da data da apresentação do mandado. (Incluído
juiz, não excedente a sessenta dias, contado da data do pela LC 88, de 23.12.1996).
compromisso do perito. Art. 18. As ações concernentes à desapropriação de imóvel
Art. 10. Havendo acordo sobre o preço, este será homolo- rural, por interesse social, para fins de reforma agrária, têm
gado por sentença. caráter preferencial e prejudicial em relação a outras ações
referentes ao imóvel expropriando, e independem do paga-
Parágrafo único. Não havendo acordo, o valor que vier a
mento de preparo ou de emolumentos.
ser acrescido ao depósito inicial por força de laudo pericial
acolhido pelo Juiz será depositado em espécie para as ben- § 1° Qualquer ação que tenha por objeto o bem exproprian-
fei-torias, juntado aos autos o comprovante de lançamento do será distribuída, por dependência, à Vara Federal onde
de Títulos da Dívida Agrária para terra nua, como integrali- tiver curso a ação de desapropriação, determinando-se a
zação dos valores ofertados. (Incluído pela LC 88, de pronta intervenção da União.
23.12.1996). § 2° O Ministério Público Federal intervirá, obrigatoriamente,
Art. 11. A audiência de instrução e julgamento será realiza- após a manifestação das partes, antes de cada decisão
da em prazo não superior a quinze dias, a contar da conclu- manifestada no processo, em qualquer instância.
são da perícia. Art. 19. As despesas judiciais e os honorários do advogado
e do perito constituem encargos do sucumbente, assim
entendido o expropriado, se o valor da indenização for igual

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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ou inferior ao preço oferecido, ou o expropriante, na hipóte- b) as respectivas administrações diretas, fundos, autarquias,
se de valor superior ao preço oferecido. fundações e empresas estatais dependentes;
§ 1° Os honorários do advogado do expropriado serão fixa- II - a Estados entende-se considerado o Distrito Federal;
dos em até vinte por cento sobre a diferença entre o preço III - a Tribunais de Contas estão incluídos: Tribunal de Con-
oferecido e o valor da indenização. tas da União, Tribunal de Contas do Estado e, quando hou-
§ 2° Os honorários periciais serão pagos em valor fixo, es- ver, Tribunal de Contas dos Municípios e Tribunal de Contas
tabelecido pelo juiz, atendida à complexidade do trabalho do Município.
desenvolvido. Art. 2° Para os efeitos desta Lei Complementar, entende-se
Art. 20. Em qualquer fase processual, mesmo após proferi- como:
da a sentença, compete ao juiz, a requerimento de qualquer I - ente da Federação: a União, cada Estado, o Distrito Fe-
das partes, arbitrar valor para desmonte e transporte de deral e cada Município;
móveis e semoventes, a ser suportado, ao final, pelo expro- II - empresa controlada: sociedade cuja maioria do capital
priante, e cominar prazo para que o promova o expropriado. social com direito a voto pertença, direta ou indiretamente, a
Art. 21. Os imóveis rurais desapropriados, uma vez regis- ente da Federação;
trados em nome do expropriante, não poderão ser objeto de III - empresa estatal dependente: empresa controlada que
ação reivindicatória. receba do ente controlador recursos financeiros para paga-
Art. 22. Aplica-se subsidiariamente ao procedimento de que mento de despesas com pessoal ou de custeio em geral ou
trata esta Lei Complementar, no que for compatível, o Códi- de capital, excluídos, no último caso, aqueles provenientes
go de Processo Civil. de aumento de participação acionária;
Art. 23. As disposições desta lei complementar aplicam-se IV - receita corrente líquida: somatório das receitas tributá-
aos processos em curso, convalidados os atos já realizados. rias, de contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuá-
Art. 24. Esta lei complementar entra em vigor na data de rias, de serviços, transferências correntes e outras receitas
sua publicação. também correntes, deduzidos:
Art. 25. Revogam-se as disposições em contrário e, em a) na União, os valores transferidos aos Estados e Municí-
especial, o Decreto-Lei n° 554, de 25 de abril de 1969. pios por determinação constitucional ou legal, e as contribu-
Brasília, 6 de julho de 1993, 172° da Independência e 105° ições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do
da República. art. 195, e no art. 239 da Constituição;
ITAMAR FRANCO b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por
determinação constitucional;
c) na União, nos Estados e nos Municípios, a contribuição
LEI COMPLEMENTAR N° 101, DE 4 DE MAIO DE 2000
dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência
e assistência social e as receitas provenientes da compen-
Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a sação financeira citada no § 9º do art. 201 da Constituição.
responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providên- § 1° Serão computados no cálculo da receita corrente líqui-
cias. da os valores pagos e recebidos em decorrência da Lei
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Con- Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996, e do
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei fundo previsto pelo art. 60 do Ato das Disposições Constitu-
Complementar: cionais Transitórias.
§ 2° Não serão considerados na receita corrente líquida do
CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Distrito Federal e dos Estados do Amapá e de Roraima os
recursos recebidos da União para atendimento das despe-
Art. 1° Esta Lei Complementar estabelece normas de finan- sas de que trata o inciso V do § 1º do art. 19.
ças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão § 3° A receita corrente líquida será apurada somando-se as
fiscal, com amparo no Capítulo II do Título VI da Constitui- receitas arrecadadas no mês em referência e nos onze
ção. anteriores, excluídas as duplicidades.
§ 1° A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação CAPÍTULO II DO PLANEJAMENTO
planejada e transparente, em que se previnem riscos e cor-
rigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas Seção I Do Plano Plurianual
públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados Art. 3° (VETADO).
entre receitas e despesas e a obediência a limites e condi- Seção II Da Lei de Diretrizes Orçamentárias
ções no que tange a renúncia de receita, geração de despe- Art. 4° A lei de diretrizes orçamentárias atenderá o disposto
sas com pessoal, da seguridade social e outras, dívidas no § 2° do art. 165 da Constituição e:
consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive por I - disporá também sobre:
antecipação de receita, concessão de garantia e inscrição
a) equilíbrio entre receitas e despesas;
em Restos a Pagar.
b) critérios e forma de limitação de empenho, a ser efetivada
§ 2° As disposições desta Lei Complementar obrigam a
nas hipóteses previstas na alínea b do inciso II deste artigo,
União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.
no art. 9º e no inciso II do § 1º do art. 31;
§ 3° Nas referências:
c) (VETADO).
I - à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municí-
d) (VETADO).
pios, estão compreendidos:
e) normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos
a) o Poder Executivo, o Poder Legislativo, neste abrangidos
resultados dos programas financiados com recursos dos
os Tribunais de Contas, o Poder Judiciário e o Ministério
orçamentos;
Público;
f) demais condições e exigências para transferências de
recursos a entidades públicas e privadas;

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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II - (VETADO). preços previsto na lei de diretrizes orçamentárias, ou em
III - (VETADO). legislação específica.
§ 1° Integrará o projeto de lei de diretrizes orçamentárias § 4° É vedado consignar na lei orçamentária crédito com
Anexo de Metas Fiscais, em que serão estabelecidas metas finalidade imprecisa ou com dotação ilimitada.
anuais, em valores correntes e constantes, relativas a recei- § 5° A lei orçamentária não consignará dotação para inves-
tas, despesas, resultados nominal e primário e montante da timento com duração superior a um exercício financeiro que
dívida pública, para o exercício a que se referirem e para os não esteja previsto no plano plurianual ou em lei que autori-
dois seguintes. ze a sua inclusão, conforme disposto no § 1º do art. 167 da
§ 2° O Anexo conterá, ainda: Constituição.
I - avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano § 6° Integrarão as despesas da União, e serão incluídas na
anterior; lei orçamentária, as do Banco Central do Brasil relativas a
II - demonstrativo das metas anuais, instruído com memória pessoal e encargos sociais, custeio administrativo, inclusive
e metodologia de cálculo que justifiquem os resultados pre- os destinados a benefícios e assistência aos servidores, e a
tendidos, comparando-as com as fixadas nos três exercícios investimentos.
anteriores, e evidenciando a consistência delas com as Art. 6° (VETADO).
premissas e os objetivos da política econômica nacional; Art. 7° O resultado do Banco Central do Brasil, apurado
III - evolução do patrimônio líquido, também nos últimos três após a constituição ou reversão de reservas, constitui recei-
exercícios, destacando a origem e a aplicação os recursos ta do Tesouro Nacional, e será transferido até o décimo dia
obtidos com a alienação de ativos; útil subseqüente à aprovação dos balanços semestrais.
IV - avaliação da situação financeira e atuarial: § 1° O resultado negativo constituirá obrigação do Tesouro
a) dos regimes geral de previdência social e próprio dos para com o Banco Central do Brasil e será consignado em
servidores públicos e do Fundo de Amparo ao Trabalhador; dotação específica no orçamento.
b) dos demais fundos públicos e programas estatais de § 2° O impacto e o custo fiscal das operações realizadas
natureza atuarial; pelo Banco Central do Brasil serão demonstrados trimes-
V - demonstrativo da estimativa ecompensação da renúncia tralmente, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes
de receita e da margem de expansão das despesas obriga- orçamentárias da União.
tórias de caráter continuado. § 3° Os balanços trimestrais do Banco Central do Brasil
§ 3° A lei de diretrizes orçamentárias conterá Anexo de conterão notas explicativas sobre os custos da remuneração
Riscos Fiscais, onde serão avaliados os passivos contingen- das disponibilidades do Tesouro Nacional e da manutenção
tes e outros riscos capazes de afetar as contas públicas, das reservas cambiais e a rentabilidade de sua carteira de
informando as providências a serem tomadas, caso se con- títulos, destacando os de emissão da União.
cretizem. Seção IV Da Execução Orçamentária e do Cumprimento
§ 4° A mensagem que encaminhar o projeto da União apre- das Metas
sentará, em anexo específico, os objetivos das políticas Art. 8° Até trinta dias após a publicação dos orçamentos,
monetária, creditícia e cambial, bem como os parâmetros e nos termos em que dispuser a lei de diretrizes orçamentá-
as projeções para seus principais agregados e variáveis, e rias e observado o disposto na alínea c do inciso I do art. 4º,
ainda as metas de inflação, para o exercício subseqüente. o Poder Executivo estabelecerá a programação financeira e
Seção III Da Lei Orçamentária Anual o cronograma de execução mensal de desembolso.
Art. 5° O projeto de lei orçamentária anual, elaborado de Parágrafo único. Os recursos legalmente vinculados a
forma compatível com o plano plurianual, com a lei de dire- finalidade específica serão utilizados exclusivamente para
trizes orçamentárias e com as normas desta Lei Comple- atender ao objeto de sua vinculação, ainda que em exercí-
mentar: cio diverso daquele em que ocorrer o ingresso.
I - conterá, em anexo, demonstrativo da compatibilidade da Art. 9° Se verificado, ao final de um bimestre, que a realiza-
programação dos orçamentos com os objetivos e metas ção da receita poderá não comportar o cumprimento das
constantes do documento de que trata o § 1º do art. 4º; metas de resultado primário ou nominal estabelecidas no
II - será acompanhado do documento a que se refere o § 6° Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o Ministério Público
do art. 165 da Constituição, bem como das medidas de promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários,
compensação a renúncias de receita e ao aumento de des- nos trinta dias subseqüentes, limitação de empenho e mo-
pesas obrigatórias de caráter continuado; vimentação financeira, segundo os critérios fixados pela lei
de diretrizes orçamentárias.
III - conterá reserva de contingência, cuja forma de utiliza-
ção e montante, definido com base na receita corrente líqui- § 1° No caso de restabelecimento da receita prevista, ainda
da, serão estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, que parcial, a recomposição das dotações cujos empenhos
destinada ao: foram limitados dar-se-á de forma proporcional às reduções
efetivadas.
a) (VETADO).
§ 2° Não serão objeto de limitação as despesas que consti-
b) atendimento de passivos contingentes e outros riscos e
tuam obrigações constitucionais e legais do ente, inclusive
eventos fiscais imprevistos.
aquelas destinadas ao pagamento do serviço da dívida, e as
§ 1° Todas as despesas relativas à dívida pública, mobiliária ressalvadas pela lei de diretrizes orçamentárias.
ou contratual, e as receitas que as atenderão, constarão da
§ 3° No caso de os Poderes Legislativo e Judiciário e o
lei orçamentária anual.
Ministério Público não promoverem a limitação no prazo
§ 2° O refinanciamento da dívida pública constará separa- estabelecido no caput, é o Poder Executivo autorizado a
damente na lei orçamentária e nas de crédito adicional. limitar os valores financeiros segundo os critérios fixados
§ 3° A atualização monetária do principal da dívida mobiliá- pela lei de diretrizes orçamentárias. (A eficácia deste pará-
ria refinanciada não poderá superar a variação do índice de

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grafo está suspensa por força de medida liminar concedida sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na
na ADIn nº 2.238-5, de 22.2.2001 (DOU de 21.5.2002). lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das
§ 4° Até o final dos meses de maio, setembro e fevereiro, o seguintes condições:
Poder Executivo demonstrará e avaliará o cumprimento das I - demonstração pelo proponente de que a renúncia foi
metas fiscais de cada quadrimestre, em audiência pública considerada na estimativa de receita da lei orçamentária, na
na comissão referida no § 1º do art. 166 da Constituição ou forma do art. 12, e de que não afetará as metas de resulta-
equivalentenas Casas Legislativas estaduais e municipais. dos fiscais previstas no anexo próprio da lei de diretrizes
§ 5° No prazo de noventa dias após o encerramento de orçamentárias;
cada semestre, o Banco Central do Brasil apresentará, em II - estar acompanhada de medidas de compensação, no
reunião conjunta das comissões temáticas pertinentes do período mencionado no caput, por meio do aumento de
Congresso Nacional, avaliação do cumprimento dos objeti- receita, proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da
vos e metas das políticas monetária, creditícia e cambial, evi base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contri-
denciando o impacto e o custo fiscal de suas operações e buição.
os resultados demonstrados nos balanços. § 1° A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio,
Art. 10. A execução orçamentária e financeira identificará crédito presumido, concessão de isenção em caráter não
os beneficiários de pagamento de sentenças judici ais, por geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cál-
meio de sistema de contabi lidade e administração financei- culo que implique redução discriminada de tributos ou con-
ra, para fins de observância da ordem cronológica determi- tribuições, e outros benefícios que correspondam a trata-
nada no art. 100 da Constituição. mento diferenciado.
CAPÍTULO III DA RECEITA PÚBLICA § 2° Se o ato de concessão ou ampliação do incentivo ou
Seção I DaPrevisãoedaArrecadação benefício de que trata o caput deste artigo decorrer da con-
dição contida no inciso II, o benefício só entrará em vigor
Art. 11. Constituem requisitos essenciais da responsabilida-
quando implementadas as medidas referidas no menciona-
de na gestão fiscal a instituição, previsão e efetiva arreca-
do inciso.
dação de todos os tributos da competência constitucional do
§ 3° O disposto neste artigo não se aplica:
ente da Federação.
Parágrafo único. É vedada a realização de transferências I - às alterações das alíquotas dos impostos previstos nos
incisos I, II, IV e V do art. 153 da Constituição, na forma do
voluntárias para o ente que não observe o disposto no ca-
seu § 1º;
put, no que se refere aos impostos.
Art. 12. As previsões de receita observarão as normas téc- II - ao cancelamento de débito cujo montante seja inferior ao
dos respectivos custos de cobrança.
nicas e legais, considerarão os efeitos das alterações na
legislação, da variação do índice de preços, do crescimento CAPÍTULO IV DA DESPESA PÚBLICA
econômico ou de qualquer outro fator relevante e serão Seção I Da Geração da Despesa
acompanhadas de demonstrativo de sua evolução nos últi- Art. 15. Serão consideradas não autorizadas, irregulares e
mos três anos, da projeção para os dois seguintes àquele a lesivas ao patrimônio público a geração de despesa ou as-
que se referirem, e da metodologia de cálculo e premissas sunção de obrigação que não atendam o disposto nos arts.
utilizadas. 16 e 17.
§ 1° Reestimativa de receita por parte do Poder Legislativo Art. 16. A criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação
só será admitida se comprovado erro ou omissão de ordem governamental que acarrete aumento da despesa será a-
técnica ou legal. companhado de:
§ 2° O montante previsto para as receitas de operações de I - estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercí-
crédito não poderá ser superior ao das despesas de capital cio em que deva entrar em vigor e nos dois subseqüentes;
constantes do projeto de lei orçamentária. (A eficácia deste II - declaração do ordenador da despesa de que o aumento
parágrafo está suspensa por força de medida liminar conce- tem adequação orçamentária e financeira com a lei orça-
dida na Adin nº 2.238-5, de 9.5.2002 (DOU de 21.5.2002). mentária anual e compatibilidade com o plano plurianual e
§ 3° O Poder Executivo de cada ente colocará à disposição com a lei de diretrizes orçamentárias.
dos demais Poderes e do Ministério Público, no mínimo § 1° Para os fins desta Lei Complementar, considera-se:
trinta dias antes do prazo final para encaminhamento de I - adequada com a lei orçamentária anual, a despesa objeto
suas propostas orçamentárias, os estudos e as estimativas de dotação específica e suficiente, ou que esteja abrangida
das receitas para o exercício subseqüente, inclusive da por crédito genérico, de forma que somadas todas as des-
corrente líquida, e as respectivas memórias de cálculo. pesas da mesma espécie, realizadas e a realizar, previstas
Art. 13. No prazo previsto no art. 8°, as receitas previstas no programa de trabalho, não sejam ultrapassados os limi-
serão desdobradas, pelo Poder Executivo, em metas bimes- tes estabelecidos para o exercício;
trais de arrecadação, com a especificação, em separado, II - compatível com o plano plurianual e a lei de diretrizes
quando cabível, das medidas de combate à evasão e à orçamentárias, a despesa que se conforme com as diretri-
sonegação, da quantidade e valores de ações ajuizadas zes, objetivos, prioridades e metas previstos nesses instru-
para cobrança da dívida ativa, bem como da evolução do mentos e não infrinja qualquer de suas disposições.
montante dos créditos tributários passíveis de cobrança
§ 2° A estimativa de que trata o inciso I do caput será a-
administrativa.
companhada das premissas e metodologia de cálculo utili-
Seção II Da Renúncia de Receita zadas.
Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefí- § 3° Ressalva-se do disposto neste artigo a despesa consi-
cio de natureza tributária da qual decorra renúncia de recei- derada irrelevante, nos termos em que dispuser a lei de
ta deverá estar acompanhada de estimativa do impacto diretrizes orçamentárias.
orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar § 4° As normas do caput constituem condição prévia para:

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I - empenho e licitação de serviços, f ornecimento de bens exceder os percentuais da receita corrente líquida, a seguir
ou execução de obras; discriminados:
II - desapropriação de imóveis urbanos a que se refere o § I - União: 50% (cinqüenta por cento);
3° do art. 182 da Constituição. II - Estados: 60% (sessenta por cento);
Subseção I Da Despesa Obrigatória de Caráter Continu- III - Municípios: 60% (sessenta por cento).
ado § 1° Na verificação do atendimento dos limites definidos
Art. 17. Considera-se obrigatória de caráter continuado a neste artigo, não serão computadas as despesas:
despesa corr ente derivada de lei, medida provisória ou ato I - de indenização por demissão de servidores ou emprega-
administrativo normativo que fixem para o ente a obrigação dos;
legal de sua execução por um período superior a dois exer- II - relativas a incentivos à demissão voluntária;
cícios. III - derivadas da aplicação do disposto no inciso II do § 6°
§ 1° Os atos que criarem ou aumentarem despesa de que do art. 57 da Constituição;
trata o caput deverão ser instruídos com a estima tiva pre- IV - decorrentes de decisão judicial e da competência de
vista no inciso I do art. 16 e demonstrar a origem dos recur- período anterior ao da apuração a que se refere o § 2º do
sos para seu custeio. art. 18;
§ 2° Para efeito do atendimento do § 1°, o ato será acom- V - com pessoal, do Distrito Federal e dos Estados do Ama-
panhado de comprovação de que a despesa criada ou au- pá e Roraima, custeadas com recursos transferidos pela
mentada não afetará as metas de resultados fiscais previs- União na forma dos incisos XIII e XIV do art. 21 da Constitu-
tas no anexo referido no § 1º do art. 4º, devendo seus efei- ição e do art. 31 da Emenda Constitucional no 19;
tos financeiros, nos períodos seguintes, ser compensa dos VI - com inativos, ainda que por intermédio de fundo especí-
pelo aumento permanente de re ceita ou pela redução per- fico, custeadas por recursos provenientes:
manente de despesa. a) da arrecadação de contribuições dos segurados;
§ 3° Para efeito do § 2°, considera-se aumento permanente b) da compensação financeira de que trata o § 9° do art.
de receita o p roveniente da elevação de alíquotas, amplia- 201 da Constituição;
ção da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou c) das demais receitas diretamente arrecadadas por fundo
contribuição. vinculado a tal finalidade, inclusive o produto da alienação
§ 4° A comprovação referida no § 2°, apresentada pelo pro- de bens, direitos e ativos, bem como seu superávit financei-
ponente, conterá as premissas e metodologia de cálculo ro.
utilizadas, sem prejuízo do exame de compatibilidade da § 2° Observado o disposto no inciso IV do § 1°, as despesas
despesa com as demais normas do plano plurianual e da lei com pessoal decorrentes de sentenças judiciais serão inclu-
de diretrizes orçamentárias. ídas no limite do respectivo Poder ou órgão referido no art.
§ 5° A despesa de que trata este artigo não será executada 20.
antes da implementação das medidas referidas no § 2º, as Art. 20. A repartição dos limites globais do art. 19 não pode-
quais integrarão o instrumento que a criar ou aumentar. rá exceder os seguintes percentuais:
§ 6° O disposto no § 1° não se aplica às despesas destina- I - na esfera federal:
das ao serviço da dívida nem ao reajustamento de remune- a) 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) para o
ração de pessoal de que trata o inciso X do art. 37 da Cons- Legislativo, incluído o Tribunal de Contas da União;
tituição. b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;
§ 7° Considera-se aumento de despesa a prorrogação da- c) 40,9% (quarenta inteiros e nove décimos por cento) para
quela criada por prazo determinado. o Executivo, destacando-se 3% (três por cento) para as
Seção II Das Despesas com Pessoal despesas com pessoal decorrentes do que dispõem os
Subseção I Definições e Limites incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e o art. 31 da
Art. 18. Para os efeitos desta Lei Complementar, entende- Emenda Constitucional no 19, repartidos de forma propor-
se como despesa total com pessoal: o somatório dos gastos cional à média das despesas relativas a cada um destes
do ente da Federação com os ativos, os inativos e os pensi- dispositivos, em percentual da receita corrente líquida, veri-
onistas, relativos a mandatos eletivos, cargos, funções ou ficadas nos três exercícios financeiros imediatamente ante-
empregos, civis, militares e de membros de Poder, com riores ao da publicação desta Lei Complementar;
quaisquer espécies remuneratórias, tais como vencimentos d) 0,6% (seis décimos por cento) para o Ministério Público
e vantagens, fixas e variáveis, subsídios, proventos da apo- da União;
sentadoria, reformas e pensões, inclusive adicionais, gratifi- II - na esfera estadual:
cações, horas extras e vantagens pessoais de qualquer a) 3% (três por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal
natureza, bem como encargos sociais e contribuições reco- de Contas do Estado;
lhidas pelo ente às entidades de previdência. b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;
§ 1° Os valores dos contratos de terceirização de mão-de- c) 49% (quarenta e nove por cento) para o Executivo;
obra que se referem à substituição de servidores e empre- d) 2% (dois por cento) para o Ministério Público dos Esta-
gados públicos serão contabilizados como “Outras Despe- dos;
sas de Pessoal”. III - na esfera municipal:
§ 2° A despesa total com pessoal será apurada somando-se a) 6% (seis por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal
a realizada no mês em referência com as dos onze imedia- de Contas do Município, quando houver;
tamente anteriores, adotando-se o regime de competência. b) 54% (cinqüenta e quatro por cento) para o Executivo.
Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da § 1° Nos Poderes Legislativo e Judiciário de cada esfera, os
Constituição, a despesa total com pessoal, em cada período limites serão repartidos entre seus órgãos de forma propor-
de apuração e em cada ente da Federação, não poderá

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cional à média das des pesas com pessoal, em percentual V - contratação de hora extra, salvo no caso do disposto no
da receita corrente líquida, verificadas nos três exercícios inciso II do § 6° do art. 57 da Constituição e as situações
financeiros ime diatamente anteriores ao da publicação previstas na lei de diretrizes orçamentárias.
desta Lei Complementar. Art. 23. Se a despesa total com pessoal, do Poder ou órgão
§ 2° Para efeito deste artigo entende-se como órgão: referido no art. 20, ultrapassar os limites definidos no mes-
I - o Ministério Público; mo artigo, sem prejuízo das medidas previstas no art. 22, o
II- no Poder Lgislativo: percentual excedente terá de ser eliminado nos dois qua-
a) Federal, as respectivas Casas e o Tribunal de Contas da drimestres seguintes, sendo pelo menos um terço no primei-
União; ro, adotando-se, entre outras, as providências previstas nos
b) Estadual, a Assembléia Legislativa e os Tribunais de §§ 3º e 4º do art. 169 da Constituição.
Contas; § 1° No caso do inciso I do § 3° do art. 169 da Constituição,
c) do Distrito Federal, a Câmara Legislativa e o Tribunal de o objetivo poderá ser alcançado tanto pela extinção de car-
Contas do Distrito Federal; gos e funções quanto pela redução dos valores a eles atri-
buídos. (A eficácia da expressão “quanto pela redução dos
d) Municipal, a Câmara de Vereadores e o Tribunal de Con-
valores a eles atribuídos” constante neste parágrafo está
tas do Município, quando houver;
suspensa por força de medida liminar concedida na ADIn nº
III - no Poder Judiciário: 2.238-5, de 9.5.2002 (DOU de 21.5.2002).
a) Federal, os tribunais referidos no art. 92 da Constituição; § 2° É facultada a redução temporária da jornada de traba-
b) Estadual, o Tribunal de Justiça e outros, quando houver. lho com adequação dos vencimentos à nova carga horária.
§ 3° Os limites para as despesas com pessoal do Poder (A eficácia deste parágrafo está suspensa por força de me-
Judiciário, a cargo da União por força do inciso XIII do art. dida liminar concedida na ADIn nº 2.238-5, de 9.5.2002
21 da Constituição, serão estabelecidos mediante aplicação (DOU de 21.5.2002).
da regra do § 1º. § 3° Não alcançada a redução no prazo estabelecido, e
§ 4° Nos Estados em que houver Tribunal de Contas dos enquanto perdurar o excesso, o ente não poderá:
Municípios, os percentuais definidos nas alíneas a e c do I - receber transferências voluntárias;
inciso II do caput serão, respectivamente, acrescidos e re-
II - obter garantia, direta ou indireta, de outro ente;
duzidos em 0,4% (quatro décimos por cento).
III - contratar operações de crédito, ressalvadas as destina-
§ 5° Para os fins previstos no art. 168 da Constituição, a das ao refinanciamento da dívida mobiliária e as que visem
entrega dos recursos financeiros correspondentes à despe- à redução das despesas com pessoal.
sa total com pessoal por Poder e órgão será a resultante da
§ 4° As restrições do § 3° aplicam-se imediatamente se a
aplicação dos percentuais definidos neste artigo, ou aqueles
despesa total com pessoal exceder o limite no primeiro qua-
fixados na lei de diretrizes orçamentárias.
drimestre do último ano do mandato dos titulares de Poder
Subseção II Do Controle da Despesa Total com Pessoal ou órgão referidos no art. 20.
Art. 21. É nulo de pleno direito o ato que provoque aumento Seção III Das Despesas com a Seguridade Social
da despesa com pessoal e não atenda: Art. 24. Nenhum benefício ou serviço relativo à seguridade
I - as exigências dos arts. 16 e 17 desta Lei Complementar, social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a indi-
e o disposto no inciso XIII do art. 37 e no § 1º do art. 169 da cação da fonte de custeio total, nos termos do § 5º do art.
Constituição; 195 da Constituição, atendidas ainda as exigências do art.
II - o limite legal de comprometimento aplicado às despesas 17.
com pessoal inativo. § 1° É dispensada da compensação referida no art. 17 o
Parágrafo único. Também é nulo de pleno direito o ato de aumento de despesa decorrente de:
que resulte aumento da despesa com pessoal expedido nos I - concessão de benefício a quem satisfaça as condições
cento e oitenta dias anteriores ao final do mandato do titular de habilitação prevista na legislação pertinente;
do respectivo Poder ou órgão referido no art. 20. II - expansão quantitativa do atendimento e dos serviços
Art. 22. A verificação do cumprimento dos limites estabele- prestados;
cidos nos arts. 19 e 20 será realizada ao final de cada qua- III - reajustamento de valor do benefício ou serviço, a fim de
drimestre. preservar o seu valor real.
Parágrafo único. Se a despesa total com pessoal exceder § 2° O disposto neste artigo aplica-se a benefício ou serviço
a 95% (noventa e cinco por cento) do limite, são vedados ao de saúde, previdência e assistência social, inclusive os des-
Poder ou órgão referido no art. 20 que houver incorrido no tinados aos servidores públicos e militares, ativos e inativos,
excesso: e aos pensionistas.
I - concessão de vantagem, aumento, reajuste ou adequa- CAPÍTULO V DAS TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS
ção de remuneração a qualquer título, salvo os derivados de
Art. 25. Para efeito desta Lei Complementar, entende-se
sentença judicial ou de determinação legal ou contratual,
por transferência voluntária a entrega de recursos correntes
ressalvada a revisão prevista no inciso X do art. 37 da
ou de capital a outro ente da Federação, a título de coope-
Constituição;
ração, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de
II - criação de cargo, emprego ou função; determinação constitucional, legal ou os destinados ao Sis-
III - alteração de estrutura de carreira que implique aumento tema Único de Saúde.
de despesa; § 1° São exigências para a realização de transferência vo-
IV - provimento de cargo público, admissão ou contratação luntária, além das estabelecidas na lei de diretrizes orça-
de pessoal a qualquer título, ressalvada a reposição decor- mentárias:
rente de aposentadoria ou falecimento de servidores das I - existência de dotação específica;
áreas de educação, saúde e segurança;
II - (VETADO).

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III - observância do disposto no inciso X do art. 167 da Art. 29. Para os efeitos desta Lei Complementar, são ado-
Constituição; tadas as seguintes definições:
IV - comprovação, por parte do beneficiário, de: I - dívida pública consolidada ou fundada: montante total,
a) que se acha em dia quanto ao pagamento de tributos, apurado sem duplicidade, das obrigações financeiras do
empréstimos e financiamentos devidos ao ente transferidor, ente da Federação, assumidas em virtude de leis, contratos,
bem como quanto à prestação de contas de recursos ante- convênios ou tratados e da realização de operações de
riormente dele recebidos; crédito, para amortização em prazo superior a doze meses;
b) cumprimento dos limites constitucionais relativos à edu- II - dívida pública mobiliária: dívida pública representada por
cação e à saúde; títulos emitidos pela União, inclusive os do Banco Central do
c) observância dos limites das dívidas consolidada e mobili- Brasil, Estados e Municípios;
ária, de operações de crédito, inclusive por antecipação de III - operação de crédito: compromisso financeiro assumido
receita, de inscrição em Restos a Pagar e de despesa total em razão de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite
com pessoal; de título, aquisição financiada de bens, recebimento anteci-
d) previsão orçamentária de contrapartida. pado de valores provenientes da venda a termo de bens e
§ 2° É vedada a utilização de recursos transferidos em fina- serviços, arrendamento mercantil e outras operações asse-
lidade diversa da pactuada. melhadas, inclusive com o uso de derivativos financeiros;
§ 3° Para fins da aplicação das sanções de suspensão de IV - concessão de garantia: compromisso de adimplência de
transferências voluntárias constantes desta Lei Complemen- obrigação financeira ou contratual assumida por ente da
tar, excetuam-se aquelas relativas a ações de educação, Federação ou entidade a ele vinculada;
saúde e assistência social. V - refinanciamento da dívida mobiliária: emissão de títulos
CAPÍTULO VI DA DESTINAÇÃO DE RECURSOS PÚBLICOS PARA para pagamento do principal acrescido da atualização mo-
O SETOR PRIVADO netária.
§ 1° Equipara-se a operação de crédito a assunção, o reco-
Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indireta-
nhecimento ou a confissão de dívidas pelo ente da Federa-
mente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de
ção, sem prejuízo do cumprimento das exigências dos arts.
pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica,
15 e 16.
atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes or-
çamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus cré- § 2° Será incluída na dívida pública consolidada da União a
ditos adicionais. relativa à emissão de títulos de responsabilidade do Banco
Central do Brasil.
§ 1° O disposto no caput aplica-se a toda a administração
indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, § 3° Também integram a dívida pública consolidada as ope-
exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as insti- rações de crédito de prazo inferior a doze meses cujas re-
tuições financeiras e o Banco Central do Brasil. ceitas tenham constado do orçamento.
§ 2° Compreende-se incluída a concessão de empréstimos, § 4° O refinanciamento do principal da dívida mobiliária não
financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas excederá, ao término de cada exercício financeiro, o mon-
prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de tante do final do exercício anterior, somado ao das opera-
subvenções e a participação em constituição ou aumento de ções de crédito autorizadas no orçamento para este efeito e
capital. efetivamente realizadas, acrescido de atualização monetá-
ria.
Art. 27. Na concessão de crédito por ente da Federação a
pessoa física, ou jurídica que não esteja sob seu controle Seção II Dos Limites da Dívida Pública e das Operações
direto ou indireto, os encargos financeiros, comissões e de Crédito
despesas congêneres não serão inferiores aos definidos em Art. 30. No prazo de noventa dias após a publicação desta
lei ou ao custo de captação. Lei Complementar, o Presidente da República submeterá
Parágrafo único. Dependem de autorização em lei especí- ao:
fica as prorrogações e composições de dívidas decorrentes I - Senado Federal: proposta de limites globais para o mon-
de operações de crédito, bem como a concessão de em- tante da dívida consolidada da União, Estados e Municípios,
préstimos ou financiamentos em desacordo com o caput, cumprindo o que estabelece o inciso VI do art. 52 da Consti-
sendo o subsídio correspondente consignado na lei orça- tuição, bem como de limites e condições relativos aos inci-
mentária. sos VII, VIII e IX do mesmo artigo;
Art. 28. Salvo mediante lei específica, não poderão ser II - Congresso Nacional: projeto de lei que estabeleça limites
utilizados recursos públicos, inclusive de operações de cré- para o montante da dívida mobiliária federal a que se refere
dito, para socorrer instituições do Sistema Financeiro Na- o inciso XIV do art. 48 da Constituição, acompanhado da
cional, ainda que mediante a concessão de empréstimos de demonstração de sua adequação aos limites fixados para a
recuperação ou financiamentos para mudança de controle dívida consolidada da União, atendido o disposto no inciso I
acionário. do § 1º deste artigo.
§ 1° A prevenção de insolvência e outros riscos ficará a § 1° As propostas referidas nos incisos I e II do caput e suas
cargo de fundos, e outros mecanismos, constituídos pelas alterações conterão:
instituições do Sistema Financeiro Nacional, na forma da lei. I - demonstração de que os limites e condições guardam
§ 2° O disposto no caput não proíbe o Banco Central do coerência com as normas estabelecidas nesta Lei Comple-
Brasil de conceder às instituições financeiras operações de mentar e com os objetivos da política fiscal;
redesconto e de empréstimos de prazo inferior a trezentos e II - estimativas do impacto da aplicação dos limites a cada
sessenta dias. uma das três esferas de governo;
CAPÍTULO VII DA DÍVIDA E DO ENDIVIDAMENTO III - razões de eventual proposição de limites diferenciados
Seção I Definições Básicas por esfera de governo;

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IV - metodologia de apuração dos resultados primário e nômico e social da operação e o atendimento das seguintes
nominal. condições:
§ 2° As propostas mencionadas nos incisos I e II do caput I - existência de prévia e expressa autorização para a con-
também poderão ser apresentadas em termos de dívida tratação, no texto da lei orçamentária, em créditos adicio-
líquida, evidenciando a forma e a metodologia de sua apu- nais ou lei específica;
ração. II - inclusão no orçamento ou em créditos adicionais dos
§ 3° Os limites de que tratam os incisos I e II do caput serão recursos provenientes da operação, exceto no caso de ope-
fixados em percentual da receita corrente líquida para cada rações por antecipação de receita;
esfera de governo e aplicados igualmente a todos os entes III - observância dos limites e condições fixados pelo Sena-
da Federação que a integrem, constituindo, para cada um do Federal;
deles, limites máximos. IV - autorização específica do Senado Federal, quando se
§ 4° Para fins de verificação do atendimento do limite, a tratar de operação de crédito externo;
apuração do montante da dívida consolidada será efetuada V - atendimento do disposto no inciso III do art. 167 da
ao final de cada quadrimestre. Constituição;
§ 5° No prazo previsto no art. 5°, o Presidente da República VI - observância das demais restrições estabelecidas nesta
enviará ao Senado Federal ou ao Congresso Nacional, con- Lei Complementar.
forme o caso, proposta de manutenção ou alteração dos § 2° As operações relativas à dívida mobiliária federal auto-
limites e condições previstos nos incisos I e II do caput. rizadas, no texto da lei orçamentária ou de créditos adicio-
§ 6° Sempre que alterados os fundamentos das propostas nais, serão objeto de processo simplificado que atenda às
de que trata este artigo, em razão de instabilidade econômi- suas especificidades.
ca ou alterações nas políticas monetária ou cambial, o Pre- § 3° Para fins do disposto no inciso V do § 1°, considerar-
sidente da República poderá encaminhar ao Senado Fede- se-á, em cada exercício financeiro, o total dos recursos de
ral ou ao Congresso Nacional solicitação de revisão dos operações de crédito nele ingressados e o das despesas de
limites. capital executadas, observado o seguinte:
§ 7° Os precatórios judiciais não pagos durante a execução I - não serão computadas nas despesas de capital as reali-
do orçamento em que houverem sido incluídos integram a zadas sob a forma de empréstimo ou financiamento a con-
dívida consolidada, para fins de aplicação dos limites. tribuinte, com o intuito de promover incentivo fiscal, tendo
Seção III Da Recondução da Dívida aos Limites por base tributo de competência do ente da Federação, se
Art. 31. Se a dívida consolidada de um ente da Federação resultar a diminuição, direta ou indireta, do ônus deste;
ultrapassar o respectivo limite ao final de um quadrimestre, II - se o empréstimo ou financiamento a que se refere o
deverá ser a ele reconduzida até o término dos três subse- inciso I for concedido por instituição financeira controlada
qüentes, reduzindo o excedente em pelo menos 25% (vinte pelo ente da Federação, o valor da operação será deduzido
e cinco por cento) no primeiro. das despesas de capital;
§ 1° Enquanto perdurar o excesso, o ente que nele houver III - (VETADO).
incorrido: § 4° Sem prejuízo das atribuições próprias do Senado Fede-
I - estará proibido de realizar operação de crédito interna ou ral e do Banco Central do Brasil, o Ministério da Fazenda
externa, inclusive por antecipação de receita, ressalvado o efetuará o registro eletrônico centralizado e atualizado das
refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária; dívidas públicas interna e externa, garantido o acesso públi-
II - obterá resultado primário necessário à recondução da co às informações, que incluirão:
dívida ao limite, promovendo, entre outras medidas, limita- I - encargos e condições de contra-tação;
ção de empenho, na forma do art. 9º. II - saldos atualizados e limites relativos às dívidas consoli-
§ 2° Vencido o prazo para retorno da dívida ao limite, e dada e mobiliária, operações de crédito e concessão de
enquanto perdurar o excesso, o ente ficará também impedi- garantias.
do de receber transferências voluntárias da União ou do § 5° Os contratos de operação de crédito externo não conte-
Estado. rão cláusula que importe na compensação automática de
§ 3° As restrições do § 1° aplicam-se imediatamente se o débitos e créditos.
montante da dívida exceder o limite no primeiro quadrimes- Art. 33. A instituição financeira que contratar operação de
tre do último ano do mandato do Chefe do Poder Executivo. crédito com ente da Federação, exceto quando relativa à
§ 4° O Ministério da Fazenda divulgará, mensalmente, a dívida mobiliária ou à externa, deverá exigir comprovação
relação dos entes que tenham ultrapassado os limites das de que a operação atende às condições e limites estabele-
dívidas consolidada e mobiliária. cidos.
§ 5° As normas deste artigo serão observadas nos casos de § 1° A operação realizada com infração do disposto nesta
descumpri-mento dos limites da dívida mobiliária e das ope- Lei Complementar será considerada nula, procedendo-se ao
rações de crédito internas e externas. seu cancelamento, mediante a devolução do principal, ve-
Seção IV Das Operações de Crédito dados o pagamento de juros e demais encargos financeiros.
Subseção I Da Contratação § 2° Se a devolução não for efetuada no exercício de in-
gresso dos recursos, será consignada reserva específica na
Art. 32. O Ministério da Fazenda verificará o cumprimento lei orçamentária para o exercício seguinte.
dos limites e condições relativos à realização de operações § 3° Enquanto não efetuado o cancelamento, a amortiza-
de crédito de cada ente da Federação, inclusive das empre- ção, ou constituída a reserva, aplicam-se as sanções previs-
sas por eles controladas, direta ou indiretamente. tas nos incisos do § 3º do art. 23.
§ 1° O ente interessado formalizará seu pleito fundamen- § 4° Também se constituirá reserva, no montante equivalen-
tando-o em parecer de seus órgãos técnicos e jurídicos, te ao excesso, se não atendido o disposto no inciso III do
demonstrando a relação custo-benefício, o interesse eco-

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art. 167 da Constituição, consideradas as disposições do § IV - estará proibida:
3º do art. 32. a) enquanto existir operação anterior da mesma natureza
Subseção II Das Vedações não integralmente resgatada;
b) no último ano de mandato do Presidente, Governador ou
Art. 34. O Banco Central do Brasil não emitirá títulos da
Prefeito Municipal.
dívida pública a partir de dois anos após a publicação desta
Lei Complementar. § 1° As operações de que trata este artigo não serão com-
putadas para efeito do que dispõe o inciso III do art. 167 da
Art. 35. É vedada a realização de operação de crédito entre
Constituição, desde que liquidadas no prazo definido no
um ente da Federação, diretamente ou por intermédio de
inciso II do caput.
fundo, autarquia, fundação ou empresa estatal dependente,
e outro, inclusive suas entidades da administração indireta, § 2° As operações de crédito por antecipação de receita
ainda que sob a forma de novação, refinanciamento ou realizadas por Estados ou Municípios serão efetuadas me-
postergação de dívida contraída anteriormente. diante abertura de crédito junto à instituição financeira ven-
cedora em processo competitivo eletrônico promovido pelo
§ 1° Excetuam-se da vedação a que se refere o caput as
Banco Central do Brasil.
operações entre instituição financeira estatal e outro ente da
Federação, inclusive suas entidades da administração indi- § 3° O Banco Central do Brasil manterá sistema de acom-
reta, que não se destinem a: panhamento e controle do saldo do crédito aberto e, no
caso de inobservância dos limites, aplicará as sanções ca-
I - financiar, direta ou indiretamente, despesas correntes;
bíveis à instituição credora.
II - refinanciar dívidas não contraídas junto à própria institui-
ção concedente. Subseção IV Das Operações com o Banco Central do
§ 2° O disposto no caput não impede Estados e Municípios Brasil
de comprar títulos da dívida da União como aplicação de Art. 39. Nas suas relações com ente da Federação, o Ban-
suas disponibilidades. co Central do Brasil está sujeito às vedações constantes do
Art. 36. É proibida a operação de crédito entre uma institui- art. 35 e mais às seguintes:
ção financeira estatal e o ente da Federação que a controle, I - compra de título da dívida, na data de sua colocação no
na qualidade de beneficiário do empréstimo. mercado, ressalvado o disposto no § 2º deste artigo;
Parágrafo único. O disposto no caput não proíbe instituição II - permuta, ainda que temporária, por intermédio de institu-
financeira controlada de adquirir, no mercado, títulos da ição financeira ou não, de título da dívida de ente da Fede-
dívida pública para atender investimento de seus clientes, ração por título da dívida pública federal, bem como a ope-
ou títulos da dívida de emissão da União para aplicação de ração de compra e venda, a termo, daquele título, cujo efei-
recursos próprios. to final seja semelhante à permuta;
Art. 37. Equiparam-se a operações de crédito e estão veda- III - concessão de garantia.
dos: § 1° O disposto no inciso II, in fine, não se aplica ao estoque
I - captação de recursos a título de antecipação de receita de Letras do Banco Central do Brasil, Série Especial, exis-
de tributo ou contribuição cujo fato gerador ainda não tenha tente na carteira das instituições financeiras, que pode ser
ocorrido, sem prejuízo do disposto no § 7º do art. 150 da refinanciado mediante novas operações de venda a termo.
Constituição; § 2° O Banco Central do Brasil só poderá comprar direta-
II - recebimento antecipado de valores de empresa em que mente títulos emitidos pela União para refinanciar a dívida
o Poder Público detenha, direta ou indiretamente, a maioria mobiliária federal que estiver vencendo na sua carteira.
do capital social com direito a voto, salvo lucros e dividen- § 3° A operação mencionada no § 2° deverá ser realizada à
dos, na forma da legislação; taxa média e condições alcançadas no dia, em leilão públi-
III - assunção direta de compromisso, confissão de dívida ou co.
operação assemelhada, com fornecedor de bens, mercado- § 4° É vedado ao Tesouro Nacional adquirir títulos da dívida
rias ou serviços, mediante emissão, aceite ou aval de título pública federal existentes na carteira do Banco Central do
de crédito, não se aplicando esta vedação a empresas esta- Brasil, ainda que com cláusula de reversão, salvo para re-
tais dependentes; duzir a dívida mobiliária.
IV - assunção de obrigação, sem autorização orçamentária, Seção V Da Garantia e da Contragarantia
com fornecedores para pagamento a posteriori de bens e Art. 40. Os entes poderão conceder garantia em operações
serviços. de crédito internas ou externas, observados o disposto nes-
Subseção III Das Operações de Crédito por Antecipação te artigo, as normas do art. 32 e, no caso da União, também
de Receita Orçamentária os limites e as condições estabelecidos pelo Senado Fede-
Art. 38. A operação de crédito por antecipação de receita ral.
destina-se a atender insuficiência de caixa durante o exercí- § 1° A garantia estará condicionada ao oferecimento de
cio financeiro e cumprirá as exigências mencionadas no art. contragarantia, em valor igual ou superior ao da garantia a
32 e mais as seguintes: ser concedida, e à adimplência da entidade que a pleitear
I - realizar-se-á somente a partir do décimo dia do início do relativamente a suas obrigações junto ao garantidor e às
exercício; entidades por este controladas, observado o seguinte:
II - deverá ser liquidada, com juros e outros encargos inci- I - não será exigida contragarantia de órgãos e entidades do
dentes, até o dia dez de dezembro de cada ano; próprio ente;
III - não será autorizada se forem cobrados outros encargos II - a contragarantia exigida pela União a Estado ou Municí-
que não a taxa de juros da operação, obrigatoriamente pre- pio, ou pelos Estados aos Municípios, poderá consistir na
fixada ou indexada à taxa básica financeira, ou à que vier a vinculação de receitas tributárias diretamente arrecadadas e
esta substituir; provenientes de transferências constitucionais, com outorga

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de poderes ao garantidor para retê-las e empregar o respec- § 2° É vedada a aplicação das disponibilidades de que trata
tivo valor na liquidação da dívida vencida. o § 1° em:
§ 2° No caso de operação de crédito junto a organismo I - títulos da dívida pública estadual e municipal, bem como
financeiro internacional, ou a instituição federal de crédito e em ações e outros papéis relativos às empresas controladas
fomento para o repasse de recursos externos, a União só pelo respectivo ente da Federação;
prestará garantia a ente que atenda, além do disposto no § II - empréstimos, de qualquer natureza, aos segurados e ao
1º, as exigências legais para o recebimento de transferên- Poder Público, inclusive a suas empresas controladas.
cias voluntárias. Seção II Da Preservação do Patrimônio Público
§ 3° (VETADO). Art. 44. É vedada a aplicação da receita de capital derivada
§ 4° (VETADO). da alienação de bens e direitos que integram o patrimônio
§ 5° É nula a garantia concedida acima dos limites fixados público para o financiamento de despesa corrente, salvo se
pelo Senado Federal. destinada por lei aos regimes de previdência social, geral e
§ 6° É vedado às entidades da administração indireta, inclu- próprio dos servidores públicos.
sive suas empresas controladas e subsidiárias, conceder Art. 45. Observado o disposto no § 5° do art. 5°, a lei orça-
garantia, ainda que com recursos de fundos. mentária e as de créditos adicionais só incluirão novos pro-
§ 7° O disposto no § 6° não se aplica à concessão de ga- jetos após adequadamente atendidos os em andamento e
rantia por: contempladas as despesas de conservação do patrimônio
I - empresa controlada a subsidiária ou controlada sua, nem público, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes or-
à prestação de contragarantia nas mesmas condições; çamentárias.
II - instituição financeira a empresa nacional, nos termos da Parágrafo único. O Poder Executivo de cada ente encami-
lei. nhará ao Legislativo, até a data do envio do projeto de lei de
§ 8° Excetua-se do disposto neste artigo a garantia presta- diretrizes orçamentárias, relatório com as informações ne-
da: cessárias ao cumprimento do disposto neste artigo, ao qual
I - por instituições financeiras estatais, que se submeterão será dada ampla divulgação.
às normas aplicáveis às instituições financeiras privadas, de Art. 46. É nulo de pleno direito ato de desapropriação de
acordo com a legislação pertinente; imóvel urbano expedido sem o atendimento do disposto no
II - pela União, na forma de lei federal, a empresas de natu- § 3º do art. 182 da Constituição, ou prévio depósito judicial
reza financeira por ela controladas, direta e indiretamente, do valor da indenização.
quanto às operações de seguro de crédito à exportação. Seção III Das Empresas Controladas pelo Setor Público
§ 9° Quando honrarem dívida de outro ente, em razão de Art. 47. A empresa controlada que firmar contrato de gestão
garantia prestada, a União e os Estados poderão condicio- em que se estabeleçam objetivos e metas de desempenho,
nar as transferências constitucionais ao ressarcimento da- na forma da lei, disporá de autonomia gerencial, orçamentá-
quele pagamento. ria e financeira, sem prejuízo do disposto no inciso II do § 5º
§ 10. O ente da Federação cuja dívida tiver sido honrada do art. 165 da Constituição.
pela União ou por Estado, em decorrência de garantia pres- Parágrafo único. A empresa controlada incluirá em seus
tada em operação de crédito, terá suspenso o acesso a balanços trimestrais nota explicativa em que informará:
novos créditos ou financiamentos até a total liquidação da I - fornecimento de bens e serviços ao controlador, com
mencionada dívida. respectivos preços e condições, comparando-os com os
Seção VI Dos Restos a Pagar praticados no mercado;
Art. 41. (VETADO). II - recursos recebidos do controlador, a qualquer título,
Art. 42. É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no especificando valor, fonte e destinação;
art. 20, nos últimos dois quadrimestres do seu mandato, III - venda de bens, prestação de serviços ou concessão de
contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida empréstimos e financiamentos com preços, taxas, prazos ou
integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem condições diferentes dos vigentes no mercado.
pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente dispo- CAPÍTULO IX DA TRANSPARÊNCIA, CONTROLE E FISCALIZAÇÃO
nibilidade de caixa para este efeito. Seção I Da Transparência da Gestão Fiscal
Parágrafo único. Na determinação da disponibilidade de
Art. 48. São instrumentos de transparência da gestão fiscal,
caixa serão considerados os encargos e despesas compro-
aos quais será dada ampla divulgação, inclusive em meios
missadas a pagar até o final do exercício.
eletrônicos de acesso público: os planos, orçamentos e leis
CAPÍTULO VIII DA GESTÃO PATRIMONIAL de diretrizes orçamentárias; as prestações de contas e o
Seção I Das Disponibilidades de Caixa respectivo parecer prévio; o Relatório Resumido da Execu-
Art. 43. As disponibilidades de caixa dos entes da Federa- ção Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal; e as ver-
ção serão depositadas conforme estabelece o § 3º do art. sões simplificadas desses documentos.
164 da Constituição. Parágrafo único. A transparência será assegurada também
§ 1° As disponibilidades de caixa dos regimes de previdên- mediante incentivo à participação popular e realização de
cia social, geral e próprio dos servidores públicos, ainda que audiências públicas, durante os processos de elaboração e
vinculadas a fundos específicos a que se referem os arts. de discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e
249 e 250 da Constituição, ficarão depositadas em conta orçamentos.
separada das demais disponibilidades de cada ente e apli- Art. 49. As contas apresentadas pelo Chefe do Poder Exe-
cadas nas condições de mercado, com observância dos cutivo ficarão disponíveis, durante todo o exercício, no res-
limites e condições de proteção e prudência financeira. pectivo Poder Legislativo e no órgão técnico responsável
pela sua elaboração, para consulta e apreciação pelos cida-
dãos e instituições da sociedade.

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Parágrafo único. A prestação de contas da União conterá Art. 52. O relatório a que se refere o § 3° do art. 165 da
demonstrativos do Tesouro Nacional e das agências finan- Constituição abrangerá todos os Poderes e o Ministério
ceiras oficiais de fomento, incluído o Banco Nacional de Público, será publicado até trinta dias após o encerramento
Desenvolvimento Econômico e Social, especificando os de cada bimestre e composto de:
empréstimos e financiamentos concedidos com recursos I - balanço orçamentário, que especificará, por categoria
oriundos dos orçamentos fiscal e da seguridade social e, no econômica, as:
caso das agências financeiras, avaliação circunstanciada do a) receitas por fonte, informando as realizadas e a realizar,
impacto fiscal de suas atividades no exercício. bem como a previsão atualizada;
Seção II Da Escrituração e Consolidação das Contas b) despesas por grupo de natureza, discriminando a dota-
Art. 50. Além de obedecer às demais normas de contabili- ção para o exercício, a despesa liquidada e o saldo;
dade pública, a escrituração das contas públicas observará II - demonstrativos da execução das:
as seguintes: a) receitas, por categoria econômica e fonte, especificando
I - a disponibilidade de caixa constará de registro próprio, de a previsão inicial, a previsão atualizada para o exercício, a
modo que os recursos vinculados a órgão, fundo ou despe- receita realizada no bimestre, a realizada no exercício e a
sa obrigatória fiquem identificados e escriturados de forma previsão a realizar;
individualizada; b) despesas, por categoria econômica e grupo de natureza
II - a despesa e a assunção de compromisso serão registra- da despesa, discriminando dotação inicial, dotação para o
das segundo o regime de competência, apurando-se, em exercício, despesas empenhada e liquidada, no bimestre e
caráter complementar, o resultado dos fluxos financeiros no exercício;
pelo regime de caixa; c) despesas, por função e subfunção.
III - as demonstrações contábeis compreenderão, isolada e § 1° Os valores referentes ao refinanciamento da dívida
conjuntamente, as transações e operações de cada órgão, mobiliária constarão destacadamente nas receitas de ope-
fundo ou entidade da administração direta, autárquica e rações de crédito e nas despesas com amortização da dívi-
fundacional, inclusive empresa estatal dependente; da.
IV - as receitas e despesas previdenciárias serão apresen- § 2° O descumprimento do prazo previsto neste artigo sujei-
tadas em demonstrativos financeiros e orçamentários espe- ta o ente às sanções previstas no § 2º do art. 51.
cíficos; Art. 53. Acompanharão o Relatório Resumido demonstrati-
V - as operações de crédito, as inscrições em Restos a vos relativos a:
Pagar e as demais formas de financiamento ou assunção de I - apuração da receita corrente líquida, na forma definida no
compromissos junto a terceiros, deverão ser escrituradas de inciso IV do art. 2°, sua evolução, assim como a previsão de
modo a evidenciar o montante e a variação da dívida públi- seu desempenho até o final do exercício;
ca no período, detalhando, pelo menos, a natureza e o tipo II - receitas e despesas previdenciárias a que se refere o
de credor; inciso IV do art. 50;
VI - a demonstração das variações patrimoniais dará desta- III - resultados nominal e primário;
que à origem e ao destino dos recursos provenientes da IV - despesas com juros, na forma do inciso II do art. 4°;
alienação de ativos.
V - Restos a Pagar, detalhando, por Poder e órgão referido
§ 1° No caso das demonstrações conjuntas, excluir-se-ão no art. 20, os valores inscritos, os pagamentos realizados e
as operações intragovernamentais. o montante a pagar.
§ 2° A edição de normas gerais para consolidação das con- § 1° O relatório referente ao último bimestre do exercício
tas públicas caberá ao órgão central de contabilidade da será acompanhado também de demonstrativos:
União, enquanto não implantado o conselho de que trata o
I - do atendimento do disposto no inciso III do art. 167 da
art. 67.
Constituição, conforme o § 3° do art. 32;
§ 3° A Administração Pública manterá sistema de custos
II - das projeções atuariais dos regimes de previdência soci-
que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão
al, geral e próprio dos servidores públicos;
orçamentária, financeira e patrimonial.
III - da variação patrimonial, evidenciando a alienação de
Art. 51. O Poder Executivo da União promoverá, até o dia
ativos e a aplicação dos recursos dela decorrentes.
trinta de junho, a consolidação, nacional e por esfera de
governo, das contas dos entes da Federação relativas ao § 2° Quando for o caso, serão apresentadas justificativas:
exercício anterior, e a sua divulgação, inclusive por meio I - da limitação de empenho;
eletrônico de acesso público. II - da frustração de receitas, especificando as medidas de
§ 1° Os Estados e os Municípios encaminharão suas contas combate à sonegação e à evasão fiscal, adotadas e a ado-
ao Poder Executivo da União nos seguintes prazos: tar, e as ações de fiscalização e cobrança.
I - Municípios, com cópia para o Poder Executivo do respec- Seção IV Do Relatório de Gestão Fiscal
tivo Estado, até trinta de abril; Art. 54. Ao final de cada quadrimestre será emitido pelos
II - Estados, até trinta e um de maio. titulares dos Poderes e órgãos referidos no art. 20 Relatório
§ 2° O descumprimento dos prazos previstos neste artigo de Gestão Fiscal, assinado pelo:
impedirá, até que a situação seja regularizada, que o ente I - Chefe do Poder Executivo;
da Federação receba transferências voluntárias e contrate II - Presidente e demais membros da Mesa Diretora ou ór-
operações de crédito, exceto as destinadas ao refinancia- gão decisório equivalente, conforme regimentos internos
mento do principal atualizado da dívida mobiliária. dos órgãos do Poder Legislativo;
Seção III Do Relatório Resumido da Execução Orçamen- III - Presidente de Tribunal e demais membros de Conselho
tária de Administração ou órgão decisório equivalente, conforme
regimentos internos dos órgãos do Poder Judiciário;

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IV - Chefe do Ministério Público, da União e dos Estados. § 3° Será dada ampla divulgação dos resultados da apreci-
Parágrafo único. O relatório também será assinado pelas ação das contas, julgadas ou tomadas.
autoridades responsáveis pela administração financeira e Art. 57. Os Tribunais de Contas emitirão parecer prévio
pelo controle interno, bem como por outras definidas por ato conclusivo sobre as contas no prazo de sessenta dias do
próprio de cada Poder ou órgão referido no art. 20. recebimento, se outro não estiver estabelecido nas constitu-
Art. 55. O relatório conterá: ições estaduais ou nas leis orgânicas municipais.
I - comparativo com os limites de que trata esta Lei Com- § 1° No caso de Municípios que não sejam capitais e que
plementar, dos seguintes montantes: tenham menos de duzentos mil habitantes o prazo será de
a) despesa total com pessoal, distinguindo a com inativos e cento e oitenta dias.
pensionistas; § 2° Os Tribunais de Contas não entrarão em recesso en-
b) dívidas consolidada e mobiliária; quanto existirem contas de Poder, ou órgão referido no art.
c) concessão de garantias; 20, pendentes de parecer prévio.
d) operações de crédito, inclusive por antecipação de recei- Art. 58. A prestação de contas evidenciará o desempenho
ta; da arrecadação em relação à previsão, destacando as pro-
e) despesas de que trata o inciso II do art. 4°; vidências adotadas no âmbito da fiscalização das receitas e
combate à sonegação, as ações de recuperação de créditos
II - indicação das medidas corretivas adotadas ou a adotar,
nas instâncias administrativa e judicial, bem como as de-
se ultrapassado qualquer dos limites;
mais medidas para incremento das receitas tributárias e de
III - demonstrativos, no último quadrimestre: contribuições.
a) do montante das disponibilidades de caixa em trinta e um Seção VI Da Fiscalização da Gestão Fiscal
de dezembro;
b) da inscrição em Restos a Pagar, das despesas: Art. 59. O Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio
dos Tribunais de Contas, e o sistema de controle interno de
1) liquidadas;
cada Poder e do Ministério Público, fiscalizarão o cumpri-
2) empenhadas e não liquidadas, inscritas por atenderem a mento das normas desta Lei Complementar, com ênfase no
uma das condições do inciso II do art. 41; que se refere a:
3) empenhadas e não liquidadas, inscritas até o limite do I - atingimento das metas estabelecidas na lei de diretrizes
saldo da disponibilidade de caixa; orçamentárias;
4) não inscritas por falta de disponibilidade de caixa e cujos II - limites e condições para realização de operações de
empenhos foram cancelados; crédito e inscrição em Restos a Pagar;
c) do cumprimento do disposto no inciso II e na alínea b do III - medidas adotadas para o retorno da despesa total com
inciso IV do art. 38. pessoal ao respectivo limite, nos termos dos arts. 22 e 23;
§ 1° O relatório dos titulares dos órgãos mencionados nos IV - providências tomadas, conforme o disposto no art. 31,
incisos II, III e IV do art. 54 conterá apenas as informações para recondução dos montantes das dívidas consolidada e
relativas à alínea a do inciso I, e os documentos referidos mobiliária aos respectivos limites;
nos incisos II e III.
V - destinação de recursos obtidos com a alienação de ati-
§ 2° O relatório será publicado até trinta dias após o encer- vos, tendo em vista as restrições constitucionais e as desta
ramento do período a que corresponder, com amplo acesso Lei Complementar;
ao público, inclusive por meio eletrônico.
VI - cumprimento do limite de gastos totais dos legislativos
§ 3° O descumprimento do prazo a que se refere o § 2° municipais, quando houver.
sujeita o ente à sanção prevista no § 2º do art. 51.
§ 1° Os Tribunais de Contas alertarão os Poderes ou órgãos
§ 4° Os relatórios referidos nos arts. 52 e 54 deverão ser referidos no art. 20 quando constatarem:
elaborados de forma padronizada, segundo modelos que
I - a possibilidade de ocorrência das situações previstas no
poderão ser atualizados pelo conselho de que trata o art.
inciso II do art. 4° e no art. 9°;
67.
II - que o montante da despesa total com pessoal ultrapas-
Seção V Das Prestações de Contas
sou 90% (noventa por cento) do limite;
Art. 56. As contas prestadas pelos Chefes do Poder Execu- III - que os montantes das dívidas consolidada e mobiliária,
tivo incluirão, além das suas próprias, as dos Presidentes das operações de crédito e da concessão de garantia se
dos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário e do Chefe encontram acima de 90% (noventa por cento) dos respecti-
do Ministério Público, referidos no art. 20, as quais recebe- vos limites;
rão parecer prévio, separadamente, do respectivo Tribunal IV - que os gastos com inativos e pensionistas se encontram
de Contas. acima do limite definido em lei;
§ 1° As contas do Poder Judiciário serão apresentadas no V - fatos que comprometam os custos ou os resultados dos
âmbito: programas ou indícios de irregularidades na gestão orça-
I - da União, pelos Presidentes do Supremo Tribunal Fede- mentária.
ral e dos Tribunais Superiores, consolidando as dos respec- § 2° Compete ainda aos Tribunais de Contas verificar os
tivos tribunais; cálculos dos limites da despesa total com pessoal de cada
II - dos Estados, pelos Presidentes dos Tribunais de Justiça, Poder e órgão referido no art. 20.
consolidando as dos demais tribunais. § 3° O Tribunal de Contas da União acompanhará o cum-
§ 2° O parecer sobre as contas dos Tribunais de Contas primento do disposto nos §§ 2°, 3° e 4º do art. 39.
será proferido no prazo previsto no art. 57 pela comissão CAPÍTULO X DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
mista permanente referida no § 1º do art. 166 da Constitui-
ção ou equivalente das Casas Legislativas estaduais e mu- Art. 60. Lei estadual ou municipal poderá fixar limites inferi-
nicipais. ores àqueles previstos nesta Lei Complementar para as

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dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito e do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, regional ou estadu-
concessão de garantias. al por período igual ou superior a quatro trimestres.
Art. 61. Os títulos da dívida pública, desde que devidamente § 1° Entende-se por baixo crescimento a taxa de variação
escriturados em sistema centralizado de liquidação e custó- real acumulada do Produto Interno Bruto inferior a 1% (um
dia, poderão ser oferecidos em caução para garantia de por cento), no período correspondente aos quatro últimos
empréstimos, ou em outras transações previstas em lei, trimestres.
pelo seu valor econômico, conforme definido pelo Ministério § 2° A taxa de variação será aquela apurada pela Fundação
da Fazenda. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ou outro órgão
Art. 62. Os Municípios só contribuirão para o custeio de que vier a substituí-la, adotada a mesma metodologia para
despesas de competência de outros entes da Federação se apuração dos PIB nacional, estadual e regional.
houver: § 3° Na hipótese do caput, continuarão a ser adotadas as
I - autorização na lei de diretrizes orçamentárias e na lei medidas previstas no art. 22.
orçamentária anual; § 4° Na hipótese de se verificarem mudanças drásticas na
II - convênio, acordo, ajuste ou congênere, conforme sua condução das políticas monetária e cambial, reconhecidas
legislação. pelo Senado Federal, o prazo referido no caput do art. 31
Art. 63. É facultado aos Municípios com população inferior a poderá ser ampliado em até quatro quadrimestres.
cinqüenta mil habitantes optar por: Art. 67. O acompanhamento e a avaliação, de forma per-
I - aplicar o disposto no art. 22 e no § 4° do art. 30 ao final manente, da política e da operacionalidade da gestão fiscal
do semestre; serão realizados por conselho de gestão fiscal, constituído
II - divulgar semestralmente: por representantes de todos os Poderes e esferas de Go-
a) (VETADO). verno, do Ministério Público e de entidades técnicas repre-
b) o Relatório de Gestão Fiscal; sentativas da sociedade, visando a:
c) os demonstrativos de que trata o art. 53; I - harmonização e coordenação entre os entes da Federa-
ção;
III - elaborar o Anexo de Política Fiscal do plano plurianual,
o Anexo de Metas Fiscais e o Anexo de Riscos Fiscais da II - disseminação de práticas que resultem em maior eficiên-
lei de diretrizes orçamentárias e o anexo de que trata o cia na alocação e execução do gasto público, na arrecada-
inciso I do art. 5º a partir do quinto exercício seguinte ao da ção de receitas, no controle do endividamento e na transpa-
publicação desta Lei Complementar. rência da gestão fiscal;
§ 1° A divulgação dos relatórios e demonstrativos deverá III - adoção de normas de consolidação das contas públicas,
ser realizada em até trinta dias após o encerramento do padronização das prestações de contas e dos relatórios e
semestre. demonstrativos de gestão fiscal de que trata esta Lei Com-
plementar, normas e padrões mais simples para os peque-
§ 2° Se ultrapassados os limites relativos à despesa total
nos Municípios, bem como outros, necessários ao controle
com pessoal ou à dívida consolidada, enquanto perdurar
social;
esta situação, o Município ficará sujeito aos mesmos prazos
de verificação e de retorno ao limite definidos para os de- IV - divulgação de análises, estudos e diagnósticos.
mais entes. § 1° O conselho a que se refere o caput instituirá formas de
Art. 64. A União prestará assistência técnica e cooperação premiação e reconhecimento público aos titulares de Poder
financeira aos Municípios para a modernização das respec- que alcançarem resultados meritórios em suas políticas de
tivas administrações tributária, financeira, patrimonial e pre- desenvolvimento social, conjugados com a prática de uma
videnciária, com vistas ao cumprimento das normas desta gestão fiscal pautada pelas normas desta Lei Complemen-
Lei Complementar. tar.
§ 1° A assistência técnica consistirá no treinamento e de- § 2° Lei disporá sobre a composição e a forma de funcio-
senvolvimento de recursos humanos e na transferência de namento do conselho.
tecnologia, bem como no apoio à divulgação dos instrumen- Art. 68. Na forma do art. 250 da Constituição, é criado o
tos de que trata o art. 48 em meio eletrônico de amplo aces- Fundo do Regime Geral de Previdência Social, vinculado ao
so público. Ministério da Previdência e Assistência Social, com a finali-
§ 2° A cooperação financeira compreenderá a doação de dade de prover recursos para o pagamento dos benefícios
bens e valores, o financiamento por intermédio das institui- do regime geral da previdência social.
ções financeiras federais e o repasse de recursos oriundos § 1° O Fundo será constituído de:
de operações externas. I - bens móveis e imóveis, valores e rendas do Instituto Na-
Art. 65. Na ocorrência de calamidade pública reconhecida cional do Seguro Social não utilizados na operacionalização
pelo Congresso Nacional, no caso da União, ou pelas As- deste;
sembléias Legislativas, na hipótese dos Estados e Municí- II - bens e direitos que, a qualquer título, lhe sejam adjudi-
pios, enquanto perdurar a situação: cados ou que lhe vierem a ser vinculados por força de lei;
I - serão suspensas a contagem dos prazos e as disposi- III - receita das contribuições sociais para a seguridade
ções estabe-lecidas nos arts. 23 , 31 e 70; social, previstas na alínea a do inciso I e no inciso II do art.
II - serão dispensados o atingimento dos resultados fiscais e 195 da Constituição;
a limitação de empenho prevista no art. 9º. IV - produto da liquidação de bens e ativos de pessoa física
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput no caso de ou jurídica em débito com a Previdência Social;
estado de defesa ou de sítio, decretado na forma da Consti- V - resultado da aplicação financeira de seus ativos;
tuição. VI - recursos provenientes do orçamento da União.
Art. 66. Os prazos estabelecidos nos arts. 23, 31 e 70 serão § 2° O Fundo será gerido pelo Instituto Nacional do Seguro
duplicados no caso de crescimento real baixo ou negativo Social, na forma da lei.

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Art. 69. O ente da Federação que mantiver ou vier a instituir VIII - administradoras de mercado de balcão organizado;
regime próprio de previdência social para seus servidores IX - cooperativas de crédito;
conferir-lhe-á caráter contributivo e o organizará com base X - associações de poupança e empréstimo;
em normas de contabilidade e atuária que preservem seu XI - bolsas de valores e de mercadorias e futuros;
equilíbrio financeiro e atuarial. XII - entidades de liquidação e compensação;
Art. 70. O Poder ou órgão referido no art. 20 cuja despesa XIII - outras sociedades que, em razão da natureza de suas
total com pessoal no exercício anterior ao da publicação operações, assim venham a ser consideradas pelo Conse-
desta Lei Complementar estiver acima dos limites estabele- lho Monetário Nacional.
cidos nos arts. 19 e 20 deverá enquadrar-se no respectivo
§ 2° As empresas de fomento comercial ou factoring, para
limite em até dois exercícios, eliminando o excesso, gradu-
os efeitos desta Lei Complementar, obedecerão às normas
almente, à razão de, pelo menos, 50% a.a. (cinqüenta por
aplicáveis às instituições financeiras previstas no § 1º.
cento ao ano), mediante a adoção, entre outras, das medi-
das previstas nos arts. 22 e 23. § 3° Não constitui violação do dever de sigilo:
Parágrafo único. A inobservância do disposto no caput, no I - a troca de informações entre instituições financeiras, para
prazo fixado, sujeita o ente às sanções previstas no § 3º do fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco,
art. 23. observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário
Nacional e pelo Banco Central do Brasil;
Art. 71. Ressalvada a hipótese do inciso X do art. 37 da
Constituição, até o término do terceiro exercício financeiro II - o fornecimento de informações constantes de cadastro
seguinte à entrada em vigor desta Lei Complementar, a de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de de-
despesa total com pessoal dos Poderes e órgãos referidos vedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito,
no art. 20 não ultrapassará, em percentual da receita cor- observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário
rente líquida, a despesa verificada no exercício imediata- Nacional e pelo Banco Central do Brasil;
mente anterior, acrescida de até 10% (dez por cento), se III - o fornecimento das informações de que trata o § 2° do
esta for inferior ao limite definido na forma do art. 20. art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996;
Art. 72. A despesa com serviços de terceiros dos Poderes e IV - a comunicação, às autoridades competentes, da prática
órgãos referidos no art. 20 não poderá exceder, em percen- de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o forneci-
tual da receita corrente líquida, a do exercício anterior à mento de informações sobre operações que envolvam re-
entrada em vigor desta Lei Complementar, até o término do cursos provenientes de qualquer prática criminosa;
terceiro exercício seguinte. V - a revelação de informações sigilosas com o consenti-
Art. 73. As infrações dos dispositivos desta Lei Complemen- mento expresso dos interessados;
tar serão punidas segundo o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de VI - a prestação de informações nos termos e condições
dezembro de 1940 (Código Penal); a Lei nº 1.079, de 10 de estabelecidos nos artigos 2°, 3°, 4°, 5°, 6°, 7° e 9 desta Lei
abril de 1950; o Decreto-Lei nº 201, de 27 de fevereiro de Complementar.
1967; a Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992; e demais nor- § 4° A quebra de sigilo poderá ser decretada, quando ne-
mas da legislação pertinente. cessária para apuração de ocorrência de qualquer ilícito, em
Art. 74. Esta Lei Complementar entra em vigor na data da qualquer fase do inquérito ou do processo judicial, e especi-
sua publicação. almente nos seguintes crimes:
Art. 75. Revoga-se a Lei Complementar nº 96, de 31 de I - de terrorismo;
maio de 1999. II - de tráfico ilícito de substâncias entorpecentes ou drogas
Brasília, 4 de maio de 2000; 179° da Independência e 112° afins;
da República. III - de contrabando ou tráfico de armas, munições ou mate-
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO rial destinado a sua produção;
IV - de extorsão mediante seqüestro;
LEI COMPLEMENTAR N° 105, DE 10 DE JANEIRO DE V - contra o sistema financeiro nacional;
2001 VI - contra a Administração Pública;
VII - contra a ordem tributária e a previdência social;
Dispõe sobre o sigilo das operações de instituições VIII - lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos e
financeiras e dá outras providências. valores;
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Con- IX - praticado por organização criminosa.
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei Art. 2° O dever de sigilo é extensivo ao Banco Central do
Complementar: Brasil, em relação às operações que realizar e às informa-
Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em ções que obtiver no exercício de suas atribuições.
suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 1° O sigilo, inclusive quanto a contas de depósitos, aplica-
§ 1° São consideradas instituições financeiras, para os efei- ções e investimentos mantidos em instituições financeiras,
tos desta Lei Complementar: não pode ser oposto ao Banco Central do Brasil:
I - os bancos de qualquer espécie; I - no desempenho de suas funções de fiscalização, com-
II - distribuidoras de valores mobiliários; preendendo a apuração, a qualquer tempo, de ilícitos prati-
cados por controladores, administradores, membros de
III - corretoras de câmbio e de valores mobiliários; conselhos estatutários, gerentes, mandatários e prepostos
de instituições financeiras;
IV - sociedades de crédito, financiamento e investimentos;
II - ao proceder a inquérito em instituição financeira subme-
V - sociedades de crédito imobiliário; tida a regime especial.
VI - administradoras de cartões de crédito;
VII - sociedades de arrendamento mercantil;

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§ 2° As comissões encarregadas dos inquéritos a que se mente, se fizerem necessários ao exercício de suas respec-
refere o inciso II do § 1° poderão examinar quaisquer docu- tivas competências constitucionais e legais.
mentos relativos a bens, direitos e obrigações das institui- § 1° As comissões parlamentares de inquérito, no exercício
ções financeiras, de seus controladores, administradores, de sua competência constitucional e legal de ampla investi-
membros de conselhos estatutários, gerentes, mandatários gação, obterão as informações e documentos sigilosos de
e prepostos, inclusive contas correntes e operações com que necessitarem, diretamente das instituições financeiras,
outras instituições financeiras. ou por intermédio do Banco Central do Brasil ou da Comis-
§ 3° O disposto neste artigo aplica-se à Comissão de Valo- são de Valores Mobiliários.
res Mobiliários, quando se tratar de fiscalização de opera- § 2° As solicitações de que trata este artigo deverão ser
ções e serviços no mercado de valores mobiliários, inclusive previamente aprovadas pelo Plenário da Câmara dos Depu-
nas instituições financeiras que sejam companhias abertas. tados, do Senado Federal, ou do plenário de suas respecti-
§ 4° O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores vas comissões parlamentares de inquérito.
Mobiliários, em suas áreas de competência, poderão firmar Art. 5° O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à
convênios: periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os
I - com outros órgãos públicos fiscalizadores de instituições quais as instituições financeiras informarão à administração
financeiras, objetivando a realização de fiscalizações con- tributária da União, as operações financeiras efetuadas
juntas, observadas as respectivas competências; pelos usuários de seus serviços.
II - com bancos centrais ou entidades fiscalizadoras de ou- § 1° Consideram-se operações financeiras, para os efeitos
tros países, objetivando: deste artigo:
a) a fiscalização de filiais e subsidiárias de instituições fi- I - depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de pou-
nanceiras estrangeiras, em funcionamento no Brasil e de pança;
filiais e subsidiárias, no exterior, de instituições financeiras II - pagamentos efetuados em moeda corrente ou em che-
brasileiras; ques;
b) a cooperação mútua e o intercâmbio de informações para III - emissão de ordens de crédito ou documentos asseme-
a investigação de atividades ou operações que impliquem lhados;
aplicação, negociação, ocultação ou transferência de ativos IV - resgates em contas de depósitos à vista ou a prazo,
financeiros e de valores mobiliários relacionados com a inclusive de poupança;
prática de condutas ilícitas. V - contratos de mútuo;
§ 5° O dever de sigilo de que trata esta Lei Complementar VI - descontos de duplicatas, notas promissórias e outros
estende-se aos órgãos fiscalizadores mencionados no § 4° títulos de crédito;
e a seus agentes. VII - aquisições e vendas de títulos de renda fixa ou variá-
§ 6° O Banco Central do Brasil, a Comissão de Valores vel;
Mobiliários e os demais órgãos de fiscalização, nas áreas VIII - aplicações em fundos de investimentos;
de suas atribuições, fornecerão ao Conselho de Controle de
IX - aquisições de moeda estrangeira;
Atividades Financeiras - COAF, de que trata o art. 14 da Lei
nº 9.613, de 3 de março de 1998, as informações cadastrais X - conversões de moeda estrangeira em moeda nacional;
e de movimento de valores relativos às operações previstas XI - transferências de moeda e outros valores para o exteri-
no inciso I do art. 11 da referida Lei. or;
Art. 3° Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil, pela XII - operações com ouro, ativo financeiro;
Comissão de Valores Mobiliários e pelas instituições finan- XIII - operações com cartão de crédito;
ceiras as informações ordenadas pelo Poder Judiciário, XIV - operações de arrendamento mercantil; e
preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito XV - quaisquer outras operações de natureza semelhante
às partes, que delas não poderão servir-se para fins estra- que venham a ser autorizadas pelo Banco Central do Brasil,
nhos à lide. Comissão de Valores Mobiliários ou outro órgão competen-
§ 1° Dependem de prévia autorização do Poder Judiciário a te.
prestação de informações e o fornecimento de documentos § 2° As informações transferidas na forma do caput deste
sigilosos solicitados por comissão de inquérito administrati- artigo restringir-se-ão a informes relacionados com a identi-
vo destinada a apurar responsabilidade de servidor público ficação dos titulares das operações e os montantes globais
por infração praticada no exercício de suas atribuições, ou mensalmente movimentados, vedada a inserção de qual-
que tenha relação com as atribuições do cargo em que se quer elemento que permita identificar a sua origem ou a
encontre investido. natureza dos gastos a partir deles efetuados.
§ 2° Nas hipóteses do § 1°, o requerimento de quebra de § 3° Não se incluem entre as informações de que trata este
sigilo independe da existência de processo judicial em cur- artigo as operações financeiras efetuadas pelas administra-
so. ções direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito
§ 3° Além dos casos previstos neste artigo o Banco Central Federal e dos Municípios.
do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários fornecerão à § 4° Recebidas as informações de que trata este artigo, se
Advocacia-Geral da União as informações e os documentos detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou
necessários à defesa da União nas ações em que seja par- de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada
te. poderá requisitar as informações e os documentos de que
Art. 4° O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para
Mobiliários, nas áreas de suas atribuições, e as instituições a adequada apuração dos fatos.
financeiras fornecerão ao Poder Legislativo Federal as in- § 5° As informações a que refere este artigo serão conser-
formações e os documentos sigilosos que, fundamentada- vadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor.

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Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da Art. 13. Revoga-se o art. 38 da Lei nº 4.595, de 31 de de-
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios zembro de 1964.
somente poderão examinar documentos, livros e registros Brasília, 10 de janeiro de 2001; 180° da Independência e
de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas 113° da República.
de depósitos e aplicações financeiras, quando houver pro- FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
cesso administrativo instaurado ou procedimento fiscal em
curso e tais exames sejam considerados indispensáveis LEI COMPLEMENTAR N° 109, DE 29 DE MAIO DE 2001
pela autoridade administrativa competente.
Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações
e os documentos a que se refere este artigo serão conser- Dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar e
vados em sigilo, observada a legislação tributária. dá outras providências.
Art. 7° Sem prejuízo do disposto no § 3° do art. 2°, a Co- O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Con-
missão de Valores Mobiliários, instaurado inquérito adminis- gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei
trativo, poderá solicitar à autoridade judiciária competente o Complementar:
levantamento do sigilo junto às instituições financeiras de
informações e documentos relativos a bens, direitos e obri- CAPÍTULO I INTRODUÇÃO
gações de pessoa física ou jurídica submetida ao seu poder Art. 1° O regime de previdência privada, de caráter com-
disciplinar. plementar e organizado de forma autônoma em relação ao
Parágrafo único. O Banco Central do Brasil e a Comissão regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na
de Valores Mobiliários, manterão permanente intercâmbio constituição de reservas que garantam o benefício, nos
de informações acerca dos resultados das inspeções que termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, obser-
realizarem, dos inquéritos que instaurarem e das penalida- vado o disposto nesta Lei Complementar.
des que aplicarem, sempre que as informações forem ne- Art. 2° O regime de previdência complementar é operado
cessárias ao desempenho de suas atividades. por entidades de previdência complementar que têm por
Art. 8° O cumprimento das exigências e formalidades pre- objetivo principal instituir e executar planos de benefícios de
vistas nos artigos 4°, 6° e 7°, será expressamente declarado caráter previdenciário, na forma desta Lei Complementar.
pelas autoridades competentes nas solicitações dirigidas ao Art. 3° A ação do Estado será exercida com o objetivo de:
Banco Central do Brasil, à Comissão de Valores Mobiliários I - formular a política de previdência complementar;
ou às instituições financeiras.
II - disciplinar, coordenar e supervisionar as atividades regu-
Art. 9° Quando, no exercício de suas atribuições, o Banco
ladas por esta Lei Complementar, compatibilizando-as com
Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários verifi-
as políticas previdenciária e de desenvolvimento social e
carem a ocorrência de crime definido em lei como de ação econômico-financeiro;
pública, ou indícios da prática de tais crimes, informarão ao
III - determinar padrões mínimos de segurança econômico-
Ministério Público, juntando à comunicação os documentos
financeira e atuarial, com fins específicos de preservar a
necessários à apuração ou comprovação dos fatos.
liquidez, a solvência e o equilíbrio dos planos de benefícios,
§ 1° A comunicação de que trata este artigo será efetuada isoladamente, e de cada entidade de previdência comple-
pelos Presidentes do Banco Central do Brasil e da Comis- mentar, no conjunto de suas atividades;
são de Valores Mobiliários, admitida delegação de compe-
IV - assegurar aos participantes e assistidos o pleno acesso
tência, no prazo máximo de quinze dias, a contar do rece-
às informações relativas à gestão de seus respectivos pla-
bimento do processo, com manifestação dos respectivos
nos de benefícios;
serviços jurídicos.
V - fiscalizar as entidades de previdência complementar,
§ 2° Independentemente do disposto no caput deste artigo,
suas operações e aplicar penalidades; e
o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliá-
rios comunicarão aos órgãos públicos competentes as irre- VI - proteger os interesses dos participantes e assistidos
gularidades e os ilícitos administrativos de que tenham co- dos planos de benefícios.
nhecimento, ou indícios de sua prática, anexando os docu- Art. 4° As entidades de previdência complementar são clas-
mentos pertinentes. sificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta
Art. 10. A quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas Lei Complementar.
nesta Lei Complementar, constitui crime e sujeita os res- Art. 5° A normatização, coordenação, supervisão, fiscaliza-
ponsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, e mul- ção e controle das atividades das entidades de previdência
ta, aplicando-se, no que couber, o Código Penal, sem preju- complementar serão realizados por órgão ou órgãos regula-
ízo de outras sanções cabíveis. dor e fiscalizador, conforme disposto em lei, observado o
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem omitir, disposto no inciso VI do art. 84 da Constituição Federal.
retardar injustificadamente ou prestar falsamente as infor- CAPÍTULO II DOS PLANOS DE BENEFÍCIOS
mações requeridas nos termos desta Lei Complementar. Seção I Disposições Comuns
Art. 11. O servidor público que utilizar ou viabilizar a utiliza- Art. 6° As entidades de previdência complementar somente
ção de qualquer informação obtida em decorrência da que- poderão instituir e operar planos de benefícios para os quais
bra de sigilo de que trata esta Lei Complementar responde tenham autorização específica, segundo as normas aprova-
pessoal e diretamente pelos danos decorrentes, sem prejuí- das pelo órgão regulador e fiscalizador, conforme disposto
zo da responsabilidade objetiva da entidade pública, quando nesta Lei Complementar.
comprovado que o servidor agiu de acordo com orientação Art. 7° Os planos de benefícios atenderão a padrões míni-
oficial. mos fixados pelo órgão regulador e fiscalizador, com o obje-
Art. 12. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de tivo de assegurar transparência, solvência, liquidez e equilí-
sua publicação. brio econômico-financeiro e atuarial.

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Parágrafo único. O órgão regulador e fiscalizador normati- prévia autorização do órgão regulador e fiscalizador, con-
zará planos de benefícios nas modalidades de benefício forme regulamentação do Poder Executivo.
definido, contribuição definida e contribuição variável, bem § 1° Admitir-se-á solidariedade entre patrocinadores ou
como outras formas de planos de benefícios que reflitam a entre instituidores, com relação aos respectivos planos,
evolução técnica e possibilitem flexibilidade ao regime de desde que expressamente prevista no convênio de adesão.
previdência complementar. § 2° O órgão regulador e fiscalizador, dentre outros requisi-
Art. 8° Para efeito desta Lei Complementar, considera-se: tos, estabelecerá o número mínimo de participantes admiti-
I - participante, a pessoa física que aderir aos planos de do para cada modalidade de plano de benefício.
benefícios; e Art. 14. Os planos de benefícios deverão prever os seguin-
II - assistido, o participante ou seu beneficiário em gozo de tes institutos, observadas as normas estabelecidas pelo
benefício de prestação continuada. órgão regulador e fiscalizador:
Art. 9° As entidades de previdência complementar constitui- I - benefício proporcional diferido, em razão da cessação do
rão reservas técnicas, provisões e fundos, de conformidade vínculo empregatício com o patrocinador ou associativo com
com os critérios e normas fixados pelo órgão regulador e o instituidor antes da aquisição do direito ao benefício pleno,
fiscalizador. a ser concedido quando cumpridos os requisitos de elegibi-
§ 1° A aplicação dos recursos correspondentes às reservas, lidade;
às provisões e aos fundos de que trata o caput será feita II - portabilidade do direito acumulado pelo participante para
conforme diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário outro plano;
Nacional. III - resgate da totalidade das contribuições vertidas ao pla-
§ 2° É vedado o estabelecimento de aplicações compulsó- no pelo participante, descontadas as parcelas do custeio
rias ou limites mínimos de aplicação. administrativo, na forma regulamentada; e
Art. 10. Deverão constar dos regulamentos dos planos de IV - faculdade de o participante manter o valor de sua con-
benefícios, das propostas de inscrição e dos certificados de tribuição e a do patrocinador, no caso de perda parcial ou
participantes condições mínimas a serem fixadas pelo órgão total da remuneração recebida, para assegurar a percepção
regulador e fiscalizador. dos benefícios nos níveis correspondentes àquela remune-
§ 1° A todo pretendente será disponibilizado e a todo parti- ração ou em outros definidos em normas regulamentares.
cipante entregue, quando de sua inscrição no plano de be- § 1° Não será admitida a portabilidade na inexistência de
nefícios: cessação do vínculo empregatício do participante com o
I - certificado onde estarão indicados os requisitos que regu- patrocinador.
lam a admissão e a manutenção da qualidade de participan- § 2° O órgão regulador e fiscalizador estabelecerá período
te, bem como os requisitos de elegibilidade e forma de cál- de carência para o instituto de que trata o inciso II deste
culo dos benefícios; artigo.
II - cópia do regulamento atualizado do plano de benefícios § 3° Na regulamentação do instituto previsto no inciso II do
e material explicativo que descreva, em linguagem simples caput deste artigo, o órgão regulador e fiscalizador observa-
e precisa, as características do plano; rá, entre outros requisitos específicos, os seguintes:
III - cópia do contrato, no caso de plano coletivo de que trata I - se o plano de benefícios foi instituído antes ou depois da
o inciso II do art. 26 desta Lei Complementar; e publicação desta Lei Complementar;
IV - outros documentos que vierem a ser especificados pelo II - a modalidade do plano de benefícios.
órgão regulador e fiscalizador. § 4° O instituto de que trata o inciso II deste artigo, quando
§ 2° Na divulgação dos planos de benefícios, não poderão efetuado para entidade aberta, somente será admitido
ser incluídas informações diferentes das que figurem nos quando a integralidade dos recursos financeiros correspon-
documentos referidos neste artigo. dentes ao direito acumulado do participante for utilizada
Art. 11. Para assegurar compromissos assumidos junto aos para a contratação de renda mensal vitalícia ou por prazo
participantes e assistidos de planos de benefícios, as enti- determinado, cujo prazo mínimo não poderá ser inferior ao
dades de previdência complementar poderão contratar ope- período em que a respectiva reserva foi constituída, limitado
rações de resseguro, por iniciativa própria ou por determi- ao mínimo de quinze anos, observadas as normas estabe-
nação do órgão regulador e fiscalizador, observados o regu- lecidas pelo órgão regulador e fiscalizador.
lamento do respectivo plano e demais disposições legais e Art. 15. Para efeito do disposto no inciso II do caput do
regulamentares. artigo anterior, fica estabelecido que:
Parágrafo único. Fica facultada às entidades fechadas a I - a portabilidade não caracteriza resgate; e
garantia referida no caput por meio de fundo de solvência, a II - é vedado que os recursos financeiros correspondentes
ser instituído na forma da lei. transitem pelos participantes dos planos de benefícios, sob
Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fecha- qualquer forma.
das Parágrafo único. O direito acumulado corresponde às re-
Art. 12. Os planos de benefícios de entidades fechadas servas constituídas pelo participante ou à reserva matemáti-
poderão ser instituídos por patrocinadores e instituidores, ca, o que lhe for mais favorável.
observado o disposto no art. 31 desta Lei Complementar. Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamen-
Art. 13. A formalização da condição de patrocinador ou te, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou
instituidor de um plano de benefício dar-se-á mediante con- associados dos instituidores.
vênio de adesão a ser celebrado entre o patrocinador ou § 1° Para os efeitos desta Lei Complementar, são equipará-
instituidor e a entidade fechada, em relação a cada plano de veis aos empregados e associados a que se refere o caput
benefícios por esta administrado e executado, mediante os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo
eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores.

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§ 2° É facultativa a adesão aos planos a que se refere o Art. 21. O resultado deficitário nos planos ou nas entidades
caput deste artigo. fechadas será equacionado por patrocinadores, participan-
§ 3° O disposto no caput deste artigo não se aplica aos tes e assistidos, na proporção existente entre as suas con-
planos em extinção, assim considerados aqueles aos quais tribuições, sem prejuízo de ação regressiva contra dirigen-
o acesso de novos participantes esteja vedado. tes ou terceiros que deram causa a dano ou prejuízo à enti-
Art. 17. As alterações processadas nos regulamentos dos dade de previdência complementar.
planos aplicam-se a todos os participantes das entidades § 1° O equacionamento referido no caput poderá ser feito,
fechadas, a partir de sua aprovação pelo órgão regulador e dentre outras formas, por meio do aumento do valor das
fiscalizador, observado o direito acumulado de cada partici- contribuições, instituição de contribuição adicional ou redu-
pante. ção do valor dos benefícios a conceder, observadas as
Parágrafo único. Ao participante que tenha cumprido os normas estabelecidas pelo órgão regulador e fiscalizador.
requisitos para obtenção dos benefícios previstos no plano é § 2° A redução dos valores dos benefícios não se aplica aos
assegurada a aplicação das disposições regulamentares assistidos, sendo cabível, nesse caso, a instituição de con-
vigentes na data em que se tornou elegível a um benefício tribuição adicional para cobertura do acréscimo ocorrido em
de aposentadoria. razão da revisão do plano.
Art. 18. O plano de custeio, com periodicidade mínima anu- § 3° Na hipótese de retorno à entidade dos recursos equiva-
al, estabelecerá o nível de contribuição necessário à consti- lentes ao déficit previsto no caput deste artigo, em conse-
tuição das reservas garantidoras de benefícios, fundos, qüência de apuração de responsabilidade mediante ação
provisões e à cobertura das demais despesas, em confor- judicial ou administrativa, os respectivos valores deverão ser
midade com os critérios fixados pelo órgão regulador e fis- aplicados necessariamente na redução proporcional das
calizador. contribuições devidas ao plano ou em melhoria dos benefí-
§ 1° O regime financeiro de capitalização é obrigatório para cios.
os benefícios de pagamento em prestações que sejam pro- Art. 22. Ao final de cada exercício, coincidente com o ano
gramadas e continuadas. civil, as entidades fechadas deverão levantar as demonstra-
§ 2° Observados critérios que preservem o equilíbrio finan- ções contábeis e as avaliações atuariais de cada plano de
ceiro e atuarial, o cálculo das reservas técnicas atenderá às benefícios, por pessoa jurídica ou profissional legalmente
peculiaridades de cada plano de benefícios e deverá estar habilitado, devendo os resultados ser encaminhados ao
expresso em nota técnica atuarial, de apresentação obriga- órgão regulador e fiscalizador e divulgados aos participantes
tória, incluindo as hipóteses utilizadas, que deverão guardar e aos assistidos.
relação com as características da massa e da atividade Art. 23. As entidades fechadas deverão manter atualizada
desenvolvida pelo patrocinador ou instituidor. sua contabilidade, de acordo com as instruções do órgão
§ 3° As reservas técnicas, provisões e fundos de cada plano regulador e fiscalizador, consolidando a posição dos planos
de benefícios e os exigíveis a qualquer título deverão aten- de benefícios que administram e executam, bem como
der permanentemente à cobertura integral dos compromis- submetendo suas contas a auditores independentes.
sos assumidos pelo plano de benefícios, ressalvadas ex- Parágrafo único. Ao final de cada exercício serão elabora-
cepcionalidades definidas pelo órgão regulador e fiscaliza- das as demonstrações contábeis e atuariais consolidadas,
dor. sem prejuízo dos controles por plano de benefícios.
Art. 19. As contribuições destinadas à constituição de re- Art. 24. A divulgação aos participantes, inclusive aos assis-
servas terão como finalidade prover o pagamento de bene- tidos, das informações pertinentes aos planos de benefícios
fícios de caráter previdenciário, observadas as especificida- dar-se-á ao menos uma vez ao ano, na forma, nos prazos e
des previstas nesta Lei Complementar. pelos meios estabelecidos pelo órgão regulador e fiscaliza-
Parágrafo único. As contribuições referidas no caput classi- dor.
ficam-se em: Parágrafo único. As informações requeridas formalmente
I - normais, aquelas destinadas ao custeio dos benefícios pelo participante ou assistido, para defesa de direitos e
previstos no respectivo plano; e esclarecimento de situações de interesse pessoal específico
II - extraordinárias, aquelas destinadas ao custeio de défi- deverão ser atendidas pela entidade no prazo estabelecido
cits, serviço passado e outras finalidades não incluídas na pelo órgão regulador e fiscalizador.
contribuição normal. Art. 25. O órgão regulador e fiscalizador poderá autorizar a
Art. 20. O resultado superavitário dos planos de benefícios extinção de plano de benefícios ou a retirada de patrocínio,
das entidades fechadas, ao final do exercício, satisfeitas as ficando os patrocinadores e instituidores obrigados ao cum-
exigências regulamentares relativas aos mencionados pla- primento da totalidade dos compromissos assumidos com a
nos, será destinado à constituição de reserva de contingên- entidade relativamente aos direitos dos participantes, assis-
cia, para garantia de benefícios, até o limite de vinte e cinco tidos e obrigações legais, até a data da retirada ou extinção
por cento do valor das reservas matemáticas. do plano.
§ 1° Constituída a reserva de contingência, com os valores Parágrafo único. Para atendimento do disposto no caput
excedentes será constituída reserva especial para revisão deste artigo, a situação de solvência econômico-financeira e
do plano de benefícios. atuarial da entidade deverá ser atestada por profissional
§ 2° A não utilização da reserva especial por três exercícios devidamente habilitado, cujos relatórios serão encaminha-
consecutivos determinará a revisão obrigatória do plano de dos ao órgão regulador e fiscalizador.
benefícios da entidade. Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Aber-
§ 3° Se a revisão do plano de benefícios implicar redução tas
de contribuições, deverá ser levada em consideração a Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades
proporção existente entre as contribuições dos patrocinado- abertas poderão ser:
res e dos participantes, inclusive dos assistidos.

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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I - individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físi- II - estabelecer as condições em que o órgão fiscalizador
cas; ou pode determinar a suspensão da comercialização ou a
II - coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios transferência, entre entidades abertas, de planos de benefí-
previden-ciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou cios; e
indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. III - fixar condições que assegurem transparência, acesso a
§ 1° O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou informações e fornecimento de dados relativos aos planos
várias pessoas jurídicas. de benefícios, inclusive quanto à gestão dos respectivos
§ 2° O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo recursos.
refere-se aos casos em que uma entidade representativa de Art. 30. É facultativa a utilização de corretores na venda dos
pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para planos de benefícios das entidades abertas.
grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. Parágrafo único. Aos corretores de planos de benefícios
§ 3° Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior aplicam-se a legislação e a regulamentação da profissão de
poderão ser constituídos por uma ou mais categorias espe- corretor de seguros.
cíficas de empregados de um mesmo empregador, podendo CAPÍTULO III DAS ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA
abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, COMPLEMENTAR
e por membros de associações legalmente constituídas, de Art. 31. As entidades fechadas são aquelas acessíveis, na
caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou com- forma regulamentada pelo órgão regulador e fiscalizador,
panheiros e dependentes econômicos. exclusivamente:
§ 4° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equi- I - aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas
paráveis aos empregados e associados os diretores, conse- e aos servidores da União, dos Estados, do Distrito Federal
lheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou e dos Municípios, entes denominados patrocinadores; e
gerentes da pessoa jurídica contratante. II - aos associados ou membros de pessoas jurídicas de
§ 5° A implantação de um plano coletivo será celebrada caráter profissional, classista ou setorial, denominadas insti-
mediante contrato, na forma, nos critérios, nas condições e tuidores.
nos requisitos mínimos a serem estabelecidos pelo órgão § 1° As entidades fechadas organizar-se-ão sob a forma de
regulador. fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos.
§ 6° É vedada à entidade aberta a contratação de plano § 2° As entidades fechadas constituídas por instituidores
coletivo com pessoa jurídica cujo objetivo principal seja referidos no inciso II do caput deste artigo deverão, cumula-
estipular, em nome de terceiros, planos de benefícios coleti- tivamente:
vos.
I - terceirizar a gestão dos recursos garantidores das reser-
Art. 27. Observados os conceitos, a forma, as condições e vas técnicas e provisões mediante a contratação de institui-
os critérios fixados pelo órgão regulador, é assegurado aos ção especializada autorizada a funcionar pelo Banco Central
participantes o direito à portabilidade, inclusive para plano do Brasil ou outro órgão competente;
de benefício de entidade fechada, e ao resgate de recursos
II - ofertar exclusivamente planos de benefícios na modali-
das reservas técnicas, provisões e fundos, total ou parcial-
dade contribuição definida, na forma do parágrafo único do
mente.
art. 7º desta Lei Complementar.
§ 1° A portabilidade não caracteriza resgate.
§ 3° Os responsáveis pela gestão dos recursos de que trata
§ 2° É vedado, no caso de porta-bilidade: o inciso I do parágrafo anterior deverão manter segregados
I - que os recursos financeiros transitem pelos participantes, e totalmente isolados o seu patrimônio dos patrimônios do
sob qualquer forma; e instituidor e da entidade fechada.
II - a transferência de recursos entre participantes. § 4° Na regulamentação de que trata o caput, o órgão regu-
Art. 28. Os ativos garantidores das reservas técnicas, das lador e fiscalizador estabelecerá o tempo mínimo de exis-
provisões e dos fundos serão vinculados à ordem do órgão tência do instituidor e o seu número mínimo de associados.
fiscalizador, na forma a ser regulamentada, e poderão ter Art. 32. As entidades fechadas têm como objeto a adminis-
sua livre movimentação suspensa pelo referido órgão, a tração e execução de planos de benefícios de natureza
partir da qual não poderão ser alienados ou prometidos previdenciária.
alienar sem sua prévia e expressa autorização, sendo nulas, Parágrafo único. É vedada às entidades fechadas a pres-
de pleno direito, quaisquer operações realizadas com viola- tação de quaisquer serviços que não estejam no âmbito de
ção daquela suspensão. seu objeto, observado o disposto no art. 76.
§ 1° Sendo imóvel, o vínculo será averbado à margem do Art. 33. Dependerão de prévia e expressa autorização do
respectivo registro no Cartório de Registro Geral de Imóveis órgão regulador e fiscalizador:
competente, mediante comunicação do órgão fiscalizador.
I - a constituição e o funcionamento da entidade fechada,
§ 2° Os ativos garantidores a que se refere o caput, bem bem como a aplicação dos respectivos estatutos, dos regu-
como os direitos deles decorrentes, não poderão ser grava- lamentos dos planos de benefícios e suas alterações;
dos, sob qualquer forma, sem prévia e expressa autorização
II - as operações de fusão, cisão, incorporação ou qualquer
do órgão fiscalizador, sendo nulos os gravames constituídos
outra forma de reorganização societária, relativas às entida-
com infringência do disposto neste parágrafo.
des fechadas;
Art. 29. Compete ao órgão regulador, entre outras atribui-
III - as retiradas de patrocinadores; e
ções que lhe forem conferidas por lei:
IV - as transferências de patrocínio, de grupo de participan-
I - fixar padrões adequados de segurança atuarial e econô-
tes, de planos e de reservas entre entidades fechadas.
mico-financeira, para preservação da liquidez e solvência
§ 1° Excetuado o disposto no inciso III deste artigo, é veda-
dos planos de benefícios, isoladamente, e de cada entidade
aberta, no conjunto de suas atividades; da a transferência para terceiros de participantes, de assis-
tidos e de reservas constituídas para garantia de benefícios

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de risco atuarial programado, de acordo com normas esta- bros sem formação de nível superior, sendo assegurada a
belecidas pelo órgão regulador e fiscalizador. possibilidade de participação neste órgão de pelo menos um
§ 2° Para os assistidos de planos de benefícios na modali- membro, quando da aplicação do referido percentual resul-
dade contribuição definida que mantiveram esta caracterís- tar número inferior à unidade.
tica durante a fase de percepção de renda programada, o CAPÍTULO IV DAS ENTIDADES ABERTAS DE PREVIDÊNCIA
órgão regulador e fiscalizador poderá, em caráter excepcio- COMPLEMENTAR
nal, autorizar a transferência dos recursos garantidores dos Art. 36. As entidades abertas são constituídas unicamente
benefícios para entidade de previdência complementar ou sob a forma de sociedades anônimas e têm por objetivo
companhia seguradora autorizada a operar planos de previ- instituir e operar planos de benefícios de caráter previdenci-
dência complementar, com o objetivo específico de contra- ário concedidos em forma de renda continuada ou paga-
tar plano de renda vitalícia, observadas as normas aplicá- mento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas.
veis. Parágrafo único. As sociedades seguradoras autorizadas a
Art. 34. As entidades fechadas podem ser qualificadas da operar exclusivamente no ramo vida poderão ser autoriza-
seguinte forma, além de outras que possam ser definidas das a operar os planos de benefícios a que se refere o ca-
pelo órgão regulador e fiscalizador: put, a elas se aplicando as disposições desta Lei Comple-
I - de acordo com os planos que administram: mentar.
a) de plano comum, quando administram plano ou conjunto Art. 37. Compete ao órgão regulador, entre outras atribui-
de planos acessíveis ao universo de participantes; e ções que lhe forem conferidas por lei, estabelecer:
b) com multiplano, quando administram plano ou conjunto I - os critérios para a investidura e posse em cargos e fun-
de planos de benefícios para diversos grupos de participan- ções de órgãos estatutários de entidades abertas, observa-
tes, com independência patrimonial; do que o pretendente não poderá ter sofrido condenação
II - de acordo com seus patrocinadores ou instituidores: criminal transitada em julgado, penalidade administrativa por
a) singulares, quando estiverem vinculadas a apenas um infração da legislação da seguridade social ou como servi-
patrocinador ou instituidor; e dor público;
b) multipatrocinadas, quando congregarem mais de um II - as normas gerais de contabilidade, auditoria, atuária e
patrocinador ou instituidor. estatística a serem observadas pelas entidades abertas,
Art. 35. As entidades fechadas deverão manter estrutura inclusive quanto à padronização dos planos de contas, ba-
mínima composta por conselho deliberativo, conselho fiscal lanços gerais, balancetes e outras demonstrações financei-
e diretoria-executiva. ras, critérios sobre sua periodicidade, sobre a publicação
§ 1° O estatuto deverá prever representação dos participan- desses documentos e sua remessa ao órgão fiscalizador;
tes e assistidos nos conselhos deliberativo e fiscal, assegu- III - os índices de solvência e liquidez, bem como as rela-
rado a eles no mínimo um terço das vagas. ções patrimoniais a serem atendidas pelas entidades aber-
§ 2° Na composição dos conselhos deliberativo e fiscal das tas, observado que seu patrimônio líquido não poderá ser
entidades qualificadas como multipatrocinadas, deverá ser inferior ao respectivo passivo não operacional; e
considerado o número de participantes vinculados a cada IV - as condições que assegurem acesso a informações e
patrocinador ou instituidor, bem como o montante dos res- fornecimento de dados relativos a quaisquer aspectos das
pectivos patrimônios. atividades das entidades abertas.
§ 3° Os membros do conselho deliberativo ou do conselho Art. 38. Dependerão de prévia e expressa aprovação do
fiscal deverão atender aos seguintes requisitos mínimos: órgão fiscalizador:
I - comprovada experiência no exercício de atividades nas I - a constituição e o funcionamento das entidades abertas,
áreas financeira, administrativa, contábil, jurídica, de fiscali- bem como as disposições de seus estatutos e as respecti-
zação ou de auditoria; vas alterações;
II - não ter sofrido condenação criminal transitada em julga- II - a comercialização dos planos de benefícios;
do; e III - os atos relativos à eleição e conseqüente posse de ad-
III - não ter sofrido penalidade administrativa por infração da ministradores e membros de conselhos estatutários; e
legislação da seguridade social ou como servidor público. IV - as operações relativas à transferência do controle acio-
§ 4° Os membros da diretoria-executiva deverão ter forma- nário, fusão, cisão, incorporação ou qualquer outra forma de
ção de nível superior e atender aos requisitos do parágrafo reorganização societária.
anterior. Parágrafo único. O órgão regulador disciplinará o trata-
§ 5° Será informado ao órgão regulador e fiscalizador o mento administrativo a ser emprestado ao exame dos as-
responsável pelas aplicações dos recursos da entidade, suntos constantes deste artigo.
escolhido entre os membros da diretoria-executiva. Art. 39. As entidades abertas deverão comunicar ao órgão
§ 6° Os demais membros da diretoria-executiva responde- fiscalizador, no prazo e na forma estabelecidos:
rão solidariamente com o dirigente indicado na forma do I - os atos relativos às alterações estatutárias e à eleição de
parágrafo anterior pelos danos e prejuízos causados à enti- administradores e membros de conselhos estatutários; e
dade para os quais tenham concorrido. II - o responsável pela aplicação dos recursos das reservas
§ 7° Sem prejuízo do disposto no § 1° do art. 31 desta Lei técnicas, provisões e fundos, escolhido dentre os membros
Complementar, os membros da diretoria-executiva e dos da diretoria-executiva.
conselhos deliberativo e fiscal poderão ser remunerados Parágrafo único. Os demais membros da diretoria-
pelas entidades fechadas, de acordo com a legislação apli- executiva responderão solidariamente com o dirigente indi-
cável. cado na forma do inciso II deste artigo pelos danos e prejuí-
§ 8° Em caráter excepcional, poderão ser ocupados até zos causados à entidade para os quais tenham concorrido.
trinta por cento dos cargos da diretoria-executiva por mem-

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Art. 40. As entidades abertas deverão levantar no último dia Art. 44. Para resguardar os direitos dos participantes e as-
útil de cada mês e semestre, respectivamente, balancetes sistidos poderá ser decretada a intervenção na entidade de
mensais e balanços gerais, com observância das regras e previdência complementar, desde que se verifique, isolada
dos critérios estabelecidos pelo órgão regulador. ou cumulativamente:
Parágrafo único. As sociedades seguradoras autorizadas a I - irregularidade ou insuficiência na constituição das reser-
operar planos de benefícios deverão apresentar nas de- vas técnicas, provisões e fundos, ou na sua cobertura por
monstrações financeiras, de forma discriminada, as ativida- ativos garantidores;
des previdenciárias e as de seguros, de acordo com crité- II - aplicação dos recursos das reservas técnicas, provisões
rios fixados pelo órgão regulador. e fundos de forma inadequada ou em desacordo com as
CAPÍTULO V DA FISCALIZAÇÃO normas expedidas pelos órgãos competentes;
Art. 41. No desempenho das atividades de fiscalização das III - descumprimento de disposições estatutárias ou de obri-
entidades de previdência complementar, os servidores do gações previstas nos regulamentos dos planos de benefí-
órgão regulador e fiscalizador terão livre acesso às respecti- cios, convênios de adesão ou contratos dos planos coletivos
vas entidades, delas podendo requisitar e apreender livros, de que trata o inciso II do art. 26 desta Lei Complementar;
notas técnicas e quaisquer documentos, caracterizando-se IV - situação econômico-financeira insuficiente à preserva-
embaraço à fiscalização, sujeito às penalidades previstas ção da liquidez e solvência de cada um dos planos de bene-
em lei, qualquer dificuldade oposta à consecução desse fícios e da entidade no conjunto de suas atividades;
objetivo. V - situação atuarial desequilibrada;
§ 1° O órgão regulador e fiscalizador das entidades fecha- VI - outras anormalidades definidas em regulamento.
das poderá solicitar dos patrocinadores e instituidores in- Art. 45. A intervenção será decretada pelo prazo necessário
formações relativas aos aspectos específicos que digam ao exame da situação da entidade e encaminhamento de
respeito aos compromissos assumidos frente aos respecti- plano destinado à sua recuperação.
vos planos de benefícios. Parágrafo único. Dependerão de prévia e expressa autori-
§ 2° A fiscalização a cargo do Estado não exime os patroci- zação do órgão competente os atos do interventor que im-
nadores e os instituidores da responsabilidade pela supervi- pliquem oneração ou disposição do patrimônio.
são sistemática das atividades das suas respectivas entida- Art. 46. A intervenção cessará quando aprovado o plano de
des fechadas. recuperação da entidade pelo órgão competente ou se de-
§ 3° As pessoas físicas ou jurídicas submetidas ao regime cretada a sua liquidação extrajudicial.
desta Lei Complementar ficam obrigadas a prestar quais- Seção II Da Liquidação Extrajudicial
quer informações ou esclarecimentos solicitados pelo órgão
Art. 47. As entidades fechadas não poderão solicitar con-
regulador e fiscalizador.
cordata e não estão sujeitas a falência, mas somente a
§ 4° O disposto neste artigo aplica-se, sem prejuízo da liquidação extrajudicial.
competência das autoridades fiscais, relativamente ao pleno
Art. 48. A liquidação extrajudicial será decretada quando
exercício das atividades de fiscalização tributária.
reconhecida a inviabilidade de recuperação da entidade de
Art. 42. O órgão regulador e fiscalizador poderá, em relação previdência complementar ou pela ausência de condição
às entidades fechadas, nomear administrador especial, a para seu funcionamento.
expensas da entidade, com poderes próprios de intervenção
Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei Complementar,
e de liquidação extrajudicial, com o objetivo de sanear plano
entende-se por ausência de condição para funcionamento
de benefícios específico, caso seja constatada na sua ad-
de entidade de previdência complementar:
ministração e execução alguma das hipóteses previstas nos
arts. 44 e 48 desta Lei Complementar. I - (VETADO).
Parágrafo único. O ato de nomeação de que trata o caput II - (VETADO).
estabelecerá as condições, os limites e as atribuições do III - o não atendimento às condições mínimas estabelecidas
administrador especial. pelo órgão regulador e fiscalizador.
Art. 43. O órgão fiscalizador poderá, em relação às entida- Art. 49. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá,
des abertas, desde que se verifique uma das condições de imediato, os seguintes efeitos:
previstas no art. 44 desta Lei Complementar, nomear, por I - suspensão das ações e execuções iniciadas sobre direi-
prazo determinado, prorrogável a seu critério, e a expensas tos e interesses relativos ao acervo da entidade liquidanda;
da respectiva entidade, um diretor-fiscal. II - vencimento antecipado das obrigações da liquidanda;
§ 1° O diretor-fiscal, sem poderes de gestão, terá suas atri- III - não incidência de penalidades contratuais contra a enti-
buições estabelecidas pelo órgão regulador, cabendo ao dade por obrigações vencidas em decorrência da decreta-
órgão fiscalizador fixar sua remuneração. ção da liquidação extrajudicial;
§ 2° Se reconhecer a inviabilidade de recuperação da enti- IV - não fluência de juros contra a liquidanda enquanto não
dade aberta ou a ausência de qualquer condição para o seu integralmente pago o passivo;
funcionamento, o diretor-fiscal proporá ao órgão fiscalizador V - interrupção da prescrição em relação às obrigações da
a decretação da intervenção ou da liquidação extrajudicial. entidade em liquidação;
§ 3° O diretor-fiscal não está sujeito à indisponibilidade de VI - suspensão de multa e juros em relação às dívidas da
bens, nem aos demais efeitos decorrentes da decretação da entidade;
intervenção ou da liquidação extrajudicial da entidade aber- VII - inexigibilidade de penas pecuniárias por infrações de
ta. natureza administrativa;
CAPÍTULO VI DA INTERVENÇÃO E DA LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDI- VIII - interrupção do pagamento à liquidanda das contribui-
CIAL ções dos participantes e dos patrocinadores, relativas aos
Seção I Da Intervenção planos de benefícios.

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§ 1° As faculdades previstas nos incisos deste artigo apli- Art. 58. No caso de liquidação extra-judicial de entidade
cam-se, no caso das entidades abertas de previdência fechada motivada pela falta de aporte de contribuições de
complementar, exclusivamente, em relação às suas ativida- patrocinadores ou pelo não recolhimento de contribuições
des de natureza previdenciária. de participantes, os administradores daqueles também se-
§ 2° O disposto neste artigo não se aplica às ações e aos rão responsa-bilizados pelos danos ou prejuízos causados.
débitos de natureza tributária. Art. 59. Os administradores, contro-ladores e membros de
Art. 50. O liquidante organizará o quadro geral de credores, conselhos estatutários das entidades de previdência com-
realizará o ativo e liquidará o passivo. plementar sob intervenção ou em liquidação extrajudicial
§ 1° Os participantes, inclusive os assistidos, dos planos de ficarão com todos os seus bens indisponíveis, não podendo,
benefícios ficam dispensados de se habilitarem a seus res- por qualquer forma, direta ou indireta, aliená-los ou onerá-
pectivos créditos, estejam estes sendo recebidos ou não. los, até a apuração e liquidação final de suas responsabili-
§ 2° Os participantes, inclusive os assistidos, dos planos de dades.
benefícios terão privilégio especial sobre os ativos garanti- § 1° A indisponibilidade prevista neste artigo decorre do ato
dores das reservas técnicas e, caso estes não sejam sufici- que decretar a intervenção ou liquidação extrajudicial e
entes para a cobertura dos direitos respectivos, privilégio atinge todos aqueles que tenham estado no exercício das
geral sobre as demais partes não vinculadas ao ativo. funções nos doze meses anteriores.
§ 3° Os participantes que já estiverem recebendo benefí- § 2° A indisponibilidade poderá ser estendida aos bens de
cios, ou que já tiverem adquirido este direito antes de decre- pessoas que, nos últimos doze meses, os tenham adquirido,
tada a liquidação extrajudicial, terão preferência sobre os a qualquer título, das pessoas referidas no caput e no pará-
demais participantes. grafo anterior, desde que haja seguros elementos de con-
§ 4° Os créditos referidos nos parágrafos anteriores deste vicção de que se trata de simulada transferência com o fim
artigo não têm preferência sobre os créditos de natureza de evitar os efeitos desta Lei Complementar.
trabalhista ou tributária. § 3° Não se incluem nas disposições deste artigo os bens
Art. 51. Serão obrigatoriamente levantados, na data da considerados inalienáveis ou impenhoráveis pela legislação
decretação da liquidação extrajudicial de entidade de previ- em vigor.
dência complementar, o balanço geral de liquidação e as § 4° Não são também atingidos pela indisponibilidade os
demonstrações contábeis e atuariais necessárias à determi- bens objeto de contrato de alienação, de promessas de
nação do valor das reservas individuais. compra e venda e de cessão de direitos, desde que os res-
Art. 52. A liquidação extrajudicial poderá, a qualquer tempo, pectivos instrumentos tenham sido levados ao competente
ser levantada, desde que constatados fatos supervenientes registro público até doze meses antes da data de decreta-
que viabilizem a recuperação da entidade de previdência ção da intervenção ou liquidação extrajudicial.
complementar. § 5° Não se aplica a indisponibilidade de bens das pessoas
Art. 53. A liquidação extrajudicial das entidades fechadas referidas no caput deste artigo no caso de liquidação extra-
encerrar-se-á com a aprovação, pelo órgão regulador e judicial de entidades fechadas que deixarem de ter condi-
fiscalizador, das contas finais do liquidante e com a baixa ções para funcionar por motivos totalmente desvinculados
nos devidos registros. do exercício das suas atribuições, situação esta que poderá
Parágrafo único. Comprovada pelo liquidante a inexistên- ser revista a qualquer momento, pelo órgão regulador e
cia de ativos para satisfazer a possíveis créditos reclamados fiscalizador, desde que constatada a existência de irregula-
contra a entidade, deverá tal situação ser comunicada ao ridades ou indícios de crimes por elas praticados.
juízo competente e efetivados os devidos registros, para o Art. 60. O interventor ou o liquidante comunicará a indispo-
encerramento do processo de liquidação. nibilidade de bens aos órgãos competentes para os devidos
Seção III Disposições Especiais registros e publicará edital para conhecimento de terceiros.
Parágrafo único. A autoridade que receber a comunicação
Art. 54. O interventor terá amplos poderes de administração
ficará, relativamente a esses bens, impedida de:
e representação e o liquidante plenos poderes de adminis-
I - fazer transcrições, inscrições ou averbações de docu-
tração, representação e liquidação.
mentos públicos ou particulares;
Art. 55. Compete ao órgão fiscali-zador decretar, aprovar e
II - arquivar atos ou contratos que importem em transferên-
rever os atos de que tratam os arts. 45, 46 e 48 desta Lei
cia de cotas sociais, ações ou partes beneficiárias;
Complementar, bem como nomear, por intermédio do seu
dirigente máximo, o interventor ou o liquidante. III - realizar ou registrar operações e títulos de qualquer
natureza; e
Art. 56. A intervenção e a liquidação extrajudicial determi-
nam a perda do mandato dos administradores e membros IV - processar a transferência de propriedade de veículos
dos conselhos estatutários das entidades, sejam titulares ou automotores, aeronaves e embarcações.
suplentes. Art. 61. A apuração de responsabilidades específicas referi-
Art. 57. Os créditos das entidades de previdência comple- da no caput do art. 59 desta Lei Complementar será feita
mentar, em caso de liquidação ou falência de patrocinado- mediante inquérito a ser instaurado pelo órgão regulador e
res, terão privilégio especial sobre a massa, respeitado o fiscalizador, sem prejuízo do disposto nos arts. 63 a 65 des-
privilégio dos créditos trabalhistas e tributários. ta Lei Complementar.
Parágrafo único. Os administradores dos respectivos pa- § 1° Se o inquérito concluir pela inexistência de prejuízo,
trocinadores serão responsabilizados pelos danos ou prejuí- será arquivado no órgão fiscalizador.
zos causados às entidades de previdência complementar, § 2° Concluindo o inquérito pela existência de prejuízo, será
especialmente pela falta de aporte das contribuições a que ele, com o respectivo relatório, remetido pelo órgão regula-
estavam obrigados, observado o disposto no parágrafo dor e fiscalizador ao Ministério Público, observados os se-
único do art. 63 desta Lei Complementar. guintes procedimentos:

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I - o interventor ou o liquidante, de ofício ou a requerimento § 3° O recurso a que se refere o parágrafo anterior, na hipó-
de qualquer interessado que não tenha sido indiciado no tese do inciso IV deste artigo, somente será conhecido se
inquérito, após aprovação do respectivo relatório pelo órgão for comprovado pelo requerente o pagamento antecipado,
fiscalizador, determinará o levantamento da indisponibilida- em favor do órgão fiscalizador, de trinta por cento do valor
de de que trata o art. 59 desta Lei Complementar; da multa aplicada.
II - será mantida a indisponibilidade com relação às pessoas § 4° Em caso de reincidência, a multa será aplicada em
indiciadas no inquérito, após aprovação do respectivo rela- dobro.
tório pelo órgão fiscalizador. Art. 66. As infrações serão apuradas mediante processo
Art. 62. Aplicam-se à intervenção e à liquidação das entida- administrativo, na forma do regulamento, aplicando-se, no
des de previdência complementar, no que couber, os dispo- que couber, o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de
sitivos da legislação sobre a intervenção e liquidação extra- 1999.
judicial das instituições financeiras, cabendo ao órgão regu- Art. 67. O exercício de atividade de previdência comple-
lador e fiscalizador as funções atribuídas ao Banco Central mentar por qualquer pessoa, física ou jurídica, sem a autori-
do Brasil. zação devida do órgão competente, inclusive a comerciali-
CAPÍTULO VII DO REGIME DISCIPLINAR zação de planos de benefícios, bem como a captação ou a
Art. 63. Os administradores de entidade, os procuradores administração de recursos de terceiros com o objetivo de,
com poderes de gestão, os membros de conselhos estatutá- direta ou indiretamente, adquirir ou conceder benefícios
rios, o interventor e o liquidante responderão civilmente previdenciários sob qualquer forma, submete o responsável
pelos danos ou prejuízos que causarem, por ação ou omis- à penalidade de inabilitação pelo prazo de dois a dez anos
são, às entidades de previdência complementar. para o exercício de cargo ou função em entidade de previ-
Parágrafo único. São também responsáveis, na forma do dência complementar, sociedades seguradoras, instituições
caput, os administradores dos patrocinadores ou instituido- financeiras e no serviço público, além de multa aplicável de
res, os atuários, os auditores independentes, os avaliadores acordo com o disposto no inciso IV do art. 65 desta Lei
de gestão e outros profissionais que prestem serviços técni- Complementar, bem como noticiar ao Ministério Público.
cos à entidade, diretamente ou por intermédio de pessoa CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS
jurídica contratada. Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as
Art. 64. O órgão fiscalizador competente, o Banco Central condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos
do Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários ou a Secretaria e planos de benefícios das entidades de previdência com-
da Receita Federal, constatando a existência de práticas plementar não integram o contrato de trabalho dos partici-
irregulares ou indícios de crimes em entidades de previdên- pantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos,
cia complementar, noticiará ao Ministério Público, enviando- não integram a remuneração dos participantes.
lhe os documentos comprobatórios. § 1° Os benefícios serão considerados direito adquirido do
Parágrafo único. O sigilo de operações não poderá ser participante quando implementadas todas as condições
invocado como óbice à troca de informações entre os ór- estabelecidas para elegibilidade consignadas no regulamen-
gãos mencionados no caput, nem ao fornecimento de infor- to do respectivo plano.
mações requisitadas pelo Ministério Público. § 2° A concessão de benefício pela previdência complemen-
Art. 65. A infração de qualquer disposição desta Lei Com- tar não depende da concessão de benefício pelo regime
plementar ou de seu regulamento, para a qual não haja geral de previdência social.
penalidade expressamente cominada, sujeita a pessoa físi- Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de pre-
ca ou jurídica responsável, conforme o caso e a gravidade vidência complementar, destinadas ao custeio dos planos
da infração, às seguintes penalidades administrativas, ob- de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis
servado o disposto em regulamento: para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites
I - advertência; e nas condições fixadas em lei.
II - suspensão do exercício de atividades em entidades de § 1° Sobre as contribuições de que trata o caput não inci-
previdência complementar pelo prazo de até cento e oitenta dem tributação e contribuições de qualquer natureza.
dias; § 2° Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas,
III - inabilitação, pelo prazo de dois a dez anos, para o exer- fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades
cício de cargo ou função em entidades de previdência com- de previdência complementar, titulados pelo mesmo partici-
plementar, sociedades seguradoras, instituições financeiras pante, não incidem tributação e contribuições de qualquer
e no serviço público; e natureza.
IV - multa de dois mil reais a um milhão de reais, devendo Art. 70. (VETADO).
esses valores, a partir da publicação desta Lei Complemen- Art. 71. É vedado às entidades de previdência complemen-
tar, ser reajustados de forma a preservar, em caráter per- tar realizar quaisquer operações comerciais e financeiras:
manente, seus valores reais. I - com seus administradores, membros dos conselhos esta-
§ 1° A penalidade prevista no inciso IV será imputada ao tutários e respectivos cônjuges ou companheiros, e com
agente responsável, respondendo solidariamente a entidade seus parentes até o segundo grau;
de previdência complementar, assegurado o direito de re- II - com empresa de que participem as pessoas a que se
gresso, e poderá ser aplicada cumulativamente com as refere o inciso anterior, exceto no caso de participação de
constantes dos incisos I, II ou III deste artigo. até cinco por cento como acionista de empresa de capital
§ 2° Das decisões do órgão fiscalizador caberá recurso, no aberto; e
prazo de quinze dias, com efeito suspensivo, ao órgão com- III - tendo como contraparte, mesmo que indiretamente,
petente. pessoas físicas e jurídicas a elas ligadas, na forma definida
pelo órgão regulador.

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Parágrafo único. A vedação deste artigo não se aplica ao nimas de capital aberto, nas condições previstas no inciso I
patrocinador, aos participantes e aos assistidos, que, nessa do parágrafo anterior.
condição, realizarem operações com a entidade de previ- § 3° A entidade aberta sem fins lucrativos e a sociedade
dência complementar. seguradora e.ou de capitalização por ela controlada devem
Art. 72. Compete privativamente ao órgão regulador e fisca- adaptar-se às condições estabelecidas nos §§ 1º e 2º, no
lizador das entidades fechadas zelar pelas sociedades civis mesmo prazo previsto no caput deste artigo.
e fundações, como definido no art. 31 desta Lei Comple- § 4° As reservas técnicas de planos já operados por entida-
mentar, não se aplicando a estas o disposto nos arts. 26 e des abertas de previdência privada sem fins lucrativos, ante-
30 do Código Civil e 1.200 a 1.204 do Código de Processo riormente à data de publicação da Lei nº 6.435, de 15 de
Civil e demais disposições em contrário. julho de 1977, poderão permanecer garantidas por ativos de
Art. 73. As entidades abertas serão reguladas também, no propriedade da entidade, existentes à época, dentro de
que couber, pela legislação aplicável às sociedades segura- programa gradual de ajuste às normas estabelecidas pelo
doras. órgão regulador sobre a matéria, a ser submetido pela enti-
Art. 74. Até que seja publicada a lei de que trata o art. 5° dade ao órgão fiscalizador no prazo máximo de doze meses
desta Lei Complementar, as funções do órgão regulador e a contar da data de publicação desta Lei Complementar.
do órgão fiscalizador serão exercidas pelo Ministério da § 5° O prazo máximo para o término para o programa gra-
Previdência e Assistência Social, por intermédio, respecti- dual de ajuste a que se refere o parágrafo anterior não po-
vamente, do Conselho de Gestão da Previdência Comple- derá superar cento e vinte meses, contados da data de
mentar (CGPC) e da Secretaria de Previdência Complemen- aprovação do respectivo programa pelo órgão fiscalizador.
tar (SPC), relativamente às entidades fechadas, e pelo Mi- § 6° As entidades abertas sem fins lucrativos que, na data
nistério da Fazenda, por intermédio do Conselho Nacional de publicação desta Lei Complementar, já vinham mantendo
de Seguros Privados (CNSP) e da Superintendência de programas de assistência filantrópica, prévia e expressa-
Seguros Privados (SUSEP), em relação, respectivamente, à mente autorizados, poderão, para efeito de cobrança, adi-
regulação e fiscalização das entidades abertas. cionar às contribuições de seus planos de benefícios valor
Art. 75. Sem prejuízo do benefício, prescreve em cinco destinado àqueles programas, observadas as normas esta-
anos o direito às prestações não pagas nem reclamadas na belecidas pelo órgão regulador.
época própria, resguardados os direitos dos menores de- § 7° A aplicabilidade do disposto no parágrafo anterior fica
pendentes, dos incapazes ou dos ausentes, na forma do sujeita, sob pena de cancelamento da autorização previa-
Código Civil. mente concedida, à prestação anual de contas dos progra-
Art. 76. As entidades fechadas que, na data da publicação mas filantrópicos e à aprovação pelo órgão competente.
desta Lei Complementar, prestarem a seus participantes e § 8° O descumprimento de qualquer das obrigações conti-
assistidos serviços assistenciais à saúde poderão continuar das neste artigo sujeita os administradores das entidades
a fazê-lo, desde que seja estabelecido um custeio específi- abertas sem fins lucrativos e das sociedades seguradora
co para os planos assistenciais e que a sua contabilização e e.ou de capitalização por elas controladas ao Regime Disci-
o seu patrimônio sejam mantidos em separado em relação plinar previsto nesta Lei Complementar, sem prejuízo da
ao plano previdenciário. responsabilidade civil por danos ou prejuízos causados, por
§ 1° Os programas assistenciais de natureza financeira ação ou omissão, à entidade.
deverão ser extintos a partir da data de publicação desta Lei Art. 78. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de
Complementar, permanecendo em vigência, até o seu ter- sua publicação.
mo, apenas os compromissos já firmados. Art. 79. Revogam-se as Leis no 6.435, de 15 de julho de
§ 2° Consideram-se programas assistenciais de natureza 1977, e no 6.462, de 9 de novembro de 1977.
financeira, para os efeitos desta Lei Complementar, aqueles Brasília, 29 de maio de 2001; 180° da Independência e 113°
em que o rendimento situa-se abaixo da taxa mínima atuari- da República.
al do respectivo plano de benefícios. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Art. 77. As entidades abertas sem fins lucrativos e as socie-
dades seguradoras autorizadas a funcionar em conformida- LEI COMPLEMENTAR N° 116, DE 31 DE JULHO DE 2003
de com a Lei nº 6.435, de 15 de julho de 1977, terão o prazo
de dois anos para se adaptar ao disposto nesta Lei Com-
plementar. Dispõe sobre o Imposto Sobre Serviços de Qualquer
§ 1° No caso das entidades abertas sem fins lucrativos já Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito
autorizadas a funcionar, é permitida a manutenção de sua Federal, e dá outras providências.
organização jurídica como sociedade civil, sendo-lhes veda- O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Con-
do participar, direta ou indiretamente, de pessoas jurídicas, gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei
exceto quando tiverem participação acionária: Complementar:
I - minoritária, em sociedades anônimas de capital aberto, Art. 1° O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza,
na forma regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem
para aplicação de recursos de reservas técnicas, fundos e como fato gerador a prestação de serviços constantes da
provisões; lista anexa, ainda que esses não se constituam como ativi-
II - em sociedade seguradora e.ou de capitalização. dade preponderante do prestador.
§ 2° É vedado à sociedade seguradora e.ou de capitaliza- § 1° O imposto incide também sobre o serviço proveniente
ção referida no inciso II do parágrafo anterior participar ma- do exterior do País ou cuja prestação se tenha iniciado no
joritariamente de pessoas jurídicas, ressalvadas as empre- exterior do País.
sas de suporte ao seu funcionamento e as sociedades anô- § 2° Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os
serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto

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Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e XII - do florestamento, reflorestamento, semeadura, aduba-
Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e In- ção e congêneres, no caso dos serviços descritos no subi-
termunicipal e de Comunicação - ICMS, ainda que sua pres- tem 7.16 da lista anexa;
tação envolva fornecimento de mercadorias. XIII - da execução dos serviços de escoramento, contenção
§ 3° O imposto de que trata esta Lei Complementar incide de encostas e congêneres, no caso dos serviços descritos
ainda sobre os serviços prestados mediante a utilização de no subitem 7.17 da lista anexa;
bens e serviços públicos explorados economicamente me- XIV - da limpeza e dragagem, no caso dos serviços descri-
diante autorização, permissão ou concessão, com o paga- tos no subitem 7.18 da lista anexa;
mento de tarifa, preço ou pedágio pelo usuário final do ser- XV - onde o bem estiver guardado ou estacionado, no caso
viço. dos serviços descritos no subitem 11.1 da lista anexa;
§ 4° A incidência do imposto não depende da denominação XVI - dos bens ou do domicílio das pessoas vigiados, segu-
dada ao serviço prestado. rados ou monitorados, no caso dos serviços descritos no
Art. 2° O imposto não incide sobre: subitem 11.02 da lista anexa;
I - as exportações de serviços para o exterior do País; XVII - do armazenamento, depósito, carga, descarga, arru-
II - a prestação de serviços em relação de emprego, dos mação e guarda do bem, no caso dos serviços descritos no
trabalhadores avulsos, dos diretores e membros de conse- subitem 11.04 da lista anexa;
lho consultivo ou de conselho fiscal de sociedades e funda- XVIII - da execução dos serviços de diversão, lazer, entre-
ções, bem como dos sócios-gerentes e dos gerentes- tenimento e congêneres, no caso dos serviços descritos nos
delegados; subitens do item 12, exceto o 12.13, da lista anexa;
III - o valor intermediado no mercado de títulos e valores XIX - do Município onde está sendo executado o transporte,
mobiliários, o valor dos depósitos bancários, o principal, no caso dos serviços descritos pelo subitem 16.1 da lista
juros e acréscimos moratórios relativos a operações de anexa;
crédito realizadas por instituições financeiras. XX - do estabelecimento do tomador da mão-de-obra ou, na
Parágrafo único. Não se enquadram no disposto no inciso I falta de estabelecimento, onde ele estiver domiciliado, no
os serviços desenvolvidos no Brasil, cujo resultado aqui se caso dos serviços descritos pelo subitem 17.05 da lista ane-
verifique, ainda que o pagamento seja feito por residente no xa;
exterior. XXI - da feira, exposição, congresso ou congênere a que se
Art. 3° O serviço considera-se prestado e o imposto devido referir o planejamento, organização e administração, no
no local do estabelecimento prestador ou, na falta do esta- caso dos serviços descritos pelo subitem 17.10 da lista ane-
belecimento, no local do domicílio do prestador, exceto nas xa;
hipóteses previstas nos incisos I a XXII, quando o imposto XXII - do porto, aeroporto, ferroporto, terminal rodoviário,
será devido no local: ferroviário ou metroviário, no caso dos serviços descritos
I - do estabelecimento do tomador ou intermediário do servi- pelo item 20 da lista anexa.
ço ou, na falta de estabelecimento, onde ele estiver domici- § 1° No caso dos serviços a que se refere o subitem 3.04 da
liado, na hipótese do § 1º do art. 1º desta Lei Complemen- lista anexa, considera-se ocorrido o fato gerador e devido o
tar; imposto em cada Município em cujo território haja extensão
II - da instalação dos andaimes, palcos, coberturas e outras de ferrovia, rodovia, postes, cabos, dutos e condutos de
estruturas, no caso dos serviços descritos no subitem 3.05 qualquer natureza, objetos de locação, sublocação, arren-
da lista anexa; damento, direito de passagem ou permissão de uso, com-
III - da execução da obra, no caso dos serviços descritos no partilhado ou não.
subitem 7.02 e 7.19 da lista anexa; § 2° No caso dos serviços a que se refere o subitem 22.1 da
IV - da demolição, no caso dos serviços descritos no subi- lista anexa, considera-se ocorrido o fato gerador e devido o
tem 7.04 da lista anexa; imposto em cada Município em cujo território haja extensão
V - das edificações em geral, estradas, pontes, portos e de rodovia explorada.
congêneres, no caso dos serviços descritos no subitem 7.05 § 3° Considera-se ocorrido o fato gerador do imposto no
da lista anexa; local do estabelecimento prestador nos serviços executados
VI - da execução da varrição, coleta, remoção, incineração, em águas marítimas, excetuados os serviços descritos no
tratamento, reciclagem, separação e destinação final de lixo, subitem 20.1.
rejeitos e outros resíduos quaisquer, no caso dos serviços Art. 4° Considera-se estabelecimento prestador o local on-
descritos no subitem 7.09 da lista anexa; de o contribuinte desenvolva a atividade de prestar serviços,
VII - da execução da limpeza, manutenção e conservação de modo permanente ou temporário, e que configure unida-
de vias e logradouros públicos, imóveis, chaminés, piscinas, de econômica ou profissional, sendo irrelevantes para ca-
parques, jardins e congêneres, no caso dos serviços descri- racterizá-lo as denominações de sede, filial, agência, posto
tos no subitem 7.10 da lista anexa; de atendimento, sucursal, escritório de representação ou
VIII - da execução da decoração e jardinagem, do corte e contato ou quaisquer outras que venham a ser utilizadas.
poda de árvores, no caso dos serviços descritos no subitem Art. 5° Contribuinte é o prestador do serviço.
7.11 da lista anexa; Art. 6° Os Municípios e o Distrito Federal, mediante lei,
IX - do controle e tratamento do efluente de qualquer natu- poderão atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo
reza e de agentes físicos, químicos e biológicos, no caso crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gera-
dos serviços descritos no subitem 7.12 da lista anexa; dor da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade
X - (VETADO). do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo
XI - (VETADO). do cumprimento total ou parcial da referida obrigação, inclu-
sive no que se refere à multa e aos acréscimos legais.

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§ 1° Os responsáveis a que se refere este artigo estão obri- II - dos emolumentos e custas devidos aos Juízes, órgãos
gados ao recolhimento integral do imposto devido, multa e do Ministério Público e serventuários da justiça;
acréscimos legais, independentemente de ter sido efetuada III - das despesas com as publicações indispensáveis no
sua retenção na fonte. jornal encarregado da divulgação dos atos oficiais;
§ 2° Sem prejuízo do disposto no caput e no § 1° deste IV - das indenizações devidas às testemunhas que, quando
artigo, são responsáveis: empregados, receberão do empregador salário integral,
I - o tomador ou intermediário de serviço proveniente do como se em serviço estivessem, ressalvado o direito re-
exterior do País ou cuja prestação se tenha iniciado no exte- gressivo contra o poder público federal, no Distrito Federal e
rior do País; nos Territórios ou contra o poder público estadual, nos Es-
II - a pessoa jurídica, ainda que imune ou isenta, tomadora tados;
ou intermediária dos serviços descritos nos subitens 3.05, V - dos honorários de advogado e peritos;
7.02, 7.04, 7.05, 7.09, 7.10, 7.12, 7.14, 7.15, 7.16, 7.17, VI - das despesas com a realização do exame de código
7.19, 11.02, 17.05 e 17.10 da lista anexa. genético - DNA que for requisitado pela autoridade judiciária
Art. 7° A base de cálculo do imposto é o preço do serviço. nas ações de investigação de paternidade ou maternida-
§ 1° Quando os serviços descritos pelo subitem 3.04 da lista de.(Incluído pela Lei n° 10.317, de 6.12.2001).
anexa forem prestados no território de mais de um Municí- Parágrafo único. A publicação de edital em jornal encarre-
pio, a base de cálculo será proporcional, conforme o caso, à gado de divulgação de atos oficiais, na forma do inciso III,
extensão da ferrovia, rodovia, dutos e condutos de qualquer dispensa a publicação em outro jornal. (Incluído pela Lei n°
natureza, cabos de qualquer natureza, ou ao número de 7.288, de 18.12.1984).
postes, existentes em cada Município. Art. 4° A parte gozará dos benefícios da assistência judiciá-
§ 2° Não se incluem na base de cálculo do Imposto Sobre ria, mediante simples afirmação, na própria petição inicial,
Serviços de Qualquer Natureza: de que não está em condições de pagar as custas do pro-
I - o valor dos materiais fornecidos pelo prestador dos servi- cesso e os honorários de advogado, sem prejuízo próprio ou
ços previstos nos itens 7.02 e 7.05 da lista de serviços ane- de sua família. (Redação dada pela Lei n° 7.510, de
xa a esta Lei Complementar; 4.7.1986).
Art. 8° As alíquotas máximas do Imposto Sobre Serviços de § 1° Presume-se pobre, até prova em contrário, quem afir-
Qualquer Natureza são as seguintes: mar essa condição nos termos desta lei, sob pena de pa-
I - (VETADO). gamento até o décuplo das custas judiciais. (Redação dada
II - demais serviços, 5% (cinco por cento). pela Lei n° 7 .510, de 4.7.1986).
Art. 9° Esta Lei Complementar entra em vigor na data de § 2° A impugnação do direito à assistência judiciária não
sua publicação. suspende o curso do processo e será feita em autos aparta-
Art. 10. Ficam revogados os arts. 8°, 10, 11 e 12 do Decre- dos. (Redação dada pela Lei n° 7.510, de 4.7.1986).
to-Lei nº 406, de 31 de dezembro de 1968; os incisos III, IV, § 3° A apresentação da Carteira de Trabalho e Previdência
V e VII do art. 3º do Decreto-Lei nº 834, de 8 de setembro Social, devidamente legalizada, onde o juiz verificará a ne-
de 1969; a Lei Complementar no 22, de 9 de dezembro de cessidade da parte, substituirá os atestados exigidos nos §§
1974; a Lei nº 7.192, de 5 de junho de 1984; a Lei Comple- 1° e 2° deste artigo. (Incluído pela Lei n° 6.654, de
mentar no 56, de 15 de dezembro de 1987; e a Lei Com- 30.5.1979).
plementar no 100, de 22 de dezembro de 1999. Art. 5° O juiz, se não tiver fundadas razões para indeferir o
Brasília, 31 de julho de 2003; 182° da Independência e 115° pedido, deverá julgá-lo de plano, motivando ou não o defe-
da República. rimento dentro do prazo de setenta e duas horas.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA § 1° Deferido o pedido, o juiz determinará que o serviço de
assistência judiciária, organizado e mantido pelo Estado,
onde houver, indique, no prazo de dois dias úteis o advoga-
LEI N° 1.060, DE 5 DE FEVEREIRO DE 1950
do que patrocinará a causa do necessitado.
§ 2° Se no Estado não houver serviço de assistência judiciá-
Estabelece normas para a concessão de assistência ria, por ele mantido, caberá a indicação à Ordem dos Advo-
judiciária aos necessitados. gados, por suas Seções Estaduais, ou Subseções Munici-
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Con- pais.
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: § 3° Nos municípios em que não existem subseções da
Art. 1° Os poderes públicos federal e estadual, indepen- Ordem dos Advogados do Brasil o próprio juiz fará a nome-
dentemente da colaboração que possam receber dos muni- ação do advogado que patrocinará a causa do necessitado.
cípios e da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, conce- § 4° Será preferido para a defesa da causa o advogado que
derão assistência judiciária aos necessitados, nos termos o interessado indicar e que declare aceitar o encargo.
desta Lei. (Redação dada pela Lei n° 7.510, de 4.7.1986). § 5° Nos Estados onde a Assistência Judiciária seja organi-
Art. 2° Gozarão dos benefícios desta Lei os nacionais ou zada e por eles mantida, o Defensor Público, ou quem exer-
estrangeiros residentes no país, que necessitarem recorrer ça cargo equivalente, será intimado pessoalmente de todos
à Justiça penal, civil, militar ou do trabalho. os atos do processo, em ambas as Instâncias, contando-se-
Parágrafo único. Considera-se necessitado, para os fins lhes em dobro todos os prazos. (Incluído pela Lei n° 7.871,
legais, todo aquele cuja situação econômica não lhe permita de 8.11.1989).
pagar as custas do processo e os honorários de advogado, Art. 6° O pedido, quando formulado no curso da ação, não
sem prejuízo do sustento próprio ou da família. a suspenderá, podendo o juiz, em face das provas, conce-
Art. 3° A assistência judiciária compreende as seguintes der ou denegar de plano o benefício de assistência. A peti-
isenções: ção, neste caso, será autuada em separado, apensando-se
I - das taxas judiciárias e dos selos;

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os respectivos autos aos da causa principal, depois de re- 3. ter necessidade de se ausentar da sede do juízo para
solvido o incidente. atender a outro mandato anteriormente outorgado ou para
Art. 7° A parte contrária poderá, em qualquer fase da lide, defender interesses próprios inadiáveis;
requerer a revogação dos benefícios de assistência, desde 4. já haver manifestado por escrito sua opinião contrária ao
que prove a inexistência ou o desaparecimento dos requisi- direito que o necessitado pretende pleitear;
tos essenciais à sua concessão. 5. haver dado à parte contrária parecer escrito sobre a con-
Parágrafo único. Tal requerimento não suspenderá o curso tenda.
da ação e se processará pela forma estabelecida no final do Parágrafo único. A recusa será solicitada ao juiz, que, de
artigo 6º desta Lei. plano, a concederá, temporária ou definitivamente, ou a
Art. 8° Ocorrendo as circunstâncias mencionadas no artigo denegará.
anterior, poderá o juiz, ex-offício, decretar a revogação dos Art. 16. Se o advogado, ao comparecer em juízo, não exibir
benefícios, ouvida a parte interessada dentro de quarenta e o instrumento do mandato outorgado pelo assistido, o juiz
oito horas improrrogáveis. determinará que se exarem na ata da audiência os termos
Art. 9° Os benefícios da assistência judiciária compreendem da referida outorga.
todos os atos do processo até decisão final do litígio, em Parágrafo único. O instrumento de mandato não será exi-
todas as instâncias. gido, quando a parte for representada em juízo por advoga-
Art. 10. São individuais e concedidos em cada caso ocor- do integrante de entidade de direito público incumbido na
rente os benefícios de assistência judiciária, que se não forma da lei, de prestação de assistência judiciária gratuita,
transmitem ao cessionário de direito e se extinguem pela ressalvados: (Incluído pela Lei n° 6.248, de 8.10.1975).
morte do beneficiário, podendo, entretanto, ser concedidos a) os atos previstos no art. 38 do Código de Processo Civil;
aos herdeiros que continuarem a demanda e que necessita- (Incluído pela Lei n° 6.248, de 8.10.1975).
rem de tais favores, na forma estabelecida nesta Lei. b) o requerimento de abertura de inquérito por crime de
Art. 11. Os honorários de advogados e peritos, as custas do ação privada, a proposição de ação penal privada ou o ofe-
processo, as taxas e selos judiciários serão pagos pelo recimento de representação por crime de ação pública con-
vencido, quando o beneficiário de assistência for vencedor dicionada. (Incluído pela Lei n° 6.248, de 8.10.1975).
na causa. Art. 17. Caberá apelação das decisões proferidas em con-
§ 1° Os honorários do advogado serão arbitrados pelo juiz seqüência da aplicação desta Lei; a apelação será recebida
até o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o líquido somente no efeito devolutivo quando a sentença conceder o
apurado na execução da sentença. pedido. (Redação dada pela Lei n° 6.014, de 27.12.1973).
§ 2° A parte vencida poderá acionar a vencedora para rea- Art. 18. Os acadêmicos de direito, a partir da 4ª série, pode-
ver as despesas do processo, inclusive honorários do advo- rão ser indicados pela assistência judiciária, ou nomeados
gado, desde que prove ter a última perdido a condição legal pelo juiz para auxiliar o patrocínio das causas dos necessi-
de necessitada. tados, ficando sujeitos às mesmas obrigações impostas por
Art. 12. A parte beneficiada pela isenção do pagamento das esta Lei aos advogados.
custas ficará obrigada a pagá-las, desde que possa fazê-lo, Art. 19. Esta Lei entrará em vigor trinta dias depois da sua
sem prejuízo do sustento próprio ou da família. Se, dentro publicação no Diário Oficial da União, revogadas as disposi-
de cinco anos, a contar da sentença final, o assistido não ções em contrário.
puder satisfazer tal pagamento, a obrigação ficará prescrita. Rio de Janeiro, 5 de fevereiro de 1950; 129° da Indepen-
Art. 13. Se o assistido puder atender, em parte, as despe- dência e 62° da República.
sas do processo, o Juiz mandará pagar as custas que serão EURICO GASPAR DUTRA
rateadas entre os que tiverem direito ao seu recebimento.
Art. 14. Os profissionais liberais designados para o desem- LEI N° 1.533, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1951
penho do encargo de defensor ou de perito, conforme o
caso, salvo justo motivo previsto em lei ou, na sua omissão,
a critério da autoridade judiciária competente, são obrigados Altera disposições do Código do Processo Civil, relati-
ao respectivo cumprimento, sob pena de multa de Cr$ vas ao mandado de segurança.
1.000,00 (mil cruzeiros) a Cr$ 10.000,00 (dez mil cruzeiros), O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Con-
sujeita ao reajustamento estabelecido na Lei n° 6.205, de 29 gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei:
de abril de 1975, sem prejuízo de sanção disciplinar cabível. Art. 1° Conceder-se-á mandado de segurança para prote-
(Redação dada pela Lei n° 6.465, de 14.11.1977). ger direito líquido e certo, não amparado por habeas-corpus,
§ 1° Na falta de indicação pela assistência ou pela própria sempre que, ilegalmente ou com abuso do poder, alguém
parte, o juiz solicitará a do órgão de classe respectivo. (In- sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte
cluído pela Lei n° 6.465, de 14.11.1977). de autoridade, seja de que categoria for ou sejam quais
§ 2° A multa prevista neste artigo reverterá em benefício do forem as funções que exerça.
profissional que assumir o encargo na causa. (Redação § 1° Consideram-se autoridades, para os efeitos desta lei,
dada pela Lei n° 6.465, de 14.11.1977). os representantes ou administradores das entidades autár-
Art. 15. São motivos para a recusa do mandato pelo advo- quicas e das pessoas naturais ou jurídicas com funções
gado designado ou nomeado: delegadas do Poder Público, somente no que entender com
1. estar impedido de exercer a advocacia; essas funções. (Redação dada pela Lei n° 9.259, de
9.1.1996).
2. ser procurador constituído pela parte contrária ou ter com
ela relações profissionais de interesse atual; § 2° Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias
pessoas, qualquer delas poderá requerer o mandado de
segurança.

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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Art. 2° Considerar-se-á federal a autoridade coatora se as Art. 11. Julgado procedente o pedido, o juiz transmitirá em
conseqüências de ordem patrimonial do ato contra o qual se ofício, por mão do oficial do juízo ou pelo correio, mediante
requer o mandado houverem de ser suportadas pela União registro com recibo de volta, ou por telegrama, radiograma
Federal ou pelas entidades autárquicas federais. ou telefonema, conforme o requerer o peticionário, o inteiro
Art. 3° O titular de direito liquido e certo decorrente de direi- teor da sentença à autoridade coatora.
to, em condições idênticas, de terceiro, poderá impetrar Parágrafo único. Os originais, no caso de transmissão
mandado de segurança a favor do direito originário, se o telegráfica, radiofônica ou telefônica, deverão ser apresen-
seu titular não o fizer, em prazo razoável, apesar de para tados à agência expedidora com a firma do juiz devidamen-
isso notificado judicialmente. te reconhecida.
Art. 4° Em caso de urgência, é permitido, observados os Art. 12. Da sentença, negando ou concedendo o mandado
requisitos desta lei, impetrar o mandado de segurança por cabe apelação. (Redação dada pela Lei n° 6.014, de
telegrama ou radiograma ao juiz competente, que poderá 27.12.1973).
determinar seja feita pela mesma forma a notificação a auto- Parágrafo único. A sentença, que conceder o mandato, fica
ridade coatora. sujeita ao duplo grau de jurisdição, podendo, entretanto, ser
Art. 5° Não se dará mandado de segurança quando se tra- executada provisoriamente. (Redação dada pela Lei n°
tar: 6.071, de 3.7.1974).
I - de ato de que caiba recurso administrativo com efeito Art. 13. Quando o mandado for concedido e o Presidente do
suspensivo, independente de caução. Tribunal, ao qual competir o conhecimento do recurso, or-
II - de despacho ou decisão judicial, quando haja recurso denar ao juiz a suspensão da execução da sentença, desse
previsto nas leis processuais ou possa ser modificado por seu ato caberá agravo para o Tribunal a que presida. (Re-
via de correição. dação dada pela Lei n° 6.014, de 27.12.1973).
III - de ato disciplinar, salvo quando praticado por autoridade Art. 14. Nos casos de competência do Supremo Tribunal
incompetente ou com inobservância de formalidade essen- Federal e dos demais tribunais caberá ao relator a instrução
cial. do processo.
Art. 6° A petição inicial, que deverá preencher os requisitos Art. 15. A decisão do mandado de segurança não impedirá
dos artigos 158 e 159 do Código do Processo Civil, será que o requerente, por ação própria, pleiteie os seus direitos
apresentada em duas vias e os documentos, que instruírem e os respectivos efeitos patrimoniais.
a primeira, deverão ser reproduzidos, por cópia, na segun- Art. 16. O pedido de mandado de segurança poderá ser
da. renovado se a decisão denegatória não lhe houver aprecia-
Parágrafo único. No caso em que o documento necessário do o mérito.
a prova do alegado se ache em repartição ou estabeleci- Art. 17. Os processos de mandado de segurança terão
mento público, ou em poder de autoridade que recuse for- prioridade sobre todos os atos judiciais, salvo habeas-
necê-lo por certidão, o juiz ordenará, preliminarmente, por corpus. Na instância superior deverão ser levados a julga-
ofício, a exibição desse documento em original ou em cópia mento na primeira sessão que se seguir a data em que, feita
autêntica e marcará para o cumprimento da ordem o prazo a distribuição, forem conclusos ao relator.
de dez dias. Se a autoridade que tiver procedido dessa Parágrafo único. O prazo para conclusão não poderá ex-
maneira for a própria coatora, a ordem far-se-á no próprio ceder de vinte e quatro horas, a contar da distribuição.
instrumento da notificação. O escrivão extrairá cópias do Art. 18. O direito de requerer mandado de segurança extin-
documento para juntá-las à segunda via da petição. (Reda- guir-se-á decorridos cento e vinte dias contados da ciência,
ção dada pela Lei n° 4.166, de 4.12.1962). pela interessado, do ato impugnado.
Art. 7° Ao despachar a inicial, o juiz ordenará: Art. 19. Aplicam-se ao processo do mandado de segurança
I - que se notifique o coator do conteúdo da petição entre- os artigos do Código de Processo Civil que regulam o litis-
gando-se-lhe a segunda via apresentada pelo requerente consórcio. (Redação dada pela Lei n° 6.071, de 3.7.1974).
com as cópias dos documentos a fim de que, no prazo de Art. 20. Revogam-se os dispositivos do Código do Processo
dez dias, preste as informações que achar necessárias. Civil sobre o assunto e mais disposições em contrário.
(Redação dada pela Lei n° 4.166, de 4.12.1962). Art. 21. Esta lei entrará em vigor na data da sua publicação.
II - que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido quan- Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 1951; 130° da Indepen-
do for relevante o fundamento e do ato impugnado puder dência e 63° da República.
resultar a ineficácia da medida, caso seja deferida. H. CASTELO BRANCO
Art. 8° A inicial será desde logo indeferida quando não for
caso de mandado de segurança ou lhe faltar algum dos
LEI N° 4.348, DE 26 DE JUNHO DE 1964
requisitos desta Lei.
Parágrafo único. De despacho de indeferimento caberá o
recurso previsto no art. 12. Estabelece normas processuais relativas a mandado de
Art. 9° Feita a notificação, o serventuário em cujo cartório segurança.
corra o feito juntará aos autos cópia autêntica do ofício en- O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Con-
dereçado ao coator, bem como a prova da entrega a este ou gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei:
da sua recusa em aceitá-lo ou dar recibo. Art. 1° Nos processos de mandado de segurança serão
Art. 10. Findo o prazo a que se refere o item I do art. 7° e observadas as seguintes normas:
ouvido o representante do Ministério Público dentro em a) é de dez dias o prazo para a prestação de informações
cinco dias, os autos serão conclusos ao juiz, independente de autoridade apontada como coatora.(VETADO).
de solicitação da parte, para a decisão, a qual deverá ser b) a medida liminar somente terá eficácia pelo prazo de (90)
proferida em cinco dias, tenham sido ou não prestadas as noventa dias a contar da data da respectiva concessão,
informações pela autoridade coatora. prorrogável por (30) trinta dias quando provadamente o

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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acúmulo de processos pendentes de julgamento justificar a O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Con-
prorrogação. gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 2° Será decretada a perempção ou a caducidade da DA AÇÃO POPULAR
medida liminar ex officio ou a requerimento do Ministério Art. 1° Qualquer cidadão será parte legítima para pleitear a
Público quando, concedida a medida, o impetrante criar anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao
obstáculo ao normal andamento do processo, deixar de patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Estados e dos
promover, por mais de (3) três dias, os atos e diligências Municípios, de entidades autárquicas, de sociedades de
que lhe cumprirem, ou abandonar a causa por mais de (20) economia mista (Constituição, art. 141, § 38), de sociedades
vinte dias. mútuas de seguro nas quais a União represente os segura-
Art. 3° Os representantes judiciais da União, dos Estados, dos ausentes, de empresas públicas, de serviços sociais
do Distrito Federal, dos Municípios ou de suas respectivas autônomos, de instituições ou fundações para cuja criação
autarquias e fundações serão intimados pessoalmente pelo ou custeio o tesouro público haja concorrido ou concorra
juiz, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, das decisões com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da recei-
judiciais em que suas autoridades administrativas figurem ta ânua, de empresas incorporadas ao patrimônio da União,
como coatoras, com a entrega de cópias dos documentos do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios, e de
nelas mencionados, para eventual suspensão da decisão e quaisquer pessoas jurídicas ou entidades subvencionadas
defesa do ato apontado como ilegal ou abusivo de poder. pelos cofres públicos.
(Redação dada pela Lei nº 10.910, 15.7.2004). § 1° Consideram-se patrimônio público, para os fins referi-
Art. 4° Quando, a requerimento de pessoa jurídica de direito dos neste artigo, os bens e direitos de valor econômico,
público interessada e para evitar grave lesão à ordem, à artístico, estético, histórico ou turístico. (Redação dada pela
saúde, à segurança e à economia pública, o Presidente do Lei n° 6.513, de 20.12.1977).
Tribunal, ao qual couber o conhecimento do respectivo re- § 2° Em se tratando de instituições ou fundações, para cuja
curso (VETADO). suspender, em despacho fundamentado, criação ou custeio o tesouro público concorra com menos
a execução da liminar, e da sentença, dessa decisão caberá de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita ânua,
agravo, sem efeito suspensivo, no prazo de cinco dias, con- bem como de pessoas jurídicas ou entidades subvenciona-
tados da publicação do ato. (O prazo de 10 (dez) dias pre- das, as conseqüências patrimoniais da invalidez dos atos
visto neste artigo passou para 5 (cinco) dias conforme de- lesivos terão por limite a repercussão deles sobre a contri-
termina a Lei n° 8.038, de 28 de maio de 1990, em seus buição dos cofres públicos.
arts. 25, § 2° e 39, e a Lei n° 8.437, de 30 de junho de 1992, § 3° A prova da cidadania, para ingresso em juízo, será feita
em seu art. 4°, § 3°). com o título eleitoral, ou com documento que a ele corres-
§ 1° Indeferido o pedido de suspensão ou provido o agravo ponda.
a que se refere o caput, caberá novo pedido de suspensão § 4° Para instruir a inicial, o cidadão poderá requerer às
ao Presidente do Tribunal competente para conhecer de entidades, a que se refere este artigo, as certidões e infor-
eventual recurso especial ou extraordinário. (acrescido pela mações que julgar necessárias, bastando para isso indicar a
Medida Provisória n° 2.180-35, de 24.8.2001). finalidade das mesmas.
§ 2° Aplicam-se à suspensão de segurança de que trata § 5° As certidões e informações, a que se refere o parágrafo
esta Lei, as disposições dos §§ 5° a 8° do art. 4° da Lei n° anterior, deverão ser fornecidas dentro de 15 (quinze) dias
8.437, de 30 de junho de 1992. (Acrescido pela Medida da entrega, sob recibo, dos respectivos requerimentos, e só
Provisória n° 2.180-35, de 24.8.2001). poderão ser utilizadas para a instrução de ação popular.
Art. 5° Não será concedida a medida liminar de mandados § 6° Somente nos casos em que o interesse público, devi-
de segurança impetrados visando à reclassificação ou equi- damente justificado, impuser sigilo, poderá ser negada cer-
paração de servidores públicos, ou à concessão de aumen- tidão ou informação.
to ou extensão de vantagens.
§ 7° Ocorrendo a hipótese do parágrafo anterior, a ação
Parágrafo único. Os mandados de segurança a que se poderá ser proposta desacompanhada das certidões ou
refere este artigo serão executados depois de transitada em informações negadas, cabendo ao juiz, após apreciar os
julgado a respectiva sentença. motivos do indeferimento, e salvo em se tratando de razão
Art. 6° (VETADO). de segurança nacional, requisitar umas e outras; feita a
Art. 7° O recurso voluntário ou ex officio, interposto de deci- requisição, o processo correrá em segredo de justiça, que
são concessiva de mandado de segurança que importe cessará com o trânsito em julgado de sentença condenató-
outorga ou adição de vencimento ou ainda reclassificação ria.
funcional, terá efeito suspensivo. Art. 2° São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entida-
Art. 8° Aos magistrados, funcionários da administração des mencionadas no artigo anterior, nos casos de:
pública e aos serventuários da Justiça que descumprirem os a) incompetência;
prazos mencionados nesta lei, aplicam-se as sanções do b) vício de forma;
Código de Processo Civil e do Estatuto dos Funcionários
c) ilegalidade do objeto;
Públicos Civis da União (Lei n° 1.711, de 28.10.1952).
d) inexistência dos motivos;
Art. 9° Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação,
revogadas as disposições em contrário. e) desvio de finalidade.
Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nuli-
Brasília, 26 de junho de 1964; 143° da Independência e 76°
dade observar-se-ão as seguintes normas:
da República.
a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se
incluir nas atribuições legais do agente que o praticou;
LEI N° 4.717, DE 29 DE JUNHO DE 1965
Regula a Ação Popular.

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b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância VIII - O empréstimo concedido pelo Banco Central da Repú-
incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à blica, quando:
existência ou seriedade do ato; a) concedido com desobediência de quaisquer normas le-
c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato gais, regulamentares, regimentais ou constantes de instru-
importa em violação de lei, regulamento ou outro ato norma- ções gerais:
tivo; b) o valor dos bens dados em garantia, na época da opera-
d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria ção, for inferior ao da avaliação.
de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materi- IX - A emissão, quando efetuada sem observância das nor-
almente inexistente ou juridicamente inadequada ao resul- mas constitucionais, legais e regulamentadoras que regem
tado obtido; a espécie.
e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica DA COMPETÊNCIA
o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou Art. 5° Conforme a origem do ato impugnado, é competente
implicitamente, na regra de competência. para conhecer da ação, processá-la e julgá-la o juiz que, de
Art. 3° Os atos lesivos ao patrimônio das pessoas de direito acordo com a organização judiciária de cada Estado, o for
público ou privado, ou das entidades mencionadas no art. para as causas que interessem à União, ao Distrito Federal,
1°, cujos vícios não se compreendam nas especificações do ao Estado ou ao Município.
artigo anterior, serão anuláveis, segundo as prescrições § 1° Para fins de competência, equiparam-se a atos da Uni-
legais, enquanto compatíveis com a natureza deles. ão, do Distrito Federal, do Estado ou dos Municípios os atos
Art. 4° São também nulos os seguintes atos ou contratos, das pessoas criadas ou mantidas por essas pessoas jurídi-
praticados ou celebrados por quaisquer das pessoas ou cas de direito público, bem como os atos das sociedades de
entidades referidas no art. 1°. que elas sejam acionistas e os das pessoas ou entidades
I - A admissão ao serviço público remunerado, com desobe- por elas subvencionadas ou em relação às quais tenham
diência, quanto às condições de habilitação, das normas interesse patrimonial.
legais, regulamentares ou constantes de instruções gerais. § 2° Quando o pleito interessar simultaneamente à União e
II - A operação bancária ou de crédito real, quando: a qualquer outra pessoas ou entidade, será competente o
a) for realizada com desobediência a normas legais, regu- juiz das causas da União, se houver; quando interessar
lamentares, estatutárias, regimentais ou internas; simultaneamente ao Estado e ao Município, será competen-
b) o valor real do bem dado em hipoteca ou penhor for infe- te o juiz das causas do Estado, se houver.
rior ao constante de escritura, contrato ou avaliação. § 3° A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo
III - A empreitada, a tarefa e a concessão do serviço público, para todas as ações, que forem posteriormente intentadas
quando: contra as mesmas partes e sob os mesmos fundamentos.
a) o respectivo contrato houver sido celebrado sem prévia § 4° Na defesa do patrimônio público caberá a suspensão
concorrência pública ou administrativa, sem que essa con- liminar do ato lesivo impugnado. (Incluído pela Lei n° 6.513,
dição seja estabelecida em lei, regulamento ou norma geral; de 20.12.1977).
b) no edital de concorrência forem incluídas cláusulas ou DOS SUJEITOS PASSIVOS DA AÇÃO E DOS ASSISTENTES
condições, que comprometam o seu caráter competitivo; Art. 6° A ação será proposta contra as pessoas públicas ou
c) a concorrência administrativa for processada em condi- privadas e as entidades referidas no art. 1°, contra as auto-
ções que impliquem na limitação das possibilidades normais ridades, funcionários ou administradores que houverem
de competição. autorizado, aprovado, ratificado ou praticado o ato impug-
IV - As modificações ou vantagens, inclusive prorrogações nado, ou que, por omissão, tiverem dado oportunidade à
que forem admitidas, em favor do adjudicatário, durante a lesão, e contra os beneficiários diretos do mesmo.
execução dos contratos de empreitada, tarefa e concessão § 1° Se não houver beneficiário direto do ato lesivo, ou se
de serviço público, sem que estejam previstas em lei ou nos for ele indeterminado ou desconhecido, a ação será propos-
respectivos instrumentos., ta somente contra as outras pessoas indicadas neste artigo.
V - A compra e venda de bens móveis ou imóveis, nos ca- § 2° No caso de que trata o inciso II, item “b”, do art. 4°,
sos em que não for cabível concorrência pública ou adminis- quando o valor real do bem for inferior ao da avaliação,
trativa, quando: citar-se-ão como réus, além das pessoas públicas ou priva-
a) for realizada com desobediência a normas legais, regu- das e entidades referidas no art. 1°, apenas os responsá-
lamentares, ou constantes de instruções gerais; veis pela avaliação inexata e os beneficiários da mesma.
b) o preço de compra dos bens for superior ao corrente no § 3° A pessoas jurídica de direito público ou de direito priva-
mercado, na época da operação; do, cujo ato seja objeto de impugnação, poderá abster-se de
c) o preço de venda dos bens for inferior ao corrente no contestar o pedido, ou poderá atuar ao lado do autor, desde
mercado, na época da operação. que isso se afigure útil ao interesse público, a juízo do res-
VI - A concessão de licença de exportação ou importação, pectivo representante legal ou dirigente.
qualquer que seja a sua modalidade, quando: § 4° O Ministério Público acompanhará a ação, cabendo-lhe
a) houver sido praticada com violação das normas legais e apressar a produção da prova e promover a responsabilida-
regulamentares ou de instruções e ordens de serviço; de, civil ou criminal, dos que nela incidirem, sendo-lhe ve-
b) resulta em exceção ou privilégio, em favor de exportador dado, em qualquer hipótese, assumir a defesa do ato im-
ou importador. pugnado ou dos seus autores.
VII - A operação de redesconto quando sob qualquer aspec- § 5° É facultado a qualquer cidadão habilitar-se como litis-
to, inclusive o limite de valor, desobedecer a normas legais, consorte ou assistente do autor da ação popular.
regulamentares ou constantes de instruções gerais. DO PROCESSO

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Art. 7° A ação obedecerá o procedimento ordinário, previsto Art. 9° Se o autor desistir da ação ou der motiva à absolvi-
no Código de Processo Civil, observadas as seguintes nor- ção da instância, serão publicados editais nos prazos e
mas modificativas: condições previstos no art. 7°, inciso II, ficando assegurado
I - Ao despachar a inicial, o juiz ordenará: a qualquer cidadão, bem como ao representante do Ministé-
a) além da citação dos réus, a intimação do representante rio Público, dentro do prazo de 90 (noventa) dias da última
do Ministério Público; publicação feita, promover o prosseguimento da ação.
b) a requisição, às entidades indicadas na petição inicial, Art. 10. As partes só pagarão custas e preparo a final.
dos documentos que tiverem sido referidos pelo autor (art. Art. 11. A sentença que, julgando procedente a ação popu-
1°, § 6°), bem como a de outros que se lhe afigurem neces- lar, decretar a invalidade do ato impugnado, condenará ao
sários ao esclarecimento dos fatos, fixando o prazo de 15 pagamento de perdas e danos os responsáveis pela sua
(quinze) a 30 (trinta) dias para o atendimento. prática e os beneficiários dele, ressalvada a ação regressiva
§ 1° O representante do Ministério Público providenciará contra os funcionários causadores de dano, quando incorre-
para que a requisições, a que se refere o inciso anterior, rem em culpa.
sejam atendidas dentro dos prazos ficados pelo juiz. Art. 12. A sentença incluirá sempre, na condenação dos
§ 2° Se os documentos e informações não puderem ser réus, o pagamento, ao autor, das custas e demais despe-
oferecidos nos prazos assinalados, o juiz poderá autorizar sas, judiciais e extrajudiciais, diretamente relacionadas com
prorrogação dos mesmos, por prazo razoável. a ação e comprovadas, bem como o dos honorários de
II - Quando o autor o preferir, a citação dos beneficiários far- advogado.
se-á por edital com o prazo de 30 (trinta) dias, afixado na Art. 13. A sentença que, apreciando o fundamento de direito
sede do juízo e publicado três vezes no jornal oficial do do pedido, julgar a lide manifestamente temerária, condena-
Distrito Federal, ou da Capital do Estado ou Território em rá o autor ao pagamento do décuplo das custas.
que seja ajuizada a ação. A publicação será gratuita e deve- Art. 14. Se o valor da lesão ficar provado no curso da cau-
rá iniciar-se no máximo 3 (três) dias após a entrega, na sa, será indicado na sentença; se depender de avaliação ou
repartição competente, sob protocolo, de uma via autentica- perícia, será apurado na execução.
da do mandado. § 1° Quando a lesão resultar da falta ou isenção de qual-
III - Qualquer pessoa, beneficiada ou responsável pelo ato quer pagamento, a condenação imporá o pagamento devi-
impugnado, cuja existência ou identidade se torne conheci- do, com acréscimo de juros de mora e multa legal ou contra-
da no curso do processo e antes de proferida a sentença tual, se houver.
final de primeira instância, deverá ser citada para a integra- § 2° Quando a lesão resultar da execução fraudulenta, si-
ção do contraditório, sendo-lhe restituído o prazo para con- mulada ou irreal de contratos, a condenação versará sobre
testação e produção de provas; Salvo, quanto a beneficiário, a reposição do débito, com juros de mora.
se a citação se houver feito na forma do inciso anterior. § 3° Quando o réu condenado perceber dos cofres públicos,
IV - O prazo de contestação é de 20 (vinte) dias, prorrogá- a execução far-se-á por desconto em folha até o integral
veis por mais 20 (vinte), a requerimento do interessado, se ressarcimento do dano causado, se assim mais convier ao
particularmente difícil a produção de prova documental, e interesse público.
será comum a todos os interessados, correndo da entrega § 4° A parte condenada a restituir bens ou valores ficará
em cartório do mandado cumprido, ou, quando for o caso, sujeita a seqüestro e penhora, desde a prolação da senten-
do decurso do prazo assinado em edital. ça condenatória.
V - Caso não requerida, até o despacho saneador, a produ- Art. 15. Se, no curso da ação, ficar provada a infringência
ção de prova testemunhal ou pericial, o juiz ordenará vista da lei penal ou a prática de falta disciplinar a que a lei comi-
às partes por 10 (dez) dias, para alegações, sendo-lhe os ne a pena de demissão ou a de rescisão de contrato de
autos conclusos, para sentença, 48 (quarenta e oito) horas trabalho, o juiz, ex officio, determinará a remessa de cópia
após a expiração desse prazo; havendo requerimento de autenticada das peças necessárias às autoridades ou aos
prova, o processo tomará o rito ordinário. administradores a quem competir aplicar a sanção.
VI - A sentença, quando não prolatada em audiência de Art. 16. Caso decorridos 60 (sessenta) dias da publicação
instrução e julgamento, deverá ser proferida dentro de 15 da sentença condenatória de segunda instância, sem que o
(quinze) dias do recebimento dos autos pelo juiz. autor ou terceiro promova a respectiva execução o repre-
Parágrafo único. O proferimento da sentença além do pra- sentante do Ministério Público a promoverá nos 30 (trinta)
zo estabelecido privará o juiz da inclusão em lista de mere- dias seguintes, sob pena de falta grave.
cimento para promoção, durante 2 (dois) anos, e acarretará Art. 17. É sempre permitida às pessoas ou entidades referi-
a perda, para efeito de promoção por antigüidade, de tantos das no art. 1°, ainda que hajam contestado a ação, promo-
dias, quantos forem os do retardamento salvo motivo justo, ver, em qualquer tempo, e no que as beneficiar a execução
declinado nos autos e comprovado perante o órgão discipli- da sentença contra os demais réus.
nar competente. Art. 18. A sentença terá eficácia de coisa julgada oponível
Art. 8° Ficará sujeita à pena de desobediência, salvo motivo “erga omnes”, exceto no caso de haver sido a ação julgada
justo devidamente comprovado, a autoridade, o administra- improcedente por deficiência de prova; neste caso, qualquer
dor ou o dirigente, que deixar de fornecer, no prazo fixado cidadão poderá intentar outra ação com idêntico fundamen-
no art. 1°, § 5°, ou naquele que tiver sido estipulado pelo to, valendo-se de nova prova.
juiz (art. 7°, n° I, letra “b”), informações e certidão ou fotocó- Art. 19. A sentença que concluir pela carência ou pela im-
pia de documento necessários à instrução da causa. procedência da ação está sujeita ao duplo grau de jurisdi-
Parágrafo único. O prazo contar-se-á do dia em que entre- ção, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo
gue, sob recibo, o requerimento do interessado ou o ofício tribunal; da que julgar a ação procedente, caberá apelação,
de requisição (art. 1°, § 5°, e art. 7°, n° I, letra “b”). com efeito suspensivo. (Redação dada ao caput e, parágra-
fos pela Lei n° 6.014, de 27.12.1973).

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§ 1° Das decisões interlocutórias cabe agravo de instrumen- j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício
to. profissional. (Incluído pela Lei n° 6.657,de 5.6.1979).
§ 2° Das sentenças e decisões proferidas contra o autor da Art. 4° Constitui também abuso de autoridade:
ação e suscetíveis de recurso, poderá recorrer qualquer a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade indivi-
cidadão e também o Ministério Público. dual, sem as formalidades legais ou com abuso de poder;
DISPOSIÇÕES GERAIS b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame
Art. 20. Para os fins desta lei, consideram-se entidades ou a constrangimento não autorizado em lei;
autárquicas: c) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente
a) o serviço estatal descentralizado com personalidade jurí- a prisão ou detenção de qualquer pessoa;
dica, custeado mediante orçamento próprio, independente d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou de-
do orçamento geral; tenção ilegal que lhe seja comunicada;
b) as pessoas jurídicas especialmente instituídas por lei, e) levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a
para a execução de serviços de interesse público ou social, prestar fiança, permitida em lei;
custeados por tributos de qualquer natureza ou por outros f) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carce-
recursos oriundos do Tesouro Público; ragem, custas, emolumentos ou qualquer outra despesa,
c) as entidades de direito público ou privado a que a lei tiver desde que a cobrança não tenha apoio em lei, quer quanto
atribuído competência para receber e aplicar contribuições à espécie, quer quanto ao seu valor;
parafiscais. g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial
Art. 21. A ação prevista nesta lei prescreve em 5 (cinco) recibo de importância recebida a título de carceragem, cus-
anos. tas, emolumentos ou de qualquer outra despesa;
Art. 22. Aplicam-se à ação popular as regras do Código de h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural
Processo Civil, naquilo em que não contrariem os dispositi- ou jurídica, quando praticado com abuso ou desvio de poder
vos desta lei, nem à natureza específica da ação. ou sem competência legal;
Brasília, 29 de junho de 1965; 144° da Independência e 77° i) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de
da República. medida de segurança, deixando de expedir em tempo opor-
H. CASTELO BRANCO tuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade. (In-
cluído pela Lei n° 7.960, de 21.12.1989).
LEI N° 4.898, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1965 Art. 5° Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei,
quem exerce cargo, emprego ou função pública, de nature-
za civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem remu-
Regula o Direito de Representação e o processo de neração.
Responsabilidade Administrativa Civil e Penal , nos Art. 6° O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à san-
casos de abuso de autoridade.
ção administrativa, civil e penal.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Con-
§ 1° A sanção administrativa será aplicada de acordo com a
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
gravidade do abuso cometido e consistirá em:
Art. 1° O direito de representação e o processo de respon-
a) advertência;
sabilidade administrativa civil e penal, contra as autoridades
b) repreensão;
que, no exercício de suas funções, cometerem abusos, são
regulados pela presente lei. c) suspensão do cargo, função ou posto por prazo de cinco
a cento e oitenta dias, com perda de vencimentos e vanta-
Art. 2° O direito de representação será exercido por meio
gens;
de petição:
d) destituição de função;
a) dirigida à autoridade superior que tiver competência legal
para aplicar, à autoridade civil ou militar culpada, a respecti- e) demissão;
va sanção; f) demissão, a bem do serviço público.
b) dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver compe- § 2° A sanção civil, caso não seja possível fixar o valor do
tência para iniciar processo-crime contra a autoridade cul- dano, consistirá no pagamento de uma indenização de qui-
pada. nhentos a dez mil cruzeiros.
Parágrafo único. A representação será feita em duas vias e § 3° A sanção penal será aplicada de acordo com as regras
conterá a exposição do fato constitutivo do abuso de autori- dos artigos 42 a 56 do Código Penal e consistirá em:
dade, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;
acusado e o rol de testemunhas, no máximo de três, se as b) detenção por dez dias a seis meses;
houver. c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qual-
Art. 3° Constitui abuso de autoridade qualquer atentado: quer outra função pública por prazo até três anos.
a) à liberdade de locomoção; § 4° As penas previstas no parágrafo anterior poderão ser
b) à inviolabilidade do domicílio; aplicadas autônoma ou cumulativamente.
c) ao sigilo da correspondência; § 5° Quando o abuso for cometido por agente de autoridade
d) à liberdade de consciência e de crença; policial, civil ou militar, de qualquer categoria, poderá ser
e) ao livre exercício do culto religioso; cominada a pena autônoma ou acessória, de não poder o
acusado exercer funções de natureza policial ou militar no
f) à liberdade de associação;
município da culpa, por prazo de um a cinco anos.
g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício
art. 7° Recebida a representação em que for solicitada a
do voto;
aplicação de sanção administrativa, a autoridade civil ou
h) ao direito de reunião;
i) à incolumidade física do indivíduo;

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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militar competente determinará a instauração de inquérito julgamento, que deverá ser realizada, improrrogavelmente,
para apurar o fato. dentro de cinco dias.
§ 1° O inquérito administrativo obedecerá às normas esta- § 2° A citação do réu para se ver processar, até julgamento
belecidas nas leis municipais, estaduais ou federais, civis ou final e para comparecer à audiência de instrução e julga-
militares, que estabeleçam o respectivo processo. mento, será feita por mandado sucinto que será acompa-
§ 2° Não existindo no município no Estado ou na legislação nhado da segunda via da representação e da denúncia.
militar normas reguladoras do inquérito administrativo serão Art. 18. As testemunhas de acusação e defesa poderão ser
aplicadas supletivamente, as disposições dos arts. 219 a apresentada em juízo, independentemente de intimação.
225 da Lei n° 1.711, de 28 de outubro de 1952 (Estatuto dos Parágrafo único. Não serão deferidos pedidos de precató-
Funcionários Públicos Civis da União). ria para a audiência ou a intimação de testemunhas ou,
§ 3° O processo administrativo não poderá ser sobrestado salvo o caso previsto no artigo 14, letra “b”, requerimentos
para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil. para a realização de diligências, perícias ou exames, a não
Art. 8° A sanção aplicada será anotada na ficha funcional ser que o Juiz, em despacho motivado, considere indispen-
da autoridade civil ou militar. sáveis tais providências.
Art. 9° Simultaneamente com a representação dirigida à Art. 19. À hora marcada, o Juiz mandará que o porteiro dos
autoridade administrativa ou independentemente dela, po- auditórios ou o oficial de justiça declare aberta a audiência,
derá ser promovida, pela vítima do abuso, a responsabilida- apregoando em seguida o réu, as testemunhas, o perito, o
de civil ou penal ou ambas, da autoridade culpada. representante do Ministério Público ou o advogado que
Art. 10. (VETADO). tenha subscrito a queixa e o advogado ou defensor do réu.
Art. 11. À ação civil serão aplicáveis as normas do Código Parágrafo único. A audiência somente deixará de realizar-
de Processo Civil. se se ausente o Juiz.
Art. 12. A ação penal será iniciada, independentemente de Art. 20. Se até meia hora depois da hora marcada o Juiz
inquérito policial ou justificação por denúncia do Ministério não houver comparecido, os presentes poderão retirar-se,
Público, instruída com a representação da vítima do abuso. devendo o ocorrido constar do livro de termos de audiência.
Art. 13. Apresentada ao Ministério Público a representação Art. 21. A audiência de instrução e julgamento será pública,
da vítima, aquele, no prazo de quarenta e oito horas, de- se contrariamente não dispuser o Juiz, e realizar-se-á em
nunciará o réu, desde que o fato narrado constitua abuso de dia útil, entre dez (10) e dezoito (18) horas, na sede do Juí-
autoridade, e requererá ao Juiz a sua citação, e, bem assim, zo ou, excepcionalmente, no local que o Juiz designar.
a designação de audiência de instrução e julgamento. Art. 22. Aberta a audiência o Juiz fará a qualificação e o
§ 1° A denúncia do Ministério Público será apresentada em interrogatório do réu, se estiver presente.
duas vias. Parágrafo único. Não comparecendo o réu nem seu advo-
Art. 14. Se a ato ou fato constitutivo do abuso de autoridade gado, o Juiz nomeará imediatamente defensor para funcio-
houver deixado vestígios o ofendido ou o acusado poderá: nar na audiência e nos ulteriores termos do processo.
a) promover a comprovação da existência de tais vestígios, Art. 23. Depois de ouvidas as testemunhas e o perito, o Juiz
por meio de duas testemunhas qualificadas; dará a palavra sucessivamente, ao Ministério Público ou ao
b) requerer ao Juiz, até setenta e duas horas antes da audi- advogado que houver subscrito a queixa e ao advogado ou
ência de instrução e julgamento, a designação de um perito defensor do réu, pelo prazo de quinze minutos para cada
para fazer as verificações necessárias. um, prorrogável por mais dez (10), a critério do Juiz.
§ 1° O perito ou as testemunhas farão o seu relatório e Art. 24. Encerrado o debate, o Juiz proferirá imediatamente
prestarão seus depoimentos verbalmente, ou o apresenta- a sentença.
rão por escrito, querendo, na audiência de instrução e jul- Art. 25. Do ocorrido na audiência o escrivão lavrará no livro
gamento. próprio, ditado pelo Juiz, termo que conterá, em resumo, os
§ 2° No caso previsto na letra a deste artigo a representa- depoimentos e as alegações da acusação e da defesa, os
ção poderá conter a indicação de mais duas testemunhas. requerimentos e, por extenso, os despachos e a sentença.
Art. 15. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apre- Art. 26. Subscreverão o termo o Juiz, o representante do
sentar a denúncia requerer o arquivamento da representa- Ministério Público ou o advogado que houver subscrito a
ção, o Juiz, no caso de considerar improcedentes as razões queixa, o advogado ou defensor do réu e o escrivão.
invocadas, fará remessa da representação ao Procurador- Art. 27. Nas comarcas onde os meios de transporte forem
Geral e este oferecerá a denúncia, ou designará outro órgão difíceis e não permitirem a observância dos prazos fixados
do Ministério Público para oferecê-la ou insistirá no arqui- nesta lei, o juiz poderá aumentá-las, sempre motivadamen-
vamento, ao qual só então deverá o Juiz atender. te, até o dobro.
Art. 16. Se o órgão do Ministério Público não oferecer a Art. 28. Nos casos omissos, serão aplicáveis as normas do
denúncia no prazo fixado nesta lei, será admitida ação pri- Código de Processo Penal, sempre que compatíveis com o
vada. O órgão do Ministério Público poderá, porém, aditar a sistema de instrução e julgamento regulado por esta lei.
queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva e intervir Parágrafo único. Das decisões, despachos e sentenças,
em todos os termos do processo, interpor recursos e, a todo caberão os recursos e apelações previstas no Código de
tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a Processo penal.
ação como parte principal. Art. 29. Revogam-se as disposições em contrário.
Art. 17. Recebidos os autos, o Juiz, dentro do prazo de Brasília, 9 de dezembro de 1965; 144° da Independência e
quarenta e oito horas, proferirá despacho, recebendo ou 77° da República.
rejeitando a denúncia. H. CASTELO BRANCO
§ 1° No despacho em que receber a denúncia, o Juiz desig-
nará, desde logo, dia e hora para a audiência de instrução e LEI N° 5.474, DE 18 DE JULHO DE 1968

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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Dispõe sobre as Duplicatas, e dá outras providências. pelo consignatário, mencionando-se o prazo estipulado para
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o a liquidação do saldo da conta.
CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a se- § 2° Fica o consignatário dispensado de emitir duplicata
guinte Lei: quando na comunicação a que se refere o § 1° declarar,
CAPÍTULO I DA FATURA E DA DUPLICATA que o produto líquido apurado está à disposição do consig-
Art. 1° Em todo o contrato de compra e venda mercantil nante.
entre partes domiciliadas no território brasileiro, com prazo CAPÍTULO II DA REMESSA E DA DEVOLUÇÃO DA DUPLICATA
não inferior a 30 (trinta) dias, contado da data da entrega ou Art. 6° A remessa de duplicata poderá ser feita diretamente
despacho das mercadorias, o vendedor extrairá a respectiva pelo vendedor ou por seus representantes, por intermédio
fatura para apresentação ao comprador. de instituições financeiras, procuradores ou, corresponden-
§ 1° A fatura discriminará as mercadorias vendidas ou, tes que se incumbam de apresentá-la ao comprador na
quando convier ao vendedor, indicará somente os números praça ou no lugar de seu estabelecimento, podendo os in-
e valores das notas parciais expedidas por ocasião das termediários devolvê-la, depois de assinada, ou conservá-la
vendas, despachos ou entregas das mercadorias. em seu poder até o momento do resgate, segundo as ins-
Art. 2° No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraí- truções de quem lhes cometeu o encargo.
da uma duplicata para circulação como efeito comercial, não § 1° O prazo para remessa da duplicata será de 30 (trinta)
sendo admitida qualquer outra espécie de título de crédito dias, contado da data de sua emissão.
para documentar o saque do vendedor pela importância § 2° Se a remessa for feita por intermédio de representantes
faturada ao comprador. instituições financeiras, procuradores ou correspondentes
§ 1° A duplicata conterá: estes deverão apresentar o título, ao comprador dentro de
I - a denominação “duplicata”, a data de sua emissão e o 10 (dez) dias, contados da data de seu recebimento na
número de ordem; praça de pagamento.
II - o número da fatura; Art. 7° A duplicata, quando não for à vista, deverá ser de-
III - a data certa do vencimento ou a declaração de ser a volvida pelo comprador ao apresentante dentro do prazo de
duplicata à vista; 10 (dez) dias, contado da data de sua apresentação, devi-
IV - o nome e domicílio do vendedor e do comprador; damente assinada ou acompanhada de declaração, por
escrito, contendo as razões da falta do aceite.
V - a importância a pagar, em algarismos e por extenso;
§ 1° Havendo expressa concordância da instituição financei-
VI - a praça de pagamento;
ra cobradora, o sacado poderá reter a duplicata em seu
VII - a cláusula à ordem; poder até a data do vencimento, desde que comunique, por
VIII - a declaração do reconhecimento de sua exatidão e da escrito, à apresentante o aceite e a retenção.
obrigação de pagá-la, a ser assinada pelo comprador, como § 2° A comunicação de que trata o parágrafo anterior substi-
aceite, cambial; tuirá, quando necessário, no ato do protesto ou na execução
IX - a assinatura do emitente. judicial, a duplicata a que se refere. (redação alterada pela
§ 2° Uma só duplicata não pode corresponder a mais de lei n° 6.458.1977).
uma fatura. Art. 8° O comprador só poderá deixar de aceitar a duplicata
§ 3° Nos casos de venda para pagamento em parcelas, por motivo de:
poderá ser emitida duplicata única, em que se discriminarão I - avaria ou não recebimento das mercadorias, quando não
todas as prestações e seus vencimentos, ou série de dupli- expedidas ou não entregues por sua conta e risco;
catas, uma para cada prestação distinguindo-se a numera- II - vícios, defeitos e diferenças na qualidade ou na quanti-
ção a que se refere o item I do § 1° deste artigo, pelo acrés- dade das mercadorias, devidamente comprovados;
cimo de letra do alfabeto, em seqüência.
III - divergência nos prazos ou nos preços ajustados.
Art. 3° A duplicata indicará sempre o valor total da fatura,
CAPÍTULO III DO PAGAMENTO DAS DUPLICATAS
ainda que o comprador tenha direito a qualquer rebate,
mencionando o vendedor o valor líquido que o comprador Art. 9° É lícito ao comprador resgatar a duplicata antes de
deverá reconhecer como obrigação de pagar. aceitá-la ou antes da data do vencimento.
§ 1° Não se incluirão no valor total da duplicata os abati- § 1° A prova do pagamento e o recibo, passado pelo legíti-
mentos de preços das mercadorias feitas pelo vendedor até mo portador ou por seu representante com poderes especi-
o ato do faturamento, desde que constem da fatura. ais, no verso do próprio título ou em documento, em sepa-
§ 2° A venda mercantil para pagamento contra a entrega da rado, com referência expressa à duplicata.
mercadoria ou do conhecimento de transporte, sejam ou § 2° Constituirá, igualmente, prova de pagamento, total ou
não da mesma praça vendedor e comprador, ou para pa- parcial, da duplicata, a liquidação de cheque, a favor do
gamento em prazo inferior a 30 (trinta) dias, contado da estabelecimento endossatário, no qual conste, no verso,
entrega ou despacho das mercadorias, poderá representar- que seu valor se destina a amortização ou liquidação da
se, também, por duplicata, em que se declarará que o pa- duplicata nele caracterizada.
gamento será feito nessas condições. Art. 10. No pagamento da duplicata poderão ser deduzidos
Art. 4° Nas vendas realizadas por consignatários ou comis- quaisquer créditos a favor do devedor resultantes de devo-
sários e faturas em nome e por conta do consignante ou lução de mercadorias, diferenças de preço, enganos, verifi-
comitente, caberá àqueles cumprir os dispositivos desta Lei. cados, pagamentos por conta e outros motivos assemelha-
Art. 5° Quando a mercadoria for vendida por conta do con- dos, desde que devidamente autorizados.
signatário, este é obrigado, na ocasião de expedir a fatura e Art. 11. A duplicata admite reforma ou prorrogação do prazo
a duplicata, a comunicar a venda ao consignante. de vencimento, mediante declaração em separado ou nela
§ 1° Por sua vez, o consignante expedirá fatura e duplicata escrita, assinada pelo vendedor ou endossatário, ou por
correspondente à mesma venda, a fim de ser esta assinada representante com poderes especiais.

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Parágrafo único. A reforma ou prorrogação de que trata Art. 16. Aplica-se o procedimento ordinário previsto no Có-
este artigo, para manter a coobrigação dos demais interve- digo de Processo Civil à ação do credor contra o devedor,
nientes por endosso ou aval, requer a anuência expressa por duplicata ou triplicata que não preencha os requisitos do
destes. art. 15, I e II, e parágrafos 1° e 2°, bem como à ação para
Art. 12. O pagamento da duplicata poderá ser assegurado ilidir as razões invocadas pelo devedor para o não aceite do
por aval, sendo o avalista equiparado àquele cujo nome título, nos casos previstos no art. 8º (Redação dada pela Lei
indicar; na falta da indicação, àquele abaixo de cuja firma n° 6.458, de 1° de novembro de 1977).
lançar a sua; fora desses casos, ao comprador. Art. 17. O foro competente para cobrança judicial da dupli-
Parágrafo único. O aval dado posteriormente ao vencimen- cata ou da triplicata é o da praça de pagamento constante
to do título produzirá os mesmos efeitos que o prestado do título, ou outra de domicílio do comprador e, no caso de
anteriormente àquela ocorrência. ação regressiva, a dos sacadores, dos endossantes e res-
CAPÍTULO IV DO PROTESTO pectivos avalistas.(Redação dada pela lei n° 6.458.1977).
Art. 13. A duplicata é protestável por falta de aceite de de- Art. 18. A pretensão à execução da duplicata prescreve:
volução ou pagamento. (Redação dada pelo Decreto-Lei n° (Redação dada pela lei n° 6.458.1977).
436, de 27.1.1969). I - contra o sacado e respectivos avalistas, em 3 (três) anos,
§ 1° Por falta de aceite, de devolução ou de pagamento, o contados da data do vencimento do título;
protesto será tirado, conforme o caso, mediante apresenta- II - contra endossante e seus avalistas, em 1 (um) ano, con-
ção da duplicata, da triplicata, ou, ainda, por simples indica- tado da data do protesto;
ções do portador, na falta de devolução do título. (Redação III - de qualquer dos coobrigados contra os demais, em um
dada pelo Decreto-Lei n° 436, de 27.1.1969). (1) ano, contado da data em que haja sido efetuado o pa-
§ 2° O fato de não ter sido exercida a faculdade de protestar gamento do título.
o título, por falta de aceite ou de devolução, não elide a § 1° A cobrança judicial poderá ser proposta contra um ou
possibilidade de protesto por falta de pagamento. (Redação contra todos os coobrigados, sem observância da ordem em
dada pelo Decreto-Lei n° 436, de 27.1.1969). que figurem no título.
§ 3° O protesto será tirado na praça de pagamento constan- § 2° Os coobrigados da duplicata respondem solidariamente
te do título. (Redação dada pelo Decreto-Lei n° 436, de pelo aceite e pelo pagamento.
27.1.1969). CAPÍTULO VI DA ESCRITA ESPECIAL
§ 4° O portador que não tirar o protesto da duplicata, em Art. 19. A adoção do regime de vendas de que trata o art.
forma regular e dentro do prazo da 30 (trinta) dias, contado 2° desta Lei obriga o vendedor a ter e a escriturar o Livro de
da data de seu vencimento, perderá o direito de regresso Registro de Duplicatas.
contra os endossantes e respectivos avalistas.(Redação § 1° No Registro de Duplicatas serão escrituradas, cronolo-
dada pelo Decreto-Lei n° 436, de 27.1.1969). gicamente, todas as duplicatas emitidas, com o número de
Art. 14. Nos casos de protesto, por falta de aceite, de devo- ordem, data e valor das faturas originárias e data de sua
lução ou de pagamento, ou feitos por indicações do portador expedição; nome e domicílio do comprador; anotações das
do instrumento de protesto deverá conter os requisitos e- reformas; prorrogações e outras circunstâncias necessárias.
numerados no artigo 29 do Decreto n° 2.044, de 31 de de- § 2° Os Registros de Duplicatas, que não poderão conter
zembro de 1908, exceto a transcrição mencionada no inciso emendas, borrões, rasuras ou entrelinhas, deverão ser con-
II, que será substituída pela reprodução das indicações servados nos próprios estabelecimentos.
feitas pelo portador do título.(Redação dada pelo Decreto- § 3° O Registro de Duplicatas poderá ser substituído por
Lei n° 436, de 27.1.1969). qualquer sistema mecanizado, desde que os requisitos des-
CAPÍTULO V DO PROCESSO PARA COBRANÇA DA DUPLICATA te artigo sejam observados.
Art. 15. A cobrança judicial de duplicata ou triplicada será CAPÍTULO VII DAS DUPLICATAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
efetuada de conformidade com o processo aplicável aos Art. 20. As empresas, individuais ou coletivas, fundações ou
títulos executivos extrajudiciais, de que cogita o Livro II do sociedades civis, que se dediquem à prestação de serviços,
Código de Processo Civil, quando se tratar: (Redação dada poderão, também, na forma desta lei, emitir fatura e duplica-
pela Lei n° 6.458, de 1° de novembro de 1977). ta.
I - de duplicata ou triplicata aceita, protestada ou não; § 1° A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços
II - de duplicata ou triplicata não aceita, contanto que, cumu- prestados.
lativamente: § 2° A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço
a) haja sido protestada; dos serviços prestados.
b) esteja acompanhada de documento hábil comprobatório § 3° Aplicam-se à fatura e à duplicata ou triplicata de pres-
da entrega e recebimento da mercadoria; tação de serviços, com as adaptações cabíveis, as disposi-
c) o sacado não tenha, comprova-damente, recusado o ções referentes à fatura e à duplicata ou triplicata de venda
aceite, no prazo, nas condições e pelos motivos previstos mercantil, constituindo documento hábil, para transcrição do
nos artigos 7° e 8° desta Lei. instrumento de protesto, qualquer documento que comprove
§ 1° Contra o sacador, os endossantes e respectivos avalis- a efetiva prestação, dos serviços e o vínculo contratual que
tas caberá o processo de execução referido neste artigo, a autorizou.(Incluído pelo Decreto-Lei n° 436, de 27.1.1969).
quaisquer que sejam a forma e as condições do protesto. Art. 21. O sacado poderá deixar de aceitar a duplicata de
§ 2° Processar-se-á também da mesma maneira a execu- prestação de serviços por motivo de:
ção de duplicata ou triplicata não aceita e não devolvida, I - não correspondência com os serviços efetivamente con-
desde que haja sido protestada mediante indicações do tratados;
credor ou do apresentante do título, nos termos do art. 14, II - vícios ou defeitos na qualidade dos serviços prestados,
preenchidas as condições do inciso II deste artigo. devidamente comprovados;

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III - divergência nos prazos ou nos preços ajustados. família, gozará do benefício da gratuidade, por simples afir-
Art. 22. Equiparam-se às entidades constantes do art. 20, mativa dessas condições perante o juiz, sob pena de paga-
para os efeitos da presente Lei, ressalvado o disposto no mento até o décuplo das custas judiciais.
Capítulo VI, os profissionais liberais e os que prestam servi- § 3° Presume-se pobre, até prova em contrário, quem afir-
ço de natureza eventual desde que o valor do serviço ultra- mar essa condição, nos termos desta lei.
passe a NCr$100,00 (cem cruzeiros novos). § 4° A impugnação do direito à gratuidade não suspende o
§ 1° Nos casos deste artigo, o credor enviará ao devedor curso do processo de alimentos e será feita em autos apar-
fatura ou conta que mencione a natureza e valor dos servi- tados.
ços prestados, data e local do pagamento e o vínculo con- Art. 2° O credor, pessoalmente, ou por intermédio de advo-
tratual que deu origem aos serviços executados. gado, dirigir-se-á ao juiz competente, qualificando-se, e
§ 2° Registrada a fatura ou conta no Cartório de Títulos e exporá suas necessidades, provando, apenas, o parentesco
Documentos, será ela remetida ao devedor, com as caute- ou a obrigação de alimentar do devedor, indicando seu no-
las constantes do artigo 6º. me e sobrenome, residência ou local de trabalho, profissão
§ 3° O não pagamento da fatura ou conta no prazo nela e naturalidade, quanto ganha aproximadamente ou os re-
fixado autorizará o credor a levá-la a protesto, valendo, na cursos de que dispõe.
ausência do original, certidão do cartório competente. § 1° Dispensar-se-á a produção inicial de documentos pro-
§ 4° O instrumento do protesto, elaborado com as cautelas batórios;
do art. 14, discriminando a fatura ou conta original ou a I - quando existente em notas, registros, repartições ou
certidão do Cartório de Títulos e Documentos, autorizará o estabelecimentos públicos e ocorrer impedimento ou demo-
ajuizamento da competente processo de execução na forma ra em extrair certidões.
prescrita nesta Lei. (parágrafo alterado pela lei n° II - quando estiverem em poder do obrigado, as prestações
6.458.1977). alimentícias ou de terceiro residente em lugar incerto ou não
CAPÍTULO VIII DAS DISPOSIÇÕES GERAIS sabido.
Art. 23. A perda ou extravio da duplicata obrigará o vende- § 2° Os documentos públicos ficam isentos de reconheci-
dor a extrair triplicata, que terá os mesmos efeitos e requisi- mento de firma.
tos e obedecerá às mesmas formalidades daquela. § 3° Se o credor comparecer pessoalmente e não indicar
Art. 24. Da duplicata poderão constar outras indicações, profissional que haja concordado em assisti-lo, o juiz desig-
desde que não alterem sua feição característica. nará desde logo quem o deva fazer.
Art. 25. Aplicam-se à duplicata e à triplicata, no que couber, Art. 3° O pedido será apresentado por escrito, em 3 (três)
os dispositivos da legislação sôbre emissão, circulação e vias, e deverá conter a indicação do juiz a quem for dirigido,
pagamento das Letras de Câmbio. os elementos referidos no artigo anterior e um histórico
Art. 26. O art. 172 do Código Penal (Decreto-lei número sumário dos fatos.
2.848, de 7 de dezembro de 1940). passa a vigorar com a § 1° Se houver sido designado pelo juiz defensor para as-
seguinte redação (alteração operada). sistir o solicitante, na forma prevista no art. 2°, formulará o
Art. 27. O Conselho Monetário Nacional, por proposta do designado, dentro de 24 (vinte e quatro) horas da nomea-
Ministério da Indústria e do Comércio, baixará, dentro de ção, o pedido, por escrito, podendo, se achar conveniente,
120 (cento e vinte) dias da data da publicação desta lei, indicar seja a solicitação verbal reduzida a termo.
normas para padronização formal dos títulos e documentos § 2° O termo previsto no parágrafo anterior será em 3 (três)
nela referidos fixando prazo para sua adoção obrigatória. vias, datadas e assinadas pelo escrivão, observado, no que
Art. 28. Esta Lei entrará em vigor 30 (trinta) dias após a couber, o disposto no caput do presente artigo.
data de sua publicação, revogando-se a Lei n° 187, de 15 Art. 4° As despachar o pedido, o juiz fixará desde logo ali-
de janeiro de 1936, a Lei n° 4.068, de 9 de junho de 1962, mentos provisórios a serem pagos pelo devedor, salvo se o
os Decretos-Leis ns. 265, de 28 de fevereiro de 1967, 320, credor expressamente declarar que deles não necessita.
de 29 de março de 1967, 331, de 21 de setembro de 1967, Parágrafo único. Se se tratar de alimentos provisórios pe-
e 345, de 28 de dezembro de 1967, na parte referente às didos pelo cônjuge, casado pelo regime da comunhão uni-
duplicatas e todas as demais disposições em contrário. versal de bens, o juiz determinará igualmente que seja en-
Brasília, 18 de julho de 1968; 147° da Independência e 80° tregue ao credor, mensalmente, parte da renda líquida dos
da República. bens comuns, administrados pelo devedor.
A. COSTA E SILVA Art. 5° O escrivão, dentro de 48 (quarenta e oito) horas,
remeterá ao devedor a segunda via da petição ou do termo,
LEI N° 5.478, DE 25 DE JULHO DE 1968 juntamente com a cópia do despacho do juiz, e a comunica-
ção do dia e hora da realização da audiência de conciliação
e julgamento.
Dispõe sobre ação de alimentos e dá outras providên- § 1° Na designação da audiência, o juiz fixará o prazo razo-
cias. ável que possibilite ao réu a contestação da ação proposta e
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Con- a eventualidade de citação por edital.
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: § 2° A comunicação, que será feita mediante registro postal
Art. 1° A ação de alimentos é de rito especial, independen- isento de taxas e com aviso de recebimento, importa em
te de prévia distribuição e de anterior concessão do benefí- citação, para todos os efeitos legais.
cio de gratuidade. § 3° Se o réu criar embaraços ao recebimento da citação,
§ 1° A distribuição será determinada posteriormente por ou não for encontrado, repetir-se-á a diligência por intermé-
ofício do juízo, inclusive para o fim de registro do feito. dio do oficial de justiça, servindo de mandado a terceira via
§ 2° A parte que não estiver em condições de pagar as cus- da petição ou do termo.
tas do processo, sem prejuízo do sustento próprio ou de sua

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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§ 4° Impossibilitada a citação do réu por qualquer dos mo- ção financeira das partes, mas o pedido será sempre pro-
dos acima previstos, será ele citado por edital afixado na cessado em apartado.
sede do juízo e publicado 3 (três) vezes consecutivas no § 2° Em qualquer caso, os alimentos fixados retroagem à
órgão oficial do Estado, correndo a despesa por conta do data da citação.
vencido, a final, sendo previamente a conta juntada aos § 3° Os alimentos provisórios serão devidos até a decisão
autos. final, inclusive o julgamento do recurso extraordinário.
§ 5° O edital deverá conter um resumo do pedido inicial, a Art. 14. Da sentença caberá apelação no efeito devolutivo.
íntegra do despacho nele exarado, a data e a hora da audi- (Redação dada pela Lei n° 6.014, de 27.12.1973).
ência. Art. 15. A decisão judicial sobre alimentos não transita em
§ 6° O autor será notificado da data e hora da audiência no julgado e pode a qualquer tempo ser revista, em face da
ato de recebimento da petição, ou da lavratura do termo. modificação da situação financeira dos interessados.
§ 7° O juiz, ao marcar a audiência, oficiará ao empregador Art. 16. Na execução da sentença ou do acordo nas ações
do réu, ou , se o mesmo for funcionário público, ao respon- de alimentos será observado o disposto no artigo 734 e seu
sável por sua repartição, solicitando o envio, no máximo até parágrafo único do Código de Processo Civil. (Redação
a data marcada para a audiência, de informações sobre o dada pela Lei n° 6.014, de 27.12.1973).
salário ou os vencimentos do devedor, sob as penas previs- Art. 17. Quando não for possível a efetivação executiva da
tas no art. 22 desta lei. sentença ou do acordo mediante desconto em folha, pode-
§ 8° A citação do réu, mesmo no caso dos artigos 200 e 201 rão ser as prestações cobradas de alugueres de prédios ou
do Código de Processo Civil, far-se-á na forma do § 2° do de quaisquer outros rendimentos do devedor, que serão
artigo 5° desta lei. (Redação dada pela Lei n° 6.014, de recebidos diretamente pelo alimentando ou por depositário
27.12.1973). nomeado pelo juiz.
Art. 6° Na audiência de conciliação e julgamento deverão Art. 18. Se, ainda assim, não for possível a satisfação do
estar presentes autor e réu, independentemente de intima- débito, poderá o credor requerer a execução da sentença na
ção e de comparecimento de seus representantes. forma dos artigos 732, 733 e 735 do Código de Processo
Art. 7° O não comparecimento do autor determina o arqui- Civil. (Redação dada pela Lei n° 6.014, de 27.12.1973).
vamento do pedido, e a ausência do réu importa em revelia, Art. 19. O juiz, para instrução da causa ou na execução da
além de confissão quanto à matéria de fato. sentença ou do acordo, poderá tomar todas as providências
Art. 8° Autor e réu comparecerão à audiência acompanha- necessárias para seu esclarecimento ou para o cumprimen-
dos de suas testemunhas, 3 (três no máximo, apresentando, to do julgado ou do acordo, inclusive a decretação de prisão
nessa ocasião, as demais provas. do devedor até 60 (sessenta) dias.
Art. 9° Aberta a audiência, lida a petição ou o termo, e a § 1° O cumprimento integral da pena de prisão não eximirá
resposta, se houver, ou dispensada a leitura, o juiz ouvirá as o devedor do pagamento das prestações alimentícias, vin-
partes litigantes e o representante do Ministério Público, cendas ou vencidas e não pagas. (Redação dada pela Lei
propondo conciliação. (Redação dada pela Lei n° 6.014, de n° 6.014, de 27.12.1973).
27.12.1973). § 2° Da decisão que decretar a prisão do devedor, caberá
§ 1° Se houver acordo, lavrar-se-á o respectivo termo, que agravo de instrumento. (Redação dada pela Lei n° 6.014, de
será assinado pelo juiz, escrivão, partes e representantes 27.12.1973).
do Ministério Público. § 3° A interposição do agravo não suspende a execução da
§ 2° Não havendo acordo, o juiz tomará o depoimento pes- ordem de prisão. (Redação dada pela Lei n° 6.014, de
soal das partes e das testemunhas, ouvidos os peritos se 27.12.1973).
houver, podendo julgar o feito sem a mencionada produção Art. 20. As repartições públicas, civis ou militares, inclusive
de provas, se as partes concordarem. do Imposto de Renda, darão todas as informações necessá-
Art. 10. A audiência de julgamento será contínua; mas, se rias à instrução dos processos previstos nesta lei e à execu-
não for possível, por motivo de força maior, concluí-la no ção do que for decidido ou acordado em juízo.
mesmo dia, o juiz marcará a sua continuação para o primei- Art. 21. O art. 244 do Código Penal passa a vigorar com a
ro dia desimpedido, independentemente de novas intima- seguinte redação: (redação já processada).
ções. Art. 22. Constitui crime contra a administração da Justiça
Art. 11. Terminada a instrução, poderão as partes e o Minis- deixar o empregador ou funcionário público de prestar ao
tério Público aduzir alegações finais, em prazo não exce- juízo competente as informações necessárias à instrução de
dente de 10 (dez) minutos para cada um. processo ou execução de sentença ou acordo que fixe pen-
Parágrafo único. Em seguida, o juiz renovará a proposta são alimentícia:
de conciliação e, não sendo aceita, ditará sua sentença, que Pena - Detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, sem preju-
conterá sucinto relatório do ocorrido na audiência. ízo da pena acessória de suspensão do emprego de 30
Art. 12. Da sentença serão as partes intimadas, pessoal- (trinta) a 90 (noventa) dias.
mente ou através de seus representantes, na própria audi- Parágrafo único. Nas mesmas penas incide quem, de
ência, ainda quando ausentes, desde que intimadas de sua qualquer modo, ajuda o devedor a eximir-se ao pagamento
realização. de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou
Art. 13. O disposto nesta lei aplica-se igualmente, no que majorada, ou se recusa, ou procrastina a executar ordem de
couber, às ações ordinárias de desquite, nulidade e anula- descontos em folhas de pagamento, expedida pelo juiz
ção de casamento, à revisão de sentenças proferidas em competente.
pedidos de alimentos e respectivas execuções. Art. 23. A prescrição qüinqüenal referida no art. 178, § 10,
§ 1° Os alimentos provisórios fixados na inicial poderão ser inciso I, do Código Civil só alcança as prestações mensais e
revistos a qualquer tempo, se houver modificação na situa- não o direito a alimentos, que, embora irrenunciável, pode

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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ser provisoriamente dispensado. (Refere-se ao Código Civil III - o do item IV, nos ofícios privativos, ou nos Cartórios de
de 1916 - veja, art. 206, parágrafo 2º Do Código Civil de Registro de Imóveis.
2002). CAPÍTULO II DA ESCRITURAÇÃO
Art. 24. A parte responsável pelo sustento da família, e que Art. 3° A escrituração será feita em livros encadernados,
deixar a residência comum por motivo, que não necessitará que obedecerão aos modelos anexos a esta Lei, sujeitos à
declarar, poderá tomar a iniciativa de comunicar ao juízo os correição da autoridade judiciária competente.
rendimentos de que dispõe e de pedir a citação do credor, § 1° Os livros podem ter 0,22 m até 0,40 m de largura e de
para comparecer à audiência de conciliação e julgamento 0,33 m até 0,55 m de altura, cabendo ao oficial a escolha,
destinada à fixação dos alimento a que está obrigado. dentro dessas dimensões, de acordo com a conveniência do
Art. 25. A prestação não pecuniária estabelecida no art. 403 serviço.
do Código Civil, só pode ser autorizada pelo juiz se a ela § 2° Para facilidade do serviço podem os livros ser escritu-
anuir o alimentado capaz. (refere-se ao Código Civil de rados mecanicamente, em folhas soltas, obedecidos os
1916 - Veja o art. 1701 do Código Civil de 2002). modelos aprovados pela autoridade judiciária competente.
Art. 26. É competente para as ações de alimentos decorren- Art. 4° Os livros de escrituração serão abertos, numerados,
tes da aplicação do Decreto Legislativo n° 10 de 13 de no- autenticados e encerrados pelo oficial do registro, podendo
vembro de 1958, e Decreto nº 56.826, de 2 de setembro de ser utilizado, para tal fim, processo mecânico de autentica-
1965, o juízo federal da capital da Unidade Federativa Brasi- ção previamente aprovado pela autoridade judiciária compe-
leira em que reside o devedor, sendo considerada institui- tente.
ção intermediária, para os fins dos referidos decretos, a
Parágrafo único. Os livros notariais, nos modelos existen-
Procuradoria-Geral da República.
tes, em folhas fixas ou soltas, serão também abertos, nume-
Parágrafo único. Nos termos do inciso III, art. 2°, da Con- rados, autenticados e encerrados pelo tabelião, que deter-
venção Internacional sobre Ações de Alimentos, o Governo minará a respectiva quantidade a ser utilizada, de acordo
Brasileiro comunicará, sem demora, ao Secretário Geral das com a necessidade do serviço. (Incluído pela Lei n° 9.955,
Nações Unidas, o disposto neste artigo. de 6.1.2000).
Art. 27. Aplicam-se supletivamente nos processos regula- Art. 5° Considerando a quantidade dos registros o Juiz po-
dos por esta lei as disposições do Código de Processo Civil. derá autorizar a diminuição do número de páginas dos livros
Art. 28. Esta lei entrará em vigor 30 (trinta) dias depois de respectivos, até a terça parte do consignado nesta Lei.
sua publicação. Art. 6° Findando-se um livro, o imediato tomará o número
Art. 29. Revogam-se as disposições em contrário. seguinte, acrescido à respectiva letra, salvo no registro de
Brasília, 25 de julho de 1968; 147° da Independência e 80° imóveis, em que o número será conservado, com a adição
da República. sucessiva de letras, na ordem alfabética simples, e, depois,
A. COSTA E SILVA repetidas em combinação com a primeira, com a segunda, e
assim indefinidamente. (Exemplos: 2-A a 2-Z; 2-AA a 2-AZ;
LEI N° 6.015, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1973 2-BA a 2-BZ, etc).
Art. 7° Os números de ordem dos registros não serão inter-
Dispõe sobre os registros públicos, e dá outras provi- rompidos no fim de cada livro, mas continuarão, indefinida-
dências. mente, nos seguintes da mesma espécie.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Con- CAPÍTULO III DA ORDEM DO SERVIÇO
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 8° O serviço começará e terminará às mesmas horas
em todos os dias úteis.
Parágrafo único. O Registro Civil de Pessoas Naturais
TÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
funcionará todos os dias, sem exceção.
CAPÍTULO I DAS ATRIBUIÇÕES Art. 9° Será nulo o registro lavrado fora das horas regula-
Art. 1° Os serviços concernentes aos Registros Públicos, mentares ou em dias em que não houver expediente, sendo
estabelecidos pela legislação civil para autenticidade, segu- civil e criminalmente responsável o oficial que der causa à
rança e eficácia dos atos jurídicos, ficam sujeitos ao regime nulidade.
estabelecido nesta Lei. Art. 10. Todos os títulos, apresentados no horário regula-
§ 1° Os Registros referidos neste artigo são os seguintes: mentar e que não forem registrados até a hora do encerra-
I - o registro civil de pessoas naturais; mento do serviço, aguardarão o dia seguinte, no qual serão
II - o registro civil de pessoas jurídicas; registrados, preferencialmente, aos apresentados nesse dia.
III - o registro de títulos e documentos; Parágrafo único. O registro civil de pessoas naturais não
IV - o registro de imóveis; poderá, entretanto, ser adiado.
§ 2° Os demais registros reger-se-ão por leis próprias. Art. 11. Os oficiais adotarão o melhor regime interno de
Art. 2° Os registros indicados no § 1° do artigo anterior fi- modo a assegurar às partes a ordem de precedência na
cam a cargo de serventuários privativos nomeados de acor- apresentação dos seus títulos, estabelecendo-se, sempre, o
do com o estabelecido na Lei de Organização Administrativa número de ordem geral.
e Judiciária do Distrito Federal e dos Territórios e nas Reso- Art. 12. Nenhuma exigência fiscal, ou dúvida, obstará a
luções sobre a Divisão e Organização Judiciária dos Esta- apresentação de um título e o seu lançamento do Protocolo
dos, e serão feitos: com o respectivo número de ordem, nos casos em que da
I - o do item I, nos ofícios privativos, ou nos Cartórios de precedência decorra prioridade de direitos para o apresen-
Registro de Nascimentos, Casamentos e Óbitos; tante.
II - os dos itens II e III, nos ofícios privativos, ou nos Cartó-
rios de Registro de Títulos e Documentos;

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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Parágrafo único. Independem de apontamento no Protoco- sua reprodução por fotocópia, ou outro processo equivalen-
lo os títulos apresentados apenas para exame e cálculo dos te.
respectivos emolumentos. Art. 20. No caso de recusa ou retardamento na expedição
Art. 13. Salvo as anotações e as averbações obrigatórias, da certidão, o interessado poderá reclamar à autoridade
os atos do registro serão praticados: competente, que aplicará, se for o caso, a pena disciplinar
I - por ordem judicial; cabível.
II - a requerimento verbal ou escrito dos interessados; Parágrafo único. Para a verificação do retardamento, o
III - a requerimento do Ministério Público, quando a lei auto- oficial, logo que receber alguma petição, fornecerá à parte
rizar. uma nota de entrega devidamente autenticada.
§ 1° O reconhecimento de firma nas comunicações ao regis- Art. 21. Sempre que houver qualquer alteração posterior ao
tro civil pode ser exigido pelo respectivo oficial. ato cuja certidão é pedida, deve o oficial mencioná-la, obri-
§ 2° A emancipação concedida por sentença judicial será gatoriamente, não obstante as especificações do pedido,
anotada às expensas do interessado. sob pena de responsabilidade civil e penal, ressalvado o
Art. 14. Pelos atos que praticarem, em decorrência desta disposto nos artigos 45 e 95.
Lei, os Oficiais do Registro terão direito, a título de remune- Parágrafo único. A alteração a que se refere este artigo
ração, aos emolumentos fixados nos Regimentos de Custas deverá ser anotada na própria certidão, contendo a inscri-
do Distrito Federal, dos Estados e dos Territórios, os quais ção de que “a presente certidão envolve elementos de aver-
serão pagos, pelo interessado que os requerer, no ato de bação à margem do termo”.
requerimento ou no da apresentação do título. (Redação CAPÍTULO V DA CONSERVAÇÃO
dada pela Lei n° 6.216, de 30.6.1975). Art. 22. Os livros de registro, bem como as fichas que os
Parágrafo único. O valor correspondente às custas de substituam, somente sairão do respectivo cartório mediante
escrituras, certidões, buscas, averbações, registros de qual- autorização judicial.
quer natureza, emolumentos e despesas legais constará, Art. 23. Todas as diligências judiciais e extrajudiciais que
obrigatoriamente, do próprio documento, independentemen- exigirem a apresentação de qualquer livro, ficha substitutiva
te da expedição do recibo, quando solicitado. (Incluído pela de livro ou documento, efetuar-se-ão no próprio cartório.
Lei n° 6.724, de 19.11.1979). Art. 24. Os oficiais devem manter em segurança, perma-
Art. 15. Quando o interessado no registro for o oficial encar- nentemente, os livros e documentos e respondem pela sua
regado de fazê-lo ou algum parente seu, em grau que de- ordem e conservação.
termine impedimento, o ato incumbe ao substituto legal do Art. 25. Os papéis referentes ao serviço do registro serão
oficial. arquivados em cartório mediante a utilização de processos
CAPÍTULO IV DA PUBLICIDADE racionais que facilitem as buscas, facultada a utilização de
Art. 16. Os oficiais e os encarregados das repartições em microfilmagem e de outros meios de reprodução autorizados
que se façam os registros são obrigados: em lei.
1°) a lavrar certidão do que lhes for requerido; Art. 26. Os livros e papéis pertencentes ao arquivo do cartó-
2°) a fornecer às partes as informações solicitadas. rio ali permanecerão indefinidamente.
Art. 17. Qualquer pessoa pode requerer certidão do registro Art. 27. Quando a lei criar novo cartório, e enquanto este
sem informar ao oficial ou ao funcionário o motivo ou inte- não for instalado, os registros continuarão a ser feitos no
resse do pedido. cartório que sofreu o desmembramento, não sendo neces-
Art. 18. Ressalvado o disposto nos artigos 45 e 57, parágra- sário repeti-los no novo ofício.
fo 7° e 95, parágrafo único, a certidão será lavrada inde- Parágrafo único. O arquivo do antigo cartório continuará a
pendentemente de despacho judicial, devendo mencionar o pertencer-lhe.
livro do registro ou o documento arquivado no cartório. CAPÍTULO VI DA RESPONSABILIDADE
Art. 19. A certidão será lavrada em inteiro teor, em resumo, Art. 28. Além dos casos expressamente consignados, os
ou em relatório conforme quesitos e devidamente autentica- oficiais são civilmente responsáveis por todos os prejuízos
da pelo oficial ou seus substitutos legais, não podendo ser que, pessoalmente, ou pelos prepostos ou substitutos que
retardada por mais de cinco dias. indicarem, causarem, por culpa ou dolo, aos interessados
§ 1° A certidão, de inteiro teor, poderá ser extraída por meio no registro.
datilográfico ou reprográfico. Parágrafo único. A responsabilidade civil independe da
§ 2° As certidões do Registro Civil das Pessoas Naturais criminal pelos delitos que cometerem.
mencionarão, sempre, a data em que foi lavrado o assento TÍTULO II DO REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATU-
e serão manuscritas ou datilografadas e, no caso de adoção RAIS
de papéis impressos, os claros serão preenchidos também CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS
em manuscrito ou datilografados.
Art. 29. Serão registrados no Registro Civil de Pessoas
§ 3° Nas certidões de registro civil, não se mencionará a
Naturais:
circunstância de ser legítima, ou não, a filiação, salvo a
requerimento do próprio interessado, ou em virtude de de- I - os nascimentos;
terminação judicial. II - os casamentos;
§ 4° As certidões de nascimento mencionarão, além da data III - os óbitos;
em que foi feito o assento, a data, por extenso, do nasci- IV - as emancipações;
mento e, ainda, expressamente o lugar onde o fato houver V - as interdições;
ocorrido. VI - as sentenças declaratórias de ausência;
§ 5° As certidões extraídas dos registros públicos deverão VII - as opções de nacionalidade;
ser fornecidas em papel e mediante escrita que permitam a VIII - as sentenças que deferirem a legitimação adotiva.

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§ 1° Serão averbados: § 2° O filho de brasileiro ou brasileira, nascido no estrangei-
a) as sentenças que decidirem a nulidade ou anulação do ro, e cujos pais não estejam ali a serviço do Brasil, desde
casamento, o desquite e o restabelecimento da sociedade que registrado em consulado brasileiro ou não registrado,
conjugal; venha a residir no território nacional antes de atingir a maio-
b) as sentenças que julgarem ilegítimos os filhos concebidos ridade, poderá requerer, no juízo de seu domicílio, se regis-
na constância do casamento e as que declararem a filiação tre, no livro “E” do 1° Ofício do Registro Civil, o termo de
legítima; nascimento.
c) os casamentos de que resultar a legitimação de filhos § 3° Do termo e das respectivas certidões do nascimento
havidos ou concebidos anteriormente; registrado na forma do parágrafo antecedente constará que
d) os atos judiciais ou extrajudiciais de reconhecimento de só valerão como prova de nacionalidade brasileira, até qua-
filhos ilegítimos; tro anos depois de atingida a maioridade.
e) as escrituras de adoção e os atos que a dissolverem; § 4° Dentro do prazo de quatro anos, depois de atingida a
f) as alterações ou abreviaturas de nomes. maioridade pelo interessado referido no § 2° deverá ele
manifestar a sua opção pela nacionalidade brasileira peran-
§ 2° É competente para a inscrição da opção de nacionali-
te o juízo federal. Deferido o pedido, proceder-se-á ao regis-
dade o cartório da residência do optante, ou de seus pais.
tro no livro “E” do Cartório do 1° Ofício do domicílio do op-
Se forem residentes no estrangeiro, far-se-á o registro no
tante.
Distrito Federal.
§ 5° Não se verificando a hipótese prevista no parágrafo
Art. 30. Não serão cobrados emolumentos pelo registro civil
anterior, o oficial cancelará, de ofício, o registro provisório
de nascimento e pelo assento de óbito, bem como pela
efetuado na forma do § 2°.
primeira certidão respectiva. (Redação dada pela Lei n°
9.534, de 10.12.1997). CAPÍTULO II DA ESCRITURAÇÃO E ORDEM DE SERVIÇO
§ 1° Os reconhecidamente pobres estão isentos de paga- Art. 33. Haverá, em cada cartório, os seguintes livros, todos
mento de emolumentos pelas demais certidões extraídas com 300 (trezentas) folhas cada um:
pelo cartório de registro civil. (Incluído pela Lei n° 9.534, de I - “A” - de registro de nascimento;
10.12.1997). II - “B” - de registro de casamento;
§ 2° O estado de pobreza será comprovado por declaração III - “B Auxiliar” - de registro de casamento religioso para
do próprio interessado ou a rogo, tratando-se de analfabeto, efeitos civis;
neste caso acompanhada da assinatura de duas testemu- IV - “C” - de registro de óbitos;
nhas. (Incluído pela Lei n° 9.534, de 10.12.1997). V - “C Auxiliar”- de registro de natimortos;
§ 3° A falsidade da declaração ensejará a responsabilidade VI - “D” - de registro de proclama.
civil e criminal do interessado. (Incluído pela Lei n° 9.534, Parágrafo único. No Cartório do 1° Ofício ou da 1ª subdivi-
de 10.12.1997). são judiciária, em cada comarca, haverá outro livro para
§ 3°-A Comprovado o descum-primento, pelos oficiais de inscrição dos demais atos relativos ao estado civil, designa-
Cartórios de Registro Civil, do disposto no caput deste arti- do sob a letra “E”, com cento e cinqüenta folhas, podendo o
go, aplicar-se-ão as penalidades previstas nos arts. 32 e 33 Juiz competente, nas comarcas de grande movimento, auto-
da Lei n° 8.935, de 18 de novembro de 1994. (parágrafo rizar o seu desdobramento pela natureza dos atos que nele
acrescido pela Lei n° 9.812, de 10.8.1999). devam ser registrados, em livros especiais.
§ 3°-B Esgotadas as penalidades a que se refere o parágra- Art. 34. O oficial juntará, a cada um dos livros, índice alfabé-
fo anterior e verificando-se novo descumprimento, aplicar- tico dos assentos lavrados pelos nomes das pessoas a
se-á o disposto no art. 39 da Lei n° 8.935, de 18 de novem- quem se referirem.
bro de 1994. (parágrafo acrescido pela Lei n° 9.812, de Parágrafo único. O índice alfabético poderá, a critério do
10.8.1999). oficial, ser organizado pelo sistema de fichas, desde que
Art. 31. Os fatos concernentes ao registro civil, que se preencham estas os requisitos de segurança, comodidade e
derem a bordo dos navios de guerra e mercantes, em via- pronta busca.
gem, e no exército, em campanha, serão imediatamente Art. 35. A escrituração será feita seguidamente, em ordem
registrados e comunicados em tempo oportuno, por cópia cronológica de declarações, sem abreviaturas, nem alga-
autêntica, aos respectivos Ministérios, a fim de que, através rismos; no fim de cada assento e antes da subscrição e das
do Ministério da Justiça, sejam ordenados os assentamen- assinaturas, serão ressalvadas as emendas, entrelinhas ou
tos, notas ou averbações nos livros competentes das cir- outras circunstâncias que puderem ocasionar dúvidas. Entre
cunscrições a que se referirem. um assento e outro, será traçada uma linha de intervalo,
Art. 32. Os assentos de nascimento, óbito e de casamento tendo cada um o seu número de ordem.
de brasileiros em país estrangeiro serão considerados au- Art. 36. Os livros de registro serão divididos em três partes,
tênticos, nos termos da lei do lugar em que forem feitos, sendo na da esquerda lançado o número de ordem e na
legalizadas as certidões pelos cônsules ou, quando por central o assento, ficando na da direita espaço para as no-
estes tomados, nos termos do regulamento consular. tas, averbações e retificações.
§ 1° Os assentos de que trata este artigo serão, porém, Art. 37. As partes, ou seus procuradores, bem como as
trasladados nos cartórios de 1° Ofício do domicílio do regis- testemunhas, assinarão os assentos, inserindo-se neles as
trado ou no 1° Ofício do Distrito Federal, em falta de domicí- declarações feitas de acordo com a lei ou ordenadas por
lio conhecido, quando tiverem de produzir efeito no País, ou, sentença. As procurações serão arquivadas, declarando-se
antes, por meio de segunda via que os cônsules serão obri- no termo a data, o livro, a folha e o ofício em que foram
gados a remeter por intermédio do Ministério das Relações lavradas, quando constarem de instrumento público.
Exteriores. § 1° Se os declarantes, ou as testemunhas não puderem,
por qualquer circunstâncias assinar, far-se-á declaração no

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assento, assinando a rogo outra pessoa e tomando-se a queixar-se à autoridade judiciária, a qual, ouvindo o acusa-
impressão dactiloscópica da que não assinar, à margem do do, decidirá dentro de cinco dias.
assento. § 1° Se for injusta a recusa ou injustificada a demora, o Juiz
§ 2° As custas com o arquivamento das procurações ficarão que tomar conhecimento do fato poderá impor ao oficial
a cargo dos interessados. multa de um a dez salários mínimos da região, ordenando
Art. 38. Antes da assinatura dos assentos, serão estes lidos que, no prazo improrrogável de vinte e quatro horas, seja
às partes e às testemunhas, do que se fará menção. feito o registro, a averbação, a anotação ou fornecida certi-
Art. 39. Tendo havido omissão ou erro de modo que seja dão, sob pena de prisão de cinco a vinte dias.
necessário fazer adição ou emenda, estas serão feitas an- § 2° Os pedidos de certidão feitos por via postal, telegráfica
tes da assinatura ou ainda em seguida, mas antes de outro ou bancária serão obrigatoriamente atendidos pelo oficial do
assento, sendo a ressalva novamente por todos assinada. registro civil, satisfeitos os emolumentos devidos, sob as
Art. 40. Fora da retificação feita no ato, qualquer outra só penas previstas no parágrafo anterior.
poderá ser efetuada em cumprimento de sentença, nos Art. 48. Os Juízes farão correição e fiscalização nos livros
termos dos artigos 109 a 112. de registro, conforme as normas da organização Judiciária.
Art. 41. Reputam-se inexistentes e sem efeitos jurídicos Art. 49. Os oficiais do registro civil remeterão à Fundação
quaisquer emendas ou alterações posteriores, não ressal- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, dentro dos
vadas ou não lançadas na forma indicada nos artigos 39 e primeiros oito dias dos meses de janeiro, abril, julho e outu-
40. bro de cada ano, um mapa dos nascimentos, casamentos e
Art. 42. A testemunha para os assentos de registro deve óbitos ocorridos no trimestre anterior. (Redação dada pela
satisfazer às condições exigidas pela lei civil, sendo admiti- Lei n° 6.140, de 28.11.1974).
do o parente, em qualquer grau, do registrando. § 1° A Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatís-
Parágrafo único. Quando a testemunha não for conhecida tica fornecerá mapas para a execução do disposto neste
do oficial do registro, deverá apresentar documento hábil da artigo, podendo requisitar aos oficiais do registro que façam
sua identidade, do qual se fará, no assento, expressa men- as correções que forem necessárias.
ção. § 2° Os oficiais que, no prazo legal, não remeterem os ma-
Art. 43. Os livros de proclamas serão escriturados cronolo- pas, incorrerão na multa de um a cinco salários mínimos da
gicamente com o resumo do que constar dos editais expe- região, que será cobrada como dívida ativa da União, sem
didos pelo próprio cartório ou recebidos de outros, todos prejuízo da ação penal que no caso couber. (Redação dada
assinados pelo oficial. pela Lei n° 6.140, de 28.11.1974).
Parágrafo único. As despesas de publicação do edital se- CAPÍTULO IV DO NASCIMENTO
rão pagas pelo interessado. Art. 50. Todo nascimento que ocorrer no território nacional
Art. 44. O registro do edital de casamento conterá todas as deverá ser dado a registro, no lugar em que tiver ocorrido o
indicações quanto à época de publicação e aos documentos parto ou no lugar da residência dos pais, dentro do prazo de
apresentados, abrangendo também o edital remetido por quinze dias, que será ampliado em até três meses para os
outro oficial processante. lugares distantes mais de trinta quilômetros da sede do
Art. 45. A certidão relativa ao nascimento de filho legitimado cartório. (Redação dada pela Lei n° 9.053, 25.5.1995).
por subseqüente matrimônio deverá ser fornecida sem o § 1° Quando for diverso o lugar da residência dos pais, ob-
teor da declaração ou averbação a esse respeito, como se servar-se-á ordem contida nos itens 1° e 2° do art. 52. (In-
fosse legítimo; na certidão de casamento também será omi- cluído pela Lei n° 9.053, 25.5.1995).
tida a referência àquele filho, salvo havendo em qualquer § 2° Os índios, enquanto não integrados, não estão obriga-
dos casos, determinação judicial, deferida em favor de dos a inscrição do nascimento. Este poderá ser feito em
quem demonstre legítimo interesse em obtê-la. livro próprio do órgão federal de assistência aos índios.
CAPÍTULO III DAS PENALIDADES (Renumerado pela Lei n° 9.053, 25.5.1995).
Art. 46. As declarações de nascimento feitas após o decur- § 3° Os menores de vinte e um (21) anos e maiores de de-
so do prazo legal somente serão registradas mediante des- zoito (18) anos poderão, pessoalmente e isentos de multa,
pacho do juiz competente do lugar da residência do interes- requerer o registro de seu nascimento. (Renumerado pela
sado. (Redação dada pela Lei n° 10.215, de 6.4.2001). Lei n° 9.053, 25.5.1995).
§ 1° Será dispensado o despacho do Juiz, se o registrando § 4° É facultado aos nascidos anteriormente à obrigatorie-
tiver menos de doze anos de idade. dade do registro civil requerer, isentos de multa, a inscrição
§ 2° (Revogado pela Lei n° 10.215, de 6.4.2001). de seu nascimento. (Renumerado pela Lei n° 9.053,
§ 3° O Juiz somente deverá exigir justificação ou outra pro- 25.5.1995).
va suficiente se suspeitar da falsidade da declaração. § 5° Aos brasileiros nascidos no estrangeiro aplicar-se-á o
§ 4° Os assentos de que trata este artigo serão lavrados no disposto neste artigo, ressalvadas as prescrições legais
cartório do lugar da residência do interessado. No mesmo relativas aos consulados. (Renumerado pela Lei n° 9.053,
cartório serão arquivadas as petições com os despachos 25.5.1995).
que mandarem lavrá-los. Art. 51. Os nascimentos ocorridos a bordo, quando não
§ 5° Se o Juiz não fixar prazo menor, o oficial deverá lavrar registrados nos termos do artigo 64, deverão ser declarados
o assento dentro em cinco dias, sob pena de pagar multa dentro de cinco dias, a contar da chegada do navio ou aero-
correspondente a um salário mínimo da região. nave ao local do destino, no respectivo cartório ou consula-
do.
Art. 47. Se o oficial do registro civil recusar fazer ou retardar
qualquer registro, averbação ou anotação, bem como o Art. 52. São obrigados a fazer declaração de nascimento:
fornecimento de certidão, as partes prejudicadas poderão 1. o pai;

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2. em falta ou impedimento do pai, a mãe, sendo neste caso Art. 56. O interessado, no primeiro ano após ter atingido a
o prazo para declaração prorrogado por quarenta e cinco maioridade civil, poderá, pessoalmente ou por procurador
dias; bastante, alterar o nome, desde que não prejudique os ape-
3. no impedimento de ambos, o parente mais próximo, sen- lidos de família, averbando-se a alteração que será publica-
do maior achando-se presente; da pela imprensa.
4. em falta ou impedimento do parente referido no número Art. 57. Qualquer alteração posterior de nome, somente por
anterior os administradores de hospitais ou os médicos e exceção e motivadamente, após audiência do Ministério
parteiras, que tiverem assistido o parto; Público, será permitida por sentença do Juiz a que estiver
5. pessoa idônea da casa em que ocorrer, sendo fora da sujeito o registro, arquivando-se o mandado e publicando-se
residência da mãe; a alteração pela imprensa.
6. finalmente, as pessoas (VETADO). encarregadas da § 1° Poderá, também, ser averbado, nos mesmos termos, o
guarda do menor. nome abreviado, usado como firma comercial registrada ou
§ 1° Quando o oficial tiver motivo para duvidar da declara- em qualquer atividade profissional.
ção, poderá ir à casa do recém-nascido verificar a sua exis- § 2° A mulher solteira, desquitada ou viúva, que viva com
tência, ou exigir a atestação do médico ou parteira que tiver homem solteiro, desquitado ou viúvo, excepcionalmente e
assistido o parto, ou o testemunho de duas pessoas que havendo motivo ponderável, poderá requerer ao juiz compe-
não forem os pais e tiverem visto o recém-nascido. tente que, no registro de nascimento, seja averbado o pa-
§ 2° Tratando-se de registro fora do prazo legal o oficial, em tronímico de seu companheiro, sem prejuízo dos apelidos
caso de dúvida, poderá requerer ao Juiz as providências próprios, de família, desde que haja impedimento legal para
que forem cabíveis para esclarecimento do fato. o casamento, decorrente do estado civil de qualquer das
Art. 53. No caso de ter a criança nascido morta ou no de ter partes ou de ambas.
morrido na ocasião do parto, será, não obstante, feito o § 3° O Juiz competente somente processará o pedido, se
assento com os elementos que couberem e com remissão tiver expressa concordância do companheiro, e se da vida
ao do óbito. em comum houverem decorrido, no mínimo, cinco anos ou
§ 1° No caso de ter a criança nascido morta, será o registro existirem filhos da união.
feito no livro “C Auxiliar”, com os elementos que couberem. § 4° O pedido de averbação só terá curso, quando desqui-
§ 2° No caso de a criança morrer na ocasião do parto, ten- tado o companheiro, se a ex-esposa houver sido condenada
do, entretanto, respirado, serão feitos os dois assentos, o de ou tiver renunciado ao uso dos apelidos do marido, ainda
nascimento e o de óbito, com os elementos cabíveis e com que dele receba pensão alimentícia.
remissões recíprocas. § 5° O aditamento regulado nesta Lei será cancelado a
Art. 54. O assento do nascimento deverá conter: requerimento de uma das partes, ouvida a outra.
1. o dia, mês, ano e lugar do nascimento e a hora certa, § 6° Tanto o aditamento quanto o cancelamento da averba-
sendo possível determiná-la, ou aproximada; ção previstos neste artigo serão processados em segredo
de justiça.
2. o sexo do registrando;
§ 7° Quando a alteração de nome for concedida em razão
3. o fato de ser gêmeo, quando assim tiver acontecido;
de fundada coação ou ameaça decorrente de colaboração
4. o nome e o prenome, que forem postos à criança; com a apuração de crime, o juiz competente determinará
5. a declaração de que nasceu morta, ou morreu no ato ou que haja a averbação no registro de origem de menção da
logo depois do parto; existência de sentença concessiva da alteração, sem a
6. a ordem de filiação de outros irmãos do mesmo prenome averbação do nome alterado, que somente poderá ser pro-
que existirem ou tiverem existido; cedida mediante determinação posterior, que levará em
7. os nomes e prenomes, a naturalidade, a profissão dos consideração a cessação da coação ou ameaça que deu
pais, o lugar e cartório onde se casaram, a idade da genito- causa à alteração. (parágrafo 7° acrescido pela Lei n°
ra, do registrando em anos completos, na ocasião do parto, 9.807, de 13.7.1999).
e o domicílio ou a residência do casal; (Redação dada pela Art. 58. O prenome será definitivo, admitindo-se, todavia, a
Lei n° 6.140, 28.11.1974). sua substituição por apelidos públicos notórios. (Redação
8. os nomes e prenomes dos avós paternos e maternos; dada pela Lei n° 9.708, de 18.11.1998).
9. os nomes e prenomes, a profissão e a residência das Parágrafo único. A substituição do prenome será ainda
duas testemunhas do assento, quando se tratar de parto admitida em razão de fundada coação ou ameaça decorren-
ocorrido sem assistência médica em residência ou fora de te da colaboração com a apuração de crime, por determina-
unidade hospitalar ou casa de saúde. (Item com redação ção, em sentença, de juiz competente, ouvido o Ministério
dada pela Lei n° 9.997, de 17.8.2000). Público. (Redação dada pela Lei n° 9.807, de 13.7.1999,
Art. 55. Quando o declarante não indicar o nome completo, DOU de 14.7.1999).
o oficial lançará adiante do prenome escolhido o nome do Art. 59. Quando se tratar de filho ilegítimo, não será decla-
pai, e na falta, o da mãe, se forem conhecidos e não o im- rado o nome do pai sem que este expressamente o autorize
pedir a condição de ilegitimidade, salvo reconhecimento no e compareça, por si ou por procurador especial, para, reco-
ato. nhecendo-o, assinar, ou não sabendo ou não podendo,
Parágrafo único. Os oficiais do registro civil não registrarão mandar assinar a seu rogo o respectivo assento com duas
prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portado- testemunhas.
res. Quando os pais não se conformarem com a recusa do Art. 60. O registro conterá o nome do pai ou da mãe, ainda
oficial, este submeterá por escrito o caso, independente da que ilegítimos, quando qualquer deles for o declarante.
cobrança de quaisquer emolumentos, à decisão do Juiz Art. 61. Tratando-se de exposto, o registro será feito de
competente. acordo com as declarações que os estabelecimentos de
caridade, as autoridades ou os particulares comunicarem ao

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oficial competente, nos prazos mencionados no artigo 51, a CAPÍTULO V DA HABILITAÇÃO PARA O CASAMENTO
partir do achado ou entrega, sob a pena do artigo 46, apre- Art. 67. Na habilitação para o casamento, os interessados,
sentando ao oficial, salvo motivo de força maior comprova- apresentando os documentos exigidos pela lei civil, requere-
da, o exposto e os objetos a que se refere o parágrafo único rão ao oficial do registro do distrito de residência de um dos
deste artigo. nubentes, que lhes expeça certidão de que se acham habili-
Parágrafo único. Declarar-se-á o dia, mês e ano, lugar em tados para se casarem.
que foi exposto, a hora em que foi encontrado e a sua idade § 1° Autuada a petição com os documentos, o oficial man-
aparente. Nesse caso, o envoltório, roupas e quaisquer dará afixar proclamas de casamento em lugar ostensivo de
outros objetos e sinais que trouxer a criança e que possam seu cartório e fará publicá-los na imprensa local, se houver;
a todo o tempo fazê-la reconhecer, serão numerados, alis- em seguida, abrirá vista dos autos ao órgão do Ministério
tados e fechados em caixa lacrada e selada, com o seguinte Público, para manifestar-se sobre o pedido e requerer o que
rótulo: “Pertence ao exposto tal, assento de fls..... do li- for necessário à sua regularidade, podendo exigir a apre-
vro.....” e remetidos imediatamente, com uma guia em dupli- sentação de atestado de residência, firmado por autoridade
cata, ao Juiz, para serem recolhidos a lugar seguro. Rece- policial, ou qualquer outro elemento de convicção admitido
bida e arquivada a duplicata com o competente recibo do em direito.
depósito, far-se-á à margem do assento a correspondente § 2° Se o órgão do Ministério Público impugnar o pedido ou
anotação. a documentação, os autos serão encaminhados ao Juiz,
Art. 62. O registro do nascimento do menor abandonado, que decidirá sem recurso.
sob jurisdição do Juiz de Menores, poderá fazer-se por ini- § 3° Decorrido o prazo de quinze dias a contar da afixação
ciativa deste, à vista dos elementos de que dispuser e com do edital em cartório, se não aparecer quem oponha impe-
observância, no que for aplicável, do que preceitua o artigo dimento nem constar algum dos que de ofício deva declarar,
anterior. ou se tiver sido rejeitada a impugnação do órgão do Ministé-
Art. 63. No caso de gêmeos, será declarada no assento rio Público, o oficial do registro certificará a circunstância
especial de cada um a ordem de nascimento. Os gêmeos nos autos e entregará aos nubentes certidão de que estão
que tiverem o prenome igual deverão ser inscritos com du- habilitados para se casar dentro do prazo previsto em lei.
plo prenome ou nome completo diverso, de modo que pos- § 4° Se os nubentes residirem em diferentes distritos do
sam distinguir-se. Registro Civil, em um e em outro se publicará e se registrará
Parágrafo único. Também serão obrigados a duplo preno- o edital.
me, ou a nome completo diverso, os irmãos a que se pre- § 5° Se houver apresentação de impedimento, o oficial dará
tender dar o mesmo prenome. ciência do fato aos nubentes, para que indiquem em três
Art. 64. Os assentos de nascimento em navio brasileiro dias prova que pretendam produzir, e remeterá os autos a
mercante ou de guerra serão lavrados, logo que o fato se juízo; produzidas as provas pelo oponente e pelos nuben-
verificar, pelo modo estabelecido na legislação de marinha, tes, no prazo de dez dias, com ciência do Ministério Público,
devendo, porém, observar-se as disposições da presente e ouvidos os interessados e o órgão do Ministério Público
Lei. em cinco dias, decidirá o Juiz em igual prazo.
Art. 65. No primeiro porto a que se chegar, o comandante § 6° Quando o casamento se der em circunscrição diferente
depositará imediatamente, na capitania do porto, ou em sua daquela da habilitação, o oficial do registro comunicará ao
falta, na estação fiscal, ou ainda, no consulado, em se tra- da habilitação esse fato, com os elementos necessários às
tando de porto estrangeiro, duas cópias autenticadas dos anotações nos respectivos autos.
assentos referidos no artigo anterior, uma das quais será Art. 68. Se o interessado quiser justificar fato necessário à
remetida, por intermédio do Ministério da Justiça, ao oficial habilitação para o casamento, deduzirá sua intenção peran-
do registro, para o registro, no lugar de residência dos pais te o Juiz competente, em petição circunstanciada indicando
ou, se não for possível descobri-lo, no 1° Ofício do Distrito testemunhas e apresentando documentos que comprovem
Federal. Uma terceira cópia será entregue pelo comandante as alegações.
ao interessado que, após conferência na capitania do porto,
§ l° Ouvidas as testemunhas, se houver, dentro do prazo de
por ela poderá, também, promover o registro no cartório
cinco dias, com a ciência do órgão do Ministério Público,
competente.
este terá o prazo de vinte e quatro horas para manifestar-se,
Parágrafo único. Os nascimentos ocorridos a bordo de decidindo o Juiz em igual prazo, sem recurso.
quaisquer aeronaves, ou de navio estrangeiro, poderão ser
§ 2° Os autos da justificação serão encaminhados ao oficial
dados a registro pelos pais brasileiros no cartório ou consu-
do registro para serem anexados ao processo da habilitação
lado do local do desembarque.
matrimonial.
Art. 66. Pode ser tomado assento de nascimento de filho de
Art. 69. Para a dispensa de proclamas, nos casos previstos
militar ou assemelhado em livro criado pela administração
em lei, os contraentes, em petição dirigida ao Juiz, deduzi-
militar mediante declaração feita pelo interessado ou reme-
rão os motivos de urgência do casamento, provando-a,
tido pelo comandante da unidade, quando em campanha.
desde logo, com documentos ou indicando outras provas
Esse assento será publicado em boletim da unidade e, logo
para demonstração do alegado.
que possível, trasladado por cópia autenticada, ex officio ou
a requerimento do interessado, para o Cartório de Registro § 1° Quando o pedido se fundar em crime contra os costu-
Civil a que competir ou para o do 1° Ofício do Distrito Fede- mes, a dispensa de proclamas será precedida da audiência
ral, quando não puder ser conhecida a residência do pai. dos contraentes, separadamente e em segredo de justiça.
Parágrafo único. A providência de que trata este artigo § 2° Produzidas as provas dentro de cinco dias, com a ciên-
será extensiva ao assento de nascimento de filho de civil, cia do órgão do Ministério Público, que poderá manifestar-
se, a seguir, em vinte e quatro horas, o Juiz decidirá, em
quando, em conseqüência de operações de guerra, não
igual prazo, sem recurso, remetendo os autos para serem
funcionarem os cartórios locais.
anexados ao processo de habilitação matrimonial.

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CAPÍTULO VI DO CASAMENTO com a prova do ato e os dados constantes do processo,
Art. 70. Do matrimônio, logo depois de celebrado, será la- observado o disposto no artigo 70.
vrado assento, assinado pelo presidente do ato, os cônju- Art. 75. O registro produzirá efeitos jurídicos a contar da
ges, as testemunhas e o oficial, sendo exarados: celebração do casamento.
1°) os nomes, prenomes, nacionalidade, data e lugar do CAPÍTULO VIII DO CASAMENTO EM IMINENTE RISCO DE VIDA
nascimento, profissão, domicílio e residência atual dos côn- Art. 76. Ocorrendo iminente risco de vida de algum dos
juges; contraentes, e não sendo possível a presença da autoridade
2°) os nomes, prenomes, nacionalidade, data de nascimen- competente para presidir o ato, o casamento poderá reali-
to ou de morte, domicílio e residência atual dos pais; zar-se na presença de seis testemunhas, que comparece-
3°) os nomes e prenomes do cônjuge precedente e a data rão, dentro de cinco dias, perante a autoridade judiciária
da dissolução do casamento anterior, quando for o caso; mais próxima, a fim de que sejam reduzidas a termo suas
4°) a data da publicação dos proclamas e da celebração do declarações.
casamento; § l° Não comparecendo as testemunhas, espontaneamente,
5°) a relação dos documentos apresentados ao oficial do poderá qualquer interessado requerer a sua intimação.
registro; § 2° Autuadas as declarações e encaminhadas à autoridade
6°) os nomes, prenomes, nacionalidade, profissão, domicílio judiciária competente, se outra for a que as tomou por ter-
e residência atual das testemunhas; mo, será ouvido o órgão do Ministério Público e se realiza-
7°) o regime de casamento, com declaração da data e do rão as diligências necessárias para verificar a inexistência
cartório em cujas notas foi tomada a escritura antenupcial, de impedimento para o casamento.
quando o regime não for o da comunhão ou o legal que § 3° Ouvidos dentro em 5 (cinco) dias os interessados que o
sendo conhecido, será declarado expressamente; requerem e o órgão do Ministério Público, o Juiz decidirá em
8°) o nome, que passa a ter a mulher, em virtude do casa- igual prazo.
mento; § 4° Da decisão caberá apelação com ambos os efeitos.
9°) os nomes e as idades dos filhos havidos de matrimônio § 5° Transitada em julgado a sentença, o Juiz mandará
anterior ou legitimados pelo casamento. registrá-la no Livro de Casamento.
10) à margem do termo, a impressão digital do contraente CAPÍTULO IX DO ÓBITO
que não souber assinar o nome. Art. 77. Nenhum sepultamento será feito sem certidão do
Parágrafo único. As testemunhas serão, pelo menos, duas, oficial de registro do lugar do falecimento, extraída após a
não dispondo a lei de modo diverso. lavratura do assento de óbito, em vista do atestado do mé-
CAPÍTULO VII DO REGISTRO DO CASAMENTO RELIGIOSO PARA dico, se houver no lugar, ou em caso contrário, de duas
EFEITOS CIVIS pessoas qualificadas que tiverem presenciado ou verificado
Art. 71. Os nubentes habilitados para o casamento poderão a morte.
pedir ao oficial que lhe forneça a respectiva certidão, para § 1° Antes de proceder ao assento de óbito de criança de
se casarem perante autoridade ou ministro religioso, nela menos de 1 (um) ano, o oficial verificará se houve registro
mencionando o prazo legal de validade da habilitação. de nascimento, que, em caso de falta, será previamente
Art. 72. O termo ou assento do casamento religioso, subs- feito.
crito pela autoridade ou ministro que o celebrar, pelos nu- § 2° A cremação de cadáver somente será feita daquele
bentes e por duas testemunhas, conterá os requisitos do que houver manifestado a vontade de ser incinerado ou no
artigo 70, exceto o 5°. interesse da saúde pública e se o atestado de óbito houver
Art. 73. No prazo de trinta dias a contar da realização, o sido firmado por 2 (dois) médicos ou por 1 (um) médico
celebrante ou qualquer interessado poderá, apresentando o legista e, no caso de morte violenta, depois de autorizada
assento ou termo do casamento religioso, requerer-lhe o pela autoridade judiciária.
registro ao oficial do cartório que expediu a certidão. Art. 78. Na impossibilidade de ser feito o registro dentro de
§ 1° O assento ou termo conterá a data da celebração, o 24 (vinte e quatro) horas do falecimento, pela distância ou
lugar, o culto religioso, o nome do celebrante, sua qualida- qualquer outro motivo relevante, o assento será lavrado
de, o cartório que expediu a habilitação, sua data, os no- depois, com a maior urgência, e dentro dos prazos fixados
mes, profissões, residências, nacionalidades das testemu- no artigo 50.
nhas que o assinarem e os nomes dos contratantes. Art. 79. São obrigados a fazer declaração de óbitos:
§ 2° Anotada a entrada do requerimento o oficial fará o re- 1°) o chefe de família, a respeito de sua mulher, filhos, hós-
gistro no prazo de 24 (vinte e quatro) horas. pedes, agregados e fâmulos;
§ 3° A autoridade ou ministro celebrante arquivará a certi- 2°) a viúva, a respeito de seu marido, e de cada uma das
dão de habilitação que lhe foi apresentada, devendo, nela, pessoas indicadas no número antecedente;
anotar a data da celebração do casamento. 3°) o filho, a respeito do pai ou da mãe; o irmão, a respeito
Art. 74. O casamento religioso, celebrado sem a prévia dos irmãos e demais pessoas de casa, indicadas no n° 1; o
habilitação, perante o oficial de registro público, poderá ser parente mais próximo maior e presente;
registrado desde que apresentados pelos nubentes, com o 4°) o administrador, diretor ou gerente de qualquer estabe-
requerimento de registro, a prova do ato religioso e os do- lecimento público ou particular, a respeito dos que nele
cumentos exigidos pelo Código Civil, suprindo eles eventual faleceram, salvo se estiver presente algum parente em grau
falta de requisitos nos termos da celebração. acima indicado;
Parágrafo único. Processada a habilitação com a publica- 5°) na falta de pessoa competente, nos termos dos números
ção dos editais e certificada a inexistência de impedimentos, anteriores, a que tiver assistido aos últimos momentos do
o oficial fará o registro do casamento religioso, de acordo finado, o médico, o sacerdote ou vizinho que do falecimento
tiver notícia;

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6°) a autoridade policial, a respeito de pessoas encontradas Art. 86. Os óbitos a que se refere o artigo anterior, serão
mortas. publicados em boletim da corporação e registrados no Re-
Parágrafo único. A declaração poderá ser feita por meio de gistro Civil, mediante relações autenticadas, remetidas ao
preposto, autorizando-o o declarante em escrito, de que Ministério da Justiça, contendo os nomes dos mortos, idade,
constem os elementos necessários ao assento de óbito. naturalidade, estado civil, designação dos corpos a que
Art. 80. O assento de óbito deverá conter: pertenciam, lugar da residência ou de mobilização, dia, mês,
1°) a hora, se possível, dia, mês e ano do falecimento; ano e lugar do falecimento e do sepultamento para, à vista
2°) o lugar do falecimento, com indicação precisa; dessas relações, se fazerem os assentamentos de confor-
midade com o que a respeito está disposto no artigo 66.
3°) o prenome, nome, sexo, idade, cor, estado, profissão,
naturalidade, domicílio e residência do morto; Art. 87. O assentamento de óbito ocorrido em hospital, pri-
são ou outro qualquer estabelecimento público será feito,
4°) se era casado, o nome do cônjuge sobrevivente, mesmo
em falta de declaração de parentes, segundo a da respecti-
quando desquitado; se viúvo, o do cônjuge pré-defunto; e o
va administração, observadas as disposições dos artigos 80
cartório de casamento em ambos os casos;
a 83; e o relativo a pessoa encontrada acidental ou violen-
5°) os nomes, prenomes, profissão, naturalidade e residên- tamente morta, segundo a comunicação, ex officio, das
cia dos pais; autoridades policiais, às quais incumbe fazê-la logo que
6°) se faleceu com testamento conhecido; tenham conhecimento do fato.
7°) se deixou filhos, nome e idade de cada um; Art. 88. Poderão os Juízes togados admitir justificação para
8°) se a morte foi natural ou violenta e a causa conhecida, o assento de óbito de pessoas desaparecidas em naufrágio,
com o nome dos atestantes; inundação, incêndio, terremoto ou qualquer outra catástrofe,
9°) lugar do sepultamento; quando estiver provada a sua presença no local do desastre
10°) se deixou bens e herdeiros menores ou interditos; e não for possível encontrar-se o cadáver para exame.
11°) se era eleitor. Parágrafo único. Será também admitida a justificação no
12°) pelo menos uma das informações a seguir arroladas: caso de desaparecimento em campanha, provados a im-
número de inscrição do PIS.PASEP; número de inscrição no possibilidade de ter sido feito o registro nos termos do artigo
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, se contribuinte 85 e os fatos que convençam da ocorrência do óbito.
individual; número de benefício previdenciário - NB, se a CAPÍTULO X DA EMANCIPAÇÃO, INTERDIÇÃO E AUSÊNCIA
pessoa falecida for titular de qualquer benefício pago pelo Art. 89. No Cartório do 1° Ofício ou da 1ª subdivisão judiciá-
INSS; número do CPF; número de registro da Carteira de ria de cada comarca serão registrados, em livro especial, as
Identidade e respectivo órgão emissor; número do título de sentenças de emancipação, bem como os atos dos pais que
eleitor; número do registro de nascimento, com informação a concederem, em relação aos menores nela domiciliados.
do livro, da folha e do termo; número e série da Carteira de Art. 90. O registro será feito mediante trasladação da sen-
Trabalho. tença oferecida em certidão ou do instrumento, limitando-se,
Art. 81. Sendo o finado desconhecido, o assento deverá se for de escritura pública, as referências da data, livro,
conter declaração de estatura ou medida, se for possível, folha e ofício em que for lavrada sem dependência, em
cor, sinais aparentes, idade presumida, vestuário e qualquer qualquer dos casos, da presença de testemunhas, mas com
outra indicação que possa auxiliar de futuro o seu reconhe- a assinatura do apresentante. Dele sempre constarão:
cimento; e, no caso de ter sido encontrado morto, serão 1°) data do registro e da emancipação;
mencionados esta circunstância e o lugar em que se achava
2°) nome, prenome, idade, filiação, profissão, naturalidade e
e o da necropsia, se tiver havido.
residência do emancipado; data e cartório em que foi regis-
Parágrafo único. Neste caso, será extraída a individual trado o seu nascimento;
dactiloscópica, se no local existir esse serviço.
3°) nome, profissão, naturalidade e residência dos pais ou
Art. 82. O assento deverá ser assinado pela pessoa que do tutor.
fizer a comunicação ou por alguém a seu rogo, se não sou-
Art. 91. Quando o Juiz conceder emancipação, deverá co-
ber ou não puder assinar.
municá-la, de ofício, ao oficial de registro, se não constar
Art. 83. Quando o assento for posterior ao enterro, faltando dos autos haver sido efetuado este dentro de oito dias.
atestado de médico ou de duas pessoas qualificadas, assi-
Parágrafo único. Antes do registro, a emancipação, em
narão, com a que fizer a declaração, duas testemunhas que
qualquer caso, não produzirá efeito.
tiverem assistido ao falecimento ou ao funeral e puderem
atestar, por conhecimento próprio ou por informação que Art. 92. As interdições serão registradas no mesmo cartório
tiverem colhido, a identidade do cadáver. e no mesmo livro de que trata o artigo 89, salvo a hipótese
prevista na parte final do parágrafo único do artigo 33, de-
Art. 84. Os assentos de óbitos de pessoas falecidas a bordo
clarando-se:
de navio brasileiro serão lavrados de acordo com as regras
estabelecidas para os nascimentos, no que lhes for aplicá- 1°) data do registro;
vel, com as referências constantes do artigo 80, salvo se o 2°) nome, prenome, idade, estado civil, profissão, naturali-
enterro for no porto, onde será tomado o assento. dade, domicílio e residência do interdito, data e cartório em
Art. 85. Os óbitos, verificados em campanha, serão regis- que forem registrados o nascimento e o casamento, bem
trados em livro próprio, para esse fim designado, nas forma- como o nome do cônjuge, se for casado;
ções sanitárias e corpos de tropas, pelos oficiais da corpo- 3°) data da sentença, nome e vara do Juiz que a proferiu;
ração militar correspondente, autenticado cada assento com 4°) nome, profissão, estado civil, domicílio e residência do
a rubrica do respectivo médico chefe, ficando a cargo da curador;
unidade que proceder ao sepultamento o registro, nas con- 5°) nome do requerente da interdição e causa desta;
dições especificadas, dos óbitos que se derem no próprio 6°) limites da curadoria, quando for parcial a interdição;
local de combate. 7°) lugar onde está internado o interdito.

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Art. 93. A comunicação, com os dados necessários, acom- que houver subscrito a carta de sentença mediante ofício
panhados de certidão de sentença, será remetida pelo Juiz sob registro postal.
ao cartório para registro de ofício, se o curador ou promo- § 5° Ao oficial, que deixar de cumprir as obrigações consig-
vente não o tiver feito dentro de oito dias. nadas nos parágrafos anteriores, será imposta a multa de
Parágrafo único. Antes de registrada a sentença, não po- cinco salários mínimos da região e a suspensão do cargo
derá o curador assinar o respectivo termo. até seis meses; em caso de reincidência ser-lhe-á aplicada,
Art. 94. O registro das sentenças declaratórias de ausência, em dobro, a pena pecuniária, ficando sujeito à perda do
que nomearem curador, será feita no cartório do domicílio cargo.
anterior do ausente, com as mesmas cautelas e efeitos do Art. 101. Será também averbado, com as mesmas indica-
registro de interdição, declarando-se: ções e efeitos, o ato de restabelecimento de sociedade
1°) data do registro; conjugal.
2°) nome, idade, estado civil, profissão e domicílio anterior Art. 102. No livro de nascimento, serão averbados:
do ausente, data e cartório em que foram registrados o nas- 1°) as sentenças que julgarem ilegítimos os filhos concebi-
cimento e o casamento, bem como o nome do cônjuge, se dos nas constância do casamento;
for casado; 2°) as sentenças que declararem legítima a filiação;
3°) tempo de ausência até a data da sentença; 3°) as escrituras de adoção e os atos que a dissolverem;
4°) nome do promotor do processo; 4°) o reconhecimento judicial ou voluntário dos filhos ilegíti-
5°) data da sentença, nome e vara do Juiz que a proferiu; mos;
6°) nome, estado, profissão, domicílio e residência do cura- 5°) a perda de nacionalidade brasileira, quando comunicada
dor e os limites da curatela. pelo Ministério da Justiça.
CAPÍTULO XI DA LEGITIMAÇÃO ADOTIVA 6°) a perda e suspensão do pátrio poder. (Incluído pela Lei
Art. 95. Serão registradas no registro de nascimentos as n° 8.069, de 13.7.1990).
sentenças de legitimação adotiva, consignando-se nele os Art. 103. Será feita, ainda de ofício, diretamente quando no
nomes dos pais adotivos como pais legítimos e os dos as- mesmo cartório, ou por comunicação do oficial que registrar
cendentes dos mesmos se já falecidos, ou sendo vivos, se o casamento, a averbação da legitimação dos filhos por
houverem, em qualquer tempo, manifestada por escrito sua subseqüente matrimônio dos pais, quando tal circunstância
adesão ao ato (Lei n° 4.655, de 2 de junho de 1965, artigo constar do assento de casamento.
6°). Art. 104. No livro de emancipações, interdições e ausên-
Parágrafo único. O mandado será arquivado, dele não cias, será feita a averbação das sentenças que puserem
podendo o oficial fornecer certidão, a não ser por determi- termo à interdição, das substituições dos curadores de in-
nação judicial e em segredo de justiça, para salvaguarda de terditos ou ausentes, das alterações dos limites de curatela,
direitos (Lei n° 4.655, de 2 de junho de 1965, artigo 8°, pa- da cessação ou mudança de internação, bem como da ces-
rágrafo único). sação da ausência pelo aparecimento do ausente, de acor-
Art. 96. Feito o registro, será cancelado o assento de nas- do com o disposto nos artigos anteriores.
cimento original do menor. Parágrafo único. Averbar-se-á, também, no assento de
CAPÍTULO XII DA AVERBAÇÃO ausência, a sentença de abertura de sucessão provisória,
após o trânsito em julgado, com referência especial ao tes-
Art. 97. A averbação será feita pelo oficial do cartório em
tamento do ausente se houver e indicação de seus herdei-
que constar o assento à vista da carta de sentença, de
ros habilitados.
mandado ou de petição acompanhada de certidão ou do-
Art. 105. Para a averbação de escritura de adoção de pes-
cumento legal e autêntico, com audiência do Ministério Pú-
soa cujo registro de nascimento haja sido feito fora do País,
blico.
será trasladado, sem ônus para os interessados, no livro A
Art. 98. A averbação será feita à margem do assento e,
do Cartório do 1° Ofício ou da 1ª subdivisão judiciária da
quando não houver espaço, no livro corrente, com as notas
comarca em que for domiciliado o adotante, aquele registro,
e remissões recíprocas, que facilitem a busca.
legalmente traduzido, se for o caso, para que se faça, à
Art. 99. A averbação será feita mediante a indicação minu- margem dele, a competente averbação
ciosa da sentença ou ato que a determinar. CAPÍTULO XIII DAS ANOTAÇÕES
Art. 100. No livro de casamento, será feita averbação da
sentença de nulidade e anulação de casamento, bem como Art. 106. Sempre que o oficial fizer algum registro ou aver-
do desquite, declarando-se a data em que o Juiz a proferiu, bação, deverá, no prazo de cinco dias, anotá-lo nos atos
a sua conclusão, os nomes das partes e o trânsito em julga- anteriores, com remissões recíprocas, se lançados em seu
do. cartório, ou fará comunicação, com resumo do assento, ao
oficial em cujo cartório estiverem os registros primitivos,
§ 1° Antes de averbadas, as sentenças não produzirão efei-
obedecendo-se sempre à forma prescrita no art. 98.
to contra terceiros.
Parágrafo único. As comunicações serão feitas mediante
§ 2° As sentenças de nulidade ou anulação de casamento
cartas relacionadas em protocolo, anotando-se à margem
não serão averbadas enquanto sujeitas a recurso, qualquer
ou sob o ato comunicado, o número de protocolo e ficarão
que seja o seu efeito.
arquivadas no cartório que as receber.
§ 3° A averbação a que se refere o parágrafo anterior será
Art. 107. O óbito deverá ser anotado, com as remissões
feita à vista da carta de sentença, subscrita pelo presidente
recíprocas, nos assentos de casamento e nascimento, e o
ou outro Juiz do Tribunal que julgar a ação em grau de re-
casamento no deste.
curso, da qual constem os requisitos mencionados neste
artigo e, ainda, certidão do trânsito em julgado do acórdão. § 1° A emancipação, a interdição e a ausência serão anota-
das pela mesma forma, nos assentos de nascimento e ca-
§ 4° O oficial do registro comunicará, dentro de quarenta e
samento, bem como a mudança do nome da mulher, em
oito horas, o lançamento da averbação respectiva ao Juiz

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virtude de casamento, ou sua dissolução, anulação ou des- Art. 112. Em qualquer tempo poderá ser apreciado o valor
quite. probante da justificação, em original ou por traslado, pela
§ 2° A dissolução e a anulação do casamento e o restabele- autoridade judiciária competente ao conhecer de ações que
cimento da sociedade conjugal serão, também, anotadas se relacionem com os fatos justificados.
nos assentos de nascimento dos cônjuges. Art. 113. As questões de filiação legítima ou ilegítima serão
Art. 108. Os oficiais, além das penas disciplinares em que decididas em processo contencioso para anulação ou re-
incorrerem, são responsáveis civil e criminalmente pela forma de assento.
omissão ou atraso na remessa de comunicações a outros TÍTULO III DO REGISTRO CIVIL DE PESSOAS JURÍDI-
cartórios. CAS
CAPÍTULO XIV DAS RETIFICAÇÕES, RESTAURAÇÕES E SUPRI- CAPÍTULO I DA ESCRITURAÇÃO
MENTOS
Art. 114. No Registro Civil de Pessoas Jurídicas serão ins-
Art. 109. Quem pretender que se restaure, supra ou retifi- critos:
que assentamento no Registro Civil, requererá, em petição I - os contratos, os atos constitutivos, o estatuto ou com-
fundamentada e instruída com documentos ou com indica- promissos das sociedades civis, religiosas, pias, morais,
ção de testemunhas, que o Juiz o ordene, ouvido o órgão do científicas ou literárias, bem como o das fundações e das
Ministério Público e os interessados, no prazo de cinco dias, associações de utilidade pública;
que correrá em cartório. II - as sociedades civis que revestirem as formas estabele-
§ 1° Se qualquer interessado ou o órgão do Ministério Pú- cidas nas leis comerciais, salvo as anônimas.
blico impugnar o pedido, o Juiz determinará a produção da III - os atos constitutivos e os estatutos dos partidos políti-
prova, dentro do prazo de dez dias e ouvidos, sucessiva- cos. (Incluído pela Lei n° 9.096, de 19.9.1995).
mente, em três dias, os interessados e o órgão do Ministério
Parágrafo único. No mesmo cartório será feito o registro
Público, decidirá em cinco dias.
dos jornais, periódicos, oficinas impressoras, empresas de
§ 2° Se não houver impugnação ou necessidade de mais radiodifusão e agências de notícias a que se refere o artigo
provas, o Juiz decidirá no prazo de cinco dias. 8° da Lei n° 5.250, de 9 de fevereiro de 1967.
§ 3° Da decisão do Juiz, caberá o recurso de apelação com Art. 115. Não poderão ser registrados os atos constitutivos
ambos os efeitos. de pessoas jurídicas, quando o seu objeto ou circunstâncias
§ 4° Julgado procedente o pedido, o Juiz ordenará que se relevantes indiquem destino ou atividades ilícitos ou contrá-
expeça mandado para que seja lavrado, restaurado e retifi- rios, nocivos ou perigosos ao bem público, à segurança do
cado o assentamento, indicando, com precisão, os fatos ou Estado e da coletividade, à ordem pública ou social, à moral
circunstâncias que devam ser retificados, e em que sentido, e aos bons costumes.
ou os que devam ser objeto do novo assentamento. Parágrafo único. Ocorrendo qualquer dos motivos previs-
§ 5° Se houver de ser cumprido em jurisdição diversa, o tos neste artigo, o oficial do registro, de ofício ou por provo-
mandado será remetido, por ofício, ao Juiz sob cuja jurisdi- cação de qualquer autoridade, sobrestará no processo de
ção estiver o cartório do Registro Civil e, com o seu “cum- registro e suscitará dúvida para o Juiz, que a decidirá.
pra-se”, executar-se-á. Art. 116. Haverá, para o fim previsto nos artigos anteriores,
§ 6° As retificações serão feitas à margem do registro, com os seguintes livros:
as indicações necessárias, ou, quando for o caso, com a I - Livro A, para os fins indicados nos números I e II, do
trasladação do mandado, que ficará arquivado. Se não hou- artigo 114, com 300 folhas;
ver espaço, far-se-á o transporte do assento, com as remis-
II - Livro B, para matrícula das oficinas impressoras, jornais,
sões à margem do registro original.
periódicos, empresas de radiodifusão e agências de notí-
Art. 110. A correção de erros de grafia poderá ser proces-
cias, com 150 folhas.
sada no próprio cartório onde se encontrar o assentamento,
Art. 117. Todos os exemplares de contratos, de atos, de
mediante petição assinada pelo interessado, ou procurador,
estatuto e de publicações, registrados e arquivados, serão
independentemente de pagamento de selos e taxas.
encadernados por períodos certos, acompanhados de índi-
§ 1° Recebida a petição, protocolada e autuada, o oficial a ce que facilite a busca e o exame.
submeterá, com os documentos que a instruírem, ao órgão
Art. 118. Os oficiais farão índices, pela ordem cronológica e
do Ministério Público, e fará os autos conclusos ao Juiz
alfabética, de todos os registros e arquivamentos, podendo
togado da circunscrição, que os despachará em quarenta e
adotar o sistema de fichas, mas ficando sempre responsá-
oito horas.
veis por qualquer erro ou omissão.
§ 2° Quando a prova depender de dados existentes no pró-
Art. 119. A existência legal das pessoas jurídicas só come-
prio cartório, poderá o oficial certificá-lo nos autos.
ça com o registro de seus atos constitutivos.
§ 3° Deferido o pedido, o edital averbará a retificação à
Parágrafo único. Quando o funcionamento da sociedade
margem do registro, mencionando o número do protocolo, a
depender de aprovação da autoridade, sem esta não poderá
data da sentença e seu trânsito em julgado.
ser feito o registro.
§ 4° Entendendo o Juiz que o pedido exige maior indaga-
CAPÍTULO II DA PESSOA JURÍDICA
ção, ou sendo impugnado pelo órgão do Ministério Público,
mandará distribuir os autos a um dos cartórios da circuns- Art. 120. O registro das sociedades, fundações e partidos
crição, caso em que se processará a retificação, com assis- políticos consistirá na declaração, feita em livro, pelo oficial,
tência de advogado, observado o rito sumaríssimo. do número de ordem, da data da apresentação e da espécie
Art. 111. Nenhuma justificação em matéria de registro civil, do ato constitutivo, com as seguintes indicações: (Redação
para retificação, restauração ou abertura de assento, será dada pela Lei n° 9.096, de 19.9.1995).
entregue à parte. I - a denominação, o fundo social, quando houver, os fins e
a sede da associação ou fundação, bem como o tempo de
sua duração;

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II - o modo por que se administra e representa a sociedade, b) nome, idade, residência e prova de nacionalidade do
ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; diretor ou redator-chefe responsável pelos serviços de notí-
III - se o estatuto, o contrato ou o compromisso é reformá- cias, reportagens, comentários, debates e entrevistas.
vel, no tocante à administração, e de que modo; IV - no caso de empresas noticiosas:
IV - se os membros respondem ou não, subsidiariamente, a) nome, nacionalidade, idade e residência do gerente e do
pelas obrigações sociais; proprietário, se pessoa natural;
V - as condições de extinção da pessoa jurídica e nesse b) sede da administração;
caso o destino do seu patrimônio; c) exemplar do contrato ou estatuto social, se pessoa jurídi-
VI - os nomes dos fundadores ou instituidores e dos mem- ca.
bros da diretoria, provisória ou definitiva, com indicação da § 1° As alterações em qualquer dessas declarações ou
nacionalidade, estado civil e profissão de cada um, bem documentos deverão ser averbadas na matrícula, no prazo
como o nome e residência do apresentante dos exemplares. de oito dias.
Parágrafo único. Para o registro dos partidos políticos, § 2° A cada declaração a ser averbada deverá corresponder
serão obedecidos, além dos requisitos deste artigo, os esta- um requerimento.
belecidos em lei específica. (Incluído pela Lei n° 9.096, de Art. 124. A falta de matrícula das declarações, exigidas no
19.9.1995). artigo anterior, ou da averbação da alteração, será punida
Art. 121. Para o registro serão apresentadas duas vias do com multa que terá o valor de meio a dois salários mínimos
estatuto, compromisso ou contrato, pelas quais far-se-á o da região.
registro mediante petição do representante legal da socie- § 1° A sentença que impuser a multa fixará prazo, não infe-
dade, lançando o oficial, nas duas vias, a competente certi- rior a vinte dias, para matrícula ou alteração das declara-
dão do registro, com o respectivo número de ordem, livro e ções.
folha. Uma das vias será entregue ao representante e a § 2° A multa será aplicada pela autoridade judiciária em
outra arquivada em cartório, rubricando o oficial as folhas representação feita pelo oficial, e cobrada por processo
em que estiver impresso o contrato, compromisso ou estatu- executivo, mediante ação do órgão competente.
to. (Redação dada pela Lei n° 9.042, 9.4.1995). § 3° Se a matrícula ou alteração não for efetivada no prazo
CAPÍTULO III DO REGISTRO DE JORNAIS, OFICINAS IMPRESSO- referido no § 1° deste artigo, o Juiz poderá impor nova mul-
RAS, EMPRESAS DE RADIODIFUSÃO E AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS ta, agravando-a de 50% (cinqüenta por cento) toda vez que
Art. 122. No registro civil das pessoas jurídicas serão matri- seja ultrapassado de dez dias o prazo assinalado na sen-
culados: tença.
I - os jornais e demais publicações periódicas; Art. 125. Considera-se clandestino o jornal, ou outra publi-
II - as oficinas impressoras de quaisquer natureza, perten- cação periódica, não matriculado nos termos do artigo 122
centes a pessoas naturais ou jurídicas; ou de cuja matrícula não constem os nomes e as qualifica-
III - as empresas de radiodifusão que mantenham serviços ções do diretor ou redator e do proprietário.
de notícias, reportagens, comentários, debates e entrevis- Art. 126. O processo de matrícula será o mesmo do registro
tas; prescrito no artigo 121.
IV - as empresas que tenham por objeto o agenciamento de TÍTULO IV DO REGISTRO DE TÍTULOS E DOCUMENTOS
notícias. CAPÍTULO I DAS ATRIBUIÇÕES
Art. 123. O pedido de matrícula conterá as informações e Art. 127. No Registro de Títulos e Documentos será feita a
será instruído com os documentos seguintes: transcrição:
I - no caso de jornais ou outras publicações periódicas: I - dos instrumentos particulares, para a prova das obriga-
a) título do jornal ou periódico, sede da redação, administra- ções convencionais de qualquer valor;
ção e oficinas impressoras, esclarecendo, quanto a estas, II - do penhor comum sobre coisas móveis;
se são próprias ou de terceiros, e indicando, neste caso, os
III - da caução de títulos de crédito pessoal e da dívida pú-
respectivos proprietários;
blica federal, estadual ou municipal, ou de Bolsa ao porta-
b) nome, idade, residência e prova da nacionalidade do dor;
diretor ou redator-chefe;
IV - do contrato de penhor de animais, não compreendido
c) nome, idade, residência e prova da nacionalidade do nas disposições do artigo 10 da Lei n° 492, de 30 de agosto
proprietário; de 1934;
d) se propriedade de pessoa jurídica, exemplar do respecti- V - do contrato de parceria agrícola ou pecuária;
vo estatuto ou contrato social e nome, idade, residência e
VI - do mandado judicial de renovação do contrato de arren-
prova de nacionalidade dos diretores, gerentes e sócios da
damento para sua vigência, quer entre as partes contratan-
pessoa jurídica proprietária.
tes, quer em face de terceiros (artigo 19, § 2° do Decreto n°
II - nos casos de oficinas impressoras: 24.150, de 20 de abril de 1934);
a) nome, nacionalidade, idade e residência do gerente e do VII - facultativa, de quaisquer documentos, para sua conser-
proprietário, se pessoa natural; vação.
b) sede da administração, lugar, rua e número onde funcio- Parágrafo único. Caberá ao Registro de Títulos e Docu-
nam as oficinas e denominação destas; mentos a realização de quaisquer registros não atribuídos
c) exemplar do contrato ou estatuto social, se pertencentes expressamente a outro ofício.
a pessoa jurídica. Art. 128. À margem dos respectivos registros, serão aver-
III - no caso de empresas de radiodifusão: badas quaisquer ocorrências que os alterem, quer em rela-
a) designação da emissora, sede de sua administração e ção às obrigações, quer em atinência às pessoas que nos
local das instalações do estúdio; atos figurem, inclusive quanto à prorrogação dos prazos.

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Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e turação das várias espécie de atos, sem prejuízo da unida-
Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: de do protocolo e de sua numeração em ordem rigorosa.
1°) os contratos de locação de prédios, sem prejuízo do Parágrafo único. Esses livros desdobrados terão as indica-
disposto do artigo 167, I, 3; ções de E, F, G, H, etc.
2°) os documentos decorrentes de depósitos, ou de cau- Art. 135. O protocolo deverá conter colunas para as seguin-
ções feitos em garantia de cumprimento de obrigações con- tes anotações:
tratuais, ainda que em separado dos respectivos instrumen- 1°) número de ordem, continuando, indefinidamente, nos
tos; seguintes;
3°) as cartas de fiança, em geral, feitas por instrumento 2°) dia e mês;
particular, seja qual for a natureza do compromisso por elas 3°) natureza do título e qualidade do lançamento (integral,
abonado; resumido, penhor, etc.);
4°) os contratos de locação de serviços não atribuídos a 4°) o nome do apresentante;
outras repartições; 5°) anotações e averbações.
5°) os contratos de compra e venda em prestações, com Parágrafo único. Em seguida ao registro, far-se-á, no pro-
reserva de domínio ou não, qualquer que seja a forma de tocolo, remissão ao número da página do livro em que foi
que se revistam, os de alienação ou de promessas de ven- ele lançado, mencionando-se, também, o número e a pági-
da referentes a bens móveis e os de alienação fiduciária; na de outros livros em que houver qualquer nota ou decla-
6°) todos os documentos de procedência estrangeira, a- ração concernente ao mesmo ato.
companhados das respectivas traduções, para produzirem Art. 136. O livro de registro integral de títulos será escritu-
efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito rado nos termos do artigo 142, lançado-se, antes de cada
Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer registro, o número de ordem, a data do protocolo e o nome
instância, juízo ou tribunal; do apresentante, e conterá colunas para as seguintes decla-
7°) as quitações, recibos e contratos de compra e venda de rações:
automóveis, bem como o penhor destes, qualquer que seja 1°) número de ordem;
a forma que revistam; 2°) dia e mês;
8°) os atos administrativos expedidos para cumprimento de 3°) transcrição;
decisões judiciais, sem trânsito em julgado, pelas quais for
4°) anotações e averbações.
determinada a entrega, pelas alfândegas e mesas de renda,
Art. 137. O livro de registro, por extrato, conterá colunas
de bens e mercadorias procedentes do exterior;
para as seguintes declarações:
9°) os instrumentos de cessão de direitos e de créditos, de
sub-rogação e de dação em pagamento. 1°) número de ordem;
Art. 130. Dentro do prazo de vinte dias da data da sua assi- 2°) dia e mês;
natura pelas partes, todos os atos enumerados nos artigos 3°) espécie e resumo do título;
127 e 129, serão registrados no domicílio das partes contra- 4°) anotações e averbações.
tantes e, quando residam estas em circunscrições territoriais Art. 138. O indicador pessoal será dividido alfabeticamente
diversas, far-se-á o registro em todas elas. para a indicação do nome de todas as pessoas que, ativa
Parágrafo único. Os registros de documentos apresenta- ou passivamente, individual ou coletivamente, figurarem nos
dos, depois de findo o prazo, produzirão efeitos a partir da livros de registro e deverá conter, além dos nomes das pes-
data da apresentação. soas, referências aos números de ordem e páginas dos
Art. 131. Os registros referidos nos artigos anteriores serão outros livros e anotações.
feitos independentemente de prévia distribuição. Art. 139. Se a mesma pessoa já estiver mencionada no
CAPÍTULO II DA ESCRITURAÇÃO indicador, somente se fará, na coluna das anotações, uma
referência ao número de ordem, página e número do livro
Art. 132. No registro de Títulos e Documentos haverá os em que estiver lançado o novo registro ou averbação.
seguintes livros, todos com 300 folhas:
Art. 140. Se no mesmo registro ou averbação, figurar mais
I - Livro A - protocolo para apontamentos de todos os títulos, de uma pessoa, ativa ou passivamente, o nome de cada
documentos e papéis apresentados, diariamente, para se- uma será lançado distintamente, no indicador, com referên-
rem registrados, ou averbados; cia recíproca na coluna das anotações.
II - Livro B - para trasladação integral de títulos e documen- Art. 141. Sem prejuízo do disposto no artigo 161, ao oficial
tos, sua conservação e validade contra terceiros, ainda que é facultado efetuar o registro por meio de microfilmagem,
registrados por extratos em outros livros; desde que, por lançamentos remissivos, com menção ao
III - Livro C - para inscrição, por extração, de títulos e docu- protocolo, ao nome dos contratantes, à data e à natureza
mentos, a fim de surtirem efeitos em relação a terceiros e dos documentos apresentados, sejam os microfilmes havi-
autenticação de data; dos como partes integrantes dos livros de registro, nos seus
IV - Livro D - indicador pessoal, substituível pelo sistema de termos de abertura e encerramento.
fichas, a critério e sob a responsabilidade do oficial, o qual é CAPÍTULO III DA TRANSCRIÇÃO E DA AVERBAÇÃO
obrigado a fornecer, com presteza, as certidões pedidas
Art. 142. O registro integral dos documentos consistirá na
pelos nomes das partes que figurarem, por qualquer modo,
nos livros de registros. trasladação dos mesmos, com a mesma ortografia e pontu-
ação, com referência às entrelinhas ou quaisquer acrésci-
Art. 133. Na parte superior de cada página do livro se es-
mos, alterações, defeitos ou vícios que tiver o original apre-
creverá o título, a letra com o número e o ano em que co-
sentado, e, bem assim, com menção precisa aos seus ca-
meçar.
racterísticos exteriores e às formalidades legais, podendo a
Art. 134. O Juiz, em caso de afluência de serviço, poderá transcrição dos documentos mercantis, quando levados a
autorizar o desdobramento dos livros de registro para escri-

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registro, ser feita na mesma disposição gráfica em que esti- Art. 149. Depois de concluídos os lançamentos nos livros
verem escritos, se o interessado assim o desejar. respectivos, será feita, nas anotações do protocolo, referên-
§ 1° Feita a trasladação, na última linha, de maneira a não cia ao número de ordem sob o qual tiver sido feito o registro,
ficar espaço em branco, será conferida e realizado o seu ou a averbação, no livro respectivo, datando e rubricando,
encerramento, depois do que o oficial, seu substituto legal em seguida, o oficial ou os servidores referidos no artigo
ou escrevente designado pelo oficial e autorizado pelo Juiz 142, § 1°.
competente, ainda que o primeiro não esteja afastado, assi- Art. 150. O apontamento do título, documento ou papel no
nará o seu nome por inteiro. protocolo será feito, seguida e imediatamente um depois do
§ 2° Tratando-se de documento impresso, idêntico a outro já outro. Sem prejuízo da numeração individual de cada do-
anteriormente registrado na íntegra, no mesmo livro, poderá cumento, se a mesma pessoa apresentar simultaneamente
o registro limitar-se a consignar o nome das partes contra- diversos documentos de idêntica natureza, para lançamen-
tantes, as características do objeto e demais dados constan- tos da mesma espécie, serão eles lançados no protocolo
tes dos claros preenchidos, fazendo-se remissão, quanto ao englobadamente.
mais, àquele já registrado. Parágrafo único. Onde terminar cada apontamento, será
Art. 143. O registro resumido consistirá na declaração da traçada uma linha horizontal, separando-o do seguinte,
natureza do título, do documento ou papel, valor, prazo, sendo lavrado, no fim do expediente diário, o termo de en-
lugar em que tenha sido feito, nome e condição jurídica das cerramento do próprio punho do oficial por este datado e
partes, nomes das testemunhas, data da assinatura e do assinado.
reconhecimento de firma por tabelião, se houver, o nome Art. 151. O lançamento dos registros e das averbações nos
deste, o do apresentante, o número de ordem e a data do livros respectivos será feito, também seguidamente, na
protocolo, e da averbação, a importância e a qualidade do ordem de prioridade do seu apontamento no protocolo,
imposto pago, depois do que será datado e rubricado pelo quando não for obstado por ordem de autoridade judiciária
oficial ou servidores referidos no artigo 142, § 1°. competente, ou por dúvida superveniente; neste caso, se-
Art. 144. O registro de contratos de penhor, caução e parce- guir-se-ão os registros ou averbações dos imediatos, sem
ria será feito com declaração do nome, profissão e domicílio prejuízo da data autenticada pelo competente apontamento.
do credor e do devedor, valor da dívida, juros, penas, ven- Art. 152. Cada registro ou averbação será datado e assina-
cimento e especificações dos objetos apenhados, pessoa do por inteiro, pelo oficial ou pelos servidores referidos no
em poder de quem ficam, espécie do título, condições do artigo 142, § 1°, separados, um do outro, por uma linha
contrato, data e número de ordem. horizontal.
Parágrafo único. Nos contratos de parceria, serão conside- Art. 153. Os títulos terão sempre um número diferente, se-
rados credor o parceiro proprietário e devedor, o parceiro gundo a ordem de apresentação, ainda que se refiram à
cultivador ou criador. mesma pessoa. O registro e a averbação deverão ser ime-
Art. 145. Qualquer dos interessados poderá levar a registro diatos e, quando não o puderem ser, por acúmulo de servi-
os contratos de penhor ou caução. ço, o lançamento será feito no prazo estritamente necessá-
CAPÍTULO IV DA ORDEM DO SERVIÇO rio, e sem prejuízo da ordem da prenotação. Em qualquer
desses casos, o oficial, depois de haver dado entrada no
Art. 146. Apresentado o título ou documento para registro
protocolo e lançado no corpo do título as declarações pres-
ou averbação, serão anotados, no protocolo, a data de sua
critas, fornecerá um recibo contendo a declaração da data
apresentação, sob o número de ordem que se seguir imedi-
da apresentação, o número de ordem desta no protocolo e a
atamente, a natureza do instrumento, a espécie de lança-
indicação do dia em que deverá ser entregue, devidamente
mento a fazer (registro integral ou resumido, ou averbação),
legalizado; o recibo será restituído pelo apresentante contra
o nome do apresentante, reproduzindo-se as declarações
a devolução do documento.
relativas ao número de ordem, à data, e à espécie de lan-
çamento a fazer no corpo do título, do documento ou do Art. 154. Nos termos de encerramento diário do protocolo,
papel. lavrados ao findar a hora regulamentar, deverão ser men-
cionados, pelos respectivos números, os títulos apresenta-
Art. 147. Protocolizado o título ou documento, far-se-á, em
dos cujos registros ficarem adiados, com a declaração dos
seguida, no livro respectivo, o lançamento, (registro integral
motivos do adiamento.
ou resumido, ou averbação), e, concluído este, declarar-se-
á no corpo do título, documento ou papel, o número de or- Parágrafo único. Ainda que o expediente continue para
dem e a data do procedimento no livro competente, rubri- ultimação do serviço, nenhuma nova apresentação será
cando o oficial ou os servidores referidos no artigo 142, § admitida depois da hora regulamentar.
1°, esta declaração e as demais folhas do título, do docu- Art. 155. Quando o título, já registrado por extrato, for leva-
mento ou do papel. do a registro integral, ou for exigido simultaneamente pelo
Art. 148. Os títulos, documentos e papéis escritos em língua apresentante o duplo registro, mencionar-se-á essa circuns-
estrangeira, uma vez adotados os caracteres comuns, pode- tância no lançamento posterior e, nas anotações do protoco-
rão ser registrados no original, para o efeito da sua conser- lo, far-se-ão referências recíprocas para verificação das
vação ou perpetuidade. Para produzirem efeitos legais no diversas espécies de lançamento do mesmo título.
País e para valerem contra terceiros, deverão, entretanto, Art. 156. O oficial deverá recusar registro a título e a docu-
ser vertidos em vernáculo e registrada a tradução, o que, mento que não se revistam das formalidades legais.
também, se observará em relação às procurações lavradas Parágrafo único. Se tiver suspeita de falsificação, poderá o
em língua estrangeira. oficial sobrestar no registro, depois de protocolado o docu-
Parágrafo único. Para o registro resumido, os títulos, do- mento, até notificar o apresentante dessa circunstância; se
cumentos ou papéis em língua estrangeira, deverão ser este insistir, o registro será feito com essa nota, podendo o
sempre traduzidos. oficial, entretanto, submeter a dúvida ao Juiz competente,

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ou notificar o signatário para assistir ao registro, mencio- Art. 166. Os requerimentos de cancelamento serão arqui-
nando também as alegações pelo último aduzidas. vados com os documentos que os instruírem.
Art. 157. O oficial, salvo quando agir de má-fé, devidamente TÍTULO V DO REGISTRO DE IMÓVEIS
comprovada, não será responsável pelos danos decorrentes CAPÍTULO I DAS ATRIBUIÇÕES
da anulação do registro, ou da averbação, por vício intrínse-
co ou extrínseco do documento, título ou papel, mas, tão- Art. 167. No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão
somente, pelos erros ou vícios no processo de registro. feitos.
Art. 158. As procurações deverão trazer reconhecidas as I - o registro:
firmas dos outorgantes. 1. da instituição de bem de família;
Art. 159. As folhas do título, documento ou papel que tiver 2. das hipotecas legais, judiciais e convencionais;
sido registrado e as das certidões serão rubricadas pelo 3. dos contratos de locação de prédios, nos quais tenha sido
oficial, antes de entregues aos apresentantes. As declara- consignada cláusula de vigência no caso de alienação da
ções no protocolo, bem como as dos registros e das aver- coisa locada;
bações lançadas no título, documento ou papel e as respec- 4. do penhor de máquinas e de aparelhos utilizados na in-
tivas datas poderão ser apostas por carimbo, sendo, porém, dústria, instalados e em funcionamento, com os respectivos
para autenticação, de próprio punho do oficial, ou de quem pertences ou sem eles;
suas vezes fizer, a assinatura ou a rubrica. 5. das penhoras, arrestos e seqüestros de imóveis;
Art. 160. O oficial será obrigado, quando o apresentante o 6. das servidões em geral;
requerer, a notificar do registro ou da averbação os demais 7. do usufruto e do uso sobre imóveis e da habilitação,
interessados que figurarem no título, documento, o papel quando não resultarem do direito de família;
apresentado, e a quaisquer terceiros que lhes sejam indica- 8. das rendas constituídas sobre imóveis ou a eles vincula-
dos, podendo requisitar dos oficiais de registro em outros dos por disposição de última vontade;
Municípios, as notificações necessárias. Por esse processo, 9. dos contratos de compromisso de compra e venda de
também, poderão ser feitos avisos, denúncias e notifica- cessão deste e de promessa de cessão, com ou sem cláu-
ções, quando não for exigida a intervenção judicial. sula de arrependimento, que tenham por objeto imóveis não
§ 1° Os certificados de notificação ou da entrega de regis- loteados e cujo preço tenha sido pago no ato de sua cele-
tros serão lavrados nas colunas das anotações, no livro bração, ou deva sê-lo a prazo, de uma só vez ou em presta-
competente, à margem dos respectivos registros. ções;
§ 2° O serviço das notificações e demais diligências poderá 10. da enfiteuse;
ser realizado por escreventes designados pelo oficial e auto- 11. da anticrese;
rizados pelo Juiz competente. 12. das convenções antenupciais,
Art. 161. As certidões do registro integral de títulos terão o 13. das cédulas de crédito rural;
mesmo valor probante dos originais, ressalvado o incidente
14. das cédulas de crédito industrial;
de falsidade destes, oportunamente levantado em juízo.
15. dos contratos de penhor rural;
§ 1° O apresentante do título para registro integral poderá
16. dos empréstimos por obrigações ao portador ou debên-
também deixá-lo arquivado em cartório ou a sua fotocópia,
tures, inclusive as conversíveis em ações;
autenticada pelo oficial, circunstâncias que serão declara-
das no registro e nas certidões. 17. das incorporações, instituições e convenções de con-
domínio;
§ 2° Quando houver acúmulo de trabalho, um dos subofici-
ais poderá ser autorizado pelo Juiz, a pedido do oficial e sob 18. dos contratos de promessa de venda, cessão ou pro-
sua responsabilidade, a lavrar e subscrever certidão. messa de cessão de unidade autônomas condominiais a
Art. 162. O fato da apresentação de um título, documento que alude a Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964,
quando a incorporação ou a instituição de condomínio se
ou papel, para registro ou averbação, não constituirá, para o
formalizar na vigência desta Lei;
apresentante, direito sobre o mesmo, desde que não seja o
próprio interessado. 19. dos loteamentos urbanos e rurais;
Art. 163. Os tabeliães e escrivães, nos atos que praticarem, 20. dos contratos de promessa de compra e venda de terre-
farão sempre referência ao livro e à folha do registro de nos loteados em conformidade com o Decreto-lei n° 58, de
títulos e documentos em que tenham sido trasladados os 10 de dezembro de 1937, e respectiva cessão e promessa
mandatos de origem estrangeira, a que tenham de reportar- de cessão, quando o loteamento se formalizar na vigência
se. desta Lei; (Regulado pela Lei nº 6.776, de 19 de dezembro
CAPÍTULO V DO CANCELAMENTO de 1979).
21. da cessão de crédito imobiliário; (Redação dada pela Lei
Art. 164. O cancelamento poderá ser feito em virtude de nº 10.931, de 2.8.2004).
sentença ou de documento autêntico de quitação ou de
22. Revogado. (pela Lei n° 6.850, de 12 de novembro de
exoneração do título registrado.
1980).
Art. 165. Apresentado qualquer dos documentos referidos
23. dos julgados e ato s jurídicos inter vivos que dividirem
no artigo anterior, o oficial certificará, na coluna das averba-
imóveis ou os demarcarem inclusive nos casos de incorpo-
ções do livro respectivo, o cancelamento e a razão dele,
ração que resultarem em constituição de condomínio e atri-
mencionando-se o documento que o autorizou, datando e
buírem uma ou mais unidades aos incorporadores;.
assinando a certidão, de tudo fazendo referência nas anota-
ções do protocolo. 24. das sentenças que nos inventários, arrolamentos e parti-
lhas adjudicarem bens de raiz em pagamento das dívidas
Parágrafo único. Quando não for suficiente o espaço da
da herança;
coluna das averbações, será feito novo registro, com refe-
rências recíprocas, na coluna própria.

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25. dos atos de entrega de legados de imóveis, dos formais 11. das cláusulas de inalienabilidade, impenhorabilidade, e
de partilha e das sentenças de adjudicação em inventário ou incomunicabilidade impostas a imóveis, bem como da cons-
arrolamento quando não houver partilha; tituição de fideicomisso;
26. da arrematação e da adjudicação em hasta pública; 12. das decisões, recursos e seus efeitos, que tenham por
27. do dote; objeto os atos ou títulos registrados ou averbados;
28. as sentenças declaratórias de usucapião; (Item com 13. ex offício, dos nomes dos logradouros, decretados pelo
redação dada pela Medida Provisória n° 2.220, de poder público.
4.9.2001). 14. das sentenças de separação judicial, de divórcio e de
29. da compra e venda pura e da condicional; nulidade ou anulação de casamento, quando nas respecti-
30. da permuta; vas partilhas existirem imóveis ou direitos reais sujeitos a
31. da dação em pagamento; registro. (Incluído pela Lei n° 6.850, de 12.11.1980).
32. da transferência de imóvel a sociedade, quando integrar 15. da rerratificação do contrato de mútuo com pacto adjeto
quota social; de hipoteca em favor de entidade integrante do Sistema
33. da doação entre vivos; Financeiro da Habitação, ainda que importante elevação da
dívida, desde que mantidas as mesmas partes e que inexis-
34. da desapropriação amigável e das sentenças que, em
ta outra hipoteca registrada em favor de terceiros.
processo de desapropriação, fixarem o valor da indeniza-
ção; 16. do contrato de locação, para os fins de exercício de
direito de preferência.
35. da alienação fiduciária em garantia de coisa imóvel.
(Incluído pela Lei n° 9.514, de 20.11.1997). 17. do Termo de Securitização de créditos imobiliários,
quando submetidos a regime fiduciário.
36. da imissão provisória na posse, e respectiva cessão e
promessa de cessão, quando concedido à União, Estados, 18. da notificação para parcelamento, edificação ou utiliza-
Distrito Federal, Municípios ou suas entidades delegadas, ção compulsórios de imóvel urbano;
para a execução de parcelamento popular, com finalidade 19. da extinção da concessão de uso especial para fins de
urbana, destinado às classes de menor renda. moradia;
37. dos termos administrativos ou das sentenças declarató- 20. da extinção do direito de superfície do imóvel urbano.
rias da concessão de uso especial para fins de moradia; 21. da cessão de crédito imobiliário. (Incluído pela Lei n°
(Item com redação dada pela Medida Provisória n° 2.220, 10.931, de 2.8.2004).
de 4.9.2001). Art. 168. Na designação genérica de registro, consideram-
38. (VETADO). se englobadas a inscrição e a transcrição a que se referem
39. da constituição do direito de superfície de imóvel urba- as leis civis.
no; Art. 169. Todos os atos enumerados no artigo 167 são obri-
40. o contrato de concessão de direito real de uso de imóvel gatórios e efetuar-se-ão no cartório da situação do imóvel,
público.(Incluído pela Medida Provisória n° 2.220, de salvo:
4.9.2001). I - as averbações, que serão efetuadas na matrícula ou à
II - a averbação: margem do registro a que se referirem, ainda que o imóvel
1. das convenções antenupciais, e do regime de bens diver- tenha passado a pertencer a outra circunscrição;
sos do legal, nos registros referentes a imóveis ou a direitos II - os registros relativos a imóveis situados em comarcas ou
reais pertencentes a qualquer dos cônjuges, inclusive os circunscrições limítrofes, que serão feitos em todas elas,
adquiridos posteriormente ao casamento; devendo os Registros de Imóveis fazer constar dos registros
2. por cancelamento, da extinção dos ônus e direitos reais; tal ocorrência.
3. dos contratos de promessa de compra e venda, das ces- III - o registro previsto no n° 3 do inciso I do art. 167, e a
sões e das promessas de cessão a que alude o Decreto-lei averbação prevista no n° 16 do inciso II do art. 167 serão
n° 58, de 10 de dezembro de 1937, quando o loteamento se efetuados no cartório onde o imóvel esteja matriculado me-
tiver formalizado anteriormente à vigência desta Lei;. diante apresentação de qualquer das vias do contrato, assi-
nado pelas partes e subscrito por duas testemunhas, bas-
4. da mudança de denominação e de numeração dos pré-
tando a coincidência entre o nome de um dos proprietários e
dios, da edificação, da reconstrução, da demolição, do des-
o locador.
membramento e do loteamento de imóveis;
Art. 170. O desmembramento territorial posterior ao registro
5. da alteração do nome por casamento ou por desquite, ou,
não exige sua repetição no novo cartório.
ainda, de outras circunstâncias que, de qualquer modo,
tenham influência do registro ou nas pessoas nele interes- Art. 171. Os atos relativos, a vias férreas serão registrados
sadas; no cartório correspondente à estação inicial da respectiva
linha.
6. dos atos pertinentes a unidades autônomas condominiais
a que alude a Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, CAPÍTULO II DA ESCRITURAÇÃO
quando a incorporação tiver sido formalizada anteriormente Art. 172. No Registro de Imóveis serão feitos, nos termos
à vigência desta Lei; desta Lei, o registro e a averbação dos títulos ou atos cons-
7. das cédulas hipotecárias; titutivos, declaratórios, translativos e extintos de direitos
8. da caução, e da cessão fiduciária de direitos relativos a reais sobre imóveis reconhecidos em lei, “inter vivos” ou
imóveis; “mortis causa” que para sua constituição, transferência e
9. das sentenças de separação de dote; extinção, quer para sua validade em relação a terceiros,
quer para a sua disponibilidade.
10. do restabelecimento da sociedade conjugal;.
Art. 173. Haverá no Registro de Imóveis, os seguintes li-
vros:
I - Livro n° 1 - Protocolo;

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II - Livro n° 2 - Registro Geral; 5. o valor do contrato, da coisa ou da dívida, prazo desta,
III - Livro n° 3 - Registro Auxiliar; condições e mais especificações, inclusive os juros, se hou-
IV - Livro n° 4 - Indicador Real; ver.
V - Livro n° 5 - Indicador Pessoal; § 2° Para a matrícula e registro das escrituras e partilhas,
Parágrafo único. Observado o disposto no § 2° do art. 3° lavradas ou homologadas na vigência do Decreto n° 4.857,
desta lei, os livros n°s 2, 3, 4 e 5 poderão ser substituídos de 9 de novembro de 1939, não serão observadas as exi-
por fichas. gências deste artigo, devendo tais atos obedecer ao dispos-
Art. 174. O livro n° 1 - Protocolo - servirá para apontamento to na legislação anterior. (Incluído pela Lei n° 6.688, de
de todos os títulos apresentados diariamente, ressalvado o 17.9.1979).
disposto no parágrafo único do art. 12 desta Lei. § 3° Nos casos de desmembramento, parcelamento ou
Art. 175. São requisitos da escrituração do livro n° 1 - Pro- remembramento de imóveis rurais, a identificação prevista
tocolo: na alínea a do item 3 do inciso II do § 1º será obtida a partir
de memorial descritivo, assinado por profissional habilitado
I - o número de ordem, que seguirá indefinidamente nos
e com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica -
livros da mesma espécie;
ART, contendo as coordenadas dos vértices definidores dos
II - a data da apresentação; limites dos imóveis rurais, geo-referenciadas ao Sistema
III - o nome do apresentante; Geodésico Brasileiro e com precisão posicional a ser fixada
IV - a natureza formal do título; pelo INCRA, garantida a isenção de custos financeiros aos
V - os atos que formalizar, resumidamente mencionados. proprietários de imóveis rurais cuja somatória da área não
Art. 176. O livro n° 2 - Registro Geral - será destinado à exceda a quatro módulos fiscais. (Incluído pela Lei n°
matrícula dos imóveis e ao registro ou averbação dos atos 10.267, de 28.8.2001).
relacionados no artigo 167 e não atribuídos ao Livro n° 3. § 4° A identificação de que trata o § 3° tornar-se-á obrigató-
§ 1° A escrituração do Livro n° 2 obedecerá às seguintes ria para efetivação de registro, em qualquer situação de
normas: transferência de imóvel rural, nos prazos fixados por ato do
I - cada imóvel terá matrícula própria, que será aberta por Poder Executivo. (Incluído pela Lei n° 10.267, de
ocasião do primeiro registro a ser feito na vigência desta 28.8.2001).
Lei; Art. 177. O Livro n° 3 - Registro Auxiliar - será destinado ao
II - são requisitos da matrícula: registro dos atos que, sendo atribuídos ao Registro de Imó-
1. o número de ordem, que seguirá ao infinito; veis por disposição legal, não digam respeito diretamente a
2. a data; imóvel matriculado.
3. a identificação do imóvel, que será feita com indicação: Art. 178. - Registrar-se-ão no Livro n° 3 - Registro Auxiliar:
a - se rural, do código do imóvel, dos dados constantes do I - a emissão de debêntures, sem prejuízo do registro even-
CCIR, da denominação e de suas características, confron- tual e definitivo, na matrícula do imóvel, da hipoteca, anti-
tações, localização e área; crese ou penhor que abonarem especialmente tais emis-
b - se urbano, de suas características e confrontações, loca- sões, firmando-se pela ordem do registro a prioridade entre
lização, área, logradouro, número e de sua designação as séries de obrigações emitidas pela sociedade;
cadastral, se houver. (Incluído pela Lei n° 10.267, de II - as cédulas de crédito rural e de crédito industrial, sem
28.8.2001). prejuízo do registro da hipoteca cedular;
4. o nome, domicílio e nacionalidade do proprietário, bem III - as convenções de condomínio;
como: IV - o penhor de máquinas e de aparelhos utilizados na
a) tratando-se de pessoa física, o estado civil, a profissão, o indústria, instalados e em funcionamento, com os respecti-
número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do vos pertences ou sem eles;
Ministério da Fazenda ou do Registro Geral da Cédula de V - as convenções antenupciais;
identidade, ou à falta deste, sua filiação; VI - os contratos de penhor rural;
b) tratando-se de pessoa jurídica, a sede social e o número VII - os títulos que, a requerimento do interessado, forem
de inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministé- registrados no seu inteiro teor, sem prejuízo do ato pratica-
rio da Fazenda; do no Livro n° 2.
5. o número do registro anterior; Art. 179. O Livro n° 4 - Indicador Real - será o repositório de
III - são requisitos do registro no Livro n° 2: todos imóveis que figurarem nos demais livros, devendo
1. a data; conter sua identificação, referência aos números de ordem
2. o nome, domicílio e nacionalidade do transmitente, ou do dos outros livros e anotações necessárias.
devedor, e do adquirente, ou credor, bem como: § 1° Se não for utilizado o sistema de fichas, o Livro n° 4
a) tratando-se de pessoa física, o estado civil, a profissão e conterá, ainda, o número de ordem, que seguirá indefinida-
o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do mente, nos livros da mesma espécie.
Ministério da Fazenda ou do Registro Geral da cédula de § 2° Adotado o sistema previsto no parágrafo precedente,
identidade, ou, à falta deste, sua filiação; os oficiais deverão ter, para auxiliar a consulta, um livro-
b) tratando-se de pessoa jurídica, a sede social e o número índice ou fichas pelas ruas, quando se tratar de imóveis
de inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministé- urbanos, e pelos nomes e situações, quando rurais.
rio da Fazenda; Art. 180. O livro n° 5 - Indicador Pessoal - dividido alfabeti-
3. o título da transmissão ou do ônus; camente, será o repositório dos nomes de todas as pessoas
que, individual ou coletivamente, ativa ou passivamente,
4. a forma do título, sua procedência e caracterização;
direta ou indiretamente, figurarem nos demais livros, fazen-
do-se referência aos respectivos números de ordem.

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Parágrafo único. Se não for utilizado o sistema de fichas, o Art. 195. Se o imóvel não estiver matriculado ou registrado
Livro n° 5 conterá, ainda, o número de ordem de cada letra em nome do outorgante, o oficial exigirá a prévia matrícula e
do alfabeto, que seguirá indefinidamente, nos livros da o registro do título anterior, qualquer que seja a sua nature-
mesma espécie. Os oficiais poderão adotar, para auxiliar as za, para manter a continuidade do registro.
buscas, um livro-índice ou fichas em ordem alfabética. Art. 196. A matrícula será feita à vista dos elementos cons-
Art. 181. Poderão ser abertos e escriturados, concomitan- tantes do título apresentado e do registro anterior que cons-
temente, até dez livros de “Registro Geral”, obedecendo, tar do próprio cartório.
neste caso, a sua escrituração ao algarismo final da matrí- Art. 197. Quando o título anterior estiver registrado em outro
cula, sendo as matrículas de número final um feitas no Livro cartório, o novo título será apresentado juntamente com
2-1, as de final dois no Livro 2-2 e as de final três no Livro 2- certidão atualizada, comprobatória do registro anterior, e da
3, e assim, sucessivamente. existência ou inexistência de ônus.
Parágrafo único. Também poderão ser desdobrados, a Art. 198. Havendo exigência a ser satisfeita, o oficial indica-
critério do oficial, os Livros n°s 3 “Registro Auxiliar”, 4 “Indi- la-á por escrito. Não se conformando o apresentante com a
cador Real” e 5 “Indicador Pessoal”. exigência do oficial, ou não a podendo satisfazer, será o
CAPÍTULO III DO PROCESSO DO REGISTRO título, a seu requerimento e com a declaração de dúvida,
Art. 182. Todos os títulos tomarão, no protocolo, o número remetido ao juízo competente para dirimi-la, obedecendo-se
de ordem que lhes competir em razão da seqüência rigoro- ao seguinte:
sa de sua apresentação. I - No Protocolo, anotará o oficial, à margem da prenotação,
Art. 183. Reproduzir-se-á, em cada título, o número de or- a ocorrência da dúvida;
dem respectivo e a data de sua prenotação. II - após certificar, no título, a prenotação e a suscitação da
Art. 184. O Protocolo será encerrado diariamente. dúvida, rubricará o oficial todas as suas folhas;
Art. 185. A escrituração do Protocolo incumbirá tanto ao III - em seguida, o oficial dará ciência dos termos da dúvida
oficial titular como ao seu substituto legal, podendo, ser ao apresentante, fornecendo-lhe cópia da suscitação e noti-
feita, ainda, por escrevente auxiliar expressamente desig- ficando-o para impugná-la, perante o juízo competente, no
nado pelo oficial titular ou pelo seu substituto legal mediante prazo de quinze dias;
autorização do juiz competente, ainda que os primeiros não IV - certificado o cumprimento do disposto no item anterior,
estejam nem afastados nem impedidos. remeter-se-ão ao juízo competente, mediante carga, as
Art. 186. O número de ordem determinará a prioridade do razões da dúvida, acompanhadas do título.
título e esta a preferência dos direitos reais, ainda que apre- Art. 199. Se o interessado não impugnar a dúvida no prazo
sentados pela mesma pessoa mais de um título simultane- referido no item III do artigo anterior, será ela, ainda assim,
amente. julgada por sentença.
Art. 187. Em caso de permuta, e pertencendo os imóveis à Art. 200. Impugnada a dúvida, com os documentos que o
mesma circunscrição, serão feitos os registros nas matrícu- interessado apresentar, será ouvido o Ministério Público, no
las correspondentes, sob um único número de ordem no prazo de (dez) dias.
Protocolo. Art. 201. Se não forem requeridas diligências, o juiz proferi-
Art. 188. Protocolizado o título, proceder-se-á ao registro, rá decisão no prazo de quinze dias, com base nos elemen-
dentro do prazo de 30 (trinta) dias, salvo nos casos previs- tos constantes dos autos.
tos nos artigos seguintes. Art. 202. Da sentença, poderão interpor apelação, com os
Art. 189. Apresentado título de segunda hipoteca, com refe- efeitos devolutivo e suspensivo, o interessado, o Ministério
rência expressa à existência de outra anterior, o oficial, Público e o terceiro prejudicado.
depois de prenotá-lo, aguardará durante 30 (trinta) dias que Art. 203. Transitada em julgado a decisão da dúvida, proce-
os interessados na primeira promovam a inscrição. Esgota- der-se-á do seguinte modo:
do esse prazo, que correrá da data da prenotação, sem que I - se for julgada procedente, os documentos serão restituí-
seja apresentado o título anterior, o segundo será inscrito e dos à parte, independentemente de traslado, dando-se ci-
obterá preferência sobre aquele. ência da decisão ao oficial, para que a consigne no Protoco-
Art. 190. Não serão registrados, no mesmo dia, títulos pelos lo e cancele a prenotação.
quais se constituam direitos reais contraditórios sobre o II - se for julgada improcedente, o interessado apresentará,
mesmo imóvel. de novo, os seus documentos, com o respectivo mandado,
Art. 191. Prevalecerão, para efeito de prioridade de registro, ou certidão da sentença, que ficarão arquivados, para que,
quando apresentados no mesmo dia, os títulos prenotados desde logo, se proceda ao registro, declarando o oficial o
no Protocolo sob número de ordem mais baixo, protelando- fato na coluna de anotações arquivados do Protocolo.
se o registro dos apresentados posteriormente, pelo prazo Art. 204. A decisão da dúvida tem natureza administrativa e
correspondente a, pelo menos, um dia útil. não impede o uso do processo contencioso competente.
Art. 192. O disposto nos arts 190 e 191 não se aplica às Art. 205. Cessarão automaticamente os efeitos da prenota-
escrituras públicas, da mesma data e apresentadas no ção se, decorridos trinta dias do seu lançamento no Proto-
mesmo dia, que determinem, taxativamente, a hora da sua colo, o título não tiver sido registrado por omissão do inte-
lavratura, prevalecendo, para efeito de prioridade, a que foi ressado em atender às exigências legais.
lavrada em primeiro lugar. Art. 206. Se o documento, uma vez prenotado, não puder
Art. 193. O registro será feito pela simples exibição do título, ser registrado, ou o apresentante desistir do seu registro, a
sem dependência de extratos. importância relativa às despesas previstas no artigo 14 será
Art. 194. O título de natureza particular apresentado em restituída, deduzida a quantia correspondente às buscas e à
uma só via será arquivado em cartório, fornecendo o oficial, prenotação.
a pedido, certidão do mesmo.

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Art. 207. No processo de dúvida, somente serão devidas pelo Oficial de Registro de Títulos e Documentos da comar-
custas, a serem pagas pelo interessado, quando a dúvida ca da situação do imóvel ou do domicílio de quem deva
for julgada procedente. recebê-la.
Art. 208. O registro começado dentro das horas fixadas não § 3o A notificação será dirigida ao endereço do confrontante
será interrompido, salvo motivo de força maior declarado, constante do Registro de Imóveis, podendo ser dirigida ao
prorrogando-se o expediente até ser concluído. próprio imóvel contíguo ou àquele fornecido pelo requeren-
Art. 209. Durante a prorrogação nenhuma nova apresenta- te; não sendo encontrado o confrontante ou estando em
ção será admitida, lavrando o termo de encerramento no lugar incerto e não sabido, tal fato será certificado pelo ofici-
Protocolo. al encarregado da diligência, promovendo-se a notificação
Art. 210. Todos os atos serão assinados e encerrados pelo do confrontante mediante edital, com o mesmo prazo fixado
oficial, por seu substituto legal, ou por escrevente expres- no § 2o, publicado por duas vezes em jornal local de grande
samente designado pelo oficial ou por seu substituto legal e circulação.
autorizado pelo Juiz competente ainda que os primeiros não
§ 4o Presumir-se-á a anuência do confrontante que deixar
estejam nem afastados nem impedidos.
de apresentar impugnação no prazo da notificação.
Art. 211. Nas vias dos títulos restituídas aos apresentantes,
serão declarados resumidamente, por carimbo, os atos § 5o Findo o prazo sem impugnação, o oficial averbará a
praticados. retificação requerida; se houver impugnação fundamentada
Art. 212. Se o registro ou a averbação for omissa, imprecisa por parte de algum confrontante, o oficial intimará o reque-
ou não exprimir a verdade, a retificação será feita pelo Ofi- rente e o profissional que houver assinado a planta e o me-
cial do Registro de Imóveis competente, a requerimento do morial a fim de que, no prazo de cinco dias, se manifestem
interessado, por meio do procedimento administrativo pre- sobre a impugnação.
visto no art. 213, facultado ao interessado requerer a retifi- § 6o Havendo impugnação e se as partes não tiverem for-
cação por meio de procedimento judicial. (Redação dada malizado transação amigável para solucioná-la, o oficial
pela Lei nº 10.931, de 2.8.2004). remeterá o processo ao juiz competente, que decidirá de
Parágrafo único. A opção pelo procedimento administrativo plano ou após instrução sumária, salvo se a controvérsia
previsto no art. 213 não exclui a prestação jurisdicional, a versar sobre o direito de propriedade de alguma das partes,
requerimento da parte prejudicada. (Incluído pela Lei nº hipótese em que remeterá o interessado para as vias ordi-
10.931, de 2.8.2004). nárias.
Art. 213. O oficial retificará o registro ou a averbação: (Re- § 7o Pelo mesmo procedimento previsto neste artigo pode-
dação dada pela Lei nº 10.931, de 2.8.2004). rão ser apurados os remanescentes de áreas parcialmente
I - de ofício ou a requerimento do interessado nos casos de: alienadas, caso em que serão considerados como confron-
a) omissão ou erro cometido na transposição de qualquer tantes tão-somente os confinantes das áreas remanescen-
elemento do título; tes.
b) indicação ou atualização de confrontação; § 8o As áreas públicas poderão ser demarcadas ou ter seus
c) alteração de denominação de logradouro público, com- registros retificados pelo mesmo procedimento previsto
provada por documento oficial; neste artigo, desde que constem do registro ou sejam logra-
d) retificação que vise a indicação de rumos, ângulos de douros devidamente averbados.
deflexão ou inserção de coordenadas georeferenciadas, em § 9o Independentemente de retificação, dois ou mais con-
que não haja alteração das medidas perimetrais; frontantes poderão, por meio de escritura pública, alterar ou
e) alteração ou inserção que resulte de mero cálculo mate- estabelecer as divisas entre si e, se houver transferência de
mático feito a partir das medidas perimetrais constantes do área, com o recolhimento do devido imposto de transmissão
registro; e desde que preservadas, se rural o imóvel, a fração mínima
f) reprodução de descrição de linha divisória de imóvel con- de parcelamento e, quando urbano, a legislação urbanística.
frontante que já tenha sido objeto de retificação; § 10. Entendem-se como confrontantes não só os proprietá-
g) inserção ou modificação dos dados de qualificação pes- rios dos imóveis contíguos, mas, também, seus eventuais
soal das partes, comprovada por documentos oficiais, ou ocupantes; o condomínio geral, de que tratam os arts. 1.314
mediante despacho judicial quando houver necessidade de e seguintes do Código Civil, será representado por qualquer
produção de outras provas; dos condôminos e o condomínio edilício, de que tratam os
II - a requerimento do interessado, no caso de inserção ou arts. 1.331 e seguintes do Código Civil, será representado,
alteração de medida perimetral de que resulte, ou não, alte- conforme o caso, pelo síndico ou pela Comissão de Repre-
ração de área, instruído com planta e memorial descritivo sentantes.
assinado por profissional legalmente habilitado, com prova § 11. Independe de retificação:
de anotação de responsabilidade técnica no competente I - a regularização fundiária de interesse social realizada em
Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura - CREA, Zonas Especiais de Interesse Social, nos termos da Lei no
bem assim pelos confrontantes. 10.257, de 10 de julho de 2001, promovida por Município ou
§ 1o Uma vez atendidos os requisitos de que trata o caput pelo Distrito Federal, quando os lotes já estiverem cadastra-
do art. 225, o oficial averbará a retificação. dos individualmente ou com lançamento fiscal há mais de
§ 2o Se a planta não contiver a assinatura de algum con- vinte anos;
frontante, este será notificado pelo Oficial de Registro de II - a adequação da descrição de imóvel rural às exigências
Imóveis competente, a requerimento do interessado, para dos arts. 176, §§ 3o e 4o, e 225, § 3o, desta Lei.
se manifestar em quinze dias, promovendo-se a notificação § 12. Poderá o oficial realizar diligências no imóvel para a
pessoalmente ou pelo correio, com aviso de recebimento, constatação de sua situação em face dos confrontantes e
ou, ainda, por solicitação do Oficial de Registro de Imóveis, localização na quadra.

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§ 13. Não havendo dúvida quanto à identificação do imóvel, IX - nas promessas de compra e venda, o promitente - com-
o título anterior à retificação poderá ser levado a registro prador e o promitente - vendedor:
desde que requerido pelo adquirente, promovendo-se o X - nas penhoras e ações, o autor e o réu;
registro em conformidade com a nova descrição. XI - nas cessões de direitos, o cessionário e o cedente;
§ 14. Verificado a qualquer tempo não serem verdadeiros os XII - nas promessas de cessão de direitos, o promitente
fatos constantes do memorial descritivo, responderão os cessionário e o promitente cedente.
requerentes e o profissional que o elaborou pelos prejuízos CAPÍTULO V DOS TÍTULOS
causados, independentemente das sanções disciplinares e
Art. 221. Somente são admitidos a registro:
penais.
§ 15. Não são devidos custas ou emolumentos notariais ou I - escrituras públicas, inclusive as lavradas em consulados
brasileiros;
de registro decorrentes de regularização fundiária de inte-
resse social a cargo da administração pública. (Incisos, II - escritos particulares autorizados em lei, assinados pelas
alíneas e parágrafos incluídos pela Lei nº 10.931, de partes e testemunhas, com as firmas reconhecidas, dispen-
2.8.2004). sado o reconhecimento quando se tratar de atos praticados
Art. 214. As nulidades de pleno direto do registro uma vez por entidades vinculadas ao Sistema Financeiro de Habita-
provadas, invalidam-no, independentemente de ação direta. ção;
III - atos autênticos de países estrangeiros, com força de
§ 1o A nulidade será decretada depois de ouvidos os atingi- instrumento público, legalizados e traduzidos na forma da
dos. (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2.8.2004). lei, e registrados no Cartório de Registro de Títulos e Docu-
§ 2o Da decisão tomada no caso do § 1o caberá apelação mentos, assim como sentenças proferidas por tribunais
ou agravo conforme o caso. (Incluído pela Lei nº 10.931, de estrangeiros após homologação pelo Supremo Tribunal
2.8.2004). Federal;
§ 3o Se o juiz entender que a superveniência de novos re- IV - cartas de sentença, formais de partilha, certidões e
gistros poderá causar danos de difícil reparação poderá mandados extraídos de autos de processo.
determinar de ofício, a qualquer momento, ainda que sem Art. 222. Em todas as escrituras e em todos os atos relati-
oitiva das partes, o bloqueio da matrícula do imóvel. (Incluí- vos a imóveis, bem como nas cartas de sentença e formais
do pela Lei nº 10.931, de 2.8.2004). de partilha, o tabelião ou escrivão deve fazer referência à
§ 4o Bloqueada a matrícula, o oficial não poderá mais nela matrícula ou ao registro anterior, seu número e cartório.
praticar qualquer ato, salvo com autorização judicial, permi- Art. 223. Ficam sujeitas à obrigação, a que alude o artigo
tindo-se, todavia, aos interessados a prenotação de seus anterior, as partes que, por instrumento particular, celebra-
títulos, que ficarão com o prazo prorrogado até a solução do rem atos relativos a imóveis.
bloqueio. (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2.8.2004). Art. 224. Nas escrituras, lavradas em decorrência de autori-
§ 5o A nulidade não será decretada se atingir terceiro de zação judicial, serão mencionadas, por certidão, em breve
boa-fé que já tiver preenchido as condições de usucapião relatório, com todas as minúcias que permitam identificá-los,
do imóvel. (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2.8.2004). os respectivos alvarás.
Art. 215. São nulos os registros efetuados após sentença Art. 225. Os tabeliães, escrivães e juízes farão com que,
de abertura de falência, ou do termo legal nele fixado, salvo nas escrituras e nos autos judiciais, as partes indiquem,
se a apresentação tiver sido feita anteriormente. com precisão, os característicos, as confrontações e as
localizações dos imóveis, mencionando os nomes dos con-
Art. 216. O registro poderá também ser retificado ou anula-
frontantes e, ainda, quando se tratar só de terreno, se esse
do por sentença em processo contencioso, ou por efeito do
fica no lado par ou do lado ímpar do logradouro, em que
julgado em ação de anulação ou de declaração de nulidade
quadra e a que distância métrica da edificação ou da esqui-
de ato jurídico, ou de julgado sobre fraude à execução.
na mais próxima, exigindo dos interessados certidão do
CAPÍTULO IV DAS PESSOAS
Registro Imobiliário.
Art. 217. O registro e a averbação poderão ser provocados § 1° As mesmas minúcias, com relação à caracterização do
por qualquer pessoa, incumbindo-lhe as despesas respecti- imóvel, devem constar dos instrumentos particulares apre-
vas. sentados em cartório para registro.
Art. 218. Nos atos a título gratuito, o registro pode também § 2° Consideram-se irregulares, para efeito de matrícula, os
ser promovido pelo transferente, acompanhado da prova de títulos nos quais a caracterização do imóvel não coincida
aceitação do beneficiado. com a que consta do registro anterior.
Art. 219. O registro do penhor rural independente do con- § 3° Nos autos judiciais que versem sobre imóveis rurais, a
sentimento do credor hipotecário. localização, os limites e as confrontações serão obtidos a
Art. 220. São considerados, para fins de escrituração, cre- partir de memorial descritivo assinado por profissional habili-
dores e devedores, respectivamente: tado e com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica
I - nas servidões, o dono do prédio dominante e dono do - ART, contendo as coordenadas dos vértices definidores
prédio serviente; dos limites dos imóveis rurais, geo-referenciadas ao Siste-
II - no uso, o usuário e o proprietário; ma Geodésico Brasileiro e com precisão posicional a ser
III - na habitação, o habitante e o proprietário; fixada pelo INCRA, garantida a isenção de custos financei-
IV - na anticrese, o mutuante e o mutuário; ros aos proprietários de imóveis rurais cuja somatória da
V - no usufruto, o usufrutuário e o nu-proprietário; área não exceda a quatro módulos fiscais.
VI - na enfiteuse, o senhorio e o enfiteuta; Art. 226. Tratando-se de usucapião, os requisitos da matrí-
cula devem constar do mandado judicial.
VII - na constituição de renda, o beneficiário e o rendeiro
censuário; CAPÍTULO VI DA MATRÍCULA
VIII - na locação, o locatário e o locador;

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Art. 227. Todo imóvel objeto de título a ser registrado deve Art. 238. O registro de hipoteca convencional valerá pelo
estar matriculado no Livro n° 2 - Registro Geral - obedecido prazo de trinta anos, findo o qual só será mantido o número
o disposto no art. 176. anterior se reconstituída por novo título e novo registro.
Art. 228. A matrícula será efetuada por ocasião do primeiro Art. 239. As penhoras, arrestos e seqüestros de imóveis
registro a ser lançado na vigência desta Lei, mediante os serão registrados depois de pagas as custas do registro
elementos constantes do título apresentado e do registro pela parte interessada, em cumprimento de mandado ou à
anterior nele mencionado. vista de certidão do escrivão, de que constem, além dos
Art. 229. Se o registro anterior foi efetuado em outra cir- requisitos exigidos para o registro, os nomes do juiz, do
cunscrição, a matrícula será aberta com os elementos cons- depositário, das partes e a natureza do processo.
tantes do título apresentado e da certidão atualizada daque- Parágrafo único. A certidão será lavrada pelo escrivão do
le registro, a qual ficará arquivada em cartório. feito, com a declaração do fim especial a que se destina,
Art. 230. Se na certidão constar ônus, o oficial fará a matrí- após a entrega, em cartório, do mandado devidamente
cula, e, logo em seguida ao registro, averbará a existência cumprido.
do ônus, sua natureza e valor, certificando o fato no título Art. 240. O registro da penhora faz prova quanto à fraude
que devolver à parte, o que ocorrerá, também quando o de qualquer transação posterior.
ônus estiver lançado no próprio cartório. Art. 241. O registro da anticrese no Livro n° 2 declarará,
Art. 231. No preenchimento dos livros, observar-se-ão as também, o prazo, a época do pagamento e a forma de ad-
seguintes normas: ministração.
I - no alto da face de cada folha será lançada a matrícula do Art. 242. O contrato de locação, com cláusula expressa de
imóvel, com os requisitos constantes do art. 176, e, no es- vigência no caso de alienação do imóvel, registrado no Livro
paço restante e no verso, serão lançados por ordem crono- n° 2, consignará também, o seu valor, a renda, o prazo, o
lógica e em forma narrativa, os registros e averbações dos tempo e o lugar do pagamento, bem como pena convencio-
atos pertinentes ao imóvel matriculado; nal.
II - preenchida uma folha, será feito o transporte para a Art. 243. A matrícula do imóvel promovida pelo titular do
primeira folha em branco do mesmo livro ou do livro da domínio direto aproveita ao titular do domínio útil, e vice-
mesma série que estiver em uso, onde continuarão os lan- versa.
çamentos, com remissões recíprocas. Art. 244. As escrituras antenupciais serão registradas no
Art. 232. Cada lançamento de registro será precedido pela Livro n° 3 do cartório do domicílio conjugal, sem prejuízo de
letra “R” e o da averbação pelas letras “AV”, seguindo-se o sua averbação obrigatória no lugar da situação dos imóveis
número de ordem do lançamento e o da matrícula (ex: R-1- de propriedade do casal, ou dos que forem sendo adquiri-
1, R-2-1, AV-3-1, R-4-1, AV-5-1, etc.) dos e sujeitos a regime de bens diverso do comum, com a
Art. 233. A matrícula será cancelada: declaração das respectivas cláusulas, para ciência de ter-
I - por decisão judicial; ceiros.
II - quando em virtude de alienações parciais, o imóvel for Art. 245. Quando o regime de separação de bens for de-
inteiramente transferido a outros proprietários; terminado por lei, far-se-á a respectiva averbação nos ter-
III - pela fusão, nos termos do artigo seguinte. mos do artigo anterior, incumbindo ao Ministério Público
Art. 234. Quando dois ou mais imóveis contíguos, perten- zelar pela fiscalização e observância dessa providência.
centes ao mesmo proprietário, constarem de matrículas CAPÍTULO VIII DA AVERBAÇÃO E DO CANCELAMENTO
autônomas, pode ele requerer a fusão destas em uma só, Art. 246. Além dos casos expressamente indicados no item
de novo número, encerrando-se as primitivas. II do artigo 167, serão averbadas na matrícula as sub-
Art. 235. Podem, ainda, ser unificados, com abertura de rogações e outras ocorrências que, por qualquer modo,
matrícula única: alterem o registro.
I - dois ou mais imóveis constantes de transcrições anterio- § 1° As averbações a que se referem os itens 4 e 5 do inci-
res a esta Lei, à margem das quais será averbada a abertu- so II do art. 167 serão as feitas a requerimento dos interes-
ra da matrícula que os unificar; sados, com firma reconhecida, instruído com documento
II - dois ou mais imóveis, registrados por ambos os siste- dos interessados, com firma reconhecida, instruído com
mas, caso em que, nas transcrições, será feita a averbação documento comprobatório fornecido pela autoridade compe-
prevista no item anterior, e as matrículas serão encerradas tente. A alteração do nome só poderá ser averbada quando
na forma do artigo anterior. devidamente comprovada por certidão do Registro Civil.
Parágrafo único. Os imóveis de que trata este artigo, bem (Redação dada pela Lei n° 10.267, de 28.8.2001).
como os oriundos de desmembramentos, partilha e glebas § 2° Tratando-se de terra indígena com demarcação homo-
destacadas de maior porção, serão desdobrados em novas logada, a União promoverá o registro da área em seu nome.
matrículas, juntamente com os ônus que sobre eles existi- (Incluído pela Lei n° 10.267, de 28.8.2001).
rem, sempre que ocorrer a transferência de uma ou mais § 3° Constatada, durante o processo demarcatório, a exis-
unidades, procedendo-se, em seguida, ao que estipula o tência de domínio privado nos limites da terra indígena, a
item II do art. 233. União requererá ao Oficial de Registro a averbação, na
CAPÍTULO VII DO REGISTRO respectiva matrícula, dessa circunstância. (Incluído pela Lei
n° 10.267, de 28.8.2001).
Art. 236. Nenhum registro poderá ser feito sem que o imó-
vel a que se referir esteja matriculado. § 4° As providências a que se referem os §§ 2° e 3° deste
artigo deverão ser efetivadas pelo cartório, no prazo de
Art. 237. Ainda que o imóvel esteja matriculado, não se fará
trinta dias, contado a partir do recebimento da solicitação de
registro que dependa da apresentação de título anterior, a
registro e averbação, sob pena de aplicação de multa diária
fim de que se preserve a continuidade do registro.
no valor de R$ 1.000,00 (mil reais), sem prejuízo da respon-

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sabilidade civil e penal do Oficial de Registro. (Incluído pela Art. 262. Se não ocorrer razão para dúvida, o oficial fará a
Lei n° 10.267, de 28.8.2001). publicação, em forma de edital, do qual constará:
Art. 247. Averbar-se-á, também, na matrícula, a declaração I - o resumo da escritura, nome, naturalidade e profissão do
de indisponibilidade de bens, na forma prevista na Lei. instituidor, data do instrumento e nome do tabelião que o
Art. 248. O cancelamento efetuar-se-á mediante averbação, fez, situação e característicos do prédio;
assinada pelo oficial, seu substituto legal ou escrevente II - o aviso de que, se alguém se julgar prejudicado, deverá,
autorizado, e declarará o motivo que o determinou, bem dentro em trinta (30) dias, contados da data da publicação,
como o título em virtude do qual foi feito. reclamar contra a instituição, por escrito e perante o oficial.
Art. 249. O cancelamento poderá ser total ou parcial e refe- Art. 263. Findo o prazo do n° II do artigo anterior, sem que
rir-se a qualquer dos atos do registro. (Renumerado e alte- tenha havido reclamação, o oficial transcreverá a escritura,
rado pela Lei n° 6.216, 30.6.1975). integralmente, no Livro n° 3 e fará a inscrição na competen-
Art. 250. Far-se-á o cancelamento: te matrícula, arquivando um exemplar do jornal em que a
I - em cumprimento de decisão judicial transitada em julga- publicação houver sido feita e restituindo o instrumento ao
do; apresentante, com a nota da inscrição.
II - a requerimento unânime das partes que tenham partici- Art. 264. Se for apresentada reclamação, dela fornecerá o
pado do ato registrado, se capazes, com as firmas reconhe- oficial, ao instituidor, cópia autêntica e lhe restituirá a escri-
cidas por tabelião; tura, com a declaração de haver sido suspenso o registro,
III - A requerimento do interessado, instruído com documen- cancelando a prenotação.
to hábil. § 1° O instituidor poderá requerer ao Juiz que ordene o
Art. 251. O cancelamento da hipoteca só pode ser feito: registro, sem embargo da reclamação.
I - à vista de autorização expressa ou quitação outorgada § 2° Se o Juiz determinar que proceda ao registro, ressalva-
pelo credor ou seu sucessor, em instrumento público ou rá ao reclamante o direito de recorrer à ação competente
particular; para anular a instituição ou de fazer execução sobre o pré-
II - em razão de procedimento administrativo ou contencio- dio instituído, na hipótese de tratar-se de dívida anterior e
so, no qual o credor tenha sido intimado (artigo 698 do Có- cuja solução se tornou inexeqüível em virtude do ato da
digo de Processo Civil); instituição.
III - na conformidade da legislação referente às cédulas § 3° O despacho do Juiz será irrecorrível e, se deferir o
hipotecárias. pedido será transcrito integralmente, juntamente com o
instrumento.
Art. 252. O registro, enquanto não cancelado, produz todos
os seus efeitos legais ainda que, por outra maneira, se pro- Art. 265. Quando o bem de família for instituído juntamente
ve que o título está desfeito, anulado, extinto ou rescindido. com a transmissão da propriedade (Decreto-Lei n° 3.200, de
19 de abril de 1941, artigo 8°, § 5°), a inscrição far-se-á
Art. 253. Ao terceiro prejudicado é lícito, em juízo, fazer
imediatamente após o registro da transmissão ou, se for o
prova da extinção dos ônus, reais, e promover o cancela-
caso, com a matrícula.
mento do seu registro.
CAPÍTULO X DA REMIÇÃO DO IMÓVEL HIPOTECADO
Art. 254. Se, cancelado o registro, subsistirem o título e os
direitos dele decorrentes, poderá o credor promover novo Art. 266. Para remir o imóvel hipotecado, o adquirente re-
registro, o qual só produzirá efeitos a partir da nova data. quererá, no prazo legal, a citação dos credores hipotecários
Art. 255. Além dos casos previstos nesta Lei, a inscrição de propondo, para a remição, no mínimo, o preço por que ad-
incorporação ou loteamento só será cancelada a requeri- quiriu o imóvel.
mento do incorporador ou loteador, enquanto nenhuma Art. 267. Se o credor, citado, não se opuser à remição, ou
unidade ou lote for objeto de transação averbada, ou medi- não comparecer, lavrar-se-á termo de pagamento e quita-
ante o consentimento de todos os compromissários ou ces- ção e o Juiz ordenará, por sentença, o cancelamento de
sionários. hipoteca.
Art. 256. O cancelamento da servidão, quando o prédio Parágrafo único. No caso de revelia, consignar-se-á o
dominante estiver hipotecado, só poderá ser feito com aqui- preço à custa do credor.
escência do credor, expressamente manifestada. Art. 268. Se o credor, citado, comparecer e impugnar o
Art. 257. O dono do prédio serviente terá, nos termos da lei, preço oferecido, o Juiz mandará promover a licitação entre
direito a cancelar a servidão. os credores hipotecários, os fiadores e o próprio adquirente,
Art. 258. O foreiro poderá, nos termos da lei, averbar a autorizando a venda judicial a quem oferecer maior preço.
renúncia de seu direito, sem dependência do consentimento § 1° Na licitação, será preferido, em igualdade de condi-
do senhorio direto. ções, o lanço do adquirente.
Art. 259. O cancelamento não pode ser feito em virtude de § 2° Na falta de arrematante, o valor será o proposto pelo
sentença sujeita, ainda, a recurso. adquirente.
CAPÍTULO IX DO BEM DE FAMÍLIA Art. 269. Arrematado o imóvel e depositado, dentro de qua-
renta e oito (48) horas, o respectivo preço, o Juiz mandará
Art. 260. A instituição do bem de família far-se-á por escritu-
cancelar a hipoteca, sub-rogando-se no produto da venda
ra pública, declarando o instituidor que determinado prédio
os direitos do credor hipotecário.
se destina a domicílio de sua família e ficará isento de exe-
cução por dívida. Art. 270. Se o credor de segunda hipoteca, embora não
vencida a dívida, requerer a remição, juntará o título e certi-
Art. 261. Para a inscrição do bem de família, o instituidor
dão da inscrição da anterior e depositará a importância de-
apresentará ao oficial do registro a escritura pública de insti-
vida ao primeiro credor, pedindo a citação deste para levan-
tuição, para que mande publicá-la na imprensa local e, à
tar o depósito e a do devedor para dentro do prazo de cinco,
falta, na da capital do Estado ou do Território.
dias remir a hipoteca, sob pena de ficar o requerente sub-

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rogado nos direitos creditórios, sem prejuízo dos que lhe Art. 283. O Juiz ordenará, de ofício ou a requerimento da
couberem em virtude da segunda hipoteca. parte, que, à custa do peticionário, se notifiquem do reque-
Art. 271. Se o devedor não comparecer ou não remir a hipo- rimento as pessoas nele indicadas.
teca, os autos serão conclusos ao Juiz para julgar por sen- Art. 284. Em qualquer hipótese, será ouvido o órgão do
tença a remição pedida pelo segundo credor. Ministério Público, que poderá impugnar o registro por falta
Art. 272. Se o devedor comparecer e quiser efetuar a remi- de prova completa do domínio ou preterição de outra forma-
ção, notificar-se-á o credor para receber o preço, ficando lidade legal.
sem efeito o depósito realizado pelo autor. Art. 285. Feita a publicação do edital, a pessoa que se jul-
Art. 273. Se o primeiro credor estiver promovendo a execu- gar com direito sobre o imóvel, no todo ou em parte, poderá
ção da hipoteca, a remição, que abrangerá a importância contestar o pedido no prazo de quinze dias.
das custas e despesas realizadas, não se efetuará antes da § 1° A contestação mencionará o nome e a residência do
primeira praça, nem depois de assinado o auto de arrema- réu, fará a descrição exata do imóvel e indicará os direitos
tação. reclamados e os títulos em que se fundarem.
Art. 274. Na remição de hipoteca legal em que haja interes- § 2° Se não houver contestação, e se o Ministério Público
se de incapaz intervirá o Ministério Público. não impugnar o pedido, o Juiz ordenará que se inscreva o
Art. 275. Das sentenças que julgarem o pedido de remição imóvel, que ficará, assim, submetido aos efeitos do Registro
caberá o recurso de apelação com ambos os efeitos. Torrens.
Art. 276. Não é necessária a remição quando o credor assi- Art. 286. Se houver contestação ou impugnação, o proce-
nar, com o vendedor, escritura de venda do imóvel gravado. dimento será ordinário, cancelando-se, mediante mandado,
CAPÍTULO XI DO REGISTRO TORRENS a prenotação.
Art. 277. Requerida a inscrição de imóvel rural no Registro Art. 287. Da sentença que deferir, ou não, o pedido, cabe o
Torrens, o oficial protocolizará e autuará o requerimento e recurso de apelação, com ambos os efeitos.
documentos que o instruírem e verificará se o pedido se Art. 288. Transitada em julgado a sentença que deferir o
acha em termos de ser despachado. pedido, o oficial inscreverá, na matrícula, o julgado que
Art. 278. O requerimento será instruído com: determinou a submissão do imóvel aos efeitos do Registro
Torrens, arquivando em cartório a documentação autuada.
I - os documentos comprobatórios do domínio do requeren-
te; TÍTULO VI DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
II - a prova de quaisquer atos que modifiquem ou limitem a Art. 289. No exercício de suas funções, cumpre aos oficiais
sua propriedade; de registro fazer rigorosa fiscalização do pagamento dos
III - o memorial de que constem os encargos do imóvel os impostos devidos por força dos atos que lhes forem apre-
nomes dos ocupantes, confrontantes, quaisquer interessa- sentados em razão do ofício.
dos, e a indicação das respectivas residências; Art. 290. Os emolumentos devidos pelos atos relacionados
IV - a planta do imóvel, cuja escala poderá variar entre os com a primeira aquisição imobiliária para fins residenciais,
limites: 1:500 m (1500) e 1:5.000 m (15000). financiada pelo Sistema Financeiro de Habitação, serão
§ 1° O levantamento da planta obedecerá às seguintes re- reduzidos em 50% (cinqüenta por cento).
gras: § 1° O registro e a averbação referentes à aquisição da
a) - empregar-se-ão goniômetros ou outros instrumentos de casa própria, em que seja parte cooperativa habitacional ou
maior precisão; entidade assemelhada, serão considerados, para o efeito de
cálculo de custas e emolumentos, como um ato apenas, não
b) - a planta será orientada segundo o mediano do lugar,
podendo a sua cobrança exceder o limite correspondente a
determinada a declinação magnética;
40% (quarenta por cento) do maior valor de referência.
c) - fixação dos pontos de referência necessários a verifica-
§ 2° Nos demais programas de interesse social, executados
ções ulteriores e de marcos especiais, ligados a pontos
pelas Companhias de Habitação Popular - (COHABs) ou
certos e estáveis nas sedes das propriedades, de maneira
entidades assemelhadas, os emolumentos e as custas de-
que a planta possa incorporar-se à carta geral cadastral.
vidos pelos atos de aquisição de imóveis e pelos de averba-
§ 2° Às plantas serão anexadas o memorial e as cadernetas
ção de construção estarão sujeitos às seguintes limitações:
das operações de campo, autenticadas pelo agrimensor.
a) imóvel de até 60 m² (sessenta metros quadrados) de área
Art. 279. O imóvel sujeito a hipoteca ou ônus real não será
construída: 10% (dez por cento) do maior valor de referên-
admitido a registro sem consentimento expresso do credor
cia;
hipotecário ou da pessoa em favor de quem se tenha institu-
b) de mais de 60 m² (sessenta metros quadrados) até 70 m²
ído o ônus.
(setenta metros quadrados) de área construída: 15% (quin-
Art. 280. Se o oficial considerar irregular o pedido ou a do-
ze por cento) do maior valor de referência;
cumentação, poderá conceder o prazo de trinta dias para
c) de mais de 70 m² (setenta metros quadrados) e até 80 m²
que o interessado os regularize. Se o requerente não estiver
(oitenta metros quadrados) de área construída: 20% (vinte
de acordo com a exigência do oficial, este suscitará dúvida.
por cento) do maior valor de referência;
Art. 281. Se o oficial considerar em termos o pedido, reme-
§ 3° Os emolumentos devidos pelos atos relativos a financi-
tê-lo-á a juízo para ser despachado.
amento rural serão cobrados de acordo com a legislação
Art. 282. O Juiz, distribuído o pedido a um dos cartórios
federal.
judiciais se entender que os documentos justificam a propri-
§ 4° As custas e emolumentos devidos aos Cartórios de
edade do requerente, mandará expedir edital que será afi-
Notas e de Registro de Imóveis, nos atos relacionados com
xado no lugar de costume e publicado uma vez no órgão
a aquisição imobiliária para fins residenciais, oriundas de
oficial do Estado e três vezes na imprensa local, se houver,
programas e convênios com a União, Estados, Distrito Fe-
marcando prazo não menor de dois meses, nem maior de
deral e Municípios, para a construção de habitações popula-
quatro meses para que se ofereça oposição.

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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res destinadas a famílias de baixa renda, pelo sistema de Art. 297. Os oficiais, na data de vigência desta Lei, lavrarão
mutirão e autoconstrução orientada, serão reduzidos para termo de encerramento nos livros, e dele remeterão cópia
vinte por cento da tabela cartorária normal, considerando-se ao juiz a que estiverem subordinados.
que o imóvel será limitado a até sessenta e nove metros Parágrafo único. Sem prejuízo do cumprimento integral
quadrados de área construída, em terreno de até duzentos das disposições desta Lei, os livros antigos poderão ser
e cinqüenta metros quadrados. (parágrafo acrescido pela aproveitados, até o seu esgotamento, mediante autorização
Lei n° 9.934, de 20.12.1999). judicial e adaptação aos novos modelos, iniciando-se nova
§ 5° Os cartórios que não cumprirem o disposto no § 4° numeração.
ficarão sujeitos a multa de até R$ 1.120,00 (um mil cento e Art. 298. Esta Lei entrará em vigor no dia 1° de janeiro de
vinte reais) a ser aplicada pelo juiz, com a atualização que 1976.
se fizer necessária, em caso de desvalorização da moeda. Art. 299. Revogam-se a Lei n° 4.827, de 7 de março de
(parágrafo acrescido pela Lei n° 9.934, de 20.12.1999). 1924, os Decretos ns. 4.857, de 9 de novembro de 1939,
Art. 291. A emissão ou averbação da Cédula Hipotecária, 5.318, de 29 de fevereiro de 1940, 5.553, de 6 de maio de
consolidando créditos hipotecários de um só credor, não 1940, e as demais disposições em contrário.
implica modificação da ordem preferencial dessas hipotecas Brasília, 31 de dezembro de 1973; 154° da Independência e
em relação a outras que lhes sejam posteriores e que ga- 87° da República.
rantam créditos não incluídos na consolidação. EMÍLIO G. MEDÍCI
Art. 292. É vedado aos Tabeliães e aos Oficiais de Registro
de Imóveis, sob pena de responsabilidade, lavrar ou regis- LEI N° 6.099, DE 12 DE SETEMBRO DE 1974
trar escritura ou escritos particulares autorizados por lei, que
tenham por objeto imóvel hipotecado a entidade do Sistema Dispõe sobre o tratamento tributário das operações de
Financeiro da Habitação, ou direitos a eles relativos, sem arrendamento mercantil e dá outras providências.
que conste dos mesmos, expressamente, a menção ao O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Con-
ônus real e ao credor, bem como a comunicação ao credor, gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
necessariamente feita pelo alienante, com antecedência de , Art. 1° O tratamento tributário das operações de arrenda-
no mínimo, 30 (trinta) dias. mento mercantil reger-se-á pelas disposições desta Lei.
Art. 293. Se a escritura deixar de ser lavrada no prazo de Parágrafo único. Considera-se arrendamento mercantil,
60 (sessenta) dias a contar da data da comunicação do para os efeitos desta Lei, o negócio jurídico realizado entre
alienante, esta perderá a validade. pessoa jurídica, na qualidade de arrendadora, e pessoa
Parágrafo único. A ciência da comunicação não importará física ou jurídica, na qualidade de arrendatária, e que tenha
consentimento tácito do credor hipotecário. por objeto o arrendamento de bens adquiridos pela arren-
Art. 294. Nos casos de incorporação de bens imóveis do dadora, segundo especificações da arrendatária e para uso
patrimônio público, para a formação ou integralização do próprio desta. (Redação dada pela Lei n° 7.132, de 26 de
capital de sociedade por ações da administração indireta ou outubro de 1983).
para a formação do patrimônio de empresa pública, o oficial Art. 2° Não terá o tratamento previsto nesta Lei o arrenda-
do respectivo registro de imóveis fará o novo registro em mento de bens contratado entre pessoas jurídicas direta ou
nome da entidade a que os mesmos forem incorporados ou indiretamente coligadas ou interdependentes, assim como o
transferidos, valendo-se, para tanto, dos dados característi- contratado com o próprio fabricante.
cos e confrontações constantes do anterior. § 1° O Conselho Monetário Nacional especificará em regu-
§ 1° Servirá como título hábil para o novo registro o instru- lamento os casos de coligação e interdependência.
mento pelo qual a incorporação ou transferência se verifi- § 2° Somente farão jus ao tratamento previsto nesta Lei as
cou, em cópia autêntica, ou exemplar do órgão oficial no operações realizadas ou por empresas arrendadoras que
qual foi aquele publicado. fizerem dessa operação o objeto principal de sua atividade
§ 2° Na hipótese de não coincidência das características do ou que centralizarem tais operações em um departamento
imóvel com as constantes do registro existente, deverá a especializado com escrituração própria.
entidade, ao qual foi o mesmo incorporado ou transferido, Art. 3° Serão escriturados em conta especial do ativo imobi-
promover a respectiva correção mediante termo aditivo ao lizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento
instrumento de incorporação ou transferência e do qual mercantil.
deverão constar, entre outros elementos, seus limites ou Art. 4° A pessoa jurídica arrendadora manterá registro indi-
confrontações, sua descrição e caracterização. vidualizado que permita a verificação do fator determinante
§ 3° Para fins do registro de que trata o presente artigo, da receita e do tempo efetivo de arrendamento.
considerar-se-á, como valor de transferência dos bens, o Art. 5° Os contratos de arrendamento mercantil conterão as
constante do instrumento a que alude o § 1°. seguintes disposições:
Art. 295. O encerramento dos livros em uso, antes da vi- a) prazo do contrato;
gência da presente Lei, não exclui a validade dos atos neles b) valor de cada contraprestação por períodos determina-
registrados, nem impede que, neles, se façam as averba- dos, não superiores a um semestre;
ções e anotações posteriores. c) opção de compra ou renovação de contrato, como facul-
Parágrafo único. Se a averbação ou anotação dever ser dade do arrendatário;
feita no Livro n° 2 do Registro de Imóvel, pela presente Lei, d) preço para opção de compra ou critério para sua fixação,
e não houver espaço nos anteriores Livros de Transcrição quando for estipulada esta cláusula.
das Transmissões, será aberta a matrícula do imóvel. Parágrafo único. Poderá o Conselho Monetário Nacional,
Art. 296. Aplicam-se aos registros referidos no artigo 1°, § nas operações que venha a definir, estabelecer que as con-
1°, incisos I, II e III, desta Lei, as disposições relativas ao traprestações sejam estipuladas por períodos superiores
processo de dúvida no registro de imóveis.

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aos previstos na alínea b deste artigo. (Incluído pela Lei n° § 1° Entende-se por vida útil do bem o prazo durante o qual
7.132, de 26 de outubro de 1983). se possa esperar a sua efetiva utilização econômica.
Art. 6° O Conselho Monetário Nacional poderá estabelecer § 2° A Secretaria da Receita Federal publicará periodica-
índices máximos para a soma das contrapres-tações, a- mente o prazo de vida útil admissível, em condições nor-
crescidas do preço para exercício da opção da compra nas mais, para cada espécie de bem.
operações de arrendamento mercantil. § 3° Enquanto não forem publicados os prazos de vida útil
§ 1° Ficam sujeitas à regra deste artigo as prorrogações do de que trata o parágrafo anterior, a sua determinação se
arrendamento nele referido. fará segundo as normas previstas pela legislação do Impos-
§ 2° Os índices de que trata este artigo serão fixados, con- to sobre a Renda para fixação da taxa de depreciação.
siderando o custo do arrendamento em relação ao do fun- Art. 13. Nos casos de operações de vendas de bens que
cionamento da compra e venda. tenham sido objeto de arrendamento mercantil, o saldo não
Art. 7° Todas as operações de arrendamento mercantil depreciado será admitido como custo para efeito de apura-
subordinam-se ao controle e fiscalização do Banco Central ção do lucro tributável pelo Imposto de Renda.
do Brasil, segundo normas estabelecidas pelo Conselho Art. 14. Não será dedutível, para fins de apuração do lucro
Monetário Nacional, a elas se aplicando, no que couber, as tributável pelo Imposto sobre a Renda, a diferença a menor
disposições da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, e entre o valor contábil residual do bem arrendado e o seu
legislação posterior relativa ao Sistema Financeiro Nacional. preço de venda, quando do exercício da opção de compra.
Art. 8° O Conselho Monetário Nacional poderá baixar reso- Art. 15. Exercida a opção de compra pelo arrendatário, o
lução disciplinando as condições segundo as quais as insti- bem integrará o ativo fixo do adquirente pelo seu custo de
tuições financeiras poderão financiar suas coligadas ou aquisição.
interdependentes, que se especializarem em operações de Parágrafo único. Entende-se como custo de aquisição para
arrendamento mercantil. os fins deste artigo, o preço pago pelo arrendatário ao ar-
Art. 9° As operações de arrendamento mercantil contrata- rendador pelo exercício da opção de compra.
das com o próprio vendedor do bem ou com pessoas jurídi- Art. 16. Os contratos de arrendamento mercantil celebrado
cas a ele vinculadas, mediante quaisquer das relações pre- com entidades domiciliadas no Exterior serão submetidos a
vistas no art. 2° desta Lei, poderão também ser realizadas registro no Banco Central do Brasil. (Redação dada pela Lei
por instituições financeiras expressamente autorizadas pelo n° 7.132, de 26 de outubro de 1983).
Conselho Monetário Nacional, que estabelecerá as condi- § 1° O Conselho Monetário Nacional estabelecerá as nor-
ções para a realização das operações previstas neste arti- mas para a concessão do registro a que se refere este arti-
go. (Redação dada pela Lei n° 7.132, de 26 de outubro de go, observando as seguintes condições:
1983). a) razoabilidade da contraprestação e de sua composição;
Parágrafo único. Nos casos deste artigo, o prejuízo decor- b) critérios para fixação do prazo de vida útil do bem;
rente da venda do bem não será dedutível na determinação c) compatibilidade do prazo de arrendamento do bem com a
do lucro real. sua vida útil;
Art. 10. Somente poderão ser objeto de arrendamento mer- d) relação entre o preço internacional do bem e o custo total
cantil os bens de produção estrangeira que forem enumera- do arrendamento;
dos pelo Conselho Monetário Nacional, que poderá, tam-
e) cláusula de opção de compra ou renovação do contrato;
bém, estabelecer condições para seu arrendamento a em-
presas cujo controle acionário pertencer a pessoas residen- f) outras cautelas ditadas pela política econômico-financeira
tes no Exterior. nacional.
Art. 11. Serão consideradas como custo ou despesa opera- § 2° Mediante prévia autorização do Banco Central do Bra-
cional da pessoa jurídica arrendatária as contraprestações sil, segundo normas para este fim expedidas pelo Conselho
pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento Monetário Nacional, os bens objeto das operações de que
mercantil. trata este artigo poderão ser arrendados a sociedades ar-
rendadoras domiciliadas no País, para o fim de subarren-
§ 1° A aquisição pelo arrendatário de bens arrendados em
damento.
desacordo com as disposições desta Lei, será considerada
operação de compra e venda a prestação. § 3° Estender-se-ão ao subarrenda-mento as normas apli-
cáveis aos contratos de arrendamento mercantil celebrados
§ 2° O preço de compra e venda, no caso do parágrafo
com entidades domici-liadas no Exterior.
anterior, será o total das contraprestações pagas durante a
vigência do arrendamento, acrescido da parcela paga a § 4° No subarrendamento poderá haver vínculo de coliga-
título de preço de aquisição. ção ou de interdependência entre a entidade domiciliada no
Exterior e a sociedade arrendatária subarrendadora, domici-
§ 3° Na hipótese prevista no parágrafo primeiro deste artigo,
liada no País.
as importâncias já deduzidas, como custo ou despesa ope-
racional pela adquirente, acrescerão ao lucro tributável pelo § 5° Mediante as condições que estabelecer, o Conselho
Imposto sobre a Renda, no exercício correspondente à res- Monetário Nacional poderá autorizar o registro de contratos
pectiva dedução. sem cláusula de opção de compra bem como fixar prazos
mínimos para as operações previstas neste artigo.
§ 4° O imposto não recolhido na hipótese do parágrafo ante-
Art. 17. A entrada no território nacional dos bens objeto de
rior, será devido com acréscimo de juros e correção mone-
tária, multa e demais penalidades legais. arrendamento mercantil, contratado com entidades arrenda-
doras domiciliadas no exterior, não se confunde com o re-
Art. 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas
gime da admissão temporária de que trata o Decreto-lei
arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisi-
número 37, de 18 de novembro de 1966, e se sujeitará a
ção de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil
todas as normas legais que regem a importação. (Redação
do bem.
dada pela Lei n° 7.132, de 26 de outubro de 1983).

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Art. 18. A base de cálculo, para efeito do Imposto sobre Dispõe sobre medidas de prevenção e repressão ao
Produtos Industrializados, do fato gerador que ocorrer por tráfico ilícito e uso indevido de substâncias entorpecen-
ocasião da remessa de bens importados ao estabelecimen- tes ou que determinem dependência física ou psíquica,
to da empresa arrendatária, corresponderá ao preço por e dá outras providências.
atacado desse bem na praça em que a empresa arrendado- O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o
ra estiver domiciliada. (Redação dada pela Lei n° 7.132, de CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a se-
26 de outubro de 1983). guinte Lei:
§ 1° A saída de bens importados com isenção de impostos
ficará isenta da incidência a que se refere o caput desse CAPÍTULO I DA PREVENÇÃO
artigo.
Art. 1° É dever de toda pessoa física ou jurídica colaborar
§ 2° Nas hipóteses em que o preço dos bens importados
na prevenção e repressão ao tráfico ilícito e uso indevido de
para o fim de arrendamento for igual ou superior ao que
substância entorpecente ou que determine dependência
seria pago pelo arrendatário se os importasse diretamente,
a base de cálculo mencionado no caput deste artigo será o física ou psíquica.
valor que servir de base para o recolhimento do Imposto Parágrafo único. As pessoas jurídicas que, quando solici-
sobre Produtos Industrializados, por ocasião do desembara- tadas, não prestarem colaboração nos planos governamen-
ço alfandegário desses bens. tais de prevenção e repressão ao tráfico ilícito e uso indevi-
Art. 19. Fica equiparada à exportação a compra e venda de do de substância entorpecente ou que determine depen-
dência física ou psíquica perderão, a juízo do órgão ou do
bens no mercado interno, para o fim específico de arrenda-
poder competente, auxílios ou subvenções que venham
mento pelo comprador a arrendatário domiciliado no Exteri-
recebendo da União, dos Estados, do Distrito Federal, Terri-
or.
tórios e Municípios, bem como de suas autarquias, empre-
Art. 20. São assegurados ao vendedor dos bens de que
sas públicas, sociedades de economia mista e fundações.
trata o artigo anterior todos os benefícios fiscais concedidos
Art. 2° Ficam proibidos em todo o território brasileiro o plan-
por lei para incentivo à exportação, observadas as condi-
tio, a cultura, a colheita e a exploração, por particulares, de
ções de qualidade da pessoa do vendedor e outras exigidas
todas as plantas das quais possa ser extraída substância
para os casos de exportação direta ou indireta.
entorpecente ou que determine dependência física ou psí-
§ 1° Os benefícios fiscais de que trata este artigo serão
quica.
concedidos sobre o equivalente em moeda nacional de
§ 1° As plantas dessa natureza, nativas ou cultivadas, exis-
garantia irrevogável do pagamento das contraprestações do
tentes no território nacional, serão destruídas pelas autori-
arrendamento contratado, limitada a base de cálculo ao
dades policiais, ressalvados os casos previstos no parágrafo
preço da compra e venda.
seguinte.
§ 2° Para os fins do parágrafo anterior, a equivalência em
§ 2° A cultura dessas plantas com fins terapêuticos ou cien-
moeda nacional será determinada pela maior taxa de câm-
tíficos só será permitida mediante prévia autorização das
bio do dia da utilização dos benefícios fiscais.
autoridades competentes.
Art. 21. O Ministro da Fazenda poderá estender aos arren-
§ 3° Para extrair, produzir, fabricar, transformar, preparar,
datários de máquinas, aparelhos e equipamentos de produ-
possuir, importar, exportar, reexportar, remeter, transportar,
ção nacional, objeto de arrendamento mercantil, os benefí-
expor, oferecer, vender, comprar, trocar, ceder ou adquirir
cios de que trata o Decreto-lei n° 1.136, de 7 de dezembro
para qualquer fim substância entorpecente ou que determi-
de 1970.
ne dependência física ou psíquica, ou matéria-prima desti-
Art. 22. As pessoas jurídicas que estiverem operando com
nada à sua preparação, é indispensável licença da autori-
arrendamento de bens, e que se ajustarem às disposições
dade sanitária competente, observadas as demais exigên-
desta Lei dentro de 180 (cento e oitenta) dias, a contar da
cias legais.
sua vigência, terão as suas operações regidas por este
§ 4° Fica dispensada da exigência prevista no parágrafo
Diploma legal, desde que ajustem convenientemente os
anterior aquisição de medicamentos mediante prescrição
seus contratos, mediante instrumentos de aditamento.
médica, de acordo com os preceitos legais ou regulamenta-
Art. 23. Fica o Conselho Monetário Nacional autorizado a:
res.
a) expedir normas que visem a estabelecer mecanismos Art. 3° Fica instituído o Sistema Nacional Antidrogas, consti-
reguladores das atividades previstas nesta Lei, inclusive
tuído pelo conjunto de órgãos que exercem, nos âmbitos
excluir modalidades de operações do tratamento nela pre-
federal, estadual, distrital e municipal, atividades relaciona-
visto e limitar ou proibir sua prática por determinadas cate-
das com: (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.225-
gorias de pessoas físicas ou jurídicas; (Redação dada pela
45, de 4.9.2001).
Lei n° 7.132, de 26 de outubro de 1983).
I - a prevenção do uso indevido, o tratamento, a recupera-
b) enumerar restritivamente os bens que não poderão ser
ção e a reinserção social de dependentes de substâncias
objeto de arrendamento mercantil, tendo em vista a política
entorpecentes e drogas que causem dependência física ou
econômico-financeira do País.
psíquica; e (Incluído pela Medida Provisória n° 2.225-45, de
Art. 24. Esta Lei entrará em vigor na data de sua publica- 4.9.2001).
ção, revogadas as disposições em contrário.
II - a repressão ao uso indevido, a prevenção e a repressão
Brasília, 12 de setembro de 1974; 153° da Independência e do tráfico ilícito e da produção não autorizada de substân-
86° da República. cias entorpecentes e drogas que causem dependência física
ERNESTO GEISEL ou psíquica. (Incluído pela Medida Provisória n° 2.225-45,
de 4.9.2001).
LEI N° 6.368, DE 21 DE OUTUBRO DE 1976 Parágrafo único. O sistema de que trata este artigo será
formalmente estruturado por decreto do Poder Executivo,

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que disporá sobre os mecanismos de coordenação e contro- § 2° Os estabelecimentos hospitalares e clínicas, oficiais ou
le globais de atividades, e sobre os mecanismos de coorde- particulares, que receberem dependentes para tratamento,
nação e controle incluídos especificamente nas áreas de encaminharão à repartição competente, até o dia 10 de
atuação dos governos federal, estaduais e municipais. cada mês, mapa estatístico dos casos atendidos durante o
Art. 4° Os dirigentes de estabelecimentos de ensino ou mês anterior, com a indicação do código da doença, segun-
hospitalares, ou de entidade sociais, culturais, recreativas, do a classificação aprovada pela Organização Mundial de
esportivas ou beneficentes, adotarão, de comum acordo e Saúde, dispensada a menção do nome do paciente.
sob a orientação técnica de autoridades especializadas Art. 11. Ao dependente que, em razão da prática de qual-
todas as medidas necessárias à prevenção do tráfico ilícito quer infração penal, for imposta pena privativa de liberdade
e do uso indevido de substância entorpecente ou que de- ou medida de segurança detentiva será dispensado trata-
termine dependência física ou psíquica, nos recintos ou mento em ambulatório interno do sistema penitenciário onde
imediações de suas atividades. estiver cumprindo a sanção respectiva.
Parágrafo único. A não observância do disposto neste CAPÍTULO III DOS CRIMES E DAS PENAS
artigo implicará na responsabilidade penal e administrativa Art. 12. Importar ou exportar, remeter, preparar, produzir,
dos referidos dirigentes. fabricar, adquirir, vender, expor à venda ou oferecer, forne-
Art. 5° Nos programas dos cursos de formação de professo- cer ainda que gratuitamente, ter em depósito, transportar,
res serão incluídos ensinamentos referentes a substâncias trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar ou entregar,
entorpecentes ou que determinem dependência física ou de qualquer forma, a consumo substância entorpecente ou
psíquica, a fim de que possam ser transmitidos com obser- que determine dependência física ou psíquica, sem autori-
vância dos seus princípios científicos. zação ou em desacordo com determinação legal ou regula-
Parágrafo único. Dos programas das disciplinas da área de mentar:
ciências naturais, integrantes dos currículos dos cursos de Pena - Reclusão, de 3 (três) a 15 (quinze) anos, e paga-
1° grau, constarão obrigatoriamente pontos que tenham por mento de 50 (cinqüenta) a 360 (trezentos e sessenta) dias-
objetivo o esclarecimento sobre a natureza e efeitos das multa.
substâncias entorpecentes ou que determinem dependência § 1° Nas mesmas penas incorre quem, indevidamente:
física ou psíquica. I - importa ou exporta, remete, produz, fabrica, adquire,
Art. 6° Compete privativamente ao Ministério da Saúde, vende, expõe à venda ou oferece, fornece ainda que gratui-
através de seus órgãos especializados, baixar instruções de tamente, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guar-
caráter geral ou especial sobre proibição, limitação, fiscali- da matéria-prima destinada a preparação de substância
zação e controle da produção, do comércio e do uso de entorpecente ou que determine dependência física ou psí-
substâncias entorpecentes ou que determinem dependência quica;
física ou psíquica e de especialidades farmacêuticas que as II - semeia, cultiva ou faz a colheita de plantas destinadas à
contenham. preparação de entorpecente ou de substância que determi-
Parágrafo único. A competência fixada neste artigo, no que ne dependência física ou psíquica.
diz respeito à fiscalização e ao controle, poderá ser delega- § 2° Nas mesmas penas incorre, ainda, quem:
da a Órgãos congêneres dos Estados, do Distrito Federal e
I - induz, instiga ou auxilia alguém a usar entorpecente ou
dos Territórios.
substância que determine dependência física ou psíquica;
Art. 7° A União poderá celebrar convênios com os Estados
II - utiliza local de que tem a propriedade, posse, adminis-
visando à prevenção e repressão do tráfico ilícito e do uso
tração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem dele
indevido de substância entorpecente ou que determine de-
se utilize, ainda que gratuitamente, para uso indevido ou
pendência física ou psíquica.
tráfico ilícito de entorpecente ou de substância que determi-
CAPÍTULO II DO TRATAMENTO E DA RECUPERAÇÃO ne dependência fisica ou psíquica.
Art. 8° Os dependentes de substâncias entorpecentes, ou III - contribui de qualquer forma para incentivar ou difundir o
que determinem dependência física ou psíquica, ficarão uso indevido ou o tráfico ilícito de substância entorpecente
sujeitos às medidas previstas neste Capítulo. ou que determine dependência física ou psíquica.
Art. 9° As redes dos serviços de saúde dos Estados, Terri- Art. 13. Fabricar, adquirir, vender, fornecer ainda que gratui-
tórios e Distrito Federal contarão, sempre que necessário e tamente, possuir ou guardar maquinismo, aparelho, instru-
possível, com estabelecimentos próprios para tratamento mento ou qualquer objeto destinado à fabricação, prepara-
dos dependentes de substâncias a que se refere a presente ção, produção ou transformação de substância entorpecen-
Lei. te ou que determine dependência física ou psíquica, sem
§ 1° Enquanto não se criarem os estabelecimentos referidos autorização ou em desacordo com determinação legal ou
neste artigo, serão adaptados, na rede já existente, unida- regulamentar:
des para aquela finalidade. Pena - Reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento
§ 2° O Ministério da Previdência e Assistência Social provi- de 50 (cinqüenta) a 360 (trezentos e sessenta) dias-multa.
denciará no sentido de que as normas previstas neste artigo Art. 14. Associarem-se 2 (duas) ou mais pessoas para o fim
e seu § 1° sejam também observadas pela sua rede de de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos crimes
serviços de saúde. previstos nos arts. 12 ou 13 desta Lei:
Art. 10. O tratamento sob regime de internação hospitalar Pena - Reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento
será obrigatório quando o quadro clínico do dependente ou de 50 (cinqüenta) a 360 (trezentos e sessenta) dias-multa.
a natureza de suas manifestações psicopatológicas assim o Art. 15. Prescrever ou ministrar, culposamente, o médico,
exigirem. dentista, farmacêutico ou profissional de enfermagem subs-
§ 1° Quando verificada a desnecessidade de internação, o tância entorpecente ou que determine dependência física ou
dependente será submetido a tratamento em regime extra-
hospitalar, com assistência do serviço social competente.

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psíquica, em dose evidentemente maior que a necessária § 2° Nas comarcas onde houver mais de uma vara compe-
ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: tente, a remessa far-se-á na forma prevista na Lei de Orga-
Pena - Detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pa- nização Judiciária local.
gamento de 30 (trinta) a 100 (cem) dias-multa. Art. 22. Recebidos os autos em Juízo será aberta vista ao
Art. 16. Adquirir, guardar ou trazer consigo, para o uso pró- Ministério Público para, no prazo de 3 (três) dias, oferecer
prio, substância entorpecente ou que determine dependên- denúncia, arrolar testemunhas até o máximo de 5 (cinco) e
cia física ou psíquica, sem autorização ou em desacordo requerer as diligências que entender necessárias.
com determinação legal ou regulamentar: § 1° Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante
Pena - Detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pa- e do oferecimento da denúncia, no que tange à materialida-
gamento de (vinte) a 50 (cinqüenta) dias-multa. de do delito, bastará laudo de constatação da natureza da
Art. 17. Violar de qualquer forma o sigilo de que trata o art. substância firmado por perito oficial ou, na falta deste, por
26 desta Lei: pessoa idônea escolhida de preferência entre as que tive-
Pena - Detencão, de 2 (dois) a 6 (seis) meses, ou pagamen- rem habilitação técnica.
to de 20 (vinte) a 50 (cinqüenta) dias-multa, sem prejuízo § 2° Quando o laudo a que se refere o parágrafo anterior for
das sanções administrativas a que estiver sujeito o infrator. subscrito por perito oficial, não ficará este impedido de parti-
Art. 18. As penas dos crimes definidos nesta Lei serão au- cipar da elaboração do laudo definitivo.
mentadas de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços): § 3° Recebida a denúncia, o juiz, em 24 (vinte e quatro)
I - no caso de tráfico com o exterior ou de extra- horas, ordenará a citação ou requisição do réu e designará
territorialidade da lei penal; dia e hora para o interrogatório, que se realizará dentro dos
II - quando o agente tiver praticado o crime prevalecendo-se 5 (cinco) dias seguintes.
de função pública relacionada com a repressão à criminali- § 4° Se o réu não for encontrado nos endereços constantes
dade ou quando, muito embora não titular de função públi- dos autos, o juiz ordenará sua citação por edital, com prazo
ca, tenha missão de guarda e vigilância; de 5 (cinco) dias, após o qual decretará sua revelia. Neste
III - se qualquer deles decorrer de associação ou visar a caso, os prazos correrão independentemente de intimação.
menores de 21 (vinte e um) anos ou a pessoa com idade § 5° No interrogatório, o juiz indagará do réu sobre eventual
igual ou superior a 60 (sessenta) anos ou a quem tenha, por dependência, advertindo-o das conseqüências de suas
qualquer causa, diminuída ou suprimida a capacidade de declarações.
discernimento ou de autodeterminação; (Redação dada pela § 6° Interrogado o réu, será aberta vista à defesa para, no
Lei 10.741, de 1°.10.2003). prazo de 3 (três) dias, oferecer alegações preliminares,
IV - se qualquer dos atos de preparação, execução ou con- arrolar testemunhas até o máximo de 5 (cinco) e requerer as
sumação ocorrer nas imediações ou no interior de estabele- diligências que entender necessárias. Havendo mais de um
cimento de ensino ou hospitalar, de sedes de entidades réu, o prazo será comum e correrá em cartório.
estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas ou be- Art. 23. Findo o prazo do § 6° do artigo anterior, o juiz profe-
neficentes, de locais de trabalho coletivo de estabelecimen- rirá despacho saneador, em 48 (quarenta e oito) horas, no
tos penais, ou de recintos onde se realizem espetáculos ou qual ordenará as diligências indispensáveis ao julgamento
diversões de qualquer natureza, sem prejuízo da interdição do feito e designará, para um dos 8 (oitos) dias seguintes,
do estabelecimento ou do local. audiência de instrução e julgamento, notificando-se o réu e
Art. 19. É isento de pena o agente que em razão da depen- as testemunhas que nela devam prestar depoimento, inti-
dência, ou sob o feito de substância, entorpecente ou que mando-se o defensor e o Ministério Público, bem como
determine dependência física ou psíquica proveniente de cientificando-se a autoridade policial e os órgãos dos quais
caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da dependa a remessa de peças ainda não constantes dos
omissão, qualquer que tenha sido a infração penal pratica- autos.
da, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato § 1° Na hipótese de ter sido determinado exame de depen-
ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. dência, o prazo para a realização da audiência será de 30
Parágrafo único. A pena pode ser reduzida de 1/3 (um (trinta) dias.
terço) a 2/3 (dois terços) se, por qualquer das circunstâncias § 2° Na audiência, após a inquirição das testemunhas, será
previstas neste artigo, o agente não possuía, ao tempo da dada a palavra, sucessivamente, ao órgão do Ministério
ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o Público e ao defensor do réu, pelo tempo de 20 (vinte) minu-
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com tos para cada um, prorrogável por mais 10 (dez) a critério do
esse entendimento. juiz que, em seguida, proferirá sentença.
CAPÍTULO IV DO PROCEDIMENTO CRIMINAL § 3° Se o Juiz não se sentir habilitado a julgar de imediato a
causa, ordenará que os autos lhe sejam conclusos para, no
Art. 20. O procedimento dos crimes definidos nesta Lei
prazo de 5 (cinco) dias, proferir sentença.
reger-se-á pelo disposto neste capítulo, aplicando-se subsi-
diariamente o Código de Processo Penal. Art. 24. Nos casos em que couber fiança, sendo o agente
menor de 21 (vinte e um) anos, a autoridade policial, verifi-
Art. 21. Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade policial
cando não ter o mesmo condições de prestá-la, poderá
dela fará comunicação imediata ao juiz competente, reme-
determinar o seu recolhimento domiciliar na residência dos
tendo-lhe juntamente uma cópia do auto lavrado e o respec-
pais, parentes ou de pessoa idônea, que assinarão termo de
tivo auto nos 5 (cinco) dias seguintes.
responsabilidade.
§ 1° Nos casos em que não ocorrer prisão em flagrante, o
§ 1° O recolhimento domiciliar será determinado sempre ad
prazo para remessa dos autos do inquérito a juízo será de
referendum do juiz competente que poderá mantê-lo, revo-
30 (trinta) dias.
gá-lo ou ainda conceder liberdade provisória.
§ 2° Na hipótese de revogação de qualquer dos benefícios
previstos neste artigo o juiz mandará expedir mandado de

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prisão contra o indiciado ou réu, aplicando-se, no que cou- públicas, sociedades de economia mista, ou fundações
ber, o disposto no § 4° do artigo 22. instituídas pelo poder público, observarão absoluta prece-
Art. 25. A remessa dos autos de flagrante ou de inquérito a dência nos exames, perícias e na confecção e expedição de
juízo far-se-á sem prejuízo das diligências destinadas ao peças, publicação de editais, bem como no atendimento de
esclarecimento do fato, inclusive a elaboração do laudo de informações e esclarecimentos solicitados por autoridades
exame toxicológico e, se necessário, de dependência, que judiciárias, policiais ou administrativas com o objetivo de
serão juntados ao processo até a audiência de instrução e instruir processos destinados à apuração de quaisquer cri-
julgamento. mes definidos nesta Lei.
Art. 26. Os registros, documentos ou peças de informação, Art. 34. Os veículos, embarcações, aeronaves e quaisquer
bem como os autos de prisão em flagrante e os de inquérito outros meios de transporte, assim como os maquinismos,
policial para a apuração dos crimes definidos nesta lei serão utensílios, instrumentos e objetos de qualquer natureza,
mantidos sob sigilo, ressalvadas, para efeito exclusivo de utilizados para a prática dos crimes definidos nesta Lei,
atuação profissional, as prerrogativas do juiz, do Ministério após a sua regular apreensão, ficarão sob custódia da auto-
Público, da autoridade policial e do advogado na forma da ridade de polícia judiciária, excetuadas as armas, que serão
legislação específica. recolhidas na forma da legislação específica. (Redação
Parágrafo único. Instaurada a ação penal, ficará a critério dada pela Lei n° 9.804, de 30.6.1999).
do juiz a manutenção do sigilo a que se refere este artigo. § 1° (Parágrafo revogado pela Lei n° 9.804, de 30.6.1999).
Art. 27. O processo e o julgamento do crime de tráfico com § 2° . (Revogado pela Lei n° 7.560, de 19.12.1986).
exterior caberão à justiça estadual com interveniência do § 3° Feita a apreensão a que se refere o caput, e tendo
Mistério Público respectivo, se o lugar em que tiver sido recaído sobre dinheiro ou cheques emitidos como ordem de
praticado, for município que não seja sede de vara da Justi- pagamento, a autoridade policial que presidir o inquérito
ça Federal, com recurso para o Tribunal Federal de Recur- deverá, de imediato, requerer ao juízo competente a intima-
sos. ção do Ministério Público. (Incluído pela Lei n° 9.804, de
Art. 28. Nos casos de conexão e continência entre os cri- 30.6.1999).
mes definidos nesta Lei e outras infrações penais, o proces- § 4° Intimado, o Ministério Público deverá requerer ao juízo
so será o previsto para a infração mais grave, ressalvados a conversão do numerário apreendido em moeda nacional
os da competência do júri e das jurisdições especiais. se for o caso, a compensação dos cheques emitidos após a
Art. 29. Quando o juiz absolver o agente, reconhecendo por instrução do inquérito com cópias autênticas dos respecti-
força de perícia oficial, que ele, em razão de dependência, vos títulos, e o depósito das correspondentes quantias em
era, ao tempo de ação ou da omissão, inteiramente incapaz conta judicial, juntando-se aos autos o recibo. (Incluído pela
de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de Lei n° 9.804, de 30.6.1999).
acordo com esse entendimento, ordenará seja o mesmo § 5° Recaindo a apreensão sobre bens não previstos nos
submetido a tratamento médico. parágrafos anteriores, o Ministério Público, mediante petição
§ 1° Verificada a recuperação, será esta comunicada ao juiz autônoma, requererá ao juízo competente que, em caráter
que, após comprovação por perícia oficial, e ouvido o Minis- cautelar, proceda à alienação dos bens apreendidos, exce-
tério Público, determinará o encerramento do processo. tuados aqueles que a União, por intermédio da Secretaria
§ 2° Não havendo peritos oficiais, os exames serão feitos Nacional Antidrogas - SENAD, indicar para serem colocados
por médicos, nomeados pelo Juiz que prestarão compro- sob custódia de autoridade policial, de órgãos de inteligên-
misso de bem e fielmente desempenhar o encargo. cia ou militar federal, envolvidos nas operações de preven-
§ 3° No caso de o agente frustrar, de algum modo, trata- ção e repressão ao tráfico ilícito e uso indevido de substân-
mento ambulatorial ou vir a ser novamente processado nas cias entorpecentes ou que determinem dependência física
mesmas condições do caput deste artigo, o juiz poderá ou psíquica. (Incluído pela Lei n° 9.804, de 30.6.1999).
determinar que o tratamento seja feito em regime de inter- § 6° Excluídos os bens que a União, por intermédio da SE-
nação hospitalar. NAD, houver indicado para os fins previstos no parágrafo
Art. 30. Nos casos em que couber fiança, deverá a autori- anterior, o requerimento de alienação deverá conter a rela-
dade, que a conceder ou negar, fundamentar a decisão. ção de todos os demais bens apreendidos, com a descrição
§ 1° O valor da fiança será fixado pela autoridade que a e a especificação de cada um deles, e informações sobre
conceder, entre o mínimo de Cr$500,00 (quinhentos cruzei- quem os tem sob custódia e o local onde se encontram
ros) e o máximo de Cr$5.000,00 (cinco mil cruzeiros). custodiados. (Incluído pela Lei n° 9.804, de 30.6.1999).
§ 2° Aos valores estabelecidos no parágrafo anterior, apli- § 7° Requerida a alienação dos bens, a respectiva petição
car-se-á o coeficiente de atualização monetária referido no será autuada em apartado, cujos autos terão tramitação
parágrafo único do artigo 2° da Lei número 6.205, de 29 de autônoma em relação aos da ação penal. (Incluído pela Lei
abril de 1975. n° 9.804, de 30.6.1999).
Art. 31. No caso de processo instaurado contra mais de um § 8° Autuado o requerimento de alienação, os autos serão
réu, se houver necessidade de realizar-se exame de depen- conclusos ao juiz que, verificada a presença de nexo de
dência, far-se-á sua separação no tocante ao réu a quem instrumentalidade entre o delito e os objetos utilizados para
interesse o exame, processando-se este em apartado, e a sua prática e risco de perda de valor econômico pelo de-
fixando o juiz prazo até 30 (trinta) dias para sua conclusão. curso do tempo, determinará a avaliação dos bens relacio-
nados, intimando a União, o Ministério Público e o interes-
Art. 32. Para os réus condenados à pena de detenção, pela
sado, este, se for o caso, inclusive por edital com prazo de
prática de crime previsto nesta lei, o prazo para requerimen-
cinco dias. (Incluído pela Lei n° 9.804, de 30.6.1999).
to da reabilitação será de 2 (dois) anos.
§ 9° Feita a avaliação, e dirimidas eventuais divergências
Art. 33. Sob pena de responsabilidade penal e administrati-
sobre o respectivo laudo, o juiz, por sentença, homologará o
va, os dirigentes, funcionários e empregados dos órgãos da
administração pública direta e autárquica, das empresas

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valor atribuído aos bens, determinando sejam alienados Art. 36. Para os fins desta Lei serão consideradas substân-
mediante leilão. (Incluído pela Lei n° 9.804, de 30.6.1999). cias entorpecentes ou capazes de determinar dependência
§ 10. Realizado o leilão, e depositada em conta judicial a física ou psíquica aquelas que assim forem especificados
quantia apurada, a União será intimada para oferecer, na em lei ou relacionadas pelo Serviço Nacional de Fiscaliza-
forma prevista em regulamento, caução equivalente àquele ção da Medicina e Farmácia, do Ministério da Saúde.
montante e aos valores depositados nos termos do § 4º, em Parágrafo único. O Serviço Nacional de Fiscalização da
certificados de emissão do Tesouro Nacional, com caracte- Medicina e Farmácia deverá rever, sempre que as circuns-
rísticas a serem definidas em ato do Ministro de Estado da tâncias assim o exigirem, as relações a que se refere este
Fazenda. (Incluído pela Lei n° 9.804, de 30.6.1999). artigo, para o fim de exclusão ou inclusão de novas subs-
§ 11. Compete à SENAD solicitar à Secretaria do Tesouro tâncias.
Nacional a emissão dos certificados a que se refere o pará- Art. 37. Para efeito de caracterização do crimes definidos
grafo anterior. (Incluído pela Lei n° 9.804, de 30.6.1999). nesta lei, a autoridade atenderá à natureza e à quantidade
§ 12. Feita a caução, os valores da conta judicial serão da substância apreendida, ao local e às condições em que
transferidos para a União, mediante depósito na conta do se desenvolveu a ação criminosa, as circunstâncias da pri-
Fundo Nacional Antidrogas - FUNAD, apensando-se os são, bem como à conduta e aos antecedentes do agente.
autos da alienação aos do processo principal. (Incluído pela Parágrafo único. A autoridade deverá justificar em despa-
Lei n° 9.804, de 30.6.1999). cho fundamentado, as razões que a levaram a classificação
§ 13. Na sentença de mérito, o juiz, nos autos do processo legal do fato, mencionando concretamente as circunstâncias
de conhecimento, decidirá sobre o perdimento dos bens e referidas neste artigo, sem prejuízo de posterior alteração
dos valores mencionados nos §§ 4º e 5º, e sobre o levan- da classificação pelo Ministério Público ou pelo juiz.
tamento da caução. (Incluído pela Lei n° 9.804, de Art. 38. A pena de multa consiste no pagamento ao Tesouro
30.6.1999). Nacional, de uma soma em dinheiro que é fixada em dias-
§ 14. No caso de levantamento da caução, os certificados a multa.
que se refere o § 10 deverão ser resgatados pelo seu valor § 1° O montante do dia-multa será fixado segundo o pru-
de face, sendo os recursos para o pagamento providos pelo dente arbítrio do Juiz, entre o mínimo de Cr$ 25,00 (vinte e
FUNAD. (Incluído pela Lei n° 9.804, de 30.6.1999). cinco cruzeiros) e o máximo de Cr$ 250,00 (duzentos e
§ 15. A Secretaria do Tesouro Nacional fará constar dotação cinqüenta cruzeiros).
orçamentária para o pagamento dos certificados referidos § 2° Aos valores estabelecidos no parágrafo anterior, apli-
no § 10. (Incluído pela Lei n° 9.804, de 30.6.1999). car-se-á o coeficiente de atualização monetária referido no
§ 16. No caso de perdimento, em favor da União, dos bens parágrafo único do artigo 2° da Lei 6.205, de 29 de abril de
e valores mencionados nos §§ 4° e 5°, a Secretaria do Te- 1975.
souro Nacional providenciará o cancelamento dos certifica- § 3° A pena pecuniária terá como referência os valores do
dos emitidos para caucioná-los. (Incluído pela Lei n° 9.804, dia-multa que vigorarem à época do fato.
de 30.6.1999). Art. 39. As autoridades sanitárias, policiais e alfandegárias
§ 17. Não terão efeito suspensivo os recursos interpostos organizarão e manterão estatísticas, registros e demais
contra as decisões proferidas no curso do procedimento informes, inerentes às suas atividades relacionadas com a
previsto neste artigo. (Incluído pela Lei n° 9.804, de prevenção e repressão de que trata esta Lei, deles fazendo
30.6.1999). remessa ao órgão competente com as observações e su-
§ 18. A União, por intermédio da SENAD, poderá firmar gestões que julgarem pertinentes à elaboração do relatório
convênio com os Estados, com o Distrito Federal e com que será enviado anualmente ao Órgão Internacional da
organismos envolvidos na prevenção, repressão e no trata- Fiscalização de Entorpecentes.
mento de tóxico-dependentes, com vistas à liberação de Art. 40. Todas as substâncias entorpecentes ou que deter-
recursos por ela arrecadados nos termos deste artigo, para minem dependência física ou psíquica, apreendidas por
a implantação e execução de programas de combate ao infração a qualquer dos dispositivos desta Lei, serão obriga-
tráfico ilícito e uso indevido de substâncias entorpecentes toriamente remetidas, após o trânsito em julgado da senten-
ou que determinem dependência física ou psíquica. (Incluí- ça, ao órgão competente do Ministério da Saúde ou congê-
do pela Lei n° 9.804, de 30.6.1999). nere estadual, cabendo-lhes providenciar o seu registro e
§ 19. Nos processos penais em curso, o juiz, a requerimento decidir do seu destino.
do Ministério Público, poderá determinar a alienação dos § 1° Ficarão sob a guarda e responsabilidade das autorida-
bens apreendidos, observado o disposto neste artigo. (Inclu- des policiais, até o trânsito em julgado da sentença, as
ído pela Lei n° 9.804, de 30.6.1999). substâncias referidas neste artigo.
§ 20. A SENAD poderá firmar convênios de cooperação, a § 2° Quando se tratar de plantação ou quantidade que torne
fim de promover a imediata alienação de bens não leiloa- difícil o transporte ou apreensão da substância na sua tota-
dos, cujo perdimento já tenha sido decretado em favor da lidade, a autoridade policial recolherá quantidade suficiente
União. (Incluído pela Lei n° 9.804, de 30.6.1999). para exame pericial destruindo o restante, de tudo lavrando
Art. 35. O réu condenado por infração dos artigos 12 ou 13 auto circunstanciado.
desta Lei não poderá apelar sem recolher-se à prisão. Art. 41. As autoridades judiciárias, o Ministério Público e as
Parágrafo único. Os prazos procedimentais deste capítulo autoridades policiais poderão requisitar às autoridades sani-
serão contados em dobro quando se tratar dos crimes pre- tárias competentes independentemente de qualquer proce-
vistos nos arts. 12, 13 e 14. (Incluído pela Lei n° 8.072, de dimento judicial, a realização de inspeções nas empresas
25.7.1990). industriais ou comerciais, nos estabelecimentos hospitala-
CAPÍTULO V DISPOSIÇÕES GERAIS res, de pesquisa, ensino e congêneres, assim como nos
serviços médicos que produzirem, venderem, comprarem,
consumirem ou fornecerem substâncias entorpecentes ou

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que determinem dependência física ou psíquica, ou espe- § 1° Qualquer que seja o objeto, a companhia é mercantil e
cialidades farmacêuticas que as contenham, sendo faculta- se rege pelas leis e usos do comércio.
da a assistência da autoridade requisitante. § 2° O estatuto social definirá o objeto de modo preciso e
§ 1° Nos casos de falência ou de liquidação judicial das completo.
empresas ou estabelecimentos referidos neste artigo, ou de § 3° A companhia pode ter por objeto participar de outras
qualquer outro em que existam tais produtos, cumpre ao sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participa-
juízo por onde correr o feito oficiar às autoridade sanitárias ção é facultada como meio de realizar o objeto social, ou
competentes, para que promovam, desde logo, as medidas para beneficiar-se de incentivos fiscais.
necessárias ao recebimento, em depósito, das substâncias
Denominação
arrecadadas.
§ 2° As vendas em hasta pública de substâncias ou espe- Art. 3° A sociedade será designada por denominação a-
cialidades a que se refere este artigo serão realizadas com companhada das expressões “companhia” ou “sociedade
a presença de 1 (um) representante da autoridade sanitária anônima”, expressas por extenso ou abreviadamente mas
competente, só podendo participar da licitação pessoa física vedada a utilização da primeira ao final.
ou jurídica regularmente habilitada. § 1° O nome do fundador, acionista, ou pessoa que por
Art. 42. É passível de expulsão, na forma da legislação qualquer outro modo tenha concorrido para o êxito da em-
específica, o estrangeiro que praticar qualquer dos crimes presa, poderá figurar na denominação.
definidos nesta Lei, desde que cumprida a condenação § 2° Se a denominação for idêntica ou semelhante a de
imposta, salvo se ocorrer interesse nacional que recomende companhia já existente, assistirá à prejudicada o direito de
sua expulsão imediata. requerer a modificação, por via administrativa (artigo 97) ou
Art. 43. Os Tribunais de Justiça deverão, sempre que ne- em juízo, e demandar as perdas e danos resultantes.
cessário e possível, observado o disposto no artigo 144, § Companhia Aberta e Fechada
5°, da Constituição Federal, instituir juízos especializados Art. 4° Para os efeitos desta Lei, a companhia é aberta ou
para o processo e julgamento dos crimes definidos nesta fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão
Lei. estejam ou não admitidos à negociação no mercado de
Art. 44. Nos setores de repressão a entorpecentes do De- valores mobiliários. (Redação dada pela Lei n° 10.303, de
partamento de Policia Federal, só poderão ter exercício 31.10.2001).
policiais que possuam especialização adequada. § 1° Somente os valores mobiliários de emissão de compa-
Parágrafo único. O Poder Executivo disciplinará a especia- nhia registrada na Comissão de Valores Mobiliários podem
lização dos integrantes das Categorias Funcionais da Polí- ser negociados no mercado de valores mobiliários. (Reda-
cia Federal para atendimento ao disposto neste artigo. ção dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
Art. 45. O Poder Executivo regulamentará a presente Lei § 2° Nenhuma distribuição pública de valores mobiliários
dentro de 60 (sessenta) dias, contados da sua publicação. será efetivada no mercado sem prévio registro na Comissão
Art. 46. Revogam-se as disposições em contrário, em espe- de Valores Mobiliários. (Incluído pela Lei n° 10.303, de
cial o artigo 311 do Decreto-lei número 1.004, de 21 de 31.10.2001).
outubro de 1969, com as alterações da Lei número 6.016, § 3° A Comissão de Valores Mobiliários poderá classificar
de 31 de dezembro de 1973, e a Lei n° 5.726, de 29 de as companhias abertas em categorias, segundo as espécies
outubro de 1971, com exceção do seu artigo 22. e classes dos valores mobiliários por ela emitidos negocia-
Art. 47. Esta Lei entrará em vigor 30 (trinta) dias após a sua dos no mercado, e especificará as normas sobre companhi-
publicação. as abertas aplicáveis a cada categoria. (Incluído pela Lei n°
Brasília, 21 de outubro de 1976; 155° da Independência e 10.303, de 31.10.2001).
88° da República. § 4° O registro de companhia aberta para negociação de
ERNESTO GEISEL ações no mercado somente poderá ser cancelado se a
companhia emissora de ações, o acionista controlador ou a
LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976 sociedade que a controle , direta ou indiretamente, formular
oferta pública para adquirir a totalidade das ações em circu-
lação no mercado, por preço justo, ao menos igual ao valor
Dispõe sobre as Sociedades por Ações.
de avaliação da companhia, apurado com base nos crité-
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Con- rios, adotados de forma isolada ou combinada, de patrimô-
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: nio líquido contábil, de patrimônio líquido avaliado a preço
de mercado, de fluxo de caixa descontado, de comparação
CAPÍTULO I CARACTERÍSTICAS E NATUREZA DA COMPANHIA OU por múltiplos, de cotação das ações no mercado de valores
SOCIEDADE ANÔNIMA mobiliários, ou com base em outro critério aceito pela Co-
Características missão de Valores Mobiliários, assegurada a revisão do
valor da oferta, em conformidade com o disposto no art. 4º-
Art. 1° A companhia ou sociedade anônima terá o capital A. (Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
dividido em ações, e a responsabilidade dos sócios ou acio- § 5° Terminado o prazo da oferta pública fixado na regula-
nistas será limitada ao preço de emissão das ações subscri- mentação expedida pela Comissão de Valores Mobiliários,
tas ou adquiridas.
se remanescerem em circulação menos de 5% (cinco por
Objetivo Social cento) do total das ações emitidas pela companhia, a as-
Art. 2° Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de sembléia-geral poderá deliberar o resgate dessas ações
fim lucrativo, não contrário à lei, à ordem pública e aos bons pelo valor da oferta de que trata o § 4º, desde que deposite
costumes. em estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de
Valores Mobiliários, à disposição dos seus titulares, o valor

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de resgate, não se aplicando, nesse caso, o disposto no § Art. 8° A avaliação dos bens será feita por 3 (três) peritos
6º do art. 44. (Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). ou por empresa especializada, nomeados em assembléia-
§ 6° O acionista controlador ou a sociedade controladora geral dos subscritores, convocada pela imprensa e presidida
que adquirir ações da companhia aberta sob seu controle por um dos fundadores, instalando-se em primeira convoca-
que elevem sua participação, direta ou indireta, em determi- ção com a presença desubscritores que representem meta-
nada espécie e classe de ações à porcentagem que, se- de, pelo menos, do capital social, e em segunda convoca-
gundo normas gerais expedidas pela Comissão de Valores ção com qualquer número.
Mobiliários, impeça a liquidez de mercado das ações rema- § 1° Os peritos ou a empresa avaliadora deverão apresentar
nescentes, será obrigado a fazer oferta pública, por preço laudo fundamentado, com a indicação dos critérios de avali-
determinado nos termos do § 4º, para aquisição da totalida- ação e dos elementos de comparação adotados e instruído
de das ações remanescentes no mercado. (Incluído pela Lei com os documentos relativos aos bens avaliados, e estarão
n° 10.303, de 31.10.2001). presentes à assembléia que conhecer do laudo, a fim de
Art. 4°-A. Na companhia aberta, os titulares de, no mínimo, prestarem as informações que lhes forem solicitadas.
10% (dez por cento) das ações em circulação no mercado § 2° Se o subscritor aceitar o valor aprovado pela assem-
poderão requerer aos administradores da companhia que bléia, os bens incorporar-se-ão ao patrimônio da companhi-
convoquem assembléia especial dos acionistas titulares de a, competindo aos primeiros diretores cumprir as formalida-
ações em circulação no mercado, para deliberar sobre a des necessárias à respectiva transmissão.
realização de nova avaliação pelo mesmo ou por outro crité- § 3° Se a assembléia não aprovar a avaliação, ou o subscri-
rio, para efeito de determinação do valor de avaliação da tor não aceitar a avaliação aprovada, ficará sem efeito o
companhia, referido no § 4º do art. 4º. (Incluído pela Lei n° projeto de constituição da companhia.
10.303, de 31.10.2001). § 4° Os bens não poderão ser incorporados ao patrimônio
§ 1° O requerimento deverá ser apresentado no prazo de 15 da companhia por valor acima do que lhes tiver dado o
(quinze) dias da divulgação do valor da oferta pública, devi- subscritor.
damente fundamentado e acompanhado de elementos de § 5° Aplica-se à assembléia referida neste artigo o disposto
convicção que demonstrem a falha ou imprecisão no em- nos §§ 1° e 2° do artigo 115.
prego da metodologia de cálculo ou no critério de avaliação § 6° Os avaliadores e o subscritor responderão perante a
adotado, podendo os acionistas referidos no caput convocar companhia, os acionistas e terceiros, pelos danos que lhes
a assembléia quando os administradores não atenderem, no causarem por culpa ou dolo na avaliação dos bens, sem
prazo de 8 (oito) dias, ao pedido de convocação. (Incluído prejuízo da responsabilidade penal em que tenham incorri-
pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). do; no caso de bens em condomínio, a responsabilidade
§ 2° Consideram-se ações em circulação no mercado todas dos subscritores é solidária.
as ações do capital da companhia aberta menos as de pro-
priedade do acionista controlador, de diretores, de conse- Transferência dos Bens
lheiros de administração e as em tesouraria. (Incluído pela Art. 9° Na falta de declaração expressa em contrário, os
Lei n° 10.303, de 31.10.2001). bens transferem-se à companhia a título de propriedade.
§ 3° Os acionistas que requererem a realização de nova Responsabilidade do Subscritor
avaliação e aqueles que votarem a seu favor deverão res-
Art. 10. A responsabilidade civil dos subscritores ou acionis-
sarcir a companhia pelos custos incorridos, caso o novo
tas que contribuírem com bens para a formação do capital
valor seja inferior ou igual ao valor inicial da oferta pública.
social será idêntica à do vendedor.
(Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
Parágrafo único. Quando a entrada consistir em crédito, o
§ 4° Caberá à Comissão de Valores Mobiliários disciplinar o
subscritor ou acionista responderá pela solvência do deve-
disposto no art. 4° e neste artigo, e fixar prazos para a efi-
dor.
cácia desta revisão. (Incluído pela Lei n° 10.303, de
CAPÍTULO III AÇÕES
31.10.2001).
CAPÍTULO II CAPITAL SOCIAL Seção I Número e Valor Nominal
Seção I Valor Fixação no Estatuto
Fixação no Estatuto e Moeda Art. 11. O estatuto fixará o número das ações em que se
divide o capital social e estabelecerá se as ações terão, ou
Art. 5° O estatuto da companhia fixará o valor do capital
não, valor nominal.
social, expresso em moeda nacional.
§ 1° Na companhia com ações sem valor nominal, o estatu-
Parágrafo único. A expressão monetária do valor do capital
to poderá criar uma ou mais classes de ações preferenciais
social realizado será corrigida anualmente (artigo 167).
com valor nominal.
Alteração § 2° O valor nominal será o mesmo para todas as ações da
Art. 6° O capital social somente poderá ser modificado com companhia.
observância dos preceitos desta Lei e do estatuto social § 3° O valor nominal das ações de companhia aberta não
(artigos 166 a 174). poderá ser inferior ao mínimo fixado pela Comissão de Valo-
Seção II Formação res Mobiliários.
Dinheiro e Bens Alteração
Art. 7° O capital social poderá ser formado com contribui- Art. 12. O número e o valor nominal das ações somente
ções em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetí- poderão ser alterados nos casos de modificação do valor do
veis de avaliação em dinheiro. capital social ou da sua expressão monetária, de desdo-
bramento ou grupamento de ações, ou de cancelamento de
Avaliação
ações autorizado nesta Lei.

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Seção II Preço de Emissão ações preferenciais sem direito de voto ou com restrição ao
Ações com Valor Nominal exercício deste direito, somente serão admitidas à negocia-
ção no mercado de valores mobiliários se a elas for atribuí-
Art. 13. É vedada a emissão de ações por preço inferior ao da pelo menos uma das seguintes preferências ou vanta-
seu valor nominal. gens:(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
§ 1° A infração do disposto neste artigo importará nulidade I - direito de participar do dividendo a ser distribuído, corres-
do ato ou operação e responsabilidade dos infratores, sem pondente a, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) do
prejuízo da ação penal que no caso couber. lucro líquido do exercício, calculado na forma do art. 202, de
§ 2° A contribuição do subscritor que ultrapassar o valor acordo com o seguinte critério: (Redação dada pela Lei n°
nominal constituirá reserva de capital (artigo 182, § 1°). 10.303, de 31.10.2001).
Ações sem Valor Nominal a) prioridade no recebimento dos dividendos mencionados
Art. 14. O preço de emissão das ações sem valor nominal neste inciso correspondente a, no mínimo, 3% (três por
será fixado, na constituição da companhia, pelos fundado- cento) do valor do patrimônio líquido da ação; e (Redação
res, e no aumento de capital, pela assembléia-geral ou pelo dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
conselho de administração (artigos 166 e 170, § 2°). b) direito de participar dos lucros distribuídos em igualdade
Parágrafo único. O preço de emissão pode ser fixado com de condições com as ordinárias, depois de a estas assegu-
parte destinada à formação de reserva de capital; na emis- rado dividendo igual ao mínimo prioritário estabelecido em
são de ações preferenciais com prioridade no reembolso do conformidade com a alínea a; ou (Redação dada pela Lei n°
capital, somente a parcela que ultrapassar o valor de reem- 10.303, de 31.10.2001).
bolso poderá ter essa destinação. II - direito ao recebimento de dividendo, por ação preferen-
Seção III Espécies e Classes cial, pelo menos 10% (dez por cento) maior do que o atribu-
ído a cada ação ordinária; ou (Redação dada pela Lei n°
Espécies 10.303, de 31.10.2001).
Art. 15. As ações, conforme a natureza dos direitos ou van- III - direito de serem incluídas na oferta pública de alienação
tagens que confiram a seus titulares, são ordinárias, prefe- de controle, nas condições previstas no art. 254-A, assegu-
renciais, ou de fruição. rado o dividendo pelo menos igual ao das ações ordinárias.
§ 1° As ações ordinárias da companhia fechada e as ações (Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
preferenciais da companhia aberta e fechada poderão ser § 2° Deverão constar do estatuto, com precisão e minúcia,
de uma ou mais classes. outras preferências ou vantagens que sejam atribuídas aos
§ 2° O número de ações preferenciais sem direito a voto, ou acionistas sem direito a voto, ou com voto restrito, além das
sujeitas a restrição no exercício desse direito, não pode previstas neste artigo.(Redação dada pela Lei n° 10.303, de
ultrapassar 50% (cinqüenta por cento) do total das ações 31.10.2001).
emitidas. (Redação dada pela Lei n° 10.303, de § 3° Os dividendos, ainda que fixos ou cumulativos, não
31.10.2001). poderão ser distribuídos em prejuízo do capital social, salvo
Ações Ordinárias quando, em caso de liquidação da companhia, essa vanta-
gem tiver sido expressamente assegurada.(Redação dada
Art. 16. As ações ordinárias de companhia fechada poderão pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
ser de classes diversas, em função de:
§ 4° Salvo disposição em contrário no estatuto, o dividendo
I - conversibilidade em ações preferenciais; (Redação dada prioritário não é cumulativo, a ação com dividendo fixo não
pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). participa dos lucros remanescentes e a ação com dividendo
II - exigência de nacionalidade brasileira do acionista; ou mínimo participa dos lucros distribuídos em igualdade de
(Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). condições com as ordinárias, depois de a estas assegurado
III - direito de voto em separado para o preenchimento de dividendo igual ao mínimo.(Redação dada pela Lei n°
determinados cargos de órgãos administrativos. (Redação 10.303, de 31.10.2001).
dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). § 5° Salvo no caso de ações com dividendo fixo, o estatuto
Parágrafo único. A alteração do estatuto na parte em que não pode excluir ou restringir o direito das ações preferenci-
regula a diversidade de classes, se não for expressamente ais de participar dos aumentos de capital decorrentes da
prevista, e regulada, requererá a concordância de todos os capitalização de reservas ou lucros (art. 169).(Redação
titulares das ações atingidas. dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
Ações Preferenciais § 6° O estatuto pode conferir às ações preferenciais com
Art. 17. As preferências ou vantagens das ações preferen- prioridade na distribuição de dividendo cumulativo, o direito
ciais podem consistir: (Redação dada pela Lei n° 10.303, de de recebê-lo, no exercício em que o lucro for insuficiente, à
conta das reservas de capital de que trata o § 1º do art.
31.10.2001).
182.(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
I - em prioridade na distribuição de dividendo, fixo ou míni-
mo;(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). § 7° Nas companhias objeto de desestatização poderá ser
criada ação preferencial de classe especial, de propriedade
II - em prioridade no reembolso do capital, com prêmio ou
exclusiva do ente desestatizante, à qual o estatuto social
sem ele; ou(Redação dada pela Lei n° 10.303, de
poderá conferir os poderes que especificar, inclusive o po-
31.10.2001).
der de veto às deliberações da assembléia-geral nas maté-
III - na acumulação das preferências e vantagens de que rias que especificar.(Incluído pela Lei n° 10.303, de
tratam os incisos I e II.(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
31.10.2001).
§ 1° Independentemente do direito de receber ou não o Vantagens Políticas
valor de reembolso do capital com prêmio ou sem ele, as

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Art. 18. O estatuto pode assegurar a uma ou mais classes VI - os direitos conferidos às partes beneficiárias, se houver;
de ações preferenciais o direito de eleger, em votação em VII - a época e o lugar da reunião da assembléia-geral ordi-
separado, um ou mais membros dos órgãos de administra- nária;
ção. VIII - a data da constituição da companhia e do arquivamen-
Parágrafo único. O estatuto pode subordinar as alterações to e publicação de seus atos constitutivos;
estatutárias que especificar à aprovação, em assembléia IX - o nome do acionista; (Redação dada pela Lei n° 9.457,
especial, dos titulares de uma ou mais classes de ações de 5.5.1997).
preferenciais. X - o débito do acionista e a época e o lugar de seu paga-
Regulação no Estatuto mento, se a ação não estiver integralizada; (Redação dada
Art. 19. O estatuto da companhia com ações preferenciais pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
declarará as vantagens ou preferências atribuídas a cada XI - a data da emissão do certificado e as assinaturas de
classe dessas ações e as restrições a que ficarão sujeitas, e dois diretores, ou do agente emissor de certificados (art.
poderá prever o resgate ou a amortização, a conversão de 27). (Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
ações de uma classe em ações de outra e em ações ordiná- § 1° A omissão de qualquer dessas declarações dá ao acio-
rias, e destas em preferenciais, fixando as respectivas con- nista direito à indenização por perdas e danos contra a
dições. companhia e os diretores na gestão dos quais os certifica-
Seção IV Forma dos tenham sido emitidos.
§ 2° Os certificados de ações emitidas por companhias a-
Art. 20. As ações devem ser nominativas. (Redação dada
bertas podem ser assinados por dois mandatários com po-
pela Lei n° 8.021, de 12.4.1990).
deres especiais, ou autenticados por chancela mecânica,
Ações Não-Integralizadas observadas as normas expedidas pela Comissão de Valores
Art. 21. Além dos casos regulados em lei especial, as ações Mobiliários. (Redação dada pela Lei n° 10.303, de
terão obrigatoriamente forma nominativa ou endossável até 31.10.2001).
o integral pagamento do preço de emissão. Títulos Múltiplos e Cautelas
Determinação no Estatuto Art. 25. A companhia poderá, satisfeitos os requisitos do
Art. 22. O estatuto determinará a forma das ações e a con- artigo 24, emitir certificados de múltiplos de ações e, provi-
versibilidade de uma em outra forma. soriamente, cautelas que as representam.
Parágrafo único. As ações ordinárias da companhia aberta Parágrafo único. Os títulos múltiplos das companhias aber-
e ao menos uma das classes de ações ordinárias da com- tas obedecerão à padronização de número de ações fixada
panhia fechada, quando tiverem a forma ao portador, serão pela Comissão de Valores Mobiliários.
obrigatoriamente conversíveis, à vontade do acionista, em Cupões
nominativas ou endossáveis.
Art. 26. Aos certificados das ações ao portador podem ser
Seção V Certificados
anexados cupões relativos a dividendos ou outros direitos.
Emissão Parágrafo único. Os cupões conterão a denominação da
Art. 23. A emissão de certificado de ação somente será companhia, a indicação do lugar da sede, o número de or-
permitida depois de cumpridas as formalidades necessárias dem do certificado, a classe da ação e o número de ordem
ao funcionamento legal da companhia. do cupão.
§ 1° A infração do disposto neste artigo importa nulidade do Agente Emissor de Certificados
certificado e responsabilidade dos infratores. Art. 27. A companhia pode contratar a escrituração e a
§ 2° Os certificados das ações, cujas entradas não consisti- guarda dos livros de registro e transferência de ações e a
rem em dinheiro, só poderão ser emitidos depois de cumpri- emissão dos certificados com instituição financeira autoriza-
das as formalidades necessárias à transmissão de bens, ou da pela Comissão de Valores Mobiliários a manter esse
de realizados os créditos. serviço.
§ 3° A companhia poderá cobrar o custo da substituição dos § 1° Contratado o serviço, somente o agente emissor pode-
certificados, quando pedida pelo acionista. rá praticar os atos relativos aos registros e emitir certifica-
Requisitos dos.
Art. 24. Os certificados das ações serão escritos em verná- § 2° O nome do agente emissor constará das publicações e
culo e conterão as seguintes declarações: ofertas públicas de valores mobiliários feitas pela compa-
I - denominação da companhia, sua sede e prazo de dura- nhia.
ção; § 3° Os certificados de ações emitidos pelo agente emissor
II - o valor do capital social, a data do ato que o tiver fixado, da companhia deverão ser numerados seguidamente, mas
o número de ações em que se divide e o valor nominal das a numeração das ações será facultativa.
ações, ou a declaração de que não têm valor nominal; Seção VI Propriedade e Circulação
III - nas companhias com capital autorizado, o limite da au- Indivisibilidade
torização, em número de ações ou valor do capital social; Art. 28. A ação é indivisível em relação à companhia.
IV - o número de ações ordinárias e preferenciais das diver- Parágrafo único. Quando a ação pertencer a mais de uma
sas classes, se houver, as vantagens ou preferências confe- pessoa, os direitos por ela conferidos serão exercidos pelo
ridas a cada classe e as limitações ou restrições a que as representante do condomínio.
ações estiverem sujeitas;
V - o número de ordem do certificado e da ação, e a espécie Negociabilidade
e classe a que pertence;

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Art. 29. As ações da companhia aberta somente poderão Art. 34. O estatuto da companhia pode autorizar ou estabe-
ser negociadas depois de realizados 30% (trinta por cento) lecer que todas as ações da companhia, ou uma ou mais
do preço de emissão. classes delas, sejam mantidas em contas de depósito, em
Parágrafo único. A infração do disposto neste artigo impor- nome de seus titulares, na instituição que designar, sem
ta na nulidade do ato. emissão de certificados.
Negociação com as Próprias Ações § 1° No caso de alteração estatutária, a conversão em ação
escritural depende da apresentação e do cancelamento do
Art. 30. A companhia não poderá negociar com as próprias respectivo certificado em circulação.
ações. § 2° Somente as instituições financeiras autorizadas pela
§ 1° Nessa proibição não se compreendem: Comissão de Valores Mobiliários podem manter serviços de
a) as operações de resgate, reembolso ou amortização ações escriturais.
previstas em lei; § 3° A companhia responde pelas perdas e danos causados
b) a aquisição, para permanência em tesouraria ou cance- aos interessados por erros ou irregularidades no serviço de
lamento, desde que até o valor do saldo de lucros ou reser- ações escriturais, sem prejuízo do eventual direito de re-
vas, exceto a legal, e sem diminuição do capital social, ou gresso contra a instituição depositária.
por doação; Art. 35. A propriedade da ação escritural presume-se pelo
c) a alienação das ações adquiridas nos termos da alínea b registro na conta de depósito das ações, aberta em nome
e mantidas em tesouraria; do acionista nos livros da instituição depositária.
d) a compra quando, resolvida a redução do capital median- § 1° A transferência da ação escritural opera-se pelo lança-
te restituição, em dinheiro, de parte do valor das ações, o mento efetuado pela instituição depositária em seus livros, a
preço destas em bolsa for inferior ou igual à importância que débito da conta de ações do alienante e a crédito da conta
deve ser restituída. de ações do adquirente, à vista de ordem escrita do alienan-
§ 2° A aquisição das próprias ações pela companhia aberta te, ou de autorização ou ordem judicial, em documento hábil
obedecerá, sob pena de nulidade, às normas expedidas que ficará em poder da instituição.
pela Comissão de Valores Mobiliários, que poderá subordi- § 2° A instituição depositária fornecerá ao acionista extrato
ná-la à prévia autorização em cada caso. da conta de depósito das ações escriturais, sempre que
§ 3° A companhia não poderá receber em garantia as pró- solicitado, ao término de todo mês em que for movimentada
prias ações, salvo para assegurar a gestão dos seus admi- e, ainda que não haja movimentação, ao menos uma vez
nistradores. por ano.
§ 4° As ações adquiridas nos termos da alínea b do § 1°, § 3° O estatuto pode autorizar a instituição depositária a
enquanto mantidas em tesouraria, não terão direito a divi- cobrar do acionista o custo do serviço de transferência da
dendo nem a voto. propriedade das ações escriturais, observados os limites
§ 5° No caso da alínea d do § 1°, as ações adquiridas serão máximos fixados pela Comissão de Valores Mobiliários.
retiradas definitivamente de circulação. Limitações à Circulação
Ações Nominativas Art. 36. O estatuto da companhia fechada pode impor limi-
Art. 31. A propriedade das ações nominativas presume-se tações à circulação das ações nominativas, contanto que
pela inscrição do nome do acionista no livro de “Registro de regule minuciosamente tais limitações e não impeça a ne-
Ações Nominativas” ou pelo extrato que seja fornecido pela gociação, nem sujeite o acionista ao arbítrio dos órgãos de
instituição custodiante, na qualidade de proprietária fiduciá- administração da companhia ou da maioria dos acionistas.
ria das ações. (Redação dada pela Lei n° 10.303, de Parágrafo único. A limitação à circulação criada por altera-
31.10.2001). ção estatutária somente se aplicará às ações cujos titulares
§ 1° A transferência das ações nominativas opera-se por com ela expressamente concordarem, mediante pedido de
termo lavrado no livro de “Transferência de Ações Nominati- averbação no livro de “Registro de Ações Nominativas”.
vas”, datado e assinado pelo cedente e pelo cessionário, ou Suspensão dos Serviços de Certificados
seus legítimos representantes. Art. 37. A companhia aberta pode, mediante comunicação
§ 2° A transferência das ações nominativas em virtude de às bolsas de valores em que suas ações forem negociadas
transmissão por sucessão universal ou legado, de arrema- e publicação de anúncio, suspender, por períodos que não
tação, adjudicação ou outro ato judicial, ou por qualquer ultrapassem, cada um, 15 (quinze) dias, nem o total de 90
outro título, somente se fará mediante averbação no livro de (noventa) dias durante o ano, os serviços de transferência,
“Registro de Ações Nominativas”, à vista de documento conversão e desdobramento de certificados.
hábil, que ficará em poder da companhia. Parágrafo único. O disposto neste artigo não prejudicará o
§ 3° Na transferência das ações nominativas adquiridas em registro da transferência das ações negociadas em bolsa
Bolsa de Valores, o cessionário será representado, inde- anteriormente ao início do período de suspensão.
pendentemente de instrumento de procuração, pela socie-
Perda ou Extravio
dade corretora, ou pela caixa de liquidação da Bolsa de
Valores. Art. 38. O titular de certificado perdido ou extraviado de
ação ao portador ou endossável poderá, justificando a pro-
Ações Endossáveis priedade e a perda ou extravio, promover, na forma da lei
Art. 32. (Revogado pela Lei n° 8.021, de 12.4.1990). processual, o procedimento de anulação e substituição para
Ações ao Portador obter a expedição de novo certificado.
Art. 33. (Revogado pela Lei n° 8.021, de 12.4.1990). § 1° Somente será admitida a anulação e substituição de
Ações Escriturais certificado ao portador ou endossado em branco à vista da
prova, produzida pelo titular, da destruição ou inutilização do
certificado a ser substituído.

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
Lemos & Cruz – Livraria e Editora
§ 2° Até que o certificado seja recuperado ou substituído, as de suas obrigações. (Incluído pela Lei n° 10.303, de
transferências poderão ser averbadas sob condição, caben- 31.10.2001).
do à companhia exigir do titular, para satisfazer dividendo e Representação e Responsabilidade
demais direitos, garantia idônea de sua eventual restituição.
Seção VII Constituição de Direitos Reais e Outros Ônus Art. 42. A instituição financeira representa, perante a com-
panhia, os titulares das ações recebidas em custódia nos
Penhor termos do artigo 41, para receber dividendos e ações bonifi-
Art. 39. O penhor ou caução de ações se constitui pela cadas e exercer direito de preferência para subscrição de
averbação do respectivo instrumento no livro de Registro de ações.
Ações Nominativas. (Redação dada pela Lei n° 9.457, de § 1° Sempre que houver distribuição de dividendos ou boni-
5.5.1997). ficação de ações e, em qualquer caso, ao menos uma vez
§ 1° O penhor da ação escritural se constitui pela averbação por ano, a instituição financeira fornecerá à companhia a
do respectivo instrumento nos livros da instituição financei- lista dos depositantes de ações recebidas nos termos deste
ra, a qual será anotada no extrato da conta de depósito artigo, assim como a quantidade de ações de cada um.
fornecido ao acionista. (Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
§ 2° Em qualquer caso, a companhia, ou a instituição finan- § 2° O depositante pode, a qualquer tempo, extinguir a cus-
ceira, tem o direito de exigir, para seu arquivo, um exemplar tódia e pedir a devolução dos certificados de suas ações.
do instrumento de penhor. § 3° A companhia não responde perante o acionista nem
Outros Direitos e Ônus terceiros pelos atos da instituição depositária das ações.
Seção IX Certificado de Depósito de Ações
Art. 40. O usufruto, o fideicomisso, a alienação fiduciária em
garantia e quaisquer cláusulas ou ônus que gravarem a Art. 43. A instituição financeira autorizada a funcionar como
ação deverão ser averbados: agente emissor de certificados (art. 27) pode emitir título
I - se nominativa, no livro de “Registro de Ações Nominati- representativo das ações que receber em depósito, do qual
vas”; constarão: (Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
II - se escritural, nos livros da instituição financeira, que os I - o local e a data da emissão;
anotará no extrato da conta de depósito fornecida ao acio- II - o nome da instituição emitente e as assinaturas de seus
nista. (Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). representantes;
Parágrafo único. Mediante aver-bação nos termos deste III - a denominação “Certificado de Depósito de Ações”;
artigo, a promessa de venda da ação e o direito de prefe- IV - a especificação das ações depositadas;
rência à sua aquisição são oponíveis a terceiros. V - a declaração de que as ações depositadas, seus rendi-
Seção VIII Custódia de Ações Fungíveis mentos e o valor recebido nos casos de resgate ou amorti-
Art. 41. A instituição autorizada pela Comissão de Valores zação somente serão entregues ao titular do certificado de
Mobiliários a prestar serviços de custódia de ações fungí- depósito, contra apresentação deste;
veis pode contratar custódia em que as ações de cada es- VI - o nome e a qualificação do depositante;
pécie e classe da companhia sejam recebidas em depósito VII - o preço do depósito cobrado pelo banco, se devido na
como valores fungíveis, adquirindo a instituição depositária entrega das ações depositadas;
a propriedade fiduciária das ações. (Redação dada pela Lei VIII - o lugar da entrega do objeto do depósito.
n° 10.303, de 31.10.2001). § 1° A instituição financeira responde pela origem e autenti-
§ 1° A instituição depositária não pode dispor das ações e cidade dos certificados das ações depositadas.
fica obrigada a devolver ao depositante a quantidade de § 2° Emitido o certificado de depósito, as ações deposita-
ações recebidas, com as modificações resultantes de alte- das, seus rendimentos, o valor de resgate ou de amortiza-
rações no capital social ou no número de ações da compa- ção não poderão ser objeto de penhora, arresto, seqüestro,
nhia emissora, independentemente do número de ordem busca ou apreensão, ou qualquer outro embaraço que im-
das ações ou dos certificados recebidos em depósito. (Inclu- peça sua entrega ao titular do certificado, mas este poderá
ído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). ser objeto de penhora ou de qualquer medida cautelar por
§ 2° Aplica-se o disposto neste artigo, no que couber, aos obrigação do seu titular.
demais valores mobiliários. (Incluído pela Lei n° 10.303, de § 3° Os certificados de depósito de ações serão nominati-
31.10.2001). vos, podendo ser mantidos sob o sistema escritural. (Reda-
§ 3° A instituição depositária ficará obrigada a comunicar à ção dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
companhia emissora: (Incluído pela Lei n° 10.303, de § 4° Os certificados de depósito de ações poderão, a pedido
31.10.2001). do seu titular, e por sua conta, ser desdobrados ou grupa-
I - imediatamente, o nome do proprietário efetivo quando dos.
houver qualquer evento societário que exija a sua identifica- § 5° Aplicam-se ao endosso do certificado, no que couber,
ção; e (Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). as normas que regulam o endosso de títulos cambiários.
II - no prazo de até 10 (dez) dias, a contratação da custódia Seção X Resgate, Amortização e Reembolso
e a criação de ônus ou gravames sobre as ações.(Incluído
Resgate e Amortização
pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
§ 4° A propriedade das ações em custódia fungível será Art. 44. O estatuto ou a assembléia-geral extraordinária
provada pelo contrato firmado entre o proprietário das ações pode autorizar a aplicação de lucros ou reservas no resgate
e a instituição depositária. (Incluído pela Lei n° 10.303, de ou na amortização de ações, determinando as condições e
31.10.2001). o modo de proceder-se à operação.
§ 5° A instituição tem as obrigações de depositária e res- § 1° O resgate consiste no pagamento do valor das ações
ponde perante o acionista e terceiros pelo descumprimento para retirá-las definitivamente de circulação, com redução

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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ou não do capital social, mantido o mesmo capital, será § 5° O valor de reembolso poderá ser pago à conta de lu-
atribuído, quando for o caso, novo valor nominal às ações cros ou reservas, exceto a legal, e nesse caso as ações
remanescentes. reembolsadas ficarão em tesouraria. (Redação dada pela
§ 2° A amortização consiste na distribuição aos acionistas, a Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
título de antecipação e sem redução do capital social, de § 6° Se, no prazo de cento e vinte dias, a contar da publica-
quantias que lhes poderiam tocar em caso de liquidação da ção da ata da assembléia, não forem substituídos os acio-
companhia. nistas cujas ações tenham sido reembolsadas à conta do
§ 3° A amortização pode ser integral ou parcial e abranger capital social, este considerar-se-á reduzido no montante
todas as classes de ações ou só uma delas. correspondente, cumprindo aos órgãos da administração
§ 4° O resgate e a amortização que não abrangerem a tota- convocar a assembléia-geral, dentro de cinco dias, para
lidade das ações de uma mesma classe serão feitos medi- tomar conhecimento daquela redução. (Redação dada pela
ante sorteio; sorteadas ações custodiadas nos termos do Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
artigo 41, a instituição financeira especificará, mediante § 7° Se sobrevier a falência da sociedade, os acionistas
rateio, as resgatadas ou amortizadas, se outra forma não dissidentes, credores pelo reembolso de suas ações, serão
estiver prevista no contrato de custódia. classificados como quirografários em quadro separado, e os
§ 5° As ações integralmente amortizadas poderão ser subs- rateios que lhes couberem serão imputados no pagamento
tituídas por ações de fruição, com as restrições fixadas pelo dos créditos constituídos anteriormente à data da publica-
estatuto ou pela assembléia-geral que deliberar a amortiza- ção da ata da assembléia. As quantias assim atribuídas aos
ção; em qualquer caso, ocorrendo liquidação da companhia, créditos mais antigos não se deduzirão dos créditos dos ex-
as ações amortizadas só concorrerão ao acervo líquido acionistas, que subsistirão integralmente para serem satis-
depois de assegurado às ações não a amortizadas valor feitos pelos bens da massa, depois de pagos os primeiros.
igual ao da amortização, corrigido monetariamente. (Incluído pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
§ 6° Salvo disposição em contrário do estatuto social, o § 8° Se, quando ocorrer a falência, já se houver efetuado, à
resgate de ações de uma ou mais classes só será efetuado conta do capital social, o reembolso dos ex-acionistas, estes
se, em assembléia especial convocada para deliberar essa não tiverem sido substituídos, e a massa não bastar para o
matéria específica, for aprovado por acionistas que repre- pagamento dos créditos mais antigos, caberá ação revoca-
sentem, no mínimo, a metade das ações da(s) classe(s) tória para restituição do reembolso pago com redução do
atingida(s). (Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). capital social, até a concorrência do que remanescer dessa
parte do passivo. A restituição será havida, na mesma pro-
Reembolso porção, de todos os acionistas cujas ações tenham sido
Art. 45. O reembolso é a operação pela qual, nos casos reembolsadas. (Incluído pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
previstos em lei, a companhia paga aos acionistas dissiden- CAPÍTULO IV PARTES BENEFICIÁRIAS
tes de deliberação da assembléia-geral o valor de suas
ações. Características
§ 1° O estatuto pode estabelecer normas para a determina- Art. 46. A companhia pode criar, a qualquer tempo, títulos
ção do valor de reembolso, que, entretanto, somente poderá negociáveis, sem valor nominal e estranhos ao capital soci-
ser inferior ao valor de patrimônio líquido constante do últi- al, denominados “partes beneficiárias”.
mo balanço aprovado pela assembléia-geral, observado o § 1° As partes beneficiárias conferirão aos seus titulares
disposto no § 2°, se estipulado com base no valor econômi- direito de crédito eventual contra a companhia, consistente
co da companhia, a ser apurado em avaliação (§§ 3° e 4°). na participação nos lucros anuais (artigo 190).
(Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). § 2° A participação atribuída às partes beneficiárias, inclusi-
§ 2° Se a deliberação da assembléia-geral ocorrer mais de ve para formação de reserva para resgate, se houver, não
60 (sessenta) dias depois da data do último balanço apro- ultrapassará 0,1 (um décimo) dos lucros.
vado, será facultado ao acionista dissidente pedir, juntamen- § 3° É vedado conferir às partes beneficiárias qualquer direi-
te com o reembolso, levantamento de balanço especial em to privativo de acionista, salvo o de fiscalizar, nos termos
data que atenda àquele prazo. Nesse caso, a companhia desta Lei, os atos dos administradores.
pagará imediatamente 80% (oitenta por cento) do valor de § 4° É proibida a criação de mais de uma classe ou série de
reembolso calculado com base no último balanço e, levan- partes beneficiárias.
tado o balanço especial, pagará o saldo no prazo de 120
Emissão
(cento e vinte), dias a contar da data da deliberação da
assembléia-geral. Art. 47. As partes beneficiárias poderão ser alienadas pela
§ 3° Se o estatuto determinar a avaliação da ação para companhia, nas condições determinadas pelo estatuto ou
efeito de reembolso, o valor será o determinado por três pela assembléia-geral, ou atribuídas a fundadores, acionis-
peritos ou empresa especializada, mediante laudo que satis- tas ou terceiros, como remuneração de serviços prestados à
faça os requisitos do § 1° do art. 8° e com a responsabilida- companhia.
de prevista no § 6° do mesmo artigo. (Redação dada pela Parágrafo único. É vedado às companhias abertas emitir
Lei n° 9.457, de 5.5.1997). partes beneficiárias.(Redação dada pela Lei n° 10.303, de
§ 4° Os peritos ou empresa especializada serão indicados 31.10.2001).
em lista sêxtupla ou tríplice, respectivamente, pelo Conselho Resgate e Conversão
de Administração ou, se não houver, pela diretoria, e esco- Art. 48. O estatuto fixará o prazo de duração das partes
lhidos pela Assembléia-geral em deliberação tomada por beneficiárias e, sempre que estipular resgate, deverá criar
maioria absoluta de votos, não se computando os votos em reserva especial para esse fim.
branco, cabendo a cada ação, independentemente de sua
§ 1° O prazo de duração das partes beneficiárias atribuídas
espécie ou classe, o direito a um voto. (Redação dada pela
gratuitamente, salvo as destinadas a sociedades ou funda-
Lei n° 9.457, de 5.5.1997).

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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ções beneficentes dos empregados da companhia, não Emissões e Séries
poderá ultrapassar 10 (dez) anos. Art. 53. A companhia poderá efetuar mais de uma emissão
§ 2° O estatuto poderá prever a conversão das partes bene- de debêntures, e cada emissão pode ser dividida em séries.
ficiárias em ações, mediante capitalização de reserva criada Parágrafo único. As debêntures da mesma série terão
para esse fim. igual valor nominal e conferirão a seus titulares os mesmos
§ 3° No caso de liquidação da companhia, solvido o passivo direitos.
exigível, os titulares das partes beneficiárias terão direito de
Valor Nominal
preferência sobre o que restar do ativo até a importância da
reserva para resgate ou conversão. Art. 54. A debênture terá valor nominal expresso em moeda
nacional, salvo nos casos de obrigação que, nos termos da
Certificados
legislação em vigor, possa ter o pagamento estipulado em
Art. 49. Os certificados das partes beneficiárias conterão: moeda estrangeira.
I - a denominação “Parte Beneficiária”; § 1° A debênture poderá conter cláusula de correção mone-
II - a denominação da companhia, sua sede e prazo de tária, com base nos coeficientes fixados para correção de
duração; títulos da dívida pública, na variação da taxa cambial ou em
III - o valor do capital social, a data do ato que o fixou e o outros referenciais não expressamente vedados em
número de ações em que se divide; lei.(Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
IV - o número de partes beneficiárias criadas pela compa- § 2° A escritura de debênture poderá assegurar ao debentu-
nhia e o respectivo número de ordem; rista a opção de escolher receber o pagamento do principal
V - os direitos que lhes são atribuídos pelo estatuto, o prazo e acessórios, quando do vencimento, amortização ou resga-
de duração e as condições de resgate, se houver; te, em moeda ou em bens avaliados nos termos do art.
VI - a data da constituição da companhia e do arquivamento 8º.(Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
e publicação dos seus atos constitutivos; Vencimento, Amortização e Resgate
VII - o nome do beneficiário; (Redação dada pela Lei n° Art. 55. A época do vencimento da debênture deverá cons-
9.457, de 5.5.1997).) tar da escritura de emissão e do certificado, podendo a
VIII - a data da emissão do certificado e as assinaturas de companhia estipular amortizações parciais de cada série,
dois diretores. (Redação dada pela Lei n° 9.457, de criar fundos de amortização e reservar-se o direito de resga-
5.5.1997). te antecipado, parcial ou total, dos títulos da mesma série.
Forma, Propriedade, Circulação e Ônus § 1° A amortização de debêntures da mesma série que não
Art. 50. As partes beneficiárias serão nominativas e a elas tenham vencimentos anuais distintos, assim como o resgate
se aplica, no que couber, o disposto nas seções V a VII do parcial, deverão ser feitos mediante sorteio ou, se as debên-
Capítulo III. (Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). tures estiverem cotadas por preço inferior ao valor nominal,
§ 1° As partes beneficiárias serão registradas em livros por compra em bolsa.
próprios, mantidos pela companhia. (Redação dada pela Lei § 2° É facultado à companhia adquirir debêntures de sua
n° 9.457, de 5.5.1997). emissão, desde que por valor igual ou inferior ao nominal,
§ 2° As partes beneficiárias podem ser objeto de depósito devendo o fato constar do relatório da administração e das
com emissão de certificado, nos termos do artigo 43. demonstrações financeiras.
§ 3° A companhia poderá emitir debêntures cujo vencimento
Modificação dos Direitos somente ocorra nos casos de inadimplemento da obrigação
Art. 51. A reforma do estatuto que modificar ou reduzir as de pagar juros e dissolução da companhia, ou de outras
vantagens conferidas às partes beneficiárias só terá eficácia condições previstas no título.
quando aprovada pela metade, no mínimo, dos seus titula- Juros e Outros Direitos
res, reunidos em assembléia-geral especial.
§ 1° A assembléia será convocada, através da imprensa, de Art. 56. A debênture poderá assegurar ao seu titular juros,
acordo com as exigências para convocação das assembléi- fixos ou variáveis, participação no lucro da companhia e
as de acionistas, com 1 (um) mês de antecedência, no mí- prêmio de reembolso.
nimo. Se, após 2 (duas) convocações, deixar de instalar-se Conversibilidade em Ações
por falta de número, somente 6 (seis) meses depois outra Art. 57. A debênture poderá ser conversível em ações nas
poderá ser convocada. condições constantes da escritura de emissão, que especifi-
§ 2° Cada parte beneficiária dá direito a 1 (um) voto, não cará:
podendo a companhia votar com os títulos que possuir em I - as bases da conversão, seja em número de ações em
tesouraria. que poderá ser convertida cada debênture, seja como rela-
§ 3° A emissão de partes beneficiárias poderá ser feita com ção entre o valor nominal da debênture e o preço de emis-
a nomeação de agente fiduciário dos seus titulares, obser- são das ações;
vado, no que couber, o disposto nos artigos 66 a 71. II - a espécie e a classe das ações em que poderá ser con-
CAPÍTULO V DEBÊNTURES vertida;
Características III - o prazo ou época para o exercício do direito à conver-
Art. 52. A companhia poderá emitir debêntures que conferi- são;
rão aos seus titulares direito de crédito contra ela, nas con- IV - as demais condições a que a conversão acaso fique
dições constantes da escritura de emissão e, se houver, do sujeita.
certificado.(Redação dada pela Lei n° 10.303, de § 1° Os acionistas terão direito de preferência para subscre-
31.10.2001). ver a emissão de debêntures com cláusula de conversibili-
Seção I Direito dos Debenturistas

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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dade em ações, observado o disposto nos artigos 171 e § 2° A assembléia-geral pode deliberar que a emissão terá
172. valor e número de séries indeterminados, dentro de limites
§ 2° Enquanto puder ser exercido o direito à conversão, por ela fixados com observância do disposto no artigo 60.
dependerá de prévia aprovação dos debenturistas, em as- § 3° A companhia não pode efetuar nova emissão antes de
sembléia especial, ou de seu agente fiduciário, a alteração colocadas todas as debêntures das séries de emissão ante-
do estatuto para: rior ou canceladas as séries não colocadas, nem negociar
a) mudar o objeto da companhia; nova série da mesma emissão antes de colocada a anterior
b) criar ações preferenciais ou modificar as vantagens das ou cancelado o saldo não colocado.
existentes, em prejuízo das ações em que são conversíveis Limite de Emissão
as debêntures.
Art. 60. Excetuados os casos previstos em lei especial, o
Seção II Espécies valor total das emissões de debêntures não poderá ultra-
Art. 58. A debênture poderá, conforme dispuser a escritura passar o capital social da companhia.
de emissão, ter garantia real ou garantia flutuante, não go- § 1° Esse limite pode ser excedido até alcançar:
zar de preferência ou ser subordinada aos demais credores a) 80% (oitenta por cento) do valor dos bens gravados, pró-
da companhia. prios ou de terceiros, no caso de debêntures com garantia
§ 1° A garantia flutuante assegura à debênture privilégio real;
geral sobre o ativo da companhia, mas não impede a nego- b) 70% (setenta por cento) do valor contábil do ativo da
ciação dos bens que compõem esse ativo. companhia, diminuído do montante das suas dívidas garan-
§ 2° As garantias poderão ser constituídas cumulativamen- tidas por direitos reais, no caso de debêntures com garantia
te. flutuante.
§ 3° As debêntures com garantia flutuante de nova emissão § 2° O limite estabelecido na alínea “a” do § 1° poderá ser
são preferidas pelas de emissão ou emissões anteriores, e determinado em relação à situação do patrimônio da com-
a prioridade se estabelece pela data da inscrição da escritu- panhia depois de investido o produto da emissão; neste
ra de emissão; mas dentro da mesma emissão, as séries caso os recursos ficarão sob controle do agente fiduciário
concorrem em igualdade. dos debenturistas e serão entregues à companhia, observa-
§ 4° A debênture que não gozar de garantia poderá conter dos os limites do § 1°, à medida em que for sendo aumen-
cláusula de subordinação aos credores quirografários, pre- tado o valor das garantias.
ferindo apenas aos acionistas no ativo remanescente, se § 3° A Comissão de Valores Mobiliários poderá fixar outros
houver, em caso de liquidação da companhia. limites para emissões de debêntures negociadas em bolsa
§ 5° A obrigação de não alienar ou onerar bem imóvel ou ou no balcão, ou a serem distribuídas no mercado.
outro bem sujeito a registro de propriedade, assumida pela § 4° Os limites previstos neste artigo não se aplicam à e-
companhia na escritura de emissão, é oponível a terceiros, missão de debêntures subordinadas.
desde que averbada no competente registro.
Escritura de Emissão
§ 6° As debêntures emitidas por companhia integrante de
grupo de sociedades (artigo 265) poderão ter garantia flutu- Art. 61. A companhia fará constar da escritura de emissão
ante do ativo de 2 (duas) ou mais sociedades do grupo. os direitos conferidos pelas debêntures, suas garantias e
Seção III Criação e Emissão demais cláusulas ou condições.
§ 1° A escritura de emissão, por instrumento público ou
Competência particular, de debêntures distribuídas ou admitidas à nego-
Art. 59. A deliberação sobre emissão de debêntures é da ciação no mercado, terá obrigatoriamente a intervenção de
competência privativa da assembléia-geral, que deverá agente fiduciário dos debenturistas (artigos 66 a 70).
fixar, observado o que a respeito dispuser o estatuto: § 2° Cada nova série da mesma emissão será objeto de
I - o valor da emissão ou os critérios de determinação do aditamento à respectiva escritura.
seu limite, e a sua divisão em séries, se for o caso; § 3° A Comissão de Valores Mobiliários poderá aprovar
II - o número e o valor nominal das debêntures; padrões de cláusulas e condições que devam ser adotados
III - as garantias reais ou a garantia flutuante, se houver; nas escrituras de emissão de debêntures destinadas à ne-
IV - as condições da correção monetária, se houver; gociação em bolsa ou no mercado de balcão, e recusar a
V - a conversibilidade ou não em ações e as condições a admissão ao mercado da emissão que não satisfaça a es-
serem observadas na conversão; ses padrões.
VI - a época e as condições de vencimento, amortização ou Registro
resgate; Art. 62. Nenhuma emissão de debêntures será feita sem
VII - a época e as condições do pagamento dos juros, da que tenham sido satisfeitos os seguintes requisi-
participação nos lucros e do prêmio de reembolso, se hou- tos:(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
ver; I - arquivamento, no registro do comércio, e publicação da
VIII - o modo de subscrição ou colocação, e o tipo das de- ata da assembléia-geral, ou do conselho de administração,
bêntures. que deliberou sobre a emissão;(Redação dada pela Lei n°
§ 1° Na companhia aberta, o conselho de administração 10.303, de 31.10.2001).
poderá deliberar sobre a emissão de debêntures simples, II - inscrição da escritura de emissão no registro do comér-
não conversíveis em ações e sem garantia real, e a assem- cio;(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
bléia-geral pode delegar ao conselho de administração a III - constituição das garantias reais, se for o caso.
deliberação sobre as condições de que tratam os incisos VI
§ 1° Os administradores da companhia respondem pelas
a VIII deste artigo e sobre a oportunidade da emis-
perdas e danos causados à companhia ou a terceiros por
são.(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
infração deste artigo.

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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§ 2° O agente fiduciário e qualquer debenturista poderão § 1° Os títulos múltiplos de debêntures das companhias
promover os registros requeridos neste artigo e sanar as abertas obedecerão à padronização de quantidade fixada
lacunas e irregularidades por-ventura existentes nos regis- pela Comissão de Valores Mobiliários.
tros promovidos pelos administradores da companhia; neste § 2° Nas condições previstas na escritura de emissão com
caso, o oficial do registro notificará a administração da com- nomeação de agente fiduciário, os certificados poderão ser
panhia para que lhe forneça as indicações e documentos substituídos, desdobrados ou grupados.
necessários. Seção VI Agente Fiduciário dos Debenturistas
§ 3° Os aditamentos à escritura de emissão serão averba-
Requisitos e Incompatibilidades
dos nos mesmos registros.
§ 4° Os registros do comércio manterão livro especial para Art. 66. O agente fiduciário será nomeado e deverá aceitar
inscrição das emissões de debêntures, no qual serão ano- a função na escritura de emissão das debêntures.
tadas as condições essenciais de cada emissão.(Redação § 1° Somente podem ser nomeados agentes fiduciários as
dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). pessoas naturais que satisfaçam aos requisitos para o exer-
Seção IV Forma, Propriedade, Circulação e Ônus cício de cargo em órgão de administração da companhia e
as instituições financeiras que, especialmente autorizadas
Art. 63. As debêntures serão nominativas, aplicando-se, no pelo Banco Central do Brasil, tenham por objeto a adminis-
que couber, o disposto nas seções V a VII do Capítulo III. tração ou a custódia de bens de terceiros.
(Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
§ 2° A Comissão de Valores Mobiliários poderá estabelecer
§ 1° As debêntures podem ser objeto de depósito com e- que nas emissões de debêntures negociadas no mercado o
missão de certificado, nos termos do art. 43. (Redação dada agente fiduciário, ou um dos agentes fiduciários, seja institu-
pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). ição financeira.
§ 2° A escritura de emissão pode estabelecer que as debên- § 3° Não pode ser agente fiduciário:
tures sejam mantidas em contas de custódia, em nome de
a) pessoa que já exerça a função em outra emissão da
seus titulares, na instituição que designar, sem emissão de
mesma companhia;
certificados, aplicando-se, no que couber, o disposto no art.
41.(Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). b) instituição financeira coligada à companhia emissora ou à
entidade que subscreva a emissão para distribuí-la no mer-
Seção V Certificados
cado, e qualquer sociedade por elas controlada;
Requisitos c) credor, por qualquer título, da sociedade emissora, ou
Art. 64. Os certificados das debêntures conterão: sociedade por ele controlada;
I - a denominação, sede, prazo de duração e objeto da d) instituição financeira cujos administradores tenham inte-
companhia; resse na companhia emissora;
II - a data da constituição da companhia e do arquivamento e) pessoa que, de qualquer outro modo, se coloque em
e publicação dos seus atos constitutivos; situação de conflito de interesses pelo exercício da função.
III - a data da publicação da ata da assembléia-geral que § 4° O agente fiduciário que, por circunstâncias posteriores
deliberou sobre a emissão; à emissão, ficar impedido de continuar a exercer a função
IV - a data e ofício do registro de imóveis em que foi inscrita deverá comunicar imediatamente o fato aos debenturistas e
a emissão; pedir sua substituição.
V - a denominação “Debênture” e a indicação da sua espé- Substituição, Remuneração e Fiscalização
cie, pelas palavras “com garantia real”, “com garantia flutu- Art. 67. A escritura de emissão estabelecerá as condições
ante”, “sem preferência” ou “subordinada”; de substituição e remuneração do agente fiduciário, obser-
VI - a designação da emissão e da série; vadas as normas expedidas pela Comissão de Valores Mo-
VII - o número de ordem; biliários.
VIII - o valor nominal e a cláusula de correção monetária, se Parágrafo único. A Comissão de Valores Mobiliários fisca-
houver, as condições de vencimento, amortização, resgate, lizará o exercício da função de agente fiduciário das emis-
juros, participação no lucro ou prêmio de reembolso, e a sões distribuídas no mercado, ou de debêntures negociadas
época em que serão devidos; em bolsa ou no mercado de balcão, podendo:
IX - as condições de conversibilidade em ações, se for o a) nomear substituto provisório, nos casos de vacância;
caso; b) suspender o agente fiduciário de suas funções e dar-lhe
X - o nome do debenturista; (Redação dada pela Lei n° substituto, se deixar de cumprir os seus deveres.
9.457, de 5.5.1997).
Deveres e Atribuições
XI - o nome do agente fiduciário dos debenturistas, se hou-
ver; (Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). Art. 68. O agente fiduciário representa, nos termos desta
XII - a data da emissão do certificado e a assinatura de dois Lei e da escritura de emissão, a comunhão dos debenturis-
diretores da companhia; (Redação dada pela Lei n° 9.457, tas perante a companhia emissora.
de 5.5.1997). § 1° São deveres do agente fiduciário:
XIII - a autenticação do agente fiduciário, se for o caso. a) proteger os direitos e interesses dos debenturistas, em-
(Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). pregando no exercício da função o cuidado e a diligência
que todo homem ativo e probo costuma empregar na admi-
Títulos Múltiplos e Cautelas nistração de seus próprios bens;
Art. 65. A companhia poderá emitir certificados de múltiplos b) elaborar relatório e colocá-lo anualmente a disposição
de debêntures e, provisoriamente, cautelas que as repre- dos debentu-ristas, dentro de 4 (quatro) meses do encerra-
sentem, satisfeitos os requisitos do artigo 64. mento do exercício social da companhia, informando os
fatos relevantes ocorridos durante o exercício, relativos à

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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execução das obrigações assumidas pela companhia, aos dos títulos em circulação, e pela Comissão de Valores Mobi-
bens garantidores das debêntures e à constituição e aplica- liários.
ção do fundo de amortização, se houver, do relatório cons- § 2° Aplica-se à assembléia de debenturistas, no que cou-
tará, ainda, declaração do agente sobre sua aptidão para ber, o disposto nesta Lei sobre a assembléia-geral de acio-
continuar no exercício da função; nistas.
c) notificar os debenturistas, no prazo máximo de 60 (ses- § 3° A assembléia se instalará, em primeira convocação,
senta) dias, de qualquer inadimplemento, pela companhia, com a presença de debenturistas que representem metade,
de obrigações assumidas na escritura da emissão.(Redação no mínimo, das debêntures em circulação, e, em segunda
dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). convocação, com qualquer número.
§ 2° A escritura de emissão disporá sobre o modo de cum- § 4° O agente fiduciário deverá comparecer à assembléia e
primento dos deveres de que tratam as alíneas “b” e “c” do prestar aos debenturistas as informações que lhe forem
parágrafo anterior. solicitadas.
§ 3° O agente fiduciário pode usar de qualquer ação para § 5° A escritura de emissão estabelecerá a maioria neces-
proteger direitos ou defender interesses dos debenturistas, sária, que não será inferior à metade das debêntures em
sendo-lhe especialmente facultado, no caso de inadimple- circulação, para aprovar modificação nas condições das
mento da companhia: debêntures.
a) declarar, observadas as condições da escritura de emis- § 6° Nas deliberações da assembléia, a cada debênture
são, antecipadamente vencidas as debêntures e cobrar o caberá um voto.
seu principal e acessórios; Seção VIII Cédula de debêntures (Redação dada pela Lei
b) executar garantias reais, receber o produto da cobrança e n° 9.457, de 5.5.1997).
aplicá-lo no pagamento, integral ou proporcional, dos de- Art. 72. As instituições financeiras autorizadas pelo Banco
benturistas; Central do Brasil a efetuar esse tipo de operação poderão
c) requerer a falência da companhia emissora, se não existi- emitir cédulas lastreadas em debêntures, com garantia pró-
rem garantias reais; pria, que conferirão a seus titulares direito de crédito contra
d) representar os debenturistas em processos de falência, o emitente, pelo valor nominal e os juros nela estipulados.
concordata, intervenção ou liquidação extrajudicial da com- (Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
panhia emissora, salvo deliberação em contrário da assem- § 1° A cédula será nominativa, escritural ou não. (Redação
bléia dos debenturistas; dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
e) tomar qualquer providência necessária para que os de- § 2° O certificado da cédula conterá as seguintes declara-
benturistas realizem os seus créditos. ções:
§ 4° O agente fiduciário responde perante os debenturistas a) o nome da instituição financeira emitente e as assinaturas
pelos prejuízos que lhes causar por culpa ou dolo no exercí- dos seus representantes;
cio das suas funções. b) o número de ordem, o local e a data da emissão;
§ 5° O crédito do agente fiduciário por despesas que tenha c) a denominação “Cédula de Debêntures”; (Redação dada
feito para proteger direitos e interesses ou realizar créditos pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
dos debenturistas será acrescido à dívida da companhia
d) o valor nominal e a data do vencimento;
emissora, gozará das mesmas garantias das debêntures e
e) os juros, que poderão ser fixos ou variáveis, e as épocas
preferirá a estas na ordem de pagamento.
do seu pagamento;
§ 6° Serão reputadas não-escritas as cláusulas da escritura
f) o lugar do pagamento do principal e dos juros;
de emissão que restringirem os deveres, atribuições e res-
ponsabilidade do agente fiduciário previstos neste artigo. g) a identificação das debêntures-lastro, do seu valor e da
garantia constituída; (Redação dada pela Lei n° 9.457, de
Outras Funções 5.5.1997).
Art. 69. A escritura de emissão poderá ainda atribuir ao h) o nome do agente fiduciário dos debenturistas;
agente fiduciário as funções de autenticar os certificados de i) a cláusula de correção monetária, se houver;
debêntures, administrar o fundo de amortização, manter em j) o nome do titular. (Redação dada pela Lei n° 9.457, de
custódia bens dados em garantia e efetuar os pagamentos 5.5.1997).
de juros, amortização e resgate. Seção IX Emissão de Debêntures no Estrangeiro
Substituição de Garantias e Modificação da Escritura Art. 73. Somente com a prévia aprovação do Banco Central
Art. 70. A substituição de bens dados em garantia, quando do Brasil as companhias brasileiras poderão emitir debêntu-
autorizada na escritura de emissão, dependerá da concor- res no exterior com garantia real ou flutuante de bens situa-
dância do agente fiduciário. dos no País.
Parágrafo único. O agente fiduciário não tem poderes para § 1° Os credores por obrigações contraídas no Brasil terão
acordar na modificação das cláusulas e condições da emis- preferência sobre os créditos por debêntures emitidas no
são. exterior por companhias estrangeiras autorizadas a funcio-
Seção VII Assembléia de Debenturistas nar no País, salvo se a emissão tiver sido previamente auto-
Art. 71. Os titulares de debêntures da mesma emissão ou rizada pelo Banco Central do Brasil e o seu produto aplicado
série podem, a qualquer tempo, reunir-se em assembléia a em estabelecimento situado no território nacional.
fim de deliberar sobre matéria de interesse da comunhão § 2° Em qualquer caso, somente poderão ser remetidos
dos debenturistas. para o exterior o principal e os encargos de debêntures
§ 1° A assembléia de debenturistas pode ser convocada registradas no Banco Central do Brasil.
pelo agente fiduciário, pela companhia emissora, por deben- § 3° A emissão de debêntures no estrangeiro, além de ob-
turistas que representem 10% (dez por cento), no mínimo, servar os requisitos do artigo 62, requer a inscrição, no Re-

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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gistro de Imóveis, do local da sede ou do estabelecimento, V - a época em que o direito de subscrição poderá ser exer-
dos demais documentos exigidos pelas leis do lugar da cido e a data do término do prazo para esse exercício;
emissão, autenticadas de acordo com a lei aplicável, legali- VI - o nome do titular; (Redação dada pela Lei n° 9.457, de
zadas pelo consulado brasileiro no exterior e acompanha- 5.5.1997).
dos de tradução em vernáculo, feita por tradutor público VII - a data da emissão do certificado e as assinaturas de
juramentado; e, no caso de companhia estrangeira, o arqui- dois diretores. (Redação dada pela Lei n° 9.457, de
vamento no registro do comércio e publicação do ato que, 5.5.1997).
de acordo com o estatuto social e a lei do local da sede, CAPÍTULO VII CONSTITUIÇÃO DA COMPANHIA
tenha autorizado a emissão.
Seção I Requisitos Preliminares
§ 4° A negociação, no mercado de capitais do Brasil, de
debêntures emitidas no estrangeiro, depende de prévia Art. 80. A constituição da companhia depende do cumpri-
autorização da Comissão de Valores Mobiliários. mento dos seguintes requisitos preliminares:
Seção X Extinção I - subscrição, pelo menos por 2 (duas) pessoas, de todas
as ações em que se divide o capital social fixado no estatu-
Art. 74. A companhia emissora fará, nos livros próprios, as
to;
anotações referentes à extinção das debêntures, e manterá
II - realização, como entrada, de 10% (dez por cento), no
arquivados, pelo prazo de 5 (cinco) anos, juntamente com
mínimo, do preço de emissão das ações subscritas em di-
os documentos relativos à extinção, os certificados cancela-
dos ou os recibos dos titulares das contas das debêntures nheiro;
escriturais. III - depósito, no Banco do Brasil S.A., ou em outro estabe-
lecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores
§ 1° Se a emissão tiver agente fiduciário, caberá a este
fiscalizar o cancelamento dos certificados. Mobiliários, da parte do capital realizado em dinheiro.
Parágrafo único. O disposto no n° II não se aplica às com-
§ 2° Os administradores da companhia responderão solida-
panhias para as quais a lei exige realização inicial de parte
riamente pelas perdas e danos decorrentes da infração do
disposto neste artigo. maior do capital social.
CAPÍTULO VI BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO Depósito da Entrada
Características Art. 81. O depósito referido no n° III do art. 80 deverá ser
feito pelo fundador, no prazo de 5 (cinco) dias contados do
Art. 75. A companhia poderá emitir, dentro do limite de au-
recebimento das quantias, em nome do subscritor e a favor
mento de capital autorizado no estatuto (artigo 168), títulos
da sociedade em organização, que só poderá levantá-lo
negociáveis denominados “Bônus de Subscrição”.
após haver adquirido personalidade jurídica.
Parágrafo único. Os bônus de subscrição conferirão aos
Parágrafo único. Caso a companhia não se constitua den-
seus titulares, nas condições constantes do certificado,
tro de 6 (seis) meses da data do depósito, o banco restituirá
direito de subscrever ações do capital social, que será exer-
as quantias depositadas diretamente aos subscritores.
cido mediante apresentação do título à companhia e paga-
Seção II Constituição por Subscrição Pública
mento do preço de emissão das ações.
Registro da Emissão
Competência
Art. 76. A deliberação sobre emissão de bônus de subscri- Art. 82. A constituição de companhia por subscrição pública
ção compete à assembléia-geral, se o estatuto não a atribuir depende do prévio registro da emissão na Comissão de
Valores Mobiliários, e a subscrição somente poderá ser
ao Conselho de Administração.
efetuada com a intermediação de instituição financeira.
Emissão § 1° O pedido de registro de emissão obedecerá às normas
Art. 77. Os bônus de subscrição serão alienados pela com- expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários e será
panhia ou por ela atribuídos, como vantagem adicional, aos instruído com:
subscritores de emissões de suas ações ou debêntures. a) o estudo de viabilidade econômica e financeira do em-
Parágrafo único. Os acionistas da companhia gozarão, nos preendimento;
termos dos artigos 171 e 172, de preferência para subscre- b) o projeto do estatuto social;
ver a emissão de bônus. c) o prospecto, organizado e assinado pelos fundadores e
Forma, Propriedade e Circulação pela instituição financeira intermediária.
Art. 78. Os bônus de subscrição terão a forma nominativa. § 2° A Comissão de Valores Mobiliários poderá condicionar
(Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). o registro a modificações no estatuto ou no prospecto e
denegá-lo por inviabilidade ou temeridade do empreendi-
Parágrafo único. Aplica-se aos bônus de subscrição, no
mento, ou inidoneidade dos fundadores.
que couber, o disposto nas Seções V a VII do Capítulo III.
Projeto de Estatuto
Certificados
Art. 83. O projeto de estatuto deverá satisfazer a todos os
Art. 79. O certificado de bônus de subscrição conterá as
requisitos exigidos para os contratos das sociedades mer-
seguintes declarações:
cantis em geral e aos peculiares às companhias, e conterá
I - as previstas nos ns. I a IV do art. 24; as normas pelas quais se regerá a companhia.
II - a denominação “Bônus de Subscrição”;
III - o número de ordem; Prospecto
IV - o número, a espécie e a classe das ações que poderão Art. 84. O prospecto deverá mencionar, com precisão e
ser subscritas, o preço de emissão ou os critérios para sua clareza, as bases da companhia e os motivos que justifi-
determinação; quem a expectativa de bom êxito do empreendimento, e em
especial:

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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I - o valor do capital social a ser subscrito, o modo de sua § 1° Na assembléia, presidida por um dos fundadores e
realização e a existência ou não de autorização para au- secretariada por subscritor, será lido o recibo de depósito de
mento futuro; que trata o n° III do art. 80, bem como discutido e votado o
II - a parte do capital a ser formada com bens, a discrimina- projeto de estatuto.
ção desses bens e o valor a eles atribuídos pelos fundado- § 2° Cada ação, independentemente de sua espécie ou
res; classe, dá direito a um voto; a maioria não tem poder para
III - o número, as espécies e classes de ações em que se alterar o projeto de estatuto.
dividirá o capital; o valor nominal das ações, e o preço da § 3° Verificando-se que foram observadas as formalidades
emissão das ações; legais e não havendo oposição de subscritores que repre-
IV - a importância da entrada a ser realizada no ato da sentem mais da metade do capital social, o presidente de-
subscrição; clarará constituída a companhia, procedendo-se, a seguir, à
V - as obrigações assumidas pelos fundadores, os contratos eleição dos administradores e fiscais.
assinados no interesse da futura companhia e as quantias já § 4° A ata da reunião, lavrada em duplicata, depois de lida e
despendidas e por despender; aprovada pela assembléia, será assinada por todos os
VI - as vantagens particulares, a que terão direito os funda- subscritores presentes, ou por quantos bastem à validade
dores ou terceiros, e o dispositivo do projeto do estatuto que das deliberações; um exemplar ficará em poder da compa-
as regula; nhia e o outro será destinado ao registro do comércio.
VII - a autorização governamental para constituir-se a com- Seção III Constituição por Subscrição Particular
panhia, se necessária; Art. 88. A constituição da companhia por subscrição particu-
VIII - as datas de início e término da subscrição e as institui- lar do capital pode fazer-se por deliberação dos subscritores
ções autorizadas a receber as entradas; em assembléia-geral ou por escritura pública, considerando-
IX - a solução prevista para o caso de excesso de subscri- se fundadores todos os subscritores.
ção; § 1° Se a forma escolhida for a de assembléia-geral, obser-
X - o prazo dentro do qual deverá realizar-se a assembléia var-se-á o disposto nos artigos 86 e 87, devendo ser entre-
de constituição da companhia, ou a preliminar para avalia- gues à assembléia o projeto do estatuto, assinado em dupli-
ção dos bens, se for o caso; cata por todos os subscritores do capital, e as listas ou bole-
XI - o nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residên- tins de subscrição de todas as ações.
cia dos fundadores, ou, se pessoa jurídica, a firma ou de- § 2° Preferida a escritura pública, será ela assinada por
nominação, nacionalidade e sede, bem como o número e todos os subs-critores, e conterá:
espécie de ações que cada um houver subscrito; a) a qualificação dos subscritores, nos termos do artigo 85;
XII - a instituição financeira intermediária do lançamento, em b) o estatuto da companhia;
cujo poder ficarão depositados os originais do prospecto e c) a relação das ações tomadas pelos subscritores e a im-
do projeto de estatuto, com os documentos a que fizerem portância das entradas pagas;
menção, para exame de qualquer interessado. d) a transcrição do recibo do depósito referido no n° III do
Lista, Boletim de Entrada art. 80;
Art. 85. No ato da subscrição das ações a serem realizadas e) a transcrição do laudo de avaliação dos peritos, caso
em dinheiro, o subscritor pagará a entrada e assinará a lista tenha havido subscrição do capital social em bens (artigo
ou o boletim individual autenticados pela instituição autori- 8°);
zada a receber as entradas, qualificando-se pelo nome, f) a nomeação dos primeiros administradores e, quando for
nacionalidade, residência, estado civil, profissão e docu- o caso, dos fiscais.
mento de identidade, ou, se pessoa jurídica, pela firma ou Seção IV Disposições Gerais
denominação, nacionalidade e sede, devendo especificar o Art. 89. A incorporação de imóveis para formação do capital
número das ações subscritas, a sua espécie e classe, se social não exige escritura pública.
houver mais de uma, e o total da entrada. Art. 90. O subscritor pode fazer-se representar na assem-
Parágrafo único. A subscrição poderá ser feita, nas condi- bléia-geral ou na escritura pública por procurador com pode-
ções previstas no prospecto, por carta à instituição, com as res especiais.
declarações prescritas neste artigo e o pagamento da en- Art. 91. Nos atos e publicações referentes a companhia em
trada. constituição, sua denominação deverá ser aditada da cláu-
Convocação de Assembléia sula “em organização”.
Art. 92. Os fundadores e as instituições financeiras que
Art. 86. Encerrada a subscrição e havendo sido subscrito
participarem da constituição por subscrição pública respon-
todo o capital social, os fundadores convocarão a assem-
bléia-geral que deverá: derão, no âmbito das respectivas atribuições, pelos prejuí-
zos resultantes da inobservância de preceitos legais.
I - promover a avaliação dos bens, se for o caso (art. 8°);
Parágrafo único. Os fundadores responderão, solidaria-
II - deliberar sobre a constituição da companhia.
mente, pelo prejuízo decorrente de culpa ou dolo em atos
Parágrafo único. Os anúncios de convocação mencionarão ou operações anteriores à constituição.
hora, dia e local da reunião e serão inseridos nos jornais em
Art. 93. Os fundadores entregarão aos primeiros adminis-
que houver sido feita a publicidade da oferta de subscrição.
tradores eleitos todos os documentos, livros ou papéis rela-
Assembléia de Constituição tivos à constituição da companhia ou a esta pertencentes.
Art. 87. A assembléia de constituição instalar-se-á, em pri- CAPÍTULO VIII FORMALIDADES COMPLEMENTARES DA CONSTI-
meira convocação, com a presença de subscritores que TUIÇÃO,
representem, no mínimo, metade do capital social, e, em Arquivamento e Publicação
segunda convocação, com qualquer número.

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Art. 94. Nenhuma companhia poderá funcionar sem que critor tiver contribuído para a formação do capital social
sejam arquivados e publicados seus atos constitutivos. (artigo 8°, § 2°).
Companhia Constituída por Assembléia § 3° A ata da assembléia-geral que aprovar a incorporação
deverá identificar o bem com precisão, mas poderá descre-
Art. 95. Se a companhia houver sido constituída por delibe-
vê-lo sumariamente, desde que seja suplementada por de-
ração em assembléia-geral, deverão ser arquivados no claração, assinada pelo subscritor, contendo todos os ele-
Registro do Comércio do lugar da sede: mentos necessários para a transcrição no registro público.
I - um exemplar do estatuto social, assinado por todos os
subscritores (artigo 88, § 1°) ou, se a subscrição houver Responsabilidade dos Primeiros Administradores
sido pública, os originais do estatuto e do prospecto, assi- Art. 99. Os primeiros administradores são solidariamente
nados pelos fundadores, bem como do jornal em que tive- responsáveis perante a companhia pelos prejuízos causa-
rem sido publicados; dos pela demora no cumprimento das formalidades com-
II - a relação completa, autenticada pelos fundadores ou plementares à sua constituição.
pelo presidente da assembléia, dos subscritores do capital Parágrafo único. A companhia não responde pelos atos ou
social, com a qualificação, número das ações e o total da operações praticados pelos primeiros administradores antes
entrada de cada subscritor (artigo 85); de cumpridas as formalidades de constituição, mas a as-
III - o recibo do depósito a que se refere o n° III do art. 80; sembléia-geral poderá deliberar em contrário.
IV - duplicata das atas das assembléias realizadas para a CAPÍTULO IX LIVROS SOCIAIS
avaliação de bens quando for o caso (artigo 8°); Art. 100. A companhia deve ter, além dos livros obrigatórios
V - duplicata da ata da assembléia-geral dos subscritores para qualquer comerciante, os seguintes, revestidos das
que houver deliberado a constituição da companhia (artigo mesmas formalidades legais:
87). I - o livro de “Registro de Ações Nominativas”, para inscri-
Companhia Constituída por Escritura Pública ção, anotação ou averbação: (Redação dada pela Lei n°
9.457, de 5.5.1997).
Art. 96. Se a companhia tiver sido constituída por escritura
pública, bastará o arquivamento de certidão do instrumento. a) do nome do acionista e do número das suas ações;
b) das entradas ou prestações de capital realizado;
Registro do Comércio c) das conversões de ações, de uma em outra espécie ou
Art. 97. Cumpre ao Registro do Comércio examinar se as classe; (Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
prescrições legais foram observadas na constituição da d) do resgate, reembolso e amortização das ações, ou de
companhia, bem como se no estatuto existem cláusulas sua aquisição pela companhia;
contrárias à lei, à ordem pública e aos bons costumes. e) das mutações operadas pela alienação ou transferência
§ 1° Se o arquivamento for negado, por inobservância de de ações;
prescrição ou exigência legal ou por irregularidade verifica- f) do penhor, usufruto, fideicomisso, da alienação fiduciária
da na constituição da companhia, os primeiros administra- em garantia ou de qualquer ônus que grave as ações ou
dores deverão convocar imediatamente a assembléia-geral obste sua negociação.
para sanar a falta ou irregularidade, ou autorizar as provi- II - o livro de “Transferência de Ações Nominativas”, para
dências que se fizerem necessárias. A instalação e funcio- lançamento dos termos de transferência, que deverão ser
namento da assembléia obedecerão ao disposto no artigo assinados pelo cedente e pelo cessionário ou seus legítimos
87, devendo a deliberação ser tomada por acionistas que representantes;
representem, no mínimo, metade do capital social. Se a falta
III - o livro de “Registro de Partes Beneficiárias Nominativas”
for do estatuto, poderá ser sanada na mesma assembléia, a
e o de “Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas”,
qual deliberará, ainda, sobre se a companhia deve promo-
se tiverem sido emitidas, observando-se, em ambos, no que
ver a responsabilidade civil dos fundadores (artigo 92).
couber, o disposto nos ns. I e II deste artigo;
§ 2° Com a 2ª via da ata da assembléia e a prova de ter
IV - o livro de “Atas das Assembléias Gerais”; (Redação
sido sanada a falta ou irregularidade, o Registro do Comér-
dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
cio procederá ao arquivamento dos atos constitutivos da
companhia. V - o livro de “Presença dos Acionistas”; (Redação dada
pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
§ 3° A criação de sucursais, filiais ou agências, observado o
disposto no estatuto, será arquivada no Registro do Comér- VI - os livros de “Atas das Reuniões do Conselho de Admi-
cio. nistração”, se houver, e de Atas das Reuniões de Diretoria;
(Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
Publicação e Transferência de Bens VII - o livro de “Atas e Pareceres do Conselho Fiscal”. (Re-
Art. 98. Arquivados os documentos relativos à constituição dação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
da companhia, os seus administradores providenciarão, nos § 1° A qualquer pessoa, desde que se destinem a defesa de
30 (trinta) dias subseqüentes, a publicação deles, bem co- direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal
mo a de certidão do arquivamento, em órgão oficial do local ou dos acionistas ou do mercado de valores mobiliários,
de sua sede. serão dadas certidões dos assentamentos constantes dos
§ 1° Um exemplar do órgão oficial deverá ser arquivado no livros mencionados nos incisos I a III, e por elas a compa-
Registro do Comércio. nhia poderá cobrar o custo do serviço, cabendo, do indefe-
§ 2° A certidão dos atos constitutivos da companhia, passa- rimento do pedido por parte da companhia, recurso à Co-
da pelo Registro do Comércio em que foram arquivados, missão de Valores Mobiliários. (Redação dada pela Lei n°
será o documento hábil para a transferência, por transcrição 9.457, de 5.5.1997).
no registro público competente, dos bens com que o subs- § 2° Nas companhias abertas, os livros referidos nos incisos
I a III do caput deste artigo poderão ser substituídos, obser-

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vadas as normas expedidas pela Comissão de Valores Mo- por cento) do capital social, sejam apontados atos violado-
biliários, por registros mecanizados ou eletrônicos. (Reda- res da lei ou do estatuto, ou haja fundada suspeita de gra-
ção dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). ves irregularidades praticadas por qualquer dos órgãos da
Escrituração do Agente Emissor companhia.
CAPÍTULO X ACIONISTAS
Art. 101. O agente emissor de certificados (art. 27) poderá
substituir os livros referidos nos incisos I a III do art. 100 Seção I Obrigação de Realizar o Capital
pela sua escrituração e manter, mediante sistemas adequa- Condições e Mora
dos, aprovados pela Comissão de Valores Mobiliários, os Art. 106. O acionista é obrigado a realizar, nas condições
registros de propriedade das ações, partes beneficiárias, previstas no estatuto ou no boletim de subscrição, a presta-
debêntures e bônus de subscrição, devendo uma vez por ção correspondente às ações subscritas ou adquiridas.
ano preparar lista dos seus titulares, com o número dos
§ 1° Se o estatuto e o boletim forem omissos quanto ao
títulos de cada um, a qual será encadernada, autenticada no
montante da prestação e ao prazo ou data do pagamento,
Registro do Comércio e arquivada na companhia.(Redação
caberá aos órgãos da administração efetuar chamada, me-
dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
diante avisos publicados na imprensa, por 3 (três) vezes, no
§ 1° Os termos de transferência de ações nominativas pe- mínimo, fixando prazo, não inferior a 30 (trinta) dias, para o
rante o agente emissor poderão ser lavrados em folhas pagamento.
soltas, à vista do certificado da ação, no qual serão averba-
§ 2° O acionista que não fizer o pagamento nas condições
dos a transferência e o nome e qualificação do adquirente.
previstas no estatuto ou boletim, ou na chamada, ficará de
§ 2° Os termos de transferência em folhas soltas serão en- pleno direito constituído em mora, sujeitando-se ao paga-
cadernados em ordem cronológica, em livros autenticados mento dos juros, da correção monetária e da multa que o
no Registro do Comércio e arquivados no agente emissor. estatuto determinar, esta não superior a 10% (dez por cen-
Ações Escriturais to) do valor da prestação.
Art. 102. A instituição financeira depositária de ações escri- Acionista Remisso
turais deverá fornecer à companhia, ao menos uma vez por Art. 107. Verificada a mora do acionista, a companhia pode,
ano, cópia dos extratos das contas de depósito das ações e à sua escolha:
a lista dos acionistas com a quantidade das respectivas
I - promover contra o acionista, e os que com ele forem
ações, que serão encadernadas em livros autenticados no
solidariamente responsáveis (artigo 108), processo de exe-
registro do comércio e arquivados na instituição financeira.
cução para cobrar as importâncias devidas, servindo o bole-
Fiscalização e Dúvidas no Registro tim de subscrição e o aviso de chamada como título extraju-
Art. 103. Cabe à companhia verificar a regularidade das dicial nos termos do Código de Processo Civil; ou
transferências e da constituição de direitos ou ônus sobre os II - mandar vender as ações em Bolsa de Valores, por conta
valores mobiliários de sua emissão; nos casos dos artigos e risco do acionista.
27 e 34, essa atribuição compete, respectivamente, ao a- § 1° Será havida como não escrita, relativamente à compa-
gente emissor de certificados e à instituição financeira de- nhia, qualquer estipulação do estatuto ou do boletim de
positária das ações escriturais. subscrição que exclua ou limite o exercício da opção previs-
Parágrafo único. As dúvidas suscitadas entre o acionista, ta neste artigo, mas o subscritor de boa-fé terá ação, contra
ou qualquer interessado, e a companhia, o agente emissor os responsáveis pela estipulação, para haver perdas e da-
de certificados ou a instituição financeira depositária das nos sofridos, sem prejuízo da responsabilidade penal que
ações escriturais, a respeito das averbações ordenadas por no caso couber.
esta Lei, ou sobre anotações, lançamentos ou transferên- § 2° A venda será feita em leilão especial na Bolsa de Valo-
cias de ações, partes beneficiárias, debêntures, ou bônus res do lugar da sede social, ou, se não houver, na mais
de subscrição, nos livros de registro ou transferência, serão próxima, depois de publicado aviso, por 3 (três) vezes, com
dirimidas pelo juiz competente para solucionar as dúvidas antecedência mínima de 3 (três) dias. Do produto da venda
levantadas pelos oficiais dos registros públicos, excetuadas serão deduzidos as despesas com a operação e, se previs-
as questões atinentes à substância do direito. tos no estatuto, os juros, correção monetária e multa, fican-
Responsabilidade da Companhia do o saldo à disposição do ex-acionista, na sede da socie-
dade.
Art. 104. A companhia é responsável pelos prejuízos que § 3° É facultado à companhia, mesmo após iniciada a co-
causar aos interessados por vícios ou irregularidades verifi- brança judicial, mandar vender a ação em bolsa de valores;
cadas nos livros de que tratam os incisos I a III do art. 100. a companhia poderá também promover a cobrança judicial
(Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). se as ações oferecidas em bolsa não encontrarem tomador,
Parágrafo único. A companhia deverá diligenciar para que ou se o preço apurado não bastar para pagar os débitos do
os atos de emissão e substituição de certificados, e de acionista.
transferências e averbações nos livros sociais, sejam prati- § 4° Se a companhia não conseguir, por qualquer dos meios
cados no menor prazo possível, não excedente do fixado previstos neste artigo, a integralização das ações, poderá
pela Comissão de Valores Mobiliários, respondendo perante declará-las caducas e fazer suas as entradas realizadas,
acionistas e terceiros pelos prejuízos decorrentes de atrasos integralizando-as com lucros ou reservas, exceto a legal; se
culposos. não tiver lucros e reservas suficientes, terá o prazo de 1
Exibição dos Livros (um) ano para colocar as ações caídas em comisso, findo o
Art. 105. A exibição por inteiro dos livros da companhia qual, não tendo sido encontrado comprador, a assembléia-
pode ser ordenada judicialmente sempre que, a requerimen- geral deliberará sobre a redução do capital em importância
to de acionistas que representem, pelo menos, 5% (cinco correspondente.

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Responsabilidade dos Alienantes Parágrafo único. Os titulares de ações preferenciais ao
Art. 108. Ainda quando negociadas as ações, os alienantes portador que adquirirem direito de voto de acordo com o
continuarão responsáveis, solidariamente com os adquiren- disposto nos §§ 1° e 2° do artigo 111, e enquanto dele go-
tes, pelo pagamento das prestações que faltarem para inte- zarem, poderão converter as ações em nominativas ou en-
gralizar as ações transferidas. dossáveis, independentemente de autorização estatutária.
Parágrafo único. Tal responsabilidade cessará, em relação Voto das Ações Empenhadas e Alienadas Fiduciaria-
a cada alienante, no fim de 2 (dois) anos a contar da data mente
da transferência das ações. Art. 113. O penhor da ação não impede o acionista de exer-
Seção II Direitos Essenciais cer o direito de voto; será lícito, todavia, estabelecer, no
contrato, que o acionista não poderá, sem consentimento do
Art. 109. Nem o estatuto social nem a assembléia-geral
credor pignoratício, votar em certas deliberações.
poderão privar o acionista dos direitos de:
Parágrafo único. O credor garantido por alienação fiduciá-
I - participar dos lucros sociais;
ria da ação não poderá exercer o direito de voto; o devedor
II - participar do acervo da companhia, em caso de liquida- somente poderá exercê-lo nos termos do contrato.
ção;
III - fiscalizar, na forma prevista nesta Lei, a gestão dos Voto das Ações Gravadas com Usufruto
negócios sociais; Art. 114. O direito de voto da ação gravada com usufruto,
IV - preferência para a subscrição de ações, partes benefi- se não for regulado no ato de constituição do gravame,
ciárias conversíveis em ações, debêntures conversíveis em somente poderá ser exercido mediante prévio acordo entre
ações e bônus de subscrição, observado o disposto nos o proprietário e o usufrutuário.
artigos 171 e 172; Abuso do Direito de Voto e Conflito de Interesses
V - retirar-se da sociedade nos casos previstos nesta Lei. Art. 115. O acionista deve exercer o direito a voto no inte-
§ 1° As ações de cada classe conferirão iguais direitos aos resse da companhia; considerar-se-á abusivo o voto exerci-
seus titulares. do com o fim de causar dano à companhia ou a outros acio-
§ 2° Os meios, processos ou ações que a lei confere ao nistas, ou de obter, para si ou para outrem, vantagem a que
acionista para assegurar os seus direitos não podem ser não faz jus e de que resulte, ou possa resultar, prejuízo para
elididos pelo estatuto ou pela assembléia-geral. a companhia ou para outros acionistas.(Redação dada pela
§ 3° O estatuto da sociedade pode estabelecer que as di- Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
vergências entre os acionistas e a companhia, ou entre os § l° o acionista não poderá votar nas deliberações da as-
acionistas controladores e os acionistas minoritários, pode- sembléia-geral relativas ao laudo de avaliação de bens com
rão ser solucionadas mediante arbitragem, nos termos em que concorrer para a formação do capital social e à aprova-
que especificar. (Incluído pela Lei n° 10.303, de ção de suas contas como administrador, nem em quaisquer
31.10.2001). outras que puderem beneficiá-lo de modo particular, ou em
Seção III Direito de Voto que tiver interesse conflitante com o da companhia.
Disposições Gerais § 2° Se todos os subscritores forem condôminos de bem
Art. 110. A cada ação ordinária corresponde 1 (um) voto com que concorreram para a formação do capital social,
poderão aprovar o laudo, sem prejuízo da responsabilidade
nas deliberações da assembléia-geral.
de que trata o § 6° do artigo 8°.
§ 1° O estatuto pode estabelecer limitação ao número de
§ 3° o acionista responde pelos danos causados pelo exer-
votos de cada acionista.
cício abusivo do direito de voto, ainda que seu voto não haja
§ 2° É vedado atribuir voto plural a qualquer classe de a-
prevalecido.
ções.
§ 4° A deliberação tomada em decorrência do voto de acio-
Ações Preferenciais nista que tem interesse conflitante com o da companhia é
Art. 111. O estatuto poderá deixar de conferir às ações anulável; o acionista responderá pelos danos causados e
preferenciais algum ou alguns dos direitos reconhecidos às será obrigado a transferir para a companhia as vantagens
ações ordinárias, inclusive o de voto, ou conferi-lo com res- que tiver auferido.
trições, observado o disposto no artigo 19. § 5° (VETADO).(Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
§ 1° As ações preferenciais sem direito de voto adquirirão o § 6° (VETADO).(Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
exercício desse direito se a companhia, pelo prazo previsto § 7° (VETADO).(Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
no estatuto, não superior a 3 (três) exercícios consecutivos, § 8° (VETADO).(Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
deixar de pagar os dividendos fixos ou mínimos a que fize- § 9° (VETADO).(Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
rem jus, direito que conservarão até o pagamento, se tais § 10. (VETADO).(Incluído pela Lei n° 10.303, de
dividendos não forem cumulativos, ou até que sejam pagos 31.10.2001).
os cumulativos em atraso. Seção IV Acionista Controlador
§ 2° Na mesma hipótese e sob a mesma condição do § 1°,
as ações preferenciais com direito de voto restrito terão Deveres
suspensas as limitações ao exercício desse direito. Art. 116. Entende-se por acionista controlador a pessoa,
§ 3° O estatuto poderá estipular que o disposto nos §§ 1° e natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por
2° vigorará a partir do término da implantação do empreen- acordo de voto, ou sob controle comum, que:
dimento inicial da companhia. a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo
Não Exercício de Voto pelas Ações ao Portador permanente, a maioria dos votos nas deliberações da as-
Art. 112. Somente os titulares de ações nominativas endos- sembléia-geral e o poder de eleger a maioria dos adminis-
sáveis e escriturais poderão exercer o direito de voto. tradores da companhia; e

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b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades Seção V Acordo de Acionistas
sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da compa- Art. 118. Os acordos de acionistas, sobre a compra e venda
nhia. de suas ações, preferência para adquiri-las, exercício do
Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder direito a voto, ou do poder de controle deverão ser observa-
com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e dos pela companhia quando arquivados na sua se-
cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilida- de.(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
des para com os demais acionistas da empresa, os que nela § 1° As obrigações ou ônus decorrentes desses acordos
trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos somente serão oponíveis a terceiros, depois de averbados
direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. nos livros de registro e nos certificados das ações, se emiti-
Art. 116-A. O acionista controlador da companhia aberta e dos.
os acionistas, ou grupo de acionistas, que elegerem mem- § 2° Esses acordos não poderão ser invocados para eximir
bro do conselho de administração ou membro do conselho o acionista de responsabilidade no exercício do direito de
fiscal, deverão informar imediatamente as modificações em voto (artigo 115) ou do poder de controle (artigos 116 e
sua posição acionária na companhia à Comissão de Valores 117).
Mobiliários e às Bolsas de Valores ou entidades do mercado § 3° Nas condições previstas no acordo, os acionistas po-
de balcão organizado nas quais os valores mobiliários de dem promover a execução específica das obrigações assu-
emissão da companhia estejam admitidos à negociação, midas.
nas condições e na forma determinadas pela Comissão de
§ 4° As ações averbadas nos termos deste artigo não pode-
Valores Mobiliários.(Incluído pela Lei n° 10.303, de
rão ser negociadas em bolsa ou no mercado de balcão.
31.10.2001).
§ 5° No relatório anual, os órgãos da administração da
Responsabilidade companhia aberta informarão à assembléia-geral as dispo-
Art. 117. O acionista controlador responde pelos danos sições sobre política de reinvestimento de lucros e distribui-
causados por atos praticados com abuso de poder. ção de dividendos, constantes de acordos de acionistas
§ l° São modalidades de exercício abusivo de poder: arquivados na companhia.
a) orientar a companhia para fim estranho ao objeto social § 6° O acordo de acionistas cujo prazo for fixado em função
ou lesivo ao interesse nacional, ou levá-la a favorecer outra de termo ou condição resolutiva somente pode ser denunci-
sociedade, brasileira ou estrangeira, em prejuízo da partici- ado segundo suas estipulações. (Incluído pela Lei n°
pação dos acionistas minoritários nos lucros ou no acervo 10.303, de 31.10.2001).
da companhia, ou da economia nacional; § 7° O mandato outorgado nos termos de acordo de acionis-
b) promover a liquidação de companhia próspera, ou a tas para proferir, em assembléia-geral ou especial, voto
transformação, incorporação, fusão ou cisão da companhia, contra ou a favor de determinada deliberação, poderá pre-
com o fim de obter, para si ou para outrem, vantagem inde- ver prazo superior ao constante do § 1º do art. 126 desta
vida, em prejuízo dos demais acionistas, dos que trabalham Lei.(Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
na empresa ou dos investidores em valores mobiliários emi- § 8° O presidente da assembléia ou do órgão colegiado de
tidos pela companhia; deliberação da companhia não computará o voto proferido
c) promover alteração estatutária, emissão de valores mobi- com infração de acordo de acionistas devidamente arquiva-
liários ou adoção de políticas ou decisões que não tenham do. (Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
por fim o interesse da companhia e visem a causar prejuízo § 9° O não comparecimento à assembléia ou às reuniões
a acionistas minoritários, aos que trabalham na empresa ou dos órgãos de administração da companhia, bem como as
aos investidores em valores mobiliários emitidos pela com- abstenções de voto de qualquer parte de acordo de acionis-
panhia; tas ou de membros do conselho de administração eleitos
d) eleger administrador ou fiscal que sabe inapto, moral ou nos termos de acordo de acionistas, assegura à parte preju-
tecnicamente; dicada o direito de votar com as ações pertencentes ao
e) induzir, ou tentar induzir, administrador ou fiscal a praticar acionista ausente ou omisso e, no caso de membro do con-
ato ilegal, ou, descumprindo seus deveres definidos nesta selho de administração, pelo conselheiro eleito com os vo-
Lei e no estatuto, promover, contra o interesse da compa- tos da parte prejudicada. (Incluído pela Lei n° 10.303, de
nhia, sua ratificação pela assembléia-geral; 31.10.2001).
f) contratar com a companhia, diretamente ou através de § 10. Os acionistas vinculados a acordo de acionistas deve-
outrem, ou de sociedade na qual tenha interesse, em condi- rão indicar, no ato de arquivamento, representante para
ções de favorecimento ou não equitativas; comunicar-se com a companhia, para prestar ou receber
g) aprovar ou fazer aprovar contas irregulares de adminis- informações, quando solicitadas.(Incluído pela Lei n°
tradores, por favorecimento pessoal, ou deixar de apurar 10.303, de 31.10.2001).
denúncia que saiba ou devesse saber procedente, ou que § 11. A companhia poderá solicitar aos membros do acordo
justifique fundada suspeita de irregularidade. esclarecimento sobre suas cláusulas.(Incluído pela Lei n°
h) subscrever ações, para os fins do disposto no art. 170, 10.303, de 31.10.2001).
com a realização em bens estranhos ao objeto social da Seção VI Representação de Acionista Residente ou Do-
companhia. (Inlcluída pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). miciliado no Exterior
§ 2° No caso da alínea e do § 1°, o administrador ou fiscal Art. 119. O acionista residente ou domiciliado no Exterior
que praticar o ato ilegal responde solidariamente com o deverá manter, no País, representante com poderes para
acionista controlador. receber citação em ações contra ele, propostas com funda-
§ 3° O acionista controlador que exerce cargo de adminis- mento nos preceitos desta Lei.
trador ou fiscal tem também os deveres e responsabilidades
próprios do cargo.

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Parágrafo único. O exercício, no Brasil, de qualquer dos b) por qualquer acionista, quando os administradores retar-
direitos de acionista, confere ao mandatário ou representan- darem, por mais de 60 (sessenta) dias, a convocação nos
te legal qualidade para receber citação judicial. casos previstos em lei ou no estatuto;
Seção VII Suspensão do Exercício de Direitos c) por acionistas que representem cinco por cento, no míni-
Art. 120. A assembléia-geral poderá suspender o exercício mo, do capital social, quando os administradores não aten-
dos direitos do acionista que deixar de cumprir obrigação derem, no prazo de oito dias, a pedido de convocação que
imposta pela lei ou pelo estatuto, cessando a suspensão apresentarem, devidamente fundamentado, com indicação
logo que cumprida a obrigação. das matérias a serem tratadas; (Redação dada pela Lei n°
CAPÍTULO XI 9.457, de 5.5.1997).
d) por acionistas que representem cinco por cento, no míni-
Assembléia-Geral
mo, do capital votante, ou cinco por cento, no mínimo, dos
Seção I Disposições Gerais acionistas sem direito a voto, quando os administradores
Art. 121. A assembléia-geral, convocada e instalada de não atenderem, no prazo de oito dias, a pedido de convoca-
acordo com a lei e o estatuto, tem poderes para decidir ção de assembléia para instalação do conselho fiscal. (Inl-
todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar cluída pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e de-
Modo de Convocação e Local
senvolvimento.
Art. 124. A convocação far-se-á mediante anúncio publica-
Competência Privativa do por 3 (três) vezes, no mínimo, contendo, além do local,
Art. 122. Compete privativamente à assembléia- data e hora da assembléia, a ordem do dia, e, no caso de
geral:(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). reforma do estatuto, a indicação da matéria.
I - reformar o estatuto social; (Redação dada pela Lei n° § 1° A primeira convocação da assembléia-geral deverá ser
10.303, de 31.10.2001). feita:(Redação da pela Lei n°10.303, de 31.10.2001).
II - eleger ou destituir, a qualquer tempo, os administradores I - na companhia fechada, com 8 (oito) dias de antecedên-
e fiscais da companhia, ressalvado o disposto no inciso II do cia, no mínimo, contado o prazo da publicação do primeiro
art. 142; (Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). anúncio; não se realizando a assembléia, será publicado
III - tomar, anualmente, as contas dos administradores e novo anúncio, de segunda convocação, com antecedência
deliberar sobre as demonstrações financeiras por eles apre- mínima de 5 (cinco) dias;(Inlcluída pela Lei n°10.303, de
sentadas;(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
31.10.2001). II - na companhia aberta, o prazo de antecedência da pri-
IV - autorizar a emissão de debêntures, ressalvado o dis- meira convocação será de 15 (quinze) dias e o da segunda
posto no § 1° do art. 59;(Redação dada pela Lei n° 10.303, convocação de 8 (oito) dias.(Inlcluída pela Lei n°10.303, de
de 31.10.2001). 31.10.2001).
V - suspender o exercício dos direitos do acionista (art. § 2° Salvo motivo de força maior, a assembléia-geral reali-
120);(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). zar-se-á no edifício onde a companhia tiver a sede; quando
VI - deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista houver de efetuar-se em outro, os anúncios indicarão, com
concorrer para a formação do capital social;(Redação dada clareza, o lugar da reunião, que em nenhum caso poderá
pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). realizar-se fora da localidade da sede.
VII - autorizar a emissão de partes beneficiárias;(Redação § 3° Nas companhias fechadas, o acionista que representar
dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). 5% (cinco por cento), ou mais, do capital social, será convo-
VIII - deliberar sobre transformação, fusão, incorporação e cado por telegrama ou carta registrada, expedidos com a
cisão da companhia, sua dissolução e liquidação, eleger e antecedência prevista no § 1°, desde que o tenha solicitado,
destituir liquidantes e julgar-lhes as contas; e(Redação dada por escrito, à companhia, com a indicação do endereço
pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). completo e do prazo de vigência do pedido, não superior a 2
IX - autorizar os administradores a confessar falência e (dois) exercícios sociais, e renovável; essa convocação não
pedir concordata.(Redação dada pela Lei n° 10.303, de dispensa a publicação do aviso previsto no § 1°, e sua inob-
31.10.2001). servância dará ao acionista direito de haver, dos adminis-
Parágrafo único. Em caso de urgência, a confissão de tradores da companhia, indenização pelos prejuízos sofri-
falência ou o pedido de concordata poderá ser formulado dos.
pelos administradores, com a concordância do acionista § 4° Independentemente das formalidades previstas neste
controlador, se houver, convocando-se imediatamente a artigo, será considerada regular a assembléia-geral a que
assembléia-geral, para manifestar-se sobre a maté- comparecerem todos os acionistas.
ria.(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). § 5° A Comissão de Valores Mobiliários poderá, a seu ex-
clusivo critério, mediante decisão fundamentada de seu
Competência para Convocação Colegiado, a pedido de qualquer acionista, e ouvida a com-
Art. 123. Compete ao Conselho de Administração, se hou- panhia:(Incluído pela Lei n°10.303, de 31.10.2001).
ver, ou aos diretores, observado o disposto no estatuto, I - aumentar, para até 30 (trinta) dias, a contar da data em
convocar a assembléia-geral. que os documentos relativos às matérias a serem delibera-
Parágrafo único. A assembléia-geral pode também ser das forem colocados à disposição dos acionistas, o prazo
convocada: de antecedência de publicação do primeiro anúncio de con-
a) pelo Conselho Fiscal, nos casos previstos no número V, vocação da assembléia-geral de companhia aberta, quando
do artigo 163; esta tiver por objeto operações que, por sua complexidade,
exijam maior prazo para que possam ser conhecidas e ana-

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lisadas pelos acionistas;(Inlcluída pela Lei n°10.303, de § 3° É facultado a qualquer acionista, detentor de ações,
31.10.2001). com ou sem voto, que represente meio por cento, no míni-
II - interromper, por até 15 (quinze) dias, o curso do prazo mo, do capital social, solicitar relação de endereços dos
de antecedência da convocação de assembléia-geral extra- acionistas, para os fins previstos no § 1°, obedecidos sem-
ordinária de companhia aberta, a fim de conhecer e analisar pre os requisitos do parágrafo anterior. (Redação dada pela
as propostas a serem submetidas à assembléia e, se for o Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
caso, informar à companhia, até o término da interrupção, § 4° Têm a qualidade para comparecer à assembléia os
as razões pelas quais entende que a deliberação proposta à representantes legais dos acionistas.
assembléia viola dispositivos legais ou regulamenta- Livro de Presença
res.(Inlcluída pela Lei n°10.303, de 31.10.2001).
Art. 127. Antes de abrir-se a assembléia, os acionistas as-
§ 6° As companhias abertas com ações admitidas à negoci-
ação em bolsa de valores deverão remeter, na data da pu- sinarão o “Livro de Presença”, indicando o seu nome, na-
blicação do anúncio de convocação da assembléia, à bolsa cionalidade e residência, bem como a quantidade, espécie e
de valores em que suas ações forem mais negociadas, os classe das ações de que forem titulares.
documentos postos à disposição dos acionistas para delibe- Mesa
ração na assembléia-geral.(Incluído pela Lei n°10.303, de Art. 128. Os trabalhos da assembléia serão dirigidos por
31.10.2001). mesa composta, salvo disposição diversa do estatuto, de
“Quorum” de Instalação presidente e secretário, escolhidos pelos acionistas presen-
Art. 125. Ressalvadas as exceções previstas em lei, a as- tes.
sembléia-geral instalar-se-á, em primeira convocação, com “Quorum” das Deliberações
a presença de acionistas que representem, no mínimo, 1/4 Art. 129. As deliberações da assembléia-geral, ressalvadas
(um quarto) do capital social com direito de voto; em segun- as exceções previstas em lei, serão tomadas por maioria
da convocação instalar-se-á com qualquer número. absoluta de votos, não se computando os votos em branco.
Parágrafo único. Os acionistas sem direito de voto podem § 1° O estatuto da companhia fechada pode aumentar o
comparecer à assembléia-geral e discutir a matéria subme- quorum exigido para certas deliberações, desde que especi-
tida à deliberação. fique as matérias.
Legitimação e Representação § 2° No caso de empate, se o estatuto não estabelecer pro-
Art. 126. As pessoas presentes à assembléia deverão pro- cedimento de arbitragem e não contiver norma diversa, a
var a sua qualidade de acionista, observadas as seguintes assembléia será convocada, com intervalo mínimo de 2
normas: (dois) meses, para votar a deliberação; se permanecer o
I - os titulares de ações nominativas exibirão, se exigido, empate e os acionistas não concordarem em cometer a
documento hábil de sua identidade; decisão a um terceiro, caberá ao Poder Judiciário decidir, no
interesse da companhia.
II - os titulares de ações escriturais ou em custódia nos ter-
mos do art. 41, além do documento de identidade, exibirão, Ata da Assembléia
ou depositarão na companhia, se o estatuto o exigir, com- Art. 130. Dos trabalhos e deliberações da assembléia será
provante expedido pela instituição financeira depositá- lavrada, em livro próprio, ata assinada pelos membros da
ria.(Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). mesa e pelos acionistas presentes. Para validade da ata é
III - os titulares de ações ao portador exibirão os respectivos suficiente a assinatura de quantos bastem para constituir a
certificados, ou documento de depósito nos termos do nú- maioria necessária para as deliberações tomadas na as-
mero II; sembléia. Da ata tirar-se-ão certidões ou cópias autênticas
IV - os titulares de ações escriturais ou em custódia nos para os fins legais.
termos do artigo 41, além do documento de identidade, § 1° A ata poderá ser lavrada na forma de sumário dos fatos
exibirão, ou depositarão na companhia, se o estatuto o exi- ocorridos, inclusive dissidências e protestos, e conter a
gir, comprovante expedido pela instituição financeira deposi- transcrição apenas das deliberações tomadas, desde que:
tária. a) os documentos ou propostas submetidos à assembléia,
§ 1° O acionista pode ser representado na assembléia-geral assim como as declarações de voto ou dissidência, referi-
por procurador constituído há menos de 1 (um) ano, que dos na ata, sejam numerados seguidamente, autenticados
seja acionista, administrador da companhia ou advogado; pela mesa e por qualquer acionista que o solicitar, e arqui-
na companhia aberta, o procurador pode, ainda, ser institui- vados na companhia;
ção financeira, cabendo ao administrador de fundos de in- b) a mesa, a pedido de acionista interessado, autentique
vestimento representar os condôminos. exemplar ou cópia de proposta, declaração de voto ou dis-
§ 2° O pedido de procuração, mediante correspondência, ou sidência, ou protesto apresentado.
anúncio publicado, sem prejuízo da regulamentação que, § 2° A assembléia-geral da companhia aberta pode autori-
sobre o assunto vier a baixar a Comissão de Valores Mobili- zar a publicação de ata com omissão das assinaturas dos
ários, deverá satisfazer aos seguintes requisitos: acionistas.
a) conter todos os elementos informativos necessários ao § 3° Se a ata não for lavrada na forma permitida pelo § 1°,
exercício do voto pedido; poderá ser publicado apenas o seu extrato, com o sumário
b) facultar ao acionista o exercício de voto contrário à deci- dos fatos ocorridos e a transcrição das deliberações toma-
são com indicação de outro procurador para o exercício das.
desse voto;
Espécies de Assembléia
c) ser dirigido a todos os titulares de ações cujos endereços
constem da companhia. (Redação dada pela Lei n° 9.457,
de 5.5.1997).

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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Art. 131. A assembléia-geral é ordinária quando tem por presentes à assembléia para atender a pedidos de esclare-
objeto as matérias previstas no artigo 132, e extraordinária cimentos de acionistas, mas os administradores não pode-
nos demais casos. rão votar, como acionistas ou procuradores, os documentos
Parágrafo único. A assembléia-geral ordinária e a assem- referidos neste artigo.
bléia-geral extraordinária poderão ser, cumulativamente, § 2° Se a assembléia tiver necessidade de outros esclare-
convocadas e realizadas no mesmo local, data e hora, ins- cimentos, poderá adiar a deliberação e ordenar diligências;
trumentadas em ata única. também será adiada a deliberação, salvo dispensa dos
Seção II Assembléia-Geral Ordinária acionistas presentes, na hipótese de não comparecimento
de administrador, membro do conselho fiscal ou auditor
Objeto
independente.
Art. 132. Anualmente, nos 4 (quatro) primeiros meses se- § 3° A aprovação, sem reserva, das demonstrações finan-
guintes ao término do exercício social, deverá haver 1 (uma) ceiras e das contas, exonera de responsabilidade os admi-
assembléia-geral para: nistradores e fiscais, salvo erro, dolo, fraude ou simulação
I - tomar as contas dos administradores, examinar, discutir e (artigo 286).
votar as demonstrações financeiras; § 4° Se a assembléia aprovar as demonstrações financeiras
II - deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício com modificação no montante do lucro do exercício ou no
e a distribuição de dividendos; valor das obrigações da companhia, os administradores
III - eleger os administradores e os membros do Conselho promoverão, dentro de 30 (trinta) dias, a republicação das
Fiscal, quando for o caso; demonstrações, com as retificações deliberadas pela as-
IV - aprovar a correção da expressão monetária do capital sembléia; se a destinação dos lucros proposta pelos órgãos
social (artigo 167). de administração não lograr aprovação (artigo 176, § 3°), as
Documentos da Administração modificações introduzidas constarão da ata da assembléia.
§ 5° A ata da assembléia-geral ordinária será arquivada no
Art. 133. Os administradores devem comunicar, até 1 (um)
Registro do Comércio e publicada.
mês antes da data marcada para a realização da assem-
§ 6° As disposições do § 1°, segunda parte, não se aplicam
bléia-geral ordinária, por anúncios publicados na forma pre-
quando, nas sociedades fechadas, os diretores forem os
vista no artigo 124, que se acham à disposição dos acionis-
únicos acionistas.
tas:
Seção III Assembléia-Geral Extraordinária
I - o relatório da administração sobre os negócios sociais e
os principais fatos administrativos do exercício findo; Reforma do Estatuto
II - a cópia das demonstrações financeiras; Art. 135. A assembléia-geral extraordinária que tiver por
III - o parecer dos auditores independentes, se houver. objeto a reforma do estatuto somente se instalará em pri-
IV - o parecer do conselho fiscal, inclusive votos dissidentes, meira convocação com a presença de acionistas que repre-
se houver; e (Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). sentem 2/3 (dois terços), no mínimo, do capital com direito a
V - demais documentos pertinentes a assuntos incluídos na voto, mas poderá instalar-se em segunda com qualquer
ordem do dia. (Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). número.
§ 1° Os anúncios indicarão o local ou locais onde os acio- § 1° Os atos relativos a reformas do estatuto, para valerem
nistas poderão obter cópias desses documentos. contra terceiros, ficam sujeitos às formalidades de arquiva-
§ 2° A companhia remeterá cópia desses documentos aos mento e publicação, não podendo, todavia, a falta de cum-
acionistas que o pedirem por escrito, nas condições previs- primento dessas formalidades ser oposta, pela companhia
tas no § 3° do artigo 124. ou por seus acionistas, a terceiros de boa-fé.
§ 3° Os documentos referidos neste artigo, à exceção dos § 2° Aplica-se aos atos de reforma do estatuto o disposto no
constantes dos incisos IV e V, serão publicados até 5 (cin- artigo 97 e seus §§ 1° e 2° e no artigo 98 e seu § 1°.
co) dias, pelo menos, antes da data marcada para a realiza- § 3° Os documentos pertinentes à matéria a ser debatida na
ção da assembléia-geral. (Redação dada pela Lei n° assembléia-geral extraordinária deverão ser postos à dispo-
10.303, de 31.10.2001). sição dos acionistas, na sede da companhia, por ocasião da
§ 4° A assembléia-geral que reunir a totalidade dos acionis- publicação do primeiro anúncio de convocação da assem-
tas poderá considerar sanada a falta de publicação dos bléia-geral. (Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
anúncios ou a inobservância dos prazos referidos neste “Quorum” Qualificado
artigo; mas é obrigatória a publicação dos documentos an- Art. 136. É necessária a aprovação de acionistas que re-
tes da realização da assembléia. presentem metade, no mínimo, das ações com direito a
§ 5° A publicação dos anúncios é dispensada quando os voto, se maior quorum não for exigido pelo estatuto da com-
documentos a que se refere este artigo são publicados até 1 panhia cujas ações não estejam admitidas à negociação em
(um) mês antes da data marcada para a realização da as- bolsa ou no mercado de balcão, para deliberação sobre:
sembléia-geral ordinária. (Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
Procedimento I - criação de ações preferenciais ou aumento de classe de
Art. 134. Instalada a assembléia-geral, proceder-se-á, se ações preferenciais existentes, sem guardar proporção com
requerida por qualquer acionista, à leitura dos documentos as demais classes de ações preferenciais, salvo se já pre-
referidos no artigo 133 e do parecer do Conselho Fiscal, se vistos ou autorizados pelo estatuto; (Redação dada pela Lei
houver, os quais serão submetidos pela mesa à discussão e n° 10.303, de 31.10.2001).
votação. II - alteração nas preferências, vantagens e condições de
§ 1° Os administradores da companhia, ou ao menos um resgate ou amortização de uma ou mais classes de ações
deles, e o auditor independente, se houver, deverão estar preferenciais, ou criação de nova classe mais favorecida;
(Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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III - redução do dividendo obrigatório; (Redação dada pela rem menos da metade da espécie ou classe de ação; (Re-
Lei n° 9.457, de 5.5.1997). dação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
IV - fusão da companhia, ou sua incorporação em outra; III - no caso do inciso IX do art. 136, somente haverá direito
(Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). de retirada se a cisão implicar: (Redação dada pela Lei n°
V - participação em grupo de sociedades (art. 265); (Reda- 10.303, de 31.10.2001).
ção dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). a) mudança do objeto social, salvo quando o patrimônio
VI - mudança do objeto da companhia; (Redação dada pela cindido for vertido para sociedade cuja atividade preponde-
Lei n° 9.457, de 5.5.1997). rante coincida com a decorrente do objeto social da socie-
VII - cessação do estado de liquidação da companhia; (Re- dade cindida; (Inlcluída pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
dação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). b) redução do dividendo obrigatório; ou (Inlcluída pela Lei n°
VIII - criação de partes beneficiárias; (Redação dada pela 10.303, de 31.10.2001).
Lei n° 9.457, de 5.5.1997). c) participação em grupo de sociedades; (Inlcluída pela Lei
IX - cisão da companhia; (Incluído pela Lei n° 9.457, de n° 10.303, de 31.10.2001).
5.5.1997). IV - o reembolso da ação deve ser reclamado à companhia
X - dissolução da companhia. (Incluído pela Lei n° 9.457, de no prazo de 30 (trinta) dias contado da publicação da ata da
5.5.1997). assembléia-geral; (Redação dada pela Lei n° 10.303, de
§ 1° Nos casos dos incisos I e II, a eficácia da deliberação 31.10.2001).
depende de prévia aprovação ou da ratificação, em prazo V - o prazo para o dissidente de deliberação de assembléia
improrrogável de um ano, por titulares de mais da metade especial (art. 136, § 1º) será contado da publicação da res-
de cada classe de ações preferenciais prejudicadas, reuni- pectiva ata; (Redação dada pela Lei n° 10.303, de
dos em assembléia especial convocada pelos administrado- 31.10.2001).
res e instalada com as formalidades desta Lei. (Redação VI - o pagamento do reembolso somente poderá ser exigido
dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). após a observância do disposto no § 3º e, se for o caso, da
§ 2° A Comissão de Valores Mobiliários pode autorizar a ratificação da deliberação pela assembléia-geral. (Incluído
redução do quorum previsto neste artigo no caso de com- pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
panhia aberta com a propriedade das ações dispersa no § 1° O acionista dissidente de deliberação da assembléia,
mercado, e cujas 3 (três) últimas assembléias tenham sido inclusive o titular de ações preferenciais sem direito de voto,
realizadas com a presença de acionistas representando poderá exercer o direito de reembolso das ações de que,
menos da metade das ações com direito a voto. Neste caso, comprovadamente, era titular na data da primeira publica-
a autorização da Comissão de Valores Mobiliários será ção do edital de convocação da assembléia, ou na data da
mencionada nos avisos de convocação e a deliberação com comunicação do fato relevante objeto da deliberação, se
quorum reduzido somente poderá ser adotada em terceira anterior. (Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
convocação. § 2° O direito de reembolso poderá ser exercido no prazo
§ 3° O disposto no § 2° deste artigo aplica-se também às previsto nos incisos IV ou V do caput deste artigo, conforme
assembléias especiais de acionistas preferenciais de que o caso, ainda que o titular das ações tenha se abstido de
trata o § 1º. (Redação dada pela Lei n° 10.303, de votar contra a deliberação ou não tenha comparecido à
31.10.2001). assembléia. (Redação dada pela Lei n° 10.303, de
§ 4° Deverá constar da ata da assembléia-geral que delibe- 31.10.2001).
rar sobre as matérias dos incisos I e II, se não houver prévia § 3° Nos 10 (dez) dias subseqüentes ao término do prazo
aprovação, que a deliberação só terá eficácia após a sua de que tratam os incisos IV e V do caput deste artigo, con-
ratificação pela assembléia especial prevista no § 1º (Reda- forme o caso, contado da publicação da ata da assembléia-
ção dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). geral ou da assembléia especial que ratificar a deliberação,
é facultado aos órgãos da administração convocar a as-
Direito de Retirada
sembléia-geral para ratificar ou reconsiderar a deliberação,
Art. 137. A aprovação das matérias previstas nos incisos I a se entenderem que o pagamento do preço do reembolso
VI e IX do art. 136 dá ao acionista dissidente o direito de das ações aos acionistas dissidentes que exerceram o direi-
retirar-se da companhia, mediante reembolso do valor das to de retirada porá em risco a estabilidade financeira da
suas ações (art. 45), observadas as seguintes normas: (Re- empresa. (Redação dada pela Lei n° 10.303, de
dação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). 31.10.2001).
I - nos casos dos incisos I e II do art. 136, somente terá § 4° Decairá do direito de retirada o acionista que não o
direito de retirada o titular de ações de espécie ou classe exercer no prazo fixado. (Incluído pela Lei n° 9.457, de
prejudicadas; (Incluído pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). 5.5.1997).
II - nos casos dos incisos IV e V do art. 136, não terá direito CAPÍTULO XII CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO E DIRETORIA
de retirada o titular de ação de espécie ou classe que tenha
liquidez e dispersão no mercado, considerando-se haver: Administração da Companhia
(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). Art. 138. A administração da companhia competirá, confor-
a) liquidez, quando a espécie ou classe de ação, ou certifi- me dispuser o estatuto, ao conselho de administração e à
cado que a represente, integre índice geral representativo diretoria, ou somente à diretoria.
de carteira de valores mobiliários admitido à negociação no § 1° O conselho de administração é órgão de deliberação
mercado de valores mobiliários, no Brasil ou no exterior, colegiada, sendo a representação da companhia privativa
definido pela Comissão de Valores Mobiliários; e (Redação dos diretores.
dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). § 2° As companhias abertas e as de capital autorizado te-
b) dispersão, quando o acionista controlador, a sociedade rão, obrigatoriamente, Conselho de Administração.
controladora ou outras sociedades sob seu controle detive-

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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Art. 139. As atribuições e poderes conferidos por lei aos houverem exercido o direito previsto no estatuto, em con-
órgãos de administração não podem ser outorgados a outro formidade com o art. 18. (Incluído pela Lei n° 10.303, de
órgão, criado por lei ou pelo estatuto. 31.10.2001).
Seção I Conselho de Administração § 5° Verificando-se que nem os titulares de ações com direi-
Composição to a voto e nem os titulares de ações preferenciais sem
direito a voto ou com voto restrito perfizeram, respectiva-
Art. 140. O Conselho de Administração será composto por, mente, o quorum exigido nos incisos I e II do § 4º, ser-lhes-á
no mínimo, 3 (três) membros, eleitos pela assembléia-geral facultado agregar suas ações para elegerem em conjunto
e por ela destituíveis a qualquer tempo, devendo o estatuto um membro e seu suplente para o conselho de administra-
estabelecer: ção, observando-se, nessa hipótese, o quorum exigido pelo
I - o número de conselheiros, ou o máximo e mínimo permi- inciso II do § 4º. (Incluído pela Lei n° 10.303, de
tidos, e o processo de escolha e substituição do presidente 31.10.2001).
do conselho pela assembléia ou pelo próprio conselho; (Re- § 6° Somente poderão exercer o direito previsto no § 4° os
dação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). acionistas que comprovarem a titularidade ininterrupta da
II - o modo de substituição dos conselheiros; participação acionária ali exigida durante o período de 3
III - o prazo de gestão, que não poderá ser superior a 3 (três) meses, no mínimo, imediatamente anterior à realiza-
(três) anos, permitida a reeleição; ção da assembléia-geral. (Incluído pela Lei n° 10.303, de
IV - as normas sobre convocação, instalação e funciona- 31.10.2001).
mento do conselho, que deliberará por maioria de votos, § 7° Sempre que, cumulativamente, a eleição do conselho
podendo o estatuto estabelecer quorum qualificado para de administração se der pelo sistema do voto múltiplo e os
certas deliberações, desde que especifique as matérias. titulares de ações ordinárias ou preferenciais exercerem a
(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). prerrogativa de eleger conselheiro, será assegurado a acio-
Parágrafo único. O estatuto poderá prever a participação nista ou grupo de acionistas vinculados por acordo de votos
no conselho de representantes dos empregados, escolhidos que detenham mais do que 50% (cinqüenta por cento) das
pelo voto destes, em eleição direta, organizada pela empre- ações com direito de voto o direito de eleger conselheiros
sa, em conjunto com as entidades sindicais que os repre- em número igual ao dos eleitos pelos demais acionistas,
sentem. (Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). mais um, independentemente do número de conselheiros
Voto Múltiplo que, segundo o estatuto, componha o órgão. (Incluído pela
Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
Art. 141. Na eleição dos conselheiros, é facultado aos acio-
§ 8° A companhia deverá manter registro com a identifica-
nistas que representem, no mínimo, 0,1 (um décimo) do ção dos acionistas que exercerem a prerrogativa a que se
capital social com direito a voto, esteja ou não previsto no refere o § 4º. (Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
estatuto, requerer a adoção do processo de voto múltiplo,
atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os Competência
membros do conselho, e reconhecido ao acionista o direito Art. 142. Compete ao conselho de administração:
de cumular os votos num só candidato ou distribuí-los entre I - fixar a orientação geral dos negócios da companhia;
vários. II - eleger e destituir os diretores da companhia e fixar-lhes
§ 1° A faculdade prevista neste artigo deverá ser exercida as atribuições, observado o que a respeito dispuser o esta-
pelos acionistas até 48 (quarenta e oito) horas antes da tuto;
assembléia-geral, cabendo à mesa que dirigir os trabalhos III - fiscalizar a gestão dos diretores, examinar, a qualquer
da assembléia informar previamente aos acionistas, à vista tempo, os livros e papéis da companhia, solicitar informa-
do “Livro de Presença”, o número de votos necessários para ções sobre contratos celebrados ou em via de celebração, e
a eleição de cada membro do conselho. quaisquer outros atos;
§ 2° Os cargos que, em virtude de empate, não forem pre- IV - convocar a assembléia-geral quando julgar conveniente,
enchidos, serão objeto de nova votação, pelo mesmo pro- ou no caso do artigo 132;
cesso, observado o disposto no § 1°, in fine. V - manifestar-se sobre o relatório da administração e as
§ 3° Sempre que a eleição tiver sido realizada por esse contas da diretoria;
processo, a destituição de qualquer membro do conselho de VI - manifestar-se previamente sobre atos ou contratos,
administração pela assembléia-geral importará destituição quando o estatuto assim o exigir;
dos demais membros, procedendo-se a nova eleição; nos
VII - deliberar, quando autorizado pelo estatuto, sobre a
demais casos de vaga, não havendo suplente, a primeira
emissão de ações ou de bônus de subscrição;
assembléia-geral procederá à nova eleição de todo o conse-
lho. VIII - autorizar, se o estatuto não dispuser em contrário, a
alienação de bens do ativo permanente, a constituição de
§ 4° Terão direito de eleger e destituir um membro e seu
ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de ter-
suplente do conselho de administração, em votação em
ceiros;
separado na assembléia-geral, excluído o acionista contro-
lador, a maioria dos titulares, respectivamente: (Redação IX - escolher e destituir os auditores independentes, se hou-
dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). ver.
I - de ações de emissão de companhia aberta com direito a § 1° Serão arquivadas no registro do comércio e publicadas
voto, que representem, pelo menos, 15% (quinze por cento) as atas das reuniões do conselho de administração que
do total das ações com direito a voto; e (Incluído pela Lei n° contiverem deliberação destinada a produzir efeitos perante
10.303, de 31.10.2001). terceiros. (Parágrafo Renumerado pela Lei n° 10.303, de
31.10.2001).
II - de ações preferenciais sem direito a voto ou com voto
restrito de emissão de companhia aberta, que representem, § 2° A escolha e a destituição do auditor independente fica-
no mínimo, 10% (dez por cento) do capital social, que não rá sujeita a veto, devidamente fundamentado, dos conse-

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lheiros eleitos na forma do art. 141, § 4º, se houver. (Incluí- § 1° São inelegíveis para os cargos de administração da
do pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). companhia as pessoas impedidas por lei especial, ou con-
Seção II Diretoria denadas por crime falimentar, de prevaricação, peita ou
suborno, concussão, peculato, contra a economia popular, a
Composição
fé pública ou a propriedade, ou a pena criminal que vede,
Art. 143. A Diretoria será composta por 2 (dois) ou mais ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos.
diretores, eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Con- § 2° São ainda inelegíveis para os cargos de administração
selho de Administração, ou, se inexistente, pela assembléia- de companhia aberta as pessoas declaradas inabilitadas por
geral, devendo o estatuto estabelecer: ato da Comissão de Valores Mobiliários.
I - o número de diretores, ou o máximo e o mínimo permiti- § 3° O conselheiro deve ter reputação ilibada, não podendo
dos; ser eleito, salvo dispensa da assembléia-geral, aquele que:
II - o modo de sua substituição; (Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
III - o prazo de gestão, que não será superior a 3 (três) a- I - ocupar cargos em sociedades que possam ser conside-
nos, permitida a reeleição; radas concorrentes no mercado, em especial, em conselhos
IV - as atribuições e poderes de cada diretor. consultivos, de administração ou fiscal; e (Incluído pela Lei
§ 1° Os membros do conselho de administração, até o má- n° 10.303, de 31.10.2001).
ximo de 1/3 (um terço), poderão ser eleitos para cargos de II - tiver interesse conflitante com a sociedade. (Incluído pela
diretores. Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
§ 2° O estatuto pode estabelecer que determinadas deci- § 4° A comprovação do cumprimento das condições previs-
sões, de competência dos diretores, sejam tomadas em tas no § 3° será efetuada por meio de declaração firmada
reunião da diretoria. pelo conselheiro eleito nos termos definidos pela Comissão
Representação de Valores Mobiliários, com vistas ao disposto nos arts. 145
e 159, sob as penas da lei. (Incluído pela Lei n° 10.303, de
Art. 144. No silêncio do estatuto e inexistindo deliberação
31.10.2001).
do conselho de administração (artigo 142, n° II e parágrafo
único), competirão a qualquer diretor a representação da Garantia da Gestão
companhia e a prática dos atos necessários ao seu funcio- Art. 148. O estatuto pode estabelecer que o exercício do
namento regular. cargo de administrador deva ser assegurado, pelo titular ou
Parágrafo único. Nos limites de suas atribuições e pode- por terceiro, mediante penhor de ações da companhia ou
res, é lícito aos diretores constituir mandatários da compa- outra garantia.
nhia, devendo ser especificados no instrumento os atos ou Parágrafo único. A garantia só será levantada após apro-
operações que poderão praticar e a duração do mandato, vação das últimas contas apresentadas pelo administrador
que, no caso de mandato judicial, poderá ser por prazo que houver deixado o cargo.
indeterminado.
Investidura
Seção III Administradores
Art. 149. Os conselheiros e diretores serão investidos nos
Normas Comuns seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro
Art. 145. As normas relativas a requisitos, impedimentos, de atas do conselho de administração ou da diretoria, con-
investidura, remuneração, deveres e responsabilidade dos forme o caso.
administradores aplicam-se a conselheiros e diretores. § 1° Se o termo não for assinado nos 30 (trinta) dias seguin-
Requisitos e Impedimentos tes à nomeação, esta tornar-se-á sem efeito, salvo justifica-
ção aceita pelo órgão da administração para o qual tiver
Art. 146. Poderão ser eleitos para membros dos órgãos de
sido eleito. (Parágrafo renumerado pela Lei n° 10.303, de
administração pessoas naturais, devendo os membros do 31.10.2001).
conselho de administração ser acionistas e os diretores
§ 2° O termo de posse deverá conter, sob pena de nulidade,
residentes no País, acionistas ou não. (Redação dada pela
a indicação de pelo menos um domicílio no qual o adminis-
Lei n° 10.194, de 14.2.2001).
trador receberá as citações e intimações em processos
§ 1° A ata da assembléia-geral ou da reunião do conselho administrativos e judiciais relativos a atos de sua gestão, as
de administração que eleger administradores deverá conter
quais reputar-se-ão cumpridas mediante entrega no domicí-
a qualificação e o prazo de gestão de cada um dos eleitos,
lio indicado, o qual somente poderá ser alterado mediante
devendo ser arquivada no registro do comércio e publicada. comunicação por escrito à companhia. (Incluído pela Lei n°
(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). 10.303, de 31.10.2001).
§ 2° A posse do conselheiro residente ou domiciliado no
exterior fica condicionada à constituição de representante Substituição e Término da Gestão
residente no País, com poderes para receber citação em Art. 150. No caso de vacância do cargo de conselheiro,
ações contra ele propostas com base na legislação societá- salvo disposição em contrário do estatuto, o substituto será
ria, mediante procuração com prazo de validade que deverá nomeado pelos conselheiros remanescentes e servirá até a
estender-se por, no mínimo, 3 (três) anos após o término do primeira assembléia-geral. Se ocorrer vacância da maioria
prazo de gestão do conselheiro. (Redação dada pela Lei n° dos cargos, a assembléia-geral será convocada para proce-
10.303, de 31.10.2001). der a nova eleição.
Art. 147. Quando a lei exigir certos requisitos para a investi- § 1° No caso de vacância de todos os cargos do conselho
dura em cargo de administração da companhia, a assem- de administração, compete à diretoria convocar a assem-
bléia-geral somente poderá eleger quem tenha exibido os bléia-geral.
necessários comprovantes, dos quais se arquivará cópia § 2° No caso de vacância de todos os cargos da diretoria,
autêntica na sede social. se a companhia não tiver conselho de administração, com-

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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pete ao conselho fiscal, se em funcionamento, ou a qual- § 3° As importâncias recebidas com infração ao disposto na
quer acionista, convocar a assembléia-geral, devendo o alínea c do § 2° pertencerão à companhia.
representante de maior número de ações praticar, até a § 4° O Conselho de Administração ou a diretoria podem
realização da assembléia, os atos urgentes de administra- autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício
ção da companhia. dos empregados ou da comunidade de que participe a em-
§ 3° O substituto eleito para preencher cargo vago comple- presa, tendo em vista suas responsabilidades sociais.
tará o prazo de gestão do substituído. Dever de Lealdade
§ 4° O prazo de gestão do Conselho de Administração ou
da diretoria se estende até a investidura dos novos adminis- Art. 155. O administrador deve servir com lealdade à com-
tradores eleitos. panhia e manter reserva sobre os seus negócios, sendo-lhe
vedado:
Renúncia I - usar, em benefício próprio ou de outrem, com ou sem
Art. 151. A renúncia do administrador torna-se eficaz, em prejuízo para a companhia, as oportunidades comerciais de
relação à companhia, desde o momento em que lhe for que tenha conhecimento em razão do exercício de seu car-
entregue a comunicação escrita do renunciante, e em rela- go;
ção a terceiros de boa-fé, após arquivamento no registro de II - omitir-se no exercício ou proteção de direitos da compa-
comércio e publicação, que poderão ser promovidos pelo nhia ou, visando à obtenção de vantagens, para si ou para
renunciante. outrem, deixar de aproveitar oportunidades de negócio de
Remuneração interesse da companhia;
III - adquirir, para revender com lucro, bem ou direito que
Art. 152. A assembléia-geral fixará o montante global ou
sabe necessário à companhia, ou que esta tencione adqui-
individual da remuneração dos administradores, inclusive
rir.
benefícios de qualquer natureza e verbas de representação,
tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado § 1° Cumpre, ademais, ao administrador de companhia
às suas funções, sua competência e reputação profissional aberta, guardar sigilo sobre qualquer informação que ainda
e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada não tenha sido divulgada para conhecimento do mercado,
pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). obtida em razão do cargo e capaz de influir de modo ponde-
rável na cotação de valores mobiliários, sendo-lhe vedado
§ 1° O estatuto da companhia que fixar o dividendo obriga-
valer-se da informação para obter, para si ou para outrem,
tório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro
vantagem mediante compra ou venda de valores mobiliá-
líquido, pode atribuir aos administradores participação no
rios.
lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a
remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um déci- § 2° O administrador deve zelar para que a violação do
mo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for disposto no § 1° não possa ocorrer através de subordinados
menor. ou terceiros de sua confiança.
§ 2° Os administradores somente farão jus à participação § 3° A pessoa prejudicada em compra e venda de valores
nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuí- mobiliários, contratada com infração do disposto nos §§ 1° e
do aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o 2°, tem direito de haver do infrator indenização por perdas e
artigo 22. danos, a menos que ao contratar já conhecesse a informa-
ção.
Seção IV Deveres e Responsabilidades
§ 4° É vedada a utilização de informação relevante ainda
Dever de Diligência não divulgada, por qualquer pessoa que a ela tenha tido
Art. 153. O administrador da companhia deve empregar, no acesso, com a finalidade de auferir vantagem, para si ou
exercício de suas funções, o cuidado e diligência que todo para outrem, no mercado de valores mobiliários. (Incluído
homem ativo e probo costuma empregar na administração pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
dos seus próprios negócios. Conflito de Interesses
Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder Art. 156. É vedado ao administrador intervir em qualquer
Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a operação social em que tiver interesse conflitante com o da
lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interes- companhia, bem como na deliberação que a respeito toma-
se da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e rem os demais administradores, cumprindo-lhe cientificá-los
da função social da empresa. do seu impedimento e fazer consignar, em ata de reunião
§ 1° O administrador eleito por grupo ou classe de acionis- do conselho de administração ou da diretoria, a natureza e
tas tem, para com a companhia, os mesmos deveres que os extensão do seu interesse.
demais, não podendo, ainda que para defesa do interesse § 1° Ainda que observado o disposto neste artigo, o admi-
dos que o elegeram, faltar a esses deveres. nistrador somente pode contratar com a companhia em
§ 2° É vedado ao administrador: condições razoáveis ou eqüitativas, idênticas às que preva-
a) praticar ato de liberalidade à custa da companhia; lecem no mercado ou em que a companhia contrataria com
b) sem prévia autorização da assembléia-geral ou do Con- terceiros.
selho de Administração, tomar por empréstimo recursos ou § 2° O negócio contratado com infração do disposto no § 1°
bens da companhia, ou usar, em proveito próprio, de socie- é anulável, e o administrador interessado será obrigado a
dade em que tenha interesse, ou de terceiros, os seus bens, transferir para a companhia as vantagens que dele tiver
serviços ou crédito; auferido.
c) receber de terceiros, sem autorização estatutária ou da Dever de Informar
assembléia-geral, qualquer modalidade de vantagem pes- Art. 157. O administrador de companhia aberta deve decla-
soal, direta ou indireta, em razão do exercício de seu cargo. rar, ao firmar o termo de posse, o número de ações, bônus

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR . 8 EM 1 – ACADÊMICO
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de subscrição, opções de compra de ações e debêntures § 1° O administrador não é responsável por atos ilícitos de
conversíveis em ações, de emissão da companhia e de outros administradores, salvo se com eles for conivente, se
sociedades controladas ou do mesmo grupo, de que seja negligenciar em descobri-los ou se, deles tendo conheci-
titular. mento, deixar de agir para impedir a sua prática. Exime-se
§ 1° O administrador de companhia aberta é obrigado a de responsabilidade o administrador dissidente que faça
revelar à assembléia-geral ordinária, a pedido de acionistas consignar sua divergência em ata de reunião do órgão de
que representem 5% (cinco por cento) ou mais do capital administração ou, não sendo possível, dela dê ciência ime-
social: diata e por escrito ao órgão da administração, no conselho
a) o número dos valores mobiliários de emissão da compa- fiscal, se em funcionamento, ou à assembléia-geral.
nhia ou de sociedades controladas, ou do mesmo grupo, § 2° Os administradores são solidariamente responsáveis
que tiver adquirido ou alienado, diretamente ou através de pelos prejuízos causados em virtude do não cumprimento
outras pessoas, no exercício anterior; dos deveres impostos por lei para assegurar o funcionamen-
b) as opções de compra de ações que tiver contratado ou to normal da companhia, ainda que, pelo estatuto, tais deve-
exercido no exercício anterior; res não caibam a todos eles.
c) os benefícios ou vantagens, indiretas ou complementa- § 3° Nas companhias abertas, a responsabilidade de que
res, que tenha recebido ou esteja recebendo da companhia trata o § 2° ficará restrita, ressalvado o disposto no § 4°, aos
e de sociedades coligadas, controladas ou do mesmo gru- administradores que, por disposição do estatuto, tenham
po; atribuição específica de dar cumprimento àqueles deveres.
d) as condições dos contratos de trabalho que tenham sido § 4° O administrador que, tendo conhecimento do não cum-
firmados pela companhia com os diretores e empregados de primento desses deveres por seu predecessor, ou pelo ad-
alto nível; ministrador competente nos termos do § 3°, deixar de co-
e) quaisquer atos ou fatos relevantes nas atividades da municar o fato a assembléia-geral, tornar-se-á por ele soli-
companhia. dariamente responsável.
§ 2° Os esclarecimentos prestados pelo administrador pode- § 5° Responderá solidariamente com o administrador quem,
rão, a pedido de qualquer acionista, ser reduzidos a escrito, com o fim de obter vantagem para si ou para outrem, con-
autenticados pela mesa da assembléia, e fornecidos por correr para a prática de ato com violação da lei ou do esta-
cópia aos solicitantes. tuto.
§ 3° A revelação dos atos ou fatos de que trata este artigo Ação de Responsabilidade
só poderá ser utilizada no legítimo interesse da companhia Art. 159. Compete à companhia, mediante prévia delibera-
ou do acionista, respondendo os solicitantes pelos abusos ção da assembléia-geral, a ação de responsa- bilidade civil
que praticarem. contra o administrador, pelos prejuízos causados ao seu
§ 4° Os administradores da companhia aberta são obriga- patrimônio.
dos a comunicar imediatamente à bolsa de valores e a di- § 1° A deliberação poderá ser tomada em assembléia-geral
vulgar pela imprensa qualquer deliberação da assembléia- ordinária e, se prevista na ordem do dia, ou for conseqüên-
geral ou dos órgãos de administração da companhia, ou fato cia direta de assunto nela incluído, em assembléia-geral
relevante ocorrido nos seus negócios, que possa influir, de extraordinária.
modo ponderável, na decisão dos investidores do mercado § 2° O administrador ou administradores contra os quais
de vender ou comprar valores mobiliários emitidos pela deva ser proposta ação ficarão impedidos e deverão ser
companhia. substituídos na mesma assembléia.
§ 5° Os administradores poderão recusar-se a prestar a § 3° Qualquer acionista poderá promover a ação, se não for
informação (§ 1°, alínea “e”), ou deixar de divulgá-la (§ 4°), proposta no prazo de 3 (três) meses da deliberação da as-
se entenderem que sua revelação porá em risco interesse sembléia-geral.
legítimo da companhia, cabendo à Comissão de Valores
§ 4° Se a assembléia deliberar não promover a ação, pode-
Mobiliários, a pedido dos administradores, de qualquer a-
rá ela ser proposta por acionistas que representem 5% (cin-
cionista, ou por iniciativa própria, decidir sobre a prestação
co por cento), pelo menos, do capital social.
de informação e responsabilizar os administradores, se for o
caso. § 5° Os resultados da ação promovida por acionista defe-
rem-se à companhia, mas esta deverá indenizá-lo, até o
§ 6° Os administradores da companhia aberta deverão in-
limite daqueles resultados, de todas as despesas em que
formar imediatamente, nos termos e na forma determinados
tiver incorrido, inclusive correção monetária e juros dos
pela Comissão de Valores Mobiliários, a esta e às bolsas de
dispêndios realizados.
valores ou entidades do mercado de balcão organizado nas
quais os valores mobiliários de emissão da companhia este- § 6° O juiz poderá reconhecer a exclusão da responsabili-
jam admitidos à negociação, as modificações em suas posi- dade do administrador, se convencido de que este agiu de
ções acionárias na companhia. (Incluído pela Lei n° 10.303, boa-fé e visando ao interesse da companhia.
de 31.10.2001). § 7° A ação prevista neste artigo não exclui a que couber ao
acionista ou terceiro diretamente prejudicado por ato de
Responsabilidade dos Administradores administrador.
Art. 158. O administrador não é pessoalmente responsável Órgãos Técnicos e Consultivos
pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em
virtude de ato regular de gestão; responde, porém, civilmen- Art. 160. As normas desta Seção aplicam-se aos membros
te, pelos prejuízos que causar, quando proceder: de quaisquer órgãos, criados pelo estatuto, com funções
I - dentro de suas atribuições ou poderes, com culpa ou técnicas ou destinados a aconselhar os administradores.
dolo; CAPÍTULO XIII CONSELHO FISCAL
II - com violação da lei ou do estatuto. Composição e Funcionamento

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Art. 161. A companhia terá um Conselho Fiscal e o estatuto benefícios, verbas de representação e participação nos
disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente ou lucros. (Redação dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
nos exercícios sociais em que for instalado a pedido de Competência
acionistas.
Art. 163. Compete ao Conselho Fiscal:
§ 1° O Conselho Fiscal será composto de, no mínimo, 3
(três) e, no máximo, 5 (cinco) membros, e suplentes em I - fiscalizar, por qualquer de seus membros, os atos dos
igual número, acionistas ou não, eleitos pela assembléia- administradores e verificar o cumprimento dos seus deveres
geral. legais e estatutários; (Redação dada pela Lei n° 10.303, de
§ 2° O Conselho Fiscal, quando o funcionamento não for 31.10.2001).
permanente, será instalado pela assembléia-geral a pedido II - opinar sobre o relatório anual da administração, fazendo
de acionistas que representem, no mínimo, 0,1 (um décimo) constar do seu parecer as informações complementares que
das ações com direito a voto, ou 5% (cinco por cento) das julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia-
ações sem direito a voto, e cada período de seu funciona- geral;
mento terminará na primeira assembléia-geral ordinária III - opinar sobre as propostas dos órgãos da administração,
após a sua instalação. a serem submetidas à assembléia-geral, relativas a modifi-
§ 3° O pedido de funcionamento do Conselho Fiscal, ainda cação do capital social, emissão de debêntures ou bônus de
que a matéria não conste do anúncio de convocação, pode- subscrição, planos de investimento ou orçamentos de capi-
rá ser formulado em qualquer assembléia-geral, que elegerá tal, distribuição de dividendos, transformação, incorporação,
os seus membros. fusão ou cisão;
§ 4° Na constituição do Conselho Fiscal serão observadas IV - denunciar, por qualquer de seus membros, aos órgãos
as seguintes normas: de administração e, se estes não tomarem as providências
a) os titulares de ações preferenciais sem direito a voto, ou necessárias para a proteção dos interesses da companhia,
com voto restrito, terão direito de eleger, em votação em à assembléia-geral, os erros, fraudes ou crimes que desco-
separado, 1 (um) membro e respectivo suplente; igual direi- brirem, e sugerir providências úteis à companhia; (Redação
to terão os acionistas minoritários, desde que representem, dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
em conjunto, 10% (dez por cento) ou mais das ações com V - convocar a assembléia-geral ordinária, se os órgãos da
direito a voto; administração retardarem por mais de 1 (um) mês essa
b) ressalvado o disposto na alínea anterior, os demais acio- convocação, e a extraordinária, sempre que ocorrerem mo-
nistas com direito a voto poderão eleger os membros efeti- tivos graves ou urgentes, incluindo na agenda das assem-
vos e suplentes que, em qualquer caso, serão em número bléias as matérias que considerarem necessárias;
igual ao dos eleitos nos termos da alínea “a”, mais um. VI - analisar, ao menos trimestralmente, o balancete e de-
§ 5° Os membros do conselho fiscal e seus suplentes exer- mais demonstrações financeiras elaboradas periodicamente
cerão seus cargos até a primeira assembléia-geral ordinária pela companhia;
que se realizar após a sua eleição, e poderão ser reeleitos. VII - examinar as demonstrações financeiras do exercício
§ 6° Os membros do Conselho Fiscal e seus suplentes e- social e sobre elas opinar;
xercerão seus cargos até a primeira assembléia-geral ordi- VIII - exercer essas atribuições, durante a liquidação, tendo
nária que se realizar após a sua eleição, e poderão ser ree- em vista as disposições especiais que a regulam.
leitos. (A Lei 10.303, de 31.10.2001, deu a este parágrafo § 1° Os órgãos de administração são obrigados, através de
idêntica redação a do parágrafo anterior) comunicação por escrito, a colocar à disposição dos mem-
§ 7° A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. bros em exercício do Conselho Fiscal, dentro de 10 (dez)
(Incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). dias, cópias das atas de suas reuniões e, dentro de 15
(quinze) dias do seu recebimento, cópias dos balancetes e
Requisitos, Impedimentos e Remuneração demais demonstrações financeiras elaboradas periodica-
Art. 162. Somente podem ser eleitos para o conselho fiscal mente e, quando houver, dos relatórios de execução de
pessoas naturais, residentes no País, diplomadas em curso orçamentos.
de nível universitário, ou que tenham exercido por prazo § 2° O Conselho Fiscal, a pedido de qualquer dos seus
mínimo de 3 (três) anos, cargo de administrador de empresa membros, solicitará aos órgãos de administração esclareci-
ou de conselheiro fiscal. mentos ou informações, desde que relativas à sua função
§ 1° Nas localidades em que não houver pessoas habilita- fiscalizadora, assim como a elaboração de demonstrações
das, em número suficiente, para o exercício da função, ca- financeiras ou contábeis especiais. (Redação dada pela Lei
berá ao juiz dispensar a companhia da satisfação dos requi- n° 10.303, de 31.10.2001).
sitos estabelecidos neste artigo. § 3° Os membros do Conselho Fiscal assistirão às reuniões
§ 2° Não podem ser eleitos para o Conselho Fiscal, além do Conselho de Administração, se houver, ou da diretoria,
das pessoas enumeradas nos parágrafos do artigo 147, em que se deliberar sobre os assuntos em que devam opi-
membros de órgãos de administração e empregados da nar (ns. II, III e VII).
companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo, § 4° Se a companhia tiver auditores independentes, o con-
e o cônjuge ou parente, até terceiro grau, de administrador selho fiscal, a pedido de qualquer de seus membros, poderá
da companhia. solicitar-lhes esclarecimentos ou informações, e a apuração
§ 3° A remuneração dos membros do Conselho Fiscal, além de fatos específicos. (Redação dada pela Lei n° 9.457, de
do reembolso, obrigatório, das despesas de locomoção e 5.5.1997).
estada necessárias ao desempenho da função, será fixada § 5° Se a companhia não tiver auditores independentes, o
pela assembléia-geral que os eleger, e não poderá ser infe- conselho fiscal poderá, para melhor desempenho das suas
rior, para cada membro em exercício, a dez por cento da funções, escolher contador ou firma de auditoria e fixar-lhes
que, em média, for atribuída a cada diretor, não computados os honorários, dentro de níveis razoáveis, vigentes na praça

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e compatíveis com a dimensão econômica da companhia, CAPÍTULO XIV MODIFICAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL
os quais serão pagos por esta. Seção I Aumento
§ 6° O Conselho Fiscal deverá fornecer ao acionista, ou
Competência
grupo de acionistas que representem, no mínimo 5% (cinco
por cento) do capital social, sempre que solicitadas, infor- Art. 166. O capital social pode ser aumentado:
mações sobre matérias de sua competência. I - por deliberação da assembléia-geral ordinária, para cor-
§ 7° As atribuições e poderes conferidos pela lei ao conse- reção da expressão monetária do seu valor (artigo 167);
lho fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da com- II - por deliberação da assembléia-geral ou do Conselho de
panhia. Administração, observado o que a respeito dispuser o esta-
§ 8° O Conselho Fiscal poderá, para apurar fato cujo escla- tuto, nos casos de emissão de ações dentro do limite autori-
recimento seja necessário ao desempenho de suas funções, zado no estatuto (artigo 168);
formular, com justificativa, questões a serem respondidas III - por conversão, em ações, de debêntures ou partes be-
por perito e solicitar à diretoria que indique, para esse fim, neficiárias e pelo exercício de direitos conferidos por bônus
no prazo máximo de trinta dias, três peritos, que podem ser de subscrição, ou de opção de compra de ações;
pessoas físicas ou jurídicas, de notório conhecimento na IV - por deliberação da assembléia-geral extraordinária con-
área em questão, entre os quais o Conselho Fiscal escolhe- vocada para decidir sobre reforma do estatuto social, no
rá um, cujos honorários serão pagos pela companhia. (Inclu- caso de inexistir autorização de aumento, ou de estar a
ído pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). mesma esgotada.
Pareceres e Representações § 1° Dentro dos 30 (trinta) dias subseqüentes à efetivação
do aumento, a companhia requererá ao Registro do Comér-
Art. 164. Os membros do Conselho Fiscal, ou ao menos um
cio a sua averbação, nos casos dos números I a III, ou o
deles, deverão comparecer às reuniões da assembléia-geral
arquivamento da ata da assembléia de reforma do estatuto,
e responder aos pedidos de informações formulados pelos
no caso do número IV.
acionistas.
§ 2° O conselho fiscal, se em funcionamento, deverá, salvo
Parágrafo único. Os pareceres e representações do Con-
nos casos do número III, ser obrigatoriamente ouvido antes
selho Fiscal, ou de qualquer um de seus membros, poderão
da deliberação sobre o aumento de capital.
ser apresentados e lidos na assembléia-geral, independen-
temente de publicação e ainda que a matéria não conste da Correção Monetária Anual
ordem do dia. (Redação dada pela Lei n° 10.303, de Art. 167. A reserva de capital constituída por ocasião do
31.10.2001). balanço de encerramento do exercício social e resultante da
Deveres e Responsabilidades correção monetária do capital realizado (artigo 182, § 2°)
será capitalizada por deliberação da assembléia-geral ordi-
Art. 165. Os membros do conselho fiscal têm os mesmos
nária que aprovar o balanço.
deveres dos administradores de que tratam os arts. 153 a
§ 1° Na companhia aberta, a capitalização prevista neste
156 e respondem pelos danos resultantes de omissão no
cumprimento de seus deveres e de atos praticados com artigo será feita sem modificação do número de ações emi-
culpa ou dolo, ou com violação da lei ou do estatu- tidas e com aumento do valor nominal das ações, se for o
caso.
to.(Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
§ 1° Os membros do Conselho Fiscal deverão exercer suas § 2° A companhia poderá deixar de capitalizar o saldo da
funções no exclusivo interesse da companhia; considerar- reserva correspondente às frações de centavo do valor
nominal das ações, ou, se não tiverem valor nominal, à
se-á abusivo o exercício da função com o fim de causar
fração inferior a 1% (um por cento) do capital social.
dano à companhia, ou aos seus acionistas ou administrado-
res, ou de obter, para si ou para outrem, vantagem a que § 3° Se a companhia tiver ações com e sem valor nominal,
não faz jus e de que resulte, ou possa resultar, prejuízo para a correção do capital correspondente às ações com valor
a companhia, seus acionistas ou administradores. (Redação nominal será feita separadamente, sendo a reserva resul-
dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). tante capitalizada em benefício dessas ações.
§ 2° O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos Capital Autorizado
atos ilícitos de outros membros, salvo se com eles foi coni- Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento
vente, ou se concorrer para a prática do ato. (Redação dada do capital social independentemente de reforma estatutária.
pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). § 1° A autorização deverá especificar:
§ 3° A responsabilidade dos membros do Conselho Fiscal a) o limite de aumento, em valor do capital ou em número
por omissão no cumprimento de seus deveres é solidária, de ações, e as espécies e classes das ações que poderão
mas dela se exime o membro dissidente que fizer consignar ser emitidas;
sua divergência em ata da reunião do órgão e a comunicar
b) o órgão competente para deliberar sobre as emissões,
aos órgãos da administração e à assembléia-geral.(Incluído
que poderá ser a assembléia-geral ou o Conselho de Admi-
pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001).
nistração;
Art. 165-A. Os membros do Conselho Fiscal da companhia
c) as condições a que estiverem sujeitas as emissões;
aberta deverão informar imediatamente as modificações em
d) os casos ou as condições em que os acionistas terão
suas posições acionárias na companhia à Comissão de
direito de preferência para subscrição, ou de inexistência
Valores Mobiliários e às Bolsas de Valores ou entidades do
desse direito (artigo 172).
mercado de balcão organizado nas quais os valores mobiliá-
rios de emissão da companhia estejam admitidos à negoci- § 2° O limite de autorização, quando fixado em valor do
ação, nas condições e na forma determinadas pela Comis- capital social, será anualmente corrigido pela assembléia-
são de Valores Mobiliários. (Incluído pela Lei n° 10.303, de geral ordinária, com base nos mesmos índices adotados na
31.10.2001). correção do capital social.

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§ 3° O estatuto pode prever que a companhia, dentro do § 7° A proposta de aumento do capital deverá esclarecer
limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprova- qual o critério adotado, nos termos do § 1° deste artigo,
do pela assembléia-geral, outorgue opção de compra de justificando pormenorizada-mente os aspectos econômicos
ações a seus administradores ou empregados, ou a pesso- que determinaram a sua escolha. (Incluído pela Lei n°
as naturais que prestem serviços à companhia ou a socie- 9.457, de 5.5.1997).
dade sob seu controle. Direito de Preferência
Capitalização de Lucros e Reservas Art. 171. Na proporção do número de ações que possuírem,
Art. 169. O aumento mediante capitalização de lucros ou de os acionistas terão preferência para a subscrição do aumen-
reservas importará alteração do valor nominal das ações ou to de capital.
distribuições das ações novas, correspondentes ao aumen- § 1° Se o capital for dividido em ações de diversas espécies
to, entre acionistas, na proporção do número de ações que ou classes e o aumento for feito por emissão de mais de
possuírem. uma espécie ou classe, observar-se-ão as seguintes nor-
§ 1° Na companhia com ações sem valor nominal, a capita- mas:
lização de lucros ou de reservas poderá ser efetivada sem a) no caso de aumento, na mesma proporção, do número
modificação do número de ações. de ações de todas as espécies e classes existentes, cada
§ 2° Às ações distribuídas de acordo com este artigo se acionista exercerá o direito de preferência sobre ações idên-
estenderão, salvo cláusula em contrário dos instrumentos ticas às de que for possuidor;
que os tenham constituído, o usufruto, o fideicomisso, a b) se as ações emitidas forem de espécies e classes exis-
inaliena-bilidade e a incomunicabilidade que porventura tentes, mas importarem alteração das respectivas propor-
gravarem as ações de que elas forem derivadas. ções no capital social, a preferência será exercida sobre
§ 3° As ações que não puderem ser atribuídas por inteiro a ações de espécies e classes idênticas às de que forem
cada acionista serão vendidas em bolsa, dividindo-se o possuidores os acionistas, somente se estendendo às de-
produto da venda, proporcionalmente, pelos titulares das mais se aquelas forem insuficientes para lhes assegurar, no
frações; antes da venda, a companhia fixará prazo não infe- capital aumentado, a mesma proporção que tinham no capi-
rior a 30 (trinta) dias, durante o qual os acionistas poderão tal antes do aumento;
transferir as frações de ação. c) se houver emissão de ações de espécie ou classe diver-
Aumento Mediante Subscrição de Ações sa das existentes, cada acionista exercerá a preferência, na
proporção do número de ações que possuir, sobre ações de
Art. 170. Depois de realizados 3/4 (três quartos), no míni-
todas as espécies e classes do aumento.
mo, do capital social, a companhia pode aumentá-lo medi-
§ 2° No aumento mediante capitalização de créditos ou
ante subscrição pública ou particular de ações.
subscrição em bens, será sempre assegurado aos acionis-
§ 1° O preço de emissão deverá ser fixado, sem diluição tas o direito de preferência e, se for o caso, as importâncias
injustificada da participação dos antigos acionistas, ainda por eles pagas serão entregues ao titular do crédito a ser
que tenham direito de preferência para subscrevê-las, tendo capitalizado ou do bem a ser incorporado.
em vista, alternativa ou conjuntamente: (Redação dada pela
§ 3° Os acionistas terão direito de preferência para subscri-
Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
ção das emissões de debêntures conversíveis em ações,
I - a perspectiva de rentabilidade da companhia; (Incluído bônus de subscrição e partes beneficiárias conversíveis em
pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997). ações emitidas para alienação onerosa; mas na conversão
II - o valor do patrimônio líquido da ação; (Incluído pela Lei desses títulos em ações, ou na outorga e no exercício de
n° 9.457, de 5.5.1997). opção de compra de ações, não haverá direito de preferên-
III - a cotação de suas ações em Bolsa de Valores ou no cia.
mercado de balcão organizado, admitido ágio ou deságio § 4° O estatuto ou a assembléia-geral fixará prazo de deca-
em função das condições do mercado. (Incluído pela Lei n° dência, não inferior a 30 (trinta) dias, para o exercício do
9.457, de 5.5.1997). direito de preferência.
§ 2° A assembléia-geral, quando for de sua competência § 5° No usufruto e no fideicomisso, o direito de preferência,
deliberar sobre o aumento, poderá delegar ao Conselho de quando não exercido pelo acionista até 10 (dez) dias antes
Administração a fixação do preço de emissão de ações a do vencimento do prazo, poderá sê-lo pelo usufrutuário ou
serem distribuídas no mercado. fideicomissário.
§ 3° A subscrição de ações para realização em bens será § 6° O acionista poderá ceder seu direito de preferência.
sempre procedida com observância do disposto no artigo § 7° Na companhia aberta, o órgão que deliberar sobre a
8°, e a ela se aplicará o disposto nos §§ 2° e 3° do artigo 98. emissão mediante subscrição particular deverá dispor sobre
§ 4° As entradas e as prestações da realização das ações as sobras de valores mobiliários não subscritos, podendo:
poderão ser recebidas pela companhia independentemente a) mandar vendê-las em Bolsa, em benefício da companhia;
de depósito bancário. ou
§ 5° No aumento de capital observar-se-á, se mediante b) rateá-las, na proporção dos valores subscritos, entre os
subscrição pública, o disposto no artigo 82, e se mediante acionistas que tiverem pedido, no boletim ou lista de subs-
subscrição particular, o que a respeito for deliberado pela crição, reserva de sobras; nesse caso, a condição constará
assembléia-geral ou pelo Conselho de Administração, con- dos boletins e listas de subscrição e o saldo não rateado
forme dispuser o estatuto. será vendido em Bolsa, nos termos da alínea anterior.
§ 6° Ao aumento de capital aplica-se, no que couber, o dis- § 8° Na companhia fechada, será obrigatório o rateio previs-
posto sobre a constituição da companhia, exceto na parte to na alínea “b” do § 7°, podendo o saldo, se houver, ser
final do § 2° do artigo 82. subscrito por terceiros, de acordo com os critérios estabele-

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cidos pela assembléia-geral ou pelos órgãos da administra- Disposições Gerais
ção. Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará
Exclusão do Direito de Preferência elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia,
Art. 172. O estatuto da companhia aberta que contiver auto- as seguintes demonstrações financeiras, que deverão ex-
rização para o aumento do capital pode prever a emissão, primir com clareza a situação do patrimônio da companhia e
sem direito de preferência para os antigos acionistas, ou as mutações ocorridas no exercício:
com redução do prazo de que trata o § 4º do art. 171, de I - balanço patrimonial;
ações e debêntures conversíveis em ações, ou bônus de II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados;
subscrição, cuja colocação seja feita mediante: (Redação III - demonstração do resultado do exercício; e
dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). IV - demonstração das origens e aplicações de recursos.
I - venda em Bolsa de Valores ou subscrição pública; ou § 1° As demonstrações de cada exercício serão publicadas
II - permuta por ações, em oferta pública de aquisição de com a indicação dos valores correspondentes das demons-
controle, nos termos dos arts. 257 e 263. (Redação dada trações do exercício anterior.
pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001). § 2° Nas demonstrações, as contas semelhantes poderão
Parágrafo único. O estatuto da companhia, ainda que fe- ser agrupadas; os pequenos saldos poderão ser agregados,
chada, pode excluir o direito de preferência para subscrição desde que indicada a sua natureza e não ultrapassem 0,1
de ações nos termos de lei especial sobre incentivos fiscais. (um décimo) do valor do respectivo grupo de contas; mas é
Seção II Redução vedada a utilização de designações genéricas, como “diver-
sas contas” ou “contas-correntes”.
Art. 173. A assembléia-geral poderá deliberar a redução do
capital social se houver perda, até o montante dos prejuízos § 3° As demonstrações financeiras registrarão a destinação
acumulados, ou se julgá-lo excessivo. dos lucros segundo a proposta dos órgãos da administra-
ção, no pressuposto de sua aprovação pela assembléia-
§ 1° A proposta de redução do capital social, quando de
geral.
iniciativa dos administradores, não poderá ser submetida à
deliberação da assembléia-geral sem o parecer do conselho § 4° As demonstrações serão complementadas por notas
fiscal, se em funcionamento. explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações
contábeis necessários para esclarecimento da situação
§ 2° A partir da deliberação de redução ficarão suspensos
patrimonial e dos resultados do exercício.
os direitos correspondentes às ações cujos certificados
tenham sido emitidos, até que sejam apresentados à com- § 5° As notas deverão indicar:
panhia para substituição. a) Os principais critérios de avaliação dos elementos patri-
moniais, especialmente estoques, dos cálculos de deprecia-
Oposição dos Credores ção, amortização e exaustão, de constituição de provisões
Art. 174. Ressalvado o disposto nos artigos 45 e 107, a para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender a per-
redução do capital social com restituição aos acionistas de das prováveis na realização de elementos do ativo;
parte do valor das ações, ou pela diminuição do valor des- b) os investimentos em outras sociedades, quando relevan-
tas, quando não integralizadas, à importância das entradas, tes (artigo 247, parágrafo único);
só se tornará efetiva 60 (sessenta) dias após a publicação c) o aumento de valor de elementos do ativo resultante de
da ata da assembléia-geral que a tiver deliberado. novas avaliações (artigo 182, § 3°);
§ 1° Durante o prazo previsto neste artigo, os credores qui- d) os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as
rografários por títulos anteriores à data da publicação da ata garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades
poderão, mediante notificação, de que se dará ciência ao eventuais ou contingentes;
Registro do Comércio da sede da companhia, opor-se à e) a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias
redução do capital; decairão desse direito os credores que o das obrigações a longo prazo;
não exercerem dentro do prazo. f) o número, espécies e classes das ações do capital social;
§ 2° Findo o prazo, a ata da assembléia-geral que houver g) as opções de compra de ações outorgadas e exercidas
deliberado à redução poderá ser arquivada se não tiver no exercício;
havido oposição ou, se tiver havido oposição de algum cre-
h) os ajustes de exercícios anteriores (artigo 186, § 1°);
dor, desde que feita a prova do pagamento do seu crédito
ou do depósito judicial da importância respectiva. i) os eventos subseqüentes à data de encerramento do
exercício que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante
§ 3° Se houver em circulação debêntures emitidas pela
sobre a situação financeira e os resultados futuros da com-
companhia, a redução do capital, nos casos previstos neste
panhia.
artigo, não poderá ser efetivada sem prévia aprovação pela
maioria dos debenturistas, reunidos em assembléia especi- § 6° A companhia fechada, com patrimônio líquido, na data
al. do balanço, não superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de
reais) não será obrigada à elaboração e publicação da de-
CAPÍTULO XV EXERCÍCIO SOCIAL E DEMONSTRAÇÕES FINAN-
monstração das origens e aplicações de recursos. (Redação
CEIRAS
dada pela Lei n° 9.457, de 5.5.1997).
Seção I Exercício Social
Escrituração
Art. 175. O exercício social terá duração de 1 (um) ano e a
data do término será fixada no estatuto. Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em
registros permanentes, com obediência aos preceitos da
Parágrafo único. Na constituição da companhia e nos ca-
legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabi-
sos de alteração estatutária o exercício social poderá ter
lidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou
duração diversa.
critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as muta-
Seção II Demonstrações Financeiras
ções patrimoniais segundo o regime de competência.

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§ 1° As demonstrações financeiras do exercício em que V - no ativo diferido: as aplicações de recursos em despe-
houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de sas que contribuirão para a formação do resultado de mais
efeitos relevantes, deverão indicá-la em nota e ressaltar de um exercício social, inclusive os juros pagos ou credita-
esses efeitos. dos aos acionistas durante o período que anteceder o início
§ 2° A companhia observará em registros auxiliares, sem das operações sociais.
modificação da escrituração mercantil e das demonstrações Parágrafo único. Na companhia em que o ciclo operacional
reguladas nesta Lei, as disposições da lei tributária, ou de da empresa tiver duração maior que o exercício social, a
legislação especial sobre a atividade que constitui seu obje- classificação no circulante ou longo prazo terá por base o
to, que prescrevam métodos ou critérios contábeis diferen- prazo desse ciclo.
tes ou determinem a elaboração de outras demonstrações Passivo Exigível
financeiras.
Art. 180. As obrigações da companhia, inclusive financia-
§ 3° As demonstrações financeiras das companhias abertas
observarão, ainda, as normas expedidas pela Comissão de mentos para aquisição de direitos do ativo permanente,
Valores Mobiliários, e serão obrigatoriamente auditadas por serão classificadas no passivo circulante, quando se vence-
auditores independentes registrados na mesma Comissão. rem no exercício seguinte, e no passivo exigível a longo
prazo, se tiverem vencimento em prazo maior, observado o
§ 4° As demonstrações financeiras serão assinadas pelos
disposto no parágrafo único do artigo 179.
administradores e por contabilistas legalmente habilitados.
Seção III Balanço Patrimonial Resultados de Exercícios Futuros
Grupo de Contas Art. 181. Serão classificadas como resultados de exercício
futuro as receitas de exercícios futuros, diminuídas dos
Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segun- custos e despesas a elas correspondentes.
do os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas
de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação Patrimônio Líquido
financeira da companhia. Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante
§ 1° No ativo, as contas serão dispostas em ordem decres- subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada.
cente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, § 1° Serão classificadas como reservas de capital as contas
nos seguintes grupos: que registrarem:
a) ativo circulante; a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o
b) ativo realizável a longo prazo; valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem
c) ativo permanente, dividido em investimentos, ativo imobi- valor nominal que ultrapassar a importância destinada à
lizado e ativo diferido. formação do capital social, inclusive nos casos de conver-
§ 2° No passivo, as contas serão classificadas nos seguin- são em ações de debêntures ou partes beneficiárias;
tes grupos: b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de
a) passivo circulante; subscrição;
b) passivo exigível a longo prazo; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures;
c) resultados de exercícios futuros; d) as doações e as subvenções para investimento.
d) patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de § 2° Será ainda registrado como reserva de capital o resul-
capital, reservas de reavaliação, reservas de lucros e lucros tado da correção monetária do capital realizado, enquanto
ou prejuízos acumulados. não-capitalizado.
§ 3° Os saldos devedores e credores que a companhia não § 3° Serão classificadas como reservas de reavaliação as
tiver direito de compensar serão classificados separada- contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos
mente. do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo
nos termos do artigo 8°, aprovado pela assembléia-geral.
Ativo
§ 4° Serão classificados como reservas de lucros as contas
Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: constituídas pela apropriação de lucros da companhia.
I - no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos reali- § 5° As ações em tesouraria deverão ser destacadas no
záveis no curso do exercício social subseqüente e as apli- balanço como dedução da conta do patrimônio líquido que
cações de recursos em despesas do exercício seguinte; registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição.
II - no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis
Critérios de Avaliação do Ativo
após o término do exercício seguinte, assim como os deri-
vados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a socie- Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados
dades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acio- segundo os seguintes critérios:
nistas ou participantes no lucro da companhia, que não I - os direitos e títulos de crédito, e quaisquer valores mobili-
constituírem negócios usuais na exploração do objeto da ários não classificados como investimentos, pelo custo de
companhia; aquisição ou pelo valor do mercado, se este for menor; se-
III - em investimentos: as participações permanentes em rão excluídos os já prescritos e feitas as provisões adequa-
outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não das para ajustá-lo ao valor provável de realização, e será
classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à admitido o aumento do custo de aquisição, até o limite do
manutenção da atividade da companhia ou da empresa; valor do mercado, para registro de correção monetária,
IV - no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto variação cambial ou juros acrescidos;
bens destinados à manutenção das atividades da compa- II - os direitos que tiverem por objeto mercadorias e produ-
nhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclu- tos do comércio da companhia, assim como matérias-
sive os de propriedade industrial ou comercial; primas, produtos em fabricação e bens em almoxarifado,

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pelo custo de aquisição ou produção, deduzido de provisão II - as obrigações em moeda estrangeira, com cláusula de
para ajustá-lo ao valor de mercado, quando este for inferior; paridade cambial, serão convertidas em moeda nacional à
III - os investimentos em participação no capital social de taxa de câmbio em vigor na data do balanço;
outras sociedades, ressalvado o disposto nos artigos 248 a III - as obrigações sujeitas à correção monetária serão atua-
250, pelo custo de aquisição, deduzido de provisão para lizadas até a data do balanço.
perdas prováveis na realização do seu valor, quando essa Correção Monetária
perda estiver comprovada como permanente, e que não
será modificado em razão do recebimento, sem custo para a Art. 185. (Revogado pela Lei n° 7.730, de 31.1.1989).
companhia, de ações ou quotas bonificadas; Seção IV Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumu-
IV - os demais investimentos, pelo custo de aquisição, de- lados
duzido de provisão para atender às perdas prováveis na Art. 186. A demonstração de lucros ou prejuízos acumula-
realização do seu valor, ou para redução do custo de aqui- dos discriminará:
sição ao valor de mercado, quando este for inferior; I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios
V - os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de anteriores e a correção monetária do saldo inicial;
aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depre- II - as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício;
ciação, amortização ou exaustão; III - as transferências para reservas, os dividendos, a parce-
VI - o ativo diferido, pelo valor do capital aplicado, deduzido la dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do
do saldo das contas que registrem a sua amortização. período.
§ 1° Para efeitos do disposto neste artigo, considera-se § 1° Como ajustes de exercícios anteriores serão conside-
valor de mercado: rados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de
a) das matérias-primas e dos bens em almoxarifado, o pre- critério contábil, ou da retificação de erro imputável a deter-
ço pelo qual possam ser repostos, mediante compra no minado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos
mercado; a fatos subseqüentes.
b) dos bens ou direitos destinados à venda, o preço líquido § 2° A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados
de realização mediante venda no mercado, deduzidos os deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital
impostos e demais despesas necessárias para a venda, e a social e poderá ser incluída na demonstração das mutações
margem de lucro; do patrimônio líquido, se elaborada e publicada pela com-
c) dos investimentos, o valor líquido pelo qual possam ser panhia.
alienados a terceiros. Seção V Demonstração do Resultado do Exercício
§ 2° A diminuição de valor dos elementos do ativo imobili- Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discri-
zado será registrada periodicamente nas contas de: minará:
a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos I - a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das
direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste vendas, os abatimentos e os impostos;
ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsoles- II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mer-
cência; cadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;
b) amortização, quando corresponder à perda do valor do III - as despesas com as vendas, as despesas financeiras,
capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrati-
industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou vas, e outras despesas operacionais;
exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de IV - o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas
utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; não operacionais; (Redação dada pela Lei n° 9.249, de
c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decor- 26.12.1995).
rente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam re- V - o resultado do exercício antes do Imposto de Renda e a
cursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa ex- provisão para o imposto;
ploração. VI - as participações de debêntures, empregados, adminis-
§ 3° Os recursos aplicados no ativo diferido serão amortiza- tradores e partes beneficiárias, e as contribuições para insti-
dos periodicamente, em prazo não superior a 10 (dez) anos, tuições ou fundos de assistência ou previdência de empre-
a partir do início da operação normal ou do exercício em gados;
que passem a ser usufruídos os benefícios deles decorren- VII - o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montan-
tes, devendo ser registrada a perda do capital aplicado
te por ação do capital social.
quando abandonados os empreendimentos ou atividades a
§ 1° Na determinação do resultado do exercício serão com-
que se destinavam, ou comprovado que essas atividades
putados:
não poderão produzir resultados suficientes para amortizá-
los. a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, inde-
pendentemente da sua realização em moeda; e
§ 4° Os estoques de mercadorias fungíveis destinadas à
venda poderão ser avaliados pelo valor de mercado, quando b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incor-
esse for o costume mercantil aceito pela técnica contábil. ridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.
§ 2° O aumento do valor de elementos do ativo em virtude
Critérios de Avaliação do Passivo de novas avaliações, registrados como reserva de reavalia-
Art. 184. No balanço, os elementos do passivo serão avali- ção (artigo 182, § 3°), somente depois de realizado poderá
ados de acordo com os seguintes critérios: ser computado como lucro para efeito de distribuição de
I - as obrigações, encargos e riscos, conhecidos ou calculá- dividendos ou participações.
veis, inclusive Imposto sobre de Renda a pagar com base Seção VI Demonstração das Origens e Aplicações de
no resultado do exercício, serão computados pelo valor Recursos
atualizado até a data do balanço;

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Art. 188. A demonstração das origens e aplicações de re- § 1° A companhia poderá deixar de constituir a reserva legal
cursos indicará as modificações na posição financeira da no exercício em que o saldo dessa reserva, acrescido do
companhia, discriminando: montante das reservas de capital de que trata o § 1° do
I - as origens dos recursos, agrupadas em: artigo 182, exceder de 30% (trinta por cento) do capital so-
a) lucro do exercício, acrescido de depreciação, amortiza- cial.
ção ou exaustão e ajustado pela variação nos resultados de § 2° A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do
exercícios futuros; capital social e somente poderá ser utilizada para compen-
b) realização d