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O Alfa e Eu - COMPLETO App Dreame

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UP os UEC Ta ae slag CUES) ea aD Ra written. by: Doniele Marchiora Capitulo 1 1/13 Capitulo 1 Meu nome é Nael Williams e hoje é meu segundo dia de férias de verao. Foi muito dificil, mas eu consegui convencer minha mae a passar minhas férias na casa da minha tia. Ela mora em uma pequena cidade no Oregon, uma daquelas cidades que parece ser o fim do mundo, onde tudo é mais floresta e parece ser o lugar mais provavel de acontecer um apocalipse. Mas fazer o que, até que seria legal uma infestagao de zumbis para tornar um fim de semana mais animado. Capitulo 1 2/13 A melhor parte disso tudo é que minha tia quase nao para em casa por conta de seu trabalho. Minha tia é comissaria de bordo de uma empresa aérea, ela sempre gostou de voar e da sua liberdade, era vista como a “ovelha negra” da familia e isso sempre me fez ter um carinho especial por ela, e ela por mim. Ela costumava me trazer lembrancinhas das varias partes do mundo que ela ia. Gragas as suas viagens, isso faz a casa ser sO minha por pelo menos 90% do verao, e outra coisa melhor ainda: Esta a quildmetros de distancia do meu padrasto. Ta certo que todas as familias sao Capitulo 1 3/13 complicadas, mas acho que a minha nao perde de zero. SO pra comegar, meu pai fugiu antes de eu sequer vir ao mundo, mas convivo bem com isso, nao choro nem nada. Essa parte eu superei numa boa. Anos depois minha mae se casou de novo, mas nao acho que esse casamento tenha sido um bom negocio. O cara é um gorila que pensa que é o grande chefao da casa, ja chegou a bater em mim quando nao estava satisfeito com algo, e ele geralmente esta insatisfeito com algo. Quanto ao meu relacionamento com minha mae nao chega a ser um Capitulo 1 4/13 dos melhores, quer dizer... Nao é como se ela me odiasse, ela so se faz de cega, prefere acreditar na sua ideia de vida perfeita que ela acabou criando no subconsciente dela. Esta gravida do meu meio irmao ja fazem 7 meses, mais um motivo que facilitou minha vinda pra ca da parte dela, assim nao tinha mais motivos para se preocupar. Ela nunca acreditou nas coisas que contei pra ela sobre o Kolen, talvez um dia a ficha caia pra ela, mas nao tenho muita esperanga. Mas isso nao importa agora, pois estou muito longe de todo aquele caos. Estou exatamente onde queria estar, onde me sinto bem. Capitulo 1 5/13 Tenho por um verao inteiro paz, longe dessas pessoas todas e livre pra fazer o que eu quiser, livre para explorar, e nao ficar me perguntando se tal coisa ira irritar o Kolen ou aborrecer minha mae. Pelo contrario, nao preciso pensar neles, nao preciso citar o nome deles nem nada, tenho paz. E a primeira coisa que eu quero fazer com minha paz é levar ela para o centro da cidade e tomar o maior copo de milkshake que tiver por la, porque nao tem nada melhor no mundo que milkshake. Acredito que se futuramente tiver alguma guerra, seja por qual motivo for, Milkshake trara a paz. Eu entao, me visto para sair Capitulo 1 6/13 Eu até seria capaz de sair por ai de pantufa e pijama, mas recentemente adotei um lema que nao permite mais isso. "Se nao for pra causar, nem saio de casa” diziam os sabios do passado, e eu sigo vossos ensinamentos. O céu pela janela estava nublado e frio, e parecia que até de noite iria esfriar muito mais, porém estava preparada com meu "Outfit". Logo depois de me vestir, fiz uma maquiagem,utilizando um dom que recebi dos deuses: 0 incrivel poder de fazer um delineado perfeito, e foi isso que eu fiz. Logo depois sai para minha jornada. Capitulo 1 7/13 A casa da minha tia ficava a quase 1 Quilometro de qualquer casa, e a 20/30 minutos da area comercial da cidade, MEIO DO NADA em todos os sentidos da frase. As vantagens: nada de vizinhos chatos. Desvantagem: a dificil jornada que tinha que ser feita por um MilkShake, mas valia a pena. Fora que nao tinha mais nada de interessante pra ser feito hoje. Eu seguia pelo canto da estrada de mao dupla que cruzava a floresta, dos dois lados havia uma tenebrosa floresta digna de um filme de terror, poderia contar os segundos para pular algum assassino em série usando Capitulo 1 8/13 alguma mascara esportiva do meio das arvores pronto para cortar minhas tripas fora. Acho melhor eu passar essas férias bem longe de qualquer filme de terror. Um tempo depois eu cheguei no centro da cidade, que tinha as areas comerciais incluindo a sorveteria, meu grande objetivo. Mas so faltava eu desmaiar de emogao quando eu li escrito em um grande cartaz: "100 sabores diferentes de "Milkshake" So podia ser 0 céu... Queria morar nesse lugar pelo resto da minha vida. Capitulo 1 9/13 Em nome de toda a minha honra, eu nao saio dessa cidade até ter provado todos os 100 sabores sem nenhuma excegao, e a primeira coisa que farei quando chegar em casa é adicionar isso a minha lista de vida (que é na verdade um caderno cheio de listas aleatorias que invento para varios motivos, pois listas sao coisas fantasticas e viciantes...) Pedi hoje o que era de Kinder ovo - sim, existe- pra comegar com chave de ouro, e fui tomando no caminho de volta pra casa, pois ja estava escurecendo e nao parava de pensar na ideia do assassino em série. No primeiro gole do milkshake, Capitulo 1 10/13 descobri 0 que estava faltando na minha vida, e me perguntei como havia sobrevivido todo esse tempo sem aquela substancia dos deuses. Dava pra ver por entre as arvores que o sol comegava a se por, era uma visao muito bonita, o céu azul cedendo espaco ao laranja, mais abaixo ja comegando a surgir 0 n***o da noite, algo explendoroso. A estrada estava deserta como de costume, e foi entao que eu comecei a sentir a sensagao de estar sendo seguida, o que me fez sentir dentro de uma série de televisao, mas tentei ignorar pois ja estou acostumada a lidar com minhas prdprias paranoias, Capitulo 1 11/13 entao desviei os olhos da floresta e fo quei na estrada. Deitar em uma estrada daquelas estava na minha "lista de coisas para fazer antes do fim do mundo”, (sim, eu tenho uma lista disso.) Nunca se sabe O que pode ocorrer, mas nao importa agora, estava cansada e com preguica demais para fazer qualquer outra coisa que nao fosse ir direto pra casa. Quando cheguei em casa ja tinha escurecido, entao aproveitei para fazer uma maratona de filmes. Fiz pipoca e fiz exatamente o que disse que nao ia fazer essa manha, assistir filmes de terror. Fazer o que, eu sou rebelde e gosto de viver perigosamente... Capitulo 1 12/13 Quando acabo mais um filme, olho no reldgio e ja sao quase 3:00 da manha, acabo de me recuperar de uns 30 ataques cardiacos que tive gragas ao filme e agradecia mentalmente por NAO TER VIZINHOS. pois com certeza teria acordado eles com meus gritos, como nao tenho no maximo chamei atengao de um serial Killers pra me matar e me esquartejar. Legal. Contanto que ele nao use uma mascara. Fui pro meu quarto dormir até o meio dia, a janela de la tem uma visao perfeita para a floresta dos fundos da casa, 0 que nao seria um problema se Capitulo 1 13/13 nao fosse a maldita névoa que alastra por tudo, o que também nao seria problema... Se eu nao jurasse ter visto um vulto preto por entre as arvores... Pode ter vindo da minha imaginagao? Pode. Mas é isso que as pessoas em filmes de terror pensam antes de terem seus Orgaos arrancados. Obviamente fiz o que uma pessoa normal faria no meu lugar; tranquei a jJanela com 0 cadeado que achei na cozinha, escondi um taco de beisebol embaixo do travesseiro e dormi apavorada dentro do meu casulinho de cobertas. Capitulo 2 1/16 Capitulo 2 Naquela noite tive sonhos estranhos, um particular assombrou meus pensamentos mesmo depois de acordar. Tenho quase certeza que estava no acampamento do Crystal Lake, lar do famoso serial killer que faz parte da classica colegao de filmes de terror e também dos sonhos de algumas medrosas criaturas como eu. Sonhei que tinha alguma coisa me perseguindo, nao sei 0 que era, nao consegui me lembrar de nada depois Capitulo 2 2/16 que acordei. Apenas me lembro de sentir medo, um medo apavorante que subia pela minha espinha e quase fazia meus musculos travarem enquanto tentava fugir, mas entao...surgiu uma sombra. A sombra se movimentava de um pedaco escuro dentro daquele cenario e aos poucos chegava a uma parte mais clara, revelando entao uma figura familiar. Era um lobo, maior que um lobo normal, tinha pelos negros como a noite e possuia um olhar apavorante e intimidador, seus olhos eram de um vermelho sangue vivido, que parecia brilhar em contraste com o n+***o de Capitulo 2 3/16 seu pelo. Eu sabia que nao era dele que eu estava fugindo, e quando ele surgiu de repente, do meio das arvores, nao senti mais medo. Foi estranho. E tudo que me lembro antes de acordar Filmes de terror nao fazem bem pra mim, isso é um fato... Nem ir dormir as 3 da manha... Fui tomar um banho de quase arrancar a pele, um vicio meu, mas vale a pena a cada segundo, e durante o banho, minha mente se dividia entre devaneios sobre o sonho que havia tido, tentando teimosamente lembrar de outras partes que haviam sido Capitulo 2 4/16 apagadas depois de meu cérebro ter despertado, e também sobre a idéia de que o fato de estar no meio do nada talvez me matasse de tédio antes que eu sequer tenha a chance de aproveitar. Ri para minha mente inocente. Como se eu nao tivesse a capacidade de lidar e derrotar 0 tédio de uma forma ou de outra, nem que tivesse que ir la fora contar todas as arvores em um raio de 300 metros. Como acordei no horario de almoco nao tomei café da manha, dependendo do ponto de vista, nem almocei (depende do que pode ser considerado um “almogo") Capitulo 2 5/16 Decidi inventar uma receita nova de panqueca sem olhar na internet, foi uma boa experiéncia e nao ficou tao bom quanto deveria, e sujei a cozinha toda. Mas foi um bom "almogo". Parando e analisando tudo ao meu redor coberto de farinha de uma forma que parecia que tinha nevado, decidi dar um jeito na casa. Era uma casa grandinha e bem antiga, e como minha tia nunca estava, a poeira se acumulava nos moveis de madeira, entao depois de resolver minha prioridade que era a cozinha, fui dar um jeito na sala . Tirei todo 0 po dos moveis e percebi como aquela casa era sem grac¢a, Capitulo 2 5/16 Decidi inventar uma receita nova de panqueca sem olhar na internet, foi uma boa experiéncia e nao ficou tao bom quanto deveria, e sujei a cozinha toda. Mas foi um bom "almogo". Parando e analisando tudo ao meu redor coberto de farinha de uma forma que parecia que tinha nevado, decidi dar um jeito na casa. Era uma casa grandinha e bem antiga, e como minha tia nunca estava, a poeira se acumulava nos moveis de madeira, entao depois de resolver minha prioridade que era a cozinha, fui dar um jeito na sala . Tirei todo 0 po dos moveis e percebi como aquela casa era sem graca. Capitulo 2 6/16 A mobilia era de madeira, e as paredes variam o tom entre laranjae bege -pelo menos na sala e nos corredores- Pra ficar uma casa completa so faltava fotos horripilantes nas paredes de gatos, palhagos ou criangas chorando. Fui correndo pra cozinha e peguei la uma pequena cesta que ficava no balcao que era usada para guardar frutas... Bom, vou precisar de mais do que frutas decorativas agora. Fui la pra cima trocar minhas pantufas de unicornio e meu pijaminha maravilhoso pér uma roupa de verdade. Enquanto trocava de roupa, algum Capitulo 2 7/16 vento repentino deve ter soprado sobre a porta. Me assustei com o barulho dela se fechando contra a parede, e de consequéncia, meu velho casaco vermelho vivo que estava pendurado em um cabideiro atras da porta acabou caindo no chao. Olhei intrigada para o casaco no chao, como se 0 universo quisesse que eu 0 colocasse, de uma forma até irdnica. Universo, vocé acha que eu te escuto? Joguei 0 casaco em cima da cama, vesti 0 meu casaco amarelo, e sai em diregao a floresta. Capitulo 2 8/16 as arvores, com o canto dos passaros, o farfalhar do vento... O ambiente em si era algo anestésico. Minha mae ainda nao tinha me telefonado uma vez sequer, nem pra perguntar se eu estava bem, ou algo do tipo. Mas eu ja esperava por isso. Tentei parar de pensar nisso, mas o problema é que, ou eu ocupava minha mente totalmente com isso ou ocupava com os malditos filmes de terror que assisti ontem, e se nao fosse com isso seria com a sensagao terrivel que meu pesadelo de perseguigao me havia deixado. Com certeza eu estava sem muitas Capitulo 2 9/16 op¢oes, entao optei por cantarolar. Os barulhos de floresta ressoavam ao meu redor, o vento assobiava entre as folhas das arvores e trazia um arrepio nos pelos dos meus bracos. Eu caminhei um pouco seguindo uma pequena trilha na floresta, sabia pra que lado ficava a casa e nao tinha como me perder. Depois de caminhar um pouco, chego a uma parte da floresta onde as arvores se dao mais espagamento uma das outras, e suas raizes eram carregadas de pequenas e delicadas flores silvestres. A luz do sol se espreitava por entre o espaco dos Capitulo 2 10/16 galhos e descia como um véu de luz. Era como uma pintura divina registrada naquela pequena parte da floresta, longe de muitos olhos humanos em um museu so dela, e destinada a se acabar com uma simples mudanga de estagoes. Minha mente me gritava pela ideia que acabara de ter. Deitei entre as flores do chao e fiquei um tempo Ia, sentindo o perfume delas. O matinho esperava pelo tecido do meu casaco e me causava algumas cocegas, mas valia a pena. Valeu muito a pena, Eu nao dava a minima se estava me sujando ou para os mosquitinhos chatos sobrevoando minha cara, eu Capitulo 2 11/16 sempre quis fazer isso. Eu amo as flores, sempre amei. Eo melhor nelas é que cada uma é Unica e especial, como se contassem sua propria historia. Elas tem significados diferentes, cada um especialmente feito pra elas; tem cheiros e aparéncias diferentes e o melhor de tudo é que, seja qual for, a beleza da flor ao lado nunca apaga a dela propria. O manual das flores havia sido um dos primeiros livros que li assim que aprendi a ler. alguns significados eu ainda lembrava Fiquei mais um tempo ali, e estava distraida com um bem-me-quer mal- me-quer com uma margarida do Capitulo 2 12/16 campo quando sinto uma sensagao estranha. Me sento onde estava deitada de forma assustada e olho em volta, mas nao vejo nada além do comum de primeira olhada, mas entao ouco atras de mim um barulho de galhos se quebrando, olho assustada e entao vejo por entre as arvores um assustador par de olhos vermelhos a me observar. Droga. Por que eu nao sonhei com os numeros da loteria? Apertando mais a vista para me adaptar a sombra daquelas arvores, percebo que era um ENORME lobo n***o. Assim, sabe um lobo normal? Capitulo 2 13/16 Eles ja sao GRANDES, mas aquilo nao estava nem perto de ser um lobo normal. Senti também um cheiro estranho e exotico, amadeirado que me lembrava um dia de sol. Nao me lembro de lobos cheirarem tao bem, mas da mesma forma acho que nunca fiquei tao perto de um. Tudo que eu sei é que estou prestes a ser devorada por um. Além dos olhos e do tamanho, dava pra ver que ele tinha dentes muito afiados, que poderiam arrancar um membro em uma mordida. Com certeza um conjunto assustador, mas os olhos...tinha alguma coisa diferente Capitulo 2 14/16 neles, e senti a mesma coisa que senti no meu sonho. Eu nao estava com medo. Deveria estar, mas nao estava. E enquanto me perdia naqueles olhos, poderia jurar que ouvi uma voz na minha cabega dizer em um uma voz forte: "Minha" Eu fiquei um tempo ali parada, hipnotizada com aquela sensagao que tomou conta de mim, sem lembrar como é ter alguma reagao. Mas entao voltei a mim, e o lado racional da minha mente, 0 responsavel pela minha sobrevivéncia que nao esta Capitulo 2 15/16 nem aij pro que o resto do meu corpo quer fazer ou pensa a respeito disso resolveu tomar conta, e me fez revisar minhas opgoes, que eram: A) Correr- com toda certeza nao iria dar muito certo, duvido que consiga escapar de uma coisa dessas, ia no minimo durar uns 2 segundos na corrida. B) Me fingir de morta- eu liem algum lugar que se vocé encontrasse um urso, o melhor a se fazer era se jogar no chao e fingir de morto, pois assim ele poderia enjoar de te usar como brinquedinho de morder e ir embora, mas como isso nao é um urso melhor considerarmos outras opc¢des. Capitulo 2 16/16 SO que eu nao tinha mais ideia do que fazer ou de o que poderia ser uma opgao, poderia chamar pra jogar cartas mas deixei meu baralho em Casa. Que pena. Capitulo 3 1/13 Capitulo 3 Eu ainda estava parada no mesmo lugar quando ele comecou a se aproximar em passos lentos, e as duas partes de mim comegaram a guerrear internamente. Uma que se voltava para minha sobrevivéncia e outra que sabia que ele nao iria me machucar. Ele estava muito perto agora, e foi o meu lado mais dominante -o que sabia que ele nao me faria mal- que me fez estender a mao sobre sua nuca. Enquanto isso, 0 lado que havia sobrado me fazia me imaginar Capitulo 3 2/13 chegando no céu junto com todo mundo e conversando com os outros fantasmas: "Nossa, como foi que vocé morreu? -Eu morri afogado durante um tsunamil!! -Morri na guerra com 5 tiros em diregao ao peito. -Morri em um incéndio, salvando criancinhas.” O que eu iria dizer? "-Morri tentando acariciar um lobo que media 3 vezes mais que um lobo normal!" Tudo se voltava no fim de tudo Capitulo 3 3/13 para a mesma pergunta: O que eu estava fazendo da minha vida naquele momento? Mas, pra variar entre todas as minhas escolhas que eu poderia ter tomado naquela situagao, aquela estava dando bem mais certo do que eu esperava. Ele havia fechado seus olhos e inclinava acabega em diregao a minha mao. Com um pouco mais de confianga depois de um certo tempo, levantei de onde estava sentada. -Oi pra vocé também, e obrigada por nao me devorar. - Ele bufou. Capitulo 3 4/13 Estranho, mas a situagao toda era um mar de bizarrice, entao parei de me torturar com perguntas. Dou uma leve risada. -Eu estava esperando encontrar alguma coisa mais sutil nessa floresta, como um gnomo, uma arvore magica talvez... Ou até mesmo o Jason, mas isso é novidade pra mim. Ta bom, acho que ha uma pergunta com a qual eu deveria me torturar. Por que eu estava falando com um lobo? Olhei para copa das arvores, os espacos onde saem os raios de sole Capitulo 3 5/13 percebi que ele tinha abaixado muito, e agora sua luz era de um laranja poente, dando a floresta um ar magico. Porém nao por muito tempo, tenho certeza que nao seria uma boa ideia ficar por aqui a noite, tinha me distraido com as flores e minha..."recente companhia” que acabei perdendo completamente a nogao do tempo, mas como ainda restava uma parte da minha nogao de perigo, recolhi minha cesta que estava agora repleta de flores silvestres. -Olha, foi muito bom te conhecer, mas eu tenho que ir agora. Se nos encontramos de dia nao quero nem imaginar o'que eu poderia encontrar de Capitulo 3 6/13 noite, entao, até qualquer hora...talvez. Eu precisei de um momento pra me localizar na trilha de novo, o lobo ainda nao tirava os olhos de mim. Depois que achei a trilha de novo, segui ela para casa, acompanhada de um guarda costas intimidante que me seguiu o caminho todo. Parece que tinha feito um novo amigo. Chegando na beirada da floresta, bem no final da trilha, vejo logo a frente minha casa. Olho para tras, onde estava meu acompanhante e digo: -Bom, obrigada por me fazer Capitulo 3 7/13 companhia o resto do caminho, vocé parece muito legal, principalmente por nao ter tentado me devorar. Adoraria te convidar para entrar e tomar uma xicara de café, mas nao acho que vocé va gostar- Rio comigo mesma pela minha ideia. O que eu nao poderia sequer imaginar, naquele momento, seria a série extra de sonhos que teria por mais aquela noite. Eu estava com os bracgos enrolados no pescogo do lobo. S6 uma louca mesmo pra fazer isso, mas novamente tinha aquela sensagao de seguranga, de novo aquele cheiro maravilhoso e os olhos hipnoticos, era Capitulo 3 8/13 tudo tao bizarro... Mas nunca tinha me sentido tao bem. Isso foi so de noite, antes disso, quando me despedi do meu novo amigo, dei uma leve olhada em diregao a floresta quando cheguei a porta, e ele ainda estava la, como que esperando eu entrar. Sumiu assim que tranquei a porta. Espalhei tantas flores por todos os cantos da casa, até os inabitaveis. Ficou tudo cheirando a uma caminhada em uma floralia. Exatamente do jeito que eu queria. Encontrei no fundo da minha cesta Capitulo 3 9/13 uma pequena margarida com o caule quebrado, faltavam algumas pétalas, pois era amesma que eu estava fazendo "bem-me-quer” "mal-me-que" quando o lobo chegou. Peguei ela com cuidado para que nao caisse mais nenhuma pétala e me dispus a terminar meu trabalho com aquela margarida. Parando na Ultima pétala, que terminava em um singelo "bem-me- quer” fico feliz com o resultado, apesar de saber que nao faz diferenga nenhuma. Passei o dia seguinte largada no sofa da sala, procrastinando por um tempo, testando umas novas receitas e Capitulo 3 10/13 tentando nao incendiar a cozinha com elas, mas quando chegou a noite, ja estava querendo fazer alguma coisa diferente que nao fosse ficar trancada em casa. Entao as 10 da manha do dia seguinte la estava eu, acordada, arrumada e pronta pra sair. Eu me olhava no espelho avaliando. Eu havia posto minhas botas azuis favoritas e prendido meu cabelo caia em uma tranga lateral da cor de caramelo. Eu sempre gostei da cor do meu cabelo, nunca quis sair tacando descolorante por todo ele, com excegao de uma pequena mecha azul que se Capitulo 3 11/13 mantinha escondida bem na parte de traz, que so era visivel quando eu o prendia em algum coque ou penteado alto, o resto dele era o meio perfeito entre o castanho e o loiro, pendendo um pouco mais pro loiro mas ainda assim como uma cor so minha. Eu estava usando o mesmo casaco amarelo do outro dia. Analiso minha imagem refletida. Pondero. Tiro 0 casaco e o coloco em cima da cama e em seguida, caminho em diregao ao cabideiro atras da porta e pego o casaco vermelho, volto para frente do espelho e 0 visto. Respiro profundamente e saio. Capitulo 3 12/13 Nada a dizer. Sabia exatamente o que iria fazer hoje. Sabe a minha lista de "coisas que preciso fazer antes do fim do mundo"? Como ja faz um tempo que os jornais nao anunciam nada apocaliptico, foi alterada temporariamente para "Coisas que preciso fazer antes do fim das férias” Como eu nao sei quando vou voltar aqui de novo, né. Vamos nessa. Alias, eu estou em uma cidade aterrorizantemente desconhecida, com uma enorme floresta desconhecida, Capitulo 3 13/13 com muitas coisas desconhecidas na mesma porcaria de cidade desconhecida. Era enlouquecer ou morrer. Capitulo 4 1/19 Capitulo 4 Eu caminhei pela mesma trilha da ultima vez, sO que nao fui até a parte com as flores na floresta, resolvi experimentar uma outra trilha. Se eu estava com medo? Razoavelmente. Medo de morrer, ser devorada ou me perder pra sempre, acredito que o basico em experiéncias como essa, mas aj estava o que me diferenciava de outras pessoas nessa situag¢ao, eu odiava deixar o medo me impedir de fazer o que eu gostava de fazer, Capitulo 4 2/19 independente do perigo iminente. A gente ja corre 0 risco de morrer a cada segundo de nossas vidas, tudo pode acontecer, entao...né, nao tem muito o que possa ser feito. Enquanto seguia as curvas da pequena trilha quase invisivel no meio das arvores, oucgo um pio bem baixo, vindo das raizes de uma grande arvore a esquerda, ao me aproximar, vejo um filhotinho de passarinho. Ele era bem gordinho e tinha algumas peninhas, parecia um bolinho, e pelo que percebi, ainda estava em estado de transigao para a fase adulta, por isso ainda tinha algumas peninhas e provavelmente ainda nao deveria saber voar. Ele fazia Capitulo 4 3/19 forga com as asinhas tentando levantar voo sem muito sucesso. Era um filhotinho muito fofo. Olhei para cima e forgando a vista, consegui ver um pequeno ninho em galho acima. Olhei pro passarinho. Olhei pro galho. Parecia bem alto para alguém com nenhuma habilidade atlética como eu. Olhei pro passarinho de novo. O desgragado piava da forma mais fofa do mundo... Hoje nao, ciclo da vida. Nao durante meu turno. Apertei forte a mochila nas minhas Capitulo 4 4/19 costas e me aproximei cautelosamente do filhote no chao, que curiosamente nem tentou fugir. Acho que nunca teve grandes contatos com humanos, sorte a dele. Pus ele no bolso do meu casaco e esfreguei as maos uma na outra. Primeiro pensamento: Como se isso fosse me ajudar Segundo pensamento: Nao sei por que fiz isso, mas nos filmes parece que ajuda em alguma coisa Terceiro pensamento: eu estava adiando minha escalada, e sabia muito bem disso. A noticia boa era que os galhos Capitulo 4 5/19 daquela arvore eram baixos, 0 que facilitava muito. A ruim é que eu sou a pior escaladora da minha turma na escola, quase nao consigo encarar a parede de escalada em uma das olimpiadas que a minha escola havia organizado. Mas hoje era meu dia. Fui fazendo pequenos progressos, me apoiando em cada galho e fazendo impulso com os pés. Iria ficar dolorida amanha, mas valeria a pena. Assim, consegui chegar até o galho que tinha o ninho, me segurei nele e consegui me sentar. Era realmente bem alto, e eu Capitulo 4 6/19 estava com alguns arranhoes no final de tudo, fora 0 incrivel esforgo para nao olhar pra baixo. Tirei com cuidado o passarinho e coloquei de volta no ninho, estava muito satisfeita comigo mesma, e se isso nao era um item da minha lista, agora iria virar. Tomando coragem, resolvi olhar a vista. Dava pra ver bastante coisa, desde a copa de algumas arvores menores, até o carvalho com suas raizes lotadas de flores. Aquele céu deveria ficar magnifico a noite. Tiro a mochila nas costas e tirei la de dentro um pequeno caderno, que é meu xodo. Um pequeno Sketchbook Capitulo 4 7/19 que uso pra TUDO. Do fundo do meu bolso tiro uma pequena pena que tinha caido do filhotinho, e colo no canto da pagina com a fita que tinha trago na mochila. Tiro de la também as outras coisas que tinha trago pra isso, como lapis coloridos. O galho era bem espagoso mas ainda tinha que tomar muito cuidado pra nada (principalmente minha pessoa) cair. Fago na mesma pagina um desenho do passarinho, foi meio dificil, pois ele nao parava quieto. Mas no fim gostei do resultado. Eu posso nao ser boa na maioria das coisas que eu facgo, mas admito Capitulo 4 8/19 que no desenho, até que nao sou tao ruim... Depois, virei a pagina e fiquei rabiscando o que dava pra ver do céu. Fazia tempo que nao desenhava. Fiquei meses sem pintar nada, ja que acabei recomegando hoje, provavelmente vou engatar nisso até o fim do verao. E sempre assim. Quando olho de novo pro céu, me amaldicgoo por ser tao avoada e imersa em pensamentos, ja estava entardecendo de novo. Droga. Tenho que ir pra casa. Guardo tudo as pressas na mochila e j4 comeco a descer com Capitulo 4 8/19 que no desenho, até que nao sou tao ruim... Depois, virei a pagina e fiquei rabiscando o que dava pra ver do céu. Fazia tempo que nao desenhava. Fiquei meses sem pintar nada, ja que acabei recomegando hoje, provavelmente vou engatar nisso até o fim do verao. E sempre assim. Quando olho de novo pro céu, me amaldicgoo por ser tao avoada e imersa em pensamentos, ja estava entardecendo de novo. Droga. Tenho que ir pra casa. Guardo tudo as pressas na mochila e j4 comeco a descer com Capitulo 4 9/19 cuidado pelos mesmos galhos que usei de apoio para subir. Ja estava quase na metade do caminho quando acabo pisando em falso em uma pequena fenda entre os galhos. Entro em desespero no mesmo segundo que perco 0 equilibrio, estico os bragos na esperanga de agarrar qualquer galho que venha ao meu redor, mas ao invés disso, acabo passando meu antebrago em uma parte pontuda de um pequeno galho, mas nao consegui me segurar em nada. Bem, o que dizer sobre isso? Nao tinha o que pensar, nao tinha nenhuma outra forma de reagir, nem Capitulo 4 10/19 dava tempo, eu estava esperando minha cara de encontro ao chao, mas ao invés disso, ougo uma voz e caio em algo... Digamos Macio demais para ser 0 chao. Ai meus Deus que vergonha... Eu acho que matei alguém O que eu fago? -Ai meu Deus do céu, me desculpa!- Nao tive nem tempo de avaliar a minha situagao ou a de quem eu devo ter matado por cair em cima, pois ougo uma série de piados em um galho acima que chama minha atengao. Capitulo 4 11/19 Vinha bem do ninho onde eu tinha posto o passarinho, ele se debatia tentando voar de uma forma desengongada e engragadinha, suas asas indo com forga pra cima e pra baixo, conseguiu levantar alguns centimetros pra frente que foi o suficiente pra sair de dentro do ninho e cair no pé da arvore, sendo amortecido por algumas folhas. -Nao acredito nisso. - Passarinho desgragado... -Er...com licenga- olhei pra baixo de mim e dei de cara com um garoto. Ah é, eu cai num estranho... Tinha até me esquecido. Capitulo 4 12/19 Eu tento me levantar, fago um esforgo e consigo sair de cima dele, porém quando estava na metade do caminho sinto uma dor horrivel no meu tornozelo e no brago que tentava me apoiar, cambaleei sem forgas e acabei caindo de novo. O estranho que eu tinha derrubado ja tinha se levantado, estava de costas pra mim mas se virou na mesma hora quando eu cai. Céus. Eu nao poderia ter encontrado um lugar melhor pra cair. Tudo bem que eu me sentia totalmente quebrada, com dores em todo lugar, e é provavel que eu também Capitulo 4 13/19 teria batido a cabega (explicaria a tontura que estava sentindo acompanhada de um leve zumbido que deixava tudo que estava acontecendo fora da minha mente bem distante), mas eu tinha que tirar um tempo pra admirar a desgraga que acabara de ser jogada na minha vida. Era tao...exdtico. Um jeito meio pirata e completamente encantador com seus cabelos negros e um rosto de quem parecia sempre escondendo um sorriso irdnico (e foi nesse momento que descobri que tenho uma queda por piratas de sorrisos ir6nicos). Como se um conjunto desse ja nao chamasse atengao de mais, eu estava Capitulo 4 14/19 totalmente perdida e encantada em seus olhos. Cada um com uma cor diferente. Enquanto um era de um verde vivo e brilhante, de um tom esmeralda; o outro era n***0 com uns tons que pareciam avermelhados... Eu nao conseguia desviar meus olhos... Ou Se quer PENSAR. E eles estavam muito perto agora, pareciam preocupados, gritavam alguma coisa mas eu nao conseguia entender. Me forgo a voltar para a Capitulo 4 15/19 realidade e lembro da forte dor que sentia principalmente no meu brago e no meu tornozelo. Eu gemo de dor e percebo que eu estava praticamente deitada no chao, se nao fosse pelo meu tronco encostado nele, que pelo visto tinha me salvado de outra queda. -O que houve?? Vocé esta bem?? Onde doi?? -- Tudo. -- foi tudo que eu consegui responder. Eu me sentei com cuidado, mas ainda gemendo pela dor. Olho pro meu brago e tinha um pequeno, porém um pouco fundo corte lotado de farpas e sujeira que se misturavam com o Capitulo 4 16/19 sangue, minha perna também tinha alguns arranhoes,meu tornozelo esquerdo parecia torcido e eu sentia algo molhado na minha testa, eu esperava que fosse um terceiro olho misterioso que tivesse comecado a chorar, talvez fosse mais divertido de lidar do que sangue. -Droga, essa é a Ultima vez que tentei ajudar a natureza- Falei, quase perdendo a consciéncia, mesmo sabendo que era mentira. Eu estava quase imersa em uma convidativa escuridao, tentava me forgar a me manter os olhos abertos, mas ela me puxava. Eu so queria dormir e me entregar ao vazio de Capitulo 4 17/19 relaxar e nao pensar em nada, pois minha cabega doia de mais, A Unica coisa que me impedia era a voz insistente e preocupada que ficava me puxando de volta. -Tente se manter acordada ...-eu me senti ser levantada e carregada pela trilha, mas a essa altura minha consciéncia ja estava distante demais para raciocinar direito. Eu via a copa das arvores acima de mim e elas se misturavam com o preto por alguns momentos enquanto eu fechava os olhos. Eu apagava e voltava por breves momentos, so nao dormia totalmente por causa da voz insistente, que ficava Capitulo 4 18/19 tentando conversar comigo. Eu nao entendia a maioria das coisas que ela tentava dizer, apenas algumas frases soltas, pois meus ouvidos ainda zumbiam. -*murmurios -Nao deveria...Floresta sozinha...- e foi seguindo assim, antes que eu percebesse eu estava na minha casa, tentei avisar que a porta estava trancada mas so saiam gemidos. O que de qualquer forma foi em vao, pois ele simplesmente empurrou a porta e ela se abriu. Droga, eu tinha me esquecido de trancar. Capitulo 4 19/19 Nao, pera... Como ele sabe onde eu moro? Capitulo 5 1/15 Capitulo 5 Droga. Eu nunca senti tanto ddio de um passarinhos quanto sentia agora. Tudo bem, no fundo eu sabia que o bichinho nao teve culpa de nada, que no fundo a ASNA da historia havia sido eu. Mas fazer 0 que acontece... A vida é isso. A gente escala as arvores, faz esforgo e depois se esborracha no chao todo ferrado. Tudo isso pra no fim, subir em mais arvores, fazer 0 que? Agora eu estou reclamando mas Capitulo 5 2/15 dou duas semanas pra estar fazendo outra cagada. Abro os olhos devagar, tentando me ajustar a claridade, Vejo o teto do meu quarto. Aos poucos vou levantando e fico sentada no que vejo ser a minha cama, e tudo em mim doi, como se estivesse acabado de cair de uma arvore. Por que sera, nado € mesmo? E como foi que eu havia chegado em casa mesmo? pergunto subconscientemente tentando me lembrar, sabendo que era com isso que eu tinha que me preocupar, e foi entao que me veio a mente aqueles olhos, e lembro que fui trazida para ca por Capitulo 5 3/15 aquele estranho Ia na floresta. Mas onde ele esta agora? Olho em volta mais uma vez e nao vejo ninguém. Decido levantar da cama, mas assim que encosto meus pés no chao, sinto a dor me consumir inteira. Droga, tinha esquecido do meu tornozelo provavelmente torcido. Olho pra baixo com medo do estrago e me surpreendo ao ver, nao so meu pé, mas meu braco enfaixado, pareciam estar bem menos piores do que na floresta e todos os outros arranhoes tinham sumido. Estranho. Nao sei se era mais estranho do que a ideia do estranho na minha casa ou eu em um caso de Capitulo 5 4/15 sonambulismo ter tratado de meus ferimentos, mas ainda preciso conferir uma coisa. Ligo meu modo saci e me apoiando nas coisas ao redor da cama, consigo levantar com meu pé bom. Me apoio nos moveis e vou com muito cuidado conferir a casa. Com meus passos de lesma cheguei a cozinha, sala, banheiros e até 0 quarto da minha tia. Cheguei até a olhar o quintal, tanto de tras quanto da frente, e foi uma tarefa ardua que levou bastante tempo, mas estranhamente nao tinha ninguém na casa. Tudo bem, vamos recapitular novamente a parte do estranho e Capitulo 5 4/15 sonambulismo ter tratado de meus ferimentos, mas ainda preciso conferir uma coisa. Ligo meu modo saci e me apoiando nas coisas ao redor da cama, consigo levantar com meu pé bom. Me apoio nos moveis e vou com muito cuidado conferir a casa. Com meus passos de lesma cheguei a cozinha, sala, banheiros e até 0 quarto da minha tia. Cheguei até a olhar o quintal, tanto de tras quanto da frente, e foi uma tarefa ardua que levou bastante tempo, mas estranhamente nao tinha ninguém na casa. Tudo bem, vamos recapitular novamente a parte do estranho e Capitulo 5 5/15 ignorar a idéia do sonambulismo: Um estranho com duas cores de olhos diferentes me resgatou depois de me quebrar toda depois de... (Vamos ignorar essa parte, é humilhante demais lembrar que eu cai de uma arvore) e me trouxe pra casa, que por acaso ele sabia onde era. O que jao torna o tipo de cara suspeito que vai a floresta cometer assassinatos e passa semanas estudando suas vitimas para saber exatamente onde elas moram, ou no minimo ou stalker com ficha na policia. Ele me trouxe pra casa, cuidou dos meus machucados -Deus sabe por quanto tempo eu devo estar apagada- e simplesmente caiu fora antes de eu Capitulo 5 6/15 acordar? Acho que eu estou vendo filmes demais, so pode ser um delirio fortissimo... E agora? Eu tenho que me conformar? Devo ficar me questionando se eu estou realmente louca ou se aquele garoto era o louco da historia? Devo vasculhar a casa em busca de alguma evidéncia de sua presenga e de sua identidade ou simplesmente fingir que nada aconteceu e voltar a dormir? Acho que a resposta era Obvia. Eu voltei a dormir. Capitulo 5 7/15 E um saco ficar em casa debilitada sem poder fazer nada por causa desse pé desgracento. Ele estava todo roxo por baixo das ataduras e estava bem inchado, do tamanho de um limao, até me assustei, mas tenho colocado gelo regularmente e tem melhorado bastante, e quanto ao machucado no meu braco, estranhamente curara mais rapido que um corte normal daquela magnitude. Cansei de fazer perguntas. Foi a semana toda me questionando se o que eu acho que aconteceu naquele dia REALMENTE aconteceu. Foi tao esquisito que toda vez que penso nisso meus miolos parecem Capitulo 5 8/15 fritar, ainda mais depois de sonhos e mais sonhos que tenho tido noite apos noite, muito parecidos com aquele com o lobo que tive a dias atras. Agora eram recorrentes, porém nao era mais so o grande lobo n***o que atormentava ele, mas também o cara de olhos diferentes. Parece que minha mente nao se atualiza, ficou travada como a tela de um computador na imagem dele me olhando na floresta, pois so me fazia pensar naquilo. Minha tia havia telefonado, estava voltando para casa daqui a uns dias, mas nao ficaria muito, como sempre, mas ainda assim tenho que preparar as Capitulo 5 9/15 coisas aqui. Eu estava mexendo no meu notebook em minha quente cama durante uma tempestade. Meu pé enfaixado ja estava quase totalmente curado, mas eu continuava sem sair por ai dando saltos mortais, correndo maratonas(n4o que eu fizesse alguma dessas coisas com ele totalmente bom) e colocando gelo constantemente. Agora eu estava aproveitando o mal tempo que praticamente gritava na janela que era um Otimo dia para “nao fazer nada de util" e estava checando minhas solicitagdes no Facebook. Capitulo 5 10/15 Clico no icone que dizia que tinha solicitagdes, e vou descendo a tela. Nego o convite de uns trés indianos e mais um cara com foto de perfil de anime, até que chego na ultima cujo o nome que estava escrito era "James Anderson". O nome me soava bem familiar, mas nao me lembrava exatamente de onde. Resolvo dar uma breve Stalkeada, clico no perfil e sou uma olhadinha nas fotos e publicagoes. Nao brinca! So me faltou comegar Capitulo 5 11/15 a pular na cama. Abro 0 chat com os dedos escorregando de agitagao e mando de uma vez varias mensagens. Nael: Jammy Nael: Nao Nael: Brinca Nael: Comigo Nael: Nao estou acreditando nisso, nao pode ser vocé. Nael: Diz que eu estou pagando mico no chat de um completo estranho, diz. Um tempo depois apareceu digitando. James: Tomei um susto com tanta Capitulo 5 12/15 mensagem de repente James: Eu mesmo Nael: Ai nao ai nao ai naoooo . Nael: Nao consigo nem acreditar! James era meu amigo de outros verdes que eu passava na casa da minha tia. Ele era meu vizinho na época, mas teve que se mudar com o pai dele. Acho que até da pra ver a casa dele daqui, as luzes estavam apagadas ja fazia tempo. Eu tinha perdido total contato com ele desde que perdi minha ultima conta no Facebook por causa de um hacker (dica do dia: nunca clique em links suspeitos quando estiver com o Capitulo 5 13/15 Facebook aberto em outra aba) James: Faz realmente muito tempo, mas diz ai James: Como vai a vida? Onde c ta morando? Nael: Té na casa da minha tia de sempre, né? Daaa, que me abandonou foi vocé James: Kkk, nem sonha... To perguntando pq James: ADIVINHA QUEM VAI VOLTAR PRA ESSE MARAVILHOSO BAIRRO 5 ESTRELAS NO MEIO DO NADA? Nael: NAAAAAO, NAO BRINCA ASSIM COMIGO Capitulo 5 14/15 James: isso mesmo, alias Digitando... O computador desliga. Olho em volta, e nao consigo enxergar nada, por um segundo tinha pensado que tinha ficado cega, mas entao um grande estrondo de um trovao vem la de fora acompanhando de um raio que ilumina tudo por alguns segundos, eu me assusto e dou um grito exageradamente fino.. Nao acredito nisso. Quando estava prestes a me tacar em baixo das cobertas pra me proteger ougo o barulho da minha porta abrindo, era um ranger bem lento e torturante. E Capitulo 5 15/15 quando ela abre, sai de la uma criatura com apenas seu rosto iluminado por uma vela. Eu grito mais uma vez. - Para de frescura menina, foi sO um pagaozinho. Tem velas la embaixo, daqui a pouco volta, fica calma - disse minha tia Envergonhada pela minha crise, me escondo embaixo das cobertas com as bochechas vermelhas. Capitulo 6 1/15 Capitulo 6 Eu estava enlouquecendo. Meu pé ja estava quase cem por cento bom, mas eu ainda mancava as vezes e ainda nao era recomendado pra mim correr, mas eu ainda sonhava noite apos noite com aqueles olhos e o rapaz misterioso. Eu so pensava naqueles olhos 24 h por dia, nao sabia o que fazer... estava comegando a me sentir deprimida e com uma solidao muito grande depois daquele primeiro encontro. Eu precisava. Capitulo 6 2/15 Eu tinha...que encontra-lo. Entrar naquela floresta de novo? Nao sei se seria uma boa ideia. Mas eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu voltaria para la, a tentagao era grande demais. Parecia que a floresta estava me chamando, e era como se eu soubesse que ele estava la e que eu tinha que encontra- lo, como se estivesse me esperando. A unica distragao que tenho tido eram as conversas com meu quase vizinho James, que ainda nao tinha voltado para ca, mas viria dentro de alguns dias. Hoje era o ultimo dia que minha tia ficaria em casa, e tenho certeza que Capitulo 6 4/15 Acho que minha tia era 0 Unico membro da minha familia que valia a pena, ela pelo menos me ligava de vez em quando, enquanto estava fora. -Tudo bem, pode deixar... Ela sai pela porta e a fecha, espero algum tempinho na sala e me dirijo rapidamente para a janela mais proxima. Ela tinha ido. Nao perco tempo e corro o maximo que meu pé machucado permite em diregao ao andar de cima, vulgo meu quarto. Eu me atrapalhava nas escadas tentando correr, marcar parecia tao mais pratico que no meio do caminho desisti de tentar correr e fui pulando Capitulo 6 5/15 em uma perna so. Funcionou, acabei indo mais rapido e por milagre nao cai nem uma vez. Assim que chego no quarto sento em minha cama e olho as minhas confortaveis pantufas de urso e meu pijama de domingo e ponho alguma coisa decente. Eu estava muito apaixonada pelas pantufas, elas eram o presente que minha tia havia me trago dessa vez. Me disse que havia comprado em uma loja de conveniéncia no Canada, onde um dos seus voos estava destinado. Ao que parece eles tentam vender qualquer coisa relacionada a ursos, pois 6 uma marca turistica do local (o que por um lado é Capitulo 6 7/15 tempo até encontra-lo, Emesmo que isso acabasse comigo, eu sabia que era algo que eu nao conseguiria evitar, como um empuxo de uma maré muito forte. Vocé nao consegue lutar, nao consegue nadar contra, ela apenas te leva. Enquanto voltava pela trilha, ougo um barulho atras de mim. Olhei esperancosa pensando que poderia ser ele e me surpreendi ao encarar dois vibrantes olhos vermelhos escondidos nas sombras. Era o lobo que eu encontrara outro dia, e que eu -espero- ter feito amizade. Ele vem se aproximando com os olhos fixos em mim. Capitulo 6 8/15 -Oi amigo...vocé me assustou. Aproveito a ocasiao e me sento ao pé de uma arvore para descansar meus pés. -Nao estava esperando te encontrar de novo. Ele se aproxima e deita bem do meu lado com a cabega no meu colo. Acaricio suas orelhas. -Sentiu saudades de mim? Ele fecha os olhos como se estivesse apreciando o carinho. Nao tinha como negar que era um comportamento estranho. -Nao era bem vocé que eu esperava encontrar por aqui, mas até Capitulo 6 9/15 que gostei da surpresa..., alias, por acaso vocé viu mais alguém por aqui? Pergunto como se ele fosse responder, mas mesmo sabendo que nao, conversar com ele me dava uma certa tranquilidade. Fiquei ali com ele por um tempo,conversando bobagens, falei sobre o rapaz que encontrara e que tinha ido ali procurar ele, falei sobre a floresta e perguntei se ele gostava de viver ali (mesmo sabendo que ele nao iria responder), e outros assuntos supérfluos. Era muito bom conversar com ele, mesmo sem rolar exatamente um didlogo. Apesar de tudo, ele parecia ouvir cada palavra que eu dizia pra ele, Capitulo 6 10/15 suas orelhas ficavam alerta mostrando que estava escutando tudo, as vezes ele chegava até a rosnar ou bufar com algum comentario. Depois de um tempo fui embora. Ele me levou até a beira da floresta de novo e fui com a promessa de que voltaria outros dias até o final do verdo, e também agradeci a companhia dele. Chegando em casa me surpreendi com umas 300 mensagens de James dizendo que viria daqui a exatos 3 dias. Nem bem tinha mudado de volta e me convidava para logo no primeiro dia turistar pela cidade. Cheguei a mencionar que eu quase nem fui a cidade, mas ele nao se Capitulo 6 11/15 importou, disse que iriamos nos dois a uns lugares bem legais pelo centro. Ele parecia estar morrendo de saudades daqui. Também chegou a mencionar de um planetario que ficava no topo de uma colina perto da prefeitura que eu nem sabia que essa cidade tinha. Nael: assim, vocé tem nogao de que vamos ter que andar um pouquinho, né? Por que a gente nao mora - Ou quase mora, no seu caso - exatamente PERTO do centro da cidade... James: Deixa essa parte comigo. Nael: Como assim? Capitulo 6 12/15 James: Vocé vai ver Nael: tudo bem, se vocé diz. Tudo bem, so me restava esperar. Até que estava bem animada com isso tudo. Eu queria poder dizer que tinha passado as férias isolada do mundo, no meio do nada, sem contato com nenhum ser humano. Mas seria mentira. Até o meu passeio com James, fui para a floresta todos os dias, honrando minha promessa, e aquele lobo sempre estava la, me esperando. Eu andava um pouco pela trilha e ele me encontrava, Capitulo 6 13/15 como se ele soubesse exatamente onde eu estava. Eu passava horas ali. Nos conversavamos -no caso so eu, né - as vezes eu levava um livro e ficava lendo para ele em voz alta. Ele pareceu gostar bastante da Alice no pais das maravilhas, ou talvez na minha cabega ele tenha gostado, pois era um dos meus livros favoritos. Ele abanava o rabo de forma animada, sua cabeca estava encostada nas minhas pernas enquanto eu fechava a capa do livro depois da historia ter acabado. -Bom, é isso. Quer ouvir um fato interessante? Eu peguei a mochila que estava Capitulo 6 14/15 apoiada do meu lado. -Sabia que Lewis Carroll, autor desse livro, foi um dos suspeitos de ser Jack Estripador? Ele parou de abanar a cauda, como se estivesse realmente entendendo o que isso simbolizava. -Bom, aparentemente foram encontrados alguns anagramas no livro da Alice que poderiam estar relacionados, mas nada nunca foi provado. Mas acredito que ele 6 um dos suspeitos mais interessantes. Ele me olha curioso. E depois de mais um dia com ele, acabamos nos despedindo e eu fui Capitulo 6 15/15 embora para casa. Eu nao encontrei mais aquele homem do outro dia, mas aos poucos 0 sentimento de solidao foi sumindo. Quando eu me encontrava com meu novo amigo na floresta, por alguma razao as tristezas que haviam aparecido em meu coragao iam embora. De repente aquele homem nao tinha mais importancia. Tirando as noites em que eu passava sonhando com ele. Capitulo 7 2/8 Capitulo 7 Afinal chegou o dia em que eu teria de sair com o James. Ele mal tinha acabado de chegar, nem sequer tinha tocado nas caixas de mudan¢ga eja me mandou mensagem dizendo que estaria aqui as 15 horas. Esperei. O relogio parecia se mover em camera lenta, e antes que eu percebesse, eu balangava minha perna direita no ritmo que a minha ansiedade tocava. Por conta disso desisti e comecei a me arrumar umas 2 horas antes, mas acabei rapido, o que me fez voltar a posic¢ao inicial, com minha perna inquieta e sentada em cima das maos para nao roer as unhas Depois de um tempo, finalmente ouco a campainha tocar. Ando até a porta e conto até dez de tras para frente como uma tentativa de controlar meu nervosismo e minha ansiedade. Como sera que ele esta? 0 maximo que cheguei a ver foram umas poucas fotos no Facebook, e fazia anos que eu nado o via Il O < Capitulo 7 2/8 pessoalmente, portanto a curiosidade fazia picadinho de mim por dentro. Ese ele estiver muito diferente? E se me achar entediante? E se simplesmente aparecer aqui, olhar na minha cara, rire sair? Dou um basta em meus proprios pensamentos, mando eles se calarem a abro a porcaria da porta. Aprimeira coisa na qual reparei foi numa moto incrivelmente LINDA, meus olhos deveriam estar brilhando de encanto, e juro que quase tive um infarto. Aos poucos meus olhos foram subindo e reparei na figura em cima da moto, com um leve topete como se tivesse saido de um filme dos anos 80, e vestindo uma jaqueta de couro que combinava perfeitamente com todo o contexto estava ele. Eu nao imaginava que uma jaqueta de couro caisse tao bem em alguém, mas parecia que era feita pra ele. Eu ainda continuava babando por aquela moto. Tudo bem, me recompus e caminhei até ele. -Primeiramente, vocé esta linda. Il O < Capitulo 7 3/8 Segundamente, espero que nado tenha nenhum problema com motos. Travei por um minuto com o elogio inesperado. Eu estava usando o meu vestido amarelo e meu cabelo caia solto nas minhas costas. Nao era exatamente meu visual de noite de gala, mas estava perfeitamente aceitavel. -Obrigada...e nado, nao tenho problema nenhum. -Disse tentando disfargar minha empolgacao. Eu ainda sentia uma leve vergonha pairando sobre a minha cabega, a vergonha normal que deveria se sentir depois de anos sem ver uma pessoa e de repente ela aparece parecendo um modelo de uma capa de revista dos galas da década. -preparada para uma aventura? -ele me pergunta me entregando outro capacete, subo na garupa e quase sentindo meus bracos enferrujados e pesados pela timidez, firmo os bracos na cintura dele. -Depende, pra onde vamos? -Pergunto mesmo ja tendo uma idéia Il O < Capitulo 7 AIS Fe Ki : E arranca com a moto. Ele foi indo devagar por uma parte do caminho, por minha causa, e tudo que eu queria era ter a coragem de gritar para ir mais rapido. -O que te trouxe de volta a nossa pacata cidade? -Pergunto. Estavamos no planetario da cidade, depois de uma rapida parada na sorveteria que tinha os 100 sabores diferentes de Milkshake. Ele se surpreendeu, assim como eu, quando viu que essa loja tinha se aberto por aqui. Fez perguntas do tipo: “E possivel existirem 100 sabores de Milkshake?” e também: “Como que eles fazem o Milkshake de algodao doce?” e também teve o: “Sera que algum paladar do mundo acharia todos os 100 sabores bons?” E eu tentava responder essas perguntas da Il O < Capitulo 7 5/8 mesma forma que alguém tentava descobriro significado da vida. Eu olhava os ladrilhos que mesclavam do preto para o azul conforme andavamos. -Digamos que tenho uns assuntos pendentes na cidade. -Uuuh, assuntos pendentes, vai matar quem? - Digo brincando e ele sorri. -tenho uma pequena lista. -Ele fala entrando na minha brincadeira. -Espero nao estar nela. -Bom, se estiver vai descobrir cedo ou tarde, nao é mesmo?- Ele me encarou sério e nos dois comegamos a rir. -Pretende ficar por quanto tempo? -Nao sei. Ainda vou ver isso. -Nao vai sumir de novo sem avisar! -Tudo bem, tudo bem... Exploramos todos os andares, e decidimos ir em um pequeno game que tinha por ali que parecia funcionar como um paint ball futurista. Tinhamos lazeres, e coletes que eram desativados Il O < Capitulo 7 6/8 assim que atiravam com os lazeres neles. Olha, eu nao diria que eu era uma pessoa competitiva, mas... mentira, sou a pessoa mais competitiva que conheco, mas James era um absurdo. Ele se pds de tocaia como um fuzileiro de guerra. Atirou em tudo que se metia pela frente e acertava os alvos com maestria . No inicio tinhamos formado uma dupla, apesar de o proposito desse jogo ser "cada um por si", mas assim que foi diminuindo a quantidade de sobreviventes, eu ia andando na frente por um pequeno ttinel cenografico com o que pareciam ser varias pedras lunares, e entao ouco sua voz me chamando por tras, e me viro para olhar. -Nael, espero que entenda que nao é nada pessoal. E entao, ele atirou em mim. Ele foi cordial o bastante para me fazer virar de costas e nao me dar um tiro por tras? Sim. Mas eu nunca fiquei tao arrependida de ter salvado ele de um tiro a tiracolo de uma garotinha de 5 anos como eu havia feito mais cedo naauele Il O < Capitulo 7 8/8 dia. Queria dizer que se arrependimento matasse eu ja estaria morta, mas acontece que eu realmente morri pro meu parceiro de equipe. Depois do jogo, ficamos mais um tempo andando pelo planetario, mas nao conseguimos olhar as estrelas pelo telescdpio, pois estava parcialmente nublado. Ele me levou em casa um pouco antes de anoitecer, me deixou na porta de casa e nos despedimos de forma calorosa, mesmo eu ainda guardando uma leve magoa. -Bom, espero que possamos nos ver mais vezes enquanto estiver pela area. -Umas arvores de distancia. S6 me procurar. Nos abracamos e ele foi indo embora. Eu nao entrei em seguida, fiquei na porta esperando ele ter ido e corri em direcao da floresta Il O < Capitulo 8 wm celica CY Bpicuss. S Entrei na floresta com a esperanga de mais uma vez encontrar meu lobo. Andava pela mesma trilha de sempre que sabia que ele iria aparecer mais cedo ou mais tarde, quando ouco um barulho de galhos se quebrando atras de mim. Olho esperancosa, mas ao inves de encontrar quem eu queria, me dou de cara com um outro lobo. Era um pouco menor em relagdo ao meu lobo, e sua pelagem era mais acinzentada. Ele mostrava os dentes e parecia me avaliar com os olhos ferozes. Congelei no lugar onde estava. Ele me rodeou enquanto mostrava os dentes em uma posi¢ao que nao precisava ser peritaem animais selvagens para saber que ele logo pularia na minha jugular, e eu nao tinha ideia do que fazer, ja que sabia que correr sO iria piorar a situagao que tinha me metido. O que eu entendia de sobreviveéncia, afinal de contas?Ainda nao tinha ideia de como tinha Il O < Capitulo 8 2ni sobrevivido ao primeiro lobo! -No caso, nao tinha ideia de como meu coracdo havia sobrevivido, porque so o susto que eu levei deveria ter me feito bater as botas. Ele se aproximou mais de mim e vi que estava se preparando para saltar, mas antes que pudesse ouco um barulho nos arbustos do meu lado e, logo depois de o lobo cinza pular, vejo uma grande sombra preta surgindo de repente dos arbustos e pulando primeiro na frente do lobo cinza. Mais uma vez, ndo tem como meu coracdo passar ileso por essa experiéncia. Agora estavam os dois lobos no chao rolando em uma confusao de garras e dentes, mas eles se levantam rapido e ficam se circulando, meus olhos quase nao conseguem acompanhar a luta que se seguiu depois. Era uma série de mordidas para os dois lados, com miultiplos arranhdes e tudo que tinha direito. O lobo preto era realmente maior e estava indo com tudo pra cima do lobo cinza, estava claro quem iria ganhar. Il O < Capitulo 8 ant Mas nao estava muito atim de ticar para descobrir, pois acho que ja tomei decisGes idiotas de mais para uma semana so. Sem hesitar, me pus a correr. Corri pela trilha pelo caminho que eu ja conhecia de volta pra civilizagao, tomandoo maximo de cuidado possivel pra nao tropecar e sem olhar pra tras nenhuma vez sequer, dando gra¢as aos céus por meu tornozelo estar curado, coisa que eu nao tinha certeza se realmente estava até precisar usa-lo agora. Dava pra ouvir o som deles se enfrentando ecoando pela floresta, em uma mistura de varios rosnados com o som das folhas batendo com o vento de final de tarde. Depois de um tempo, tudo ficou silencioso, parei de correr por um instante, faltava pouco para chegar, mas esse siléncio so poderia significar que a luta tinha acabado. Parei de correr e fiquei o mais silenciosa possivel, atenta a qualquer ruido. Ouco galhos e folhas se quebrando a minha direita, olho assustado e vejo sair dela a mesma Il O < Capitulo 8 4nl sombra preta de uns minutos atras. Inconscientemente acabo sorrindo e respirando fundo em uma onda de alivio, mas antes que pudesse fazer alguma coisa, ele rosna alto e eu paraliso novamente. Reparo bem em seus olhos em um vermelho sangue que pareciam ferver em uma furia animalesca, como se nao me enxergassem de verdade, completamente diferentes da ultima vez que eu havia olhado em seus olhos. Diferente das outras vezes, desta so conseguia ver a fera. Mostrava seus caninos e se aproximava de mim com feigdes assustadoras. Estava sujo de sangue que presumi ser do outro lobo. -Garoto...? Lembra de mim? Ele continuou a mostrar os dentes pra mim e comegava a se aproximar. -Nao vai me machucar, vai? Dessa vez eu estava com medo, e instintivamente fui chegando pra traz, até minhas costas baterem numa arvore, me deixando encurralada. Il O < Capitulo 8 5/11 Com as garras pra fora, ele veio com tudo pra cima de mim e eu fecho meus olhos, esperando, sem poder reagir de outra forma. Ouco garras se chocando contra alguma coisa e depois o siléncio domina a floresta mais uma vez, quando abro, ele ndo estava mais la. Eu olho em volta e ele tinha sumido. Na arvore ao meu lado tinha marcas de garras profundas que dilaceraram o tronco. Corri para casa sem olhar para tras, ANTES Raiva Uma raiva que queimava nas veias como metal derretido. Louis quebrava tudo que via pela frente na cabana. Assim que deu a noticia, seu beta saiu correndo da cabana o mais rapido que pode, sabia o que viria a seguir e resolveu nao ficar no caminho para sua propria seguranga. Agora Louis quebrava tudo que via pela frente Il O < Capitulo 8 61 sem enxergar mais nada. Estava confirmado que os vampiros tinham retornado, depois de tantos anos e os malditos nao estavam extintos, Apenas se escondendo como os vermes que sao. Como se nao bastassem os problemas que ja tinha a alcateia, agora ainda tinha quese preocupar com sanguessugas por aqui. E como se nao bastasse, isso tinha que acontecer logo agora, que tinha encontrado sua companheira, e da forma mais inesperada possivel, caminhando pela floresta. Aprimeira coisa que sentiu foi seu cheiro, a partir dai ja sabia o que viria depois. Estava tentando, acima de tudo, se manter longe dela. O peso de ser um alfa, o peso de ser um lobisomem. Era perigoso demais pra ela, ele era perigoso e tudo no seu mundo mais ainda. Aculpa o dominava muitas vezes por isso, como na vez que ela caiu em cima dele na floresta, e torceu 0 tornozelo. Ele a levou pra casa, Il O < Capitulo 8 m1 e como queria ter ticado la... Aculpa depois foi terrivel, mas foi melhor assim. Queria poder ter ficado e cuidado de Nael, nome que tinha descoberto pelo seu beta, ha quem tinha pedido que investigasse. E que belo nome, assim como sua dona. A primeira coisa que fez assim que a viu foi ordenar a todos de sua matilha que mantivessem distancia dela e de sua casa, ele proprio tentou o maximo possivel se manter longe, mas foi inutil. Seu cheiro, sua voz, tudo 0 atraia até ela, ea cada segundo que lutava para se manter longe parecia acabar com ele. Ela também nao facilitava, indo todo dia aquela floresta, nado importa o que fizesse ela parecia tao determinada a se manter longe quanto ele. Pelo menos decidiu que ndo iria mais vé-la da forma humana, assim seria mais facil, tanto pra ela quanto pra ele. Ainda consumido pela raiva se pés na sua forma de lobo e correu pela floresta com as garras pra fora dilacerando arvores e tudo que viaem seu caminho, era uma péssima ideia fazer isso Il O < Capitulo 8 8 agora, nals em 11m momento de raiva camo esse, fice © y & de que tinha agora era uma fera raivosa com dentes que cortaria quase qualquer coisa ao meio. ate que sentiu aquele cheiro de novo. Era ela. Correu sem ter nocao de onde estava indo, nao estava mais no controle, apenas sentia como se fosse um pesado sonho em que seu lado ferozo comandava. Chegou a tempo de ver um lobo cinza, que fazia parte de outra alcateia e que nao deveria estar nesse territorio, ele se preparava para pular bem em cima dela e Louis nem se quer exitou, toda a raiva no seu corpo que parecia adentrar nas suas veias agora e borbulhar em brasa. Pulou em cima do outro lobo com garras € dentes. O outro lobo tentou revidar e estava claro que ia perder, mas mesmo assim n4o recuou. Pouco tempo depois de se enfrentarem com arranhées e mordidas, Louis pegou o pescogo do lobo cinza e, com uma mordida so, partiua jugular dele, Agora estava todo repleto de sangue ea furia ainda o consumia. Como instinto natural acabou Il O < Capitulo 8 91 seguindo o cheiro de sua companheira, que ao ver a briga havia corrido o mais rapido que podia. Seu cheiro chegava ate ele gracas ao vento favoravel, mesmo estando dificil de se sentir gragas ao forte cheiro de sangue, que encobria os outros. Mas nao iria salva-la, muito menos correr adiantaria. Ele a encontrou e ainda estava fora de si, enquanto um lado monstruoso queria atacar tudo que se metesse na sua frente, ainda tinha parte dentro de si que lutava contra esse lado, o maximo que conseguia. Sabia que nao conseguiria se perdoar se machucasse ela. Estava se preparando para partir pra cima, sua visdo tremia e os dois lados guerreavam dentro de si. Ouviu ela dizer alguma coisa para ele, mas nao conseguia processar as palavras, saiam todas tremidas e irreconheciveis. Momentos antes de suas garras a atingirem, por um momento de clareza, ele mirou na arvore ao lado. Acertou 0 tronco em cheio deixando marcas profundas. E saiu correndo o mais rapido que pode na dire¢ao contraria, antes que fizesse algo Il O < Ce o @ gat que nao teria mais volta, a raiva sendo aos poucos ocupada pela culpa. Que parecia que seria tudo que teria naquela noite. Culpa. Readers Also Enjoyed -----:- Esse delegado gostoso ops* b... 2 © 146,1K Il O < Capitulo 9 3 Capitulo 9 Eu nao voltei naquela floresta. Com total sinceridade eu nem sequer sai de casa depois daquele incidente, e os pesadelos se tornaram mais frequentes. James me encheu de mensagens, chegando a irritar no inicio, mas depois pareceu que ele estava realmente preocupado. Queria dizer que deveria ser uma coisa boa, parar de sonhar com algo que sonhava todos os dias até virar um pensamento constante que te tira da sua orbita, mas quando os sonhos sao substituidos por pesadelos que fazem vocé gritar e acordar no pulo no meio da noite nao tem como dizer que é algo bom. As mensagens de James até que tem sido uma boa distracdo, tanto que depois de muita insisténcia eu aceitei um convite para sairmos mais uma vez. No fundo agradeci a tentativa dele de me distrair. Capitulo 9 2n3 Tudo estava imerso em uma escuridao profunda e tao escura, que eu duvidava que uma lanterna ou l[ampada pudesse deixar mais claro. Ela como se escuridao estivesse impregnada, tornando impossivel enxergar um palmo na minha frente, até que um pequeno ponto de luz vermelho comega a brilhar, bem no centro desse lugar que eu estava -onde quer que seja-. Sem saber o que fazer eu corro em direcao ao ponto brilhante e tento agarrar ele, como que tenta pegar um mosquito, e o prendo entre minhas duas maos, poreém quando abro nem tive tempo de reparar que ele nao estava em minhas maos, mas flutuando na minha frente, e era como se me atrai-se. Me senti como um gato deveria se sentir, brincando de forma idiota com uma luzinha de lazer, que os donos apontam de um lado para o outro. Ela comegou a se afastar bem rapido, e eu quase que por instinto a segui pela escuridao. Eu corria atras dela sem bem saber o porque, sentia meus pés grudarem no chao como se estivesse sobre uma lama espessa, sobre meu Il O < Capitulo 9 3/13 rosto sentia uma estranna sensa¢ao de trio apesar de parecer estar no meio do nada, e boa parte do meu corpo ardia, mas eu continuava correndo. Até que o ponto parou. Fiquei encarando ele, até que ele se aproximou de mim e novamente o agarrei com as duas mags, sentindo um pequeno formigamento na pele, como se tivesse sido absorvido para dentro das minhas maos. Aos poucos a escuridao comegou a se desfazer, e comecei a ouvir um alto barulho de chuva, mais perto do que deveria. Inconscientemente abro os olhos. Eu estava zonza e demorou um tempo pra eu me adaptar a pouca luz, mas eu estava em pé, em algum lugar no meio da floresta, completamente encharcada de chuva e sem entender como eu havia parado ali. Era so o que me faltava. Mentalmente, comecei a condenar o universo por mais aquele feito e desesperadamente perguntando qual problema ele tinha comigo. Jura que entre tantas coisas que poderiam acontecer, logo um caso de sonambulismo Il O < Capitulo 9 4n3 Olho para meus pés descalcos encharcados de lama, e de repente sinto uma forte tontura, que de forma gradativa foi crescendo até chegar ao ponto de ter que me segurar em uma arvore proxima, e entao tudo ficou escuro de novo. Ouniverso se recusava a colaborar com Louis em qualquer aspecto, e isso era um fato. Seja tentar se afastar, seja tentar protegé-la, nada estava dando certo. Fazia sua ronda matinal pelos arredores da casa de Nael. Embora os esforcos de se afastar, nao confiaria em mais ninguém para cuidar da seguranca, independente de quem fosse. Nao poderia vacilar de novo. Sua cabeca estava cheia a semana toda, esd sabia culpar as bruxas desgracadas, as culpadas por ele nao conseguir dormir a noite. Haviam sido essas malditas que libertaram os vampiros e...alguma coisa a mais que ele nao sabia ao certo oque. Elas abriram uma gruta ao norte lacrada com um feitico ancestral e agora os lobos tinham que Il O < Capitulo 9 5/13 lidar com a ira, nao so de bruxas vingativas, mas de vampiros ancestrais que haviam ficado presos por mais de décadas. Sua alcateia sabia se cuidar, sua preocupacao era outra, e se chegasse a acontecer uma guerra nao poderia pedir alianca como cla vizinho, nado estavam nada bem em questao de alianga ea morte de um dos lobos deles ha uns dias atras com certeza nao havia tornado as coisas melhores. Seres sobrenaturais sao tao dificeis de lidar, alem de perderem tempo odiando uns aos outros e tentando se destruir, nem mesmo os da mesma espécie se tratavam como iguais. Louis foi tirado de seus pensamentos ao ouvir um barulho alto acompanhando de um cheiro estranho de dentro da casa, correu para a entrada sem nem pensar até que viu que a porta estava aberta, parecendo ter sido arrombada. Correu para dentro 0 mais rapido que pode sem nem se importar, mas la dentro nao tinha ninguem. Estava vazio. As coisas da casa estavam claramente Il O < Capitulo 9 73 Aluzvinda da janela me ofuscava os olhos e eu sentia cada membro do meu corpo extremamente dolorido. Eu me sento na cama tentando me acostumar com a claridade, ea primeira coisa que percebo Essas nao sao minhas roupas. Eu tenho certeza absoluta que ndo tenho nenhuma camisa masculina inclusa no meu guarda roupa. Ai meu deus, 0 que aconteceu ontem? Eu olho em volta. Esse nao €0 meu quarto! Tento ficar calma e controlar a minha respiragao. Nesse momento mil Hipoteses e teorias se formavam na minha mente, as minhas favoritas eram as de Possessao demoniaca, que pode fazer outra coisa tomar meu corpo € sair passeando por ai com ele por semanas (talvez meses) enquanto pra mim pareceu ser so por uma noite. Il O < Capitulo 9 8/13 Abduc4o alienigena, mas nao tinha muita ideia do que tinha haver com minha atual situa¢ao, apenas parecia ser algo legal Eu acidentalmente ter causado algum colapso nos universos me fazendo trocar de lugar com alguma versao minha de outra galaxia. Viagem no tempo. Todas elas eram apenas uma tentativa nem um pouco logica do meu cérebro me explicar de uma forma nem um pouco légica essa situacdo que nao é nem um pouco légica. Pelo menos meus pensamentos acelerados acabam me ajudando a me manter calma, pois se tinha uma coisa que eu estava era apavorada, e fico mais assustada ainda quando ouco vozes vindas de um andar embaixo. Caminho sobre as pontas dos pés até a fresta da porta pra dar de cara com uma escada, nao dava pra ver o andar de baixo mas era claraa discussdo das duas vozes. -Eo que vai fazer com ela? -Dizia uma voz que parecia estar recuando em relacao a voz que veio aseguir. Il O < Capitulo 9 6/13 reviradas, fora o forte odor de sangue e carne podre classica de vampiros. Louis revirou por toda a casa, mas nem sinal de Nael ou de vampiros, apesar de o rastro nao deixar duvidas que estiveram ali. Saiu da casa correndo 0 mais rapido que conseguia pela floresta seguindo o doce cheiro que o atraia. Pelo bem de todos era bom que nada tivesse acontecido a ela. Depois de correr um pouco, no meio entre as arvores avistou um corpo caido e desmaiado. Foi até ela e mais uma vez com o remorso pesando no cora¢ao, pegou ela nos bracos, Ela estava muito quente, o que so fazia aumentar sua preocupacao, e entao a levou floresta adentro em diregao a sua cabana na floresta. Depois de mais uma longa noite repleta de mais uma vez sonhos estranhos e pesadelos bem temperados, eu acordo em um lugar completamente estranho -Ja que toda desgraca pra servical € pouco. como diria a frase popular- Il O < Capitulo 9 913 -Eu no sei, nao sei o que foi aquilo ontema noite... Mas nado posso deixa-la sozinha... De uma forma ou de outra. -Mas escute s6, vocé nao esta pensando direito, a situacao ja é complicada o suficiente... -Esta me contrariando? Jura? -Senti um tom forte de sarcasmo. - N4o...eu nado quis dizer -Escute aqui, vocé nado sabe o que eu tenho passado nas ultimas semanas entao nao me venha com essa historinha de que "a situacao ja é complicada o suficiente". Vocé viu como estava a casa dela e agora isso??- Soava estranho ouvir essa voz, sentia que ja tinha escutado ela antes. Era assustadora, mas ao mesmo tempo me trazia um certo conforto-De uma forma ou de outra vocé nao esta aqui para fazer objecoes, esta aqui pra me conseguir respostas!-Me assusto como barulho de uma forte pancada em algo de madeira-Maldicao! -Eu posso tentar falar com as bruxas para o senhor, mas nao sei se elas vao querer colaborar...Ja estamos sobrecarregados e ainda Il O < Capitulo 9 10/13 tem mais isso? -Nao quero saber! Apenas de um jeito e me consiga respostas! -A voz parecia muito impaciente. ouco passos e a voz foi se afastando conforme falava, e 0 eco tinha aumentado, como se estivesse falando de algum outro comodo Decido nao mais ficar ouvindo, eu estava assustada demais para apenas ficar ouvindo conversa da soleira da porta. Olho em volta e vejo um vaso de vidro em um pequeno criado mudo ao lado da cama. Com certeza vai me servir melhor que os travesseiros. Armada daquele vaso eu desco as escadas na ponta dos pés, tentando nao fazer ruidos ,o que era bem dificil em uma escada de madeira antiga, e pra piorar a situagdo, meus membros tremiam, nao sei se de frio ou de medo. Continuo andando até o pé da escada e assim que chego no fim vejo um homem parado ao lado da escada me olhando espantado. Eu apontei o vaso pra ele tentando tirar toda a bravura que guardava dentro de algum lugar Il O < Capitulo 9 113 secreto dentro de mim, o problema era que o lugar era tao secreto que nem eu sabia ao certo onde ficava. -Q-quem é vocé?- Eu pergunto tentando nao soar apavorada. Ele nao disse nada, continuou me olhando com os olhos arregalados, como se fosse perder a lingua se falasse alguma coisa. -@ surdo?? Eu perguntei quem é vocé -Isso eu aprendi em filmes, o deboche e 0 sarcasmo faz parecer que vocé sabe o que esta fazendo, porém minhas maos em que eu segurava 0 vaso tremiam. -calma, fique calma... Largue esse vaso antes que sobre pra mim.- ele finalmente disse alguma coisa, e logo depois deu uns passos em minha direcdo. Instintivamente fui recuando para tras. -por que me trouxe pra...- nado consegui terminar a frase, pois meus pés bateram em algo no chao enquanto recuava me fazendo perder o equilibrio. Otima demonstracao de coragem... Eu ia cair Il O < Capitulo 9 13/13 se nao fosse impedida pelo 0 que parecia um muro ambulante, que me segurou antes que eu pudesse cair. -Nao foi ele que te trouxe. - Ouco aquela voz novamente, a que me parecia tao familiar eme causava tantos arrepios com tao poucas palavras, e agora com o rosto a centimetros do meu-fui eu. Me vi de cara com olhos que eu reconheceria em qualquer lugar. Il O < Capitulo 10 27 Co —_——® ~ Se o dono desses olhos que agora me encaravam profundamente sequer soubesse o quanto ele tem me assombrado, 0 quanto tem sido parte da minha rotina, dos meus pensamentos mais confusos e duvidosos, 0 quanto tem habito meus sonhos de uma forma que eu nao conseguia se quer explicar. Assombrando meus sonhos e meus pesadelos, se infiltrando na minha mentee se alojando la de uma forma que nao importa o que eu fizesse nada os tiraria de la. Depois do que pareceu uma eternidade congelada, sem outra reacao a nao ser nds dois estamos presos naquela bolha temporal que parecia ter sido criada no momento em que nos esbarramos, ele fala algo, me despertando parcialmente para a realidade em que me encontrava. -Eu te trouxe para ca, vocé estava desmaiada em uma floresta no meio da noite ardendo em febre- Depois de ele dizer isso, senti-me Il O < Capitulo 10 27 novamente mais proxima da realidade, puxada pela corda invisivel do meu problema de sonambulismo e estar na casa de um estranho. Ele olhou para o homem que estava atras de mim e fez um sinal com a cabeca, como se pra ele sair, e foi exatamente o que ele fez. -Eu...-Eu nao tinha o que falar, nem sequer tinha certeza se ainda possuia essa habilidade, era uma situagdo absurda e eu ainda nado conseguia parar de olhar para aqueles olhos. -Vocé poderia ter morrido, se eu nao tivesse te encontrado- Percebo que ele ja tinha me largado depois de me "salvar" daquela possivel queda, e eu sentia meu corpo se encolher com meu fragil vaso em m4os, um vaso que quase ja nao conseguia mais sustentar de tanto que as minhas maos estavam trémulas. Eu olhava pra cima, ja que ele era bem mais alto que eu. Sua voz era poderosa e rouca, que colocaria medo em qualquer um, e quando ele deu um passo em minha direcdo,nao consegui evitar de recuar para tras. Assim que fiz isso ele, que parecia atento aos Il O < Capitulo 10 aT meus movimentos, virou a cabega para o lado, como um cachorrinho curioso. -O que foi? Esta com medo? -Pensei que “medo” nao era bem a palavra que eu usaria pra definir minha situacdo atual, apesar de estar confusa e assustada demais para definir minha verdadeira situacdo atual, e ainda me mantinha ocupada, presa a aqueles olhos. -E-Eu...- Merda, isso era hora pra esquecer como se fala? Ele continuava chegando para frente e eu recuava vagarosamente, como que repelida por todo ar de perigo que esse homem emanava. Isso ndo estava sendo nada parecido com nosso encontro na floresta... Analisando bem, naquela ocasido eu estava praticamente delirando e prestes a ficar inconsciente, logo depois de cair de uma arvore, nao conseguia se quer processar o suficiente para uma conversa e sé conseguia perceber o quanto encantador ele era, mas nada além. Agora, aqui em uma sala, vestindo o que deveria ser a camisa dele depois de ser salva - Il O < Capitulo 10 4/7 mais uma vez- de um desmaio na floresta ea parte mais dificil de lidar: Consciente. Eu reparava em tudo que nao havia reparado antes, inclusive nesse arrepio que sua presenca me transmitia. Eu ainda estava chegando para tras conforme ele se aproximava até que sinto a parede nas minhas costas. Porcaria de parede. Agora que eu nao tinha para onde correr, ele vinha se aproximando mais, e antes que eu tivesse tempo de pensar em alguma saida eu estava encurralada. Seu rosto veio chegando para mais perto do meu, por um segundo parecia que ele iriame beijar, até que mudou o curso pro meu ouvido. -N4o vai me dizer que esta com medo de mim?! Senti um arrepio percorrer todos os pelos da minha nuca assim que ele sussurrou com sua voz rouca. Ele se afastou do meu ouvido como que Il O < Capitulo 10 5/7 para analisar minha expressao, e entao trouxea mao em direcao ao meu rosto e mexeu em uma pequena mecha dos meus cabelos que caia pela minha bochecha. Seu toque era lento, como se ele estivesse aproveitando cada segundo daquele momento, e eu sentia correntes elétricas sob a minha pele por onde sua mao encostava. -N-N...-A cada tentativa eu tinha mais certeza que eu realmente tinha perdido minhas habilidades de fala. Ele aproximou novamente seu rosto do meu, tao perto que conseguia sentir o seu halito, novamente parecia que ele ia me beijar, mas ele volta novamente para o meu ouvindo e vai descendo até a curva do meu pescoco, me envolve com seus bracos enquanto aspira fundo, como se estivesse sentindo meu cheiro. Seu abraco era tao bom, e me pegou de surpresa, mas nada me deixou mais surpresa do que quando ele me soltou do seu abrago e me levantou em seus bragos. -Vocé nao deveria ter saido do quarto, precisa Il O <

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