0 notas0% acharam este documento útil (0 voto) 6K visualizações475 páginasO Alfa e Eu - COMPLETO App Dreame
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UP os
UEC Ta ae slag CUES) ea aD Ra
written. by:
Doniele MarchioraCapitulo 1 1/13
Capitulo 1
Meu nome é Nael Williams e hoje é
meu segundo dia de férias de verao. Foi
muito dificil, mas eu consegui
convencer minha mae a passar minhas
férias na casa da minha tia.
Ela mora em uma pequena cidade
no Oregon, uma daquelas cidades que
parece ser o fim do mundo, onde tudo é
mais floresta e parece ser o lugar mais
provavel de acontecer um apocalipse.
Mas fazer o que, até que seria legal
uma infestagao de zumbis para tornar
um fim de semana mais animado.Capitulo 1 2/13
A melhor parte disso tudo é que
minha tia quase nao para em casa por
conta de seu trabalho.
Minha tia é comissaria de bordo de
uma empresa aérea, ela sempre gostou
de voar e da sua liberdade, era vista
como a “ovelha negra” da familia e isso
sempre me fez ter um carinho especial
por ela, e ela por mim. Ela costumava
me trazer lembrancinhas das varias
partes do mundo que ela ia. Gragas as
suas viagens, isso faz a casa ser sO
minha por pelo menos 90% do verao, e
outra coisa melhor ainda:
Esta a quildmetros de distancia do
meu padrasto.
Ta certo que todas as familias saoCapitulo 1 3/13
complicadas, mas acho que a minha
nao perde de zero. SO pra comegar,
meu pai fugiu antes de eu sequer vir ao
mundo, mas convivo bem com isso,
nao choro nem nada. Essa parte eu
superei numa boa.
Anos depois minha mae se casou
de novo, mas nao acho que esse
casamento tenha sido um bom
negocio.
O cara é um gorila que pensa que é
o grande chefao da casa, ja chegou a
bater em mim quando nao estava
satisfeito com algo, e ele geralmente
esta insatisfeito com algo.
Quanto ao meu relacionamento
com minha mae nao chega a ser umCapitulo 1 4/13
dos melhores, quer dizer... Nao é como
se ela me odiasse, ela so se faz de
cega, prefere acreditar na sua ideia de
vida perfeita que ela acabou criando no
subconsciente dela. Esta gravida do
meu meio irmao ja fazem 7 meses,
mais um motivo que facilitou minha
vinda pra ca da parte dela, assim nao
tinha mais motivos para se preocupar.
Ela nunca acreditou nas coisas que
contei pra ela sobre o Kolen, talvez um
dia a ficha caia pra ela, mas nao tenho
muita esperanga.
Mas isso nao importa agora, pois
estou muito longe de todo aquele caos.
Estou exatamente onde queria estar,
onde me sinto bem.Capitulo 1 5/13
Tenho por um verao inteiro paz,
longe dessas pessoas todas e livre pra
fazer o que eu quiser, livre para
explorar, e nao ficar me perguntando se
tal coisa ira irritar o Kolen ou aborrecer
minha mae. Pelo contrario, nao preciso
pensar neles, nao preciso citar o nome
deles nem nada, tenho paz. E a primeira
coisa que eu quero fazer com minha
paz é levar ela para o centro da cidade
e tomar o maior copo de milkshake que
tiver por la, porque nao tem nada
melhor no mundo que milkshake.
Acredito que se futuramente tiver
alguma guerra, seja por qual motivo for,
Milkshake trara a paz.
Eu entao, me visto para sairCapitulo 1 6/13
Eu até seria capaz de sair por ai de
pantufa e pijama, mas recentemente
adotei um lema que nao permite mais
isso.
"Se nao for pra causar, nem saio de
casa” diziam os sabios do passado, e
eu sigo vossos ensinamentos.
O céu pela janela estava nublado e
frio, e parecia que até de noite iria
esfriar muito mais, porém estava
preparada com meu "Outfit".
Logo depois de me vestir, fiz uma
maquiagem,utilizando um dom que
recebi dos deuses: 0 incrivel poder de
fazer um delineado perfeito, e foi isso
que eu fiz. Logo depois sai para minha
jornada.Capitulo 1 7/13
A casa da minha tia ficava a quase
1 Quilometro de qualquer casa, e a
20/30 minutos da area comercial da
cidade, MEIO DO NADA em todos os
sentidos da frase. As vantagens: nada
de vizinhos chatos. Desvantagem: a
dificil jornada que tinha que ser feita
por um MilkShake, mas valia a pena.
Fora que nao tinha mais nada de
interessante pra ser feito hoje.
Eu seguia pelo canto da estrada de
mao dupla que cruzava a floresta, dos
dois lados havia uma tenebrosa
floresta digna de um filme de terror,
poderia contar os segundos para pular
algum assassino em série usandoCapitulo 1 8/13
alguma mascara esportiva do meio das
arvores pronto para cortar minhas
tripas fora.
Acho melhor eu passar essas
férias bem longe de qualquer filme de
terror.
Um tempo depois eu cheguei no
centro da cidade, que tinha as areas
comerciais incluindo a sorveteria, meu
grande objetivo.
Mas so faltava eu desmaiar de
emogao quando eu li escrito em um
grande cartaz: "100 sabores diferentes
de "Milkshake"
So podia ser 0 céu... Queria morar
nesse lugar pelo resto da minha vida.Capitulo 1 9/13
Em nome de toda a minha honra,
eu nao saio dessa cidade até ter
provado todos os 100 sabores sem
nenhuma excegao, e a primeira coisa
que farei quando chegar em casa é
adicionar isso a minha lista de vida
(que é na verdade um caderno cheio de
listas aleatorias que invento para
varios motivos, pois listas sao coisas
fantasticas e viciantes...)
Pedi hoje o que era de Kinder ovo -
sim, existe- pra comegar com chave de
ouro, e fui tomando no caminho de
volta pra casa, pois ja estava
escurecendo e nao parava de pensar
na ideia do assassino em série.
No primeiro gole do milkshake,Capitulo 1 10/13
descobri 0 que estava faltando na
minha vida, e me perguntei como havia
sobrevivido todo esse tempo sem
aquela substancia dos deuses.
Dava pra ver por entre as arvores
que o sol comegava a se por, era uma
visao muito bonita, o céu azul cedendo
espaco ao laranja, mais abaixo ja
comegando a surgir 0 n***o da noite,
algo explendoroso.
A estrada estava deserta como de
costume, e foi entao que eu comecei a
sentir a sensagao de estar sendo
seguida, o que me fez sentir dentro de
uma série de televisao, mas tentei
ignorar pois ja estou acostumada a
lidar com minhas prdprias paranoias,Capitulo 1 11/13
entao desviei os olhos da floresta e fo
quei na estrada.
Deitar em uma estrada daquelas
estava na minha "lista de coisas para
fazer antes do fim do mundo”, (sim, eu
tenho uma lista disso.) Nunca se sabe
O que pode ocorrer, mas nao importa
agora, estava cansada e com preguica
demais para fazer qualquer outra coisa
que nao fosse ir direto pra casa.
Quando cheguei em casa ja tinha
escurecido, entao aproveitei para fazer
uma maratona de filmes. Fiz pipoca e
fiz exatamente o que disse que nao ia
fazer essa manha, assistir filmes de
terror. Fazer o que, eu sou rebelde e
gosto de viver perigosamente...Capitulo 1 12/13
Quando acabo mais um filme, olho
no reldgio e ja sao quase 3:00 da
manha, acabo de me recuperar de uns
30 ataques cardiacos que tive gragas
ao filme e agradecia mentalmente por
NAO TER VIZINHOS.
pois com certeza teria acordado
eles com meus gritos, como nao tenho
no maximo chamei atengao de um
serial Killers pra me matar e me
esquartejar.
Legal. Contanto que ele nao use
uma mascara.
Fui pro meu quarto dormir até o
meio dia, a janela de la tem uma visao
perfeita para a floresta dos fundos da
casa, 0 que nao seria um problema seCapitulo 1 13/13
nao fosse a maldita névoa que alastra
por tudo, o que também nao seria
problema... Se eu nao jurasse ter visto
um vulto preto por entre as arvores...
Pode ter vindo da minha
imaginagao? Pode. Mas é isso que as
pessoas em filmes de terror pensam
antes de terem seus Orgaos
arrancados.
Obviamente fiz o que uma pessoa
normal faria no meu lugar; tranquei a
jJanela com 0 cadeado que achei na
cozinha, escondi um taco de beisebol
embaixo do travesseiro e dormi
apavorada dentro do meu casulinho de
cobertas.Capitulo 2 1/16
Capitulo 2
Naquela noite tive sonhos
estranhos, um particular assombrou
meus pensamentos mesmo depois de
acordar.
Tenho quase certeza que estava
no acampamento do Crystal Lake, lar
do famoso serial killer que faz parte da
classica colegao de filmes de terror e
também dos sonhos de algumas
medrosas criaturas como eu.
Sonhei que tinha alguma coisa me
perseguindo, nao sei 0 que era, nao
consegui me lembrar de nada depoisCapitulo 2 2/16
que acordei. Apenas me lembro de
sentir medo, um medo apavorante que
subia pela minha espinha e quase fazia
meus musculos travarem enquanto
tentava fugir, mas entao...surgiu uma
sombra.
A sombra se movimentava de um
pedaco escuro dentro daquele cenario
e aos poucos chegava a uma parte
mais clara, revelando entao uma figura
familiar.
Era um lobo, maior que um lobo
normal, tinha pelos negros como a
noite e possuia um olhar apavorante e
intimidador, seus olhos eram de um
vermelho sangue vivido, que parecia
brilhar em contraste com o n+***o deCapitulo 2 3/16
seu pelo.
Eu sabia que nao era dele que eu
estava fugindo, e quando ele surgiu de
repente, do meio das arvores, nao senti
mais medo. Foi estranho.
E tudo que me lembro antes de
acordar
Filmes de terror nao fazem bem
pra mim, isso é um fato... Nem ir dormir
as 3 da manha...
Fui tomar um banho de quase
arrancar a pele, um vicio meu, mas vale
a pena a cada segundo, e durante o
banho, minha mente se dividia entre
devaneios sobre o sonho que havia
tido, tentando teimosamente lembrar
de outras partes que haviam sidoCapitulo 2 4/16
apagadas depois de meu cérebro ter
despertado, e também sobre a idéia de
que o fato de estar no meio do nada
talvez me matasse de tédio antes que
eu sequer tenha a chance de
aproveitar.
Ri para minha mente inocente.
Como se eu nao tivesse a
capacidade de lidar e derrotar 0 tédio
de uma forma ou de outra, nem que
tivesse que ir la fora contar todas as
arvores em um raio de 300 metros.
Como acordei no horario de
almoco nao tomei café da manha,
dependendo do ponto de vista, nem
almocei (depende do que pode ser
considerado um “almogo")Capitulo 2 5/16
Decidi inventar uma receita nova
de panqueca sem olhar na internet, foi
uma boa experiéncia e nao ficou tao
bom quanto deveria, e sujei a cozinha
toda. Mas foi um bom "almogo".
Parando e analisando tudo ao meu
redor coberto de farinha de uma forma
que parecia que tinha nevado, decidi
dar um jeito na casa. Era uma casa
grandinha e bem antiga, e como minha
tia nunca estava, a poeira se
acumulava nos moveis de madeira,
entao depois de resolver minha
prioridade que era a cozinha, fui dar um
jeito na sala . Tirei todo 0 po dos
moveis e percebi como aquela casa era
sem grac¢a,Capitulo 2 5/16
Decidi inventar uma receita nova
de panqueca sem olhar na internet, foi
uma boa experiéncia e nao ficou tao
bom quanto deveria, e sujei a cozinha
toda. Mas foi um bom "almogo".
Parando e analisando tudo ao meu
redor coberto de farinha de uma forma
que parecia que tinha nevado, decidi
dar um jeito na casa. Era uma casa
grandinha e bem antiga, e como minha
tia nunca estava, a poeira se
acumulava nos moveis de madeira,
entao depois de resolver minha
prioridade que era a cozinha, fui dar um
jeito na sala . Tirei todo 0 po dos
moveis e percebi como aquela casa era
sem graca.Capitulo 2 6/16
A mobilia era de madeira, e as
paredes variam o tom entre laranjae
bege -pelo menos na sala e nos
corredores-
Pra ficar uma casa completa so
faltava fotos horripilantes nas paredes
de gatos, palhagos ou criangas
chorando.
Fui correndo pra cozinha e peguei
la uma pequena cesta que ficava no
balcao que era usada para guardar
frutas... Bom, vou precisar de mais do
que frutas decorativas agora.
Fui la pra cima trocar minhas
pantufas de unicornio e meu pijaminha
maravilhoso pér uma roupa de verdade.
Enquanto trocava de roupa, algumCapitulo 2 7/16
vento repentino deve ter soprado sobre
a porta. Me assustei com o barulho
dela se fechando contra a parede, e de
consequéncia, meu velho casaco
vermelho vivo que estava pendurado
em um cabideiro atras da porta acabou
caindo no chao. Olhei intrigada para o
casaco no chao, como se 0 universo
quisesse que eu 0 colocasse, de uma
forma até irdnica.
Universo, vocé acha que eu te
escuto?
Joguei 0 casaco em cima da cama,
vesti 0 meu casaco amarelo, e sai em
diregao a floresta.Capitulo 2 8/16
as arvores, com o canto dos passaros,
o farfalhar do vento...
O ambiente em si era algo
anestésico.
Minha mae ainda nao tinha me
telefonado uma vez sequer, nem pra
perguntar se eu estava bem, ou algo do
tipo. Mas eu ja esperava por isso.
Tentei parar de pensar nisso, mas
o problema é que, ou eu ocupava minha
mente totalmente com isso ou ocupava
com os malditos filmes de terror que
assisti ontem, e se nao fosse com isso
seria com a sensagao terrivel que meu
pesadelo de perseguigao me havia
deixado.
Com certeza eu estava sem muitasCapitulo 2 9/16
op¢oes, entao optei por cantarolar.
Os barulhos de floresta ressoavam
ao meu redor, o vento assobiava entre
as folhas das arvores e trazia um
arrepio nos pelos dos meus bracos.
Eu caminhei um pouco seguindo
uma pequena trilha na floresta, sabia
pra que lado ficava a casa e nao tinha
como me perder.
Depois de caminhar um pouco,
chego a uma parte da floresta onde as
arvores se dao mais espagamento uma
das outras, e suas raizes eram
carregadas de pequenas e delicadas
flores silvestres. A luz do sol se
espreitava por entre o espaco dosCapitulo 2 10/16
galhos e descia como um véu de luz.
Era como uma pintura divina registrada
naquela pequena parte da floresta,
longe de muitos olhos humanos em um
museu so dela, e destinada a se acabar
com uma simples mudanga de
estagoes.
Minha mente me gritava pela ideia
que acabara de ter. Deitei entre as
flores do chao e fiquei um tempo Ia,
sentindo o perfume delas. O matinho
esperava pelo tecido do meu casaco e
me causava algumas cocegas, mas
valia a pena. Valeu muito a pena, Eu
nao dava a minima se estava me
sujando ou para os mosquitinhos
chatos sobrevoando minha cara, euCapitulo 2 11/16
sempre quis fazer isso.
Eu amo as flores, sempre amei. Eo
melhor nelas é que cada uma é Unica e
especial, como se contassem sua
propria historia. Elas tem significados
diferentes, cada um especialmente feito
pra elas; tem cheiros e aparéncias
diferentes e o melhor de tudo é que,
seja qual for, a beleza da flor ao lado
nunca apaga a dela propria.
O manual das flores havia sido um
dos primeiros livros que li assim que
aprendi a ler. alguns significados eu
ainda lembrava
Fiquei mais um tempo ali, e estava
distraida com um bem-me-quer mal-
me-quer com uma margarida doCapitulo 2 12/16
campo quando sinto uma sensagao
estranha.
Me sento onde estava deitada de
forma assustada e olho em volta, mas
nao vejo nada além do comum de
primeira olhada,
mas entao ouco atras de mim um
barulho de galhos se quebrando, olho
assustada e entao vejo por entre as
arvores um assustador par de olhos
vermelhos a me observar.
Droga. Por que eu nao sonhei com
os numeros da loteria?
Apertando mais a vista para me
adaptar a sombra daquelas arvores,
percebo que era um ENORME lobo
n***o. Assim, sabe um lobo normal?Capitulo 2 13/16
Eles ja sao GRANDES, mas aquilo nao
estava nem perto de ser um lobo
normal.
Senti também um cheiro estranho
e exotico, amadeirado que me lembrava
um dia de sol. Nao me lembro de lobos
cheirarem tao bem, mas da mesma
forma acho que nunca fiquei tao perto
de um.
Tudo que eu sei é que estou
prestes a ser devorada por um.
Além dos olhos e do tamanho,
dava pra ver que ele tinha dentes muito
afiados, que poderiam arrancar um
membro em uma mordida. Com certeza
um conjunto assustador, mas os
olhos...tinha alguma coisa diferenteCapitulo 2 14/16
neles, e senti a mesma coisa que senti
no meu sonho.
Eu nao estava com medo.
Deveria estar, mas nao estava.
E enquanto me perdia naqueles
olhos, poderia jurar que ouvi uma voz
na minha cabega dizer em um uma voz
forte:
"Minha"
Eu fiquei um tempo ali parada,
hipnotizada com aquela sensagao que
tomou conta de mim, sem lembrar
como é ter alguma reagao.
Mas entao voltei a mim, e o lado
racional da minha mente, 0 responsavel
pela minha sobrevivéncia que nao estaCapitulo 2 15/16
nem aij pro que o resto do meu corpo
quer fazer ou pensa a respeito disso
resolveu tomar conta, e me fez revisar
minhas opgoes, que eram:
A) Correr- com toda certeza nao
iria dar muito certo, duvido que consiga
escapar de uma coisa dessas, ia no
minimo durar uns 2 segundos na
corrida.
B) Me fingir de morta- eu liem
algum lugar que se vocé encontrasse
um urso, o melhor a se fazer era se
jogar no chao e fingir de morto, pois
assim ele poderia enjoar de te usar
como brinquedinho de morder e ir
embora, mas como isso nao é um urso
melhor considerarmos outras opc¢des.Capitulo 2 16/16
SO que eu nao tinha mais ideia do
que fazer ou de o que poderia ser uma
opgao, poderia chamar pra jogar
cartas mas deixei meu baralho em
Casa.
Que pena.Capitulo 3 1/13
Capitulo 3
Eu ainda estava parada no mesmo
lugar quando ele comecou a se
aproximar em passos lentos, e as duas
partes de mim comegaram a guerrear
internamente. Uma que se voltava para
minha sobrevivéncia e outra que sabia
que ele nao iria me machucar.
Ele estava muito perto agora, e foi
o meu lado mais dominante -o que
sabia que ele nao me faria mal- que me
fez estender a mao sobre sua nuca.
Enquanto isso, 0 lado que havia
sobrado me fazia me imaginarCapitulo 3 2/13
chegando no céu junto com todo
mundo e conversando com os outros
fantasmas:
"Nossa, como foi que vocé
morreu?
-Eu morri afogado durante um
tsunamil!!
-Morri na guerra com 5 tiros em
diregao ao peito.
-Morri em um incéndio, salvando
criancinhas.”
O que eu iria dizer?
"-Morri tentando acariciar um lobo
que media 3 vezes mais que um lobo
normal!"
Tudo se voltava no fim de tudoCapitulo 3 3/13
para a mesma pergunta:
O que eu estava fazendo da minha
vida naquele momento?
Mas, pra variar entre todas as
minhas escolhas que eu poderia ter
tomado naquela situagao, aquela
estava dando bem mais certo do que
eu esperava.
Ele havia fechado seus olhos e
inclinava acabega em diregao a minha
mao.
Com um pouco mais de confianga
depois de um certo tempo, levantei de
onde estava sentada.
-Oi pra vocé também, e obrigada
por nao me devorar. - Ele bufou.Capitulo 3 4/13
Estranho, mas a situagao toda era
um mar de bizarrice, entao parei de me
torturar com perguntas.
Dou uma leve risada.
-Eu estava esperando encontrar
alguma coisa mais sutil nessa floresta,
como um gnomo, uma arvore magica
talvez... Ou até mesmo o Jason, mas
isso é novidade pra mim.
Ta bom, acho que ha uma
pergunta com a qual eu deveria me
torturar.
Por que eu estava falando com um
lobo?
Olhei para copa das arvores, os
espacos onde saem os raios de soleCapitulo 3 5/13
percebi que ele tinha abaixado muito, e
agora sua luz era de um laranja poente,
dando a floresta um ar magico.
Porém nao por muito tempo, tenho
certeza que nao seria uma boa ideia
ficar por aqui a noite, tinha me distraido
com as flores e minha..."recente
companhia” que acabei perdendo
completamente a nogao do tempo, mas
como ainda restava uma parte da
minha nogao de perigo, recolhi minha
cesta que estava agora repleta de
flores silvestres.
-Olha, foi muito bom te conhecer,
mas eu tenho que ir agora. Se nos
encontramos de dia nao quero nem
imaginar o'que eu poderia encontrar deCapitulo 3 6/13
noite, entao, até qualquer hora...talvez.
Eu precisei de um momento pra me
localizar na trilha de novo, o lobo ainda
nao tirava os olhos de mim.
Depois que achei a trilha de novo,
segui ela para casa, acompanhada de
um guarda costas intimidante que me
seguiu o caminho todo.
Parece que tinha feito um novo
amigo.
Chegando na beirada da floresta,
bem no final da trilha, vejo logo a frente
minha casa. Olho para tras, onde
estava meu acompanhante e digo:
-Bom, obrigada por me fazerCapitulo 3 7/13
companhia o resto do caminho, vocé
parece muito legal, principalmente por
nao ter tentado me devorar. Adoraria te
convidar para entrar e tomar uma
xicara de café, mas nao acho que vocé
va gostar- Rio comigo mesma pela
minha ideia.
O que eu nao poderia sequer
imaginar, naquele momento, seria a
série extra de sonhos que teria por
mais aquela noite.
Eu estava com os bracgos
enrolados no pescogo do lobo. S6 uma
louca mesmo pra fazer isso, mas
novamente tinha aquela sensagao de
seguranga, de novo aquele cheiro
maravilhoso e os olhos hipnoticos, eraCapitulo 3 8/13
tudo tao bizarro...
Mas nunca tinha me sentido tao
bem.
Isso foi so de noite, antes disso,
quando me despedi do meu novo
amigo, dei uma leve olhada em diregao
a floresta quando cheguei a porta, e ele
ainda estava la, como que esperando
eu entrar. Sumiu assim que tranquei a
porta.
Espalhei tantas flores por todos os
cantos da casa, até os inabitaveis.
Ficou tudo cheirando a uma caminhada
em uma floralia.
Exatamente do jeito que eu queria.
Encontrei no fundo da minha cestaCapitulo 3 9/13
uma pequena margarida com o caule
quebrado, faltavam algumas pétalas,
pois era amesma que eu estava
fazendo "bem-me-quer” "mal-me-que"
quando o lobo chegou.
Peguei ela com cuidado para que
nao caisse mais nenhuma pétala e me
dispus a terminar meu trabalho com
aquela margarida.
Parando na Ultima pétala, que
terminava em um singelo "bem-me-
quer” fico feliz com o resultado, apesar
de saber que nao faz diferenga
nenhuma.
Passei o dia seguinte largada no
sofa da sala, procrastinando por um
tempo, testando umas novas receitas eCapitulo 3 10/13
tentando nao incendiar a cozinha com
elas, mas quando chegou a noite, ja
estava querendo fazer alguma coisa
diferente que nao fosse ficar trancada
em casa. Entao as 10 da manha do dia
seguinte la estava eu, acordada,
arrumada e pronta pra sair.
Eu me olhava no espelho
avaliando.
Eu havia posto minhas botas azuis
favoritas e prendido meu cabelo caia
em uma tranga lateral da cor de
caramelo.
Eu sempre gostei da cor do meu
cabelo, nunca quis sair tacando
descolorante por todo ele, com excegao
de uma pequena mecha azul que seCapitulo 3 11/13
mantinha escondida bem na parte de
traz, que so era visivel quando eu o
prendia em algum coque ou penteado
alto, o resto dele era o meio perfeito
entre o castanho e o loiro, pendendo
um pouco mais pro loiro mas ainda
assim como uma cor so minha.
Eu estava usando o mesmo
casaco amarelo do outro dia. Analiso
minha imagem refletida.
Pondero.
Tiro 0 casaco e o coloco em cima
da cama e em seguida, caminho em
diregao ao cabideiro atras da porta e
pego o casaco vermelho, volto para
frente do espelho e 0 visto.
Respiro profundamente e saio.Capitulo 3 12/13
Nada a dizer.
Sabia exatamente o que iria fazer
hoje.
Sabe a minha lista de "coisas que
preciso fazer antes do fim do mundo"?
Como ja faz um tempo que os jornais
nao anunciam nada apocaliptico, foi
alterada temporariamente para "Coisas
que preciso fazer antes do fim das
férias”
Como eu nao sei quando vou voltar
aqui de novo, né.
Vamos nessa.
Alias, eu estou em uma cidade
aterrorizantemente desconhecida, com
uma enorme floresta desconhecida,Capitulo 3 13/13
com muitas coisas desconhecidas na
mesma porcaria de cidade
desconhecida.
Era enlouquecer ou morrer.Capitulo 4 1/19
Capitulo 4
Eu caminhei pela mesma trilha da
ultima vez, sO que nao fui até a parte
com as flores na floresta, resolvi
experimentar uma outra trilha.
Se eu estava com medo?
Razoavelmente.
Medo de morrer, ser devorada ou
me perder pra sempre, acredito que o
basico em experiéncias como essa,
mas aj estava o que me diferenciava de
outras pessoas nessa situag¢ao, eu
odiava deixar o medo me impedir de
fazer o que eu gostava de fazer,Capitulo 4 2/19
independente do perigo iminente.
A gente ja corre 0 risco de morrer a
cada segundo de nossas vidas, tudo
pode acontecer, entao...né, nao tem
muito o que possa ser feito.
Enquanto seguia as curvas da
pequena trilha quase invisivel no meio
das arvores, oucgo um pio bem baixo,
vindo das raizes de uma grande arvore
a esquerda, ao me aproximar, vejo um
filhotinho de passarinho. Ele era bem
gordinho e tinha algumas peninhas,
parecia um bolinho, e pelo que percebi,
ainda estava em estado de transigao
para a fase adulta, por isso ainda tinha
algumas peninhas e provavelmente
ainda nao deveria saber voar. Ele faziaCapitulo 4 3/19
forga com as asinhas tentando levantar
voo sem muito sucesso.
Era um filhotinho muito fofo.
Olhei para cima e forgando a vista,
consegui ver um pequeno ninho em
galho acima.
Olhei pro passarinho.
Olhei pro galho.
Parecia bem alto para alguém com
nenhuma habilidade atlética como eu.
Olhei pro passarinho de novo. O
desgragado piava da forma mais fofa
do mundo...
Hoje nao, ciclo da vida. Nao
durante meu turno.
Apertei forte a mochila nas minhasCapitulo 4 4/19
costas e me aproximei cautelosamente
do filhote no chao, que curiosamente
nem tentou fugir.
Acho que nunca teve grandes
contatos com humanos, sorte a dele.
Pus ele no bolso do meu casaco e
esfreguei as maos uma na outra.
Primeiro pensamento: Como se
isso fosse me ajudar
Segundo pensamento: Nao sei por
que fiz isso, mas nos filmes parece que
ajuda em alguma coisa
Terceiro pensamento: eu estava
adiando minha escalada, e sabia muito
bem disso.
A noticia boa era que os galhosCapitulo 4 5/19
daquela arvore eram baixos, 0 que
facilitava muito.
A ruim é que eu sou a pior
escaladora da minha turma na escola,
quase nao consigo encarar a parede de
escalada em uma das olimpiadas que a
minha escola havia organizado.
Mas hoje era meu dia.
Fui fazendo pequenos progressos,
me apoiando em cada galho e fazendo
impulso com os pés. Iria ficar dolorida
amanha, mas valeria a pena.
Assim, consegui chegar até o
galho que tinha o ninho, me segurei
nele e consegui me sentar.
Era realmente bem alto, e euCapitulo 4 6/19
estava com alguns arranhoes no final
de tudo, fora 0 incrivel esforgo para nao
olhar pra baixo.
Tirei com cuidado o passarinho e
coloquei de volta no ninho, estava
muito satisfeita comigo mesma, e se
isso nao era um item da minha lista,
agora iria virar.
Tomando coragem, resolvi olhar a
vista. Dava pra ver bastante coisa,
desde a copa de algumas arvores
menores, até o carvalho com suas
raizes lotadas de flores. Aquele céu
deveria ficar magnifico a noite.
Tiro a mochila nas costas e tirei la
de dentro um pequeno caderno, que é
meu xodo. Um pequeno SketchbookCapitulo 4 7/19
que uso pra TUDO. Do fundo do meu
bolso tiro uma pequena pena que tinha
caido do filhotinho, e colo no canto da
pagina com a fita que tinha trago na
mochila.
Tiro de la também as outras coisas
que tinha trago pra isso, como lapis
coloridos. O galho era bem espagoso
mas ainda tinha que tomar muito
cuidado pra nada (principalmente
minha pessoa) cair.
Fago na mesma pagina um
desenho do passarinho, foi meio dificil,
pois ele nao parava quieto. Mas no fim
gostei do resultado.
Eu posso nao ser boa na maioria
das coisas que eu facgo, mas admitoCapitulo 4 8/19
que no desenho, até que nao sou tao
ruim...
Depois, virei a pagina e fiquei
rabiscando o que dava pra ver do céu.
Fazia tempo que nao desenhava.
Fiquei meses sem pintar nada, ja que
acabei recomegando hoje,
provavelmente vou engatar nisso até o
fim do verao. E sempre assim.
Quando olho de novo pro céu, me
amaldicgoo por ser tao avoada e imersa
em pensamentos, ja estava
entardecendo de novo.
Droga. Tenho que ir pra casa.
Guardo tudo as pressas na
mochila e j4 comeco a descer comCapitulo 4 8/19
que no desenho, até que nao sou tao
ruim...
Depois, virei a pagina e fiquei
rabiscando o que dava pra ver do céu.
Fazia tempo que nao desenhava.
Fiquei meses sem pintar nada, ja que
acabei recomegando hoje,
provavelmente vou engatar nisso até o
fim do verao. E sempre assim.
Quando olho de novo pro céu, me
amaldicgoo por ser tao avoada e imersa
em pensamentos, ja estava
entardecendo de novo.
Droga. Tenho que ir pra casa.
Guardo tudo as pressas na
mochila e j4 comeco a descer comCapitulo 4 9/19
cuidado pelos mesmos galhos que usei
de apoio para subir.
Ja estava quase na metade do
caminho quando acabo pisando em
falso em uma pequena fenda entre os
galhos. Entro em desespero no mesmo
segundo que perco 0 equilibrio, estico
os bragos na esperanga de agarrar
qualquer galho que venha ao meu
redor, mas ao invés disso, acabo
passando meu antebrago em uma
parte pontuda de um pequeno galho,
mas nao consegui me segurar em
nada.
Bem, o que dizer sobre isso?
Nao tinha o que pensar, nao tinha
nenhuma outra forma de reagir, nemCapitulo 4 10/19
dava tempo, eu estava esperando
minha cara de encontro ao chao, mas
ao invés disso, ougo uma voz e caio em
algo... Digamos
Macio demais para ser 0 chao.
Ai meus Deus que vergonha...
Eu acho que matei alguém
O que eu fago?
-Ai meu Deus do céu, me desculpa!-
Nao tive nem tempo de avaliar a
minha situagao ou a de quem eu devo
ter matado por cair em cima, pois ougo
uma série de piados em um galho
acima que chama minha atengao.Capitulo 4 11/19
Vinha bem do ninho onde eu tinha
posto o passarinho, ele se debatia
tentando voar de uma forma
desengongada e engragadinha, suas
asas indo com forga pra cima e pra
baixo, conseguiu levantar alguns
centimetros pra frente que foi o
suficiente pra sair de dentro do ninho e
cair no pé da arvore, sendo amortecido
por algumas folhas.
-Nao acredito nisso. - Passarinho
desgragado...
-Er...com licenga- olhei pra baixo
de mim e dei de cara com um garoto.
Ah é, eu cai num estranho...
Tinha até me esquecido.Capitulo 4 12/19
Eu tento me levantar, fago um
esforgo e consigo sair de cima dele,
porém quando estava na metade do
caminho sinto uma dor horrivel no meu
tornozelo e no brago que tentava me
apoiar, cambaleei sem forgas e acabei
caindo de novo.
O estranho que eu tinha derrubado
ja tinha se levantado, estava de costas
pra mim mas se virou na mesma hora
quando eu cai.
Céus.
Eu nao poderia ter encontrado um
lugar melhor pra cair.
Tudo bem que eu me sentia
totalmente quebrada, com dores em
todo lugar, e é provavel que eu tambémCapitulo 4 13/19
teria batido a cabega (explicaria a
tontura que estava sentindo
acompanhada de um leve zumbido que
deixava tudo que estava acontecendo
fora da minha mente bem distante),
mas eu tinha que tirar um tempo pra
admirar a desgraga que acabara de ser
jogada na minha vida.
Era tao...exdtico. Um jeito meio
pirata e completamente encantador
com seus cabelos negros e um rosto
de quem parecia sempre escondendo
um sorriso irdnico (e foi nesse
momento que descobri que tenho uma
queda por piratas de sorrisos ir6nicos).
Como se um conjunto desse ja nao
chamasse atengao de mais, eu estavaCapitulo 4 14/19
totalmente perdida e encantada em
seus olhos. Cada um com uma cor
diferente.
Enquanto um era de um verde vivo
e brilhante, de um tom esmeralda; o
outro era n***0 com uns tons que
pareciam avermelhados...
Eu nao conseguia desviar meus
olhos...
Ou
Se quer
PENSAR.
E eles estavam muito perto agora,
pareciam preocupados, gritavam
alguma coisa mas eu nao conseguia
entender. Me forgo a voltar para aCapitulo 4 15/19
realidade e lembro da forte dor que
sentia principalmente no meu brago e
no meu tornozelo.
Eu gemo de dor e percebo que eu
estava praticamente deitada no chao,
se nao fosse pelo meu tronco
encostado nele, que pelo visto tinha me
salvado de outra queda.
-O que houve?? Vocé esta bem??
Onde doi??
-- Tudo. -- foi tudo que eu
consegui responder.
Eu me sentei com cuidado, mas
ainda gemendo pela dor. Olho pro meu
brago e tinha um pequeno, porém um
pouco fundo corte lotado de farpas e
sujeira que se misturavam com oCapitulo 4 16/19
sangue, minha perna também tinha
alguns arranhoes,meu tornozelo
esquerdo parecia torcido e eu sentia
algo molhado na minha testa, eu
esperava que fosse um terceiro olho
misterioso que tivesse comecado a
chorar, talvez fosse mais divertido de
lidar do que sangue.
-Droga, essa é a Ultima vez que
tentei ajudar a natureza- Falei, quase
perdendo a consciéncia, mesmo
sabendo que era mentira.
Eu estava quase imersa em uma
convidativa escuridao, tentava me
forgar a me manter os olhos abertos,
mas ela me puxava. Eu so queria
dormir e me entregar ao vazio deCapitulo 4 17/19
relaxar e nao pensar em nada, pois
minha cabega doia de mais,
A Unica coisa que me impedia era
a voz insistente e preocupada que
ficava me puxando de volta.
-Tente se manter acordada ...-eu
me senti ser levantada e carregada
pela trilha, mas a essa altura minha
consciéncia ja estava distante demais
para raciocinar direito.
Eu via a copa das arvores acima de
mim e elas se misturavam com o preto
por alguns momentos enquanto eu
fechava os olhos.
Eu apagava e voltava por breves
momentos, so nao dormia totalmente
por causa da voz insistente, que ficavaCapitulo 4 18/19
tentando conversar comigo.
Eu nao entendia a maioria das
coisas que ela tentava dizer, apenas
algumas frases soltas, pois meus
ouvidos ainda zumbiam.
-*murmurios
-Nao deveria...Floresta sozinha...-
e foi seguindo assim, antes que eu
percebesse eu estava na minha casa,
tentei avisar que a porta estava
trancada mas so saiam gemidos.
O que de qualquer forma foi em
vao, pois ele simplesmente empurrou a
porta e ela se abriu.
Droga, eu tinha me esquecido de
trancar.Capitulo 4 19/19
Nao, pera...
Como ele sabe onde eu moro?Capitulo 5 1/15
Capitulo 5
Droga.
Eu nunca senti tanto ddio de um
passarinhos quanto sentia agora.
Tudo bem, no fundo eu sabia que o
bichinho nao teve culpa de nada, que
no fundo a ASNA da historia havia sido
eu.
Mas fazer 0 que acontece... A vida
é isso. A gente escala as arvores, faz
esforgo e depois se esborracha no
chao todo ferrado. Tudo isso pra no fim,
subir em mais arvores, fazer 0 que?
Agora eu estou reclamando masCapitulo 5 2/15
dou duas semanas pra estar fazendo
outra cagada.
Abro os olhos devagar, tentando
me ajustar a claridade, Vejo o teto do
meu quarto.
Aos poucos vou levantando e fico
sentada no que vejo ser a minha cama,
e tudo em mim doi, como se estivesse
acabado de cair de uma arvore. Por que
sera, nado € mesmo?
E como foi que eu havia chegado
em casa mesmo? pergunto
subconscientemente tentando me
lembrar, sabendo que era com isso que
eu tinha que me preocupar, e foi entao
que me veio a mente aqueles olhos, e
lembro que fui trazida para ca porCapitulo 5 3/15
aquele estranho Ia na floresta. Mas
onde ele esta agora?
Olho em volta mais uma vez e nao
vejo ninguém. Decido levantar da cama,
mas assim que encosto meus pés no
chao, sinto a dor me consumir inteira.
Droga, tinha esquecido do meu
tornozelo provavelmente torcido.
Olho pra baixo com medo do
estrago e me surpreendo ao ver, nao so
meu pé, mas meu braco enfaixado,
pareciam estar bem menos piores do
que na floresta e todos os outros
arranhoes tinham sumido.
Estranho. Nao sei se era mais
estranho do que a ideia do estranho na
minha casa ou eu em um caso deCapitulo 5 4/15
sonambulismo ter tratado de meus
ferimentos, mas ainda preciso conferir
uma coisa.
Ligo meu modo saci e me
apoiando nas coisas ao redor da cama,
consigo levantar com meu pé bom. Me
apoio nos moveis e vou com muito
cuidado conferir a casa.
Com meus passos de lesma
cheguei a cozinha, sala, banheiros e até
0 quarto da minha tia. Cheguei até a
olhar o quintal, tanto de tras quanto da
frente, e foi uma tarefa ardua que levou
bastante tempo, mas estranhamente
nao tinha ninguém na casa.
Tudo bem, vamos recapitular
novamente a parte do estranho eCapitulo 5 4/15
sonambulismo ter tratado de meus
ferimentos, mas ainda preciso conferir
uma coisa.
Ligo meu modo saci e me
apoiando nas coisas ao redor da cama,
consigo levantar com meu pé bom. Me
apoio nos moveis e vou com muito
cuidado conferir a casa.
Com meus passos de lesma
cheguei a cozinha, sala, banheiros e até
0 quarto da minha tia. Cheguei até a
olhar o quintal, tanto de tras quanto da
frente, e foi uma tarefa ardua que levou
bastante tempo, mas estranhamente
nao tinha ninguém na casa.
Tudo bem, vamos recapitular
novamente a parte do estranho eCapitulo 5 5/15
ignorar a idéia do sonambulismo:
Um estranho com duas cores de
olhos diferentes me resgatou depois de
me quebrar toda depois de... (Vamos
ignorar essa parte, é humilhante
demais lembrar que eu cai de uma
arvore) e me trouxe pra casa, que por
acaso ele sabia onde era. O que jao
torna o tipo de cara suspeito que vai a
floresta cometer assassinatos e passa
semanas estudando suas vitimas para
saber exatamente onde elas moram, ou
no minimo ou stalker com ficha na
policia. Ele me trouxe pra casa, cuidou
dos meus machucados -Deus sabe por
quanto tempo eu devo estar apagada-
e simplesmente caiu fora antes de euCapitulo 5 6/15
acordar?
Acho que eu estou vendo filmes
demais, so pode ser um delirio
fortissimo...
E agora? Eu tenho que me
conformar? Devo ficar me
questionando se eu estou realmente
louca ou se aquele garoto era o louco
da historia? Devo vasculhar a casa em
busca de alguma evidéncia de sua
presenga e de sua identidade ou
simplesmente fingir que nada
aconteceu e voltar a dormir?
Acho que a resposta era Obvia.
Eu voltei a dormir.Capitulo 5 7/15
E um saco ficar em casa debilitada
sem poder fazer nada por causa desse
pé desgracento. Ele estava todo roxo
por baixo das ataduras e estava bem
inchado, do tamanho de um limao, até
me assustei, mas tenho colocado gelo
regularmente e tem melhorado
bastante, e quanto ao machucado no
meu braco, estranhamente curara mais
rapido que um corte normal daquela
magnitude. Cansei de fazer perguntas.
Foi a semana toda me
questionando se o que eu acho que
aconteceu naquele dia REALMENTE
aconteceu.
Foi tao esquisito que toda vez que
penso nisso meus miolos parecemCapitulo 5 8/15
fritar, ainda mais depois de sonhos e
mais sonhos que tenho tido noite apos
noite, muito parecidos com aquele com
o lobo que tive a dias atras.
Agora eram recorrentes, porém
nao era mais so o grande lobo n***o
que atormentava ele, mas também o
cara de olhos diferentes. Parece que
minha mente nao se atualiza, ficou
travada como a tela de um computador
na imagem dele me olhando na
floresta, pois so me fazia pensar
naquilo.
Minha tia havia telefonado, estava
voltando para casa daqui a uns dias,
mas nao ficaria muito, como sempre,
mas ainda assim tenho que preparar asCapitulo 5 9/15
coisas aqui.
Eu estava mexendo no meu
notebook em minha quente cama
durante uma tempestade. Meu pé
enfaixado ja estava quase totalmente
curado, mas eu continuava sem sair
por ai dando saltos mortais, correndo
maratonas(n4o que eu fizesse alguma
dessas coisas com ele totalmente
bom) e colocando gelo
constantemente. Agora eu estava
aproveitando o mal tempo que
praticamente gritava na janela que era
um Otimo dia para “nao fazer nada de
util" e estava checando minhas
solicitagdes no Facebook.Capitulo 5 10/15
Clico no icone que dizia que tinha
solicitagdes, e vou descendo a tela.
Nego o convite de uns trés indianos e
mais um cara com foto de perfil de
anime, até que chego na ultima cujo o
nome que estava escrito era "James
Anderson".
O nome me soava bem familiar,
mas nao me lembrava exatamente de
onde.
Resolvo dar uma breve Stalkeada,
clico no perfil e sou uma olhadinha nas
fotos e publicagoes.
Nao brinca! So me faltou comegarCapitulo 5 11/15
a pular na cama.
Abro 0 chat com os dedos
escorregando de agitagao e mando de
uma vez varias mensagens.
Nael: Jammy
Nael: Nao
Nael: Brinca
Nael: Comigo
Nael: Nao estou acreditando nisso,
nao pode ser vocé.
Nael: Diz que eu estou pagando
mico no chat de um completo estranho,
diz.
Um tempo depois apareceu
digitando.
James: Tomei um susto com tantaCapitulo 5 12/15
mensagem de repente
James: Eu mesmo
Nael: Ai nao ai nao ai naoooo .
Nael: Nao consigo nem acreditar!
James era meu amigo de outros
verdes que eu passava na casa da
minha tia. Ele era meu vizinho na
época, mas teve que se mudar com o
pai dele. Acho que até da pra ver a casa
dele daqui, as luzes estavam apagadas
ja fazia tempo.
Eu tinha perdido total contato com
ele desde que perdi minha ultima conta
no Facebook por causa de um hacker
(dica do dia: nunca clique em links
suspeitos quando estiver com oCapitulo 5 13/15
Facebook aberto em outra aba)
James: Faz realmente muito
tempo, mas diz ai
James: Como vai a vida? Onde c ta
morando?
Nael: Té na casa da minha tia de
sempre, né? Daaa, que me abandonou
foi vocé
James: Kkk, nem sonha... To
perguntando pq
James: ADIVINHA QUEM VAI
VOLTAR PRA ESSE MARAVILHOSO
BAIRRO 5 ESTRELAS NO MEIO DO
NADA?
Nael: NAAAAAO, NAO BRINCA
ASSIM COMIGOCapitulo 5 14/15
James: isso mesmo, alias
Digitando...
O computador desliga.
Olho em volta, e nao consigo
enxergar nada, por um segundo tinha
pensado que tinha ficado cega, mas
entao um grande estrondo de um
trovao vem la de fora acompanhando
de um raio que ilumina tudo por alguns
segundos, eu me assusto e dou um
grito exageradamente fino..
Nao acredito nisso.
Quando estava prestes a me tacar
em baixo das cobertas pra me proteger
ougo o barulho da minha porta abrindo,
era um ranger bem lento e torturante. ECapitulo 5 15/15
quando ela abre, sai de la uma criatura
com apenas seu rosto iluminado por
uma vela.
Eu grito mais uma vez.
- Para de frescura menina, foi sO
um pagaozinho. Tem velas la embaixo,
daqui a pouco volta, fica calma - disse
minha tia
Envergonhada pela minha crise,
me escondo embaixo das cobertas
com as bochechas vermelhas.Capitulo 6 1/15
Capitulo 6
Eu estava enlouquecendo.
Meu pé ja estava quase cem por
cento bom, mas eu ainda mancava as
vezes e ainda nao era recomendado
pra mim correr, mas eu ainda sonhava
noite apos noite com aqueles olhos e o
rapaz misterioso.
Eu so pensava naqueles olhos 24 h
por dia, nao sabia o que fazer... estava
comegando a me sentir deprimida e
com uma solidao muito grande depois
daquele primeiro encontro. Eu
precisava.Capitulo 6 2/15
Eu tinha...que encontra-lo.
Entrar naquela floresta de novo?
Nao sei se seria uma boa ideia.
Mas eu sabia que mais cedo ou
mais tarde eu voltaria para la, a
tentagao era grande demais. Parecia
que a floresta estava me chamando, e
era como se eu soubesse que ele
estava la e que eu tinha que encontra-
lo, como se estivesse me esperando.
A unica distragao que tenho tido
eram as conversas com meu quase
vizinho James, que ainda nao tinha
voltado para ca, mas viria dentro de
alguns dias.
Hoje era o ultimo dia que minha tia
ficaria em casa, e tenho certeza queCapitulo 6 4/15
Acho que minha tia era 0 Unico
membro da minha familia que valia a
pena, ela pelo menos me ligava de vez
em quando, enquanto estava fora.
-Tudo bem, pode deixar...
Ela sai pela porta e a fecha, espero
algum tempinho na sala e me dirijo
rapidamente para a janela mais
proxima.
Ela tinha ido.
Nao perco tempo e corro o maximo
que meu pé machucado permite em
diregao ao andar de cima, vulgo meu
quarto. Eu me atrapalhava nas escadas
tentando correr, marcar parecia tao
mais pratico que no meio do caminho
desisti de tentar correr e fui pulandoCapitulo 6 5/15
em uma perna so.
Funcionou, acabei indo mais rapido
e por milagre nao cai nem uma vez.
Assim que chego no quarto sento
em minha cama e olho as minhas
confortaveis pantufas de urso e meu
pijama de domingo e ponho alguma
coisa decente. Eu estava muito
apaixonada pelas pantufas, elas eram o
presente que minha tia havia me trago
dessa vez. Me disse que havia
comprado em uma loja de conveniéncia
no Canada, onde um dos seus voos
estava destinado. Ao que parece eles
tentam vender qualquer coisa
relacionada a ursos, pois 6 uma marca
turistica do local (o que por um lado éCapitulo 6 7/15
tempo até encontra-lo, Emesmo que
isso acabasse comigo, eu sabia que era
algo que eu nao conseguiria evitar,
como um empuxo de uma maré muito
forte. Vocé nao consegue lutar, nao
consegue nadar contra, ela apenas te
leva.
Enquanto voltava pela trilha, ougo
um barulho atras de mim. Olhei
esperancosa pensando que poderia ser
ele e me surpreendi ao encarar dois
vibrantes olhos vermelhos escondidos
nas sombras. Era o lobo que eu
encontrara outro dia, e que eu -espero-
ter feito amizade.
Ele vem se aproximando com os
olhos fixos em mim.Capitulo 6 8/15
-Oi amigo...vocé me assustou.
Aproveito a ocasiao e me sento ao
pé de uma arvore para descansar meus
pés.
-Nao estava esperando te
encontrar de novo.
Ele se aproxima e deita bem do
meu lado com a cabega no meu colo.
Acaricio suas orelhas.
-Sentiu saudades de mim?
Ele fecha os olhos como se
estivesse apreciando o carinho. Nao
tinha como negar que era um
comportamento estranho.
-Nao era bem vocé que eu
esperava encontrar por aqui, mas atéCapitulo 6 9/15
que gostei da surpresa..., alias, por
acaso vocé viu mais alguém por aqui?
Pergunto como se ele fosse
responder, mas mesmo sabendo que
nao, conversar com ele me dava uma
certa tranquilidade.
Fiquei ali com ele por um
tempo,conversando bobagens, falei
sobre o rapaz que encontrara e que
tinha ido ali procurar ele, falei sobre a
floresta e perguntei se ele gostava de
viver ali (mesmo sabendo que ele nao
iria responder), e outros assuntos
supérfluos. Era muito bom conversar
com ele, mesmo sem rolar exatamente
um didlogo. Apesar de tudo, ele parecia
ouvir cada palavra que eu dizia pra ele,Capitulo 6 10/15
suas orelhas ficavam alerta mostrando
que estava escutando tudo, as vezes
ele chegava até a rosnar ou bufar com
algum comentario.
Depois de um tempo fui embora.
Ele me levou até a beira da floresta de
novo e fui com a promessa de que
voltaria outros dias até o final do verdo,
e também agradeci a companhia dele.
Chegando em casa me surpreendi
com umas 300 mensagens de James
dizendo que viria daqui a exatos 3 dias.
Nem bem tinha mudado de volta e me
convidava para logo no primeiro dia
turistar pela cidade.
Cheguei a mencionar que eu quase
nem fui a cidade, mas ele nao seCapitulo 6 11/15
importou, disse que iriamos nos dois a
uns lugares bem legais pelo centro. Ele
parecia estar morrendo de saudades
daqui.
Também chegou a mencionar de
um planetario que ficava no topo de
uma colina perto da prefeitura que eu
nem sabia que essa cidade tinha.
Nael: assim, vocé tem nogao de
que vamos ter que andar um
pouquinho, né? Por que a gente nao
mora - Ou quase mora, no seu caso -
exatamente PERTO do centro da
cidade...
James: Deixa essa parte comigo.
Nael: Como assim?Capitulo 6 12/15
James: Vocé vai ver
Nael: tudo bem, se vocé diz.
Tudo bem, so me restava esperar.
Até que estava bem animada com isso
tudo.
Eu queria poder dizer que tinha
passado as férias isolada do mundo, no
meio do nada, sem contato com
nenhum ser humano. Mas seria
mentira.
Até o meu passeio com James, fui
para a floresta todos os dias, honrando
minha promessa, e aquele lobo sempre
estava la, me esperando. Eu andava um
pouco pela trilha e ele me encontrava,Capitulo 6 13/15
como se ele soubesse exatamente
onde eu estava. Eu passava horas ali.
Nos conversavamos -no caso so eu, né
- as vezes eu levava um livro e ficava
lendo para ele em voz alta. Ele pareceu
gostar bastante da Alice no pais das
maravilhas, ou talvez na minha cabega
ele tenha gostado, pois era um dos
meus livros favoritos.
Ele abanava o rabo de forma
animada, sua cabeca estava encostada
nas minhas pernas enquanto eu
fechava a capa do livro depois da
historia ter acabado.
-Bom, é isso. Quer ouvir um fato
interessante?
Eu peguei a mochila que estavaCapitulo 6 14/15
apoiada do meu lado.
-Sabia que Lewis Carroll, autor
desse livro, foi um dos suspeitos de ser
Jack Estripador?
Ele parou de abanar a cauda, como
se estivesse realmente entendendo o
que isso simbolizava.
-Bom, aparentemente foram
encontrados alguns anagramas no livro
da Alice que poderiam estar
relacionados, mas nada nunca foi
provado. Mas acredito que ele 6 um
dos suspeitos mais interessantes.
Ele me olha curioso.
E depois de mais um dia com ele,
acabamos nos despedindo e eu fuiCapitulo 6 15/15
embora para casa.
Eu nao encontrei mais aquele
homem do outro dia, mas aos poucos 0
sentimento de solidao foi sumindo.
Quando eu me encontrava com meu
novo amigo na floresta, por alguma
razao as tristezas que haviam
aparecido em meu coragao iam
embora.
De repente aquele homem nao
tinha mais importancia.
Tirando as noites em que eu
passava sonhando com ele.Capitulo 7 2/8
Capitulo 7
Afinal chegou o dia em que eu teria de sair
com o James. Ele mal tinha acabado de chegar,
nem sequer tinha tocado nas caixas de mudan¢ga
eja me mandou mensagem dizendo que estaria
aqui as 15 horas. Esperei. O relogio parecia se
mover em camera lenta, e antes que eu
percebesse, eu balangava minha perna direita no
ritmo que a minha ansiedade tocava. Por conta
disso desisti e comecei a me arrumar umas 2
horas antes, mas acabei rapido, o que me fez
voltar a posic¢ao inicial, com minha perna inquieta
e sentada em cima das maos para nao roer as
unhas
Depois de um tempo, finalmente ouco a
campainha tocar.
Ando até a porta e conto até dez de tras para
frente como uma tentativa de controlar meu
nervosismo e minha ansiedade.
Como sera que ele esta? 0 maximo que
cheguei a ver foram umas poucas fotos no
Facebook, e fazia anos que eu nado o via
Il O <Capitulo 7 2/8
pessoalmente, portanto a curiosidade fazia
picadinho de mim por dentro.
Ese ele estiver muito diferente? E se me achar
entediante? E se simplesmente aparecer aqui,
olhar na minha cara, rire sair?
Dou um basta em meus proprios
pensamentos, mando eles se calarem a abro a
porcaria da porta.
Aprimeira coisa na qual reparei foi numa
moto incrivelmente LINDA, meus olhos deveriam
estar brilhando de encanto, e juro que quase tive
um infarto. Aos poucos meus olhos foram subindo
e reparei na figura em cima da moto, com um leve
topete como se tivesse saido de um filme dos anos
80, e vestindo uma jaqueta de couro que
combinava perfeitamente com todo o contexto
estava ele.
Eu nao imaginava que uma jaqueta de couro
caisse tao bem em alguém, mas parecia que era
feita pra ele. Eu ainda continuava babando por
aquela moto.
Tudo bem, me recompus e caminhei até ele.
-Primeiramente, vocé esta linda.
Il O <Capitulo 7 3/8
Segundamente, espero que nado tenha nenhum
problema com motos.
Travei por um minuto com o elogio
inesperado. Eu estava usando o meu vestido
amarelo e meu cabelo caia solto nas minhas
costas. Nao era exatamente meu visual de noite de
gala, mas estava perfeitamente aceitavel.
-Obrigada...e nado, nao tenho problema
nenhum. -Disse tentando disfargar minha
empolgacao.
Eu ainda sentia uma leve vergonha pairando
sobre a minha cabega, a vergonha normal que
deveria se sentir depois de anos sem ver uma
pessoa e de repente ela aparece parecendo um
modelo de uma capa de revista dos galas da
década.
-preparada para uma aventura? -ele me
pergunta me entregando outro capacete, subo na
garupa e quase sentindo meus bracos
enferrujados e pesados pela timidez, firmo os
bracos na cintura dele.
-Depende, pra onde vamos? -Pergunto
mesmo ja tendo uma idéia
Il O <Capitulo 7 AIS
Fe Ki :
E arranca com a moto.
Ele foi indo devagar por uma parte do
caminho, por minha causa, e tudo que eu queria
era ter a coragem de gritar para ir mais rapido.
-O que te trouxe de volta a nossa pacata
cidade? -Pergunto. Estavamos no planetario da
cidade, depois de uma rapida parada na
sorveteria que tinha os 100 sabores diferentes de
Milkshake. Ele se surpreendeu, assim como eu,
quando viu que essa loja tinha se aberto por aqui.
Fez perguntas do tipo:
“E possivel existirem 100 sabores de
Milkshake?”
e também:
“Como que eles fazem o Milkshake de
algodao doce?”
e também teve o:
“Sera que algum paladar do mundo acharia
todos os 100 sabores bons?”
E eu tentava responder essas perguntas da
Il O <Capitulo 7 5/8
mesma forma que alguém tentava descobriro
significado da vida.
Eu olhava os ladrilhos que mesclavam do
preto para o azul conforme andavamos.
-Digamos que tenho uns assuntos pendentes
na cidade.
-Uuuh, assuntos pendentes, vai matar quem? -
Digo brincando e ele sorri.
-tenho uma pequena lista. -Ele fala entrando
na minha brincadeira.
-Espero nao estar nela.
-Bom, se estiver vai descobrir cedo ou tarde,
nao é mesmo?- Ele me encarou sério e nos dois
comegamos a rir.
-Pretende ficar por quanto tempo?
-Nao sei. Ainda vou ver isso.
-Nao vai sumir de novo sem avisar!
-Tudo bem, tudo bem...
Exploramos todos os andares, e decidimos ir
em um pequeno game que tinha por ali que
parecia funcionar como um paint ball futurista.
Tinhamos lazeres, e coletes que eram desativados
Il O <Capitulo 7 6/8
assim que atiravam com os lazeres neles.
Olha, eu nao diria que eu era uma pessoa
competitiva, mas... mentira, sou a pessoa mais
competitiva que conheco, mas James era um
absurdo.
Ele se pds de tocaia como um fuzileiro de
guerra. Atirou em tudo que se metia pela frente e
acertava os alvos com maestria . No inicio
tinhamos formado uma dupla, apesar de o
proposito desse jogo ser "cada um por si", mas
assim que foi diminuindo a quantidade de
sobreviventes, eu ia andando na frente por um
pequeno ttinel cenografico com o que pareciam
ser varias pedras lunares, e entao ouco sua voz me
chamando por tras, e me viro para olhar.
-Nael, espero que entenda que nao é nada
pessoal.
E entao, ele atirou em mim.
Ele foi cordial o bastante para me fazer virar
de costas e nao me dar um tiro por tras? Sim.
Mas eu nunca fiquei tao arrependida de ter
salvado ele de um tiro a tiracolo de uma garotinha
de 5 anos como eu havia feito mais cedo naauele
Il O <Capitulo 7 8/8
dia. Queria dizer que se arrependimento matasse
eu ja estaria morta, mas acontece que eu
realmente morri pro meu parceiro de equipe.
Depois do jogo, ficamos mais um tempo
andando pelo planetario, mas nao conseguimos
olhar as estrelas pelo telescdpio, pois estava
parcialmente nublado.
Ele me levou em casa um pouco antes de
anoitecer, me deixou na porta de casa e nos
despedimos de forma calorosa, mesmo eu ainda
guardando uma leve magoa.
-Bom, espero que possamos nos ver mais
vezes enquanto estiver pela area.
-Umas arvores de distancia. S6 me procurar.
Nos abracamos e ele foi indo embora.
Eu nao entrei em seguida, fiquei na porta
esperando ele ter ido e corri em direcao da
floresta
Il O <Capitulo 8 wm
celica CY
Bpicuss. S
Entrei na floresta com a esperanga de mais
uma vez encontrar meu lobo.
Andava pela mesma trilha de sempre que
sabia que ele iria aparecer mais cedo ou mais
tarde, quando ouco um barulho de galhos se
quebrando atras de mim. Olho esperancosa, mas
ao inves de encontrar quem eu queria, me dou de
cara com um outro lobo. Era um pouco menor em
relagdo ao meu lobo, e sua pelagem era mais
acinzentada.
Ele mostrava os dentes e parecia me avaliar
com os olhos ferozes.
Congelei no lugar onde estava.
Ele me rodeou enquanto mostrava os dentes
em uma posi¢ao que nao precisava ser peritaem
animais selvagens para saber que ele logo pularia
na minha jugular, e eu nao tinha ideia do que
fazer, ja que sabia que correr sO iria piorar a
situagao que tinha me metido.
O que eu entendia de sobreviveéncia, afinal de
contas?Ainda nao tinha ideia de como tinha
Il O <Capitulo 8 2ni
sobrevivido ao primeiro lobo! -No caso, nao tinha
ideia de como meu coracdo havia sobrevivido,
porque so o susto que eu levei deveria ter me feito
bater as botas.
Ele se aproximou mais de mim e vi que estava
se preparando para saltar, mas antes que pudesse
ouco um barulho nos arbustos do meu lado e,
logo depois de o lobo cinza pular, vejo uma
grande sombra preta surgindo de repente dos
arbustos e pulando primeiro na frente do lobo
cinza.
Mais uma vez, ndo tem como meu coracdo
passar ileso por essa experiéncia.
Agora estavam os dois lobos no chao rolando
em uma confusao de garras e dentes, mas eles se
levantam rapido e ficam se circulando, meus
olhos quase nao conseguem acompanhar a luta
que se seguiu depois.
Era uma série de mordidas para os dois lados,
com miultiplos arranhdes e tudo que tinha direito.
O lobo preto era realmente maior e estava indo
com tudo pra cima do lobo cinza, estava claro
quem iria ganhar.
Il O <Capitulo 8 ant
Mas nao estava muito atim de ticar para
descobrir, pois acho que ja tomei decisGes idiotas
de mais para uma semana so.
Sem hesitar, me pus a correr.
Corri pela trilha pelo caminho que eu ja
conhecia de volta pra civilizagao, tomandoo
maximo de cuidado possivel pra nao tropecar e
sem olhar pra tras nenhuma vez sequer, dando
gra¢as aos céus por meu tornozelo estar curado,
coisa que eu nao tinha certeza se realmente estava
até precisar usa-lo agora.
Dava pra ouvir o som deles se enfrentando
ecoando pela floresta, em uma mistura de varios
rosnados com o som das folhas batendo com o
vento de final de tarde.
Depois de um tempo, tudo ficou silencioso,
parei de correr por um instante, faltava pouco
para chegar, mas esse siléncio so poderia
significar que a luta tinha acabado.
Parei de correr e fiquei o mais silenciosa
possivel, atenta a qualquer ruido.
Ouco galhos e folhas se quebrando a minha
direita, olho assustado e vejo sair dela a mesma
Il O <Capitulo 8 4nl
sombra preta de uns minutos atras.
Inconscientemente acabo sorrindo e
respirando fundo em uma onda de alivio, mas
antes que pudesse fazer alguma coisa, ele rosna
alto e eu paraliso novamente.
Reparo bem em seus olhos em um vermelho
sangue que pareciam ferver em uma furia
animalesca, como se nao me enxergassem de
verdade, completamente diferentes da ultima vez
que eu havia olhado em seus olhos. Diferente das
outras vezes, desta so conseguia ver a fera.
Mostrava seus caninos e se aproximava de
mim com feigdes assustadoras. Estava sujo de
sangue que presumi ser do outro lobo.
-Garoto...? Lembra de mim?
Ele continuou a mostrar os dentes pra mim e
comegava a se aproximar.
-Nao vai me machucar, vai?
Dessa vez eu estava com medo, e
instintivamente fui chegando pra traz, até minhas
costas baterem numa arvore, me deixando
encurralada.
Il O <Capitulo 8 5/11
Com as garras pra fora, ele veio com tudo pra
cima de mim e eu fecho meus olhos, esperando,
sem poder reagir de outra forma.
Ouco garras se chocando contra alguma coisa
e depois o siléncio domina a floresta mais uma
vez, quando abro, ele ndo estava mais la. Eu olho
em volta e ele tinha sumido.
Na arvore ao meu lado tinha marcas de
garras profundas que dilaceraram o tronco.
Corri para casa sem olhar para tras,
ANTES
Raiva
Uma raiva que queimava nas veias como
metal derretido.
Louis quebrava tudo que via pela frente na
cabana.
Assim que deu a noticia, seu beta saiu
correndo da cabana o mais rapido que pode,
sabia o que viria a seguir e resolveu nao ficar no
caminho para sua propria seguranga.
Agora Louis quebrava tudo que via pela frente
Il O <Capitulo 8 61
sem enxergar mais nada.
Estava confirmado que os vampiros tinham
retornado, depois de tantos anos e os malditos
nao estavam extintos, Apenas se escondendo
como os vermes que sao.
Como se nao bastassem os problemas que ja
tinha a alcateia, agora ainda tinha quese
preocupar com sanguessugas por aqui.
E como se nao bastasse, isso tinha que
acontecer logo agora, que tinha encontrado sua
companheira, e da forma mais inesperada
possivel, caminhando pela floresta.
Aprimeira coisa que sentiu foi seu cheiro, a
partir dai ja sabia o que viria depois.
Estava tentando, acima de tudo, se manter
longe dela.
O peso de ser um alfa, o peso de ser um
lobisomem. Era perigoso demais pra ela, ele era
perigoso e tudo no seu mundo mais ainda.
Aculpa o dominava muitas vezes por isso,
como na vez que ela caiu em cima dele na
floresta, e torceu 0 tornozelo. Ele a levou pra casa,
Il O <Capitulo 8 m1
e como queria ter ticado la...
Aculpa depois foi terrivel, mas foi melhor
assim. Queria poder ter ficado e cuidado de Nael,
nome que tinha descoberto pelo seu beta, ha
quem tinha pedido que investigasse. E que belo
nome, assim como sua dona.
A primeira coisa que fez assim que a viu foi
ordenar a todos de sua matilha que mantivessem
distancia dela e de sua casa, ele proprio tentou o
maximo possivel se manter longe, mas foi inutil.
Seu cheiro, sua voz, tudo 0 atraia até ela, ea
cada segundo que lutava para se manter longe
parecia acabar com ele.
Ela também nao facilitava, indo todo dia
aquela floresta, nado importa o que fizesse ela
parecia tao determinada a se manter longe
quanto ele. Pelo menos decidiu que ndo iria mais
vé-la da forma humana, assim seria mais facil,
tanto pra ela quanto pra ele.
Ainda consumido pela raiva se pés na sua
forma de lobo e correu pela floresta com as garras
pra fora dilacerando arvores e tudo que viaem
seu caminho, era uma péssima ideia fazer isso
Il O <Capitulo 8 8
agora, nals em 11m momento de raiva camo esse,
fice © y & de
que tinha agora era uma fera raivosa com dentes
que cortaria quase qualquer coisa ao meio. ate
que sentiu aquele cheiro de novo. Era ela.
Correu sem ter nocao de onde estava indo,
nao estava mais no controle, apenas sentia como
se fosse um pesado sonho em que seu lado ferozo
comandava. Chegou a tempo de ver um lobo
cinza, que fazia parte de outra alcateia e que nao
deveria estar nesse territorio, ele se preparava
para pular bem em cima dela e Louis nem se quer
exitou, toda a raiva no seu corpo que parecia
adentrar nas suas veias agora e borbulhar em
brasa. Pulou em cima do outro lobo com garras €
dentes. O outro lobo tentou revidar e estava claro
que ia perder, mas mesmo assim n4o recuou.
Pouco tempo depois de se enfrentarem com
arranhées e mordidas, Louis pegou o pescogo do
lobo cinza e, com uma mordida so, partiua
jugular dele,
Agora estava todo repleto de sangue ea furia
ainda o consumia. Como instinto natural acabou
Il O <Capitulo 8 91
seguindo o cheiro de sua companheira, que ao ver
a briga havia corrido o mais rapido que podia. Seu
cheiro chegava ate ele gracas ao vento favoravel,
mesmo estando dificil de se sentir gragas ao forte
cheiro de sangue, que encobria os outros.
Mas nao iria salva-la, muito menos correr
adiantaria.
Ele a encontrou e ainda estava fora de si,
enquanto um lado monstruoso queria atacar tudo
que se metesse na sua frente, ainda tinha parte
dentro de si que lutava contra esse lado, o
maximo que conseguia. Sabia que nao
conseguiria se perdoar se machucasse ela.
Estava se preparando para partir pra cima,
sua visdo tremia e os dois lados guerreavam
dentro de si. Ouviu ela dizer alguma coisa para
ele, mas nao conseguia processar as palavras,
saiam todas tremidas e irreconheciveis.
Momentos antes de suas garras a atingirem, por
um momento de clareza, ele mirou na arvore ao
lado. Acertou 0 tronco em cheio deixando marcas
profundas. E saiu correndo o mais rapido que
pode na dire¢ao contraria, antes que fizesse algo
Il O <Ce o @ gat
que nao teria mais volta, a raiva sendo aos poucos
ocupada pela culpa.
Que parecia que seria tudo que teria naquela
noite.
Culpa.
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Esse delegado gostoso ops* b... 2
© 146,1K
Il O <Capitulo 9 3
Capitulo 9
Eu nao voltei naquela floresta.
Com total sinceridade eu nem sequer sai de
casa depois daquele incidente, e os pesadelos se
tornaram mais frequentes.
James me encheu de mensagens, chegando a
irritar no inicio, mas depois pareceu que ele
estava realmente preocupado.
Queria dizer que deveria ser uma coisa boa,
parar de sonhar com algo que sonhava todos os
dias até virar um pensamento constante que te
tira da sua orbita, mas quando os sonhos sao
substituidos por pesadelos que fazem vocé gritar
e acordar no pulo no meio da noite nao tem como
dizer que é algo bom.
As mensagens de James até que tem sido
uma boa distracdo, tanto que depois de muita
insisténcia eu aceitei um convite para sairmos
mais uma vez. No fundo agradeci a tentativa dele
de me distrair.Capitulo 9 2n3
Tudo estava imerso em uma escuridao
profunda e tao escura, que eu duvidava que uma
lanterna ou l[ampada pudesse deixar mais claro.
Ela como se escuridao estivesse impregnada,
tornando impossivel enxergar um palmo na
minha frente, até que um pequeno ponto de luz
vermelho comega a brilhar, bem no centro desse
lugar que eu estava -onde quer que seja-.
Sem saber o que fazer eu corro em direcao ao
ponto brilhante e tento agarrar ele, como que
tenta pegar um mosquito, e o prendo entre
minhas duas maos, poreém quando abro nem tive
tempo de reparar que ele nao estava em minhas
maos, mas flutuando na minha frente, e era como
se me atrai-se. Me senti como um gato deveria se
sentir, brincando de forma idiota com uma
luzinha de lazer, que os donos apontam de um
lado para o outro.
Ela comegou a se afastar bem rapido, e eu
quase que por instinto a segui pela escuridao.
Eu corria atras dela sem bem saber o porque,
sentia meus pés grudarem no chao como se
estivesse sobre uma lama espessa, sobre meu
Il O <Capitulo 9 3/13
rosto sentia uma estranna sensa¢ao de trio apesar
de parecer estar no meio do nada, e boa parte do
meu corpo ardia, mas eu continuava correndo.
Até que o ponto parou. Fiquei encarando ele,
até que ele se aproximou de mim e novamente o
agarrei com as duas mags, sentindo um pequeno
formigamento na pele, como se tivesse sido
absorvido para dentro das minhas maos.
Aos poucos a escuridao comegou a se
desfazer, e comecei a ouvir um alto barulho de
chuva, mais perto do que deveria.
Inconscientemente abro os olhos.
Eu estava zonza e demorou um tempo pra eu
me adaptar a pouca luz, mas eu estava em pé, em
algum lugar no meio da floresta, completamente
encharcada de chuva e sem entender como eu
havia parado ali.
Era so o que me faltava.
Mentalmente, comecei a condenar o universo
por mais aquele feito e desesperadamente
perguntando qual problema ele tinha comigo.
Jura que entre tantas coisas que poderiam
acontecer, logo um caso de sonambulismo
Il O <Capitulo 9 4n3
Olho para meus pés descalcos encharcados
de lama, e de repente sinto uma forte tontura, que
de forma gradativa foi crescendo até chegar ao
ponto de ter que me segurar em uma arvore
proxima, e entao tudo ficou escuro de novo.
Ouniverso se recusava a colaborar com Louis
em qualquer aspecto, e isso era um fato.
Seja tentar se afastar, seja tentar protegé-la,
nada estava dando certo.
Fazia sua ronda matinal pelos arredores da
casa de Nael. Embora os esforcos de se afastar,
nao confiaria em mais ninguém para cuidar da
seguranca, independente de quem fosse. Nao
poderia vacilar de novo.
Sua cabeca estava cheia a semana toda, esd
sabia culpar as bruxas desgracadas, as culpadas
por ele nao conseguir dormir a noite. Haviam sido
essas malditas que libertaram os vampiros
e...alguma coisa a mais que ele nao sabia ao certo
oque.
Elas abriram uma gruta ao norte lacrada com
um feitico ancestral e agora os lobos tinham que
Il O <Capitulo 9 5/13
lidar com a ira, nao so de bruxas vingativas, mas
de vampiros ancestrais que haviam ficado presos
por mais de décadas.
Sua alcateia sabia se cuidar, sua
preocupacao era outra, e se chegasse a acontecer
uma guerra nao poderia pedir alianca como cla
vizinho, nado estavam nada bem em questao de
alianga ea morte de um dos lobos deles ha uns
dias atras com certeza nao havia tornado as
coisas melhores.
Seres sobrenaturais sao tao dificeis de lidar,
alem de perderem tempo odiando uns aos outros
e tentando se destruir, nem mesmo os da mesma
espécie se tratavam como iguais.
Louis foi tirado de seus pensamentos ao ouvir
um barulho alto acompanhando de um cheiro
estranho de dentro da casa, correu para a entrada
sem nem pensar até que viu que a porta estava
aberta, parecendo ter sido arrombada.
Correu para dentro 0 mais rapido que pode
sem nem se importar, mas la dentro nao tinha
ninguem. Estava vazio.
As coisas da casa estavam claramente
Il O <Capitulo 9 73
Aluzvinda da janela me ofuscava os olhos e
eu sentia cada membro do meu corpo
extremamente dolorido.
Eu me sento na cama tentando me acostumar
com a claridade, ea primeira coisa que percebo
Essas nao sao minhas roupas.
Eu tenho certeza absoluta que ndo tenho
nenhuma camisa masculina inclusa no meu
guarda roupa.
Ai meu deus, 0 que aconteceu ontem?
Eu olho em volta.
Esse nao €0 meu quarto!
Tento ficar calma e controlar a minha
respiragao.
Nesse momento mil Hipoteses e teorias se
formavam na minha mente, as minhas favoritas
eram as de
Possessao demoniaca, que pode fazer outra
coisa tomar meu corpo € sair passeando por ai
com ele por semanas (talvez meses) enquanto pra
mim pareceu ser so por uma noite.
Il O <Capitulo 9 8/13
Abduc4o alienigena, mas nao tinha muita
ideia do que tinha haver com minha atual
situa¢ao, apenas parecia ser algo legal
Eu acidentalmente ter causado algum
colapso nos universos me fazendo trocar de lugar
com alguma versao minha de outra galaxia.
Viagem no tempo.
Todas elas eram apenas uma tentativa nem
um pouco logica do meu cérebro me explicar de
uma forma nem um pouco légica essa situacdo
que nao é nem um pouco légica.
Pelo menos meus pensamentos acelerados
acabam me ajudando a me manter calma, pois se
tinha uma coisa que eu estava era apavorada, e
fico mais assustada ainda quando ouco vozes
vindas de um andar embaixo.
Caminho sobre as pontas dos pés até a fresta
da porta pra dar de cara com uma escada, nao
dava pra ver o andar de baixo mas era claraa
discussdo das duas vozes.
-Eo que vai fazer com ela? -Dizia uma voz que
parecia estar recuando em relacao a voz que veio
aseguir.
Il O <Capitulo 9 6/13
reviradas, fora o forte odor de sangue e carne
podre classica de vampiros.
Louis revirou por toda a casa, mas nem sinal
de Nael ou de vampiros, apesar de o rastro nao
deixar duvidas que estiveram ali.
Saiu da casa correndo 0 mais rapido que
conseguia pela floresta seguindo o doce cheiro
que o atraia. Pelo bem de todos era bom que nada
tivesse acontecido a ela.
Depois de correr um pouco, no meio entre as
arvores avistou um corpo caido e desmaiado. Foi
até ela e mais uma vez com o remorso pesando no
cora¢ao, pegou ela nos bracos,
Ela estava muito quente, o que so fazia
aumentar sua preocupacao, e entao a levou
floresta adentro em diregao a sua cabana na
floresta.
Depois de mais uma longa noite repleta de
mais uma vez sonhos estranhos e pesadelos bem
temperados, eu acordo em um lugar
completamente estranho -Ja que toda desgraca
pra servical € pouco. como diria a frase popular-
Il O <Capitulo 9 913
-Eu no sei, nao sei o que foi aquilo ontema
noite... Mas nado posso deixa-la sozinha... De uma
forma ou de outra.
-Mas escute s6, vocé nao esta pensando
direito, a situacao ja é complicada o suficiente...
-Esta me contrariando? Jura? -Senti um tom
forte de sarcasmo.
- N4o...eu nado quis dizer
-Escute aqui, vocé nado sabe o que eu tenho
passado nas ultimas semanas entao nao me
venha com essa historinha de que "a situacao ja é
complicada o suficiente". Vocé viu como estava a
casa dela e agora isso??- Soava estranho ouvir
essa voz, sentia que ja tinha escutado ela antes.
Era assustadora, mas ao mesmo tempo me trazia
um certo conforto-De uma forma ou de outra vocé
nao esta aqui para fazer objecoes, esta aqui pra
me conseguir respostas!-Me assusto como
barulho de uma forte pancada em algo de
madeira-Maldicao!
-Eu posso tentar falar com as bruxas para o
senhor, mas nao sei se elas vao querer
colaborar...Ja estamos sobrecarregados e ainda
Il O <Capitulo 9 10/13
tem mais isso?
-Nao quero saber! Apenas de um jeito e me
consiga respostas! -A voz parecia muito
impaciente. ouco passos e a voz foi se afastando
conforme falava, e 0 eco tinha aumentado, como
se estivesse falando de algum outro comodo
Decido nao mais ficar ouvindo, eu estava
assustada demais para apenas ficar ouvindo
conversa da soleira da porta.
Olho em volta e vejo um vaso de vidro em um
pequeno criado mudo ao lado da cama. Com
certeza vai me servir melhor que os travesseiros.
Armada daquele vaso eu desco as escadas na
ponta dos pés, tentando nao fazer ruidos ,o que
era bem dificil em uma escada de madeira antiga,
e pra piorar a situagdo, meus membros tremiam,
nao sei se de frio ou de medo.
Continuo andando até o pé da escada e assim
que chego no fim vejo um homem parado ao lado
da escada me olhando espantado.
Eu apontei o vaso pra ele tentando tirar toda
a bravura que guardava dentro de algum lugar
Il O <Capitulo 9 113
secreto dentro de mim, o problema era que o
lugar era tao secreto que nem eu sabia ao certo
onde ficava.
-Q-quem é vocé?- Eu pergunto tentando nao
soar apavorada.
Ele nao disse nada, continuou me olhando
com os olhos arregalados, como se fosse perder a
lingua se falasse alguma coisa.
-@ surdo?? Eu perguntei quem é vocé -Isso eu
aprendi em filmes, o deboche e 0 sarcasmo faz
parecer que vocé sabe o que esta fazendo, porém
minhas maos em que eu segurava 0 vaso
tremiam.
-calma, fique calma... Largue esse vaso antes
que sobre pra mim.- ele finalmente disse alguma
coisa, e logo depois deu uns passos em minha
direcdo. Instintivamente fui recuando para tras.
-por que me trouxe pra...- nado consegui
terminar a frase, pois meus pés bateram em algo
no chao enquanto recuava me fazendo perder o
equilibrio.
Otima demonstracao de coragem... Eu ia cair
Il O <Capitulo 9 13/13
se nao fosse impedida pelo 0 que parecia um
muro ambulante, que me segurou antes que eu
pudesse cair.
-Nao foi ele que te trouxe. - Ouco aquela voz
novamente, a que me parecia tao familiar eme
causava tantos arrepios com tao poucas palavras,
e agora com o rosto a centimetros do meu-fui eu.
Me vi de cara com olhos que eu reconheceria
em qualquer lugar.
Il O <Capitulo 10 27
Co —_——® ~
Se o dono desses olhos que agora me
encaravam profundamente sequer soubesse o
quanto ele tem me assombrado, 0 quanto tem
sido parte da minha rotina, dos meus
pensamentos mais confusos e duvidosos, 0
quanto tem habito meus sonhos de uma forma
que eu nao conseguia se quer explicar.
Assombrando meus sonhos e meus pesadelos, se
infiltrando na minha mentee se alojando la de
uma forma que nao importa o que eu fizesse nada
os tiraria de la.
Depois do que pareceu uma eternidade
congelada, sem outra reacao a nao ser nds dois
estamos presos naquela bolha temporal que
parecia ter sido criada no momento em que nos
esbarramos, ele fala algo, me despertando
parcialmente para a realidade em que me
encontrava.
-Eu te trouxe para ca, vocé estava desmaiada
em uma floresta no meio da noite ardendo em
febre- Depois de ele dizer isso, senti-me
Il O <Capitulo 10 27
novamente mais proxima da realidade, puxada
pela corda invisivel do meu problema de
sonambulismo e estar na casa de um estranho.
Ele olhou para o homem que estava atras de mim
e fez um sinal com a cabeca, como se pra ele sair,
e foi exatamente o que ele fez.
-Eu...-Eu nao tinha o que falar, nem sequer
tinha certeza se ainda possuia essa habilidade,
era uma situagdo absurda e eu ainda nado
conseguia parar de olhar para aqueles olhos.
-Vocé poderia ter morrido, se eu nao tivesse
te encontrado- Percebo que ele ja tinha me
largado depois de me "salvar" daquela possivel
queda, e eu sentia meu corpo se encolher com
meu fragil vaso em m4os, um vaso que quase ja
nao conseguia mais sustentar de tanto que as
minhas maos estavam trémulas. Eu olhava pra
cima, ja que ele era bem mais alto que eu. Sua voz
era poderosa e rouca, que colocaria medo em
qualquer um, e quando ele deu um passo em
minha direcdo,nao consegui evitar de recuar para
tras.
Assim que fiz isso ele, que parecia atento aos
Il O <Capitulo 10 aT
meus movimentos, virou a cabega para o lado,
como um cachorrinho curioso.
-O que foi? Esta com medo? -Pensei que
“medo” nao era bem a palavra que eu usaria pra
definir minha situacdo atual, apesar de estar
confusa e assustada demais para definir minha
verdadeira situacdo atual, e ainda me mantinha
ocupada, presa a aqueles olhos.
-E-Eu...- Merda, isso era hora pra esquecer
como se fala?
Ele continuava chegando para frente e eu
recuava vagarosamente, como que repelida por
todo ar de perigo que esse homem emanava.
Isso ndo estava sendo nada parecido com
nosso encontro na floresta...
Analisando bem, naquela ocasido eu estava
praticamente delirando e prestes a ficar
inconsciente, logo depois de cair de uma arvore,
nao conseguia se quer processar o suficiente para
uma conversa e sé conseguia perceber o quanto
encantador ele era, mas nada além.
Agora, aqui em uma sala, vestindo o que
deveria ser a camisa dele depois de ser salva -
Il O <Capitulo 10 4/7
mais uma vez- de um desmaio na floresta ea
parte mais dificil de lidar:
Consciente.
Eu reparava em tudo que nao havia reparado
antes, inclusive nesse arrepio que sua presenca
me transmitia.
Eu ainda estava chegando para tras conforme
ele se aproximava até que sinto a parede nas
minhas costas.
Porcaria de parede.
Agora que eu nao tinha para onde correr, ele
vinha se aproximando mais, e antes que eu tivesse
tempo de pensar em alguma saida eu estava
encurralada.
Seu rosto veio chegando para mais perto do
meu, por um segundo parecia que ele iriame
beijar, até que mudou o curso pro meu ouvido.
-N4o vai me dizer que esta com medo de
mim?!
Senti um arrepio percorrer todos os pelos da
minha nuca assim que ele sussurrou com sua voz
rouca. Ele se afastou do meu ouvido como que
Il O <Capitulo 10 5/7
para analisar minha expressao, e entao trouxea
mao em direcao ao meu rosto e mexeu em uma
pequena mecha dos meus cabelos que caia pela
minha bochecha.
Seu toque era lento, como se ele estivesse
aproveitando cada segundo daquele momento, e
eu sentia correntes elétricas sob a minha pele por
onde sua mao encostava.
-N-N...-A cada tentativa eu tinha mais certeza
que eu realmente tinha perdido minhas
habilidades de fala.
Ele aproximou novamente seu rosto do meu,
tao perto que conseguia sentir o seu halito,
novamente parecia que ele ia me beijar, mas ele
volta novamente para o meu ouvindo e vai
descendo até a curva do meu pescoco, me envolve
com seus bracos enquanto aspira fundo, como se
estivesse sentindo meu cheiro.
Seu abraco era tao bom, e me pegou de
surpresa, mas nada me deixou mais surpresa do
que quando ele me soltou do seu abrago e me
levantou em seus bragos.
-Vocé nao deveria ter saido do quarto, precisa
Il O <









