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PBA do Complexo Santa Eugênia Solar

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COMPLEXO SANTA EUGÊNIA SOLAR (FASE 01)

/
Plano Básico Ambiental (PBA)

Dezembro - 2023
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

FICHA TÉCNICA

IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDEDOR

Razão Social: Statkraft Energias Renováveis S.A. Responsável: Fabiana Fioretti M. Ferreira
CNPJ: 00.622.416/0001-41 Cargo: Especialista em Meio Ambiente
Telefone: (48) 3877-8624 E-mail: [Link]@[Link]

Endereço para correspondência: Rodovia José Carlos Daux, nº 5500, KM 5, Sala 325, Pavimento
Jurerê A, Saco Grande, CEP 88.032-005, Florianópolis-SC

IDENTIFICAÇÃO DA CONSULTORIA

Razão social: Maron Ambiental Ltda Responsável: Alfredo Bastos de Paula


CNPJ: 35.030.383/0001-25 Cargo: Diretor
Telefone: (31) 3267-7238 / 3267-7339 E-mail: alfredo@[Link]

Endereço para correspondência: Avenida Tancredo Neves, nº 274, Centro Empresarial Iguatemi, Bloco
B, Sala 431, Caminho das Árvores, CEP: 41.820-907 – Salvador/BA

Assinatura: ______________________________

Ficha Técnica
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

EQUIPE TÉCNICA RESPONSÁVEL PELO ESTUDO

Profissional Formação Atuação Registro Assinatura

CREA
Ney Maron de Advogado e 22.808/D
Gestão do Contrato
Freitas Engenheiro Civil
OAB 21.900

Alfredo Bastos de CTF IBAMA


Sociólogo Coordenação Geral
Paula 503797

CREA/MG
Thiago Almeida 174076/D
Engenheiro Civil Coordenação Técnica Geral
Dias CTF IBAMA
6019837

Rodrigo Moraes Engenheiro Ambiental CREA-MG


Coordenação de Projeto
Belém e Bioenergético 205.789/D

Marcos Antônio de Coordenação de CREA MG-


Geógrafo
Almeida Rodrigues Geoprocessamento 201143/D

CREA-MG
Luísa Lima Borges Coordenação do Meio 156658/D
Geógrafa
Ferreira Físico
CTF 5911162
CRBio
Cinara Alves Coordenação Meio Biótico – 8727/04-D
Bióloga
Clemente Fauna
CTF 2053324

Raquel Carvalho de Economista e Mestre Coordenação do Meio


CTF 7737518
Andrade em Demografia Socioeconômico

Rafael Branco e Coordenação do Meio CRBio


Biólogo
Ribeiro Biótico – Flora 11244.204/D

As Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) da equipe técnica responsável pelo estudo


encontram-se no Anexo 16 desse documento.

PROFISSIONAL RESPONSÁVEL PELA COORDENAÇÃO AMBIENTAL DO ESTUDO

___________________________________
Rodrigo Moraes Belém
Engenheiro Ambiental – CREA MG 205789/D
CTF IBAMA 061053

Equipe Técnica
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

SUMÁRIO
1. Introdução.................................................................................................................................................. 1
2. Descrição do Empreendimento ................................................................................................................. 2
2.1 Histórico de Licenciamento................................................................................................................ 2
2.2 Informações de Projeto...................................................................................................................... 2
2.3 Localização e Acesso ........................................................................................................................ 7
2.4 Áreas de Influência .......................................................................................................................... 12
2.4.1 Área de Influência Indireta (AII) ............................................................................................... 12
2.4.2 Área de Influência Direta (AID) ................................................................................................ 13
2.4.3 Área Diretamente Afetada (ADA) ............................................................................................ 14
2.5 Restrições Ambientais ..................................................................................................................... 16
2.5.1 Acesso à Área de Implantação ................................................................................................ 16
2.5.2 Propriedades Rurais ................................................................................................................ 17
2.5.3 Edificações e Áreas Urbanas .................................................................................................. 19
2.5.4 Comunidades Quilombolas e de Fundo de Pasto ................................................................... 21
2.5.5 Assentamentos do INCRA ....................................................................................................... 23
2.5.6 Áreas Indígenas (AI) ................................................................................................................ 24
2.5.7 Direitos Minerários (DM) .......................................................................................................... 25
2.5.8 Cavidades (CECAV) ................................................................................................................ 27
2.5.9 Cavidades (Campo) ................................................................................................................. 29
2.5.10 Sítios Arqueológicos ................................................................................................................ 31
2.5.11 Reserva Legal (RL).................................................................................................................. 33
2.5.12 Área de Preservação Permanente (APP)................................................................................ 35
2.5.13 Intervenção de Cursos d’Água ................................................................................................ 37
2.5.14 Unidades de Conservação (UC) .............................................................................................. 37
2.5.15 Área de Aplicação da Lei da Mata Atlântica ............................................................................ 39
2.5.16 Áreas de Segurança Aeroportuária ......................................................................................... 41
2.5.17 Intervenção em Infraestrutura Existente .................................................................................. 41
2.5.18 Síntese do MRA ....................................................................................................................... 41
3. Programas Ambientais ............................................................................................................................ 42
3.1 Programas do Meio Físico ............................................................................................................... 43
3.1.1 Programa de Gestão Ambiental .............................................................................................. 43
[Link] Introdução e Justificativa ................................................................................................. 43
[Link] Objetivos .......................................................................................................................... 44
[Link] Requisitos Legais ............................................................................................................ 45
[Link] Responsabilidade de Execução ...................................................................................... 46
[Link] Público-Alvo ..................................................................................................................... 46
[Link] Metodologia ..................................................................................................................... 46
[Link].1 Inspeções Ambientais em Campo e Registros de Não Conformidades ...................... 49

Sumário
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link].2 Reuniões Técnicas Periódicas ..................................................................................... 50


[Link].3 Gestão Documental...................................................................................................... 50
[Link] Metas ............................................................................................................................... 51
[Link] Indicadores de Desempenho ........................................................................................... 51
[Link] Interface com Outros Programas..................................................................................... 51
[Link] Recursos Necessários ..................................................................................................... 52
[Link] Produtos a Serem Gerados ............................................................................................. 52
[Link] Cronograma ..................................................................................................................... 52
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................... 53
3.1.2 Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos ........................................... 54
[Link] Introdução e Justificativa ................................................................................................. 54
[Link] Objetivos .......................................................................................................................... 55
[Link] Requisitos Legais ............................................................................................................ 56
[Link] Responsabilidade de Execução ...................................................................................... 56
[Link] Público-Alvo ..................................................................................................................... 57
[Link] Metodologia ..................................................................................................................... 57
[Link].1 Suscetibilidade à Erosão .............................................................................................. 58
[Link].2 Caracterização e Controle das Áreas Críticas Existentes ........................................... 61
[Link].3 Monitoramento de Processos Erosivos........................................................................ 65
[Link].4 Elaboração e Execução dos Projetos de Controle de Processos Erosivos................. 66
[Link].5 Ações de Mitigação e Contenção dos Processos Erosivos ......................................... 66
[Link] Metas ............................................................................................................................... 68
[Link] Indicadores de Desempenho ........................................................................................... 68
[Link] Interface com Outros Programas..................................................................................... 69
[Link] Recursos Necessários ..................................................................................................... 69
[Link] Produtos a Serem Gerados ............................................................................................. 69
[Link] Cronograma ..................................................................................................................... 70
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................... 70
3.1.3 Programa de Controle e Monitoramento de Emissão de Particulados ................................... 71
[Link] Introdução e Justificativa ................................................................................................. 71
[Link] Objetivos .......................................................................................................................... 72
[Link] Requisitos Legais ............................................................................................................ 72
[Link] Responsabilidade de Execução ...................................................................................... 73
[Link] Público-Alvo ..................................................................................................................... 74
[Link] Metodologia ..................................................................................................................... 74
[Link].1 Ações de Controle e Prevenção .................................................................................. 75
[Link].2 Procedimentos de Monitoramento ............................................................................... 77
[Link] Metas ............................................................................................................................... 80
[Link] Indicadores de Desempenho ........................................................................................... 80
[Link] Interface com Outros Programas..................................................................................... 80

Sumário
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Recursos Necessários ..................................................................................................... 81


[Link] Produtos a Serem Gerados ............................................................................................. 81
[Link] Cronograma ..................................................................................................................... 81
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................... 82
3.1.4 Programa de Controle e Monitoramento de Ruídos ................................................................ 84
[Link] Introdução e Justificativa ................................................................................................. 84
[Link] Objetivos .......................................................................................................................... 84
[Link] Requisitos Legais ............................................................................................................ 85
[Link] Responsabilidade de Execução ...................................................................................... 85
[Link] Público-Alvo ..................................................................................................................... 85
[Link] Metodologia ..................................................................................................................... 85
[Link].1 Termos e Definições .................................................................................................... 86
[Link].2 Equipamentos .............................................................................................................. 87
[Link].3 Diagnóstico e Monitoramento de Ruídos ..................................................................... 87
[Link].4 Pontos de Monitoramento ............................................................................................ 89
[Link].5 Controle dos Níveis de Ruídos .................................................................................... 94
[Link] Metas ............................................................................................................................... 95
[Link] Indicadores de Desempenho ........................................................................................... 96
[Link] Interface com Outros Programas..................................................................................... 96
[Link] Recursos Necessários ..................................................................................................... 96
[Link] Produtos a Serem Gerados ............................................................................................. 97
[Link] Cronograma ..................................................................................................................... 97
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................... 97
3.1.5 Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes Líquidos e Oleosos ............. 98
[Link] Introdução e Justificativa ................................................................................................. 98
[Link] Objetivos .......................................................................................................................... 98
[Link] Requisitos Legais ............................................................................................................ 99
[Link] Responsabilidade de Execução .................................................................................... 100
[Link] Público-Alvo ................................................................................................................... 100
[Link] Metodologia ................................................................................................................... 101
[Link].1 Gestão dos Resíduos Sólidos .................................................................................... 101
[Link].2 Identificação dos Resíduos Gerados ......................................................................... 101
[Link].3 Classificação dos Resíduos Sólidos .......................................................................... 103
[Link].4 Elaboração do Inventário de Resíduos ...................................................................... 106
[Link].5 Segregação e Acondicionamento .............................................................................. 106
[Link].6 Coleta e Transporte Interno ....................................................................................... 109
[Link].7 Armazenamento Temporário ..................................................................................... 110
[Link].8 Coleta e Transporte Externo ...................................................................................... 110
[Link].9 Procedimentos Técnicos Operacionais para Coleta e Armazenamento dos Resíduos ..
.................................................................................................................................... 110

Sumário
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link].10 Destinação Final ...................................................................................................... 112


[Link].11 Gestão dos Efluentes Líquidos ................................................................................ 114
[Link].12 Controles Operacionais ........................................................................................... 115
[Link].13 Controle na Fonte Geradora .................................................................................... 116
[Link].14 Segurança do Trabalho ........................................................................................... 117
[Link].15 Elaboração dos Treinamento para Trabalhadores e Colaboradores ...................... 117
[Link] Metas ............................................................................................................................. 118
[Link] Indicadores de Desempenho ......................................................................................... 118
[Link] Interface com Outros Programas................................................................................... 119
[Link] Recursos Necessários ................................................................................................... 119
[Link] Produtos a Serem Gerados ........................................................................................... 120
[Link] Cronograma ................................................................................................................... 120
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................. 120
3.1.6 Programa de Proteção e Monitoramento de Recursos Hídricos ........................................... 123
[Link] Introdução e Justificativa ............................................................................................... 123
[Link] Objetivos ........................................................................................................................ 124
[Link] Requisitos Legais .......................................................................................................... 124
[Link] Responsabilidade de Execução .................................................................................... 125
[Link] Público-Alvo ................................................................................................................... 125
[Link] Metodologia ................................................................................................................... 126
[Link].1 Proteção dos Recursos Hídricos................................................................................ 126
[Link].2 Monitoramento dos Recursos Hídricos ...................................................................... 128
[Link].3 Medidas para Preservação e Conservação dos Recursos Hídricos ......................... 135
[Link] Metas ............................................................................................................................. 136
[Link] Indicadores de Desempenho ......................................................................................... 137
[Link] Interface com Outros Programas................................................................................... 137
[Link] Recursos Necessários ................................................................................................... 138
[Link] Produtos a Serem Gerados ........................................................................................... 138
[Link] Cronograma ................................................................................................................... 138
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................. 139
3.1.7 Programa de Desativação do Empreendimento.................................................................... 140
[Link] Introdução e Justificativa ............................................................................................... 140
[Link] Objetivos ........................................................................................................................ 140
[Link] Requisitos Legais .......................................................................................................... 140
[Link] Responsabilidade de Execução .................................................................................... 141
[Link] Público-Alvo ................................................................................................................... 141
[Link] Metodologia ................................................................................................................... 141
[Link].1 Fase 1: Divulgação e Orientação à População.......................................................... 144
[Link].2 Fase 2: Testes do Complexo Fotovoltaico (CF) ........................................................ 144
[Link].3 Fase 3: Desmonte das Placas Fotovoltaicas ............................................................. 144

Sumário
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link].4 Fase 4: Desativação Total ......................................................................................... 144


[Link].5 Fase 5: Aspectos Socioeconômicos .......................................................................... 145
[Link] Metas ............................................................................................................................. 145
[Link] Indicadores de Desempenho ......................................................................................... 146
[Link] Interface com Outros Programas................................................................................... 146
[Link] Recursos Necessários ................................................................................................... 146
[Link] Produtos a Serem Gerados ........................................................................................... 146
[Link] Cronograma ................................................................................................................... 147
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................. 147
3.2 Programas do Meio Biótico............................................................................................................ 149
3.2.1 Programa de Recuperação de Áreas Degradadas – PRAD ................................................. 149
[Link] Introdução e Justificativa ............................................................................................... 149
[Link] Objetivos ........................................................................................................................ 150
[Link] Requisitos Legais .......................................................................................................... 151
[Link] Responsabilidade de Execução .................................................................................... 151
[Link] Público-Alvo ................................................................................................................... 152
[Link] Metodologia ................................................................................................................... 152
[Link].1 Área Alvo do PRAD .................................................................................................... 152
[Link].2 Atividades a Serem Executadas ................................................................................ 156
[Link].3 Plano Paisagístico ...................................................................................................... 169
[Link].4 Viveiro Florestal de Mudas Nativas............................................................................ 170
[Link].5 Monitoramento e Avaliação das Atividades ............................................................... 172
[Link] Metas ............................................................................................................................. 173
[Link] Indicadores de Desempenho ......................................................................................... 173
[Link] Interface com Outros Programas................................................................................... 174
[Link] Recursos Necessários ................................................................................................... 174
[Link] Produtos a Serem Gerados ........................................................................................... 175
[Link] Cronograma ................................................................................................................... 175
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................. 176
3.2.2 Programa de Supressão da Cobertura Vegetal .................................................................... 178
[Link] Introdução e Justificativa ............................................................................................... 178
[Link] Objetivos ........................................................................................................................ 179
[Link] Requisitos Legais .......................................................................................................... 179
[Link] Responsabilidade de Execução .................................................................................... 181
[Link] Público-Alvo ................................................................................................................... 181
[Link] Metodologia ................................................................................................................... 181
[Link].1 Diretrizes Básicas....................................................................................................... 181
[Link].2 Atividades Pré-Supressão .......................................................................................... 183
[Link].3 Atividades Exploratórias ............................................................................................. 185
[Link].4 Atividades Pós-Supressão ......................................................................................... 191

Sumário
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Metas ............................................................................................................................. 192


[Link] Indicadores de Desempenho ......................................................................................... 192
[Link] Interface com Outros Programas................................................................................... 193
[Link] Recursos Necessários ................................................................................................... 193
[Link] Produtos a Serem Gerados ........................................................................................... 193
[Link] Cronograma ................................................................................................................... 194
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................. 194
3.2.3 Programa de Resgate e Monitoramento da Flora ................................................................. 197
[Link] Introdução e Justificativa ............................................................................................... 197
[Link] Objetivos ........................................................................................................................ 199
[Link] Requisitos Legais .......................................................................................................... 199
[Link] Responsabilidade de Execução .................................................................................... 200
[Link] Público-Alvo ................................................................................................................... 200
[Link] Metodologia ................................................................................................................... 200
[Link].1 Resgate de Epífitas .................................................................................................... 201
[Link].2 Resgate de Plantas Arbustivas e Herbáceas Terrestres ........................................... 201
[Link].3 Resgate de Licuris e/ou Ariris .................................................................................... 202
[Link].4 Coleta de Sementes e Produção de Mudas de Demais Espécies Protegidas .......... 203
[Link].5 Viveiro de Mudas........................................................................................................ 205
[Link].6 Monitoramento e Manutenção ................................................................................... 207
[Link].7 Registro de Dados...................................................................................................... 208
[Link] Metas ............................................................................................................................. 209
[Link] Indicadores de Desempenho ......................................................................................... 209
[Link] Interface com Outros Programas................................................................................... 209
[Link] Recursos Necessários ................................................................................................... 210
[Link] Produtos a Serem Gerados ........................................................................................... 210
[Link] Cronograma ................................................................................................................... 211
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................. 211
3.2.4 Plano de Conectividade ......................................................................................................... 213
[Link] Introdução e Justificativa ............................................................................................... 213
[Link] Objetivos ........................................................................................................................ 215
[Link] Requisitos Legais .......................................................................................................... 215
[Link] Responsabilidade de Execução .................................................................................... 216
[Link] Público-Alvo ................................................................................................................... 216
[Link] Metodologia ................................................................................................................... 216
[Link].1 Planejamento ............................................................................................................. 216
[Link].2 Atividades Executivas ................................................................................................ 220
[Link].3 Monitoramento e Avaliação dos Resultados .............................................................. 221
[Link] Metas ............................................................................................................................. 222
[Link] Indicadores de Desempenho ......................................................................................... 222

Sumário
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Interface com Outros Programas................................................................................... 223


[Link] Recursos Necessários ................................................................................................... 223
[Link] Produtos a Serem Gerados ........................................................................................... 223
[Link] Cronograma ................................................................................................................... 223
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................. 224
3.2.5 Programa de Afugentamento e Eventual Resgate de Fauna................................................ 226
[Link] Introdução e Justificativa ............................................................................................... 226
[Link] Objetivos ........................................................................................................................ 228
[Link] Requisitos Legais .......................................................................................................... 228
[Link] Responsabilidade de Execução .................................................................................... 229
[Link] Público-Alvo ................................................................................................................... 229
[Link] Metodologia ................................................................................................................... 230
[Link].1 Atividades Preliminares .............................................................................................. 230
[Link].2 Treinamento da Equipe Envolvida nas Ações de Supressão .................................... 231
[Link].3 Plano de Supressão ................................................................................................... 232
[Link].4 Segurança da Equipe de Supressão ......................................................................... 232
[Link].5 Acompanhamento das Atividades de Supressão ...................................................... 233
[Link].6 Manejo da Fauna: Resgate ........................................................................................ 236
[Link].7 Áreas de Soltura de Fauna ........................................................................................ 239
[Link].8 Fauna Atropelada ....................................................................................................... 243
[Link].9 Estrutura de Apoio para a Fauna ............................................................................... 243
[Link] Metas ............................................................................................................................. 243
[Link] Indicadores de Desempenho ......................................................................................... 244
[Link] Interface com Outros Programas................................................................................... 244
[Link] Recursos Necessários ................................................................................................... 245
[Link] Produtos a Serem Gerados ........................................................................................... 248
[Link] Cronograma ................................................................................................................... 248
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................. 248
3.2.6 Programa de Monitoramento e Proteção à Fauna ................................................................ 250
[Link] Introdução e Justificativa ............................................................................................... 250
[Link] Subprograma de Monitoramento e Proteção da Fauna Terrestre ................................ 253
[Link].1 Introdução e Justificativa ............................................................................................ 253
[Link].2 Objetivos .................................................................................................................... 254
[Link].3 Requisitos Legais ....................................................................................................... 255
[Link].4 Responsabilidade de Execução ................................................................................. 256
[Link].5 Público-Alvo ............................................................................................................... 256
[Link].6 Metodologia ................................................................................................................ 256
[Link].7 Metas .......................................................................................................................... 267
[Link].8 Indicadores de Desempenho ..................................................................................... 267
[Link].9 Interface com Outros Programas ............................................................................... 268

Sumário
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link].10 Recursos Necessários ............................................................................................. 268


[Link].11 Produtos a Serem Gerados ..................................................................................... 270
[Link].12 Cronograma ............................................................................................................. 270
[Link].13 Referências Bibliográficas ....................................................................................... 271
[Link] Subprograma de Monitoramento e Proteção da Fauna Alada ...................................... 272
[Link].1 Introdução e Justificativa ............................................................................................ 272
[Link].2 Objetivos .................................................................................................................... 273
[Link].3 Requisitos Legais ....................................................................................................... 274
[Link].4 Responsabilidade de Execução ................................................................................. 275
[Link].5 Público-Alvo ............................................................................................................... 275
[Link].6 Metodologia ................................................................................................................ 275
[Link].7 Metas .......................................................................................................................... 287
[Link].8 Indicadores de Desempenho ..................................................................................... 287
[Link].9 Interface com Outros Programas ............................................................................... 287
[Link].10 Recursos Necessários ............................................................................................. 288
[Link].11 Produtos a Serem Gerados ..................................................................................... 289
[Link].12 Cronograma ............................................................................................................. 290
[Link].13 Referências Bibliográficas ....................................................................................... 290
[Link] Subprograma de Monitoramento e Mitigação de Atropelamentos ................................ 293
[Link].1 Introdução e Justificativa ............................................................................................ 293
[Link].2 Objetivos .................................................................................................................... 294
[Link].3 Requisitos Legais ....................................................................................................... 295
[Link].4 Responsabilidade de Execução ................................................................................. 295
[Link].5 Público-alvo ................................................................................................................ 295
[Link].6 Metodologia ................................................................................................................ 296
[Link].7 Metas .......................................................................................................................... 300
[Link].8 Indicadores de Desempenho ..................................................................................... 300
[Link].9 Interface com Outros Programas ............................................................................... 301
[Link].10 Recursos Necessários ............................................................................................. 301
[Link].11 Produtos a Serem Gerados ..................................................................................... 302
[Link].12 Cronograma ............................................................................................................. 303
[Link].13 Referências Bibliográficas ....................................................................................... 303
3.3 Programas do Meio Socioeconômico ............................................................................................ 306
3.3.1 Programa de Comunicação Social ........................................................................................ 306
[Link] Introdução e Justificativa ............................................................................................... 306
[Link] Objetivos ........................................................................................................................ 307
[Link] Requisitos Legais .......................................................................................................... 308
[Link] Responsabilidade de Execução .................................................................................... 308
[Link] Público-Alvo ................................................................................................................... 308
[Link] Metodologia ................................................................................................................... 309

Sumário
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link].1 Princípios Normativos e Legais.................................................................................. 309


[Link].2 Pré-Implantação ......................................................................................................... 310
[Link].3 Implantação ................................................................................................................ 313
[Link].4 Operação.................................................................................................................... 316
[Link] Produtos a Serem Gerados ........................................................................................... 318
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................. 319
3.3.2 Programa de Educação Ambiental ........................................................................................ 321
[Link] Introdução e Justificativa ............................................................................................... 321
[Link].1 Educação Ambiental para os Trabalhadores das Obras (Público Interno)................ 325
[Link].2 Educação Ambiental para as comunidades da AID (Público Externo) ...................... 327
[Link].3 Subprograma de Educação Sexual e Prevenção às Drogas .................................... 331
[Link] Metas ............................................................................................................................. 337
[Link] Produtos a Serem Gerados ........................................................................................... 340
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................. 341
3.3.3 Programa de Capacitação e Integração de Mão de Obra Local ........................................... 345
[Link] Introdução e Justificativa ............................................................................................... 345
[Link] Objetivos ........................................................................................................................ 345
[Link] Produtos a Serem Gerados ........................................................................................... 350
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................. 351
3.3.4 Programa de Sinalização e Controle de Tráfego .................................................................. 353
[Link] Introdução e Justificativa ............................................................................................... 353
[Link].1 Coordenação Conjunta com os Órgãos Responsáveis ............................................. 358
[Link].2 Atividades de Capacitação e Orientação do Público-Alvo interno............................. 360
[Link].3 Procedimentos Operacionais de Gestão Temporária de Tráfego e do Sistema Viário ...
.................................................................................................................................... 360
[Link] Produtos a Serem Gerados ........................................................................................... 363
[Link] Referências Bibliográficas ............................................................................................. 364
3.3.5 Programa de Parcerias com Órgãos Públicos e Apoio aos Municípios ................................ 373
[Link].1 Plano de Compromisso .............................................................................................. 375
[Link] Metas ............................................................................................................................. 375
[Link] Indicadores de Desempenho ......................................................................................... 376
[Link] Produtos a Serem Gerados ........................................................................................... 376
3.3.6 Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável Local ................................................ 378
[Link] Produtos a Serem Gerados ........................................................................................... 381
4. Anexos................................................................................................................................................... 383
Anexo 1 .......................................................................................................................... 384
Anexo 2 .......................................................................................................................... 385
Anexo 3 .......................................................................................................................... 386
Anexo 4 .......................................................................................................................... 387
Anexo 5 .......................................................................................................................... 388

Sumário
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Anexo 6 .......................................................................................................................... 389


Anexo 7 .......................................................................................................................... 390
Anexo 8 .......................................................................................................................... 391
Anexo 9 .......................................................................................................................... 392
Anexo 10 ........................................................................................................................ 393

Sumário
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

LISTA DE QUADROS
Quadro 01 Organização interna do empreendimento. ................................................................................ 3
Quadro 02 Localização da SE onde o empreendimento será conectado. .................................................. 3
Quadro 03 Especificações técnicas do empreendimento. .......................................................................... 3
Quadro 04 Quantitativo de áreas por estrutura do empreendimento. ......................................................... 4
Quadro 05 Propriedades rurais afetadas pelo empreendimento. ............................................................... 7
Quadro 06 Quantitativo de uso do solo da AII do empreendimento. ........................................................ 13
Quadro 07 Quantitativo de uso do solo da AID do empreendimento. ....................................................... 14
Quadro 08 Uso do Solo na Área Diretamente Afetada – ADA do empreendimento. ................................ 14
Quadro 09 Parâmetros analisados no MRA do empreendimento. ............................................................ 16
Quadro 10 Propriedades rurais afetadas pelo empreendimento. ............................................................. 17
Quadro 11 Pontos de intervenção em APP. .............................................................................................. 35
Quadro 12 Programas ambientais do PBA................................................................................................ 42
Quadro 13 Cronograma do Programa de Gestão Ambiental. ................................................................... 53
Quadro 14 Quantitativos das classes de suscetibilidade à erosão nas AID e ADA do empreendimento. 58
Quadro 15 Critérios para identificação de áreas críticas para processos erosivos. ................................. 61
Quadro 16 Modelo de ficha a ser utilizado para cadastro de processos erosivos e movimentos de massa.
................................................................................................................................................. 62
Quadro 18 Cronograma do Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos. ................ 70
Quadro 19 Cronograma do Programa Controle e Monitoramento de Emissão de Particulados. ............. 82
Quadro 20 Limites de níveis de pressão sonora em função dos tipos de áreas habitadas e do período. 86
Quadro 21 Pontos de monitoramento de ruídos cadastrados. .................................................................. 90
Quadro 22 Resultados das medições dos níveis de ruído no período diurno........................................... 92
Quadro 23 Resultados das medições dos níveis de ruído no período noturno. ....................................... 92
Quadro 24 Cronograma do Programa de Controle e Monitoramento de Ruídos. .................................... 97
Quadro 25 Inventário de resíduos esperados na implantação do empreendimento. ............................. 102
Quadro 26 Classificação dos Resíduos da Obra. ................................................................................... 103
Quadro 27 Classes e tipificação dos resíduos da construção civil. ........................................................ 104
Quadro 28 Classificação dos resíduos sólidos do serviço de saúde, aplicados ao empreendimento. ... 105
Quadro 29 Padrão de cores de acordo com o tipo de resíduo (CONAMA nº 275). ................................ 107
Quadro 30 Cronograma do Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes Líquidos. . 120
Quadro 31 Pontos de amostragem de qualidade das águas no Complexo Santa Eugênia Solar (Fase
01). ............................................................................................................................................... 129
Quadro 32 Parâmetros Macroscópicos. .................................................................................................. 133
Quadro 33 Cronograma do Programa de Proteção e Monitoramento de Recursos Hídricos................. 138
Quadro 38 Coordenadas geográficas das áreas de bota-fora para possível destinação final do material
lenhoso. ............................................................................................................................................... 189
Quadro 39 Cronograma do Programa de Supressão da Cobertura Vegetal. ......................................... 194
Quadro 40 Algumas espécies vegetais registradas no Estado da Bahia com restrição de corte de acordo
com as legislações federais e estaduais. ...................................................................................................... 198

Sumário
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Quadro 41 Cronograma do Programa de Resgate da Flora. .................................................................. 211


Quadro 42 Premissas da mitigação de impactos do Plano de Conectividade. ....................................... 214
Quadro 44 Ficha de campo. .................................................................................................................... 235
Quadro 45 Relação dos profissionais necessários para execução do Programa de Afugentamento e
Eventual Resgate da Fauna. ......................................................................................................................... 245
Quadro 46 Itens necessários à execução do Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna.
............................................................................................................................................... 246
Quadro 47 Cronograma executivo do Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna. .... 248
Quadro 48 Resumo do Esforço amostral previsto para o Subprograma de Monitoramento da Fauna
Terrestre. ............................................................................................................................................... 267
Quadro 49 Relação dos profissionais necessários para execução do Subprograma de Monitoramento da
Fauna Terrestre. ............................................................................................................................................ 268
Quadro 50 Itens necessários à execução do Subprograma de Monitoramento da Fauna Terrestre. .... 269
Quadro 51 Cronograma executivo do Subprograma de Monitoramento da Fauna Terrestre. ............... 270
Quadro 52 Cronograma executivo do Subprograma de Monitoramento da Fauna Terrestre durante a
operação do empreendimento....................................................................................................................... 271
Quadro 53 Resumo do Esforço amostral previsto para o Subprograma de Monitoramento e Proteção da
Fauna Alada. ............................................................................................................................................... 286
Quadro 54 Relação dos profissionais necessários para execução do Subprograma de Monitoramento e
Proteção da Fauna Alada. ............................................................................................................................. 288
Quadro 55 Itens necessários à execução do Subprograma de Monitoramento e Proteção da Fauna
Alada. ............................................................................................................................................... 288
Quadro 56 Cronograma do Subprograma de Monitoramento e Proteção da Fauna Alada.................... 290
Quadro 57 Cronograma do Subprograma de Monitoramento e Proteção da Fauna Alada durante a
operação do empreendimento....................................................................................................................... 290
Quadro 58 Formulário de atropelamentos de fauna padrão. .................................................................. 297
Quadro 59 Relação dos profissionais necessários para execução do Subprograma de Monitoramento e
Mitigação de Atropelamentos. ....................................................................................................................... 301
Quadro 60 Itens necessários à execução do Subprograma de Monitoramento e Mitigação de
Atropelamentos.............................................................................................................................................. 302
Quadro 61 Cronograma executivo do Subprograma de Monitoramento e Mitigação de Atropelamentos. ..
............................................................................................................................................... 303
Quadro 62 Temas de Ações de Comunicação Social. ............................................................................ 314
Quadro 63 Canais de comunicação propostos para o PCS, público-alvo e ações relacionadas. .......... 315
Quadro 64 Cronograma do Programa de Comunicação Social. ............................................................. 318
Quadro 65 Temas Sugeridos para o Público Interno. ............................................................................. 326
Quadro 66 Detalhamento resumido das condições e metodologias sugeridas para a realização das
oficinas previstas no Programa de Educação Ambiental. ............................................................................. 329
Quadro 67 Temas Sugeridos para Oficina de Agentes Multiplicadores. ................................................. 330
Quadro 68 Detalhamento resumido das condições e metodologias para a realização das oficinas
previstas no Programa de Educação em Saúde. .......................................................................................... 336
Quadro 71 Princípios básicos para a concepção e implantação da sinalização vertical de trânsito. ..... 356
Quadro 72 Cronograma do Programa de Sinalização e Controle de Tráfego. ....................................... 364

Sumário
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

LISTA DE FIGURAS
Figura 01 Arranjo Geral do Empreendimento. ........................................................................................... 6
Figura 02 Localização do empreendimento. .............................................................................................. 8
Figura 03 Propriedades rurais afetadas pelo empreendimento. ............................................................... 9
Figura 04 Percurso Salvador – Uibaí. ...................................................................................................... 10
Figura 05 Acesso ao Empreendimento.................................................................................................... 11
Figura 06 Áreas de Influências do Empreendimento............................................................................... 15
Figura 07 Propriedades rurais afetadas pelo empreendimento. ............................................................. 18
Figura 08 Edificações............................................................................................................................... 20
Figura 09 Comunidades Quilombolas...................................................................................................... 22
Figura 10 Assentamentos INCRA. ........................................................................................................... 23
Figura 11 Áreas Indígenas (AI). ............................................................................................................... 24
Figura 12 Áreas de Direitos Minerários (DM). ......................................................................................... 26
Figura 13 Cavidades (CECAV). ............................................................................................................... 28
Figura 14 Cavidades (Campo). ................................................................................................................ 30
Figura 15 Sítios Arqueológicos. ............................................................................................................... 32
Figura 16 Intervenção em Reserva Legal (RL). ....................................................................................... 34
Figura 17 Intervenção em APP. ............................................................................................................... 36
Figura 18 Intervenção em Unidades de Conservação (UC). ................................................................... 38
Figura 19 Área de Aplicação da Lei da Mata Atlântica. ........................................................................... 40
Figura 20 Modelo da Escala de Ringelmann, conforme determinação de uso do CONTRAN. .............. 79
Figura 21 Localização dos Pontos de Ruídos. ........................................................................................ 91
Figura 22 Nível Contínuo Equivalente (LAeq) de cada ponto de ruído, no período diurno, comparados
ao nível de pressão sonora estabelecido pela Norma NBR-10.151. .............................................................. 93
Figura 23 Nível Contínuo Equivalente (Laeq) de cada ponto de ruído, no período noturno, comparados
ao nível de pressão sonora estabelecido pela Norma NBR-10.151. .............................................................. 93
Figura 24 Fluxograma de Gerenciamento de Resíduos com todas as etapas do Programa. .............. 116
Figura 25 Pontos de amostragem de qualidade das águas no Complexo Santa Eugênia Solar (Fase
01). ............................................................................................................................................... 130
Figura 28 Modelo de formulário disponibilizado pelo INEMA. ............................................................... 184
Figura 29 Detalhe dos cortes para derrubada de árvores de maior porte............................................. 187
Figura 30 Áreas de soltura de fauna...................................................................................................... 242
Figura 31 Modelos de Caixas de Contenção Física de Répteis, Aves e Mamíferos. ........................... 247
Figura 32 Áreas de amostragem de fauna. ........................................................................................... 258
Figura 33 Áreas de amostragem de fauna. ........................................................................................... 277
Figura 34 Componentes da Sexualidade Humana. ............................................................................... 334

Sumário
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

1. INTRODUÇÃO
Este documento apresenta o Plano Básico Ambiental (PBA) que integra o procedimento de
formalização do processo de Licença de Instalação (LI) do projeto do Complexo Santa Eugênia
Solar (Fase 01), previsto para ser implantado nos municípios de Uibaí e Ibipeba, no estado da
Bahia, sob responsabilidade da empresa Statkraft Energias Renováveis S.A.

Ressalta-se que as medidas ambientais propostas no âmbito deste PBA visam primeiramente a
prevenção de impactos ambientais a serem gerados pela construção, operação e
descomissionamento das estruturas de apoio e secundariamente, a mitigação e controle dos
impactos ambientais negativos a fim de se evitar a propagação desses para além do território da
área de influência (AID e AII). Ademais, são apresentadas as medidas de monitoramento e de
acompanhamento das ações ambientais implementadas pelo empreendedor, para o cumprimento
da legislação ambiental vigente, minimização de impactos negativos e potencialização dos impactos
positivos do empreendimento.

Todo o estudo foi conduzido por uma equipe multidisciplinar de profissionais, conforme quadro
apresentado nas páginas iniciais deste PBA, que realizou o levantamento e análise de dados, bem
como a integração das propostas de ações ambientais para a área de inserção do empreendimento
e suas áreas de influência

Desta forma, é apresentado neste documento o detalhamento dos 22 programas ambientais


elaborados para o empreendimento, como parte das informações a serem apresentadas ao INEMA
para requerimento da Licença de Instalação (LI).

Introdução – Pág. 1
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2. DESCRIÇÃO DO EMPREENDIMENTO
Esse capítulo detalha as principais informações do projeto atual de engenharia do empreendimento,
além da localização, acessos, áreas de influência e análise de restrições ambientais do Complexo
Santa Eugênia Solar (Fase 01).

2.1 Histórico de Licenciamento


De modo a contextualizar o histórico de licenciamento do projeto, em 28/09/2023 o INEMA
concedeu a Licença Prévia (LP) nº 29.553, no âmbito do processo nº 2023.001.003640/INEMA/LIC-
03640, para a seguinte configuração do empreendimento: 22 usinas fotovoltaicas, denominadas
UFV 1 a 2, Sol de Brotas 3 a 7 e UFV 8 a 22, com 62.920 painéis fotovoltaicos e 39.010 KWp de
potência cada, totalizando 858.220 kWp de potência instalada e 1.384.240 painéis fotovoltaicos de
620 Wp, previstos para serem instalados em uma área de 1.524,47 ha.

Posteriormente, em 09/11/2023, foi aberto o requerimento nº 2023.001.082442/INEMA/REQ para


solicitação da Licença de Instalação (LI), Autorização de Supressão de Vegetação (ASV) e
Autorização de Manejo de Fauna (AMF) para o Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), para os
quais o presente relatório foi elaborado. Das 22 UFVs licenciadas na Licença Prévia (LP), somente
05 – UFVs Sol de Brotas 3, 4, 5, 6 e 7 – serão licenciadas no presente requerimento de Licença de
Instalação. As demais UFVs serão licenciadas posteriormente, em momento oportuno, na próxima
fase do projeto.

Nesse contexto, o pedido de Licença de Instalação (LI) do empreendimento será feito em duas
fases, sendo:

• Fase 01: UFVs Sol de Brotas 3, 4, 5, 6 e 7 (alvo do presente processo de licenciamento);

• Fase 02: UFVs 1, 2, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21 e 22 (a serem
licenciadas posteriormente).

Após a evolução e desenvolvimento do projeto executivo, o empreendimento objeto dessa Licença


de Instalação (LI) passa a ter a configuração apresentada no próximo capítulo.

2.2 Informações de Projeto


O Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) é um conjunto de usinas fotovoltaicas pertencentes
à empresa Statkraft Energias Renováveis S.A., que tem como objetivo a geração e comercialização
de energia elétrica renovável e limpa oriunda de fonte solar. O empreendimento será composto por
05 Usinas Fotovoltaicas, denominadas UFV Sol de Brotas 3, 4, 5, 6, e 7, totalizando 282.240
módulos fotovoltaicos e 191.923 kWp de potência instalada, planejados para serem implantados

Descrição do Empreendimento – Pág. 2


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

em uma área de aproximadamente 454,46 ha, conforme especificações técnicas detalhadas no


Quadros 01, 02 e 03 a seguir.

Quadro 01 Organização interna do empreendimento.

Potência
Potência SEs Nº de
UFV Localização CNPJ Instalada Inversores Trackers
(kWp) Unitárias Módulos
(kW)
Sol de Brotas 3 Ibipeba/BA 00.622.416/0001-41 39.107 32.640 5 102 637 57.510
Sol de Brotas 4 Uibaí/BA 00.622.416/0001-41 39.107 32.640 5 102 637 57.510
Sol de Brotas 5 Uibaí/BA 00.622.416/0001-41 39.107 32.640 5 102 637 57.510
Sol de Brotas 6 Uibaí/BA 00.622.416/0001-41 39.107 32.640 5 102 637 57.510
Sol de Brotas 7 Uibaí/BA 00.622.416/0001-41 35.496 32.640 5 102 580 52.200
TOTAL – 05 USINAS FOTOVOLTAICAS 191.923 163.200 25 510 3.130 282.240

Quadro 02 Localização da SE onde o empreendimento será conectado.

Coordenadas (SIRGAS 2000)


Subestação Localização Cota
X (E) Y (S)
Subestação Santa Eugênia Uibaí/BA 809050 8735086 1.070

Quadro 03 Especificações técnicas do empreendimento.

Características Gerais Unidade Valores


Fabricante e modelo do módulo FV - Canadian Solar
Tecnologia do módulo FV - Monocristalino Bifacial (m-Si)
Potência nominal média do módulo FV Wp 680
Número de Módulos Unid. 282.240
Número de Trackers Unid. 3.130
Range do Tracker ° +/- 55
Número de Inversores String Unid. 510
Potência do Inversor (40ºC) kVA 320
Número de Subestações Unitárias Unid. 25
Potência da Subestação Unitária (40ºC) kVa 6.400 / 6.720
Potência CC kWp 191.923
Potência CA kVA 163.200

Descrição do Empreendimento – Pág. 3


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

O empreendimento será composto pelas seguintes estruturas:

• 05 Usinas Fotovoltaicas;

• 282.240 Módulos Fotovoltaicos;

• 510 Inversores

• 01 Canteiros de Obras;

• 01 Edifício O&M;

• 07 Áreas de Bota-Fora;

• 02 Áreas de Armazenamento / Estocagem;

• 07 Bacias de Sedimentação;

• Acessos internos, com extensão total de ± 9,18 km;

• Rede de Média Tensão – RMT, com extensão total de ± 27,40 km;

O quantitativo total de áreas a serem afetadas pelo empreendimento, detalhado por estrutura,
encontra-se apresentado no Quadro 04 a seguir.

Quadro 04 Quantitativo de áreas por estrutura do empreendimento.

Estrutura Área (ha) Área (%) Quantidade


Acessos Internos 3,90 0,86 9,18 km
Área de Armazenamento / Estocagem * 1,83 0,40 02 un
Áreas de Bota-Fora * 17,62 3,88 07 un
Canteiro de Obras * 5,10 1,12 01 un
Edifício O&M 0,34 0,08 01 un
Bacias de Sedimentação 1,14 0,25 07 un
Rede de Média Tensão (RMT) 18,97 4,17 27,40 km
Painéis Fotovoltaicos 94,16 20,72 282.240 un
Inversores 0,08 0,02 510 un
Área de Espaçamento da UFV 311,31 68,50 -
Total 454,46 100 -

(*) Estruturas provisórias que somam 24,55 ha, ou 5,4 % da ADA, e que serão alvos do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas

(PRAD), com a reintegração das áreas a paisagem natural, após a finalização das obras de implantação.

Descrição do Empreendimento – Pág. 4


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

As áreas de espaçamento da UFV indicadas na tabela se referem as áreas de espaçamento entre


os painéis solares e as áreas de espaçamento entre as carcas perimetrais e os painéis solares. São
áreas destinadas à movimentação de máquinas e equipamentos necessários para a implantação e
operação do empreendimento, bem como para evitar o sombreamento sob as placas solares.

Os canteiros de obras e as áreas de bota-fora e armazenamento são estruturas temporárias que


serão alvos do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) após a finalização da obra
de implantação do empreendimento.

Os acessos alternativos (aqueles que não serão permanentes) que forem abertos terão 100% de
sua área regeneradas naturalmente após a finalização das obras de implantação do
empreendimento, enquanto a faixa de RMT será parcialmente recuperada, uma vez que será
necessário manter uma faixa mínima para eventuais manutenções ao longo da operação do
empreendimento.

A área dos parques fotovoltaicos, as placas solares, os inversores, o edifício O&M, a bacia de
sedimentação e os acessos internos serão estruturas permanentes, não sendo passíveis de
recuperação ou regeneração natural.

A localização das estruturas do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) pode ser visualizada
no Mapa de Arranjo Geral apresentado na Figura 01 a seguir e no Anexo 03, em escala com maior
nível de detalhes.

Descrição do Empreendimento – Pág. 5


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 01 Arranjo Geral do Empreendimento.

Descrição do Empreendimento – Pág. 6


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.3 Localização e Acesso


O local onde será implantado o Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) está situado na zona
rural dos municípios de Uibaí e Ibipeba, no Estado da Bahia, distante aproximadamente 506 km da
capital Salvador.

A fase 01 do empreendimento está totalmente inserido dentro da poligonal de 01 (uma) propriedade


rural, denominada Fazenda Cachoeira, a qual foi arrendada pelo empreendedor para a implantação
do empreendimento.

O Quadro 05 apresenta as principais informações relativas ao imóvel afetado, enquanto a Figura


02 e a Figura 03 ilustram a localização do empreendimento em relação à região e ao imóvel afetado.

Quadro 05 Propriedades rurais afetadas pelo empreendimento.

Área Área Área


Área
Propriedade Localização Proprietário Matrícula Nº CAR Intervinda de RL Intervinda
(ha)
(ha) (ha) (ha)
Terra -
BA-2932408-
Fazenda Uibaí/BA e Fundo de
11.241 D232F163F1B7 3838,07 454,46 673,60 0,00
Cachoeira Ibipeba/BA Investimento
42C697E34F6FD999EBA8
Imobiliário

Descrição do Empreendimento – Pág. 7


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 02 Localização do empreendimento.

Descrição do Empreendimento – Pág. 8


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 03 Propriedades rurais afetadas pelo empreendimento.

Descrição do Empreendimento – Pág. 9


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

O percurso até o acesso da área de implantação do empreendimento, partindo do município de


Salvador, se dá pelas rodovias BA-526, BA-324, BA-116, BA-052, BA-225 e BA-434. A partir desta
última, o acesso externo definitivo ao empreendimento se dá por estrada vicinal, passando por
dentro do Complexo Eólico Ventos de Santa Eugênia, empreendimento vizinho e de propriedade
do mesmo empreendedor, conforme ilustrado na Figura 04 e Figura 05 a seguir.

Figura 04 Percurso Salvador – Uibaí.

Descrição do Empreendimento – Pág. 10


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 05 Acesso ao Empreendimento.

Descrição do Empreendimento – Pág. 11


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.4 Áreas de Influência


As áreas de influência definidas para o projeto do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) foram
baseadas nos impactos ambientais identificados e avaliados no EMI do empreendimento e,
posteriormente, foram revisitadas tendo em vista as alterações realizadas no layout do projeto,
reduzindo a Área Diretamente Afetada (ADA) devido ao faseamento do pedido de licença de
instalação e, consequentemente, as áreas de estudo definidas anteriormente.

2.4.1 Área de Influência Indireta (AII)


A Área de Influência Indireta (AII) é a área geográfica passível de ser afetada por impactos
predominantemente não significativos e indiretos, positivos ou negativos, decorrentes das fases de
implantação e operação do empreendimento.

Nos estudos de LP, a delimitação da Área de Influência Indireta (AII) dos Meios Físico e Biótico foi
definida a partir do raio de abrangência mais amplo dos efeitos do empreendimento sobre os
atributos biofísicos, considerando a expressão espacial composta, principalmente, por feições do
relevo. A partir destas premissas, foram definidos os limites da AII de modo a contemplar o contexto
de bacia hidrográfica, de barreiras físicas estabelecidas por canais de drenagem e topografia. Com
base nesses critérios, a espacialização da AII para os Meios Físico e Biótico na LP contemplou
31.512,69 ha.

Para os estudos de LI da Fase 01, devido aos ajustes de projeto, a AII dos Meios Físico e Biótico
foi redefinida considerando as mesmas premissas consideradas nos estudos de LP e a partir dos
acidentes geográficos observados na área do empreendimento. Para sua delimitação foram
utilizados como limite os talvegues, divisores de água e contexto de escoamento hídrico em que o
empreendimento está localizado.

Para delimitação da Área de Influência Indireta (AII) para o Meio Socioeconômico, tanto para os
estudos de LP quanto de LI, foram considerados os municípios de Uibaí e Ibipeba, no estado da
Bahia, por serem as unidades político-administrativas do território onde será implantado o
empreendimento.

Após o ajuste de layout, a Área de Influência Indireta (AII) passou a compreender 17.344,82 ha. O
Quadro 06 mostra o quantitativo de uso do solo da AII do empreendimento. A espacialização da AII
para os Meios Físico, Biótico e Socioeconômico é apresentada na Figura 06 ao final desse capítulo.

Descrição do Empreendimento – Pág. 12


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Quadro 06 Quantitativo de uso do solo da AII do empreendimento.

AII
Classes
Dentro de APP (ha) Fora de APP (ha) Total (ha)
Área Urbanizada 3,16 34,64 37,80
Caatinga arbórea/arbustiva 418,66 5.274,90 5.693,56
Caatinga rupícola/Campo Rupestre 38,75 1.426,04 1.464,79
Floresta Estacional Semidecidual 3,26 0,66 3,92
Floresta/Caatinga arbórea 331,13 7.687,93 8.019,06
Solo Exposto / Complexo Eólico Existente 3,11 321,27 324,38
Superfície Agropecuária 118,49 1.682,82 1.801,31
Total Geral 916,57 16.428,25 17.344,82

2.4.2 Área de Influência Direta (AID)


A Área de Influência Direta (AID) corresponde à área geográfica que engloba a Área Diretamente
Afetada e, portanto, passível de ser afetada de maneira direta pelos impactos predominantemente
significativos, positivos ou negativos, decorrentes do empreendimento.

Nos estudos de LP, a extensão da Área de Influência Direta (AID) para o Meio Físico foi definida de
forma a compreender as áreas potencialmente ameaçadas pelos impactos diretos da implantação
do empreendimento, bem como das atividades decorrentes. Sua delimitação teve como premissa
básica a contextualização do empreendimento em relação às barreiras físicas de transposição de
impactos, que são representadas por cursos d´água, divisores de sub-bacias hidrográficas,
ondulações do relevo, recursos ambientais relevantes, dessedentação e abrigos para manutenção
da macrofauna e porções significativas de vegetação preservada. Neste cenário, a delimitação da
Área de Influência Direta (AID) para os Meios Físico e Biótico na LP, contida integralmente na AII,
abrangeu 12.219,32 ha.

Para os estudos de LI da Fase 01, devido aos ajustes de projeto, a AID para os Meios Físico e
Biótico foi redefinida considerando as mesmas premissas consideradas nos estudos de LP e a partir
dos acidentes geográficos observados na área do empreendimento. Para sua delimitação foram
utilizados como limite os talvegues, divisores de água e contexto de escoamento hídrico em que o
empreendimento está localizado.

A AID para o Meio Socioeconômico, tanto para os estudos de LP quanto de LI, corresponde às
sedes municipais e localidades que não passarão por obras do empreendimento, como
readequação das vias e da infraestrutura local; no entanto, nessas localidades da AID, haverá
impactos diretos no meio social, como acesso a bens e serviços e contratação de mão de obra,
devido à sua importância e referência aos moradores da região. Estabeleceu-se, portanto, que a
Área de Influência Direta (AID) será composta pelos espaços rurais delimitados conforme dinâmica
socioeconômica local, quais sejam: Sedes municipais de Uibaí/BA e Ibipeba/BA e Comunidades de
Olhos D’Água e Boca D’Água.

Descrição do Empreendimento – Pág. 13


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Após o ajuste layout, a Área de Influência Direta (AID) passou a compreender 5.325,11 ha. O
Quadro 07 mostra o quantitativo de uso do solo da AID do empreendimento. A espacialização da
AID para os Meios Físico, Biótico e Socioeconômico é apresentada na Figura 06 ao final desse
capítulo.

Quadro 07 Quantitativo de uso do solo da AID do empreendimento.

AID
Classes
Dentro de APP (ha) Fora de APP (ha) Total (ha)
Área Urbanizada 0,00 0,00 0,00
Caatinga arbórea/arbustiva 75,62 1.090,03 1.165,65
Caatinga rupícola/Campo Rupestre 9,40 200,30 209,69
Floresta Estacional Semidecidual 1,04 0,13 1,17
Floresta/Caatinga arbórea 157,36 3.557,90 3.715,26
Solo Exposto / Complexo Eólico Existente 1,83 194,35 196,18
Superfície Agropecuária 0,01 37,14 37,15
Total Geral 245,27 5.079,84 5.325,11

2.4.3 Área Diretamente Afetada (ADA)


A Área Diretamente Afetada (ADA), comum aos Meios Físico, Biótico e Socioeconômico, é
composta pelas áreas ocupadas pelo empreendimento, isto é, o layout do Complexo Santa
Eugênia Solar (Fase 01), considerando suas respectivas estruturas associadas (acessos internos,
módulos fotovoltaicos, inversores, canteiros de obras, bota-fora etc.). As áreas que compõem a
ADA do empreendimento totalizam 454,46 ha, conforme mostra o Quadro 08. A delimitação espacial
da Área Diretamente Afetada (ADA) é apresentada na Figura 06 a seguir.

Quadro 08 Uso do Solo na Área Diretamente Afetada – ADA do empreendimento.

AID
Classes
Dentro de APP (ha) Fora de APP (ha) Total (ha)
Área Urbanizada 0,00 0,00 0,00
Caatinga arbórea/arbustiva 0,00 63,66 63,66
Caatinga rupícola/Campo Rupestre 0,00 0,00 0,00
Floresta Estacional Semidecidual 0,00 0,00 0,00
Floresta/Caatinga arbórea 0,14 370,65 370,80
Solo Exposto / Complexo Eólico Existente 0,00 16,60 16,60
Superfície Agropecuária 0,00 3,41 3,41
Total Geral 0,14 454,32 454,46

Descrição do Empreendimento – Pág. 14


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 06 Áreas de Influências do Empreendimento.

Descrição do Empreendimento – Pág. 15


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5 Restrições Ambientais


Esse capítulo detalha as restrições identificadas no Mapa de Restrições Ambientais (MRA) do
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) de maneira detalhada, de modo a orientar o
empreendedor sobre as melhores alternativas locacionais para o desenvolvimento do projeto de
engenharia do empreendimento.

Foram analisadas as possíveis intervenções da Área Diretamente Afetada – ADA do


empreendimento em relação às seguintes estruturas:

Quadro 09 Parâmetros analisados no MRA do empreendimento.

Estrutura
Acesso à Área de Implantação
Edificações
Comunidades Quilombolas e de Fundo de Pasto
Assentamento do INCRA
Áreas Indígenas (AI)
Áreas de Direito Minerário (DM)
Cavidades mapeadas pelo CECAV
Cavidades mapeadas em campo
Sítios Arqueológicos
Reservas Legais (RL)
Áreas de Preservação Permanente (APP)
Unidades de Conservação (UC)
Áreas de aplicação da Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428/2006)
Áreas de Segurança Aeroportuária
Linhas de Transmissão existentes

2.5.1 Acesso à Área de Implantação


[ X ] Sem restrições | [ ] Atenção | [ ] Com restrições

A área da UFV tem a seu favor a disponibilidade de estradas de acesso externo (rodovia BA-434)
e também de estradas de acessos vicinais e acessos internos do Complexo Eólico Ventos de Santa
Eugênia, empreendimento vizinho e já implantado, não sendo necessária a construção de novos
acessos externos para chegar até a área de implantação do empreendimento. A construção dos
acessos internos da UFV se dará em área arrendada e terão cerca de 03 a 06 metros de largura e
base compactada de material granulado, de modo a evitar a geração de poeira e tendo largura
suficiente para a passagem dos equipamentos do empreendimento. Ademais, os novos acessos
contarão com sistema de drenagem para a condução adequada da água pluvial a fim de evitar
empoçamento ou erosão.

Descrição do Empreendimento – Pág. 16


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5.2 Propriedades Rurais


[ X ] Sem restrições | [ X ] Atenção | [ ] Com restrições

De acordo com a consulta feita à base pública do SICAR, o empreendimento está totalmente
inserido dentro da poligonal de 01 (uma) propriedade rural, denominada Fazenda Cachoeira, a qual
foi arrendada pelo empreendedor para a implantação do empreendimento.

O Quadro 05 apresenta as principais informações relativas ao imóvel afetado, enquanto a Figura


07 ilustra a localização do empreendimento em relação ao imóvel afetado.

Quadro 10 Propriedades rurais afetadas pelo empreendimento.

Área Área Área


Área
Propriedade Localização Proprietário Matrícula Nº CAR Intervinda de RL Intervinda
(ha)
(ha) (ha) (ha)
Terra -
BA-2932408-
Fazenda Uibaí/BA e Fundo de
11.241 D232F163F1B7 3838,07 454,46 673,60 0,00
Cachoeira Ibipeba/BA Investimento
42C697E34F6FD999EBA8
Imobiliário

Descrição do Empreendimento – Pág. 17


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 07 Propriedades rurais afetadas pelo empreendimento.

Descrição do Empreendimento – Pág. 18


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5.3 Edificações e Áreas Urbanas


[ X ] Sem restrições | [ ] Atenção | [ ] Com restrições

A área de implantação da UFV é eminentemente rural, não havendo edificações sendo sobrepostas
pela ADA do empreendimento.

Descrição do Empreendimento – Pág. 19


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 08 Edificações.

Descrição do Empreendimento – Pág. 20


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5.4 Comunidades Quilombolas e de Fundo de Pasto


[ X ] Sem restrições | [ ] Atenção | [ ] Com restrições

De acordo com a Portaria Interministerial nº 60, de 24/03/2015, a distância legal de


empreendimentos pontuais (categoria que se enquadra a UFV) para comunidades quilombolas
deve ser de 8 km. Assim exposto, foram identificadas 02 comunidades quilombolas afetadas pelo
buffer de 8 km da UFV, estando as duas localizadas dentro da AII do empreendimento. São elas:
Serra Grande, a cerca de 8,36 km de distância, e Olhos D’água do Badu, a cerca de 5,73 km de
distância. Todas essas comunidades quilombolas identificadas são certificadas pela Fundação
Cultural Palmares, mas não possuem RTID (delimitação de terras realizada pelo INCRA).

As duas comunidades citadas acima também estão dentro do buffer de 8 km no entorno do


Complexo Eólico Ventos de Santa Eugênia, empreendimento adjacente à UFV, também de
propriedade da Statkraft e já em fase final de implantação. O empreendedor iniciou as tratativas em
2020, por meio do processo SEI/FCP nº 01420.100173/2020-09, no âmbito da implantação do
Complexo Eólico Ventos de Santa Eugênia, e realizou a elaboração do Estudo de Componente
Quilombola (ECQ) e do Plano Básico Ambiental Quilombola (PBAq), que foram aprovados após
consultas públicas. O PBAq foi elaborado e protocolado junto ao processo em julho de 2023, e
agora o empreendedor aguarda a manifestação final do INCRA para operação do Complexo Eólico.
Com relação ao Complexo Solar objeto deste estudo, o INCRA foi consultado, conforme evidências
disponíveis no Anexo 09, mas ainda não se manifestou.

Em relação a comunidades de fundo de pasto, não foram identificadas comunidades sendo afetadas
ou próximas da ADA do empreendimento.

Descrição do Empreendimento – Pág. 21


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 09 Comunidades Quilombolas.

Descrição do Empreendimento – Pág. 22


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5.5 Assentamentos do INCRA


[ X ] Sem restrições | [ ] Atenção | [ ] Com restrições

De acordo com a consulta à base oficial do INCRA, a ADA da UFV não interfere e nem está próxima
a assentamentos, sendo o PA Bora o assentamento mais próximo do empreendimento, a cerca de
32 km de distância.

Figura 10 Assentamentos INCRA.

Descrição do Empreendimento – Pág. 23


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5.6 Áreas Indígenas (AI)


[ X ] Sem restrições | [ ] Atenção | [ ] Com restrições

De acordo com a consulta à base oficial da FUNAI, a ADA da UFV não intercepta e nem está
próxima de Áreas Indígenas, sendo a comunidade de Ibotirama a mais próxima do empreendimento,
a cerca de 131 km de distância.

Figura 11 Áreas Indígenas (AI).

Descrição do Empreendimento – Pág. 24


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5.7 Direitos Minerários (DM)


[ X ] Sem restrições | [ ] Atenção | [ ] Com restrições

Um processo minerário é o polígono que define a área onde uma pessoa ou empresa tem a
prioridade e o direito exclusivo de comercializar as substâncias minerais de valor econômico
mapeadas dentro dos limites dessa poligonal, que recebe um número identificador único quando
registrada na ANM (Agência Nacional de Mineração), se tornando um processo administrativo desse
órgão. Esses processos são divididos, basicamente, em quatro fases: requerimento de pesquisa,
autorização de pesquisa, requerimento de lavra, concessão de lavra. A intervenção da ADA de um
empreendimento em áreas com processos até a fase de “autorização de pesquisa” não se configura
como uma restrição. Já a intervenção da ADA de um empreendimento em áreas com processos em
fases posteriores a “autorização de pesquisa” pode se configurar como uma restrição ao processo
de licenciamento.

De acordo com a consulta feita à base oficial da ANM, a ADA da UFV está interceptando apenas
01 área de Direito Minerário, estando ela em fase de “disponibilidade”. Considerando que não
existem áreas intervindas que estão com processos em fases posteriores a "autorização de
pesquisa", com o requerimento para execução de atividades minerárias em andamento no presente
momento, não será necessário proceder com o pedido de bloqueio minerário ou com a negociação
e/ou acordo de indenização com os proprietários dessa área.

Por fim, apesar de não se configurarem como restrições ambientais, mas sim como pontos de
atenção, existem outras 20 áreas sendo interceptadas pelas AID e AII do empreendimento.

Descrição do Empreendimento – Pág. 25


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 12 Áreas de Direitos Minerários (DM).

Descrição do Empreendimento – Pág. 26


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5.8 Cavidades (CECAV)


[ X ] Sem restrições | [ ] Atenção | [ ] Com restrições

De acordo com a consulta à base oficial do CECAV, não foram identificadas cavidades com o buffer
de 250m interceptados pela ADA da UFV. Existem algumas cavidades mapeadas pelo CECAV no
entorno do empreendimento, sendo que a mais próxima (Toca da Água) está a cerca de 7,25 km
de distância.

Descrição do Empreendimento – Pág. 27


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 13 Cavidades (CECAV).

Descrição do Empreendimento – Pág. 28


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5.9 Cavidades (Campo)


[ X ] Sem restrições | [ ] Atenção | [ ] Com restrições

Entre o período de 05/12/2022 a 15/12/2022 foi realizado o levantamento espeleológico na região


de implantação do empreendimento com o objetivo de levantar informações relevantes sobre
cavidades e feições espeleológicas que possam vir a impactar a concepção final do layout do projeto
e em seu processo de licenciamento. As atividades ocorreram dentro da Área de Levantamento
Espeleológico (ALE), que se constitui por um buffer de 250 m no entorno da ADA do
empreendimento.

Não foram mapeadas cavidades ou feições espeleológicas dentro da ALE no decorrer do trabalho
de campo, em decorrência, sobretudo, da ausência de grandes afloramentos rochosos na área. Na
paisagem da ALE predominam vertentes alongadas, vegetadas e relevo pouco movimentado, sem
grandes rupturas de relevo, contexto que não favorece a espeleogênese.

Descrição do Empreendimento – Pág. 29


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 14 Cavidades (Campo).

Descrição do Empreendimento – Pág. 30


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5.10 Sítios Arqueológicos


[ X ] Sem restrições | [ X ] Atenção | [ ] Com restrições

Em consulta a base oficial do IPHAN e também de acordo com os levantamentos de campo que
subsidiaram a elaboração desse MRA, não foram identificados sítios arqueológicos interceptados
pela ADA da UFV. Porém, foram identificados 04 sítios arqueológicos dentro da AID: Baixado do
Garapa (BA2912400BAST00003), a cerca de 54 metros de distância, Riacho do Garapa
(BA2912400BAST00005), a cerca de 1,19 km de distância, Alto do Garapa, a cerca de 1,22 km de
distância, Toca do Embrejado, a cerca de 1,29 km de distância. Além desses, foram identificados
outros 09 sítios arqueológicos dentro da AII do empreendimento.

Os sítios identificados não apresentam restrições ao projeto, porém, devem ser considerados como
pontos de atenção devido à proximidade da ADA.

Descrição do Empreendimento – Pág. 31


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 15 Sítios Arqueológicos.

Descrição do Empreendimento – Pág. 32


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5.11 Reserva Legal (RL)


[ X ] Sem restrições | [ ] Atenção | [ ] Com restrições

De acordo com a consulta feita à base pública do SICAR, a ADA da UFV não está interceptando
poligonais de Reserva Legal.

Descrição do Empreendimento – Pág. 33


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 16 Intervenção em Reserva Legal (RL).

Descrição do Empreendimento – Pág. 34


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5.12 Área de Preservação Permanente (APP)


[ ] Sem restrições | [ X ] Atenção | [ ] Com restrições

Para a análise desse item foi utilizada a base hidrográfica do GeoBahia refinada com os resultados
do levantamento de campo realizado pela equipe da Maron Ambiental.

A ADA da UFV intercepta apenas 01 ponto de APP hídrica, totalizando 0,14 ha. Essa intervenção
se dá somente pela faixa de RMT, conforme mostra o Quadro 11 abaixo.

Quadro 11 Pontos de intervenção em APP.

Estrutura Tipo de APP Área (ha) UTM E UTM S


Rede de Média Tensão (RMT) Curso d'água 0,14 810108 8734657

Vale ressaltar que a intervenção em APPs por estruturas como as cercas, acessos, linha de
transmissão e/ou RMT podem vir a ocorrer, desde que seja apresentado ao INEMA o projeto
executivo de drenagem do empreendimento e, também, os programas ambientais de caráter
preventivo e corretivo, como o Programa de Controle de Processos Erosivos e Assoreamento,
Programa de Recuperação de Áreas Degradas, entre outros. Além disso, a Lei 12.651/2012 (Código
Florestal) prevê, em sua Seção II, Artigo 8º, que “A intervenção ou a supressão de vegetação nativa
em Área de Preservação Permanente somente ocorrerá nas hipóteses de utilidade pública, de
interesse social ou de baixo impacto ambiental previstas nesta Lei”, sendo que a geração e
transmissão de energia, objetivo central do empreendimento em questão, é assim definida pelo
Artigo 3º, item VIII do Código Florestal.

Nesse contexto, a intervenção em APP não se configura como um ponto de restrição, e sim como
um ponto de atenção, uma vez que não haverá locação de postes na área de APP, mas somente o
lançamento aéreo de cabos.

Descrição do Empreendimento – Pág. 35


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 17 Intervenção em APP.

Descrição do Empreendimento – Pág. 36


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5.13 Intervenção de Cursos d’Água


[ X ] Sem restrições | [ X ] Atenção | [ ] Com restrições

A ADA da UFV não intercepta cursos d’água. A pequena intervenção em APP pela ADA do
empreendimento acontece apenas no buffer de 30m no entorno do talvegue, sem interferir
diretamente no curso d’água.

Além disso, conforme citado no item anterior, a intervenção em APP se dá pela faixa de RMT, onde
ocorrerá somente o lançamento aéreo de cabos.

Ainda assim, esse parâmetro será considerado no projeto de drenagem do empreendimento para
garantir a continuidade das vazões atuais dos cursos d’água locais, os quais são todos
intermitentes.

2.5.14 Unidades de Conservação (UC)


[ X ] Sem restrições | [ ] Atenção | [ ] Com restrições

De acordo com a consulta feita à base pública do MMA-ICMBio, a ADA da UFV não intercepta áreas
de Unidades de Conservação. A UC mais próxima do empreendimento encontra-se a 59 km de
distância do empreendimento (APA Lagoa de Itaparica).

Descrição do Empreendimento – Pág. 37


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 18 Intervenção em Unidades de Conservação (UC).

Descrição do Empreendimento – Pág. 38


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5.15 Área de Aplicação da Lei da Mata Atlântica


[ X ] Sem restrições | [ ] Atenção | [ ] Com restrições

A Lei 11.428/2006 (Lei da Mata Atlântica) regulamenta a proteção e uso da biodiversidade e


recursos dessa floresta. Seu objetivo principal é assegurar direitos e deveres dos cidadãos e de
órgãos públicos no que se refere à exploração consciente dos recursos da Mata Atlântica,
considerando critérios sustentáveis, para não prejudicar os ecossistemas que fazem parte da
biodiversidade da floresta.

A Lei 11.428/2006 prevê, em seu Título II, Artigo 14º, que “A supressão de vegetação primária e
secundária no estágio avançado de regeneração somente poderá ser autorizada em caso de
utilidade pública, sendo que a vegetação secundária em estágio médio de regeneração poderá ser
suprimida nos casos de utilidade pública e interesse social, em todos os casos devidamente
caracterizados e motivados em procedimento administrativo próprio, quando inexistir alternativa
técnica e locacional ao empreendimento proposto...”, também valendo o disposto para vegetação
primária em estados médio e inicial de regeneração e vegetação secundária em estágio médio de
regeneração. A geração e transmissão de energia, objetivo central do empreendimento em questão,
é, por sua vez, definida como atividade de utilidade pública pelo Artigo 3º, item VII da Lei da Mata
Atlântica.

A ADA da UFV não intercepta áreas de aplicação da Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428/2006).

Descrição do Empreendimento – Pág. 39


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 19 Área de Aplicação da Lei da Mata Atlântica.

Descrição do Empreendimento – Pág. 40


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

2.5.16 Áreas de Segurança Aeroportuária


[ X ] Sem restrições | [ ] Atenção | [ ] Com restrições

A ADA da UFV não intercepta Áreas de Segurança Aeroportuária.

2.5.17 Intervenção em Infraestrutura Existente


[ X ] Sem restrições | [ ] Atenção | [ ] Com restrições

A ADA da UFV não intercepta infraestrutura existente.

2.5.18 Síntese do MRA


Dos 17 parâmetros analisados nesse MRA, nenhum se configura como restrição ao
empreendimento.

Vale ressaltar que a intervenção em APPs por estruturas como as cercas, acessos, linha de
transmissão e/ou RMT podem vir a ocorrer, desde que seja apresentado ao INEMA o projeto
executivo de drenagem do empreendimento e, também, os programas ambientais de caráter
preventivo e corretivo, como o Programa de Controle de Processos Erosivos e Assoreamento,
Programa de Recuperação de Áreas Degradas, entre outros. Além disso, a Lei 12.651/2012 (Código
Florestal) prevê, em sua Seção II, Artigo 8º, que “A intervenção ou a supressão de vegetação nativa
em Área de Preservação Permanente somente ocorrerá nas hipóteses de utilidade pública, de
interesse social ou de baixo impacto ambiental previstas nesta Lei”, sendo que a geração e
transmissão de energia, objetivo central do empreendimento em questão, é assim definida pelo
Artigo 3º, item VIII do Código Florestal.

Portanto, nesse contexto, todos os pontos analisados nesse MRA, independente de sua
classificação, foram levados em consideração durante a concepção do layout de final do
empreendimento, de modo a eliminar todas as possíveis restrições ambientais do projeto.

O Mapa de restrições Ambientais (MRA) do empreendimento é apresentado no Anexo 06.

Descrição do Empreendimento – Pág. 41


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

3. PROGRAMAS AMBIENTAIS
Esse capítulo apresenta o detalhamento dos 19 programas ambientais elaborados para compor o
Plano Básico Ambienta (PBA) do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), conforme mostra o
Quadro 12 abaixo.

Quadro 12 Programas ambientais do PBA.

Meio Capítulo Programa


3.1.1 Programa de Gestão Ambiental
3.1.2 Programa de Controle de Processos Erosivos e Assoreamento
3.1.3 Programa de Controle e Monitoramento de Emissão de Particulados
Físico 3.1.4 Programa de Controle e Monitoramento de Ruídos
3.1.5 Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes Líquidos e Oleosos
3.1.6 Programa de Proteção e Monitoramento de Recursos Hídricos
3.1.7 Programa de Desativação do Empreendimento
3.2.1 Programa de Recuperação de Áreas Degradadas – PRAD
3.2.2 Programa de Supressão da Cobertura Vegetal
3.2.3 Programa de Resgate e Monitoramento da Flora
Biótico
3.2.4 Plano de Conectividade
3.2.5 Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna
3.2.6 Programa de Monitoramento e Proteção à Fauna
3.3.1 Programa de Comunicação Social
3.3.2 Programa de Educação Ambiental
3.3.3 Programa de Capacitação e Integração da Mão de Obra Local
Socioeconômico
3.3.4 Programa de Sinalização e Controle de Tráfego
3.3.5 Programa de Parcerias com Órgãos Públicos e Apoio aos Municípios
3.3.6 Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável Local

Programas Ambientais – Pág. 42


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

3.1 Programas do Meio Físico

3.1.1 Programa de Gestão Ambiental

[Link] Introdução e Justificativa

O processo de execução de Programas Ambientais associado a determinada atividade


potencialmente poluidora envolve a análise das informações obtidas nos levantamentos e estudos
ambientais realizados e, consequentemente, a avaliação sobre os efeitos ambientais resultantes de
sua instalação e operação. A proposição de medidas mitigadoras, de monitoramento, de
potencialização e/ou compensatórias pressupõe, além de um controle técnico, um sistema eficaz
de gerenciamento, de modo a garantir a adequada implementação das ações, atendimento de
condicionantes e a suficiência nos resultados alcançados.

Neste contexto, a Gestão Ambiental é um dos elementos de maior importância no processo de


licenciamento ambiental, uma vez que é de sua competência a gestão integrada de todas as ações
de controle ambiental, desde a fase de pré-implantação até a verificação da sua suficiência, já na
fase de operação. A garantia da qualidade das ações de controle ambiental, a aderência aos
requisitos técnico-jurídicos determinados no âmbito do processo de licenciamento, e o
gerenciamento dos prazos e dos custos previstos para essas, constituem seu foco principal.

A execução dos programas ambientais do empreendimento constituído pelo Complexo Santa


Eugênia Solar (Fase 01) envolverá uma série de ações cuja condução abrange métodos técnicos
específicos, relacionados ao tema de abordagem, e métodos gerenciais relacionados ao
planejamento espaço-temporal das atividades que, implementadas em conjunto, deverão garantir o
êxito dos programas propostos e do adequado gerenciamento do atendimento a condicionantes e
garantia da qualidade ambiental.

A execução de cada uma das medidas preventivas, mitigadoras, compensatórias, de controle e de


monitoramento ambiental será norteada por diretrizes técnicas e gerenciais calcadas nas melhores
práticas ambientais do setor energético, implementadas no contexto de um planejamento global de
atividades que é a linha-mestra do gerenciamento ambiental.

Neste sentido, a implantação de um sistema de gerenciamento ambiental poderá contribuir para a


condução do processo de implantação dos programas ambientais, que estará sujeita a critérios pré-
definidos de controle de qualidade, como padronização do formato, organização do conteúdo
(itemização) e cartografia. Este irá determinar que as ações ambientais sejam revistas
periodicamente, de modo a conferir a exequibilidade das propostas e o grau de atendimento dos
objetivos.

Programas Ambientais – Pág. 43


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

A base para atuação da Gestão Ambiental será o conjunto de ações especificadas nos Programas
Ambientais do PBA, e nas condicionantes estabelecidas pelo INEMA na Licença de Instalação,
Autorização para Supressão de Vegetação – ASV, Autorização para Manejo de Fauna – AMF e
demais autorizações para instalação das estruturas do Empreendimento, bem como a legislação
ambiental pertinente no âmbito municipal, estadual e federal vigentes e que estão mencionadas
como requisitos legais nos respectivos programas ambientais deste PBA. Consideram-se, também,
as características do projeto de engenharia do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) que
compõe o empreendimento e os impactos ambientais a este relacionados, à luz dos principais
atributos ambientais do seu território de inserção.

O Programa de Gestão Ambiental visa, portanto, atender às recomendações constantes dos


estudos que atestaram a viabilidade ambiental do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01),
permitindo que os resultados das ações previstas resultem no efetivo atendimento às políticas,
procedimentos, normas, requisitos legais e condicionantes determinadas pelo Órgão Ambiental e
legislação ambiental vigente.

A metodologia de implementação deste Programa permitirá a integração com os demais programas


propostos e a coordenação, supervisão e orientação dos profissionais e instituições envolvidos.

Os resultados da implementação correta das ações do Programa de Gestão Ambiental deverão


assegurar a emissão e a manutenção das licenças e autorizações ambientais, bem como o
adequado desempenho ambiental do Empreendimento.

[Link] Objetivos

O presente Programa de Gestão Ambiental visa assegurar o planejamento e implantação de


medidas de controle e mitigação dos impactos ambientais e sociais inerentes ao Complexo Santa
Eugênia Solar (Fase 01), ao longo de toda sua vida útil. Dentre os objetivos específicos desse
Programa, destaca-se: Como objetivos específicos podem ser destacados:

• Atender aos requisitos legais e regulamentos aplicáveis;

• Estabelecer diretrizes, procedimentos e instrumentos gerenciais, como inspeções, reuniões


de acompanhamento, registros documentais etc., para garantir que as ações propostas nos
Programas Ambientais sejam implantadas de forma correta;

• Coordenar e acompanhar a execução dos programas ambientais de forma a promover a


integração entre eles;

• Executar atividades de supervisão, fiscalização, revisão de relatórios técnicos ambientais e


gestão ambiental em conformidade com as licenças ambientais emitidas e diplomas legais
pertinentes ao empreendimento;

Programas Ambientais – Pág. 44


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• Promover a conciliação entre os programas ambientais e o projeto civil relativo ao


empreendimento, ajustando o elenco e o cronograma de ações previstas, quando
necessário;

• Promover o envolvimento de partes interessadas, como a comunidade e órgãos públicos


diretamente relacionados aos programas propostos, integrando-os ao processo de
implementação das ações programadas;

• Fornecer, operar e alimentar as bases cartográficas do projeto de forma a padronizar essas


bases na forma e conteúdo do Sistema de Informações Geográficas das atividades
socioambientais – SIG;

• Proceder à divulgação dos resultados alcançados;

• Imprimir um controle de qualidade às ações ambientais propostas, de maneira a efetivar a


redução, a compensação e o controle dos impactos gerados pela implantação do
empreendimento;

• Manter interface constante com os responsáveis pela execução dos Programas Ambientais
do PBA;

• Organizar toda a documentação relacionada aos Programas Ambientais, mantendo o acervo


documental e técnico atualizado e as licenças e autorizações acessíveis.

[Link] Requisitos Legais

Durante a implantação e operação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) deverá ser
procedida a atualização mensal da legislação ambiental aplicável ao empreendimento,
considerando as distintas esferas de governo (municipal, estadual e federal).

Entre as principais legislações relativas ao licenciamento ambiental do empreendimento em estudo


cabem ser destacadas:

• Lei Federal n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 – Dispõe sobre as sanções penais e


administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras
providências.

• Lei Federal nº 6.938/ 1981 - Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e
mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências;

• NBR ABNT 14.001/1996 – Sistemas de gestão ambiental – Especificações e diretrizes para


uso.

• NBR ABNT 14.004/1996 – Sistemas de gestão ambiental –Diretrizes gerais sobre princípios,
sistemas e técnicas de apoio.

Programas Ambientais – Pág. 45


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• NBR ABNT 19.011/2002 – Diretrizes para auditorias de sistema de gestão da qualidade e/ou
ambiental.

[Link] Responsabilidade de Execução

A responsabilidade pela implementação e execução do Programa de Gestão Ambiental é da equipe


de gestão e fiscalização contratada pelo empreendedor, além das equipes de gestão de cada
empreiteira contratada.

[Link] Público-Alvo

Os públicos de interação do Programa de Gestão Ambiental (PGA) se constituem por todos aqueles
envolvidos, direta ou indiretamente, no desenvolvimento de atividades relacionadas à implantação
do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), assim tipificados:

• Público Interno - funcionários próprios e terceiros do empreendimento, incluindo consultorias


ambientais responsáveis pela execução dos programas, empreiteira e demais empresas
associadas à construção e montagem de estruturas;

• Público Externo – Órgão ambiental licenciador e demais instituições intervenientes no


processo de licenciamento ambiental, comunidades locais, proprietários rurais e poderes
públicos municipais.

A área abrangência geográfica do PGA perpassa por todos os demais programas ambientais deste
PBA, sendo, portanto, representada pelas áreas de influência direta e indireta dos meios físico,
biótico e socioeconômico.

[Link] Metodologia

O gerenciamento e a coordenação das atividades socioambientais são de responsabilidade do


Empreendedor, cuja equipe, própria ou subcontratada, terá o encargo de monitorar e controlar o
desenvolvimento dos Programas Ambientais, o atendimento às condicionantes previstas nas
licenças e autorizações ambientais, o cumprimento de prazos e escopos definidos e a supervisão
das atividades de construção e implantação.

Considerando a multidisciplinariedade necessária, a equipe de gerenciamento mobilizada contará


com uma equipe de Gestão Ambiental que auxiliará na análise técnica dos produtos gerados e
atuará no âmbito do licenciamento ambiental, de forma a assegurar a conformidade dos requisitos
técnicos e legais relativos às atividades realizadas e produtos gerados.

Programas Ambientais – Pág. 46


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

A estrutura de gerenciamento ambiental a ser implantada deverá permitir integrar de forma eficiente
os diversos intervenientes envolvidos na implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01),
bem como em constante interação com os demais profissionais envolvidos nas atividades de
engenharia e meio ambiente, atuando subsidiariamente em relação à Engenharia do Proprietário
para assuntos ambientais. Adicionalmente, buscará garantir a utilização de técnicas de proteção e
de recuperação ambiental apropriadas, de modo a cumprir as obrigações determinadas pela
Legislação Ambiental e requisitos ambientais exigidos, atendendo, dessa forma, aos compromissos
e às condicionantes decorrentes do licenciamento ambiental.

De forma geral, será responsabilidade do Empreendedor o gerenciamento e a coordenação das


atividades socioambientais desenvolvidas no âmbito deste PGA, dentre as quais a coordenação
geral e fiscalização da implantação dos diversos programas do PBA e das condicionantes das
Licenças e Autorizações do Empreendimento. Essa gerência deverá ser composta por uma equipe
técnica-gerencial multidisciplinar de campo, que se articulará com a Coordenação Ambiental em
escritório, com a equipe de meio ambiente do Empreendedor e com os demais profissionais e
empresas responsáveis pela execução de programas ambientais, para o adequado
acompanhamento da execução das ações e medidas previstas, bem como para a consolidação dos
relatórios em atendimento às condicionantes ambientais do INEMA.

A equipe de Gestão Ambiental deverá observar o que dispõe todas as condicionantes do


empreendimento, implementando e mantendo sistema de controle e acompanhamento de seu
atendimento, identificação de eventuais não conformidades e proposição de planos de ação para
saná-las.

As atribuições gerais da equipe responsável pelo programa de Gestão Ambiental, em cooperação


com a Gestão Ambiental, incluirão as seguintes atividades:

• Assegurar o cumprimento dos requisitos legais aplicáveis, incluindo normas e


recomendações dos órgãos governamentais, além de outros requisitos subscritos pelo
Empreendedor relacionados aos aspectos sociais e ambientais, determinando como esses
requisitos serão apostos;

• Conhecer e controlar o atendimento às condicionantes ambientais estabelecidas na Licença


de Instalação e demais Licenças e Autorizações necessárias a instalação do
Empreendimento e propor ações para atendimento delas;

• Definir as estratégias para concretização das ações previstas nos programas ambientais,
estipulando planos de ação com responsáveis, modo de execução e prazos.

• Elaborar formulários padronizados para relato das observações de cunho ambiental


decorrentes de constatações de campo e itemização da documentação a ser utilizada como
evidência de atendimento a requisitos legais, procedimentos e instruções de trabalho,
condicionantes de licenças, e outros requisitos.

Programas Ambientais – Pág. 47


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• Assegurar os recursos essenciais ao desenvolvimento dos Programas Ambientais, e


acompanhar a programação das atividades previstas, atuando de forma a avaliar escopo e
qualidade dos trabalhos, bem como possibilitar que sejam cumpridos os prazos
estabelecidos;

• Monitorar regularmente as operações que possam ter um impacto ambiental significativo,


realizando o acompanhamento e monitoramento das atividades desenvolvidas nas várias
frentes de serviços e nas áreas de influência das obras;

• Identificar e avaliar a necessidade de ações para prevenir não-conformidades, investigar


suas causas, propor ações para mitigar seus impactos ambientais e evitar sua repetição;

• Elaborar os relatórios de não conformidades;

• Manter contato constante e direto com os profissionais responsáveis pela execução dos
Programas Ambientais, repassando e recebendo informações pertinentes à gestão
ambiental do Empreendimento;

• Acompanhar a implantação de projetos sociais vinculados ao empreendimento e as ações


de relacionamento com comunidades e stakeholders;

• Fiscalizar os controles intrínsecos de engenharia e as ações ambientais sob


responsabilidade da empreiteira, como drenagem pluvial, gestão de resíduos sólidos e
efluentes, controle de material particulado, entre outras;

• Revisar e aprovar a conformidade dos documentos, assegurando que as versões aprovadas


e atualizadas de documentos estejam disponíveis aos profissionais e garantindo que os
documentos de origem externa, determinados pelo Empreendedor como necessários ao
planejamento e operação do sistema da gestão ambiental, sejam identificados e estejam
acessíveis;

• Analisar técnica e juridicamente os produtos gerados pelas empresas contratadas, emitindo


pareceres e, se necessário, recomendações aos Relatórios Técnicos de atividades e
sistematizar os resultados das atividades realizadas no âmbito dos diversos Programas
Ambientais, proporcionando base analítica para o planejamento da sua continuidade e o
ajustamento de correções e adaptações, quando necessárias;

• Identificar procedimentos/processos do sistema de gestão para potencial melhoria;

• Conscientizar a empreiteira, subcontratados e instituições envolvidas para que estejam


cientes da importância da conformidade com os princípios legais e das consequências
potenciais da sua inobservância.

• Assegurar a vigência das licenças e autorizações, bem como planejar e instruir os processos
de renovação, prorrogação, retificação, regularização e obtenção das permissões
subsequentes, necessárias à continuidade e à operação do Complexo Fotovoltaico.

Programas Ambientais – Pág. 48


Plano Básico Ambiental – PBA
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• Realizar inspeções ambientais de campo, cuja finalidade é verificar o atendimento dos


aspectos ambientais que possam acarretar impactos ambientais durante a implantação do
Empreendimento, visando manter as premissas para assegurar a manutenção da qualidade
ambiental do território de inserção do Empreendimento. As inspeções deverão ter como
subsídio checklist elaborado previamente, o qual conterá a relação de itens que devem ser
verificados para atestar e supervisionar a conformidade técnica e legal das atividades no
canteiro e nas frentes de obras.

• Fiscalizar as atividades de desmobilização das edificações temporárias, incluindo a correta


desmontagem das estruturas, remoção e destinação correta dos resíduos gerados nesta
atividade devolvendo ao empreendimento a área nas mesmas condições em que foi
recebida.

• Estabelecer meios para identificar potenciais situações de emergência ou potenciais


acidentes que possam ter impactos sobre os trabalhadores, as comunidades do entorno e
sobre o meio ambiente e como serão as respostas a essas situações; e

• Identificar e registrar lições aprendidas durante o processo de implantação do


Empreendimento, de forma que as ações de melhoria possam ser adotadas e aplicadas
ainda durante as fases de implantação e/ou operação do mesmo e fornecendo subsídios
para futuros empreendimentos.

Como produtos dessa atividade destacam-se os Relatórios Gerenciais periódicos contendo


informações sobre as atividades de Gestão Ambiental realizadas no período e sobre o andamento
de todos os Programas Ambientais contidos no PBA do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)
e nas condicionantes das Licenças Ambientais. Nos relatórios também deverão ser apresentados
os indicadores de desempenho propostos para os respectivos Programas Ambientais, além da
análise crítica dos resultados visando à melhoria contínua e à conformidade ambiental das
atividades.

[Link].1 Inspeções Ambientais em Campo e Registros de Não Conformidades

As inspeções ambientais têm como finalidade verificar in loco a execução de atividades nas frentes
de obras e serviços e nas atividades de implantação dos Programas Ambientais, identificando
prioritariamente a correta execução das atividades descritas nesses documentos e o controle dos
impactos ambientais, entre outros aspectos.

As inspeções ocorrerão diariamente através de uma equipe de gestão ambiental, formada por
profissionais habilitados, dimensionada para cobrir as frentes de obras e serviços, bem como
acompanhar as campanhas dos programas ambientais.

Com relação às não conformidades identificadas durante as inspeções serão consolidadas


individualmente em relatório, contemplando data, hora, local, responsável pela execução da

Programas Ambientais – Pág. 49


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

atividade, registro fotográfico, indicação de prováveis causas e medidas a serem aplicadas para sua
correção.

Ressalta-se que, conforme descrito no item das responsabilidades, as medidas corretivas serão
realizadas pelos profissionais responsáveis pelos Programas Ambientais, sob orientação da equipe
do PGA. Após a aplicação dessas ações, a equipe do PGA deverá verificar a eficácia e os resultados
alcançados.

[Link].2 Reuniões Técnicas Periódicas

A realização de reuniões periódicas entre a equipe de gestão, empreiteira e os profissionais


responsáveis pela implantação dos Programas Ambientais visa à avaliação dos procedimentos
executados e do cronograma, além do planejamento e programação das etapas de trabalho.

Nessas reuniões, serão definidas as estratégias e protocolos de atuação, bem como analisados os
indicadores de desempenho das atividades. Com base na avaliação de resultados, serão
identificadas possíveis melhorias na forma de execução.

As avaliações também poderão identificar a inadequação de ações previstas em Programas


Ambientais e recomendar a sua suspensão, que estará sujeita à aprovação do Órgão Ambiental.
Assim, algumas atividades poderão ser interrompidas ou ter a sua frequência alterada mediante
justificativa técnica.

Semanalmente, são realizadas reuniões técnicas com a empreiteira responsável pelas obras, onde
são discutidas as programações de trabalho e as demandas mais urgentes. Além destas,
mensalmente são realizadas reuniões de coordenação onde são discutidos aspectos gerenciais do
projeto, tais como cronograma, escopo, avanço e evolução das obras.

[Link].3 Gestão Documental

Cumprirá à equipe do PGA, mais precisamente à Equipe de Gestão Ambiental, a organização e


atualização de todo o acervo de documentos do processo de licenciamento ambiental, bem como
elaborar relatório visando sua transferência à equipe que vier a ser designada para gerir a etapa de
operação do Empreendimento.

Estão previstos sistemas informatizados de gestão que visem à guarda e ordenamento do acervo
documental, a revisão e conformidade dos documentos, bem como sua rastreabilidade e
acessibilidade, de modo a racionalizar a gestão documental e, consequentemente, a coordenação
da implantação dos Programas Ambientais.

Programas Ambientais – Pág. 50


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Metas

Como metas fundamentais o Programa de Gestão Ambiental do Complexo Santa Eugênia Solar
(Fase 01), tem-se:

• Acompanhar e assegurar a obtenção e vigência de 100% das licenças e autorizações


ambientais durante o período de implantação do Empreendimento;

• Atender 100% às condicionantes ambientais das licenças e autorizações;

• Garantir entre 80 e 100% o atendimento das metas previstas nos demais Programas
Ambientais;

• Identificar e verificar a correção de 100% das não conformidades identificadas, adotando


medidas apropriadas para evitar sua ocorrência.

[Link] Indicadores de Desempenho

Em geral, os indicadores a serem utilizados para verificação da eficácia da implementação do


Programa de Gestão Ambiental são aqueles a serem estabelecidos individualmente nos diferentes
procedimentos que o comporão, bem como no âmbito do extenso rol de programas ambientais
apresentados adiante neste PBA.

Para avaliação do atendimento às metas supracitadas, serão adotados os seguintes indicadores:

• Quantidade (%) das licenças e autorizações que estão válidas;

• Quantidade (%) de condicionantes das licenças ambientais e autorizações atendidas versus


número total de condicionantes;

• Quantidade (%) de metas previstas nos demais Programas Ambientais atendidas;

• Quantidade (%) de casos de não conformidade registradas versus casos de não


conformidade corrigidas; e

• Número das inspeções ambientais realizadas para verificação da execução dos Programas
Ambientais versus número de inspeções ambientais previstas no cronograma a ser
apresentado no Programa de Gestão Ambiental.

[Link] Interface com Outros Programas

Em função das justificativas, objetivos e metas estabelecidas para o Programa de Gestão


Ambiental, depreende-se que apresenta obrigatória interface com todo o conjunto de programas
ambientais apresentados neste PBA. Nesse sentido, o PGA é o Programa responsável por garantir
a adequada e contínua interface entre os diferentes programas ambientais.

Programas Ambientais – Pág. 51


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Para tanto, além dos procedimentos e instruções de trabalho padronizados a serem elaborados no
âmbito do Programa de Gestão Ambiental, um dos principais instrumentos será a sua atuação como
gerenciador do banco de dados de informações a serem geradas no âmbito dos diferentes
Programas previstos para as fases de Implantação e Operação do Complexo Santa Eugênia Solar
(Fase 01).

Esse caráter de elemento integrador e de interface entre o elenco de ações ambientais do


empreendimento em tela deverá refletir-se naqueles que constituirão os principais informes
externos do andamento da implementação do empreendimento sob a ótica ambiental: o relatório
consolidado a ser elaborado e protocolado junto ao órgão ambiental, congregando o andamento de
todas as ações em curso nas áreas de influência do empreendimento.

[Link] Recursos Necessários

Sugere-se que a equipe de gestão e execução de cada empreiteira conte com analistas ambientais
e técnicos de campo para execução dos Programas Ambientais sob sua responsabilidade. Este
plano prevê ainda a participação de outros profissionais que viabilizem as ações como técnicos e
auxiliares de campo.

Os materiais demandados para a execução das atividades de campo incluem veículos para
deslocamento, câmeras fotográficas, GPS e Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s).
Adicionalmente, as equipes contarão ainda com apoio de recursos tecnológicos como sistemas de
geoprocessamento e de gestão de dados.

[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento serão elaborados Relatórios Gerenciais


mensais, para apresentação à equipe de Gestão Ambiental do empreendedor, contendo
informações sobre as atividades referentes a este programa.

Para o órgão ambiental será apresentado um Relatório Final Consolidado, com todas as atividades
realizadas no âmbito deste programa, quando do requerimento da LO.

[Link] Cronograma

As medidas preconizadas neste Programa deverão ser aplicadas durante todo o período das obras
de implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), conforme o cronograma abaixo. As
atividades deste Programa devem ser mantidas ao longo da fase de operação, até a sua
desativação.

Programas Ambientais – Pág. 52


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Quadro 13 Cronograma do Programa de Gestão Ambiental.

Pré- Fase de Implantação (meses)


Atividades
Implantação 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
Elaboração do Plano de Trabalho e Estruturação de
equipe
Realização de reuniões técnicas
Realização de gestão documental
Realização de inspeções ambientais
Emissão dos relatórios mensais de acompanhamento e
de não conformidades (caso ocorram)
Elaboração de Relatório Final Consolidado para
apresentação ao Órgão Ambiental

[Link] Referências Bibliográficas

BRASIL, Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (LPNMA) nº 6.938 de 31 de agosto de 1981.
Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e
aplicação, e dá outras providências. Planalto federal, Brasília, 1981. Disponível em: <
[Link] Acessado em: 15/10/2016.

_______. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais). Dispõe sobre as
sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e
dá outras providências. Planalto federal, Brasília, 1998. Disponível em: <
[Link] Acessado em: 15/10/2016.

CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução 005 de 15 de junho de 1989. Dispõe
sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio
ambiente, e dá outras providências. Planalto federal, Brasília, 2016. Disponível em: <
[Link] >. Acessado em: 16/10/2016.

Programas Ambientais – Pág. 53


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Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

3.1.2 Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos

[Link] Introdução e Justificativa

Durante as obras de implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), é inerente a
realização de atividades de movimentação do solo com a abertura de acessos, escavações,
supressão vegetal e movimentação de veículos pesados. Tais atividades geram aspectos
ambientais que intensificam o processo de erosão hídrica e eólica natural, ainda que na área de
implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), predominam vertentes alongadas,
vegetadas e relevo pouco movimentado, sem grandes rupturas. Áreas susceptíveis à erosão podem
ocorrer em qualquer local de obra onde houver terraplanagem ou escavação profunda com a
conformação de talude ou terraço com ruptura de declive abrupta. Mesmo nas áreas planas, mas
com exposição do solo pela retirada da vegetação protetora, a erosão laminar tende a evoluir em
ritmo mais acelerado podendo até a iniciar processo de desertificação. Além do impacto de erosão
dos solos, o aspecto ambiental geração de sedimento pode vir a provocar também a alteração na
qualidade da água ou a mudança na morfologia fluvial se o aporte de sedimento for grande para os
cursos d’águas locais: cursos de água sem nome (sul da ADA e AID), Riacho do Uibaí (delimita o
trecho norte da AII), Riacho da Toca (delimita o trecho noroeste da AII), Riacho do Velame (delimita
o trecho oeste da AII), Riacho da Cachoeira (delimita o trecho leste da AID), afluentes da Sub bacia
dos rios Verde e Jacaré.

Diante do exposto, é inegável a necessidade de medidas específicas de controle e monitoramento


da erosão hídrica e eólica para prevenir, minimizar e monitorar os impactos ambientais de primeira
e segunda ordem, ou seja, sobre o solo e sobre o recurso hídrico local.

A principal justificativa para esse Programa refere-se à necessidade de reduzir a ocorrência e a


magnitude desses possíveis impactos, evitando danos a qualidade ambiental dos solos, do sistema
hídrico, dos mananciais, às vias de acesso etc. Além de garantir a estabilidade geotécnica da ADA
e das áreas circunvizinhas ao empreendimento.

As atividades deste Programa serão detalhadas quando da finalização das obras e os pontos
identificados como críticos durante a instalação subsidiarão o monitoramento ao longo da operação.

O Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos tem caráter preventivo, no sentido


de evitar o processo de assoreamento de cursos d’água pelo aporte de sedimentos, evitar o
processo de desertificação pela intensificação da erosão eólica e laminar, bem como na prevenção
de desenvolvimento de sulcos e ravinas diante do fluxo de água superficial, particularmente nas
áreas de Neossolo Litólico Distrófico e Latossolo Amarelo Distrófico que compreendem a totalidade
da ADA. O manejo destes solos deve ser cuidadoso para evitar a sua degradação, devido
principalmente ao decréscimo do nível de matéria orgânica e alteração da distribuição de poros
(compactação), acarretando maior susceptibilidade à erosão e decréscimo da fertilidade natural.

Programas Ambientais – Pág. 54


Plano Básico Ambiental – PBA
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Além disso, tem o caráter de controle e correção, visando a detecção e acompanhamento do


desenvolvimento de formas de erosão laminar e linear e movimentos de massa, com a finalidade
de propor medidas de controle resultantes das atividades desenvolvidas durante as etapas
construtivas e operacionais do empreendimento.

É importante ressaltar que este Programa apresentará práticas recomendáveis para a contenção
do fluxo pluvial nas encostas, estabilidade de taludes e terreno em geral e conservação do solo a
fim de evitar processo de degradação sobre o meio ambiente, em especial sobre o solo e biota. No
caso da área de estudo, o Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos visa
controlar os processos erosivos na ADA para que esse fique restrito a área de projeto da engenharia
ou em suas imediações (AID).

[Link] Objetivos

Este Programa tem como objetivo geral indicar as medidas de controle dos agentes causadores da
erosão hídrica e eólica incidentes na ADA e no seu entorno imediato, afim de evitar a ocorrência de
processos erosivos severos e de movimentação de massa crítico na ADA e em seu entorno imediato
(AID), bem como para orientar as intervenções antrópicas no ambiente, no sentido de atenuar o
desenvolvimento de tais processos de degradação e, por conseguinte, o de sedimentação e
assoreamento que possam comprometer a estabilidade ambiental do geossistema local.

Este Programa também servirá para direcionar o monitoramento e indicar os dispositivos e critérios
a serem aplicados para diagnosticar os pontos críticos, a fim de garantir a manutenção das
condições adequadas de estabilização dos solos, otimizando as ações de implantação do
empreendimento Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) em sinergia com o Programa de
Recuperação de Área Degradada.

Além disso, o Programa também tem como objetivos específicos:

• Caracterizar e hierarquizar as áreas críticas de processos erosivos e movimentos de massa


na ADA e AID do empreendimento com foco nas encostas marginais, acessos à obra, vias
de acesso ao empreendimento;

• Promover a normalização das áreas onde houver intervenções, diminuindo o tempo de


exposição dos solos;

• Controlar os processos erosivos de carreamento de sedimentos que provocam o


assoreamento, além de verificar se todos os dispositivos foram adequadamente
implantados;

• Orientar as obras de contenção dos processos erosivos e movimentos de massa,


especialmente nos sistemas de drenagem e a revegetação;

Programas Ambientais – Pág. 55


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• Proteger as áreas críticas durante a construção e aquelas consideradas de risco após a fase
construtiva, através da redução da velocidade da água e redirecionamento do escoamento
superficial;

• Manter o monitoramento das condições do solo das áreas diretamente afetadas pelo
empreendimento, sob o ponto de vista pedológico;

• Cadastrar os pontos de instabilidade que surgirem após a fase de construção;

• Promover ações que minimizem perdas de solos nessas áreas;

• Assegurar o funcionamento dos sistemas de drenagem de águas pluviais;

• Monitorar periodicamente os sistemas de drenagem pluvial do empreendimento.

[Link] Requisitos Legais

Todos os métodos de trabalho e processos que serão adotados respeitarão os preceitos contidos
na Lei nº 12.651/2012, que institui o novo Código Florestal Brasileiro, e em suas modificações
posteriores.

• Norma Brasileira NBR nº 8044 (2018) – Projeto Geotécnico;

• Norma Brasileira NBR nº 10.703 TB 350 (1989) – Degradação do Solo;

• Norma Brasileira NBR nº 11682 (2009) ABNT – Estabilidade de Encostas;

• Norma Brasileira NBR nº 6497 (1983) ABNT – Procedimentos para Levantamento


Geotécnico;

• Norma Brasileira NBR nº 6484 (2001) ABNT – Execução de Sondagens de Simples


Reconhecimento de Solos.

[Link] Responsabilidade de Execução

A execução deste Programa, no que se refere às medidas de controle de processos erosivos,


deverá ser feita pela Empreiteira responsável pelas obras de implantação do empreendimento. O
acompanhamento, fiscalização e monitoramento deverá ser conduzido pela Equipe de Gestão
Ambiental do empreendedor. As medidas de prevenção e controle previstas no âmbito deste
programa devem ocorrer em conjunto com as equipes executoras dos Programa de Supressão da
Cobertura Vegetal, Programa de Recuperação de Áreas Degradadas, Programa de Proteção e
Monitoramento de Recursos Hídricos e Programa de Sinalização e Controle de Tráfego.

O Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos é direcionado ao empreendedor


e empresas contratadas para a construção do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), bem como

Programas Ambientais – Pág. 56


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

ao Órgão Ambiental. A área de abrangência do Programa de Controle de Processos Erosivos é a


ADA e área de influência direta, particularmente os acessos existentes e a serem utilizados e novos
acessos implantados no âmbito das obras.

[Link] Público-Alvo

Os principais agentes serão o empreendedor; as empresas envolvidas com a implantação do


Complexo Fotovoltaico, os funcionários envolvidos com a obra de implantação do empreendimento,
as empresas subcontratadas, os moradores da região e o Órgão Ambiental. A área de abrangência
do Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos são as áreas de influência direta.

[Link] Metodologia

O Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos será destinado às áreas


possivelmente afetadas pela implantação do empreendimento e, baseia-se, sobretudo, em medidas
preventivas. Ou seja, visam antecipar a ocorrência ou acirramento de processos erosivos na área
diretamente afetada pelas estruturas provisórias do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01). Isto
quer dizer que o presente Programa tem como área alvo os mesmos locais do PRAD somando-se
também as áreas compostas por elementos da paisagem natural que ficarem dentro da ADA e as
áreas circunvizinhas a ela que estarão sob influência das alterações ambientais do
empreendimento.

Em síntese, o Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos estabelece diretrizes


de monitoramento e de controle dos aspectos ambientais do empreendimento com potencial para
deflagrar impacto ambiental negativo, visando a contínua proteção das estruturas do
empreendimento, da qualidade ambiental e a manutenção das condições necessárias para o
processo de regeneração ambiental.

O desenvolvimento dos procedimentos para controle da erosão e assoreamento dos corpos hídricos
pode ser compreendido em três fases: diagnóstico, implantação/controle e monitoramento. Essas
três fases podem ser aplicadas de forma cíclica, visto que a identificação de novos locais
vulneráveis sempre pode gerar novo diagnóstico, implantação de medidas cabíveis e
monitoramento. Se o Programa for aplicado adequadamente, a tendência é que haja uma
estabilidade e equilíbrio do sistema, mantendo-o sempre na fase de monitoramento após o
cumprimento das fases anteriores.

Ademais, o presente Programa assegurará o correto funcionamento do sistema de drenagem


superficial, uma vez que objetivará garantir que as águas pluviais incidentes sejam direcionadas
para dispositivos adequados, como bacias de sedimentação, antes de seguirem para os cursos de
água. Ele abrangerá três etapas, quais sejam a caracterização de áreas críticas, elaboração de

Programas Ambientais – Pág. 57


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

projetos de controle e monitoramento das áreas identificadas e das estruturas de controle


instaladas.

[Link].1 Suscetibilidade à Erosão

As pesquisas em erosão incluem ensaios sob diferentes condições locais dos fatores
condicionantes: clima, relevo, solo, vegetação ou tipo de uso e manejo.

O resultado da interação entre as diferentes variáveis que compõem a suscetibilidade a erosão, é


apresentado no Mapa de Suscetibilidade Erosiva, inserido a diante, cujo sumário das classes é
apresentado no Quadro 14, a seguir.

Quadro 14 Quantitativos das classes de suscetibilidade à erosão nas AID e ADA do


empreendimento.

ADA AID
Grau de Susceptibilidade Erosiva
ha % ha %
Baixo 66,59 14,65% 696,12 13,07%
Médio 374,21 82,34% 4.276,71 80,32%
Alto 13,66 3,01% 351,54 6,60%
Total 454,46 100% 5.324,37 100%

De acordo com o mapa de suscetibilidade erosiva realizado para o estudo, observou-se que a maior
parte da AID corresponde a Médio potencial de suscetibilidade erosiva, abrangendo cerca de 80,3%
seguida da classe de Baixo grau com 13,1%. O cenário na ADA é bastante semelhante, com
predomínio das classes de suscetibilidade de Médio e Baixo grau, apresentando aproximadamente
82,3% e 14,6%, respectivamente. As áreas de Alto potencial apresentam-se mais restritas, tanto na
AID como na ADA e as de muito alto potencial não foram mapeadas. Durante as obras de
implantação do Complexo Fotovoltaico atenção especial deve ser dada às áreas de Alto potencial
identificadas.

O predomínio da classe de Média suscetibilidade erosiva é indicativo de que o contexto ambiental


é, em sua maior parte, apresenta um risco moderado de erosão do solo. Assim, uma região com
médio grau de susceptibilidade erosiva indica que ela pode ser afetada por processos de erosão do
solo, mas que a intensidade e a frequência desses processos não são tão significativas quanto em
áreas com alta susceptibilidade erosiva. Portanto, nos períodos chuvosos e no manejo de áreas
mais inclinadas as ações devem ser planejadas criteriosamente e controladas e medidas devem
ser adotadas.

Programas Ambientais – Pág. 58


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Apesar destes aspectos, é importante ressaltar que os processos erosivos tendem a ocorrer em
porções com elevado grau de alteração antrópica, a exemplo das adjacências a acessos rodoviários
e das áreas destinadas a criação de animais, onde a vegetação é retirada e as características
naturais do relevo tendem a ser modificadas. Também nas áreas dissecadas da região, com
vegetação esparsa e solo exposto, verificou-se uma aceleração dos processos erosivos.

Programas Ambientais – Pág. 59


!
145.000 150.000 155.000 160.000 165.000

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Área Diretamente Afetada (ADA)


8.745.000

8.745.000
Área de Influência Direta (AID)

Área de Influência Indireta (AII)

Limite Municipal

Grau de suscetibilidade à erosão


Alto
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do Intermediário
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Baixo

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Localização da Área em Estudo

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8.735.000

8.735.000
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Localização no Município

Itaguaçu Central São Gabriel


BA

da Bahia
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8.730.000

8.730.000
Título

Bonito
!
Iguitu Suscetibilidade à erosão
!

Angico
!
Projeto
Complexo Santa Eugênia Solar

Data da Execução Local


Ibipeba/Uibaí
Serra Grande ! Novembro/2023

Informações Cartográficas Formato


Projeção UTM / Fuso 23 Sul A1
Datum: SIRGAS 2000 594 × 841 mm

Elaboração Escala
Marcos Antônio De A. Rodrigues
8.725.000

8.725.000
Escala Gráfica: (CREA-MG / 201143/D) 1:40.000

0 1 2 4
Olho-d'Água Km Fonte
! - Direito Minerário (DNPM, 2021);
- Limite municipal, pedologia e rodovia (IBGE, 2019, 2020);
145.000 150.000 155.000 160.000 165.000 - Hidrografia (INEMA, 2019).
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link].2 Caracterização e Controle das Áreas Críticas Existentes

Durante esta etapa será contemplado estudo com base nas definições do Projeto de Engenharia
visando realizar levantamento das estruturas que podem gerar impactos ambientais significativos,
relacionados à estabilidade de talude e geração de processos erosivos. Aterros e cortes requeridos
serão identificados como áreas desencadeadoras de focos de instabilidade e deverão sofrer
medidas de controle para evitar e/ou mitigar potenciais processos erosivos.

Deverão ser delimitadas as áreas críticas e de instabilidade antes e durante a execução das obras
de instalação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01). Essa delimitação ocorrerá a partir da
identificação de detalhes, como, por exemplo, pequenos deslizamentos, sulcos de erosão e focos
de erosão laminar, por meio de vistorias in loco. Também serão observados os recursos hídricos
da região, levando em considerando que grande parte das drenagens naturais da região tem caráter
intermitente ou efêmero, devendo haver monitoramento continuado tanto no período de seca como
de chuva. Deve ser previsto intensificação das inspeções no período anterior às chuvas e após
encerramento das mesmas, de modo a identificar pontos de atenção e desassorear as estruturas
de drenagem e contenção instaladas.

Para identificar as áreas críticas potenciais deverão ser considerados os critérios a seguir
especificados (Quadro 15).

Quadro 15 Critérios para identificação de áreas críticas para processos erosivos.

Processos naturais da dinâmica Aspectos Aspectos Aspectos


Cobertura vegetal
superficial das encostas topográficos pedológicos climáticos
- Erosão Laminar
- Sulco - Textura
- Ravina - Inclinação ou - Profundidade - Período de
- Presença de
declividade chuva
- Voçoroca - Gradiente textural vegetação
- Comprimento de - Período de
- Rastejo - Pedregosidade - Solo exposto
pendências seca
- Deslizamento - Fertilidade
- Solapamento

Os processos erosivos decorrentes das obras de implantação deverão ser identificados,


georreferenciados e cadastrados para monitoramento futuro, e neles implantadas as medidas de
controle e recuperação. A identificação, cadastramento e monitoramento de processos erosivos e
áreas de recuperação, deverão ser feitos de forma periódica. O Quadro 16 apresenta o modelo de
ficha para cadastramento de processos erosivos e áreas a serem recuperadas. Estas fichas deverão
ser organizadas em um banco de dados e atualizadas frequentemente.

Programas Ambientais – Pág. 61


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Quadro 16 Modelo de ficha a ser utilizado para cadastro de processos erosivos e


movimentos de massa.

FICHA DE CADASTRO DE PROCESSOS EROSIVOS E MOVIMENTOS DE MASSA


Identificação e localização
Localização (descrever): Data:
Coordenadas X- Y- nº Foto:
Município: Acesso: ( ) andando ( ) carro ( ) outro:
Características Ambientais Gerais
Bacia Hidrográfica: Geomorfologia:
Geologia: Pedologia:
Vegetação:
Curso d’água próximo:
Características dos Processos Erosivos
Tipo de Feição
( ) Erosão laminar ( ) Rastejo
( ) Sulco ( ) Movimento de Massa
( ) Ravina ( ) Escorregamento
( ) Voçoroca ( ) Solapamento
( ) Outros:
Causas, condicionantes e atenuantes:
Criticidade
( ) Criticidade 0 ( ) Criticidade 1 ( ) Criticidade 2
Descrição da criticidade:
Grau de Risco
( ) R1 - Baixo ( ) R2 - Médio ( ) R3 - Alto ( ) R2 - Muito alto
Descrição do grau de risco:
Declividade do terreno
( ) Plano- 0< a ≤ 3% ( ) Fortemente Ondulado- 20< a ≤ 45%
( ) Suave Ondulado- 3< a ≤ 8% ( ) Montanhoso- 45< a ≤ 75%
( ) Ondulado- 8< a ≤ 20% ( ) Escarpado- > 75%
Dimensões do processo erosivo
Volume Erosão Características da erosão
( ) Pequena - até 1.000m³ ( ) Comprimento (m)
( ) Média - 1.000m³ a 10.000m³ ( ) Largura (m)
( ) Grande - > 10.000m³ ( ) Profundidade (m)
Uso e ocupação do solo na área de contribuição:
Principais impactos e medidas de contenção passíveis de implantação:

Programas Ambientais – Pág. 62


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

A metodologia para determinação do grau de criticidade do processo erosivo, que se trata de uma
característica intrínseca à erosão, varia entre zero a dois, ou seja, pronunciada a estável. Para o
risco, que se refere a uma característica extrínseca ao processo erosivo, isto é, o que ele pode
causar no ambiente, varia entre baixo e muito alto. A atribuição de números permite uma menor
subjetivação no processo de caracterização das feições erosivas e a criação de um banco de dados,
que pode ser georreferenciados e representado por sistema de informações geográficas.

Os critérios para categorização das feições erosivas quanto ao grau de criticidade estão descritos
a seguir:

• Áreas de Criticidade 0: Processos erosivos localizados em sua maioria, em zonas


anteriormente classificadas como de morfodinâmica variando entre sensível a pronunciada
com sinais generalizados de evolução ou gênese de movimentos de solo, tais como: as
rupturas nas bordas dos taludes das margens; o solapamento da base dos taludes das
margens; a presença de massas de solo pouco consolidadas oriundas de deslizamentos
recentes; dentre outros sinais. Estas áreas não apresentam características de estabilização
geotécnica ou de regeneração natural da vegetação superficial na maior parte de suas
superfícies.

• Áreas de Criticidade 1: Processos erosivos localizados em sua maioria, em zonas


anteriormente classificadas como de morfodinâmica variando entre estável a lenta, com
poucos sinais recentes da evolução ou gênese de movimentos de solo. Apresentam
características de estabilização geotécnica, representadas por superfícies de taludes
parcialmente estabilizadas após movimentos de massa, pelas evidências da regeneração
natural da vegetação superficial, pelas declividades de até 60º na maioria da superfície das
erosões, e pela ausência de massas de solo pouco consolidadas oriundas de deslizamentos
recentes, dentre outros sinais.

• Nestas áreas a execução de técnicas de recuperação ambiental com baixo nível de


alteração, das condições naturalmente existentes, apresentam médio a grande potencial de
uso, favorecendo a estabilização definitiva destes processos erosivos com métodos de
reduzido impacto ambiental devendo-se aguardar a acomodação do solo para o uso destas
técnicas para a recuperação.

• Áreas de Criticidade 2: Processos erosivos localizados em sua maioria, em zonas


anteriormente classificadas como de morfodinâmica variando entre sensível a estável com
sinais incipientes da evolução ou gênese recentes de movimentos de solo. Apresentam
características de estabilização geotécnica, evidenciado por superfícies de taludes
parcialmente estabilizadas após movimentos de massa, além de evidências da regeneração
natural da vegetação superficial, especialmente nas superfícies de menor declividade e nas
bordas superiores da erosão.

• Nestas áreas a execução de técnicas de recuperação ambiental com baixo nível de alteração
das condições naturalmente existentes, apresentam grande potencial de uso, favorecendo

Programas Ambientais – Pág. 63


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

a estabilização definitiva destes processos erosivos com métodos de reduzido impacto


ambiental devendo-se aguardar a acomodação do solo para o uso destas técnicas para a
recuperação.

Quanto ao grau de risco das feições erosivas, a metodologia utilizada foi proposta por Augusto Filho
(1992), que estabelece quatro níveis de risco para a caracterização de processos erosivos,
conforme Quadro 17.

Quadro 17 Critérios para a determinação dos graus de risco da feição erosiva.

Grau de Risco Descrição


Não há indícios de desenvolvimento de processos de instabilização de encostas e de margens de
R1 (Baixo) drenagens; Mantidas as condições existentes, não se espera a ocorrência de eventos destrutivos no
período compreendido por uma estação chuvosa normal.
Mantidas as condições existentes, é reduzida a possibilidade de ocorrência de eventos destrutivos
R2 (Médio) durante episódios de chuvas intensas e prolongadas, no período compreendido por uma estação
chuvosa.
Mantidas as condições existentes, é perfeitamente possível a ocorrência de eventos destrutivos durante
R3 (Alto)
episódios de chuvas intensas e prolongadas, no período compreendido por uma estação chuvosa.
Mantidas as condições existentes, é muito provável a ocorrência de eventos destrutivos durante
R4 (Muito Alto)
episódios de chuvas intensas e prolongadas, no período compreendido por uma estação chuvosa.

Fonte: Adaptado de Augusto Filho (1992).

Ademais, a caracterização de áreas de instabilidade levará em consideração o Projeto de


Engenharia do empreendimento, de modo a realizar um levantamento das estruturas que podem
gerar impactos ambientais significativos que estejam relacionados à estabilidade de taludes e
geração de processos erosivos, bem como aterros e cortes requeridos. Essas estruturas podem ser
identificadas como áreas desencadeadoras de focos de instabilidade e deverão receber medidas
de controle e monitoramento para evitar e/ou mitigar potenciais processos erosivos.

É importante destacar que para a prevenção do desenvolvimento de feições erosivas ao longo da


fase de implantação do empreendimento, deverão ser adotadas as seguintes medidas preventivas:

• Os trabalhos de terraplenagem serão realizados preferencialmente durante o período seco,


evitando o surgimento de canais de escoamento superficial concentrado e do carreamento
de sedimentos;

• Durante a implantação das estruturas previstas para o empreendimento, as superfícies


conformadas receberão dispositivos de drenagens definitivos, concomitantemente aos
serviços de terraplenagem;

• Ao final da reconformação dos taludes de corte/aterro e demais superfícies, os trabalhos de


recomposição da cobertura vegetal deverão ser iniciados.

Programas Ambientais – Pág. 64


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Nos períodos chuvosos, imediatamente após as chuvas, a identificação e cadastramento de


processos erosivos deve ser intensificada. Especial atenção deve ser dada à manutenção dos
sistemas de drenagem antes do período de chuva, que devem ser mantidos desobstruídos para
cumprimento da função de condução das águas pluviais e, consequentemente, a proteção dos
cursos de água presentes na área.

Para minimizar os possíveis impactos oriundos da ocorrência de processos erosivos nas áreas
suscetíveis a erosão, as grandes intervenções, tais como acessos, cortes e aterros devem ser
evitadas sempre que possível. Quando for inviável evitar as áreas sensíveis, as condições do solo
devem ser avaliadas, a fim de caracterizar as feições erosivas já existentes e planejar as medidas
adequadas para estabilização dos solos. O manejo do solo e ações de prevenção e controle de
processos erosivos do empreendimento devem ser avaliados criteriosamente.

Durante as atividades de campo realizadas em dezembro de 2022, pela equipe da Maron Ambiental,
cujo intuito era caracterizar o meio ambiente das áreas de influência do empreendimento (ADA, AID
e AII), não foram identificadas feições erosivas significativas.

É importante salientar que, sugere-se que ocorra uma campanha de Background antes do início
das obras, podendo ser durante a fase de sondagem ou fase inicial de implantação, e se necessário,
poderão ser inseridas novas feições erosivas durante as demais campanhas executadas no
Complexo Fotovoltaico.

Adicionalmente, os mecanismos de desencadeamento dessas possíveis feições erosivas poderão


subsidiar as avaliações e estratégias de prevenção e controle de processos erosivos a serem
adotadas no Complexo Fotovoltaico.

[Link].3 Monitoramento de Processos Erosivos

O monitoramento de processos erosivos deste Programa deverá considerar as etapas de


implantação e operação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01). As campanhas de campo
ocorrerão regularmente, contudo, a frequência poderá ser intensificada de acordo com o avanço
das obras e período chuvoso. O monitoramento tem como proposta principal a verificação e
avaliação da eficiência das ações e medidas adotadas e da eficácia dos dispositivos de drenagem
e contenção que foram construídos. Ele abrangerá três etapas:

• Caracterização Ambiental Local de todas as áreas das estruturas do empreendimento


quanto aos fatores relacionados a erosão, tais como: (i) tipo de solo, textura, estrutura,
profundidade, porosidade, pedregosidade e transição; (ii) posição do relevo; declividade
local; tipo de drenagem local e processo morfodinâmico atual.

• Caracterização e controle das feições críticas existentes, ou seja, as cicatrizes erosivas


identificadas no Background e novas cicatriz de erosão ou de movimento de massa geradas

Programas Ambientais – Pág. 65


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

durante ou após a implantação e os taludes ou sistema de drenagem com instabilidades


pontuais após a implantação do empreendimento;

• Elaboração dos projetos específicos de controle de processos erosivos.

As fases do Programa estão intimamente ligadas entre si e implantadas conforme cronograma


específico. Salienta-se que o presente Programa apresenta apenas as orientações quanto às
práticas recomendáveis a serem adotadas em casos de instabilidade de solos. Todas as etapas
apresentadas a seguir deverão ser detalhadas em Plano de Trabalho antes da execução das
atividades de instalação do empreendimento.

Durante a fase de instalação, o monitoramento será realizado em concomitância com as atividades


de engenharia, acompanhando a execução das obras que realizem intervenção no solo. As
campanhas serão mensais, registadas com a elaboração de um relatório técnico e fotográfico,
localizando e descrevendo as questões mais críticas observadas em campo e propondo as medidas
corretivas mais adequadas.

[Link].4 Elaboração e Execução dos Projetos de Controle de Processos Erosivos

Esta etapa consiste na elaboração dos projetos de controle dos processos erosivos que possam
ocorrer em função das atividades da obra. Esses projetos serão elaborados pela empreiteira
responsável pela execução do empreendimento e devem ser executados quando do início das
obras, em caráter preventivo. O controle de áreas críticas do empreendimento deve considerar, na
sua elaboração, os seguintes elementos:

• Identificação, acompanhamento e previsão sobre o comportamento de áreas que já


demonstram sinais de desenvolvimento de erosão;

• Identificação de estruturas de construção previstas no Projeto Básico de Engenharia que


possam desencadear processos erosivos e as respectivas medidas de controle.

[Link].5 Ações de Mitigação e Contenção dos Processos Erosivos

[Link].5.1 Estabilização do Solo

Durante as atividades de limpeza prévia e terraplenagem, deve-se evitar a exposição total do solo,
visando garantir a sua estabilidade, principalmente nos períodos de chuvas. Quanto aos solos que
serão expostos por períodos extensos, sem qualquer tratamento, poderão ser cobertos com lona
impermeável, evitando o surgimento de ravinas. No período de movimentação de solo, deve-se
atentar para manter a integridade dos corpos hídricos e drenagens naturais existentes no terreno,

Programas Ambientais – Pág. 66


Plano Básico Ambiental – PBA
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sem interrompê-los. Nos casos em que não for possível deixar de transpor esses corpos hídricos,
principalmente na abertura dos acessos, deve-se garantir o seu fluxo por meio de bueiros ou pontes
bem planejados.

[Link].5.2 Taludes de Cortes e Aterros

Durante a construção, as vias de acesso e taludes estão sujeitos a instabilidade e a processos


erosivos. Algumas medidas de controle podem ser adotadas para evitar a ocorrência de processos
erosivos nesses locais, tais como: manter baixa velocidade de escoamento superficial; quando
possível, evitar trabalhos de movimentação do solo e terraplanagem em áreas com tendência à
erosão; desviar o escoamento superficial para fora das encostas íngremes e áreas desprotegidas,
construindo bermas e drenos de interceptação; aproveitar a vegetação nativa do local sempre que
possível. Os taludes de corte e aterro devem receber inclinações adequadas às características do
solo trabalhado, de modo que seja garantida a sua estabilidade. A adoção de conformação
geométrica deverá ser compatível com as características geotécnicas e com a topografia das áreas
limítrofes, principalmente no caso de aterros e bota-foras.

[Link].5.3 Técnicas de Contenção de Taludes

Podem ser implantados diques de contenção de taludes com o próprio material escavado, de forma
a garantir a inclinação dos taludes externos e caimentos transversais e longitudinais. Outros
materiais e métodos de contenção também podem ser implantados de acordo com as condições,
como muros de gabião, obras de arrimo, bermas, terraceamento, entre outros. Em casos de taludes
com inclinações significativas, sugere-se a aplicação de redutores de energia (escadas) para
minimização da velocidade de escoamento da água e, consequentemente, do arraste e
carreamento de sedimentos. Nos casos de surgimento de outros processos erosivos ao longo das
atividades construtivas, devem-se aplicar métodos adequados de contenção com a maior urgência
possível, evitando a expansão dessas feições. A escolha dos materiais a serem utilizados nesses
casos dependerá das características geotécnicas locais, podendo ser aplicados, após a drenagem
do terreno, sistemas de paliçadas, contenções por mantas geotêxtil, entre outros.

[Link].5.4 Recomposição Vegetal dos Solos

A reconformação da cobertura vegetal das áreas após as intervenções físicas é imprescindível para
garantir a permanência da estabilização da área. É indicada a revegetação utilizando espécies
nativas nos taludes de corte e aterro. A recomposição vegetal oferece a proteção e controle de
caráter extensivo contra os processos erosivos, favorecendo o encaminhamento das águas até os
locais de captação dos dispositivos de drenagem, contribuindo para o controle dos processos

Programas Ambientais – Pág. 67


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

erosivos e de instabilidade. As superfícies dos taludes de aterros e cortes, bem como o solo das
áreas de bota-fora, deverão receber revestimento vegetal para a proteção contra a erosão das
chuvas em todas as condições. Caso não seja possível a aplicação das técnicas em todos os
taludes, a equipe da empreiteira, sob supervisão da Gestão Ambiental, poderá avaliar pontualmente
quais os taludes em que será necessária a aplicação de técnicas de revegetação.

[Link] Metas

O Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos propõe a aplicação de medidas


de intervenção e o desenvolvimento de ações de controle dos processos erosivos e do
assoreamento que poderão ocorrer durante a construção e operação do empreendimento, tendo
como principais metas:

• Mapear, em base cartográfica compatível, os processos erosivos ou pontos potenciais para


a formação de processos erosivos em 100% da ADA do empreendimento;

• Executar 100% das campanhas de monitoramento em todos os pontos identificados,


acompanhando a eficácia das medidas corretivas aplicadas ou a não evolução dos pontos
potenciais;

• Implementar procedimentos e dispositivos de controle para evitar a instalação de processos


erosivos e assoreamentos e implantar medidas corretivas em 100% dos locais que for
avaliado com processos erosivos ou com potencial para agravamento;

• Identificar e verificar a correção de 100% de reincidências, adotando medidas apropriadas


para evitar sua propagação.

[Link] Indicadores de Desempenho

Os indicadores de desempenho do Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos,


são:

• Número de processos erosivos identificados na ADA;

• Número de campanhas de monitoramento executadas em relação às campanhas


planejadas;

• Número de processos erosivos identificados versus número de processos erosivos


controlados;

• Reincidência de processos erosivos e assoreamento após a execução das medidas de


controle propostas versus locais que receberam reforço das medidas aplicadas.

Programas Ambientais – Pág. 68


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Interface com Outros Programas

Este Programa tem interface com os seguintes programas:

• Programa de Gestão Ambiental;

• Programa de Supressão da Cobertura Vegetal;

• Programa de Recuperação de Áreas Degradadas;

• Programa de Proteção e Monitoramento dos Recursos Hídricos;

• Programa de Sinalização e Controle de Tráfego;

• Programa de Desativação do Empreendimento.

[Link] Recursos Necessários

A execução deste Programa deverá contar com uma equipe de profissionais capacitados para
execução das atividades de monitoramento, bem como, para projeto e execução dos dispositivos
de controle e prevenção dos processos erosivos.

Sugere-se que a equipe de gestão e execução de cada empreiteira conte com profissionais como
analista ambiental e técnicos de campo para execução de todos os programas sob sua
responsabilidade. Este programa prevê ainda a participação de outros profissionais que viabilizem
as ações como operadores de maquinários, encarregados e auxiliares de campo.

Com relação aos materiais necessários para a execução das atividades aqui mencionadas, serão
necessários: veículo para deslocamento, câmera fotográfica, GPS, computador e softwares para
análise e processamento dos dados espaciais.

[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento serão elaborados Relatórios Gerenciais


mensais internos, para apresentação à equipe de Gestão Ambiental do empreendedor, contendo
informações sobre as atividades referentes a este Programa.

Para o órgão ambiental será elaborado um Relatório Final Consolidado, com todas as atividades
realizadas no âmbito deste Programa, quando do requerimento do pedido da LO.

Programas Ambientais – Pág. 69


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Cronograma

As ações previstas neste Programa deverão ser realizadas durante as obras de implantação do
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01). Ressalta-se que as ações indicadas se concentrarão no
período de implantação, podendo ser realizadas verificações em campo também durante a fase de
operação, conforme avaliado e justificado pela equipe técnica responsável pelo programa.

Quadro 18 Cronograma do Programa de Controle e Monitoramento de Processos


Erosivos.

Pré- Fase de Implantação (meses)


Atividades
Implantação 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
Elaboração do Plano de Trabalho e Estruturação de
equipe
Fiscalizações e Inspeções
Implantação do Programa
Execução do Programa
Monitoramento dos processos erosivos cadastrados
Elaboração de relatórios mensais internos
Elaboração de relatório final consolidado para o Órgão
Ambiental

[Link] Referências Bibliográficas

ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6497. Procedimentos de


Levantamento Geotécnico. Rio de Janeiro. 1983.

ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10.703 Degradação do solo.


Rio de Janeiro. 1989.

ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 11.682 Estabilidade de


Encostas. Rio de Janeiro. 2009.

ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8.044 Projeto Geotécnico. Rio
de Janeiro. 2018.

LEPSCH, I. F, 19 lições de Pedologia, São Paulo, Oficina de Textos, 2011.

ROSS, J. L. S. - O registro cartográfico dos fatos Geomórficos e a questão da taxonomia do relevo.


Revista do Departamento de Geografia/FFLCH/USP, n.º 6, 17-29, 1992.

SANTOS, M, C. Solos do semiárido do brasil, Cadernos do Semiárido - Solos do Semiárido do


Brasil, v, 10, p, 55, 2015.

Programas Ambientais – Pág. 70


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

3.1.3 Programa de Controle e Monitoramento de Emissão de Particulados

[Link] Introdução e Justificativa

A região do empreendimento está situada em faixa de classificação climática de Koppen BSh –


Clima Semiárido quente. De maneira geral o clima semiárido quente é caracterizado pela escassez
de chuvas e uma considerável irregularidade em sua distribuição. Além disso, apresenta baixa
nebulosidade, forte insolação, índices elevados de evapotranspiração e temperaturas médias
elevadas. A umidade relativa do ar é normalmente baixa, e as chuvas com maior volume
pluviométrico concentram-se num espaço curto de tempo, provocando enchentes torrenciais.
Mesmo durante a época das chuvas, sua distribuição é irregular, deixando de ocorrer durante alguns
anos e provocando secas.

Durante a fase de instalação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) haverá a emissão de
gases e sólidos em suspensão decorrente das atividades típicas desta etapa, sobretudo, aos
seguintes aspectos: (i) abertura de acessos, tráfego de veículos leves e pesados, máquinas e
equipamentos por estradas vicinais e vias de acesso não pavimentadas para execução de obras,
movimentação de terra, transporte de insumos e de trabalhadores; (ii) execução das obras de
terraplanagem e de construção civil; (iii) atividades de implantação e fechamento do canteiro de
obras e da usina de concreto.

As condições atuais dos acessos existentes e as características dos solos locais propiciam a
produção de sólidos que podem vir a ser mobilizados, aspecto que será acentuado e potencializado
pelas atividades previstas para as obras de implantação.

Essas emissões de particulados deverão ser mitigadas e monitoradas, em especial nas áreas
habitadas próximas ao empreendimento e aos equipamentos sociais adjacentes. A comunidade de
Olho d’água mais próxima do Complexo Fotovoltaico, em particular, deve ser monitorada de perto,
inclusive pela equipe de Comunicação Social. A emissão de poluentes atmosféricos pode provocar
danos à saúde humana e ao meio ambiente, além disso, pode igualmente reduzir a visibilidade,
diminuir a intensidade da luz ou provocar odores desagradáveis. Sobre a saúde humana, a poluição
atmosférica pode afetar o sistema respiratório podendo agravar ou mesmo provocar diversas
doenças crônicas tais como a asma, bronquite crônica, infecções nos pulmões, enfisema pulmonar,
doenças do coração e cancro do pulmão.

Já na fase de operação, é previsto que haja uma redução expressiva deste impacto, uma vez que
a circulação de veículos, equipamentos e pessoas pela área do empreendimento se dará de forma
pontual, apenas para acesso de funcionários para atividades de inspeção e manutenção.

O Programa justifica-se pela necessidade de se monitorar impactos associados aos materiais


particulados provenientes das atividades de construção do Complexo Fotovoltaico, principalmente
nas edificações presentes nas proximidades do empreendimento (acesso externo e áreas internas)

Programas Ambientais – Pág. 71


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

de forma a minimizar as possíveis interferências sobre meio ambiente, sobre a saúde da mão de
obra e da população do entorno da ADA.

[Link] Objetivos

O objetivo principal deste programa é o monitoramento das condições de qualidade do ar, e a


verificação da efetividade das medidas de controle das emissões de particulados.
Consequentemente objetiva-se assegurar a manutenção da integridade da saúde pública – evitando
sua exposição aos efeitos nocivos da poluição do na região onde será implantado o Complexo Santa
Eugênia Solar (Fase 01). Desse modo, busca-se controlar as possíveis formas e fontes de poluição
atmosférica decorrente das intervenções, apontando os principais métodos para o controle e/ou
atenuação das emissões atmosféricas na área de influência direta e indireta do Empreendimento.
Complementarmente este Programa também possui os objetivos específicos:

• Propor ações para controlar as emissões de material particulado e fumaça preta de veículos
e equipamentos vinculados ao Empreendimento;

• Estabelecer medidas de controle das emissões atmosféricas;

• Realizar ações preventivas para a reduzir a emissão de poluentes e particulados, associados


ao ambiente da obra, bem como comunidades e vias próximas a área do Empreendimento.

[Link] Requisitos Legais

Durante a implantação e operação do Complexo Fotovoltaico deverá ser procedida a atualização


mensal da legislação ambiental aplicável ao empreendimento, considerando as distintas esferas de
governo (municipal, estadual e federal). Entre as principais legislações relativas ao licenciamento
ambiental do empreendimento em estudo cabem ser destacadas:

• Resolução CONAMA n.º 491, de 19 de novembro de 2018. Revoga a Resolução CONAMA


nº03/1990 e dispõe sobre padrões de qualidade do ar;

• Resolução CONAMA n.º 005/89, que dispõe sobre o Programa Nacional de Controle da
Poluição do Ar – PRONAR;

• Resolução CONAMA n.º 008/90, dispõe sobre o estabelecimento de limites máximos de


emissão de poluentes no ar para processos de combustão externa de fontes fixas de
poluição;

• Resolução CONAMA n.º 018/86, que dispõe sobre a criação do Programa de Controle de
Poluição do Ar por Veículos Automotores – PROCONVE;

Programas Ambientais – Pág. 72


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• Resolução CONAMA n.º 251/99, dispõe sobre os critérios, procedimentos e limites máximos
de opacidade da emissão de escapamento dos veículos automotores do ciclo Diesel, em
uso no Território Nacional, a serem utilizados em programas de I/M;

• Portaria MINTER nº 100/80, que dispõe sobre a emissão de fumaça por veículos movidos a
óleo diesel;

• Norma NBR 6.016:2015 da ABNT: Gás de escapamento de motor Diesel - Avaliação de teor
de fuligem com a escala de Ringelmann;

• Resolução CONTRAN n.º 441, de 28 de maio de 2013. Dispõe sobre o transporte de cargas
de sólidos a granel nas vias abertas à circulação pública em todo o território nacional;

• Resolução CONAMA n.º 418, de 25 de novembro de 2009. Dispõe sobre critérios para a
elaboração de Planos de Controle de Poluição Veicular – PCPV e para a implantação de
Programas de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso – I/M pelos órgãos estaduais e
municipais de meio ambiente e determina novos limites de emissão e procedimentos para a
avaliação do estado de manutenção de veículos em uso;

• Resolução CONAMA n.º 226, de 20 de agostos de 1997, aletrada pela Resolução CONAMA
n.º 321, de 18 de março de 2003. Estabelece limites máximos de emissão de fuligem de
veículos automotores, as especificações para óleo Diesel comercial e o cronograma de
implantação do cronograma de melhoria do óleo Diesel;

• Resolução CONAMA n.º 15, de 13 de dezembro de 1995, alterada pela Resolução CONAMA
n.º 242, de 30 de junho de 1998. Dispõe sobre a nova classificação dos veículos automotores
para o controle da emissão veicular de gases, material particulado e evaporativo, e dá outras
providências;

• Resolução CONAMA n.º 08, de 31 de agosto de 1993. Estabelece os Limites Máximos de


Emissão de poluentes para os motores destinados a veículos pesados novos, nacionais e
importados.

[Link] Responsabilidade de Execução

A responsabilidade pela implantação do Programa de Controle e Monitoramento de Emissão de


Particulados durante as obras de construção é da Empreiteira responsável pela execução das
obras, sob acompanhamento e fiscalização da equipe de Gestão Ambiental do Empreendedor. As
medidas de prevenção e controle previstas no âmbito deste programa devem ocorrer em conjunto
com as equipes executoras dos Programas de Comunicação Social, Programa de Sinalização e
Controle de Tráfego assim como a equipe de Segurança do Trabalho.

As empreiteiras e equipe de Gestão Ambiental e equipes executoras dos outros Programas se


envolverão no eixo de controle e prevenção com a manutenção e regulagem das máquinas e

Programas Ambientais – Pág. 73


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

motores, uso de EPIs e controle do tráfego de veículos. A equipe de Comunicação Social estará
envolvida no atendimento a eventuais reclamações.

[Link] Público-Alvo

O público-alvo do referido Programa são os colaboradores envolvidos no empreendimento, a


população que está inserida na área de influência do empreendimento, a empreiteira contratada
para execução das obras civis, bem como o órgão ambiental. A área de abrangência do Programa
de Controle e Monitoramento de Emissão de Particulados são as áreas de influência direta e indireta
e as comunidades no entorno da ADA, particularmente Olho d’água, mais próxima do Complexo
Fotovoltaico.

[Link] Metodologia

As ações destinadas à minimização de emissão de material particulados referem-se basicamente a


medidas de controle da suspensão de poeira, com geração prevista na circulação de veículos em
vias não pavimentadas e no carregamento e revolvimento do solo, e medidas de controle e
monitoramento de fumaça preta e particulados, a serem emitidos diretamente dos escapamentos
de veículos e outros equipamentos demandados na execução das obras.

Nesse contexto, o Programa de Controle e Monitoramento de Emissão de Particulados deverá


centralizar a execução das atividades nos espaços internos e nas vias externas que darão acesso
a obra, bem como nas vias de acesso às comunidades.

A metodologia desenvolvida para subsidiar o Programa deverá ser procedida a partir de duas
vertentes:

• Ações de controle e prevenção: Umidificação de vias e acessos, pátios e espaços


construtivos; proteção das caçambas dos caminhões que transportam terra/agregados com
lona; controle de particulados e gases a partir da manutenção dos equipamentos e estruturas
que emitam substâncias à atmosfera, seja pela queima de combustíveis ou por dispersão
de partículas; incentivo ao uso de EPI’s, em especial aos de proteção contra emissão de
gases, particulados e fuligens;

• Ações de monitoramento: monitoramento dos equipamentos e estruturas que emitam


substâncias à atmosfera, pela de queima de combustíveis, a partir do Método Escala
Ringelmann.

A definição e detalhamento das medidas de prevenção e controle serão definidas posteriormente


por meio de Planos de Trabalho a serem elaborados pela Empreiteira executora do Programa.

Programas Ambientais – Pág. 74


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link].1 Ações de Controle e Prevenção

As ações de controle e prevenção contribuem para minimizar possíveis alterações na condição do


ar, decorrente de emissões de gases e particulados na área de influência do empreendimento. Além
disso, para dar efetividade aos procedimentos de controle e prevenção à emissão de poluição
atmosférica, sugere-se que sejam executadas ações de monitoramento rotineiras no ambiente da
obra. A seguir, serão descritos os procedimentos responsáveis pelo controle e prevenção da
emissão de poluentes.

O deslocamento do material particulado em suspensão no ar é um dos principais meios de emissões


de poluição atmosférica no contexto construtivo de grandes empreendimentos. Não obstante, na
etapa de implantação do empreendimento, o fluxo de veículos leves e pesados poderá proporcionar
a desagregação de partículas finas de sedimentos provenientes das vias em construção, o que
facilita a propagação do material.

Dessa forma, sugere-se proceder com as orientações listadas a seguir, sempre que possível,
mediante avaliação das equipes de engenharia e meio ambiente, como medidas de controle.

[Link].1.1 Alternativas e Procedimentos Construtivos

Umidificação de Vias de Acesso e Áreas Comuns - Sistemas de Aspersão Alternativos: A


aspersão de água deve ser realizada nas principais vias de acesso do empreendimento (internas e
externas), nas áreas de convívio comum da obra (usinas de concreto, canteiro de obra, áreas
próximas ao refeitório ou de descanso, etc.) e, principalmente, nas vias que darão acesso às
comunidades e povoados próximos ao empreendimento. A frequência desta umectação irá variar
de acordo com as chuvas da região ou conforme fluxo de veículos, preferencialmente ao início e ao
final do turno de trabalho; Como o uso de água potável é uma preocupação no contexto semiárido
que o empreendimento se insere, devem ser empregados sistemas de aspersão que reutilizam
água, como a água da chuva coletada ou água tratada de processos industriais.

Compactação do solo: Outra forma eficiente de reduzir a dispersão de partículas e emissão de


poeiras é compactação do solo em áreas de acessos.

Cobertura das vias com materiais: O uso de materiais nas vias de acesso se torna outra
alternativa viável para diminuir a propagação do particulado em questão. A principal técnica utilizada
para cobertura das vias é a aplicação de brita. Outra alternativa é a utilização de produtos orgânicos
para cobertura da superfície. Coberturas como palha, casca de árvore ou outros materiais orgânicos
para proteger áreas expostas e evitar a emissão de particulados

Programas Ambientais – Pág. 75


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Salienta-se que a utilização das técnicas propostas deve ser avaliada pela equipe de gestão
ambiental e estar em consonância com as especificações geotécnicas e civis da obra.

[Link].1.2 Manutenção e Revisão de Equipamentos

Os equipamentos a combustão, como gasolina, álcool e diesel, que contribuem para a emissão de
poluição, tais como betoneiras, tratores, retroescavadeira, caçambas, muncks, patrols, e todos os
outros veículos pesados, comumente utilizados em obras, devem passar por manutenção e revisão
periodicamente;

Enfatiza-se a importância da instalação e revisão dos motores, escapamentos, filtros de ar e


difusores de dispersão dentro dos padrões estabelecidos pelo fabricante do equipamento, como
forma de atender as especificações do padrão de qualidade do ar, em acordo à Resolução
CONAMA 03/90;

Ressalta-se ainda a necessidade de cobertura com lona de todas as caçambas de caminhões de


transporte de materiais agregados em percursos externos, evitando a emissão de poeiras e
particulados nos acessos, frentes de obra e áreas urbanas em que transitarem.

[Link].1.3 Sinalização

A Norma Regulamentadora no 18 (NR-18) é responsável por tratar das condições e do meio


ambiente de trabalho na indústria da construção. Entretanto, é sugerido para o referido Programa
que sejam intensificadas as sinalizações, no que tange a redução da velocidade em ambientes
comuns e próximo às comunidades, como forma de atenuar a dispersão e propagação de
particulados no ar. São esperadas placas de sinalização de redução de velocidade nas vias internas
e externas, próximos às comunidades e povoados, além da sinalização no canteiro de obras e
centrais de concretagem, enfatizando o uso de máscaras e proteção contra gases e particulados
emitidos por máquinas, motores e escapamentos.

A utilização de qualquer placa ou aviso deve ser aprovada pela equipe de engenharia de segurança
do trabalho da obra e estar em conformidade com as normativas vigentes, além de padronizadas
conforme orientações previstas no Programa de Sinalização e Controle de Tráfego do PBA ora
apresentado.

Programas Ambientais – Pág. 76


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link].1.4 Uso de EPIs

Em consonância com os ditames de Segurança do Trabalhado, o uso de EPIs será obrigatório nas
obras, especialmente máscara de proteção respiratória e óculos de segurança, de modo a proteger
a saúde dos colaboradores.

[Link].2 Procedimentos de Monitoramento

[Link].2.1 Identificação das Fontes

Para minimizar os impactos negativos ocasionados aos meios físico, biótico e socioeconômico na
área de influência do empreendimento, se faz necessária a identificação de fontes emissoras de
material particulado sob qualquer forma. As atividades vinculadas à implantação do
empreendimento demandarão ações que geram poeiras e gases para a implantação da
infraestrutura, tais como movimentação de solos e rochas por equipamentos, rodagem de veículos
vinculados à obra pelos acessos não pavimentados, operação de motores a combustão interna,
abertura de cavas para fundação das placas fotovoltaicas, limpeza e preparação dos terrenos,
instalação do canteiro de obras, supressão da vegetação.

[Link].2.2 Levantamento e Caracterização das Áreas Críticas para Emissão de Poeira

A fase de diagnóstico consiste na identificação, georreferenciamento e caracterização dos locais


que apresentem áreas fonte de materiais particulados (poeiras). Tais áreas serão identificadas por
meio de inspeção visual dos acessos no entorno da ADA do empreendimento e subsidiarão as
atividades de controle a serem planejadas, além de serem monitoradas nas campanhas
subsequentes. Esta atividade deve ser realizada ao início das obras e com periodicidade mensal.

O mapeamento e cadastramento dos pontos críticos para emissão de poeira está programado para
o primeiro mês após emissão da Licença de Instalação, na Campanha Background. Esta campanha
ocorrerá antes das obras do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) se iniciarem e nela os pontos
críticos considerados significativos serão inseridos no banco de dados para monitoramento e
caracterizados mais detalhadamente.

[Link].2.3 Monitoramento de Fumaça Preta – Escala Ringelmann

Como medida de monitoramento deverão ser realizadas campanhas mensais, com análise
qualitativa, da fumaça preta emitida por veículos e maquinários que utilizem óleo diesel como

Programas Ambientais – Pág. 77


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

combustível, através da aplicação do Cartão – Índice de Fumaça Tipo Ringelmann. As medições


deverão garantir que 100% da frota será avaliada ao final de cada trimestre.

Este método de aferimento é previsto pela Portaria IBAMA nº 85/1996, como forma de avaliação do
grau colorimétrico da fumaça emitida por motores a diesel.

A Escala de Ringelmann consiste na comparação visual de um disco de papel com escala


colorimétrica, de branco a preto, à pluma de fuligem emitida na extremidade do tubo de escape. Os
resultados dependerão sempre de uma série de fatores, como a experiência do observador, pois
este método exige uma avaliação humana e, portanto, subjetiva da posição do observador em
relação à incidência de luz sobre a pluma de fumaça e do contraste entre a fumaça e o fundo da
escala gráfica para avaliação colorimétrica de densidade de fumaça, constituída de seis padrões
com variações uniformes de tonalidade entre o branco e o preto (Figura 20 ). Os padrões são
apresentados por meio de quadros retangulares, com rede de linhas de espessura e espaçamento
definidos, sobre um fundo branco. Os padrões da escala de Ringelmann são numerados de 0 a 5
(LISBOA et. al., 2007).

A aplicação da escala de Ringelmann deve ser realizada durante toda a etapa de instalação do
empreendimento nos veículos automotores pesados ou de transporte, que trafegarem na área de
influência do empreendimento. Os resultados das inspeções deverão ser registrados em formulários
específicos, contemplando a data da inspeção, identificação do veículo, a quilometragem e o grau
de enegrecimento da fumaça. Caso sejam observados níveis excessivos de densidade
colorimétrica, os registros do monitoramento deverão ser comunicados para emissão dos registros
de não conformidade.

Níveis excessivos de densidade colorimétrica serão verificados se na comparação visual, a


coloração da emissão de fumaça observada for superior ao nº dois (40%) do Índice da Escala de
Ringelmann, caracterizando a infração prevista no Artigo 181, item XXX, letra a) do Regulamento
do Código Nacional de Trânsito. Sendo que para altitudes superiores a 500m, admite-se o padrão
nº 3 (60%) da Escala de Ringelmann. Os veículos e equipamentos que se apresentarem em
desconformidade com os padrões estabelecidos pela legislação deverão ser afastados das frentes
de obra e encaminhados para a manutenção.

Dessa forma, determina-se que tal procedimento seja efetuado, preferencialmente, nas vias de
acesso interno e externo do ambiente construtivo da obra, além da via principal das comunidades
inseridas próximas ao empreendimento ressalta-se que, de forma a evitar a geração de outros
poluentes atmosféricos não previstos neste Programa, fica proibida a queima de qualquer material
ou resíduo gerado durante as obras, independente da sua origem.

Programas Ambientais – Pág. 78


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 20 Modelo da Escala de Ringelmann, conforme determinação de uso do


CONTRAN.

Fonte: Lisboa [Link]., 2007. Adaptado.

Programas Ambientais – Pág. 79


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Metas

As metas do Programa de Controle e Monitoramento de Emissão de Particulados são:

• Realizar as medições mensais de fumaça preta em 100% da frota durante as obras de


implantação;

• Realizar ações visando assegurar 100% dos veículos que ultrapassem os padrões de
emissão de fumaça estabelecidos pela legislação vigente sejam direcionados para
manutenção;

• Identificar e verificar a correção de 100% das não conformidades identificadas, adotando


medidas apropriadas para evitar sua ocorrência;

• Dar encaminhamentos a 100% das reclamações registradas no âmbito do Programa de


Comunicação Social referentes às emissões atmosféricas das obras.

[Link] Indicadores de Desempenho

Os indicadores de desempenho do Programa de Controle e Monitoramento de Emissão de


Particulados são:

• Número de campanhas de medições mensais de fumaça preta realizadas durante as obras


de implantação versus número de campanhas previstas;

• Número de veículos fora dos padrões para emissão de fumaça e quantidade (%) de veículos
fora dos padrões direcionados para a manutenção;

• Quantidade (%) de casos de não conformidades registradas pela equipe do PGA que foram
corrigidas; e

• Número de registros de reclamações relacionadas à emissão de poluentes atmosféricos e


material particulado (poeira) versus número de reclamações atendidas.

[Link] Interface com Outros Programas

O Programa Controle e Monitoramento de Emissão de Particulados apresenta interface com as


medidas que serão adotadas nos seguintes programas:

• Programa de Gestão Ambiental;

• Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos;

• Programa de Recuperação de Áreas Degradadas;

• Programa de Comunicação Social;

Programas Ambientais – Pág. 80


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• Programa de Sinalização e Controle de Tráfego;

[Link] Recursos Necessários

A execução deste Programa deverá contar com uma equipe de profissionais capacitados para
realização das ações aqui descritas. Sugere-se que a equipe de gestão e execução de cada
empreiteira conte com profissionais como analista ambiental e técnicos de campo para execução
de todos os programas sob sua responsabilidade. Este programa prevê ainda a participação de
outros profissionais que viabilizem as ações, como motoristas, operadores de máquinas e auxiliares
de campo.

Os materiais demandados para a execução das atividades de campo incluem veículos para
deslocamento, câmeras fotográficas, Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), Escala
Ringelmann, fichas de campo, além de outros materiais que se fizerem pertinentes.

[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento serão elaborados Relatórios Gerenciais


mensais internos, para apresentação à equipe de Gestão Ambiental do empreendedor, contendo
informações sobre as atividades referentes a este Programa no Complexo Santa Eugênia Solar
(Fase 01).

Para o órgão ambiental será elaborado um Relatório Final Consolidado, com todas as atividades
realizadas no âmbito deste Programa, quando do requerimento do pedido da LO.

[Link] Cronograma

O Programa de Controle e Monitoramento de Emissão de Particulados corresponde a ações que


serão mantidas durante toda a fase de obras de implantação e início de operação. As ações de
prevenção e controle de emissão de particulados deverão ser intensificadas durante o período seco
da região.

Programas Ambientais – Pág. 81


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Quadro 19 Cronograma do Programa Controle e Monitoramento de Emissão de


Particulados.

Pré- Fase de Implantação (meses)


Atividades
Implantação 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
Elaboração do Plano de Trabalho e Estruturação de
equipe
Fiscalizações e Inspeções
Implantação do Programa
Operação do Programa
Monitoramento de fumaça preta
Elaboração de relatórios mensais internos
Elaboração de relatório final consolidado para o Órgão
Ambiental

[Link] Referências Bibliográficas

BRASIL, Lei nº 9.503 de 23 de setembro de 1997. Institui o Código Nacional de Trânsito. Planalto
federal, Brasília, 1997. Disponível em: < [Link]

_______. Ministério do Meio Ambiente, 2016. Qualidade do ar. Disponível em:


<[Link]

_______. Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (LPNMA) nº 6.938 de 31 de agosto de 1981.
Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e
aplicação, e dá outras providências. Planalto federal, Brasília, 1981.

_______. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais). Dispõe sobre as
sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e
dáoutras providências. Planalto federal, Brasília, 1998. Disponível em: <
[Link]

CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução 005 de 15 de junho de 1989. Dispõe
sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio
ambiente, e dá outras providências. Planalto federal, Brasília, 2016.

_______. Resolução 03 de 28 de junho de 1990. Dispõe sobre padrões da qualidade do ar, previstos
no PRONAR. Planalto federal, Brasília, 2016.

_______. Resolução 18 de 06 maio de 1986. Dispõe sobre a criação do Programa de Controle de


Poluição do Ar por veículos automotores - PROCONVE. Ministério do Meio Ambiente, Planalto
federal, Brasília, 2016.

LISBOA, Henrique de Melo. KAWANO, Mauricy. Controle da Poluição Atmosférica. Monitoramento


de poluentes atmosféricos, Cap. IV. Primeira versão, Montreal, dezembro de 2007.

Programas Ambientais – Pág. 82


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

MARON AMBIENTAL, 2023. Estudo de Médio Impacto - EMI do Complexo Santa Eugênia Solar.

Programas Ambientais – Pág. 83


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

3.1.4 Programa de Controle e Monitoramento de Ruídos

[Link] Introdução e Justificativa

A implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) necessitará de atividades como
abertura e ampliação de acessos, abertura e operação de áreas de empréstimo e bota-fora,
construção de bases das placas fotovoltaicas, transporte de equipamentos, materiais e pessoas,
transporte e operação de maquinários pesados, entre outras. Tais atividades são geradoras, além
de outros impactos ambientais, de ruídos sonoros.

De acordo com a Resolução CONAMA n° 001/90, a emissão de ruídos em decorrência de quaisquer


atividades industriais, comerciais, sociais ou recreativas podem ser prejudiciais à saúde e ao
sossego público, portanto deve obedecer às diretrizes propostas pela Norma NBR 10.151/2020,
que estabelece os níveis sonoros aceitáveis em diferentes ambientes, rurais ou urbanos.

Dessa forma, considerando o potencial para geração de ruídos provenientes da implantação do


Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), se faz necessário o controle e o monitoramento dos
níveis de ruídos nas áreas de influência do empreendimento.

O presente Programa se faz necessário para certificar que prevaleçam as adequadas condições de
qualidade e conforto ambiental na região, bem como para fornecer dados monitorados in loco para
resguardar o empreendedor frente aos possíveis questionamentos futuros.

[Link] Objetivos

O Programa de Controle e Monitoramento de Ruídos tem como objetivo geral minimizar os impactos
ambientais causados pela emissão de ruídos atribuíveis às atividades de implantação do
empreendimento, buscando, dessa forma que a instalação do empreendimento atenda à legislação
vigente no que se refere aos níveis de ruído. Para tal, são propostas medidas de controle e
monitoramento, visando preservar a saúde e bem-estar dos trabalhadores envolvidos nas obras.
Esse Programa também objetiva:

• Acompanhar a implantação e avaliação das medidas propostas para controle e


monitoramento dos níveis de ruídos;

• Receber e dar encaminhamento às reclamações relacionadas ao conforto sonoro;

• Monitorar a emissão de ruídos durante a instalação do empreendimento;

• Atender à legislação ambiental e normas técnicas pertinentes relacionadas aos níveis de


ruído.

Programas Ambientais – Pág. 84


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Requisitos Legais

Destacam‐se, no âmbito deste programa, os seguintes regimentos legais relacionados ao ruído


ambiental:

• A Resolução CONAMA 001/90: Dispõe sobre critérios e padrões de emissão de ruídos, das
atividades industriais;

• NBR 10.151/2019 da ABNT: Medição e avaliação de níveis de pressão sonora em áreas


habitadas — Aplicação de uso geral. Errata 1:2020.

[Link] Responsabilidade de Execução

A responsabilidade pela implantação do Programa de Controle e Monitoramento de Ruídos durante


as obras de construção é da empresa de consultoria especializada contratada pelo Empreendedor,
para a execução dos monitoramentos periódicos previstos, em conjunto com as Empreiteiras
contratadas, equipe de Gestão Ambiental e a equipe executora dos Programas de Comunicação
Social, Programa de Sinalização e Controle de Tráfego e Programa de Educação Ambiental. As
empreiteiras e equipe de Gestão Ambiental e equipes executoras dos outros Programas se
envolverão nos eixos controle dos níveis de ruídos, com a manutenção e regulagem das máquinas
e motores, uso de EPIs, controle do tráfego de veículos. A equipe de Comunicação Social estará
envolvida no atendimento a eventuais reclamações.

[Link] Público-Alvo

O Programa de Controle e Monitoramento de Ruídos tem com público-alvo todos os trabalhadores


envolvidos com as obras de instalação e operação do empreendimento e a população do entorno.
A área de abrangência do Programa de Controle e Monitoramento de Ruídos são as áreas de
influência direta e indireta e as comunidades no entorno da ADA, particularmente Olho D’água.

[Link] Metodologia

Este programa possui dois componentes principais, um sob responsabilidade da empreiteira que
diz respeito às medidas preventivas e de controle, e outro sob responsabilidade da gestão ambiental
da obra, relacionado às campanhas de monitoramento. As campanhas de medição terão como
objetivo caracterizar o ruído ambiental existente durante a fase de instalação na área do Complexo
Fotovoltaico e seu entorno. Já na fase de operação, o monitoramento proposto deverá ser realizado
somente em caso de reclamação de incômodo da população residente.

Programas Ambientais – Pág. 85


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

A legislação federal vigente que trata dos níveis de ruído é a Resolução CONAMA nº 01/1990, que
determina os valores máximos estipulados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT),
conforme critérios estabelecidos na norma técnica ABNT – NBR 10.151/2020 – “Acústica – Medição
e avaliação do Ruído em Áreas Habitadas, Aplicação de uso geral”, para ruídos emitidos em
decorrência de quaisquer atividades industriais, comerciais, sociais ou recreativas.

A referida norma técnica NBR 10.151 (ABNT, 2020) considera recomendáveis, para conforto
acústico, os níveis máximos de ruído externo apresentados no Quadro 20.

Quadro 20 Limites de níveis de pressão sonora em função dos tipos de áreas habitadas e
do período.

RLAeq Limites de níveis de


Tipos de área pressão sonora (dB)
Diurno dB(A) Noturno dB(A)
Área de residências rurais 40 35
Áreas estritamente residencial urbana ou de hospitais ou de escolas 50 45
Área mista, predominantemente residencial 55 50
Área mista com predominância de atividades comerciais e/ou administrativa 60 55
Área mista com predominância de atividades culturais, lazer e turismo 65 55
Área predominantemente industrial 70 60

Fonte: ABNT – NBR 10.151/2020.

Conforme estabelecido na referida norma, a classificação do tipo de uso e ocupação do solo nos
pontos receptores medidos deve ser realizada por observação local, durante as medições dos níveis
de ruído. Dessa forma, a classificação de uso e ocupação nos pontos receptores não representa,
necessariamente, o zoneamento oficial do município, pois frequentemente a ocupação real não
corresponde a este. Por outro lado, os padrões de ruído são estabelecidos em função da
sensibilidade dos agentes receptores, que estão intrinsecamente relacionados com o tipo de
ocupação existente.

[Link].1 Termos e Definições

De modo a facilitar o entendimento dos dados que serão apresentados adiante, define-se abaixo
termos relativos ao monitoramento e avaliação de níveis acústicos:

• Laeq: Nível de pressão sonora contínuo equivalente ponderada em A – Laeq,T: Nível de


pressão sonora contínuo equivalente ponderada em A no espectro global, obtido por
integração no tempo T (Laeq,T), deve ser medido diretamente ou calculado pela média

Programas Ambientais – Pág. 86


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

logarítmica ponderada no tempo de resultados integrados em intervalos de tempo parciais,


sendo o resultado expresso por meio do descritor Laeq,T, em decibel (dB).

• Nível Máximo (LMAX): é o nível de som máximo verificado durante cada amostragem.

• Nível Mínimo (LMIN): é o nível de som mínimo verificado durante cada amostragem.

• L90 – nível de pressão sonora excedido em 90% do tempo de medida efetiva.

• L10 – nível de pressão sonora excedido em 10% do tempo de medida efetiva.

• Nível de Pressão Sonora do som Residual – Lres – valor de Laeq,T definido em um


momento em que não ocorre interferência da fonte de ruídos que se pretende analisar.

• Nível de Pressão Sonora do som Total – Ltot – valor de Laeq,T que representa o som em
um momento em que há a interferência da fonte de ruídos e do som residual.

• Nível de Pressão Sonora do som Específico – Lesp – valor obtido a partir de uma
comparação logarítmica entre o som total e o som residual, resultando no nível de pressão
específico da fonte emissora de ruídos que se pretende estudar, realizado conforme
instruções da NBR 10.151/2020.

[Link].2 Equipamentos

Para as campanhas de monitoramento de ruídos deve-se utilizar equipamento medidor de nível de


pressão sonora que atenda às especificações da IEC 60651 para tipo 0, tipo 1 ou tipo 2.
Recomenda-se que o equipamento possua recursos para medição de nível de pressão sonora
equivalente ponderado em “A” (LAeq), conforme a IEC 60804 e que este seja adequadamente
calibrado, seguindo as recomendações do fabricante.

[Link].3 Diagnóstico e Monitoramento de Ruídos

Para caracterização do ruído ambiental no entorno do empreendimento será utilizada a metodologia


descrita na NBR 10.151/2020 “Acústica – Medição e avaliação do Ruído em Áreas Habitadas,
Aplicação de uso geral” da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

As medições in situ ocorrerão nos períodos diurno e noturno. O período diurno corresponde ao
período de tempo compreendido entre as 07:01 hs (sete horas e um minuto) e as 19:00 hs
(dezenove horas) do mesmo dia; o vespertino, entre as 19:01 hs (dezenove horas e um minuto) e
as 22:00 hs (vinte e duas horas) e, o noturno, entre as 22:01 hs (vinte e duas horas e um minuto) e
as 07:00 hs (sete horas) do dia seguinte. Vale ressaltar que as medições a serem realizadas durante
a fase de instalação do empreendimento, no período diurno, vão coincidir com o período em que
serão realizadas as obras civis de construção.

Programas Ambientais – Pág. 87


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Cada local de medição será fotografado, georreferenciado e adotados os seguintes procedimentos:

• Não efetuar medições na existência de interferências audíveis advindas de fenômenos da


natureza, como trovões e chuvas fortes, ou de ruído com características impulsivas ou de
impacto;

• O efeito de vento sobre o microfone deve ser evitado com uso de protetor;

• As medições devem ser efetuadas em pontos afastados a 1,2 m do piso e a no mínimo 2,0
m do limite da propriedade e de quaisquer outras superfícies refletoras, como muros e
paredes;

• Cada medição deve ser realizada em um período de no mínimo cinco minutos, utilizando a
curva de ponderação A, com circuito de resposta rápida (fast), totalizando 300 leituras no
mínimo;

• As informações obtidas em campo devem ser registradas para compor a caracterização e


apoiar a justificativa dos resultados obtidos. Os registros devem ser compilados em fichas
com a caracterização dos pontos de medição de ruído externo de forma individual, contendo
as seguintes informações:

o Número do ponto de medição;

o Data;

o Descrição da área;

o Ponderação da curva de amostragem;

o Resposta do ruído;

o Faixa de medição em dB;

o Coordenadas X e Y em Universal Transversa de Mercator (UTM) – Sirgas 2000;

o Imagem fotográfica do local de medição;

o Gráfico de distribuição do dB(A);

o Hora inicial da medição;

o Hora final da medição;

o Condições Meteorológicas;

o Estimativa in sito da radiação solar;

o Estimativa in sito da condição de cobertura das nuvens;

o Estimativa in sito da intensidade dos ventos;

o Estimativa in sito da Umidade relativa do ar.

Programas Ambientais – Pág. 88


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• Ruído de fundo:

o IH – Interferência humana;

o IA – Interferência animal;

o VGP – Veículo de grande porte;

o VMP – Veículo de médio porte;

o VPP – Veículo de pequeno porte;

o EO – Equipamentos de obras.

[Link].4 Pontos de Monitoramento

Os procedimentos que serão empregados para a medição dos níveis de ruído têm como base a
NBR 10.151/2020, e a L11032/1992 da CETESB, onde são estabelecidas as seguintes premissas:

• Todos os valores medidos do nível de pressão sonora devem ser aproximados ao valor
inteiro mais próximo;

• O efeito de vento sobre o microfone será evitado com uso de protetor;

• As medições serão efetuadas em pontos afastados a 1,2 m do piso, e, pelo menos, 2 metros
do limite da propriedade e de quaisquer outras superfícies refletoras, como muros e paredes;

• As medições serão realizadas em cada ponto nos períodos noturno e diurno;

• Cada medição será realizada em um período de no mínimo cinco minutos, de forma que a
cada intervalo de 01 segundos foi feito a leitura do nível de ruído, totalizando no mínimo 300
leituras;

• Os parâmetros considerados para cada medição incluirão Laeq, Lmín e Lmáx. Os gráficos
comparativos serão apresentados nas Fichas de Medição que deverão compor os relatórios
de monitoramento;

• Os valores registrados serão comparados aos valores que a norma técnica NBR 10.151
(ABNT, 2020) considera recomendáveis, para conforto acústico, os níveis máximos de ruído
externo apresentados no Quadro 20. E quando necessário serão utilizados os dados de
ruído de fundo (residual) identificados na campanha de background.

Durante as atividades de campo realizadas em dezembro de 2022, para compor o Diagnóstico do


Estudo de Médio Impacto – EMI do empreendimento (MARON AMBIENTAL, 2023), foram
mapeados cinco (05) pontos de monitoramento de ruídos nas áreas de influência do Complexo
Santa Eugênia Solar (Fase 01), porém em dois (02) desses pontos não haviam mais edificações,
que foram demolidas para implantação do Complexo Eólico Ventos de Santa Eugênia, logo no
âmbito do monitoramento periódico de ruídos no entorno do Complexo Fotovoltaico, propõe-se o

Programas Ambientais – Pág. 89


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

acompanhamento de três (03) pontos de monitoramento, em destaque Quadro 21 e na Figura 21


abaixo, que foram definidos a partir de edificações em propriedades rurais pré-identificadas e
comunidades próximas as estruturas do empreendimento, em suas áreas de influência (ADA, AID
ou AII). Os resultados dessa campanha serão utilizados para comparação com as campanhas
realizadas durante a fase de instalação do empreendimento.

É importante destacar que novos pontos poderão ser acrescentados, caso necessário, conforme
necessidades identificadas ao início da implantação pela equipe de gestão ambiental do
empreendedor e reclamação da comunidade local.

Quadro 21 Pontos de monitoramento de ruídos cadastrados.

UTM/23S SIRGAS
Ponto Descrição 2000 Tipo de área e limites
E N
R01 Acesso de contorno a Uibaí 815290 8745091 Residências rurais
Acesso externo ao Complexo Eólico Ventos de Santa
R02 813917 8734084 Residências rurais
Eugênia
Local de um possível Alojamento (realocar caso o
Área mista, predominantemente
R03 alojamento mude de posição ou não venha a ser 817597 8737923
residencial
implantado)

Programas Ambientais – Pág. 90


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 21 Localização dos Pontos de Ruídos.

Programas Ambientais – Pág. 91


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Os valores obtidos para os 03 pontos de medição do nível de ruído são apresentados no Quadro
22 para o período diurno, e no Quadro 23 para o período noturno.

Quadro 22 Resultados das medições dos níveis de ruído no período diurno.

Medidas em dB (A)
Ponto Limites NBR 10.151 (RLAeq) Tipo de área
LAeq Lmin Lmax L10 L90
R01 56,28 45,8 83,1 57,78 47,6 40 Residências rurais
R02 52,05 36,7 87,7 48,69 38,3 40 Residências rurais
R03 66,55 46 81,8 66,4 48,7 55 Área mista, predominantemente residencial

Quadro 23 Resultados das medições dos níveis de ruído no período noturno.

Medidas em dB (A)
Ponto Limites NBR 10.151 (RLAeq) Tipo de área
Leq Lmin Lmax L10 L90
R01 57,50 48,50 61,10 60,09 50,70 35 Residências rurais
R02 60,32 43,5 70,3 64,19 45,6 35 Residências rurais
R03 59,17 48 58,5 60,69 49,51 50 Área mista, predominantemente residencial

Os gráficos apresentados na Figura 22 e Figura 23 seguir exibem os resultados do Nível Contínuo


Equivalente (LAeq) de cada ponto de ruído, nos períodos diurno e noturno, comparados ao nível
permitido estabelecido pela Norma NBR-10.151.

Programas Ambientais – Pág. 92


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 22 Nível Contínuo Equivalente (LAeq) de cada ponto de ruído, no período


diurno, comparados ao nível de pressão sonora estabelecido pela Norma NBR-
10.151.

Fonte: MARON AMBIENTAL, 2023.

Figura 23 Nível Contínuo Equivalente (Laeq) de cada ponto de ruído, no período


noturno, comparados ao nível de pressão sonora estabelecido pela Norma NBR-
10.151.

Fonte: MARON AMBIENTAL, 2022.

Programas Ambientais – Pág. 93


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

A partir do exposto, observa-se que no período diurno, todos os três (03) pontos de amostragem,
apresentaram LAeq superior ao estabelecido pela NBR 10.151. Neste período, estes pontos
ultrapassam, em média, 30,6% do valor estipulado pela norma como limite para as condições de
ocupação da área de medição, com um valor médio de Laeq de 58,29 dB. É importante mencionar
que os pontos R01 e R02 apresentaram as maiores intensidades medidas para o tipo de área
atingindo respectivamente, 56,28 dB e 52,05 dB, ultrapassando em cerca de 40,70% e 30,11% os
valores estabelecidos como limite.

Os ruídos de fundo mais frequentes foram os provocados diretamente por interferência humana e
animal (IA, IH) e também foram registrados ruídos referentes a veículos de médio e grande porte
(VMP e VGP) no momento das medições. O vento também foi um agente causador de ruído. As
condições meteorológicas no momento das medições eram, em geral: alta incidência solar, vento
constante e intenso presente em praticamente todos os pontos, e umidade do ar média.

No período noturno, assim como na medição em período diurno, todas as medições registraram
valores superiores ao estabelecido pela norma. As medições realizadas nestes pontos captaram
valores que ultrapassam, em média, 68,3% do valor estipulado pela norma como limite para as
condições de ocupação neste período, com um valor médio de Laeq de 58,91 dB. Destaca-se os
pontos R01 e R02, em que os valores de intensidade de ruído atingiram, respectivamente, 57,50
dB e 60,32 dB, ultrapassando o limite estabelecido pela norma em intervalos percentuais de 64,27%
e 72,35% Há interferências animais (IA), porém em menor quantidade do que o observado no
levantamento diurno. As condições meteorológicas no momento das medições eram de vento
brando a intenso.

[Link].5 Controle dos Níveis de Ruídos

O controle e o monitoramento dos níveis de ruído na área destinada à instalação serão realizados
a partir de medidas preventivas e periódicas, descritas a seguir:

[Link].5.1 Manutenção e Regulagem das Máquinas e Motores

A operação de todo equipamento mecânico utilizado nos processos de construção dentro e fora da
área do empreendimento não deverá provocar ruído desnecessário ou excessivo, e deverá cumprir
os limites de ruído estabelecidos pela legislação vigente. Todos os equipamentos e dispositivos de
atenuação acústica em operação nas instalações das obras serão mantidos em boas condições,
para minimizar as emissões de ruído.

Os veículos em uso devem manter suas configurações originais e boas condições de uso, evitando-
se ruídos excessivos, dentre outros impactos.

Programas Ambientais – Pág. 94


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link].5.2 Uso de EPIs

Todos os trabalhadores e pessoas presentes na área deverão usar equipamentos de proteção


individual (EPI), em especial protetor auricular, enquanto estiverem em áreas com máquinas em
operação ou na presença de qualquer atividade geradora de ruídos.

[Link].5.3 Controle do Tráfego de Veículos

Considerando que durante as obras de instalação do empreendimento haverá tráfego de veículos


e máquinas na área do empreendimento, a circulação será restrita nas imediações das
comunidades próximas ao empreendimento, conforme disposições específicas no âmbito do
Programa de Sinalização e Controle de Tráfego.

[Link].5.4 Atendimento às Reclamações

No caso de alguma reclamação por parte de um trabalhador ou de qualquer pessoa presente na


área de instalação do empreendimento e por parte da população de entorno, deverão ser tomadas
as devidas providências para buscar manter os níveis de ruído dentro do limite permitido, como é
estabelecido pela Norma 10.151/2020.

[Link] Metas

Este Programa possui como finalidade o cumprimento de todas as normas de saúde ocupacional
que se referem aos níveis aceitáveis de ruídos no decorrer de todo o período de obras, de forma a
garantir condições seguras nos ambientes de trabalho, e a conformidade legal do empreendimento
associada à saúde e segurança. Para isso, este plano terá como metas:

• Realizar 100% das campanhas de medição da pressão sonora durante as obras de


implantação;

• Realizar ações visando assegurar os resultados das medições dos níveis de ruído dentro
dos parâmetros estabelecidos, considerando as referências definidas pela campanha de
background;

• Receber e dar encaminhamentos para 100% das reclamações registradas no âmbito do


Programa de Comunicação Social referentes aos ruídos do empreendimento.

Programas Ambientais – Pág. 95


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Indicadores de Desempenho

Os indicadores ambientais que serão utilizados para a avaliação do programa são:

• Número de monitoramentos realizados versus número de monitoramento previstos;

• Número de pontos de amostragem fora do padrão estabelecido na legislação aplicável,


considerando as referências definidas na campanha de background (período diurno);

• Número de pontos de amostragem fora do padrão estabelecido na legislação aplicável,


considerando as referências definidas na campanha de background (período noturno);

• Número de registros de reclamações relacionadas aos ruídos versus número de


reclamações atendidas.

[Link] Interface com Outros Programas

O Programa de Controle e Monitoramento de Ruídos apresenta interface com as medidas que serão
adotadas nos seguintes programas:

• Programa de Gestão Ambiental;

• Programa de Comunicação Social;

• Programa de Sinalização e Controle de Tráfego;

• Programa de Educação Ambiental.

[Link] Recursos Necessários

São considerados recursos humanos e materiais necessários ao desenvolvimento a aplicação do


Programa de Controle e Monitoramento de Ruídos: equipamentos para medição de ruído
(decibelímetro/sonômetro), veículo e fichas de anotação. O programa deverá ser executado por
profissional capacitado para uso da instrumentação de monitoramento. Além disso, o programa
deverá ser constantemente supervisionado pela equipe de gestão ambiental. Sugere-se que a
equipe que realize as campanhas de monitoramento conte minimamente com um técnico de campo
e um auxiliar para coleta de dados e um responsável técnico que emitirá os relatórios. Sugere-se
ainda, que a equipe de gestão ambiental que fará a fiscalização da execução dos programas
ambientais, conte com profissionais como analista ambiental e supervisores de campo. Este
programa prevê ainda a participação de outros profissionais que viabilizem as ações, como
mecânicos, técnicos de segurança.

Programas Ambientais – Pág. 96


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento, a equipe executora deverá elaborar de


Relatórios Gerenciais trimestrais internos de atendimento ao programa, para apresentação à equipe
de gestão ambiental do empreendedor.

Para o órgão ambiental será elaborado um Relatório Final Consolidado, com todas as atividades
realizadas no âmbito deste Programa, quando do requerimento do pedido da LO.

[Link] Cronograma

O monitoramento dos níveis de ruídos ocorrerá ao longo da fase de implantação do Complexo


Fotovoltaico. Para este Programa são previstas campanhas trimestrais.

Quadro 24 Cronograma do Programa de Controle e Monitoramento de Ruídos.

Pré- Fase de Implantação (meses)


Atividades
Implantação 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
Elaboração do Plano de Trabalho e Estruturação de
equipe
Realização da campanha Marco-zero (Background)
Fiscalizações e Inspeções
Implantação do Programa
Execução do Programa
Monitoramento dos pontos de ruídos cadastrados
Elaboração de relatórios trimestrais internos
Elaboração de relatório final consolidado para o Órgão
Ambiental

[Link] Referências Bibliográficas

ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10.151 Medição e avaliação


de níveis de pressão sonora em áreas habitadas — Aplicação de uso geral. Errata 1. Rio de Janeiro,
2020.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional de Meio Ambiente - CONAMA.


RESOLUÇÃO CONAMA nº 01, de 8 de março de 1990. Dispõe sobre a emissão de ruídos, em
decorrência de quaisquer atividades industriais, comerciais, sociais ou recreativas, determinando
padrões, critérios e diretrizes.

MARON AMBIENTAL, 2023. Estudo de Médio Impacto - EMI do Complexo Santa Eugênia Solar
(Fase 01).

Programas Ambientais – Pág. 97


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

3.1.5 Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes Líquidos e


Oleosos

[Link] Introdução e Justificativa

Considerando as características dos resíduos sólidos a serem gerados na fase de obras para
implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), bem como o volume de resíduos e
efluentes produzidos, são necessárias diretrizes que visem à sua adequada gestão. Neste contexto,
incluem-se dispositivos para o controle da geração, segregação, coleta, armazenamento,
transporte, destinação e disposição final de todos os resíduos e normas para o tratamento dos
efluentes gerados pelo empreendimento.

A Lei Federal nº 12.305/2010 instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), embasada
pela norma ABNT NBR 10.004/2004, cujo Artigo 3º define o gerenciamento de resíduos sólidos
como: o conjunto de procedimentos de gestão, planejados e implementados com o objetivo de
minimizar a produção de resíduos e proporcionar aos resíduos gerados a adequada coleta,
armazenamento, tratamento, transporte e destinação final adequada, visando à preservação da
saúde pública e a qualidade do meio ambiente. Diante desse contexto, o Programa de
Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes Líquidos e Oleosos é o documento que assinala e
descreve as ações correlatas ao seu manejo, observando suas características e riscos, no âmbito
das estruturas e unidades geradoras de resíduos das diversas atividades, contemplando os
aspectos citados na definição apresentada pela PNRS para o gerenciamento de resíduos sólidos.

[Link] Objetivos

O objetivo básico deste Programa é assegurar que a menor quantidade possível de resíduos seja
gerada durante a construção do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), de maneira que os
resíduos gerados sejam adequadamente coletados, armazenados e encaminhados para destinação
final, de forma a não resultar em emissões de gases, líquidos ou sólidos que representem impactos
significativos sobre o meio ambiente e população local. Abrange também os objetivos específicos:

• Elaborar o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, baseado nas normas ambientais


vigentes nas três esferas de governo;

• Reduzir o volume de resíduos gerados pelos colaboradores e prestadores de serviço do


empreendimento;

• Reutilizar materiais que não demandam transformação;

• Controlar a geração de resíduos, a fim de evitar a poluição ambiental nas áreas de influência
do Empreendimento;

Programas Ambientais – Pág. 98


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• Separar os resíduos conforme tipologia definida por normas, leis e resoluções vigentes, para
facilitar o gerenciamento dos materiais até à sua destinação final;

• Realizar doações, quando praticável, de materiais que possam ser reutilizados;

• Promover educação ambiental dos colaboradores e prestadores de serviço para


colaborarem com a gestão adequada dos resíduos sólidos no Empreendimento.

[Link] Requisitos Legais

Os requisitos legais aplicáveis são:

• Lei Federal 5.318/67: Institui a Política Nacional de Saneamento e cria o Conselho Nacional
de Saneamento.

• Lei Federal 12.305/10: Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605,
de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências.

• Resolução CONAMA 275/01: Estabelece código de cores para diferentes tipos de resíduos
na coleta seletiva.

• Resolução CONAMA 283/01: Dispõe sobre o tratamento e a destinação final dos resíduos
dos serviços de saúde.

• Resolução CONAMA 307/02: Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão


dos resíduos da construção civil.

• Resolução CONAMA 348/04: Altera a Resolução CONAMA no 307, de 5 de julho de 2002,


incluindo o amianto na classe de resíduos perigosos.

• Resolução CONAMA 358/05: Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos
dos serviços de saúde e dá outras providências.

• Resolução CONAMA 362/05: Dispõe sobre a destinação final e rerrefino de óleo lubrificante.

• Resolução CONAMA 401/08: Estabelece os limites máximos de chumbo, cádmio e mercúrio


para pilhas e baterias comercializadas no território nacional e os critérios e padrões para o
seu gerenciamento ambientalmente adequado, e dá outras providências.

• NBR 7500/2017: Identificação para o transporte terrestre, manuseio, movimentação e


armazenamento de produtos.

• NBR 7503/2016: Transporte terrestre de produtos perigosos - Ficha de emergência e


envelope - Características, dimensões e preenchimento de emergência e envelope para o
transporte terrestre de resíduos perigosos.

• NBR 9191/2008: Sacos plásticos para acondicionamento de lixo - Requisitos e métodos de


ensaio.

Programas Ambientais – Pág. 99


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• NBR 10004/2004: Resíduos sólidos – Classificação.

• NBR 10006/2004: Procedimento para obtenção de extrato solubilizado de resíduos sólidos.

• NBR 10007/2004: Amostragem de resíduos sólidos.

• NBR 11174/1990: Armazenamento de resíduos classes II - não inertes e III - inertes –


Procedimento.

• NBR 12235/1992: Armazenamento de resíduos sólidos perigosos.

• NBR 12807/2013: Resíduos de serviços de saúde.

• NBR 12808/2016: Resíduos de serviço de saúde- Classificação.

• NBR 12809/2013: Resíduos de serviços de saúde — Gerenciamento de resíduos de serviços


de saúde intraestabelecimento.

• NBR 12810/1993: Coleta de resíduos de serviço de saúde - procedimento.

• NBR 13221/2010: Transporte terrestre de resíduos.

• NBR 13853/2018: Recipientes para resíduos de serviços de saúde perfurantes ou cortantes


- Requisitos e métodos de ensaio.

• NBR 14652/2013: Implementos rodoviários — Coletor-transportador de resíduos de serviços


de saúde — Requisitos de construção e inspeção.

• NBR ISO 14001: Sistemas de Gestão Ambiental – Requisitos com orientações para uso.

• Resolução Anvisa nº306/2004: Dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento


de resíduos de serviços de saúde.

• NBR 12209/1992 Dispõe sobre projeto de estações de tratamento de esgoto sanitário.

• NBR 17100-1/2023 Gerenciamento de resíduos - Parte 1: Requisitos gerais.

[Link] Responsabilidade de Execução

A responsabilidade de execução do Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes


Líquidos abrange as empreiteiras que serão contratadas para execução das obras, sob
acompanhamento e fiscalização da Gestão Ambiental do empreendedor.

[Link] Público-Alvo

O público-alvo deste Programa são o empreendedor, empreiteira e empresas subcontratadas, todos


os funcionários e colaboradores do empreendimento envolvidos na fase de implantação e operação
do Empreendimento, bem como o Órgão Ambiental.

Programas Ambientais – Pág. 100


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Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Metodologia

[Link].1 Gestão dos Resíduos Sólidos

O gerenciamento ambiental dos resíduos sólidos está baseado nos princípios da redução da
geração, na maximização da reutilização e da reciclagem, além do apropriado encaminhamento dos
resíduos para destinação final, expressa na Resolução CONAMA 307/02.

O empreendedor deverá promover e incentivar a realização de palestras de treinamento a todos os


trabalhadores no canteiro de obras, a fim de conscientizá-los com relação aos procedimentos a
serem adotados, envolvendo as boas práticas de gestão de resíduos descritas nesse Programa de
Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes Líquidos e Oleosos. Um técnico devidamente
habilitado deverá ser designado para coordenar o gerenciamento dos resíduos gerados no canteiro
de obras, assegurando o bom andamento das atividades descritas nos itens a seguir.

A boa organização do espaço onde são realizadas as obras faz com que sejam evitados
sistemáticos desperdícios na utilização e na aquisição dos materiais para substituição. Em alguns
casos, os materiais permanecem espalhados pela obra e acabam sendo descartados como
resíduos. A redução da geração de resíduos também implica redução dos custos de transporte
externo e destinação final.

[Link].2 Identificação dos Resíduos Gerados

Os resíduos de construção deverão ser separados de acordo com a sua natureza e armazenados
em baias, caçambas, bombonas ou big-bags entre outros, de acordo com sua característica no
momento do acondicionamento para serem continuamente removidos e encaminhados para
destinação final. Madeiras de construção e ferragens poderão ser vendidas ou doadas. Resíduos
orgânicos poderão ser destinados a compostagem ou encaminhados para aterros ou áreas de
tratamento devidamente licenciadas para esse fim. Para resíduos específicos, que demandem
tratamento especial, orienta-se que sejam contratadas empresas autorizadas pelo órgão ambiental
para realizar o transporte e que esses resíduos sejam encaminhados para destinação final em locais
licenciados pelos órgãos competentes.

Além disso, ainda poderão ser gerados resíduos orgânicos advindos do refeitório, que serão
armazenados em coletores cinzas, devidamente vedados, para evitar odor forte e a consequente
atração de vetores transmissores de doenças e enviados para o aterro sanitário licenciado mais
próximo, respeitando uma temporalidade curta (semanal), ou, alternativamente e sempre que
possível, destinados para a compostagem.

Programas Ambientais – Pág. 101


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A periodicidade da destinação final dos resíduos recicláveis, RCC e resíduos perigosos está
atrelada a capacidade dos locais de armazenamento temporário. Considerando que os resíduos
não devem extravasar seus locais de armazenamento, recomenda-se que a destinação seja
realizada antes que se atinja 80% da capacidade de cada local.

O Quadro 25 apresenta a descrição de cada tipo de resíduo que se estima gerar durante a
implantação do empreendimento, sua fonte, sua classificação de acordo com a ABNT NBR nº
10.004:2004, e as alternativas de acondicionamento e de destinação final correspondente.

Quadro 25 Inventário de resíduos esperados na implantação do empreendimento.

Classificaçã
Origem Descrição o (ABNT Disposição Destinação Final
10.004/2004)
Reutilização ou disposição em
Entulhos de áreas de bota-fora autorizadas
Classe II B Contêineres/Baias sinalizadas
construção ou disposição em aterro
sanitário
Embalagens de
Disposição em aterro sanitário
aditivos de Classe I Contêineres/Baia de Classe I
industrial
concreto
Restos de Reciclagem/reutilização/doaçã
Classe II B Contêineres ou baias sinalizadas
madeira o para moradores locais
Metal (ferro, aço,
fiação revestida,
Classe II B Contêineres ou caçambas estacionárias Reciclagem/reutilização
arames, clipes,
etc.)
Canteiro central e
locais de Plásticos Bags ou fardos devidamente
implantação das (embalagens, Classe II B sinalizados/Baias sinalizadas/Caçambas Reciclagem
placas solares copos, etc.) estacionárias
Papelão (caixas
de embalagens
Bags ou fardos devidamente
dos insumos
Classe II B sinalizados/Baias sinalizadas/Caçamba Reciclagem
utilizados na
com tampa
obra) e papéis
(escritórios).
Restos de
uniforme, botas,
panos, trapos,
Bag/Baias sinalizadas/Caçambas
sem Classe II B Disposição em aterro sanitário
estacionárias
contaminação de
produtos
químicos.
Trapos sujos com
graxa ou óleo,
Disposição em aterro sanitário
embalagens Contêineres/Tambores vedados
Classe I com célula específica para
contaminadas, sinalizados
resíduo classe I
resíduos oleosos,
filtros de óleo
Oficinas
Mecânicas Destinação final em resíduo
Reservatório temporário de óleo
Óleo usado Classe I industrial, reciclagem ou co-
usado/Tambores vedados sinalizados
processamento
Têxteis (toalha Disposição em aterro sanitário
Contêineres/Tambores vedados
industrial e Classe I com célula específica para
sinalizados
estopa) resíduo classe I

Pilhas e baterias Classe I Recipiente identificado Estabelecimentos comerciais


ou rede de assistência técnica

Programas Ambientais – Pág. 102


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Classificaçã
Origem Descrição o (ABNT Disposição Destinação Final
10.004/2004)
autorizada pelas respectivas
indústrias para destinação
adequada
Lâmpadas
fluorescentes de
Processo de descontaminação
vapor de sódio e Classe I Caixas de embalagem originais do produto
e reciclagem
mercúrio e de luz
mista
Vidro, plásticos,
papéis, papelão, Classe II B Recipientes identificados Reciclagem
Administrativos, metais
Operacionais e
refeitórios Restos de
alimentos e suas
embalagens,
copos plásticos
Classe II A Tambores vedados sinalizados Disposição em aterro sanitário
usados, papéis
sujos (refeitório,
sanitários e áreas
de vivência)
Resíduos Incineração e posterior
Infectocontagioso Classe I Tambores vedados identificados disposição em aterros
s (ambulatório) sanitários

[Link].3 Classificação dos Resíduos Sólidos

A classificação dos resíduos que poderão ser gerados durante as atividades construtivas do
empreendimento deverá ocorrer de acordo com a NBR 10.004:2004 e CONAMA nº 307/02, para os
resíduos comuns e de construção civil, e de acordo com a CONAMA nº 358/2005 e RDC 306/2004
para os resíduos de serviços de saúde, conforme mostra o Quadro 26.

Quadro 26 Classificação dos Resíduos da Obra.

Classe Classe
Tipo de resíduo CONAMA NBR
307/02 10.004
São os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como:
a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infraestrutura,
inclusive solos provenientes de terraplanagem.
b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, A IIA
telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto;
c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios-fios
etc.) produzidas nos canteiros de obras.
São os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como: plásticos, papel/papelão, metais, vidros,
B IIB
madeiras e outros.
São os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis
C IIA
que permitam a sua reciclagem/recuperação, tais como os produtos oriundos do gesso.
São os resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como: tintas, solventes, óleos e outros,
ou aqueles contaminados oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações
D I
industriais e outros, bem como telhas de amianto e demais objetos e materiais que contenham amianto ou
outros produtos nocivos à saúde.

Programas Ambientais – Pág. 103


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[Link].3.1 Resíduos Sólidos Comuns e Perigosos

Embasada pela Norma ABNT NBR 10.004:2014 – Resíduos Sólidos – Classificação, a identificação
do resíduo inicia pelo conhecimento do processo ou atividade que lhe deu origem e de seus
componentes, e características e a comparação destes componentes com a listagem de resíduos
e substâncias cujo impacto à saúde e ao meio ambiente é conhecido.

Dessa forma, será possível classificar os resíduos por classes e características principais, a saber:

• Resíduos Classe I: Perigosos

• Resíduos Classe II: Não perigosos

o Classe IIA: Não inertes

o Classe IIB: Inertes

[Link].3.2 Resíduos de Construção Civil (RCC)

Baseado na Resolução CONAMA 307:2002, os resíduos da construção civil são aqueles


provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os
resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos,
concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros,
argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc.,
comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha. Segundo o artigo 3º desta mesma
Resolução, os RCCs são classificados em quatro categorias, como observado no Quadro 27.

Quadro 27 Classes e tipificação dos resíduos da construção civil.

RESÍDUOS SÓLIDOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL


Classes Descrição
Resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como: a) de construção, demolição, reformas e reparos de
pavimentação e de outras obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem; b) de construção,
Classe A demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento
etc.), argamassa e concreto; c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos,
tubos, meio-fios etc.) produzidas nos canteiros de obras.
Resíduos recicláveis para outras destinações, tais como plásticos, papel, papelão, metais, vidros, madeiras, embalagens
Classe B
vazias de tintas imobiliárias e gesso.
Resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua
Classe C
reciclagem ou recuperação.
Resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles
contaminados ou prejudiciais à saúde oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações
Classe D
industriais e outros, bem como telhas e demais objetos e materiais que contenham amianto ou outros produtos nocivos à
saúde.

Fonte: Resolução CONAMA Nº307/2002

Programas Ambientais – Pág. 104


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[Link].3.3 Resíduos Sólidos do Serviço de Saúde

Por definição, conforme a Resolução CONAMA nº 358/2005, os resíduos de saúde são todos
aqueles resultantes de atividades exercidas em estabelecimentos direcionados às atividades de
promoção, prevenção e tratamento de pequenos ferimentos, que por suas características,
necessitam de processos diferenciados em seu manejo, exigindo ou não tratamento prévio à sua
disposição final.

Sua classificação consiste na adoção de medidas que visam identificar o recipiente em que se
encontram os resíduos de saúde. A identificação deverá estar posta sobre os sacos de
acondicionamento, nos recipientes de coleta, transporte e armazenamento internos e externos, em
local de fácil visualização, de forma indelével por meio de cores, frases e símbolos (Quadro 28).

Quadro 28 Classificação dos resíduos sólidos do serviço de saúde, aplicados ao


empreendimento.

RESÍDUOS SÓLIDOS DE SAÚDE


Grupos Descrição Identificação Figuras

Resíduos com risco biológico: Símbolo de substância infectante,


Grupo A curativos, luvas de com rótulos de fundo branco,
procedimento, outros desenho e contornos pretos

Resíduos com risco químico: Símbolo de risco associado e com


Grupo B medicamentos vencidos e discriminação de substância
outros química e frases de risco

Resíduos comuns: papel Conforme cores determinadas para


Grupo D
toalha, copo, marmitex, outros coleta seletiva

Identificado pelo símbolo de


substância infectante, com rótulos
Resíduos pérfuro cortantes: de fundo branco, desenho e
Grupo E agulha contaminada, frascos contornos preto, acrescido da
de medicamentos, e outros inscrição de RESÍDUO
PÉRFUROCORTANTE, indicando o
risco que apresenta o resíduo.

Fonte: RDC 306:2004.

Programas Ambientais – Pág. 105


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[Link].4 Elaboração do Inventário de Resíduos

Para permitir a exequibilidade do Programa, devem ser registradas mensalmente informações sobre
as etapas de gerenciamento dos resíduos sólidos gerados na implantação do Complexo Santa
Eugênia Solar (Fase 01). Todos os resíduos gerados nas atividades, inclusive aqueles gerados por
terceiros que executarem serviços na área interna do empreendimento, devem ser inventariados,
observando-se o disposto na Resolução CONAMA nº 313/2002 (Dispõe sobre o Inventário Nacional
de Resíduos Sólidos).

O inventário deve contemplar, no mínimo, as seguintes informações:

• Tipo de resíduo;

• Classificação do resíduo conforme a coletânea de Normas da ABNT NBR 10.004, 10.005,


10.006 e 10.007;

• Quantidade de resíduo gerado;

• Área geradora;

• Local e forma de estocagem temporária;

• Local e forma de destinação final (interna ou externa).

Após a publicação da Portaria nº 280/2020 ficou definido que a elaboração do inventário deve ser
realizada através do SINIR. Os geradores de resíduos deverão até o dia 31 de março de cada ano
prestar informações complementares às já declaradas no MTR, referentes ao ano anterior, para
elaboração e envio do Inventário Nacional de Resíduos Sólidos por meio do link
<[Link]>.

Sugere-se a realização do monitoramento diário de entrada e saída de resíduos na Central de


Resíduos (baias de armazenamento temporário) através de planilha de controle a ser preenchida
pelos operadores das baias para posterior preenchimento no SINIR.

[Link].5 Segregação e Acondicionamento

Esta fase consiste na operação de separação dos resíduos por classe, conforme sua classificação
descrita no item anterior, identificando-os no momento de sua geração, buscando formas de
condicioná-los adequadamente, conforme NBR 11.174:1989 (Resíduos Classe II e III) e NBR
12.235:1987 (Resíduos Classe I).

A necessidade de providenciar a segregação de resíduos na fonte tem como objetivos principais


preservar as propriedades qualitativas daqueles com potencial de recuperação e reciclagem, evitar
a mistura de resíduos incompatíveis, diminuir e estabelecer controle do volume de resíduos
perigosos a serem adequadamente encaminhados para destinação final. A fim de garantir a coleta

Programas Ambientais – Pág. 106


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seletiva (Foto 01 e Foto 02) dos resíduos gerados, o empreendedor providenciará a disposição
sistemática de recipientes de coleta nas áreas internas do canteiro de obras e nas frentes de serviço,
de acordo com os tipos de resíduo a serem gerados em cada locação.

Foto 01 Exemplo de recipientes para coleta seletiva de Foto 02 Exemplo de recipiente para coleta seletiva de
resíduos dentro de canteiro de obras. resíduos nas frentes de obras.

O armazenamento de resíduos classes II e III (IIA e IIB) pode ser realizado em contêineres e/ou
tambores, em tanques e a granel, conforme determina a NBR 11.174:1989. Esses receptores
deverão compor o sistema de coleta seletiva, em que os resíduos sólidos são previamente
segregados conforme sua constituição ou composição; bem como seguir as orientações da
Resolução CONAMA nº 275/2001, que “estabelece o código de cores para os diferentes tipos de
resíduos, a ser adotado na identificação de coletores [...]” e sugere que para as inscrições com os
nomes dos resíduos e instruções adicionais, quanto à segregação ou quanto ao tipo de material,
sejam adotadas as cores preta ou branca, de acordo com a necessidade de contraste com a cor
base (Quadro 29).

Quadro 29 Padrão de cores de acordo com o tipo de resíduo (CONAMA nº 275).

PADRÃO DE CORES TIPOLOGIA DE RESÍDUOS


AZUL Papel/papelão
VERMELHO Plástico
VERDE Vidro
AMARELO Metal
PRETO Madeira
LARANJA Resíduos perigosos
BRANCO Resíduos ambulatoriais e de serviços de saúde
ROXO Resíduos radioativos
MARROM Resíduos orgânicos
CINZA Resíduo geral não reciclável ou misturado, ou contaminado não passível de separação.

Programas Ambientais – Pág. 107


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Este modelo de coleta seletiva será implantado nos canteiros de obras (instalações de carpintaria,
escritórios administrativos, oficinas mecânicas, centrais de concreto etc.) e frentes de serviço. Os
recipientes a serem adotados devem ter capacidade compatível ao volume de resíduos a serem
gerados, estar em bom estado de conservação e instalados onde não haja riscos de danificação ou
deslocamento de resíduos pela ação do vento.

Quando em locais determinados não houver a geração de grandes quantidades de resíduos, e em


alto nível de complexidade para classificação, poderá ser adotado o sistema de coleta seletiva
binária, em que adotam-se recipientes para armazenamento de resíduos divididos em seco e úmido.
Os locais pré-determinados para adoção deste sistema são: refeitório, área de vivência, salas e
escritórios.

Deverão ser estabelecidas condições específicas para acondicionamento inicial, transporte interno
e acondicionamento final de cada resíduo identificado e coletado.

O local onde deverá ocorrer o acondicionamento inicial deverá ser o mais próximo possível dos
locais de geração dos resíduos, preservando a boa organização dos espaços nos diversos setores
da obra e de forma compatível com seu volume. Em casos especiais, os resíduos deverão ser
coletados e levados diretamente para os locais de acondicionamento final.

A fim de garantir a integridade físico-química dos resíduos a serem gerados durante a implantação
do empreendimento, estes deverão ser acondicionados em recipientes constituídos por materiais
compatíveis com a sua natureza, observando-se a resistência física a pequenos impactos,
durabilidade, estanqueidade e adequação com o equipamento de transporte. Todo e qualquer
recipiente, independente do grau de periculosidade do resíduo nele acondicionado, deverá estar
rotulado de forma a identificar o tipo de resíduo e a sua origem. Os recipientes terão cores
específicas para cada tipo de resíduo, conforme prescrito pela Resolução CONAMA nº 275/01.

Deverá haver atenção especial sobre a possibilidade da reutilização de materiais nos locais de
obras, evitando sua remoção e destinação. Cabe ressaltar que o armazenamento dos resíduos deve
ser feito de acordo com as classes a que pertencerem. Pilhas, baterias e embalagens de filmes para
gamagrafia e outras embalagens de produtos químicos, por exemplo, devem ser segregadas dos
demais resíduos.

A contenção temporária de resíduos no canteiro de obras deverá ser evitada ao máximo pela
destinação diária, ou periodicidade a ser definida de acordo com a realidade da obra, de resíduos
não perigosos e não inertes. Outros resíduos serão destinados sempre que forem acumulados em
volume que justifique o transporte.

Os resíduos deverão ser armazenados temporariamente em depósito intermediário de resíduos


composto por baias, segregados de acordo com a sua classificação, com piso impermeável e

Programas Ambientais – Pág. 108


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cobertura adequada, a fim de evitar que esses resíduos sejam carreados e/ou infiltrem no solo
causando a sua contaminação. No caso de resíduos perigosos, além de piso impermeável e
cobertura adequada, as baias deverão possuir uma bacia de contenção, para evitar qualquer
vazamento. As baias deverão ser identificadas com sinalização adequada, conforme a Resolução
CONAMA 275/01.

Recomenda-se que todos os resíduos que forem armazenados por período superior a 36 horas
tenham suas características e estimativas de quantidade (volume) registradas em formulário
específico.

Baseado na NBR 12.235:1992, para os resíduos perigosos, reserva-se o acondicionamento


temporário e contêineres, tambores, tanques destinação para reciclagem, recuperação, tratamento
e/ou disposição final, em e/ou a granel, de modo a não alterar a quantidade/qualidade do resíduo.
Toda e qualquer manipulação de recipientes contendo resíduos perigosos, no interior da área de
armazenamento, deverá ser efetuada por pessoal dotado de Equipamento de Proteção Individual
(EPI) apropriado.

[Link].6 Coleta e Transporte Interno

O transporte interno deverá ser de atribuição específica dos operários encarregados da coleta dos
resíduos. Eles terão a responsabilidade de trocar os sacos de ráfia com resíduos contidos nas
bombonas por sacos vazios e, em seguida, de transportar os sacos de ráfia com os resíduos até os
locais de acondicionamento final.

O transporte interno poderá utilizar os meios convencionais e disponíveis: transporte horizontal


(carrinhos, transporte manual) ou transporte vertical (elevador de carga, grua, condutor de entulho).
As rotinas de coleta dos resíduos deverão ser ajustadas à disponibilidade dos equipamentos para
transporte vertical para que se faça diariamente. O ideal é que, no planejamento de início da obra
haja preocupação específica com a movimentação dos resíduos para minimizar as possibilidades
de formação de “gargalos”.

O técnico responsável pela coordenação do gerenciamento dos resíduos gerados na construção do


empreendimento deverá certificar-se de que o transporte do local gerador do resíduo até o seu
destino final será realizado por empresas que possuam as licenças aplicáveis a esta atividade, além
de equipamentos adequados ao peso, à forma e ao estado físico dos materiais a serem
transportados.

O transporte de produtos perigosos deverá ser realizado conforme legislação pertinente (Resolução
CONAMA 001-A/86, Portaria 291 do Ministério do Transporte e Decreto Federal nº 96.044/88).

Programas Ambientais – Pág. 109


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[Link].7 Armazenamento Temporário

Para resíduos gerados em grande quantidade ou maiores que a capacidade do coletor, será
instalada uma Central de Resíduos, com coletores e baias adequados, a fim de eliminar o risco de
contaminação ambiental. O acondicionamento dos resíduos nesse espaço é temporário e a
destinação dos resíduos será realizada durante essa etapa evitando-se que mais de 80% de sua
capacidade seja atingida.

[Link].8 Coleta e Transporte Externo

Para dar a correta destinação final dos resíduos é imprescindível que o empreendedor atenda a
norma brasileira NBR 13.221/2010 (Transporte terrestre de resíduos). A empreiteira e demais
contratadas deverão contratar empresas de transporte devidamente licenciadas pelo órgão
ambiental estadual e o monitoramento dos veículos cadastrados nas licenças ambientais dos
respectivos transportadores. Dessa forma, é possível garantir o transporte adequado dos resíduos
e o conhecimento do seu local de destino.

[Link].9 Procedimentos Técnicos Operacionais para Coleta e Armazenamento dos


Resíduos

Resíduos Recicláveis (papel, plástico, vidro e metal):

• Picotar ou compactar, quando possível, os resíduos constituídos por papel e plástico, antes
do acondicionamento;

• Os resíduos que, em função de suas dimensões, não puderem ser previamente


acondicionados, a exemplo de sucata metálica, devem ser estocados em baias ou containers
e identificados até o seu destino final.

Pilhas e Baterias Usadas:

• Manter as baterias usadas sobre bandejas dimensionadas para reter eventuais vazamentos,
em área abrigada e com piso impermeável, até que sejam encaminhadas para a destinação
final.

Programas Ambientais – Pág. 110


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Materiais Absorventes Contaminados:

• Coletar na fonte de geração os materiais absorventes contaminados, separadamente dos


demais resíduos, em sacos plásticos e estocar em tambores metálicos de boca larga;

• Quando possível, extrair a fração líquida dos materiais absorventes contaminados por óleo
e acondicionar o fluido extraído em tambores metálicos de boca estreita;

• Os tambores de acondicionamento desse tipo de resíduo deverão estar dispostos dentro de


baias, com piso impermeável e cercado por uma bacia de contenção de volumetria
adequada, visando reter o resíduo em caso de vazamentos;

• Certificar-se de que todos os tambores estão providos de tampas e fechados com cinta,
antes de serem transportados.

Latas Vazias de Tintas e Solventes:

• Coletar, na fonte de geração, os resíduos constituídos por latas vazias de tintas e solventes,
e acondicioná-los em tambores de boca larga e com tampa, disposto em baias com piso
impermeável e com bacia de contenção de volumetria adequada.

Resíduos Infectocontagiosos:

• Manter no ambulatório recipiente provido de saco branco leitoso e caixa rígida de papelão
duplo para materiais perfurantes e cortantes, ambos com simbologia de risco;

• Coletar os sacos plásticos e as caixas rígidas e acondicioná-los em tambores, devidamente


identificados. Deve-se tentar evitar, sempre que possível, o armazenamento de resíduos
infectocontagiosos, mesmo que devidamente acondicionados. Caso não seja possível,
armazenar em baia de resíduos específica de acordo com a legislação vigente.

Resíduos de Concretagem

• As embalagens de aditivos (resíduos Classe I) deverão ser devidamente acondicionadas e


encaminhadas para disposição em aterros autorizados para recebimentos desses resíduos.
O mesmo deve ser feito para resíduos oriundos do transporte de material para a
concretagem;

• Após a lavagem de betoneiras, os resíduos retidos nas caixas coletoras deverão ser
devidamente transportados por empresa qualificada e devidamente licenciada, que
destinará o resíduo adequadamente. Tem-se reutilizado a sobra de concreto na confecção
de placas a serem utilizadas em acessos em áreas movediças e/ou propícia a atolamentos.

Programas Ambientais – Pág. 111


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Grande volume de sobra de concreto poderá ser reutilizado no próprio pátio como contra-
piso;

• No final da concretagem, checar a existência de resíduos de concreto, devendo ser


recolhidos e encaminhados para o canteiro visando à disposição final correta, de acordo
com a CONAMA 307/2002;

• Os equipamentos de proteção (EPIs) retirados de operação serão avaliados, e quando


possível, serão recuperados por fornecedores especializados.

Restos de Madeira

• Os resíduos de madeira (classe II B), com destinação potencialmente mais complexa, serão
encaminhados à área de armazenamento temporário, permitindo uma reutilização futura ou
reciclagem na própria obra. Podendo também, por exemplo, ser destinados ao processo de
produção de componentes cerâmicos, alimentando fornos industriais em condições
controladas, e por empresas licenciadas.

[Link].10 Destinação Final

Todas as alternativas de reaproveitamento, recuperação e reciclagem devem ser consideradas


antes do encaminhamento dos resíduos para outras formas de destinação final. Caso não haja
alternativa de reaproveitamento, os resíduos deverão ser encaminhados a locais devidamente
licenciados e autorizados pelo órgão competente a receber os resíduos a que se propõem. No caso
de resíduos perigosos, assim como para o transporte, o local de destinação final deverá apresentar
a Licença de Operação – LO emitida por órgão competente, para o desenvolvimento da atividade.

Os fatores determinantes na designação de soluções para a destinação dos resíduos são os


seguintes:

• Possibilidade de reutilização na própria área;

• Proximidade dos destinatários para minimizar custos de deslocamento;

• Conveniência do uso de áreas especializadas para a concentração de pequenos volumes


de resíduos mais problemáticos, visando à maior eficiência na destinação.

Conforme Resolução CONAMA nº 307/2002, os resíduos da construção civil deverão ser destinados
das seguintes formas:

• Classe A: deverão ser reutilizados ou reciclados na forma de agregados, ou encaminhados


a áreas de aterro de resíduos da construção civil, sendo dispostos de modo a permitir a sua
utilização ou reciclagem futura;

Programas Ambientais – Pág. 112


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• Classe B: deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de armazenamento


temporário, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura;

• Classes C e D: deverão ser armazenados, transportados e destinados em conformidade


com as normas técnicas especificas.

A Resolução supracitada preconiza, como possíveis estruturas para recepção dos RCC, as
seguintes áreas:

• Pontos de Entrega: Áreas públicas ou viabilizadas pela administração pública,


preferencialmente aquelas já degradadas por descarte irregular de entulho, e serão
implantados pela Administração, segundo diretrizes estabelecidas pela Secretaria de
Serviços e Obras, observada a legislação de uso e ocupação do solo e de acordo com
adequado planejamento e sustentabilidade técnica, ambiental e econômica;

• Área de Transbordo e Triagem (ATT): os estabelecimentos privados destinados ao


recebimento de resíduos da construção civil e resíduos volumosos gerados e coletados por
agentes privados, e que deverão ser usadas para a triagem dos resíduos recebidos, eventual
transformação e posterior remoção para adequada disposição;

• Área de Reciclagem: Estabelecimento privado ou público destinado à transformação dos


resíduos de classe A em agregados;

• Aterro de resíduos da construção civil: área onde serão empregadas técnicas de disposição
de resíduos da construção civil Classe "A" no solo, visando à preservação de materiais
segregados de forma a possibilitar seu uso futuro e/ou futura utilização da área, utilizando
princípios de engenharia para confiná-los ao menor volume possível, sem causar danos à
saúde pública e ao meio ambiente (Resolução CONAMA nº 307/2002);

• Aterro Industrial: Área licenciada para o recebimento de resíduos industriais classe I e IIA;

• Recuperação de tambores: Empresas que compram tambores usados, realizam a limpeza


e recuperação e vendem para reutilização;

• Sucateiros: Empresas que comercializam resíduos recicláveis;

• Incinerador: Empresa licenciada a realizar a destruição térmica de resíduos perigosos e


infectocontagiosos.

Para dar a correta destinação final dos resíduos é imprescindível que o empreendedor atenda a
norma brasileira NBR 13.221/2017 (Transporte terrestre de resíduos), a partir da contratação de
empresas de transporte devidamente licenciadas pelo órgão ambiental estadual e o monitoramento
dos veículos cadastrados nas licenças ambientais dos respectivos transportadores. Dessa forma, é
possível garantir o transporte adequado dos resíduos e o conhecimento do seu local de destino.

Todo procedimento será registrado através do Manifesto de Transporte de Resíduos – MTR


nacional, emitido exclusivamente pelo Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão de

Programas Ambientais – Pág. 113


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Resíduos Sólidos – SINIR, conforme estabelecido pelo Ministério do Meio Ambiente através da
Portaria nº 280/2020, bem como a entrega, nos prazos estipulados, da Declaração de
Movimentação de Resíduos – DMR no referido sistema.

Além disso, a existência do cadastro, o perfil cadastrado e a regularidade no SINIR, assim como a
regularização ambiental, também será um critério de avaliação para contratação das empresas que
estarão envolvidas na coleta, transporte, armazenamento temporário (quando aplicável) e
destinação final dos resíduos gerados na implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01).

[Link].11 Gestão dos Efluentes Líquidos

Todos os efluentes gerados no Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) deverão ser controlados
a fim de evitar qualquer impacto decorrente de derramamentos, acondicionamento e destinação
inadequada. Alguns aspectos a serem controlados dependerão de certas atividades e setores
instalados no Empreendimento, como refeitório, área de manutenção, lava jato, pátio de
abastecimento, usina de concreto, entre outros. Destacam-se como mais relevantes:

• Óleo lubrificante usado ou descartado – tais resíduos podem ser encontrados na fase de
instalação e operação do empreendimento, estes efluentes devem ser transportados por
veículo apropriado em recipiente de acordo como a periculosidade do mesmo e
acondicionados conforme legislação vigente; NBR 12.235/92 – Armazenamento de resíduos
sólidos perigosos; Resolução CONAMA n° 362/2005 – Estabelece critérios para o descarte
de óleo lubrificante usado ou contaminado; Se o empreendimento tiver local apropriado para
lavagem de máquinas e equipamentos, o efluente decorrente da atividade será escoado por
gravidade através de canaletas que cercam a área da limpeza levando até as caixas
separadoras de água e óleo. O óleo separado será destinado em tanques ou tambores
metálico em local determinado pela empresa seguindo a NBR 12.235/92 e a Resolução
CONAMA 362/05; sua destinação será feita por empresa licenciada pelo órgão federal ANP
(Agência Nacional de Petróleo) e órgão estadual responsável pelo licenciamento,
promovendo assim o re-refino do resíduo;

• Efluente da Usina de Concreto e de atividades relacionadas – Caso a UFV dispuser de uma


Usina de Concreto deverá ser construído um bate-lastro para tratar o efluente gerado
decorrente da atividade, onde será depositado em caixa de decantação para sedimentação
do material solido. Após o processo o efluente líquido resultante será removido por caminhão
a vácuo ou outro meio de mecanismo, que pode ser utilizado na aspersão em acessos do
empreendimento ou até mesmo lavar um pátio ou caminhão.

• Efluentes Sanitários – recomenda-se onde for desprovido de instalações sanitárias fazer uso
de banheiros químicos, e seus rejeitos devem ser coletados por empresa devidamente
licenciada. Nas instalações sanitárias (banheiros, lavatórios, pias do refeitório, etc.)
recomenda-se a instalação uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), que deverá

Programas Ambientais – Pág. 114


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

estar de acordo com a NBR 12209/1992 que dispõe sobre projeto de estações de tratamento
de esgoto sanitário ou a NBR 13.969/97, que dispõe sobre tanques sépticos – unidades de
tratamento complementar e disposição final dos efluentes líquido – projeto, construção e
operação. Todos os efluentes sanitários gerados no canteiro deverão ser encaminhados
para E.T.E. Após tratamento a água será infiltrada nas valas conforme a normas e o lodo
coletado por empresa devidamente licenciada. Recomenda-se realizar análises do efluente
visando monitorar seus parâmetros de acordo com a Resolução CONAMA n° 430/11.

[Link].12 Controles Operacionais

No decorrer da instalação do Empreendimento está prevista a geração de diversos tipos de resíduos


classe I (perigoso) ou classe II (inertes e não inertes), sendo necessário um controle ambiental
continuo através de formulários e procedimentos operacionais, entre eles: elaboração de um
Inventário de resíduos contemplando todos os materiais gerados e descartados da obra; manifesto
de transporte de resíduos interno e externo de todo resíduo coletado e transportado até destinação
final adequada; implementar sistemas de indicadores de desempenho, visando ter referências de
quais rejeitos estão sendo gerados em maior quantidade para posteriormente mitigar e até mesmo
servir de guia para elaborar campanhas educativas, treinamentos e aplicações de instruções
operacionais focando a não geração e a redução de determinados resíduos gerados na obra. De
acordo com a demanda e andamento outros procedimentos podem ser elaborados durante a
construção do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01).

Recomenda-se a implantação de controles operacionais entre eles:

• Controlar as licenças ambientais de prestadores de serviço para que ocorra uma coleta e
destinação adequada;

• Controlar os Manifestos de Transporte de Resíduos (MTR) através do SINIR, conforme


Portaria MMA nº 280/2020;

• Preencher o inventário de resíduos no SINIR com as quantidades de resíduos gerados


conforme a CONAMA nº 313/2002 e Portaria MMA nº 280/2020;

• Desenvolver atividades operacionais para a implantação da coleta seletiva, tais como:


instalação de placas orientativas, dimensionamento da central de resíduos, definição das
baias e coletores, identificação dos mesmos e treinamento de sensibilização de toda equipe
ligada a construção;

• Aplicar procedimentos e instruções operacionais na contenção e vazamento/derramamento


de qualquer produto químico que possa gerar contaminação no local, com a realização de
simulados envolvendo de toda equipe ligada a implantação do Empreendimento.

Programas Ambientais – Pág. 115


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 24 Fluxograma de Gerenciamento de Resíduos com todas as etapas do


Programa.

[Link].13 Controle na Fonte Geradora

Na fase de implantação do empreendimento serão adotadas as seguintes medidas mitigadoras,


visando o controle na fonte geradora:

• Utilização de máquinas e equipamentos calibrados, conservados, com manutenções


regulares para não haver desprendimento de solo excessivo na fase de escavação, bem
como vazamentos de óleos e combustíveis durante todo processo de instalação do
empreendimento.

• Instalação de banheiros químicos, como medida de controle de efluentes sanitários.

• Criar e implementar procedimentos para organização dos resíduos sólidos.

• Utilização de material reciclável até esgotarem suas alternativas de uso.

• Treinamentos periódicos.

Programas Ambientais – Pág. 116


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Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link].14 Segurança do Trabalho

Os trabalhadores envolvidos no processo de gerenciamento dos resíduos deverão usar


equipamentos de proteção individual – EPIs, compatíveis aos riscos previstos para execução de
suas atividades, a fim de assegurar a qualidade de vida dos mesmos, mediante a garantia de saúde
e segurança.

Para isto, lista-se alguns EPIs indicados para o trabalho com resíduos sólidos:

• Roupas compridas.

• Calçado fechado.

• Máscaras.

• Luvas.

• Óculos de proteção.

• Aventais.

[Link].15 Elaboração dos Treinamento para Trabalhadores e Colaboradores

Para o sucesso da coleta seletiva é de suma importância o envolvimento e participação individual e


coletiva dos trabalhadores, de forma que deverão ser feitas campanhas periódicas de
conscientização e de divulgação dos procedimentos e resultados alcançados com o Programa, que
estimulem a participação dos envolvidos. Tais campanhas devem estar em acordo com as linhas
do Programa de Educação Ambiental do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) para
trabalhadores e colaboradores, podendo fazer parte do conteúdo a ser abordado dentro de seu
escopo.

É importante que na execução das obras se estabeleça treinamentos e capacitação adequados dos
profissionais envolvidos, devendo as empresas construtoras desenvolver campanhas educacionais
e treinamentos que contemplem as atividades listadas abaixo:

• Estabelecimento de escala para o treinamento;

• Definição dos responsáveis;

• Reunião das informações;

• Elaboração do material didático;

• Definição dos materiais de apoio;

• Definição dos locais para treinamento;

Programas Ambientais – Pág. 117


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• Definição de sistemática de avaliação do aprendizado;

• Execução dos treinamentos.

Dentro deste contexto, ressalta-se a grande importância do conhecimento por parte dos envolvidos
nas etapas de gerenciamento, sobretudo no manuseio dos resíduos, a respeito dos aspectos
ambientais de suas atividades. O pessoal envolvido com o manuseio dos resíduos deve passar por
um treinamento básico contendo, no mínimo:

• Informações quanto às características e os riscos inerentes ao trato de cada tipo de resíduo;

• Orientação quanto à execução das tarefas de coleta, transporte e armazenamento;

• Utilização adequada de equipamentos de proteção individual (EPIs) necessários às suas


atividades;

• Procedimentos de emergência em caso de contato ou contaminação com o resíduo, tanto


individual quanto ambiental.

Salienta-se que os treinamentos deverão ocorrer antes do início das atividades, de modo que a
responsabilidade técnica pela execução e supervisão deste Programa de Gerenciamento de
Resíduos Sólidos e Efluente Líquidos será de um profissional devidamente habilitado.

[Link] Metas

As metas do Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes Líquidos e Oleosos são:

• Destinar corretamente 100% dos resíduos gerados;

• Destinar à reciclagem ao menos 90% dos resíduos aptos a serem reciclados;

• Executar 100% das vistorias planejadas para verificação do gerenciamento de resíduos; e

• Identificar e verificar a correção de 100% das não conformidades identificadas, adotando


medidas apropriadas para evitar sua ocorrência.

[Link] Indicadores de Desempenho

Os indicadores de desempenho do Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes


Líquidos e Oleosos são:

• Estimativa de quantidade de resíduos gerados mensalmente versus quantidade de resíduos


corretamente destinados;

• Estimativa de quantidade (%) de resíduos destinados à reciclagem versus quantidade de


resíduos aptos a serem reciclados;

Programas Ambientais – Pág. 118


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• Número de vistorias planejadas para verificação do gerenciamento de resíduos versus


número de vistorias realizadas; e

• Quantidade (%) de casos de não conformidades registradas pela equipe do PGA que foram
corrigidas.

[Link] Interface com Outros Programas

O Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes Líquidos tem interface com os


seguintes programas:

• Programa de Gestão Ambiental;

• Programa de Recuperação de Áreas Degradadas;

• Programa de Supressão da Cobertura Vegetal;

• Programa de Comunicação Social;

• Programa de Educação Ambiental.

[Link] Recursos Necessários

Sugere-se que a equipe de gestão e execução de cada empreiteira conte minimamente com staff
técnico para execução de todos os programas sob sua responsabilidade. Sugere-se ainda, que a
equipe de gestão ambiental que fará a fiscalização da execução dos programas ambientais conte
com profissionais como analista ambiental e supervisores de campo. Este programa prevê ainda a
participação de outros profissionais que viabilizem as ações como encarregados e auxiliares de
campo.

Para o acompanhamento das obras serão necessários: câmera fotográfica, GPS, fichas de campo,
veículo, entre outros materiais e equipamentos que se fizerem pertinentes para o êxito na execução
das medidas propostas. Também serão necessários equipamentos e materiais de apoio para
execução das atividades de gerenciamento como: coletores, sacos plásticos, bombonas, EPIs,
entre outros.

Além disso, para a sensibilização dos colaboradores quanto à importância do gerenciamento de


resíduos, serão demandados cartazes e outros materiais de apoio, apresentando de forma clara e
ilustrativa as diretrizes que deverão ser seguidas por parte dos envolvidos durante a realização das
obras.

Ademais, se o resíduo reciclável for destinado à venda ou doação, este procedimento será
registrado em Termo de Doação ou em Contratos de Compra e Venda, e devidamente armazenados
na empresa.

Programas Ambientais – Pág. 119


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento serão elaborados Relatórios Gerenciais


mensais internos, para apresentação à equipe de Gestão Ambiental do empreendedor, contendo
informações sobre as atividades referentes a este Programa.

Para o órgão ambiental será elaborado um Relatório Final Consolidado, com todas as atividades
realizadas no âmbito deste Programa, quando do requerimento do pedido da LO.

[Link] Cronograma

O Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes Líquidos e Oleosos atuará durante


toda as etapas de implantação, operação e desativação do empreendimento, conforme cronograma
a seguir.

Quadro 30 Cronograma do Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes


Líquidos.

Pré- Fase de Implantação (meses)


Atividades
Implantação 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
Elaboração do Plano de Trabalho e Estruturação de
equipe
Fiscalizações e inspeções
Implantação do PGRS
Operação do PGRS
Elaboração de relatórios mensais internos
Elaboração de relatório final consolidado para o Órgão
Ambiental

[Link] Referências Bibliográficas

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DENORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR 7500. Identificação para o


transporte terrestre, manuseio, movimentação e armazenamento de produtos. Disponível em <
[Link]
BR_7500%20-%20simbolo%20de%[Link]>. Acesso em 5 de outubro de 2016.

______. NBR 7503. Transporte terrestre de produtos perigosos – Ficha de emergência e envelope
– Características, dimensões e preenchimento de emergência e envelope para o transporte terrestre
de resíduos perigosos.

Programas Ambientais – Pág. 120


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

______. NBR 10004. Resíduos sólidos – Classificação . Disponível em


<[Link]
pdf>. Acesso em 5 de outubro de 2016.

______. NBR 12235. Armazenamento de resíduos sólidos perigosos. Disponível em <


[Link]
res%C3%ADduos-s%C3%[Link]>. Acesso em 3 de outubro de 2016.

BRASIL. Constituição Federal. Disponível em


<[Link] Acesso em 5 de outubro de
2016.

______. Lei Federal nº6.938. Dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente. Disponível em
<[Link] Acesso em 5 de outubro de 2016.

______. Lei Federal nº9.605. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de
condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Disponível em
<[Link] Acesso em 5 de outubro de 2016.

______. Lei Federal nº12.305. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no
9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências . Disponível em
<[Link] Acesso em 5 de outubro de
2016.

_______. Ministério do Meio Ambiente. Resolução CONAMA 275/01. Estabelece código de cores
para diferentes tipos de resíduos na coleta seletiva. Disponível em
<[Link] Acesso em 4 de outubro de
2016.

_______. Ministério do Meio Ambiente. Resolução CONAMA 283/01. Dispõe sobre o tratamento e
a destinação final dos resíduos dos serviços de saúde. Disponível em
<[Link] Acesso em 3 de outubro de 2016.

_______. Ministério do Meio Ambiente. Resolução CONAMA 307/02. Estabelece diretrizes, critérios
e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. Disponível em
<[Link] Acesso em 4 de outubro de
2016.

_______. Ministério do Meio Ambiente. Resolução CONAMA 358/05. Dispõe sobre o tratamento e
a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências. Disponível em
<[Link] Acesso em 4 de outubro de
2016.

Programas Ambientais – Pág. 121


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

PROJETO COMPETIR. Gestão de Resíduos na Construção Civil: Redução, reutilização e


reciclagem. 2005. Disponível em < [Link]
Residuos_id_177__xbc2901938cc24e5fb98ef2d11ba92fc3_2692013165855_.pdf>. Acesso em 5
de outubro de 2016.

AGENCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução Anvisa nº306. Dispõe sobre o


Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Disponível em <
[Link] Acesso
em 3 de outubro de 2016.

Programas Ambientais – Pág. 122


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

3.1.6 Programa de Proteção e Monitoramento de Recursos Hídricos

[Link] Introdução e Justificativa

O Programa de Proteção e Monitoramento de Recursos Hídricos busca garantir a manutenção de


características adequadas associadas à qualidade e a quantidade dos recursos hídricos, com vistas
na promoção do uso racional por meio de tecnologias e procedimentos adequados. As medidas a
serem adotadas neste Programa irão promover a redução dos riscos de desabastecimento,
contaminações, desperdícios, bem como eventuais conflitos pelo uso da água.

A área do projeto Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) está situada em faixa de classificação
climática de Koppen BSh – Clima Semiárido quente. De maneira geral o clima semiárido quente é
caracterizado pela escassez de chuvas e uma considerável irregularidade em sua distribuição. Além
disso, apresenta baixa nebulosidade, forte insolação, índices elevados de evapotranspiração e
temperaturas médias elevadas. A umidade relativa do ar é normalmente baixa, e as chuvas
concentram-se num espaço curto de tempo, provocando enchentes torrenciais. Mesmo durante a
época das chuvas, sua distribuição é irregular, deixando de ocorrer durante alguns anos e
provocando secas. A rede de drenagem é marcada por cursos de água intermitentes e efêmeros,
particularmente de canais de primeira ordem.

Assim, para a efetiva proteção dos recursos hídricos locais é necessário englobar basicamente dois
tipos de ações:

• A prevenção da degradação ambiental, estabelecendo o equilíbrio dos processos naturais;

• A execução de eventuais intervenções adotando princípios de prevenção e correção,


evitando a instauração de processos danosos e a garantia da qualidade ambiental
adequada.

O Programa se justifica, portanto, em função da necessidade de uma boa gestão de águas


superficiais, que constituem recursos de expressiva importância na região avaliada, na qual a
disponibilidade hídrica superficial é reduzida devido às características climáticas e pedológicas, bem
como em função da preservação das zonas de recarga.

Deste modo, a gestão dos recursos hídricos deve ser efetuada de forma a atender todas as
demandas para as diversas finalidades durante a implantação do Complexo Santa Eugênia Solar
(Fase 01) e não prejudicar outros usuários existentes nas microbacias hidrográficas afetadas,
evitando e gerenciando os possíveis conflitos relacionados aos usos consuntivos da água na região.
Esses usos de águas no empreendimento deverão ser gerenciados tanto em termos de vazões
utilizadas, quanto em relação ao período de uso, qualidade das águas, reaproveitamento, formas
de tratamento adotadas e descarte dos efluentes produzidos.

Programas Ambientais – Pág. 123


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Objetivos

O objetivo é apresentar as principais diretrizes de um gerenciamento efetivo para o empreendimento


em questão, viabilizando a disponibilidade hídrica para o suprimento das obras, sem ocasionar
problemas no abastecimento de usuários localizados à jusante. Para isso, a avaliação quanto ao
atendimento desse objetivo, deverá contar com metas estabelecidas, por meio de indicadores de
avaliação e monitoramento das águas na região do empreendimento.

Como objetivos específicos, têm-se:

• Monitorar os parâmetros de qualidade da água dos pontos amostrados na AID do Complexo


Fotovoltaico, confrontando com os valores de referência estabelecidos na legislação e na
campanha de Background;

• Propor e acompanhar medidas de proteção dos recursos hídricos, drenagens e nascentes,


de modo a preservar os recursos naturais na área de inserção do empreendimento;

• Subsidiar a definição de medidas mitigadoras, com sugestões técnicas e medidas corretivas,


caso haja ocorrência de não conformidades, como vazamentos, e a possível contaminação
das águas subterrâneas;

• Adotar medidas mitigadoras e corretivas ou caso seja detectado assoreamento dos recursos
hídricos superficiais.

[Link] Requisitos Legais

Este Programa tem como objetivo principal gerar dados necessários à verificação do atendimento
aos padrões normativos de qualidade das águas superficiais, conforme DN COPAM/CERH
n°01/2008 e R. CONAMA nº 357/2005, seguindo as diretrizes para a gestão dos recursos hídricos
da Lei Federal nº 9.433/1997.

Portanto, além delas, as orientações básicas estabelecidas em normas e procedimentos para o


planejamento, execução e análises das amostragens que envolvem o monitoramento da qualidade
das águas e dos efluentes líquidos, são representadas a seguir:

• Lei Federal n° 6.938, de 31 de agosto de 1981 – Dispõe sobre a Política Nacional de Meio
Ambiente (PNMA).

• Lei Federal n° 9.433, de 8 de janeiro de 1997 – Institui a Política Nacional de Recursos


Hídricos (PNRH).

• Resolução CONAMA n° 357, de 17 de março de 2005 - Dispõe sobre a classificação dos


corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece
as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências.

Programas Ambientais – Pág. 124


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• Resolução CONAMA n° 396, de 3 de abril de 2008 – Dispõe sobre a classificação e diretrizes


ambientais para o enquadramento das águas subterrâneas e dá outras providências.

• Portaria de Consolidação (PRC) nº 5/2017 - Consolidação das normas sobre as ações e os


serviços de saúde do Sistema Único de Saúde.

• Norma ABNT NBR 9.898/1987 – Dispõe sobre preservação e técnicas de amostragem de


efluentes líquidos e corpos receptores.

• Norma ABNT NBR 9.897/1987 - Planejamento de amostragem de efluentes líquidos e corpos


receptores – Procedimento.

• Norma CETESB 6.410/1988 – Dispõe sobre a amostragem e monitoramento das águas


subterrâneas.

• RDC 724/2022: Dispõe sobre os padrões microbiológicos dos alimentos e sua aplicação,
como resultado da revisão da RDC 331/2019 e IN 161/2022, que estabelece os padrões
microbiológicos dos alimentos, resultante da revisão e consolidação das INs 60/2019;
79/2020 e 110/2021.

• RDC 717/2022: Dispõe sobre os requisitos sanitários das águas envasadas e do gelo para
consumo humano. Resultado da revisão e consolidação das RDCs 274/2005 e 316/2019.

[Link] Responsabilidade de Execução

A responsabilidade pela implantação do Programa de Proteção e Monitoramento de Recursos


Hídricos durante as obras de construção é da empresa de consultoria especializada contratada
pelo Empreendedor, para a execução dos monitoramentos periódicos previstos, em conjunto com
as Empreiteiras contratadas, equipe de Gestão Ambiental e a equipe executora dos Programas de
Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes Líquidos e Oleosos, Programa de Recuperação
de Áreas Degradadas, Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos, Programa
de Comunicação Social e Programa de Educação Ambiental.

[Link] Público-Alvo

Os principais agentes serão o empreendedor; as empresas envolvidas com a implantação do


Complexo Fotovoltaico, os funcionários envolvidos com a obra de implantação do empreendimento,
as empresas subcontratadas, os moradores da região e o Órgão Ambiental. A área de abrangência
do Programa de Proteção e Monitoramento de Recursos Hídricos são as áreas de influência direta
e indireta.

Programas Ambientais – Pág. 125


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Metodologia

A área do empreendimento está situada na Região Hidrográfica do São Francisco e localmente na


bacia dos rios Verde e Jacaré. A bacia do Rio Verde verte para oeste, enquanto a bacia do rio
Jacaré drena para leste. A área do projeto do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) está inserida
em um contexto semiárido e constituída por uma rede de drenagem predominantemente temporária
(intermitente). As subbacias que drenam a área são a do rio Baixão do Gabriel e riacho da Bandeira,
afluentes do rio Verde. Essas drenagens não atravessam a ADA, e se localizam especificamente
nas áreas de influência (AII e AID).

Em relação à geomorfologia, as áreas de influência como um todo representam o alto curso dos
rios Verde e Jacaré, que nascem na unidade geomorfológica Serras Ocidentais da Chapada
Diamantina. Como características gerais da Chapada, a densidade de drenagem é baixa e o
aprofundamento da rede de drenagem que oscila entre fraco e muito fraco, não ultrapassando 100m
de gradiente entre topos de morro e talvegues.

[Link].1 Proteção dos Recursos Hídricos

Para a implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), haverá serviços de supressão de
vegetação, limpeza do terreno, abertura de acessos e terraplenagem em diversas áreas. No caso
das instalações de acessos, passagens e estruturas sobre talvegues destaca-se a grande
importância de realizar seu planejamento prévio, sendo ideal que sejam realizadas e concluídas
antes do período das chuvas, no intuito de evitar o carreamento de materiais desagregados para os
cursos d’água.

Nesse sentido, é primordial que os dispositivos de drenagem em pontos de interferência na rede de


drenagem a serem instalados sejam devidamente dimensionados para o estabelecimento de
estruturas com capacidade de suporte adequada às vazões de projeto, de acordo com o tempo de
recorrência adequado. Salienta-se também que o dimensionamento da rede de drenagem deve
priorizar e, se possível, englobar as transposições de córregos ou riachos.

De forma direta, a proteção dos recursos hídricos está atrelada ao controle dos processos erosivos,
que aporta no corpo receptor uma carga de sedimento carreado da vertente. Neste sentido, as
principais medidas a serem adotadas visam, essencialmente, garantir a manutenção da qualidade
e quantidade do sistema de drenagem na área fonte de sedimento (ADA) e a cobertura do solo
nativa ou reabilitada para evitar o escoamento superficial concentrado de águas pluviais e por
conseguinte a intensificação do carreamento de sedimentos.

Assim, os processos erosivos deverão ser contidos de forma preventiva ao desencadeamento de


impactos sobre os recursos hídricos. Medidas mais detalhadas de controle desses processos estão
contempladas no Programa de Controle e Monitoramento dos Processos Erosivos.

Programas Ambientais – Pág. 126


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

No que tange à questão dos usos da água para a implantação do Complexo Santa Eugênia Solar
(Fase 01), são previstos os seguintes usos principais durante a etapa de obras:

• Aspersão de vias e acessos;

• Fabricação de concreto;

• Irrigação de áreas para revegetação e recuperação da cobertura vegetal;

• Abastecimento para consumo humano nos canteiros de obras, alojamentos e frentes de


trabalho.

O canteiro de obras será alocado e terá diversas formas de uso da água, sendo seu abastecimento
realizado conforme a demanda dimensionada no Projeto Básico. Todo o volume de água utilizado
será advindo da captação em poços perfurados na área de influência do empreendimento, a serem
devidamente outorgados perante o órgão ambiental.

As águas que forem utilizadas para abastecimento humano deverão passar por tratamento de
acordo com suas características de qualidade bruta, devendo seus procedimentos de controle e
concentrações dos parâmetros físico-químicos e bacteriológicos seguir as disposições da Portaria
de Consolidação (PRC) nº 5/2017”. Para isso, deverá ser realizado o monitoramento da qualidade
final da água de acordo com as requisições dessa Portaria, caso as águas sejam utilizadas
efetivamente para consumo humano.

Quanto às demais formas de usos que possuem características industriais (aspersão de vias e
fabricação de concreto), devem ser avaliadas a existência de restrição qualitativa, destacando-se
que, sempre que possível, o abastecimento, para tais finalidades, deve ser proveniente de reuso da
água e de efluentes não contaminados.

Considerando-se ainda as alternativas para promover a proteção dos recursos hídricos da área a
ser afetada pelo empreendimento, importa destacar que os efluentes sanitários e águas servidas
serão gerados onde houver circulação de pessoas com consumo de água em banheiros, vestiários,
refeitórios, canteiro de obra, alojamentos, bem como nas áreas administrativas e operacionais. Em
todos os pontos geradores de efluentes sanitários, em especial nos canteiros de obras, alojamentos
e nas edificações administrativas, serão construídos dispositivos para coleta e direcionamento para
sistema de disposição do tipo fossa séptica e sumidouro, com o efluente final devidamente tratado
sendo infiltrado em solo. O lodo, que constitui a parte sólida do processo de tratamento dos efluentes
sanitários, será periodicamente esvaziado do interior da fossa e encaminhado à destinação final
adequada por empresa contratada para esta finalidade.

Cabe ressaltar, que serão ministrados treinamentos direcionados para os colaboradores envolvidos
nas obras de implementação do Complexo Fotovoltaico, no intuito de alertá-los e instruí-los a como
proceder diante do patrimônio hídrico da região do empreendimento. Essa atividade deverá ocorrer,
preferencialmente, antes do início das obras civis ou em seu estágio inicial.

Programas Ambientais – Pág. 127


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link].2 Monitoramento dos Recursos Hídricos

O acompanhamento e monitoramento do estado dos cursos de água na área de inserção do


Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) permitirá que sejam estabelecidas e adotadas ações de
controle ambiental eventualmente necessárias.

As atividades previstas aqui baseiam-se no planejamento, organização e realização das campanhas


de avaliação das condições do local (aspectos macroscópicos) e coleta de amostras de águas
superficiais, quando possível, com posterior análise dos parâmetros físicos, químicos e
bacteriológicos em laboratórios devidamente credenciados. De posse dos resultados das análises
laboratoriais, os dados serão interpretados, permitindo a elaboração de relatórios periódicos de
monitoramento.

Para o monitoramento dos recursos hídricos superficiais, as atividades a serem desenvolvidas


consistem, basicamente, em:

• Planejamento e organização das campanhas de coleta das amostras;

• Realização das análises laboratoriais das amostras coletadas e avaliação dos aspectos
macroscópicos;

• Análise e interpretação dos resultados analíticos;

• Monitoramento de sistemas de drenagem e dos pontos de intervenção em drenagem;

• Elaboração de Relatório.

[Link].2.1 Qualidade das Águas

As campanhas de amostragem serão realizadas segundo as seguintes normas da ABNT:

• NBR 9897/1987 – Planejamento de amostragem de efluentes líquidos e corpos receptores -


Procedimento;

• NBR 9898/1987 – Preservação e técnicas de amostragem de efluentes líquidos e corpos


receptores - Procedimento.

Além disso, os métodos de preservação, armazenamento e análise seguirão os critérios presentes


no "Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater” (APHA et al., 2005), bem
como os procedimentos padronizados na Resolução ANA nº 724/2011 – Guia Nacional de Coleta e
Preservação de Amostras.

O monitoramento de águas superficiais no entorno do empreendimento deve ser realizado quanto


aos seus aspectos quali-quantitativos, objetivando a caracterização do regime hídrico local,
verificação dos impactos da implantação do empreendimento, suporte à definição de medidas
mitigadoras e de controle e, ainda, verificação da eficiência dessas medidas.

Programas Ambientais – Pág. 128


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link].2.2 Seleção dos Pontos de Monitoramento

A análise da grade amostral considerou os dados levantados durante as atividades de campo em


dezembro de 2022, para elaboração do Estudo de Médio Impacto– EMI (MARON AMBIENTAL,
2023), para seleção de pontos de monitoramento de águas superficiais.

A escolha dos pontos de monitoramento da qualidade das águas considerou a relevância do recurso
hídrico para a comunidade e para a região e sua localização em relação ao empreendimento, uma
vez que a maior parte dos cursos de água mapeados na área é intermitente ou efêmero e passa
parte do ano sem vazões. Considerou-se as bacias hidrográficas presentes nas áreas de influência
do empreendimento, quais sejam as bacias hidrográficas de cursos de água sem nome (sul da ADA
e AID), Riacho do Uibaí (norte da AII), Riacho da Toca (noroeste da AII), Riacho do Velame (trecho
oeste da AII), Riacho da Cachoeira (delimita o trecho leste da AID), afluentes da Sub bacia dos rios
Verde e Jacaré. Além disso, utilizou-se 03 pontos (QA01, QA06 e QA07) já monitorados pelo projeto
adjacente CE Ventos de Santa Eugênia já que o mesmo está inserido na área de influência do
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01).

Devido às características supracitadas, para seleção dos pontos amostrais de águas superficiais foi
dada preferência para locais mais à jusante nos cursos de água superficiais, de modo que ele já
tenha recebido contribuição de outras drenagens superficiais. Foi utilizado esse critério devido à
maior possibilidade de presença de água para coleta das amostras. No caso das águas
subterrâneas não houve cadastro de nascentes ou poços habilitados no SIAGAS.

O Quadro 31 descreve a localização dos pontos propostos para a realização da amostragem da


qualidade das águas, no âmbito do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), os quais encontram-
se representados na Figura 25 abaixo.

Quadro 31 Pontos de amostragem de qualidade das águas no Complexo Santa Eugênia


Solar (Fase 01).

Coordenadas UTM 24S


Ponto Tipo Descrição Bacia Hidrográfica
E N
QA1 Superficial Riacho da Cachoeira Verde e Jacaré 814999.00 8739515.00
QA2 Superficial Afluente da margem esquerda do Riacho do Bonito Verde e Jacaré 820452.00 8724106.00
QA3 Superficial Riacho do Uibaí Verde e Jacaré 811525.00 8743935.00
QA4 Superficial Riacho do Velame Verde e Jacaré 803220.00 8733248.00
QA5 Superficial Afluente da margem direita do Riacho do Bandeira Verde e Jacaré 814203.00 8716685.00
QA6 Superficial Riacho da Cachoeira Verde e Jacaré 815037.00 8736844.00
QA7 Superficial Afluente da margem esquerda do Riacho da Toca Verde e Jacaré 808734.00 8737424.00

Programas Ambientais – Pág. 129


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Figura 25 Pontos de amostragem de qualidade das águas no Complexo Santa Eugênia


Solar (Fase 01).

Programas Ambientais – Pág. 130


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Destaca-se que a primeira campanha de monitoramento (“marco zero”) deverá ser realizada ainda
na fase de planejamento, antes do início das obras de instalação do Complexo Santa Eugênia Solar
(Fase 01), de forma a se obter dados pré-instalação para comparações futuras. As demais
campanhas deverão seguir em frequência trimestral na estação chuvosa e semestral na estação
seca ao longo da fase de implantação, contemplando o ano hidrológico.

Durante a operação, após a consolidação de uma série de dados obtidos neste monitoramento,
podem ser alterados tanto a frequência quanto os parâmetros avaliados mediante justificativa do
responsável técnico.

[Link].2.3 Seleção dos Parâmetros de Amostragem

Os parâmetros a serem avaliados abrangerão indicadores da qualidade física, química e


microbiológica das águas, incluindo a presença de materiais orgânicos e em suspensão, além de
constituintes potencialmente prejudiciais à vida aquática e aos usos dos recursos hídricos, listados
a seguir:

• Físico-químicos: Temperatura da água, Sólidos Totais, pH, Condutividade elétrica, Oxigênio


Dissolvido (OD), Demanda Biológica de Oxigênio (DBO), Demanda Química de Oxigênio
(DQO), Nitrogênio Total, Fósforo Total, Potássio, Turbidez, Cor verdadeira, Óleos e Graxas.

• Microbiológicos: Coliformes Totais e Termotolerantes.

Os parâmetros temperatura, oxigênio dissolvido, condutividade elétrica, salinidade, pH e turbidez


deverão ser aferidos em campo, através de sonda multiparâmetros.

Para a caracterização da qualidade das águas, os parâmetros físicos, químicos e bacteriológicos


serão avaliados quanto a sua magnitude de acordo com os padrões previstos pela Legislação
Federal em vigor, Resolução CONAMA nº 357/2005, para águas de classe 2.

[Link].2.4 Intervenção em Drenagem

Além dos pontos para medição de qualidade da água, também é importante que as áreas de
intervenção da ADA do Complexo Fotovoltaico com recursos hídricos superficiais sejam
acompanhadas, de modo a verificar a necessidade de instalação de estruturas de drenagem, como
passagens de água, e procurar manter a qualidade ambiental da rede hídrica. A ADA do Complexo
Santa Eugênia Solar (Fase 01) não intercepta pontos de drenagens superficiais, ocorrendo somente
interferência em uma APP de nascente.

Programas Ambientais – Pág. 131


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Vale mencionar que, caso sejam encontrados novos cursos de água que façam intervenção com a
ADA do empreendimento ao longo do seu período de instalação, esses deverão ser inseridos neste
programa, e, portanto, monitorados periodicamente de acordo com procedimentos aqui descritos.

[Link].2.5 Análises In Situ e Laboratoriais

Para cada ponto de monitoramento, deverá ser preenchida uma ficha em campo, com dados de
identificação do ponto, características do recurso hídrico no ponto de coleta, resultados das
medições realizadas in situ, condições meteorológicas e identificação do técnico amostrador.

Para a implantação deste Programa, deverão ser avaliados os laboratórios licenciados e


credenciados pelo INMETRO e que realizem as análises nos tempos determinados, demonstrando
ser capacitados para o atendimento aos critérios demandados pela Contratante e Órgão Ambiental.
Os laudos das análises devem ser devidamente assinados pelo responsável técnico do laboratório.

Os resultados obtidos serão apresentados por meio de relatórios técnicos a cada campanha de
amostragem com tratamento estatístico dos dados. Ao término da fase de implantação, deverá ser
elaborado um relatório final, consolidando os resultados das amostragens, para efeito conclusivo e
comparativo.

[Link].2.6 Aspectos Macroscópicos

O monitoramento de aspectos macroscópicos para caracterização ambiental, compreende a


avaliação da ocorrência ou não interferência humana, interferência por animais (pisoteamento,
rastros), tipo de fluxo e exfiltração, dentre outros aspectos. Considera-se que para uma ampla
caracterização ambiental sejam implementadas e aplicadas novas metodologias nas campanhas
na área de influência do empreendimento, particularmente as metodologias de Gomes et al. (2005)
e Von Sperling (1996).

Gomes et al. (2005) propõe uma análise macroscópica de nascentes e cabeceiras de drenagem,
que consiste na avaliação de parâmetros macroscópicos que foram adaptados para a região do
empreendimento, que deverão, em campo, ser classificados quanto à sua situação, conforme o
Quadro 32.

Programas Ambientais – Pág. 132


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Quadro 32 Parâmetros Macroscópicos.

Parâmetro Macroscópico RUIM (1) MÉDIO (2) BOM (3)


Cor da água escura clara transparente
Odor cheiro forte cheiro fraco ausência
Presença de lixo no entorno muito pouco ausência
Espumas muita pouca ausência
Óleos muito pouco ausência
Estado da vegetação degradação elevada degradação baixa preservada
Uso por humanos presença vestígios ausência
Uso por animais presença rastros ausência

Fonte: adaptado de Gomes et al, 2005.

Para esses 8 parâmetros macroscópicos avaliados estabelece-se um valor de 1 a 3 segundo o


constatado em campo, sendo 1 a pior situação e 3 a melhor para cada parâmetro. Esta abordagem
torna possível quantificar o estado ambiental do local monitorado ao longo do tempo. O valor
máximo alcançado nesta avaliação é 24, referente ao melhor estado ambiental de determinado
ponto, enquanto 8 reflete o pior estado possível do ambiente monitorado.

A aplicação destas avaliações visuais é interessante pela facilidade de implementação e


possibilidade de uma inferência preliminar em campo sobre a qualidade da água, o que inclui a
facilidade da aplicação, já que a percepção humana é sensível à presença destes parâmetros. A
cor da água, por exemplo, pode ser avaliada de duas formas: a partir da decantação e
decomposição de ácidos húmicos e fúlvicos, além do ferro e manganês, que possibilita a percepção
da cor verdadeira da água. Já a cor aparente é uma qualidade estética, causada pela presença de
partículas coloridas na água, a interação da luz com as partículas em suspensão, reflexão do fundo
e do céu, etc. Nesta etapa, é importante notar a origem antropogênica da cor, que está ligada a
resíduos industriais e esgotos domésticos.

A presença de óleos, graxas e detergentes, pode ser notada mesmo quando em baixas
quantidades. O óleo forma um filme na superfície, podendo, inclusive, elevar o mau odor do local.
A presença de detergentes causa a formação de espumas, entretanto, estas podem ser causadas
pelos subprodutos do crescimento de algas, indicando processo de eutrofização (WHO, 2003).
Cheiros desagradáveis associados com águas residuais e matéria em decomposição orgânica, tais
como vegetação, animais mortos, óleo diesel ou gasolina, também podem ser facilmente detectadas
pelo avaliador.

A turbidez representa o grau de interferência com a passagem da luz através da água. Pode ser
originada naturalmente com a presença de matéria em suspensão como partículas de rocha, argila,
silte, algas e microrganismos; além de fontes antropogênicas como despejos domésticos, industriais
e a erosão. A turbidez da água por si só, não deve ser considerada um problema ambiental, pois

Programas Ambientais – Pág. 133


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

na verdade, eventos de chuva podem desencadear um carreamento da superfície do solo, alterando


a coloração da água. Portanto, para além da turbidez, a presença de organismos patogênicos deve
ser considerada na análise (VON SPERLING e VON SPERLING, 2010). De acordo com Von
Sperling e Von Sperling (2010), em regiões de solo com elevada erodibilidade, cursos d’água
tendem a apresentar águas turvas durante todo o ano, o que não significa que as águas estejam
contaminadas.

[Link].2.7 Medidas Físico-Químicas – Sonda Multiparâmetros

A tomada de medidas físico-químicas para corpos hídricos é uma alternativa interessante para
monitoramentos de longo prazo. Será utilizada para os monitoramentos de drenagens naturais uma
Sonda Multiparâmetros, previamente calibrada, a qual realiza medições dos seguintes parâmetros
da água: pH, condutividade elétrica, salinidade, oxigênio dissolvido (OD) e temperatura. Esses
dados são gerados instantaneamente no visor deste medidor, após a inserção da sonda de cada
parâmetro mencionado, nos corpos hídricos monitorados, informações que são registradas e
posteriormente cadastradas.

Selecionou-se os seguintes parâmetros para monitoramento em campo:

• pH: é o potencial hidrogeniônico que varia de 0 a 14 e indica a intensidade de acidez ou


alcalinidade de uma solução aquosa, sendo ácido quando menor que 7, neutro quando igual
a 7 e alcalino quando maior que 7. O pH tem influência direta sobre a fisiologia de diversas
espécies aquáticas e indireta sobre a precipitação de elementos químicos tóxicos,
ocorrendo, normalmente, na faixa de 4 a 9 em águas naturais (PARRON et al., 2011);

• Condutividade: a condutividade é a capacidade de emissão de corrente elétrica de uma


solução aquosa que depende, fundamentalmente, da concentração de íons, sendo que a
maioria das soluções de sais inorgânicos, ácidos e bases são boas condutoras enquanto
que a presença de compostos orgânicos que não dissociam na solução a torna má condutora
(PARRON et al., 2011). A condutividade é medida em µS/cm (microsiemens por centímetro)
e sua aplicação prática indica, basicamente, o grau e mineralização da água (PARRON et
al., 2011);

• Salinidade: mede a quantidade de sais dissolvidos em uma solução aquosa que pode ser
medida em ppt (partes por trilhão). Para águas doces a salinidade comum é de 0,5 ppt e
para água do mar é em torno de 35 ppt, sendo a sazonalidade uma variante, visto que, no
verão e em períodos de maior evaporação a salinidade aumenta e o contrário acontece no
inverno e em períodos chuvosos (PARRON et al., 2011);

• OD: o oxigênio dissolvido é a quantidade de O2 dissolvido na água e é medido mg/L. É


importante para a manutenção da vida aquática, como microrganismos aeróbicos e
principalmente peixes, que necessitam de níveis de OD superiores a 4,0 mg/L para a sua

Programas Ambientais – Pág. 134


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

sobrevivência (CLESCERI et al., 1998). Os níveis de OD de águas superficiais tendem a


diminuir com o aumento da temperatura da água ou quando ocorre eutrofização do corpo
hídrico (PARRON et al., 2011);

• Temperatura: é uma medição importante, dada em °C, pois influência nas flutuações dos
demais parâmetros.

A análise físico-química busca complementar os dados do monitoramento macroscópico, uma vez


que os parâmetros escolhidos para a análise permitem a avaliação das condições de preservação
da vida aquática e dos padrões normais de águas naturais, conforme a resolução CONAMA n° 357,
de 17 de março de 2005, além e avaliar alguns dos padrões de aceitação da água para consumo
humano, conforme a Portaria nº 518, de 25 de março de 2004. A execução de consecutivos
monitoramentos trimestrais e semestrais também possibilitará a comparação dos resultados das
análises físico-químicas para verificar a manutenção das condições naturais e aceitáveis para a
vida aquática e consumo humano.

[Link].3 Medidas para Preservação e Conservação dos Recursos Hídricos

[Link].3.1 Educação Ambiental

Além das medidas já mencionadas e acompanhamento conjunto com o Programa de Controle e


Monitoramento de Processos Erosivos, medidas de cunho educativo para os trabalhadores e
população presente na área de influência do empreendimento também são de grande relevância,
de modo a promover uma conscientização do uso racional da água e orientar a população quanto
aos impactos e medidas adotadas pelo empreendimento para gestão dos recursos hídricos.

[Link].3.2 Treinamento dos Colaboradores

Serão ministrados treinamentos aos colaboradores envolvidos nas obras de implantação do


empreendimento no âmbito do Programa de Educação Ambiental (PEA), com foco na preservação
dos recursos hídricos da região de inserção do empreendimento. Sugere-se que esses treinamentos
sejam realizados em palestras a serem realizadas no Diálogo Semanal de Segurança (DSS),
visando despertar em todos os colaboradores a sensibilização sobre os assuntos ligados ao meio
ambiente e sustentabilidade, relacionados às atividades diárias na obra.

As palestras com foco no patrimônio hídrico da região irão instruir os colaboradores quanto a forma
de proceder, contando com conteúdo teóricos ou práticos, conforme a necessidade. Serão
apresentadas fotografias didáticas e conceitos básicos de hidrologia e preservação dos corpos
hídricos e nascentes, instruindo os colaboradores para os cuidados que devem ser tomados para

Programas Ambientais – Pág. 135


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

manutenção da segurança e proteção dos recursos hídricos. As atividades de educação ambiental


com os trabalhadores deverão ocorrer no estágio inicial das obras civis.

[Link].3.3 Elaboração e Distribuição de Material Informativo

Além das ações com os colaboradores do empreendimento, esse Programa também contemplará
a elaboração de material informativo, composto por cartilhas ou folders, bem como placas
informativas próximo das nascentes. Com essa ação, acredita-se que a população se interessará
mais pelo patrimônio natural da região e o desejo de preservação dos recursos hídricos.

Os materiais gráficos deverão tratar sobre o patrimônio hidrológico da região e sua relação com o
empreendimento que está sendo implantado, contendo linguagem simples, objetiva e ilustrações,
com o objetivo de atender todos os tipos de público

Sugere-se, também, caso sejam mapeadas nascentes ao longo da etapa de implantação, a


instalação de placas informativas próximo a estas, onde as mesmas, caso possível, poderão indicar
a presença de uma Área de Preservação Permanente (APP), o nome da nascente, a microbacia e
a restrição de acesso a animais, indicação contra lançamento de fogo, lixos, entulho, proibição da
retirada da vegetação e diretrizes previstas em leis, decretos e no Código Florestal.

[Link].3.4 Medidas Corretivas e de Recuperação

A partir das atividades deste programa de acompanhamento e monitoramento dos recursos


hídricos, pode ser necessário a implementação de medidas corretivas e de recuperação, a serem
avaliadas caso a caso pela equipe executora do programa e Equipe de Gestão Ambiental, como
por exemplo o cercamento de nascentes, se aplicável, recomposição da vegetação, medidas de
desassoreamento etc., a ser implementado pela Empreiteira. Cabe ressaltar que este tipo de
intervenção precisa representar ganho ambiental para as nascentes frente a não intervenção.

O cercamento de nascentes em particular deve ser considerado apenas em caso em que a


intervenção no meio apresente ganho em relação aos impactos percebidos, como nos casos em
que se verificar o pisoteio e degradação das nascentes por animais ou uso antrópico identificado
por descarte de resíduos, desmate, queimada etc.

[Link] Metas

As metas do Programa de Proteção e Monitoramento de Recursos Hídricos são:

Programas Ambientais – Pág. 136


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• Executar 100% das campanhas de monitoramento em todos os pontos identificados com


presença de água, acompanhando a eficácia das medidas corretivas aplicadas;

• Implementar medidas corretivas e de recuperação em 100% dos locais que for avaliado com
potencial para assoreamento, contaminação ou degradação dos recursos hídricos;

• Manter em 100% os resultados das medições da qualidade da água dentro dos parâmetros
estabelecidos pela campanha de background;

• Atender 100% das reclamações registradas no âmbito do Programa de Comunicação Social


referentes à qualidade da água.

[Link] Indicadores de Desempenho

Os indicadores de desempenho do Programa de Proteção e Monitoramento de Recursos Hídricos


são:

• Número de campanhas de monitoramento executadas em relação às campanhas


planejadas;

• Número de locais identificados com potencial para assoreamento, contaminação ou


degradação dos recursos hídricos versus número de locais que receberam medidas
corretivas;

• Porcentagem dos parâmetros em não conformidade com os padrões estabelecidos na


legislação aplicável e com os resultados da campanha background;

• Ocorrência de reclamações advindas das comunidades de entorno relacionadas à mudança


das características da água imputáveis ao empreendimento versus ocorrências atendidas.

[Link] Interface com Outros Programas

O Programa de Proteção e Monitoramento de Recursos Hídricos possui interface com os seguintes


programas:

• Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes Líquidos e Oleosos;

• Programa de Recuperação de Áreas Degradadas;

• Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos;

• Programa de Comunicação Social;

• Programa de Educação Ambiental.

Programas Ambientais – Pág. 137


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Recursos Necessários

São considerados materiais necessários a aplicação do Programa de Proteção e Monitoramento de


Recursos Hídricos: a sonda multiparâmetros, veículo, fichas de anotação e materiais necessários à
coleta e transporte das amostras para análises laboratoriais.

Será necessário também contrato celebrado com um laboratório credenciado para a execução das
análises. O programa deverá ser executado por profissional capacitado para uso da instrumentação
de monitoramento.

[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento, a equipe executora deverá elaborar de


Relatórios Gerenciais periódicos, que serão entregues no mês subsequente à campanha de
monitoramento de referência, para apresentação à equipe de gestão ambiental do empreendedor.

Para o órgão ambiental será elaborado um Relatório Final Consolidado, com todas as atividades
realizadas no âmbito deste Programa, quando do requerimento do pedido da LO.

[Link] Cronograma

O Programa de Proteção e Monitoramento de Recursos Hídricos terá suas atividades iniciadas


antes do início das obras de implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) (campanha
do “marco zero”), devendo ser mantido ao longo de toda essa fase com campanhas
trimestrais/semestrais, conforme expresso no cronograma a seguir.

Quadro 33 Cronograma do Programa de Proteção e Monitoramento de Recursos


Hídricos.

Pré- Fase de Implantação (meses)


Atividades
Implantação 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
Elaboração do Plano de Trabalho e Estruturação de
equipe
Campanhas de monitoramento* **
Implantação do Programa
Operação do Programa
Elaboração de relatórios periódicos internos
Elaboração de Relatório Final Consolidado para o
Órgão Ambiental
*A periodicidade das campanhas de monitoramento será definida conforme período do ano hidrológico que a implantação
se iniciar, com intervalo semestral na estação seca e trimestral na campanha chuvosa.
** Realização da Campanha de Background

Programas Ambientais – Pág. 138


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Referências Bibliográficas

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9897/1987 - Planejamento de


amostragem de efluentes líquidos e corpos receptores – Procedimento. Rio de Janeiro, 1987.

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9898/1987 - Preservação e técnicas de


amostragem de efluentes líquidos e corpos receptores - Procedimento. Rio de Janeiro, 1987.

APHA, AWWA, WEF. 2005. Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. 21.
ed. Washington: American Public Health Association (APHA), American Water Works Association
(AWWA), Water Environmental Federation (WEF).

BRASIL. Decreto Federal Nº 24.643, de 10 de julho de 1934, decreta o Código de Águas Brasília,
DF.

BRASIL. Lei Nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa.
Brasília, DF.

BRASIL. Lei Nº 7.803/89, de 25 de maio de 2012, dispõe sobre a proteção da vegetação nativa e
dá outras providências. Brasília, DF.

BRASIL. Lei Nº 9.433/97, de 08 de janeiro de 1997, institui a Política Nacional de Recursos Hídricos.
Brasília, DF.

CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONAMA). (2005). Resolução nº 357 de 2005:


Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento,
bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras
providências. Ministério do Meio Ambiente – Brasília – DF. 2005.

CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONAMA). (2008). Resolução CONAMA n° 396,


de 3 de abril de 2008 - Dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento
das águas subterrâneas e dá outras providências. CONAMA – Brasília – DF, 11p.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria de Consolidação (PRC) nº 5/2017. Consolidação das normas


sobre as ações e os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde.

MARON AMBIENTAL, 2023. Estudo de Médio Impacto - EMI do Complexo Santa Eugênia Solar.
1084p.

Programas Ambientais – Pág. 139


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

3.1.7 Programa de Desativação do Empreendimento

[Link] Introdução e Justificativa

Tendo em vista o período firmado para concessão dos empreendimentos fotovoltaicos e a não
garantia de sua renovação, pode ser necessária à sua desativação, ou ainda sua repotenciação,
por meio da substituição de placas e equipamentos associados. Diante disso, são consideradas
necessárias ações e medidas que garantam a segurança e a estabilidade da área, incluindo sua
reabilitação ambiental, em caso de completa desativação.

O Programa de Desativação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), ora apresentado,
engloba o rol de ações necessárias à demolição e à retirada das estruturas, bem como a destinação
final adequada dos resíduos gerados em acordo com as exigências legais. Além disso, é abordado
como os usos futuros previstos deverão levar em consideração a compatibilidade com relação às
comunidades existentes no entorno do empreendimento, assim como a vocação da região.

[Link] Objetivos

O Programa de Desativação do Empreendimento tem como objetivo principal descrever as etapas


que deverão ser seguidas na eventual desmontagem dos complexos fotovoltaicos no final do
período de concessão, além da destinação final dos componentes das placas solares. Assim, se
justifica a necessidade de se estabelecer as fases e etapas do trabalho de desativação e
desmontagem dos equipamentos.

[Link] Requisitos Legais

Os requisitos legais relativos a este Programa estão elencados a seguir:

• Constituição Federal de 1988, em especial art. 225, que versa sobre a responsabilidade de
preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais;

• Lei Federal nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio
Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação.

• Lei Federal n° 10.711, de 05 de agosto de 2003 - Dispõe sobre o Sistema Nacional de


Sementes e Mudas e dá outras providências;

• Lei Federal n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 - Dispõe sobre as sanções penais e


administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras
providências;

Programas Ambientais – Pág. 140


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• Lei Federal nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa;
altera as Leis nos 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e
11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nos 4.771, de 15 de setembro de 1965,
e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de
2001; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 28 mai. 2012;

• Lei Federal n° 12.727, de 17 de outubro 2012 - Altera a Lei no 12.651, de 25 de maio de


2012, que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis nos 6.938, de 31 de
agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006;
revoga as Leis nos 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a
Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, o item 22 do inciso II do art. 167
da Lei no 6.015, de 31 de dezembro de 1973, e o § 2º do art. 4o da Lei no 12.651, de 25 de
maio de 2012;

• Resolução CONAMA n° 429, de 28 de fevereiro de 2011 – Dispõe sobre a metodologia de


recuperação das Áreas de Preservação Permanente – APP;

• Instrução Normativa IBAMA Nº 11, de 11 de dezembro de 2014. Estabelece procedimentos


para elaboração de Projeto de Recuperação de Área Degradada - PRAD ou Área Alterada,
para fins de cumprimento da legislação ambiental;

• Norma ABNT NBR 11.682/1991 - Trata da estabilidade dos taludes.

• Norma ABNT NBR 15.789/2013 – Manejo de florestas nativas

[Link] Responsabilidade de Execução

A responsabilidade pela implantação deste Programa é do empreendedor, sendo que a execução


das ações será de responsabilidade da empresa contratada para o fechamento, ficando a
fiscalização a cargo do empreendedor.

[Link] Público-Alvo

Os principais agentes serão o empreendedor, as empresas envolvidas com a desmobilização do


Complexo Fotovoltaico, trabalhadores, órgãos públicos e os moradores dos municípios.

[Link] Metodologia

A partir da identificação das estruturas indicadas na Caracterização do Empreendimento e dos


possíveis resíduos a serem gerados pelo mesmo, apresenta-se a seguir o conjunto de ações e
medidas necessárias ao controle e mitigação das atividades de fechamento, com particular enfoque

Programas Ambientais – Pág. 141


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

no potencial para contaminação do solo e dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos.


Adicionalmente, deverá ser avaliada no âmbito do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas
a necessária reintegração paisagística da área, a divulgação e orientação a população e avaliação
de seus aspectos socioeconômicos.

Vale registrar que, em sua configuração final, o Complexo Fotovoltaico disporá de diversas
estruturas constituídas por materiais distintos, tais como: estruturas metálicas, alvenaria, concreto,
madeira, etc. Além disso, estão previstas a instalação de acessos internos e pátios com pisos sem
pavimentação, britados e/ou com espaços concretados. As edificações industriais contêm
equipamentos diversos, que fazem uso de óleos lubrificantes ou trabalham com óleo combustível,
além de estarem conectados a sistemas de controle e de fonte de suprimento de energia por cabos
elétricos.

No que concerne à desativação das estruturas e equipamentos é importante assegurar que todas
as ações de fechamento sejam realizadas por empresas especializadas, de competência
reconhecida e devidamente credenciadas para o desenvolvimento desse tipo de atividade.

Os equipamentos deverão ser imediatamente segregados e avaliados quanto a possível


contaminação, sobretudo com óleos e graxas. Caso seja detectada esse tipo de contaminação
deverá ser procedida à lavagem em máquinas de peças ou em lavador dotado de Caixa Separadora
de Água e Óleo (SAO). Destaca-se que, se forem identificados o uso de anéis, roletes e telas de
peneira contendo borracha e mangueiras que correspondam a materiais/resíduos não recicláveis,
considera-se necessário seu acondicionamento e armazenamento em local adequado até que
sejam devidamente encaminhados para aterro industrial.

As borrachas em tiras, inclusive as descontaminadas, consideradas de acordo com a NBR


10.004/2004 como resíduos do tipo Classe II A, deverão ser encaminhadas preferencialmente para
reciclagem ou, em último caso, enviadas para o aterro industrial. Vale registrar, que a coleta e
transporte destes resíduos deve ser realizado por empresa terceirizada devidamente licenciada e
em estreita observância às legislações e normas vigentes. No que tange aos resíduos contaminados
por óleos, graxas e lubrificantes utilizados nas atividades desenvolvidas recomenda-se que sejam
devidamente drenados e acondicionados em contêineres identificados em conformidade com a
NBR 7.501/2011, e armazenados temporariamente em local de acordo com as especificações da
NBR 12.235/1992. Salienta-se que além das normas retromencionadas, os óleos usados devem
ser recolhidos para destinação final, em consonância com as portarias da Agência Nacional de
Petróleo (Portaria ANP nº 125, 126, 127 e 128/99).

O transporte de produtos perigosos deverá atender aos requisitos especificados pela Resolução
ANTT 420/2004, a qual foi parcialmente alterada pela Resolução ANTT nº 2975/2008. O
atendimento ao disposto na Resolução ANTT nº 3.383/2010, que também alterou a Resolução nº
420/2004, e introduziu Instruções Complementares ao Regulamento do Transporte Terrestre de
Produtos Perigosos, também deverá ser observado. Outras exigências, estabelecidas pelo Decreto

Programas Ambientais – Pág. 142


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

do Ministério do Transporte 96.044/1998 e pelas Normas Técnicas NBR ABNT 7.503/2012 e


9.735/2012 deverão ser devidamente acatadas.

A maioria dos edifícios das instalações de apoio terão estruturas e coberturas metálicas e,
dependendo do caso, os fechamentos laterais poderão ser metálicos ou em blocos de concreto.
Além disso, o revestimento interno desses edifícios pode ser de materiais diversos (madeira, gesso,
cerâmicos, etc.). Neste contexto, é previsto no seu fechamento a geração de entulhos como
concreto, blocos, material cerâmico, terra, argamassa, gesso, dentre outros. Recomenda-se,
quando possível, que esses entulhos sejam segregados e acondicionados em caçambas, que por
sua vez deverão ser depositadas temporariamente em local apropriado e com cobertura.
Posteriormente, esses resíduos deverão ser encaminhados preferencialmente a usinas de
reciclagem de entulho, podendo ser ainda destinados a aterro de materiais inertes.

Destaca-se que deverão ser atendidas as diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos
resíduos da construção civis, conforme determinado na Resolução CONAMA nº 307/2002. Essa
resolução estabelece as ações necessárias para o controle e mitigação dos impactos ambientais
aos diferentes tipos de resíduos gerados na construção civil.

No que se refere à desmontagem das estruturas metálicas, considera-se necessária a contratação


de empresas especializadas, de forma sistemática e ordenada. Os metais deverão ser
armazenados temporariamente em local coberto, conforme especificado nas normas técnicas
vigentes. Esses resíduos poderão ser doados e/ou comercializados, devendo ser priorizada a sua
reutilização.

Já as sucatas metálicas, que por ventura estiverem contaminadas por óleos, graxas e solventes,
deverão ser acondicionadas em caçambas dispostas em local apropriado (coberto, com piso
impermeabilizado e bacia de contenção) de acordo com as normas ambientais em vigor.
Posteriormente, deverão ser encaminhados para tratamento, comercialização ou incineração.

Para o sistema de drenagem pluvial das áreas a serem desmobilizadas é recomendado avaliar a
necessidade de sua manutenção ou redimensionamento com vistas a manter o necessário controle
das águas pluviais, para que não ocorra futuramente a instalação de processos erosivos. Ressalta-
se que, em caso de demolição e/ou redimensionamento das estruturas, os materiais não
reaproveitados deverão ser acondicionados em caçambas cobertas para posterior destinação final.

Com relação aos equipamentos eletromecânicos, instalações elétricas e de comunicação, a


desmontagem deverá ocorrer a partir dos cabos e eletrodutos, transformadores, monitores a serem
acondicionados em área coberta, ventilada, de fácil acesso, em baias identificadas. Estes resíduos
são passíveis de serem comercializados, reaproveitados e/ou doados.

Durante o período de pós fechamento, os acessos não pavimentados e que estiverem em operação
deverão ser umectados com caminhão pipa para o necessário controle de material
particulado/poeira. Coerente com as ações previstas no Programa de Recuperação de Áreas

Programas Ambientais – Pág. 143


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Degradadas e com a previsão de uso futuro da área deverão ser adotadas medidas de reabilitação
e reintegração paisagística, uma vez que as áreas localizadas no entorno do empreendimento são
reconhecidas por sua beleza cênica e potencial turístico.

O programa de desativação será dividido em fases para facilitar o planejamento das atividades
associadas a cada etapa.

[Link].1 Fase 1: Divulgação e Orientação à População

Esta etapa tem como objetivo informar e orientar a população e os trabalhadores sobre a
desativação do projeto. Quando confirmada a desativação do Empreendimento, serão empregadas
ações de divulgação nas prefeituras, comunidades, escolas, órgãos públicos, locais de grande
concentração ou de circulação. Este procedimento deverá ser adotado durante toda a fase de
desmobilização dos equipamentos.

[Link].2 Fase 2: Testes do Complexo Fotovoltaico (CF)

A segunda etapa consiste na avaliação dos sistemas de monitoramento dos equipamentos elétricos
e mecânicos, identificando pontos de fragilidade mecânica ou riscos de descargas elétricas. Nesta
etapa, serão realizados testes diversos nos equipamentos e peças como um todo. Durante esse
período o CF mantém a operação normal com fornecimento de energia para o Sistema Interligado
Nacional (SIN).

[Link].3 Fase 3: Desmonte das Placas Fotovoltaicas

Esta etapa consiste em desmontar os itens ligados as placas fotovoltaicas. Neste período, todos os
cabos e parafusos que interligam e conectam as partes móveis das bases das placas fotovoltaicas
serão retirados e desconectados. Também serão desconectados e retirados nesta etapa, antes do
desmonte das placas fotovoltaicas, todos os equipamentos que estiverem localizados na base das
mesmas para permitir a conclusão completa das atividades desta etapa. Estas atividades serão
realizadas seguindo as orientações das boas práticas e normas de Segurança, Meio Ambiente e
Saúde (SMS).

[Link].4 Fase 4: Desativação Total

Após o desmonte total dos componentes que integram as placas fotovoltaicas e de todos os
sistemas auxiliares que integram as UFVs, a remoção de todos os equipamentos pertencentes ao

Programas Ambientais – Pág. 144


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Complexo Fotovoltaico será definida através de projeto específico a ser desenvolvido. Na época do
desmonte dos equipamentos, o empreendedor irá definir sua destinação final.

As edificações, caso tenha, serão doadas aos proprietários dos terrenos, nos quais as mesmas
estiverem construídas, caso exista o interesse por parte deles em utilizá-las. Caso o proprietário
não tenha interesse em manter as edificações no terreno, as mesmas serão demolidas. Deve ser
feita a recuperação e a revegetação dos locais das bases das placas fotovoltaicas e das edificações
(caso estas sejam demolidas). O empreendedor é o responsável pela execução do Programa de
Desativação do Empreendimento, devendo elaborar cronograma detalhado de trabalho quando a
desativação se fizer próxima.

[Link].5 Fase 5: Aspectos Socioeconômicos

Esta etapa compreende que sejam estabelecidas ações voltadas para a compensação dos aspectos
socioeconômicos que permitam a implementação de programas para a melhoria de vida das
populações das áreas de influência do Complexo Fotovoltaico. Para isso, devem ser considerados
os Programas Socioambientais elaborados para as fases de implantação e operação do
Empreendimento que serão úteis para o processo de desativação.

Com o fim das operações, a receita líquida dos municípios será reduzida com a diminuição da
arrecadação dos impostos, afetando ainda o comércio local como todo. Deve-se estabelecer
medidas para estimular a economia e contribuir para o incremento da renda do município que possa
acarretar aumento do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios.

[Link] Metas

As metas do Programa de Desativação do Empreendimento são:

• Fechamento de estruturas;

• Acondicionamento e Destinação adequada de resíduos;

• Readequação ambiental das áreas desmobilizadas em condições próximas à original.

• Realização de divulgação das informações sobre a desativação do Empreendimento para


todas as comunidades da Área de Influência Direta e Indireta.

• Acompanhamento do processo de desmobilização dos equipamentos/estruturas do


empreendimento, identificando todos os impactos adversos, recuperando os Meios Físico e
Biótico.

Programas Ambientais – Pág. 145


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• Promoção de ações de apoio às atividades econômicas sustentáveis nos dois municípios,


visando mitigar os impactos negativos no meio socioeconômico resultantes da desativação
do empreendimento.

[Link] Indicadores de Desempenho

Os indicadores de desempenho do Programa de Desativação do Empreendimento são:

• Quantidade de áreas recuperadas em hectare (ha);

• Nível de satisfação do público-alvo em relação ao acesso e disponibilização das informações


sobre a desativação do Empreendimento.

• Número de ações planejadas versus número de ações implantadas para atividades


econômicas sustentáveis na região do Empreendimento.

• Quantidade de resíduo gerado e destinado.

[Link] Interface com Outros Programas

Este plano apresentará interface com os seguintes programas:

• Programa de Comunicação Social;

• Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes Líquidos e Oleosos;

• Programa de Recuperação das Áreas Degradadas;

• Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos;

• Programa de Controle de Monitoramento de Emissão de Particulados.

[Link] Recursos Necessários

Os recursos necessários devem ser definidos quando da desativação do empreendimento.

[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de desativação do empreendimento, todas as contratadas devem elaborar


relatórios mensais internos de atendimento aos programas ambientais, com informações
cumulativas, para apresentação à equipe de Gestão Ambiental do empreendedor.

Programas Ambientais – Pág. 146


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Ao final da obra, deve ser elaborado um Relatório Consolidado contemplando informações


cumulativas de todo o período de desativação.

[Link] Cronograma

Este Programa deverá ser executado caso haja, no futuro, necessidade de fechamento do
Complexo Fotovoltaico. Dada a sua perspectiva temporal longínqua e a possibilidade de surgimento
de novas tecnologias ao longo dos anos para tal fim, faz-se necessário que, caso haja efetivamente
demanda pela desativação completa do empreendimento, ou mesmo por sua repotenciação, tais
atividades deverão ser previa e oportunamente submetidas à avaliação e autorização do INEMA.

[Link] Referências Bibliográficas

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 7.500:2011 - Estabelece


critérios para identificação para o transporte, manuseio, movimentação e armazenamento de
produtos perigosos. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.

______. NBR 10.004:2004. Classificação dos Resíduos Sólidos. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

______. NBR 10.006:2004. Teste de Solubilização. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

______. NBR 10.007:2004. Amostragem de resíduos. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

______. NBR 11.174:1990. Armazenamento de Resíduos Sólidos Não Perigosos. Rio de Janeiro:
ABNT, 1990.

______. NBR 12.235:1992. Armazenamento de Resíduos Sólidos. Rio de Janeiro: ABNT, 1992.

______. NBR 13.221:2010. Transporte Terrestre de Resíduos Sólidos. Rio de Janeiro: ABNT, 2010.

______. NBR 13.463:1995. Coleta de Resíduos sólidos- classificação. Rio de Janeiro: ABNT, 1995.

BRASIL. Lei Federal n° 12.305, de 02 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos
Sólidos. Disponível em: <[Link] 2010/2010/lei/[Link]>.
Acesso em: 21 out 2015.

BRASIL. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE – CONAMA. Resolução n° 09, de 31 de


agosto de 1993 – Dispõe sobre o uso, reciclagem, descarte e disposição de óleos lubrificantes
usados ou contaminados. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21 out 2015.

Programas Ambientais – Pág. 147


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

______. Resolução n° 275, de 25 de abril de 2001. Estabelece o código de cores para os diferentes
tipos de resíduos. Disponível em: <[Link]
Acesso em: 21 out 2015.

______. Resolução n° 307, 05 de julho de 2002. Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos


para a gestão dos resíduos da construção civil. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21 out 2015.

______. Resolução n° 420, 28 de dezembro de 2009. Dispõe sobre critérios e valores orientadores
de qualidade do solo quanto à presença de substâncias químicas e estabelece diretrizes para o
gerenciamento ambiental de áreas contaminadas por essas substâncias em decorrência de
atividades antrópicas. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21 out 2015.

Programas Ambientais – Pág. 148


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

3.2 Programas do Meio Biótico

3.2.1 Programa de Recuperação de Áreas Degradadas – PRAD

[Link] Introdução e Justificativa

A implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) promoverá a limpeza do terreno nos
pontos de locação de estruturas fixas e temporárias e nas vias de acesso interno, onde a vegetação
será removida. As atividades necessárias à obra causarão alteração da paisagem, atualmente
ocupada de forma predominante por vegetação nativa de caatinga arbórea e arbórea-arbustiva.

Em relação à terraplanagem/conformação do terreno e aberturas/melhorias de acesso, estas


resultarão em alterações morfológicas no relevo do terreno em estudo. Todas estas atividades
previstas para fase de implantação do empreendimento geram aspectos ambientais que podem
culminar em impactos negativos sobre o meio ambiente local, conforme indicado e avaliado no
estudo de viabilidade ambiental. Por este motivo o Programa de Recuperação de Áreas Degradadas
(PRAD) se justifica pela previsão de impacto ambiental negativo, tais como: alteração da dinâmica
hídrica subterrânea; alteração da morfologia fluvial/ assoreamento de cursos de água; alteração da
qualidade das águas superficiais; alteração da qualidade do ar; alteração das propriedades do solo;
alteração do relevo e desencadeamento e acirramento de processos erosivos. Tais impactos
tendem a ser gerados pela movimentação, compactação e impermeabilização do solo nas áreas de
obra da implantação, pela remoção da cobertura vegetal e geração de sedimento.

Considerando estes aspectos do empreendimento rompem o equilíbrio dinâmico do ambiente,


propõem-se o presente programa visando primeiramente a prevenção de impacto adverso sobre o
solo, o ar e a biota. Secundariamente, a mitigação dos impactos e controle dos aspectos geradores
até a completa recuperação das áreas degradadas pela obra de implantação deste
empreendimento. Este Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) se vale do Código
Florestal (Lei Federal nº 12.651/2012) que determina, em linhas gerais, que o empreendedor é
legalmente responsável pela recuperação de áreas direta ou indiretamente degradadas pelas
atividades de implantação de empreendimento sob sua responsabilidade. Além disso, este PRAD
também observa a Lei Federal nº 6.938/1981, que define a Política Nacional do Meio Ambiente, no
que tange o estabelecimento de medidas para mitigação e controle de possíveis impactos
ambientais provenientes de obras de implantação do empreendimento.

A recomposição de áreas degradadas pós-obras é obrigatória, necessária e de fundamental


importância, pois possibilita que as características naturais e demais processos ecológicos sejam
restabelecidos, permitindo a retomada do uso original ou alternativo sustentável. A implantação do
programa atende a obrigatoriedade da IN IBAMA nº 04/2011.

Programas Ambientais – Pág. 149


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

A recuperação ambiental, recomposição ou restauração consistem em um conjunto de medidas e


procedimentos que visam à regeneração e à restituição da forma e da função da vegetação que
ocorre originalmente em determinada área (ABNT NBR nº 15789/2021). Optando-se por conduzir o
ambiente a situações semelhantes ao original, em paisagens degradadas, a restauração ecológica
é obtida pela sucessão ecológica (natural ou induzida por ação humana). Esta sucessão é um
processo de mudanças que ocorrem em etapas e que, geralmente, inicia-se com as primeiras
formas vegetais até a formação de uma vegetação em estado avançado de regeneração.

Um conjunto de fatores pode auxiliar a restauração de um ecossistema, como a heterogeneidade


ambiental, o tipo e estado de conservação dos fragmentos remanescentes, alternativas de conexão
com os fragmentos adjacentes e do entorno, potencial de autorrecuperação de área degradada na
paisagem e a definição das atividades antrópicas no entorno destas áreas (MARTINS, 2012;
MARTINS, MIRANDA NETO; RIBEIRO, 2012).

[Link] Objetivos

O Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) tem como objetivo promover a


recomposição das áreas degradadas pela implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase
01), mediante técnicas de estabilização do terreno, de remediações em eventuais locais
contaminados, bem como replantio de espécies herbáceas e reflorestamento com espécies nativas,
recompondo habitats para a fauna originalmente presente e possibilitando a formação de corredores
ecológicos através da união dos fragmentos florestais.

Os objetivos específicos são apresentados abaixo:

• Realizar o controle de eventuais processos erosivos gerados pelas obras e prevenção da


instauração de futuros processos, minimizando os impactos potenciais em termos de
desestabilização do terreno, geração de sedimentos e assoreamento da rede de drenagem.

• Estabelecer medidas físicas de recuperação das áreas alteradas pela implantação do


empreendimento.

• Estabelecer as medidas biológicas de replantio das áreas com espécies de herbáceas e


espécies nativas.

• Recompor a cobertura vegetal das áreas degradadas por meio de forração com herbáceas
ou do plantio/ semeadura de espécies nativa.

• Recuperar todas as áreas de apoio/ temporárias utilizadas para as obras.

• Adotar medidas de controle sobre as áreas intervindas, quando necessário.

• Monitorar as áreas de intervenção ambiental.

Programas Ambientais – Pág. 150


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

• Avaliar os resultados obtidos após adoção de medidas de controle e, caso necessário,


reimplantar as ações que não obtiveram sucesso.

• Incluir o tema “procedimentos de proteção ambiental a serem adotados na etapa construtiva


e preservação das áreas em recuperação” nas ações do Programa de Educação Ambiental.

[Link] Requisitos Legais

Na execução e condução dos Programas serão respeitadas a legislação federal, estadual e


municipal e as normas brasileiras (ABNT), no que forem aplicáveis, que regem e normatizam as
medidas que devem ser tomadas para evitar erosão decorrente de obras e de intervenção antrópica
na construção:

• Lei Federal nº 9.605, de 12/02/1998 – Lei de Crimes Ambientais;

• Instrução Normativa nº 6/2008 - Lista Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçada de


Extinção;

• Resolução CONAMA nº 01/1986 - Define critérios básicos e diretrizes gerais de avaliação


de impacto ambiental;

• Resolução CONAMA nº 238/1997 - Estabelece a Política Nacional de Controle da


Desertificação;

• Resolução CONAMA nº 429/2011 – Apresenta as metodologias de recuperação de APP;

• Instrução Normativa MMA nº 09/2007 - Áreas prioritárias para a conservação, utilização


sustentável e repartição de benefícios da biodiversidade brasileira;

• Lei Federal nº 12.651/2012 – “Novo Código Florestal”. Dispõe sobre a proteção da vegetação
nativa;

• Instrução Normativa do IBAMA n° 04/2011 que estabelece os procedimentos para


elaboração do Projeto de Recuperação de Área Degradada.

[Link] Responsabilidade de Execução

A responsabilidade pela implantação do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas durante


as obras de construção é da Empreiteira responsável pela execução das obras, que deve contratar
equipe especializada para condução do Programa sob acompanhamento e fiscalização da equipe
de Gestão Ambiental do Empreendedor. As medidas previstas no âmbito deste programa devem
ocorrer em conjunto com as equipes executoras dos Programa de Controle e Monitoramento de
Processos Erosivos, Programa de Proteção e Monitoramento de Recursos Hídricos, Programa de
Supressão da Cobertura Vegetal e Programa de Resgate da Flora, Plano de Afugentamento e
Eventual Resgate de Fauna e Programa de Educação Ambiental.

Programas Ambientais – Pág. 151


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

[Link] Público-Alvo

O Programa tem como público-alvo o Órgão Ambiental responsável pelo Licenciamento Ambiental
(INEMA), o Empreendedor, os Proprietários de terras nas Áreas de Influência do empreendimento
e, principalmente, a Empreiteira que executará o Programa e, portanto, deverá seguir as diretrizes
e os procedimentos propostos e a legislação ambiental vigente e aplicável.

[Link] Metodologia

[Link].1 Área Alvo do PRAD

O PRAD tem como alvo todas as áreas degradadas pela obra, ou seja, a ADA das estruturas
temporárias previstas no projeto de engenharia de indicadas no Mapa apresentado ao final deste
item. Também como área alvo do PRAD, inclui-se as feições erosivas e cicatriz de movimento de
massa pré-existentes situadas na ADA e em seu entorno direto, com potencial de acirramento pela
drenagem incidente na área de projeto ou com tendência a causar instabilidade geotécnica na ADA.
Conforme explicado anteriormente, o propósito primeiro do PRAD é prevenir a ocorrência de
processo de degradação avançado, fazendo a reabilitação de área logo após a intervenção da obra
ou no início do processo de degradação identificado, seja ele erosivo, movimento de massa ou de
desertificação. Para isso, são adotadas medidas corretivas de melhoria no sistema de drenagem,
recomposição da vegetação, reconformação do terreno dentre outras que serão detalhadas mais a
diante.

Considerando que o potencial para geração de áreas degradadas é diretamente dependente do tipo
de empreendimento, da tipologia construtiva, das condições e propriedades dos componentes
ambientais locais, é adequado definir as ações mitigadoras a cada área alvo do PRAD quando
finalizadas as obras de instalação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), pois somente nessa
época será possível identificar a qualidade ambiental local e o grau de intervenção in loco. Este
registro pós intervenção denominado diagnóstico da situação dará as bases empíricas para o Plano
de Ação do PRAD, o qual será pautado nas melhores práticas de recuperação ambiental e que
estão descritas neste documento.

Contudo, de forma preliminar e estabelecendo a premissa de que a ADA do Complexo Santa


Eugênia Solar (Fase 01) é homogênea e detentora das características ambientais indicadas no
Quadro 34, pode-se definir de forma conceitual tipo medida de recuperação a ser empregada em
cada alvo do PRAD – conforme indicado no Quadro 35.

Programas Ambientais – Pág. 152


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Quadro 34 Características Ambientais Predominantes na ADA do Complexo Santa


Eugênia Solar (Fase 01).

Neossolo Litólico, Latossolo Amarelo Distrófico, Latossolo Vermelho-Amarelo


Classe de Solo
Eutrófico e Cambissolo Háplico Carbonático
Posição do Relevo Planalto
Tipo de Relevo Suave ondulado a ondulado
Declividade De 8 a 20%
Susceptibilidade a Erosão e ao
Baixa a média
Movimento de Massa
Tipo de drenagem Canais intermitentes e efêmeros
Cicatriz de Erosão Linear
Vegetação Caatinga arbórea e Caatinga arbórea-arbustiva
Afloramento Rochoso ou pavimento
Afloramentos pontuais e Coberturas detrito-lateríticas ferruginosas presentes
detrítico

Quadro 35 Alvos do PRAD X Medidas de Recuperação/Manutenção/Monitoramento.

Medida de
Medida de
Alvos Medida de Recuperação Simples Recuperação
Manutenção/Monitoramento
Complexa
Isolamento/Cercamento/Placa de
Irrigação de mudas (sempre que
Sinalização;
necessário)
Estabilidade do Terreno;
Subsolagem;
Reconformação Monitoramento (3 anos)
Reposição da camada de solo estocada;
topográfica e
Umidificação (hidrogeo, captação in situ); Estabilidade de Replantio (sempre que
Canteiro de Obras e Introdução de top soil e serrapilheira. Talude; necessário)
Usina de Concreto Introdução de sementes, plântulas e Plantio de mudas de
propágulos coletadas diretamente da herbácea e Controle de Pragas (formigas,
vegetação existente, antes da supressão arbustiva. cupins, pulgão dentre outros)
vegetal;
Correção do solo;
Adubação (sempre que
Conformação de poleiros para aves em
necessário)
locais com inclinação inferior a 20o.
Irrigação de mudas (sempre que
Isolamento/Cercamento/Placa de necessário)
Sinalização;
Estabilidade do Terreno;
Reconformação Monitoramento (3 anos)
Subsolagem;
topográfica e
Reposição da camada de solo estocada;
Pátio de Estabilidade de Replantio (sempre que
estocagem/Pátio Umidificação (hidrogeo, captação in situ); Talude; necessário)
subestação Introdução de top soil e serrapilheira. Plantio de mudas de
Introdução de sementes, plântulas e herbácea e Controle de Pragas (formigas,
propágulos coletadas diretamente da arbustiva. cupins, pulgão dentre outros)
vegetação existente, antes da supressão
vegetal;
Correção do solo. Adubação (sempre que
necessário)

Programas Ambientais – Pág. 153


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Medida de
Medida de
Alvos Medida de Recuperação Simples Recuperação
Manutenção/Monitoramento
Complexa
Irrigação de mudas (sempre que
necessário)
Estabilidade do Terreno;
Introdução de topsoil. Monitoramento (3 anos)
Introdução de sementes, plântulas e
propágulos coletadas diretamente da Plantio de mudas de Replantio (sempre que
Viveiro de Mudas vegetação existente, antes da supressão herbácea e necessário)
vegetal; arbustiva.
Correção do solo; Controle de Pragas (formigas,
Conformação de poleiros para aves em cupins, pulgão dentre outros)
locais com inclinação inferior a 20o.
Adubação (sempre que
necessário)
Isolamento/Cercamento/Placa de
Irrigação de mudas (sempre que
Sinalização;
necessário)
Estabilidade do Terreno;
Subsolagem;
Reconformação Monitoramento (3 anos)
Reposição da camada de solo estocada;
topográfica e
Umidificação (hidrogeo, captação in situ); Estabilidade de Replantio (sempre que
Bota-fora Introdução de topsoil. Talude; necessário)
Introdução de sementes, plântulas e Plantio de mudas de
propágulos coletadas diretamente da herbácea e Controle de Pragas (formigas,
vegetação existente, antes da supressão arbustiva. cupins, pulgão dentre outros)
vegetal;
Correção do solo;
Adubação (sempre que
Conformação de poleiros para aves em
necessário)
locais com inclinação inferior a 20o.
Irrigação de mudas (sempre que
necessário)
Estabilidade do Terreno;
Introdução de topsoil. Monitoramento (3 anos)
Introdução de sementes, plântulas e
propágulos coletadas diretamente da Replantio (sempre que
Plantio de mudas de
Buffer de Obra vegetação existente, antes da supressão necessário)
herbácea
vegetal;
Correção do solo; Controle de Pragas (formigas,
Conformação de poleiros para aves em cupins, pulgão dentre outros)
locais com inclinação inferior a 20o.
Adubação (sempre que
necessário)
Irrigação de mudas (sempre que
necessário)
Isolamento/Cercamento/Placa de
sinalização;
Reconformação Monitoramento (3 anos)
Reposição da camada de solo estocada;
topográfica e
Cicatriz de Erosão e Umidificação (hidrogeo, captação in situ);
Estabilidade de Replantio (sempre que
Movimento de Massa Introdução de topsoil. Talude; necessário)
dentro do Introdução de sementes, plântulas e
Empreendimento Plantio de mudas de
propágulos coletadas diretamente da herbácea, arbustiva
vegetação existente, antes da supressão Controle de Pragas (formigas,
e arbóreo. cupins, pulgão dentre outros)
vegetal;
Correção do solo.
Adubação (sempre que
necessário)

Programas Ambientais – Pág. 154


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Medida de
Medida de
Alvos Medida de Recuperação Simples Recuperação
Manutenção/Monitoramento
Complexa
Irrigação de mudas (sempre que
necessário)
Estabilidade do Terreno;
Subsolagem;
Reconformação Monitoramento (3 anos)
Reposição da camada de solo estocada;
topográfica e
Umidificação (hidrogeo, captação in situ); Estabilidade de
Caminhos de serviço e Replantio (sempre que
acessos provisórios (se Introdução de topsoil. Talude; necessário)
houver) Introdução de sementes, plântulas e Plantio de mudas de
propágulos coletadas diretamente da herbácea, arbustiva Controle de Pragas (formigas,
vegetação existente, antes da supressão e arbóreo. cupins, pulgão dentre outros)
vegetal;
Correção do solo.
Adubação (sempre que
necessário)

De acordo com o quadro acima, as ações ambientais indicadas para as estruturas provisórias do
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) podem ser classificadas em linhas gerais em duas
vertentes:

(i) Medidas de Recuperação Simples: são ações do PRAD recomendadas às áreas


alteradas pelas atividades de implantação do empreendimento, ou seja, às áreas que
sofreram impacto da obra, mas ainda assim conseguem regenerar por meio natural, sem
necessidade de intervenção complexa (Instrução Normativa IBAMA nº 4/201). Em geral
são áreas com alta resiliência à ação antrópica e resistentes a erosão. Como as áreas
recobertas por Latossolo e com topografia plana, indicadas no Mapa de Suscetibilidade
Erosiva (ver Programa de Controle e Monitoramento do Processo Erosivo deste PBA)
como Média susceptibilidade. Também, inclui-se neste grupo as áreas que foram pouco
modificadas pela obra, ou seja, que sofreram apenas supressão vegetal e limpeza de
terreno, por exemplo, a área do buffer de obra e a área do Viveiro de Mudas.
(ii) Medidas de Recuperação Complexa: são ações recomendadas às áreas degradadas
pelas atividades de implantação do empreendimento e que foram profundamente
modificadas perdendo sua capacidade natural de regeneração e, assim, não volta à uma
condição de estabilidade semelhante ao que tinha antes de ser impactada (Instrução
Normativa IBAMA nº 4/201), sendo necessário intervenção por meio de ações mais
complexas. Em geral são áreas frágeis pouco resilientes à ação antrópica, por serem
constituídas de solo erodíveis (Cambissolo Háplico Carbonático) ou por estarem sob
declividade mais acentuada (acima de 45%) ou com feição erosiva. Tais áreas são
indicadas no Mapa de Suscetibilidade Erosiva como Alta Suscetibilidade (ver Programa
de Controle e Monitoramento do Processo Erosivo deste PBA). Também, inclui-se neste
grupo as áreas que sofreram terraplanagem, escavações e compactação, por exemplo,
a área do Pátio de Estocagem, Canteiro de Obra, bases etc.

Conforme indicado no quadro acima, as medidas de recuperação simples constituem basicamente


ações para a estabilização biológica alcançada por meio da introdução de topsoil, solo e expurgo

Programas Ambientais – Pág. 155


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

com semente, propágulos e serrapilheira. Além do preparo do terreno, aplanamento e correção


química. Geralmente, somente esta ação é suficiente para indução natural da sucessão ecológica
e recolonização.

A medidas de recuperação complexas são ações necessárias à estabilização física do terreno,


como reconformação topográfica, subsolagem para a descompactação do solo, raspagem do solo
quando necessário em área que teve manuseio de produto químico, contenção de talude etc. Além
dessas medidas de ordem física, foi incluído neste grupo a ação de plantio de mudas para
recomposição da flora local.

Ressalta-se que cada uma das medidas de recuperação simples e complexas consideradas neste
PRAD serão detalhadas nos próximos capítulos deste programa.

[Link].2 Atividades a Serem Executadas

[Link].2.1 Planejamento

O planejamento deverá anteceder a desmobilização das estruturas temporárias do


empreendimento, visando a contratação de equipe especializada e de laboratório de análise de solo
para avaliação do solo residual em cada área impactada. Além disso, deverá ser feito uma inspeção
visual para identificação de possível contaminação do solo e, se necessário, o encaminhamento
para avaliação investigatório e detalhada conforme preconizado pela Resolução Conama 420/90.
Esta avaliação inicial, a ser realizada um mês antes da desmobilização das estruturas provisórias,
será registrada através de boletim de registro, contando também com a descrição de cada área
Alvo.

Após a desmobilização das estruturas temporárias do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01),
ainda na fase de Planejamento do PRAD, será feito o levantamento de campo in loco para
caracterização da morfologia do relevo local e seus processos dominantes (sedimentação ou
degradação) e também da qualidade do solo residual. A partir desta caracterização ambiental de
cada Alvo do PRAD será proposto um Plano de Ação, com a definição do tipo de medida ambiental
necessária a recuperação de cada área impactada pela obra, definição de materiais, equipe, custo
e cronograma. Ou seja, o Plano de Ação consiste no PRAD de fechamento das estruturas, que tem
caráter executivo e específico de cada área impactada pela obra, sendo dimensionado de acordo
com as características ambientais locais existentes após a desmobilização das estruturas, uma vez
que cada projeto de recuperação exige especificações e metodologias diferentes, que devem estar
detalhadamente contidas em projetos individuais para cada área degradada, conforme preconiza a
IN IBAMA nº 04/2011.

Programas Ambientais – Pág. 156


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

O diagnóstico da situação de cada estrutura deverá apresentar na síntese final o mapeamento


realizado e a classificação do grau de criticidade de cada área para servir de orientação ao Alvos
do PRAD que deverão ser priorizados.

Na etapa final da fase planejamento, recomenda-se o isolamento ou cercamento das áreas


degradada onde serão realizadas medidas mais complexas de recuperação de área para garantir o
sucesso da ação e a segurança das pessoas uma vez que poderá ser necessário o uso de
maquinário. Tais áreas consistem nos locais onde serão realizados os serviços de retaludamento,
como em foco erosivo ou de movimento de massa, em corte de estrada com declive acentuado ou
negativo, em escavações profunda ou em área com rupturas de declive abrupta, todas essas a
serem mapeadas ao final da intervenção.

[Link].2.2 Medidas de Recuperação Complexas

As medidas de recuperação complexas listadas no Quadro 35 deste programa e detalhadas a seguir


são ações de estabilização física e química e que requer uma maior intervenção do empreendedor
para a recuperação da área degradada, ou seja, aquela área impossibilitada de se regenerar
naturalmente. Tais áreas podem ser indicadas, a priori, como as áreas de corte de talude, com
inclinação acentuada (acima de 20%), áreas de escarificadas pela obra que precisam ter sua
topografia aplainada antes de receber a intervenção biológica (revegetação), pois o solo local foi
suprimido perdendo sua capacidade de oferecer o suporte ecológico a biota e, portanto, precisa ser
recomposto fisicamente e quimicamente.

[Link].2.2.1 Reconformação Topográfica e Estabilização de Taludes

As superfícies conformadas deverão apresentar rugosidade de forma a reter solo e umidade para
possibilitar a fixação da vegetação, bem como criação de habitats diferenciados. Dessa forma,
deverão ser realizados sulcamentos na superfície inclinada do solo, sendo esses paralelos ao topo
da encosta.

O sistema de drenagem a ser instalado deverá priorizar a infiltração da água no solo ao invés de
sua exportação do sistema. Para tanto, o terreno deverá ser conformado de modo a se formarem
diversas microbacias.

As superfícies inclinadas projetadas, como taludes de corte e aterro, deverão ser reconformadas de
acordo com suas características geotécnicas, não sendo recomendável a execução de taludes com
declividade superior a 45º. No entanto, para garantir a eficiência do retaludamento, quando for
necessário, devem ser realizados estudos de estabilidade de taludes, considerando-se a
individualidade do contexto geotécnico da área. Segundo Carvalho (1991), para qualquer tipo de

Programas Ambientais – Pág. 157


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

solo ou rocha, em qualquer condição de ocorrência e sob a ação de quaisquer esforços, sempre
existirá uma condição geométrica de talude que oferecerá estabilidade ao maciço.

O acerto e regularização dos taludes podem ser feitos manual ou mecanicamente, buscando-se
eliminar feições erosivas, preencher os espaços vazios e ancorar os sedimentos soltos. Caso seja
necessário executar alguma obra de estabilização de taludes, a mesma deve estar embasada em
estudos criteriosos que considerem as características do meio físico e os processos de
instabilização envolvidos (CARVALHO, 1991).

Nas áreas de instalação das estruturas permanentes deverão ser construídas canaletas, calhas,
valetas e leiras de proteção para condução adequada do escoamento superficial para fora da área,
bem como dispositivos de dissipação de energia do escoamento até cotas inferiores para posterior
decantação e infiltração no solo.

Caso os taludes possuam mais de 3m de altura deverão ser construídas bancadas conforme
ilustrado na Figura 26 abaixo. Após a instalação das bases das placas fotovoltaicas, as áreas de
encosta do seu entorno deverão ser revegetadas de acordo com as práticas indicadas nos itens
seguintes deste Programa.

Figura 26 Exemplo de dispositivos de drenagem para auxiliar na estabilização de


taludes.

Fonte: [Link]

Programas Ambientais – Pág. 158


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Cabe ressaltar ainda a necessidade de cuidados especiais quanto ao direcionamento do


escoamento das águas pluviais nos taludes regularizados, uma vez que sem a adoção de medidas
preventivas podem se instalar processos erosivos de diferentes graus de severidade,
comprometendo a obra e onerando o Programa de Recuperação de Áreas Degradadas.

Ao final da conformação dos taludes de corte e aterro e superfícies planas, serão iniciados os
trabalhos de reconstituição da cobertura vegetal das áreas estabilizadas. Não se recomenda o uso
de hidrossemeadura com espécies comerciais usualmente utilizadas nesses procedimentos, pois
essas são adaptadas a outras regiões onde a pluviosidade é maior que a da região nordeste. Sendo
recomendado a semeadura de consórcio de sementes de herbáceas nativa, usando-se tela vegetal
ou semeadura direta.

• Hidrossemeadura: processo mecânico a ser aplicado em qualquer tipo de terreno, desde


que convenientemente preparado. Consiste na aplicação de uma mistura de sementes,
adubos, material de enchimento, substâncias adesivas, em água e lançados em áreas
altamente degradadas, com a finalidade de pronto restabelecimento da vegetação.

• Hidrossemeadura com tela vegetal: processo que consiste na aplicação de tela vegetal
constituída de materiais vegetais fibrosos, entrelaçados, resistentes, 100% degradável com
densidade variável, na qual a vegetação plantada se entrelaça formando um tapete
reforçado e homogêneo.

[Link].2.2.2 Formação de Microtaludes (Terraceamento e Leiras)

Em superfícies com inclinação superior a 20 graus deverão ser construídos microtaludes que
contribuirão para a retenção do fluxo hídrico e formação de nichos diferenciados para
estabelecimento de espécies vegetais. Caso essa técnica não possa ser aplicada, a equipe de
engenharia, junto com a equipe de gestão ambiental, deve avaliar a aplicação de outras técnicas
semelhantes que visem a diminuição da energia cinética da água e consequente mitigação de
processos erosivos.

Estes microtaludes poderão ser escavados diretamente na superfície do solo ou pela disposição de
troncos e galhos provenientes da supressão da vegetação. Distanciadas em 1m, deverão ser
formadas pequenas leiras com alturas e larguras médias de 5cm ao longo de toda a superfície
inclinada a ser recuperada. Estas pequenas leiras deverão ser fixadas com estacas cortadas dos
próprios troncos ou galhos.

Cerca de 10cm acima de metade dos microtaludes (considerando um sim e outro não) serão
plantadas mudas de espécies arbustivas nativas distanciadas de 2m. Entre essas mudas arbustivas
serão colocadas plantas herbáceas proveniente do resgate da flora, alternando entre espécies das

Programas Ambientais – Pág. 159


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Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

famílias Bromeliaceae e Cactaceae. Ao longo do talude, a cada 5m, será plantada uma muda de
alguma espécie de liana das famílias Convolvulaceae, Sapindaceae, Passifloraceae, Bignoniaceae
ou Sapindaceae a ser produzida no viveiro.

[Link].2.3 Medidas de Recuperação Simples

As medidas de recuperação simples são aplicáveis às áreas com relevo local plano, suave ondulado
ou ondulado, isto é, com inclinação variando de 0 a 20%. São em geral recomendadas para áreas
alteradas (Instrução Normativa IBAMA nº 4/201) que conseguem recuperar-se naturalmente por
terem maior resiliência devido à sua característica intrínseca ou por terem sofrido intervenção
antrópica menos severa. Tais área normalmente alcançam sua estabilidade somente por meio da
aplicação de medidas de caráter ecológico, ou seja, após a estabilização biológica do substrato e
da biota, sem necessitar de intervenção física de maior magnitude.

A seguir são detalhadas as medidas de recuperação simples previstas neste PBA.

[Link].2.3.1 Isolamento / Cercamento

Quando do início das atividades de prevenção ou reparação em campo, deverá ser considerado o
dimensionamento prévio das áreas de intervenção, tráfego de pessoas e equipamentos, as quais
deverão ser identificadas. Em alguns casos será necessário o uso de cercas, cerquites ou outro
material de fácil identificação, que seja resistente às intempéries meteorológicas.

A depender do tráfego de pessoas e veículos, do tempo de atuação das atividades e presença da


fauna, deve-se avaliar a possível adoção de placas educativas, de material de maior resistência e
que permita a passagem de animais de pequeno porte. O planejamento deverá ser feito de modo
que as intervenções ocorram de maneira setorizada e que garantam a ausência de riscos aos
trabalhadores da obra e comunidades do entorno da área de intervenção.

[Link].2.3.2 Estabilidade do Terreno

Qualquer terreno que tem sua morfologia original alterada direta ou indiretamente, pela obra ou pela
erosão, perde sua estabilidade natural e tende a desenvolver processo de degradação por meio
natural (erosão hídrica ou eólica) e induzida pela atividade humana. O grau de estabilidade do
terreno é diretamente proporcional à declividade do terreno e geração do escoamento superficial,
assim como inversamente proporcional à cobertura do solo (BEZERRA; CANTALICE, 2006; INÁCIO
et al., 2007). Assim, espera-se que em áreas planas e de relevo ondulado a erosão hídrica dos
solos seja mais branda, tendendo o meio a alcançar sua estabilidade naturalmente após cessado a
intervenção antrópica. Porém, para garantir que esse meio alcance o equilíbrio dinâmico

Programas Ambientais – Pág. 160


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naturalmente é recomendado o controle do processo de erosão laminar e eólica que acontece


naturalmente nas superfícies expostas aos agentes do intemperismo. Este controle pode ser feito
por meio do aplanamento da superfície do terreno que foi escavada, pelo controle topográfico da
drenagem pluvial e por meio de instalação de barreiras físicas longitudinais à área de intervenção,
seguido da instauração da cobertura vegetal.

Estudos de Goulart et al (2006) demonstram que a fertilidade do solo tende a ser menor no interior
das áreas afetadas por processos erosivos. Neste caso, o solo degradado deve ser corrigido quanto
aos nutrientes no processo de reabilitação, ou através de insumos químicos ou incorporação de
top-soil e/ou serapilheira.

No que concerne às barreiras físicas para cicatrizes erosivas, cita-se, como exemplo
ambientalmente adequado, a utilização de dissipadores de energia (retentores de sedimentos)
construídos com madeiras de pallets usados, colocados nos talvegues das pequenas ravinas e
depressões, contribuindo na retenção dos sedimentos que seriam desprendidos e carreados. Para
áreas com baixa declividade e menor potencial de formação de processos erosivos, geralmente a
recuperação é realizada pela introdução dos resíduos florestais provenientes da supressão vegetal
formando faixas de retenção como dissipadores de energia.

[Link].2.3.3 Correção e Adubação

A depender das características das áreas de intervenção, o adequado desenvolvimento de espécies


vegetais demandará a correção e adubação do solo antes e/ou durante o plantio. O que deverá ser
avaliado pelo técnico responsável pelo projeto de recuperação, ou seja, deve ser avaliado caso a
caso.

A partir da interpretação dos resultados das análises físicas e químicas dos solos dessas áreas,
quando necessários, e do grau de exigência de fertilidade do solo pelas espécies a serem plantadas,
deverão ser feitas recomendações sobre os referidos procedimentos, que se façam necessários.

[Link].2.3.4 Reflorestamento das Áreas Degradadas

Considerando que as áreas indicadas para receberem plantio de mudas podem apresentar
diferentes características, variadas intervenções podem ser adotadas de forma a adequar as
técnicas aos aspectos ambientais locais, otimizando, dessa forma, os processos naturais de
adaptação das espécies e da sucessão ecológica. Em caso de presença de fragmentos nativos
próximos, podendo o solo não estar degradado, o ideal é formar núcleos de mudas espaçadas em
distâncias e espaçamento variados conforme sugerido por Associação Caatinga (2011), com
transposição de solo superficial, que traz consigo parte do banco de sementes do solo.

Programas Ambientais – Pág. 161


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Sugere-se que o procedimento, para estimular a regeneração natural das áreas objeto dos plantios,
inclua a formação da maior complexidade de habitats, os quais servem como abrigo aos animais
silvestres e fornecimento de recursos, no intuito de atrair principalmente dispersores de sementes
(SCUPP; MILLERON; RUSSO, 2002).

O uso da matéria orgânica vegetal como indutor da qualidade ambiental da área em recuperação,
dentre outras, também é aspecto de grande relevância (ANDRADE et al., 2003) e fará parte do rol
de técnicas a serem utilizadas na presente proposta, conforme apresentado a seguir.

Plantio de Mudas

Sabe-se que as mudas em sua fase inicial de desenvolvimento necessitam de um solo com boa
umidade para que o sistema radicular atinja as camadas mais profundas antes da estação seca.
Portanto, a época do plantio será concomitante ao início da estação chuvosa. O plantio será
realizado, preferencialmente, no dia de intensa precipitação pluviométrica ou após um dia de intensa
precipitação pluviométrica, preferencialmente, na parte da manhã ou no final da tarde, nunca em
horário de sol muito forte.

Deve-se priorizar a utilização de mudas de espécies de ocorrência local como forma de potencializar
a retomada dos aspectos ecológicos originais das áreas. Tais espécies, além de serem adaptadas
às condições edáficas e climáticas da região, também proporcionarão a reconstituição da flora em
consonância com as características florísticas e estruturais originais e com a vegetação presente
nos fragmentos do entorno das áreas alvo.

O Quadro 36 apresenta listagem de espécies arbóreas registradas a partir do inventário florestal


realizado na área de intervenção, as quais devem ser priorizadas para o plantio, a partir da coleta
de propágulos e sementes pelo Programa de Resgate da Flora e produção de mudas em viveiro.
Porém, caso sejam identificadas outras espécies (não registradas nos estudos) que sejam de
comprovada ocorrência na região, estas também poderão ser utilizadas, com destaque para
espécies ameaçadas de extinção.

Quadro 36 Espécies arbóreas indicadas para reflorestamento de áreas degradadas -


PRAD.

Familia Nome Científico da Espécie Nome Popular


Annonaceae Annona leptopetala bananinha
Apocynaceae Aspidosperma pyrifolium pereiro
Bignoniaceae Jacaranda jasminoides caroba
Celastraceae Monteverdia catingarum vaqueta
Combretaceae Combretum glaucocarpum mofumbo-vermelho
Combretaceae Terminalia eichleriana camaçari

Programas Ambientais – Pág. 162


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Familia Nome Científico da Espécie Nome Popular


Combretaceae Terminalia fagifolia capitão
Euphorbiaceae Manihot carthagenensis maniçoba
Euphorbiaceae Maprounea guianensis -
Fabaceae Dalbergia decipularis roxinho
Fabaceae Apuleia leiocarpa garapa
Fabaceae Bauhinia cheilantha mororó
Fabaceae Bowdichia virgilioides sucupira
Fabaceae Chloroleucon dumosum tatarena
Fabaceae Copaifera sabulicola copaíba
Fabaceae Dalbergia miscolobium sapuvussu
Fabaceae Diptychandra aurantiaca catulé
Fabaceae Luetzelburgia auriculata pau-serrote
Fabaceae Luetzelburgia bahiensis pau-mocó
Fabaceae Machaerium acutifolium -
Fabaceae Pseudopiptadenia brenanii carrasco
Fabaceae Pterodon abruptus cangaieiro
Fabaceae Senegalia langsdorffii unha-de-gato
Fabaceae Senna cana cana
Malpighiaceae Byrsonima gardneriana murici
Malvaceae Luehea candicans açoita-cavalo
Malvaceae Pachira retusa munguba
Meliaceae Trichilia emarginata catuaba
Myrtaceae Algrizea minor -
Myrtaceae Algrizea macrochlamys -
Nyctaginaceae Guapira darwinii joão-mole
Nyctaginaceae Guapira laxa farinha-seca
Proteaceae Roupala montana carne-de-vaca
Rhamnaceae Colubrina cordifolia pau-branco
Rutaceae Metrodorea mollis catinga-de-cutia
Rutaceae Zanthoxylum hamadryadicum -
Sapotaceae Manilkara triflora massaranduba
Verbenaceae Lippia origanoides -
Vochysiaceae Callisthene microphylla vassourinha
Ximeniaceae Ximenia americana ameixa
Acanthaceae Lepidagathis montana cabeça-de-galo
Acanthaceae Thyrsacanthus ramosissimus -
Amaranthaceae Alternanthera brasiliana terramicina
Amaranthaceae Alternanthera paronychioides -
Apocynaceae Allamanda blanchetii alamanda
Asteraceae Conocliniopsis prasiifolia -
Asteraceae Lepidaploa aurea -
Boraginaceae Varronia leucocephala -
Cactaceae Arrojadoa rhodantha rabo-de-onça
Cactaceae Cereus jamacaru mandacaru

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Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Familia Nome Científico da Espécie Nome Popular


Cactaceae Pereskia bahiensis quiabento
Cactaceae Pilosocereus pachycladus facheiro-azul
Cactaceae Stephanocereus leucostele rola-de-cachorro
Cactaceae Tacinga funalis quipá-da-mata
Erythroxylaceae Erythroxylum betulaceum -
Euphorbiaceae Croton argyrophyllus marmeleiro-de-pelo
Euphorbiaceae Croton blanchetianus marmeleiro
Euphorbiaceae Croton tricolor -
Euphorbiaceae Ditaxis desertorum espichadeira
Euphorbiaceae Gymnanthes boticario -
Fabaceae Bauhinia acuruana pata-de-vaca
Fabaceae Calliandra depauperata -
Fabaceae Chamaecrista ramosa canafístula
Fabaceae Chamaecrista swainsonii -
Fabaceae Dalbergia decipularis -
Fabaceae Mimosa irrigua -
Fabaceae Mimosa ophthalmocentra -
Fabaceae Mimosa sensitiva amorosa
Fabaceae Mimosa ulbrichiana -
Fabaceae Platypodium elegans faveiro
Fabaceae Senna gardneri -
Fabaceae Trischidium molle brinco-de-raposa
Krameriaceae Krameria tomentosa carrapicho
Lamiaceae Hyptis fruticosa -
Lamiaceae Medusantha martiusii -
Loganiaceae Strychnos parviflora arranca-gibão
Lythraceae Cuphea campestris sete-sangrias
Malpighiaceae Aspicarpa harleyi -
Malpighiaceae Banisteriopsis malifolia -
Malvaceae Eriotheca globosa -
Malvaceae Herissantia crispa mela-bode
Malvaceae Herissantia tiubae melosa
Malvaceae Pavonia glazioviana malva-da-chapada
Myrtaceae Algrizea macrochlamys carrasquinho
Myrtaceae Algrizea minor -
Myrtaceae Campomanesia eugenioides -
Myrtaceae Eugenia azeda doreto
Myrtaceae Eugenia pistaciifolia piuna-fina
Rhamnaceae Colubrina cordifolia -
Rubiaceae Borreria verticillata -
Rubiaceae Cordiera rigida -
Rubiaceae Leptoscela ruellioides -
Rutaceae Metrodorea mollis catinga-de-cutia
Rutaceae Pilocarpus trachylophus jaborandi

Programas Ambientais – Pág. 164


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Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Familia Nome Científico da Espécie Nome Popular


Rutaceae Zanthoxylum hamadryadicum -
Rutaceae Zanthoxylum rhoifolium -
Salicaceae Casearia sylvestris -
Sapotaceae Manilkara triflora massaranduba
Simaroubaceae Homalolepis bahiensis -
Solanaceae Solanum crinitum lobeira-da-mata
Solanaceae Solanum stipulaceum caiçara
Verbenaceae Lantana canescens -
Verbenaceae Lantana fucata camará-roxo
Verbenaceae Lippia alba cidreira-do-mato
Verbenaceae Lippia origanoides -
Verbenaceae Lippia thymoides erva-de-boiadeiro
Verbenaceae Stachytarpha crassifolia -
Anacardiaceae Astronium urundeuva aroeira
Fabaceae Apuleia leiocarpa Garapa
Fabaceae Dalbergia cearensis Angelim
Fabaceae Dalbergia elegans Mussutaíba
Rutaceae Pilocarpus trachylophus Jaborandi

As mudas devem ser plantadas logo após o início do período chuvoso, em covas com dimensões
mínimas de 40 cm x 40 cm para favorecer o sistema radicular no início do seu desenvolvimento,
que é a fase decisiva no estabelecimento do povoamento (ASSOCIAÇÃO CAATINGA, 2011).

Irrigação

Em todos os locais passíveis de recuperação, é recomendável irrigar as mudas após o plantio, até
a sua definitiva fixação no solo. Neste contexto, é fundamental que o plano de manejo da vegetação
esteja alinhado ao comportamento pluviométrico da região. O empreendimento está situado no
semiárido nordestino, com locais marcados por irregularidade de precipitação e estiagem severas,
sendo que os eventos de chuva estão concentrados entre os meses de abril a julho, o que deve ser
considerado para a implantação do PRAD.

Caso ocorra escassez de chuva nessa época, principalmente após realizado o plantio, as mudas
deverão ser irrigadas, preferencialmente, da seguinte maneira: cada qual recebendo 2 (dois) litros
de água por dia, durante os três primeiros meses após o plantio. A partir de então, as mudas serão
deixadas ao ritmo natural.

Caso a irrigação não seja possível, devido ao distanciamento de algum remanescente hídrico,
poderá ser adotada a aguação de salvação, com auxílio de um caminhão pipa para disponibilizar

Programas Ambientais – Pág. 165


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água para as plantas, preferencialmente, numa proporção média de 3 (três) litros por planta, de uma
a duas vezes por semana.

A frequência da irrigação deve ser avaliada de acordo com a realidade das áreas e das mudas a
serem plantadas, podendo ser diferente do sugerido acima.

Coroamento

Deverá ser feito o coroamento ao redor das mudas plantadas, para eliminar as espécies invasoras
que estiverem crescendo na manta de material da roçada. Para essa atividade, deve-se considerar
as seguintes especificações técnicas:

• Puxar com o auxílio de enxada, a terra do entorno;

• O raio de capina deverá ser de 0,5 m, em torno da muda plantada;

• As espécies invasoras serão arrancadas da área do coroamento;

• As espécies invasoras menores serão abafadas pela colocação de nova manta de material
oriundo da roçada.

Tutoramento

O Tutoramento consiste na colocação de estacas de bambu, varas ou similares com o objetivo de


evitar o tombamento das mudas pelo impacto dos ventos.

• O tutor deve ser cravado ao lado da muda, de modo que fique firme, tomando os devidos
cuidados para que não ocorra o rompimento de raízes;

• A amarração com fita plástica larga ou cordão não deve ser muito apertada para evitar danos
no câmbio da planta;

• Amarrações com barbantes ou similares devem ser utilizados com cuidado, fazendo a
amarração em oito (8), conforme Figura 27 , para não prejudicar o desenvolvimento da
planta, causando anelamento.

Programas Ambientais – Pág. 166


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Figura 27 Esquema de colocação de tutor nas mudas.

Enriquecimento com Semeadura a Lanço

O objetivo principal de implantação dessa outra técnica será de incrementar a diversidade florística
com espécies herbáceas e arbustivas, promover maior adensamento das plantas no campo e
possibilitar o crescimento e posterior colonização dessas em espaços diferentes de tempo,
contribuindo também para enriquecimento do banco de sementes, proteção do solo e atratividade
de fauna diferenciada, a longo prazo.

A semeadura direta a lanço será realizada entre as linhas do plantio das mudas, em que serão
abertos manualmente sulcos de aproximadamente 30 cm de comprimento e 3 cm de profundidade,
de modo a favorecer a emergência das plântulas. O lançamento será realizado de forma aleatória,
bem como o número de sementes utilizadas dependerá do tamanho da área e do estágio de
degradação e tamanho da semente. Serão selecionadas as espécies com maior disponibilidade de
sementes durante o período do plantio e preferencialmente isentas de dormência tegumentar,
porém caso apresentem tal condição, será realizado previamente a superação destas, por meio de
escarificação mecânica ou térmica.

Após o lançamento, o solo ao redor do sulco será revolvido, a fim de proteger a semente da
exposição direta ao sol, do risco de carreamento pelas chuvas intensas e predação.

Esta técnica deverá ser realizada, preferencialmente, no período chuvoso. Caso não seja possível,
a irrigação com auxílio do carro pipa se torna uma alternativa, com utilização de aproximadamente

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20 litros de água potável a cada 5 metros de comprimento de sulco, todos os dias, durante três
meses.

Vale enfatizar que esta metodologia também pode ser aplicada às áreas íngremes (taludes e relevo
forte-ondulado) na etapa de reconstituição da cobertura vegetal, após reconformação do terreno.

[Link].2.3.5 Otimização da Regeneração Natural - Uso de Resíduos Vegetais e Camada


Orgânica do Solo (Top soil)

Como forma de maximizar o aproveitamento dos recursos naturais, recomenda-se que, no início
das obras, os procedimentos adotados possibilitem a posterior reutilização de volumes de solo
escavado. Sendo assim, sugere-se a realização de decapeamento da camada superficial do solo e
seu estoque, seguida da ampliação do bota-fora e subsequente reposição da camada de solo
estocado e reutilização do solo armazenado como substrato.

Sob responsabilidade da equipe de Supressão Vegetal e limpeza do terreno, o solo superficial e os


resíduos vegetais restantes após retirada do material lenhoso e resgate da flora deverão ser
estocados e destinados à recuperação de áreas degradadas, produção de mudas, dentre outras
atividades. Esta camada superior do solo contém o banco de sementes e a micro e meso fauna/flora
do solo (micro-organismos decompositores, fungos micorrízicos, bactérias nitrificantes, minhocas e
algas), todos estes representam organismos importantes na ciclagem de nutrientes, reestruturação
e fertilização do solo.

É importante ressaltar que, embora a retirada e armazenamento do top soil e serapilheira demande
esforços, as ações de recomposição utilizando o mesmo apresentam custos mais baixos quando
comparadas ao plantio (NUNES et al., 2015), pois apresentam um grande potencial para a
recuperação de áreas degradadas, sendo fonte de sementes de plantas herbáceas, arbustivas e
arbóreas (SOUZA, 2003), gerando um potencial de auto regeneração das áreas a serem
recuperadas (MARTINS, 2012).

Após o desmate e retirada do material lenhoso, os resíduos vegetais e o top soil deverão ser
colhidos por meio de tratores de esteiras, quando serão laminados a cerca de 10 cm da superfície
do solo, antes do início da implantação do empreendimento em todas as áreas de intervenção
direta. Todo o material será colocado em caminhão basculante (ou similar) que transportará o
material até o local adequado para seu depósito ou diretamente para a área de recuperação caso
já existam algumas definidas. Este material ficará estocado, conforme detalhado no Programa de
Supressão Vegetal, até sua destinação final.

Por fim, a camada de top soil, serrapilheira e finos orgânicos advinda das áreas desmatadas deverá
ser espalhada de forma irregular nas superfícies com inclinação inferior a 20º a serem revegetadas,
em camada variando entre 5 cm e 10 cm. Em seguida será realizada uma operação de subsolagem,

Programas Ambientais – Pág. 168


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com o objetivo de descompactação do solo em profundidade. A subsolagem será feita com um


implemento do tipo “ripper” com três a quatro dentes, acoplado ao trator de esteiras. É importante
que as áreas sejam monitoradas para se avaliar a necessidade de irrigação. É importante que as
áreas sejam monitoradas para se avaliar a necessidade de irrigação.

Material proveniente da remoção da camada vegetal (expurgo) é um processo mecânico


recomendado para área alterada, aplicado na proteção do solo através da reutilização do material
proveniente da limpeza da camada vegetal oriunda das áreas de supressão vegetal, a fim de
preservar áreas expostas pela obra, dando-lhes condição de resistência à erosão e de recuperação
da vegetação natural. Tal medida é seguida do plantio de mudas de espécies nativas da flora
regional.

[Link].3 Plano Paisagístico

A Área Diretamente Afetada (ADA) contempla um total de 454,46 hectares, sendo quase
integralmente constituída de ambientes nativos. Por isso, além da recuperação ambiental das áreas
provisórias, está previsto ainda o paisagismo de parte da área por meio da implantação de cinturões
verdes e canteiros paisagísticos, utilizando espécies florestais nativas para um melhor conforto
visual e térmico para os colaboradores na área do Complexo Fotovoltaico.

As alterações paisagísticas decorrentes da implantação da infraestrutura deverão ser mitigadas


através da recuperação de pequenos canteiros a serem selecionados quando da desmobilização
de estruturas provisórias, plantando espécimes coletados no Programa de Resgate da Flora e
também outras a serem coletadas pela equipe.

Os canteiros visam tornar o ambiente de trabalho mais agradável e que possibilite aos
colaboradores e a comunidade do entorno uma maior vivência e interação com a vegetação local,
ainda que em pequenas extensões de terra.

Espécies como licuri e outras cactáceas e bromeliáceas serão priorizaras para compor os canteiros
arborizados, sempre priorizando o plantio de espécies nativas. Após a implantação definitiva do
empreendimento, essas pequenas áreas também promoverão núcleos de áreas recuperadas.

Além dos canteiros, sugere-se a implantação de cinturões verdes no entorno do terreno, que
também funcionam como cercas vivas e quebra vento. O nome “cinturão verde” é dado comumente
para as áreas de ambiente natural, pouco urbanizadas e de uso agrícola, que estão ao redor ou nas
vizinhanças de uma outra área já convertida/sem formação florestal predominante (MORAES,
2012). O cinturão verde caracteriza-se pela implantação orientada de indivíduos de duas ou mais
espécies arbóreas e arbustivas adaptadas à região e ao solo/substrato local, disseminadas em
linhas paralelas, de forma que as plantas de uma linha não fiquem alinhadas com as plantas da

Programas Ambientais – Pág. 169


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linha adjacente, propiciando barreiras de isolamento para partículas de solo e incidência também
de ventos.

[Link].4 Viveiro Florestal de Mudas Nativas

A necessidade de produção de mudas com melhor qualidade, menor custo e em maior escala
decorre da crescente demanda por parte do mercado por produtos florestais e por ser medida
compensatória quando novas áreas cobertas por remanescentes florestais são convertidas.

O êxito na implantação de florestas recai em grande parte na qualidade das mudas plantadas as
quais além de resistir as condições adversas encontradas no campo após o plantio, deverão
sobreviver e produzir árvores com crescimento volumétrico desejável.

Considerando que o viveiro de mudas objetiva a produção de mudas para revegetação de áreas
degradadas a uma condição não degradada, mais similar possível da sua condição original, é de
extrema importância que o empreendedor consiga adquirir mudas florestais nativas adaptadas a
região, quando da implantação do supracitado programa.

A instalação ou utilização de viveiro de mudas nativas próximo ao empreendimento possui


importância estratégica para a efetividade do Plano. A escolha do local de instalação do viveiro de
mudas deverá privilegiar o fácil acesso de veículos para carregamento; disponibilidade de água e
localização próxima à área de intervenção; e, futura área de plantio, quando possível.

Dessa forma, sugere-se a implantação de um viveiro florestal de mudas de caráter temporário nas
dependências do Complexo Fotovoltaico. A critério do empreendedor, poderá ser avaliada a
realização de parcerias com viveiros florestais da região que apresente condições de produção de
mudas nativas, tanto para absorver a demanda de produção do empreendimento, quanto
estimulando a troca de propágulos/mudas e, desta forma, propiciando maior diversidade florística e
genética. Tais parcerias também promovem o desenvolvimento de atividades econômicas no
município. Além disso, sementes coletadas além da necessidade de suprir a compensação poderão
ser destinadas à Rede de Sementes do Bioma Caatinga.

O viveiro terá como objetivo o fornecimento das mudas florestais a serem plantadas para compensar
as árvores de espécies protegidas exploradas, bem como, dar subsídios para implantação do
projeto de paisagismo, de recuperação de áreas degradadas e implantação de corredor ecológico.

O viveiro deve ser implantado em período anterior às atividades de supressão vegetal (fase de
implantação do empreendimento), a fim de que se possa receber e desenvolver os propágulos
provenientes do dos resíduos florestais e camada superficial do solo Programa de Supressão da
Cobertura Vegetal e do Programa de Resgate da Flora, devendo sua estrutura e operação ser
mantida, no mínimo, até que se finalizem as atividades previstas no presente Plano e no Plano de
Conectividade.

Programas Ambientais – Pág. 170


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Os viveiros de mudas compreendem todas as estruturas físicas construídas com o objetivo de


oferecer condições ideais às práticas que envolvem a produção de mudas e também o estoque
destas até o momento de seu transporte e plantio em campo. Esta estrutura é constituída de área
sombreada para produção de mudas, área aberta destinada à rustificação de mudas, área coberta
para manejo do material proveniente do resgate e beneficiamento de sementes, área de
armazenamento de insumos e ferramentas e área de vivência. A seguir são apresentadas as
estruturas básicas que compõem cada área supracitada:

• Rustificação: área descoberta com estrutura para irrigação, seja através de sistema de
irrigação completo, de mangueiras e/ou manual;

• Sombrite: estrutura ripada coberta e cercada por sombrite (50% e 80%), com
disponibilidade de sementeiras, estrutura de irrigação, (sistema de irrigação completo,
mangueiras e/ou manual) e bancada(s) de trabalho;

• Manejo e beneficiamento: estrutura coberta (ex: tenda), com bancadas, mesas, cadeiras,
prateleiras com disponibilidade de água (ex: tanques / pias) e energia elétrica;

• Armazenamento: área coberta (ex: tenda) para armazenamento de insumos (areia, terra,
esterco, dentre outros) e área coberta e trancada (ex; contêiner) para armazenamento de
ferramentas (pás, cavadeira, enxadas, enxadões, podões e tesouras de poda, facões,
peneiras, martelo, garrafas de água e recipientes gerais, EPIs, dentre outros);

• Vivência: área coberta (ex: tenda) com banheiros, mesas, cadeiras e disponibilidade de
água (ex: pia / bebedouro) e energia elétrica.

Os locais de produção e acondicionamento das mudas deverão possuir condições sanitárias e de


isolamento adequadas de modo a prevenir propagação de pragas e doenças. A área de produção,
onde serão estabelecidos os canteiros para a formação das mudas, deve ser previamente capinada,
procurando-se remover toda a vegetação, tocos, raízes ou quaisquer outros resíduos vegetais ou
animais que possam se tornar foco de propagação de agentes patológicos. Também é importante,
previamente ao início do processo de produção, o combate eficiente às formigas cortadeiras e
cupins. Ademais, a área deverá ser cercada para impedir o acesso de animais.

Os sombrites deverão proporcionar diferentes níveis de incidência solar em consonância com o


tempo de permanência das mudas no viveiro e os estágios de desenvolvimento das mesmas.
Destaca-se que quanto maior a incidência solar, maior o desenvolvimento do sistema radicular.
Assim, o processo de rustificação, que proporciona uma maior insolação, somente é recomendada
no último estágio antes do plantio, caso contrário poderá haver enovelamento das raízes ou o
rompimento dos sacos e quebra de tubetes.

Ressalta-se que as mudas jovens são susceptíveis a quebra causada pelo vento, o que pode
ocasionar danos e perda da muda. Logo, o viveiro deverá ser planejado de modo a evitar a alta
incidência de ventos nos canteiros utilizados para o desenvolvimento das mudas jovens, por meio
da própria disposição das mudas e quebra-ventos.

Programas Ambientais – Pág. 171


Plano Básico Ambiental – PBA
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A capacidade do viveiro deverá ser determinada em função dos seguintes fatores: demanda de
plantio, densidade de mudas por m², período de rotação de espécies, intensidade das atividades do
resgate de flora e dimensão dos canteiros de produção e das estruturas.

[Link].5 Monitoramento e Avaliação das Atividades

Após a conclusão das ações propostas neste Programa, as áreas em recuperação deverão ser
monitoradas durante o mínimo de 3 anos e, caso se avalie como necessárias, ações de manutenção
ou intervenções deverão ser promovidas.

O principal item de monitoramento deverá ser a avaliação do estabelecimento espontâneo da


vegetação nativa e a necessidade de rega das mudas plantadas, especialmente nas áreas que
porventura forem afetadas por processo de erosão intensa ou desertificação. Em caso de detecção
de falhas, mortandade de muda, agravamento dos processos erosivo e de desertificação deverá
ser elaborado projeto específico para cada local e readequadas as medidas de recuperação.

Em geral as inspeções do PRAD poderão ser realizadas simultaneamente às inspeções do


Programa de Gestão Ambiental (PGA) do empreendimento, com campanhas mensais e destaque
ao cronograma de comissionamento da obra.

Por meio destas inspeções serão levantadas as áreas degradadas alvo do presente programa para
que sejam posteriormente remediadas e/ou recuperadas. As inspeções deverão ser registradas em
boletins técnicos de vistoria, que devem conter registro fotográfico detalhado e coordenadas
geográficas da área degradada. Os boletins subsidiarão a elaboração dos Planos de Ação,
Relatórios de Monitoramento (Parciais) e dos Relatórios Consolidados.

Após as inspeções, deverá ser elaborado um Plano de Ação contendo o detalhamento das ações
de remediação e/ou recuperação a serem desenvolvidas (projeto individual) para cada uma das
áreas identificadas nos boletins técnicos de vistoria.

Após realizadas as ações deverão ocorrer monitoramentos trimestrais nas áreas alvo de plantio de
mudas e anuais (após período chuvoso) nas áreas alvo de intervenções para fins de contenção de
processos erosivos, ao longo de três anos como informado anteriormente. Caso diagnosticada a
necessidade, deverão ser realizadas novas intervenções a fim de se garantir o sucesso do
cumprimento dos objetivos deste Programa.

Neste período deverá ser avaliada a necessidade de coroamento das mudas, controle de plantas
daninhas, de formigas cortadeiras, adubação, reposição de espécies plantadas, irrigação,
necessidade e manutenção de cercas e/ou de novos cercamentos, entre outros.

Também deverão ser adotadas planilhas controle com informações sobre:

Programas Ambientais – Pág. 172


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• Identificação (código do registro);

• localização do ponto / coordenadas UTM (Universal Transversa de Mercartor) – Datum


sirgas 2000 ou WGS-84);

• Abrangência (Tipo de estrutura alvo ou AID);

• Processo atuante; • Solução proposta;

• Status da intervenção (não iniciado, iniciado; manutenção; finalizado);

• Grau de risco e grau de prioridade de ações atualizado (vide proposição metodológica


apresentada neste programa);

• Data de registro (da não-conformidade);

• Data de início da obra;

• Data da conclusão da obra; • Observação (se pertinente); e

• Registros fotográficos em item separado (evidenciando a evolução temporal das atividades


– os registros fotográficos deverão ter o mesmo ângulo de visada e deverão contemplar não
apenas as áreas de intervenção, mas seu entorno também).

[Link] Metas

As metas do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas correspondem à implantação de


processos de recuperação que podem ser sintetizados da seguinte forma:

• Mapear, em base cartográfica compatível, e recuperar 100% as áreas degradadas pelas


obras que não abrigarem estruturas definitivas do empreendimento;

• Detalhar e aplicar 100% das ações de recuperação específicas para cada área degradada,
considerando o nível de interferência e degradação ocasionado pela obra;

• Utilizar entre 80 e 100% o germoplasma resgatado durante as atividades de implantação do


empreendimento na recuperação das áreas degradadas.

[Link] Indicadores de Desempenho

Os indicadores de desempenho do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas são:

• Número de áreas degradadas identificadas ao final da etapa construtiva e/ou tão logo se
tenha a conformação final do terreno e número destas áreas recuperadas;

Programas Ambientais – Pág. 173


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• Porcentagem (%) da aderência entre as medidas corretivas adotadas na recuperação das


áreas degradadas na extensão do Complexo, acessos e estruturas de apoio com as medidas
recomendadas para cada área;

• Número de integrações e/ou palestras informativas sobre os “procedimentos de proteção


ambiental a serem adotados na etapa construtiva e preservação das áreas em recuperação”,
em concordância ao Programa de Educação Ambiental;

• Porcentagem (%) de utilização do germoplasma resgatado durante as atividades de


implantação do empreendimento.

[Link] Interface com Outros Programas

O Programa de Recuperação de Áreas Degradadas possui interface com os seguintes Programas:

• Programa de Gestão Ambiental;

• Programa de Gerenciamento dos Resíduos Sólidos e Efluentes Líquidos e Oleosos;

• Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos;

• Programa de Proteção e Monitoramento de Recursos Hídricos;

• Programa de Resgate da Flora;

• Programa de Supressão da Cobertura Vegetal;

• Programa de Afugentamento e Eventual Resgate de Fauna;

• Plano de Educação Ambiental.

[Link] Recursos Necessários

Para a execução do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas será necessária a


contratação de equipe especializada e auxiliares. O Programa de Recuperação de Áreas
Degradadas deverá ser coordenado por Biólogo ou Engenheiro Florestal com experiência
comprovada na execução de programa semelhante para empreendimentos de geração de energias
renováveis. Adicionalmente, a equipe técnica poderá ser formada por empreiteiras terceiras
envolvidas nas atividades de manejo florestal, obras de arte e remediação de solos contaminados.

Devem ser previstas a compra dos materiais de trabalho necessários, bem como a previsão de
infraestrutura e logística. A seguir, a lista de alguns materiais estimados à execução do presente
Programa.

• Pá, picareta, enxadão, foice e coveador;

Programas Ambientais – Pág. 174


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• Corda de 50 m e barbante de cisal de 1000 m;

• Tutores de crescimento;

• Tesoura de poda, facão, garrafão d’água, caixote, carrinho de mão, prancheta e


caderno/bloco de notas (3 unidades de cada);

• Formicida;

• Adubo orgânico (esterco);

• Adubo mineral (NPK);

• EPI’s para todos os colaboradores envolvidos: botas de couro com biqueira de PVC, luvas
de vaqueta, chapéus com aba no pescoço, óculos de proteção, perneiras, protetores
auriculares e protetor solar (aproximadamente 10 unidades de cada).

Além desses materiais, a depender do solo, será necessário o apoio de uma retroescavadeira com
um arado associado, assim como dos veículos de transporte da equipe.

Resíduos vegetais para o aporte orgânico às plantas realocadas para sombreamento e proteção de
raízes deverão ser adquiridos junto às atividades de desmates.

[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento, a equipe executora deverá elaborar de


Relatórios Gerenciais internos de atendimento ao programa no mês subsequente às inspeções de
campo, para apresentação à equipe de Gestão Ambiental do empreendedor.

Para o órgão ambiental será elaborado um Relatório Final Consolidado, com todas as atividades
realizadas no âmbito deste Programa.

[Link] Cronograma

O PRAD deve se iniciar na Fase de Implantação do Empreendimento, com as atividades de


planejamento antecedendo a desmobilização das estruturas temporárias: canteiros de obras; áreas
de bota-fora, de jazidas e caixas de empréstimos de material; áreas com evolução de processos
erosivos, acessos provisórios, dentre outros.

De forma geral, as Medidas de Recuperação Simples do PRAD devem ser executadas


imediatamente após o início da época chuvosa, quando o solo apresentar um nível de umidade
adequado para o desenvolvimento da vegetação e também para evitar a perda do solo e de insumo
aplicado à recuperação de área. Neste contexto, é necessário também que as ações de controle
da drenagem pluvial antes do período chuvoso, como a introdução de septos transversais (barreira

Programas Ambientais – Pág. 175


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física) e o controle topográfico, ambos indicados no item “Estabilidade de Taludes”. Em seguida, a


introdução de mudas da vegetação nativa.

As atividades executivas, de remediação e recuperação das áreas degradadas, estimadas para


ocorrer em um prazo de 6 meses, deverão ser realizadas ainda na Fase de Implantação do
empreendimento, podendo, ocasionalmente, se estender para Fase de Operação. Por fim, as
atividades de monitoramento e eventuais intervenções corretivas seguirão sendo realizadas na
Fase de Operação do empreendimento por um período de três anos.

[Link] Referências Bibliográficas

GOULART, R. M.; PEREIRA, J. A.; CALEGARIO, N.; LOSCHI, R. A.; OGUSUKU, L. M.


Caracterização de sítios e comportamento de espécies florestais em processo de estabilização de
voçorocas. Journal Cerne, Lavras, V.12, nº1, 2006.

INACIO, E. S. B.; CANTALICE, J. R. B.; NACIF, P. G. S.; ARAUJO, Q. R.; BARRETO, A. C..
Quantificação da erosão em pastagem com diferentes declives na microbacia do ribeirão Salomea.
Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande, V.11, nº4, 2007.

MORAES, F. Cinturão Verde: A batalha de Porto Alegre. 2012. (Reportagens) – Associação O Eco,
organização brasileira.

SCUPP, E. W., T. MILLERON; S. RUSSO. 2002. Dissemination limitation and the origin and
maintenance of species-rich tropical forests. In: LEVEY, D. J.; SILVA, W. R.; GALETTI, M. (eds.).
Seed dispersal and frugivory: ecology, evolution and conservation. pp. 19-33. CAB International,
Wallingford, UK.

Programas Ambientais – Pág. 176


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Quadro 37 Cronograma de Execução do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas – PRAD.

Fase de Implantação e Fase de Operação (após desmobilização das estruturas temporárias)

Fase de Ano 2 Ano 3 Ano 4


Atividades Ano 1 (meses)
Implantação (sem.) (sem.) (sem.)

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 01 02 01 02 01 02

Contratação de equipe e inspeção pré-descomissionamento

Levantamento de dados locais e Diagnóstico da Situação

Plano de Ação ou PRAD Executivo

Instalação de viveiro de mudas

Medidas de Recuperação Simples: Estabilidade de Terreno,


Introdução de solo e expurgo, correção e revegetação

Plantio Reflorestamento

Plano Paisagístico

Atividades de Monitoramento

Relatórios Parciais (*P) internos

Relatório Final para o INEMA

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3.2.2 Programa de Supressão da Cobertura Vegetal

[Link] Introdução e Justificativa

O Programa de Supressão da Cobertura Vegetal fundamenta-se na apresentação de diretrizes


gerais para a realização da supressão da vegetação na área destinada à execução das atividades
de implantação do empreendimento, de forma a dar o melhor aproveitamento à biomassa vegetal e
garantir a segurança aos trabalhadores envolvidos, bem como reduzir os impactos ambientais sobre
a fauna e flora.

A supressão da cobertura vegetal é condicionada por mecanismos legais, no âmbito federal e


estadual, que justificam a obrigatoriedade desta ação e preveem medidas relacionadas ao
aproveitamento do material lenhoso em ações de desmatamento.

Para a retirada da vegetação florestal é necessário o planejamento das atividades seguindo os


cumprimentos de avaliação das características da área a ser suprimida, como condições de
topografia, índice pluviométrico e tipo de solo. Recomenda-se conhecer a qualidade e quantidade
das formações florestais para estabelecer o melhor método de exploração. Outra recomendação é
a definição das prioridades do desmatamento, considerando as características físicas das áreas e
etapas de implantação do empreendimento.

Para a realização da análise qualiquantitativa da área alvo de supressão vegetação, é protocolado,


junto ao INEMA, o inventário florestal para análise do órgão, a fim de obter a Autorização de
Supressão Vegetal (ASV). Neste documento é apresentada a quantificação do volume de madeira
que será gerado após o processo de exploração florestal, apresentando também a composição de
espécies do fragmento florestal a ser atingido.

A cobertura vegetal nativa da ADA é representada por fitofisionomias do domínio da Caatinga que,
conforme mapeamento do IBGE (2004) é classificada como contato entre as formações de Savana-
Estépica/Floresta Estacional, Savana-Estépica Florestada e Savana-Estépica Arborizada,
entretanto durante o levantamento de dados primários do Inventário Florestal a vegetação que
intercepta a ADA do empreendimento foi classificada como Savana-Estépica Florestada (Caatinga
Florestada).

Por ser a primeira atividade associada à implantação da obra, a supressão da vegetação deve ser
conduzida com critérios técnicos e de cronograma de forma a liberar a área no prazo estipulado
dentro de premissas de mitigação de impactos e destinação adequada da biomassa vegetal.

Este Programa se justifica pela necessidade de contemplar as determinações da Lei Federal nº


12.651, de 25 de maio de 2012, atendendo às condicionantes do licenciamento e subsidiando o
estabelecimento de medidas para a minimização dos impactos ambientais decorrentes da
supressão da vegetação durante a instalação do empreendimento.

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[Link] Objetivos

O presente Programa objetiva apresentar os procedimentos a serem adotados durante a supressão


da vegetação necessária para implantação do empreendimento, os quais devem ser
compromissados com a empresa responsável em executar as ações, em observância às exigências
do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado da Bahia (INEMA) determinadas no
processo de ASV.

Todas as atividades de supressão vegetal devem se basear em premissas de minimização de


impactos ambientais e melhor aproveitamento da biomassa vegetal.

Como objetivos específicos, cabem ser destacados:

• Respeitar os princípios ambientais definidos na Lei nº 12.651/2012, a qual dispõe sobre o


Novo Código Florestal Brasileiro e atender aos procedimentos definidos pelo INEMA, para
as espécies protegidas presentes na área de supressão;

• Orientar as atividades de supressão vegetal e minimizar impactos inerentes;

• Quantificar o volume de material lenhoso a suprimido;

• Diminuir perdas e promover o melhor aproveitamento possível do material lenhoso e


suprimido;

• Promover o aproveitamento dos resíduos vegetais e solo superficial

• Garantir a segurança dos trabalhadores envolvidos nas operações de supressão vegetal;

• Trabalhar em parceria com programas de resgate da flora e afugentamento da fauna,


objetivando somar esforços e reduzir impactos.

[Link] Requisitos Legais

Os requisitos legais aplicáveis ao tema são:

• Lei Federal n° 6.938, de 31 de agosto de 1981 – Dispõe sobre a Política Nacional do Meio
Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências;

• Lei Federal n° 12.651, de 25 de maio de 2012 – Dispõe sobre a proteção da vegetação


nativa; altera as Leis nos 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de
1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nos 4.771, de 15 de setembro
de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto
de 2001; e dá outras providências;

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• Lei Federal nº 12.727, de 17 de outubro de 2012, Altera a Lei no 12.651, de 25 de maio de


2012, que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis nos 6.938, de 31 de
agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006;
e revoga as Leis nos 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, a
Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, o item 22 do inciso II do art. 167
da Lei no 6.015, de 31 de dezembro de 1973, e o § 2o do art. 4o da Lei no 12.651, de 25 de
maio de 2012;

• Instrução Normativa MMA Nº 06, de 15 de dezembro de 2006 - Dispõe sobre a reposição


florestal e o consumo de matéria-prima florestal, e dá outras providências;

• Instrução Normativa IBAMA nº 21, de 24 de dezembro de 2014. Definições sobre o


Documento de Origem Florestal (DOF);

• Portaria Normativa IBAMA nº 149, de 30 de dezembro de 1992. Dispõe sobre o registro de


comerciante ou proprietário de motosserra, junto ao IBAMA;

• Portarias MMA n° 443, de 17 de dezembro de 2014, e MMA nº 148, de 7 de junho de 2022,


repristinadas pela Portaria n° 354, de 27 de janeiro de 2023; que estabelecem a "Lista
Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção";

• Norma Regulamentadora (NR) 6 do Ministério de Trabalho – Equipamentos de proteção


individual;

• NR 12 – Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos;

• Resolução CEPRAM-BA N° 1.009 de 06 de dezembro de 1994, que dispõe sobre proibição


do corte, armazenamento e comercialização das espécies nativas, "aroeira" Astronium
urundeuva (Fr. Ali) Eng/, "Baraúna" Schinopsis braslliensis Eng/. e "Angico" Anadenanthera
macrocarpa (Benth) Brenan, no Estado da Bahia;

• Portaria Estadual nº 40 de 2017, que torna pública a “Lista Oficial das Espécies Endêmicas
da Flora Ameaçadas de Extinção do Estado da Bahia”;

• Instrução Normativa do IBAMA nº 191, de 24 setembro de 2008, que proíbe o corte do “licuri”
(Syagrus coronata (Mart.) Becc.);
• Lei Estadual nº 13.908 de 2018, que estabelece como patrimônio biocultural as espécies do
“licuri” (Syagrus coronata (Mart.) Becc.), “ariri” (Syagrus vagans (Bondar) [Link]) e do
“umbu” (Spondias tuberosa Arruda), torna essas espécies imunes ao corte e da outras
providências;
• Portaria INEMA Nº 11.292 de 13/02/2016; que define os documentos e estudos necessários
para requerimento junto ao INEMA dos atos administrativos para regularidade ambiental de
empreendimentos e atividades no Estado da Bahia.

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[Link] Responsabilidade de Execução

O Programa deverá ser implantado e conduzido pelo empreendedor através de sua equipe, que
deverá contratar empresa especializada para realização e supervisão das atividades propostas,
conforme detalhado nesse programa.

[Link] Público-Alvo

Empresa responsável pela execução da supressão vegetal na implantação do Complexo Santa


Eugênia Solar (Fase 01).

[Link] Metodologia

As atividades necessárias à execução da supressão vegetal são apresentadas em quatro níveis de


abordagem, conforme sua inserção no desenvolvimento do processo executivo.

São elas: diretrizes básicas, englobando as premissas e recomendações de caráter geral que
deverão permear todas as ações; atividades pré-supressão, as quais se referem ao planejamento
e preparativos necessários para que as ações sejam realizadas dentro das normas ambientais e de
segurança; atividades exploratórias, referentes à supressão propriamente dita, com indicação das
estratégicas e técnicas apropriadas para operacionalização do desmate e deposição da biomassa;
e atividades pós-supressão, as quais estão relacionadas à destinação do material lenhoso e
desmobilização das atividades.

[Link].1 Diretrizes Básicas

Algumas recomendações devem ser feitas, como forma de atender as exigências dos órgãos
ambientais e garantir um padrão de qualidade adequado das atividades conforme descritas neste
Programa.

A supressão da vegetação e a limpeza da área ocorrerão somente após a autorização do órgão


ambiental (ASV), treinamento da equipe, definição da logística e planejamento detalhado de
atividades.

O avanço do desmate deverá ser feito de forma gradativa, iniciando‐se nas áreas de acesso e,
posteriormente, nas demais áreas destinadas às estruturas a serem implantadas, devendo ser
dividida em talhões conforme a necessidade de liberação de área pelo empreendedor. A derrubada
da vegetação deve seguir em direção à região que não será desmatada, visando facilitar o
deslocamento da fauna em busca de novos ambientes.

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As atividades devem ser realizadas por empresas que atendam aos seguintes pré-requisitos:
especializadas em trabalhos de desmatamento, capacidade gerencial, disponibilidade de máquinas
necessárias ao trabalho, acompanhamento técnico permanente, além de um profissional capacitado
para desempenhar a função de gestor e responsável técnico pelas ações, para coordenar o
planejamento e acompanhamento das atividades propostas no presente documento.

Tanto a programação quanto as ações nas frentes de desmate deverão ter o acompanhamento de
uma equipe ambiental composta por profissionais da área, devidamente habilitados, com auxílio de
técnicos especializados, os quais ficarão responsáveis pelo resgate de flora e
afugentamento/salvamento de fauna, conforme detalhado nos Programas de Resgate da Flora e de
Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna.

As normas ambientais das diversas atividades que possuem impacto potencial ou real sobre o
ambiente deverão constar nos contratos específicos a serem celebrados com as empreiteiras.

Além disso, os procedimentos que envolverão a supressão da vegetação deverão seguir as


seguintes diretrizes básicas:

• Demarcação prévia das áreas a serem suprimidas e a serem preservadas;

• Realização da supressão no sentido oposto às áreas antropizadas e ocupadas mais


próximas, na medida do possível, para privilegiar o afugentamento da fauna para o lado
contrário;

• Proibição expressa do uso do fogo como método de limpeza prévia nas áreas a serem
limpas;

• Proibição da caça, captura de animais ou coleta de plantas;

• Utilizar apenas motosserras regularizadas junto ao IBAMA;

• De forma alguma descartar resíduos no ambiente, sendo obrigação sua adequada


destinação pelas equipes envolvidas;

• Uso de combustível, óleos e graxas, deverão ser foco de especial atenção para que não
ocorra escape de substâncias para o ambiente, sendo obrigatório a disponibilidade de
recipientes para conter esse material, caso necessário;

• Fornecer e determinar obrigatoriedade do uso de EPI’s (equipamentos de proteção


individual) pelos funcionários envolvidos nas atividades de supressão;

• O respeito aos proprietários rurais e moradores locais, incluindo os imóveis arrendados para
fins do empreendimento, deverá permear todas as ações, devendo comunicar aos
moradores qualquer ação nas proximidades de suas moradias ou que interfiram em suas
atividades cotidianas;

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• Todo o material lenhoso deverá ser aproveitado: os produtos e subprodutos originados das
atividades de supressão da vegetação nativa deverão ter aproveitamento socioeconômico e
ambiental indicado em declaração preenchida pelo empreendedor.

[Link].2 Atividades Pré-Supressão

[Link].2.1 Obtenção da Autorização de Supressão Vegetal (ASV)

As atividades de supressão deverão ser precedidas da formalização da solicitação junto ao INEMA,


o qual após análise, e com base nas informações técnicas apresentadas neste documento, emitirá
a Autorização de Supressão Vegetal (ASV), que permite a execução da supressão da vegetação
de acordo com os procedimentos previamente planejados e devidas condicionantes solicitadas.

Posteriormente à emissão da ASV junto ao INEMA, a execução da supressão da vegetação é


planejada de acordo com os procedimentos técnicos apresentados na Instrução Normativa do
IBAMA nº 6/2009.

Aplica-se também o documento preenchido e assinado denominado “Declaração do


Aproveitamento Socioeconômico e Ambiental de Produtos e/ou Subprodutos oriundos de
Supressão de Vegetação Nativa”, conforme modelo disponibilizado pelo INEMA, o qual segue
apensado ao Sistema Estadual de Informações Ambientais e de Recursos Hídricos (SEIA) no
processo específico da ASV (Figura 28 abaixo).

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Figura 28 Modelo de formulário disponibilizado pelo INEMA.

[Link].2.2 Treinamento dos Funcionários Envolvidos nas Ações de Supressão

Antes do início das atividades de supressão da vegetação propriamente ditas, a equipe envolvida
no desmate deverá receber treinamento a ser ministrado pelo técnico responsável pela atividade.

Esse treinamento tem como intuito o repasse de todas as diretrizes estabelecidas na ASV e no
presente documento sobre os procedimentos durante a atividade e, principalmente, mobilização e
conscientização dos trabalhadores sobre os requisitos de segurança do trabalho durante a
exploração, bem como definir ações emergenciais e de controle ambiental.

[Link].2.3 Planejamento

O planejamento deve considerar o tipo de vegetação e seu porte, o número e tamanho das equipes
de supressão, a prioridade de trabalho em determinadas áreas de acordo com as necessidades de
instalação e o cronograma das atividades de implantação do empreendimento, dentre outras.

O planejamento deve considerar ainda a estratégia a ser adotada pelos Programas de Resgate da
Flora e de Afugentamento de Fauna, devendo os respectivos técnicos responsáveis participarem

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do planejamento em conjunto com o responsável pela supressão vegetal, conforme procedimentos


a serem previamente autorizados pelo INEMA.

[Link].2.4 Demarcação da Área a Ser Suprimida

Toda a área alvo da supressão vegetal deve ser demarcada por levantamentos topográficos com
estacas indicadoras (piquetes) de forma clara e de fácil visualização, com o objetivo de não permitir
danos à vegetação fora da área autorizada para supressão vegetal.

Após esta definição, a área deve ser subdividida em talhões de exploração, permitindo o
planejamento e a ordenação da atividade ao longo do tempo. Sugere-se a instalação de varas que
se destaquem sobre o dossel, com espaçamento máximo de 50 metros, devendo ser intensificados
com um maior número de piquetes e espaçamento menor nos locais em vértices da área de
desmate e onde a vegetação mais fechada dificulta a sua visualização.

As áreas de estocagem provisória do material lenhoso deverão ser previamente definidas e


demarcadas dentro dos limites da área de intervenção apresentada para licenciamento,
proporcionando boa operacionalização para sua remoção, bem como e segurança para os
profissionais envolvidos.

[Link].3 Atividades Exploratórias

[Link].3.1 Broque ou Limpeza de Sub-bosque

O broque consiste no corte da vegetação de menor porte (DAP de até 5 cm) presente no estrato
arbustivo da caatinga, tendo como objetivo facilitar o desbaste e arraste dos indivíduos arbóreos de
maior porte, os quais serão aproveitadas.

Nessa atividade serão utilizados foices, facões e motosserras, dependendo da espessura do


fuste/lenho das plantas a serem removidas. O material vegetal proveniente da limpeza que não for
aproveitável, deve ser deixado no local para ser retirado posteriormente com tratores junto com a
camada superficial do solo (top soil). Outro uso que pode ser avaliado é seu emprego em cercas
para caprinos e ovinos na região, para as quais se usam tradicionalmente galhos finos (diâmetro >
3cm) para promover a contenção dos animais.

Conforme detalhado no capítulo [Link].3.5 - Destoca e Manejo dos Resíduos Vegetais e Solo
Superficial, após a retirada da madeira a ser aproveitada, todo o material como galharias, folhagens
e outros detritos vegetais gerados nessa etapa poderá ser estocado adequadamente para

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possibilitar a sua posterior utilização como banco de germoplasma, na recuperação de áreas


degradadas, contenção de processos erosivos ou ser encaminhado diretamente para essas áreas.

[Link].3.2 Operação de Corte

Nesta atividade serão suprimidos os indivíduos de porte arbóreo com aproveitamento lenhoso (DAP
> 5 cm). As técnicas de corte de árvore aplicadas na extração madeireira deverão buscar, entre
outros objetivos, evitar desperdícios e minimizar a incidência de acidentes de trabalho.

Primeiramente, deve ser realizada a avaliação das árvores a fim de orientar as operações de corte
de forma segura, verificando a presença de partes ocas nos troncos com animais (serpentes e
insetos como vespas, abelhas e formigas) que podem causar acidentes de natureza grave. Tal
inspeção será realizada pela equipe de resgate e afugentamento da fauna. Da mesma forma,
deverá ser avaliada a tendência de queda da árvore e outros riscos inerentes à atividade. Essa
avaliação visa à mitigação dos riscos de acidentes e impactos decorrentes das atividades de
remoção da cobertura vegetal sobre as áreas do entorno do empreendimento, permitindo um
planejamento minucioso das alternativas, técnicas e equipamentos de corte a serem empregados.

Para operação de corte será empregado, inicialmente, o método semimecanizado com utilização
de motosserras para derrubada, visando o melhor aproveitamento da madeira e a minimização dos
impactos sobre a fauna e flora locais. Todas as motosserras utilizadas deverão estar devidamente
registradas e legalizadas junto ao IBAMA, cujo registro deverá estar disponível no local da atividade.
Além disso, todos os operadores de motosserra, assim como os auxiliares, deverão possuir
treinamento específico para a atividade a ser desenvolvida, comprovados através dos registros dos
cursos de capacitação.

Dada as características da vegetação a ser suprimida e o uso tradicional do material lenhoso na


região, recomenda-se que, antes da utilização da supressão mecanizada, seja realizada operação
com uso de motosserra direcionada. A operação com motosserra deverá ocorrer antes do desmate
mecanizado, em conjunto com a operação de resgate botânico, liberando frentes de desmate com
o uso de trator.

Os troncos deverão ser cortados na maior seção retilínea possível. Para proporcionar melhor
aproveitamento do material lenhoso, bem como a segurança dos colaboradores, o corte de árvores
com DAP maior que 05 cm deve seguir as seguintes observações:

1. Verificar se a espécie é adequada ao uso como madeira ou mourão;

2. Identificar a direção de queda e observar a existência de galhos ou troncos quebrados e


pendurados na copa que representem riscos de acidentes;

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3. Limpar o tronco a ser cortado; cortar cipós, arvoretas e remover eventuais cupinzeiros,
galhos quebrados ou outros obstáculos situados próximos à árvore;

4. Preparar os caminhos de fuga por onde a equipe deve se afastar no momento da queda da
árvore. Os caminhos de fuga devem ser construídos no sentido contrário à tendência de
queda da árvore.

No caso de árvores com DAP inferior a 30 cm, os indivíduos poderão ser suprimidos com apenas
um corte, feito em diagonal direcionando o sentido de queda. Para o corte das árvores de DAP
superior a 30 cm, poderá ser adotada a técnica tradicional que consiste em uma sequência de três
entalhes, sendo dois entalhes para a abertura da “boca de corte” e o entalhe do corte ou direcional
(Figura 29 ).

Figura 29 Detalhe dos cortes para derrubada de árvores de maior porte.

Na supressão mecanizada haverá o uso de trator, empurrando toda biomassa vegetal sem
aproveitamento lenhoso para as bordas, onde ficará armazenada até sua adequada destinação. Se
pode ainda, fazer o rebaixamento dessa matéria orgânica para depósito sobre o solo em fragmentos
da borda da área suprimida para aumentar a proteção do solo contra processos erosivos, além de
favorecer o aumento da serrapilheira, aumentando com o tempo a ciclagem de nutrientes.

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[Link].3.3 Desgalhamento e Traçamento

Toda a biomassa vegetal que possui rendimento lenhoso suprimida deverá ser particionada
conforme sua composição e dimensão. O material lenhoso das árvores a serem suprimidas deverá
ser traçado em comprimentos condizentes com cada classe de diâmetro do tronco ou galhos,
considerando as características de cada espécie e os tipos de uso da população local.

Após o desbaste, os indivíduos arbóreos serão desgalhados e traçados. O desgalhamento consiste


na remoção dos galhos de forma a manter o fuste o mais retilíneo possível, sendo este de valor
comercial ou não. O traçamento consiste no particionamento do fuste e galhos com rendimento
lenhoso em toras e toretes, conforme sua composição, dimensão e qualidade da madeira.

O material lenhoso das árvores a serem suprimidas deverá ser traçado nos seguintes comprimentos
para cada classe de diâmetro do tronco ou galhos, considerando as características de cada espécie
e os tipos de uso:

• Madeira de baixa a média qualidade com diâmetro entre 5 cm e 10 cm: deverão ser cortadas
em seções de 1 m para destinação como lenha;

• Madeira de alta qualidade com diâmetro entre 10 cm e 20 cm: deverão ser cortadas em
seções de 2 m para destinação a mourões ou estacas de cerca;

• Diâmetro > 20 cm pertencentes a espécies madeireiras: serão serradas em toras com a


maior metragem possível e destinada a usos mais nobres (ex: marcenaria).

• Porções pequenas dos troncos deverão ser destinadas como lenha.

Outro uso que deve ser avaliado é seu emprego em cercas para caprinos e ovinos na região, para
as quais se usam tradicionalmente galhos finos (diâmetro > 5 cm) para promover a contenção dos
animais.

O material vegetal sem aproveitamento lenhoso deve ser destinado como material para
incorporação de matéria orgânica e/ou técnicas de nucleação na recuperação de áreas degradadas
e/ou contenção de processos erosivos através da implantação de faixas de retenção como
dissipadores de energia, seja no âmbito de Planos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD)
ou utilização como contenção de processos erosivos e áreas impactadas do entorno.

[Link].3.4 Empilhamento (Enleiramento) e Transporte

Após o traçamento, todo material lenhoso deverá ser retirado da área de desmate com a utilização
de tratores conforme logística definida pela equipe responsável. O empilhamento deverá ser
realizado com as leiras dispostas, temporariamente, em área de estocagem localizada dentro do
imóvel, preferencialmente nos limites da área de intervenção e próxima aos acessos de forma a
facilitar o processo de carregamento e transporte do material para os locais de destinação definitiva,

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os quais serão definidos conforme prioridade logística e operacional das equipes responsáveis
pelas frentes de supressão, preferencialmente nas áreas destinadas à implantação das estruturas
temporárias, como bota-fora, cujas coordenadas são apresentadas no quadro abaixo.

É importante ressaltar que a definição final do pátio de estocagem será feita quando da mobilização
da empreiteira responsável pela execução das atividades de supressão. Se for necessário
transportar a madeira para fora da propriedade onde ocorreu a intervenção, o empreendedor deverá
emitir o Documento de Origem Florestal (DOF).

Quadro 38 Coordenadas geográficas das áreas de bota-fora para possível destinação


final do material lenhoso.

UTM 24L - SIRGAS 2000


Área de Estocagem / Bota-Fora
X Y

Armazenamento 809666 8735422


Armazenamento 810425 8736885
Bota-fora 809428 8730197
Bota-fora 810205 8733586
Bota-fora 810476 8734639
Bota-fora 811345 8735590
Bota-fora 809636 8736418
Bota-fora 810853 8736630
Bota-fora 810101 8738041

O enleiramento tem como objetivo organizar as toras traçadas para o transporte do material
lenhoso. O material deverá ser empilhado em pequenas pilhas separadas conforme seu diâmetro e
comprimento. A área escolhida deverá ser a mais plana possível com as toras dispostas em sentido
transversal ao declive do terreno, permitindo a secagem e posterior baldeio para o pátio de
estocagem definitivo. Deve se situar fora de canal de drenagem pluvial e de APP e desprovida de
cobertura vegetal arbórea.

As leiras deverão ser escoradas adequadamente e possuir altura máxima de 1,5m para o material
de diâmetro menor que 30 cm e menor que 1 metro para as toras. A largura da pilha será
determinada pelo seu uso (estacas e mourões: 2,20 m de comprimento; toretes, piquetes e lenha:
1 a 2 m de comprimento). As pilhas não deverão ter comprimento superior a 20 metros e distância
entre elas de no mínimo 1,5 m de forma a permitir o trânsito pedestre. Todas as pilhas deverão ser
devidamente escoradas, evitando o desmonte, fotografadas e georreferenciadas com uso de GPS.

Programas Ambientais – Pág. 189


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[Link].3.5 Destoca e Manejo dos Resíduos Vegetais e Solo Superficial

Após realizado o corte com motosserra, o material lenhoso de proveito ter sido retirado e
adequadamente armazenado, assim como as plantas de relevância já realocadas e o desmate
mecanizado já realizado, deverá ser realizado a destoca, remoção dos resíduos vegetais e
decapeamento do solo.

Essa etapa, que também deverá ser acompanhada pela equipe de resgate e afugentamento de
fauna, consiste no arranque e na remoção dos tocos das árvores cortadas com utilização de tratores
de esteira, junto com as galhadas e o material vegetal remanescente (serrapilheira) seguida do
decapemaneto da camada superficial do solo (top-soil). Todo o material existente sobre a superfície
(cerca de 10 cm de profundidade do solo), incluindo a biomassa vegetal, banco de sementes e os
resíduos vegetais, rico em matéria orgânica, micbrobiota e propágulos, resulta em um útil substrato
para a produção de propágulos a serem cultivados em viveiro, bem como para potencializar o
processo de regeneração natural nas atividades de recuperação de áreas degradas, relativas à
execução do PRAD.

O restolho orgânico, incluindo arbustos, ervas, raízes e o solo superficial, será empurrado por
tratores com lâminas frontais para estoque temporário nas bordas da área suprimida para posterior
destinação final. Este material poderá ser destinado como banco de germoplasma para produção
de mudas, como material para incorporação de matéria orgânica e/ou técnicas de nucleação na
recuperação de áreas degradadas, no âmbito de Planos de Recuperação de Áreas Degradadas
(PRAD) e áreas impactadas do entorno, bem como podem ser utilizados na contenção de processos
erosivos através da implantação de faixas de retenção como dissipadores de energia.

A distribuição deste material deverá ser feita nas áreas em recuperação ou de restauração florestal,
sempre que possível, imediatamente após sua retirada e sem deposição intermediária, visando
agregar diversas espécies e nutrientes ao processo de regeneração, conforme o PRAD. Parte do
material também poderá ser prontamente encaminhado para viveiro de mudas para produção de
propágulos, sendo importante a análise a respeito da capacidade de armazenamento e produção,
junto às equipes responsáveis pelas atividades viveiristas. Este encaminhamento é importante para
que o material não perca sua viabilidade. O material será transportado em caminhões, depositado
e espalhado conforme especificações constantes no PRAD.

O restante do material, que não for imediatamente destinado, deverá ser estocado até definir sua
destinação final. O armazenamento do solo deverá ser feito em uma área com relevo plano a
levemente ondulado, distante de nascentes e cursos d’água, e de forma a manter área livre
suficiente para a movimentação de máquinas.

Programas Ambientais – Pág. 190


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[Link].4 Atividades Pós-Supressão

Concluída a supressão vegetal, as ações deverão abranger a destinação do material lenhoso e


preparo da área para a implantação do empreendimento. Caso necessário, a possibilidade de
destinação concomitante ao processo de supressão vegetal deverá ser acordada com o INEMA.

[Link].4.1 Quantificação Volumétrica (Cubagem) e Destinação

O levantamento do volume deverá ser realizado sob responsabilidade de um técnico qualificado,


através da coleta dos dados de altura, largura e comprimento de todas as pilhas de material lenhoso,
separando-o por categoria: lenha, estacas, mourões e toras. Cada pilha deverá ser
georreferenciada e ter sua área demarcada utilizando fita adesiva com numeração exclusiva.

Todos esses dados deverão constar no laudo de cubagem assinado pelo responsável, contendo
ainda número do CREA e ART.

Após cubado e o órgão ambiental tendo concluída a fiscalização, todo o material lenhoso
proveniente da supressão vegetal será utilizado na própria propriedade, nas obras de instalação do
empreendimento ou destinado ao proprietário rural, que dará o destino que lhe convier em acordo
com a legislação vigente. Essa destinação seguirá as orientações do órgão ambiental no ato de
emissão da autorização para intervenção na área. A doação do material lenhoso ao proprietário
será realizada mediante assinatura, entre as partes, de Termo de Doação, a ser apresentado ao
INEMA.

O material remanescente proveniente de resíduos vegetais e solo superficial poderá ser estocado
para destinação futura às ações associadas às atividades de recuperação de áreas degradadas,
contenção de processos erosivos ou ao de salvamento do germoplasma. Caso não haja mais
previsões de utilização deste material nas ações supracitadas, este poderá ser prontamente
destinado com técnicas de nucleação (instalação de ilhas formadas por galhadas e restos da
supressão vegetal) funcionando como abrigos de fauna às margens da área de supressão.

[Link].4.2 Preparo do Terreno para Destinação à Etapa de Implantação do


Empreendimento

Após a finalização da supressão vegetal e destinação de todo material lenhoso e manejo dos
resíduos florestais e camada superficial do solo, o terreno deverá ser conformado para que a água
pluvial seja adequadamente conduzida para locais em que possa infiltrar-se no solo, eliminando seu
potencial erosivo.

Canais de condução e canaletas de drenagem pluvial, leiras para dissipação de energia de


enxurrada e pequenas bacias de infiltração deverão, sempre que necessário, ser configurados para

Programas Ambientais – Pág. 191


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

reduzir processos erosivos antes e durante as obras de instalação das estruturas do


empreendimento em consonância com o Programa de Monitoramento e Controle de Processos
Erosivos.

[Link].4.3 Desmobilização

Terminada a supressão vegetal, concluída a destinação da biomassa suprimida e preparado o


terreno, deverá se proceder à desmobilização de estruturas, maquinário e pessoal. As áreas e
acessos temporários que não mais serão utilizados durante as fases de implantação e operação do
empreendimento deverão ser reconformadas, recebendo os resíduos vegetais provenientes dos
desmates para otimizar a revegetação e promover a proteção do solo.

[Link] Metas

São metas do Programa de Supressão da Cobertura vegetal:

• Suprimir estritamente o necessário para implantação do empreendimento;

• Empilhar e quantificar 100% do material lenhoso, por categoria: lenha, estacas/mourão, tora;

• Destinar e promover o aproveitamento socioeconômico a 100% do material lenhoso até o


final da etapa de implantação do empreendimento;

• 100% das frentes de supressão realizadas apenas após realizadas as vistorias da equipe
de resgate de flora;

• 100% das frentes de supressão realizadas com acompanhamento das equipes de fauna;

[Link] Indicadores de Desempenho

São indicadores do Programa de Supressão da Cobertura vegetal:

• % de área suprimida em relação a área autorizada;

• % do material lenhoso empilhado e quantificado, por categoria de uso, em relação ao volume


de material lenhoso previsto no Inventário Florestal;

• % do material lenhoso cuja destinação final e aproveitamento socioeconômico foi realizada


até o final da etapa de implantação do empreendimento;

• % da ADA que foi previamente vistoriada pelas equipes de resgate de flora;

• % das frentes de supressão realizadas com acompanhamento das equipes de fauna;

Programas Ambientais – Pág. 192


Plano Básico Ambiental – PBA
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[Link] Interface com Outros Programas

O Programa de Supressão da Cobertura Vegetal possui interface com os seguintes Programas e


Planos:

• Programa de Gestão Ambiental;

• Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Flora;

• Programa de Monitoramento e Proteção da Fauna;

• Programa de Recuperação de Áreas Degradadas;

• Programa de Controle de Processos Erosivos e Assoreamento.

[Link] Recursos Necessários

Para a execução da supressão vegetal, será necessária a contratação de equipe especializada com
coordenação de profissional qualificado, que ficará responsável pelo gerenciamento técnico da
equipe, garantia de segurança durante as atividades e de que a supressão estará restrita ao
estritamente necessário à implantação do empreendimento, assim como pela consolidação de
relatórios.

Estruturas de apoio à equipe, tais como local para refeições e descanso em campo, sanitários,
veículos e locais adequados para hospedagem durante o período dos trabalhos conforme previsto
pela NR31. Equipamentos e maquinários variam entre EPI’s, facões, motosserras, tratores e
caminhões. O uso de estruturas auxiliares, como trituradores de galhos acoplados a tratores deverá
ser avaliado, levando-se em conta o ganho ambiental ao facilitar o uso dos resíduos vegetais nas
ações de recuperação ambiental e a redução do volume de galhada estocada.

Ressalta-se que a definição do número de frentes de desmate, bem como demais estratégias de
condução das atividades de supressão poderão sofrer alterações conforme disponibilidade
logística, financeira e prioridades do empreendimento. Caso isto ocorra, o dimensionamento da
equipe e dos esforços envolvidos deverão ser adaptados.

[Link] Produtos a Serem Gerados

Mensalmente serão gerados relatórios internos de andamento das atividades, a serem consolidados
após a conclusão das atividades e encaminhados ao órgão ambiental em relatório final consolidado.
Reitera-se a necessidade de especificar através da ficha de romaneio e relatórios de controle da
supressão vegetal a origem e destinação de cada produto doado, a fim de proporcionar um maior
controle pelo órgão ambiental.

Programas Ambientais – Pág. 193


Plano Básico Ambiental – PBA
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[Link] Cronograma

As ações relacionadas à supressão vegetal se iniciarão com o processo de obtenção da licença


pelo INEMA, através da Autorização para Supressão Vegetal (ASV) e contratação e mobilização de
equipe, passando pelas ações executivas e finalizando na correta destinação dos diversos produtos
gerados a partir da retirada da biomassa vegetal.

Considerando todas as fases contempladas neste Programa (pré-supressão; supressão e pós-


supressão, estima-se que as atividades de supressão durem cerca de três meses, contados após
a obtenção da licença. No entanto, é possível o cumprimento de todas as etapas em um prazo
menor, conforme disponibilidade logística e prioridades a serem definidas pelo empreendedor.

Quadro 39 Cronograma do Programa de Supressão da Cobertura Vegetal.

Pré- Fase de Implantação (meses)


Atividades
Implantação 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Obtenção de ASV- Autorização para
Supressão Vegetal
Mobilização e treinamento de equipe de
supressão vegetal
Preparo de ferramentas e equipamentos
Demarcação da área a ser desmatada
Tratativas com equipes de resgate e
salvamento da fauna e flora
Supressão vegetal
Deposição de armazenamento de produtos da
supressão
Destinação produtos da supressão
Desmobilização
Relatórios mensais internos
Relatório Final para o INEMA

[Link] Referências Bibliográficas

BAHIA. Lei Estadual nº 13.908 de 29 de janeiro de 2018, que estabelece como patrimônio biocultural
as espécies do “licuri” (Syagrus coronata (Mart.) Becc.), “ariri” (Syagrus vagans (Bondar)
[Link]) e do “umbu” (Spondias tuberosa Arruda), torna essas espécies imunes ao corte e da
outras providências. D.O., 31/01/2018;

BAHIA. Portaria Estadual nº 40 de 21 de agosto de 2017. Torna pública a “Lista Oficial das Espécies
Endêmicas da Flora Ameaçadas de Extinção do Estado da Bahia”. D.O.,22/08/2017;

Programas Ambientais – Pág. 194


Plano Básico Ambiental – PBA
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BAHIA. Portaria INEMA Nº 11.292 de 13 de fevereiro de 2016; que define os documentos e estudos
necessários para requerimento junto ao INEMA dos atos administrativos para regularidade
ambiental de empreendimentos e atividades no Estado da Bahia. D.O., 14/02/2016.

BAHIA. Resolução CEPRAM-BA N° 1.009 de 06 de dezembro de 1994, que dispõe sobre proibição
do corte, armazenamento e comercialização das espécies nativas, "aroeira" Astronium urundeuva
(Fr. Ali) Eng/, "Baraúna" Schinopsis braslliensis Eng/. e "Angico" Anadenanthera macrocarpa
(Benth) Brenan, no Estado da Bahia. D.O., 04.01.95;

BRASIL. Lei Federal n° 12.651, de 25 de maio de 2012 – Dispõe sobre a proteção da vegetação
nativa; altera as Leis nos 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e
11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nos 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754,
de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras
providências. DOU de 28.05.2012;

BRASIL. Lei Federal n° 6.938, de 31 de agosto de 1981 – Dispõe sobre a Política Nacional do Meio
Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. D.O.U.
02.09.1981;

BRASIL. Lei Federal nº 12.727, de 17 de outubro de 2012, Altera a Lei no 12.651, de 25 de maio de
2012, que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis nos 6.938, de 31 de agosto
de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; e revoga as
Leis nos 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, a Medida Provisória
no 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, o item 22 do inciso II do art. 167 da Lei no 6.015, de 31 de
dezembro de 1973, e o § 2o do art. 4o da Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012. D.O.U. 18.10.2012;

IBAMA. Instrução Normativa do nº 191, de 24 setembro de 2008, que proíbe o corte do “licuri”
(Syagrus coronata (Mart.) Becc.). DOFC, 25/09/2008;

IBAMA. Instrução Normativa nº 21, de 24 de dezembro de 2014. Definições sobre o Documento de


Origem Florestal (DOF). D.O.U., 27/12/2014;

IBAMA. Portaria Normativa nº 149, de 30 de dezembro de 1992. Dispõe sobre o registro de


comerciante ou proprietário de motosserra, junto ao IBAMA. DOFC, 15/01/1993;

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Manual técnico da vegetação


brasileira. 2ª edição. Rio de Janeiro. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, (Série
Manuais Técnicos em Geociências n. 1, 2012. 275p.

MMA. Instrução Normativa Nº 06, de 15 de dezembro de 2006 - Dispõe sobre a reposição florestal
e o consumo de matéria-prima florestal, e dá outras providências. DOFC. 18/12/2006, Retificação
DOFC 30/01/2007.

Programas Ambientais – Pág. 195


Plano Básico Ambiental – PBA
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MMA. Portaria n°148, de 7 de junho de 2022. "Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora
Ameaçadas de Extinção". D.O.U. 08/06/2022;

MTP. Portaria n.º 3.214, de 08 de junho de 1978. DOU, 07/07/1978. NR 12 – Segurança no Trabalho
em Máquinas e Equipamentos. Última Alteração pela Portaria MTP n.º 428, de 07 de outubro de
2021. DOU: 08/10/2021;

MTP. Portaria Nº 2.175, de 28 de julho de 2022. Aprova a nova redação da Norma Regulamentadora
nº 06 - Equipamentos de Proteção Individual - EPI. D.O.U, 05/08/2022;

Programas Ambientais – Pág. 196


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3.2.3 Programa de Resgate e Monitoramento da Flora

[Link] Introdução e Justificativa

A supressão vegetal demandada para a instalação e expansão de atividades de diversas naturezas


acarreta perdas de vegetação nativa, muitas das quais detentoras de riqueza florística, ecológica e
particularidades ambientais. As atividades de resgate da flora são realizadas como uma forma de
minimizar os impactos provenientes da perda de áreas cobertas por vegetação nativa.

A indicação de resgate da flora é prevista para espécies ameaçadas de extinção (IN IBAMA nº
6/2009), para plantas epífitas (IN IBAMA nº 31/2004) e para espécies imunes de corte em
empreendimentos definidos como de utilidade pública ou de relevante interesse social (IN IBAMA
nº 191/2008; Lei Estadual nº 13.908/2018; Resolução CEPRAM-BA N° 1.009/1994). A supressão
dessas espécies se dá mediante prévia autorização do órgão competente, respectivamente
condicionada ao plantio compensatório ou o transplantio das espécies suprimidas, devendo para
tais plantas ser apresentado um programa específico.

Foram diagnosticadas duas espécies ameaçadas de extinção na ADA pelo Complexo Santa
Eugênia Solar (Fase 01), sendo a Apuleia leiocarpa (Garapa), classificada na categoria
“VULNERÁVEL” e Pilocarpus trachylophus (jaborandi) “EM PERIGO”, ambos pela lista oficial
Federal (MMA nº 148/2022). Não foram identificadas espécies imunes de corte no âmbito Federal
e/ou Estadual.

Além dessas, podem ser identificadas novas espécies com restrição de corte e classificadas como
em perigo de extinção ou vulneráveis. Dentre as espécies imunes de corte, deve-se atentar para a
possibilidade de ocorrência de espécies que são comuns em todo o Estado. São elas: a Aroeira
(Astronium urundeuva), o umbuzeiro (Spondias tuberosa), a Baraúna (Schinopsis braslliensis), o
Angico (Anadenanthera macrocarpa), o Licuri (Syagrus coronata), a Micranthocereus flaviflorus e o
Ariri (Syagrus vagans).

Quanto às ameaçadas de extinção, algumas das espécies já registradas em outros inventários


florestais realizados na região de inserção do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), no Estado
da Bahia, seguem descritas no Quadro 40.

Programas Ambientais – Pág. 197


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Quadro 40 Algumas espécies vegetais registradas no Estado da Bahia com restrição de


corte de acordo com as legislações federais e estaduais.

Portaria
Nome MMA, SMA- Domínio
Nome Científico Forma de vida Distribuição Geográfica
popular 2022 BA nº Fitogeográfico
40
Caatinga, Cerrado,
Handroanthus spongiosus sete-capa EN Árvore AL, BA, PB, PE, PI, SE
Mata Atlântica
Pilosocereus glaucochrous VU VU Arbusto|Árvore Caatinga, Cerrado BA
Arbusto|Subarbusto|
Micranthocereus flaviflorus VU Caatinga, Cerrado BA
Suculenta
Dalbergia elegans caviúna VU Árvore Mata Atlântica BA, ES, MG
Luetzelburgia harleyi carne-de-vaca EN Árvore Caatinga BA

Alseis sertaneja EN Árvore Caatinga BA; MG


Erythroxylum nordestinum, EN Arbusto|Árvore Caatinga BA; PE; SE

Pterocarpus monophyllus EN Arbusto|Árvore Caatinga BA

Micranthocereus flaviflorus VU Rupícola Caatinga, Cerrado BA

Foram registradas apenas duas espécies de epífitas na ADA do Complexo Santa Eugênia Solar
(Fase 01): as bromeliáceas Tillandsia gardneri Lindl. e Tillandsia loliacea Mart. ex Schult. & Schult.f.
No entanto, no caso de ser registrada mais alguma ocorrência, estas devem ser consideradas como
passíveis de resgate. Como referência, apesar de habitarem ambientes mais conservados, as
seguintes pteridófitas também podem ocorrer na região do empreendimento: Pleopeltis minima,
Pleopeltis pleopeltifolia e Microgramma vacciniifolia, orquídeas como Campylocentrum
crassirhizum, Cattleya elongata, Catasetum hookeri, Cyrtopodium saintlegerianum, Encyclia
oncidioides e Trichocentrum cebolleta, bromélias como Billbergia porteana, T. recurvata, T.
polystachia e a pequena piperaceae Peperomia blanda.

Também devem ser consideradas como passíveis de resgate diversas espécies terrestres de
bromélias e cactáceas pela facilidade operacional e sucesso de resgate e por constituírem
elementos característicos dos ambientes de caatinga.

O resgate de flora envolve coleta de sementes, plântulas e mudas, além da destinação adequada
dos resíduos orgânicos e do solo superficial provenientes da supressão vegetal, os quais contêm o
banco de sementes do solo e raízes propícias a reproduzirem a vegetação suprimida. Esses
procedimentos contribuirão para a preservação de amostras das espécies raras, endêmicas ou
ameaçadas de extinção a terem suas populações impactadas. Em adição ao resgate de flora é
possível distribuir mudas, formar coleções e contribuir para a Rede de Sementes da Caatinga e
realizar a realocação de plantas, permitindo o estabelecimento de novas comunidades vegetais.

Programas Ambientais – Pág. 198


Plano Básico Ambiental – PBA
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Além do resgate de plantas e propágulos, ações que promovam a conservação de remanescentes


vegetacionais que contenham populações expressivas dessas espécies também deverão ser
implementadas.

[Link] Objetivos

Esse Programa tem como objetivo geral a conservação da biodiversidade botânica das áreas a
serem suprimidas para implantação do empreendimento, com destaque para aquelas listadas que
se enquadram em alguma categoria de ameaça de extinção e/ou imune de corte, bem como as
diversas epífitas e demais bromélias e cactos envolvidos

Como objetivos específicos a demandarem estratégias diferenciadas, destacam-se:

• Conservação in situ de espécies importantes para conservação, que se enquadram em


alguma categoria de ameaça de extinção e/ou imune de corte, bem como as diversas epífitas
e demais bromélias e cactos envolvidos;

• Conservação da Mangaba (Hancornia speciosa) – espécie que cumpre função


socioambiental na região visto que é alvo de extrativismo pela população local;

• Salvaguardar o patrimônio genético das espécies da flora afetadas pela atividade de


supressão vegetal;

• Resgate e relocação de plantas;

• Resgate de sementes e propágulos para produção de mudas.

[Link] Requisitos Legais

São listados na sequência os principais documentos legais que devem ser observados, no âmbito
deste Programa. Todavia, a equipe executora deverá atentar-se e verificar constantemente a
existência de atualizações ou outros documentos legais aplicáveis ao tema que não tenham sido
aqui elencados.

• Lei Federal n° 12.651, de 25 de maio de 2012;

• Lei Federal nº 10.711, de 05 de agosto de 2003;

• Instrução Normativa do IBAMA Nº 31, de 27 de maio de 2004;

• Lei Estadual n° 10.431, de 20 de dezembro de 2006;

• Instrução Normativa do IBAMA Nº 191, de 24 setembro de 2008;

• Instrução Normativa do IBAMA n° 6, de 27 de abril de 2009;

Programas Ambientais – Pág. 199


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• Portaria IMA nº13278, de agosto 2010;

• Portaria INEMA nº 11.292, de 13 de janeiro de 2016;

• Portaria GM/MMA, nº 300, de 13 de dezembro de 2022;

• Portaria SEMA nº 40, de 21 de agosto de 2017;

• Lei Estadual nº 13.908, de 29 de janeiro de 2018;

• Resolução CEPRAM-BA n° 1.009 de 06 de dezembro de 1994.

[Link] Responsabilidade de Execução

A responsabilidade de execução do Programa de Resgate e Monitoramento de Flora é da empresa


de consultoria ambiental contratada para executar a gestão ambiental da obra de implantação do
empreendimento.

[Link] Público-Alvo

O público-alvo do presente programa é:

• Equipe de flora da consultoria ambiental

• Colaboradores da empreiteira

• Proprietários rurais e comunidades do entorno

[Link] Metodologia

Adequadas às características ecológicas de cada espécie envolvida, serão realizadas ações


direcionadas à realocação de indivíduos e reprodução por mudas, assim como ao banco de
sementes contido no solo, associando a destinação das mudas à futura recuperação de áreas
degradadas no âmbito de Planos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), Plano de
Conectividade ou ações compensatórias por supressão de espécies imunes e/ou ameaçadas.

O resgate de flora deverá ser desenvolvido por profissionais da área de botânica especializados
(biólogo/engenheiro florestal) e deverá ocorrer em metas sequenciais e ações concomitantes,
considerando as diversas espécies envolvidas e sintonia com os Programas de Supressão da
Cobertura Vegetal e Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD).

O resgate da flora será realizado na área de intervenção do empreendimento que sofrerá a remoção
da vegetação. Complementarmente, outras áreas do entorno onde forem observados estados de
conservação da vegetação indicando estágios sucessionais superiores, maior diversidade de

Programas Ambientais – Pág. 200


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espécies ou até mesmo áreas aleatórias que possuam indivíduos de interesse deverão também ser
percorridas e realizada a coleta de material reprodutivo.

As áreas destinadas a receber as plantas salvas deverão ser definidas na Fase Inicial do Programa,
devendo dar preferência para aquelas que possuem proteção legal (ex: Reservas Legais e APPs)
e que se localizem próximas à ADA e aos acessos provisórios abertos para a supressão, reduzindo
custos com transporte e injúrias às plantas.

[Link].1 Resgate de Epífitas

Foram registradas apenas duas espécies de epífitas na ADA do Complexo Santa Eugênia Solar
(Fase 01): as bromeliáceas Tillandsia gardneri Lindl. e Tillandsia loliacea Mart. ex Schult. & Schult.f.
Porém, caso a ocorrência de mais espécies seja registrada durante as atividades, estas deverão
ser alvo do resgate.

As epífitas deverão se manter fixadas aos galhos ou troncos onde se encontram, os quais deverão
ser cortados com o uso de motosserra. Este procedimento deverá ser executado antes da operação
de supressão vegetal. As epífitas retiradas de licuris deverão ser transferidas para a copa de outros
licuris fora da ADA e os galhos cortados contendo as plantas epífitas serão transferidos para os
locais de destino e então amarrados com sisal nos galhos de árvores em ambientes semelhantes.
Estes locais deverão variar entre áreas a serem enriquecidas, a exemplo de Reservas Legais e
APPs.

Os indivíduos deverão ser retirados da frente de supressão e imediatamente relocados para as


áreas de destino, fora da linha a ser suprimida. Dessa forma, espera-se que o estresse por
desidratação seja mínimo. O procedimento mais adequado é não realizar a rega até a cicatrização
da raiz, caso ocorra algum dano no momento da remoção, para evitar seu apodrecimento. Após a
primeira semana de realocação, nos períodos mais secos do ano, deverá ser avaliada a
necessidade de rega desses indivíduos.

Todas as epífitas resgatadas e relocadas deverão ser catalogadas, mantendo-se anotadas sua
espécie, estágio fenológico e coordenadas do local de estabelecimento, assim como deverão ser
alvo de assim como avaliações periódicas.

[Link].2 Resgate de Plantas Arbustivas e Herbáceas Terrestres

Antes do início da supressão vegetal, indivíduos de espécies ameaçadas, bem como cactáceas e
bromélias terrestres identificadas serão alvo de resgate oportunístico. Os espécimes serão
arrancados com auxílio de picaretas e enxadões, devendo ser transferidas imediatamente para
locais próximos que não serão objeto de intervenção por parte do empreendimento sendo,

Programas Ambientais – Pág. 201


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preferencialmente, em Reservas Legais e APPs. Caso necessário, os espécimes poderão ser


encaminhados para o viveiro de mudas para posterior destinação final.

A quantidade de plantas a serem resgatadas deverá ser proporcional à extensão e densidade


vegetal da área disponível para recepção, a qual deverá ser providenciada e avaliada pelo
responsável pelo resgate antes do início da operação, contando com a anuência do proprietário e
do INEMA. Sugere-se que a área de plantio seja cercada contra a presença de animais domésticos.

As plantas resgatadas deverão ser transportadas em carroceria de veículo (caminhão ou camionete)


até a área de plantio, onde covas com dimensões de 0,5x0,5x0,5m deverão ser abertas para
recepção imediata.

Deve-se dar preferência para a prática no período chuvoso, mas caso seja necessário o transplantio
de imediato, sendo o período seco, deverão ser adotadas associações com regas imediatas, além
das periódicas pós realocação. Na primeira rega sugere-se molhar as covas com cerca de 5 litros
de água e nas demais 2 litros.

As covas deverão receber resíduos orgânicos semidecompostos proveniente das frentes de


desmate e, após plantio, serão cobertas por este mesmo material para diminuir a incidência solar
diretamente sobre o solo, evitando uma maior evapotranspiração nesse período inicial.

[Link].3 Resgate de Licuris e/ou Ariris

Para os Licuris e Ariris, caso sejam registrados no momento da supressão na ADA pelo
empreendimento, propõem-se o resgate/transplantio dos espécimes a serem suprimidos, visto que
são imunes de corte no Estado da Bahia. No caso de indivíduos jovens, estes serão resgatados
imediatamente. No caso de indivíduos adultos, caso seja viável o transplantio, estes deverão ser
sinalizados com fitas coloridas antes do início da supressão vegetal, da qual serão poupados.
Apenas após finalizado o corte das demais árvores e retirado o material lenhoso, os licuris serão
resgatados. Os espécimes resgatados poderão ser imediatamente transplantados ou
encaminhados para viveiro para manejo e futuro plantio.

Caso seja necessário o corte de indivíduos adultos e, consequentemente, a produção de


mudas/plântulas de Licuris e Ariris para fins de compensação, poderão ser coletadas sementes para
produção de mudas em viveiro e/ou compra de mudas de outros viveiros para posterior plantio.

Para resgatar mudas de Licuris e Ariris deverá ser usada uma picareta e um enxadão, removendo
todo o torrão que envolve o sistema radicular a fim de se evitar danos ao mesmo. O torrão deve ser
embalado em sacos biodegradáveis (ráfia ou aniagem) ou em palhas de palmeiras adultas
suprimidas, imediatamente acomodada em caixa e transportada para local de plantio. Caso a
operação seja executada em período de chuvas, o local de realocação deverá ser o definitivo, caso

Programas Ambientais – Pág. 202


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contrário, serão acomodadas em viveiro para serem direcionadas ao definitivo no período chuvoso
seguinte.

Para o resgate dos licuris adultos de grande porte haverá a necessidade do uso de uma
retroescavadeira, abrindo uma trincheira ao lado de sua copa até a profundidade aproximada de 1
m. Após esta operação o tronco deverá ser amarrado no “braço” da retroescavadeira e com o uso
de alavancas a raiz deverá ser solta do solo, sendo então içada e colocada em carroceria de
caminhão, a qual deverá ser forrada com palhada molhada de licuris suprimidos, objetivando
acomodação das plantas e manutenção de umidade. O transporte até o local de replantio deverá
ser imediato e a cova deverá estar preparada previamente e situar-se à menor distância possível.

As covas de recebimento dos licuris deverão ser abertas com dimensões de 1 m x 1 m x 1 m, sendo
forrada com folhas e galhos finos provenientes das frentes de desmate, contribuindo em manter a
umidade e qualidade do substrato. O solo superficial proveniente das áreas de desmate também
deverá ser adicionado à cova, em volume mínimo de 50 litros. Cada cova deverá ser coberta com
resíduos vegetais semidecompostos e manter distância mínima de 3 metros entre elas.

Os locais definitivos deverão variar entre áreas a serem enriquecidas fora da área de intervenção,
preferencialmente em áreas de proteção legal, como áreas de Reservas Legal e APPs. Sugere-se
que estas áreas sejam cercadas para evitar prejuízos pelo gado.

[Link].4 Coleta de Sementes e Produção de Mudas de Demais Espécies Protegidas

As espécies arbóreas, com destaque para as espécies ameaçadas e/ou protegidas sempre que
possível deverão ser objeto de coleta de sementes.

Com exceção dos grupos de espécies supracitados, em função da escassez de sementes


disponíveis, em virtude das características fisiológicas da Caatinga presente, não será definida uma
lista prioritária de espécies arbóreas para a coleta de propágulos. Deverão ser coletadas sementes,
do maior número de espécies arbóreas possível, de indivíduos nativos e saudáveis que estiverem
no período fértil, priorizando uma maior variabilidade genética. Visto que a disponibilidade de mudas
para resgate é relativamente rara, é importante realizar sua germinação e desenvolvimento em
viveiro para se obter maior eficiência.

Estratégias de coleta do material reprodutivo apresentadas a seguir, foram pautadas por


orientações gerais descritas em literatura especializada como Lieras (1988), Walter-Cavalcanti
(1996), Walter (2000) e Cavalcanti et al. (2005).

• Coletar sementes de forma extensiva e casual em cada tipologia, com amostras pequenas
de cada matriz para se obter a maior variabilidade genética possível.

Programas Ambientais – Pág. 203


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• Coletar relativamente poucas sementes em grande número de matrizes de espécies


autógamas.

• Coletar o máximo de sementes de poucas matrizes de espécies alógamas.

Anteriormente às atividades de supressão da vegetação, um profissional ou equipe executora do


Plano deverá percorrer a área de intervenção, com finalidade de identificar indivíduos de espécies
de interesse para o resgate de flora. Deve-se ainda observar a presença de sementes ou frutos
maduros nestes indivíduos. Posteriormente, tal material reprodutivo, assim como propágulos
vegetativos e plântulas, deve ser coletado e destinado a viveiro de mudas para que se proceda seu
armazenamento ou propagação. Mapeando-se suas matrizes e a época de produção de sementes,
coletas ocorrerão antes da etapa de supressão na ADA e, após concluída, na AID e AII.

Todas as espécies vegetais encontradas poderão ter material coletado, procurando-se minimizar a
perda de biodiversidade, tanto quanto possível. No entanto deve ser dada ênfase em certas
espécies de interesse ecológico, econômico, medicinal, raras, ameaçadas de extinção ou de pouca
disponibilidade de referências e estudos quanto à sua propagação.

Informações quanto à fenologia e maturação de frutos deverão ser registradas de forma a subsidiar
o planejamento das atividades ao longo deste programa. Formas de propagação vegetativa como
a estaquia deverão ser testadas em quantas espécies forem possíveis. Mesmo quando possível a
propagação vegetativa de alguma espécie, não deve ser cessada a coleta de sementes, sendo que
a propagação vegetativa poderá ser utilizada massivamente em caso da necessidade de
fornecimento de uma grande quantidade de mudas complementarmente aos métodos de
propagação, a partir de propágulos reprodutivos.

As sementes poderão ser coletadas nas árvores, através da coleta direta ou com auxílio de podão,
podendo ainda serem coletadas a partir da agitação dos galhos e tronco da árvore para a queda
dos frutos sobre uma lona colocada ao solo. Deverão ser registradas as coordenadas da árvore de
coleta, colhidas as sementes e acondicionadas em sacos de papel para, posteriormente, ser
realizado o beneficiamento delas.

A coleta e beneficiamento serão direcionadas a um viveiro de espera/temporário, onde as mudas


permanecerão até que seu uso seja demandado para plantio, o qual estará associado ao Plano de
Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), Plano de Conectividade e/ou a outras áreas.

Também poderão ser criadas parcerias com viveiros locais já estabelecidos, estimulando a troca de
propágulos/mudas e, desta forma, propiciando maior diversidade florística e genética, bem como
desenvolvimento de atividades econômicas no município. Além disso, sementes coletadas além da
necessidade de suprir a compensação deverão ser coletadas e destinadas à Rede de Sementes do
Bioma Caatinga.

Programas Ambientais – Pág. 204


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[Link].5 Viveiro de Mudas

[Link].5.1 Estrutura

A necessidade de produção de mudas com melhor qualidade, menor custo e em maior escala
decorre da crescente demanda por parte do mercado por produtos florestais e por ser medida
compensatória quando novas áreas cobertas por remanescentes florestais são convertidas. O êxito
na implantação de florestas recai em grande parte na qualidade das mudas plantadas as quais além
de resistir as condições adversas encontradas no campo após o plantio, deverão sobreviver e
produzir árvores com crescimento volumétrico desejável.

Considerando que o viveiro de mudas objetiva a produção de mudas para revegetação de áreas
degradadas a uma condição não degradada, mais similar possível da sua condição original, é de
extrema importância que o empreendedor consiga produzir ou adquirir mudas florestais nativas
adaptadas a região.

A instalação ou utilização de viveiro de mudas nativas próximo ao empreendimento possui


importância estratégica para a efetividade do Plano. A escolha do local de instalação do viveiro de
mudas deverá privilegiar o fácil acesso de veículos para carregamento; disponibilidade de água e
localização próxima à área de intervenção; e, futura área de plantio, quando possível. Considerando
que a empresa já possui outros empreendimentos em operação na região, será utilizado o viveiro
de mudas já existente para obra do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01).

O viveiro terá como objetivo o fornecimento das mudas florestais a serem plantadas para compensar
as árvores de espécies protegidas exploradas, bem como, dar subsídios para a recuperação de
áreas degradadas e/ou enriquecimento.

O viveiro deve ser preparado em período anterior às atividades de supressão vegetal (fase de
implantação do empreendimento), a fim de que se possa receber e desenvolver os propágulos
provenientes do dos resíduos florestais e camada superficial do solo Programa de Supressão da
Cobertura Vegetal e do Programa de Resgate de Flora, devendo sua estrutura e operação ser
mantida, no mínimo, até que se finalizem as atividades previstas nos Planos de Recuperação de
Áreas Degradadas (PRAD), Plano de Conectividade e plantios compensatórios.

Os viveiros de mudas compreendem todas as estruturas físicas construídas com o objetivo de


oferecer condições ideais às práticas que envolvem a produção de mudas e também o estoque
destas até o momento de seu transporte e plantio em campo. Esta estrutura é constituída de área
sombreada para produção de mudas, área aberta destinada à rustificação de mudas, área coberta
para manejo do material proveniente do resgate e beneficiamento de sementes, área de
armazenamento de insumos e ferramentas e área de vivência. A seguir são apresentadas as
estruturas básicas que compõem cada área supracitada:

Programas Ambientais – Pág. 205


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• Rustificação: área descoberta com estrutura para irrigação, seja através de sistema de
irrigação completo, de mangueiras e/ou manual;

• Sombrite: estrutura ripada coberta e cercada por sombrite (50% e 80%), com
disponibilidade de sementeiras, estrutura de irrigação, (sistema de irrigação completo,
mangueiras e/ou manual) e bancada(s) de trabalho.

• Manejo e beneficiamento: estrutura coberta (ex: tenda), com bancadas, mesas, cadeiras,
prateleiras com disponibilidade de água (ex: tanques / pias) e energia elétrica;

• Armazenamento: área coberta (ex: tenda) para armazenamento de insumos (areia, terra,
esterco, dentre outros) e área coberta e trancada (ex; contêiner) para armazenamento de
ferramentas (pás, cavadeira, enxadas, enxadões, podões e tesouras de poda, facões,
peneiras, martelo, garrafas de água e recipientes gerais, EPIs, dentre outros);

• Vivência: área coberta (ex: tenda) com banheiros, mesas, cadeiras e disponibilidade de
água (ex: pia / bebedouro) e energia elétrica;

Os locais de produção e acondicionamento das mudas deverão possuir condições sanitárias e de


isolamento adequadas de modo a prevenir propagação de pragas e doenças. A área de produção,
onde serão estabelecidos os canteiros para a formação das mudas, deve ser previamente capinada,
procurando-se remover toda a vegetação, tocos, raízes ou quaisquer outros resíduos vegetais ou
animais que possam se tornar foco de propagação de agentes patológicos. Também é importante,
previamente ao início do processo de produção, o combate eficiente às formigas cortadeiras e
cupins. Ademais, a área deverá ser cercada para impedir o acesso de animais.

Os sombrites deverão proporcionar diferentes níveis de incidência solar em consonância com o


tempo de permanência das mudas no viveiro e os estágios de desenvolvimento das mesmas.
Destaca-se que quanto maior a incidência solar, maior o desenvolvimento do sistema radicular.
Assim, o processo de rustificação, que proporciona uma maior insolação, somente é recomendada
no último estágio antes do plantio, caso contrário poderá haver enovelamento das raízes ou o
rompimento dos sacos e quebra de tubetes.

Ressalta-se que as mudas jovens são susceptíveis a quebra causada pelo vento, o que pode
ocasionar danos e perda da muda. Logo, o viveiro deverá ser planejado de modo a evitar a alta
incidência de ventos nos canteiros utilizados para o desenvolvimento das mudas jovens, por meio
da própria disposição das mudas e quebra-ventos.

A capacidade do viveiro deverá ser determinada em função dos seguintes fatores: demanda de
plantio, densidade de mudas por m², período de rotação de espécies, intensidade das atividades do
resgate de flora e dimensão dos canteiros de produção e das estruturas.

Programas Ambientais – Pág. 206


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[Link].5.2 Atividades Viveiristas

No viveiro de mudas, o material reprodutivo coletado em campo, que por questões logísticas e
operacionais não puderem ser germinadas de imediato, deverão ser devidamente organizados,
tratados e armazenados em local próprio de forma a evitar perdas por fungos, insetos ou larvas
xilófagas.

A organização do material reprodutivo se resume ao registro por meio de etiquetas e fichas com as
informações de espécie, data da coleta, local e matriz. O tratamento prévio ao armazenamento pode
variar conforme as diferentes espécies botânicas, mas de forma geral envolve processos de
limpeza, seleção de sementes viáveis e secagem. O armazenamento também pode considerar
necessidades específicas relativas a alguma espécie, mas, em geral, o material deverá ser
armazenado em recipientes próprios, limpos e secos, e em local sem iluminação, livre de umidade
e temperatura controlada.

No viveiro de mudas, deverá ainda ser reservada área específica para o acondicionamento de
plântulas e indivíduos coletados, de modo a oferecer as condições e insumos necessários à
sobrevivência destes até o momento de sua realocação ou replantio.

[Link].6 Monitoramento e Manutenção

O monitoramento da flora é a atividade responsável pela avaliação da qualidade dos ambientes de


vegetação nativa existentes no entorno do empreendimento, servindo de referencial para subsidiar
a tomada de decisão por parte do empreendedor e do órgão ambiental quanto aos impactos sofridos
pela vegetação e a eficácia dos demais programas de controle ambiental.

Após a conclusão das operações de resgate e replantio, o monitoramento deverá ser mantido
durante a fase de implantação do empreendimento, com vistorias trimestrais e considerando um
período mínimo de seis meses contados a partir de sua reintrodução, recebendo irrigação ou
capinas (coroamento), caso avalie-se como necessário. A continuidade do monitoramento deverá
ser avaliada e, caso necessário, novamente planejada ao fim das obras.

No período seco, deve-se avaliar a demanda por irrigação semanalmente. Caso necessário, pode
ser avaliada a irrigação através de efluentes sanitários tratados, que pode proporcionar melhor
desenvolvimento das plantas. No período chuvoso, no caso de ocorrência de períodos de estiagem,
também é importante a avaliação pela necessidade de irrigação.

Deverá ser realizado o monitoramento trimestral dos indivíduos realocados para as áreas
adjacentes à área de supressão a fim de verificar a sanidade deles. As ações de monitoramento
devem permitir identificar se os espécimes realocados obtiveram êxito durante o processo de
reposição para outros substratos, comparando o número de indivíduos realocados com o número
de indivíduos sobreviventes.

Programas Ambientais – Pág. 207


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[Link].7 Registro de Dados

Todos os registros efetuados pela equipe de resgate da flora deverão ser organizados em
formulários e/ou planilhas Excel para a formação de um banco de dados sistemático.

Segue abaixo sugestão de dados a serem registrados pelas equipes de resgate de flora para as
coletas:

• Dados Gerais: Número do registro da coleta (código de identificação); data; período; coletor

• Local de coleta: estrutura do empreendimento; coordenada geográfica; fitofisionomia;


características edáficas/substrato (ex: solo arenoso; afloramento rochoso; epífita em tronco);

• Espécie: Família, espécie, hábito, estágio fenológico (para caso de coleta de sementes e/ou
frutos)

• Metodologia: Coleta de plântula/muda ou coleta de sementes/frutos;

• Quantidade: número de plântulas/mudas, sendo a quantificação de sementes/frutos a ser


gerada (ou estimada) após triagem em viveiro

• Destinação: data; período; local de relocação (área receptora; registrar caso de relocação
se dê em área legalmente protegida; coordenada geográfica; fitofisionomia; características
edáficas/substrato) ou destinação ao viveiro de mudas.

Para atividades de monitoramento, todos os indivíduos relocados e plantados deverão ser alvo de
avaliação de taxa de sobrevivência e registro das condições fitossanitárias gerais para, caso
necessário, sejam tomadas providências que evitem o comprometimento do desenvolvimento de
mais plantas.

Quando o viveiro se tratar da destinação do material coletado, recomenda-se que os dados do


mesmo (triagem, produção e manutenção de mudas) sejam integrados aos dados do resgate de
flora, mantendo-se os mesmos códigos de coleta do resgate. O mesmo vale para a destinação final
(plantio) das mudas. Dessa forma e possível se ter o rastreamento e as informações integradas de
todo o processo. Neste caso, cada equipe (resgate, viveiro e plantio) sendo responsável pelas
informações pertinentes a cada atividade.

Programas Ambientais – Pág. 208


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[Link] Metas

A meta básica a ser alcançada pelo presente Programa é a minimização dos danos causados sobre
o meio ambiente local (perda da cobertura vegetal), por meio da adoção de medidas de conservação
da vegetação a ser afetada pelas obras. Tem-se como metas específicas:

• Salvaguardar pelo menos 50% da diversidade genética das espécies da flora prioritárias
para conservação (endêmicas, raras e ameaçadas de extinção e/ou legalmente protegidas)
existentes na ADA pelo empreendimento;

• Coletar propágulos, mudas e sementes (na ADA, AID e AII) de 50% das 50 espécies de
diversidade registrada na ADA do empreendimento, o que corresponde a um total de 25
espécies;"

• Garantir o êxito (60%) no restabelecimento dos indivíduos transplantados;

• Garantir o êxito (60%) quanto à diversidade genética na produção de mudas a partir dos
propágulos resgatados;

[Link] Indicadores de Desempenho

Os indicadores de desempenho desse programa são:

• Número de espécies prioritárias para conservação (endêmicas, raras e ameaçadas de


extinção e/ou legalmente protegidas) resgatadas ou alvo de coleta de sementes na ADA,
antes da supressão vegetal;

• Número total de espécies resgatadas e alvo de coleta de sementes e produção de mudas;

• Taxas de sobrevivência pós transplantes;

• Número de espécies que foram alvo de coleta de plântulas e/ou propágulos e destinadas ao
viveiro / número de espécies de mudas produzidas e disponibilizadas para plantio;

[Link] Interface com Outros Programas

O Programa de Resgate de Flora possui interface com os seguintes Planos e Programas:

• Programa de Supressão da Cobertura Vegetal;

• Programa de Afugentamento e Eventual Resgate de Fauna;

• Plano de Recuperação de Áreas Degradadas;

• Plano de Conectividade;

• Programa de Educação Ambiental.

Programas Ambientais – Pág. 209


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[Link] Recursos Necessários

Para a execução do Programa de Resgate de Flora será necessária a contratação de equipe


especializada. Devem ser previstas a compra dos materiais de trabalho necessários, bem como a
previsão de infraestrutura e logística. A seguir, a lista de materiais estimados à execução do
presente Programa:

• Pá, picareta, enxadão, foice, sacho, motosserra, cinta para carga (2 unidades de cada);

• Corda de 50 m e barbante de cisal de 1000 m;

• Tesoura de poda, garrafão d’água, caixote, carrinho de mão, prancheta e caderno/bloco de


notas (3 unidades de cada);

• Unidades de sacola de papel kraft (20 x 40cm e 10 x 20 cm);

• Sacos de aninhagem, lápis, caneta, fita crepe, fita adesiva larga (10 unidades de cada);

• EPI’s para todos os colaboradores envolvidos: botas de couro com biqueira de PVC, luvas
de vaqueta, chapéus com aba no pescoço, óculos de proteção, perneiras, protetores
auriculares e protetor solar (aproximadamente 10 unidades de cada).

Além desses materiais, as atividades demandarão a disponibilidade de veículos de transporte da


equipe e material, podendo ser necessários o apoio de retroescavadeira e caminhão.

[Link] Produtos a Serem Gerados

Mensalmente, serão produzidos relatórios internos que deverão conter informações quali-
quantitativas com resumo das informações detalhadas no capítulo [Link].7 - Registro de Dados.
Deve-se também realizar o registro fotográfico evidenciando a realização de todas as atividades
previstas neste Programa referente ao período (mês) do relatório.

Os relatórios mensais deverão ser elaborados com apresentação dos dados do período e resumo
dos dados cumulativos, somando-se os dados do mês vigente aos dados compilados gerados dos
relatórios anteriores, de forma a sempre apresentarem os dados consolidados das atividades até o
momento. Ao final das atividades de resgate, todas essas informações serão compiladas em um
Relatório Final Consolidado, a ser enviado ao órgão ambiental.

Um monitoramento trimestral durante seis meses deverá ser mantido, de forma a garantir o sucesso
dos resgates e transplantes, prevendo-se intervenções de rega se julgar necessário. Os resultados
do monitoramento e intervenções realizadas também devem compor relatórios (trimestrais) internos
e um Relatório Final Consolidado do Monitoramento, a ser enviado ao órgão ambiental.

Programas Ambientais – Pág. 210


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[Link] Cronograma

O presente Programa terá início na fase de planejamento do empreendimento (antes do início das
primeiras atividades de implantação da obra). Nessa fase, deverá ser contratada equipe técnica
para proceder ao planejamento e execução das informações de acordo com as diretrizes contidas
na ASV.

O Programa de Resgate da Flora deverá ser executado em associação com o Programa de


Supressão da Cobertura Vegetal, se antecipando no caso de resgates de plantas herbáceas
terrestres, epífitas baixas e coleta de sementes. Na ADA, o resgate deverá se estender à fase de
supressão vegetal para o resgate de epífitas e sementes em maior altura e dos indivíduos de licuris
adultos, quando for o caso. Desta forma, apenas terá fim após a finalização da limpeza da área
selecionada. Para coleta de propágulos na AID e AII, este programa poderá se estender após
atividades de supressão vegetal.

Quadro 41 Cronograma do Programa de Resgate da Flora.

Pré- Fase de Implantação (meses)


Atividades
Implantação 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Contratação de equipe e aquisição de materiais
Submissão de Pedido para ASV
Resgate pré-implantação
Acompanhamento da Supressão Vegetal
Relocação do material coletado
Monitoramento e manutenção
Relatórios mensais e trimestrais internos
Relatório final para o INEMA

[Link] Referências Bibliográficas

ASSOCIAÇÃO CAATINGA. Projeto No clima da Caatinga – Cartilha: Coleta e Manejo de Sementes


Nativas da Caatinga. Fortaleza/CE. Disponível em: [Link]
content/uploads/Cartilha_coleta_sementes_associacao_caatinga.pdf. Acesso em: nov, 2022.

FERREIRA, G. C. Diretrizes para coleta e identificação de material botânico. Belém-PA: Embrapa,


2006.

SOUZA at. al. Reconstructing Three Decades of Land Use and Land Cover Changes in Brazilian
Biomes with Landsat Archive and Earth Engine - Remote Sensing, 2020, Volume 12, Issue 17,
10.3390/rs12172735

Programas Ambientais – Pág. 211


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OLIVEIRA, MC de. et al. Manual de viveiro e produção de mudas: espécies arbóreas nativas do
Cerrado. Brasília: Rede de Sementes do Cerrado, 2016.

WIGGERS, I; STANGE, CEB. Manual de Instruções para Coleta, Identificação e Herborização de


Material Botânico. Laranjeiras do Sul / PR: UNICENTRO, 2008.

Programas Ambientais – Pág. 212


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3.2.4 Plano de Conectividade

[Link] Introdução e Justificativa

O sistema de áreas protegidas em geral, direcionado à proteção de algumas espécies e


ecossistemas, não é suficiente para conservar a totalidade da diversidade biológica, a menos que
considere os gradientes entre ecossistemas que permitam a dispersão de indivíduos, a adaptação
a distúrbios e a manutenção do fluxo gênico entre populações. Surgem, assim, novas tendências e
estratégias para maximizar os esforços de conservação compatíveis com o desenvolvimento
racional. O conceito de corredores ecológicos, ou corredores de biodiversidade, surgiu como uma
possível resposta para minimizar os efeitos do isolamento das áreas protegidas e,
consequentemente, das espécies que elas abrigam (AYRES et al., 1997).

Mais do que atuar como corredores de vida silvestre, os corredores ecológicos representam um
esforço para proteção de paisagens, processos ecológicos e diversidade biológica, por um prazo
muito mais longo. Esse novo conceito tem sido defendido por diversos pesquisadores, que
identificam um corredor ecológico como uma rede de áreas protegidas gerenciada de maneira
integrada, de forma a garantir a sobrevivência do maior número possível de espécies de uma região
(CI & IESB, 2000). O objetivo desses corredores é unir as diferentes tipologias de áreas protegidas
aos remanescentes naturais e às áreas de intensidade de uso moderada, criando áreas que
manejadas de forma integrada, podem viabilizar a sobrevivência de espécies no longo prazo, a
manutenção de processos ecológicos e o desenvolvimento de uma economia regional com base no
uso sustentável dos recursos naturais (MMA et al., 2006).

O desenvolvimento de atividades potencialmente impactantes, como o empreendimento fotovoltaico


que será instalado, além da supressão de vegetação nativa, promove a fragmentação do habitat
natural das espécies da fauna, acarretando alterações na estrutura destas comunidades e quebra
do fluxo gênico entre populações.

Tais impactos podem gerar prejuízos ecológicos e evolutivos para as espécies da flora e fauna,
contribuindo, em alguns casos, para a perda de indivíduos da fauna e flora silvestres. São
normalmente caracterizados como potenciais impactos do empreendimento sobre o meio biótico,
indiretos e de grande magnitude e severidade no médio e longo prazo.

Esta dinâmica de fragmentação dos habitats influencia e direciona as comunidades biológicas para
a formação de metapopulações. Estas metapopulações só podem persistir, ao longo do tempo, se
as taxas de recolonização de manchas de vegetação nativa forem maiores que as de extinção.
Contudo, a realidade mostra que o processo de fragmentação dos habitats naturais incrementa as
taxas de extinção local de espécies autóctones, o que diminui a viabilidade das metapopulações no
longo prazo. Segundo Fernandez (1997) a fragmentação resulta em dois processos distintos: no
curto prazo a própria redução da área que, por um simples efeito de amostragem, leva os

Programas Ambientais – Pág. 213


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fragmentos a terem menos espécies que a área contínua; o segundo, no longo prazo, é o fenômeno
da insularização – isolamento de populações com consequente perda da variabilidade genética das
populações – impacto local e regional.

Assim, os corredores ecológicos constituem-se em importante instrumento de planejamento no


sentido de potencializar a cooperação entre as diversas esferas de governo e segmentos da
sociedade civil com objetivo de buscar a conciliação entre a conservação da biodiversidade e o
desenvolvimento socioeconômico. O manejo integrado dos corredores ecológicos visa facilitar o
fluxo de indivíduos e genes entre populações e subpopulações, aumentando a probabilidade de sua
sobrevivência no longo prazo e assegurando a manutenção de processos ecológicos e evolutivos
em larga escala. O conceito de corredores ecológicos permite ainda o incremento do grau de
conectividade entre as áreas naturais remanescentes, sob diferentes categorias de proteção e
manejo, através de estratégias de fortalecimento e expansão do número de unidades de
conservação, incluindo-se aqui as unidades de conservação de proteção integral e de uso
sustentável, além da recuperação de ambientes degradados, quando considerado compatível.

O sucesso de um corredor ecológico depende de um gerenciamento bem planejado, que possibilite


a conectividade entre as manchas de vegetação remanescentes, interligando áreas protegidas
através da recuperação de áreas degradadas ou enriquecimento de áreas pouco preservadas,
manutenção de áreas de preservação permanente, criação de áreas protegidas privadas e,
especialmente, através da modificação de práticas impactantes de uso do solo. Os corredores
tornam-se, portanto, uma ferramenta para aumentar a eficiência da aplicação de recursos e esforços
para tornar mais efetivos os resultados para a conservação. O Brasil tem identificado áreas para a
implantação de corredores ecológicos já há algum tempo (MMA, 1998).

Sua execução está voltada, portanto, à prevenção e mitigação de possíveis impactos sobre os
fatores ambientais associados a flora e fauna, conforme quadro resumo a seguir.

Quadro 42 Premissas da mitigação de impactos do Plano de Conectividade.

Plano de Conectividade
Componente Ambiental Afetado Vegetação e Fauna
Fase do Empreendimento Implantação e Operação
Caráter Compensatório
Agentes Executores Empreendedor
Período Médio Prazo

Programas Ambientais – Pág. 214


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[Link] Objetivos

Esse Plano tem como objetivo promover a conectividade dos remanescentes de vegetação nativa
às Áreas de Preservação Permanente (APP’s), às Reservas Legais e às Unidades de Conservação
(UC’s) da região do entorno imediato do empreendimento, formando um corredor de biodiversidade.

Tem como objetivos específicos:

• Mapear e indicar os remanescentes de ambientes naturais nas áreas de influência direta e


indireta do empreendimento que apresentam potencial para serem incorporados ao Corredor
Ecológico, com foco nas APP’s, Reservas Legais e UC’s;

• Avaliar a possibilidade de conectividade entre ambientes das áreas de influência e seu


entorno, verificando o potencial de uso dos remanescentes de vegetação nativa que possam
favorecer a dispersão natural e a manutenção da fauna local;

• Estabelecer uma estratégia para gestão da área de abrangência do Corredor Ecológico e


mosaico de UC’s, aliada aos programas do Estado e da iniciativa privada para a conservação
da biodiversidade, restauração ambiental e recuperação de áreas degradadas da região;

• Definir um zoneamento para a área de influência do Corredor Ecológico e mosaico de UC’s


da região que seja reflexo da integração dos interesses público-privados e com base nas
atividades econômicas atuais e planos futuros;

• Estabelecer uma estratégia institucional de comunicação permanente voltada para os atores


presentes no território do Corredor Ecológico e mosaico de UC’s, como ferramenta para a
sua implantação e monitoramento;

• Estabelecer diretrizes para restaurar a heterogeneidade da paisagem, fazer a recomposição


da flora local, bem como minimizar os efeitos de borda e reestabelecer o regime natural de
perturbação dentro dos ecossistemas.

• Possibilitar a manutenção da conexão da cobertura vegetal formando um cinturão de


corredor ecológico no entorno de todo o empreendimento, considerando remanescentes de
vegetação remanescentes e áreas alvo das ações executivas do presente Programa.

[Link] Requisitos Legais

São listados na sequência os principais documentos legais que devem ser observados, no âmbito
deste Programa. Todavia, a equipe executora deverá atentar-se e verificar constantemente a
existência de atualizações ou outros documentos legais aplicáveis ao tema que não tenham sido
aqui elencados.

• Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000;

• Decreto nº 11.235 de 10 de outubro de 2008;

Programas Ambientais – Pág. 215


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• Lei nº 10.431 de 20 de dezembro de 2006.

[Link] Responsabilidade de Execução

A execução do Programa de Conectividade é de responsabilidade do empreendedor, que deverá


contratar equipe especialista sob a coordenação de um profissional capacitado.

[Link] Público-Alvo

A execução do presente Plano vai minimizar os impactos provenientes da remoção da cobertura


vegetal em determinados locais. Por meio do planejamento, zoneamento e implantação do plano,
vai gerar ganhos ambientais que incidirão principalmente sobre as comunidades locais e
proprietários rurais. Além disso, a aplicação deste Plano irá gerar informações que poderão ser
utilizadas pelas comunidades científicas, legisladores e gestores dos recursos naturais e órgão
licenciador.

[Link] Metodologia

[Link].1 Planejamento

Este Projeto deve ser executado de forma criteriosa, considerando os conceitos de ecologia da
paisagem e deve ser conduzido em sintonia com o órgão responsável pelo licenciamento do
empreendimento e, principalmente, considerando a análise preliminar já realizada, os resultados
apresentados nos estudos apresentados para obtenção do licenciamento do empreendimento, as
UC’s e outras áreas prioritárias para a conservação.

De forma resumida, para a execução do presente Projeto as seguintes etapas deverão ser definidas:

1. Mapeamento da Cobertura Vegetal e do Uso e Ocupação do Solo: análise e refinamento


do material cartográfico já disponível, com auxílio de imagens de satélite de alta resolução;

2. Definição de área para implantação de Corredor Ecológico;

3. Visita técnica de campo para verificação e validação do mapeamento e da proposta do


Corredor Ecológico;

4. Elaboração do Plano de Ação para implantação do Corredor Ecológico e sua gestão,


integrando os diversos setores da empresa (Meio Ambiente, Planejamento, Comunicação,
entre outros)

Programas Ambientais – Pág. 216


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5. Revegetação e reabilitação das áreas que integram o Corredor Ecológico.

[Link].1.1 Mobilização de Recursos Humanos e Materiais

Primeiramente, deve ser realizada a contratação das empresas responsáveis pelas diferentes
atividades executivas contempladas no presente Plano. Através destas deverá ser dimensionado e
providenciado todos os recursos materiais e humanos necessários para execução do Plano.

Antes do início das atividades executivas, que ocorrerão na fase de implantação do


empreendimento, as equipes envolvidas deverão ser devidamente mobilizadas conforme diretrizes
de segurança adotadas pelo empreendedor.

[Link].1.2 Mapeamento da Cobertura Vegetal e do Uso e Ocupação do Solo

Por meio de imagens de satélite e a partir do diagnostico ambiental realizado para o processo de
licenciamento do empreendimento, será possível definir estratégias de conservação da
biodiversidade da região do entorno do empreendimento, obtendo informações das condições
físicas, topográficas e espaciais dos elementos da paisagem.

O mapeamento, que objetiva subsidiar a definição das áreas alvo de aplicação das estratégias e
métodos, deve focar nas áreas de maior fragilidade (alvo das ações de recuperação/
enriquecimento) e de maior status de conservação (a serem conectadas), de forma a propor a
conectividade entre os fragmentos.

Características como tamanho, isolamento, forma, efeito de borda e matriz dos fragmentos
remanescente são fundamentais para uma melhor compreensão da viabilidade do Plano de
Conectividade. Sendo assim, são listadas, a seguir, algumas atividades que permitem essa
caracterização da área:

• Análise dos fatores abióticos (hidrografia, geomorfologia e pedologia);

• Definição das áreas de fragilidade quanto aos aspectos abióticos;

• Análise da cobertura vegetal e uso do solo;

• Análise de áreas protegidas, como Reservas Legais, APP’s, UC’s, dentre outras;

• Análise de áreas com potencial produtivo;

• Cálculo do índice de conectividade (porcentagem de fragmentos que estariam conectados


com uma distância de dispersão de 100 m de raio);

• Análise da integração da conectividade com outras áreas alvo de recuperação no âmbito do


PRAD.

Programas Ambientais – Pág. 217


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[Link].1.3 Definição das Áreas Alvo do Plano de Conectividade

A escolha das áreas destinadas à formação de corredores ecológicos deverá ser de acordo com as
características dessas e de seus entornos, com vistas a se proceder a um manejo ajustado à
sustentabilidade ambiental de seus sistemas e à implantação de ações de baixos custos ao
empreendedor. Sendo assim, vale ressaltar que as áreas definitivas a serem alvo do presente Plano
só deverão ser definidas após as análises do mapeamento supracitado e vistoria (capítulo a seguir)
a respeito da viabilidade da implantação do corredor, quando do início da implantação do
empreendimento.

A implantação de corredor ecológico se faz necessária quando fragmentos de vegetação estão


isolados e encontram-se a uma distância relativamente grande das demais porções vegetadas,
dificultando a transposição de algumas espécies da fauna e dispersão de sementes. Esse
isolamento impede o fluxo gênico entre comunidades, podendo levar à extinção de algumas
espécies mais sensíveis às alterações ambientais. Nas áreas de interesse, a implementação de
corredores ecológicos de biodiversidade permitirá que a conservação ocorra em uma escala
suficientemente ampla e abrangente para que os processos naturais sejam considerados em sua
totalidade, afim de compatibilizar a conservação dos recursos naturais com o desenvolvimento
regional.

A fim de atingir o objetivo de promover a formação de corredores ecológicos através da conexão,


efetivamente duradoura, entre os remanescentes de vegetação nativa, o âmbito de atuação do
presente Plano deve priorizar a conexão de fragmentos vegetacionais remanescentes em áreas
legalmente protegidas, como áreas de Reserva Legal, APP’s, UC’s, dentre outras.

Deve-se também evitar áreas com potencial produtivo, visto que podem ser alvo de futuros
empreendimentos e/ou atividades humanas, comprometendo assim a permanência da conexão
proposta.

Em caráter complementar e caso necessário, deve se considerar a conexão das áreas alvo do
PRAD (estruturas temporárias do empreendimento) aos remanescentes de vegetação existentes,
de forma a também proporcionar a conexão das áreas alvo de recuperação às áreas legalmente
protegidas. Evita-se, assim, que as áreas alvo do PRAD não se constituam fragmentos isolados
após a implantação do empreendimento.

Programas Ambientais – Pág. 218


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[Link].1.4 Visita Técnica para Validação do Mapeamento e da Proposta do Corredor


Ecológico;

Após mapeamento prévio e definição das possíveis áreas propostas para implantação de Corredor
Ecológico, deve-se realizar a visita in loco para validação das informações cartográficas obtidas em
escritório.

Através da visita técnica, será também possível obter maior detalhamento dos fatores analisados a
fim de se definir melhor as áreas prioritárias e estratégias a serem adotadas. Nesta etapa, também
serão necessárias avaliações, por parte da equipe responsável por negociações fundiárias junto
aos proprietários dos imóveis, de forma a promover o interesse e obter a anuência dos mesmos
quanto às intervenções a serem realizadas, quando necessário.

A partir das informações obtidas na visita técnica, deve-se atualizar o mapeamento realizado
previamente e, se for o caso, adequação a proposta das áreas alvo de implantação do Corredor
Ecológico.

[Link].1.5 Elaboração do Plano de Ação

Após validado o mapeamento e definidas as áreas propostas implantação de Corredor Ecológico,


deverá ser elaborado um Plano de Ação, integrando os diversos setores da empresa (Meio
Ambiente, Planejamento, Comunicação, entre outros).

No Plano de Ação deverão ser definidas as estratégias a serem adotadas, detalhadas as


metodologias a serem utilizadas em cada frente de ação, bem como os mecanismos de gestão e
respectivos responsáveis técnicos.

[Link].1.6 Levantamento das Espécies Alvo de Plantio

A implantação inicial de cercas vivas e o sombreamento da manta do solo pode propiciar a vinda
da regeneração natural proveniente do banco de sementes do solo. Entretanto, para que essa etapa
alcance êxito no que diz respeito ao desenvolvimento das plantas é fundamental que as espécies
vegetais escolhidas sejam adaptadas as condições edafoclimáticas locais para que os resultados
sejam alcançados a médio e longo prazo. Para o cultivo, são indicadas espécies nativas da região
e frutíferas, que atraiam prováveis dispersores que buscam alimento, e espécies que atuem como
quebra-ventos e que produzam fertilização natural no solo.

Espécies arbóreas fornecem abrigo para as comunidades de fauna, como também, fazem o controle
populacional de insetos. São indicados para o plantio de espécies pioneiras e frutíferas de rápida
colonização e fácil adaptação a ambientes degradados.

Programas Ambientais – Pág. 219


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A escolha das espécies mais indicadas, bem como das espécies que melhor se relacionam entre
si, depende de quatro fatores: arquitetura, tolerância à sombra, exigências em termos de solo e
umidade e afinidade no tempo da sucessão. Para definição das espécies a serem utilizadas neste
Plano, deve-se considerar os levantamentos florísticos dos estudos que subsidiaram o diagnóstico
da flora para licenciamento do empreendimento, bem como a disponibilidade de mudas e
propágulos gerados através do Programa de Resgate e Monitoramento da Flora ou viveiros locais.

[Link].2 Atividades Executivas

[Link].2.1 Revegetação e Enriquecimento Florístico

A revegetação e o enriquecimento florístico por meio do plantio de mudas de espécies nativas


arbóreas e arbustivas favorecem a regeneração natural e a interligação de fragmentos florestais e,
consequentemente, a formação de corredores ecológicos.

Outras ações que potencializam o processo de regeneração natural também devem ser utilizadas,
visto que apresentam alta efetividade e baixo custo. Dentre estas destacam-se:

• Aplicação de top soil – promovem o enriquecimento mineral e microbiótico do solo, bem


como aumenta a diversidade florística;

• Cercamento e instalação de placas - impedem a acesso de animais domésticos, bem como


inibem ações humanas;

• Implantação de cercas-vivas e quebra-ventos de espécies pioneiras – promove o rápido


sombreamento do solo e potencializa a geração de um banco de sementes disponível in
loco;

• Implantação de aleias e faixas de retenção - potencializa o adensamento vegetal contínuo


da área;

• Implantação de abrigos (técnica de nucleação: instalação de ilhas formadas por galhadas e


restos da supressão vegetal) e poleiros para fauna – potencializa o processo de dispersão
de sementes e fluxo gênico.

É válido ressaltar que os procedimentos técnicos e operacionais relativos ao plantio de espécies


arbustivas e arbóreas, bem como de ações que potencializam o processo de regeneração natural
estão previstos no Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD).

Programas Ambientais – Pág. 220


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[Link].2.2 Ações Educadoras Socioambientais

Considerando que parte do empreendimento se encontra em área com grande potencial ecológico
no que tange a conservação ambiental e biodiversidade, propõem-se, para o presente Plano, ações
socioeducativas que visem promover um desenvolvimento regional mais sustentável, fomentando
a conservação da natureza, a manutenção dos processos ecológicos.

Tendo em vista que o conceito de conectividade não se limita, apenas, ao conceito de corredores
ecológicos, outros dispositivos e estratégias podem atender de forma mais ampla os requisitos da
garantia da conectividade, possibilitando um maior envolvimento das comunidades e sua interação
com o local numa perspectiva sustentável.

Assim deverão ser desenvolvidas, no âmbito do Programa de Educação Ambiental (PEA), por meio
de metodologia participativa, ações que visem potencializar a manutenção da conectividade em
ações de divulgação e sensibilização para conservação e recuperação de fragmentos florestais,
coibição de práticas de predatórias tidas como crimes ambientais, a exemplo da caça, venda de
animais silvestres, queimadas e etc.

Essa linha de ação consiste na composição e fomento dos processos de formação do coletivo de
educadores ambientais, através do estabelecimento de ações articuladoras e educativas de adultos
e docentes que atuam com atividades caráter pedagógico e ambiental, tanto na educação formal,
quanto na educação não formal com crianças, jovens e moradores das áreas de influência do
empreendimento.

[Link].3 Monitoramento e Avaliação dos Resultados

Para avaliar o Plano de Conectividade, bem como orientar possíveis adequações propõe-se um
monitoramento semestral das ações desenvolvidas, por um período de três anos, tornando possível
avaliar a eficácia das ações por meio de:

• Reuniões periódicas com a equipe responsável pela execução do Plano;

• Monitoramento das áreas alvo de revegetação e enriquecimento, através da avaliação do


processo de regeneração natural, sendo possível conhecer a eficácia dos métodos
adotados;

• Aplicação de uma avaliação de satisfação nas atividades de educação ambiental e avaliação


do envolvimento da população local com as atividades desenvolvidas;

Além disso, a partir das avaliações supracitadas, identificar possíveis dificuldades e pontos fracos
do Plano, buscando métodos alternativos para adaptar as atividades à realidade local. A
periodicidade do monitoramento pode ser alterado conforme realidade em campo.

Programas Ambientais – Pág. 221


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[Link] Metas

A seguir, apresenta-se as metas para o Plano de Conectividade:

• Mapeamento de 100% das áreas prioritárias para se realizar conexão entre os fragmentos,
incluindo UCs, APPs e Reservas Legais de todas as propriedades alvo do empreendimento;

• Realização de vistorias in loco de 100% das áreas previamente mapeadas como potenciais
para implantação de corredor ecológico para verificação da veracidade das informações
cartográficas e viabilidade;

• Contato com 100% dos proprietários de imóveis cujas áreas para implantação de corredor
ecológico foram previamente mapeadas para a conscientização e obtenção de
parceria/negociação e consentimento da utilização da área;

• Formalização de parcerias com proprietários, empresas, associação de moradores, entre


outros setores da sociedade que tenham interesse nas atividades;

• Garantir êxito de 100% das atividades de recuperação de área degradada (quando for o
caso) que compõem o corredor ecológico de forma que toda as áreas estejam com cobertura
vegetal do solo;

• Possibilitar a manutenção de conexão de pelo menos 60% das Reservas Legais dos imóveis
alvo do empreendimento.

[Link] Indicadores de Desempenho

A avaliação do presente programa se dará por meio dos seguintes indicadores:

• % das áreas de proteção legal mapeadas;

• % das áreas previamente mapeadas como potenciais para implantação de corredor


ecológico que foram vistoriadas in loco de 100%;

• % dos proprietários de imóveis cujas áreas para implantação de corredor ecológico foram
previamente mapeadas que foram contatados;

• Número de parcerias realizadas com proprietários, empresas, associação de moradores,


entre outros setores da sociedade que tenham interesse nas atividades;

• % de áreas que compõem o corredor ecológico que permaneceram sem cobertura vegetal;

• % do entorno do empreendimento em que foi possível a manutenção de um cinturão de


cobertura vegetal formando corredor ecológico;

• % de conexão entre as Reserva Legais dos imóveis avo do empreendimento;

Programas Ambientais – Pág. 222


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[Link] Interface com Outros Programas

O Programa de Conectividade possui interface com os seguintes Programas:

• Programa de Recuperação de Áreas Degradadas;

• Programa de Resgate e Monitoramento de Flora;

• Programa de Afugentamento e Eventual Resgate de Fauna;

• Programa de Monitoramento e Proteção à Fauna;

• Programa de Educação Ambiental.

[Link] Recursos Necessários

Para a execução do Programa de Conectividade será necessária a contratação de equipe


especializada e auxiliares, sob a coordenação de um profissional capacitado para gestão das
equipes. Devem ser planejadas as áreas para implantação dos corredores ecológicos, bem como,
os materiais a serem adquiridos visam atender a execução do PRAD.

[Link] Produtos a Serem Gerados

Sempre que solicitado, deverá ser fornecido ao INEMA um Relatório Técnico Parcial com as
evidências da execução das atividades e atendimento aos Indicadores de desempenho aqui
definidos. Ao final do período de monitoramento deverá ser elaborado e entregue ao INEMA um
Relatório Final Consolidado.

[Link] Cronograma

O presente Programa terá início na fase de planejamento do empreendimento. Nessa fase, deverá
ser contratada equipe técnica para proceder ao planejamento e levantamento das informações
necessárias para a definição da área destinada ao estabelecimento do corredor.

O Plano de Conectividade deverá ser executado ao longo da implantação e operação do


empreendimento. As atividades executivas, estimadas para ocorrer em um prazo de 12 meses,
deverão ser iniciadas ainda na Fase de Implantação do empreendimento, podendo se estender para
Fase de Operação. As atividades de monitoramento e eventuais intervenções corretivas seguirão
sendo realizadas na Fase de Operação do empreendimento por um período de mais dois anos,
somando-se, assim um prazo total de 3 anos para as atividades do Programa.

Programas Ambientais – Pág. 223


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Quadro 43 Cronograma executivo do Plano de Conectividade.

Fase de Implantação e Fase de Operação

Fase de Ano 1 Ano 2 Ano 3


Atividades
Planejamento Mês Sem. Sem.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 1 2
Atividades de Planejamento
Atividades Executivas
Atividades de Monitoramento
Relatórios Parciais (se solicitado)
Relatório Final Consolidado

[Link] Referências Bibliográficas

ARRUDA, MB; SÁ, LFSN de. Corredores ecológicos: uma abordagem integradora de ecossistemas
no Brasil – Brasília: IBAMA, 2003.

AYRES, J. M. et al. Abordagens Inovadoras para Conservação da Biodiversidade no Brasil: Os


Corredores das Florestas [Link] Piloto para a Proteção das Florestas Neotropicais:
Projeto Parques e Reservas. Ministério do Meio Ambiente, Recursos Hídricos e da Amazônia Legal
(MMA), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Brasília,
1997.

AYRES, J. M. et al. Os Corredores Ecológicos Os Corredores Ecológicos das Florestas Tropicais


das Florestas Tropicais do Brasil do Brasil. Belém, PA: Sociedade Civil Mamirauá, 2005

CI e IESB. Designing Sustainable Landscapes. Center for Applied Biodiversity Science at


Conservation International and Institute for Social and Environmental Studies of Southern Bahia.
Washington, D.C., 2000.

FERNANDEZ, FERNANDO. S. Efeitos da Fragmentação de Ecossistemas: A situação das


Unidades de Conservação. In: Anais do Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação.
Curitiba, 1997.

MMA – Ministério do Meio Ambiente. Ações prioritárias para a conservação da biodiversidade do


cerrado e pantanal. Brasília: MMA, 1998.

MMA – Ministério do Meio Ambiente. Primeiro relatório nacional para a conservação sobre
diversidade biológica: Brasil. Brasília: MMA, 1998. 283 p.

MMA - Ministério do Meio Ambiente. Cerrado e Pantanal: Áreas e Ações Prioritárias para
Conservação da Biodiversidade. Brasília: MMA, 2017 540 p. Série Biodiversidade 17.

Programas Ambientais – Pág. 224


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

MMA (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE); CONSERVAÇÃO INTERNACIONAL; FUNDAÇÃO


SOS MATA ATLÂNTICA. O Corredor Central da Mata Atlântica Uma Nova Escala de Conservação
da Biodiversidade. Brasília, 2006.

PAGLIA, A.P., FERNANDEZ, F.A.S. E MARCO JR., P. 2006. Efeitos da fragmentação de habitats:
Quantes espécies, quantas populações, quantos indivíduos e serão eles suficientes? In: Rocha,
C.F.D., Bergallo, H.G., Sluys, M.V. e Alves M.A.S. (Eds.) Biologia da Conservação , essências. Ed.
Rima. São Carlo, SP

PIRES, A.S., FERNANDEZ, F.A.S. E BARROS, C.S. 2006. Vivendo em um mundo em pedaços:
Efeitos da fragmentação florestal sobre comunidade e populações animais. In: Rocha, C.F.D.,
Bergallo, H.G., Sluys, M.V. e Alves M.A.S. (Eds.) Biologia da Conservação , essências. Ed Rima.
São Carlo, SP

Programas Ambientais – Pág. 225


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3.2.5 Programa de Afugentamento e Eventual Resgate de Fauna

[Link] Introdução e Justificativa

A implantação de empreendimentos de significativo impacto sobre a fauna demanda ações de


afugentamento e resgate que minimizem os impactos sobre a mesma e garantam a reabilitação de
animais possivelmente injuriados. Neste sentido, o afugentamento da fauna é uma atividade de
manejo que visa à orientação do deslocamento dos espécimes, em direção às áreas melhor
conservadas e/ou mais semelhantes ao seu habitat natural, e que se manterão preservadas. Já o
resgate da fauna é uma atividade de captura e manejo dos indivíduos da fauna terrestre que não
conseguirem sair naturalmente da área afetada. Isto ocorre principalmente com espécies que
apresentam baixa capacidade de deslocamento, animais injuriados ou isolados.

A necessidade de supressão vegetal para a instalação de empreendimentos fotovoltaicos implica


necessariamente na perda e degradação dos habitats, por vezes podendo ameaçar a integridade
física dos espécimes. Por isso, atividades de afugentamento de fauna se fazem necessárias para
minimizar a probabilidade destes danos virem a acontecer, garantindo que profissionais
devidamente habilitados estejam de prontidão para eventuais casos que demandem sua atenção.

Para a implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) será necessária a supressão da
vegetação nas áreas destinadas à sua instalação. A fauna associada à vegetação a ser suprimida,
por sua vez, tende a ser afugentada para o entorno. Nesse contexto, é proposto o Programa de
Afugentamento e Resgate da Fauna, o qual apresentará as diretrizes para Afugentamento e
Eventual Resgate de Fauna, de forma a mitigar os impactos ambientais identificados para a Biota
Terrestre, em decorrência da implantação do empreendimento.

A Instrução Normativa do IBAMA s/nº de 2004 prevê em seu Artigo 11º que: “Para empreendimentos
que preveem supressão de vegetação ou alagamento de áreas, deverá ser realizado o resgate de
fauna”. Para a instalação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), prevê-se a supressão
vegetal das áreas diretamente afetada pelo empreendimento, onde serão instaladas as placas
fotovoltaicas e abertos os acessos, fazendo-se, portanto, necessária a implementação de ações
que visem à mitigação deste impacto.

A supressão vegetal, se realizada de maneira direcionada, pode facilitar o deslocamento da maioria


das espécies faunísticas com maior capacidade dispersiva, como os mamíferos de médio e grande
porte, além de várias espécies de aves. Com a chegada de máquinas e operários na área a ser
suprimida, o aumento do nível de ruídos funciona como primeiro fator de afugentamento de espécies
para as áreas adjacentes. Contudo, espécies de menor porte, com características comportamentais
distintas e com maior dificuldade de deslocamento, como os pequenos mamíferos não-voadores,
anfíbios, lagartos, serpentes e algumas aves de menor porte, devem ter atenção especial no
acompanhamento junto às equipes de desmate.

Programas Ambientais – Pág. 226


Plano Básico Ambiental – PBA
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Portanto, a implementação do Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna visa


minimizar a perda de espécies da fauna, através do afugentamento passivo destas para áreas
adjacentes ao hábitat a ser suprimido. As espécies de menor poder dispersivo, poderão ser
resgatadas ativamente quando for necessária a realização desta intervenção. Esses táxons deverão
ser relocados em áreas adjacentes de maior similaridade fitofisionômica, que apresentem
características mais próximas às do ambiente em que estas ocorriam, anteriormente.

Neste contexto, O Programa de Afugentamento e Resgate da Fauna justifica-se pela necessidade


de se acompanhar as frentes de supressão vegetal e demais atividades de modificação dos habitats
previstas na instalação do Empreendimento, visando à mitigação dos impactos negativos sobre a
fauna.

Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna


Componente Ambiental Afetado Fauna
Fase do Empreendimento Implantação
Caráter Orientativo; Preventivo; Mitigador
Agentes Executores Consultoria Ambiental; Empreendedor
Período Médio Prazo

O Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna deverá ocorrerá nas etapas onde
prevê-se supressão da vegetação.

Programas Ambientais – Pág. 227


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[Link] Objetivos

O objetivo principal do Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna é mitigar os


impactos causados pela implantação do empreendimento sobre as comunidades faunísticas com a
adoção de medidas de afugentamento e resgate dos espécimes ocorrentes durante as obras,
permitindo estabelecer procedimentos que minimizem os impactos, caso venham a ocorrer, de
modo a evitar a perda da biodiversidade, desequilíbrios populacionais na área de influência e manter
a integridade física dos animais, trabalhadores e população circunvizinha à área de influência.

Além disso, este Programa tem os seguintes objetivos específicos:

• Afugentar ou resgatar a fauna durante as ações de supressão da vegetação;

• Reduzir o impacto sobre a diversidade da fauna terrestre local em consequência da


supressão da vegetação e instalação do empreendimento;

• Registrar os espécimes afugentados e coletar dados biológicos, ecológicos, sanitários, de


captura e de destinação final dos espécimes resgatados;

• Fornecer atendimento emergencial, conforme orientações de médico-veterinário, e dar


encaminhamento adequado aos animais silvestres doentes, feridos ou debilitados;

• Soltar no habitat natural os animais silvestres nativos saudáveis e aptos;

• Encaminhar os animais exóticos a uma instituição classificada como criadouro científico para
fins de conservação, mantenedor de fauna, jardim zoológico ou eutanásia legalizada;

• Encaminhar os animais silvestres inaptos a uma instituição classificada como criadouro


científico para fins de conservação, mantenedor de fauna silvestre ou jardim zoológico;

• Realizar o aproveitamento científico dos espécimes que vierem a óbito durante as atividades
de supressão vegetal;

• Propor medidas de mitigação e alterações do processo construtivo ou de etapas de


manutenção visando à não interferência e/ou a minimização de eventuais impactos sobre a
fauna.

[Link] Requisitos Legais

São listados na sequência os principais documentos legais que devem ser observados, no âmbito
do afugentamento e resgate da fauna. Todavia, a equipe executora deste Programa deverá atentar-
se e verificar constantemente a existência de atualizações ou outros documentos legais aplicáveis
ao tema que não tenham sido aqui elencados.

• Decreto nº 97.633, de 10 de abril de 1989. Dispõe sobre o Conselho Nacional de Proteção


à Fauna;

Programas Ambientais – Pág. 228


Plano Básico Ambiental – PBA
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• Resolução CRMV nº 1.000, de 11 de maio de 2012. Dispõe sobre procedimentos e métodos


de eutanásia em animais e dá outras providências;

• Instrução Normativa IBAMA nº 146, de 10 de janeiro de 2007. Estabelece os critérios para


os procedimentos relativos à fauna no âmbito do licenciamento ambiental de
empreendimentos que causam impactos sobre a fauna silvestre;

• Instrução Normativa INEMA nº 001, de 12 de dezembro 2016. Dispõe sobre as diretrizes,


critérios e procedimentos administrativos para autorizações ambientais para o manejo de
fauna silvestre em processos de licenciamento ambiental, envolvendo o levantamento,
salvamento e monitoramento de fauna silvestre e dá outras providências;

• Resolução CFBio nº 301, de 08 de dezembro de 2012. Dispõe sobre os procedimentos de


captura, contenção, marcação, soltura e coleta de animais vertebrados in situ e ex situ, e dá
outras providências;

• Ministério do Meio Ambiente, Portaria nº 148 de 07 de junho de 2022. Reconhece como


espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção aquelas constantes na “Lista Nacional
Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção”;

• SEMA, Portaria nº 37 de 15 de agosto de 2017. Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas de


Extinção do Estado da Bahia;

• Resolução RDC nº 306, de 7 de dezembro de 2004 da ANVISA e Resolução CONAMA


358/2005.

[Link] Responsabilidade de Execução

É de responsabilidade do empreendedor a execução do Programa de Afugentamento e Eventual


Resgate da Fauna por toda a etapa de supressão da vegetação, o qual deverá contratar empresa
de consultoria especializada para execução das atividades.

[Link] Público-Alvo

O Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna tem como público-alvo a(s)


empresa(s) envolvida(s) nas atividades de supressão da vegetação e movimentações de terra na
área do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), os trabalhadores, o empreendedor e o Órgão
Ambiental competente (INEMA).

Programas Ambientais – Pág. 229


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[Link] Metodologia

Durante todo o processo de supressão da vegetação os técnicos responsáveis deverão


acompanhar a atividade e liberar as áreas para supressão, estando posicionados à frente das
frentes de trabalho.

Muitos animais serão naturalmente afugentados pelos ruídos e pela movimentação na área, devido
à utilização de veículos, equipamentos, máquinas e pessoas, os animais de menor mobilidade
estarão mais expostos a danos diretos.

A orientação das frentes de corte é muito importante para otimizar o sucesso da execução do
salvamento, através da condução animal ou da captura dos indivíduos. Em caso de existência de
mais uma frente de desmatamento, recomenda-se que a atividade não ocorra de forma
convergente, ou seja, todas as frentes direcionando para o mesmo ponto, o que dificultaria as
atividades de resgate da fauna.

A equipe responsável pelo acompanhamento da supressão deverá ser composta por profissionais
habilitados para execução das atividades.

[Link].1 Atividades Preliminares

Este Programa considera as seguintes etapas sequenciais e seus respectivos procedimentos


metodológicos, a fim de orientar o desenvolvimento das ações deste, tais como:

• Emissão da Autorização para Supressão de Vegetação por parte do INEMA – Instituto de


Meio Ambiente e Recursos Hídricos e respectiva Autorização de Manejo da fauna – AMF;

• Escolha de Instituições credenciadas e autorizadas, tais como Museus, Universidades e


Zoológicos, para parcerias em caso de recebimento de animais eventualmente capturados
vivos ou coletados mortos (carcaças, peles, íntegros) para serem incorporados em suas
respectivas coleções;

• Material biológico que não possuir integridade física para depósito em coleção científica ou
didática será armazenado e conservado em freezer até final do trabalho para posterior
encaminhamento a empresa de remoção e tratamento de resíduo hospitalar;

• Assinatura de termos de parceria com Clínica Veterinária nos municípios próximos para
realização de eventuais atendimentos a animais silvestres;

• Instalação de sinalizações de acesso, de modo a orientar os motoristas ao risco de


atropelamento de animais silvestres;

• Nivelamento, entre a equipe, das técnicas, ações e procedimentos metodológicos


específicos para cada grupo temático da fauna, com ênfase nas espécies ameaçadas,
endêmicas e/ou com pouca mobilidade dispersiva;

Programas Ambientais – Pág. 230


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• Planejamento dos trabalhos de acompanhamento da supressão vegetal, afugentamento e


ações de manejo e resgate de fauna, em consonância com o cronograma físico de avanço
das obras;

• Verificação/confirmação das áreas para soltura dos animais eventualmente resgatados;

• Acompanhamento e direcionamento das ações de supressão vegetal, realizando o


constante afugentamento de espécies e realizando eventuais resgates apenas de indivíduos
com baixa capacidade de deslocamento e dispersão, sendo priorizado o resgate brando;

• Relocação para as áreas adjacentes previamente escolhidas das espécies eventualmente


capturadas saudáveis ou aquelas que receberam tratamento e se encontram prontas para
soltura;

• Coleta de informações, triagem e armazenamento das espécies eventualmente destinadas


para coleção científica, bem como seu direcionamento para a instituição receptora
previamente escolhida.

[Link].2 Treinamento da Equipe Envolvida nas Ações de Supressão

Essa etapa também deverá ser realizada anteriormente ao início das atividades de supressão. Para
o bom andamento dos trabalhos de supressão vegetal e afugentamento de fauna é de suma
importância que seja realizado treinamento com todos os profissionais envolvidos nas ações de
supressão.

Esse treinamento deverá ser realizado no primeiro dia de trabalho da equipe responsável pela
supressão. Deverá ser ministrado na forma de um diálogo. O programa do curso de capacitação
compreenderá os seguintes temas:

• educação ambiental;

• regras de segurança para manuseio de motosserras, facões, foices e demais equipamentos


utilizados nas atividades;

• normas, sentido e orientações a serem seguidas para as atividades de supressão;

• espécies ocorrentes e esperadas na área diretamente afetada (ADA);

• ações de afugentamento;

• procedimentos a serem adotados em caso de encontro com animais peçonhentos


(serpentes, aracnídeos, escorpiões, dentre outros) ou insetos (abelhas, vespas e
marimbondos);

• ações preventivas e procedimentos a serem tomados caso algum acidente ocorra.

Programas Ambientais – Pág. 231


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As equipes também serão orientadas quanto ao direcionamento da supressão em direção às áreas


de vegetação nativa adjacentes à ADA para evitar que os animais fiquem ilhados. Serão também
devidamente treinados e preparados para, no caso de encontro com animais silvestres, terem plena
noção dos procedimentos a serem tomados.

Toda a equipe envolvida na execução do Programa de Acompanhamento da Supressão e


Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna deverá passar por treinamento visando minimizar o
impacto de caça e captura ilegal sobre a fauna silvestre.

Da mesma forma, deverão ser repassadas ao pessoal contratado, ações de educação ambiental e
noções básicas de legislação, informando de que é proibido caçar, molestar a fauna, pescar ou
retirar material da flora para comercialização e/ou uso próprio.

O treinamento deverá ser planejado e executado pelo responsável pelo Programa, com o apoio das
equipes de Gestão do Contrato, e de Saúde e Segurança do Trabalho.

É importante ressaltar que deverá ser disponibilizado pela empresa responsável todos os EPI’s
necessários à realização das atividades. Como se trata de uma atividade ruidosa, causada pela
operação das motosserras, sugere-se a utilização de um apito pelo profissional responsável pelo
acompanhamento da supressão. Além do tradicional uso de botas, capacetes, perneiras, óculos de
proteção e protetores auriculares, deverão ser utilizadas luvas de raspa para os funcionários
envolvidos com a limpeza da área, além de luvas, calças e capacetes adaptados para os operadores
de motosserra.

Durante a execução do Programa de Afugentamento e Eventual Resgate de Fauna recomenda-se


a colocação de placas de advertência nos acessos próximos ao empreendimento, sinalizando aos
motoristas para diminuírem a velocidade na via, evitando assim atropelamentos de fauna. Estes
cuidados são de extrema importância, visto que estas ações buscam evitar acidentes com
motoristas e pedestres durante o período de execução da supressão da vegetação.

[Link].3 Plano de Supressão

A supressão da vegetação deve ser planejada e realizada de maneira direcionada, no sentido base-
topo, visando facilitar a dispersão passiva de elementos faunísticos para as formações vegetais no
entorno.

[Link].4 Segurança da Equipe de Supressão

Antes do início das atividades de supressão da vegetação, as áreas deverão ser inspecionadas a
fim de identificar colmeias de abelhas, vespas e marimbondos. Os enxames evidenciados deverão

Programas Ambientais – Pág. 232


Plano Básico Ambiental – PBA
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ser isolados com fita zebrada até ser realizada a sua realocação. A identificação desses pontos faz-
se importante pela segurança dos trabalhadores que estão atuando nas obras.

É importante ressaltar que a área de estudo pode abrigar espécies de serpentes peçonhentas e
com o início das obras e atividades de supressão, a taxa de encontro dos trabalhadores com essas
espécies poderá aumentar. Dessa forma, deverão ser constantemente repassadas orientações aos
trabalhadores sobre os cuidados a serem tomados.

A atuação de profissionais especializados responsáveis por realizar o manejo e relocação das


serpentes encontradas diminui as taxas de óbito deste grupo, evitando também acidentes de
trabalho.

[Link].5 Acompanhamento das Atividades de Supressão

Inicialmente, as equipes de supressão e operação de máquinas deverão ser orientadas quanto à


importância do resgate e salvamento de fauna, com o intuito de facilitar as atividades e causar o
menor impacto possível na fauna local.

Durante as atividades de supressão da vegetação, tanto manual como mecanizada, e de limpeza


da área suprimida, será realizada uma criteriosa investigação do habitat por parte da equipe
responsável pelo resgate, a qual deverá realizar a busca de espécimes por meio do método de
Procura Visual Ativa – PVA, enquanto acompanha as ações executadas, onde o tempo de busca
irá variar de acordo com a área e complexidade do local.

Para garantir a segurança dos colaboradores, deverá ser adotada uma distância mínima de 10
metros ao operador de motosserra e 20 metros das atividades que envolvam supressão
mecanizada, tratores e retroescavadeiras.

Ao avistar algum espécime em risco eminente, em movimento ou entocada, a supressão deverá ser
paralisada ou desviada por ordem da equipe executora do Programa Ambiental, procurando garantir
a integridade física do animal com a execução dos procedimentos cabíveis (afugentamento ou
resgate). Após o término do procedimento, as atividades de supressão poderão ser retomadas.

Deverá ser adotada a premissa básica de evitar ao máximo qualquer contato com os animais, sendo
que ações de resgate apenas deverão ser realizadas quando for confirmada a impossibilidade de
determinado animal se locomover ou se dispersar por seus próprios meios. Essa premissa deverá
ser adotada devido a muitos animais entrarem em estresse e sofrerem frente às ações de captura
e transporte, e aos próprios procedimentos de soltura.

Na necessidade de eventual resgate direto (envolvendo captura), o manejo das espécies silvestres
deverá ser feito exclusivamente pelo biólogo a fim de evitar acidentes. Ressalta- se que, para
aquelas espécies com hábitos sociais, a captura deverá ser evitada, entretanto, quando necessária,

Programas Ambientais – Pág. 233


Plano Básico Ambiental – PBA
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ocorrerá com o recolhimento do maior número possível de espécimes do grupo, visando a não
separação de indivíduos e/ou a desagregação do bando.

Todos os animais resgatados deverão ser triados e identificados taxonomicamente em menor nível
possível, avaliados quanto à sua condição física e, caso necessário, encaminhados para tratamento
médico veterinário. Esses procedimentos deverão ser realizados no campo, próximos aos locais de
resgate, onde serão definidos seus destinos. Todo animal capturado deverá ser registrado em ficha
de campo para posterior tabulação das informações e análise dos dados para elaboração dos
relatórios. As fichas de campo deverão conter as informações de:

• nome do coletor;

• data do registro;

• área;

• coordenadas geográficas (em UTM com uso de GPS);

• grupo faunístico (herpetofauna, avifauna e mastofauna);

• nome da espécie;

• sexo (quando possível);

• condição reprodutiva (lactante, prenha, com filhotes – no caso dos mamíferos; com placa
incubatória ou com filhotes – no caso das aves; com ovos no dorso – no caso de algumas
espécies de anfíbios; prenha – no caso de algumas espécies vivíparas de répteis);

• condição física (normal, ferido); e

• fotografia (com data e coordenada geográfica, sempre que possível) para formação de um
banco de imagens.

Assim, durante todo o trabalho, as espécies observadas, sejam elas resgatadas ou não, deverão
ser devidamente registradas, especificando-se os exemplares que foram dispersos passivamente e
aqueles que precisaram ser resgatados e relocados para as áreas de soltura.

Programas Ambientais – Pág. 234


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Quadro 44 Ficha de campo.

Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna


Ficha nº
Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Nome popular

Coordenada
Número

Espécie

Destino
Método
Família

Estado
Ordem
Classe

Local
Data
Coordenada de soltura Coletor

Todas as informações obtidas para todos os exemplares deverão ser diariamente digitadas em
planilhas Excel, para formação de bancos de dados sistemáticos para cada grupo faunístico
processado (entomofauna, herpetofauna, avifauna e mastofauna).

Estas informações poderão complementar as listas de espécies locais e incrementar relatórios


específicos a serem posteriormente produzidos para cada grupo temático, além de servir de
importantes ferramentas para a aplicação de melhorias nas estratégias e metodologias conduzidas
pelo presente Programa.

Para a soltura, deverão ser previamente analisadas as características naturais da espécie à qual
pertence, observando-se variáveis ecológicas importantes, como o tipo de ambiente de sua
preferência e tipos de recursos alimentares requeridos para sua sobrevivência. Somente após esta
avaliação, será definida a área para soltura, utilizando-se, para isto, o mapa de áreas de soltura que
foi especificamente produzido para esta finalidade, apresentado no decorrer do Programa.

Deverá ser também anotado em ficha própria o número da área onde o exemplar foi solto para
registro sistemático e análise posterior do volume de dados obtidos por este tipo de manejo, além
de se evitar, igualmente, a soltura de um número excessivo de exemplares em uma única área.
Deverão ser aplicados esforços para a diluição paisagística dos animais relocados, procurando-se
distribuir pequenos números de exemplares em várias áreas distantes entre si, distribuídas ao longo
da paisagem de entorno. O controle desta distribuição dos exemplares pelas áreas deverá ser feito
pelo biólogo responsável pelos trabalhos em campo.

Quanto às espécies exóticas porventura encontradas durante os trabalhos, seus exemplares não
deverão ser relocados para as áreas de soltura, em atendimento às especificações da Lei de Crimes
Ambientais nº 9.605/1998: de acordo com seu Artigo 31 “considera-se como crime a introdução e
reintrodução de espécies exóticas sem parecer técnico favorável”.

Programas Ambientais – Pág. 235


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Dessa forma, as espécies exóticas eventualmente capturadas deverão ser destinadas à Instituição
Científica interessada neste recebimento. Importante registrar que a captura de indivíduos deverá
ocorrer somente em caso de estarem machucados ou em situação de risco.

Ressalta-se que, mesmo após a finalização das atividades de supressão, poderão ocorrer resgates
pontuais de fauna durante as obras de implantação, principalmente de vespas, abelhas, serpentes
e outras espécies invertebradas. Esse manejo deverá ser evitado, mas, sempre que identificada a
necessidade, será realizado por profissional capacitado (biólogo) responsável pela execução deste
Programa ou do Programa de Monitoramento e Proteção à Fauna.

Os procedimentos de captura de cada grupo faunístico bem como a indicação das áreas de soltura
de indivíduos considerados aptos são descritos a seguir.

[Link].6 Manejo da Fauna: Resgate

O resgate de espécimes só deverá ser realizado quando necessária, podendo acontecer em dois
casos: a) quando o animal não fugir naturalmente para as áreas de entorno, e b) quando o animal
estiver ferido ou acidentado, e precisar de atendimento médico veterinário.

A seguir são apresentadas as linhas metodológicas gerais de manejo para cada grupo.

[Link].6.1 Entomofauna

Este grupo, composto pelos insetos, será dividido aqui em dois tópicos: himenópteros,
popularmente conhecidos como abelhas, marimbondos e vespas; e invertebrados, representados
pelos aracnídeos, diplopodas, quilópodas, etc.

[Link].6.2 Himenópteros

O procedimento de realocação das colmeias nativas deverá ser realizado nas áreas de soltura do
empreendimento. Para abelhas exóticas, vespas e marimbondos, quando representar um risco para
os trabalhadores, a área deverá ser sinalizada com fita zebrada de advertências e comunicada a
equipe de supressão vegetal mecanizada para realizar a retirada da colmeia em segurança. Sendo
também realizadas as retiradas das mesmas em áreas de convívio do canteiro, com roupas de
apicultura e fumegador. Pode-se ainda ser realizado parceria com apicultores locais para o
recebimento destas colmeias. Tais procedimentos adotados visarão sempre a segurança dos
envolvidos no processo.

Programas Ambientais – Pág. 236


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[Link].6.3 Invertebrados

Os animais invertebrados deverão ser capturados manualmente com o auxílio de pinça cirúrgica ou
com as mãos vestidas com luvas de raspa de couro. Com o animal já capturado e contido, o mesmo
deverá ser acondicionado em um recipiente de transporte para que seja translocado até a área de
soltura de fauna no menor intervalo de tempo possível.

[Link].6.4 Herpetofauna

Elementos da Herpetofauna deverão ser afugentados passivamente para as áreas adjacentes da


área a ser suprimida, com atenção especial às espécies com baixa capacidade de dispersão:
anfíbios, algumas serpentes e lagartos de menor porte.

Caso seja necessário realizar a captura desses indivíduos ela deverá ser realizada manualmente
com o uso de luvas de raspa de couro e os mesmos deverão ser acondicionados temporariamente
em potes ou caixas plásticas, compatíveis com o tamanho do animal, ventiladas e forradas com
folhiço. Animais de maior porte, tais como lagartos, poderão ser capturados com o auxílio de laços
e cambão e acondicionados da mesma forma.

Devido à presença de espécies peçonhentas de serpentes apenas os biólogos capacitados poderão


realizar o manejo dessas com pinções e ganchos de metal, quando preciso, acondicionando-as em
caixas de madeira ventiladas, compatíveis com o tamanho do animal, forradas com folhiço, com
trancas e sinalizadas e, posteriormente, direcionando-as para realocação em áreas previamente
escolhidas. A tomada desses cuidados é necessária a fim de evitar acidentes mais graves com os
funcionários da obra.

[Link].6.5 Avifauna

Para as aves deverá ser dada atenção para as espécies com baixa capacidade de voo e de hábitos
terrícolas. Além disso, é provável a presença de ninhos nos mais diferentes estratos (solo, sub-
bosque e dossel). Para tanto, um especialista deverá realizar uma varredura prévia à entrada das
frentes de desmate a fim de identificar locais de nidificação.

Caso a equipe de supressão identifique a presença de ninhos contendo ovos ou filhotes, no solo ou
na vegetação a ser suprimida, o entorno deverá ser isolado, considerando um raio de 2 metros, com
a utilização de fita zebrada de advertência, e o corte liberado apenas após seu abandono pela prole.

Programas Ambientais – Pág. 237


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[Link].6.6 Mastofauna

Terrestre

Em relação aos mamíferos de pequeno porte, devido ao baixo poder dispersivo desses animais, é
de suma importância que o direcionamento da supressão seja feito corretamente, dando aos
indivíduos dessas espécies uma maior probabilidade de se dispersarem sem passar pelo estresse
de serem resgatados.

Deverá ser realizada a inspeção de troncos ocos de árvores, bem como a inspeção de abrigos
potenciais e vestígios como pegada, fezes, entre outros, a fim de verificar a presença de indivíduos.

A contenção desses espécimes deverá ser feita com as mãos, utilizando-se luvas de raspa para
evitar ferimentos ou a transmissão de doenças (via mordedura) aos manuseadores.

Já as espécies de médio e grande porte possuem maior capacidade dispersiva e a probabilidade


de encontro das mesmas é significativamente menor. No entanto, devido ao fato de que várias são
espécies cinegéticas apreciadas pela carne, ameaçadas de extinção, endêmicas ou que
potencialmente entram em conflito com o homem, esse grupo merece atenção, especialmente no
tocante às instruções aos trabalhadores para que não cacem, coletem ou tentem eliminar indivíduos
dessas espécies.

Caso necessário, a captura e contenção de mamíferos de médio e grande porte deverão ser feitas
com uma gama variada de equipamentos, destacadamente os puçás e laços tipo cambão.

Quando diagnosticada in situ a integridade física do animal e o deslocamento natural para áreas de
soltura, evitar-se-á quaisquer tipos de captura, realizando-se apenas o afugentamento.

Uma vez realizada a captura e contenção do animal, o acondicionamento deverá ser realizado em
caixa de transporte ventilada nas dimensões apropriadas ao tamanho do indivíduo.

Voadora

Em relação à mastofauna voadora, caso sejam identificados pontos de abrigo dessas espécies, as
mesmas deverão ser ativamente capturadas sob a orientação de um biólogo especialista, através
do uso de redes de neblina e/ou puçás, a fim de serem relocadas para as áreas de soltura.

Programas Ambientais – Pág. 238


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[Link].6.7 Espécies endêmicas, ameaçadas, migratórias, indicadoras de qualidade


ambiental, importância econômica e/ou cinegéticas

Para as espécies endêmicas, ameaçadas, migratórias, indicadoras de qualidade ambiental,


importância econômica e/ou cinegética além das metodologias específicas previstas para cada
grupo em questão, conforme detalhado no nesse plano de trabalho, se necessário, será indicado
monitoramento específico.

O Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna prevê as técnicas de captura,


marcação e recaptura, para cada grupo faunístico: herpetofauna, avifauna e mastofauna terrestre e
voadora. O registro de espécies de interesse conservacionista que venha a ocorrer nas atividades
de afugentamento, resgate e/ou monitoramento direcionarão à necessidade ou não de estratégias
de manejo específicas para o táxon registrado.

A soltura será sempre a estratégia adotada para as espécies que não apresentarem nenhuma
condição que a impossibilite de ser solta. No caso das espécies de interesse conservacionistas,
essas serão devidamente marcadas e monitoradas. A marcação deverá ser feita para aves e
mamíferos de interesse conservacionista, ou seja, categorizados em listas oficiais de espécies
ameaçadas, por meio de alinhas e/ou brincos metálicos, conforme especificidade de cada grupo
faunístico. A soltura ocorrerá em áreas de mesma tipologia vegetal e com características ambientais
semelhantes àquelas na qual a espécie foi encontrada, que não esteja nas áreas diretamente
afetadas pelo empreendimento, porém de propriedade do empreendedor.

[Link].7 Áreas de Soltura de Fauna

Os animais resgatados durante a supressão deverão ser submetidos aos seguintes procedimentos:
soltos em locais seguros, encaminhados para tratamento médico veterinário ou encaminhados para
depósito em coleções científicas ou didáticas.

A soltura poderá ocorrer imediatamente após o resgate, caso o animal apresente boas condições.
De outro modo, o animal deverá ser encaminhado ao médico veterinário para o devido tratamento,
antes da soltura, ou para eutanásia, caso necessário, e direcionamento para uma instituição
receptora. Em caso de eutanásia essa será feita seguindo os procedimentos devidamente
estabelecidos pela Resolução nº 1000 de 11 de maio de 2012 do Conselho Federal de Medicina
Veterinária, assim como os procedimentos estabelecidos pela Resolução nº 301 de 08 de dezembro
de 2012 do Conselho Federal de Biologia.

Para a soltura, deverão ser previamente analisadas as características naturais da espécie à qual
pertence, observando-se variáveis ecológicas importantes, como o tipo de ambiente de sua
preferência e tipos de recursos alimentares requeridos para sua sobrevivência.

Programas Ambientais – Pág. 239


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Também deverá ser anotada a coordenada geográfica da área onde o exemplar foi solto para
registro sistemático, além de se evitar, igualmente, a soltura de um número excessivo de
exemplares em uma única área. Deverão ser envidados esforços para a diluição paisagística dos
animais relocados, procurando-se distribuir pequenos números de exemplares em várias áreas
distantes entre si, distribuídas ao longo da paisagem de entorno.

A coleta de animais que venham a óbito para destinação para depósito em coleções científicas visa
aumentar o conhecimento científico. Isso permitirá a correta identificação das espécies e
disponibilizará o material para estudos futuros. Devendo-se procurar aproveitar, na medida do
possível, animais encontrados mortos (incluindo os atropelados) e esqueletos. O material destinado
para coleção deverá ser acondicionado em freezer e, posteriormente, ser fixado de acordo com as
técnicas adequadas a cada grupo, para posterior destinação às instituições.

Mediante análise técnica (valor científico, taxonômico ou conservacionista) alguns indivíduos que
por ventura não puderem mais ser devolvidos à natureza poderão ser encaminhados para
criadouros e zoológicos legalizados ou para instituições de pesquisa e conservação.

As áreas previstas como Áreas de Soltura (AS) de animais, durante a execução dos trabalhos de
afugentamento e resgate da fauna, deverão ser próximas a área do Complexo Santa Eugênia Solar
(Fase 01) e Estruturas Associadas e levar em consideração as seguintes características do
remanescente vegetal:

• Não ser alvo de atividades construtivas ou de desmatamento;

• Localizar-se dentro ou nas proximidades da área arrendada;

• Ter fácil acesso;

• Levar em consideração as tipologias vegetais apresentadas, bem como seu tamanho e grau
de conservação;

• Avaliar as pressões antrópicas às quais os remanescentes estão sujeitos atualmente e em


um cenário futuro.

Deverá ser anotado em ficha própria o número da área onde o exemplar foi solto para registro
sistemático e análise posterior do volume de dados obtidos por este tipo de manejo, além de se
evitar, igualmente, a soltura de um número excessivo de exemplares em uma única área.

Deverão ser aplicados esforços para a diluição paisagística dos animais relocados, procurando-se
distribuir pequenos números de exemplares em várias áreas distantes entre si, distribuídas ao longo
da paisagem de entorno. O controle dessa distribuição dos exemplares pelas áreas deverá ser feito
pelo responsável pelos trabalhos em campo.

A partir da análise de imagens de satélite da área de estudos, da realização dos trabalhos de campo
desenvolvidos durante o inventário florestal, bem como de mapas de uso do solo e cobertura vegetal

Programas Ambientais – Pág. 240


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da região, são aqui indicadas algumas áreas potenciais para soltura de espécimes resgatados,
conforme mapa a seguir que especializa as áreas de soltura.

A escolha definitiva das áreas de soltura deverá ser realizada através de vistoria de campo e, caso
necessário, essas áreas poderão sofrer alteração visando uma melhor logística e eficiência nas
atividades de resgate de fauna em relação às atividades de supressão vegetal e novas AS poderão
ser diagnosticadas in loco.

Programas Ambientais – Pág. 241


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Figura 30 Áreas de soltura de fauna.

Programas Ambientais – Pág. 242


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[Link].8 Fauna Atropelada

O registro de animais atropelados decorrente da instalação do empreendimento deverá ser


realizado durante os deslocamentos diários do profissional responsável pelo resgate de fauna.

Aos funcionários da obra deverá ser solicitado que, quando forem encontrados espécimes de
animais atropelados, o profissional responsável pelo resgate de fauna seja informado o mais rápido
possível. A rapidez no registro evita que o dado se perca e que ocorram novos atropelamentos no
espécime, possibilitando um registro mais preciso de sua espécie e seu tombamento em coleção
científica e, no caso de não ocorrência de óbito do espécime, do encaminhamento ao atendimento
clínico.

Caso sejam constatados pontos com altos índices de atropelamento de fauna, a equipe de
supervisão ambiental do empreendimento deverá ser informada para que se possam tomar
providências, como a instalação de placas de sinalização e a conscientização dos motoristas das
obras.

[Link].9 Estrutura de Apoio para a Fauna

Para o recebimento e tratamento dos animais resgatados, antes ao início efetivo das obras e deste
Programa, poderá ser instalado, caso necessário, um recinto/container temporário para triagem dos
animais silvestres no canteiro de obras e/ou estabelecido convênio com uma clínica veterinária.

O tempo de internação dos animais deverá ser o mínimo necessário, visando o restabelecimento
do animal à vida selvagem com a maior brevidade possível.

Mediante análise criteriosa (valor científico, taxonômico ou conservacionista), alguns exemplares


poderão ser encaminhados para instituições, como Zoológicos e Museus.

[Link] Metas

Em conformidade ao previsto nos objetivos, e na circunscrição metodológica, este Programa almeja


atingir as seguintes metas:

• Acompanhar 100% das atividades de supressão realizadas;

• Manter entre 80-100% a sobrevivência da fauna durante as ações de supressão da


vegetação e instalação do empreendimento;

• Registrar 100% dos animais afugentados e resgatados;

• Fornecer atendimento médico veterinário a 100% dos animais resgatados doentes, feridos
ou debilitados;

Programas Ambientais – Pág. 243


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• Soltura de 100% dos animais nativos saudáveis e aptos;

• Destinar adequadamente 100% dos animais exóticos e/ou inaptos para criadouros;

• Destinar, adequadamente, 100% das carcaças dos espécimes que vierem a óbito (carcaças
viáveis para instituições depositárias de referência e carcaças inviáveis para empresa de
remoção e tratamento de resíduo hospitalar);

• Analisar 100% dos resultados obtidos e propor, se necessário, alterações/melhorias no


processo.

[Link] Indicadores de Desempenho

Para a avaliação deste Programa, tomar-se-ão os seguintes indicadores:

• Número de dias de acompanhamento das atividades pela equipe de resgate X número de


dias de supressão;

• Número de óbitos (por grupo) em decorrência das obras de instalação do empreendimento


x número de animais salvos (afugentados+resgatados);

• Número registrado de espécimes, espécies raras, endêmicas, ameaçadas de extinção,


novas para a ciência e com nova distribuição geográfica, resgatados e observados no
acompanhamento da supressão. E porcentagem de registros em relação ao total
(afugentados + resgatados);

• Número de animais feridos que receberam atendimento (por grupo) e porcentagem de


atendimentos em relação ao total de espécimes doentes, feridos ou debilitados;

• Número de animais nativos saudáveis aptos e soltos no habitat natural (por grupo) e
porcentagem de soltura em relação ao total de espécimes nativos resgatados e saudáveis;

• Número de animais exóticos e/ou inaptos destinados à criadouros (por grupo) e porcentagem
em relação ao total de animais exóticos resgatados;

• Número de carcaças viáveis destinadas às instituições depositárias de referência (por grupo)


e porcentagem em relação ao total de material biológico viável;

• Número de relatórios gerenciais emitidos e porcentagem de ações executadas em relação


às ações previstas.

[Link] Interface com Outros Programas

O Programa de Afugentamento e Eventual Regate de Fauna possui interface com os seguintes


programas desse PBA:

Programas Ambientais – Pág. 244


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• Programa de Supressão da Cobertura Vegetal;

• Programa de Resgate e Monitoramento da Flora;

• Programa de Monitoramento e Proteção à Fauna;

• Programa de Educação Ambiental;

• Programa de Comunicação Social;

• Subprograma de Sinalização das Obras e Controle de Tráfego;

• Programa de Gestão Ambiental (será apresentado somente interno).

[Link] Recursos Necessários

Para a execução do Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna será necessária a


contratação de um especialista, que ficará responsável pelo gerenciamento técnico da equipe e da
consolidação de relatórios; biólogos com experiência em resgate de fauna e auxiliares de campo.

Para cada frente de supressão de vegetação deve haver uma equipe composta por um biólogo e
um auxiliar. Em adição, faz-se necessário o estabelecimento de convênio com Clínica Veterinária,
que disponibilizará um Médico-Veterinário sempre que necessário, o qual será o responsável por
cuidar da parte clínica dos animais silvestres que porventura necessitem de atendimento durante a
execução do Programa.

Os profissionais necessários para execução do Programa de Afugentamento e Eventual Resgate


de Fauna são descritos no Quadro 45 abaixo.

Quadro 45 Relação dos profissionais necessários para execução do Programa de


Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna.

Profissional Categoria Função Quantidade


Biólogo Sênior Coordenador Geral 1
Médico-veterinário Pleno Atendimento médico 1
Biólogos especialistas Júnior Resgate de fauna 1 por frente de supressão
Auxiliar de campo Técnico Resgate de fauna 1 por frente de supressão

Conforme informações da engenharia, prevê-se que a fase de supressão de vegetação durante as


atividades de implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) deverá ocorrer durante um
período de doze meses. Ressalta-se que a definição do número de frentes de supressão, bem como
demais estratégias de condução das atividades poderão sofrer alterações e, caso isto ocorra, o
dimensionamento da equipe e dos esforços envolvidos deverão ser adaptados.

Programas Ambientais – Pág. 245


Plano Básico Ambiental – PBA
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Prevê-se a compra dos materiais de trabalho necessários às equipes, bem como a previsão de
infraestrutura e logística. Este material inclui itens como o aluguel de veículos automotores, caixas
de transporte de animais de variados tamanhos, equipamentos a serem instalados na estrutura de
Apoio como gaiolas de contenção de variados tamanhos, infraestrutura elétrica e hidráulica, etc.

Serão utilizados no Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna para manejo, os


seguintes petrechos:

Quadro 46 Itens necessários à execução do Programa de Afugentamento e Eventual


Resgate da Fauna.

Descrição do Material Quantidade por frente


Materiais Permanentes
Caixa para transporte 02
Gancho para serpente médio 01
Pinção herpetológico médio 01
Puçá para mamífero 01
Caixa plástica com tampa hermética 01
Sacos de pano 20
Alicate para anilhamento 01
Materiais de Consumo (para fixação)
Álcool 70º GL (garrafa 1L) 2
Éter (garrafa 1 litro) 2
Algodão (rolo 500 g) 2
Formol (galão de 5 litros) 1
Bombonas de 10 Litros 2
Barbante rolo (330m) 2
Sacos plásticos (cento) 1
Seringas de 1 ml 02
Seringas de 5 ml 02
Fita adesiva larga transparente (rolos 45 m) 2
Anilha para pequenos mamíferos (pacote com 10) 5
Anilha para morcegos (pacote com 10) 5
Gaze (pacote) 1
Lâmina de bisturi (caixa) 1
Linha branca n°10 (rolo) 1
Luvas cirúrgicas (caixa) 1
Kit material de escritório (papel, lápis, borracha, caneta, folhas, etc.) 01
EPIs
Bota de couro com biqueira de PVC 02
Capa de chuva 02
Capacete 02
Luvas de raspa de couro comprida (par) 02

Programas Ambientais – Pág. 246


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Descrição do Material Quantidade por frente


Luva de pigmento (par) 02
Óculos de proteção 02
Perneiras (par) 02
Protetores auriculares 02
Protetor solar (FPS mínimo 30) 02
Repelente de Insetos 02

Figura 31 Modelos de Caixas de Contenção Física de Répteis, Aves e Mamíferos.

Programas Ambientais – Pág. 247


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[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento, todas as contratadas envolvidas na


execução do programa devem elaborar relatórios mensais internos de atendimento aos programas
ambientais, com informações cumulativas, para apresentação à equipe de Gestão Ambiental do
empreendedor.

Ao final da obra, deve ser elaborado o Relatório de Cumprimento dos Programas Ambientais –
RCPA, contemplando informações cumulativas de todo o período de implantação do
empreendimento, para subsidiar o pedido de Licença de Operação – LO.

[Link] Cronograma

Para a realização do Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna está previsto o


cronograma a seguir, o qual poderá ser ajustado de acordo com a dinâmica de execução das
atividades. Após o término do período de supressão vegetal, poderá ser mantida uma equipe para
atendimento de resgate e afugentamento de fauna de demandas específicas.

Quadro 47 Cronograma executivo do Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da


Fauna.

Fase de Fase de Implantação - Meses


Atividades Planejament
o 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Submissão de Pedido para AMF
Emissão da AMF pelo INEMA
Contratação de equipe e aquisição de
materiais
Treinamento de equipe
Avaliação das áreas de soltura
Acompanhamento da Supressão Vegetal
Atividades eventuais de resgate
Relatórios Mensais Internos
Relatório Final para o INEMA

[Link] Referências Bibliográficas

ABNT NBR 15789, 2013. Disponível em [Link]


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Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

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Programas Ambientais – Pág. 249


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3.2.6 Programa de Monitoramento e Proteção à Fauna

[Link] Introdução e Justificativa

A supressão e fragmentação de habitats constituem os dois fatores apontados como os maiores


responsáveis pela redução da biodiversidade. A fragmentação de habitats, por exemplo, com o
aumento de espaços abertos em áreas florestadas, promove alterações físicas nos ambientes
restantes. As mudanças provocadas pela supressão vegetal alteram o clima local, a composição de
espécies, distribuição e dinâmica populacional. Estas alterações, ao longo do tempo, podem resultar
na modificação da composição de espécies de uma comunidade, alterando assim as relações
ecológicas entre elas (MMA, 2003).

A herpetofauna, constituída por anfíbios e répteis, formam um grupo proeminente em quase todas
as comunidades terrestres e mais de 80% da diversidade dos dois grupos ocorrem em regiões
tropicais, cujas paisagens naturais estão sendo rapidamente destruídas pela ocupação humana.
Devido à sua baixa mobilidade, requerimentos fisiológicos, especificidade de habitat e facilidade de
estudo, anfíbios e répteis são considerados modelos ideais para estudos sobre os efeitos da
fragmentação (SILVANO et al., 2005) e isso torna este grupo faunístico destaque nos estudos em
regiões sob pressão de empreendimentos impactantes. Os anfíbios são conhecidos por
apresentarem um ciclo de vida bifásico na maioria de suas espécies, ou seja, uma fase larvária com
desenvolvimento em corpos d’água e uma fase adulta de hábito terrestre associada a ambientes
úmidos (WELLS, 1977). Este ciclo de vida bifásico associado às suas características anatômicas e
fisiológicas, como pele permeável e respiração cutânea, tornam estes animais extremamente
sensíveis a mudanças ambientais.

No caso dos répteis, o que torna este grupo bom indicador ambiental é a variabilidade de habitats
ocupados pelo grupo e sua posição apical nas cadeias tróficas com consequente dependência da
integridade das populações de suas presas. Alterações nos ambientes também poderão
comprometer a estrutura de comunidades dos répteis e provocar migrações de algumas espécies
em busca de recurso alimentar e ou abrigo em ambientes no entorno ficando mais susceptíveis a
atropelamentos e à caça predatória. As serpentes estão entre os animais mais perseguidos pelos
seres humanos, uma vez que algumas delas podem causar acidentes graves (MARQUES et al.,
2001).

No que diz respeito às aves, esses animais executam um importante papel ecológico auxiliando no
controle de pragas que assolam plantações e áreas urbanas; polinizam flores proporcionando a
manutenção da variabilidade genética das espécies de plantas; dispersam sementes e são bons
indicadores de qualidade ambiental, pois são muito sensíveis aos impactos ambientais. É um dos
grupos de animais mais bem-sucedidos, do ponto de vista adaptativo, ocupando nichos ecológicos
em praticamente todos os ecossistemas do Planeta. É também, entre os grupos de vertebrados,
um dos mais conhecidos e diversos, com mais de 9.000 espécies (1.901 delas pertencentes à fauna

Programas Ambientais – Pág. 250


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brasileira), além de a maioria das aves possuir hábitos diurnos e vocalizar com frequência, fazendo
delas um grupo de fácil observação no campo (DEVELEY, 2003; POUGH, 2003).

Estudos da mastofauna também são importantes não só pela grande diversidade de espécies
pertencentes a esta classe, mas também pela ocupação, por parte destes organismos, aos mais
variados ambientes e nichos, desde o estrato terrestre aos níveis superiores de estratificação
vertical (WILSON et al., 1996).

Diante da crise da biodiversidade mundial, com níveis de declínio e extinção de espécies nunca
vistos, é essencial que o desenvolvimento socioeconômico leve em consideração a conservação e
manejo dos ecossistemas afetados. Entre as tecnologias de produção de energia elétrica, a
utilização dos ventos e da energia solar se destacam como fonte renovável de eletricidade, tendo
ganhado destaque no Brasil nos últimos anos, sobretudo na região nordeste. Contudo, a instalação
de empreendimentos deste tipo implica em impactos diretos sobre o meio ambiente, e dentre os
principais elementos atingidos está a fauna.

Salienta-se que a magnitude dos impactos sofridos pela comunidade faunística decorrente da
supressão da vegetação dependerá da dependência do animal ao ambiente e do grau de
conectividade desses fragmentos. Em especial para as áreas de floresta, caso o fragmento atingido
esteja adjacente ou conectado à remanescentes do entorno, maiores serão as chances de
sobrevivência dos animais tipicamente florestais se afugentarem. Por outro lado, quanto maior a
distância entre estes fragmentos, maiores são as dificuldades de os exemplares alcançarem os
remanescentes florestais para colonização e abrigo no entorno.

Entretanto, a evasão da fauna afugentada irá gerar alterações nas populações nas áreas de
entorno, principalmente naquelas imediatamente adjacentes às áreas de desmate, pois nelas os
indivíduos dispersos irão tentar se restabelecer em habitats semelhantes, alterando a estrutura das
comunidades residentes. As áreas receptoras poderão sofrer um desequilíbrio inicial, pois seus
ambientes podem não apresentar recursos (alimentares, nidificatórios, etc.) suficientes à
sobrevivência das espécies, tendo em vista que os indivíduos afugentados tenderão a competir por
recursos com os residentes. Este comportamento será mais evidente nas espécies territorialistas,
cuja sobreposição de nichos causará disputas por alimento e área reprodutiva, até que, em médio
e longo prazo, seja restabelecida uma nova situação de equilíbrio dinâmico entre os indivíduos.

Considerando a importância biológica da região de inserção do empreendimento, a riqueza e


diversidade faunística encontrada na área e os prováveis impactos negativos causados a fauna
decorrentes da implantação e operação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) torna-se
importante executar o Programa de Monitoramento e Proteção à Fauna antes da supressão, durante
a execução das obras e quando da operação do empreendimento, com adoção de ações
sistematizadas, de modo a verificar as condições de adaptação das comunidades da mastofauna,
avifauna e herpetofauna, bem como alternativas para conservação desses grupos faunísticos. Além

Programas Ambientais – Pág. 251


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disso, a execução desse programa se torna necessária para atender a legislação ambiental vigente:
Instrução Normativa do IBAMA nº146/07.

Sua execução está voltada, portanto, à prevenção e mitigação de possíveis impactos sobre os
fatores ambientais associados a fauna, conforme quadro resumo a seguir.

Programa de Monitoramento e Proteção à Fauna


Componente Ambiental Afetado Fauna
Fase do Empreendimento Pré-implantação; Implantação e Operação
Caráter Preventivo; Mitigador; Corretivo
Agentes Executores Consultoria Ambiental; Empreendedor
Período Longo Prazo

O Programa de Monitoramento e Proteção à Fauna subdivide-se em quatro subprogramas, os quais


devem ser executadas nas fases pré-implantação, implantação e operação.
Fase Pré-Implantação

Fase de Implantação

Fase de Operação

•Programa de •Programa de
Monitoramento e Monitoramento e •Programa de
Proteção à Fauna Proteção à Fauna Monitoramento e
• Subprograma • Subprograma Proteção à Fauna
de Monitoramento de Monitoramento • Subprograma
da Fauna Terrestre da Fauna Terrestre de Monitoramento
• Subprograma • Subprograma da Fauna Terrestre
de Monitoramento de Monitoramento • Subprograma
e Proteção à Fauna e Proteção à Fauna de Monitoramento
• Subprograma e Proteção à Fauna
de Monitoramento
e Mitigação de
Atropelamentos

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[Link] Subprograma de Monitoramento e Proteção da Fauna Terrestre

[Link].1 Introdução e Justificativa

Diante da crise da biodiversidade mundial, com níveis de declínio e extinção de espécies nunca
vistos, é essencial que o desenvolvimento socioeconômico leve em consideração a conservação e
manejo dos ecossistemas afetados. Entre as tecnologias de produção de energia elétrica, a
utilização dos ventos se destaca como fonte renovável de eletricidade, tendo ganhado destaque no
Brasil nos últimos anos, sobretudo na região nordeste. Contudo, a instalação de empreendimentos
deste tipo implica em impactos diretos sobre o meio ambiente, e dentre os principais elementos
atingidos está a fauna.

Neste contexto, este Subprograma pretende fornecer as condições ideais para o efetivo
monitoramento da fauna terrestre, suas possíveis respostas aos impactos ambientais resultantes
da instalação e operações do Empreendimento e suas respectivas medidas mitigadoras.

Neste Subprograma deve ser dada especial atenção para aquelas espécies terrestres ameaçadas
com ocorrência confirmada ou de provável ocorrência para a área do projeto, além da busca por
outras espécies ameaçadas ainda não registradas.

A implantação de empreendimentos fotovoltaicos, como qualquer outro empreendimento de


grandes proporções, implica em impactos diretos e indiretos sobre a biodiversidade (KIKUCHI,
2008), o que justifica o monitoramento desta ao longo das fases de pré-instalação (cenário sem
impactos), instalação e operação destes empreendimentos, permitindo uma caracterização
dinâmica dos ecossistemas impactados e fornecendo informações para a gestão das medidas
mitigadoras (FERRAZ, 2012).

Acerca destes impactos, para espécies terrestres (aqui compreendidas por aquelas com hábitos de
solo, fossoriais ou semi-fossoriais, arborícolas, semiarborícolas ou semiaquáticas), como
herpetofauna (anfíbios e répteis) mamíferos não-voadores e, sabe-se que a supressão vegetal
necessária para implantação de tais empreendimentos implica diretamente em algum grau de
perda, degradação e fragmentação dos habitats disponíveis para a fauna terrestre residente,
afetando assim a qualidade dos ambientes disponíveis para a manutenção das populações e suas
relações ecológicas, inclusive devido a interferências sonoras (KIKUCHI et al., 2008).

Como resultado dessas alterações, as espécies podem dispersar para outros locais à procura de
abrigo e alimento. Nesse processo de dispersão, podem se tornar mais vulneráveis a impactos
secundários, como atropelamentos, que, segundo Pedrosa et al. (2014), podem ser um dos
principais impactos à herpetofauna em todas as fases de um Empreendimento.

Outros possíveis impactos são interferências no comportamento de vocalização dos anfíbios


geradas pelos ruídos; os conflitos com pessoas (colaboradores do Empreendimento e moradores

Programas Ambientais – Pág. 253


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da região), especialmente no caso de serpentes e mamíferos carnívoros; e o aumento da pressão


de caça resultante da elevação do número de pessoas na área e da facilidade de acesso através
das estradas abertas.

Desta forma, o monitoramento da mastofauna não-voadora e da herpetofauna se justifica no sentido


de avaliar os efeitos dos possíveis impactos sobre as populações de hábito terrestre com a
instalação e operação do Empreendimento, além de servir para a identificação de impactos não
previstos e avaliação, ajuste e/ou proposição de medidas mitigadoras pertinentes.

Subprograma de Monitoramento da Fauna Terrestre


Componente Ambiental Afetado Fauna
Fase do Empreendimento Pré-Implantação; Implantação e Operação
Caráter Mitigador
Agentes Executores Empreendedor
Período Médio a Longo Prazo

[Link].2 Objetivos

Monitorar a herpetofauna (répteis e anfíbios) e a mastofauna não voadora (pequenos, médios e


grandes mamíferos terrestres) da área do Complexo Solar no sentido de mensurar os possíveis
impactos sobre as suas populações e avaliar a efetividade das suas medidas mitigadoras,
promovendo a conservação das populações de espécies ameaçadas de extinção.

Constituem-se objetivos específicos:

• Monitorar a ocorrência das espécies da fauna terrestre nas áreas de influência do


Empreendimento em suas diferentes fases;

• Monitorar espécies ameaçadas de extinção, endêmicas, raras, de importância cinegética ou


invasoras com ocorrência na área de interesse;

• Elaborar lista de espécies registradas de cada grupo faunístico monitorado, atentando para
novos registros de ocorrência para a região e indicando o tipo de registro, o grau de ameaça
e de endemismo das espécies;

• Mapear e contabilizar registros de ocorrência de cada espécie ameaçada e acompanhar seu


status populacional;

• Utilizar métodos adequados para o registro do maior número de espécies de cada grupo
faunístico monitorado residentes na área de interesse;

• Monitorar possíveis impactos do empreendimento sobre a comunidade faunística nas


diferentes fases;

Programas Ambientais – Pág. 254


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• Identificar impactos negativos não previstos sobre a fauna e propor as devidas medidas
mitigadoras, especialmente para espécies ameaçadas de extinção, raras ou endêmicas;

• Avaliar detalhadamente a relação entre os resultados encontrados, os impactos identificados


e a efetividade das medidas mitigadoras implementadas, considerando cada fase do
Empreendimento;

• Comparar os resultados qualitativos e quantitativos encontrados entre as diferentes


campanhas, períodos (seco e chuvoso), fases do Empreendimento (pré-instalação x
instalação x operação) e ambientes considerados (impactado x controle);

• Contribuir para o incremento do conhecimento regional da fauna.

[Link].3 Requisitos Legais

São listados na sequência os principais documentos legais que devem ser observados, no âmbito
do monitoramento da fauna. Todavia, a equipe executora deste Subprograma deverá atentar-se e
verificar constantemente a existência de atualizações ou outros documentos legais aplicáveis ao
tema que não tenham sido aqui elencados.

• Decreto nº 97.633, de 10 de abril de 1989. Dispõe sobre o Conselho Nacional de Proteção


à Fauna;

• Resolução CRMV nº 1.000, de 11 de maio de 2012. Dispõe sobre procedimentos e métodos


de eutanásia em animais e dá outras providências;

• Instrução Normativa IBAMA nº 146, de 10 de janeiro de 2007. Estabelece os critérios para


os procedimentos relativos à fauna no âmbito do licenciamento ambiental de
empreendimentos que causam impactos sobre a fauna silvestre;

• Instrução Normativa INEMA nº 001, de 12 de dezembro 2016. Dispõe sobre as diretrizes,


critérios e procedimentos administrativos para autorizações ambientais para o manejo de
fauna silvestre em processos de licenciamento ambiental, envolvendo o levantamento,
salvamento e monitoramento de fauna silvestre e dá outras providências;

• Resolução CFBio nº 301, de 08 de dezembro de 2012. Dispõe sobre os procedimentos de


captura, contenção, marcação, soltura e coleta de animais vertebrados in situ e ex situ, e dá
outras providências;

• Ministério do Meio Ambiente, Portaria nº 148 de 07 de junho de 2022. Reconhece como


espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção aquelas constantes na “Lista Nacional
Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção”;

• SEMA, Portaria nº 37 de 15 de agosto de 2017. Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas de


Extinção do Estado da Bahia.

Programas Ambientais – Pág. 255


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[Link].4 Responsabilidade de Execução

É de responsabilidade do empreendedor a execução do Subprograma de Monitoramento da Fauna


Terrestre nas etapas de pré-implantação, implantação e operação, o qual deverá contratar empresa
de consultoria especializada para execução das atividades.

[Link].5 Público-Alvo

O público-alvo deste Subprograma será composto pelos órgãos públicos envolvidos no processo
de licenciamento ambiental: INEMA, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(MMA/ICMBio); a (s) empresa (s) envolvida (s) nas atividades de supressão da vegetação e
movimentações de terra na área do empreendimento, o empreendedor e a comunidade local.

[Link].6 Metodologia

[Link].6.1 Definição das Áreas de Monitoramento

Para a realização do monitoramento da fauna serão selecionados pontos de amostragem através


de análise de imagens de satélite e observações em campo, alinhados aos pontos já utilizados nos
estudos ambientais de etapas anteriores.

Estas áreas serão escolhidas considerando as variações das fisionomias do levantamento da


vegetação da Área de Influência Direta (AID), o acesso e a qualidade do habitat, e demais fatores
relevantes no âmbito do estudo ambiental do empreendimento.

Durante a realização da primeira campanha de cada grupo, serão definidos os pontos a serem
monitoradas ao longo do estudo. Essas áreas previamente definidas em escritório por meio da
análise de imagens de satélite e layout do empreendimento, serão validadas em campo. Para tanto,
serão considerados critérios básicos como: estar localizada no entorno imediato do
empreendimento, apresentar formações vegetais nativas, ocorrência de corpos d’água, etc.

Para área controle será considerada aquela com fragmento florestal mais conservado no qual não
ocorrerão ações de soltura da fauna afugentada. Em campo ocorrerá o refinamento dessas áreas,
onde os locais de armadilhamento deverão ser definidos por cada especialista visando o maior
sucesso amostral para cada grupo faunístico estudado. A fim de permitir comparações robustas dos
impactos do empreendimento sobre a fauna será necessária a coleta de dados nas seguintes áreas:

• Fragmentos a serem suprimidos;

Programas Ambientais – Pág. 256


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• Fragmentos localizados imediatamente ao entorno daqueles que serão suprimidos, os quais


serão denominados "área controle".

O Desenho apresentado a seguir ilustra as áreas sugeridas para o estabelecimento dos pontos de
amostragem ao longo do monitoramento da fauna.

Programas Ambientais – Pág. 257


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Figura 32 Áreas de amostragem de fauna.

Programas Ambientais – Pág. 258


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[Link].6.2 Periodicidade e Duração das Campanhas

Após a obtenção da AMF, o monitoramento da herpetofauna e da mastofauna (terrestre) deverá ser


realizado por meio de uma campanha pré-instalação, campanhas trimestrais com duração de sete
dias cada na fase de instalação e campanhas semestrais na fase de operação, durante dois anos.

[Link].6.3 Metodologias Específicas por Grupo

[Link].6.3.1 Herpetofauna

Para o registro de répteis e anfíbios, recomenda-se a utilização de metodologias combinadas


(MANGINI & NICOLA, 2003). Dessa forma serão utilizadas metodologias conjugadas para obtenção
de dados primários. A primeira metodologia consiste na procura direta de indivíduos em locais de
agregações reprodutivas (brejos, riachos, lagoas, etc.) ou refúgios (sob troncos caídos, pedras,
entulhos ou restos de habitações humanas, etc.), nos períodos diurno e noturno, percorrendo
transectos em trilhas no interior de mata ou ao longo de riachos. Na primeira fase do Subprograma,
essa ação também visa reconhecer as áreas escolhidas para o estudo, as espécies ocorrentes
nesses tipos de ambientes, sua distribuição pelos micro-habitats disponíveis e sua abundância
relativa, através da contagem de indivíduos observados e da audição de machos em atividade de
vocalização.

A segunda metodologia consiste em amostragens pontuais em poças e lagoas. Essas amostragens


têm o mesmo objetivo da realização de transectos, descrita anteriormente, mas é aplicada para
detectar espécies com distribuição limitada a ambientes aquáticos lênticos. Essa metodologia
permite a contagem de indivíduos visualizados e também através do registro das vocalizações de
anfíbios. Dados sobre a pluviosidade durante os períodos de amostragem serão requisitados aos
Distritos Meteorológicos responsáveis pela cobertura das áreas de estudo. Os dados de
temperatura e chuvas serão correlacionados aos índices de riqueza e abundância resultantes das
coletas, de forma a demonstrar se há influência de fatores abióticos sobre os padrões de ocorrência
das espécies da Herpetofauna. Os testes utilizados serão a Correlação de Pearson (para dados
paramétricos com distribuição normal) ou a Correlação de Spearman (para dados que não atendam
aos princípios de normalidade) (veja SOKAL & ROHLF, 1995).

Os transectos delimitados por tempo deverão ser percorridos no período matutino de 09h às 11h e
vespertino das 15h às 17h em busca de répteis, girinos e anfíbios de hábitos diurnos. As buscas
ativas pontuais deverão ser realizadas no período noturno das 18h às 24h em busca de anfíbios e
répteis de hábito noturno. Estes horários são mais apropriados para captura de répteis e anfíbios
(MANGINI & NICOLA, 2003). As amostragens deverão ser realizadas de forma sistemática em cada
ponto, objetivando um levantamento homogêneo e comparação entre as campanhas.

Programas Ambientais – Pág. 259


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A terceira metodologia é a amostragem de estrada que consiste no registro ocasional de serpentes


em deslocamento. Para esta metodologia as estradas de acesso nas áreas afetadas pelo
empreendimento deverão ser percorridas a uma velocidade entre 20 e 30 km/hora. A distância em
quilômetros do trajeto deverá ser registrada para cálculo da taxa de registro de serpentes nas
estradas.

Ao final de cada ano do Subprograma para monitoramento, as Estações Amostrais serão


comparadas em relação à composição de espécies, utilizando-se o Índice de Dissimilaridade de
Bray-Curtis (BRAY & CURTIS, 1957), considerada uma medida robusta da distância ecológica entre
diferentes sítios, cuja fórmula é a seguinte:

D = b + c / 2a + b + c

onde a é o número de espécies comuns a dois sítios (1,1) e b e c o número de espécies exclusivas
de cada sítio (1,0 e 0,1). Um valor de D igual a zero representa completa similaridade entre um par
de sítios, enquanto sítios totalmente diferentes possuem D = 1. A comparação da composição das
comunidades permitirá avaliar se as Estações amostradas são representativas das comunidades
herpetofaunísticas ocorrentes na área de influência do empreendimento, ou seja, se as Estações
amostrais apresentam comunidades muito semelhantes ou complementares entre si. Comunidades
complementares são preferíveis, pois dessa forma terá sido possível inventariar e monitorar boa
parte da herpetofauna da região de estudo.

Ao final de cada ano do monitoramento, quando um volume satisfatório de dados estiver disponível
serão realizadas análises estatísticas para estimar a riqueza das áreas amostradas com o objetivo
de avaliar a robustez dos dados obtidos, comparando as informações coletadas a cada campanha
com os dados secundários disponíveis. As análises deverão ser feitas para cada Estação em
separado e também para todo o empreendimento de dados obtidos nas localidades. As estimativas
poderão ser feitas com utilização dos softwares EstimateS, versão 6.0b1 (COLWELL, 2000) e
Statistica 7 (STATSOFT, 2004), utilizando-se 1000 replicações através do jackknife e índice de
confiança de 95%. As análises permitem avaliar se o esforço empregado está se refletindo na
riqueza encontrada, através da comparação de uma curva do coletor estimada com a curva obtida
através dos dados coletados em campo. Ou seja, é possível avaliar se o número de campanhas e
o tempo destinado às amostragens são suficientes para registrar o maior número possível de
espécies ocorrentes nas Estações Amostrais. As curvas de acumulação de espécies são um
excelente procedimento para avaliar o quanto um inventário se aproxima da capturar todas as
espécies do local estudado. Se a curva estabiliza, isto é, atinge um ponto em que o aumento do
esforço de coleta não implica em aumento no número de espécies, isto significa que
aproximadamente toda a riqueza da área foi amostrada (SANTOS, 2003).

Para estimativa da abundância deverão ser utilizadas 50 casualidades com abundância de classes
igual a 10 (LINZMEIER et al., 2006), ou seja, a abundância será estimada através de classes, no
horário de maior atividade das espécies, da seguinte forma: I – 0 a 10 indivíduos encontrados; II –

Programas Ambientais – Pág. 260


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11 a 30 indivíduos encontrados; III – 30 a 50 indivíduos encontrados; IV - >50 indivíduos


encontrados.

[Link].6.3.2 Pequenos Mamíferos Não-Voadores

Para a amostragem desse grupo deverá ser utilizada uma metodologia de captura passiva:
armadilhas de captura viva (live traps) do tipo gaiolas de arame galvanizado com gancho. O método
a ser utilizado deverá ser o de captura/marcação/recaptura (CMR).

As armadilhas do tipo gaiolas deverão ser dispostas em transectos lineares localizados em


diferentes ambientes presentes nas áreas de estudo do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01).
Propõe-se que sejam amostrados oito transectos (um em cada área de amostragem – ver sugestão
de Mapa de Áreas de Amostragem). Em cada transecto deverão ser montados dez postos de
captura, em cada qual serão distribuídas duas armadilhas, sendo uma ao chão e a outra, quando
possível, a aproximadamente 1,5 m de altura (MANGINI & NICOLA, 2004; IBAMA, 2006; ASTÚA et
al., 2006), totalizando 160 armadilhas.

Os postos de captura deverão ser distanciados em, aproximadamente, 15 metros e as armadilhas


serão iscadas.

Em cada campanha, as armadilhas de gaiola deverão ficar expostas por cinco noites consecutivas
em cada transecto, gerando um esforço de captura que deverá ser calculado pela equação:

Ec = a x n,

Na qual:

• Ec = esforço de captura;

• a = número de armadilhas;

• n = número de noites de captura.

O sucesso de captura deverá ser calculado pela razão entre o número de indivíduos capturados e
o esforço de captura, a partir da equação:

Sc = N/Ec x 100

Na qual:

• Sc = sucesso de captura;

• N = número de indivíduos capturados;

• Ec = esforço de captura.

Programas Ambientais – Pág. 261


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[Link].6.3.3 Mamíferos de Médio e Grande Porte

Para a amostragem dos mamíferos de médio e grande porte também deverão ser utilizadas duas
metodologias distintas e complementares: (1) busca ativa por vestígios e (2) armadilhas fotográficas
(camera trap).

Para a primeira metodologia deverão ser realizados caminhamentos diurnos e noturnos em busca
de vestígios diretos (visualização, vocalização, carcaças, etc.) e indiretos (pegadas, fezes, tocas,
etc.) da presença de mamíferos nas áreas de estudo.

Deverão ser percorridos transectos, além de áreas de solo argiloso, que propiciam o
estabelecimento e identificação de pegadas das diferentes espécies, assim como estradas e trilhas
já existentes na área de estudo.

As buscas deverão ser realizadas durante cinco dias e cinco noites em cada campanha de campo,
durante o período da manhã (de 6h às 9h) e ao crepúsculo (de 17h às 20h). Esses horários
correspondem ao período de maior atividade da maioria das espécies de mamíferos (REIS et al.,
2006). O horário do percurso deverá ser alternado entre os transectos na tentativa de diminuir os
vícios amostrais causados pela variação na atividade dos animais (LAURANCE, 1990).

No caso de registro de algum animal deverão ser anotadas as seguintes informações: espécie,
coordenada geográfica do registro, dia e horário do registro, condições climáticas, e no caso de
visualizações, número de indivíduos registrados, tipo de hábitat onde se encontrava o animal,
estrato arbóreo em que o mesmo foi visto, comportamento apresentado pelo mesmo e
características individuais.

Armadilhas fotográficas (camera trap) são câmeras fotográficas que ficam acopladas a um sistema
disparador, capaz de detectar calor ou movimento e que é acionado quando a presença de um
animal é detectada (TOMAS & MIRANDA, 2004; GOULART, 2008). Essa metodologia tem se
mostrado bastante eficiente para o monitoramento de mamíferos de médio e grande porte de
hábitos noturnos ou crepusculares, que dificilmente são observados em seu ambiente natural
(TOMAS & MIRANDA, 2004; REZINI et al., 2007).

Deverão ser instaladas oito armadilhas fotográficas nas áreas selecionadas para amostragem, que
ficarão ativas durante o período de cinco dias. Na tentativa de aumentar as chances de registro de
médios e grandes mamíferos, iscas poderão ser colocadas em frente as armadilhas, para que se
aumente a probabilidade de registro dessas espécies.

O esforço amostral empregado com a metodologia de armadilhas fotográficas será calculado pela
densidade de câmeras distribuídas nas áreas amostradas e pela duração do período de
amostragem, a partir da equação:

Ec = na x nd,

Programas Ambientais – Pág. 262


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Na qual:

• Ec = esforço de captura;

• na = número de armadilhas;

• nd = número de dias (ou horas) de amostragem.

[Link].6.3.4 Atividades Específicas para Espécies Ameaçadas de Extinção

As metodologias específicas para cada grupo já contemplam as espécies ameaçadas e de interesse


para a conservação registradas na área de estudo, até o presente momento. No caso de novas
espécies ameaçadas serem registradas para a área, novas abordagens e metodologias poderão
ser adicionadas a este plano, se necessário. É importante ressaltar que todas as metodologias
apresentadas no Subprograma de Monitoramento da Fauna Terrestre são capazes de identificar as
espécies classificadas como ameaçadas e quase ameaçadas de extinção.

Para todas as ações e abordagens propostas, deve-se a todo instante procurar e reforçar a parceria
e o apoio da comunidade local, tendo em vista que só assim podem ser atingidos resultados mais
consistentes para a conservação de espécies ameaçadas (Santos, 2003).

A educação ambiental é um dos pontos importantes a ser salientado em um programa de


conservação de espécies ameaçadas de extinção (Santos et al., 2003). Desta forma, deverá ser
dada ênfase à realização de oficinas de conscientização e educação ambiental em consonância
com o Programa de Educação Ambiental, acerca da importância da biodiversidade da Caatinga e
das consequências das suas perdas para moradores locais e trabalhadores da obra (na fase de
instalação da mesma). Nestes momentos, deverão ser enfatizados também os aspectos legais
relacionados com a caça e o abate das espécies, sobretudo daquelas ameaçadas de extinção,
levando em consideração a Lei de Crimes Ambientais (Lei Nº 9605 de 12 de fevereiro de 1998).
Através de conversas informais com trabalhadores e visitas ocasionais à casa de moradores
poderão ser repassadas informações para aquelas pessoas que não comparecerem às oficinas.

Essas oficinas também devem ser conduzidas com crianças residentes na área de influência direta
do empreendimento, idealmente, aproveitando a estrutura física e organizacional de escolas locais.
Nestas oficinas poderão ser utilizadas cartilhas educativas sobre a fauna ameaçada e a preservação
ambiental em geral, tais como: Livro Vermelho das Crianças (disponível em:
[Link] Cartilha Lei dos Crimes Ambientais (disponível em:
[Link] Para esta ação podem
ser aproveitadas as intervenções dos Programas de Comunicação Social e Educação Ambiental.

Além das atividades já citadas, a implantação de sinalização de advertência sobre as penas


relativas à atividade de caça (previstas na Lei de Crimes Ambientais, já citada), através de placas
elaboradas no âmbito do Subprograma de Sinalização, deverá auxiliar na inibição desse tipo de

Programas Ambientais – Pág. 263


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prática. Indica-se a instalação de placas nas estradas de acesso ao empreendimento e nas áreas
do Complexo. Essas placas devem divulgar ainda contatos para denúncias sobre crimes ambientais
para órgão ambientais competentes (INEMA, IBAMA, Polícia Ambiental, Secretarias Municipais de
meio Ambiente). Da mesma forma, todos os colaboradores do Empreendimento devem ser
orientados a colaborar para o combate e denúncia de atividades relacionadas a caça na área de
influência do Empreendimento.

[Link].6.3.5 Animais de Interesse Médico

Alguns animais de interesse médico podem ser registrados durante o monitoramento. Acompanhar
a presença/ausência e flutuação populacional desses animais contribuirá para medidas de
mitigação quanto aos possíveis acidentes. Um exemplo de animais que aqui se encaixam são as
serpentes peçonhentas, as quais poderão se movimentar nas áreas do empreendimento e até para
propriedades do entorno. Ações de conscientização junto à população para minimizar a caça
predatória.

[Link].6.4 Marcação

Para o grupo da Herpetofauna não será aplicada metodologia de marcação, uma vez que para esse
grupo não está prevista técnica de captura e recaptura. O monitoramento será feito a partir da
avaliação da riqueza e abundância das espécies ao longo das campanhas e das áreas amostradas.

Para o grupo da mastofauna, prevê-se a captura, marcação e recaptura para os mamíferos de


pequeno porte terrestres. A captura será feita por métodos passivos, com o uso de gaiolas do tipo
live trap, conforme descrito nos procedimentos metodológicos. A marcação dos mamíferos
terrestres será feita com o uso de brincos metálicos numerados específicos para esse grupo.

[Link].6.5 Análise Estatísticas

[Link].6.5.1 Riqueza

A riqueza das comunidades amostradas será evidenciada e avaliada por meio de:

• Lista de espécies a ser produzida a cada campanha de monitoramento;

• Curva de acumulação de espécies;

• Estimador de riqueza Jackknife de 1ª ordem ou de 2ª ordem.

Programas Ambientais – Pág. 264


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As curvas de acumulação de espécies são procedimentos utilizados para avaliar o quanto uma
amostragem se aproxima de registrar a riqueza total de determinado local. Quando a curva atinge
uma assíntota, isto é, se estabiliza, significa que aproximadamente toda a riqueza do local foi
amostrada e que o aumento do esforço de coleta não implica em aumento no número de espécies
registradas (Santos, 2004; Gotelli & Colwell, 2001).

O estimador Jackknife de 1ª ordem (Heltshe & Forrester, 1983) estima a riqueza total somando a
riqueza observada em uma amostra a um parâmetro calculado levando em consideração o número
de espécies raras e o número de unidades amostrais (Santos, 2004). Já o estimador Jackknife de
2ª ordem utiliza tanto o número de espécies observado em apenas uma amostra, como em duas
amostras (duplicatas). As estimativas de riqueza são geradas em programas estatísticos
específicos e a escolha pelo Jackknife1 ou Jackknife2 considera aquele estimador que obteve
menor desvio padrão e que representa melhor a amostra.

[Link].6.5.2 Abundância

Além da riqueza da área, a determinação da abundância relativa das espécies é importante para
avaliações futuras de declínio populacional (Straube et al., 2010). Para os anfíbios, répteis e
mamíferos será considerado o número de registros obtidos para cada espécie.

[Link].6.5.3 Diversidade

Para análise da diversidade das comunidades monitoradas será utilizado o índice de Shannon-
Wienner (H’), que correlaciona a riqueza da área com a frequência de ocorrência, através da
seguinte fórmula:

H’ = - ∑ ni/N * ln(ni/N),

Onde:

• H’ = índice de diversidade;

• ni = o número de registros da espécie i;

• N = número total de registros.

[Link].6.5.4 Similaridade

Para avaliação da Similaridade, com base na abundância (número de registros) de cada população,
será utilizado o Índice de Similaridade de Bray-Curtis. Este índice fornece um valor que varia de 0
a 1, onde valores mais próximos de 1 indicam maior similaridade entre os elementos comparados,

Programas Ambientais – Pág. 265


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que neste caso são as áreas de amostragem. Para tanto, será utilizado o software PAST (Hammer
et al., 2001) para elaboração dos gráficos (dendrogramas) e obtenção dos valores associados aos
índices de similaridade. As análises de similaridade serão apresentadas considerando os resultados
gerais e os resultados obtidos nos ambientes florestais.

[Link].6.5.5 Classificação das Espécies

A nomenclatura científica dos répteis e anfíbios seguirá Uetz (2017) e Frost (2020),
respectivamente. Nomes vernaculares e comuns serão extraídos de observações empíricas ou
guias de campo (e.g. Izecksohn & Carvalho-e-Silva, 2001; Marques et al., 2001).

Com relação aos mamíferos, a nomenclatura e o ordenamento taxonômico seguirão Paglia et al.
(2012). Para todas as espécies amostradas será verificada sua presença em listas oficiais de
espécies ameaçadas, tendo como base a lista internacional (IUCN, 2023) a lista nacional (MMA,
2022) e a lista estadual (SEMA, 2017). Além disso, para compor a lista de espécies cinegéticas,
serão consultados os Apêndices CITES (2022). Para a composição, comparação e descrição da
lista qualitativa de espécies considerarão apenas os táxons identificados a nível específico.

Para todos os grupos, será avaliado o grau de ameaça das espécies em nível estadual, nacional e
global. A nível global será consultada a listagem de espécies ameaçadas da International Union for
Conservation of Nature and Natural Resources (IUCN, 2023). Para a listagem de espécies
ameaçadas em âmbito nacional será consultada a listagem elaborada pelo Ministério do Meio
Ambiente (MMA, 2022) e a lista estadual, elaborada pela Portaria SEMA n° 37 de 15 de agosto de
2017, (SEMA, 2017).

[Link].6.6 Resumo do Esforço do Subprograma por Grupos

O Quadro 48 apresenta um resumo do esforço amostral mínimo, proposto para a realização do


Subprograma de Monitoramento da Fauna Terrestre. As metodologias poderão ser distribuídas
entre as cinco áreas amostrais, de acordo com a especificidade de cada grupo faunístico e a
fitofisionomia de cada área. O esforço abaixo apresentado, refere-se ao esforço mínimo proposto.
Em campo esse esforço poderá ser aumentado a partir das características ambientais da área,
espécies registradas, disponibilidade de acesso, dentre outros fatores que contribuam para esse
incremento de esforço. As áreas de amostragem poderão sofrer alguma alteração devidamente
justificada, a partir da análise in loco e condições ambientais quando do início do monitoramento.

Programas Ambientais – Pág. 266


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Quadro 48 Resumo do Esforço amostral previsto para o Subprograma de Monitoramento


da Fauna Terrestre.

Esforço mínimo
Grupo Metodologia Observação
proposto/campanha

Armadilhas tipo gaiola 600 armadilhas 120 armadilhas/noite, sendo 5 noites por campanha
Mastofauna
Busca Ativa 10 horas 2 horas em cada área amostral
Terrestre
Armadilha fotográfica 1200 horas 10 câmeras x 24 horas x 5 dias por campanha

Anfíbios Buscas Ativas noturnas 20 horas 4 horas por área amostral por campanha

Répteis Buscas Ativas diurnas 20 horas 4 horas por área amostral por campanha

[Link].7 Metas

Constituem-se metas do Subprograma de Monitoramento da Fauna Terrestre:

• Realizar, no mínimo, quatro campanhas para cada grupo faunístico, por ano, durante a
instalação do empreendimento e duas, por ano, durante a operação;

• Catalogar 100% das espécies registradas em campo;

• Utilizar, no mínimo, um método de amostragem para cada grupo;

• Calcular parâmetros de riqueza e abundância por grupo;

• Analisar 100% dos resultados obtidos e propor, se necessário, alterações/melhorias no


processo.

[Link].8 Indicadores de Desempenho

Constituem-se indicadores de desempenho do Subprograma de Monitoramento da Fauna:

• Número de campanhas realizadas por grupo;

• Número de espécies registradas por grupo, tipo de registro, método e categoria de ameaça;

• Índice de Riqueza e abundância por grupo;

• Número de relatórios gerenciais emitidos e porcentagem de ações executadas em relação


às ações previstas.

Programas Ambientais – Pág. 267


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[Link].9 Interface com Outros Programas

O Programa de Monitoramento de Fauna possui interface com os seguintes programas desse PBA:

• Programa de Gestão Ambiental (será interno);

• Programa de Sinalização das Obras e Controle de Tráfego;

• Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna;

• Programa de Monitoramento e Proteção à Fauna;

• Programa de Educação Ambiental;

• Programa de Comunicação Social.

[Link].10 Recursos Necessários

Para a execução do Subprograma de Monitoramento da Fauna Terrestre deverá ser contratada


equipe técnica especializada com experiência em monitoramentos da herpetofauna e mastofauna.

Os profissionais necessários para execução desse subprograma são descritos no Quadro 49


abaixo.

Quadro 49 Relação dos profissionais necessários para execução do Subprograma de


Monitoramento da Fauna Terrestre.

Profissional Categoria Função Quantidade


Biólogo Sênior Coordenador Geral 01
Biólogo Pleno Herpetólogo 01
Biólogo Pleno Mastozoologo 01
Auxiliar de campo Técnico Acompanhamento 02

Em relação aos materiais, serão necessários itens para captura, marcação de indivíduos,
Equipamentos de Proteção Individual, dentre outros. A seguir, o Quadro 50 apresenta a lista de
materiais necessários à execução do presente Subprograma.

Programas Ambientais – Pág. 268


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Quadro 50 Itens necessários à execução do Subprograma de Monitoramento da Fauna


Terrestre.

Descrição do Material Quantidade


Materiais Permanentes
Facão com bainha 4
Caixa plástica com tampa hermética 4
Lanterna de mão tipo holofote 4
Prancheta 4
Câmera trap 10
Cadeados 10
Pesola 100 g 2
Pesola 600 g 2
Pesola 1 kg 2
Paquímetro digital 2
Sacos de pano 20
Alicate para anilhamento 2
Armadilha de arame galvanizado 50
Materiais de Consumo (por campanha amostral)
Álcool 70º GL (garrafa 1L) 2
Éter (garrafa 1 litro) 2
Algodão (rolo 500 g) 2
Formol (galão de 5 litros) 1
Bombonas de 10 Litros 2
Barbante rolo (330m) 2
Sacos plásticos (cento) 1
Seringas de 1 ml 10
Seringas de 5 ml 10
Fita adesiva larga transparente (rolos 45 m) 2
Anilha para pequenos mamíferos (pacote com 10) 5
Gaze (pacote) 1
Lâmina de bisturi (caixa) 1
Linha branca n°10 (rolo) 1
Luvas cirúrgicas (caixa) 1
Kit material de escritório (papel, lápis, borracha, caneta, folhas, etc.) 4
Pilhas alcalinas AA 16
Pilhas alcalinas AAA 12
Pilhas alcalinas D 8
EPIs
Bota de couro com biqueira de PVC 4
Capa de chuva 4
Capacete 4
Luvas de raspa de couro comprida (par) 4
Luva de pigmento (par) 4
Óculos de proteção 4
Perneiras (par) 4

Programas Ambientais – Pág. 269


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Descrição do Material Quantidade


Protetores auriculares 4
Protetor solar (FPS mínimo 30) 4 por campanha
Repelente de Insetos 4 por campanha

[Link].11 Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento, a equipe executora deverá elaborar


relatórios trimestrais internos de atendimento ao subprograma.

Ao final da obra, deve ser elaborado o Relatório de Cumprimento dos Programas Ambientais –
RCPA, contemplando informações cumulativas de todo o período de implantação do
empreendimento, para subsidiar o pedido de Licença de Operação – LO.

[Link].12 Cronograma

O presente Subprograma terá início na fase de pré-implantação do empreendimento, quando as


estruturas do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) serão instaladas e deverá continuar durante
a fase de operação por pelo menos dois anos.

Quadro 51 Cronograma executivo do Subprograma de Monitoramento da Fauna


Terrestre.

Fase de Fase de Implantação - Meses


Atividades
Planejamento 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Submissão de Pedido para AMF
Emissão de AMF pelo INEMA
Realização das campanhas
Relatórios Trimestrais Internos
Relatório Final para o INEMA

Programas Ambientais – Pág. 270


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Quadro 52 Cronograma executivo do Subprograma de Monitoramento da Fauna Terrestre


durante a operação do empreendimento.

Operação (meses)
Atividades
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Início da fase de Operação
Renovação de autorização de manejo
Emissão da renovação da AMF pelo
INEMA
Campanhas de Monitoramento da Fauna
Relatórios Semestrais Internos
Relatório Final para o INEMA

[Link].13 Referências Bibliográficas

BARRIOS, L. & RODRÍGUEZ, A. 2004. Behavioural and environmental correlates of soaring bird
mortality at on-shore wind turbines. Journal of Applied Ecology, 41:72-81.

BIRDLIFE INTERNATIONAL (2013). Disponível em: [Link] Acesso em 24 Mar


2023.

COLWELL, R. K. 2013. EstimateS: Statistical estimation of species richness and shared species
from samples. Version 9.1.0 University of Connecticut. Disponível em:
<[Link]

Colwell, R.K. & J.A. Coddington. 1994. Estimating terrestrial biodiversity through extrapolation.
Philosophical Transactions of the Royal Society B 345: 101-118.

HELTSHE, J. F. & FORRESTER, N. E. 1983. Estimating species richness using the jackknife
procedure. Biometrics, 39: 1-11.

MULLER, P.1973. Dispersal centers of terrestrial vertebrates in the Neotropical. Biogeographica 2:


1-244.

Programas Ambientais – Pág. 271


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

[Link] Subprograma de Monitoramento e Proteção da Fauna Alada

[Link].1 Introdução e Justificativa

O termo monitoramento se define como uma atividade de controle que pode ser aplicada em uma
variedade de ações. O monitoramento consiste na coleta e interpretação de dados que permitem
avaliar tendências, indicando necessidades de ajustes no andamento de determinados projetos.
Soule (1987, in Tommasi, 1993) aponta que o monitoramento pressupõe questões básicas como a
possibilidade de distinguir entre as mudanças naturais e as mudanças devido ao estresse induzidas
pelas ações antrópicas; onde se identificam pelos menos três elos:

• Ocorrências de perturbações ambientais;

• Perturbações ambientais que afetam a qualidade do habitat; e,

• Mudanças na qualidade do habitat que afetam as populações de organismos vivos e a


dinâmica de suas comunidades.

Monitoramentos periódicos são importantes ferramentas para avaliação e minimização de impactos


gerados por empreendimentos de infraestrutura de médio e grande porte e para determinação de
estratégias de conservação de espécies, especialmente as ameaçadas de extinção em algum grau.
Na impossibilidade de monitorar todos os elementos faunísticos, algumas espécies devem ser
selecionadas, pois, embora cada espécie responda a seu ambiente de forma individual, espécies
com ecologias similares possivelmente reagem de modo similar tornando-se, portanto,
bioindicadoras das condições ambientais de determinados habitats e ou da biodiversidade de
ecossistemas (Machado et al., 2008).

Este Subprograma de Monitoramento e Proteção da Fauna Alada concebido especialmente para o


empreendimento Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) se justifica como ferramenta para obter
um melhor conhecimento dos impactos da implantação e operação do Empreendimento sobre a
comunidade faunística local, especificamente sobre aves e os morcegos, fornecendo subsídios para
a proposição de ações que visam mitigar impactos no local do Empreendimento, proporcionando
também geração de conhecimento técnico científico para futuros empreendimentos, através da
experiência adquirida, em consonância com iniciativas verificadas em outros países do mundo sobre
o tema, as quais vem avançando significativamente nos últimos anos. Destacam-se nesse contexto
as espécies Penelope jacucaca, Arremon franciscanus, Primolius mararana, Hyllopezus
ochroleucus, Crypturellus noctivagus, Synallaxis hellmayri, Tonatia bidens como aquelas cujo
programa dará ênfase.

Programas Ambientais – Pág. 272


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Subprograma de Monitoramento e Proteção da Fauna


Componente Ambiental Afetado Fauna
Fase do Empreendimento Pré-Implantação; Implantação e Operação
Caráter Mitigador
Agentes Executores Empreendedor
Período Médio a Longo Prazo

[Link].2 Objetivos

Monitorar a avifauna e a mastofauna voadora (morcegos) da área do Complexo Santa Eugênia


Solar (Fase 01) no sentido de mensurar os possíveis impactos sobre as suas populações e avaliar
a efetividade das suas medidas mitigadoras, promovendo a conservação das populações de
espécies ameaçadas de extinção.

Constituem-se objetivos específicos:

• Monitorar a ocorrência das espécies da fauna alada nas áreas de influência do


Empreendimento em suas diferentes fases;

• Monitorar espécies ameaçadas de extinção, endêmicas, raras, de importância cinegética ou


invasoras com ocorrência na área de interesse;

• Elaborar lista de espécies registradas de cada grupo faunístico monitorado, atentando para
novos registros de ocorrência para a região e indicando o tipo de registro, o grau de ameaça
e de endemismo das espécies;

• Mapear e contabilizar registros de ocorrência de cada espécie ameaçada e acompanhar seu


status populacional;

• Caracterizar grupos potencialmente afetados por empreendimentos fotovoltaicos


(considerando-se atributos técnicos dos mesmos);

• Utilizar métodos adequados para o registro do maior número de espécies de cada grupo
faunístico monitorado residentes na área de interesse;

• Monitorar possíveis impactos do empreendimento sobre a comunidade faunística nas


diferentes fases;

• Comparar os resultados qualitativos e quantitativos encontrados entre as diferentes


campanhas, períodos (seco e chuvoso), fases do Empreendimento (pré-instalação x
instalação x operação) e ambientes considerados (impactado x controle);

• Identificar impactos negativos não previstos sobre a fauna e propor as devidas medidas
mitigadoras, especialmente para espécies ameaçadas de extinção, raras ou endêmicas;

Programas Ambientais – Pág. 273


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• Apresentar, na fase de solicitação da Licença de Operação, detalhamento do Subprograma


de Monitoramento e Proteção da fauna alada, com base nos dados levantados durante a
fase de implantação;

• Monitorar a eficácia das medidas de controle estabelecidas na fase de operação;

• Contribuir para o incremento do conhecimento regional da fauna.

[Link].3 Requisitos Legais

São listados na sequência os principais documentos legais que devem ser observados, no âmbito
do monitoramento da fauna. Todavia, a equipe executora deste Subprograma deverá atentar-se e
verificar constantemente a existência de atualizações ou outros documentos legais aplicáveis ao
tema que não tenham sido aqui elencados.

• Decreto nº 97.633, de 10 de abril de 1989. Dispõe sobre o Conselho Nacional de Proteção


à Fauna;

• Resolução CRMV nº 1.000, de 11 de maio de 2012. Dispõe sobre procedimentos e métodos


de eutanásia em animais e dá outras providências;

• Instrução Normativa IBAMA nº 146, de 10 de janeiro de 2007. Estabelece os critérios para


os procedimentos relativos à fauna no âmbito do licenciamento ambiental de
empreendimentos que causam impactos sobre a fauna silvestre;

• Instrução Normativa INEMA nº 001, de 12 de dezembro 2016. Dispõe sobre as diretrizes,


critérios e procedimentos administrativos para autorizações ambientais para o manejo de
fauna silvestre em processos de licenciamento ambiental, envolvendo o levantamento,
salvamento e monitoramento de fauna silvestre e dá outras providências;

• Resolução CFBio nº 301, de 08 de dezembro de 2012. Dispõe sobre os procedimentos de


captura, contenção, marcação, soltura e coleta de animais vertebrados in situ e ex situ, e dá
outras providências;

• Ministério do Meio Ambiente, Portaria nº 148 de 07 de junho de 2022. Reconhece como


espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção aquelas constantes na “Lista Nacional
Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção”;

• SEMA, Portaria nº 37 de 15 de agosto de 2017. Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas de


Extinção do Estado da Bahia.

Programas Ambientais – Pág. 274


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[Link].4 Responsabilidade de Execução

É de responsabilidade do empreendedor a execução do Subprograma de Monitoramento e Proteção


da Fauna Alada nas etapas de pré-implantação, implantação e operação, o qual deverá contratar
empresa de consultoria especializada para execução das atividades.

[Link].5 Público-Alvo

O público-alvo deste Subprograma será composto pelos órgãos públicos envolvidos no processo
de licenciamento ambiental: INEMA, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(MMA/ICMBio); a (s) empresa (s) envolvida (s) nas atividades de supressão da vegetação e
movimentações de terra na área do empreendimento, o empreendedor e a comunidade local.

[Link].6 Metodologia

[Link].6.1 Definição das Áreas de Monitoramento

Para a realização do monitoramento da fauna serão selecionados pontos de amostragem através


de análise de imagens de satélite e observações em campo, alinhados aos pontos já utilizados nos
estudos ambientais de etapas anteriores.

Estas áreas serão escolhidas considerando as variações das fisionomias do levantamento da


vegetação da Área de Influência Direta (AID), o acesso e a qualidade do habitat, e demais fatores
relevantes no âmbito do estudo ambiental do empreendimento.

Durante a realização da primeira campanha de cada grupo, serão definidos os pontos a serem
monitoradas ao longo do estudo. Essas áreas previamente definidas em escritório por meio da
análise de imagens de satélite e layout do empreendimento, serão validadas em campo. Para tanto,
serão considerados critérios básicos como: estar localizada no entorno imediato do
empreendimento, apresentar formações vegetais nativas, ocorrência de corpos d’água, etc.

Para área controle será considerada aquela com fragmento florestal mais conservado no qual não
ocorrerão ações de soltura da fauna afugentada. Em campo ocorrerá o refinamento dessas áreas,
onde os locais de armadilhamento deverão ser definidos por cada especialista visando o maior
sucesso amostral para cada grupo faunístico estudado. A fim de permitir comparações robustas dos
impactos do empreendimento sobre a fauna será necessária a coleta de dados nas seguintes áreas:

Programas Ambientais – Pág. 275


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• Fragmentos a serem suprimidos;

• Fragmentos localizados imediatamente ao entorno daqueles que serão suprimidos, os quais


serão denominados "área controle".

O Desenho apresentado a seguir ilustra as áreas sugeridas para o estabelecimento dos pontos de
amostragem ao longo do monitoramento da fauna.

Programas Ambientais – Pág. 276


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Figura 33 Áreas de amostragem de fauna.

Programas Ambientais – Pág. 277


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[Link].6.2 Periodicidade e Duração das Campanhas

Após a obtenção da AMF, o monitoramento da fauna alada deverá ser realizado por meio de uma
campanha pré-instalação, campanhas trimestrais com duração de sete dias cada na fase de
instalação e semestral na fase de operação, durante dois anos.

[Link].6.3 Metodologias Específicas por Grupo

[Link].6.3.1 Avifauna

Para essas atividades poderão ser aplicados dois métodos de amostragem distintos: a) pontos de
escuta; e b) lista de mackinnon.

Ponto Fixo de Escuta

O levantamento por ponto fixo baseia-se nas observações feitas em pontos pré-estabelecidos, onde
um profissional, especialista em ornitologia, permanece por 10 minutos anotando todas as aves
registradas, e suas quantidades, por observação direta ou identificação da vocalização. Este
método fomenta um índice de abundância por ponto, ou Índice Pontual de Abundância - IPA
(VIELLIARD et al., 2010).

Para este método deverão ser realizados pontos de escuta ao longo da área do Empreendimento,
por pelo menos 10 minutos. Devem ser considerados todos os indivíduos das espécies vistos ou
escutados num raio de 100 m.

Para auxiliar na identificação de algumas espécies presentes nas áreas de amostragem, cujo canto
não pode ser identificado in loco, deve-se utilizar, de forma complementar, a técnica de bioacústica
através do uso de microfone unidirecional.

Lista de Mackinnon

As listas de MacKinnon são um método composto por censos quantitativos que controlam o
tamanho das amostras, permitindo comparações mais confiáveis entre diferentes locais ou de um
mesmo local em diferentes épocas, uma vez que a unidade amostral é o número de listas. Assim,
quanto maior o número de listas maior será a quantidade de amostras, independentemente do
tempo de amostragem (RIBON, 2010). Propõe-se a aplicação de listas de 10 espécies, assim como
sugerido por Ribon (2010). Cada lista de 10 espécies contém diferentes espécies de aves
registradas, sem repetições de espécies e indivíduos já contados anteriormente. Nesse sentido,

Programas Ambientais – Pág. 278


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cada lista só pode conter espécies diferentes entre si e indivíduos que ainda não foram contados
em listas anteriores. Nota-se que, independentemente de quantos indivíduos de cada espécie se
veja ou se ouça, somente a informação sobre a presença ou ausência da espécie em cada lista é
que será usada nas análises seguintes. Após o preenchimento das 10 espécies na primeira lista
inicia-se uma nova lista com mais 10 espécies e, assim, sucessivamente. Dito isto, definido o
número de amostras para posterior análise, os registros sobressalentes serão tratados como
registros eventuais, de forma a incrementar qualitativamente o inventário de aves da área estudada.

Ao término da coleta de dados, o especialista deverá apresentar a sensibilidade e dependência


florestal das aves segundo Stotz et al. (1996), classificação de ameaças (MMA, 2014; IUCN, 2021),
endemismo, guildas tróficas e hábitos migratórios.

[Link].6.3.2 Mastofauna Voadora (Quirópteros)

As técnicas empregadas para o monitoramento dos morcegos serão a procura de abrigos, redes de
neblina e detectores acústicos, visando avaliar a atividade e presença de morcegos e o risco
potencial.

Procura por Abrigos

É importante realizar a procura de abrigos de morcegos para determinar se a área prevista para ser
suprimida é usada como abrigo. A procura por abrigos deverá ser feita durante o dia nos locais onde
serão abertas as vias de acesso, assim como nos locais onde serão instaladas as placas
fotovoltaicas. Considerando que existem espécies de hábitos solitários que podem utilizar como
abrigo a folhagem das árvores e arbustos ou fendas em rochas; bem como espécies de morcegos
que vivem em grandes colônias e podem usar cavernas ou morar abaixo de blocos grandes de
pedras. Este procedimento é importante para garantir o resgate dos espécimes, bem como o
monitoramento daquelas colônias não impactadas diretamente.

Se algum abrigo for encontrado, deverá ser realizada uma avaliação detalhada considerando o
tamanho da colônia e a composição de espécies. Se a colônia de morcegos for relativamente
pequena (geralmente <1.000. Kunz et al., 2009), censos visuais com ajuda de fotografias e lanternas
deverão ser feitos. Se as colônias forem maiores exigirá a captura de morcegos com redes de
neblina colocadas na saída desses abrigos para determinar a composição de espécies e conseguir
fazer uma estimativa da abundância. Nos abrigos também é necessária a amostragem repetida
para avaliar mudanças sazonais na abundância e composição das colônias, tendo em consideração
a possibilidade de se encontrarem colônias de maternidade em épocas específicas do ano.

Os esforços de procura por abrigo devem ser realizados principalmente antes e durante a instalação
do Empreendimento, e podem ocorrer de forma direcionada ou oportunista, indica-se que essa

Programas Ambientais – Pág. 279


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atividade seja realizada no âmbito desse subprograma a partir do esforço amostral a ele dedicado.
Assim como a interface com os demais programas e subprogramas, tendo em vista que qualquer
abrigo identificado no âmbito das demais atividades seja comunicado ao responsável por esse
subprograma. Fica salientado que se deve cobrir toda a área de influência do Empreendimento,
especialmente os locais que sofrerão intervenção direta. Depois de identificados estes locais,
esforços através de outros métodos (redes de neblina e monitoramento acústico) poderão ser
empregados nos mesmos. Assim como no caso das amostragens com redes de neblina, é
obrigatória a coleta de um ou mais indivíduos-testemunho de cada espécie, a serem tombados em
uma coleção científica pública (os números de tombo devem constar no relatório).

Captura com Redes de Neblina

As redes de neblina são os dispositivos mais utilizados para a captura de morcegos voando. O
conhecimento obtido a partir de morcegos capturados fornece informações valiosas de idade, sexo,
condição reprodutiva, massa corporal, condição corporal e inclusive, hábitos alimentares (com base
em coletas fecais). As capturas podem ser usadas para calcular a abundância relativa de morcegos
e a riqueza de espécies.

Devem ser realizadas capturas com redes de neblina (ver Kunz et al. 2009) em áreas potenciais
para atividade de morcegos (e.g. trilhas, clareiras, bordas de floresta, pomares, áreas úmidas e
margens de rios, córregos, lagos, açudes, paredões rochosos, áreas urbanas ou concentrações de
construções humanas), contemplando-se os diferentes tipos de habitat do complexo solar.

As amostragens devem ser realizadas em uma campanha pré-instalação, trimestral durante todo o
período de instalação e semestral por dois anos da operação. Em cada noite, devem ser utilizadas
pelo menos 10 redes de neblina (cada uma com área mínima de 25 m2), abertas por no mínimo seis
horas a partir do horário do pôr do sol. As amostragens devem ser realizadas preferencialmente
durante as fases escuras da lua, uma vez que pelo menos algumas espécies de morcegos
apresentam fobia lunar (Esbérard, 2007). As capturas devem ocorrer em noites não chuvosas, em
função da redução da atividade de morcegos durante a chuva (Voigt et al. 2011). O esforço amostral
deve ser calculado e apresentado de acordo com Straube & Bianconi (2002), i.e. multiplicando-se
a área de cada rede (altura × comprimento) pelo número de horas de exposição por noite, e pelo
número de redes e o número de noites de amostragem.

Os critérios de identificação das espécies (e.g. material de consulta, chaves dicotômicas), bem
como o responsável pela identificação, devem ser claramente apresentados. Para cada espécie
capturada, obrigatoriamente um ou mais indivíduos-testemunho (conforme licença emitida pelo
órgão ambiental responsável) devem ser coletados e tombados em uma coleção científica pública.
Os respectivos números de depósito devem ser apresentados.

Programas Ambientais – Pág. 280


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Após a captura, os morcegos serão identificados em campo com bases em guias e chaves de
identificação (Reis et al., 2013), fotografados, terão o antebraço mensurado com um paquímetro e
a massa registrada com o auxílio de um dinamômetro. Na sequência os animais serão soltos no
local em que foram capturados. Para cada animal coletado deverão ser anotados o sexo e o estágio
de desenvolvimento, considerando dois estágios: juvenil e adulto. Os juvenis serão reconhecidos
com base no grau de ossificação das metáfises, que são mais espessadas. No caso de indivíduos
adultos, para os machos será anotado a posição dos testículos (com escroto evidente ou não). Para
as fêmeas serão anotados os dados sobre a atividade reprodutiva: aparentemente não grávidas,
grávidas, lactantes (mamilos endurecidos, sem pelos ao redor e/ou com secreção de leite) ou pós
lactantes (mamilos sem pelos ao redor e sem secreção de leite).

O esforço de captura deverá ser dado em m² x hora e deverá ser determinado, segundo Straube &
Bianconi (2002), através da equação:

Ec = ar x nh x nd x nr,

Na qual:

• Ec = esforço de captura;

• ar = área da rede utilizada (m2);

• nh = número de horas em que as redes permaneceram abertas;

• nd = número de dias de amostragem;

• nr = número de redes.

O sucesso de captura deverá ser determinado pela seguinte equação:

Sc = nc/ec x 100,

Na qual:

• Sc = sucesso de captura;

• nc = número de indivíduos capturados;

• ec= esforço de captura.

Monitoramento Acústico

O monitoramento acústico é o método mais prático para o monitoramento de morcegos (Kunz et al.,
2007). Este método permite, através de detectores de ultrassom, gravar chamadas de
ecolocalização emitidas pelos morcegos que podem ser usadas para identificar as espécies ou
grupos de espécies e a sua atividade relativa num determinado local. Além disso, o método acústico

Programas Ambientais – Pág. 281


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é um bom complemento ao método de captura com redes de neblina, já que este tipo de
monitoramento não interfere com o comportamento de voo nem com as trajetórias normais dos
morcegos.

A atividade de morcegos será avaliada pela determinação da presença de indivíduos, nos níveis de
atividade e pelos eventos potenciais temporais de alta atividade (por exemplo, populações mais
elevadas de presas ou insetos na época chuvosa). Idealmente, o monitoramento acústico deve ser
realizado no local onde as instalações solares serão colocadas, apesar das limitações práticas que
impedem a cobertura de todos os locais.

Serão realizadas gravações das vocalizações de morcegos com detectores de ultrassons (ver
Parsons & Szewczak 2009), em todos os tipos de habitats relevantes para morcegos na área de
influência do empreendimento. O monitoramento acústico deve ser realizado em uma campanha
pré-instalação, trimestral durante o período de instalação e semestral por dois anos da operação.

Será realizado o monitoramento acústico passivo: serão selecionados pontos fixos, representativos
dos tipos de habitat que se deseja amostrar, os detectores de morcegos serão instalados para que
permaneçam gravando ao longo da noite. Este método apresenta as vantagens de ser mais
econômico em termos de logística e permitir amostragens de maior duração – em contraste com
técnicas de monitoramento ativo nas quais o consultor percorre transectos na área de estudo. Em
cada noite, devem ser utilizados no mínimo dois detectores de morcegos operando
simultaneamente, durante pelo menos 12 horas a partir do horário do pôr do sol, de forma a amostrar
dois pontos diferentes por noite. As vocalizações serão gravadas no modo full spectrum (gravação
direta sem transformação dos ultrassons), que gera gravações de alta resolução e, portanto, facilita
a identificação taxonômica das chamadas de ecolocalização. As chamadas serão identificadas até
o menor nível taxonômico possível (espécie, gênero ou família) com a utilização de programas de
análise de som e bibliografia de referência (e.g. Jung et al. 2007; Jung et al. 2014; López-Baucells
et al. 2016; Macías et al. 2006; Williams, Guillén & Perfecto 2011). Não é recomendado que a
identificação das espécies seja feita unicamente por classificação automática dos sinais com o uso
de softwares (e.g. Kaleidoscope Pro, SonoChiro), uma vez que as taxas de acerto na identificação
de espécies da fauna brasileira de morcegos são muito baixas (8‒25%) (Hintze et al. 2016). A
supervisão e validação das classificações por pessoal qualificado são obrigatórias.

Serão obtidos, para a área como um todo e para cada tipo de habitat, índices de atividade de
morcegos, i.e. número de passagens por unidade de tempo (e.g. bat passes/min). Para ser
considerada uma passagem, a chamada deve apresentar pelo menos três pulsos consecutivos de
ecolocalização. As chamadas com fases terminais correspondentes a tentativas de alimentação
(feeding buzzes) serão registradas para a obtenção de índices de atividade de forrageio (estes
índices também serão apresentados para a área do complexo como um todo e cada tipo de habitat
individualmente).

Programas Ambientais – Pág. 282


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[Link].6.3.3 Atividades Específicas para Espécies Ameaçadas de Extinção

As metodologias específicas para cada grupo já contemplam as espécies ameaçadas e de interesse


para a conservação registradas na área de estudo, até o presente momento. No caso de novas
espécies ameaçadas serem registradas para a área, novas abordagens e metodologias poderão
ser adicionadas a este plano, se necessário. É importante ressaltar que todas as metodologias
apresentadas no Subprograma de Manejo e Monitoramento e Proteção da Fauna Alada são
capazes de identificar as espécies classificadas como ameaçadas e quase ameaçadas de extinção.

Para todas as ações e abordagens propostas, deve-se a todo instante procurar e reforçar a parceria
e o apoio da comunidade local, tendo em vista que só assim podem ser atingidos resultados mais
consistentes para a conservação de espécies ameaçadas (Santos, 2003).

Espécies migratórias também terão atenção especial, cabendo para essas, se necessário a adoção
de ações específicas de monitoramento e/ou manejo e proteção.

[Link].6.4 Marcação

Para o grupo da Avifauna não será aplicada metodologia de marcação, uma vez que para esse
grupo não está prevista técnica de captura e recaptura. O monitoramento será feito a partir da
avaliação da riqueza e abundância das espécies ao longo das campanhas e das áreas amostradas.

Para o grupo da mastofauna voadora, prevê-se a captura, marcação e recaptura para os morcegos.
A captura será feita por métodos passivos, com o uso de redes de neblina, conforme descrito nos
procedimentos metodológicos. A marcação dos morcegos será feita com o uso de anilhas ou brincos
metálicos numerados específicos para esse grupo.

[Link].6.5 Análise Estatísticas

[Link].6.5.1 Riqueza

A riqueza das comunidades amostradas será evidenciada e avaliada por meio de:

• Lista de espécies a ser produzida a cada campanha de monitoramento;

• Curva de acumulação de espécies;

• Estimador de riqueza Jackknife de 1ª ordem ou de 2ª ordem.

As curvas de acumulação de espécies são procedimentos utilizados para avaliar o quanto uma
amostragem se aproxima de registrar a riqueza total de determinado local. Quando a curva atinge

Programas Ambientais – Pág. 283


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uma assíntota, isto é, se estabiliza, significa que aproximadamente toda a riqueza do local foi
amostrada e que o aumento do esforço de coleta não implica em aumento no número de espécies
registradas (Santos, 2004; Gotelli & Colwell, 2001).

O estimador Jackknife de 1ª ordem (Heltshe & Forrester, 1983) estima a riqueza total somando a
riqueza observada em uma amostra a um parâmetro calculado levando em consideração o número
de espécies raras e o número de unidades amostrais (Santos, 2004). Já o estimador Jackknife de
2ª ordem utiliza tanto o número de espécies observado em apenas uma amostra, como em duas
amostras (duplicatas). As estimativas de riqueza são geradas em programas estatísticos
específicos e a escolha pelo Jackknife1 ou Jackknife2 considera aquele estimador que obteve
menor desvio padrão e que representa melhor a amostra.

[Link].6.5.2 Abundância

Além da riqueza da área, a determinação da abundância relativa das espécies é importante para
avaliações futuras de declínio populacional (Straube et al., 2010). A abundância relativa das
espécies de aves será calculada pelo Índice Pontual de Abundância (IPA), que é estimado pela
divisão do total de contatos obtidos para determinada espécie pelo número total de unidades
amostrais realizadas na área:

IPA = Ni/Ua;

Onde:

• IPA = índice pontual de abundância

• Ni = número de contatos obtidos para a espécie i;

• Ua = número total de unidades amostrais.

[Link].6.5.3 Diversidade

Para análise da diversidade das comunidades monitoradas será utilizado o índice de Shannon-
Wienner (H’), que correlaciona a riqueza da área com a frequência de ocorrência, através da
seguinte fórmula:

H’ = - ∑ ni/N * ln(ni/N),

Onde:

• H’ = índice de diversidade;

• ni = o número de registros da espécie i;

Programas Ambientais – Pág. 284


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• N = número total de registros.

[Link].6.5.4 Similaridade

Para avaliação da Similaridade, com base na abundância (número de registros) de cada população,
será utilizado o Índice de Similaridade de Bray-Curtis. Este índice fornece um valor que varia de 0
a 1, onde valores mais próximos de 1 indicam maior similaridade entre os elementos comparados,
que neste caso são as áreas de amostragem. Para tanto, será utilizado o software PAST (Hammer
et al., 2001) para elaboração dos gráficos (dendrogramas) e obtenção dos valores associados aos
índices de similaridade. As análises de similaridade serão apresentadas considerando os resultados
gerais e os resultados obtidos nos ambientes florestais.

Para as análises de similaridade será utilizado também o Índice de Jaccard para verificar a
similaridade em relação à composição da avifauna entre as áreas de amostragem, considerando os
dados das campanhas consolidadas. O cálculo levará em consideração o número de espécies em
cada um dos grupos de dados e aquelas em comum (Magurran, 1988).

[Link].6.5.5 Classificação das Espécies

As espécies serão classificadas nas seguintes categorias de acordo com o seu status da Caatinga:
(R) Residente, espécie que se reproduz comprovadamente ou potencialmente na região; (MN)
Migrante do Norte, espécie que é migrante de longa distância da América do Norte; (MS) Migrante
do Sul, espécie que é migrante de longa distância do centro-sul da América do Sul; (INT)
Introduzida, espécie que foi trazida deliberadamente ou acidentalmente para a região pelo homem;
(DE) Status Desconhecido, espécie cujo conhecimento sobre a história natural na região é limitado
e não permite a sua classificação em qualquer das categorias acima; (EXT) Extinta, espécie que
era residente na região e que hoje é considerada como extinta na natureza.

As aves, também, serão classificadas quanto à sua dependência de floresta em três categorias:
Uso do habitat: 1 = Independentes, espécies associadas apenas a vegetações abertas; 2 = Semi-
dependentes, espécies que ocorrem nos mosaicos formados pelo contato entre florestas e
formações vegetais abertas e semi-abertas e; 3 = Dependentes, espécies que só ocorrem em
ambientes florestais. A classificação das espécies nas categorias de dependência de floresta foi
realizada tendo como base as informações contidas na literatura (Ridgely & Tudor, 1994; Silva
1995a, b, c; Stotz et al., 1996; Sick, 1997) e em Leal, Tabarelli e Silva (2003).

As espécies também serão classificadas quanto à sua sensitividade aos distúrbios causados pelas
atividades humanas. Três categorias foram reconhecidas: (A) Sensitividade Alta, (M) Sensitividade
Média e (B) Sensitividade Baixa. Essa classificação foi baseada, com algumas poucas exceções,
em Stotz et al. (1996).

Programas Ambientais – Pág. 285


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A nomenclatura taxonômica e os nomes populares das espécies seguem as diretrizes do Comitê


Brasileiro de Registros Ornitológicos e Sociedade Brasileira de Ornitologia (CBRO, 2014) com
revisões de Piacentini et al. (2015). Os endemismos seguem Stotz et al. (1996).

Com relação aos mamíferos, a nomenclatura e o ordenamento taxonômico seguiram Paglia et al.
(2012). Para todas as espécies amostradas será verificada sua presença em listas oficiais de
espécies ameaçadas, tendo como base a lista internacional (IUCN, 2022) a lista nacional (MMA,
2022) e a lista estadual (SEMA, 2017). Além disso, para compor a lista de espécies cinegéticas,
foram consultados os Apêndices CITES (2022). Para a composição, comparação e descrição da
lista qualitativa de espécies foram considerados apenas os táxons identificados a nível específico.

Para todos os grupos, será avaliado o grau de ameaça das espécies em nível estadual, nacional e
global. A nível global foi consultada a listagem de espécies ameaçadas da International Union for
Conservation of Nature and Natural Resources (IUCN, 2022).

[Link].6.6 Resumo do Esforço do Programa por Grupos

O Quadro 53 apresenta um resumo do esforço amostral mínimo, proposto para a realização do


Subprograma de Monitoramento e Proteção da Fauna. As metodologias poderão ser distribuídas
entre as oito áreas amostrais, de acordo com a especificidade de cada grupo faunístico e a
fitofisionomia de cada área. O esforço abaixo apresentado, refere-se ao esforço mínimo proposto.
Em campo esse esforço poderá ser aumentado a partir das características ambientais da área,
espécies registradas, disponibilidade de acesso, dentre outros fatores que contribuam para esse
incremento de esforço. As áreas de amostragem poderão sofrer alguma alteração devidamente
justificada, a partir da análise in loco e condições ambientais quando do início do monitoramento.

Quadro 53 Resumo do Esforço amostral previsto para o Subprograma de Monitoramento


e Proteção da Fauna Alada.

Grupo Metodologia Esforço mínimo proposto/campanha Observação

Rede neblina 3.600 m²/h 60 m x 2 m x 6 horas em 5 áreas amostrais

Quirópteros Monitoramento Bioacústico 65 horas-gravação 1 detector por 13 horas em cada área

Busca abrigos 10 horas 2 horas em cada área amostral

Pontos de escuta 50 pontos 10 pontos x cinco áreas


Aves
Lista de Mackinnon 50 listas 10 listas x cinco áreas

Programas Ambientais – Pág. 286


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[Link].7 Metas

Constituem-se metas do Subprograma de Monitoramento e Proteção da Fauna Alada:

• Realizar, no mínimo, quatro campanhas para cada grupo faunístico, por ano, durante a
instalação do empreendimento e duas, por ano, durante a operação;

• Catalogar 100% das espécies registradas em campo;

• Catalogar e mapear 100% das espécies de morcegos ameaçadas registradas em campo;

• Utilizar, no mínimo, um método de amostragem para cada grupo;

• Calcular parâmetros de riqueza e abundância por grupo;

• Analisar 100% dos resultados obtidos e propor, se necessário, alterações/melhorias no


processo;

• Catalogar 100% das espécies registradas em campo.

[Link].8 Indicadores de Desempenho

Constituem-se indicadores de desempenho do Subprograma de Monitoramento e Proteção da


Fauna Alada:

• Número de campanhas realizadas por grupo;

• Número de espécies registradas por grupo, tipo de registro, método e categoria de ameaça;

• Índice de Riqueza e abundância por grupo;

• Número de relatórios gerenciais emitidos e porcentagem de ações executadas em relação


às ações previstas.

[Link].9 Interface com Outros Programas

• Programa de Gestão Ambiental (será interno);

• Programa de Sinalização das Obras e Controle de Tráfego;

• Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna;

• Programa de Monitoramento e Proteção à Fauna;

• Programa de Educação Ambiental;

• Programa de Comunicação Social.

Programas Ambientais – Pág. 287


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[Link].10 Recursos Necessários

Para a execução do Subprograma de Monitoramento e Proteção da Fauna Alada deverá ser


contratada equipe técnica especializada com experiência em monitoramentos da avifauna e
mastofauna voadora.

Os profissionais necessários para execução desse subprograma são descritos no Quadro 54


abaixo.

Quadro 54 Relação dos profissionais necessários para execução do Subprograma de


Monitoramento e Proteção da Fauna Alada.

Profissional Categoria Função Quantidade


Biólogo Sênior Coordenador Geral 01
Biólogo Pleno Ornitólogo 01
Biólogo Pleno Mastozoólogo (morcegos) 01
Auxiliar de campo Técnico Acompanhamento 02

Em relação aos materiais, serão necessários itens para captura, marcação de indivíduos,
Equipamentos de Proteção Individual, dentre outros. A seguir, o apresenta a lista de materiais
necessários à execução do presente subprograma.

Quadro 55 Itens necessários à execução do Subprograma de Monitoramento e Proteção


da Fauna Alada.

Descrição do Material Quantidade


Materiais Permanentes
Facão com bainha 4
Caixa plástica com tampa hermética 4
Lanterna de mão tipo holofote 4
Prancheta 4
Câmera trap 10
Cadeados 10
Pesola 100 g 2
Pesola 600 g 2
Pesola 1 kg 2
Paquímetro digital 2
Sacos de pano 20
Redes de neblina (mist net) 20

Programas Ambientais – Pág. 288


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Descrição do Material Quantidade


Haste para rede de neblina 20
Alicate para anilhamento 2
Materiais de Consumo (por campanha amostral)
Éter (garrafa 1 litro) 2
Algodão (rolo 500 g) 2
Formol (galão de 5 litros) 1
Bombonas de 10 Litros 2
Barbante rolo (330m) 2
Sacos plásticos (cento) 1
Seringas de 1 ml 10
Seringas de 5 ml 10
Fita adesiva larga transparente (rolos 45 m) 2
Anilha para morcegos (pacote com 10) 5
Gaze (pacote) 1
Lâmina de bisturi (caixa) 1
Linha branca n°10 (rolo) 1
Luvas cirúrgicas (caixa) 1
Kit material de escritório (papel, lápis, borracha, caneta, folhas, etc.) 4
Pilhas alcalinas AA 16
Pilhas alcalinas AAA 12
Pilhas alcalinas D 8
EPIs
Bota de couro com biqueira de PVC 4
Capa de chuva 4
Capacete 4
Luvas de raspa de couro comprida (par) 4
Luva de pigmento (par) 4
Óculos de proteção 4
Perneiras (par) 4
Protetores auriculares 4
Protetor solar (FPS mínimo 30) 4 por campanha
Repelente de Insetos 4 por campanha

[Link].11 Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento, a equipe executora deverá elaborar


relatórios trimestrais internos de atendimento ao subprograma.

Ao longo da etapa de operação do empreendimento, a equipe executora deverá elaborar relatórios


semestrais internos de atendimento ao subprograma.

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Ao final da obra, deve ser elaborado o Relatório de Cumprimento dos Programas Ambientais –
RCPA, contemplando informações cumulativas de todo o período de implantação do
empreendimento, para subsidiar o pedido de Licença de Operação – LO.

[Link].12 Cronograma

O presente subprograma terá início na fase de pré-implantação do empreendimento, quando as


estruturas do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) serão instaladas e deverá continuar durante
a fase de operação por pelo menos dois anos.

Quadro 56 Cronograma do Subprograma de Monitoramento e Proteção da Fauna Alada.

Fase de Fase de Implantação - Meses


Atividades
Planejamento 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Submissão de Pedido para AMF
Emissão de AMF pelo INEMA
Realização das campanhas
Relatórios Trimestrais Internos
Relatório Final para o INEMA

Quadro 57 Cronograma do Subprograma de Monitoramento e Proteção da Fauna Alada


durante a operação do empreendimento.

Operação (meses)
Atividades
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Início da fase de Operação
Renovação de autorização de manejo
Emissão da renovação da AMF pelo
INEMA
Campanhas de Monitoramento da Fauna
Relatórios Semestrais Internos
Relatório Final para o INEMA

[Link].13 Referências Bibliográficas

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riqueza de aves. Revista brasileira de ornitologia, v. 15, n. 2, p. 239-243.

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Programas Ambientais – Pág. 292


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

[Link] Subprograma de Monitoramento e Mitigação de Atropelamentos

[Link].1 Introdução e Justificativa

Os impactos negativos das rodovias sobre a fauna nativa manifestam-se desde a fase de
construção até sua operação, com efeitos diretos e indiretos nas populações, tais como: perda de
hábitat, efeito de barreira, dispersão de espécies exóticas, intensificação da presença humana e
mortalidade por atropelamento (ASCENSÃO e MIRA, 2006). Para Trombulak e Frissell (2000), os
principais impactos ecológicos causados por estradas são: a mortalidade de espécies animais
devido às colisões com veículos, modificação do comportamento animal, alteração do ambiente
físico, alteração do ambiente químico, dispersão de espécies exóticas e aumento do uso do hábitat
por pessoas. Goosem (1997) também indica que os principais impactos causados por estradas em
áreas naturais são a destruição ou alteração de hábitats, com consequente redução nos tamanhos
das populações; distúrbios, efeito de borda e introdução de espécies exóticas; incremento na
mortalidade da fauna devido ao tráfego de veículos; e fragmentação e isolamento de hábitats e
populações.

Após a abertura de estradas, acessos internos e outros empreendimentos lineares, a fauna passa
a interagir diretamente com o novo ambiente formado, seja como rota de deslocamento na
paisagem, ou para procura de alimento, abrigo e outros recursos existentes nestes ambientes e
áreas adjacentes (PRADA, 2004). O uso destes ambientes pela fauna provoca as ocorrências de
atropelamento com consequente mortalidade dos espécimes afetados. Contudo, os fatores que
podem afetar a taxa de mortalidade da fauna em rodovias e estradas são múltiplos e normalmente
estão relacionados ao tráfego de veículos, paisagem do local, capacidade e velocidade de travessia
do animal, intensidade de uso e densidade de indivíduos das diferentes espécies que ocorrem na
região (FORMAN et al., 2003; SCOSS et al., 2004). O tipo de locomoção, a ecologia e o
comportamento dos animais determinam sua vulnerabilidade aos atropelamentos (LAURANCE et
al., 2009). De qualquer forma, a perda de espécimes por atropelamento representa um impacto
direto sobre a fauna, podendo ser um fator demográfico importante, em especial para espécies que
apresentam baixas taxas reprodutivas e pequenas populações locais (LOPES et al., 2010; ROSA e
BAGER, 2013; BAGER et al., 2016; BRAZ e FRANÇA, 2016).

Para as obras de implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) será necessária a
abertura e/ou manutenção de acessos que permitirão a locomoção segura de equipamentos, o
transporte de pessoas e materiais e consequentemente, a execução das obras de engenharia
previstas. Ocorre também, a ampliação do fluxo de veículos, incluídos veículos pesados, tanto nas
vias internas como nas vias externas de acesso as obras.

Assim sendo, a abertura de acessos e o incremento significativo de veículos transitando pela área,
associado aos impactos diretos das obras sobre a fauna que propiciam a movimentação destes
animais pelas vias, ou através delas (perda de habitat em função da supressão vegetal, por

Programas Ambientais – Pág. 293


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

exemplo, ocasionam colisões com estes animais com mortandade e perda de indivíduos da fauna.
Neste sentido, faz-se necessário o monitoramento das vias para avaliar e quantificar os animais que
a utilizam e que são alvos de atropelamentos. Da mesma forma, o monitoramento permitirá detectar
pontos mais sensíveis a colisões e, assim, viabilizar possíveis medidas de mitigação.

Desta forma, o monitoramento e mitigação de atropelamentos se justifica no sentido de avaliar os


efeitos dos possíveis impactos sobre as populações de hábito terrestre com a instalação do
Empreendimento, além de servir para a identificação de impactos não previstos e avaliação, ajuste
e/ou proposição de medidas mitigadoras pertinentes.

Subprograma de Monitoramento e Mitigação de Atropelamentos


Componente Ambiental Afetado Fauna
Fase do Empreendimento Implantação
Caráter Mitigador
Agentes Executores Empreendedor
Período Médio a Longo Prazo

[Link].2 Objetivos

Monitorar a ocorrência de atropelamentos nas vias de acesso internas e externas à área do


empreendimento no sentido de mensurar os possíveis impactos sobre populações população da
fauna terrestre e avaliar a efetividade das suas medidas mitigadoras, promovendo a redução dessas
ocorrências.

Constituem-se objetivos específicos:

• Identificar quais as espécies de animais são mais afetadas por atropelamentos;

• Avaliar a perda de indivíduos da fauna por atropelamento;

• Diagnosticar trechos de maior potencial de incidência de atropelamentos dentro de rotas


específicas de monitoramento - hotspots de atropelamentos;

• Mitigar os riscos de atropelamentos da fauna;

• Verificar a necessidade de adoção de medidas específicas de monitoramento e/ou manejo


da fauna ameaçada de extinção e/ou bioindicadora;

• Contribuir para o incremento do conhecimento regional da fauna.

Programas Ambientais – Pág. 294


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

[Link].3 Requisitos Legais

São listados na sequência os principais documentos legais que devem ser observados, no âmbito
do monitoramento da fauna. Todavia, a equipe executora deste Subprograma deverá atentar-se e
verificar constantemente a existência de atualizações ou outros documentos legais aplicáveis ao
tema que não tenham sido aqui elencados.

• Decreto nº 97.633, de 10 de abril de 1989. Dispõe sobre o Conselho Nacional de Proteção


à Fauna;

• Resolução CRMV nº 1.000, de 11 de maio de 2012. Dispõe sobre procedimentos e métodos


de eutanásia em animais e dá outras providências;

• Instrução Normativa IBAMA nº 146, de 10 de janeiro de 2007. Estabelece os critérios para


os procedimentos relativos à fauna no âmbito do licenciamento ambiental de
empreendimentos que causam impactos sobre a fauna silvestre;

• Resolução CFBio nº 301, de 08 de dezembro de 2012. Dispõe sobre os procedimentos de


captura, contenção, marcação, soltura e coleta de animais vertebrados in situ e ex situ, e dá
outras providências;

• Ministério do Meio Ambiente, Portaria nº 148 de 07 de junho de 2022. Reconhece como


espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção aquelas constantes na “Lista Nacional
Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção”;

• SEMA, Portaria nº 37 de 15 de agosto de 2017. Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas de


Extinção do Estado da Bahia.

[Link].4 Responsabilidade de Execução

É de responsabilidade do empreendedor a execução do Subprograma de Monitoramento e


Mitigação de atropelamentos na etapa implantação, o qual deverá contratar empresa de consultoria
especializada para execução das atividades.

[Link].5 Público-alvo

O público-alvo deste Subprograma será composto pelos órgãos públicos envolvidos no processo
de licenciamento ambiental: INEMA, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(MMA/ICMBio); a (s) empresa (s) envolvida (s) nas atividades de supressão da vegetação e
movimentações de terra na área do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), o empreendedor e
a comunidade local.

Programas Ambientais – Pág. 295


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[Link].6 Metodologia

[Link].6.1 Coleta de Dados

As estradas de acesso interno e externo do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) deverão ser
percorridas através do uso de veículo, a uma velocidade inferior a 40 km/hora. O veículo contará
sempre, com um biólogo e um auxiliar.

As inspeções serão iniciadas ao nascer do sol, visando otimizar a qualidade da amostragem através
da possibilidade de registro de animais que geralmente são subamostrados, como os anfíbios e
aves, em função de seu menor tamanho e altas taxas de remoção, refletindo diretamente em menor
número de visualizações (LAURANCE et al., 2009; TEIXEIRA et al., 2013; BAGER e ROSA, 2011).
O horário de início das inspeções das rotas varia em função das diferentes estações do ano e
condições climáticas. As vias de acesso serão percorridas durante as campanhas de monitoramento
dos Subprogramas de Monitoramento da Fauna terrestre e fauna alada em periodicidade trimestral
e diariamente, durante as ações de acompanhamento da fauna devido à supressão da vegetação
as equipes de resgate farão também os registros de fauna atropelada, quando ocorrerem.

A partir da identificação visual de um animal atropelado ou de seus restos mortais (ossadas,


carcaças ou carapaças) serão anotados dados que incluem o registro do local (km e posição
geográfica), o horário e data em que o animal foi recolhido, além de outros parâmetros, tais como
número da ficha, trecho monitorado, características locais e nome dos profissionais envolvidos,
conforme indicado em formulário de atropelamento de fauna padrão (Quadro 58). Para cada
ocorrência, os animais são identificados ao menor nível taxonômico possível, sendo registrada a
condição biológica do espécime (ferido ou debilitado ou em óbito), nome popular, sexo, idade e
destinação, como também, o registro fotográfico de cada evento de atropelamento. Também serão
anotados os tipos de registro, sendo esses classificados como atropelamento (carcaça registrada
na via durante a amostragem), registros ocasionais (carcaças registradas na via fora do horário
amostral) e avistamentos (animais registrados atravessando ou nas margens das vias monitoradas).

Programas Ambientais – Pág. 296


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Quadro 58 Formulário de atropelamentos de fauna padrão.

Subprograma de Monitoramento e Mitigação de Atropelamentos


Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)

Nome popular

Coordenada
Número

Espécie

Destino

Coletor
Família

Estado
Ordem
Classe

Local
Data

[Link].6.2 Análise de Dados

Será realizada tabulação dos dados contendo o total de registros de animais atropelados e
visualizados durante as amostragens de campo. Para fins das análises do Subprograma de
Monitoramento e Mitigação de Atropelamentos serão considerados “registros de atropelamento
válidos” aqueles registros obtidos durante as amostragens de campo que representam indivíduos
atropelados na área de influência, seja nos acessos ao empreendimento. Os registros
correspondentes a registros visuais (avistamentos), a visualizações ou atropelamentos identificados
fora desses acessos ou cuja localização não foi indicada (sem coordenada) não serão considerados
nas análises da fauna atropelada.

Os registros de animais vivos obtidos durante a execução do monitoramento de fauna atropelada


serão utilizados de forma qualitativa: quais espécies foram visualizadas nas estradas, mas que não
foram registradas mortas por atropelamento? Quantas espécies de cada um dos grupos de fauna
avaliados (vertebrados) ocorrem na região do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01)? Embora
não faça parte das ações específicas do monitoramento da fauna atropelada, o número total de
espécies registradas por grupo de vertebrados (Amphibia, Reptilia, Aves e Mammalia) durante as
amostragens realizadas nas áreas de interesse (prospecção/busca ativa; hotspots) é utilizado como
parâmetro para avaliar o impacto local sobre as comunidades de vertebrados.

[Link].6.3 Tratamento dos Dados

O número total de indivíduos registrados por espécie é utilizado como medida da magnitude do
impacto direto das vias monitoradas sobre a fauna na área de abrangência do Subprograma.
Ajustes de modelo de distribuição da abundância são utilizados, conforme Magurran (2004). A
relação entre o número de indivíduos registrados e a riqueza de espécies afetadas é testada por

Programas Ambientais – Pág. 297


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meio de um ajuste de modelo de correlação linear (ZAR, 1999), com auxílio de ferramentas, como
o Statistica 7.1 (STATSOFT, 2005). São permitidas adequações nas modelagens estatísticas em
função da atualização ou desenvolvimento de softwares.

Como medida para avaliar a precisão do monitoramento será produzida a curva de acumulação de
espécies em função do número de indivíduos mortos por atropelamento. A partir de uma matriz
composta por indivíduos registrados por espécie são geradas as estimativas de riqueza com auxílio
de programas adequados para tal como o EstimateS 9.1.0 (COLWELL, 2013), como indicado na
fórmula abaixo:

Onde:

• Sjack1 – Riqueza de espécies estimada através do procedimento Jackknife de 1ª Ordem;

• Sobs – Riqueza de espécies observada a partir dos dados coletados;

• Q1 – Número de espécies que ocorrem em apenas uma amostra;

• m – Número de amostras.

Para padronizar as comparações entre grupos e corrigir o efeito da quilometragem total percorrida
por dia e mês é calculada a taxa de atropelamento (N/km/dia), considerando o número de registros
(N), a extensão total percorrida da área de abrangência (km) e o número efetivo de dias de
amostragem (dia). A taxa de atropelamento deve ser obtida para cada grupo avaliado (Amphibia,
Reptilia, Aves e Mammalia), por mês e comparativamente entre animais silvestres e domésticos.
Da mesma forma, deve calcular a taxa diária de atropelamento (N/dia) e a frequência de
atropelamento (1/(N/dia)), que indica a cada quanto tempo (em dias) observa-se um evento de
atropelamento de fauna na área de influência.

Para calcular a taxa de atropelamento é dividido o número total de animais encontrados pelo esforço
empregado durante o monitoramento. Este último é resultado da multiplicação do número de
quilômetros percorridos pelo número de dias de monitoramento (MAIA & BAGER, 2013), conforme
a seguinte equação:

Onde:

• N – Número total de indivíduos atropelados;

• E – Extensão das estradas monitoradas (em km) na área de abrangência e;

Programas Ambientais – Pág. 298


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• NM – Número de monitoramentos realizados (em dias).

[Link].6.4 Hotspots de Atropelamentos

A identificação de áreas com maior concentração de atropelamentos (hotspots) é o critério mais


comumente utilizado para avaliar a instalação de medidas mitigadoras (BAGER e ROSA, 2010;
HUIJSER et al., 2013; SANTOS et al., 2017). A distribuição espacial dos atropelamentos nas vias
de acesso ao Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) será avaliada através de análises
estatísticas utilizando o software Siriema, sendo que a localização dos principais trechos de
mortalidade na estrada será definida através de análise Hotspot bidimensional

Para tanto, é utilizado um raio inicial de 50 metros, com incremento de raio de 100 metros e 1.000
aleatorizações, com limite de confiança de 95%. Definido que existe agregação significativa de
atropelamentos de fauna na escala de raio de 100m será então realizada a análise de hotspots
bidimensional, que indica a localização. Estas análises são realizadas considerando o total de
registros de atropelamento de fauna (dados totais) e o mesmo procedimento é adotado para avaliar
separadamente as agregações para animais silvestres (nativo + exótico), animais domésticos e
separadamente para cada grupo da fauna: Amphibia, Reptilia, Aves e Mammalia.

Na análise de hotspots bidimensional, a comparação do número de eventos observados (N eventos)


com o intervalo de confiança de 95% do número de eventos simulados (N simulado) permite avaliar
os trechos da estrada monitorada onde há maiores incidências de atropelamentos. Valores de N
eventos acima do limite superior do intervalo de confiança indicam trechos com incidências
significativas de atropelamentos, conforme descrito por Coelho et al. (2014). Para esta análise são
plotados pontos a cada 50 metros da estrada com raio de 50 metros, 1.000 simulações e limite de
confiança de 95%, sem diferenciar peso para diferentes táxons - nenhuma espécie terá sua
importância ponderada dentro das análises e todas receberão coeficiente igual a 1.

Todas as análises de agregações são realizadas com auxílio do software Siriema que requer a
utilização de um traçado único, sem desvios da rota principal, que é obtido a partir dos dados do
arquivo vetorial das estradas da área de abrangência em ambiente de SIG. Tanto na análise da
existência de trechos das estradas da área de abrangência com uma maior mortalidade por
atropelamentos ou agregações significativas (estatística K de Ripley), quanto nas de hotspots,
sugere-se o uso da análise 2D. Esta opção se deve ao fato da análise 2D considerar as agregações
respeitando as feições das estradas e, portanto, a distância mais precisa entre eventos de
atropelamento de fauna, conforme proposto por Coelho et al. (2008).

Programas Ambientais – Pág. 299


Plano Básico Ambiental – PBA
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[Link].6.5 Periodicidade e Duração das Campanhas

O monitoramento de atropelamentos será realizado, diariamente, pelas equipes de resgate durante


o período de supressão da vegetação e, trimestralmente, pelas equipes dos subprogramas de
monitoramento da fauna terrestre e alada durante toda a etapa de implantação.

[Link].7 Metas

Constituem-se metas do Subprograma de Monitoramento e Mitigação de Atropelamentos:

• Identificar 100% das espécies de animais atropelados nas áreas de influência do


empreendimento ao menor nível taxonômico possível;

• Georreferenciar 100% dos registros de atropelamentos visualizados nas áreas de influência


do empreendimento;

• Instalação de placas e/ou redutores de velocidade em 100% das áreas identificadas como
hotspots de atropelamentos;

• Analisar 100% dos resultados obtidos e propor, se necessário, adoção de medidas


específicas de monitoramento e/ou manejo da fauna ameaçada de extinção e/ou
bioindicadora;

• Catalogar 100% das espécies registradas em campo.

[Link].8 Indicadores de Desempenho

Constituem-se indicadores de desempenho do Subprograma de Monitoramento e Mitigação de


Atropelamentos:

• Número de espécies registradas com plena identificação e categoria de ameaça;

• Número registrado de atropelamentos por grupo;

• Número de placas de sinalização instaladas (e.g. placas de limite de velocidade, pare,


travessia de fauna);

• Hotspots registrados vs hotspots atendidos pelas placas;

• Número de animais atropelados antes e após a execução de medidas de mitigação;

• Número de relatórios gerenciais emitidos e porcentagem de ações executadas em relação


às ações previstas.;

• Número de espécies registradas por grupo, categoria de ameaça e coordenada geográfica.

Programas Ambientais – Pág. 300


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[Link].9 Interface com Outros Programas

O Subprograma de Monitoramento e Mitigação de Atropelamentos possui interface com os


seguintes programas do PBA:

• Programa de Gestão Ambiental;

• Programa de Sinalização das Obras e Controle de Tráfego;

• Programa de Afugentamento e Eventual Resgate da Fauna;

• Programa de Monitoramento e Proteção à Fauna;

• Programa de Educação Ambiental;

• Programa de Comunicação Social.

[Link].10 Recursos Necessários

Para a execução do Subprograma de Monitoramento e Mitigação de atropelamentos deverá ser


utilizada a mesma equipe responsável pelos Programas de Afugentamento e Eventual Resgate da
Fauna e Subprogramas de Monitoramento da Fauna terrestre e da fauna alada. Adicionalmente,
deverá ser prevista a dedicação do coordenador geral para consolidação e análise dos dados
obtidos.

Os profissionais adicionais necessários para execução desse subprograma são descritos no


Quadro 59 abaixo.

Quadro 59 Relação dos profissionais necessários para execução do Subprograma de


Monitoramento e Mitigação de Atropelamentos.

Profissional Categoria Função Quantidade


Biólogo Sênior Coordenador Geral 01
Estatístico Pleno Análises estatísticas 01
Geógrafo Pleno Elaboração de mapas 01

Em relação aos materiais, serão necessários itens para manejo, acondicionamento e Equipamentos
de Proteção Individual, dentre outros. A seguir, o Quadro 60 apresenta a lista de materiais
necessários à execução do presente Subprograma.

Programas Ambientais – Pág. 301


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Quadro 60 Itens necessários à execução do Subprograma de Monitoramento e Mitigação


de Atropelamentos.

Descrição do Material Quantidade por frente


Materiais Permanentes
Gancho para serpente médio 01
Pinção herpetológico médio 01
Caixa de isopor 01
Sacos de pano 20
Materiais de Consumo (para fixação)
Álcool 70º GL (garrafa 1L) 2
Éter (garrafa 1 litro) 2
Algodão (rolo 500 g) 2
Formol (galão de 5 litros) 1
Bombonas de 10 Litros 2
Barbante rolo (330m) 2
Sacos plásticos (cento) 1
Seringas de 1 ml 02
Seringas de 5 ml 02
Fita adesiva larga transparente (rolos 45 m) 2
Kit material de escritório (papel, lápis, borracha, caneta, folhas, etc.) 01
EPIs
Bota de couro com biqueira de PVC 02
Capa de chuva 02
Capacete 02
Luvas de raspa de couro comprida (par) 02
Luva de pigmento (par) 02
Óculos de proteção 02
Perneiras (par) 02
Protetores auriculares 02
Protetor solar (FPS mínimo 30) 02
Repelente de Insetos 02

[Link].11 Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de supressão da vegetação serão emitidos relatórios internos mensais pela
equipe de resgate contendo os dados de atropelamentos registrados. Durante toda a fase de
implantação do empreendimento, a equipe de monitoramento deverá elaborar ainda, relatórios
trimestrais internos de acompanhamento do subprograma.

Ao final da obra, deve ser elaborado o Relatório de Cumprimento dos Programas Ambientais –
RCPA, contemplando informações cumulativas de todo o período de implantação do
empreendimento, para subsidiar o pedido de Licença de Operação – LO.

Programas Ambientais – Pág. 302


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[Link].12 Cronograma

O presente subprograma ocorrerá durante a etapa de implantação do Complexo Santa Eugênia


Solar (Fase 01).

Quadro 61 Cronograma executivo do Subprograma de Monitoramento e Mitigação de


Atropelamentos.

Fase de Fase de Implantação – Meses


Atividades Planejament 1 1 1 1 1 1 1 1 1
o 1 2 3 4 5 6 7 8 9
0 1 2 3 4 5 6 7 8
Contratação de equipe
Realização das campanhas – equipe resgate
Realização das campanhas – equipe
monitoramento
Relatórios Internos equipe resgate
Relatórios Internos equipe monitoramento
Relatório Final para o INEMA

[Link].13 Referências Bibliográficas

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3.3 Programas do Meio Socioeconômico

3.3.1 Programa de Comunicação Social

[Link] Introdução e Justificativa

Este item apresenta o Programa de Comunicação Social (PCS) proposto para o Complexo Santa
Eugênia Solar (Fase 01), contendo os objetivos, as linhas metodológicas e as estratégias de ação
que nortearão sua execução junto ao público-alvo, em consonância com as diretrizes da Lei n°
12.056/2011, que instituiu a Política de Educação Ambiental do Estado da Bahia (BAHIA, 2011).

Destaca-se que o licenciamento do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) ocorre no contexto
de mudanças socioambientais decorrentes da implantação de distintos projetos de energia
renovável no sertão baiano. Essa nova dinâmica reforça a importância de se estabelecerem
relações de confiança sólidas e recíprocas entre o empreendedor e a população residente nas áreas
de influência do projeto, a partir de processos sistematizados de comunicação que promovam o
acesso contínuo às informações referentes ao empreendimento e, ao mesmo tempo, possibilitem à
empresa conhecer as necessidades e expectativas dos moradores locais.

Neste sentido, as ações do PCS deverão criar as condições para que sejam discutidas, esclarecidas
e registradas as dúvidas e inquietações a respeito dos impactos sociais e ambientais do
empreendimento, por meio da transparência, responsabilidade social e do relacionamento
harmônico junto aos diversos segmentos do público-alvo.

Tendo em vista a complexidade que caracteriza a comunicação ambiental (SANCHEZ, 2013), o


PCS deverá estruturar processos comunicacionais adequados à realidade social e às condições
econômicas dos sujeitos e coletividades locais, o que envolve a consolidação de canais acessíveis,
permanentes e eficientes para emissão e recepção de conteúdos compreensíveis a todos,
respeitando a diversidade cultural da população em seu ambiente de vida. Portanto, a comunicação
tem papel fundamental no gerenciamento de expectativas e prevenção de rumores, especulações
e conflitos, ao criar as bases para relações de confiança mútua.

Ressalta-se que as ações de comunicação social propostas para as distintas etapas do


licenciamento ambiental assumem também o caráter de informação socioambiental, ou seja,
carregam a responsabilidade de manter a sociedade civil e a opinião pública informadas sobre as
questões ambientais associadas ao empreendimento, principalmente no que se refere à execução
integrada dos programas ambientais do PBA.

Portanto, o Programa de Comunicação Social estabelece estratégias que buscam reafirmar as


diretrizes de boas práticas em sustentabilidade, consolidando o compromisso do projeto com os

Programas Ambientais – Pág. 306


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

valores explicitados em seu negócio, além de contribuir para que o conjunto de ações do PBA seja
devidamente ajustado à realidade local, potencializando o engajamento da população local em
todas as fases do projeto.

[Link] Objetivos

O objetivo geral deste programa é estabelecer um canal de diálogo com todos os atores sociais
presentes na região do empreendimento, visando à construção de relações duradouras de
confiança que potencializem os impactos positivos e minimizem os impactos negativos sobre os
territórios afetados. Ou seja, objetiva-se a comunicação eficaz entre o empreendedor, os
representantes do poder público, os trabalhadores da obra e a população residente no entorno,
baseada no diálogo transparente e contínuo entre as partes, por meio dos diversos canais e
instrumentos de comunicação desenvolvidos para a divulgação de informações precisas e
tratamento dos possíveis conflitos que venham a surgir a partir dessa relação. Objetiva-se, também,
a construção de canais participativos para que a população local possa não apenas receber as
informações, mas, também, auxiliar no processo de sua construção, potencializando os efeitos das
ações realizadas.

São ainda objetivos específicos do Programa:

• Esclarecer a população sobre cada etapa do projeto, com informações antecipadas e amplas
sobre os impactos ambientais, bem como sobre as ações do empreendedor perante as
alterações na rotina local e eventuais transtornos durante as obras, mobilizando, sempre
que possível, a participação social na tomada de decisões;

• Promover o diálogo e a transparência como principais estratégias de conciliação de


interesses, mediação de conflitos e aperfeiçoamento dos processos da empresa;

• Monitorar percepções e esclarecer demandas de informação dos públicos-alvo;

• Atender às exigências do órgão ambiental e legislação ambiental vigente;

• Divulgar de forma integrada as ações desenvolvidas por meio dos demais programas
vinculados ao licenciamento ambiental;

• Contribuir para o alinhamento do discurso e o nivelamento de informações acerca do


empreendimento entre todos os empregados e terceiros envolvidos direta ou indiretamente;

• Contribuir para o engajamento dos empregados na implantação e operação do projeto,


conferindo sentido e significado ao trabalho que realizam;

• Apoiar e fortalecer as redes de educação e comunicação ambiental de forma participativa e


democrática;

• Apoiar a divulgação de iniciativas socioambientais;

Programas Ambientais – Pág. 307


Plano Básico Ambiental – PBA
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• Divulgar informações do empreendimento e sua importância estratégica como instrumento


de desenvolvimento local e regional;

• Construir uma imagem positiva do Empreendimento, tendo como marca a transparência de


informações.

[Link] Requisitos Legais

Os requisitos aplicáveis do Programa de Comunicação Social são:

• Lei Estadual nº 10.431 de 20 de dezembro de 2006;

• Lei Estadual nº 12.056, de 7 de janeiro de 2011;

• Decreto nº 14.024, de 06 de junho de 2012;

• Decreto nº º 15.634, de 06 de novembro de 2014;

• Resolução CEPRAM n° 4.610, de 27 de julho de 2018;

• Resolução CEPRAM n° 4.671, de 27 de julho de 2019;

• Portaria INEMA nº 22.577, de 24 de março de 2021;

• Portaria SEMA/INEMA nº 13 de 21 de dezembro de 2021;

• Resolução CEPRAM nº 5.092, de 25 de novembro de 2022.

[Link] Responsabilidade de Execução

A responsabilidade pela execução do Programa de Comunicação Social é do empreendedor, que


deverá contar com profissionais capacitados para realização das ações de comunicação social.
Também poderá ser executado por empresa com experiência em execução de atividades de
comunicação social no âmbito do licenciamento ambiental, sendo esta fiscalizada pelo
empreendedor.

[Link] Público-Alvo

Os públicos de interação do Programa de Comunicação Social correspondem ao conjunto de


stakeholders presentes na região e por todos aqueles envolvidos, direta ou indiretamente, no
desenvolvimento de atividades relacionadas à implantação do Complexo Santa Eugênia Solar
(Fase 01), assim tipificados:

• Público Interno - Funcionários próprios e terceirizados atuantes no projeto;

Programas Ambientais – Pág. 308


Plano Básico Ambiental – PBA
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• Público Externo - População residente nas localidades e propriedades rurais da ADA e AID;
imprensa local e regional; representantes do poder público, de entidades da sociedade civil
e stakeholders presentes na AII; outros órgãos e entidades públicos ou privados com
interesse nas ações ligadas ao empreendimento.

[Link] Metodologia

[Link].1 Princípios Normativos e Legais

A metodologia proposta para o programa está vinculada ao conceito da comunicação como


ferramenta do processo de socialização e de estabelecimento de relacionamentos interativos
baseado na premissa da Educomunicação Ambiental, conforme destacada nas diretrizes
12.065/2011, que institui a Política Estadual de Educação Ambiental e no Programa de Educação
Ambiental do Estado da Bahia. Dessa forma, o Programa será desenvolvido com base em
pressupostos teórico-metodológicos associados a ações sistemáticas e diretas que garantam a
participação da comunidade local em todas as etapas do empreendimento, promovendo e
valorizando a cidadania.

Neste sentido, a comunicação social será pensada e executada como um processo estruturado pela
articulação dos vários programas elaborados para a implantação do empreendimento de forma
integrada e eficaz, e não como eventos, ações ou atividades fragmentadas. Assim, o PCS exercerá
um papel importante na interface entre os programas, dando suporte ao planejamento e
monitoramento das respectivas ações. Ademais, o PCS contemplará a determinação expressa na
condicionante VI da Portaria INEMA nº 22.577/2021, reproduzida a seguir:

VI. atender aos seguintes componentes de Educação Ambiental, constantes no Anexo


I da Resolução CEPRAM nº 4.610/2018, indicados para a categoria desse
empreendimento: 1. Ações de Divulgação; 2. Plano de Comunicação Social Incluindo
Aspectos Ambientais; 3. Oficinas Socioambientais; 4. Apoio a Experiências
Socioambientais e Processos Formativos; 5. Apresentação Pública do Cumprimento
das Condicionantes. (BAHIA, 2021).

Do ponto de vista conceitual, o Programa de Comunicação Social estará apoiado em diretrizes


fundamentais, a saber:

• Padrões de Desempenho sobre Sustentabilidade Ambiental (IFC, 2012), especialmente, o


Padrão de Desempenho 1 – Avaliação e Gestão de Riscos e Impactos Socioambientais.
Nesse caso, a comunicação voltada ao engajamento dos indivíduos e grupos afetados por

Programas Ambientais – Pág. 309


Plano Básico Ambiental – PBA
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grandes empreendimentos constitui um dos pilares dos Sistemas de Gestão Ambiental e


Social dos projetos;

• Princípios do Equador (EP, 2020), com destaque ao Princípio 5 (Engajamento das Partes
Interessadas) e ao Princípio 6 (Mecanismos de Reclamação). Especificamente, os Princípios
do Equador orientarão a proposição das estratégias de engajamento da população das áreas
de influência do empreendimento.

• Norma ISO 14.063:2020 (ISO, 2020), que define os princípios, objetivos e estratégias de
engajamento nos processos de comunicação ambiental entre as organizações e as partes
interessadas nos respectivos projetos.

A sinergia entre tais diretrizes, princípios e estratégias de comunicação ambiental compõem os


pilares de sustentabilidade do PCS, de modo a promover a participação esclarecida do público-alvo
do Programa como meio de garantir o direito à informação e ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado (BRASIL, 1988).

Desta forma, o Programa de Comunicação Social será desenvolvido a partir da obtenção da Licença
de Instalação (LI) pleiteada, compreendendo ações definidas antes, durante e após a implantação
do empreendimento, a fim de atender, prontamente, as demandas advindas desse processo.

[Link].2 Pré-Implantação

Na pré-implantação do empreendimento, as ações do Programa de Comunicação Social se


direcionam à elaboração do Plano de Trabalho, ao mapeamento de agentes sociais, à definição dos
meios de comunicação e mapeamento da infraestrutura local e, por fim, a aplicação de pesquisa de
opinião.

[Link].2.1 Plano de Trabalho

As atividades previstas na metodologia deste documento deverão ser detalhadas no Plano de


Trabalho (PdT), que deverá ser elaborado para auxiliar na estruturação do programa na etapa de
planejamento, orientando a equipe técnica executora.

O Plano de Trabalho deverá conter os meios para a integração e suporte executivo que o PCS dará
aos demais Programas Ambientais, tendo em vista o contato contínuo com a população das áreas
de influência. Além disso, ele deverá estruturar os processos de resposta a denúncias e
reclamações coletados na ouvidoria. Por fim, o Plano deverá delinear os diferentes caminhos de
comunicação a serem utilizados para cada público-alvo, entendendo as necessidades específicas
de cada população.

Programas Ambientais – Pág. 310


Plano Básico Ambiental – PBA
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[Link].2.2 Mapeamento de Stakeholders

A Norma SA 8000, que discorre sobre a Responsabilidade Social das Organizações, define “partes
interessadas” como grupos ou indivíduos preocupados com ou afetados com a performance social
ou desempenho da empresa. Dessa forma, muitos autores assumiram que stakeholder e parte
interessada possuem o mesmo significado.

As partes interessadas são, portanto, as pessoas, grupos e/ou organizações que podem estar
mobilizadas, serem ativamente envolvidas no empreendimento, ou ainda, serem aqueles cujos
interesses ou expectativas poderão ser afetados, positiva ou negativamente, com o resultado da
execução ou do término das ações desenvolvidas pelo negócio e seus empreendimentos.

De acordo com Richter (2021) a parte mais importante do mapeamento de partes interessadas é
ter em mãos os dados que, após analisados e trabalhados, possam se transformar em
conhecimento capaz de orientar a melhor forma de abordagem, linguagem e de como conduzir o
relacionamento entre empreendedor e partes interessadas, de maneira a evitar conflitos, e no caso
de conflitos já instaurados, a melhor forma de lidar com eles.

Estes atores e suas organizações podem ter interesses e com isto exercer influências, positivas ou
negativas, sobre os objetivos e resultados definidos pelo empreendimento e seus projetos em seus
diversos momentos de maturação.

Os interesses podem ser exercidos de forma latente ou declarada, desde as fases mais preliminares
de desenho do empreendimento, nos estudos de viabilidade, nas estratégias comerciais,
ambientais, até as fases de obtenção e renovação das licenças, do período de implantação até a
fase de operação.

Conhecer de maneira intencional e aprofundada todos os públicos da área de influência do


empreendimento, por vezes, elimina e/ou evita os passivos sociais que possam ser gerados,
garantindo a inserção da empresa de forma segura, respeitosa e assertiva.

Assim, na pré-implantação, deve-se realizar o mapeamento das lideranças públicas, comunitárias


e de demais representantes sociais vinculados às organizações públicas ou da sociedade civil
existentes nos municípios de Uibaí e Ibipeba. Esse mapeamento tem por finalidade construir um
banco de dados com informações básicas desses representantes (telefone, endereço, profissão,
organização com a qual mantém vínculo etc.) que permita a formação de uma rede de agentes
multiplicadores voltados para o pleno desenvolvimento do PCS. Deve-se, ainda, realizar uma
atualização trimestral deste mapeamento, cujo objetivo maior é identificar as partes interessadas
que exercem influência sobre o empreendimento ou por ele são influenciados.

Após o mapeamento de stakeholders, serão consultados os representantes das instituições


municipais para discutir as realidades locais com o objetivo de formação de parcerias e convênios
nas áreas estratégicas definidas como prioritárias para a população local da AID e ADA.

Programas Ambientais – Pág. 311


Plano Básico Ambiental – PBA
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Assim, em função dos entendimentos com as instituições consultadas serão definidas e detalhadas
as atividades a serem desenvolvidas em cada área, os investimentos e recursos necessários e o
período de aplicação das medidas, que poderão ser executados por meio de acordos, convênios
ou outras formas.

Deve ser verificada a existência de projetos e programas, de natureza pública ou privada, previstos
ou em desenvolvimento na região ou no município afetado, integrando e complementando suas
ações e atividades de forma que se possa assegurar a abrangência, efetiva aplicação e
continuidade.

É importante destacar que esta rede de stakeholders deverá ser atualizada constantemente à
medida que avancem as campanhas deste Programa, observando as alterações na dinâmica social
e respectivas relações com o empreendimento. Eventualmente, as mudanças constatadas poderão
orientar atividades e provocar redimensionamento das ações.

[Link].2.3 Definição dos Meios de Comunicação e Mapeamento da Infraestrutura Local

No Plano de trabalho do PCS serão definidos os meios de comunicação utilizados para o contínuo
diálogo com os públicos-alvo, levando em consideração os principais veículos comunicacionais
utilizados pela população no município da AII (emissoras de rádio local, serviços de carro de som,
internet, telefonia fixa e móvel). Para a escolha dos meios de comunicação devem também ser
consideradas as características da população local (prevalência de analfabetismo, hábitos de
comunicação, acesso à internet, hábitos de leitura).

Na fase de pré-implantação do empreendimento também serão mapeadas a infraestrutura


disponível no município a fim de se identificar possíveis locais para realização de reuniões, oficinas
e demais atividades previstas no PCS.

[Link].2.4 Aplicação de Pesquisa de Opinião

Concomitante ao início das obras de implantação do empreendimento, deverá ser realizada uma
pesquisa de opinião para avaliar a percepção dos moradores acerca da instalação do
empreendimento, focando em questões relacionadas ao meio ambiente, sustentabilidade,
funcionamento do empreendimento e os impactos ambientais associados. Essa pesquisa servirá de
parâmetro para o estabelecimento das atividades do PCS e para a análise das futuras atividades
de monitoramento e avaliação.

Programas Ambientais – Pág. 312


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[Link].3 Implantação

Na fase de implantação do empreendimento, as campanhas do PCS deverão ocorrer de modo


contínuo a fim de atender as demandas advindas da população e as condicionantes da Licença.
Sendo assim, neste período estão previstas a implantação de um Centro de Informação na
comunidade de Sumidouro e de canal permanente (ouvidoria), bem como a execução das ações
de comunicação social e a aplicação das pesquisas de opinião.

[Link].3.1 Implantação do Canal de Comunicação – Ouvidoria

De forma a alcançar os objetivos propostos, será divulgado um canal de comunicação direta com a
população para registro de dúvidas sugestões, críticas, reclamações e elogios. A Ouvidoria se
constituirá por meio de um Centro de Atendimento responsável pelo acolhimento presencial de
demandas relacionadas ao empreendimento. A Ouvidoria contará também com endereço eletrônico
de mensagens (e-mail) e telefone de contato de modo a ampliar o alcance dos canais de
comunicação ao maior número possível de pessoas, reduzindo entraves e restrições de acesso à
informação. Vale destacar que outros meios de comunicação social podem ser desenvolvidos e
implantados a partir da participação social, desde que não gerem ônus para a população e se
adequem à realidade local e aos objetivos do PCS.

[Link].3.2 Ações de Comunicação Social

Deverão ser realizadas atividades voltadas para o cumprimento dos objetivos e metas do PCS, o
que também atende ao código de conduta do empreendedor. As formas de comunicação/diálogo
inerentes aos processos do empreendimento seguiram três linhas de ação, a saber:

• Desenvolver junto aos colaboradores e contratados, atividades de comunicação social sobre


as normas e regras de saúde e segurança, a necessidade de observar as exigências de
cada um dos programas socioambientais, a conduta esperada pela empresa e seus
colaboradores no seu posicionamento no território e em sua inserção nas comunidades;

• Relacionamento com os públicos institucionais no repasse de informações sobre o


empreendimento, divulgando as ações nas comunidades e órgãos do poder público local e
aos diferentes públicos-alvo;

• Disponibilizar aos públicos-alvo, informações permanentes em consonância com as


atividades de construção, promovendo ações de comunicação e sensibilização de público
externo em relação às obras.

Abaixo, apresenta-se alguns temas que podem ser trabalhados nas ações de comunicação social,
no Quadro 62. Vale destacar que mais ações deverão ser detalhadas no Plano de Trabalho do
Programa de Comunicação Social.

Programas Ambientais – Pág. 313


Plano Básico Ambiental – PBA
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Ressalta-se a importância de realizar, nos primeiros encontros, uma apresentação didática sobre o
empreendimento e os benefícios e riscos que ele traz para o meio ambiente, as comunidades do
entorno e para a sociedade como um todo.

Quadro 62 Temas de Ações de Comunicação Social.

Temas Propostos
Apresentação do empreendimento, Impactos Ambientais Associados, Medidas Mitigadoras e Potencializadoras
Segurança nas Obras de Implantação
Códigos, Políticas e Procedimentos Internos
Divulgação de Vagas Abertas pelo empreendimento e empresas terceirizadas
Campanha de combate à exploração sexual infantil com divulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA
Campanha de orientação e prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs)
Campanha de Prevenção ao Uso de Drogas
Campanha de combate à violência doméstica: idoso, mulher e outros grupos vulneráveis
Caatinga - fauna e flora (com ênfase nas espécies ameaçadas)
Campanha de combate à Exploração e Violência Sexual
Aumento da pressão da caça
Queimadas
Campanhas de Igualdade de Gênero

Conforme dito anteriormente, as ações do PCS, todavia, não se limitam aos temas descritos acima,
em face da necessária flexibilidade para a incorporação de sugestões e críticas por meio da
participação social, além da abertura à readaptação da metodologia proposta requerida devido às
características e especificidades dos distintos públicos-alvo do Programa. Nas atividades do PCS,
sempre que pertinente ou solicitado pelos participantes, serão disponibilizadas informações sobre
o andamento das obras de construção do empreendimento, bem como sobre os impactos e suas
respectivas medidas de mitigação, aproveitando-se também a ocasião para responder aos
questionamentos do público.

As ações do Programa deverão ser previamente agendadas junto aos coordenadores quando se
tratar do público interno, e junto às lideranças comunitárias ou outros agentes sociais quando
envolver o público externo. As atividades poderão ser agendadas/divulgadas por meio de cartas-
convite, faixas informativas, circulação de ofícios e de e-mails; redes sociais; aplicativos de
mensagens, carros de som; veiculação em rádios difusoras e demais meios de comunicação
disponíveis no município, como também aqueles comumente utilizados entre as empresas
envolvidas nas obras de construção do empreendimento.

Programas Ambientais – Pág. 314


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[Link].3.3 Canais de Comunicação

Quando for possível, deve-se priorizar, sempre que possível, a comunicação presencial com as
partes interessadas do empreendimento. Por meio do diálogo com os diversos stakeholders, os
profissionais responsáveis pelo PCS podem estabelecer vínculos e parcerias que possibilitem às
comunidades se envolverem conscientemente no empreendimento e, à empresa, mapear e se
posicionar com agilidade sobre temas críticos levantados pela sociedade.

O objetivo é a manutenção do atendimento às partes interessadas conforme suas dúvidas,


reclamações, críticas, elogios e sugestões, bem como agilizar o tratamento de cada demanda e
criar oportunidades de participação ampliada.

Além disso, os canais de comunicação também deverão ser utilizados para divulgar respostas
transparentes em caso de circulação de informações mal-intencionadas que visem descontruir a
imagem do empreendimento.

Cabe ressaltar que os canais de comunicação devem priorizar os meios de divulgação que são
comumente utilizados pela população. Por exemplo: se houver um grande volume de público jovem,
utilizar as mídias sociais mais utilizadas por esse público, se houver uma alta prevalência de
analfabetismo a mensagem deve ser transmitida prioritariamente por áudio ou vídeo. Dessa
maneira, os canais de comunicação devem assegurar que, de fato, o público-alvo está recebendo
as informações passadas de maneira adequada.

A partir da análise das características de cada stakeholder, dos temas relevantes suscitados pelo
projeto e das ações que serão executados, recomenda-se a implantação ou manutenção dos
seguintes canais de comunicação, como mostrados no Quadro 63.

Quadro 63 Canais de comunicação propostos para o PCS, público-alvo e ações


relacionadas.

Canais Ações
De acordo com a demanda e contemplando os temas mapeados: Energia renovável; Informações sobre o
Informativo
empreendedor; Características técnicas do empreendimento; Campanhas pontuais; Programas
Eletrônico/ Impressos
socioambientais e outros temas que forem mapeados durante o diálogo com as comunidades.
De acordo com a demanda, transmitir informações mais precisas, registrar, responder e encaminhar
Ouvidoria críticas e queixas relativas ao empreendimento; disponibilizar um canal de comunicação como um número
de celular para troca de mensagens, e-mail e por contato direto
Relacionamento com
De acordo com a demanda contemplando os temas mapeados.
a Imprensa

Programas Ambientais – Pág. 315


Plano Básico Ambiental – PBA
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[Link].3.4 Aplicação de Pesquisas de Opinião

Ao final de toda atividade com o público externo, deverá ser realizada pesquisa de opinião com os
participantes. Essa pesquisa captará a avaliação dos participantes sobre a ação desenvolvida, tais
como índice de satisfação, compreensão do tema e resultados esperados. Para o público interno,
será realizada uma pesquisa de opinião semestral abordando as ações desenvolvidas nos últimos
meses.

[Link].4 Operação

Na fase operacional, o PCS dará prosseguimento às suas atividades conforme as demandas


específicas dessa etapa e as solicitações da população, readequando os procedimentos
metodológicos com a elaboração de um novo Plano de Trabalho.

[Link] Metas

Constituem metas do Programa de Comunicação Social:

• Mapear, na fase inicial das obras, a infraestrutura e os canais de comunicação disponíveis


nas comunidades, bem como os canais mais usados e de preferência dos diferentes
públicos-alvo visando o pleno desenvolvimento do Programa;

• Divulgar para a população, já na fase inicial das obras, os meios de comunicação social do
Programa que permitirão a interface e a comunicação entre a empresa e a comunidade;

• Realizar reuniões de acompanhamento previstas no Plano de Trabalho validado;

• Tratar e responder devidamente a todas as dúvidas, sugestões, reclamações e/ou conflitos


recebidos e registrados nos canais da Ouvidoria;

• Realizar semestralmente e/ou em intervalos inferiores, se necessário, o mapeamento das


partes interessadas de modo a identificar e caracterizar os stakeholders e outros elementos
locais;

• Realizar e divulgar com periodicidade, conforme previsto no Plano de Trabalho validado,


pesquisas de opinião que abordem temas sobre (i) conhecimento e compreensão da
população sobre o empreendimento e suas fases, (ii) questões relacionadas ao meio
ambiente, sustentabilidade e impactos ambientais associados ao empreendimento e (iii)
satisfação da população frente a comunicação com o empreendimento, de forma a avaliar e
aperfeiçoar a plena execução do Programa de Comunicação Social;

• Divulgar materiais informativos a respeito (i) das etapas do projeto, dos impactos ambientais,
das medidas de prevenção e mitigação; (ii) dos códigos, políticas e procedimentos

Programas Ambientais – Pág. 316


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relevantes para a segurança e o bem-estar da população e dos trabalhadores bem como (iii)
de todas as ações definidas no Plano de Trabalho do Programa de Comunicação Social.

[Link] Indicadores de Desempenho

Os Indicadores de desempenho do Programa de Comunicação Social são:

• Número de canais de comunicação disponíveis nas comunidades e canais mais usados


mapeados;

• Quantidade de materiais de comunicação divulgados sobre os meios de comunicação social


que permitirão a interface e a comunicação entre a empresa e a comunidade;

• Número de reuniões de acompanhamento realizadas no seio do Programa de Comunicação


Social, bem como o número de participantes nas mesmas evidenciados por meio de
registros documentais e audiovisuais comprobatórios;

• Número de dúvidas, sugestões, reclamações e/ou conflitos dos canais de Ouvidoria: (i)
recebidos, (ii) tratados e (iii) classificados como resolvidos, sobretudo aqueles ligados a
alterações da rotina e transtornos associados a obra;

• Número de ações corretivas específicas implementadas como resultado do tratamento e


resolução dos reportes registrados na Ouvidoria;

• Número de pesquisas de Opinião realizadas no seio do Programa de Comunicação Social;

• Números referentes à divulgação das ações previstas no Plano de Trabalho para o Programa
de Comunicação Social: quantidade de informativos/folders e outros materiais informativos
distribuídos às comunidades, instituições e demais seguimentos do público-alvo
acompanhados de registros audiovisuais comprobatórios.

[Link] Interface com Outros Programas

O PCS apresenta interface permanente com todos os programas previstos neste documento,
levando em consideração a necessidade da disseminação de informações sobre as diversas
atividades que serão executadas no âmbito do empreendimento, requerendo, portanto, o pleno
alinhamento do cronograma do presente programa com os demais.

Programas Ambientais – Pág. 317


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[Link] Recursos Necessários

Para a realização deste PCS, sugere-se a formação de equipe responsável pelo atendimento social.
Recomenda-se que o corpo técnico possua profissional com conhecimento em design gráfico para
a elaboração materiais audiovisuais.

Os principais recursos materiais necessários à execução do PCS, fundamentados nos


procedimentos metodológicos apresentados para as diferentes fases do empreendimento e que se
colocam como suporte aos Recursos Comunicacionais são listados a seguir:

• Materiais informativos;

• Máquina fotográfica;

• Carro à disposição para realização dos trabalhos de campo;

• Telefone celular;

• EPI’s necessários para cada atividade;

• Notebook, Projetor de vídeo etc.

[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento serão elaborados Relatórios Gerenciais


mensais internos, para apresentação à equipe de Gestão Ambiental do empreendedor, contendo
informações sobre as atividades referentes a este Programa.

Para o órgão ambiental será elaborado um Relatório Final Consolidado, com todas as atividades
realizadas no âmbito deste Programa, quando do requerimento do pedido da LO.

[Link] Cronograma

O Cronograma preliminar das atividades propostas inicialmente para o PCS é apesentado a seguir,
no Quadro 64. Destaca-se a possibilidade de alterações futuras para adequações metodológicas
pertinentes ao Programa

Quadro 64 Cronograma do Programa de Comunicação Social.

PROGRAMA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL


ATIVIDADES MESES
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Elaboração do Plano de Trabalho

Programas Ambientais – Pág. 318


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Mapeamento de stakeholders
Definição do meio de comunicação e mapeamento da
infraestrutura local
Funcionamento do canal de ouvidoria
Realização de ações e campanhas com o público externo
Realização de ações e campanhas com o público interno
Reuniões de Acompanhamento
Aplicação de instrumentos de monitoramento e avaliação
Envio de Relatório Final

[Link] Referências Bibliográficas

BAHIA. CEPRAM. CONSELHO ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE. Resolução N° 4.610, de 27 de


julho de 2018. Estabelece diretrizes para a Educação Ambiental na Regulação Ambiental.
(Publicada no D.O.E de 02.08.2018). Salvador, Bahia. 2018.

BAHIA. CEPRAM. CONSELHO ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE. Resolução N° 4.671, de 27 de


julho de 2019. Altera a resolução CEPRAM nº4610 que estabelece diretrizes para a Educação
Ambiental na Regulação Ambiental. Disponível em
<[Link]
RESOLUCAO_CEPRAM_N_4.671_DE_2019.pdf>. Acesso em 13 Jan 2022.

BAHIA. CEPRAM. CONSELHO ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE. Resolução CEPRAM nº 5.092,


de 25 de novembro de 2022. Estabelece critérios e procedimentos para o licenciamento Ambiental
de empreendimentos de geração de energia elétrica a partir de fonte solar instaladas em superfície
terrestre (onshore) no Estado da Bahia e dá outras providências. Salvador, Bahia. 2023.

BAHIA. Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA). Portaria SEMA/INEMA Nº 13 de


21 de dezembro de 2021. Aprova Documento Técnico Orientador (DTO) com detalhamento dos
roteiros orientadores para os componentes de Educação Ambiental previstos no art 4º, incisos I a
V, da Resolução CEPRAM nº 4.610, de 27 de julho de 2018, alterada pela Resolução CEPRAM nº
4.671 de 29 de março de 2019. Salvador, Bahia. 2021.

BAHIA. Lei Estadual nº 12.056 de 07 de janeiro de 2011. Institui a Política de Educação Ambiental
do Estado da Bahia. Disponível em <
[Link]
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IFC. Corporação Financeira Internacional. Padrões de Desempenho Sobre Responsabilidade


Ambiental. 2012. Disponível em:< [Link]
68ded922e434/PS7_Portuguese_2012.pdf?MOD=AJPERES&CVID=jFcfzSI>. Acesso em:
06/03/2022.

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PRINCÍPIOS DE EQUADOR. Informações gerais sobre os Princípios do Equador Disponível em:


<[Link]
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RICHTER, Annemarie. Guia para transformação de conflitos e olhares socioambientais / Annemarie


Richter. – 1. Ed. – Divinópolis, MG: Adelante, 2021.

SANCHÉZ, L. E. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina de


Textos. 2008.

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Plano Básico Ambiental – PBA
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3.3.2 Programa de Educação Ambiental

[Link] Introdução e Justificativa

Aproximar a temática ambiental da educação, para além de representar desafio ético-pedagógico,


denota responsabilidade com o futuro, a partir da busca pelo despertar de consciências ambientais
que possam se traduzir na forma de comportamentos. Diante do reconhecimento mundial da
complexidade crescente dos problemas que afetam o meio ambiente, a expressão educação
ambiental impregnou não só o ideário político, como também passou a ocupar destaque no contexto
pedagógico desde o início dos anos 1970 (RAMOS, 2001).

O Programa de Educação Ambiental nasce com uma proposta dialética, na qual o sujeito, a partir
do conhecimento compartilhado, cria mecanismos para a conservação/recuperação da biosfera e
da promoção da qualidade de vida da coletividade, o que corrobora com o conceito de educação
ambiental proferido na Conferência Intergovernamental de Tbilisi (1977), o qual diz que

a educação ambiental é um processo de reconhecimento de valores e clarificação de


conceitos, objetivando o desenvolvimento das habilidades e modificando as atitudes
em relação ao meio, para atender e apreciar as interrelações entre os seres humanos,
suas culturas e seus meios biofísicos. A educação ambiental também está relacionada
à prática da tomada de decisões e a ética que conduzem para a melhoria da qualidade
de vida. (Conferência Intergovernamental de Tbilisi, 1977).

No Brasil, a Lei Federal nº 9.795 de 1999, define a Educação Ambiental como: “os processos por
meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades,
atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do
povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”. A responsabilidade por assegurar
aos brasileiros o direito à Educação Ambiental, não é apenas do Poder Público, e a Lei Nº 9.795/99
faz referência ao papel das instituições educativas, órgãos que compõem o Sistema Nacional de
Meio Ambiente, meios de comunicação de massa, empresas, entidades de classe, instituições
públicas e privadas da sociedade como um todo.

Para a construção teórica e o planejamento das ações contidas no Programa de Educação


Ambiental foram observados os fundamentados na Lei 12.056/2011, que institui a Política Estadual
de Educação Ambiental do estado da Bahia e o Programa de Educação Ambiental - PEA-BA, que
conceitua a Educação Ambiental como sendo

(...) o conjunto de processos permanentes e continuados de formação individual e


coletiva para a sensibilização, reflexão e construção de valores, saberes,
conhecimentos, atitudes e hábitos, visando uma relação sustentável da sociedade
humana com o ambiente que integra (BAHIA, 2011).

Programas Ambientais – Pág. 321


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

O PEA é parte integrante do processo de Licenciamento Ambiental do Complexo Santa Eugênia


Solar (Fase 01), devendo-se constituir em instrumento para auxiliar a gestão ambiental do
empreendimento, a partir da mobilização efetiva de trabalhadores e comunidades das áreas de
influência no período de implantação em temáticas de educação ambiental, conscientização acerca
de impactos ambientais atrelados ao meio ambiente, legislação ambiental, educação sexual e
prevenção ao uso de drogas, entre outras, que poderão contribuir para o desenvolvimento das
diferentes ações destinadas a atenuar impactos adversos e potencializar os impactos positivos do
projeto.

Neste sentido, o Programa de Educação Ambiental procura a promoção de um diálogo efetivo que
encoraja os cidadãos, não apenas a conhecer o empreendimento, seus benefícios e impactos, mas
também a promover um comportamento ambientalmente correto, despertando o cuidado com a
prática de atividades que possam causar impacto ambiental. A partir de tais procedimentos, a
educação ambiental contribuirá com a gestão ambiental, tornando-se um importante componente
no contexto das medidas mitigadoras e compensatórias. Trata-se de um processo pedagógico
participativo para difundir uma consciência crítica sobre a problemática ambiental, estendendo à
sociedade a capacidade de perceber a evolução das questões ambientais pertinentes ao cotidiano
da população, especificamente, no contexto do licenciamento ambiental de grandes projetos.

[Link] Objetivos

As ações do Programa de Educação Ambiental têm como objetivo principal difundir os


conhecimentos produzidos, trabalhando com os públicos da educação formal e não formal,
formando, desta maneira, consciências críticas ao incentivar a interação do público local com os
aspectos ambientais concernentes a implantação e operação de projetos de geração de energia a
partir de fontes renováveis.

São objetivos específicos do PEA:

• Construir conhecimento sobre as energias renováveis e não-renováveis;

• Construir conhecimento teórico sobre as características culturais, econômicas, históricas,


arqueológicas e ambientais das localidades afetadas;

• Difundir os conhecimentos adquiridos sobre a região e produzidos através dos estudos


ambientais associados ao empreendimento, como estratégia para estimular a formação de
novos valores que contribuam na melhoria da relação entre as pessoas e o Meio Ambiente,
seguindo a premissa da Educomunicação Socioambiental;

• Construir conhecimento sobre alterações ambientais nos meios físico, biótico e


socioeconômico e cultural advindos da implantação do empreendimento;

• Construir conhecimento sobre o conceito de desenvolvimento sustentável;

Programas Ambientais – Pág. 322


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

• Construir conhecimento sobre os temas de educação sexual e prevenção às drogas;

• Contribuir na capacitação e qualificação aos profissionais da área educacional das escolas


públicas presentes nas comunidades da AID, ampliando seus conhecimentos sobre a
questão ambiental e mostrando as interfaces e consequências das ações humanas sobre a
natureza;

• Orientar o público interno, representado pelos trabalhadores a serem alocados nas obras do
empreendimento, para que adotem procedimentos social e ambientalmente adequados na
execução dos serviços e nas relações com as comunidades locais;

• Fortalecer, juntamente com os demais Projetos Ambientais, a gestão participativa do espaço


das comunidades da AID localizadas no entorno do projeto, a partir do conhecimento da
realidade local e da introdução de conceitos e valores que possam proporcionar melhoria
ambiental e da qualidade de vida;

• Realizar o desenvolvimento, produção e distribuição de material didático sobre a questão


ambiental;

• Realizar atividades interativas com as comunidades da AID do empreendimento;

• Construir nas comunidades da AID relações de convivência harmoniosa com o


empreendimento;

• Realizar reuniões devolutivas para avaliação e resultados de atividades realizadas com


todos os grupos do público-alvo.

[Link] Requisitos Legais

O Programa fundamenta-se também nos seguintes diplomas legais e normas:

• Lei Federal nº 9.795, de 27 de abril de 1999: Dispõe sobre a educação ambiental, institui a
Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências;

• Resolução CONAMA n° 422, de 23 de março de 2010, que estabelece diretrizes para as


campanhas, ações e projetos de Educação Ambiental, conforme Lei n° 9.795, e dá outras
providências;

• Lei 12.056/2011, que institui a Política Estadual de Educação Ambiental do estado da Bahia
e o Programa de Educação Ambiental - PEA-BA;

• Resoluções CEPRAM nº 4.610/2018 e nº 4.671/2019;

• Portaria SEMA/INEMA nº 13 de 21 de dezembro de 2021, que aprovou o Documento Técnico


Orientador (DTO) com detalhamento dos roteiros orientadores para os componentes de
Educação Ambiental previstos no art 4º, incisos I a V, da Resolução CEPRAM nº 4.610, de
27 de julho de 2018, alterada pela Resolução CEPRAM nº 4.671 de 29 de março de 2019.

Programas Ambientais – Pág. 323


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

• Instrução Normativa nº 2, de 27 de março de 2012: Estabelece as bases técnicas para


programas de educação ambiental apresentados como medidas mitigadoras ou
compensatórias, em cumprimento às condicionantes das licenças ambientais emitidas pelo
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA.
• Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, Seção II – Da Saúde;

• Lei Federal n° 8.080, de 19 de setembro de 1990 – Dispõe sobre as condições para


a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos
serviços correspondentes e dá outras providências;

• Lei Federal n° 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre Estatuto da Criança
e Adolescente;

• Portaria n° 1.996/GM/MS, de 20 de agosto de 2007, que dispõe sobre as diretrizes para


a implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde; Portaria n°
278/GM/MS, de 27 de fevereiro de 2014 – Institui diretrizes para implementação da Política
de Educação Permanente em Saúde, no âmbito do Ministério da Saúde (MS);

• Resolução CEPRAM 4610/2018 e Resolução CEPRAM nº 4.671/2019.

[Link] Responsabilidade de Execução

A execução deste programa é de responsabilidade do empreendedor, que deverá contar com


equipe capacitada para a realização das ações de educação ambiental. Essa responsabilidade
também poderá ser compartilhada com empresa responsável pela gestão ambiental da obra.

[Link] Público-Alvo

O público-alvo das ações do PEA é dividido em dois grupos, apresentados abaixo:

• Público Interno: trabalhadores e demais profissionais envolvidos na etapa de implantação


do empreendimento;

• Público Externo: população residente nas comunidades da AID; propriedades rurais das AID
do empreendimento; representantes do Poder Público e demais representantes da
sociedade civil com atuação na área ambiental.

Programas Ambientais – Pág. 324


Plano Básico Ambiental – PBA
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[Link] Metodologia

As ações propostas para o PEA se pautam, sobretudo, nas diretrizes metodológicas e conceituais
estabelecidas pelas Resoluções CEPRAM 4610/2018 e 4671/2019 e no conteúdo do Documento
Técnico Orientador para o Desenvolvimento da Condicionante de Educação Ambiental na
Regulação Ambiental (BAHIA, 2018).

Sendo assim, as ações propostas neste PEA foram elaboradas considerando tais componentes,
sendo realizadas adaptações complementares, de acordo com: as especificidades socioculturais
locais e dos públicos-alvo; as características da atividade licenciada; as condições de execução do
Programa e sua integração com os demais Programas do PBA. Pontua-se, ainda, que o PEA
apresentado inclui em seu conteúdo o Subprograma de Educação Sexual e Prevenção às Drogas,
atendendo aos conteúdos complementares exigidos nas condicionantes do empreendimento.

Durante a realização das atividades do PEA, será utilizada linguagem acessível aos diferentes
públicos-alvo, premissa a ser adotada também na elaboração das cartilhas e materiais de
divulgação e comunicação. Atividades coletivas participativas serão realizadas em datas
previamente determinadas, com divulgação antecipada em locais públicos e canais virtuais de
grande alcance, garantindo, dessa forma, as condições para a plena participação social. A
divulgação das atividades contará com o apoio do Programa de Comunicação Social.

A seguir, apresenta-se o detalhamento metodológico e operacional das ações propostas para o


PEA, de acordo com os públicos-alvo definidos.

[Link].1 Educação Ambiental para os Trabalhadores das Obras (Público Interno)

Para os trabalhadores da obra, propõe-se um plano de educação ambiental pautado em palestras,


distribuição de cartilhas, exposições de materiais audiovisuais, além de disposição de sinalização
educativa. Destaca-se que o programa de educação ambiental para os trabalhadores durará por
toda a fase de implantação do empreendimento.

As ações para o desenvolvimento do Programa de Educação Ambiental do público interno são


detalhadas a seguir.

[Link].1.1 Articulação Prévia e Planejamento

A equipe executora deverá validar, junto aos responsáveis de cada empresa contratada para a
execução das obras, o planejamento, instrumentos e estratégias metodológicas a serem adotadas,
tais como: conteúdo temático, materiais gráficos a serem produzidos e distribuídos, cronograma das
ações, dentre outros.

Programas Ambientais – Pág. 325


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

[Link].1.2 Elaboração de Materiais Gráficos

O material visual, por meio de sinalização educativa, deverá ser exposto em lugares estratégicos
(canteiro de obras, refeitórios e frentes de serviços), a fim de gerar uma consciência ambiental e
terão informações pertinentes à proteção do meio ambiente como um todo.

Materiais de divulgação, tais como folders impressos, deverão ser produzidos com os temas
propostos, com informações sobre preservação ambiental, cuidados necessários para a segurança
e saúde, orientações sobre a correta utilização dos recursos naturais disponíveis na região,
apresentação de cuidados necessários, restrições legais e penalidades quanto ao manejo, caça,
apreensão, comercialização e transporte de espécies vegetais e animais silvestres, dentre outros.

[Link].1.3 Ações de Educação Ambiental

As ações educativas, pautada nas palestras, deverão ser tratadas no âmbito do Diálogo Semanal
de Segurança (DSS), com vistas a sensibilizar o público-alvo interno sobre assuntos ligados ao
meio ambiente e sustentabilidade, e sua relação com as atividades cotidianas das obras.

[Link].1.4 Campanhas Trimestrais de Educação Ambiental

Trimestralmente, será realizada uma Campanha de Educação Ambiental junto aos trabalhadores
da obra onde serão tratados temas de relevância ambiental destacados no Estudo de Médio
Impacto (EMI) ou realidades vivenciadas nas etapas de pré-implantação e implantação do
empreendimento. O Quadro 65 descreve os temas propostos preliminarmente.

Quadro 65 Temas Sugeridos para o Público Interno.

Temas Sugeridos Descrição


Orientar os trabalhadores quanto a supressão consciente, alertando-os, ao mesmo tempo, sobre o
Supressão Vegetal desmatamento, proteção às matas ciliares e a vegetação de encostas, bem como a necessidade de
revegetação das áreas degradadas.
Aspectos
Criar um evento cultural voltado para a valorização dos aspectos históricos e arqueológicos da região, com
arqueológicos e
destaque para informações sobre cavidades e pinturas rupestres dada a abundância destes na região.
históricos da região
Informar sobre os riscos de incêndios, indicando quais as causas mais comuns dessas ocorrências;
Queimadas
divulgando orientação sobre as providências a serem adotadas
UC’s, APP’s e Áreas Objetivos, importância e classificação das Unidades de Conservação; APP e ARL: definição; instrumentos
de Reserva Legal legais; impactos e proteção; usos permitidos/proibidos.
Uso sustentável dos
Boas práticas associadas ao uso e consumo de água e energia
recursos naturais
Doença transmitidas Explanar sobre as diversas doenças que são causadas por vetores que se proliferam devido ao acúmulo
por Vetores inadequado de resíduos (dengue, zika vírus)
Valorizar a importância da manutenção da vida silvestre, ressaltando a ilegalidade da caça e as penas
Fauna Silvestre
previstas na Lei de Crimes Ambientais 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Ações de conscientização sobre as

Programas Ambientais – Pág. 326


Plano Básico Ambiental – PBA
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Temas Sugeridos Descrição


demais práticas predatórias tidas como crimes ambientais como a venda de animais silvestres, queimadas,
entre outros.
Orientar os colaboradores quanto aos riscos de ataques de animais selvagens durante as atividades,
alertando-os sobre a necessidade de utilização dos equipamentos obrigatórios de segurança (luvas, botas,
capacete, outros conforme as NR-6; NR-7 e NR-21 do Ministério do Trabalho. Apresentar equipe de resgate
que deverá ser acionada em caso de acidentes.
Resíduos de
construção Enfatizar o uso de lonas e caixa de contenção durante manejo de massa, evitando a contaminação do solo
Civil/perigosos
Resíduos sólidos e Orientar quanto à disposição correta dos resíduos nas áreas dos canteiros de obras e entorno, sendo
líquidos estabelecida a coleta seletiva.
Reciclagem Explicar sobre o que é a reciclagem e qual a importância, para o meio ambiente, de reutilizar esses materiais
Flora Importância do Bioma da Caatinga

Vale destacar que, além destas atividades acima descritas, deve-se considerar o rol de ações
previstas junto aos trabalhadores da obra previstas nos Programas de Comunicação Social e
Educação em Saúde.

[Link].1.5 Treinamento de Integração

A integração de funcionários também deverá fazer parte das ações educativas internas, e deve
contemplar orientações sobre as diretrizes socioambientais do empreendimento, sobre
comportamentos responsáveis e sustentáveis a serem seguidos, de acordo com o Código de
Conduta do Trabalhador, além dos impactos ambientais, medidas mitigadoras e compensatórias
associados ao projeto. A integração deverá ocorrer sempre que houver contratação de novos
colaboradores pelo empreendedor.

[Link].2 Educação Ambiental para as comunidades da AID (Público Externo)

As ações destinadas às comunidades situadas na AID envolverão oficinas socioambientais, além


de outras atividades lúdico-pedagógicas e eventos culturais na temática socioambiental, os quais
serão definidos e validados de forma participativa. Para tanto, propõe-se inicialmente a elaboração
de um Plano de Trabalho contendo o planejamento executivo e o cronograma detalhado das
atividades a serem desenvolvidas junto às comunidades da AID e a outros públicos-externos.

A seguir, são apresentadas as ações estruturantes do PEA, voltadas ao público externo.

[Link].2.1 Oficinas Participativas em Educação Ambiental

Conforme o Documento Técnico Orientador para o Desenvolvimento da Condicionante de


Educação Ambiental na Regulação Ambiental (BAHIA, 2018), oficinas socioambientais consistem

Programas Ambientais – Pág. 327


Plano Básico Ambiental – PBA
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em “momentos/espaços de análise de uma realidade concreta a partir de uma mediação


democrática, participativa e reflexiva acerca de um conteúdo proposto”. Dessa forma, as oficinas
socioambientais devem promover a troca de experiências e o engajamento reflexivo das
comunidades em relação às transformações socioambientais geradas pela chegada do
empreendimento, visando qualificar a percepção ambiental dos participantes sobre seus
respectivos espaços de vida e a importância de hábitos e comportamentos sustentáveis.

Os momentos de interação, troca, construção de saberes e produções didáticas serão orientados


por metodologias voltadas a desenvolver o protagonismo individual e coletivo como pilar
fundamental da sustentabilidade socioambiental. Neste sentido, é importante que o público-alvo
possa se perceber como agente de transformação do meio ambiente e, consequentemente, de si
próprio. As atividades iniciarão na fase de implantação e se estenderão à fase operação do
empreendimento.

Metodologicamente, as primeiras oficinas envolverão a atualização do Diagnóstico Socioambiental


Participativo pautado por técnicas e ferramentas qualitativas cuja aplicação objetiva promover o
protagonismo do público-alvo na definição coletiva das questões ambientais mais relevantes do
ponto de vista do conhecimento local, orientando o escopo das demais ações do PEA a partir da
análise dos resultados do diagnóstico. Entende-se que esse processo contribuirá para o
planejamento executivo do Programa e para a identificação de oportunidades de desenvolvimento
das ações de Educação Ambiental.

Não obstante, as oficinas e demais atividades educativas participativas deverão desenvolver a


discussão e reflexão sobre temas básicos, de modo integrado e adaptado aos resultados dos DSP’s,
potencializando a disseminação de conhecimentos e práticas ambientalmente sustentáveis. Abaixo,
seguem sugestões de temas e atividades a serem desenvolvidas ao longo do Programa.

• Informações sobre o Empreendimento e seus Impactos: apresentação do empreendimento


e dos impactos ambientais previstos em cada fase do licenciamento, bem como das medidas
ambientais propostas para controle ambiental.

• Qualidade de Vida: incluindo temas como saneamento ambiental, com ênfase para a
adequada coleta e disposição de resíduos sólidos (lixo doméstico) e efluentes líquido, a
importância da conservação dos recursos hídricos e formas de conservação.

• Fauna e Flora: divulgação de informações sobre a fauna e a flora da região, a importância


de sua valorização e conservação. Temas como Bacia Hidrográfica, Área de Proteção
Permanente – APP, Medidas de Compensação Florestal, Corredores Ecológicos, também
deverão ser abordados, esclarecendo a importância para conservação de ambientes para a
fauna e a flora – terrestre e aquática – e os problemas associados à caça de animais.

• Patrimônio Espeleológico e Arqueológico: potencial espeleológico e arqueológico da região,


com destaque para cavidades e pinturas rupestres, as maneiras corretas de proceder diante

Programas Ambientais – Pág. 328


Plano Básico Ambiental – PBA
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deste patrimônio, a importância de sua conservação, o valor que este patrimônio tem para a
história e o potencial turístico associado.

• Ações Educadoras Socioambientais do Programa de Implantação de Corredor Ecológico:


Convivências com o Semiárido e Particularidades do Bioma Caatinga (Fauna, Botânica,
Atividades Produtivas); Preservação de proteção legal (Reserva Legal; Áreas de
Preservação Permanente; Unidades de Conservação); Gestão Participativa Ambiental; A
importância do Trabalho em Rede; Princípios da Participação e Processos Participativos.

Tomando como referência as orientações técnicas aplicáveis aos componentes da condicionante


de educação ambiental na regulação ambiental estadual (BAHIA, 2018), o Quadro 66 destaca o
conjunto de condições operacionais para a realização das oficinas socioambientais no âmbito do
PEA, indicando também sugestões de metodologias participativas para o alcance dos objetivos do
Programa.

Quadro 66 Detalhamento resumido das condições e metodologias sugeridas para a


realização das oficinas previstas no Programa de Educação Ambiental.

Parâmetros Operacionais e Metodológicos Aspectos sugeridos


- Informação e participação da população afetada;
- Estratégias de mobilização;
- Espaço físico e infraestrutura adequados;
- Registro documental e audiovisual das oficinas;
Condições Básicas para realização das oficinas
- Envolvimento de entidades locais;
- Acesso aos materiais e conteúdos trabalhados;
- Envio de convites ao público-alvo;
- Ampla divulgação da oficina.
- Diagnóstico rápido participativo;
- Pesquisa-ação participante;
- Mapa mental/Mapa falado;
- Chuva/Nuvem de ideias;
Metodologias Participativas
- Matriz FOFA (Força, Oportunidades, Fraqueza e Ameaças);
- Cartografia social;
- Árvore dos problemas;
- Facilitação gráfica, entre outros.

Fonte: BAHIA, 2018.

As oficinas também deverão promover a formação de agentes multiplicadores ambientais através


da mobilização e capacitação do público jovem interessado em difundir conhecimentos relacionados
a práticas ambientalmente sustentáveis no contexto de inserção do empreendimento. Sugere-se
que as oficinas de capacitação sejam ministradas por especialistas em educação ambiental. Faz-
se fundamental o uso de linguagem adequada ao contexto sociocultural dos participantes. No
Quadro 67 seguem sugestões de atividades que podem ser desenvolvidas e temas
correspondentes a cada módulo proposto.

Programas Ambientais – Pág. 329


Plano Básico Ambiental – PBA
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Quadro 67 Temas Sugeridos para Oficina de Agentes Multiplicadores.

Módulo Tema
Módulo I Introdução a Educação Ambiental
Módulo II Educação Ambiental e Espaços não formais
Módulo III Sustentabilidade
Módulo IV Oficinas ecológicas e sustentáveis
Módulo V Planejamento e elaboração de projetos

Quando for possível, desenvolver atividades lúdicas (por exemplo dança, teatro, oficinas de
fantoche, gincana, literatura de cordel, contação de estória, jogos) estas deverão proporcionar
momento de diversão, utilizando ferramentas importantes de educação que potencializem os
processos de socialização e descoberta do mundo, além de ajudar a memorizar fatos. Essas
atividades serão estruturadas em técnicas pedagógicas como da Árvore dos Sonhos, Medos e
Compromissos ou de Leitura de Paisagem, visando ao registro e análise de dados qualitativos
referentes aos temas trabalhados.

[Link].2.2 Apoio a Experiências Socioambientais e a Processos Formativos

Enquanto componente obrigatório das condicionantes de Educação Ambiental, o PEA deverá


realizar ações de apoio a experiências socioambientais e a processos formativos, de acordo com
as diretrizes do Documento Técnico Orientador, já mencionado.

O mapeamento de experiências deverá ter início a partir da elaboração do Plano de Trabalho até a
conclusão das oficinas do DSP definidas no planejamento final. Assim, o levantamento será
realizado por meio de contatos institucionais, visitas comunitárias, pesquisas em banco de registros
e sítios eletrônicos, devendo-se coletar informações suficientes sobre todas as novas experiências
identificadas para sua caracterização básica. A partir deste mapeamento, será definida uma
experiência socioambiental a ser apoiada anualmente na área de influência do empreendimento,
priorizando-se aquelas atuantes nas comunidades da AID. Vale destacar que, a partir do
mapeamento de experiências socioambientais, o empreendedor poderá propor a execução de
algumas atividades do Programa de Educação Ambiental de forma articulada com
empreendimentos similares localizados nas áreas de influência do empreendimento.

No mesmo sentido, o Apoio a Processos Formativos deverá considerar os objetivos e condições


executivas previstos para as condicionantes de Educação Ambiental, bem como as premissas
conceituais e metodológicas.

Programas Ambientais – Pág. 330


Plano Básico Ambiental – PBA
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[Link].2.3 Produção de Material Educativo

A produção e distribuição de diversos materiais educativos consistem numa importante ferramenta


para divulgação e orientação nos eventos de Educação Ambiental. Os principais materiais
educativos a serem produzidos serão:

• Cartilhas educativas impressas - esses materiais serão bases de apoio para as ações a
serem desenvolvidas. Poderão reunir informações educativas, informações locais e
regionais e outros temas socioambientais definidos como prioritários por este Programa, de
acordo com os temas abordados; além de jogos, como “palavras-cruzadas”, jogos da
memória, por exemplo, para fixação do conhecimento abordado.

• Folders ou Informativos - os folders são importantes ferramentas para se disponibilizar


informações específicas locais para os diferentes públicos-alvo, muitas vezes incorporando
dados que foram obtidos durante o monitoramento ambiental do empreendedor. Os
informativos deverão ser produzidos semestralmente a fim de evidenciar as atividades
desenvolvidas no âmbito dos programas socioambientais. Os folders serão produzidos de
acordo com a elaboração das ações de educação ambiental.

• Apostila - esse material será base de apoio para curso de formação a serem desenvolvidas
com os multiplicadores locais, quando couber.

[Link].2.4 Avaliação das Ações

A avaliação se dará de forma contínua e deverá examinar os procedimentos adotados e as ações


empreendidas, possibilitando uma análise capaz de retroalimentar propostas e fornecer subsídios
para eventuais correções de rumos. Deverá ser realizada por equipe do programa, em reuniões
periódicas e em conjunto com o público atendido. É necessário considerar o acompanhamento das
metas apontadas.

As evidências comprobatórias de realização das atividades de Educação Ambiental deverão constar


no Relatório Final do PEA, o qual irá apresentar as ações desenvolvidas no período e a avaliação
dos resultados alcançados, mensurando o comprometimento e a satisfação dos participantes em
relação aos objetivos e ações desenvolvidas.

[Link].3 Subprograma de Educação Sexual e Prevenção às Drogas

O Subprograma de Educação Sexual e Prevenção às Drogas apresentado a seguir contempla as


diretrizes conceituais, metodológicas e executivas que orientarão as ações de Educação Sexual e
de Prevenção às Drogas destinadas à população das comunidades do entorno do Complexo Santa
Eugênia Solar.

De modo geral, o termo educação em saúde compreende o “processo educativo de construção de


conhecimentos em saúde que visa à apropriação temática pela população” (BRASIL, 2006 apud

Programas Ambientais – Pág. 331


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

FALKENBERG et al., 2014). No âmbito do licenciamento ambiental, as transformações no espaço


vivido (LEFEBVRE, 2000) engendradas pela implantação de grandes empreendimentos
manifestam a complexa relação entre as questões de saúde e meio ambiente, complexidade cuja
apreensão exige uma abordagem integrada que considere “o contexto em que a população está
inserida, a partir dos múltiplos atores sociais que nela estão envolvidos, buscando construir uma
nova racionalidade que conceba o ambiente como parte da vida cotidiana, com seus diferentes
cenários e nas mais variadas práticas sociais” (ROSA et al., 2018).

Com efeito, a construção dessa “nova racionalidade” se articula imprescindivelmente aos princípios,
objetivos e práticas de educação ambiental, conforme amplamente reconhecido em políticas e
programas federais e estaduais, a exemplo do Programa Nacional de Educação Ambiental –
ProNEA (BRASIL, 2019) e da Política Estadual de Educação Ambiental da Bahia (BAHIA, 2011), as
quais explicitam a relevância da transversalidade entre educação, meio ambiente e saúde no
contexto do licenciamento ambiental.

O Subprograma tem como objetivo geral promover e assegurar melhores condições de saúde à
população residente nas comunidades do entorno do empreendimento, bem como disseminar
informações e conhecimentos acerca de aspectos relacionados à saúde em geral e à prevenção de
doenças sexualmente transmissíveis e ao uso de drogas lícitas e ilícitas. As ações do Subprograma
são apresentadas a seguir.

[Link].3.1 Levantamento de Indicadores de Desempenho em Saúde

O levantamento e análise de Indicadores de desempenho de saúde visa traçar um quadro


situacional prévio e concomitante à implantação do empreendimento no intuito de monitorar
eventuais alterações geradas durante as obras de construção que possam afetar o cenário
observado. O levantamento também pretende conhecer o universo atitudinal do público-alvo diante
dos problemas que envolvem seu cotidiano, de modo a adequar o conteúdo das ações e atividades
pedagógicas às particularidades culturais e características socioeconômicas locais.

Através do levantamento e análise de indicadores de desempenho relacionados à saúde, espera-


se apreender os índices de doenças sexualmente transmissíveis, bem como registros existentes de
casos gravidez precoce. Paralelamente, serão buscadas informações sobre o contexto relativo ao
abuso de drogas e seus efeitos sobre as condições de saúde na área de abrangência do Programa.
Destaca-se que, por se tratar de um universo social de acesso limitado, os dados sobre uso de
drogas serão coletados por pesquisa documental e por informações disponibilizadas por
profissionais de estabelecimentos de saúde locais.

Nesse sentido, as informações sobre a situação das localidades abarcadas pelas ações do
Programa podem ser obtidas através da realização de reuniões organizadas em parceria com
associações comunitárias e órgão/estabelecimentos de saúde e educação do município da AII
(secretarias, unidades de saúde, escolas, centros de assistência social etc.). Entrevistas realizadas
com os agentes de saúde que atendem as comunidades também poderão ser aplicadas.

Programas Ambientais – Pág. 332


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

[Link].3.2 Oficinas de Educação em Saúde

As dinâmicas coletivas (oficinas, rodas de conversa) propostas no âmbito do subprograma deverão


abordar as questões e assuntos de maior complexidade e relevância junto a grupos e coletividades
considerados mais suscetíveis aos potenciais riscos e danos à saúde associados à implantação do
empreendimento, em função da condição diferenciada de vulnerabilidade socioeconômica e
territorial. Considerando a perspectiva ecossistêmica, entende-se que:

Em qualquer comunidade, seja por processos de determinação biológica, seja por


processos sociais ou culturais, ou setores populacionais específicos (étnicos,
religiosos, de classes sociais, sexo etc.), os grupos apresentam modos de vida
particulares, que os colocam em situações de maior ou menor vulnerabilidade e, por
isso, tal diversidade deve ser considerada na construção de pautas e agendas que
envolvam a gestão sustentável do território (LEBEL,2003, apud TOLEDO et al., 2018).

Sendo assim, propõe-se à realização de dinâmicas grupais/coletivas (oficinas, rodas de conversa)


junto a três públicos distintos, a saber: a) adolescentes; b) mulheres adultas e; c) homens adultos.
O recorte territorial utilizado como referência para a identificação desses grupos específicos
corresponde às localidades ou comunidades do público-alvo. Sugere-se que as oficinas e dinâmicas
coletivas sejam organizadas em parceria com associações comunitárias ou de moradores,
sindicatos de trabalhadores/entidades de classe locais, o que facilitará a mobilização e a divulgação
das ações planejadas.

Oficinas de Educação Sexual

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O conteúdo temático das oficinas propostas deve ser adaptado ao perfil dos respectivos grupos ou
públicos, considerando as faixas etárias, o nível de escolaridade, os aspectos culturais locais
envolvendo distinções de gênero e as particularidades socioeconômicas das localidades e
comunidades abarcadas. Esses parâmetros determinarão a construção dos roteiros executivos que
orientarão a abordagem didática dos temas e questões referentes aos componentes da sexualidade
humana, indicados abaixo.

Figura 34 Componentes da Sexualidade Humana.

Fonte: MAIA, 2014.

Nesse sentido, as oficinas deverão se pautar em três blocos de conteúdos (BRASIL, 1997):

• Corpo e Sexualidade: noções, imagens, conceitos e valores a respeito do corpo como matriz
da sexualidade humana;

• Relações de Gênero e Orientação Sexual: equidade entre sexos; reflexão sobre padrões de
comportamento e estereótipos ligados ao gênero; diversidade sexual, preconceito e
violência de gênero;

Programas Ambientais – Pág. 334


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• Prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s) e gravidez indesejada:


principais DST’s, formas de contágio, sintomas e prevenção; métodos contraceptivos;
situações e comportamentos de risco.

Destaca-se que o direcionamento e aprofundamento das discussões e abordagens didáticas


deverão se pautar pelos princípios da participação e pela relevância dos temas frente ao contexto
cultural e socioeconômico das comunidades e grupos sociais aos quais se destinarão as atividades
de saúde sexual. Por exemplo, as oficinas com grupos de mulheres e homens em idade adulta
podem contemplar assuntos relativos à violência de gênero no ambiente doméstico, preconceito e
discriminação sexual. Não obstante, todas as questões que envolvem os componentes da
sexualidade humana devem, necessariamente, ser trabalhadas de forma integrada aos impactos
do empreendimento sobre as condições ambientais e socioculturais que afetam a saúde sexual da
população das comunidades situadas no entorno do empreendimento.

Oficinas de Prevenção às Drogas

Entende-se que a prevenção ao uso ou abuso de drogas “está relacionada às questões


fundamentais do direito à vida e à saúde que têm sido negligenciadas à maior parte da população”
(BERTONI & ARDONI, 2010). Com efeito, as diretrizes, políticas e programas sociais de
enfrentamento ao problema do consumo de drogas lícitas e ilícitas têm incorporado a perspectiva
da redução de danos frente à atualmente questionável visão da prevenção por meio da repressão
ao consumo e criminalização/discriminação de usuários.

De acordo com a Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas – FEBRACT, a prevenção às


drogas compreende três níveis de ações: a) prevenção primária: objetiva evitar a ocorrência do
problema-alvo, isto é, diminuir a incidência de uso de drogas; b) prevenção secundária: ocorre
quando já começa a surgir o consumo de drogas; c) prevenção terciária: corresponde a ações no
contexto da existência de dependência de drogas (FEBRACT, 1998).

Posto isso, o conteúdo das oficinas do subprograma de Prevenção às Drogas deve considerar os
três níveis preventivos, porém, dando prioridade à prevenção primária a fim de se evitar o possível
aumento dos índices de uso/abuso de substâncias lícitas e ilícitas frente à alteração das condições
de saúde e potencialização de situações ou comportamentos de risco associados à chegada do
empreendimento no território.

Destaca-se que as oficinas terão como público-alvo prioritário a população jovem residente nas
localidades do entorno do empreendimento, à medida que os indivíduos dessa faixa etária são
considerados mais vulneráveis e propensos a aderirem a comportamentos de risco, incluindo
aqueles relativos ao acesso e consumo de drogas (LIMA, 2013). Contudo, faz-se fundamental o
envolvimento de pais ou parentes responsáveis nas atividades, tanto para o consentimento da
participação de jovens menores de idade, quanto para a própria construção de relações de

Programas Ambientais – Pág. 335


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confiança familiar e aprendizagem mútua sobre os danos à saúde e efeitos do abuso de drogas
lícitas ou ilícitas sobre o ambiente familiar, independentemente de idade e sexo.

Em relação ao conteúdo temático das oficinas, sugere-se a discussão e desenvolvimento de


atividades que abarquem questões como as elencadas a seguir:

• O que são as drogas?

• História das drogas e aspectos socioculturais; mitos e verdades;

• Tipos de substâncias, características e danos associados ao uso indevido de drogas;

• Diferença entre drogas lícitas e ilícitas;

• Uso de drogas no Brasil;

• Drogas como problemas de saúde pública;

• Presença das drogas no cotidiano;

• Drogas, violência e criminalidade;

• Acesso, consumo e dependência química;

• A importância da prevenção e redução de danos;

• Níveis de prevenção;

• Redes de apoio;

• Enfrentando o problema com drogas na família e na comunidade.

Tomando como referência as orientações técnicas aplicáveis aos componentes da condicionante


de educação ambiental na regulação ambiental estadual (BAHIA, 2018), o Quadro 68 destaca o
conjunto de condições operacionais para a realização das oficinas de Educação Sexual e
Prevenção às Drogas, indicando também sugestões de metodologias participativas.

Quadro 68 Detalhamento resumido das condições e metodologias para a realização das


oficinas previstas no Programa de Educação em Saúde.

Parâmetros Operacionais e
Aspectos mínimos ou sugeridos
Metodológicos
- Informação e participação da população afetada;
- Estratégias de mobilização;
- Espaço físico e infraestrutura adequados;
Condições Básicas para realização das - Registro documental e audiovisual das oficinas;
oficinas - Envolvimento de entidades locais;
- Acesso aos materiais e conteúdos trabalhados;
- Envio de convites ao público-alvo;
- Ampla divulgação da oficina.
- Diagnóstico rápido participativo;
- Pesquisa-ação participante;
Metodologias Participativas
- Mapa mental/Mapa falado;
- Chuva/Nuvem de ideias;

Programas Ambientais – Pág. 336


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- Matriz FOFA (Força, Oportunidades, Fraqueza e Ameaças);


- Cartografia social;
- Árvore dos problemas;
- Facilitação gráfica, entre outros.

Fonte: BAHIA, 2018.

Por fim, ressalta-se que existe uma infinidade de documentos técnicos, materiais gráficos, roteiros,
ferramentas, instrumentos e outros conteúdos temáticos elaborados por instituições públicas e
privadas nacionais e internacionais que podem servir como referência importante na definição de
propostas metodológicas e recursos pedagógicos úteis ao desenvolvimento executivo das oficinas.
Assim, recomenda-se que seja feito um levantamento e consulta à produção técnica e acadêmica
com vistas à avaliação de procedimentos e metodologias potencialmente aplicáveis às oficinas.

[Link] Metas

As metas serão propostas para possibilitar a transmissão de valores, conceitos e informações


ambientais de forma a valorizar ações de preservação, a fim de construir uma visão exata dos atos
conscientes e inconscientes e suas consequências positivas ou negativas no espaço ocupado pela
comunidade, conscientizando e correlacionando a importância de ações preservacionistas aos
reflexos positivos em toda a região.

Abaixo, constituem-se metas do Programa de Educação Ambiental:

• Realizar capacitações sobre educação ambiental para os públicos-alvo, visando


conscientizá-los sobre os impactos ambientais que ocorrerão em cada fase de implantação
do empreendimento e as medidas de recuperação/compensação ambiental que serão
implementadas;

• Realizar capacitações sobre educação ambiental para os trabalhadores do empreendimento


(público interno), visando a compreensão dos impactos (positivos e negativos) da utilização
da energia renovável e a promoção de práticas sustentáveis no ambiente de trabalho;

• Realizar ações de sensibilização e educação ambiental para as comunidades atingidas pelo


empreendimento, de modo a discutir os benefícios socioambientais das energias renováveis,
os cuidados necessários para proteção dos recursos naturais da Caatinga e sobretudo
fomentar o envolvimento delas nas atividades previstas no Programa;

• Realizar oficinas socioambientais e educomunicativas para as comunidades, abordando


temas como gestão de resíduos, uso racional da água, práticas sustentáveis de agricultura
e pecuária e o papel das energias renováveis na promoção da sustentabilidade;

Programas Ambientais – Pág. 337


Plano Básico Ambiental – PBA
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• Elaborar e distribuir materiais gráficos informativos sobre boas práticas de conservação e


economia dos recursos naturais, da biodiversidade da Caatinga bem como de ações
previstas no PBA;

• Estabelecer parcerias com escolas e instituições locais para apoiar experiências


pedagógicas relacionadas ao meio ambiente e promover ações de educação ambiental no
contexto escolar;

• Realizar cursos e oficinas para a capacitação de educadores, a fim de atuarem como


agentes multiplicadores na difusão de informações relacionadas à educação ambiental.

• Realizar as Oficinas de Educação Sexual e Prevenção ao Uso de Drogas junto às


comunidades da AID, conforme as ações definidas no Plano de Trabalho do Programa.

[Link] Indicadores de Desempenho

Abaixo, apresentam-se os Indicadores de desempenho relacionados ao Programa de Educação


Ambiental, a saber:

• Número e abrangência de comunidades alcançadas pelas ações de capacitação sobre


educação ambiental, medido pela proporção e frequência de participação de moradores nas
atividades realizadas;

• Taxa de participação dos trabalhadores nas atividades de capacitação sobre educação


ambiental mensurada pela quantidade de participantes em relação ao total de empregados
e às atividades realizadas;

• Número de ações de sensibilização e educação ambiental realizadas e público atingido,


contabilizando a quantidade de encontros realizados e frequência de participantes;

• Número de oficinas realizadas e público atingido, contabilizando a quantidade de encontros


realizados e frequência de participantes;

• Quantidade de materiais gráficos informativos distribuídos às comunidades, verificado por


meio do registro das entregas e de divulgação pública;

• Número de parcerias estabelecidas com escolas e instituições locais para ações


educacionais, contando parcerias formalizadas e ativas;

• Número de cursos e oficinas de capacitação realizados e número de certificados emitidos


para a população participante;

• · Avaliação do grau de conhecimento do público-alvo sobre os temas ambientais discutidos


nas atividades do PEA, auferido por meio de questionários para verificar o conhecimento
adquirido nas mesmas.

Programas Ambientais – Pág. 338


Plano Básico Ambiental – PBA
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• Número de participantes e regularidade de participação dos grupos ou coletividades que


compõem o público-alvo das oficinas de Educação em Saúde;

[Link] Interface com Outros Programas

O Programa de Educação Ambiental está articulado a todos os demais programas do meio


socioeconômico apresentado no PBA, especialmente ao Programa de Comunicação Social, bem
como a outros Programas previstos para os meios físico e biótico diretamente ligados aos temas
trabalhados no PEA.

[Link] Recursos Necessários

A equipe executiva do Programa de Educação Ambiental deverá ser composta por um (a)
Coordenador(a) com formação específica nas áreas de Ciências Sociais, Ciências Ambientais,
Pedagogia ou outras áreas afins, e um (a) analista/técnico de meio ambiente ou outras áreas afins.
Sugere-se a contratação de especialistas em educação ambiental e temas relacionados, se
pertinente.

Os principais recursos materiais necessários à execução do Programa de Educação Ambiental são


listados a seguir:

• Informativos, cartazes, cartilhas, vídeos.

• Local para oficinas e palestras.

• Material para atender as práticas de oficinas.

• Máquina fotográfica que possibilite a realização de filmagens.

• Carro para realização dos trabalhos de campo.

• Telefone celular.

• EPIs necessários para cada atividade.

• Data show.

• Notebook.

Além desses, devem ser considerados os recursos nas condições básicas de execução e realização
das condicionantes de Educação Ambiental

Programas Ambientais – Pág. 339


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[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento serão elaborados Relatórios Gerenciais


mensais internos, para apresentação à equipe de Gestão Ambiental do empreendedor, contendo
informações sobre as atividades referentes a este Programa.

Para o órgão ambiental será elaborado um Relatório Final Consolidado, com todas as atividades
realizadas no âmbito deste Programa, quando do requerimento do pedido da LO.

[Link] Cronograma

O Cronograma previsto para o PEA é apresentado a seguir.

Programas Ambientais – Pág. 340


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Quadro 69 Cronograma do Programa de Educação Ambiental.

MESES
Atividades/Ações Previstas
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Público Interno
Articulação Prévia e Planejamento
Elaboração de Materiais Gráficos
Diálogos Semanais de Segurança
Campanhas Trimestrais de Educação Ambiental
Treinamento e Integração
Educação Ambiental – Público Externo
DSP e Plano de Trabalho
Oficinas Socioambientais (DSP; Capacitação etc.)
Produção de Material Educativo
Apoio a Experiências Socioambientais
Apoio a Processos Formativos
Ações em Educação em Saúde
Campanhas de Educação em Saúde
Oficinas de Educação Sexual
Oficinas de Prevenção às Drogas
Envio de Relatório Final

[Link] Referências Bibliográficas

BAHIA. CEPRAM. CONSELHO ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE. Resolução N° 4.610, de 27 de


julho de 2018. Estabelece diretrizes para a Educação Ambiental na Regulação Ambiental.
(Publicada no D.O.E de 02.08.2018). Salvador, Bahia. 2018.

BAHIA. CEPRAM. CONSELHO ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE. Resolução N° 4.671, de 27 de


julho de 2019. Altera a resolução CEPRAM nº4610 que estabelece diretrizes para a Educação
Ambiental na Regulação Ambiental. Disponível em
<[Link]
RESOLUCAO_CEPRAM_N_4.671_DE_2019.pdf>. Acesso em 13 Jan 2022.

BAHIA. Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA). Portaria SEMA/INEMA Nº 13 de


21 de dezembro de 2021. Aprova Documento Técnico Orientador (DTO) com detalhamento dos
roteiros orientadores para os componentes de Educação Ambiental previstos no art 4º, incisos I a
V, da Resolução CEPRAM nº 4.610, de 27 de julho de 2018, alterada pela Resolução CEPRAM nº
4.671 de 29 de março de 2019. Salvador, Bahia. 2021.

BAHIA. Lei Estadual nº 12.056 de 07 de janeiro de 2011. Institui a Política de Educação Ambiental
do Estado da Bahia. Disponível em <
[Link]
[Link] >. Acesso em 20 de janeiro de 2022.

Programas Ambientais – Pág. 341


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

BAHIA. Decreto nº 11.850 de 23 de novembro de 2009. Institui a Política Estadual para


Comunidades Remanescentes de Quilombos e dispõe sobre a identificação, delimitação e titulação
das terras devolutas do Estado da Bahia por essas comunidades, de que tratam o art. 51 do Ato
das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição do Estado da Bahia de 1989.
Salvador, Bahia, 2009.

BAHIA. Lei Estadual nº 12.056 de 07 de janeiro de 2011. Institui a Política de Educação Ambiental
do Estado da Bahia. Disponível em <
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BERTONI, Luci Mara; ADORNI, Dulcinéia da Silva. A prevenção às drogas como garantia do direito
à vida e à saúde: uma interface com a educação. Cadernos CEDES [online]. 2010, v. 30, n. 81.
Disponível em: <[Link] Acesso: 8 maio 2022.

BRASIL. Decreto nº 6.040 de 7 de fevereiro de 2007. Institui a Política Nacional de Desenvolvimento


Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. Disponível em:
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14/04/2021.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância em


Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. Avaliação de Impacto à Saúde – AIS: metodologia
adaptada para aplicação no Brasil / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde,
Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. – Brasília: Ministério da
Saúde, 2014.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educação Ambiental por um Brasil Sustentável: ProNEA.
Marcos Legais e Normativos [recurso eletrônico]. Ministério do Meio Ambiente – MMA, Ministério da
Educação - MEC.- Brasília, DF: MMA, 2018.

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cultural, orientação sexual / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997.

BRASIL. Lei Federal nº 9.795, de 27 de abril de 1999: Dispõe sobre a educação ambiental, institui
a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Disponível em <
[Link] >. Acesso em 20 de janeiro de 2022.

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mitigadoras ou compensatórias, em cumprimento às condicionantes das licenças ambientais
emitidas pelo IBAMA. Disponível em < [Link]
imprensa/marcas-e-manuais/[Link] >. Acesso em 20 de janeiro
de 2022.

Programas Ambientais – Pág. 342


Plano Básico Ambiental – PBA
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CONAMA. Resolução n° 422, de 23 de março de 2010. Estabelece diretrizes para as campanhas,


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LIMA, Eloisa Helena. Educação em Saúde e Uso de Drogas: Um Estudo Acerca da Representação
das Drogas para Jovens em Cumprimento de Medidas Educativas. Tese (Doutorado) – Tese para
obtenção do título de Doutora em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da
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RAMOS, E. 2001. Educação ambiental: origens e perspectivas. Educar n18. Curitiba. Editora
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TOLEDO, Luciano Medeiros de; ANGELO, Jussara Rafael; SABROZA, Paulo Chagastelles (org.).
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Programas Ambientais – Pág. 344


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3.3.3 Programa de Capacitação e Integração de Mão de Obra Local

[Link] Introdução e Justificativa

O Programa de Capacitação e Integração da Mão de Obra Local tem por finalidade promover a
capacitação técnica da população residente nas áreas de influência do Complexo Santa Eugênia
Solar (Fase 01) para a atuação em frentes de serviço do empreendimento. Além de contribuir direta
e indiretamente para a geração de emprego e renda e para o aquecimento da economia local, as
ações do Programa também podem mitigar uma potencial sobrecarga na infraestrutura social da
AID, ocasionada pelo afluxo de mão de obra externa e otimizar impactos positivos para o período
pós obra.

Com efeito, o desenvolvimento do Programa de Capacitação e Integração da Mão de Obra Local


se faz necessário diante da demanda por força de trabalho, concentrada durante as obras de
implantação do empreendimento. Cabe notar que está estimada a alocação de aproximadamente
600 trabalhadores diretos durante o pico de obras, que deverá ocorrer no oitavo mês de
implantação, de acordo com o Memorial Descritivo do empreendimento. Apesar do caráter
temporário de grande parte dos postos de trabalho abertos, a prioridade dada ao recrutamento e
integração de moradores locais fornece a oportunidade de qualificação técnica e experiência
profissional, aumentando a possibilidade de inserção continuada no mercado de trabalho após a
desmobilização da mão de obra empregada na fase de implantação do empreendimento.

O presente Programa também propõe ações voltadas à integração pedagógico-profissional de


jovens estudantes, tendo como referência a legislação Federal e do Estado da Bahia referentes à
normatização da aprendizagem profissional.

[Link] Objetivos

O presente Programa tem como objetivo geral promover a mobilização, contratação e capacitação
técnica da mão de obra empregada nas funções e atividades necessárias à implantação e operação
do empreendimento, priorizando a integração de trabalhadoras e trabalhadores residentes na AID.

São objetivos específicos do Programa:

• Estabelecer parcerias para contratação de mão de obra local;

• Estabelecer um mecanismo dinâmico e flexível de planejamento e execução das atividades


inerentes à capacitação e mobilização dos recursos humanos;

• Criar meios e procedimentos prioritariamente voltados à divulgação de vagas, ao


cadastramento e à integração profissional da mão de obra local, de acordo com as
necessidades do projeto e postos de trabalho abertos;

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• Avaliar as carências de recursos humanos locais para atender às demandas de emprego


geradas pelo empreendimento e propor a qualificação necessária;

• Avaliar a possibilidade de promover cursos de qualificação profissional à população local


economicamente ativa por meio de parcerias com entidades de ensino reconhecidas;

• Avaliar a possibilidade de promover ações de formação do público jovem das áreas de


influência do empreendimento;

• Avaliar a possibilidade de promover a capacitação do público formado por jovens entre 14 e


24 anos, de acordo com os requisitos legais estabelecidos para a aprendizagem profissional;

• Assegurar a ética nos processos seletivos, tanto para os cursos de qualificação profissional
como para o preenchimento das vagas de emprego, garantindo a participação equânime dos
interessados;

• Reduzir o fluxo migratório e os impactos relacionados a ele, como sobrecarga na


infraestrutura oferecida pelo município onde será instalado o empreendimento;

• Fornecer condições para a permanência dos trabalhadores no mercado de trabalho após a


desmobilização da mão de obra local;

• Contribuir para a geração de renda e o desenvolvimento da economia local.

[Link] Requisitos Legais

Os requisitos legais aplicáveis ao Programa de Capacitação e Integração de Mão de Obra Local


são:

• Declaração Universal dos Direitos Humanos, art. 23;

• Constituição da República Federativa do Brasil, art. 6 ao 11;

• Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), Decreto-Lei Federal nº 5.452, de 1º de maio de


1943;

• Portaria nº 3.214 de 08 de junho de 1978, aprova as Normas Regulamentadoras – NR – do


Capítulo V, Título II, da CLT, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho;

• Decreto nº 9.579, de 22 de novembro de 2018, que consolida atos normativos editados pelo
Poder Executivo federal que dispõem sobre a temática do lactente, da criança e do
adolescente e do aprendiz, e sobre o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do
Adolescente, o Fundo Nacional para a Criança e ao Adolescente e os programas federais
da criança e do adolescente, e dá outras providências;

• Lei Ordinária nº 14395, de 16 de dezembro de 2021, que reestrutura o Projeto Primeiro


Emprego - PPE, instituído pela Lei nº 13.459, de 10 de dezembro de 2015, e dá outras
providências;

Programas Ambientais – Pág. 346


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• Portaria nº 671 de, 08 de novembro de 2021, do Ministério do Trabalho e Previdência – MTP;

• Lei nº 10.097, de 19 de dezembro de 2000, que altera dispositivos da Consolidação das Leis
do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943;

• Lei Federal n° 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre Estatuto da Criança
e Adolescente.

[Link] Responsabilidade de Execução

O Programa deverá ser executado pelo empreendedor ou pela empreiteira responsável pela
execução das obras, que será responsável pelo estabelecimento de parcerias junto a instituições
de mobilização e capacitação de mão de obra, sob supervisão da equipe de gerência ambiental e
do meio socioeconômico.

[Link] Público-Alvo

O Programa de Capacitação e Integração da Mão de Obra Local tem como público-alvo prioritário
a população economicamente ativa da AID, compreendendo trabalhadores e trabalhadoras das
comunidades diretamente afetadas nos municípios de Uibaí e Ibipeba. Considerando a provável
absorção de trabalhadores residentes em outros municípios da região, o Programa também
contempla ações destinadas à integração de mão de obra externa às áreas de influência do
empreendimento.

O Programa também poderá contemplar ações voltadas a jovens maiores de 14 anos e menores
de 24 anos, e pessoas portadoras de deficiência com mais de 14 anos, os quais são classificados
legalmente como “aprendizes” desde que tenham firmado contrato de aprendizagem profissional,
ou que sejam egressos de curso de aprendizagem profissional concluído (BRASIL, 1943; BRASIL,
2022; BAHIA, 2021).

[Link] Metodologia

Para maximizar o aproveitamento da mão de obra local, o Programa se orienta por diretrizes gerais
e específicas relacionadas ao tema do trabalho, cabendo às empresas envolvidas nas atividades
de implantação do empreendimento a responsabilidade pelas parcerias a serem firmadas com
instituições públicas e/ou privadas voltadas para esse fim. Essas diretrizes abrangem estratégias
operacionais para: divulgação dos postos de trabalho a serem criados; cadastramento de
trabalhadores adultos e jovens aprendizes; proposição de cursos e atividades de formação,
capacitação, nivelamento e aprendizagem. Cabe destacar que alguns dos postos e oportunidades

Programas Ambientais – Pág. 347


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de trabalho oferecidos exigem o atendimento mínimo a requisitos legais e técnicos, de acordo com
as habilidades das funções requeridas para as obras de implantação.

Nota-se que as funções requisitadas durante as obras de construção do empreendimento abrangem


diversos níveis de formação profissional, algumas delas não exigindo formação ou habilitação
técnica de média ou alta complexidade. Com efeito, isso potencializa a oportunidade de integração
de trabalhadores e trabalhadoras locais com menor nível de formação ou instrução, tendo em vista
as características socioeconômicas da AID.

A metodologia proposta para a mobilização e qualificação da mão de obra deverá considerar os


programas, projetos e ações de formação e aprendizagem profissional desenvolvidos tanto pelo
poder público quanto por entidades privadas (SEBRAE, SENAI, SESC, dentre outras) no que diz
respeito às atividades relacionadas ao Empreendimento e às atividades econômicas de vocação
local.

Visando ordenar o processo de mobilização para o alcance dos objetivos propostos no programa,
propõe-se que sua operacionalização seja calcada nas etapas básicas a seguir apresentadas, com
atividades sequenciais próprias e bem definidas.

As ações do Programa realizadas antes do início das obras de construção do empreendimento


deverão compreender:

• Elaboração do Plano de Trabalho, uma vez que as atividades previstas no presente


documento deverão ser pormenorizadas no plano de trabalho a ser elaborado pelo
coordenador do Programa;

• Acompanhamento do quantitativo de trabalhadores demandados, levando em consideração


o histograma de mão de obra atualizado e validado. Deve-se fazer um acompanhamento
das funções e número de pessoas que poderão ser recrutadas na região para participar dos
cursos de capacitação profissional;

• Levantamento das instituições de ensino com potencial para a formação de parcerias no que
concerne à administração de cursos profissionalizantes, devendo-se priorizar aquelas
reconhecidas nacionalmente;

• Organização e divulgação dos cursos;

• Divulgação de vagas de emprego no empreendimento;

Vale destacar que os treinamentos e capacitações devem atender aos objetivos dos demais
Programas Ambientais que se tenham interface com este Programa.

Vale apontar alguns critérios de contratação de mão de obra local a serem observados, quais sejam:

• Residir nas áreas de influência do empreendimento;

Programas Ambientais – Pág. 348


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• Estar em idade economicamente ativa;

• Comprovação de experiência ou qualificação profissional que atenda aos pré-requisitos da


função a qual irá exercer;

• Aptidão física e mental comprovada por meio de exame médico admissional;

• Participar satisfatoriamente dos treinamentos e capacitação.

Na fase de desmobilização das frentes de serviço para a implantação do empreendimento, o


empreendedor deve adotar medidas que facilitem a continuidade dos trabalhadores no mercado de
trabalho, priorizando-se a permanência deles nos respectivos municípios onde residem, ou na
região. E, também, realizar um trabalho em conjunto com a Prefeitura Municipal, sindicatos e demais
empreendimentos situados nas localidades. Por fim, sempre considerar a possibilidade do
aproveitamento desses trabalhadores em outras obras de implantação nas adjacências ou, até
mesmo, a permanência deles no empreendimento para atividades que deverão ser executadas em
sua fase operacional, desde que atendam aos pré-requisitos da nova função.

[Link] Metas

Constituem-se metas do Programa de Capacitação e Integração da Mão de Obra Local:

• Contratação de moradores das áreas de influência direta e indireta do empreendimento para


atuar na sua fase de implantação;

• Realização de cursos de capacitação profissional para os moradores locais de modo a


promover o desenvolvimento e aperfeiçoamento profissional da mão de obra
economicamente ativa e o fortalecimento da cadeia de serviços vigente na localidade;

• Implementar um canal virtual (Site e/ou WhatsApp) para a divulgação de orientações


objetivas sobre os procedimentos e critérios de candidatura às vagas de emprego e de
capacitação abertas bem como um ponto de coleta física nos municípios para a captação
de currículo.

[Link] Indicadores de Desempenho

Os Indicadores de desempenho do Programa de Capacitação e Integração da Mão de Obra Local


são:

• Quantitativo de trabalhadores contratados residentes na AID do empreendimento;

• Quantitativo de pessoas capacitadas por meio dos cursos ofertados pelo empreendimento;

• Quantitativo de pessoas admitidas pelas empresas envolvidas na construção e que


participaram de algum curso de capacitação;

Programas Ambientais – Pág. 349


Plano Básico Ambiental – PBA
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• Número de currículos registrados/recebidos nos canais virtuais e nos pontos de coleta física.

[Link] Interface com Outros Programas

As ações previstas nesse Programa deverão, obrigatoriamente, estar vinculadas ao Programa de


Comunicação Social, o qual dará suporte a todas as ações de interação entre o empreendedor, as
prefeituras, entidades e a comunidades locais.

[Link] Recursos Necessários

O Programa deverá ser coordenado por profissional da área de Recursos Humanos ou com
formação superior em áreas correlatas, tais como psicologia, administração, entre outras. Os
recursos necessários para a comunicação com os trabalhadores, seja nas fases de recrutamento,
treinamento ou desmobilização, deverão ser desenvolvidos com a colaboração da equipe
responsável pelo Programa de Comunicação Social.

[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento serão elaborados Relatórios Gerenciais


mensais internos, para apresentação à equipe de Gestão Ambiental do empreendedor, contendo
informações sobre as atividades referentes a este Programa.

Para o órgão ambiental será elaborado um Relatório Final Consolidado, com todas as atividades
realizadas no âmbito deste Programa, quando do requerimento do pedido da LO.

[Link] Cronograma

O Cronograma preliminar das atividades propostas inicialmente para o Programa de Capacitação e


Integração de Mão de Obra Local é apesentado a seguir.

Quadro 70 Cronograma do Programa de Capacitação e Integração de Mão de Obra Local.

MESES
Atividades/Ações Previstas
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Elaboração do Plano de Trabalho
Levantamentos preliminares e validação de vagas ofertadas
Ações de Divulgação de vagas

Programas Ambientais – Pág. 350


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Cursos de Capacitação
Contratação da Mão de Obra
Ações voltadas ao Jovem Aprendiz
Relatórios mensais
Relatório final

* atividades previstas, podendo ser alteradas para adequação metodológica ao programa.

[Link] Referências Bibliográficas

AGÊNCIA CBIC. Medida Provisória e Decreto alteram regras no âmbito da aprendizagem. Notícias.
Câmara Brasileira da Indústria da Construção. Fevereiro de 2022. Disponível em:
<[Link]
Acesso em 23/06/2022.

ALBA. Assembleia Legislativa da Bahia. Audiência discutirá fortalecimento do Programa Jovem


Aprendiz. Mídia Center – Notícias. Maio de 2022. Disponível em: <[Link]
center/noticias/55093>. Acesso em 23/06/2022.

BAHIA. Lei nº 14.395, de 16 de dezembro de 2021. Reestrutura o Projeto Primeiro Emprego - PPE,
instituído pela Lei nº 13.459, de 10 de dezembro de 2015, e dá outras providências. Publicada no
DOE – BA em 17 dez. de 2021. Salvador/Bahia. 2021.

BAHIA. Secretaria da Educação. Manual de Orientações da Educação Profissional e Tecnológica


do Estado da Bahia. SUPROT – SEC. Salvador, BA: 2022.

BRASIL. Decreto Lei Federal nº 5.452 de 01 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis de
Trabalho. Disponível em < [Link]
[Link] >. Acesso em 20 de janeiro de 2022.

BRASIL. Decreto nº 11.061, de 4 de maio de 2022. Altera o Decreto nº 9.579, de 22 de novembro


de 2018, e o Decreto nº 10.905, de 20 de dezembro de 2021, para dispor sobre o direito à
profissionalização de adolescentes e jovens por meio de programas de aprendizagem profissional.
Brasília/DF. 2022. Disponível em: <[Link]
2022/2022/Decreto/[Link]#art1>. Acesso em: 22/06/2022.

BRASIL. Decreto-Lei Federal n° 7.602, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do
Trabalho. Disponível em: [Link]
2014/2011/decreto/[Link]. Acesso em: 21 de janeiro de 2022.

BRASIL. Lei Federal n° 6.514, 22 de dezembro de 1977. Altera o Capítulo V do Título II da


Consolidação das Leis do Trabalho, relativo à Segurança e Medicina do Trabalho e dá outras

Programas Ambientais – Pág. 351


Plano Básico Ambiental – PBA
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providências. Disponível em: [Link] Acesso em: 21


out 201511/10/2022

BRASIL. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Decreto nº 3.214, 08 de junho de 1978.


Aprova as Normas Regulamentadoras do Capítulo V, Título II da Consolidação das Leis do
Trabalho. Disponível em:
[Link]
A3AA30822052EF011F8.proposicoesWebExterno1?codteor=309173&filename=LegislacaoCitada
+-INC+5298/2005. Acesso em: 21 de janeiro de 2022.

Programas Ambientais – Pág. 352


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3.3.4 Programa de Sinalização e Controle de Tráfego

[Link] Introdução e Justificativa

O Programa de Sinalização e Controle de Tráfego apresenta as diretrizes e procedimentos


destinados a evitar, mitigar e monitorar dos efeitos decorrentes da alteração da dinâmica do tráfego
viário nas áreas de influência do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01), especialmente durante
a etapa de instalação.

Com efeito, a logística de transporte de componentes para a montagem de grandes


empreendimentos no Brasil vem sendo tratada como um dos principais desafios do setor nacional,
exigindo a atuação de órgãos de segurança púbica (GAYLORD, 2015; ANDRADE et al., 2019; PRF,
2022). No caso do Nordeste, a expansão acelerada do setor de energias renováveis expõe a
necessidade de investimentos para a adequação da malha viária nas áreas rurais, considerando
que

a alta carga sobre as rodovias e movimentos adicionais de cargas de peças de pesos


excedentes prejudicarão a infraestrutura de transporte da região. Além disso muitas
estradas nos lugares menos desenvolvidos no interior são estreitas e precisam
investimentos para acomodar componentes grandes e evitar acidentes (GAYLORD,
2015).

Mas, para além dos cálculos de custo e de planos de investimentos em infraestrutura viária, o
controle dos impactos gerados pela alteração da dinâmica do tráfego no contexto objetivo de
implantação de empreendimentos e atividades modificadoras do meio ambiente deve se orientar
pelo princípio da prevenção e da hierarquia de mitigação (MOUETTE; FERNANDES, 1996;
DUARTE et al., 2017).

De fato, os deslocamentos de pessoas e veículos vinculados ao empreendimento, embora variem


em intensidade, duração e volume, contribuem direta e indiretamente para a ocorrência de impactos
ambientais negativos, com danos à saúde, à segurança e às práticas socioespaciais localizadas
nos territórios, cuja probabilidade é determinada também por outros fatores, tais como
imprudência/imperícia, falta de sinalização e inadequação das vias de tráfego, tipos de veículos
circulantes, características prévias dos fluxos de trânsito, entre outros (DENATRAN, 2001; LIMA,
2012).

Posto isso, justifica-se a proposição do Programa de Sinalização e Controle de Tráfego e Controle


de Tráfego, o qual contempla ações de adequação da nova dinâmica do tráfego à realidade local,
priorizando a segurança, a prevenção de impactos e danos ao meio ambiente e a qualidade de vida
da população residente na AID.

Programas Ambientais – Pág. 353


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[Link] Objetivos

O objetivo geral do Programa é o de estabelecer o conjunto de ações de prevenção e monitoramento


destinadas a evitar, mitigar, reparar e compensar os impactos negativos gerados durante as fases
de instalação, operação e fechamento do empreendimento sobre a dinâmica socioespacial do
tráfego de veículos da AID, a partir de diretrizes normativas e procedimentos técnicos exigidos e de
forma integrada a outros Programas Ambientais deste PBA.

Como objetivos específicos, destacam-se os seguintes:

• Identificar e mapear as rotas principais e trechos previstos para eventuais adequações


viárias e implementação de sinalização;

• Implementar placas de sinalização e demais mecanismos de controle e segurança de tráfego


nos acessos externos de uso comum e frequente, bem como nos acessos internos na área
do projeto;

• Realizar intervenções físicas necessárias à adequação das estradas e demais acessos


viários compartilhados com a população residente e circulante na AID. Essas intervenções
incluirão: postos de controle de acesso às novas estradas, sinalização das estradas e
instalação de redutores de velocidade;

• Divulgar, de forma ampla e em linguagem compreensível, informações atualizadas sobre as


alterações do fluxo de tráfego decorrente das ações previstas no projeto executivo do
empreendimento, visando orientar moradores e os usuários das vias de acesso locais;

• Estabelecer canais de interlocução e procedimentos de resposta a acidentes;

• Orientar funcionários e trabalhadores que atuarão direta e indiretamente no transporte e


operação de veículos e máquinas utilizados nas obras do empreendimento sobre os
potenciais riscos das atividades realizadas (colisões, atropelamentos, transtornos etc.);

• Monitorar as condições de circulação viária e de conservação de placas de sinalização e


dispositivos auxiliares de segurança instalados para eventual reparação;

• Produzir boletins de monitoramento para avaliação das condições de segurança e


circulação, bem como da ocorrência de acidentes relacionados ao projeto, incluindo o
monitoramento de atropelamentos.

[Link] Requisitos Legais

Todas as ações e medidas a serem executadas por meio deste programa deverão seguir as
diretrizes técnicas dos órgãos responsáveis pela infraestrutura viária, tais como DNIT, DER e
DETRAN.

Programas Ambientais – Pág. 354


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[Link] Responsabilidade de Execução

O Programa deverá ser executado pela empreiteira responsável pelas obras de implantação do
empreendimento, que deverá proceder com as estratégias para a instalação da sinalização, sendo
fiscalizada pelo empreendedor.

[Link] Público-Alvo

Ações do Programa se destinam ao público externo e interno, definidos a seguir:

• Público-alvo interno: trabalhadores alocados nas obras de implantação do empreendimento


(funcionários diretos e terceirizados), principalmente operadores de veículos e máquinas;

• Público-alvo externo: população residente nas localidades e estabelecimentos rurais da AID


e/ou usuária dos acessos externos compartilhados durante a fase de obras; representantes
dos órgãos públicos responsáveis pela gestão do sistema viário local e regional, de
segurança pública e de saúde.

[Link] Metodologia

A implantação da sinalização de trânsito possibilita uma maior fluidez do tráfego e desempenha um


papel fundamental em relação à prevenção de acidentes. Um dos fatores necessários à garantia da
efetiva funcionalidade da sinalização é um projeto adequado e com padrões compatíveis às
características da via contemplando as sinalizações horizontal e vertical e os dispositivos auxiliares
de segurança.

De acordo com o Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito (CONTRAN, 2007), a concepção e


a implantação da sinalização vertical devem considerar as condições de percepção dos usuários
das vias de tráfego. De modo a garantir a eficácia dos instrumentos de sinalização, deve-se atender
a alguns princípios básicos, descritos a seguir no Quadro 71.

Programas Ambientais – Pág. 355


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Quadro 71 Princípios básicos para a concepção e implantação da sinalização vertical de


trânsito.

Princípios Descrição
Legalidade Atendimento ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e à legislação complementar
Permitir a fácil percepção do que realmente é importante, com quantidade de sinalização compatível
Suficiência
com a necessidade
Seguir um padrão legalmente estabelecido, e situações iguais devem ser sinalizadas com os mesmos
Padronização
critérios
Clareza Transmitir mensagens objetivas e de fácil compreensão
Precisão e Confiabilidade Ser precisa e confiável é corresponder à situação existente; ter credibilidade
Visibilidade e
Ser vista à distância necessária; ser lida em tempo hábil para a tomada de decisão
Legibilidade
Manutenção e
Estar permanentemente limpa, conservada, fixada e visível
Conservação

Fonte: CONTRAN, 2007.

Considerando as características do projeto e de sua área de inserção, a metodologia a ser adotada


para a execução das ações de sinalização de alerta se apoiarão, sobretudo, nas ações de caráter
preventivo apresentadas a seguir:

• Confirmação e detalhamento, anteriormente ao início efetivo das obras e sempre que


necessário, da alternativa viária a ser utilizada pela empresa durante a etapa de implantação,
incluindo a análise de incremento de tráfego e o planejamento executivo das ações
propostas neste Programa;

• Sinalização (de regulamentação, de advertência, educativa e indicativa) e instalação de


mecanismos de controle de tráfego adequados (redutores de velocidade, rotatórias, trevos)
nas principais vias de acesso à obra, cuja segurança possa vir a ser afetada pela
implantação do empreendimento;

• Adequação de acessos e entroncamentos que servirão como rota para os veículos que
realizarão o transporte de máquinas, equipamentos e pessoas para os canteiros de obras
previstos;

• Restrição ao acesso de pessoas não autorizadas às frentes de obra.

Ressalta-se que a operacionalização das ações deverá abranger atividades voltadas à segurança
e ao alerta à população potencialmente afetada direta e/ou indiretamente pelo empreendimento,
com atenção especial às comunidades da AID mais suscetíveis aos riscos, bem como o público
usuário das vias de acesso locais.

As ações de segurança e alerta deverão centrar-se nos seguintes pontos:

• Instalação de sinalização de regulamentação, de advertência, indicativa e educativa,


principalmente nas estradas vicinais não pavimentadas na área rural e nas rodovias;

Programas Ambientais – Pág. 356


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• Instalação de redutores de velocidade nas vias de acesso às obras, especialmente na região


próxima às comunidades e nas áreas de obras do empreendimento;

• Sinalização do trevo que dá acesso ao local de implantação do empreendimento (acessos


internos).

As alternativas de melhorias viárias descritas nesse item, como redutores de velocidade e


estruturação de vias, deverão ser apresentadas e aprovadas pelos órgãos responsáveis e
prefeituras do município envolvido.

A seguir, são apresentadas diretrizes gerais da sinalização a serem adotadas (CONTRAN, 2007):

• Sinalização Vertical - a sinalização vertical é um subsistema da sinalização viária que se


utiliza de sinais apostos sobre placas fixadas na posição vertical, ao lado ou suspensas
sobre a pista, transmitindo mensagens de caráter permanente ou eventualmente variável,
mediante símbolos e/ou legendas pré-estabelecidas e legalmente instituídas.

• Sinalização Horizontal - também é um subsistema da sinalização viária e se utiliza de sinais


apostos sobre o pavimento, na forma de pintura de símbolos, faixas e mensagens pré-
estabelecidas e legalmente instituídas, a serem decodificadas pelos usuários das vias.

• Sinalização de Regulamentação - sugere-se que a sinalização de regulamentação, que


utiliza predominantemente forma circular, cor branca em seu fundo, cor vermelha em sua
borda e os símbolos na cor preta, seja colocada no entroncamento de acesso para o local
das obras. As placas de regulamentação, indicando, por exemplo, preferência de passagem
(R-1 e R-2), controle de faixas de tráfego (R-7 e R-8a) e sinal de velocidade (R-19), são
exemplos de placas de regulamentação que poderão ser instaladas e são apresentadas no
Anexo I deste Programa, juntamente com outros modelos.

• Sinalização de Advertência - a sinalização de advertência que possui forma quadrada, com


posicionamento definido por diagonal na vertical e fundo na cor amarela, deverá ser
instalada nos trechos das estradas vicinais de acesso às obras e nos acessos internos das
obras. O enfoque deve ser dado à sinalização próximo às comunidades da AID, localizadas
no entorno do empreendimento. Recomenda-se a instalação de placas de advertência
relacionadas aos seguintes aspectos: obras (A-24); sentido de circulação da via (A-25);
situações de risco eventual (A-27 a A-29); trânsito de pedestres (A-32a e A-34); trânsito de
tratores e animais (A-31 e A-36). Outros modelos de placas de advertência também estão
apresentados no Anexo II deste Programa. A sinalização de cada frente de obra deverá ser
cuidadosamente planejada para cada etapa dos serviços, incluindo delimitação das frentes
de obra, delimitação de áreas de restrição, indicação de eixos de circulação de veículos e
equipamentos e sinalização de tráfego, sinalização de identificação de instalações,
sinalização de advertência de riscos (explosivos, produto inflamável etc.), e outros aspectos
pertinentes.

Programas Ambientais – Pág. 357


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• Sinalização Educativa e Indicativa - tanto a sinalização educativa, quanto a indicativa


(Anexo III), são predominantemente retangulares com o posicionamento do lado maior na
horizontal. Distingue-se apenas a cor do fundo da placa, sendo a sinalização educativa na
cor branca e a indicativa na cor verde. Sugere-se a implantação de placas indicativas nos
trevos e entroncamentos de modo a informar a população, como exemplo indicado no Anexo
III. A colocação de placas educativas com orientações ambientais e/ou de segurança será
distribuída estrategicamente nas frentes de obra, contemplando-se dizeres como, por
exemplo:

o “Não ultrapasse – Área de Preservação Permanente”;

o “Proibido depositar material além deste limite”;

o “Não Faça Fogueira”;

o “Não moleste a fauna”;

o “Proibido jogar lixo e entulho”;

o “Utilize os sanitários”.

Também deverão ser instaladas placas de sinalização e indicativas de aproximação e de localização


dos canteiros de obras do empreendimento, bem como redutores de velocidade e adequações nos
entroncamentos. Por fim, deverão ser instaladas placas informando e alertando sobre trânsito de
animais silvestres, áreas de restrição/vigilância patrimonial, marcações ambientais de frente de obra
e as modificações no trânsito local, principalmente nos trechos que passarão por alterações, em
função da necessidade de readequação viária.

Ressalta-se que os modelos das placas apresentados em Anexo neste Programa são exemplos de
indicação de sinalização, sendo que para sua efetivação de instalação, deverão ser seguidas as
orientações do DNIT e do DETRAN, além daquelas presentes no Manual Brasileiro de Sinalização
de Trânsito elaborado pela Câmara Temática de Engenharia de Tráfego, de Sinalização e da Via
que abrange todas as sinalizações, dispositivos auxiliares e sinalização de obras determinadas pelo
ANEXO II do Código de Trânsito Brasileiro – CTB.

Deste modo, este Programa se baseará nas ações abaixo, que visam ao atendimento dos seus
objetivos.

[Link].1 Coordenação Conjunta com os Órgãos Responsáveis

Todas as medidas que contemplam a implantação dos procedimentos de gestão temporária de


tráfego (canalização de tráfego, formação de comboios, operação com veículos especiais,
implantação de desvios provisórios, interrupções de tráfego, sinalização temporária, entre outras)
serão antecedidas por medidas de caráter administrativo que compõem a coordenação com os
órgãos de trânsito nas esferas Federal, Estadual e Municipal, dependendo do local da intervenção.

Programas Ambientais – Pág. 358


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Essas medidas de caráter administrativo que precedem a implantação do procedimento de gestão


temporária de tráfego consistem na seguinte ação:

• Elaboração do Projeto de Gestão Temporária de Tráfego (canalização de tráfego, formação


de comboios, operação com veículos especiais, desvios de tráfego, interrupção de tráfego,
entre outras).

Além disso, ao projeto devem ser anexados outros documentos corporativos do solicitante, tais
como:

• Plano de contingências associado às operações de transporte do solicitante;

• Normas e procedimentos para credenciamento e uso de veículos da frota;

• Normas e procedimentos a serem adotados em caso de acidentes com equipamentos de


transporte;

• Normas e procedimentos que promovam e garantam processos de melhoria contínua;

• Plano de comunicação e divulgação atendendo ao estabelecido no Parágrafo 2º, Artigo 95º,


Capítulo VIII do Código Nacional de Trânsito que determina o seguinte: “§ 2º Salvo em casos
de emergência, a autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via avisará a comunidade,
por intermédio dos meios de comunicação social, com quarenta e oito horas de
antecedência, de qualquer interdição da via, indicando-se os caminhos alternativos a serem
utilizados”;

• Solicitação prévia de autorização aos órgãos de trânsito com circunscrição sobre a via,
conforme estabelece o Artigo 95º do Capítulo VIII do Código Brasileiro de Trânsito (Lei Nº
9.503 de 1997): “Art. 95. Nenhuma obra ou evento que possa perturbar ou interromper a
livre circulação de veículos e pedestres, ou colocar em risco sua segurança, será iniciada
sem permissão prévia do órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via”. A
referida solicitação será acompanhada de descrição técnica, por meio da apresentação do
projeto de implantação e operação. Em geral, os procedimentos de gestão temporária de
tráfego requerem apoio técnico do próprio órgão gestor por meio de operadores de tráfego
e viaturas de apoio com sinalização especial (sirene e giroflex);

• Aprovação do projeto de gestão temporária de tráfego pelas autoridades competentes e


emissão de documentação comprovante da permissão prévia para implantação do
procedimento;

• Coordenação da operação com a Autoridade de Tráfego Rodoviário (Federal, Estadual ou


Municipal) ou Autoridade correspondente do Órgão de Gestão, quando houver interferência
em malha urbana.

Programas Ambientais – Pág. 359


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[Link].2 Atividades de Capacitação e Orientação do Público-Alvo interno

No intuito de se evitar ao máximo a ocorrência de acidentes de trânsito (colisões, atropelamentos


de pessoas e animais etc.), serão desenvolvidas ações para capacitação e orientação dos
profissionais responsáveis pelo transporte e operação de máquinas que atuarão direta e
indiretamente na construção do empreendimento e etapas posteriores. O conteúdo e
operacionalização dessas atividades serão consolidados de modo integrado às ações de
Programas afins, especialmente do Programa de Comunicação Social, do Programa de Educação
Ambiental, do Plano de Capacitação e Integração da Mão de Obra Local e do Programa de
Segurança e Emergência.

[Link].3 Procedimentos Operacionais de Gestão Temporária de Tráfego e do Sistema


Viário

Esses procedimentos são especificados a partir de instruções com medidas temporárias que
alterem as condições operacionais da circulação de tráfego em qualquer uma das vias do entorno
do empreendimento, em decorrência de demandas pontuais geradas pela obra. Todos os
procedimentos serão precedidos a partir da coordenação entre o empreendedor, contratadas,
construtoras e os órgãos de gestão de tráfego e sistemas viários envolvidos.

Quanto aos procedimentos de gestão temporária de infraestrutura viária, caberá às empresas


construtoras implantarem obras de recuperação de qualidade de pavimento.

[Link].3.1 Canalização Temporária de Tráfego

Deverão ser aplicados procedimentos de canalização temporária de tráfego sempre que houver
intensificação da frequência de chegada ou de saída de veículos de carga nas entradas da obra. O
objetivo é separar, por meio de uma faixa de rolamento exclusiva, o tráfego de veículos pesados
com destino ou saída da área das obras, do fluxo geral de veículos, o qual será direcionado para a
outra faixa de tráfego.

[Link].3.2 Formação de Comboios para Saída de Veículos Pesados

Comboios de veículos serão implantados nos casos em que houver grande frequência de entrada
e/ou saída de veículos na área das obras. Com a prática de comboios, a interferência da saída de
veículos com o tráfego geral da pista ocorrerá de uma forma organizada, reduzindo assim o risco
de acidentes.

Programas Ambientais – Pág. 360


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[Link].3.3 Operações com Veículos Especiais e Pesados

Tais operações serão implantadas nos casos de tráfego de veículos de carga com excesso de peso
lateral ou vertical, ou de veículo executando transporte de cargas perigosas na rodovia. Nesses
casos há necessidade de se realizar uma coordenação entre o gerenciamento da obra e o
fornecedor dos serviços de transporte, sobretudo na hipótese de fluxos direcionados a partir da
fábrica até a área de implantação do empreendimento.

Pode ser necessário o transporte de dispositivos e equipamentos de montagens que se enquadram


como cargas especiais, ou seja, acima dos limites de peso e dimensões estabelecidos pelo
Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN. Para o transporte dessas cargas é necessário a
emissão pela autoridade de trânsito responsável de uma Autorização Especial de Trânsito - AET.
No caso de rodovias Federais, para a emissão da AET, é necessário estar cadastrado na
Coordenação Geral de Operações Rodoviárias – CGPERT/DIT/DNIT.

Para os objetivos do projeto de implantação do empreendimento, recomenda-se fazer um cadastro


simplificado das vias que serão utilizadas pelos veículos especiais, caso for a necessidade,
indicando as restrições de dimensões laterais e verticais (pontes e viadutos), visando viabilizar e
planejar o transporte dessas cargas de dimensões especiais. De posse das informações quanto à
necessidade de bloqueios e adequações na geometria das vias, a empresa deverá contatar os
órgãos responsáveis pela operação das estradas que necessitarão de ajustes e solicitar autorização
para as melhorias. Também deverá solicitar suporte desses órgãos e do Empreendedor quanto à
divulgação das interferências com a população.

[Link].3.4 Interrupção de Tráfego e Formação de Desvios Temporários

A interrupção de tráfego e implantação de desvios provisórios poderá ser necessária de forma


localizada quando da execução de obras de ampliação ou melhoramento do sistema viário
existente. No caso das vias vicinais onde deverão trafegar veículos pesados com cargas especiais
a serviço das obras, este procedimento poderá ser necessário, mesmo que implique na interrupção
de apenas uma das faixas de tráfego. Nesse caso, sempre que houver necessidade de obras ou
procedimentos de recuperação em vias de tráfego há necessidade de adotar a sinalização de obras
especificada pelo Parágrafo 1º, Artigo 95º, Capítulo VIII do CTB, que determina o seguinte: § 1º A
obrigação de sinalizar é do Responsabilidade pela Execução ou manutenção da obra ou do evento.

[Link].3.5 Levantamentos Complementares (Índices de Acidentes)

Para a identificação das necessidades de medidas corretivas e/ou mitigadoras porventura


associadas aos acidentes de tráfego com pedestres e ciclistas é necessário manter atualizada uma
base de dados sobre acidentes de tráfego nos componentes viários do entorno das obras, quando

Programas Ambientais – Pág. 361


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for o caso. Essa base de dados será obtida a partir de fonte secundária (DETRAN/DER/Prefeituras),
por meio de consulta aos órgãos responsáveis pela gestão de tráfego da área. É imperativa a
obtenção das estatísticas de acidentes anteriores à implantação do empreendimento, para
configurar um parâmetro de referência. A análise dos índices de acidentes e dos Níveis de Serviço
de Tráfego, conjuntamente, deverá definir as condicionantes para tomadas de decisão do
empreendedor, associadas à infraestrutura viária e de segurança de tráfego.

[Link] Metas

As metas pretendidas para esse Programa são:

• Realizar o mapeamento das rotas e trechos de acesso à área do empreendimento,


identificando usos e fluxos locais com a finalidade de identificar adequações viárias
necessárias e implementação de sinalização viária;

• Implementar a sinalização adequada, incluindo placas de trânsito – de regulamentação, de


advertência, de indicação, placas educativas e de sinalização de obra, bem como sinalização
vertical e horizontal, garantindo a orientação dos condutores e a segurança nas vias internas
e externas ao projeto;

• Realizar intervenções físicas necessárias à adequação e melhoria das estradas e demais


acessos viários compartilhados com a população residente e circulante na AID;

• Estabelecer campanhas mensais de monitoramento e manutenção periódica da sinalização,


assegurando sua visibilidade e eficácia ao longo do tempo;

• Desenvolver um sistema eficiente de comunicação interna e externa para informar sobre


intervenções e alterações viárias programadas, minimizando transtornos para os usuários
das vias.

[Link] Indicadores de Desempenho

Os Indicadores de desempenho para o Programa de Sinalização e Controle de Tráfego serão:

• Porcentagem de rotas e trechos de acessos mapeados e número total de adequações e


sinalizações viárias propostas;

• Número de placas instaladas nos trechos e acessos internos e externos ao projeto, por tipo;

• Quantidade de intervenções físicas e melhorias implementadas nas vias internas e externas


à AID;

• Número de adequações e intervenções viárias mapeadas nas campanhas de


monitoramento.

Programas Ambientais – Pág. 362


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• Quantidade de materiais de comunicação sobre obras e alterações viárias produzidos em


relação às intervenções previstas e programadas;

• Número de reclamações recebidas para adequação e implementação de sinalização.

[Link] Interface com Outros Programas

Este programa deverá ter uma relação direta com os seguintes programas do meio socioeconômico:

• Programa de Comunicação Social;

• Programa de Educação Ambiental;

• Plano de Capacitação e Integração da Mão de Obra Local;

Além desses, destaca-se a interface junto a Programas do Meio Biótico e Físico, como o Programa
de Monitoramento da Fauna, o Programa Controle de Emissões Atmosféricas e Material Particulado
e o Programa de Controle Ambiental da Obra, dentre outros.

[Link] Recursos Necessários

Para a execução deste programa será necessário o envolvimento de profissionais de segurança do


trabalho contratados para o empreendimento. Ademais, será necessário estabelecer orçamento
específico para a confecção de placas de sinalização e eventuais intervenções ou obras de
engenharia viária, de acordo com o Projeto de Gestão Temporária de Tráfego.

[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento serão elaborados Relatórios Gerenciais


mensais internos, para apresentação à equipe de Gestão Ambiental do empreendedor, contendo
informações sobre as atividades referentes a este Programa.

Para o órgão ambiental será elaborado um Relatório Final Consolidado, com todas as atividades
realizadas no âmbito deste Programa, quando do requerimento do pedido da LO.

[Link] Cronograma

O Cronograma preliminar do Programa de Sinalização e Controle do Tráfego é apresentado a


seguir.

Programas Ambientais – Pág. 363


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

Quadro 72 Cronograma do Programa de Sinalização e Controle de Tráfego.

MESES
Atividades
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Elaboração do Projeto de Gestão Temporária de Tráfego
Apresentação do Projeto aos órgãos responsáveis pelas
estradas e rodovias
Confecção das placas de sinalização
Monitoramento da conservação das placas, vias e
sinalizações.
Relatório Final

[Link] Referências Bibliográficas

ANDRADE, CARLA FREITAS DE; ROCHA, Paulo Alexandre Costa; BLUHM, B. B. Wind Farm
Construction Critical Activities Optimization: Cost Reduction Through Logistics, Planning,
Maintenance, Paving and Concrete Modelling. In: Brazil Wind Power, São Paulo-SP, 2019.

CONTRAN. Conselho Nacional de Trânsito (Brasil). Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito.


Sinalização vertical de regulamentação. v.1. Contran-Denatran. 2ª edição – Brasília: Contran, 2007.

Código de Trânsito Brasileiro – CTB – Lei Nº 9.503 de 23 de setembro de 1997. Artigo 101, Capítulo
VIII do Código Nacional de Trânsito que trata da autorização especial para trânsito de veículo ou
combinação de veículos utilizados no transporte de carga indivisível.

Código de Trânsito Brasileiro – CTB – Lei Nº 9.503 de 23 de setembro de 1997. Parágrafo 2º, Artigo
95º, Capítulo VIII do Código Nacional de Trânsito que determina a obrigação de sinalizar é do
responsável pela execução ou manutenção da obra ou evento.

Código de Trânsito Brasileiro – CTB – Lei Nº 9.503 de 23 de setembro de 1997. Parágrafo 2º, Artigo
95o, Capítulo VIII do Código Nacional de Trânsito que determina a obrigação de sinalizar é do
responsável pela execução ou manutenção da obra ou evento.

DENATRAN. Departamento Nacional de Trânsito. Manual de Procedimentos para o Tratamento de


Polos Geradores de Tráfego. Brasília: DENATRAN/FGV, 2001.

DUARTE, Carla Grigoletto; DIBO, Ana Paula Alves; SANCHEZ, Luis Enrique. O Que Diz a Pesquisa
Acadêmica sobre Avaliação de Impacto e Licenciamento Ambiental no Brasil? Ambient. soc., São
Paulo, v. 20, n. 1, p. 261-292, Mar. 2017. Disponível em:
[Link]
. Acesso em 21 de junho de 2022.

GAYLORD, Brian. Desafios Logísticos para o Mercado Eólico Brasileiro. [Paper] Brasil Windpower
Conference & Exhibition 2015. Disponível em:

Programas Ambientais – Pág. 364


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

<[Link] Acesso em: 19 junho


de 2022.

LIMA, Marilia Gouveia Ferreira. Análise de impactos de Polos Geradores de Viagens sob a ótica da
Segurança Viária. 2012. 91 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Transportes) - Centro de
Tecnologia, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2012.

MOUETTE, D.; FERNANDES, J. F. R. Aplicação do Método de Análise Hierárquica (MAH) na


Análise e Avaliação de Impactos Ambientais dos Sistemas de Transportes Urbanos. Transportes,
[S. l.], v. 4, n. 1, 1996. DOI: 10.14295/transportes.v4i1.291. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21 junho de 2022.

Programas Ambientais – Pág. 365


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

Anexo I – Modelos de Placas de Regulamentação.


R-1 R-2 R-3 R-4a

Parada Obrigatória Dê a Preferência Sentido Proibido Proibido virar à Esquerda


R-4b R-5ª R-6a R-6b

Estacionamento
Proibido virar à Direita Proibido Retornar Proibido Estacionar
Regulamentado
R-6c R-7 R-8a R-9

Proibido mudar de Faixa de Proibido Trânsito de Veículos


Proibido Parar e Estacionar Proibido Ultrapassar
Trânsito de Carga
R-10 R-11 R-12 R-13

Proibido Trânsito de Veículos Proibido Trânsito de Veículos Proibido Trânsito de Proibido Trânsito de Máquinas
Automotores de Tração Animal Bicicletas Agrícolas

Programas Ambientais – Pág. 366


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

R-14 R-15 R-17 R-18

Peso Máximo Permitido por Comprimento Máximo


Carga Máxima Permitida Altura Máxima Permitida
Eixo Permitido
R-19 R-20 R-21 R-22

Proibido Acionar Buzina ou


Velocidade Máxima Alfândega Uso Obrigatório de Corrente
Sinal Sonoro
R-24ª R-24b R-25a R-25b

Sentido Obrigatório Passagem Obrigatória Vire à Esquerda Vire à Direita


R-25c R-25d R-26 R-27

Veículos Lentos. Usem Faixa


Siga em Frente ou à Esquerda Siga em Frente ou à Direita Sentido Proibido
da Direita

Programas Ambientais – Pág. 367


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

R-28 R-29 R-30 R-31

Pedestre Ande pela


Mão Dupla Proibido Trânsito de Pedestres Pedestre Ande pela Direita
Esquerda

Programas Ambientais – Pág. 368


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

Anexo II – Modelos de Placas de Advertência


A - 4ª A - 4b A - 5a A - 5b

Curva Acentuada em "S" à Curva Acentuada em "S" à


Curva em "S" à Direita Curva em "S" à Esquerda
Esquerda Direita
A – 6a A – 7a

Cruzamento de Vias Via Lateral à Direita


A - 7b A–8 A-9 A - 10a

Via Lateral Entroncamento Oblíquo à


Bifurcação em "T" Bifurcação em "Y
à Esquerda Esquerda
A - 10b A - 11ª A - 11b A - 12

Entroncamento Oblíquo à Junções Sucessivas Junções Sucessivas Contrárias 1ª


Interseção em Círculo
Direita Contrárias1ª à Direita à Esquerda
A - 13ª A - 13b A - 14 A - 15

Confluência à Direita Confluência à Esquerda Semáforo a Frente Parada Obrigatória à Frente

Programas Ambientais – Pág. 369


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

A – 16 A – 17 A - 18 A - 19

Bonde Pista Irregular Saliência ou Lombada Depressão


A - 20ª A - 20b A - 21a A - 21b

Estreitamento de Pista ao Estreitamento de Pista à


Declive Acentuado Aclive Acentuado
Centro Esquerda
A - 21c A – 22 A - 23 A - 24

Estreitamento de Pista à
Ponte Estreita Ponte Móvel Obras
Direita
A – 25 A - 26ª A - 26b A - 27

Mão Dupla Adiante Sentido Único Sentido Duplo Área com Desmoronamento
A – 28 A – 29 A - 30 A - 31

Pista Escorregadia Projeção de Cascalho Ciclistas Maquinaria Agrícola

Programas Ambientais – Pág. 370


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

A - 32ª A - 33ª A - 33b A - 34

Passagem de Pedestres Área Escolar Passagem Sinalizada de Escolares Crianças


A – 35 A - 36 A - 37 A - 38

Cuidado Animais Animais Selvagens Altura Limitada Largura Limitada


A – 39 A - 40 A - 41 A - 42a

Passagem de Nível em Barreira Passagem de Nível com Barreira Cruz de Sto. André Início de Pista Dupla
A - 42b A - 43 A - 44 A - 45

Fim de Pista Dupla Aeroporto Vento Lateral Rua sem Saída

Programas Ambientais – Pág. 371


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

Anexo III – Modelos de Placas Educativas e Indicativas

Programas Ambientais – Pág. 372


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

3.3.5 Programa de Parcerias com Órgãos Públicos e Apoio aos Municípios

[Link] Introdução e Justificativa

O desenvolvimento de uma atividade de energia fotovoltaica pode suscitar diversas demandas no


âmbito local e/ou regional, na sua fase de implantação. A exemplo disso, o acesso à saúde, à
segurança pública, à infraestrutura e aos serviços públicos e privados podem gerar uma maior
procura por ampliação dos serviços que compõem tais categorias.

O Programa de Parceria com os Órgãos Públicos e Apoio aos Municípios será responsável por
identificar possíveis impactos e necessidades de melhoria, com foco nas comunidades da AID e
nos núcleos urbanos da AII provedores de serviços para a AID, com base no impacto efetivo do
empreendimento sobre a prestação de serviços públicos por parte do empreendedor em parceria
com os órgãos públicos.

[Link] Objetivos

O objetivo deste Programa é, sempre que aplicável, promover parcerias com Órgãos do Poder
Público, visando à integração de Programas Ambientais associados ao empreendimento às
iniciativas do Poder Público, buscando mitigar impactos em condições locais, a exemplo de saúde
e estrutura viária da Área de Influência Direta do Empreendimento e dos núcleos urbanos das Áreas
de Influência Indireta do empreendimento. Além disso, o Programa também visa identificar e
minimizar os impactos sobre o patrimônio histórico, cultural e natural da AID. Entre os objetivos
específicos do Programa estão:

• Identificar as necessidades de adequações da infraestrutura existente que decorrem da


implantação do empreendimento;

• Identificar projetos governamentais compatíveis com as demandas geradas, se houver;

• Executar, por meio de parcerias, melhorias e adequações na infraestrutura que permitam


comportar a demanda gerada pelo empreendimento;

• Identificar impactos sobre o patrimônio histórico, cultural e natural, promovendo ações de


mitigação deles.

[Link] Requisitos Legais

Não incidem normas e/ou legislações acerca de obrigatoriedades do empreendedor em realizar


este tipo de programa.

Programas Ambientais – Pág. 373


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

[Link] Responsabilidade de Execução

Caberá ao empreendedor, através da Gerência Ambiental, responder pela execução e


financiamento das atividades deste Programa, contando para tal com consultoria externa para sua
operacionalização. Ressalta-se que gestões institucionais deverão ser realizadas para o
envolvimento de órgãos e instituições atuantes nos municípios.

[Link] Público-Alvo

O público-alvo deste Programa serão as Prefeituras, Secretarias Municipais e Estaduais, empresas


contratadas para a implantação do empreendimento e os trabalhadores da obra, bem como os
grupos associativos formais ou informais presentes na AID do empreendimento.

[Link] Metodologia

A metodologia deste programa deverá ser desenvolvida por empresa técnica especializada.

Análises e entendimentos entre o Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 01) e Prefeituras, órgãos
oficiais e outras instituições, poderão ser realizadas visando definir a melhor forma de adaptar os
equipamentos e serviços públicos à demanda prevista, como também estabelecer parcerias para
sua adequação às novas necessidades, quando necessário, nas áreas de saneamento básico,
saúde, segurança pública, assistência social e infraestrutura viária.

As demandas e ações deverão ser analisadas e planejadas de forma participativa, envolvendo


também a comunidade local, sempre que possível, e discutindo com seus representantes a melhor
forma de execução. Neste sentido, reuniões recorrentes com representantes locais pode se
constituir num ambiente apropriado para estas discussões.

Em função dos entendimentos com as instituições consultadas, serão definidas e detalhadas as


atividades a serem desenvolvidas em cada área, os investimentos e recursos necessários e o
período de aplicação das medidas, que poderão ser executados por meio de acordos, convênios
ou outras formas.

Deve ser verificada a existência de projetos e programas, de natureza pública ou privada, previstos
ou em desenvolvimento na região ou nos municípios afetados, integrando e complementando suas
ações e atividades de forma que se possa assegurar a abrangência, efetiva aplicação e
continuidade. Vale destacar que este mesmo esforço de integração deverá ser feito a partir das
ações previstas nos outros programas do empreendimento.

Programas Ambientais – Pág. 374


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

[Link].1 Plano de Compromisso

O Plano de compromisso consiste em um plano de trabalho que será construído de maneira


participativa e será firmado entre o empreendedor, o poder público e a população local da Área de
Influência Direta do empreendimento. O empreendedor informa que está atuando na região de
implantação do empreendimento, por conta da operação do Complexo Eólico Ventos de Santa
Eugênia. A implantação do Complexo Santa Eugênia Solar (Fase 1) será mais uma etapa de
expansão do investimento na região, dessa forma será dada continuidade a projetos
socioambientais que já estão em andamento junto às comunidades locais. Ainda, será feita a
avaliação de oportunidades para incremento e melhorias nos referidos projetos, bem como a
possibilidade de iniciar novas iniciativas que gerem autonomia, geração de empregos e
sustentabilidade para a comunidade.

[Link] Metas

Dentre as metas deste Programa, citam-se:

• Celebrar parcerias entre Poder Público e o empreendedor e/ou entre organizações da


sociedade civil e o empreendedor, definindo escopo, prazo e responsabilidades das
parcerias estabelecidas e propondo contrapartidas a serem oferecidas pelo empreendedor,
a fim de promover um relacionamento saudável e duradouro com esses parceiros;

• Monitorar a satisfação dos representantes do Poder Público e das organizações da


sociedade civil envolvidos nas parcerias estabelecidas pelo Termo de Compromisso por
meio da aplicação de questionários;

• Integrar as ações previstas neste Programa com os demais Programas Ambientais


pertinentes;

• Rever oportunamente as estratégias ora propostas por este Programa de Parceria com os
órgãos Públicos e Apoio aos Municípios, com base no monitoramento dos impactos do afluxo
populacional realizado pelo Programa de Monitoramento Socioeconômico;

• Acompanhar e registar/documentar a realização de todas as ações deste programa, a fim


de criar um arquivo de memória que possa ser consultado oportunamente no futuro em caso
de necessidade;

Programas Ambientais – Pág. 375


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

[Link] Indicadores de Desempenho

Os Indicadores de desempenho de efetividade do Programa deverão ser desenvolvidos pela


empresa contratada para este fim e apresentados no Plano de Trabalho. Porém, segure-se os
seguintes:

• Percentual de entrevistados que consideraram as parcerias vigentes estabelecidas pelo


Termo de Compromisso como boas ou muito boas: o indicador é calculado pela divisão entre
o número de entrevistados que consideraram as parcerias vigentes estabelecidas como
boas ou muito boas e o número total de entrevistados;

• Número de ações realizadas em conjunto com demais Programas;

• Número de registros de melhorias realizadas e ações realizadas no escopo das parcerias;

[Link] Interface com outros Programas

O presente Programa possui interface com os seguintes programas do Meio Socioeconômico:

• Programa de Comunicação Social;

• Programa de Educação Ambiental.

[Link] Recursos Necessários

O detalhamento dos recursos técnicos e humanos necessários à execução do Programa de


Parceria com Órgãos Públicos e Apoio aos Municípios é de responsabilidade da empresa de
consultoria a ser contratada pelo empreendedor, que deverá apresentar previamente os recursos
financeiros destinados à proposição de parcerias público-privadas.

[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento serão elaborados Relatórios Gerenciais


mensais internos, para apresentação à equipe de Gestão Ambiental do empreendedor, contendo
informações sobre as atividades referentes a este Programa.

Para o órgão ambiental será elaborado um Relatório Final Consolidado, com todas as atividades
realizadas no âmbito deste Programa, quando do requerimento do pedido da LO.

Programas Ambientais – Pág. 376


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

[Link] Cronograma

O Programa deverá se iniciar na etapa de pré-implantação do empreendimento e perdurar toda a


etapa de implantação. O cronograma executivo do Programa deverá ser elaborado no Plano de
Trabalho, explicitando as ações executivas previstas.

Programas Ambientais – Pág. 377


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

3.3.6 Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável Local

[Link] Introdução e Justificativa

O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável Local é parte integrante do PBA da usina


Fotovoltaica Santa Eugênia Solar e cumpre objetivo de atender às condicionantes 5.O e 5.P
demandados da Licença Prévia.

A chegada de um empreendimento de energia renovável de grande porte influência a dinâmica


social local ocasionando diversas mudanças como o aumento do tráfego, uma maior circulação de
pessoas, aumento da demanda por bens e serviços públicos e privados, entre outros. É importante
que essas alterações sejam administradas para mitigar os seus efeitos negativos e maximizar os
efeitos positivos.

A implantação do empreendimento envolverá imóveis rurais que, na atualidade, já estão inseridos


no contexto do Complexo Eólico Ventos de Santa Eugênia. Além de proprietário jurídico, também
há alguns proprietários que possuem atividades econômicas voltadas a pequenas criações de gado
e de produção agrária.

Do ponto de vista social, a realização de ações cujo foco é a promoção do desenvolvimento


sustentável no território, é uma forma de maximizar os efeitos positivos oriundos das externalidades
da instalação do empreendimento.

No decorrer desse programa, as ações foram estruturadas, também, tendo em mente a importância
da agenda 2030 e a promoção dos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU. Essa
convergência resulta em ganhos tanto para a população quanto para o poder público que necessita
se comprometer com os ODS.

Assim, em sinergia com um programa de investimento social não compulsório a ser desenvolvido
pela empresa, apresenta-se este Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável Local, cujo
intuito é de promover e proporcionar impactos positivos e de caráter compensatório, em atividades
produtivas.

[Link] Objetivos

O principal objetivo do programa é fomentar ações de incentivo às atividades econômicas locais,


tais como a criação de gado e produção agrícola na AID do empreendimento. Desta forma, tem-se
os seguintes objetivos específicos:

• Identificar oportunidades de otimização e fomento para as atividades locais;

• Promover ações de capacitação do público beneficiado;

Programas Ambientais – Pág. 378


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

• Incentivar o desenvolvimento de atividades de geração de renda complementares;

• Apoiar a agricultura familiar e fomentar técnicas de produção que auxiliem na redução de


desperdício dos alimentos, incluindo as perdas pós colheita.

[Link] Requisitos Legais

Não incidem normas e/ou legislações acerca de obrigatoriedades do empreendedor em realizar


este tipo de programa. Contudo, a condicionante da Licença Prévia emitida para o empreendimento
solicita a sua aplicação, passando a tornar-se um compromisso legal vinculado à implantação do
empreendimento.

[Link] Responsabilidade de Execução

O Programa deverá ser executado pelo empreendedor e por consultorias e instituições de ensino
especializadas, contratadas por ele.

[Link] Público-Alvo

O Programa terá os seguintes segmentos considerados como público-alvo:

• Moradores da ADA e AID do empreendimento, com destaque especial para as mulheres;

• Entidades e instituições representativas dos produtores rurais ou outras associações com


potencial de diversificação econômica da ADA e AID;

• Poderes públicos municipais, sobretudo das secretarias vinculadas ao meio ambiente e à


agricultura;

• Outras instituições possivelmente parceiras como associações e cooperativas.

[Link] Metodologia

Metodologicamente, o programa será baseado na organização e fomento de atividades


socioeconômicas do público-alvo da ADA, AID, bem como possíveis associações representativas
dos interesses deles. O processo de acompanhamento e formação aqui propostos deverá ser
desenvolvido com o objetivo de envolver os participantes em um ciclo de engajamento.

A seguir são expostas as etapas que compreendem a metodologia do Programa.

Programas Ambientais – Pág. 379


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

[Link].1 Diagnóstico e Planejamento

Em uma primeira etapa, será realizado um diagnóstico para a estruturação do programa e validação
das ações propostas. Esse diagnóstico terá por intuito compreender as estruturas produtivas locais
de produção rural e vocações produtivas locais na AID, identificando não só atividades como
também grupos e associações:

Uma vez realizado o diagnóstico, deverá ser elaborado um plano de trabalho para a realização das
atividades em sinergia com o plano de investimento social privado.

[Link].2 Acompanhamento e Avaliação

Deverá ser realizado, durante a execução do programa, o acompanhamento das atividades


propostas e a avaliação de sua eficácia. Para isso, sugere-se a coleta de Feedback dos
participantes, produtores e consumidores para ajustar as abordagens conforme necessário.

[Link] Metas

São metas do Programa:

• Realizar um diagnóstico local com identificação de perfil produtivo, as vocações econômicas


e os principais atores locais;

• Realização de, pelo menos, duas capacitações voltadas aos produtores locais;

• Realização de, no mínimo, duas capacitações com foco no público feminino;

[Link] Indicadores de Desempenho

Os Indicadores de desempenho de efetividade do programa deverão ser desenvolvidos pela


empresa contratada para este fim e apresentados no Plano de Trabalho.

Seguem listados abaixo os Indicadores de desempenho ambientais iniciais sugeridos:

• Número de diagnósticos produzidos dentro do perfil de informações requerido pelo


programa;
• Número de capacitações realizadas;
• Número de participantes por capacitação;
• Número de participantes mulheres;
• Pesquisa de satisfação dos participantes das capacitações.

Programas Ambientais – Pág. 380


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

Pede-se também que sejam incluídos nos relatórios de monitoramento do programa:

• Identificação das comunidades e proprietários rurais participantes;


• Quantitativos das ações e das participações;
• Relatórios de atividades elaborados.
Essa avaliação também deverá conter uma avaliação das ações tomadas em relação aos Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável, evidenciando a convergência entre cada uma das ações com os
objetivos de desenvolvimento sustentável.

[Link] Interface com Outros Programas

Este Programa será executado em interface com os seguintes Programas do Meio Socioeconômico:

• Programa de Comunicação Social;


• Programa de Educação Ambiental;
• Programa de parceria com Órgãos Públicos e Apoio aos Municípios.

[Link] Recursos Necessários

O detalhamento dos recursos técnicos e humanos necessários à execução do Programa de


Parceria com Órgãos Públicos e Apoio aos Municípios é de responsabilidade do empreendedor ou
da empresa de consultoria a ser contratada pelo empreendedor, que deverá apresentar previamente
os recursos financeiros destinados à proposição das ações do programa.

[Link] Produtos a Serem Gerados

Ao longo da etapa de implantação do empreendimento serão elaborados Relatórios Gerenciais


mensais internos, para apresentação à equipe de Gestão Ambiental do empreendedor, contendo
informações sobre as atividades referentes a este Programa.

Para o órgão ambiental será elaborado um Relatório Final Consolidado, com todas as atividades
realizadas no âmbito deste Programa, quando do requerimento do pedido da LO.

[Link] Cronograma

Abaixo, apresenta-se o cronograma físico do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável


Local. Vale destacar que este cronograma deverá ser detalhado durante o Plano de Trabalho.

Programas Ambientais – Pág. 381


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

Quadro 73 Cronograma do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável Local.

Meses
Atividades
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Diagnóstico Produtivo
Elaboração do Plano de Ação
Realização de Capacitações para os Produtores Locais
Realização de Capacitações para a população das
comunidades da AID
Realização de Capacitação para o público feminino
Serviço de consultoria a associações e cooperativas
Relatório de Atividades
Relatório Final

Programas Ambientais – Pág. 382


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

4. ANEXOS

Nº Anexo
01 Planta de Localização
02 Planta Planialtimétrica
03 Mapa do Arranjo Geral
04 Mapa da Divisão Interna do Empreendimento
05 Mapa das Áreas de Influência
06 Mapa de Restrições Ambientais
07 Mapa e Planilha de Imóveis Afetados
08 Mapa das Áreas de Soltura e Amostragem de Fauna
09 Cronograma de Execução da Obra
10 Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs)

Anexos – Pág. 383


Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

ANEXO 1
Planta de Localização

Anexos – Pág. 384


802.500 805.000 807.500 810.000 812.500 815.000 817.500 820.000
8.747.500

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Título
Legenda

! Localidade Uso e Cobertura do Solo Planta de Localização


Curso d´água Caatinga arbórea/arbustiva
Rodovia Caatinga rupícola/Campo Rupestre
Área Diretamente Afetada (ADA) Floresta Estacional Semidecidual
Área de Influência Direta (AID) Floresta/Caatinga arbórea Localização da Área em Estudo Projeto
Área de Influência Indireta (AII) Solo Exposto / Complexo Eólico Existente Complexo Santa Eugenia Solar
Localização no Estado Localização no Município
Limite de Imóvel Superfície Agropecuária
Área Edificada/ Edificação Área Urbanizada PI PE Central
São Gabriel
Itaguaçu da Bahia
Data da Execução Local
Área de Preservação Permanente (APP)
TO Irecê Novembro/2023 Ibipeba/Uibaí
Limite Municipal
Reserva Legal Informações Cartográficas Formato
BA Uibaí Projeção UTM / Fuso 23 Sul A1
Gentio do Ouro
Lapão Datum: SIRGAS 2000 594 × 841 mm

GO Elaboração Escala
(CREA-MG / 201.143-D)
Ibipeba Ibititá
1:35.000
Marcos Antonio De Rodrigues
MG Fonte - Cursos d´água, Rodovia, Limite Municipal (IBGE, 2019; 2020;)
Canarana - Uso e Ocupação do Solo (ESA, 2021);
Barra do Mendes - Unidades de Conservação (ICMBio, 2020; INEMA, 2020).
Ipupiara
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

ANEXO 2
Planta Planialtimétrica

Anexos – Pág. 385


150.000 152.500 155.000 157.500 160.000

do a cho
:

U i baí
Ri
ibaí

U
Riac h o

do
Ui

í
ba
do
c

ho
R

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8.740.000

8.740.000
Toca
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P ed
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8.737.500

8.737.500
To
ca
da

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P

a
Toc
Riacho da

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Riacho d a Ca
ca
Riacho da To
8.735.000

8.735.000
Riac
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8.732.500

8.732.500
8.730.000

8.730.000
B and eira
do

ho
ac
Ri

Escala Gráfica:
0 0,5 1 2
BA-225 km
! 150.000 152.500 155.000 157.500 160.000

Título

Legenda
Planta Planialtimétrica
Rodovia
Curso d´água
Curva de nível intermediária
Localização da Área em Estudo Projeto
Curva de nível mestra
Complexo Santa Eugênia Solar
Área Diretamente Afetada (ADA) Localização no Estado Localização no Município
Limite de imóvel
PB Central
Itaguaçu da Bahia São Gabriel
PE
Data da Execução Local
PI
MA

Área de Preservação Permanente (APP) Irecê


AL
Área ampliada Novembro/2023 Ibipeba e Uibaí BA
Reserva Legal TO
SE

Limite Municipal Uibaí Informações Cartográficas Formato


Projeção UTM / Fuso 23 Sul
BA
Gentio do Ouro Lapão A1
Datum: SIRGAS 2000 594 × 841 mm
Elaboração Escala
Ibipeba Ibititá
GO
Marcos Antonio De Rodrigues
1:20.000
DF (CREA-MG / 201.143-D)
MG
Canarana Fonte - Cursos d´água, Rodovia, Limite Municipal (IBGE, 2019; 2020;)
Ipupiara Barra do Mendes Barro Alto - Curvas de Nível (ALOS PALSAR, 2013).
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

ANEXO 3
Mapa do Arranjo Geral

Anexos – Pág. 386


148.000 150.000 152.000 154.000 156.000 158.000

±
Legenda
Limite Municipal

Estruturas da ADA

Acessos Internos

Armazenamento

Bacia de sedimentação
8.738.000

8.738.000
Bota-fora

Canteiro de obras

Edifício de O&M

Faixa de RMT

Inversores

Placas Fotovoltaicas

Bota Fora Área de Espaçamento da UFV

World Hillshade

Placas Fotovoltaicas
8.736.000

8.736.000
Bacia de
sedimentação

Uibaí

Localização da Área em Estudo

Localização no Estado
Acesso MA
PE
PI
AL

TO SE

BA
8.734.000

8.734.000
Ibipeba
Uibaí
GO

DF
MG
GO
ES

Ibipeba
Localização no Município

Itaguaçu Central São Gabriel


da Bahia
Presidente
Dutra Irecê

Uibaí

Gentio
Lapão
do Ouro

Ibipeba Ibititá
8.732.000

8.732.000
Canarana
Barra do Mendes

Título
Área de Armazenamento

Arranjo Geral

Projeto
Complexo Santa Eugênia Solar
Canteiro de Obras Edifício O&M
8.730.000

8.730.000
Data da Execução Local
Ibipeba/Uibaí
Novembro/2023

Informações Cartográficas Formato


Projeção UTM / Fuso 23 Sul A1
Faixa RMT Datum: SIRGAS 2000 594 × 841 mm

Elaboração Escala
Marcos Antônio De A. Rodrigues 1:18.000
(CREA-MG / 201143/D)
Escala Gráfica:
Fonte
0 0,5 1 2
Km - Limite municipal e rodovia (IBGE, 2019, 2020);

148.000 150.000 152.000 154.000 156.000 158.000


!
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

ANEXO 4
Mapa da Divisão Interna do Empreendimento

Anexos – Pág. 387


155.000 160.000
Legenda

± Limite Municipal

Outras estruturas do empreendimento

Divisão dos Parques do Empreendimento

Sol de Brotas 3 S/A

Sol de Brotas 4 S/A

Sol de Brotas 5 S/A

Sol de Sol de Brotas 6 S/A


Brotas
4 S/A
Sol de Brotas 7 S/A

Sol de Sol de
Brotas Brotas
3 S/A 5 S/A
8.735.000

8.735.000
Localização da Área em Estudo

Localização no Estado
PB
PE
MA PI
AL
SE
TO

IBIPEBA
BA

UIBAÍ
GO

DF

MG

ES

Localização no Município

Itaguaçu Central São Gabriel


da Bahia
Presidente
Dutra
Irecê

Uibaí

Lapão

Gentio
do Ouro

Ibipeba Ibititá

Canarana
Sol de Barra do Mendes
Brotas
6 S/A

Título

Divisão Interna

Sol de Projeto
Brotas
7 S/A Complexo Santa Eugênia Solar

Data da Execução Local


Uibipeba/Uibaí BA
Novembro/2023

Informações Cartográficas Formato


Projeção UTM / Fuso 23 Sul A1
Datum: SIRGAS 2000 594 × 841 mm
8.730.000

8.730.000
Elaboração Escala
Diego Gontijo Lacerda
1:15.000
(CREA-MG / 186.330/D)
Escala Gráfica:
Fonte
0 0,5 1 2 - Limite municipal e rodovia (IBGE, 2019, 2020);
Km
155.000 160.000
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

ANEXO 5
Mapa das Áreas de Influência

Anexos – Pág. 388


!
145.000 150.000 155.000 160.000 165.000

±
Legenda
de
e Gran
ont

Riac a Faz
a F 5 ! Localidade
od - 22
Riach BA

d
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Acesso

Bo n
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o o do Curso D´água
Riacho d s Bois n h £o iach
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Área Diretamente Afetada (ADA)
8.745.000

8.745.000
Área de Influência Direta (AID)

Área de Influência Indireta (AII)


R ia
cho
d o Uiba Limite Municipal
í

PR
E
SID UIBA
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Me
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Br e e l ho
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8.740.000

8.740.000
Jo
ão
BA
-4
38

Olhos-d'Água
Riacho das Bicas
!

a Toca
Localização da Área em Estudo
ad

Localização no Estado

Ri
Poços
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Vereda do
B
Campo Belo ra A
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o da Cac h o 34 BA
Riach

e GO
oc
D
a
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8.735.000

8.735.000
ch oÁ
MG
Ria

IBIPEBA
B
A

UIBAÍ
-2
25
Localização no Município
Riacho do Velame Itaguaçu Central São Gabriel
da Bahia
Presidente
Velame Dutra Irecê
!
Uibaí
Ri

ac Gentio
ho do Ouro Lapão
do

an
B

Ibititá
dei Ibipeba
ra

Canarana
Barra do
Ipupiara Mendes Barro Alto
8.730.000

8.730.000
Título

Bonito
!
Iguitu Áreas de Influência dos Meios Físico e Biótico
!

Angico
!
Projeto
Complexo Santa Eugênia Solar

Data da Execução Local


Serra Grande Ibipeba/uibai BA
Agosto/2023
!

Informações Cartográficas Formato


Projeção UTM / Fuso 23 Sul

IBI BAÍ
Á
A1

TIT
Datum: SIRGAS 2000 594 × 841 mm

UI
Elaboração Escala
8.725.000

8.725.000
Marcos Antônio De A Rodrigues
(CREA-MG / 201143/D) 1:40.000
Escala Gráfica:
0 1 2 4 Olho-d'Água
Fonte
Km ! - Limite municipal e rodovia (IBGE, 2019, 2020);
- Hidrografia (INEMA, 2019).
145.000 150.000 155.000 160.000 165.000
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

ANEXO 6
Mapa de Restrições Ambientais

Anexos – Pág. 389


805.000 810.000 815.000 820.000

25

R iac h o
BA-2

:
e

Bo
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R iach

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Uibaí


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U
P
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o
ch
Ria
8.745.000

8.745.000
R ia
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B
A
-4
3 4

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Riacho do M

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o
B

Á
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Ve

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Boca-D'água
!
(

Ri
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ac
ho
do
B

R ia c

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8.740.000

8.740.000
B i cas T o ca
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Ri
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Ri

Olhos-d'Água
!
(
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To
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Poços
Uibaí !
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da
To
ca

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R iac h o d a C

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gu
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R ia c
8.735.000

8.735.000
Ibipeba

V
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R i ac
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Ba
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BA
-2
2
8.730.000

8.730.000
5

Iguitu
!
(

Olho D'água do Badu

Serra Grande
!
(
8.725.000

8.725.000

Escala Gráfica:
Olho-d'Água
!
( 0 1 2 4
km

805.000 810.000 815.000 820.000

Legenda
!
( Localidade Propriedades
P
! Sede Municipal Direito Minerário
Mapa de Restrições Ambientais
(
! Cabeceira de Drenagem (Nascente Potencial) Entorno de Cavidade - CECAV - 250m
#
* Ponto de Erosão Limite Municipal
Comunidade Remanescente de Quilombola Área de Preservação Permanente - APP
Curso d'água (30m)
[
¿ Sítios arqueológicos - IPHAN Localização da Área em Estudo
Projeto
A
! Cavidades - CECAV Nascentes Potenciais (50m)
Localização no Estado Localização no Município Unidade Fotovoltáica Santa Eugênia
A
! Cavidades Identificadas em Campo de Outros Projetos Declividade (>45°)
Central São Gabriel
!
( Edificações Uso e Cobertura do Solo MA PI PE Itaguaçu da Bahia

Área Diretamente Afetada (ADA) Caatinga arbórea/arbustiva AL Local


Presidente Dutra Irecê Data da Execução
Caatinga rupícola/Campo Rupestre TO SE Ibipeba e Uibaí / BA
Área de Influência Direta (AID) Novembro / 2023
Uibaí
Área de Influência Indireta (AII) Floresta Estacional Semidecidual
Floresta/Caatinga arbórea BA Gentio do Ouro Informações Cartográficas Formato
Acesso
Lapão
Solo Exposto / Complexo Eólico Existente Projeção UTM / Fuso 23 Sul A1
Curso d´água
Superfície Agropecuária GO Ibipeba Ibititá
Datum: SIRGAS2000 594 × 841 mm
Entorno de 8km de Comunidades Remanescentes de Quilombolas
Reserva Legal - CAR Área Urbanizada DF Elaboração Escala

MG Marcos Antônio de A. Rodrigues (CREA-MG-201143/D) 1:33.964


Canarana
Barra do Mendes
Fonte
Barro Alto - Reserva Legal (SICAR, 2021); DNPM (2021); Acessos e Localidades (IBGE, 2017); Cursos d'água (GEOBAHIA, 2010)
ES Ipupiara
Souto Soares - Limites Municipais e Estaduais (IBGE, 2020); Uso e Cobertura do Solo (MapBiomas, 2020); Sítios Arqueológicos
(IPHAN, 2022); UC's (MMA-ICMBio, 2022), Comunidade Remanescente de Quilombola (Fundação Palmares, 2022)
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

ANEXO 7
Mapa e Planilha de Imóveis Afetados

Anexos – Pág. 390


150.000 155.000 160.000

±
Legenda

! Localidade

Acesso

Curso D´água

Reserva Legal

U ibaí

oc e
Área Diretamente Afetada (ADA)

o
d D
ho

a
Limite de Imóvel

gu
a
Ri

io

Á
M e Limite Municipal

o
do

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Ria

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!

ac

Ri
ho Boca-D'água

Ri
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8.740.000

8.740.000
BA
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Riac
Olhos-d'Água
!

ca
To

!
da

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Riacho r a
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o
Riach
Localização da Área em Estudo

Localização no Estado
Fazenda PE
Cachoeira MA
PI
AL

TO SE
da C achoeira
Riach o
BA

GO
8.735.000

8.735.000
DF
MG
GO
ES

Localização no Município

Jussara
Itaguaçu São Gabriel
Central
da Bahia

João
Dourado
Irecê

Uibaí
Gentio
do Ouro América
Lapão Dourada
Velame
! Ibititá
Ibipeba

Canarana

Riacho do Velam e Barra do


Ipupiara Mendes Barro Alto

ia
R

ch
od
oB
an
de
ira Título

Imóveis Afetados
BA-2
25

Projeto
Complexo Santa Eugênea Solar
8.730.000

8.730.000
Data da Execução Local
Ibipeba e Uibaí/BA
Novembro/2023

Informações Cartográficas Formato


Projeção UTM / Fuso 23 Sul A1
Datum: SIRGAS 2000 594 × 841 mm

Elaboração Escala
Marcos Antônio De A. Rodrigues 1:25.000
Iguitu
Escala Gráfica: ! (CREA-MG / 201143/D)

0 0,75 1,5 3 Fonte


Km - Limite municipal e rodovia (IBGE, 2019, 2020);
- Hidrografia (INEMA, 2019).
150.000 155.000 160.000
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

ANEXO 8
Mapa das Áreas de Soltura e Amostragem de Fauna

Anexos – Pág. 391


155.000 160.000

±
Legenda

Acesso

Curso D´água

Áreas de Amostragem da Fauna

Reserva Legal

Área Diretamente Afetada (ADA)


1
Limite Municipal
ca

o
d aT
ed r a
Ria cho P

2
Riacho da Cachoeira
R iacho da Toca

3
8.735.000

8.735.000
Localização da Área em Estudo

Localização no Estado

PI PE

TO

IBIPEBA
BA

UIBAÍ
GO

Riacho MG
do Velame

4 Localização no Município

Itaguaçu Central São Gabriel


da Bahia
Presidente
Dutra Irecê

Uibaí

Gentio
do Ouro Lapão

Ibititá
Ibipeba

Canarana
Barra do
Ipupiara Mendes Barro Alto

Título

Áreas de Amostragem da Fauna

Projeto
Complexo Santa Eugênia Solar

Data da Execução Local


Ibipeba/uibai BA
Novembro/2023

Informações Cartográficas Formato


Projeção UTM / Fuso 23 Sul A1
Datum: SIRGAS 2000 594 × 841 mm
8.730.000

8.730.000
Elaboração Escala
Marcos Antônio De A Rodrigues
(CREA-MG / 201143/D) 1:15.000
Escala Gráfica:
Fonte
0 0,5 1 2
Km - Limite municipal e rodovia (IBGE, 2019, 2020);
- Hidrografia (INEMA, 2019).
155.000 160.000
148.000 152.000 156.000 160.000

±
Legenda

Áreas de Soltura da Fauna


cho

Ri a cho
Ria icas
B
das Acesso

Riacho

do M
Curso D´água

do Uibaí

eio
Reserva Legal

Área Diretamente Afetada (ADA)

Limite Municipal

ca
To
o da Toca
Riach

a
d
ra
P ed
Riach o
8.736.000

8.736.000
d a Cachoeira
Riacho

Localização da Área em Estudo

Localização no Estado

PI PE

TO

BA

IBIPEBA
UIBAÍ
GO

MG

Localização no Município

Itaguaçu Central São Gabriel


da Bahia
Presidente
Dutra Irecê

Uibaí

Riacho do Velam e Gentio


do Ouro Lapão

Ibititá
Ibipeba
8.732.000

8.732.000
Canarana
Barra do
Ipupiara Mendes Barro Alto

Ri
ac
ho
do
Ba
ndei
ra

Título

Áreas de Soltura da Fauna

Projeto
Complexo Santa Eugênia Solar

Data da Execução Local


Ibipeba/uibai BA
Novembro/2023

Informações Cartográficas Formato


Projeção UTM / Fuso 23 Sul A1
Datum: SIRGAS 2000 594 × 841 mm
BA

Elaboração Escala
-2

Marcos Antônio De A Rodrigues


25

(CREA-MG / 201143/D) 1:20.000


Escala Gráfica:
Fonte
0 0,5 1 2
Km - Limite municipal e rodovia (IBGE, 2019, 2020);
- Hidrografia (INEMA, 2019).
148.000 152.000 156.000 160.000
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

ANEXO 9
Cronograma de Execução da Obra

Anexos – Pág. 392


Para verificar as assinaturas vá ao site [Link] e utilize o código 6C66-B260-A8E7-C99C.
2024 2025
Etapas
6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Mobilização
Supressão de Vegetação
Terraplanagem, Escavações e Fundações
Montagem dos Painéis Solares
Montagem das Torres e Valas da RMT

Este documento foi assinado digitalmente por Paula Abrantes Suanno.


Lançamento de Cabos da RMT
Montagem do Sistema de Drenagem
Cercamento do Projeto
Comissionamento e Operação
Desmobilização

Responsável Técnica: Paula Abrantes Suanno

Este documento foi assinado digitalmente por Paula Abrantes Suanno.


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RENOVÁVEIS S.A) - 035.358.767-29 em 05/12/2023 17:53 UTC-
03:00
Tipo: Certificado Digital
Plano Básico Ambiental – PBA
Complexo Santa Eugênia Solar

ANEXO 10
Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs)

Anexos – Pág. 393


Página 1/1

Anotação de Responsabilidade Técnica - ART


Lei n° 6.496, de 7 de dezembro de 1977 CREA-BA ART OBRA / SERVIÇO
Nº BA20230385020
Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia
INICIAL
EQUIPE à BA20230373109
1. Responsável Técnico
MARCOS ANTONIO DE ALMEIDA RODRIGUES
Título profissional: GEÓGRAFO RNP: 1415146950
Registro: 3000120197BA

2. Dados do Contrato
Contratante: Maron Ambiental LTDA CPF/CNPJ: 35.030.383/0001-25
AVENIDA TANCREDO NEVES Nº: 274
Complemento: Centro Empresarial Iguatemi, Bloco B, Sala 431 Bairro: CAMINHO DAS ÁRVORES
Cidade: SALVADOR UF: BA CEP: 41820020

Contrato: Não especificado Celebrado em:


Valor: R$ 3.000,00 Tipo de contratante: Pessoa Juridica de Direito Privado
Ação Institucional: NENHUMA - NAO OPTANTE

3. Dados da Obra/Serviço
SEM DEFINIçãO Zona Rural dos Municípios de Uibaí, Ibipeba e Fazenda Nova - BA Nº: S/N
Complemento: Bairro: Zona Rural
Cidade: UIBAÍ UF: BA CEP: 44950000
Data de Início: 01/01/2023 Previsão de término: 31/12/2023 Coordenadas Geográficas: 0, 0
Finalidade: Ambiental Código: Não Especificado
Proprietário: Parque Eólico Ventos de São Vitorino XII CPF/CNPJ: 00.622.416/0001-41

4. Atividade Técnica
10 - Coordenação Quantidade Unidade
42 - Estudo de viabilidade ambiental > CARTOGRAFIA > SISTEMAS, MÉTODOS, PROCESSOS E 1,00 un
TECNOLOGIA DA CARTOGRAFIA, DA CARTOGRAFIA DIGITAL MATEMÁTICA E DA
CARTOGRAFIA DIGITAL TEMÁTICA > #TOS_35.1.1 - DE SISTEMAS, MÉTODOS, PROCESSOS E
TECNOLOGIA DA CARTOGRAFIA, DA CARTOGRAFIA DIGITAL MATEMÁTICA E DA
CARTOGRAFIA DIGITAL TEMÁTICA
14 - Elaboração Quantidade Unidade
42 - Estudo de viabilidade ambiental > CARTOGRAFIA > SISTEMAS, MÉTODOS, PROCESSOS E 1,00 un
TECNOLOGIA DA CARTOGRAFIA, DA CARTOGRAFIA DIGITAL MATEMÁTICA E DA
CARTOGRAFIA DIGITAL TEMÁTICA > #TOS_35.1.1 - DE SISTEMAS, MÉTODOS, PROCESSOS E
TECNOLOGIA DA CARTOGRAFIA, DA CARTOGRAFIA DIGITAL MATEMÁTICA E DA
Após a conclusão das atividades técnicas o profissional deve proceder a baixa desta ART
CARTOGRAFIA DIGITAL TEMÁTICA

5. Observações
Coord./elaboração dos produtos de geoprocessamento para os estudos ambientais de LP e LI do CF Santa Eugênia

6. Declarações

7. Entidade de Classe
NENHUMA DAS ENTIDADES

8. Assinaturas
Declaro serem verdadeiras as informações acima MARCOS ANTONIO DE ALMEIDA RODRIGUES - CPF: 120.938.196-60

Salvador
________________, 14
________ março
de ___________________ 2023
de ________
Local data Maron Ambiental LTDA - CNPJ: 35.030.383/0001-25

9. Informações
* A ART é válida somente quando quitada, mediante apresentação do comprovante do pagamento ou conferência no site do Crea.

10. Valor
Valor da ART: R$ 96,62 Registrada em: 14/03/2023 Valor pago: R$ 96,62 Nosso Número: 55548600

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CREA-BA
Conselho Regional de Engenharia
Tel: (71) 3453-8990 Fax: (71) 3453-8989 e Agronomia da Bahia
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Anotação de Responsabilidade Técnica - ART


Lei n° 6.496, de 7 de dezembro de 1977 CREA-BA ART OBRA / SERVIÇO
Nº BA20230384310
Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia
INICIAL
EQUIPE à BA20230373109
1. Responsável Técnico
RODRIGO MORAES BELEM
Título profissional: ENGENHEIRO AMBIENTAL RNP: 1415550212
Registro: 3000089899BA

2. Dados do Contrato
Contratante: MARON Ambiental Ltda. CPF/CNPJ: 35.030.383/0001-25
AVENIDA AVENIDA TANCREDO NEVES 274 Nº: 274
Complemento: Bloco B, Sala 434 Bairro: CAMINHO DAS ÁRVORES
Cidade: SALVADOR UF: BA CEP: 41820907

Contrato: Não especificado Celebrado em:


Valor: R$ 5.000,00 Tipo de contratante: Pessoa Juridica de Direito Privado
Ação Institucional: NENHUMA - NAO OPTANTE

3. Dados da Obra/Serviço
SEM DEFINIçãO Zona Rural dos Municípios de Uibaí, Ibipeba e Fazenda Nova - BA Nº: S/N
Complemento: Bairro: Zona Rural
Cidade: UIBAÍ UF: BA CEP: 44950000
Data de Início: 01/01/2023 Previsão de término: 31/12/2024 Coordenadas Geográficas: 0, 0
Finalidade: Ambiental Código: Não Especificado
Proprietário: Statkraft Energias Renováveis S.A. CPF/CNPJ: 00.622.416/0001-41

4. Atividade Técnica
10 - Coordenação Quantidade Unidade
25 - Coordenação > MEIO AMBIENTE > DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > DE 1,00 un
DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > #TOS_7.2.1.1 - CARACTERIZAÇÃO DO
MEIO FÍSICO
25 - Coordenação > MEIO AMBIENTE > DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > DE 1,00 un
DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > #TOS_7.2.1.2 - CARACTERIZAÇÃO DO
MEIO BIÓTICO
25 - Coordenação > MEIO AMBIENTE > DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > DE 1,00 un
DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > #TOS_7.2.1.4 - CARACTERIZAÇÃO DO
MEIO ANTRÓPICO
25 - Coordenação > MEIO AMBIENTE > DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > DE 1,00 un
DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > #TOS_7.2.1.6 - DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
25 - Coordenação > MEIO AMBIENTE > DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > DE 1,00 un
DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > #TOS_7.2.1.7 - PROGNÓSTICO AMBIENTAL
25 - Coordenação > MEIO AMBIENTE > DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > DE 1,00 un
DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > #TOS_7.2.1.9 - IDENTIFICAÇÃO E
POTENCIALIZAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS
25 - Coordenação > MEIO AMBIENTE > GESTÃO AMBIENTAL > #TOS_7.6.1 - DE RISCOS AO 1,00 un
MEIO AMBIENTE
25 - Coordenação > MEIO AMBIENTE > GESTÃO AMBIENTAL > #TOS_7.6.2 - DE VIABILIDADE 1,00 un
AMBIENTAL
25 - Coordenação > MEIO AMBIENTE > GESTÃO AMBIENTAL > #TOS_7.6.6 - DE ESTUDOS 1,00 un
AMBIENTAIS
25 - Coordenação > MEIO AMBIENTE > GESTÃO AMBIENTAL > #TOS_7.6.7 - DE IMPACTO 1,00 un
AMBIENTAL
25 - Coordenação > MEIO AMBIENTE > GESTÃO AMBIENTAL > #TOS_7.6.8 - DE EDUCAÇÃO 1,00 un
AMBIENTAL
25 - Coordenação > MEIO AMBIENTE > GESTÃO AMBIENTAL > #TOS_7.6.10 - DE 1,00 un
PLANEJAMENTO AMBIENTAL
25 - Coordenação > SANEAMENTO AMBIENTAL > SISTEMA DE ESGOTO/RESÍDUOS > DE 1,00 un
SISTEMA DE ESGOTO/RESÍDUOS SÓLIDOS > #TOS_6.2.4.6 - PLANO DE GERENCIAMENTO DE
RESÍDUOS
14 - Elaboração Quantidade Unidade
42 - Estudo de viabilidade ambiental > MEIO AMBIENTE > DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO 1,00 un
AMBIENTAL > DE DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > #TOS_7.2.1.1 -
CARACTERIZAÇÃO DO MEIO FÍSICO
42 - Estudo de viabilidade ambiental > MEIO AMBIENTE > DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO 1,00 un
AMBIENTAL > DE DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > #TOS_7.2.1.2 -
CARACTERIZAÇÃO DO MEIO BIÓTICO

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42 - Estudo de viabilidade ambiental > MEIO AMBIENTE > DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO 1,00 un
AMBIENTAL > DE DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > #TOS_7.2.1.4 -
CARACTERIZAÇÃO DO MEIO ANTRÓPICO
42 - Estudo de viabilidade ambiental > MEIO AMBIENTE > DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO 1,00 un
AMBIENTAL > DE DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > #TOS_7.2.1.6 -
DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
42 - Estudo de viabilidade ambiental > MEIO AMBIENTE > DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO 1,00 un
AMBIENTAL > DE DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > #TOS_7.2.1.7 -
PROGNÓSTICO AMBIENTAL
42 - Estudo de viabilidade ambiental > MEIO AMBIENTE > DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO 1,00 un
AMBIENTAL > DE DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > #TOS_7.2.1.9 -
IDENTIFICAÇÃO E POTENCIALIZAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS
42 - Estudo de viabilidade ambiental > MEIO AMBIENTE > GESTÃO AMBIENTAL > #TOS_7.6.1 - DE 1,00 un
RISCOS AO MEIO AMBIENTE
42 - Estudo de viabilidade ambiental > MEIO AMBIENTE > GESTÃO AMBIENTAL > #TOS_7.6.2 - DE 1,00 un
VIABILIDADE AMBIENTAL
42 - Estudo de viabilidade ambiental > MEIO AMBIENTE > GESTÃO AMBIENTAL > #TOS_7.6.6 - DE 1,00 un
ESTUDOS AMBIENTAIS
42 - Estudo de viabilidade ambiental > MEIO AMBIENTE > GESTÃO AMBIENTAL > #TOS_7.6.7 - DE 1,00 un
IMPACTO AMBIENTAL
42 - Estudo de viabilidade ambiental > MEIO AMBIENTE > GESTÃO AMBIENTAL > #TOS_7.6.8 - DE 1,00 un
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
42 - Estudo de viabilidade ambiental > MEIO AMBIENTE > GESTÃO AMBIENTAL > #TOS_7.6.10 - 1,00 un
DE PLANEJAMENTO AMBIENTAL
42 - Estudo de viabilidade ambiental > SANEAMENTO AMBIENTAL > SISTEMA DE 1,00 un
ESGOTO/RESÍDUOS > DE SISTEMA DE ESGOTO/RESÍDUOS SÓLIDOS > #TOS_6.2.4.6 - PLANO
DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS

Após a conclusão das atividades técnicas o profissional deve proceder a baixa desta ART

5. Observações
Coordenação e elaboração dos estudos para o licenciamento ambiental (LP e LI) do Complexo Santa Eugênia Solar.

6. Declarações

7. Entidade de Classe
NENHUMA DAS ENTIDADES

8. Assinaturas
Declaro serem verdadeiras as informações acima RODRIGO MORAES BELEM - CPF: 012.331.506-93

Salvador
________________, 14
________ março
de ___________________ 2023
de ________
Local data MARON Ambiental Ltda. - CNPJ: 35.030.383/0001-25

9. Informações
* A ART é válida somente quando quitada, mediante apresentação do comprovante do pagamento ou conferência no site do Crea.

10. Valor
Valor da ART: R$ 96,62 Registrada em: 14/03/2023 Valor pago: R$ 96,62 Nosso Número: 55546571

A autenticidade desta ART pode ser verificada em: [Link] com a chave: zadyW
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