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PPEERRSSOONNAALL

TTRRAAIINNIINNGG

Wallace Monteiro

Manual para Avaliação e Prescrição de Condicionamento Físico

4 a edição

A I I N N I I N N G G Wallace Monteiro Manual para Avaliação

Direitos exclusivos para a língua portuguesa copyright© 1998 by EDITORA SPRINT LTDA. Rua Guafiara, 45 - Tijuca CEP- 20551-180 - Rio de Janeiro - RJ Telefax.: OXX-21-2264-8030 / OXX-21-2567-0285 / OXX-21-2284-9380

Reservados todos os direitos. Proibida a duplicação ou reprodução desta obra, ou de suas partes, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia ou outros) sem o consentimento expresso, por escrito, da Editora.

Capa: João Renato Teixeira Editoração: Riotexto

CIP-Brasil. Catalogação na fonte. Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.

MONTEIRO, Walace D.

Personal training – Manual para avaliação e prescrição de condicionamento físico / Walace D. Monteiro

- Rio de Janeiro: 4 a edição inclui bibliografia ISBN 85-7332-064-8

Sprint, 2004

1.

Educação Física

2. Aptidão física

3.

Condicionamento físico

4. Avaliação funcional

I. Título

Depósito Legal na Biblioteca Nacional, conforme Decreto n° 1.825 de 20 de dezembro de 1967. Impresso no Brasil Printed in Brazil

DDeeddiiccaattóórriiaa

Este livro é dedicado a todos os professores de Educação Física que procuram aprimorar seus conhecimentos, desempenhando a profissão com competência, ética e responsabilidade.

AAggrraaddeecciimmeennttooss

Algumas pessoas serão sempre merecedoras de agradecimentos. Seja pelo incentivo, apoio ou críticas nos momentos importantes da nossa vida. Contudo, alguns amigos merecem ser especialmente lembrados devido à sua contribuição mais direta na confecção deste material. Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao meu grande amigo

Vitor Lira, pelo incentivo e incondicional apoio em todas as etapas de redação deste livro. Aos amigos Marcos Santos e Paulo Farinatti, pelas relevantes críticas a este texto e pela constante disponibilidade para ajudar-me, sempre que requisitados.

A Julia Hermeto e Guilherme Martins, o meu muito obrigado,

pela paciência e dedicação com que posaram para as fotos.

A amiga Stella Torreão, pela valorização do meu trabalho e pela

oportunidade de retomar minhas atividades em academia, fato que me incentivou a escrever este livro. Aos amigos Paulo Sotter, Paulo Roberto Amorim, Marco Antônio Barreto e Sidney Silva, companheiros do Laboratório de Fisiologia do Exercício, pelo incentivo e pelas alegrias na convivência diária.

SSoobbrree oo AAuuttoorr

Walace Monteiro é professor de Educação Física, especialista em Treinamento Desportivo e mestre em Educação Física pela Universidade Gama Filho. È professor-convidado dos cursos de Pós-graduação Latu- Sensu das Universidades Gama Filho e Castelo Branco, onde atua na formação de professores de Educação Física e fisioterapeutas. Também integra o corpo docente do curso de Especialização em Medicina do Exercício e do Esporte da Universidade Estácio de Sá. Atualmente, exerce a função de coordenador do Laboratório de Fisiologia do Exercício do Núcleo do Instituto de Ciências da Atividade Física da Aeronáutica. Após alguns anos afastado do trabalho em academias, retomou suas atividades na área, coordenando os setores de avaliação funcional e musculação da academia Stella Torreão Hydro Center.

Sua presença constante em cursos de avaliação funcional e de prescrição de exercícios para atletas e não-atletas, além da atuação como consultor para vários personal trainers, foi motivo e inspiração para a elaboração deste manual.

Sumário

Prefácio

13

Introdução

15

1 Aspectos Preliminares à Prática de Atividade Física

19

Avaliação

Clínica

19

Avaliação da Prontidão para a Prática de Atividade física - Questionário PAR-Q

22

2 Avaliação da Aptidão Física

27

Anamnese

29

Avaliação das Características Morfológicas

33

Avaliação da Flexibilidade

62

Avaliação da Aptidão Cardiorrespiratória

87

Avaliação da Resistência Muscular

100

3 Treinamento de Força

109

Princípios Básicos e Conceitos Introdutórios

109

Treinamento da Força Estática

122

Treinamento da Força Dinâmica

126

Trabalho de Força Aplicado a Crianças

135

Trabalho de Força Aplicado a Idosos

139

Principais Exercícios que Devem Constar no Repertório do Treinamento de Força

142

Mecanismos da Dor Tardia Após os Exercícios

151

4 Treinamento Aeróbio

155

Aspectos

Introdutórios

155

Aspectos Metodológicos do Treinamento Aeróbio

158

 

Treinamento Intervalado

173

Exercício Físico Direcionado à Perda Ponderal

177

Exercícios Aeróbios e Sistema Imunológico

182

5

Treinamento de Flexibilidade

187

Conceitos Básicos e Aspectos Introdutórios

187

Fatores Limitantes da

188

Fatores Intervenientes na Flexibilidade

190

Mecanismos Proprioceptivos e sua Importância no Trabalho de Flexibilidade

194

Aspectos Metodológicos do Treinamento de

197

Principais Métodos para o Treinamento de Flexibilidade

200

Exercícios para o Trabalho da Flexibilidade

205

Apêndice 1

Medidas antropométricas mais utilizadas na avaliação da morfologia corporal em não-atletas

213

Apêndice 2

A Informática como instrumento de auxílio no trabalho do personal trainer

223

Apêndice 3

Descrição dos movimentos do flexiteste

239

Referências Bibliográficas

249

PPrreeffáácciioo

O tempo voa. Nem parece que já fazem mais de 15 anos, quando um jovem e animado aluno não me deixava acabar as aulas de Biometria e Fisiologia do Exercício na Escola de Educação Física de Volta Redonda, sem ter sempre uma ou duas perguntas adicionais. Este interesse e curiosidade diferenciadas foram sempre acompanhadas de excelente rendimento acadêmico e de uma enorme vontade de crescer e se desenvolver, não no sentido físico mas sim na esfera cognitiva. Monitor em uma primeira fase, estagiário no Programa de Reabilitação Cardíaca do Hospital Clementino Fraga Filho na UFRJ em outra, era sempre o mesmo irrequieto e motivado indivíduo. Diligente, organizado e responsável, dominava a técnica do flexisteste e foi um dos colaboradores no processo de determinação da fidedignidade inter- observadores ao avaliar mais de 1200 fotos de crianças sendo submetidas à medida e avaliação da flexibilidade. Alçou vôo próprio, ingressou, cursou e concluiu o seu mestrado em Educação Física na Universidade Gama Filho e ao mesmo tempo, se aprofundou nas áreas de cineantropometria e avaliação funcional. Enquanto continuava na batalha da vida profissional, teve a oportunidade de engajar na atividade do Instituto de Ciências da Atividade Física da Aeronáutica, inicialmente como colaborador e pesquisador e mais recentemente como coordenador do Laboratório de Fisiologia do Exercício, onde vem realizando uma série de atividades profícuas.

Possuidor de uma base sólida, não foi difícil para ele, apaixonado pela leitura científica regular, de escrita fácil e um excelente usuário avançado da informática, aproveitar um período de algumas semanas de repouso relativo provocado por uma cirurgia eletiva, para escrever mais um livro. Em uma abordagem ao mesmo tempo concisa, abrangente e muito bem organizada, ele discute a avaliação e a prescrição de exercícios ao alcance do personal trainer. Apresenta e traz soluções, algumas clássicas e outras bastante originais, que certamente representarão um avanço e uma contribuição para a atividade profissional de um personal trainer sério. Um dos prazeres da docência é poder avaliar o impacto favorável de sua ação sobre o discente. Ter estimulado e de certo modo influenciado a formação e trajetória de Walace Monteiro é motivo para mim de orgulho e satisfação, mais ainda por ter a certeza de que muitos outros frutos ainda virão desta árvore. Ao leitor, desejo que curta a possibilidade de ampliar os seus conhecimentos, de ver a primeira versão integral (correta) do flexiteste e seus mapas publicada em um livro brasileiro e de se beneficiar com a farta bibliografia oferecida ao final.

Dr. Cláudio Gil Soares de Araújo

IInnttrroodduuççããoo

Devido à constante evolução da mecanização, os estilos de vida sedentária tornam-se cada vez mais prevalentes. As evidências demonstram que a atividade física regular, se realizada de forma adequada, pode proteger os praticantes contra o desenvolvimento e a progressão de diversos tipos de doenças crônicas. Todavia, é preciso reconhecer que os indivíduos, ao iniciarem um programa de condicionamento físico, necessitam de cuidados para que a prática sistemática das atividades possam realmente trazer benefícios à sua saúde. Nesse sentido, Pollock & Wilmore (1993) destacam que é necessário compreender claramente as necessidades pessoais, a história e as condições clínicas e fisiológicas atuais para prescrever atividades físicas de forma adequada e segura. As pessoas podem variar muito suas condições de saúde, condicionamento físico, estrutura física, idade, aspectos motivacionais e necessidades. Conseqüentemente, recomenda-se uma abordagem individual na elaboração dos programas de treinamento que tenham como objetivo principal a promoção da saúde. Os componentes da aptidão física que devem constar em qualquer programa regular de condicionamento físico voltado para a promoção da saúde são: força/resistência muscular, flexibilidade e aptidão cardiorrespiratória. Existe uma forte base na literatura que apóia esses componentes como os mais importantes no processo de aquisição e manutenção da saúde orgânica, levando também à melhoria de vários aspectos da saúde psicológica e social. Mas estruturar e monitorar um programa de exercícios pode ser um tanto quanto

complexo, principalmente em função da variabilidade de características exibidas pelos praticantes. Por isso, o profissional envolvido na arquitetura do treinamento deve estar preparado para modificar suas prescrições, de acordo com as respostas e adaptações observadas. Ainda, deve-se reconhecer que os resultados desejáveis podem ser atingidos com atividades que variem consideravelmente quanto ao tipo, freqüência semanal, duração, intensidade do esforço e ritmo de progressão. Atividades elaboradas de forma rígida e matemática podem ser inadequadas e desmotivantes, levando os praticantes à evasão dos programas de exercícios. Uma adequada prescrição de atividade física deve ser embasada cientificamente. Entretanto, programas de sucessso aplicam os princípios científicos de forma flexível. Logo, o conhecimento teórico deve ser pesado e analisado com bom senso na hora de colocarmos em prática seus fundamentos. A prescrição dos programas de condicionamento físico é tanto uma arte quanto uma ciência, onde a teoria deve aliar-se à prática, complementando-a e interando-a para a obtenção de um mesmo objetivo. Recentemente, o aumento da demanda no mercado de trabalho ampliou as possibilidades para a atuação personalizada do professor de Educação Física. Embora a prática de aulas personalizadas já ocorra há muitos anos, atualmente, um maior número de indivíduos tem procurado os serviços de um especialista em prescrição individualizada de condicionamento físico. O que antes era traduzido por aulas particulares, convencionou-se chamar de treinamento personalizado ou Personal Training. Reconhecemos que, embora muitos preguem esta forma de trabalho como algo inovador, ela já se faz presente na atuação de muitos profissionais, há muitos anos. Mudou-se a roupagem do nome, aprimoraram-se alguns aspectos inerentes à metodologia do treinamento, acrescentando-se também estratégias de marketing como

forma de vender o trabalho do profissional. Ao nosso ver, nada há de errado nisso, desde que o trabalho prestado seja pautado dentro de uma metodologia correta, respaldada cientificamente. Dessa forma, o presente livro tem como propósito abordar os principais aspectos fisiológicos e metodológicos da avaliação e prescrição de exercícios direcionados ao trabalho dos treinadores personalizados, principalmente daqueles que iniciam a sua atuação nesta área. Procuramos, com base na nossa experiência, dar ao texto um enfoque prático e aplicado, fundamentado em bases científicas para atender às peculiaridades que envolvem o trabalho do treinador personalizado. Embora reconheçamos que muito ainda tenha que ser adicionado a este conteúdo, acreditamos que a forma pela qual o texto foi organizado pode contribuir para a práxis dos professores de Educação Física que atuam nesta área.

CCaappííttuulloo11 ▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬

Aspectos Preliminares à Prática de Atividade Física

Antes de iniciar qualquer programa regular de exercícios, algumas condutas devem ser tomadas de modo a oferecer maior segurança e controle na aplicação dos treinamentos. A tabela 1 apresenta algumas sugestões preliminares que podem ser adotadas nesse sentido.

Avaliação Clínica

A avaliação clínica constitui um passo muito importante na elaboração dos programas de atividade física. Em função dela, podem ser obtidas diversas informações acerca do estado de saúde do avaliado, bem como dos possíveis riscos de desenvolvimento de doenças. Isso confere maior segurança ao profissional responsável pela elaboração e acompanhamento dos programas de exercícios. De acordo com Wilmore & Costill (1994), o exame clínico pode trazer os seguintes benefícios para os candidatos a um programa regular de atividades físicas: a) identificar as pessoas que apresentam maiores riscos e que devem se exercitar mediante supervisão médica; b) as informações obtidas na avaliação clínica podem ser usadas na

prescrição do exercício; c) os valores obtidos em certas variáveis clínicas podem ser utilizadas para motivar os praticantes a aderirem aos programas de exercícios; d) uma avaliação clínica global, particularmente para as pessoas saudáveis, pode fornecer parâmetros com os quais modificações subseqüentes no estado de saúde poderão ser comparadas.

Tabela 1 Sugestões Preliminares para Prescrição dos Programas de Condicionamento Físico

1 - Avaliação Clínica

• História Clínica

• Exame Físico

• Exames Complementares (direcionados pelo médico)

2 - Avaliação

da aptidão Física

• Anamnese voltada para a prática de exercícios • Avaliação das Características Morfológicas •Avaliação das Características Neuromusculares •Avaliação das Características Metabólicas

3 - Estabelecer objetivos a curto, médio e longo prazo.

4 - Esclarecer ao avaliado os procedimentos envolvidos na prescrição

das atividades.

A avaliação clínica é realizada por um médico, se possível com formação em Medicina do Esporte. Caso isto não seja viável, é importante que o médico envolvido na avaliação possua conhecimentos de cardiologia e ortopedia. Um exame clínico consta, basicamente, de duas partes. Na primeira é conduzida uma anamnese, também chamada de história

clínica, e na segunda, um exame físico. Segundo o ACSM (1991) os aspectos a serem investigados nas duas partes que constituem o exame clínico incluem os seguintes procedimentos:

Anamnese

Nesta etapa, os indivíduos deve ser questionados sobre sua história pregressa ou presente quanto aos seguintes sinais, sintomas ou doenças: infarto do miocárdio, angioplastia coronariana ou cirurgia cardíaca; desconforto torácico, principalmente com o exercício; tontura e desmaios durante o exercício; dispnéia no exercício; palpitações ou taquicardia; sopros cardíacos, cliques ou achados cardíacos pouco habituais; pressão arterial elevada; acidente vascular encefálico; edema maleolar; doença arterial periférica ou claudicação; flebite, embolia; doenças pulmonares, incluindo asma, enfisema e bronquite; anormalidades no perfil lipídico; diabetes; anemia; problemas emocionais; doença importante, hospitalização ou procedimento cirúrgico recentes; medicamentos em uso; alergia a drogas; problemas ortopédicos; artrite; história familiar de doença coronariana, morte súbita, anormalidades no perfil lipídico; hábitos como ingestão de cafeína, ingestão de álcool, tabagismo, problemas alimentares; história de exercícios, incluindo-se o tipo de exercício, a duração, a freqüência semanal e a intensidade.

Exame Físico

Nesta etapa, deverá ser realizado um exame sumário abrangendo aspectos cardiovasculares, pulmonares e ortopédicos, incluindo-se aí os seguintes tópicos: freqüência e regularidade de pulso; pressão arterial deitado, sentado e de pé; ausculta pulmonar com atenção especial para a uniformidade dos sons respiratórios em todas as áreas (ausência de

estertores, roncos e sibilos); palpação do impulso cardíaco apical; ausculta cardíaca com atenção especial para os sopros, galopes, cliques e atritos; palpação e ausculta das artérias carótidas, abdominais e femorais; palpação e inspeção dos membros inferiores para verificação da presença de edema e de pulsos arteriais; ausência ou presença de xantomas ou xantelasmas; problemas ortopédicos. Para grande parte dos candidatos a um programa regular de exercícios, o exame clínico é suficiente para realizar uma triagem do estado de saúde. Todavia, em função dos dados evidenciados na avaliação clínica, poderão ser solicitados alguns exames complementares que, em geral, enquadram-se em quatro categorias básicas: exames de bioquímica sangüínea; exames de imagem, prova espirométrica e teste de esforço. Os exames complementatres podem ser muito importantes, atuando de forma preventiva e/ou confirmando diagnósticos, aumentando desta forma a sensibilidade na detecção dos praticantes com maiores riscos.

Avaliação da Prontidão para a Prática de Atividade Física - Questionário PAR-Q

Está bem reportado na literatura que o exercício físico tem se mostrado um excelente coadjuvante na prevenção e no tratamento de doenças, assim como fator de promoção da saúde em seu sentido mais amplo (ACSM, 1991; PAFFEM-BARGER et al, 1993; THOMPSON, 1994; WHO/FIMS, 1995; PATE et al. 1995; VIRU & SMIRNOVA, 1995; BLAIR et al, 1996; FLETCHER, 1997). Para os indivíduos que possuem o hábito de se exercitar regularmente, o início de um programa de atividades físicas deve cercar-se de cuidados. Exercícios cujas intensidade não seja condizente com as condições do praticante podem vir a se

constituir em risco para a sua integridade (VAN MECHELEN, 1992; NIEMAN, 1994; BLAIR et al., 1996; WAYNE et al, 1996; BRINES et al., 1997). Dessa forma, os riscos inerentes ao exercício devem ser sopesados quando de sua prescrição, seja formal ou informalmente. Este problema foi e vem sendo alvo de preocupações por parte da comunidade científica que lida com a prescrição das atividades físicas para a população em geral. É comum encontrarmos como aconselhamento (principalmente a partir dos trinta e cinco anos) a qualquer pessoa que queira começar a se exercitar, a necessidade de se consultar com profissionais de medicina, de forma a precaver-se de acidentes que possam advir do exercício (ACSM, 1991). Como descrito anteriormente, a consulta a um médico inclui um exame clínico e, se necessário, exames complementa res. Porém, a obrigatoriedade de consultas médicas prévias (como teríamos em situação ideal), antes do engajamento em programas de atividades físicas, poderia afastar grandes parcelas da população deste hábito. Além disso, é francamente inexeqüível a pretensão de levar-se a bom termo tais consultas, quando lidamos com grandes escalas populacionais. Em muitas situações, não é possível o praticante realizar um exame clínico antes de iniciar um programa regular de exercício:. Nesses casos, o professor de educação física pode lançar mão de um instrumento que seja capaz de fornecer dados sobre o estado de saúde do avaliado, bem como dos possíveis riscos que um programa de exercícios pode representar. Visando identificar, de forma inicial, os indivíduos para os quais uma avaliação médica seria realmente aconselhável, e aqueles que poderiam prescindir desta avaliação antes de iniciarem um programa de exercícios, foi desenvolvido e validado pelo British Columbia Ministry of Health (Canadá)

(BAILEY et al, 1976), um questionário bastante simples e auto- administrável, composto de sete perguntas de múltipla escolha. Através deste instrumento, é possível destacar de uma população aqueles que necessitariam de uma avaliação médica preliminar ou acompanhamento médico durante programas de atividade física, bem como aqueles que poderiam iniciá-los sem tal acompanhamento, com razoável margem de segurança. O questionário foi denominado "Questionário de Prontidão para a Atividade Física" (Physical Activity Readiness Questionnarie) ou "PAR-Q" (tabela 2). O PAR-Q possui uma sensibilidade de 100% para detecção de contra- indicações médicas ao exercício e uma especificidade de 80% (SHEPHARD et al, 1981; SHEPHARD, 1988; ACSM, 1991). No Canadá, o PAR-Q tem sido recomendado como padrão mínimo de triagem pré- ativi-dade antes do início de programas de atividade física leve a moderada (FITNESS SAFETY STANDARDS COMMITTEE, 1990). Nas últimas duas décadas, o PAR-Q foi administrado com sucesso em diversos países, e mais de um milhão de pessoas foram submetidas a atividades físicas após triagem feita pelo questionário, sem nenhum problema cardiovascular sério relatado (SHEPHARD, 1988; 1994). No Brasil, alguns estudos de validação deste questionário também foram conduzidos mostrando resultados satisfatótios (KAWAZOE et al., 1993; FARINATTI & MONTEIRO, 1996; MONTEIRO et al, 1997a). Em 1992, o PAR-Q sofreu modificações visando melhorar a sua validade. Após a realização de estudos comparativos entre o questionário original e o revisado, o PAR-Q revisado passou a ser adotado como um screening para avaliação de candidatos à prática regular de atividades físicas, visto sua maior sensibilidade e especificidade (THOMAS et al, 1992; CARDINAL & CARDINAL, 1995; CARDINAL et al', 1996).

Pode-se dizer que o questionário PAR-Q avalia três principais parâmetros, a saber: a) cardiovascular (perguntas 1, 2, 3, e 6); b) ósteo- mio-articular (pergunta 5) e c) outros problemas, onde geralmente estão inseridos os problemas de ordem metabólica e/ou pulmonares (perguntas 4 e 7). A avaliação das respostas ao questionário é realizada da seguinte forma:

a) PAR-Q Positivo: uma ou mais respostas positivas. Nesse caso,

o avaliado deve consultar um médico antes de aderir a um programa regular de atividades físicas. b) PAR-Q Negativo: todas as perguntas negativas. O avaliado tem uma razoável garantia de apresentar condições adequadas para a participação em um programa regular de atividades físicas. O PAR-Q pode se constituir em instrumento útil na detecção daqueles que realmente necessitam de orientação ou supervisão médica, para manterem-se fisicamente ativos, otimizando o aproveitamento de pessoal médico e de instrumental de exame. Por constituir-se em um instrumento útil, de baixo custo e grande aplicabilidade, o questionário pode e deve ser utilizado pelo treinador personalizado, quando não for possível realizar exames clínicos precedendo a prática de atividade física.

Tabela 2 - Questionário PAR-Q

1 - Alguma vez um médico lhe disse que você possui um

problema do coração e recomendou que só fizesse atividade física sob supervisão médica?

( ) SIM

2 - Você sente dor no peito causada pela prática de atividade física?

( ) NÃO

(

) SIM

( ) NÃO

3

- Você sentiu dor no peito no ultimo mês?

(

) SIM

( ) NÃO

4

- Você tende a perder a consciência ou cair, como resultado de

tonteira?

( )

SIM

( ) NÃO

5 - Você tem algum problema ósseo ou muscular que poderia ser agravado com a prática de atividade física?

(

) SIM

( ) NÃO

6

- Algum médico já recomendou o uso de medicamentos para a

sua pressão arterial ou condição cardiovascular?

(

) SIM

( ) NÃO

7

- Você tem consciência, através da sua própria experiência ou

aconselhamento médico, de alguma outra razão física que impeça sua prática de atividade física sem supervisão médica?

( ) SIM

( ) NÃO

CCaappííttuulloo 22 ▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬

AAvvaalliiaaççããoo ddaa AAppttiiddããoo FFííssiiccaa

O desempenho físico é resultado de uma complexa combinação

de fatores fisiológicos, biomecânicos e psicológicos. A interação do material genético paterno e materno (genótipo), com o ambiente e suas influências (fenótipo), desempenha um papel fundamental na prática do exercício. Respeitando este princípio, a definição das potencialidades e deficiências relacionadas à aptidão física se faz necessária, no sentido de diagnosticar e orientar o treinamento individualizado (FARI-NATTI & MONTEIRO, 1992).

A avaliação da aptidão física constitui um importante elemento

no processo de condicionamento físico. Segundo Monteiro (1996), existem pelo menos cinco grandes objetivos que norteiam este tipo de avaliação:

a) obter parâmetros sobre o estado de saúde do avaliado;

b) diagnosticar potencialidades e deficiências referentes às

valências físicas a serem trabalhadas;

c)

orientar o trabalho individualizado;

 

d)

servir

como

feedback

durante

todo

o

processo

de

treinamento;

e) integrar o processo educacional pelo qual o avaliado aprende a compreender melhor suas necessidades, levando-o a uma maior aplicação nos treinamentos e obtenção de melhores resultados.

A bateria de testes que compõe a avaliação da aptidão física deve ser estruturada em função dos objetivos e necessidades dos praticantes, bem como dos recursos materiais e tempo disponível para a testagem. Neste texto, embora de forma simples e resumida, são apresentadas algumas técnicas e protocolos que podem ser utilizados na avaliação da aptidão física. O processo de medida e avaliação da aptidão física pode ser dividido em três etapas. A primeira diz respeito à seleção de testes, devendo ser conduzida em função dos objetivos da testagem, dos critérios de autenticidade científica inerentes aos testes e das possibilidades administrativas. Este último item engloba a disponibilidade de tempo, bem como os recursos materiais e financeiros para a realização dos testes. A segunda etapa corresponde à aplicação dos testes. Nesse contexto, destacam-se o treinamento dos avaliadores,

a determinação da seqüência para aplicação dos testes, o controle e

registro dos dados e das condições que possam influenciar nos resultados. Por fim, a terceira etapa envolve a interpretação dos resultados. Para que ela seja processada com sucesso, é necessário que

o avaliador integre o conhecimento de várias áreas para analisar os

fenômenos biológicos que são expressos através de variáveis numéricas. Destacamos aí a importância das seguintes áreas: anatomia aplicada, fisiologia do exercício, nutrição e metodologia do treinamento físico. Assim como no exame clínico, pode-se permitir um determinado grau de flexibilidade nas baterias de testes que avaliam a aptidão física, na dependência do estado de saúde, idade, sexo e nível de condicionamento físico dos praticantes.

Além, disso, os recursos disponíveis e a funcionalidade dos testes devem ser levados em conta. Entre as diversas metodologias empregadas na avaliação da aptidão física, procuramos citar neste guia aquelas que possuem grande aplicabilidade e baixo custo, para serem utilizadas no trabalho do treinador personalizado. Para os interessados em um aprofundamento envolvendo questões mais específicas sobre o processo de medida e avaliação da aptidão física, literatura complementar pode ser consultada (HEYWARD, 1991; 1996; MC DOWGALL et al, 1991; ADAMS, 1994; MORROW et al, 1995; SAFRIT &c WOOD, 1995; MAUD & FOSTER, 1995; DOCHERTY, 1996; RO-CHEetaL, 1996).

1 – Anamnese

A palavra anamnese vem do grego e significa recordar. A anamnese ocorre na forma de entrevista, representando uma importante etapa na coleta de dados. Seu direcionamento deve ser voltado para diagnosticar alguns dos principais aspectos que poderão ajudar a prescrever o programa de atividades físicas. FARINATTI & MONTEIRO (1992) ressaltam que um dos ingredientes mais importantes da anamnese é o bom relacionamento entre o avaliador e o avaliado. Para os autores, a narrativa do avaliado necessita ser atenta e especialmente ouvida, e o avaliador deve despertar a confiança do seu entrevistado através da atenção e interesse pelos dados relatados. O avaliador deve ser suficientemente treinado para, frente à ansiedade, limitação de memória, inibição e aspectos sócio-culturais do entrevistado, fornecer condições de relato dos dados, através de uma conduta mais eu menos informal. Para conduzir uma anamnese voltadr. para a investigação dos aspectos relevantes à prática de atividade física, sistematizamos aqui o seu desenvolvimento em cinco etapas distintas:

1

- Objetivos do entrevistado: conhecer os objetivos que levaram

o aluno a procurar o professor constitui o primeiro passo do trabalho do treinador personalizado.

2 - Atividades físicas: esta parte é dedicada à investigação do

passado e presente de atividades físicas do avaliado, bem como de suas atividades preferidas.

3 - Aspectos gerais da nutrição do aluno: esta parte pode ser

subdividida em dois tópicos. O avaliador poderá investigar quais as refeições realizadas pelos alunos, bem como seus principais hábitos alimentares. Conhecer as características alimentares dos alunos constitui um passo relevante na elaboração e acompanhamento dos programas de atividades físicas. É importante destacar que esta etapa da anamnese é extremamente complexa e difícil de ser realizada por um professor de educação física. Seu objetivo não é substituir o trabalho de um especialista em nutrição, mas obter informações básicas sobre as características que regem a alimentação do aluno. A partir desses dados, o professor poderá desenvolver um trabalho educacional, orientando seu aluno sobre algumas condutas básicas sobre alimentação ou, se for o caso, encaminhá-lo a um profissional da área de nutrição. 4 - Dados clínicos relevantes à prática de atividade física: antes de realizar a avaliação da aptidão física, o avaliado deve passar por um exame clínico, de preferência realizado por um médico especalista em Medicina do Esporte. Em função dos dados fornecidos pelo médico, o avaliador poderá registrar em sua anamnese os seguintes tópicos: a) fatores de risco para doenças coronariana; b) medicamentos em uso; c) problemas ósteo-mio-articulares que possam interferir na prática do exercício; d) quaisquer outras características descritas pelo médico que se façam necessárias.

5 - Considerações finais- este tópico pode ser dividido em duas partes. Inicialmente, o avaliador poderá anotar os dados referentes à disponibilidade de dias e horários para a prática de atividades físicas. Por fim, poderá ser incorporado à anamnese qualquer relato não- abordado anteriormente que seja importante para a elaboração do programa de atividades físicas. Geralmente, o avaliador pergunta ao entrevistado se existe algum aspecto não indagado que ele julgue relevante relatar. A seguir, apresentamos um modelo básico de anamnese que pode ser empregado por um treinador personalizado. Apesar de um tanto quanto simplista em alguns aspectos, a proposta pode servir como ponto de partida para a organização de uma triagem adequada à realidade de cada profissional.

Modelo de Anamnese Aplicado ao Treinamento Personalizado

Nome:

Data do Nasc:

/

/

Idade:

anos

Sexo: ( ) M ( ) F

Profissão:

Estado civil:

Telefone:

Endereço:

Objetivos do aluno:

Passado de atividade física:

Atividades físicas atuais:

Esportes e/ou atividades físicas preferidas:

Quais as refeições que você normalmente realiza ao dia?

( ) café

( ) colação

( ) almoço

( ) lanche

( ) jantar

( ) ceia

Você geralmente segue alguma rotina alimentar em suas

refeições? ( ) Sim

Caso siga, descreva suscintamente de que se alimenta nas refeições que realiza:

( ) Não

Café:

Colação:

Almoço:

Lanche:

Jantar:

Ceia:

Caso não tenha um esquema regular de alimentação, descreva algumas características gerais que envolvem seus hábitos alimentares:

Fatores de risco para doença coronariana

(

) Fumo

( ) Hipertensão Arterial

( ) Hiperlipidemias

(

) Diadetes Mellitus ( ) História

(

) Estresse Familiar

(

) Sedentarismo

( ) Hiperuricemia

(

) Menopausa

(

) Contraceptivo oral ( ) Perfil tipo A

(

) Outros

Obs:

Foi referido pelo seu médico algum problema ósseo, articular ou muscular que possa ser agravado pela prática de atividades físicas? ( ) Sim( ) Não Se sim, qual (ais)?

( ) Não

Você já se lesionou praticando exercícios?

( ) Sim

Se sim, qual(ais) a(s) lesão(ões) e há quanto tempo?

Atualmente você está utilizando alguma medicação?

( )Sim

Caso esteja, qual (ais) e durante quanto tempo vem utilizando?

( )Não

Você tem conhecimento de algum outro problema médico não perguntado que possa influenciar na sua prática de exercícios?

( ) Sim

( ) Não

Caso tenha, qual (ais)? Qual a sua disponibilidade quanto aos horários e freqüência semanal para a prática de atividades físicas? Existe algum fator não referido nesta anamnese que possa influenciar no seu programa de atividades físicas?

( )Sim

Se existe, qual (ais)?

( )Não

2 - Avaliação das Características Morfológicas

As características morfológicas podem ser avaliadas através de técnicas antropométricas simples ou procedimentos mais sofisticados em laboratório. As medidas antropométricas apresentam grande aplicabilidade, além de serem rápidas e de baixo custo. Métodos laboratoriais geralmente são caros, o que inviabiliza a sua utilização em larga escala. Por isto, adotaremos algumas medidas antropométricas que podem ser utilizadas na avaliação das principais características morfológicas aplicadas ao trabalho do treinador personalizado. Para os

maiores interessados, a visualização das medidas pode ser vista no apêndice 1.

Medidas Antropométricas

Peso corporal - Para a sua realização, a balança deve estar

previamente calibrada e o avaliado, com a menor quantidade de roupa possível. A seqüência sugerida para a medida do peso corporal é a seguinte:

1) Após a calibragem, trava-se a balança; 2) Pergunte ao avaliado qual o seu peso aproximado e ajuste os cilindros correspondentes à carga no local citado. Este procedimento tende a evitar o "tranco" da balança, quando a trava for retirada; 3) Peça ao avaliado para subir na balança, colocando-se no centro da plataforma e somente depois retire a trava; 4) Efetue a leitura; 5) Trave a balança novamente e peça que o avaliado saia da plataforma; 6) Retorne os cilindros ao ponto zero.

Estatura - Esta medida consiste na distância entre o vértex e a

região plantar, estando a cabeça posicionada com o plano de Frankfurt paralelamente ao solo, e o corpo, na posição anatômica. Sua aferição deve ser realizada com o corpo o mais alongado possível. Alguns autores preconizam que seja realizada uma inspiração máxima, seguida de uma apnéia, para então neste momento, efetuar-se a leitura. Com ou sem apnéia, o importante é que o corpo esteja o mais alongado possível. Observação: É importante citar que as medidas do peso corporal e da estatura são influenciadas pela hora do dia. A ação da gravidade, no caso da estatura, bem como o estado de

alimentação, no caso do peso corporal, podem influenciar na obtenção dos resultados. Dessa forma, condições e horários de medidas devem ser padronizados.

Perímetros ou Circunferências Corporais

Os perímetros ou circunferências são principalmente aplicados na avaliação do grau de simetria dos segmentos corporais e no acompanhamento dos efeitos das diversas formas de treinamento sobre a morfologia corpórea. Para a mensuração dos perímetros é necessário que a fita métrica seja ajustada no ponto anatômico adequado, sem no entanto pressioná-lo demasiadamente, de forma a não comprimir o tecido mole subjacente. Da mesma forma, a fita não deve circundar o ponto com uma pressão muito reduzida, evitando folgas entre o instrumento e a pele. Existem várias metodologias que podem ser empregadas para aquisição das circunferênciais. Citaremos neste texto uma padronização básica envolvendo medidas de fácil realização, que possuem aplicação direta no trabalho do treinador personalizado. Em função das necessidades encontradas, outras circunferências poderão ser adotadas. Os interessados em um maior aprofundamento neste aspecto podem consultar Callaway et al, 1988; Ross & Marfell-Jones (1991); Ross (1996); Heyward & Stolarczyk (1996).

Descrição das Medidas

Tórax - Medida tomada no plano horizontal logo abaixo da

axila, ao nível da prega axilar. Para homens, esta medida tambem poderá ser obtida ao nível dos mamilos.

Abdome - Medida tomada no plano horizontal, ao nível da

cicatriz umbilical.

Quadril - Medida tomada no plano horizontal, na área de maior

circunferência do quadril.

Braço relaxado - Medida tomada na área de maior

circunferência, estando o braço posicionado no plano horizontal, com a articulação do cotovelo em extensão.

Braço contraído - Medida tomada na área de maior

circunferência do braço, com o mesmo posicionado no plano horizontal e antebraço fletido em supino, num ângulo de 90°. Neste caso, pode-se utilizar o braço contra-lateral para fazer oposição à contração. Se for desejado, o avaliado poderá fazer uma contração máxima, com flexão total da articulação do cotovelo.

Antebraço - Medida tomada na área de maior circunferência,

devendo a articulação do cotovelo encontrar-se em extensão. A medida pode ser realizada com a palma das mãos abertas (relaxado) ou com flexão dos dedos e punhos (contraído).

Coxa - Medida tomada no plano horizontal, logo abaixo da

prega glútea. O peso corporal deve estar igualmente distribuído nos membros inferiores.

Perna - Medida tomada no plano horizontal, na área de maior

circunferência da panturrilha, estando o peso corporal igualmente distribuído nos membros inferiores.

Dobras Cutâneas

As medidas de dobras cutâneas são muito utilizadas em estudos antropométricos, fundamentalmente pela sua grande aplicabilidade e baixo custo. Ao contrário dos perímetros, as

dobras cutâneas apresentam maiores dificuldades para sua mensuração, fato que demanda um exaustivo treinamento dos avaliadores. A importância das dobras cutâneas na avaliação da composição corporal reside na possibilidade de estimar a quantidade total de gordura e conhecer o seu padrão de distribuição em diferentes regiões do corpo. O excesso de gordura, bem como uma distribuição da mesma na região central do corpo, pode representar riscos à saúde. Para que as medidas de dobras cutâneas sejam realizadas corretamente algumas normas devem ser seguidas (tabela 3).

Tabela 3

Normas Básicas para a Realização de Medidas de Dobras Cutâneas

1 - Todas as dobras são realizadas do lado direito;

2 - A dobra deve ser pinçada com os dedos polegar e indicador;

3 - O compasso deve estar perpendicular à dobra ao efetuar o

pinçamento;

4 - Após o pinçamento, deve-se aguardar um tempo aproximado

de dois segundos para efetuar a leitura;

- aproximadamente , a um centímetro do ponto de reparo.

5

As

pontas

do

compasso

deverão

se

localizar

Na tentativa de minimizar as possibilidades de erros nas medidas, sugerimos uma seqüência de procedimentos que podem ser adotados na realização das mesmas:

a) identificar os pontos de referência;

b) demarcar o local;

d)

pinçar a dobra;

e) realizar a leitura;

f) retirar o compasso;

g) soltar a dobra.

Descrição das Medidas

Tórax ou peitoral - O avaliado deverá estar em pé, de frente

para o avaliador, em posição ortostática. O local a ser mensurado é o ponto médio entre a linha axilar anterior direita e o mamilo. A dobra cutânea deverá ser destacada obliquamente, um centímetro acima do local demarcado, e o compasso deverá ser colocado perpendicularmente à mesma. Essa medida é geralmente empregada na avaliação de indivíduos do sexo masculino. Entretanto, caso seja desejado, a mesma poderá ser tomada em mulheres. Nesse caso, o ponto de medida consiste no terço superior entre a linha axilar anterior e o mamilo.

Abdome - O avaliado deverá estar de frente para o avaliador,

em posição ortostática. O local a ser mensurado fica dois centímetros à direita da cicatriz umbilical. A dobra deverá ser destacada no sentido longitudinal e o compasso colocado perpendicularmente à mesma.

Coxa - O avaliado deverá estar em posição ortostática. O local a

ser medido é a região anterior da coxa, na metade da distância entre a prega inguinal e a borda proximal da rótula. Para facilitar a medida, aconselha-se que o avaliado deixe o peso do corpo sobre a perna esquerda e flexione ligeiramente as articulações do quadril e joelho direito, mantendo os pés sobre o solo. Isso ajuda a relaxar os músculos do quadríceps, facilitando a realização da medida.

Tríceps - O avaliado deverá estar em pé, de costas para o

avaliador, em posição ortostática. O local a ser mensurado é a projeção posterior do ponto meso-umeral. A dobra deverá ser destacada no sentido longitudinal e o compasso deverá ser colocado perpendicularmente à mesma, em cima do local demarcado.

Suprailíaca - O avaliado deverá estar em pé, de frente para o

avaliador em posição ortostática. O local a ser mensurado é aproximadamente dois centímetros acima da crista ilíaca, no ponto de interseção imaginária com o prolongamento da linha axilar média. A dobra deverá ser destacada no sentido transversal e o compasso colocado perpendicularmente à mesma.

Subescapular - O avaliado deverá estar em pé, de costas para

o avaliador, em posição ortostática. O local a ser mensurado situa-se um a dois centímetros abaixo do ângulo inferior da escapula. A dobra deverá ser destacada no sentido oblíquo e o compasso colocado perpendicularmente à mesma.

Perna medial - O avaliado deverá estar sentado com o joelho

flexionado a 90°. O local a ser mensurado é o ponto de maior circunferência na face medial da perna. A dobra deverá ser destacada no sentido longitudinal e o compasso colocado perpendicularmente à mesma.

Composição Corporal - Estimativa do Percentual de Gordura

O estudo da composição corporal é muito importante, devido à necessidade de se conhecerem os efeitos que diversas variáveis como o crescimento, a prática de exercícios, a nutrição e a presença de doenças exercem sobre a morfologia humana. Apesar do peso corporal receber influência direta destas variáveis, seu acompanhamento isolado não é suficiente para fornecer dados consistentes acerca das modificações que

ocorrem nas distintas estruturas que compõem o corpo. Dessa forma, é necessário fracionar a composição corporal em gordura corpórea e massa corporal magra, para melhor entendermos os efeitos de diversas variáveis sobre a morfologia. Está bem estabelecido na literatura que o excesso de gordura é prejudicial à saúde (KISSEBAH et al, 1989; MC ARDLE et al, 1992; POLLOCK & WILMORE, 1993; WIL-MORE & COSTILL, 1994; KATCH &

e sua avaliação é tipicamente incluída como parte

integrante de una triagem de saúde e aptidão física (ACSM, 1991). A gordura corporal pode ser estimada de várias formas. Em situações de campo, verifica-se um maior emprego de equações preditivas envolvendo a espessura do tecido subcutâneo e as medidas circunferenciais. Devido à sua melhor correlação com procedimentos laboratoriais, como a pesagem hidrostática, a espessura do tecido subcutâneo tem sido a técnica preferida pela maior parte dos avaliadores. Entretando, quando não for possível lançar mão desse procedimento, as medidas circunferenciais poderão ser de grande utilidade.

MC ARDLE, 1996),

Estimativa do Percentual de Gordura Através da Espessura de Dobras Cutâneas

Várias equações podem ser empregadas para estimar a densidade corporal e o percentual de gordura. Os modelos mais citados na literatura são propostos por Jackson & Pollock (1978) e Jackson, Pollock & Ward (1980), sendo aqui referidos.

Densidade Corporal para Homens = 1,1093800-0,0008267

(X2) + 0,0000016 (X2) 2 - 0,0002574 (X3)

-

0,0009929 (X4) + 0,0000023 (X4) 2 - 0,0001392 (X3)

Densidade

Corporal

para

Mulheres

=

1,0994921

onde: X2 = somatório das dobras cutâneas do tórax, abdome e

coxa

X3 = idade (expressa em anos) X4 = somatório das dobras cutâneas de tríceps, suprailíaca

e coxa

Após a obtenção da densidade corporal, o valor do percentual de gordura poderá ser facilmente obtido através da equação de SIRI (1961) descrita a seguir:

Percentual de gordura: [(4,95/DC) - 4,5] x 100 onde: DC = densidade corporal

Para facilitar o trabalho na estimativa da gordura corporal, foram desenvolvidas tabelas onde é possível obter os valores através do somatório de três dobras cutâneas, sexo e faixa etária (tabelas 4 e 5).

Tabela 4 - Estimativa do Percentual de Gordura para Homens a Partir da Idade e do Somatório das Dobras Cutâneas do Tórax, Abdome e Coxa

 

Idade até o último ano

 

Somatório das

Abaixo

23

28

33

38

43

48

53

Acima

Dobras Cutâneas

de

a

a

a

a

a

a

a

de

(mm)

22

27

32

37

42

47

52

57

58

8 - 10

1,3

1,8

2,3

2,9

3,4

3,9

4,5

4,0

5,5

11-13

2,2

2,8

3,3

3,9

4,4

4,9

5,5

6,0

6,5

14-16

3,2

3,8

4,3

4,8

5,4

5,9

6,4

7,0

7,5

17-19

4,2

4,7

5,3

5,8

6,3

6,9

7,4

8,0

8,5

20-22

5,1

5,7

6,2

6,8

7,3

7,9

8,4

8,9

9,5

23-25

6,1

6,6

7,2

7,7

8,3

8,8

9,4

9,9

10,5

26-28

7,0

7,6

8,1

8,7

9,2

9,8

10,3

10,9

11,4

29-31

8,0

8,5

9,1

9,6

10,2

10,7

11,3

11,8

12,4

32-34

8,9

9,4

10,0

10,5

11,1

11,6

12,2

12,8

13,3

35-37

9,8

10,4

10,9

11,5

12,0

12,6

13,1

13,7

14,3

38-40

10,7

11,3

11,8

12,4

12,9

13,5

14,1

14,6

15,2

41-43

11,6

12,2

12,7

13,3

13,8

14,4

15,0

15,5

16,1

44-46

12,5

13,1

13,6

14,2

14,7

15,3

15,9

16,4

17,0

47-49

13,4

13,9

14,5

15,1

15,6

16,2

16,8

17,3

17,9

50-52

14,3

14,8

15,4

15,9

16,5

17,1

17,6

18,2

18,8

53-55

15,1

15,7

16,2

16,8

17,4

17,9

18,5

19,1

19,7

56-58

16,0

16,5

17,1

17,7

18,2

18,8

19,4

20,0

20,5

59-61

16,9

17,4

17,9

18,5

19,1

19,7

20,2

20,8

21,4

62-64

17,6

18,2

18,8

19,4

19,9

20,5

21,1

21,7

22,2

65-67

18,5

19,0

19,6

20,2

20,8

21,3

21,9

22,5

23,1

68-70

19,3

19,9

20,4

21,0

21,6

22,2

22,7

23,3

23,9

71-73

20,1

20,7

21,2

21,8

22,4

23,0

23,6

24,1

24,7

74-76

20,9

21,5

22,0

22,6

23,2

23,8

24,4

25,0

25,5

77-79

21,7

22,2

22,8

23,4

24,0

24,6

25,2

25,8

26,3

80-82

22,4

23,0

23,6

24,2

24,8

25,4

25,9

26,5

27,1

83-85

23,2

23,8

24,4

25,0

25,5

26,1

26,7

27,3

27,9

86-88

24,0

24,5

25,1

25,7

26,3

26,9

27,5

28,1

28,7

89-91

24,7

25,3

25,9

26,5

27,1

27,6

28,2

28,8

29,4

92-94

25,4

26,0

26,6

27,2

27,8

28,4

29,0

29,6

30,2

95-97

26,1

26,7

27,3

27,9

28,5

29,1

29,7

30,3

30,9

98-100

26,9

27,4

28,0

28,6

29,2

29,8

30,4

31,0

31,6

101-103

27,5

28,1

28,7

29,3

29,9

30,5

31,1

31,7

32,3

104-106

28,2

28,8

29,4

30,0

30,6

31,2

31,8

32,4

33,0

107-109

28,9

29,5

30,1

30,7

31,3

31,9

32,5

33,1

33,7

110-112

29,6

30,2

30,8

31,4

32,0

32,6

33,2

33,8

34,4

113-115

30,2

30,8

31,4

32,0

32,6

33,2

33,8

34,5

35,1

116-118

30,9

31,5

32,1

32,7

33,3

33,9

34,5

35,1

35,7

119-121

31,5

32,1

32,7

33,3

33,9

34,5

35,1

35,7

36,4

122-124

32,1

32,7

33,3

33,9

34,5

35,1

35,8

36,4

37,0

125-127

32,7

33,3

33,9

34,5

35,1

35,8

36,4

37,0

37,6

Tabela 5 - Estimativa do Percentual de Gordura para Mulheres a Partir da Idade e do Somatório das Dobras Cutâneas do Tríceps, Suprailíaca e Coxa

 

Idade até o último ano

 

Somatório das Dobras Cutâneas

Abaixo

23

28

33

38

43

48

53

Acima

de

a

a

a

a

a

a

a

de

(mm)

22

27

32

37

42

47

52

57

58

23-25

9,7

9,9

10,2

10,4

10,7

10,9

11,2

11,4

11,7

26-28

11,0

11,2

11,5

11,7

12,0

12,3

12,5

12,7

13,0

29-31

12,3

12,5

12,8

13,0

13,3

13,5

13,8

14,0

14,3

32-34

13,6

13,8

14,0

14,3

14,5

14,8

15,0

15,3

15,5

35-37

14,8

15,0

15,3

15,5

15,8

16,0

16,3

16,5

16,8

38-40

16,0

16,3

16,5

16,7

17,0

17,2

17,5

17,7

18,0

41-43

17,2

17,4

17,7

17,9

18,2

18,4

18,7

18,9

19,2

44-46

18,3

18,6

18,8

19,1

19,3

19,6

19,8

20,1

20,3

47-49

19,5

19,7

20,0

20,2

20,5

20,7

21,0

21,2

21,5

50-52

20,6

20,8

21,1

21,3

21,6

21,8

22,1

22,3

22,6

53-55

21,7

21,9

22,1

22,4

22,6

22,9

23,1

23,4

23,6

56-58

22,7

23

23,2

23,4

23,7

23,9

24,2

24,4

24,7

59-61

23,7

24

24,2

24,5

24,7

25,0

25,2

25,5

25,7

62-64

24,7

25,0

25,2

25,5

25,7

26,0

26,7

26,4

26,7

65-67

25,7

25,9

26,2

26,4

26,7

26,9

27,2

27,4

27,7

68-70

26,6

26,9

27,1

27,4

27,6

27,9

28,1

28,4

28,6

71-73

27-5

27,8

28,0

28,3

28,5

28,8

28,0

29,3

29,5

74-76

28,4

28,7

28,9

29,2

29,4

29,7

29,9

30,2

30,4

77-79

29,3

29,5

29,8

30,0

30,3

30,5

30,8

31,0

31,3

80-82

30,1

30,4

30,6

30,9

31,1

31,4

31,6

31,9

32,1

83-85

30,9

31,2

31,4

31,7

31,9

32,2

32,4

32,7

32,9

86-88

31,7

32,0

32,2

32,5

32,7

32,9

33,2

33,4

33,7

89-91

32,5

32,7

33,0

33,2

33,5

33,7

33,9

34,2

34,4

92-94

33,2

33,4

33,7

33,9

34,2

34,4

34,7

34,9

35,2

95-97

33,9

34,1

34,4

34,6

34,9

35,1

35,4

35,6

35,9

98-100

34,6

34,8

35,1

35,3

35,5

35,8

36,0

36,3

36,5

101-103

35,3

35,4

35,7

35,9

36,2

36,4

36,7

36,9

37,2

104-106

35,8

36,1

36,3

36,6

36,8

37,1

37,3

37,5

37,8

107-109

36,4

36,7

36,9

37,1

37,4

37,6

37,9

38,1

38,4

110-112

37,0

37,2

37,5

37,7

38,0

38,2

38,5

38,7

38,9

113-115

37,5

37,8

38,0

38,2

38,5

38,7

39,0

39,2

39,5

116-118

38,0

38,3

38,5

38,8

39,0

39,3

39,5

39,7

40,0

119-121

38,5

38,7

39,0

39,2

39,5

39,7

40,0

40,2

40,5

122-124

39,0

39,2

39,4

39,7

39,9

40,2

40,4

40,7

40,9

125-127

39,4

39,6

39,9

40,1

40,4

40,6

40,9

41,1

41,4

128-130

39,8

40,0

40,3

40,5

40,8

41,0

41,3

41,5

41,8

Estimativa do Percentual de Gordura Através de Circunferências

Medidas circunferenciais são fáceis de serem obtidas, não exigindo treinamento rigoroso dos avaliadores. Além disso, apresentam custos reduzidos, necessitando apenas de fitas métricas para a sua realização. Para maior acurácia das medidas, sugerimos a adoção das trenas flexíveis metálicas que, além da maior durabilidade, não distendem conforme o uso. Para a tomada das medidas, a trena deve circundar a pele nua, sem contudo pressioná-la demasiadamente, de modo a não comprimir o tecido mole subjacente. Caso isso aconteça, pode-se subestimar os resultados. Katch & Mc Ardle (1983) preconizam que sejam feitas duas medidas, usando-se a média entre elas como valor final das circunferências. Na mesma publicação, os autores apresentam uma proposta que pode ser utilizada na predição do percentual de gordura. Foram estudados dois grupos compostos por indivíduos de ambos os sexos. No primeiro, a idade variava de dezessete a vinte e seis anos e no segundo, de vinte e sete a cinqüenta anos. Os sítios das medidas empregados são apresentados a seguir (Quadro 1).

Quadro 1 - Medidas Adotadas na Estimativa da Gordura Corporal em Homens e Mulheres com Idades entre 17 e 50 anos

Circunferências

Mulheres

Homens

17 a 26

27 a

17 a 26 anos

27 a 50 anos

50

anos

anos

 

Abdome

X

X

X

X

Coxa direita

X

X

 

Braço direito

 

X

Antebraço direito

X

X

X

Glúteos

   

X

Panturrilha direita

X

 

A descrição dos sítios das medidas, bem como sua ilustração

(Figura 1) são apresentadas a seguir:

a) Abdome: uma polegada acima da cicatriz umbilical;

b) Nádegas: protuberância máxima, estando os pés unidos;

c) Braço direito: ponto médio entre o ombro e o cotovelo,

estando o braço abduzido a 90° e o cotovelo, estendido;

d) Coxa direita: região logo abaixo da prega glútea;

e) Antebraço direito: área de maior circunferência, estando o

cotovelo em extensão e o braço, abduzido a 90°;

f) Perna direita: área de maior circunferência da panturrilha.

Figura 1 - Circunferências utilizadas na estimativa do percentual de gordura A gordura corporal é

Figura 1 - Circunferências utilizadas na estimativa do percentual de gordura

A gordura corporal é calculada a partir de uma equação, na qual são consideradas três constantes, determinadas em função dos resultados das medidas de circunferências (Quadros 2,3,4 e 5). Além das constantes, é utilizado um fator de correção, escolhido em função das características dos avaliados (Tabela 6). A equação adotada na estimativa do percentual de gordura é apresentada a seguir:

% de gordura = Constante A + Constante B - Constante C -Fator

de correção

Tabela 6 - Fator de Correção para Indivíduos Treinados e Destreinados

POPULAÇÃO

FATOR DE CORREÇÃO

 

Destreinados

Treinados

Mulheres - 17 a 26 anos

19,6

22,6

Mulheres - 27 a 50 anos

18,4

21,4

Homens -17 a 26 anos

10,2

14,2

Homens -27 a 50 anos

15,0

19,0

Quadro 2 - Constantes de Conversão para a Estimativa da Gordura Corporal em Mulheres de 17 a 26 Anos

ABDOME

 

COXA

ANTEBRAÇO

 

Pol

Cm

Constante

Pol

Cm

Constante

Pol

Cm

Constante

 

A

 

B

 

C

20,00

50,80

26,74

14,00

35,56

29,13

6,00

15,24

25,86

20,25

51,43

27,07

14,25

36,19

29,65

6,25

15,87

26,94

20,50

52,07

27,41

14,50

36,83

30,17

6,50

16,51

28,02

20,75

52,70

27,74

14,75

37,46

30,69

6,75

17,14

29,10

21,00

53,34

28,07

15,00

38,10

31,21

7,00

17,78

30,17

21,25

53,97

28,41

15,25

38,73

31,73

7,25

18,41

31,25

21,50

54,61

28,74

15,50

39,37

32,25

7,50

19,05

32,33

21,75

55,24

29,08

15,75

40,00

32,77

7,75

19,68

33,41

22,00

55,88

29,41

16,00

40,64

33,29

8,00

20,32

34,48

22,25

56,51

29,74

16,25

41,27

33,81

8,25

20,95

35,56

22,50

57,15

30,08

16,50

41,91

34,33

8,50

21,59

36,64

22,75

57,78

30,41

16,75

42,54

34,85

8,75

22,22

37,72

23,00

58,42

30,75

17,00

43,18

35,37

9,00

22,86

38,79

23,25

59,05

31,08

17,25

43,81

35,89

9,25

23,49

39,87

23,50

59,69

31,42

17,50

44,45

36,41

9,50

24,13

40,95

23,75

60,32

31,75

17,75

45,08

36,93

9,75

24,76

42,03

24,00

60,96

32,08

18,00

45,72

37,45

10,00

25,40

43,10

24,25

61,59

32,42

18,25

46,35

37,97

10,25

26,03

44,18

24,50

62,23

32,75

18,50

46,99

38,49

10,50

26,67

45,26

24,75

62,86

33,09

18,75

47,62

39,01

10,75

27,30

46,34

Quadro 2 – Continuação

ABDOME

 

COXA

 

ANTEBRAÇO

Pol

Cm

Constante

Pol

Cm

Constante

Pol

Cm

Constante

A

 

B

C

25,00

63,50

33,42

19,00

48,26

39,53

11,00

27,94

47,41

25,25

64,13

33,76

19,25

48,89

40,05

11,25

28,57

48,49

25,50

64,77

34,09

19,50

49,53

40,57

11,50

29,21

49,57

25,75

65,40

34,42

19,75

50,16

41,09

11,75

29,84

50,65

26,00

66,04

34,76

20,00

50,80

41,61

12,00

30,48

51,73

26,25

66,67

35,08

20,25

51,43

42,13

12,25

31,11

52,80

26,50

67,31

35,43

20,50

52,07

42,65

12,50

31,75

53,88

26,75

67,94

35,76

20,75

52,70

43,17

12,75

32,38

54,96

27,00

68,58

36,10

21,00

53,34

43,69

13,00

33,02

56,04

27,25

69,21

36,43

21,25

53,97

44,21

13,25

33,65

57,11

27,50

69,85

36,76

21,50

54,61

44,73

13,50

34,29

58,19

27,75

70,48

37,10

21,75

55,24

45,25

13,75

34,92

59,27

28,00

71,12

37,43

22,00

55,88

45,77

14,00

35,56

60,35

28,25

71,75

37,77

22,25

56,51

46,29

14,25

36,19

61,42

28,50

72,39

38,10

22,50

57,15

46,81

14,50

36,83

62,50

28,75

73,02

38,43

22,75

57,78

47,33

14,75

37,46