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UNIVERSIDADE FUMEC FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS, SOCIAIS E DA SAÚDE - FCH

POLIANA FERREIRA OLIVEIRA

A IMPORTÂNCIA DO PLANO DE MANEJO NAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

Belo Horizonte 2011

POLIANA FERREIRA OLIVEIRA

A IMPORTÂNCIA DO PLANO DE MANEJO NAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
Trabalho de Conclusão de Curso

apresentado, como requisito de avaliação do curso de Direito da Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde para a obtenção do título de Bacharel.

Professor orientador: Edna Cardozo Dias

Belo Horizonte 2011

AGRADECIMENTOS A Deus por estar sempre presente em minha vida, por cuidar de cada detalhe, tornando muito mais fácil meu caminhar. Obrigada pela sabedoria para chegar até aqui. Aos meus pais por sempre acreditarem em mim, pelo apoio, pela ajuda imprescindível, e por sempre terem me ensinado a respeitar o meio ambiente, da forma mais simples que se pode ensinar uma criança, como não jogar papel no chão, não maltratar animais entre outros. Agradeço também meus professores de toda a vida, por cada ensinamento, cada explicação, pela paciência, compreensão, cada um de vocês tem papel fundamental na minha formação acadêmica e pessoal. Não poderia me esquecer da Ius Natura, por ter me proporcionado a chance de trabalhar com esse ramo tão magnífico que é o Direito Ambiental. Ainda, agradeço a minha orientadora Edna Cardozo pela disponibilidade e toda ajuda e atenção dada para a conclusão deste trabalho. Por fim, registro meu muito obrigada a todos que de alguma forma colaboraram para minha evolução, acadêmica, pessoal e profissional.

"A era da procrastinação. das meias medidas." Winston Churchill . dos expedientes que acalmam e confundem. No seu lugar. estamos entrando na era das conseqüências. a era dos adiamentos está chegando ao fim.

................... 5 7 11 14 3 UNIDADE DE CONSERVAÇÃO........... as Unidades de Conservação e seus elementos no Brasil............................................................................................................................ 3.................. 2.................. 16 19 4 PLANO DE MANEJO NAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO......................... 24 25 27 29 CONCLUSÃO....................3 A regularização jurídica das Unidades de Conservação sem o Plano de Manejo..........................................1 Direito ambiental e sua proteção no Brasil......985/00................................................................................................ 4................................................... 2.............2 A Constituição de 1988 e o direito ao meio ambiente.................................... 31 32 .............1 O Plano de Manejo e sua importância.......................................................................SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................... 4........... REFERÊNCIAS.1 A Lei nº 9................................ 2 O DIREITO AMBIENTAL E SUA AUTONOMIA.................................................................. 4...........................................................2 O desempenho do Poder Público nas Unidades sem Plano de Manejo....

988. estabelece sobre a competência do Poder Público de assegurar. verifica-se que essa tutela do Direito Ambiental no Brasil originou as regras que protegem áreas territoriais brasileiras. que seja comprometida a integridade dos símbolos que justifiquem sua proteção. em seu artigo 2. impedindo também. tendo como foco a regulamentação desses espaços. O estudo prévio de impacto ambiental. Analisando o inciso III do § 1º do referido artigo.985/00 e seu regulamento. Assim. determina como Plano de Manejo um documento técnico. O § 1º do artigo 225. a Lei do SNUC.340/02. Definindo. Protegendo através de leis a fauna e a flora. abrangendo a introdução das estruturas físicas necessárias à administração da unidade. preservando e restaurando os processos ecológicos essenciais e promovendo o manejo ecológico das espécies e ecossistemas. que deve Promover educação ambiental em todos os níveis de ensino e conscientização pública para preservação do meio ambiente. nasceram.5 1 INTRODUÇÃO Um novo sistema de proteção ambiental foi consolidado pela Constituição de 1. em todas as unidades da federação. . então. Depois da inclusão da garantia constitucional a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. respeitando o princípio da solidariedade intergeracional. com intuito de resguardar o que se tem para as próximas gerações. Como a Lei nº 9. que baseado nos objetivos gerais de uma unidade de conservação. que destina seu capítulo VI todo para esta matéria. espaços a serem especialmente protegidos. permitindo sua alteração e supressão somente através de leis. Parte dessa disposição a discussão proposta. a garantia desse direito. define o seu zoneamento e as regras que devem orientar o uso do espaço e o manejo dos recursos naturais. Que prevêem o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. são estabelecidos critérios e métodos para criar Unidades de Conservação. Dentre as disposições da Lei do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação). trata-se de um documento que tem como fim a regulamentação do uso das Unidades com intuito de resguardar e assegurar um meio ambiente equilibrado. para atividades potencialmente degradantes do meio ambiente também são exigências do Poder Público. Portanto. o Decreto nº 4. inciso XVII. normas para defender áreas territoriais.

se restringir àquelas que permitirão integridade dos recursos que a Unidade tem como objetivo sua proteção. enquanto o Plano de Manejo não é apresentado. indaga-se o desempenho do Estado em interferir em atividades nas Unidades de Conservação sem Plano de Manejo após os 5 anos estabelecidos pelo próprio Poder Público. Este trabalho tem o objetivo de apresentar os resultados inerentes da omissão do Estado em regularizar as Unidades de Conservação do Brasil. assim. seu Plano de Manejo e seus regulamentos. encontra-se Unidades desamparadas por todo o país.6 A gestão das Unidades tem a intenção de inserir as comunidades existentes nessas áreas realizando uma união de interesses envolvidos com o de preservação. no parágrafo único do mesmo artigo. E ainda. O próprio Poder Público. várias Unidades de Conservação não estão regulamentadas. Diante do exposto. sem propiciar à comunidade das áreas formas diferentes de subsistência. Com isso. estabeleceu um prazo de 5 anos para apresentação deste Plano de Manejo. No entanto. até a criação do Plano de Manejo. que fica vedada em Unidades de Conservação quaisquer alterações. Porém. dispõe a Lei do SNUC em seu artigo 28. não há uma obrigação legal para que o Estado cumpra este prazo. . atividades em desacordo com seus objetivos. é estabelecido que todas as atividades e obras realizadas nas Unidades devem.

a corrente majoritária. por se tratar de um direito comum a todos. Estes princípios visam resguardar a qualidade de vida. por serem regras jurídicas básicas. abriga e rege a vida em todas as suas formas. que seja definido como Ciência Jurídica autônoma. ajudam a resguardar o meio ambiente e proporcionam a autonomia que o Direito Ambiental tem nos dia de hoje. A Lei nº 6. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. 225 .” Essa Lei determinou também o que é poluição. que reconhece tal definição. em seu artigo 3. defende que a Política Nacional de Meio Ambiente. matérias de estudos.981.988 em seu artigo 225: Art. e defender a idéia de desenvolvimento sustentável. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. . química e biológica.938/81 de 31 de agosto de 1. Foi inserido na Constituição de 1. que permite. exibiu seus princípios. leis. No entanto. há uma corrente minoritária que não reconhece essa definição. que o Direito ambiental não tem uma sistematização própria de pesquisa. Já. o Direito Ambiental por possuir seus próprios princípios. desejando assim. princípio que obtem contorno nos direitos humanos. apresentado também seus meios e procedimentos. Na Conferência de Estocolmo e na Rio 92 foi discutido o Direito à Sadia Qualidade de Vida.Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. trouxe os quesitos essenciais para conferir autonomia declarando o Direito Ambiental independente e conceituando meio ambiente como sendo “o conjunto de condições. influências e interações de ordem física. assim como lhe falta também princípios e meios específicos. inciso I. Afirmando.7 2 O DIREITO AMBIENTAL E SUA AUTONOMIA A ligação das particularidades do Direito Ambiental analisando-se com as demais áreas do Direito é feita do reconhecimento de seus princípios e meios. ordenando a competência e responsabilidade dos seus órgãos. Os princípios ambientais. Portanto. marcou a autonomia do Direito Ambiental. diretrizes e instrumentos é tratado como matéria autônoma dentro da Ciência Jurídica.

eles devem ser explorados de maneira que não sejam esgotados. Diferente do Princípio do Poluidor-Pagador. onde se contempla a exata essência do Direito Ambiental. O Princípio do Desenvolvimento Sustentável. pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Presumindo a escassez dos recursos naturais. E é essa definição de desenvolvimento sustentável do Relatório de Brudtland que traz o Princípio da Solidariedade Intergeracional.988. Permanecendo dúvida. traz o Princípio do Usuário-Pagador. foi examinado o Princípio da Precaução. como dispõe o citado artigo 225 da Constituição de 1. que objetiva a solidariedade entre gerações. quem gera poluição. O Princípio do Acesso Equitativo aos Recursos Naturais prega que os bens naturais devem ser divididos na mesma proporção entre os habitantes do planeta. corretamente licenciadas. seguindo esta linha. compreende como desenvolvimento sustentável. resguardando de maneira sustentável o meio ambiente. para ter acesso ao recurso. paga-se. Princípio este. o desenvolvimento que atende as necessidades atuais. Política Nacional de Meio Ambiente. Tem como objetivo incentivar formas sustentáveis de exploração e melhores processos de produção industrial. sem prejudicar a capacidade das próximas gerações de satisfazerem suas próprias necessidades. denominado Relatório Brudtland. Na Conferência Rio 92. este princípio garante o direito ao meio ambiente das próximas gerações. temse a realização da mineração de maneira menos degradante. mas esse custo é gerado apenas para atividades regulares. A Lei nº 6. com intuito de precaver-se contra riscos potenciais ainda não identificados. que devido atividades impactantes ao meio ambiente. Pagando assim. de acordo com a necessidade. Simultaneamente ao princípio supracitado. inciso VII. Um relatório elaborado antes da Agenda 21.938/81. em seu artigo 4. não se defere o licenciamento.8 É uma compreensão da matéria ambiental como interesse indispensável da humanidade. e que sua serventia seja compartilhada entre todos. que determina que se esgote todas as formas de investigação contra uma conseqüência de determinada atividade. Já que os recursos naturais cabem a todos. têm-se o Princípio da Prevenção que traz a idéia de prevenir todas as conseqüências que provocarão impactos . A utilização de tais recursos pode ser onerosa ou gratuita. que confere ao usuário o encargo pelo uso permanente dos recursos naturais.

. Este princípio tende a efetivar a participação da população.. o Princípio da Obrigatoriedade da Intervenção do Poder Público. ao poluidor e ao predador da obrigação de recuperar e/ ou indenizar os danos causados e.à imposição. O princípio da Informação. pretendendo assim o equilíbrio ecológico. O qual confere ao Poder Público direitos e deveres referentes à preservação e proteção do meio ambiente..] VI. ao usuário. aparece o Princípio da Reparação. identificada no RIMA (Relatório de Impactos ao Meio Ambiente).9 ambientais. Logo em seguida. . Há ainda. Existindo um dano ao meio ambiente. legislado no § 3º do artigo 225 da Constituição de 1.. tem como finalidade a informação. Esta informação pode ser classificada de três formas. no qual processos ambientais são julgados em audiências públicas.] § 3º .] [.988: Art 225 [. a compreensível. em seu artigo 4. todos devem saber tecnicamente o que acontecerá.988. da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos Este princípio visa principalmente a restauração do dano. a sanções penais e administrativas. inciso VI: Art.. constante no artigo 225 em seu § 1º da Constituição de 1.] [. pessoas físicas ou jurídicas. 4 [.938/81. Presente também está este princípio na Lei nº 6. onde as informações são anteriores a autorização ou licenciamento. que pode se dar por formas de recuperação ou até mesmo por compensação ambiental. a técnica. A realização dessas audiências se dá no local onde se exerce a atividade. e a tempestiva.As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores.. esgotando as investigações de todas as consequências.. se consagra o Princípio da Participação. proteger o meio ambiente. Também com efetiva participação da população. que deve conter todos dados técnicos da atividade. A este dano é conferida uma responsabilidade objetiva. Ele é consagrado pelo Direito Ambiental para. Caso ocorra um dano a um bem comum. este deve ser integralmente reparado. independentemente da obrigação de reparar os danos causados.. assegurado pela Constituição.

os particulares também deixam de cumprir as imposições das normas. O Código Civil brasileiro de 2. Existem falhas do Poder Público diante as fiscalizações e até mesmo em relação ao cumprimento dessas obrigações. 5º . também dispõe sobre o referido princípio. observa-se que eles são essenciais para proteção ao meio ambiente. já que condiciona a execução da atividade a estudo prévio. E está disposto no artigo 5º. Seja adotando políticas públicas referentes ao meio ambiente ou mesmo através de fiscalização. 1. à segurança e à propriedade.a propriedade atenderá a sua função social. as belezas naturais.10 Já no Princípio da Ubiquidade. Finalmente. § 1º. inciso XXIII da Constituição de 1. é indispensável que se considere a demanda ambiental em empreendimentos públicos e privados.002. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. E ainda. bem como evitada a poluição do ar e das águas.. à igualdade.988: Art. No entanto.. não são capazes de realizar essa proteção por si só. em seu artigo 1. tem-se o Princípio da Função Socioambiental da Propriedade. no entanto.228.] § 1o O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados.Todos são iguais perante a lei.228 [. Preservando assim. A população não se informa dos acontecimentos ambientais ao seu redor ou até mesmo em seu país.] XXIII. à liberdade. de conformidade com o estabelecido em lei especial. Falta interesse de todos os lados.. não cobram fiscalização para o efetivo cumprimento . que trata do meio ambiente como interesse social. o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico. os bens naturais e o meio ambiente como um todo. sem distinção de qualquer natureza. apesar de serem textos eficientes em relação à preservação ambiental. a fauna. a flora. Assim. reafirmando que o direito de propriedade deve ser exercido juntamente com as finalidades econômicas e sociais: Art. nos termos seguintes: [. garantindo e preservando a qualidade de vida. A partir da exposição de todos estes princípios. este princípio resguarda o meio ambiente. eles precisam ser efetivamente aplicados para concretizar seus conteúdos.. Verifica-se que esse dispositivo legal reafirma que o direito de propriedade deve andar junto com os interesses econômicos e sociais.

Em 1. Diante do exposto. foi matéria mencionada na Carta Régia de 1. lei que regulava a exploração e extração do Pau-Brasil. só veio após a independência do Brasil. Foi apresentada em 1. foi estabelecido em 1. se tratava de uma época de crescimento econômico em todo globo. e o Brasil era visto como uma grande fonte de riquezas.967 viabilizou o IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Florestas). principalmente na região nordeste. denominada Lei das Terras. que só poderia ser realizada mediante autorização real.1 Direito Ambiental e sua proteção no Brasil Desde o descobrimento do Brasil. Devido os obstáculos para se implementar este Código. surgiu a necessidade de editar normas protecionistas.965 o novo Código Florestal para normatização da preservação jurídica do patrimônio florestal brasileiro. que foi .771/34. com a Lei nº 601/50. por isso. O Código visava preservar os bens naturais e toda vegetação nativa. Com a extração excessiva das florestas. Tratava-se do Regimento Pau-Brasil. onde crescia o cultivo da cana-de-açúcar. a primeira lei de proteção das florestas neste país. Foi ele que em 1. A partir da criação desta lei. estas só nasceram com a extração demasiada de madeira. se extraia tudo que podia das florestas aqui encontradas. no entanto. surge o primeiro Código Florestal brasileiro. ainda assim surgiram as primeiras regras do direito ambiental brasileiro. Lei nº 4. Era um interesse meramente econômico. onde a necessidade de conservar as florestas da colônia. A preocupação com a regularização fundiária. já havia registro de regras ambientais.934.11 das obrigações propostas em cada norma que visa a proteção e defesa do meio ambiente brasileiro.605. sobre o meio ambiente humano. foi criado no Rio de Janeiro. o Jardim Botânico. que vigora até hoje.797. 2. a compra era a única forma para aquisição de terras extinguindo o regime das Sesmarias. Conferência esta.808. que se focou mais no reflorestamento do que em políticas preventivas de conservação. a primeira Unidade de Conservação do Brasil sem nenhum interesse econômico. vale ressaltar a importância da intervenção da Conferência das Nações Unidas. Instituto. no entanto. Em 1.

ele integra instituições e órgãos ambientais da União. já que eles. que deu início as suas atividades em 1. Esta Convenção foi um marco dentro do Direito ambiental. Superintendência da Pesca (SUDEPE). a mais importante das convenções. o gerenciamento. E só em 1. cuidavam das demandas ambientais. da Lei nº 7. não detém personalidade jurídica. O SISNAMA tinha como finalidade definir bases para o desenvolvimento sustentável. Órgãos estes. Este Sistema.12 denominada Convenção de Estocolmo. que era de responsabilidade da SEMA juntamente com Ministério do Interior. quanto às normas estabelecidas. como segue: Art. já que foi o primeiro relevante encontro internacional com intuito de discutir os problemas ambientais do mundo. atribuindo ao meio ambiente uma proteção maior. O Conceito de IBAMA e seus deveres estão dispostos no art. ressalvando ao CONAMA o direito de regulamentar. foi contra a idéia da convenção.030/73. no que concerne a instituição do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) e do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA). com objetivo de dar cumprimento tanto aos princípios previstos em nossa Constituição. foi elaborada a Lei nº 7. que originou vários princípios ambientais citados anteriormente. surgiu o Decreto nº 73. autarquia federal dotada de personalidade jurídica de direito público.735. O IBAMA é a reunião dos seguintes órgãos: SEMA. Porém. 2° É criado o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. Desde então. Municípios e Distrito Federal. vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. que era proteger o meio ambiente e a saúde humana das causas nocivas geradas pelos poluentes orgânicos persistentes. O Brasil. que criou dentro do campo do Ministério do Interior.974.735/89. antes da criação desse Instituto. autonomia administrativa e financeira. a Declaração de Estocolmo.989 então. que tornaram possível a criação do IBAMA. que criou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). se tornou numa gestão ambiental integralizada. No entanto. deve-se salientar a grande importância da SEMA na construção da Política Nacional do Meio ambiente. 2°. acabou assinando posteriormente. Devido tal Convenção. a princípio. Superintendência da Borracha (SUDHEVEA) e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF). de modos algumas vezes contraditórios. Estados. com a finalidade de: .

espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos. a um regime jurídico de interesse público que implique em relativa imodificabilidade e sua utilização sustentada. portanto não pode faltar para as próximas gerações. e III . dispondo seu conceito normativo e listando diferentes tipos de meio ambiente. do citado artigo 225 dispõe o seguinte: Art. a proteção ao processo evolutivo das espécies. O objetivo dos espaços especialmente protegidos é de resguardar a biodiversidade além de promover a multiplicação da vida ecológica.exercer o poder de polícia ambiental. referentes às atribuições federais. no que concerne o presente trabalho. se trata dos “espaços especialmente protegidos”.. de conformidade com a legislação ambiental vigente. à autorização de uso dos recursos naturais e à fiscalização.. monitoramento e controle ambiental. tendo em vista a preservação e proteção da integridade de amostras de toda a diversidade de ecossistemas.13 I . Responsabilizando o Poder Público pela preservação deste direito.] § 1º . Resumindo. a preservação e proteção dos recursos naturais (SILVA.] III . sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei. a origem do IBAMA se deu pela consciência da inevitável defesa da flora e fauna do país. 225 [. em todas as unidades da Federação. II . observadas as diretrizes emanadas do Ministério do Meio Ambiente. que para José Afonso é: [. No entanto. 2011. pela lei. do trabalho e o patrimônio genético.45). não defere obrigações somente para o Poder Público. ao controle da qualidade ambiental.. a Constituição de 1. relativas ao licenciamento ambiental.. envolve também a sociedade nesse dever de garantir um meio ambiente ecologicamente equilibrado.Para assegurar a efetividade desse direito. foi só em 1. . vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção.executar ações das políticas nacionais de meio ambiente.. mesmo diante de tantas normas e criação de órgãos ambientais. incumbe ao Poder Público: [. O § 1º e o inciso III..p.988 que a Constituição incluiu um capítulo voltado ao amparo ambiental.executar as ações supletivas de competência da União.988. artificial. em seu artigo 225. No entanto.definir. já que se trata de um bem comum de toda população. como o cultural.] áreas geográficas públicas ou privadas (porção do território nacional) dotadas de atributos que requeiram sua sujeição. o mais importante deste artigo. Porém.

Determina os espaços protegidos na federação. dispõe como de uso sustentável e de proteção integral as Unidades de Conservação. visando instituir essa educação ambiental colaboram muito com a idéia do princípio intergeracional. Por isso. as atividades desempenhadas em cada Unidade. essa idéia de preservação ambiental.972. No entanto. a denominada Lei do SNUC. e após a proteção constitucional de espaços territoriais. também visa resguardar o meio ambiente no país. como foi exposto anteriormente. Sediada no Brasil. o denominado Estatuto da Cidade. a busca pelo meio ambiente ecologicamente equilibrado. nos estados. esse encontro foi considerando um importante salto para a proteção ambiental. 2. já que cultivam nas crianças. assim como dispõe sobre a recuperação do meio ambiente urbano e sua proteção.14 Assim. o mundo vivia o auge do desenvolvimento econômico.2 A Constituição de 1. As escolas. depois de editadas tantas normas que resguardam o meio ambiente. previsto pela Lei nº 9. além disso. A Constituição de 1. Tal legislação cria e estabelece as Unidades de Conservação no território nacional. marcou a evolução do direito ambiental. paralelo a essa Convenção.988 e o direito ao meio ambiente A Convenção de Estocolmo. . a Rio 92. nasce então o SNUC. o que acarretou muita resistência dos países que não pretendiam diminuir suas atividades industriais. fazendo. a Lei nº 10. já que foi o primeiro encontro a nível mundial que discutiu sobre questões ambientais. Ela regulamenta a utilização do solo em espaços urbanos. Com tudo isso.340/02. E também prescreve como criar e delimita ainda.257/01 que regulamenta o capítulo constitucional de Política Urbana. Finalmente. realizada em 1. municípios e. com que elas cresçam e se tornem cidadãos conscientes da obrigação de resguardar efetivamente o meio ambiente que vivem.985/00. se torna cada vez mais forte na medida em que as pessoas lhe conferem a devida importância. viabilizou a definição de desenvolvimento sustentável e ainda reconheceu que os países desenvolvidos eram os maiores responsáveis pela emissão da poluição. como bem necessário à sadia qualidade de vida e de uso comum da população.988 em seu art. que foi regulamentada pelo Decreto nº 4. 225 considera o meio ambiente.

é acarretado um desequilíbrio ambiental. garantir um meio ambiente ecologicamente equilibrado. assumem na atualidade um papel fundamental na luta pela preservação e defesa de áreas verdes. as Unidades de Conservação. senão. É necessário tanto para o crescimento mundial como para sobrevivência dos homens. Diante do exposto. com o capitalismo dominando o planeta. espaços definidos pelo Poder Público. já que está diretamente ligado a existência humana. a população deve exigir medidas mitigadoras mais severas e eficientes. No entanto. mais uma vez a economia é colocada na frente das questões ambientais. é essencial para vida. Requerer do Poder Público. a carência dos recursos naturais será a realidade do mundo que cada dia progride mais. ameaçando assim a existência de um meio ambiente equilibrado. Para cumprir seu dever. que cumpra seu dever de fiscalizar empresas efetivamente poluidoras é uma obrigação de todos.15 O meio ambiente é contemplado como direito fundamental. . visando assim.

quatro séculos antes de Cristo. A delimitação de áreas territoriais com finalidade de preservação ambiental da flora e da fauna era exercida desde as primeiras sociedades. inc. que surgiu a primeira Unidade de Conservação.000 a. Devido o esgotamento da fauna. Em seguida. com finalidade ainda de realizar estudos científicos. O estabelecimento de unidades de conservação foi o primeiro passo concreto em direção à preservação ambiental (ANTUNES. Portanto. no século XIX criaram áreas enormes reservadas somente para caça. surge na França parques abertos ao público. justificava a preservação e manutenção dessas áreas. vem se desenvolvendo no decorrer da existência humana. Mais recente no ocidente. por força de ato do Poder Público. criada pelo povo Assírio. o surgimento dessas Unidades se deu somente na Idade Média. Depois. A necessidade de se utilizar dos recursos naturais. atividades como supressão da vegetação.p. Desde 1. estão destinados ao estudo e preservação de exemplares da flora e da fauna. vetando o exercício de qualquer outra atividade naquele espaço.C. áreas territoriais com objetivo voltado para preservação da fauna e da flora.78). podendo serem elas públicas ou privadas. para matérias-primas e até mesmo plantas medicinais. Já na Índia. pesca e caça foram proibidas em áreas sagradas para o Imperador Açoka.569. e desde então. 225 § 1º. eles reservavam áreas específicas para praticar a caça.606 existem registros de espaços preservados na Inglaterra. Para Paulo Bessa Unidades de Conservação são: As Unidades de Conservação são espaços territoriais que. De acordo com estudos. criaram uma reserva com intuito de proteger o antílope. onde Roma e Europa Medieval demarcavam pequenos espaços . 2010. em 1. que confere ao Poder Público a criação destas áreas protegidas conforme já apresentado no capítulo anterior. aproximadamente no ano 5.16 3 UNIDADES DE CONSERVAÇÃO A origem das Unidades de Conservação se dá pelo art. foi no Oriente Médio. considera-se Unidades de Conservação.988. III da Constituição de 1. Na Suíça.

O preservacionismo trata da preservação da natureza de modo que não haja qualquer interferência humana.872 nos Estados Unidos. os recursos naturais devem ser utilizados racionalmente. com a criação do Yellowstone National Park em 1872 nos Estados Unidos. em 1. criado em 1937 (DIAS. o Parque Nacional do Itatiaia. onde se preservava sob cuidados do rei a fauna. 1490). No entanto. A exigência para possibilitar essa interação. Yellowstone espalhou pelo mundo moderno a idéia de se determinar legalmente espaços que devem ser protegidos. a Lei nº 9.937 foi criada a primeira Unidade de Conservação brasileira. Tal corrente é habitualmente seguida por países desenvolvidos como os Estados Unidos. resguardando um equilíbrio ecológico. denominada Lei do SNUC. nasce a diferença entre preservar e conservar. Visando apenas proteger o espaço. Portanto. Conforme expõe Edna Cardozo: As unidade de conservação nasceram. p. um espaço delimitado. como ocorre em Yellowstone. 2004. quando determinada a área. Apesar do grande aumento de Unidades de Conservação brasileiras. Outros países aderiram ao procedimento e iniciaram a criação de parques. especialmente dos anos 80 em diante. . a população do local apontado. surge a primeira Unidade de Conservação amparada e resguardada por lei no mundo. preservando assim.17 destinados à proteção de espécies. deve ser transferida para outro lugar. admite a permanência da população nas Unidades de Conservação. com o propósito de proteção da natureza. a biodiversidade e os ecossistemas. inicialmente. com finalidade exclusiva de preservação dos recursos naturais. Já a corrente conservacionista. era utilizar de modo sustentável os recursos naturais. o Parque Nacional de Yellowstone. que surgiu no século XX. tendo o Estado que indenizá-las. Depois de Yellowstone. em 1.985/00. foi somente no ano 2. O primeiro Parque brasileiro foi o Itatiaia. Esta corrente. “Parque” era uma área protegida. que é adepto das Unidades de Conservação de uso indireto. No entanto. ainda hoje. tem como adeptos grande parte dos países subdesenvolvidos.000 que se editou uma lei que protegesse efetivamente tais Unidades. Com a criação das Unidades de Conservação.

2) Reserva Biológica. permitindo. As Unidades de Proteção Integral tem como finalidade a proteção ambiental. não tem fim alimentar. além de determinar as Unidades de Conservação. de posse e domínio públicos. sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas na forma da lei. XI da Lei do SNUC determina por sua vez.. com objetivo definido no art.18 Esta lei. este tipo de uso indireto deve atender as exigências legais. Florestas . p. 12. portanto. inc. sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas na forma da lei. podendo ser constituído por áreas particulares com eventual desapropriação prevista na forma da lei. é um exemplo de uso indireto nas Unidades de Conservação de Proteção Integral. O art. as Unidades de Uso Sustentável: Art. nem causa prejuízo aos recursos naturais. 9º. 5) Refúgio de Vida Silvestre.uso sustentável: exploração do ambiente de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos processos ecológicos. mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecológicos. 13. permitindo somente o uso indireto de seus recursos naturais.] [. 11. cada um com suas particularidades específicas: as Unidades de Uso Sustentável e as Unidades de Proteção Integral. Áreas de Proteção Ambiental. com objetivo definido no art. 2010. também as separa em dois grupos distintos. com objetivo definido no art. de posse e domínio públicos..] XI . As Unidades de Proteção Integral são listadas por Celso Antônio Pacheco que também determina suas características essenciais: 1) Estação Ecológica. 2. de posse e domínio públicos. sua finalidade é combinar a conservação dos recursos naturais com seu uso sustentável. 2 [. 4) Monumento Natural. no entanto. moradores nessas áreas. com objetivo definido no art. Desta forma. A pesquisa científica previamente autorizada pelos órgãos competentes e administrador da Unidade. 2 da Lei do SNUC determina esse uso como aquele que não acarreta consumo.. Reservas Extrativistas. 3) Parque Nacional. 10. com objetivo definido no art..226 e 227). podendo ser constituído por áreas particulares com eventual desapropriação prevista na forma da lei (FIORILLO. sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas na forma da lei. As Unidades de Uso Sustentável são compostas por Áreas de Relevante Interesse Ecológico. O art. de forma socialmente justa e economicamente viável.

complementarmente. na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte. Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN): São áreas privadas com o objetivo de conservar a diversidade biológica. cuja existência baseiase em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais. Essas técnicas tradicionais de manejo estão adaptadas às condições ecológicas locais e desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica. cuja subsistência baseia-se no extrativismo e. Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS): São áreas naturais que abrigam populações tradicionais. a criação das Unidades de Conservação se dá por ato do Poder Público. (SILVEIRA). Florestas Nacionais (Flona):São áreas com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas e têm como objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica. Cada Unidade é determinada de acordo com suas características. Reservas de Desenvolvimento Sustentável. com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional.19 Nacionais. 3. terrestres ou aquáticas. Dispensando assim. sua criação é complicada. Apesar de diferentes utilidades. a preservação ambiental. abrange órgãos governamentais federais. Reservas Particulares de Patrimônio e Florestas Nacionais. No entanto. e se necessário. com pouca ou nenhuma ocupação humana. desenvolvidos ao longo de gerações. as Unidades de Conservação e seus elementos no Brasil De acordo com art. estaduais e municipais. Reservas Extrativistas (Resex): São áreas utilizadas por populações extrativistas tradicionais. 22 da Lei do SNUC. que realize também outros procedimentos administrativos necessários à criação de uma Unidade de Conservação. uma aplicação eficiente da sua finalidade. Respeitados os limites constitucionais.985/00. fazendo com que cada uma seja utilizada de acordo com sua finalidade: Áreas de Proteção Ambiental (APA): constituídas por terras públicas ou privadas. residentes ou migratórias. . lei para sua instituição.1 A Lei 9. a regulamentação dessas Unidades tem previsão legal. para garantir assim. e devem atender as expectativas tanto do Poder Público quanto da população. Reservas de Fauna (REF): São áreas naturais com fauna de espécies nativas. podem ser estabelecidas normas e restrições para a utilização de uma propriedade privada localizada em uma APA. Áreas de Relevante Interesse Ecológico (Arie):Áreas geralmente de pequena extensão. Para implantar uma Unidade de Conservação determina-se ao órgão executivo que faça um prévio estudo técnico.

gestão. E a partir .org.516/07 que criou o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).] O Instituto Chico Mendes.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/unid/unid_us/> Acesso em 10 out. vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. viabiliza-se a preparação da proposta prévia de delimitação e espécie da Unidade de Conservação a ser implementada. gerir. fiscalizar e monitorar as Unidades de Conservação estabelecidas pela União. será estudado pelo ICMBio. O produto dessas análises. órgãos públicos e comunidade científica. defender. conforme dispõe o artigo 1. concede a este Instituto o dever de implementar.Instituto Chico Mendes. e tem como funções essenciais a implementação e administração das Unidades de Conservação da União. Findada as análises. a qual será apresentada a sociedade e examinada junto a ela. autonomia administrativa e financeira. no entanto. assim como serão realizadas também consultas públicas. 2011. está ligado ao Ministério do Meio Ambiente como autarquia federal. fiscalização e monitoramento das unidades de conservação instituídas pela União.executar ações da política nacional de unidades de conservação da natureza. será promovido extenso processo de divulgação. compete ao Instituto Chico Mendes fazer um exame técnico da proposição e. proteção. contando. autarquia federal dotada de personalidade jurídica de direito público. realizar outras análises e pesquisas visando a instituição de uma nova Unidade de Conservação. 1o Fica criado o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade . [. A manifestação de interesse da sociedade. A Lei nº 11. inciso I da referida lei: Art.wwf. As análises do espaço são de suma importância. com apoio de políticas públicas para resguardar a biodiversidade no país. caso necessário.. com a finalidade de: I . já que elas determinam o tipo de Unidade a ser criada.20 *Disponível em: <http://www. é o primeiro passo para criação de uma área protegida. Chegando questões desse tipo. implantação. onde as propostas serão exibidas de forma transparente e de fácil acesso. Para garantir a participação da população. que irá comparar o que foi exposto antes da participação da comunidade e o resultado final. referentes às atribuições federais relativas à proposição..

que serão analisadas técnica e juridicamente. III e IV do Decreto nº 4. quando couber. Já as Unidades de Conservação de Uso Sustentável. II. Florestas Estaduais ou Florestas Municipais. não necessitam da desocupação econômica da área. No . E só então.21 dessa verificação. Distrito Federal ou Municípios. portanto. no caso das Florestas Nacionais. Logo após.a população tradicional residente. os objetivos.a denominação. serão enviadas ao Ministério do Meio Ambiente as informações. ao serem criadas por ato do Executivo – Decreto. paralelamente ao ato de criação da Unidade de conservação. e IV . 2o O ato de criação de uma unidade de conservação deve indicar: I .as atividades econômicas. cabe ao ente que a instituiu o dever de implementar. III . será estabelecida a proposição final de demarcações e categoria para a Unidade.034/02 descreve as exigências para essa criação: Art. a área da unidade e o órgão responsável por sua administração. II . Vale destacar que essas Unidades podem ser instituídas pela União. após seu recebimento ela deve ser assinada e publicada no Diário Oficial da União. o que definirá se ela será de proteção integral ou de uso sustentável. no caso das Reservas Extrativistas e das Reservas de Desenvolvimento Sustentável. Faz-se necessário. além de serem estabelecidas por meio de ato do Poder Executivo. utilizando-se de consultas a diferentes órgãos do Poder Executivo que possam apresentar qualquer interesse na área apresentada para originar a Unidade de Conservação. e desde que atingindo áreas de propriedade particular ou de domínio de outro ente federativo que não o seu instituidor. que. observar processos de desapropriação das áreas privadas. dirigir e fiscalizar a área. 601). seja editado decreto declarando a área de utilidade pública para fins de desapropriação (ANTUNES. muito embora seja possível essa ocorrência. os limites.a população tradicional beneficiária. p. de segurança e de defesa nacional envolvidas. a criação de uma Unidade de Conservação depende de estudo prévio da área. a proposição será enviada ao Chefe do Poder Executivo para seu consentimento. a categoria de manejo. devem também quando necessário. 2010. Paulo Bessa descreve a instituição dessas Unidades da seguinte forma: Evidentemente que. Estados. estas implicam um esvaziamento do conteúdo econômico da propriedade. Como já colocado. Unidades de Conservação de Proteção Integral. no entanto. O 2º artigo em seus incisos I.

sob pena de se configurar desapropriação indireta (ANTUNES. além de incentivar o surgimento de novas Unidades. lista os órgãos responsáveis pela gestão do do SNUC: Art. em caráter supletivo. II e III. admitindo que uma unidade de uso sustentável se transforme em uma unidade proteção integral. como afirma Paulo Bessa: É possível a transformação. podendo ainda comparecer em uma delas. O Instituto Chico Mendes. o Ministério do Meio Ambiente será responsável por promover reuniões entre as administrações de Unidades de Conservação. os órgãos estaduais e municipais. o proprietário deve dirigir-se ao ente adequado e comprovar seu prejuízo para ser então indenizado.22 caso de uma exagerada delimitação do direito de propriedade. Ainda depois de instituída uma Unidade de Conservação. com a finalidade de coordenar o Sistema. nesta fase. e III . com as atribuições de acompanhar a implementação do Sistema. . a faculdade de solicitar informações a qualquer Unidade. e planejar o projeto de combate ao incêndio dessas áreas. p. de unidades de conservação do grupo de Uso Sustentável em unidades do grupo de Proteção Integral. verificar de qual ente é a competência. estabelecidos no parágrafo 2º do artigo 22. desde que obedecidos os procedimentos de consulta. é possível que ocorra uma alteração total ou parcial. tendo ainda. Depois da implementação. com a função de implementar o SNUC. A Lei nº 9.Órgão central: o Ministério do Meio Ambiente. 603). II . estaduais e municipais. nas respectivas esferas de atuação. subsidiar as propostas de criação e administrar as unidades de conservação federais. 6o O SNUC será gerido pelos seguintes órgãos. 2010. é necessário ajustar a gestão da Unidade de Conservação. e resguardados os direitos de particulares nelas obedecidos.órgãos executores: o Instituto Chico Mendes e o Ibama. Por sua vez. Para Paulo Affonso. com as respectivas atribuições: I – Órgão consultivo e deliberativo: o Conselho Nacional do Meio Ambiente . na medida em que eles instituírem e sustentarem Unidades ajustáveis ao disposto na referida lei. participando ainda da formulação do zoneamento ambiental do Brasil. Observando quem detém autonomia para gerir tal área.985/00 em seu artigo 6. total ou parcial. devido determinação do Poder Público. por instrumento normativo do mesmo nível hierárquico do que criou uma unidade. as regras gerais da Lei do SNUC aplicam-se à União. observará o atendimento das exigências feitas pelo SNUC. incisos I. Estados e Municípios. ou seja.Conama.

as OSCIPs (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público). ela será responsabilizada conforme o regime de responsabilidade civil. Além de todos já citados acima. no âmbito federal o órgão executor é o Instituto Chico Mendes. a responsabilidade de determinar o órgão competente. . que se dá por meio de publicação de edital de concursos.comprove a realização de atividades de proteção do meio ambiente ou desenvolvimento sustentável. mediante instrumento a ser firmado com o órgão responsável por sua gestão. 30. 22. Poderá gerir unidade de conservação a OSCIP que preencha os seguintes requisitos: I . como prevê a Lei nº 9. No entanto. e II . 22 do Decreto nº 4. preferencialmente na unidade de conservação ou no mesmo bioma. A gestão compartilhada atribui à OSCIP e ao órgão público poderes para administrar a Unidade. Ficando para organização político-administrativa de tais entes. a parceria com uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. poderá ser realizada através de licitação pública. além de garantir um desenvolvimento sustentável. As unidades de conservação podem ser geridas por organizações da sociedade civil de interesse público com objetivos afins aos da unidade. Já no âmbito estadual e municipal. caso a OSCIP acarrete prejuízos às áreas. têm como finalidade proteger e conservar o meio ambiente. podem também ficar responsáveis pela gestão dessas áreas.tenha dentre seus objetivos institucionais a proteção do meio ambiente ou a promoção do desenvolvimento sustentável.340/02 dispõe sobre as exigências necessárias para a parceria com uma OSCIP: Art. a Lei do SNUC não determina este órgão. Para garantir os princípios da moralidade e impessoalidade. As OSCIPs são ONG’s (Organizações Não Governamentais) que na gestão de Unidades de Conservação.23 Como dito anteriormente. O art.985/00 em seu artigo 30: Art.

. procedimentos básicos para o manejo da Unidade. Plano de Manejo é: Art. Segundo o inciso XVII do artigo 2 da Lei nº 9. determinando assim. na prática é ignorado. que contenha pelo menos a extensão do espaço protegido. além de instituir como obrigatória a figura do Plano de Manejo para toda Unidade de Conservação e conferir ao órgão gestor da unidade a responsabilidade da criação deste Plano. se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais.24 4 PLANO DE MANEJO NAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO As Unidades de Conservação precisam dispor de um documento..985/00.plano de manejo: documento técnico mediante o qual. inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade. observando ainda suas finalidades. já que ele determina um procedimento basilar para a manutenção da Unidade.] XVII . A Lei nº 9. estes itens serão trabalhados posteriormente. ele deve ser alterado de acordo com as mudanças realizadas na Unidade. não alcança apenas a área protegida. no entanto. com fundamento nos objetivos gerais de uma unidade de conservação. Determina ainda um prazo de 5 anos para elaboração de tal documento. os corredores ecológicos. Este documento. Porém. O Plano definirá a região da área protegida. a área de amortecimento. examinando a particularidade de cada zona e promovendo sua prosperidade física.. e ampla participação da população local dentre outros.985/00. E todos esses dados devem integrar o Plano de Manejo da Unidade de Conservação.] [. O Plano de Manejo deve existir em toda Unidade de Conservação.. 2o [. e mais. . ele abrange também sua zona de amortecimento e corredores ecológicos em sua volta.

no caso de Reserva Extrativista e Reserva de Desenvolvimento Sustentável. quanto no acervo de documentação do órgão executor. elaborado pelo órgão gestor ou pelo proprietário quando for o caso. como análises bibliográficas. tornando-a um tanto quanto obscura. 4. é imprescindível verificar ainda. O Decreto nº 4. ou qualquer modalidade de utilização diferente do previsto no Plano de Manejo. No entanto. a . a função essencial das Unidades de Conservação. incisos I e II. determina o que segue: Art. cartográficas e de imagens capturadas por satélites. O Plano de Manejo da unidade de conservação. corrompendo assim. culturais e históricos referentes à área protegida.1 O Plano de Manejo e sua importância Como dito anteriormente. combinando assim. Monumento Natural. Parque Nacional. já que a competência para aprová-lo se difere de acordo com a classificação da Unidade. será aprovado: I . o Plano de Manejo define as atuações indispensáveis para gerir e garantir o uso sustentável dos recursos naturais em diferentes atividades dentro das Unidades e em volta delas. Reserva de Fauna e Reserva Particular do Patrimônio Natural. Por isso. fatores socioeconômicos. além de colher informações da comunidade local. Área de Relevante Interesse Ecológico. vale ressaltar que o Plano de Manejo é definitivamente a materialização de uma Unidade de Conservação.25 A aprovação do Plano de Manejo é feita de acordo com o tipo de área. é vetada toda alteração. após aprovação do Plano de Manejo. 12.em portaria do órgão executor. A fase que segue a criação de uma Unidade sem a concretização do Plano. no caso de Estação Ecológica. pois é o único meio de regulamentação dessas áreas e das atividades ali exercidas. Além do levantamento citado. Área de Proteção Ambiental. O Plano será feito por um grupo de integrantes dos órgãos gestores.340/02. que levantarão informações da área. De acordo com Decreto nº 4. fotos aéreas. A proteção do meio ambiente sofre danos enormes. artigo 12. que será de suma importância. Refúgio de Vida Silvestre.em resolução do conselho deliberativo. seja relacionada à atividade. após prévia aprovação do órgão executor. tem sua administração repleta de problemas e prejuízos. II . este deve ficar disponível para consulta tanto na sede da área protegida. Reserva Biológica.340/02 em seu artigo 12. Floresta Nacional.

está a realocação das comunidades que habitavam na área protegida e a hipótese de indenização. “em homenagem ao princípio da participação comunitária.009. abrangendo assim sua zona de amortecimento.. O envolvimento da população interessada. Com isso. independente de estarem dentro da área protegida. P.] Parágrafo único. O Plano de Manejo então tem a intenção de regulamentar e determinar as atividades a serem restringidas. assim como dispões o parágrafo único do artigo 28 da Lei do SNUC: Art. conforme afirma Édis Milaré. a comunidade fornecerá instruções que reuni conhecimento da região e também os perigos do local. no entanto. sociais e culturais. assegurando-se às populações tradicionais porventura residentes na área as condições e os meios necessários para a satisfação de suas necessidades materiais. Até que se concretize o Plano de Manejo. É um dos pontos mais relevantes para demonstrar a suma importância do Plano de Manejo. do seu direito de propriedade. controladas. 28 [. Assim como a Definição das atividades permitidas dentro das Unidades. Vinculado também a importância do Plano de Manejo. visando resguardar o que é protegido pela Unidade. e sim da faculdade de praticar certas atividades naquela área. Até que seja elaborado o Plano de Manejo. os proprietários de terrenos localizados dentro das áreas definidas devem conservar suas propriedades de acordo com a lei de cada tipo de Unidade. estimuladas e vetadas em cada Unidade. a intenção do Poder Público é de proteger a natureza mesmo dentro de áreas que ainda não possuam o Plano de Manejo. . também deve ser considerado para preparação do Plano. ressaltando. A necessidade de regularização da intervenção humana. todas as atividades e obras desenvolvidas nas unidades de conservação de proteção integral devem se limitar àquelas destinadas a garantir a integridade dos recursos que a unidade objetiva proteger. é assegurado o envolvimento da sociedade no processo de elaboração.726) Seguindo o processo de implementação. atualização e implementação do Plano de Manejo.” (MILARÉ. Não sendo privado.. 2.26 conservação do meio ambiente com as distintas maneiras de utilização dessas áreas.

até que haja a regulamentação desta Unidade de Conservação (UC) através do Plano de Manejo.] XVIII . A abrangência do Plano de Manejo em relação a zona de amortecimento e corredores ecológicos. com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade. O alcance dos efeitos do Plano gera regras e efeitos a serem respeitados. na zona de amortecimento. que ainda tem como objetivo garantir o bem estar da coletividade. não integra a Unidade de Conservação. o Poder Público não tem como definir limites para as atividades executadas no entorno da Unidade. onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas. por causa dela se torna passível de um zoneamento que permite ou não determinadas atividades econômicas. denominada zona de amortecimento. resulta a junção da vida econômica e social da população vizinha. no entanto.] [. já que devido esta falta.. inciso XVIII da Lei do SNUC significa: Art. Esta área no entorno da Unidade. tanto internamente da Unidade como em sua volta. tanto a comunidade desta área como a administração da Unidade passarão dificuldades com a falta de auxílio no que concerne a proibição ou não de determinadas atividades. 4. . de Uso Sustentável ou de Proteção Integral. além de auxiliar em práticas e medidas para inserção das intervenções propostas.. que são definidas de acordo com a espécie da Unidade. A atribuição do Poder Público em Unidades sem o Plano de Manejo é de fiscalização e acompanhamento das atividades exercidas naquela área.2 O desempenho do Poder Público nas Unidades sem Plano de Manejo Após a criação de uma Unidade de Conservação. Não só a Unidade de Conservação será atingida pela falta do Plano de Manejo. que de acordo com artigo 2. que é um direito constitucional. mas toda área vizinha.zona de amortecimento: o entorno de uma unidade de conservação. No entanto. aquela área fica limitada a execução de algumas atividades... 2o [.27 novamente. o importante papel da comunidade na preparação do Plano.

não é possível determinar uma zona de amortecimento. como o próprio nome está a indicar. só poderá ser concedido após autorização do órgão responsável pela administração da UC ou. independente do tamanho da . Édis Milaré define estas zonas como sendo: A zona de amortecimento é. auxiliando assim para o crescimento da região. Assim como determina o artigo 1. 2009.28 A zona de amortecimento deve ser estabelecida pelo Plano de Manejo em todas as Unidades de Conservação. Já que sem a apresentação do Plano de Manejo no prazo de 5 anos. assim considerados pelo órgão ambiental licenciador. p. exceto Áreas de Proteção Ambiental e Reservas Particulares do Patrimônio Natural. com exceção de RPPNs. pelo órgão responsável pela sua criação. uma faixa de terreno que margeia as unidades de conservação. o Poder Público poderá atuar somente no limite das UCs legalmente estabelecidas. diminuir o impacto sobre a Unidade de Conservação e difundir a interação com a comunidade local.000 metros para Unidades sem Plano de Manejo. Já a Resolução citada anteriormente. poderão ser executadas no entorno da área mediante licenciamento outorgado pelo Poder Público. No entanto. uma zona de amortecimento de 3. com fundamento em Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). exceto nas Áreas de Proteção Ambiental e Reservas Particulares do Patrimônio Natural.. no caso das Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPN). assim como dispõe a Lei nº 9. cuja ZA não esteja estabelecida. 1º O licenciamento de empreendimentos de significativo impacto ambiental que possam afetar Unidade de Conservação (UC) específica ou sua Zona de Amortecimento (ZA).. pois esta é instituída justamente por este documento.] §2º Durante o prazo de 5 anos. § 2º da Resolução nº 428/10 do CONAMA : Art.985/00. localizados numa faixa de 3 mil metros a partir do limite da UC. portanto. Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e Áreas Urbanas Consolidadas. de amortecer ou mitigar os impactos produzidos pelas atividades externas que sejam incompatíveis com o manejo da unidade (MILARÉ. a CONAMA nº 428/10. determina para atividades possivelmente danosas ao meio ambiente. o licenciamento de empreendimento de significativo impacto ambiental. com a finalidade. 723). sujeitar-se-á ao procedimento previsto no caput. Na falta do Plano. contados a partir da publicação desta Resolução. atividades possivelmente danosas ao meio ambiente. senão for implementado o Plano de Manejo nas Unidades. Esta zona citada acima tem como finalidade. [.

4. 25. Desta forma. corredores ecológicos. Com isso. inciso III.000 metros como sendo a zona de amortecimento. As unidades de conservação. A Lei do SNUC em seu artigo 25 § 2º contempla: Art. [. mas que não precisam apresentar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto do Meio Ambiente (RIMA). O Plano de Manejo determina também a distinção e intensidade da utilização da área por meio do zoneamento... devem observar uma extensão de 2. nas Unidades sem Plano de Manejo.] 2o Os limites da zona de amortecimento e dos corredores ecológicos e as respectivas normas de que trata o § 1o poderão ser definidas no ato de criação da unidade ou posteriormente. a aplicação de regras determinadas pelos órgãos administradores. exceto Área de Proteção Ambiental e Reserva Particular do Patrimônio Natural. Portanto. estas atividades necessitam também de licença ambiental outorgada pelo órgão competente. As atividades condicionadas ao licenciamento ambiental. ao Poder Público. assim como determina a Resolução CONAMA nº 428/10. em seu artigo 5.3 A regularização jurídica das Unidades de Conservação sem o Plano de Manejo A regularização das Unidades de Conservação sem o Plano de Manejo é essencial para possibilitar. devem possuir uma zona de amortecimento e. delimitar a zona de amortecimento de cada Unidade de Conservação no momento de sua criação. os recursos culturais e naturais existentes na região. No entanto.29 área que será protegida. quando conveniente. a zona de amortecimento é estabelecida pelo órgão responsável pela administração da área com intuito de reduzir os impactos ambientais no redor da Unidade de Conservação. pode-se deduzir que as zonas de amortecimento de Unidades sem Plano de Manejo. deverá o Poder Público. quanto à utilização desta Unidade. Evitando assim. com intuito de preservar assim. que haja um dano ambiental de importante impacto ao redor da UC. são definidas pelo impacto originado pela atividade executada ao redor da área protegida e não pela extensão desta área. .

Nos casos de empreendimentos que causam danos as Unidades ou ao seu entorno.985/00 determina a forma de valorização dos recursos naturais ali existentes.30 Ocorrendo a regularização específica de cada Unidade.EIA/RIMA. No que se refere a zona de amortecimento. elas são amparadas por normas protecionistas. 36. na ocasião da regularização da área. determina ainda a realocação pelo Poder Público. o artigo 42 da Lei do SNUC. o empreendedor é obrigado a apoiar a implantação e manutenção de unidade de conservação do Grupo de Proteção Integral. [.. o que causa prejuízo à população que tem sua propriedade em áreas transformadas em Unidades de Conservação. Como o objetivo destas Unidades é preservar a natureza e proteger o meio ambiente ecologicamente equilibrado. com fundamento em estudo de impacto ambiental e respectivo relatório . com o Plano de Manejo serão definidas regras para organizar a ocupação e a utilização dos bens naturais da Unidade de Conservação e das áreas ao seu entorno. prevê uma indenização ou uma compensação referente a benfeitorias realizadas. deverá ser uma das beneficiárias da compensação definida neste artigo. de acordo com o disposto neste artigo e no regulamento desta Lei. e a unidade afetada. a Lei nº 9. em seu artigo 36 § 3º. . o licenciamento a que se refere o caput deste artigo só poderá ser concedido mediante autorização do órgão responsável por sua administração. a Lei do SNUC. Para as populações tradicionais existentes em áreas protegidas. destes indivíduos de maneira acordada entre as partes. para definir a situação desses particulares é indispensável que se regularize estas áreas. Portanto. determina as condições para execução de tais atividades: Art.. mesmo que não pertencente ao Grupo de Proteção Integral. Assim.] § 3o Quando o empreendimento afetar unidade de conservação específica ou sua zona de amortecimento. assim considerado pelo órgão ambiental competente. na qual não é possível a permanência destes indivíduos. ela é estabelecida conforme a dimensão e espécie de Unidade de Conservação. Nos casos de licenciamento ambiental de empreendimentos de significativo impacto ambiental. como a zona de amortecimento e os corredores ecológicos. O estado fundiário indefinido das comunidades que vivem nas áreas protegidas é um preocupante fator observado nas Unidades de Conservação sem regularização jurídica.

são criados corredores ecológicos visando a preservação de espécies da fauna. preservando o equilíbrio ecológico. mas de modo regulamentar por meio da implementação dos Planos de Manejo. proporcionando uma diminuição dos impactos externos. através da zona de amortecimento.31 Sendo assim. . proteger as características ambientais. Assim. que com o seu auxílio cumprirá os objetivos relacionados na sua criação. garantindo a preservação dos recursos naturais em busca de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. não se trata apenas de regularização da Unidade de Conservação. de todo seu entorno. oferecendo alternativas e outras formas de subsistência para as populações locais. também. sempre ensejando a comunidade local nos interesses da Unidade. regula as atividades antrópicas realizadas nas Unidades. comprovar a importância de se fundar. mantendo-as em seu habitat natural e. como papel mais importante. orientando a administração das Unidades de Conservação. objetivando o respeito ao meio ambiente. Ou seja. a regularização das Unidades de Conservação sem Plano de Manejo é fundamental. determinando planos específicos de manejo. o Plano de Manejo efetivará a real finalidade da Unidade de Conservação. ainda. Para isso. motivar o desenvolvimento sustentável e ainda resguardar os recursos naturais indispensáveis para sustentar a vida humana. CONCLUSÃO O trabalho tem como finalidade. para que estas áreas exerçam efetivamente sua finalidade. para que as áreas protegidas exerçam de fato sua função essencial de preservar espécies ameaçadas. os direitos individuais e a coletividade. mas. entre as áreas da Unidade e as atividades realizadas ao seu redor. a regularização jurídica dessas Unidades sem Plano de Manejo se torna necessária e de suma importância. Sua efetiva finalidade. É fundamental reconhecer que a implementação do Plano de Manejo não se conclui somente com a elaboração de um simples documento técnico. Unidades de Conservação.

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