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Como Se Tornar Sobrenatural

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Ficha Técnica

Título: Como Se Tornar Sobre-humano


Título Original: Becoming Supernatural
Autor: Dr. Joe Dispenza
Traduzido do inglês por Pedro Ribeiro
Revisão: Dulce Reis
Capa: John Dispenza
Adaptação da capa: Inari Fraton
Ilustrações: John Dispenza
ISBN: 9789892341576

LUA DE PAPEL
[Uma chancela do grupo Leya]
Rua Cidade de Córdova, n.º 2
2610-038 Alfragide – Portugal
Tel. (+351) 21 427 22 00
Fax. (+351) 21 427 22 01

© 2017, Dr. Joe Dispenza


Publicado pela primeira vez em 2017 por Hay House, Inc., USA.
Ouça a Hay House em www.hayhouseradio.com
Todos os direitos reservados de acordo com a legislação em vigor
luadepapel@leya.pt
obloguedepapel.blogspot.pt
www.luadepapel.leya.com
www.leya.pt
Facebook: editoraLuadePapel

O autor deste livro não dá conselhos médicos nem prescreve nenhuma


técnica como forma de tratamento para problemas físicos, emocionais ou
médicos sem o acompanhamento, direto ou indireto, de um profissional de
saúde. O objetivo do autor é apenas dar informações de caráter geral para o
ajudar a encontrar o bem-estar emocional, físico e espiritual. Caso utilize a
informação deste livro, o autor e o editor não assumem qualquer
responsabilidade pelos seus atos.

Nota do autor: Embora as histórias dos indivíduos que se curaram nos meus
seminários sejam verdadeiras, os nomes e alguns pormenores que podiam
identificá-los foram alterados para salvaguardar a sua privacidade.
Dr. Joe Dispenza
COMO SE TORNAR SOBRE-HUMANO
Becoming Supernatural
How Common People Are Doing the Uncommon
Traduzido do inglês por
Pedro Ribeiro
“Da autoria de um cientista talentoso, que é também um
professor apaixonado, este guia único e prático mostra-nos – passo
a passo – como ir para lá dos limites do conhecido até uma
extraordinária nova vida.”
Tony Robbins, autor de Inabalável, número um da lista de best-
sellers do New York Times.
“Há muito que sou fã do trabalho do Dr. Dispenza. Neste livro, irá
aprender exatamente como transcender os limites do seu passado –
incluindo os problemas de saúde – e, literalmente, criar um novo
corpo, uma nova mente e uma nova vida. Esta informação é
entusiasmante, capaz de transformar a sua vida, e incrivelmente
prática.”
Dra. Christiane Northrup, autora de Deusas sem Idade, best-
seller da lista do New York Times
“O Dr. Joe Dispenza é médico, cientista e místico da era
moderna... Num estilo simples, claro e fácil de compreender, Joe
Dispenza urdiu num único volume as descobertas revolucionárias da
ciência quântica e os ensinamentos profundos a que estudiosos do
passado dedicaram toda a sua vida.”
do prefácio de Gregg Braden, autor dos best-sellers da lista do
New York Times, Human by Design e A Matriz Divina.
“Este livro vai ajudá-lo a alcançar uma incrível nova dimensão.
Joe Dispenza fez um trabalho notável ao criar um manual de
instruções do século XXI para o corpo e para o cérebro humanos.
Ao associar a sua vasta sabedoria e experiência com uma série de
estudos de casos fascinantes, investigação científica entusiasmante
e os exercícios que os seus estudantes têm utilizado, desde curar
os seus corpos a alterar radicalmente o curso das suas vidas. Ele é
um homem com uma missão, e embora a ideia de se ser sobre-
humano seja uma GRANDE promessa, este livro cumpre
totalmente!”
Cheryl Richardson, autora de Take Time for Your Life, best-seller
da lista do New York Times.
“Neste livro estimulante e fascinante, o Dr. Joe Dispenza mostra-
nos que somos muito mais do que as nossas mentes lineares. No
papel do nosso hábil guia, o Dr. Dispenza leva os leitores para lá da
perceção normal para compreender o campo quântico infinito de
consciência que ultrapassa os sentidos, o espaço e o tempo.
Recomendo este livro a todos os que queiram explorar a natureza
extraordinária da consciência e da cura.”
Dra. Judith Orloff, autora de The Empath’s Survival Guide.
“O Dr. Joe Dispenza tem uma missão singular: ajudar-nos a
todos a abandonar as limitações do presente e reivindicar a vida
multidimensional que é nossa de nascença. Ao sustentar práticas
aparentemente simples com pura ciência neurológica, o Dr. Joe
prova que o sobre-humano é na verdade o nosso estado natural de
ser – e que também está ao nosso alcance. Aperte o cinto de
segurança. Leia este livro, experimente as suas técnicas que
destroem paradigmas, e prepara-se para uma viagem alucinante até
ao seu potencial sem limites.”
Lynne McTaggart, autora dos best-sellers internacionais O
Campo, The Intention Experiment e The Power of Eight.
“Leio muita coisa, mas o livro do Dr. Dispenza deixou-me
espantada. Está na vanguarda e é um avanço tremendo na
terapêutica corpo-mente. Bravo!”
Dra. Mona Lisa Schulz, autora de Pode Curar a Sua Mente e
Tudo Está Bem.
“Ena! Se alguma vez quis acreditar em milagres mas precisou de
ciência para dar clareza à sua esperança, então este livro é para si.
O Dr. Joe oferece ideias extraordinárias e instruções passo a passo
poderosamente lúcidas para atingir uma vida sobre-humana.”
Dr. David R. Hamilton, autor de How Your Mind Can Heal Your
Body.
Ao meu irmão John, que sempre foi um verdadeiro místico.
PREFÁCIO
Ao longo da história foram surgindo relatos de pessoas normais que
passaram por experiências que as catapultaram para lá dos limites do que se
julgava possível. Desde a longevidade multicentenária de Li Ching-Yuen,
mestre de artes marciais que viveu 256 anos, de 1677 a 1933; e que teve 14
esposas e mais de 200 filhos, até à cura espontânea de inúmeras doenças,
documentada pelo Instituto de Ciências Noéticas (IONS) em 3500
referências de mais de 800 revistas científicas publicadas em 20 línguas, as
provas mostram-nos claramente que não somos o que nos disseram no
passado, que somos mais do que nos permitimos imaginar.
À medida que o conceito de um potencial humano alargado ganha cada
vez mais aceitação, o debate deixou de ser “o que é possível nas nossas
vidas” e passou mais a ser “como o fazer?” “Como é que despertamos o
nosso extraordinário potencial na vida quotidiana?” A resposta a esta
pergunta é a base deste livro: Como Se Tornar Sobre-humano.
O Dr. Joe Dispenza é médico, cientista e místico da era moderna. É
também um sintetizador de informação com uma perspetiva que vai para lá
dos limites de uma única disciplina científica. Recorrendo a vários áreas da
ciência pura e dura, tais como a epigenética, a biologia molecular, a
neurocardiologia e a física quântica, Joe atravessa as fronteiras tradicionais
que separavam o pensamento científico da experiência humana. Desta
forma, abre a porta a um ambicioso e novo paradigma de desenvolvimento
pessoal consciente – o modo de pensar e viver com base naquilo que
sentimos ser possível nas nossas vidas, bem como no que aceitamos como
factos científicos. Esta nova fronteira de potencial concretizado está a
redefinir o que significa ser um ser humano totalmente habilitado e
capacitado. E é uma fronteira com grandes possibilidades para todos, desde
donas de casa, estudantes e operários especializados, a cientistas,
engenheiros e profissionais de saúde.
A razão pela qual o trabalho atual de Joe apela a um público tão vasto, é
porque reproduz um modelo comprovado que os mestres usaram com
sucesso com os seus discípulos ao longo de séculos. A ideia do modelo é
simples: assim que passamos por uma experiência concreta de um potencial
superior, teremos a liberdade para atingir esse potencial nas nossas vidas
quotidianas. O livro que tem nas suas mãos é um manual inédito que serve
exatamente para isso: levar-nos passo a passo numa viagem para concretizar
o máximo potencial no nosso corpo, na saúde, nas relações humanas e nos
objetivos de vida, e permitir-nos fazer essa viagem ao nosso ritmo.
Foi nas paredes de uma caverna no planalto tibetano que vi com os
meus olhos como o mesmo modelo era usado por um dos grandes mestres
yogis do passado, para libertar os seus discípulos das suas próprias crenças
limitativas. A herança dos ensinamentos persiste, preservada na rocha
nativa que, há oito séculos, servia ao mestre tanto de casa como de sala de
aulas.
*
Na primavera de 1998, colaborei na organização de uma peregrinação
às terras altas do Oeste do Tibete. O nosso caminho levou-nos diretamente à
caverna remota de Ujetsun Milarepa, yogi, poeta e místico do século XI,
conhecido no seu tempo por Milarepa.
Ouvi falar pela primeira vez deste lendário yogi quando estudava com
um místico sique que se tornou meu professor de yoga na década de oitenta.
Passei alguns anos a estudar o mistério à volta da vida de Milarepa: como
ele descendia de uma família privilegiada mas resolvera renunciar às suas
posses terrenas; as circunstâncias trágicas e brutais de perder a família e os
amigos em atos de violência extrema; e como a sua vingança e o sofrimento
dela consequente o levaram a este refúgio no topo dos Himalaias, onde
descobriu o seu extraordinário potencial como yogi dedicado. Queria ver
pessoalmente o sítio em que Milarepa violara as leis da física,
demonstrando a si próprio, e aos seus discípulos, que as únicas barreiras nas
nossas vidas são os limites das nossas crenças. Dezanove dias depois de
começar a minha viagem, tive a oportunidade de o fazer.
Depois da aclimatação a uma humidade quase nula e a uma altitude
superior a 4500 metros acima do nível do mar, fui ter exatamente ao sítio
em que Milarepa se apresentou aos seus discípulos, 800 anos antes. Com o
meu rosto a centímetros da parede da caverna, fitava diretamente o mistério
por resolver que os cientistas modernos nunca conseguiram explicar nem
reproduzir. Foi exatamente nesse sítio que Milarepa encostou a mão contra
a pedra acima do nível dos ombros, e continuou a empurrar a mão para
dentro da parede, como se a pedra não existisse! Ao fazê-lo, a pedra sob a
palma da sua mão tornava-se mole e maleável, cedia à pressão. O resultado
foi a marca perfeita da palma da mão esquerda do yogi deixada na rocha,
para os discípulos que o acompanhavam na altura, e de séculos posteriores,
a poderem ver. Passando a luz das nossas lanternas pelas paredes e pelo teto
da caverna, podíamos observar ainda mais marcas de mãos, deixando claro
que Milarepa fizera esta demonstração mais do que uma vez.
Abri a palma da minha mão, encostei-a à marca, e senti os meus dedos
encaixados no baixo-relevo, precisamente na posição que a mão do yogi
assumira oito séculos antes. Encaixava de uma forma tão perfeita, que
qualquer dúvida que eu tivesse sobre a autenticidade da marca logo
desapareceu. Era um sentimento simultaneamente de humildade e
inspiração. Os meus pensamentos viraram-se de imediato para o próprio
homem. Queria saber como ele experienciara o momento em que tocou a
pedra. O que estaria a pensar? E, talvez mais importante, o que estaria a
sentir? Como é que superou as “leis” da física que nos dizem que uma mão
e uma rocha não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo?
Como se estivesse a ler a minha mente, o meu guia tibetano respondeu
às minhas perguntas antes de eu lhas fazer. “A meditação do geshe [grande
professor] ensina que ele faz parte da rocha, não está separado dela. A rocha
não o pode conter. Para o geshe, aquela caverna representava um local para
fazer experiências, não uma barreira limitadora. Naquele sítio, ele era livre
e podia mover-se como se a rocha não existisse.” As palavras do meu guia
faziam todo o sentido. Quando os discípulos de Milarepa observaram o seu
professor a concretizar algo que as crenças tradicionais diziam não ser
possível, por certo depararam-se com o mesmo dilema com que todos nos
confrontamos hoje em dia, quando decidimos libertar-nos das nossas
crenças limitativas.
Eis o dilema: o pensamento acolhido pela família, os amigos e a
sociedade do tempo dos estudantes concebia o mundo em termos de limites
e fronteiras. Isto incluía a crença de que a parede da caverna era uma
barreira para o corpo humano. Porém, quando Milarepa enfiou a mão na
pedra, os seus discípulos puderam observar que havia exceções às “leis”. A
ironia é que ambas as formas de ver o mundo estão absolutamente corretas.
Cada uma depende da forma como decidirmos pensar em nós próprios a
dado momento.
Ao encostar a minha mão à marca deixada pelo yogi aos seus
estudantes, há tantos anos, interroguei-me: estarão as nossas vidas
bloqueadas, hoje em dia, pelas mesmas crenças limitativas que os
discípulos de Milarepa experimentaram no seu tempo? E, se assim for,
como despertarmos o poder para transcender essas crenças?
Confirmei que, quando uma coisa é verdadeira na nossa vida, essa
verdade pode manifestar-se de muitas formas. Por esta razão, não é para
mim surpresa que a documentação científica da sala de aulas de Joe leve à
mesma conclusão a que Milarepa, e outros místicos do passado, chegaram –
de que o universo “é” como é, os nossos corpos “são” como são, e que as
circunstâncias das nossas vidas se devem à própria consciência e à forma
como nós pensamos no nosso mundo. Contei a história de Milarepa para
ilustrar este princípio aparentemente universal.
A chave para as lições do yogi é esta: quando sentimos em nós, ou
testemunhamos noutra pessoa, algo que outrora pensámos ser impossível,
temos a liberdade nas nossas crenças de transcender essas limitações nas
nossas próprias vidas. E é precisamente por isto que o livro que tem nas
mãos tem o potencial de lhe transformar a vida. Ao mostrar-lhe como
aceitar o seu sonho futuro como a sua realidade atual, e ao fazê-lo de tal
forma que o seu corpo acredite que está a acontecer “agora”, irá descobrir
como pôr em movimento uma sucessão de processos emocionais e
fisiológicos que refletem esta sua nova realidade. Os neurónios no seu
cérebro, os sensores nervosos no seu coração, e a química no seu corpo
entrarão em harmonia para refletir o novo pensamento, e as potencialidades
quânticas da vida serão reorganizadas para substituir as circunstâncias
indesejadas do seu passado pelas novas circunstâncias que passou a aceitar
como o presente.
É aí que reside a força deste livro.
Num estilo simples, claro e fácil de compreender, Joe Dispenza urdiu
num único volume as descobertas revolucionárias da ciência quântica e os
ensinamentos profundos a que estudiosos do passado dedicaram toda a sua
vida – ele mostra-nos como podemos ser sobre-humanos.
GREGG BRADEN
Autor dos best-sellers da lista do New York Times, Human by Design e
A Matriz Divina.
INTRODUÇÃO
OS PREPARATIVOS PARA SE TORNAR SOBRE-HUMANO
Sei que escrever este livro é um risco para mim e para a minha
reputação. Há certas pessoas – muitas delas nos meios científicos – que
poderão descrever o meu trabalho como pseudociência, sobretudo depois da
publicação deste livro. Dantes preocupava-me demasiado com as opiniões
desses críticos e, no início da minha carreira, escrevia sempre tendo esses
céticos em mente, ávido de que aprovassem o meu trabalho. De certa forma,
achava importante ser aceite por essa comunidade. Mas um dia,
encontrando-me num seminário em Londres, uma mulher da audiência, com
o microfone na mão, estava a contar a sua história, a forma como tinha
ultrapassado a sua doença – como se curara pondo em prática o que escrevi
noutros livros –, e tive uma revelação:
Tornou-se muito claro para mim que esses céticos e esses cientistas
inflexíveis que só acreditam naquilo que lhes parece exequível, nunca irão
gostar de mim nem do meu trabalho faça eu o que fizer. Assim que cheguei
a esta conclusão, apercebi-me de que andara a gastar muito da minha
energia vital. Já não estava interessado em convencer essa comunidade em
particular – sobretudo aqueles que estudam o normal e o natural – quanto ao
potencial humano. Sentia-me totalmente fascinado por tudo menos pelo
normal, queria estudar o sobrenatural. Tornou-se muito claro para mim que
seria inútil continuar a esforçar-me para convencer essa comunidade fosse
do que fosse, e em vez disso teria de dirigir as minhas energias para todo
um outro setor da população, que acredita na possibilidade e quer ouvir o
que eu tenho para contar.
Que alívio foi abraçar totalmente esta ideia e abandonar qualquer
tentativa de causar impacto nesse outro mundo! Ao ouvir aquela doce
senhora em Londres, que não era monja nem freira nem académica nem
doutora, soube que, ao contar a sua história à audiência, ela estava a ajudar
outras pessoas a verem nela uma parte de si mesmas. Aqueles que ouviam a
sua viagem podiam então acreditar que seria possível, para eles, conseguir
fazer o mesmo. Estou num ponto da minha vida em que não me importo
com o que os outros dizem de mim – e eu tenho certamente os meus
defeitos –, mas agora sei, mais do que nunca, que estou a ter impacto na
vida das pessoas. Digo-o com toda a humildade. Trabalhei ao longo de anos
na análise de informação científica complexa para a tornar tão simples que
as pessoas a possam aplicar nas suas vidas.
Aliás, nos últimos quatro anos, a minha equipa de investigadores, os
meus colaboradores e eu próprio demos passos significativos no sentido de
medir, registar e analisar cientificamente essas transformações na biologia
dos seres humanos, para provar ao mundo que as pessoas normais
conseguem fazer coisas extraordinárias. Este livro não é só sobre a cura,
embora inclua algumas histórias de indivíduos que transformaram a sua
saúde de forma significativa, conseguindo mesmo reverter a doença – aqui,
também vai descobrir as ferramentas que o vão ajudar a fazer o mesmo.
Estes feitos estão a tornar-se bastante comuns na nossa comunidade de
estudantes. O material que está prestes a ler existe para lá das convenções e
não costuma ser visto nem compreendido pela maior parte do mundo. O
conteúdo deste livro baseia-se na evolução de ensinamentos e práticas que
culminou na capacidade de os nossos seguidores mergulharem mais fundo
no seu lado mais místico. E, claro, tenho a esperança de conseguir fazer a
ponte entre o mundo da ciência e o mundo do misticismo.
Escrevi este livro para levar o que sempre julguei ser possível a um
novo nível de compreensão. E com isso pretendo demonstrar ao mundo que
podemos criar uma vida melhor – e que não somos criaturas lineares com
vidas lineares, mas sim seres dimensionais com vidas dimensionais. Espero
que a leitura deste livro o ajude a compreender que já tem, latentes e à
espera de serem despertados e ativados, todos os fatores anatómicos,
químicos e fisiológicos de que precisa para ser sobre-humano.
No passado, hesitei em falar sobre esta visão da realidade, porque temia
que pudesse dividir uma audiência, tendo em conta as suas crenças
individuais. Contudo, há muito que queria escrever este livro. Com o passar
dos anos, tive experiências místicas profundamente ricas que me
transformaram para sempre. Esses eventos interiores moldaram a pessoa
que hoje sou. Quero apresentá-lo a esse plano multidimensional e mostrar-
lhe algumas das medições e dos estudos que fizemos nos nossos seminários
à volta do mundo. Comecei a registar as datas sobre os nossos estudantes
nesses seminários porque testemunhei mudanças significativas na saúde
deles, e soube que eles estavam a transformar a sua biologia durante as
meditações – em tempo real.
Temos milhares e milhares de exames cerebrais que demonstram que as
mudanças não eram apenas imaginárias, ocorreram de facto nos seus
cérebros. Vários dos estudantes que observámos conseguiram concretizar
essas mudanças ao cabo de quatro dias (o tempo de duração dos nossos
seminários avançados). As equipas científicas que montei fizeram registos
de exames ao cérebro usando medições quantitativas através de
encefalogramas (EEG) antes das meditações e das próprias práticas. As
mudanças não me deixaram apenas impressionado, fiquei chocado – eram
mesmo radicais.
O cérebro dos nossos estudantes funciona de forma mais sincronizada e
coerente depois da participação em retiros avançados por todo o mundo.
Esta ordem reforçada no seu sistema nervoso ajuda-os a ter uma ideia muito
clara de um futuro que podem criar, e permite-lhes seguir essas intenções
independentemente das condições do seu ambiente exterior. E, quando os
seus cérebros funcionam bem, eles também funcionam bem. Vou apresentar
dados científicos que mostram como os cérebros deles melhoraram em
apenas alguns dias – o que significa que também pode fazer o mesmo com
o seu cérebro.
No fim de 2013, começou a ocorrer um fenómeno misterioso.
Começaram a aparecer registos de exames cerebrais que confundiam os
investigadores e os neurocientistas que vinham aos nossos eventos para
estudar o meu trabalho. A grande quantidade de energia no cérebro que
estávamos a registar enquanto os estudantes estavam em certas meditações
nunca tinha sido vista até então.
Ao entrevistarmos os participantes, eles relataram que a sua experiência
subjetiva durante a meditação fora muito real e mística, e que essa
experiência tinha mudado profundamente a visão que tinham do mundo e
melhorado completamente a sua saúde. Soube, nesses momentos, que estes
participantes estavam a ter experiências transcendentais no seu mundo
interior de meditação, que eram mais reais do que qualquer coisa que
tivessem vivido no mundo exterior. E estávamos a captar essas experiências
subjetivas de forma objetiva.
Isto tornou-se, para nós, um fenómeno do quotidiano e, aliás,
conseguimos muitas vezes prever quando é que essas grandes amplitudes de
energia no cérebro iriam ocorrer, fundamentados em certos indicadores e
sinais que observávamos há anos. Nas páginas deste livro, tenciono
desmistificar o que é ter uma experiência interdimensional e apresentar a
ciência – biologia e química dos órgãos, sistemas e neurotransmissores –
que a tornam possível. A minha esperança é que esta informação possa
servir-lhe de roteiro para que também possa criar experiências semelhantes.
Também registámos mudanças extraordinárias na variabilidade da
frequência cardíaca (VFC). Estas mudanças ocorrem quando sabemos que
um estudante está a abrir o seu coração e a manter emoções elevadas como
gratidão, inspiração, alegria, ternura, devoção e compaixão, que fazem o
coração bater de uma forma coerente – isto é, com ritmo, ordem e
equilíbrio. Sabemos que é essencial uma intenção clara (um cérebro
coerente) e uma emoção elevada (um coração coerente) para começar a
transformar a biologia de uma pessoa de viver no passado para viver no
futuro. Esta combinação mente e corpo – pensamentos e sentimentos –
também parece influenciar a matéria. E é assim que se cria a realidade.
Portanto, para que possa acreditar de facto num futuro que imagina de
todo o coração, vamos garantir que esse coração está aberto e plenamente
ativado. Porque não, através da prática e da avaliação quantitativa, ganhar o
jeito para isso, até se tornar num hábito?
Foi para isso que fizemos uma parceria com o Instituto HeartMath
(HMI), um grupo de investigadores de vanguarda, com sede em Boulder
Creek, na Califórnia, que nos ajudaram a avaliar as respostas de milhares
dos nossos participantes. Temos por objetivo que os nossos estudantes
desenvolvam a capacidade de regular um estado interior independente das
condições do seu ambiente externo, e que saibam quando estão a criar
coerência no coração ou não. Por outras palavras, ao avaliarmos essas
transformações interiores, podemos dizer a uma pessoa que ela criou um
padrão mais equilibrado na medição do coração, e que está a fazer um
grande trabalho e deve continuar no mesmo caminho. Ou podemos dizer-
lhe que não está a fazer nenhumas mudanças biológicas, e dar-lhe então as
instruções adequadas e fornecer-lhe várias oportunidades para se tornar
melhor no processo. É para isso que serve a avaliação; ajuda-nos a saber
quando estamos a fazer alguma coisa bem ou não.
Quando mudamos algum sentimento ou pensamento dentro de nós,
podemos ver mudanças fora de nós, e quando observamos o que fizemos
bem, iremos prestar atenção ao que fizemos e voltar a fazê-lo. Este ato
resulta num hábito construtivo. Ao demonstrar como outros são capazes de
tais feitos, quero mostrar-lhe até onde pode chegar o seu poder.
Os nossos estudantes sabem como influenciar o sistema nervoso
autónomo (SNA) – o sistema que mantém a saúde e o equilíbrio através de
uma gestão automática de todas as nossas funções corporais, em paralelo
com o livre arbítrio de que dispomos para viver as nossas vidas. É este
sistema subconsciente que nos dá saúde, que dá vida aos nossos corpos.
Assim que aprendermos a conquistar o acesso a este sistema, podemos não
só melhorar a nossa saúde como também transformar os nossos
comportamentos, crenças e hábitos autolimitadores em processos mais
produtivos. Irei apresentar parte dos dados que recolhemos ao longo dos
anos.
Também ensinámos aos nossos estudantes que, quando eles criam
coerência cardíaca, os seus corações geram um campo magnético
mensurável que se projeta para lá dos seus corpos. Esse campo magnético é
uma energia, e essa energia é uma frequência, e todas as frequências
comportam informação. A informação transportada nessa frequência pode
ser uma intenção ou um pensamento que pode influenciar o coração de
outra pessoa noutro sítio, movendo-o para a coerência e para o equilíbrio.
Vou provar-lhe que um grupo sentado numa sala pode influenciar outro
grupo sentado na mesma sala, de forma a que ambos entrem em coerência
cardíaca exatamente ao mesmo tempo. Os dados mostram claramente que
estamos rodeados por um campo de luz invisível e por informação que nos
influencia a nós e aos outros.
Tendo isso em conta, imagine o que pode acontecer se todos fizermos
isto ao mesmo tempo para mudar o mundo. É exatamente essa a nossa
missão, enquanto comunidade de indivíduos dedicados a ter impacto no
futuro desta Terra e nas pessoas e nas outras formas de vida que a habitam.
Criámos o Projeto Coerência, no qual milhares de pessoas se juntam
exatamente à mesma hora, no mesmo dia, para aumentar a frequência deste
planeta e de todos os que aqui vivem. Parece impossível? De forma alguma.
Mais de 23 artigos com revisão científica e mais de 50 projetos de
manifestações pacíficas mostram que esses eventos podem reduzir os
incidentes violentos, a guerra, o crime e os acidentes de viação, e ao mesmo
tempo aumentar o crescimento económico1. O meu desejo é mostrar-lhe
como a ciência pode contribuir para transformar o mundo.
Também medimos a energia presente durante os nossos seminários, e
observámos como essa energia se transforma quando temos uma
comunidade de 550 a 1500 pessoas a elevar a sua energia em conjunto e a
criar coerência cardíaca e cerebral. Assistimos repetidamente a
transformações significativas. Embora o instrumento que utilizamos não
seja aprovado pela comunidade científica nos Estados Unidos da América,
foi reconhecido em outros países, incluindo a Rússia. Em todos os eventos
somos surpreendidos pela quantidade de energia que certos grupos
conseguem exibir.
Também medimos o campo invisível da energia vital que rodeia o corpo
de milhares de estudantes para determinar se eles conseguem aumentar o
seu próprio campo de luz. Afinal, tudo no nosso universo material está
constantemente a emitir luz e informação – incluindo o leitor. Se viver em
modo de sobrevivência sob o fardo das hormonas do stress (tais como a
adrenalina), irá recorrer a este campo de energia invisível para a transformar
em química – e, ao fazê-lo, o campo à volta do seu corpo diminui.
Descobrimos um equipamento muito avançado que mede a emissão de
fotões (partículas de luz) para determinar se uma pessoa está a construir um
campo de luz à sua volta ou a diminuir o campo de luz que já detém.
Quando se emite mais luz, há mais energia – e portanto mais vida.
Quando uma pessoa tem menos luz e informação à volta do seu corpo, é
mais matéria e por isso emite menos energia vital. Um grande manancial de
investigação prova que as células do corpo e vários sistemas comunicam
não só através das interações químicas que já conhecemos como também
através de um campo de energia coerente (luz) que transporta uma
mensagem (informação) que faz com que o ambiente no interior e à volta da
célula dê instruções às outras células e sistemas biológicos2. Medimos a
quantidade de energia vital que os corpos dos nossos estudantes emitem
devido às mudanças interiores que fizeram durante as nossas meditações, e
quero mostrar-lhe que outras mudanças é que eles criam em quatro dias ou
menos.
Para lá do coração, outros centros no seu corpo também estão sob o
controlo do sistema nervoso autónomo – chamo-lhes centros de energia.
Cada um tem a sua frequência, a sua intenção ou consciência, as suas
glândulas, as suas hormonas, a sua química, o seu pequeno cérebro próprio,
e portanto a sua mente distinta. Pode influenciar estes centros para que
funcionem de uma forma mais equilibrada e integrada. Mas, para isso, é
preciso primeiro aprender a transformar as suas ondas cerebrais, para poder
entrar neste sistema subconsciente. Na verdade, passar de ondas cerebrais
beta (em que o cérebro consciente está constantemente a analisar e a
dedicar atenção ao mundo exterior) para ondas cerebrais alfa (o que indica
prestar calmamente mais atenção ao mundo interior) é de importância
fulcral. Ao abrandar conscientemente as suas ondas cerebrais, poderá mais
facilmente programar o seu sistema nervoso autónomo. Os estudantes que
fizeram os meus vários exercícios de meditação ao longo dos anos
aprenderam a transformar as suas ondas cerebrais e a aguçar o tipo de
concentração necessário para estar presente o tempo suficiente a fim de
produzir resultados mensuráveis. Descobrimos um instrumento capaz de
medir essas transformações e, novamente, vou mostrar-lhe parte da
pesquisa levada a cabo nesta área.
Também medimos diversos marcadores biológicos relacionados com
alterações na expressão de genes (um processo conhecido por mudanças
epigenéticas). Neste livro, irá aprender que, na prática, não é escravo dos
seus genes, e que a expressão de genes é alterável – assim que começar a
pensar, agir e sentir de uma forma diferente. Durante os nossos eventos, os
estudantes abandonam a vida que lhes é familiar, durante quatro ou cinco
dias, para passarem algum tempo num ambiente que não lhes recorda quem
são, que objetos possuem, que comportamentos automáticos exibem nas
suas vidas quotidianas, que sítios é que frequentam habitualmente; assim,
começam a transformar o seu estado interior através de quatro tipos
diferentes de meditação: caminhar, estar sentado, estar de pé, deitar-se. E,
através de todos estes processos, cada estudante aprende a ser outra pessoa.
Sabemos que é verdade porque os nossos estudos mostram mudanças
significativas na expressão dos genes dos nossos estudantes, que nos
reportaram melhorias significativas na sua saúde. Assim que pudermos
mostrar a um indivíduo resultados mensuráveis que provem que ele alterou
mesmo neurotransmissores, hormonas, genes, proteínas e enzimas só
através do pensamento, torna-se mais fácil a esse indivíduo justificar os
seus esforços e convencer-se de que está realmente em transformação.
Ao partilhar consigo as ideias apresentadas neste livro, ao explicar-lhe o
processo e a ciência por detrás do trabalho que levamos a cabo, irá aprender
muita informação bastante detalhada. Mas não se preocupe: vou rever
certos conceitos fundamentais em vários capítulos. Faço-o deliberadamente
para o recordar do que já aprendeu, de forma a podermos construir nesse
momento um modelo de compreensão mais avançado. Por vezes, a matéria
que apresento pode ser difícil. E também sei, porque ensino estes temas a
audiências há anos, que, por vezes, é muita informação de uma vez só.
Assim, farei revisões e irei lembrá-lo do que já aprendeu para não ter de
voltar atrás à procura de informação no livro, embora possa sempre reler os
primeiros capítulos se sentir necessidade. Naturalmente, toda esta
informação irá prepará-lo para a sua própria transformação pessoal. Quanto
melhor dominar estes conceitos, mais facilmente poderá entregar-se às
meditações apresentadas no fim da maior parte dos capítulos, recorrendo a
elas como ferramentas para a sua experiência pessoal.
O que pode encontrar neste livro?
No capítulo 1, conto três histórias que lhe vão dar uma ideia geral do
que significa ser sobre-humano. Na primeira história, vai conhecer uma
mulher chamada Anna, que desenvolveu graves problemas de saúde devido
a um trauma que a manteve amarrada ao passado. As emoções do stress
ativaram os seus genes, e as hormonas correspondentes causaram-lhe
problemas de saúde muito sérios. É uma história de vida muito difícil.
Escolhi-a de propósito, incluindo todos os seus pormenores, porque queria
demonstrar-lhe que, por muito mal que estejam as coisas, tem o poder de as
transformar – tal como esta mulher extraordinária o conseguiu fazer. Anna
recorreu a muitas das meditações apresentadas neste livro para modificar a
sua personalidade e assim poder alcançar a cura. Para mim, ela é um
exemplo vivo de verdade. Mas Anna não foi a única a conseguir superar-se
todos os dias até se transformar noutra pessoa. A ela junta-se um grupo de
participantes que conseguiram fazer o mesmo – e, se eles conseguiram,
você também conseguirá.
A segunda e terceira histórias que conto aqui passaram-se comigo – são
duas experiências que me transformaram muito profundamente. Este livro
tem tanto que ver com o místico como com a cura e com a criação de novas
oportunidades nas nossas vidas. Conto estas histórias para o preparar para o
que é possível quando deixamos este plano espacial-temporal (o mundo
newtoniano que nos ensinaram nas aulas de ciências no liceu) e ativamos a
nossa glândula pineal para acedermos ao plano temporal-espacial (o mundo
quântico). Muitos dos nossos estudantes passaram por experiências místicas
e interdimensionais semelhantes, que lhes pareceram tão reais como esta
realidade material.
Uma vez que a segunda parte deste livro trata das explicações da física,
da neurociência, da neuroendocrinologia e até da genética para este
fenómeno, espero que estas histórias agucem a sua curiosidade, que sejam
vislumbres capazes de abrir o seu espírito ao que é possível. Há uma versão
futura de si – uma versão de si que já existe no momento presente eterno –
que está a apelar à versão de si mais familiar que lê este livro. E essa versão
futura é mais terna, mais evoluída, mais consciente, mais presente, mais
bondosa, mais exuberante, mais pensativa, mais ativa, mais relacionada,
mais sobre-humana, e mais íntegra. É esta versão que está à espera que
altere a sua energia para que corresponda à dela todos os dias, até encontrar
o seu “eu” futuro – que na verdade existe no presente eterno.
O capítulo 2 fala de um dos meus temas favoritos. Escrevi-o para que
possa compreender totalmente o que significa estar no momento presente.
Uma vez que todos os potenciais na quinta dimensão conhecida como o
quantum (ou campo unificado) existem no momento presente eterno, a
única forma de criar uma nova vida, de curar o seu corpo ou de transformar
o seu futuro previsível é ir para lá de si próprio.
Este momento singular – que testemunhámos em milhares de exames
cerebrais – acontece quando finalmente alguém abandona a memória de si
própria em favor de algo maior. Há quem passe a maior parte da sua vida a
seguir inconscientemente as mesmas rotinas, ou automaticamente a
romancear o passado, e sentindo a mesma coisa todos os dias. Em
consequência, programam o cérebro e o corpo para estarem num futuro
previsível ou num passado familiar, nunca vivendo no momento presente. É
preciso treinar para lá chegar, mas vale sempre a pena. Descobrir finalmente
o meio-termo ideal do momento presente vai exigir-lhe uma força de
vontade maior do que qualquer um dos seus programas automáticos, mas eu
vou lá estar consigo, para o ajudar.
O capítulo começa com uma revisão básica de alguns princípios
científicos para podermos estabelecer uma terminologia comum de modo a
desenvolver modelos de compreensão ao longo do livro. Vou simplificar ao
máximo. Para chegar onde eu o quero levar, é necessário discutir o
funcionamento do cérebro (isto é, da mente), das células e das redes de
nervos, de várias partes do sistema nervoso, de químicos, de emoções e de
stress, de ondas cerebrais, de atenção e energia, e de mais alguns temas.
Tenho de estabelecer uma linguagem de forma a explicar porque fazemos o
que fazemos, antes de lhe mostrar como o fazer nas meditações que
aparecem ao longo do livro. Se quiser informação mais explícita, mais
aprofundada, convido-o a ler qualquer um dos meus livros anteriores
(incluindo Cure-se a Si Próprio e Como Criar Um Novo Eu).
O capítulo 3 é a sua apresentação ao mundo quântico – a quinta
dimensão. Quero que compreenda que há um campo invisível de energia e
informação, um campo que existe para lá deste plano tridimensional
espacial-temporal – e que temos acesso a ele. Aliás, assim que se sinta no
momento presente e aceda a este plano, que existe para lá dos seus sentidos,
está pronto para criar a sua realidade almejada. Quando desviar toda a sua
atenção do seu corpo, das pessoas que fazem parte da sua vida, dos objetos
que possui, dos sítios onde vai, e até do próprio tempo, poderá literalmente
esquecer-se da sua identidade, que foi formada ao viver enquanto um corpo
neste espaço e neste tempo.
É neste momento que, puramente como uma entidade consciente,
entrará no plano a que se chama o campo quântico – que existe para lá
deste espaço e deste tempo. Não pode entrar neste espaço imaterial com os
seus problemas, o seu nome, os seus horários e rotinas, a sua dor ou as suas
emoções. Não pode entrar como um corpo qualquer – tem de entrar sem
corpo nenhum. Assim que aprender a transferir a sua consciência do
conhecido (o mundo material físico) para o desconhecido (o mundo
imaterial das possibilidades) e se sentir à vontade lá, poderá mudar a sua
energia para corresponder à frequência de qualquer potencial no campo
quântico que já lá exista. (Vou estragar-lhe a surpresa: na verdade, todos os
futuros potenciais já lá existem, portanto, pode criar aquele que quiser.)
Quando ocorrer uma correspondência de vibração entre a sua energia e a do
potencial que selecionar no campo unificado, irá atrair essa experiência a si.
Vou mostrar-lhe como é que tudo funciona.
O capítulo 3 termina com uma breve descrição de uma meditação que
desenvolvi para o ajudar a ter uma experiência prática do quantum. Cada
um dos capítulos a partir daqui irão também terminar com uma breve
descrição de uma meditação. Se quiser que eu o acompanhe mais de perto,
pode adquirir um CD ou descarregar uma gravação de áudio de qualquer
destas meditações do meu site, drjoedispenza.com. Claro, pode também
optar por experimentar qualquer uma das meditações apresentadas neste
livro por sua conta, sem ouvir nenhuma gravação. Para isso, desenvolvi
descrições detalhadas com os passos de cada uma dessas meditações no
meu site drjoedispenza.com/bsnmeditations.
Se está a meditar sozinho, recomendo-lhe que ouça música enquanto o
faz. O melhor tipo de música para isso é sem palavras; prefiro música lenta
e hipnótica. É melhor ouvir música que o impeça de pensar e que não
evoque memórias do passado. Encontrará uma lista de sugestões musicais
no meu site.
No capítulo 4, apresento-lhe uma das meditações mais populares na
nossa comunidade. Chama-se Bênção dos Centros de Energia. Cada centro
é controlado pelo sistema nervoso autónomo. Irei descrever-lhe a ciência
que lhe permite programar esses centros para a saúde e para o bem durante
uma meditação. Se fez as minhas meditações de nível introdutório, nas
quais prestou atenção a várias partes do seu corpo e ao espaço à volta dele,
quero que saiba que todo esse treino foi para esta meditação. Os exercícios
ajudaram-no a aguçar a sua capacidade de focar toda a sua atenção e de
transformar as suas ondas cerebrais para poder entrar no sistema operativo
do sistema nervoso autónomo. Assim que aí chegar, poderá programar esse
sistema operativo com os comandos corretos para se curar, para equilibrar a
sua saúde, para melhorar a sua energia e a sua vida.
No capítulo 5, vou apresentar-lhe uma forma de respirar que utilizamos
no início de muitas das nossas meditações. Essa respiração permite-lhe
transformar a sua energia, passar uma corrente elétrica pelo seu corpo, e
criar à sua volta um campo eletromagnético mais poderoso. Como
explicarei neste capítulo, a energia da maior parte das pessoas está
acumulada no corpo, porque o condicionaram a tornar-se a mente ao longo
de anos a pensar, agir e sentir da mesma maneira. É este processo –
relacionado com o ato de viver em modo de sobrevivência – que faz com
que a maioria da energia criativa esteja radicada no corpo. Por isso, temos
de encontrar uma forma de arrancar essa energia do corpo e de a devolver
ao cérebro, onde estará disponível para um fim mais elevado do que a mera
sobrevivência.
Vou apresentar-lhe a fisiologia da respiração, de forma a poder-lhe dar
mais intencionalidade, quando começar a libertar-se do passado. Assim que
libertar toda essa energia para o cérebro, irá então aprender a recondicionar
o seu corpo a uma nova mente. Vou mostrar-lhe como pode ensinar o seu
corpo emocionalmente a viver na realidade do futuro-presente em vez de na
realidade do passado-presente onde passamos a maior parte do nosso
tempo. A ciência diz-nos que o ambiente sinaliza o gene. Visto que as
emoções são os produtos finais químicos de experiências no nosso
ambiente, vou não só elevar a energia do seu corpo como também começar
a sinalizar novos genes de outras maneiras – antes do ambiente.
Não há nada como uma ou duas boas histórias. No capítulo 6, mostro-
lhe alguns exemplos de estudantes que se dedicaram às meditações dos
capítulos anteriores. Estes casos devem servir como ferramentas
pedagógicas para o ajudar a compreender totalmente o material que lhe
apresentei até este ponto. A maioria das pessoas cujas histórias irá ler não é
diferente de si – são pessoas normais que fizeram coisas extraordinárias.
Outro motivo para eu lhe contar estas histórias é para que possa
compreender melhor estas pessoas. Assim que chegar à conclusão de que se
elas conseguem, eu também consigo, irá com naturalidade ter mais
confiança em si próprio. Digo sempre à nossa comunidade: “Quando
resolverem ver com os vossos próprios olhos até onde pode chegar o vosso
poder, nem sabem quem poderão estar a ajudar.” Estas pessoas são a prova
de que tudo isto também é possível para si.
No capítulo 7, apresento o conceito de criar coerência cardíaca. Tal
como na coerência cerebral, o coração funciona da mesma forma
organizada quando estamos realmente presentes, quando conseguimos
suster estados emocionais elevados e quando nos sentimos tão seguros que
somos capazes de nos abrir totalmente às possibilidades. O cérebro pensa,
mas o coração sabe. Este é o centro da unidade, da integridade, e da
consciência unitária. É onde os extremos se atraem, representando a união
de polaridades. Pense neste centro como a sua ligação ao campo unificado.
Quando for ativado, passará de estados egoístas para estados altruístas.
Quando conseguir manter estados internos independentemente das
condições no seu ambiente exterior, será capaz de dominar o seu ambiente.
É preciso treino para manter o coração aberto mas, se o conseguir, ele irá
bater por mais tempo.
O capítulo 8 dá a conhecer outras das atividades favoritas dos nossos
seminários avançados: combinar um caleidoscópio com vídeos chamados
Mind Movies (filmes da mente) que os nossos estudantes fazem sobre o seu
futuro. Usamos o caleidoscópio para induzir um transe porque, nesse
estado, ficamos mais sugestionáveis perante nova informação. A
sugestionabilidade é a sua capacidade de aceitar e acreditar na informação e
de se render a ela sem qualquer análise. Se o fizer como deve ser, é de facto
possível programar a sua mente subconsciente. Faz portanto sentido que,
quando usa o caleidoscópio para transformar as suas ondas cerebrais – com
os olhos abertos em vez de fechados numa meditação – possa reduzir o
volume da mente analítica para abrir a porta entre a mente consciente e a
mente subconsciente.
Quando a isto se segue um Mind Movie – com cenas de si mesmo ou
imagens do futuro que quer ter –, está a programar-se para esse novo futuro.
Muitos dos nossos estudantes criaram espantosas oportunidades e novas
vidas quando se dedicaram a fazer o seu Mind Movie e a vê-lo depois com
o caleidoscópio. Alguns estudantes já iam no seu terceiro Mind Movie,
porque tudo o que estava nos primeiros dois já tinha acontecido!
No capítulo 9, apresento a meditação em andamento. Esta meditação
incorpora tanto estar de pé como a caminhar. Considero esta prática uma
ferramenta muito valiosa para nos ajudar a, literalmente, caminhar para o
futuro. Muitas vezes podemos ter uma fabulosa meditação sentados e ligar-
nos a uma entidade maior do que nós, mas quando abrimos os olhos e
retomamos os nossos sentidos, voltamos a perder a consciência e
regressamos a uma série de programas subconscientes, de reações
emocionais e de atitudes automáticas. Desenvolvi esta meditação porque
quero que a nossa comunidade seja capaz de incorporar a energia do seu
futuro – e de o fazer com os olhos abertos ou fechados. A seu tempo, ao
treinar esta meditação, poderá com naturalidade começar a sentir-se como
um indivíduo afortunado, a agir como um ser ilimitado, a sentir uma alegria
expansiva pela existência, porque instalou os circuitos e condicionou o seu
corpo a ser essa pessoa.
O capítulo 10 traz outro conjunto de casos para confrontar o seu nível
de compreensão com alegorias. Estas histórias fascinantes irão ajudá-lo a
unir os pontos para poder receber a informação de outro ângulo e ler sobre
aqueles que o sentiram em primeira mão. Espero que estas histórias o
inspirem a treinar com mais convicção, certeza e confiança, para poder
também sentir a verdade.
O capítulo 11 abre a sua mente ao que é possível no mundo
interdimensional para lá dos sentidos. Em momentos de tranquilidade, dou
muitas vezes com a minha mente a derivar para o misticismo – um dos
meus temas favoritos. Adoro estas experiências transcendentes, que são tão
lúcidas e reais que nunca consigo voltar ao normal, porque fico a saber
demais. Durante esses eventos íntimos, o nível de consciência e energia é
tão profundo que, quando regresso aos meus sentidos e à minha
personalidade, é habitual pensar: percebi isto tudo mal. O isto a que eu me
refiro é a forma como a realidade é de facto, e não a forma como eu fui
condicionado a entendê-la.
Neste capítulo, levo-o numa viagem a este plano espacial-temporal –
onde o espaço é eterno e sentimos o tempo ao movermo-nos pelo espaço –
até ao plano temporal-espacial – onde o tempo é eterno e sentimos o espaço
(ou espaços, ou várias dimensões) ao movermo-nos pelo tempo. É uma
viagem que vai pôr em causa as suas ideias básicas sobre a natureza da
realidade. Só lhe posso dizer que, se aguentar, vai conseguir chegar ao fim.
Pode precisar de várias leituras para compreender totalmente, mas, ao
estudar a matéria e ao pensar nela, a sua contemplação construirá os
circuitos no seu cérebro que o vão preparar para a experiência.
Assim que tiver ultrapassado as suas associações a este mundo material
e esteja no campo unificado – repleto de possibilidades infinitas – há
sistemas biológicos para tomar essa energia que está para lá da vibração da
matéria e transformá-la em imagens no cérebro. É aí que entra a glândula
pineal, tema do capítulo 12. Pense na sua glândula pineal – uma glândula
minúscula instalada na parte central posterior do seu cérebro – como uma
antena capaz de traduzir frequências e informação e de as transformar em
imagens vivas. Quando ativar a sua glândula pineal, terá uma experiência
sensorial total sem os seus sentidos. Esse evento interior será mais real para
si, na sua mente, de olhos fechados, do que qualquer experiência externa do
passado. Por outras palavras, para se perder totalmente nesta experiência
interior, ela tem de ser tão real que sente que está lá. Quando isto acontecer,
essa pequena glândula transforma melatonina em alguns metabolitos muito
poderosos, que o fazem ter esta experiência. Estudaremos as propriedades
desta glândula e depois irá aprender a ativá-la.
O capítulo 13 apresenta-o a uma das nossas iniciativas mais recentes: o
Projeto Coerência. Ao testemunharmos as medições de muitos dos nossos
estudantes a convergir para a coerência cardíaca exatamente ao mesmo
tempo, no mesmo dia, durante a mesma meditação, apercebemo-nos de que
eles estavam a afetar-se uns aos outros não localmente (ou seja,
energeticamente, e não fisicamente). A energia que emitiam sob a forma de
emoções elevadas transportava as suas intenções de que o melhor possível
acontecesse a todos os que estavam reunidos naquela sala. Imagine um
grande grupo, no qual todas as pessoas estão a elevar a sua energia e depois
a direcionar uma intenção sobre essa energia no sentido de que as suas
vidas fossem enriquecidas, os corpos curados, os sonhos concretizados, o
futuro cumprido, de que o místico se tornasse comum no seu quotidiano.
Quando vimos como os nossos estudantes conseguiam abrir o coração
dos outros, concluímos que estava na altura de lançar meditações globais
para ajudar a transformar o mundo. Milhares e milhares de pessoas de todo
o mundo juntaram-se a esta iniciativa e participam na transformação e na
cura deste planeta e das pessoas que o habitam. Afinal de contas, não serve
este trabalho para fazer do mundo um sítio melhor? Vou-lhe descrever a
ciência de como tudo isto funciona – e quero mesmo dizer ciência. Os
estudos com revisão científica sobre projetos de reuniões de paz publicados
já são em número suficiente para provar que elas funcionam; portanto, em
vez de apenas estudar a história, porque não fazer história?
O livro conclui-se com o capítulo 14, no qual são contados alguns casos
espantosos de algumas das experiências místicas mais arrebatadoras por que
passaram as pessoas envolvidas neste trabalho. Mais uma vez, conto estas
experiências para que possa ver que mesmo as aventuras mais místicas
podem ser suas, se trabalhar para isso.
Então, está preparado para ser sobre-humano?
1 União Mundial de Cientistas pela Paz, “Defusing World Crises: A
Scientific Approach” https://www.gusp.org/defusing-world-
crises/scientific-research/.
2 F. A. Popp, W. Nagl, K. H. Li, et al., “Biophoton Emission: New
Evidence for Coherence and DNA as Source”, Cell Biophysics, vol. 6, n.o
1: pp. 33-52 (1984).
CAPÍTULO 1

ABRIR A PORTA AO SOBRE-HUMANO


Com a primavera perto do fim e os primeiros vislumbres do verão a
chegar, o que inicialmente parecia ser uma típica tarde de domingo em 2007
acabou por ser tudo menos isso para Anna Willems.
As portas de vidro da sala de estar para o jardim estavam
completamente abertas, e as finas cortinas brancas bailavam suavemente na
brisa, trazendo para dentro da sala os aromas do jardim. Raios de sol
brilhavam à volta de Anna, confortavelmente reclinada numa cadeira. Um
coro de pássaros chilreava lá fora, e Anna conseguia também ouvir o riso
melodioso e o chapinhar alegre de uma criança, vindos da piscina de um
vizinho. O filho de Anna, de doze anos, estava recostado no sofá a ler um
livro, e ela ouvia também a filha de onze anos no quarto, no primeiro andar,
a cantar sozinha enquanto brincava.
Psicoterapeuta, Anna trabalhava como gestora e membro do conselho
de administração de uma grande instituição psiquiátrica em Amesterdão,
cujos lucros ultrapassavam os dez milhões de euros por ano. Era frequente
ficar absorvida por leituras relacionadas com a sua profissão, e naquela
tarde estava sentada na sua cadeira de pele vermelha a ler um artigo de uma
revista científica. Mal sabia Anna que aquilo que pareceria ser um mundo
perfeito a quem espreitasse para aquela sala de estar iria tornar-se num
pesadelo num espaço de minutos.
Anna sentia-se um pouco distraída, apercebeu-se de que a sua atenção
não estava completamente focada no material que tentava estudar. Pousou
os papéis e deteve-se, parando subitamente para pensar onde teria ido o
marido. Ele saíra de casa nessa manhã, quando ela tomava um duche. Sem
dizer para onde ia, limitara-se a desaparecer. Os filhos contaram-lhe que o
pai tinha dito adeus, e dera um grande abraço a cada um deles antes de
partir. Ela ligara-lhe várias vezes para o telemóvel, mas ele nunca atendeu.
Experimentou mais uma vez – nada. Havia sem dúvida algo de estranho.
Às 15h30, a campainha da porta da frente tocou, e quando Anna abriu a
porta deparou-se com dois agentes da polícia.
“É a Sra. Willems?”, perguntou um deles. E quando ela confirmou que
era mesmo a Sra. Willems, os agentes pediram-lhe para entrar, queriam
conversar com ela. Preocupada e um pouco confusa, Anna acedeu ao
pedido. E foi então que eles lhe deram a notícia: nessa manhã, bem cedo, o
marido de Anna tinha-se atirado de um dos edifícios mais altos no centro da
cidade. Sem surpresa, a queda fora fatal. Anna e os dois filhos ficaram
imóveis, chocados e incrédulos.
A respiração de Anna parou por um instante e, ao tentar inspirar,
começou a tremer incontrolavelmente. O momento parecia ter congelado no
tempo. Com as crianças paralisadas pelo choque, Anna tentou esconder a
dor e o stress, para bem delas. Uma dor intensa atingiu-lhe subitamente a
cabeça, e ela sentiu ao mesmo tempo uma dor profunda no ventre. O
pescoço e os ombros endureceram instantaneamente, enquanto a sua mente
corria freneticamente de um pensamento para outro. As hormonas do stress
tinham tomado conta dela. Anna estava em modo de sobrevivência.
Como as hormonas do stress assumem o comando
Do ponto de vista científico, viver em stress é viver em modo de
sobrevivência. Quando intuímos uma situação tensa que nos ameaça de
alguma forma (uma circunstância que não podemos prever e cujas
consequências não podemos controlar), é ativado um sistema nervoso
primitivo, chamado sistema nervoso simpático, e o corpo mobiliza uma
enorme quantidade de energia em resposta a essa fonte de stress. Em termos
fisiológicos, o corpo está automaticamente a aceder aos recursos de que vai
necessitar para lidar com o perigo iminente.
As pupilas dilatam-se para podermos ver melhor; os ritmos cardíaco e
respiratório aumentam para podermos fugir, lutar ou procurar um
esconderijo; é libertada mais glicose para a corrente sanguínea, a fim de
deixar mais energia disponível para as nossas células; e o fluxo do sangue é
desviado para as extremidades do corpo, para longe dos órgãos internos, de
forma a podermos mover-nos rapidamente se for preciso. O sistema
imunitário tem uma resposta muito forte inicialmente, que depois se
suaviza, à medida que a adrenalina e o cortisol inundam os músculos,
fornecendo uma onda de energia para fugir ou combater a fonte de stress. A
circulação passa do nosso cérebro anterior racional para o nosso cérebro
posterior, e por isso temos menos capacidade de pensar criativamente, tendo
de confiar mais no nosso instinto para reagir de imediato.
No caso de Anna, a notícia stressante do suicídio do marido lançou-lhe
o cérebro e o corpo para este estado de sobrevivência. A curto prazo, todos
os organismos toleram condições adversas através do combate, do refúgio
ou da fuga a uma fonte de stress próxima. Todos estamos preparados para
lidar com um excesso de stress a curto prazo. Quando o incidente acaba, o
corpo regressa normalmente ao equilíbrio em poucas horas, aumentando os
seus níveis de energia e restaurando os seus recursos vitais. Mas, se o stress
não for controlado ao fim de algumas horas, o corpo nunca regressa ao
equilíbrio. Na verdade, nenhum organismo na natureza resiste a viver em
modo de emergência por grandes períodos.
Graças ao nosso cérebro grande, os seres humanos têm a capacidade de
pensar sobre os seus problemas, de reviver acontecimentos passados, e até
de prever cenários negativos no futuro e assim ativar os fluxos de químicos
do stress só através do pensamento. Basta-nos pensar num passado que nos
seja familiar, ou tentar controlar um futuro imprevisível, para tirar o nosso
cérebro e corpo da fisiologia normal.
Todos os dias, a mente de Anna revivia aquela adversidade vezes sem
conta. O que ela não sabia era que o seu corpo não dava pela diferença entre
o incidente inicial, que originara a resposta de stress, e a memória desse
incidente, que criava repetidamente emoções iguais às da experiência da
vida real. Anna estava a produzir os mesmos químicos no cérebro e no
corpo como se o evento estivesse a acontecer novamente, uma vez atrás da
outra. Em consequência disso, o cérebro programou o acontecimento no
banco de memórias dela, e o corpo sofria emocionalmente os mesmos
efeitos químicos do passado pelo menos cem vezes por dia. Ao recordar
repetidamente a experiência, ela estava, sem o saber, a ancorar o cérebro e o
corpo no passado.
As emoções são as consequências químicas (ou feedback) de
experiências passadas. À medida que os nossos sentidos registam a entrada
de informação do ambiente, grupos de neurónios organizam-se em rede.
Quando esses neurónios se cristalizam numa estrutura, o cérebro produz um
químico que é então enviado por todo o corpo. A esse químico chamamos
uma emoção. Recordamo-nos melhor de um evento quando ele nos faz
recordar a forma como ele nos fez sentir. Quanto mais forte é o nível
emocional de um acontecimento – bom ou mau –, mais forte é a mudança
na nossa química interior. Quando reparamos numa mudança significativa
dentro de nós, o cérebro presta atenção ao que está a causar essa mudança
fora de nós – e capta uma imagem da experiência exterior. É a isso que se
chama uma memória.
Portanto, a memória de um evento fica neurologicamente gravada no
cérebro, e essa cena fica congelada no tempo na nossa massa cinzenta,
como aconteceu com Anna. A combinação de várias pessoas ou objetos,
numa determinada altura ou num certo local dessa experiência dolorosa,
fica gravada na nossa arquitetura neuronal como uma imagem holográfica.
É assim que criamos uma memória a longo prazo. A experiência fica, deste
modo, integrada nos circuitos neuronais, e a emoção é armazenada no corpo
– e é assim que o nosso passado se transforma na nossa biologia. Por outras
palavras, ao passarmos por um evento traumático, tendemos a pensar
neurologicamente dentro dos circuitos dessa experiência, e tendemos a
sentir quimicamente dentro das fronteiras das emoções do evento, de tal
forma que todo o nosso ser – como pensamos, como nos sentimos – fica
biologicamente preso ao passado.
Como se poderá imaginar, Anna sentia uma série de emoções negativas:
uma tristeza tremenda, dor, culpa, vergonha, desespero, choque, medo,
ansiedade, preocupação, angústia, ansiedade, ódio, fúria, impotência,
isolamento, solidão, descrença, traição. E nenhuma destas emoções se
dissipou rapidamente. Com Anna a analisar a sua vida no contexto das
emoções do passado, o seu sofrimento era cada vez maior. Visto que não
conseguia pensar para lá da forma como se sentia constantemente, e uma
vez que as emoções são um registo do passado, ela pensava no passado – e
todos os dias se sentia pior. Enquanto psicoterapeuta, era capaz de
compreender racional e intelectualmente o que se passava com ela, mas
toda essa erudição não lhe permitia ultrapassar o seu sofrimento.
As pessoas começaram a tratá-la como a mulher que perdera o marido, e
essa tornou-se a sua nova identidade. Ela associava essas memórias e
sentimentos à razão pela qual se encontrava no seu estado atual. Quando
alguém lhe perguntava por que motivo é que se sentia tão mal, ela contava a
história do suicídio – e de cada vez que a contava, revivia novamente a dor,
a angústia e o sofrimento. Anna continuava sempre a ativar os mesmos
circuitos no cérebro e a reproduzir as mesmas emoções, condicionando o
cérebro e o corpo cada vez mais para o passado. Todos os dias pensava, agia
e sentia-se como se o passado ainda vivesse. E, uma vez que a forma como
pensamos, agimos ou sentimos é a nossa personalidade, a de Anna estava a
ser completamente criada pelo passado. De um ponto de vista biológico, ao
contar repetidamente a narrativa do suicídio do marido, Anna literalmente
não conseguia ultrapassar o que acontecera.
Começa uma espiral descendente
Anna já não conseguia trabalhar e teve de pedir uma baixa médica.
Durante esse período, ela descobriu que o marido, embora fosse um
advogado de sucesso, tinha feito uma trapalhada com as finanças da família.
Ela teria de pagar dívidas avultadas que nem sabia que tinha – e não tinha
dinheiro para nenhuma delas. Não é de surpreender que o stress –
emocional, psicológico e mental – tenha começado a acumular-se.
A mente de Anna andava às voltas, era constantemente inundada por
perguntas: Como é que vou tomar conta dos meus filhos? Como é que
vamos todos lidar com este trauma no futuro? Como é que este trauma vai
afetar as nossas vidas? Por que razão o meu marido se foi embora sem se
despedir de mim? Como é que eu não percebi que ele estava tão infeliz?
Fui má esposa? Como é que ele foi capaz de me deixar com duas crianças
pequenas, como é que as vou criar sozinha?
Foi então que começaram a insinuar-se algumas críticas nos seus
pensamentos: Ele não devia ter cometido suicídio, deixando-me nestes
sarilhos financeiros! Que cobarde! Como é que ele se atreveu a deixar os
filhos sem pai! Nem sequer deixou uma mensagem para os filhos nem para
mim. Odeio-o, nem sequer deixou uma nota. Que imbecil que ele foi, por
me abandonar e me obrigar a criar estes miúdos sozinha. Será que ele fazia
ideia de como isto nos iria afetar? Todos estes pensamentos originavam
uma forte carga emocional, que prejudicava mais ainda o seu corpo.
Nove meses mais tarde, a 21 de março de 2008, Anna acordou
paralisada da cintura para baixo. Poucas horas mais tarde, estava deitada
numa cama de hospital, com uma cadeira de rodas ao lado; fora-lhe
diagnosticada uma neurite – inflamação do sistema nervoso periférico.
Após fazerem vários testes, os médicos não conseguiram encontrar nenhum
fator estrutural como causa do problema, e disseram a Anna que ela devia
ter um problema autoimune. O sistema imunitário estava a atacar-lhe o
sistema nervoso no fundo da espinha, destruindo a camada protetora que
reveste os nervos e causando-lhe paralisia em ambas as pernas. Não
conseguia reter a urina, tinha dificuldade em controlar os intestinos, não
tinha sensação nem capacidades motoras nas pernas e nos pés.
Quando o sistema nervoso de reação a crises é ativado e continua ligado
devido ao stress crónico, o corpo utiliza todas as suas reservas de energia
para lidar com a ameaça constante que sente no ambiente exterior. Por isso,
o corpo fica sem energia no seu ambiente interior para o crescimento e para
a cura, causando o colapso do sistema imunitário. Ou seja, devido ao seu
conflito interior repetido, o sistema imunitário de Anna estava a atacar o seu
corpo. Ela tinha acabado por manifestar, de uma forma física, a dor e o
sofrimento que tinha vivido emocionalmente na sua mente. Em resumo,
Anna não conseguia mexer o corpo porque a vida dela não se mexia – ela
estava presa ao passado.
Nas seis semanas que se seguiram, os médicos de Anna trataram-na
com doses enormes de dexametasona e de outros corticosteroides, para
reduzir a inflamação. Devido ao stress acumulado e ao tipo de
medicamentos que tomava – que podem enfraquecer mais ainda o sistema
imunitário –, ela desenvolveu também uma infeção bacteriana agressiva,
para a qual os médicos lhe receitaram doses enormes de antibióticos. Ao
cabo de dois meses, Anna teve alta hospitalar, mas precisava de um
andarilho e de muletas para se movimentar. Ainda não conseguia sentir a
perna esquerda, e tinha muita dificuldade em sentar-se e em andar. Embora
já tivesse mais controlo dos intestinos, continuava a não conseguir controlar
a urina. E, como se poderá imaginar, esta nova situação agravava os níveis
já elevados de stress de Anna. Perdera o marido por suicídio, não conseguia
trabalhar muito para se sustentar a ela e aos filhos, encontrava-se no meio
de uma grave crise financeira e passara mais de dois meses paralisada num
hospital. A mãe de Anna teve de se mudar para casa dela, para ajudar.
Anna encontrava-se num estado emocional, mental e físico, desastroso,
e embora tivesse os melhores médicos e os medicamentos mais recentes, e
fosse tratada num hospital com uma boa reputação, não estava a melhorar.
Em 2009, dois anos depois da morte do marido, foi-lhe diagnosticada uma
depressão clínica – de forma que ela começou a tomar ainda mais
medicamentos. Em consequência, os estados de espírito de Anna variavam
entre a fúria, a tristeza, a dor, o sofrimento, o desespero, a frustração, o
medo, o ódio. Como todas estas emoções lhe influenciavam as ações, o
comportamento dela tornou-se algo irracional. De início, discutia com
quase toda a gente à volta dela, exceto com os filhos. Mas, depois, começou
a ter também conflitos com a filha mais nova.
A noite escura da alma
Entretanto, surgiram muitos outros problemas físicos e a vida de Anna
tornou-se ainda mais dolorosa. As membranas mucosas da boca começaram
a desenvolver grandes úlceras que se espalharam até à parte superior do
esófago, devido a outra doença autoimune chamada líquen plano erosivo.
Para o tratamento desta enfermidade, teve de usar pomadas corticosteroides
na boca, e de tomar ainda mais comprimidos. Estes novos medicamentos
fizeram com que ela deixasse de produzir saliva. Não conseguia comer
alimentos sólidos, e por isso perdeu o apetite. Anna vivia com três tipos de
stress ao mesmo tempo: físico, químico e emocional.
Em 2010, Anna encontrava-se numa relação disfuncional com um
homem que a traumatizava a ela e aos filhos com insultos verbais, jogos de
poder e ameaças constantes. Perdeu todo o dinheiro, o emprego e o
sentimento de segurança. Quando perdeu a casa, teve de ir viver para casa
do namorado que a maltratava. Os níveis de stress continuaram a subir. As
úlceras espalharam-se a outras membranas mucosas, incluindo a vagina, o
ânus e outras partes do esófago. O sistema imunitário tinha entrado
totalmente em colapso. Agora, ela sofria de vários problemas
dermatológicos, de alergias alimentares, de problemas de peso. Começou a
ter dificuldades para engolir, e acidez gástrica, para a qual os médicos lhe
receitaram ainda mais medicamentos.
Em outubro de 2010, Anna abriu em casa um pequeno consultório de
psicoterapia. Só era capaz de atender dois clientes por dia, de manhã, depois
de os filhos irem para a escola, três vezes por semana. Durante a tarde,
sentia-se tão cansada e doente que ficava estendida na cama até os filhos
regressarem da escola. Tentava apoiá-los o mais possível, mas não tinha
energia e não se sentia suficientemente forte para sair de casa. Anna não via
quase ninguém. Não tinha vida social.
Todas as circunstâncias no corpo e na vida dela recordavam-na
constantemente de como as coisas estavam mal. Reagia automaticamente a
tudo e a todos. O seu raciocínio era caótico, e não se conseguia concentrar.
Não tinha vitalidade nem energia para continuar a viver. Muitas vezes,
quando fazia esforço, o ritmo cardíaco excedia as 200 batidas por minuto.
Estava constantemente a transpirar, tinha dificuldade em respirar, e sentia
uma dor enorme no peito com regularidade.
Anna passava pela sua mais escura noite da alma. Subitamente,
compreendeu por que razão o marido tirara a sua própria vida. Não sabia se
era capaz de continuar, e começou a pensar em cometer, ela também,
suicídio. Pensou: Pior do que isto não pode ficar...
Ficou. Em janeiro de 2011, a equipa médica que acompanhava Anna
descobriu um tumor junto à entrada do estômago, e diagnosticou cancro do
esófago. Naturalmente, esta notícia agravou muito os níveis de stress de
Anna. Os médicos sugeriram um rigoroso tratamento de quimioterapia.
Ninguém lhe perguntou por stress mental nem stress emocional; só
tratavam os sintomas físicos. Mas a reação de stress de Anna estava
totalmente ativada, e não podia ser desligada.
É surpreendente que isto possa acontecer a tanta gente. Devido a um
choque ou um trauma nas suas vidas, há pessoas que nunca ultrapassam as
emoções daí resultantes, e a sua saúde vai-se abaixo. Se uma dependência é
algo que julgamos incapazes de deter, então, objetivamente parece que há
pessoas, como a Anna, que ficam viciadas nas emoções de stress que as
deixam doentes. O frémito da adrenalina e das outras hormonas do stress
estimula-lhes o cérebro e o corpo, e fornecem uma onda de energia3. Com o
passar do tempo, habituam-se ao frenesim dessa química – e depois usam as
pessoas e as circunstâncias das suas vidas para reafirmar a sua dependência
da emoção, só para continuar a sentir esse estado estimulado. Anna estava a
usar as circunstâncias stressantes da vida dela para recriar esse estímulo e,
sem o saber, criara uma dependência emocional de uma vida que detestava.
A ciência diz-nos que este stress crónico, a longo prazo, puxa as alavancas
genéticas que causam as doenças. Anna estava a ativar a reação de stress ao
pensar nos seus problemas e no seu passado, e os seus pensamentos
estavam a deixá-la doente. Visto que as hormonas do stress são tão
poderosas, viciou-se nos seus próprios pensamentos, que a deixavam a
sentir-se tão mal.
O ponto de viragem de Anna
A decisão de mudar tornou-se a missão de Anna. Primeiro, resolveu
parar todos os tratamentos e todos os medicamentos para os seus vários
problemas de saúde, embora tenha continuado a tomar os antidepressivos.
Não informou os médicos nem os enfermeiros que não iria regressar ao
tratamento. Limitou-se a não aparecer. Ninguém lhe telefonou para a
questionar sobre a razão da sua ausência. Apenas o seu médico de família a
contactou, expressando a sua preocupação.
Num dia frio de inverno, em fevereiro de 2011, quando estava prostrada
no chão a gritar por ajuda, Anna tomou uma decisão, com a firme intenção
de se transformar a si própria e à sua vida, e a amplitude dessa decisão
incorporava um nível de energia que fez com que o seu corpo reagisse à
mente. Foi a decisão de mudar que lhe deu a força para arrendar uma casa
para ela e para os filhos, e para se afastar da relação negativa em que se
encontrava. Era como se esse momento a tivesse redefinido. Ela sabia que
tinha de recomeçar de início.
Quando conheci a Anna, tinha-se passado um mês. Ia dar uma palestra,
numa sexta-feira à noite, e uma das poucas amigas que lhe restavam tinha-
lhe reservado um lugar para ela assistir. A amiga fez-lhe uma proposta: se
gostasse da palestra da noite, podia ficar para um seminário completo de
dois dias. Anna aceitou. Quando a vi pela primeira vez, Anna estava
sentada numa sala de conferências cheia, numa fila lateral do lado esquerdo,
com as muletas encostadas à parede perto do lugar em que estava sentava.
Como de costume, estava nessa noite a falar sobre a forma como os
nossos pensamentos e sentimentos afetam o nosso corpo e a nossa vida.
Falei ainda da forma como os químicos do stress podem provocar doenças.
Mencionei a neuroplasticidade, a psiconeuroimunologia, a epigenética, a
neuroendocrinologia e até a física quântica. Irei referir-me com mais
detalhe a tudo isto mais à frente. Por agora, quero apenas dizer-lhe que a
investigação mais recente nestes ramos da ciência aponta para o poder da
probabilidade. Nessa noite, cheia de inspiração, Anna pensou: Se fui eu a
criar a vida que tenho agora, incluindo a minha paralisia, a depressão, o
sistema imunitário debilitado, as úlceras, e provavelmente até o cancro,
talvez consiga desfazer tudo com a mesma paixão com que o criei. E, com
esta poderosa nova constatação, Anna resolveu curar-se sozinha.
Depois desse primeiro seminário de fim de semana, ela começou a
meditar duas vezes por dia. Claro, estar sentada para fazer as meditações
era difícil de início. Eram muitas as dúvidas para superar, e havia dias em
que não se sentia nem mental nem fisicamente bem, mas fazia as suas
meditações na mesma. Também sentia muito medo. Quando o médico de
família lhe ligou para saber como ela estava, porque, como disse antes,
tinha abandonado os tratamentos e os medicamentos, disse a Anna que
estava a ser ingénua e insensata, e que ia piorar e morrer em breve. Imagine
a impressão causada por uma figura de autoridade a dizer-lhe uma coisa
dessas! Mas Anna não se deixou intimidar, continuou a fazer diariamente as
suas meditações, e foi ultrapassando os seus medos. Muitas vezes ficava
consumida pelos encargos financeiros, pelas necessidades dos filhos, pelas
suas várias limitações físicas, mas nunca usou esses problemas como
desculpa para não fazer o seu trabalho interior. Chegou mesmo a participar
em mais quatro dos meus seminários ao longo desse ano.
Ao fazer a sua caminhada interior e ao mudar os pensamentos
inconscientes, hábitos automáticos e estados emocionais reflexivos – que se
tinham alojado no seu cérebro e lhe condicionavam emocionalmente o
corpo –, Anna estava agora mais determinada a acreditar num novo futuro
do que a acreditar num passado que lhe era familiar. Usou as suas
meditações, combinando uma intenção clara com uma emoção elevada,
para mudar o seu estado de espírito, de viver biologicamente no mesmo
passado para viver num novo futuro.
Todos os dias, Anna recusava-se a sair das suas meditações como a
mesma pessoa que as iniciara; decidiu que não iria acabar até que todo o
seu ser se sentisse verdadeiramente apaixonado pela vida. Para um
materialista, que define a realidade com os sentidos, era claro que Anna não
tinha nenhum motivo palpável para estar apaixonada pela vida: era uma
mãe viúva e deprimida, com dívidas financeiras e sem um emprego estável,
sofria de cancro, de paralisia e de úlceras nas membranas mucosas, e estava
numa má situação de vida, sem parceiro nem cônjuge, e sem energia para
tomar conta dos filhos. Mas, nas meditações, Anna aprendeu que podia
ensinar o corpo a sentir emocionalmente como seria o seu futuro antes de
ele acontecer. O corpo dela enquanto mente inconsciente não sabia a
diferença entre o evento real e o que ela estava a imaginar e a abraçar
emocionalmente. Anna também sabia, graças ao seu conhecimento de
epigenética, que as emoções elevadas do amor, da alegria, da gratidão, da
inspiração, da compaixão e da liberdade poderiam dar sinal a novos genes
para produzir proteínas saudáveis que afetariam a estrutura e a função do
seu corpo. Ela compreendia totalmente que se os químicos do stress que
fluíam pelo corpo estavam a ativar genes com efeitos malignos, então,
abraçando totalmente essas emoções elevadas com uma paixão superior à
das emoções stressantes, ela poderia ativar novos genes – e mudar a sua
saúde.
Ao longo de um ano, a saúde de Anna não mudou muito. Mas ela
insistiu na meditação. Na verdade, fez o mesmo programa de exercícios que
eu concebi para os estudantes. Anna sabia que levara muitos anos a criar a
sua atual situação de saúde, e que seria preciso algum tempo para criar algo
de novo. Por isso continuou o seu esforço, procurando estar consciente dos
seus pensamentos, comportamentos e emoções inconscientes, e não
permitindo a passagem de nenhuma experiência desagradável. Lentamente,
percebeu que estava a melhorar mental e emocionalmente. Anna estava a
romper com os hábitos do passado; estava a reinventar-se.
Anna sabia, por ter participado nos meus seminários, que tinha de
devolver o seu sistema nervoso autónomo ao equilíbrio, porque o SNA
controla todas as funções automáticas que ocorrem para lá da consciência
do cérebro – a digestão, a absorção, a regulação dos níveis de açúcar no
sangue, a temperatura do corpo, as secreções hormonais, o ritmo cardíaco, e
por aí fora. A única forma de ela poder entrar no sistema operativo e afetar
o SNA era alterar o seu estado interior com regularidade.
Em primeiro lugar, começou cada meditação com a Bênção dos Centros
de Energia. Estas áreas específicas do corpo estão sob o controlo do SNA.
Como mencionei na introdução, cada centro tem a sua energia ou
frequência (que emite informação específica ou tem a sua própria
consciência), as suas glândulas, as suas hormonas, a sua própria química, o
seu minicérebro individual, e portanto a sua mente. Cada centro é
influenciado pelo cérebro subconsciente sob o nosso cérebro consciente
pensante. Anna aprendeu a mudar as suas ondas cerebrais para poder entrar
no sistema operativo do SNA (localizado no mesencéfalo) e a reprogramar
cada centro para que funcionasse de uma forma mais harmoniosa. Todos os
dias, com concentração e paixão, focou-se em cada área do corpo, bem
como no espaço à volta de cada centro, abençoando-o por mais saúde e pelo
bem comum. Lenta mas paulatinamente, ela começou a influenciar a sua
saúde ao reprogramar o sistema nervoso autónomo de volta ao equilíbrio.
Anna também aprendeu uma técnica de respiração específica que eu
costumo ensinar nas minhas aulas; essa técnica ajuda a libertar toda a
energia emocional armazenada no corpo quando pensamos e sentimos da
mesma forma. Ao ter constantemente os mesmos pensamentos, Anna estava
a gerar os mesmos sentimentos, e ao sentir essas emoções familiares,
obedecia ainda mais aos pensamentos correspondentes. Ela aprendeu que as
emoções do passado estavam armazenadas no seu corpo, mas também
aprendeu que podia usar a minha técnica de respiração para libertar essa
energia acumulada, e desta forma libertar-se do passado. Assim, todos os
dias, com um nível de intensidade superior à dependência das emoções do
passado, ela treinou a respiração e foi melhorando cada vez mais. Depois de
aprender a mover essa energia acumulada no corpo, ela ficou a saber como
recondicionar o corpo a uma nova mente, acolhendo as emoções centradas
no coração do futuro antes de o futuro acontecer.
Visto que Anna também estudou o modelo da epigenética que eu ensino
nos nossos seminários e palestras, ela aprendeu que não são os genes que
criam as doenças; em vez disso, é o ambiente que sinaliza os genes para
criarem as doenças. Anna compreendeu que, sendo as suas emoções
consequências químicas de experiências no seu ambiente, se ela vivesse
cada dia segundo as mesmas emoções do passado, estaria a selecionar e a
instruir os mesmos genes que poderiam estar a causar-lhe problemas de
saúde. Se, em vez disso, ela fosse capaz de incorporar as emoções da sua
vida futura antes de a experiência ocorrer, poderia alterar a sua expressão
genética e mudar mesmo o corpo para que se alinhasse biologicamente com
o seu novo futuro.
Anna fez ainda uma meditação que implicava dedicar a sua atenção ao
centro do peito, ativando o SNA com esse estado elevado para criar e
manter um tipo de ritmo cardíaco muito eficaz, a que chamaremos ritmo
coerente (que irei explicar detalhadamente mais à frente), durante longos
períodos. Ela descobriu que, quando sentia ressentimentos, impaciência,
frustração, fúria e ódio, esse estado elevado de meditação induzia a resposta
ao stress e fazia o coração bater de forma incoerente e desordenada. Anna
aprendeu nos meus seminários que, assim que conseguisse suster um novo
estado centrado no coração, iria sentir novas emoções de uma forma mais
profunda e prolongada, tal como se habituara a sentir as emoções negativas
com regularidade. É claro que foi preciso muito esforço para trocar raiva,
medo, depressão e ressentimentos por alegria, amor, gratidão e liberdade –
mas Anna nunca desistiu. Ela sabia que essas emoções elevadas iriam
libertar mais de mil químicos diferentes que iriam curar e restabelecer o seu
corpo... e prosseguiu.
Depois, Anna praticou uma meditação em andamento, também
concebida por mim, na qual ela caminhava com a sua nova identidade todos
os dias. Em vez de estar sentada a meditar, fazia essa meditação de pé, de
olhos fechados. De pé, passava para o estado meditativo que ela sabia que
podia alterar o seu estado de espírito, e então, ainda nessa situação, abria os
olhos, mantendo-se num estado meditativo e caminhando com a sua
identidade futura. Ao fazê-lo, estava a acolher novos hábitos, uma nova
forma de pensar, agir e sentir com regularidade. O que ela estava a criar iria
em breve ser a sua nova personalidade. Anna não queria voltar a cair no
inconsciente e regressar à sua identidade antiga.
Devido a todo este trabalho, Anna conseguia compreender que as suas
estruturas cerebrais haviam mudado. Já não estava a ativar os mesmos
circuitos do cérebro da mesma maneira, de forma que esses circuitos
deixaram de estar unidos e começaram a separar-se. Deixou assim de pensar
à maneira antiga. Emocionalmente, começou a sentir alguns sinais de
gratidão e prazer pela primeira vez em muitos anos. Nas suas meditações,
todos os dias conquistava mais algum aspeto do corpo e da mente. Anna
sentia-se mais calma e tornou-se muito menos dependente das emoções
derivadas das hormonas do stress. Até voltou a sentir amor. E seguiu em
frente – progredindo, progredindo, progredindo todos os dias a caminho de
ser outra pessoa.
Anna agarra a oportunidade
Em maio de 2012, Anna participou num dos meus seminários
avançados de quatro dias, realizados na zona norte do estado de Nova
Iorque. Ao terceiro dia, durante a última de quatro meditações, ela
entregou-se por completo e finalmente libertou-se. Pela primeira vez, desde
que começara a meditar, deu por si a flutuar num espaço negro infinito,
consciente de estar consciente de si mesma. Ela conseguira passar para lá da
memória de quem era e tornara-se pura consciência, totalmente libertada do
seu corpo, da sua associação ao mundo material, e do tempo linear. Sentia-
se tão livre que já nem pensava nos seus problemas de saúde. Sentia-se tão
ilimitada que já nem conseguia identificar-se com a sua atual identidade.
Sentia-se tão elevada que já não se sentia ligada ao passado.
Neste estado, Anna não tinha problemas, deixou a dor para trás, e
sentiu-se verdadeiramente livre pela primeira vez. Ela não era um nome, um
sexo, uma doença, uma cultura, uma profissão – estava para lá do tempo e
do espaço. Tinha-se relacionado a um campo de informação chamado
campo quântico, onde todas as possibilidades existem. Subitamente, viu-se
num futuro completamente novo, de pé num palco enorme, de microfone na
mão, a falar para uma multidão a quem contava a história da sua cura. Não
estava a imaginar nem a visualizar esta cena. Era como se tivesse feito um
download de informação, como se tivesse captado um vislumbre de si
própria como uma mulher totalmente diferente numa nova realidade. O seu
mundo interior parecia-lhe muito mais real do que o exterior, e estava a
viver uma experiência sensorial total sem utilizar os sentidos.
Ao aceder a esta nova etapa na meditação, Anna sentiu uma explosão de
alegria e de luz a invadir o seu corpo, e sentiu um alívio profundo, visceral.
Soube que estava a um nível superior, muito superior ao do seu corpo
físico. Neste estado de alegria intensa, sentiu tal êxtase e uma gratidão tão
imensa que desatou a rir. E, nesse momento, Anna soube que tudo lhe iria
correr bem. Daí em diante, desenvolveu tanta confiança, tanta alegria, tanto
amor e tanta gratidão que as suas meditações se tornaram cada vez mais
fáceis, e começou a ir muito mais longe.
Com Anna a afastar-se do passado, sentiu esta nova energia a abrir-lhe o
coração cada vez mais. Em vez de pensar na meditação como algo que
tinha de fazer todos os dias, começou a encará-la com gosto. A meditação
tornou-se o seu modo de vida – fazer este trabalho passou a ser um hábito.
A energia e a vitalidade regressaram. Deixou de tomar antidepressivos. As
estruturas do seu pensamento transformaram-se por completo e os seus
sentimentos mudaram. Sentia-se num novo estado de ser, o que fez com que
os atos dela se alterassem radicalmente. A vida e a saúde de Anna
melhoraram imenso nesse ano de 2012.
No ano seguinte, participou em ainda mais eventos. Ao manter-se ligada
ao trabalho, Anna começou a desenvolver relações de proximidade com
mais pessoas na nossa comunidade e a receber cada vez mais apoio para a
sua viagem de regresso à saúde. Tal como se verificou com muitos dos
nossos estudantes, por vezes, ao regressar a casa após um seminário, Anna
teve alguma dificuldade em controlar a sua vontade de dar alguns passos
atrás, não se deixar cair nos velhos programas e nos velhos padrões de
pensar, sentir e agir. Mas, mesmo assim, continuou a fazer as suas
meditações todos os dias.
Em setembro de 2013, os médicos de Anna fizeram-lhe uma série de
análises, incluindo uma grande variedade de testes. Um ano e nove meses
depois do diagnóstico de cancro e seis anos depois do suicídio do marido, o
cancro de Anna estava completamente curado, e o tumor no esófago
desaparecera. Nas análises ao sangue não apareciam marcadores de cancro.
As membranas mucosas do esófago, da vagina e do ânus estavam
completamente curadas. Só permaneciam alguns problemas de saúde. As
membranas mucosas da boca continuavam um pouco inflamadas, embora já
não houvesse úlceras, e, devido aos medicamentos que ela tomara para as
úlceras, continuava sem produzir saliva.
Anna tornara-se uma nova pessoa – uma nova pessoa que era saudável.
A doença existia na velha personalidade. Ao pensar, agir e sentir de uma
forma diferente, Anna reinventara-se, criara uma nova identidade. Pode-se
dizer que ela renasceu na mesma vida.
Em dezembro de 2013, Anna foi a um evento em Barcelona com a
amiga que a apresentara ao meu trabalho. Depois de me ouvir contar aos
participantes uma história sobre uma cura notável de um estudante na nossa
comunidade, Anna resolveu que estava na altura de me contar a sua
experiência. Escreveu tudo por que passara e deu a carta ao meu secretário.
Tal como muitas cartas que recebo de estudantes, a primeira linha era: “Não
vai acreditar nisto.” Depois de ler o que ela escreveu, no dia seguinte pedi a
Anna que subisse ao palco e contasse a história à audiência. E lá estava ela,
ano e meio depois da visão que tivera durante a sua meditação em Nova
Iorque (que ela não me tinha contado antes de eu a convidar), num palco a
falar perante um público sobre a viagem que a curou.
Depois do evento de Barcelona, Anna sentiu-se inspirada para trabalhar
mais ainda com os problemas da sua boca. Cerca de seis meses depois,
estava a dar uma palestra em Londres e Anna apareceu. Falei
detalhadamente sobre epigenética. Acendeu-se de repente uma luz na
cabeça de Anna. Curei-me sozinha de todos os meus problemas de saúde,
incluindo o cancro, pensou ela. Devo ser capaz de sinalizar o gene que faça
a minha boca produzir mais saliva. Alguns meses mais tarde, já em 2014,
durante outro seminário, Anna sentiu subitamente a saliva a escorrer-lhe
pela boca. Desde então, as membranas mucosas de Anna e a sua produção
de saliva regressaram ao normal. As úlceras nunca mais voltaram.
Hoje em dia, Anna é uma pessoa saudável, feliz, estável, cheia de
vitalidade, com uma mente muito astuta e lúcida. Espiritualmente, cresceu
tanto que vai muito fundo nas suas meditações, e passou por muitas
experiências místicas. Vive uma vida cheia de criatividade, amor e alegria.
Tornou-se uma das minhas formadoras, ensina regularmente este trabalho a
organizações e empresas. Em 2016, fundou uma organização psiquiátrica de
sucesso, que dá emprego a mais de vinte terapeutas e especialistas. Tem
independência financeira e ganha dinheiro que chegue para ter uma vida
abastada. Viaja pelo mundo, visita lugares fabulosos, conhece pessoas
muito inspiradoras. Tem um companheiro que lhe dá amor e alegria, bem
como novos amigos e novas relações que a respeitam a ela e aos filhos.
Quando se pergunta a Anna pelos problemas de saúde que sofreu no
passado, ela conta que estes desafios foram o melhor que lhe podia ter
acontecido. Ora pense nisto: e se a pior coisa que lhe aconteceu acabasse
por ser a melhor? Ela conta-me muitas vezes que adora a sua vida atual, e
eu respondo sempre: “Claro que sim, tu criaste a tua vida todos os dias ao
não abandonares as tuas meditações até te sentires apaixonada por essa
vida. Por isso, agora podes adorar a tua vida.” Foi através dessa
transformação que Anna se tornou, na prática, sobre-humana. Ela
ultrapassou a sua identidade, que estava ligada ao seu passado, e
literalmente criou um futuro novo, saudável – e a sua biologia respondeu a
uma nova mente. Anna é agora um exemplo vivo de verdade e
possibilidade. E, se Anna se curou, o mesmo é possível para si.
Ir para o lado místico
A cura de todo o tipo de problemas físicos pode ser um benefício muito
impressionante de fazer este trabalho, mas não é o único. Uma vez que este
livro também tem que ver com o lado místico, quero abrir-lhe a mente para
um plano de realidade que terá as mesmas propriedades de transformação e
cura, mas que funciona a um nível mais profundo, diferente. Ser sobre-
humano também envolve chegar a uma consciência mais elevada de si e de
quem é neste mundo – e noutros mundos também. Deixe-me contar-lhe
algumas histórias da minha vida sobre este tema, para ilustrar exatamente o
que quero dizer, e para lhe mostrar que isso também é possível para si.
Numa noite chuvosa de inverno, no noroeste dos Estados Unidos, estava
sentado no sofá depois de um dia muito comprido, a ouvir o restolhar dos
ramos de grandes abetos, que filtravam o som das rajadas de vento junto à
minha janela. Os meus filhos estavam na cama, a dormir profundamente, e
finalmente tinha um momento para mim. Pus-me à vontade, comecei a
rever tudo o que tinha para fazer no dia seguinte. Quando concluí a minha
lista mental, estava tão cansado que já não conseguia pensar, e fiquei uns
minutos imóvel, com a mente vazia. Ao observar as sombras das chamas na
lareira a bailar pelas paredes, comecei a entrar em transe. O meu corpo
estava cansado, mas a mente estava desperta. Já não pensava nem analisava;
limitava-me a olhar para o espaço, a estar no momento presente.
À medida que o meu corpo se descontraía cada vez mais, deixei-o lenta
e conscientemente adormecer, tentando ao mesmo tempo manter a mente
consciente e acordada. Não deixei que a minha atenção se concentrasse em
nenhum objeto da sala; em vez disso, mantive o meu foco aberto. Era um
jogo que frequentemente fazia sozinho. Gostava de o jogar porque, de vez
em quando, se tudo corresse bem, tinha experiências transcendentais muito
profundas. Era como se uma espécie de porta se abrisse algures entre o estar
desperto, o sono e os sonhos normais, e eu a transpusesse para chegar a um
momento místico muito lúcido. Obriguei-me a pensar que não devia ter
expectativas nenhumas, mas apenas manter-me aberto. Foi preciso muita
paciência para lentamente passar para esse outro mundo.
Nesse dia, tinha acabado de escrever um artigo sobre a glândula pineal.
Depois de vários meses passados a investigar todos os derivados mágicos
da melatonina escondidos por este pequeno centro de alquimia, tive a
satisfação de ligar o mundo científico e o mundo dos espíritos. Durante
semanas, toda a minha mente andara consumida a pensar no papel dos
metabolitos como possível ligação às experiências místicas que eram
conhecidas da maior parte das culturas antigas, como as visões xamânicas
dos nativos americanos, a experiência hindu do samadhi, e outros rituais
semelhantes relacionados com a alteração de estados de consciência. Tinha
finalmente conseguido fazer encaixar alguns conceitos que há anos me
escapavam, e as minhas descobertas deixaram-me sentir mais completo.
Julguei estar um passo mais perto de compreender a ponte para dimensões
mais elevadas de espaço e tempo.
Toda a informação que aprendera inspirara-me a ter uma consciência
mais profunda do que é possível para os seres humanos. E contudo tinha a
curiosidade de aprender mais – uma curiosidade suficiente para levar a
minha consciência até ao local onde a glândula pineal existe na minha
cabeça. Pensei, descontraidamente, falando para a glândula: onde é que
estás, afinal?
Ao concentrar a minha atenção no espaço ocupado pela glândula pineal
no meu cérebro, e ao cair na escuridão, apareceu subitamente na minha
mente, vinda do nada, uma imagem real da minha glândula pineal como um
manípulo redondo tridimensional. Tinha a boca completamente aberta, num
espasmo, e soltava uma substância branca e cremosa. Fiquei chocado pela
intensidade da imagem holográfica, mas estava tão descontraído que não
era capaz de ficar excitado nem de reagir; portanto, limitei-me a render-me
e a observar. Era tão real! Sabia que o que estava a ver à minha frente era a
minha própria glândula pineal minúscula.
No instante seguinte, apareceu um enorme relógio exatamente à minha
frente. Era um daqueles relógios de bolso à moda antiga, com uma corrente,
e a visão era incrivelmente real. Assim que concentrei a atenção no relógio,
recebi uma informação muito clara. Subitamente, soube que o conceito que
eu tinha de um tempo linear – com passado, presente e futuro bem definidos
–, não é a forma como o mundo realmente funciona. Em vez disso,
compreendi que tudo está na verdade a acontecer num momento presente
eterno. Nesta infinidade de tempo há uma infinidade de espaços, de
dimensões ou de realidades possíveis para viver.
Se há apenas um momento eterno a acontecer, então, faz sentido que
não tenhamos um passado nesta encarnação, já para não falar em vidas
passadas. Mas conseguia ver cada passado e futuro como se estivesse a ver
um filme antigo com um número infinito de fotogramas – em que os
fotogramas não representavam momentos isolados, mas sim uma janela de
oportunidade ilimitada, que existia como estrutura que seguia em todas as
direções para sempre. Era como olhar para dois espelhos, um em frente do
outro, e ver dimensões ou espaços infinitos refletidos em ambas as direções.
Mas, para compreender melhor o que eu estava a ver, imagine que essas
dimensões estão por cima e por baixo de si, à sua frente e atrás de si, à sua
esquerda e à sua direita. E cada uma destas possibilidades ilimitadas já
existia. Sabia que, se concentrasse a minha atenção em qualquer uma destas
possibilidades, poderia viver de facto essa realidade.
Também me apercebi de não estar separado de nada. Senti uma unidade
com tudo, com todos, com todos os locais, com todos os tempos. Só posso
descrever este sentimento como a estranheza menos estranha que já senti na
minha vida.
A glândula pineal, como rapidamente compreendi, serve como um
relógio dimensional que, quando ativado, pode ser usado por nós a qualquer
altura. Quando vi os ponteiros do relógio a andar para a frente ou para trás,
compreendi que, como uma máquina do tempo apontada para uma data
específica, há também uma realidade ou uma dimensão que se pode viver
num espaço em particular. Esta visão espantosa mostrava-me que a glândula
pineal, tal como uma antena cósmica, tem a capacidade de sintonizar
informação para lá dos nossos sentidos físicos, e de nos ligar a outras
realidades que já existem no momento eterno. Embora o download de
informação que recebi parecesse ilimitado, não há palavras capazes de
descrever completamente a ordem de grandeza desta experiência.
A minha vivência do passado e do futuro em
simultâneo
À medida que os ponteiros do relógio se moveram para trás no tempo,
ganhou vida uma dimensão no espaço e no tempo. Dei por mim
imediatamente numa realidade que era relevante para mim pessoalmente –
embora, espantosamente, esse momento passado ainda estivesse a ocorrer
no momento presente que eu vivia sentado no sofá da sala de estar. Depois,
apercebi-me de estar num espaço físico naquele momento específico.
Observei-me enquanto criança – novamente, enquanto ao mesmo tempo
tinha a experiência de ser o “eu” adulto sentado no sofá. A versão infantil
de mim mesmo tinha uns sete anos, e estava com febre muito alta. Lembro-
me que, nessa idade, gostava de ter febre, porque podia mergulhar
intimamente e de ter o tipo de visões e sonhos abstratos que vêm muitas
vezes com o delírio produzido pelas elevadas temperaturas do corpo. Nesta
ocasião especial, estava no meu quarto, na cama, com os cobertores
puxados até à cana do nariz, e a minha mãe tinha acabado de sair de lá.
Sentia-me contente por estar sozinho.
No momento em que a minha mãe fechou a porta, soube instintivamente
o que havia de fazer, que era aquilo que estava a fazer na minha sala de
estar como adulto: relaxar continuamente o corpo, permanecer algures entre
o sono e o estar desperto, mantendo-me presente para o que pudesse surgir.
Até este momento na minha vida presente, tinha-me esquecido
completamente da memória desta experiência de infância, mas quando a
revivi, vi-me no meio de um sonho lúcido e consciente, a abarcar as
realidades possíveis como se fossem os quadrados de um tabuleiro de
xadrez.
Olhando para mim ainda rapazinho, fiquei profundamente comovido
por aquilo que tentava compreender, e fiquei a pensar como poderia, já
nessa altura, captar conceitos tão complicados naquela idade. Nesse
momento, enquanto olhava para ele, apaixonei-me por esse miudinho – e,
no segundo em que acolhi essa emoção, senti uma ligação simultânea tanto
a esse ponto no tempo como ao que estava a viver no meu tempo presente
no estado de Washington. Senti uma impressão muito forte de que o que
estava a fazer naquela altura e o que estava a fazer agora ocorriam ao
mesmo tempo, e que esses momentos estava ligados de forma significativa.
Nesse instante, o amor que o meu eu presente sentia por ele estava a atrair o
rapaz para o futuro em que vivia agora.
Foi então que a experiência ficou ainda mais estranha. Essa cena
desvaneceu-se e o relógio voltou a aparecer. Ganhei consciência de que os
ponteiros do relógio também podiam mover-se para a frente. Repleto de
uma sensação de espanto, e sem vacilação nem medo, limitei-me a observar
o relógio a avançar no tempo. Instantaneamente, encontrei-me de pé,
descalço, no meu quintal no estado de Washington numa noite fria. É difícil
explicar que horas eram, porque era a mesma noite em que eu estava na
minha sala de estar, mas o eu que estava fora de casa era o eu do futuro
naquele presente. Novamente, as palavras são limitadas neste contexto, mas
a única forma que eu tenho de explicar esta experiência é que a
personalidade futura chamada Joe Dispenza mudara imensamente. Estava
muito mais evoluído, e sentia-me incrível – eufórico, até.
Estava tão consciente – ou, devo dizer, como essa pessoa, estou tão
consciente. Por consciente eu quero dizer superconsciente, como se todos
os meus sentidos estivessem cem por cento mais elevados. Tudo o que via,
tocava, sentia, cheirava, provava e ouvia era amplificado. Os meus sentidos
estavam tão elevados que estava muito ciente de tudo o que se passava à
minha volta, e a prestar imensa atenção a tudo, na ânsia de viver o momento
ao máximo. Como a minha consciência aumentou tão radicalmente, o
mesmo aconteceu à minha energia. Sentir-me tão cheio dessa energia
intensa fez-me ter mais consciência de tudo o que sentia em simultâneo.
Só posso descrever esse sentimento como uma energia consistente,
inabalável e altamente organizada. Era muito diferente das emoções
químicas que normalmente sentimos como seres humanos. Na verdade,
nesse momento apercebi-me de que não conseguia sequer sentir essas
emoções tão normais. Evoluíra para lá delas. Mas sentia amor, embora fosse
uma forma avançada de amor, que não era química mas elétrica. Sentia-me
quase em chamas, a amar apaixonadamente a vida. Era uma forma
incrivelmente pura de alegria.
Estava também a caminhar pelo meu quintal, em pleno inverno, sem
sapatos e sem casaco – contudo, estava tão ciente do frio que a sensação
era, na verdade, intensamente agradável. Não tinha opinião sobre se o chão
sob os meus pés estava pouco ou muito gelado; só sabia que era agradável
ter os pés a tocar a relva congelada, e senti-me muito ligado tanto à
sensação como à relva. Compreendi que, se tivesse os pensamentos e as
avaliações que normalmente teria sobre ter frio, isso iria causar em mim
uma sensação de polaridade, dividindo a energia que eu estava a viver. Se
avaliasse essa sensação, perderia o sentimento de integridade. O incrível
sentimento de energia que eu vivia dentro do meu corpo era muito maior do
que as condições no ambiente que me rodeava (o frio). E, em consequência,
acolhi zelosamente o frio sem dificuldade. Era apenas a vida! Aliás, era tão
agradável que nem queria que o momento acabasse. Queria que durasse
para sempre.
Percorri esta versão melhorada de mim com determinação e certeza.
Sentia-me muito capacitado e calmo, e no entanto a transbordar de alegria
pela existência, de amor pela vida. Transpus o meu jardim e caminhei
intencionalmente sobre umas enormes colunas de basalto deitadas de lado,
empilhadas como enormes degraus para chegar à fogueira. Adorei a
experiência de caminhar descalço por aqueles enormes pedregulhos. Honrei
sinceramente a sua magnificência. Ao continuar a andar, aproximei-me de
uma fonte que construíra, e sorri ao lembrar-me do meu irmão e de mim a
criarmos tal maravilha.
De repente, vi uma mulher minúscula num traje branco que brilhava.
Não tinha mais de 60 centímetros de altura, e estava um pouco atrás da
fonte. Perto dela estava outra mulher, de tamanho normal e envergando um
traje semelhante, também radiosa e cheia de luz. A mulher normal ficou
para trás a observar, aparentemente a agir como protetora da mulher
minúscula.
Quando olhei para a mulher minúscula, ela virou-se para mim e fitou-
me. Senti uma energia de amor ainda mais forte, como se ela estivesse a
enviar-me essa energia. Mesmo nesta versão evoluída de mim, concluí que
nunca tinha sentido nada assim. Os sentimentos de concretização e amor
eram amplificados exponencialmente, e eu pensei: ena – há ainda mais
amor do que o amor que senti há instantes? Não era de forma alguma um
amor romântico. Era mais uma energia inebriante, eletrizante, e estava a ser
suscitada de dentro de mim. Sabia que essa energia estava a reconhecer que
havia de facto mais amor dentro de mim. Sabia também que era mais
evoluída que eu. Ao sentir essa eletricidade, recebi uma mensagem no
sentido de olhar na direção da janela da cozinha, e lembrei-me
instantaneamente do motivo para eu lá estar.
Virei-me e olhei para a cozinha, onde o meu eu presente, umas horas
antes de ir para o sofá relaxar, estava ocupado a lavar a louça. Do quintal,
sorri. Estava tão apaixonado por ele! Vi a sua sinceridade; os seus esforços;
a sua paixão; o seu amor; a sua mente, ocupada como sempre,
constantemente a tentar ligar conceitos que fizessem sentido; e, entre outras
coisas, vi parte do futuro dele. Como um bom pai, tinha orgulho nele e nada
mais senão admiração por quem ele era naquele momento. Ao sentir essa
energia aumentar dentro de mim enquanto o observava, vi-o de repente a
parar de lavar a louça e a olhar pela janela, perscrutando o quintal.
Ainda no meu eu futuro, consegui recordar-me do momento, e lembrei-
me que, de facto, naquele instante me detivera para olhar para o quintal,
porque sentira no peito uma sensação espontânea de amor, e tive a noção de
estar a ser observado ou de que alguém estaria lá fora. Lembrei-me ainda de
me ter inclinado, enquanto lavava um copo, para minimizar o reflexo da luz
da cozinha que incidia sobre mim, e de ter espreitado para o escuro por
alguns minutos, e depois continuar a lavar o resto da louça. O meu eu futuro
estava a fazer ao meu eu presente aquilo que a bela mulher luminosa me
fizera a mim momentos antes. Agora compreendia por que razão ela lá
estava.
E tal como acontecera ao olhar para a criança na cena anterior, mais
uma vez, o amor que o meu eu futuro sentia pelo meu eu do presente ligou-
me de alguma forma ao meu eu futuro. O meu eu futuro estava ali para
chamar o meu eu presente para aquele futuro, e eu soube que era o amor
que fazia com que esse elo fosse possível. A versão evoluída de mim tinha
um grande sentido de conhecimento. O paradoxo é que sou sempre eu a
viver no mesmo tempo. Na verdade, há um número infinito de “eus” – não
só o do passado, o do presente e o do futuro. Há imensos “eus” possíveis no
plano do infinito, e não há apenas um infinito, mas múltiplos infinitos. E
tudo isto acontece no agora eterno.
Quando regressei ao sofá, à realidade física que conhecemos, que é tão
ténue em comparação com o outro mundo dimensional em que eu tinha
estado, o meu primeiro pensamento foi: ena! A minha visão da realidade é
tão limitada! Esta experiência interior tão rica deu-me uma tal sensação de
lucidez e compreensão que as minhas crenças – isto é, aquilo que eu julgava
saber sobre a vida, sobre Deus, sobre mim mesmo, sobre o tempo, sobre o
espaço, e sobre o que eu pensava ser possível viver nesta dimensão infinita
– eram tão limitadas, e que eu nem me tinha apercebido disso até aquele
momento. Apercebi-me que era como uma criança com pouco
entendimento da magnitude disto a que chamamos realidade. Compreendi
pela primeira vez na vida, sem medo e sem ansiedade, o significado da
expressão “o desconhecido”. E soube que nunca mais seria a mesma pessoa.
Certamente consegue imaginar que, quando acontece uma coisa destas,
tentar explicá-la à sua família e aos seus amigos sugere algum desequilíbrio
químico no cérebro. Hesitei em contar o que se passara a alguém, porque
não tinha sequer as palavras certas para o descrever, e porque tinha receio
de que não voltasse a acontecer. Ao longo de meses, fiquei absorvido
tentando rever todo o processo que eu julguei poder ter gerado a
experiência. Andava também algo confuso pelo conceito de tempo, e não
conseguia deixar de pensar nele. Para lá da mudança de paradigma relativa
ao momento eterno no tempo, descobri outra coisa. Concluí, depois do
evento transcendental daquela noite, quando voltei ao mundo de três
dimensões, que toda a experiência durara dez minutos. Acabara de viver
dois eventos extensos, que deveriam ter demorado muito mais tempo para
que tudo se desenrolasse. Este aumento do tempo aguçou ainda mais o meu
interesse em empenhar mais energia na investigação do que me acontecera.
Tinha esperança de conseguir reproduzir a experiência, assim que
compreendesse mais sobre o que se passara.
Nos dias que se seguiram a essa noite tão importante, senti uma grande
exaltação dentro do meu peito, tal como tinha sentido no dia em que aquela
bela mulher minúscula ativou algo dentro de mim. Pensava constantemente:
como é possível que este sentimento permaneça dentro de mim, a menos
que se tenha tratado de uma experiência real? Ao prestar mais atenção,
reparei que o sentimento aumentava. Compreensivelmente, não tive grande
interesse em interações sociais durante este período, porque as pessoas e as
condições no mundo exterior me distraíam desse sentimento no meu mundo
interior, e o sentimento especial diminuía. A seu tempo, desvaneceu-se por
completo, mas nunca deixei de pensar na ideia de que há sempre mais amor
para viver e que a energia que eu recebera naquela dimensão ainda vivia
dentro de mim. Queria voltar a ativá-la, mas não sabia como.
Durante muito tempo, embora tentasse vezes sem conta reproduzir a
experiência, nada se passou. Agora compreendo que a expectativa desse
mesmo resultado, combinada com a frustração de querer forçá-lo, é a pior
combinação possível para criar outra experiência mística (ou uma
experiência qualquer). Perdi-me na minha própria análise pessoal, tentando
entender o que se passara e tentando fazer com que voltasse a acontecer.
Resolvi tentar algumas novas abordagens. Em vez de procurar recriar a
experiência durante a noite, resolvi acordar de manhã cedo e meditar. Uma
vez que os níveis de melatonina estão no máximo entre a uma e as quatro
horas da manhã, e que os metabolitos químicos místicos da melatonina são
os substratos responsáveis por criar um evento lúcido, resolvi que iria levar
a cabo o meu trabalho interior às quatro horas da manhã, todos os dias.
Antes de contar o que aconteceu a seguir, quero pedir-lhe, caro leitor,
para ter em conta que este foi um período invulgarmente difícil da minha
vida. Estava a ponderar se valia a pena continuar no ensino. Vivera
momentos bastante confusos depois de aparecer no documentário de 2004,
“What the (bleep) do we know?”, e andava a pensar em afastar-me da esfera
pública e de desaparecer para uma vida mais simples. Parecia muito mais
fácil afastar-me de tudo.
Viver uma encarnação passada no momento presente
Uma manhã, cerca de hora e meia depois de começar a minha
meditação numa posição sentada, finalmente reclinei-me. Pus almofadas
sob os joelhos para não adormecer depressa demais, o que me permitiu ficar
na fronteira entre estar desperto e a dormir. Ao deitar-me, limitei-me a focar
a atenção no sítio que a glândula pineal ocupa na minha cabeça. Mas, desta
vez, não tentei forçar nada, deixei que as coisas acontecessem e disse a mim
mesmo seja o que for... Rendi-me, saí do caminho, prescindi de qualquer
resultado específico, e abri-me à possibilidade.
Quando dei por ela, estava na pele de um homem robusto numa região
muito quente do mundo que parecia ser o que hoje conhecemos por Grécia
ou Turquia. O terreno era rochoso, o solo seco, edifícios de pedra como os
da era greco-romana misturavam-se com muitas tendas pequenas feitas de
tecido de cores vivas. Tinha vestido uma túnica de serapilheira que me ia
dos ombros até a meio das ancas, e um cordel grosso atado à cintura a
servir-me de cinto. Calçava sandálias, enroladas à volta das pernas. Os
meus ombros eram largos, os braços e as pernas musculosos. Era um
filósofo e um estudante de longa data de algum movimento carismático.
Era simultaneamente a identidade naquela experiência e o meu eu
presente a observar-me naquele tempo e espaço em particular. Estava outra
vez mais consciente do que o normal – estava superconsciente. Todos os
meus sentidos estavam aguçados e eu estava muito ciente de tudo.
Conseguia sentir o cheiro familiar do meu corpo, saborear o sal da minha
transpiração a escorrer do meu rosto.
Ia numa peregrinação, numa espécie de missão. Viajava pelo país a
ensinar a filosofia que estudara e vivera toda a minha vida. Era pupilo de
um grande mestre que amava profundamente, devido aos cuidados, à
paciência e à sabedoria que ele me dera durante muitos anos. Era agora a
minha altura, como iniciado, de transmitir uma mensagem que
transformaria as mentes e os corações da minha comunidade. Sabia que a
mensagem que estava a propagar ia contra as crenças da altura, e que o
governo e as ordens religiosas contemporâneas iriam contestar-me.
A principal mensagem da filosofia que eu estudara libertaria as pessoas
de viver sob o jugo de “algo” ou “alguém” exterior a elas. Também iria
inspirar algumas pessoas a exporem um código de princípios que lhes desse
a capacidade de ter uma vida mais rica e mais cheia de significado.
Acreditava apaixonadamente neste idealismo, e trabalhava todos os dias
para viver alinhado com as suas doutrinas. Evidentemente, a mensagem
omitiria a necessidade de religião ou de qualquer dependência de governos,
e libertaria as pessoas da dor e do sofrimento.
Quando a cena começava, tinha acabado de falar perante uma multidão
numa aldeia relativamente populosa. A congregação estava prestes a
separar-se quando, subitamente, vários homens se movimentaram
rapidamente pela multidão para me prender. Antes de poder sequer tentar
fugir, fui capturado. Vi que eles tinham planeado bem a sua estratégia. Se
tivessem começado a movimentar-se enquanto eu falava à multidão, teria
dado por eles. Tinham avançado no momento exato.
Rendi-me sem oferecer resistência, e levaram-me para uma cela, onde
me deixaram sozinho. Trancado num pequeno cubículo de pedra com
fendas estreitas a servirem de janelas, sentei-me, confrontando o meu
destino. Nada poderia preparar-me para o que estava prestes a acontecer. Ao
cabo de dois dias, fui levado para o centro da cidade, onde centenas de
pessoas estavam reunidas – muitas delas entre as que me tinham ouvido
falar poucos dias antes. Mas, agora, aguardavam ansiosamente pela
oportunidade de assistir ao meu julgamento, e iminente tortura.
Despiram-me até ficar só com uma tanga de pano, e depois fui atado a
uma grande laje horizontal com veios gravados nos cantos, por onde
passavam cordas. As cordas tinham algemas de metal nas pontas, com as
quais prenderam os meus pulsos e os tornozelos. E foi então que começou.
Um homem à minha esquerda começou a puxar por uma alavanca, que ia
içando a laje lentamente de uma posição horizontal para uma mais vertical.
Com o bloco de pedra içado, as cordas começaram a puxar os meus
membros em todas as quatro direções.
Quando atingiram os 45 graus, a dor a sério começou. Alguém que
parecia ser um magistrado gritou, perguntando-me se pretendia continuar a
ensinar a minha filosofia. Não olhei para cima nem respondi. O magistrado
ordenou então ao homem que puxasse mais pela alavanca. A certa altura,
comecei a ouvir ruídos e estalos, indícios de que a minha espinha estava a
deslocar-se em certos pontos. Vi a expressão do meu rosto enquanto
observador desta cena, quando a dor aumentou. Era como olhar para um
espelho e ver o meu reflexo – tinha perfeita consciência de que era eu que
estava naquela laje.
As algemas de metal à volta dos meus pulsos e tornozelos rasgavam-me
a pele, o metal afiado queimava-me. Sangrava. Um dos meus ombros
deslocara-se e eu engolia em seco e bradava de dor. O meu corpo em
convulsão tremia ao tentar resistir à força que me puxava os membros,
vergava e puxava pelos músculos para resistir. Teria sido insuportável ceder.
De repente, o magistrado voltou a berrar, perguntando-me se pretendia
continuar a ensinar.
Tive uma ideia: vou dizer que deixo de ensinar, e quando me libertarem
desta tortura pública vou limitar-me a recomeçar. Parecia-me ser a resposta
certa. Apaziguaria o magistrado e evitaria a dor (e a morte), permitindo-me
continuar a minha missão. Abanei lentamente a cabeça de um lado para o
outro, em silêncio.
Então, o magistrado pressionou-me a dizer que não verbalmente, mas eu
não dizia nada. Ele fez sinal ao torcionário à minha esquerda para puxar
ainda mais pela alavanca. Olhei para o homem que puxava pela
engrenagem com a intenção clara de me magoar. Vi o rosto dele, olhámo-
nos nos olhos, e enquanto o observava reconheci de imediato esta pessoa
como alguém na minha vida presente, Joe Dispenza: a mesma pessoa mas
num corpo diferente. Reconheci que este torcionário continuava a
atormentar outras pessoas – eu incluído – na minha encarnação atual, e
compreendi o papel desta pessoa na minha vida. Era uma sensação
estranhamente familiar de reconhecimento, e tudo fazia sentido.
À medida que a laje subia, o fundo das minhas costas estalou e o meu
corpo começou a perder o controlo. Foi esse o momento que deu cabo de
mim. Chorei de dor, uma dor lancinante, e senti também uma tristeza muito
profunda que consumia todo o meu ser. Quando o peso da pesada pedra foi
libertado, caí rapidamente para uma posição horizontal. Fiquei imóvel, a
tremer descontroladamente, em silêncio. Fui então arrastado para a pequena
cela da prisão, onde fiquei estendido a um canto. Durante três dias, não
consegui bloquear a memória da minha tortura.
Sentia-me tão humilhado que não voltei a falar em público. Só pensar
em regressar à minha missão provocava uma reação tão visceral no meu
corpo que deixei de pensar nisso. Uma noite libertaram-me e, sem que
ninguém me visse, de olhos postos no chão, de vergonha, desapareci. Nunca
mais fui capaz de olhar alguém nos olhos. Sentia ter fracassado na minha
missão. Passei o resto da minha vida numa caverna junto ao mar, a pescar, e
a viver em silêncio, como um eremita.
Ao testemunhar a desgraça deste pobre homem e a sua decisão de se
esconder do mundo, compreendi que se tratava de uma mensagem para
mim. Compreendi que, na minha vida presente, não podia desaparecer e
esconder-me do mundo novamente, e que a minha alma queria que eu visse
que tinha de continuar o meu trabalho. Teria de fazer o esforço de defender
uma mensagem e de nunca mais fugir às adversidades. Também reconheci
que não tinha falhado – dera o meu melhor. Sabia que o jovem filósofo
ainda vivia no momento presente eterno como uma série de “eus” possíveis,
e que eu podia transformar o meu futuro, e o dele, desde que nunca mais
tivesse medo de viver para a verdade em vez de morrer por ela.
Cada um de nós tem inúmeras encarnações possíveis, que existem no
momento presente eterno, todas à espera de serem descobertas. Quando o
mistério da identidade é revelado, podemos todos acordar para a
compreensão de que não somos seres lineares a viver uma vida linear,
somos antes seres dimensionais que vivem vidas dimensionais. A beleza
por trás das probabilidades infinitas que nos aguardam é a única forma de
transformarmos esses futuros e transformarmo-nos a nós no momento
presente infinito.
3 R. M. Sapolsky, Why Zebras Don’t Get Ulcers (Nova Iorque: Times
Books, 2004). Além disso, a dependência emocional é um conceito
ensinado na Ramtha’s School of Enlightenment; veja o catálogo da JZK
Publishing, uma divisão da JZK, Inc., editora da RSE, em
http://jzkpublishing.com ou http://www.ramtha.com.
CAPÍTULO 2

O MOMENTO PRESENTE
Se quiser viver o sobre-humano – curar o seu corpo, criar novas
oportunidades que não poderia ter imaginado de outra forma, ter
experiências místicas transcendentes –, tem primeiro de dominar o conceito
do momento presente: o agora eterno. Fala-se muito, hoje em dia, sobre
estar presente ou viver no agora. Embora a maioria das pessoas compreenda
o essencial do que isso significa (não pensar no futuro nem viver no
passado), quero dar-lhe um sentido completamente diferente do conceito.
Vai ser preciso ir para lá do mundo físico – incluindo o seu corpo, a sua
identidade e o seu ambiente –, e até para lá do próprio tempo. É aqui que a
possibilidade se converte em realidade.
Afinal de contas, sem ultrapassar quem pensa ser e a explicação que foi
condicionado a acreditar de como o mundo funciona, não é possível criar
uma nova vida nem um novo destino. Portanto, num sentido muito real, é
preciso sair do seu caminho, transcender a memória de si mesmo como
identidade, e permitir que o controlo seja assumido por uma entidade
superior, mística. Neste capítulo, vou explicar-lhe como é que isso
funciona.
Primeiro, vamos olhar para o funcionamento do cérebro. Quando
qualquer tecido neurológico no cérebro ou no corpo é ativado, cria uma
mente. Consequentemente, de um ponto de vista neurocientífico, a mente é
o cérebro em ação. Por exemplo, quando guia o seu carro, está a usar uma
mente específica. Tem outra mente quando toma um duche. Tem uma mente
diferente quando canta ou ouve música. Para executar cada uma dessas
funções complexas, usa um nível diferente do cérebro, porque,
provavelmente, já fez cada uma dessas tarefas milhares de vezes, portanto,
o seu cérebro ativa-se de uma forma muito específica de cada vez que fizer
uma delas.
Quando o seu cérebro está em ação ao guiar um carro, por exemplo, está
na verdade a desencadear uma sequência específica, um padrão ou uma
combinação de redes neurológicas. Estas redes neuronais são apenas
conjuntos de neurónios que trabalham juntos como uma comunidade – tal
como um programa informático automático ou uma macro –, uma vez que
concluiu essa ação tantas vezes. Por outras palavras, os neurónios que
disparam em conjunto para realizar uma ação ficam mais ligados4. Ao optar
conscientemente por levar a cabo a tarefa de guiar o seu veículo, podemos
dizer que está automaticamente a selecionar e a instruir esses neurónios no
seu cérebro a estimularem-se para criar um nível da mente.
No essencial, o seu cérebro é um produto do passado. Foi moldado e
formatado para se tornar um registo vivo de tudo o que aprendeu e viveu até
esse ponto na sua vida. Aprender, de um ponto de vista neurocientífico, é o
que acontece quando os neurónios no seu cérebro se agregam para formar
milhares de ligações sinápticas, e essas ligações agregam-se depois em
redes neurológicas tridimensionais complexas. Pense na aprendizagem
como um upgrade para o seu cérebro. Quando concentrar a sua atenção no
conhecimento ou na informação e isso fizer sentido para si, essa interação
com o ambiente deixará marcas biológicas no seu cérebro. Ao viver uma
experiência nova, os seus sentidos gravam a história neurologicamente no
seu cérebro, e mais neurónios unem-se para constituir ligações mais
enriquecidas, melhorando o seu cérebro ainda mais.
As experiências não só reforçam os circuitos do cérebro como também
criam emoções. Pense nas emoções como um resíduo químico de
experiências passadas – um feedback químico. Quanto mais forte é o
quociente emocional de um acontecimento na sua vida, mais essa
experiência deixa impressões duradouras no seu cérebro; é assim que as
memórias de longo prazo se formam. Portanto, se aprender for fazer novas
ligações no seu cérebro, as memórias serão aquilo que mantém essas
ligações. Quantas mais vezes repetir um pensamento, uma decisão, um
comportamento, uma experiência ou uma emoção, mais esses neurónios se
ativam e unem, e mais eles irão suster uma relação a longo prazo.
Na história de Anna, no capítulo anterior, aprendeu que a maior parte
das suas experiências vêm da sua interação com o ambiente externo. Uma
vez que os seus sentidos o ligam ao ambiente externo e gravam
neurologicamente a narrativa no seu cérebro, ao viver um evento emocional
altamente carregado – para o bem ou para o mal –, esse momento fica
neurologicamente gravado no seu cérebro como uma memória. Dessa
forma, quando uma experiência transformar aquilo que normalmente sente
em termos químicos e elevar a sua atenção para o que a causou, irá associar
uma pessoa ou uma coisa em particular com a localização do seu corpo num
determinado tempo ou espaço. É assim que se criam memórias através da
interação com o mundo exterior. Pode-se dizer com grande certeza que o
passado só existe no seu cérebro – e no seu corpo.
Como o passado se transforma no seu futuro
Vamos olhar mais de perto para o que se passa, de um ponto de vista
bioquímico, dentro do seu corpo ao formular um pensamento ou ao sentir
uma emoção. Quando formula um pensamento (ou evoca uma memória),
começa no seu cérebro uma reação bioquímica que faz com que o cérebro
liberte certos sinais químicos. É assim que os pensamentos imateriais se
transformam, literalmente, em matéria – tornam-se em mensageiros
químicos. Estes sinais químicos fazem com que o seu corpo se sinta
exatamente da forma que estava a pensar. Assim que notar que se sente de
certa maneira, vai gerar mais pensamentos correspondentes ao que está a
sentir, e irá libertar mais químicos do seu cérebro para o fazerem sentir da
forma que está a pensar.
Por exemplo, se tiver um pensamento de medo, começa a sentir medo.
Assim que sentir medo, essa emoção influencia-o a ter mais pensamentos
que lhe causem receio, e esses pensamentos desencadeiam a libertação de
ainda mais químicos no cérebro e no corpo, que o fazem continuar a sentir
mais medo. Encontra-se, de repente, num ciclo em que os seus pensamentos
geram sentimentos e os seus sentimentos geram pensamentos. Se os
pensamentos são o vocabulário do cérebro e os sentimentos são o
vocabulário do corpo, e o ciclo de como pensa e como se sente corresponde
ao seu estado de ser, então, todo o seu estado de ser se situa no passado.
Quando ativa e liga os mesmos circuitos no seu cérebro vezes sem
conta, porque tem constantemente os mesmos pensamentos, está a
consolidar as mesmas estruturas no seu cérebro. O resultado disso é que o
seu cérebro se torna num artefacto do seu pensamento passado, e com o
passar do tempo torna-se mais fácil pensar automaticamente da mesma
maneira. Em simultâneo, ao sentir repetidamente as mesmas emoções –
visto que, como escrevi atrás, as emoções são o vocabulário do corpo e o
resíduo químico de experiências passadas – está a condicionar o seu corpo
ao passado.
Vamos agora olhar para o que isso significa para si no quotidiano.
Sabendo o que já sabe sobre os sentimentos e as emoções serem os produtos
químicos de eventos passados, é óbvio que assim que acorda de manhã e
vai à procura daquela sensação familiar de identidade, está a começar o dia
no passado. Ao começar o dia a pensar nos seus problemas, esses
problemas – que estão relacionados com as memórias de experiências
passadas de várias pessoas ou coisas em certos momentos ou lugares –
criam sentimentos familiares como a infelicidade, a futilidade, a tristeza, a
dor, a ansiedade, a preocupação, a frustração, a vergonha e a culpa. Se estas
emoções lhe guiam os pensamentos, e se não consegue pensar melhor do
que sente, então também está a pensar no passado. E se essas emoções
familiares influenciam as escolhas que for fazer nesse dia, os
comportamentos que exibir ou as experiências que criar para si, então vai
tudo começar a parecer previsível – e a sua vida ficará na mesma.
Agora digamos que, ao acordar, desliga o alarme e, ainda deitado na
cama, olha para o seu Facebook, para o seu Instagram, para o seu
WhatsApp, para o seu Twitter, para as suas SMS, para os seus e-mails, e
depois vê as notícias. (Agora está mesmo a recordar-se de quem é ao
reafirmar a sua personalidade e ao ligar-se à sua realidade pessoal do
passado-presente.) Depois vai à casa de banho. Usa a sanita, escova os
dentes, toma um duche, veste-se, e depois segue para a cozinha. Bebe café e
come o pequeno-almoço. Talvez veja as notícias ou volte a olhar para os e-
mails. É a mesma rotina que segue todos os dias.
Depois, vai de carro para o trabalho pelo caminho do costume, e quando
lá chega interage com os mesmos colegas que tinha visto no dia anterior.
Passa o dia a desempenhar praticamente as mesmas funções do dia anterior.
Pode até reagir aos mesmos desafios no trabalho com as mesmas emoções.
Após o dia de trabalho, vai de carro para casa; talvez até pare no mesmo
supermercado para comprar a comida de que gosta e que come
habitualmente. Prepara o jantar do costume e vê o mesmo programa de
televisão à mesma hora, sentado no mesmo lugar na sua sala de estar.
Então, prepara-se para ir para a cama da mesma maneira de sempre –
escova os dentes (com a mão direita, começando do canto superior direito
da boca), enfia-se no mesmo lado da cama, talvez leia um pouco, e depois
adormece.
Se continuar a seguir estas rotinas vezes sem conta, elas irão tornar-se
um hábito. Um hábito é uma série redundante e automática de pensamentos,
comportamentos e emoções que se adquirem através da repetição frequente.
Essencialmente, isso significa que o seu corpo está agora em piloto
automático, a correr uma série de programas, e, com o passar do tempo, o
corpo torna-se a mente. Ao seguir esta rotina tantas vezes, o seu corpo passa
a saber automaticamente como fazer certas coisas melhor que o seu cérebro
ou a sua mente consciente. Basta ligar o piloto automático e passar para um
estado inconsciente, o que significa voltar a acordar de manhã e fazer mais
ou menos a mesma coisa outra vez. Irá ter os mesmos pensamentos e tomar
as mesmas decisões, que levam aos mesmos comportamentos, que resultam
nas mesmas experiências, que geram as mesmas emoções. Com o passar do
tempo, terá criado uma série destas redes neurológicas no cérebro e terá
condicionado emocionalmente o seu corpo a viver no passado – e esse
passado converte-se no seu futuro.
Se estivesse a olhar para um horário do seu dia, começando por acordar
de manhã e continuando até ir para a cama nessa noite, podia pegar no
horário de ontem ou hoje (o passado) e pô-lo no espaço reservado para
amanhã (o futuro), porque as ações que praticou hoje são as mesmas que
vai praticar amanhã – e no dia a seguir, e no outro a seguir a esse. Há que
encarar a verdade: se mantiver a mesma rotina de ontem, faz sentido que o
seu amanhã seja muito parecido com o seu ontem. O seu futuro é só uma
reposição do seu passado. Isso acontece porque o seu ontem está a criar o
seu amanhã.
Observe a figura 2.1. Cada uma daquelas linhas verticais representam o
mesmo pensamento, que leva à mesma decisão, que inicia um
comportamento automático, que cria uma experiência conhecida, que
produz um sentimento ou uma emoção familiares. Se continuar a reproduzir
a mesma sequência, a certa altura todos esses passos discretos fundem-se
num único programa automático. É assim que perdemos o nosso livre
arbítrio para um programa. A seta representa uma experiência desconhecida
que aparece algures no seu caminho para o trabalho, no trânsito, quando
sabe que vai atrasar-se outra vez, e ainda tem de passar pela lavandaria.
Podíamos dizer que a sua mente e o seu corpo estão no conhecido – o
mesmo futuro previsível com base no que fez no mesmo passado familiar –
e, nesse futuro certo e conhecido, não há lugar para o desconhecido. Na
verdade, se acontecesse alguma novidade, se um facto desconhecido se
desenrolasse na sua vida naquele momento para alterar o horário previsível
do seu dia, iria provavelmente ficar aborrecido pela interrupção da rotina. Ia
considerar isso perturbador, problemático, pura e simplesmente
inconveniente. Iria dizer: “Pode voltar amanhã? Hoje, não dá jeito.”

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FIGURA 2.1
Um hábito é uma série redundante e automática de
pensamentos, comportamentos e emoções que se adquirem
através da repetição. É fazer coisa tantas vezes que o seu
corpo é programado para se tornar na mente. Com o passar do
tempo, o seu corpo arrasta-o para um futuro previsível com
base no que fez no passado. Portanto, se não estiver no
momento presente, provavelmente está num programa.
A verdade é que não há lugar para o desconhecido numa vida previsível.
Mas o desconhecido não funciona com previsibilidade. O desconhecido não
é familiar, não é certo – mas também é excitante, porque ocorre de uma
forma que não podemos esperar nem prever. Deixe-me fazer-lhe uma
pergunta: que espaço dá ao desconhecido na sua vida previsível e rotineira?
Ao ficar no conhecido – seguir a mesma sequência de coisas todos os
dias e pensar os mesmos pensamentos, tomar as mesmas decisões,
demonstrar os mesmos hábitos programáveis, recriar as mesmas
experiências que imprimem as mesmas estruturas nas mesmas redes de
neurónios para reafirmar o mesmo sentimento familiar que é a sua
identidade –, está a repetir o mesmo nível mental vezes sem conta. Mais
tarde ou mais cedo, o seu cérebro acabará por ficar automaticamente
programado para repetir algumas dessas sequências particulares com mais
facilidade e sem esforço, na vez seguinte e na outra, e na outra...
Com cada um destes passos separados a fundir-se num único passo
completo, pensar um pensamento familiar de alguém ou de alguma coisa
num certo lugar, numa certa ocasião, irá automaticamente originar a
antecipação do sentimento da experiência. Se for capaz de prever o
sentimento associado a qualquer experiência, estará ainda no conhecido.
Por exemplo, pensar em ter uma reunião com a mesma equipa com que
trabalha há anos pode automaticamente levá-lo a chamar a emoção de como
esse evento futuro será. Quando consegue prever o sentimento desse evento
futuro – porque já teve experiências passadas suficientes para o tornar
conhecido –, vai provavelmente criar mais do mesmo. E, claro, tem razão.
Mas isso é por não ter mudado. Ou seja, se está num programa automático e
não consegue prever a sensação de uma experiência na sua vida, irá
provavelmente hesitar perante ela.
Temos de olhar para mais um aspeto do pensar e do sentir para ter uma
ideia completa do que se passa quando se vive sempre no mesmo estado de
ser. Este círculo pensamento-sentimento também produz um campo
magnético mensurável que rodeia os nossos corpos físicos. Aliás, os nossos
corpos estão constantemente a emitir luz, energia ou frequências com uma
mensagem, uma informação ou uma intenção específicas. (Já agora, quando
eu falo de “luz”, não estou a referir-me à luz visível, mas, sim, a todos os
espectros – incluindo raios-X, ondas de telemóveis e micro-ondas). Da
mesma maneira, também recebemos informação vital que é transportada
por várias frequências. Estamos portanto, constantemente, a enviar e a
receber energia eletromagnética.
Eis como isso funciona. Quando temos um pensamento, as redes
neuronais que disparam no nosso cérebro criam cargas elétricas. Quando
esses pensamentos causam também uma reação química que resulta num
pensamento ou numa emoção, bem como quando um sentimento ou uma
emoção familiares guiam os nossos pensamentos, esses sentimentos causam
transformações magnéticas. Eles fundem-se com os pensamentos que criam
as cargas elétricas para produzir um campo eletromagnético específico
equivalente ao seu estado de ser.5
Pense em emoções como energia em movimento. Quando uma pessoa
que está a sentir uma emoção forte entra numa sala, a sua energia (não estou
a falar da linguagem corporal) é muitas vezes palpável. Todos sentimos a
energia e a intenção de outra pessoa se ela estiver zangada ou muito
frustrada. Sentimos porque ela está a emitir um sinal forte de energia que
transporta informação específica. O mesmo é verdade para uma pessoa
muito sexual, uma pessoa que esteja em sofrimento, ou uma pessoa que
tenha uma energia calma e terna: todas estas energias podem ser sentidas e
detetadas. Como seria de esperar, cada emoção produz a sua frequência. As
frequências de emoções criativas e elevadas como o amor, a alegria e a
gratidão são muito mais elevadas do que as emoções do stress, tais como o
medo e a raiva, porque acarretam níveis diferentes de intenção consciente e
energia. (Observe a fig. 2.2, que explica algumas das frequências associadas
aos vários estados emocionais.) Irá ler mais sobre este conceito neste livro.

FIGURA 2.2
As emoções são energia em movimento. Toda a energia é
frequência e toda a frequência transporta informação. Com
base nos nossos pensamentos e sentimentos, estamos
sempre a enviar e a receber informação.
Se recriamos o passado dia após dia, ao termos os mesmos pensamentos
e ao sentirmos as mesmas emoções, estaremos a transmitir o mesmo campo
eletromagnético vezes sem conta – a enviar a mesma energia, com a mesma
mensagem. Da perspetiva da energia e da informação, isto significa que a
mesma energia do nosso passado continua a transportar a mesma
informação, que continua então a criar o mesmo futuro. A nossa energia é,
portanto, essencialmente igual ao nosso passado. A única forma de
conseguirmos alterar as nossas vidas é alterando a nossa energia – mudar o
campo eletromagnético que emitimos constantemente. Por outras palavras,
para mudar o nosso estado de ser, temos de mudar a forma como pensamos
e como nos sentimos.
Como a sua energia vai para onde pretende dirigir a sua atenção (um
conceito fundamental sobre o qual lerá mais neste capítulo), assim que
dedicar a sua atenção a uma emoção familiar, a sua atenção e a sua energia
estão no passado. Se essas emoções familiares estão ligadas à memória de
algum acontecimento do passado envolvendo uma pessoa ou um objeto em
determinada ocasião e em determinado local, então a sua atenção e a sua
energia estão no passado também. Em consequência disso, está a desviar a
sua energia do momento presente para o passado. Em paralelo, se começar a
pensar em todas as pessoas que tem de ver, nas coisas que tem de fazer, e
nos sítios onde tem de ir em certas ocasiões no seu dia rotineiro, estará a
absorver atenção e energia para um futuro previsível conhecido. Observe a
figura 2.3, que ilustra esta ideia.
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FIGURA 2.3
Como a sua energia vai para onde pretende dirigir a sua
atenção, assim que dedicar a sua atenção a sentimentos e a
memórias que lhe sejam familiares estará a sugar a sua
energia para o passado, desviando-a do momento presente.
Da mesma forma, se a sua atenção está constantemente nas
pessoas que tem de ver, nos sítios onde tem de ir, nas coisas
que tem de fazer às horas que as tem de fazer, seguindo a sua
rotina familiar, então estará a sugar a sua energia para fora do
momento presente, desviando-a para o futuro previsível.
Toda a sua energia está agora entrelaçada por completo com estas
experiências conhecidas naquela linha temporal específica. A sua energia
cria mais do mesmo e o seu corpo vai seguir a mente para os mesmos
eventos na mesma realidade. Em consequência, vai-lhe restar muito pouca
energia para criar uma experiência desconhecida numa nova linha temporal.
A figura 2.3 também lhe mostra como a energia eletromagnética
emanada de si tem uma vibração correspondente a tudo o que lhe é
conhecido. Ou seja, ao começar o seu dia, quando tem o pensamento de ir à
sanita, quando dá por si está a caminhar para a sanita. Depois vem o
pensamento do duche, e dá por si na banheira, a ajustar a temperatura da
água. Tem o pensamento na máquina de café, e, ao caminhar
automaticamente para a cozinha para preparar a sua chávena de café
matinal, novamente o seu corpo está a seguir a sua mente. Se tiver feito a
mesma coisa ao longo dos últimos 22 anos, o seu corpo vai em velocidade
de cruzeiro sem esforço. O seu corpo está sempre a seguir a sua mente –
mas, neste caso, está repetidamente a seguir a sua mente para o conhecido.
Porque é aí que a sua atenção – e portanto a sua energia – reside.
Deixe-me então perguntar-lhe o seguinte: seria possível o seu corpo
começar a seguir a sua mente até ao desconhecido? Nesse caso, pode
compreender que teria de mudar o alvo da sua atenção, e isso iria levá-lo a
mudar a sua energia, o que o obrigaria a mudar a forma como pensa e como
se sente durante um período suficiente para que se passasse algo de novo.
Embora isto possa parecer incrível, é deveras possível. Faz sentido que, tal
como o seu corpo tem seguido a sua mente para cada experiência conhecida
da sua vida (tal como a chávena de café da manhã), se fosse começar a
investir a sua atenção e a sua energia no desconhecido, o seu corpo seria
então capaz de seguir a sua mente para o desconhecido – uma nova
experiência no seu futuro.
Preparar a sua mente e o seu corpo para um novo
futuro
Se já conhece o meu trabalho, sabe que adoro o conceito do ensaio
mental. Fascina-me como podemos mudar o cérebro e o corpo só através do
pensamento. Reflita um pouco sobre isto. Se concentrar a sua atenção em
imagens específicas na sua mente, e se estiver muito presente com uma
sequência de pensamentos e sentimentos repetidos, o seu cérebro e o seu
corpo não darão pela diferença entre o que está a acontecer no mundo
exterior e o que está a acontecer no seu mundo interior. Quando estiver
totalmente empenhado e concentrado, o mundo interior da imaginação
parecerá uma experiência do mundo exterior – e a sua biologia irá adaptar-
se nos termos correspondentes. Isso significa que é possível fazer o seu
corpo e o seu cérebro passarem por experiências físicas sem ter as
experiências. O objeto em que se foca a atenção e se ensaia mentalmente
vezes sem conta vai determinar o que seremos de um ponto de vista
biológico; mais, vai determinar o seu futuro.
Eis um bom exemplo. Uma equipa de investigadores de Harvard pegou
num grupo de voluntários que nunca tinha tocado piano antes e dividiu-o ao
meio. Metade do grupo treinou um exercício simples de piano com cinco
dedos, duas horas por dia, durante cinco dias. A outra metade do grupo fez
a mesma coisa, mas só imaginando que estavam sentados ao piano – sem
mover fisicamente os dedos. Os exames ao cérebro antes e depois da
experiência mostraram que ambos os grupos tinham criado um número
substancial de novos circuitos neuronais e de nova programação
neurológica na região do cérebro que controla o movimento dos dedos,
embora um dos grupos o tenha conseguido só através do pensamento.6
Reflita sobre isto: as pessoas que ensaiaram mentalmente a ação de estar
ao piano, tinham no cérebro os sinais de que a experiência já tinha
acontecido – embora nunca tivessem levantado um dedo. Se os pusesse em
frente a um piano após cinco dias de ensaio mental, muitos seriam capazes
de tocar o exercício que imaginaram, embora nunca tivessem sequer posto
as mãos num teclado. Ao imaginar mentalmente a atividade todos os dias,
instalaram a maquinaria neurológica em preparação para a experiência.
Ativaram e ligaram repetidamente esses circuitos mentais com a sua
atenção e a sua intenção e, com o passar do tempo, a estrutura tornou-se
num programa autónomo nos seus cérebros, e passou a ser mais fácil de
fazer da próxima vez. Se começassem a tocar após cinco dias de treino
mental, os seus comportamentos rapidamente se alinhariam com as suas
intenções conscientes, porque tinham estimulado o cérebro para a
experiência antes de ela acontecer. Este é o poder da mente, desde que
tenha sido treinada.
Outros estudos semelhantes mostram os mesmos resultados com o
treino muscular. Num estudo pioneiro na Cleveland Clinic, dez indivíduos,
entre os vinte e os trinta e cinco anos, imaginaram fletir um dos bíceps com
toda a força em cinco sessões semanais, ao longo de doze semanas. Semana
sim, semana não, os investigadores registavam a atividade elétrica cerebral
de cada um deles, durante as suas sessões, e mediam a força dos seus
músculos. No fim do estudo, os participantes tinham aumentado a força dos
bíceps em 13,5 por cento, embora não tivessem usado sequer esses
músculos. Conseguiram manter este benefício durante três meses, depois de
pararem as sessões de treino.7
Mais recentemente, uma equipa de investigadores, composta por
cientistas da Universidade do Texas de San Antonio, da Cleveland Clinic e
do Centro de Investigação da Fundação Kessler, em West Orange (Nova
Jérsia), pediram aos mesmos indivíduos que se imaginassem a contrair os
músculos flexores dos cotovelos. Foram instruídos a instar os músculos a
fletir com a maior força possível – acrescentando uma firme intenção à sua
energia mental –, ao longo de sessões de quinze minutos, cinco dias por
semana, durante doze semanas. Um primeiro grupo foi instruído a usar
aquilo a que se chama imaginário externo ou na terceira pessoa:
imaginarem-se a executar o exercício enquanto se observavam a eles
mesmos numa cena, criada nas suas cabeças, separada da experiência
(como ver um filme deles mesmos). A um segundo grupo, disseram para
usar a imaginação na primeira pessoa, para imaginarem o corpo, tal como
existia no momento, estava a fazer o exercício, tornando-o assim mais
imediato e realista.
Um terceiro grupo, de controlo, não treinou. O grupo com o imaginário
externo (bem como o grupo de controlo) não mostrou mudanças
significativas, mas o grupo com o imaginário interno mostrou um aumento
de 10,5 por cento na sua força.8
Outra equipa de investigadores da Universidade do Ohio chegou ao
ponto de engessar os pulsos de 29 participantes durante um mês, para
garantir que não iriam mover os pulsos, nem de forma involuntária. Metade
do grupo fez exercícios imaginários durante onze minutos por dia, cinco
dias por semana, imaginando-se a fletir os músculos do pulso, embora
estivessem totalmente imobilizados. A outra metade, de controlo, não fez
nada. No fim do mês, quando o gesso foi retirado, os músculos do grupo
dos exercícios imaginários tinham o dobro da força dos do grupo de
controlo.9
Cada um dos três estudos aos músculos mostra como o ensaio mental
transforma o cérebro e também o corpo, só através do pensamento. Por
outras palavras, ao treinar os comportamentos na sua mente e ao rever
conscientemente a atividade com regularidade, o corpo de cada participante
parecia ter estado a executar fisicamente essa atividade – e contudo não
tinham feito exercício nenhum. Aqueles que juntaram o componente
emocional de fazer o exercício com o máximo de intensidade no imaginário
mental conseguiram que a experiência fosse ainda mais real, e os resultados
mais acentuados.
No estudo do piano, o cérebro de cada um dos indivíduos analisados
dava sinais de que a experiência imaginada já tinha ocorrido, porque o
cérebro tinha sido preparado para esse futuro. Da mesma forma, os
indivíduos nos estudos de flexão dos músculos transformaram os seus
corpos para parecer que tinham passado previamente por essa realidade –
bastou-lhes ensaiar mentalmente a atividade apenas pelo pensamento. É
fácil de perceber por que motivo é que, ao acordar de manhã e ao começar a
pensar nas pessoas que tem de ver, nos sítios onde tem de ir e nas coisas que
tem de fazer no seu horário tão preenchido (esta é uma forma de ensaio
mental), e depois lhe acrescentar uma emoção intensa como o sofrimento
ou a infelicidade ou a frustração, tal como os voluntários dos músculos
flexores que instaram os seus músculos a fletir sem os mexerem, estará a
condicionar o seu cérebro e o seu corpo como se o futuro já tivesse
acontecido. Uma vez que a experiência enriquece o cérebro e produz uma
emoção que sinaliza o corpo, ao criar continuamente uma experiência
interior que é tão real como uma exterior, com o passar do tempo irá
transformar o cérebro e o corpo – tal como aconteceria com qualquer
experiência real.
Na verdade, ao acordar e ao começar a pensar sobre o seu dia, será
como se o dia já lhe tivesse acontecido, em termos neurológicos,
biológicos, químicos, e até genéticos (vou explicar-lhe como, na próxima
secção). Porque foi mesmo isso que aconteceu. A partir do momento em
que começar as atividades do dia, tal como nas experiências acima
mencionadas, o seu corpo vai estar, natural e automaticamente, a
corresponder às suas intenções conscientes ou inconscientes. Se anda a
fazer estas coisas há muitos anos, estes circuitos – bem como o resto da sua
biologia – ativam-se mais rapidamente e com menos resistência. Isso
acontece porque não só está a ativar a sua biologia todos os dias com a sua
mente, como também está a recriar os mesmos comportamentos físicos para
reforçar essas experiências mais ainda no seu cérebro e no seu corpo. E
torna-se mesmo mais fácil passar para a inconsciência todos os dias, porque
está sempre a reforçar mental e fisicamente os mesmos hábitos – está a criar
o hábito de agir por hábito.
Fazer alterações genéticas
Costumávamos pensar que os genes criam doenças e que nós estamos à
mercê do nosso ADN. Portanto, se na família de uma pessoa morria muita
gente de doenças cardíacas, presumíamos que as probabilidades de essa
pessoa também desenvolver problemas cardíacos eram muito elevadas. Mas
agora sabemos, graças à ciência da epigenética, que não são os genes que
criam as doenças; é o ambiente que programa os nossos genes a gerar
doenças – e não é só o ambiente exterior fora do nosso corpo (o fumo de
cigarros ou pesticidas, por exemplo), mas também o ambiente interior,
dentro do nosso corpo; o ambiente junto às nossas células.
Que quero eu dizer por ambiente dentro do nosso corpo? Como disse
antes, as emoções são um feedback químico, os produtos finais de
experiências que temos no nosso ambiente exterior. Portanto, quando
reagimos a uma situação no nosso ambiente exterior que produz uma
emoção, a química interior resultante pode sinalizar os nossos genes para se
ativarem (regulação ascendente, ou produzir uma expressão aumentada do
gene) ou para se desligarem (regulação descendente, ou produzir uma
expressão reduzida do gene). O próprio gene não se altera fisicamente – a
expressão do gene é que se modifica, e essa expressão é o mais importante,
porque é o que afeta a nossa saúde e as nossas vidas. Assim, mesmo que
alguém tenha uma predisposição genética para uma determinada doença, se
os seus genes continuarem a expressar saúde em vez de expressar a doença,
não irá desenvolver o problema e manter-se-á saudável.
Pense no corpo como um instrumento muito bem afinado para a
produção de proteínas. Cada uma das nossas células (com exceção dos
glóbulos vermelhos do sangue) produz proteínas, que são responsáveis pela
estrutura física do corpo e pelo seu funcionamento fisiológico. Por
exemplo, as células musculares produzem proteínas específicas, chamadas
actina e miosina, as células da pele produzem as proteínas colagénio e
elastina. As células imunitárias produzem anticorpos, as da tiroide
produzem tiroxina, e as da medula óssea produzem hemoglobina. Algumas
das nossas células dos olhos produzem queratina, enquanto as nossas
células pancreáticas são responsáveis por produzir enzimas como protéase,
lípase e amílase. Não há um órgão nem um sistema no corpo que não
dependa das proteínas ou que não as produza. São uma parte vital do nosso
sistema imunitário, da digestão, da reparação celular e da estrutura dos
ossos e dos músculos – diga qualquer parte do corpo, e lá estão elas. Pode-
se bem dizer que a expressão das proteínas é a expressão da vida, e que
equivale à saúde do corpo.
Para que uma célula produza uma proteína, é necessário expressar um
gene. É essa a função dos genes, facilitar a produção de proteínas. Quando
o sinal do ambiente ao redor da célula chega à membrana, o químico é
aceite por um recetor exterior à célula e dirige-se ao ADN dentro dela.
Então, um gene produz uma nova proteína igual a esse sinal. Logo, se a
informação vinda do exterior da célula não se alterar, o gene continuará a
produzir a mesma informação e o corpo manter-se-á na mesma. Com o
passar do tempo, o gene começará uma regulação descendente; ou irá
desligar a sua expressão saudável de proteínas ou irá, mais cedo ou mais
tarde, esgotar-se, como fazer uma cópia de uma cópia de uma cópia,
fazendo com que o corpo expresse uma qualidade diferente de proteínas.
Os genes são regulados de forma ascendente ou descendente, segundo
diversas tipologias de estímulos. Ativamos os genes dependentes de
experiências, por exemplo, ao fazer coisas novas ou ao descobrir nova
informação. Estes genes são responsáveis por dar às células estaminais
instruções para se diferenciarem, transformando-se no tipo de célula de que
o corpo necessita naquele momento particular para substituir células
danificadas. Ativamos genes comportamentais dependentes quando estamos
em elevados níveis de stress ou excitação, ou em estados alternativos de
consciência (a sonhar, por exemplo). Pode pensar nestes genes como o
fulcro da ligação mente-corpo, porque unem os nossos pensamentos e os
nossos corpos, permitindo-nos influenciar a nossa saúde física através de
vários comportamentos (meditação, oração ou rituais sociais, por exemplo).
Os genes podem ser alterados desta forma, por vezes no espaço de minutos,
e esses genes alterados podem depois ser passados à geração seguinte.
Ao alterar as suas emoções, está então a alterar a expressão dos seus
genes (ativando alguns, desativando outros), porque está a enviar um novo
sinal químico ao seu ADN, que poderá então instruir os seus genes a
produzir proteínas diferentes – regulação ascendente ou descendente para
produzir todo o género de peças novas que poderão mudar a estrutura ou o
funcionamento do seu corpo. Por exemplo, se o seu sistema imunitário foi
sujeito a viver sob as emoções do stress durante tempo demais, e se tiver
certos genes ativados para a inflamação e para a doença, pode ativar novos
genes para o crescimento e para a restauração e desligar os velhos genes
responsáveis pela doença. E, ao mesmo tempo, esses genes
epigeneticamente alterados começarão a seguir novas instruções,
produzindo novas proteínas e programando o corpo para o crescimento e
para a cura. É assim que pode recondicionar o seu corpo a uma nova mente.
Como leu no início deste capítulo, isso significa que, se estiver a viver
segundo as mesmas emoções todos os dias, o seu corpo irá levá-lo a
acreditar que está nas mesmas condições ambientais. Esses sentimentos
influenciam-no então a fazer as mesmas escolhas, levando-o a exteriorizar
os mesmos hábitos e depois a criar as mesmas experiências, que voltam a
produzir novamente as mesmas emoções. Graças a estes hábitos
automáticos e programados, as suas células estão permanentemente a ser
expostas ao mesmo ambiente químico (fora do seu corpo no ambiente, e
dentro do seu corpo ao redor das células). Essa química está constantemente
a sinalizar da mesma maneira aos seus genes – e deixa-o sempre no mesmo
sítio, porque ao ficar igual, a sua expressão genética também não se altera.
E agora está a caminho de um destino genético por não ter nova informação
vinda do ambiente.
Mas o que acontece se as circunstâncias da sua vida se alterarem para
melhor? Não devia isso também alterar o ambiente químico à sua volta?
Sim, acontece, mas nem sempre. Se passou anos a condicionar o corpo a
esta forma de pensar e de sentir, e depois a sentir e a pensar, sem se
aperceber disso esteve a condicionar o corpo a viciar-se nestas emoções.
Portanto, para quebrar esse vício não basta mudar o ambiente exterior
através de, por exemplo, um novo emprego – tal como ganhar a lotaria ou ir
viver para o Havai não seria suficiente para curar um toxicodependente.
Devido ao círculo vicioso pensar-sentir, mais tarde ou mais cedo – quando
se esgotasse o efeito da novidade – a maioria das pessoas regressaria ao seu
estado emocional básico, e o corpo acreditaria estar na mesma experiência,
que iria criar as emoções do costume.
Se era infeliz no seu antigo emprego mas conseguiu arranjar um
emprego novo, poderá ser feliz por umas semanas ou até por uns meses.
Mas, se tiver passado anos a condicionar o seu corpo a estar viciado na
tristeza, irá mais cedo ou mais tarde regressar a essa velha emoção, porque
o seu corpo vai sentir falta do seu efeito químico. E, como essa química
interior não se alterou, não pode mudar a expressão dos seus genes para
produzir novas proteínas, de forma a melhorar a estrutura ou o
funcionamento do seu corpo, ou seja, não haverá mudanças na sua saúde
nem na sua vida. Por isso é que eu digo que é preciso pensar para lá do que
sente para fazer transformações reais e duradouras.
No inverno de 2016, no nosso seminário avançado em Tacoma, no
estado de Washington, eu e a minha equipa realizámos um estudo acerca do
efeito das emoções elevadas sobre a função imunitária, recolhendo amostras
de saliva de 117 indivíduos no início do seminário e depois novamente
quatro dias mais tarde, no final. Medimos a imunoglobulina A (IgA), uma
proteína que serve de marcador para a força do sistema imunitário.
A IgA é um químico incrivelmente poderoso, uma das proteínas
primárias responsáveis por uma função imunitária saudável e pelo sistema
de defesa interno. Está constantemente a combater uma torrente de
bactérias, vírus, fungos e outros organismos que invadem ou já vivem no
ambiente interior do corpo. É tão poderosa que é melhor que qualquer
vacina contra a gripe ou qualquer reforço do sistema imunitário que pudesse
tomar; quando é ativada, torna-se no sistema de defesa interno primário do
corpo humano. Quando os níveis de stress (e, portanto, os níveis de
hormonas de stress como o cortisol) aumentam, reduzem-se os níveis de
IgA, pondo em causa, numa regulação descendente, a expressão pelo
sistema imunitário do gene que fabrica esta proteína.
Durante o nosso seminário de quatro dias, pedimos aos participantes do
nosso estudo para passarem para um estado emocional elevado, como o
amor, a alegria, a inspiração ou a gratidão, durante nove a dez minutos, três
vezes por dia. Se pudéssemos elevar as nossas emoções, interrogámo-nos,
seríamos capazes de reforçar o nosso sistema imunitário? Por outras
palavras, poderiam os nossos estudantes fazer uma regulação ascendente
dos genes da IgA, bastando para isso modificar os seus estados emocionais?
Os resultados espantaram-nos. Os níveis médios de IgA subiram 49,5
por cento. O intervalo normal para o IgA é 27 a 87 miligramas por decilitro
(mg/dl), mas algumas pessoas registavam mais de 100mg/dl ao fim do
nosso seminário10. Os nossos inquiridos revelaram mudanças significativas
e mensuráveis sem terem vivido nenhuma experiência significativa no seu
ambiente externo. Ao atingir estados de emoções elevadas, mesmo que
fosse apenas por alguns dias, os corpos deles começaram a acreditar estar
num novo ambiente, e foram assim capazes de sinalizar novos genes e de
mudar a sua expressão genética (neste caso, a expressão da proteína do
sistema imunitário.) (Observe a figura 2.4.)
Isto significa que pode não precisar de uma farmácia nem de nenhuma
substância exógena para se curar – tem o poder dentro de si para fazer a
regulação ascendente dos genes que produzem IgA em poucos dias. Basta
algo tão simples como passar para um estado elevado de alegria, amor,
inspiração ou gratidão, durante cinco a dez minutos por dia, para produzir
alterações epigenéticas significativas na sua saúde e no seu corpo.

FIGURA 2.4
Ao treinarmos a manutenção de emoções elevadas e ao
transformarmos a nossa energia, podemos literalmente fazer
uma regulação ascendente de novos genes que produzirão
novas proteínas saudáveis para reforçar o nosso sistema de
defesa interior. Ao reduzirmos as nossas emoções de
sobrevivência, e ao minimizarmos a necessidade de um
sistema de proteção externa, estamos a fazer a regulação
descendente de genes para a produção de hormonas do
stress. (Na figura, SigA significa imunoglobulina A salivar;
cortisol representa as hormonas de stress. Ambos foram
verificados na saliva.)
A energia flui para onde for a atenção
Visto que a sua energia vai para onde for a sua atenção, quando acorda
de manhã e imediatamente dedica atenção e energia às pessoas que vai ter
de encontrar nesse dia, aos sítios onde tem de ir, aos objetos que possui e às
coisas que tem para fazer no mundo tridimensional, a sua energia torna-se
fraturada. Toda a sua energia criativa está a fluir, como a figura 2.5 ilustra,
para longe de si, para todas as coisas no mundo exterior que competem pela
sua atenção – o seu telemóvel, o seu computador portátil, a sua conta
bancária, a sua casa, o seu emprego, os seus colegas, o seu cônjuge, os seus
filhos, os seus inimigos, os seus animais de estimação, os seus problemas de
saúde, e por aí fora. Olhe rapidamente para a figura 2.5. É óbvio que a
atenção e a energia da maioria das pessoas se dirigem para o mundo
material exterior. Impõe-se a pergunta: quanta energia lhe sobra no seu
mundo interior de pensamentos e sentimentos para criar uma nova
realidade?
Considere, por um instante, que cada uma das pessoas ou coisas a que
presta tanta atenção é um dado conhecido da sua vida, porque já o viveu.
Como mencionei no início deste capítulo, tem uma rede neurológica no seu
cérebro para cada uma destas coisas. Visto que estas redes estão desenhadas
no seu cérebro, sente-as e vive-as a partir do seu passado. E quando mais as
viver, mais automáticos e enriquecidos serão os circuitos neuronais para
cada uma delas, porque a redundância das várias experiências continua a
acumular e a refinar cada vez mais circuitos. É isso que faz a experiência:
enriquece o cérebro. Ou seja, tem uma rede neurológica para o seu patrão,
uma rede neurológica para o seu parceiro, uma rede neurológica para os
seus filhos, uma rede neurológica para a sua situação financeira, uma rede
neurológica para a sua casa, e redes neurológicas para todas as suas posses
no mundo físico, porque já viveu todas estas coisas ou objetos em várias
ocasiões ou locais.
Quando a sua atenção, e portanto a sua energia, se divide entre objetos,
pessoas, problemas e questões do mundo exterior, não lhe resta mais para
dedicar ao seu mundo interior de pensamentos e sentimentos. Não há,
portanto, energia para usar na criação de algo de novo. Porquê? Porque a
forma como pensa e se sente cria literalmente a sua realidade pessoal. É por
isso que, se o que pensa e sente é igual a tudo o que sabe (isto é, ao
conhecido), está a reafirmar a mesma vida. Aliás, podemos dizer que a sua
personalidade já não está a criar a sua realidade pessoal; agora, a sua
realidade pessoal é que cria a sua personalidade. O seu ambiente exterior
controla os seus pensamentos e sentimentos. Há uma equivalência biológica
entre o seu mundo interior de pensamentos e sentimentos e a realidade
passado-presente do seu mundo exterior, feita de pessoas e objetos em
certas alturas e certos sítios. Está constantemente a manter a sua vida na
mesma, porque mantém igual a sua atenção (pensamentos) e a sua energia
(sentimentos).
Finalmente, tendo em conta que a forma como pensa e como se sente
transmite uma assinatura eletromagnética que influencia todas as áreas da
sua vida, nesta situação está a transmitir a mesma energia eletromagnética e
a sua vida nunca muda. Podemos dizer que a sua energia é igual a tudo na
sua realidade passado-presente – e que está a recriar o passado. Essa não é
contudo a única limitação em jogo. Quando dedica toda a sua atenção e
toda a sua energia ao mundo exterior e está constantemente a reagir às
mesmas condições da mesma forma – num estado de stress crónico, que faz
com que o cérebro se encontre permanentemente em excitação – o seu
mundo interior torna-se desequilibrado e o seu cérebro começa a funcionar
com pouca eficiência. E assim vai-se tornando menos eficaz a criar seja o
que for. Por outras palavras, torna-se numa vítima, e não num criador, da
sua vida.
FIGURA 2.5
Cada pessoa, objeto, coisa, lugar ou situação na realidade
física que nos é familiar tem atribuída uma rede neurológica no
cérebro, e um componente emocional associado, porque
estamos a vivenciar tudo isto. É assim que a nossa energia se
associa à nossa realidade de passado-presente. Deste modo,
ao dedicar a sua atenção a todos estes elementos, a sua
energia flui para longe de si, e resta-lhe pouca no seu mundo
interior de pensamentos e sentimentos para criar algo de novo
na sua vida.
Se olhar para as partes aumentadas da figura onde as duas
ovais se cruzam, está aí representada a forma como utilizamos
vários elementos do nosso mundo exterior para reafirmar a
nossa dependência emocional. Pode usar os seus amigos para
reafirmar a sua dependência do sofrimento, pode usar os seus
inimigos para reafirmar a sua dependência do ódio. É caso
para perguntar: quanta da sua energia criativa poderia estar a
usar para conceber um novo destino?
Viver segundo as hormonas do stress
Vamos agora olhar mais de perto para como acabamos viciados nas
nossas emoções negativas – ou, mais exatamente, naquilo a que chamamos
hormonas do stress. Assim que reagimos a qualquer condição no nosso
mundo exterior que tenda a ser ameaçadora, quer a ameaça seja real ou
imaginada, o nosso corpo liberta hormonas de stress para mobilizar
enormes quantidades de energia em resposta a essa ameaça. Quando isso
ocorre, o corpo perde o equilíbrio – é exatamente essa a definição de stress.
Trata-se de uma reação natural e saudável porque, na antiguidade, o cocktail
químico da adrenalina, do cortisol e de hormonas semelhantes era libertado
ao surgir algum perigo no mundo exterior. Talvez um predador nos
perseguisse, por exemplo, e tivéssemos de tomar a decisão de lutar, fugir ou
ir em busca de um esconderijo.
No modo de sobrevivência, tornamo-nos automaticamente materialistas,
definindo a realidade com os nossos sentidos: pelo que conseguimos ver,
ouvir, cheirar, sentir, provar. Também reduzimos o nosso foco para dedicar
toda a nossa atenção à matéria – isto é, aos nossos corpos, a existir num
espaço e num tempo específicos. As hormonas do stress fazem-nos dedicar
toda a nossa atenção ao mundo exterior porque é aí que o perigo espreita. É
natural que, no tempo dos nossos antepassados, esta resposta fosse boa.
Adaptava-se às circunstâncias. Mantinha-nos vivos. Assim que focávamos a
nossa atenção na causa, depois de o perigo passar os níveis dessas
hormonas do stress voltavam ao equilíbrio.
Mas, nos tempos modernos, já não é assim que se passa. Basta um
telefonema ou um e-mail do nosso patrão ou de um familiar, que suscite
uma forte reação emocional, tal como a fúria, a frustração, o medo, a
ansiedade, a tristeza, a culpa, o sofrimento ou a vergonha, e ativamos o
sistema nervoso primitivo de lutar ou fugir, o que nos leva a reagir como se
estivéssemos a ser perseguidos por um predador. A mesma química fica
automaticamente ativada porque a ameaça do exterior parece nunca
desaparecer. A verdade é que muita gente passa a maior parte do tempo
nesse estado de excitação acrescida. Torna-se crónico. É como se o
predador não estivesse no mato, aparecendo de vez em quando para mostrar
os dentes, mas em vez disso vivesse na mesma caverna – um colega de
trabalho tóxico cuja secretária fica mesmo ao lado da nossa, por exemplo.
Esta resposta ao stress crónico não é adaptativa; é inapropriada. Quando
vivemos em modo de sobrevivência e essas hormonas do stress como a
adrenalina e o cortisol continuam a correr pelo corpo, ficamos num elevado
estado de alerta em vez de regressar ao equilíbrio. Tal como no testemunho
de Anna, no capítulo 1, quando este desequilíbrio se mantém a longo prazo,
é provável que conduza à doença, porque o stress de longo prazo regula no
sentido descendente a expressão saudável dos genes. Aliás, os nossos
corpos ficam tão condicionados a esperar por este jorro de químicos que se
viciam nele. Os nossos corpos ficam até a desejá-lo.
Neste modo, os nossos cérebros tornam-se excessivamente atentos e
excitados, tentando prever, controlar e forçar resultados, num esforço de
aumentar as nossas hipóteses de sobrevivência. Quanto mais isto acontecer,
mais forte será a dependência, e mais iremos acreditar que somos os nossos
corpos ligados às nossas identidades e ao nosso ambiente, a viver num
tempo linear – porque é aí que toda a nossa atenção se concentra.
Quando o seu cérebro está excitado e se encontrar em modo de
sobrevivência, e tiver de estar sempre a transferir a sua atenção para o
emprego, para as notícias, para o ex-cônjuge, para os amigos, para os e-
mails, para o Facebook e para o Twitter, está a ativar cada uma destas redes
neurológicas muito depressa. (Volte a olhar para a figura 2.5) Se continuar a
fazer isto durante muito tempo, os hábitos de concentrar o seu foco e
transferir a sua atenção dividem-lhe o cérebro, e ele deixa de trabalhar de
uma forma equilibrada. E quando isso acontece, está a treinar o seu cérebro
a ativar-se segundo um padrão desordenado e incoerente, que faz com que
funcione com muita ineficácia. Tal como as nuvens a anunciarem uma
trovoada, as várias redes neuronais ativam-se fora de ordem, e o seu cérebro
trabalha fora de sincronia. O efeito é semelhante ao de um grupo de
bateristas todos a bater nos seus tambores ao mesmo tempo, mas
separadamente e sem nenhum ritmo. Falaremos muito mais sobre os
conceitos de coerência e incoerência. Se o seu cérebro não está a trabalhar
ao máximo, você também não está a trabalhar ao máximo.
Para cada pessoa, coisa ou lugar do mundo exterior que tenha passado
pela sua vida e que é um dado conhecido, tem uma emoção associada,
porque as emoções – energia em movimento – são o resíduo químico da
experiência. Se na maior parte do tempo estiver a viver segundo essas
hormonas do stress viciantes, poderá recorrer ao seu patrão para reafirmar a
sua dependência da avaliação. Poderá recorrer aos seus colegas para
reafirmar a sua dependência da competição. Poderá recorrer aos seus
amigos para reafirmar a sua dependência do sofrimento. Poderá recorrer aos
seus inimigos para reafirmar a sua dependência do ódio, aos seus pais para
reafirmar a sua dependência da culpa, à sua página no Facebook para
reafirmar a sua dependência da insegurança, às notícias para reafirmar a sua
dependência dos ressentimentos, e à sua relação com o dinheiro para
reafirmar a sua dependência do vazio.
Isto significa que as suas emoções – a sua energia – estão entrelaçadas,
até mesmo unidas, com todas as pessoas, todos os locais ou todas as coisas
que viveu na sua realidade familiar conhecida. E isso significa que não há
energia disponível para criar um novo emprego, uma nova relação, uma
nova situação financeira, uma nova vida, ou até um corpo renovado e
curado. Por outras palavras: se a forma como pensa e como se sente
determina a frequência e a informação que emite no seu campo energético,
o que tem um efeito significativo na sua vida, e se toda a atenção (e,
portanto, toda a sua energia) está presa ao seu mundo exterior de pessoas,
objetos, coisas, locais, e tempos, não resta energia no seu mundo interior de
pensamentos e sentimentos. Portanto, quanto mais forte a emoção em que
estiver viciado, mais atenção irá dedicar à pessoa, ao objeto, ao local ou à
circunstância no seu mundo exterior – desperdiçando a maior parte da sua
energia criativa, fazendo com que se sinta e pense como o que lhe é
conhecido. Torna-se difícil pensar ou sentir de novas maneiras quando está
viciado no seu mundo exterior. E é possível que se torne viciado em todas
as pessoas e objetos na sua vida que lhe causam os problemas. É assim que
perde o seu poder, que desbarata a sua energia. Se observar a figura 2.5, irá
encontrar alguns exemplos que ilustram como criamos ligações energéticas
a todos os elementos no nosso mundo exterior.
Observe a figura 2.6. Do lado esquerdo do diagrama, veem-se dois
átomos ligados por um campo energético invisível. Estão a partilhar
informação. O que os liga é energia. Do lado direito do diagrama, veem-se
duas pessoas a partilhar uma experiência de ressentimento, e que estão
igualmente ligadas por um campo energético invisível, que as mantém
energeticamente ligadas. Na realidade, estão a partilhar a mesma energia, e
portanto a mesma informação.

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FIGURA 2.6
Tal como dois átomos que se unem para formar uma
molécula – partilhando energia e informação –, duas pessoas
que partilhem as mesmas emoções e a mesma energia, e que
comuniquem os mesmos pensamentos e a mesma informação,
acabam ligadas. Em ambos os casos, a ligação consiste num
campo energético invisível que as une. Tal como é preciso
energia para separar estes dois átomos, também será preciso
energia para desviarmos a nossa atenção das pessoas e das
condições na nossa vida com as quais gastamos tanta energia
criativa.
Para separar os dois átomos, é necessário energia. Da mesma forma, se
a sua atenção e a sua energia estiverem vinculadas às mesmas pessoas, aos
mesmos sítios, e às mesmas coisas no mundo exterior físico, é fácil concluir
que será preciso energia e esforço para quebrar esses elos quando se está em
meditação. Impõe-se uma pergunta: quanta da sua energia criativa é que
está empatada em culpa, ódio, ressentimento, incapacidade ou medo? A
verdade é que podia estar a usar toda essa energia para recriar um novo
destino.
Para o fazer, terá de ultrapassar todas essas coisas no seu mundo
exterior, desviando a sua atenção delas. É por isso que recorremos à
meditação como o modelo para alterar o nosso estado interior. Isto permite-
nos romper com as nossas associações com todos os corpos, todos os
indivíduos, todas as coisas, todos os locais e todos os tempos durante um
período que nos permite fazer a viagem interior. Assim que ultrapassar o
seu corpo emocional e desviar a sua atenção de tudo o que conhece no seu
mundo exterior, voltará a chamar a sua energia a si, rompendo os laços com
a sua realidade do passado-presente (que se mantinha idêntica). Terá de
fazer a transição de uma identidade física para não ter corpo – ou seja,
desviar a atenção do seu corpo, da sua dor e da sua fome. Terá de deixar de
ser alguém para não ser ninguém (desviando as atenções da sua identidade
como parceiro, como pai, como trabalhador). Terá de deixar de prestar
atenção às mesmas coisas e passar a dedicá-la a nada (esquecendo o seu
telemóvel, os seus e-mails, o seu café), e deixar de estar em algum sítio para
passar a estar em sítio nenhum (ultrapassar quaisquer pensamentos sobre a
cadeira em que está sentado a meditar ou sobre onde tem de ir ao fim do
dia), terá de abandonar o tempo linear e deixar de existir no tempo (sem
memórias que o distraiam nem pensamentos sobre o futuro).
Não quero com isto dizer que o seu telemóvel ou o seu computador
portátil ou a sua conta bancária ou o seu carro sejam coisas más; no entanto,
quando se desenvolve uma ligação excessiva a estas coisas, e elas prendem
a sua atenção a tal ponto que não consegue deixar de pensar nelas (devido
às fortes emoções que lhes associa), esses bens são donos de si. E assim não
consegue criar nada de novo. A única forma de o fazer é aprender a
recuperar essa energia fraturada, de modo a superar as emoções da
sobrevivência em que se viciou, e que mantêm toda a sua energia vinculada
à realidade do passado-presente. Assim que desviar a sua atenção de todos
esses elementos exteriores, começarão a enfraquecer os seus laços
energéticos e emocionais a essas coisas, e finalmente começará a
disponibilizar energia para criar um novo futuro. Para isso vai ter de se
aperceber dos objetos a que esteve inconscientemente a dedicar atenção, e –
tal como separar dois átomos – vai também ser necessário alguma energia
para quebrar conscientemente esses laços.
Durante os seminários, frequentemente várias pessoas vêm ter comigo
para me dizer que o disco rígido do computador falhou ou que alguém lhes
roubou o carro ou que perderam o emprego e não têm mais dinheiro.
Quando me contam que perderam pessoas ou coisas na sua vida, sabem o
que lhes digo sempre? “Ótimo! Olhe só quanta energia disponível tem
agora para conceber um novo destino!” Já agora, se fizer este trabalho como
deve ser e conseguir recuperar a sua energia, provavelmente vai sentir-se
desconfortável de início, talvez até um pouco caótico. Prepare-se, porque
certas áreas da sua vida poderão desmoronar-se. Mas não se preocupe. É
mesmo assim, porque está a romper os laços energéticos que o ligam à sua
realidade passada. Tudo o que já não esteja numa vibração sintonizada entre
si e o seu futuro vai esvair-se. Deixe que seja assim. Não vale a pena querer
voltar a montar a sua vida antiga, porque estará muito ocupado com o novo
destino que está a chamar para si próprio.
Eis um belo exemplo. Um amigo meu, que exercia o cargo de vice-
presidente de uma universidade, apareceu numa reunião do conselho de
administração três semanas depois de começar a fazer este trabalho de
meditação. Ele era a espinha dorsal daquela universidade. Estudantes e
professores adoravam-no. Entrou na reunião do conselho de administração
– e despediram-no. Por isso, ele ligou-me e disse: “Olha, não sei se este
processo da meditação está a resultar. O conselho de administração acaba
de me despedir. Não deviam acontecer só coisas boas ao fazer este
trabalho?”
“Ouve”, disse-lhe. “Não te agarres a emoções de sobrevivência, porque
então vais estar no passado. Em vez disso, continua a descobrir o momento
presente e a criar a partir desse lugar.” Menos de duas semanas depois,
apaixonou-se por uma mulher com quem viria a casar-se. Também não
tardou muito a receber um convite para um emprego ainda melhor, como
vice-presidente de uma universidade muito conceituada, que ele aceitou
com satisfação.
Um ano mais tarde, voltou a ligar-me para me dizer que a universidade
que o despedira estava agora a convidá-lo para regressar como presidente.
Ou seja, nunca se sabe o que o universo tem preparado para nós até a nossa
velha realidade se esfumar, e a nova começar a desenrolar-se. A única coisa
que lhe posso garantir é esta: o desconhecido nunca me desiludiu.
Recuperar a sua energia
Se pretende desligar-se do mundo exterior, tem de aprender a
transformar as suas ondas cerebrais. Vamos então falar de frequências de
ondas cerebrais por uns momentos. Na maior parte do tempo em que está
acordado e consciente, encontra-se na banda beta de frequências de ondas
cerebrais. As ondas beta são medidas em frequências baixas, médias e altas.
As ondas beta baixas correspondem a um estado descontraído, no qual não
se apercebe de quaisquer ameaças do mundo exterior, mas continua ainda
ciente do seu corpo, no espaço e no tempo. É neste estado que se encontra
quando está a ler, ou a prestar atenção à sua filha numa conversa amistosa,
ou quando está a ouvir uma palestra. As ondas beta médias são um estado
de excitação ligeiramente maior, como numa situação em que se encontra
entre várias pessoas, apresenta-se a todas, e tem de se lembrar do nome de
toda a gente. Está mais vigilante, mas não sente um stress ostensivo, não
fica totalmente desequilibrado. Pense nas ondas beta médias como o bom
stress. As ondas beta altas correspondem ao estado que se verifica quando
está inundado pelas hormonas do stress. Estas são as ondas cerebrais que
apresenta ao exibir alguma das emoções de sobrevivência, entre as quais a
fúria, alarme, agitação, sofrimento, tristeza, ansiedade, frustração ou até
depressão. As ondas beta altas podem ser três vezes mais elevadas do que
as baixas e duas vezes mais elevadas que as médias.
Embora possa passar a maior parte do seu tempo em ondas cerebrais de
frequência beta, também pode experienciar ondas de frequência alfa ao
longo do dia. Exibe ondas cerebrais alfa quando está descontraído, calmo,
criativo, e até intuitivo – quando já não está a pensar nem a analisar, e em
vez disso está a sonhar acordado ou a imaginar, como num estado de transe.
Se as ondas cerebrais beta indicam que está a dedicar a maior parte da sua
atenção ao seu mundo exterior, as ondas alfa indicam que está a dedicar
mais atenção ao seu mundo interior.
As ondas cerebrais de frequência teta assumem o comando naquela fase
crepuscular em que a sua mente ainda está acordada, mas o seu corpo já
está a adormecer. Esta frequência está também associada a estados
profundos de meditação. As ondas de frequência delta aparecem
normalmente durante um sono profundo e restaurador. Contudo, ao longo
dos últimos quatro anos, a minha equipa de investigação e eu registámos
vários estudantes que conseguiram entrar em ondas cerebrais delta muito
profundas durante a meditação. Os seus corpos estão profundamente
adormecidos, mas as sondas cerebrais mostram que os cérebros estão a
processar amplitudes de energia muito elevadas. Em consequência, os
estudantes relatam experiências místicas profundas de unidade, de se
sentirem ligados a tudo e a todos no universo. Observe a figura 2.7 para
comparar os vários estados de ondas cerebrais.
As ondas de frequência gama indicam aquilo a que eu chamo um estado
superconsciente. Esta energia de alta frequência ocorre quando o cérebro é
excitado por um evento interno (um dos exemplos mais frequentes é
durante a meditação, quando tem os olhos fechados e está a viajar para
dentro de si) e não por um evento que ocorre fora do corpo. Falaremos mais
das ondas cerebrais gama em capítulos posteriores.
Um dos maiores desafios que se põem a quem medita é passar de ondas
beta altas (ou até médias) e chegar às frequências de ondas cerebrais alfa e
depois teta. É absolutamente vital fazê-lo, contudo, porque ao abrandar as
suas ondas cerebrais para estas outras frequências já não está a prestar
atenção ao mundo exterior e a todas as distrações em que estava tão
habituado a pensar sob stress. E visto que não está a analisar nem a
conceber estratégias, nem está a preparar-se para o pior no futuro com base
nas memórias tristes do passado, tem a oportunidade de se tornar presente,
de existir apenas no agora.
FIGURA 2.7
Uma comparação entre várias ondas cerebrais.
Não seria magnífico durante a meditação conseguir desligar-se de todas
as associações aos elementos do seu ambiente exterior, ir para lá do seu
corpo, dos seus medos e da sua rotina, e esquecer-se do seu passado
familiar e do seu futuro previsível? Se fizer tudo bem, irá até perder a noção
do tempo. Ao ultrapassar o seu raciocínio automático, as suas emoções e os
seus hábitos em meditação, é exatamente isso que acontece: irá para lá do
seu corpo, do seu ambiente, do seu tempo. Irá enfraquecer os laços
energéticos com a sua realidade do passado-presente, e encontrar-se-á no
momento presente. Só no momento presente é que pode recuperar a sua
energia.
Para isso é preciso algum esforço (embora se torne mais fácil com o
passar do tempo), porque estará a maior parte do tempo a viver segundo as
hormonas do stress. Vamos então olhar para o que se passa quando não está
no momento presente durante a meditação, para saber como lidar com o
problema quando ele surgir. Compreender esta técnica é fundamental,
porque se não conseguir ultrapassar os seus stresses, os seus problemas e a
sua dor, não conseguirá criar um novo futuro onde estas coisas não existem.
Digamos, então, que está sentado a fazer a sua meditação e que começa
a ter pensamentos desgarrados. Tem o hábito de pensar assim porque há
anos que pensa desta maneira e que dedica a sua atenção às mesmas
pessoas, coisas, lugares e tempos. E está automaticamente a acolher os
mesmos sentimentos que lhe são familiares todos os dias só para reafirmar a
mesma personalidade que está ligada à mesma realidade pessoal –
repetidamente condicionando o seu corpo para o passado. A única diferença
agora é que, visto que está a meditar, os seus olhos estão fechados.
Sentado de olhos fechados, não está fisicamente a ver o seu patrão. Mas
o seu corpo quer sentir essa fúria, porque sempre que vê o seu patrão – 50
vezes por dia, cinco dias por semana –, tem o hábito de sentir amargura ou
agressividade. Da mesma forma, quando recebe e-mails dele (coisa que
acontece, pelo menos, dez vezes por dia), sente inconscientemente a mesma
reação emocional, e por isso o seu corpo acostumou-se a precisar dele para
reafirmar a sua dependência da fúria. O seu corpo quer sentir as emoções
em que se viciou e, tal como um toxicodependente a ansiar por uma droga,
o corpo anseia pelos químicos que lhe são familiares. Quer sentir essa fúria
para com o patrão, porque não recebeu uma promoção ou porque quer
criticar o colega que precisa sempre que lhe faça o trabalho dele. Então
começa a pensar noutros colegas que o irritam e noutros motivos para estar
zangado com o seu patrão. Senta-se a tentar meditar, mas o seu corpo está a
pôr-lhe à frente todos os obstáculos imagináveis. Isso acontece por querer a
sua dose química de emoções familiares que normalmente sentiria ao longo
do dia com os olhos abertos.
Assim que notar o que está a acontecer – que está a dedicar toda a
atenção a essa emoção –, ficará ciente de estar a investir a sua energia no
passado (porque as emoções são registos do passado), e por isso vai parar e
regressar ao momento presente, e começar a desinvestir a sua atenção e a
sua energia do passado. Mas então, pouco depois, volta a sentir-se frustrado
e furioso e ressentido, e apercebe-se do que está a fazer. Recorda-se de que
o corpo está a tentar sentir essas emoções para reafirmar a sua dependência
desses químicos, e lembra-se de que essas emoções levam o seu cérebro
para ondas cerebrais beta altas – e detém-se. Sempre que parar, acalmar o
corpo, e regressar ao momento presente, estará a dizer ao seu corpo que já
não é ele a mente – você é que é a mente.
Mas então começam a pairar na sua mente pensamentos sobre as
pessoas que tem de ver e os sítios onde tem de ir e as coisas que tem de
fazer mais tarde. Fica a pensar se o seu patrão já respondeu àquele e-mail, e
lembra-se também de que ainda não telefonou à sua irmã. E hoje é dia de
levar o lixo; portanto, lembra-se de que tem de levar o lixo para a rua. E de
repente apercebe-se de que, ao prever estes cenários futuros, está a investir
a sua atenção e a sua energia na mesma realidade conhecida. Por isso
detém-se, regressa ao momento presente, e novamente desvia a sua energia
daquele futuro previsível, conhecido, e cria espaço para o desconhecido na
sua vida.
Observe a figura 2.8. Ela mostra que, assim que tiver encontrado o
ponto ideal do momento presente, a sua energia (representada pelas setas) já
não irá afastar-se de si para o passado e para o futuro, como acontecia na
figura 2.3. Agora está a desviar a sua energia daquele passado que lhe era
familiar e do futuro previsível. Já não está a ativar e a reforçar os mesmos
circuitos da mesma forma, e já não está a regular e a sinalizar os mesmos
genes da mesma forma, sentindo as mesmas emoções. Se persistir neste
processo, estará continuamente a recuperar essa energia, quebrando os laços
energéticos que o mantêm ligado à sua realidade do passado-presente. Isto
acontece porque está a desviar a sua atenção e a sua energia do mundo
exterior e a colocá-la, em vez disso, no seu mundo interior, e está a
construir o seu próprio campo eletromagnético à volta do seu corpo. Agora
tem energia disponível que pode usar para criar algo de novo.
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FIGURA 2.8
Ao desviar a sua atenção da realidade do passado-
presente ou da sua realidade do futuro previsível, está a
recuperar energia e a construir o seu próprio campo
eletromagnético. Agora tem energia disponível para se curar
ou para criar uma nova experiência na sua vida.
Não é de admirar que a sua atenção volte a andar à deriva. Ao manter-se
sentado a meditar, o seu corpo fica cada vez mais arreliado e impaciente,
porque quer fazer alguma coisa. Afinal de contas, programou-o todos os
dias para se levantar e cumprir a mesma rotina. Ele quer parar de meditar,
quer abrir os olhos e ver alguém. Quer ouvir alguma coisa na TV ou falar
com alguém ao telefone. Prefere saborear o pequeno-almoço em vez de
estar ali parado sem fazer nada. Gostaria de cheirar o café, como em todas
as manhãs. E adorava sentir alguma coisa, como um duche quente, antes de
começar o dia.
O corpo quer viver a realidade física com os seus sentidos para acolher
uma emoção, mas o seu objetivo é criar uma realidade de um mundo para lá
dos seus sentidos, que não seja definido pelo seu corpo como mente mas
por si como mente. Por isso, à medida que for ganhando consciência do
programa, tentará forçar o seu corpo a estar no momento presente. O corpo
voltará a tentar regressar ao passado que lhe é familiar, porque quer lidar
consigo num futuro previsível, mas terá de voltar a obrigá-lo a estar no
momento presente. Sempre que superar estes hábitos automáticos, a sua
vontade tornar-se-á maior que o seu programa. Sempre que forçar o corpo a
voltar ao momento presente, como se estivesse a ensinar um cão a sentar-se,
estará a recondicionar o seu corpo a uma nova mente. Sempre que ganhar
consciência do seu programa e trabalhar para o momento presente, estará a
declarar que a sua vontade é maior que o programa. Se continuar a
recuperar a sua atenção (e, portanto, a sua energia) para o momento
presente, e se continuar a notar quando está presente ou não, mais tarde ou
mais cedo o seu corpo vai render-se. É este processo de retorno contínuo ao
momento presente, de cada vez que se apercebe de o ter perdido, que
começa a cortar os laços energéticos com a realidade familiar conhecida.
Ao regressar ao momento presente, o que está a fazer, na prática, é ir para lá
da sua identidade do mundo físico e projetar-se no campo quântico (um
conceito que irei explicar pormenorizadamente no próximo capítulo).
A parte mais difícil de uma guerra é a última batalha. Ou seja, quando o
seu corpo age como a sua mente e o faz pensar que já não consegue avançar
mais, e o quer obrigar a parar e a regressar ao mundo dos sentidos, tem de
seguir em frente. Está a entrar no desconhecido – e, mais cedo ou mais
tarde, irá começar a romper com a dependência emocional dentro de si.
Quando ultrapassar a sua culpa, o seu sofrimento, o seu medo, a sua
frustração, o seu ressentimento ou a sua vergonha, libertará o seu corpo das
grilhetas de todos esses hábitos e emoções que o prendem ao passado – e,
consequentemente, estará a libertar energia que agora regressará a si. À
medida que o corpo vai soltando toda essa energia emocional acumulada, já
não se está a tornar na mente. Irá descobrir que mesmo ao lado do seu medo
está a coragem, mesmo ao lado da sua fraqueza está a integridade, e que
mesmo ao lado da sua dúvida está a certeza. Entrando no desconhecido e
prescindindo da fúria ou do ódio, irá descobrir o amor e a compaixão. É a
mesma energia; estava só armazenada no corpo, e agora está disponível
para ser usada na conceção de um novo destino.
Assim, ao aprender a superar-se a si mesmo – ou à memória de si e da
sua vida –, cortará os laços com todas as coisas, todas as pessoas, todos os
sítios, todos os momentos que o ligavam à sua realidade do passado-
presente. E quando finalmente ultrapassar a sua fúria ou a sua frustração e
libertar a energia que estava cativa no passado, recuperará essa energia para
si. Ao libertar toda essa energia criativa que estava presa nas emoções de
sobrevivência – dentro de si e à sua volta –, está a criar o seu campo de
energia pessoal à volta do seu corpo.
Nos nossos seminários avançados, chegámos mesmo a medir este efeito
de recuperar a energia. Temos peritos que utilizam um equipamento muito
sensível, uma máquina de visualização de descarga de gás (GDV, na sigla
em inglês) com um sensor especializado (chamado antena Sputnik)
concebido pelo Dr. Konstantin Korotkov. A máquina mede o campo
eletromagnético do ambiente nos espaços de conferência dos seminários,
para ver como é que a energia se altera à medida que o seminário continua.
Por vezes, no final de um primeiro dia de trabalho, de alguns dos nossos
seminários avançados, vemos a energia da sala a descer. Isso acontece
assim que começamos a meditar e alguns dos estudantes têm de se superar,
rompendo os laços energéticos com tudo e todos na sua realidade
conhecida; ao fazê-lo, estão a recuperar energia. Estão a atrair energia do
campo geral, e o campo na sala pode reduzir-se, à medida que os
participantes procuram construir o seu campo de energia individual à volta
dos seus corpos – e assim passar a ter energia disponível para conceber um
novo destino. Naturalmente, com todo o grupo a superar-se no primeiro dia,
cada um começa finalmente a construir o seu campo de luz; à medida que a
energia de cada um continua a expandir-se, todos os presentes começam a
contribuir para a energia da sala. O resultado é finalmente vermos a energia
da sala a crescer. Para ver como isto decorre, por vezes, procure pelos
gráficos 1A e 1B no extratexto a cores.
Uma forma de aumentar as suas probabilidades de uma meditação de
sucesso é dar-se tempo suficiente para evitar a distração de tentar fazer tudo
a correr. Quando medito, por exemplo, dou-me duas horas. Não tenho de
fazer sempre duas horas, mas conheço-me a ponto de saber que, se só tiver
uma hora, vou estar a pensar que o tempo não chega. Pelo contrário, com
duas horas posso descontrair-me, sabendo que tenho tempo de sobra para
descobrir o momento presente. Há dias em que descubro o ponto ideal do
momento presente relativamente depressa, e há outros dias em que tenho de
trabalhar uma hora até trazer o meu cérebro e o meu corpo de regresso ao
presente.
Sou um homem muito ocupado. Por vezes, depois de chegar a casa para
uma pausa de três dias entre seminários ou outros eventos, acordo de manhã
e penso imediatamente em três reuniões que tenho marcadas para esse dia
com vários membros da equipa, ensaio mentalmente o que vou ter de dizer.
Depois penso nos e-mails que tenho de escrever antes de ir a essas reuniões.
Depois penso no avião que vou ter de apanhar nessa tarde. Depois,
mentalmente tomo nota dos telefonemas que terei de fazer no táxi até ao
aeroporto. Já está a ver como é.
Enquanto isso acontece e eu estou a pensar nas mesmas pessoas que
tenho de ver, nos mesmos sítios onde tenho de ir, nas mesmas coisas que
tenho de fazer, tudo ao mesmo tempo na minha realidade familiar
conhecida, apercebo-me de estar a estimular o meu cérebro e o meu corpo
para presumir que o futuro já aconteceu. Tomo consciência de que a minha
atenção está virada para o futuro conhecido, deixo de antecipar o conhecido
e volto para o momento presente. Ao fazê-lo, começo a desativar e a
desfazer aquelas ligações neuronais. Posso então ficar um pouco
emocionado, impaciente e até frustrado por pensar em alguma coisa que
tenha acontecido no dia anterior. E uma vez que as emoções são um registo
do passado, e que a minha energia vai para onde for a minha atenção,
apercebo-me de estar a investir a minha energia no passado. Então as
hormonas do stress poderão excitar o meu cérebro, e o meu corpo fica
estimulado no sentido de ondas cerebrais beta altas, e tenho de me voltar a
acalmar para regressar ao momento presente. Ao fazê-lo, já não estou a
ativar e a construir os mesmos circuitos no meu cérebro, estou a desinvestir
a minha energia do passado.
E se tiver consciência dos mesmos pensamentos que estão ligados a
esses sentimentos que me são familiares, quando parar de me sentir assim já
não estarei a condicionar o meu corpo ao passado, e já não estarei a
sinalizar os mesmos genes da mesma forma. Se as emoções são o resultado
final de experiências no ambiente, e se é o ambiente que sinaliza o gene,
então, ao parar de sentir essas emoções já não estou a selecionar e a instruir
os mesmos genes da mesma maneira. Isso afeta a saúde do meu corpo e
também já não o estimula a estar no mesmo futuro, com base em viver no
passado. Ao habitar esses sentimentos que me são familiares, estou a
transformar o programa genético do meu corpo. Como as hormonas do
stress a longo prazo fazem uma regulação descendente dos genes saudáveis
e geram doenças, de cada vez que consigo parar, quando dou por mim a
sentir alguma das emoções relacionadas com o stress, deixo de condicionar
o meu corpo a manter-se dependente das emoções do stress.

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FIGURA 2.9
Quando se encontra no ponto ideal do momento presente
generoso, o seu passado familiar e o seu futuro previsível
deixam de existir, e agora poderá criar novas possibilidades
para a sua vida.
Se fizer tudo bem – se superar os meus pensamentos e emoções
habituais do meu passado e futuro conhecidos –, então energeticamente,
neurologicamente, biologicamente, quimicamente, hormonalmente e
geneticamente, esse futuro previsível (bem como o passado familiar que eu
usava para o afirmar) deixa de existir. Se já não estiver a ativar e a construir
as mesmas velhas redes neuronais (porque já não penso nas memórias de
pessoas ou coisas em certos momentos e em certos lugares), e continuar a
regressar ao momento presente, estou a recuperar energia. Observe a figura
2.9 e poderá ver como o passado familiar e o futuro previsível já não
existem.
Agora estou no ponto ideal do momento presente generoso, e tenho
energia disponível para criar. Construí o meu próprio campo energético à
volta do meu corpo. Sempre que fiz um esforço – por vezes ao longo de
horas – por me ultrapassar e chegar àquele lugar chamado o agora eterno,
concluí sempre a mesma coisa: Valeu mesmo a pena.
4 Também conhecida por Regra de Hebb ou Lei de Hebb; ver D. O.
Hebb, The Organization of Behavior: A Neuropsychological Theory (Nova
Iorque: John Wiley & Sons, 1949).
5 L. Song, G. Schwartz, e L. Russek, “Heart-Focused Attention and
Heart-Brain Synchronization: Energetic and Physiological Mechanisms”,
Alternative Therapies in Health and Medicine, vol. 4, n.o 5: pp. 44-52, pp.
54-60, p. 62 (1998); D. L. Childre, H. Martin, e D. Beech, The HeartMath
Solution: The Institute of HeartMath’s Revolutionary Program for
Engaging the Power of the Heart’s Intelligence (São Francisco:
HarperSanFrancisco, 1999), p. 33.
6 A. Pascual-Leone, D. Nguyet, L. G. Cohen, et al., “Modulation of
Muscle Responses Evoked by Transcranial Magnetic Stimulation During
the Acquisition of New Fine Motor Skills”, Journal of Neurophysiology,
vol. 74, n.o 3: pp. 1037-1045 (1995).
7 P. Cohen, “Mental Gymnastics Increase Bicep Strength”, New
Scientist, vol. 172, n.o 2318: p. 17 (2001),
http://www.newscientist.com/article/dn1591-mental-gymnastics-increase-
bicep-strength.html#.Ui03PLzk_Vk.
8 W. X. Yao, V. K. Ranganathan, D. Allexandre, et al., “Kinesthetic
Imagery Training of Forceful Muscle Contractions Increases Brain Signal
and Muscle Strength”, Frontiers in Human Neuroscience, vol. 7: p. 561
(2013).
9 B. C. Clark, N. Mahato, M. Nakazawa, et al., “The Power of the
Mind: The Cortex as a Critical Determinant of Muscle Strength/Weakness”,
Journal of Neurophysiology, vol. 112, n.o 12: pp. 3219-3226 (2014).
10 D. Church, A. Yang, J. Fannin, et al., “The Biological Dimensions of
Transcendent States: A Randomized Controlled Trial”, apresentado na
conferência francesa Energy Psychology Conference, Lyon, 18 de março de
2017.
CAPÍTULO 3

SINTONIZAR NOVOS
POTENCIAIS NO QUANTUM
Ultrapassar o nosso corpo, o nosso ambiente e o nosso tempo não é fácil
– mas vale a pena, porque assim que nos desligamos da realidade
tridimensional, entramos numa nova realidade a que se chama o quantum, o
plano das possibilidades infinitas. Descrever esta realidade é algo
complexo, porque é completamente diferente de tudo o que conhecemos do
universo físico. As regras da física newtoniana, o modo de funcionamento
do mundo em que estamos habituados a pensar, pura e simplesmente não se
aplicam.
O campo quântico (ou unificado) é um campo invisível de energia e
informação – pode-se dizer também um campo de inteligência ou de
consciência –, que existe para lá do tempo e do espaço. Não existe lá nada
de físico nem de material. Está para lá de tudo o que podemos captar com
os nossos sentidos. Este campo unificado de energia e informação governa
todas as leis da natureza. Os cientistas estão a tentar quantificar este
processo para o podermos compreender melhor, e cada vez descobrem
mais.
Com base no meu conhecimento e na minha experiência, creio que há
uma inteligência autónoma constituída por energia, que regula a ordem de
todos os universos e de todas as galáxias. Às vezes dizem-me que esta ideia
parece pouco científica. Respondo sempre com a mesma pergunta: o que se
passa depois de uma explosão – ordem ou desordem? A resposta é sempre
que o resultado é a desordem. A seguir pergunto: então, porque é que
depois do big-bang, a maior explosão de sempre, se criou tanta ordem?
Alguma inteligência deve estar a organizar a sua energia e a matéria, e a
unificar todas as forças da natureza para criar uma obra-prima destas. Essa
inteligência, essa energia, é o quantum, ou campo unificado.
Para lhe dar uma ideia de como funciona este campo, imagine que
decide tirar todas as pessoas e todos os corpos da Terra, todos os animais,
plantas e objetos físicos – tanto naturais como fabricados pelo homem –,
todos os continentes, todos os oceanos, e até a própria Terra. Imagine que a
seguir decide tirar todos os planetas e luas e estrelas do nosso sistema solar,
incluindo o nosso Sol. E depois, imagine tirar todos os outros sistemas
solares da nossa galáxia, e depois todas as galáxias no universo. Não há ar,
e não há sequer uma luz que possamos ver com os nossos olhos. Há apenas
a escuridão absoluta, o vazio, o campo de ponto zero. É importante recordar
isto porque, quando for uma consciência no momento presente a evoluir no
campo unificado, estará num espaço negro infinito – esvaziado de qualquer
elemento físico.
Agora, imagine que não só não vê nada nesse espaço negro infinito
como também, porque entrou nesse plano sem um corpo físico, não tem
visão, nem tem a capacidade de ouvir, sentir, cheirar ou provar. Neste plano
não tem sentidos. A única forma de existir no quantum é enquanto
consciência. Ou melhor, a única forma de viver este plano é com a sua
consciência – e não com os seus sentidos. Uma vez que a consciência é
prestar atenção e reparar em fenómenos, assim que estiver para lá do mundo
dos sentidos a sua consciência irá aceder a grandes níveis de frequência e de
informação.
Contudo, por estranho que possa parecer, o campo quântico não está
vazio. É um campo infinito repleto de frequências ou de energia. E todas as
frequências transportam informação. Portanto, pense no campo quântico
como estando repleto de quantidades infinitas de energia a vibrar para lá do
mundo físico da matéria, para lá dos nossos sentidos – ondas invisíveis de
energia que estão disponíveis para usarmos na criação. Que podemos ao
certo criar com toda essa energia a flutuar num mar infinito de
possibilidades? Cabe a nós dar a resposta porque, em resumo, o campo
quântico é o estado em que todas as possibilidades existem. E, como acabei
de dizer, quando nos encontramos no universo quântico, existimos
meramente como uma consciência; especificamente uma consciência que
observa, que dedica a sua atenção a um campo de possibilidades infinitas,
que existem dentro de uma consciência ainda maior, e de um nível de
energia superior.
Ao entrar neste espaço vasto e infinito, não há corpos, não há gente, não
há lugares, não há tempo. Em vez disso, existem, como energia,
possibilidades desconhecidas infinitas. Por isso, se acabar por pensar nos
conhecidos da sua vida, regressará à realidade tridimensional do espaço e
do tempo. Mas, se conseguir ficar na escuridão do desconhecido durante
tempo suficiente, ele vai prepará-lo para criar desconhecidos na sua vida.
No capítulo anterior, quando lhe dei instruções para regressar ao momento
presente, estava a referir-me a impedi-lo de pensar no futuro previsível ou
de recordar o passado que lhe é familiar; estava a falar de evoluir nesse
espaço vasto e eterno como uma consciência, de não voltar a prestar
atenção a nada nem a ninguém nesta realidade tridimensional, tal como o
seu corpo, as pessoas na sua vida, as suas posses, os sítios que visita, o
próprio tempo. Se fizer isso como deve ser, não será nada exceto
consciência. É dessa forma que se chega aqui.
Agora vamos recuar um pouco e olhar para a forma como os cientistas
descobriram o universo quântico, o que aconteceu quando começaram a
estudar o mundo subatómico. Apuraram que os átomos, as peças básicas de
tudo no universo físico, são compostos por um núcleo rodeado por um
grande campo com um ou mais eletrões. Este campo é tão grande em
comparação com os minúsculos eletrões que parece ser 99,99999999999
por cento espaço vazio. Mas, como leu, o espaço não está verdadeiramente
vazio; é composto por uma vasta matriz de frequências energéticas que
formam um campo de informação invisível e interligado. Ou seja, tudo no
nosso universo conhecido, mesmo que pareça sólido, é na verdade
99,99999999999 energia ou informação11. Aliás, a maior parte do universo
é composta por este espaço “vazio”: a matéria é um componente
infinitesimalmente pequeno por comparação com o imenso espaço do nada
físico.
Investigadores cedo descobriram que os eletrões, que se movem nesse
vasto campo, se portam de uma forma totalmente imprevisível – não
parecem estar sujeitos às mesmas leis que governam a matéria no nosso
universo maior. Aparecem num instante e desaparecem logo a seguir – é
impossível prever onde e quando aparecem os eletrões. Isso é porque, como
os investigadores acabaram por descobrir, os eletrões existem
simultaneamente num número infinito de possibilidades ou probabilidades.
É só quando um observador concentra a sua atenção e procura alguma
“coisa” material que o campo invisível de energia e informação se torna na
partícula que conhecemos por eletrão. A isto se chama colapso da função
de onda, ou evento quântico. Mas assim que o observador desviar os olhos,
deixando de observar o eletrão e desviando a mente da matéria subatómica,
o eletrão volta a desaparecer em energia. Por outras palavras, aquela
partícula de matéria física (o eletrão) não existe até a observarmos – até lhe
darmos a nossa atenção. E assim que não lhe prestarmos atenção, ela volta a
ser energia (especificamente, uma frequência energética, aquilo a que os
cientistas chamam uma onda), isto é, volta a ser uma possibilidade. Desta
forma, a mente e a matéria estão relacionadas no quantum. (Já agora, tal
como nós, enquanto consciência subjetiva, observamos o eletrão a ganhar
forma, há também uma consciência objetiva universal que nos observa a
todos e à nossa realidade tridimensional constantemente, garantindo-lhe
ordem e forma.)
Eis o que isto tudo significa para si: se estiver a ver a sua vida do
mesmo nível de mente todos os dias, a antecipar um futuro com base no seu
passado, estará a causar o colapso de campos de energia infinitos, segundo
os mesmos padrões de informação, que conhece como sendo a sua vida. Por
exemplo, se acordar a pensar onde está a minha dor, a dor que lhe é
familiar vai logo aparecer, porque estava à espera de a encontrar.
Imagine o que aconteceria em vez disso se fosse capaz de desviar a sua
atenção do mundo físico e do ambiente. Como aprendeu no último capítulo,
quando desvia a atenção do seu corpo, fica sem corpo – e deixa de ter
acesso aos seus sentidos (e não precisa deles). Quando desvia a atenção das
pessoas na sua vida, torna-se ninguém – e assim já não tem uma identidade
como pai, parceiro, irmão, amigo ou até como membro de uma profissão,
de uma religião, de um partido político ou de uma nacionalidade. Não tem
raça, não tem sexo, não tem orientação sexual, não tem idade. Quando
desvia a atenção dos objetos e dos locais no ambiente físico, não está em
coisa alguma nem em lado algum. Finalmente, ao desviar a sua atenção do
tempo linear (que tem um passado e um futuro), fica fora do tempo –
encontra-se no momento presente, onde existem todas as possibilidades do
campo quântico. Como já não está a identificar-se com o mundo físico nem
ligado a ele, já não está a tentar afetar matéria com matéria – está para lá da
matéria, para lá de como se identifica a si mesmo como um corpo no espaço
e no tempo. De uma forma muito concreta, está na imensa escuridão do
campo unificado, onde nada de material existe. Esse é o efeito direto de
trabalhar continuamente para chegar ao momento presente, que descrevi no
capítulo anterior.
No momento que isso acontecer, a sua atenção e a sua energia
manifestam-se num campo desconhecido para lá da matéria, onde todas as
possibilidades existem – um campo feito apenas de frequências invisíveis
que transportam informação ou consciência. Tal como os cientistas
quânticos que desviaram a sua atenção do eletrão só para descobrir que ele
revertia para energia e possibilidade, se desviasse a atenção da sua vida ou
fosse para lá da memória das suas vivências, a sua vida iria converter-se em
possibilidade. Afinal de contas, se se concentrar no conhecido, é com o
conhecido que vai acabar. Se se concentrar no desconhecido, criará uma
possibilidade. Quanto mais tempo estiver nesse campo de possibilidades
infinitas como uma consciência – ciente de estar consciente neste espaço
negro infinito – sem dar atenção ao seu corpo, a coisas, pessoas, lugares ou
tempo, mais investirá a sua energia no desconhecido, mais irá criar uma
nova experiência ou novas possibilidades na sua vida. É de lei.
Mudanças cerebrais
Ao atravessar a porta para o campo quântico, não entra como um corpo.
Tem de entrar sem corpo – só como uma consciência, um pensamento ou
uma possibilidade, deixando para trás tudo o resto no mundo físico, vivendo
apenas no momento presente. Como disse no capítulo anterior, este
processo implica romper a sua dependência química (pelo menos
temporariamente) em relação às mesmas emoções que costumavam guiar os
seus pensamentos, e parar de se sentir dessa forma para deixar de prestar
atenção ao mundo tridimensional da matéria (a partícula), e, em vez disso, a
dedicar à energia ou à possibilidade (a onda). Tendo dito tudo isto,
provavelmente não o surpreenderá saber que essa experiência provoca
mudanças muito significativas no cérebro.
Primeiro, ao situar-se para lá do mundo físico, deixa de haver perigo
exterior para antever, e a área de raciocínio do seu cérebro – o neocórtex,
onde reside a sua mente consciente – abranda, fica menos excitada e
funciona de uma forma mais holística. Anteriormente, dissemos que viver
sob a influência das hormonas do stress faz com que as nossas ondas
cerebrais se ativem de uma forma muito desordenada e incoerente (o que,
por sua vez, provoca que os nossos corpos não funcionem com eficiência),
porque estamos a tentar controlar e prever tudo nas nossas vidas. Ficamos
excessivamente focados, passamos a nossa atenção de pessoas para coisas,
para sítios, para tempos – e ativamos as várias redes neurológicas atribuídas
a cada um destes conhecidos.
Assim que entramos no momento presente e nos apercebemos deste
campo de informação infinito onde nada de físico existe – esse vazio eterno
–, e assim que já não estivermos a analisar nem a pensar em nenhum corpo,
em nenhuma pessoa, em coisa nenhuma, em nenhum sítio, em nenhum
tempo –, já não estamos a ativar aqueles diversos compartimentos de redes
neurológicas no nosso cérebro. Ao transferirmos a nossa consciência de um
foco estreito na matéria (objetos, pessoas, locais, os nossos corpos e o
tempo) no nosso ambiente exterior para ganhar consciência da vastidão
desta escuridão infinita ao pormos a nossa atenção no nada, no espaço, na
energia e na informação, o nosso cérebro começa a alterar-se. Os vários
compartimentos que outrora estavam subdivididos começam agora a
unificar-se e a mover-se para um estado coerente. As várias comunidades
neuronais aproximam-se para formar comunidades maiores. Sincronizam-
se, organizam-se, integram-se. E o que sincroniza o cérebro começa a ligar-
se no cérebro. Assim que o seu cérebro ganha coerência, você ganha
coerência. Quando o seu cérebro fica ordenado, você fica ordenado, quando
funciona bem, você funciona bem. Em resumo: uma atividade mais
holística do cérebro deixa-o a sentir-se mais completo. Ou, por outras
palavras, assim que começar a ligar-se ao campo unificado como uma
consciência (ou assim que se tornar mais ciente dele ao prestar-lhe atenção),
a sua biologia torna-se mais completa e unificada, uma vez que o campo
unificado é, por definição, uma energia unificadora.
Para ver com mais clareza a diferença entre coerência e incoerência,
observe o gráfico 2 do extratexto a cores, bem como a figura 3.1. Como
pode ver, quando as ondas cerebrais são coerentes, estão em fase umas com
as outras; tanto as suas cristas (os pontos altos) como as suas depressões (os
pontos baixos) estão alinhadas. Uma vez que as ondas cerebrais coerentes
são mais ordenadas, são também mais poderosas – pode-se dizer que falam
a mesma língua, seguem o mesmo ritmo, dançam pela mesma batida,
partilham a mesma frequência, e por isso é-lhes mais fácil comunicar. Estão
literalmente no mesmo comprimento de onda. Quando as ondas cerebrais
são incoerentes, por outro lado, as mensagens eletroquímicas ou os sinais
que enviam a várias partes do corpo e do cérebro são erráticos e confusos,
levando o corpo a não conseguir operar num estado equilibrado e
otimizado.
FIGURA 3.1
Quando desviamos a nossa atenção do mundo material e
começamos a abrir o nosso foco para o plano do
desconhecido, e continuamos no momento presente, o cérebro
funciona de uma forma coerente. Quando o cérebro é
coerente, irá trabalhar num estado mais holístico e sentir-se
mais completo.
Quando o cérebro é excitado devido às hormonas do stress
e nós restringimos o nosso foco e transferimos atenção para
pessoas, objetos, coisas e lugares no nosso mundo exterior
conhecido, o cérebro ativa-se de forma incoerente. Quando o
cérebro está desequilibrado desta forma, deixa-o mais
fragmentado, desconcentrado, a viver com mais dualidade e
distância.
A segunda transformação experienciada pelo nosso cérebro quando
entramos no quantum é de as nossas ondas cerebrais passarem para uma
frequência mais lenta – de ondas cerebrais beta para ondas cerebrais
coerentes alfa e teta. Isso é significativo, porque, ao abrandarmos as nossas
ondas cerebrais, a nossa consciência sai do neocórtex pensante para o
cérebro médio (o cérebro límbico) e, aí, liga-se ao sistema nervoso
autónomo – o sistema operativo subconsciente do corpo (ver figura 3.2). É
esta parte do sistema nervoso que tem a seu cargo a digestão dos alimentos,
a secreção de hormonas, a regulação da temperatura do corpo, o controlo do
açúcar no sangue, a manutenção do ritmo cardíaco, o fabrico de anticorpos
para combater infeções, a reparação de células danificadas, e muitas outras
funções do nosso corpo. Segundo os cientistas, não temos controlo
consciente sobre estas funções. Essencialmente, é o sistema nervoso
autónomo que nos mantém vivos. A sua missão principal é criar ordem e
homeostase, equilibrando o cérebro e depois o corpo. Quanto mais tempo
estivermos no momento presente sem corpo, sem identidade, sem coisas,
sem localização, fora do tempo, mais integrado e coerente fica o nosso
cérebro. É então que o sistema nervoso autónomo entra em ação e começa a
curar o corpo – porque a nossa consciência se funde com a sua consciência.
FIGURA 3.2
Ao abrandar as suas ondas cerebrais e ao distanciar-se do
seu corpo, do seu ambiente e do tempo, a consciência
transfere-se do neocórtex para o cérebro límbico – onde reside
o seu sistema nervoso autónomo (fluxo representado pelas
setas escuras que se movem para o meio do cérebro).
Ao mesmo tempo, enquanto estes dois sistemas se
intersectam, o sistema nervoso autónomo – cuja função é criar
equilíbrio – intervém e cria coerência no neocórtex, onde reside
o seu centro de raciocínio (fluxo representado pelas setas mais
claras que se movem para fora, para o limite do cérebro).
Por outras palavras, quando está no momento presente, deixa de ser um
obstáculo para si próprio. Ao tornar-se pura consciência, ao mudar as suas
ondas cerebrais para alfa ou mesmo teta, o seu sistema nervoso autónomo –
que sabe curar o seu corpo muito melhor do que a sua mente consciente –
intervém e finalmente tem uma oportunidade para arrumar a casa. É isso
que cria a coerência cerebral. Se observar os gráficos 3A-3C, no extratexto
a cores, descobrirá três exames cerebrais diferentes. O gráfico 3A é um
exame normal a alguém a pensar em ondas cerebrais beta. O gráfico 3B foi
registado com um estudante em foco aberto, mostrando ondas cerebrais alfa
sincronizadas e coerentes. O gráfico 3C representa uma onda cerebral teta
num estado mais profundo de sincronização e coerência.
Se neste estado já não está a reafirmar o conhecido – a vida do costume
– e em vez disso continua a investir a sua energia no desconhecido (tal
como investiria dinheiro numa conta bancária), então será capaz de criar
possibilidades novas e desconhecidas na sua vida. Tal como o eletrão
material, assim que os cientistas deixam de o observar, volta a expandir-se
até ser energia imaterial no campo quântico, quando deixar de observar a
sua dor, a sua vida rotineira e os seus problemas, eles voltarão a ser energia
– voltarão a ser um número infinito de possibilidades, voltarão a ser puro
potencial. Só quando estiver verdadeiramente presente neste poderoso lugar
para lá do espaço e do tempo – este lugar de onde vêm todas as coisas
materiais –, é que poderá gerar verdadeiras transformações.
Num seminário avançado de quatro dias, em 2016, em Tacoma, no
estado de Washington, conduzimos um estudo para mostrar como isto
funciona. Medimos as ondas cerebrais de 117 participantes no seminário
através de eletroencefalogramas (EEG)12. As medições de EEG foram feitas
antes e depois do seminário. Queríamos ver se conseguíamos detetar
mudanças em dois parâmetros do funcionamento do cérebro. O primeiro
parâmetro media o tempo que os participantes no estudo demoravam a
chegar a um estado meditativo, definido pela capacidade de manter um
estado de onda cerebral alfa durante, pelo menos, 15 segundos. Concluímos
que os participantes eram capazes de atingir estados meditativos 18 por
cento mais depressa ao fim do seminário de quatro dias.
O segundo parâmetro que analisámos foi o rácio entre as ondas
cerebrais delta (associadas à transição para níveis mais profundos da mente
subconsciente) e as ondas cerebrais beta altas (normalmente associadas a
elevados níveis de stress). As pessoas ansiosas costumam ter imensas
frequências beta altas mas níveis inferiores de ondas delta. Queríamos
descobrir se a meditação – em particular, a prática de entrar no plano
quântico e não ter corpo, não ter identidade, não ser nada, não estar em lado
nenhum, fora do tempo – poderia melhorar estes valores, e efetivamente
melhoraram. Os participantes reduziram as ondas cerebrais beta altas (o que
indica estarem a sentir menos stress), em média, 124 por cento, e
aumentaram as ondas cerebrais delta (o que indica um maior sentimento de
unidade durante a meditação), em média, 149 por cento. A quantidade de
ondas cerebrais beta altas diminuiu relativamente à quantidade de ondas
delta em 62 por cento – e tudo isto aconteceu em apenas quatro dias.
Observe a figura 3.3 e confirme estes resultados. Irá reparar que algumas
das mudanças que registámos estavam acima dos 100 por cento, o que
prova que estes participantes conseguiram fazer melhorias significativas
relativamente depressa. Isso é verdadeiramente sobre-humano!

FIGURA 3.3
Esta tabela ilustra as alterações na atividade das ondas
cerebrais no nosso seminário avançado em Tacoma (estado de
Washington), em janeiro de 2016.
Transformar a sua energia: combinar uma intenção
clara e emoções elevadas
Uma vez chegado ao ponto ideal do momento presente generoso, no
qual existem todas as possibilidades no campo quântico, como pode
transformar um ou mais desses potenciais, dessas possibilidades imateriais,
em realidade no mundo tridimensional da matéria? Para isso são
necessários dois fatores: uma intenção clara; e uma emoção elevada. A sua
intenção clara é exatamente o que parece – tem de definir claramente o que
quer criar, com os pormenores mais específicos que seja possível, que tem
de descrever detalhadamente. Digamos que quer fazer umas grandes férias.
Onde quer ir? Como quer lá chegar? Quer ir com quem, ou quem quer
encontrar quando chegar? Em que tipo de alojamento quer ficar? Que quer
ir ver? Que quer comer? Que quer beber? Que roupas vai levar na mala? O
que irá comprar para trazer para casa? Já percebeu o que eu quero dizer.
Seja pormenorizado – seja o mais realista que puder, pois vai atribuir uma
letra como símbolo de possibilidade de todas essas condições. Como leu no
capítulo anterior, estes pensamentos, que constituem a sua intenção, são
uma carga elétrica que está a mandar para o campo unificado.
Agora tem de combinar essa intenção com uma emoção elevada, tal
como o amor, a gratidão, a inspiração, a alegria, a excitação, o espanto ou o
deslumbramento, só para dar alguns exemplos. Tem de aceder a esse
sentimento que prevê sentir quando manifestar a sua intenção, e depois
sentir a emoção antes da experiência. A emoção elevada (que transporta
uma energia mais poderosa) é a carga magnética que está a enviar para o
campo. Como já leu, ao combinar a carga elétrica (a sua intenção) com a
carga magnética (a emoção elevada), cria uma assinatura eletromagnética
que é igual ao seu estado de ser.
Outra forma de descrever estas emoções elevadas é chamar-lhes
emoções do coração. Normalmente, ao sentirmos emoções como as que eu
mencionei, reparamos que o nosso coração parece inchar. Isso acontece
porque há energia a mover-se para essa zona e, consequentemente, sentimos
estes maravilhosos sentimentos elevados, que acarretam a intenção de dar,
de ajudar, de cuidar dos outros, de ter confiança, de criar, de unir, de sentir
segurança, de sentir gratidão. Ao contrário das emoções do stress (que
discutimos no capítulo anterior), que se alimentam do campo invisível de
energia e informação que rodeia o corpo, estas emoções do coração
contribuem para o campo energético do corpo. Na verdade, a energia, que é
criada quando o coração se abre, faz com que o coração seja mais ordenado
e coerente, tal como o cérebro, e por isso produz um campo magnético
mensurável13. É esta ação que nos liga ao campo unificado. E quando
juntamos uma intenção (a carga elétrica) a essa energia (a carga magnética),
criamos um novo campo eletromagnético. Visto que a energia é frequência
e todas as frequências transportam informação, é essa energia elevada que
transporta o seu pensamento ou a sua intenção.
Lembre-se: estes potenciais no campo quântico existem apenas como
frequências eletromagnéticas (frequências com informação) e não é
possível detetá-las com os seus sentidos. Faz sentido, portanto, que o novo
sinal eletromagnético que irá transmitir atraia essas frequências
eletromagnéticas no campo cuja vibração lhes corresponda. Por outras
palavras, quando há uma correspondência de vibração entre a sua energia e
qualquer potencial que já exista no campo unificado, começará a atrair essa
nova experiência a si. A experiência vai encontrá-lo quando conseguir
tornar-se no vórtice do seu futuro. Assim não terá de se esforçar para
alcançar aquilo que deseja, nem terá de ir a lado nenhum procurar o que
deseja (o que seria trocar matéria por matéria). Terá de se tornar consciência
pura (sem corpo, sem identidade, sem coisas, sem local, fora do tempo) e de
alterar a sua energia – o sinal eletromagnético que transmite – e então irá
atrair essa experiência futura até si (ou seja, transformar energia em
matéria). Poderá literalmente sintonizar a energia de um novo futuro e, ao
fazê-lo, o observador (o campo unificado) observa-o a observar um novo
destino, e depois confirma a sua criação. Observe a figura 3.4.
Antes de prosseguirmos, quero só voltar atrás para reafirmar a
importância das emoções elevadas para que esta equação funcione. Ao
resolver observar um futuro no campo quântico que pretende que se
manifeste, não pode estar a fazê-lo como uma vítima, ou como alguém que
esteja a sofrer ou a sentir-se limitado ou infeliz. Nesse caso, a sua energia
não será consistente com a sua criação almejada, e não poderá chamar esse
novo futuro a si. Isso é o passado. Poderá ter uma intenção clara e portanto
a sua mente pode estar no futuro porque consegue imaginar o que quer; no
entanto, se sentir algumas dessas emoções limitadas que lhe são familiares,
o seu corpo continuará a acreditar que está a viver as mesmas experiências
limitadas do passado.

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FIGURA 3.4
Assim que estivermos no momento presente, há
possibilidades infinitas existentes no campo quântico como
frequências eletromagnéticas. Ao combinar uma intenção clara
com emoções elevadas, está a transmitir toda uma nova
assinatura eletromagnética para o campo unificado. Havendo
uma correspondência de vibração entre a sua energia e a
energia desse potencial, quanto mais tempo estiver consciente
dessa energia mais ela irá atrair a experiência até si.
Cada letra representa um potencial diferente: R é uma nova
relação. J (“job”) é um novo emprego. P é um problema
resolvido na sua vida. M é uma experiência mística. G é uma
mente genial. H (“health”) é saúde. A é abundância. O é uma
nova oportunidade.
Como aprendeu no capítulo anterior, a emoção é energia em
movimento, e as emoções elevadas comportam uma frequência mais alta do
que as emoções de sobrevivência. Por isso, se quiser criar mudanças, tem de
o fazer a partir de um nível de energia superior à culpa, superior à dor,
superior ao medo, superior à fúria, superior à vergonha, superior à
humilhação. Na verdade, qualquer energia de baixa vibração que esteja a
sentir não poderá transportar o pensamento do seu sonho futuro. Só pode
transportar um nível de consciência igual ao dessas emoções limitadas. Por
isso, para concretizar algo de ilimitado, tem de se sentir ilimitado. Se quer
criar liberdade, tem de se sentir livre. E se quer verdadeiramente curar-se,
tem de elevar a sua energia até se sentir completo. Quanto mais elevada for
a emoção que sentir, maior será a energia que transmite e mais influência
terá no mundo físico da matéria. Quanto maior for a sua energia, mais curto
será o período de tempo para que a sua manifestação apareça na sua vida.
FIGURA 3.5
Uma ilustração dos resultados da experiência com os
pintainhos de René Peoc’h. A caixa A representa o movimento
do gerador aleatório quando a gaiola estava vazia. A caixa B
representa o movimento do gerador aleatório quando os
pintainhos estavam na gaiola à direita da arena. Se as
intenções dos pintainhos conseguiram influenciar o gerador
aleatório a mover-se para eles na maior parte do tempo,
imagine o que isso significa quando estiver a atrair o seu novo
futuro a si.
Neste processo, descontraia-se e permita a uma mente superior – a
consciência do campo unificado – organizar um evento apropriado para si.
Terá, na prática, de sair da frente. Quando for surpreendido por uma
experiência desconhecida que parece ter saído do nada, essa experiência
aconteceu porque a criou do nada. Apareceu uma coisa do nada porque a
criou sem nada. E pode acontecer sem que se passe tempo nenhum, se a
criar no plano para lá do tempo linear – o plano quântico, onde o tempo não
existe.
Um investigador francês, o Dr. René Peoc’h, demonstrou o poder da
intenção com pintainhos recém-nascidos14. Quanto os pintainhos saem do
ovo, normalmente apegam-se à mãe, unindo-se a ela, seguindo-a por todo o
lado. Mas se a mãe não estiver presente quando os ovos eclodem, os
pintainhos apegam-se ao primeiro objeto em movimento que lhes aparecer.
Se a primeira coisa que virem for um ser humano, irão segui-lo para todo o
lado.
Para o seu estudo, Peoc’h construiu um tipo especial de gerador
aleatório: um robô computadorizado que se virava aleatoriamente ao
mover-se por uma arena, virando 50 por cento das vezes à direita e os
outros 50 por cento à esquerda. Concluiu que, ao fim de algum tempo, o
robô percorria igualmente a maior parte da arena. A seguir, Peoc’h expôs os
pintainhos recém-nascidos ao robô. Como seria de esperar, os pintainhos
apegaram-se ao robô como se da própria mãe se tratasse e seguiram-no por
toda a arena. Depois de os pintainhos se apegarem ao robô, Peoc’h pegou
neles e mete-os numa gaiola, que colocou estrategicamente num dos cantos
da arena, de onde podiam ver o robô mas não podiam mexer-se na direção
dele.
*
O que se passou a seguir foi espantoso: a vontade dos pintainhos de
estarem perto do que julgavam ser a sua mãe (neste caso, o robô),
influenciou mesmo os movimentos aleatórios da máquina. Já não se movia
por toda a arena; em vez disso, permanecia na metade mais próxima dos
pintainhos (observe a figura 3.5). Se as intenções dos pintainhos conseguem
influenciar os movimentos de um robô computadorizado, imagine o que
você poderia fazer para atrair o seu futuro para si.
Neste lugar do campo unificado, estará a ganhar consciência do que já
existe e a trazê-lo à vida com a sua atenção e a sua intenção. Aqui pode ser
um génio. Aqui pode ter abundância. Pode ser rico. Pode ter uma
experiência mística. Pode criar um novo emprego. Pode resolver um
problema na sua vida.
Lembre-se: todas as possibilidades existem como potenciais
eletromagnéticos no campo quântico – não pode captá-las com os seus
sentidos porque elas ainda não existem neste espaço e neste tempo. Existem
apenas como uma frequência ou uma energia a transportar informação, que
é preciso sintonizar e observar neste plano espacial-temporal.
Eis outra maneira de olhar para a questão: se estiver unificado com a
consciência e a energia de todos os corpos, todas as pessoas, todas as coisas,
todos os locais e todos os tempos dentro de um vasto campo unificado de
potenciais, então observar um potencial no quantum é como ter consciência
da sua mão no mundo físico – já está ligado a ela; já existe. Sintonizar a
energia do seu futuro e intencionalmente observar esse potencial no
quantum causa o colapso de campos energéticos infinitos, que se convertem
em partículas – o chamado evento quântico, que se torna numa experiência
que pode então manifestar-se no seu mundo físico tridimensional.
Nesse momento, ao levantar-se da sua meditação, embora esteja de
regresso ao mundo tridimensional da matéria, como já viveu a emoção
elevada que antecipou previamente, não tem escolha senão sentir que a sua
intenção já se manifestou, como se a sua prece já tivesse tido respostas.
Sente-se intimamente ligado ao seu novo futuro, sabendo que ele aparecerá
de uma forma imprevisível (porque, se o puder prever, então passará a ser
um conhecido). Com efeito, ao levantar-se tem uma nova identidade – uma
identidade que é mais energia que matéria.
Mas é preciso continuar alerta, porque assim que se esquecer e começar
a preocupar-se com quando é que vai acontecer, ou como vai acontecer,
regressará à sua identidade anterior – a tentar prever o futuro com base no
passado. E então começará a sentir as mesmas velhas emoções que lhe eram
familiares (com a mesma energia reduzida), que influenciarão os seus
velhos pensamentos, e assim estará a fazer a escolha de continuar preso ao
conhecido. Podemos dizer que estará desligado da energia do seu futuro no
instante em que sentir a energia familiar das emoções do seu passado.
Se em vez disso tiver sucesso a sintonizar este potencial que escolheu, e
se se familiarizar com ele, será capaz de o sintonizar não só em meditação
como também quando está na fila no banco. Será capaz de o sintonizar
parado no trânsito. Será capaz de o sintonizar a fazer a barba, a cozinhar, a
dar um passeio. Será capaz de o sintonizar vezes sem conta de olhos
abertos, tal como quando tem os olhos fechados em meditação. Mas
lembre-se, sempre que sintonizar a energia do seu futuro no momento
presente, estará a atrair o seu futuro a si.
Se o fizer muitas vezes, e se o fizer corretamente, irá alterar a sua
biologia de uma realidade passado-presente para uma realidade futuro-
presente. Ou seja, irá transformar neurologicamente o seu cérebro: em vez
de ser um registo do passado, passará a ser um mapa para o futuro. Ao
mesmo tempo, ao ensinar emocionalmente ao seu corpo como será esse
futuro no momento presente, estará a recondicionar o corpo com esta nova
emoção elevada. Será capaz de sinalizar novos genes de novas formas, e irá
transformar o seu corpo, para parecer que o futuro que escolheu com a sua
intenção clara já aconteceu. Isso significa começar a usar biologicamente o
seu futuro.
Jace vai para o quantum
Quando o meu filho mais velho, Jace, concluiu a faculdade, foi
trabalhar para uma grande empresa em Santa Barbara, que fabricava
câmaras sofisticadas para as forças armadas. Ao acabar o contrato, mudou-
se para San Diego, para trabalhar numa startup. Ao fim de algum tempo,
contudo, desiludido com os patrões, resolveu abandonar a empresa e viajar.
Jace é surfista de grandes ondas, e concebeu um plano engenhoso para
viajar pela Indonésia, pela Austrália e pela Nova Zelândia, ao longo de sete
meses. Meteu as pranchas nas capas, fez-se à estrada e divertiu-se como
nunca. Ao cabo de seis meses, ligou-me da Nova Zelândia e disse: “Pai,
ouve. Comecei a pensar no que vou fazer quando regressar ao mundo real.
Quero criar um emprego novo que seja melhor do que os anteriores, mas
quero fazê-lo de uma maneira diferente. Aprendi muito com estas férias.”
“Está bem”, respondi. “Deve haver um potencial no campo quântico,
que possas sintonizar, que esteja relacionado com um novo emprego para ti.
Pega num papel, escreve a letra ‘J’ e desenha duas linhas tortas à volta da
letra para representar o campo eletromagnético.” (Preste atenção, porque
vai acabar por fazer uma coisa semelhante na meditação no fim deste
capítulo.) Assim que ele o fez, disse. “Esse ‘J’ é um símbolo que representa
uma possibilidade – a tua intenção clara do emprego que queres. Mas agora
temos de ver muito claramente que tipo de emprego queres ao certo;
portanto, vamos fazer uma lista das coisas que são importantes para ti.
Quero que penses nas condições que essa letra J, que representa “novo
emprego” (“job”, em inglês), implicam para ti. Sob esse “J”, quero que
escrevas a palavra intenção, e que faças uma lista dos pontos específicos de
que estás à procura. Podes escrever tudo, exceto quando ou como é que vai
acontecer.”
“Quero poder trabalhar a partir de qualquer sítio no mundo”, disse-me
ele, “e quero ganhar tanto dinheiro como no meu emprego anterior, ou mais.
Quero ter um contrato independente durante seis meses a um ano, e tenho
de amar o que fizer.”
“Bom, mais alguma coisa?”, perguntei.
“Sim, quero ser o meu patrão e comandar a minha equipa”, disse ele.
“Ora bem, agora tens a tua intenção clara”, disse-lhe. “Sempre que
pensares nessa letra ‘J’, achas que consegues associar a letra aos
significados que lhe deste, a todos os pontos específicos que queres
incluídos na tua lista?” Ele disse que conseguia.
Depois perguntei-lhe como é que ele iria sentir-se quando as suas
intenções se concretizassem. “A seguir ou ao lado das intenções secundárias
que listaste para teres certezas quanto ao teu novo emprego”, disse-lhe,
“quero que escrevas ‘Emoções Elevadas, a Energia do meu Futuro’. Agora
vais enumerá-las uma a uma. Quais são?”
“Fortalecido, apaixonado pela vida, livre, grato”, disse-me ele,
identificando as emoções elevadas que iria usar para atrair o emprego. Só
restava garantir que tudo se alinhava. Observe a figura 3.6, e veja se o Jace
conseguiu.
“Agora tens muito tempo livre. Estás de férias e não estás a fazer grande
coisa além de surfar e de descansar”, afirmei. “Deve ser mais fácil para ti
criar o teu futuro. Vais empenhar-te em fazer o que for preciso para
transmitir uma nova assinatura para o campo todos os dias?” Jace
concordou.
Revi então com ele o conceito de encontrar o momento presente e de se
centrar e elevar a energia para que pudesse transportar a sua intenção para o
futuro. “Fixa esse símbolo na tua mente enquanto irradias essa energia para
o espaço, para lá do teu corpo no espaço”, instruí, “como se estivesses a
sintonizar uma estação de rádio e a apanhar uma frequência que transporta
informação. Quanto mais tempo a tua consciência persistir nessa energia, ou
quanto mais tempo estiveres consciente da energia do teu futuro, mais
provável é que chames a ti a experiência. Sintoniza a energia do teu futuro
todos os dias. E lembra-te, o que transmitires para o campo unificado é a
tua experiência com o destino. Onde houver uma correspondência de
vibração entre a tua energia e a energia deste potencial, ele há de encontrar-
te. Portanto, Jace, podes ficar aí?”
“Sim”, respondeu ele.

FIGURA 3.6
Foi assim que o meu filho Jace criou o seu novo emprego.
“J” é um símbolo que representa uma potencial nova
experiência. Do lado esquerdo, sob “Intenção”, ele atribuiu
condições específicas para o tipo de emprego que queria. Do
lado direito, sob “Emoção elevada”, atribuiu emoções
específicas que ele sentiria quando a experiência ocorresse.
Ao combinar esses dois elementos, transformou a sua energia
todos os dias para atrair a si o seu novo emprego.
“E então, assim que estiveres num novo estado de ser há algum tempo,
quero que penses no que vais fazer no teu novo emprego”, prossegui. “Que
decisões tomarás? Que coisas farás? Que experiências te aguardam, e como
te vão fazer sentir? Quero que vivas nessa realidade futura no momento
presente. Limita-te a lembrar-te do teu futuro a partir desse novo estado de
ser.” As pessoas tendem a pensar obsessivamente na pior coisa que lhes
pode acontecer nas suas vidas todos os dias; eu estava a pedir ao meu filho
o contrário, que se deixasse obcecar por algumas das melhores coisas que
podiam acontecer quando o novo emprego o encontrasse. “Pensa no tempo
todo que vais ter para surfar, nas viagens que vais poder continuar a fazer,
na equipa com quem vais trabalhar, na força dos teus futuros colegas, e no
dinheiro que vais poder poupar para comprar uma casa nova e um carro
novo”, encorajei-o. “Diverte-te com essas ideias todos os dias.” Tal como os
pianistas e os culturistas sobre os quais leu no último capítulo, Jace estava
prestes a estimular o cérebro e o corpo para parecer como se o futuro que
ele queria já tivesse ocorrido.
“E uma vez que a tua energia vai para onde for a tua atenção”,
continuei, “quero que invistas a tua atenção e a tua energia nesse teu novo
futuro. E, tal como o teu corpo segue a tua mente para o chuveiro todas as
manhãs – para o conhecido –, se continuares a seguir este processo, o teu
corpo vai seguir a tua mente para o desconhecido.” Jace concordou com a
intenção de fazer a meditação todos os dias.
Um mês depois, regressou, e assim que aterrou em Los Angeles
mandou-me uma SMS a perguntar: “Olá, pai, estou outra vez nos EUA.
Podemos conversar?”
Oh-oh, pensei. Lá vamos nós. Então, telefonei-lhe e perguntei-lhe como
iam as coisas.
“Ótimas”, disse Jace. “Mas fiquei mais ou menos sem dinheiro. Não sei
o que hei de fazer.”
Ora, o pai dentro de mim queria dizer-lhe: “Não te preocupes, filho. Eu
empresto-te algum dinheiro até te recompores.” O professor dentro de mim,
contudo, foi mais forte, e respondeu: “Isso é ótimo, porque agora vais
mesmo ter de criar. Agora estás no desconhecido. Vai-me contando como as
coisas te correm.” E desliguei o telefone. Senti o desconforto dele, mas o
meu filho e eu estávamos certos de que ele ia concentrar-se e fazer o seu
trabalho.
Uma vez que agora estava pressionado, Jace teve de fazer um esforço a
sério. Foi de carro a Santa Barbara visitar os amigos da universidade.
Alguns dos seus amigos tinham ido fazer snowboard por quatro dias, como
fazem todos os anos. Quando esses quatro dias chegaram ao fim, ele
regressou a Santa Barbara antes de voltar para casa, e calhou passar por
uma loja de surfe. De repente, viu o maior designer mundial de quilhas de
pranchas de surfe, que por acaso ali se encontrava.
Começaram a conversar, e pouco tempo depois, o designer disse a Jace:
“Ando à procura de um engenheiro para desenhar quilhas de pranchas de
surfe. Vamos revolucionar completamente a indústria. Preciso do trabalho
desse engenheiro entre seis meses a um ano, e ele pode fazer o que lhe
apetecer, fica tudo por conta dele. A única coisa que me interessa é que me
entregue um produto de alta qualidade.”
Já sabe como é o fim desta história. Jace ficou com o emprego, com um
contrato de um ano, que ele pode renovar sempre que quiser. Ganha agora
mais dinheiro do que no emprego anterior. Adora a sua nova carreira,
devido à sua paixão pelo surfe. Às vezes recebo uma SMS a dizer: “Não
acredito que me pagam para isto.” É ele o patrão, trabalha onde lhe apetece,
e pode ir surfar para experimentar as quilhas. Está apaixonado pela vida.
Não teve de mandar currículos, não teve de fazer telefonemas, não teve de
ir a entrevistas nem de preencher formulários. A experiência encontrou-o a
ele.
Quando passamos a não ter corpo, a não ser ninguém, nada, em lado
nenhum, fora do tempo, estamos a desviar a nossa atenção de todas as
distrações no nosso mundo exterior, que nos impedem de estarmos
presentes com o campo unificado de inteligência que está dentro e à volta
de nós. Viramo-nos para dentro e estamos presentes com uma consciência
que está sempre presente em nós. Assim que nos alinhamos com essa
consciência omnipresente, como se estivéssemos a olhar diretamente para
um espelho, ela também olha para nós. E pode finalmente refletir aquilo
que lhe quisermos mostrar. Quanto mais tempo ficarmos neste sítio, onde
nada é material, e investirmos nele a nossa atenção e a nossa energia, mais
nos aproximamos do campo unificado. E, no altar dos potenciais infinitos,
ao mudar a nossa energia, mudamos a nossa vida.
Ao avançarmos para o desconhecido, confiando nele – sem devolver a
nossa consciência ao mundo material dos sentidos na realidade
tridimensional –, sentimos mais unidade e integridade. Esse processo
começa a colmatar as nossas falhas, a nossa separação, a nossa dualidade, a
nossa doença e as nossas personalidades fraturadas. A nossa biologia torna-
se mais completa à medida que nós nos tornamos mais completos.
Afinal de contas, quando somos íntegros, não temos falhas. Não nos
falta nada. Nesse ponto, estamos apenas a observar o que já existe no
campo quântico de todas as possibilidades ou potenciais e a trazê-lo à vida
com a nossa atenção e a nossa energia.
Por isso, tenho de lhe perguntar: que experiência é que está lá no campo
quântico à sua espera?
Preparar a sintonização
Para esta meditação é preciso fazer alguns preparativos. Primeiro, quero
que pense numa experiência potencial que deseja. Lembre-se que, tal como
o eletrão antes de passar a matéria, a experiência já existe como uma
energia ou uma frequência no campo quântico. É esta a energia que está
prestes a sintonizar. Alguns dos nossos estudantes reduziram o seu
colesterol só por sintonizar um potencial. Reduziram os seus marcadores de
cancro. Fizeram tumores desaparecer. Também criaram excelentes novos
empregos, férias pagas, novas relações saudáveis, mais dinheiro,
experiências profundamente místicas, e até bilhetes de lotaria premiados.
Acredite, eu e a minha equipa já vimos de tudo. Portanto, avance, entre no
desconhecido!
Assim que tiver a nova experiência que quer criar, atribua-lhe uma letra
maiúscula e depois escreva essa letra num papel. Pense na letra como o
símbolo que representa essa possibilidade específica na sua vida. Escrever a
letra no papel em vez de apenas pensar nela é importante, porque o ato de
escrever consolida o seu desejo. Desenhe depois duas linhas circulares
tortas à volta da letra para representar o campo eletromagnético que tem de
gerar à volta do seu corpo para corresponder a esse potencial no quantum.
Agora atribua algum significado à letra para poder ser ainda mais claro
quanto à sua intenção. Pense em algumas subtilezas específicas para o que
quer, e faça uma lista de pelo menos quatro. (A única coisa que não quero
que inclua é qualquer referência temporal.) Por exemplo, se a sua intenção é
ter um bom emprego, a sua lista poderá ser assim:
ganhar mais 50 mil dólares por ano do que ganho agora
dirigir a minha equipa de grandes profissionais
viajar por todo o mundo com as despesas pagas
ter um programa de saúde excecional e a possibilidade de entrar
no capital da empresa
ter impacto no mundo
Depois, no mesmo papel, escreva as emoções que irá sentir quando esse
potencial imaginado se concretizar. Poderá escrever:
capacitado
ilimitado
grato
livre
fascinado
apaixonado pela vida
alegre
digno
Sejam quais forem as suas emoções, escreva-as. E se achar que não sabe
como se vai sentir porque ainda não passou pela experiência, tente a
gratidão – funciona bem. A gratidão é uma emoção poderosa porque,
normalmente, sentimos gratidão depois de receber alguma coisa. Portanto, a
assinatura emocional da gratidão significa que já aconteceu. Quando nos
sentimos agradecidos ou reconhecidos, encontramo-nos no estado perfeito
para receber. Ao acolher a gratidão, o seu corpo e a sua mente
subconsciente começarão a acreditar que estão na realidade futura do
momento presente.
Estas emoções que acaba de listar são a energia que irá transportar a sua
intenção. Não é um processo intelectual – é visceral. É mesmo preciso
sentir estas emoções. Tem de ensinar emocionalmente ao seu corpo como
vai ser o futuro antes de ele acontecer – e tem de o fazer no momento
presente.
Agora está pronto para meditar. Pode adquirir o CD “Tuning in to new
Potentials”, ou descarregar um MP3, em drjoedispenza.com, e seguir as
instruções enquanto eu o guio, ou pode fazer a meditação por si.
Meditação para sintonizar novos potenciais
Comece por dedicar a sua atenção a várias partes do seu corpo, bem
como ao espaço à volta delas. (Irá aprender mais sobre este processo e
sobre a sua importância no próximo capítulo, mas, por agora, basta saber
que focar-se no espaço à volta do seu corpo ajuda a mudar as suas ondas
cerebrais, passando de um padrão incoerente de ondas beta para um padrão
coerente de ondas alfa e teta.) Tome consciência do espaço vasto e infinito
por trás do seus olhos nesse espaço negro eterno, do espaço no centro da
sua cabeça, o espaço entre a parte de trás da sua garganta e a nuca, e depois
o espaço para lá da sua cabeça. Passe então a tomar consciência do espaço
para lá da sua garganta e à volta do seu pescoço, do espaço no centro do seu
peito, do espaço à volta do seu corpo, do espaço por detrás do seu umbigo,
e finalmente do espaço entre as suas ancas nesse vazio negro infinito. Em
cada um desses espaços, demore-se algum tempo e sinta-o, torne-se
consciente dele, fique presente com ele.
Aperceba-se da vastidão do espaço que a sala onde se encontra ocupa
no espaço, e depois alargue a sua consciência para a vastidão do espaço
para lá da sala no espaço, e finalmente para a vastidão de todo o espaço no
espaço.
Está agora na altura de tirar a sua atenção do corpo, do ambiente e do
tempo, e de se tornar ninguém, nada, em lado nenhum, fora do tempo, de
ser pura consciência, de existir como uma entidade nesse espaço negro
infinito e nesse campo sem fim onde todas as possibilidades existem. Se se
distrair, limite-se a regressar ao momento presente (como discutimos no
capítulo anterior). Continue a evoluir nesse espaço imaterial através de um
reinvestimento contínuo da sua atenção.
Recorde-se da sua letra para pensar no potencial que já existe no campo
quântico que quer sintonizar. Sinta a energia desse futuro potencial – dentro
de si e à sua volta – e sintonize o seu futuro. Quando houver uma
correspondência de vibração entre a sua energia e esse potencial, o novo
evento irá encontrá-lo – não tem de forçar nada.
Quero deixar isto muito claro. Pode ser necessário mais do que algumas
meditações para que a sua oportunidade futura se possa concretizar. Pode
acontecer ao fim de uma semana, de um mês, ou pode necessitar de mais
tempo. O fundamental é insistir até que aconteça.
Assim que estiver num novo estado de ser, a transmitir uma nova
assinatura eletromagnética, recorde-se do seu futuro antes de ele acontecer e
comece a preparar-se mentalmente para aquilo que o futuro será, vivendo
nesse futuro. Conceba-o com o máximo possível de realismo, recorrendo às
emoções elevadas que listou para ensinar emocionalmente ao seu corpo
como será o futuro.
Deixe a sua criação seguir para uma mente superior, assim plantando
uma semente no campo infinito das possibilidades – e não se preocupe
mais! Finalmente, abençoe o seu corpo com uma nova mente. Abençoe a
sua vida, os seus desafios, a sua alma, o seu passado e o seu futuro.
Abençoe o divino dentro de si, abra o coração e dê graças por uma nova
vida antes de ela se manifestar.
Traga lentamente a sua consciência de regresso à sala e, quando estiver
pronto, abra os olhos. Levante-se da sua meditação como se o seu futuro já
tivesse ocorrido – e permita que as sincronias e as novas possibilidades
venham ter consigo.
11 N. Bohr, “On the Constitution of Atoms and Molecules”,
Philosophical Magazine, vol. 26, n.o 151: pp. 1-25 (1913).
12 Church, Yang, Fannin, et al., “The Biological Dimensions of
Transcendent States: A Randomized Controlled Trial.”
13 Childre, Martin, e Beech, The HeartMath Solution.
14 “Mind Over Matter”, Wired (1 de abril de 1995),
https://www.wired.com/1995/04/pear.
CAPÍTULO 4

BÊNÇÃO DOS CENTROS DE ENERGIA


Temos falado muito sobre luz, informação, energia e consciência. Agora
está na altura de mergulhar um pouco mais fundo nestes conceitos para
ajudar a explicar como funciona a próxima meditação. Como já aprendeu,
tudo no nosso universo conhecido é composto por luz e informação ou
energia e consciência, ou então emite-as. Estas são outras formas de
descrever a energia eletromagnética. Na realidade, estes elementos estão tão
intimamente combinados que não é possível dissociá-los. Olhe à sua volta.
Mesmo que não veja nada para lá de matéria – objetos, coisas, pessoas ou
locais –, há também um mar de frequências invisíveis infinitas que
transportam informação codificada. Isso significa que o seu corpo é
composto por luz e informação, por energia e consciência. Sendo uma
entidade consciente com um corpo, é também composto por luz organizada
gravitacionalmente, repleta de informação, e continuamente emite e recebe
várias frequências, todas transportando sinais diferentes, tal como um rádio
ou um telemóvel.
Todas as frequências, claro, transportam informação. Pense em ondas de
rádio, por um instante. Há ondas de rádio a moverem-se pelo sítio onde se
encontra neste momento. Se ligasse um rádio, poderia sintonizar um
comprimento de onda ou um sinal específico, e depois um pequeno
transdutor no rádio receberia esse sinal, transformando-o em som, que
poderia ouvir e compreender como a sua canção favorita, um noticiário ou
publicidade. Lá porque não consegue ver as ondas de rádio no ar não
significa que elas não estejam lá, constantemente a transformar informação
distinta numa frequência específica. Se mudar um pouco a frequência e
sintonizar outra estação, esse comprimento de onda transportará uma outra
mensagem.
Observe a figura 4.1A, que apresenta todo o espectro da luz e demonstra
todas as frequências eletromagnéticas que conhecemos. O espectro de luz
visível – onde captamos a gama de cores presente neste mundo em que
vivemos – representa menos de um por cento de todas as frequências de luz
que existem. Isso quer dizer que a maior parte das frequências estão para lá
da nossa perceção e, por isso, a maioria da realidade conhecida neste
universo não pode ser captada pelos nossos sentidos. Para lá da nossa
capacidade de captar a luz absorvida ou refletida por objetos, a verdade é
que só conseguimos receber um espectro muito curto da realidade. Há
muito mais informação disponível para lá daquela que conseguimos
observar com os nossos olhos físicos. Lembre-se, quando eu estou a falar
em luz, estou a falar em toda a luz, o que inclui todo o espectro de
frequências eletromagnéticas – visíveis e invisíveis –, e não apenas a luz
visível.

FIGURA 4.1A
Esta figura representa todo o espectro das frequências
eletromagnéticas do campo de ponto zero a abrandar em
frequência até chegar à matéria. À medida que a energia
aumenta (ou que a frequência acelera), os comprimentos de
onda diminuem. À medida que a energia diminui (ou que a
frequência abranda), os comprimentos de onda aumentam. No
meio, com a indicação luz visível, está o único espectro da
realidade que conseguimos captar.
Por exemplo, embora não seja possível ver os raios X, eles existem.
Sabemo-lo porque os seres humanos têm a capacidade de criar raios X, e
também os podemos medir. Aliás, há um número infinito de frequências
dentro do espectro de luz de raios X. Os raios X são uma frequência mais
rápida que a luz que vemos, e portanto têm mais energia (isto porque,
novamente, quanto mais rápida for uma frequência, mas alta é a sua
energia). A matéria por si só é a mais densa das frequências, porque é a
forma mais lenta e mais concentrada de luz e de informação.

FIGURA 4.1B
Aqui vemos a relação entre frequência e comprimento de
onda. O número de ciclos numa onda completa – representado
pelas letras a e b, b e c, e por aí fora – é um comprimento de
onda. O espaço entre as duas setas verticais a apontar para
baixo representa um intervalo de tempo de um segundo. Neste
caso, visto que há cinco ondas completas no espaço de um
segundo, diremos que a frequência é cinco ciclos por segundo,
ou 5Hz.
Observe a figura 4.1B. Faça os olhos seguirem a linha horizontal que
percorre a crista e o vale da onda, começando pela letra A e depois
passando para a letra B e a seguir para a C. De cada vez que chegar à letra
seguinte, terá viajado um ciclo completo, aquilo que se costuma descrever
como o comprimento de onda. Por isso, a distância entre as letras A e B é
um comprimento de onda. A frequência de uma onda refere-se ao número
de comprimentos de onda ou ciclos produzidos num segundo, e mede-se em
hertz (Hz). Portanto, quando a frequência de uma onda é mais rápida, mais
curto é o comprimento de onda. O contrário também é verdade – quando a
frequência de uma onda é mais lenta, mais longo é o comprimento de onda
(figura 4.1 C). Por exemplo, a luz na faixa de frequência infravermelha tem
uma frequência inferior à da luz na faixa de frequência da luz ultravioleta, e
os comprimentos de onda da luz ultravioleta são mais curtos. Eis outro
exemplo, este tirado do espectro de luz visível: a cor vermelha tem uma
frequência mais lenta (450 ciclos por segundo) do que a cor azul (cerca de
650 ciclos por segundo). Portanto, o comprimento de onda do vermelho é
superior ao comprimento de onda do azul.

FIGURA 4.1C
À medida que a frequência aumenta, os comprimentos de
onda reduzem-se. À medida que a frequência diminui, os
comprimentos de onda aumentam.
Ao longo dos tempos, foram feitas várias tentativas no sentido de
fotografar e medir campos de luz. Um exemplo famoso é a fotografia
kirliana (também conhecida como kirlingrafia), descoberta em 1939 por
Semyon Davidovitch Kirlian, um eletricista e inventor amador russo. Com
esta técnica, Kirlian conseguiu captar imagens do campo eletromagnético
que rodeia tanto os seres vivos como os objetos. Kirlian pôs uma folha de
filme fotográfico numa placa de metal, pousou sobre ela um objeto e
aplicou uma corrente elétrica de elevada voltagem à placa de metal;
descobriu que o filme revelava uma imagem da descarga elétrica entre o
objeto e a placa, que parecia uma silhueta brilhante de luz à volta do que
tivesse sido fotografado.
Numa das muitas experiências de Kirlian, ele terá fotografado duas
folhas aparentemente idênticas, uma pertencente a uma planta saudável e
outra a uma planta doente. A fotografia da folha da planta saudável
mostrava um forte campo de luz, enquanto a outra mostrava um brilho
muito mais fraco, levando Kirlian a acreditar que a sua técnica fotográfica
poderia ser uma forma de avaliar o estado de saúde de um indivíduo.
Atualmente, os cientistas debatem a utilidade da fotografia kirliana como
meio de diagnóstico, e a investigação sobre esta técnica continua.
Um desenvolvimento mais recente na mesma área foi alcançado por um
biofísico alemão, o Dr. Fritz-Albert Popp, que passou mais de três décadas a
estudar os biofotões, minúsculas partículas de luz de baixa intensidade
armazenadas dentro de todas as coisas vivas, e por elas emitidas. Em 1996,
Popp fundou o Instituto Internacional de Biofísica (IIB), uma rede de
laboratórios de investigação de mais de uma dúzia de países por todo o
mundo, que estudam biofotões. Popp e os seus colegas do IIB consideram
que estas partículas de luz, que estão armazenadas no ADN, comunicam
informação de forma extremamente eficaz com as células, e assim
desempenham um papel regulador vital no funcionamento do organismo15.
Estes biofotões podem ser detetados por uma câmara extremamente
sensível, concebida para medir as suas emissões: quanto mais fortes as
emissões e quanto mais intenso e coerente o campo de luz, maior é a
comunicação entre as células e mais saudável é o organismo.
Para suster vida e saúde, as nossas células comunicam umas com as
outras através da troca de informação vital transmitida em diversas
frequências de luz. Popp descobriu que o contrário também é verdade:
quando uma célula não emite energia eletromagnética suficientemente
organizada e coerente, essa célula deixa de ser saudável; passa a não ser
capaz de partilhar corretamente a informação com outras células e, sem essa
troca, deixa de ter aquilo de que precisa. Ou seja, a versão mecânica que
aprendeu na biologia do liceu sobre o funcionamento interno da célula está
ultrapassada. As moléculas com carga elétrica que se atraem e se repelem
não são responsáveis pelo funcionamento das células. Em vez disso, a
energia eletromagnética emitida e recebida pela célula é a força vital que
governa estas moléculas. Este é um ponto de vista vitalista que sustenta a
verdade de quem nós somos.
O que tudo isto significa, na prática, é que somos, muito literalmente,
seres de luz, cada um de nós a irradiar uma força muito vital, e a expressar
um autêntico campo de luz à volta dos nossos corpos – a totalidade de cada
célula expressa e contribui para um campo de luz vital que transporta uma
mensagem. É então seguro declarar que, quanto mais definirmos a realidade
com os nossos sentidos e vivermos a nossa vida como materialistas focados
sobretudo no físico (e portanto quanto mais ativarmos a reação de stress),
mais informação valiosa estaremos a ignorar. Ao focarmos estreitamente a
nossa concentração sobre a matéria, sobre objetos, coisas, pessoas e lugares
no nosso mundo exterior, perdemos a capacidade de sentir estas outras
frequências que não são visíveis a olho nu. E, se não as detetarmos, elas não
existem para nós.
Como já leu e, espero, começou a sentir com a meditação no capítulo
anterior, é-lhe possível sintonizar determinadas frequências à sua volta, tal
como sintoniza um rádio para o 107.3. Quando fecha os olhos e se senta,
imóvel, eliminando o ambiente externo (a estática que normalmente o
impede de sentir essas outras frequências), com a prática, pode aprender a
receber um sinal límpido e a receber dele informação. Quando o fizer
repetidamente, sintonizará um novo nível de luz e de informação que
poderá usar para influenciar ou afetar a matéria. E, ao fazê-lo, o seu corpo
passará por sintropia (ordem reforçada) em vez de entropia (desordem,
colapso físico, caos). Assim que acalmar a sua mente analítica e pensadora,
e sintonizar mais prontamente esta informação ordeira, o seu corpo
automaticamente responderá processando este novo fluxo de consciência,
tornando-se assim mais eficiente, coerente e saudável.
Foco convergente e foco divergente
No início da meditação do capítulo anterior, pedi-lhe que apontasse a
sua atenção para várias partes do seu corpo, bem como ao espaço à volta
dele. Agora quero que mergulhe mais fundo no porquê do meu pedido em
quase todas as minhas meditações. Quando o fizer, estará a reforçar o seu
domínio de duas formas de o seu cérebro se concentrar: o foco convergente;
e o foco divergente.
O foco convergente é afunilado, muito centrado num objeto – qualquer
coisa com matéria. É esse foco que utiliza quando faz as minhas
meditações, dedicando a sua atenção a um lugar específico do seu corpo. É
o mesmo foco que usa ao prestar atenção aos objetos que o rodeiam.
Normalmente, quando pega num copo, ou telefona ou envia uma SMS a
alguém, ou ata os sapatos, está a usar o foco convergente. Na maior parte do
tempo que está em foco convergente, está concentrado em objetos ou coisas
(matéria), pessoas ou locais no mundo exterior – sobretudo coisas em três
dimensões.
Lembra-se da nossa discussão anterior sobre como viver em modo de
sobrevivência com as hormonas do stress continuamente a correr pelo nosso
corpo, ajudando-nos num instante a combater ou a fugir? Quando nos
encontramos nesse estado, estreitamos o nosso foco ainda mais, porque
prestar muito atenção ao mundo exterior e físico se reveste então de grande
importância. Na prática, tornamo-nos materialistas, definimos a realidade
com os nossos sentidos. Os vários compartimentos do cérebro, que
normalmente trabalham em comunidade, começam a subdividir-se, deixam
de comunicar eficazmente uns com os outros – e já não trabalham em
harmonia num estado de coerência (ordem). Agora encontram-se num
estado incoerente, e enviam mensagens incoerentes pela coluna vertebral
abaixo para várias partes do corpo. Assistimos a este fenómeno vezes sem
conta, quando utilizamos sondas para medir as ondas cerebrais.
Como disse antes, quando o nosso cérebro é incoerente, nós somos
incoerentes. E se o nosso cérebro não funciona bem, nós não funcionamos
bem. É como se, em vez de tocar uma bela sinfonia, o nosso cérebro e o
nosso corpo produzissem uma cacofonia. Devido a este estado
desequilibrado e incoerente, ficamos a tentar controlar ou forçar resultados
na nossa vida. Tentamos prever um futuro baseado no nosso passado, e
fazemo-lo, em parte, prestando mais atenção ao mundo exterior de objetos e
coisas do que ao nosso mundo interior de pensamentos e sentimentos. Por
outras palavras, ficamos num foco estreito – pensamos obsessivamente nas
mesmas coisas, repetidamente. O stress é assim. Influencia-nos a ficarmos
obcecados com os nossos problemas, de forma a prepararmo-nos para o
pior no futuro. Estar preparado para o pior dá-nos mais possibilidades de
sobrevivência porque, independentemente do que aconteça, estamos
preparados.
Contudo, ao mudar a sua atenção de um foco estreito para um foco mais
aberto e alargado, como fará nesta meditação, pode ganhar consciência do
espaço e assim da luz e da energia à volta do seu corpo no espaço. A isto se
chama foco divergente. Passamos de concentrar-nos em algo para nos
focarmos em nada – na onda (energia) em vez de na partícula (matéria). A
realidade é tanto a partícula como também a onda; é matéria e energia.
Portanto, ao treinar o uso de um foco estreito para dedicar a sua atenção a
várias partes do corpo – reconhecer a partícula – e depois alargar o foco
para sentir o espaço à volta destas partes do corpo, reconhecendo a onda, o
seu cérebro irá alterar-se para um estado mais coerente e equilibrado.
Entrar na mente subconsciente
Na década de setenta, o Dr. Les Fehmi, diretor do Centro de
Biofeedback em Princeton, no estado de Nova Jérsia, descobriu como esta
mudança na atenção de um foco estreito para um aberto transforma as
ondas cerebrais. Fehmi, pioneiro em atenção e biofeedback, tentava
encontrar um método para ensinar a forma de passar as ondas cerebrais de
beta (pensamento consciente) para alfa (mente relaxada e criativa). A forma
mais eficaz de fazer a transição, descobriu ele, era instruindo as pessoas a
tomarem consciência do espaço ou do nada – adotando aquilo a que ele
chamou foco aberto16. A tradição budista usa este método de meditação há
milhares de anos. Ao abrir o seu foco e ao sentir a informação em vez de
matéria, as suas ondas cerebrais desaceleram de beta para alfa. É o que faz
sentido, porque está a sentir, não está a pensar.
À medida que a área do cérebro para o raciocínio – o neocórtex –
abranda, terá capacidade de ir para lá da mente analítica (também conhecida
por mente crítica), que separa a mente consciente da mente subconsciente.
Agora pode sentar-se ao volante do seu sistema operativo – o sistema
nervoso autónomo, sobre o qual leu no capítulo anterior – e agora o seu
cérebro poderá trabalhar num registo mais holístico.
FIGURA 4.2
Um dos principais objetivos da meditação é ir para lá da
mente analítica. O que separa a mente consciente da mente
subconsciente é a mente analítica. Ao abrandar as suas ondas
cerebrais, sairá da sua mente consciente e do cérebro, para lá
da mente analítica, até ao sistema operativo da mente
subconsciente, onde existem todos esses programas
automáticos e hábitos subconscientes.
Ao fazer a meditação da Bênção dos Centros de Energia que lhe vou
ensinar mais à frente, neste capítulo, dedicará a sua atenção a cada um dos
quatro centros de energia do corpo (também conhecidos por chakras – a
palavra quer dizer rodas – nos antigos textos védicos do Leste da Índia), e
depois poderá abrir o seu foco. Como a sua energia vai para onde for a sua
atenção, ao apontar a sua atenção para cada centro, e com a sua energia a
seguir para lá, cada um dos centros começa a ficar ativado.
Não é mistério nenhum que se tiver uma fantasia sexual na mente e no
cérebro, por exemplo, com a energia a mover-se para esse centro do corpo,
ele vai-se ativar de uma forma muito específica e, quando isso acontecer,
órgãos, tecidos, químicos, hormonas e tecidos nervosos vão todos reagir. Se
tiver fome e estiver a pensar no que vai comer, não é coincidência que os
seus sucos digestivos se ativem, que se produza saliva, e que o seu corpo se
prepare para a experiência de comer o jantar, porque a sua energia está a
ativar essa área. Se estiver a pensar em refilar com o seu patrão, ou em
discutir com a sua filha, irá segregar adrenalina antes do confronto
propriamente dito. Em cada um destes casos, o pensamento que estiver na
mente torna-se a experiência. Explicarei este fenómeno com mais pormenor
na próxima secção, em que falaremos de centros energéticos individuais,
mas por agora basta saber que isto ocorre porque cada centro produz a sua
expressão hormonal química, que por sua vez ativa os órgãos, os tecidos e
as células em cada área.
Imagine então o que começaria a acontecer se, ao dedicar a sua atenção
ao espaço à volta de cada centro e abrindo o seu foco, conseguisse abrandar
as suas ondas cerebrais numa meditação e aceder ao sistema operativo de
cada um desses centros de energia. Cada centro iria então tornar-se mais
ordeiro e coerente, sinalizando os neurónios para criar um novo nível de
mente, ativando os órgãos, tecidos e células dessa região, e produzindo as
hormonas e os mensageiros químicos de cada centro. Se o fizesse
repetidamente, com o passar do tempo iria começar a alcançar
transformações físicas e reais.
Na comunidade de estudantes que fazem este trabalho, houve pessoas
que se curaram de infeções crónicas da bexiga, problemas da próstata,
impotência, diverticulite, doença de Crohn, alergias e sensibilidades
alimentares como a doença celíaca, tumores nos ovários, enzimas hepáticas
alteradas, acidez gástrica, palpitações cardíacas, arritmias, asma, problemas
nos pulmões, dores nas costas, problemas de tiroide, cancro da garganta,
dores no pescoço, enxaquecas crónicas, tumores cerebrais – e mais.
Assistimos a todo o tipo de melhoras em pessoas que fazem esta meditação
em particular, muitas vezes logo a partir da primeira vez que a fazem. Estas
curas radicais foram possíveis porque os estudantes conseguiram
transformar epigeneticamente a expressão do seu ADN, ativando alguns dos
seus genes e desativando outros, alterando a expressão e a forma como
esses genes expressam proteínas nos seus corpos físicos (como aprendeu no
capítulo 2).
Como funcionam os centros de energia do seu corpo
Estamos prestes a olhar mais de perto para cada um dos centros de
energia do corpo, mas primeiro quero falar-lhe um pouco mais sobre como
funcionam. Pense em cada um deles como um centro específico de
informação. Cada um tem a sua energia particular que transporta um nível
correspondente de consciência, a sua emissão de luz que expressa
informação muito específica, uma frequência a transportar uma certa
mensagem. Cada um tem também as suas próprias glândulas, as suas
hormonas particulares, a sua química e o seu conjunto de neurónios. Pense
nestes grupos de redes neurológicas como minicérebros. E se cada um
destes centros tiver o seu próprio cérebro, então cada um tem também a sua
própria mente. (Observe a figura 4.3, que lista a localização de cada centro,
bem como a anatomia e a fisiologia associada a cada um deles.)

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FIGURA 4.3
Cada centro de energia do seu corpo tem a sua
composição biológica. Tem as suas próprias glândulas, as suas
hormonas, os seus químicos e minicérebros individuais (um
plexo de neurónios), e portanto a sua própria mente.
Como aprendeu no capítulo 2, quando a consciência ativa o tecido
neurológico, cria mente. A mente é o cérebro em ação; se cada um desses
centros de energia tiver um plexo de neurónios, cada um terá a sua mente
individual – ou, por outras palavras, cada centro pensa por si. O que ativa a
mente é energia com uma diretiva e uma intenção, uma intenção consciente.
Quando cada um destes centros se ativa, estão também a ser ativados
tecidos, hormonas, químicos e funções celulares – e emite-se energia.
Por exemplo, quando o primeiro centro (onde se localizam as glândulas
reprodutivas) é ativado com energia, a sua mente tem um programa e uma
intenção muito particulares. Quando tem um pensamento ou uma fantasia –
isso, já agora, é a consciência a agir sobre tecidos neurológicos –, de
repente o seu corpo transforma-se fisiologicamente e o mesmo acontece
com a sua energia. O seu corpo segrega químicos e hormonas a partir das
respetivas glândulas para o preparar emocionalmente para as relações
sexuais. Terá então mais energia nesse centro, que transmite a sua
frequência específica, transportando uma mensagem intencional.
Essa energia, transportando a intenção consciente, está a ativar o centro
reprodutivo, e a mente no cérebro influencia a mente no corpo ao nível do
seu plexo nervoso. Esta mente localizada naquela área específica do corpo,
através deste minicérebro, trabalha a um nível subconsciente através do
sistema nervoso autónomo. Está para lá do seu controlo consciente.
Podemos dizer que o corpo está agora a seguir a mente à medida que o
minicérebro nesse centro de energia ativa as glândulas relacionadas, que por
sua vez ativam as hormonas correspondentes, as quais sinalizam os
químicos apropriados para alterar o estado emocional e a fisiologia do
corpo. Está assim a emitir daquele centro uma energia muito clara, que
transporta uma diretiva específica. Todos sentimos esse tipo de energia a
emanar de uma pessoa muito sexual. Assim que a energia se move por
aquele tecido neurológico ou por plexos de neurónios, está a criar uma
mente a esse nível; quando é ativado, esse centro tem uma mente própria.
O segundo centro também tem mente própria. Ao ativarmos o
minicérebro e portanto a respetiva mente, desenrola-se a mesma sequência
de eventos neste centro, tal como vimos no primeiro centro de energia, mas
com outros circuitos neuronais, hormonas, químicos, emoções, energia e
informação. Na verdade, já se chamou o segundo cérebro a esta área,
devido às centenas de milhões de neurónios e de ligações neuronais aqui
presentes (mais do que as existentes tanto na coluna vertebral como no
sistema nervoso periférico). Aliás, 95 por cento da hormona do bem-estar, a
serotonina, encontra-se não no cérebro mas nos intestinos17. É quase como
se o nosso corpo e o cérebro deste centro conseguissem superar o nosso
cérebro racional, pensador e analítico.
Então e o seu centro do coração? Que acontece quando segue o
coração? Tal como os dois primeiros, este quarto centro, localizado no meio
do peito, tem a sua própria frequência, as suas próprias hormonas, os seus
próprios químicos, as suas próprias emoções, e o seu próprio minicérebro,
que se alimenta do campo de energia e informação que o rodeia. Ao seguir
o coração, tem tendência para ser mais terno, mais carinhoso, mais
inspirado, mais altruísta, mais generoso, mais grato, mais paciente. Quando
este minicérebro recebe essa informação, envia instruções e mensagens aos
órgãos e aos tecidos localizados nessa parte do corpo, e emitimos energia
afetiva deste centro de informação específico.
Vamos agora olhar para cada um destes centros de energia em mais
pormenor. Alguns dos centros são algo redundantes em termos de função,
mas na maioria dos casos, se já souber alguma coisa sobre o corpo, eles são
fáceis de compreender. Se achar necessário, observe mais uma vez a figura
4.3.
Conhecer melhor os centros de energia
O primeiro centro de energia controla a região dos órgãos sexuais,
incluindo o períneo, a bacia, as glândulas que estão ligadas à vagina ou ao
pénis, a próstata no caso dos homens, a bexiga, o intestino grosso e o ânus.
Este centro de energia tem que ver com a reprodução e a procriação, com a
eliminação, a sexualidade e a identidade sexual. As hormonas estrogénio e
progesterona nas mulheres e a testosterona nos homens estão
correlacionadas com este centro. Este centro de energia está também
associado ao plexo nervoso mesentérico inferior.
Há uma quantidade tremenda de energia criativa neste primeiro centro.
Pense na quantidade de energia de que necessita para criar vida, para gerar
um bebé. Quando este centro está equilibrado, a sua energia criativa flui
com facilidade e a sua identidade sexual está bem implantada.
O segundo centro de energia está por detrás e ligeiramente abaixo do
seu umbigo. Controla os ovários, o útero, o cólon, o pâncreas e o fundo das
costas, e está associado ao consumo, digestão, evacuar e na conversão de
alimentos em energia – incluindo as enzimas e os sucos digestivos, bem
como as enzimas e hormonas que equilibram os seus níveis de açúcar no
sangue. Este centro está também ligado ao plexo nervoso mesentérico
superior.
Este centro de energia está também relacionado com redes e estruturas
sociais, sistemas de apoio, família, cultura, e relações interpessoais. Pense
neste centro de energia como o responsável por manter ou expulsar – por
consumir ou eliminar. Quando este centro está equilibrado, sente-se seguro
e tranquilo tanto no seu ambiente como no mundo.
O terceiro centro de energia localiza-se no centro do seu abdómen.
Controla o estômago, o intestino delgado, o baço, o fígado, a vesícula, as
glândulas suprarrenais e os rins. Entre as hormonas a ele associadas estão a
adrenalina e o cortisol, as hormonas dos rins e químicos como a renina, a
angiotensina, a eritropoietina e todas as enzimas do fígado, bem como
enzimas do estômago como a pepsina, a tripsina, a quimotripsina e o ácido
hidroclorídrico. Este centro de energia está também relacionado com o
plexo solar, que também é conhecido por plexo celíaco.
O terceiro centro está também associado à nossa vontade, ao nosso
poder, ao nosso ego, ao nosso controlo, à nossa iniciativa, à nossa
agressividade e à nossa dominância. É o centro da ação competitiva e do
poder pessoal, da autoestima e da intenção dirigida. Quando este centro está
equilibrado, usamos a nossa vontade e a nossa determinação de superar o
nosso ambiente e as condições na nossa vida. Ao contrário do segundo
centro, este é ativado naturalmente quando pressentimos que o nosso
ambiente não é seguro ou que é imprevisível, e que temos de proteger e
tomar conta da tribo e de nós. O terceiro centro também se ativa quando
queremos alguma coisa e precisamos de usar o corpo para a obter.
O quarto centro de energia localiza-se no espaço por detrás do seu
esterno. Controla o coração, os pulmões e o timo (a principal glândula
imunitária do corpo, descrita como a “fonte da juventude”). As hormonas
associadas a este centro incluem a do crescimento e a oxitocina, bem como
uma infinidade de 1400 químicos diferentes que estimulam a saúde do
sistema humanitário através do timo (responsável pelo crescimento, pela
cura e pela regeneração do corpo). O plexo nervoso que este centro controla
é o plexo do coração.18
Os primeiros três centros têm todos que ver com a sobrevivência e
refletem a natureza animal da nossa humanidade. Mas, neste quarto centro
de energia, deixamos de ser egoístas para sermos altruístas. Este centro está
associado às emoções do amor e da ternura, da afabilidade, da compaixão,
da gratidão, do apreço, da inspiração, do altruísmo, da integridade e da
confiança. É daqui que parte a nossa divindade; é a sede da alma. Quando o
quarto centro está equilibrado, preocupamo-nos com os outros e queremos
trabalhar em cooperação para o bem da comunidade. Sentimos um genuíno
amor pela vida. Sentimo-nos íntegros, e estamos satisfeitos com quem
somos.
O quinto centro de energia está localizado no centro da sua garganta.
Controla a tiroide, a paratiroide, as glândulas salivares e os tecidos do
pescoço. As hormonas associadas a este centro incluem as hormonas da
tiroide T3 e T4 (tiroxina), os químicos da paratiroide que controlam o
metabolismo do corpo e os níveis de cálcio em circulação. O plexo nervoso
controlado por este centro é o da tiroide.
Este centro está associado à expressão do amor que sentiu no quarto
centro, bem como a dizer a sua verdade e a dar força à sua realidade através
da linguagem e do som. Quando o quinto centro está equilibrado, pode dar
voz à sua verdade presente, que inclui a expressão do seu amor. Sente-se tão
satisfeito consigo mesmo e com a vida que tem de partilhar os seus
pensamentos e sentimentos.
O sexto centro de energia localiza-se no espaço entre a parte de trás da
garganta e a nuca (se não está a visualizar bem onde é, pense nele como no
meio do seu cérebro e ligeiramente para a parte de trás da sua cabeça).
Controla a glândula pineal, que é uma glândula sagrada. Há quem a
descreva como o terceiro olho; eu chamo-lhe o primeiro olho. Está
associada à porta para dimensões superiores e à alteração das suas
perceções, de forma a permitir-lhe ver para lá do véu, ou a ver a realidade
de uma forma não linear.
Quando este centro se abre, é como uma antena de rádio que pode usar
para sintonizar frequências mais altas, para lá dos cinco sentidos. É aqui
que desperta o alquimista que há dentro de si. Dedicarei todo um capítulo,
mais à frente no livro, à glândula pineal mas, por agora, basta saber que a
glândula pineal segrega hormonas como a serotonina e a melatonina (bem
como outros metabolitos maravilhosos), que são responsáveis pelo seu
ritmo circadiano: de se sentir desperto em resposta à luz visível durante o
dia; e sonolento em resposta à escuridão da noite. Na verdade, a glândula
pineal é sensível a todas as frequências eletromagnéticas para lá da luz
visível, e pode produzir derivados químicos da melatonina apropriados para
transformar a sua visão da realidade. Quando esta glândula está equilibrada,
o seu cérebro funciona com clareza. Sente-se lúcido, mais consciente tanto
do seu mundo interior como do exterior, a ver e a captar mais todos os dias.
O sétimo centro de energia localiza-se no centro da sua cabeça e inclui a
glândula pituitária. Esta glândula já foi descrita como mestra, porque
controla e cria harmonia numa torrente descendente, do centro do cérebro
para a glândula pineal, a tiroide, o timo, as glândulas suprarrenais e até as
glândulas sexuais. É neste centro do corpo que reside a sua maior expressão
divina. É aqui que tem origem a sua divindade, o seu nível máximo de
consciência. Quando esta glândula está equilibrada, você está em harmonia
com todas as coisas.
O oitavo centro de energia localiza-se cerca de 40 centímetros acima da
cabeça, e é portanto o único centro de energia que não está associado a uma
área do corpo físico. Os egípcios chamavam-lhe Ka. Representa a sua
ligação ao cosmos, ao universo, ao todo. Quando este centro se ativa, sente-
se digno de receber – e isso abre-o a inspirações, revelações, entendimentos
profundos e descargas criativas de frequências e de informação que chegam
ao seu corpo físico e ao cérebro –, não de memórias armazenadas no seu
sistema nervoso mas do cosmos, do universo ou do nome que queira dar ao
poder que é maior que as nossas identidades individuais. Acedemos aos
dados e à memória do campo quântico através deste centro.
A nossa energia a evoluir
Agora que já descrevi cada um dos centros de energia em pormenor,
vamos fazer uma abordagem mais dinâmica ao seu funcionamento. É
verdade que os nossos corpos estão concebidos para usar energia em cada
um dos centros que descrevi. Mas o que acontece quando fazemos mais
com a nossa energia, para lá da mera sobrevivência? O que acontece
quando, em vez de libertarmos toda a nossa energia (para procriar, digerir
alimentos, fugir do perigo, e por aí fora), começamos consistentemente a
evoluir alguma dessa energia de um centro para outro, num movimento
ascendente, aumentando a sua frequência à medida que sobe?
Eis como seria: começamos por canalizar a nossa energia criativa do
primeiro centro. Quanto nos sentirmos suficientemente seguros para criar,
essa energia criativa evolui, ascendendo e fluindo para o segundo centro.
Ao dominar alguma limitação ou superar algum problema no nosso
ambiente, podemos aplicar a energia criativa, e ela então irá fluir para o
terceiro centro – a sede da nossa vontade e da nossa força.
Quando tivermos ultrapassado a adversidade na nossa vida, que nos
obrigou a crescer e a superarmo-nos, teremos a oportunidade de nos
sentirmos mais íntegros, mais livres e mais satisfeitos, e teremos então a
capacidade de sentir amor genuíno por nós e pelos outros, à medida que a
energia flui pelo quarto centro, ativando-o. Este passo faz-nos querer
expressar a nossa verdade presente – aquilo que aprendemos ou o amor ou a
integridade que sentimos –, e isso permite à energia mover-se e ativar o
nosso quinto centro. Depois disto, quando a evolução da energia ativar o
sexto centro, as áreas inativas do cérebro abrem-se, de tal forma, que a
ilusão desaparece e captamos um espectro da realidade mais alargado que
nunca. Começamos então a sentirmo-nos iluminados, o corpo move-se mais
para a harmonia e para o equilíbrio, e o nosso ambiente exterior (incluindo
o mundo natural que nos rodeia) também entra em harmonia e equilíbrio à
medida que a energia ascende para ativar o sétimo centro. Assim que
recebermos essa energia iluminada, começaremos a ter uma sensação de
verdadeira dignidade, e a energia poderá finalmente ascender para ativar o
oitavo centro, no qual recebemos os frutos dos nossos esforços – visões,
sonhos, inspirações, manifestações e sabedoria, que não vêm de dentro das
nossas mentes e dos nossos corpos como memórias, mas sim de uma grande
força que está em nós e à nossa volta. Este fluxo contínuo de energia do
nosso primeiro centro para o oitavo centro está ilustrado na figura 4.4A.
É essa evolução pessoal que ocorre quando a energia flui
consistentemente – o ideal. O que também ocorre com frequência, contudo,
é que os acontecimentos das nossas vidas e a forma como a eles reagimos
fazem com que a nossa energia fique tão presa que não flua neste esquema
magnífico que acabei de descrever. No nosso corpo, a energia fica presa nos
centros de energia associados aos problemas com que estiver a lidar. A
figura 4.4B ilustra o que acontece quando a energia fica presa e não flui
para os centros mais elevados.

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FIGURA 4.4 A
Ao evoluir a nossa energia criativa, ela pode ser canalizada
do primeiro centro até ao cérebro e para lá dele. Cada centro
de energia tem uma frequência individual que transporta a sua
própria intenção.
Se, por exemplo, uma pessoa sofreu abusos sexuais ou foi condicionada
desde a infância a pensar que o sexo é mau, a sua energia poderá ficar presa
no primeiro centro, o que está associado à sexualidade, e poderá sentir
dificuldades em ter acesso à sua criatividade. Se, por outro lado, uma
pessoa consegue aceder à sua energia criativa mas não se sente
suficientemente segura para a utilizar no mundo (sentindo-se, em vez disso,
vitimizada por relações sociais ou interpessoais), ou se foi traumatizada ou
traída por outra pessoa, poderá agarrar-se a essa energia no seu segundo
centro. Tal pessoa irá provavelmente sentir, de forma excessiva, culpa,
vergonha, sofrimento, falta de autoestima e medo. Se essa pessoa conseguir
fazer a sua energia fluir até ao terceiro centro mas se tiver problemas de ego
e se sentir narcisista, egocêntrica, controladora, zangada, hipercompetitiva e
amarga, então a sua energia fica presa no terceiro centro, e podem gerar-se
problemas de controlo ou motivação. Se não conseguir abrir o coração e
sentir amor e confiança, ou se tiver medo de expressar amor ou outros
sentimentos, a energia pode também ficar retida no quarto ou no quinto
centros, respetivamente.
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FIGURA 4.4 B
Quando a energia fica presa no nosso corpo, não consegue
fluir para os centros mais elevados. Uma vez que as emoções
são energia, estas emoções ficam presas em centros
diferentes e não conseguem evoluir.
Embora a energia possa ficar presa em qualquer um dos centros, é nos
primeiros três centros que isso acontece com mais frequência. E quando a
energia fica presa, não consegue evoluir e fluir na corrente perfeita que
descrevi acima, que ativa os centros de energia superiores quando estamos
apaixonados pela vida e queremos retribuir. Ter esse circuito a funcionar em
pleno é o objetivo da meditação da Bênção dos Centros de Energia –
abençoamos cada um desses centros para podermos libertar a energia presa,
de forma a que ela possa voltar a fluir.
Recorrer ao nosso campo energético
Como lhe disse antes, os nossos corpos estão rodeados de campos
invisíveis de energia eletromagnética que transportam sempre uma intenção
ou uma diretiva consciente. Quando ativamos cada um dos sete centros de
energia do corpo, podemos dizer que estamos a emitir energia desses
centros. Em termos simples, quando nós, enquanto entidades conscientes,
ativamos uma energia específica num dado centro, estamos a estimular os
respetivos plexos neurológicos a produzir um nível de mente que então
ativa as glândulas, os tecidos, as hormonas e os químicos de cada centro.
Assim que cada centro está ativado, o corpo emite energia que transporta
informação ou intenção específicas.
Contudo, se continuarmos a viver em modo de sobrevivência e formos
abertamente sexuais, consumirmos em excesso, ou estivermos demasiado
stressados por viver as nossas vidas a partir dos primeiros três centros,
continuamos a recorrer a este campo energético invisível à volta do nosso
corpo que transporta informação, e estaremos constantemente a transformá-
lo em química. Com o passar do tempo, a repetição deste processo faz com
que o campo à volta do corpo diminua. (Observe a figura 4.5.) Em
consequência, reduzimos a nossa luz e não há energia a transportar uma
intenção consciente a movimentar-se por estes centros para criar uma mente
correlacionada em cada um. Essencialmente, esgotámos o nosso próprio
campo energético. Esse nível limitado de mente, com a sua energia limitada
em cada centro, irá enviar um sinal limitado às células ao seu redor, aos
tecidos, aos órgãos e aos sistemas do corpo. O resultado pode ser um sinal
enfraquecido e uma frequência de energia mais reduzida a transportar
informação vital ao corpo. Portanto, a frequência reduzida dos sinais cria a
doença. Podemos dizer que, ao nível da energia, todas as doenças estão
associadas a uma redução da frequência e a uma mensagem incoerente.
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FIGURA 4.5
Os primeiros três centros são consumidores de energia.
Quando utilizamos em excesso estes primeiros três centros,
recorremos constantemente ao campo energético invisível e
transformamo-lo em química. O campo à volta do nosso corpo
começa a diminuir.
Lembra-se de eu ter dito que os três centros de energia inferiores do
corpo estão relacionados com a sobrevivência e, portanto, representam a
nossa natureza egoísta? Estão relacionados com o uso do poder, com a
agressividade, a força ou a competição, para podermos sobreviver a
condições específicas no nosso ambiente, para nos podermos alimentar e
depois procriar, garantindo a sobrevivência da espécie (ao contrário dos
cinco centros superiores, que representam a nossa natureza altruísta e têm
que ver com emoções e pensamentos mais generosos). A natureza fez com
que estes três centros inferiores gerassem muito prazer, de forma a
continuarmos a fazer as ações relacionadas com eles e com o que eles
representam. Ter relações sexuais (primeiro centro) e comer (segundo
centro) são atividades bastante agradáveis, tal como contactar e comunicar
com outras pessoas (também o segundo centro). O poder pessoal (terceiro
centro) pode ser intoxicante, por exemplo, através do sucesso de superar
obstáculos, de conseguir o que queremos, de competir contra outros e
ganhar, de sobreviver em determinado ambiente, de nos forçarmos a
movimentar os nossos corpos.
Pode compreender, assim, porque é que algumas pessoas tendem a
utilizar em excesso um ou mais dos seus primeiros três centros e, ao fazê-lo,
consomem mais do campo de energia vital e de informação que lhes rodeia
o corpo. Por exemplo, uma pessoa excessivamente sexual, retira energia
adicional do campo de energia à volta do primeiro centro. Uma pessoa
cativa da vergonha ou da culpa, que se sinta vitimizada, que se agarra às
emoções do passado, que sofra constantemente, está a consumir energia em
excesso do campo energético à volta do seu segundo centro. Uma pessoa
excessivamente controladora ou stressada tira energia adicional do campo à
volta do seu terceiro centro. Quando a nossa consciência não evolui, a nossa
energia também não evolui.
O nível subatómico
Tudo isto começa a um nível subatómico ou quântico – vamos então
analisar como é que isso ocorre. Observe a figura 4.6. Se pegar em dois
átomos, cada um com o seu núcleo, e os unir para formar uma molécula, a
zona de sobreposição dos dois círculos será onde eles vão partilhar luz e
informação. Visto que estão a partilhar informação, estão também a
partilhar uma energia semelhante, que tem a sua frequência particular. O
que liga estes dois átomos como uma molécula é um campo invisível de
energia. Assim que estes átomos se unem para formar uma molécula e
trocar informação, terão propriedades físicas e características diferentes –
outra densidade, outro ponto de ebulição, outro peso atómico, só para dar
alguns exemplos – das que tinham separadamente. É importante notar que o
que dá à molécula as suas propriedades específicas, bem como o que lhe
mantém a forma e a estrutura – enquanto matéria –, é o campo de energia
invisível que a rodeia. As moléculas não conseguiriam unir-se sem partilhar
informação e energia.
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FIGURA 4.6
À medida que os átomos se ligam uns aos outros e
partilham energia e informação, vão formando moléculas. A
molécula tem um campo de luz invisível à sua volta, composto
de energia e informação que lhe dá as propriedades físicas
para a manter íntegra. À medida que mais átomos se juntam a
essa molécula, ela vai-se tornando mais complexa e forma um
químico, também com um campo de luz invisível à sua volta.
Com mais átomos a juntarem-se ao químico, este torna-se
mais complexo e pode formar uma célula. A célula está
rodeada pelo seu campo invisível específico de energia e
informação, que lhe dá instruções para funcionar. Um conjunto
de células que se une torna-se, por sua vez, um tecido, com
um campo de energia e informação que permite às células
funcionar em harmonia. Os tecidos juntam-se e formam um
órgão, com um campo de energia e informação que lhe permite
funcionar de forma saudável.
Os órgãos juntam-se para formar um sistema, novamente
com um campo invisível específico de luz à sua volta, que lhes
fornece as propriedades físicas para funcionar como um todo.
Finalmente, os sistemas juntam-se para formar um corpo. O
campo de luz que rodeia o corpo detém a energia e a
informação que lhe fornece as propriedades físicas para o
manter íntegro e lhe dá instruções para a vida.
Se acrescentar mais um átomo, formará outra molécula diferente, que
novamente terá propriedades físicas e características diferentes, e uma
estrutura atómica diferente. Se continuar a acrescentar cada vez mais
átomos, formará um químico, e há um campo energético invisível à volta
desse químico que lhe sustenta a forma, que lhe dá vida. Estas forças
atómicas são reais e mensuráveis.
A partir de uma certa quantidade de químicos, se os juntarmos, vamos
acabar por obter uma célula, que também tem um campo energético
invisível à sua volta que lhe dá vida. A célula alimenta-se de várias
frequências de luz. Não são as cargas positivas ou negativas ou as
moléculas que lhe dão instruções. Segundo uma nova área da biologia,
chamada biologia da informação quântica, o que dá essas instruções à
célula são os biofotões por ela emitidos e recebidos, de que falámos antes, e
as suas estruturas de luz e frequência. Quanto mais saudável é a célula, mais
coerentes são os biofotões por ela emitidos. Se se lembrar do que aprendeu
até agora, a coerência é uma expressão ordeira da frequência. A troca de
informação (através de frequências eletromagnéticas de luz) entre a célula e
este campo de energia à sua volta ocorre a uma velocidade superior à da
luz, o que significa que ocorre a um nível quântico.19
Prosseguindo, se juntarmos um grupo de células, formamos um tecido, e
esse tecido tem um campo invisível de frequência coerente unificadora e de
energia que faz com que todas essas células isoladas trabalhem juntas em
harmonia, funcionando como uma comunidade. Se pegar nesse tecido e o
desenvolver mais, até ter uma função mais especializada, formará um
órgão, e um órgão também tem um campo invisível de energia
eletromagnética. Esse órgão recebe literalmente informação deste campo
energético invisível. Aliás, a memória do órgão existe mesmo no campo.
A forma como isto pode afetar pacientes que recebem transplantes é
fascinante. O exemplo mais famoso é provavelmente o de Claire Sylvia,
que escreveu o livro A Change of Heart, sobre a sua experiência depois de
um transplante de coração e pulmões em 198820. Tudo o que ela sabia, na
altura, era que os seus novos órgãos vinham de um doador de 18 anos, que
morrera num acidente de moto. Depois do transplante, a bailarina e
coreógrafa profissional, de 47 anos, começou a ter desejos de nuggets de
frango, batatas fritas, cerveja, pimentos e barras de Snickers, tudo alimentos
de que ela nunca gostara. A sua personalidade também se transformou – ela
passou a ser mais agressiva, mais confiante. A filha adolescente até gozava
com ela, por agora ter um andar semelhante ao de um homem. Sylvia
acabou por conhecer a família do seu doador, e descobriu que os alimentos
que ela desejava, depois do transplante, eram efetivamente os favoritos do
jovem. Essa informação vital ficou armazenada no campo de luz do órgão.
A história mais dramática, para ilustrar este conceito, é a de uma
menina de oito anos que, depois de receber um transplante de coração de
uma rapariga de dez anos, começou a ter pesadelos muito realistas sobre ser
assassinada21. A doadora fora efetivamente assassinada, e o autor do crime
não fora apanhado. A mãe levou-a a um psiquiatra, que ficou convencido de
que a menina estava a sonhar com acontecimentos que tinham mesmo
ocorrido. Contactaram com a polícia, que abriu uma investigação, com base
no relato detalhado do homicídio feito pela menina, incluindo informação
sobre a hora e o local do crime, a arma, as características físicas do
criminoso e a roupa que o assassino tinha vestida. O assassino foi
identificado, preso e condenado.
Ou seja, nestes casos, a informação no campo energético à volta do
órgão transplantado alterou a expressão do campo energético do indivíduo
assim que a pessoa fez um transplante – outra luz e outra informação
misturaram-se com o campo anterior do paciente. O recetor pode usar essa
informação como memória no campo, e ela influencia a sua mente e o seu
corpo. A energia, detendo informação específica, influencia a matéria.
Ao unir órgãos, forma-se um sistema – tal como os sistemas
musculoesquelético, cardiovascular, digestivo, reprodutivo, endócrino,
linfático, nervoso e imunitário, só para dar alguns exemplos. Estes sistemas
funcionam recorrendo a informação do campo invisível de energia e
consciência que os rodeia. Quando se unem todos os sistemas, forma-se um
corpo que também tem um campo invisível de energia eletromagnética à
sua volta, e esse campo vital de luz eletromagnético é quem nós realmente
somos.
Regressemos agora às hormonas do stress. Como referi antes, quando se
encontra em modo de sobrevivência e recorre em excesso a este campo
energético invisível para o transformar na química do seu corpo físico –
quer por praticar demasiado sexo, por comer demais, por estar demasiado
stressado, ou por tudo ao mesmo tempo –, este campo energético à volta do
seu corpo diminui. Isso significa que não há energia nem luz que chegue à
volta do corpo para dar as instruções adequadas à matéria para assegurar a
homeostase, o crescimento e a cura. Nesta situação, os centros já não
recebem, não processam nem expressam energia, e já não produzem uma
mente neurológica saudável para enviar os sinais necessários às partes
associadas do corpo onde esses centros têm as suas terminações nervosas.
Visto que uma mente é criada por energia com uma intenção consciente a
mover-se ou a ativar o tecido neurológico, os centros energéticos diminuem
a expressão da mente para regular as células, os tecidos, os órgãos e os
sistemas do corpo, porque não há energia a mover-se entre eles. O corpo
passa a funcionar mais como um pedaço de matéria, sem a energia coerente
adequada de luz e informação. Estes minicérebros tornam-se incoerentes,
tal como o nosso cérebro se torna incoerente.
Além disso, quando o cérebro está incoerente e dividido por ação das
hormonas do stress, esse cérebro incoerente envia então uma mensagem
muito incoerente – como a estática num rádio – pelo sistema nervoso
central até cada um dos plexos de neurónios, cuja missão é comunicar com
o corpo. Ao receber mensagens incoerentes, estes minicérebros enviam uma
mensagem incoerente para órgãos, tecidos e células em cada área do corpo
relacionada com os respetivos centros. Isto, por sua vez, afeta a expressão
hormonal e a condutividade dos nervos ligados a cada órgão e tecido e
célula no corpo, e é esta incoerência que começa a gerar doenças ou
desequilíbrios. O resultado é que, quando esses cérebros individuais se
tornam incoerentes, cada área correspondente do cérebro também se torna
incoerente. E quando estas áreas não funcionam bem, nós também não
funcionamos bem.
Aumentar a sua energia
Na meditação da Bênção dos Centros de Energia, quando aprender a
desviar a sua atenção para cada um destes centros e se tornar ciente do
espaço à volta deles, criará coerência em cada um destes pequenos cérebros,
da mesma forma que cria coerência no grande cérebro entre as suas orelhas.
E ao reconhecer a partícula (matéria) desviando a atenção para o seu
períneo (para o primeiro centro) ou para o espaço por trás do seu umbigo
(para o segundo centro), ou para o meio do seu abdómen (para o terceiro
centro), ou para o meio do seu peito (para o quarto centro), e por aí fora,
estará a ancorar a sua atenção a esse centro. E a sua energia vai para onde
for a sua atenção.
Depois irá dedicar a sua atenção – ou abrir o seu foco – ao espaço que
rodeia cada um destes centros – sintonizando a energia para lá do centro.
Ao fazê-lo, é de uma importância crucial que passe para um estado de
emoções elevadas, tal como o amor ou a gratidão ou a alegria. Como já viu
nos capítulos anteriores, isto é importante porque a emoção elevada é
energia, e quanto mais aguentar esse foco aberto de um estado de emoções
elevadas, mais irá criar um campo muito coerente com uma frequência
muito elevada à volta desse centro no seu corpo.
Assim que construir esse campo coerente à volta de um centro, esse
centro terá à sua disposição uma energia coerente com as instruções
corretas. Os átomos, moléculas e químicos que formam as células, que
criam os tecidos, que compõem os órgãos e os sistemas do corpo irão
recorrer a um novo campo de luz e informação e a uma energia mais
coerente para transformar uma mensagem mais intencional, dando novas
instruções a cada centro do corpo. Desta forma, o corpo começará a
responder a uma nova mente. Ao entregar-se e ao avançar para o momento
presente, e ao compreender que a sua energia vai para onde for a sua
atenção, pode criar um novo campo de luz e informação e elevar a
frequência do sinal. E esse pensamento intencional dirige energia por cada
centro para produzir uma nova mente nesse cérebro específico. Com cada
centro a recorrer a um novo campo de frequência e informação, o corpo
regressa a uma situação de equilíbrio ou homeostase. Neste estado, torna-se
mais energia e menos matéria, mais onda e menos partícula. Quanto mais
elevada for a sua emoção, mais energia criará e mais radical será a alteração
daí resultante.
Se, em contrapartida, ficar preso às emoções de sobrevivência da
preocupação, do medo, da ansiedade, da frustração, da raiva, da
desconfiança, e por aí fora, não terá esta energia, esta informação e esta luz
à volta do seu corpo. Com a frequência, a luz e a energia a abrandarem e a
tornarem-se mais incoerentes em cada centro, irá tornar-se mais matéria e
menos energia, levando a que o seu corpo adoeça. É este o objetivo desta
meditação: acelerar a frequência, de forma a puxar a frequência reduzida e
desorganizada de volta à coerência e à ordem, elevando a frequência da
matéria ou levando a matéria para uma mente nova e mais coerente.
Mas lembre-se, isto não se faz à força. Não pode obrigar nem impor este
fenómeno. Não acontece por o tentar, não acontece por ter esperança, não
acontece por desejar, porque não é possível atingi-lo com a sua mente
consciente. Tem de aceder à sua mente subconsciente, porque é aí que se
encontra o sistema operativo – o sistema nervoso autónomo que controla
todos estes centros.
Tem de sair da sua norma de ondas cerebrais beta, porque as ondas beta
o mantêm na sua mente consciente, separado do seu subconsciente ou do
seu sistema nervoso autónomo, que é quem realmente está ao comando.
Quanto mais fundo for em meditação – das ondas cerebrais beta às alfa, e
até às ondas teta (o estado meio a dormir, meio acordado da meditação mais
profunda) –, mais lenta será a sua frequência e mais acesso terá ao sistema
operativo. Por isso, na meditação da Bênção dos Centros de Energia, a sua
missão é abrandar as ondas cerebrais e combinar uma emoção elevada com
uma intenção de abençoar cada centro de energia para o bem maior – amá-
los para que regressem à vida – e depois entregar-se e permitir ao seu
sistema nervoso autónomo que assuma o comando, porque este já sabe
como o deve fazer sem a ajuda da sua mente consciente. Não está a pensar,
não está a visualizar nem está a analisar. Está a fazer uma coisa que de
início pode parecer muito mais difícil: a plantar uma semente de informação
e a entregar-se, permitindo-lhe receber instruções e energia, e usá-las para
criar mais equilíbrio e mais ordem no seu corpo.
Já medimos a eficiência com que os nossos estudantes usam esta
meditação para aumentar a energia em cada um dos seus centros e atingir o
equilíbrio entre eles. Para o fazer, usamos o mecanismo de visualização de
descarga de gás de que lhe falei num capítulo anterior, para medir os
campos energéticos dos participantes antes e depois de fazerem a meditação
da Bênção dos Centros de Energia. A tecnologia GDV usa uma câmara
especializada para captar as imagens do dedo de um indivíduo em cuja
ponta é aplicada uma corrente elétrica fraca (e totalmente indolor) durante
menos de um milissegundo. O corpo reage à corrente descarregando uma
nuvem de eletrões. Embora a descarga não seja visível a olho nu, a câmara
do aparelho GDV pode captá-la e traduzi-la para um ficheiro informático
digital. Depois, um programa informático, chamado Bio-Well, usa os dados
para criar uma imagem como a que vê no gráfico 4 do extratexto a cores.
Os gráficos 4A a 4D mostram como os centros de energia do indivíduo
são equilibrados (ou desequilibrados), tanto antes como depois da
meditação. O programa Bio-Well usa os mesmos dados do GDV para fazer
uma estimativa da frequência de cada centro de energia, comparando-a com
a média. Os centros de energia equilibrados apareceriam num alinhamento
perfeito, enquanto os centros desequilibrados apresentariam um padrão
descentrado. O tamanho do círculo que representa cada centro de energia
mostra se a sua energia é inferior, igual ou superior à média, e qual é a
diferença. O lado esquerdo de cada exemplo no gráfico 4 mostra as
medições dos centros de energia do indivíduo tiradas antes de começarmos
o nosso seminário, enquanto o lado direito mostra as medições tiradas
poucos dias mais tarde.
Observe agora os gráficos 5A a 5D. O lado esquerdo desta figura mostra
a medida do campo de energia à volta de todo o corpo de cada estudante
antes de darmos início ao evento, enquanto o lado direito mostra a medida
do campo à volta de todo o corpo depois de o evento ter acabado.
Também usámos o aparelho GDV para medir como esta meditação
(bem como qualquer das outras meditações neste livro) reforça o campo de
energia à volta do corpo. Como em breve irá ler nas instruções, no início da
meditação eu peço-lhe repetidamente que dirija a sua atenção não só para
várias partes do seu corpo como também para o espaço entre essas partes –
e depois, no fim da meditação, para o espaço que rodeia todo o seu corpo.
Como já aprendeu, a sua energia vai para onde direcionar a sua atenção;
logo, se estiver a focar-se num espaço, é naturalmente para lá que a sua
energia irá. Ao fazê-lo, está a usar a sua atenção, a sua consciência e a sua
energia para construir e reforçar o campo de luz e informação à volta do seu
corpo. Isto, por sua vez, vai criar ordem e sintropia, em vez de desordem e
entropia. É agora composto por mais energia coerente e menos matéria – e
tem o seu próprio campo reforçado de luz e informação ao qual pode
recorrer para criar.
Meditação da Bênção dos Centros de Energia
Esta meditação tornou-se numa das mais populares entre os nossos
estudantes e resultou numa quantidade impressionante de resultados sobre-
humanos. Como fiz num capítulo anterior, vou-lhe dar algumas instruções
básicas para que, se decidir fazer a meditação sozinho, saiba como avançar.
Comece por dirigir a sua atenção para o primeiro centro de energia, e
depois vá abrindo a sua atenção para o espaço à volta deste centro. Assim
que sentir este espaço à volta do centro de energia, abençoe esse centro para
o bem maior, e depois ligue-se a emoções elevadas – como o amor, a
gratidão ou a alegria –, para elevar a frequência deste centro e também criar
um campo de energia coerente.
Faça-o para cada um dos sete centros do corpo e, quando chegar ao
oitavo centro, que se situa cerca de 40 centímetros acima da sua cabeça,
abençoe este centro com gratidão, admiração ou reconhecimento, porque a
gratidão é o estado máximo de recetividade. Este centro irá então começar a
abrir a porta a informação profunda do campo quântico.
A seguir, abra o seu foco e dirija a sua atenção para a energia
eletromagnética à volta de todo o seu corpo, criando um novo campo
energético. À medida que o seu corpo recorre a um novo campo de energia
eletromagnética, vai-se tornando mais luz, mais energia e menos matéria – e
vai elevar a frequência do seu corpo.
Lembre-se: para criar o ilimitado, tem de se sentir ilimitado. Para se
curar de uma forma grandiosa, tem de ser sentir grandioso. Aceda à emoção
elevada e mantenha-a durante a meditação.
Assim que tenha abençoado cada centro de energia, deite-se durante
pelo menos quinze minutos. Descontraia-se, entregue-se, e deixe que o seu
sistema nervoso autónomo receba as instruções e integre toda esta
informação no seu corpo.
15 Popp, Nagl, Li, et al., “Biophoton Emission: New Evidence for
Coherence and DNA as Source.”
16 L. Fehmi e J. Robbins, The Open-Focus Brain: Harnessing the
Power of Attention to Heal Mind and Body (Boston: Trumpeter Books,
2007).
17 A. Hadhazy, “Think Twice: How the Gut’s ‘Second Brain’
Influences Mood and Well-Being”, Scientific American Global RSS (12 de
fevereiro de 2010), http://www.scientificamerican.com/article/gut-second-
brain/.
18 C. B. Pert, Molecules of Emotion (Nova Iorque: Scribner, 1997).
19 F. A. Popp, “Biophotons and Their Regulatory Role in Cells”,
Frontier Perspectives (The Center for Frontier Sciences at Temple
University, Philadelphia), vol. 7, n.o 2: pp. 13-22 (1988).
20 C. Sylvia com W. Novak, A Change of Heart: A Memoir (Nova
Iorque: Warner Books, 1997).
21 P. Pearsall, The Heart’s Code: Tapping the Wisdom and Power of
Our Heart Energy (Nova Iorque: Broadway Books, 1998), p. 7.
CAPÍTULO 5

RECONDICIONAR O CORPO A UMA NOVA


MENTE
Neste capítulo, vou falar-vos sobre como utilizar uma técnica de
respiração a que recorremos antes de começarmos muitas das nossas
meditações. Vou explicar-lhe essa técnica pormenorizadamente, porque
compreender como ela funciona é essencial para a sua capacidade de
verdadeiramente transformar a sua energia e libertar o seu corpo do
passado. Como verá, o uso correto da respiração é um dos pontos cruciais
para se tornar sobre-humano. Para obter todos os benefícios desta técnica,
saber no que ela consiste e qual o motivo para a usar será a base da sua
experiência e tornará o como muito mais fácil para si – além de fazer com
que a técnica seja muito mais eficaz. Assim que compreender a fisiologia
desta respiração em particular, irá ser capaz de atribuir significado à
atividade, de a levar a cabo com mais intenção, de a fazer corretamente, e
de obter todos os benefícios de uma respiração correta para extrair a mente
do corpo e assim recondicionar o corpo a uma nova mente.
Antes de começarmos, quero rever o círculo vicioso pensar-sentir, que
discutimos no capítulo 2, porque esses conceitos são fulcrais para a
meditação deste capítulo. Como se recordará, os pensamentos causam
reações bioquímicas no seu cérebro que libertam sinais químicos, e esses
sinais químicos fazem com que o corpo se sinta exatamente como estava a
pensar. Esses sentimentos levam-no, então, a gerar mais pensamentos que o
fazem sentir da forma que estava a pensar. Ou seja, os seus pensamentos
orientam os seus sentimentos, e os seus sentimentos orientam os seus
pensamentos, e este círculo acaba por consolidar estruturas no seu cérebro,
condicionando o seu corpo ao passado. Como as emoções são registos de
experiências passadas, se não puder pensar melhor do que se sente, este
círculo pensar-sentir irá mantê-lo ancorado ao passado, criando um estado
de ser constante. É assim que o corpo se transforma na mente – ou, passado
algum tempo, que os seus pensamentos mandam em si e os seus
sentimentos se tornam seus donos.
Assim que o corpo se transforma na mente dessa emoção, o seu corpo
estará literalmente no passado. E uma vez que o seu corpo é a sua mente
inconsciente, é tão objetivo que não sabe a diferença entre a experiência na
sua vida, que cria a emoção, e a emoção que é criada só pelo pensamento.
Sempre que for apanhado neste círculo vicioso pensar-sentir, o corpo irá
pensar que está a viver a mesma experiência do passado, 24 horas por dia, 7
dias por semana, 365 dias por ano. O corpo acredita que está a viver a
mesma experiência do passado porque, para o corpo, a emoção é
literalmente a experiência.
Vamos presumir que teve algumas experiências difíceis na sua vida que
o marcaram emocionalmente, e que nunca ultrapassou o medo, a amargura,
a frustração e o ressentimento que essas experiências causaram. Sempre que
tiver uma experiência no seu ambiente exterior, que seja de alguma forma
semelhante ao que aconteceu anteriormente, a experiência vai ativá-lo, e
sentirá as mesmas emoções que sentiu na altura do primeiro acontecimento.
Assim que sentir a mesma emoção que sentiu há 30 anos, aquando do
primeiro evento, é bem possível que se porte da mesma forma, porque essas
emoções estão a guiar os seus pensamentos e comportamentos conscientes
ou inconscientes. Essas emoções tornaram-se tão familiares, que vai julgar
que elas fazem parte da sua identidade.
Trinta e tal anos depois, se continuar a pensar, a agir e a sentir da
mesma forma, se não transformar nada dentro de si, a maior parte do seu ser
vai tornar-se um amontoado de memórias, de pensamentos automáticos,
reações emocionais reflexivas, hábitos e comportamentos inconscientes,
crenças e perceções subconscientes e atitudes rotineiras. Na realidade, 95
por cento do que somos, quando chegamos à idade adulta, é de tal forma
moldado pela repetição de gestos, que o corpo se programou para ser a
mente, e é o corpo, não a mente consciente, que manda em tudo22. Isto
significa que cerca de 5 por cento de quem nós somos é consciente, e que os
95 por cento restantes são um programa corpo-mente subconsciente. Para
criar alguma coisa significativamente diferente nas nossas vidas, temos de
encontrar uma forma de tirar a mente do corpo e de alterar o nosso estado
de ser, e é exatamente para isso que serve a meditação que lhe vou ensinar
no final deste capítulo.
Como a energia se acumula no corpo
Vamos agora ver como o círculo vicioso pensar-sentir funciona em
relação aos centros de energia do corpo – sobretudo os três primeiros, os
centros de sobrevivência, onde causa a maioria dos problemas. É assim
porque os pensamentos e os sentimentos da maioria das pessoas ativam
esses centros de energia. Como se recordará do capítulo anterior, cada um
dos centros de energia do corpo tem a sua própria energia, as suas próprias
glândulas, hormonas, química e os seus circuitos neuronais – e cada um tem
o seu próprio minicérebro, ou mente (pode-se dizer que cada um pensa por
si). Estes minicérebros são programados no corpo para operar
subconscientemente através do sistema nervoso autónomo. Desta forma,
cada centro tem a sua própria energia, e o nível correspondente de
consciência, e cada um está associado a emoções específicas que
correspondem a esse centro.
Digamos, então, que concebe um pensamento do género o meu patrão é
injusto. A figura 5.1 ilustra como este tipo de pensamentos ativa uma rede
neurológica no seu cérebro. A seguir vem outro pensamento, sou mal pago,
que ativa uma segunda rede neurológica. Depois pensa trabalho demais, e
já ninguém o para. Como a mente é o cérebro em ação, se continuar a ter
mais pensamentos semelhantes e ativar uma quantidade suficiente de redes
neuronais em conjunção – seguindo uma sequência, um padrão e uma
combinação específicos –, irá produzir um nível de mente que então criará
uma representação interior de uma imagem de si mesmo no lobo frontal do
seu cérebro. É aí que pode fazer com que os seus pensamentos interiores
sejam mais reais do que o seu ambiente exterior. Neste caso, irá ver-se
como uma pessoa zangada. Se aceitar, acreditar e entregar-se a essa ideia, a
esse conceito ou a essa imagem sem qualquer análise, os
neurotransmissores – mensageiros químicos, que enviarão informação entre
neurónios no seu cérebro para produzir esse nível de mente – começarão a
influenciar neuropeptídeos, que são mensageiros químicos criados pelo
sistema nervoso autónomo dentro do cérebro límbico. Pense nos
neuropeptídeos como moléculas de emoção. Os neuropeptídeos sinalizam
centros hormonais, neste caso ativando as glândulas suprarrenais no terceiro
centro de energia. Com as glândulas suprarrenais a libertar as suas
hormonas, irá sentir-se bastante irritado. E irá transmitir uma assinatura
energética específica pelo terceiro centro de energia, que na prática
transporta a mensagem “mandem-me outra razão para continuar a sentir-me
como já estou a sentir-me – mandem-me outro motivo para continuar a
sentir-me zangado”. A ativação deste centro produz uma frequência
específica que transporta uma mensagem concreta.

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FIGURA 5.1
Este gráfico demonstra como acumulamos energia sob a
forma de emoções no nosso terceiro centro, em consequência
de sermos captados num círculo vicioso pensar-sentir
específico.
O seu cérebro observa o seu estado químico e, assim que se sentir
zangado, vai à procura de mais pensamentos equivalentes ao que sente. O
meu patrão é mesmo parvo! Devia demitir-me do emprego. Este condutor é
um imbecil! O meu colega roubou-me a ideia! Tenho razão e os outros
todos estão errados. O cérebro ativa e liga repetidamente circuitos
semelhantes e se ativar muitos deles, continuará a produzir o mesmo nível
de mente. Isto reafirma a sua identidade com a mesma imagem no seu
prosencéfalo. E então, o cérebro límbico cria mais dos mesmos
neuropeptídeos, que por sua vez sinalizam as mesmas hormonas do seu
terceiro centro de energia, e começará a sentir-se cada vez mais zangado e
mais frustrado – o que irá então influenciá-lo a ter mais dos mesmos
pensamentos equivalentes. O círculo vicioso pode prolongar-se ao longo de
décadas, independentemente de aquilo que esteja a pensar estar correto ou
não. A redundância deste círculo vicioso formata o cérebro numa certa
estrutura (neste caso, a estrutura da raiva) e condiciona emocionalmente o
corpo ao passado de forma continuada.
O corpo torna-se na mente da raiva, e a raiva já não está na mente que
fica no seu cérebro (os cinco por cento conscientes do seu pensamento); em
vez disso, a raiva fica armazenada, sob a forma de energia, na mente-corpo,
os 95 por cento da sua mente que está subconsciente. Como é
subconsciente, não se apercebe de fazer isto, mas é o que se está a passar.
Toda aquela emoção inicialmente criada pelo pensamento (porque todos os
pensamentos têm uma energia correspondente) fica acumulada como
energia no corpo, presa no terceiro centro, no plexo solar.
Esta energia acumulada produz um efeito biológico equivalente – neste
caso, pode ser cansaço adrenal, problemas digestivos, problemas renais ou
um sistema imunitário enfraquecido – já para não falar de outros efeitos
psicológicos, como irritação, impaciência, frustração ou intolerância. Com
o passar dos anos, continuará a produzir os mesmos pensamentos que
continuarão a sinalizar os mesmos sentimentos, e continuará a habituar o
seu cérebro a esta estrutura muito limitada – e da mesma forma continuará a
recondicionar o seu cérebro a tornar-se na mente da raiva. Assim se
armazena uma enorme quantidade da sua energia criativa no terceiro centro
de energia do corpo, sob a forma de raiva, amargura, frustração,
intolerância, impaciência ou ódio.
E se, em vez de sentir raiva, começasse a ter pensamentos que o
fizessem sentir vitimizado ou culpado? A vida é muito difícil! Sou um mau
pai. Não devia ter sido tão mal-educado. Fiz asneira? Se observar a figura
5.2, verá a mesma coisa a acontecer: ter estes pensamentos ativa uma outra
rede de neurónios no seu cérebro. Se ativar e ligar um grande número destas
redes, produzirá um nível de mente diferente, e o cérebro criará uma
imagem interior de si que reafirma a sua identidade (neste caso, a de uma
pessoa culpada). Começa a pensar: Deus vai punir-me. Ninguém gosta de
mim. Sou inútil. Assim que aceitar e acreditar nestes pensamentos de culpa
sem nenhuma análise, assim que se entregar a eles, os neurotransmissores,
que ativam as redes neuronais no seu cérebro, influenciarão uma outra
mistura de neuropeptídeos (que sejam equivalentes a esses pensamentos de
sentir-se culpado), e esses neuropeptídeos irão sinalizar outro centro
hormonal – neste caso, o segundo centro. Com o passar do tempo, ao recriar
o mesmo círculo vicioso pensar-sentir, sentir-pensar, irá começar a
armazenar a sua energia no corpo, neste segundo centro. Assim se começará
a produzir um efeito biológico: visto que sente culpa no seu ventre, poderá
começar a sentir-se enjoado ou doente, ou poderá sentir dor nesta área do
seu corpo – juntamente com emoções como o sofrimento, a infelicidade ou
a tristeza.
Se com o passar do tempo continuar a sentir-se culpado, terá mais
pensamentos de culpa, que ativarão e ligarão mais neurónios, que irão
sinalizar mais neuropeptídeos, que causarão a emissão de mais hormonas no
segundo centro. Entretanto, continuará a condicionar o corpo para se tornar
a mente da culpa e do sofrimento, e irá acumular cada vez mais energia
como emoção no segundo centro. Também continuará a emitir uma
assinatura energética com informação específica, através do segundo centro
de energia até ao campo energético do seu corpo.
Digamos que agora começa a ter um conjunto de pensamentos
completamente diferentes. O que acontece se tiver fantasias sexuais sobre
alguém? Agora está a ativar uma rede neuronal diferente no seu cérebro, e
está a produzir uma mente de um nível diferente. E, tal como antes, se
ativar e ligar muitas dessas redes, irá obter uma representação interna
diferente no lobo frontal do seu cérebro. Assim que o pensamento ou a
imagem a que está a dedicar a sua atenção se tornar mais real do que o seu
mundo exterior, o pensamento torna-se literalmente na experiência, e o
produto final dessa experiência é o sentimento correspondente.
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FIGURA 5.2
Este gráfico demonstra como armazenamos energia sob a
forma de emoções no nosso segundo centro, em consequência
de sermos apanhados num círculo vicioso de pensar-sentir.
Em consequência, o seu corpo fica excitado. Esse centro está agora
ativado com uma energia específica, que transporta uma mensagem ou uma
intenção particulares, que se vira para o plexo de neurónios independente
desse centro para produzir uma mente específica, que então sinaliza os
genes nas glândulas correspondentes para produzirem químicos e hormonas
iguais a esses pensamentos. Agora sente-se convencido de ser o grande
garanhão ou a grande sedutora do universo. Se aceitar esse pensamento ou
essa imagem de si sem nenhuma análise, se se entregar a ele, então os
neurotransmissores do cérebro começarão a influenciar um outro tipo de
neuropeptídeos no cérebro límbico. Sinalizarão hormonas no primeiro
centro de energia, programando o sistema nervoso autónomo para preparar
esse centro para a ativação. Creio que conhecerá bem os efeitos biológicos
do que se segue.
Essas reações biológicas vão fazer com que se sinta de determinada
maneira, e irá ter mais pensamentos equivalentes a esse sentimento. E então
passará a armazenar energia no primeiro centro e a transmitir uma
assinatura vibracional que transporta uma mensagem específica desse
centro para o campo energético no seu corpo. O seu cérebro está a observar
como se sente, e irá gerar ainda mais pensamentos equivalentes – e o
círculo continua. É assim que o corpo reage à mente, até se converter na
mente.
Agora compreende como os seus pensamentos condicionam o seu corpo
a transformar-se na mente da emoção que esteja a sentir e como, quando
isso acontece, está a armazenar mais energia no centro de energia
correspondente a essa emoção. O centro onde a maioria dessa energia for
armazenada é o que está associado às emoções que vive repetidamente.
Se for excessivamente sensual, excessivamente sexual ou
excessivamente preocupado com a atração que os outros sentem por si, a
sua energia ficará presa no primeiro centro. Se viver um excesso de culpa,
tristeza, medo, depressão, vergonha, indignidade, fraca autoestima,
sofrimento ou dor, a sua energia ficará presa no seu segundo centro. E se
tiver problemas de raiva, agressividade, frustração, autocontrolo, avaliação
ou egocentrismo, a sua energia ficará presa no terceiro centro. (Esperemos
que, por esta altura, já tenha feito a meditação da Bênção dos Centros de
Energia, e tenha começado a sentir como a energia em cada um dos seus
centros consegue evoluir para o centro seguinte, aumentando a sua
frequência à medida que sobe.)
Mais tarde ou mais cedo, o corpo passa a ser a mente dessa emoção, e
assim que essa energia for armazenada (ou, para ser mais preciso, assim que
ficar presa) num ou mais desses centros de energia inferiores, o corpo estará
então literalmente no passado. Isto quer dizer que já não há energia
disponível para criar um novo destino. Quando isto ocorre, o seu corpo
passa a ser mais matéria e menos energia, porque, como leu antes, os
primeiros três centros (que se baseiam nas emoções de sobrevivência)
diminuem o campo de energia vital à volta do seu corpo.
Sejamos claros: não lhe estou a dizer para não ter relações sexuais, não
apreciar a comida, nem sequer para nunca se sentir stressado. O que estou a
dizer-lhe é que, se está desequilibrado, é porque esses três primeiros centros
estão desequilibrados. E imagine se todos eles ficarem sobre-estimulados ao
mesmo tempo – facilmente compreende como é que a energia do seu corpo
irá diminuir com o tempo. Se isso acontecer, não há muita energia
disponível para o crescimento, para a cura, para a regeneração, para a
criação, e até mesmo para restaurar o equilíbrio.
Paralelamente, muitas pessoas que se sentem desequilibradas poderão
retirar-se das suas vidas e limitar a quantidade de alimentos que ingerem.
Ao digerir menos comida, o seu corpo tem mais energia para se reequilibrar.
Também poderão abster-se de relações sexuais durante algum tempo,
permitindo ao corpo restaurar-se. Durante esse retiro, também irão afastar-
se da estimulação constante que normalmente recebem no seu ambiente
natural, incluindo os amigos, filhos, colegas, compromissos e rotinas, o
emprego, os computadores, a casa e os telemóveis. Isto ajuda o corpo a não
reagir (consciente ou inconscientemente) a todos esses elementos familiares
do seu mundo exterior, que estão associados a pensamentos e memórias
emocionais do passado.
A técnica de respiração que lhe apresento em seguida vai ensiná-lo a
libertar-se da energia que foi acumulando nos três primeiros centros, de
forma a poder fluir para o cérebro – de onde tinha vindo. Quando usa a
respiração para libertar essas emoções, a energia fica disponível para
desígnios mais elevados. Terá mais energia para se curar, para criar uma
vida diferente, para manifestar mais riqueza ou ter uma experiência mística,
só para dar alguns exemplos. Estas emoções que são acumuladas no corpo
como energia serão transformadas num outro tipo de energia que transporta
uma mensagem diferente através das emoções elevadas da inspiração, da
liberdade, do amor incondicional, e da gratidão. É a mesma energia; apenas
está presa no corpo. A respiração é uma forma de tirar a mente do corpo. Irá
usar o seu corpo como um instrumento de consciência para obrigar a sua
energia a ascender – a transformar essas emoções de sobrevivência em
emoções criativas. Ao libertar o seu corpo das correntes do passado e a
libertar essa energia, terá energia ao seu dispor para fazer o invulgar – para
chegar ao sobre-humano.
FIGURA 5.3
Um íman tem um campo eletromagnético invisível à sua
volta. Quanto mais forte for a polaridade entre os polos norte e
sul, mais corrente se move pelo íman e maior é o campo
eletromagnético.
O corpo como íman
Pense num íman ao observar a figura 5.3. Os ímanes, naturalmente, têm
polaridade: cada um tem um polo norte e um polo sul; uma extremidade
tem uma carga positiva e a outra tem uma carga negativa. A polaridade
entre os extremos de um íman é o que faz com que ele produza um campo
eletromagnético. Quanto mais forte for a polaridade entre os dois polos,
maior será o campo eletromagnético produzido pelo íman. Esse campo
eletromagnético não se vê, mas existe – e pode ser medido.
A força do campo eletromagnético de um íman pode até influenciar a
matéria. Se pegasse em fragmentos metálicos minúsculos e os distribuísse
sobre uma folha de papel, pusesse outra folha de papel por cima deles e
finalmente pousasse um íman sobre a segunda folha, os fragmentos iriam
organizar-se à volta do campo eletromagnético do íman. Este campo tem
força para afetar a realidade material – embora a frequência deste campo
exista para lá dos seus sentidos. A figura 5.4 ilustra este fenómeno.

FIGURA 5.4
O campo eletromagnético de um íman organiza fragmentos
de metal colocados sob ele segundo os padrões do campo.
A Terra é um íman. Como qualquer outro íman, tem o polo norte e o
polo sul, bem como um campo eletromagnético à sua volta. Embora o
campo propriamente dito seja invisível, todos conhecemos uma forma
espantosa de verificar a sua existência; o campo eletromagnético da Terra
desvia os fotões do Sol e, durante uma erupção solar ou uma ejeção de
massa coronal, esse campo desvia biliões de fotões lançados na direção da
Terra num fenómeno pulsante e colorido conhecido por aurora boreal.
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FIGURA 5.5
Quando há um fluxo de energia a mover-se pelo corpo, tal
como com um íman, há um campo eletromagnético mensurável
à volta do corpo. Quando vivemos em modo de sobrevivência
e recorremos ao campo de energia invisível ao redor do corpo,
reduzimos o nosso campo eletromagnético. Além disso,
quando a energia está presa nos primeiros três centros, porque
estamos aprisionados num círculo vicioso pensar-sentir, há
menos corrente a passar pelo corpo e o campo
eletromagnético é menor.
O seu corpo também é um íman. As culturas antigas (sobretudo as
asiáticas) sabem-no há milhares de anos. O seu polo norte é a sua mente e o
seu cérebro, e o seu polo sul é o seu corpo na base da sua espinha. Se viver
segundo as hormonas do stress (as emoções da sobrevivência) ou se usar
em excesso os outros dois centros de energia de sobrevivência, estará
constantemente a recorrer à energia deste campo invisível. A energia deixa
então de fluir pelo corpo que, em modo de sobrevivência, a tira do campo
eletromagnético e a acumula nos três primeiros centros. (É isto que ocorre
quando o círculo vicioso pensar-sentir de que falámos antes é ativado.)
Se este estado de coisas persistir durante muito tempo, o corpo não terá
nenhuma carga elétrica a passar por si, e sem carga elétrica não consegue
criar o campo eletromagnético que normalmente o rodeia. Quando assim é,
o corpo deixa de ser um íman. Agora é como um pedaço de metal normal –
um íman que perdeu a sua carga. Como pode observar na figura 5.5, o
corpo é agora mais matéria e menos energia (ou mais partícula e menos
onda).
*
Claro, se houvesse forma de fazer a energia armazenada nos primeiros
três centros voltar a mover-se, a corrente voltaria a fluir e o corpo recriaria
o campo eletromagnético. É isso que faz a respiração – dá-nos uma forma
de extrair a mente do corpo e de movimentar toda essa energia armazenada
nos primeiros três centros pela espinha acima até ao cérebro, restaurando o
campo eletromagnético à volta do corpo. Assim que isso acontecer,
podemos usar essa energia com outros fins para lá da sobrevivência. Vamos
ver como os nossos corpos físicos são construídos, para podermos
compreender o que torna isso possível.
*
Observe a figura 5.6. Tem na base da sua espinha um osso chamado
sacro, que parece um triângulo invertido com uma plataforma em cima.
Sobre essa superfície lisa está a coluna vertebral, que se prolonga até ao
crânio. Dentro desse sistema fechado encontra-se o sistema nervoso central,
composto pelo cérebro e pela espinal medula. Na prática, a espinal medula
é uma extensão do seu cérebro. O crânio e a coluna vertebral protegem este
delicado sistema.
FIGURA 5.6
O seu sacro, a sua coluna vertebral e o seu crânio são as
estruturas ósseas que protegem o sistema mais delicado do
seu corpo: o sistema nervoso central, que controla e coordena
todos os outros.
O sistema nervoso central é um dos mais importantes do corpo porque
controla todos os outros sistemas. Sem a ajuda do sistema nervoso central,
não seria capaz de digerir a sua comida, de esvaziar a bexiga, de mover o
corpo, e o seu coração não conseguiria bater. Não seria sequer capaz de
piscar os olhos sem o sistema nervoso. Pode pensar neste sistema como os
fios elétricos que dão vida à máquina que é o seu corpo.
Dentro deste sistema fechado está o líquido cefalorraquidiano que é
filtrado do sangue no cérebro. Este fluido banha o cérebro e a espinal
medula, e é responsável por proteger o sistema nervoso central. Funciona
como uma almofada para defender o cérebro e a espinal medula de
traumatismos, e flui em vários rios e caminhos que transportam nutrientes e
químicos a várias partes do sistema nervoso por todo o corpo. Pela sua
natureza, este líquido atua como condutor para reforçar cargas elétricas no
sistema nervoso.
Vamos agora regressar ao seu sacro. Sempre que inspira, o osso do
sacro flete-se ligeiramente para trás, e sempre que expira ele flete-se
ligeiramente para a frente. Este é um movimento extremamente subtil – tão
subtil que nem reparamos nele, nem que tentemos. Mas acontece. Ao
mesmo tempo que inspira, as suturas do crânio (as articulações entre as
placas do crânio, que encaixam como peças de um puzzle e dão alguma
flexibilidade ao crânio) abrem-se muito ligeiramente e, ao expirar, voltam a
fechar-se23. Novamente, isto é extremamente subtil. Não se consegue sentir
enquanto acontece.
O movimento do seu sacro para trás e para a frente ao inspirar e expirar
lentamente, juntamente com a abertura e fecho das suturas do crânio,
propaga uma onda dentro do fluido deste sistema fechado, e bombeia
lentamente o líquido cefalorraquidiano pela sua coluna vertebral até chegar
ao cérebro, passando por quatro câmaras a que se chama aquedutos ou
ventrículos cerebrais. Se conseguisse marcar uma molécula de líquido
cefalorraquidiano e a seguisse desde a base da sua espinha até ao cérebro, e
depois de regresso ao seu sacro, veria que leva 12 horas a completar um
circuito24. Ou seja, na prática, este fluido está a percorrer o cérebro duas
vezes por dia. Observe a figura 5.7 para ver como é.
Agora pense no que poderia acontecer se contraísse os músculos
intrínsecos do seu períneo (os mesmos que usa para as relações sexuais e
para defecar) e os aguentasse, e depois fizesse o mesmo com os músculos
do baixo-ventre e a seguir com os músculos do abdómen. Se continuasse a
fazer força e a contrair esses músculos nos seus três primeiros centros de
energia, o fluido no seu sistema nervoso central iria subir, tal como se vê na
figura 5.8. Estaria a mover esse líquido cefalorraquidiano no seu sistema
nervoso central pela sua espinha acima. Sempre que contraísse os músculos
desses centros, o líquido seria empurrado para cima.
FIGURA 5.7
Ao inspirar, o seu sacro flete-se ligeiramente para trás e as
suturas do seu crânio expandem-se. Ao expirar, o seu sacro
flete-se ligeiramente para a frente e as suturas fecham-se. É
esta ação natural da respiração, que lentamente propaga uma
onda, que impele o líquido cefalorraquidiano para cima e para
baixo pela medula espinal e a atravessar o cérebro.
Depois imagine que focou a sua atenção para o cimo da sua cabeça. A
sua energia vai para onde a sua atenção for, portanto, ao pôr a sua atenção
no cimo da sua cabeça, esse seria o alvo da energia em movimento. A
seguir pense em inspirar lenta e prolongadamente pelo nariz e, ao mesmo
tempo, fazer força e contrair os músculos do períneo, depois os do baixo-
ventre, e depois os do abdómen – e ao mesmo tempo seguindo a respiração
pela coluna vertebral, percorrendo o peito, a garganta e o cérebro, sempre
até ao topo da sua cabeça. Imagine que, ao chegar ao topo da sua cabeça,
prende a respiração enquanto continua a fazer força. Estaria a puxar esse
líquido cefalorraquidiano para cima, para o seu cérebro.
Isso é significativo, porque o líquido cefalorraquidiano é composto por
proteínas e sais dissolvidos, e assim que as proteínas e os sais se dissolvem,
ganham uma carga elétrica. Se aceleramos uma molécula carregada – como
aconteceria ao fazer essa molécula subir pela nossa espinha – criamos um
campo de indutância. A indutância é um campo invisível de energia
eletromagnética com um movimento circular que segue a direção das
moléculas carregadas. Quanto mais moléculas carregadas acelerarmos,
maior e mais poderoso será o campo de indutância. Observe a figura 5.9
para saber como é o campo de indutância.

FIGURA 5.8
Ao contrair os músculos intrínsecos da parte inferior do
tronco e ao mesmo tempo inspirar longa e prolongadamente
pelo nariz, enquanto foca a sua atenção no cimo da cabeça,
está a acelerar o movimento do líquido cefalorraquidiano na
direção do cérebro, e dá origem a uma corrente pelo seu
corpo, subindo o eixo central da espinha.
Pense na espinal medula como um cabo de fibra ótica, que funciona
como uma autoestrada com dois sentidos, a qual simultaneamente comunica
informação do corpo para o cérebro e do cérebro para o corpo. Todos os
segundos, informação importante é passada do seu cérebro para o seu corpo
(tal como o desejo de ir para o outro lado da sala ou de coçar a comichão).
No mesmo instante, muita da informação do corpo é transportada pela sua
medula espinal até ao cérebro (tal como a informação sobre a localização
do seu corpo no espaço ou o sinal de que tem fome). Ao acelerar essas
moléculas carregadas na direção ascendente pela espinha, o campo de
indutância resultante irá reverter a corrente de informação que desce do
cérebro para o corpo, e irá extrair energia dos três centros inferiores pela
espinha até ao cérebro. Observe a figura 5.10A para ver como isso
funciona. Agora há uma corrente a fluir pelo corpo e pelo sistema nervoso
central – tal como um íman – e assim o mesmo tipo de campo energético
eletromagnético que rodeia um íman fica a rodear o corpo, como pode ver
na figura 5.10B.

FIGURA 5.9
O líquido cefalorraquidiano é composto por moléculas
carregadas. Ao acelerar moléculas carregadas numa direção
pela espinha acima, produz-se o campo de indutância que se
move na direção das moléculas carregadas.
O campo de indutância é criado pela aceleração do líquido
cefalorraquidiano pela espinha acima, atraindo a energia
armazenada nos três primeiros centros de regresso ao cérebro.
Assim que houver uma corrente a fluir da base da espinha até
ao cérebro, o corpo converte-se num íman, e cria-se o campo
eletromagnético toroidal.
O campo de energia eletromagnética que criou é o campo
tridimensional. Ao mover-se, esta energia cria o campo de torção, ou
toroidal. Já agora, a forma deste campo eletromagnético é um padrão
habitual no universo; este padrão pode manifestar-se sob a forma de uma
maçã, bem como sob a forma de um buraco negro numa galáxia distante
(observe a figura 5.11).
FIGURA 5.11
Das maçãs aos buracos negros, a forma de um toroide é
um padrão criativo repetido na natureza.
Agora compreende que, ao fazer esta técnica de respiração, está a
começar a mexer significativamente naquela energia acumulada. E, se fizer
esta técnica corretamente e múltiplas vezes, irá acordar um dragão
adormecido.
Fazer evoluir energia para o cérebro
Assim que esta energia é ativada, o sistema nervoso simpático
(subsistema do seu sistema nervoso autónomo, que estimula o cérebro e o
corpo em resposta a ameaças do seu ambiente exterior) intervém e a energia
começa a subir dos três centros de energia inferiores para o cérebro. Mas,
em vez de o corpo ser estimulado por alguma condição exterior, estará a
ativar o sistema nervoso simpático do interior, pelo recurso à respiração.
Quando o sistema nervoso simpático começa a fundir-se com o sistema
nervoso parassimpático (outro subsistema do seu sistema nervoso
autónomo, que descontrai o seu cérebro e o seu corpo, por exemplo depois
de uma grande refeição), é como se a energia, que viaja dos centros
inferiores, ejaculasse no cérebro. Quando esta energia chega ao bolbo
raquidiano, abre-se o chamado portal talâmico, permitindo-lhe assim entrar
no cérebro.
Assim que esta energia, que de início estava armazenada no corpo, entra
no cérebro, este produz ondas cerebrais gama. (Verificámos que muitos
estudantes produziam ondas gama ao usar esta técnica de respiração.) Vale
a pena falar das ondas cerebrais gama – aquilo a que eu chamo
superconsciência – não só por produzirem o máximo de energia de todas as
ondas cerebrais, como também porque essa energia vem de dentro do corpo,
em vez de ser libertada em resposta a um estímulo do ambiente, do mundo
exterior.
Em contrapartida, o cérebro produz ondas beta altas quando o corpo
liberta hormonas do stress, permitindo-lhe estar especialmente alerta em
relação a perigos no seu ambiente. Nas ondas beta, o mundo exterior parece
mais real do que o mundo interior. Embora as ondas gama produzam uma
excitação semelhante no cérebro – o que por sua vez resulta numa
consciência, numa atenção e numa energia elevadas relativamente a
experiências mais criativas, transcendentais ou místicas –, a diferença é que,
com elas, o que acontece no seu mundo interior se torna muito mais real
para si do que as muitas experiências que sentiu no mundo exterior.
Observe a figura 5.12 e reveja como as ondas cerebrais beta e gama são
semelhantes.
Muitos dos nossos estudantes que fazem esta técnica de respiração
apresentam ondas cerebrais beta altas a caminho da banda gama (as ondas
cerebrais com frequências mais elevadas) – ou ficam só por estes estados
beta de nível muito alto. Estamos a chegar à conclusão de que estar nos
níveis beta mais altos pode significar também que um indivíduo está a
prestar mais atenção ao seu mundo interior do que ao exterior. Além de
observarmos mais energia no cérebro depois de esta técnica de respiração
ter sido usada, também notámos repetidamente quantidades mais
significativas de coerência cerebral.
FIGURA 5.12
Pela libertação da energia acumulada nos primeiros três
centros, o cérebro é estimulado e passa para as ondas
cerebrais gama. Quando isto acontece, o cérebro pode passar
por ondas cerebrais beta altas a caminho da banda gama. As
ondas cerebrais beta altas são tipicamente produzidas por
estímulos externos ao cérebro, que nos fazem concentrar a
atenção no que tiver causado o estímulo.
As ondas cerebrais gama são normalmente criadas por
estímulos do nosso ambiente interior, que nos fazem prestar
atenção ao que se esteja a passar no mundo interior da nossa
mente. Esta comparação revela as semelhanças entre ondas
beta altas e ondas cerebrais gama, embora as frequências
gama sejam mais rápidas.
Observe os gráficos 6A e 6B no extratexto a cores. Pode ver dois
estudantes que fizeram a respiração com sucesso. Têm ondas cerebrais beta
de frequência muito alta, que passam a ondas cerebrais gama. Quanto mais
altas as amplitudes, maior a energia nos seus cérebros. Os estudantes
estavam a 160 e 260 desvios-padrão acima das ondas cerebrais gama
típicas. Para lhe dar um ponto de referência, três desvios-padrão acima do
normal costuma ser considerado elevado. No gráfico 6A(4) pode também
verificar que há muito mais coerência cerebral depois da respiração. Os
padrões vermelhos no cérebro mostram níveis extremamente altos de
coerência em todos os estados de onda cerebral medidos.
Ao aplicar esta poderosa técnica de respiração, está a recorrer a energia
que foi acumulada nestes três centros inferiores – a energia que usa para o
orgasmo e para fazer um bebé, para digerir uma refeição, para fugir a um
predador – e, em vez de a libertar sob a forma de químicos, vai atraí-la para
a sua espinha, como um líquido aspirado por uma palhinha, e libertá-la no
seu cérebro.

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FIGURA 5.13
O tubo de prana é um tubo de luz ou energia que
representa o movimento de força vital que sobe e desce a
espinal medula. Quanto mais energia se mover pela espinha,
mais forte é o campo do tubo de prana. Quando menos energia
se mover pela espinha, mais fraco é o tubo de prana, e
consequentemente menos força vital chega ao corpo.
Há um tubo de energia ou luz, chamado tubo de prana, que segue o
contorno da sua coluna vertebral (observe a figura 5.13). Prana é uma
palavra em sânscrito que significa “força vital”. Os yogis têm conhecimento
deste tubo – que não é uma estrutura física mas sim energética – há
milhares de anos. Este tubo é considerado etéreo devido à informação
elétrica na espinha que se move constantemente por ele. Quanto mais
energia se mover na espinal medula física, mais energia é criada como luz
neste tubo. E quanto mais energia for criada neste tubo, mais energia se
move na espinha, e maior é a expressão de vida. Por vezes, quando ensino
esta meditação, as pessoas dizem-me: “Não sinto o meu tubo de prana.”
Bem, também não sente a sua orelha esquerda até lhe prestar atenção, não
é? Quando lhe peço para contrair os músculos e puxar essa energia para
cima, estará a puxá-la ao longo da espinha e a criar um tubo de prana mais
poderoso ao longo da sua espinal medula.
Nesta altura é importante acrescentar que esta respiração não é passiva –
pelo contrário, é um processo extremamente ativo e apaixonado. Transferir
esta energia armazenada – energia retida durante anos e anos, talvez até
décadas – requer uma grande vontade e determinação. Para que as suas
emoções de sobrevivência evoluam, tal como um alquimista transforma
metais rudes, como o chumbo, em ouro, terá de transformar as emoções
autolimitadoras como a raiva, frustração, culpa, sofrimento, remorso e
medo em emoções elevadas como o amor, gratidão e alegria. Outras
emoções elevadas a que vale a pena aceder são a inspiração, excitação,
entusiasmo, fascínio, espanto, maravilha, agradecimento, bondade,
abundância, compaixão, nobreza, honra, invencibilidade, vontade de ferro,
força e liberdade – já para não falar da própria divindade, ser movido pelo
espírito, confiar no desconhecido ou no místico ou no curandeiro que há em
si.
Lembre-se, fazer evoluir esta energia requer um grande nível de
intensidade, que é maior do que o corpo enquanto mente, maior do que a
sua dependência relativamente a qualquer emoção de sobrevivência. Tem de
se inspirar para ser mais energia que matéria, usando o seu corpo como um
instrumento de consciência para fazer subir a sua energia. Portanto, não
deixe o seu corpo ser a sua mente. Lembre-se de que está a libertar a sua
energia presa, a transformar a culpa ou o sofrimento ou a raiva ou a
agressividade em pura energia, e que, ao deixar o corpo libertar essa
energia, está a libertar-se e sentir-se-á em êxtase, apaixonado pela vida,
inspirado por estar vivo.
Ao puxar esta energia pela espinha acima nesta meditação, seguirá a sua
respiração até ao topo da sua cabeça. Quando lá chegar, quero que sustenha
a respiração enquanto aperta aqueles músculos do seu períneo e do seu
abdómen. Quando o fizer, aumenta a pressão dentro da sua espinal medula e
da sua coluna vertebral. Essa pressão, conhecida por pressão intratecal, está
dentro de um sistema fechado. É a mesma pressão que exerce ao inspirar e
levantar um objeto pesado – está a fazer força contra as suas entranhas.
Mas, nesta respiração, estará especificamente a dirigir toda essa pressão,
toda essa energia e todo esse líquido cefalorraquidiano pela sua espinha
acima, até ao seu cérebro.

FIGURA 5.14
Com a abertura do portal talâmico, muita da energia criativa
que estava armazenada no corpo passa pelo sistema ativador
reticular para o tálamo e para a glândula pineal. Essa energia é
então passada para o neocórtex, produzindo ondas cerebrais
gama.
À chegada deste líquido pressurizado à parte de trás do seu bolbo
raquidiano, de repente os centros de energia inferiores, bem como o
cerebelo e o cérebro límbico, abrem-se a essa energia através de um
conjunto de núcleos a que se chama formação reticular. Essa energia passa
então pelo portal talâmico até ao tálamo (a parte do cérebro que transmite
sinais dos recetores sensoriais), localizado no cérebro médio, que funciona
como um painel de junção. Depois, toda essa energia acumulada avança
diretamente para o centro mais elevado do cérebro, o neocórtex. É então
que começam a ocorrer ondas gama. Ao chegar ao tálamo, a energia é
também passada para a glândula pineal, e é então que algo espantoso
acontece. A glândula começa a libertar alguns elixires muito poderosos, um
dos quais anestesia a mente analítica e o cérebro pensador.
Observe a figura 5.14, que mostra o tálamo, a formação reticular, o
portal talâmico e o momento em que a energia atinge os centros cerebrais
mais elevados. Voltaremos a falar sobre a glândula pineal num capítulo
posterior, mas por agora saiba que, quando isto se verifica, é como se
sentisse um orgasmo na sua cabeça. É uma energia muito poderosa que é
descrita como o movimento da kundalini. Não gosto de usar esta palavra,
porque a ela podem estar associadas opiniões ou crenças de uma
compreensão limitada desta energia, que poderá desencorajar algumas
pessoas de fazer a respiração, mas quero que saiba que é esta a energia que
está a invocar.
Se observar o gráfico 6B(4) no extratexto a cores, poderá ver que a área
à volta da glândula pineal está bastante ativa no estudante que produz ondas
cerebrais gama. Observe as setas azuis. A área vermelha sugere a ativação
de energia na glândula pineal, bem como numa região do cérebro límbico
associada a fortes emoções e à formação de novas memórias. O gráfico
6B(5) é uma imagem tridimensional do cérebro do mesmo estudante.
Novamente, a área pineal apresenta uma quantidade significativa de energia
vinda do interior do cérebro.
Entregar-se a emoções elevadas
Acaba de ler como o exercício de respiração deste capítulo tira a mente
do corpo ao libertar a energia acumulada dos três primeiros centros – os
centros da sobrevivência. Assim que o fizer, está na altura de recondicionar
o corpo a uma nova mente, a segunda parte da meditação, que implica
atingir estados emocionais elevados.
Quero aqui explicar o motivo pelo qual acolher emoções elevadas é um
ato tão poderoso. Como aprendemos da nossa análise aos genes no segundo
capítulo, agora sabemos que é o ambiente a fazer a sinalização do gene, e
não o contrário. Se uma emoção é o produto final de uma experiência no
ambiente, é a emoção que ativa ou desativa a expressão dos genes.
Ao acolher estas emoções elevadas nesta meditação, aquilo que está a
fazer é a sinalizar os seus genes antes do ambiente. O corpo não sabe a
diferença entre uma emoção criada pela experiência que se regista num
ambiente exterior e uma experiência criada internamente por acolher esta
nova emoção elevada. Ou seja, ao acolher essa emoção elevada e ao ter
pensamentos superiores aos autolimitadores que o mantiveram preso no
passado, o seu corpo começa a preparar-se quimicamente para o futuro
(porque julga que o futuro está a acontecer já). Por outras palavras, se fizer
a meditação corretamente muitas vezes, o corpo responderá como se a cura
ou qualquer condição que esteja a manifestar no seu ambiente já tivesse tido
lugar.
Estas emoções elevadas têm uma frequência mais alta (e mais rápida)
do que as emoções mais negativas, como a culpa, o medo, o ciúme ou a
fúria. Como todas as frequências transportam informação, quando
mudamos de frequência, mudamos de energia. Essa nova energia pode
então transportar nova informação – uma nova consciência, ou um conjunto
de intenções ou pensamentos. Quanto mais elevada a emoção, mais rápida a
frequência e mais se irá sentir como energia e não como matéria. Quanto
mais energia ficar disponível para criar um campo energético mais coerente,
mais se afastará da doença para se aproximar da saúde (ou, já agora, para se
aproximar de sinalizar qualquer gene). Em contrapartida, se as suas
emoções são autolimitadoras, terá uma frequência mais baixa, e sentir-se-á
mais como matéria em vez de energia – e então precisará de mais tempo
para criar mudança na sua vida.
Eis um exemplo: se em algum momento do seu passado ficou chocado,
foi traído ou traumatizado por um acontecimento com uma carga emocional
elevada, que o deixou a sentir dor ou tristeza ou medo, é provável que essa
experiência esteja gravada na sua biologia de várias formas. É também
possível que os genes ativados por essa experiência possam impedir o seu
corpo de se curar. Para mudar o seu corpo para uma nova expressão
genética, a emoção interna que criar tem de ser maior do que a emoção
dessa experiência exterior passada. A energia do seu fortalecimento e a
amplitude da sua inspiração têm de ser maiores do que a dor e a tristeza que
sentiu no passado. Agora está a transformar o ambiente interno do corpo,
que é o ambiente exterior da célula; os genes para a saúde podem ter
regulação ascendente, enquanto os genes para a doença podem ser alvo de
regulação descendente. Quanto mais profunda a emoção, mais forte estará a
bater à sua porta genética, e mais irá sinalizar esses genes para mudar a
estrutura e a função do seu corpo. É assim que funciona.
Podemos prová-lo porque, num dos nossos seminários de 2017, na
cidade de Tampa, medimos a expressão de genes numa seleção aleatória de
30 participantes25. Os resultados mostraram que os nossos estudantes
conseguiam transformar significativamente a expressão de oito genes ao
longo do seminário de quatro dias ao transformar os seus estados interiores.
Há apenas uma hipótese em vinte de esses resultados terem sido por acaso –
é esse o limiar de significância utilizado habitualmente pelos estatísticos.
As funções destes genes têm vastas potencialidades. Estão envolvidos na
neurogénese, a criação de novos neurónios em resposta a novas
experiências e à aprendizagem; na proteção do corpo contra várias
influências que tendem a envelhecer as células; na regulação da
regeneração das células, incluindo a capacidade de mover células
estaminais para os locais no corpo onde sejam necessárias para regenerar
tecidos danificados ou envelhecidos; na construção de estruturas celulares,
sobretudo o citoesqueleto (a estrutura de moléculas rígidas que dá forma às
nossas células); na eliminação de radicais livres, assim reduzindo o stress
oxidativo (associado ao envelhecimento e a muitos problemas de saúde
importantes); e na identificação e eliminação de células cancerígenas, assim
reduzindo o crescimento de tumores. Ativar os genes da neurogénese foi
particularmente significativo porque, na maior parte do tempo em que os
nossos estudantes estavam em meditação, encontravam-se tão presentes no
seu mundo interior de imaginação que os seus cérebros julgavam estar a
participar num evento real. Observe a figura 5.15 para aprender o que faz
cada um desses genes, e a sua importância para a nossa saúde.
CHAC1 Regula o equilíbrio oxidativo nas células, contribui
para a redução de radicais livres que provocam
stress oxidativo (a causa mais generalizada do
envelhecimento). Ajuda as células neuronais a
formar-se e a desenvolver-se.
CTGF Contribui para a cura de feridas, para o
desenvolvimento dos ossos e para a regeneração de
cartilagens e outros tecidos conectores. Uma
expressão reduzida está ligada ao cancro e a
doenças autoimunes como a fibromialgia.
TUFT1 Contribui para a cura e para a regeneração,
incluindo a regulação de células estaminais (as
células indiferenciadas ou “em branco” que podem
transformar-se em qualquer tipo de tecido de que o
corpo necessite naquele momento). Está envolvido
no processo de mineralização do esmalte dos
dentes.
DIO2 Importante para o tecido saudável da placenta e
para o funcionamento da tiroide (envolvido na
produção da hormona da tiroide T3). Ajuda a regular
o metabolismo através da redução da resistência à
insulina, assim reduzindo a ocorrência de doenças
metabólicas e possivelmente aliviando o efeito de
dependências e vícios.
C5orf66- Suprime tumores, ajuda a identificar e a eliminar
ASI células cancerígenas.
KRT24 Associado a uma estrutura celular saudável.
Também suprime certos tipos de células
cancerígenas, incluindo as encontradas no cancro
colorretal.
ALS2CL Suprime tumores – sobretudo os que contribuem
para o carcinoma de células escamosas, um cancro
da pele.
RND1 Ajuda as células a organizar as moléculas que
lhes dão a sua estrutura rígida. Também contribui
para o crescimentos das células neuronais e suprime
certos tipos de células cancerígenas (tais como as
encontradas nos cancros da garganta e da mama).
FIGURA 5.15
Estes são os genes específicos que foram regulados em
quatro dias no nosso Seminário Avançado em Tampa, na
Florida, em 2017.
Se os nossos estudantes transformaram a expressão dos seus genes
através da criação de emoções elevadas em apenas alguns dias, imagine o
que pode fazer se praticar esta meditação durante algumas semanas. Ao
utilizar esta técnica de respiração para libertar as emoções que lhe são
familiares e que se foram acumulando ao longo do tempo no seu corpo
devido ao hábito de pensar e sentir da mesma forma, e depois ao ensaiar
emocionalmente novos estados todos os dias, com algum treino essas
emoções ilimitadas irão passar a ser a sua nova rotina. Finalmente, ao
acolher essas emoções ilimitadas em vez das velhas emoções limitadas,
quando compreender que está a sinalizar novos genes e a criar novas
proteínas que vão ser responsáveis pela mudança na estrutura e no
funcionamento do seu corpo, poderá atribuir mais significado às suas
práticas. Isto leva a mais intenção, o que gera um resultado ainda melhor.
É um facto científico que utilizamos cerca de 1,5 por cento do nosso
ADN. O excedente chama-se ADN não codificante ou, em inglês, “junk
DNA” (“ADN lixo”). Na biologia há o chamado princípio de dotação,
segundo o qual a natureza nunca desperdiça nada. Por outras palavras, se o
ADN não codificante lá está, deve haver um motivo para isso – de outra
forma, a Natureza, na sua infinita sabedoria, teria acabado com ele
(segundo a lei universal, o que não tem uso desaparece). Pense portanto nos
seus genes como uma biblioteca de potenciais. Há combinações infinitas de
variações de genes que podem ser expressos nesses genes latentes. Estão a
aguardar que os ative. São genes para uma mente genial ilimitada, para a
longevidade, para a imortalidade, para uma vontade férrea, para a
capacidade de cura, para ter experiências místicas, para regenerar tecidos e
órgãos, para ativar as hormonas da juventude de forma a ter mais energia e
mais vitalidade, para a memória fotográfica, e para fazer o incomum – e isto
são apenas alguns exemplos.
O limite é a sua imaginação e a sua criatividade. Ao sinalizar qualquer
um desses genes antes do ambiente, o seu corpo manifestará um potencial
superior ao expressar novos genes que produzam novas proteínas para uma
maior expressão de vida. Quando eu lhe pedir para sentir certas emoções
elevadas ao recondicionar o corpo a uma nova mente, saiba que, ao acolher
cada emoção, estará a bater à sua própria porta genética. Convido-o, então,
a entregar-se ao processo e a participar plenamente na experiência.
Recondicionar o corpo a uma nova meditação da
mente
Antes de começarmos a meditação formal, vamos fazer alguns
exercícios. São várias instruções separadas, para poder assimilar passo a
passo. Assim que dominar cada passo, pode fazer tudo de seguida. Comece
então por se sentar direito numa cadeira, assentando bem no chão a planta
dos pés, ou sente-se no chão na posição de lótus (pernas cruzadas) com uma
almofada sob as nádegas. Ponha as mãos descruzadas sobre o colo. Se
quiser, pode fechar os olhos.
Quando estiver pronto para começar, puxe pelo períneo e pela pélvis –
os músculos que usa para as relações sexuais e para defecar. Não prenda a
respiração ao fazê-lo – respire normalmente. Contraia esses músculos com
o máximo de força, e mantenha durante cinco segundos. Solte-se e
descontraia. Repita e mantenha durante outros cinco segundos. Repita mais
uma vez, pelo mesmo período, e volte a descontrair. Quero que ganhe um
controlo consciente destes músculos, porque vai usá-los de uma forma
diferente.
A seguir contraia os mesmos músculos no períneo e, ao mesmo tempo,
contraia os músculos do baixo-ventre. Puxe o baixo-ventre para cima e para
dentro, bloqueando estes dois primeiros centros. Sustenha durante cinco
segundos e depois descontraia. Repita este processo mais uma vez. Lembre-
se de continuar a respirar – não prenda a respiração.
Da próxima vez, aperte os músculos do períneo e os músculos do baixo-
ventre, ao mesmo tempo que contrai os músculos do abdómen. Está
portanto a contrair todo o seu núcleo: os três primeiros centros. Sustenha
mais uma vez todos os músculos durante cinco segundos e descontraia.
Repita, forçando os músculos um pouco mais desta vez. Sustenha por cinco
segundos e depois descontraia. Repita mais uma vez e, ao contrair os
músculos, veja se consegue contraí-los um pouco mais e levantá-los um
pouco mais alto. Sustenha por uns instantes e descontraia.
Visto que a experiência cria redes neurológicas no seu cérebro, ao
executar cada passo, com base no anterior, está a instalar a maquinaria
neurológica no seu cérebro para se preparar para a experiência. Estou a
pedir-lhe que use os mesmos músculos que poderá ter usado ao longo de
anos, mas de uma forma diferente. Esta ação começará a utilizar estes
centros e a libertar a energia que esteve muito tempo acumulada no seu
corpo.
Agora vamos fazer uma coisa diferente. Ponha um dedo por cima da
cabeça, e vá com a unha até ao cocuruto, de forma a lembrar-se de onde
esse ponto fica depois de tirar o dedo. Lembre-se de que a sua energia vai
para onde for a sua atenção, portanto, esse ponto é o seu alvo. Volte a pôr as
mãos no colo e, ainda sem contrair músculos, inspire lenta e
prolongadamente pelo nariz. Quero apenas que siga a sua respiração do
períneo, pelo baixo-ventre, pelo abdómen, pelo centro do seu peito, pela
garganta, pelo cérebro, até ao cocuruto da sua cabeça, onde pôs o dedo.
Quando chegar ao cimo da cabeça, prenda a respiração, mantenha a sua
atenção focada no cocuruto e deixe a sua energia seguir a sua consciência.
Mantenha-se assim cerca de dez segundos e depois descontraia.
Volte a pôr o dedo no cimo da cabeça, depois tire-o, garantindo que
consegue sentir esse ponto sem o dedo lá estar. Apoie as mãos nas ancas.
Depois respire mais uma vez sem contrair nenhum músculo. Desta vez, ao
inspirar pelo nariz, imagine que está a puxar energia por esse tubo – como
que se estivesse a beber por uma palhinha – até ao cimo da sua cabeça.
Quando chegar ao topo da sua cabeça, sustenha a respiração pelo mesmo
período que antes, e deixe a sua energia seguir a sua consciência – depois
descontraia.
Está agora na altura de unir tudo. Nesta próxima respiração, ao inalar
pelo nariz, puxe os músculos para cima e para dentro exatamente ao mesmo
tempo. Comece por contrair os músculos do períneo, ativando os músculos
do baixo-ventre e simultaneamente os músculos do abdómen. Ao forçar os
músculos de cada centro – com a intenção de extrair toda essa energia
acumulada da parte inferior do corpo para o cérebro – siga a sua respiração
por cada um desses três centros. Ao continuar a contrair esses músculos,
bloqueando os três primeiros centros, leve a respiração até ao peito (o
quarto centro) e depois pela garganta (o quinto centro), continuando até ao
cérebro (o sexto centro). Leve a respiração até ao topo da sua cabeça,
mantenha lá a sua atenção, e sustenha a respiração, sempre contraindo os
seus músculos do núcleo. Mantenha-se assim cerca de dez segundos e
depois descontraia ao expirar.
Repita esta respiração pelo menos mais duas vezes, contraindo os
músculos dos primeiros três centros ao levar a respiração pela sua coluna
acima, passando por cada centro de energia até ao topo da sua cabeça.
Depois prenda a respiração por uns instantes, e finalmente descontraia ao
expirar.
Lembre-se que, ao fazer isto, está a usar o seu corpo como um
instrumento de consciência, e o seu objetivo deverá ser puxar a mente para
fora do corpo. Está a libertar energia que esteve presa nos três centros
inferiores e a elevá-la para os centros mais elevados, onde a poderá usar
para curar o seu corpo ou criar algo de novo, em vez de apenas servir para a
sobrevivência.
Treinar este processo muitas vezes até estar perfeitamente familiarizado
com estes passos será muito útil, antes de começar várias das meditações
deste livro. Seja paciente consigo próprio; tal como acontece quando está
aprender qualquer coisa, será preciso repetir muitas vezes até aperfeiçoar a
técnica. No início, poderá parecer estranho, por ter de sincronizar as ações
do corpo com a intenção da mente. Mais tarde ou mais cedo, contudo, se
treinar bastante esta técnica, será capaz de coordenar todos estes passos
num único movimento.
Estou ciente de que há muitas técnicas de respiração diferentes, e que
poderá ter tido sucesso com uma delas, ou mais, no passado. Ainda assim,
peço-lhe que experimente esta técnica, mesmo que já tenha uma favorita,
porque ao fazer algo de novo poderá ter uma nova experiência. Se fizer
sempre o mesmo, continuará a criar a mesma experiência. E se não fizer
nada, nada se passará. Sim, esta técnica exige bastante esforço, mas assim
que a dominar, verá que vale bem a pena.
Está agora pronto para começar a meditação formal. Se comprar o meu
CD, “Reconditioning the Body to a New Mind”, ou descarregar o áudio em
drjoedispenza.com, descobrirá que a gravação inclui uma canção que
escolhi especificamente para o inspirar a elevar a sua energia. Ao escutá-la,
quero que interprete a música como o movimento da energia. Se fizer a
meditação sozinho, treine a respiração enquanto ouvir uma música
inspiradora que tenha entre quatro a sete minutos. Abra depois o seu foco,
dedicando atenção às várias partes do seu corpo, bem como ao espaço entre
elas. Depois, manifeste-se como pura consciência no campo unificado,
mantendo-se no momento presente generoso e transformando-se em
ninguém, nada, em lugar nenhum, fora do tempo.
Está agora na altura de cultivar várias emoções elevadas uma a uma,
investigando emocionalmente cada uma delas. Lembre-se: quanto mais
poderosos forem os seus sentimentos, mais irá fazer a regulação ascendente
dos seus próprios genes. Abençoe o seu corpo, abençoe a sua vida, abençoe
a sua alma, abençoe o seu futuro e o seu passado, abençoe os desafios na
sua vida, e abençoe a inteligência dentro de si que lhe está a dar vida.
Conclua dando graças por uma nova vida antes de ela se ter manifestado.
22 M. Szegedy-Maszak, “Mysteries of the Mind: Your Unconscious Is
Making Your Everyday Decisions.” U. S. News & World Report (28 de
fevereiro de 2005).
23 M. B. DeJarnette, “Cornerstone”, The American Chiropractor, pp.
22-23, p. 28, p. 34 (julho/agosto de 1982).
24 Ibid.
25 D. Church, G. Yount, S. Marohn, et al., “The Epigenetic and
Psychological Dimensions of Meditation”, apresentado no Omega Institute,
26 de agosto de 2017. Enviado para publicação.
CAPÍTULO 6

ESTUDOS DE CASO: EXEMPLOS VIVOS DA


VERDADE
Ao longo dos anos, cheguei à conclusão de que as histórias servem um
objetivo importante: reforçam a informação de uma forma prática. Ouvir as
experiências de outra pessoa torna a informação mais real para nós. Assim
que compreendemos os desafios e os triunfos que alguém encontrou na
viagem de um estado de consciência para outro, começamos a acreditar que
uma experiência semelhante pode acontecer a nós. As histórias também
fazem com que as ideias aprendidas se tornem menos filosóficas e mais
pessoais.
Os estudos do caso que está prestes a ler são sobre pessoas que
aplicaram a informação que acaba de aprender nos capítulos anteriores.
Primeiro, compreenderam os conceitos como um conhecimento intelectual
nas suas mentes, depois aplicaram esses conceitos e sentiram-nos nos seus
corpos, e finalmente transformaram-nos em sabedoria nas suas almas. Para
concretizar estas alterações sobre-humanas, estes estudantes tiveram de
dominar algum aspeto ou alguma das suas limitações – e, se eles o
conseguiram, você também pode conseguir.
Ginny cura as dores crónicas nas costas e na perna
A 9 de dezembro de 2013, Ginny ia de carro pela autoestrada, em
direção a Las Vegas, quando o seu carro levou uma pancada por trás.
Embora tenha pressionado os travões, o impacto catapultou o carro para
cima do que ia à sua frente, resultando num impacto duplo. Ela sentiu
imediatamente um ardor no fundo das costas e uma dor a disparar-lhe pela
perna direita acima. Quando chegaram os paramédicos, ela descreveu a dor
como moderada; nos dias seguintes, a dor aumentou até ser constante e
aguda. A maior parte da dor era na região lombar inferior da coluna, devido
a hérnias em dois discos (L4 e L5). Também sentia a dor a irradiar pela
perna direita até ao pé.
Ginny consultou um quiroprático que passou a acompanhá-la três vezes
por semana, mas a dor agravou-se. Foi a um médico especialista em
cuidados paliativos, que lhe receitou relaxantes musculares, Neurontin (um
medicamento para dores neurológicas) e Mobic (um medicamento anti-
inflamatório sem esteroides). Ao cabo de nove meses, a dor continuava a
ser tão intensa, que começou a levar injeções nas costas. Não lhe serviram
para nada.
Em consequência, Ginny tinha dificuldades em andar e conduzir era-lhe
quase impossível. Tinha também dificuldades para dormir, passou a dormir
quatro ou cinco horas por noite. A dor constante ao fundo das costas
agravava-se quando ela se sentava, erguia algum objeto ou passava longos
períodos de pé. Às vezes só conseguia estar sentada vinte minutos de cada
vez. Devido a este sofrimento, passava a maior parte dos dias na cama,
onde conseguia aliviar um pouco a dor se ficasse deitada sobre o lado
direito, com os joelhos dobrados.
Ginny não conseguia tomar conta dos dois filhos, de três e cinco anos, e
não conseguia trabalhar tanto como antes. Dependia do marido para a levar
de carro a todo o lado, porque já não conseguia guiar. Todos estes fatores
resultaram em graves problemas financeiros e em stress emocional para
toda a família. Ginny sentia-se deprimida e zangada com a vida. Embora
tivesse participado no meu primeiro seminário, antes do acidente, e fizesse
as suas meditações, depois do acidente parou de meditar com regularidade,
porque a dor ficou muito forte e ela não conseguia sentar-se nem
concentrar-se.
Dois anos após o acidente, o médico sugeriu uma cirurgia lombar para
reparar os discos com hérnias. Segundo ele, se não resultasse, Ginny
poderia considerar mais uma cirurgia, incluindo uma cirurgia de fusão
espinal. Ela decidiu avançar para a operação.
Entretanto, o marido de Ginny convenceu-a a participar em mais um
dos meus seminários avançados em Seattle, que começava exatamente uma
semana antes da data da cirurgia. Manter-se sentada durante o voo foi
doloroso, mas ela conseguiu. Ginny gostou de rever velhos amigos e de
conhecer pessoas novas no seminário, mas também sentiu tristeza e
frustração por não conseguir mostrar o mesmo entusiasmo que todos os
outros. O que ela mais queria era tomar analgésicos e ir para a cama.
Terminado o primeiro dia do encontro, quando se preparava para regressar
ao hotel, a sua amiga Jill, cheia de compaixão e esperança, disse-lhe
convicta: “Ginny, vais curar-te amanhã – aqui mesmo!”
No dia seguinte, iniciámos os trabalhos às seis da manhã. Ginny
resolveu não tomar os analgésicos mais fortes, para poder estar mais
presente nas meditações e aproveitar ao máximo a experiência.
Infelizmente, a dor era tão forte que tornou muito difícil a sua concentração
durante a primeira meditação, o que a levou a pensar se teria sido um erro a
sua presença no encontro.
Durante a segunda meditação, a seguir ao pequeno-almoço, o panorama
alterou-se. Ginny resolveu entregar-se e deixar todo o pensamento crítico
para trás. A meditação começou como habitualmente, com o exercício de
respiração de levar a mente para fora do corpo, durante o qual eu disse aos
participantes para se concentrarem em duas ou três emoções negativas ou
em aspetos limitados das suas personalidades. Pedi-lhes que movessem toda
essa energia acumulada dos primeiros três centros de energia desde a base
da espinha até ao cérebro – e para, por fim, a libertarem pelo cimo das suas
cabeças.
Primeiro, Ginny optou por trabalhar com a sua raiva, que ela
considerava ser um dos fatores que mais contribuíam para o seu corpo
continuar a sentir tanta dor. Durante a meditação, ela sentiu a energia a
deixar-lhe o corpo pela cabeça. A segunda emoção negativa que ela
escolheu para trabalhar foi a dor. Ao usar a respiração para movimentar
muita da energia relacionada com a dor do corpo para o cérebro, sentiu a
mesma energia que sentira ao trabalhar com a raiva, embora, desta vez,
tenha visto a energia tornar-se numa cor viva com laivos de roxo.
Subitamente, sentiu a energia abrandar e tornar-se menos intensa. A música
mudara, e a parte principal da meditação começara. Ginny sentia-se
completamente descontraída. Soltara essa energia do corpo.
Como de costume, orientei o grupo de forma a sentir todas as partes dos
seus corpos no espaço e sentir também o espaço à volta dos seus corpos.
Depois orientei-os para o espaço negro infinito, que é o campo quântico.
Pedi-lhes que não fossem nenhum corpo, ninguém, nada, em lado nenhum,
fora do tempo, para serem pura consciência – cientes de estarem
conscientes nesse espaço infinito. De início, quando dei as instruções,
Ginny teve claramente a sensação de estar a flutuar. Foi dominada por uma
intensa sensação de paz e amor incondicional, e perdeu a noção do tempo e
do espaço. Não sentia o corpo físico, não sentia dor nenhuma. Contudo,
estava totalmente presente, conseguia ouvir e seguir todas as minhas
instruções.
“Nunca tinha vivido nada assim”, contou-me mais tarde. “Foi tão
profundo que é difícil descrever por palavras. Os meus sentidos foram
amplificados, sentia-me ligada a todos, a tudo, a todos os sítios, a todos os
tempos. Fazia parte do todo, e o todo fazia parte de mim. Não havia
separação.”
Ginny foi para lá do seu corpo, do seu ambiente, do seu tempo. A sua
consciência ligara-se à consciência do campo unificado (o local que ela
descrevera, onde só existe a unidade e não há separação). Ela encontrara o
ponto ideal do momento presente generoso, e o seu sistema nervoso
autónomo intercedeu e curou-a.
Nos nossos seminários avançados, os estudantes deitam-se depois de
cada meditação e entregam-se de forma a permitir ao sistema nervoso
autónomo assumir o controlo e programar os seus corpos. No caso desta
meditação, quando pedi a todos os participantes que regressassem aos seus
novos corpos, Ginny teve a grata surpresa de descobrir que não tinha dores
nenhumas ao levantar-se do chão – coisa que normalmente ela não
conseguiria fazer sem ajuda. Começou a andar sem coxear, com as costas
direitas.
Fizemos uma pausa para o almoço, mas Ginny não tinha grande vontade
de comer, nem sequer de falar. Continuava assoberbada pela experiência da
meditação. Ao fim de dois anos de dor quase constante, era muito libertador
já não a sentir. Começou a chorar, e as suas lágrimas eram simultaneamente
de alegria e perturbação. Procurou duas amigas para lhes contar as boas
notícias, uma das quais a Jill (que tivera tanta certeza na noite anterior de
que Ginny se ia curar). As amigas encorajaram-na a fazer os movimentos
que antes não fazia por sentir dores – e executou-os todos sem nenhuma
dor. Ginny não voltou a ter dores, e continuou a sentir-se ligada ao campo
unificado.
Nessa noite, Ginny telefonou ao marido, que lhe disse que, de alguma
forma, ele sabia que ela ia curar a sua dor no seminário. Ela e as amigas
celebraram a boa notícia com um grande jantar e, quando se foi deitar, não
tomou nenhum dos medicamentos nem dos relaxantes musculares. Dormiu
a noite inteira pela primeira vez em anos, e acordou cheia de energia. No
dia seguinte, orientei o grupo numa meditação em andamento (mais adiante,
poderá ler e experimentar a meditação em andamento). Ginny conseguiu
caminhar direita, cheia de orgulho, sem dor nem dificuldade. Nem é preciso
dizer que cancelou a cirurgia, e continuou a não ter dores.
Daniel lida com hipersensibilidade eletromagnética
Há cerca de cinco anos, Daniel era (nas suas próprias palavras) “um
empresário israelita maluco e cheio de stress”, de vinte e tal anos, que se
obrigava a trabalhar “sempre a todo o vapor” para construir uma empresa
de sucesso. Trabalhar 60 horas por semana era o normal para ele. Um dia,
durante um telefonema em que discutia aos berros, furioso, com um cliente,
sentiu alguma coisa a rebentar do lado direito da cabeça, e perdeu os
sentidos. Ao recuperar, não tinha certeza do que se passara nem de quanto
tempo estivera inconsciente, mas sofria da pior dor de cabeça da sua vida.
Acreditava que o descanso resolvesse o problema, mas não foi isso que
aconteceu.
Sem que houvesse uma explicação, a sua dor de cabeça aumentava
exponencialmente sempre que ele se aproximava de algum objeto que
emitisse frequências eletromagnéticas: telemóveis, computadores portáteis,
ecrãs de vídeo, microfones, câmaras, redes de wi-fi e antenas de
telecomunicações. Se alguém junto dele atendesse o telemóvel, Daniel
sentia-o. Nunca passara por nada que se comparasse – aliás, já trabalhara no
setor informático e nunca tivera problemas por estar junto de equipamento
eletrónico de espécie nenhuma.
Daniel consultou vários médicos e especialistas, mas nenhum deles
conseguiu diagnosticar o problema. Passou por uma bateria de exames,
análises ao sangue, raios X, mas todos os resultados eram negativos. Alguns
médicos chegaram mesmo a duvidar das suas queixas, e eram até
condescendentes, revirando os olhos como se Daniel inventasse os
sintomas. Outros queriam receitar-lhe antidepressivos, mas ele recusou-se a
tomá-los. Disseram-lhe que a dor estava toda na sua cabeça (é claro que
estava, mas não era isso que os médicos queriam dizer).
Foi então que Daniel decidiu consultar médicos holísticos, que
suspeitaram que ele desenvolvera uma doença rara chamada
hipersensibilidade eletromagnética (HE). Embora a existência da HE
continue a ser controversa no mundo da medicina tradicional, a
Organização Mundial de Saúde reconhece-a26. O mecanismo da HE
continua a ser desconhecido, mas tendo em conta que o cérebro é 78 por
cento água, e que essa água com minerais (tais como aqueles que se
encontram mais habitualmente no corpo, entre os quais o cálcio e o
magnésio) é condutora de eletricidade; não admira que, para as pessoas que
sofrem de HE, essa carga eletromagnética natural possa de alguma forma
amplificar-se perto de objetos que sinalizem e emitam radiação
eletromagnética.
Como muitos outros que padecem de HE, Daniel também sofria de
dores crónicas e cansaço, além de fortes dores de cabeça. Dormia 12 horas
seguidas e acordava, mesmo assim, exausto. Um dos médicos holísticos
sugeriu-lhe tomar 40 suplementos nutricionais por dia para combater os
efeitos do cansaço, mas os suplementos não ajudaram. Continuava num
estado de agonia quase permanente. Pouco tempo depois, Daniel teve de
fechar a sua empresa. Endividou-se e perdeu tudo o que lhe custara tanto a
ganhar. Finalmente teve de declarar falência e foi viver para casa da mãe.
“Essencialmente retirei-me da vida”, contou-me. “Era um zombie
porque não conseguia pensar, não conseguia concentrar-me, não conseguia
fazer nada. Tudo o que experimentava não dava em nada, e sempre que me
aproximava do mundo real tinha uma dor de cabeça fortíssima.” Daniel
contou-me ainda que, se estivesse perto de alguma coisa que emitisse sinal,
as dores de cabeça pioravam mil vezes, a ponto de ele ter um colapso
emocional. Daniel passava a maior parte do tempo na cama, enrolado numa
posição fetal, no seu quarto minúsculo em casa da mãe, a chorar de dor.
“Estava a desperdiçar a minha vida”, disse ele, “a ver todos os meus amigos
casar, a ter filhos, a serem promovidos, a comprar casas – tudo.” Quando
começou a ter pensamentos suicidas, os amigos e a família convenceram-no
a procurar alguma coisa ou alguém que o ajudasse.
Devido à fadiga crónica, à depressão e às dores fortes, Daniel tinha
cerca de meia hora de energia todos os dias, e começou a usar esse tempo
para encontrar algo que pudesse aliviar os seus problemas. Três anos depois
de ter começado a sentir os sintomas, leu o meu livro Cure-se a Si Próprio.
“Fez-se um clique”, contou-me, quando o encontrei num seminário
recente. “Soube que encontrara a solução.” Por isso, começou a fazer a
meditação Mudar Crenças e Perceções, de que falava nesse livro. Muito
gradualmente, ao longo do tempo, Daniel passou a sentir um pouco menos
de dores, e por isso continuou a fazer a meditação. Mais tarde, descobriu a
minha meditação da Bênção dos Centros de Energia, e começou a fazê-la.
“Da primeira vez que fiz a meditação”, contou-me Daniel, “aconteceu-
me uma coisa que não sabia explicar.” Quando chegou ao sexto centro de
energia, disse ele, foi como se houvesse um espetáculo de luzes na cabeça
dele. Viu várias áreas do cérebro que tinham estado apagadas a acenderem-
se subitamente, e a comunicar umas com as outras. Então, um enorme foco,
que ele descreveu como uma “luz cheia de amor”, disparou do cimo da sua
cabeça. A experiência interior, nesse momento, era mais real do que a
memória da experiência passada, que criara a dor inicialmente.
Daí em diante, Daniel notou uma diferença significativa. Sempre que
fazia a meditação, não sentia dor nenhuma nos dez minutos seguintes. Os
períodos sem dor foram aumentando até que, uns meses mais tarde, deixou
de ter dores. Teve então a ideia de usar a meditação para alterar o seu estado
interior enquanto estivesse exposto aos campos eletromagnéticos que o
deixavam doente. Por isso, começou a meditar em frente ao telemóvel e ao
computador portátil. No início foi doloroso mas, tal como antes, acabou por
se livrar das dores após meditar, e esses períodos sem dor foram crescendo
à medida que o tempo ia passando.
Finalmente, Daniel sentiu-se pronto para outro grande passo. Arrendou
uma secretária num escritório partilhado e passou a ir para lá meditar,
rodeado pelo wi-fi, por computadores, por fornos micro-ondas, e por todo o
tipo de radiações eletromagnéticas. Embora as primeiras semanas tenham
sido difíceis, tornou-se mais fácil com o passar do tempo. As dores de
cabeça acabaram por desaparecer – e o mesmo aconteceu com as dores
crónicas e com o cansaço.
Hoje em dia, Daniel considera-se 100 por cento curado. Voltou ao
trabalho, já não está endividado, e ainda melhor: Daniel só trabalha entre
uma hora e uma hora e meia por dia, e está a ganhar muito mais dinheiro do
que quando vivia stressado e a tentar forçar a vida a funcionar como ele
queria. Finalmente, está a apreciar verdadeiramente a vida.
Jennifer, na saúde e na doença
Há cinco anos, o médico de Jennifer diagnosticou-lhe várias doenças
novas, para lá dos diversos problemas de saúde de que já sofria. O
diagnóstico incluía doenças imunológicas (lúpus eritematoso e a síndroma
de Sjögren com xeroftalmia), problemas gastrointestinais (doença celíaca,
intolerância a salicilatos e à lactose), asma crónica, doenças renais, artrite e
vertigens tão agudas que por vezes resultavam em vómitos.
Todos os dias eram uma luta. Mesmo lavar os dentes era difícil, porque
não tinha forças para elevar o braço durante muito tempo. O seu
companheiro, Jim, tinha muitas vezes de a pentear. Quando o Jim viajava
em trabalho, o que era frequente, Jennifer tinha de descansar sempre que
regressava do trabalho para ganhar forças para fazer o jantar.
“O mais difícil foi sentir-me uma péssima mãe, porque não podia fazer
nada com os meus rapazes, e isso partia-me o coração”, contou-me ela.
“Passava a maior parte do fim de semana a dormir, só para recuperar forças
e poder-me levantar e ir para o trabalho na segunda-feira de manhã. Todas
as fotos alegres que eu publicava no Facebook durante o fim de semana
eram captadas no espaço de uma hora.”
Por esta altura, Jennifer pesava apenas 49 quilos e tinha dificuldade em
caminhar devido à artrite e aos tornozelos e joelhos muito inchados. Já não
conseguia usar a mão direita para tarefas tão simples como abrir um frasco
ou cortar verduras devido à dor e à artrite. Por vezes, ficava deitada na
cama a bater com os braços na mesinha de cabeceira para fazer parar a dor.
O seu corpo vivia num estado constante de inflamação aguda, e os
especialistas que consultava diziam-lhe que pouco mais podiam fazer por
ela, e que tinha de aprender a viver com os seus problemas o melhor
possível. Embora nunca o tenha admitido a ninguém, ela temia que só lhe
restassem alguns anos de vida. Estava perto de desistir; mas Jim não estava.
Todas as noites, Jim devorava livros em busca de soluções alternativas,
encorajando repetidamente Jennifer a continuar a tentar. Foi então que Jim
encontrou o livro Cure-se a Si Próprio, no qual leu a história de uma
mulher com problemas semelhantes e com a capacidade de se curar.
Jennifer e Jim concordaram que ela tinha de ir a um seminário.
Dois meses mais tarde, em junho de 2014, Jennifer participou num
seminário de fim de semana em Sydney, na Austrália. Começou a sentir-se
um pouco melhor e inscreveu-se num seminário avançado no México.
Infelizmente, na altura em que ia viajar foi-lhe diagnosticada uma pedra de
8,5 milímetros de diâmetro nos rins, e o seu médico proibiu-a de andar de
avião. Não pôde ir, mas continuou a fazer as meditações (levantava-se todos
os dias às 4h50 da manhã para meditar). No ano seguinte, quando realizei
mais um seminário avançado na Austrália, tanto ela como o Jim
participaram.
“Lembro-me de, na primeira noite, mal conseguir subir as escadas para
o nosso quarto, o que era normal para mim”, contou-me ela. “Mas, no fim
do seminário, caminhava como uma pessoa saudável, e não tomei os
medicamentos habituais para a asma. Na véspera de nos irmos embora, o
Jim disse-me que estava com tão boa cara que devia experimentar comer
comida normal. Apesar de apreensiva, foi o que fiz, e não senti efeitos
adversos! Nem dor, nem asma, nem cãibras, nem dor de cabeça, nada!
Nunca uma piza me soube tão bem!”
Ao fazer as meditações, Jennifer deu mesmo tudo por tudo. Sintonizou
repetidamente o potencial de saúde e sentiu uma enorme energia a fluir pelo
seu corpo, capaz de a sustentar durante o dia inteiro. Na meditação, quando
pedi aos estudantes que vivessem a partir desse novo estado de ser, Jennifer
imaginou os pés a baterem no chão, e ouvi a sua respiração fluir com
alegria. Quando a meditação chegou ao fim, ela chorava, mas as suas
lágrimas eram de alegria. Jennifer acabou por condicionar o corpo a
esquecer o que a doença a fazia sentir, ver e ouvir, através da elevação da
energia, da alteração da frequência, do recondicionamento do corpo a uma
nova mente, e da sinalização de novos genes para consertar o corpo.
“Agora como comida normal”, diz ela, “e não tomo os medicamentos da
asma desde junho de 2015. Consigo andar cerca de 15 quilómetros por dia,
e erguer 20 quilos. Treino corrida, e o meu objetivo é competir numa meia
maratona, coisa que farei em breve.”
Felicia ultrapassa um eczema grave
Felicia sofria de um problema de pele desde os três meses de idade. De
uma forma intermitente, o eczema e as infeções de pele regressavam, e a
curto prazo não se esperavam grandes melhoras, apesar da dieta rigorosa e
dos tratamentos e medicamentos que tomava (cremes, esteroides, anti-
histamínicos, antifúngicos, antibióticos, e por aí fora). Os resultados não
duravam muito tempo.
Em 2016, com 34 anos, médica, e a viver no Reino Unido, Felicia
sentia-se cada vez mais frustrada com a sua doença e as limitações da sua
profissão. Ao cabo de uma década de experiência clínica, durante a qual
tratara mais de 70 mil pessoas, reconhecia nos seus pacientes uma sensação
semelhante de frustração e alienação. Ao procurar soluções científicas mais
satisfatórias, Felicia descobriu o meu trabalho. Intrigada pelas
possibilidades e ávida de ideias e soluções alternativas com base empírica,
inscreveu-se num seminário de fim de semana.
“O evento transformou-me”, diz ela. “Deu-me as ferramentas de que eu
necessitava para reavaliar e atualizar as minhas crenças limitadas anteriores
sobre mim própria e sobre as capacidades dos nossos corpos.” A técnica da
respiração interessou-a em particular. “Devo confessar”, diz ela, “que
estava um pouco cética e me retraí, não me entreguei verdadeiramente ao
processo.”
Durante os meses seguintes, Felicia continuou a fazer meditação
diariamente. A sua pele melhorou e rapidamente ela manifestou uma nova
relação na sua vida. Sentindo-se inspirada, procurou novas formas de
adaptar a sua prática clínica à adoção de uma abordagem mais holística.
Mas, para sua grande desilusão, todas as entidades de saúde no Reino
Unido se recusaram a apoiar financeiramente quaisquer abordagens não-
convencionais. Felicia sentiu-se encurralada. Em dezembro de 2016 voltou
a ter eczema e infeções de pele.
Ainda assim, continuou a meditar e até se inscreveu num seminário
avançado, criando o seu Mind Movie antecipadamente (uma ferramenta
poderosa para manifestar vários dos seus desejos, sobre a qual irá ler num
capítulo posterior). Ela tinha intenções muito claras para o seu futuro, que
incluíam a imagem de uma pele saudável, bem como a imagem de um
microfone num palco com a declaração: “Inspiro outros, ao contar a
verdade sem medo.”
No primeiro dia do seminário avançado, usámos a técnica da respiração
para ativar a glândula pineal e, desta vez, Felicia resolveu não se conter e
entregar-se por completo ao processo. “Reparei que a minha respiração
começou a acelerar”, recorda ela, “e senti acumular-se uma energia
formidável na minha garganta. Esta sensação foi-se acentuando cada vez
mais, a ponto de sentir que a minha garganta estava prestes a fechar-se.
Assustada, tirei o meu corpo dessa posição e voltei ao meu velho estado de
ser até ao fim da meditação.”
No dia seguinte, destinado à última meditação, Felicia estava a pôr o
equipamento de sondas cerebrais. Refletiu que esta seria uma oportunidade
excelente para viver este novo nível de informação. Sentindo-se encurralada
numa profissão que prega as limitações, pensou: “E se pudesse demonstrar
aos céticos, bem como aos que acreditam, como todos somos ilimitados?”
Com este pensamento, ela queria usar a respiração para se ligar ao campo
unificado – com uma emoção elevada de pura liberdade e libertação –,
independentemente do que acontecesse.
Quando a meditação começou, ela abriu-se à possibilidade e ao
desconhecido. Rapidamente notou que a respiração começara a alterar-se e
que uma energia formidável começara a acumular-se na garganta. Tal como
sentira no primeiro dia do seminário. Esta sensação foi-se intensificando
mas, desta vez, não se deixou intimidar, e manteve-se no processo.
Devolveu o corpo ao momento presente, ignorou as suas inquietações, e
focou toda a energia e toda a consciência na ligação ao campo, à verdade e
ao amor. O seu corpo continuava a resistir, mas ela conseguiu impor-se à
sua luta interior, Felicia conseguiu finalmente que o corpo se rendesse.
“Subitamente, senti uma explosão incrível de energia no meu cérebro e
uma ligação instantânea com uma consciência terna dentro de mim e à
minha volta”, diz ela. “Foi um saber absoluto, um reconhecimento de puro
amor, e com ele uma alegria indescritível, como nunca sentira na minha
vida. Era como voltar a casa. Senti uma unidade profunda. Mas ao mesmo
tempo estava muito consciente do sentir do exterior. Era como se ouvisse
atrás de mim os cientistas a dizer ‘convulsão’.” Tinham entrado novos
elementos na nossa equipa de neurocientistas, e eles nunca tinham visto
uma energia assim no cérebro.
Sendo Felicia médica, teria ficado naturalmente preocupada por uma
palavra tão alarmante, mas compreendeu que naquele momento ela estava a
sentir a verdade e a liberdade absolutas pela primeira vez. Durante umas
horas, a seguir à meditação, ela sentiu-se algo desorientada mas fisicamente
mais leve do que antes.
Se observar mais uma vez os exames ao cérebro nos gráficos 7A-7C,
verá o cérebro de Felicia a manifestar as mudanças clássicas que
testemunhamos com altos níveis de energia no cérebro. Ela começa por
ondas cerebrais beta normais e depois passa para ondas beta altas antes de
atingir um estado gama de energia elevada. A energia nas ondas gama é 190
desvios-padrão superior ao normal. A área à volta da glândula pineal, bem
como a zona do cérebro que processa as emoções fortes, estão altamente
ativadas.
Nos dias seguintes, Felicia começou a sentir uma nova coragem e uma
nova alegria a emergir. Também viveu uma série de sincronias – como
manifestar a cena do seu Mind Movie ao falar ao microfone em palco. De
facto, desconhecendo que essa cena estivera no seu Mind Movie, chamei-a
ao palco para que contasse a sua experiência. Foi só no seu regresso a casa
que ela reparou que o eczema já não a incomodava.
“Olhei para a minha pele, e foi então que reparei que os meus
problemas de pele tinham desaparecido completamente, e em apenas alguns
dias”, contou ela. (Observe o gráfico 7D no extratexto a cores. As primeiras
imagens foram captadas antes do evento. O segundo conjunto foi captado
no dia seguinte. O eczema desapareceu.)
Ainda hoje, Felicia continua sem tomar os medicamentos e a pele dela
mantém-se incólume. A sua vida continua a evoluir em novas direções, com
muito entusiasmo e surpreendentes.
“Estou tão grata pela conclusão de que somos todos ilimitados!”, disse-
me ela. “Ouça bem o que eu lhe digo, se uma médica outrora cética e
profundamente analítica consegue, é porque, sem dúvida nenhuma, toda a
gente consegue.”
26 “Electromagnetic Fields and Public Health: Electromagnetic
Sensitivity”, texto informativo da Organização Mundial de Saúde
(dezembro de 2005), http://www.who.int/peh-
emf/publications/facts/fs296/en/; conferência da OMC sobre
hipersensibilidade eletromagnética (25-27 de outubro de 2004), Praga,
http://www.who.int/peh-emf/meetings/hypersensitivity_prague2004/en/.
CAPÍTULO 7

INTELIGÊNCIA DO CORAÇÃO
Desde que os nossos antepassados do paleolítico começaram a gravar as
suas histórias nas paredes das cavernas e em tábuas de mármore, como uma
linha numa agulha que vai tecendo o tempo, que o coração aparece como o
símbolo de saúde, sabedoria, intuição, orientação, e inteligência superior.
Os antigos egípcios, que se referiam ao coração como ieb, consideravam
que era o coração (e não o cérebro) o centro da vida e a fonte da sabedoria.
Os mesopotâmios e os gregos pensavam ambos no coração como o centro
da alma. Os gregos, contudo, encaravam-no como uma fonte independente
de calor dentro do corpo, enquanto para os mesopotâmios, o coração era um
fragmento do calor do sol. Chegaram mesmo a fazer sacrifícios humanos
em que arrancaram o coração às suas vítimas e ainda pulsante o ofereceram
ao Rei Sol. Os romanos consideravam que o coração era o órgão vital,
fundamental à vida do corpo.
No século XVII, durante os primeiros anos da revolução científica, o
filósofo francês René Descartes argumentou que a mente (a alma racional) é
uma entidade radicalmente distinta do corpo. Através desta visão
mecanicista do universo, as pessoas começaram a encarar o coração como
uma máquina extraordinária. O mecanismo do coração como uma bomba
física começou a ensombrar a sua natureza como a ligação da humanidade a
uma inteligência inata. Através da investigação científica, paulatinamente o
coração deixou de ser reconhecido como a nossa ligação aos sentimentos,
às emoções, e ao nosso acesso a identidades superiores. Foi graças à nova
ciência das últimas décadas, que começámos a reconciliar, a compreender e
a reconhecer o verdadeiro significado do coração, tanto como fonte
geradora de campos eletromagnéticos como de ligação ao campo unificado.
Sabemos agora que o coração, para lá do seu papel óbvio na
manutenção da vida, não é apenas uma bomba muscular que faz correr o
sangue pelo corpo; é um órgão capaz de influenciar os nossos sentimentos e
emoções. O coração é um órgão sensorial que guia a nossa tomada de
decisões, bem como o nosso entendimento de nós próprios e do nosso lugar
no mundo. É um símbolo que transcende eras, países e culturas. É do
conhecimento geral que, quando estamos ligados ao conhecimento interior
do coração, podemos aceder à sua sabedoria como fonte de amor e de
orientação superior.
Neste momento, pode estar a questionar-se por que motivo o coração é,
de todos os órgãos do nosso corpo (como o baço, o fígado ou os rins), o
único com inteligência. Desde 2013 que envidámos grandes esforços para
medir e quantificar coerência e transformação, conceitos fundamentais para
compreender o papel do coração. Quase toda a gente reconhece que os
sentimentos elevados do coração nos ligam à consciência do amor, da
compaixão, da gratidão, da alegria, da unidade, da aceitação e do altruísmo.
Estes são sentimentos que nos preenchem e nos fazem sentir íntegros e
ligados, em contraste com os sentimentos de stress, que dividem
comunidades e nos roubam energia vital. O problema é que esses
sentimentos elevados do coração ocorrem frequentemente por acaso –
dependem de fatores exteriores ao nosso ambiente – em vez de serem
produzidos por nós quando o queremos.
É sem dúvida um desafio manter o nosso equilíbrio mental e emocional
na nossa cultura contemporânea, na qual o ritmo de vida, o stress e a
obsessão pela produtividade, sempre cheia de pressa, e a perda desse
equilíbrio pode ter graves consequências sobre a nossa saúde. Por exemplo,
no início do século XX, quase ninguém morria de doenças cardíacas;
atualmente é a principal causa de morte tanto de homens como de mulheres.
Todos os anos, só no Estados Unidos da América, as doenças cardíacas
custam aproximadamente 207 mil milhões de dólares, entre cuidados de
saúde, medicamentos e produtividade perdida27. O stress é um dos fatores
que mais contribuem para as doenças cardíacas, e está a atingir um nível
epidémico. Felizmente, há um antídoto. Aquilo que descobrimos ao
investigar e estudar as muitas facetas da coerência cardíaca foi que podemos
regular o nosso estado interior, independentemente das condições no nosso
ambiente exterior. Tal como adquirir qualquer competência, criar
voluntariamente coerência cardíaca exige conhecimento, dedicação e treino.
Fundamental para a nossa compreensão do coração foi a nossa parceria
com o trabalho inovador e pioneiro do HeartMath Institute. O HMI é uma
organização de investigação e educação sem fins lucrativos que trabalha
para compreender melhor a coerência cérebro-coração. Desde 1991 que o
HMI investiga e desenvolve ferramentas seguras e com base científica para
ajudar as pessoas a fazerem a ligação entre o coração e a mente, bem como
a aprofundar as suas ligações ao coração de outros. A sua missão é
contribuir para o alinhamento equilibrado de sistemas físicos, mentais e
emocionais através da orientação intuitiva do coração.
A base da nossa parceria é a crença mútua de que, para criar um novo
futuro, um indivíduo tem de aliar uma intenção clara (cérebro coerente) e
uma emoção elevada (coração coerente). A investigação do HMI provou
que, ao combinar uma intenção ou um pensamento (que, como leu, serve
como carga elétrica), podemos transformar a nossa energia biológica – e, ao
transformarmos a nossa energia, transformamos as nossas vidas. É a união
destes dois elementos que produz efeitos mensuráveis sobre a matéria,
afastando a nossa biologia de viver no passado que nos é familiar para viver
no novo futuro. Nos seminários que fazemos por todo o mundo, ensinamos
os nossos alunos a manter e suster estes estados elevados de ser, para que
eles possam deixar de viver como vítimas das circunstâncias, empurrados
de uma emoção para outra, e comecem a viver como criadores da sua
própria realidade. É através deste processo que criamos um novo estado de
ser – ou uma nova personalidade, a qual cria uma nova realidade pessoal.
Nos últimos anos, um dos objetivos da nossa parceria com o HMI foi
ensinar os nossos estudantes a regular intencionalmente e a suster a
chamada coerência cardíaca. Tal como o batimento regular de um tambor, a
coerência cardíaca refere-se à função psicológica do coração, que faz com
que bata de uma forma ordeira, consistente e ritmada (o contrário, quando
não há um funcionamento ordeiro, chama-se incoerência cardíaca). Quando
estamos em coerência cardíaca, temos acesso à “inteligência do coração”,
definida pelo HMI assim:
O fluxo de consciência e discernimento que sentimos assim
que a mente e as emoções ganham equilíbrio e coerência através
de um processo lançado pelo próprio indivíduo. Esta forma de
inteligência é vivida como um conhecimento direto e intuitivo que
se manifesta através de emoções e pensamentos benéficos para
nós próprios e para outros.28
Como irá descobrir neste capítulo, os benefícios da coerência cardíaca
são numerosos, incluindo a diminuição da pressão arterial, o reforço do
sistema nervoso e do equilíbrio hormonal, e a melhoria no funcionamento
do cérebro. Quando conseguir manter e suster elevados estados emocionais,
independentemente das condições do seu ambiente exterior, ganhará o
acesso ao tipo de intuição de alto nível que fomenta um entendimento mais
forte de si e dos outros, ajuda a evitar padrões de stress na sua vida,
aumenta a clareza mental e promove a tomada de melhores decisões29. Para
lá das conclusões da investigação do HMI, os nossos dados sugerem
fortemente que emoções persistentes centradas no coração promovem a
expressão mais saudável dos genes.30
A coerência cardíaca começa pelo ritmo estável e coerente do coração
através da promoção, da prática e da manutenção de emoções elevadas;
entre essas emoções encontram-se a gratidão, o reconhecimento, a
inspiração, o agradecimento, a liberdade, a afabilidade, o altruísmo, a
compaixão, o amor e a alegria. Os benefícios desse ritmo coerente são
sentidos por todos os sistemas do corpo. Consciente ou inconscientemente,
muitos de nós praticamos sentimentos de infelicidade, raiva e medo, todos
os dias. Porque não, em vez disso, praticar a criação e a manutenção de
estados altruístas, alegres e afáveis? Não acabaria isso por criar uma nova
ordem interior, resultando num estado geral de saúde e felicidade?
A ponte do coração
Como leu no capítulo 4, sobre a bênção dos centros de energia, o
coração, localizado logo por trás do esterno, é o quarto centro de energia do
corpo. É a nossa ponte para níveis superiores de consciência e energia, bem
como o centro onde está a nossa natureza divina. O coração é a intersecção
dos nossos três centros de energia inferiores (associados ao nosso corpo
terreno) e os três centros de energia superiores (associados à nossa
identidade mais elevada). Serve como a nossa ligação ao campo unificado,
e representa a união da dualidade ou da polaridade. É no coração que a
separação, a divisão e a energia polarizada se fundem – é lá que os opostos
se unem como o yin e o yang, o bem e o mal, o positivo e o negativo, o
masculino e o feminino, o passado e o futuro.
Quando o seu coração se tornar coerente, o seu sistema nervoso
responderá com o aumento da energia, da criatividade e da intuição do
cérebro, com um efeito positivo sobre praticamente todos os órgãos do
corpo. Agora o coração e o cérebro trabalham em conjunto, fazendo-o
sentir-se mais íntegro, mais ligado e mais satisfeito – não só com o seu
próprio corpo como também com tudo e todos o que o rodeiam. Num
estado centrado no coração, a integridade que sente consome os sentimentos
que poderá ter de necessidade ou de lacuna. A partir deste estado criativo de
integridade e unidade, a magia começa a ocorrer na sua vida porque já não
está a criar a partir de dualidade nem de separação – já não está à espera de
um fator externo para o aliviar de sentimentos interiores de lacuna, vazio ou
separação. Em vez disso, torna-se mais familiar com o seu novo eu ideal, e
cria novas experiências de si. Se continuar a ativar bem o seu centro do
coração por várias vezes durante o processo criativo, todos os dias, a dada
altura irá sentir que o seu futuro já aconteceu. Como poderá alguma vez
sentir necessidades ou lacunas se se sentir íntegro?
Se os nossos primeiros três centros refletem a nossa natureza animal e
são baseados na polaridade, nos opostos, na competição, nas necessidades e
nas lacunas, o quarto centro inicia a nossa viagem até à nossa natureza
divina. É de dentro deste centro do coração que transformamos a nossa
mente e a nossa energia, de uma vida em estados egoístas para uma vida em
estados altruístas, passando assim a sentir menos o efeito da separação ou
da dualidade, e reforçando a nossa capacidade de tomar decisões para o
bem maior de todos.
Todos sentimos a consciência do centro do coração a dada altura das
nossas vidas. Essa energia está relacionada com um sentimento de
concretização e de paz relativamente a nós e ao que nos rodeia. Quando
abraçamos os sentimentos relacionados com o coração – sentimentos que
nos levam a dar, nutrir, servir, cuidar, ajudar, perdoar, amar, confiar, e por aí
fora – não podemos deixar de nos sentir íntegros e completos. Creio que
esta é a nossa natureza inata enquanto seres humanos.
Homeostase, coerência e resistência
Como já aprendeu, o sistema nervoso autónomo, a parte involuntária do
sistema nervoso, divide-se em dois subsistemas: o sistema nervoso
simpático; e o sistema nervoso parassimpático. Como sabe, ao ativar o
sistema nervoso simpático, ele vai regular as ações e as respostas
inconscientes do corpo, tais como uma respiração mais forte, um ritmo
cardíaco elevado, transpiração excessiva, dilatação das pupilas, e por aí
fora. A sua função primária é estimular a reação de lutar ou fugir quando
está iminente um perigo real ou imaginário. Este sistema serve para nos
proteger no nosso ambiente exterior. O sistema nervoso parassimpático
complementa o simpático, ao executar as funções exatamente opostas. O
seu papel é conservar a energia, descontrair o corpo, e abrandar as funções
com grande débito de energia do sistema simpático. O sistema
parassimpático mantém a proteção no nosso ambiente interior. Se pensar no
sistema nervoso autónomo (SNA) como um automóvel, o sistema
parassimpático será o travão, e o simpático será o acelerador. Os dois ramos
do SNA transmitem continuamente a ligação entre o coração e o cérebro;
aliás, o coração e o cérebro têm mais ligações nervosas entre si do que
quaisquer outros sistemas no corpo31. Estes dois sistemas, o simpático e o
parassimpático, estão sempre a trabalhar para manter um estado de
homeostase (equilíbrio relativo entre todos os sistemas) dentro do corpo.
Quando o corpo está em homeostase, geralmente sentimo-nos
descontraídos e seguros no nosso ambiente atual. Deste estado de
homeostase, onde todos os sistemas do corpo trabalham em harmonia, e se
desperdiça apenas o mínimo de energia, podemos afetar intencionalmente o
sistema nervoso para criar coerência. Para sentir estas emoções de
coerência, as conexões neuronais entre o coração e o cérebro têm de
funcionar a um nível otimizado de forma ordeira e coordenada. Quando o
coração bate com ordem e coerência, o SNA entra em coerência, o que por
sua vez vai melhorar o funcionamento do nosso cérebro ao fazer-nos sentir
mais criativos, mais concentrados, mais racionais, mais conscientes e mais
abertos à aprendizagem.
Como sabe, o contrário da coerência é a incoerência. Quando o coração
bate de forma incoerente, sentimo-nos desequilibrados, irritadiços, ansiosos
e desconcentrados. Porque o corpo está a funcionar em modo de
sobrevivência, também funcionamos mais por uma perspetiva animalesca e
primitiva do que pela das emoções centradas no coração da nossa
humanidade e divindade superiores. A incoerência é produto do stress, que
é a resposta do corpo e da mente às desregulações e perturbações do nosso
ambiente exterior. Se o sistema nervoso parassimpático funciona melhor
quando nos sentimos seguros, então o sistema nervoso simpático é ativado
sobretudo quando nos sentimos inseguros. O stress que sentimos numa
situação de insegurança não tem necessariamente que ver com o próprio
evento mas com o resultado de respostas emocionais espontâneas ao evento.
Num estado de homeostase, pode pensar no corpo como uma máquina
sofisticada e bem afinada, mas quando certas emoções como o
ressentimento, a raiva, o ciúme, a impaciência e a frustração persistem, o
nosso equilíbrio interior é perturbado. Se pensar num momento recente em
que tenha sentido stress, provavelmente foi como um ritmo fragmentado.
(Aliás, é exatamente isso que está a fazer o coração – bate num ritmo
fragmentado.) Num estado de stress crónico, o corpo debate-se para manter
a homeostase e podemos começar a sofrer de inúmeros sintomas
relacionados com o stress. Este stress constante recorre ao campo
energético invisível à volta do nosso corpo e esgota-o da nossa força vital,
deixando pouco tempo ou energia para a reparação e para a cura. Como
resultado desta dependência do corpo em relação às hormonas do stress,
ficamos agora presos num círculo vicioso em que a incoerência e o caos
começam a parecer normais; mas a que custo?
Os efeitos a longo prazo do stress podem ser catastróficos. Segundo um
estudo, realizado pela Mayo Clinic, com pessoas que sofriam de doenças
cardíacas, o stress psicológico era apontado como o grande responsável
pelo aumento de potenciais crises cardíacas, incluindo a morte súbita
cardíaca e os ataques cardíacos32. Muitas pessoas, por viverem em estado
de stress crónico, não se apercebem sequer de estarem a viver em stress até
acontecer uma ocorrência como um ataque cardíaco. Faz então sentido que
se o coração bater incoerentemente durante longos períodos, deixando de
funcionar de forma ordeira e equilibrada, mais tarde ou mais cedo irá falhar.
Fundamental para a nossa capacidade de controlar o stress é a
resistência, definida pelo HMI como “a capacidade de se preparar,
recuperar, e adaptar perante stress, adversidade, trauma ou desafios”33. A
resistência e a gestão das emoções são ambas fundamentais para muitos
processos fisiológicos envolvidos na regulação da energia, na velocidade de
recuperação do corpo depois da resposta ao stress, e para a nossa
capacidade de manter a saúde e a homeostase.
VFC: comunicação entre o coração e o cérebro
Fazem-nos acreditar que o cérebro reina sobre a nossa biologia. Em
parte é verdade, mas o coração é um órgão autorritmico, ou seja, a pulsação
é definida de dentro do coração, não pelo cérebro. Por exemplo, é um facto
conhecido que em todo o tipo de espécies se pode remover o coração e pô-
lo numa solução salina, conhecida por soluto de Ringer, na qual o coração
continuará a bater por muito tempo – independentemente de qualquer
ligação neurológica ao cérebro. Num feto, o coração começa a bater muito
tempo antes de o cérebro estar formado (por volta das três semanas), e a
atividade elétrica do cérebro não começa até à quinta ou sexta semanas34.
Isto demonstra que o coração é capaz de iniciar uma comunicação com o
sistema nervoso central.
Outro fator que faz com que o coração seja único é que contém nervos
de ambos os ramos do SNA, o que significa que todas as mudanças nos
sistemas nervosos simpático e parassimpático afetam a forma como o
coração trabalha a cada batimento. Isto é importante porque, quer o
saibamos ou não, cada emoção que vivemos influencia o nosso ritmo
cardíaco, que é comunicado diretamente pelo sistema nervoso central. Desta
forma, o coração, o cérebro límbico e o SNA têm uma relação muito íntima,
porque o equilíbrio ou desequilíbrio de um afeta o outro. (Note-se que ao
cérebro límbico – sede do sistema nervoso autónomo – também se chama
cérebro emocional; portanto, quando altera as suas emoções está a afetar as
suas funções autónomas.) Hoje em dia, a ciência consegue prever, com
cerca de 75 por cento de precisão, o que alguém está a sentir só com base na
atividade do coração, batimento a batimento, através do recurso à análise de
variabilidade da frequência cardíaca (VFC).35
A VFC é um fenómeno fisiológico que mede desafios ambientais e
psicológicos refletidos na variação dos intervalos da pulsação cardíaca (daí
o termo variabilidade). Entre os seus usos, a VFC pode medir a
flexibilidade do nosso coração e do nosso sistema nervoso (o que reflete a
nossa saúde e a nossa forma), bem como a nossa capacidade de equilibrar
as nossas vidas mentais e emocionais36. Desta forma, a investigação
continuada da VFC abre-nos uma janela única, que permite observar a
comunicação entre o coração, o cérebro e as emoções.37
Muitos estudos mostram que um nível moderado de variabilidade deixa-
nos mais capazes de nos adaptarmos aos desafios da vida38. Mas um nível
reduzido de variabilidade da frequência cardíaca é um forte indicador de
problemas de saúde futuros, incluindo as principais causas de morte39. Uma
VFC baixa está também associada a inúmeros problemas médicos. Quando
somos jovens, temos maior variabilidade, mas ao envelhecer essa
variabilidade diminui. Os padrões de VFC são tão consistentes que os
cientistas, quando analisam as respetivas leituras, estão normalmente em
condições de poderem fazer uma estimativa da idade do indivíduo com um
intervalo de apenas dois anos.
Durante muito tempo, uma pulsação estável era considerado um sinal de
saúde, mas hoje sabemos que o nosso ritmo cardíaco pode alterar-se a cada
batimento, mesmo quando estamos a dormir. Ao longo dos anos, os
investigadores do HMI descobriram informação codificada nesses
intervalos, olhando para os espaços entre os batimentos em leituras de VFC
em vez de nos picos associados aos batimentos propriamente ditos. Há aqui
semelhanças com o Código Morse, no qual compreendemos uma
mensagem pelos períodos de tempos entre as transmissões40. No caso do
nosso coração, o intervalo entre cada batimento é uma transmissão
complexa, que serve para transmitir uma mensagem entre o cérebro e o
corpo.
Durante a década de noventa, os investigadores do HMI descobriram
que, quando as pessoas se concentram nos seus corações e evocam
sentimentos elevados, tais como a admiração, a alegria, a gratidão e a
compaixão, esses sentimentos podem ser observados como padrões
coerentes nos ritmos do coração. Aplica-se o contrário para sentimentos
stressantes, que provocam ritmos cardíacos incoerentes e que parecem
abruptos e irregulares. Esta descoberta relacionou estados emocionais com
padrões de VFC (observe a figura 7.1)41. Investigadores também
observaram que a frequência cardíaca (batimentos por minuto) e o ritmo
cardíaco eram respostas biológicas diversas. Por exemplo, uma pessoa pode
ter uma frequência cardíaca elevada e mesmo assim manter um estado de
coerência; assim se determinou que os ritmos do coração podem criar
estados coerentes interiores no corpo.
Quando a nossa VFC está num padrão de coerência cardíaca, reflete
uma sincronia e uma harmonia acrescidas entre os dois ramos do SNA, bem
como na atividade que ocorre nos nossos centros superiores do cérebro.
Muito do que aprendemos da medicina ocidental leva-nos a julgar que não
podemos controlar o nosso sistema nervoso autónomo (isto é, a pulsação ou
a tensão arterial), uma vez que essas funções estão para lá do domínio da
mente consciente, já para não falar na separação entre os sistemas nervosos
voluntário e involuntário. Sabemos agora, contudo, que não é preciso ser
um yogi nem um místico para poder dominar estas técnicas. Basta ser
sobre-humano, e isso aprende-se. Este é o motivo pelo qual o HMI ensina a
importância da coerência cardíaca não só a indivíduos como também a
militares, forças policiais, escolas, atletas, e outras profissões de grande
pressão – para que as pessoas possam manter a clareza, a capacidade de
tomar decisões e a compostura em situações muito stressantes.
Os benefícios da coerência cardíaca
Quando resolvemos cultivar e viver emoções elevadas e o sinal coerente
dessas emoções chega ao cérebro, se a amplitude do sinal for suficiente, são
libertados para o corpo químicos equivalentes a esses sentimentos e
emoções. Chama-se a isto um sentimento, e sentimentos positivos como
este fazem-nos sentir mais leves e mais livres – por outras palavras, a
energia de todo o seu estado de ser é elevada. Se estiver a desfrutar de um
sentimento elevado de bem-estar num ambiente seguro, a energia desse
sentimento desencadeia a libertação de pelo menos 1400 alterações
bioquímicas no corpo, que promovem o crescimento e a reparação42. Em
vez de se alimentar do campo energético invisível à volta do seu corpo para
transformar energia em química, agora está a reforçar e a expandir esse
campo, resultando numa nova expressão de química que reflete a alteração
na energia. Como? Os primeiros três centros de energia do corpo são
consumidores de energia quando estamos desequilibrados, mas o coração
faz com que a energia se expanda. Ao dedicar a sua atenção ao coração para
criar e suster emoções elevadas, essa energia coerente faz com que o seu
coração bata como um tambor. É esse batimento coerente, ritmado, que cria
um campo magnético mensurável à volta do seu coração, e portanto do seu
corpo. Tal como a batida concentrada de um tambor, que produz uma onda
sonora mensurável, quanto mais forte o ritmo coerente do coração, mais se
expande o seu campo energético.
FIGURA 7.1
Com agradecimentos ao Instituto HeartMath (HMI), o
gráfico de VFC acima apresentado, representa ritmos
cardíacos incoerentes em resultado de emoções como o
ressentimento, a impaciência e a frustração. O gráfico de VFC
abaixo apresentado, representa ritmos cardíacos coerentes em
resultado de emoções como a gratidão, a admiração e a
bondade.
Em contrapartida, ao sentir dor, raiva, stress, ciúme, fúria,
competitividade ou frustração, o sinal do coração para o cérebro torna-se
incoerente e isso desencadeia a libertação de aproximadamente 1200
químicos no corpo, que correspondem a esses sentimentos43. Esta descarga
de químicos dura aproximadamente entre 90 segundos e dois minutos. A
curto prazo, estes sentimentos de stress não são nocivos; na verdade, se
forem resolvidos, podem melhorar a sua resistência. Contudo, a longo prazo
os efeitos das emoções de sobrevivência não resolvidas deixam o corpo
num estado de incoerência, tornando-o vulnerável a problemas de saúde
relacionados com o stress. Estas emoções de sobrevivência alimentam-se do
campo à volta do seu corpo, fazendo com que se sinta separado e
materialista por estar a dedicar a maior parte do seu foco e da sua atenção à
matéria, ao corpo, ao ambiente, ao tempo e, claro, à fonte dos seus
problemas.
Esta é uma das descobertas mais significativas do HMI: aquilo que
sentimos minuto a minuto, segundo a segundo, influencia o coração, e os
nossos sentimentos e emoções são um aspeto-chave para chegar à
“inteligência do coração”. Uma vez que os sentimentos e as emoções são
energia que emite poderosos campos magnéticos, quanto mais fortes os
sentimentos elevados, mais forte o campo magnético. Na verdade, o
coração produz o campo magnético mais forte do corpo – cinco mil vezes
superior ao campo produzido pelo cérebro44.
Ponha o dedo no pulso e sinta a sua pulsação. Essa pulsação é uma onda
de energia a que se chama onda da tensão arterial, e viaja por todo o corpo,
influenciando tudo, incluindo o funcionamento do organismo. Não só a
pulsação magnética do coração se repercute por todas as células como
também produz um campo à volta do seu corpo, que pode ser medido a uma
distância até aos três metros, através de um detetor sensível chamado
magnetómetro45. Ao ativar o coração pelo recurso a emoções elevadas, não
está apenas a transmitir essa energia a todas as células; está também a
irradiar esses sentimentos para o espaço. É aqui que o seu coração pulsa
para lá da biologia e da física.
Os cientistas do laboratório do HMI descobriram, ao analisarem os
registos dos eletroencefalogramas, que, quando o coração está em
coerência, as ondas cerebrais alinham-se com o ritmo do coração a uma
frequência de 0,10 Hz, e também que a sincronização entre o coração e o
cérebro é reforçada quando o paciente está num estado de coerência
cardíaca. Foi demonstrado que a frequência coerente de 0,10 Hz
corresponde a um estado de desempenho ideal associado a um acesso
acrescido à nossa intuição profunda e à nossa orientação interior. Assim que
a mente analítica fica de lado, o paciente pode descer os degraus da
consciência de ondas cerebrais alfa para teta para delta – o estado onde as
funções restauradoras do corpo têm lugar. Por coincidência, é frequente
vermos os nossos estudantes a relatar experiências profundas ou místicas
num estado delta profundo à volta de 0,09 a 0,10 Hz (0,09 Hz está apenas
um centésimo de ciclo por segundo fora da coerência ideal), enquanto os
seus corações estão num estado muito coerente. Contudo, a amplitude da
energia produzida pelo coração aumenta o nível de energia no cérebro, em
alguns casos 50 a 300 vezes o nível normal, ou mais.
Outros dados que comprovam a coerência coração-cérebro foram
demonstrados por uma série de experiências levadas a cabo pelo Dr. Gary
Schwartz e pelos seus colegas na Universidade do Arizona. Nas suas
experiências, descobriram comunicações inexplicáveis entre o coração e o
cérebro, que não faziam sentido pela via neurológica nem por outras redes
de comunicação conhecidas. Esta descoberta determinou o facto de que as
interações energéticas entre o coração e o cérebro se processam através de
campos eletromagnéticos46. Ambos os exemplos apontam para o facto de
que, quando concentramos a nossa atenção no nosso coração e nas
emoções, o batimento do coração funciona como amplificador. Isto aumenta
a sincronização entre o nosso coração e o nosso cérebro, e cria coerência
não só nos órgãos físicos como também no campo eletromagnético à volta
do nosso corpo.
Também digno de nota é que por detrás do esterno está uma pequena
glândula chamada timo, intimamente relacionada com o centro do coração.
Como um dos principais órgãos do sistema imunitário, o timo tem um papel
crucial na promoção de linfócitos T, que protegem o corpo de patógenos
como as bactérias e os vírus. A glândula do timo funciona ao máximo até ao
início da puberdade, mas começa a regredir à medida que vamos
envelhecendo, devido a diminuição natural na produção da hormona de
crescimento humano.
Tal como muitos órgãos vitais, também o timo está exposto, a longo
prazo, aos efeitos negativos do stress. Quando vivemos em modo de
emergência durante muito tempo e reduzimos o nosso campo de energia
vital, toda a nossa energia é dirigida para fora, para nos proteger de ameaças
do exterior, deixando pouca energia para nos proteger de ameaças
interiores. Isto acaba por levar a disfunções do sistema imunitário. Faz
sentido que, com o centro do coração ativado por energia, através da
mobilização do sistema nervoso parassimpático, a glândula do timo também
fique mais ativa, porque estamos a acrescentar energia a essa glândula.
Portanto, a glândula do timo também pode beneficiar da prática de suster a
coerência dentro do corpo, ajudando a proteger a vitalidade geral do nosso
sistema imunitário e, a longo prazo, a nossa saúde.
Aprendeu mais com a leitura deste livro do que eu próprio nos meus
estudos independentes, quando os nossos estudantes conseguiam sentir e
suster a gratidão e outras emoções elevadas durante 15 a 20 minutos por
dia, durante quatro dias, a energia das emoções sinalizava os genes das
células imunitárias a fabricar uma proteína chamada imunoglobulina A. O
aumento significativo de IgA é um exemplo perfeito de um dos muitos
efeitos positivos associados à coerência cardíaca.
Tudo isto se resume assim: a qualidade do ritmo do nosso coração tem
consequências para a nossa saúde em geral. Se o coração bater em ritmos
harmoniosos, a sua eficiência reduz o stress em outros sistemas do corpo,
maximiza a nossa energia e cria estados positivos a nível mental, emocional
e físico. Se houver desarmonia no ritmo do nosso coração, sucede o
contrário. Esta incoerência deixa-nos com menos energia disponível para
melhorar e manter a saúde e para projetos construtivos a longo prazo,
criando agitação entre os nossos estados interiores, e aumentando o stress
sobre o coração e outros órgãos47. Ataques cardíacos e doenças cardíacas,
por exemplo, ocorrem quando o corpo esteve sob stress durante períodos
prolongados. Contudo, quando escolhemos deliberadamente emoções
elevadas, focando-nos menos na desarmonia e mais na gratidão, os nossos
corpos reagem positivamente e gozamos de uma saúde melhorada.
Da próxima vez que recorrer a uma emoção elevada para sintonizar o
seu futuro e acolher esses sentimentos antes de o evento ocorrer – e sentir
gratidão por o evento já ter ocorrido –, saiba que o mínimo que pode
acontecer-lhe é ter começado a curar-se.
Os efeitos do stress crónico
Quando vivemos num estado de stress constante, o nosso centro do
coração torna-se incoerente e isso cerceia a nossa capacidade de criar. Em
resposta a ritmos cardíacos caóticos, o cérebro torna-se muito des-integrado
e incoerente, e essa incoerência reflete-se nos dois ramos do SNA. Se o
sistema parassimpático é o travão e o sistema simpático o acelerador,
quando eles estão a trabalhar em oposição, o seu corpo recebe uma
mensagem semelhante à de acelerar com o pé no travão. Não é preciso
perceber muito de carros para compreender as implicações destas forças
opostas – gastamos os travões e sobrecarregamos o motor, enquanto a
resistência desperdiça energia e reduz a eficiência do consumo de
combustível. Esta habituação ao stress acaba por desgastar tanto o corpo,
que elimina a nossa capacidade de o reparar e manter saudável, esgotando a
nossa vitalidade e resistência.
Se a resistência se baseia na gestão eficiente de energia, o corpo poderá
sentir-se completamente esgotado, desorientado e talvez doente enquanto
estiver sob a influência do stress crónico. Quando mais viciados estivermos
nestes estados de stress, menos provável será abrirmos o nosso coração,
entrarmos nele, e conscientemente criarmos coerência cardíaca.
Um bom exemplo disto é uma experiência por que passei na minha
casa, numa área rural do estado de Washington. Numa noite de novembro,
ao regressar do trabalho, estacionei o carro no sítio do costume, e comecei a
percorrer os 40 metros de caminho até casa. Estava escuro como breu. A 30
metros da porta, à minha direita, ouvi um rosnar ameaçador vindo detrás de
umas pedras grandes. Imediatamente fechei o meu foco sobre a matéria
(uma coisa) e dei por mim a pensar: o que poderá esconder-se na
escuridão? Comecei a perscrutar a minha mente e depois o ambiente que
me rodeava, em busca de reminiscências que me pudessem ajudar a
perceber o que se estava a passar. Será um dos meus cães?, pensei. Comecei
a chamá-los pelos nomes, mas não houve resposta. Dei mais uns passos e os
rosnares ficaram mais audíveis.
Não tive de pensar em mobilizar a energia do meu corpo, imediatamente
os cabelos da minha nuca eriçaram-se, as minhas frequências cardíaca e
respiratória aumentaram, e os meus sentidos aguçaram-se, preparando-me
para o combate ou para a fuga. Tirei do bolso o telemóvel e acendi a
lanterna para fechar mais ainda o meu foco sobre a possível ameaça, mas
continuava a não identificar a origem do barulho. Da escuridão continuava
a ouvir-se o rosnar. Recuei lentamente e desatei a fugir para o celeiro, onde
os trabalhadores do meu rancho estavam a recolher os cavalos para a noite.
Pegámos nas nossas armas e lanternas e voltámos ao mesmo sítio, mesmo a
tempo de ver um puma e o seu filhote a escapulir-se pelos arbustos.
Pode aperceber-se por esta história, de que uma situação altamente
stressante não é ideal para abrir o seu coração nem para confiar no
desconhecido. Não é o momento certo para desviar a sua atenção das coisas
do seu mundo material exterior para se concentrar numa nova possibilidade
na sua mente. É altura de fugir, de se esconder, ou de lutar. Mas se estiver
permanentemente preso num estado de lutar ou fugir – mesmo que não haja
pumas nos arbustos –, será pouco provável que queira fechar os olhos e
voltar-se para dentro de si, porque vai querer manter a sua atenção na
ameaça que pressente do exterior. Nenhuma nova informação consegue
penetrar no seu sistema nervoso que não seja equivalente ou relevante para
as emoções que vive, e por isso não pode programar o seu corpo para um
novo destino. Faz assim sentido que, quanto mais viva viciado nas
hormonas do stress na sua vida normal, menos provável será querer criar,
meditar ou abrir o seu coração e ser vulnerável.
O “cérebro do coração”
Em 1991, o trabalho pioneiro do Dr. J. Andrew Armour revelou que o
coração tem, literalmente, uma mente própria. Com cerca de 40 mil
neurónios, o coração tem um sistema nervoso que funciona
independentemente do cérebro. O termo técnico para designar este sistema
é o sistema nervoso cardíaco intrínseco, mais conhecido por “cérebro do
coração”48. Esta descoberta foi tão extraordinária que levou à criação de
uma nova área científica, a chamada neurocardiologia.
O coração e o cérebro estão ligados por vias eferentes (descendentes) e
aferentes (ascendentes); contudo, 90 por cento das fibras nervosas
ascendem do coração para o cérebro49. Armour descobriu que estas vias
diretas aferentes enviam continuamente sinais e informação que interagem
com a atividade nos centros cognitivos e emocionais do cérebro, e a
modificam50. Estes sinais do coração para o cérebro ligam-se através do
nervo vago e continuam diretamente para o tálamo (que sincroniza
atividade cortical, tal como o pensamento, a perceção e a compreensão de
linguagem), e depois para os lobos frontais (responsáveis pelas funções
motoras e pela resolução de problemas), até chegar ao centro de
sobrevivência do cérebro, a amígdala (que sinaliza a memória emocional).
As células básicas da amígdala até se sincronizam com o batimento do
coração51. (Observe a figura 7.2.) Isto significa que, se o centro do coração
estiver aberto, está a manter o centro de sobrevivência do cérebro sob
controlo. É possível, então, que quanto mais centrado estiver o coração,
menos provável será que reaja aos fatores de stress na sua vida. O contrário
também é verdade: quanto menos energia tiver no seu centro do coração,
mais provável é que esteja a viver em modo de sobrevivência.
Isto diz-nos que os nossos sentimentos e os ritmos do coração afetam as
memórias e as respostas emocionais que produzimos, de forma que o stress
e a ansiedade podem provocar padrões de ondas cerebrais que
correspondam ao hábito de ansiedade do passado. Da mesma forma, tal
como um computador que faz corresponder padrões, as emoções elevadas
do coração podem produzir coerência em padrões de ondas cerebrais; ou
seja, se estiver a invocar os sentimentos do seu futuro ao criar estados
elevados, o seu cérebro começará a preparar as redes neuronais para essas
futuras emoções, ou para esse novo destino. A descoberta que Armour fez
das vias nervosas aferentes do coração para o cérebro prova que o coração
processa emoções independentemente, reage diretamente ao ambiente, e
regula os seus ritmos – sem receber informação do cérebro. Isso é porque o
coração e o SNA trabalham sempre em conjunto. Também é digno de nota
que os nervos que permitem esta comunicação possibilitem ao coração
sentir, lembrar, autorregular-se e tomar decisões sobre o controlo cardíaco,
independentemente do sistema nervoso.52
FIGURA 7.2
Quando o coração entra em coerência atua como um
amplificador, enviando informação coerente através das suas
vias nervosas aferentes diretamente para o tálamo, que
sincroniza o neocórtex e os centros de sobrevivência do
cérebro.
Em termos simples, as emoções e os sentimentos com origem no
coração desempenham um papel importante na forma como pensamos,
como processamos informação, como sentimos e como compreendemos o
mundo e o nosso lugar nele53. Assim que o centro do coração é ativado,
atua como um amplificador para impelir o cérebro, reforçar a sua atividade,
e criar equilíbrio, ordem e coerência por todo o corpo.
Viver centrado no coração
Como disse antes, todos os seus pensamentos produzem uma química
correspondente, que, por sua vez, resulta numa emoção. Portanto, só é
sugestionável aos pensamentos correspondentes ao seu estado emocional.
Sabemos agora que, quando os nossos estudantes estão centrados no
coração e sentem mais integridade e unidade, ficam menos separados dos
seus sonhos. Quando sentem gratidão, abundância, liberdade ou amor, todas
estas emoções acolhem pensamentos correspondentes. Estas emoções
centradas no coração abrem a porta à mente subconsciente, para poder
programar o seu sistema nervoso autónomo e corresponder aos
pensamentos do seu novo futuro. Também sabemos que se os estudantes
viverem no medo ou com lacunas, mas tentarem pensar que são abundantes,
não poderão produzir um efeito mensurável, porque a mudança só pode
ocorrer quando os pensamentos estiverem em alinhamento com o estado
emocional do corpo. Podem pensar positivamente o que quiserem, mas sem
um sentimento ou uma emoção que corresponda a esse pensamento, a
mensagem não pode ser sentida nem compreendida pelo resto do corpo.
Pode então repetir a afirmação não tenho medo até ficar com a cara
roxa, mas se estiver a sentir medo, o pensamento não tenho medo nunca
passa para lá do bolbo raquidiano, o que significa que não está a sinalizar o
corpo e o SNA para um novo destino específico. O sentimento é o que
produz a carga emocional (energia) para estimular o seu SNA para um
destino diferente. Sem o sentimento, mantém-se a desconexão entre o seu
cérebro e o seu corpo – entre o pensamento da saúde e o sentimento da
saúde – e não é possível entregar-se a esse estado de ser.
Só ao mudar a sua energia é que pode produzir efeitos mais
consistentes. Se mantiver estas emoções elevadas diariamente, o seu corpo,
na sua inteligência inata, irá finalmente começar a fazer mudanças genéticas
da forma que eu descrevi anteriormente. Isso acontece porque o corpo
acredita que a emoção que está a receber vem de uma experiência no seu
ambiente. Ao abrir o seu centro do coração, ao treinar-se para sentir uma
emoção antes de a experiência ocorrer, e ao aliar essa emoção a uma
intenção clara, o corpo reage como se estivesse na experiência futura. Essa
coerência entre coração e cérebro influencia então a química e a energia do
seu corpo de variadas formas.
Se a coerência entre coração e cérebro pode ter origem no coração, e a
sua sincronização resulta numa saúde e num funcionamento do corpo
ideais, então devia dedicar todos os dias algum tempo a concentrar-se na
ativação do seu centro do coração. Ao optar intencionalmente por sentir as
emoções elevadas do coração em vez de ficar à espera de algum fator
exterior que as suscite, está a tornar-se na pessoa que verdadeiramente quer
ser – um indivíduo fortalecido pelo coração. Viver pelo coração é optar
naturalmente pelo amor e demonstrá-lo inatamente pela compaixão e pela
preocupação com o seu bem-estar, com o dos outros e com o do planeta
Terra. Através da nossa parceria com o HMI, os nossos estudantes
demonstraram que, com treino, podemos de facto produzir, regular e suster
emoções e sentimentos elevados – independentemente dos acontecimentos
no nosso mundo exterior.
Nos seminários que fazemos por todo o mundo, através da prática de
regular os ritmos cardíacos para suster emoções elevadas, ensinamos os
nossos estudantes a criar coerência cardíaca e coerência cerebral, quando
medimos as suas capacidades recorrendo aos monitores de VFC. Durante a
meditação guiada, pedimos aos nossos estudantes que se entreguem aos
sentimentos de gratidão, alegria e amor, e também os encorajamos a que
treinem diariamente, sem a nossa disciplina formal, porque quando alguém
resolve treinar para estar sentado num estado de coerência, isso torna-se um
hábito. Espero que, com treino suficiente, os nossos estudantes consigam
substituir os velhos processos mentais, em que se sentiam desvalorizados,
assustados e inseguros, por estados de ser mais sublimes, e que possam
apaixonar-se profundamente pelas suas vidas. Já vimos muitos desses
discípulos demonstrarem que é de facto possível produzir efeitos positivos,
mensuráveis e tangíveis nas suas vidas, bastando para isso alterar o
paradigma dos seus pensamentos e sentimentos. Estes indivíduos
empenhados regressam a casa, onde os efeitos positivos que incutiram nas
suas vidas se espalham, repercutindo-se pelas suas famílias e comunidades,
continuamente expandindo a sua influência vibracional de harmonia e
coerência pelo mundo.
Ao praticar repetidamente a regulação de estados emocionais, com o
passar do tempo o sentir constante de emoções elevadas leva a um novo
patamar emocional. Este patamar começa então a influenciar continuamente
um novo conjunto de pensamentos correspondente aos sentimentos
elevados. A síntese destes novos pensamentos cria um novo nível de mente,
que, por sua vez, produz mais emoções correspondentes, reforçando esse
patamar. Este círculo virtuoso ocorre entre o coração (corpo) e a mente
(cérebro) e deixa-o num estado de ser inteiramente novo – a consciência da
mente ilimitada e a energia do amor profundo e da gratidão. É na repetição
deste processo que consiste o recondicionamento do seu corpo, a
reestruturação do seu cérebro e a reconfiguração da sua biologia para
equivaler ao seu novo estado de ser. Agora está a transmitir natural,
automática e regularmente uma assinatura de energia eletromagnética
diferente para o campo. Esta é a sua identidade, ou antes, foi para esta
identidade que evoluiu.
Podiam escrever-se inúmeros livros de história pelo prisma das emoções
incoerentes. Quer o resultado seja uma tragédia de Shakespeare, genocídio
ou uma guerra mundial, as emoções de sobrevivência tais como culpa, ódio,
raiva, competição ou vingança têm como consequência um caminho infinito
e desnecessário de dor, sofrimento, opressão e morte. Seguir este caminho
fez com que os seres humanos vivam em oposição e conflito em vez de em
paz e harmonia. Estamos num momento da história em que podemos
romper com este ciclo. Este é o momento decisivo na história da
humanidade, no qual a sabedoria do passado e a ciência moderna estão a
cruzar-se para nos darem a tecnologia e a compreensão científica que nos
ajudarão a aprender não só a gerir as nossas emoções com mais eficácia
como também o significado dessas emoções para a nossa saúde, para as
nossas relações, para os nossos níveis de energia e para a nossa evolução
pessoal e coletiva. Não é preciso mover montanhas – basta alterar o nosso
estado de ser interior. Isto permite-nos alterar a forma como interagimos
uns com os outros, substituindo situações de stress por experiências
positivas que nos dão energia, nos enchem o espírito, e nos deixam com
uma sensação de integridade, ligação e unidade. O cérebro pode pensar,
mas o coração, quando o transforma num instrumento de perceção, sabe.
Exemplos dos nossos seminários
Para compreender melhor como a coerência cardíaca gera coerência
cerebral, observe os gráficos 8A e 8B do extratexto a cores. A primeira
imagem mostra padrões de ondas cerebrais beta relativamente baixas, antes
de a pessoa começar a criar coerência cardíaca. A segunda imagem mostra
uma mudança significativa depois de a pessoa evoluir para uma coerência
cardíaca estável, poucos segundos mais tarde. Isto porque o coração serve
como amplificador para influenciar o cérebro a criar ondas alfa
sincronizadas muito coerentes.
Nas figuras 7.3A e 7.3B pode observar uma análise de VFC a uma das
nossas estudantes, feita num seminário avançado. Ela está a ter um dia
magnífico. O primeiro gráfico, na figura 7.3A, representa duas meditações,
uma de manhã e outra antes do almoço; cada bloco representa cinco
minutos. A primeira seta cinzenta, ao cimo do gráfico e a apontar para a
direita, marca o momento em que ela entrou em coerência cardíaca (e a
susteve). Durante a nossa meditação das sete da manhã, ela manteve este
estado durante mais de 50 minutos, até se poder ver a segunda seta, que
aponta para a esquerda. O fundo do gráfico, onde está outra seta cinzenta,
que aponta para a direita, mostra quando ela voltou a entrar em coerência
cardíaca, durante 38 minutos, na meditação que fez antes do almoço,
concluindo com mais uma seta cinzenta a apontar para a esquerda. Pode
verificar que ela está a desenvolver a técnica.
Cortesia de HeartMath® Institute
FIGURA 7.3 A
Cortesia de HeartMath® Institute
FIGURA 7.3 B
Cada conjunto de setas cinzentas a apontar para dentro
nas duas figuras representa uma estudante a entrar em
coerência cardíaca ao suster um estado emocional elevado.
Cada bloco quadrado representa um intervalo de cinco
minutos. Nas figuras 7.3A e 7.3B, pode-se notar que ela está a
desenvolver a técnica de regular os seus estados interiores.
Na figura 7.3B, ao fundo, onde ambas as setas apontam
para dentro, a estudante entra espontaneamente em coerência
cardíaca durante mais de uma hora. O seu corpo está a ser
condicionado a uma nova mente.
Agora observe a figura 7.3B. Trata-se da meditação seguinte, ao fim
dessa tarde. Se olhar para o espaço entre as duas setas cinzentas ao alto da
figura, poderá perceber que ela entrou novamente em coerência cardíaca
cerca de 45 minutos. Mas o que faz com que este gráfico seja tão
fascinante, é o que se passou mais tarde, por volta das oito horas da noite
(veja o segundo conjunto de setas cinzentas a apontar para dentro). Uma
vez que não havia meditação nenhuma marcada para essa hora,
perguntámos-lhe depois o que lhe acontecera. O coração dela entrou em
“supercoerência” durante mais de uma hora, enquanto ela estava num
estado normal de vigília.
Cortesia de HeartMath® Institute
FIGURA 7.4
Um exemplo de três estudantes a suster emoções
centradas no coração ao longo de 45 minutos.
Ela contou-nos que estava a preparar-se para ir dormir quando
subitamente sentiu um amor esmagador. Era um sentimento tão forte que
ela teve de se deitar e render-se a ele. O coração entrou espontaneamente
em coerência cardíaca, e durante uma hora e dez minutos, deitada na cama,
ela apaixonou-se profundamente pela sua vida. Conseguiu suster uma carga
no seu SNA. A última seta, como ela nos disse, indica o momento em que
se terá virado na cama e adormecido. Não é uma má maneira de acabar o
dia, não acha?
Pense então nisto: sabe como é fácil ter um pensamento ansioso ou
assustado sobre um evento futuro que ainda não decorreu – e na sua mente
acolher emocionalmente este contratempo fictício vezes sem conta? Quanto
mais energia der ao pensamento, mais vai pensar em outros resultados
possíveis, acabando por se concentrar no pior cenário possível. São as
emoções que guiam esses pensamentos. Condicionou o seu corpo a ser a
mente, uma mente assustada e ansiosa. Se este processo continuar durante
muito tempo, o seu corpo poderá ter um ataque de pânico – uma reação
corporal espontânea e autónoma que a sua mente consciente não controla.
Mas, e se, em vez de condicionar o corpo à mente do medo e da
ansiedade, vivesse emoções elevadas estáveis e condicionasse o seu corpo à
mente do amor e da coerência? Em vez de ter medo e de recear mais um
ataque de pânico, estaria excitado e ávido da perspetiva de ter um ataque de
amor autónomo.
A figura 7.4 mostra mais três exemplos de estudantes que são capazes
de suster coerência cardíaca durante períodos prolongados. Se analisar com
atenção, poderá ver que os corações estão todos a reagir a um estado
consistente de emoções elevadas durante, pelo menos, 45 minutos – isto é,
os corpos estão a reagir a uma nova mente. Isso, a mim, parece-me mesmo
sobre-humano.
As figuras 7.5A e 7.5B mostram dois exemplos de pessoas com uma
variabilidade de frequência cardíaca muito pobre (assinalada com os dois
conjuntos de setas pretas a apontar para cima) no seu estado de vigília
normal. Observe as alterações na variabilidade de frequência cardíaca
mostradas na área entre as setas cinzentas que apontam para cima. Embora
seja apenas por 8 a 15 minutos, estes estudantes estão a transformar a sua
biologia.
Meditação da coerência cardíaca
Esta meditação é baseada na Técnica de Definição Cardíaca
desenvolvida pelo HMI. Feche os olhos, permita ao corpo descontrair-se e
concentre a sua atenção no coração. Comece a inspirar e a expirar do centro
do coração, e continue a respirar de forma cada vez mais lenta e profunda.
Quando a sua mente estiver a divagar, volte a focar a sua atenção e a sua
consciência no peito, no coração e na respiração.
Depois, com a atenção concentrada no quarto centro, evoque algumas
emoções elevadas, continuando a inspirar e a expirar a partir do centro do
coração. Assim que sentir essas emoções na área do peito, envie essa
energia para trás do corpo e junte-a à sua intenção. Continue a transmitir
essa energia e essa intenção à sua volta. Comece com dez minutos, e tente
aumentar o tempo de cada vez que treinar, todos os dias.
Em ambas as figuras pode ver dois estudantes diferentes com muito
pouca variabilidade de frequência cardíaca (assinalada pelas setas pretas a
apontar para cima). Contudo, quando é chegado o momento de abrirem os
seus corações, observe a mudança significativa na zona entre as duas setas
cinzentas. Mesmo que seja só por um período de 8 a 15 minutos, eles estão
a modificar a sua fisiologia.
Cortesia de HeartMath® Institute
FIGURA 7.5 A
Cortesia de HeartMath® Institute
FIGURA 7.5 B
A certa altura, quando souber como é que tem de fazer
para o seu corpo sentir estas emoções elevadas, pode treiná-
las ao longo do seu dia de olhos abertos (aprenderá mais
sobre este assunto no capítulo 9, Meditação em Andamento).
Pode até receber um sinal no seu telemóvel, que toque quatro
vezes por dia, e, de cada vez que o telemóvel tocar, dedicar
um ou dois minutos a sentir essas emoções elevadas.
27 D. Mozzaffarian, E. Benjamin, A. S. Go, et al. em representação do
comité de estatísticas e do subcomité de estatísticas sobre tromboses da
American Heart Association, “Heart Disease and Stroke Statistics – 2016
Update: A Report from the American Heart Association”, Circulation, 133:
e38-e360 (2016).
28 Childre, Martin e Beech, The HeartMath Solution.
29 HeartMath Institute, “The Heart’s Intuitive Intelligence: A Path to
Personal, Social and Global Coherence”, https://www.youtube.com/watch?
v=QdneZ4fIIHE (abril de 2002).
30 Church, Yang, Fannin, et al., “The Biological Dimensions of
Transcendent States: A Randomized Controlled Trial.”; Church, Yount,
Marohn, et al., “The Epigenetic and Psychological Dimensions of
Meditation.”
31 R. McCraty, M. Atkinson, D. Tomasino, et al., “The Coherent Heart:
Heart- Brain Interactions, Psychophysiological Coherence, and the
Emergence of System-Wide Order”, Integral Review, vol. 5, n.o 2: pp. 10-
115 (2009).
32 T. Allison, D. Williams, T. Miller, et al., “Medical and Economic
Costs of Psychologic Distress in Patients with Coronary Artery Disease”,
Mayo Clinic Proceedings, vol. 70, n.o 8: pp. 734-742 (agosto de 1995).
33 R. McCraty e M. Atkinson, “Resilience Training Program Reduces
Physiological and Psychological Stress in Police Officers”, Global
Advances in Health and Medicine, vol. 1, n.o 5: pp. 44-66 (2012).
34 M. Gazzaniga, “The Ethical Brain”, New York Times (19 de junho de
2005), http://www.nytimes.com/2005/06/19/books/chapters/the-ethical-
brain.html.
35 R. McCraty, “Advanced Workshop with Dr. Joe Dispenza”, Carefree
Resort and Conference Center, Carefree, Arizona (23 de fevereiro de 2014).
36 W. Tiller, R. McCraty, e M. Atkinson, “Cardiac Coherence: A New,
Noninvasive Measure of Autonomic Nervous System Order”, Alternative
Therapies in Health and Medicine, vol. 2, n.o 1: pp. 52-65 (1996).
37 McCraty, Atkinson, Tomasino, et al., “The Coherent Heart: Heart-
Brain Interactions, Psychophysiological Coherence, and the Emergence of
System Wide Order.”
38 R. McCraty e F. Shaffer, “Heart Rate Variability: New Perspectives
on Physiological Mechanisms, Assessment of Self-Regulatory Capacity,
and Health Risk”, Global Advances in Health and Medicine, vol. 4, n.o 1:
pp. 46-61 (2015); S. Segerstrom e L. Nes, “Heart Rate Variability Reflects
Self-Regulatory Strength, Effort, and Fatigue”, Psychological Science, vol.
18, n.o 3: pp. 275-281 (2007); R. McCraty e M. Zayas, “Cardiac
Coherence, Self-Regulation, Autonomic Stability, and Psychosocial Well-
Being”, Frontiers in Psychology; vol. 5: pp. 1-13 (setembro de 2014).
39 K. Umetani, D. Singer, R. McCraty, et al., “Twenty-Four Hour Time
Domain Heart Rate Variability and Heart Rate: Relations to Age and
Gender over Nine Decades”, Journal of the American College of
Cardiology, vol. 31, n.o 3: pp. 593-601 (1 de março de 1998).
40 D. Childre, H. Martin, D. Rozman, e R. McCraty, Heart Intelligence:
Connecting with the Intuitive Guidance of the Heart (Waterfront Digital
Press, 2016), p. 76.
41 R. McCraty, M. Atkinson, W. A. Tiller, et al., “The Effects of
Emotions on Short-Term Power Spectrum Analysis of Heart Rate
Variability”, The American Journal of Cardiology, vol. 76, n.o 14 (1995):
pp. 1089-1093.
42 Pert, Molecules of Emotion.
43 Ibid.
44 Song, Schwartz, e Russek, “Heart-Focused Attention and Heart-
Brain Synchronization.”
45 Childre, Martin, e Beech, The HeartMath Solution, p. 33.
46 Song, Schwartz, e Russek, “Heart-Focused Attention and Heart-
Brain Synchronization.”
47 Childre, Martin, e Beech, The HeartMath Solution.
48 J. A. Armour, “Anatomy and Function of the Intrathoracic Neurons
Regulating the Mammalian Heart” in I. H. Zucker e J. P. Gilmore, ed.,
Reflex Control of the Circulation (Boca Raton: CRC Press, 1998), pp. 1-37.
49 O. G. Cameron, Visceral Sensory Neuroscience: Interoception (Nova
Iorque: Oxford University Press, 2002).
50 McCraty e Shaffer, “Heart Rate Variability: New Perspectives on
Physiological Mechanisms, Assessment of Self-Regulatory Capacity, and
Health Risk.”
51 H. Martin, “TEDxSantaCruz: Engaging the Intelligence of the
Heart”, Cabrillo College Music Recital Hall, Aptos, Califórnia, 11 de junho
de 2011, https://www.youtube.com/watch?v=A9kQBAH1nK4.
52 J. A. Armour, “Peripheral Autonomic Neuronal Interactions in
Cardiac Regulation,” in J. A. Armour e J. L. Ardell, eds., Neurocardiology
(Nova Iorque: Oxford University Press, 1994), pp. 219-244; J. A. Armour,
“Anatomy and Function of the Intrathoracic Neurons Regulating the
Mammalian Heart” in Zucker and Gilmore, ed., Reflex Control of the
Circulation, pp. 1-37.
53 McCraty, Atkinson, Tomasino, et al., “The Coherent Heart.”
CAPÍTULO 8

MIND MOVIES/CALEIDOSCÓPIO
Tinha acabado de concluir uma palestra, numa noite de sábado, em
Orlando, na Florida. Na manhã seguinte, ao arrumar as malas, preparando-
me para apanhar o avião de regresso a casa, à tarde, liguei o televisor para
me atualizar sobre a situação política nos Estados Unidos da América.
Estava-se a meio da campanha para as presidenciais de 2016, e como tinha
passado as três semanas anteriores fora do país a viajar e a fazer discursos,
tinha curiosidade de saber o que acontecera entretanto. Fui mudando de
canal até encontrar um canal de notícias; pousei o comando do televisor e,
meio distraído, continuei a fazer as malas. Subitamente, apareceu um
anúncio que captou toda a minha atenção, e num instante compreendi por
que motivo chamamos à televisão “programação”.
O anúncio começava por um panorama exterior da casa de um casal. À
medida que a câmara fazia zoom pela casa, apareceram no ecrã as palavras
“Noite #14 com herpes zóster”. A imagem aproxima-se do interior e ouve-
se uma música calma, mas ameaçadora, enquanto um velho geme de dor
junto à cama. A sua mulher, preocupada, entra no quarto e pergunta-lhe
como é que ele está. “Dói”, responde ele. No canto inferior direito, numa
letra minúscula quase da mesma cor do fundo, veem-se as palavras
“Interpretação de Atores”.
A mulher aproxima-se com uma cara de desespero e, lentamente,
levanta a camisa do marido, revelando enormes lesões com cicatrizes
vermelhas a cobrirem-lhe mais de metade do fundo das costas. As imagens
são chocantes, grotescas e horripilantes, parecem autenticamente
queimaduras de terceiro grau. Nos meus 31 anos de experiência, já
examinei centenas de pessoas com herpes zóster, ou zona, mas nunca tinha
visto nada com tão mau aspeto como as lesões fabricadas deste anúncio.
Imediatamente compreendi que o objetivo do anúncio era provocar uma
resposta emocional forte nos espetadores – porque foi isso que me
aconteceu.
Assim que se veem as lesões na pele das costas do homem, o anúncio
concretiza o seu objetivo: captar a nossa atenção. Uma vez que a imagem
das lesões é tão impressionante, transforma a maneira como nos estávamos
a sentir poucos instantes antes do nosso estado atual. Assim que o anúncio
altera significativamente o seu estado emocional interior, faz com que
dedique mais da sua atenção e da sua consciência à fonte da perturbação no
seu ambiente exterior. Quanto mais forte for a emoção causada (o estímulo),
mais irá concentrar-se, mais atenção prestará (a resposta). Esta associação
de estímulo e resposta, ou condicionamento, é que vai criar as memórias a
longo prazo, ou memórias associativas.
Este processo de condicionamento começa pela conjugação de um
símbolo ou uma imagem com uma alteração num estado emocional – uma
combinação que abre a porta entre a mente consciente e a mente
subconsciente. No caso do anúncio do herpes zóster, agora que já captaram
toda a nossa atenção (e começaram o processo de programação), não pode
deixar de se interrogar sobre o que vão dizer a seguir. O anúncio continua
com um narrador masculino soturno: “Se já teve varicela, o vírus do herpes
zóster já está dentro de si. Ao envelhecer, o seu sistema imunitário
enfraquece e perde a sua capacidade de controlar o vírus.” Através da
manipulação emocional, este é o primeiro momento em que o anúncio
levanta questões éticas, ao dizer aos espetadores que o sistema imunitário
enfraquece com a idade. Depois, vemos o homem na casa de banho a olhar-
se ao espelho. Parece preocupado, abatido, derrotado.
A cena passa para a mulher a falar ao telefone, na cozinha. “Já não
aguento vê-lo desta maneira”, diz ela.
Depois vemos o homem dobrado na cama, com a palma da mão na
testa, a gemer de dor. O narrador faz então uma sugestão direta, reforçada
no ecrã pelas mesmas palavras: “Uma em cada três pessoas irá sofrer de
herpes zóster ao longo da sua vida.” O narrador prossegue, enquanto as
mesmas palavras permanecem no ecrã. “As lesões do herpes zóster podem
durar até 30 dias.”
A cena passa mais uma vez para a mulher, a falar diretamente para a
câmara. “Quem me dera poder fazer alguma coisa para ajudar.”
Voltamos a ver o homem com dores, e no ecrã aparecem as palavras:
“Uma em cada cinco pessoas com herpes zóster terá dores nervosas a longo
prazo.” Estas palavras permanecem no ecrã durante o resto da narração, que
diz: “Algumas pessoas com herpes zóster sofrerão de dores nervosas a
longo prazo, que podem durar alguns meses ou mesmo vários anos. Não
espere até que algum dos seus entes queridos desenvolva herpes zóster. Fale
com o seu médico ou com o seu farmacêutico sobre esse risco.”
Vamos olhar com mais atenção para o que este anúncio está a tentar
obter. Primeiro, deixá-lo num estado emotivo, alterando o que sente. Assim
que capta a sua atenção, deixa-o imediatamente mais aberto e sugestionável
à informação que se segue. Agora que está mais disposto a aceitar, acreditar
e a render-se a esta informação (sem a analisar), se estiver a sentir-se
assustado, vitimizado, vulnerável, preocupado, chocado, fraco, cansado ou
com dores, é mais suscetível à informação que seja correspondente a essas
emoções. Pode começar a pensar se aquela maleita o pode tocar a si.
Em vários momentos do anúncio, alguns “factos” vão aparecendo
escritos no ecrã, permitindo-lhe que os vá lendo. Isto serve para reforçar a
programação. Além disso, enquanto o cérebro pensante está focado em ler o
texto, o conteúdo da narração escapa-se para lá da mente consciente,
penetrando na mente subconsciente. Como um gravador de áudio, a mente
subconsciente regista todo o anúncio e cria um programa interior.
Depois, através de uma sugestão direta e literal, o narrador instala o
medo dentro de si, ao sugerir que poderá já ter o vírus no seu corpo, e que
devido ao processo natural de envelhecimento, pode já não ter força para o
controlar. Isto ativa o seu cérebro emocional (a sede do seu sistema nervoso
autónomo), permitindo-lhe tornar-se programável. Assim que as sugestões
chegam ao seu sistema nervoso autónomo, este aceita as ordens sem se
questionar, apressando-se em fazer as alterações químicas no seu corpo
literalmente correspondentes às sugestões percecionadas. Por outras
palavras, o seu corpo vai, subconsciente e automaticamente, ser
programado para enfraquecer a sua função imunitária. Em conclusão: está
em risco, e mais vale não esperar até contrair a doença. O efeito do anúncio
vai ainda um pouco mais longe: se por coincidência já teve varicela, e se
depois de ver o anúncio começar a “pensar” que o seu sistema imunitário
está mais fraco devido à sua idade, irá certamente pensar que tem a
obrigação de evitar, de todas as formas, apanhar “zona”. Ficará, portanto,
ainda mais decidido a comprar o medicamento.
Se por acaso tem herpes zóster e viu o anúncio, ao constatar que a sua
doença não é tão grave como a do ator, isso pode levá-lo a concluir: Devia
tomar já o medicamento, para isto não piorar. Se não tiver a doença, depois
de ver o anúncio poderá mesmo assim ficar a pensar: Será que faço parte
dos tais dois terços da população que não são afetados? Ou farei parte do
terço da população que contraiu o vírus? Se o resultado for: espero bem
não fazer parte do tal terço, isso significa que acredita que pode haver uma
hipótese de ser suscetível e vulnerável, deixando-o inconscientemente a
pensar que já tem a doença.
Sabe o que é, para mim, mais absurdo neste anúncio? É que eles nem
sequer chegam a falar no medicamento, o que significa que não querem
revelar os seus efeitos secundários. Uma vez que o anúncio tinha
despertado a minha curiosidade, parei de fazer as malas e fui à Internet
procurar outro anúncio da mesma empresa farmacêutica. Queria saber qual
era o medicamento que estavam a sugerir para aliviar a gravidade das lesões
exageradas e fabricadas do ator. Após uma rápida pesquisa, encontrei vários
anúncios semelhantes, com o mesmo tema e um vocabulário semelhante,
mas com pequenas variações. Todos tinham uma coisa em comum, contudo:
foram todos concebidos para captar a nossa atenção.
No anúncio que vi a seguir, uma mulher com óculos de natação está a
nadar. Todo o anúncio é a preto e branco. Numa reviravolta face ao anúncio
anterior, o narrador (que fala com um sotaque britânico feminino e
autoritário) é o vírus da “zona”, e a narração vem de dentro da cabeça da
mulher:
“Impressionante, Linda. A idade não te amolece, mas o teu sistema
imunitário vai enfraquecendo à medida que envelheces, aumentando o risco
de que apareça eu – o vírus da herpes zóster. Estive dentro de ti desde que
tiveste varicela. Posso reaparecer a qualquer momento como uma dolorosa
erupção cutânea.” A cena muda então abruptamente de preto e branco para
cores, e um homem levanta a camisa para mostrar as piores lesões de
“zona” possíveis de imaginar. Novamente, as lesões grotescas e cheias de
bolhas atraem a sua atenção. Tão depressa como passou para a cena a cores,
o anúncio volta para a nadadora a preto e branco.
O anúncio continua de forma semelhante, seguindo a fórmula do outro:
primeiro, faz-se uma declaração bombástica ou mostra-se uma imagem
chocante para mudar o estado emocional do espetador; depois faz-se com
que ele fique mais sugestionável à informação através da alteração do seu
estado emocional; e por fim usa-se a autossugestão para o fazer pensar se já
tem herpes zóster. Este anúncio pretende insinuar também que o espetador
pode ser saudável, fazer exercício e tratar-se bem e, mesmo assim, ser
vítima do vírus, sugerindo assim que ninguém é imune. Novamente, as
palavras no ecrã reforçam a mensagem: “Uma em cada três pessoas
apanham-me ao longo da sua vida. Linda, serás tu uma delas?” Se se
identificar de alguma forma com a mulher, a voz está a falar diretamente
consigo.
Depois, o tom do anúncio muda mais uma vez, com um novo narrador
masculino a falar num tom confiante e delicado. Também num sotaque
britânico, a voz diz: “E foi por isso que a Linda me deu o Medicamento X.”
A cena permanece a preto e branco, exceto o fato de banho da mulher, a
touca e o nome do medicamento, que aparece no ecrã num tipo de letra
grande e sofisticado. Agora, o medicamento ficou gravado no seu cérebro a
mais outro nível. Mais uma vez, o anúncio fez uma associação entre a sua
saúde e a segurança e o medicamento que o irá proteger. O slogan aparece
no ecrã e o narrador lê-o em voz alta, declarando que o medicamento ajuda
a “reforçar o seu sistema imunitário contra o herpes zóster. Para a proteger
de ti, herpes zóster.”
No fim do anúncio, o narrador diz: “O Medicamento X é usado para
evitar o herpes zóster em adultos, a partir dos cinquenta anos. O
medicamento não deve ser usado para tratar o herpes zóster, e os resultados
podem variar de indivíduo para indivíduo.” Esta parte é a melhor: “Não
tome este medicamento se o seu sistema imunitário estiver enfraquecido.”
Esperem lá – o quê? Vamos fazer marcha-atrás. Eis a ironia: eles
acabam de lhe dizer que, na sua idade, o sistema imunitário degrada-se e o
risco de contrair herpes zóster é maior. O medicamento serve para reforçar
o seu sistema imunitário, mas não o deve usar se tiver um sistema
imunitário enfraquecido. Agora o dilema: se optar por tomar o
medicamento na mesma, é porque acha que o medicamento é mais forte do
que o seu sistema imunitário, possivelmente enfraquecido. A programação
resultou.
O que estes publicitários inteligentes, embora pouco éticos,
compreendem é que esta mensagem é confusa e desorientadora para a sua
mente consciente. Mas, ao mesmo tempo, estão a programar a sua mente
subconsciente com a ideia de que o seu sistema imunitário é fraco, que
provavelmente já tem o vírus dentro de si, e que há boas probabilidades de
ter herpes zóster, mesmo que esteja saudável. Além disso, dizem-lhe que
sem o medicamento é provável que sofra – embora não haja garantias de
que a doença desapareça facilmente –, e que mesmo assim poderá não
resultar se o seu sistema imunitário estiver fraco.
Finalmente, vêm os efeitos secundários (que não são secundários mas
sim diretos): “Erupções cutâneas semelhantes à herpes zóster, inflamação
da pele, dor, comichão, inchaço, caroços, calor, nódoas negras ou
inflamação no local da injeção e dores de cabeça. Fale com o seu médico se
tenciona estar com recém-nascidos ou grávidas, ou se tiver o sistema
imunitário enfraquecido, porque a vacina contém uma versão enfraquecida
do vírus da varíola e pode infetá-los.”
Ena! Comecei a pensar no planeta em que vivia. Este tipo de
programação faz-nos questionar se temos mesmo livre arbítrio ou se
estamos só a tomar decisões com base naquilo que fomos condicionados a
acreditar ser a resposta, quer seja um certo tipo de cerveja, champô ou
condicionador, o último smartphone, ou um comprimido que poderá, ou
não, ser a resposta para um vírus que poderá, ou não, ter. Na maior parte das
vezes, a publicidade recorre às omissões e à dissociação, levando-o a querer
ter o que não tem, desejar aquilo de que precisa para encaixar numa
consciência social ou saciar um sentimento de vazio ou solidão. E claro,
neste caso, se estiver doente ou a caminho disso, o anunciante tem a
resposta aos seus sintomas.
Numa última busca, dei com um anúncio semelhante com o mesmo
tema – um ator a sofrer dramaticamente durante 17 dias, a exibição
chocante de uma ferida enorme, e palavras no ecrã para influenciar os
pensamentos do espetador e reforçar o mesmo conteúdo. Tal como os outros
anúncios, também este informa explicitamente a audiência de que o
medicamento não é usado para tratar “zona”, mas no fim do anúncio, o
homem bem-parecido sorri e declara: “Acho que vou experimentar.”
Entretanto, fico a pensar: por que razão ele vai experimentar se já teve
herpes zóster durante 17 dias, sobretudo se o medicamento não trata a
doença. Agora é que estou mesmo confuso.
Aprendi, ao longo da minha formação, que, por definição, a hipnose é
uma desorientação do processo inibidor da mente consciente, ultrapassando
a mente analítica para tornar um indivíduo altamente recetivo a sugestões e
informação na mente subconsciente. Visto que a mente consciente está
ocupada a tentar perceber o que se passa, a mente subconsciente assume o
controlo sem reservas. Se conseguir desorientar algumas pessoas com
informação (ou, no mundo moderno, desinformação), choque ou confusão,
abriu a porta para lhes programar a mente subconsciente.
Neste capítulo, vamos aprender a fazer o contrário e a reprogramar a
programação negativa a que fomos condicionados durante a maior parte das
nossas vidas.
Três mentes num cérebro: consciente, subconsciente
e analítica
Por esta altura, já sabe que, ao alterar as suas ondas cerebrais de beta
para alfa, abranda o seu neocórtex (o cérebro analítico, pensante). À medida
que as suas ondas cerebrais abrandam, está a deixar o domínio da mente
consciente e a entrar no domínio da mente subconsciente. Podemos então
dizer que está algo consciente, mas não está ativamente em pensamento, a
sua consciência está a mover-se do neocórtex pensante e a entrar no cérebro
médio, também conhecido por subconsciente, lar do sistema nervoso
autónomo e do cerebelo.
Se alguma vez conhecer alguém completamente seduzido por um
programa televisivo, a tal ponto que nem dá atenção quando se tenta falar
com ele, é possível que essa pessoa esteja a passar por um estado de ondas
cerebrais alfa – um estado altamente sugestionável. A sugestionabilidade é
a capacidade de aceitar, de acreditar, de se entregar à informação sem a
analisar. Neste estado, o espetador está tão fascinado, tão concentrado no
que vê, que parece estar em transe, imóvel. Nada mais existe para ele
exceto o objeto que lhe prende a atenção.
Se a pessoa não analisar a informação a que está a ser exposta, é
provável que aceite, que acredite ou que se entregue a ela, porque não há
nenhum filtro analítico. É assim lógico que quanto mais sugestionável for
uma pessoa, menos analítica seja. O contrário também é verdade: quanto
mais analítica for, menos sugestionável será à informação; portanto, é
menos provável que o seu cérebro esteja numa onda cerebral alfa ou num
estado de transe. Observe a figura 8.1 para compreender a relação entre
sugestionabilidade, a mente analítica, o transe e as ondas cerebrais.
FIGURA 8.1
Quando as suas ondas cerebrais abrandam e quando
passa para lá da sua mente analítica, o seu cérebro avança
para um estado de transe e deixa-o mais sugestionável à
informação. O contrário também é verdade. À medida que as
suas ondas cerebrais aceleram torna-se mais analítico, e o seu
cérebro afasta-se do estado de transe, deixando-o menos
sugestionável à informação. A sugestionabilidade é a sua
capacidade de aceitar, de acreditar e de se render à
informação sem a analisar.
O que os publicitários que referi acima compreendem muito bem, é que
a melhor maneira de programar uma pessoa a fazer determinada ação é pô-
la num estado de ondas cerebrais alfa, de forma a que a informação
apresentada não seja analisada. A repetição do anúncio, ou a exibição de
um anúncio parecido, fazem com que, mais tarde ou mais cedo, o programa
entre no subconsciente do espetador. Quanto mais expostos ao estímulo
(neste caso, o anúncio) formos, mais automática se torna a resposta
programada. Finalmente, quando tivermos memorizado inconscientemente
o estímulo e a resposta for automática, a mente consciente já não terá de
analisar nem de refletir sobre a informação que lhe chega. Entretanto, a
mente subconsciente faz o mapa da informação, registando-a e arquivando-
a como se fosse uma gravação em vídeo ou áudio. Assim que esse mapa
estiver criado, cada nova exposição ao anúncio voltará a ativar as mesmas
redes neuronais, reforçando mais ainda o mesmo programa, ou o mesmo
pensamento ou crença. Depois, não só a informação pode influenciar a sua
saúde como pode sugerir a solução para o problema que o anúncio criou.
Outras situações que aumentam a sugestionabilidade incluem o choque,
o trauma ou uma forte reação emocional. Por exemplo, quando as pessoas
ficam espantadas ou são expostas a situações emocionalmente duras, é
habitual que o cérebro passe para um estado alterado. Com o cérebro a
parar devido a uma sobrecarga sensorial, tal como num acidente de viação,
o indivíduo entra num estado sugestionável. Em casos graves, entrega-se ao
choque, fica paralisado e dormente, a sua capacidade de pensar é afetada.
Assim, quando alguém é exposto a uma erupção cutânea agressiva e fica
enojado pelas imagens apresentadas (em perfeita sintonia com a música e
com o tom de voz do narrador para criar uma sensação de ameaça), a porta
para a mente subconsciente abre-se, deixando o indivíduo mais fácil de
programar.
Ainda se deverá lembrar de que a mente subconsciente fica logo abaixo
da consciente. O cérebro límbico é a sede do subconsciente e do sistema
nervoso autónomo, que controla todas as funções biológicas automáticas
que ocorrem a cada instante. Assim que um pensamento é programado,
como um criado a cumprir as ordens do seu mestre, o SNA cumpre o que o
pensamento ordena.
Se lhe disserem repetidamente que o seu sistema imunitário enfraquece
com a idade, e que uma em cada três pessoas que sofreram de varicela irá
ter herpes zóster, a experiência emocionalmente carregada permite à
mensagem ir para lá da sua mente analítica e pensante. Em resposta a esta
informação, o seu SNA segue as ordens e pode começar a enfraquecer de
facto o seu sistema de defesa interno.
Para que os anunciantes consigam mesmo fazer os seus esforços render,
é mais produtivo passar os anúncios ao fim da noite, quando estamos mais
sugestionáveis à programação. Porquê? Porque os níveis de melatonina
sobem em resposta à escuridão, e a melatonina faz com que as nossas ondas
cerebrais abrandem, em preparação para o sono e para os sonhos. Como as
nossas ondas cerebrais estão a evoluir de beta para alfa, depois para teta e
para delta, à noite, as pessoas ficam menos analíticas e a sua janela
subconsciente abre-se. A luz do dia acorda-nos de manhã, o nosso cérebro
começa a produzir serotonina, e ocorre o processo contrário; as nossas
ondas cerebrais vão de delta para teta para alfa (onde, novamente, o nosso
subconsciente está aberto à programação), e eventualmente para beta.
Portanto, se for um anunciante e souber que a maioria do público não
está informada sobre a forma como a programação subconsciente funciona,
porque não criar uma série de anúncios com a sua mensagem pretendida,
que passe ao fim da noite, amenizando-os com a quantidade certa de medo
e preocupação para captar a atenção do espetador, cujo sistema nervoso
autónomo poderá programar, para que cumpra as suas instruções antes de
adormecer?
Eis uma boa regra prática: não veja nada na televisão nem na Internet e
não participe em nenhum tipo de entretenimento que não queira viver – não
só antes de se ir deitar, mas nunca.
Olhos caleidoscópicos: em transe no transe
Há anos que ando a pensar em como estamos todos a ser
constantemente programados com crenças autolimitativas; isto é, a crença
de que precisamos de alguma coisa externa a nós para alterar como nos
sentimos por dentro. Este é, afinal de contas, o objetivo da publicidade – a
eterna dependência, e consumo, de fontes externas para nos sentirmos
melhores. Esta crença, que nos recorda da nossa separação da integridade,
é-nos incutida constantemente pelos media, por programas televisivos, por
anúncios, pelas notícias, por jogos de computador, por sites na Internet, e às
vezes até pela música. É uma estratégia simples, na realidade: se deixarmos
as pessoas presas por sentimentos de lacuna, medo, raiva, oposição,
preconceito, dor, tristeza e ansiedade, elas continuarão dependentes de
alguém ou de alguma coisa de fora para bloquear esses sentimentos. Se
permanecer num estado permanente de agitação, e estiver sempre ocupado
por emoções de sobrevivência, pode nunca chegar a ter a oportunidade de
acreditar em si próprio.
Mas, e se fosse possível desfazer ou reverter essa programação, de
forma a ter uma fé ilimitada sobre si e sobre a sua vida? É exatamente isso
que fazemos há vários anos nos nossos seminários avançados, através de
duas ferramentas simples, incluindo uma com que as crianças brincam há
muitos anos: um caleidoscópio. A única diferença é que as estamos a
aplicar de uma forma tecnologicamente avançada, para induzir o transe.
Até este momento, entrámos em transe em estados de ondas cerebrais
alfa e teta com os olhos fechados durante a meditação. Mas se
conseguirmos criar ondas cerebrais alfa e até teta com os olhos abertos, e
nos expusermos intencionalmente a informação relevante para os sonhos e
para os objetivos da nossa vida, poderemos reprogramar-nos para estados
sobre-humanos em vez de para os estados inconscientes que vivemos todos
os dias. E porquê o caleidoscópio?
Há muito que a minha maior paixão é o misticismo. Sempre que tenho
uma experiência profunda e superlúcida, essas experiências criam em mim
mudanças duradouras, que aprofundam o meu entendimento de mim
próprio e a minha relação com o mistério da vida. Quando tem uma
experiência mística e olha pela primeira vez para lá do véu, nunca mais
poderá voltar à rotina, e em cada experiência mística posterior irá
aproximar-se da fonte, da integridade, da unidade, do campo unificado
indivisível. A boa notícia é que estas experiências místicas já não são
apenas um privilégio de pessoas como Teresa de Ávila, Francisco de Assis
ou de um monge budista que passou 40 anos a meditar. Todas as pessoas
têm a capacidade de aceder ao místico, de o viver e de interagir com ele.
Quando tenho uma experiência mística, é mais real para mim que tudo o
resto que conheci na minha vida, e perco a noção do tempo e do espaço.
Muitas vezes, momentos antes de mergulhar no místico, vejo na minha
mente (e às vezes no meu mundo exterior) padrões geométricos circulares
feitos de luz e energia. Esses padrões costumam parecer mandalas, só que
não são estáticos; são ondas estacionárias de frequências em interferência,
que aparecem sob a forma de padrões fractais. A única forma de descrever
as suas propriedades é que estão vivos, em movimento, em transformação,
sempre a evoluir para padrões cada vez mais complexos.
Estes padrões assemelham-se ao que vê ao olhar para um caleidoscópio,
mas em vez de serem bidimensionais, são tridimensionais. Quando olho e
dedico a minha atenção a esses padrões geométricos divinos, eles alteram-
se e sei nesse instante – assim que a minha mente absorve esse padrão de
informação e o transforma num imaginário vivo – que estou prestes a ter
uma experiência mística profunda.
Essa é uma das razões pelas quais quisemos fazer uma apresentação do
caleidoscópio para mostrar à nossa comunidade – na esperança de induzir
esse tipo de experiências. Mas não conseguíamos encontrar imagens reais
de caleidoscópios. Na altura, todos os vídeos fractais de caleidoscópios que
havia na Internet eram feitos em computador e nós queríamos uma coisa
mais realista.
Inspirados por uma grande e talentosa amiga, Roberta Brittingham, a
nossa viagem começou. Durante meses, eu e Roberta passámos horas a fio a
tentar encontrar uma solução criativa. Foi graças a ela que criámos uma
ferramenta que ajudou a mudar muitas vidas. Depois de muito procurar,
Roberta acabou por descobrir uma família que já fabricava caleidoscópios
há três gerações e comprámos uma das suas melhores peças. Entretanto,
alugámos uma câmara da marca RED (a principal fabricante de câmaras de
filmar digitais profissionais), daquelas usadas em filmes de Hollywood.
Dividimos o caleidoscópio em duas partes – uma parte, o tubo por onde
olhamos, e a outra parte, a ponta que roda, onde estão os cristais. A seguir
alinhámos as lentes da câmara com a ponta do caleidoscópio onde estão os
cristais e acrescentámos luzes para intensificar as cores. Depois de fazermos
zoom com a câmara para a ponta do caleidoscópio, fixámos-lhe um motor.
A seguir rodámos lentamente os cristais internos para que os óleos se
movessem em transições fluídas. Durante horas a fio, num estúdio em
Seattle, Washington, fizemos projeções numa tela preta e captámos imagens
e cores lindas. O preto representa a ausência de elementos físicos (o lugar
onde não temos corpo, não somos ninguém, não somos nada, não estamos
em lado nenhum nem em tempo nenhum). É o espaço negro infinito ou
vazio de que falámos no capítulo 3.
Ao gravarmos estas imagens ao longo de vários dias, a gravidade fez
com que os cristais e o óleo caíssem e acelerassem a cada rotação, de forma
que um técnico teve o trabalho entediante de registar cada segundo, cada
fotograma, para garantir que as transições eram suaves. Se não fossem
fluídas, corríamos o risco de romper a concentração ou o estado de transe
do espetador. Foram precisos meses para aperfeiçoarmos as nossas imagens
até termos o vídeo de uma hora que usamos nos nossos seminários
avançados. Por fim, pedimos ao talentoso compositor Frank Pisciotti que
criasse a banda sonora de acompanhamento. Queríamos que os nossos
estudantes ficassem continuamente mesmorizados pela bela simetria e pelas
formas geométricas em transformação.
Mind Movies: o filme do seu futuro
Nos nossos seminários avançados, cada participante recebe um
programa informático divertido e fácil de usar chamado Mind Movies, para
fazer um filme sobre a sua identidade futura e sobre a sua vida. Usamo-lo
em conjunção com o vídeo do caleidoscópio. Dependendo do que queira o
estudante criar na sua vida, o filme que fizer sobre o seu futuro expõe-no a
imagens, sugestões escritas específicas e informação destinada a ajudá-lo –
tal como o anúncio do herpes zóster o ajudava com o texto para ler. Aquilo
que o estudante quer pode ir desde curar uma doença a reforçar o sistema
imunitário, criar um novo emprego, manifestar novas oportunidades, viajar
pelo mundo, atrair abundância, criar o incomum ou tornar-se sobre-humano.
Os objetivos desta apresentação audiovisual personalizada incluem:
1. Ajudar os estudantes a clarificar a intenção que querem criar no
futuro;
2. Programar a sua mente consciente, bem como a inconsciente, para
esse novo futuro;
3. Alterar os seus cérebros e corpos para que pareçam
biologicamente como se o futuro já tivesse acontecido;
4. Associar repetidamente essas imagens à música para criar novas
redes neuronais no cérebro e para recondicionar o corpo a uma
nova mente. É uma forma de eles se recordarem do seu futuro.
A tecnologia Mind Movie foi criada por dois australianos, Natalie e
Glen Ledwell. Não só são os fundadores mas o exemplo incontestável das
suas capacidades. A sua aventura começou em 2007, quando um amigo lhes
mostrou um filme que havia criado sobre a sua vida. Mais tarde, ele
abordou-os com a ideia de lançar uma empresa baseada naquilo que viria a
ser o programa informático Mind Movie. O arranque da empresa implicou a
criação de um site na Internet para distribuir o programa, de forma a
poderem ensinar as pessoas de todo o mundo como fazer os seus próprios
filmes. Eles já tinham quatro outras empresas, mas não sabiam quase nada
sobre Internet nem sobre e-comércio. Glen mal sabia ligar um computador,
e Natalie nunca ouvira falar do YouTube. Reconheceram, contudo, que o
Mind Movie reunia todas as condições para se tornar uma ferramenta muito
poderosa, ao ajudar as pessoas a acreditarem na sua capacidade de criar
resultados concretos nas suas vidas.
Com isto em mente, resolveram publicar um vídeo no YouTube sobre o
poder dos Mind Movies. No fim do vídeo, os espetadores eram encorajados
a visitar o site, onde poderiam aprender a fazer os seus próprios filmes.
No início de 2008, depois de receber inúmeros e-mails de clientes a
dizer-lhes que os Mind Movies lhes tinham transformado a vida, Natalie e
Glen resolveram investir a sério na empresa. Foram de avião para os
Estados Unidos da América a fim de participarem num simpósio sobre
marketing na Internet, juntaram-se ao Marketing Mastermind Group e
começaram a planear o lançamento a nível global da Mind Movies. Mas
quando chegaram aos Estados Unidos, tinham a conta bancária quase a
zero, com pouco dinheiro para pagar os serviços ainda necessários ao
lançamento do negócio. Isso implicou aprender, dominar e implementar
sozinhos tudo o que era necessário para o lançamento. Durante meses,
trabalharam 12 horas por dia no escritório, que era também o quarto deles.
Foi um caminho difícil, totalmente fora da sua zona de conforto, que, na
altura, eles já nem sabiam o que era tal coisa. Confrontados diariamente
com desafios técnicos, financeiros e pessoais, tinham no entanto uma arma
secreta no seu arsenal – o seu próprio Mind Movie.
No seu Mind Movie, Natalie e Glen tinham definido o número de
clientes que pretendiam atrair, e qual o seu perfil. Descreveram o respeito
que os seus colegas na indústria teriam por eles, e planearam o que iriam
fazer se o negócio fosse um sucesso, coisas como: os restaurantes onde
iriam comer; e as férias que iriam fazer em família. Finalmente, pretendiam
alcançar um milhão de dólares em vendas (porque não ter objetivos
ambiciosos?, pensaram; os amigos deles no marketing andavam a fazer
lançamentos de milhões de dólares, embora com programas que custavam
cinco mil dólares). Eles viram o seu Mind Movie várias vezes por dia, para
reduzir o stress e manterem-se concentrados e inspirados, embora a
realidade atual parecesse estar a trabalhar contra eles. Mas no fundo sabiam
que todo o esforço, todos os riscos, e todos os sonhos iriam culminar um dia
num lançamento a nível global. A meta estava perto – e foi então que o
impensável aconteceu.
Marcado para setembro de 2008, o lançamento coincidiu com a crise
financeira global. Instituições financeiras por todo o mundo confrontavam-
se com prejuízos calamitosos, famílias e as pessoas em geral perderam as
suas poupanças, o património e os empregos na pior crise desde a Grande
Depressão. Entretanto, Glen e Natalie enfrentavam as suas próprias
dificuldades financeiras. Ao lançar a empresa, tinham contraído uma dívida
de 120 mil dólares de cartão de crédito. Se a empresa falisse, perderiam
tudo – a casa, os carros e os investimentos, além de ficarem soterrados por
uma dívida devastadora.
Na manhã do lançamento, sem que tivessem conhecimento, o sistema
operativo de envio de e-mail estava em baixo para uma operação rotineira
de manutenção, e em resultado disso nenhum dos seus clientes recebeu os
e-mails de confirmação pelas suas compras. À hora de almoço, já haviam
recebido milhares de queixas de clientes, e ainda tiveram problemas com o
seu banco online (que queria congelar-lhes a conta devido à atividade
invulgar). À noite, contudo, tinham concluído o dia mais memorável das
suas vidas.
Na primeira hora do primeiro dia, tinham atingido o patamar dos 100
mil dólares, e ao fim do dia já tinham faturado 288 mil dólares. Glen e
Natalie acabaram por faturar 700 mil dólares a vender o programa, que
custava 97 dólares, sem fontes adicionais de rendimentos. Mas a história
não acaba aqui.
Ficaram, obviamente, encantados com o grande feito, mas ainda tinham
pela frente um desafio monumental. Devido ao clima financeiro incerto e
volátil da altura, o banco congelou-lhes a conta, e não tinham acesso ao
dinheiro. Assim, não podiam pagar as comissões aos seus parceiros de
vendas nem os 120 mil dólares que deviam a credores, nem podiam
distribuir os lucros pelas pessoas que os tinham ajudado a lançar o negócio.
Tudo dependia de terem acesso à conta. Finalmente, após seis meses,
cingindo-se à sua visão e a verem o seu Mind Movie, recuperaram o acesso
às contas, livrando-se do fardo financeiro que quase os tinha levado à
bancarrota. Mas é aqui que a história fica mesmo boa.
Com o mundo ainda em dificuldades financeiras, o dólar americano
valorizara-se muito face ao dólar australiano; logo, ao transferirem o
dinheiro para a Austrália, acabaram por ganhar mais 250 mil dólares. Com
isso, bem como com as comissões que receberam em troca de promover
programas de parceiros, Glen e Natalie cumpriram mesmo a sua meta de
um milhão de dólares.
O casal atribuiu uma parte do enorme sucesso – que era completamente
o contrário do que toda a gente no mundo estava a viver – ao facto de se
terem focado no seu Mind Movie todos os dias.
Embora este seja um excelente exemplo do potencial dos Mind Movies,
e embora as opções para criar o seu Mind Movie sejam infinitas, o processo
é relativamente igual. Os estudantes escolhem primeiro a sua canção – uma
canção que nunca se cansem de ouvir. Depois, escolhem as imagens e/ou
vídeos deles próprios ou de um evento futuro, e distribuem-nas
sequencialmente para contar uma história sobre como é o seu futuro.
Finalmente, pedimos-lhes que arranjem frases, palavras ou afirmações
específicas para acrescentar às cenas, sobrepostas sobre as imagens.
Exatamente como aqueles anúncios televisivos programavam os estudantes
para serem vítimas ou para sentirem lacunas e necessidades, os Mind
Movies podem programar os estudantes para serem ilimitados numa vida
que são capazes de criar.
Nos nossos seminários avançados, os nossos estudantes veem o vídeo
do caleidoscópio antes de assistirem aos seus Mind Movies, porque isso os
ajuda a induzir e a suster estados de transe alfa e teta com os olhos abertos,
abrindo a porta entre a mente consciente e a mente subconsciente. Através
da meditação enquanto em estados de ondas cerebrais alfa ou teta, são mais
sugestionáveis para o seu próprio processo de reprogramação. Isto é
importante, porque quanto mais sugestionáveis estiverem ao usar o seu
Mind Movie, menos provável é que se tornem analíticos e tenham
pensamentos internos constantes tais como: Como é que isto vai acontecer?
ou Isto é impossível! ou Como é que hei de pagar por aquilo? ou Da última
vez não funcionou, porque é que há de funcionar agora?
O caleidoscópio induz os estudantes a um transe que abre o
subconsciente à programação; o Mind Movie é o novo programa. Os Mind
Movies programam a mente subconsciente dos nossos estudantes tal como
os anúncios televisivos nos programam a nós, mas de uma forma mais
positiva, mais construtiva e ilimitada. Quando os pensamentos do nosso
cérebro são silenciados, a mente consciente deixa de analisar a informação
que entra. Em consequência, a informação a que somos expostos nestes
estados regista-se diretamente no subconsciente. Tal como gravar um disco
ou uma videocassete para voltar a ouvir mais tarde, estamos a gravar um
novo programa na mente subconsciente.
Ao longo dos anos foram feitas muitas investigações sobre a forma
como os hemisférios esquerdo e direito do neocórtex se relacionam um com
o outro. E ficámos a saber que o hemisfério direito processa o pensamento
espacial, não-linear, abstrato e criativo, enquanto o hemisfério esquerdo
processa o pensamento racional, linear, metódico e matemático. A
investigação mais recente, contudo, sugere também que o hemisfério direito
processa as novidades cognitivas e o esquerdo processa a rotina cognitiva54.
Isto quer dizer que quando aprendemos coisas novas, o hemisfério direito é
o mais ativo, e quando a nova aprendizagem se torna rotineira, é então
armazenada no hemisfério esquerdo.
A maioria das pessoas funciona a partir do hemisfério esquerdo do seu
cérebro, porque estão presas a hábitos e programas automáticos que
memorizaram. Por isso é que a linguagem está armazenada no hemisfério
esquerdo – é rotina. Pode pensar no hemisfério direito como o território do
desconhecido, e no hemisfério esquerdo como o território do conhecido.
Faz assim sentido que o hemisfério direito seja romântico, criativo e não-
linear, enquanto o hemisfério esquerdo é metódico, lógico e estruturado. Já
vimos este duplo processamento a ocorrer ao observarmos os exames
cerebrais aos nossos estudantes em tempo real.
Como o fluxo de padrões fractais geométricos do caleidoscópio não se
assemelha a nada, nem a ninguém, nem a sítio nenhum e está fora do
tempo, os seus padrões estão concebidos para ir para lá das redes de
perceção e dos centros associativos do cérebro que se relacionam com
pessoas, coisas, objetos, locais e tempos conhecidos. Os seus padrões
geométricos ancestrais refletem padrões fractais repetidos que se encontram
por toda a natureza; eles ativam assim os centros do cérebro inferior. É por
este motivo que não pode olhar para o caleidoscópio e ver a sua Tia Maria,
nem a bicicleta que recebeu no sexto ano, nem a casa onde cresceu – porque
não está a ativar nem a estimular os centros associativos relacionados com
as memórias, localizados primariamente no hemisfério esquerdo do seu
cérebro. Ao parar de pensar e analisar, e ao começar a passar para padrões
cerebrais alfa ou teta, ocorre mais atividade no hemisfério direito. Se o
hemisfério esquerdo funciona no conhecido e o direito no desconhecido, à
medida que a atividade aumenta no seu hemisfério direito, ficará mais
aberto para criar algo de desconhecido e novo.
Os gráficos 9A(1) e 9A(2) no extratexto a cores mostram os exames
cerebrais a dois estudantes em estados coerentes alfa e teta. No gráfico
9A(3), pode ver o cérebro inteiro de outro estudante em teta, enquanto ele
observa o caleidoscópio. O gráfico 9A(4) mostra o exame cerebral de um
estudante a ver o caleidoscópio; o lado direito do cérebro está mais ativado
enquanto interage com a novidade da experiência durante um estado de
transe.
Quando usamos o caleidoscópio nos nossos seminários avançados,
fazemo-lo num quarto escuro, para fazer subir os níveis de melatonina,
assim reforçando as mudanças de ondas cerebrais. Peço aos estudantes que
se descontraiam e que abrandem conscientemente a sua respiração. À
medida que a respiração fica mais lenta, o mesmo acontece às ondas
cerebrais, que passam de beta para alfa. Peço-lhes então para se
descontraírem continuamente nos seus corpos, e para ficarem cada vez mais
em contacto com eles. Quero que cheguem a um estado algures entre meio
acordado e meio a dormir, quando estão mais sugestionáveis, assim
preparando o cérebro para aceitar a programação do seu Mind Movie.
Tal como as televendas ao fim da noite influenciam as pessoas porque a
produção de melatonina (em preparação de um sono restaurador) faz com
que baixem as suas defesas, quero que os níveis de melatonina dos nossos
estudantes sejam elevados e que as suas ondas cerebrais estejam em alfa e
teta, para que estejam completamente abertos à informação e às
possibilidades do seu Mind Movie.
A banda sonora da sua vida futura
De certa forma, a música traz-nos à memória um tempo e um lugar
específicos da nossa vida. É por este motivo que o apresentador de televisão
Dick Clark dizia: “A música é a banda sonora da sua vida.” No momento
em que uma canção magicamente nostálgica começa a tocar, o seu cérebro
começa a recordar imagens de certos tempos e lugares, e essas imagens
ligam-no a experiências de várias pessoas e eventos. Em termos
neurológicos, a canção funciona como um estímulo externo, que faz com
que um conjunto específico de redes neuronais no seu cérebro se ativem.
Por associação, vê imagens na sua mente que foram gravadas no tempo.
Chamamos a isto uma memória associativa.
Se levar a memória dessa canção ainda mais longe e a sentir
verdadeiramente, se se entregar a ela, talvez até cantando e dançando, irá
reparar que as emoções associadas às suas memórias vão começar a mover-
se pelo seu corpo. Quer a memória da canção tenha que ver com o seu
primeiro amor, com as férias do seu último ano na faculdade ou com o que
sentiu antes de entrar em campo para o maior jogo da sua vida, cada uma
destas memórias está fortemente carregada de sentimentos e emoções.
Quando sente a emoção muito profundamente, ela liga-o à energia do seu
passado, e quanto mais forte a resposta emocional, maior a memória. Assim
que sentir e viver essa memória, ela trará o seu passado à vida, e na sua
mente será instantaneamente transportado pelo tempo para a experiência.
Tal como no passado, o seu corpo sai do estado de descanso, fazendo-o
sentir as mesmas emoções do seu passado e reproduzir um nível de mente
equivalente ao dessa memória passada. Durante esse momento, todo o seu
estado de ser encontra-se no passado.
As memórias a longo prazo são mais fortes se a amplitude de emoções
associadas ao evento for elevada. Quer uma memória a longo prazo seja
positiva ou negativa, contudo, é irrelevante para a forma como a nossa
mente a processa. Por exemplo, memórias de traumas, traições e eventos
chocantes têm emoções igualmente poderosas, mas são negativas e não
alegres. Quando nos recordamos e revivemos a dor, o medo, a raiva, a
tristeza e a intensidade das emoções ligadas a estas memórias traumáticas, o
nosso estado químico interno altera-se. Isto faz com que prestemos mais
atenção à pessoa ou ao objeto que gerou a emoção original no nosso
ambiente exterior.
Então, e se pudesse criar um filme do seu futuro e aliá-lo a uma canção
que o motiva e o inspira tanto que o tira do seu estado de repouso,
transforma o seu estado de ser e o liga à energia das suas memórias futuras?
Se a música é a banda sonora da sua vida, então, tal como certas canções o
transportam para o passado, não poderão também levá-lo para o futuro da
mesma forma?
É aqui que entram os Mind Movies. Ao aliar deliberadamente imagens
muito poderosas e muito comoventes do seu futuro, acrescentando palavras
e frases para reforçar o conteúdo, e combinando-as com emoções elevadas e
música inspiradora, está a criar memórias a longo prazo que movem a sua
biologia para longe do passado e para o futuro. Por outras palavras, as
imagens suscitam sentimentos que se relacionam com as experiências que
quisermos ter no futuro. Isto poderá incluir imagens das casas onde quer
viver, férias que quer fazer, uma nova carreira, liberdade de expressão, um
relacionamento ou um corpo curado, experiências interdimensionais, e por
aí fora. Estas são só algumas das possibilidades infinitas que existem na sua
linha temporal futura. Quando assistir ao seu Mind Movie, ao ligar-se aos
sentimentos e às emoções do seu futuro, quanto mais elevadas forem as
emoções que sentir, mais atenção prestará às imagens que geraram essas
emoções. Então, está a criar memórias a longo prazo do seu futuro – e está a
trazer o seu futuro à vida. A componente mágica, interdimensional do
futuro é a sua canção, porque são os sentimentos a ela associados que
transformam a sua energia para corresponder ao que sentirá quando o futuro
ocorrer. É por isso que é melhor escolher música inspiradora ou motivante.
Depois, acrescente palavras de afirmação ou sabedoria ao Mind Movie
para o fazer recordar de quem é e daquilo que acredita sobre o seu futuro.
Pode até acrescentar um cronograma, se quiser. Seguem-se alguns
exemplos:
As portas da dimensão abrem-se-me para que eu possa viver o
místico;
O meu corpo cura-se todos os dias;
As minhas palavras são lei;
Sinto-me amado profundamente todos os dias;
A riqueza vem ter comigo;
Todas as minhas necessidades são sempre supridas;
O meu corpo torna-se todos os dias mais jovem;
O divino aparece todos os dias na minha vida;
O meu parceiro de vida é meu igual e ensina-me com o seu
exemplo;
As sincronias acontecem-me constantemente;
Todos os dias me sinto mais íntegro;
O meu sistema imunitário fica todos os dias mais forte;
Avanço na minha vida com coragem;
Sou um génio ilimitado;
Estou sempre consciente do poder dentro de mim e à minha volta;
Acredito em mim próprio;
Acolho o desconhecido;
Quando apelo ao Espírito, ele responde.
Se pensar no seu videoclipe favorito ou numa cena do seu musical
preferido, é possível que saiba a letra toda da música, bem como as imagens
que correspondem a cada nota, a cada batida, a cada melodia, a cada
harmonia. O mais provável é que o poder dessa combinação evoque um
tempo e um lugar na sua vida que foi habitado por pessoas muito especiais,
de sentimentos, de emoções e de experiências. Isto é exatamente o que está
a fazer com os seus Mind Movies, exceto que, em vez de recordar o
passado, está a criar memórias do futuro. Se ouvir a sua canção muitas
vezes enquanto observa as imagens do seu futuro, não será possível que, ao
ouvir a sua canção sem ver o seu Mind Movie, seja automaticamente
transportado para essas imagens de um novo futuro, tal como foi
transportado para o seu passado? Com treino, não só estará a sentir as
emoções que o ligam às memórias do seu futuro como também a sua
biologia estará a alinhar-se com esse futuro.
Já sabe porque é que isto acontece: se o seu corpo é a mente
inconsciente, e não souber a diferença entre a experiência que cria a emoção
e a emoção que é criada só pelo pensamento, no momento presente o seu
corpo começa a acreditar que está a viver naquela realidade futura. Visto
que o ambiente sinaliza o gene, e que as emoções são a consequência de
experiências no ambiente, ao acolher as emoções do evento antes da própria
experiência, começará a transformar o seu corpo para estar biologicamente
alinhado com o seu futuro no momento presente. Uma vez que os genes
produzem proteínas, as quais são responsáveis pela estrutura e pelo
funcionamento do seu corpo, este começa a transformar-se biologicamente
para fazer parecer que o futuro já está a acontecer.
Montar tudo junto
E se convidasse um grupo de pessoas para um retiro, durante quatro ou
cinco dias, e durante o encontro retirasse a essas pessoas o estímulo
constante no seu ambiente externo que lhes fazia recordar quem elas
julgavam ser enquanto personalidade? Se as separar das pessoas que
conhecem por algum tempo, dos sítios onde costumam ir, e das coisas que
fazem todos os dias exatamente à mesma hora, elas vão lembrar-se de quem
verdadeiramente são: seres humanos ilimitados. Se passar um dia ou dois a
ensinar-lhes como podem criar mais coerência no coração e no cérebro – e
se elas treinarem repetidamente com afinco de forma a alcançarem esses
estados todos os dias –, faz sentido que, mais tarde ou mais cedo, consigam
abrir melhor os seus corações e façam o cérebro trabalhar com mais
eficiência. Aliás, estariam mais focadas numa visão de um novo futuro sem
se distraírem, e ao mesmo tempo poderiam mais facilmente sentir as
emoções desse novo futuro. Ao criar mais coerência no cérebro e no
coração, iriam criar mais coerência nos seus próprios campos energéticos, e
isto resultaria numa assinatura eletromagnética mais clara.
Ao trabalharem continuamente com a intenção de se superar a si
próprios, aos seus corpos, ao seu ambiente e ao tempo – abrandando e
transformando as suas ondas cerebrais, avançando para o campo unificado e
transcendendo este ambiente tridimensional –, seria cada vez mais fácil e
mais familiar para elas ativar o centro do coração e criar. Depois de
treinarem indo para lá do corpo, das emoções, dos hábitos, da dor, da
doença, da identidade, das crenças limitadas, da mente analítica e da
programação inconsciente, quando introduzirem a prática dos Mind Movies
já estarão prontos para absorver um grau de informação correspondente à
identidade em que se estão a transformar, o que aumentaria a sua
capacidade de se ligarem ao futuro. É assim que usamos os Mind Movies
nos nossos seminários.
Pode pensar num Mind Movie como uma versão do século XXI de um
quadro de visualização (uma ferramenta usada para clarificar, focar e
manter objetivos de vida específicos), exceto que é dinâmica e não estática.
Usada em conjunção com o caleidoscópio, a tecnologia Mind Movie é uma
ferramenta extraordinária para o ajudar a trazer o seu futuro à vida. É
também uma forma excelente de conquistar clareza para aquilo que quer
para a sua vida – e para se lembrar a si próprio diariamente do que o futuro
tem para si. A isto se chama intenção.
Uma vez que a tecnologia Mind Movie é tão versátil, pode ser usada em
muitas aplicações e em situações diversificadas. Não só a tecnologia pode
servir para criar afinidades, riqueza, saúde, carreira, e outros bens materiais,
também pode ser usada com crianças e adolescentes para os ajudar a criar
uma visão do futuro, a fim de que sintam ter algum controlo sobre as suas
vidas. Hoje em dia, muitos jovens estão assoberbados pelo ritmo de vida
frenético, pelas pressões e pelas exigências das redes sociais e da sociedade
moderna. O suicídio na adolescência é uma das principais causas de morte
nos Estados Unidos da América, e esta evidência levou os fundadores da
Mind Movie a utilizar a tecnologia nas escolas, tendo em vista ajudar os
adolescentes a lutar por um futuro mais radioso e mais determinado.
Os Mind Movies também são usados nas empresas para formar equipas
e desenvolver novas visões. Os empresários usam o programa para elaborar
projetos, para criar objetivos, estratégias, e delinear um plano de negócio.
Imagine uma equipa motivada não só a ler e a intelectualizar uma
declaração de missão como também a vê-la desenrolar-se num formato
visual e dinâmico – antes de acontecer.
A medicina integrativa é outra área cujos praticantes recorrem a esta
tecnologia para ajudar pacientes a conceber a versão mais saudável deles
próprios, para os ajudar no processo de cura, e para os fazer cumprir
rigorosamente um novo estilo de vida que tem de ser mantido diariamente.
Também abrangidos estão os centros de tratamento de dependências e de
recuperação, que ajudam os pacientes a ter uma ideia clara do futuro que
querem criar na fase seguinte da sua recuperação. Os Mind Movies também
ajudaram a apoiar os desempregados de longa duração a encontrar novos
empregos ou carreiras, e a lutar por uma vida mais orientada para o futuro e
mais produtiva, não só para eles mas também para as suas famílias.
Como pode ver, as aplicações desta tecnologia são intermináveis.
Independentemente da forma como seja aplicado, o poder dos Mind Movies
está em permitir às pessoas que construam uma nova realidade, recordando-
as das escolhas diárias que têm de fazer, dos novos comportamentos que
têm de demonstrar, e dos sentimentos que querem ter a orientar a sua vida.
Assim que programar estes sentimentos e comportamentos
subconscientemente, pode romper a sua dependência de velhos hábitos,
estilos de vida habituais e reações inconscientes. Depende apenas de si;
pode usar quanta criatividade quiser ao montar o seu futuro.
Qualquer altura é boa para ver o seu Mind Movie, mas sugiro que o veja
logo de manhã e antes de se ir deitar, porque é nessas ocasiões que se sente
mais sugestionável. Se decidir vê-lo logo ao acordar, começará o dia num
tom positivo, alerta e focado no que quer atingir nesse dia e no futuro. Se
optar por o ver à noite, antes de se deitar, a sua mente subconsciente pode
contemplá-lo enquanto dorme, alinhar o seu corpo e a sua mente com o
futuro, e conceber soluções que o seu sistema nervoso autónomo poderá
executar enquanto dorme. Basicamente, pode usá-lo sempre que precisar de
motivação ou para fazer uma escolha diferente. O essencial é garantir que
está completamente presente quando o vê.
Desde a implementação dos Mind Movies, vi os nossos estudantes
adquirirem novas casas, e ouvi histórias de casas que foram vendidas, após
alguns anos no mercado sem comprador. Vi-os partir para umas férias
inesperadas, e testemunhei o início de novas relações a partir do nada. Ouvi
inúmeros testemunhos de abundância, de liberdade, de novas carreiras,
novos carros, de todo o tipo de curas, da superação de agruras tremendas e,
claro, de experiências místicas profundas que alteraram, para sempre, a vida
de quem as experienciou. Mas não se trata de magia nem de feitiçaria. É
apenas uma forma de aprender a ser um criador consciente – aprender a
alinhar-se com o seu próprio destino.
Pense no seu Mind Movie como se estivesse a ligar um radar para
seguir o seu futuro. Depois, ao visitar repetidamente o futuro no seu
coração e na sua mente, todos os pensamentos, escolhas, atos, experiências
e emoções que viver entre a sua realidade presente e a realidade futura serão
correções da rota que o levará ao seu destino. Quanto mais mantiver o seu
futuro vivo com a sua intenção, a sua atenção, a sua energia e o seu amor,
mais ele começará a desenrolar-se como uma nova realidade, porque estará
a recordar-se do seu futuro tal como se recorda do seu passado. A sua
missão é, portanto, apaixonar-se continuadamente por essa visão do futuro,
manter a sua energia elevada, e não deixar as circunstâncias (ambiente), as
atitudes enraizadas, os sentimentos negativos rotineiros ou os hábitos
inconscientes desviá-lo dos seus objetivos.
O que torna esta tecnologia tão profunda é a forma como percecionamos
a realidade com base no reconhecimento de padrões – ligações entre as
redes neuronais no nosso cérebro e os objetos, pessoas e lugares no nosso
ambiente externo. Por exemplo, quando vê alguém que reconhece, as redes
neuronais no seu cérebro recordam instantaneamente memórias e
experiências com essa pessoa. Em contrapartida, se alguém não estiver
gravado no seu cérebro, provavelmente não o vai reconhecer. Se o seu
cérebro não tiver o hardware (familiaridade com as imagens, pensamentos e
emoções do Mind Movie) instalado antes de o seu futuro se apresentar – se
não tiver a arquitetura neuronal gravada no seu cérebro – como é que irá
reconhecer o seu novo parceiro, o seu novo emprego, a sua nova casa ou o
seu novo corpo? (Pense nas coisas desta forma: não pode abrir um
documento de Word num computador Mac sem instalar primeiro o
programa Microsoft Word.) Se não conseguir sentir as emoções e criar a
energia da sua realidade futura, poderá não reconhecer ou confiar nessa
experiência futura desconhecida quando ela o encontrar. E isso acontece
porque a sua energia e o seu estado emocional não estão em alinhamento
com essa experiência, e em vez de sentir certeza ou compreensão, poderá
sentir medo ou incerteza.
Muitos dos meus estudantes avançados contaram-me que já iam no seu
terceiro, quarto ou até quinto Mind Movie, porque tudo o que estava nos
anteriores acontecera. Fico sempre espantado e grato quando os ouço dizer
que as suas criações se concretizaram. Por muito variadas que sejam as suas
manifestações, todas partilham uma coisa: treinam o corpo a seguir a mente
a caminho de um futuro intencional. Isto faz sentido, porque se tiver
trabalhado para estudar, memorizar a gerar as ligações neuronais do seu
futuro, foi aí que pôs a sua atenção. E, como por esta altura já sabe, a
energia vai para onde for a atenção.
Observe o gráfico 10 do extratexto a cores. Nele pode ver um exemplo
da atividade do cérebro de um estudante enquanto ele vê o seu Mind Movie.
Há uma enorme quantidade de energia no seu cérebro porque ele está
completamente envolvido na experiência.
Um passo mais além: avançar nas dimensões
Há mais uma outra forma de utilizarmos a tecnologia Mind Movie no
nosso trabalho. Assim que os nossos estudantes completam o mapa
neurológico de toda a sua apresentação, peço-lhes para escolherem uma
cena do Mind Movie e para a projetarem num determinado espaço e tempo,
vivendo essa cena a um nível tridimensional na sua mente durante a
meditação. Repare que nunca uso a palavra visualizar nas minhas lições. A
visualização costuma implicar ver apenas alguma coisa através da
imaginação, com um resultado tão exíguo como uma imagem
bidimensional. Por exemplo, se visualizar a imagem de um carro, estará a
criar uma imagem de um carro. Em vez disso, quero que experiencie toda a
cena, usando todos os cinco sentidos para que pareça uma experiência da
vida real, a três dimensões.
Muitos dos que foram apresentados ao meu trabalho interrogam-se
sobre o motivo pelo qual eu dedico tanto tempo à tomada de consciência do
“espaço” que o corpo ocupa no espaço, bem como a abrir o foco para o
espaço à volta do corpo, e para o espaço que a sala ocupa no espaço. Para lá
das alterações coerentes que as minhas sugestões produzem no cérebro,
tudo isto é parte do treino para esta atividade consciente de associar o nosso
Mind Movie ao caleidoscópio durante a meditação.
Quando um estudante inicia o processo de dimensionamento, antes de
ver alguma coisa na mente recebe instruções para progredir como uma
consciência na cena. Ao começar, quero que o participante se torne
conhecedor de estar na cena apenas como uma consciência. Isto significa
não ser o seu corpo e não ter sentidos. Começa como uma consciência no
vazio do espaço, incapaz de ver, ouvir, sentir, provar ou cheirar.
Assim que ele se apercebe de ser uma consciência, peço ao estudante
que escolha uma cena do seu Mind Movie. Isto faz com que o seu cérebro
comece naturalmente a acrescentar estímulos sensoriais, que começam a
trazer dimensão à cena na sua mente. Depois, ele recebe instruções para
começar a sentir o que tem à direita, à esquerda, por cima dele, por baixo. O
ato de ter a perceção dos sentidos enche esta cena de estruturas
tridimensionais, formas e espaço. Ao expandir a sua consciência para o que
também estiver na cena, os seus sentidos começam a atrair outros sentidos,
preenchendo a cena com mais formas, estruturas, curvas, texturas, aromas,
imagens, sentimentos e espaço. Finalmente, quando a cena ganhar vida na
sua mente, no espaço e tempo futuros dessa cena, o estudante começará a
habitar o seu corpo – não o corpo sentado na cadeira a meditar, mas o corpo
físico do seu futuro. É-lhe pedido que sinta os braços, as pernas, o tronco,
os músculos, e por aí fora, até sentir todo o corpo nessa cena. Está então
pronto para avançar nessa cena e viver essa realidade.
A minha teoria é que, ao ativar simultaneamente uma quantidade
suficiente das redes neuronais atribuídas aos objetos, coisas e pessoas, num
espaço e num tempo específicos, aumenta a probabilidade de o indivíduo
ter uma experiência completa, holográfica, como num cinema IMAX. Isto é
assim porque, com o estudante a tornar-se presente e a projetar-se numa
cena completamente dimensional, ativa-se uma grande parte do cérebro,
incluindo a arquitetura neuronal atribuída tanto aos aspetos sensoriais
(sentir) e motores (mover) do corpo, bem como à cinestesia (perceção da
posição do corpo de onde está no espaço). Quando dá por si, está a ter uma
experiência sensorial real do seu futuro com os olhos fechados, no
momento presente.
Observe o gráfico 11 do extratexto a cores. É o exame cerebral a uma
estudante, que num estado de meditação está a viver uma cena
aparentemente real de um Mind Movie. Ela tem bastante energia no cérebro
enquanto processa o dimensionamento da cena. A estudante descreve esse
momento como uma experiência sensorial virtual total. A experiência
subjetiva dela foi quantificada objetivamente pelo exame.
Muitos dos nossos estudantes relatam que as vivências na sua meditação
lhes parecem mais reais do que qualquer experiência vivida no passado. Os
seus sentidos foram revigorados sem estímulos externos e, contudo,
limitaram-se a estar sentados numa cadeira com os olhos fechados. Muitos
relataram que, na sua experiência lúcida, sentiram o cheiro de uma certa
água-de-colónia, ou o cheiro característico de determinadas flores como o
jasmim ou a gardénia, ou o cheiro tão familiar do couro do carro novo em
que se sentavam. Também ouvi estudantes a relatar memórias muito
específicas, como os pelos na cara por barbear, o vento a soprar-lhes pelos
cabelos, ou a sensação de uma poderosa energia pelo corpo. Os estudantes
também deram o seu testemunho sobre alguns sons específicos que
conseguiram escutar claramente, como o toque do sino de uma igreja
distante, vindo de uma localidade que ficava perto do sítio onde faziam
férias, numa viagem à Europa, ou o latido do cão quando se mudaram para
a casa nova. Muitos também falaram das cores incrivelmente vivas e
luminosas que observaram; ou o sabor intenso do coco, do chocolate e da
canela. A combinação de todas estas sensações criou, literalmente, uma
nova experiência para eles.
São os nossos cinco sentidos que nos ligam à nossa realidade externa.
Normalmente, quando vivemos uma nova experiência, tudo o que vemos,
ouvimos, cheiramos, provamos e sentimos é enviado para o cérebro por
estes cinco canais sensoriais. Assim que toda esta informação sensorial
chega ao cérebro, há grupos de neurónios que se organizam em redes.
Assim que os neurónios se ligam, o cérebro límbico produz um químico
chamado emoção. Uma vez que a experiência enriquece o cérebro e cria
uma emoção que sinaliza novos genes no corpo, no momento sensorial da
experiência interna de um estudante – sem nunca usar os seus sentidos
externos –, ele está a transformar o cérebro e o corpo para parecer que o seu
futuro já aconteceu. Não é para isso que serve a experiência? Adoro ouvir,
quando uma pessoa que acabou de sair de uma destas experiências me diz:
“Não compreende, eu estava lá.”; “Sei o que vai acontecer porque já
aconteceu e já o vivi antes!” Isso é assim, porque a experiência já
aconteceu.
Quando sentimos totalmente uma realidade neste campo de consciência
e energia sem corpo, a energia da nova experiência serve como modelo para
a realidade física. Quanto mais energia investir no seu futuro, e quanto mais
tempo continuar a viver e a acolher emocionalmente antes de esse futuro
acontecer, mais deixará uma marca de energia na sua realidade futura. E o
seu corpo deverá seguir a sua mente para esse futuro desconhecido, porque
é lá que está a sua energia. Ao continuar a dedicar a sua atenção e a sua
energia a esse futuro, irá apaixonar-se mais profundamente por ele, e porque
o amor liga todas as coisas, está a ligar-se ao seu futuro e ele está a ser
atraído a si.
Para mais informação sobre o Mind Movie ou o caleidoscópio, visite o
meu site na Internet, em drjoedispenza.com/mindmovies ou
drjoedispenza.com/kaleidoscope, respetivamente.
Meditação do caleidoscópio e do Mind Movie
Nos nossos seminários avançados, damos instruções aos nossos
estudantes para criarem um Mind Movie antes de chegarem ao nosso
evento, tornando-os capazes de poderem integrar os seus Mind Movies com
o vídeo do caleidoscópio durante a meditação. Começamos por centrar os
corações, técnica que aprendeu no capítulo 7, captando essas emoções
elevadas durante vários minutos, irradiando a energia para lá dos corpos
deles, para o espaço. Depois guiamo-los na seguinte meditação.
Projete-se para o momento presente e, quando atingir esse estado, abra
os olhos e fite o caleidoscópio. No transe, passe para o seu Mind Movie.
Dedique cerca de oito minutos ao caleidoscópio, a seguir oito minutos a ver
o seu Mind Movie, e depois repita o ciclo até chegar o momento em que já
consiga prever a cena que se vai seguir, faça um mapa neurológico dele.
Com o passar do tempo, irá associar partes diferentes da canção que
escolheu a diferentes imagens do seu Mind Movie.
Finalmente, passe sete minutos a ver o caleidoscópio enquanto ao
mesmo tempo se limita a ouvir a música do seu Mind Movie. Ao fitar o
caleidoscópio em transe, e ao ouvir a sua canção, por associação, o seu
cérebro automaticamente recorda imagens diversas do seu Mind Movie.
Isto faz com que recorde o seu futuro biologicamente – automaticamente,
ativando e ligando redes neuronais. Agora o seu cérebro está a ser
programado para parecer que o novo futuro já aconteceu, enquanto as
emoções sinalizam novos genes para transformar biologicamente o seu
corpo em preparação do seu novo futuro.
Veja o caleidoscópio em conjugação com o seu Mind Movie, todos os
dias ao longo de um mês, ou pelo menos tente ver o seu Mind Movie duas
vezes por dia: assim que acordar; e momentos antes de adormecer. Pode até
tentar manter um diário para registar todas as aventuras maravilhosamente
inesperadas e todos os acontecimentos de um acaso afortunado que,
olhando para trás, irá interpretar como pontos num mapa que o levou a
manifestar o seu futuro. Pense em criar vários Mind Movies: um para a
saúde e para o bem-estar, por exemplo, e outro para o romance, as relações
pessoais e a riqueza.
54 E. Goldberg e L. D. Costa, “Hemisphere Differences in the
Acquisition and Use of Descriptive Systems.” Brain Language, vol. 14, n.o
1 (1981), pp. 144-173.
CAPÍTULO 9

MEDITAÇÃO EM ANDAMENTO
A maior parte das tradições espirituais oferece quatro posturas de
meditação, e, nos nossos seminários avançados, treinamos todas: a posição
sentada, espero que neste momento já a domine; de pé e em andamento, que
são combinadas nas meditações que aprenderá neste capítulo; e a posição
deitada. Embora cada tipo de meditação tenha o seu próprio objetivo, um
local específico e uma altura apropriada, cada uma delas apoia-se nas outras
para nos ajudar a manter e a regular os nossos estados interiores –
independentemente do que se esteja a passar no nosso ambiente exterior.
Mas, qual poderá ser a relevância de fazer a ponte entre a meditação
sentada com a meditação de pé e em andamento? Embora treinar a
meditação ao acordar seja a forma ideal de começar o dia, se não conseguir
manter essa energia e consciência ao longo do dia, é provável que regresse
aos programas inconscientes que mandam na sua vida há anos.
Por exemplo, digamos que acaba de concluir a sua meditação sentada.
Ao abrir os olhos, provavelmente sente-se mais vivo, desperto, lúcido, forte
e pronto para começar o dia. Talvez o seu coração se sinta aberto,
expandido e ligado, ou talvez tenha acabado de superar um aspeto de si
mesmo, transferido energia e acolhido emocionalmente um novo futuro.
Mas, frequentemente, pode recair nos seus programas inconscientes, e todo
o trabalho para criar um estado interior elevado dilui-se numa interminável
lista de coisas para fazer: preparar as merendas para os miúdos levarem
para a escola; ir a correr para o trabalho; zangar-se com a pessoa que meteu
o carro à sua frente na autoestrada; responder a telefonemas e e-mails;
apressar-se para cumprir um compromisso; e por aí fora. Por outras
palavras, já não se encontra num estado criativo, pois regressou aos
programas habituais e às emoções de sobrevivência do passado. Quando
isto acontece, está a desligar-se da energia do seu futuro e,
fundamentalmente, a deixar a energia que criou no sítio onde esteve a fazer
a meditação, em vez de a transportar consigo ao longo do dia. Regressou
energeticamente ao passado.
Uma vez que também eu já caí nesta armadilha, comecei a pensar sobre
a forma como os nossos estudantes poderiam levar essa energia com eles, e
vivê-la ao longo do dia. Foi por isso que criei uma meditação que inclui
estar de pé e a andar – para que, quando aprender a elevar a sua energia ou
frequência, e a aliar-lhe uma visão clara, tenha então uma prática que lhe
permita manter essa energia elevada todo o dia a fim de que, com a
passagem do tempo, este se torne no seu estado de ser natural. O objetivo
deste capítulo é precisamente ajudá-lo a conseguir isso.
Caminhar para o seu futuro
Já aprendeu que ao longo de grande parte do seu dia está a portar-se de
forma inconsciente, sem ter consciência do que faz nem porquê. Por
exemplo, pode não se recordar da viagem de carro para o trabalho porque
estava absorvido pela discussão que teve uns dias antes; ou porque estava
concentrado em responder à SMS zangada da sua cara-metade.
Provavelmente está a correr três programas em simultâneo: a mandar uma
SMS; a falar ao telemóvel; e a ler e-mails. Pode não estar consciente dos
seus tiques nervosos ou das suas causas, da sua postura e de como ela revela
timidez, ou de como a sua elocução, as suas expressões faciais e a energia
que traz consigo afetam os seus colegas. Estes programas e
comportamentos inconscientes ocorrem porque o corpo se transformou em
mente, e é a combinação destes programas inconscientes que faz de si quem
é. Agora já ficou a saber que, quando o corpo se transforma na mente,
deixou de viver no momento presente – e portanto já não vive num estado
criativo, o que significa que está a manter à distância os seus objetivos, os
seus sonhos, as suas visões.
Ao ganhar consciência destes comportamentos e programas
inconscientes, contudo, pode trabalhar para transmitir ativamente uma nova
assinatura eletromagnética que esteja alinhada com o seu futuro – e assim
que transmitir essa assinatura eletromagnética para o campo, mais depressa
se irá transformar nesse futuro, e esse futuro em si. Quando há uma
correspondência vibracional entre a sua energia e esse potencial futuro, que
já existe no campo quântico, esse evento futuro vai encontrá-lo – ou,
melhor ainda, o seu corpo será atraído a uma nova realidade. Tornar-se-á
um íman para um novo destino, que se manifestará como uma experiência
nova e desconhecida.
Pense por um instante no seu futuro como se ele já existisse, a vibrar
como uma energia desmaterializada no campo quântico. Imagine o seu
futuro como o vibrar de um diapasão que acaba de ressoar. O som emitido é
uma vibração que viaja a uma certa frequência. Se também existir como um
diapasão, ao mudar a sua energia para ressoar com a mesma harmonia que
essa possibilidade quântica do seu futuro, irá ligar-se a essa frequência,
alinhando-se com ela. Quanto mais mantiver e sintonizar a sua energia por
essa frequência, mais irá vibrar na mesma harmonia energética. Passará a
estar ligado a essa realidade porque está a operar na mesma frequência ou
vibração. Quanto mais as frequências se aproximem, no espaço e no tempo,
mais elas se influenciam umas às outras até se unirem numa única
frequência. É então que o futuro o encontra. É assim que criará novas
realidades.
É então lógico que, assim que a sua energia se transforme porque sente
as emoções de sobrevivência mais baixas, haja dissonância e incoerência
entre si e a sua realidade futura. Já não está a ressoar dentro da frequência
dessa possibilidade, e isto faz com que perca a sincronia com o futuro que
quer criar. Se não conseguir evitar essa reação, porque a dependência das
emoções de sobrevivência o controla, acabará por criar mais da mesma
realidade, porque a sua energia tem uma vibração equivalente à da realidade
a que está a reagir.
No capítulo 3, aprendeu que todas as possibilidades existem no eterno
presente, e que quando vai para lá da sua identidade como um corpo ligado
a pessoas, objetos, locais e ao tempo, torna-se pura consciência. Torna-se
ninguém, nada, em lado nenhum, fora do tempo. É nesse momento distinto
que transcende o plano material e entra no campo quântico de informação e
energia. Então, está para lá das suas associações a esta realidade física, está
a criar a partir do campo unificado; está assim a criar a partir de um nível de
energia superior à matéria. No essencial, os nossos estudantes treinaram
este processo sentados. O objetivo da meditação de pé e em andamento é
despertá-lo mais para o momento presente, ajudá-lo a manter e a suster
estados elevados ao longo do dia, mantê-lo mais relacionado com esse
futuro de olhos abertos, e ajudá-lo a, literalmente, dar passos a caminho do
seu novo futuro.
Para começar a treinar a meditação em andamento, é melhor encontrar
um lugar tranquilo na natureza, para não se distrair facilmente. Quanto
menos pessoas e menos atividade houver à sua volta, mais fácil será manter
a concentração. Com o passar do tempo, quando já tiver muita prática, vai
ser capaz de fazer esta meditação num centro comercial, a passear o cão, ou
em qualquer situação em público.
De certa maneira, as meditações de pé e em andamento são como a
meditação sentada. Começa de pé, imóvel, de olhos fechados e prestando
atenção ao seu coração, sempre abrandando a sua respiração, inspirando e
expirando a partir desse centro. Quando se sentir centrado no coração, tal
como acontece na meditação que faz sentado, começará a estimular as
emoções elevadas que o ligarão ao seu futuro.
Assim que se sentir suficientemente fundamentado nestas emoções
elevadas, abra o seu foco por alguns minutos e irradie essa energia para lá
do seu corpo, até o sentir dentro de si, bem como à sua volta. Depois,
complemente a energia destas emoções elevadas com a intenção do que
quer para o seu dia ou para o seu futuro, quer seja para irradiar
reciprocidade, viver uma vida nobre, ter impacto no mundo, criar um novo
emprego ou uma nova relação, ou outra coisa qualquer. Agora está a emitir
uma nova assinatura eletromagnética para o campo. A única diferença é
que, em vez de estar sentado com os olhos fechados a irradiar emoções
afetuosas e elevadas, está de pé com os olhos fechados, de maneira que,
quando os abrir e começar a caminhar, será capaz de encarnar esse energia
elevada.
Continuando de pé, de olhos fechados, com um foco aberto, desvie a
atenção do mundo exterior e as suas ondas cerebrais irão abrandar do estado
beta para o estado alfa. Isto faz com que os pensamentos, análises e ruídos
dentro da sua cabeça se silenciem, induzindo um estado de transe que o
deixa mais sugestionável. Como aprendeu no capítulo anterior, quanto mais
se mantiver neste estado de transe, menos resistência haverá à entrada de
nova informação na sua mente subconsciente. Quando se encontrar num
estado emocional elevado, que o alinhe com o seu futuro, irá estar mais
disposto a aceitar, acreditar e entregar-se aos pensamentos intencionais que
equivalem a estas emoções. Isso significa que os pensamentos, as visões e
as imagens que a sua mente criar poderão ultrapassar a mente analítica, e
poderá programar o sistema nervoso autónomo para gerar a biologia do seu
novo futuro.
Uma vez que criou a energia do seu novo futuro sentado e de olhos
fechados, está então na altura de abrir os olhos e começar a andar. Não olhe
para ninguém, e não preste atenção a objetos nem a mais nada à sua volta.
Limite-se a manter o seu foco aberto, a fixar o olhar no horizonte, e a
permanecer em transe. Quanto mais se sentir em transe, menos provável
será que regresse à forma de pensar antiga e que lhe é familiar. Entretanto, a
sua mente estará a ligar-se às imagens do seu novo futuro em vez de apenas
repetir programas do passado. Estará então preparado para caminhar na
direção do seu futuro como outra pessoa.
Dado que está a caminhar com a sua identidade futura, tem agora de
ganhar consciência de como a sua identidade atual costuma caminhar
inconscientemente. Está na altura de alterar a sua passada, o seu ritmo, a sua
postura, a sua respiração e os seus movimentos. Pode sorrir em vez de olhar
sem expressão. Pode imaginar como é caminhar como uma pessoa
abastada, imitando o andar de uma pessoa abastada. Pode adotar a postura
de uma pessoa corajosa que admire, caminhar com a energia elevada do seu
futuro corpo saudável, ou caminhar como uma pessoa terna, tolerante, de
coração aberto. Na prática, está a encarnar conscientemente a pessoa que
sempre sonhou poder ser, mas caminhar como se fosse a sua identidade
futura é imperativo. Por exemplo, pode imaginar que já se passou um ou
dois anos, e que já tem tudo o que quer. O fator mais importante é encarnar
a pessoa futura já. Se já for essa identidade, não terá de desejar ser essa
pessoa, porque já aconteceu – está a encarnar agora as qualidades do seu
futuro. Está simplesmente a pensar, a agir e a sentir a sua identidade futura.
Ao começar a treinar uma forma diferente de andar, e ao continuar a
treiná-la, dia sim dia não, irá ganhar o hábito de caminhar como uma pessoa
abastada, de pensar como uma pessoa saudável, de ter a postura de uma
pessoa confiante, de se sentir como uma pessoa livre, ilimitada, grata (a
gratidão significa que a transformação já aconteceu), em vez de talvez um
indivíduo abatido, desgastado, stressado. Quanto mais treinar, mais este
novo modo de ser se tornará num novo hábito, e estes hábitos passarão a ser
os seus novos padrões automáticos de pensamento, de comportamentos e de
emoções. Assim que começar a sentir naturalmente estas emoções elevadas,
e a encarná-las, elas vão habitá-lo e irá transformar-se de facto na pessoa
que quer ser. O gráfico 12 do extratexto a cores mostra um estudante, que
transforma o seu cérebro em cerca de uma hora, depois de fazer uma
meditação em andamento.
Estimular o cérebro para memórias futuras
A meditação em andamento tem também que ver com criar memórias
de coisas que ainda não aconteceram num tempo linear – na prática,
recordar o seu futuro. Ao produzir sentimentos elevados com os seus olhos
fechados, ao irradiar essa energia para lá do campo do seu corpo e depois
abrir os seus olhos e começar a andar e a seguir o coração (sentindo essas
emoções elevadas de olhos abertos), quanto mais sentir essa emoção, mais
irá prestar atenção às imagens e aos pensamentos que estão a criar os seus
sentimentos. Este processo é uma melhoria natural dos seus circuitos
neuronais, ao criar uma nova experiência voltada para dentro. A experiência
enriquece o cérebro e cria memórias. Depois, o seu corpo já não está a viver
no passado; vive no futuro. Quanto mais encarnar as suas emoções elevadas
corretamente, mais o seu cérebro e o seu corpo irão parecer como se a
experiência futura já tivesse acontecido. Isso significa que está,
tecnicamente, a recordar-se do seu futuro.
Permanecer em transe é importante porque, ao alinhar o corpo com o
futuro e alterar o seu mundo interior, está a criar memórias a longo prazo.
Uma vez que a sua energia vai para onde for a sua atenção, pode até querer
chamar à cabeça cenas do seu Mind Movie enquanto concebe, encarna e
sente o seu futuro. Ao fazê-lo, essas cenas do Mind Movie vão tornar-se os
mapas energéticos e biológicos para o seu futuro. O ato de sentir as
emoções do seu futuro (no momento presente) e de combinar essas emoções
com a sua intenção tem duas consequências: instala novos circuitos para
transformar o seu cérebro num mapa intencional do futuro; e produz os
químicos emocionais para esse evento futuro, que sinaliza novos genes de
novas formas, assim condicionando o seu corpo a preparar-se para um novo
destino.
Recorde-se de que esta meditação não tem que ver com o que conquista
na vida; tem que ver com quem será – ou com quem está a caminho de se
tornar. Se está a tentar “conquistar” riqueza, sucesso, saúde ou uma nova
relação, está ainda condicionado a pensar que está separado de alguma
coisa, e que tem de a conquistar. Mas a verdade é que, quanto mais se
tornar nessa pessoa, mais a realidade se irá alinhar e moldar segundo o seu
novo estado de ser. É esse processo de evoluir conscientemente que o ajuda
a manter o alinhamento para com um destino diferente. Quanto mais treinar
a meditação em andamento e caminhar como a sua identidade futura, mais
deverá ser capaz de alterar o seu estado de ser com os olhos abertos, tal
como fazia com os olhos fechados. Depois de treinar bastante este processo,
não só poderá transportar essa energia consigo ao longo do dia como irá
enraizá-la. Este tipo de repetição irá deixá-lo mais alerta nas horas em que
está desperto e, sem dar por ela, irá começar automaticamente a portar-se, a
pensar e a sentir-se de um modo diferente. Isto é programar uma nova
personalidade para uma nova realidade pessoal.
Com o passar do tempo, quem sabe? Poderá estar a caminhar
naturalmente como uma pessoa feliz; a portar-se como um líder corajoso e
solidário; a pensar como um génio nobre e poderoso; a sentir-se como um
empresário digno e abastado. A meio do seu dia, poderá ganhar consciência
do facto de que a dor no seu corpo desapareceu, porque está a sentir-se tão
íntegro, tão ilimitado, tão apaixonado pela vida. O seu trabalho resultou no
hábito de ser a pessoa que quer ser. Isto é assim porque instalou os circuitos
e assinalou o gene latente para pensar, agir e sentir de outra forma.
Biologicamente, transformou-se nessa pessoa.
Ficar em estado de alerta e encarnar a sua identidade futura pode
acontecer muitas vezes ao longo do seu dia. Imagine que está à espera de
um amigo que se atrasou, e em vez de se sentir frustrado e incomodado,
está a gerar a energia no seu futuro. Preso no trânsito, em vez de ficar
impaciente e zangado, tente sintonizar a energia do seu futuro com os olhos
abertos. Imagine-se na fila da mercearia a avaliar uma pessoa pelo que ela
esteja a comprar e, em vez disso, redirecionar os pensamentos para uma
gratidão incrível pela sua nova vida, caminhando na pele da sua identidade
futura. Imagine que está a dirigir-se para o seu carro, no parque de
estacionamento, ou está a dirigir-se à sua caixa de correio e estar
naturalmente fortalecido pelo pensamento da sua nova vida. Irá começar a
aceitar, a acreditar e a entregar-se a pensamentos correspondentes a esse
estado emocional. É assim que começa a programar o seu sistema nervoso
autónomo para um destino diferente, e quanto mais o fizer, menos provável
será que regresse ao piloto automático, e que perca o momento presente.
A meditação em andamento
Comece por encontrar um local tranquilo na natureza. Desligue-se do
seu ambiente externo e fixe-se ao momento presente, fechando os olhos.
Reconheça o seu centro do coração, onde se intersetam alma e coração, e
traga emoções elevadas, tais como a gratidão, a alegria, a inspiração, a
compaixão, o amor, e outras emoções a este centro. Para acreditar no seu
novo futuro de todo o coração, este tem de estar aberto e ativado.
Repouse a sua atenção no coração, permitindo à sua respiração fluir
para dentro e para fora desse centro – cada vez mais lenta, mais profunda, e
mais descontraída – durante cerca de dois minutos. Volte a criar emoções
elevadas no seu coração durante dois a três minutos. Irradie essa energia
para o espaço à volta do seu corpo, e fique presente com essa energia.
Sintonize a energia do seu futuro.
Após alguns minutos, fixe uma intenção clara na sua mente. Pode
escolher um símbolo representativo que o ligue à energia do seu futuro, tal
como aprendeu no capítulo 3. Altere o seu estado de ser com os sentimentos
destas emoções elevadas, e concentre-se em transmitir esta nova assinatura
eletromagnética para o campo. Permaneça neste estado entre dois a três
minutos.
Depois, abra os olhos e, sem olhar para nada nem para ninguém, abra o
seu foco e mantenha a sua consciência no espaço à volta do seu corpo,
sustendo um estado de transe. Comece a caminhar com os olhos abertos,
continuando em transe. A cada passo, encarne essa nova energia – essa
nova frequência do que quer que esteja a criar no seu futuro. Ao levar essa
energia consigo durante a sua vida quotidiana, desperta, ao andar com a sua
nova identidade, estará a ativar as mesmas redes neurológicas e a produzir o
mesmo nível de mente que quando medita com os olhos fechados.
Lembre-se depois do seu futuro. Deixe as imagens chegarem até si,
sinta-as e encarne-as. Tome posse delas. Torne-se essas imagens. Continue
a caminhar durante dez minutos, depois pare para reajustar-se. Feche
novamente os olhos e eleve a sua energia. Fique presente com essa energia
durante cinco a dez minutos. Ao longo desses minutos seguintes, com os
olhos abertos em transe, volte a caminhar com intenção como a sua
identidade futura. A cada passo, encarnando essa energia, poderá
aproximar-se do seu destino, e ele de si.
Faça este ciclo duas vezes. Quando acabar o segundo ciclo, pare e fique
parado uma última vez, concentrando-se muito no que sente com o seu
quarto centro de energia aberto. Pode usar esta oportunidade para afirmar
quem é com base no que sente. Por exemplo, quando se sentir ilimitado,
pode reconhecer, literalmente: “Sou ilimitado.” A seguir, ponha a sua mão
sobre o seu belo coração, e determine-se a sentir-se valioso e digno de
receber o que criou. Eleve a sua energia até ao seu zénite, e sinta gratidão,
apreço e agradecimento.
Agora reconheça o divino dentro de si – a energia que o alimenta e que
está por detrás de toda a vida. Agradeça uma nova vida antes de ela se
manifestar. Reconheça o poder dentro de si, peça que a sua vida seja
preenchida por maravilhas inesperadas, por sincronias e coincidências que
criem alegria pela existência. Irradie o seu amor, amando a sua nova vida
até que ela exista.
CAPÍTULO 10

ESTUDOS DE CASO: DA TEORIA À PRÁTICA


Nos estudos dos casos que se seguem, será apresentado a pessoas
comuns que arranjaram tempo, apesar das suas vidas ocupadas, para criar
um novo futuro. Estas pessoas definiram-se todos os dias por uma visão
deste futuro em vez de pelas memórias do seu passado. Pode-se dizer que
estão mais apaixonadas pelo futuro do que estavam pelo passado. Levar a
cabo este trabalho todos os dias e transformar as práticas dos últimos três
capítulos numa técnica levou-os a serem mais sobre-humanos. Preste
atenção a como lhes parece tudo tão simples.
Tim recebe a chave para o seu futuro
Num seminário avançado em Seattle, que costuma coincidir com o
Halloween, pedimos na primeira noite aos nossos estudantes para se
mascararem como as suas identidades futuras. Tim vestiu-se elegantemente
de swami. Sempre quis ser um swami, seguia o estilo de vida, e ainda
jovem deixou o seu lar no Connecticut para estudar num ashram. No início
do evento, os participantes também receberam um presente nosso – uma
chave, para simbolizar a abertura da porta do potencial da futura identidade
de cada participante.
Tim já participara em vários seminários avançados. Da primeira vez que
fez um Mind Movie, inseriu uma imagem de moedas de ouro e prata numa
das suas cenas. Há anos que tentava livrar-se da emoção do medo, mas, a
certa altura, apercebeu-se de que por detrás do medo estava uma sensação
de indignidade; para Tim, as moedas eram um símbolo do mérito.
“Toda a gente quer ter saúde”, disse-me ele. “Mas como eu estava no
caminho espiritual, no yoga e em tudo o que está relacionado, tinha a
mentalidade de poder ser pobre e acolher a pobreza para viver de acordo
com os meus ideais. Por isso, em vez de o ouro e a prata representarem
meramente a riqueza, representam ser digno de receber.”
Tim acrescentou mais imagens ao seu Mind Movie de Seattle, para fazer
a sua visão evoluir. Como outro símbolo de dignidade, Tim usou um
carácter chinês que significava “riqueza”, mas como nunca teve a ambição
de ter dinheiro, por baixo do símbolo escreveu a palavra afluência. Preferia
afluência porque, quando foi ver a definição da palavra, descobriu que a sua
raiz latina significava “fluir para”. Não seria ótimo, pensou ele, se tudo o
que eu quero fluísse para mim?
Embora Tim seja muito analítico, depois de ver incessantemente o seu
Mind Movie em conjunção com o caleidoscópio, concluiu que rapidamente
podia ignorar a sua mente analítica e chegar ao subconsciente, o sistema
operativo, para programar o seu futuro.
Durante o seminário, quando chegou a altura de dimensionar uma cena
no seu Mind Movie, ele teve uma experiência profunda. Começou a sentir
alegria e depois um amor exaltado pela vida, quase como um ardor no
coração. Contou que se sentia capaz de pegar fogo ao mundo. Então,
durante a meditação, eu disse aos estudantes que chegara o momento de se
abrirem e receberem, e foi então que, segundo Tim, a energia começou a
entrar no seu corpo.
“Não sei de onde veio”, contou-me. “Mas era como se alguém tivesse
aberto uma torneira. Pus-me logo de pé. A energia afluiu do alto da minha
cabeça até chegar às minhas mãos. Tinhas as palmas das mãos viradas para
baixo e, sem controlo consciente delas, a energia fez com que as mãos se
erguessem e se virassem. Perdi a noção do tempo e do espaço, e não fazia
ideia de onde estava, mas durante o resto da meditação senti-me num estado
de exaltação, de êxtase. Soube que tudo seria diferente e que já não era a
mesma pessoa.”
Quando Tim sentiu a energia a afluir pelo seu corpo, ele julgou estar a
transportar uma mensagem de dignidade, porque depois nunca mais foi o
mesmo.
“Estou convencido de que a nova informação que entrou no meu corpo
reescreveu-me o ADN, apagando a minha identidade antiga, porque essa
parte da minha personalidade agora desapareceu”, diz ele. Quando Tim
regressou a casa, ao Phoenix, onde era dono e gerente de uma loja de sofás,
voltou ao trabalho na segunda-feira de manhã, como normalmente fazia. Na
quinta-feira, uma mulher que lhe comprara um sofá, alguns anos antes,
entrou na loja. Desde o dia em que ela comprara o sofá, haviam criado uma
amizade, e de vez em quando ela passava por lá para conversar. Estava
agora reformada e foi à loja contar a Tim que tinha acabado de escrever o
testamento. Queria que Tim fosse o seu agente fiduciário. Tim sentiu-se
honrado, e agradeceu-lhe.
“Aqui está”, disse ela, deixando o testamento no balcão juntamente com
uma chave. “Lê-o.”
Tim começou a ler o documento, muito por alto, mas concluiu que não
só era o agente fiduciário, como ela ia também deixar-lhe 110 mil dólares
em moedas de ouro e prata. A chave que ela deixara no balcão era a de um
cofre que alugara no banco, no qual estavam guardadas as moedas (que,
claro, correspondiam à imagem no Mind Movie de Tim). Num instante, Tim
recordou-se da “chave para o futuro” semelhante que recebera no seminário
avançado, em Seattle. E ele era digno de as receber!
Sarah não consegue chegar ao chão
No Dia do Trabalhador de 2016, Sarah aleijou-se gravemente nas
costas, ao tentar evitar que um barco de cinco toneladas chocasse contra
uma doca. Durante sete meses, passou pela agonia da fisioterapia, tomou
um cocktail de medicamentos e fez inúmeras visitas a um quiroprático.
Como nada resultava, os médicos aconselharam uma cirurgia. Mas Sarah
decidiu participar num seminário avançado em Cancún, antes de se
submeter à cirurgia.
Como tinha muitas dores, o filho de Sarah sugeriu-lhe que levasse uma
cadeira de rodas, mas ela recusou. No dia em que chegou ao hotel caiu no
chão, cheia de dores. Mais tarde, quando entrou na piscina com uma boia,
teve graves espasmos ao tentar sair.
Sarah já conhecia o meu trabalho, e chegou a Cancún com a sua
almofada de meditação e o seu Mind Movie. Nesse Mind Movie, ela era
saudável, forte e novamente capaz de correr. Conseguia jogar basquetebol
com o filho e lacrosse com a filha. Sempre que Sarah se via na cena em que
executava yoga aéreo, acolhia a alegria que sabia ir sentir se o conseguisse
fazer, e quando ouviu a canção do seu Mind Movie, a sua energia subiu.
Durante os primeiros dias, quando estava a contrair os seus músculos
centrais e a mover a energia pela espinha acima, com a técnica de
respiração, sentiu o nervo ciático a pulsar. Era como se uma corrente
elétrica quente estivesse a viajar pelo nervo acima. Ao mesmo tempo, teve a
sensação de a energia ser uma luz curativa a subir-lhe pela coluna.
No terceiro dia, iniciou a manhã a fazer pesquisas na Internet, até
encontrar a imagem de uma mulher a fazer yoga aéreo. Transportou essa
imagem na mente durante todo o dia. Nessa tarde, os nossos estudantes
estavam a trabalhar com o caleidoscópio e com os seus Mind Movies.
Depois de se projetarem no campo quântico, pedi-lhes para dimensionarem
uma cena do seu Mind Movie. Quando concluíram a meditação, dei-lhes
instruções para se deitarem no chão – mas, como me contou Sarah mais
tarde, ela não conseguia encontrar o chão. Caía sempre mais para baixo, à
procura dele, mas o chão já lá não estava. Quando deu por ela, estava noutra
dimensão, a ter uma experiência sensorial total como num cinema IMAX –
mas sem os seus sentidos. Vivia uma cena futura do seu Mind Movie. Um
número indeterminado de circuitos acendeu-se no cérebro dela, para tornar
esta experiência interior tão real como qualquer experiência externa da sua
vida. Não estava a visualizar a cena – estava nela, a vivê-la.
“Apercebi-me de estar noutra realidade, noutro tempo e noutro espaço –
estava no meu futuro”, explicou ela. “E estava mesmo a fazer yoga aéreo.
Estava pendurada de cabeça para baixo e o chão não estava lá. Tentava
continuamente lá chegar, mas estava pendurada de cabeça para baixo de um
belo lenço de seda vermelho. Sentia-me livre da dor. Balouçava livre no
espaço.” Ela acabou por se deitar, com lágrimas de alegria a rolarem-lhe
pelo rosto. Quando saiu daquela meditação, toda a dor tinha desaparecido.
“Soube que estava curada”, disse ela. “Estava a admirar o poder na
minha mente, e senti uma gratidão enorme. Continuei a manifestar coisas
do meu Mind Movie – aliás, a minha vida até já ultrapassou o meu Mind
Movie.”
Terry caminha para um novo futuro
Em setembro de 2016, enquanto treinava a sua meditação em
andamento junto à magnífica Sunshine Coast da Austrália, Terry teve uma
experiência profunda. Perto do fim da sua meditação, quando se deteve para
a parte final, sentiu-se ligada, animada e comunicativa. Ao seguir as minhas
instruções, abriu-se ao campo com a intenção de ser digna da sua vida
futura. Sem aviso, sentiu uma carga elétrica a entrar-lhe no corpo pelo topo
da cabeça, e continuar a fluir até chegar ao coração. Com a energia a correr-
lhe pelo resto do corpo, passando pelas ancas até chegar aos pés, as pernas
de Terry começaram a tremer-lhe incontrolavelmente.
“A única maneira que tenho de o descrever é que houve um tremor
intenso vindo de dentro”, contou-me ela, “mas era uma tensão que o meu
corpo nunca sentira antes. Achei que ia cair para trás. Foi nesse momento
que perdi todo o controlo consciente do corpo abaixo da cintura.” Desatou a
chorar, descontrolada, e com essa descarga, o corpo e a mente também se
entregaram. O tempo parecia imobilizado. Terry compreendeu que o corpo
dela estava a render-se às emoções do passado, que tinham ficado por
resolver. Com a corrente elétrica a percorrer o corpo dela, sentiu uma
quantidade enorme de matéria negra e densa a sair-lhe do corpo.
“Creio que essa matéria era composta por todos os traumas não só da
minha vida atual mas de vidas anteriores”, recordou. “Incluía o trauma por
que passei quando tinha oito anos de idade e vi o meu pai quase morrer
numa tentativa de suicídio. Este trauma ensombrou a minha vida, porque
me impediu de receber o amor incondicional.” Ela sentiu todas as suas
crenças limitadoras – muitas das quais adquiridas por um profundo
condicionamento emocional e das crenças inconscientes de outros – pura e
simplesmente a dissolverem-se.
“Tudo o que não estava em alinhamento com quem sou esbateu-se”,
disse Terry. “Senti uma verdadeira libertação, algo de que a minha alma
estava à espera há muito. Soube, nesse instante, que a minha alma me
levara exatamente até esta praia, exatamente até este momento, com todas
estas pessoas, para fazer este trabalho tão importante.”
Ela caiu de joelhos, sentindo um amor esmagador a fluir pelo seu corpo.
Ajoelhada na areia, fulminada por essa força, viu que todas as escolhas que
fizera até então eram necessárias para chegar a este momento comovente.
Nesse instante, observou quem tinha sido no último ano, optando
consistentemente por fazer as meditações todos os dias, apaixonando-se por
si própria. Apercebeu-se nesse momento de que a futura identidade dela
estava a chamar a identidade passada para essa experiência de amor
profundo.
Quando Terry regressou à realidade tridimensional dos seus sentidos,
teve uma sensação avassaladora de paz e unidade com tudo à volta dela. Ela
falou de uma nova ligação profunda à sua identidade física, mental,
emocional e espiritual, e disse que há muito não se sentia assim tão “ela
própria”.
“Esta experiência recordou-me de quem sou, de quem todos somos, um
aspeto da energia divina”, disse ela, “e de que eu mereço recebê-la.”
CAPÍTULO 11

DIMENSÃO ESPACIAL-TEMPORAL E
DIMENSÃO TEMPORAL-ESPACIAL
Vivemos num universo tridimensional (uni significa “um”) em que tudo
o que existe é composto por pessoas, objetos, locais e tempo. Na sua
maioria, é uma dimensão de partículas e matéria. Através dos nossos
sentidos, vivemos estas coisas como forma, estrutura, massa e densidade.
Se eu puser um cubo de gelo, o seu telemóvel ou uma tarte de maçã à sua
frente, por exemplo, não seria capaz de aperceber-se de nenhum destes
objetos sem os seus sentidos; são os sentidos que proporcionam a
experiência da realidade física.
Embora o cubo de gelo, o telemóvel e a tarte de maçã tenham todos
altura, largura e comprimento, só existem para si porque consegue vê-los,
ouvi-los, prová-los, cheirá-los e senti-los. Se perdesse os seus cinco
sentidos, ou se eles fossem simultaneamente eliminados, seria incapaz de
percecionar qualquer um destes objetos, porque não teria consciência deles;
literalmente não existiriam para si, porque na realidade tridimensional não
os pode captar sem os seus sentidos – ou pode?
Segundo a astrofísica, neste plano de três dimensões – o universo
conhecido (vamos chamar-lhe realidade espacial-temporal) – há uma
quantidade infinita de espaço. Pondere este conceito por uns instantes. Do
nosso pequeno poleiro, fitamos o universo ao olhar para o céu da noite, mas
só conseguimos ver uma minúscula parte dele. Parece-nos infinito, e
contudo o infinito é ainda maior do que isso. Por outras palavras, no plano
espacial-temporal, o espaço é eterno – não tem fim e continua para sempre.
Mas, e o tempo?
A forma como costumamos viver o tempo é movendo os nossos corpos
pelo espaço. Por exemplo, pode demorar cinco minutos a pousar este livro,
ir até à cozinha, beber um copo de água e voltar. Isto ocorre porque um
pensamento, que teve origem na sua mente, gerou uma visão do que vai
fazer na cozinha, agiu segundo esse pensamento e consequentemente sentiu
o tempo ao mover-se de um ponto para o outro através do espaço.
Antes de ir até à cozinha, quando estava sentado na sua cadeira, ao
ganhar consciência da cozinha em relação ao sítio onde estava, sentiu uma
separação de dois pontos de consciência: o sítio onde estava sentado e a
cozinha. Para eliminar a distância entre estes dois pontos de consciência,
moveu o seu corpo através do espaço, e isso levou-lhe algum tempo. Faz
então sentido que quanto maior o espaço ou a distância entre dois pontos,
maior o tempo necessário para ir de um ponto ao outro. Em contrapartida,
quanto maior a velocidade a que viajar entre estes dois pontos, menos
tempo levará.
A medida do tempo que um objeto leva a mover-se pelo espaço está na
base da física newtoniana (ou mecânica clássica). No mundo newtoniano,
se conhecermos determinadas propriedades de um objeto, tais como a sua
força, a sua aceleração, a sua direção, a sua velocidade e a distância que irá
percorrer, podemos fazer previsões de tempo; a física newtoniana é portanto
baseada em factos conhecidos e em resultados previsíveis. Podemos então
dizer que se há uma separação entre dois pontos de consciência, ao evoluir
de um ponto de consciência para outro, está a fazer colapsar o espaço.
Como resultado do colapso do espaço, estará a sentir o tempo. Observe a
figura 11.1 para compreender melhor a relação entre o espaço e o tempo no
nosso mundo tridimensional.
Eis outro exemplo: se estiver a escrever este livro e quiser concluir este
capítulo, isso vai levar algum tempo. Posso não ter de mover muito o meu
corpo pelo espaço, mas vou mesmo assim sentir o tempo. Porquê? Porque a
minha localização atual no processo de escrever este capítulo representa um
ponto de consciência, e a conclusão do capítulo representa outro ponto de
consciência. A conclusão deste capítulo representa um momento futuro
distinto do momento presente. O espaço entre eles – a eliminação do hiato
entre estes dois pontos de consciência – é a nossa experiência do tempo. Se
voltar a observar a figura 11.1, ela irá ajudá-lo a ter um melhor
entendimento do tempo.
Para concretizar o meu objetivo de chegar ao fim deste capítulo, terei
repetidamente de fazer “alguma coisa”. Para isso, terei de recorrer aos meus
sentidos para interagir com o meu ambiente e para me mover por ele com
uma série de comportamentos coordenados – e, novamente, isto requer
tempo. Se parar de escrever e for fazer outra coisa, como ver um filme, vou
precisar de mais tempo para alcançar o resultado pretendido; portanto, para
atingir o meu objetivo de concluir este capítulo, tenho de alinhar
consistentemente as minhas ações com as minhas intenções.
FIGURA 11.1
Ao movermo-nos pelo espaço de um ponto de consciência
para outro, vivemos o tempo. Quando causamos o colapso do
espaço num mundo 3D, cria-se o tempo.
Neste mundo material em três dimensões, como usamos os nossos
sentidos para navegar no espaço, dedicamos a maior parte da nossa atenção
a coisas físicas como pessoas, objetos e lugares. Todas essas coisas são
compostas por matéria, e são localizadas (isto é, ocupam uma posição no
espaço e no tempo). Representam pontos de consciência dos quais podemos
sentir a separação. Por exemplo, ao observar o seu melhor amigo sentado
do outro lado da mesa ou ao olhar para o carro estacionado à entrada, repara
no espaço que o separa a si do seu amigo ou a si do carro. Em
consequência, sente-se separado deles. Está aqui, o seu amigo ou o carro
estão ali. Além isso, se tiver sonhos e objetivos, então a sua situação no
momento presente e o sítio onde os seus sonhos existem, como realidade no
futuro, também cria a experiência de separação. Pode-se assim dizer que:
1. Para navegarmos nesta realidade tridimensional, precisamos dos
nossos sentidos;
2. Quanto mais usarmos os nossos sentidos para definir a realidade,
mais sentiremos a separação;
3. Como a maioria desta realidade tridimensional tem uma base
sensorial, o tempo e o espaço criam a sensação de separação de
todos, de tudo, de cada lugar e de cada corpo em todos os tempos;
4. Todas as coisas ocupam materialmente uma posição no espaço e
no tempo. Na física, chama-se a isso princípio da localidade de
referência.
Neste capítulo, vamos explorar e comparar dois modelos de realidade: o
espacial-temporal; e o temporal-espacial. O modelo espacial-temporal é o
mundo físico newtoniano, com base em conhecidos, resultados previsíveis,
matéria e no universo tridimensional em que vivemos (que é composto por
espaço infinito).
Vou contestar o seu entendimento e a sua perceção da natureza da
realidade, porque, para sentir o mistério da identidade como ser
dimensional, vai precisar de um mapa.
O stress e as consequências de se viver num estado
perpétuo de sobrevivência
Uma vez que utilizamos os nossos sentidos para observar e determinar a
realidade física, identificamo-nos como corpos a viver no espaço e no
tempo, mas separados de tudo no nosso ambiente. Com o passar do tempo,
esta interação gera a experiência da nossa identidade. Ao longo das nossas
vidas, devido às várias interações que vamos tendo, em certos momentos e
lugares, com pessoas, coisas e objetos, a nossa identidade evolui até se
tornar numa personalidade. A qualidade destas interações com o nosso
ambiente exterior gera memórias duradouras, e estas memórias moldam
quem nós somos. Chamamos a este processo experiência, e são as
experiências de vida que fazem de nós quem somos. Como sabe, a maior
parte da personalidade baseia-se em experiências passadas.
Como aprendeu no capítulo 8, para os nossos cérebros, os objetos
materiais, as coisas, as pessoas e os lugares que vivemos diariamente
apresentam-se a nós como padrões, e ao reconhecimento destes padrões
chama-se memória. Se a identidade é criada a partir de memórias de
experiências passadas, então as memórias baseiam-se em conhecidos;
portanto, a maior parte do nosso mundo tridimensional tem conhecidos
como alicerces. É aqui que a maioria das pessoas concentra as suas
atenções. Quando alinhamos algo de material no nosso mundo exterior com
as memórias das nossas experiências passadas, temos uma sensação de
familiaridade. Estamos a associar uma realidade física a um conjunto de
redes neurológicas no cérebro. A isto se chama reconhecimento de padrões,
e é o processo pelo qual a maioria das pessoas vive a realidade através de
uma lente do passado.
Podemos então dizer que somos materialistas que vivemos nesta
dimensão e, mais ainda, estamos escravizados e limitados por ela – porque
nos definimos como um corpo, que vive num ambiente, em determinado
tempo, e o nosso foco é mais na matéria e menos na energia. De uma
perspetiva quântica, estamos a manter a nossa atenção na partícula física
(matéria) em vez de na onda imaterial de possibilidades (energia). É assim
que ficamos imersos nesta realidade tridimensional.
Quando se junta o stress à equação, o nosso corpo começa a alimentar-
se do campo energético eletromagnético invisível à volta de nós para
produzir química. Quanto mais elevada for a frequência, a intensidade e a
duração do stress, mais energia o nosso corpo consome. Pela sua natureza,
estes químicos reforçam os nossos sentidos, obrigando-nos a prestar
atenção à matéria e aos conhecidos. À medida que este campo vital de
energia à volta do nosso corpo diminui, sentimo-nos mais como matéria e
menos como energia. Aliás, quando a nossa frequência abranda, os nossos
corpos tornam-se mais densos, ao ficarmos sem energia.
Como já vimos, este fenómeno é positivo a curto prazo se houver
perigo, uma crise ou um predador à espreita – aliás, a reação de lutar ou de
fugir tem sido a pedra basilar da nossa evolução. Neste estado, os químicos
do stress aguçam os nossos sentidos, estreitando o nosso foco para a
situação no nosso ambiente que represente um perigo potencial. Quando
isto ocorre, o nosso neocórtex – a parte do nosso cérebro envolvida na
perceção sensorial, nos comandos motores, no raciocínio espacial e na
linguagem – ativa-se e fica excitado. Para fins de sobrevivência, isto estreita
o nosso foco no corpo e na ameaça exterior, obrigando-nos a concentrar no
tempo entre o momento da ameaça e o momento em que atingiremos a
segurança física – ambos são pontos de consciência. Quanto mais stress
tivermos, mais separação iremos sentir.
Como leu no capítulo 2, o efeito a longo prazo de viver em modo de
sobrevivência é que começamos a alimentar-nos – e a depender – destes
químicos do stress. Quanto mais viciados neles estivermos, mais
acreditaremos que somos os nossos corpos, e que estes são locais – isto é,
que vivem num determinado sítio no espaço e que ocupam uma
determinada posição no tempo linear. O resultado é um estado maníaco e
frenético, no qual transferimos constantemente a nossa atenção de uma
pessoa para um problema, para uma coisa, para um lugar no nosso
ambiente. A característica evolutiva que outrora nos protegia, agora
trabalha contra nós, e vivemos num estado constante de alerta, obcecados
pelo tempo. Uma vez que encaramos o nosso ambiente exterior como
inseguro, toda a nossa atenção vai para o ambiente.
Agora que o mundo exterior nos parece mais real do que o interior,
estamos viciados em alguém ou alguma coisa no nosso ambiente exterior, e
quanto mais vivermos neste estado, mais o nosso cérebro se movimentará
para ondas cerebrais beta elevadas. E como por esta altura já deve saber, as
ondas cerebrais beta elevadas prolongadas fazem-nos sentir dor, ansiedade,
preocupação, medo, raiva, frustração, impaciência, agressividade e
competitividade. Em consequência disso, as nossas ondas cerebrais tornam-
se incoerentes – e nós também.
Quando as emoções da sobrevivência nos controlam, precisamos que as
condições no nosso mundo exterior (os nossos problemas com várias
pessoas, as dificuldades financeiras, o medo do terrorismo, o desprezo pelo
nosso emprego) reafirmem a nossa dependência dessas emoções. Essas
dependências emocionais fazem com que nos preocupemos com o que
possa estar a causar perturbações no nosso ambiente – quer seja “alguém”
ou “alguma coisa” –, e por isso os genes de sobrevivência ativam-se.
Estamos agora a cumprir os nossos próprios augúrios negativos.
Se compreender que a sua energia vai para onde for a sua atenção, sabe
que quanto mais forte é a reação emocional associada à causa, mais atenção
irá dedicar consistentemente a uma pessoa, coisa ou problema no seu
mundo exterior. Ao fazê-lo, está a dar bastante da sua força a alguém ou a
alguma coisa. Agora, toda a sua atenção e energia estão ancoradas neste
plano tridimensional do material, e o seu estado emocional faz com que
reafirme a sua realidade presente. Pode ficar emocionalmente ligado à
realidade que quer transformar. Esta má gestão da sua energia deixa-o
acorrentado ao mundo dos conhecidos, a tentar prever o futuro com base no
passado; além disso, quando se encontra num estado de sobrevivência, o
desconhecido ou o imprevisível metem medo. Ora, para verdadeiramente
fazer transformações na sua vida, terá de dar um passo na direção do
desconhecido. Se não o fizer, nunca irá conseguir verdadeiramente mudar
nada.
A realidade espacial-temporal newtoniana 3D: viver
como um corpo, com alguma coisa, em algum sítio, em
algum tempo
Se os sentimentos são um registo do passado, e se esses sentimentos
gerirem os pensamentos e os comportamentos que estão gravados em si,
continuará a repetir o seu passado e tornar-se-á previsível. Fica assim
firmemente instalado num mundo newtoniano, porque a física newtoniana
se baseia em resultados previsíveis. Quanto mais viver em stress, mais
passará a ser apenas matéria a tentar afetar matéria – matéria a tentar lutar,
forçar, manipular, prever, controlar e competir. A consequência disso é que
tudo o que quer alterar, manifestar ou influenciar vai exigir muito tempo,
porque nesta realidade espacial-temporal tem de mover o seu corpo físico
pelo espaço para criar os resultados que quer obter.
Quanto mais viver em modo de sobrevivência e utilizar os seus sentidos
para definir a realidade, mais sentirá a separação de um novo futuro. Entre o
espaço em que se encontra atualmente, como um ponto de consciência, até
ao sítio onde quer ir, como outro ponto de consciência, há uma distância
muito grande; há ainda a sua obsessão constante relativamente a como vai
acontecer, que se baseia em como pensa e prevê que tem de acontecer. Mas
se está a fazer previsões, o seu pensamento baseia-se em conhecidos, e não
há margem para um desconhecido ou para uma nova possibilidade na sua
vida.
Se estiver, por exemplo, a tentar comprar casa, terá de poupar para
pagar uma entrada, procurar uma casa, pedir crédito ao banco, passar pelo
processo de candidatura, competir com outros potenciais compradores, e
depois passar 30 anos a arrastar o seu corpo de casa para o trabalho e do
trabalho para casa (pelo espaço) a tentar pagar o empréstimo. Vai levar
muito tempo até que estes dois pontos de consciência – ter a ideia de
comprar a casa e ter o empréstimo pago – se intersetem. Da mesma forma,
se quisermos ter uma nova relação, podemos ir à Internet e criar um perfil,
ler os inúmeros perfis que lá encontramos, fazer a lista de pessoas a
contactar, entrar em contacto com cada uma delas, e acabar por ir a muitos
encontros na esperança de encontrar alguém que seja interessante. Se quiser
um novo emprego, terá de gastar tempo a fazer um currículo, a procurar
lugares disponíveis e a ir a entrevistas.
O que estes processos têm em comum é que custam tempo, que para si é
linear. Pode chegar onde quer, mas quanto mais tempo viver em
sobrevivência, mais tempo vai demorar a lá chegar, porque é matéria a
tentar influenciar matéria, e há uma clara separação no espaço e no tempo
entre quem é e quem quer ser.
Podemos então concluir que nesta realidade tridimensional, dentro da
sua experiência do tempo, há uma definição clara de passado, presente e
futuro. Como vive num tempo linear, pode também sentir a separação do
tempo, porque passado, presente e futuro aparecem como momentos
distintos no tempo; está aqui, e o seu futuro está acolá. A figura 11.2
representa graficamente como passado, presente e futuro existem todos
como momentos distintos e descontínuos.

FIGURA 11.2
Na nossa realidade 3D, o passado, o presente e o futuro
existem como momentos lineares, distintos, separados no
tempo.
Como disse antes, graças à física newtoniana descobrimos as leis
naturais da força, da aceleração e da matéria, que nos permitem prever
resultados. Se conhecermos a direção geral, a velocidade e a rotação de um
objeto a viajar pelo espaço, podemos prever mais ou menos onde é que esse
objeto vai ter e quanto tempo vai demorar a lá chegar. Por isso é que é
possível viajar de Nova Iorque para Los Angeles de avião, prever quanto
tempo será preciso para lá chegar, e saber onde irá aterrar o aparelho.
Dentro do entendimento da física newtoniana e deste mundo
tridimensional em que vivemos, muitas pessoas passam a maior parte das
suas vidas a concentrar a sua atenção para fora, a tentar ser alguém, ter um
certo corpo, possuir certas coisas, ir a algum lado, e viver alguma coisa em
algum tempo. Quando não temos o que queremos, sentimos lacunas, e as
lacunas e a separação fazem-nos viver num estado de dualidade e
polaridade. É natural para nós querermos o que não temos; aliás, é assim
que criamos coisas. Quando sentimos a separação dos nossos desejos
futuros, pensamos e sonhamos com as coisas que queremos, e depois
executamos uma série de atos em tempo linear para as obter.
Se estivermos sob pressão financeira, por exemplo, queremos dinheiro;
se tivermos uma doença, queremos saúde; se estivermos solitários,
queremos uma relação ou uma amizade. Devido a esta experiência de
dualidade e separação, temos o impulso de criar, e é assim que evoluímos
naturalmente e crescemos para os nossos sonhos. Mas se formos matéria
focada em matéria a tentar influenciar matéria, para obtermos dinheiro,
saúde, amor, e por aí fora, como já vimos, vai ser preciso bastante tempo e
energia.
Quando finalmente alcançarmos aquilo que procuramos, a emoção que
sentimos de desfrutar da nossa criação (ou do encontro desses dois pontos
de consciência) sacia o sentimento de lacuna que tínhamos anteriormente.
Quando aparece um novo emprego, sentimo-nos seguros; quando se
manifesta uma nova relação, sentimos amor e alegria; quando nos curamos,
sentimo-nos mais perfeitos. Se vivermos neste estado, ficamos à espera que
“alguma coisa” ou que “alguém” que nos é alheio transforme aquilo que
sentimos interiormente. Ao sentirmos a libertação da lacuna, porque
abraçamos a emoção correspondente à manifestação do evento externo,
prestamos atenção de perto a quem ou ao que causou essa libertação. Esta
causa e efeito forma uma nova memória e, de certa forma, evoluímos.
Quando alguma coisa no nosso mundo não acontece, ou parece levar
muito tempo a acontecer, sentimos uma lacuna maior porque nos sentimos
ainda mais separados daquilo que tentámos criar. Agora o nosso estado
emocional de lacuna, frustração, impaciência e separação mantém os nossos
sonhos de lado, aumentando mais ainda o tempo necessário para que o
resultado por nós desejado se produza.
De um corpo para sem corpo, de alguém para
ninguém, de alguma coisa para nada, de algures para
nenhures, de um tempo para fora do tempo
Se as leis newtonianas são uma expressão exterior das leis físicas
materiais do plano espacial-temporal – uma dimensão onde há mais espaço
que tempo – podemos dizer que, de certa forma, as leis quânticas
funcionam ao contrário. O quantum é uma expressão interior das leis da
natureza: um campo invisível de informação e energia que unifica tudo o
que é material. Este campo imaterial organiza, liga e governa todas as leis
da natureza. É uma dimensão onde há mais tempo que espaço; por outras
palavras, é uma dimensão onde o tempo é eterno.
Como aprendeu nos capítulos 2 e 3, quando desviamos a nossa atenção
de pessoas e coisas em certos sítios do nosso mundo exterior – já não
focamos a nossa atenção no nosso corpo e deixamos de pensar em tempo e
horários – tornamo-nos ninguém, nada, em lado nenhum, fora do tempo.
Fazemos isto através de um processo em que nos desligamos do nosso
corpo, da nossa identidade, do nosso género, da nossa doença, do nosso
nome, dos nossos problemas, das nossas relações pessoais, da nossa dor, do
nosso passado, e por aí fora. É isto que significa ir para lá de si próprio: ir
da consciência de um corpo para não ter corpo nenhum, ir da consciência de
alguém para ninguém, ir da consciência de alguma coisa para coisa
nenhuma, ir da consciência de algures para nenhures, e de ir da consciência
de estar algures no tempo para estar fora do tempo (observe a figura 11.3).
FIGURA 11.3
Quando desviamos a atenção do nosso corpo, do nosso
ambiente e do nosso tempo, vamos para lá do “eu” – viver
como um corpo físico, ser alguém com uma identidade, possuir
alguns objetos, viver num certo sítio num certo tempo – e
passamos a não ter corpo, não ser ninguém, não ter nada, não
estar em lado nenhum, fora do tempo. Estamos então a mover
a nossa consciência para longe do mundo material da física
newtoniana e a caminho do mundo imaterial do campo
unificado.
FIGURA 11.4
A distinção entre os dois mundos da matéria e da energia.
Ao passarmos de um foco estreito para um foco aberto e começamos a
libertar-nos de todos os aspetos da nossa identidade, afastamo-nos do
mundo exterior de pessoas, coisas, lugares, horários, listas de coisas a fazer,
e por aí fora, e viramos a nossa atenção para o mundo interior da energia, da
vibração e da consciência. A nossa investigação revela que, quando
desviamos a nossa atenção de objetos e de matéria, e em vez disso abrimos
o foco para a energia e para a informação, várias partes do cérebro
trabalham conjuntamente em harmonia. O resultado desta unificação do
cérebro é sentirmo-nos mais íntegros.
Quando conduzimos bem este processo, o nosso coração começa a
abrir-se, bate com mais ritmo, e portanto torna-se mais coerente. Com o
coração a avançar para a coerência, o mesmo acontece com o nosso
cérebro, e como a nossa identidade não está a bloquear o caminho – ou seja,
fomos para lá do nosso corpo, para lá de um sítio particular no nosso
ambiente conhecido, para lá do tempo – o ato de eliminar estas coisas faz
com que passemos para padrões de ondas cerebrais alfa e teta, e ligamo-nos
ao sistema nervoso autónomo. Quando o SNA é ativado, a sua missão é
restaurar a ordem e o equilíbrio, causando coerência e integridade no nosso
coração, no nosso cérebro, no nosso corpo e no nosso campo energético.
Esta coerência reflete-se então em todos os aspetos da nossa biologia.
É neste estado que começamos a ligar-nos ao campo quântico (ou
unificado).
Da ilusão da separação à realidade da unidade
Se a física newtoniana explica as leis da natureza e do universo em
grande escala – a força gravitacional do Sol sobre os planetas, a velocidade
com que a maçã cai da árvore, e por aí fora –, o mundo quântico lida com a
natureza fundamental das coisas à sua escala mais pequena, tais como as
partículas atómicas e subatómicas. As leis newtonianas são constantes
físicas da natureza, e portanto o mundo newtoniano é um mundo objetivo
de resultados mensuráveis e previsíveis.
As leis quânticas, contudo, têm que ver com o imprevisível e com o que
não está à vista – o mundo da energia, das ondas, das frequências, da
informação, da consciência e de todos os espectros de luz. Este mundo é
governado por uma constante que não é visível – um campo singular de
informação chamado campo unificado. Podemos pensar no mundo
newtoniano como lidando com o que é objetivo – onde mente e matéria são
distintas – e no mundo quântico como lidando com o que é subjetivo, onde
mente e matéria são unificadas por energia, ou, melhor ainda, onde mente e
matéria estão tão interligadas que é impossível separá-las. No campo
quântico ou unificado, não há separação entre dois pontos de consciência. É
o domínio da unidade, ou da consciência unitária.
Enquanto na nossa realidade tridimensional o espaço é infinito, no
mundo quântico é o tempo que é infinito. Se o tempo é infinito e eterno, já
não é linear – não há separação entre passado e futuro, tudo acontece agora
mesmo, neste momento presente eterno. Porque o tempo é infinito, nesta
realidade temporal-espacial, ao progredirmos pelo tempo vivemos o espaço
(ou espaços).
No mundo material das coisas, quando nos movemos pelo espaço
vivemos o tempo – contudo, no mundo imaterial quântico da energia e da
frequência, regista-se o contrário:
No mundo do espaço-tempo, ao aumentarmos ou ao reduzirmos a
velocidade com que nos movemos do ponto A para o ponto B, o
tempo que demora a lá chegar altera-se;
No mundo do tempo-espaço, quando nos tornamos cientes de um
aumento ou redução na velocidade da frequência ou da vibração
da energia, podemos ir de um espaço para outro ou de uma
dimensão para outra.
Quando causamos o colapso do espaço, vivemos o tempo na realidade
material. Quando causamos o colapso do tempo, vivemos espaços ou
dimensões na realidade imaterial. Cada uma destas frequências individuais
transporta informação, ou um nível de consciência, que vivemos como
realidades diferentes, ao apercebermo-nos delas. Na figura 11.5, pode ver
que ao mover-se pelo tempo vive várias dimensões no momento presente
eterno.
No espaço-tempo, vive o ambiente com o seu corpo, os seus sentidos e
com o tempo. O tempo parece linear, porque está separado de objetos,
coisas, pessoas e lugares – bem como do passado e do futuro. No tempo-
espaço, vive este plano com a sua consciência – não como um corpo com
sentidos. Este plano existe para lá dos seus sentidos. Acederá a este
domínio quando estiver totalmente no momento presente, sem passado nem
futuro, só com um longo agora. Uma vez que a sua consciência está para lá
do plano da matéria, porque desviou toda a sua atenção da matéria, pode
tornar-se ciente de várias frequências, todas elas transportando informação,
e estas frequências permitem-lhe ter acesso a várias dimensões
desconhecidas.
FIGURA 11.5
No mundo do quantum, onde o tempo é eterno, tudo
acontece no momento presente eterno. Ao mover-se pelo
tempo, vive outro(s) espaço(s), outras dimensões, outros
planos, outras realidades e possibilidades infinitas. É como
estar entre dois espelhos e olhar para o seu reflexo para os
dois lados, em dimensões infinitas; as caixas representam um
número infinito das suas identidades possíveis, todas a viver
no momento presente.
Ou seja, se estiver num plano para lá dos sentidos e a projetar-se como
uma consciência para a energia do campo unificado, poderá viver muitas
realidades dimensionais possíveis. (Sei que isto é difícil de engolir tudo de
uma vez, por isso, peço-lhe que tenha um pouco de paciência. Se está
confuso, é porque está prestes a aprender coisas novas.)
Quando lhe digo que ao mover-se pelo tempo vive espaço ou espaços,
estou a falar de todas as dimensões e de todas as realidades possíveis.
Podemos então dizer que, nesta realidade temporal-espacial, todos os
espaços ou dimensões possíveis existem num tempo infinito. Este é o
campo unificado: o plano das possibilidades, do desconhecido, e de novas
realidades potenciais, que existem todas num tempo infinito – que é todos
os tempos.
Imagine agora que havia uma infinidade de tempo (porque passado e
futuro já não existem, e portanto o tempo está parado) e que tem tanto
quanto deseja. Não concorda que poderia ter um número infinito de
experiências possíveis e assim viver muitas vidas? Podemos então dizer que
estaria disponível um número infinito de experiências, equivalente à sua
imaginação. Por outras palavras:
Se o tempo é eterno, pode haver mais espaços nesse tempo
infinito;
Se continuarmos a prolongar ou a criar mais tempo, faz sentido
que seja possível encaixar mais espaços nesse tempo;
Se há tempo infinito, então há espaços infinitos que podem caber
no tempo – que são possibilidades, realidades potenciais,
dimensões e experiências ilimitadas.
No campo quântico, não há separação entre passado e futuro, porque
tudo o que é existe no agora eterno, ou no momento presente eterno. Se
tudo o que é existe unificado ou ligado no campo quântico, então as suas
frequências infinitas contêm informação sobre cada corpo, cada indivíduo,
cada coisa, cada lugar, cada tempo. À medida que a sua consciência
começar a fundir-se com a consciência e a energia do campo unificado,
passará da consciência de um corpo para a consciência de corpo nenhum até
à consciência de todos os corpos; da consciência de um indivíduo para a
consciência de ninguém até à consciência de todos; da consciência de
alguma coisa para a consciência de nada até à consciência de tudo; da
consciência de um lugar para a consciência de nenhures até à consciência
de todos os lugares; da consciência de estar em algum tempo para a
consciência de estar fora do tempo até à consciência de estar em todos os
tempos. (Observe a figura 11.6.)
FIGURA 11.6
Quando a sua consciência se funde com a consciência do
campo unificado e se projeta mais profundamente nele, irá
tornar-se a consciência de todos os corpos, de todos os
indivíduos, de todos os lugares, em todos os tempos. Neste
plano, não há separação entre dois pontos de consciência, o
que significa que só existe Unidade.
O átomo: factos e ficções
Para o ajudar a compreender como é construído o campo quântico,
primeiro tem de revisitar as possibilidades que existem no átomo. Quando
reduzimos a matéria à unidade de medida mais pequena, ficamos com o
átomo, e o átomo vibra a uma frequência muito elevada. Se pudéssemos
descascar o átomo como uma laranja, encontraríamos um núcleo e
partículas subatómicas como os protões, os neutrões e os eletrões, mas
sobretudo descobriríamos que é 99,999999999999 por cento espaço vazio,
ou energia, como leu antes.
Observe a figura 11.7. À esquerda tem o modelo clássico do átomo que
nos ensinaram na escola primária; trata-se, contudo, de um modelo
desatualizado. Na verdade, os eletrões não se movem em rotações fixas à
volta do núcleo como os planetas em órbita do Sol. Em vez disso, como se
vê à direita, o espaço que rodeia o núcleo é mais como um campo invisível,
ou uma nuvem de informação – e, como sabemos, toda a informação é
composta por luz, frequência e energia. Para ter uma ideia de como estas
partículas subatómicas são pequenas, se o núcleo de um átomo aumentasse
para o tamanho de um Volkswagen Carocha, o tamanho proporcional de um
eletrão seria igual ao de uma ervilha. Entretanto, o espaço onde o eletrão
poderia existir seria equivalente a 210 mil quilómetros quadrados – mais do
dobro do território de Portugal. É muito espaço vazio para o eletrão existir.

Cortesia de HeartMath® Institute


FIGURA 11.7
O modelo clássico do átomo, com eletrões em rotação à
volta de um núcleo central em órbita, está ultrapassado. Os
eletrões existem como ondas de probabilidades numa nuvem
invisível de energia à volta do núcleo. Portanto, o átomo é
sobretudo energia imaterial, e contém muito pouca matéria.
Segundo o princípio da incerteza de Heisenberg, nunca sabemos onde é
que o eletrão vai aparecer na nuvem de eletrões, e contudo do nada vem
algo. É por este motivo que a física quântica é tão excitante e tão
imprevisível: o eletrão não é sempre matéria física; em vez disso, existe
como a energia ou a probabilidade de uma onda. É apenas através do ato de
observação por um observador que ele aparece. Assim que um observador
(mente) aparece e procura por ele, o ato de observação (energia dirigida)
causa o colapso de toda a energia potencial para formar um eletrão
(matéria); o eletrão manifesta-se assim de um plano de possibilidades
infinitas (um desconhecido) para um conhecido. Torna-se local no espaço e
no tempo. Quando o observador já não o está a observar, o eletrão volta a
ser possibilidade – essa é a função de onda. Por outras palavras, volta a ser
energia, regressando ao desconhecido e à sua própria missão. Quando volta
a ser energia e possibilidade, torna-se não local. Na dimensão do quantum,
mente e matéria são indivisíveis. Portanto, se a física newtoniana é o mundo
do previsível, o quantum é o mundo do imprevisível.
Quando fechamos os olhos em meditação e abrimos o foco para o
espaço infinito, é exatamente isso que estamos a fazer. Dedicamos mais da
nossa atenção a energia, espaço, informação e possibilidade, em vez de a
matéria. Sempre que o fazemos, desenvolvemos um entendimento mais
profundo do que é o campo unificado.
Antes de avançarmos, vamos rever brevemente o que acabámos de
aprender. Passe uns instantes a rever a figura 11.8. O mundo tridimensional
newtoniano é composto de objetos, pessoas, locais, matéria, partículas e
tempo (essencialmente a maior parte dos substantivos, ou tudo o que
conhecemos no nosso mundo exterior), e neste mundo há mais espaço que
tempo. Como corpo, usamos os nossos sentidos para definir este espaço
infinito em que vivemos – um universo de forma, estrutura, dimensão e
densidade. Esta é a dimensão do conhecido e do previsível.
Uma vez que vivenciamos o mundo material com os nossos sentidos,
estes sentidos dão-nos a informação que se traduz como padrões no nosso
cérebro, que nós reconhecemos como estruturas, e é através deste processo
que as coisas no nosso ambiente exterior se tornam conhecidas. É também
através deste processo que nos tornamos um corpo, um indivíduo, com
algumas coisas, em algum lugar, e em algum tempo. Finalmente, porque
vivenciamos o universo com os nossos sentidos, sentimos separação; este é
portanto um plano de dualidade e polaridade.
Agora reveja a figura 11.9. Se o mundo newtoniano é um mundo
material definido pelos sentidos, no mundo quântico o contrário é que é
verdade. Este é um mundo imaterial definido pelo não-sentido; por outras
palavras, nada aqui tem base sensorial, e não há matéria. Enquanto o mundo
newtoniano se baseia em conhecidos previsíveis tais como matéria,
partículas, pessoas, lugares, coisas, objetos e tempo, esta é uma dimensão
imprevisível composta por luz, frequência, informação, vibração, energia e
consciência.
FIGURA 11.8
Resumo do espaço-tempo no nosso mundo newtoniano 3D
e da ponte que nos permite entrar como consciência no plano
temporal-espacial do nosso mundo quântico 5D.
FIGURA 11.9
Resumo da realidade espacial-temporal 5D do mundo
quântico.
Sendo o nosso mundo tridimensional um plano de matéria onde há mais
espaço que tempo, o mundo quântico é uma dimensão de antimatéria – um
lugar onde há mais tempo do que espaço. Como há mais tempo do que
espaço, todas as possibilidades existem no momento presente eterno.
Enquanto o mundo tridimensional é o nosso universo, isto é, uma realidade,
o mundo quântico é um multiverso, ou seja, muitas realidades. Se a
realidade espacial-temporal se baseia na separação, então o mundo quântico
imaterial, ou campo unificado, baseia-se na unificação, na interação, na
integridade e na unidade (não localidade).
Para irmos do nosso universo espacial-temporal (tridimensional) – um
universo composto de matéria onde vivemos dualidade e polaridade – para
o multiverso temporal-espacial desconhecido (multidimensional) – um sítio
onde não há matéria mas sim luz, informação, frequência, vibração, energia
e consciência – temos de atravessar uma ponte. Essa ponte é a velocidade
da luz. Quando nos tornamos pura consciência passamos a não ter corpo, a
não ser ninguém, a não ser nada, a não estar em lugar nenhum nem tempo
nenhum; estamos então a atravessar esse limiar de matéria para energia.
Quando Einstein introduziu a equação E=mc2 na sua teoria da
relatividade restrita, demonstrou de um ponto de vista matemático, pela
primeira vez na história da ciência, que a energia e a matéria estão
relacionadas. O que converte a matéria em energia é a velocidade da luz –
ou seja, qualquer objeto que viaje mais rapidamente do que a velocidade da
luz deixa a nossa realidade tridimensional para se transformar em energia
imaterial. Por outras palavras, é no mundo tridimensional que a velocidade
da luz é o limite para a matéria – ou para tudo o que seja físico – manter a
sua forma. Nenhuma “coisa” pode viajar mais depressa do que a velocidade
da luz, nem mesmo a informação. Tudo o que viaje de um ponto para outro,
que esteja a viajar mais lentamente do que a velocidade da luz, vai levar
tempo. Portanto, a quarta dimensão é o tempo. O tempo é o nexo que liga o
mundo tridimensional ao mundo pentadimensional, e mais além. Assim que
algo viaja mais depressa do que a velocidade da luz, não há tempo nem
separação entre dois pontos de consciência, porque cada “coisa” material se
transforma em energia. É aqui que se passa de três para cinco dimensões, de
um universo para o multiverso, desta dimensão para todas as dimensões.
Deixe-me dar-lhe um exemplo para ajudar a simplificar esta ideia
complexa. Alain Aspect, um físico francês, fez uma famosa experiência de
física quântica no início da década de 1980, a que chamou as experiências
dos testes de Bell55. Neste estudo, os cientistas cruzavam dois fotões,
fazendo com que se unissem. Depois disparavam os dois fotões em direções
opostas, criando distância e espaço entre eles. Quando influenciavam um
fotão a desaparecer, o outro fotão desaparecia exatamente ao mesmo tempo.
Esta experiência foi muito importante no avanço da física quântica, porque
demonstrou que a teoria da relatividade de Einstein não estava
completamente correta.
O que ela mostrou foi que há um campo unificador de informação, que
existe para lá do espaço tridimensional e do tempo, que liga toda a matéria.
Se as duas partículas de luz não estivessem ligadas por algum campo
invisível de energia, teria sido necessário tempo para que a informação
viajasse de um ponto local no espaço para outro ponto local no espaço.
Segundo a teoria de Einstein, se uma partícula desaparecesse, a outra
partícula iria desaparecer um momento mais tarde – a menos que
estivessem a ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Mesmo que o
segundo fotão tivesse sido atingido um milissegundo mais tarde, porque
estavam separados por espaço, o tempo teria desempenhado um papel na
transmissão da informação. Isto teria reafirmado que o limite desta
realidade física é a velocidade da luz, e tudo o que nela existe de material
está separado.
Porque as duas partículas desapareceram exatamente ao mesmo tempo,
ficou provado que toda a matéria – corpos, pessoas, coisas, objetos, lugares,
e até o tempo estão ligados por frequência e informação num plano para lá
da realidade tridimensional e do tempo. Cada “coisa” para lá do material
está unificada num campo singular. A informação foi comunicado entre
estes dois fotões de forma não local. Uma vez que não há separação entre
dois pontos de consciência na realidade pentadimensional, não há tempo
linear. Há só todo(s) o(s) tempo(s).
O físico quântico místico David Bohm descreveu o plano do quantum
como a ordem implícita onde tudo está ligado. A ordem explícita é o plano
material da separação56. Se observar novamente as figuras 11.8 e 11.9, elas
podem ajudá-lo a compreender os dois mundos.
Quando desvia a sua atenção de ser um corpo, uma identidade, uma
coisa, num local, num tempo, e passa a ser sem corpo, ninguém, nada, em
nenhures e fora do tempo, torna-se pura consciência. A sua consciência
funde-se com o campo unificado – que é feito apenas de consciência e
energia – e liga-se à consciência auto-organizadora de todos, de tudo, por
todos os sítios, em todos os tempos. Assim, ao entregar-se como uma
consciência (sem os seus sentidos) a este campo de unidade onde não há
separação, e se continuar a avançar mais para o vazio ou para a escuridão,
porque nada de físico existe lá, a sua consciência torna-se menos separada
da consciência do campo unificado. Se continuar a tornar-se mais
consciente e ciente do campo unificado e se continuar a prestar-lhe atenção,
estará a investir nele a sua energia e a dirigir diretamente para ele a sua
atenção. Assim, ao continuar a mover-se para o campo, irá sentir menos
separação e mais integridade.
Finalmente, visto que só o momento presente eterno existe no campo
unificado, porque não há tempo linear (só há todos os tempos), a
consciência e a energia do campo unificado que observa toda a matéria está
sempre no momento presente eterno. Por isso, para se poder ligar a ela e
unificar-se com ela, terá de estar completamente no momento presente. Se
voltar a olhar para a figura 11.10, ela mostra como fazer a sua separação e a
sua consciência individual viverem a unidade e a integridade do campo
unificado.
Um último ponto sobre a velocidade da luz. Neste domínio do mundo
material, a luz visível é uma frequência com base na polaridade (eletrões,
positrões, fotões, e por aí fora). Se avançar umas páginas e olhar para a
figura 11.11, que está à escala, a divisão da luz tem lugar aproximadamente
a um terço do caminho da frequência mais lenta. Acima desta onda ou
frequência, a matéria passa de forma a energia e singularidade, e abaixo
dessa frequência estão a divisão e a polaridade. Quando tem lugar a divisão
da luz, aparecem fotões, eletrões e positrões, porque o campo de luz visível
detém o modelo de informação da matéria enquanto frequência organizada
em padrões de luz. Foi nesta divisão de luz que ocorreu o big-bang – onde a
singularidade passou a dualidade e polaridade, e onde o universo acabaria
por aparecer como informação organizada e matéria. Por isso é que o vazio
é uma escuridão eterna: não há luz visível.57
FIGURA 11.10
Quanto mais vivermos com a nossa atenção virada para o
mundo exterior, vivendo como o mesmo corpo, sendo um
indivíduo, dono de alguma coisa, a viver em algum lugar, em
algum tempo na nossa realidade 3D, mais iremos sentir
separação e lacuna. Ao passarmos a nossa atenção para
longe do mundo exterior e para dentro do mundo interior, para
o momento presente, a nossa consciência alinha-se com a sua
consciência; estamos então presentes com ela. Ao
entregarmo-nos mais profundamente ao campo unificado como
uma consciência, sentimos menos separação ou lacuna e mais
unidade e integridade. Se não há separação entre dois pontos
de consciência, então não há espaço nem tempo mas sim
todo(s) o(s) espaço(s) e todo(s) o(s) tempo(s). Assim, quanto
mais íntegros nos sentirmos e menos lacunas vivermos, mais
nos parecerá como se o nosso futuro já tivesse acontecido. Já
não estamos a criar a partir da dualidade mas sim da unidade.
Porque a matéria vibra a uma frequência muito lenta, não é possível
entrar na dimensão temporal-espacial ou no campo unificado enquanto
corpo ou matéria, por isso é preciso deixar de ter corpo. Não pode levar a
sua identidade, portanto terá de se tornar ninguém. Não pode levar coisas,
portanto tem de ser nada. Não pode estar num lugar, portanto vai ter de ir
para nenhures. Finalmente, se estiver a viver segundo um passado que lhe é
familiar ou um futuro previsível, onde o tempo parece linear, para chegar ao
lugar do tempo-espaço terá de viver fora do tempo. Como o fazer? Tem de
manter a sua atenção focada no campo unificado – não com os seus
sentidos, mas com a sua consciência. Ao alterar a sua consciência, elevará a
sua energia. Quanto mais ciente estiver deste campo unificado, mais irá
afastar-se da separação da matéria, mais irá aproximar-se da unidade.
Agora está no quantum ou campo unificado. Esta é a dimensão da
informação que liga todos os corpos, todos os indivíduos, todas as coisas,
todos os lugares, todos os tempos.
O campo unificado: ser cada corpo, cada indivíduo,
cada coisa, cada lugar, em cada tempo
A matéria é muito densa e, devido à sua densidade, vibra à frequência
mais lenta do universo. Na figura 11.11 pode ver que, ao elevar a frequência
da matéria acelerando-a cada vez mais, a matéria desmaterializa-se e
converte-se em energia. Em certo ponto, um pouco para lá do espectro de
luz visível – para lá do plano da dualidade e da polaridade – qualquer
informação sobre a matéria converte-se numa energia mais unificada. Como
pode ver, quanto mais elevada for a frequência, mais ordeira e coerente se
torna essa energia. A este nível de frequência e energia, a dualidade e a
polaridade unem-se, convergindo para a unidade. Chamamos a isto amor,
ou integridade, porque deixa de haver divisões ou separações. É onde se
juntam o positivo e o negativo; onde se unem o masculino e o feminino;
onde o passado e o futuro se fundem; onde o bem e o mal deixam de existir;
onde o certo e o errado já não têm significado; onde os opostos se unificam.
FIGURA 11.11
Tudo parte de um pensamento consciente. Quando o
pensamento consciente abranda em frequência, também
abranda em energia até acabar por ganhar forma e se tornar
matéria.
À frequência da velocidade da luz, o padrão de toda a
matéria reflete-se como um modelo para se tornar estrutura. É
à velocidade da luz que a energia se divide em polaridade ou
dualidade e eletrões e positrões, etc. são criados. Acima da
velocidade da luz, há graus ainda maiores de ordem que se
refletem em graus mais elevados de integridade.
Viajando como consciência para lá da matéria e para lá de
nós, virando a nossa atenção para dentro, na direção do
campo unificado, atravessamos o plano da luz visível e
deixamos de ter corpo, não somos ninguém, nada, em
nenhures, fora do tempo. É neste plano que vivemos como
uma consciência de outras dimensões, outras realidades e
outras possibilidades. Visto que a frequência transporta
informação e que há frequências infinitas no quantum,
podemos viver outros planos que lá existam.
Se olhar para as setas que se movem da matéria para o
campo unificado – a linha reta de cima – que representa todas
as possibilidades, verá que é preciso viajar através das
frequências inferiores entre a matéria e a luz, que são níveis
diferentes de pensamentos e emoções. Olhe para os vários
níveis de consciência que terá de atravessar para chegar à
unidade, e compreenderá o motivo pelo qual a maior parte das
pessoas nunca chega a fazer esta viagem.
Continuando a subir esta escala, afastando-se da matéria e da separação,
irá sentir níveis cada vez mais elevados de integridade, ordem e amor. Essa
energia mais coerente e ordenada transporta informação, e essa informação
é cada vez mais amor. Se continuar a acelerar a matéria cada vez mais, ela
acabará por estar a vibrar tão rapidamente enquanto frequência que existirá
como uma linha reta. Nessa linha existem frequências infinitas, o que
significa também possibilidades infinitas. Este é o campo de ponto zero, ou
ponto de singularidade do quantum – um campo de informação
omnipresente e ubíquo que existe como energia e frequência, e que observa
toda a realidade, ordenando-a a partir de um único ponto.
Podemos chamar a isto a mente de Deus, a consciência unificada, a
fonte de energia, ou qualquer nomenclatura que queira usar para definir o
princípio auto-organizador do universo. É aqui que todos os potenciais ou
possibilidades existem como pensamento – a fonte máxima de uma
inteligência que ama e de um amor inteligente que observa toda esta
realidade física até ela se converter em forma. Portanto:
Quanto maior a frequência que vivermos, maior a energia;
Quanto maior a energia, maior a informação a que temos acesso;
Quanto maior a informação, maior a consciência;
Quanto maior a consciência, maior a mente;
Quanto maior a mente, mais capacidade temos de influenciar a
matéria.
Na hierarquia das leis universais, as leis quânticas superam as
newtonianas (ou clássicas). Por isso é que Einstein disse: “O campo é o
único agente capaz de organizar a partícula.” O campo quântico dirige,
organiza e unifica todas as leis da natureza e está sempre a dirigir energia
para a ordem, ordenando a luz em padrões até ter forma. No nosso planeta,
basta-nos olhar para a natureza para ver como a matéria é ordenada pela
sequência de Fibonacci, também conhecida como o número de ouro (uma
fórmula matemática recorrente encontrada por todo o lado na natureza, e
que traz ordem e coerência). É o campo de ponto zero constituído por
possibilidades ou pensamentos (porque os pensamentos são possibilidades)
que abranda a sua frequência, criando ordem e forma.
O campo unificado é uma inteligência auto-organizadora que observa
constantemente o mundo material de forma a que este ganhe ordem e
forma. Quanto mais se entregar a ele, mais se aproximar dele, mais se unir a
ele, menos separação e lacuna sentirá, e assim mais integridade e unidade
irá viver. Quando a sua consciência se projetar neste plano infinito de
possibilidades, começará a sentir-se ligado à consciência de cada corpo,
cada indivíduo, cada lugar, cada coisa, em cada tempo – incluindo os seus
sonhos futuros. Visto que a consciência é prestar atenção, o primeiro passo
para sentir o campo unificado é estar ciente dele, porque se não estiver, ele
não existe. Assim, quanto mais atenção prestar a este campo, mais
consciência terá dele.
Há contudo um senão. Como vimos, a única forma de entrar no plano da
pura consciência é ser pura consciência; por outras palavras, a única forma
de entrar neste reino do pensamento é como um pensamento. Isto significa
ter de ir para lá dos seus sentidos, desviando a sua consciência da matéria e
das partículas; em vez disso, tem de a virar para a energia ou para a onda.
Se conseguir projetar-se sobre essa dimensão invisível e imaterial de
escuridão infinita e ficar ciente de ser uma consciência na presença de uma
entidade superior, a sua consciência irá fundir-se com uma consciência
maior.
Se for capaz de o fazer, se conseguir não ser um obstáculo e manter-se
como consciência neste campo, se continuar a entregar-se a este amor
inteligente (a mesma inteligência inata que está a criar o universo e a dar-
lhe vida), ela vai consumi-lo. Esta inteligência de amor é tanto pessoal
como universal, dentro de si e à sua volta, e quando o consumir irá criar e
restaurar ordem e equilíbrio na sua biologia, porque a natureza desta
inteligência é precisamente organizar a matéria de uma forma mais
coerente. Agora está a passar pelo buraco da agulha, e do outro lado já não
há a separação de dois pontos de consciência. Há uma consciência – ou
unidade. É aqui que residem todas as possibilidades.
Porque está a entrar no domínio da consciência, do pensamento, da
informação, da energia e da frequência, a ponte que o leva do espaço-tempo
ao tempo-espaço vai entre ser um corpo, um indivíduo, uma coisa, um
lugar, em algum tempo, para não ter corpo, não ser ninguém, não ter coisa
nenhuma, não estar em lugar nenhum, estando fora do tempo. Este é o nexo
– o limiar para o campo unificado ou quântico (volte atrás e reveja as
figuras 11.8 e 11.9).
Nesta dimensão de possibilidades desconhecidas infinitas, novas
experiências e novos potenciais ilimitados aguardam-no – não são apenas
os do costume, que já viveu vezes sem conta. Afinal de contas, não é isso
que significa ser desconhecido? O desconhecido é apenas uma possibilidade
que existe para si enquanto novo pensamento. Quando se encontra nesta
dimensão de puro pensamento como um pensamento, a única coisa que o
limita é a sua imaginação. Mas quando, nesta dimensão do pensamento, der
consigo outra vez a pensar em alguém, alguma coisa, algum corpo, algum
lugar em algum tempo conhecido, a sua consciência (e portanto a sua
energia) está de regresso à realidade conhecida do espaço e do tempo
tridimensionais – de regresso ao plano da separação.
Visto que cada um dos seus pensamentos tem uma frequência, assim
que começar a pensar na dor no seu corpo, ou na progressão da sua doença,
ou nos problemas no trabalho, ou nas desavenças com a sua mãe, ou nas
coisas que tem de fazer num determinado tempo, estará de regresso a este
tempo e a este espaço. A sua consciência regressa ao plano do mundo
material, e os seus pensamentos produzem uma frequência correspondente à
matéria e às partículas (reveja a figura 11.10). A sua energia volta a vibrar
ao mesmo nível do mundo físico conhecido de uma realidade
tridimensional, e portanto irá exercer menos efeito sobre a sua realidade
pessoal. Voltará a vibrar como matéria, e já sabemos como isso é.
Com a sua frequência a avançar cada vez mais para a densidade, irá
mover-se cada vez mais para longe do campo unificado; em consequência
disso, vai sentir-se separado dele. Neste cenário, se os seus sonhos existirem
como pensamentos no campo unificado, será preciso muito tempo até que
os seus sonhos se convertam em realidade.
Se está a pensar em algum corpo, algum indivíduo, alguma coisa, algum
sítio, algum tempo, não está a ultrapassar completamente a sua identidade,
que foi completamente moldada pela totalidade das suas experiências
passadas. Está literalmente nas mesmas memórias, nos mesmos
pensamentos do costume, nas emoções condicionadas que associou a todas
as pessoas e coisas que lhe são familiares, em determinados sítios e tempos
da sua realidade conhecida – o que significa que a sua atenção e a sua
energia estão ligadas à sua realidade pessoal do passado-presente. Está a
pensar de forma correspondente à sua identidade, e por isso a sua vida vai
continuar igual. Será a mesma personalidade a criar uma nova realidade
pessoal.
Quando digo que tem de ir para lá de si próprio, isto significa esquecer a
sua identidade – desviar a atenção da sua personalidade e da sua realidade
pessoal do passado. Portanto, faz sentido que, para curar o seu corpo, tenha
de ir para lá do seu corpo. Para criar algo de novo na sua vida, terá de
esquecer a sua vida antiga. Para alterar algum problema no seu ambiente
exterior, terá de ir para lá da sua memória e das emoções correspondentes
associadas a esse problema. E se quiser criar um novo evento inesperado no
seu cronograma futuro, terá de parar de inconscientemente antecipar o
mesmo futuro previsível com base nas suas memórias rotineiras do passado.
Terá de passar para um nível mais elevado de consciência que a consciência
criada em qualquer dessas realidades.
No campo unificado não há sítio para onde ir porque estamos em todo o
lado; não há coisa para desejar porque somos tão íntegros e completos que
sentimos ter tudo; não podemos julgar ninguém porque somos todos; e já
não é necessário sermos um corpo porque somos todos os corpos. E para
quê ter o receio de não haver tempo que chegue se estivermos num domínio
onde o tempo é infinito?
Quanto mais íntegro se sentir, menos lacunas viverá, e portanto menos
desejos terá. Como poderá ter desejos, ou viver com lacunas, quando se
sente íntegro? Se houver menos lacunas, há menos necessidade de criar a
partir da dualidade, da polaridade e da separação. Como pode ter desejos
quando se sente inteiro? Ao criar a partir da integridade, vai sentir-se como
se já tivesse o que deseja. Não há mais necessidades, não há mais tentativas,
não há mais desejos, não é preciso forçar, prever, lutar ou ter esperanças –
afinal de contas, a esperança engana. Ao criar a partir de um estado de
integridade, já só há conhecimento e observação. Este é o ponto
fundamental para manifestar realidade: estar ligado e não separado.
Se o tempo, no seu mundo tridimensional, é criado pela ilusão de
espaço entre dois objetos ou dois pontos de consciência, então, quanto mais
unido estiver ao campo unificado, menos separação haverá entre si e tudo o
que é material. Quando a sua consciência se funde ou se torna mais ligada
ao campo unificado – à dimensão da integridade e da unidade – deixa de
haver separação entre dois pontos de consciência. Esta integridade reflete-
se então na sua biologia, na sua química, nos seus circuitos, hormonas,
genes, coração e cérebro, assim restaurando o equilíbrio a todo o seu
sistema. Uma frequência ou energia mais elevada move-se agora pelo seu
sistema nervoso autónomo – um sistema que continuamente lhe dá vida, e
cuja missão é criar equilíbrio e ordem. Esta energia transporta uma
mensagem de integridade, e o resultado é tornar-se mais sagrado. Quanto
mais elevada for a frequência que viver, menos tempo levará a projetar-se
nesta realidade espacial-temporal tridimensional.
Como aprendemos no início deste capítulo, ao reduzir o espaço entre
dois pontos de consciência, fazemos com que o tempo entre em colapso.
Quando esta ilusão de separação deixa de existir, apercebe-se de que há
menos espaço entre si (uma entidade, que vive num corpo, num ambiente
físico, num tempo linear) e outras pessoas, outros objetos, lugares, matéria,
e até dos seus sonhos. Assim, quanto mais se aproximar do campo
unificado, mais ligado se irá sentir a cada coisa, a todas as coisas.
Enquanto consciência, está num plano de unidade e, como não há
separação, o tempo é eterno. Lembre-se: quando há tempo infinito, há um
número infinito de espaços, de dimensões possíveis e de realidades a viver.
Quem “pensa” que é, ou o que “pensa” que é – é isso que você é. Na
verdade, não há nada a criar, porque já tudo existe como pensamento no
domínio de todos os pensamentos. E tudo o que tem de fazer é tornar-se
ciente dele, e observá-lo até ele existir, vivendo-o.
Espreite a figura 11.12 para acompanhar o que se segue. Ao fazer isto e
ao transferir a sua atenção de ser um corpo para não ser corpo nenhum, para
passar a ser todos os corpos, poderá criar qualquer corpo. Ao deixar de
viver como um indivíduo para ser ninguém, para ser todos os indivíduos,
pode tornar-se qualquer indivíduo. Se desviar a sua atenção de uma coisa,
passar para a dimensão do nada, fundir-se com todas as coisas, poderá ter
qualquer coisa. Ao transferir a sua consciência de algures para nenhures,
estará em todo o lado, e poderá viver em qualquer lado. E finalmente, ao
mover a sua consciência de um tempo para fora do tempo, para ser todos os
tempos, poderá estar em qualquer tempo.

FIGURA 11.12
Assim que nos tornamos na consciência de todos os
corpos, todos os indivíduos, todas as coisas, todos os lugares,
em todos os tempos... De um ponto de visto teórico, podemos
criar qualquer corpo, podemos ser qualquer indivíduo, ter
qualquer coisa, viver em qualquer sítio e estar em qualquer
tempo.
Ora isto é ser sobre-humano.
No trabalho que faço à volta do mundo, tenho-me esforçado ao longo de
todos estes anos por ensinar aos nossos estudantes como podem ir para lá de
si próprios. Sei agora que o primeiro passo neste processo é que eles
aprendam a dominar o corpo, a ir para lá das condições no seu ambiente
externo, e transcendam o tempo. Quando o conseguirem, irão encontrar-se à
beira de vivenciar o campo unificado. E assim que chegam a este nexo,
contudo, é preciso ensinar-lhes que há ainda mais para vivenciar.
Se aprender significa fazer novas ligações sinápticas, quanto mais
aprender sobre alguma coisa, mais a irá apreciar, mais consciência terá dela,
e irá vivê-la porque então pode abordá-la com um novo conjunto de redes
neuronais. É através do ato de aprender que se altera ou enriquece a
experiência, afinal de contas – se não aprender nada de novo, a sua
experiência irá provavelmente ficar na mesma, visto que irá captar a
realidade através dos mesmos circuitos neuronais que antes. O
conhecimento é o catalisador que faz evoluir a sua experiência.
Por exemplo, adoro vinho tinto e organizo todos os anos várias viagens
às regiões vinícolas de várias partes do mundo. Muitos dos que participam
nestes eventos de uma semana começam por me dizer que não “sabem”
nada de vinho. Como eu traduzo esta afirmação, é porque, provavelmente,
nunca aprenderam nada sobre a fermentação das uvas, ou tiveram pouca
exposição a elas. A verdade é que, porque tinham conhecimento limitado e
pouca experiência do seu passado, tinham um hardware neuronal muito
escasso para distinguir verdadeiramente sabores e nuances. Podemos então
dizer que ainda não sabiam o que haviam de procurar para poderem de facto
desfrutar da experiência.
Mas, e se aprenderem como se produz o vinho e compreenderem a sua
história, se souberem que tipo de uvas são usadas e como são escolhidas?
Então, irão saber por que razão o vinho é armazenado em barris de madeira
de carvalho, por quanto tempo e porquê. Assim ficariam familiarizados com
todo o processo e com a lógica do que faz determinado vinho ser tão
agradável.
É esse o processo, mas agora pense nesse excelente vinho na garrafa. Se
não estiverem familiarizados com o aroma a ameixas, o toque da cereja
preta e da groselha, a sugestão da baunilha e do couro, o perfume frutado, o
tipo e a percentagem de tanino; se o vinho foi envelhecido em barris de
carvalho ou em contentores de aço inoxidável, e por quanto tempo, não
saberão dizer quais os pormenores importantes, na verdade, não serão
capazes de saborear o vinho. Só no momento em que souberem o que
devem procurar, ao que devem prestar atenção, é que isso é possível.
Podemos então dizer que a sua consciência altera a experiência.
Sei que é assim porque, em apenas uma semana, essas mesmas pessoas
que inicialmente diziam não gostar de vinho tinto ou não saber nada sobre o
assunto, vão-se embora com toda uma nova experiência de interagir com o
vinho. Após alguns dias a aprender e a saber pelo que procurar – e
repetidamente ficar presente e focar toda a sua consciência em sabores e
aromas específicos, provando todo o tipo de vinhos, dia após dia, e
decidindo de qual deles gostam mais, prestando sempre atenção e portanto
ativando, ligando e montando novas ligações neuronais – estas pessoas
ganharam ideias muito específicas sobre os vinhos de que gostam. Numa
semana, conquistaram um novo nível de entendimento, perceção e
compreensão. Novamente, a experiência transformou-as. O mesmo é
verdade em termos do campo unificado. Se não estiver ciente de que ele
existe, então o campo unificado não existe para si. Contudo, quanto mais
souber sobre ele e quanto mais ciente estiver do que tem de procurar, mais
atenção poderá prestar-lhe com a sua perceção e mais profundamente
poderá vivê-lo. E isso deverá transformá-lo.
Desde que nascemos que somos treinados para manter a nossa atenção
na matéria e não na energia. Somos condicionados a acreditar que
necessitamos dos nossos sentidos para a perceção da realidade; por outras
palavras, se não o conseguirmos ver, ouvir, cheirar, tocar ou provar, não
existe. Por causa disto, a maioria das pessoas dedica a maior parte da sua
atenção à matéria, aos objetos e às partículas, e dedica muito pouco tempo a
prestar atenção à energia, à informação e à onda. Por exemplo, não temos
consciência do dedo grande do pé esquerdo até lhe prestar atenção. O dedo
sempre existiu para si, mas não estava ciente dele. Logo que lhe dedica
atenção, ele passa a existir. O mesmo é verdade para o campo unificado.
Quanto mais se aperceber dele, mais ele irá existir na sua realidade. A onda
é isso mesmo – uma energia da possibilidade. Quanto mais atenção lhe
prestar, mais possibilidades irão aparecer na sua vida.
Porque a sua energia vai para onde dirigir a sua atenção, assim que
ganhar consciência do campo unificado, a sua atenção sobre ele faz com
que se expanda. Por exemplo, se dedicar a sua atenção e a sua consciência à
dor, ela expande-se, porque a sente mais. Se continuar a servir a dor e a
senti-la cada vez mais, ela torna-se parte da sua vida. O mesmo ocorre com
o campo unificado; quando lhe dedica a sua atenção, e se torna mais
consciente dele, ele expande-se. E, tal como eu disse sobre a dor, quando o
sente mais, ele existe como parte da sua vida.
Só por dedicar a sua atenção ao campo unificado – tornando-se ciente
dele, reparando nele, vivendo-o, sentindo-o, interagindo com ele, ficando
presente com ele um momento após o outro – ele aparece e projeta-se na
sua realidade quotidianamente. Como é que aparece e se projeta? Como
desconhecido: situações fortuitas, sincronias, oportunidades, coincidências,
sorte, estar no sítio certo na altura certa, e momentos repletos de espanto.
A melhor descrição que eu consigo fazer, com base no que sei, é que
este campo unificado é uma inteligência de amor, e um amor inteligente que
está dentro de si e à sua volta, de forma que, cada vez que foca nele a sua
atenção, está a ganhar consciência da presença do divino dentro de si e à
sua volta. Ao dedicar-lhe a sua atenção, o divino deverá aparecer mais na
sua vida. Uma vez que a consciência é a perceção e a perceção é prestar
atenção, quando está ciente de alguma coisa e lhe presta atenção, começa a
fundir-se com ela. A sua experiência dela vai literalmente fazer com que se
transforme nela, e ao projetar-se cada vez mais fundo neste campo
unificado, haverá cada vez mais para explorar e viver.
Se voltar a olhar para a figura 11.11, ao aproximar-se cada vez mais da
linha reta que representa a Fonte de energia ou unidade, faz sentido que a
única forma de se aproximar seja mantendo nela a sua atenção, tornando-se
mais consciente dela. Se o fizer corretamente, ao viajar para longe da
dualidade ou da separação e para a unidade e para a unificação, uma vez
que os sentimentos são o produto da experiência, deverá sentir cada vez
mais níveis de amor, unidade e integridade. Assim que sentir e viver mais
este amor inteligente, acontecerão três coisas na sua vida.
A primeira é que, ao dedicar a sua atenção e consciência ao campo
unificado, ao aproximar-se da Fonte, irá viver mais dela. Essa viagem vai
sulcar um caminho neurológico do seu cérebro pensante diretamente para o
seu sistema nervoso autónomo. Depois, cada vez que se aventurar mais
profundamente, ao abrandar as suas ondas cerebrais estará a construir uma
autoestrada neurológica com mais faixas, e esse caminho torna-se mais
consistente porque o está a usar mais vezes. Com o passar do tempo, isso
permite-lhe fundir-se mais facilmente com o campo unificado.
A segunda coisa que irá acontecer-lhe é que, uma vez que a experiência
enriquece o cérebro, cada vez que interagir com este campo unificado e o
viver, o seu cérebro vai-se alterar. É isto que faz a experiência; enriquece e
refina os circuitos do cérebro. Então estará a instalar no seu cérebro o
hardware para ter mais consciência deste campo da próxima vez que se
fundir com ele. Da mesma forma, visto que a experiência produz uma
emoção, ao sentir o campo unificado, irá começar a acolhê-lo; assim irá
incorporar mais do divino.
Segundo o modelo quântico da realidade, sabendo-se que toda a doença
é uma redução e uma incoerência da frequência, assim que o corpo vive
esta nova frequência coerente elevada, a energia desse evento eleva a
vibração do corpo para a coerência e para a ordem. Muitas vezes, nos
nossos seminários avançados pelo mundo, quando os corpos dos nossos
estudantes são melhorados por uma nova frequência e por uma nova
informação, testemunhamos mudanças instantâneas na saúde deles.
Sendo que a missão do sistema nervoso autónomo é criar equilíbrio e
saúde, no momento em que o deixamos cumprir essa missão, deixamos de
analisar e de pensar e nos entregamos, essa inteligência intervém e cria
ordem. Mas desta vez transporta uma nova mensagem, mais auto-
organizadora, com uma frequência superior do campo unificado. Esta
mesma energia coerente eleva a frequência da matéria. É como alterar a
frequência no rádio, de uma estação cheia de estática (ruído) para outra com
um sinal claro. O corpo recebe um sinal mais coerente.
Quando isso acontecer, sentirá um amor intenso, uma alegria profunda
pela existência, um sentido elevado de liberdade, uma alegria indescritível,
espanto pela vida, níveis elevados de gratidão, e um sentido humilde de
verdadeira força. Nesse momento, a energia do campo unificado – sob a
forma de emoção – está a recondicionar o seu corpo a uma nova
consciência e a uma nova mente. Num instante, as emoções elevadas
sinalizam novos genes de novas formas, transformando o seu corpo e
movendo-o para fora do seu passado biológico.
A terceira coisa que irá acontecer é que ao mover-se para perto do
campo unificado, começa a ouvir ou a sentir conhecimento e informação de
outra forma. Isso porque alterou os circuitos do seu cérebro e já não é a
mesma pessoa. Irá encontrar a verdade a um nível completamente novo, e
as coisas que julgava saber vão parecer-lhe também novas. A sua
experiência interior transformou a sua perceção do que está a acontecer no
seu mundo exterior. Por outras palavras, acordou-o.
Assim que tiver uma experiência, um sentimento ou um melhor
entendimento do campo unificado – assim que ele alterar os circuitos do seu
cérebro –, isso irá permitir-lhe viver e sentir a realidade de novas formas.
Na verdade, irá ver um espectro da vida para o qual o seu cérebro
anteriormente não estava equipado. Da próxima vez que o seu cérebro
ativar essas redes, já terá o equipamento necessário para viver ainda mais da
realidade. Depois, irá captar mais de uma realidade que sempre existiu;
faltavam-lhe apenas os circuitos para a captar.
Se conseguir fazer esta viagem e ligar-se à Fonte (observe novamente a
figura 11.11) de forma consistente, assim que verdadeiramente interagir
com ela, irá portar-se mais como ela. A natureza da Fonte vai tornar-se a
sua natureza, e então mais amor inteligente está a ser expresso através de si.
Quais são as suas qualidades inatas? Irá tornar-se mais paciente, mais capaz
de perdoar, mais presente, mais consciente, mais perspicaz, mais
determinado, mais altruísta, mais terno e mais atento, para mencionar só
algumas dessas qualidades. Irá compreender que aquilo de que andou à
procura andava à procura de si. Vai transformar-se nessa natureza, e essa
natureza vai transformar-se em si.
A disciplina é, portanto:
Permitir à sua consciência fundir-se com uma consciência
superior;
Render-se mais profundamente ao amor inteligente;
Confiar no desconhecido;
Entregar continuamente algum aspeto da identidade limitada para
se juntar à identidade superior;
Perder-se em nada para se tornar em tudo;
Descontrair-se num mar profundo infinito de energia coerente;
Continuar a projetar-se cada vez mais profundamente para a
unidade;
Continuamente prescindir de controlo;
Sentir cada vez mais a integridade, e finalmente:
Como uma consciência, tornar-se mais ciente a cada momento,
prestar atenção, viver, estar presente com este campo unificado à
sua volta e senti-lo cada vez mais – sem devolver a sua
consciência à realidade tridimensional.
Se fizer isto como deve ser, não irá usar nenhum dos seus sentidos, pois
estará para lá dos seus sentidos. Será simplesmente uma consciência.
Meditação espacial-temporal, temporal-espacial
Comece por apoiar a sua consciência no seu coração, e assim que
estiver fixado na dimensão que o coração ocupa no espaço, aperceba-se da
sua respiração. Permita-lhe fluir para dentro e para fora do seu coração,
sempre aprofundando e descontraindo a sua respiração. Mantenha a sua
atenção no coração, evoque uma emoção elevada e sustenha esse
sentimento por algum tempo, sempre prestando atenção à respiração. Irradie
essa energia para lá do seu corpo no espaço.
Depois, recorrendo a uma canção que o inspire (como a que usou para a
meditação no capítulo 5), faça essa meditação para tirar a mente do corpo.
Tire toda a energia armazenada no seu corpo como emoções de
sobrevivência e liberta-a para emoções elevadas, usando um nível de
intensidade superior ao do corpo enquanto mente.
Durante os 10 ou 15 minutos seguintes, ouça uma ou duas canções (sem
letra) que induzam um transe. Depois transforme-se em pura consciência,
convertendo-se em ninguém, nenhum corpo, nada, nenhures, fora do tempo,
projetando-se como uma consciência no campo unificado.
Está agora na altura de se ligar à consciência de todos os indivíduos,
todos os corpos, todas as coisas, todos os lugares, em todos os tempos,
unificando-se com uma consciência superior no campo unificado. Basta-lhe
ter consciência deste campo, prestar-lhe atenção, ficar presente com ele, e
senti-lo momento a momento. Irá começar a sentir mais integridade e
unidade, que se refletirá na sua biologia, porque o seu corpo está a viver
uma energia mais coerente a mover-se por ele, e assim criará o seu campo
energético. Mantenha este estado entre 10 a 20 minutos, entregando-se cada
vez mais profundamente a ele. Quando acabar, traga a sua consciência de
volta a um novo corpo, um novo ambiente, e a um tempo inteiramente
novo.
55 A. Aspect, P. Grangier, e G Roger, “Experimental Realization of
Einstein-Podolsky-Rosen-Bohm Gedankenexperiment: A New Violation of
Bell’s Inequalities.” Physical Review Letters, vol. 49, n.o 2 (1982): pp. 91-
94; A. Aspect, J. Dalibard, e G. Roger, “Experimental Test of Bell’s
Inequalities Using Time-Varying Analyzers.” Physical Review Letters, vol.
49, n.o 25 (9182): pp. 1804-1807; A. Aspect, “Quantum Mechanics: To Be
or Not to Be Local”, Nature, vol. 446, n.o 7138 (19 de abril de 2007): pp.
866-867.
56 D. Bohm, Wholeness and the Implicate Order volume 135 (Nova
Iorque: Routledge, 2002).
57 I. Bentov, À Espreita do Pêndulo Cósmico: A Mecânica da
Consciência (São Paulo: Cultrix, 2006); Ramtha, A Beginner’s Guide to
Creating Reality (Yelm: JZK Publishing, 2005).
CAPÍTULO 12

A GLÂNDULA PINEAL
Como agora já sabe, quando nos movemos enquanto consciência para lá
do mundo dos sentidos nesta realidade tridimensional, podemos aceder a
frequências que transportam informação específica para além da vibração
da matéria e da velocidade da luz. Quando isto acontece, o cérebro processa
uma amplitude extremamente elevada de energia. Medimos e observámos
este fenómeno repetidamente nos exames cerebrais aos nossos estudantes
avançados. Também já aprendeu que, quando há um aumento de energia no
cérebro, haverá sempre um aumento de consciência e perceção – e vice-
versa. Na realidade, é muito difícil determinar se é a energia ou o nível de
consciência que provoca estas leituras extremas. Mas não creio que se possa
separar as duas, porque não pode haver uma mudança de energia sem uma
mudança de consciência, ou uma mudança de frequência sem uma mudança
de informação.
Ao ligar-se aos níveis mais profundos do campo unificado, o cérebro
ativa-se através de uma energia superior que transporta informação
específica sob a forma de pensamentos e imagens. O cérebro segue e regista
este evento interior profundo e, para a pessoa que está a passar pela
experiência, o que lhe está a acontecer na mente parece mais real do que
qualquer acontecimento externo. Nesse momento, a energia reforçada sob a
forma de uma emoção profundamente poderosa capta toda a atenção da
mente. É nesse instante que o cérebro e o corpo processam uma evolução
biológica.
Se uma pessoa pode estar sentada numa cadeira de olhos fechados
durante a meditação e ter uma experiência sensorial significativamente
elevada sem usar os seus sentidos, põe-se a questão: Que está a acontecer
no cérebro para explicar este feito sobre-humano? Para a pessoa que está a
passar pela experiência, apesar de estar imóvel, o evento parece-lhe mais
real que qualquer outra experiência prévia (determinada pelos seus
sentidos). Outra pergunta se coloca: Como podemos ter uma experiência
sensorial tão significativamente elevada sem os nossos sentidos? Quais são
as funções específicas do cérebro e do corpo, que traduzem as interações
com o campo quântico para experiências profundas interiores?
Por outras palavras, se somos capazes de interagir com um campo mais
coerente de informação, que depois gera esses eventos interiores tão
estimulantes, deve haver uma explicação neurológica, química e biológica
para esses acontecimentos sobre-humanos. Quais são, especificamente, os
sistemas, os órgãos, as glândulas, os tecidos, os químicos, os
neurotransmissores e as células envolvidos que podem dar origem a
experiências tão intensamente profundas? Será que existem componentes
fisiológicos adormecidos, à espera de serem ativados?
Há quatro estados de consciência que podem contribuir para o
enquadramento da informação neste capítulo. O primeiro é o estado de
alerta, que é, obviamente, quando estamos acordados e conscientes. Depois
vem o sono, quando estamos inconscientes e o corpo está a restaurar-se e a
reparar-se. A seguir vêm os sonhos, um estado alterado de consciência em
que o corpo está catatónico, mas as nossas mentes estão imersas em
imagens e simbolismo. E finalmente há os momentos transcendentais de
consciência, que estão para lá da nossa compreensão da realidade. Estes
eventos transcendentes parecem transformar-nos, a nós e a nossa forma de
ver o mundo, para sempre. Quero apresentar-lhe tudo o que sei sobre a
biologia, a química e a neurociência destas experiências transcendentais.
Comecemos pela molécula da melatonina, que é responsável por tudo isto.
Melatonina: o neurotransmissor dos sonhos
Quando acorda de manhã e regressa ao mundo dos sentidos, assim que
os seus olhos captam a luz através da íris, há recetores no nervo ótico que
enviam um sinal para uma parte do seu cérebro que se chama núcleo
supraquiasmático. Este núcleo, por sua vez, envia um sinal para a glândula
pineal, que reage produzindo serotonina, o neurotransmissor da luz do dia.
Como se recordará, os neurotransmissores são mensageiros químicos
que transmitem e comunicam informação entre as células nervosas. O
neurotransmissor serotonina informa o seu corpo de que está na hora de
acordar e começar o seu dia. Ao integrar informação sobre os seus sentidos
para criar significado entre os seus mundos exterior e interior, a serotonina
estimula as suas ondas cerebrais a passar de delta para teta, depois para alfa
e para beta, fazendo com que novamente se aperceba de estar num corpo
físico no espaço e no tempo. Assim, quando o seu corpo estiver a trabalhar
em ondas cerebrais beta, muita da sua atenção vai ser dirigida para o seu
ambiente externo, para o seu corpo e para o tempo. É normal.
Com o cair da noite, ao escurecer, ocorre um processo semelhante mas
inverso. A inibição da luz envia um sinal pelo mesmo caminho para a
glândula pineal, mas agora a glândula pineal transforma a serotonina em
melatonina, o neurotransmissor das horas noturnas. Esta produção e
descarga de melatonina abranda as ondas cerebrais de beta para alfa,
deixando-o sonolento, cansado e menos interessado em pensar ou analisar.
Com as ondas cerebrais do seu cérebro a abrandar para alfa, irá tornar-se
mais interessado em devolver a sua atenção para o mundo interior em vez
de para o mundo exterior. O seu corpo acaba por adormecer e entrar num
estado catatónico, e as suas ondas cerebrais passam de alfa para teta e para
delta, assim induzindo períodos de sonhos, bem como de sono profundo e
reparador.
Vivendo ao ritmo do nosso ambiente exterior, dentro deste binómio
diário de acordar e dormir (que varia de acordo com o lugar onde vivemos
no mundo), o nosso cérebro fica automaticamente preparado para a
produção destes químicos, a horas muito específicas da manhã e da noite. A
isto se chama ritmo circadiano. A maior parte das pessoas sabe que, quando
quebramos este ritmo, ficamos desorientados; é o que acontece, por
exemplo, quando viajamos para outra parte do mundo, onde o sol se levanta
e põe várias horas à frente do nosso fuso horário normal. Isto é o que
chamamos jet lag, e precisamos de algumas horas para recuperar. Quando o
corpo sai do seu ritmo circadiano natural, normalmente precisa de alguns
dias para se reajustar ao ritmo de nascer e pôr do sol do novo ambiente.
Tudo isto é química produzida pela interação com o nosso mundo
tridimensional exterior – pela reação dos olhos ao sol, e pela frequência da
luz visível.
A melatonina induz o sono REM (movimento rápido dos olhos), uma
fase do ritmo circadiano que causa os sonhos. Quando os pensamentos e o
ruído na nossa cabeça diminuem, dando lugar ao sono e eventualmente ao
estado de sonhar, o cérebro começa internamente a ver e a captar imagens e
símbolos. Mas antes de evoluirmos para os motivos pelos quais a
melatonina é tão importante, vamos olhar mais de perto para a estrutura
molecular deste neurotransmissor dos sonhos.
O processo de criar melatonina começa pelo aminoácido essencial L-
triptofano, a matéria-prima para a produção de serotonina e melatonina.
Para ser convertida em melatonina, tem primeiro de passar por uma série de
transformações químicas chamadas metilação. A metilação é o processo
pelo qual um único átomo de carbono e três de hidrogénio (ou grupo metil)
são aplicados a inúmeras funções cruciais do nosso corpo, tais como pensar,
reparar o ADN, ativar ou desativar genes, combater infeções, e por aí fora.
Neste caso, faz parte da produção de melatonina.
Na figura 12.1, vemos a metilação em ação. Uma vez que este grupo
metil é composto de químicos muito estáveis, a estrutura básica dos anéis
pentagonais ou hexagonais mantém-se durante esta série de reações
químicas. Contudo, quando outros grupos de moléculas se ligam a estes
anéis, alteram as propriedades e as características da molécula.
Começando com o L-triptofano, a glândula pineal transforma-o em 5-
hidroxitriptofano (5-HTP), que então se transforma em serotonina. A
serotonina é uma molécula mais estável que o 5-HTP, consegue suster-se no
cérebro, e tem uma função mais útil, como já veremos. Através de outra
reação química, a glândula pineal converte a serotonina em N-
acetilserotonina, e depois uma outra reação transforma-a em melatonina. E
tudo isto ocorre na glândula pineal. Num ciclo de 24 horas, a produção de
melatonina está ao máximo entre a uma e as quatro horas da manhã.
Sabemos agora que há uma relação inversamente proporcional entre as
nossas glândulas ad-renais e a melatonina. À subida dos níveis de cortisol
adrenal corresponde uma redução nos níveis de melatonina. É por este
motivo que não conseguimos dormir quando estamos stressados. Na
antiguidade, isto servia como mecanismo de segurança biológico. Por
exemplo, se fosse perseguido várias vezes por um predador a caminho do
bebedouro, e se depois avistasse outros animais de grande porte no seu
território, o seu corpo, na sua inteligência inata, iria impedi-lo de se tornar
uma presa. Em tais casos, o sono e a revitalização são menos importantes
do que a sobrevivência. Por outras palavras, mais vale ficar acordado toda a
noite e manter-se vivo, do que adormecer e correr o risco de morrer.
FIGURA 12.1
O processo de metilação do aminoácido L-triptofano em
serotonina e melatonina.
Quando o corpo está a tentar descansar em estado de vigília, nunca
recebe o sono restaurador de que precisa, porque os químicos de
sobrevivência, tal como o cortisol, ativaram os genes de sobrevivência. Se a
origem do stress não for um tigre dentes-de-sabre mas sim uma relação
tensa com o ex-cônjuge, com quem tem de interagir quase todos os dias,
este stress crónico mantém o sistema de sobrevivência ativado. Esta válvula
de segurança já não é adequável mas sim inadequada. Este género de stress
crónico altera os níveis normais de melatonina (e até de serotonina), tirando
o corpo da homeostase.
Mas, se reduzir os níveis de cortisol, os níveis de melatonina irão
aumentar. Por outras palavras, se anular a reação do stress ao superar a
dependência emocional desses químicos, o seu corpo pode voltar a projetos
de construção a longo prazo em vez de estar constantemente a lidar com
uma suposta emergência. Observe a figura 12.2 para rever a relação entre
melatonina e cortisol.
FIGURA 12.2
Quando as hormonas do stress aumentam, os níveis de
melatonina descem. Quando diminuem, os níveis de
melatonina sobem.
A melatonina tem muitas outras aplicações interessantes. Por exemplo,
está provado que melhora o metabolismo dos hidratos de carbono. E isto é
importante quando alguém reage ao stress, porque os seus corpos
acumulam hidratos de carbono como gorduras – e a gordura mais não é do
que energia acumulada. É uma consequência de genes primitivos a sinalizar
o corpo para armazenar energia para o caso de haver uma fome. Também há
indicadores de que a melatonina ajuda a curar a depressão. Também está
demonstrado que eleva os níveis de DHEA, a hormona que retarda o
envelhecimento. Para mais factos sobre a importância da melatonina, o
neurotransmissor dos sonhos, veja a figura 12.3.58
Vamos agora aprofundar toda a informação que estudou neste livro até
agora.
FIGURA 12.3
Uma tabela que mostra alguns dos benefícios da
melatonina.
Ativar a glândula pineal
Ao longo de anos, passei muito tempo a estudar a glândula pineal e a
procurar investigadores que fizessem medições extensas dos seus
metabolitos e tecidos. O meu interesse estava em ligar todas as minhas
descobertas a alguns mistérios da antiguidade. Uma sinopse de um artigo
em particular aguçou o meu interesse:
A glândula pineal é um transdutor endócrino, que segrega a
melatonina responsável pelo controlo do ritmo circadiano. Foi
estudada uma nova forma de biomineralização na glândula
pineal, que consiste em pequenos cristais com menos de 20
mícrones de comprimento. Estes cristais são responsáveis por
um mecanismo de transdução biológica na glândula pineal devido
à sua estrutura e às propriedades piezoelétricas.59
São muitas palavras para digerir, mas vamos dividi-las em dois pontos
significativos. Os termos fundamentais são propriedades piezoelétricas e
transdutor.
O efeito piezoelétrico tem lugar quando se aplica pressão a certos
materiais, e essa tensão mecânica é convertida em carga elétrica. Em termos
simples, a glândula pineal contém cristais de calcite compostos de cálcio,
carbono e oxigénio; devido à sua estrutura, eles expressam este efeito.
Como uma antena, a glândula pineal tem a capacidade de ser ativada
eletricamente, e de gerar campos eletromagnéticos que podem sintonizar
informação. Esse é o primeiro ponto. Além disso, da mesma forma que uma
antena pulsa um ritmo ou uma frequência para corresponder à frequência de
um sinal recebido, a glândula pineal recebe informação transportada em
campos eletromagnéticos invisíveis. Visto que todas as frequências
transportam informação, assim que a antena se liga ao sinal exato do campo
eletromagnético, deve haver uma forma de converter e descodificar esse
sinal para obter uma mensagem com significado. É exatamente isso que faz
um transdutor – e esse é o segundo ponto.
Um transdutor é qualquer coisa que receba um sinal sob a forma de um
tipo de energia e a converta num sinal sob outra forma. Olhe à sua volta por
um instante. O espaço onde se encontra está repleto de ondas de televisão,
rádio e wi-fi, que têm diversas bandas de frequência de energia
eletromagnética invisível. (Não pode ver nenhuma delas com os seus olhos,
mas elas estão lá na mesma.) Por exemplo, a antena deteta uma série de
frequência que transportam um sinal para o seu televisor, que faz a
transdução para uma imagem no seu ecrã. Quando sintoniza uma estação de
FM, está a sintonizar a sua antena numa frequência eletromagnética
específica. A informação transportada nessa banda de frequências é
convertida pela transdução para um sinal coerente –a música que ouve com
os seus ouvidos.
O estudo que citei diz que a glândula pineal é um transdutor
neuroendócrino, capaz de receber e converter sinais dentro do cérebro. Ao
assumir um papel de transdução, a glândula pineal pode captar frequências
para lá da nossa realidade espacial-temporal tridimensional baseada nos
sentidos. Assim que a glândula pineal é ativada, pode sintonizar dimensões
mais elevadas desse espaço e desse tempo – que, como aprendemos no
capítulo anterior, é o plano temporal-espacial. Como um televisor, pode
então transformar a informação transportada nessas frequências em imagens
vivas e surreais, experiências transcendentais e lúcidas na nossa mente,
incluindo visões multissensoriais profundamente elevadas para lá do nosso
vocabulário. É um pouco como vivenciar um filme IMAX
multidimensional.
Por esta altura, poderá estar a interrogar-se: Visto que esta pequena
glândula existe dentro do meu crânio, como hei de exercer tensão mecânica
sobre os seus cristais, criar um efeito piezoelétrico e ativar a glândula
pineal para se tornar numa antena? E como é que essa antena vai captar
frequências e informação para lá da matéria e da luz para poder fazer a
transdução dessas assinaturas eletromagnéticas em imagens com
significado, como uma experiência transcendental para lá dessa realidade
tridimensional?
Para que a glândula pineal seja ativada, têm de acontecer quatro coisas
importantes. Vou falar agora de três delas, e depois irei falar-lhe da quarta
quando chegar o momento de aprender a meditação.
1. O efeito piezoelétrico
Os cristais de calcite mencionados acima e mostrados na figura 12.4 são
de importância fundamental para criar o efeito piezoelétrico na glândula
pineal. Lembre-se de que se trata de cristais minúsculos, com
aproximadamente 1 a 20 mícrones de comprimento. Por comparação, o
tamanho deles pode ir de um centésimo a um quarto da espessura de um
cabelo humano. Têm sobretudo formas de octaedro, hexaedro e romboedro.
Como já aprendeu no capítulo 5, o objetivo da técnica de respiração que
fazemos antes de muitas meditações é tirar a mente do corpo através da
libertação de energia potencial (acumulada como emoções) nos três centros
de energia inferiores. Ao inspirar e contrair esses músculos intrínsecos,
seguindo a nossa respiração do períneo pela espinha até ao cimo da nossa
cabeça, e depois sustendo a respiração e apertando mais esses músculos,
estaremos a aumentar a pressão intratecal. Como referi anteriormente, esta é
uma pressão interna criada quando faz força contra as suas entranhas – por
exemplo, ao prender a respiração e ao levantar um objeto pesado.
A palavra piezoelétrico deriva das palavras gregas piezein, que significa
“espremer ou pressionar” e piezo, que significa “empurrar”. Não é por isso
por coincidência que eu lhe peço para prender a respiração e pressionar
esses músculos intrínsecos. Ao fazê-lo, está a empurrar líquido
cefalorraquidiano para a glândula pineal, exercendo tensão mecânica sobre
ela. Esta tensão mecânica traduz-se numa carga elétrica, e é exatamente esta
ação que comprime os cristais na glândula pineal, criando um efeito
piezoelétrico: os cristais da glândula pineal geram uma carga elétrica em
resposta à tensão que está a aplicar.
Publicada com autorização de Simon Baconnier et
al.,“Microcristais de calcite na glândula pineal do cérebro
humano: Primeiros estudos físico-químicos”, Revista
Bioelectromagnetics 23, n.º 7 (outubro 2002): 488-495.
FIGURA 12.4
Imagem de um cristal de calcite encontrado na glândula
pineal.
Uma das características únicas do efeito piezoelétrico é ser reversível,
ou seja, os materiais que exibem o efeito piezoelétrico direto (os cristais)
também exibem um efeito piezoelétrico simétrico. Assim que os cristais na
glândula são comprimidos e geram uma carga elétrica, o campo
eletromagnético que emana da glândula pineal faz com que os cristais nela
se expandam à medida que o campo aumenta. Assim que os cristais que
geram o campo eletromagnético chegam ao seu limite e já não conseguem
expandir-se mais, eles contraem-se e o campo eletromagnético inverte a
direção e move-se para dentro, para a glândula pineal. Quando o campo
eletromagnético chega aos cristais da glândula pineal, volta a comprimi-los,
produzindo mais um campo eletromagnético. Este ciclo de expansão e
inversão do campo perpetua um campo eletromagnético pulsante.

FIGURA 12.5
Quando inspiramos pelo nariz e ao mesmo tempo
comprimimos os nossos músculos intrínsecos, fazemos o
líquido cefalorraquidiano acelerar para o cérebro. Ao
seguirmos o movimento da energia para o topo da nossa
cabeça, e depois prendermos a respiração e pressionarmos,
estamos a aumentar a pressão intratecal. A pressão acrescida
leva o líquido cefalorraquidiano do quarto ventrículo por um
pequeno canal até ao terceiro ventrículo (setas). Ao mesmo
tempo, o líquido a viajar junto ao cerebelo (setas) comprime os
cristais da glândula pineal. A tensão mecânica que é então
aplicada produz uma carga elétrica na glândula pineal, gerando
um efeito piezoelétrico.
Não admira, portanto, que eu lhe peça para prender a respiração, apertar
e contrair os músculos – nem é surpresa que eu insista para que repita este
processo vezes sem conta. Ao continuar a fazer a respiração e a apertar e a
contrair repetidamente, com cada ciclo de respiração está a ativar as
propriedades piezoelétricas da glândula pineal. Quanto mais vezes o fizer,
mais irá acelerar os ciclos por segundo da expansão e contração desse
campo eletromagnético, e o pulsar será cada vez mais rápido. Agora a
glândula pineal transforma-se numa antena pulsante, capaz de captar
frequências eletromagnéticas cada vez mais subtis e cada vez mais rápidas.
Observe com atenção a figura 12.5. Falámos sobre o movimento do
líquido cefalorraquidiano durante a respiração no capítulo 5; vamos agora
um pouco mais longe. Ao entrar no cérebro, o líquido move-se para cima
pelo canal central, através do espaço entre a coluna vertebral e a espinal
medula. Neste cruzamento, divide-se em duas direções. Primeiro, o líquido
passa para o quarto ventrículo, e de seguida para o terceiro ventrículo. Ao
viajar do quarto para o terceiro ventrículos, o líquido passa por um caminho
ou canal estreito; arrumada logo atrás do terceiro ventrículo está o que
parece ser uma pequena pinha (é isso que significa pineal). Trata-se da
glândula pineal, e tem mais ou menos o tamanho de um grão de arroz. Em
segundo lugar, o líquido cefalorraquidiano também corre por trás do
cerebelo, do outro lado da glândula pineal – rodeando toda a glândula com
um fluido pressurizado.
Ao aumentar a pressão intratecal, canaliza-se um volume superior de
líquido para a câmara do terceiro ventrículo, bem como para o espaço à
volta do cerebelo. Portanto, quando prende a respiração e aperta, este
volume adicional de fluido exerce pressão de ambas as direções contra os
cristais, fazendo-os comprimir-se, criando o efeito piezoelétrico. Este é o
primeiro evento que tem de se verificar para ativar a glândula pineal.
2. A glândula pineal liberta os seus metabolitos
O líquido cefalorraquidiano move-se por um sistema fechado, o sistema
ventricular (reveja a figura 12.5). O sistema ventricular facilita o
movimento deste fluido desde a base da espinha pela espinal medula,
entrando pelas quatro câmaras do cérebro (chamadas aquedutos ou
ventrículos), e de volta para baixo, na direção do sacro (a base da espinha).
Quando inspira e segue a sua respiração até ao cimo da sua cabeça, e depois
prende a respiração e comprime os músculos, está a acelerar o líquido
cefalorraquidiano.
À superfície da glândula pineal estão pelos minúsculos chamados cilia,
a palavra latina para “cílios” (observe a figura 12.6). A ação do fluido
acelerado, a mover-se mais depressa do que o normal através das câmaras
do sistema ventricular, agita estes pelos minúsculos, estimulando a glândula
pineal. Uma vez que a glândula pineal tem a forma de um falo, o estímulo
produzido pela aceleração do líquido a passar, combinado com a ativação
elétrica criada por um aumento da pressão intratecal num sistema fechado,
faz com que a glândula expele metabolitos reforçados, muito profundos, de
melatonina no cérebro. Está agora um passo mais perto de ativar a glândula
pineal, e de ter uma experiência transcendental.

FIGURA 12.6
Os minúsculos cílios da glândula pineal são estimulados
pela aceleração do líquido cefalorraquidiano através do
sistema ventricular.
3. Energia dirigida diretamente ao cérebro
Ao enviar um foguetão para o espaço, superar a gravidade para o fazer
deixar o chão é a parte que requer mais energia; da mesma forma, para
mover essa energia dos nossos centros inferiores é preciso muita
intensidade e muito esforço. A respiração transforma-se na nossa intenção
apaixonada de nos libertarmos das emoções autolimitadoras do nosso
passado. A coluna converte-se no mecanismo de transporte dessa energia, e
o cimo da sua cabeça é o alvo.
Como agora já sabe, de cada vez que faz a respiração, envia partículas
carregadas pela medula espinal acima. Estas partículas ganham velocidade
e aceleração, criando o que é conhecido como o campo de indutância
(observe a figura 12.7). Este campo de indutância inverte o fluxo de
informação que normalmente facilita a comunicação do cérebro para o
corpo e do corpo para o cérebro. Muito como um aspirador, o campo de
indutância atrai a energia destes centros inferiores – energia relacionada
com o orgasmo, com o consumo, com a digestão, com a tensão de lutar ou
fugir, e com o controlo – e envia-a diretamente para o bolbo raquidiano
num movimento em espiral. Com a energia a viajar por cada vértebra, passa
pelos nervos que vão da medula espinal para várias partes do corpo, e parte
dessa energia é então transferida pelos nervos periféricos que afetam os
tecidos e os órgãos do corpo. A corrente que percorre estes canais nervosos
ativa o sistema meridiano do corpo, levando a que todos os outros sistemas
recebam mais energia.60
ícone por John Dispenza, www.flaticon.com
FIGURA 12.7
Libertada do corpo para o cérebro, a energia passa por
cada nervo espinal, saindo por entre cada vértebra. A
excitação deste sistema volta a ativar os nervos periféricos,
que por sua vez transferem mais energia para vários tecidos e
órgãos no corpo. Em consequência, é distribuída mais energia
pelo corpo.
Assim que a energia chega ao bolbo raquidiano, tem de passar pela
formação reticular. A missão da formação reticular é constantemente editar
informação que vai do cérebro para o corpo, bem como do corpo para o
cérebro. Esta formação faz parte do chamado sistema ativador reticular
(SAR), que é responsável pelo estado de vigília. Por exemplo, ao acordar de
um sono profundo porque ouve um som na sua casa, é o SAR que o alerta e
desperta. Essa é a sua função principal. No entanto, como o sistema nervoso
simpático é ativado e se funde com o sistema nervoso parassimpático, em
vez de esgotar a energia armazenada no corpo, liberta-a novamente para o
cérebro. Assim que esta energia chega ao bolbo raquidiano, o portal
talâmico abre-se como uma porta, e a energia move-se pela formação
reticular para o tálamo, onde transmite informação ao neocórtex. Agora, a
formação reticular está aberta e irá sentir níveis superiores de consciência.
Pode-se dizer que está mais consciente, mais desperto. (Pense no tálamo
como uma grande estação de comboios com carris que levam aos centros
superiores do cérebro.) É assim que o cérebro passa para padrões de ondas
cerebrais gama.

FIGURA 12.8
Bem entre os dois tálamos, situada no centro do cérebro,
está a minúscula glândula pineal, em forma de pinha, virada
para a parte de trás do cérebro.
Como um aparte, note-se que há dois tálamos distintos no cérebro
médio (um de cada lado), que alimentam cada hemisfério no neocórtex. A
glândula pineal fica exatamente no meio deles, virada para a parte de trás
do cérebro (veja a figura 12.8). Quando a energia chega a cada junção
talâmica (recorde-se de que o tálamo é como um entreposto para todas as
outras partes do cérebro), os dois tálamos emitem uma mensagem
diretamente para a glândula pineal, para segregar os seus metabolitos para o
cérebro. O efeito é que o neocórtex pensante fica excitado e passa para
padrões de ondas cerebrais mais elevadas, como as ondas gama. A natureza
destes derivados químicos da melatonina descontrai o corpo e, ao mesmo
tempo, acorda a mente.
Como talvez se recorde, quando está em ondas cerebrais beta, o seu
sistema nervoso simpático é excitado para uma emergência e utiliza energia
para sobreviver. A diferença relativamente às ondas cerebrais gama é que,
em vez de perder essa energia vital, está a libertá-la e a criar mais energia
no seu corpo. Não se encontra num estado de emergência ou sobrevivência
quando isto ocorre; está em êxtase, e o seu sistema nervoso simpático está a
ativar-se para o excitar e o levar a prestar mais atenção ao que esteja a
acontecer na sua mente.
FIGURA 12.9
A energia dos três centros inferiores é ativada durante a
respiração e move-se pela espinha acima até ao cérebro, e um
campo toroidal de energia eletromagnética é criado à volta do
corpo. A ativação da glândula pineal acontece ao mesmo
tempo que um campo toroidal invertido, a mover-se na direção
contrária, atrai energia do campo unificado pelo topo da
cabeça para o corpo. Uma vez que a energia é frequência e
que a frequência transporta informação, a glândula pineal faz a
transdução dessa informação em imagens vivas.
No capítulo 5, disse que, quando a energia passa do corpo para o
cérebro, gera-se um campo toroidal à volta do corpo. Ao provocar uma
corrente pela sua coluna acima, através da aceleração do movimento do
líquido cefalorraquidiano, o seu corpo ajusta-se como um íman, e gera um
campo eletromagnético à sua volta. Um campo toroidal representa um fluxo
de energia dinâmico. Ao mesmo tempo que o campo toroidal está em
movimento, para cima e à volta do seu corpo, quando a glândula pineal se
ativa, um campo eletromagnético toroidal invertido atrai energia para o seu
corpo através do topo da sua cabeça. Uma vez que todas as frequências
transportam informação, agora a sua glândula pineal está a receber
informação que vem para lá do campo de luz visível, e para lá dos seus
sentidos (veja a figura 12.9).
Quando estes fenómenos têm lugar consecutivamente, será como ter um
orgasmo na sua cabeça. Criou então uma antena no cérebro, e essa antena
está a receber informação de planos para lá da matéria, para lá do espaço e
do tempo. A informação já não vem dos seus sentidos nem da interação dos
seus olhos com o ambiente. Em vez disso, está a receber informação do
campo quântico que passa para outro olho – o seu terceiro olho – a partir da
glândula pineal na parte de trás do seu cérebro.
Quando a melatonina é reforçada, ocorre magia
Quando a sua glândula pineal (ou terceiro olho) é despertada, por estar a
captar frequências mais elevadas, essas energias superiores alteram a
química da melatonina; quanto mais alta é a frequência, maior a alteração.
É esta tradução da informação em química que o prepara para esses
momentos transcendentais, místicos. Agora está a abrir a porta para
dimensões superiores do espaço e do tempo. É por isso que eu gosto de
descrever a glândula pineal como um alquimista – porque transforma
melatonina em neurotransmissores radicais muito profundos.
FIGURA 12.10
Confira os vários metabolitos da melatonina criados quando
a glândula pineal se liga a frequências mais rápidas do que a
luz visível normal, e a molécula mística recebe um reforço
biológico.
Observe a figura 12.10. À medida que frequências e estados de
consciência superiores interagem com a glândula pineal, uma das primeiras
coisas a acontecer é que estas frequências transformam a melatonina em
químicos chamados benzodiazepinas. As benzodiazepinas são uma classe
de medicamentos – de que é derivado o Valium – que anestesiam a mente
analítica, de forma que, subitamente, o cérebro pensante descontrai-se e
deixa de analisar. Segundo as sondas cerebrais funcionais, as
benzodiazepinas suprimem a atividade neuronal na amígdala, o centro de
sobrevivência do cérebro. Isto limita os químicos que o fazem sentir medo,
raiva, agitação, agressividade, tristeza e dor61. Depois o seu corpo sente-se
calmo e descontraído, mas a sua mente está desperta.
Outro químico criado a partir da melatonina produz uma série de
antioxidantes muito poderosos, chamados pinolinas (veja a figura 12.10).
As pinolinas são importantes porque atacam radicais livres, que danificam
as suas células e provocam o envelhecimento. Estes antioxidantes são
anticancerígenos, antienvelhecimento, antidoenças cardíacas,
antitromboses, antineurodegenerativos, anti-inflamatórios e antimicrobiais.
Esta é a fórmula ideal para reforçar o papel habitual da melatonina como
antioxidante, dando-lhe uma carga adicional que lhe permite restaurar e
curar o corpo a um nível superior do que é normalmente conseguido pela
molécula da melatonina. (Veja os poderosos antioxidantes listados na figura
12.10 que são todos produzidos a partir de metabolitos da melatonina.)
Se pegar nessa molécula e a ajustar novamente até a transformar num
primo da melatonina, encontrará o mesmo químico que faz os animais
hibernar. Quando a melatonina (que nos deixa sonolentos e com propensão
a sonhar) é ligeiramente alterada para ser esta molécula mais poderosa,
transporta uma mensagem para levar ainda mais o descanso e a reparação.
Esta mensagem também faz o metabolismo do corpo abrandar, em alguns
casos ao longo de meses. Faz então sentido que os mamíferos quando
hibernam rompam os hábitos típicos do seu habitat; por exemplo, perdem o
desejo sexual, o apetite, o interesse ou a necessidade de se movimentar pelo
seu ambiente, e a sua relação com as redes sociais. Escondem-se para se
proteger e sentir em segurança, e enquanto estão escondidos, os seus corpos
entram num estado de entorpecimento. O mesmo pode ser verdade para nós
à medida que estes valores se elevam. Como o corpo já não é a mente,
perdemos temporariamente o nosso interesse no mundo exterior; e porque
não temos impulsos biológicos nem estamos distraídos por necessidades
fisiológicas, podemos avançar mais completamente para o momento
presente, ir mais a fundo para dentro de nós. Se vai sonhar o sonho do
futuro, não seria boa ideia tirar o seu corpo do caminho?
Se reforçarmos mais ainda esta molécula, produzimos o mesmo químico
encontrado nas enguias elétricas – um químico fosforescente,
bioluminescente que amplifica a energia no sistema nervoso. Pode voltar a
olhar para a figura 12.10. Este químico tem potência suficiente para causar
um choque elétrico significativo. Tenho a firme convicção de que este
químico tem a propriedade invulgar de influenciar o cérebro a processar
estas amplitudes de energia reforçadas que repetidamente medimos nos
nossos estudantes. Imagine uma enguia elétrica que literalmente brilha de
energia quando é estimulada. É isso que acontece no cérebro quando ele é
ativado. Mas a energia e a informação produzidas não vêm de uma
experiência no nosso ambiente que captamos através dos nossos sentidos
mas, em vez disso, de dentro do cérebro, devido a um reforço na frequência.
Quando observamos esses níveis elevados de energia no cérebro, sabemos
que a pessoa está a ter uma experiência profunda e subjetiva, que pode ser
medida objetivamente.
Pense um instante nisso. Graças a um estímulo sensorial do nosso
ambiente, captado pelos nossos olhos, a glândula pineal produz serotonina e
melatonina. Esta luz visível vinda do sol faz-nos convergir para a harmonia
com o nosso ambiente, aquilo a que chamamos o ritmo circadiano. Em
consequência deste processo, a serotonina e a melatonina transportam
informação equivalente à frequência que vem do mundo físico. Uma vez
que a nossa perceção da luz visível é através dos nossos sentidos, essas
moléculas são inerentes para os seres humanos; são assim equivalentes ao
plano da nossa realidade tridimensional.
Lembre-se, como disse Einstein, de que o limite máximo deste mundo
material é a velocidade da luz. Mas o que se passará se o cérebro processar
um aumento na frequência e na informação de um plano para lá dos
sentidos e para lá da velocidade da luz? Será possível que a informação e a
energia vindas do campo unificado transformem a química da melatonina
para que se torne noutro agente químico no cérebro? E poderá o nosso
cérebro traduzir essas frequências para uma mensagem? Se a energia é o
epifenómeno da matéria, é lógico que a informação vinda de uma
frequência mais rápida do que a luz visível seja capaz de alterar a estrutura
molecular da melatonina, convertendo-a em elixires profundos dentro do
nosso cérebro. A glândula pineal é responsável por traduzir essa informação
numa variação química da melatonina; portanto, a molécula transporta uma
mensagem diferente que corresponde a essa frequência. A nova frequência
influencia agora um superquímico reforçado. Já não é natural – é sobre-
humano. A melatonina sai reforçada.
Este químico fosforescente e bioluminescente não só aumenta a energia
no cérebro, como também reforça o imaginário que a mente capta
interiormente, de forma que tudo parece feito de uma luz viva, surreal,
luminescente. Em consequência disso, houve quem relatasse ter encontrado
cores que nunca tinha visto, porque existiam fora da sua experiência
conhecida do espectro de luz visível. Estas cores aparecem como luzes
brilhantes, fantásticas, profundas, num mundo de beleza suspenso, lúcido,
opalescente, em Tecnicolor. Tudo parece emitir uma luminosidade bela feita
de luz viva, resplandecente, que se consegue sentir. Este mundo de ouro, de
halos brilhantes e dourados dentro e à volta de tudo parece mais iluminado
do que a sua realidade baseada nos sentidos. E, claro, será difícil desviar a
atenção de toda esta beleza. Uma vez que a sua atenção está focada nesta
experiência, vai parecer-lhe que está mesmo lá, totalmente presente neste
outro mundo ou dimensão.
Volte a olhar a figura 12.10. Altere a melatonina mais uma vez e
produzirá o químico dimetiltriptamina (DMT), uma das substâncias
alucinogénias mais poderosas e conhecidas pelos seres humanos. Esta é a
mesma substância química encontrada em ayahuasca, uma poção
tradicional de ervas espirituais usada em cerimónias pelos indígenas do
Amazonas. Considera-se que o princípio ativo da DMT cria visões
espirituais e profundas inspirações sobre o mistério do eu. Quando se ingere
ayahuasca, ou quaisquer outros químicos vegetais que contenham esta
molécula, o corpo recebe apenas DMT, mas se a glândula pineal for ativada,
toda a mistura de químicos é recebida – e isso causa algumas experiências
interiores muito profundas. Há relatos de algumas dessas experiências
terem causado profundas dilatações do tempo (o tempo parece infinito),
viagens no tempo, visitas a planos paranormais, visões de padrões
geométricos complexos, encontros com seres espirituais e outras realidades
místicas interdimensionais. Muitos dos nossos estudantes reportaram
encontros extraordinários para lá do seu mundo físico durante a meditação
da glândula pineal.
Quando estes químicos são libertados no cérebro, a mente tem
experiências que parecem mais reais do que qualquer coisa que essa pessoa
tenha encontrado na sua realidade de base sensorial. Esta nova dimensão é
difícil de verbalizar. A nova experiência que daí resulta será o completo
desconhecido; entregar-se a esse desconhecido vale sempre a pena.
Sintonizar dimensões mais elevadas: a glândula pineal
como transdutor
Dependendo da tradução que esteja a ler, no evangelho de Mateus,
versículo 6:22, Jesus disse: “Se o teu olho for singular, todo o teu corpo se
encherá de luz.” Creio que ele estava a falar de ativar a glândula pineal,
porque isso nos permite experimentar um espectro mais alargado da
realidade. Muitos dos nossos estudantes podem confirmar que quando
ativam a glândula pineal – quando se ligam totalmente ao campo unificado
–, o corpo enche-se de energia e luz. Partindo do campo cósmico, a energia
para lá dos sentidos entra pelo topo da cabeça e viaja por todo o corpo.
Quando isto acontece, vivem informação descarregada para lá das suas
memórias ou do conhecido previsível da sua vida quotidiana – e tudo
começa pela alteração química da melatonina na glândula pineal.
Depois de toda a minha investigação sobre a glândula pineal, posso
resumir o que fiquei a saber sobre ela nesta definição: A glândula pineal é
um supercondutor cristalino que envia, e também recebe, informação
através da transdução de sinais vibracionais energéticos (frequência para
lá dos sentidos, também conhecido por campo quântico) e a traduz em
tecidos biológicos (cérebro e mente) sob a forma de imagens significantes,
da mesma forma que uma antena traduz vários canais para o ecrã de um
televisor.
Com a ativação da glândula pineal passa a ter esta pequena antena no
seu cérebro; quanto mais alta for a frequência captada por ela, mais energia
irá exercer para a alteração e transformação da química da melatonina. Em
consequência desta mudança química, irá ter uma experiência muito
diferente da que é normalmente produzida pela melatonina. Pode-se talvez
dizer que vai receber uma imagem mais clara. Pense no processo desta
forma: quanto mais alta a frequência, mais a sua experiência será como se
passasse da imagem de um ecrã televisivo de 1960 para uma experiência de
360 graus IMAX 3-D, com som surround. A melatonina, neurotransmissor
dos sonhos, evolui para se transformar um neurotransmissor mais
poderosamente lúcido, para converter os nossos sonhos em realidade.
Ao longo desse processo, a glândula pineal tem um cúmplice que se
chama glândula pituitária. Também conhecida por hipófise, esta glândula
assemelha-se a uma pera e situa-se por detrás da ponta do nariz, mesmo no
meio do cérebro. A parte da frente (anterior) da glândula pituitária é
responsável por fabricar a maior parte dos químicos que influenciam as
glândulas e as hormonas associadas a cada um dos nossos centros de
energia. Assim que a glândula pineal é ativada e liberta certos metabolitos
reforçados62, a parte detrás (posterior) da glândula pituitária acorda,
fazendo-a produzir dois importantes químicos: oxitocina e vasopressina63.
O primeiro destes químicos, a oxitocina, produz emoções elevadas que
fazem com que o seu coração se encha de amor e alegria (há quem a
descreva como o químico da ligação emocional, ou a hormona das
relações). Quando os níveis de oxitocina são elevados para lá do normal, a
maior parte das pessoas expressa intensos sentimentos de amor, perdão,
compaixão, alegria, integridade e empatia – provavelmente não é um estado
interior que esteja disposto a trocar por algo de externo. (Estes estados são,
afinal, o início do amor incondicional.)
Há trabalhos científicos que demonstram que, quando os níveis de
oxitocina vão para lá de certo patamar, é difícil guardar rancor. Num estudo
dirigido por cientistas da Universidade de Zurique, 49 participantes jogaram
uma variante do que é conhecido como o Jogo da Confiança por 12 vezes
consecutivas. Neste jogo, um investidor com uma certa quantidade de
dinheiro tem de decidir se quer ficar com ele ou partilhar uma parte com
outro jogador, a que se chama administrador. A soma que o investidor dá ao
administrador é automaticamente triplicada. O administrador depara-se
então com uma decisão: ou ficar com o dinheiro todo, e não deixar nada ao
investidor, ou partilhar a soma triplicada com o investidor, que obviamente
tem esperanças de obter algum lucro. Essencialmente, esta decisão de preto
ou branco reduz-se a uma traição. Um ato egoísta é proveitoso para o
administrador, que deixa o investidor de mãos a abanar.
Mas, e se introduzirmos a oxitocina na equação? No estudo, os
investigadores borrifaram um pouco de oxitocina no nariz de alguns
participantes, e deram aos outros um jorro de placebo. Os investigadores
fizeram fMRIs (imagens de ressonância magnética funcional) ao cérebro
dos investidores quando estes tomavam as suas decisões quanto às quantias
a investir e se deviam ter confiança ou não.
Depois dos primeiros seis jogos, os investidores foram informados
sobre os seus investimentos, e ficaram a saber que a sua confiança tinha
sido traída cerca de metade das vezes. Os participantes que receberam o
placebo antes de jogar sentiram-se zangados e traídos, e por isso investiram
muito menos nos últimos seis jogos. Os participantes que receberam um
borrifo de oxitocina, contudo, investiram a mesma quantidade que nos
primeiros jogos, apesar de também terem sido traídos. As fMRI mostraram
que as áreas-chave do cérebro afetadas eram a amígdala (associada ao
medo, à ansiedade, ao stress e à agressividade) e o corpo estriado dorsal
(que guia comportamentos futuros com base em respostas positivas). Os
participantes que receberam a oxitocina tinham uma atividade muito
inferior na amígdala, o que equivalia a ter menos raiva e menos medo de
nova traição, bem como menos receio de perdas financeiras. Também
tinham uma atividade muito inferior no corpo estriado dorsal, o que quer
dizer que já não precisavam de se apoiar em resultados positivos para tomar
decisões.64
Como este estudo demonstra, assim que a pituitária posterior descarrega
os seus químicos e os níveis de oxitocina sobem, os centros de
sobrevivência na amígdala do cérebro fecham-se, o que significa refrear os
circuitos do medo, da tristeza, da dor, da ansiedade, da agressividade e da
raiva. A única coisa que sentimos então é o amor pela vida. Medimos os
níveis de oxitocina nos nossos estudantes antes e depois dos nossos
seminários. No final do evento, alguns tinham elevado significativamente
os seus níveis. Quando entrevistámos estes estudantes, muitos deles não
paravam de dizer: “Estou tão apaixonado pela minha vida e por tudo o que
faz parte dela! Quero recordar-me deste sentimento para sempre. Isto é
quem eu verdadeiramente sou.”
O outro químico fabricado pela glândula pituitária, quando a glândula
pineal é ativada, chama-se vasopressina, ou hormona antidiurética. Quando
os níveis de vasopressina sobem, o corpo retém fluidos naturalmente,
fazendo com que o corpo controle a percentagem de água. Isto é importante
porque, para processar uma frequência superior, é necessário água para
servir de condutor e assim melhor lidar com a frequência mais elevada no
corpo, e traduzir essa frequência nas suas células. Assim que a vasopressina
sobe, obtém-se uma glândula da tiroide mais estável – que afeta o timo e o
coração, que afetam as glândulas suprarrenais, que afetam o pâncreas, que
produz uma reação em cadeia de efeitos positivos pelo corpo, até aos órgãos
sexuais.65
Quando sintonizamos estas frequências mais elevadas, temos acesso a
um outro tipo de luz – uma frequência mais rápida do que a luz visível, e de
repente estamos a ativar uma inteligência superior dentro de nós. Depois,
porque a glândula pineal foi ativada, podemos captar frequências mais
elevadas, que, por sua vez, produzem uma alteração da nossa química.
Quanto mais elevada for a frequência que captarmos, mais a nossa química
se alterará – o que significa termos mais experiências visuais, alucinogénias
e de elevada energia. Os cristais na nossa glândula pineal, que funcionam
como uma antena cósmica, são a porta para estes planos vibracionais mais
elevados de luz e informação. É assim que temos experiências interiores
que são mais reais do que as exteriores.
Estes metabolitos químicos pineais produzidos pelo corpo encaixam nos
mesmos recetores que a serotonina e a melatonina, mas transportam uma
mensagem química muito diferente, vinda de um plano para lá da realidade
material baseada nos sentidos. Por isso, o cérebro é preparado para uma
experiência mística, abrindo a porta a outras dimensões, passando o
indivíduo de uma realidade espacial-temporal para uma realidade temporal-
espacial. Visto que todas as frequências transportam uma mensagem, e que
essa mensagem é uma transformação química, assim que a glândula pineal
é ativada e que começa a sentir e a processar essas frequências, energias e
níveis de consciência mais elevados, elas apresentam-se como padrões
geométricos complexos em transformação, normalmente captados pela
imaginação. Isto é bom – é informação.
Ao ter estas experiências místicas, e uma vez que o seu sistema nervoso
está tão coerente, consegue sintonizar estas mensagens supercoerentes. Na
escuridão do vazio, a glândula pineal torna-se no vórtice destes padrões
organizados, destes conjuntos de informação; ao dedicar-lhes a sua atenção,
tal como um caleidoscópio, eles estão constantemente a alterar-se e a
evoluir. Tal como um televisor capta frequências e as transforma em
imagens no ecrã, a glândula pineal processa a transdução de frequências
mais elevadas para imagens vivas e surreais.
No gráfico 13 do extratexto a cores, pode ver alguns destes padrões
geométricos, a que se chama geometria divina (ou sagrada). Tais padrões
existem há milhares de anos. No capítulo 8, referi que estes padrões se
assemelham a mandalas antigas. São energia e informação sob a forma de
frequência e, se se entregar a eles, o seu cérebro irá fazer a transdução
(através da glândula pineal) destas formas, mensagens e informação,
convertendo-as em imagens muito vivas ou experiências lúcidas. O melhor
a fazer quando observar ou percecionar estes padrões é entregar-se a eles, e
não tentar provocar alguma coisa.
Estes padrões e formas normalmente não são bidimensionais nem
estáticos; em vez disso, estão vivos, têm profundidade, e compreendem
padrões matemáticos e fractais muito coerentes, intermináveis e
infinitamente complexos. Outra forma de ver isto é pelo conceito de
cymatics (cimática). Derivada da palavra grega para “onda”, cimática é um
fenómeno baseado na vibração ou na frequência. Eis uma forma de o
conceber: imagine que tirou a cobertura de um velho altifalante e o pousou
no chão. Se encher esse altifalante de líquido, se lhe apontar uma luz e
começar a tocar música clássica por ele, a frequência e a vibração da
música iriam, ao fim de algum tempo, gerar ondas coerentes. Essas ondas
iriam interferir umas com as outras, e acabariam por gerar padrões
geométricos uns dentro dos outros. Tal como se passa com um
caleidoscópio, iria ver essas figuras geométricas em evolução a ficar cada
vez mais organizadas. A diferença entre as imagens no caleidoscópio e a
cimática é que as primeiras parecem bidimensionais. Os padrões
geométricos como a cimática, contudo, parecem vivos e são tridimensionais
ou até multidimensionais. Para além da água, os efeitos vibracionais da
cimática traduzem-se na areia e no ar; por outras palavras, estes três meios
captam vibração e frequência e transformam-nas em padrões geométricos
coerentes. (Se procurar, há vários vídeos no YouTube comprovando este
fenómeno.)
Ao captar a informação, a sua glândula pineal está a receber o mesmo
tipo de onda no ambiente à sua volta. Estas ondas coerentes, altamente
organizadas, que existem para lá do espectro de luz visível, estão
constantemente a ser consolidadas em blocos de informação e a transdução
em imagens pela sua glândula pineal. São apenas padrões de informação
que se intersetam de forma muito coerente; ao apontar-lhes a sua
consciência, eles alteram-se e evoluem, tornam-se cada vez mais fractais,
intrincados, belos e divinos. É tudo informação, e tal como um transdutor, a
sua glândula pineal recebe a informação e descodifica-a em imagens. Este é
um dos motivos pelos quais resolvi usar o caleidoscópio como ferramenta
nos nossos encontros avançados, para treinar o cérebro dos estudantes a
desativar-se quando passarem por esta forma de imaginário complexa, bem
como para reconhecerem mais facilmente a informação – e para se abrirem
a ela. Além disso, como o caleidoscópio faz o cérebro passar para ondas
alfa ou teta, e o deixa assim mais sugestionável, pode compreender como é
que fitá-lo num estado de transe prepara a sua mente subconsciente para
uma experiência mística.
Assim que a sua glândula pineal captar as imagens, aperte o cinto de
segurança, porque as coisas vão ficar excitantes. Pode sair do seu corpo e
viajar por um túnel de luz, ou o seu corpo poderá ficar repleto de luz. Pode
até sentir que se transformou em todo o universo, e ao olhar para baixo,
para o seu corpo, pode até ficar a interrogar-se como é que há de regressar
para ele.
Quando começar a ter estas experiências muito profundas e
desconhecidas, das duas uma: ou se encolhe de medo por ser o
desconhecido; ou se entrega e confia – porque é o desconhecido. Quanto
mais se entregar e confiar, mais profundas e mais penetrantes serão as suas
experiências – tão profundas que não vai ter vontade de se acordar, e assim
mudar as suas ondas cerebrais novamente para beta. Em vez disso, terá
chegado a hora de se entregar, descontrair, de mergulhar ainda mais neste
estado transcendental de consciência. Nesse momento, não está a dormir,
não está acordado, não está a sonhar – está a transcender esta realidade. Se
a química do seu cérebro estiver bem, o seu corpo estará totalmente
anestesiado. É para isto que treinamos: para viver níveis mais elevados de
integridade, unidade, amor e consciência superior.
Mas há mais...
Alteração na química cria nova realidade
Imagine se neste momento todos os seus sentidos fossem aumentados
em 25 por cento. Se fosse esse o caso, tudo o que visse, ouvisse, provasse,
cheirasse e sentisse iria fazer com que ganhasse mais consciência do que o
rodeia. Se perceção e consciência são a mesma coisa, então, ao reforço da
sua consciência corresponde também um aumento da energia no seu cérebro
(porque não pode haver uma mudança na consciência sem uma mudança de
energia, e vice-versa). Ao conectar-se a uma nova frequência, que está a
processar um novo fluxo de consciência, o seu cérebro está literalmente a
ligar-se, e porque sente um reforço dos seus sentidos, irá produzir um nível
mais elevado de perceção. Quanto mais alta a energia ou frequência, maior
a alteração na sua química, e mais lúcida será a sua experiência. Portanto,
quando estiver nesse estado transcendental, irá sentir-se mais acordado e
mais consciente do que na sua realidade do quotidiano. A amplificação da
sua consciência faz com que se sinta verdadeiramente nessa realidade
transcendental.
Se estiver a captar informação para lá dos seus sentidos, informação que
não tem origem na luz visível ou no Sol, faz sentido falar num “terceiro
olho”. Uma vez que teve uma experiência interior tão profunda, e como as
novas experiências montam novas redes neuronais, essa experiência
enriquece os circuitos no seu cérebro. Com o seu corpo a processar essas
energias mais elevadas, a energia altera a sua química; sabendo que o
produto final de uma experiência é uma emoção, então essa experiência cria
emoções e sentimentos elevados. Quando se ativa, vemo-la com outros
olhos, com uma visão interior.
A acumulação de sentimentos equivale a uma emoção, e a emoção é
energia; por isso sabemos que, quando vive emoções de sobrevivência, que
são uma diminuição de frequência, se sente mais como a densidade da
matéria. Mas, ao viver estes estados elevados de consciência, como eles
vibram a uma frequência superior, irá começar a sentir-se menos como
matéria e mais como energia. É por isso que eu chamo emoções elevadas a
esta energia sob a forma de sentimentos.
O ambiente sinaliza os genes numa célula, as experiências de um
ambiente criam emoções – e as emoções são a reação química à
experiência no ambiente; portanto, se nada mudar no ambiente externo,
nada mudará no ambiente interno do corpo (que é ainda o ambiente externo
da célula). Por exemplo, se viver ao longo de anos segundo as mesmas
emoções autolimitadoras, o seu corpo nunca se irá alterar biologicamente,
porque não sabe a diferença entre a emoção que vem do ambiente exterior e
a que vem do seu ambiente interior. Em vez disso, o corpo acredita estar a
viver nas mesmas condições ambientais, porque as mesmas emoções estão
sempre a produzir os mesmos sinais químicos. Tal como o corpo vive num
ambiente externo em que nada muda, também a célula vive num ambiente
químico em que nada muda.
Mas quando começar a ter estas experiências interiores de perceção
reforçada e consciência expandida – experiências essas que serão então
mais reais e sensoriais do que quaisquer outras do passado –, assim que
sentir essa nova emoção reforçada ou energia eufórica alterou o seu estado
interior, e por isso irá prestar mais atenção às imagens da realidade criadas
dentro de si. E, se tiver uma nova experiência que seja tão real que capta
toda a atenção do cérebro, essa nova experiência (ou despertar) grava o
evento neurologicamente no seu cérebro. Essa nova emoção cria depois
uma memória a longo prazo, e essas novas emoções sinalizam novos genes,
mas dessa vez a experiência que está a criar a memória a longo prazo não
vem do seu ambiente exterior; vem do seu ambiente interior – que é na
mesma o ambiente exterior da célula.
Uma vez que o evento é tão poderoso que é impossível não estar ciente
dele, então:
Quanto mais elevada for a energia, mais elevada será a
consciência;
Quanto mais elevada for a consciência, mais elevada será a
perceção;
Quanto mais elevada for a perceção, mais alargada será a sua
experiência da realidade.
Como sabemos, toda a perceção se baseia em como o cérebro está
estruturado a partir das nossas experiências no passado. Não captamos as
coisas na nossa realidade como elas são; captamos a realidade da maneira
que nós somos. Se acabou de ter uma experiência interior na qual viu seres
místicos profundos; se testemunhou um brilho, um halo, ou uma luz à volta
de tudo; se sentiu a integridade, a unidade e a interligação de tudo e todos;
ou se viveu um tempo e um espaço completamente diferentes, quando abrir
os olhos depois da experiência, o seu espectro de realidade quando estiver
acordado irá alargar-se. Isso acontece porque a sua experiência interior lhe
transformou o cérebro e passou a estar neurologicamente ativado para
captar uma expressão superior da realidade. É assim que muda a sua
experiência no mundo tridimensional da matéria.
A evolução, tanto a nível do indivíduo como da espécie, é um processo
lento. Tem experiências, magoa-se, aprende a lição, cresce um pouco.
Então, sofre mais dor, aprende mais uma lição, passa ao desafio seguinte,
tem sucesso e concretiza objetivos, fixa novos objetivos, volta a crescer, e o
círculo continua. É um processo lento porque não recebe muita informação
do seu ambiente exterior.
Mas assim que tiver essas experiências interiores, que são mais reais do
que qualquer coisa no seu mundo exterior, nunca mais poderá ver a
realidade da mesma forma, porque a experiência o transformou tão
profundamente. Por outras palavras, recebe uma atualização, ou um novo
software. Se toda a realidade que capta se baseia nas suas experiências, e se
acabou de ter uma experiência interdimensional, o seu cérebro vai então
conseguir captar o que sempre existiu, mas que previamente não podia
captar porque lhe faltavam os circuitos cerebrais para isso.
Se continuar a ter estas experiências expansivas continuadamente, irá
viver em permanência um espectro cada vez mais alargado da realidade.
Assim se levanta o véu da ilusão, de forma a poder observar a realidade
como ela verdadeiramente é – vibrante, brilhante, interligada, a tremeluzir
numa luz luminescente –, e é a energia que conduz todo o processo. Passa
então a sintonizar um espectro superior de informação, onde
repentinamente tudo parece diferente do que quando o via apenas como
matéria – e a sua relação transforma-se. Foi assim que os místicos e os
mestres abriram o seu caminho: sintonizando o seu mundo interior, e assim
alargando a sua perceção da natureza da realidade no seu mundo exterior.
Imagine quem poderia ser se deixasse de viver pela bitola dos três centros
de energia inferiores, entre os quais a sobrevivência, o medo, a dor, a
separação, a raiva e a competitividade, e em vez disso vivesse do coração e
agisse por amor, unidade e ligação a todas as coisas, visíveis e invisíveis.
Tendo um número suficiente de experiências interdimensionais a partir
de informação para lá dos sentidos, os místicos e os mestres deixavam de
ver segundo os genes com que tinham nascido. Já não processavam nada
segundo a estrutura do cérebro que receberam à nascença – tal como o
cérebro humano foi formatado ao longo de milhares de anos. Em vez disso,
devido à sua interação com o campo unificado, criaram a consciência, a
estrutura e a mente para captar uma realidade diferente – uma realidade que
sempre esteve presente.
Estas propriedades místicas e mágicas da glândula pineal, o alquimista
do cérebro, não são novidade nenhuma, embora pareça que a ciência
moderna está só agora a descobrir aquilo que as antigas civilizações sempre
souberam.

© Steve Alexander
FIGURA 12.11
Este agroglífo, observado num campo agrícola em
Roundway, no Reino Unido, mostra a estrutura química da
melatonina... Talvez haja alguém a tentar dizer-nos alguma
coisa.
Melatonina, matemática, símbolos antigos e a glândula
pineal
A 23 de julho de 2011, foram observados uns misteriosos círculos, que
se assemelhavam muito à estrutura química da melatonina, numa região
rural de Inglaterra, em Roundway, perto de Devizes, no Wiltshire. (Observe
a figura 12.11.) Será este desenho uma sofisticada partida de alguém? Ou
estará alguém, algures noutra dimensão, a tentar dizer-nos alguma coisa?
Ao ler esta secção, pode decidir por si se estas coisas acontecem por acaso
ou por mão inteligente.
O cérebro tem dois hemisférios, e se o dividisse em partes iguais,
cortando-o ao meio, estaria a realizar o chamado corte sagital. Ao olhar
para o corte sagital na figura 12.12, preste especial atenção à localização e à
formação coletiva da glândula pineal, do tálamo, do hipotálamo, da
glândula pituitária e do corpo caloso. Esta formação fá-lo recordar de
alguma coisa? Concebida para representar proteção, poder e boa saúde, é o
antigo símbolo egípcio chamado Olho de Hórus. Será possível que tivesse
existido um ensinamento antigo sobre o sistema nervoso autónomo, o
sistema ativador reticular, o portal talâmico e a glândula pineal? Os egípcios
devem ter conhecido a importância do sistema nervoso autónomo e
compreendido que ativar a glândula pineal significava poder entrar noutro
mundo, ou noutras dimensões.66

FIGURA 12.12
Se cortar o cérebro ao meio, pode ver o cérebro límbico.
Olhe com atenção e notará uma semelhança marcante com o
Olho de Hórus.
No sistema de medidas egípcio, o Olho de Hórus também representava
um sistema de quantificação fracionário para medir partes de um todo. Na
matemática moderna, chamamos-lhe a sucessão de Fibonacci, ou a
sequência de Fibonacci. Como referi mais atrás neste livro, a sequência de
Fibonacci é uma fórmula matemática que se revela em todos os lugares na
natureza, aparecendo em padrões que podem ser observados em girassóis,
conchas, ananases, pinhas, ovos, e até na estrutura da nossa galáxia, a Via
Láctea. Também conhecida por espiral dourada, número de ouro ou
proporção áurea, a sequência de Fibonacci caracteriza-se pelo facto de que
cada número depois dos dois primeiros é a soma dos dois que o precedem.
Sobrepondo esta fórmula ao cérebro e começando a dividir quadrados e
depois a acrescentar mais quadrados, chega-se a um padrão fractal, um
padrão interminável que se repete em todas as escalas. Começando pela
glândula pineal, esta fórmula delineia a estrutura exata do cérebro (observe
a figura 12.13). Começa agora a pensar que, se calhar, há alguma coisa de
especial na glândula pineal?

FIGURA 12.13
Se seguir a proporção áurea, a sequência de Fibonacci, ao
longo do perímetro do cérebro, a espiral irá acabar exatamente
na localização da glândula pineal.
Na mitologia grega, Hermes era o mensageiro dos deuses e podia
mover-se livremente entre os planos terreno e divino. Era considerado um
deus das transições e das dimensões, bem como o guia da vida depois da
morte. O seu principal símbolo era o caduceu, que consiste em duas
serpentes entrelaçadas em torno de um bastão, no topo do qual surgem duas
asas. (Observe a figura 12.14) O caduceu, que Hermes usava como cajado,
é frequentemente considerado um símbolo de saúde. Acha que estas
serpentes entrelaçadas a subirem o bastão representam o movimento da
energia pela nossa coluna vertebral até ao cérebro, e que as asas
caracterizam a libertação da identidade quando a energia chega à glândula
pineal para representar a iluminação? A coroa representa o nosso máximo
potencial e a nossa maior expressão do divino quando ativamos a nossa
glândula pineal (representada pela pinha). A coroação do Eu é a conquista
do eu. Por isso é que escolhi esta imagem para a capa deste livro.

FIGURA 12.14
Meditação da sintonização das dimensões superiores do
tempo e do espaço.
Uma vez que os níveis de melatonina estão ao máximo entre a uma e as
quatro horas da manhã, essa é a altura ideal para fazer esta meditação.
Comece por ativar o seu centro do coração durante uma canção. Depois,
abençoe os seus centros de energia, começando pelo mais baixo, como
aprendeu na meditação da Bênção dos Centros de Energia, no capítulo 4.
Abençoe este centro de energia dedicando a sua atenção primeiro ao espaço
desse centro, e depois ao espaço à sua volta. Faça-o para o primeiro centro e
depois para o segundo centro de energia, e depois concentre a sua atenção
no primeiro e no segundo centros ao mesmo tempo. Prossiga este processo
com cada centro de energia, criando um campo superior ao ligar cada novo
centro de energia aos anteriores. Acabará por alinhar simultaneamente todos
os oito centros de energia e a energia à volta do seu corpo. Isto deve levar
cerca de 45 minutos. Depois deite-se durante cerca de 20 minutos, e deixe o
seu sistema nervoso autónomo acatar as ordens para equilibrar o corpo.
Seguidamente, sente-se e faça a respiração, trazendo essa energia
mesmo até ao topo da sua cabeça. Prenda a respiração e pressione os
músculos, comprimindo os cristais da glândula pineal, ativando-a dessa
forma, e criando um campo eletromagnético. Esse campo vai-se prolongar
até onde puder, e depois vai-se inverter e comprimir os cristais. Ao
aumentar a frequência, irá captar dimensões vibracionais cada vez mais
elevadas, e depois o seu cérebro irá usar essa informação para a transformar
em imagens. Uma última questão sobre esta respiração: quero frisar que não
é necessário fazer uma rápida inspiração profunda, apertar os músculos
intrínscos e depois prender a respiração até ficar roxo. Em vez disso, quero
que faça uma inspiração lenta e profunda, coordenando a respiração com a
contração dos seus músculos intrínsecos, e que sinta o ar a percorrer todo o
caminho até ao topo da sua cabeça.
Esta é a quarta forma de ativar a glândula pineal. Quando tiver
concluído a respiração, foque a sua atenção entre a parte detrás da garganta
e a sua nuca no espaço – está a localizar essa glândula, e ao focar aí a sua
atenção, está a pôr aí a sua energia. Mantenha a sua atenção nesse espaço
cerca de cinco a dez minutos. Depois, sinta a frequência e o espaço entre as
fronteiras da glândula. Irradie a energia para lá dessa sala, para o grande
espaço negro. Dirija essa energia para transportar a intenção de que essa
glândula distribua os seus metabolitos sagrados para a experiência mística.
Transmita essa informação para o espaço à volta da sua cabeça, no espaço.
Depois abra-se, sintonize a energia para lá da sua cabeça naquele vasto
e eterno espaço negro, e limite-se a receber. Quanto mais tempo estiver
consciente desta energia, e quanto mais conseguir receber esta frequência,
mais irá alterar e reforçar a melatonina e parar os seus metabolitos radicais.
Não espere que aconteça nada, não tente antecipar – limite-se a continuar a
receber. Finalmente, volte a deitar-se, e permita ao sistema nervoso
autónomo assumir o controlo. Aproveite a paisagem!
58 W. Pierpaoli, The Melatonin Miracle: Nature’s Age-Reversing,
Disease-Fighting, Sex-Enhancing Hormone (Nova Iorque: Pocket Books,
1996); R. Reiter e J. Robinson, Melatonin: Breakthrough Discoveries That
Can Help You Combat Aging, Boost Your Immune System, Reduce Your Risk
of Cancer and Heart Disease, Get a Better Night’s Sleep (Nova Iorque:
Bantam, 1996).
59 S. Baconnier, S. B. Lang, e R. Seze, “New Crystal in the Pineal
Gland: Characterization and Potential Role in Electromechano-
Transduction”, Assembleia-geral da URSI, Maastricht, Holanda, agosto de
2002.
60 T. Kenyon e V. Essene, The Hathor Material: Messages from an
Ascended Civilization (Santa Clara: S.E.E. Publishing Co., 1996).
61 R. Hardeland, R. J. Reiter, B. Poeggeler, e D. X. Tan, “The
Significance of the Metabolism of the Neurohormone Melatonin:
Antioxidative Protection and Formation of Bioactive Substances”,
Neuroscience & Biobehavioral Reviews, vol. 17, n.o 3: pp. 347-357 (Fall
1993); A. C. Rovescalli, N. Brunello, C. Franzetti, e G. Racagni,
“Interaction of Putative Endogenous Tryptolines with the Hypothalamic
Serotonergic System and Prolactin Secretion in Adult Male Rats”,
Neuroendocrinology, vol. 43, n.o 5: pp. 603-610 (1986); G. A. Smythe, M.
W. Duncan, J. E. Bradshaw, e M. V. Nicholson, “Effects of 6-methoxy-
1,2,3,4-tetrahydro-beta-carboline and yohimbine on hypothalamic
monoamine status and pituitary hormone release in the rat”, Australian
Journal of Biological Sciences, vol. 36, n.o 4: pp. 379-386 (1983).
62 S. A. Barker, J. Borjigin, I. Lomnicka, R. Strassman, “LC/MS/MS
Analysis of the Endogenous Dimethyltryptamine Hallucinogens, Their
Precursors, and Major Metabolites in Rat Pineal Gland Microdialysate”,
Biomedical Chromatography, vol. 27, n.o 12: pp.1690-1700 (dezembro de
2013), doi:10.1002/bmc.2981.
63 Hardeland, Reiter, Poeggeler, and Tan, “The Significance of the
Metabolism of the Neurohormone Melatonin.”
64 David R. Hamilton, Why Kindness Is Good for You (Londres: Hay
House UK, 2010), pp. 62-67.
65 R. Acher e J. Chauvet, “The Neurohypophysial Endocrine
Regulatory Cascade: Precursors, Mediators, Receptors, and Effectors”,
Frontiers in Neuroendocrinology, vol. 16: pp. 237-289 (julho de 1995).
66 D. Wilcox, “Understanding Sacred Geometry & the Pineal Gland
Consciousness”, palestra disponível no YouTube em
https://youtu.be/2S_m8AqJKs8?
list=PLxAVg8IHlsUwwkHcg5MopMjrec7Pxqzhi.
CAPÍTULO 13

PROJETO COERÊNCIA: FAZER UM MUNDO


MELHOR
Vivemos numa era de extremos, e esses extremos tanto podem ser um
reflexo de uma velha consciência que já não pode sobreviver como de uma
futura consciência na qual o próprio planeta Terra, e todos nós que aqui
vivemos, estamos em transformação. Esta velha consciência é guiada por
emoções de sobrevivência como o ódio, a violência, o preconceito, a raiva,
o medo, o sofrimento, a competitividade e a dor – emoções que servem para
nos persuadir a acreditarmos que estamos separados uns dos outros. A
ilusão da separação prejudica e divide indivíduos, comunidades, sociedades,
países, e a própria Mãe Natureza. A inconsciência, o descuido, a ganância e
o desrespeito pela atividade humana está a ameaçar a vida que conhecemos.
Em termos de pura lógica e razão, este tipo de consciência não pode resistir
por muito mais tempo.
Uma vez que tudo se move para polaridades extremas, é inegável que
muitos dos atuais sistemas – quer políticos, económicos, religiosos,
culturais, educacionais, médicos ou ambientais – estão a ser devastados
pelo colapso de paradigmas antiquados. Este fenómeno é particularmente
proeminente no jornalismo, em que já ninguém parece acreditar. Algumas
destas alterações refletem as escolhas das pessoas, enquanto outras refletem
níveis acrescidos de consciência pessoal. Uma coisa é contudo evidente:
nesta era da informação, tudo o que não estiver alinhado com a evolução
desta nova consciência vem à superfície.
Se não estiver seguro de que há um aumento de frequência e de energia
a ocorrer atualmente – um aumento na ansiedade, na tensão e na paixão –,
então poderá não estar a prestar atenção ao seu próprio estado de ser e à
interligação da humanidade a essa energia. Para além da turbulência nos
nossos altamente tensos ambientes político, social, económico e pessoal,
muitas pessoas sentem-se também como se o tempo estivesse a acelerar –
ou que há mais acontecimentos significativos a ocorrer num período de
tempo mais curto. Dependendo da sua perspetiva, pode ser uma altura
muito entusiasmante de despertar, ou um momento histórico de ansiedade.
Seja qual for o caso, o que é velho deve ser afastado ou aniquilado para que
o seu lugar possa ser ocupado por algo que seja mais funcional. É assim que
evoluem as pessoas, as espécies, as consciências, e até o próprio planeta.
Esta excitação da energia tanto nos seres humanos como na natureza
impõe várias perguntas: poderão estar em jogo influências superiores que
afetam a correlação da humanidade com a violência, a guerra, o crime e o
terrorismo – e, por outro lado, com a paz, a unidade, a coerência e o amor?
E há algum motivo para que tudo isto esteja a acontecer neste momento em
particular?
A história dos projetos de reuniões pela paz
Até agora, o poder dos projetos temporários de reuniões pela paz foi
demonstrado e testado a fundo por mais de 50 projetos de manifestação e 23
estudos com revisão científica escrutinados por académicos independentes
de todo o mundo67. Os resultados demonstram consistentemente um efeito
positivo na redução imediata do crime, da guerra e do terrorismo, em
média, acima dos 70 por cento68. Pense nisto por um instante. Um grupo de
pessoas reúne-se com a intenção específica ou a consciência coletiva de
transformar alguma “coisa” ou de produzir um resultado, e se o fizerem
com as emoções e a energia da paz, da unidade ou da união – sem fazer
fisicamente nada –, essa comunidade unida consegue produzir mudanças 70
por cento das vezes. Para quantificar o resultado destes estudos, os
cientistas usam uma medida chamada análise avanço/atraso.
O objetivo da análise avanço/atraso é descobrir correlações entre
pessoas e incidentes. Por exemplo, se olhar para a análise avanço/atraso de
um fumador, irá revelar que quanto mais uma pessoa fumar, maior a
probabilidade de desenvolver cancro do pulmão. Relativamente aos projetos
de reuniões de paz, os estudos mostraram que quanto maior o número de
meditadores ou manifestantes (combinado com a quantidade de tempo que
meditam), maior a influência da manifestação sobre a redução dos
incidentes de crime e violência na sociedade.
Um exemplo poderoso é o projeto de paz do Líbano, que agregou um
grupo de meditadores em Jerusalém, em agosto e setembro de 1983, para
demonstrar “a influência radiante da paz”. Embora o número de
meditadores variasse com o tempo, era frequentemente suficiente para obter
o efeito de super-radiância tanto em Israel como no vizinho Líbano. Este
efeito acontece quando um grupo de meditadores especialmente treinado se
junta à mesma hora, todos os dias, para criar e irradiar um efeito positivo
sobre a sociedade. Os resultados do estudo de dois meses mostraram que,
em dias com uma elevada participação de meditadores, houve uma redução
de 76 por cento entre os que morreram em batalha. Outros efeitos incluíram
menos crime e menos incêndios, menos acidentes de trânsito, menos
terrorismo, e mais crescimento económico. Os resultados foram então
reproduzidos em sete experiências consecutivas durante um período de dois
anos, no ponto alto da guerra do Líbano69. Tudo isto foi conseguido
simplesmente através da combinação da intenção das pessoas de paz e
coerência com as emoções elevadas do amor e da compaixão. Isto mostra
claramente que, quanto mais unificada for a consciência de um grupo de
pessoas dentro de uma energia elevada específica, mais ela pode alterar a
consciência e a energia de outros de uma forma não-localizada.
Naquele que foi considerado um dos três estudos mais importantes
sobre reuniões de paz no hemisfério ocidental, o think tank RAND
Corporation reuniu um grupo de quase 8000 (e por vezes mais) meditadores
treinados para se focarem na paz mundial e na coerência durante três
períodos, cada um deles entre 8 e 11 dias, de 1983 a 1985. Os resultados
revelaram que, durante esse tempo, o terrorismo mundial se reduziu em 72
por cento70. Consegue imaginar os resultados e os efeitos positivos, bem
como a velocidade com que iriam ocorrer, se este tipo de meditação e de
atenção plena fizesse parte do currículo educativo?
Em mais outro estudo, este realizado na Índia, entre 1987 e 1990, 7000
pessoas reuniram-se para se concentrarem na paz mundial. Durante este
período de três anos, o mundo assistiu a transformações notáveis no
caminho para a paz mundial: acabou a guerra fria, caiu o muro de Berlim, a
guerra Irão-Iraque chegou ao fim, a África do Sul começou a avançar no
sentido de abolir o apartheid, e os ataques terroristas diminuíram. O que
surpreendeu toda a gente foi a rapidez com que estas alterações globais
aconteceram, todas de uma forma relativamente pacífica71.
Em 1993, entre 7 de junho e 30 de julho, aproximadamente 2500
meditadores reuniram-se em Washington, numa experiência altamente
controlada para se concentrarem na paz e na energia coerente. Durante os
primeiros cinco meses do ano, o crime violento crescera continuamente
mas, assim que se iniciou o estudo, começou a registar-se uma diminuição
significativa na violência (medida pelos Relatórios Uniformes sobre o
Crime do FBI), no crime e no stress em Washington72. Estes resultados
apontam para o facto de que um grupo relativamente pequeno, unido no
amor e no objetivo, pode ter um efeito estatisticamente significativo sobre
uma população diversificada.
No dia 11 de setembro de 2001, devido ao impacto imediato dos media,
os seres humanos de todo o planeta puderam sentir o horror, o choque, o
medo, o terror e a tristeza ao verem os aviões colidir no World Trade Center
em Nova Iorque, no Pentágono, em Washington, e num campo perto de
Shanksville, na Pensilvânia. Num instante, a consciência coletiva do mundo
ficou ligada a este acontecimento. Poderosas reações emocionais foram
sentidas em todo o mundo, com pessoas a juntarem-se, a formar
comunidades, a tomar conta umas das outras.
Nesse dia, durante o desenrolar dos tristes acontecimentos, alguns
cientistas do Global Consciousness Project, da Universidade de Princeton,
recolheram dados através da Internet em mais de 40 aparelhos em todo o
mundo. Com os dados a chegarem a um servidor central em Princeton, no
estado de Nova Jérsia, os cientistas assistiram a mudanças dramáticas nos
padrões do seu gerador aleatório de eventos. (Pense num gerador de eventos
aleatório como atirar uma moeda ao ar por computador. Serve para medir
cara ou coroa, ou uns e zeros, e segundo as estatísticas deve produzir
resultados quase de 50/50.) As mudanças dramáticas nos padrões logo a
seguir aos acontecimentos fizeram os cientistas determinar que a resposta
emocional coletiva das reações das pessoas era a tal ponto, que podia até ser
medida no campo magnético da Terra.73
Todos estes estudos apontam na mesma direção: há provas significativas
de que a meditação em grupo de dimensões apropriadas, com pessoas
capazes, que consigam alterar as suas emoções e a sua energia, podem
influenciar e gerar efeitos não-localizados e mensuráveis de paz e coerência
a nível global. Se estes projetos de reuniões de paz são uma força pela
coerência por toda a sociedade, haverá forças contrárias que possam estar a
trabalhar contra os seres humanos para produzir incoerência?
A relação da Terra com os ciclos solares
Devido à rotação diária da Terra em torno do seu próprio eixo, todas as
manhãs o Sol leva a luz à escuridão, o calor e o conforto ao frio da noite,
fotossíntese para as plantas, e segurança para os seres humanos. É por este
motivo que, já há 14 000 anos a.C., o culto do Sol foi registado em blocos
de pedra e nas paredes de cavernas. Inúmeras mitologias (incluindo
algumas civilizações no Antigo Egito e na Mesopotâmia, os Maias e os
Astecas, e os aborígenes da Austrália, só para falar de algumas) louvaram o
Sol como digno de veneração, bem como fonte de iluminação e sabedoria.
Independentemente da localização, a maior parte das culturas reconhece o
Sol como o principal fator da vida na Terra porque, sem ele, não haveria
vida.
No essencial, os seres humanos são criaturas eletromagnéticas
(entidades que constantemente enviam e recebem mensagens através de
energias vibracionais) cujos corpos são compostos por luz e informação
gravitacionalmente organizadas. (Na verdade, tudo o que é material neste
mundo tridimensional é força gravitacional organizada.) Tal como somos
seres individuais eletromagnéticos, somos também um pequeno elo numa
cadeia de um mundo eletromagnético, cujas partes não podem ser separadas
do todo.
Em grande escala, é impossível negar a interconectividade entre a
energia do Sol, a energia da Terra e a energia de todas as espécies vivas. A
um nível micro, basta olhar para o ciclo da vida de um fruto ou de um
vegetal para compreender esta interdependência. Frutos ou vegetais
começam como uma semente, e quando as condições ambientais, tais como
a água e a temperatura, um solo rico em nutrientes e a fotossíntese se unem,
estas condições permitem à semente germinar. A semente acaba por
florescer e torna-se uma parte integrante do ecossistema, bem como fonte
de alimento para várias formas de vida. Esta cadeia complexa e este
delicado equilíbrio começa com a localização única da Terra no nosso
sistema solar. Conhecida como a zona circum-estelar habitável, esta é uma
área de distância orbital à volta de uma estrela (o nosso Sol) na qual um
planeta pode ter água em estado líquido.
Embora o Sol esteja a quase 150 milhões de quilómetros, a atividade
solar tem consequências significativas para a Terra, uma vez que o Sol e a
Terra estão relacionados por campos eletromagnéticos. A missão do campo
eletromagnético da Terra (observe a figura 13.1) é protegê-la dos efeitos
nocivos da radiação e das manchas solares, dos raios cósmicos e de outras
formas de clima espacial. Embora não sejam completamente
compreendidas, as manchas solares são áreas relativamente escuras e frias
do Sol, causadas por interações dentro do seu campo magnético; podem
chegar a ter mais de 50 mil quilómetros de diâmetro. Pode pensar nas
manchas solares como a tampa de uma garrafa de refrigerante; se abanar a
garrafa e depois tirar a tampa, vai produzir a libertação de uma grande
quantidade de fotões (luz) e de outras formas de radiação de elevada
frequência.74

FIGURA 13.1
O campo eletromagnético da Terra.
Se não fosse pela proteção e pelo isolamento dos campos
eletromagnéticos da Terra, a vida que conhecemos não poderia existir, pois
seríamos constantemente bombardeados por uma corrente constante de
partículas mortíferas. Por exemplo, quando há erupções solares, o campo
eletromagnético da Terra protege o planeta ao desviar biliões de toneladas
de emissões fotónicas, as ejeções de massa coronal. Trata-se de enormes
explosões de plasma e campos magnéticos da coroa solar, que podem
projetar-se no espaço por milhões de quilómetros. Os seus efeitos tendem a
chegar à Terra, em média, 24 a 36 horas depois de ocorrerem.
Estas ejeções comprimem o campo da Terra, aquecendo o núcleo de
ferro do planeta. A alteração deste núcleo resulta numa mudança do campo
eletromagnético do planeta. Estas ejeções fazem parte dos ciclos solares que
ocorrem em intervalos de aproximadamente 11 anos – e têm o potencial
para perturbar todos os organismos vivos na Terra.
Há registos dos ciclos solares desde 1755. Mas em 1915, um jovem
russo de 18 anos, chamado Alexander Chizhevsky, passou o verão a
observar o Sol e as conclusões a que chegou elevaram para outro nível o
conhecimento da humanidade sobre a relação entre a Terra e a sua estrela.
Nesse verão, ele colocou a hipótese de que os períodos de atividade solar
pudessem ter efeitos sobre o mundo orgânico. Um ano mais tarde,
participou na Primeira Guerra Mundial, ao serviço do exército russo, e
quando não estava em combate, aproveitava a oportunidade para continuar
a fazer as suas observações do Sol. Notou em particular que as batalhas
tendiam a ganhar ou a perder intensidade segundo a força das erupções
solares (observe o gráfico 14 do extratexto a cores)75. Posteriormente,
Chizhevsky reuniu as histórias de 72 países, entre 1749 e 1926, comparando
o número anual de eventos sociais e políticos importantes (tais como, o
início de uma guerra, revoluções, surtos de doenças e violência) com o
aumento da atividade solar, demonstrando uma correlação entre a atividade
do Sol e a exacerbação humana. De igual forma, a atividade solar também
foi associada a grandes progressos da humanidade, como as inovações em
arquitetura, ciência e arte, e transformações sociais.76
Em todos os sítios em que observar a linha vermelha a subir no gráfico
representa uma erupção ou uma mancha solar ativa que ocorreu entre os
anos 1750 e 1922. As linhas azuis representam acontecimentos
historicamente importantes que tiveram lugar no mesmo período.
Chizhevsky chegou à conclusão de que 80 por cento dos acontecimentos
mais significativos desses países tiveram lugar durante eventos solares e
atividade geomagnética77. A erupção solar de energia – que transporta
sempre informação – parece estar em coerência quase perfeita com as
atividades, com a energia e com a consciência do nosso planeta. Acontece
que, na altura em que este livro foi escrito, em 2017, estamos a meio de um
ciclo solar muito ativo.
Na última década, muito foi dito sobre como esta energia solar está a
afetar o nosso planeta e toda a vida que nele habita. Em 2012, os profetas da
desgraça profetizaram que, terminando o calendário maia em 2012, que está
correlacionado com o solstício de dezembro, isso significava a iminência do
fim do mundo. Hoje em dia, os astrólogos falam sobre a Era de Aquário
(uma era astrológica é um período que compreende aproximadamente 2150
anos e que corresponde ao tempo médio que o equinócio vernal leva a
mover-se de uma constelação do zodíaco para a seguinte), e sobre como irá
desencadear uma nova consciência da humanidade. Os astrónomos e os
cosmólogos falam de um alinhamento galáctico, um evento astronómico
raro que ocorre a cada 12 960 anos, em que o Sol se alinha com o centro da
Via Láctea.
Independentemente daquilo em que acredita, todas estas ocorrências
apontam para ciclos solares que aumentam a energia que vem em direção da
Terra vinda do Sol. Como somos criaturas eletromagnéticas, ligadas à Terra
e protegidas do Sol por campos eletromagnéticos, este aumento de energia
do Sol vai mudar tanto a energia da Terra como a de cada um de nós. Isto
quer dizer que a nossa nova energia tem o potencial de influenciar os seres
humanos tanto de forma positiva como de forma negativa, dependendo da
nossa energia individual. Por exemplo, se sentir separação, viver por
emoções de sobrevivência escravizado pelas hormonas e pelos químicos do
stress, o seu cérebro e o seu coração vão ativar-se incoerentemente. Isso
fará com que a sua energia e a sua consciência se dividam e desequilibrem,
e o aumento em energia do Sol irá reforçar esse estado de ser. Portanto, se
viver em incoerência, essa incoerência será aumentada.
Da mesma forma, se viver num alinhamento coerente de cabeça e
coração, se trabalhar diariamente nas suas meditações para se ligar ao
campo unificado e ultrapassar as suas crenças e as suas atitudes limitadas,
irá ser impulsionado para ainda mais longe na verdade e na compreensão de
quem é e de qual é o seu objetivo.
O importante é que estamos a meio de uma iniciação, e vamos precisar
de grandes doses de força de vontade, perceção e consciência para
mantermos a nossa concentração e não sucumbirmos a essas energias
excitáveis. Se mantivermos o nosso foco, em vez de sermos vítimas da
incerteza, podemos transformar essa energia em níveis mais elevados de
ordem, coerência, e até de paz, tanto pessoal como globalmente. Numa
linguagem mais simples, esta energia vai reforçar quem é – isto é, como se
sente e como pensa.
A ressonância Schumann
Em 1952, o físico e professor alemão W. O. Schumann pôs a hipótese
de haver ondas eletromagnéticas mensuráveis na atmosfera, na cavidade (ou
espaço) entre a superfície da Terra e a ionosfera. Segundo a NASA, a
ionosfera é uma camada abundante de eletrões, iões ionizados e moléculas
que ocupam uma área de aproximadamente 50 quilómetros acima da
superfície da Terra até ao limite do espaço, perto de 1000 quilómetros para
cima. Esta região dinâmica cresce e encolhe (e divide-se em sub-regiões)
com base nas condições solares, e é um elo crítico na cadeia das interações
Sol-Terra78. É esta “central energética celestial” que torna as comunicações
radiofónicas possíveis.
Em 1954, Schumann e H. L. König confirmaram a hipótese de
Schumann, ao detetarem ressonâncias a uma frequência de 7.83 Hz; a
“ressonância Schumann” foi definida ao medir ressonâncias
eletromagnéticas globais geradas e excitadas por descargas de relâmpagos
na ionosfera. Pode pensar nesta frequência como um diapasão para a vida.
Por outras palavras, funciona como uma frequência de fundo que influencia
os circuitos biológicos do cérebro mamífero (o cérebro subconsciente sob o
neocórtex, que é também a casa do sistema nervoso autónomo). A
frequência Schumann afeta o equilíbrio dos nossos corpos, a nossa saúde, e
a nossa natureza de mamíferos. Na verdade, a ausência da ressonância de
Schumann pode provocar graves problemas de saúde física e mental no
corpo humano.
Este facto foi demonstrado através da investigação do cientista alemão
Rutger Wever, do Instituto Max Planck de Fisiologia Comportamental, em
Erling-Andechs, na Alemanha. No estudo, ele pôs jovens estudantes
saudáveis, durante períodos de quatro semanas, em búnqueres subterrâneos
selados, onde a frequência Schumann era bloqueada. Ao longo das quatro
semanas, os ritmos circadianos dos estudantes foram-se alterando, fazendo-
os sofrer de enxaquecas e problemas emocionais. Quando Wever
reintroduziu a frequência Schumann nos búnqueres, bastou uma breve
exposição aos 7.83 Hz para que a saúde dos voluntários voltasse ao
normal.79
Pelo que sabemos, o campo eletromagnético da Terra protegeu e apoiou,
desde sempre, todos os seres vivos com esta pulsação natural de frequência
7.83 Hz. Pode pensar na ressonância Schumann como o batimento cardíaco
da Terra. Os antigos indianos ríshis referiam-se a ela como OM, ou
encarnação do puro som. Por coincidência ou não, 7.83 Hz também é uma
frequência muito poderosa no controlo de ondas cerebrais, pois está
associada a níveis baixos de ondas alfa e à faixa mais alta de estados de
ondas teta. É esta banda de ondas cerebrais que nos permite ir para lá da
mente analítica e entrar no subconsciente. Assim, esta frequência tem
também sido associada a elevados níveis de sugestionabilidade, meditação,
níveis acrescidos da hormona de crescimento humano, e níveis superiores
de fluxo de sangue no cérebro80. Parece, então, que a frequência da Terra e
a do cérebro têm ressonâncias muito semelhantes, e que o nosso sistema
nervoso pode ser influenciado pelo campo eletromagnético do nosso
planeta. Talvez seja por este motivo que sair da cidade e ir passear na
natureza tem tantas vezes um efeito tranquilizante.
O conceito da emergência
Em 1996, investigadores do Instituto HeartMath descobriram que,
quando o coração de um indivíduo está num estado de coerência ou ritmo
harmonioso, irradia um sinal eletromagnético mais coerente para o
ambiente – e que esse sinal pode ser detetado pelo sistema nervoso de
outras pessoas, bem como de animais. Como já sabe, o coração gera o
campo magnético mais forte do corpo, que pode ser medido a metros de
distância81. Eis uma explicação credível para o facto de que quando alguém
entra numa sala seja possível sentir o seu estado emocional ou de humor,
independentemente da sua linguagem corporal82. De um ponto de vista
puramente científico, podemos então perguntar, se este fenómeno funciona
a nível individual, poderá também funcionar a nível global?
Em 2008, mais de uma década depois, o Instituto HeartMath lançou a
Iniciativa para a Coerência Global (ICG), uma abordagem científica, um
esforço internacional para ajudar a ativar o coração da humanidade de
forma a promover a paz, a harmonia e uma mudança na consciência global.
A ICG baseia-se na convicção de que:
1. A saúde, os pensamentos, as emoções e os comportamentos
humanos são influenciados pela atividade geomagnética (o campo
magnético da Terra) solar;
2. O campo magnético da Terra transporta informação
biologicamente relevante que liga todos os sistemas vivos;
3. Todos os seres humanos influenciam o campo eletromagnético de
informação vital da Terra;
4. A consciência coletiva humana, em que um grande número de
pessoas se focam intencionalmente em estados centrados no
coração, cria ou afeta o campo de informação global. Portanto,
emoções elevadas de amor, afeto e paz podem gerar um ambiente
de campo mais coerente, que pode beneficiar outros e ajudar a
mitigar a discórdia, e a incoerência, planetária contemporânea.83
Uma vez que o ritmo cardíaco humano e as frequências cerebrais (bem
como os sistemas cardiovascular e nervoso autónomo) se sobrepõem ao
campo de ressonância da Terra, os cientistas da ICG sugerem que fazemos
parte de um ciclo biológico, em que não só recebemos informação biológica
relevante do campo magnético, como também lhe transmitimos
informação84. Por outras palavras, pensamentos (consciência) e emoções
(energia) de seres humanos interagem com esta informação e codificam-na
no campo magnético da Terra; a informação é depois distribuída em ondas
de transporte (o sinal no qual a informação é registada ou transportada) pelo
globo.
Para fazer progredir a sua investigação e testar esta hipótese, com
recurso a sensores de alta tecnologia localizados em vários pontos do
mundo, o Instituto HeartMath criou o Sistema de Observação da Coerência
Global (SOCG) para seguir as alterações no campo magnético da Terra.
Concebido para medir a coerência global, o SOCG usa um sistema de
magnetómetros altamente sensível para medir continuamente sinais
magnéticos que ocorrem na mesma banda que as frequências fisiológicas
humanas, incluindo os nossos sistemas cerebral e cardiovascular. Também
observam continuamente a atividade causada por tempestades e erupções
solares, e a atividade de ventos solares resultante de tempestades solares,
perturbações da ressonância Schumann, e potencialmente a assinatura de
grandes eventos globais que tenham um forte componente emocional.85
Por que razão o fazem, e em que direção é que isso aponta? Se
conseguir intencionalmente criar um campo eletromagnético coerente à
volta do seu corpo, e se estiver ligado a alguém na sua vida que também
esteja intencionalmente a criar um campo eletromagnético à volta do seu
corpo, as ondas deste campo partilhado começarão a sincronizar-se de uma
forma não-localizada. A sincronização das ondas de ambos os indivíduos
gera ondas maiores e campos magnéticos mais fortes à sua volta, ligando-o
ao campo eletromagnético da Terra com um campo de influência acrescido.
Se pudéssemos criar uma comunidade e espalhar essas pessoas pelo
mundo, com cada uma delas a elevar intencionalmente a energia do seu
próprio campo pessoal no sentido de mais paz, não seria possível que esta
comunidade começasse a produzir um efeito global dentro do campo
eletromagnético da Terra? Esta comunidade intencional podia então criar
coerência onde há incoerência, e ordem onde há desordem.
Os dados dos estudos sobre reuniões de paz sugerem que os nossos
pensamentos e sentimentos têm de facto um efeito mensurável em cada
sistema vivo. Pode ter ouvido falar disto como o conceito de emergência –
imagine a sincronia de um cardume ou de um bando de pássaros a voar em
uníssono, em que todas as criaturas parecem operar com uma só mente,
ligada por um campo invisível de energia, de forma não-localizada. O que é
único neste fenómeno é que ele não é hierarquizado – ou seja, não há líder.
Em vez disso, é um fenómeno de baixo para cima, isto é, todos lideram
porque agem como uma só mente. Quando uma comunidade global se une
em nome da paz, do amor e da coerência, segundo a emergência, devemos
todos ser capazes de produzir um efeito no campo eletromagnético da Terra,
bem como no campo uns dos outros. Imagine, então, como seria se nos
portássemos, vivêssemos, crescêssemos e trabalhássemos como um só. Se
compreendêssemos que somos uma única mente – um organismo ligado e
unido pela consciência – iríamos compreender que magoar outra pessoa, ou
afetá-la de alguma forma, é fazer o mesmo a nós próprios. Este novo
paradigma no pensamento seria o maior salto evolutivo de sempre da nossa
espécie, fazendo com que a necessidade de brigar, combater, competir,
temer e sofrer passasse à história. Mas como é que esta possibilidade pode
converter-se em realidade?
Coerência versus incoerência
Para criarmos algum efeito no campo da Terra (que por sua vez pode
influenciar o campo de outro indivíduo), como poderá imaginar, é preciso
ativar dois centros significativos no corpo humano: o coração e o cérebro.
Como aprendemos no capítulo 4, embora o cérebro seja de facto o centro da
consciência e da perceção, o coração – centro da unidade, da integridade e
da nossa ligação ao campo unificado – tem o seu próprio cérebro. As
pessoas que conseguem regular os seus estados interiores de ternura, paz,
amor, gratidão, agradecimento e reconhecimento, cujos corações estão mais
coerentes e equilibrados, enviam um sinal muito forte ao cérebro, que faz
com que este se torne mais coerente e equilibrado. Isto é assim porque o
coração e o cérebro estão em comunicação contínua um com o outro.
Da mesma forma, assim que alguém passa para lá da associação ao seu
corpo, ao seu ambiente e ao seu tempo, e desvia a atenção da matéria e dos
objetos, deixa de ter corpo, passa a não ser ninguém, nada, em lugar
nenhum, fora do tempo. Como por esta altura já terá compreendido, ao ir
para lá de si próprio e ao pôr a consciência no mundo imaterial da energia,
liga-se ao campo unificado, o lugar onde já não há separação entre corpos,
indivíduos, coisas, lugares, tempo. Isto faz com que se una à consciência de
cada corpo, cada indivíduo, cada coisa e cada lugar em cada tempo. Sendo
consciência, entrou agora no campo quântico da energia e da informação,
onde a consciência e a energia podem influenciar o mundo material de uma
forma não-localizada.
O efeito secundário deste processo é gerar mais coerência no cérebro e
na nossa energia, de tal forma que a nossa biologia se torna mais íntegra. Na
nossa investigação, concluímos que, quando o cérebro se torna mais
coerente, afeta o coração e o sistema nervoso autónomo. O coração, nossa
ligação ao campo unificado, age então como catalisador que amplifica o
processo de coerência de regresso ao cérebro. Porque o coração envia mais
informação para o cérebro do que o cérebro para o coração, quanto mais
coerência conseguir pelas elevadas emoções do coração, mais o cérebro e o
coração se sincronizam. Esta sincronização produz efeitos mensuráveis não
só dentro do corpo mas também dentro do campo eletromagnético à volta
do corpo – e, quanto maior o campo que produzirmos à volta do nosso
corpo, mais poderemos afetar os outros de forma não-localizada. Como é
que sabemos isto? Porque o testemunhámos repetidamente nas medidas de
VFC dos nossos estudantes.
As provas da influência do campo eletromagnético do coração sobre o
campo do coração de outro indivíduo podem também ser observadas num
estudo do HeartMath, no qual 40 participantes foram divididos em grupos
de quatro, à volta de dez mesas. Os ritmos cardíacos dos quatro
participantes em cada mesa estavam a ser medidos, mas só três pessoas
foram treinadas para elevar as suas emoções através de técnicas HeartMath.
Quando os três participantes treinados elevaram a sua energia e enviaram
sentimentos positivos ao participante sem treino, essa pessoa também
ascendeu a estados elevados de coerência. Os autores do estudo concluíram
que “foram encontradas provas de sincronização coração a coração entre
indivíduos, o que dá credibilidade à hipótese de biocomunicação coração a
coração”86.
A chave do processo de coerência está em ir para lá da mente analítica.
(Sabemos que é assim porque o medimos muitas vezes nos exames
cerebrais aos nossos estudantes. A sua participação também demonstrou
que, com treino suficiente, a coerência pode ser conseguida num período de
tempo relativamente curto.) Depois de silenciar o cérebro pensante, este
passa para estados de ondas cerebrais alfa ou teta, e isso abre a porta entre a
mente consciente e a mente subconsciente. O sistema nervoso autónomo
fica então mais recetivo à informação. Ao elevarmos a nossa energia através
dos sentimentos de emoções elevadas, somos menos matéria e mais energia,
menos partícula e mais onda. Quanto maior o campo que conseguirmos
criar com essas energias – como energia, perceção e consciência –, mais
poderemos influenciar os outros de uma forma não-localizada.
Quanto mais energia conseguir criar através das emoções elevadas do
coração, mais irá ligar-se ao campo unificado, o que significa que irá viver
com mais integridade, mais ligação, e mais unidade. Mas não pode viver
essa ligação se for incoerente, ou se sentir separação, ou se viver segundo as
hormonas do stress. Quando os químicos libertados durante o stress excitam
o cérebro, iremos sentir-nos desligados do campo unificado e tenderemos a
fazer escolhas menos evoluídas. Sabemos, para lá de todas as dúvidas, que
as emoções da competitividade, do medo, da raiva, da vergonha e da culpa
nos separam uns dos outros, porque produzem frequências mais lentas e
mais baixas do que as emoções elevadas como o amor, a gratidão, a ternura
e a afabilidade, que produzem frequências mais rápidas e mais profundas.
Também sabemos que quanto mais rápida for a frequência, mais energia
está presente. O que nos faz colocar várias perguntas:
E se reuníssemos numa sala uma comunidade de várias centenas
de pessoas, e as fizéssemos abrir os seus corações e gerar elevados
estados de energia, e depois lhes pedíssemos que enviassem a
intenção para o bem maior de um grupo seleto de pessoas
reunidas no mesmo sítio?
Que aconteceria se o campo eletromagnético à volta do corpo de
cada pessoa se fundisse com o campo eletromagnético da pessoa
sentada ao lado dela?
Poderiam estes estados emocionais elevados começarem a
produzir depois uma alteração na energia da sala?
Seria possível que todos os que experienciaram energia e emoções
elevadas pudessem começar a criar coerência dentro de uma
comunidade?
Construir um campo coerente coletivo
Desde o início de 2013 que estabelecemos uma parceria com os nossos
amigos no Instituto HeartMath para alargar a nossa investigação. Desde que
começámos a medir os estados fisiológicos dos estudantes, sondámos
milhares de cérebros e de corações, resultando numa quantidade
significativa de informação. Ficámos assoberbados e perplexos com alguns
dos dados que recolhemos, quando pessoas normais começaram a fazer o
invulgar.
Ao longo desta viagem, em colaboração com o HeartMath,
testemunhámos medições espantosas nos nossos estudantes. Fizemos
medições igualmente espantosas da energia coletiva nas salas onde se
juntavam os nossos estudantes – medições que mostravam aumentos diários
e consistentes de energia – recorrendo a um sofisticado sensor russo
chamado Sputnik (referido de passagem no capítulo 2).
Uma vez que as emoções elevadas, relacionadas com a atividade do
sistema nervoso autónomo, produzem campos eletromagnéticos, reforçar
essas emoções resulta em alterações na microcirculação do sangue, na
transpiração e em outras funções do corpo. Sendo o Sputnik tão sensível,
consegue quantificar flutuações ambientais ao medir alterações
barométricas, a humidade relativa, a temperatura do ar, os campos
eletromagnéticos, e muito mais.87
Observe os gráficos 15A e 15B no extratexto a cores. Nas medições que
fizemos nos nossos seminários, pode ver uma tendência que demonstra o
aumento de energia coletiva na sala. A primeira linha a vermelho é a nossa
medida de base, e representa a energia na sala antes do início do evento. Ao
olhar para as linhas vermelha, azul, verde e finalmente a linha castanha
(cada cor representa um dia diferente), pode ver que, em cada dia, a energia
aumenta gradualmente. Nos gráficos 15C e 15D, aplica-se a mesma escala
de cores; contudo, essas medições refletem um intervalo específico durante
as meditações matinais de cada dia. Isto significa que os nossos estudantes
estão a ficar melhores a elevar a energia na sala através da criação de mais
coerência unificada.
As leituras do Sputnik demonstram que a energia coletiva criada pelos
nossos estudantes, desde o primeiro dia até ao último dia dos seminários,
vai tendo aumentos graduais. Dentro dessa tendência, descobrimos que a
maioria dos grupos está extremamente focada e que a energia sobe todos os
dias. Em cerca de um quarto dos grupos, a energia mantém-se relativamente
igual no primeiro ou no segundo dias, mas nos dias seguintes há um
aumento de energia significativo. Acreditamos que isto se passa porque nos
primeiros dias o grupo está a trabalhar com o objetivo de se superar,
rompendo os laços de energia emocional que o acorrentava à sua realidade
passado-presente. Nesse período, os estudantes recorriam ao campo
unificado para construir o seu campo eletromagnético individual. Este
desvio do campo tende a fazer com que a energia coletiva na sala diminua.
Mas assim que estes campos individuais ficam maiores, mais elevados e
mais coerentes, reforçam-se uns aos outros, e é nessa altura que
costumamos assistir a melhorias radicais de energia na sala.
A figura 13.2 mostra que, quando duas ondas coerentes se unem, criam
uma onda maior. A isto se chama interferência construtiva. Quanto maior a
onda, maior a amplitude de energia. Devido à união das ondas mais
coerentes dos nossos estudantes durante os seminários, a energia do campo
do grupo aumenta, e há então mais energia para curar e gerar ou aceder a
níveis superiores da mente, que pode por vezes levar a experiências
místicas.
FIGURA 13.2
A interferência construtiva é a união de duas ondas
coerentes para gerar uma onda maior. A amplitude é a medida
da altura de uma onda. Quanto mais alta a amplitude, maior a
energia. Se uma comunidade se reunir e criar campos
eletromagnéticos coerentes quando as suas energias
interferirem, faz sentido que a energia na sala aumente.
Eu e a minha equipa fomos repetidamente surpreendidos pela cura
profunda dos nossos estudantes, pela sua capacidade de aumentar e regular
estados elevados, e pelas suas narrativas de experiências místicas ou de
inspirações profundas sobre as suas vidas, alcançadas em consequência da
forma como aprenderam a regular as suas ondas cerebrais, a abrir os seus
corações e a ir para a coerência. Algumas destas ocorrências podem ser
descritas como milagres, mas pensamos que é apenas parte do processo de
ser sobre-humano. Isto levou-nos a imaginar se os nossos estudantes
poderiam afetar o sistema nervoso de outros e, nesse caso, quais seriam as
consequências. Estas questões conduziram à elaboração do Projeto
Coerência.
Projeto Coerência
Em colaboração com o Instituto HeartMath, realizámos inúmeras
experiências nos nossos seminários avançados nas quais utilizámos uma
amostragem aleatória simples em cerca de 50 a 75 pessoas. Ligámos
monitores de VFC ao peito dos voluntários e pusemo-los na primeira fila da
sala para três meditações ao longo de 24 horas. Uma vez que a VFC não só
permite compreender a coerência cardíaca como também nos dar
informação sobre o cérebro e as emoções, queríamos medir-lhes a VFC
durante 24 horas.
Para começar a meditação, toda a gente na sala dedicava a sua atenção
ao seu centro do coração, e começava a respirar por este centro lenta e
profundamente, como aprendeu a fazer no capítulo 7. Depois, cultivaram e
mantiveram uma emoção elevada durante dois a três minutos, alargando o
campo eletromagnético dos seus corações, e movendo-se de um estado de
egoísmo para um estado de altruísmo. Depois, dissemos ao coletivo de 550
a 1500 estudantes para transmitirem a energia das suas emoções elevadas
para lá do seu corpo, para o espaço de toda a sala. A seguir, pedimos-lhes
que projetassem o pensamento intencional nessa frequência para o bem
maior dos estudantes sentados na frente da sala, que tinham os monitores de
VFC – que as suas vidas seriam enriquecidas, os seus corpos curados, e que
as experiências místicas iriam ao seu encontro.
O nosso objetivo era medir a energia coletiva na sala e o seu efeito
potencial não-localizado sobre as pessoas que tinham os monitores de VFC.
Poderiam estes níveis elevados de energia e frequência sob a forma de
amor, gratidão, integridade e alegria fazer com que o coração de outra
pessoa entrasse em coerência – mesmo que ela estivesse do outro lado da
sala? Os nossos resultados confirmaram esta hipótese. Não só a energia
transmitida produziu um efeito coerente sobre as pessoas que usavam os
monitores de VFC, mas também cada um dos seus corações entrou em
coerência exatamente no mesmo instante, exatamente na mesma meditação,
exatamente no mesmo dia – e isto não aconteceu só uma vez.
Repetidamente nos deparámos com resultados consistentes nos nossos
seminários. Que significa isto?
Os nossos objetivos contribuem para a crença da Iniciativa para a
Coerência Global do Instituto HeartMath de que existe um campo invisível
através do qual a informação é comunicada. Este campo invisível influencia
e liga-se a todos os sistemas vivos, bem como à nossa consciência humana
coletiva. Devido a este campo, a informação é comunicada não localmente
entre pessoas a um nível subconsciente através do sistema nervoso
autónomo88. Por outras palavras, estamos unidos e ligados por este campo
de energia, e este campo pode afetar os comportamentos, os estados
emocionais e os pensamentos conscientes ou inconscientes de todos.
Porque todas as frequências transportam informação, os campos
magnéticos produzidos nos corações dos estudantes funcionaram como
ondas de transporte para esta informação. Se nos nossos seminários
conseguimos produzir efeitos não-localizados nos outros, não deverão as
nossas emoções elevadas e centradas no coração ser capazes de produzir
efeitos não-localizados nos nossos filhos, parceiros, colegas, e em todas as
pessoas com quem tenhamos uma relação, ou a que estejamos ligados?
Se olhar para a figura 13.3, irá ver 17 pessoas a entrar em coerência
cardíaca exatamente ao mesmo tempo, exatamente no mesmo dia,
exatamente na mesma meditação. Todos estes estudantes que entraram em
coerência cardíaca foram projetados pela energia de outros. Os estudantes
que enviavam a energia abriam-se à intenção para o bem maior das pessoas
com os monitores de frequência cardíaca. Os resultados mostram que,
quando não somos um obstáculo para nós próprios, podemos tornar-nos
numa mente e ligar-nos não localmente uns aos outros. Através dessa
ligação, podemos influenciar o sistema nervoso autónomo de outros para
que eles se sintam mais equilibrados, coerentes e íntegros. Imagine o que
aconteceria se tivéssemos milhares de pessoas a fazer a mesma coisa por
todo o mundo.
Pouco tempo depois destes eventos coletivos de meditação, começámos
a receber e-mails dos nossos estudantes a perguntar-nos se, visto que
tínhamos mostrado que era de facto possível criar uma mudança
mensurável na energia de uma sala onde se reuniam entre 550 a 1500
pessoas, poderíamos então produzir o mesmo efeito numa escala global?
Foram assim os nossos estudantes que nos pediram que organizássemos
meditações a nível global, fazendo nascer o Projeto Coerência.
Transmitimos o nosso primeiro Projeto Coerência pelo Facebook, em
novembro de 2015, com mais de 6000 pessoas de todo o mundo a juntar-se
online para, coletivamente, criar um mundo mais pacífico e com mais amor.
Na nossa segunda meditação, participaram mais de 36 mil espetadores
online, e na nossa terceira meditação global mais de 43 mil pessoas
juntaram forças. É nossa intenção continuar a organizar estes eventos do
Projeto Coerência, gerando uma influência radiante cada vez mais forte de
paz e amor pelo planeta. Com o passar do tempo, esperamos conseguir
avaliar estes efeitos.

FIGURA 13.3
Este é um gráfico que mostra 17 pessoas a entrar em
coerência cardíaca exatamente à mesma hora, exatamente no
mesmo dia, exatamente durante a mesma meditação. A área
entre as linhas verticais mostra todas as pessoas a entrar em
coerência cardíaca.
Meditação do Projeto Coerência
Comece por reconhecer o seu centro do coração. Com concentração e
consciência, fixe-se nesse centro, abra o seu foco e comece a tornar-se
consciente do espaço que ocupa no espaço, bem como do espaço à volta do
espaço que o seu coração ocupa no espaço.
Depois, mova-se como um pensamento e uma consciência para o centro
da Terra, e irradie a sua luz para lá da Terra no espaço. Quero apenas que
eleve a sua frequência e se agarre a essa emoção. Ainda como uma
consciência, mova-se lentamente para longe da Terra, e depois pegue na
Terra como um pensamento e ponha-a no seu coração. Ao deter todo o
planeta no seu coração, eleve a frequência da Terra como um pensamento, e
transmita essa energia para lá do seu corpo no espaço. Irradie o seu amor
para a Terra.
67 União Global de Cientistas pela Paz, “Defusing World Crises: A
Scientific Approach.”
68 Ibid.
69 D. W. Orme-Johnson, C. N. Alexander, J. L. Davies, et al.,
“International Peace Project in the Middle East: The Effects of the
Maharishi Technology of the Unified Field”, Journal of Conflict Resolution,
vol. 32, n.o 4 (4 de dezembro de 1988).
70 D. W. Orme-Johnson, M. C. Dillbeck, e C. N. Alexander,
“Preventing Terrorism and International Conflict: Effects of Large
Assemblies of Participants in the Transcendental Meditation and TM-Sidhi
Programs”, Journal of Offender Rehabilitation, vol. 36, n.o 1-4: pp. 283-
302 (2003).
71 “Global Peace-End of the Cold War”, Global Peace Initiative,
http://globalpeaceproject.net/proven-results/case-studies/global-peace-end-
of-the-cold-war/.
72 J. S. Hagelin, M. V. Rainforth, K. L. C. Cavanaugh, et al., “Effects of
Group Practice of Transcendental Meditation Program on Preventing
Violent Crime in Washington, D.C.: Results of the National Demonstration
Project, June-July 1993”, Social Indicators Research, vol. 47, n.o 2: pp.
153-201 (junho de 1999).
73 R. D. Nelson, “Coherent Consciousness and Reduced Randomness:
Correlations on September 11, 2001”, Journal of Scientific Exploration,
vol. 16, n.o 4: pp. 549-570 (2002).
74 “What Are Sunspots?” Space.com,
http://www.space.com/14736sunspotssun-spots-explained.html (29 de
fevereiro de 2012).
75 A. L. Tchijevsky (trad. de V. P. de Smitt), “Physical Factors of the
Historical Process”, Cycles, vol. 22: pp. 11-27 (janeiro de 1971).
76 S. Ertel, “Cosmophysical Correlations of Creative Activity in
Cultural History”, Biophysics, vol. 43, n.o 4: pp. 696-702 (1998).
77 C. W. Adams, The Science of Truth (Wilmington: Sacred Earth
Publishing, 2012), p. 241.
78 “Earth’s Atmospheric Layers”, (21 de janeiro de 2013),
https://www.nasa.gov/mission_pages/sunearth/science/atmosphere-
layers2.html.
79 R. Wever, “The Effects of Electric Fields on Circadian Rhythmicity
in Men”, Life Sciences in Space Research, vol. 8: pp. 177-187 (1970).
80 Iona Miller, “Schumann Resonance”, Nexus Magazine, vol. 10, n.o 3
(abril/maio de 2003).
81 Childre, Martin, Rozman, e McCraty, Heart Intelligence: Connecting
with the Intuitive Guidance of the Heart.
82 R. McCraty, “The Energetic Heart: Bioelectromagnetic
Communication Within and Between People, in Bioelectromagnetic and
Subtle Energy Medicine”, in P. J. Rosch e M. S. Markov, ed., Clinical
Applications of Bioelectromagnetic Medicine (Nova Iorque: Marcel Dekker,
2004).
83 Childre, Martin, Rozman, e McCraty, Heart Intelligence: Connecting
with the Intuitive Guidance of the Heart.
84 R. McCraty, “The Global Coherence Initiative: Measuring Human-
Earth Energetic Interactions”, Heart as King of Organs Conference, Hofuf,
Saudi Arabia (2010); R. McCraty, A. Deyhle, e D. Childre, “The Global
Coherence Initiative: Creating a Coherent Planetary Standing Wave”,
Global Advances in Health and Medicine, 1(1): pp. 64-77 (2012); R.
McCraty, “The Energetic Heart” in Clinical Applications of
Bioelectromagnetic Medicine.
85 HeartMath Institute, “Global Coherence Research”
https://www.heartmath.org/research/global-coherence/.
86 S. M. Morris, “Facilitating Collective Coherence: Group Effects on
Heart Rate Variability Coherence and Heart Rhythm Synchronization”,
Alternative Therapies in Health and Medicine, vol. 16, n.o 4: pp. 62-72
(julho/agosto de 2010).
87 K. Korotkov, Energy Fields Electrophotonic Analysis in Humans and
Nature: Electrophotonic Analysis, 2.a edição (CreateSpace Independent
Publishing Platform, 2014).
88 D. Radin, J. Stone, E. Levine, et al., “Compassionate Intention as a
Therapeutic Intervention by Partners of Cancer Patients: Effects of Distant
Intention of the Patients’ Autonomic Nervous System”, Explore, vol. 4, n.o
4 (julho/agosto de 2008).
CAPÍTULO 14

ESTUDOS DE CASO: PODE ACONTECER-


LHE A SI
Neste último conjunto de estudos de caso sobre-humanos, peço-lhe que
tome nota que nenhuma das pessoas cujas histórias vai ler tentou forçar que
alguma coisa acontecesse. Tinham apenas uma intenção, e ao mesmo tempo
entregaram o resultado a algo superior. Chegadas a esse momento – quer
fosse uma cura ou uma experiência mística –, as suas personalidades não
estavam a criar a experiência. Algo de superior apareceu para a criar.
Ligaram-se ao campo unificado e foi essa interação com esta inteligência
que as moveu de alguma forma. Como já sabe, depois de tudo o que leu
neste livro, essa inteligência também vive dentro de si.
Divino, consegues ouvir-me?
Em 2014, Stacy começou a ter graves dores de cabeça. Há 25 anos que
trabalhava em saúde, era enfermeira e acupuncturista. Sempre teve um
estilo de vida saudável e raramente tomava medicamentos. Ficou alarmada
porque, de repente, começou a ter dores de cabeça tão dolorosas que quase
a faziam desmaiar. Depois de um ano a experimentar inúmeras terapias
alternativas, finalmente foi a um médico que lhe marcou uma tomografia. O
diagnóstico foi um meningioma, um tumor benigno que se aloja nas
meninges, tecidos que revestem e protegem o sistema nervoso central. O
tumor de Stacy estava junto ao oitavo nervo craniano, o que provocou a
obstrução do nervo acústico e mudanças significativas nas suas funções
neurológicas. O nervo acústico tem dois componentes – um para ouvir e
outro para o equilíbrio –, o que quer dizer que, além da dor constante e da
perda de audição, ela sentia-se tonta e enjoada. Com o agravamento do
tumor, aumentou a pressão sobre o nervo craniano, afetando-a do rosto ao
ombro, agravando a lesão do nervo acústico. Pouco tempo depois, sentia
também dores no olho.
Segundo o seu médico, a única solução era uma craniotomia, uma
cirurgia que consiste essencialmente em abrir um buraco na nuca e remover
o tumor. Stacy não queria ir por esta via, e continuou a investigar outras
alternativas de cura. Quando participou no seu primeiro seminário de fim de
semana em Seattle, em 2015, segundo a sua estimativa já perdera 70 por
cento da audição no ouvido esquerdo. No outono de 2016, foi ao seu
primeiro seminário avançado em Cancún, onde sentiu estar a entregar-se a
um novo nível. Depois, no inverno de 2017, participou em mais um
seminário avançado em Tampa.
O seminário teve início numa quinta-feira, e nessa altura ela teve uma
dor de ouvidos muito intensa, que se agravou imenso no dia seguinte. Ela
disse que a sensação que tinha era de que o ouvido estava a fechar-se. Ao
fim do dia, depois da meditação da Bênção dos Centros de Energia, a dor de
ouvidos, curiosamente, passou. Depois, no domingo de manhã, durante a
meditação da glândula pineal, Stacy perdeu a noção do tempo e do espaço.
“Senti-me quase como se fosse cair da cadeira”, disse ela. “Nesse
momento, um clarão de luz consumiu o lado esquerdo da minha cabeça.
Imagine pôr mil diamantes juntos e apontar-lhes uma luz – o efeito nem era
comparável a este clarão. E depois – boom!” O seu corpo endireitou-se
subitamente, e uma luz azulada, diferente de tudo o que ela já tinha visto,
entrou-lhe no ouvido.
“Foi o sentimento mais divino, mais repleto de amor que já tive”,
contou. “Senti que a mão de Deus me acariciava com a sua graça. Foi tão
poderoso e espantoso que tenho dificuldade de o descrever por palavras
mas, sempre que penso nisto, ainda choro.”
Primeiro, a sinusite desapareceu, depois, todo o lado esquerdo da cabeça
desanuviou, e finalmente o ombro esquerdo descontraiu-se e soltou-se. Por
fim, pela primeira vez em sete anos, ela conseguia ouvir do ouvido
esquerdo.
“Fiquei ali sentada, fascinada, a rir e a chorar, com as lágrimas a correr
pela minha cara”, disse ela. “Havia música a tocar, e conseguia ouvi-la na
perfeição. Era como se escutasse um coro celestial de anjos a cantar por
cima da música. Sabia que o que estava a ouvir ficava para lá da faixa
auditiva normal. A energia continuou a mover-se pela parte detrás do lado
esquerdo da minha cabeça, que durante anos me parecera cimento.”
Dei instruções a toda a gente para se deitar, descontrair-se e deixar que
o sistema nervoso autónomo acatasse as ordens, e a energia continuou a
mover-se por todo o corpo de Stacy, até aos seus braços, chegando-lhe às
mãos. Ela começou a tremer incontrolavelmente.
“Foi como se conseguisse sentir cada sinapse e cada músculo no meu
corpo a ativar-se – nos meus dedos dos pés, nas pernas, na cabeça, e no meu
pescoço e no peito. O meu centro do coração parecia-me completamente
aberto. Lembro-me de pensar: seja isto o que for, vou aproveitar.” Rendeu-
se completamente ao desconhecido e, novamente, perdeu a noção do tempo
e do espaço.
Quando acabou essa parte da meditação, ela encontrou-se sentada na
cadeira, com a energia a abrandar e a acalmar-se. O seu cérebro pensante
começou a ativar-se. Embora conseguisse ouvir, ela começou a duvidar do
que tinha acontecido; talvez o seu ouvido não estivesse totalmente curado,
talvez o tumor ainda estivesse presente, ou talvez nem fosse digna de se
curar. Assim que teve este pensamento, a energia e a luz apareceram-lhe à
frente. Mas essa energia era diferente. “Era vermelha como o coração e azul
como a eletricidade, e era tridimensional”, recordou. “Estava pouco mais de
meio metro à minha frente, e parecia que deslizava, como uma serpente.
Tudo isto acontecia com os meus olhos fechados. Era multidimensional,
bela, louca, linda, fractal, e veio mesmo até ao meu rosto. Era quase como
se essa energia me quisesse dizer: “Tens dúvidas? Já te mostramos!” A
seguir, atirou-se para o meu coração, o meu peito abriu-se, encostei-me para
trás na cadeira e os meus braços caíram bem abertos. Sabia que era a
energia total – a energia do chi, do Espírito, do divino, do universo.
“A vida agora é diferente”, disse-me ela. “Por um lado, a minha audição
está a cem por cento. Mas é mais do que isso. É difícil descrever por
palavras, mas sei que, independentemente do que possa acontecer, vai tudo
correr bem. A vida nunca mais será a mesma, porque sei que, por detrás de
tudo, é o Espírito que está à espera de ser ouvido e curado.”
Janet escutou: “és minha”
Janet não tinha o hábito de fazer meditação, porém, numa tarde, há 25
anos, durante uma meditação, ela teve aquilo que descreve como uma
experiência espontânea. De olhos fechados, subitamente viu-se na presença
de uma luz incrivelmente brilhante, e todavia a luz tinha uma doçura que
não lhe feria os olhos. Descreveu-a como o amor mais puro, mais intenso e
mais perfeito que alguma vez sentira. Nos 25 anos que se seguiram, ela
rezou, meditou, e tentou de todas as formas recriar essa experiência
transcendental.
Na primavera de 2015, Janet participou num seminário avançado em
Carefree, no Arizona. Encontrava-se num estado de profunda depressão e
fadiga, incapaz de encontrar soluções para os problemas na sua vida, mas
estava determinada a encontrar uma cura. Acima de tudo, sentia-se
entusiasmada por estar no meio de mais de 500 pessoas unidas na crença de
que havia alguma coisa superior aos seus corpos físicos.
Durante o seminário, Janet tentou alcançar o místico com um nível de
intensidade superior ao da sua depressão. Durante a meditação da glândula
pineal, sentou-se na posição de lótus e concentrou a sua intenção de amor
no espaço da glândula. De repente, a glândula ativou-se e uma luz branca,
brilhante, vinda de dentro da sua cabeça iluminou-lhe a glândula pineal. Era
a mesma luz que sentira 25 anos antes.
“A luz chegou ao espaço da minha glândula pineal e iluminou todos os
cristais na pequena caverna daquela glândula minúscula”, explicou mais
tarde. “A luz continuava a iluminar todo o meu ser até ao nível celular.
Então, a minha coluna vertebral endireitou-se, a minha cabeça foi para trás,
e entreguei-me – deixei que tudo acontecesse. Estava simultaneamente em
êxtase, feliz, grata e apaixonada.”
Depois, um triângulo invertido de luz desceu sobre ela, através do topo
da cabeça. Ela sabia que esse triângulo era a presença de uma inteligência
de amor. O vértice do triângulo invertido juntou-se ao topo da glândula
pineal, formando uma forma geométrica dupla. A frequência intensa de luz
coerente transportava uma mensagem para Janet. A luz dizia repetidamente
a Janet: “És minha. És minha.” Ela interpretou estas palavras como
significando: “Amo-te mais do que a tudo o resto no mundo.”
“Entra, por favor, e toma conta da minha vida”, respondeu Janet, e ao
entregar-se, começou a viver uma descarga de informação, vinda do cimo
da cabeça sob a forma de uma luz brilhante. A luz era perpassada por estrias
que pareciam pérolas de um azul-cobalto luminoso. A luz moveu-se
lentamente e desceu por todo o seu corpo. Esta energia era o resultado de
um campo toroidal invertido (o campo que se move na direção oposta do
campo ascendente criado durante a respiração) e era energia do campo
unificado – para lá do espectro da luz visível, e para lá dos nossos sentidos.
A experiência interior era tão real que reestruturou o seu cérebro e enviou
um novo sinal de energia emocional para o corpo, e num instante o seu
passado desvaneceu-se. A descarga da frequência da coerência e da
integridade deu ao corpo um reforço biológico. Quando ela deixou o
seminário, a depressão e o cansaço já haviam desaparecido por completo.
“Esta experiência de êxtase”, insistiu ela, “transformou a minha vida para
sempre.”
Ligadas para lá do tempo e do espaço pelo amor
Durante a emissão de uma meditação do Projeto Coerência, no lago de
Garda, em Itália, participantes de todo o mundo juntaram-se a nós na crença
de que somos mais do que matéria, corpo e partículas, e que essa
consciência influencia a matéria e o mundo. Durante a meditação, Sasha
estava em Nova Jérsia a imaginar trazer a Terra para o coração dela.
“Quando alcançámos o coração, senti todas estas raízes a crescerem do
centro do coração e pelo meu corpo”, contou-me ela. “Havia ramos, folhas
e flores a saírem dos meus braços, dos dedos e das orelhas, bem como
rebentos brancos por todo o meu rosto. Literalmente, tinha-me
transformado na superfície do jardim na Terra.”
Assim que a meditação acabou, Sasha olhou para o telemóvel e viu que
a melhor amiga, a Heather, lhe enviara uma fotografia da Irlanda. Enquanto
fazíamos a meditação, Heather caminhava por um jardim. E por acaso
olhara para baixo e viu musgo a crescer numa pedra com a forma de um
coração. Heather tirou uma fotografia do musgo e enviou-a para o
telemóvel de Sasha com a mensagem seguinte: “Vi isto e tive uma sensação
esmagadora da tua presença. Gosto muito de ti.”
Donna ajuda almas a fazer a travessia
Quando Donna participou no seu primeiro seminário de fim de semana
em 2014, em Long Beach, na Califórnia, nunca se teria descrito a si mesma
como uma meditadora – antes, só meditara meia dúzia de vezes. Escritora
de manuais técnicos, tinha uma mente muito analítica. Mas essa é a beleza
deste trabalho: quando não temos expectativas, estamos por vezes mais
abertos aonde quer que a experiência nos leve. Por isso, foi totalmente
apanhada de surpresa quando, a certa altura, durante uma das meditações,
nesse fim de semana, saiu da sua consciência quotidiana e deu consigo
rodeada de centenas de seres interdimensionais.
“Não estavam zangados nem eram malévolos”, contou-me, “mas ficou
muito claro que eles queriam alguma coisa de mim. Alguns eram muito
jovens, teriam entre os 12 e os 13 anos. Soube imediatamente que eram as
pessoas que o meu noivo havia matado.”
Donna estava noiva de um antigo ranger do exército americano, e
durante o seu serviço no Iraque, ele fora atirador furtivo. Quando o
seminário terminou e Donna regressou a casa, contou ao noivo a
experiência por que tinha passado. Ele confirmou que algumas das pessoas
que matara para proteger os seus camaradas eram muito jovens.
Embora tenha achado a ligação curiosa e fascinante, não lhe ocorreu o
que havia de fazer com essa informação, mas não teve dúvidas de que a
experiência fora real, porque estava para lá de tudo o que ela podia ter
imaginado.
Dois anos mais tarde, Donna esteve num seminário avançado em
Carefree, no Arizona. Depois de concluir a sua primeira meditação, virou-se
para a amiga que estava sentada ao seu lado e disse em transe, sem estar
consciente do que estava a dizer: “Há seres nesta sala, e eles estão aqui para
nos ajudar.”
Na manhã seguinte, durante a meditação da glândula pineal, Donna
tinha uma marcação para fazer uma sonda cerebral. Mais uma vez, e a certa
altura da meditação, Donna encontrou-se subitamente na companhia dos
mesmos seres interdimensionais que a tinham rodeado durante o primeiro
seminário, dois anos antes. Mas desta vez estavam a fazer fila à sua direita.
“Novamente senti que queriam alguma coisa de mim, mas não sabia o
que era”, disse ela. “Então, na minha mente, como se estivesse a olhar por
um capacete de realidade virtual, vi outra fila a formar-se à minha esquerda.
Havia dois tipos de seres nessa fila. Uns pareciam humanos, mas eram
muito altos e tinham um ar brilhante e dourado; os outros pareciam ter uma
tonalidade azulada.”
Ela soube instintivamente que se levasse as pessoas que tinham morrido
pelo noivo na guerra, e que estavam alinhadas à sua direita, e as entregasse
aos seres que se encontravam na fila da esquerda, as pessoas à direita
receberiam aquilo de que precisavam. Porque as pessoas que tinham
morrido devido ao fogo de atiradores furtivos pereceram tão rapidamente,
sem aviso, algumas estavam muito confusas, sem conhecimento de estarem
vivas ou mortas. Outras não sabiam para onde haviam de ir ou o que
haviam de fazer; e outras ainda tentavam ficar nesta dimensão, porque
continuavam ligadas aos seus entes queridos e não conseguiam avançar.
Estavam presas entre a matéria e a luz, mas reconheciam que Donna era a
ponte, a organizadora, que as podia ajudar a fazer a travessia. Foi uma
experiência muito real, muito lúcida.
“Dizer que as entreguei aos outros seres não está completamente
correto”, explicou ela, “mas foi algo parecido, passei-as para o outro lado.
Está para lá das palavras, mas quando chegaram ao outro lado, pareceu-me
que tinham passado através dos outros seres. E então vi-as a correr por um
campo, com uma névoa vermelha que chegava à cintura. Conseguia sentir
toda a liberdade, toda a alegria e a felicidade que sentiam ao correr por esse
campo.”
Ao olhar mais uma vez como que por um capacete de realidade virtual,
Donna virou-se para a direita na sua imaginação, e viu um caminho sinuoso
de terra repleto de gente, que se prolongava até à linha do horizonte.
Pressentiu que eram da Bósnia ou da Sérvia, coisa que, para ela, não fazia
sentido.
“Era quase como se tivessem passado a palavra. Não senti que eles
desconhecessem que tinham morrido. Era mais como se estivessem presos
no limbo – não sabiam como haviam de chegar ao outro lado.” Esta foi a
meditação mais longa do seminário, talvez duas ou três horas, mas a Donna
pareceram dez minutos.
Donna participou noutro seminário avançado em Cancún, no outono de
2016. Dessa vez, quando pedi aos estudantes para abandonarem a sua
consciência e fundirem-se com a consciência do campo unificado, Donna
teve a experiência de se transformar no universo. Passou da consciência de
um corpo, uma coisa, uma identidade, um lugar, um tempo, para a
consciência de nenhum corpo, nada, ninguém, nenhures, fora do tempo,
para a consciência de todos os corpos, tudo, todos, em todos os sítios, em
todos os tempos. Assim que a sua consciência se ligou ao campo unificado
– o campo de informação que governa as leis e as forças do universo – ela
tornou-se o universo. Estava em êxtase.
“Desde essa experiência, a minha vida é mágica, e tenho uma nova
energia e uma vitalidade como nunca senti antes”, contou ela mais tarde.
“Estou sempre a ter experiências poderosas, umas atrás das outras, e nunca
mais poderei voltar atrás, para aquilo que a minha vida era antes de
começar a treinar este trabalho.”
Jerry regressa do limiar da morte
A 14 de agosto de 2015, Jerry preparava um projeto na varanda das
traseiras de sua casa. Ao ler as instruções, sentiu uma dor aguda súbita
mesmo por baixo do esterno. Pensou que talvez fossem gases, por isso
tomou um medicamento, mas a dor não passou. Decidiu deitar-se, mas a dor
ficou pior.
Quando tentou levantar-se, começou a perder a capacidade de se
aguentar de pé, e pensou que ia desmaiar. A dor agravou-se, a respiração
ficou mais difícil e chamou uma ambulância. Recorrendo a todas as suas
forças, arrastou-se ao longo de cinco metros, até à entrada, de forma a que
os paramédicos não tivessem de arrombar a porta. Ajoelhado na entrada,
caiu enquanto aguardava a chegada da equipa de emergência médica.
Quando a equipa chegou, eles diagnosticaram que ele estava a ter um
ataque cardíaco, e imediatamente começaram a seguir o respetivo
protocolo.
“Vocês não percebem. Estou com muita dificuldade em respirar”, disse-
lhes. “Temos de ir já para o hospital.” Jerry sabia do que falava. Trabalhara
durante 34 anos como técnico de saúde, exatamente nas urgências para onde
o iam levar.
Jerry conhecia toda a gente nas urgências e, assim que lá chegou, os
médicos, enfermeiros, técnicos e especialistas começaram freneticamente a
fazer-lhe uma série de exames. Um dos médico, que também era amigo de
Jerry, disse-lhe quais os sinais de alerta nos resultados de todos os testes, e
ele soube que as coisas estavam complicadas. Um teste era particularmente
alarmante: os níveis de protease, amilase e lipase (enzimas produzidas pelo
pâncreas) estavam entre as 4000 e as 5000 unidades por litro, bem acima do
normal, entre as 100 e as 200 unidades. Jerry foi transferido para a unidade
de cuidados intensivos.
“A dor logo se agravou, e nenhum dos medicamentos que me estavam a
dar funcionava”, disse Jerry. “Disseram-me que o canal para a minha
vesícula biliar estava bloqueado, o que estava a causar problemas no
pâncreas. Pior ainda, começou a acumular-se líquido nos meus pulmões. A
minha capacidade respiratória fora reduzida em 80 por cento, em ambos os
pulmões. Foi então que os médicos me ligaram a uma máquina de
ventilação, e soube que estava em apuros.” O médico pediu então à sua
equipa para “ligar o televisor para Boston”, permitindo-lhe fazer
imediatamente uma teleconferência com outros médicos no hospital central
da grande cidade mais próxima.
“Em todo o tempo que trabalhei no hospital, só tinha visto o televisor
para Boston ser ligado algumas vezes, para os traumas mais graves ou para
pessoas moribundas”, disse Jerry. “Para o terem ligado é porque não faziam
ideia do que se estava a passar. Quando um médico em quem temos
confiança há anos nos diz que não faz ideia do que se passa... Bem, foi
nessa altura que as minhas hormonas do stress se ativaram a sério.”
Enquanto tudo isto se passava, a equipa médica disse à mulher de Jerry que
se houvesse documentos a tratar ainda em vida dele, seria a altura para ir a
casa buscá-los. Ela foi-se embora a chorar.
Jerry rapidamente se apercebeu de que ia ter de começar a tomar conta
de si próprio. Sabia que, se permitisse às hormonas do stress assumir o
controlo, não iria vencer.
“Deixei de ser um tipo que não adoecia há anos, que fazia yoga com
frequência, e comia bem, para de repente passar a estar na unidade de
cuidados intensivos. Repetia para mim próprio: Não posso ir por este
caminho. Não posso ceder ao medo. E não cedi.” Como ele tinha lido
recentemente o meu livro Cure-se a Si Próprio, começou a pensar: Tenho
de mudar estes pensamentos. Não posso permitir que estes pensamentos
façam com que mais cortisol entre no meu corpo e comece a danificar
ainda mais o que resta de mim.
Os médicos acabaram por descobrir que Jerry tinha uma massa enorme
a bloquear um canal no pâncreas. A massa não permitia que o muco
escorresse e a glândula estava a ficar entupida, e o muco a entrar na
circulação sanguínea.
“Os meus médicos estiveram comigo três dias seguidos”, diz ele.
“Puseram-me uma máscara de oxigénio porque não conseguia respirar.
Estava entubado dos dois lados, mas entretanto ia pensando: controla os
teus pensamentos, descontrai-te, envia para o campo quântico algo que te
vá ajudar e não prejudicar, porque já estás a bater à porta. Vou ficar bem.
Vai passar. Vou ficar ótimo.” Sempre que estava consciente, Jerry focava a
sua energia em superar-se, alterando o seu estado de ser e criando um
resultado diferente – sempre sintonizando um novo potencial no campo
unificado. Felizmente, tinha um quarto privado, o que lhe dava muitas
oportunidades para fazer meditação sempre que quisesse.
Jerry passou uma semana nos cuidados intensivos. Quando o levaram
para outra ala, Jerry já caminhava e não precisava da máscara de oxigénio.
Ainda assim, não pôde comer nem beber nada durante oito semanas. (Se
comesse alguma coisa ou se bebesse água, o pâncreas libertaria ácido para o
corpo, o que acabaria por o matar.) A única alimentação que recebia vinha
por um tubo intravenoso.
Quando Jerry deu entrada no hospital pesava 70 quilos. Quando saiu,
pesava 55 quilos. Finalmente foi para casa (ainda com o tubo intravenoso) e
continuou a fazer o seu trabalho. Ao chegar a outubro, a massa ainda estava
presente. Os médicos sugeriram-lhe consultar um especialista em Boston e
fazer uma operação. Como Jerry era um profissional de saúde, dois dias
antes da cirurgia sugeriu aos médicos fazer mais testes e exames, para que
os médicos tivessem uma informação mais atualizada.
“Conhecia todos os técnicos de raios X, e quando eles me disseram que
já não havia massa nenhuma, não acreditei. Liguei aos radiologistas e aos
médicos. Eles repetiam-me: ‘Jerry, estamos neste momento a olhar para as
tuas imagens. Acredita, não há aqui nada. Vou ligar aos tipos de Boston
para lhes dizer que não vai haver operação.”
Posteriormente, Jerry apercebeu-se de que, ao elevar constantemente a
sua energia, ao avançar para um sentimento de saúde e ao transformar os
pensamentos e a crença de estar doente para os pensamentos e para a crença
de ir ficar bem, a frequência mais elevada fez com que ele se curasse.
“Não ia permitir-me pensar: pobre de mim, isto vai ser mau. Continuei a
trabalhar nisto todos os dias, durante tanto tempo quanto possível. E
projetei a mensagem, a intenção e a energia que era preciso para o campo
quântico, para me curar – e, ao cabo de algum tempo, curei-me.”
POSFÁCIO

SER PAZ
O que eu espero que aprenda com este livro é que não basta mudar o seu
estado de ser só quando medita. Não basta pensar e sentir paz com os olhos
fechados e depois abri-los e continuar o dia em estados de mente e corpo
limitados e inconscientes. Em muitas das reuniões de paz e dos estudos
mencionados no capítulo 13, quando as experiências se concluíam, muitas
vezes a redução no crime e na violência desaparecia e os índices voltavam
aos seus níveis de base. Isto quer dizer que é necessário demonstrar a paz, o
que nos obriga a envolver o nosso corpo, e isso quer dizer passar do
pensamento à ação.
Sempre que mudamos o nosso estado de ser e começamos o nosso dia
abrindo o coração aos estados elevados que nos ligam ao amor pela vida, à
alegria pela nossa existência, a uma inspiração por estarmos vivos, ao
estado de gratidão por o nosso futuro já ter acontecido, e a um nível de
afabilidade para com os outros, temos de manter, continuar e demonstrar
essa energia e esse estado de ser ao longo do dia – quer estejamos sentados,
de pé, a caminhar ou deitados. Se depois ocorrerem acontecimentos
perturbantes nas nossas vidas ou no mundo que nos rodeia, ao
demonstrarmos paz em vez de inconscientemente agirmos de uma forma
prepotente, previsível, e pretensamente natural (expressar raiva, frustração,
violência, medo, sofrimento ou agressividade), já não estaremos a
contribuir para a velha consciência do mundo. Ao romper com esse ciclo e
ao demonstrar paz através do nosso exemplo, damos aos outros a
autorização para fazer o mesmo. Uma vez que o conhecimento é para a
mente e a experiência é para o corpo, quando deixamos de pensar e
passamos a fazer – e vivemos as emoções correspondentes de paz e
equilíbrio interior –, o momento em que começamos a corporizar a paz é
quando decidimos de facto mudar o nosso programa.
Ao refrear esses comportamentos reativos e ao deixar de criar as
mesmas experiências e emoções redundantes, já não ativamos nem
consolidamos os mesmos circuitos no cérebro. É desta forma que deixamos
de condicionar o corpo a viver as emoções autolimitadoras da mente, e é
assim que nos transformamos a nós e à nossa relação com o mundo que nos
rodeia. Sempre que o fazemos, estamos, literalmente, a ensinar o nosso
corpo a compreender quimicamente aquilo que a nossa mente compreendeu
intelectualmente. É assim que selecionamos e instruímos os genes latentes
que nos permitem evoluir – e não apenas sobreviver – agora que a paz está
dentro de nós e que estamos a bater à porta genética para nos tornarmos
biologicamente exatamente isso. Não será isto que todos os grandes líderes
carismáticos, todos os santos, todos os místicos e todos os mestres ao longo
da história sempre pregaram?
Naturalmente, de início vai parecer contranatura ir contra anos de
condicionamento automático, de hábitos inconscientes, de reações
emocionais instintivas, de atitudes enraizadas e de gerações de programação
genética, mas é exatamente assim que nos tornamos sobre-humanos. Fazer
o que nos parece antinatural, significa ir contra aquilo que todos fomos
geneticamente programados ou socialmente condicionados para viver
quando somos ameaçados de alguma forma. Estou certo de que qualquer
criatura que tenha rompido com a consciência da tribo, da matilha, da
escola ou da manada para se adaptar a um ambiente em transformação deve
ter sentido o desconforto e a incerteza do desconhecido. Mas não
esqueçamos que viver no desconhecido significa estarmos no plano das
possibilidades.
O verdadeiro desafio não é regressar ao nível de mediocridade que está
em conformidade com a consciência social predominante apenas porque
não vemos mais ninguém a fazer o mesmo que nós. A verdadeira liderança
nunca impõe a confirmação dos outros. Basta ter uma visão clara e uma
mudança de energia – isto é, um novo estado de ser –, que seja mantida por
um período de tempo suficiente e executada com uma vontade forte para
fazer os outros elevar a sua própria energia e inspirarem-se a fazer o
mesmo. Ao deixarem o seu estado limitado e ao passarem para uma energia
mais elevada, irão ver o mesmo futuro que o seu líder vê. Há força nos
números.
Depois de todos estes anos a dar aulas sobre transformação pessoal, sei
que ninguém muda até mudar a sua energia. Aliás, quando alguém está
verdadeiramente interessado na mudança, é menos provável que fale no
assunto, e terá mais tendência a demonstrá-lo. Está a trabalhar para viver
essa mudança. Para isso, é preciso ter consciência, ter intenção, estar
presente, e ter atenção constante aos seus estados interiores. Talvez o maior
obstáculo não seja o incómodo, mas sim tolerar o incómodo, porque o
desconforto é o nosso desafio para crescer. Faz-nos sentir mais vivos.
Afinal de contas, se o stress e a resposta emocional forem o resultado de
não sermos capazes de prever o nosso futuro (pensar ou acreditar que
somos incapazes de controlar um resultado ou que as coisas vão piorar),
então abrirmos as nossas mentes e os nossos corações para acreditar na
possibilidade vai implicar combater milhares de anos de características de
sobrevivência geneticamente implantadas. Temos de abandonar exatamente
aquilo que sempre usámos para obter o que queremos, de forma a que possa
acontecer algo de muito melhor. Para mim, isto é ser verdadeiramente
superior.
Se o conseguirmos fazer uma vez, se perturbarmos essas redes
neuronais que correspondem à raiva, ao ressentimento e à vingança e, em
vez disso, ativarmos as redes neuronais relacionadas com as experiências de
ternura, generosidade e afeto (e assim criarmos as emoções
correspondentes), então devemos ser capazes de o voltar a fazer – e a
repetição dessas escolhas irá condicionar neuroquimicamente a nossa mente
e o nosso corpo para se unificarem. Quando o corpo sabe fazê-lo tão bem
como a mente, essa união passa a ser inata, familiar, fácil, uma segunda
natureza. Nessa altura, pensar e demonstrar paz, que outrora exigia uma
consciência focada, passará a ser um programa subconsciente. Agora
criámos um novo estado de ser automático e pacífico, e novamente isso
significa que a paz está dentro de nós.
É assim que memorizamos uma nova ordem interior neuroquímica que
é maior do que quaisquer condições no nosso ambiente exterior. Agora não
estamos apenas a ser paz, estamos a controlá-la, e a controlar-nos a nós
mesmos e ao nosso ambiente. Assim que muitos de nós atinjam este estado
de ser – assim que todos estejamos fixados na mesma energia, na mesma
frequência e na mesma consciência elevada –, tal como um cardume ou um
bando de pássaros, que se movem como um ser numa ordem unificada,
continuaremos a agir como uma mente e a emergir como uma nova espécie.
Mas se continuarmos a agir como um organismo cancerígeno em guerra
consigo mesmo, a nossa espécie não sobreviverá, e a evolução continuará a
sua grande experiência.
Arranje tempo na sua vida ocupada para investir em si, porque, quando
o fizer, estará a investir no seu futuro. Se o ambiente que lhe é familiar está
a controlar a forma como pensa e como se sente, está na altura de deixar de
ser uma vítima da vida e de passar a ser um criador de vida. Depois de ler
este livro, já ficou a saber que é possível mudar de dentro, e que, quando o
fizer, isso irá refletir-se no seu mundo exterior.
Estamos num momento da história em que não basta saber; é o
momento em que é preciso saber fazer. Graças ao conhecimento filosófico e
aos princípios científicos da física quântica, da neurociência e da
epigenética, compreendemos agora que a nossa mente subjetiva influencia o
mundo objetivo. Como a mente influencia a matéria, somos coagidos a
estudar a natureza da mente; o nosso entendimento permite-nos atribuir
significado ao que fazemos. Se o conhecimento é precursor da experiência,
então, quanto mais conhecimento tivermos sobre o nosso poder, melhor
compreenderemos como o nosso potencial é ilimitado, tanto a nível
individual como a nível coletivo.
Visto que estamos sempre a aprofundar e a alargar o nosso
entendimento da interligação de todos os sistemas vivos, e porque cada um
de nós contribui para o campo da Terra, creio que podemos coletivamente
criar um novo futuro próspero e pacífico neste planeta. Tudo começa por
criarmos o hábito de agir a partir do coração, de elevar a nossa energia, e de
sintonizar informação superior e frequências de amor e integridade. Com
esforço e intenção, deveremos começar a produzir uma assinatura
eletromagnética coerente. Tal como atirar pedrinhas para um lago tranquilo,
ao continuarmos a elevar a nossa energia e a abrir os nossos corações,
estamos a produzir campos eletromagnéticos cada vez maiores. Esta energia
é informação, e cada um de nós tem o poder de dirigir a nossa energia com
intenção para produzir efeitos não-localizados sobre a natureza da
realidade.
Quando dirigimos a nossa energia como um observador, uma
consciência ou um pensamento, podemos começar a afetar uma causalidade
de matéria descendente – por outras palavras, podemos, literalmente,
converter as nossas mentes em matéria. Se treinarmos estes conceitos com
regularidade – transformando os nossos níveis de energia de estados de
sobrevivência para níveis superiores de consciência, compaixão, amor,
gratidão, e outras emoções elevadas – essas assinaturas eletromagnéticas
coerentes irão reforçar-se umas às outras. O efeito deverá ser podermos unir
comunidades que outrora estavam separadas pela crença de que somos
apenas matéria. Assim que fizermos a transição do nosso estado de ser da
sobrevivência para o amor, para a gratidão e para a criação, então, em vez
de reagirmos à violência, ao terrorismo, ao medo, ao preconceito, à
competitividade, ao egoísmo e à separação (que, note-se, nos são
constantemente recordados e programados pelos media, pela publicidade,
pelos jogos de computador e por todo o tipo de estimulação), poderemos
unir-nos em tempos de crise. Não teremos mais necessidade de divisões, de
atribuir culpas, de procurar vingança.
Sempre que meditamos como comunidade global, lançamos uma onda
coerente maior e mais forte de amor e altruísmo à volta do mundo. Se o
fizermos muitas vezes, vamos ser capazes não só de aferir as mudanças na
energia e na frequência por todo o mundo, como também de medir os
nossos esforços através dos efeitos positivos sobre eventos que tenham
lugar no nosso futuro.
Para defender a justiça e a paz, portanto, é preciso, em primeiro lugar,
encontrar paz dentro de si. Tem então de demonstrar paz aos outros, o que
significa que não pode defender a paz nem ser a paz enquanto estiver a
combater o seu vizinho, a odiar o seu colega de trabalho ou a julgar o seu
patrão.
Se todos escolherem a paz, e se nos unirmos exatamente ao mesmo
tempo, imagine o tipo de mudança positiva que poderíamos criar no nosso
futuro coletivo. Não haveria conflito. Igualmente poderosa é a ideia de que
enquanto encarnação viva da paz podemos parecer imprevisíveis aos outros
e fazê-los prestar atenção. Graças aos neurónios-espelho (uma classe
especial de células cerebrais que se ativam quando vemos alguém a
executar uma ação), estamos biologicamente preparados para imitar o
comportamento uns dos outros. Modelar a paz, a justiça, o amor, a amizade,
a ternura, a compreensão e a compaixão permite aos outros abrir os seus
corações e afastar-se de estados agressivos e receosos de sobrevivência,
para sentir a unidade e a ligação. Pense no que aconteceria se todos
compreendêssemos como estamos interligados, uns aos outros e ao campo,
em vez de nos sentirmos separados e isolados: podemos até começar a
assumir responsabilidade pelos nossos pensamentos e emoções, porque
finalmente entenderemos como o nosso estado de ser afeta toda a nossa
vida. É assim que começamos a transformar o mundo – primeiro
transformamo-nos a nós.
O futuro da humanidade não depende de uma pessoa, de um líder ou de
um messias com uma consciência superior que nos mostre o caminho. Em
vez disso, é necessário o evoluir para uma nova consciência coletiva,
porque é através do reconhecimento e da aplicação da interligação da
consciência humana que podemos mudar o rumo da história.
Pode parecer que as velhas estruturas e os velhos paradigmas estão a
ruir, mas não devemos encarar isso com medo, raiva ou tristeza, porque este
é o processo através do qual tem lugar a evolução, é assim que surgem
coisas novas. Em vez disso, devemos encarar o futuro com uma nova luz,
uma nova energia e uma nova consciência. Como mencionei antes, o velho
tem de se desintegrar e desvanecer antes de poder florescer algo de novo.
Fundamental neste processo é não desperdiçarmos a nossa energia reagindo
emocionalmente a líderes ou a pessoas com poder. Se elas captarem as
nossas emoções, captam também a nossa atenção, e desta forma captam
também a nossa energia. É assim que essas pessoas ganham poder sobre
nós. Em vez disso devemos defender os princípios, os valores e os
imperativos morais como a liberdade, a justiça, a verdade e a igualdade.
Quando o conseguirmos fazer através da consciência coletiva, iremos unir-
nos por detrás da energia da unidade, em vez de sermos controlados pela
ideia da separação. É então que a defesa da verdade deixa de ser pessoal e,
através da unificação e da criação de comunidades, se torna universal.
Creio que estamos à beira de um grande salto evolutivo. Outra forma de
o dizer é que estamos a passar por uma iniciação. Afinal de contas, não é a
iniciação um ritual de passagem de um nível de consciência para outro?
Não é a iniciação concebida para contestar a estrutura de quem somos para
nos podermos desenvolver até alcançarmos um potencial superior? Talvez
quando virmos, quando nos lembrarmos, quando despertamos para quem
verdadeiramente somos, a humanidade possa evoluir como uma consciência
coletiva de um estado de sobreviver para um estado de prosperar.
Poderemos então emergir para a nossa verdadeira natureza e aceder
totalmente à nossa capacidade inata enquanto seres humanos – que é dar,
amar, servir e tomar conta uns dos outros e da Terra.
Então, porque não perguntar-se todos os dias: Que faria o amor?
Isto é quem nós verdadeiramente somos, e este é o futuro que estou a
criar – um futuro em que cada um de nós possa verdadeiramente tornar-se
sobre-humano.
AGRADECIMENTOS
A ideia deste livro surgiu de uma conversa informal com os patrões da
Hay House há uns anos. Mal sabia eu que ao partilhar uma refeição com o
presidente da empresa, Reid Tracy, com a diretora executiva, Margarete
Nielsen, e com a vice-presidente, Patty Gift, iria falar de algumas ideias que
andava a pensar para um novo livro.
Pensando melhor, posso ter caído numa armadilha. Se soubesse o que
sei hoje.
Devo ter dito alguma coisa que os impressionou, porque uma semana
mais tarde estava a assumir o compromisso de publicar um livro que seria
baseado nos novos paradigmas que, pensei eu, dariam imenso trabalho a
escrever de forma simples e coerente. A acumulação contínua de
investigação, a recolha de dados em curso, a análise e a avaliação rigorosas,
a logística organizacional concisa, o planeamento de eventos, a
calendarização de milhares de horas de exames científicos durante os
nossos eventos, e as horas intermináveis de diálogo intenso com cientistas,
bem como com a minha equipa sobre as nossas avaliações – nada disto é
próprio para cardíacos. Visto que muito do que observávamos ficava fora
das convenções científicas, foi necessário muito tempo – e um empenho
apaixonado, um desejo de compreender esta novidade.
Só uma pessoa muito especial é que consegue manter-se empenhada e
determinada em acreditar num projeto que existe apenas na mente de outra
pessoa, sobretudo quando essa abstração pode nem sequer estar muito clara
nas suas mentes. Mas quando há uma convicção inabalável na
possibilidade, combinada com uma paixão por transformar alguma coisa
numa realidade tangível, a magia acontece. E foi aí que eu tive o privilégio
de trabalhar com pessoas espantosas que se uniram como uma equipa. Foi
uma autêntica bênção para mim fazer parte de uma cultura tão fabulosa.
Novamente, quero expressar os meus agradecimentos sinceros à família
da Hay House pela sua confiança em mim. Foi uma alegria fazer parte desta
comunidade de espíritos unidos que mostraram tanta ternura, tanto apoio e
tanta competência. Obrigado Reid Tracy, Patty Gift, Margarete Nielsen,
Stacey Smith, Richelle Fredson, Lindsay McGinty, Blaine Todfield, Perry
Crowe, Celeste Phillips, Tricia Breidenthal, Diane Thomas, Sheridan
McCarthy, Caroline DiNofia, Karim Garcia, Marlene Robinson, Lisa
Bernier, Michael Goldstein, Joan D. Shapiro, e restante família. Espero que
tenhamos todos crescido por trabalharmos juntos.
Um agradecimento especial à minha editora na Hay House, Anne
Barthel, que vive a vida com tanta elegância e graciosidade. Muito obrigado
pelas horas intermináveis de cuidados e competência – e pela tua resistência
comigo. A tua humildade faz-me sentir humilde.
Quero ainda mencionar os meus editores Katy Koontz e Tim Shields
por me darem tanto. O vosso contributo para o meu trabalho foi notável.
Obrigado por estarem dispostos a ir tão fundo.
Quero também referir todas as pessoas que participaram na minha
equipa Encephalon, pelo trabalho incessante e apoio. Obrigado a Paula
Meyer, Katina Dispenza, Rhadell Hovda, Adam Boyce, Kristen Michaelis,
Belinda Dawson, Donna Flanagan, Reilly Hovda, Janet Therese, Shashanin
Quackenbush, Amber Lordier, Andrew Wright, Lisa Fitkin, Aaron Brown,
Justin Kerrihard, Johan Pool, e a Ariel Maguire. Quero também mencionar
os cônjuges e parceiros do meu pessoal por terem sido tão compreensivos e
incondicionais, e por permitirem às vossas caras-metades gastar tanto
tempo e energia a transformar a vida das pessoas comigo.
Uma dose especial de gratidão para Barry Goldstein, o incrível
compositor da maior parte da nossa música de meditação. Obrigado por
fazeres com que voltasse a apaixonar-me pela música.
Natalie Ledwell, da Mind Movies, deu muito à nossa causa. Admiro a
tua paixão pela mudança, bem como a nossa amizade. Ajudaste-me a
transformar tantas vidas!
Quero expressar a minha profunda gratidão a Roberta Brittingham.
Obrigado pela tua visão e pelo belo trabalho que foi a criação do
caleidoscópio. Mais ninguém no mundo conseguiria transformá-lo em
tamanha obra de arte viva.
Quero referir o meu melhor amigo, John Dispenza. Aprecio a tua
paciência e o teu entusiasmo. Adoro a arte das páginas interiores, as figuras
e a fabulosa imagem da capa. O teu talento é verdadeiramente brilhante.
Quero mencionar a nossa equipa genial de neurociência. Trata-se da
Dra. Danijela Debelic; de Thomas Feiner, diretor do Institute for EEG-
Neurofeedback (IFEN); Normen Schack, terapeuta ocupacional, IFEN;
Frank Hegger, terapeuta ocupacional, IFEN; Claudia Ruiz; e Judi Stivers.
Quero agradecer-vos a todos pelo vosso excelente trabalho, pela vossa
capacidade de dar e de servir com uma energia tão vital, pela vossa paixão
de fazer a diferença no mundo, e pelas vossas mentes e corações abertos.
Sou abençoado por vos conhecer a todos. Queria também agradecer-vos
pelo vosso contributo ao fornecer todas as sondas cerebrais, ao
disponibilizar equipamento de ponta, pela vossa análise notável, pela
acumulação de tantos dados, e por encontrarem tempo nas vossas vidas
ocupadas para ter longas conversas comigo sobre o que é natural e o que é
sobre-humano. Acima de tudo, obrigado por me ensinarem e por
acreditarem em mim. Vocês são uma lufada de ar fresco e pertencem ao
futuro.
Quero ainda mencionar Melissa Waterman, especialista em serviço
social, pelo seu conhecimento de medidas de visualização de descarga de
gás e do Sputnik. Obrigado por me dares tanto e por disponibilizares a tua
pesquisa. E por apareceres sempre e estares presente.
Um grande abraço ao Dr. Dawson Church, pelo teu génio e pela tua
amizade. Foste tu que também acreditaste que podíamos transformar a
expressão genética em pessoas comuns em apenas alguns dias nos nossos
seminários. Agradeço-te por estares na equipa e seres um recurso tão
formidável de bom senso científico. Sou abençoado por te conhecer.
Um obrigado muito especial para o Dr. Rollin McCrathy, para Jackie
Waterman, para Howard Martin e para toda a equipa do Instituto
HeartMath. Foram fundamentais na nossa investigação, e tão generosos em
tudo o que nos deram. Sou abençoado pela nossa relação.
Quero expressar a minha gratidão à equipa que gere a minha empresa de
formação empresarial. É uma equipa composta por Suzanne Qualia, Beth
Wolfson e Florence Yaeger. Obrigado por manterem uma visão comigo.
Além disso, sinto um especial apreço pelo resto dos formadores
empresariais que, por todo o mundo, trabalham tão diligentemente a ser o
exemplo vivo da mudança e da liderança para tantos.
Quero agradecer a Justine Ruszczyk, que deu muito do seu tempo para
compreender este trabalho a um nível muito profundo. Obrigado por me
ajudares no desenvolvimento de parte do programa de treino. Aguardo
ansiosamente pela próxima vez que os nossos caminhos se cruzem.
Sinto-me imensamente grato a Vicki Higgins. Muito obrigado pela tua
generosidade, pelos teus conselhos práticos e por todo o teu amor
incondicional. Sinto uma enorme honra por te conhecer. Que toda a tua
dedicação seja recompensada milhões de vezes.
Obrigado a Gregg Braden por escrever um prefácio tão poderoso e tão
centrado no coração. És um exemplo da vida real. A nossa amizade é-me
muito preciosa.
Aos meus filhos, Jace, Gianna e Shen, que são jovens adultos tão únicos
e tão saudáveis, obrigado pela generosidade de me darem tempo para seguir
a minha paixão.
Finalmente, quero referir a nossa comunidade de estudantes que está
envolvida neste trabalho. Sinto-me inspirado por muitos de vós. Cada um
de vocês é Sobre-humano.
EXTRA-TEXTO
ALTERAÇÕES DE ENERGIA DURANTE UM SEMINÁRIO
AVANÇADO
Laboratório científico de GDV
AUS 15 Base: média: 6,732; desvio-padrão: 0,006; intervalo de
confiança: 0,012
AUS 15 quinta-feira: média: 6,706; desvio-padrão: 0,007;
intervalo de confiança: 0,014
AUS 15 sexta-feira: média: 6,827; desvio-padrão: 0,006; intervalo
de confiança: 0,012
AUS 15 sábado: média: 6,942; desvio-padrão: 0,007; intervalo de
confiança: 0,014
Segundo o teste de análise de variância ANOVA, as amostras
são estatisticamente aleatórias e independentes; p = 0

Cortesia de Dr. Konstantin Korotkov


Gráfico 1A
Laboratório científico de GDV
Austrália 2016 Base: média: 6,622; desvio-padrão: 0,005;
intervalo de confiança: 0,011
Austrália 2016 quinta-feira: média: 6,586; desvio-padrão: 0,006;
intervalo de confiança: 0,011
Austrália 2016 sexta-feira: média: 6,740; desvio-padrão: 0,006;
intervalo de confiança: 0,012
Austrália 2016 sábado: média: 6,828; desvio-padrão: 0,006;
intervalo de confiança: 0,013
Segundo a análise de variância ANOVA, as amostras são
estatisticamente aleatórias e independentes; p = 0
Cortesia de Dr. Konstantin Korotkov
Gráfico 1B
Em alguns dos nossos seminários avançados, quando os
estudantes rompem os laços energéticos com tudo e todos na sua
realidade passado-presente, recorrem ao campo ambiente para
construir o seu próprio campo eletromagnético. Quando isso
acontece, a energia na sala pode diminuir. As duas figuras ilustram
bem este fenómeno durante dois seminários avançados, realizados
na Austrália em 2015 e 2016. A linha vermelha é a medida de base
na quarta-feira – o dia antes do começo do evento, quando não está
ninguém na sala. A linha azul é quinta-feira – o primeiro dia
completo. Pode ver que a energia na sala diminuiu ligeiramente. A
linha verde é sexta-feira – o segundo dia. Pode ver como a energia
na sala continua a subir à medida que os estudantes progridem.
Neste ponto, em vez de retirarem energia do campo, fornecem
energia para o campo.
COERÊNCIA VS. INCOERÊNCIA

Gráfico 2
Na primeira imagem, ambos os círculos representam uma vista
de cima de uma pessoa a usar um capacete de EEG. A cabeça está
virada para a frente, de forma que o nariz está apontado para o cimo
da página e as orelhas estão de ambos os lados. Os círculos
brancos minúsculos representam os vários compartimentos do
cérebro, onde podemos medir as ondas cerebrais em áreas
específicas. À esquerda, pode ver como as setas estão todas
alinhadas numa ordem perfeita, revelando ondas em fase. Isso é o
que se chama coerência. À direita, pode ver que as ondas do
cérebro não estão em fase e que as setas não se alinham com os
altos e baixos. Isso é o que se chama incoerência.
Uma vez que lhe vou mostrar várias sondas cerebrais nas
páginas que se seguem, quero que se familiarize com a nossa
forma de medir coerência e incoerência. Olhe para o segundo
conjunto de imagens. Se há muito azul no cérebro, isso significa que
há pouca coerência (hipocoerência), e que as várias áreas do
cérebro comunicam menos umas com as outras. Se houver mais
vermelho, isso significa que há coerência elevada (hipercoerência) e
que as várias áreas comunicam mais umas com as outras. Se não
há azul nem vermelho, isso significa coerência normal ou média.
ONDAS CEREBRAIS BETA NORMAIS

Gráfico 3A
ONDAS CEREBRAIS ALFA SINCRONIZADAS
COERENTES

Gráfico 3B
ONDAS CEREBRAIS TETA SINCRONIZADAS COERENTES

Gráfico 3C
Olhe para cada uma das linhas verticais estreitas azuis nos
quadros dos gráficos 3A, 3B e 3C, e siga-as até ao fundo. Verá
como representam intervalos de um segundo. Cada uma das 19
linhas horizontais onduladas estão relacionados com um dos vários
compartimentos do cérebro estudados – a parte da frente, ambos os
lados, o topo, e a parte detrás do cérebro. Se contar o número de
ciclos (do cimo de uma onda até ao cimo da onda seguinte) entre as
duas linhas verticais azuis, saberá como são as ondas cerebrais em
cada área do cérebro. É assim que determinamos as ondas
cerebrais beta, alfa, teta, delta ou gama. Se precisar de rever as
várias frequências das ondas cerebrais, volte à figura 2.7.
Quando passa de um foco estreito para um foco aberto,
desviando a sua atenção da matéria (das coisas) e a dedicar ao
espaço ou à energia (ao nada), as suas ondas cerebrais passam de
beta para alfa ou teta. O gráfico 3A mostra um cérebro normal
ocupado a pensar em ondas cerebrais beta. O gráfico 3B mostra
uma pessoa em ondas cerebrais alfa globais coerentes. Note como
cada parte do cérebro se sincroniza maravilhosamente quando esta
pessoa abre o seu foco. A seta azul a apontar para os picos mostra
que todo o cérebro está coerente em ondas cerebrais alfa de 12
ciclos por segundo. O gráfico 3C apresenta uma pessoa em ondas
cerebrais teta coerentes. Novamente, a seta azul a apontar para os
picos demonstra que todo o cérebro se sincroniza a cerca de 7
ciclos por segundo, o que é a banda teta para ondas cerebrais.
MUDANÇAS DE ENERGIA DEVIDAS À MEDITAÇÃO DA
BÊNÇÃO DOS CENTROS DE ENERGIA

Cortesia de Dr. Konstantin Korotkov


As imagens à esquerda mostram medições de GDV dos
centros de energia dos estudantes antes de eles iniciarem um
seminário avançado. As imagens à direita mostram as
mudanças apenas uns dias mais tarde, depois da meditação
da Bênção dos Centros de Energia. Repare na diferença na
dimensão e no alinhamento de cada centro.
MUDANÇAS NO NÍVEL GERAL DE ENERGIA ANTES E
DEPOIS DE UM SEMINÁRIO AVANÇADO

Cortesia de Dr. Konstantin Korotkov


As imagens à esquerda mostram algumas medições de GDV da
energia de indivíduos antes de estes iniciarem um seminário
avançado. As imagens à direita mostram as alterações que se
produziram nas suas energias vitais alguns dias depois do
seminário.
UM ESTUDANTE A PASSAR PARA ONDAS CEREBRAIS
GAMA A PARTIR DA RESPIRAÇÃO

Gráfico 6A (1)
Gráfico 6A (2)
Gráfico 6A (3)
Gráfico 6A (4)
Os gráficos 6A(1), 6A(2), 6A(3) e 6A(4) mostram um estudante a
fazer a transição para ondas cerebrais gama como resultado de
fazer a respiração ao passar por níveis beta altos. O cérebro do
estudante está muito excitado com energia. Pode ver uma óbvia
mudança de frequência no cérebro quando isto ocorre (revelada
pelas setas azuis). A quantidade de energia no cérebro dele está
160 desvios-padrão acima do normal. Agora observe o gráfico
6A(4). A presença de muito vermelho no cérebro significa que há
muita energia; e muito azul no cérebro significa que há muito pouca
energia. Portanto, a seta vermelha que aponta para o círculo
totalmente vermelho quer dizer que há uma quantidade enorme de
energia no estado cerebral beta alto ao fazer a transição para o
estado gama. O programa aqui utilizado não regista as ondas
cerebrais gama propriamente ditas mas, graças às medições nos
gráficos acima, sabemos que a quantidade de energia no cérebro no
círculo totalmente vermelho reflete ondas gama bem como beta
altas. As setas azuis que apontam para a fila com o título
“Coerência” mostram que há uma comunicação intensa juntamente
com a energia elevada em todas as frequências cerebrais medidas.
OUTRO ESTUDANTE A PASSAR PARA ONDAS
CEREBRAIS GAMA A PARTIR DA RESPIRAÇÃO

Gráfico 6B(1)
Gráfico 6B(2)
Gráfico 6B(3)
É possível observar uma transição semelhante nestes gráficos. A
seta azul ao fundo do quadro no gráfico 6B(2) mostra o momento
em que o cérebro faz a transição de ondas beta altas para gama. O
gráfico 6B(3) mostra que a energia no cérebro está 260 desvios-
padrão acima do normal. Para pôr este número em contexto, 99,7
por cento da população está 3 desvios-padrão acima ou abaixo do
normal. Tudo para lá de 3 desvios é sobre-humano.
SONDAS QUE MOSTRAM A ATIVAÇÃO DA ÁREA JUNTO
À GLÂNDULA PINEAL

Gráfico 6B(4)
Gráfico 6B(5)
A área vermelha para onde as setas azuis apontam no gráfico
6B(4) é a região que rodeia a glândula pineal (também conhecida
por Área 30 de Brodmann), que está associada a fortes emoções e
à formação de novas memórias. A nossa equipa encontra
repetidamente este padrão nessa área do cérebro quando os
estudantes produzem ondas cerebrais gama. O gráfico 6B(5) é uma
imagem tridimensional do cérebro do mesmo estudante visto de
baixo, revelando uma diminuição significativa da energia vinda de
dentro do cérebro límbico.
EXAMES CEREBRAIS DE FELICIA

Gráfico 7A(1)
Gráfico 7A(2)
Gráfico 7A(3)
EXAMES CEREBRAIS DE FELICIA

Gráfico 7A(4)
Gráfico 7A(5)
Gráfico 7B
ESTUDO DE CASO DE FELICIA, CONTINUAÇÃO

Gráfico 7C
Gráfico 7D
Os gráficos 7A(1) até 7A(5) mostram o cérebro de Felicia em
transição de ondas beta normais para ondas beta altas, antes de ela
passar para o estado gama de energia elevada. (A seta azul mostra
a transição.) A energia no estado gama está 190 desvios-padrão
acima do normal quando ela se liga ao campo unificado. A área da
glândula pineal, bem como a parte do cérebro que processa as
emoções fortes, está altamente ativada, como se pode ver em 7B. A
imagem em 7C é a parte de baixo do cérebro. A região vermelha
mostra que a energia no estado gama vem de dentro do cérebro
límbico. Observe o gráfico 7D para ver as mudanças no problema
de pele de Felicia no dia seguinte a ela receber uma atualização
biológica do campo unificado.
COERÊNCIA CARDÍACA E COERÊNCIA CEREBRAL

Gráfico 8A
Gráfico 8B
A primeira sonda representa uma medição do cérebro de uma
pessoa antes de ela ativar o seu centro do coração. O cérebro está
numa frequência dominante de ondas cerebrais beta assíncronas, o
que indica um cérebro ocupado e distraído. A segunda sonda mede
o mesmo cérebro cerca de dez segundos mais tarde, quando ela
entra em coerência cardíaca. Todo o cérebro passa a um estado
coerente de ondas cerebrais alfa.
ONDAS CEREBRAIS COERENTES ALFA E TETA EM
RESULTADO DE SE USAR O CALEIDOSCÓPIO

Gráfico 9A(1)
Gráfico 9A(2)
O gráfico 9A(1) mostra uma sonda cerebral de um estudante que
está em ondas cerebrais alfa coerentes enquanto usa o
caleidoscópio. O gráfico 9A(2) apresenta uma pessoa em estados
de ondas cerebrais teta coerentes a usar o caleidoscópio em transe.
O gráfico 9A(3) mostra uma imagem tridimensional de um cérebro
(quase todo a vermelho) de outro estudante, indicando que quase
todo o cérebro está num estado teta. A oval vermelha à direita
mostra que o cérebro está a ser medido em teta. O gráfico 9A(4)
mostra a sonda cerebral a um estudante em várias frequências de
ondas cerebrais a usar o caleidoscópio. As áreas vermelhas e
alaranjadas marcadas com as setas azuis do lado direito de cada
cérebro mostram uma forte atividade de ondas cerebrais delta, teta,
alfa e beta.
MUDANÇAS NAS ONDAS CEREBRAIS QUANDO SE USA
O CALEIDOSCÓPIO

Gráfico 9A(3)
Gráfico 9A(4)
ENERGIA ELEVADA NO CÉREBRO QUANDO SE ASSISTE
AO MIND MOVIE

Gráfico 10
Eis um cérebro completamente absorto na experiência do
Mind Movie. Há uma quantidade significativa de ondas
cerebrais coerentes beta e gama a ativar todo o cérebro.
ATIVIDADE CEREBRAL DURANTE O DIMENSIONAMENTO
DE UMA CENA NO MIND MOVIE

Gráfico 11A
Gráfico 11B
Quando esta pessoa dimensionou uma cena no seu Mind Movie
durante uma meditação, ela contou ter sentido uma experiência
sensorial sem os seus sentidos físicos. No gráfico 11A, pode ver
que o cérebro dessa pessoa está num estado coerente de ondas
beta altas e ondas gama. A energia no cérebro está cerca de 230
desvios-padrão acima do normal. A seta vermelha no gráfico 11B
mostra que há bastante energia nas ondas beta altas ao fazer a
transição para ondas gama. A seta azul indica que há também muita
coerência no cérebro. É importante notar que ela não pode controlar
o cérebro, não pode obrigá-lo a fazer isso. A experiência está
simplesmente a acontecer-lhe.
ALTERAÇÕES CEREBRAIS ANTES E DEPOIS DE UMA
MEDITAÇÃO EM ANDAMENTO

Gráfico 12A
Gráfico 12B
O gráfico 12A mostra uma medição de base de uma pessoa com
ondas cerebrais alfa e beta normais antes da sua meditação em
andamento. Se observar o exame pós-meditação no gráfico 12B,
uma hora e vinte minutos mais tarde, irá ver que ela converteu o seu
cérebro para um estado gama de elevada energia.
ONDAS ESTACIONÁRIAS DE INFORMAÇÃO

Gráfico 13A
Os padrões fractais sob a forma de configurações geométricas
complexas são ondas estacionárias de frequência e informação que
podem ser descodificadas pelo cérebro, revelando imagens muito
poderosas. Embora estas imagens sejam bidimensionais, dão-lhe
uma ideia do aspeto destes padrões.
CORRELAÇÃO ENTRE ATIVIDADE SOLAR E
ACONTECIMENTOS HISTÓRICOS

Cortesia de HeartMath® Institute


Gráfico 14
Alexander Chizhevsky comparou, para os anos entre 1749 e
1926, o número anual de acontecimentos políticos e sociais
importantes e o aumento da atividade solar. No gráfico, a linha azul
ilustra erupções solares e a linha vermelha está relacionada com a
excitabilidade humana. Note que sempre que há elevada atividade
solar, há uma correlação com uma aceleração da história humana.
Criado a partir de dados fornecidos na tradução do artigo de
Alexander Chizhevsnky “Fatores físicos do processo histórico”.
COMPARAÇÃO ENTRE A ENERGIA DE TODO O DIA DE
QUARTA-FEIRA, QUINTA-FEIRA, SEXTA-FEIRA E
SÁBADO
TACOMA, ESTADO DE WASHINGTON, 2016
Laboratório científico de GDV
Tacoma 16 Base: Média: 6,186; Desvio-padrão: 0,005; Intervalo
de confiança: 0,010
Tacoma 16 quinta-feira: Média: 6,400; Desvio-padrão: 0,006;
Intervalo de confiança: 0,012
Tacoma 16 sexta-feira: Média: 6,523; Desvio-padrão: 0,006;
Intervalo de confiança: 0,012
Tacoma 16 sábado: Média: 6,712; Desvio-padrão: 0,007;
Intervalo de confiança: 0,013
Segundo a análise de variância ANOVA, as amostras são
estatisticamente aleatórias e independentes; p = 0

Cortesia de Dr. Konstantin Korotkov


Gráfico 15A
COMPARAÇÃO ENTRE A ENERGIA DE TODO O DIA DE
QUARTA-FEIRA, QUINTA-FEIRA, SEXTA-FEIRA E
SÁBADO
CAREFREE, ARIZONA, 2015
Laboratório científico de GDV
Arizona 15 Base: Média: 6,148; Desvio-padrão: 0,006; Intervalo
de confiança: 0,013
Arizona 15 quinta-feira: Média: 6,321; Desvio-padrão: 0,007;
Intervalo de confiança: 0,013
Arizona 15 sexta-feira: Média: 6,602; Desvio-padrão: 0,006;
Intervalo de confiança: 0,016
Arizona 15 sábado: Média: 6,602; Desvio-padrão: 0,006;
Intervalo de confiança: 0,012
Segundo a análise de variância ANOVA, as amostras são
estatisticamente aleatórias e independentes; p = 0

Cortesia de Dr. Konstantin Korotkov


Gráfico 15B
Os gráficos 15A e 15B demonstram um aumento de energia
coletiva na sala ao longo de três dias nos nossos seminários
avançados. A primeira linha, a vermelho, é a nossa base e mostra a
energia na sala antes do início do evento, na quarta-feira. Olhando
para as linhas vermelha, azul, verde e castanha (cada cor
representa um dia diferente) verá que cada dia a energia cresce
gradualmente.
COMPARAÇÃO ENTRE A ENERGIA DAS MEDITAÇÕES
DAS MANHÃS DE QUARTA-FEIRA, QUINTA-FEIRA,
SEXTA-FEIRA E SÁBADO
CANCÚN, MÉXICO, 2014
Laboratório científico de GDV
Cancun Manhã quarta-feira 2014 Base: Média: 6,239; Desvio-
padrão: 0,025; Intervalo de confiança: 0,049
Cancún Meditação Manhã quinta-feira 2014: Média: 6,365;
Desvio-padrão: 0,020; Intervalo de confiança: 0,040
Cancún Meditação Manhã sexta-feira 2014: Média: 6,642;
Desvio-padrão: 0,029; Intervalo de confiança: 0,056
Cancún Meditação Manhã Sábado 2014: Média: 6,680; Desvio-
padrão: 0,025; Intervalo de confiança: 0,050
Segundo a análise de variância ANOVA, as amostras são
estatisticamente aleatórias e independentes; p = 0

Cortesia de Dr. Konstantin Korotkov


Gráfico 15C
COMPARAÇÃO ENTRE A ENERGIA DAS MEDITAÇÕES
DAS MANHÃS DE QUINTA-FEIRA, SEXTA-FEIRA,
SÁBADO E DOMINGO
MUNIQUE, ALEMANHA, 2015
Laboratório científico de GDV
Alemanha Manhã quarta-feira 2015 Base: Média: 6,253; Desvio-
padrão: 0,013; Intervalo de confiança: 0,026
Alemanha Meditação Manhã quinta-feira 2015: Média: 6,319;
Desvio-padrão: 0,013; Intervalo de confiança: 0,025
Alemanha Meditação Manhã sexta-feira 2015: Média: 6,361;
Desvio-padrão: 0,013; Intervalo de confiança: 0,026
Alemanha Meditação Manhã sábado 2015: Média: 6,391;
Desvio-padrão: 0,014; Intervalo de confiança: 0,027
Alemanha Meditação Manhã domingo 2015: Média: 6,501;
Desvio-padrão: 0,015; Intervalo de confiança: 0,029
Segundo a análise de variância ANOVA, as amostras são
estatisticamente aleatórias e independentes; p = 0

Cortesia de Dr. Konstantin Korotkov


Gráfico 15D
Nos gráficos 15C e 15D, aplica-se a mesma escala de cores; no
entanto, estas medidas representam intervalos de tempo específicos
durante as meditações da manhã em cada dia. O gráfico 15D tem
uma linha verde a mais porque medimos a energia na sala durante a
meditação da glândula pineal às quatro horas da manhã. Como
pode ver, a energia estava muito elevada nessa manhã.

Common questions

Com tecnologia de IA

The document describes a relationship where intentional focus on the heart through positive and elevated emotions directly influences physiological changes in the brain. This focus increases heart coherence, which sends harmonized, coherent signals to the brain, altering neural patterns and fostering states of consciousness that support healing and emotional resilience. Such coherence enhances the brain's capacity to function adaptively, strengthens emotional stability, and facilitates access to deeper cognitive processes and intuition. The physiological changes imply improved synchronization between heart and brain, fostering an environment where genetic, biochemical, and electrical conditions promote overall health and well-being .

The processes outlined in the document aim to create coherence in both the heart and brain by focusing on intentionality through elevated emotions and meditative practices. At the heart level, coherence is fostered by experiencing genuine, elevated emotions that align the heart's magnetic field and send coherent signals to the brain. In parallel, meditative practices foster brain coherence by aligning brain waves with heart rhythms. The expected outcome of this dual coherence is the harmonization of the systemic functions of the body, leading to improved emotional stability, cognitive clarity, and overall well-being. Ultimately, such coherence promotes a state of energetic and mental harmony that aligns the individual with the unified field's potentials, creating pathways for personal transformation and self-realization .

Elevated emotions help synchronize the heart and the brain by creating heart-brain coherence. When emotions are heightened, the heart's magnetic field becomes stronger and influences all the cells within the body, creating a ripple effect throughout the body. By experiencing emotions such as gratitude, love, and compassion, individuals can enhance this synchrony, as the heart generates coherent signals to the brain. This effects a feedback loop, reinforcing coherence and altering brain wave patterns to support more holistic cognitive processing and emotional resilience .

The interplay between emotions and heart-brain coherence significantly impacts the body's chemical and genetic responses by activating the autonomic nervous system to align with elevated emotional states. As a person experiences elevated emotions that enhance heart-brain coherence, chemical signals within the body begin to change, leading to genetic modifications that reflect the body's perceived reality. This activation can lead to improved health, resistance to stress, and enhanced cellular functioning, as the body interprets these emotions as real environmental stimuli that necessitate biological responses .

The experience of superconscious states as depicted indicates historical and philosophical implications where personal transformation aligns with broader human potentials, reminiscent of philosophies that emphasize enlightenment and transcendence. These states allow individuals to access deep-seated truths and insights that transcend the physical canal, akin to historic philosophical pursuits of inner wisdom and universal truths. Philosopher's journeys, as referenced in experiential narratives, echo Socratic curiosities and transcendental insights that propose freedom from external dogma and an embrace of inner authenticity and universal connection. Such experiences challenge the established religious and governmental structures by suggesting that true empowerment and understanding come from aligning one's consciousness with universal principles beyond ordinary perceptions and political or religious constructs .

Heart-brain coherence plays a significant role in influencing our emotional and cognitive processes by aligning the rhythm of the brain with the heart's rhythm when the heart is in coherence. This alignment occurs at a frequency of 0.10 Hz, associated with an optimal state of performance and increased access to deep intuition and inner guidance. This coherence enhances the synchronization between the heart and brain, amplifying the energy level in the brain and potentially increasing energy levels by 50 to 300 times the normal amount. Such coherence allows for a more profound alignment of thoughts and emotions, facilitating a connection between the subconscious mind and the autonomic nervous system, thereby affecting the body's chemistry and energy, which reinforces a healthful and functional state .

The activation of the pineal gland contributes to the transformation of consciousness by acting as a superconductor of crystal properties that transduces vibrational signals from the quantum field into biological tissues. This activation allows individuals to receive and interpret a wider spectrum of reality beyond ordinary perception. When the pineal gland is stimulated by increased internal pressure and the acceleration of cerebrospinal fluid, it releases powerful metabolites of melatonin, altering its chemical structure and leading to heightened experiences. These experiences are similar to viewing a 3D IMAX movie compared to a traditional TV screening, significantly enhancing the clarity and vividness of mental imagery and transforming abstract dreams into perceivable reality .

Transcending physical limitations to access broader consciousness involves moving beyond the constraints of the three-dimensional reality in which identity, time, and space are paramount. The process requires letting go of attachment to the body, identity, and immediate environment, thereby embracing a state of pure consciousness. This allows individuals to connect with the unified field, which is not bound by linear time or the physical limitations inherent in matter. As consciousness shifts to this level, the perception of separateness diminishes, and individuals experience unity and potentialities otherwise hidden in the familiar realms of lived experience. The transformation facilitates encounters with broader existential truths and self-realization at a cosmic scale .

Surrendering personal identity is crucial when connecting with the unified field because it allows for the transcendence from a state of separation (an individual living in a specific time and space) to a state of pure consciousness. This is important because the unified field consists solely of consciousness and energy, beyond the dual nature of light and matter. By letting go of identity, place, and time, one can enter a state where they align with the consciousness that unifies all things and move beyond the limitations of the material world. This experience allows individuals to feel less separation and more integrity, tapping into the field of infinite possibilities and aligning their energy with the frequency of the unified field .

Meditative practices are pivotal in the transformation process described as they enable practitioners to transcend their current identities and past experiences, generating a new future reality. By engaging in meditation, individuals shift towards a state of pure consciousness, slowly aligning their energies with the intentional emotions of the future they wish to experience. Meditation opens pathways for connecting with the unified field, allowing for the dissolution of individual ego and identity into broader universal consciousness. This process enables one's biology to respond to the new mindset, exemplifying radical changes such as healing from past trauma and the elevation of consciousness to a heightened existential awareness .

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