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PROPOSTAS DE RESOLUÇÃO

Exame Nacional de 2007 (1.ª Fase)

I

II

III

IV

1. A

1. C

1. B

1. B

2. D

2. D

2. C

2. D

3. C

3. A

3. D

3. D

4. D

4. B

4. B

4. A

5. C

5. A

5. A

5. A

V

1. A projecção representada no gráfico permite con- cluir que, de 2000 a 2050, a percentagem de popu- lação idosa deverá aumentar, cerca de 15%, a um ritmo de crescimento progressivo até aos anos 40

e, durante essa década, continuará a crescer mas a

um ritmo mais lento.

2. A evolução da percentagem de jovens, até 2030, pode ser explicada pela diminuição da natalidade e da fecundidade em Portugal. Nota: também poderia ser referido o aumento da percentagem de idosos que faz diminuir a propor- ção de jovens.

3. É muito importante atenuar a tendência de envelhe- cimento da população portuguesa, devido às impli- cações sociais e económicas que este acarreta, como, por exemplo: o aumento do índice de depen- dência de idosos, com os consequentes encargos para a população activa; e o acréscimo das despesas sociais com a assistência médica e social, as refor- mas e as pensões. Nota: também poderia ser referido o aumento da idade da população activa, com os consequentes efeitos económicos, sobretudo ao nível da capaci- dade de adaptação e inovação e da produtivi- dade.

4. A emigração é um fenómeno que acompanha a evolução da população portuguesa desde o tempo das descobertas marítimas, tendo variado em número e em destinos ao longo dos tempos. Na segunda metade do século XX, a emigração por- tuguesa voltou-se para a Europa, principalmente França e Alemanha, e o contingente de emigrantes aumentou muito, sobretudo na década de 60,

período em que se registou o maior fluxo emigra- tório da nossa História, e início dos anos 70, para diminuir muito significativamente durante a segun- da metade dos anos 70 e em toda a década de 80. Nos anos 90, deu-se um aumento relativamente à década anterior, mantendo-se, no entanto, em valores baixos e apresentando a particularidade de predominar a emigração temporária, contrariamen- te às décadas anteriores em que a emigração era predominantemente permanente.

A emigração tem-se reflectido na demografia portu-

guesa, desde logo ao nível do número de habitan- tes, facto muito evidente na década de 60 em que a população portuguesa diminuiu. Mas as consequên- cias da emigração verificam-se também na estrutura

etária, contribuindo para o envelhecimento da

população, principalmente devido às características da população emigrante: população essencialmente masculina, jovem ou jovem adulta. Ou seja, com a emigração, dá-se uma redução da percentagem de população jovem e jovem adulta e, consequente- mente, um aumento da percentagem de população idosa, resultando num envelhecimento demográfico. Este envelhecimento vai reflectir-se na quebra de indicadores demográficos, como a taxa de natali- dade e o índice de fecundidade, e no aumento do índice de dependência de idosos. De salientar que a emigração tem sempre impactos na estrutura etária da população, mas estes tor- nam-se muito mais evidentes quando o número de emigrantes atinge valores elevados, como regista- dos durante a década de 60 e início dos anos 70, e quando a emigração é predominantemente perma- nente.

VI

1.

Existem vários obstáculos de carácter estrutural que dificultam o desenvolvimento da agricultura portuguesa, podendo salientar-se: o elevado núme- ro de explorações agrícolas de muito pequena dimensão (inferiores a 5 ha); e a elevada percenta- gem de produtores agrícolas idosos. Nota: também poderia ser referida a elevada per- centagem de produtores agrícolas com baixa esco- laridade e a baixa percentagem de agricultores com formação profissional.

2.

Algumas medidas da PAC são consideradas como factores desfavoráveis ao desenvolvimento da agri- cultura portuguesa. Entre essas medidas, podem citar-se: a atribuição de subsídios com base na dimensão da exploração, o que prejudicou os agri- cultores portugueses com explorações de pequena dimensão, predominantes no território nacional;

e

o abandono de terras aráveis, incentivado por

directivas da Comunidade, como o set-aside, o que contribuiu para o despovoamento do Interior. Nota: também poderiam ser referidas: a definição de quotas para produtos em que Portugal era defi- citário; a livre circulação de produtos agrícolas semelhantes ao do nosso País e provenientes de países da UE, o que criou dificuldades na coloca- ção, no mercado comunitário, de produtos portu- gueses não diferenciados como, por exemplo, os que não têm denominação de origem.

3.

Algumas medidas podem contribuir para o desen-

volvimento das áreas rurais, como, por exemplo: a dinamização da produção e comércio de produtos próprios da região, com denominação de origem;

e o aproveitamento das potencialidades turísticas,

uma vez que o turismo pode valorizar o património natural e histórico-cultural, contribuindo para a sua preservação. Nota: também poderiam ser referidos: o desenvol- vimento de indústrias associadas à transformação de produtos provenientes do sector agro-pecuário ou do sector agro-florestal; e o desenvolvimento de serviços de apoio à população e às actividades agrícola, turística, etc.

PROPOSTAS DE RESOLUÇÃO

4. Uma prática agrícola sustentável centrada na quali- dade e que contribua para a preservação ambiental

 

erosivos, e a prática da monocultura conduz ao empobrecimento e esgotamento de determina-

e

para a saúde pública deve ter em conta a necessi-

dade de adequar as práticas agrícolas às exigências ambientais e de segurança ambiental. Assim, há práticas que deverão mudar, como são o caso dos exemplos que a seguir se explicitam. Em Portugal, a área ocupada com actividade agrí- cola (aproximadamente 35% do território) continua

dos nutrientes do solo essenciais ao desenvolvi- mento das culturas;

no sistema intensivo, a utilização excessiva ou incorrecta de fertilizantes químicos degrada e

polui os solos, fazendo diminuir a sua fertilidade, e polui as águas superficiais (devido ao escoa- mento superficial que arrasta os produtos quí-

ser superior à dos solos com aptidão para a agri-

cultura (cerca de 25% do território). Além disso, existem solos com boa aptidão agrícola utilizados para outros fins. Assim, muitas actividades agrícolas

a

micos e os conduz até aos cursos de água) e subterrâneas (pela infiltração dos produtos quí- micos que chegam às toalhas freáticas e aquífe- ros).

desenvolvem-se em solos pouco aptos para esse

O

uso excessivo ou incorrecto de pesticidas, herbi-

fim. Este problema é ainda agravado pela ausência de estudos que permitam uma boa adequação

cidas e de fungicidas também contribui para a perda de biodiversidade, tanto ao nível da fauna

entre os solos e as espécies nele cultivadas. Tudo isto condiciona o rendimento da terra e dos agricul-

como da flora, e pode ser prejudicial para a saúde humana, pondo em risco a segurança alimentar.

tores, contribuindo para os baixos níveis de rendi-

O

cultivo das terras segundo o declive é outra prá-

mento e produtividade da agricultura portuguesa. Além disso, a má utilização do solo conduz a um grave problema – a tendência para a desertificação

tica que pode colocar em causa a sustentabilidade da agricultura, pois contribui para empobrecer os solos porque:

que atinge já uma parte significativa do território

continental, sobretudo no Interior e no Sul. A aplicação, muitas vezes deficiente, dos sistemas de produção constitui outro problema, pois conduz

exemplo:

facilita o desgaste e transporte de solo arável pelos agentes erosivos, que são ajudados pela força da gravidade;

ao empobrecimento e à degradação dos solos. Por

em situações meteorológicas mais graves, como chuvas torrenciais, a terra preparada para a pro- dução agrícola, como está menos compactada, é

no sistema extensivo, a utilização do pousio abso- luto, sem recursos a culturas forrageiras ou a pas- tagens artificiais facilita a erosão dos solos, uma vez que, sem cobertura vegetal, os seus horizon- tes superficiais ficam mais expostos aos agentes

mais facilmente arrastada. Conclui-se que, apesar dos progressos verificados na agricultura portuguesa, continuam a persistir algumas práticas que condicionam a sua sustenta- bilidade.