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O RPG No BRASIL

O artigo explora a evolução do RPG no Brasil desde os anos 1980, destacando sua popularização, a criação de produções nacionais e o impacto cultural e educacional do hobby. Apesar de enfrentar estigmas e resistência, o RPG se consolidou como uma ferramenta pedagógica e cultural, com uma comunidade vibrante e diversificada. Atualmente, o RPG é reconhecido por sua acessibilidade e potencial criativo, refletindo uma rica expressão artística e social.

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O RPG No BRASIL

O artigo explora a evolução do RPG no Brasil desde os anos 1980, destacando sua popularização, a criação de produções nacionais e o impacto cultural e educacional do hobby. Apesar de enfrentar estigmas e resistência, o RPG se consolidou como uma ferramenta pedagógica e cultural, com uma comunidade vibrante e diversificada. Atualmente, o RPG é reconhecido por sua acessibilidade e potencial criativo, refletindo uma rica expressão artística e social.

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Título: O RPG no Brasil: Trajetória, Cultura e Transformações

Resumo:
Este artigo analisa o desenvolvimento do Role-Playing Game (RPG) no Brasil, desde sua
introdução no final dos anos 1980 até sua consolidação como fenômeno cultural e educacional
nas décadas seguintes. São abordados aspectos históricos, editoriais, sociais e pedagógicos,
com atenção especial ao impacto das produções nacionais e à formação de comunidades em
torno do hobby.

Palavras-chave: RPG, cultura nerd, jogos de interpretação, Brasil, educação lúdica, mídia e
entretenimento.

1. Introdução

O Role-Playing Game (RPG), ou jogo de interpretação de papéis, é uma forma de jogo


colaborativo em que os participantes assumem personagens fictícios em narrativas guiadas
por regras e conduzidas por um narrador (mestre de jogo). No Brasil, o RPG teve um processo
de popularização gradual, marcado por barreiras linguísticas, preconceitos e, posteriormente,
um florescimento criativo local. Este artigo busca compreender como o RPG se inseriu no
contexto brasileiro e quais foram seus desdobramentos sociais, culturais e educacionais.

2. A chegada do RPG ao Brasil

O RPG começou a se difundir no Brasil nos anos 1980, ainda de forma restrita, por meio de
jogadores que importavam livros em inglês, como o Dungeons & Dragons (D&D) e o Advanced
Dungeons & Dragons (AD&D). A linguagem e o custo tornavam o hobby acessível apenas a
uma parcela reduzida da população, composta por leitores de fantasia e ficção científica.

A virada ocorreu em 1991, com o lançamento da primeira versão traduzida de Tagmar (um
sistema de fantasia medieval criado por brasileiros), seguido de GURPS e Vampiro: A Máscara,
traduzidos pela Devir Livraria. O RPG passou, então, a ocupar espaço nas bancas de jornal, em
eventos culturais e nas prateleiras de livrarias especializadas.

3. O boom dos anos 1990 e o surgimento de produções nacionais

Durante a década de 1990, o RPG brasileiro viveu seu “boom”. Além das traduções de sistemas
estrangeiros, surgiram produções nacionais como:

• Tagmar (1991)

• Desafio dos Bandeirantes (1992)

• Tormenta (1999), originalmente um suplemento da revista Dragão Brasil

Essas obras incorporavam elementos da cultura e mitologia brasileiras, criando um universo


com maior identificação local. A Dragão Brasil, revista de RPG publicada pela Editora Trama,
teve papel central na formação de uma comunidade e na profissionalização do RPG nacional,
sendo por muitos anos a principal fonte de informação sobre o hobby no país.
4. Estigmas, controvérsias e resistência

Apesar da expansão, o RPG no Brasil enfrentou resistência e estigmas, especialmente após o


caso de homicídio em Ouro Preto (2001), no qual os meios de comunicação atribuíram
indevidamente influência de jogos de RPG sobre o crime. Isso gerou um período de retração e
preconceito contra jogadores, com prejuízos à imagem pública do hobby.

No entanto, a comunidade reagiu com movimentos de conscientização, realização de eventos


e defesa do RPG como ferramenta de criatividade, empatia e educação.

5. O RPG como ferramenta pedagógica e cultural

Ao longo dos anos 2000 e 2010, o RPG passou a ser reconhecido também como instrumento
educacional e terapêutico. Professores utilizaram RPG para o ensino de história, literatura e
matemática, enquanto psicólogos e pedagogos aplicaram jogos de interpretação no
desenvolvimento de habilidades sociais, linguagem e resolução de conflitos.

Eventos como a Bienal do Livro, CCXP e Diversão Offline passaram a incluir RPGs em suas
programações, mostrando sua consolidação como produto cultural. O crescimento do
streaming e de plataformas como YouTube e Twitch também impulsionou a visibilidade de
mesas online, com destaque para séries como RPG da Galera, Ordem Paranormal e Cavaleiros
do Bicho Solto.

6. A cena atual e as novas gerações

Na atualidade, o RPG brasileiro vive uma fase de diversificação. Plataformas digitais como
Roll20, Foundry VTT e Discord facilitaram o acesso e permitiram a formação de comunidades
além das fronteiras físicas. Além disso, editoras independentes e financiamentos coletivos
possibilitaram o surgimento de novos sistemas e cenários nacionais, como A Bandeira do
Elefante e da Arara, Shotgun Diaries Brasil, Lampião Game Studio e Ordem Paranormal: RPG.

O RPG hoje se apresenta como uma prática acessível, variada e reconhecida. Embora ainda
existam desafios, como a ampliação do acesso e a valorização das produções locais, o cenário
é promissor e dinâmico.

7. Conclusão

A trajetória do RPG no Brasil reflete um processo de apropriação cultural criativa, que superou
barreiras econômicas, linguísticas e sociais para se transformar em uma forma rica de
expressão artística e pedagógica. Com raízes em comunidades apaixonadas e criativas, o RPG
continua evoluindo, mesclando tradição oral, narrativa coletiva, tecnologia e imaginação. É,
hoje, uma ferramenta poderosa de construção de mundos — e de pontes entre pessoas.

Referências (exemplos):

• GARCIA, Luiz Claudio. RPG no Brasil: uma história de resistência. São Paulo: Editora
Jambô, 2015.
• SANTOS, Aline. “RPG e educação: potencialidades pedagógicas do jogo narrativo”.
Revista Educação em Foco, v. 13, n. 2, 2018.

• BRANDÃO, Rafael. “O impacto dos jogos narrativos na cultura jovem brasileira”.


Revista Brasileira de Estudos Culturais, v. 9, n. 1, 2021.

• PORTAL RPG NOTÍCIAS. “A história do RPG no Brasil: linha do tempo”. Acesso em: 10
jun. 2025.

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