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TCC - Carlos Olcjnik

O trabalho de conclusão de curso analisa os impactos da tecnologia Blockchain e dos smart contracts na economia e no direito contratual. A pesquisa destaca como os smart contracts permitem a execução automática de cláusulas contratuais, reduzindo a necessidade de intermediários e promovendo eficiência. Além disso, aborda os desafios e limitações enfrentados na implementação dessas tecnologias no contexto jurídico e econômico.

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TCC - Carlos Olcjnik

O trabalho de conclusão de curso analisa os impactos da tecnologia Blockchain e dos smart contracts na economia e no direito contratual. A pesquisa destaca como os smart contracts permitem a execução automática de cláusulas contratuais, reduzindo a necessidade de intermediários e promovendo eficiência. Além disso, aborda os desafios e limitações enfrentados na implementação dessas tecnologias no contexto jurídico e econômico.

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Trabalho de Conclusão de Curso

PÓS-GRADUAÇÃO
SEGURANÇA EM
DIGITAL,
GOVERNANÇA E GESTÃO
DE DADOS

ALUNO: Carlos Henrique da Silva Olcjnik


ORIENTADOR: Márcio Soares Torres
Sum
ario
´

0. RESUMO 3
1. INTRODUÇÃO 4
2. REFERENCIAL TEÓRICO 5
2.1. Blockchain 5
2.2. Criptomoedas 6
2.3. Economia 7
2.4. Smart Contracts 8
3. PROPOSTA 9
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 10
4.1. Smart contracts são contratos? 10
4.2. Smart contracts e os direitos 11
4.3. Características dos smart contracts 12
4.4. Aplicabilidade da Blockchain 12
4.4.1. Identificação digital 13
4.4.2. Registros públicos 13
4.5. Desafios da blockchain 14
4.6. Desafios Jurídicos Smart Contracts 15
4.7. Regulamentação 16
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 17
6. REFERÊNCIAS 19
Revisão bibliográfica a respeito de Smart Contracts, Blockchain
e seus impactos na economia.
RESUMO: Umas das grandes inovações trazidas pelo uso da tecnologia Blockchain são
os smart contracts. Neles, as partes definem todas as cláusulas que são executadas
automaticamente, sem a intervenção de uma terceira parte, nem mesmo o Judiciário. O
objetivo desta revisão bibliográfica foi relatar os impactos sobre governança e teoria dos
contratos completos são analisados no texto, bem como os impactos no direito
contratual clássico. Smart Contract, ou contrato inteligente, potencializa enormes avanços
no ramo do direito civil que trata dos contratos, em suas diversas fases. Pretende-se,
pois, apresentar algumas das principais características das tecnologias que influenciam
as mudanças conceituais, a legislação pertinente aos contratos e as possíveis aplicações
dessa tecnologia.

PALAVRAS-CHAVE: Blockchain. Smart Contracts. Criptomoeda. Descentralização.

1. INTRODU

2
ÇÃO
Com o avanço da tecnologia, as transações digitais têm se tornado cada vez mais
frequentes, pela facilidade e praticidade de utilização. O dinheiro digital começou a ser
bastante utilizado a partir do surgimento dos cartões de crédito e de débito, pelo motivo
das transferências serem realizadas de maneira imediata. Outro avanço contemporâneo
são as criptomoedas, e a primeira moeda digital a ser concebida foi a Bitcoin, criada por
Satoshi Nakamoto em 2008, foi a porta de entrada para este novo modelo de dinheiro
digital, por meio de sua forte segurança e proteção fornecida pela infraestrutura de uma
nova tecnologia de segurança denominada Blockchain (FOXBIT, 2019).
O impacto das criptomoedas, devido ao seu crescimento exponencial em eventuais
transações nos últimos anos, faz jus a sua descentralização e modelo de rede peer-to-
peer, que permite que as transações sejam realizadas sem a necessidade de um servidor
central. Assim, os “pontos”, no caso os usuários, conectam-se entre si criando uma rede
descentralizada.
As possibilidades da Blockchain e estruturas semelhantes são diversas, e
aplicáveis nos ramos do Direito Constitucional, do Direito Administrativo, do Direito
Concorrencial e da Propriedade Intelectual, afora outros. Contudo, dentre tais usos, esta
nova tecnologia possibilitou a aplicação prática de uma ideia que, até então, somente
existia no papel: os chamados “contratos inteligentes” (smart contracts) que, com suas
características de auto execução e auto implementação, são capazes para transformar a
atual visão dos contratos, lançando desafios não só para a teoria tradicional do Direito
Privado, mas para toda a hermenêutica jurídica contemporânea.
Em seguida, os smart contracts sob o prisma da Análise Econômica do Direito,
buscando compreender as possibilidades de tal ferramenta não só das perspectivas
hermenêuticas, mas também em razão de suas consequências e impactos na modulação
da conduta humana por meio de incentivos.
Foi realizada revisão bibliográfica em bases de dados disponíveis na internet e
publicações em periódicos e artigos. Utilizando-se da revisão bibliográfica, foi possível
chegar na hipótese que, ainda que os Contratos Inteligentes sejam uma grande façanha
para as novas relações contratuais, existem limitações para sua efetiva aplicação, seja
pela falta de contemplação estatal ou pela própria limitação do conhecimento, o que não
remove sua incrível aplicabilidade, eficiência e economia, além da desburocratização do
serviço contratual.

3
2. REFEREN
CIAL
TEÓRICO
2.1 Blockchain
A tecnologia Blockchain surgiu junto com a moeda Bitcoin em 2008. Mesmo que
hoje em dia ainda algumas pessoas associem as duas coisas como sendo a mesma, o
blockchain na verdade é o que garante o funcionamento do Bitcoin da forma que ele foi
concebido. O Bitcoin acabou por ser a primeira moeda digital descentralizada que serviria
para a utilização de todos sem restrições, mas a verdadeira ferramenta inovadora foi o
sistema desenvolvido para garantir o registro e a segurança das transações
(NAKAMOTO, 2008).
O próprio nome do sistema serve como esclarecimento de como ele funciona.
“Block” traduzindo para Blocos e “Chain” traduzindo para Corrente, nos entrega a ideia.
Tudo é uma grande corrente de blocos de dados que necessitam de seus anteriores para
serem válidos.
O Blockchain segue alguns conceitos e propriedades que o tornam essa tecnologia
revolucionária. Seus conceitos partem do “Shared Ledger” que Gupta (2017, p.15)
descreve “A novidade é o conceito de um livro-razão compartilhado, distribuído - um
registro imutável de todas as transações da rede, um registro que todos os participantes
da rede podem acessar.”. Esse sistema grava todas as informações que passam pela
rede. Ele também é compartilhado entre todos os usuários, todos possuem uma cópia do
registro completo.

2.2 Criptomoedas
O começo de toda a vontade de criar um novo meio de pagamento que utilizasse a
internet e fosse criptografado veio entre o final da década de 80 e começo da década de
90, onde surgiu os primeiros conceitos e algumas tentativas de criação de novas moedas
que pudessem servir o propósito de substituir o dinheiro convencional (GRIFFITH, 2014).
David Chaum, fundador da empresa Digicash, foi o primeiro a usar uma moeda digital que

4
usava criptografia para a segurança das transações. A moeda eCash foi pioneira nesse
aspecto e até utilizada por alguns bancos e também por smart cards, mas não se
caracterizando exatamente como os as moedas digitais de hoje (CHUEN, 2015).
Desfrutando de certo sucesso, a empresa acabou tomando algumas decisões
erradas e faliu, sendo vendida logo após, e a moeda sendo esquecida e descontinuada
pelos seus novos donos. Apesar disso o sistema era promissor, pois além da criptografia,
também utilizava o sistema de assinaturas cegas (Blind Signatures) para proteger a
identidade dos utilizadores (CHUEN, 2015).
Estudiosos da época acreditavam que com um sistema de registro digital, a
necessidade de ter uma instituição confiável por trás das transações seria eliminada.
Chuen (2015, p.10) resume de forma clara e simples o processo descrito por uns dos
estudiosos: “um simples protocolo que requer que participantes gastem recursos para
minerar ouro digital ou Bit Gold, sejam recompensados, e que no processo validem o
registro público digital.”. A recompensa citada seria o próprio “Bit Gold” e o acesso livre
aos registros de transações. Esse sistema seria possível graças ao que é o ambiente da
internet, onde é mais fácil alguém ser voluntário em um processo e ter algum tipo de
recompensa, do que estabelecer taxas fixas para o uso de um sistema (CHUEN, 2015).
Alguns desses estudiosos se juntaram e começaram a elaborar a teoria que
serviria de base para a tecnologia que se tornaria o Blockchain e seria utilizada nas
criptomoedas que se tem hoje. Junto a eles, um membro de um grupo ativista que
defendia o uso de criptografia pesada formulou um sistema novo reutilizável de checagem
dos processos que os voluntários fariam. Esse novo sistema impediria os hoje conhecidos
ataques DDoS (Distributed Denial of Service ou Recusa de Serviço Distribuída) e também
ajudaria a impedir os Spams. A moeda digital Bitcoin, no seu Blockchain usa um sistema
que opera dessa forma chamado Hashcash (CHUEN, 2015).

2.3 Economia
Os sistemas econômicos são divididos em 2 modos, sendo eles o sistema
capitalista ou sistema de mercado e o sistema socialista ou economia centralizada. No
sistema capitalista quem rege o sistema é as forças do mercado, com foco na livre
iniciativa e nas propriedades privadas. Nesse caso o governo não possui qualquer
interferência direta no andamento do mercado. No sistema socialista quem rege o sistema
é algum órgão central, de poder público, que também mantém a maioria das propriedades
de produção, essas públicas. Nesse sistema, o governo tem controle sobre todas as

5
forças do mercado, ditando todas as diretrizes. Hoje a maioria dos estados opta pela
chamada Economia Mista, que é uma mistura entre as 2 economias descritas acima
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).
A proposta das criptomoedas mostra que esse mercado tende a funcionar
puramente no sistema capitalista descrito anteriormente. Pela sua propriedade de ser
descentralizada, as criptomoedas não sofrem nenhuma ação dos governos e órgãos
reguladores, sendo totalmente comandada pelas forças do mercado e da sua
comunidade.
Conceitos de oferta e demanda também vão ajudar a entender alguns aspectos do
mercado das criptomoedas. A definição de demanda é explicada por Vasconcellos e
Garcia (2014, p. 49) como “a quantidade de certo bem ou serviço que os consumidores
desejam adquirir em determinado período de tempo.”. Vários fatores podem alterar a
demanda dos bens, como fatores sazonais, de localização ou também da própria renda
da população. Por esse último fator pode-se definir a demanda como “a quantidade que
os consumidores estão dispostos a comprar à medida que muda o preço unitário”
(IZIDORO, 2014, p. 40).
Outro conceito relevante é o de custo de produção. Custo de produção é definido
por Vasconcellos e Garcia (2014, p. 79) como sendo “o total das despesas realizadas pela
organização com a utilização da combinação mais econômica dos fatores, por meio da
qual é obtida determinada quantidade do produto.”. Ou seja, é tudo o que uma empresa
gasta, diretamente ou indiretamente, no processo de entregar um produto ao consumidor.
Quanto melhor for o setor de custos de uma empresa, melhor poderá ser trabalhado o
preço final dos seus produtos, podendo garantir vantagens na hora de concorrer no
mercado.

2.4 Smart Contracts


O smart contract é uma forma de garantir certas condições para que ocorram as
transações de forma segura, pois só será executado o contrato conforme as condições
forem atendidas, dando permissão somente para alguns usuários terem acesso a certas
informações. Dessa forma o usuário deve provar que possui a autorização necessária
para acessar as informações, assim ativando a condição do smart contract.
A teoria dos Smart Contracts surgiu nos anos 1990, mas somente vinte anos
depois encontrou seu verdadeiro potencial e benefícios. Trata-se de um programa de
computador, escrito em linguagem computacional que uma determinada máquina pode

6
interpretar e executar. Também constitui um acordo estabelecido entre as partes em
formato de lógica de negócio que são automaticamente executados quando identificam-se
determinadas condições. Assim, as cláusulas contratuais pactuadas contratualmente são
executadas conforme definidas e acordadas pelas partes.
Smart Contracts permitem, através de um protocolo de transações informatizado, a
execução dos termos de um contrato, satisfazendo as cláusulas contratuais como
condições de pagamento, garantias, confidencialidade, minimizando a utilização de
intermediários em sua realização. Permitem, assim, diversas vantagens econômicas
como redução de perdas por fraude, arbitragens e custos de transação, dentre outros.
A elaboração de contratos inteligentes envolve tecnologias que possibilitam
questionamentos diversos, como a diferença entre a codificação em linguagem de
máquina e sua necessária correspondência ao acordado entre as partes no contrato
efetivamente validado. Programação com interpretação diversa do acordado, ou com
erros, podem gerar resultados de resolução diferente do estabelecidos nas cláusulas.
Novas categorias de erros, os bugs das aplicações refletirão diretamente no não
cumprimento da vontade das partes estabelecida em contrato. Surge, pois, a necessidade
de validação, uma homologação prévia, a ser disponibilizada pelas partes para sua
posterior habilitação da realização do contrato.

Tabela 1 – Autores utilizados como referência.


Autores Tema Posicionamento
Gupta e Nakamoto Blockchain As possibilidades da Blockchain e
estruturas semelhantes são diversas,
são capazes para transformar a atual
visão dos contratos.
Griffith e Chuen Criptomoedas A necessidade de ter uma instituição
confiável por trás das transações
seria eliminada.
Vasconcellos, Economia A proposta das criptomoedas mostra
Garcia e Izidoro descentralizada que esse mercado tende a funcionar
puramente no sistema capitalista,
quem rege o sistema é as forças do
mercado.
Gupta e Witte Smart Contracts Diversas vantagens econômicas

7
como redução de perdas por fraude,
arbitragens e custos de transação.

3. PROPOST
A
Demonstrar a ascensão das criptomoedas e dos Smart Contracts dentro do
mercado financeiro, perspectivas de futuro e seu impacto em determinadas áreas da
economia, por meio de sua descentralização, que facilita as transações burocráticas, além
de sua solida infraestrutura de segurança, o Blockchain.
Utilizados como materiais de pesquisa e estudo, literatura, artigos e sites referentes
a Smart Contracts, Criptomoedas e Judiciário, que evidenciam que os assuntos
informados foram anteriormente compreendidos no cenário atual, enfatizando a
veracidade dos fatos apresentados.

4. RESULTA
DOS E
DISCUSS
ÕES
4.1 Smart contracts são
contratos?
Kevin Werbach e Nicolas Cornell, professores de Direito, respectivamente, na
Universidade da Pensilvânia e na Michigan Law School, conceituam smart contract como
“um acordo em formato digital que é auto executado e auto implementado” (WERBACH;
CORNELL, 2017). Para os autores, smart contracts são contratos cuja completa
execução é feita por sistema computacional sem a oportunidade de
intervenção humana. Esses contratos são, portanto, auto executáveis e não haveria
espaço, a priori, para de questioná-los na justiça, o que os diferencia das outras formas
de contrato eletrônico.
Smart contract é uma ideia mais sofisticada do que o mero protocolo de transação
automático ou computadorizado, popularizado desde a década de 50 com as chamadas

8
vending machines, máquinas automatizadas que fornecem itens como lanches, bebidas e
cigarro para os consumidores após a inserção de dinheiro ou pagamento com cartão de
crédito realizado diretamente no aparelho. Ainda assim, Max Raskin, da New York
University School of Law, os identifica como uma espécie de smart contract, já que define
estes como “acordos em que a execução é automatizada, geralmente por computadores”
(RASKIN, 2017).
Webach e Cornell (2017) não necessariamente qualificam os smart contracts como
contratos para a legislação americana, chegando a esta conclusão analisando uma série
de conceitos de contratos. Dizem esses outros autores, por exemplo, que um contrato
típico é um acordo que pode ser judicialmente questionado. Esse acordo deve considerar
aspectos objetivos e subjetivos.
Os smart contracts, desta forma, substituiriam os acordos de cavalheiros, que não
seriam submetidos às Cortes. Os autores, contudo, observam que, estritamente
falando, isto não significa que as partes estariam abrindo mão de irem à Justiça neste
caso. Eles dão o exemplo de uma eventual hipótese de desligamento do Blockchain: a
quem as partes recorreriam? Os autores não deixam isso claro. Werbach e Cornell,
então, oferecem uma definição alternativa de contrato ao sugerir que contratos seriam
quaisquer acordos que promovessem consequências práticas nos direitos e deveres das
partes, ou seja, não tratariam meramente de aspirações.

4.2 Smart contracts e os


direitos
Para Caio Mário da Silva Pereira (2014, p. 314), contrato é um negócio jurídico
bilateral que necessita do consentimento. Exige conformidade com a ordem legal e, sendo
ato negocial, tem por escopo aqueles objetivos específicos. Para o autor o “contrato é um
acordo de vontades, na conformidade da lei, e com a finalidade de adquirir, resguardar,
transferir, conservar, modificar ou extinguir direitos” ou, ainda, “acordo de vontades com a
finalidade de produzir efeitos jurídicos”.
O fundamento ético do contrato, para Caio Mário da Silva Pereira, (2014) é a
vontade humana, desde que atue na conformidade da ordem jurídica. Seu efeito, a
criação de direitos e de obrigações. O contrato é, pois, “um acordo de vontades, na
conformidade da lei, e com a finalidade de adquirir, resguardar, transferir, conservar,
modificar ou extinguir direitos. Desde Beviláqua o contrato é comumente conceituado de

9
forma sucinta, como o “acordo de vontades para o fim de adquirir, resguardar, modificar
ou extinguir direitos”.
Dessa forma, quanto mais pesquisa na doutrina brasileira, centrado em dois
aspectos centrais, definidores e constitutivos dos contratos: acordo bilateral e
manifestação de vontade. Sob tais pressupostos, não se vê nenhum óbice para
considerar os smart contracts como contratos no direito brasileiro. O fato de serem auto
executáveis e autônomos não os descaracteriza como contratos segundo a legislação
pátria.

4.3 Características dos


smart contracts
O smart contract tem como principais propriedades a autonomia,
descentralização e autossuficiência, prescindindo de qualquer intermediário para a
implementação do acordo entre as partes.
Pela autonomia, a propriedade de tais contratos de tornar desnecessária qualquer
participação posterior da parte contratante no processo, que se auto executa quando suas
condições são satisfeitas e informadas à rede.
Por sua vez, a característica da descentralização remete à inexistência de uma
autoridade ou servidor central para garantir sua existência e autenticidade, porquanto
seus dados estão distribuídos por vários pontos de rede e podem ser confirmados por
qualquer pessoa. Uma vez realizado seu upload, o contrato estará escrito na Blockchain e
poderá ser acessado diretamente por meio da plataforma ou qualquer API (Application
Programming Interface - Interface de Programação de Aplicações) desenvolvida para
tanto.
Já a autossuficiência diz respeito à capacidade destes contratos de adotar meios
para permitir uma maior capacidade de armazenamento e poder de computação,
coletando dinheiro, realizando transações, distribuindo, emitindo e gastando recursos.
A tecnologia que permite aos smart contracts comportar-se de tal forma é,
tradicionalmente, a Blockchain, uma estrutura de dados que representa uma entrada de
contabilidade financeira ou um registro de uma transação. A unidade de uma cadeia na
Blockchain se chama “bloco”, o qual contém informações (créditos, débitos, registros de
propriedade). Um bloco é verificado por uma grande quantidade de computadores em

10
uma rede, os chamados nós (nodes), e então inserido nos blocos anteriormente
verificados.

4.4 Aplicabilidade da
Blockchain
A utilização da tecnologia blockchain é reconhecida como uma das grandes
possibilidades de transformação no mundo jurídico, especialmente na área tributária. A
mudança drástica do contexto econômico e tecnológico produziu e produzirá profundas
alterações no sistema de tributação, arrecadação e fiscalização dos tributos. Considerado
como um ramo crescente nos negócios e no direito, representando novos desafios no
âmbito de consultoria nos escritórios de advocacia em diversos países
A utilização de smart contracts permite agilidade e transparência nas transações,
especialmente em razão da possibilidade de dispensa de intermediários. Entretanto, sua
utilização ainda está em sua fase inicial e o impacto das melhorias é desconhecido, bem
como os possíveis riscos decorrentes.
Dentre as áreas, destacam-se a financeiras, que são as mais claras e simples de
se observar, muito devido ao sucesso do caso de uso das criptomoedas. Nas demais
áreas, observam-se impactos positivos como IoT (Internet of Things) descentralizada,
controle de registros de propriedade (inclusive intelectual), gestão de direitos autorais
(músicas, livros, mídias), cadeias de produção (industrial, agrícola, extrativista), prova de
existência de documentos, gestão de identidade digital de pessoas, dentre outras.

4.4.1 Identificação
digital
A identificação de um usuário no ambiente digital ainda se apresenta como um
desafio para as aplicações utilizando-se o modo não presencial. Alguns avanços
ocorreram no Brasil, como o e-Título, aplicativo disponibilizado no celular que permite a
identificação do eleitor no local de votação, bem como o e-CPF, e-Carteira de Trabalho, e-
Carteira Nacional de Habilitação e há um projeto de criação de um o Documento Nacional
de Identidade. Apesar da existência destas iniciativas de uma identidade digital, no Brasil
pouco se evolui nessa área. Além disso, nenhuma destas iniciativas unifica outros
documentos, e até o momento apenas a iniciativa do e-CPF faz uso da tecnologia

11
Blockchain, ainda em evolução.
Um único documento de identificação digital, de comprovada origem, seguro e com
garantia de veracidade e publicidade, simplificaria a vida do cidadão e sua integração nas
mais diversas esferas sociais, políticas e econômicas, facilitando, inclusive, a redução de
fraudes na aplicação de recursos públicos diretos, em especial em programas sociais.

4.4.2 Registros públicos


Dentre as diversas atividade que envolvem os registros públicos cartoriais. O
registro civil das pessoas naturais, envolve datas de nascimento, casamento, morte,
direito a personalidade, capacidade, curadoria, emancipação, interdição, nomes, em
períodos de tempo que podem perdurar centenas de anos.
O registro civil de pessoas jurídicas trata desde a constituição da personalidade
jurídica de associações (civil ou religiosas), estatutos, fundação, composição, direitos dos
associados, dissolução, extinção e demais alterações.
O registro de títulos e documentos permitem publicidade, oponibilidade,
cancelamentos, alterações, bem como o registro de imóveis possuem todo um instituto
extrajudicial e judicial para tratamento e manutenção dos mais diversos registros
envolvendo propriedade, averbações, hipotecas, reservar legais, garantias reais,
nulidades, permutas, dação em pagamento, doação, adjudicação, alienação,
incorporações, loteamentos, reservas legais, enfim, registros necessários para o devido
tratamento ao direito de propriedade que reflete em uma melhor convivência em
sociedade.
Porém, há muitas semelhanças entre as atividades cartoriais e a tecnologia
Blockchain em especial quanto a assegurar distribuição, imutabilidade e rastreamento de
registros. Neste sentido, diversos governos anunciaram a intenção de armazenar e
gerenciar registros públicos de diferentes naturezas em Blockchain.

4.5 Desafios da blockchain


O Blockchain pode estar suscetível a falha de sistemas, bugs e danos na
infraestrutura. Porém, no entendimento dos mais entusiastas, a evolução da tecnologia
assemelha-se à bitcoin, ou seja, à medida que surgiram os problemas, as soluções
também surgem e o incremento de utilização, a escala, fornecem uma maior estabilidade
ao sistema como um todo.
A validação dos algoritmos na rede distribuída estabelecida, consomem a

12
equivalente a setecentas residências médias americana, no caso da bitcoin. Assim a
circulação anual de U$ 3 bilhões requer U$ 100 milhões de gastos em energia. Os
defensores entendem que a confecção de moedas e, em especial, o sistema financeiro
nunca se submeteram a medições confiáveis dos seus custos energéticos, sendo assim,
de difícil comparação com novas tecnologias.
Criminosos podem utilizar-se da tecnologia, operações de transações secretas
podem ser utilizadas para prática de crimes. Pela avaliação dos defensores da tecnologia
entende-se que servirá, igualmente, para prevenção e segurança das transações legais,
diminuindo-se as fraudes e publicizando processos governamentais.
Outro problema possível envolve, mesmo que teoricamente, os mineradores.
Iwamura et al. (2014, p.13) aponta que “Mineradores participam voluntariamente da
competição de mineração, investem em seu poder computacional, e sairiam do sistema
se os custos forem maiores que os benefícios”. Se o valor do Bitcoin cair muito abaixo dos
custos de manutenção dos computadores, possivelmente todos sairiam da rede. Isso
causaria um colapso na rede, até que não sobrassem mais mineradores. O processo de
validação e processamento dos blocos do blockchain seria paralisado, tornando a moeda
obsoleta (IWAMURA et al., 2014).
A consolidação de uma nova tecnologia envolve desafios a serem superados até a
sua consolidação que, em geral, promovem melhoria nas relações sociais. A superação
dos mais diversos obstáculos reverte-se em benefícios que produzem uma nova
realidade.

4.6 Desafios Jurídicos Smart


Contracts
A implementação dos smart contracts em tecnologia blockchain desperta o
interesse jurídico e demanda a atenção dos pesquisadores, na medida em que
são suscitadas diversas questões quando de sua adequação ao sistema normativo
brasileiro, tais como: interpretação judicial de cláusulas instituídas por meio de códigos
computacionais; efetividade de decisões judiciais sobre a execução de códigos;
proteção de dados pessoais inseridos em tecnologia blockchain; possibilidade de
erros de programação, causando lesão às partes, entre outras.
Os contratos inteligentes não se tratam simplesmente de contratos celebrados pela
internet, mas sim de contratos capazes de se auto executar ao estarem preenchidas as

13
condições previamente estipuladas quando de sua celebração. Ricardo Lorenzetti (2004,
p. 293) ressalta que aquele que utiliza determinado meio eletrônico, transparecendo que
esse reflete seus interesses negociais, arca com os ônus e riscos do negócio contratado.
A teoria geral dos contratos, bem como o art. 107 do Código Civil, lecionam que só
haverá forma específica para algum contrato quando a lei expressamente a prever.
Orlando Gomes (2000, p. 62) ressalta que o contrato somente será inválido caso sua
forma seja substância do próprio contrato. Por esse motivo, é da liberdade das partes que
formulem contratos, podendo, inclusive, inserir linguagens de programação, desde que
seja de comum acordo entre os contratantes, bem como não atente contra a ordem
pública.
Todas estas implicações jurídicas decorrentes da execução dos smart contracts
não encontram no ordenamento brasileiro respostas prontas, exatamente pela
complexidade técnica que envolve a temática, a qual não consegue ser acompanhada
pela atividade legislativa e agrava a insegurança jurídica no âmbito dos negócios.
Segundo Alexander Savelyev (2017, p. 12), o fato de que as partes possam ser
leigas em redação de código de programação pode fazer com que contratem empresas
terceirizadas para tanto. Logo, o fato de que um terceiro elaborará as cláusulas em
linguagem de programação pode causar mal entendidos entre a vontade das partes e o
que de fato está programado no contrato.
A característica de imutabilidade desses contratos também reflete em outra
consequência jurídica, a impossibilidade do distrato. Ou, caso o contrato seja alterado,
apesar da barreira tecnológica, ainda assim o distrato estaria bastante dificultoso.
Enfim, entende-se que a implementação dos smart contracts no Brasil encontra
obstáculos, princípio da função social dos contratos, exigindo-se dos estudiosos jurídicos
maior atenção ao assunto, tendo em vista tratar-se de modelo negocial presente na
sociedade atual e que não poderá ser evitado pelo Estado, especialmente, no contexto
globalizado em que se vive atualmente, quando a tecnologia ultrapassa qualquer fronteira
territorial.

4.7 Regulamentação
Grande parte das opiniões visa alertar as pessoas sobre os possíveis riscos das
criptomoedas, que não são protegidas pelas atuais leis em caso de roubos ou fraudes.
Scott (2016, p.4) descreve que “A taxação, contabilidade e regulamentação pode mudar
dependendo de como as criptomoedas são vistas, como moeda corrente, ativo,

14
commodity ou serviço”.
Vora (2015, p.826) ainda complementa o pensamento de Villaverde dizendo que
“Os reguladores americanos tentaram classificar o Bitcoin como ativo financeiro e o IRS
explicitamente confirmou. É muito provável que o pioneirismo americano será seguido
pelos outros países”. O autor então argumenta a existência de uma apreensão a respeito
das regulamentações dos países mais desenvolvidos, pelo fato de que as criptomoedas
podem ser usadas para ações ilícitas.
Comenta ainda que as agências reguladoras americanas estão estudando as leis
existentes para descobrir se as mesmas valem em território virtual e de que forma. Essa
preocupação com o mercado das criptomoedas em relação às possíveis regulamentações
americanas, e o compartilhamento das mesmas por outros países, é compartilhada por
DeVries (2016, p.7): “Uma séria ameaça para as criptomoedas é o labirinto de regulações
americanas que elas teriam que passar antes de ser aceitas amplamente.”.
Acrescentando o fato de que as regulamentações podem prejudicar a legitimidade das
criptomoedas.

5. CONSIDE
RAÇÕES
FINAIS
Os contratos inteligentes que permitem a automação de contratos e sua realização
autônoma, os Smart Contracts, utilizando-se de outras tecnologias como o Blockchain.
As características peculiares do Blockchain provendo segurança, confiabilidade,
privacidade e publicidade, dentre outras, merecem um aprofundamento da solução que,
brevemente, tornar-se-á realidade, em um ambiente em que as profissões se encontram,
cada vez mais, sendo questionadas.
Enquanto solução conceitual os Smart Contracts podem ser considerados
ousadamente revolucionários e, com a combinação das outras tecnologias, percebe-se
um direcionamento realista que envolve diminuição de custos, agilidade na realização,
garantia de confiabilidade, segurança, publicidade e privacidade.
As criptomoedas fornecem uma flexibilidade, proteção e facilidade quando o
assunto é a transação das moedas entre países, usufruindo da tecnologia do Blockchain,
que utiliza o sistema de redes peer-to-peer, trazendo uma grande segurança para a

15
proteção dos dados monetários.
O principal legado que o Bitcoin irá deixar, sem dúvidas, é o blockchain. Se
esperam avanços significativos das possíveis implementações dessa tecnologia nas
diversas áreas onde poderá ser aplicada. É uma tecnologia que mudou a forma de ver os
bancos de dados e como utilizá-los. A quantidade de empresas que já usa o blockchain
em alguma parte de sua atividade continua crescendo. Até mesmo governos estão
trabalhando para utilizar a tecnologia.
O uso dessa tecnologia no âmbito empresarial só tende a crescer, e com isso será
necessário compreender o funcionamento de um blockchain e todas suas funções de
registro e de criação de “smart contracts”. Com a crescente necessidade de informações
precisas e de imediata disponibilidade, o blockchain vai se tornar indispensável para a
contabilidade empresarial e para os usuários dessas informações.
A inflexibilidade para modificar ou alterar o conteúdo do contrato inteligente, ideal
de segurança entre as partes, novamente apresenta-se como paradoxo diante a situações
de exceção de contrato não cumprido ou na ocorrência da teoria da imprevisão,
dificultando ou impossibilitando o exercício de defesas legalmente asseguradas, e
aumentando novamente as despesas com gastos judiciais ou extrajudiciais para adequar
a situação ocorrida fora da cadeia para com o contrato em execução.
As inovações contratuais sempre despertam na ciência jurídica dúvidas que
envolvem questões técnicas e multidisciplinares, as quais, em regra, não são
compreendidas facilmente pelo operador do Direito. Neste viés, os smart contracts, pela
sua complexidade técnica, que foge da formação do jurista, o qual pode acarretar
problemáticas jurídicas.
Por fim, questiona-se sobre a implementação das cláusulas contratuais mediante a
realização de códigos computacionais, como impor a compreensão destas cláusulas
pelos tribunais, bem como sobre a possibilidade de implementar por meio de códigos a
resolução dada à demanda judicial e como tornar o código legível a pessoas e não
somente a máquinas e programadores (BASHIR, 2017, p. 200).

6. REFERÊN
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