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Comunicado 215

Técnico ISSN 0103-9458


Novembro, 2002
Porto Velho, RO

Adubação Potássica em Cassia rotundifolia


1
Newton de Lucena Costa
2
Valdinei Tadeu Paulino

Introdução à persistência de leguminosas em pastagens


de Brachiaria humidicola.
Os solos de Rondônia apresentam,
originalmente, teores médios ou altos de Neste trabalho avaliou-se o efeito da
potássio trocável, sendo raras as respostas de aplicação de níveis de potássio sobre a
leguminosas forrageiras à adubação potássica. produção de forragem e composição química
No entanto, face a utilização de práticas de de Cassia rotundifolia.
manejo inadequadas (elevadas cargas animal,
sistema de pastejo contínuo e ausência de Material e Métodos
fertilizações de estabelecimento e/ou
manutenção), que afetam consideravelmente a O ensaio foi conduzido em casa-de-
eficiência dos processos de reciclagem de vegetação, utilizando-se um Latossolo
nutrientes, tem aparecido nos últimos anos, Amarelo, textura argilosa, o qual apresentava
sintomas de deficiências de potássio nas as seguintes características químicas: pH =
pastagens cultivadas. Ensaios exploratórios de 4,8; Al = 1,3 cmolC/dm3; Ca + Mg = 1,7
fertilidade do solo realizados na região cmolC/dm3; P =2 mg/kg e K = 33 mg/kg. O
amazônica, demonstraram que o potássio, solo foi coletado na camada arável (0 a 20
depois do fósforo, foi o nutriente mais limitante cm), destorroado e passado em peneira com
ao crescimento de Pueraria phaseoloides, malha de 6 mm e posto para secar ao ar.
Arachis pintoi, Centrosema pubescens e
Stylosanthes guianensis, reduzindo O delineamento experimental foi em blocos
significativamente os rendimentos de forragem, casualizados com quatro repetições. Os
número e peso seco de nódulos, teores de tratamentos consistiram de cinco doses de
nitrogênio e potássio (Costa et al., 1989, 1998; fósforo (0, 15, 30, 45 e 60 mg/dm3 de K)
Teixeira Neto et al., 1991). aplicados sob a forma de cloreto de potássio,
quando do plantio e uniformemente
Em pastagens de Cajanus cajan estabelecidas misturados com o solo. A adubação de
em um Latossolo Amarelo, textura argilosa, com estabelecimento constou da aplicação de 30
baixa disponibilidade de potássio (58 mg/kg), mg/kg de P sob a forma de superfosfato triplo.
Costa e Paulino (1992), com a aplicação de 60 Cada unidade experimental constou de um
kg de K2O/ha, obtiveram incrementos de 98; 30 e vaso com capacidade para 3 dm3 de solo
109%, respectivamente para os rendimentos de seco. Dez dias após a emergência das
forragem e quantidades acumuladas de potássio plantas, executou-se o desbaste, deixando-se
e nitrogênio. Já, Teixeira Neto et al. (1991) três plantas/vaso. O controle hídrico foi
verificaram que o potássio foi o nutriente mais realizado diariamente, mantendo-se o solo em
limitante ao estabelecimento e 80% de sua capacidade de campo. Durante o
período experimental foram realizados três

1
Eng. Agrôn., M.Sc., Embrapa Rondônia, Caixa Postal 406, CEP 78900-970, Porto Velho, Rondônia
2
Eng. Agrôn., Ph.D., Instituto de Zootecnia, Nova Odessa, São Paulo
2 Adubação Potássica em Cassia rotundifolia

cortes em intervalos de 45 dias e a 10 cm acima sendo o maior valor obtido com a aplicação de
do solo. Os parâmetros avaliados foram 26,4 mg/dm3 de K. (Tabela 2). Em geral, os
rendimento de matéria seca (MS) e teores de percentuais registrados neste trabalho foram
nitrogênio, fósforo, cálcio, magnésio e potássio. semelhantes ou superiores aos reportados por
Foram ajustadas as equações de Costa e Paulino (1992) para C. cajan, Paulino
regressão para rendimento de MS (variável et al. (1995) para L. leucocephala e por Rao e
dependente) e níveis de potássio (variável Kerridge (1994) para Arachis pintoi, cultivadas
independente)(equação 1) e para teor de em diferentes localidades da região amazônica.
potássio como variável dependente dos níveis de
potássio aplicados (equação 2). Através da O nível crítico interno de potássio, determinado
equação 1 calculou-se a dose de potássio através da equação que relacionou a dose de
aplicada relativa a 90% do rendimento máximo fósforo necessária para a obtenção de 90% do
de MS, sendo este valor substituído na equação rendimento máximo de MS, foi estimado em
2 para determinação do nível crítico interno de 16,8 mg/dm3 de K, o qual correspondeu à
potássio. aplicação de 15,1 mg/dm3 de K. Esse valor é
inferior aos reportados por Costa e Paulino
(1992) para C. cajan (21,3 mg/dm3 de K) e por
Resultados e Discussão Paulino et al. (1995) para L. leucocephala (19,6
mg/dm3 de K).
A aplicação de níveis crescentes de potássio
afetou significativamente (P < 0,05) os Conclusões
rendimentos de MS da leguminosa, sendo os
maiores valores obtidos com a aplicação de 60
1 – A Cassia rotundifolia é uma espécie que
(13,19 g/vaso) e 45 mg/dm3 de K (12,13 g/vaso).
responde à aplicação de potássio, cujo
No entanto, a aplicação de 15 mg/dm3 de K já
aumento em sua disponibilidade promove
proporcionou um incremento de 72%, em relação
maiores rendimentos de MS e teores de
ao tratamento testemunha (Tabela 1). Os
nitrogênio e potássio, contudo não afeta os de
rendimentos de forragem ajustaram-se ao
cálcio e magnésio;
modelo quadrático de regressão (y = 5,14 +
0,2597 K – 0,00294455 K2 ; R2 = 0,98). A dose
2 – A dose de máxima eficiência técnica foi
de máxima eficiência técnica foi estimada em
estimada em 43,8 mg/dm3 de K e o nível crítico
43,8 mg/dm3 de K, a qual foi inferior às relatadas
interno de potássio relacionado com 90% do
por Gutteridge (1978) para Centrosema
rendimento máximo de MS de 16,8 g/dm3 de K;
pubescens (150 mg/dm3 de K) e por Costa e
Paulino (1992) para Cajanus cajan (60 mg/dm3
3 – A eficiência de utilização de potássio é
de K). A eficiência de utilização de potássio foi
diretamente proporcional às doses aplicadas.
incrementada com a aplicação de até 30 mg/dm3
de K (Tabela 1). Resultados semelhantes foram
reportados por Costa e Paulino (1992) para C.
cajan e por Paulino et al. (1995) para Leucaena Referências Bibliográficas
leucocephala fertilizadas com diferentes níveis
de potássio. COSTA, N. de L.; PAULINO, V.T. Potassium
fertilization affects Cajanus cajan growth, mineral
Os teores de fósforo e nitrogênio não composition, and nodulation. Nitrogen Fixing Tree
Research Reports, v.10, p.121-122, 1992.
apresentaram uma tendência definida em função
dos níveis de potásssio aplicados, a qual COSTA, N. de L.; GONÇALVES, C.A.; OLIVEIRA,
pudesse ser explicada pelo efeito de diluição ou J.R. da C. Nutrientes limitantes ao crescimento
concentração. No entanto, os teores de potássio de Brachiaria humidicola consorciada com
ajustaram-se a uma curva quadrática, sendo o leguminosas em Porto Velho-RO. Porto Velho:
máximo teor obtido com a aplicação de de 55,7 EMBRAPA-UEPAE Porto Velho, 1989. 4p.
mg/dm3 de K. Os teores de cálcio e magnésio (Comunicado Técnico, 70)
não foram influenciados (P > 0,05) pela
adubação potássica, contudo, considerando-se COSTA, N. de L.; PAULINO, V.T.; RODRIGUES,
que não houveram diluições com o aumento dos A.N.A. Resposta de Arachis pintoi cv. Amarillo à
níveis de potássio. In: Reunião Anual da Sociedade
rendimentos de MS, observou-se um efeito
Brasileira de Zootecnia, 35., Botucatu, 1998.
positivo da adubação potássica na manutenção Anais... Botucatu: SBZ, 1998. p.164-166.
dos teores desses nutrientes. Os teores de
nitrogênio ajustaram-se a uma curva quadrática,
Adubação Potássica em Cassia rotundifolia 3
GUTTERIDGE, R.C. Potassium fertilizer studies on RAO, I.M.; KERRIDGE, P.C. Mineral nutrition of
Brachiaria mutica/Centrosema pubescens pastures forage Arachis. In: KERRIDGE, P.C.; HARDY, B.,
grown on acid soils derived from coral limestone, eds. Biology and agronomy of forage Arachis.
Malaita, Solomon Islands. Tropical Grasslands, Cali: Colombia, CIAT, 1994. p.71-83.
v.58, n.1, p.359-367, 1978.
TEIXEIRA NETO, J.F.; SOUZA FILHO, A.P. da S.;
PAULINO, V.T.; LUCENA, M.A.C.; COSTA, N. de L.; DUTRA, S.; MARQUES, J.R.F. Nutrientes
VALARINI, M.C. Potassium fertilization affects limitantes ao estabelecimento e produção de
growth, nodulation, and mineral composition of Brachiaria humidicola consorciada com
Leucaena leucocephala. Nitrogen Fixing Tree leguminosas em tesos da Ilha do Marajó. Belém:
Research Reports, v.13, p.84-86, 1995. EMBRAPA-CPATU, 1991. 17p. (Boletim de
Pesquisa, 118).

Tabela 1. Rendimento de matéria seca (MS), eficiência de utilização do potássio (EUK), teores de
nitrogênio, fósforo, cálcio, magnésio e potássio de C. rotundifolia, em função da fertilização
potássica.

Doses de K MS EUK Nitrogênio Fósforo Cálcio Magnésio Potássio


mg/dm3 (g/vaso) g MS/mg K --------------------------------------- g/kg -----------------------------------

0 5,11 d 0,39 d 26,3 b 1,91 ab 7,4 a 3,4 a 13,4 c


15 8,79 c 0,51 c 28,5 ab 1,98 a 7,0 a 3,7 a 17,2 b
30 11,05 b 0,58 b 30,6 a 1,83 ab 7,2 a 3,3 a 19,0 ab
45 12,13 ab 0,60 b 27,9 ab 1,80 b 7,5 a 2,9 a 20,1 a
60 13,19 a 0,64 a 28,5 a 1,75 b 6,9 a 3,8 a 20,4 a
- Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si (P > 0,05) pelo teste de Tukey.

Tabela 2. Modelos ajustados pela análise de regressão para rendimento de MS, teores de nitrogênio
e potássio de C. rotundifolia, em função da adubação potássica.

Variáveis Equação de regressão ajustada


Matéria seca Y = 5,14 + 0,2597 K – 0,294455 K2 (R2 = 0,98**)
Teor de nitrogênio Y = 2,74 + 0,0176 K – 0,000251 K2 (R2 = 0,98**)
Teor de potássio Y = 1,46 + 0,0214 K – 0,000187 K2 (R2 = 0,99**)
** Significativo ao nível de 1% de probabilidade pelo teste F.

Comunicado Exemplares desta edição podem ser Comitê de Presidente: Newton de Lucena
adquiridos na: Costa
Técnico, 215 Publicações Secretária: Marly Medeiros
Normalização: Alexandre Marinho
Embrapa Rondônia Membros: Claudio R. Townsend,
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Porto Velho, RO César F. Santos, Vanda Gorete
Fone: (69) 222-0014 Rodrigues,
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, Fax: (69) 222-0409
PECUÁRIA E ABASTECIMENTO E-mail: sac@cpafro.embrapa.br Supervisor Editorial: Newton de
Lucena Costa
Expediente Revisão de texto: Ademilde
Andrade Costa
1ª Edição Editoração Eletrônica: Marly
1ª Impressão 2002 Medeiros
Tiragem 100 exemplares