História da
Umbanda
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AULA 03
- O 1° Congresso de Umbanda
Tópicos da - A busca por uma legitimação
- Anos 50 e 60
aula - Década de 70
- Anos 90 e 2000
O 1° Congresso de
Umbanda
- EM 1941, OCORREU O PRIMEIRO CONGRESSO DO
ESPIRITISMO DE UMBANDA, NO RIO DE JANEIRO
- ESTE CONGRESSO NÃO REUNIU APENAS UMBANDISTAS,
MAS TAMBÉM PESSOAS INTERESSADAS EM CONHECER A
RELIGIÃO
- UM DOS PRINCIPAIS OBJETIVOS DO CONGRESSO FOI O
DE UNIR O MODO COMO ERAM FEITOS OS TRABALHOS NOS
TERREIROS E OUTROS PROCEDIMENTOS DENTRO DA
RELIGIÃO, COMO A SUA LEGITIMAÇÃO NA SOCIEDADE.
- TAMBÉM FOI UMA TENTATIVA DE EMBRANQUECIMENTO
DAS PRÁTICAS NEGRAS DENTRO DA RELIGIÃO, ENTRE
O 1° Congresso
de Umbanda
- TEVE FORTE INFLUÊNCIA DA TENDA ESPÍRITA MIRIM
- NO CONGRESSO, ALGUNS NOMES BUSCAM LEGITIMAR A
ORIGEM DO NOME AUMBHANDÃ
- SURGE ENTÃO A HISTÓRIA EM QUE O NOME DA RELIGIÃO
TEM SUA ORIGEM NA LEMÚRIA, UM LUGAR PARECIDO COM
O MITO DE ATLANTIS.
- DIAMANTINO COELHO FERNANDES, DA TENDA MIRIM,
APRESENTOU UMA TESE INTITULADA "FUNDAMENTOS
HISTÓRICOS E FILOSÓFICOS", NA QUAL APRESENTOU UMA
ORIGEM ORIENTAL DO NOME AUMBHANDA
“Cumprido, assim, o que se me impunha como um dever
do meu espírito, passemos agora ao assunto da nossa tese, em
cuja elaboração procuramos ser sempre sinceros e úteis, como
pedreiros que lançam o tijolo nos alicerces de um edifício
destinado a suportar, na rijesa de sua base e segurança da
estrutura, todos os possíveis vendavais. E assim deve ser de
certo, a nossa concepção do Espiritismo de Umbanda.
Umbanda não é um conjunto de fetiches, seitas ou crenças,
originárias de povos incultos, ou aparentemente ignorantes;
"Umbanda é, demonstradamente, uma das maiores correntes
do pensamento humano existentes na terra há mais de cem
séculos, cuja raiz se perde na profundidade insondável das mais
antigas filosofias.
AUM-BANDHÃ (OM-BANDA')
AUM (OM)
OMBANDA' (UMBANDA)
"O vocábulo UMBANDA é oriundo do sanskrito, a mais antiga e
polida de todas as línguas da terra, a raiz mestra, por assim
dizer, das demais línguas existentes no mundo. Sua etimologia
provém de AUM-BANDHÃ, (om-bandá) em sanskrito, ou seja, o
limite no ilimitado. O prefixo AUM tem uma alta significação
metafísica, sendo considerado palavra sagrada por todos os
mestres orienlalistas, pois que representa o emblema da
Trindade na Unidade, Pronunciado ao iniciar-se qualquer ação
de ordem espiritual, empresta à mesma a significação de o ser
em nome de Deus."
"Pronuncia-se om. A emissão deste som durante os momentos
de meditação, facilita as nossas obras psíquicas e apressa a
maturação do nosso sexto sentido, a visão espiritual. BANDHÃ,
(Banda) significa movimento constante ou força centrípeta
emanante do Criador, a envolver e atrair a criatura para a
perfetibilidade. Uma outra interpretação igualmente hindu, nos
descreve BANDHÃ (Banda) como signficando um lado do
conhecimento, ou um dos templos iniciáticos do espírito
humano".
"A significação de UMBANDA, (o correto seria Ombanda) em
nosso idioma, pode ser traduzida por qualquer das seguintes
fórmulas:
Princípio Divino;
Luz Irradiante;
Fonte Permanente de Vida;
Evolução Constante"
- ATUALMENTE, SÃO MUITOS OS POSSÍVEIS SIGNIFICADOS
DA PALAVRA "UMBANDA".
- ALGUNS AUTORES DIZEM QUE "UM" SIGNIFICA DEUS E
"BANDA" NÓS
- OUTROS DIZEM QUE UMBANDA SIGNIFICA "DEUS
CONOSCO, DEUS AO NOSSO LADO".
- E HÁ A ORIGEM AFRICANA DO NOME UMBANDA
"Em alguns cânticos religiosos Jejê na Bahia, pode-se ouvir
perfeitamente a palavra Umbanda. Na gramática de Kimbundo,
do professor L. Quintão, encontramos: Umbanda: a arte de curar
(de Kimbanda: curandeiro).
Resumidamente temos: Umbanda: a arte de curar, ofício de
ocultista, ciência médica, magia de curar"
A busca por uma
legitimação
- A PARTIR DO TEXTO "AS RELIGIÕES NEGRAS DO BRASIL", DO
PROFESSOR E SOCIÓLOGO REGINALDO PRANDI, PODEMOS
VER OUTROS MOTIVOS DESSA DESAFRICANIZAÇÃO DA
UMBANDA
- ANTES DA DÉCADA DE 1940, A IGREJA CATÓLICA, NÃO
ABERTAMENTE, TRATAVA A UMBANDA COMO "BAIXO
ESPIRITISMO"
- JÁ NA DÉCADA DE 1940, A IGREJA DECLARA-SE
ABERTAMENTE CONTRA A RELIGIÃO
- É NA DITADURA VARGAS QUE ORGÃOS POLICIAIS COMEÇAM
"Quando a umbanda nascia, a Igreja Católica lutava pela
reiteração da autoridade da hierarquia romanizada,
proclamava-se a religião brasileira única, ou única via de diálogo
e intermediação entre o “povo” e o Estado da ditadura Vargas.
Nunca tendo aceitado o espiritismo kardecista, cuja base de
prestígio firmava-se sobre enorme rede de filantropia e adesão
de uma intelectualidade da pequena-burguesia tradicional
urbana, a Igreja Católica sequer se pronunciava oficialmente
sobre a umbanda em seu período inicial, tratada por ela, como
por intelectuais leigos da época, como baixo espiritismo,
portanto forma degenerada do kardecismo. Só no final dos anos
1940 a Igreja iria declarar-se abertamente contra a umbanda,
reconhecendo-a ipso facto como religião, e religião inimiga, e
importante inimigo."
"Até o final da ditadura Vargas, assim como antes e pouco
depois, a umbanda experimentou amargamente sistemática
perseguição por parte dos órgãos policiais, como já
experimentara o candomblé da Bahia durante a primeira
metade do século, o xangô pernambucano nos anos 30 e o
xangô alagoano praticamente dizimado nos anos 20."
"A umbanda que nasce retrabalha os elementos religiosos
incorporados à cultura brasileira por um estamento negro que
se dilui e se mistura no refazer das classes sociais, numa cidade
que, capital federal, é branca, mesmo quando proletária;
culturalmente européia; que valoriza a organização burocrática
da qual vive boa parte da população residente; que premia o
conhecimento pelo aprendizado escolar em detrimento da
tradição oral; e que já aceitou o kardecismo como religião, pelo
menos entre setores importantes fora da Igreja Católica."
"A umbanda absorveu do kardecismo algo de seu apego às
virtudes da caridade e do altruísmo, assim fazendo-se mais
ocidental que as demais religiões do espectro afro-brasileiro;
mas nunca completou o processo de ocidentalização, ficando a
meio caminho entre ser religião ética, preocupada com a
orientação moral da conduta, e religião mágica, voltada para a
estrita manipulação sobrenatural do mundo."
Anos 50 e 60
- É NA DÉCADA DE 1950 QUE MOVIMENTOS QUE PAUTAM A
LEGITIMIDADE AFRICANA NA UMBANDA PASSAM A GANHAR MAIS
DESTAQUE.
- IMPORTANTE NOME: TANCREDO DA SILVA PINTO (TATA
TANCREDO)
- TATA TANCREDO É CONHECIDO PELA UMBANDA OMOLOCÔ, UMA
VERTENTE DA UMBANDA CONSIDERADA MAIS AFRICANIZADA.
- TANCREDO É FUNDADOR DA UNIÃO DAS ESCOLAS DE SAMBA
DO RJ E CRIOU A CONFEDERAÇÃO ESPÍRITA UMBANDISTA DO
BRASIL EM 1952, ONDE MINISTRAVA ESTUDOS AFRICANOS
- FOI O PRIMEIRO A COLOCAR NOS MANUAIS DE UMBANDA
DICIONÁRIOS DA LÍNGUA KIMBUNDO, DE ORIGEM BANTU
(ANGOLA)
Anos 50 e 60
- EM 13 DE MAIO DE 1965, TATA TANCREDO, COM A AJUDA DE
CARLOS LACERDA (JORNALISTA E VEREADOR), LOTOU O
ESTÁDIO DO MARACANÃ COM MILHARES DE UMBANDISTAS
- O FATO FOI NOTICIADO PELA IMPRENSA CARIOCA E ATÉ
MESMO PESSOAS QUE NÃO ERAM FIÉIS COMPARECERAM AO
EVENTO
Foto: Guilherme Watanabe
Anos 50 e 60
- OUTRO FATO QUE TROUXE UMA DISCUSSÃO SOBRE OS
MOVIMENTOS QUE PAUTAM A LEGITIMIDADE AFRICANA FOI A
MIGRAÇÃO NORDESTINA, NA DÉCADA DE 1960.
- MIGRAÇÃO FAZ COM QUE O CANDOMBLÉ PENETRE NO
TERRITÓRIO UMBANDISTA
- MOVIMENTOS CULTURAIS E SOCIAIS POPULARIZAM O
CANDOMBLÉ
"Durante os anos 1960, contudo, algo surpreendente começou a
acontecer. Com a larga migração proveniente do Nordeste em
busca das grandes cidades industrializadas no Sudeste, o
candomblé começou a penetrar o bem estabelecido território
da umbanda, e velhos umbandistas começaram a se iniciar no
candomblé, muitos deles abandonando os ritos da umbanda
para se estabelecer como pais e mães-de-santo das
modalidades mais tradicionais de culto aos orixás."
"Neste movimento, a umbanda é remetida de novo ao
candomblé, sua velha e “verdadeira” raiz original, considerada
pelos novos seguidores como sendo mais misteriosa, mais forte,
mais poderosa que sua moderna e embranquecida
descendente."
Anos 50 e 60
- É TAMBÉM ENTRE A DÉCADA DE 50 E 60 QUE SURGE A
UMBANDA ESOTÉRICA
- IMPORTANTE NOME: W.W DA MATTA E SILVA
- MATTA E SILVA INCORPORA CONCEITOS
ESOTÉRICOS/OCULTISTAS EM SUA FORMA DE CULTO
- TAMBÉM TRAZ UMA ORIGEM ORIENTAL DA UMBANDA
Década de 70
- NA DÉCADA DE 1970, A JORNALISTA LILIA RIBEIRO REALIZOU
UMA SÉRIE DE ENTREVISTAS COM ZÉLIO DE MORAES NA
CABANA DE PAI ANTÔNIO, EM BOCA DO MATO. ALGUNS
TRECHOS DAS ENTREVISTAS FORAM PUBLICADOS PELA
REVISTA GIRA DE UMBANDA, EDIÇÃO 1
- SUAS GRAVAÇÕES E DO PAI RONALDO LINARES FORAM
RESPONSÁVEIS PELA POPULARIZAÇÃO DA HISTÓRIA DE ZÉLIO
FERNANDINO DE MORAES, CONSIDERADA O MITO FUNDADOR.
Anos 90 e 2000
- É NA DÉCADA DE 1990 QUE SURGEM DOIS NOMES NA
RELIGIÃO
- SÃO ELES: RIVAS NETO E RUBENS SARACENI
- RIVAS NETO FOI O SUCESSOR DE W. W DA MATTA E SILVA,
FUNDADOR DA UMBANDA ESOTÉRICA.
- ALÉM DE ALTERAR ALGUMAS DOUTRINAS DA VERTENTE,
RIVAS NETO FOI O FUNDADOR DA FACULDADE DE TEOLOGIA
UMBANDISTA
Anos 90 e 2000
- RUBENS SARACENI É CONSIDERADO O FUNDADOR DA
"UMBANDA SAGRADA", UMA NOVA VERTENTE OU TRADIÇÃO DA
RELIGIÃO
- RUBENS FICOU CONHECIDO PELOS LIVROS DE TEMÁTICA
UMBANDISTA QUE PUBLICOU ENTRE OS ANOS 90 E INÍCIO DOS
ANOS 2000
- "O GUARDIÃO DA MEIA-NOITE": BEST-SELLER
- PAI RUBENS TAMBÉM FOI O RESPONSÁVEL PELA FUNDAÇÃO
DOS PRIMEIROS COLÉGIOS DE UMBANDA E PELA
IMPLANTAÇÃO DE UMA TEOLOGIA DE UMBANDA
- INCORPOROU ELEMENTOS MAGÍSTICOS À RELIGIÃO