Roteiro
Roteiro feito originalmente por: Maria Larissa M.J.S.
🎬 CENA 1 – INFÂNCIA NA ESCOLA
(Jota entra sozinho, olhando curioso pro público e colocando a mão no bolso enquanto
anda. Fala como quem tá lembrando de algo bom.)
Jota:
Naquele tempo ali, a gente nem sabia direito o que era responsabilidade. O mais difícil
era dividir o brinquedo ou esperar a hora da merenda. Mas quando a professora
perguntava o que a gente queria ser, a cabeça voava longe. Cada um queria uma coisa
diferente... e parecia que tudo era possível.
(Após a fala, as luzes se abrem pro cenário da sala de aula. As crianças entram e a
cena começa.)
Cenário: Sala de aula com mesas pequenas, brinquedos e papel colorido
Personagens:
Prof.ª Márcia, Juju, Luca, Laisinha, Paulinho, Jota (narrador e personagem)
(As crianças estão no chão desenhando. A professora anda entre elas.)
Tia Márcia:
Bom dia, turma! Hoje a gente vai imaginar como vai ser nosso futuro.
Quem aí já sabe o que quer ser quando crescer?
Juju:
Eu queria ser atriz ou dubladora! fico todo dia lá em casa imitando os desenhos.
Luca:
Acho que desenhista. Eu gosto de desenhar direto, até nas provas.
Tia Márcia:
E o restante? A escola é só o começo da caminhada.
Laís:
Oxe, eu quero é ser bióloga. Gosto de bicho e de natureza. Uma vez vi uma tartaruga e
queria ajudar, mas minha mãe não deixou.
Paulinho:
Não sei ainda. Mas eu gosto de desmontar as coisas. Já mexi no rádio lá de casa,
virou outra coisa.
Tia Márcia:
Tá vendo? Às vezes a gente já tem um jeito pra uma coisa, mas nem percebe.
Jonathan:
Eu quero ser que nem a senhora professora.
Prof.ª Márcia:
Fico honrada Jota. Estou bastante curiosa em quem vocês vão se tornar crianças.
Agora todo mundo indo lanchar. Vamos!
(as crianças saem do palco correndo)
Jonathan (pro público):
A gente é pequeno, mas tem sonho grande.
Quando alguém acredita na gente, tudo parece mais possível.
(Luz apaga. Vídeo mostra as crianças crescendo e virando adolescentes. Transição.)
🎬 CENA 2 – REUNIÃO NA ESCOLA
Cenário: Sala da escola com cadeiras em círculo.
Mesa com café preto e bolacha cream cracker.
Som ambiente: Crianças brincando ao fundo, barulho de moto passando, celular
vibrando.
Personagens: Elizabete coordenadora, Val pai do Luquinha, Silvia mãe da Juju, Jorjão
pai do Paulinho, Iolanda tia da laís, Seu Vicente Avô do Jota e professora Márcia.
(Prof. Zezinha se levanta, bate palma pra começar. Todos se ajeitam nas cadeiras.)
Elizabete:
Boa tarde, minha gente. Valeu demais por terem vindo. A gente sabe que não é fácil
largar tudo pra vir pra escola.
Mas se a gente quer ver os meninos e meninas indo pra frente, tem que conversar
junto.
Tia Márcia:
Às vezes o menino muda de comportamento, fica calado, ou começa a responder
atravessado. E nem sempre é só fase. Pode ser coisa que vem de casa também.
Dona Sílvia:
Eu percebi que Juju tava amuada. Só queria saber de ficar no quarto. Sentei com ela,
conversei...
Ela chorou. E eu notei que era porque tava com medo de errar. Sendo que errar é um
processo, né.
Val (do João):
Eu vou ser sincero: lá em casa não tem tempo pra isso, não. Eu trabalho de dia, faço
bico à noite.
O que eu puder dar, dou. Agora ficar ouvindo drama de adolescente... aí já é demais.
Iolanda (arregalando os olhos):
Oxente, homem! E tu acha que é só dar comida e pronto?
Filho não é planta, não. Tem que regar com atenção, com conversa, com escuta. Te
apronta!
Seu Jorjão (calmo, mas direto):
Cada um faz do jeito que dá Iolanda, né, seu vicente? Lá em casa eu não tive pai
presente. Só de eu tá tentando com o Paulo já é lucro.
Mas também entendo que conversar ajuda, sim. Eles também precisam.
Seu Vicente (cruzando os braços):
Mas é isso mesmo, gente. Tem pai e mãe que acha que só pagar internet e comida já
tá educando.
Desculpa, mas não tá, não. E tem uns que nem aqui vieram hoje...
(olham para as cadeiras vazias. Silêncio rápido)
Eu tô sempre a disposição para saber do Jota. Ele é sonhador como todos nós aqui já
fomos e somos.
Dona Sílvia:
Eu não entendo tudo que ela estuda, não. Mas quando ela quer falar, eu largo tudo e
escuto.
Iolanda:
Isso mesmo seu Vicente. Tem mãe que manda o menino de farda e acha que a escola
tem que resolver tudo. Aí, quando dá ruim, bota culpa na professora.
Val:
Tá bom, tá bom... vocês tão tudo certos. Só tô dizendo que tem gente que não
consegue fazer igual vocês, não.
Tia Márcia (entra na conversa com leveza):
A ideia aqui não é brigar, não. É entender que cada um tem seu jeito, mas o que a
gente quer é o mesmo: ver os alunos bem.
Elizabete:
E quando a família tá junto da escola, ajuda muito eles.
E mesmo os que se perdem no caminho, se tiver alguém chamando, puxando,
lembrando que eles valem a pena... às vezes voltam.
Tia Márcia:
É isso. A gente só quer que ninguém fique pra trás. Agora vamos falar das notas.
(Luz vai baixando. Professores trocam olhares com os pais. Fim da cena. Caminham
para fora)
🎬 CENA 3 – ENSINO MÉDIO, 3º ANO
Personagens: Prof. Leonardo, Jota, Laisinha, Paulinho, Cacau, Peu, luquinha, Juju e
Nando
(Professor Leonardo assobia. A galera vai chegando devagar. Jota (Jonathan) tá no
canto, mexendo na bola. Mari ajeita o tênis. Luquinha mastiga um chiclete. Cacau tá de
braços cruzados, só observando. Peu joga a mochila no chão e se joga no puff.)
Prof. Leonardo:
E aí, turma. Hoje é dia de se exercitar. Que silêncio mortal. Comeram cuscuz, não foi?
(Silêncio no começo. Um ou outro coça a cabeça.)
Jota:
Tô cansado profe. (colocou as mãos no bolso e olhou pra cima suspirando)
Dani: sonho em ser advogada, mas é muito difícil... (ela diz no cantinho)
Cacau:
Em casa é cobrança direto. Minha mãe fala que eu tenho que ser exemplo. Mas às
vezes eu só queria um abraço.
(ela diz chutando o chão de leve)
Juju (cruzando os braços suspirando):
É luta...não sei se vou conseguir.
Luquinha:
Já repeti de ano. Quase larguei de vez. Mas aí o prof. de história me puxou num canto,
falou “bora, bicho, tu é inteligente”.
Nem lembrava mais como era alguém acreditar em mim.
Laisinha (ajeitando a blusa):
Eu me cobro demais. Fico me comparando com quem tem tudo: celular bom, cursinho,
paz em casa... Aí parece que eu nunca vou dar conta.
Peu:
Oxente, eu estudo do jeito que dá. No busão, no banheiro... às vezes nem sei como tô
em pé. Mas tô tentando. Alguém viu o Nando?
Nando: opa profe.
(ele entra meio cambaleando)
Cacau: valha. O que há contigo homi?
Nando: Muitos trampos, Cacau.
(ele fala direto sem paciência)
Peu:
Tem que se cuidar, bicho. Volta a estudar que tu abre a mente, qualquer coisa a gente
tá aqui.
Prof Leonardo:
É Nando. Qualquer coisa você sabe que pode falar com um professor e a gente tenta
te ajudar.
Nando: Valeu. Tranquilo.
(ele sai dando a mínima para o que foi dito)
Prof. Leonardo:
Pois bem.
(ele joga a bola pra um aluno)
A escola é pra isso também. Aqui, vocês podem errar, cair, tentar de novo. A vida lá
fora nem sempre dá essa chance. Agora bora movimentar esse esqueleto.
Juju (segura a bola e olha pro grupo):
Na hora!
(ju é seguida pelos outros)
Luquinha:
Bora cair, mas cair pra frente, né?
(Todo mundo ri. Luz baixa aos poucos. Fim da cena.)
Jota: o que importa é não deixar o medo pegar a gente. Não podemos desistir de si.
🎬 CENA 4 – REENCONTRO (ANOS DEPOIS)
Personagens:
Prof.ª Márcia, Prof. Leonardo, Jonathan (Jota), Ana (Aninha), João (Joãozinho), Gabriel
(Biel), Laís (Lalá), Paulo (Paulinho), Carol (Cacau), Laura (Laurinha), Lucas (Luquinha),
Maria (Mari)
(Jota entra devagar, observa o lugar, mexe num painel com uma foto dele pequeno.
Sorri de canto, mexido. Depois olha pro público.)
Jota:
Eu sonhei em ser professor aqui. Ainda sonho. Mas agora eu sei o que é estudar com
fome, com cansaço, com dúvidas. Ainda assim estou chegando lá.
E sei também que vale a pena.
(Juju chega correndo e já vai abraçando Jota.)
Juju:
Eita, professor Jota! Já pode fazer crachá, viu?
Passei numa audição de cinema! Semana que vem tô me apresentando num filme!
Teve dia que chorei achando que ia largar tudo... mas venci.
(todos ficam felizes e Jota pergunta olhando ao redor)
Jota:
Ei... e vocês lembram de Nando?
Cacau:
Nando, o que vivia colado com a gente? Sumiu depois que começou a fumar direto.
Peu:
Pois é... ele se meteu com droga. Fumava escondido no banheiro. A gente via, mas
achava que era fase.
Acabou indo parar numa clínica. Mas ele tá tentando, viu?
Cacau:
Eu troco mensagem com a irmã do Nando. Diz que ele tá se cuidando, quer vir na
confraternização do ano que vem.
Laisinha: tomara que ele melhore. Vai ser bom ver ele bem.
Jota:
E... a Dani, lembram? Teve que sair da escola pra trabalhar. Ajudar a mãe com as
contas.
Juju:
Dani é guerreira. Tava vendendo lanche na feira e ainda estudando com o livrinho no
colo.
Peu:
Pelo que lembro a Dani disse que ainda sonha em fazer Direito. Tá estudando pra
passar num concurso também.
Prof. Leonardo: (entra em cena)
Oie, pessoal. Como é que vocês estão? Quanto tempo, rapaz.
Luquinha:
Eu estou ótimo! Publiquei minha primeira HQ! Inclusive já vão comprando, viu?. (ele
entrega um papéis animado)
Paulinho:
Eu estou caminhando. Sou Técnico em informática. Trabalho numa assistência. Não
tem glamour, mas tem salário e respeito.
Quando o cliente volta e diz que confia em mim... já valeu. E olhe que continuo
estudando (disse sorrindo com a mão na nuca)
Laisinha:
Fiz biologia, depois entrei na Marinha por concurso. Pense num sufoco pra passar,
mas consegui.
Natureza sempre foi meu negócio, né? (botar o cabelo atrás da orelha)
Cacau:
Achava que tava atrasada na vida. Me comparava muito.
Hoje sou arquiteta, cheia de projeto. E sei que meu tempo era o meu mesmo.
Peu:
Estou me formado como farmacêutico. Em breve vou casar e todo mundo está
convidado! (ele comenta rindo e os outros parabenizam alegres)
(Prof. Leonardo e Prof.ª Márcia entram. Leonardo segura uma bola velha, Márcia tem
uma caixa com fotos e bilhetes antigos.)
Prof. Leonardo:
Naquele 3º ano eu dizia que quem estuda faz o próprio caminho. E vocês fizeram.
Com medo, com erro, com ralação... mas fizeram.
Prof.ª Márcia (olhando pra Jota):
Jota dizia que queria ser como eu. E hoje... ele é mais. Porque carrega o que aprendeu
e passa pra frente.
Jota (vai pro meio, olha pro grupo e depois pro público):
Nem todo mundo conseguiu chegar aqui. O Nando... aquele que era da nossa turma...
Ele se perdeu nas drogas. Mas agora tá na luta. Se internou numa clínica, tá limpo.
A irmã dele disse que ele quer vir na próxima confraternização. Tomara, né?
Laisinha:
Se ele vier, a gente vai aplaudir de pé. Porque recomeçar também é vitória.
Paulinho:
E a Dani... teve que parar de estudar. Foi trabalhar pra ajudar em casa. Mas ela não
largou o sonho.
Quer fazer Direito. Tá estudando pra passar num concurso. Ela é exemplo, viu?
Luquinha:
Cada um tem seu tempo, seu jeito, sua luta. Mas ninguém aqui desistiu.
Nem quem tá presente, nem quem tá longe.
Juju:
Estudar é difícil, sim. Mas dá escolha. Dá direção.
E não é só pra passar de ano, é pra saber o que você quer da sua vida.
Jota (olhando firme pro público):
A gente pode errar, mudar de ideia, cair, levantar.
Só não pode desistir de aprender. Porque aí a gente desiste da gente mesmo.
🎬 ENCERRAMENTO
Jota (pro público, olhando nos olhos):
Você tem todo direito de recomeçar.
Mas abrir mão de aprender... é abrir mão de você. O apoio dos pais é mais do que ser
responsável pelo seu filho, é incentivá-lo a não desistir.
E você vale muito. Não esquece disso.
(os atores se aproximam no palco sorrindo um pro outro e olham para o público mais
sérios.)
Todos juntos: A Escolha é sua e o conhecimento também. Bora estudar!
(jogam alguns balões para o público. Fim.)