O Diabo - Xavier Léon-Dufour
O Diabo - Xavier Léon-Dufour
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XAVIER LÉON-DUFOUR
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E o diabo—aquele que no NT dispõe de um arquivo muito completo (Acusador, Belzebu, Besta, Dragão,
Inimigo, Homicida, Malvado, Satã, Sedutor, Tentador, etc.)—volta a estar na moda.
A imaginação popular dota o diabo de uma forma corporal aterrorizante ou grotesca constante na
iconografia: estas ingenuas representações, destinadas a dar medo ou bem a suscitar aversão ou riso,
não são levadas a sério. Algumas publicações pretendem manter a velha crença no diabo
em conivência com o apelo da nossa sociedade pelo irracional.
Há seitas que reclamam para si mesmas uma inspiração satânica e certas músicas são denunciadas.
como tais. Os pedidos de exorcismo aumentaram consideravelmente na França desde há
uns decénios. Ao mesmo tempo que se faz uma piscadela à credulidade, aproveita-se da situação.
Sim, por um lado, o tema do diabo tem audiência, nos espíritos prevalece a rejeição da crença no
demonio, como produto do obscurantismo. "Não se pode utilizar a luz elétrica, acudir a clínicas modernas
em caso de doença e acreditar ao mesmo tempo no mundo dos espíritos e nos milagres do NT" (Bultmann).
Muitos ficam perplexos diante do que pode ser dito sobre o diabo; a desmistificação ansiada está
alentada pelo desejo de não escapar de sua própria responsabilidade no mal.
A Igreja tem mantido constantemente a existência de um Adversário do desígnio de Deus, sem
pronunciar-se, não obstante, sobre sua natureza. Tal especulações não são objeto de definições conciliares.
O concílio de Latrão (1215) se pronunciou contra os cátaros para lembrar que os anjos são seres criados.
por Deus, sem precisar sua natureza. A encíclica Humani generis (1950) declara que o diabo é uma criatura
pessoal, sem precisar o conceito de pessoa. Para evitar o erro gnóstico, Paulo VI situou a questão do diabo
como "a interpretação cristã do mal".
1Léon-Dufour, Xavier. “O diabo”. Traduzido e condensado por Ana Rubio. Seleções de teologia. Vol. 41, 26 de março de 2019
[Link]
O DIABO–XAVIER LÉON-DUFOUR
Israel interpretou o sofrimento como uma sanção divina provocada pelos pecados dos homens.
O dilúvio pretende que a humanidade inteira comece de novo na justiça com Noé. O exílio na Babilônia
atribui-se ao esquecimento, por parte do povo escolhido, da Aliança. A sanção divina não tem caráter definitivo:
pretende que Israel tome consciência do seu pecado, a fim de que viva. Tudo passa entre Deus e os homens,
sem recorrer a intermediários como os poderes do mal que assediam o mundo.
Se o pecado é a causa do mal, Israel levanta um grave problema sobre a origem desse pecado.
Será devido ao pecador que comunicou o mal a seus filhos? Ezequiel exorcizou a ideia
de uma culpabilidade coletiva (18,2). Mas essa ideia continua sendo levantada nos tempos de Jesus (cf. Jo 19,2).
Esse comportamento é humano. Diante do mal exclamamos: o que eu fiz a Deus para que me trate assim?
Atribuindo a Deus o sofrimento que se segue, lança-se no pecado a responsabilidade pelo mal.
Para se livrar desse dilema, Israel recorreu à intervenção de terceiros personagens. O relato do Gênesis
exonera do pecado das origens tanto a Deus quanto a Adão, fazendo recair sobre uma criatura deste mundo
—a serpente—o papel de tentador. A tentação é compreendida como um teste da liberdade. A serpente
não é mencionado mais no Primeiro Testamento, exceto tardiamente em Sb 2,24. No Apocalipse
a identificação do diabo e da serpente será total (Ap 12,9).
O livro de Jó apresenta agudamente o problema sem resolvê-lo: vítima de todos os males possíveis,
seus "amigos" querem fazê-lo confessar que seu sofrimento vem do seu pecado, mas Jó se recusa a reconhecer
um pecado do qual não se sente culpado e prefere guardar silêncio. Diante do mistério do mal, reconhecemos
que existe um Adversário ativo, mas não podemos estabelecer suas características: não é Deus, nem também homem.
O ADVERSÁRIO
O termo grego "diabo" provém de um verbo que significa: "deixar de lado, dividir, acusar, caluniar".
e traduz a palavra hebraica Satanás na bíblia grega, cujo significado conheceu uma evolução.
Originariamente, não designa um personagem maléfico: é simplesmente um “adversário” humano que YHWH2
envia a Salomão (1Rs 11,14 e 23) o que o mensageiro do rei Antíoco envia aos Judeus (1Mc 1,36).
Em Jó (1-2) ele se torna um membro da corte divina que percorre a terra e coloca em dúvida a autenticidade
da conduta de Jó. Desempenha o papel de "acusador" (Za 3,1; Sal 109,6).
O termo Satanás é usado uma única vez como nome próprio: o Cronista atribui a Satã, e não a Deus.
a incitação feita a David para elaborar o censo do povo, empresa julgada culpada (1Cr 21,1;
cf. 2S 24,1). Satanás isenta a Deus de uma má ação.
A doutrina sobre o diabo, poder sem rosto que se manifesta por meio de seus efeitos, ganha forma nos
escritos intertestamentários. Segundo a regra da comunidade de Qumrân, "um espírito (ou anjo) de trevas"
foi criado por Deus ao lado de um 'Espírito de luz'. Também é chamado de Belial (2 Cor 6,15). É evidente
a influência do dualismo iraniano. Este personagem obscuro não é de rango divino, embora possa confundir
aos homens, a quem inveja (Sb 2,24). Essa linguagem era comum no judaísmo do século primeiro.
No NT, Satanás é o Adversário dos homens e de Deus que ataca a realização do projeto de Deus
atuante na missão de Jesus. Nos evangelhos e nas cartas paulinas, a ação atribuída a Satanás se dirige
contra Jesús e os discípulos encarregados de proclamar sua mensagem.
Evangelhos Sinópticos
O tema é apresentado na tentação de Jesus, onde o diabo aparece em pessoa (Mc 1,12s e par.). Esta cena
não é o filme de um fato pontual, mas representa em resumo as tentações que Jesus sofreu,
não já através de Satã, mas de seus próprios contemporâneos. Jesus é o verdadeiro Israel, absolutamente fiel.
2YHWH: transliteração do hebraicoיהוהtransliteração e pronúncia mais aceita Yahvé, variantes Jeová.[está nota de
ajuda, não faz parte do artigo original
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O DIABO–XAVIER LÉON-DUFOUR
Livre diante do poder do mal, Jesus manifesta sua obra liberadora em ações surpreendentes, milagres
de cura e exorcismos. Esses relatos poderiam refletir as antigas crenças que atribuíam as doenças
aos demônios. O epiléptico, por exemplo, é vítima de um demônio (Mt 17,18-20). Os milagres simbolizam
a vida restituída inteiramente ao homem. A vitória de Jesus sobre as forças adversas e opressoras
se manifesta diretamente nos exorcismos (cf. Mc 3,23).
Ao proclamar: "o Reino chegou", Jesus sabe que está comprometido em uma luta com Satanás.
Deus age através do seu Enviado: um novo tempo começou, a salvação já está aqui. Jesus também
se sabe triunfador (Lc 10,18; 11,20). A vitória de Jesus sobre Satanás não só está atestada
pelos milagres e exorcismos de Jesus, mas também pela transformação daqueles que, através dele,
são descobertos perdoados: seu coração é profundamente renovado (Lc 7,36-49; cf. 8,2).
Jesus acreditava na existência pessoal de Satanás ou era, mais uma vez, a cifra do mal que separa o homem
de Deus? Para responder a esta pergunta é preciso distinguir a afirmação de seu pressuposto. Quando Jesus
Jonás não declara nada sobre sua existência, mas apenas mostra o alcance de sua pregação.
(Mt 12,39-42). Quando Pedro se opõe ao anúncio de que o Messias deve passar pela morte, sem ser Satanás
em pessoa, Pedro falou como um "adversário" do desígnio de Deus, situando-se assim no lugar do tentador
(Mc 8,23; Mt 16,23). Exceto para Lucas, que ignora o episódio, Pedro é um agente de Satanás. Não é que Satanás
seja uma pessoa: age na terra; neste caso, na pessoa de Pedro.
O quarto evangelho
O quarto evangelho traz uma mensagem importante para a tradição evangélica. Descartando a atividade
exorcista de Jesus que ataca a uma infinidade de pequenos demônios, concentra a atenção do leitor na luta
contra Satã, Adversário do desígnio de Deus, mencionado uma só vez ao entrar em Judas que vai entregar
a Jesus aos judeus (Jo 13,27).
Normalmente é o diabo quem é mostrado em ação (Jo 8,44). Aqueles que, rejeitando a luz, querem fazer
morrer a Jesus são chamados "filhos do diabo"; o próprio Judas é chamado de "diabo" (6,70). Aparentemente,
o diabo ganha a partida. Na verdade, vem a hora em que será "expulso" (12,31; 14,20). A ação
do "Príncipe deste mundo" continuará, mas já não será apremiante para os homens, pois o "Paráclito”3
fixará a "culpabilidade do mundo" no coração dos crentes. O Adversário aparece como "Príncipe
de este mundo”, a cabeça do mundo incrédulo. O mesmo mundo, no sentido joânico...
A visão paulina
San Pablo nomeia várias vezes a Satanás no papel do Adversário do desígnio de Deus e da atividade
apostólica. Segundo uma concepção judaica influenciada pelas mitologias orientais, Paulo fala, além disso, de "poderes
cósmicos” (principados, dominadores, tronos...), que continuam ignorando a vitória de Cristo, de tal maneira
que os crentes devem lutar contra eles. A menção destes poderes não desempenha um papel importante
na ensino moral de Paulo. Provenham da necessidade que o homem tem de povoar o mundo intermediário
de seres que encurtam a distância que separa Deus de sua criatura.
Além disso, introduza Pablo na descrição do combate espiritual como um ser que de alguma forma ocupa o lugar
de Satã: o Pecado, não identificável com nenhum ato individual do homem. Este poder aparece dotado de uma
verdadeira autonomia: entrou no mundo (Rm 5,12) e permanece nele; servindo-se da Lei, tomou
vida em mim, me seduziu e me deu morte (Rm 7,9-11). Aos olhos de Paulo, os pecados dos homens
são devidos ao Pecado. A descrição que Paulo dá de ele desemboca na morte (Rm.7), compensada,
no entanto, pela graça que age graças ao Espírito Santo (Rm 8) O combate descrito por Paulo
entre a carne e o espírito atualiza o combate misterioso que a Graça trava com o Pecado, e o que Jesus Cristo
libra com Satã.
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“Paráclito”: do latim tardio paraclĭtus, e este do grego παράκλητος (paráklētos), que literalmente significa "aquele que é
invocado", é portanto o advogado, o mediador, o defensor, o consolador. (Jo 14,16). Costuma-se usar como qualificativo de
Espírito Santo.[esta nota não é parte do artigo original]
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O DIABO–XAVIER LÉON-DUFOUR
O NT manifesta uma evolução real na linguagem, que se esforça para apresentar a ação de um ser
invisível, chamado Satã. À imaginação dos contemporâneos de Jesus sucede a interpretação metafórica
da ação atual do diabo.
O COMBATE CRISTÃO
Segundo a Bíblia, o crente, em sua condição de combatente a favor do desígnio de Deus, deseja conhecer
a seu Adversário.
O caminho da metáfora
Juan Pablo II presupõe uma concepção autêntica da pessoa: não apenas como indivíduo consciente,
sino como um ser comprometido com a sociedade. Segundo ele, além do pecado pessoal, existe a realidade
de um pecado social na medida em que todo pecado pessoal tem "uma repercussão sobre toda a comunidade"
eclesial e sobre toda a família humana”. Esta dimensão social do pecado pode nos abrir a uma melhor
compreensão do que é Satã.
A via da metáfora é utilizada com muita frequência na Bíblia, começando pelo relato do Gênesis, que mostra
ao tentador como um ser inframundano, que não tem nada de espiritual. A serpente é uma metáfora do
Adversário de Deus e dos homens. Seja um anjo da corte divina ou o príncipe dos demônios,
sempre nos expressamos em uma linguagem metafórica.
O evangelista João conhece bem o Satanás que ataca Jesus de Nazaré, mas quando anuncia a presença
do Adversário em luta com seus discípulos após sua partida, chama-o de "Príncipe deste mundo", ou
incluindo o “mundo” no sentido negativo que frequentemente lhe é dado. O processo de Jesus continua hoje com seus discípulos,
assistidos pelo Paráclito (Jo 16,8.33).
São Paulo propõe outra metáfora: o Pecado intervém em nossa história como um ser que quer mudar
a situação. Encontra-se na origem da morte que nos afeta e provoca em nós ações que chamamos de
“pecados”. Não é o Pecado a máscara de Satanás, origem do mal? Satanás já não é um “ser” exterior a mim,
uma vez que o Pecado habita em mim (Rm 7,18-20). O fim da luta é uma vitória certa, pois Jesus
tem triunfado sobre o Pecado. O Espírito Santo habita em nós, realizando o mistério de nossa vida
cristiana (Rm 8,9). A luta contra Satanás não é contra um ser fora de mim: torna-se a luta
do Espírito contra o Pecado que ocorre em mim, ou seja, na luta do espírito contra a carne.
E é realizado pela comunidade daqueles que acolheram o Espírito.
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O DIABO–XAVIER LÉON-DUFOUR
É inútil a hipótese de um Anjo caído que veio para corromper a natureza humana.
Estou diante de mim e do mundo em que me encontro. Não tenho ilusões sobre o pecado.
dosorigens. Fizemos plausível e concreta a existência do Adversário, mas de onde vem?
De onde vem o Adversário?
Qual é a origem do "mistério da iniquidade" que paira sobre a humanidade até o último dia
(2 Tes 2,6-12)? Segundo o relato da criação de Adão (Gn 2,7), o homem é um ser vivente não graças
à alma que possui, senão graças ao sopro divino que lhe é concedido hoje. Mantém-se viva por sua relação
com Deus que constitui o presente de seu ser. “O homem é infinitamente superior ao homem” (Pascal).
A meta do homem é expressar Deus presente nele. Segundo os Pais da Igreja, o projeto divino
é fazer com que o que não é Deus se torne Deus. Nesta busca por Deus, o homem deve se negar
a si mesmo, o que contraria seu desejo fundamental: situar-se no ser.
O homem não quer contradizer seu próprio ser. A convocação divina lhe parece paradoxal: Deus não é
a causa do pecado, mas sim sua ocasião imediata. Deus permitiria o pecado em face de um bem real. Não será isso
fazer do pecado um meio para o bem? Isso é insustentável. O projeto de Deus não termina com a criação.
sino que se realiza na encarnação. Deus não diz o que há que fazer: ele faz. Ele se faz homem. Até mesmo,
se fez Pecado (2 Cor 5,21).
Morrendo na cruz, Jesus se nega a si mesmo, realizando o projeto divino (Flp 2,6.11). Ele se torna
no novo Adão, príncipe e cabeça de uma nova humanidade. Doravante, todo homem expressará a Deus
em Jesus. O mistério da Cruz não fornece uma explicação racional para o mistério da iniquidade. Pelo contrário,
convida a que desapareça toda a racionalização do mistério.
O crente deve manifestar o valor das diversas metáforas que lhe permitem Atualizar o combate
com o Adversário (cf. 1 Jo 2,15s). Por sua parte, Paulo define em Rm 6,12 o comportamento que deve adotar
o que morreu para o Pecado.
Proposição
Sem ter resolvido o problema do mal, precisámos os idiomas nos quais se pode reconhecer
o mistério do mal atuante em nosso mundo. Na linguagem clássica, personaliza-se o Adversário como
um ser espiritual pertencente à categoria dos anjos. Isso ajuda a perceber sua presença concreta
e eficaz, mas recai sobre esse anjo a responsabilidade do mal. Da nossa parte, apresentamos
o Adversário como um ser caracterizado pela dimensão coletiva; sua ação não se limita a casos
extraordinários, senão que se exerce no cotidiano.
A primeira linguagem ainda é válida e necessária em certos casos, quando o Adversário se manifesta
especialmente contra o Desígnio de Deus. O segundo atualiza concretamente sua ação na vida ordinária.
Certamente, pode ser confundido pela experiência do mal no mundo, na medida em que "provém"
de outra parte e transforma o problema do mal em um "mistério" que só encontra sentido na Cruz de Cristo.
O diabo não se identifica com minhas más tendências, nem com a soma dos males que nos esmagam. O pecado
que me habita, como o Mundo (no sentido joânico) em que eu vivo, é um 'estranho' a mim mesmo.
Não posso desculpar meus pecados em Satanás, porque sou cúmplice da existência desta comunidade no mal,
e também vítima. Pecando, engendro e faço viver aquela realidade que poderia ser qualificada como "comunhão"
no pecado" em oposição à "comunhão dos santos". Mas, como o pecado é essencialmente divisão,
é melhor chamá-los de “a banda dos pecadores”.
Eu me encontro confrontado comigo mesmo, pecador e agraciado ao mesmo tempo. A luta, iniciada e transformada
em vitória por Jesus e seu Pai, se torna em nossa própria luta, animada pelo Espírito Santo, concedido
incessantemente por Jesus. São Paulo fala do “espírito” em oposição à “carne”, que não são duas realidades
sustanciales, mas dois poderes atuantes no homem. O espírito é o Espírito Santo atualizado em mim;
a carne, o Pecado atualizado em mim. São Ignacio de Loyola, herdeiro da tradição eclesial, sublinhou isso em
A meditação das Duas Bandeiras: o Caudilho envia seus demônios para contrabalançar o desígnio do maior
glória de Deus do “sumo e verdadeiro capitão”.
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O DIABO–XAVIER LÉON-DUFOUR
Graças à dimensão coletiva que caracteriza a luta entre o bem e o mal, as "orações de libertação"
encontram seu verdadeiro sentido: um grupo de cristãos busca, mediante a oração, entrar em comunhão
com uma pessoa que se acredita prisioneira do mundo do mal. O combate não ocorre entre dois indivíduos,
sino entre “a comunhão dos santos” (o grupo da oração) e a banda dos pecadores.
A linguagem na qual nos expressamos pode variar conforme as épocas. Alguns continuam falando
do diabo como de um indivíduo nefasto; outros pensam que personifica o mal universal. O essencial, aos olhos
do cristão, é que Jesus o venceu. Embora o Príncipe deste mundo, o Pecado, aja sempre,
De diversas maneiras, a vitória está assegurada.4
Xavier Leon-Dufour.(1913-2007) Padre Jesuíta. Teólogo francês. Membro da Companhia de Jesus. Professor de Sagrada
Escritura, exégesis neotestamentária, em Enghien, Bélgica (1948-1957), Fourvière-Lyon (1957-1974) e desde 1974, em
Centro Sévres, de Paris. Trabalhou sobre o Novo Testamento. Em concreto, sobre os Sinópticos e o Evangelho de João e junto
a Bultmann sobre a historicidade do Evangelho. Esteve implicado em alguma controvérsia doutrinária pós-conciliar, Concílio
Vaticano II. Autor de: Vocabulario de teologia bíblica; Os evangelhos e a história de Jesus; Ressurreição de Jesus e mensagem
pascual1999;Os milagres de Jesus1979;Leitura do evangelho de João I, entre outros.
Texto compartilhado por Seleções de teologia([Link]), para ser distribuído de forma gratuita.
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