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Direito Internacional Privado - UNISO Prof. Danilo Vieira Vilela danilo.vilela@prof.uniso.br

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DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO

Prof. Danilo Vieira Vilela

4. PROCESSO CIVIL INTERNACIONAL.

No Brasil, caso o DIPr interno designe a aplicação de uma norma estrangeira, o juiz não é obrigado a conhecê-la, podendo requerer a colaboração das partes e diligências no sentido de conhecer o teor, a vigência e a interpretação do Direito Estrangeiro.

Art. 13 LICC: A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao ônus e aos meios de produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça.

Competência Internacional

Competência Internacional Concorrente (art. 88, CPC)

É competente, de forma concorrente, a autoridade judiciária brasileira quando:

I -

domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que aqui tiver agência, filial ou sucursal); -

II

III -

O réu, qualquer que seja sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil (reputa-se

No Brasil tiver que ser cumprida a obrigação;

A ação se originar de fato ocorrido ou de fato praticado no Brasil.

Competência Internacional Absoluta (art. 89, CPC) Compete à autoridade brasileira, com exclusão de qualquer outra:

I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;

II - proceder a inventário e partilha dos bens situados no Brasil, ainda que o autor da

herança seja estrangeiro e tenha residido fora do território nacional.

Competência concorrente - admite-se a eficácia do julgado de outro Estado; Competência absoluta - só o Brasil pode conhecer a ação;

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Imunidade de jurisdição dos Estados: ius imperii x ius gestionis Art. 4º CF/88 - princípio da não intervenção.

Eleição de foro (forum shopping) É admitida no Brasil desde que expressa no contrato e não fira um dos incisos do artigo 89 do Código de Processo Civil.

Homologação de sentença estrangeira São reconhecidos cinco sistemas de homologação de sentenças estrangeiras: 1. Sistema da revisão do mérito da sentença; 2. Sistema da revisão do mérito de modo parcial; 3. Sistema da reciprocidade de fato; 4. Sistema da reciprocidade diplomática e, por fim, 5. O sistema de delibação no qual, apenas são analisados os aspectos formais da sentença estrangeira; sendo este último o modelo adotado pelo Brasil. Assim, a homologação de sentença estrangeira é, no Brasil, de competência absoluta do Superior Tribunal de Justiça, de acordo com a alínea i do artigo 105 da Constituição Federal, inserida com a Emenda Constitucional n. 45 de 2004:

Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:

I . processar e julgar, originariamente:

i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias.

Não há análise do mérito da sentença, não sendo, portanto, objeto de cognição da autoridade judiciária interna. A medida cautelar recebe o mesmo tratamento de uma sentença definitiva. A parte interessada é legitimada para propor a ação homologatória, assim como terceiro atingido pelos efeitos da mesma.

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Não será homologada a sentença que ofenda a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes. Para ser homologada a sentença deve atender aos requisitos observados no direito brasileiro, valendo destacar: competência do juiz, citação regular, trânsito em julgado, tradução oficial ou juramentada, contraditório e ainda, deve ser plenamente inteligível, além das demais regras previstas na Resolução n. 9 do STJ. A Carta rogatória para surtir efeitos deve receber o exequatur do STJ.

Litispendência

Não há litispendência internacional. Se existirem ações simultâneas, a autoridade brasileira declara-se competente. Quanto à litispendência internacional, deve-se observar o disposto no artigo 90 do CPC: A ação intentada perante tribunal estrangeiro não induz litispendência, nem obsta a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas.

Caução Art. 835 CPC: “O autor, nacional ou estrangeiro, que residir fora do Brasil ou dele se ausentar na pendência da demanda, prestará, nas ações que intentar, caução suficiente às custas e honorários de advogado da parte contrária, se não tiver no Brasil bens imóveis que lhes assegurem o pagamento.” Art. 836 CPC: “Não se exigirá, porém, a caução, de que trata o artigo antecedente:

I - na execução fundada em título extrajudicial; II - na reconvenção.

O Protocolo de Las Leñas em seu art. 4º derrogou o CPC em relação aos cidadãos ou residentes no Mercosul.

Artigo 4 Nenhuma caução ou depósito, qualquer que seja sua denominação, poderá ser imposto em razão da qualidade de cidadão ou residente permanente de outro Estado Parte.

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O parágrafo precedente se aplicará às pessoas jurídicas constituídas, autorizadas ou registradas conforme as leis de qualquer dos Estados Partes.