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DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE MINAS ESCOLA DE ENGENHARIA DA UFMG

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM RECURSOS MINERAIS

Disciplina: Exploração Mineral

Módulo I

José Ildefonso Gusmão Dutra DEMIN - EEUFMG

Belo Horizonte, maio/11

Índice

página

1- INTRODUÇÃO

(carga horária = 3 horas)

1

1.1- Fases da mineração

2

1.1.1- Prospecção

3

1.1.2- Exploração

3

1.1.3- Desenvolvimento

4

1.1.4- Lavra

4

1.1.5- Beneficiamento mineral

5

1.2- Meio ambiente

6

1.3- Noções de economia mineral

7

1.4- Utilização do computador em mineração

8

2- LEITURA DE MAPAS E PERFIS

(carga horária = 10 horas)

9

2.1- Indicações dos mapas topográficos

11

2.1.1- Classificação dos sinais convencionais

11

2.1.2- Curvas de nível

12

2.1.3- Escala

15

2.1.4- Orientação

15

2.1.5- Dados indispensáveis num mapa

15

2.1.6- Mapas fotográficos aéreos

16

2.1.7- Legenda

16

2.2- Cortes e perfis

17

2.2.1- Natureza dos perfis

17

2.2.2- Construção de perfis

18

2.2.3- Ampliação de perfis

19

2.3- Interpretação das curvas de nível

20

2.3.1- Sentido ascendente e descendente de uma direção dada

20

2.3.2- Altitude de um ponto dado

21

2.3.3- Densidade das curvas de nível

21

2.3.4- Distância entre pontos

22

2.3.5- Inclinação de um declive

22

2.4- Mapa geológico

23

2.4.1- Linhas e símbolos convencionais

24

2.4.2- Posição dos limites entre massas rochosas

24

2.4.3- Relações entre topografia e cartografia geológica

26

2.4.4- Utilização de cartas na construção do mapa geológico

28

2.4.5- Dados necessários para um mapa geológico completo

29

2.5- Interpretação dos mapas geológicos

30

2.5.1- Características importantes dos mapas geológicos

30

2.5.2- Zonas de afloramento

30

2.5.3- Limites da zona de afloramento

31

2.5.4- Símbolos da direção

32

2.5.5- Estratos concordantes

32

2.5.6- Rochas eruptivas

33

2.5.7- Discordâncias

33

2.5.8- História geológica

33

3- AMOSTRAGEM

(carga horária = 3 horas)

34

3.1- Utilização da amostragem na mineração

34

3.1.1- Amostragem na

prospecção

35

3.1.2- Amostragem na exploração

35

3.1.3- Amostragem na lavra

35

3.1.4- Amostragem no beneficiamento

35

3.1.5- Amostragem para controle de qualidade de produtos

36

3.2- Tipos de amostragem

36

3.3- Métodos de amostragem utilizados na mineração

39

3.3.1- Método de amostragem pontual

39

3.3.2- Método de amostragem linear

42

3.3.3- Método de amostragem de superfície

44

3.3.4- Método de amostragem volumétrica

44

3.4- Preparação e redução de amostras

45

3.5- Tratamento dos dados fornecidos pela amostragem

46

3.5.1- Correlação entre diferentes tipos de amostragem

46

3.5.2- Estimação do erro de amostragem

46

3.5.3- Otimização da amostragem

47

3.5.4- Confiabilidade dos resultados

48

3.5.5- Representatividade da amostra

49

Bibliografia

49

Apêndice 1

50

1- INTRODUÇÃO

A mineração foi sem dúvida a segunda tentativa mais primitiva do homem, considerando que a agricultura foi a primeira. Agricultura e mineração, certamente, figuram juntas como as atividades industriais primárias ou básicas da civilização humana. Desde os tempos pré-históricos a mineração tem sido essencial para a existência do homem fornecendo materiais para combustível, abrigo e obtenção de alimento. O grande impacto dos produtos de mineração no homem pode ser evidenciado pelo fato dos antropólogos terem relacionado os grandes períodos da história a atividades de mineração: Paleozóico ( idade da pedra lascada ), Neolítico ( idade da pedra polida ), idade do Bronze ( 4000 - 1800 AC no oriente

e 2000 - 1000 AC na Europa ) e idade do Ferro, seguindo à idade do bronze.

Hoje em dia o padrão de vida dos povos do mundo muitas vezes é comparado na

base do consumo per cápita de vários metais.

Os mineiros primitivos utilizavam suas mãos e implementos de madeira,

osso, pedra e mais tarde de metal com os quais escavava e extraia minerais.

Provavelmente, com o advento do sistema social, a mineração tornou-se mais organizada, utilizando trabalho escravo sob supervisão. Nas sociedades primitivas, implementos foram improvisados, a cunha e o malho foram inventados, cestas foram feitas para transporte de rocha e água, escadas e molinetes (guinchos) ajudavam no transporte, iluminação com candeias ou outras lâmpadas foram introduzidos. Minas subterrâneas foram escavadas até profundidades de várias centenas de metros, por exemplo, no antigo Egito; minas de esmeralda no mar vermelho

foram a cerca de 250 metros de profundidade e extensão suficiente para empregar

400 trabalhadores ao mesmo tempo. Algumas minas Romanas na Espanha foram

a 200 metros de profundidade. Muitas minas foram trabalhadas, em tempos antigos, em torno do mediterrâneo. Antepassados como Aristóteles mencionaram minerações em suas obras. Entretanto, tratados notáveis sobre mineração não foram publicados até o século XVI. O primeiro grande tratado sobre mineração foi publicado em 1556 por Georgius Agricola, com o título "De Re Metalica", somente traduzido para o

inglês em 1912.

A Revolução Industrial criou uma demanda de metais que intensificou a procura de minerais e acelerou o desenvolvimento de novas minas nos séculos

XVII e XVIII. A primeira importante mudança na prática de mineração foi a

introdução da pólvora negra para desmonte de rocha em 1627, na Hungria. Em

1718, a mina de estanho de Cornish foi drenada por bombeamento. Este foi um grande avanço que possibilitou a lavra de veios à grandes profundidades.

A máquina a vapor e o compressor de ar amplificaram enormemente a

energia em relação ao esforço muscular humano, até então aplicado na

mineração. No final do século XIX, as perfuratrizes de rocha, sob carretas, foram introduzidas. A descoberta da eletricidade deu grande ímpeto à mecanização e tornou a aplicação de maquinaria mais flexível.

A introdução da pá-mecânica, a vapor, na mineração à céu aberto, um

pouco antes da primeira Guerra Mundial, foi um outro acontecimento importante para o aumento de produtividade.

O progresso tecnológico da indústria mineral foi bastante acentuado após

a Primeira Guerra Mundial. Hoje em dia já é possível utilizar mineradores

contínuos em lavras subterrâneas, dispensando o uso da perfuração e desmonte por explosivos. O transporte do material também pode ser feito de modo contínuo, por correias transportadoras, até a superfície. Em mineração à céu aberto, já na década de 70 era utilizada drag line com capacidade de caçamba de 220 jardas cúbicas e shovel com 180 jardas cúbicas, em lavras por tiras.

A tendência ao aumento de mecanização e a projeto de usinas com alta

capacidade de produção tem aumentado consideravelmente a eficiência das atividades de mineração e tem sido responsável por ganhos em produtividade, tudo isto como conseqüência do aumento na demanda por minerais. Não só a evolução dos equipamento de mineração foram responsáveis pela evolução da mineração mas sobretudo o desenvolvimento de tecnologia aplicada ao processo produtivo. Neste aspecto, devem ser considerados o desenvolvimento da geoestatística, da mecânica das rochas, da pesquisa operacional e da utilização cada vez mais intensa de recursos de informática nas várias fases da mineração.

1.1 - FASES DA MINERAÇÃO

A mineração como um todo, envolve um conjunto de aspectos, que visam,

basicamente a descoberta do bem mineral, sua avaliação, a criação de condições para sua extração e sua extração. Este conjunto pode ser dividido nas seguintes etapas que constituem as 4 fases da mineração: prospecção, exploração, desenvolvimento e lavra. A prospecção e exploração constituem a pesquisa

mineral, que é, a grosso modo, responsável pela descoberta e caracterização de ocorrências minerais visando a sua utilização econômica.

Embora a sequência normal seja aquela apresentada acima, as fases não são realizadas isoladamente. É muito comum ocorrer sobreposição de fases como

a lavra experimental, durante a pesquisa, ou mesmo, a pesquisa mineral continuar após o início da lavra, como é o caso da geologia de mina, que nada mais é do que uma pesquisa de detalhamento durante a lavra. Desse modo, as fases da mineração devem ser encaradas sob o ponto de vista de suas finalidades, de acordo com as caracterísiticas do depósito. Atualmente, tem sido usado o termo Tecnologia Mineral de forma mais abrangente englobando, além das 4 fases citadas acima, também o beneficiamento mineral e os problemas causados ao meio ambiente.

1.1.1 - Prospecção

O termo prospecção envolve o conjunto de trabalhos geológicos dirigidos para a descoberta de depósitos minerais úteis do ponto de vista econômico. Entretanto, muitas vezes, a prospecção conduz à descoberta de concentrações minerais sem significado econômico. Por isso mesmo, ela deve ser imediatamente seguida pela exploração, à qual cabem a caracterização e a avaliação econômica do depósito. A prospecção pode ainda não descobrir concentrações minerais na

área considerada. Nesse caso, o investimento não significa prejuízo, uma vez que

a área será descartada em futuros trabalhos. Para estabelecer os critérios para prospecção é necessário um bom conhecimento de geologia e mineralogia. É exatamente esta fase que exige um maior conhecimento de geologia, pois é nela que são criadas as primeiras hipóteses a respeito da ocorrência. Com base nessas hipóteses, a exploração é planejada, visando avaliar o depósito.

1.1.2 - Exploração

A exploração tem como objetivo fundamental determinar a importância econômica de um depósito através do estudo quantitativo e qualitativo dos bens minerais, com o propósito de caracterizar as condições naturais e econômicas nas quais ele ocorre. Ela toma como base as hipóteses feitas durante a prospecção, a partir das quais se inicia o programa de exploração com a finalidade de avaliar o depósito. Esta avaliação é feita através do estudo da variabilidade das características do corpo de minério. Dentre essas características, a forma e o teor são as mais importantes.

A partir dos resultados da exploração, é feito o estudo de viabilidade econômica de lavra do depósito mineral. Todo o planejamento de lavra é feito com base nos dados desta fase, estando portanto, o sucesso da lavra diretamente ligado à qualidade desses dados. Como esses dados são obtidos através de amostras e, considerando que os depósitos minerais são quase sempre muito complexos quanto a distribuição de teores, a representatividade da amostra é o ponto chave da exploração. Nesta fase são tomadas as principais decisões do projeto de mineração, a partir das quais é feito todo o investimento inicial. Tais decisões se baseiam nos resultados da avaliação econômica do depósito, resultados estes que somente serão confirmados após a lavra, quando todo o material for extraído. Essa avaliação é feita através de estimação das variáveis de interesse, a partir das amostras. Caso esta estimação apresente um erro maior do que o esperado, isto somente será descoberto após os investimentos iniciais terem sido feitos, daí a grande importância da etapa de amostragem do depósito mineral.

1.1.3 - Desenvolvimento

Uma vez feito o planejamento da lavra, a partir dos resultados da exploração, o depósito deve ser preparado para a lavra. Essa preparação consta basicamente da abertura de acessos, construção de infra-estrutura necessária, remoção de capeamento e drenagem. A duração desta fase é muito variável dependendo principalmente do método de lavra adotado. Na lavra subterrânea é necessária uma preparação mais demorada antes do início da exploração. Na lavra a céu aberto, o desenvolvimento depende do projeto, podendo ser feito todo antes do início da exploração, como também tal exploração pode iniciar-se juntamente com o desenvolvimento.

1.1.4 - Lavra

A lavra ou explotação compreende todas as etapas envolvidas na extração do bem mineral. Os serviços de lavra mostram finalmente a realidade do depósito. Os dados resultantes da lavra refletem a realidade da jazida e são utilizados constantemente para complementar a avaliação do depósito. Além dos dados reais que a lavra fornece, ela facilita o acesso a partes antes inacessíveis, tornando possível um estudo mais detalhado da jazida através da geologia de mina. A geologia de mina pode ser vista como a contiunação da pesquisa mineral

durante a lavra. Ela possibilita um conhecimento mais detalhado do depósito, além de fornecer subsídios para o controle de qualidade na lavra.

1.1.5 - Beneficiamento mineral

O tratamento de minérios envolve operações de preparação e, em geral,

concentração de bens minerais visando a sua utilização futura. É uma etapa da chamada tecnologia mineral, aqui conceituada de forma ampla como sendo o

conjunto de atividades em que a matéria prima é o minério. Essa abordagem mais abrangente tem a vantagem de levar em consideração as importantes interfaces entre o tratamento de minério e os campos de conhecimento correlatos.

A separação entre os minerais úteis e os de ganga se faz através de

operações de concentração, cujo sucesso depende de três condições básicas: i) liberabilidade, que é a individualização das espécies a separar em partículas livres; ii) diferenciabilidade, que é a existência de uma propriedade diferenciadora (natural ou induzida) entre as espécies a separar e iii) separabilidade dinâmica, que é a composição de um jogo de forças, atuando na

zona de separação do equipamento, capaz de comunicar trajetórias diferentes às partículas, em resposta à diferenciabilidade.

Os principais métodos de concentração são apresentados na tabela 1.

Tabela 1 Principais métodos de concentração

Propriedades

Médodos

1. Ópticas

- Escolha Óptica (cor, brilho, fluorescência) (Manual, Automática)

2. Densidade

- Líquido denso, Meio denso, Jigues, Mesas, Espirais, Cones, Ciclones, Ciclones de meio denso, Bateia, Classificação, Hidrosseparação, Sluice etc.

3. Forma

- Idem 2

4. Susceptibilidade Magnética

- Separação Magnética

5. Condutibilidade Elétrica

- Separação Eletrostática -

Escolha com Contador

6. Radioatividade

7. Textura-Friabilidade

- Cominuição, Classificação, Hidrosseparação ou Peneiramento

8. Reatividade Química

- Hidrometalurgia

9. Reatividade de Superfície

- Flotação, Agregação ou Dispersão Seletiva, Eletroforese, Aglomeração Esférica

1.2 - Meio Ambiente

A extração de minerais e combustíveis fósseis da Terra não é possível

sem alterar as características ambientais naturais. Uma mina requer estradas de acesso, energia e água, além das escavações que devem ser feitas no terreno

para a extração do bem mineral. Áreas da mina devem ser alocadas para as instalações de processamento, oficinas, escritórios, instalações de armazenagem etc. Os rejeitos devem ser depositados, podendo ser sólidos, líquidos e/ou gasosos. Em adição, há a atmosfera da mina e outros agentes poluentes que devem ser controlados para salvaguardar a saúde dos trabalhadores.

O controle ambiental tem sido aplicado à mineração há muito tempo,

incluindo restauração do terreno, purificação da água, supressão de poeiras e dispersão de gases nocivos. As técnicas para esse controle vem sendo desenvolvidas de modo a reduzir os efeitos adversos da mineração sobre o

ambiente. A legislação ambiental tem sido cada dia mais rigorosa, impondo restrições para as minerações, de maior ou menos grandeza, dependendo das condições de cada caso particular. Deste modo, as empresas de mineração devem dispor de métodos e equipamentos para realizar o controle de poluição desejado, bem como recuperar o terreno, considerando os prazos de recuperação e os custos adicionais sobre o empreendimento. Tendo em vista que a demanda por minerais e combustíveis aumenta de ano para ano, particularmente por causa do aumento de população, mas também devido ao aumento no padrão de vida dos povos, as indústrias extrativas continuam fundamentais para a humanidade. Paradoxalmente, produtos da indústria mineral são necessários em máquinas e processos de controle ambiental. Atualmente tem-se buscado o uso múltiplo ordenado dos terrenos, onde minerais são extraídos utilizando-se meios que minimizem o impacto ambiental e em seguida o terreno é restaurado visando outras utilizações para o mesmo.

O primeiro tratado sobre tecnologia mineral escrito por Agricola há mais

de quatrocentos anos já revela preocupações quanto ao impacto ambiental inerente à produção de metais e ligas. Por outro lado, Agricola salienta enfaticamente em sua obra a imprescindibilidade dos metais para a vida civilizada. Apesar do impacto ambiental não ser exclusividade da mineração, poucas atividades produtivas geram tantas controvérsias quanto a mineração. Os benefícios da mineração têm sido constantemente demonstrados, situando-a como uma atividade imprescindível ao bem estar social. Deste modo, já está bem caracterizado o conflito entre a necessidade do exercício da tecnologia mineral e

a minimização de seu impacto ambiental.

1.3 - NOÇÕES DE ECONOMIA MINERAL

Considerando as características de variabilidade dos depósitos minerais em forma, concentração de minerais, propriedades físicas etc., os estudos de viabilidade econômica de lavra desses depósitos tornam-se às vezes bastante complexos. Quando esta viabilização não é muito bem fundamentada, a mineração pode ser considerada uma indústria de alto risco do ponto de vista de investimento. Devido ao fato de todo projeto de mineração ser empreendido com o propósito de gerar algum benefício para quem o empreende, torna-se necessário dispor de mecanismos que minimizem os riscos. Qualquer iniciativa neste sentido envolve análises econômicas.

A economia mineral, portanto, utiliza os recursos de análise econômica

nos vários estágios da mineração, com o propósito de dar sustentação às tomadas de decisão para a exeqüibilidade do projeto de mineração.

A partir da avaliação econômica do depósito, o planejamento e projeto de

lavra é feito com base nos princípios da economia mineral. Todos os custos são considerados, como por exemplo os custos de desmonte, escavação, transporte e beneficiamento. A estes custos devem ser adicionados os custos da pesquisa mineral, das instalações, do desenvolvimento da mina e da recuperação ambiental. Enquanto os custos operacionais podem ser calculados em termos de unidades monetárias por tonelada, os outros custos devem ser distribuídos por toda a vida do empreendimento.

A economia mineral deve possibilitar a avaliação do custo total do bem

mineral beneficiado, por exemplo, até seu embarque. A subtração deste custo do

valor de venda é o lucro bruto. Como os custos e preço de venda são estimados através de projeções para efeitos de projeto de mineração, tanto oscilações no mercado como nos custos de produção obrigam, normalmente, a um ajuste constante no plano de aproveitamento econômico. A economia mineral é, portanto, de fundamental importância para o sucesso na exeqüibilidade de um projeto de mineração.

1.4 - UTILIZAÇÃO E IMPORTÂNCIA DO COMPUTADOR EM MINERAÇÃO

Com a evolução das técnicas de mineração que têm conduzido à necessidade de processar grandes quantidades de informações, o uso do computador torna-se imprescindível. Associadas à rapidez de cálculo do computador estão as facilidades de representação gráfica que o computador pode propiciar tornando possível não só a execução dos cálculos do projeto, como a realização de desenhos e gráficos dos mais variados tipos. A moderna mineração tem utilizado o computador cada vez com mais freqüência em todas as suas operações. Além da utilização crescente em todos os estágios da tecnologia mineral, todos os serviços auxiliares têm sido implantados em computador. Na prospecção, programas de computador são largamente utilizados nos levantamentos geofísicos e geoquímicos. Durante a exploração, o computador é usado na determinação da estratégia de amostragem. Os resultados da amostragem também são descritos e analisados por computação gráfica e representações em 3 dimensões são disponíveis para representação de desvios de

Na fase de estimação de reservas por

geoestatística ou por um processo tradicional, o tratamento de um grande número de dados já não é viável sem o computador. Durante o planejamento e projeto de lavra é freqüente a utilização de programas, normalmente apoiados em recursos de pesquisa operacional como por exemplo o método do caminho crítico (CPM) e técnicas de análise e avaliação de projeto (PERT), dentre outros. No âmbito do planejamento do empreendimento mineiro, programas de computador completos são disponíveis. Esses programas tornam as tarefas de gerenciamento e tomada de decisão, nos projetos de mineração mais rápidas e eficazes. Técnicas de otimização são empregadas para os pontos críticos ao longo do projeto como na decisão final de exeqüibilidade. Apesar da grande contribuição da informática para o aprimoramento das técnicas e métodos utilizados no projeto de mineração, muitas vezes a sua utilização indevida tem conduzido a erros irreparáveis. As limitações e condições dos programas devem ser muito bem conhecidas por quem os utiliza, sob pena de obter resultados completamente diversos da realidade sem ter controle sobre o processo.

furo, recuperação de testemunhos etc

2 - LEITURAS DE PLANTAS E PERFIS

A habilidade em reconhecer as formas topográficas é indispensável a variados ramos de atividade. Como formas topográficas são classificadas as colinas, vales, planícies, praias, escarpas etc. A maioria das formas topográficas é produto dos agentes de erosão e sedimentação que atuam na superfície terrestre. Algumas vezes, entretanto, as formas topográficas são resultantes da ação de forças subterrâneas como a tectônica ou os vulcões.

A ciência que estuda as características ou acidentes da superfície da Terra

(sua forma, natureza, origem, evolução e interrelações) é conhecida como

geomorfologia.

A topografia (do grego topos = lugar + grafia = descrição, desenho) é a

ciência que estuda a representação detalhada de um trecho da Terra, considerado plano. Ela tem como finalidade a determinação da forma dos terrenos e da forma

e posição de coisas nele contidas ( obras civis, divisas de propriedades, minas, plantações etc.), bem como a representação de tudo isto em desenhos. A utilização da topografia exige o conhecimento dos instrumentos e dos métodos que se destinam a efetuar a representação do terreno sobre uma superfície plana, representação esta que, naturalmente, estará sujeita a algumas hipóteses fundamentais.

A topografia provém da necessidade que o homem tem de descrever um

lugar, figurando nesta descrição todos os detalhes existentes, como rios, lagos,

montes, vales, casas, estradas, divisas etc

minuciosa é feita pela topografia tomando como base recursos matemáticos e geométricos de tal modo que os resultados obtidos possam traduzir a verdade. Sendo a Terra um esferóide, torna-se necessário que façamos a hipótese de um plano horizontal sobre o qual iremos projetar todos os acidentes e todos os detalhes a serem representados. Tal plano é tangente ao esferóide terrestre num ponto que está situado dentro da área a ser levantada. Esse plano recebe o nome de Plano Topográfico. Com essa hipótese do Plano Topográfico fica afastada a necessidade de ser levada em consideração a forma da terra, de vez que o estudo fica limitado ao levantamento dos acidentes, projetando-os nesse plano. A figura 1 mostra a projeção do plano topográfico representada por "HH 1 " com os vértices "V 2 V 2 ' " e "V 1 V 1 ' ", embora as verdadeiras sejam o prolongamento "OV 1 " e "OV 2 ".

Através de desenhos, essa descrição

v ' v ' 2 1 H v v H 2 1 1 0
v
'
v
'
2
1
H
v
v
H
2
1
1
0

Fig. 1 - Plano topográfico

A topografia tem como objetivo a representação gráfica, em projeção horizontal, dos acidentes de uma parte da superfície da Terra, porém torna-se ainda necessário que os acidentes representáveis ocupem, no desenho, posições relativas, separadas por distâncias que, comparadas às verdadeiras, estejam em relação constante. Neste aspecto, a topografia dispõe de dois elementos:

1) A projeção horizontal que é denominada PLANTA; 2) A relação constante que é a ESCALA da PLANTA. A hipótese do plano topográfico, porém, exige certas restrições no que se refere à extensão da área a ser levantada. O limite teórico de ação da topografia é cerca de 50 km na prática, entretanto, os levantamentos ficam aquém deste valor pela própria limitação dos aparelhos de medida. Para levantamentos de grandes extensões, como todo um município ou estado, é utilizada a Geodésia, que leva em conta a forma da Terra, oferecendo meios de solução correta para o problema. Quanto aos tipos de representação através de desenho, cabe aqui fazer uma ressalva, pois com freqüência as palavras mapa, carta e planta são vulgarmente empregadas como sinônimas, de maneira errônea. O uso adequado é:

1) Mapa, para áreas grandes como países, estados, municípios etc:

2) Planta, para áreas menores como chácaras, sítios, fazendas, jazidas minerais, obras civis etc; 3) Carta, para a representação parcelada de áreas muito grandes.

Assim, há uma diferença bem grande entre planta, carta e mapa, sendo a planta objeto da topografia e não cogitando a forma da Terra, enquanto que carta e mapa são objetos da Geodésia e consideram a forma terrestre. Os mapas que representam os estados do Brasil, por exemplo, podem ser feitos em escala 1:1 000 000. Para certos fins, todavia, são necessárias escalas maiores. Por isso, o estado é dividido em quadrículas, por exemplo, em escala 1:100 000. A cada quadrícula corresponde uma carta. O levantamento, isto é, trabalho topográfico e sua representação, pode ser denominado:

1) Planimétrico, quando visa tão somente a determinar a projeção do terreno e das coisas nele contidas sobre uma superfície horizontal; 2) planialtimétrico, quando além disso, determina a elevação de pontos do terreno, sobre uma superfície horizontal de referência. Uma vez terminados os trabalhos de levantamento no campo, a fase seguinte será a representação por meio de desenho de plantas e perfis. A execução do desenho topográfico exige a utilização de elementos padronizados que possibilitem uma fácil interpretação por parte de quem utiliza tais desenhos. A seguir serão descritos os principais aspectos a serem considerados no desenho topográfico.

2.1 - INDICAÇÕES DOS MAPAS E PLANTAS TOPOGRÁFICAS

2.1.1 - Classificação dos sinais convencionais

Um mapa ou uma planta topográfica deve expressar a forma, dimensões e distribuição das expressões morfológicas da superfície terrestre. Estas expressões, normalmente, se classificam em 3 grupos: 1) relevo, incluíndo colinas, vales, planícies etc.; 2) hidrografia, que compreende mares, lagos, pântanos, rios, canais etc. e 3) obras e construções, relativas às principais modificações introduzidas pelo homem na paisagem, tais como cidades, estradas, represas etc Nos mapas é comum utilizar-se convenções para o emprego das cores. Assim, o azul é usado para representar detalhes que se relacionem com água, como rios, lagos, brejos, açudes etc., o preto para os marcos, linhas divisórias, lados do caminhamento, construção, povoações, cercas etc., o vermelho para obras projetadas, a cor parda para curvas de nível e o verde para vegetação,

como pomares, matas, gramados etc cores.

Existem muitas convenções para os sinais convencionais dos desenhos, todas elas procurando mostrar de modo simples os detalhes da área representada. Assim, os cursos d'água são representados por linhas paralelas que acompanham a sinuosidade do talvegue, ao mesmo tempo que deve ser indicado por uma seta o sentido da corrente. Se é navegável, coloca-se uma âncora nos trechos onde correm os barcos. A tabela 2 a seguir apresenta alguns sinais convencionais usuais.

Raramente são usadas mais do que estas

Tab. 2 - Sinais Convencionais

Igreja Casas
Igreja
Casas

CemitérioIgreja Casas Rodovia Ferrovia Mineração + + + + Linha de Limite Linha de Limite Linha

RodoviaIgreja Casas Cemitério Ferrovia Mineração + + + + Linha de Limite Linha de Limite Linha

FerroviaIgreja Casas Cemitério Rodovia Mineração + + + + Linha de Limite Linha de Limite Linha

MineraçãoIgreja Casas Cemitério Rodovia Ferrovia + + + + Linha de Limite Linha de Limite Linha

+ + + +

Linha de Limite

Linha de Limite

Linha de Limite

Cerca+ + + + Linha de Limite Linha de Limite Linha de Limite Vale Ponte U

Vale+ + + Linha de Limite Linha de Limite Linha de Limite Cerca Ponte U s

Ponte+ Linha de Limite Linha de Limite Linha de Limite Cerca Vale U s i n

U s i n a Usina

Marco Geodésicode Limite Linha de Limite Cerca Vale Ponte U s i n a Fábrica Navegação Picada

Fábricade Limite Cerca Vale Ponte U s i n a Marco Geodésico Navegação Picada Marco Referência

Navegação

PicadaPonte U s i n a Marco Geodésico Fábrica Navegação Marco Referência de Nível Sinal Geodésico

MarcoU s i n a Marco Geodésico Fábrica Navegação Picada Referência de Nível Sinal Geodésico Cidade

Referência de Níveli n a Marco Geodésico Fábrica Navegação Picada Marco Sinal Geodésico Cidade Povoação . . .

Sinal GeodésicoFábrica Navegação Picada Marco Referência de Nível Cidade Povoação . . . Cultura Pântano Curso

Cidade Povoação . . . Cultura Pântano Curso d'água
Cidade
Povoação
.
.
.
Cultura
Pântano
Curso d'água

.

.

.

+

+

Linha de Limite

2.1.2 - Curvas de Nível

Nas plantas , o relevo pode ser representado por curvas de nível, meia

perspectiva, pontos cotados, sombreados etc

mais de um método. Entretanto, as curvas de nível são utilizadas em quase todas

as situações, pelo fato de ser o único método onde é possível fazer medidas satisfatórias de altitude, inclinação e distância.

Em alguns casos são adotados

O sistema de curvas de nível foi empregado pela primeira vez em 1737,

por F. Bonache. Consiste no emprego de planos horizontais eqüidistantes uns dos outros, cortando o terreno.

Os traços horizontais com o terreno, projetados num plano horizontal de referência, são as curvas de nível, (Fig. 2). Como todos os pontos de uma

H 4

H 3

H 2

H 1

H

a

2). Como todos os pontos de uma H 4 H 3 H 2 H 1 H
2). Como todos os pontos de uma H 4 H 3 H 2 H 1 H
2). Como todos os pontos de uma H 4 H 3 H 2 H 1 H
2). Como todos os pontos de uma H 4 H 3 H 2 H 1 H
2). Como todos os pontos de uma H 4 H 3 H 2 H 1 H

Seção aa'

os pontos de uma H 4 H 3 H 2 H 1 H a Seção aa'
os pontos de uma H 4 H 3 H 2 H 1 H a Seção aa'

Fig. 2 - Curvas de nível

a'

curva de nível têm a mesma cota ou a mesma altitude, basta marcar a cota de um deles para se conhecer a de todos. Deste modo, o desenho da planta fica muito

simplificado, porque evita acúmulo de números. Tendo o cuidado de manter os planos de intersecção eqüidistantes, obter-se-á, pela simples inspeção do desenho, não só a forma mas também o declive do terreno. Sendo a diferença de nível entre duas curvas sempre a mesma, se duas curvas se aproximam é porque o declive aumenta, pois existe o mesmo desnível para uma distância horizontal menor, se as curvas se afastam significa que o declive diminui.

A figura 2 mostra em sua parte inferior as curvas de nível, e na sua partes

superior um perfil do terreno, obtido a partir da projeção das curvas de nível em uma seção vertical, segundo uma direção dada. As curvas de nível podem ser definidas como o lugar geométrico dos

pontos de mesma altitude. Nas curvas, algumas são desenhadas em traços mais cheios. Tais curvas denominam-se curvas mestras. Por exemplo, se a

eqüidistância entre as curvas é de 2m, podem ser adotadas como mestras as curvas com altitudes múltiplas de 10, sendo as quatro curvas intermediárias feitas com traço mais fino. Isso torna a visualização das curvas mais fácil. As curvas de nível são obtidas através da interpolação de pontos cotados. Existem vários modos de fazer tal interpolação, inclusive utilizando computador. O modo mais simples é procurar entre cada dois pontos cotados consecutivos, quais os planos que devem interceptar o terreno, fazendo esta distribuição uniformemente. Por exemplo, na figura 3, entre os pontos "A" e "B" devem passar 4 curvas, isto é, 11-12-13-14, se a eqüidistância entre as curvas for de 1 metro. Entre os pontos "B" e "C" passam as curvas 11 e 12. O espaço "AB" é dividido uniformemente para encaixar as 4 curvas, o mesmo fazendo para os outros pontos.

encaixar as 4 curvas, o mesmo fazendo para os outros pontos. Fig. 3 - Interpolação de

Fig. 3 - Interpolação de pontos nas curvas de nível

Para a representação de um dado tipo de topografia, a eqüidistância das curvas de nível deve ser escolhida de modo que seja suficientemente pequena para revelar os detalhes da referida topografia. Por exemplo, num terreno muito acidentado, curvas de nível com equidistância de 10m pode ser adequada. De outro modo, numa planície pode ser necessário utilizar 0,50m entre curvas para que os detalhes da superfície sejam registrados. Além das características do relevo, a eqüidistância entre curvas de nível é associada à escala do desenho. Normalmente, considera-se tal equidistância "e" como a milésima parte do denominador da escala. Por exemplo:

Esc

1:1000

e = 1m

Esc

1:5000

e = 5m

Esc

1:10000

e = 10m

Dependendo da necessidade de realçar algum detalhe, este critério pode ser desobedecido.

2.1.3 - Escala

Tendo em vista a necessidade de representar os terrenos através de desenhos reduzidos, é preciso estabelecer uma relação entre as medidas feitas no terreno e aquelas transportadas para o desenho. A razão de semelhanças entre as dimensões lineares de plantas e mapas e as dimensões homólogas do terreno é igual a 1/E. O número que exprime esta razão recebe o nome de escala. Assim, uma escala de 1/1000 indica que o comprimento de uma dimensão no terreno é mil vezes maior do que sua homóloga na planta. A escala de um mapa ou de uma planta normalmente é colocada no lado inferior do desenho. Ela pode ser expressa de várias maneiras. Por exemplo, pode ser indicada por uma frase, tal como "um centímetro = um quilômetro" ou estar representada graficamente pela medida de uma linha reta com divisões ou não. Outro modo de representar a escala é através de uma relação ou fração, quando ela é chamada de escala numérica ou fração representativa. As plantas topográficas e geológicas, normalmente, utilizadas em mineração são de 1:1000, 1:2000 e 1:2500. Entretanto, em levantamentos geológicos na pesquisa mineral utilizam-se também escalas de 1:5000 e 1:10000 ou menores.

2.1.4 - Orientação

Na maioria das plantas e mapas, a orientação é dada pelos meridianos e paralelos (longitudes e latitudes). Em plantas a grande escala, a orientação é feita por uma seta que aponta para o Norte Verdadeiro (NV) e outra seta que corta a do (NV) apontando para o norte magnético. O ângulo entre essas duas setas (declinação magnética) deve também figurar no mapa, assim como a variação anual da declinação.

2.1.5 - Dados indispensáveis numa planta

As características mais importantes das plantas com curvas de nível além daquelas já descritas anteriormente são a indicação do nome da localidade

representada, a legenda, a escala, a eqüidistância das curvas de nível o plano de referência e o rumo.

2.1.6 - Mapas fotográficos aéreos

As fotografias aéreas, tiradas verticalmente de uma altura considerável, são, em essência, mapas topográficos. Elas mostram, com notável detalhe, a forma e distribuição dos aspectos morfológicos da superfície terrestre. Quando são cuidadosamente preparadas, pode-se traçar, nestas fotografias, as curvas de nível e então elas podem ser utilizadas para medir distâncias e ângulos de inclinação do terreno. Entretanto, estas operações requerem o emprego de instrumentos de precisão e pessoal especializado. A obtenção da planta com curvas de nível a partir de fotos aéreas é possível através da restituição estereoscópica.

2.1.7 - Legenda

A legenda fica situada, normalmente, no canto direito inferior dos mapas e plantas e tem por finalidade identificar o mapa ou planta, e descrever os sinais convencionais dos mesmos. No que refere à identificação deve constar da legenda, em caracteres destacados, o nome da empresa ou orgão responsável pelo levantamento, bem como o local levantado. Consta também da legenda, o nome do responsável pela execução do levantamento, a data de execução, a escala utilizada, referências para identificação e arquivamento e finalidades do desenho (Fig. 4). Quase sempre a legenda de sinais convencionais, (Tab. 2), é feita num quadro separado da legenda de identificação. Ela dispõe os diversos sinais relativos ao relevo, à hidrografia e aos que assinalam as obras e construções.

os diversos sinais relativos ao relevo, à hidrografia e aos que assinalam as obras e construções.

Fig. 4 - Legenda

Para os mapas e plantas geológicos existem convenções de sinais utilizados para representar os variados aspectos geológico-estruturais apresentados nos desenhos.

2.2 - CORTES E PERFIS

2.2.1 - Natureza dos perfis

Um perfil é um diagrama que mostra a forma da superfície do terreno tal como aparece ao cortá-lo transversalmente por um plano vertical. O perfil compõe-se de quatro linhas que encerram completamente o espaço (Fig. 5). São elas: a) a linha que constitui o perfil propriamente dito, "MN"; b) a linha de base, "XY", e c) as duas linhas que limitam os extremos laterais, "MX" e "NY". A linha do perfil, "MN", constitui o limite superior do diagrama e representa a interseção do plano vertical com a superfície do terreno. A linha de base é traçada horizontalmente, e é escolhida de modo que esteja a uma distância conveniente, abaixo do ponto de menor altitude do perfil. As linhas que limitam os extremos são perpendiculares à linha de base.

limitam os extremos são perpendiculares à linha de base. Fig. 5 - Perfil topográfico A posição,

Fig. 5 - Perfil topográfico

A posição, na planta ou mapa, correspondente ao perfil é indicada sempre por um segmento de reta e identificado por duas letra, "A" e "B" na figura 6, posto que um corte não tem valor prático se sua localização exata é desconhecida. Tal segmento de reta, na realidade, é a linha do perfil, na planta, tal como se projeta sobre o plano horizontal. Cada perfil tem uma escala horizontal, medida nas unidades correspondentes sobre a linha de base, e uma escala vertical, que se mede em unidades de altitude perpendiculares à anterior. Se a escala é a mesma, diz-se então que o perfil está traçado à escala natural. Em alguns casos, a escala vertical é duas vezes ou três vezes maior do que a escala horizontal. Neste caso, diz-se que a escala vertical está exagerada. A exageração da escala as vezes é útil para representar perfis de terrenos onde o relevo é muito pouco acentuado e, assim,

pode-se acentuar a posição de colinas e vales. Habitualmente, recomenda-se o uso de escalas naturais, principalmente quando são feitas medidas sobre o perfil.

principalmente quando são feitas medidas sobre o perfil. Fig. 6 - Indicação de corte na planta

Fig. 6 - Indicação de corte na planta com curvas de nível

2.2.2 - Construção de perfis

Para fazer um perfil ao longo da linha "AB", (Fig. 6), pode-se utilizar uma tira de papel aplicada sobre "AB". Sobre o bordo do papel, alinhado com "AB", marca-se um ponto cada vez que "AB" corta uma curva de nível, e um sinal convencional se atravessa algum detalhe interessante, por exemplo um curso d'água. Une-se os pontos correspondentes à curva superior de cada colina por uma linha curva (h na Fig. 5), para indicar onde estão situadas as colinas. Do mesmo modo, une-se os pontos que representam os talveques (l, fig. 367), para representar fundo de vale. A seguir, sobre uma folha de papel milimetrado traça- se XY = AB como linha de base do perfil. Neste caso, a escala horizontal do perfil é igual a escala da planta. Raramente esta escala é diferente da escala da planta. Quando isso é necessário, os pontos levantados na planta devem ser corrigidos. Escolhida a escala vertical traçam-se linhas horizontais paralela a "XY", a intervalos iguais à eqüidistância das curvas de nível. Feito isso, transporta-se os pontos da folha de papel para a linha "XY" e os levanta até a cota correspondente no perfil. Após terem sido marcados todos os pontos, os mesmos são interligados. Na figura 7, o ponto mais baixo do corte "AB" se encontra no lago cuja elevação sobre a base escolhida está um pouco abaixo da cota de 180m.

Fig. 7 - Perfil do corte "AB" na figura 6 Portanto, a cota de 100m

Fig. 7 - Perfil do corte "AB" na figura 6

Portanto, a cota de 100m será conveniente para a base do corte. A primeira curva de nível cortada por "AB" á a de 240m de cota, representada por "a" sobre "XY". Toma-se um ponto verticalmente sobre "a" seguindo a ordenada de 240m. Verticalmente também, por cima de "b", a posição da curva de nível de 260m é representada por um ponto sobre a ordenada de 260m. Similarmente, transfere-se para a ordenada apropriada cada ponto marcado sobre "XY". A união de todos os pontos marcados forma a curva "MN" que é o perfil do corte "AB". Nota-se no corte que a parte superior das colinas tem uma elevação superior a 260m, mas inferior a 280m e que o fundo do canal do rio se acha a menos de 200m, embora acima de 180m e que a superfície do lago está abaixo da cota de 180m e acima da de 160m.

2.2.3 - Ampliação de perfis

Os perfis podem ser ampliados multiplicando as escalas vertical e horizontal pelo mesmo fator. Isto pode ser feito de dois modos distintos. Suponhamos que a seção ou corte da figura 7 tenha que ser ampliada ao dobro. Traça-se uma linha de base com o dobro do comprimento de "AB" (Fig. 6) sobre o papel milimetrado. Sobre a borda de uma tira de papel marcam-se as posições das curvas de nível e cursos d'água cortados por "AB". De novo aplica-se este papel sobre a linha tomada como base do corte, de modo que o ponto "A" coincida com o extremo esquerdo da referida linha. Então transporta-se as posições dos pontos representativos das interseções com as curvas de nível, de

modo que o espaço entre cada dois pontos seja dobrado, ou seja, as distâncias ao

extremo esquerdo serão iguais a 2Xa, 2ab, 2bc etc

pontos projeta-se os pontos nas ordenadas das respectivas cotas, considerando-se

também a alteração na escala vertical. O segundo método é demonstrado na figura 8. Traça-se "XZ" com o

Uma vez obtidos estes

Fig. 8 - Ampliação de um corte fator de ampliação desejado e a partir de

Fig. 8 - Ampliação de um corte

fator de ampliação desejado e a partir de "X" traça-se "XY" formando um ângulo qualquer com "XZ". Liga-se "Y" com "Z" e transfere-se os pontos de "XY" para "XZ" utilizando-se segmentos de reta paralelos a "YZ". "XZ" passa a ser a linha de base do perfil. A seguir transporta-se os pontos de "XZ" para as ordenadas de mesma cota.

2.3 - INTERPRETAÇÃO DAS CURVAS DE NÍVEL

2.3.1 - Sentido ascendente e descendente de uma direção dada

Ao estudar uma planta com curva de nível pode ocorrer que se deseje saber com certeza qual é o sentido ascendente e o descendente segundo uma determinada direção que atravessa as curvas. Esta curiosidade pode ser satisfeita pela leitura das cotas indicadas sobre as curvas que são sucessivamente atravessadas, ou de outro modo, observando a disposição geral de todas as curvas sem particular referência àquelas que estão cotadas. Muitas vezes em determinados locais da planta é dificil escrever a cota nas curvas ou mesmo acompanhar a curva de nível cotada devido a variações bruscas no relevo. Neste caso, é importante considerar os seguintes aspectos em relação ao relevo:

a) As curvas de nível nos vales estão dispostas de modo que aquelas

externas aos vértices têm cota maior;

b) O terreno eleva-se no sentido perpendicular aos talvegues;

c) Ao atravessar um vale, a última curva de nível atravessada antes de

chegar ao talvegue é a primeira que deve ser encontrada ao passar o talvegue.

d)

A curva de nível mais alta de um divisor de água deve ser cruzada duas

vezes sem encontrar nenhuma outra curva mais alta ou mais baixa. Normalmente, os divisores de água são caracterizados por cristas ou colinas, os quais são indicados por curvas de nível mais juntas umas das outras. A parte interior de tais curvas é a mais elevada. O cume ou ponto mais elevado da linha divisória é um pouco mais elevado que a curva mais alta, embora menos que a curva seguinte em altitude.

2.3.2 - Altitude de um ponto dado

Suponha que se necessite conhecer a altitude de certo ponto da planta. O ponto pode encontrar-se :

a) Sobre uma curva de nível cotada;

b) Sobre uma curva de nível sem cota;

c) Entre duas curvas de nível.

No primeiro caso, (ponto "a" na Fig. 6), a altitude do ponto é encontrada seguindo a curva de nível até encontrar a cifra que indica a cota. No segundo caso, (ponto "b" na figura 6), a cota é obtida a partir da altitude da curva cotada mais próxima, neste caso a de 200m, e averiguando se o ponto em questão está acima ou abaixo da curva cotada. Na figura 6, "b" se encontra sobre a segunda curva acima da curva de 200m. Posto que a eqüidistância é de 20m, "b" está a 2x20m acima da curva de 200m, ou seja, a cota de "b" é 240m. Quando o ponto está entre duas curvas de nível é necessário determinar a cota das duas curvas de nível e proceder à interpolação do ponto em função da sua distância às duas curvas de nível.

2.3.3 - Densidade das curvas de nível

A figura 9 torna claro a relação entre a densidade das curvas de nível e a inclinação e forma de uma superfície ou declive. "A", "B", "C" e "D" são os perfis dos declives considerados. A é abrupto, B, relativamente suave, C é convexo e D côncavo. XY é a base dos quatro perfis. Traça-se retas verticais pelas interseções dos respectivos perfis com as retas horizontais representativas dos sucessivos níveis. A distância entre tais retas é igual à distância entre as curvas de nível num mapa que represente estes declives. A figura 9 mostra que, para uma dada eqüidistância das curvas de nível:

a) as curvas estão mais juntas nos declives mais acentuados;

b as curvas estão mais juntas na base de uma superfície convexa e no cume da superfície côncava.

uma superfície convexa e no cume da superfície côncava. Fig. 9 - Representação de declives em

Fig. 9 - Representação de declives em perfis

Quando várias curvas se juntam em uma só linha, isto indica uma escarpa, ou se a escala do mapa é pequena, um declive muito acentuado.

2.3.4 - Distância entre dois pontos

Na figura 10, "abc" é o perfil de uma colina. Num mapa com curvas de nível, a distância de "a" até "c", medida sobre a superfície da colina, é expressa pelo segmento de reta horizontal "de". A curva "abc" se chama original e a reta "de" sua projeção. De um modo geral, pode-se afirmar que uma linha que corta

De um modo geral, pode-se afirmar que uma linha que corta Fig. 10 - Perfil típico

Fig. 10 - Perfil típico de uma colina

as curvas de nível sobre o plano da planta, representa uma distância menor que a original sobre a superfície do terreno. Uma aproximação à distância real entre dois pontos dados pode ser obtida construindo-se um perfil à escala natural que passe por estes pontos, medindo-se o comprimento do perfil. Este método não pode ser bastante exato devido ao fato dos mapas com curvas de nível oferecerem apenas uma aproximação correta somente nas curvas. Dentro do limite entre duas curvas contíguas, o terreno pode apresentar uma inclinação uniforme ou ser irregular.

2.3.5 - Inclinação de um declive

O grau de inclinação ou gradiente de uma superfície ou linha inclinada pode ser expresso por uma proporção ou percentagem, ou por um ângulo em relação a uma reta horizontal. Suponha, na figura 11, o perfil de uma superfície inclinada, "ac" e que "ab" = 10 e "bc" = 50.

Fig. 11 - Ângulo de inclinação de uma superfície A inclinação desta superfície pode ser

Fig. 11 - Ângulo de inclinação de uma superfície

A inclinação desta superfície pode ser dada por:

a) fração: 1/5;

b) porcentagem: 20%;

c) ângulo: i = arc sen (10/50) ; i = 11º 32'.

Nestas plantas, o relevo deve ser analisado através das curvas de nível e pelo menos dois cortes devem ser feitos em cada planta construindo-se os perfis topográficos correspondentes a estes cortes. Nos perfis, considerar tanto a escala horizontal quanto a vertical iguais à escala da planta. Exercícios de localização de pontos nas plantas e determinação de coordenadas desses pontos também serão feitos a título de fixação do aprendizado. Os dois perfis (P 2.766.600 e P 2.766.800) serão analisados em correspondência com a planta topográfica na escala 1:1000.

2.4 - MAPA GEOLÓGICO

Um mapa qualquer que mostre a distribuição das rochas e a forma ou distribuição das estruturas geológicas é um mapa geológico. Basicamente existem 3 tipos de mapas geológicos:

a)

mapa geológico da superfície ou mapa de formações;

b)

mapa estrutural com curvas de nível;

c)

mapa de afloramentos.

O

mapa geológico mostra a distribuição das formações geológicas sobre a

superfície do terreno. O mapa estrutural com curvas de nível representa as características da estrutura geológica por meio de curvas de nível. O mapa de afloramentos representa somente os afloramentos. Na preparação do mapa geológico, as feições geológicas são projetadas

sobre um mapa topográfico do terreno contendo divisões naturais ou de propriedade.

A distribuição de rochas sobre um mapa geológico é indicada por diversas tramas ou cores e as lineações tais como, linhas de falhas, contatos eruptivos, limites etc., são representadas por linhas de diferentes classes e espessuras. Todos estes símbolos empregados na planta devem ser devidamente identificados na legenda.

2.4.1 - Linhas e símbolos convencionais

A trama ou cor utilizadas num mapa de formações geológicas, de preferência deve seguir uma padronização. O apêndice 1, em anexo, apresenta os principais símbolos utilizados em mapas geológicos segundo o "Amer. Geol. Institute - AGI". Existem também símbolos e cores para representar os variados tipos de rochas. Nos mapas as rochas, normalmente, são representadas por cores. Nos perfis os sinais convencionais utilizados para representar as rochas são exemplificados na figura 12.

para representar as rochas são exemplificados na figura 12. Fig. 12 - Hachuras para diferentes tipos

Fig. 12 - Hachuras para diferentes tipos de rocha

2.4.2 - Posição dos limites entre maciços rochosos

A cartografia geológica consiste, a grosso modo, na projeção dos limites dos terrenos (Fig. 13). Quando estes limites estão determinados corretamente é fácil preencher os espaços, compreendidos entre os limites, com cores ou hachuras. Existem basicamente três tipos de representação das formações geológicas nos mapas:

a) aqueles onde os mantos rochosos são representados com ou sem afloramentos presentes;

Fig. 13 - Tipos de linha para representar contatos geológicos a) contato indicando o mergulho,

Fig. 13 - Tipos de linha para representar contatos geológicos a) contato indicando o mergulho, b) contato indefinido, c) contato oculto

b) aqueles onde somente a rocha aflorante é representada, e

c) aqueles onde os afloramentos e os sedimentos são representados (neste

caso os sedimentos são representados quando sua espessura é considerável). No trabalho de campo é muito difícil a localização dos limites das formações rochosas pois as linhas de separação dessas formações muitas vezes acham-se ocultas pelos sedimentos. Neste caso sua posição pode ser sugerida pela topografia, ou por interpretação da geologia estrutural. Tomando-se como exemplo as rochas sedimentares, um estrato pouco resistente pode formar um vale entre duas capas resistentes, ou um vale pode estar situado ao longo da junção de dois estratos que possuem aproximadamente a mesma resistência à erosão.

Quando o limite entre dois afloramentos com direções paralelas não é visível nem pode ser localizado pela topografia, é comum traçá-lo a meio dos dois afloramentos e paralelamente à direção comum a ambos (Fig. 14). Isto considerando que as camadas nos dois afloramentos sejam mutuamente concordantes. É importante cuidar para que não haja erros ocasionados por discordâncias ou falhas.

não haja erros ocasionados por discordâncias ou falhas. Fig. 14 - Inferência de contato regular Entre

Fig. 14 - Inferência de contato regular

Entre rochas de duas espécies, que não possuem estrutura definida do tipo de estratificação, a linha de contato pode ser traçada à metade da distância entre os afloramentos mais próximos, porém sua trajetória deve ser determinada pela correlação de afloramentos em uma extensa superfície (Fig. 15).

Fig. 15 - Inferência de contato irregular 2.4.3 - Relações entre topografia e cartografia geológica

Fig. 15 - Inferência de contato irregular

2.4.3 - Relações entre topografia e cartografia geológica

Um mapa é uma projeção de linhas e superfícies sobre um plano horizontal, cujas linhas e superfície, na realidade, se acham distribuídas sobre uma superfície terrestre desigual. Uma linha que corta, sem desvios, espinhaços e vales será, portanto, reta sobre o mapa e suas sinuosidades não aparecem no plano vertical. Pelo contrário, uma linha irregular que se ache inteiramente contida num plano horizontal apresenta todas as suas curvas e ângulos representados com sua verdadeira forma sobre um mapa. Quando uma linha tortuosa é traçada sobre um plano qualquer que não é vertical nem horizontal, sua projeção no mapa tem o mesmo número de ondulações em suas mesmas posições relativas, porém os arcos das curvas são mais largos e os ângulos mais obtusos. Com relação à topografia, a superfície de contato pode ser uma espécie qualquer de contato geológico, ou seja, o teto ou o piso do estrato, as salbandas de um veio ou filão, um contato ígneo, uma superfície de discordância ou uma falha. Para efeito de mapeamento supõe-se que esta superfície seja plana ou aproximadamente plana. Se a supefície considerada é horizontal, o bordo de seu afloramento na topografia de espigões e vales terá todas as características de uma curva de nível. Suas direções e curvaturas guardam estreita correspondência com a curva de nível mais próxima no mapa (Fig. 16).

com a curva de nível mais próxima no mapa (Fig. 16). Fig. 16 - Relação entre

Fig. 16 - Relação entre a estratificação horizontal e curvas de nível

Se a superfície é vertical, o bordo de seu afloramento será uma linha reta sobre o mapa, sem qualquer relação com a topografia (Fig. 17).

o mapa, sem qualquer relação com a topografia (Fig. 17). Fig. 17 - Relação entre estratos

Fig. 17 - Relação entre estratos verticais e curvas de nível

Se a superfície é inclinada, seu afloramento será uma linha irregular com ondulações em forma de "vês". Nos vales, estes "vês" apontam para cima se o mergulho é oposto à inclinação do terreno (Fig. 18), e para baixo se o mergulho está no mesmo sentido da inclinação do terreno (Fig. 19), a menos que o mergulho seja menor que a inclinação. Neste caso, as curvas apontam para cima (Fig. 20).

Neste caso, as curvas apontam para cima (Fig. 20). Fig. 18 - Relação entre estratos inclinados

Fig. 18 - Relação entre estratos inclinados e curvas de nível

Nota-se que o vértice do "V" da curva nos vales cai no talvegue. Quanto mais desigual for uma superfície, tanto mais irregular será sua linha de afloramento.

tanto mais irregular será sua linha de afloramento. Fig. 19 - Relação entre estratos inclinados e

Fig. 19 - Relação entre estratos inclinados e curvas de nível

Fig. 20 - Relação entre estratos inclinados e curvas de nível 2.4.4 - Utilização de

Fig. 20 - Relação entre estratos inclinados e curvas de nível

2.4.4 - Utilização de cortes na construção do mapa geológico

Poucas regiões são tão planas como no caso hipotético referido no subcapítulo anterior. Quando a topografia não é plana, caso mais comum, a construção do mapa geológico é mais complexa. No exemplo a seguir, considera- se que os contatos cortam os vales para efeitos de melhor visualização. Suponha- se que "n" (Fig. 21A) seja um afloramento no qual aparece um contato entre dois estratos, considerando-se que este contato seja essencialmente plano junto à superfície do terreno. Considera-se uma escala vertical e constroi-se uma seção passando por "n" perpendicularmente à direção da camada (Fig. 21B). A linha de base "XYZ" desta seção pode ser traçada sobre a mesma folha de papel do mapa, porém perpendicularmente à direção da camada. Projeta-se "n" em "n' ", sobre a seção. A partir de "n' " traça-se uma reta "n' - e", formando um ângulo de 25º com a horizontal. Aqui, "n' - e" é a interseção do plano de corte com o plano de contato da estratificação que passa por "n", corta a curva de nível de 160m do perfil em "a", a curva de nível de 140m em "b", a de 120m em "c" e a de 100m em "d". A partir de cada um destes pontos levanta-se perpendiculares a "X-Y", para cima através do mapa. Onde a reta levantada em "a" atravessa a curva de 160m sobre o mapa, o plano de contato da estratificação chega à superfície neste ponto. Onde a reta traçada a partir de "b" corta a curva de 140m, o plano de contato encontra a superfície no nível de 140m, e assim sucessivamente.

Fig. 21 - Planta geológica de afloramentos Entre estes pontos de interseção sobre o mapa

Fig. 21 - Planta geológica de afloramentos

Entre estes pontos de interseção sobre o mapa traça-se uma linha curva "UVW", que indica a posição do afloramento contínuo do plano de contato sobre a superfície do terreno. A perpendicular levantada em "d" não corta a curva de nível de 100m pois o vale no centro do mapa não é bastante profundo para alcançar o contato. Considerando-se agora "fg" (Fig. 21A) que atravessa a direção de uma série de estratos, suponha que nos afloramentos "o", "p" e "s", tenham-se registrado contatos entre estratos e que "n" e "p" se encontram no mesmo horizonte. A estrutura, que se infere um sinclinal, pode ser manifestada num corte transversal. Desejando-se fazer um mapa geológico das rochas e estruturas representadas neste corte, cada afloramento será representado tal como foi explicado para "n". A figura 21A mostra a distribuição dos contatos de cinco afloramentos. Entre eles, os diferentes estratos são indicados com sombreados de raias inclinadas e ponteados. O limite que passa por "o" não continua através do vale, pois o curso d'água cortou este horizonte, eliminando por completo uma grande parte da capa sobreposta (Fig. 21A). Na cartografia geológica não se costuma localizar contatos com precisão matemática, a menos que seja exigida particularmente uma grande exatidão. Uma vez adquirida alguma familiaridade com os efeitos gerais da topografia sobre a

distribuição de afloramentos pode-se esboçar os limites entre estratos sobre um mapa com curvas de nível com suficiente precisão, sem ajuda da geometria, contanto que se conheçam os mergulhos e se observe o relevo e que as diferentes camadas nas séries tenham sido localizadas ao longo de vários itinerários.

2.4.5 - Dados necessários para um mapa geológico completo

Um mapa geológico é incompleto, a menos que figurem nele legenda, escala, orientação e posição dos cortes que o acompanham. Deve conter ainda o nome da localidade ou cidade mais importante e conhecida e a data em que foi confeccionado. Se foi construído a partir de um mapa com curvas de nível, a eqüidistância e dados planimétricos devem também figurar. Quando possível, deve haver pelo menos um meridiano e um paralelo sobre ele.

2.5 - INTERPRETAÇÃO DOS MAPAS GEOLÓGICOS

2.5.1 - Características importantes dos mapas geológicos

A partir do exame de um mapa geológico, pode-se aprender muito sobre a estrutura geológica, dando-nos as curvas de nível, o conhecimento da topografia. Em geral há três coisas dignas de consideração, a saber:

a) as curvas de nível; b) as zonas de afloramento, marcadas com manchas de diferentes cores ou hachuras que representam os diversos terrenos ou rochas; c) as linhas que limitam estas zonas.

2.5.2 - Zonas de afloramento

Para a interpretação de um mapa geológico é necessário começar por averiguar o significado das cores ou hachuras das diferentes zonas de afloramento. Na legenda é indicado quais são as cores ou hachuras que representam as rochas eruptivas, as rochas sedimentares e as metamórficas e, onde quer que estejam em contato duas formações, a legenda nos dará a conhecer de antemão a ordem da sucessão dos períodos geológicos.

2.5.3 - Limites da zona de afloramento

As linhas que limitam os afloramentos geológicos nos mapas representam os bordos a descoberto das superfícies de contato, ou seja, são aquelas que separam os estratos concordantes, ou superfícies de discordância, os contatos eruptivos e as falhas. Se o afloramento de uma superfície não é atravessado por curvas de nível, a superfície é horizontal (Fig. 16). Se a linha de afloramento é retilínea e não tem relação fixa com as cur-vas de nível, a superfície de contato é vertical ou fortemente inclinada (Fig. 17). Se a linha que limita o afloramento é sinuosa e corta as curvas de nível, a superfície é moderadamente inclinada (Fig. 18). A direção de uma superfície plana inclinada pode ser obtida traçando-se uma reta entre dois pontos de interseção de uma curva de nível dada, com o afloramento da supefície (segmento "ab" Fig. 22). A inclinação aproximada de tal superfície pode ser achada do seguinte modo: a partir do ponto de interseção "c" (Fig. 22A) do afloramento da superfície em uma curva de nível qualquer que não seja a que contenha os pontos "a" e "b", traça-se a reta "cd", perpendicular a "ab". Na figura 22 parte A, utiliza-se a segunda curva de nível abaixo de "a". Traça-se um segmento de reta horizontal (Fig. 22B), XY = 2cd e no extremo correspondente à curva de nível mais elevada (y, que corresponde a "d" na figura. 22A levanta-se "YZ" perpendicular a "XY", tomando "XY" igual a quatro vezes a equidistância das curvas de nível. O ângulo "ZXY" expressa o mergulho da superfície inclinada e este ângulo pode ser calculado posto que "XY" mede-se sobre o mapa e "ZY" é conhecido.

mede-se sobre o mapa e "ZY" é conhecido. Fig. 22 - Direção e mergulho de uma

Fig. 22 - Direção e mergulho de uma camada inclinada

2.5.4 - Símbolos da direção

Nos mapas que contêm afloramentos de estratos dobrados, o rumo geral da direção das dobras dá uma certa idéia da estrutura. Basicamente, existem três variedades na disposição da direção:

a) direções retas e paralelas; o dobramento pode ser homoclinal, monoclinal, sinclinal ou anticlinal. (Fig. 23 A, B e C).

b) direções que convergem alternativamente (Fig. 24A); a estrutura se

compõe de anticlinais e sinclinais.

c) direções que se dispõem formando uma curva completa, a qual pode

ser aproximadamente circular ou oval; a curva é uma abóboda ou domo (Fig. 24B), ou uma dobra em forma de bacia.

abóboda ou domo (Fig. 24B), ou uma dobra em forma de bacia. Fig. 23 - Tipos

Fig. 23 - Tipos de dobramentos

uma dobra em forma de bacia. Fig. 23 - Tipos de dobramentos Fig. 24 - Tipos

Fig. 24 - Tipos de dobramentos

2.5.5 - Estratos concordantes

Exceto no caso em que a inclinação das rochas estratificadas coincida com a inclinação do solo, condição estremamente rara, as camadas afloram em faixas. Os dois bordos de uma destas faixas correspondem, respectivamente, ao afloramento das superfícies superior e inferior de um estrato e em cada faixa tais linhas, em suas relações com as curvas de nível, obedecem ar regras dadas no subcapítulo 2.7.3.

2.5.6 - Rochas eruptivas

A maioria dos casos citados para rochas estratificadas é aplicável às

rochas eruptivas. Os diques manifestam a influência de suas faixas de

afloramento sobre a topografia, do mesmo modo que os mantos interestratificados

e

estratos.

As

chaminés são indicadas nos mapas por manchas circulares ou ovais, os

cones vulcânicos são reconhecidos por serem compostos de materiais piroclásticos ou de lava e quando são recentes apresentam com frequência

crateras.

Os batólitos que a erosão pôs a descoberto são de maior extensão e de

forma muito irregular.

2.5.7 - Discordâncias

Dos vários tipos de discordâncias, há alguns difíceis de serem descobertos nos mapas geológicos. Sua presença é indicada na legenda pelo fato de existirem formações que deverão se interpor entre os estratos discordantes.

A discordância angular entre dois grupos de rochas estratificadas aparece

em todo mapa geológico como uma linha, regular ou irregular, ao lado da qual terminam bruscamente as capas de uma ou duas formações. Discordâncias e falhas não devem ser confundidas nos mapas, por isso devem ser representadas com linhas de espessura diferente.

2.5.8 - História geológica

A interpretação de mapas geológicos deve possibilitar não só a

decifragem das condições estruturais, mas também a leitura da história geológica representada por eles. Cada mapa geológico mostra certos aspectos característicos os quais, quando interpretados de modo conveniente, podem expor

a ordem cronológica de formação dos estratos. O mesmo pode-se dizer dos cortes geológicos e blocos diagrama. Algumas conclusões também podem ser tiradas dos mapas geológicos com relação a história fisiográfica.

A título de exercício será construída uma seção geológica ao longo do

meridiano 2.766.800 entre os paralelos 349.100 e 349.800. Para a construção desta seção geológica, considera-se os mergulhos apresentados no perfil P

2.766.600. A seção geológica a ser executada na escala 1:5000 é a mesma apresentada no perfil P 2.766.800 à escala 1:1000.

3 - AMOSTRAGEM

A amostragem é realizada com a finalidade de fornecer dados para a estimação de reservas, bem como para a escolha de métodos de beneficiamento e lavra de minérios. Ela é ainda utilizada para o controle de qualidade na lavra e no beneficiamento. Os dados fornecidos pela amostragem são utilizados na avaliação qualitativa e quantitativa de depósitos minerais, com o principal objetivo de determinar as condições técnicas e econômicas do seu aproveitamento. No beneficiamento ela possibilita o controle dos produtos. Na engenharia mineral a amostragem pode ser dividida basicamente em duas categorias: amostragem de material "in situ" e amostragem de material desmontado. A amostragem de material "in situ" é largamente utilizada na pesquisa de depósitos minerais e na exploração para acompanhamento de lavra, enquanto que a amostragem de material desmontado é utilizada principalmente no beneficiamento mineral e no controle de qualidade da produção.

3.1 - UTILIZAÇÃO DA AMOSTRAGEM NA MINERAÇÃO

A amostragem é imprescindível para a pesquisa de depósitos minerais, sendo utilizada tanto na fase de prospecção quanto na fase de exploração. Na fase de lavra, é a principal fonte de dados que a geologia de mina utiliza para detalhamento e controle das mineralizações e planejamento a curto e médio prazo.

Teoria e prática em amostragem e estimação de reservas de minério são importantes em todas as fases da mineração. Por isso, a amostragem deve ser tratada "lato sensu" como um método para determinar a composição e propriedades de minérios. Os critérios utilizados na escolha dos métodos de coleta e tratamento das amostras são fundamentais. Estes critérios visam basicamente evitar e controlar os erros e, sobretudo, garantir a representatividade da amostra.

3.1.1 - Amostragem na prospecção

A amostragem utilizada na prospecção tem como finalidade fornecer subsídios para o estudo geológico da ocorrência. Por isto mesmo, nesta fase, normalmente a amostragem não é conduzida de maneira sistemática, mas em função das necessidades de interpretação geológica. Portanto, é mais correto afirmar que tal amostragem na realidade é uma coleta de espécimes.

3.1.2 - Amostragem na exploração

Nesta fase, a amostragem deve ser programada dentro de um nível de confiança que assegure sua representatividade. Como a precisão é diretamente proporcional ao custo, nesta fase, a otimização do programa de amostragem é fundamental. O sucesso da exploração depende principalmente do programa de amostragem e da interpretação dos dados amostrados. O programa de amostragem é uma função do método de amostragem, do acesso ao local, da situação geológica, dos objetivos do projeto e das necessidades de análise.

3.1.3 - Amostragem na lavra

Durante a lavra, continua a campanha de amostragem, sendo que esta amostragem é na realidade uma continuação daquela realizada na exploração e visa a um maior detalhamento do depósito, a partir de um número maior de amostras. Uma campanha de amostragem idealmente deveria iniciar-se juntamente com a prospecção buscando dirigir a amostragem nesta fase, de tal forma que os dados destas amostras pudessem ser utilizados na exploração. Se isto ocorre, a exploração complementa a amostragem realizada na prospecção e a geologia de mina complementa aquela realizada na exploração, ocorrendo simplesmente um detalhamento de uma fase para outra (no caso de amostragem sistemática corresponderia ao cerramento da malha).

3.1.4 - Amostragem no beneficiamento

Durante as várias etapas do beneficiamento mineral, as amostragens são feitas para controle das variáveis de interesse. Independentemente desta amostragem ser contínua ou não, ela é, normalmente, mais representativa do que aquela feita na jazida, nas várias fases da mineração. Ao longo das etapas do beneficiamento, o material vai sendo homogeneizado e classificado granulometricamente, o que permite estabelecer

técnicas de amostragem bastante confiáveis. Existem processos numéricos para estabelecer o volume das amostras bem como, para controlar a redução das mesmas. Tendo em vista que a amostragem durante o tratamento pode ser mais representativa do que aquela realizada no depósito mineral, é possível utilizar seus resultados para otimizar o processo de amostragem utilizado no controle da lavra

3.1.5 - Amostragem para controle de qualidade de produtos

Através deste tipo de amostragem é possível controlar o material extraído que irá alimentar a usina de beneficiamento, o produto intermediário no beneficiamento e o produto final, de modo a cumprir as especificações exigidas.

3.2 - TIPOS DE AMOSTRAGEM

A amostragem de depósitos minerais pode ser dividida, quanto ao tipo, segundo o modo de seleção das amostras e segundo sua finalidade. Segundo o modo de seleção das amostras, existem três tipos de amostragem: amostragem sistemática, amostragem aleatória estratificada e amostragem "intencional".

a) Amostragem sistemática Este tipo de amostragem é muito utilizado em pesquisa mineral. Seu emprego porem deve ser feito em função das características estruturais do depósito, pois existe a possibilidade dos pontos de amostragem coincidirem com subdivisões naturais do corpo mineral, conduzindo a enviezamento nos resultados. Como exemplo, considere um depósito apresentando dobramentos com a mineralização se acumulando nas cristas das ondulações. Estas cristas podem ser igualmente espaçadas, podendo levar os pontos de amostragem, sistematicamente distribuídos a coincidirem com o espaçamento das cristas. Sendo assim, nem toda classe de teores de minério presente no depósito seria representada e um enviesamento possivelmente seria introduzido nos resultados. A amostragem sistemática consiste basicamente de uma sequência de amostragem, repetida num intervalo definido. Este intervalo normalmente é representado pela distância entre pontos de amostragem. Como na amostragem sistemática da estatística, a condição para que ela seja probabilística é que o primeiro ponto deve ser escolhido aleatoriamente.

Uma utilização bastante comum da amostragem sistemática é o sistema de malha regular para furos de sonda (Fig. 25) na qual a superfície a ser amostrada é subdividida em uma malha regular e um furo de sonda é feito no centro de cada superfície elementar da malha. A distância entre furos e a disposição dos mesmos determinam a malha que deve ser implantada aleatoriamente.

determinam a malha que deve ser implantada aleatoriamente. a = b ou a ≠ b Fig.

a = b

ou

a ≠ b

Fig. 25 - Malha regular de amostragem

b) Amostragem aleatória estratificada

Neste tipos de amostragem, a área a ser amostrada é dividida em sub- áreas de mesmo tamanho e uma amostra aleatória é coletada em cada sub-área. Um exemplo deste tipo de amostragem é a malha aleatória estratificada Fig. 26 onde uma malha subdivide a área em superfícies elementares (normalmente retangulares), de tamanho constante e uma amostra é coletada em cada superfície elementar da malha. A locação desta amostra dentro da superfície elementar deve ser aleatória.

amostra dentro da superfície elementar deve ser aleatória. Fig. 26 - Malha aleatória estratificada c) Amostragem

Fig. 26 - Malha aleatória estratificada

c) Amostragem "intencional"

Na amostragem intencional, as amostras são coletadas a critério do responsável pela amostragem. Este critério de escolha pode ser determinado por

vários fatores ligados aos objetivos da amostragem e às características da ocorrência. Por exemplo, com base na litologia, os pontos a serem amostrados podem ser escolhidos de maneira que só o corpo de minério seja amostrado. Com isso, os pontos de coleta da amostra sempre ficam distribuídos irregularmente, o que dificulta a avaliação. Este tipo de amostragem não é muito confiável, conduzindo quase sempre a erros significativos. Segundo sua finalidade, a amostragem pode ser dividida em 4 tipos principais: amostragem ordinária, amostragem técnica, amostragem tecnológica e amostragem para controle de qualidade.

a) Amostragem ordinária - Todas as escavações de exploração são submetidas a este tipo de amostragem. Ela é sem dúvida o principal tipo de amostragem, sendo realizada com o propósito de determinar sistematicamente a qualidade e quantidade do minério e delimitar as concentrações de valor econômico, quando o minério não possui limites geológicos precisos. Através das amostras ordinárias coletadas é possível determinar o teor de componentes ou minerais úteis bem como o teor de impurezas. Os dados obtidos das amostras por meio de análises químicas e mineralógicas, ou por outros processos, são utilizados na avaliação do depósito.

b) Amostragem técnica - Este tipo de amostragem tem como finalidade o

estudo das propriedades físico-químicas dos minérios. Estas propriedades

compreendem a densidade, a umidade, o grau de fragmentação, a dureza, a

A amostragem técnica visa classificar os minérios e materiais

úteis dos depósitos minerais, dentro de especificações que permitam o emprego dos mesmos. O conhecimento destas propriedades é fundamental para determinar o valor industrial da matéria prima mineral. Enquanto o conhecimento da composição química e mineralógica permite determinar a quantidade de substância útil no depósito, o conhecimento das referidas propriedades permite determinar que partes do depósito podem ser utilizadas industrialmente, dentro das especificações exigidas.

perfurabilidade etc

c) Amostragem tecnológica - Esta amostragem é realizada para o estudo

das propriedades tecnológicas das substâncias minerais em escala de laboratório, semi-industrial e industrial. As amostras tecnológicas para laboratório são obtidas para determinar os métodos possíveis e os esquemas principais de transformação tecnológica dos minerais. A partir de testes de beneficiamento feitos em amostras

semi-industriais, é possível escolher o esquema mais eficaz de tratamento da

substância mineral, de forma a assegurar os índices técnico-econômicos mais importantes.

d) Amostragem para controle de qualidade - A amostragem para controle de qualidade é executada para determinar a qualidade das massas de minério extraídas e dos produtos de sua transformação (concentrados). A coleta da amostra é feita em vagões, caminhões, correias transportadoras, tremonhas etc

3.3 - MÉTODOS DE AMOSTRAGEM UTILIZADOS NA MINERAÇÃO

Existem diferentes métodos de amostragem, cujo emprego é função, entre outros, dos fatores geológicos que condicionam a variabilidade natural. Quando os fatores geológicos que afetam a amostragem são conhecidos, é possível determinar um método de amostragem de acordo com estes fatores. Um método de amostragem pode ser proposto, desde que se tenha algum conhecimento a respeito do padrão de variabilidade natural. Dependendo do objetivo final da amostragem, as escavações minerais de exploração podem fornecer amostras lineares, volumétricas e menos freqüentemente amostras de superfície e pontuais. Todos os métodos de amostragem descritos a seguir foram desenvolvidos a partir de resultados práticos, obtidos em trabalhos de pesquisa mineral, realizados nos diferentes tipos de minérios existentes no mundo. Portanto, os valores atribuídos às dimensões das amostras foram obtidos através de experiências anteriores realizadas em situações semelhantes.

3.3.1 - Método de amostragem pontual

Os métodos de amostragem pontual são de fácil execução, são rápidos e apresentam um custo relativamente baixo quando comparados com os outros métodos de amostragem. O principal inconveniente destes métodos consiste em que a coleta da amostra não se faz de maneira contínua, mas sim em pontos isolados. Alguns destes métodos podem ser representativos, dependendo do suporte das amostras, do espaçamento entre amostras, bem como das características da ocorrência. Neste caso, são utilizados nas fases de desenvolvimento e lavra para controle de teor. Na fase de exploração propriamente dita raramente são utilizados. Outros métodos pontuais não apresentam representatividade, entretanto, são muito importantes como auxiliares, principalmente na fase de prospecção.

A seguir serão apresentados os métodos pontuais mais comuns.

a) Amostragem de espécimens de mão em afloramento

Este é o método mais simples de amostragem. É muito utilizado em campanhas de mapeamento geológico, onde o objetivo é criar as primeiras hipóteses sobre a ocorrência. A amostragem baseada em espécimens individuais responde a questões muito específicas, presentes em locais particulares, ou seja, nos afloramentos. No caso de um depósito mineral, as propriedades determinadas em espécimens de mão, raramente se assemelham àquelas das partes não expostas do corpo. Neste tipo de amostragem os espécimens são relativamente pequenos, variando entre 0,5 e 2,0 kg de material. Estes espécimens são coletados dentro das unidades de interesse, de acordo com as necessidades de interpretação da litologia, quase sempre sem considerar a representatividade da amostra, em locais onde ocorram perturbações estruturais ou variação de trama, de preferência coletando material com o mínimo de alteração possível.

b) Método de amostragem por fragmentos em frente de lavra

O método de amostragem por fragmentos é indicado para corpos de pequena a média potência e que apresentem distribuição de teor relativamente regular. É realizado nas partes expostas dos trabalhos de lavra e consiste em arrancar pequenos fragmentos do corpo de minério com tamanhos aproximadamente iguais. As amostras parciais são coletadas segundo um padrão regular, normalmente uma malha. A amostragem é realizada desenhando-se a malha na face a ser amostrada, coletando-se uma amostra parcial no centro de cada malha ou em cada nó da rede. Neste caso, a malha pode ser formada por quadrados, retângulos ou losângos, (Fig. 27). Para retirar as amostras, utiliza-se talhadeira e marreta ou um martelete pneumático. A amostra que representa a face é formada ajuntando-se todas as amostras parciais da malha. O número de amostras parciais, bem como a massa de cada uma depende da regularidade da distribuição dos teores. Este método apresenta bons resultados quando empregado no controle de teor durante o desenvolvimento e a lavra, principalmente na lavra subterrânea onde o controle do teor durante o desenvolvimento é fundamental para o planejamento da lavra.

Fig. 27 - Método de amostragem por fragmentos em frente de lavra c) Método de

Fig. 27 - Método de amostragem por fragmentos em frente de lavra

c) Método de amostragem por fragmentos de rocha desmontada O método de amostragem por fragmentos de rocha desmontada apresenta a vantagem de ser cerca de 3 vezes mais rápido que o anterior sob as mesmas condições. Isso porque na rocha desmontada não há necessidade de escavar os fragmentos. Outra vantagem deste método é não atrasar a continuidade dos serviços. Enquanto no método anterior a amostragem é feita diretamente na frente, neste, a amostragem é executada na massa de minério acumulada na frente de lavra após o desmonte. Para isso, uma rede de arame é lançada sobre a pilha de material desmontado e um fragmento é coletado em cada malha. Estes fragmentos são então ajuntados para formarem a amostra que representará a frente desmontada. A tabela 3 apresenta valores empíricos sugerindo o número de fragmentos bem como o peso de cada um que deve ser coletado. Para evitar que ocorram erros sistemáticos relacionados com as perdas seletivas de partículas ricas, os fragmentos são coletados em cavidades abertas nos pontos de amostragem. A granulometria é um fator muito importante, devendo ser determinada a proporção entre material grosseiro e fino na amostra de tal modo a representar a proporção existente na pilha. Não existe nenhum método numérico conhecido para determinação do número e peso dos fragmentos para compor a amostra. Este método é indicado para locais onde os pontos de amostragem são de difícil acesso e onde o material a ser amostrado é muito resistente à escavação. Deve ser evitado em frentes muito irregulares as quais poderão influenciar negativamente a representatividade da amostra.

   

Peso de

 

Características da

Número de porções de fragmentos por desmonte em aberturas horizontais

fragmento

Peso total das

mineralização

s

(kg)

amostras por

desmonte (kg)

Muito regular ou regular

12 -16

0,12

1,5

-

2

Irregular

20

-

25

0,25

5

-

6

Muito irregular

36

-

50

0,50

18

-

25

Obs.:

Para amostragem em frente de lavra o peso pode ser somente a metade destes apresentados

Tab. 3 - Número e peso de fragmentos para amostragem por fragmentos de rocha desmontada

3.3.2 - Métodos de amostragem linear

A amostragem linear é largamente utilizada em pesquisa mineral, uma vez que pode ser empregada com sucesso em quase todos os tipos de ocorrência minerais. As amostras lineares garantem a amostragem contínua, permitindo com

isso o estudo de qualquer detalhe da textura do minério ao longo da interseção de exploração. A seguir serão descritos os principais métodos de amostragem linear. Em todos eles as amostras são coletadas linearmente ao longo de intervalos, com área

da seção transversal muito pequena em relação ao comprimento.

a) Método de amostragem por canal Este método de amostragem é um dos mais tradicionais sendo de ampla aceitação ao nível mundial. Consiste em cortar um canal ao longo da superfície exposta do corpo de minério (Fig. 28). O canal, normalmente, tem seção retangular e é feito segundo uma linha fixada anteriormente. A forma e a seção transversal do canal não devem variar ao longo do seu comprimento, e sua forma

e dimensões dependem das características do corpo, principalmente da

distribuição de teor. As amostras de canal devem estar orientadas preferencialmente de modo a coincidirem com a variabilidade máxima das propriedades do corpo de minério, a qual usualmente coincide com a linha de potência, (Fig. 28A).

Fig. 28 - Canais de amostragem A- canal na linha de potência B- canais horizontal

Fig. 28 - Canais de amostragem A- canal na linha de potência B- canais horizontal e vertical

A amostragem de canal pode ser empregada praticamente em todos os tipos de depósitos primários. Entretanto, tal amostragem não é recomendada para amostrar veios altamente irregulares como também certos tipos de minérios brechados, podendo, nestes casos, gerar erro sistemático. Também não é recomendada para depósitos de ouro e de platina, consistindo de corpos de minério muito pequenos com distribuição de teores muito errática, onde é comum ocorrerem pepitas, bem como para corpos de pegmatito. Isso se deve principalmente ao fato do volume da amostra de canal ser relativamente pequeno, quase sempre não sendo representativo para estes casos.

b) Método de amostragem por furo de sonda

O Método de amostragem por furo de sonda fornece através dos testemunhos de sondagem ou dos fragmentos dos furos o maior número de amostras usado na pesquisa mineral, nos testes de mecância de rochas e no detalhamento durante a lavra. Existem vários tipos de sondagem, dependendo principalmente do tipo de equipamento utilizado. Quanto ao princípio de funcionamento, elas podem se divididas em percussiva e rotativa. Dentro desta divisão existem vários tipos os

quais são empregados em função do tipo de material e da finalidade do serviço. Todo equipamento de sondagem é caracterizado por fazer furos longos com coleta de amostras a intervalos determinados. A sondagem fornece basicamente dois tipos de amostras: a amostra por tesmunho contínuo e a amostra de fragmentos do furo. O testemunho é cortado através de uma coroa anular, sendo coletado no interior de um barrilete. A amostra composta de fragmentos é coletada através do líquido de limpeza do furo que os conduz até o exterior.

3.3.3 - Método de amostragem de superfícies

Este método de amostragem é usado em casos extraordinários, especialmente ao explorar filões finíssimos com distribuição muito desigual dos minerais. A amostragem consiste em raspar uma capa fina e uniforme de toda a superfície exposta do corpo de minério. A amostragem, normalmente, é realizada no teto de uma galeria ou no piso de uma trincheira, sendo o comprimento da camada comumente de 1 a 2 metros. Não existe regra para determinação do peso, ele depende basicamente da espessura do corpo. Os cortes devem ser feitos com o máximo cuidado pois, se a camada cortada não for uniforme, pode levar a erros substanciais como diluição ou salgamento. Portanto, o local da amostragem deve ser muito bem preparado. Cortar uma camada é uma operação muito trabalhosa, por isso este método é usado somente quando outro procedimento é impraticável.

3.3.4 - Método de amostragem volumétrica

A amostragem volumétrica garante os melhores resultados em comparação aos outros métodos de amostragem, uma vez que apresenta o maior suporte. Por outro lado, ela se distingue pelo baixo rendimento, pelo alto custo e pela dificuldade na obtenção das amostras, quando o minério é desmontado com partes das encaixantes. A amostragem volumétrica somente é recomendada quando nenhum dos outros métodos produz resultados confiáveis. Este método é muito empregado em depósitos de mica, gemas e em alguns depósitos de platina e metais raros, onde o corpo de minério contém pequenas concentrações pontualmente segregadas. Pode ainda ser empregada juntamente com outros métodos de amostragem com a finalidade de avaliar o grau de confiabilidade desses métodos através da comparação dos resultados. A amostragem volumétrica é mais largamente utilizada para testes tecnológicos (piloto), os quais normalmente requerem uma

grande massa de minérios. Também é indispensável para testar propriedades físicas e mecânicas dos minérios e das encaixantes.

A massa das amostras deve ser escolhida entre 100kg e 1 tonelada,

podendo em alguns casos chegar a 3 toneladas ou mais dependendo da variabilidade do corpo e do grau de confiabilidade desejado.

3.4 - PREPARAÇÃO E REDUÇÃO DE AMOSTRAS

A preparação e redução de amostras é de fundamental importância na

amostragem. Os erros cometidos nesta fase refletem-se diretamente nos resultados da amostragem, a partir dos quais são feitos todos os estudos para

avaliação e cubagem do depósito.

A amostra depois de ter sido coletada deve ser preparada para análise.

Esta preparação visa basicamente reduzir o tamanho da amostra, uma vez que uma amostra consiste geralmente de uma grande quantidade de material, embora as análises, via de regra, sejam feitas somente numa pequena porção deste material. Além disso, para determinados propósitos de amostragem, algumas vezes é necessário combinar várias amostras, ou submeter a amostra a uma concentração preliminar. O tratamento da amostra, a partir do momento em que ela foi coletada até a amostra final para análise, consta de uma série de estágios de amostragem. Em cada estágio a amostra deve ser preparada para redução de volume, formando-se assim uma nova amostra para o próximo estágio. Quando o volume ideal para a análise é alcançado, a amostra é então preparada para análise. O principal propósito da preparação da amostra é sem dúvida a

homogeneização. Independentemente da preparação ser feita no campo ou no laboratório, os procedimentos de homogeneização e redução do volume da amostra são fundamentais.

O grande problema na redução da amostra é estabelecer o peso mínimo,

para o qual a amostra pode ser reduzida, dentro de uma faixa granulométrica, conservando o erro de redução dentro de limites admissíveis. Este peso mínimo confiável depende basicamente da granulometria do material, do grau de homogeneidade e do valor permissível para o erro de redução. Quanto mais finas as partículas, menor o peso confiável, quanto menos homogêneo o material, maior o peso confiável e quanto maior o erro permissível

menor o peso confiável.

3.5 - TRATAMENTO DOS DADOS FORNECIDOS PELA AMOSTRAGEM

3.5.1 Correlação entre diferentes tipos de amostragem

Muitas das dificuldades em análise estatística de dados geológicos originam-se da fonte dos dados. Enquanto, na maioria dos ramos da ciência os dados são derivados de experiências controladas, em geologia tudo o que se pode observar são os resultados de processos naturais incontrolados, mais freqüentemente ocorridos no passado geológico. Os dados geológicos são originados, em sua grande maioria, de processos naturais incontroláveis. Estes processos foram desenvolvidos durante um longo período e são quase sempre impossíveis de ser repetidos em laboratório, uma vez que as condições físico-químicas, que os proporcionaram, são extremamente adversas daquelas possíveis de se obter em testes. Algumas vezes, entretanto, é possível repetir os processos naturais de maneira mais simples em experiências controladas em laboratório, embora o fator tempo não possa ser considerado. Outra dificuldade na compreensão da natureza de dados geológicos decorre do fato de que a maioria dos processos naturais já terminou, e os resultados já estão fixados, não sendo possível portanto, observar tais processos. Além disso, a maioria das evidências que permaneceram estão encobertas em profundidade inacessível, devido a alterações de diversas naturezas ocorridas na superfície.

3.5.2 - Estimação do erro de amostragem

Durante a amostragem, vários erros podem ocorrer, conduzindo a resultados que não refeltem exatamente a realidade. Grande esforço deve ser feito para manter estes erros dentro de limites mínimos aceitáveis. Para facilitar sua avaliação, o erro pode ser analisado separadamente nas três etapas que compõem

a amostragem: coleta da amostra, preparação ou tratamento da amostra e análise

e testes da amostra. Existem basicamente dois tipos principais de erros: a) erro aleatório; b) erro sistemático. O erro sistemático conduz a uma superavaliação ou a uma subavaliação. É frequentemente de mesmo sinal, e pode conduzir o resultado final a sérios equívocos, tal como a classificação de uma área não lavrável como lavrável, ou vice-versa. O erro aleatório é caracterizado pela alternância de sinais. No caso específico do cálculo de teor médio, geralmente ele se anula, afetando muito pouco o resultado final. Os erros aleatórios são devidos à inexatidão

inerente ao método, a erros de medida, a erro humano etc

são devidos principalmente a deficiências nas técnicas de amostragem, métodos de análise e preparação da amostra.

A estimação do erro de amostragem pode ser feita através de

procedimento estatístico e/ou geoestatístico, pela determinação da variância.

A variância de estimação pode ser definida como a variância do erro

cometido, quando uma variável num volume "V" é estimada por uma variável num suporte "v". Técnicas geoestatísticas podem ser usadas para deduzir a variância de estimação de um teor médio "z V ", por exemplo, por outro teor médio "z v ". Os teores médios "z V " e "z v " podem ser definidos em qualquer suporte, ou seja, "V" pode representar um bloco de lavra e "v" o conjunto de testemunhos de sondagem.

A variância de dispersão nada mais é do que a medida da dispersão dos

Os erros sistemáticos

teores observados em amostras de volume constante em relação ao teor médio destas amostras. Existem dois fenômenos de dispersão bem conhecidos no campo da engenharia de minas. O primeiro está ligado à dispersão em torno do valor médio de um conjunto de dados coletados dentro de um domínio "V" que cresce

com a dimensão de "V". O segundo fenômeno se baseia no fato de que a dispersão dentro de um domínio fixo "V" decresce quando cresce o suporte "v" no qual cada dado é definido: os teores médios de blocos de lavra são menos dispersos do que os teores médios de testemunhos de sondagem.

3.5.3 - Otimização da amostragem

A otimização da amostragem visa buscar o equilíbrio entre o custo da

amostragem e a representatividade da amostra. O objetivo de otimizar um programa de amostragem é estabelecer o tamanho e a posição das amostras no depósito e o número ideal de amostras necessário para representar as características de interesse de um corpo de minério. Nas fases de prospecção, exploração e acompanhamento de lavra, as campanhas de amostragem devem ser cuidadosamente planejadas em cada estágio, com o propósito de atender às condições de precisão e custo. Considerando um mesmo método de amostragem, quanto mais densa for a rede de amostragem e quanto maior for o suporte da amostra, tanto mais seguros serão os resultados e tanto maior será o custo da mesma. Devido principalmente ao fator econômico, a campanha de amostragem deve buscar sempre a relação ótima entre a representatividade da amostra e o custo da amostragem.

Tal relação ótima pode ser conseguida pela otimização dos três aspectos seguintes:

a) método de amostragem;

b) malha de amostragem;

c) suporte da amostra.

Dentre os métodos de amostragem deve ser escolhido aquele que garanta maior representatividade ao menor custo possível. Se por um lado a representatividade melhora com a diminuição da malha de amostragem e o aumento do suporte, por outro esta situação implica num aumento do custo da amostragem. Por este motivo, a otimização da amostragem torna-se difícil. Todos estes aspectos dependem de fatores de ordem geológica, técnica e econômica. Em algumas situações as peculiaridades geológicas de um depósito são decisivas, embora em outros a escolha do método de amostragem, malha de amostragem e do suporte da amostra é determinada somente por considerações técnicas e econômicas. Entretanto, na maioria dos casos todos os três fatores devem ser considerados.

3.5.4 - Confiabilidade dos resultados

A representatividade das amostras é imprescindível, servindo como ponto

de partida para qualquer estudo a respeito da população que elas representam. A precisão de uma estimação de reserva mineral é dependente, entre outras coisas,

da confiança nos dados nos quais ela é baseada, e nenhuma manipulação

matemática sofisticada pode compensar a qualidade deficiente dos mesmos.

A determinação do grau de confiabilidade dos dados é um dos principais

problemas de amostragem de depósitos minerais. Do ponto de vista estatístico, esta confiabilidade só pode ser expressa matematicamente para dados aleatórios. Como em amostragem de depósitos minerais isto raramente acontece, o emprego da estatística é bastante limitado nesse campo. É interessante observar que o cálculo da variância reflete apenas a representatividade da amostra em relação à população que ela representa. Os erros cometidos na coleta, preparação, redução e análise da amostra devem ser avaliados através da comparação dos resultados de análises de rotina com os resultados de análises de controle.

3.5.5 - Representatividade da amostra

Considerando as características de variabilidade dos depósitos minerais, um programa de amostragem deve ser elaborado com base na escala de observação e no conjunto de propriedades a serem estudadas. Estes dois aspectos interferem diretamente na representatividade da amostra. Considerando um mesmo método de amostragem, quanto maior a escala de observação, ou seja, quanto menor a distância entre amostras e quanto maior o volume das amostras, mais representativa será a amostra: por outro lado, quanto mais heterogênea e quanto maior a anisotropia apresentada pela variável de interesse (teor, granulometria etc) tanto menor será sua representatividade. Se por um lado o aumento do número e volume das amostras melhora a representatividade, por outro lado implica num aumento de custo da amostragem, preparação e análise das amostras. Por este motivo, a amostragem deve utilizar métodos que considerem as características particulares da mineralização e a finalidade da amostragem com o objetivo de otimizá-la. Isto implica sempre uma disputa entre custo e representatividade.

BIBLIOGRAFIA

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