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Introdução ao

Estudo do Direito
do Trabalho aula 2

Direito do Trabalho

Vilma Maria de Lima


Histórico do Direito do
Trabalho
Manuel Alonso Olea lista cinco fases da evolução
do regime de trabalho:

•1º) período do trabalho escravo;


•2º)período dos arrendamentos romanos;
[1] ALONSO OLEA, Manuel. Introduction al Derecho del Trabajo. 1994, p. 134-205.

•3º)regime de criadagem;
•4º)período do trabalho na cidade e o grêmio;
•5º)contratos agrários e serviços. [1]
Direito do Trabalho

Eugene Petit esclarece:


... a escravidão nasceu da guerra. Nos povos primitivos, o
inimigo não tem nenhum direito e o vencedor pode apropriar-se
da pessoa e dos bens do vencido. Os prisioneiros eram
condenados à morte, com freqüência, depois de celebradas,
em sua presença, as festas de triunfo, ainda que, por vezes, o
interesse do vencedor os levassem a ser escravos. Pode-se
nascer escravo ou chegar a ser por alguma causa posterior ao
nascimento (“Servi autem aut nascuntur, aut fiunt. Nascuntur ex
ancillis nostris fiunt; aut jure gentium, id est ex capitivate aut
jure civili...”) [1].

[1] PETIT, Eugene. Tratado Elemental de Derecho Romano. 1961(trad. do original francês por D. José Ferrandez Gonzalez) pp. 76-77
Direito do Trabalho
Com o fim da escravidão, houve um movimento migratório
massivo para as cidades, e surge então o quarto período, o
do trabalho urbano. Com o renascimento das cidades,
prevalece o trabalho em regime de liberdade, surgindo os
grêmios e corporações, formadas primeiramente apenas de
comerciantes e posteriormente de artesãos, que se
organizavam surgindo a categoria intermediária dos
companheiros, apresentando meios próprios de
regulamentação do trabalho livre mediante estatutos e
regulamentos específicos, formando assim uma associação
dotada de poder regulador das condições de trabalho,
associação esta, mais próxima do que chamamos de Direito
do Trabalho de hoje.
Direito do Trabalho

Para Amauri Mascaro Nascimento, as instituições


daquela época não deixaram de ser uma primeira
forma de organização das relações de trabalho, mas
as corporações ou grêmios tinham uma estrutura
diferenciada das que os sindicatos viriam a ter, pois
uniam o que o sindicato separou, reuniram
empregados trabalhadores e menores, recebendo
daqueles os ensinamentos metódicos de uma
profissão.
Direito do Trabalho

Assim, em 1802, escreve-se uma lei que definiu o


que seria um dia normal de trabalho, sem aplicação
na época. Segundo Paul Lafargue, na França
durante o Antigo Regime “as leis da Igreja garantiam
ao trabalhador 90 dias de descanso por ano (52
domingos e 38 feriados), durante os quais era
estritamente proibido trabalhar”.
Direito do Trabalho
Para Arnaldo Süssekind, uma das primeiras leis que
dispunha sobre os Direitos Trabalhistas, foi a lei
francesa de 1841 que resumidamente dispunha o
seguinte:
• proibia o trabalho do menor de 8 anos;

• limitava em 8 horas a jornada das crianças de 8 a


12 anos;

•fixava jornada de 12 horas para os menores de 12 a


16 anos .
Direito do Trabalho
No mundo, a preocupação em se
organizar e estabelecer regras e normas
legais de proteção ao trabalhador se
concretizou na Constituição Mexicana de
1917, a qual dedicou 30 artigos aos
Direitos Sociais e dos Trabalhadores,
representando um importante marco
histórico
Entre os direitos concedidos estavam:
• jornada de trabalho;
• salário mínimo;
• proteção especial ao trabalho das
mulheres e dos menores;
• direito sindical;
• direito à greve;
• previdência social;
• higiene e segurança no trabalho.
• Em 1930, o governo de Getulio Vargas
promulgou um grande número de leis
trabalhistas. Seguindo o avanço prometido
com a revolução de 1930, o Decreto no.
22.123, de 25/11/32, cria as Juntas de
Conciliação e Julgamento, com a função de
dirimir dissídios individuais (trabalhador x
empregador), bem como as Comissões
Mistas de Conciliação com a função de
obter, por acordo, a solução dos dissídios
coletivos (classe de trabalhadores x
empregadores )
• Em 1943, entrou em vigor a Consolidação
das Leis do Trabalho e também foram
criadas várias juntas de conciliação nas
cidades do interior.
• Em 1946, através do Decreto-Lei 9.747, é
instituída a magistratura do trabalho de
carreira e, finalmente, através da
Constituição de 1946 a Justiça do Trabalho
passa a se inscrever definitivamente entre
os órgãos do Poder Judiciário, porém a
jurisdição era exercida por juntas de
conciliação e julgamento formadas por um
Juiz Togado e dois Classistas
• “Considera-se empregado toda
pessoa física que prestar serviços
de natureza não eventual a
empregador, sob dependência
deste e mediante salário” (CLT, art.
3º).

• “considera-se empregador a
empresa, individual ou coletiva, que,
assumindo os riscos da atividade
econômica, admite, assalaria e
ARTIGO 7º CF
• Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais,
além de outros que visem à melhoria de sua condição
social:
• I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou
sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá
indenização compensatória, dentre outros direitos;
• II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
• III - fundo de garantia do tempo de serviço;
• IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado,
capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de
sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer,
vestuário, higiene, transporte e previdência social, com
reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo,
sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;
• V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do
trabalho;
• VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção
ou acordo coletivo;
• VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que
percebem remuneração variável;
• VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral
CONTINUAÇÃO

• XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da


remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da
empresa, conforme definido em lei;
• XII - salário-família para os seus dependentes;
• XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador
de baixa renda nos termos da lei;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
• XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias
e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de
horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção
coletiva de trabalho; (vide Decreto-Lei nº 5.452, de 1943)
• XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos
ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva;
• XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos
domingos;
• XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo,
em cinqüenta por cento à do normal; (Vide Del 5.452, art. 59 § 1º)
• XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um
terço a mais do que o salário normal;
• XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário,
com a duração de cento e vinte dias;
CONTINUAÇÃO

• XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo


no mínimo de trinta dias, nos termos da lei;
• XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de
normas de saúde, higiene e segurança;
• XXIII - adicional de remuneração para as atividades
penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei;
• XXIV - aposentadoria;
• XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o
nascimento até seis anos de idade em creches e pré-
escolas;
•  XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o
nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-
escolas;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
• XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos
de trabalho;
• XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
• XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do
empregador, sem excluir a indenização a que este está
obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
CONTINUAÇÃO

• XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de


trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os
trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a
extinção do contrato de trabalho;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000)
• a) cinco anos para o trabalhador urbano, até o limite de dois anos
após a extinção do contrato;
        b) até dois anos após a extinção do contrato, para o
trabalhador rural;
(Revogado pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000) 25/05/2000
• XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e
de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado
civil;
• XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e
critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência;
• XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e
intelectual ou entre os profissionais respectivos;
• XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a
menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de
dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de
quatorze anos;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
• XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo