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INTRODUÇÃO À ECONOMIA

Prof. Edson Bassotti


ASPECTOS GERAIS:
 Origem do termo: Economia vem do grego oikos (casa) e nomos
(norma, lei), ou seja, administração da casa.
 CONCEITO: Economia pode ser definida como uma ciência social
que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem utilizar de
forma racional recursos produtivos escassos, na produção de bens e
serviços, de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da
sociedade, com a finalidade de satisfazer as necessidades humanas
ilimitadas;
 Economia é o estudo da organização social através da qual os homens
satisfazem suas necessidades de bens e serviços escassos.
 Não houvesse escassez nem necessidade de repartir os bens entre os
homens, não existiriam tampouco sistemas econômicos, nem
Economia. A Economia é, fundamentalmente, o estudo da escassez e
dos problemas dela decorrentes.
ASPECTOS GERAIS:
 A economia é o estudo de como as pessoas e a sociedade decidem
empregar recursos escassos, que poderiam ter utilizações
alternativas, para produzir bens variados e para os distribuir para
consumo, agora ou no futuro, entre várias pessoas e grupos da
sociedade.
(Paul Samuelson, 1988)
ASPECTOS GERAIS:
 Segundo a teoria econômica, um bem é tudo aquilo que tem uma
utilidade e pode satisfazer a uma necessidade, sendo tipicamente
algo tangível, o que diferencia os bens dos serviços de forma geral.
 Assim, um carro é um bem, um guarda-chuva é um bem, um
maquinário é um bem, um parafuso é um bem e até o próprio
petróleo não deixa de ser um bem, entre outros múltiplos e variados
exemplos que poderíamos citar.
 Aliás, a questão é exatamente essa: os bens econômicos são tantos e
tão variados que foi preciso criar uma classificação para eles. Assim,
temos os bens de produção, de capital, de consumo, os bens duráveis
e não duráveis, respectivamente produzidos pelas indústrias de base,
indústrias intermediárias e indústrias leves.
ASPECTOS GERAIS:
Bens e Serviços - Definições

 Bem é tudo aquilo que permite satisfazer uma ou várias


necessidades humanas, isto é, um bem tem utilidade

 Os bens podem ser classificados em livres e econômicos,


dependendo de sua raridade.
ASPECTOS GERAIS:
Bens e Serviços - Definições

 Bens livres existem em quantidade ilimitada, podendo ser


obtidos com pouco ou nenhum esforço humano. Sua principal
característica é não ter preço. Ex: luz solar, ar, mar.

 Bens econômicos são relativamente escassos, e pressupõem a


utilização de esforço humano para sua obtenção. Sua característica
básica é ter um preço. Ex: veículos, roupas, assistência médica.
ASPECTOS GERAIS:
Bens Econômicos - Natureza
 Bens materiais são de natureza material, isto é, tangíveis (têm
características como peso, volume, etc.)

 Bens imateriais ou serviços são intangíveis, e acabam no


mesmo momento de sua produção (prestação de serviços e
utilização são praticamente instantâneos)
ASPECTOS GERAIS:
Bens Materiais - Destino
 Bens de consumo são aqueles diretamente utilizados para a
satisfação das necessidades humanas. Podem ser de uso único (não
duráveis) como os alimentos, ou de uso durável, que podem ser
utilizados por muito tempo.

 Bens de capital são aqueles que permitem produzir outros bens


(como máquinas e equipamentos).
ASPECTOS GERAIS:
Bens Materiais - Classificação
 Bens finais são aqueles que já passaram por todas as etapas de
transformação, isto é, estão acabados.

 Bens intermediários são aqueles que ainda precisam ser


transformados para atingir sua forma definitiva, sendo utilizados
na produção de outros produtos (ex: aço, vidro, fertilizantes,
etc.).
ASPECTOS GERAIS:
Fatores de produção
 São todos os elementos utilizados na produção de bens e serviços
que satisfarão as necessidades humanas.

 São classificados em 4 grandes grupos:


- Recursos Naturais
- Trabalho (mão de obra)
- Capital
- Capacidade gerencial
ASPECTOS GERAIS:
Fatores de produção
 terra ou recursos naturais (minerais, hídricos, etc.);

 trabalho - esforço humano (físico ou mental);

 capital (ou bens de capital) - bens fabricados utilizados na


produção de outros bens;

 capacidade empresarial é a organização da produção, a reunião e


combinação dos demais fatores de produção.
ASPECTOS GERAIS:
Fatores de produção
 são limitados ou escassos
- reservas petrolíferas, terras próprias para agricultura;

- quantidade de máquinas e equipamentos disponíveis em um


certo período de tempo;

- quantidade de pessoas com capacitação disponíveis


ASPECTOS GERAIS:
Fatores de produção - Remuneração
 O preço pago pela utilização dos fatores de produção constitui-se
na renda dos proprietários de tais fatores.
- trabalhadores – salários;
- proprietários de terras – aluguéis;
- capitalistas (fornecedores de dinheiro) – juros;
- proprietários de empresas – lucros.
ASPECTOS GERAIS:
Agentes econômicos
 São as pessoas físicas e jurídicas que contribuem para o
funcionamento do sistema econômico
- famílias (unidades familiares);
- empresas (unidades produtivas);
- governo.
ASPECTOS GERAIS:
Agentes econômicos - Famílias
 no papel de consumidores, adquirem produtos e serviços para
satisfação de suas necessidades.

 no papel de proprietárias de fatores de produção, fornecem às


empresas tais fatores (trabalho, terra, capital e capacidade
empresarial).

 recebem salários, aluguéis, juros e lucros, e com essa renda


adquirem os produtos e serviços (maximizando sua satisfação).
ASPECTOS GERAIS:
Agentes econômicos - Empresas
 unidades encarregadas de produzir e/ou comercializar bens e
serviços, por meio da combinação dos fatores adquiridos junto às
famílias.

 as decisões das empresas são guiadas pelo objetivo de maximizar o


lucro, abrir novos negócios, acesso a novos mercados; adquirir
novos conhecimentos, melhorar a sociedade e/ou comunidade
como um todo (social, ambiental, renda, etc.).
ASPECTOS GERAIS:
Agentes econômicos - Governo
 pode intervir no sistema econômico como produtor de bens e
serviços.

 atua como comprador de bens e serviços para a realização de suas


próprias tarefas.

 pode intervir no sistema econômico para disciplinar a conduta dos


demais agentes econômicos.
ASPECTOS GERAIS:
 A relevância econômica disso é que a análise dos diferentes bens
comercializados em um país pode revelar, não apenas a situação
geral da indústria, como também algumas características da
sociedade, com informações sobre o nível da população e sobre seus
gostos e hábitos.

 Vamos entender melhor a questão:


ASPECTOS GERAIS:
 BENS DE PRODUÇÃO: Os bens de produção são bens primários,
geralmente associados à matéria-prima ou à energia necessária para
a produção de outros bens. São provenientes das indústrias de base
(indústrias pesadas ou extrativas) e destinados a outras indústrias
(intermediárias ou leves).

 Bons exemplos são as indústrias madeireiras, que extraem madeira


florestal e revendem para a indústria moveleira. Ou ainda as
indústrias de extração mineral, siderúrgicas ou petroquímicas. Essas
indústrias são as bases do sistema industrial, já que geram produtos
ou energia (bens de produção) para outras indústrias.
ASPECTOS GERAIS:
 BENS DE CAPITAL: Os bens de capital são bens intermediários,
como equipamentos e instalações, necessários para a produção de
outros bens e mercadorias. Alguns exemplos de bens de capital são
as máquinas, as ferramentas, as fábricas, os motores, etc.
 São produzidos pelas indústrias intermediárias, como as indústrias
mecânicas, por exemplo. E são considerados estratégicos, pois
agregam conhecimento e tecnologia à produção.
 É importante notar, nesse ponto, que muitos autores agrupam os
bens de produção e os bens de capital, tratando as indústrias
intermediárias como um caso especial de indústrias de base.
 De qualquer forma, um aspecto fundamental é que os bens de
produção e de capital diferenciam-se dos bens de consumo por
serem utilizados no processo de produção.
ASPECTOS GERAIS:
 BENS DE CONSUMO: Os bens de consumo são bens finais,
diretos, que completaram o ciclo de produção e são efetivamente
utilizados pelos indivíduos e pelas famílias. Ou seja, são produtos
finais vendidos diretamente ao consumidor.
 As indústrias leves são as responsáveis pela produção dos bens de
consumo, que podem ser divididos em:
 Bens de consumo duráveis
São aqueles que podem ser utilizados por períodos longos, como
automóveis, móveis, eletrodomésticos, roupas, etc.
 Bens de consumo não-duráveis
São os bens de consumo destinados à utilização imediata, sendo os
alimentos os melhores exemplos.
ASPECTOS GERAIS:
Mercado
 local em que compradores (o lado da demanda ou procura) e
vendedores (o lado da oferta) se encontram para realizar
transações;
 não é necessária a existência de um local físico para a realização de
transações (ex: internet);
Variáveis
 em economia tratamos de coisas que podem ser mensuradas
 variável é qualquer mensuração que pode variar (preço de bens
e serviços, capacidade instalada, quantidade de trabalhadores)
 variáveis fluxo são medidas num intervalo de tempo
 variáveis estoque são medidas num dado ponto
A QUESTÃO DA ESCASSEZ E OS PROBLEMAS ECONÔMICOS
FUNDAMENTAIS:
O Problema da escassez
 necessidades humanas a serem satisfeitas são infinitas;
 recursos produtivos (máquinas, terras, etc.) são insuficientes;
 escassez está presente em qualquer sociedade, independentemente do
grau de seu desenvolvimento;
 a escassez implica na necessidade de escolha.
 Toda sociedade, qualquer tipo de organização econômica ou regime
político, são obrigadas a fazer opções ou escolhas sobre: O quê?
quanto? Como? e Para quem produzir?:
A QUESTÃO DA ESCASSEZ E OS PROBLEMAS ECONÔMICOS
FUNDAMENTAIS:
a) O QUE E QUANTO PRODUZIR: Escolha entre alternativas de quais
bens, e em quais quantidades, serão produzidos A sociedade deve
decidir se produz mais bens de consumo ou bens de capital (armamentos
ou alimentos);
b) COMO PRODUZIR: Combinação de recursos (fatores de produção)
que implique no menor custo Trata-se de uma questão de eficiência
produtiva, ou seja, serão utilizados métodos de produção intensivos
em capital, mão de obra, recursos naturais ou semi-intensivos;
c) PARA QUEM PRODUZIR: Quem irá receber os bens e serviços
(quem contribuiu para a sua produção ou quem mais necessita? A
sociedade deve decidir quais setores serão beneficiados na distribuição
do produto: trabalhadores, capitalistas ou proprietários; indústria ou
agricultura; mercado interno ou externo.
Figura 1: O problema da escassez:

Necessidade
-O que e quanto?
Humanas ilimitadas
X Escassez Escolha -Como ?
Recursos
Produtivos
- Para quem ?
escassos
Curva de Possibilidade de Produção:
 Conceito: Representa a fronteira máxima que a economia
pode produzir dados os recursos produtivos limitados. Mostra
as alternativas da sociedade, supondo os recursos plenamente
empregados;
 Pontos além da fronteira não poderão ser atingidos com os
recursos disponíveis;
 Pontos internos à curva representam situações nas quais a
economia não está empregando todos os recursos que dispõe,
ou seja, há ociosidade na economia;
 Custo de oportunidade: Representa o grau de sacrifício que
se faz ao optar pela produção de um bem, em termos da
produção alternativa sacrificada (Exemplo: para produzir uma
unidade de armamento a mais, é necessário abrir mão da
produção de uma tonelada de alimentos;
 A CPP é côncava devido à Lei dos custos crescentes.
Figura 2: Curva de possibilidade de produção

Grãos
(ton)

B
A

Armamentos
(unid)
Curva de Possibilidade de Produção:
 Primeiro exemplo
- o caso da escolha de opções de produção em uma fazenda;

- a fazenda tem uma determinada extensão de terra, um conjunto


de instalações, máquinas e equipamentos e um número fixo de
trabalhadores;

- o proprietário da fazenda tem qualificações técnicas que lhe


permitem optar por produzir qualquer produto agrícola
Curva de Possibilidade de Produção:
 Primeiro exemplo

Alternativa Soja Milho


(em quilos) (em quilos)
A 0 8.000
B 1.000 7.500
C 2.000 6.500
D 3.000 5.000
E 4.000 3.000
F 5.000 0
Curva de Possibilidade de Produção:
 Figura 3 – Possibilidades de Produção em uma fazenda

Possibilidades de Produção em uma


Fazenda

8.000
Milho (quilos)

6.000
4.000
2.000
0
0

0
00

00

00

00

00
1.

2.

3.

4.

5.
Soja (quilos)
Curva de Possibilidade de Produção:
 Figura 4 – Possibilidades de Produção em uma fazenda

Possibilidades de Produção em uma


Fazenda

8.000
Milho (quilos)

C
6.000 D
4.000
G E
2.000
0
0

0
00

00

00

00

00
1.

2.

3.

4.

Soja (quilos) 5.
Curva de Possibilidade de Produção:
 Curva (fronteira) de possibilidades de produção mostra todas as
combinações possíveis entre milho e soja quando todos os recursos
disponíveis estão sendo utilizados (pleno emprego de recursos);

 Ao longo da curva temos eficiência produtiva;

 Dentro da área delimitada pela curva, temos uma ineficiência


(ponto G);

 Pontos fora da área delimitada pela curva não são atingíveis com os
recursos existentes.
Curva de Possibilidade de Produção:
 Um aumento na produção de soja só é possível com uma
diminuição na produção de milho;

 O custo de um produto pode ser expresso em termos da


quantidade sacrificada do outro (custo de oportunidade);

 Custo de oportunidade exprime o custo em termos das


alternativas sacrificadas;

 Pontos além da fronteira só podem ser alcançados por meio do


aumento da disponibilidade dos fatores de produção.
Curva de Possibilidade de Produção:
 Segundo exemplo
- o caso da escolha de opções de produção em uma economia.

- a economia tem uma determinada quantidade de fábricas, uma


dada quantidade de recursos naturais e um dado número de
trabalhadores.

- existe também um determinado grau de conhecimento técnico


que permanecerá constante no decorrer de um dado período.
Curva de Possibilidade de Produção:
 Segundo exemplo

Alternativa Alimentos Minério de Fe Custos de


milhões de t milhares de t Oportunidade
A 0 500
B 1 450 50
C 2 350 100
D 3 200 150
E 4 0 200
Curva de Possibilidade de Produção:
 Figura 5 – Possibilidades de Produção em uma economia

Possibilidades de Produção em uma Economia

500
Minério de Ferro

400
300
200
100
0
1 2 3 4 5
Alimentos
Curva de Possibilidade de Produção:
 Formato côncavo da curva;

 Fenômeno dos custos crescentes - para se obter as mesmas


quantidades adicionais de um bem, são necessários sacrifícios de
quantidades cada vez maiores de outro bem;

 Recursos utilizados em uma atividade podem não ter a mesma


eficiência quando transferidos para outra atividade.
Curva de Possibilidade de Produção:
 Figura 6 – Formato côncavo da curva

Minério

Alimentos
Curva de Possibilidade de Produção:
 Figura 7 – Fenômeno dos custos crescentes

Minério

Alimentos
Curva de Possibilidade de Produção:
 Mudanças na curva de possibilidades de produção - o crescimento

- a capacidade de produzir bens e serviços pode aumentar com o tempo


(aumento da força de trabalho, expansão do número de fábricas, etc.);

- o mesmo poderá ocorrer em função de progressos tecnológicos (com os


mesmos fatores)
Curva de Possibilidade de Produção:
 Terceiro exemplo
- o caso da escolha entre bens de consumo e bens de capital;

- bens de capital são investimento (formação de capital), para


repor o que se desgastou;

- a questão a ser colocada: só produzir bens de consumo e


sacrificar o consumo futuro, ou sacrificar parte do consumo
presente e ampliar as possibilidades de aumentar a produção no
futuro?
A questão da Organização Econômica e os
Problemas Econômicos:

 As sociedades resolvem seus problemas econômicos fundamentais


conforme sua forma de organização econômica;

 Existem duas formas principais de organização


econômica:

1) Economia de mercado (descentralizada ou capitalista);


2) Economia planificada (centralizada ou socialista);
Funcionamento de uma Economia de Mercado:

 As economias de mercado podem ser analisadas por dois sistemas:

a) Sistema de concorrência pura (sem interferência do governo);


b) Sistema de economia mista (com interferência do governo).
a) Sistema de concorrência pura:

 Nesse sistema predomina o Laissez-faire, onde os agentes


econômicos são guiados por uma “mão invisível”;

 Mecanismo de preços: Permite a solução dos problemas


econômicos e promove o equilíbrio nos vários mercados (Lei
de Mercado), ou seja:
a) Se houver excesso de oferta: Aumenta os estoques,
diminuindo o preço para escoar a produção;
b) Se houver excesso de demanda: Formar-se-ão filas,
provocando o aumento dos preços até atingir o equilíbrio.
a) Imperfeições do Sistema de Concorrência Pura (contin..)

 Trata-se de uma grande simplificação da realidade;

 Os preços nem sempre flutuam livremente, ao sabor do mercado,


em virtude da força dos sindicatos sobre os salários, o poder dos
oligopólios sobre os preços, da intervenção do governo via impostos,
subsídios, preços públicos, salários, taxa de câmbio, etc.;

 O mercado sozinho não promove perfeita alocação de recursos;

 O mercado sozinho não promove perfeita distribuição de renda.


Figura 8: Sistema de concorrência pura:

Mercado Oferta de bens e


Demanda de bens
De bens e serviços
E serviços
serviços

O que e quanto produzir


Famílias Como produzir Empresas
Para quem produzir

Oferta dos Mercado de Demanda de bens


Fatores produção Fatores de E serviços
produção
Figura 9: Sistema de concorrência pura:

Mercado
fluxo monetário de pagamentos de (moeda)
Bens e Serviços
formação dos
bens e serviços preços dos bens fluxo real de bens e
serviços

As famílias demandam As empresas oferecem


bens e serviços bens e serviços
Famílias Empresas
As famílias oferecem As empresas demandam
fatores de produção fatores de produção

fluxo real de recursos Mercado trabalho, capital, etc


de Fatores
de Produção
(salários, juros, aluguéis, lucros) formação dos fluxo monetário de pagamentos
preços dos fatores
Funcionamento de uma Economia Centralizada

 Típica de países socialistas, em que prevalece a propriedade estatal


dos meios de produção;

 Nesse sistema os problemas econômicos são resolvidos por uma


Agência ou Órgão Central de Planejamento e não pelo mercado
(metas de planejamento);

 A propriedade dos recursos produtivos é do Estado (propriedade


pública);
Funcionamento de uma Economia Centralizada

 Uma economia centralizada apresenta ainda as


seguintes características:

a) Papel dos preços no processo produtivo: Representam


apenas recursos contábeis para controle da eficiência das
empresas;
b) Papel dos preços na distribuição do produto: Os preços
dos bens de consumo são determinados pelo governo, que subsidia
os essenciais e taxa os supérfluos;
c) Repartição dos lucros: Uma parte vai para o governo, outra
para investimentos na empresa e uma terceira parte entre os
burocratas e trabalhadores como prêmio pela eficiência (se a
empresa for vital para o país, o governo a subsidia mesmo sendo
ineficiente).
Principais diferenças entre os sistemas econômicos:
 Economia de mercado:
a) Propriedade privada;
b) Mais eficiente na alocação dos recursos e menos eficiente na
distribuição do produto;
c) Solução dos problemas econômicos via mercado;

 Economia centralizada:
a) Propriedade pública;
b) Mais eficiente na distribuição do produto e menos eficiente
na alocação dos recursos;
c) Solução dos problemas econômicos via órgão central de
planejamento
b) Sistema de economia mista:
 Desenvolvido a partir do século XX tendo em vista o aumento da
especulação financeira, do comércio internacional, da forças dos
sindicatos, dos oligopólios, etc.;

 A grande depressão dos anos 30, mostrou que o mercado sozinho


não garante o pleno emprego dos fatores de produção, necessitando
de uma maior atuação do governo na economia para evitar as
distorções e promover a melhoria do padrão de vida;

 Os modelos anteriores nunca existiram em sua forma pura, existindo


uma mescla dos mesmos que depende da maior ou menor
intervenção do Estado.
b) Principais formas de atuação do governo na
economia mista (contin...)
 Atuação sobre a formação de preços, via impostos, subsídios,
tabelamentos, fixação do salário mínimo, preços mínimos, etc.;
 Complemento da iniciativa privada, principalmente nos
investimentos em infraestrutura básica (energia, estradas, escolas,
hospitais) que demandam elevado montante de recursos e tempo de
maturação,
 Fornecimento de bens públicos, tais como educação, segurança,
justiça, etc.;
 Compra de bens e serviços do setor privado, pois o governo é o
maior agente do sistema.
b) Principais formas de atuação do governo na
economia mista (contin...)
 O que produzir - influência via tributação, isenção ou redução de
impostos, controle de crédito, empresas públicas, despesas do
próprio Estado (ex: construção de estradas, indicando a necessidade
de aço e cimento)
- os produtores seguem, geralmente, as indicações fornecidas
pelo sistema de preços

 Como produzir - se o enfoque é o do setor público, o fundamental


não é a obtenção de lucros, mas o atendimento das necessidades da
coletividade
- se o enfoque é o do setor privado, a questão é solucionada de
acordo com a concorrência
b) Principais formas de atuação do governo na
economia mista (contin...)
 Para quem produzir - a questão, em geral, é resolvida pelo
sistema de preços;
- para os detentores de renda mais baixa, o Estado pode
oferecer outros serviços não acessíveis à essa camada (assistência
médica, ensino gratuito, etc);

- o Estado pode, ainda, garantir uma renda mínima para


satisfação das necessidades básicas
A relação da economia com as demais ciências
 Antes da Revolução Industrial, a economia era vista como parte
integrante da Filosofia, Moral e Ética (Lei da usura e do preço
justo);
 O estudo sistemático da economia coincidiu com os grandes
avanços na área de Física (concepção mecanicista) e Biologia
(concepção organicista) nos séculos XVIII e XIX;
 Grupo Organicista: A economia se comportaria como um
órgão vivo, daí o uso dos termos como funções, circulação,
fluxos, etc;
 Grupo Mecanicista: As leis da economia se comportaria como
determinadas leis da Física, daí o uso dos termos estática,
dinâmica, aceleração, velocidade, forças, etc;
 Concepção Humanística: Concepção atual, que repousa nos
atos humanos (ciência social).
Continuação...

 História: Facilita a compreensão do presente, e ajuda nas previsões


para o futuro, com base nos fatos do passado;
 Geografia: Permite o registro de acidentes geográficos e climáticos,
avaliação das questões geoeconômicas dos mercados regionais,
concentração espacial dos fatores de produção, localização de
empresas (Eco Regional e Urbana e Teoria da Localização Industrial);
 Política: Fixa as instituições sobre as quais se desenvolverão as
atividades econômicas;
 Direito: Normas jurídicas estão subjacentes à teoria econômica (Lei
antitruste, Lei de proteção ao consumidor, etc);
 Matemática e estatística: Permite a análise econômica sob a
forma de modelos analíticos (função consumo, investimento,
poupança, etc).
Divisão do Estudo Econômico
 Teoria Microeconômica (teoria da formação de preços) -
preocupa-se em explicar o comportamento econômico das unidades
individuais de decisão (consumidores, empresas, etc.)
 estuda a interação entre empresas e consumidores e a maneira pela
qual produção e preço são determinados em mercados específicos
 Estuda o comportamento de consumidores e produtores e o mercado
no qual interagem.
 Teoria Macroeconômica - estuda o comportamento da economia
como um todo. Estuda o que determina e o que modifica o
comportamento de variáveis agregadas (produção total de bens e
serviços, taxas de inflação e de desemprego, despesas totais do
governo, formação bruta de capital, entre outras)
 Estuda a determinação e o comportamento dos grandes agregados
como o produto, a inflação e o desemprego;
Divisão do Estudo Econômico
 Desenvolvimento econômico: Estudo modelos de
desenvolvimento que levem à elevação do padrão de vida da
coletividade (distribuição de renda, evolução tecnológica, etc.);

 Economia internacional: Estuda as relações de troca entre países,


de bens, serviços e moeda (taxa de câmbio, comércio exterior, etc.).
Evolução da Teoria Econômica
 A evolução da Teoria Econômica pode ser compreendida a
partir de duas fases distintas:
1) Fase não científica:
a) Idade Média – Grécia Antiga): Trabalhos sobre
administração privada e finanças públicas (Xenofonte, Platão e
Aristóteles);
b) Mercantilismo (de 1450 a 1750): Estudos sobre acumulação
de riquezas de uma nação (comércio exterior e acúmulo de
metais preciosos);

2) Fase científica ou Liberalismo Econômico (de 1750 a


1936): As principais escolas que se destacaram na explicação do
funcionamento da atividade econômica foram as Escolas
Fisiocrata e Clássica.
Escola Fisiocrata
 Desenvolveu-se de 1750 a 1775, a partir da obra de François Quesnay
“ Tableau Economique”;
 Dividiu a sociedade em classes sociais e buscou justificar os
rendimentos da classe proprietária de terras;
 Riqueza de um país medida pelo montante de bens e serviços
colocados a disposição e não pelo estoque de metais preciosos;
 Divisão da economia em setores, mostrando a inter relação entre eles.
Escola Clássica
 Desenvolveu-se de 1776 a 1870, a partir da obra “Riqueza das
Nações” de Adam Smith, publicada em 1776, abrangendo aspectos
monetários, preços e distribuição de renda da terra;
 Hipótese da “mão invisível”, tendo o mercado como regulador a
atividade econômica;
 Hipótese do “Laissez faire e Laissez passer”;
 Trabalho humano como fonte de riqueza (divisão do trabalho e
produtividade como determinante da riqueza);
 David Ricardo: Renda da terra é determinada pela produtividade
das terras mais pobres ou marginais (formação de preços).
Escola Neoclássica
 Desenvolveu-se de 1870 a 1936, com as obras de Jevons, Menger,
Walras, Schumpeter, Paretto e outros;
 Tendo como principal obra “Princípios de Economia” de Alfred
Marshall, publicada em 1890;
 Também conhecida como “Teoria Marginalista” (receita e custo
marginal), pois passou a privilegiar aspectos microeconômicos da
teoria (comportamento do consumidor e do produtor).
Escola Keynesiana
 Teve início com a publicação em 1936 da “ Teoria Geral do
Emprego, do Juro e da Moeda” de J.M.Keynes;
 Teoria baseada na maior intervenção do Estado na condução
da economia, visando tira-lá da grande recessão de 30;
 Uso de políticas fiscal e monetária expansivas para estimular
a economia;
 Déficit orçamentário como alternativa para a recuperação da
economia (dividir ônus com as gerações futuras).
Outras abordagens
 Marx e a Teoria do Valor Trabalho: Considera que o valor de um bem
se forma do lado da oferta, mediante os custos do trabalho incorporado ao
bem;
 Os institucionalistas: Veblen e Galbraith incorporam as instituições sociais
na análise da teoria econômica;
 Teorias de organização industrial: Consideram que as hipóteses da
microeconomia tradicional (conc.perfeita, máximização do lucro, etc) não
caracterizam o mundo econômico real;
 Novos clássicos (ex monetaristas): Tendo a frente Friedman, Lucas e
Sargent, privilegiam o controle da moeda e um baixo grau de
intervencionismo do Estado (expectativas racionais);
 Novos Keynesianos (antes fiscalistas): Tendo a frente James Tobin,
recomendam o uso de políticas fiscais ativas e maior grau de intervenção do
Estado;
 Pós-Keynesianos: Tendo a frente Joan Robinson, enfatizam o papel da
moeda e da especulação financeira e questionam a análise da teoria
keynesiana a partir do modelo IS-LM.