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Resistência dos Materiais

Resistência dos Materiais

Relação entre Tensões e Deformações


Resistência dos Materiais

Propriedades Mecânicas dos Metais

• Um grande número de propriedades pode ser derivado de um único tipo de


ensaio, o ensaio de tração.

No ensaio de tração, um material é tracionado e deforma-se até a ruptura.


Mede-se o valor da força e do alongamento a cada instante, e gera-se uma
curva tensão-deformação.
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Tensão e Deformação

2P P
P
   Tensão Normal   P
A 2A A 
 A
  2 
  Deformação L  
L 2L L
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Diagrama Tensão - Extensão 100

Carga (103 N)
Célula de Carga 50

0
0 1 2 3 4 5
Alongamento (mm)
corpo de prova 500

Tensão,  (MPa)
Normalização para
eliminar influência da
geometria da amostra
250

0
Tração 0 0.02 0.04 0.05 0.08 0.10
Deformação,  (mm/mm)
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Curva Tensão - Deformação


• Normalização
  = P/A0 onde P é a carga e A0 é a área da seção reta do corpo de prova.
  = (L-L0)/L0 onde L é o comprimento para uma dada carga e L0 é o comprimento original

• A curva  -  pode ser dividida em duas regiões:

 Região elástica
  é proporcional a  =>  = E. onde E = módulo de Young
 A deformação é reversível.
 Ligações atômicas são alongadas mas não se rompem.

 Região plástica
  não é linearmente proporcional a .
 A deformação é quase toda não reversível.
 Ligações atômicas são alongadas e rompem-se.
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Curva Tensão – Deformação


Elástica

500 Limite de escoamento

Plástica
Tensão, σ (MPa)

250

Fratura

0 0 0.002 0.004 0.005 0.008 0.010


0 0.02 0.04 0.05 0.08 0.10
Deformação, ε (mm/mm) Deformação,  (mm/mm)

O Módulo de Young, E, (ou módulo de Como não existe um limite claro entre as regiões
elasticidade) é dado pela derivada da curva na elástica e plástica, define-se o limite de escoamento,
região linear. como a tensão que, após a libertação da carga, causa
uma pequena deformação residual de 0.2%.
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Diagrama Tensão x Deformação: Materiais Dúcteis


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Diagrama Tensão - Deformação: Materiais Frágeis


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Módulo de Elasticidade ou Módulo de Young

Lei de Hooke:

=E
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Estricção e limite de resistência

Limite de
resistência
Tensão, 

Estricção

A partir do limite de resistência


começa a ocorrer uma estricção no
corpo de prova. A tensão concentra-se
nesta região, levando à ruptura.

Deformação, 
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Fratura dúctil e frágil


• Fratura dúctil

 o material deforma-se substancialmente antes de fraturar.

 O processo desenvolve-se de forma relativamente lenta à medida que a fenda se


propaga.

 Este tipo de fenda é denominado estável porque ela para de se propagar a


menos que haja uma aumento da tensão aplicada no material.
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Fratura
Fratura frágil
 O material deforma-se pouco, antes de fraturar.
 O processo de propagação da fenda pode ser muito veloz, gerando situações
catastróficas.
 A partir de um certo ponto, a fenda é dita instável porque se propagará mesmo
sem aumento da tensão aplicada sobre o material.
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Ductilidade

• Ductilidade é uma medida da extensão da deformação que ocorre até a fratura.

• Ductilidade pode ser definida como:


 Alongamento percentual % AL = 100 x (Lf - L0)/L0
 onde Lf é o alongamento na fratura
 uma fração substancial da deformação concentra-se na estricção, o que faz com
que a % AL dependa do comprimento do provete. Assim o valor de L0 deve ser
citado.

 Redução de área percentual %AR = 100 x(A0 - Af)/A0


 onde A0 e Af se referem à área da secção recta original e na fractura.
 Independente de A0 e L0 e em geral  de AL%
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Resiliência
• Resiliência é a capacidade que o material possui de absorver energia elástica
sob tração e devolvê-la quando relaxado.

 Área sob a curva dada pelo limite de escoamento e pela extensão no


escoamento.

 Módulo de resiliência Ur =   d com limites de 0 a y

 Na região linear Ur =yy /2 =y(y /E)/2 = y2/2E

 Assim, materiais de alta resiliência possuem alto limite de escoamento e

baixo módulo de elasticidade.

 Estes materiais seriam ideais para uso em molas.


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Tenacidade

• Tenacidade (toughness) é a capacidade que o material possui de absorver energia


mecânica até a fratura.

Área sob a curva - até a fratura


Frágil
Dúctil
O material frágil tem maior tensão de
Tensão, 

escoamento e maior tensão de


resistência. No entanto, tem menor
tenacidade devido à falta de ductilidade
(a área sob a curva correspondente é
muito menor).

Extensão, 
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Resumo da curva - e Propriedades

 Região elástica (deformação reversível) e região plástica (deformação quase toda


irreversível).

 Módulo de Young ou módulo de elasticidade => derivada da curva na região elástica


(linear).

 Tensão de escoamento (yield strength) => define a transição entre regiões elástica e
plástica => tensão que, libertada, gera uma deformação residual de 0.2 %.

 Tensão de resistência (tensile strength) => tensão máxima na curva - de engenharia.

 Ductilidade => medida da deformabilidade do material

 Resiliência => medida da capacidade de absorver e devolver energia mecânica => área
sob a região linear.

 Tenacidade (toughness) => medida da capacidade de absorver energia mecânica até a


fratura => área sob a curva até a fractura.
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A curva - real

 A curva  -  obtida experimentalmente é


Fractura
denominada curva  - ε de engenharia.

Esta curva passa por um máximo de tensão,


parecendo indicar que, a partir deste valor, o Curva  -  real
material se torna mais fraco, o que não é verdade.

Isto, na verdade, é uma consequência da


Curva σ - ε de engenharia
estricção, que concentra o esforço numa área
menor.
Fractura

Pode-se corrigir este efeito levando em conta a


diminuição de área, gerando assim a curva -
real.
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Coeficiente de Poisson

• Quando ocorre alongamento ao longo de uma direcção, ocorre contracção


no plano perpendicular.

• A Relação entre as deformações é dada pelo coeficiente de Poisson .


 = - y / x = - z / x o sinal de menos apenas indica que uma
extensão gera uma contracção e vice-versa.

Os valores de  para diversos metais estão entre 0.25 e 0.35.


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Coeficiente de Poisson

• Para uma barra sujeita a carregamento axial:



x  x  y z  0
E

• O alongamento na direcção ox é acompanhado


da contracção nas outras direcções.
Assumindo o material como isotrópico tem-se:

 y  z  0

• O coeficiente de Poisson é definido por:

Extensão Transversal y 
 - - z
Extensão Longitudinal x x
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Exercício resolvido 2

Um cilindro de latão com diâmetro de 10 mm é traccionado ao longo do seu eixo.


Qual é a força necessária para causar uma mudança de 2.5 µm no diâmetro, no
regime elástico ?

x = d/d0 = -2.5 x10-3 /10 = -2.5 x10-4

z = - x/-2.5 x10-4 / 0.35 = 7.14 x10-4

 = E. z = 10.1 MPa x 7.14 x10-4 = 7211 Pa

F =  A0 =  d02/4 = 7211 x (10-2)2/4 = 5820 N


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Distorção

• Uma tensão tangencial causa uma distorção, de forma análoga a uma tracção.

 Tensão tangencial
 = F/A0 onde A0 é a área paralela à aplicação da força.
 Distorção

= tan = y/z0 onde  é o ângulo de deformação

• Módulo de distorção G
=G
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Distorção

• Um elemento cúbico sujeito a tensões


tangenciais deforma-se num rombóide. A
distorção correspondente é quantificada em
termos da alteração dos ângulos:

 xy  f  xy 

• Lei de Hooke: (Pequenas deformações)

 xy  G  xy  yz  G  yz  zx  G  zx

G é o módulo de distorção.
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Diagrama Tensão tangencial - Distorção


Com base num ensaio de torção obtêm-se os valores de tensão tangencial e respectivos valores de
distorção. Representando num gráfico os sucessivos valores obtidos no ensaio chega-se ao diagrama
Tensão tangencial - Distorção para o material em consideração.
O diagrama Tensão - Distorção é idêntico ao diagrama Tensão - Extensão obtido a partir de um ensaio
de tracção. No entanto os valores obtidos para a tensão tangencial de cedência, tensão tangencial de
rotura etc. de um dado material, são aproximadamente metade dos valores correspondentes à tracção.
 [MPa]

U
Muitos dos materiais utilizados em engenharia

têm um comportamento elástico linear e assim a  rp
Lei de Hooke para tensões tangenciais pode ser
escrita:

  G p

p U r  [rad ]
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Relação entre E,ν, e G

E
G
2 1   
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Exercício resolvido 3

Um bloco rectangular de um material comum módulo de distorção G = 620 MPa é


colado a duas placas rígidas horizontais. A placa inferior é fixa, enquanto a placa
superior é submetida a uma força horizontal P. Sabendo que a placa superior se
desloca 1 mm sob acção da força, determine:
a) a distorção média no material;
b) a força P que actua na placa superior.

60 mm
200 mm

50 mm
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Solução

a) Distorção média no material

1 mm
 xy  tan  xy   xy  0.020 rad
50 mm
1 mm

50 mm b) Força P actuante na placa superior

 xy  G xy

 xy  G xy  620 * 0,02  12,4 MPa

P   xy A  12,4 * 200 * 60  148,8 kN


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Carregamento Triaxial - Lei de Hooke Generalizada

• Num elemento sujeito a um carregamento multiaxial, as


componentes de extensão resultam das componentes de tensão
por aplicação do princípio da sobreposição. As condições de
aplicação do método são:
1) Cada efeito é directamente proporcional à carga que o produziu
(as tensões não excedem o limite de proporcionalidade do
material).
2) As deformações causadas por qualquer dos carregamentos é
pequena e não afecta as condições de aplicação dos outros
carregamentos.
• Tem-se:
x  y  z
x   - -
E E E
 x y  z
y  -  -
E E E
 x  y z
z  - - 
E E E