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FACULDADE MAURICIO DE NASSAU

INSTITUTO CAMPINENSE DE ENSINO SUPERIOR

GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
DISCIPLINA: ECONOMIA e GESTÃO
SEMESTRE: 2012.2
CARGA HORÁRIA: 40 HS/ AULA

PROFESSOR: CARLOS AUGUSTO COUTO XAVIER


POLÍTICAS PÚBLICAS SOCIAIS
Definição, construção e avaliação de políticas
públicas
Políticas Públicas – Políticas Sociais
“Estamos convencidos de que a absoluta
liberdade deixada a interesses
individuais parcialmente rivais e de
poder desigual não garante o bem da
coletividade e que, muito pelo contrário,
as reivindicações dos interesse coletivos
Cidades na Revolução Industrial
e da humanidade devem afirmar a sua
– Século XIX legitimidade, mesmo na vida econômica,
e que a intervenção do Estado para
proteger os interesses legítimos de
todos os participantes deve ser também
suscitada no momento oportuno”.

Manifesto de Eisenach - 1872


Políticas Públicas – Políticas Sociais
Política Pública - Conjunto de decisões ou de não decisões,
interrelacionadas, concernentes à seleção de metas e aos meios para
alcançá-las, visando o atendimento de demandas públicas e de interesse
coletivo, de acordo com uma situação especifica.
Política Social - Conjunto de medidas tomadas visando melhorar ou
mudar as condições de vida material e cultural da sociedade ou parcela
da sociedade, buscando uma progressiva tomada de consciência dos
direitos sociais e tendo em conta as possibilidades econômicas e
políticas num dado momento.

DEMANDAS
DOUTRINA AÇÕES
PP PS

CENÁRIO
A EVOLUÇAO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS

Estado do Bem Estar (Welfare


State) – seguros sociais
obrigatórios...
A Terceira Via –estado necessário

O Estado Paternalista (Getúlio


Vargas)
As Reformas de Base (João Goulart)
O Estado Centralizador (Militares)
O Modelo Neo-Liberal
O Estado Social
A EVOLUÇAO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL

GETÚLIO VARGAS – PAI DOS POBRES

JANGO – REFORMAS SOCIAIS DE BASE

MILITARES – ESTADO CENTRALIZADO

CONSTITUIÇÃO FEDERAL - 1988

FHC – MODELO NEOLIBERAL

LULA – VISÃO SOCIAL


BRASIL – RECONSTRUÇÃO DO PACTO
FEDERATIVO E DESCENTRALIZAÇÃO
DAS POLÍTICAS PÚBLICAS (1988)
Constituição da República Federativa do Brasil:
Art 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do
Brasil:
I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II – garantir o desenvolvimento nacional;
III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais;
IV – promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo,
cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Art 6º São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o


lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à
infância, a assistência aos desamparados, na forma dessa Constituição.
PIRÂMIDE DAS NECESSIDADES
HUMANAS – MASLOW (1975)

No Brasil, como uma nação em construção social, as prioridades de atuação do


Estado devem seguir, em linhas gerais, a formulação da Pirâmide de Maslow.
AS POLÍTICAS PÚBLICAS COMPREENDEM O
CONJUNTO DAS DECISÕES E AÇÕES RELATIVAS À
ALOCAÇÃO IMPERATIVA DE VALORES.

Política Pública não é o mesmo que Decisão Política, pois uma


Política Pública envolve mais que uma decisão e requer diversas
ações estrategicamente selecionadas para implementar as
decisões tomadas.
DEFINIÇÃO DE POLITICAS PÚBLICAS
• Possui um caráter interdisciplinar: Ciência política, economia, direito,
administração e repleta de análise setoriais (por. ex., saúde pública e
previdência social)
• Tem a ver com o processo de democratização e institucionalização
refletindo a interpretação entre estado e sociedade, e apontando para
novos valores na cultura política relativos à publicização de decisões e à
relação entre governo e atores governamentais de um lado e os cidadãos
de outro.
• No Brasil, a institucionalização do campo das políticas públicas é recente, se
detendo basicamente em três áreas:
• 1) Regime político, instituições políticas ou o Estado-brasileiro em termos de
seu traço constitutivo (patrimonialismo, clientelismo ou o autoritarismo) para
analisar políticas específicas, centradas na agenda do Estado desenvolvimentista,
planejamento econômico, políticas industriais ou as políticas de desenvolvimento
regional;
• 2) Políticas setoriais que combinam a análise do processo político com a análise
dos problemas internos às próprias áreas setoriais. Centra-se, sobretudo, nas
questões relativas à cidadania e participação política, processos decisórios e grupos
de interesse. (Formulação de politicas setoriais: de terras, de energia, de saúde, de
educação, de planejamento urbano, de crianças e adolescentes);
• 3) Políticas públicas de corte social: comparação com os Welfare States –
processos de acumulação e legitimação – análise da especificidade do sistema
brasileiro de proteção social.
• Draibe (1986)
• Aponta para a maturidade institucional da política social
brasileira – complexidade organizacional, estrutura de
financiamento e diversidade de benefícios estabelecendo a
divisão entre essa estrutura e os níveis de bem-estar social
e as patologias que afligem o sistema – clientelismo,
centralização decisória, fragmentação institucional e
escassos controles sociais.
PRINCIPAIS CONCEITOS
• O conjunto de orientações e ações de um governo com vistas ao
alcance de determinados objetivos. (BELLONI, 2000, p.10)
• É a ação intencional do Estado junto à sociedade. Assim, por ser
voltada para a sociedade e envolver recursos sociais, toda política
pública deve ser sistematicamente avaliada do ponto de vista de sua
relevância e adequação às necessidades sociais, além de abordar os
aspectos de eficiência, eficácia e efetividade das ações
empreendidas. (BELLONI, 2000, p.44)
• (...) a que se desenvolve em esferas públicas da sociedade (...).
Políticas dessa natureza não se restringem, portanto, apenas às
políticas estatais ou de governo, podendo abarcar, por exemplo,
políticas de organizações privadas ou não governamentais de
quaisquer tipo, sempre e quando preservado o caráter público acima
referido. (DRAIBE, 2001, p.17)
• Diferenças entre:
Plano - política Pública – conceito abrangente
Programa – desdobramento de uma política
Projeto – unidade menor de ação

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• Os planos são as diretrizes mais amplas, onde
podemos encontrar os princípios e finalidades
para a ação, deve trazer como orientação
fundamental: a ideologia que embasará os
programas e os projetos. Os outros dois
(programas e projetos) deverão ser
elaborados segundo suas premissas. Eles
respondem aos possíveis porquês que serão
levantados.
Os programas afunilam os planos, eles se referem às
áreas restritas de atuação. Aqui podemos identificar
o quê será o objeto da ação.
Conteúdo dos programas
I - objetivo;
II - órgão responsável;
III - valor global;
IV - prazo de conclusão;
V - fonte de financiamento;
VI - indicador que quantifique a situação que o
programa tenha por fim modificar
Programa é o Instrumento de organização
da ação governamental visando a
concretização de objetivos pretendidos,
sendo mensurado por indicadores
O programa é o elo entre o planejamento e o
orçamento;
O plano termina no programa e o orçamento
começa no programa;
O programa só deve existir quando visar à
solução de um problema, o atendimento a
uma necessidade ou demanda da sociedade e
ainda para aproveitar uma oportunidade;
Tipos de programas:
Finalístico: que resulta em bens e serviços ofertados
à sociedade;
Apoio Administrativo: engloba ações de natureza
tipicamente administrativas;
Ações orçamentárias:
Projeto: Um instrumento de programação para
alcançar o objetivo do programa,
envolvendo um conjunto de operações
limitadas no tempo, das quais resulta um
produto que concorre para a expansão ou o
aperfeiçoamento da ação de Governo.
Exemplo: Elaboração de projeto para o PSF –
Estação Velha.
• Exemplos de Programas e projetos
• BRASIL SORRIDENTE –
• FARMÁCIA POPULAR –
• PROGRAMA NACIONAL DE COMBATE À
DENGUE –
Formulando políticas públicas

• Ao formular as políticas públicas, procura-se


superar a idéia recorrente de que o sujeito da
ação governamental são os atores
governamentais e os cidadãos apenas objeto
deste tipo específico de ação.

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FORMAÇÃO DE
POLÍTICAS PÚBLICAS
• É o processo de elaboração de políticas no Executivo, no
Legislativo, no Judiciário e em outras instituições
públicas.

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Formulação de Políticas Públicas

• Na formulação de Políticas Públicas entram


I. Definição da agenda

II. Formação de assuntos públicos e Formação de


políticas públicas

III. Processo decisório

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FASES DO PROCESSO DE
POLÍTICAS PÚBLICAS
I. Formação de agendas – Estudar a construção da agenda é
importante porque revela a natureza da relação entre o
meio social e o processo governamental.
• São os compromissos assumidos pelo governo, seus
objetivos ou interesses imediatos, suas prioridades ao lado
de suas restrições. Falar em estabelecer uma agenda é falar
em estabelecimento de prioridades

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FASES DO PROCESSO DE
POLÍTICAS PÚBLICAS
• Pode ser sistêmica ou não governamental, governamental
e de decisão. A primeira diz respeito à lista de assuntos que
são, há anos, preocupação do país, sem merecerem atenção
do governo, as segunda inclui os problemas que merecem
atenção do governo e a última a lista dos problemas a serem
decididos.
• Um assunto pode sair da agenda sistêmica para a
governamental quando há eventos dramáticos ou crises,
influência de um quadro de indicadores ou acumulação de
informações e experiências.

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FASES DO PROCESSO DE
POLÍTICAS PÚBLICAS
Construindo a agenda de Governo
• Para um problema chegar a ser enfrentado por políticas
públicas é necessário que os atores políticos se
mobilizem para provocar demanda que sejam
processados pelo sistema político e inserido na Agenda
Governamental.
FASES DO PROCESSO DE
POLÍTICAS PÚBLICAS
Construindo a agenda de Governo:

Um problema que incomoda e que gera insatisfação, mas


não mobiliza as autoridades, encontra-se num “estado de
coisas”.

Quando esse “estado de coisas” passa a preocupar as


autoridades torna-se um “problema político”.
“Problemas políticos” compõem a Agenda
Governamental.
Construindo a agenda de Governo

a) Mobilização de ação política:


seja ação coletiva de grandes grupos, seja ação coletiva de
pequenos grupos dotados de fortes recursos de poder, seja
ação de atores individuais estrategicamente situados;
Construindo a agenda de Governo

b) situação de crise, calamidade ou catástrofe, de


maneira que o ônus de não resolver o problema seja
maior que o ônus de resolvê-lo;
Construindo a agenda de Governo

c) situação de oportunidade, ou seja, haja vantagens,


antevistas por algum ator relevante, a serem obtidas
com o tratamento daquele problema.
FORMULAÇÃO

II. Formulação
• A fase de formulação pode ser desmembrada em três
subfases: primeira, quando uma massa de dados
transforma-se em informações relevantes; segunda,
quando valores, ideais, princípios e ideologias se
combinam com informações factuais para produzir
conhecimento sobre ação orientada e terceira quando o
conhecimento empírico e normativo é transformado em
ações públicas, aqui, agora.

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O processo de formação de políticas
deve responder a três questões

• como os assuntos chamam a atenção dos fazedores?


• como são formulados?
• como uma determinada proposição é escolhida entre
outras alternativas?

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Existem três modelos de
formulação de políticas públicas
a) racionalidade econômica: critérios de escolha pública e de
economia do bem-estar social sem entrar no julgamento de
valores. Critérios tecnocráticos contidos na análise custo-
benefício (alternativas que produzem o maior impacto com
o mesmo gasto);

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Modelos cont....

b) racionalidade político-sistêmica: acordo entre os atores do


jogo do poder. A sociedade e os decisores aceitam o que é
viável e o que surge do labirinto político (partidos,
Congresso, Executivo), não questionando a
responsabilidade moral das políticas;

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Modelos cont....

c) formulação responsável: sujeita o processo decisório ao


debate e ao escrutínio público. Engloba considerações
étnicas à respeito da responsabilidade na formulação de
políticas públicas. O debate inclue questões à respeito da
igualdade, liberdade, solidariedade e democracia.

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ARENAS DECISÓRIAS

III. Processo decisório:

• Lowi, 1992. Parte do pressuposto de que reações e


expectativas das pessoas afetadas por medidas políticas tem
um efeito antecipativo para o processo de decisão política e
de implementação. Os custos e ganhos que as pessoas
esperam de tais medidas tornam-se decisivas para
configuração do processo político.

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O processo decisório envolve sempre
duas questões

• Onde surge a • Quem participa?


demanda? e ,

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PROCESSO DECISÓRIO

• é o produto do livre jogo de influência e de poder entre os


grupos de pressão organizados que defendem interesses
quase sempre individuais declarados publicamente. Quanto
maior o alcance da pressão sobre os decisores, é mais
provável que a decisão seja favorável ao grupo que a
exerce.

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O processo decisório brasileiro é
influenciado por

• Prestígio pessoal, reputação, políticas clientelísticas,


cooptação e corporativismo
• Influência dos economistas, administradores e técnicos

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PROCESSO DECISÓRIO

• A escolha se dá entre as várias alternativas em ação.


Normalmente, procedem ao ato de decisão, processos de
conflitos e de acordo envolvendo pelo menos os atores mais
influentes na política e na administração. Em regra geral, a
instância de decisão responsável decide sobre um
“programa de compromissos” negociado já anteriormente
entre os atores políticos mais relevantes.

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A formulação e implementação de
uma política não podem estar
desconectada do público alvo.

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Implementação de Políticas
Públicas
• É a fase cuja ação é estipulada durante a formulação das
políticas e que produz do mesmo modo certos resultados
e impactos. Quase sempre os resultados e impactos
projetados não correspondem à fase de formulação.

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Implementação de Políticas
Públicas

• Comparando-se os fins estipulados na formulação dos


programas com os resultados alcançados examina-se até
que ponto foi cumprida a encomenda de ação e quais as
causas dos eventuais déficits de implementação.

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Desempenho da Política depende:

• das características das agências implementadoras


• das condições políticas, econômicas e sociais
• da forma de execução de atividades

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Estudos de Avaliação

• Podem ser de dois tipos: avaliação de processo e de


impacto.
• A avaliação de processo estuda a fase de
implementação de determinada política e a avaliação de
impacto estuda o efeito dos resultados de uma política.
Ambas ocorrem durante e depois da fase de
implementação.

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Estudos de Avaliação

• Podemos distinguir entre a avaliação da política, análise de


políticas públicas e avaliação de políticas públicas

i. Avaliação de política: análise dos critérios que


fundamentam determinada política
ii. análise de políticas públicas:exame da engenharia
institucional e dos traços constitutivos dos programas
iii. Avaliação de políticas públicas: tem como objetivo atribuir
uma relação de causalidade entre um programa x e um
resultado y (sucesso, fracasso e impacto sobre o problema
anteriormente detectado)

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TENDÊNCIAS

• A avaliação de Políticas Públicas utiliza do recursos da


distinção entre eficiência, eficácia e efetividade.

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AVALIAÇÃO DE EFICIÊNCIA

• relação do esforço empregado na implementação


de uma dada política e os resultados alcançados.

• A eficiência diz respeito a como fazer e está


relacionada as ações a serem realizadas, definidas
no nível operacional.
• É uma questão de custo-benefício, onde
buscamos ter o mínimo de perdas e/ou
desperdício.
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AVALIAÇÃO DE EFICIÊNCIA

• são necessárias porque a eficiência é um


objetivo democrático pois o governo está
gastando o dinheiro do contribuinte,
necessidade de probidade, competência e
eficiência para que haja confiança no
Estado e nas instituições democráticas. O
setor público busca reduzir desigualdades e
o privado minimizar custos.

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AVALIAÇÃO DE EFICÁCIA

• relação entre os objetivos e instrumentos


explícitos de um dado programa e seus resultados
efetivos – metas propostas, metas alcançadas e
instrumentos previstos.

• Uma pessoa eficaz é aquela que faz aquilo que


dever ser feito, que cumpre com suas metas, que
realiza o que foi proposto.

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DIFICULDADE DE EFICÁCIA

• consiste na obtenção e confiabilidade das


informações obtidas. Pesquisa capaz de
reconstruir o processo de implantação da política
sob análise.

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AVALIAÇÃO DA
EFETIVIDADE
• Exame da relação entre a implementação de um
programa e seus impactos e/ou resultados (houve efetiva
mudança na população alvo?)

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EXEMPLO
• Uma campanha de vacinação
pode ser eficaz mas não
efetiva. Atinge um número x
de criança num prazo
determinado, mas não reduz
incidência da doença ou a
diminui substancialmente.

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AVALIAÇÃO

• A avaliação bem feita se constitui num importante direito


democrático: o controle sobre as ações de governo.

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Bibliografia
• ARRETCHE, Marta. Tendências no estudo sobre avaliação. RICO,
Elizabeth M. (Org.). Avaliação de Políticas Sociais. São Paulo: Cortez,
1998.
• COHEN, Ernesto; FRANCO, Rolando. Avaliação de Projetos Sociais. Rio
de Janeiro: Vozes, 1998.
• DRAIBE, Sonia. O padrão brasileiro de proteção social. Análise
Conjuntural, nº 2, Ipardes, 1986.
• HOCHMAN, Gilberto. A era do Saneamento. São Paulo:
Hucitec/Anpocs, 1998.
• SANTOS, W. Guilherme. Cidadania e Justiça. Rio de Janeiro: Campus,
1979.
• WERNECK VIANNA, Maria Lúcia Teixeira. A americanização perversa
da seguridade social no Brasil. Rio de Janeiro: Revan, 1998.
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