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ACÚSTICA ARQUITETÔNICA

ACÚSTICA ARQUITETÔNICA

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Conforto ambiental: O homem e suas necessidades acústicas

O som e sua relação com o homem e o meio que o circunda

Arq. Cláudia Barroso-Krause, D.Sc.
www.fau.ufrj.br/proarq

PROARQ
FAU/UFRJ

Concepção do Projeto
CONFORTO

Térmico

Lumínico

Acústico

Conforto acústico no projeto
– É quando nos preocupamos com as condições acústicas externas e internas do edifício projetado – Dependendo do uso que será dado à edificação, esta poderá ser fonte de ruído para o entorno ou ficar fragilizada por sua interferência.

Contexto .Lugar Calmo .Entorno .

Entorno.Lugar Agitado .Contexto .

Perfeita Harmonia Programa: Home Theater .

é impossível selecionar – de forma precisa – o que nos interessa ouvir. No entanto. enquanto podemos desviar o olhar. para evitar uma visão desagradável.BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura Um som é. muitas vezes. a única informação possível para o que ocorre fora do nosso campo visual. A audição complementa a visão na identificação dos elementos externos do entorno. . Léa et al.Propriedades físicas do som Ref.: Souza. .

Esse movimento é transmitido às moléculas vizinhas produzindo ondas sonoras. Um tom puro pode ser graficamente representado como uma onda sonora senoidal. Na pratica. Para o ouvido humano. 20Hz 400Hz 1600Hz 20000Hz infra-sons graves médios agudos ultra-sons . que alteram a pressão atmosférica. A1) está situada entre as freqüências de 20 e 20 x 103 Hz. sendo maior a sensibilidade entre 1 e 4 x 103 Hz. sons complexos podem ser decompostos em uma série de tons puros. produzindo a perturbação nas moléculas do meio que o envolve. sempre que um corpo vibra. a faixa audível (fig. mas. quando o meio de propagação é o ar. dificilmente se encontra um tom puro. As freqüências situadas acima desta faixa são chamadas de ultrasons e as situadas abaixo de infra-sons.Propriedades físicas do som Segundo a Física.

Intensidade (I) e Potência (W) Sonoras. cuja unidade é o decibel (dB).Um som pode ser caracterizado por 3 grandezas físicas: Pressão (P). Mas. . como o ouvido humano é sensível a uma faixa muito extensa de pressões sonoras (de 2 x 10 –5 a 20 Pa) e como esta sensibilidade varia (é maior para sons mais fracos e menor para sons mais fortes) foi adotada uma escala logarítmica.

. Pode ser: Ref. o ruído de passos sobre uma laje).O ruído pode ser definido com a “mistura de tons cujas freqüências diferem entre si por valor inferior à discriminação (em freqüência) do ouvido humano” [TB-143/ABNT].: Souza. a voz) Impacto quando o meio de propagação é sólido (por exemplo. Léa et al. BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura Aéreo quando propagado pelo ar (por exemplo.

é a possibilidade de conviver com os ruídos significantes e desejados . e circunstâncias É comum. está dissociado visualmente de sua fonte. em função dos hábitos... A noção de ruído "admissível" varia de um indivíduo para outro. A classificação é subjetiva. o barulho do ar condicionado. impede a emissão de uma mensagem. em locais excessivamente silenciosos. a música e a conversa no apartamento vizinho.. o uso de fontes sonoras (rádio ou TV) que aumentem ligeiramente o ruído de fundo Qualidade de vida. é chamado de ruído todo som incômodo ou indesejável. O ruído incomoda quando: impede a recepção de uma informação desejada. em geral nos incomoda o som produzido pelos outros: o ruído do tráfego.Na prática. do ponto de vista acústico.

• Fadiga mental. • Perda permanente da audição.Entretanto. • Falta de concentração. • Tensões e mudanças de comportamento. a exposição ao ruído pode ocasionar uma série de patologias. Em ordem crescente: • Alterações na qualidade do sono. . • Falta de eficiência. • Perda temporária da audição.

três elementos: fonte sonora. meio de propagação e receptor O nível sonoro percebido pelo receptor depende da quantidade de energia sonora emitida pela fonte e das características do meio de propagação – o chamado campo sonoro. .A Construção do Ruído Qualquer situação acústica envolve. necessariamente.

ou Campo Livre. . quando entre a fonte sonora e o receptor não existe nenhum tipo de obstáculo que modifique o trajeto das ondas sonoras .O Campo Sonoro pode ser Direto.

.Neste caso o nível de ruído está diretamente relacionado à distância entre a fonte e o receptor: quanto mais longe da fonte. sempre existe um plano refletor representado pelo piso. menor é o ruído percebido. é importante conhecer também o coeficiente de absorção do solo. Léa et al.: Souza. BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura Como. em situações reais. Ref.

ou Campo Difuso. mas da geometria do local. é refletida e permanece por algum tempo no ar. . que induz a direção da reflexão e dos coeficientes de absorção dos materiais de revestimento das superfícies refletoras (fachadas e solo.Campo Sonoro Reverberante. Neste caso – como em um quarto ou uma rua com seção vertical em "U" – o nível sonoro não depende mais apenas da distância fonte/ receptor. paredes e teto. ocorre quando a onda sonora encontra obstáculos. externamente ou pisos. no interior).

linear ou de superfície: dependendo da distância fonte/ receptor e da escala do problema analisado. indiferente ou incômoda: de acordo com o desejo e posição do receptor. Pontual. Direcional (o som emitido é mais intenso em uma determinada direção) ou omnidirecional (o som emitido se distribui uniformemente em todas as direções).Fonte Sonora É o elemento responsável pela emissão do som. Fixas (indústrias. Pode ser classificada como: Desejável. canteiros de obra e boates) ou móveis (veículos). .

. De superfície: quando as ambas as dimensões são significativas. no contexto da cidade. Exemplo. uma via de tráfego de veículos. no contexto da quadra. uma fábrica. Exemplo: uma fábrica. Linear: uma de suas dimensões é significativa em relação à distância fonte/ receptor.Fonte Sonora Pontual: as dimensões da fonte são insignificantes em relação à sua distância ao receptor. Exemplos: um veículo – isoladamente.

modificando em quantidade (nível sonoro) e qualidade (espectro sonoro) o ruído emitido pelas fontes e percebido pelos usuários. esquadrias. fachadas. Léa et al. . pisos. paredes e tetos – são obstáculos que alteram o caminho de propagação das ondas sonoras.: Souza. BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura A construção e seus elementos – muros.Propagação do Som Ref.

A relação entre os dois níveis é função da: • distância fonte/ receptor: quanto mais distante a fonte menor o nível sonoro percebido.Atenuação pela distância Lembrando: o nível de potência sonora depende da fonte e o nível de intensidade sonora é característico do som percebido pelo receptor. • tipo de propagação .

a onda sonora é refletiva segundo um ângulo de reflexão igual ao ângulo de incidência. quatro vezes maior que o comprimento da onda incidente. este comportamento só é verdadeiro se a menor dimensão do obstáculo for. ao encontrar uma superfície plana e rígida. . No entanto.Reflexão x Absorção Assim como a luz. no caso do som. o que permite estabelecer a direção das ondas refletidas. Para sons graves (grande comprimento de onda) a relação entre o tamanho do obstáculo e o comprimento de onda deve ser sempre verificada. no mínimo.

Superfícies “duras” são mais reflexivas. superfícies “macias” mais absorventes. um muro coberto de vegetação refletirá menos energia que um muro concreto. Por exemplo.A quantidade de energia refletida depende da natureza mais ou menos absorvente do obstáculo. Quanto maior o coeficiente de absorção (α) de um material menor será a energia refletida. Observemos a tabela de coeficientes de absorção de alguns materiais .

Ref. O que ocorre é que ao ser atingida por uma onda sonora a parede vibra e passa a funcionar como uma nova fonte.: Souza. Neste caso podemos dizer que o som foi transmitido pela parede.Transmissão Um ruído pode “atravessar” uma parede ainda que ela não apresente nenhuma abertura.BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura E incidente E transmitida . . Léa et al.

nova fonte .Difração Quando o som encontra frestas ou obstáculos menores que seu comprimento de onda as ondas tem sua direção e magnitude modificadas. muros. muito importantes para o controle de ruído urbano. o som é difratado (Figura A11). vigas. pilares. etc. É o fenômeno que explica o funcionamento das barreiras acústicas. A difração pode ocorrer quando o som passa através de janelas.

promovendo uma distribuição mais uniforme da pressão sonora e um ganho no conforto acústico. um elemento arquitetônico (viga. Embora haja fórmulas para cálculos precisos.Difusão Irregularidades na superfície refletora podem provocar a difusão – as ondas sonoras se espalham em diversas direções. balcão. . pilar) será mais eficiente para provocar a difusão se sua largura for igual ao comprimento da onda sonora e a profundidade das irregularidades de sua superfície igual à sétima parte desse comprimento. de forma geral.

volumetria. O tratamento acústico de um ambiente deve conciliar o isolamento quanto aos ruídos externos com a inteligibilidade para os sons desejados.Qualidade Acústica As características do ambiente construído – interior e exterior – são responsáveis pela qualidade acústica do espaço resultante. . dimensão. Para isso é necessário que o ambiente não apresente acidentes acústicos (ecos. focos) e que o ruído de fundo (tabela A5) e o Tempo de Reverberação (Anexo A2) sejam adequados às atividades a que o espaço se destina. De fatores como forma. revestimento e material de vedação depende o som percebido pelo receptor.

.

Trindade no Estudo Acústica Estudo de Isolamento Forma Reverberação .

formado por 15 módulos.O teto forma diversas composições de acordo com o espetáculo.Difusão Condições acústicas adequadas Criação de um forro móvel. Léa et al.: Souza. BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura .Isolamento quanto à superfície Convexa . Sala São Paulo Ref. proporcionado maior qualidade acústica por meio de difusão.Refletora de som .

Concentração de Som Ref. Léa et al.Isolamento quanto à superfície Côncava . BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura .: Souza.

..: Souza.. pesado. .Isolamento Acústico O isolamento acústico consiste em dificultar a transmissão sonora. esquadria. Léa et al. Um bom isolante deve ser rígido. compacto. divisória. A capacidade que um elemento de vedação (parede.) tem de se opor à transmissão do ruído depende de seu Índice de Redução Sonora Ref.BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura .

A10). . quanto mais “pesado” (ou denso) for o obstáculo. menor será a quantidade de energia sonora transmitida.Para obter um bom isolamento sonoro é conveniente verificar o índice de redução sonora (R) proporcionado pelo material (fig. No caso de paredes simples.

Léa et al. .Paredes Simples. a cada vez que a espessura é dobrada o isolamento aumenta ± 4 dB. Segundo a “Lei da Massa”. Ref.BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura . onde o isolamento depende da massa superficial (do “peso”) desta. sendo maior para as altas freqüências (aumenta cerca de 4 dB a cada vez que a freqüência é dobrada).: Souza.

Paredes Compostas. Este tipo de opção de vedação é conveniente quando se deseja (ou necessita) evitar o uso de paredes muito espessas e pesadas. Materiais absorventes, quando colocados entre painéis rígidos, funcionam como “mola” minimizando a transmissão do ruído. Este conjunto (Fig. A13) - que não obedece rigorosamente à lei da massa - costuma apresentar um índice de redução sonora maior que o de uma parede homogênea, com a mesma espessura.
Ref.: Souza, Léa et al. - BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura

Absorção Acústica
A absorção sonora consiste em reduzir ao máximo a reflexão da energia sonora que incide sobre uma superfície. A energia absorvida é parcialmente dissipada (como energia térmica) e parcialmente transmitida.

O desempenho de um material como absorvente acústico varia segundo as diversas faixas de freqüência. Dois são os principais tipos de materiais absorventes:
Materiais Fibrosos e Porosos – permitem que a onda sonora penetre e se propague em seu interior. Após sucessivas reflexões sobre as paredes dos poros a energia sonora é dissipada sob a forma de calor (energia térmica). Os materiais porosos (ex: espumas sintéticas) ou fibrosos (ex: lãs minerais) são, de modo geral, mais eficientes nas altas freqüências. Ref.: Souza, Léa et al. - BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura

Se o painel estiver colado diretamente sobre a parede. . Léa et al. Ref.BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura Painéis flexíveis afastados da parede por uma camada de ar são excelentes para absorver as baixas freqüências. a vibração provocada pela pressão exercida sobre o painel transforma parte da energia sonora em energia térmica.Quando uma onda sonora atinge um painel flexível. a eficiência será maior nas altas e médias freqüências.: Souza. .Painéis Flexíveis .

Trindade no Estudo Acústica Estudo de Isolamento Forma Reverberação .

Léa et al. para que o nível de pressão sonora diminua de 60 dB. Ref.: Souza. depois que a fonte cessar”.BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura . O Tempo de Reverberação Ideal (anexo A2) varia em função do volume da sala e do tipo de atividade a que ela se destina.Tempo de Reverberação É o tempo necessário. .

por exemplo.Tempo de Reverberação Música Igrejas Sala de Concertos Estúdio Cinema Palavra Falada É do TR que depende fundamentalmente a qualidade acústica de uma sala: uma sala “morta” que absorva todas as reflexões não é boa. . para ouvir música.

a partir de um problema real. definiu empiricamente a primeira fórmula para determinar o Tempo de Reverberação: Tr é o tempo de reverberação. Foi Wallace Sabine que. paredes e tetos).161V Tr = ∑ S1α 1 . em m2 αi é o coeficiente de absorção de cada revestimento 0. em segundo onde: V é o volume da sala.Tempo de Reverberação O TR pode ser ajustado através da relação entre superfícies reflexivas e absorventes (via revestimentos de pisos. em m3 Si é a área dos diferentes revestimentos internos.

durante o processo de concepção do edifício.O Ruído e o projeto O projeto dos edifícios tem. E. caro e difícil. Argumenta-se que tratamentos acústicos são muito caros.. A qualidade acústica do projeto pode depender do cumprimento de algumas etapas. O comportamento acústico dos espaços costuma ser estudado apenas em ambientes «especiais» (auditórios. simples. de fato. em parte isto é verdade : corrigir falhas de projeto é.teatros. estúdios. relegado o conforto acústico a um plano posterior e secundário. frequentemente. prevenir entretanto não..). .

classificar as fontes como de ruído aéreo ou de impacto. salões de festa. indústrias. . Localizar as fontes de ruído existentes no entorno do edifício (vias de tráfego. prismas de ventilação). Em seguida. Barateamos o custo do tratamento acústico (caso este se faça necessário) quando adotamos uma implantação correta. equipamentos.Identificação e classificação das fontes de ruído O primeiro passo para evitar ou solucionar os problemas decorrentes do ruído é identificar as fontes de ruído. atividades de lazer) e verificar as fontes que serão criadas pelo próprio projeto (casas de máquinas.

então precisamos dos ambientes que atuam como fontes sonoras. a partir da hierarquização dos espaços.Qualificação Acústica dos Espaços Checar o nível de ruído de fundo recomendado para os espaços projetados. entendendo sempre que. Deve ser proposta uma setorização dos espaços. que é mais sensível que o banheiro e assim por diante. Estabelecer uma “escala” de sensibilidade ao ruído: por exemplo. . se é preciso maior privacidade ou pouquíssima interferência de ruídos. um quarto é mais sensível ao ruído que a sala.

. As fontes devem ser “desacopladas” de paredes e piso para evitar que o ruído de impacto seja transmitido a toda estrutura.Tratamento das Fontes de Ruído de Impacto O ruído de impacto deve ser tratado na fonte. a proteção no ambiente receptor é muito pouco eficiente.

Alguns exemplos e soluções: Rodapés de Borracha Material Isolante Som. . Léa et al.Propagação pelo ar Redução do Nível de transmissão de ruídos e vibração • Máquinas e equipamentos : apoios elásticos (molas. Redução do Nível de transmissão de ruídos e vibração Ref.: Souza.BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura . sapatas de neoprene).

BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura . lã de rocha). Absorção Sonora Ref.: Souza.Alguns exemplos e soluções: Material Absorvente • Dutos e tubulações: quando embutidos nas paredes podem ser revestidos com materiais absorventes (lã de vidro. . Léa et al.

: Souza.Alguns exemplos e soluções: Rodapés de Borracha Piso Feltro de Cobertura Concreto Magro Fibra de Vidro Rodapés de Borracha Tábuas de piso Fibras de vidro que passam por dentro da vigota Vigotas • Atividades de impacto sobre lajes de piso: pisos flutuantes.BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura . . manta de material elástico ou absorvente entre a laje e o contrapiso atenuam o ruído de passos e arrastar de móveis. Léa et al. Ref.

ser hierarquizados em função do ruído. sempre que possível.Afastar Espaços Sensíveis das Fontes de Ruído • Evitar. •Os espaços interiores podem. •A proteção do edifício contra o ruído emitido pelas fontes do entorno começa pela implantação. . a contigüidade entre espaços sensíveis das fontes de ruído. também.

A figura abaixo apresenta duas implantações possíveis para um mesmo edifício: a solução da esquerda é (acusticamente) mais adequada porque expõe apenas uma das fachadas diretamente ao ruído da rua e cria ainda um pátio interno protegido. circulações. rua Na fachada voltada para a via de tráfego podem ser localizados os espaços menos sensíveis (acessos. escritórios). . escadas) reservando a fachada protegida para os ambientes sensíveis ao ruído (quartos.

ser afastadas dos quartos de dormir. evitar a passagem de tubulações de água e esgoto pela parede divisória e isolar contra ruídos aéreos. de preferência.Áreas de serviço e cozinhas devem. caso isto não seja possível. .

Quando a diferença entre o nível de ruído de fundo e o ruído na fonte for maior que estes valores o isolamento precisará ser reforçado aumentando-se a espessura da parede ou usando o princípio da parede composta (painel rígido sobre material absorvente). Como foi visto anteriormente.Isolamento dos Ruídos Aéreos Como nem sempre é possível afastar espaços ruidosos de espaços sensíveis o isolamento sonoro deve ser suficiente para garantir que o ruído de fundo seja compatível com os parâmetros de conforto (tabela das páginas). para paredes simples vale a “Lei da Massa”. . Uma parede de alvenaria de tijolos cerâmicos (esp = 15 cm) isola cerca de 35 dB e uma laje de concreto cerca de 45dB (contra ruídos aéreos).

Janelas duplas. usualmente. com folhas paralelas desconectadas entre si podem apresentar um desempenho bem superior ao de uma janela simples com o dobro da massa superficial (princípio da parede composta. quase sempre possuírem elementos vazados (venezianas. fabricadas em materiais leves (lei da massa). grelhas) e pela dificuldade de “selar” as frestas entre a alvenaria e o caixilho e entre este e as folhas móveis. A tabela abaixo apresenta valores médios de desempenho de janelas. .Esquadrias Esquadrias são um dos pontos fracos da fachada por serem.

sacadas) podem funcionar como espaços de transição para a propagação sonora. esta é uma alternativa interessante por não interferir na ventilação. protegendo o interior do edifício do ruído da rua (fig. .Esquadrias Compartimentos vazados (varandas. A17) principalmente se algumas de suas superfícies forem tratadas com materiais absorventes. importante em clima tropical-úmido.

Esquadrias Outra forma de garantia de isolamento acústico é a escolha da esquadria. Por exemplo. borrachas e carpetes nas frestas das janelas . Outro recuso é o uso de material absorvente de vibração como tecido. modelos de PVC. com vidro duplo reduzem a passagem de vibração.

mesmo em espaços menos “nobres” o arquiteto se preocupar com o condicionamento acústico: espaços muito reverberantes são desagradáveis e provocam desconforto por dificultar a inteligibilidade dos sons desejados. Entretanto. ter o tempo de reverberação calculado de modo a garantir sua qualidade acústica. estúdios. . salas de aula ou qualquer outro espaço destinado à música ou a voz humana devem. necessariamente.Condicionamento Acústico Teatros. auditórios.

atenuando os sons agudos e criando uma ambiência mais “surda”.Condicionamento Acústico Uma vez que. pedras. os materiais mais constantemente usados (concreto. difusão e do mascaramento. cerâmica. em espaços exteriores. Desempenham a mesma função de um revestimento absorvente aplicado sobre o solo ou as fachadas: deformam o espectro do ruído. . mascarando os ruídos indesejáveis. a presença de vegetação pode ter um efeito significativo na ambiência sonora dos espaços ao ar livre pelos efeitos da absorção. Sob o efeito do vento. podem se tornar uma fonte sonora secundária. asfalto) possuem baixo coeficiente de absorção sonora.

A atenuação provocada por uma faixa de cem metros de vegetação densa é de apenas 10dB(A). o que pode ser considerado insignificante (Fig. mas são os taludes e não a vegetação que se opõem à propagação do ruído. por si mesma. nas bordas das vias de tráfego. 10 m de vegetação = . um efeito de barreira significativo. A18). ou seja. O uso de vegetação sobre taludes de terra.1 dB(A) . se bastante eficiente.Condicionamento Acústico Entretanto. 1 dB(A) para cada 10 metros de vegetação. a vegetação não possui.

Glossário de Acústica Pequeno glossário informal. este glossário busca. respeitando a veracidade das informações. Quando necessário. poderão – e deverão – ser consultados os livros mencionados na bibliografia. que englobe todo o espectro necessário a plena compreensão dos preceitos envolvidos. favorecendo sua compreensão. . em linguagem leiga. no trato diário. Menos que uma definição científica precisa. uma re-apresentação dos conceitos científicos básicos ao estudo arquitetônico de conforto ambiental.

Veja representação gráfica em onda sonora senoidal .Amplitude É o deslocamento máximo atingido por uma molécula em relação à sua posição de equilíbrio. medida em metro (m).

entretanto existem algumas fórmulas simplificadas. visa provocar a difração das ondas sonoras. colocado entre a fonte e o receptor.(a+b) λéo comprimento de onda . Uma barreira simples pode ser calculada pela fórmula: ∆t = 13 + 10 log(N) Absorção Sonora Ref. BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura É o elemento que. A atenuação provocada por uma barreira depende de sua altura e posição em relação à fonte e ao receptor.Barreira Acústica Material Absorvente O cálculo exato da atenuação provocada por uma barreira é relativamente complexo. Léa et al. N = 2 δ/λ δ = (A+B) .: Souza. Onde: ∆t é a atenuação provocada pela barreira N é o numero de Fresnel (N > 1).

Veja representação gráfica em onda sonora senoidal λ Curvas De Ponderação São circuitos eletrônicos usados nos aparelhos de medição sonora que permitem que a resposta obtida seja corrigida por faixa de freqüência. (λ = c/f). medida em metro (m). pela onda senoidal. C. D).Comprimento de Onda (λ) É a distância percorrida em um ciclo completo. . É função da velocidade do som em um meio e da freqüência. A curva (A) corresponde ao “ouvido humano padrão”. Existem diversas curvas (A. B.

intensidade (NIS) e de potência sonoras (NWS) encontrados ou necessários. 1 Unidade que era utilizada para medir perdas em linhas telefônicas. É uma unidade adimensional pois relaciona um determinado valor de pressão (ou intensidade. ou potência) sonora a um valor de referência de mesma unidade. assim denominada em homenagem a Alexander Graham Bell Suas fórmulas são: .Decibel O decibel (ou a décima parte do Bel 1): É a unidade utilizada em Acústica para quantificar os níveis de pressão (NPS).

este percurso corresponde a. aproximadamente. Considerando uma temperatura de 220 C. são as seguintes: . um ruído ou som complexo possui sua energia distribuída em várias faixas de freqüência (o espectro sonoro). Uma oitava é definida por um intervalo em que a freqüência máxima da faixa é igual ao dobro da mínima. o espectro sonoro foi dividido em faixas de freqüência maiores. que chega ao ouvido do receptor com um atraso de 1/15 segundos em relação ao som direto. que pode ser decomposta em cores (espectro luminoso). dentro da faixa audível. Como o ouvido humano não é sensível a pequenas variações de freqüência. Os ecos podem ser evitados pelo uso de materiais absorventes ou pela colocação de anteparos intermediários quando a distância entre fonte a superfície refletora for superior a 11 metros. 22 metros.Eco É o som secundário. As oitavas normalizadas. que propicia a determinação da quantidade de energia sonora contida em cada faixa de freqüência. as bandas de oitava. Especto sonoro Assim como a luz. gerado por reflexão.

devido a uma superfície convexa. .Focos É fenômeno que ocorre quando. dois ou mais raios refletidos convergem para um mesmo ponto.

6 s) 0. em segundos V é o volume da sala. em m2 é o coeficiente médio de absorção da sala α Fórmula de Millington-Sette É uma fórmula de cálculo recomendada para cálculo do Tempo de Reverberação quando há grande variação de materiais de revestimento. 0.161V Tr = Slogn(1− α ) Tr é o tempo de reverberação. em m3 S é a área interna da sala.Fórmula de Norris-Eyring É uma fórmula de cálculo de tempo de reverberação recomendada quando este é determinado por poucas reflexões (TR < 1.161V Tr = i ∑[−Slogn(1−αi)] Si é a área dos diferentes revestimentos internos. ou de coeficientes de absorção dos revestimentos. em m2 αi é o coeficiente de absorção de cada revestimento .

Parede). em ciclos por segundo (cps) ou Hertz (Hz).000Hz) = sons agudos (grande comprimento de onda) • Baixas freqüências (20 a 360 Hz) = sons graves (pequeno comprimento de onda) Veja representação gráfica em onda sonora senoidal Índice de Redução Sonora É expresso pela fórmula: onde Wi é a potência incidente sobre a superfície de 1 elemento e Wt é a potência acústica transmitida pelo elemento (ex. Matematicamente seria o inverso do período (f=1/T). mais alta a freqüência.Freqüência É o número de vezes que um ciclo sonoro se repete.400 a 16. . Quanto maior o número de ciclos. em um determinado período de tempo. Divide-se em: • Altas freqüências (1.

Unidade: W/m2.Intensidade Sonora É a quantidade de energia transportada por uma onda sonora. é muito mais “fácil” conversar em um apartamento silencioso que numa rua de tráfego pesado (ou em uma boate). por unidade de superfície normal à direção da onda. . Mascaramento É a elevação subjetiva do limiar de audibilidade: na presença de um ruído de fundo muito elevado. o som de interesse precisa ter mais energia para ser percebido. em um ponto e direção determinados. Assim.

Onda Sonora Senoidal É a representação gráfica do deslocamento de um som puro. comprimento (λ). e freqüência ( f ): . Caracteriza-se pelos seguintes parâmetros: amplitude (A). período (T).

por unidade de tempo.Potência Sonora É a energia liberada por uma fonte. e a pressão atmosférica normal (ou pressão estática). Unidade: Watt (W). em um determinado instante. Unidade: Newton por metro quadrado (N/m2) ou Pascal (Pa). Pressão Sonora É a diferença entre a pressão do ar. .

..Ruído de fundo É todo e qualquer ruído percebido em um determinado local que não seja o som de interesse (ou ruído útil). Em alguns casos o ruído de fundo pode ser interessante como por exemplo som de água. Por exemplo: o ruído do tráfego. dos vizinhos... do ar condicionado.

Ao vibrar um corpo produz a perturbação do meio que o envolve de tal forma que as moléculas do meio não se deslocam.Som É “toda e qualquer vibração mecânica em um meio elástico na faixa de áudio freqüência” (TB-143/ABNT). Pode ser representado como a soma de diversas ondas senoidais (uma para cada faixa de freqüência). é o som composto por várias freqüências. . mas oscilam em torno de uma posição de equilíbrio. Por exemplo: o som de um diapasão. Pode ser representado como uma onda senoidal. Pode ser classificado como: PURO: Quando composto de uma única freqüência (único comprimento de onda). COMPLEXO: Mais comum. provocando zonas de compressão (alta pressão) e rarefação (baixa pressão).

densidade e homogeneidade do meio de propagação. em metro por segundo (m/s). Quanto mais denso o meio. podem provocar a refração das ondas sonoras. Velocidade do som (c) em alguns materiais de construção ( em m/s) . ocasionando um ligeiro desvio na trajetória original. Varia em função da temperatura. por variações de temperatura.Velocidade da onda sonora (c) É a rapidez de deslocamento da onda sonora. mais rápida a propagação.temperatura em °C Ao ar livre a alteração da velocidade do som na atmosfera. Fórmula de cálculo: c = 332 + 1+ t 273 t .

• Bibliografia • Apostila de conforto ambiental site FAU/UFRJ • Referência bibliográfica das ilustrações BE-a-Bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a Arquitetura Autores Léa Cristina de Souza Manuela Almeida Luis Bragança Luiz Renato do nascimento .

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