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artigo dislexia

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DISLEXIA: MITOS E VERDADES. UMA ABORDAGEM PEDAGÓGICA. DYSLEXIA: MYTHS AND TRUTHS. A PEDAGOGICAL APPROACH.

Larissa da Costa e Silva1 Resumo O presente artigo tem como objetivo expor a correta definição de dislexia e com isso, ajudar a identificar as reais dificuldades e necessidades do sujeito disléxico durante toda a sua vida acadêmica, assim como também expor os problemas pedagógicos que permeiam a dislexia. É fato que muitos casos de dislexia acabam por passar despercebidos ou encobertos, o que resulta num mau aproveitamento escolar ou até mesmo evasão, portanto, elucidar e delimitar o que é mito e o que é verdade, no que diz respeito à dislexia, é de suma importância para uma melhor abordagem psicopedagógica e melhor rendimento escolar do sujeito disléxico durante o processo de ensinoaprendizagem. Assim, a elaboração deste artigo visa não somente contribuir para com a comunidade acadêmica, mas também com a comunidade geral.

Palavras chave: Dislexia. Intervenção pedagógica. Dificuldades de aprendizagem. Leitura. Escrita.

Abstract This article aims to expose the correct definition of dyslexia and thereby help identify the real problems and needs of dyslexic subject throughout his academic life, as well as exposing the pedagogical problems that underlie dyslexia. It is a fact that many cases of dyslexia eventually go not perceived or hidden, which results in a bad performance at school or even evasion thus elucidate and define what is myth and what is fact, with regard to dyslexia, is of paramount importance for better pedagogical approach and better school performance of dyslexic citizen during the teaching-learning process. Thus, the preparation of this article aims to contribute not only to the academic community, but also the general community. Keywords: Dyslexia. Pedagogical intervention. Learning difficulties. Reading. Writing.

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Graduanda do curso de Letras – Língua e Literatura Inglesa da Universidade Federal do Amazonas - UFAM. E-mail: lari.baker@gmail.com

distúrbios ou deficiências no que diz respeito às dificuldades de aprendizagem. dando lugar a mitos e inverdades sobre os mais variados casos. Mostra uma insuficiência no processo fonológico. Suas definições permeiam o mundo acadêmico de forma quase líquida. Assim como muito se conquista com a evolução das pesquisas no mundo acadêmico. junto com o surgimento das escolas elementares públicas e obrigatórias na França. Essas dificuldades de decodificar palavras simples não são esperadas em relação à idade. assim como elucidar os mecanismos psicopedagógicos necessários para lhe dar de maneira mais amistosa e eficiente com tal distúrbio. a criança falha no processo de aquisição da linguagem. oportunidade sociocultural e não possuir distúrbios cognitivos e sensoriais fundamentais. e hipoteticamente foi diagnosticado com essa patologia. ao diagnosticar um garoto de 14 anos que apresentava distúrbios de aprendizagem. como no caso da dislexia. estudos a respeito de tais dificuldades foram sendo desenvolvidos e com isso houve muita imprecisão em conceituar corretamente doenças. vários autores. de origem constitucional. adequada inteligência. no que diz respeito a essa síndrome. como sobre a dislexia. como na medicina. incluindo Massi (2007) e a Associação Brasileira de Dislexia (ABD). DISLEXIA: UMA DEFINIÇÃO As primeiras descrições envolvendo as dificuldades de aprendizagem datam do final do século XIX. um médico inglês. muito se perde. através de observação em adultos que apresentaram distúrbios semelhantes após lesão cortical. logo. pesquisas e descobertas também evoluem. e que vem sendo utilizada e amplamente aceita no que se entende sobre dislexia: “Dislexia é um dos muitos distúrbios de aprendizagem. Um dos principais objetivos deste trabalho é ajudar na identificação precoce da dislexia. Desde então. as dificuldades de aprendizagem foram tidas como patologias. Tais pesquisas iniciaram permeando estritamente a área da medicina. Muito se sabe. uma vez que passou por diversas mudanças. Apesar de submedida a instrução convencional. A dislexia é apresentada em várias formas de dificuldades . caracterizado pela dificuldade em decodificar palavras simples. É um distúrbio específico da linguagem. resultando numa falta de rigor explicativo. Ainda assim.Com a constante ascensão do mundo globalizado. têm como vigente a definição dada em 1994 pela International Dyslexia Assotiation. Inicialmente foi chamada de “cegueira verbal congênita” por Pringle Morgan. por exemplo. muito se especula e muito se teoriza. por exemplo. Atualmente. alguns estudos ainda se fazem enigmáticos.

com diferentes formas de linguagem. levando-o a depressão. formada por psicólogo. logo. Tratase de um transtorno específico de aprendizagem das crianças. a dislexia é um distúrbio especificamente de ordem linguística. pode eliminar fatores emocionais que podem chegar a abalar a autoestima do aluno. Mesmo se alguns dos sintomas forem observados e constatados na criança.” 2 A respeito de tal definição. em crianças inteligentes. podemos perceber que a International Dyslexia Assotiation. caracterizado pela dificuldade de codificar e decodificar palavras simples que usem desse código. pois corresponde a uma dificuldade funcional de uma área específica do cérebro. mas também no cotidiano e no dia a dia da criança com os pais. 44 e 45). e pelo uso do vocábulo “específico”. É de suma importância o diagnóstico precoce da dislexia. 35) Assim. . Como Fonseca (1999) elucida bem em: “A dislexia é uma dificuldade duradoura da aprendizagem da leitura e aquisição do seu mecanismo. entende-se que não se trata de nenhuma e qualquer deficiência de âmbito social. retirado do website da Associação Brasileira de Dislexia. por meio da Associação Brasileira de Dislexia. evasão escolar ou reprovação. Tais comportamentos não são observados apenas na escola. existem medidas pedagógicas que ajudam o sujeito-aluno a superar as dificuldades e percalços encontrados pelo caminho. mesmo que não seja um distúrbio para o qual exista uma cura. pois. SINTOMAS DA DISLEXIA O sujeito disléxico apresenta mais de uma dificuldade durante o processo de ensinoaprendizagem ao qual está exposto. cultural ou econômico. sem qualquer perturbação sensorial e psíquica já existente” (p. escolarizadas. não significa necessária e obrigatoriamente que a criança seja disléxica. frequentemente incluídos problemas de leitura. além disso. entende a linguagem como um código. A dislexia é um problema de índole cognitiva. em aquisição e capacidade de escrever e soletrar. fonoaudiólogo e psicopedagogo clínico. 2 A definição divulgada pela International Dyslexia Association em 1994 encontra-se já traduzida para a língua portuguesa no livro “A dislexia em questão” de Gisele Massi (p. crianças disléxicas não possuem qualquer deficiência ou atraso intelectual. O diagnóstico da dislexia é dado apenas após a criança passar por um processo de avaliação realizado por uma equipe multidisciplinar especializada.

e como a dislexia ainda se faz misteriosa.  Inteligência e capacidade de leitura estão relacionadas e crianças sobredotadas não podem ser disléxicas ou ter qualquer outra dificuldade de aprendizagem. dificuldades na coordenação motora fina e/ou grossa. a dislexia pode atingir de 15% a 20% de alunos numa sala de aula. dificuldade em escrever. entre outros principais sintomas. troca de letras na escrita.  Pessoas com dislexia não conseguem ler. A dislexia de fato existe. uma pessoa com o QI elevado pode ser disléxica ou ter qualquer outra dificuldade de aprendizagem. Apenas após uma avaliação minuciosa é que tal diagnóstico pode ser confirmado. inclusive por meio de Institutos Nacionais de Saúde. dificuldades com a ortografia. De acordo com a estimativa da International Dyslexia Assotiation (IDA).Tal equipe deve garantir maior abrangência no processo de avaliação. consultando quando necessário o parecer de outros profissionais como neurologista. dificuldades para compreender textos escritos. dificuldade de copiar de livros e da lousa. dificuldades em seguir indicações e caminhos. atores. não significa que o indivíduo seja deveras disléxico. inventores e até mesmo escritores. bom desempenho em provas orais. físicos. muitos mitos e inverdades permeiam suas verdades. cantores. . muito se foi conceituado. disgrafia. como:  A dislexia não existe. Grandes nomes da história moderna e do dia a dia levam uma vida normal ainda que com a dislexia como músicos. Como já dito anteriormente. dificuldade com a matemática e assimilação de símbolos. Os principais sintomas da dislexia para os quais se devem estar alerta são: dificuldades com linguagem e escrita. confusão entre direita e esquerda. dificuldades em aprender uma segunda língua. O distúrbio é uma das condições mais pesquisadas e documentadas dos últimos 30 anos por meio de estudos científicos e muitas pesquisas foram publicadas. conforme o caso do paciente. dificuldades com a memória de curto prazo. discalculia. ou seja. oftalmologista e outros. o fato do indivíduo apresentar um ou mais sintomas. A dislexia não está relacionada com o QI. O QUE É MITO E O QUE É VERDADE Com as várias definições a respeito dos distúrbios da aprendizagem.

 A dislexia atrapalha a alfabetização. tanto a direção da escola. os professores. UMA ABORDAGEM PSICOPEDAGÓGICA Ao identificar um aluno com dislexia. fazem-no perfeita e precisamente da mesma forma que qualquer pessoa sem dificuldades de aprendizagem o faz.  Pessoas com dislexia vêm as coisas ao contrário. se isso não acontecer. Segundo as autoras Maria Zita Rodrigues e Leila Silveira (2008) “O papel do educador é despertar no aluno o interesse pelo saber. Os disléxicos não vêm as coisas ao contrário. além desses. a equipe pedagógica quanto os pais e o próprio aluno devem ser informados da atual situação do mesmo. identificar as verdades a respeito da dislexia sem dúvida alguma é um fator crucial para o diagnóstico precoce e ajuda para uma melhor intervenção psicopedagógica. A dislexia dificulta a aprendizagem e aprimoramento dessas faculdades da escrita e leitura. assim. Saber identificar os mitos e acima de tudo. causados pela dificuldade de diferenciar entre direita e esquerda e dificuldades fonéticas. mesmo após serem ensinadas foneticamente. e até mesmo problemas de cunho psicológico como insegurança ou depressão.5) . mas não significa necessariamente que o disléxico não goste de ler ou escrever. este aluno não desenvolverá sua criatividade e capacidade para construir sua própria história de vida. Esse mito é embasado na confusão que os disléxicos fazem entre “b” e “d”.” (RODRIGUES. SILVEIRA. Após a identificação e diagnóstico do aluno com dislexia. p. como reprovação e evasão escolar. medidas psicopedagógicas devem ser tomadas para um melhor aproveitamento do aluno em sala de aula. percorrem o que diz respeito a dislexia. Outros mitos. Dislexia não está relacionada a problemas de visão. é importante que o professor conheça o universo cultural de cada cultura. por isso.  O disléxico não gosta de ler e escrever. O disléxico não apresenta nenhuma deficiência que possa atrapalhar o processo de alfabetização. até mesmo uma confusão entre dislexia e preguiça. o que as diferenciam é a dificuldade com palavras desconhecidas. “p” e “q”. O aluno disléxico exige seu próprio tempo de aprendizado. melhorando a sua qualidade de vida e evitando maiores problemas no que diz respeito à sua vida acadêmica.Todas as pessoas com dislexia são completamente capazes de ler. 2008.

intervir com tratamento intensivo em leitura. o professor pode contar com apoio psicopedagógico. 6) É fato que o aluno disléxico exige mais do professor e vice versa. pelo menos 10% da população brasileira apresenta algum quadro de deficiência. Possibilitar maiores mecanismos para que o professor possa ajudar de forma ampla e segura o aluno com dificuldades na leitura e na escrita é essencial para a formação e desenvolvimento desse sujeito. que se ajustam aos líderes. Fatores como a má formação. nesse caso.” (MARIOTTI. no outro e no ambiente [. A relação aluno-professor deve se fazer de maneira a se completarem... De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). a exclusão dos mesmos apenas dificulta o seu desenvolvimento no processo de ensino-aprendizagem. respeitando suas particularidades de ver e entender o mundo. mas sim promover o desenvolvimento em leitura e escrita do aluno disléxico. deve haver a troca de ideias. esse é o papel do professor. Embora o aluno disléxico apresente certas diferenças em relação ao desenvolvimento dos alunos considerados normais. mas sim de uma „circularidade complexa‟. não com a finalidade de alfabetizar. pedagógica e ética. O psicopedagogo pode. CONSIDERAÇÕES FINAIS Apesar de todos os mitos que cercam o que diz respeito à dislexia. na qual intervêm variáveis que estão num lado. o que pode inclusive acarretar a reprovação ou até mesmo a evasão escolar. a fim de receber auxílio e orientação para efetuar as modificações necessárias no que diz respeito às atividades pedagógicas em função do quadro de evolução do aluno disléxico. afinal. a falta de motivação para o desempenho de suas funções.]. ela deveras existe e é um problema real. O líder se ajusta aos liderados. de forma solidária. Preparar esses profissionais para identificar quadros de . o que leva a grande necessidade de políticas públicas eficazes para o ensino especial de forma inclusiva. 2007. e sim. para que conjuntamente possa-se provocar resultados de competência teórica. e sua importância para o bom desempenho desses alunos. No caso de um aluno disléxico. “Não se trata de uma relação em que um age e os outros recebem passivamente a ação. falta de materiais de apoio e equipamentos colaboram para a ineficácia tanto dos profissionais da educação quando para o baixo rendimento escolar. ainda. Tal relação não pode ser linear.Assim fica claro o papel essencial do professor no tratamento para com seus alunos de forma geral. p.

empenhando-se na busca pela formação especializada.dificuldades de aprendizagem também se faz de suma importância. pois. uma vez o distúrbio diagnosticado cada vez mais cedo. A escola deve estar aberta às diferenças e evitar padrões comportamentais. Trabalhar de maneira conjunta entre professores. . visando a inclusão destes alunos tanto no ambiente escolar quanto no ambiente social. pedagogos e gestores tende a melhorar ainda mais o desempenho do corpo docente como equipe. coordenadores. Além do conhecimento sobre o devido assunto. uma vez que foram esclarecidos os mitos e as inverdades que cercavam as diversas teorias sobre esse tema. Ao término deste presente estudo a definição e diagnóstico de dislexia se fazem mais claras e precisas. maiores e mais fáceis as formas de lhe dar com tal problemática. entendendo que o estudante pode e é passível de erros. uma vez que isto faz parte do processo de ensinoaprendizagem. faz-se necessário elucidar que é de extrema importância a dedicação dos professores para o processo de ensino-aprendizagem dos seus alunos. viabilizando e possibilitando maior capacidade de desenvolvimento aos alunos.

Acesso em 6 de agosto de 2012. RODRIGUES. São Paulo: 2010. Os operadores cognitivos do pensamento complexo. 10ª ed. São Paulo: Plexis Editora.com. SILVEIRA. Elizete Cristina de. Detecção dos sintomas da dislexia e contribuições pedagógicas no aspecto ensino aprendizagem pra alunos do ciclo I do ensino fundamental. Maria Eugênia.webartigos. AZEVEDO.artides55511dislexia-disturbio-de-aprendizagem-da-leitura-e-escritano-ensino-fundamentalpagina1. Dislexia – definição. Ádila Daiana dos Santos et al. BONINI. Rio de Janeiro: Elsevier. 2007. Fátima.html. Leila. à aprendizagem e ao desenvolvimento sustentável. 2007.dislexia. Brasília. BOZZO. Disponível em http://www.br/abd/dislexia. Humberto. A dislexia em questão. 2009. Maria Angela. . Insucesso escolar: Abordagem psicopedagógica das dificuldades de aprendizagem. São Paulo: Atlas. Maria José Lobato. Maria Zita. Goiás. O disléxico como sujeito do processo ensino aprendizagem.org. MASSI. FONSECA.html. sinais e avaliação. GOMES. Nem sempre é o que parece: como enfrentar a dislexia e os fracassos escolares. 27 n° 83. IANHEZ. 2002. 2009. Revista Psicopedagogia vol. Dificuldades de aprendizagem: leitura e escrita. NICO. Contribuições para uma melhor identificação da dislexia no ambiente escolar. Marley. RICHART. Problemas emocionais em um adulto com dislexia: um estudo de caso. Dislexia. Dislexia: distúrbio de aprendizagem da leitura e escrita no ensino fundamental. MARIOTTI. Disponível em: http://www. Acesso em 7 de agosto de 2012.REFERÊNCIAS ABD – Associação Brasileira de Dislexia. Lins. Flávia Viana et al. 1999. 2008. SOUZA. Giselle. Lisboa: Âncora Editores. Vitor. Pensamento complexo: suas aplicações à liderança.

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