P. 1
A Judicialização dos Direitos Humanos - A Atividade Judicial na Garantia dos Direitos Individuais Decorrentes das Uniões Estáveis Homoafetivas

A Judicialização dos Direitos Humanos - A Atividade Judicial na Garantia dos Direitos Individuais Decorrentes das Uniões Estáveis Homoafetivas

|Views: 13.335|Likes:

More info:

Published by: Luiz Ribeiro da Cruz on Jan 21, 2010
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

08/13/2013

pdf

text

original

A expressão “judicialização” é um neologismo, traduzido do inglês

“judicialization”, utilizado para designar dois fenômenos distintos (TATE;

VALLINDER, 1995. p. 14), resultantes do crescente protagonismo do Poder Judiciário

nas sociedades democráticas (GARAPON, 2001. p. 26).

O primeiro deles é a expansão do papel do Poder Judiciário como

formulador de políticas públicas, ou como obstáculo à sua implantação (MORO, 2004.

p. 14), em detrimento dos demais poderes estatais. E também como controlador de

aspectos inteiros da vida privada, antes fora de qualquer controle público (GARAPON,

2001. p. 28).

O segundo, também chamado de “tribunalização” (EISENBERG, 2002. p.

47), indica a disseminação pela Administração e pelo Legislativo de métodos de decisão

típicos do Poder Judiciário, como aqueles adotados em comissões parlamentares de

inquérito, PROCONS, conselhos de ética e no contencioso administrativo em geral.

No presente trabalho, interessa-nos o primeiro conceito, que marca

“...não apenas um novo padrão de relacionamento entre os
Poderes, como também a conformação de um cenário para a
ação social substitutiva à dos partidos e à das instituições
políticas propriamente ditas, no qual o Poder Judiciário surge
como uma alternativa para a resolução de conflitos coletivos,
para a agregação do tecido social e mesmo para a adjudicação
da cidadania.”
(VIANNA et al, 1999. p. 22)
Não se trata, propriamente, de uma transferência de soberania para o juiz,

mas de uma transformação da democracia (GARAPON, 2001. p. 39), com o abandono

39

das idéias tradicionais sobre os princípios de separação dos poderes e a neutralidade

política do Poder Judiciário, pelas quais os poderes Legislativo e Executivo exercem um

papel central e, na prática, hierarquicamente superior àquele no sistema político

(CAMPILONGO, 2002. p. 28).

Ou, vendo-se a questão por outro prisma, é a criação de um tipo inédito de

espaço público, desvinculado das clássicas instituições político-representativas

(CITTADINO, 2002. p. 17) em que a justiça

“não apenas deve multiplicar suas intervenções – o que já é em
si um desafio – mas é também, ela própria, objeto de novas
solicitações. Quer lhe sejam submetidas questões morais
difíceis, como as relativas à bioética ou à eutanásia, quer lhe
sejam solicitado remediar prejuízos causados pelo
enfraquecimento dos vínculos sociais na população
marginalizada, a justiça se vê intimada a tomar decisões em
uma democracia preocupada e desencantada.”
(GARAPON,
2001. p. 139)
O Poder Judiciário expande seu peso no interior do sistema político, estando

em curso uma nova repartição entre os poderes do Estado. Há um alargamento das

esferas de atuação pública que impõe o crescimento das instituições de controle do

poder. E, neste contexto, o Poder Judiciário deixa de ser visto como simples lugar de

neutralização de conflitos por meio de operações programadas em uma categoria

cerrada, para passar a ser encarado como uma importante arena de exposição, afirmação

e condensação dos conflitos por meio de operações estratégicas (CAMPILONGO, 2002.

p. 62).

As origens históricas da judicialização, as condições para o seu

desenvolvimento, suas conseqüências já detectadas e as críticas já formuladas a este

fenômeno serão examinadas a seguir.

40

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->