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Revista Betel N°01

Revista Betel N°01

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Associação Betel Evangelismo e Missões - A Pregação do Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo.


Na Encruzilhada, Uma Cruz - Glenio F. Paranaguá

Importa-vos Nascer de Novo - Tomaz Germanovix

O Pecado não é Brincadeira - Antonio Abuchaim

A Cruz - Humberto X. Rodrigues

O Avivamento Real - Antonio Abuchaim

Os Dois Princípios - Humberto X. Rodrigues

Apascentando Ovelha ou Entretendo Bode - C.H. Spurgeon

A Velha e a Nova Cruz - A. W. Tozer

O Leilão - Devern Fromke

Jessie Penn-Lewis - Enéas Tognini

O Segredo Espiritual de Theodore Austin-Sparks - Antonio Abuchaim



http://www.assbetel.com.br/
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Na Encruzilhada, Uma Cruz - Glenio F. Paranaguá

Importa-vos Nascer de Novo - Tomaz Germanovix

O Pecado não é Brincadeira - Antonio Abuchaim

A Cruz - Humberto X. Rodrigues

O Avivamento Real - Antonio Abuchaim

Os Dois Princípios - Humberto X. Rodrigues

Apascentando Ovelha ou Entretendo Bode - C.H. Spurgeon

A Velha e a Nova Cruz - A. W. Tozer

O Leilão - Devern Fromke

Jessie Penn-Lewis - Enéas Tognini

O Segredo Espiritual de Theodore Austin-Sparks - Antonio Abuchaim



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Revista Betel

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Apresentação

O

propósito eterno de Deus é a glória de Seu Filho e todo o Seu prazer está Nele. Deus reunirá todas as coisas em Cristo. O Senhor Jesus é o centro do universo. Tudo aquilo que estiver fora de Cristo nenhum valor terá diante de Deus. Somos vasos chamados por Deus para que o Seu propósito, que é a glória de Seu Filho, se cumpra em nós e através de nós. Nada neste mundo pode satisfazer o coração dos filhos de Deus a não ser conhecer o Senhor Jesus Cristo e fazê-Lo conhecido. Esta revista é uma pequena contribuição dos filhos de Deus, que tem o único objetivo de conhecer o Senhor Jesus Cristo e fazê-Lo conhecido. Visando a glória de Deus estamos disponibilizando e lançando a primeira revista Betel com o propósito da edificação do Corpo de Cristo. A nossa oração é a mesma que o apóstolo Paulo fez para os crentes de Éfeso, “Por isso, também eu, tendo ouvido da fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos, não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações,para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos.” Que Deus nos dê espírito de sabedoria e de revelação, abrindo os nossos olhos para vermos a Cristo. Humberto Xavier Rodrigues Presidente da Associação Betel de Evangelismo.

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Revista Betel

SUMÁRIO
Apresentação, 1
ESTUDO BÍBLICO

Glenio F. Paranaguá

Na Encruzilhada, Uma Cruz, 3

Tomaz Germanovix

Importa-vos Nascer de Novo, 7 O Pecado não é Brincadeira, 11 A Cruz, 15

Antonio Abuchaim

Humberto X. Rodrigues

Antonio Abuchaim

O Avivamento Real, 20 Os Dois Princípios, 23

Humberto X. Rodrigues

LEGADO

C.H. Spurgeon

Apascentando Ovelha ou Entretendo Bode, 26 A Velha e a Nova Cruz, 29

A. W. Tozer

RIQUEZA DA GRAÇA

Devern Fromke

O Leilão, 33 Jessie Penn-Lewis, 37 O Segredo Espiritual de Theodore Austin-Sparks, 40 Sobre a Associação Betel, 47

TESTEMUNHO

Enéas Tognini

BIOGRAFIA

Antonio Abuchaim

Foto da capa: Studio Solution

Revista Betel

ESTUDO BÍBLICO

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Na Encruzilhada, Uma Cruz

Glenio F. Paranaguá

Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.
Gálatas 6:14

aulo procura se distanciar de toda glória que esteja fora do foco da cruz. Ele se mantém afastado de qualquer honra que foge completamente das marcas da cruz de Cristo. Para Paulo, a reputação está configurada com o emblema encarnado dos efeitos eternos da cruz. Somente uma pessoa tratada pela eficácia permanente da cruz pode encontrar regozijo numa obra tão radical. No caminho da existência humana há uma encruzilhada cuja única placa de indicação é uma cruz. Jesus mostra que há duas portas e dois ca-

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minhos neste mundo, e insiste para que entremos pelo caminho restrito: entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela. Mateus 7:13-14. Alguns intérpretes acreditam que a porta ampla se refere ao nosso nascimento em carne. Todos nós nascemos no caminho vasto do pecado. Ninguém precisa cometer pecado para se tornar pecador. Todos nós já nascemos comprometidos pela natureza inclinada para

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ESTUDO BÍBLICO

Revista Betel

a perdição. Nascemos, naturalmente, no caminho dilatado do pecado e não há possibilidade humana capaz de reverter às conseqüências procedentes desta realidade. Por outro lado, Jesus declara que entremos pela porta apertada e andemos pelo caminho estreito, que está sinalizado pela cruz. Se o nosso nascimento em carne aponta para o caminho espaçoso, com certeza, o novo nascimento, pela morte e ressurreição de Cristo, aponta para a porta severa da morte e para o caminho rigoroso da cruz. Nesta bifurcação há uma decisão moral: Entrai! A porta é estreita e estrita. O caminho é difícil e calamitoso. A vida cristã não é uma convocação ao pódio, nem um convite a um convescote. Ainda que seja uma experiência de profundo contentamento, não é um piquenique. Quando Jesus apelou para a decisão moral, ele não fez menção de recreio ou de merenda escolar. Jesus nunca enganou as pessoas prometendo felicidade barata num mundo de festejos. Não há carnaval para quem foi identificado com Cristo na cruz. Ele deixou claro que seu chamamento estava emoldurado por uma cruz, e isto significava necessariamente a morte do egoísmo com todas as suas facetas. Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se ne-

gue, tome a sua cruz e siga-me. Mateus 16:24. Conquanto o cristianismo seja penetrantemente alegre, ele não é folgança. A glória da cruz não se concilia com o estilo irreverente dos divertimentos irresponsáveis. Se quisermos andar na estrada de Jesus, temos que ser entalhados no miolo da cruz. Não estamos falando de sisudez ou gravidade, mas de equilíbrio e sensatez. A cruz como sinal positivo da aritmética celestial, primeiro subtrai o desdém para depois acrescentar a consideração. Ele arranca o sofisma e agrega a estima. A cruz é uma realidade séria que exige uma imensa glória. O apóstolo Paulo via a excessiva riqueza desta glória na expressão de sua morte para o mundo e do mundo para ele. O estado de morte alcançado por ele evidenciava uma libertação que desaguava num contentamento essencial no seu viver diário. Já que estou morto para aquilo que antes me dominava com as suas cobranças e exigências, posso viver com intensidade a vida que me satisfaz totalmente. A alegria da cruz é exatamente a liberdade de uma vida sem a opressão ou tirania do mundo. “A cruz é a única escada suficientemente alta para alcançar a soleira dos céus”, sustentava George Boardman. Ninguém poderá chegar ao reino de

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Deus sem passar pelo âmago da cruz. Não basta crer na morte de Cristo em seu beneficio, é preciso crer também em sua morte com Cristo como o seu maior beneficio. Paulo percebia a glória de cruz a medida em que se via parceiro da mesma crucificação. Ele ressaltava como evidente a glória da cruz de Cristo, mas como pessoal a sua crucificação na mesma cruz. Pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo. Francis Quarles disse: “Aquele que nunca teve uma cruz jamais terá uma coroa”. A cruz não é apenas um ponto de partida, mas também um estilo de vida de todos aqueles que crêem realmente em Cristo. Ela exerce uma operação tão radical no coração dos homens que os capacita verdadeiramente a reinarem em vida por meio de Jesus Cristo. Se, pela ofensa de um e por meio de um só (Adão), reinou a morte, muito mais os que receberam a abundância da graça e o dom da justiça (a cruz) reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo. Romanos 5:17. A cruz não aponta para um chapéu de aposentado ou uma touca de dormir, mas para um coração de reino. Aqueles que foram pregados na mesma cruz com Cristo e que vivem sob o patrocínio da experiência real da cruz, terão como resultado a coroa dos vencedores. “Ninguém deve

ficar cansado de carregar uma cruz quando tiver certeza de que receberá a coroa. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Apocalipse 2:10c. A realeza no céu é para os que os que tiveram na terra senão um trono – a cruz dizia” Leoni Kasseff. “Cristo não tem cruzes de veludo”, sustentava Samuel Ruthford. Não espero uma vida fácil neste mundo, onde a cruz foi a marca do Senhor Jesus Cristo. O Espírito Santo nos chamou em Cristo para glorificarmos a Deus e não para vivermos murmurando em razão dos problemas naturais desta vida. A murmuração é o diapasão com o qual o diabo afina a sua orquestra. A música mais cantada no inferno são os lamentos. Alguém já disse que: “o sapo e o murmurador são produtos da lama”. Paulo e Silas não protestavam, nem reclamavam quando estavam no cárcere com as costas lanhadas pelas chibatas do carrasco, mas cantavam louvores a Deus, regidos pelo espírito da cruz. Conhecer a cruz como uma mensagem, sustentá-la como uma teologia ou usá-la como um enfeite é enfeitar seu significado mais profundo. A cruz não é um sofrimento resignado, não é uma enfermidade torturante, nem é um fardo de angústia, mas um estilo de vida decorrente de uma experiência de morte. O grão de trigo deve

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primeiro morrer para então produzir muito fruto. Tudo o que é de nossa natureza humana deve ser tratado pela operação da cruz. Se é de fato que o Senhor Jesus morreu por nós, também é de fato que nós morremos com o Senhor Jesus e precisamos considerar esta realidade tanto como um ato como também uma atitude. “A cruz é uma senda que, aos olhos do mundo, torna-se desonrosa e cheia de afrontas”, mas que aos olhos dos santos é a expressão maior da sa-

bedoria de Deus e a mais elevada revelação da sua glória. Se a moralidade pode manter os homens afastados das cadeias, somente a cruz de Cristo pode libertá-los do inferno e da vida medíocre dos resmungões queixosos e críticos doentios. Contudo, Deus me guarde de me vangloriar de alguma coisa ou pessoa que não a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, o que significa que o mundo é uma coisa morta para mim e eu sou uma pessoa morta para o mundo. Gálatas 6:14.

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Gólgota O Lugar onde Jesus Foi Crucificado
Em sua história, ‘O País dos Cegos’, H.G. Wells conta de um viajante que chegou a um estranho vale, separado do resto do mundo por muralhas íngremes, no qual todos os seus habitantes eram cegos. Ele viveu algum tempo naquele lugar estranho, mas era considerado diferente pelos nativos. Os entendidos que residiam naquele vale diziam: “Seu cérebro é influenciado por aqueles órgãos estranhos, chamados “olhos”, que o mantêm em um constante estado de irritação e distração”. Assim, eles concluíram que aquele viajante nunca seria uma pessoa normal caso seus olhos não fossem retirados! O viajante apaixonou-se por uma donzela cega que lhe implorou deixasse remover seus olhos a fim de que, juntos, pudessem viver felizes. Numa certa manhã, contudo, ele avistou o nascer do sol sobre as rochas e as campinas lindas, repletas de flores brancas. A partir desse dia, ele jamais pôde ser feliz no vale da escuridão. O viajante partiu de volta à terra onde os homens andavam na luz. Essa história ilustra a atitude dos homens em relação a Jesus quando Ele caminhou nas trevas de nosso mundo amaldiçoado pelo pecado. Os habitantes desta terra o acharam muito estranho! Eles tentaram trazê-lo para o nível dos homens comuns. Como não alcançaram seu objetivo, eles o crucificaram. Obviamente a história não ilustra a atitude e poder de Jesus ao encontrar e lutar contra as trevas do mundo até vencê-las e substituí-las pela luz da vida. O Gólgota é o lugar onde mais se evidencia o contraste entre o coração gracioso do Salvador e o coração rebelde do homem. Gólgota é o ponto focal de revelação e história, e experiência. No Gólgota Deus fez o Seu melhor e o homem fez o seu pior. Ali a fé é justificada, a esperança é assegurada e o amor é vitorioso. -- Russell Bradley Jones

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Importa-vos Nascer de Novo

Tomaz Germanovix

A isto respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nascer de novo não pode ver o reino de Deus. João 3:3

mensagem do novo nascimento é o ponto mais fundamental de toda a bíblia. O novo nascimento é absolutamente imprescindível para que alguém possa ver o reino de Deus. A igreja deve anunciar esta mensagem como prioridade máxima, pois a única maneira de um pecador ser livre do seu pecado é pelo novo nascimento em Cristo Jesus. É possível que Nicodemos tenha ficado atordoado com as palavras enfáticas do Senhor, pois, como um homem de

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qualidades tão nobres como as dele podia necessitar de salvação? Porém este pensamento não foi algo exclusivo do príncipe dos judeus, pois, hoje em dia, muitos nutrem esse tipo de erro em seu coração. Pensam que a integridade, moralidade e religiosidade são sinônimas de salvação. A estes Jesus diz: Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. João 3:7. A palavra de Deus é irredutível e coloca o novo nascimento como a principal missão de Cristo na terra. De tão importante que é, o inimigo fará

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de tudo para desviar a nossa atenção deste fato. O anticristo permitirá que o indivíduo conheça muitas coisas referentes a Jesus, menos que Ele dá o novo nascimento. A sua tática é a aplicação do neo-evangelismo. O neo-evangelismo tem, como finalidade “cristianizar” as pessoas com muitas informações bíblicas, omitindo o ponto fundamental que é o novo nascimento. O neo-evangelismo permite que as pessoas conheçam muitas coisas a respeito do Senhor Jesus, menos que Ele troca o nosso velho coração por um novo coração, conforme o próprio profeta disse: Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito... Ezequiel 36:26-27. A verdade do novo nascimento é tão fundamental para a salvação que o inimigo usará de todas as artimanhas para que nos desviemos dela. De muitas maneiras podemos ser tentados. A tentação pode vir da carne, do fascínio pelo mundo ou mesmo pela atração pelo poder, porém a pior de todas as tentações, sofrida principalmente pelos pregadores, é a de se tirar a mensagem do novo nascimento como prioridade da igreja. Quando isto acontece, o inimigo se torna um vitorioso. Infelizmente, muitos men-

sageiros foram picados pelo engano da serpente, e se preocupam muito mais em serem “psicólogos” de púlpito do que evangelistas. Um outro problema que pode ocorrer é fazermos do novo nascimento apenas um acessório de nossas mensagens, e não o ponto fundamental delas. Que Deus, por sua graça, nos firme em sua verdade, pois o mundo está num estágio avançado de depravação moral, e a única mensagem que pode salvar o homem do seu pecado é o novo nascimento em Cristo Jesus. O apóstolo Paulo tinha esta prioridade em mira, pois ele sabia que, ao anunciar o evangelho, estava anunciando o poder de Deus para a salvação. No livro de Romanos 1:16 lemos: Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê... Em I Coríntios 2:2 está escrito: Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. Paulo foi ridicularizado quando anunciou esta mensagem. Diante dos grandes mestres da oratória, daqueles que gozavam de uma verbosidade sem igual, verdadeiros malabaristas de pensamentos, Paulo parecia um pobre ignorante e simplório em sua mensagem. Porém, o poder de Deus para salvar o homem se manifesta unicamente nesta verdade: Cristo e este crucificado.

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Pregar o novo nascimento é anunciar, primeiramente, que o homem nasceu depravado, é possuidor de um coração enganoso e está naturalmente inclinado para as trevas. Lemos em Romanos 3:23, em Jeremias 17:9 e em João 3:19 o seguinte: Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. A conseqüência mais terrível que o pecado trouxe a raça humana foi a morte espiritual. Todos nós nascemos separados de Deus, destituídos da sua glória. O homem, escravo do seu pecado, é um ser orgulhoso e egoísta, e isto o torna um miserável. Em Efésios2:1 e 4:18 lemos assim: estando vós mortos em vossos delitos e pecados.Obscurecidos de entendimento, alheios a vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração. Uma coisa que precisamos verificar é que, quando a bíblia fala em pecador, não tem a intenção de falar somente daqueles que são maus diante dos olhos da sociedade. Não somos pecadores porque cometemos pecados, mas pecamos por possuirmos uma natureza pecadora. Todos nós nascemos em pecado com uma natu-

reza iníqua. No livro de Salmos 51:5 está escrito: Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe. O salmista não teve a intenção de dizer que o ato sexual entre o seu pai e sua mãe era algo pecaminoso, mas que o simples fato de ele ser concebido fez com que herdasse a natureza de pecado. Somos pecadores porque simplesmente nascemos assim. Não há como fugir disso. Pecador também não é sinônimo de ruindade, pois a bíblia fala de pecadores religiosos e caridosos. Isaías 58: 1-2 e Atos 10:2 atestam isso: ...e anuncia ao meu povo a sua transgressão e ‘a casa de Jacó, os seus pecados. Mesmo neste estado, ainda me procuram dia a dia, tem prazer em saber os meus caminhos; como povo que pratica a justiça e não deixa o direito do seu Deus... tem prazer em se chegar a Deus. Cornélio era... piedoso e temente a Deus com toda a sua casa e que fazia muitas esmolas ao povo e, de continuo, orava a Deus. O pecador pode ser um excelente religioso cheio de justiça própria, pode ser um homem bom como Cornélio, mas se não nascer de novo irá para o inferno com toda sua caridade e religiosidade. O novo nascimento é uma experiência absolutamente necessária para todo homem, seja ele bom ou mau. Jesus Cristo morreu numa cruz para remover o nosso primeiro nas-

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cimento, o do pecado. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer. João 12:32-33. Fomos atraídos em Cristo no ato da sua morte conforme lemos em Romanos 6:5 Porque se fomos unidos com ele na semelhança de sua morte... A única solução para o pecador é a remoção da sua velha vida. E isto aconteceu quando Cristo nos atraiu a Ele mesmo na sua morte. O novo nascimento começa com a perda da nossa velha vida de pecado, que herdamos dos nossos primeiros pais, Adão e Eva. A regeneração se completa no ato da ressurreição de Cristo. Lemos em Romanos 6:5 e Colossenses 3:1 certamente, seremos unidos também na semelhança da sua ressurreição. Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo. O novo nascimento é Deus, por sua graça, tirando de nós a velha vida e colocando em seu lugar a vida de seu filho bendito. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. Gálatas 2:19-20.

A Obra do novo nascimento é uma obra exclusiva da graça de Deus. O homem não pode fazer absolutamente nada para ser regenerado. Em Efésios 2:8 está escrito: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. O que resta ao homem é o passo de fé. Fé que é gerada pela própria palavra de Deus. Em todo processo do novo nascimento o Espírito Santo é presente, pois ele é o responsável pela revelação da palavra de Deus no coração do homem. A missão do Espírito Santo em relação ao mundo é de convencê-lo: do pecado, da justiça e do juízo. João 16:8 Sendo assim, o novo nascimento começa na experiência do individuo quando há real convicção de pecado. Benditos são aqueles que passaram pelo convencimento do Espírito Santo, pois podem confessar e desfrutar da certeza de que foram incluídos na morte e ressurreição de Cristo Jesus. Somente pelo novo nascimento podemos entrar no reino de Deus. Você já nasceu de novo?

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Uma doutrina só é verdadeira, depois de sofrer as maiores críticas e não ser atingida por nenhuma delas, como o tem sido a bíblia e a brilhante prova de sua veracidade persiste digna de confiança. -- Antonio Abuchaim

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O Pecado não é Brincadeira

Antonio Abuchaim

Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça. Isaías 59:2.

pecado não é brincadeira porque não existe efeito sem causa. Todo pecado denuncia que no interior de cada pecador existe uma natureza pecaminosa. Enquanto acontece a prática de um pecado fica evidente que no interior da pessoa existe uma natureza predisposta a praticar todos os demais pecados possíveis. Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio

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o coração. Mateus 12:34. Por isso o Senhor chama de raça de víboras e geração perversa. Caímos em nossos pais no Éden e a nossa raça se tornou corrupta por natureza. O pecado não é brincadeira porque nos separa de Deus. Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça. Isaías 59:2. Pecado e iniqüidade são diferentes: o pecado é produto da iniqüidade, o pecado é a

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ação e a iniqüidade é a fonte geradora de pecado.E o Senhor é tão puro de olhos que não pode ver o mal, por isso Ele se aparta do pecador. O pecado não é brincadeira, porque escraviza o pecador. Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. João 8:34. Você jamais poderá ser livre enquanto continuar na prática do pecado. E também não poderá alcançar libertação do pecado dando ouvido a pregadores que também são escravos do pecado. É uma fraude fatal contra a sua alma. Se você pretende permanecer no pecado, você é escravo do pecado! O pecado não é brincadeira porque a palavra de Deus diz a quem pertence o pecador.Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. I João 3:8. Espero que a palavra de Deus sensibilize o seu coração. Todo o pecado procede do diabo. Jamais alguém pecou em obediência a Deus. Afirmar que você pratica o pecado e pertence a Deus é mais uma mentira do diabo, porque a verdade de Deus é: Quem comete pecado é do diabo. Tenha certeza que você, na prática do pecado, pertence ao diabo, porque dele procede todo pecado, e ele peca

“desde o principio”. Isto é a verdade da Palavra de Deus; dura é a verdade, mas é a verdade. O pecado não é brincadeira porque a sua alma terá que pagar a conseqüência. Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá Ezequiel 18:4. Portanto, é a sua alma que terá de pagar pelos pecados que você pratica. Cada um, porém, será morto pela sua iniqüidade; de todo homem que comer uvas verdes os dentes se embotarão. Jeremias 31:30. Esta morte é a separação da alma de Deus; isto é perder a alma, e que mais triste perda será você viver eternamente longe de Deus? O pecado não é brincadeira porque nenhum pecador ficará impune. Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR: Ezequiel 34:7. Ninguém pagará pelo pecado alheio, não existe resgate de culpa. Adão lançou esta sobre a mulher, esta lançou a culpa sobre a serpente. Não aceitareis resgate pela vida do homicida que é culpado de morte; antes, será ele morto. Números 35:31. Satanás declarou que o pecado não seria punido. Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Gênesis 3:4. Esta mentira tem sido aceita por toda a humanidade, mas de Deus não se zomba. Não vos enganeis: de Deus não se zomba;

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pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Gálatas 6:7. É de se admirar que haja pregadores garantindo o céu para pessoas que vivem pecando. O pecado não é brincadeira porque todo pecador esta debaixo da ira de Deus. Entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Efésios 2:3. A ira divina é contra a natureza maligna do pecador. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Efésios 5:6. Não endureça o seu coração defendendo a sua vida de pecado porque está entesourando ira de Deus contra você. Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus. Romanos 2:5. O Senhor tem na sua ira que pecador algum entrará no seu descanso Por isso, jurei na minha ira: não entrarão no meu descanso. Salmos 95:11. O pecado não é brincadeira porque há um destino marcado para todo pecador: não herdará o reino de Deus. Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efe-

minados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. I Coríntios 6:9-10. Não creia nos mentirosos e profanos que afirmam que você entrará no reino sem o novo nascimento: ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? É certo que você não herdará o reino de Deus sem arrependimento e libertação do pecado, que está em Cristo Jesus. O pecado não é brincadeira porque todo pecador irá para o lago de fogo. Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido: Apocalipse 21:8. Que triste conseqüência! Não se rebele, porque não será confortável viver eternamente no lago de fogo.. Você pode ter muitos pecados sem muita gravidade moral, mas a palavra de Deus afirma que basta uma só ofensa para a condenação. O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação. Romanos 5:16. O Senhor Jesus dirá naquele dia: Apartai-vos de mim malditos para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. É com amor que não desejo para você esta perdi-

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ção. O pecado não é brincadeira porque engana e endurece o coração. Pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Hebreus 3:13. Há pecado que traz certo lucro, certo deleite e uma falsa felicidade; mas é enganoso e endurece o coração. E para piorar você encontrará defensores do pecado que lhe apoiarão para o seu maior endurecimento, e assim eles e você não entrarão no reino de Deus. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando! Mateus 23:13. Assim como o pecado é a desobediência à palavra de Deus, a libertação é pela verdade da palavra: Cristo crucificado nos atraiu a todos. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. E

nos fez morrer no seu corpo. Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus. Romanos 7:4. E nos justificou por nossa morte com Ele. Porquanto quem morreu está justificado do pecado. Romanos 6:7. E n’Ele agora vivemos. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos. Romanos 6:8. Esta morte e ressurreição com Cristo é o novo nascimento, é nascer de Deus. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. I João 3:9. De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? Romanos 6:2. Vamos confiar na Palavra de Deus que nos renasce e liberta do pecado, porque o pecado não é brincadeira.

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Segredo do Êxito
Lemos a respeito de um servo do Senhor que sempre orava pela salvação de uma determinada pessoa e perseverava na oração até alcançar o seu objetivo. Resultado: embora pessoa humilde e mui pobre dos bens materiais, levou a Cristo mais de 100 pessoas como resultado de suas rações intercessorias. Se cada crente usasse tão fácil método, no mesmo espírito daquele irmão, quantos pecadores seriam salvos?! --Anônimo

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A Cruz

Humberto X. Rodrigues

Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. I Coríntios 2:2

apóstolo Paulo compreendeu que tudo o que Deus queria estava em Seu Filho crucificado. Para o apóstolo, Cristo crucificado era tudo o que ele deveria pregar. Em qualquer lugar de reunião que pudesse estar, em qualquer situação, seja ela boa ou ruim, ele sabia que a solução estava em Cristo e este crucificado. Cristo e a cruz são uma coisa só, ou seja, Cristo não poderia se separar de Sua cruz, e a cruz não pode ser separada de Cristo. Para o apóstolo Paulo, Cristo era o centro de tudo, visto que a cruz era uma realidade antes do calvário, antes

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mesmo de Jesus Cristo ser crucificado. Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós. I Pedro 1:18-20. A cruz é uma demonstração da graça de Deus aos homens. Quando o Senhor Jesus morreu naquela cruz, Ele expôs a nossa miserabilidade e fraqueza, nada podíamos fazer por nós mesmos. Pois, quando ainda éra-

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mos fracos, Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios.Porque dificilmente haverá quem morra por um justo; pois poderá ser que pelo homem bondoso alguém ouse morrer. Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. Romanos 5:6-10. O que Deus fez enquanto o Seu Filho suportava aquela cruz? “Fez a paz através do sangue vertido na cruz”. Este ato, isto é, a crucificação do nosso Senhor deve ser visto como uma manifestação da misericórdia de Deus. Porque aprouve a Deus que nele habitasse toda a plenitude, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus. Colossenses 1:19-20. Quando falamos a respeito do sangue derramado naquela cruz, devemos ser bastante cuidadosos, visto que Deus não faz vista grossa ao pecado. Deus “pensou” de maneira profunda como Ele iria solucionar o problema do pecado, e, só havia uma alternativa: um sangue perfeito devia ser derramado. E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com

sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. Hebreus 9:22. Portanto, fora do sacrifício do nosso Senhor Jesus Cristo não existe nenhuma esperança de salvação para o homem. Não há força ou poder no homem que o possa livrar da escravidão do pecado. Somos justificados pela graça. O sangue que o nosso Senhor verteu naquela cruz foi recebido por Deus como pagamento pleno. E havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz; e, tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz. Colossenses 2:14-15 Éramos escravos e precisávamos ser libertos. Deus pagou o preço e recebeu o sangue de Jesus Cristo derramado naquela cruz para nos trazer de volta para si mesmo. Estávamos no mercado de escravos, mas com o sangue de Jesus Cristo fomos comprados por um bom preço e, preço de cruz. Por preço fostes comprados; mas vos façais escravos de homens. I Coríntios 7:23. O fato é que, não só os nossos pecados foram perdoados e estamos justificados diante de Deus, mas a nossa velha natureza também já foi julgada na morte de Cristo. Não é só justificação pelo sangue, mas justificação de vida. Não somente em Cristo temos o perdão dos pecados pelo Seu precioso sangue, como também

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a Palavra de Deus nos dá o direito de saber e de afirmar que estamos mortos na morte de Cristo. Não somos batizados na Sua vida ou na Sua obra, mas sim na Sua morte. Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Romanos 6:3. Nós éramos pecadores e somente podíamos pecar, e este fato não podia ser modificado pelo perdão. Tínhamos que ser resgatados deste estado, e a única e verdadeira libertação de um estado ou condição de pecado é a morte. Esta libertação temos em Cristo. Porquanto o que era impossível à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado. Romanos 8:3. A graça da cruz foi uma demonstração da profunda bondade de Deus aos homens. Vivíamos neste mundo sem Deus e sem esperança. Éramos vasos rebeldes, “um ninguém”. Agora temos acesso à presença de um Deus santo e, podemos contemplá-Lo face a face. O que abriu este caminho? Foi o sangue vertido naquela cruz. Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne. Hebreus 9:19-20. Quantos pecados são necessários para se fazer um pecador? Absolu-

tamente, nenhum. Será que alguém precisou ser ensinado a pecar? Não, simplesmente somos herdeiros de uma natureza perversa. Ninguém vai para o inferno pelo que faz, e sim pelo que é. Tu nem as ouviste, nem as conheceste, nem tampouco há muito foi aberto o teu ouvido; porque eu sabia que procedeste muito perfidamente, e que eras chamado transgressor desde o ventre. Isaías 48:8. Viemos para este mundo pelo nascimento físico e precisamos nascer de novo para entrarmos no mundo de Deus. No primeiro nascimento (físico) herdamos espiritualmente uma natureza perversa e, para entrarmos no mundo de Deus é preciso que Deus por Sua graça em Cristo vivifique o nosso espírito outrora morto por causa do pecado. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos. Efésios 2:4-5. O que Deus fez para que isto acontecesse? Ele não nos disse que iria nos reformar, isto é impossível. Tudo em nós está corrompido. Deus não vai melhorar a nossa natureza espiritual. Então, qual é a solução? É uma cocrucificação. Quando olhamos para aquela cruz vemos o Senhor Jesus crucificado, passando pela morte e dizendo: “está consumado”. Isto é graça. O que significa co-crucificação?

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Significa que Deus nos colocou no corpo de Seu Filho naquela cruz. Ele foi crucificado, nós fomos crucificados com Ele. Ele ressuscitou e nós ressuscitamos juntamente com Ele. Foi isso que Deus fez: a nossa natureza adâmica – a fábrica de pecado – foi em Cristo inserida. Nele somos co-participantes de Sua morte e ressureição. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição. Romanos 6:5. Deus nos colocou em Cristo, morremos com Ele e fomos sepultados com Ele. O velho homem se foi, ele foi crucificado. E a pergunta é esta: Como saber que os nossos pecados foram perdoados? Como saber que Jesus morreu na cruz e nos fez morrer com Ele? Como saber que aquele sangue vertido cumpre toda a justiça divina? Só há uma resposta: PELA FÉ. Isto se torna verdadeiro para nós pela fé. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. Romanos 6:11. “Considerai-vos”. Considerar significa apoiar-se, descansar, crer. Mediante a revelação da Palavra de Deus, de que o nosso velho homem foi com Cristo crucificado. A palavra de Deus afirma, que o nosso velho homem foi com Cristo crucificado, este fato se torna verdadeiro para nós, pela fé. É possível que o tentador “sussurre” em nossos ouvidos, que

isto não é verdade. Porém, temos a palavra de Deus que continua dizendo: “O nosso velho homem foi com Cristo crucificado”. Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos. Romanos 6:6. Pela fé que nos foi dada podemos nos considerar mortos para o pecado, mas vivos pela Sua vida de ressureição. Ele próprio Se tornou a nossa vida. Vivemos pela fé no Filho de Deus que nos amou e Se deu por nós. E eis aqui a vida pessoal, a fé individual que nos liga a Cristo. Ele e Ele só. Cristo é pessoalmente a “mola mestra”, o centro, a fonte de todo o nosso viver. Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. Gálatas 2:19-20. A graça da cruz nos coloca em uma relação íntima com Deus Pai, relação esta conquistada em Cristo. A cruz executou o velho homem e, conseqüentemente, tudo aquilo que herdamos de Adão foi para a cruz. “O véu foi rasgado de alto a baixo”. Podemos entrar nos Santos dos Santos, neste novo e vivo caminho e contemplar o nosso Deus face a face. Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no

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Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne. Hebreus 10:19-20. A graça da cruz significa: Deus fazendo por nós, o que jamais poderíamos fazer por nós mesmos. Quando contemplamos o coração de nosso Pai Celestial, descobrimos que o grande desejo de Seu coração é que o seu povo experimente de forma profunda tudo aquilo que o Senhor alcançou por nós no calvário. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. I Coríntios 1:9. Nós fomos chamados por Deus não simplesmente para recebermos a vida eterna, como se esta fosse um passaporte para o céu. Isto é pensar muito baixo. Deus nos chamou para a Sua própria glória. Ele não nos chamou de acordo com uma necessidade, Ele nos chamou para que possamos ser semelhantes ao Seu Filho. Deus nos deu o Seu Filho e, Nele reside todo o poder que nos conduz ou que nos permite ser conformados à imagem de Cristo. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Romanos 8:29.

A graça da cruz tem como objetivo na vida dos renascidos, transformá-los à imagem do Filho de Deus. A vida cristã é uma vida dinâmica que cresce continuamente. Ela está constantemente progredindo e, á medida que nós experimentamos mais e mais a operação da cruz, mais e mais de Cristo se manifestará em nós. Trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos; pois nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. II Coríntios 4:10-11. O verdadeiro caminho para manifestação da vida de Cristo em nós, é um contínuo levar do morrer de Jesus. Enquanto a morte opera em nós, a vida flui para os outros como rios de água viva. Assim que o nascido de novo é levado a uma conformidade profunda com a morte do Filho de Deus, a vida do nosso Senhor nele fluirá. A cruz do Calvário é a única eminência central em toda a Sagrada Escritura; para ela convergem todas as linhas da verdade, sejam antigas ou nov as, e dali toda a luz e poder de vida são emitidos para a Igreja em sua dimensão universal. Sr. Fox.

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Se Deus falhar comigo hoje será a primeira vez! -- Jorge R. Muller

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O Avivamento Real

Antonio Abuchaim

O avivamento real ou verdadeiro é a vida abundante de Cristo em nós. Ele disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância” João 10:10

omo toda a experiência com o Senhor é pessoal, também é o avivamento. Na China o avivamento começou quando os irmãos oraram assim: “Senhor, manda o avivamento a começar em mim”. De um a um, Deus incendiou o seu povo naquele país. E aquele avivamento continua nos milhões de santos que lá estão, segundo somos informados. O Senhor Jesus disse que o avivamento é a experiência pessoal, aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de

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Deus João 3:3. É experiência de cada um que anseia pela vida de Cristo. Quem tem sede, venha a mim e beba João 7:37. Deus quer tratar pessoalmente com você, como tratou comigo e tantos outros que alcançaram o avivamento pelo novo nascimento, o qual se deu por meio da nossa morte em Cristo e a sua vida em nós. Estou crucificado com Cristo e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim. Gálatas 2:20. Como todas as obras de Deus no Universo são por meio da sua pala-

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vra, igualmente o avivamento é por meio de sua palavra. É contra-senso procurar vida nas coisas mortas, e é sabedoria buscá-la no que é vivo. A palavra de Deus é viva. Hebreus 4:12. E o Senhor Jesus afirma que suas palavras são espírito e são vida, João 6:63. O salmista procurou o avivamento na palavra de Deus. A minha alma está apegada ao pó; vivifica-me segundo a tua Palavra Salmos 119:25. E o alcançou: Isto é a minha consolação na minha angustia, porque a tua palavra me vivificou Salmos 119:50. A palavra testifica do filho de Deus, e a vida está no seu Filho. Quem tem o filho tem a vida; quem não tem o filho de Deus não tem a vida. I João 5:12. A palavra prevalece, não é como o fogo de palha, mas é fogo que se ateia mais e mais, ela é fogo do verdadeiro avivamento. Não é minha palavra fogo?Diz o Senhor. Jeremias 23:11. Porem muitos acendem fogos estranhos de falsos avivamentos, resultando em tormento e morte, Andai na labareda do vosso fogo que acendestes: isto procede da minha mão e em tormento jazereis. Isaías 50:11. Nadab e Abiu trouxeram fogo estranho perante o Senhor e ali morreram (Levítico 10:12). O avivamento real tem de proceder da Palavra de Deus, fora disto é fogo estranho.

Também o avivamento real é obra do Espírito Santo, a começar pelo novo nascimento. Assim é todo aquele que é nascido do Espírito. João 3:8. É evidente que nada vive sem nascer. Não há vida sem o nascer do Espírito. Todos os avivamentos da história da igreja partiram deste nascer do alto. Salvai-vos desta geração perversa. Atos 2:40, e esta salvação é só pelo nascer de Deus. Todas as tentativas de avivamentos que não deram frutos foi por falta de novo nascimento. Viver sem nascer, é absurdo! Quando a igreja enfatizou a experiência do novo nascimento, ela alcançou o avivamento real, mas negligenciando a regeneração, ela tem se enfraquecido, como se acha agora. Mas é o Espírito que dá vida E soprou nas narinas o Espírito de vida, e ele tornou-se alma vivente. Gênesis 2:27. Então o Espírito entrou neles e viveram. Ezequiel 37:10. É possível alguém ter o nome de que vive, mas estar morto, Apocalipse 3:1. Ele, em Cristo nos mata, renasce e vivifica. Ainda, o avivamento real produz o maravilhoso impacto do evangelismo. Todos os avivamentos da Igreja, quando verdadeiros, resultam na salvação de muitas almas. Porque é impossível que alguém tenha a vida de Cristo no seu interior e não se manifeste. A “luz da vida” em nós não

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pode se ocultar, mas antes se manifesta nas mais densas trevas deste mundo. Evangelizar é transmitir a vida de Cristo a quem não tem. Sem a vida de Cristo, como poderá alguém transmiti-la, quem dará o que não tem? Comece o seu reavivamento real crendo na sua morte com Cristo e

por certo terá a vida pela ressurreição com Ele. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus. Romanos 6:11 e Ora se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos. Romanos 6:8. E o seu viver em nós, é o verdadeiro avivamento, o Avivamento Real.

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Jesus Sobre o Madeiro
“Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro (árvore), os nossos pecados, para que nós, mortos para o pecado, vivamos para a justiça; por suas chagas fostes sarados.” (1Pedro 2:24). Uma ilustração muito interessante sobre esse fato encontramos no Salmo 22, aquela descrição profética dos sofrimentos e morte de Cristo na cruz, escrito há mil anos antes de seu cumprimento. Em meio aos Seus sofrimentos, o Senhor Jesus exclama em Seu coração: “Mas eu sou verme e não homem; opróbrio dos homens e desprezado do povo”. (Salmo 22:6). Na profecia paralela a esta, proferida pelo profeta Isaías, foi dito que “...o seu aspecto estava mui desfigurado (literalmente “a corrupção personificada”) mais do que outro qualquer, e a sua aparência, mais que a dos outros filhos dos homens” (Isaías 52:14), de forma que ele não se parecia com homem algum. Isaías igualmente disse que Ele “era desprezado e o mais rejeitado entre os homens” (Isaías 53:3). Mas de que forma ele poderia ter sido comparado a um verme? No Israel antigo, como no mundo moderno, havia muitos tipos de vermes, e muitos tipos diferentes são mencionados na Bíblia. Mas o verme ao qual o Salmo 22:6 refere-se era um tipo especial, conhecido como o “verme escarlate”. Era deste verme que se obtinha uma valiosa secreção com a qual se faziam tintas escarlates. Na verdade, a mesma palavra - verme - é algumas vezes traduzida por “escarlate” ou “carmesim”. Quando a fêmea dessa espécie de verme escarlate estava prestes a dar a luz aos seus filhotes, ela pressionava seu corpo ao tronco de uma árvore, fixando-se tão firme e permanentemente que nunca mais poderia sair dali. Os ovos depositados sob seu corpo eram assim protegidos até que as larvas eram chocadas e pudessem nascer e entrar em seu próprio ciclo de vida. Quando a mãe morria, o fluido tingia seu corpo e a área ao redor do tronco da árvore onde ela estava fixada. Do corpo morto dessa fêmea-verme escarlate eram, então, extraídas as tintas escarlates na Antigüidade. Que figura impressionante isso nos dá de Cristo morrendo na cruz, derramando Seu precioso sangue para que Ele pudesse “trazer muitos filhos à glória” (Hebreus 2:10)! Ele morreu por nós, para que pudéssemos viver através dele. -- Henry M. Morris

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Os Dois Princípios

Humberto X. Rodrigues

Babilônia é trabalho duro para chegar aos céus. Jerusalém é o princípio da graça.

primeira vez que a bíblia menciona a Babilônia é em Gênesis 10:8-9-10: Cuche também gerou a Ninrode, o qual foi o primeiro a ser poderoso na terra. Ele era poderoso caçador diante do Senhor; pelo que se diz: Como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor. O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar. A história e profecia da Babilônia podem ser resumidas da seguinte maneira: A primeira cidade a ser edificada após o dilúvio foi a Babilônia. Ela foi iniciada com Ninrode, cujo

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nome significa “rebelde”. É uma planície entre dois rios, onde não se encontra montanha e pedras. Por isso quando o povo começou a edificar a cidade, tinha que fazer tijolos para substituir as pedras. Portanto precisava trabalhar muito derramando muitas lágrimas, suor e sangue. E, assim, foi feita uma torre. Essa torre era um tipo de pirâmide com as escadas do lado de fora. O propósito dos construtores era alcançar o céu, e este é o princípio da Babilônia. E, o que é a Babilônia? É todo esforço centrado no homem, isto é, o trabalho árduo, com lágrimas, suor

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e sangue para alcançar o céu. Este é o princípio da religião, ou seja, trabalhar duramente para chegar aos céus. O princípio religioso apresentado pelo sistema babilônico é feito de tijolo e mais tijolo até que, finalmente, uma cidade é construída, e, depois de construída manifesta um grande prazer de realização: “veja o que nós fizemos”, “que valorosa contribuição”, “finalmente alcançamos”. O princípio babilônico pode se resumir desta forma: buscar a salvação, desejar edificar um caminho até Deus e construir uma torre que leve ao céu. Os babilônicos buscavam significância, “tornemos célebre o nosso nome” isto é, chegar ao céu pelos próprios méritos. Eles buscavam segurança, “eles estavam espalhados por toda terra”. A necessidade de segurança é um tema presente em todos os povos. Disseram mais: Eia, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume toque no céu, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra. Genesis 11:4 Jerusalém é sempre edificada com pedras; Jerusalém é cercada de pedras por todos os lados. Como em redor de Jerusalém estão os montes, assim o SENHOR, em derredor do seu povo, desde agora e para sempre. Salmos 125:2 Jerusalém, que estás construída como

cidade compacta. Salmos 122:3 Nenhuma mão humana contribuiu para formação de uma rocha. Ninguém ousa pegar em uma rocha e dizer: “eu a fiz”. Aqui temos o princípio da graça. Isto é Jerusalém. Quando pegamos um pedaço de rocha nas mãos, isto significa que nada fizemos, que tudo foi dado, tudo foi feito, que não demos nenhuma contribuição. Este é o princípio representado por Jerusalém: o princípio da graça. O que é a Babilônia? É todo esforço do homem para encontrar-se com Deus. Suor, sangue e lágrimas. Este é o princípio da religião: “eu fiz”, “eu consegui,” “eu posso”. Babilônia significa que temos que trabalhar duramente, e que devemos confiar em nós mesmos, pois não precisamos de salvador, porque somos auto-suficientes. Mas quando olhamos para Jerusalém, descobrimos que ela desce do céu; descobrimos o evangelho. E, o que é evangelho? É Deus buscando o homem. É Deus descendo em forma humana para encontrar-se com o homem. O desejo de salvar o homem saiu do coração de Deus, pois foi Ele que nos amou primeiro. Isto é graça. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigê-

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nito do Pai. João 1:14. O céu desce até a terra: O Verbo se fez carne. O Senhor Jesus veio por causa da Sua obra na cruz. O Senhor desceu até nós, e, como Homem, atraiu todos os homens a si mesmo. Fomos recebidos e incluídos no Seu corpo lá na cruz. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. João 12:32. Nesta atração nos tornamos co-participantes de Sua morte e ressureição. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos. Romanos 6:5-6. Este é o princípio de Jerusalém, este é o princípio da graça. O conceito babilônico de salvação é: precisamos batalhar, precisamos subir e subir degraus após degraus para alcançarmos o céu. Muitas vezes, nós, os cristãos, deixamos ser conduzidos por este princípio. O princípio da graça é: A vida de Cristo em nós é natural, estamos unidos a Cristo do início ao fim, a salvação é gratuita e o crescimento acontece naturalmente também pela Sua graça. A Sua vida flui espontaneamente sem nenhum esforço. Assim

como a natureza do abacateiro é produzir abacates, assim também a vida de Cristo em nós flui naturalmente. O princípio da Babilônia é reunir todas as religiões, é a unificação dos povos, é a busca da grandeza e do poder. Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo topo chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra. Gênesis 11:4. Esta é toda a força adâmica concentrada, e tudo o que está envolvido com a Babilônia é grande. Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA. Apocalipse 17:5. Quando o Senhor falou aos seus discípulos, vocês são um pequeno rebanho, este pequeno rebanho representa toda a Igreja de Deus nesta terra. Não temas, ó pequeno rebanho! porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino. Lucas 12:32. O princípio babilônico de salvação do homem diz: “eu fiz”,“eu conquistei”, “eu consegui”.O princípio da graça diz: está consumado, está feito, é pela graça. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Efésios 2:8.

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Apascentando Ovelha ou Entretendo Bode

C.H. Spurgeon

Cristo poderia Ter sido mais popular, se tivesse introduzido mais brilho e elementos agradáveis a sua missão, quando as pessoas O deixaram por causa da natureza inquiridora do seu ensino.

m mal acontece no arraial professo do Senhor, tão flagrante na sua imprudência, que até o menos perspicaz dificilmente falharia em notá-lo. Este mal evoluiu numa proporção anormal, mesmo para o erro, no decurso e alguns anos. Ele tem agido como fermento até que a massa toda levede. O demônio raramente fez algo tão engenhoso, quanto insinuar à Igreja que parte de sua missão é prover entretenimento para o povo, visando alcançá-los. De anunciar em alta voz, como fizeram os puritanos, a Igreja, gradualmente, baixou o tom de

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seu testemunho e também tolerou e desculpou as leviandades da época. Depois, ela, as consentiu em suas fronteiras. Agora, ela as adota sob o pretexto de alcançar as massas. Meu primeiro argumento é que prover entretenimento ao povo, em nenhum lugar das Escrituras, é mencionado como uma função da Igreja. Se fosse obrigação da Igreja, porque Cristo não falaria dele? “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura”(Lucas 16:15). Isto é suficientemente claro. Assim também seria, se Ele adicionasse “e provejam divertimento para aqueles que não tem prazer no evangelho”. Tais pala-

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vras, entretanto, não são encontradas. Nem parecem ocorrer-Lhe. Em outra passagem encontramos: “E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres” (Efésios 4:11). Onde entram os animadores? O Espírito Santo silencia, no que se refere a eles. Os profetas foram perseguidos por agradar as pessoas ou por oporem-se a elas? Em segundo lugar, prover distração está em direto antagonismo ao ensino e vida de Cristo e seus apóstolos. Qual era a posição da Igreja para com o mundo? “Vós sois o sal da terra”(Mateus 5:13), não o doce açúcar - algo que o mundo irá cuspir, não engolir. Curta pungente foi a expressão: “Deixe os mortos o sepultar os seus próprios mortos”(Mateus 8:22). Que seriedade impressionante! Cristo poderia Ter sido mais popular, se tivesse introduzido mais brilho e elementos agradáveis a sua missão, quando as pessoas O deixaram por causa da natureza inquiridora do seu ensino. Porém, eu não O escuto dizer: “Corre atrás deste povo Pedro, e diga-lhes que teremos um tipo diferente de culto amanhã; algo curto e atrativo, com uma pregação bem pequena. Teremos uma noite agradável para eles. Diga-lhes que, por certo, gostarão. Seja rápido,

Pedro, nós devemos alcançá-los de qualquer jeito!”. Jesus compadeceu-se dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca pretendeu entretê-los. Em vão as epístolas serão examinadas com o objetivo de achar nelas qualquer traço do evangelho do deleite. A mensagem que elas contêm é: “Saia, afaste-se, mantenha-se afastado!” Eles tinham enorme confiança no evangelho e não empregavam outra arma. Depois que Pedro e João foram presos por pregar o evangelho, a Igreja reuniu-se em oração, mas não oraram: “Senhor, permite-nos que pelo sábio e judicioso uso da recreação inocente, possamos mostrar a este povo quão felizes nós somos”. Dispersados pela perseguição, eles iam por todo mundo pregando o evangelho. Eles “viraram o mundo de cabeça para baixo”. Esta é a única diferença! Senhor, limpe a tua Igreja de toda futilidade e entulho que o diabo impôs sobre ela e traze-a de volta aos métodos apostólicos. Por fim, a missão do entretenimento falha em realizar o objetivo a que se propõe. Ela produz destruição entre os jovens convertidos. Permitam que os negligentes e zombadores, que agradecem a Deus porque a Igreja os recebeu no meio do cami-

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nho, falem e testifiquem! Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o bêbado para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo da sua conversão! A resposta é obvia: a missão de

promover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. O que os pastores precisam hoje, é crer no conhecimento aliado a espiritualidade sincera; um jorrando do outro, como fruto da raiz. Necessitam de doutrina bíblica, de tal forma entendida e experimentada, que ponham os homens em chamas.

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As Três Árvores da História
“E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gênesis 2:16,17). “Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro (árvore), os nossos pecados, para que nós, mortos para o pecado, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados.” (1Pedro 2:24). “Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro] para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas.” (Apocalipse 22:14). Você vai notar que, nos três versículos acima, é mencionada a palavra árvore, embora em cada um deles trate-se de uma árvore diferente. Deus resume toda a história da raça humana em torno de três árvores. A primeira foi uma árvore para provar o homem, plantada no jardim do Éden. E essa árvore tornou-se uma árvore de condenação. A segunda, no que diz respeito à ordem cronológica, é a árvore da redenção, plantada no monte do Calvário. A terceira e última árvore das Escrituras é a árvore da vida, encontrada na eternidade. O homem normalmente imagina a história como uma linha reta, constante e ascendente. Ou seja, pensa-se que a humanidade começou num passado distante e obscuro, onde nada havia, e continua ascendendo constantemente até que, em algum momento, num futuro distante, o homem alcançará a perfeição. Todavia tal esquema da história humana não se encontra na Bíblia, pois a Palavra de Deus resume a história humana em torno de três árvores. A primeira, através da qual o homem foi provado, tornou-se árvore de condenação porque o homem falhou. A seguir temos a árvore da vida, nas eras eternas; e a terceira árvore, que está no centro, é a Cruz do Calvário.
... continua na página XX

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A Velha e a Nova Cruz

A. W. Tozer

A velha cruz não fazia aliança com o mundo. A nova cruz não se opõe a raça humana; pelo contrário, é sua amiga intima e, se compreendemos bem, considera-a uma fonte de divertimento e gozo inocente.

em fazer-se anunciar e quase despercebida uma nova cruz introduziu-se nos círculos evangélicos dos tempos modernos. Ela se parece com a velha cruz, mas é diferente; as semelhanças são superficiais; as diferenças fundamentais. Uma nova filosofia brotou desta nova cruz com respeito à vida cristã, e dessa nova filosofia surgiu uma nova técnica evangélica – um novo tipo de reunião e uma nova espécie de prega-

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ção. Este novo evangelismo emprega a mesma linguagem que o velho, mas o seu conteúdo não é o mesmo e sua ênfase difere da anterior. A velha cruz não fazia aliança com o mundo. Para a carne orgulhosa de Adão ela significava o fim da jornada, executando a sentença imposta pela lei do Sinai. A nova cruz não se opõe a raça humana; pelo contrário, é sua amiga intima e, se compreendemos bem, considera-a uma fonte de divertimento e gozo inocente. Ela

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deixa Adão viver sem qualquer interferência. Sua motivação na vida não se modifica; ele continua vivendo para seu próprio prazer, só que agora se deleita em entoar couros e assistir filmes religiosos em lugar de cantar canções obscenas e tomar bebidas fortes. A ênfase continua sendo o prazer, embora a diversão se situe agora num plano moral mais elevado, caso não o seja intelectualmente. A nova cruz encoraja uma abordagem evangelística nova e por completo diferente. O evangelista não exige a renúncia da velha vida antes que a nova possa ser recebida. Ele não prega contrastes, mas semelhanças. Busca a chave para o interesse do público, mostrando que o cristianismo não faz exigências desagradáveis; mas, pelo contrário, oferece a mesma coisa que o mundo, somente num plano superior. O que quer que o mundo pecador esteja idolizando no momento é mostrado como sendo exatamente aquilo que o evangelho oferece, sendo que o produto religioso é melhor. A nova cruz não mata o pecador, mas dá-lhe nova direção. Ela o faz engrenar num modo de vida mais limpo e agradável, resguardando o seu respeito próprio. Para o arrogante ela diz: “Venha e mostre-se arrogante a favor de Cristo”; e declara ao egoísta: “Venha e vanglorie-se no

Senhor”. Para o que busca emoções, chama: “Venha e goze da emoção da fraternidade cristã”. A mensagem de Cristo é manipulada na direção na moda corrente a fim de torná-la aceitável ao público. A filosofia por trás disto pode ser sincera, mas sua sinceridade não impede que seja falsa. É falsa por ser cega, interpretando erradamente todo o significado da cruz. A velha cruz é um símbolo da morte. Ela representa o fim repentino e violento de um ser humano. O homem, na época romana, que tomou a sua cruz e seguiu pela estrada já se despedira de seus amigos. Ele não mais voltaria. Estava indo para o seu fim. A cruz não fazia acordos, não modificava nem poupava nada; ela acabava completamente com o homem, de uma vez por todas. Não tentava manter bons termos com a vitima. Golpeava-a cruel e duramente e quando terminava seu trabalho o homem já não existia. A raça de Adão está sob sentença de morte. Não existe comutação de pena nem fuga. Deus não pode aprovar qualquer dos frutos do pecado, por mais inocentes ou belos que pareçam aos olhos humanos. Deus resgata o indivíduo, liquidando-o e depois ressuscitando-o em novidade de vida. O evangelismo que traça paralelos

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amigáveis entre os caminhos de Deus e os do homem é falso em relação à bíblia e cruel para a alma de seus ouvintes. A fé manifestada por Cristo não tem paralelo humano, ela divide o mundo. Ao nos aproximarmos de Cristo não elevamos nossa vida a um plano mais alto; mas a deixamos na cruz. A semente de trigo deve cair no solo e morrer. Nós os que pregamos o evangelho, não devemos julgar-nos agentes ou relações publicas enviados para estabelecer boa vontade entre Cristo e o mundo. Não devemos imaginar que fomos comissionados para tornar Cristo aceitável aos homens de negócios, à imprensa, ao mundo dos esportes ou à educação moderna. Não somos diplomatas, mas profetas, e nossa mensagem não é um acordo, mas um ultimato. Deus oferece vida, embora não se trate de um aperfeiçoamento da velha vida. A vida por ele oferecida é um resultado da morte. Ela permanece sempre do outro lado da cruz. Quem quiser possuí-la deve passar pelo castigo. É preciso que repudie a si mesmo e concorde com a justa sentença de Deus contra ele. O que isto significa para o indivíduo, o homem condenado que quer encontrar vida em Cristo Jesus? Como esta teologia pode ser trazida

em termos de vida? É muito simples, ela deve arrepender-se e crer. Deve esquecer-se de seus pecados e depois esquecer-se de si mesmo. Ele não deve encobrir nada, defender nada, nem perdoar nada. Não deve procurar fazer acordos com Deus, mas inclinar a cabeça diante do golpe do desagrado severo de Deus e reconhecer que merece a morte. Feito isso, ele deve contemplar com sincera confiança ao salvador ressurreto e receber dEle vida, novo nascimento, purificação e poder. A cruz que terminou a vida terrena de Jesus põe agora um fim no pecador; e o poder que levantou Cristo dentre os mortos agora o levanta para uma nova vida com Cristo. Para quem quer que deseje fazer objeções a este conceito ou considerá-lo apenas como um aspecto estreito e particular da verdade, quero afirmar que Deus colocou o seu selo de aprovação sobre esta mensagem desde os dias de Paulo até hoje. Quer declarado ou não nessas exatas palavras, este foi o conteúdo de toda pregação que trouxe vida e poder ao mundo através dos séculos. Os místicos, os reformados, os revivalistas, colocaram aqui a sua ênfase, e sinais, prodígios e poderosas operações do Espírito Santo deram testemunho da aprovação divina.

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Ousaremos nós, os herdeiros de tal legado de poder, manipular a verdade? Ousaremos nós com nossos lápis grossos apagar as linhas do de-

senho ou alterar o padrão que nos foi mostrado no Monte? Que Deus não permita! Vamos pregar a velha cruz e conhecermos e velho poder.

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... continuação da página XX

Mesmo um leitor pouco atento da Bíblia notará uma semelhança entre os primeiros e os últimos capítulos desse livro abençoado. Nos capítulos iniciais da Bíblia, encontramos uma criação a qual Deus declarou ser boa - uma terra e céus perfeitos; ausência de pecado, doenças, tristezas, fraquezas ou lágrimas; nunca encontramos um coração partido nos capítulos inciais da Bíblia. Quando chegamos aos últimos capítulos da narrativa bíblica, encontramos o mesmo tipo de mundo - novos céus e nova terra; descobrimos também que não haverá mais lágrimas, nem tristezas, nem doenças, nem morte, pois todas essas coisas foram eliminadas. Dessa forma, os capítulos iniciais e os capítulos finais deste livro são semelhantes no sentido que não há qualquer vestígio de pecado, nem das cadeias de tristeza e miséria resultantes do pecado. Mas, entre os primeiros e os últimos capítulos da Bíblia, encontra-se todo o período de tempo que engloba a história de sordidez, sofrimento, vergonha e pecado. Tudo isso começou com a falha do primeiro homem em relação à árvore através da qual ele fora provado. Deus disse aos nossos primeiros pais: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Quando estes nossos pais, em desobediência, comeram do fruto daquela árvore, Deus expulsou-os do Jardim e colocou querubins com espadas refulgentes para que eles não pudessem retornar e viessem a comer do fruto da árvore da vida e, assim, vivessem para sempre naquela condição pecaminosa. Desde aquele dia até o presente momento, através de todo esse período de tempo e até os últimos capítulos do livro de Apocalipse quando a morte e outras conseqüências do pecado serão eliminadas, a morte tem reinado. Todavia, quando chegamos aos últimos capítulos da Bíblia, descobrimos que ao homem é dado livre acesso à árvore da vida. Isso significa que Deus mudou de opinião? O mesmo Deus que havia dito no Jardim do Éden: “Devemos colocar sentinelas na entrada do Jardim para que eles não voltem e comam do fruto da árvore da vida e vivam para sempre” - mudou de opinião? Significa que Ele mudou de opinião a respeito desse assunto, que Ele finalmente cedeu e agora consente que o homem tenha acesso à árvore da vida? Oh, não! Deus não mudou de opinião! Mas, em meio ao círculo do pecado, período esse que denominamos tempo, Deus plantou uma outra árvore. A essa árvore o apóstolo Pedro refere-se: “Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro (árvore), os nossos pecados...”. A morte de Jesus Cristo no Calvário fez com que Deus pudesse dizer na plenitude do tempo: “ Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro] para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas.” -- Will H. Houghton

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Desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra. Efésios 1:9,10

lguns anos atrás em visita a Inglaterra, tomei conhecimento da seguinte história. Ela me impressionou tanto que passei a verificar sua veracidade. Recentemente descobri que os fatos aconteceram da seguinte maneira: Nos idos tempos da Segunda Grande Guerra, uns dos homens mais ricos do Reino Unido e seu filho nutriam uma paixão para colecionar obras de arte. Os dois viajavam ao redor do mundo, agregando à coleção somente os mais finos tesouros. Aquele pai viúvo deleitava-se grandemente em seu filho por ter ele

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desenvolvido tamanha habilidade como colecionador. Quando o seu país foi totalmente tomado pela guerra, aquele jovem sentiu a necessidade de servir seu país alistando-se no exército. Ele, porém, serviu por poucos meses. O jovem foi morto enquanto levava apressadamente um companheiro ferido ao médico. Angústia e tristeza se apoderaram do coração daquele pai até que em uma manhã atendeu uma campainha. Ali, na soleira da porta, estava um soldado segurando um grande embrulho. O soldado cumprimentou o pai solitário dizendo: “Eu era amigo

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de seu filho, na verdade, era eu quem ele resgatava quando foi morto. Tenho algo que gostaria de mostrar ao senhor, posso entrar?” Ele contou àquele pai como o filho costumava relatar o amor que compartilhava com o pai pelas caras obras de arte que colecionavam. O soldado, de pé diante daquele homem, disse: “Sou um artista e gostaria de presenteá-lo com este retrato que pintei de seu filho em apreciação por sua coragem em salvar-me a vida”. Tomado de emoção, o pai agradeceu ao soldado pelo retrato e prometeu dependurá-lo acima da lareira, onde teria especial destaque. Certamente, ninguém consideraria aquele quadro uma obra à altura das demais obras da sua coleção de arte. Entretanto, nas semanas e meses que se seguiram o pai descobriria que, graças à bravura e coragem de seu filho, dezenas de outros soldados feridos foram resgatados por ele antes que uma bala silenciasse seu coração compassivo. À medida que aquele pai tomava conhecimento das historias de coragem de seu filho, orgulho e a satisfação começaram a tomar o lugar do sentimento de perda. Além disso, o retrato do filho tornou-se a maior relíquia daquele homem, ultrapassando até mesmo os muitos objetos

de arte que eram tão cobiçados por museus ao redor do mundo. Pouco tempo depois aquele homem faleceu e o círculo das artes ficou em polvorosa. Sem conhecer a história do filho, toda a coleção de artes seria levada a leilão no dia de Natal, por ter sido aquele o dia em que o pai recebera seu mais precioso presente: o retrato de seu único filho. Quando o dia do leilão finalmente chegou e os colecionadores de arte de todos os cantos do mundo compareceram para dar lances nas mais espetaculares e variadas peças de arte, o leilão começou com uma pintura que não constava de nenhuma lista de nenhum museu. Era a pintura do filho daquele homem. Era a única condição dada pelo pai! O leiloeiro, então, pediu por um lance inicial. A sala estava em silêncio. “Quem fará o lance inicial?” O recinto permanecia em silêncio, até que uma voz do fundo exclamou: “Quem se importa com tal retrato? Ande logo e vamos ao que interessa!” Outras vozes se ajuntaram em coro. “Não, devemos vender este quadro primeiro”, foi a resposta do leiloeiro. Lá estava o retrato sobre um cavalete para que todos vissem. “Quem levará o retrato do filho?”, continuou o leiloeiro. Ninguém da platéia conhecia o fi-

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lho, ou mesmo se importava, pois a pintura havia sido feita por um artista desconhecido. Para aquelas pessoas, tal retrato era sem qualquer valor - algo do qual era necessário ficar livre para que se pudesse prosseguir com as negociações mais importantes. Porém, naquele dia, estava na platéia, uma pessoa que havia sido empregado da família por toda a vida, que conhecera e vira crescer o filho quando ainda era menino. Aquela pessoa lembrou-se dos idos dias em que cuidara daquele menino e pensou: como seria bom ter esse quadro como lembrança. Ele então perguntou: “Você aceitaria dez dólares pelo quadro? É tudo que tenho. Conheci o menino e gostaria, portanto, de comprar o quadro”. “Tenho aqui uma oferta de dez dólares. Alguém dá mais?”, gritou o leiloeiro. Depois de mais silêncio, o leiloeiro disse: “Dou-lhe uma, doulhe duas, vendido ao cavalheiro”. Bateu o martelo. Gritos de satisfação encheram a sala à medida que a expectativa pelas outras peças do leilão aumentava. Ao invés, o leiloeiro anunciou com voz serena: “Senhoras e senhores, o leilão está terminado!” Todos ficaram estupefatos! O que estava acontecendo? O leiloeiro prosseguiu lendo: “O testamento estipula que aquele que comprar o retrato do

filho leva também todas as demais peças. A coleção inteira vai para esse homem”, disse apontando para o idoso servo que, ao lado, admirava o quadro que acabara de comprar. A multidão retirou-se irada! Mas cada um deles devia admitir que teve a mesma oportunidade que aquele fiel servo. Qual é o real significado daquele acontecimento singular? Aquele pai estava demonstrando a mais profunda honra e afeto pelo seu único filho. Há outro Pai que tem semelhante afeição por Seu Filho. Você sabe que me refiro à afeição do nosso Pai celestial por Seu Filho, o Senhor Jesus. Desde aquele dia singular no Calvário, nosso Pai considera central a seguinte pergunta: o quanto você aprecia Meu Filho? Ainda mais importante é o que o Pai acha (não o que nós achamos) de seu Filho. A fim de realmente compreendermos essa questão, devemos considerar a explicação de Paulo sobre o plano e o propósito que Deus tinha antes mesmo de começar a Sua criação: Desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra; nele, digo, no qual

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fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que fez todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo. Efésios 1:9-12 Imagine! Desde o princípio, nosso Pai planejara que Seu Filho fosse a peça central do Universo. Esse foi o plano original antes da criação e antes da queda do homem, que Seu Filho - e aqueles que compõem o Seu corpo - tivesse esse lugar de proeminência!... Sim, e Paulo continua: “para que se torne conhecida dos principados e potestades nos lugares celestiais, a multiforme sabedoria de Deus, pela Igreja, em conformidade

com o eterno Propósito que ESTABELECEU EM CRISTO JESUS, NOSSO SENHOR”. Pai, é possível que, como aquelas pessoas no leilão, milhões se surpreendam no último dia... quando a cortina for aberta... e descobrirem que o Pai planejou que Seu Filho, Cristo Jesus, seja honrado por ter a proeminência em todas as coisas. Oro para que nenhum leitor fique irado ou mesmo surpreso como aquelas pessoas no leilão! Fonte: Livro: A Janela mais Ampla Autor: Devern Fromke Editora Tesouro Aberto www.tesouroaberto.com.br

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A humildade é o segredo da unidade e o orgulho o segredo da divisão. -- Robert C. Chapmam

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A visão da glória de Deus produz humildade. As estrelas somem quando o sol aparece. -- Thomas Watson

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Há uma coisa infinitamente melhor do que fazer uma grande coisa para Deus: estar onde Deus quer que estejamos, fazer o que Deus quer que façamos e não Ter nenhuma vontade à parte da Dele. -- G. Campbell Morgan

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A mulher cheia do Espírito Santo que Deus usou para preparar o País de Gales e a Inglaterra para o reavivamento no começo deste século.

epois da ilustração prática de que o “revestimento do poder do Alto podia significar a fornalha do intenso desejo”, o despertamento aumentou. Ela orou outra vez: “Faze em mim o que fizeste em Pedro no Pentecostes”, mas sentiu agudamente a sua falta de expressão e limite da sua consciência. Então o Espírito de Deus começou a fazer-lhe perguntas e a esclarecer “os pensamentos e intenções do seu coração”. Não podemos fazer melhor

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do que dar a narrativa nas suas próprias palavras: “Então duas ou três perguntas penetrantes foram feitas a mim pelo Espírito de Deus. A primeira foi: “se eu responder ao seu clamor, você aceitará ser impopular?” IMPOPULAR, ser rejeitada? Bem, sim, eu aceito. Nunca enfrentei isso antes, mas aceito. “Mas por que desejei a Plenitude do Espírito? Seria para o sucesso no serviço e para que eu fosse considerada uma obreira muito útil? Dese-

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jaria eu a mesma plenitude se isso significasse aparente fracasso e eu me tornasse odiada aos dos outros?” Isso não me ocorreu antes e rapidamente concordei com todas as condições que o Senhor aprouve colocar diante de mim. Outra vez veio a pergunta: “Você estaria disposta e não ter nenhuma grande experiência, porem concordar em viver e andar inteiramente pela fé na palavra de Deus?”Então pensei: “Julgo que as pessoas que receberam o batismo no Espírito sempre tiveram uma experiência. Finney e Asa Maham não a tiveram? Como podia eu saber se tinha a plenitude, desde que não tive uma experiência? Como podia eu saber se tinha a plenitude, desde que não tive uma experiência? Repetia... “Você aceita?”– vinha a pergunta e outra vez respondi: “Sim!” O problema parecia solucionado. Mas o clímax veio quando, certa manhã, eu me acordei e eis que se estendia diante de mim A SUA MÃO, cheia de trapos imundos, enquanto uma voz suave me dizia: “Este é o resultado de todo o seu serviço para Deus, no passado”. Respondi: “Mas, Senhor, eu me entreguei e me consagrei a Ti todos esses anos. Tudo o que fiz foi trabalho de consagração!”. “Sim, minha filha, porém todo o seu serviço tem sido de consagração própria. O resultado de sua própria ener-

gia; seus próprios planos para ganhar almas; sua devoção própria. Tudo para mim, eu concordo; porém tudo também para você, igualmente...” Oh! Que horror foi para mim essa descoberta! Ela trouxe uma profunda humilhação, corri para o Sangue de Cristo a fim de limpar-me de “todo pecado”. Então veio a suave e pequena voz, uma vez mais e então a palavra: “CRUCIFICADA”! Eu CRUCIFICADA, que significava isso? Eu não havia pedido ser crucificada, mas ser CHEIA. Porem agora, as passagens de Romanos 6:611 vieram com poder sobre mim e reconheci a significação de “o velho homem ser crucificado com Ele...e Paulo queria dizer com essas palavras, crucificado com Cristo (Galatas 2:20)” Como uma criancinha, repousei sobre a mensagem dada e então aprouve ao Senhor revelar Seu filho a mim para que eu pudesse pregar o Seu evangelho. Sim, conheci o Cristo Ressuscitado! Galatas 1:15-16 Essa revelação do Senhor ressurreto, - as primeiras gotas das chuvas que deveriam tornar-se um verdadeiro rio de águas vivas, veio repentina e inesperadamente, não numa hora de espera em Deus, nem numa reunião com outros que procuravam a mesma benção, mas a mesa do café, na minha própria casa, numa manhã de

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maio, a glória do Senhor foi revelada ao meu espírito como foi a Paulo no caminho de Damasco, com tal deslumbrado poder que fugi da sala e cai de joelhos num culto de adoração extasiada! O resultado ela o deu em 7 pontos no “Poder para o Serviço”:

Na tarde daquele dia, no seu caminho a casa depois de uma reunião, “seu espírito estava livre de qualquer ligação terrena e parecia fazer uma ascensão para os céus como se saísse de alguma prisão interior, encontrando o seu lugar no coração de Deus”. Nas conversas privadas, nas classes e nas reuniões, a presença e o po1. Foi repentino e quando eu não der de Deus eram tais que raramente pensava especialmente sobre o as- uma alma poderia deixar de ser tosunto. cada por Ele. Muitos passaram da 2. Reconheci no meu espírito que Ele morte para a vida; outros foram convictos de pecado sem que ninguém havia chegado. 3. A bíblia se tornou viva e inundada lhes falasse; vários dos próprios fide luz. lhos de Deus foram guiados a uma 4. Subitamente Cristo veio a mim, entrega mais plena do coração e da agora numa Pessoa real; eu não vida, chegando a alcançar a “suprema podia explicar como o sabia, mas grandeza do Seu poder”, que salva Ele se tornou realidade em mim. perfeitamente. Efésios 1:19. 5. Quando fui a minha classe de bíDizia-me que, quando alguém blia, achei-me capaz de falar com passava pela porta do Instituto, era liberdade de expressão, com a con- como se entrasse na presença de vicção do Espírito a sustentar-me, Deus e assim muitos receberam as até que as almas foram convictas bênçãos do Espírito sem qualquer do pecado em toda a parte. intervenção de instrumentos huma6. Poder na oração, a ponto de pare- nos. As reuniões que sempre eram a cer que eu apenas precisava pedir chave de qualquer trabalho passaram para ter. a representar horas de grande liber7. Meu espírito empreendia o seu dade e júbilo com livre acesso ao Trocaminho para Deus, livre dos gri- no da Graça. lhões que o prendiam a qualquer Extraído do livro: Vidas Poderosas coisa na terra. Autor: Enéas Tognini 1967

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O Segredo Espiritual de Theodore Austin-Sparks
Elenice D. R. de Paula Lima ra domingo à tarde. Em uma rua de Glasgow alguns jovens pregavam o evangelho ao ar livre. Passando por ali, um pouco deprimido, Theodore Austin-Sparks parou para ouvi-los, e naquela mesma noite esse jovem de dezessete anos de idade entregou sua vida ao Salvador. No domingo seguinte àquela reunião ao ar livre, esta contava com a presença de mais aquele jovem cristão, e não demorou muito para que ele também testemunhasse, de forma simples, porém entrando desta forma em uma vida de pregação do Evangelho que durou sessenta e cinco anos. Theodore Austin-Sparks nasceu em 1910, numa cidade escocesa. Sua mãe conhecia o Senhor, amava-O, era uma mulher de oração. Theodore cresceu num lar onde sempre havia reuniões de oração, onde se cria que a Palavra de Deus é a autoridade

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máxima em todas as questões e onde se esperava a volta do Senhor Jesus. Sua mãe teve grande influência em sua vida. Ao se chegar ao Senhor, naquele domingo à tarde em Glasgow, Theodore passou a viver completamente para Aquele que o salvara. Ele sempre lia muito, em seu desejo de ter algum entendimento espiritual, e acima de tudo estudava sua Bíblia, sempre buscando ardentemente os tesouros novos e velhos que nela podem ser encontrados por aqueles que são instruídos no reino dos céus. Naqueles dias, um dos maiores pregadores na Inglaterra, Dr. G. Campbell Morgan, ministro na capela de Westminster, desejando ajudar a um grupo de jovens no estudo da Palavra, passou a se reunir com eles todas as sextas feiras, dando-lhes vários estudos bíblicos. Por 52 semanas Campbell Morgan se reuniu com esses jovens

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e, dentre os mais brilhantes, estava T. Austin-Spaks. Por esse motivo ele passou a ser sempre requisitado como preletor em várias Conferências. Sua abordagem bíblica era bem original na época, especialmente em relação aos esboços dos livros da Bíblia, ou aos esboços da Bíblia como um todo, à visão panorâmica da Bíblia. Certa vez, ao ministrar numa igreja batista, ele viu uma tremenda mudança vindo sobre toda a congregação. Um após o outro, dentre os conhecidos ali como cristãos, foram sendo salvos. A secretária da igreja, os diáconos, todos foram encontrando o Senhor. Mas, apesar de T. Austin-Sparks ser um conferencista nacionalmente conhecido e requisitado, e apesar de ser um jovem com tanto futuro, ele mesmo sentia uma terrível pobreza em sua vida. Ele sentia que estava proclamando coisas que, na realidade, não eram experiências suas. Ele não tinha dúvidas de que era nascido de novo, de que Deus o havia salvo, de que ele era justificado, de que o Espírito Santo era realmente o Espírito de Deus, de que Cristo era o Ungido, mas ele sentia que estava pregando coisas que ele mesmo não experimentava, sentia que profetizava muito mas que possuía muito pouco. Por natureza, T. Austin-Sparks era uma pessoa que se entregava completamente ao que

cria, nunca se contentando com uma posição intermediária. Gradualmente uma tremenda tensão foi sendo criada dentro de si. Ele começou a se sentir um fracasso, pois o que lia na Bíblia não era, para ele, uma experiência própria. Em um certo dia, então, ele disse à sua esposa: “Eu vou para o meu estudo, não quero que ninguém me interrompa, não importa o que aconteça, eu não sairei daquele quarto até que tenha decidido qual o caminho vou tomar”. Ele sentia imensamente a necessidade de que o Senhor o encontrasse de uma forma nova, ou cria que não poderia mais continuar seu ministério. Havia chegado ao final de si mesmo. Fechado naquele quarto ele passou a maior parte do dia quietamente diante do Senhor, e então começou a ler a carta aos Romanos. Nada aconteceu. Ele a conhecia muito bem, havia ensinado esta carta tantas vezes, dava esboços dessa porção das Escrituras, nada de novo ela lhe apresentava, até que ele chegou ao capítulo 6. Ele mesmo disse: “Foi como se o céu tivesse se aberto, e luz brilhou em meu coração”. Pela primeira vez ele compreendeu que havia sido crucificado com Cristo e que o Espírito Santo estava nele e sobre ele para reproduzir a natureza de Cristo. Isso revolucionou completamente a sua vida. Quando saiu daquele quarto, era um homem

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transformado. Agora realmente ele começou a pregar a Cristo, começou a magnificar o Senhor Jesus. Logo começou a ensinar o que chamava de “o caminho da cruz”, dando grande ênfase à necessidade da operação interior da Cruz na vida do crente. Ele pregava um evangelho de uma plena salvação através da fé simples no sacrifício de Cristo, e enfatizava que o homem que conhece a purificação pelo sangue de Jesus deve também permitir que a mesma Cruz opere nas profundezas de sua alma para libertá-lo de si mesmo, e levá-lo a um caminhar menos carnal e mais espiritual com Deus. Ele mesmo havia passado por uma crise e aceito o veredito da Cruz sobre sua velha natureza, e havia assim descoberto que essa crise fora a introdução para um desfrutar completamente novo da vida de Cristo, tão grandioso que ele só conseguia descreve-lo como “um céu aberto”. Sparks recebeu também grande ajuda espiritual da Sra. Jessie PennLewis, a quem o Senhor dera um claro entendimento sobre a necessidade da operação interior da cruz na vida do crente. Ela viu em T. AustinSparks o herdeiro de toda a obra que o Senhor lhe havia dado. Sparks se tornou um pregador e mestre muito querido e popular no meio do chamado “movimento Vencedor’’.

Sparks via que não há outro caminho para se experimentar plenamente a vontade de Deus, a não ser através da união com Cristo em Sua morte. Sempre voltando ao ensinamento de Romanos 6, era convicto de que tal união é o meio certo para se conhecer o poder da ressurreição com Cristo. Mas a experiência que Sparks tinha, em vez de lhe abrir as portas para todos os púlpitos, fechou a maioria delas. Eles o temiam, achavam que algo estranho havia lhe acontecido, algo perigoso, algo errado. E assim começaram a se lhe opor. Houve um momento em que ele ficou na rua, sem casa para morar com sua esposa e filhos, mas o Senhor logo lhe providenciou uma moradia, na rua Honor Oak. Uma Sra. que servia ao Senhor como missionária na Índia, e que havia sido grandemente ajudada através do ministério de Sparks, ouviu dizer de uma grande escola na rua Honor Oak que estava à venda, então comprou toda a propriedade e deu-a à igreja. Ali veio a ser um local de comunhão cristã e a sede de conferências “Honor Oak”. Este foi o lugar onde conferências eram realizadas, três ou quatro vezes ao ano, para as quais vinham pessoas de toda a parte. Em 1937 Watchman Nee se encontrou pela primeira vez com Spa-

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rks. Nee havia lido alguns escritos seus e fora grandemente ajudado. Logo após, porém, começou a 2ª guerra mundial e aquelas conferências cessaram, pois o mundo todo estava em turbulência. Todavia, ao terminar a guerra houve um período maravilhoso na história daquela obra e ministério. De 1946 até 1950 houveram conferências cheias da presença do Senhor. Apesar de aparentar estar muito bem, o irmão Sparks sofria muito por causa de uma condição precária de saúde, com dolorosas úlceras gástricas, causadas talvez pelo fato dele ser tão reservado e introvertido. Freqüentemente ele se prostrava com dor e ficava incapaz de continuar a obra. Contudo, uma vez e outra ele se levantava, algumas vezes literalmente do leito de enfermidade, e o Senhor o usava poderosamente. Algumas das melhores Conferências eram exatamente em épocas que ele passava por muitas dores relacionadas a este estado físico. Geralmente ele falava assentado. O gracioso meio que Deus utilizou para dar-lhe alívio foi através de uma cirurgia no estômago, o que lhe trouxe grande melhora física e mais vinte anos de uma vida ativa pelo Senhor em muitas terras. Por várias razões, muitos outros sofrimentos vieram à sua vida, mas ele cria que, se por um lado a cruz en-

volve sofrimento, por outro lado ela é também o segredo da graça abundante. Por ela o crente é levado a um mais amplo desfrutar da vida de ressurreição, e também a uma verdadeira integração na comunhão da Igreja, que é o Corpo de Cristo. A enorme oposição que Sparks enfrentava era inacreditável. Livros e panfletos eram escritos contra ele, pregadores pregavam contra ele, davam-lhe a fama de ser um falso mestre, cheio de ardis. Este isolamento total a que o colocavam era, de muitas formas, a coisa mais dura que ele suportava. Ano após ano ele ia a Keswick, onde atrás da plataforma estava escrito “todos somos um em Cristo”. Mas sempre que ia ao encontro daqueles com quem já havia trabalhado e estendia a sua mão, eles não lhe cumprimentavam, não lhe dirigiam nem uma só palavra, e lhe viravam as costas. Isso era para ele muito mais difícil de suportar do que os outros problemas. Problemas no local de comunhão “Honor Oak” fizeram com que as conferências ali cessassem. Ele mesmo, porém, continuou ali com os irmãos, guardando intactos os laços da comunhão, mostrando um interesse cheio de amor para com a nova geração, sempre compartilhando ali sobre adoração e oração. De fato, a oração caracterizava a sua vida mais

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ainda do que a pregação. No final da vida de Sparks, ele estava só, havia muito poucas pessoas com ele. Campbell Morgan, Jessie Penn-Lewis, F. B. Meyer e A. B. Simpson tiveram grande influência na vida de T. Austin-Sparks. Ele costumava dizer que de todos os pregadores americanos que ele conhecera quando jovem, A. B. Simpson era o mais espiritual e o que falava com mais poder. Muitas vezes e de muitas formas F. B. Meyer trouxe Sparks para um relacionamento bem mais profundo com o Senhor. Meyer costumava dizer que Sparks era uma solitária voz profética num deserto espiritual, chamando o povo de Deus de volta para a realidade, para o que é genuíno, para o próprio Senhor Jesus. Ele falava sobre autoridade e submissão. Isso não era ouvido na época. Sparks sempre utilizava algumas frases que, na época, praticamente não eram ouvidas em outro lugar. Uma delas era que a Igreja é o corpo de Cristo, outra era que precisamos ter uma vida de corpo, que os membros de Cristo são membros uns dos outros. Eram frases tão mencionadas por ele, mas algo totalmente novo e desconhecido no mundo cristão da época. Certa vez ele disse: “Podemos tomar a Igreja, que é o corpo do nosso Senhor Jesus, unida ao Cabe-

ça que está à mão direita de Deus, e reduzi-la a algo terreno, fazer dela uma organização humana”. Todas essas frases eram consideradas tão estranhas. No mundo cristão falava-se sobre conversão, sobre estudo Bíblico, sobre oração, sobre testemunho, sobre missões, sobre vida vitoriosa. Mas nada se ouvia sobre a Igreja, sobre o Corpo de Cristo, sobre sermos membros uns dos outros. Ele era uma voz profética solitária. Foi isolado, rejeitado, caluniado. Uma das ênfases de seu ministério era “a universalidade e a centralidade da cruz”. Para ele, tudo começava com a cruz, vinha através da cruz, e nada era seguro à parte da cruz. Ele costumava dizer que nenhum filho de Deus está seguro, até que Lhe entregue a sua vida. Que nenhum filho de Deus realmente O serve, até que Lhe entregue a sua vida. Nenhuma comunhão entre o povo de Deus é segura, até que eles tenham entregue suas vidas à Ele. Tudo volta ao altar. Essa era uma das ênfases do seu ministério. Outra ênfase era a Preeminência do Senhor Jesus. Se você conhecesse o Sr. Sparks, certamente apreciaria essa ênfase. Para ele o Senhor Jesus era o início e o fim de tudo. O Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último. Ele via que tudo está em Cristo, toda a nova criação, o novo homem, tudo. Talvez um de seus primeiros livros

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— “A centralidade e supremacia do Senhor Jesus Cristo” — seja o que melhor caracterize para nós toda a sua vida e ministério. Essa era uma tremenda ênfase em seu ministério. “Onde está o Senhor?” — ele sempre dizia. “Onde está o Senhor na vida dessa pessoa? Onde está o Senhor no serviço dessa pessoa? Onde está o Senhor Jesus no ministério dessa pessoa?” E costumava dizer: “Se nós quisermos que venha luz do trono de Deus, só há uma coisa a fazer: Darmos ao Senhor Jesus o lugar que o Pai Lhe deu. Essa é forma de sermos preservados de erros, de comprometimentos, de desvios, de sermos preservados de começar no Espírito e terminar na carne”. Outra ênfase em seu ministério era “a casa espiritual de Deus”. Ele via a Igreja como a casa espiritual de Deus, como a noiva de Cristo, como o corpo do Senhor Jesus. Seu entendimento sobre a Igreja era muito claro. Ele cria na casa espiritual de Deus da qual somos pedras vivas, edificados juntos, e que devemos crescer para santuário dedicado ao Senhor, para habitação de Deus no Espírito. “Isto”, ele dizia,“é o coração da história, o coração da redenção”. Por isso ele sempre costumava dizer: “Há algo maior do que a salvação”. Por causa disto as pessoas se iravam contra ele, diziam que falar isto não estava correto, não

era bíblico, mas Sparks sempre dizia: “A salvação não é o fim, mas é o meio para o fim. O fim que o Senhor tem é a Sua habitação, é a Sua casa espiritual, a Sua habitação no Espírito, e a salvação é o meio para nos colocar nessa casa espiritual de Deus”. Ainda outra ênfase em seu ministério era a “batalha pela vida”. Ele costumava dizer que “se há alguma vida espiritual em você, todo o inferno vai se levantar para extinguí-la. Se há vida espiritual em seu ministério, todo o inferno vai se levantar para acabar com ele. Se há vida espiritual na comunhão dos cristãos, todo o inferno vai se levantar contra ela. Temos que aprender como combater o bom combate da fé e tomar posse da vida eterna. Temos que aprender como nos mantermos em vida”. Uma vez e outra ele dizia que tudo o que é relacionado com Deus é vida. Vida, mais vida, vida abundante. Não morte, mas vida. Até mesmo a morte de cruz é para trazer-nos à vida, e quanto mais conhecemos a morte de Cristo, mais devemos conhecer a vida de Cristo. Portanto, essa é uma batalha pela vida. Uma última ênfase era a “intercessão”. Ele costumava dizer que “o chamamento real da Igreja é para intercessão. Intercessão é muito mais que oração. Qualquer um pode orar, mas você precisa ter uma maturidade

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mínima para poder ver, para poder passar por dores de parto, para que haja nascimento. Intercessão não requer seus lábios, mas requer todo o seu ser. Não requer dez minutos do seu dia, nem uma hora, mas requer de você vinte e quatro horas de cada dia. É oração incessante”. O Sr. Sparks foi um grande homem, e os grandes homens têm também grandes falhas. Ele possuía fraquezas, mas a impressão que ficava em quem o conhecia não eram essas fraquezas, mas o fato de que ele sempre magnificava o Senhor Jesus, não apenas por palavras, mas pela sua vida. Sua própria presença trazia algo do Senhor Jesus. Sempre que ele chegava, a impressão que ficava era a de quão grandioso é o Senhor Jesus. Quando ele falava, essa era a impressão que ficava: Quão grandioso é o Senhor Jesus! Ele sempre magnificava o Senhor Jesus. Isso foi algo que o Senhor fez nele de tal forma que a sua presença e o seu ministério glorificavam o Senhor. Outra impressão que ele deixou foi a de alguém que sempre estava prosseguindo. Nunca parecia que ele estava estacionado, mas sempre prosseguindo. Isso

era sentido pela sua presença e pelo seu ministério. Ele costumava dizer: “Não paremos! Vamos além, vamos prosse- guir! O Senhor tem ainda mais luz e mais verdade para fazer brotar de Sua Palavra. Prossiga, prossiga para tudo aquilo para o que o Senhor te conquistou”. Outra impressão que ele deixou é a de que ele sempre parecia ministrar sob unção. Esse era um segredo que esse irmão possuía. Ele sabia como habitar sob a unção, para não dar comida morta, para não dar o que ele pensava, mas para dar sempre aquilo que Deus lhe havia dado. Ainda uma outra impressão que ficou de sua vida é uma grande determinação em cumprir aquilo que Deus lhe havia dado para fazer. Em muitas situações que aconteciam para fazê-lo desanimar e parar, ele sentia que não podia deixar Satanás vencer — era uma batalha pela vida. Em abril de 1971 o irmão Sparks partiu para estar com o nosso amado Senhor, para ali esperar até o momento em que a esperança se tornará em gloriosa realidade, quando juntos seremos arrebatados “para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor”.

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No calvário, Jesus em sua fraqueza como ovelha muda em sofrimento, em Sua vida derramada, fez mais pelo mundo do que quando curou os doentes e expulsou os demônios da Galiléia. -- Jessie Penn Lewis

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Associação Betel
Associação Betel é uma entidade juridicamente organizada, sem quaisquer vínculos denominacionais ou fins lucrativos, mantida por recursos advindos de colaboração espontânea de pessoas que apóiam seus objetivos, cujo fim é viabilizar a pregação do Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo. Os objetivos da Associação Betel: a) Apoiar missionários e pregadores (uma vez confirmados em seus compromissos com a verdade do Novo Nascimento pela nossa morte e ressurreição com Cristo) para a pregação do Evangelho de Cristo, suprindo as despesas de caminho em suas viagens, dando um apoio financeiro para seu sustento e família e um auxílio à saúde. b) Produzir e adquirir literatura e material evangelístico para uso dos missionários e dos grupos por eles atendidos, como: folhetos, livretes, estudos dirigidos, livros evangelísticos, Bíblias, fitas de áudio e afins. c) Assistência Social, sempre vinculada ao Evangelismo, pois “a fé sem obras é morta sem si mesma”. A Associação Betel é mantida por colaborações espontâneas de pessoas físicas ou jurídicas, que apóiam seus objetivos. São basicamente pessoas regeneradas, contribuintes muitas vezes anônimos, mas que se fazem participantes da pregação, para que também outras pessoas, até mesmo por eles desconhecidas, possam gozar da mesma graça e esperança. São aqueles que compreendem com amor e dedicação as Palavras do Senhor Jesus Cristo: “Indo por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura”.

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Equipe da Revista Ademar Carlos Miranda Flávia G.G. Cid Giuliana Jacobs Rodrigues Humberto X. Rodrigues Márcia Okimura Mariângela Paranaguá Maurício G.G. Cid Tereza Mondek Miranda Diagramação André Henrique Santos Impressão Editora Betânia

REVISTA BETEL é uma publicação trimestral que visa a edificação dos cristãos. Contém artigos e estudos bíblicos centrados na pessoa do Senhor Jesus Cristo. Esta publicação é sustentada por doações voluntárias de irmãos em Cristo, e distribuída aos leitores gratuitamente. Cartas ou emails podem ser enviadas ao redator da Revista Betel: ASSOCIAÇÃO BETEL DE EVANGELISMO E MISSÕES Rua Piauí, 211 - Sala 26/28 CEP 86010-420 - Londrina - Paraná Fone (43) 3321-3488 www.assbetel.com.br e-mail: assbetel@assbetel.com.br

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