Você está na página 1de 37

1.

º ANO - I Semestre

INTRODUÇÃO AO DIREITO I

Unidade I

A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL

Instituto Superior Monitor


Fevereiro 2010
Copyright
Este manual é propriedade do Instituto Superior Monitor (ISM), sendo que todos os direitos
para o seu uso, por estudantes e docentes, lhe estão reservados. É proibido fazer cópias ou
usar este material sem autorização prévia do ISM.

Instituto Superior Monitor


Avenida Guerra Popular No. 1148 1o Andar
Maputo
Moçambique

Tel. 21 300436 Cel. 82 3055795/84 7696894


Fax: +258 21 323432
E-mail: monitor.ism@gmail.com
Website: www.monitor.co.mz
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

Índice

ACERCA DESTA UNIDADE I 3


ESTRUTURA DA UNIDADE I....................................................................................... 3
RESULTADOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE I ............................................. 4
DURAÇÃO ....................................................................................................................... 5
TÉCNICAS DE ESTUDO ................................................................................................ 5
PRECISA DE AJUDA? .................................................................................................... 6
TRABALHOS .................................................................................................................. 6
AVALIAÇÕES ................................................................................................................. 6

UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL 8


CAPÍTULO I - A ORDEM SOCIAL ............................................................................... 8
OBJECTIVOS DO CAPITULO ............................................................................. 8
1. NATUREZA SOCIAL DO HOMEM. ORDEM SOCIAL VERSUS ORDEM
NATURAL .............................................................................................................. 8
1.1 A PROBLEMÁTICA DA ORDEM SOCIAL .................................................. 9
1.2 A SOCIEDADE E OS INTERESSES............................................................... 9
1.3 CONFLITOS DE INTERESSES .................................................................... 10
2. NECESSIDADE DAS REGRAS COMO SUB-SISTEMA ........................ 11
2.1 A SOLIDARIEDADE POR SEMELHANÇA ................................................ 12
2.2 A SOLIDARIEDADE ORGÂNICA ............................................................... 13
3. ORDENS NORMATIVAS DA SOCIEDADE ........................................... 13
4. CONCEITO DE DIREITO ............................................................................... 15
TRABALHO PRÁTICO ....................................................................................... 17
RESPOSTA AO TRABALHO PRÁTICO ........................................................... 18
SUGESTÕES PARA LEITURA........................................................................... 19
QUADRO SINÓPTICO ........................................................................................ 19
CAPÍTULO II - DIREITO POSITIVO, DIREITO VIGENTE E DIREITO NATURAL21
1. NOÇÃO E ESSÊNCIA DO DIREITO POSITIVO ..................................... 21
2. NOÇÃO E ESSÊNCIA DO DIREITO VIGENTE...................................... 22
3. NOÇÃO E ESSÊNCIA DO DIREITO NATURAL .................................... 22
4. RELAÇÃO ENTRE O DIREITO POSITIVO, DIREITO VIGENTE E
DIREITO NATURAL ........................................................................................... 22
5. NOÇÃO DE DIREITO ................................................................................ 24
TRABALHO PRÁTICO ....................................................................................... 24
RESPOSTA AO TRABALHO PRÁTICO ........................................................... 24
SUGESTÕES PARA LEITURA........................................................................... 25
CAPÍTULO III - DIREITO E REALIDADES AFINS .................................................. 25
OBJECTIVOS DO CAPÍTULO ........................................................................... 25
1. DIREITO E TÉCNICA ................................................................................ 26
2. DIREITO E JUSTIÇA ................................................................................. 27
3. DIREITO E ESTADO ................................................................................. 27
TRABALHO PRÁTICO ....................................................................................... 29
RESPOSTA AO TRABALHO PRÁTICO ........................................................... 29
QUADRO SINÓPTICO DO CAPÍTULO IV ....................................................... 30
ii Índice

AVALIAÇÃO DE INTRODUÇÃO AO DIREITO ....................................................... 31


INTRODUÇÃO AO DIREITO I

ACERCA DESTA UNIDADE I


Bem-vindo (a) ao ISM e à disciplina de Introdução ao Direito I!
Esta unidade é uma introdução à disciplina, que faz parte de um
conjunto de disciplinas do curso à distância no Instituto Superior
Monitor (ISM).
O seu sucesso depende muito do modo como vai planificar e
organizar as tarefas de estudo. À medida que vai experimentando
esse sucesso, isso lhe trará satisfação, cada vez mais interesse, entre
outros aspectos. Por isso, siga os conselhos que lhe são propostos
para sair bem sucedido no curso!

ESTRUTURA DA UNIDADE I
As quatro (4) unidades curriculares de Introdução ao Direito l
visam proporcionar uma formação em matérias básicas da Teoria
do Direito, da Metodologia do Direito e da Filosofia do Direito. Na
sua leccionação, teórica e prática, procura-se desenvolver e
aperfeiçoar no estudante as faculdades de análise, de abstracção e
de concretização que são próprias do raciocínio jurídico na
resolução de casos com relevância jurídica.
O objectivo das unidades curriculares é prosseguido mediante o
tratamento de temas que importam uma reflexão tanto sobre o
ordenamento jurídico considerado na sua globalidade, como sobre
as fontes das regras jurídicas e sobre os valores e a legitimação do
direito.

Recomendamos que leia atentamente as generalidades desta


unidade antes de iniciar os seus estudos.

GEBARALIDADE DO CURSO
Caro Estudante,
Para ter sucessos na disciplina de Introdução ao Direito I em geral,
e nesta unidade, em particular, você precisa de estudar
cuidadosamente o material apresentado, aproveitar os recursos
auxiliares disponíveis e apresentar as suas dúvidas ao tutor.
RECURSOS
Se você estiver interessado em aprender mais acerca desta matéria,
nós providenciamos uma lista de recursos adicionais no fim desta

3
4 ACERCA DESTA UNIDADE I

unidade. Estes recursos incluem títulos bibliográficos e de artigos,


websites da Internet e a biblioteca virtual do ISM.

SEUS COMENTÁRIOS
Agradecíamos que após a conclusão desta unidade nos enviasse os
seus comentários sobre os seguintes aspectos:
 Conteúdos e estrutura da unidade;
 Materiais de leitura e recursos da unidade;
 Trabalhos da unidade;
 Avaliações da unidade;
 Duração da unidade;
 Apoio ao estudante (tutores atribuídos, apoio técnico, etc.);
 Outros aspectos que achar pertinente.
Os seus comentários ajudar-nos-ão a melhorar e reforçar esta
unidade.

RESULTADOS DE APRENDIZAGEM DA
UNIDADE I

Ao concluir esta unidade o Estudante será capaz de:

 Aplicar o raciocínio lógico do direito e desenvolver a


capacidade de observação de situações da vida real e
tratá-los conforme a realidade moçambicana no contexto
do direito actualmente em vigor.
Resultados
 Utilizar uma perspectiva histórica, a génese e evolução
da ciência jurídica.
 Demonstrar a compreensão do funcionamento dos
institutos jurídicos.
 Explicar os conceitos fundamentais do direito.
 Analisar casos práticos que emergem das relações
jurídicas.
 Argumentar questões ligadas ao direito de forma clara,
lógica e precisa.
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

DURAÇÃO

Tempo para leitura da unidade: 10 horas


Tempo para trabalhos de pesquisa: 14 horas
Tempo para a realização de exercícios práticos: 2 horas
Duração da unidade:
Tempo para a realização de avaliação: 2 horas
28 Horas

TÉCNICAS DE ESTUDO

Por você ser um estudante universitário as suas técnicas de


aprendizagem serão diferentes das que usava nos tempos da escola
secundária e na presença de um professor.
Neste curso você terá uma grande autonomia, isto é,
Técnicas de Estudo
RESPONSABILIDADE. Acima de tudo, você fará uma gestão
responsável do seu tempo.
Faça um programa de estudos realista e cumpra-o rigorosamente.
Escolha horas e locais tranquilos para os seus estudos.
Faça uso dos demais recursos referenciados na unidade e mobilize
a sua motivação profissional e/ou pessoal para adequar as suas
actividades de estudo a outras responsabilidades profissionais,
sociais e pessoais. Partilhe as suas aprendizagens com os outros.
Usufrua das várias formas de apoio disponíveis, mas
fundamentalmente, você tomará controlo do seu ambiente de
aprendizagem.
Recomendamos que consulte alguns sites da Internet, em inglês,
com informações importantes sobre a melhor forma de estudar de
maneira autónoma:

 http://www.how-to-study.com/

 http://www.ucc.vt.edu/stdysk/stdyhlp.html

 http://www.howtostudy.org/resources.php
Bons Estudos!

5
6 ACERCA DESTA UNIDADE I

PRECISA DE AJUDA?

Os materiais deste curso estão na página seguinte da Internet:


Www.monitor.co.mz
Ajuda Você vai precisar de uma senha para poder ter acesso a estes
materiais. No caso de ter problemas de acesso à página que tem
materiais desta unidade, por favor contactar o Instituto Superior
Monitor pelo e-mail monitor.ism@gmail.com.
No caso de dúvidas sobre o material desta unidade, por favor
contactar o seu tutor através do e-mail monitor.ism@gmail.com.
Também poderá contactá-lo por telefone ou telemóvel cujos
números são disponibilizados pelo Departamento de Apoio ao
Estudante.

TRABALHOS

Depois de estudar cada capítulo desta unidade o estudante deve


resolver todos os exercícios de aplicação como forma de
consolidação das matérias nela vertidas. Os exercícios de aplicação
não seram submetidos ao Instituto Superior Monitor. O Instituto
Trabalhos Superior Monitor fornece as soluções dos trabalhos de auto-
avaliação para lhe ajudar nos estudos. Mas Atenção Caro
Estudante, você deve resolver os exercícios de auto-avaliação antes
de consultar as soluções fornecidas.

AVALIAÇÕES

Deve fazer uma avaliação nesta unidade. A avaliação encontra-se no


final da unidade. A avaliação deve ser submetida ao Instituto
Superior Monitor até ao 28 de Março de 2010.
Avaliações
Ppode submeter a avaliação por e-mail, fax, entregar directamente na
instituição ou usando outros meios de comunicação.
O docente irá corrigir as avaliações e lhe atribuirá uma nota com
base no seu desempenho. A média aritmética das avaliações de cada
Unidade vai ditar a sua nota de frequência.
Depois, você terá que fazer um exame presencial para poder ter a
avaliação final da disciplina. São admitidos ao exame presencial, os
estudantes que tiverem uma nota de frequência igual ou superior a 10
valores.
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

NÃO HÁ DISPENSAS. Para poder concluir a disciplina, os


estudantes devem ter uma média final igual ou superior a 10 valores
e com uma classificação igual ou superior a 10 valores no exame
presencial.

7
8 UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL

UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO


FENÓMENO SOCIAL

CAPÍTULO I - A ORDEM SOCIAL

OBJECTIVOS DO CAPITULO
Finda esta unidade o aluno será capaz de:
1. Estabelecer a diferença entre a ordem social e a ordem
natural;
2. Explicar a origem, formação e necessidade do Direito;
3. Elencar as ordens normativas da sociedade;
4. Definir o conceito de Direito; e

1. NATUREZA SOCIAL DO HOMEM. ORDEM


SOCIAL VERSUS ORDEM NATURAL
Toda a sociedade humana pode ser encarada como um fenómeno
inerente ao sentido gregário da espécie humana. Esta tendência
estende-se para além da própria organização clássica de carácter
estadual. O mundo tem conhecido desde a sua existência como tal,
diversas formas de organização societária, tais como: a família, a
tribo, a cidade, a nação, que, sem representar vontade específica
dos indíviduos em sí, testemunham sempre alguma escolha como
se esta fosse o desenrolar da "ordem natural das coisas". Nos dias
de hoje, assiste-se, no caso moçambicano, à emergência das
associações dos naturais de determinadas áreas, reforçando as que
já existem, tais como: clubes, cooperativas, sindicatos, dentre
outras.
Ora, cada ordem social particularmente examinada tem origem ou
alicerces em factores que vão além da "ordem natural das coisas".
A ordem social incorpora hábitos, regras, práticas, usos incluindo
mesmo instituições nas quias se desenrola o agir determinístico que
foge ao controlo dos indivíduos.

A ordem social é diversa da "ordem natural das coisas". A ordem


social foge às leis da natureza, escapa ao plano determinístico,
escapa à lõgica inexorãvel do mundo natural das coisas. A ordem
social é condicionada pela racionalidade humana, pela liberdade
dos indivíduos, é condicionada ou limitada pelo interesse da
convivência. Quando um indivíduo pauta por uma conduta que
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

foge ao padrão, esse indivíduo sofre o desprezo que a sociedade lhe


reserva.
A "ordem natural das coisas" comportando-se de modo diverso
segue as leis da natureza. As leis da natureza não dependem dos
Homens, pois os fenómenos naturais ocorrem mesmo contra a
vontade destes. Não depende de nenhum Homem em especial que o
resultado da junção dos cromossomas masculino e femenino de XY
ou XX resulte em homem ou mulher no novo ser a nascer da
mesma forma como não depende da vontade de qualquer homem
que a hipotenusa seja igual à soma dos quadrados dos catetos,
sendo que nesta ordem imperam as leis da natureza.
Portanto, a ordem natural sendo dominada pela "arrumação natural
das coisas", dominada pelas leis da natureza é diversa da ordem
social que mesmo não dependendo da vontade particular de cada
Homem, respeita a vivência social para uma sã harmonia por ser o
homem, um ser social.
O carácter gregário do Homem impõe-o regramento, pois quem diz
"sociedade humana" diz "vida de convivência". E quem diz
"convivência" diz "regras", pois não podem as pessoas viver em
comum sem que exista, ao menos, um elenco mínimo de princípios
por que se pautem os seus recíprocos modos de agir. Na verdade,
só a existência de regras de conduta social permite tornar
previsíveis as condutas alheias e a elas adequar, portanto as
condutas próprias. É esta previsibilidade que proporciona aos
indivíduos a necessária segurança e faz possível, por via dela, a
colaboração interindividual necessária ao conseguimento dos fins
sociais.

1.1 A PROBLEMÁTICA DA ORDEM SOCIAL


A sociedade humana é uma individualidade agrupada em
comunidade e porque a mesma não pode subsistir sem princípios
que disciplinem esse modus vivendi, surge o direito visto como um
corpo de regras que visam disciplinar as relações que se
estabelecem entre os homens no cômputo da vida em sociedade.
Como se sabe a vida em sociedade é feita de uma série de conflitos
e sendo natureza do homem viver em grupos dai, que exista a
necessidade de se criar um corpo de regras que disciplinem essa
convivência.

1.2 A SOCIEDADE E OS INTERESSES


A tendência natural do Homem para se associar ao seu semelhante
decorre do facto deste ser corpo e alma, sendo, simultaneamente,
matéria e espírito tendo, por consequência necessiadades materiais
(físicas) e espirituais: o homem tem de alimentar-se, tem de vestir-

9
10 UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL

se, tem de defender-se do próprio meio onde vive (necessidades


físicas); e quer conhecer, cultivar-se, formar-se, aperfeiçoar-se,
distrair-se, etc. (necessidades espirituais).
Desde sempre, porém o Homem se revelou incapaz de, por sí só,
conseguir a realização integral do seu quadro de necessidades. Ora,
se assim é, facilmente se vê como os interesses humanos acima
elencados vêm a constituir o principal substrato de toda a vida
social, e em particular de toda a vida jurídica.
A ideia de interesse assenta sobre duas noções muito elementares: a
de necessidade e a de bem. A necessidade se traduz em uma
situação de carência ou de desiquilíbrio, biológico ou psíquico. O
Homem que a experimenta tende a agir de maneira que desapareça
a carência ou se restabeleça oi equilíbrio perdido. Ora, os meios de
que para este efeito se serve são os bens. Num sentido amplo
poderemos definir o termo bem como todo e qualquer meio de
satisfação de necessidades humanas. Ora, ao Direito somente
importam os bens respeitantes a necessidades cuja satisfação
origina relações socias reguladas pelo direito – os chamados bens
jurídicos. Vale ressaltar que designamos por utilidade a aptidão que
os bens têm para a satisfação das necessidades humanas.
Existem, portanto, dois pares de realidades contrapostas: por um
lado temos o Homem com as suas necessidades e, por outro, os
bens com a sua utilidade. O interesse é o elemento de sintese que
interliga essas duas realidades e pode ser definido como sendo a
relação existente entre alguém que experimenta uma necessidade –
o sujeito do interesse – e um bem que é apto a satisfazê-la – objecto
do interesse.
Atendendo à pluralidade bem como à forma de coexistência dos
interesses teremos que estes podem gerar relações de
interdependência e de incompatibilidade sendo, conforme os casos,
ou solidários ou conflituantes. São tidos como interesses solidários
aqueles que não podem ser realizados sem que o sejam também os
outros, no mesmo momento ou em momento anterior. São
interesses conflituantes os que em sua realização não são
compaginável com a daquele outro que se lhe opõe.
Passemos de seguida a analisar as figuras de conflito e de
solidadariedade de interesses.

1.3 CONFLITOS DE INTERESSES


A interdependência dos homens e seus interesses é o pilar no qual
se edifica a sociedade sendo a força que os mantêm coesos, mas
não raras vezes os interesses desses mesmos homens tendem a
conflituar e actuando assim como uma força centrífuga.
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

São duas as causas destes conflitos, a primeira é de ordem


quantitativa na medida em os bens são raros para a satisfação das
inúmeras necessidades dos homens e sendo que a segunda antecede
a primeira e é de ordem qualitativa que deriva do facto de não ser
possível encontrar certos bens que satisfaçam as necessidades no
sentido de qualidade.

2. NECESSIDADE DAS REGRAS COMO SUB-


SISTEMA
Como anteriormente se referiu a convivência entre os homens
nunca foi fácil e nunca será, prefraseando Hobbes “o ser humano é
um ser egoísta por excelência e busca sempre atingir os seus
objectivos nem que para isso tenha que passar umas por cima das
outras pessoas”, dai orbita a necessidade de criação de mecanismos
que sancionem certos comportamentos tidos como violadores dos
mais elementares direitos dos cidadãos.
Os Valores Fundamentais do Direito visam regular relações da vida
social, compondo interesses conflituantes.
Mas a ponderação desses interesses, têm o seu tratamento pelo
direito, através de situações jurídicas obedecendo a certos valores
que se compadecem com os fins do Estado e variando em função
de opções essências da colectividade, sendo certo que estas sejam
relativamente mais estáveis e encontrando-se dispostas na
Constituição, dai resultam as seguintes tipologias de justiça, que
abaixo se enunciam.
Justiça Distributiva
Nesta os bens económicos, sociais e naturais não pode ser
distribuídos pelos cidadãos, classes e regiões de forma assimétrica
pelo facto, de tal violentar a idêntica natureza do ser humano ou
melhor dizendo a dignidade da pessoa humana ou dito de outro
modo infringir princípios que se encontram constitucionalmente
consagrados, tais como o princípio da universalidade e igualdade
que se acha vertido no art. 35.º da CRM.

Justiça Comutativa
Implica que não hajam situações de dependência ou desigualdade
inaceitáveis em relação as pessoas (é o exemplo da celebração de
um contrato).1

1
Nos contratos de compra e venda que haja de ser celebrados as partes devem
durante todo o contrato agir em condições de igualdade e proporcionalidade ou

11
12 UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL

Justiça Geral ou Legal


Aquela que nos é imposta pelo Estado como efectivo garante da
legalidade e visa alcançar os fins do direito tal como a justiça,
certeza jurídica e a segurança do direito.

Certeza Jurídica
As normas de Direito Natural não podem ser aplicadas, pois nem
todas elas têm dimensão global e indeterminada, e sendo por isso
incertas, tal já não se verifica em relação as normas do Direito
Positivo que são aplicadas em determinadas circunstâncias ou seja
cada conduta em si consubstancia certa infracção e tem o seu
tratamento em direito afastando-se assim situações que possam ser
consideradas desiguais dando assim ao direito uma certa certeza
jurídica.

Segurança do Direito
As revoluções maioritariamente invocam a primazia do Direito
Positivo sobre o Direito Natural e é nessa esteira que o direito
positivo é emanado de um órgão cuja competência é legislar e dai
que este seja mais equitativamente justo e assente nos ideais de
justiça e igualdade e por isso mais equitativa, justa e oferece grande
segurança ao tráfico jurídico.

2.1 A SOLIDARIEDADE POR SEMELHANÇA


Independentemente posição que se tenha com relação à natureza
das sociedades, é um dado adquirido que todas elas carecem de
uma organização capaz de assegurar a realização dos seus fins
próprios posto que o que conduz ao agrupamento de indivíduos,
desde a era primitiva até aos nossos tempos, é o intuito de ordenada
e permanentemente realizar interesses da mesma espécie – os
interesses colectivos, por exemplo: a necessidade de defesa,
transportes, distribuição de água, etc.

seja em obediência ao princípio da pontualidade que se acha vertido no art. 406.º


sob pena de incorrer na sanção postulada no art. 227.º do CC.
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

2.2 A SOLIDARIEDADE ORGÂNICA


A par dos interesses colectivos existem os interesses conexos que
se encontram entre si vinculados numa relação de
complementaridade. Há conexão de interesses quando estes embora
respeitem a necessidades diferentes, se encontram de tal modo
relacionados entre si que a realização de uns depende da realização
dos outros.
A solidariedade por divisão do trabalho é a figura mais significativa
quando falamos em solidariedade orgânica, pois ela traduz-se no
plano dos indivíduos, singular ou colectivamente considerados, em
uma conexão recíproca de interesses: cada pessoa ou grupo só pode
receber dos outros os bens e serviços que precisa, se, por seu turno,
lhes conceder as utilidades (de indole profissional, neste caso) que
lhe corresponde prestar.
Tomemos como exemplo um contrato de empreitada. O
proprietário da empresa de construção só verá satisfeito o seu
interesse monetário caso os seus trabalhadores tenham, também
satisfeitos os seus interesses à recepção do ordenado.

3. ORDENS NORMATIVAS DA SOCIEDADE


É consequência da vida em sociedade urge a necessidade do
aparecimento de regras que disciplinam as condutas humanas.
Essas regras que delimitam a esfera de acção de cada um,
atribuindo-lhe o lugar que há-de ocupar, em cada momento,
relativamente aos mais membros do grupo, restringindo a liberdade
individual em ordem a assegurar a liberdade de todos, são as
normas de conduta social também denominadas ordens normativas
das quais interessa-nos destacar:

 Ordem religiosa – a que abrange qualquer que seja a


religião e é caracterizada pelas relações entre o Homem e a
Divindade, relações e modo de vida que o Homem deve ter
perante a Deus. Ex: é uma norma religiosa é aquela que
estabelece para os católicos a obrigação de assistir à missa.
É considerado como algo que transcendente pelo facto de
incidir sobre as relações que se estabelecem, com Deus,
caracteriza-se por ser uma relação, intra-individual com
uma zona vasta onde se ordenada pessoa a Deus.
Esta tem a função de regular as condutas humanas em
relação a Deus.
Tem tendência social e destina-se a preparar ou a tornar
possível a ordem definitiva que já não é deste mundo ou
seja preparar o indivíduo para a vida após a morte.

13
14 UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL

O não cumprimento das normas de ordem religiosa leva a


punições extra-terrenas, tal é o caso de ir ao inferno ou não
conhecer o paraíso.

 Ordem moral – a que abrange toda a conduta dirigida à


realização e prossecução do bem, por via de um conjunto de
imperativos impostos aos indivíduos pela sua própria
consciência ética. Ex: é uma norma moral a que manda dar
esmola aos pobres. Tem o seu espectro na questão de
aperfeiçoamento da pessoa, conduzindo-a para o bem,
sendo intra-individual não se dirigindo a uma organização
social.
Esta incide sobre o indivíduo como um corpo de regras de
condutas próprias para se viver em sociedade. Sendo por
isso que as regras morais são impostas ao homem pela sua
própria consciência, de tal modo que o seu incumprimento é
sancionado pela reprovação emanada da sua consciência, e
sucede sempre que nos arrependemos de algo.
As regras da moral diferenciam-se das regras do direito,
pelo critério da coercibilidade, isto é, as primeiras nunca
são susceptíveis de aplicação coerciva, enquanto as do
Direito normalmente o são, a despeito de existirem normas
morais que coincidem com as do direito tais como, “não
matar ou não furtar.....”

 Ordem de trato social ou de cortesia – a que abarca


situações de mera convivência entre os Homens. São
igualmente chamadas normas de boas maneiras. Ex: as que
aconselham os homens a serem especialmente diferentes
com as senhoras. Visa educar a sociedade, em termos e
regras de cortesia ou civilidade com o intuito de tornar a
convivência em sociedade mais agradável e fluida, não
sendo, de todo uma ordem necessária na medida em que
não visa, a conservação da sociedade, tal que esta pode
passar sem ela, não impondo a violação da mesma sanção
judicial mas de carácter social.
Um exemplo deste tipo de conduta de são as regras de
etiqueta, boas maneiras e as regras de cortesia

 Ordem jurídica – a que é centrada na organização das


estruturas básicas da sociedade, prossegundo assim a
segurança e a justiça na vida em sociedade. É a ordem
jurídica a que chamamos de Direito. A ordem jurídica é
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

constituída pelo conjunto de normas jurídicas que regulam a


vida do homem em sociedade.
Sendo que esta normas resultam de uma autoridade com
competência legislativa.
Esta ordena os aspectos mais importantes da convivência
social, exprimindo-se por meio de regras jurídicas, valores
estes cuja prossecução visa a segurança e justiça social.

4. CONCEITO DE DIREITO
Todos nós temos uma vaga ideia do que seja o Direito.
Normalmente ligamos o Direito à lei. Ligamos Direito à conduta
correcta. Temos estado, por exemplo, a ouvir discursos que
apontam para o Estado de Direito. Mas nenhum principiante do
estudo do Direito tem a ideia certa do que seja com propriedade.

Quando ocorre um crime em que A mata B, em qualquer ponto do


país, clama-se pela justiça. Quando dois vizinhos entram em
conflito e partem às vias de facto, o caso é levado à esquadra da
polícia, onde se fala de Direito. A, pede emprestado a quantia de
MZN 10.000,00 a B para pagar no final do mês corrente. Se ao
final do mês A não pagar a B, o Direito deve ser chamado a intervir.
Se um Estado A, entrar em guerra com o Estado B, por causa de
recursos de subsolo ou porque passaram vasos ou fragatas de
guerra do Estado A, das águas territoriais do Estado B, fala-se
também do Direito em causa.
O artigo 349 do Código Penal, proíbe o crime de homicídio, isto é,
impõe o dever de abstenção ou de omissão de matar. Fá-lo por ser
absolutamente necessário à coexistência pacífica da sociedade, para
que haja ordem, segurança e tranquilidade entre os cidadãos.
Supondo que a proibição não seja respeitada, intervirá a força
pública, que lançará mão ao homicída para puní-lo. Entrarão em
causa tanto a Polícia, a Procuradoria bem como os Tribunais, na
busca da verdade material sendo, posteriormente, produzida a
prova, culminando com a punição pela via da condenação do
criminoso.

Pelo exposto podemos inferir que todos temos uma ideia do que
seja, grosso modo, o Direito. Examinaremos, de seguida, definições
de dois conceituados tratadistas da matéria.
O Professor CASTRO MENDES define o Direito como sendo um
"sistema de consuta social, assistido de protecção coactiva". Da
definição aqui apresentada há três elementos fundamentais a reter,
designadamente:

15
16 UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL

1. Sistema
2. Norma
3. Protecção coativa

Ao falarmos de sistema é fundamental entender as normas jurídicas


como um conjunto complexo, harmónico, correlacionado, coerente
e hierarquizado. A norma compreende o que chamamos de
preceito. A protecção coactiva significa que o Direito pode ser
imposto, com recurso à força pública, sempre que a exigência da
situação concreta se imponha nesse sentido.

Como se pode ver, o Direito será constituido por regras de conduta


social, por preceitos que ordenam e regulam a convivência dos
Homens em sociedade, mediante a imposição de acções e
omissões, com vista à prossecução da paz, da justiça e do bem
comum.
A definição avançada pelo Professor Castro Mendes é, no entanto,
criticavél pois pretende que o elemento protecção coactiva faça
parte da noção do Direito quando, na verdade, tal recurso à coacção
é virtual e não sempre presente.

Ensina o Professor GALVÃO TELLES que o Direito é um

"Conjunto de regras jurídicas de conduta social,


estabelecidas em vista da paz, da justiça e do bem comum,
quando necessária e possível".

É, assim, manifesta a evolução desta definição que é finalística,


incorporando também três elementos a saber:
1. Conjunto;
2. Regras jurídicas
3. Possibilidade de coacção.

Já não temos aqui, neste conceito, uma construçáo que faça


perceber o elemento coacção como sendo definidor do Direito.
Os estudantes podem optar por quaisquer definições dos diversos
tratadistas da matéria, desde que saibam fundamentar as posições
que tomam.
Há, sim, diferentes acepções, usos ou empregos do vocábulo
"direito". O termo Direito é sobretudo usado num sentido objectivo
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

e num sentido subjectivo, os quais são como o reverso e o anverso


de uma mesma medalha.
Quando dizemos que "o Direito Civil moçambicano é actualmente
inspirado no Direito Civil Português" referimo-nos ao conjunto de
comandos, regras e normas, ao ordenamento jurídico-civil nacional
no seu conjunto, comparando-o com o da República Portuguesa.
Trata-se aqui de um sentido objectivo.
Quando, por outro lado, afirmamos que possuímos o direito de
propriedade2 sobre a nossa casa (a qual comprámos regularmente e
mantemos desonerada) aludimos a um poder sobre ela que nos é
especialmente conferido, com exclusão dos demais pretendentes a
tal bem, o qual contém várias "faculdades" e "poderes" – desde
logo a posiibilidade de fruição, de alienação, e arrendamento a
terceiros, bem como a oneração, por exemplo, por hipoteca. Este é,
em, suma, um sentido subjectivo.
A tónica recai mais na possibilidade de acção de um sujeito, no
poder ou na faculdade que ele tem, no caso do direito subjectivo
(direito em sentido subjectivo); versa especialmente sobre a norma
ou conjunto de normas quando se está perante o direito objectivo
(direito em sentido objectivo). Esta distinção é patente no direito
anglo-saxónico, correspondendo mesmo a uma diferenciação
terminológica: right é o poder ou faculdade conferidos pelo Direito
(My rights - "os meus direitos") e law é o próprio Direito, o sistema
normativo (I study Law " – estudo Direito"; ou Criminal law –
Direito Criminal; ou ainda that´s law! – É o Direito! ou: é a lei").
Os direitos subjectivos constituem-se, assim, como a aplicação aos
casos concretos e às situações subjectivas dos preceitos normativos
(que são direito objectivo). Assim (retomando o exemplo dado), é
mercê de normas de Direito de propriedade (Direitos reais ou das
coisas, como veremos), constantes sobretudo do Código Civil, que
se põde constituir o meu direito subjectivo à propriedade de minha
casa. Ora, essas disposições legais são, evidentemente, direito
objecto

TRABALHO PRÁTICO
Desenvolva o tema: "Origem, formação e necessidade do direito".

2
Estabelece o artigo 1305 do Código Civil: que "O proprietário goza de modo
pleno e exclusivo dos direitos de uso, fruicção e disposição das coisas que lhe
pertencem, dentro dos limites dalei e com observância das restrições por ela
impostas".

17
18 UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL

RESPOSTA AO TRABALHO PRÁTICO


Está sobejamente afirmado que o Homem é um ser social: a
História e a própria experiência que cada um tem na vida atestam-
no eloquentemente.
Esta tendência para o Homem se associar ao seu semelhante na
medida em que se trata de uma tendência natural, há-de explicar-se,
em grande parte ao menos, através da própria natureza humana.
O homem é corpo e alma, é simultâneamente, matéria e espírito e,
por isso mesmo, as suas necessidades são materiais (físicas) e
espirituais: o homem tem de alimentar-se, tem de vestir-se, tem de
defender-se do próprio meio onde vive (necessidades físicas); e
quer conhecer, cultivar-se, formar-se, aperfeiçoar-se, distrair-se,
etc. (necessidades espirituais).
Desde sempre, porém, o homem se revelou incapaz de, por si só,
conseguir a realização integral do seu quadro de necessidades. É na
associação com outro homens, através da chamada "vida social"
que ele busca conseguir, e tem conseguido, a adequada satisfação
das suas necessidades. A família, a tribo, a cidade, a nação, são
outros tantos exemplos de sociedade.
E essa "vida social" estabelece entre os homens estreitos vínculos
de solidariedade:
- Solidariedade por semelhança, quando os homens se unem e
cooperam para a satisfação de necessidades comuns a todos eles;
- Solidariedade orgânica, quando em ordem a um melhor
aproveitamento das aptidões individuais a divisão do trabalho
coloca o homem em dependência mais estrita do seu semelhante.
No fundo, a vida do homem em sociedade é, também, em si
mesma, uma necessidade, ainda quando seja apenas o único ou
melhor instrumento de realizar outras necessidades. As múltiplas
instituições criadas pelo homem para vencer os reptos que se lhe
lançam e ultrapassar as suas limitações estritamente biológicas são
um bom exemplo da sociabilidade e gregarismos humanos.
Não pode existir, e muito menos subsistir, uma sociedade (qualquer
que ela seja) sem organização, sem regras que disciplinem a
actividade dos seus membros. É que na vida social não há apenas
relações de solidariedade, de comunhão de interesses, harmonia
entre os homens. As necessidades humanas – que são em número
ilimitado e crescente, pressupõe a existência de bens que as
satisfaçam e estes, ao contrário daquelas, não existem
ilimitadamente. Bastará, portanto, que dois homens, no caso de
interesses individualmente considerados, ou dois grupos de
homens, no caso de interesses colectivamente considerados,
tenham interesse pelo mesmo bem para que entre eles surja um
conflito de interesses individual ou colectivo, respectivamente.
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

Pois bem, o Direito existe para solucionar esses conflitos,


indicando o interesse que deve prevalecer e o modo de o tutelar, ou
seja, definindo e impondo regras de conduta. O Direito (direito
objectivo, conjunto ou sistema de regras em concreto encontradas
para solucionar os conflitos efectivos de uma dada sociedade em
especial) tem origem na preocupação humana em atribiur a cada
um o que é seu.

SUGESTÕES PARA LEITURA:


Monografias de leitura obrigatória:

1. ASCENÇÃO, José de Oliveira (2005). O Direito /


Introdução e Teoria Geral. Livraria Almedina. Coimbra.
2. MARQUES, José Dias Marques (1994). Introdução ao
Estudo do Direito - 2ª Edição. Editora Danúbio, Lda.
Lisboa.

Monografias de leitura complementar:

1. MACHADO, João Baptista (2002). Introdução ao Direito e


ao Discurso Legitimador. Livraria Almedina. Coimbra.
2. SOUSA, Marcelo Rebelo / GALVÃO, Sofia (2000).
Introdução ao Estudo do Direito. Lex. Lisboa.
3. TELLES, Inocêncio Galvão (2001). Introdução ao Estudo
do Direito I. Coimbra Editora. Coimbra.

QUADRO SINÓPTICO

A ORDEM SOCIAL

NATUREZA SOCIAL DO HOMEM ORDEM SOCIAL VERSUS


ORDEM NATURAL

ordem natural das coisas": Ordem social: é condicionada pela


orientada pelas leis da racionalidade humana, pela liberdade dos
indivíduos, é condicionada ou limitada pelo
natureza; interesse da convivência;

19
20 UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL

Os interesses humanos vêm a constituir o


principal substrato de toda a vida social.
Toda a sociedade humana
pode ser encarada como um O interesse: a relação existente entre
fenómeno inerente ao
sentido gregário da espécie alguém que experimenta uma necessidade
humana – o sujeito do interesse – e um bem que é
apto a satisfazê-la – objecto do interesse.

Por semelhança: quando os homens se


unem e cooperam para a satisfação de
Solidariedade necessidades comuns a todos eles.

Orgânica: quando em ordem a um melhor


aproveitamento das aptidões individuais a
divisão do trabalho coloca o homem em
dependência mais estrita do seu
semelhante.

ORDENS
Ordem religiosa – a que abrange qualquer que seja a
NORMATIVAS
DA religião e é caracterizada pelas relações entre o Homem
SOCIEDADE e a Divindade, relações e modo de vida que o Homem
deve ter perante a Deus.

Ordem moral – a que abrange toda a conduta dirigida à


realização e prossecução do bem, por via de um
conjunto de imperativos impostos aos indivíduos pela
sua própria consciência ética.

Ordem de trato social ou de cortesia ou normas de boas


maneiras – a que abarca situações de mera convivência
entre os Homens.
Ordem jurídica – a que é centrada na organização das
estruturas básicas da sociedade, prosseguindo assim a
segurança e a justiça na vida em sociedade. É a ordem
jurídica a que chamamos de Direito.

"Conjunto de regras jurídicas de conduta social,


CONCEITO DE estabelecidas em vista da paz, da justiça e do bem
DIREITO comum, quando necessária e possível".
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

Direito objectivo – conjunto de normas

Direito subjectivo – possibilidade de acção de um


sujeito, poder ou faculdade.

CAPÍTULO II - DIREITO POSITIVO,


DIREITO VIGENTE E DIREITO
NATURAL

OBJECTIVOS DO CAPÍTULO:
No final deste capítulo o estudante será capaz de:
1. Definir e diferenciar o Direito Positivo do Direito Vigente e
do Direito Natural;
2. Analisar qualquer lei que se lhe apresente do ponto de vista
da validade, vigência e justiça; e
3. Diferenciar o juspositivismo do jusnaturalismo.

O Direito positivo, o Direito vigente e o Direito natural são


aspectos do conceito de direito objectivo que particularmente o
elucidam.

1. NOÇÃO E ESSÊNCIA DO DIREITO POSITIVO


O Direito positivo é também conhecido por jus in civitate positum,
sendo aquele que vigora ou alguma vez foi posto em vigor numa
comunidade, pelos órgãos criadores do direito. Consiste, portanto,
no conjunto de regras que foram postas em vigor numa
determinada colectividade, compreendendo não só as que
efectivamente vigoram num momento considerado, mas também
todas aquelas que por ventura tenham já atingido o termo da sua
vigência, que tem ou tinham em vista, respectivamente, a harmonia
e convivência social, tendo a autoridade pública a prerrogativa de
impô-lo à força se necessário.
Deste modo, o conjunto de normas jurídicas vigentes no nosso país,
plasmadas nos Códigos Civil, Penal, Comercial, Código de
Processo Civil, Código da Estrada, Código de Imposto sobre o

21
22 UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL

Rendimento, dentre outros códigos, bem como toda a legislação


avulsa vigente ou que alguma vez tenha vigorado em Moçambique,
forma o direito positivo.

2. NOÇÃO E ESSÊNCIA DO DIREITO VIGENTE


Por direito vigente entende-se o conjunto de regras ou princípios
que regem uma colectividade em dado momento da sua vida. Como
se pode verificar o direito vigente é o direito positivo, na medida
em que foi posto a vigorar, mas tem uma dimensão mais restrita,
visto compreender apenas o conjunto de regras que em momento
determinado se encontram em vigor.

3. NOÇÃO E ESSÊNCIA DO DIREITO NATURAL


O direito natural é o conjunto de princípios normativos universais e
imutáveis que, dimanando da própria natureza do homem, regulam
as suas condutas em ordem à realização da justiça. Dito de outro
modo, são normas impostas pela natureza humana,
independentemente da vontade dos órgãos criadores do direito
positivo, ao qual se impõe, unas no espaço e no tempo, tal como é
una no espaço e no tempo a natureza humana

4. RELAÇÃO ENTRE O DIREITO POSITIVO,


DIREITO VIGENTE E DIREITO NATURAL
O direito natural é entendido como o direito que deveria vigorar e
consiste no conjunto de normas que deviam valer como direito,
quando analisado em sentido restrito. Porque se afigura como o
núcleo em qualquer sociedade humana e tendo o seu âmago no
respeito pela dignidade natural do homem ou seja, o seu cerne na
necessidade dos homens viverem em harmonia entre eles.
Efectiva-se por meio de um corpo de regras que emergem de forma
natural dessa convivência; estas estão despidas de pujança jurídica
típica do direito positivo e que para que tal ocorra, devem ser
eficazmente garantidas por órgão com competência para legislar. É
neste aspecto que se distingue do direito positivo.
Entre estas duas ordens normativas, existe muitos pontos que as
fazem convergir e não faltam pontos de afastamento ou diferença,
que se traduzem relações de conflito.
O direito positivo e, por consequência, o direito vigente nascem da
vontade humana, que de alguma forma procura criá-lo o mais
perfeito possível, o que nem sempre é alcançado devido à fraqueza
humana e à contingência das suas forças, fazendo com que o
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

Homem acabe, sempre em obra imperfeita, senão precária. Vezes


sem conta fica-se longe dos fins que se pretende tutelar,
nomeadamente, os de justiça e paz ou harmonia social.
Contrariamente, o direito natural não é obra humana. As leis
naturais são o reflexo imediato da justiça apesar de não constarem
de qualquer código.
A problemática em torno destes três direitos pode, em termos
gerais, equacionar-se do seguinte modo: para além do direito
positivo, do direito vigente e das suas contingências, haverá um
direito ideal, válido, independentemente do tempo e do espaço, um
direito supra-positivo, justo para todos os povos e para todas as
épocas, que ocupe uma posição de supremacia em relação aos
vários direitos positivos?
Esse direito, cuja existência e origem têm sido largamente
discutidas entre juristas desde as épocas mais recuadas, é o direito
natural que é admitido por várias escolas, embora náo sempre em
termos idênticos. O direito natural veio a ser globalmente rejeitado
e negado pelo positivismo jurídico, escola que dominou o
pensamento dos filósofos e juristas da segunda metade do século
XIX. Com efeito, para os positivistas todo o direito provém da
vontade humana.
Ulteriormente, passou a assistir-se a um ressurgimento do Dirito
Natural, no plano teórico, muito embora a prática jurídica corrente
seja sobretudo positivista.
O modo de encarar o Direito Natural tem evoluído tanto que hoje a
distinção entre jusnaturalistas (defensores do Direito Natural) e
juspositivistas (adeptos apenas do Direito Positivo) tende a tornar-
se estéril. De facto, há jusnaturalistas que vêm o Direito natural
como uma espécie de consciência jurídica geral, sociológica, a qual
muda com o tempo e o lugar, e quando os juspositivistas admitem
cláusulas gerais, conceitos indeterminados e o recurso à equidade
ou a princípios gerais de Direito (como veremos) flexibilizam a lei,
e nela permitem que entre um qualquer Direito ideal, isto é, um
sentido regulador de Justiça.
O Direito Natural coloca-se, a cada passo, no caminho e à
consideração do jurista e não obstante às críticas feitas às diversas
escolas que do seu estudo se têm ocupado tem exercido
considerável influência não só na ciência jurídica mas também
sobre a legislação.
Pode acontecer que nos dias de hoje o Direito Natural entre em
contradição com o Direito Positivo e o Direito Vigente. Nesses
casos, o julgador ou o intérprete é chamado à racionalidade
procurando a solução justa, conforme a paz social.

23
24 UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL

5. NOÇÃO DE DIREITO
O direito é uma ordem normativa composta por normas jurídicas
gerais e abstractas, obrigatórias assistidas de protecção coactiva,
regulam a vida do homem nas suas relações sociais.
Castro Mendes o define como sendo um sistema de normas de
conduta social, assistidas de protecção coactiva e visa regular a
existência humana em sociedade e surge da necessidade de
colmatar os conflitos de interesse que emergem das relações entre
os homens.
Direito Objectivo
É o direito legalmente legislado, ou seja, o conjunto de normas jurídicas
que regulam as condutas dos homens.

Direito Subjectivo
Consiste no poder ou faculdade conferidas pelo direito a uma
pessoa de livremente exigir de outrem um comportamento positivo
(facere), que se reporta a uma acção ou um comportamento
negativo (non facere), consiste na omissão
Por exemplo:
O que se acha vertido no art.º 1305˚ CC, no que concerne ao direito
de propriedade, postula o seguinte “ o proprietário goza de modo
pleno e exclusivo dos direitos de uso, fruição e disposição das
coisas que lhe pertencem...”
Tendo em atenção as definições supra concluiremos que a norma
em análise constitui o direito objectivo, sendo que esta mesma
norma tem ainda o condão de conceder ao proprietário de certo
bem os direitos de uso, disposição e fruição das coisas que o
pertencem, compondo-se assim os direitos subjectivos.
O direito subjectivo tem uma relação de dependência com o direito
objectivo na medida em que só existirá se este o último o prever

TRABALHO PRÁTICO
Analise a Lei que permitia a escravatura do ponto de vista do
Direito Positivo, do Direito Vigente e do Direito Natural

RESPOSTA AO TRABALHO PRÁTICO


Do ponto de vista de Direito Vigente vale ressalvar que essa norma
já não se encontra em vigor posto que a escravatura já foi abolida.
Do ponto de vista do Direito Positivo referir que essa era uma lei
colocada em vigor por expressa vontade dos órgãos com
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

competência legislativa pelo que enquanto vigorou essa lei era


válida e eficaz. Ora, o problema maior coloca-se no campo do
Direito Natural pois essa norma era claramente injusta pois
representava uma agressão aos valores supremos pelos quais se
devia pautar toda e qualquer sociedade, mormente o respeito pela
pessoa do outro.

SUGESTÕES PARA LEITURA


Monografias de leitura obrigatória:

1. ASCENÇÃO, José de Oliveira (2005). O Direito /


Introdução e Teoria Geral. Livraria Almedina. Coimbra.
2. MARQUES, José Dias Marques (1994). Introdução ao
Estudo do Direito - 2ª Edição. Editora Danúbio, Lda.
Lisboa.

Monografias de leitura complementar:

1. MACHADO, João Baptista (2002). Introdução ao Direito e


ao Discurso Legitimador. Livraria Almedina. Coimbra.
2. SOUSA, Marcelo Rebelo / GALVÃO, Sofia (2000).
Introdução ao Estudo do Direito. Lex. Lisboa.
3. TELLES, Inocêncio Galvão (2001). Introdução ao Estudo
do Direito I. Coimbra Editora. Coimbra.

CAPÍTULO III - DIREITO E


REALIDADES AFINS

OBJECTIVOS DO CAPÍTULO:
Findo este capítulo o estudante deverá ser capaz de:

1. Estabelecer a diferença entre o Direito e a Técnica;


2. Explicar quando é que questões técnicas levantam
problemas juridicos;
3. Explicar o porque de não se poder confundir o Direito e a
Justiça; e
4. Distrinçar o conceito de Direito do conceito de Estado.

25
26 UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL

1. DIREITO E TÉCNICA
Alguns autores tomam a ordem técnica como sendo elemento das
ordens normativas da sociedade. Outros sustentam ser a ordem
normativa no seu todo que tem como suporte as normas técnicas e
normas éticas, sendo nesta última onde teriamos a ordem jurídica,
ou seja, o Direito.
Seja como for, a existir uma alguma ordem técnica como parte das
ordens normativas da sociedade, seria tal como a ordem jurídica,
expressa por leis.
Através de um exemplo podemos clarificar as diferenças entre o
Direito e à Técnica. É no domínio do conhecimento técnico em
física, que a composição do hidrogénio e oxigénio resulta em água
(H2O). No domínio das ciências matemáticas e exactas ensina-se
que a raíz quadrada de quatro é igual a dois. Ou a soma dos
quadrados dos catetos é igual a hipotenusa. Todas estas são regras
técnicas que, por não serem imperativas não podem ser impostas
com recurso à força pública, porque são regras de resultado, que
interessam à técnica.
Ninguém pode ser sancionado com recurso aos poderes e força
pública por não acertar a equação que resulte no ácido sulfúrico
(H2SO4). O que pode acontecer é que esse indivíduo, no caso de
errar, será tido por tecnicamente incompetente, salvo nos casos em
que essa incompetência tenha sido relevante para a verificação do
dano ou a lesão do bem jurídico.
Contrariamente, o Direito exprime-se por leis que não condicionam
o resultado. A lei estabelece no artigo 393 do Código Penal que
"quem estuprar mulher virgem, menor de 12 anos, contra sua
vontade será condenado na pena de oito a doze anos de prisão
maior".
O violador deste dispositivo legal, o estuprador, não será apenas
censurado pela sociedade, nem considerado tecnicamente
incompetente, será punido merecidamente, com a pena de prisão
maior de doze a dezasseis anos.
Todos nós nos recordamos de um dos pensadores primários
universais, Galileu Galilei, que teve de sucumbir à inquisição por
se recusar a negar a sua própria descoberta de ser a terra que gira à
volta do sol e não o contrário. No entanto, se se entendesse
tecnicamente não ser a terra que gira à volta do sol (por erro), tal
não daria lugar à sanção. Galileu não foi vítima de uma sanção pela
lei técnica mas sim de uma lei humana, no caso concreto, uma lei
religiosa que na altura se confundia com o Direito.
Podemos deste modo concluir que o Direito é dominado pela
necessidade e pela imperatividade, enquanto a técnica tem na
necessidade de um resultado em vista o seu suporte, podendo ser
imposta com recurso à força pública, sempre que possível e
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

necessário mas, a ordem técnica em nenhum momento se pode


impor com recurso aos meios coercitivos do Estado sendo, deste
modo, dois conceitos distintos.

2. DIREITO E JUSTIÇA
Desde logo referir que o Direito é distinto da justiça porque esta é
uma das finalidadeS da ordem jurídica. O Direito prossegue
determinados fins que interessam à convivência sã entre os
cidadãos e esses fins são designadamente: o bem comum, a justiça,
a segurança e a harmonia social. Por outras palavras, a justiça
social é um dos produtos que o Direito tem em vista.
Não restam dúvidas que este fim do Direito muitas vezes se fica
por alcançar neste mundo cada vez mais comercial em detrimento
do elemento humano. Existem ainda Estados onde os indivíduos
têm convivido com leis injustas degfraudando este sagrado fim do
Direito, como é o caso flagrante do Zimbabué de Robert Mugabe.
Sendo a justiça um fim nobre que o Direito tem em vista alcançar
podemos inferir ser o este diferente daquele.

3. DIREITO E ESTADO
A distinção entre os conceitos de Direito e de Estado tem sido
largamente discutida na matéria relativa às caracteristicas das
normas jurídicas, que teremos oportunidade de aprofundar na
Unidade II desta disciplina.
Por hora vale clarificar que são dois os aspectos discutidos:
- O sentido de que o Estado e o Direito são uma e a mesma
realidade;
- O sentido de que o Direito, para o ser, há-de ter necessariamente
origem estadual.
Como se verá a frente, este entendimento não é defensável. Desde
logo, porque o Estado e o Direito na sua conceptualização têm
sentidos diversos e porque o Estado não é detentor do monopólio
de criação do Direito. As autarquias e as diversas organizações
sociais produzem leis, regulamentos ou posturas. As comunidades
socias produzem regras não contrárias à lei. As sociedades
produzem o costume, fonte do Direito de que nao depende da boa
vontade do Estado.
Para uma melhor compreensão passaremos ao detalhe começando
pela noção de Estado.
A mais vulgar definição seria considerar o Estado como um povo
politicamente organizado num dado território.

27
28 UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL

O Professor Castro Mendes ensina que "Estado é uma sociedade


politicamente organizada, fixa em determinado território que lhe é
privativo e tendo como características a soberania e a
independência".
De qualquer das duas definições resultam três elementos
fundamentais que caracterizam o Estado:

1. O elemento pessoal – povo, população;


2. O elemento político – organização do poder político;
3. O elemento territorial – o território.

Ora, estes três elementos não são conexos com a definição de


Direito, a ponto de haver confusão entre a noção de Estado e de
Direito considerando-os uma e mesma realidade. A tese da
estadualidade do Direito no sentido de coincidencia das noções de
Estado pretende que o Direito coincida com a organização do poder
político na sociedade, isto é, aquilo que é o poder político do
Estado seria o Direito.
Não pode, de forma alguma, ser defensável tal definição do Direito
convergindo com a noção do Estado. Desde logo porque,
modernamente, o estado está subordinado ao Direito ainda que por
si criado. O Direito não se confunde com o Estado pois tem ainda o
papel fundamental de limitar e legitimar o poder do Estado.

O Professor BAPTISTA MACHADO defende que "significa isto


que há princípios de Direito que se impõem ao próprio Estado e
este não pode constituir uma ordem jurídica sem se referir ao
príncipio superior da justiça".

Igualmente a tese de que todo o Direito provém do Estado não pode


ser defensável na medida em que não obstante o facto de se
reconhecer que é de longe o Estado o mais importante criador do
Direito, o mesmo não pode ser confundido com o monopólio ou
exclusividade na produção do Direito muito embora Estado seja a
mais importante forma de organização sociale e o Direito de
origem estadual seja também a forma mais elevada do Direito.
As comunidades primitivas dotadas de uma organização
rudimentar, desprovidadas de uam autoridade central e de um
sistema organizado, detêm também a sua ordem jurídica, ainda que
a diferenciação desta perante a ordem jurídica seja menos evidente
que na sociedade estatal.
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

Ao nível supra-estatal encontramos o Direito Internacional Público,


o chamado Direito da Comunidade Internacional, constituido em
parte por normas de natureza consuetudinária (costume
internacional). O Direito Internacional Público é um Direito supra-
estatal que se impõe a todos os Estados.
Ao nível extra-estadual, fora do Direito Interno e do Direito
Internacional Público, pode ainda apontar-se o Direito que rege os
comerciantes nas suas relações internacionais, a chamada lex
mercatoria. Importa, igualmente, referir a existência de uma
componente consuetudinária na generalidade das ordens jurídicas.
Existem também, como já fizemos referência as normas jurídicas
emanadas das entidades autónomas que não integram o Estado: as
corporações e autarquias.
Concluindo e concatenando, o Estado tem certamente, uma função
de eelemento aglutinador da normatividade jurídica nas sociedades
modernas, que são cada vez mais legiferantes, mas o Direito não se
confunde com ele nem o mesmo detém a exclusividade da criação
da norma jurídicO

TRABALHO PRÁTICO
Poderá ser responsabilizado o engenheiro responsável pela
construção de uma ponte se esta por ventura ceder e acabar por
perder a vida o servente que trabalhava na mesma, se ficar provado
que tal deveu-se a um erro de cálculo do engenheiro?

RESPOSTA AO TRABALHO PRÁTICO


Muito embora a construção civil faça parte do dominío da técnica,
o erro de cálculo na construção da ponte estravaza o campo técnico
para o campo jurídico a partir do momento em que desse erro
resultam danos, no caso em específico, um dano patrimonial e não
patrimonial que urge ressarcir.
Serão assim chamados os meios coercitivos de que o Estado dispõe
de forma a sancionar o agente responsãvel pela verificação do
dano.

SUGESTÕES PARA LEITURA:

Monografias de leitura obrigatória:


1. ASCENÇÃO, José de Oliveira (2005). O Direito /
Introdução e Teoria Geral. Livraria Almedina. Coimbra.

29
30 UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL

2. MARQUES, José Dias Marques (1994). Introdução ao


Estudo do Direito - 2ª Edição. Editora Danúbio, Lda.
Lisboa.

1. MACHADO, João Baptista (2002). Introdução ao Direito e


ao Discurso Legitimador. Livraria Almedina. Coimbra.
2. SOUSA, Marcelo Rebelo / GALVÃO, Sofia (2000).
Introdução ao Estudo do Direito. Lex. Lisboa.
3. TELLES, Inocêncio Galvão (2001). Introdução ao Estudo
do Direito I. Coimbra Editora. Coimbra.

QUADRO SINÓPTICO DO CAPÍTULO III

DIREITO E TÉCNICA

Ordem técnica não é imperativa, apenas visa atingir


resultados cientificos. Ordem Juridica pode ser imposta
com recurso à força pública.

DIREITO E JUSTIÇA

Justiça é uma das finalidades da ordem jurídica. O Direito


prossegue o bem comum, a justiça, a segurança e a
harmonia social.

DIREITO E ESTADO

O Estado tem a função de elemento aglutinador da


normatividade jurídica nas sociedades modernas.

O Direito tem o papel fundamental de limitar e legitimar


o poder do Estado.
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

AVALIAÇÃO DE INTRODUÇÃO AO
DIREITO

ATENÇÃO – TESTE DE AVALIAÇÃO


Avaliação NOME:
___________________________________________________________
Nº DE MATRÍCULA ________________ NOTA
_________________
N.B: Envie-nos este teste já resolvido, para correcção.

Teste da 1ª Unidade – Duração 2 horas


Leia atentamente as questões apresentadas neste teste. Resolva-o na
folha de teste em anexo e envie ao ISM para correcção. A cotação
para cada questão está entre parênteses.

1. “Todo o Direito Vigente é Direito Positivo mas, nem todo o


Direito Positivo é Direito Vigente”. Será esta asserção verdadeira?
Justifique. (Ponderada em 2 valores).

2. “O dado fundamental da vida social é, na verdade, que esta não


pode fazer-se sem uma disciplina”. Comente. (Ponderada em 3
valores).

3. Afirmar que o Direito é um conjunto de normas juridicas


complexas, harmonicas, correlacionadas, coerentes e hierarquizadas
equivale a afirmar que o Direito é uma ordem totalitária? (Ponderada
em 3 valores).

4. Fala-se em solidariedade orgânica quando os homens se unem e

31
32 UNIDADE I – A ORDEM JURÍDICA COMO FENÓMENO SOCIAL

cooperam para a satisfação de necessidades comuns a todos eles.


Concorda? Porquê? (Ponderada em 2 valores).

ll

1. Rui Mendes, reputado engenheiro de construção, dedicado ao


ramo imobiliário, resolveu construir um condomínio de luxo no bairro
dos pescadores, em Maputo.

Entretanto, o único espaço em que tal poderia ser feito era composto
em 50 % de vegetação de mangal que, no entanto, há muito que se
encontrava seca. Ignorando todos os apelos que foram feitos pelas
associações protectoras do ambiente, segundo o qual o local era
impróprio para a construção, uma vez que a qualquer altura o mangal
poderia voltar a estar coberto de água do mar, e sem ter, previamente,
elaborado uma avaliação de impacto ambiental, Mendes seguiu com a
sua obra.

Ao fim de um ano, o condomínio ficou pronto a habitar tendo sido


bastante concorrido pois, oferecia uma vista para o mar como poucos
em Maputo. Ora, seis meses mais tarde, a cidade foi fustigada por um
violento temporal que elevou o mar a um nível nunca antes visto.

Durante dias tal facto foi motivo de destaque na imprensa nacional


tendo, inclusive, sido realizados debates em torno desse assunto onde
foram convidadas pessoas com mais de 80 anos que categoricamente
afirmaram que nunca na vida testemunharam fenómeno parecido.

A zona do mangal, que outrora estava seca, ficou completamente


alagada inundando o condomínio edificado por Rui Mendes e
afectando, seriamente, a estrutura do mesmo. Os moradores, furiosos,
após várias tentativas de contactar o empreeiteiro, acabaram por
recorrer ao grupo dinamizador, local onde na óptica destes o conflito
seria dirimido, isto porque Mendes se recusa a assumir qualquer
responsabilidade, baseando-se no facto de que a chuva é um fenómeno
natural impossível de prever e, de que, nunca antes a cidade tinha sido
afectada por uma tempestade daquelas proporções.
Quid Juris? (ponderada em 5 valores).
INTRODUÇÃO AO DIREITO I

2. Roberto Rebenta, enfermeiro aposentado, perdeu toda a sua família


num fatídico acidente de automóvel. Este acontecimento o deixou
deveras traumatizado causando mudanças drásticas na sua pessoa,
tendo ele resolvido mudar de província com o intuíto de se isolar de
tudo e de todos.

Com efeito, nas raras vezes em que se fazia a rua, não respondia à
saudação dos seus vizinhos, ignorando-os por completo.

Essa questão foi levantada pelo adjunto do secretário do bairro em


uma reunião com os moradores do mesmo. Nesse encontro ficou
unanimente assente que o comportamento do Sr. Rebenta quebrava
toda a harmonia na comunidade para além de que constituia um mau
exemplo para os petizes que nela habitavam. Decidiram, então,
contactar o régulo da comunidade com o intuito de requerer que esta
entidade expulsasse Roberto Rebenta do seio da mesma, uma vez que
o seu comportamento tornava a sua integração e convivência na
comunidade praticamente impossível.

Se fosse procurado para tecer a sua opinião jurídica, em torno deste


caso, como decidiria?
(ponderada em 5 valores).

Bom Trabalho!

33