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1 BRINCAR NO COTIDIANO DA CRIANÇA

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  • Introdução
  • 2.3.1 Teorias do desenvolvimento
  • 2.3.2.3 Lev S. Vygotsky
  • 3 - Desenvolvimento
  • 4.1 - Análise de dados
  • 5- Considerações Finais
  • I-Questionário dos pais
  • II- Questionário dos professores

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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “Júlio de Mesquita Filho” FACULDADE DE CIÊNCIAS Licenciatura em Pedagogia UNESP-BAURU

ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”-UNESP, como prérequisito para obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia, orientado pela Profª. Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes.

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Monografia submetida à Comissão Examinadora designada pelo Curso de Graduação em 01/11/2008 como requisito para obtenção do grau de Pedagogia.

BANCA EXAMINADORA

Orientador: Profª Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Marcia Cristina Argenti Perez Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Thais Cristina Rodrigues Tezani Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura:

Data de aprovação: 11 de novembro de 2008.

. amor. E aos meus queridos e amados alunos.4 Dedico este trabalho aos meus pais cujo carinho. dedicação e confiança não me permitiram desistir de muitos sonhos. paciência. cujos sorrisos e gestos me fizeram seguir a cada dia. companheirismo.

Dirce e Anísio. Companheira e amiga. por ter me concedido está maravilhosa oportunidade de no decorrer desses quatro anos conviver com tantas pessoas especiais. Aos meus queridos alunos. pelos momentos de alegria e tristeza juntos compartilhados que nos ajudaram a construir pontes indestrutíveis no caminho da amizade. Obrigada pelo incentivo e apoio desde a época do cursinho. pelos sorrisos. As amigas Caroline e Kéthlen por não me deixarem desistir. Obrigada por todos os ensinamentos. pela paciência e confiança a mim dedicados. Principalmente por me ensinarem a ter fé e acreditar em mim. Por todas as brigas e reconciliações. por todas às vezes em que brincamos de escolinha e que ela foi minha “aluninha”. Obrigada a todos pelos ensinamentos e conhecimentos oportunizados. Obrigada pelo incentivo e torcida. À minha querida chefe Mariane. carinho e amor dedicados a mim. À toda a minha família. À todos os funcionários da instituição na qual foi realizada a pesquisa e onde trabalhei por dois anos. À minha mãe Nilsa. À minha irmã Ariane. Pelos ensinamentos baseados em experiência. carinho e dedicação incondicionais. pelos ensinamentos. ao meu pai Walmir pelo amor. incentivo e por toda lição de vida que presenciei durante os meus vinte e dois anos de existência. . Aos meus padrinhos Regina e Paranhos por torcerem por mim mesmo que de muito longe. Obrigada por respeitar minhas decisões e acreditar em minha capacidade.5 AGRADECIMENTOS A Deus. À minha tia-madrinha Marli e ao meu tio Marisvaldo. Aos meus avós.

. As professoras Thaís Tezani e Márcia Cristina Argenti Perez pelas contribuições enquanto banca examinadora. À todas as pessoas que passaram e permanecem em meu caminho durante esses quatro anos de Unesp.6 Ao professor Antonio Francisco Marques pelo exemplo a ser seguido.

a legislação e as principais concepções da criança de educação infantil e o papel do brincar. Palavras-chave: Educação infantil. O estudo demonstrou a importância do brincar para o desenvolvimento sócio-cognitivo da criança que foi comprovado pela literatura consultada e os resultados ao final da intervenção realizada propiciou um novo olhar para a educação infantil abandonando uma rotina sistematizada que deixa o lúdico em segundo plano. A pesquisa empírica foi realizada em uma instituição de educação infantil com funcionamento em período integral. legais e científicas do brincar na educação infantil. sendo sujeitos da pesquisa todos os alunos de ambas as salas. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram a pesquisa semi-estruturada e observações participantes.7 Resumo Este trabalho analisou as bases históricas. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. A metodologia utilizada foi a pesquisa-ação. do brinquedo e da brincadeira no cotidiano das crianças da educação infantil atual. das 06h30min às 17h30min. assim como a aplicação de uma intervenção que promoveu o resgate da concepção de infância por meio de brincadeiras. ou seja. concluí-se que a brincadeira também é uma forma de proporcionar o aprendizado. alunos e educadores. O trabalho foi formulado a partir da prática da pesquisadora na educação infantil. . O estudo qualitativo utilizou a metodologia do tipo descritivo e contou com a participação de pais. O universo da pesquisa abrangeu uma classe do Maternal II e outra do Pré da Educação Infantil. A base teórica da pesquisa buscou nos textos disponíveis o histórico. criança e lúdico.

The methodology used was the research-action. The work was developed based on the researcher activities in child education. Every child from each group participated. The research universe covers two groups of children from the elementary school. legal and scientific basis of playing during the child education and execute an intervention for the rescue of the childness conception by means of games. from 06h30am to 5h30pm. toys and jokes in the current child education daily activities. that is. The research was realized in an institution for child education with full period operation. as well as the role of playing. The study demonstrated the importance of playing for the socio-cognitive development of the child and was proven by the literature. child. students and educators. Key-Words: child education. The source of the research are the historical records. setting focus on the children as the active member of their development process. The instruments used for data collection were the semi-structured research and participative observations. The acquired results at the end of the intervention held a new way of seeing the child education. dismissing the systematized routine which leaves the ludic in second plan. toy and playful. because to play is also to learn.8 Abstract This work intend to analyse the historical. the current legislation and the main concepts of child education. . The qualitative study use descriptive methodology and counted with the participation of the parents.

3 Lev S.9 SUMÁRIO Introdução 11 Cap.3 Desenvolvimento 39 3.1.1 Intervenção 68 4.3.2.2 Avaliação 77 5.2 Caracterização da instituição pesquisada 42 3.2 Henri Wallon 35 2. Vygotsky 36 Cap.1 Procedimentos 41 3.3.1 Infância e Educação Infantil 15 1.2.3 O brincar no cotidiano 47 Cap.Referencias 88 7.1 Jean Piaget 34 2.1 O Desenvolvimento da Criança 32 2.Anexos 90 I-Questionário dos pais 91 II .Questionário dos professores 93 .2 Brincar.2 Educação Infantil no Brasil 20 1.2 Teorias do desenvolvimento 34 2.1 Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos 17 1.4 Análise de dados 55 4.3.3.3 Concepção de creche 23 Cap. brinquedo e brincadeira 26 2.Considerações Finais 86 6.

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III - Projeto “A Importância da recreação para o desenvolvimento sócio-cognitivo de crianças no maternal” 94 IV - Projeto “O resgate da infância por meio do brinquedo e da brincadeira na educação infantil” 99

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Introdução Desde o nascimento as crianças são inseridas em um contexto social, seu primeiro contato social se dá pela interação com os pais. Nos primeiros meses de vida a criança entra em contato com o mundo da brincadeira por meio das brincadeiras de esconder o rosto e em seqüência aparecem às brincadeiras cantadas. Os adultos muitas vezes não percebem a importância desse tipo de brincadeira, por meio dela transmite-se muitas características da cultura folclórica. Primeiro a criança brinca sozinha, depois procura companheiros para brincadeiras paralelas e com brinquedos. Só então ela incorpora o sentimento de socialização, descobrindo os prazeres e dissabores do brincar em conjunto. Conforme as crianças vão crescendo suas brincadeiras se tornam mais ricas, com diversos elementos, conteúdos e valores que receberam em seus primeiros anos de vida. Para muitos a idéia de infância se caracteriza como o período que antecede a idade adulta, Postman(1999) em seu livro O Desaparecimento da Infância, se refere a infância como um artefato social e não uma categoria biológica. Isso significa que infância é uma fase específica da vida, que tem variações históricas e sociais. Por exemplo, uma criança que trabalha desde cedo nos fornos quentes das cerâmicas, não tem o sentido de infância, pois ela não teve direito a educação, a brincar, ao cuidado, etc. Segundo este autor, a idéia de infância é uma invenção da Renascença. No livro A História Social da Infância o pesquisador Áries (1986), destaca que o sentimento de infância começa a existir no final do século XVI, perpetuando-se no final do século XVII. Antes disso a criança era tratada como adulto em miniatura sendo ignorada pela sociedade. A visão trazida pelo romantismo sobre a infância trata as crianças como futuro da nação, um ser frágil, inocente e em desenvolvimento cabendo a educação transformá-las em homens educados.

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Algumas mudanças como a expansão do mercado de trabalho para as mulheres, a mudança da estrutura familiar, antigamente o modelo de família nuclear na qual o pai/homem era responsável por manter financeiramente a casa e a mãe/mulher era responsável apenas pela educação dos filhos, nos dias de hoje os arranjos familiares tendo a mulher como provedora da casa, a intensa urbanização e a preocupação da sociedade com a escolarização das crianças culminaram na expansão do ensino no Brasil e no mundo, sendo os principais fatores para a entrada cada vez mais cedo de crianças nas instituições de ensino. Principalmente as de período integral, anteriormente tratada como creche. Foi criada em 1959, a Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada por unanimidade pela ONU, criada com o fim de defender e integrar as crianças na sociedade e zelar pelo seu convívio e interação social, cultural e até financeiro conforme o caso, dandolhes condições de sobrevivência até a sua adolescência. Tendo como base e fundamento os direitos a liberdade, estudos, brincar e convívio social das criança que devem ser respeitados e preconizadas em dez princípios. Destacando o princípio VII no qual se afirma que : “A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito”. Neste mesmo princípio se afirma que: ”A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares (...)”. As mudanças sociais ocorridas no Brasil e no Mundo fizeram com que grande parte da sociedade civil e órgãos governamentais se engajassem em um grande movimento para que o atendimento educacional de crianças de 0 a 6 anos e a infância fossem reconhecidos na Constituição Federal de 1988, o que se concretiza em vários de seus artigos. A partir de então a educação infantil em creches e pré-escolas foi legalizada (artigo 208) e um direito de todos e dever do estado e da família (artigo 205).

que elevou a criança e o adolescente a preocupação central da sociedade. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDBEN) disciplina o sistema de educação brasileiro com base nos princípios presentes na Constituição.1988) demonstra que já havia um interesse por parte dos brasileiros com relação à mudança nos direitos da criança. Sabendo que o papel da escola de educação infantil seja ela em período integral ou não é antes de tudo promover a socialização das crianças e que o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização. o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).13 Nossa Constituição (BRASIL. trouxe diversas mudanças em relação a lei anterior entre elas a inclusão da educação infantil. baseada no princípio do direito universal à educação para todos. conseqüência do direito da criança à educação e não direito da mulher trabalhadora . . inciso IV. em creches e pré-escolas. já previstos na Constituição de 1988. promulgado pelo então presidente Fernando Collor de Melo com o objetivo de estipular os direitos e responsabilidades das crianças e adolescentes. avançou no direito das pessoas ao explicitar os princípios da proteção integral e da prioridade absoluta. como primeira etapa da educação básica. A atual LDB (Lei 9394/96) sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento.Tem por objetivo possibilitar aos sistemas de ensino a aplicação dos princípios educacionais constantes da Constituição Federal. o que fez com que o Brasil se tornasse o primeiro país a adequar a legislação interna aos princípios consagrados pela Convenção das Nações Unidas. portanto toda vez que se promulga a Constituição é necessário a elaboração de uma nova LDB. Em 1989. Sendo um dos direitos fundamentais da criança é o direito de brincar presente no artigo 16.

Relacionar os dados obtidos através de questionários com dados obtidos nas observações. Caracterizar o funcionamento da escola de período integral.14 Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo dessas crianças.Definir brinquedo e brincadeira.Identificar as características cognitivas. bem como a estrutura física e organizacional da escola. . O desenvolvimento da criança. Brincar. brinquedo e brincadeira. para essa faixa etária tanto a organização pedagógica e filosófica das atividades desenvolvidas. Sem deixar de privilegiar a criança como principal objeto de estudo do trabalho. Os objetivos específicos da pesquisa foram: . Este trabalho será apresentado em capítulos. Observar a realidade identificando os tipos de atividades lúdicas e os recursos disponíveis para o desenvolvimento das mesmas. Contextualizar a realidade estudada no cenário municipal. . Desenvolvimento da pesquisa e Considerações Finais. afetivas e psico-sociais da criança de 2 à 6 anos. Pesquisar junto aos pais e dos alunos e educadores a concepção deles sobre brinquedo e brincadeiras. sendo eles: Introdução . a presente pesquisa almejou analisar a importância do brinquedo e da brincadeira na educação infantil. Aspirou analisar o papel do educador diante da questão do brinquedo e da brincadeira no desenvolvimento de seus alunos.Infância e educação infantil.

a palavra infância oriunda do latim infantia significa “incapacidade de falar”. pois se considerava que antes dos sete anos a criança era incapaz de falar e expressar seus pensamentos e desejos. nessa época a idéia de infância estava ligada a Maria. O terceiro modelo de criança é a representação da criança nua. Nos registros da arte Medieval não se encontra nenhum relato sobre o tema até o meio do século XII. No primeiro as crianças as crianças aparecem na forma de anjos. No século XIV surgem novos modelos para representar a infância. Recorrendo-se ao seu significado literal. que constrói sua história no decorrer dos anos.Infância e Educação Infantil O homem é um ser histórico social. a criança era menos que o adulto. está ligada a noção de família e ao desenvolvimento escolar no século XVII. Segundo o historiador Phillipe Áries em seu livro História Social da Criança e da Família (1981) no qual elaborou estudos sobre a infância na Europa “É difícil crer que essa ausência se devesse à incompetência ou à falta de habilidade. É mais provável que não houvesse lugar para a infância nesse mundo”.15 1. A conceituação de infância que conhecemos é recente. por isso era representada como adulto em miniatura. A partir desse pressuposto a noção ou sentimento de infância foi construído ao longo da história. . Por se tratar de uma construção histórica nos séculos X-XI havia profundo desinteresse pela infância. deixando a antiga idéia de adultos em tamanho reduzido. sendo considerada como um período de transição sem nenhuma lembrança ou importância para a vida adulta. O segundo modelo de criança seria a imagem da criança sagrada representada pelo Menino Jesus ou por Nossa Senhora Menina. Desde a antiguidade a palavra infância estava atrelada a incapacidade.

conforme ocorrem as mudanças na relação social da criança. o consumismo e a globalização. . Segundo a pesquisadora Kramer (2003) “entende-se comumente. novos interesses e necessidades que não existiam antes. a fim de conservar sua lembrança” (ARIÉS. infância e família existiram da mesma forma.p. para a sociedade burguesa a criança deve ser amparada e escolarizada. Ela aparece com a sociedade capitalista. No século XIX substitui-se a pintura pela fotografia. A visão contemporânea de infância se depara com uma série de mudanças. historicamente de acordo com a modificação nas formas de organização da sociedade. novos olhares e algumas rupturas com o modelo de infância concebido até então. O gosto novo pelo retrato indicava que as crianças começaram a sair do anonimato em que sua pouca possibilidade de sobreviver as mantinha. As crianças começaram a sair do anonimato quando os adultos iniciaram o gosto pelo retrato.23) No século XVII passou-se a conservar a imagem da infância pela arte. porém a valorização da imagem da criança permaneceu e consolidou-se então a noção de família. “criança” por oposição ao adulto: oposição estabelecida pela falta de idade ou de “maturidade” e “de adequação integração social”. A criança passou a ser representada sozinhas sendo modelos favoritos dos pintores da época. Para a pesquisadora Kramer (2003) a idéia de infância não existiu sempre e foi modificada com o passar do tempo. essas necessidades estão atreladas ao novo sistema vigente. É notável. já que a possibilidade de perda das mesmas era muito alta. Todas essas características demonstram que nem sempre escola.1981. o capitalismo. Se para a sociedade feudal a criança se tornaria adulta assim que a mesma ultrapassasse o período de alta mortalidade e já pudesse trabalhar. que nessa época de desperdício demográfico se tenha sentido o desejo de fixar os traços de uma criança que continuaria a viver ou uma criança morta.16 No século a densidade demográfica da época explica a indiferença com relação às crianças. de fato. A nova visão de infância possui outras características.

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Por muitos anos a escola e a família eram os grandes responsáveis pela socialização e interação da criança com o mundo, nos dias de hoje outras mídias como a televisão e a internet responsáveis por essa função. Segundo Pfron Neto as crianças tem interesse pela televisão a partir dos 6 meses de vida , passando a assistir com maior regularidade a programação por volta dos 2 a 3 anos de idade. Outro fator que convém ressaltar na mudança da concepção de infância está ligada a nova característica da sociedade contemporânea, a individualização das pessoas. Os pais presos a sua rotina estressante profissional, deixam seus filhos aprisionados em suas casas, permanecendo sozinhos por um longo tempo. Com isso a televisão por sua vez invade a vida das crianças pregando determinado estilo de vida, com modismos e ideais, ditando regras, brincadeiras, formas de ver o mundo. Estimulando a consumir casa vez mais, transformando as crianças em consumidores desenfreados. Nesse sentido a mídia altera a noção de infância construída até os dias de hoje, reduzindo a criança a um sujeito-consumidor,
Ser criança é ter corpo que consome coisa de criança. Que coisas são essas? Primeiro coisas que a mídia define como tendo sido feitas para o corpo da criança. Segundo coisas que ela define como sendo próprias do corpo da criança. Respectivamente, por um lado bolachas, danoninhos, sucos, roupas, aparatos para jogos, etc, por outro gesto, comportamento, posturas corporais, expressões, etc. Ser criança é algo definido pela mídia na medida em que é um corpo-que-consomecorpo (GHIRALDELLI JR. 1996, p. 38).

Nesse aspecto a mídia constrói um significado diferente de infância, deixando de ser uma fase natural da vida, pois sendo então objeto de manipulação, construído, ditado, instruído pela mídia. Diferentemente da visão que prega a criança feliz, protegida, educada, segura. Ou seja, o que vemos hoje é a simulação da noção de infância. 1.2 - Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos

Assim como o conceito de infância, a escola infantil do modo como a conhecemos é muito recente e sua concepção se confunde com a concepção de infância . A percepção de

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escolarização em tempos passados se resumia ao convívio das crianças em grupos adultos e como eles aprendiam a se tornar membros desse grupo. Sem que houvesse a percepção de que a infância é uma fase distinta da vida, que como tal tem suas próprias características, especificidade e necessidades. Na Idade Média ao completar sete anos de idade, a criança entrava em outra família para aprender os afazeres domésticos e costumes, adquirindo conhecimento e experiência prática. Apenas os clérigos de todas as idades, principalmente do sexo masculino é que podiam freqüentar os colégios existentes na época dirigidos pela Igreja Católica. Nas famílias em que os meninos estudavam as meninas não aprendiam nada. Nessa época não havia trajes para diferenciar as crianças dos adultos, os trajes eram diferentes apenas para as classes sociais, sendo assim serviam apenas para perpetuar as diferenças de classes. Áries (1981) explica que a idade Média vestia indiferentemente todas as classes de idade, preocupando-se apenas em manter visíveis através da roupa os degraus da hierarquia social. Nada, no traje medieval, separava a criança do adulto. Segundo Áries:
Essa função demográfica da escola não surgiu imediatamente como uma necessidade. Ao contrário, durante muito tempo a escola indiferente à repartição e à distinção das idades, pois seu objetivo essencial não era a educação da infância. (ÁRIES, 1981, p.124)

Na Idade Moderna, o crescimento da população urbana, a Revolução Industrial e o Iluminismo proporcionaram uma nova etapa à educação infantil, a ruptura de paradigmas considerados arcaicos trouxe modificações sociais e intelectuais a criança. Surgem as primeiras propostas de educação dissociando o desenvolvimento social do desenvolvimento da educação. A obrigatoriedade da escola foi bastante discutida entre os séculos XVIII e XIX, nesta época questionava-se a eficácia das escolas mistas. A disciplina na idade escolar era rigorosa e efetiva, por considerar a criança frágil e incompleta. A Reforma Protestante trouxe a idéia da universalização da escola, surge então uma nova perspectiva sobre a educação infantil levando em consideração como ensinar.

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As idéias de Pestalozzi e Froebel deram origem ao conceito de educação compensatória, seguidas por Montessori e Mc Milam no final do século XIX e sua aplicação efetivamente ocorreu no século XX. A educação pré-escolar era encarada de forma a compensar a pobreza, miséria e a carência das famílias.
A educação pré-escolar começou a ser reconhecida como necessária tanto na Europa quanto nos Estados Unidos durante a depressão de 30. Seu principal objetivo era o de garantir emprego a professores, enfermeiros e outros profissionais e, simultaneamente, fornecer nutrição, proteção e um ambiente saudável e emocionalmente estável para crianças carentes de dois a cinco anos de idade. (KRAMER, 2003, p.23)

Com a Segunda Guerra Mundial o atendimento pré-escolar tomou novo rumo, passando a atender os filhos de mães que trabalhavam na indústria bélica e daquelas que substituíam o trabalho masculino. Por ter caráter de urgência a necessidade desse tipo de atendimento teve índices elevados e culminou com duas medidas importantes para o âmbito da educação pré-escolar. Por um lado a educação pré-escolar assumiu caráter assistencialista de grande importância para a comunidade, já que a partir de então as mães poderiam trabalhar. Por outro lado despertou interesse por novas formas de pensar a educação de crianças, surgiu então à preocupação com as necessidades sociais e afetivas das crianças. Nesse momento aumentaram os estudos sobre a as teorias do desenvolvimento da criança e sobre psicanálise no âmbito pré-escolar. Na década de 60 as pesquisas na educação pré-escolar seguiam a linha do pensamento sobre o pensamento da criança e sobre a influência da linguagem no desenvolvimento escolar. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos sobre testes de inteligência indicavam que as crianças que freqüentaram a jardins de infância ou creche eram melhores do que as que não freqüentaram nenhum tipo de instituição escolar. Atualmente os objetivos da educação na Europa têm sido o desenvolvimento integral do indivíduo e a aprendizagem de diversos meios de expressão para o ensino básico.

Segundo Kramer (2003) do período do descobrimento até 1874. No 3° período.divide a história em três períodos sendo eles: 1º período vai desde o descobrimento até 1874. interesse da administração pública pelas condições da criança brasileira. a pesquisadora Kramer(2003). p. . principalmente a pobre (KRAMMER. faltava.50). até 1930. Neste período predominou o desejo de alguns grupos em diminuir o desinteresse do governo em relação às políticas para as crianças. porém muitos projetos não saíram do papel.20 1. 2003. escolar e higiênico. Os poucos projetos que se concretizaram durante este período segregavam as crianças negras filhas de escravos das crianças da elite filhas dos senhores. Podemos observar que a assistência às crianças pequenas era praticada por médicos sanitaristas e associações de damas beneficentes sendo deixada de lado pelos órgãos públicos. Para estudar alguns aspectos históricos ligados à história da educação no Brasil. devemos considerar que sua construção está ligada à concepção histórico-social de instituições como a família e da infância.). Já no 2° período de 1874 até 1889 há registros de projetos assistencialistas elaborados por alguns grupos especialmente médicos. Nesse período havia apenas casas para os abandonados de primeira idade e uma escola para os abandonados com mais de doze anos. no Brasil não se pensava na infância tanto do aspecto jurídico quando do atendimento as crianças. associações de damas beneficentes etc. se existiam algumas alternativas provenientes de grupos privados (conjuntos de médicos.2 . de maneira geral.Educação Infantil no Brasil Ao analisar o histórico da Educação Infantil. a criança já estava sendo assistida por diversas leis e instituições que principalmente durante as duas primeiras décadas prestavam atendimento médico. 2º período de 1874 até 1889 e o 3º período de 1889 até 1930. Mas.

dentre as quais: monitorar a proteção da infância no Brasil. no Rio de Janeiro. Surgiu então o Estado autoritário preocupado com as crianças consideradas não aproveitadas. O Estado cria vários órgãos de amparo assistencial e jurídico para a infância afirmando a política de valorização da criança. sem vida social. foi inaugurado o Jardim de Infância Campos Salles. A valorização da criança pelo Estado ocorreria gradativamente pós 1930.e que se refletiriam na configuração das instituições voltadas às questões de educação e saúde. Legião Brasileira de Assistência em 1942 e Projeto Casulo. OMEP em 1969 e COEPRE em 1975. Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição em 1972. CNAE em 1955. como adulto em potencial. criar creches. porém foi mantido por doações. Este departamento possuía diferentes tarefas. (idem. UNICEF em 1946. (idem. Comitê Brasil da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar em 1953. criar leis para a proteção dos recém-nascidos. atribuídos a “concepção abstrata da infância”.56). promover congressos. p. em 1909. SAM – 1941 e FUNABEM. promover iniciativas de amparo à criança e mulher grávida pobre. como também na sua política. Em 1919 inicialmente sob responsabilidade do Estado foi criado o Departamento da criança no Brasil.21 Em 1899 foi criado o Instituto de Proteção e Assistência a Infância do Brasil para receber menores de oito anos. Em 1908. divulgar boletins e uniformizar as estatísticas brasileiras sobre a mortalidade infantil. Dentre os órgãos criados pelo governo se destaca: o Departamento Nacional da Criança em 1940.52). jardins de infância. com o objetivo de privilegiar as necessidade das crianças pobres e as crianças com necessidades de algum cuidados. econômicas e sociais ocorridas no cenário nacional . A fundação do instituto foi contemporânea a uma certa movimentação em torno da criação de creches . A década de 30 é considerada aqui como limite pelas modificações políticas. .em estreita relação com o cenário internacional . teve inicio a “primeira creche popular cientificamente dirigida” a filhos de operários até dois anos e. p. maternidade e jardins de infância. maternidades e da realização de encontros e publicações. Neste breve estudo do contexto educacional da educação Infantil no Brasil pré 1930 percebemos que a educação da criança pequena se baseou no assistencialismo médico e na psicologização da educação.

a política de assistência social não atingiu a todos. Nota-se que a educação era fragmentada. p. Neste sentido a educação compensatória visava preencher o “vazio” cultural que atingia as crianças carentes antes que entrassem no 1º grau.22 Mesmo com esforços empreendidos. A pré-escola serviria para suprir a carência educacional e suprir os requisitos básicos que não foram anteriormente transmitidos por seu meio social para garantia do sucesso escolar. A crença na pré-escola e na educação compensatória como solução para os problemas sociais pressupõe uma dada posição perante o mundo e a sociedade. que faria com que seus filhos repetissem o ano letivo. A educação pré-escolar (educação compensatória) foi instituída para amenizar a evasão escolar e alta taxa de repetência no 1ª sério do 1º grau entre as crianças carentes nos anos 70. Com caráter compensatório que visava suprir a falta de condições sociais. O segundo sugere o estimulo para que as empresas instalem instituições de ensino para os filhos das mães trabalhadoras. culturais e nutricionais. jardins de infância e instituições equivalentes. sendo que sua prática foi muito desigual. emocional e social das crianças atendidas. O primeiro é dedicado à educação de crianças até sete anos em escolas maternais. O fracasso dos programas nela fundamentados pode significar um retrocesso na medida em que sirva para justificar uma pretensa inferioridade das crianças (idem. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1961) discorre dois artigos sobre a educação pré-escolar.107). essa carência existia porque os pais das famílias pobres não conseguiam proporcionar oportunidades para um bom desenvolvimento escolar. . Sendo assim a maioria das creches e préescolas públicas tinham essa função assistencialista. sendo regulamentada por vários órgãos e continuava a ser vista como assistencialista. Acentuando assim os problemas de desigualdade social já existentes na sociedade. com recursos escassos e atendimento voltado mais para os problemas de saúde do que para os da educação propriamente ditos. Enquanto as instituições particulares caminhavam na direção contraria visando o desenvolvimento cognitivo.

3 . Retirando a responsabilidade de o Estado atuar sobre os programas de educação infantil.Concepção de creche A pesquisadora Haddad (2002) nos revela que segundo estudos históricos as creches surgiram nos países europeus e norte-americanos no século XIX e no Brasil no inicio do século XX com a estruturação do capitalismo. Seu reconhecimento começa a ser notado nos documentos oficiais e em pronunciamentos. Contudo o direito a educação pré-escolar até os 5 anos está longe de ser concretizado para a boa parte das crianças das camadas populares. a insuficiência de docentes qualificados. A partir de então a educação pré-escolar passou a seguir uma concepção pedagógica que completava a ação da família deixando a atuação assistencialista para trás. escassez de recursos e ações concretas para sua viabilização. fortes e nutridas. Com a Constituição de(BRASIL. os municípios se tornaram responsáveis pela infância e adolescência. pertencentes a uma determinada classe cultural e social tornando obsoleta a prática da educação compensatória. . No entanto a educação compensatória é vista como solução para o problema da educação e sociedade brasileiras. Deveria ser integrada ao sistema de ensino. a urbanização e a necessidade de mão-deobra formada por pessoas sadias. municipal e beneficente. fragmentação dos programas educacionais e de saúde e ausência de uma política integrada para a educação. bem como nas ações desenvolvidas por iniciativas estadual. 1988) a educação pré-escolar passou a se vista como um direito da criança e dever do Estado. Essa visão pedagógica tinha a criança como ser histórico e social.23 Nos anos 80 a educação pré-escolar passou por problemas dentre os quais o caráter assistencialista da educação. Em 1990 com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente. 1.

A creche é procurada por pais que trabalham em período integral e necessitam deixar seus filhos sob o cuidado de terceiros.07) Sendo assim a necessidade da creche apenas se justifica para atender as viúvas ou abandonadas que tenham a necessidade de trabalhar para manter a casa. ou ainda para as mães consideradas incapazes de criar seus filhos. na maior parte dos casos como decorrência da corrente migratória. moral e social das famílias. A creche não surgiu como necessidade da mulher trabalhadora. 2002. mal-assentadas. financeiras e emocionais e procuram a Creche para deixar os seus filhos enquanto trabalham. redistribuição do espaço. Aranha define creche como: Creche é uma instituição social. p. Normalmente essas famílias têm carências sociais. diminuição do tempo de espera da criança e ênfase na sua autonomia e independência (HADDAD. Sendo uma instituição social cuja finalidade é prestar atendimento a famílias desamparadas e/ou desestruturadas. Essas duas novas conquistas são importantes para a história da educação e do cuidado das crianças. Essa concepção passa a ser revista apenas na década de 60. 2002. A creche passa a ser vista como um lugar privilegiado para compensar deficiências bio-psico-culturais apresentadas no desenvolvimento da criança.24 A creche foi por muito tempo alvo de discriminação por algumas pessoas. medidas de reorganização como jogos educativos. com atuação de forma compensatória. com a introdução dos discursos pedagógicos baseados nas teorias de privação cultural. pedagogos. cujo objetivo é prestar atendimento às famílias. pois é rodeada por assistencialismo. Vista como medida de emergência e último lugar a ser procurado pelas famílias. quase sempre parcialmente constituídas. como professores. esperando preencher ou completar os espaços vazios causados pela sua própria insuficiência de recursos. psicólogos. instáveis. suprindo a carência econômica. o atendimento de crianças em creches e préescolas é dever do Estado. pois deveria prevenir e evitar a desestruturação familiar. (ARANHA. a creche passou a ser vista com a ajuda de pesquisas .p.28) Pela primeira vez na história do país. Alterações significativas são introduzidas no funcionamento das creches visando ao treino de habilidades específicas: novas categorias profissionais. demonstrando interesse e preocupação da sociedade com essa etapa de ensino das crianças. Neste contexto a idéia inicial de creche é caracterizada pela iniciativa privada com caráter filantrópico e assistencialista. Na década de 60 observa-se a entrada de outra corrente de pensamento nas creches. recreacionistas.

Os objetivos da creche estão explícitos na referida Lei. principalmente.1998. A legislação em vigor Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (1996) reconhece a importância de profissionais qualificados para o trabalho com as crianças. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) decorre sobre a necessidade de mudança desse paradigma educacional no país: Modificar essa concepção de educação assistencialista significa atentar para várias questões que vão muito além dos aspectos legais. e o papel do educador da creche só terá efeito se culminar com a parceria da família e da comunidade e que o tempo que a criança permanece nessa instituição de ensino terá fins de socialização e não como substituta da família no processo educativo. deve fazer parte do processo educativo das crianças. p. Podemos notar que a construção da concepção de creche ao longo do tempo tem interesses políticos e econômicos dependendo do contexto histórico. primeira etapa da educação básica. em seus aspectos físico. psicológico. privilegiando a importância dessa fase na formação integral do individuo. com profissionais despreparados para o exercício da profissão que privilegiam o ato de cuidar em detrimento ao ato de educar. Porém salvo algumas exceções a creche ainda possui caráter assistência. intelectual e social. pois é um espaço onde ocorre inumeras interações sociais. . completando a ação da família e da comunidade. Envolve. Conforme visto na referida lei. assumir as especificidades da educação infantil e rever concepções sobre a infância. as relações entre classes sociais.17).25 recentes como local de grande importância para o desenvolvimento infantil. tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança até os cinco anos de idade. mesmo que implicitamente a creche não pode ser vista como substituta da mãe ou da família. as responsabilidades da sociedade e o papel do estado diante das crianças pequenas (BRASIL. expresso pelo artigo 29: A educação infantil.

Em comparação ao brincar da criança.26 2. mas não o fazem por simples prazer.1 . . Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto. quando brinca a criança experimenta sensações antes desconhecidas. Brincar possui vários significados dentre os quais: divertir-se infantilmente. Mesmo que o trabalho dê alegria. A importância do brincar para a criança é uma construção histórica. entreter-se. Para a pesquisadora Wajskop(2001) a criança que brinca pode adentrar o mundo do trabalho pela via da representação. Quando uma criança não alcança o objeto que quer pegar ou se cansa antes de atingir o objetivo da brincadeira. Os adultos passam a maior parte de sua vida trabalhando. É uma atividade lúdica. Piaget (apud Kishimoto. assim como faz o adulto. pois sua interação com o objeto mas da função que a criança atribui. Os adultos trabalham para obter dinheiro para seu sustento. pois muitas vezes as crianças ficam muito envolvidas sendo difícil tirá-la de determinada brincadeira mesmo que ela esteja cansada ou então não esteja obtendo sucesso. esses fatos são exemplos de que a criança não brinca por prazer e sim por necessidade. livre e prazerosa. acredita-se que a criança brinque apenas por prazer. compensação e um sentido a vida ele também causa estresse e cansaço.2002). discorre sobre o brincar: quando brinca. brinquedo e brincadeira. folgar e foliar.Brincar. Brincar vem antes do jogo que supõe regras. entra no mundo do adulto. A maior razão para o fato dos adultos trabalharem é a necessidade. sem compromisso com a realidade. reproduz as relações sociais e de trabalho de forma lúdica e se apropria do mundo em seu processo de construção como sujeito histórico-social. a criança assimila o mundo a sua maneira.

No século XVIII Rousseau inicia a perspectiva genética em sua obra ÉMILE. p. Com o brinquedo a criança ultrapassa limites que lhe são preestabelecidos. A nova concepção do jogo está relacionada à consciência de infância que nasceu com o Renascimento.27 Segundo Vygotsky (1998) o brincar cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. “O Renascimento vê a brincadeira como conduta livre que favorece o desenvolvimento da inteligência e facilita o estudo. que se constitui. A criança desenvolve-se. 1988. É nesse contexto que o jogo aparece como típico da criança. embora transitórias. A ação na esfera imaginativa. p. Kishimoto (2002) explica que dentro do Romantismo a criança passou a ser vista como um ser em desenvolvimento com características próprias. 2002.] a especificidade . Salienta ainda que no brinquedo a criança comporta-se de maneira mais avançada do que é normalmente é.117). através da atividade do brinquedo (VYGOSTKY. Sobre as relações entre jogo e educação Kishimoto (2002) acredita que antes da revolução romântica. assim. contrariando a visão da criança como adulto em miniatura ressaltando “[. Na idade Média o jogo foi considerado “não-sério” por estar associado ao azar. a criança é vista como ser que imita e brinca. no mais alto nível do desenvolvimento infantil. a criação de intenções voluntárias e a formação dos planos da vida real e motivações volitivas . pela imitação ou ainda pela definição de regras específicas.. escolares ou esforços físicos.28).tudo aparece no brinquedo. três concepções estabeleciam essas relações: o uso do jogo para recreação.” (KISNHIMOTO. numa situação imaginária. Só a partir do Renascimento é que o jogo ganha importância. apropriando-se assim em larga escala a sua cultura.. o uso do jogo para favorecer o ensino de conteúdos escolares e diagnóstico da personalidade infantil e recurso para ajustar o ensino às necessidades infantis. interpreta situações e incorpora e altera significados. seja pela criação . essencialmente. O jogo desde a antigüidade greco-romana foi visto como recreação sendo necessário para aqueles que exerciam atividades intelectuais.

p. com influência da biologia e do romantismo. no primeiro o jogo expressa valores sociais. O autor destaca “[. Para Kisnhimoto (2002) o jogo pode ter três significados distintos. (KISHIMOTO..19) ..]”. no segundo o jogo é um sistema de regras e o terceiro caso refere-se ao jogo como um objeto. Claparède citado por Kishimoto (2002)recorreu à psicologia da criança para conceituar pedagogicamente a brincadeira.]”. No caso da criança. (apud Kishimoto.. a criança como portadora de uma natureza própria que deve ser desenvolvida[. os estudos com animais foram transpostos para o campo infantil.. em conseqüência método natural de educação [. Já outros teóricos como Vygostky e Bruner focalizam o contexto sociocultural e a estrutura da linguagem para subsidiar o estudo da brincadeira. E possui variações em seu imaginário e varia de acordo com cada faixa etária.. 2002.] que o jogo infantil desempenha papel importante como o motor do autodesenvolvimento e. p. o imaginário varia conforme a idade: para o pré-escolar de 3 anos.28 infantil.. Jogo. criador do objeto lúdico. (aput KISHIMOTO. demonstrando falta de conceituação neste campo de estudo. O brinquedo difere-se do jogo por sua indeterminação enquanto ao uso e pela ausência de regras que estabelecem sua utilização. integra predominantemente elementos da realidade. está carregando de animismo: de 5 a 6 anos. O brinquedo propõe um mundo imaginário da criança e do adulto.2002. 2002.19) Com o surgimento da psicologia no século XIX fortemente influenciada pela biologia. brinquedo e brincadeira ainda são indistintos no Brasil. Nesse campo de estudo o jogo por Gross foi considerado necessidade da espécie.p.31) Para a autora alguns teóricos freudianos como Melanie Klein a brincadeira infantil é o meio para estudar e perceber os comportamentos da criança.

29 Brougère afirma que o brinquedo é um objeto com características peculiares àquele que brinca. nesse sentido se torna brinquedo e o sentido de objeto lúdico só lhe é dado por aquele que brinca enquanto a brincadeira perdura (BROUGÈRE. que só tenha valor para o tempo da brincadeira. um programa pedagógico preciso. No primeiro caso. um objeto fabricado por aquele que brinca uma sucata. Aquele que brinca pode sempre evitar aquilo que não gosta.p. Os brinquedos podem ser definidos das seguintes maneiras: seja em relação à brincadeira. “Dessa forma. A criança desde seu nascimento está inserida em um contexto social. Reiterando as idéias de Brougère (apud Wajskop. Tudo. da administração da relação com outro.62). ela produz também a incertitude quanto aos resultados.31): [. de seus professores e das pessoas envolvidas na instituição escolar. do exercício da decisão e da invenção. na idade escolar com seus familiares. pois as crianças se desenvolvem e conhecem o mundo a partir das interações estabelecidas com a história e cultura de outras crianças. De onde a impossibilidade de assentar de forma precisa às aprendizagens na brincadeira. A brincadeira é uma atividade que a criança desenvolve em suas relações sociais. de seus pais. Este paradoxo da brincadeira. com o espaço e com a cultura na qual está inserida. Neste contexto a brincadeira da criança encontra papel fundamental na educação infantil. 2001. Pode ser o objeto comprado ou um objeto criado pela própria criança que às vezes usa esse objeto para essa específica brincadeira. 2001. Atividade essa que a criança faz para recrear-se ou por diversão. professores. pode ser um objeto namufaturado. com seus pais. Mas tudo isso se faz segundo o ritmo da criança e possui um aspecto aleatório e incerto. APUD WAJSKOP. pois desde cedo elas aprendem com as experiências que tem com o mundo dos adultos e das pessoas ao seu redor. Se a liberdade caracteriza as aprendizagens efetuadas na brincadeira.. seja a uma representação social. a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos” (Wajskop. efêmera. um objeto adaptado. da apropriação da cultura. espaço de aprendizagem fabuloso e incerto (BROUGÈRE. o brinquedo é aquilo que é utilizado como suporte numa brincadeira. amiguinhos. p. Não se pode organizar. com outras crianças da mesma idade sem objetivos educacionais ou de aprendizagem. p. ..31). 2001.2001.p.] é o lugar da socialização.25). a partir da brincadeira.

de médico ou de casinha são considerados por Piaget (1971) como jogo simbólico. mas também projetando o futuro como reitera Kishimoto. que deixa evidente a presença da situação imaginativa tais como brincar de escolinha. Segundo Kishimoto (2002) “a utilização do jogo potencializa a exploração e a construção do conhecimento. Brincar com bonecas numa infinidade de formas está .. mas também tenta resolver problemas do passado. Alguns exemplos desse tipo de brinquedo são: o quebra-cabeça: cuja função é ensinar formas e cores. representam as relações familiares como papai e mamãe. por contar com a motivação interna. brinquedos de tabuleiro que servem para ensinar números e operações matemáticas. Esses brinquedos são entendidos como recursos para se educar de forma prazerosa. As representações no faz-de-conta podem ser experimentadas não só no passado. [. Porém a utilização desse material pedagógico exige a ajuda de parceiros e a sistematização de conceitos. ao mesmo tempo que se projeta para o futuro. tamanho e forma. As crianças brincam de educação ou escolinha.] o brincar da criança não está somente ancorado no presente. brincadeiras de faz-de-conta e as brincadeiras de construção. típica do lúdico”..30 Alguns tipos de brincadeiras mais comuns na educação infantil são os brinquedos educativos. as brincadeiras tradicionais. mãe e filho entres outros papéis que representam as pessoas de seu meio social. A menina que brinca com bonecas antecipa sua possível maternidade e tenta enfrentar as pressões emocionais do presente. como o amor pela mãe e os ciúmes do irmãozinho que recebe os cuidados maternos. porém só ganhou força com a expansão da educação infantil. Nas brincadeiras de faz-de-conta ou jogo simbólico os temas são comuns dentro de uma mesma cultura. Brincar de boneca permite-lhe representar seus sentimentos ambivalentes. brinquedos de encaixe que trabalham a noção de seqüência. As brincadeiras que representam papéis sociais ou jogo sociodramático. Os brinquedos educativos surgiram nos tempos do Renascimento. O jogo simbólico surge aos 2/3 anos na medida em que a criança se apropria da linguagem e da representação.

Tais jogos mantêm uma estreita relação com os jogos de faz-de-conta à medida que as crianças constroem casas e cenários para as brincadeiras simbólicas. da situação imaginária”. (KISHIMOTO. transformam e destroem expressando seu imaginário. a brincadeira tradicional infantil garante a presença do lúdico. p. As brincadeiras tradicionais infantis são brincadeiras passadas de geração a geração. desenvolver capacidades da criança e estimular a criatividade. ninguém conhece a origem da amarelinha ou do pião. permanecendo na memória infantil. p.69). (BETTELHEIM apud KISHIMOTO. são transmitidas oralmente e possuem características de anonimato. . A origem de tais brincadeiras é desconhecida. 2002. das parlendas ou das formulas de seleção. modificadas com o passar do tempo ou podem permanecer da mesma forma. Essas brincadeiras são filiadas ao folclore e incorporam a cultura popular. “Por permanecer à categoria de experiências transmitidas espontaneamente conforme motivações internas da criança. privilegiando o desenvolvimento afetivo e intelectual infantil. 2002.31 intimamente ligado à relação da menina com a mãe. Nesses jogos as crianças constroem.39) Os jogos de construção foram desenvolvidos por Froëbel. a fim de enriquecer a experiência sensorial.

os objetos passam a ser vistos de acordo com sua função.3. Alguns pesquisadores acreditam que as aquisições adquiridas nesse período da vida são tão importantes que dividem o desenvolvimento humano em duas etapas. “Na primeira infância. a atividade objetal e a aquisição da linguagem.1.103). que antes serviam apenas para manipulação.32 2.p. O ato de andar permite a criança maior contato com os objetos e maior contato com o mundo externo. O desenvolvimento da linguagem é de extrema importância para a criança.p. Os avanços mais importantes adquiridos pelas crianças ao final da primeira infância são: o andar ereto. 1996. pois a partir de então a criança passa por mudanças na forma de comunicação com o adulto.O Desenvolvimento da Criança Primeira Infância A criança de três anos encontra-se no fim de uma fase considerada pelos pesquisadores de suma importância para o desenvolvimento do homem: a primeira infância.43) salienta que a experiência social é a fonte do desenvolvimento psíquico da criança. ou seja. a linguagem progride por duas causas: porque a criança aperfeiçoa sua compreensão da linguagem do adulto e porque desenvolve sua linguagem ativa própria”. passam a ser vistos com a sua determinada finalidade. E suas interações com o adulto bem como a mediação feita por ele são fontes importantes para o seu aprendizado. Neste sentido MUKHINA(1996. . Nessa fase a criança adquire nova concepção em relação aos objetos. As transformações quantitativas que a criança experimenta nos três primeiros de anos de vida são tão notáveis que certos psicólogos consideram que o desenvolvimento do homem pode ser dividido em duas metades: do nascimento até os 3 anos e dessa idade pelo resto da vida (MUKHINA.124). Nessa fase a criança absorve novas e grandes conquistas. (idem. p.

p. A criança pode se lembrar de determinada atividade que lhe foi solicitada ou ainda se lembrar de música ou poesia que gosta. O trabalho educativo no jardim-de-infância é de suma importância para essa preparação. Por exemplo “um menino de três anos que joga migalhas para as galinhas faz isso para vê-las reunir-se e bicar. por volta dos 6 anos. O pré-escolar já consegue controlar sua percepção. ou seja. os jogos e atividades produtivas influenciam nessa preparação. Pois nessas atividades formam-se as primeiras noções sociais e hierarquia das motivações. Também pode controlar a sua atividade intelectual. está bem mais consciente de seus atos e desejos e em muitas vezes demonstra essa consciência em atos concretos. formam-se também a inteligência e a percepção e se desenvolve habilidades sociais. assim as crianças incorporam conhecimentos generalizados e sistematizados e conseguem se orientar na nova realidade. O pré-escolar está se preparando para a entrada na escola. MUKHINA(1996. Podemos perceber que o mesmo comportamento em crianças com idades diferentes se difere em relação a intencionalidade. . Nesta fase a criança já está apta a controlar os processos de memorização e reprodução. um menino de seis anos considera que presta ajuda à mãe”. aumente os limites das relações familiares e estabelece comunicação com maior número de pessoas. A criança em idade pré-escolar conhece mais pessoas e torna-se mais independente. seu pensamento e sua memória. Para que a integração com seu meio social possa acontecer a criança precisa dominar a linguagem. especialmente com as da sua idade.33 Pré-escolar A criança pré-escolar maior.199).

Aprofundou os conhecimentos sobre os esquemas mentais da criança através de entrevistas que fazia com as mesmas. Piaget passou a observar o desenvolvimento dos próprios filhos..34 2.13). com efeito. Henri Wallon e Lev S. p. Em sua teoria epistemológica Piaget discorre sobre as relações do sujeito e do objeto no processo de construção do conhecimento. Para ele “[. 2. Em 70 anos publicou mais de cinqüenta livros e teses.3. senão indagar se toda informação cognitiva emana dos objetos e vem de fora informar o sujeito”. . formando uma noção do eu.] não se pode.1.. mostra ainda como o conhecimento se desenvolve. assinalando cada passo de suas vidas.1 Teorias do desenvolvimento Para ilustrar as fases do desenvolvimento infantil.3. Vygtsky. Graças à conquista da percepção e dos movimentos. além de centenas de artigos em revistas. são eles: Jean Piaget. Diante da teoria psicogenética Piaget dividiu o equilíbrio em vários períodos: Período Sensório-motor (0 a 24 meses): Ao final deste período o sujeito será capaz de se diferenciar dos objetos. Nesse processo cada indivíduo é um sujeito ativo de seu desenvolvimento cognitivo. na interação com o objeto. abordaremos alguns pressupostos básicos das teorias de desenvolvimento de três importantes teóricos. Esquemas são estruturas mentais pelos quais os indivíduos organizam o meio intelectualmente. sendo seu maior foco o desenvolvimento intelectual da criança. Nessa abordagem interacionista Piaget procurou entender quais os mecanismos que o sujeito utiliza para compreender o mundo ao seu redor. 1971. (PIAGET.1 Jean Piaget Jean Piaget formou-se em Biologia e especializou-se nos estudos do conhecimento humano em todas as disciplinas e toda a história da humanidade.

Nessa fase o indivíduo atingiu sua forma final de equilíbrio de acordo com a teoria Piagetiana. Wallon formou-se em Filosofia e em seguida Medicina. mas também questões para investigação.12 anos): Período onde há um equilíbrio acentuando nas operações lógicas. A psicologia. O pensamento egocêntrico passa a ser estruturado pela razão. Seu estudo não apenas privilegiou a compreensão do desenvolvimento do psiquismo infantil. Assim como Piaget. 2. transmissões e interações sociais. A criança nessa fase percebe-se como individuo um ser no universo que pouco a pouco se estrutura pela razão. por sua vez. Período das Operações Concretas (7-11. mas também contribui com a educação formando uma relação dialética entre psicologia e pedagogia. Condições necessárias para a aquisição da linguagem. pois através dela é possível ter acesso a gênese dos processos psíquicos. como um contexto privilegiado para o estudo da criança.35 Período Pré-Operatório (2-7anos): Ocorre progresso da inteligência pré-verbal e inicia-se o período da imitação em representações onde o sujeito representa uma coisa pela outra. Assim. Torna-se consciente do seu próprio pensamento e adquire noção espacial e temporal. Via a escola.2 Henri Wallon Contemporâneo de Piaget. a pedagogia oferecia campo de observação à psicologia. Período das Operações Formais (12 anos em diante): Neste período o sujeito será capaz de formar operações abstratas que lhe permite ultrapassar o real.2. Wallon considera que o sujeito constrói-se nas interações com o meio. meio peculiar à infância e “obra fundamental da sociedade contemporânea”. Wallon focalizou os domínios afetivo.3. cognitivo e motor do desenvolvimento em suas diferentes etapas e vínculos. como nos esclarece Galvão: Considerava que entre a psicologia e a pedagogia deveria haver uma relação de contribuição recíproca. seu interesse pela psicologia da criança o levou a tentar compreender o psiquismo humano. ou seja. Adquire capacidade para conhecer e criticar suas regras e leis. os esquemas simbólicos. ao construir .

Estágio sensório-motor e projetivo (1 a 3 anos): Nesta fase a criança consegue autonomia.36 conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento infantil oferecia um importante instrumento para o aprimoramento da prática pedagógica. alternando afetiva e cognitivamente. apesar de sua morte prematura aos 37 anos. 2. Na obra de Vygostky não consta relatos detalhados de seus trabalhos científicos. nem uma concepção formulada do desenvolvimento humano. desregulada devido à ação dos hormônios. 2002. (GALVÃO. Estágio categorial: Nesta fase a criança consolida a função simbólica e obtém avanços na inteligência e personalidade com relação à fase anterior. As idéias se difundiram nas mãos de seus colaboradores. .3 Lev S. Vygotsky Estudioso de literatura e psicólogo.23) Wallon concebe o desenvolvimento da pessoa como uma construção progressiva onde as fases ocorrem uma após a outra. deixou um enorme volume de produção acadêmica. porém suas idéias não se limitaram a uma construção individual. Estágio adolescência: Necessidade de nova definição da personalidade. p.2. Estágio do personalismo (3 a 6): Fase em que a personalidade da criança se forma e ela toma consciência de si. há interesse pelo mundo exterior fortalecendo as relações com o meio. passando a manipular objetos e explorar espaços. Há um predomínio das relações com o meio. Para melhor ilustrar a teoria psicogenética Walloniana descreveremos as características dos estágios propostos por ele. acontece por meio dos interações sociais.3. Esta fase há uma retomada de questões morais. existências e pessoais. Estágio Impulsivo-emocional (primeiro ano de vida): Nesta fase a emoção é o instrumento de interação da criança com o meio. dos quais se destacam Alexander Romanovich Luria e Alexei Leontiev.

a interação com o meio social. p. “é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal”. Por volta dos dois anos a fala da criança torna-se intelectual e generalizante com função simbólica. preocupou-se em compreender s mecanismos psicológicos mais complexos da natureza humana. “Mediação é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação”. p. “A utilização de marcas externas vai se transformar em processos internos de medição esse mecanismo é considerado por Vygotsky processo de internalização”. (OLIVEIRA. Nas relações entre pensamento e linguagem os significados das palavras mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo. que nasce inserido em um ambiente social que é a família.37 Vygotsky privilegiou em seus estudos as “funções psicológicas superiores ou processos mentais superiores” (OLIVEIRA. Os instrumentos por sua vez são elementos externos aos indivíduos. Para Vygotsky ao longo da evolução do indivíduo ocorrem duas mudanças significativas: o processo de internalização e a utilização de sistemas simbólicos. Durante o desenvolvimento do individuo as relações mediadas se sobressairão sobre as relações diretas. com indivíduos de maior cultura propicia maior desenvolvimento para a linguagem verbal da criança. 1997.26). 1997. como diz VYGOTSKY (1987). Os elementos que auxiliam as relações mediadas são os signos e os instrumentos. Os signos agem como instrumentos da atividade humana. (idem.34). Para ele a criança é um ser social. .26). ou seja. Ou seja. ou seja. E é nela que acontecem as primeiras interações com o meio físico e social através da aquisição da linguagem e da mediação. p. Sendo assim a presença de um mediador é de suma importância para as relações do organismo com o meio.

dirigir o ensino não para as etapas já alcançadas pelo indivíduo e sim para as etapas em que ele ainda não incorporou.63) . sendo assim formulou um conceito especifico em sua teoria: os níveis de desenvolvimento. uma interação social. O nível de desenvolvimento proximal é a capacidade que o indivíduo possui para fazer determinada atividade com a ajuda do outro. ou seja. a função da escola só será adequada se conhecer o nível de desenvolvimento dos alunos. 1997. (OLIVEIRA. p. pois o aprendizado incentiva o desenvolvimento.38 Para Vygotsky a aprendizagem e o desenvolvimento humano só ocorrem quando o individuo interage com o meio social. O nível de desenvolvimento real refere-se às etapas já alcançadas pela criança. O nível de desenvolvimento potencial é o intervalo entre o nível de desenvolvimento proximal e o nível de desenvolvimento real. mas a reconstrução individual daquilo que é observado nos outros”. ou seja. Nessa perspectiva a imitação “não é a mera cópia de um modelo. aquilo que ela consegue fazer sozinha. Dentro da teoria de Vygostky a instituição escolar tem função fundamental no desenvolvimento dos indivíduos.

Desta forma a metodologia apresentada por Thiollent (2004). vem ao encontro com as necessidades da pesquisa.Desenvolvimento O trabalho se estruturou metodologicamente por meio da Pesquisa-Ação. assim como na Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (LDB). onde o resultado experimentado deve ser comprovado. Segundo o autor: A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. Desta forma foi necessário um embasamento teórico sobre o tema. não se limitando a uma simples reprodução de acontecimentos e situações já estudadas.14). . (THIOLLENT. p. objetivou analisar de um modo geral como se encontra a relação do brincar no cotidiano de crianças na educação infantil. pois sabemos o quanto os brinquedos e brincadeiras influenciam no desenvolvimento infantil. O método em questão não perde a legitimidade científica pelo fato de incorporar raciocínios subjetivos e argumentativos em sua investigação. Na pesquisa–ação o papel dos participantes é ativo no que diz respeito ao equacionamento e acompanhamento dos problemas levantados e também quanto ao acompanhamento e avaliação das ações desencadeadas no processo. 2004. portanto uma preocupação social. Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciaram o resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil. Foi utilizada para o desenvolvimento deste projeto a pesquisa-ação com base em Thiollent (2004).39 3 . A coleta de dados foi feita a partir da observação do contexto educacional e de pesquisas com pais e professores. A pesquisa-ação é flexível. pois sendo a pesquisa-ação de base social não trabalha apenas com dados quantitativos muito comuns em pesquisa nas áreas exatas. A escolha da metodologia da Pesquisa-Ação deu-se pelo fato de que o objeto de pesquisa que vem a ser a o brincar infantil. através de pesquisas bibliográficas.

p.51) “um tema que não interessa a população não poderá ser tratado de modo participativo”.40 A Pesquisa-Ação se divide em Diagnóstico. o pesquisador estabelece os objetivos da pesquisa. Deve haver o retorno da informação aos grupos envolvidos na pesquisa. Segundo Thiollent (2004. a equipe de pesquisa coleta todas as informações disponíveis(THIOLLENT. sobre os meios de tornar a ação mais eficiente e sobre a avaliação dos possíveis efeitos. na Pesquisa-Ação é necessário que haja uma relação entre o saber formal e o saber informal. estabelece-se uma problemática através da colocação dos problemas que se pretende resolver em um campo teórico e prático. Assim. o campo de observação e os sujeitos que estarão focalizados no processo de investigação. A etapa final da Pesquisa-Ação é a Avaliação. desejados ou não”. que consiste na concretização da pesquisa através da realização de uma ação planejada. Nesta etapa. O tema da pesquisa deve ser definido de acordo com o problema prático e a área do conhecimento a ser abordados.70) “a ação corresponde ao que precisa ser feito (ou transformado) para realizar a solução de determinado problema”. considerando os problemas prioritários. dos problemas prioritários e das eventuais ações do campo de pesquisa. Desta maneira. de acordo com o autor o pesquisador deve: [.48). Após o levantamento de informações.]identificar as expectativas.p. de forma que pesquisadores e participantes evoluam no processo de aprendizagem através da intervenção realizada. Segundo Thiollent (2004. para fazer . O Diagnóstico consiste em estabelecer o levantamento da situação. Para Thiollent (2004. os problemas da situação as características da população e outros aspectos que fazem parte do que é chamado diagnóstico.2004. Paralelamente a esses primeiros contatos. p57) “Tratase de hipóteses sobre o modo de alcançar determinados objetivos. Intervenção e Avaliação.. A Intervenção é a fase na qual o pesquisador formula hipóteses a respeito de possíveis soluções para o problema colocado na pesquisa.. p.

responsáveis pelo Maternal II e pelo Pré. Pesquisa-Ação Diagnóstico Intervenção Avaliação 3. entrevista e intervenção realizadas na instituição de ensino foram realizadas tendo como orientação um roteiro especifico elaborado de acordo com as questões que caracterizam o problema da pesquisa. Para a intervenção foi utilizada a observação do contexto educacional.1 . As observações realizadas. entrevistas estruturadas e a realização de um projeto de intervenção de estágio curricular intitulado “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras”. . elaborado pela pesquisadora juntamente com mais duas alunas do curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista. posteriormente realizada a entrevista semi-estruturada com as educadoras e com os pais das crianças das turmas observadas.41 conhecer os resultados da pesquisa e contribuir para a tomada de consciência sobre o tema pesquisado. sendo observada as ações pedagógicas de três educadoras da instituição de ensino. intervenção e avaliação.Procedimentos Para esse estudo foram utilizados os seguintes procedimentos: pesquisa bibliográfica que sustentou a fundamentação teórica. sendo uma efetiva e duas estagiarias. A intervenção foi realizada em uma Escola de Educação Infantil que funciona em período integral na cidade de Bauru.

Maternal I de 2 anos a 2 anos e meio. comércio central. costureiro. sendo próxima ao Corpo de Bombeiros. possui vizinhança em geral bem movimentada. As pessoas que moram ao redor da instituição são pessoas com um nível sócioeconômico relativamente bom e moram a um bom tempo na região. profissão e estado civil dos pais. Por ser uma das únicas creches instaladas no centro da cidade a instituição é bastante procurada. Maternal II de 02 anos e meio a 03 anos e meio. sendo que em 2008 ano da pesquisa será o último ano a ter sala de pré na instituição devido a revisão da emenda Constitucional que altera a idade para o término da educação infantil para cinco anos. Os alunos são provenientes de diversos bairros da cidade. A instituição apresenta em seu projeto político pedagógico uma pesquisa detalhada sobre as características socioeconômica. recebendo alunos de vários bairros distantes da cidade. escritórios de contabilidade. Berçário II de 1 ano a 2 anos. algumas aparentemente bem conservadas.Caracterização da instituição pesquisada A instituição está localizada na região central do município de Bauru. época da pesquisa. A maioria das casas são construções antigas. escritórios de advocacia.42 3. casas residenciais. Jardim I de 03 anos e meio a 4 anos e meio. distribuídos por faixa etária: Berçário I dos 04 meses a 1 ano. estacionamentos. Escolaridade dos Pais . supermercado e posto de gasolina. A maioria dos alunos faz o trajeto de casa para a escola e vice-versa de carro. filhos de pessoas que trabalham na região central. alguns fazem o trajeto de ônibus urbano ou com a perua escolar. situada na zona urbana da cidade. No ano de 2008. sendo que em seu regulamento interno consta que a instituição deveria atender a 112 criança.2 . a instituição atendia cerca de 130 alunos. Jardim II de 4 anos e meio a 5 anos e meio e Pré de 5 anos e meio a 6 anos. escolaridade.

43 Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Profissões dos Pais Profissão Segurança Operador de Máquinas Garçon Auxiliar Adminstrativo Agente Penitenciário Pedreiro Pintor Eletricista Salgadeiro Técnico em Laboratório Serralheiro Truqueiro Moto Táxi Auxiliar de Cobrança Auxiliar de Limpeza Marceneiro Técnico em Radiologia Encanador Coletor de Lixo Ajudante Geral Entregador de Água Técnico em Eletrônica Micro empresário Contabilista Auxiliar de Produção Instrutor de Dança Quantidade de Pais 04 04 02 05 02 16 08 01 01 01 03 01 01 02 01 01 01 02 01 14 02 01 02 01 03 01 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 .

44 Professor de Informática Aposentado Funileiro Mecânico Motorista Auxiliar de Cozinha Vendedor Porteiro Balanceiro Repositor Auxiliar de Enfermagem Dentista Desempregado Profissões das Mães Profissão Assistente Social Berçarista Professora Enfermeira Operadora de Caixa Atendente de rouparia Empregada Doméstica Vendedora Auxiliar Administrativo Secretária Atendente de Telefonia Aposentada Manicure Cozinheira Escriturária Auxiliar de Limpeza Cabelereira Auxiliar de Enfermagem Auxiliar de Cobrança Copeira Funcionária Pública Técnica em Informática Operadora de Telemarketing Auxiliar de Dentista Estudante Desempregada Estado Civil dos Pais Estado Civil Casado União Estável 01 02 02 02 02 01 16 01 01 02 01 01 05 Quantidade de Mães 01 01 01 01 04 02 13 21 09 10 07 01 02 03 02 06 03 09 03 02 02 01 03 02 01 11 Quantidade de Pais 51 23 .

1 cozinheira e 5 estagiárias. 7 auxiliares de creche. 1 auxiliar administrativo. . 1 assistente social. 26 21 Quantidade de Mães 51 23 26 21 Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 Quantidade 09 22 35 48 07 *As tabelas foram extraídas do Projeto Político Pedagógico da instituição de Educação Infantil pesquisada nesta O quadro de funcionários da creche é composto por: 1 coordenadora pedagógica. 3 professoras.45 Divorciado Solteiro Estado Civil das Mães Estado Civil Casada União Estável Divorciada Solteira Escolaridade dos Pais Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Renda Familiar Salário 1 Salário 2 Salários 3 Salários 4 Salários S/ Renda (c/ auxílio de outros) pesquisa.

ou seja. Na lista de material escolar tanto do maternal II quanto do pré foi pedido um brinquedo pedagógico e um baldinho para brincar na areia do playgraund.Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do maternal II. Sendo que 02 crianças do maternal II foram transferidas. dezessete levaram baldinho e apenas doze levaram brinquedos pedagógicos.Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do pré Jogos de encaixe Bola Carrinho Quebra-cabeça Boneca 5 1 1 4 1 . Quadro 1 . A freqüência oscilava entre 14 a 18 crianças por dia em cada sala pesquisada. Brinquedos Jogos de encaixe Boneca Bola Carrinho Números de borracha Pelúcia Ocorrências 6 1 1 1 2 1 Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no pré quatorze levaram baldinho e doze levaram brinquedos pedagógicos. Quadro 2.46 Durante o ano da pesquisa. Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no maternal II. em 2008 a instituição contava com uma sala de maternal II com 24 crianças matriculadas e uma de pré com 22 crianças matriculadas.

3. Para que as atividades semanais e diárias fossem contempladas durante a observação. ou seja. são discutidos textos. dinâmicas e outros. os professores são livres para assumir a metodologia ou teoria pedagógica que achar melhor. 3.Respeita a criatividade e espontaneidade das crianças? .Participa ativamente das brincadeiras das crianças? Como? -Propicia a criança atividades lúdicas que estimulem o seu desenvolvimento? . sabem que todos os seus atos servem de modelo. do município de Bauru. Todos os funcionários são abertos a cursos de capacitação oferecidos por diversos órgãos da cidade. para refletir sobre os princípios norteadores da prática pedagógica.O brincar no cotidiano Observações em campo As observações aconteceram em uma Escola de Educação Infantil com funcionamento em período integral. de fevereiro a março de 2008. tais como a Secretaria Municipal da Educação e Secretaria Municipal da Cultura. cada dia uma das turmas era observada nos diferentes períodos. das 06h30min as 17h30 min.A instituição possui espaços adequados para a realização das brincadeiras? .47 Em geral a escola não impõe nenhuma concepção pedagógica. Enquanto educadora da instituição a pesquisadora pode alternar os períodos da manhã e da tarde. entre as turmas do maternal II e pré. São realizadas uma vez por bimestre reuniões pedagógicas. Todos os profissionais da instituição são conscientes de seu papel na educação das crianças.De que maneira o educador observa e intervem nas brincadeiras? . O roteiro de observação possuía as seguintes questões: . São desenvolvidos projetos. porém a maioria utiliza os pontos positivos das diversas teorias existentes.

Devido à falta de espaço é necessário que as crianças permaneçam quietas. logo em seguida guardam as mochilas nos ganchos separados por turma e vão para o refeitório que devido a falta de espaço é também a sala de TV e DVD. sem fazer movimentos bruscos.De que ela brinca? . uma turma espera a outra sair para poder sair também. as crianças interagem com alunos de outras turmas e principalmente com irmãos ou amigos mais próximos. Inicialmente serão relatadas as impressões e observações relativas à turma do Maternal II. Em seguida vão para a sala de aula ainda em fila.Permite que a criança explore diversos materiais enquanto brinca? . a brincadeira e o papel do educador.Como a criança brinca? .48 .A criança consegue interagir plenamente com outras crianças através da brincadeira? Logo a seguir será feito um relato individual das turmas com base nas observações. Nesse tempo em que aguardam as professoras. sem deixar de privilegiar a criança e o educador como sujeitos desta pesquisa. Como o maternal não possui sala de aula as crianças permanecem no refeitório. Como as crianças sentem muita vontade de se movimentar ao ouvirem a professora chamar eles saem correndo até a porta para formar a fila. . Desde a entrada até a saída as crianças se encontram em um ambiente favorável ao aprendizado. As crianças aguardam ansiosas pela chegada da professora. tendo como objetivo de pesquisa o brinquedo. Na hora da entrada das 06h30 às 08h00 as crianças são levadas pelos pais e recepcionadas no segundo portão pelas auxiliares de creche e coordenadora. lá as crianças permanecem até as 08 horas e assistem a filmes infantis e tomam café da manhã enquanto aguardam a entrada das professoras. sendo esta formada por vinte e uma crianças de dois a três anos.

brincadeiras como patinho-feio. Para evitar acidentes por excesso de criança é feito o rodízio do parque. parque. No período de observação as crianças tiveram acesso a deferentes e variados materiais para o desenvolvimento das atividades lúdicas propostas. sendo dirigidas pelas educadoras. foram proporcionadas e realizadas atividades diversas. Desta maneira podemos . Depois da atividade as crianças vão para o parque ou brincam no fundo da escola. porém houve muita reclamação dos pais que diziam que as crianças voltavam muito sujas pra casa. esse é o horário de almoço da maior parte das funcionárias. as crianças seguiam em forma de “trenzinho”. a turma do maternal tem o direito de brincar no parque as terças e quintas-feiras. passa-anel.49 No refeitório as crianças do maternal esperam os bebês do berçário tomar café da manhã para depois iniciar suas atividades. tanque de areia com baldinhos e pazinhas. onde toda criança leva o seu brinquedo favorito para a escola. Durante o percurso de um espaço para outro já que o maternal não possui sala de aula. entre outras. entrega os cadernos para cada um dos alunos e pede que todos fiquem com as mãos embaixo da mesa para não estragar o caderno. Depois das 10h15min da manhã as crianças lavam as mãos para entrar no refeitório e almoçar. Antes de servir o almoço é feita uma oração simples e em seguida as educadoras servem o almoço. por isso a coordenadora instituiu o “dia do brinquedo”. Após a saída dos bebês a auxiliar do maternal faz chamada e inicia as atividades. Depois do almoço as crianças escovam os dentes para dormir. no início do ano letivo às sextasfeiras eram livres para outras atividades. hora da história. geralmente as crianças ficavam o dia todo no parque e não tomavam banho. Entre as 11h00 e as 13h00 acontece o repouso das crianças pois acordam muito cedo. Nesse momento as crianças cantavam músicas referentes a “trenzinho”. massinha. tais como. jogos de encaixe. pintura. canto de música.

atendendo as diversas áreas do desenvolvimento. Nas atividades lúdicas dirigidas. como por exemplo. tendo como único recurso disponível além do livro era um palco e um Kit de fantoches. visto que é difícil manter a atenção dos alunos por longos . tais como patinho-feio e passa-anel. As atividades propostas pela educadora aconteciam nos diferentes espaços possíveis. O tempo destinado para a realização de cada atividade lúdica era de aproximadamente trinta minutos. imaginação e fantasia infantil. além do uso dos fantoches. motricidade. tais como. o desenvolvimento e o progresso de cada aluno. Tentava motivar todas as crianças a efetuarem as atividades propostas e evidenciava a produção. foi feitos teatros em palitos. giz e guache. a brinquedoteca . a educadora explicava as regras da brincadeira às crianças e participava brincando com elas.o parque e tanque de areia e o pequeno pátio da frente . dentre as quais se destacam: socialização. desenho e pintura como materiais diversos. Ficou evidente a preocupação da educadora com relação à estimulação da criatividade. A educadora observava a realização de todas as atividades lúdicas propostas. A educadora fazia as mediações necessárias para que as crianças desenvolvessem suas capacidades e habilidades durante a realização de atividades em sala de aula. oralidade e criatividade. no caso as músicas. Nas atividades lúdicas propostas pela educadora era perceptível a preocupação com o desenvolvimento global das crianças.50 observar que o lúdico. Durante a atividade “hora do conto”. mesmo quando não havia necessidade de fazer intervenções ou mediações. a educadora do maternal II utilizava de criatividade para contar as historias e despertar o interesse das crianças. Procuravam variar e diversificar as atividades. estava presente até mesmo quando as crianças dessa turma sem movimentavam pela instituição de ensino. tais como.

A professora entrega os cadernos e inicia as atividades que nessa faixa etária visa a alfabetização de português e matemática. A rotina do pré é um pouco diferente da rotina do maternal. massinha de modelar. enquanto realizavam suas brincadeiras e atividades lúdicas. As crianças da turma do maternal II tiveram acesso a diversos materiais. Os alunos que terminam primeiro suas atividades vão primeiro para o parque. não bater nos amigos. como por exemplo: jogos de encaixe. ou seja. . baldinhos. carrinhos. não pegar o brinquedo do colega sem pedir e não correr.51 períodos de tempo. bonecas. depois disso elas vão dormir na sala do pré. panelinhas entre outros. tintas. ursos de pelúcia. a educadora observava as crianças fazendo intervenções relacionadas ao cuidado físico das crianças. no que diz respeito ao cumprimento de regras que estabeleciam como. Assim que terminam de almoçar as crianças também escovam os dentes sozinhas sobre o olhar da professora. por exemplo. nessa turma as educadoras atuam em períodos alternados sendo que a Professora trabalha no período da manhã e a estagiária no período da tarde. pelo fato de os mesmos serem muito pequenos e ainda não conseguirem se concentrar. cadernos. não jogar brinquedo pra fora do parque. piscina de bolinha. jogo de boliche. A turma do pré formada por vinte e uma crianças de cinco a seis anos. telefone. giz de cera. Durante as atividades livres. A educadora fazia também intervenções e mediações que propiciassem às crianças o desenvolvimento de suas habilidades e capacidades enquanto brincavam. bolas. Essa rotina só é alterada nos dias de chuva. como parque e tanque de areia e o “Dia do brinquedo”. As 10h45min as crianças do pré começam a lavar a mão pra entrar no refeitório para o almoço. pazinhas. por exemplo. ao sair do refeitório nos dias de calor as crianças tiram o excesso de roupa e depois vão para a sala de aula. para tomarem cuidado para não se machucar enquanto brincavam também se preocupava com a interação social das crianças.

quebra-cabeça. piscina de bolinha. assim como as educadoras do maternal II . . observavam as crianças. as educadoras do pré. O banho é separado entre meninos e meninas e as crianças maiores das menores. bola. canto de músicas. As 17:00 horas as poucas crianças que ainda não foram embora voltam para o refeitório para assistir a um DVD que elas trazem de casa com o desenho favorito para esperar os pais. fazendo intervenções relacionadas tanto ao cuidado físico das crianças quanto as mediações necessárias ao desenvolvimento das capacidades e habilidades das crianças enquanto brincavam. desenhos.52 As 13h30min as crianças acordam e voltam para o refeitório para tomar o “lanchinho” depois disso as crianças do pré vão para o fundo brincar e ficam aos cuidados da estagiária e as do maternal vão para o parque enquanto esperam para tomar banho. Durante as atividades livres como parque. por exemplo. parque e tanque de areia com baldinhos e pazinhas. narração de histórias e brincadeiras dirigidas diversas. jogo da memória. amarelinha. etc. Para a turma do pré foram proporcionadas as mesmas atividades lúdicas que a turma do maternal II. E em seguida voltam para o fundo para atividades variadas como a “hora do conto”. brincadeiras com aviões de papel. jogos de encaixe. Geralmente as crianças do pré permaneciam na sala de aula para as atividades voltadas para a alfabetização por volta de uma hora e meia. Depois disso as crianças brincam um pouco mais até que as 15:30 horas voltam para o refeitório para jantar. assimilada pelas crianças desde cedo. como por exemplo. Também fazia parte da rotina das crianças ficar mais ou menos por uma hora e meia no parque após o término das atividades em sala de aula até o horário do almoço. Bem como a maioria das instituições de ensino a creche também segue uma rotina sistemática.

A narração de histórias era feita pela professora de forma tradicional. Assim como toda instituição de educação infantil a instituição observada na presente pesquisa segue uma rotina com horários pré-estabelecidos. a atividade lúdica que as crianças mais gostam. mas era necessário devido ao horário e para que a rotina estabelecida fosse cumprida. carrinhos. As crianças do pré diferentemente das crianças do maternal II. enquanto observavam as gravuras. boliche. quebra-cabeça. pincéis. sendo importante considerar que por ter funcionamento em período integral. pazinhas. Apenas participavam motivando o acontecimento do faz-de-conta. jogos de encaixe. giz de cera e giz de lousa. Já a estagiaria ora contava as histórias de forma tradicional ora usava materiais lúdicos para este fim e ao final da atividade pedia que os alunos desenhassem a parte que mais gostaram da história contada. baldinhos. as crianças sentavam em roda e as crianças permaneciam sentadas ouvindo a leitura do livro infantil. guache. ou seja. respeitavam a espontaneidade e criatividade das mesmas. ursos de pelúcia. era privilégio daquelas crianças que se comportavam.53 O parque. As crianças dessa turma tiveram acesso a materiais e brinquedos tais como: bola. massa de modelar. das 06h30min às 17h30min. jogo da memória. Muitas vezes as crianças não queriam para suas brincadeiras. o período da manhã está dividido de maneira a privilegiar as atividades . não criticando e nem julgando suas regras e decisões. ou seja. Nas duas turmas foi possível observar que mesmo enquanto participavam ativamente das brincadeiras das crianças a educadora tanto do maternal II quanto as do pré. As crianças indisciplinadas apenas observavam as outras brincando como castigo para seu mau comportamento. diversos tipos de papel. não formavam “trenzinho” para se locomover pela instituição. Normalmente as crianças permaneciam em silêncio ouvindo atentamente enquanto a história estava sendo contada.

Os materiais que as crianças das duas turmas tiveram acesso são praticamente os mesmos. jogo da memória e quebra-cabeça. se diferindo apenas em relação ao pré que por ter maior idade também tinha acesso a brinquedos como boliche. A maioria das brincadeiras livres das crianças são as de jogo simbólico. Porém algumas crianças principalmente do maternal II por serem menores se esqueciam de levar o brinquedo para a escola. Outra atividade lúdica comum as duas turmas era a “hora do conto” ou narração de história. médico. bem como na brincadeira na . escolinha entre outras. já no caso das meninas era bonecas e maquiagens. tais como casinha. O tempo destinado às atividades lúdicas variou de acordo com a turma. Alguns pais preferem não deixar as crianças levarem brinquedo para a escola já que podem estragar ou perder. Os brinquedos levados pelas crianças no “Dia do brinquedo” em sua maioria era bonecos de lutinha ou personagens de filmes e carrinhos no caso dos meninos. realizada pelas educadoras ora de forma tradicional ora de forma lúdica e prazerosa.54 pedagógicas no caso do maternal II de coordenação motora e no caso do pré exercícios para a alfabetização. Como discorre a pesquisadora Wajskop e como observamos na instituição o professor deve ocupar lugar central na educação das crianças. ocasionando desentendimentos entre os mesmos. Sintetizando as observações realizadas em campo. ou seja. ficando o período da tarde para a recreação. conclui-se que nas duas turmas observadas. Por diversas vezes as turmas mesmo que contrariadas tiveram que parar a brincadeira por conta do horário e para que a rotina fosse seguida. o maternal II e o pré há muita semelhança entre a prática dos educadores responsáveis tanto em relação às atividades lúdicas quanto a rotina que seguem. Sendo que o pré permanecia por maior tempo no parque.

Agindo desta maneira. social e partilhada.112) 4.04 morto carrinho 03 . sendo 13 pais de alunos matriculados no Maternal II e 13 deles pais de alunos matriculados no Pré. transmitindo valores e uma imagem da cultura como produção e não apenas consumo.55 educação infantil. esconde. Estará. entendo que o professor é figura fundamental para que isso aconteça.esconde. vivo. já que a educação infantil é um lugar privilegiado para esse tipo de interação. Quadro 3 com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Maternal II. oferecendo-lhes material e partilhando das brincadeiras das crianças. criando os espaços. A entrevista foi realizada no mês de fevereiro do ano de 2008. p. (WAJSKOP. Considerando que a brincadeira deva ocupar um espaço central na educação infantil. ainda. Foram entrevistados 26 em um total de 39 pais.1 . 2001. Questão 01: Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 07 05 0 01 Questão 02: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Ocorrência Pega-pega. ele estará possibilitando às mesmas uma forma de aceder às culturas e modos de vida adultos.Análise de dados O Diagnóstico foi realizado a partir das observações e pesquisa qualitativa com o objetivo de analisar a prática dos educadores e dos pais em relação ao brincar no desenvolvimento infantil. de forma criativa.

chapeuzinho vermelho.bichão) Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego.bloco lógico. quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Futebol Não respondeu 02 02 01 03 01 03 01 02 01 02 02 02 02 Questão 03: Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos de construção(lego.56 Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai.etc) Faz-de-conta Brincadeiras de roda Não respondeu Ocorrência 01 10 06 08 0 .mamãe.

57 Questão 04: Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1a3 4a6 Não brinca Ocorrência 04 09 0 Questão 05:Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança. Resposta Passa anel Amarelinha Pega-pega Esconde-esconde Casinha Corda Poponeta Roda Cabra-cega Peão Morto-vivo Salada-mista Pega-bandeira Bola Abstenção Ocorrência 01 06 07 06 04 03 01 05 02 01 03 02 02 08 01 .

58 Questão 06:Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 10 0 02 Questão 07:Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 07 0 05 .Todas Algumas Nenhuma Ocorrência 01 11 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho.

Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”. onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 10 02 Quadro 4. Questão 01: Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 08 05 0 0 .Porque ajuda no desenvolvimento da 12 criança.com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Pré.59 Questão 10:Quando compra um brinquedo. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 04 Questão 11: Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim.

esconde. quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Não respondeu 03 07 04 06 01 03 05 01 Questão 03: Que tipo de brincadeira seu filho brinca em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos lógico.esconde.mamãe.etc) Faz-de-conta de Ocorrência 05 construção(lego. vivo-morto Ocorrência 10 carrinho Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai.60 Questão 2: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Pega-pega.bloco 07 08 .bichão) 05 06 02 03 12 Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego.chapeuzinho vermelho.

Ocorrência 06 06 01 Questão 05: Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança: Resposta Passa anel Amarelinha Corda Esconde-esconde Pega-pega Elástico Patinho-feio Roda Casinha Dama Bola Boneca Escolinha Ocorrência 01 05 05 11 04 03 01 06 02 01 10 04 03 . pois trabalha.61 Brincadeiras de roda Não respondeu 01 0 Questão 04: Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1 a 3 vezes por semana 4 a 6 vezes por semana Não tem tempo para brincar.

Todas Algumas Ocorrência 05 07 .62 Bicicleta Quebra-cabeça Mamãe da rua Vídeo-game Taco Pipa Abstenção 02 01 01 02 03 01 01 Questão 06: Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Sim Não Não respondeu Ocorrência 12 01 0 Questão 07:Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim.

Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”. onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 13 0 .63 Nenhuma 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 05 Questão 10: Quando compra um brinquedo.Porque ajuda no desenvolvimento da 13 criança. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 10 01 02 Questão 11: Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim.

p. Quando questionados sobre as brincadeiras da sua infância notamos que a maior parte dos pais entrevistados se lembra dos jogos tradicionais como pega-pega e escondeesconde tanto para os pais dos alunos do maternal II quanto para os pais dos alunos do pré.39) com doze ocorrências e as brincadeiras tradicionais com sete ocorrências. é a que deixa mais evidente a situação imaginária” (idem. já que as crianças passam a maior parte do tempo na instituição de ensino. p. p. O questionário revela que a maior parte dos pais participa em torno de quatro a seis vezes por semana da brincadeira de seus filhos. 2002. pela oralidade” (KISHIMOTO. também conhecida como simbólica. podemos observar uma contradição já que os pais responderam quando questionados sobre o tipo de brincadeira que os mesmos desenvolvem com seus filhos em casa são os brinquedos de construção “Os jogos de construção são considerados de grande importância por enriquecer a experiência sensorial. Questionados sobre o conhecimento . estimular a criatividade e desenvolver habilidades da criança” (idem. esconde-esconde e vivo-morto com quatro ocorrências para o maternal II “A brincadeira tradicional infantil.38) e as que ocorrem com menor freqüência são os jogos educativos para o maternal II. A maior parte dos pais afirma que ensinou alguma das brincadeiras de sua infância para seus filhos no caso do maternal II temos dez ocorrências e no caso dos pais do pré temos treze ocorrências. expressando-se. filiada ao folclore.64 Ao analisar os resultados do questionário. Os pais entrevistados são unânimes aos afirmar que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seus filhos. de representação de papéis ou sociodramática. sobretudo. No caso do pré as brincadeiras favoritas das crianças segundo seus pais são as brincadeiras de faz-de-conta “A brincadeira de faz-de-conta. As brincadeiras mais freqüentes no cotidiano das crianças em casa são as brincadeiras tradicionais como pega-pega. podemos constatar que a maior parte dos pais do maternal II e do pré tem um ou dois filhos.40) com dez ocorrências. incorpora a mentalidade popular.

porém dois pais do maternal II não concordam com o projeto da instituição de ensino pesquisada sobre o “dia do brinquedo”. A maioria dos pais está atenta à faixa etária indicada na embalagem do brinquedo. Os pais entrevistados são unânimes ao afirmar que acredita que a utilização dos brinquedos seja importante no cotidiano escolar. de forma criativa através de fantasiar situações ajudam também a estimular o raciocínio. Brincar no meu entendimento é uma maneira da criança desenvolver além de suas capacidades motoras. socialização e aprendizagem. também suas capacidades psicológicas. desenvolve situações. Foram entrevistadas a educadora (estagiária) do maternal II . Pesquisadora: O que você entende por brincar? Entendo por brincar. Segue abaixo os resultados da pesquisa realizada com as educadoras da instituição. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brincadeira? Brincadeiras são atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado. para o lazer e geralmente associada a criança. Na pedagogia.65 das brincadeiras que os filhos aprendem na escola os pais responderam que conhecem algumas atividades lúdicas desenvolvidas por seus filhos. através de questionário estruturado. (educadora do maternal II) É o que a criança faz por livre e espontânea vontade e aprende sem perceber através do brincar. integração. (educadora I do pré). toda atividade lúdica que proporcione ao individuo momentos de lazer. onde uma vez por semana a criança leva seu brinquedo favorito para a escola. (educadora I do pré) Brinquedo é o objeto através do qual a criança. (educadora I do pré) . a professora e a estagiaria do pré da instituição pesquisada. É o intermediário entre a criança e o brincar. (educadora do maternal II) É um objeto ou uma atividade lúdica. Quando o assunto é a compra de brinquedos a maior parte respondeu que leva em consideração o fato de que o brinquedo estimula o desenvolvimento infantil. ao brincar. um brinquedo é qualquer objeto que a criança possa usar no ato de brincar que enquanto diverte ensina. Uma forma de estimulo a imaginação. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brinquedo? Brinquedos são instrumentos/objetos usados no brincar.

carrinhos. da forma apresentada e questionada. por isso é bastante utilizado o brinquedo (carrinho. (eles identificam as cores nos brinquedos). Tudo de acordo com o grau de raciocínio de cada um. através dos baldinhos. ou até mesmo pedaços de outros brinquedos). Pesquisadora: Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? Sim. (educadora do maternal II) Utilizo com eles todo tipo de atividade lúdica que possa ser considerada brincadeira. colher e pá. a situação criada pela criança. que leva a criança a seguir de forma mecânica e também.(educadora I do pré) Pela idade deles (dois anos e meio a três anos) é trabalhado o estimulo. diferente do brinquedo que é utilizado para estimular a imaginação da criança. não só o “pronto” (industrializado) mas também o imaginário (que eles criam através de outros objetos. panelinhas. com a rotina corrida da instituição. A criança segue regras do jogo. livre. (educadora do maternal II). espontânea. ou seja. (educadora I do pré) Jogo. não só com o estimulo do brinquedo. no meu entendimento. para o raciocínio. aviãozinho e com brinquedos que trazem para o dia do brinquedo: bonecas. sempre que possível faço intervenções durante as brincadeiras. o imaginar. O lego também é bastante utilizado. sendo assim quando alguém joga está desenvolvendo uma atividade lúdica. Mas. remete a “regras”. astronauta. (educadora do maternal II) Acredito que o educador deve mediar à brincadeira quando nela esta inserida regra. Sim. mas também dos colegas ou do professor. por exemplo. a induz ao raciocínio. o sentir. massinha. (educadora II do pré). casinha.66 Brincadeira é o resultado da junção do brinquedo com o brincar. e às vezes faço ou as utilizo como “gancho” para lembrar das atividades feitas. Brincar (brincadeira) é uma atividade paradoxal. participo das brincadeiras. é intermediário muito importante entre a criança e esse imaginário. Para que atividade seja considerada brincadeira e não alienação ela deve estar conectada com a realidade. etc. boneca. etc). um objeto. mas ao mesmo tempo regulamenta (possuí regras). é a fantasia. ou principalmente. Também brincam no parque. como cores e números. a brincadeira quando livre deve ser apenas observada. eles pode criar coisas como o bolo(com terra). um jogo tem sempre suas regras. (educadora do maternal II) O jogo pode ser visto como: o resultado de um sistema lingüístico dentro de um contexto social. enfim. pelúcias.(educadora II do pré) Pesquisadora: De que seus alunos brincam? Brincam de atividades de imitação (jogo simbólico). chapéus (baldinho na cabeça) etc. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é jogo? São atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado através de suas regras.que pra mim. Ex: escolhinha. brincam com jogos. às vezes deixo as crianças brincarem livremente. (educadora I do pré). um sistema de regras. (educadora II do pré) .

e ele é suficiente. Pesquisadora: Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? Na mediação. (educadora do maternal II) Sim.67 Pesquisadora: Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? Não. (educadora II do pré) Pesquisadora: Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? O jogo simbólico. além de que existem atualmente tantos materiais lúdicos e eles em boa parte são bem caros. dando dicas sobre a realidade. acriança traz seu brinquedo de casa). “Não se pode fazer isso” ou “você deve fazer aquilo”. As mediações devem ser feitas sempre que houver a oportunidade de desenvolver as capacidades e habilidades dos alunos. como por exemplo. (educadora I do pré) Sim. é capaz de fazer mais do que ela pode compreender e é justamente essa ação que permite que a criança possa compreender o que move sua ação. (educadora II do pré). (educadora do maternal II) Quando por si só elas se sentem perdidas sem vontade de criar. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é possível perceber durante a brincadeira da criança? Durante as brincadeiras. as crianças imitam cenas de sua realidade. Em alguns casos sim. porém poderia ser mais rico na questão da diversidade. já que a brincadeira é um ato livre. jogos de interação (patinho-feio. atividades físicas através da brincadeira (amarelinha. que essa mediação deve existir quando a situação ou a brincadeira nos propicia a isso. os colegas. a professora. Imitam os pais. corre-lenço). (educadora I do pré) Depende da turma e da faixa etária. outros não. pular corda. o professor deve procurar intervir sem dar respostas prontas para as crianças. percebemos a sua realidade. o material lúdico não é suficiente. ou no caso do dia do brinquedo (que ocorre toda sexta-feira. Mas sempre que possível é dada a importância a tais. os alunos) com o material disponível apesar de estimulado pelos professores. (educadora I do pré) Acredito que não há um momento exato. a criança ao brincar. (educadora I do pré) . de conservar o brinquedo ou jogo. também por conta do cuidado (nem todos tem cuidado.(educadora do maternal II) Sim. esconde-esconde) e brincadeiras antigas como roda. brincadeiras cantadas (pica-pica-picolé) entre outras. até mesmo pela preferência por tal brinquedo. possibilitando de que se obtenha todos numa instituição.

Assim como a educadora I do pré. De uma maneira geral a coerência entre o discurso do professor e sua prática pedagógica. A educadora I do pré afirma que procura mediar as brincadeiras. 4. Conforme dito pela educadora do maternal II “as intervenções devem ser realizadas quando a brincadeiras nos propicia a isso”. A educadora II do pré afirma que só é necessário haver mediação quando a brincadeira apresentar regras e conforme seu discurso. essa afirmação pode ser comprovada quando verificamos nas observações a educadora brinca com as crianças quando a rotina sistematizada da instituição permite. mas também interage nas brincadeiras como patinho-feio e “história da serpente”.2 Intervenção Na intervenção do presente estudos. verificamos que essa educadora realiza intervenções não apenas referentes ao cuidado com relação a integridade física das crianças. pois em cada brinquedo (brincadeira) sempre se esconde uma relação educativa. foram realizadas as seguintes ações no período de fevereiro a agosto de 2008: . (educadora do maternal II) Toda e qualquer brincadeira é importante no desenvolvimento cognitivo. esta só faz mediações quando alguma criança transgride as regras da brincadeira. Quanto a mediação a educadora do maternal II afirma mediar as brincadeiras de modo a resgatar conteúdos apresentados para os alunos em atividades pedagógicas.68 Quase todas. (educadora II do pré) Analisaremos o conteúdo das entrevistas realizadas juntamente com os dados obtidos nas observações feitas em campo para que seja possível verificar se o discurso e a ação pedagógica das educadoras estão de acordo. a criança quando brinca aprende a se expressar no mundo. Já a educadora II do pré acredita que as brincadeiras só devem ser mediadas se as crianças se sentirem perdidas. na observação verificamos que esta educadora geralmente apenas observa a brincadeira das crianças.

A maioria das crianças do maternal II sempre se esquecia de levar o brinquedo. socialização. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo. era o dia sem banho e sem atividades pedagógicas dentro da sala da de aula. ocasionando brigas entre os alunos.69 a-) Implementação do “Dia do brinquedo” Toda a sexta-feira a rotina da instituição mudava. Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação. Este projeto de intervenção foi desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru. pois eles sempre se lembravam de levar o brinquedo favorito para a escola. Como solução para o problema. Para a maioria das crianças do pré a iniciativa deu certo. afetivo e físico das crianças. para que estes não esqueçam que toda sexta-feira deve ser levar brinquedo na escola. Pois aquela criança que ao levará o brinquedo queria tomar o brinquedo da outra para não ficar sem o brinquedo. Vou enviado bilhete comunicando aos pais o fato estabelecido. Neste sentido a escola necessita contar com a participação dos pais. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância. b-) Projeto de intervenção “ O Resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. A atividade mais praticada era a ida ao playgrand. onde toda criança deveria levar seu brinquedo favorito para a escola. Porém como nesse dia não havia banho as mães reclamaram que as crianças iam embora muitos sujas devia ao fato de ficar o dia todo na areia. a coordenação juntamente com a assistente social e os educadores resolveram que seria implantado o “dia do brinquedo”. O presente projeto é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru . que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos.

escova os dentes. porém mobilizou as outras crianças da creche. Contamos as histórias presentes na amarelinha para as crianças e explicamos que ao pular nas casinhas das amarelinhas elas deveriam representar a história que está desenhada na casinha. toma sol. juntamente com a sala.Desenvolver a coordenação motora .Interagir com os colegas .Explorar a criatividade Desenvolvimento: Montamos a amarelinha. rega as plantas . que é composta por várias casas de diferentes formas e cada casa representa uma história. entra no carro e vai para a escola. chega em casa e abre a porta. assiste televisão e lê um livro. Atividade 1: AMARELINHA DIVERTIDA Série: Pré Disciplina: Artes/ Educação Física Objetivos: . Então. dorme. acorda.70 As atividades foram desenvolvidas com as crianças do maternal II e do pré. O projeto foi desenvolvido no período de fevereiro a junho de 2008. montamos mais uma história para ser representada na amarelinha. A atividade foi planejada pensando nas turmas do maternal II e do pré. janta. Recursos: Giz colorido Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 2: DEDOCHE Série: Pré e Maternal Disciplina: Artes Objetivos: . corra da chuva. Depois. toma banho. as crianças brincaram na amarelinha. A história montada pelas crianças seguiu a seguinte seqüência: está chovendo. passa pelo redemoinho.Respeitar as regras do jogo .Expressar-se corporalmente através da brincadeira .

Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 4: RODA VENTO Série: Pré Disciplinas: Artes/ Educação Física Objetivos: . durex. isopor. tais como: a Kuka.71 .Desenvolver a coordenação motora . crepom. lã . Recursos: Garrafas pet.Explorar a criatividade . Avaliação: Participação e registro. cola quente.Desenvolver a coordenação motora .Expressar-se corporalmente através da brincadeira . Entregamos os materiais prépreparados para que cada criança confeccione o seu dedoche. Depois entregamos material para que cada um enfeitasse seu bilboquê e brincasse livremente.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Entregamos a garrafa pet já cortada e um pedaço de barbante para que prendessem na garrafa. Depois os auxiliamos a prender uma bolinha de isopor ao barbante. Os auxiliamos durante o processo. barbante. Depois entregamos materiais para que enfeitassem seus personagens e deixamos que brincassem com o brinquedo confeccionado. Para essa atividade usamos os personagens folclóricos. os ajudamos na confecção. Recursos: E. cola gliter.A. ATIVIDADE 3: BOLBOQUÊ Série: Pré Disciplinas: Artes / Educação Física Objetivos:. o Lobisomem e o Saci Perere. lantejoula.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Realizamos uma oficina de dedoches. cola relevo.V. cola relevo.

ATIVIDADE 6: PEÃO Série: Pré e maternal Disciplinas: Educação Física Objetivos: .Respeitar as regras do jogo Desenvolvimento: Dividimos a sala em grupos e os ensinamos a brincar de bola de gude. ATIVIDADE 5: BOLINHA DE GUDE Série: Pré Disciplinas: Educação Física Objetivos: . durex colorido. Recursos: Peão . explicando que o peão é um brinquedo antigo. Depois entregamos barbante para que amarrassem a bola de papel e tiras de crepom para que colassem no roda-vento.Conhecer uma brincadeira antiga Desenvolvimento: Entregamos um peão para cada aluno e os ensinamos a brincar. Avaliação: Participação e registro. que seus pais e avós brincavam.Interagir com os colegas . Recursos: Bolinha de gude. Deixamos que brincassem livremente com o brinquedo que confeccionaram em um espaço amplo.Desenvolver a coordenação motora . crepom.72 Desenvolvimento: Entregamos para cada criança uma folha sulfite para que amassassem e fizessem a base do roda-vento. Avaliação: Participação e registro. barbante.Desenvolver a coordenação motora .Conhecer uma brincadeira antiga . Depois deixamos as crianças brincando e os supervisionamos. Recursos: Sufite.

Recursos: .Interagir com os colegas . ATIVIDADE 8: CABEÇA PEGA RABO Disciplina: Educação Física Série: Pré Objetivos:. formando o rabo da serpente. dançamos e convidamos uma criança por vez.Expressar-se corporalmente através da brincadeira . que deveria passar por baixo das pernas de quem estava dançando e juntar-se ao grupo. Recursos: Apito . tentaria pegar o ultimo da fila ( o rabo).Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos os alunos na formação de trenzinho. sem se soltar dos demais colegas. Ao término pedimos para que os alunos do pré registrassem através de desenhos a história. Depois.CD . ATIVIDADE 7: HISTÓRIA DA SERPENTE Série: Pré e Maternal Disciplinas: Educação Física/ Artes Objetivos: .Desenvolver a coordenação motora .Rádio Avaliação: Portfólio e registro.73 Avaliação: Portfólio e registro.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Iniciamos a atividade contando para a sala a história de uma serpente que foi visitar sua tia e perdeu parte do seu rabo no morro. os sentamos em roda e ao som da música História da Serpente. O primeiro da fila foi a cabeça. que quando apitamos.

areia. Quando os alunos estivessem andando paramos a música e eles se sentaram.Música . durex. ATIVIDADE 10: PETECA Série: Maternal Disciplina: Artes/Educação Física Objetivos:. O aluno que ficou em pé saiu da brincadeira. pena.Desenvolver a coordenação motora .Desenvolver a atenção . Avaliação: Participação e registro.Respeitar as regras da brincadeira Desenvolvimento: Colocamos as cadeiras dispostas em filas. de modo que o número de cadeiras fosse um número menor do que o número de alunos. Os alunos formaram um círculo em volta das cadeiras quando soltamos à música. ATIVIDADE 9: DANÇA DAS CADEIRAS Série: Pré Disciplina: Educação Física Objetivos:.CD . eles andaram em volta da cadeira.Cadeiras Avaliação: Participação e registro.74 Avaliação: Participação e registro. guache. Recursos:.Explorar a criatividade Metodologia: Entregamos uma peteca confeccionada com materiais acessíveis para que cada criança enfeitasse e brincasse. Recursos: Bexiga. .Expressar-se corporalmente através da brincadeira .

sal.Desenvolver a atenção . água. Avaliação: Participação e registro.Desenvolver a coordenação motora . pulseiras e fizeram bolinhas.Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos a sala em roda e explicamos a brincadeira. óleo. Avaliação: Participação e registro.Interagir com o grupo . ATIVIDADE 12: MIA GATO Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos: . que devia miar. As crianças tanto do maternal II quanto do pré montaram cobrinhas. Recursos: Venda para os olhos.75 ATIVIDADE 11: MASSINHA Série: Maternal Disciplinas: Artes Objetivos:. onde um aluno foi escolhido para ser o gato.Desenvolver a atenção . Recursos: Farinha. guache. relógios. O aluno de olhos vedados deveria adivinhar quem miou.Explorar a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Entregamos massinha colorida para que os alunos manuseassem e montassem o que quisessem. ATIVIDADE 13: PASSA ANEL Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos:.

ATIVIDADE 15: ATIVIDADE DE ENCERRAMENTO: Contador de histórias Série: Maternal e Pré Objetivos: .Desenvolver a coordenação motora . CD.CD Avaliação: Participação e registro. Recursos: anel Avaliação: Participação e registro. O aluno que estava com o anel continuava a brincadeira. ATIVIDADE 14: CANTIGAS DE RODA Série: Maternal Disciplina: Artes/ Português / Educação Física Objetivos: . .Recrear-se através da música . que deveria adivinhar com quem o anel estava.Desenvolver a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Apresentamos para ambas as turmas a história “O menino e o pinto do menino” em teatro de fantoches. Recursos: . Depois escolhemos outro. Com o retorno da pesquisa. aplicamos estas canções e brincadeiras no cotidiano do maternal.Conhecer histórias populares . assim como canções pesquisadas pelo grupo.76 Metodologia: Dispomos a sala em roda e escolhemos um aluno para passar o anel.Rádio . Recursos: Fantoches.Conhecer cantigas populares .Desenvolver a oralidade e a atenção Desenvolvimento: Foi feita uma pesquisa com os pais sobre cantigas de roda e brincadeiras de roda. Rádio.

independência. c-) Projeto Recreação O projeto sobre Recreação foi elaborado para o ano letivo de 2008 a fim de fundamentar teoricamente as práticas desenvolvidas com as crianças na área de recreação.Explorar a imaginação. OBJETIVOS ESPECÍFICOS . . autonomia.Explorar a linguagem. É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico.Desenvolver a ludicidade.Explorar os movimentos corporais. -Desenvolver a coordenação motora ampla. Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer. a coordenação motora fina. auto-estima e cooperação. Foi elaborado pela pesquisadora juntamente com outra funcionária da instituição. . . visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança.Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar. . atenção e concentração. .Desenvolver a identidade. diminuindo as tensões e preocupações. . 4. Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas.77 Avaliação: Participação e registro.Estimular a interação com pessoas e objetos.3 Avaliação Segundo o método da pesquisa-ação a avaliação é o terceiro passo da metodologia e consiste em avaliar os resultados obtidos com a intervenção. criatividade. A avaliação foi feita com base .Desenvolver noções espaciais e temporais. ritmo e equilíbrio. OBJETIVO GERAL . o pensamento e a ação. .Desenvolver a cognição e imitação. criativas e que nos traga prazer.

(Aluna J.06 anos) Sim. Massinha. quando a gente fez no papel.06anos) Sim. Do roda-vento e amarelinha. Eu gostei daquele que roda (roda-vento). De massinha. Eu gostei da amarelinha. sobre o roda-vento) Um tem que fazer assim e assim (gesticulando com os braços). 06anos) Quando questionados sobre como se desenvolve a brincadeira a maioria não soube explicar muito bem.78 nas entrevistas semi-estruturadas no mês de junho de 2008. Roda vento. Foram entrevistadas 11 crianças do pré e doze crianças do maternal II. porém sabe brincar. A maior parte das crianças gostaram da brincadeira do roda-vento e da amarelinha divertida. Pesquisadora: Como se brinca? Roda. pular o rio. (Aluna A. 05anos.5 anos) Sim.(Aluno C. (Aluno D. (Aluna L. Na avaliação da pesquisa nada mais importante do que entrevistar os mais beneficiados com o projeto sobre brinquedo e brincadeira. (Aluna H. 06anos) Sim. . (Aluna B. Daquela lá da amarelinha. Do roda-vento. abrir a porta. No outro tem que dirigir. (Aluna A.06 anos) Sim. Com os alunos do maternal II e do pré. 05anos) Sim.06anos) Sim. (Aluno G.(Aluna F. Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. 06 anos) Não estava presente nos dias das atividades. Do roda-vento. as crianças. (Aluno I. pisar nas pegadas.Segue abaixo as entrevistas do pré e em seguida as entrevistas do maternal II. Do roda-vento. rodar e depois montanha-russa. 06 anos) Sim. (Aluno E. 06 anos) Sim.

5 anos) Não lembro. (Aluno D. escovar os dentes. 06 anos) Sim. 06 anos) Não. Não lembro. (Aluno E. (Aluna F. 06 anos) Não. Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Não. (Aluno G. sobre o roda-vento). 06anos) Não lembro. comer e dormir. 06 anos. (Aluna L. só do ultimo que é de dormir. (Aluno E. 06 anos) Não lembro. 06anos. (Aluna B. (Aluno C. sobre a amarelinha). (Aluna H. depois eu não lembro. 06 anos). (Aluna B. (Aluna L. 06 anos) Não. pular o rio. Não. 06anos). Brinca rodando. 05anos) Você “cata”. abrir a porta. 06 anos. (Aluna F. Não estava presente nos dias das atividades. 06 anos. . 05anos) Não. coloca no dedo e fica girando. (Aluno D. Não. (Aluno I. mas não lembro como faz. . (Aluna A. (Aluno G. sobre a massinha). (Aluno I. Pra fazer você amassa o papel e coloca fita colorida. 06anos. 06 anos) É de girar o “negócio”. Não. 06anos) Tem que girar. 06anos) . (Aluno C. (Aluna H. (Aluna J. sobre o roda vento e a amarelinha) Eu fiz um relógio. sobre o roda-vento). (Aluno I. 06anos) A maioria das crianças não ensinou a brincadeira para outras crianças pois não se lembra muito bem de como se brinca.79 cantar. 06anos) Não lembro. Não lembro. pro colega de sala. montanha-russa. 06anos). (Aluna J.

(Aluna A. (Aluno J. de comidinha com meu primo. Boneca. Com meu ursinho. Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? De boneca. (Aluna F. (Aluno E. de burica e de vídeo-game. (Aluna L. (Aluno C. (Aluna A. esconde-esconde. (Aluna F. 06anos). ela brinca comigo. 06 anos) Sozinho. 06 anos). 06 anos). (Aluna H. pega-pega. Em casa gosto de brincar de pipa. 06 anos) Não respondeu. (Aluna B. 06 anos) Gosto de brincar de futebol. 06 anos) Pais. 06anos) Pesquisadora: Com quem você brinca? Eu brinco com a minha mãe. cinema. (Aluno J. de urso e de Barbie. 06anos) . Com a minha mãe. (Aluna B. (Aluno E. 06anos). Sozinha. 5 anos) Patinho-feio. boneca. 05anos) Carrinho. De pega-pega. mais ou menos de barbie.. (Aluno I.80 Como podemos observar a maior parte das crianças gosta de brincar de boneca no caso das meninas e no caso dos meninos o carrinho foi bastante citado. (Aluno D. É assim. (Aluno C. (Aluna H. (Aluno I. visita outra ai visita outra e você vê que uma amiga “ta” grávida e tem que ir ao médico. 06 anos) Com a minha mãe. 5 anos) Com todas as coisas que eu disse. 06 anos) Na creche de patinho-feio. (Aluno G. Não respondeu. 06anos). 06 anos) De controle remoto. 06anos). bem como foi relatado nas observações esses são os brinquedos que as crianças mais levaram no “dia do brinquedo”. 06 anos) Amiga. 05anos) Com meu amigo. A minha vó também. 06anos) De massinha. (Aluno G. (Aluno D.

(Aluno G. Brinco e lutinha. Sim. Minha mãe brinca de futebol. Deito a boneca. 06anos) Pesquisadora: Qual seu brinquedo favorito? Boneca. E cozinha. 06anos). 06anos) De escolinha com a minha irmã. 06anos). 06anos). 06anos). aquela cozinha que aperta e sai água. (Aluno E. 06 anos). 06 anos) Brinco com minha amiga. (Aluna B. (Aluno C. (Aluna L.06anos) . só a minha irmã brinca comigo. 5 anos) Com todas as coisas que eu disse. 05anos) Brinco com meu pai e minha mãe. (Aluno J. (Aluno I. 06 anos) Carrinho. De mamãe e filhinha.81 Com a minha irmã. 06 anos). se a “burica” sair eu tenho que pegar. (Aluno C. (Aluna H. mas só que a mamãe segura “nóis”. 06 anos) Videogame. (Aluna F.Meu pai brinca comigo de jogar futebol. Boneca e bolsa. A minha mãe brinca. Meus pais não brincam. (Aluno E. Os meus ursos. ela senta. 06anos) Boneca. Com vídeo-game mesmo. (Aluno G. (Aluna F. ela trabalha até chegar a noite. (Aluna A. 5 anos) A comidinha e de restaurante. 06 anos) Eu brinco de colocar a “burica” em roda e jogo a outra. (Aluno I. É o boliche. 05anos) Meu pirata. essas coisas. (Aluno D. (Aluna A. (Aluna B. 06 anos) Solto pipa com meu pai. depois ela acorda. eu amo boneca.06anos) Pesquisadora: Como você brinca em casa? Eu arrumo as coisas. (Aluno J. Não por que ela (a mãe) tem que trabalhar.( Aluna L. 06 anos) De futebol com meu pai.(Aluno D. Eu brinco no meu quarto. 06 anos) Meu computador. (Aluna L. (Aluna H. 06 anos) Vídeo-game. meu pai também brinca.

(Aluna L. 06 anos) Sim de qualquer coisa. De massinha. (Aluna A. 06anos) Sim. 06anos). 02 anos e 10 meses) Sim. Gosto quando ela brinca de patinho-feio. 06 anos). (aluno G. (aluno E. Sim de patinho-feio. 06 anos). 06 anos). 06 anos) Eu gosto quando ela brinca de carrinho. Roda-vento. Sim. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Não tem nenhuma professora que brinca comigo. 03 anos) Sim.82 Como podemos concluir até as crianças acreditam que a intervenção dos professores é fundamental para o desenvolvimento das atividades e para a aprendizagem deles. 06anos).06anos) Entrevista com as crianças do maternal II Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. História da serpente. (Aluno J. (Aluna H. 03 anos) Sim. (Aluno C. História da serpente. (aluna C. 03 anos) Sim. amarelinha. (aluno D.(Aluno D. De massinha. 03 anos) Sim. 03 anos) Sim. 5 anos) Gosto quando ela brinca de patinho-feio. (aluno I. Massinha. (Aluno G. Gosto. (aluno J. (aluno A. . (Aluna B. (Aluno E. (Aluna F. (aluno H. Amarelinha. (aluna B. você tem que dar o recado. 03 anos) Sim de massinha. pica-pica-picolé e adoleta. (aluno F. 03 anos) . 03 anos) Não Sei. História da serpente. 05anos) Sim de vôlei. de massinha. (Aluno I. 03 anos) Sim. Gosto quando ela brinca de carteira.

(aluno F. 03 anos) Sim pra minha irmã. (aluno D. (aluno I. pro meu irmão. Tem que pular. se referindo ao roda-vento) Tem que amassar. (aluno D. 03 anos.( aluno J. se referindo a massinha) Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Sim pra um coleguinha de sala. 03 anos). 03 anos.(aluna B. 03 anos. (aluno G. De carrinho. 03 anos) Sim. Não respondeu. (aluna B. (aluno C. (aluno D. se referindo a amarelinha). Pega-pega. Tem que fazer a menininha.83 Grande parte das crianças do maternal II se lembra do desenvolvimento das atividades propostas no projeto.03 anos) Não. 03 anos) Não. ( aluno H. assim. se referindo a história da serpente). 03 anos) Não. (aluno A. 03 anos. (aluno J. (aluno H. 03 anos). (aluno G. 03 anos). 03 anos). 03 anos. 03 anos. 03 anos) Não. pras minhas amigas. 03 anos) Não respondeu. Tem que cantar. se referindo a massinha). (aluno E. 03 anos) Não respondeu. . (aluna C. (aluna B. 03 anos. 03 anos) Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? Não respondeu. Assim (aluno E. Não respondeu (aluno C. 03 anos) Não. Pesquisadora: Como se brinca? Amassa e brinca. Assim. (aluno I. se referendo a massinha) Tem que pular e rodar. Porém a maioria não ensinou a atividade para outra criança. se referindo a amarelinha). 02 anos e 10 meses) Sim. (aluno F. 02 anos e 10 meses) Rodando o brinquedo. (aluno A. (aluno A. 03 anos) Não respondeu.

Não respondeu. (aluno J. (aluna I. 03 anos). Boneca. 03 anos). 03 anos) Lego. 03 anos). (aluna B. (aluna F.(aluno I.84 Casinha (aluna E. 03 anos) Amiguinhos. 03 anos). Casinha (aluna G. 03 anos). Maquiagem (aluna H. 03 anos) Boneca. (aluna G. Boneca. Pesquisadora: Como você brinca em casa? Você brinca com seus pais? . Boneca. (aluna I. 02 anos e 10 meses). (aluno F. Casinha (aluna J. 03 amos) Assim como as crianças do pré. (aluno E. (aluna H. 03 anos). (aluno D. (aluna C. 03 anos). Pesquisadora: Qual é o seu brinquedo favorito? Carrinho. (aluno A.03 anos). 03 anos) Sozinho. (aluna B. 03 anos). 03 anos) Sozinha. a maioria das crianças pesquisadas respondeu que o brinquedo favorito é carrinho para os meninos e boneca para as meninas. 03 anos). Sozinha. 03 anos). (aluna E. 03 anos). 02 anos e 10 meses). (aluno C. Pesquisadora: Com quem você brinca? Com meu irmão. Com meu irmão. 03 anos) Com meus amiguinhos de sala e com a minha irmã. (aluno A. Dinossauro e carrinho. 03 anos) Com a minha mãe e com meu pai. Maquiagem. 03 anos). Roda-roda (aluna I. 02 anos e 10 meses) Não respondeu. 03 anos) Boneca. Casinha (aluna F. (aluno D. (aluna H.

(aluna D. (aluna D. 02 anos e 10 meses). só de cavalinho. Quando ela canta atirei o pau no gato. (aluna I. (aluna F.p. 03 anos) Sim minha mãe brinca de boneca. (aluno H. 03 anos) Sim. 03 anos).03 anos) Sim de trenzinho. (aluno I. Sim. 03 anos). Com a mamãe de lego e o papai também. 03 anos) Sim de roda (aluno J. 02 anos e 10 meses) Sim.03 anos). atuar nas ações que a criança não consegue desenvolver por si própria. (aluno H.03 anos). 03 anos) Sim de trenzinho (aluna B. 03 anos) Não respondeu.85 Com meus pais de carrinho. 03 anos). Roda-roda. 03 anos) A maioria das crianças respondem que gostam quando a professora brinca com eles. (aluna C.03 anos) Sim minha mãe brinca comigo de boneca.1997. 03 anos) Meu pai não sabe brincar de boneca. (aluna E. 03 anos) Esconde-esconde. Com a minha mãe e com meu pai de casinha. 03 anos) Não respondeu. Roda. (aluna J. 03 anos) Sim de história da serpente. 03 anos). provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente” (OLIVEIRA. sendo assim observamos que esse é o papel da intervenção do educador no desenvolvimento do brincar infantil. (aluna F. (aluno G. Com a mamãe de pentear a mamãe. Não respondeu. (aluna E. . (aluno A.62). (aluna B. (aluna C. Oliveira (1997) nos esclarece que segundo sua pesquisa sobre a teoria de Vygotsky “ O professor tem papel explícito de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos. Com a mamãe e o papai de ursinho. (aluno G. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Sim de caminhão (aluno A.

brinquedos e brincadeiras para o desenvolvimento social. . Verificamos também nas observações realizadas em campo assim como na visão dos educadores que a mediação deve acontecer de acordo com a intenção da brincadeira. As educadoras possuem concepções claras sobre a importância do ato de brincar. na medida em que as crianças passam a maior parte de seu tempo dentro das instituições de ensino. bem como dos jogos. Quanto às condições propicias para a realização do brincar na instituição infantil notamos que a falta de espaço físico e o tempo são fatores que dificultam a realização do brincar. as ações desenvolvidas na instituição no decorrer da pesquisa. Sendo assim as concepções apresentadas pelas educadoras não se baseiam no senso comum. Se a brincadeira possuir regras pode ser mediada.Considerações Finais A escola de educação infantil é um lugar privilegiado para a ocorrência de jogos e brincadeiras características da infância. afetivo e cognitivo das crianças que puderam ser confirmadas por diversos teóricos. o ato de brincar deve ser valorizado e estimulado educadores. Quanto à percepção dos pais dos alunos verificamos que a mesmo partindo do senso comum a maioria compreender a importância do brinquedo e da brincadeira para o desenvolvimento das crianças. Para as educadoras o ato de brincar é inerente à infância e é a forma que a criança possui para incorporar as relações sociais e a cultura do meio em que esta inserida. físico. se for livre deve ser apenas observada.86 5. A maior parte dos pais entrevistados participa ativamente das brincadeiras no cotidiano de seus filhos. tais como a implantação do “dia do brinquedo” e o projeto “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” são atitudes positivas que valorizam e respeitam a infância e o desenvolvimento infantil.

a educadora do maternal II acredita que eles sejam suficientes. porém deveria existir mais materiais lúdicos para que as atividades sejam mais diversificadas propiciam o desenvolvimento integral das crianças. Para as educadoras do pré o material lúdico existente na instituição não é suficiente. a instituição conta com variado material lúdico. .87 Quanto a questão dos materiais lúdicos disponíveis na instituição. Ressaltamos que é extremamente importante que as pessoas envolvidas no cotidiano das crianças. os pais e os professores privilegiem a importância do ato de brincar para o desenvolvimento global das crianças. as educadoras possuem visões diferentes quanto a disponibilidade dos mesmos. porém não existe a conservação dos materiais lúdicos por parte dos alunos mesmo com estimulo dos professores. uma das educadoras do pré alega que deveria haver maior diversidade. De acordo com as observações realizadas.

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. 1ª ed. M. Acesso em: 01 de junho de 2007. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce. 2ª ed. S.html. ARIÈS.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. 1995. História social da criança e da família. L. Psicologia da idade pré-escolar. São Paulo: Scipione. Philippe. Desenvolvimento infantil na creche. 2002. 1988. Brincadeira e Educação. São Paulo: Cortez. 5ªed. São Paulo: Cortez. A epistemologia genética. Brinquedo e Cultura. São Paulo: Loyola. Campinas. Acesso em 01 de novembro de 2007.O desaparecimento da infância. G. São Paulo. 3ª ed.br/sedh/dca/eca. MUKHINA. Jogo. Porto Alegre.gov. KRAMER. Brinquedo. T.htm. 10ª ed.planalto. BRASIL.gov. 1997. inhttps://www. PFREONM NETO. N. 2002. Telas que ensinam: mídia e aprendizagem do cinema ao computador. Rio de Janeiro: Graphia. de 13 de julho de 1990. SP: Alínea. POSTMAM. Lei 8. n° 9394/96. de 20 dez 1996. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. 2001. SP: Martins Fontes. LEBOVICI.069. CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. 2 a ed. J. 2ªed.88 6. S. Leis Diretrizes e Bases da Educação Nacionais. São Paulo. 5ª ed. PIAGET. 4ª ed. BRASIL.Referências bibliográficas ARANHA. 1995. 1998. HADDAD.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%E7ao. Rio de Janeiro: Vozes. 2002. GALVÃO. K. 4ª ed. in http:///www. 1981. São Paulo: Edições Loyola.mj. SP: Cortez. A creche em busca de identidade. BROUGÈRE.Lúcia. 2002. OLIVEIRA. (org). KISHIMOTO.1999 . Significado e função do brinquedo na criança. M. Rio de Janeiro:Vozes. S. adaptada por Gisele Wajstop.1971. M. V. I. Rio de Janeiro: LTC.

2001. 2ª. VYGOTSKY. São Paulo: Martins Fontes. SP: Cortez Editora. ed. Pensamento e linguagem. 5ª. . Metodologia da pesquisa-ação. (Coleção Psicologia e Pedagogia). L. 2004. A Formação Social da Mente. VYGOTSKY. 1988. L.ed. 1987. S. M. S. São Paulo: Martins Fontes.89 THIOLLENT. Brincar na pré-escola. São Paulo. São Paulo: Cortez. WAJSKOP. G.

90 Anexos .

( ) Não. Atenciosamente. Lembrando o que o questionário tem fins estatísticos e sua identidade bem como a de seu filho(a) não será revelada. fevereiro de 2008 Senhores pais. ( ) Não. blocos lógicos.Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu(sua) filho (a)? ( ) Sim. Todas ( ) Algumas . Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia. pois trabalho.Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança.Quais brincadeiras eles costumam brincar? 03. ( ) De 04 a 06 vezes por semana. 08-Você conhece as brincadeiras que seu(sua) filho (a) aprende na escola? ( ) Sim.91 I-Questionário dos pais Bauru. 06 .Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu(sua) filho(a)? ( ) Sim. etc) ( ) Não tem tempo para brincar com o filho 04-Com que freqüência você brinca com seu filho (a) ? ( ) De 01 a 03 vezes pro semana.Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? ( ) Vídeo-game ou jogos no computador ( ) Brinquedos de construção (legos. ( ) Não tenho tempo para brincar com meu filho(a). 07. Aline Fernandes Guimarães 01.Quantos filhos menores de 10 anos você tem? 02. etc) ( ) Brincadeiras de faz-de-conta ( ) Brincadeiras de roda ( ciranda-cirandinha. Desde já agradeço a colaboração. 05.

92 ( ) Nenhuma 09. onde as crianças levam seu brinquedo favorito toda sexta-feira? ( ) Sim.Quando compra um brinquedo para o seu (sua) filho (a). 12. ( ) Às vezes. ( ) Não. ( ) Às vezes. Porque ajuda no desenvolvimento da criança.Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? ( ) Sim. 11. ( ) Não. . ( ) Não. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? ( ) Sim. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? ( ) Sim. ( ) Não.Quando compra um brinquedo. 10.Você considera importante o “ Dia Internacional do brinquedo”.

Aline Fernandes Guimarães 1-)O que você entende por brincar? 2-)O que é brinquedo? 3-) O que é brincadeira? 4-) O que é jogo? 5-)De que seus alunos brincam? 6-)Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? 7-) Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? 8-) Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? 9-) Enquanto as crianças brincam. Para tanto conto com sua colaboração. Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia. Prezado Senhor (a). desde já agradeço. é possível perceber a realidade na qual estão inseridos? 10-) Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? .93 II. Atenciosamente. fevereiro de 2008.Questionário dos professores Bauru.

BAURU 2008- .Projeto da instituição “A IMPORTÂNCIA DA RECREAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SÓCIO-COGNITIVO DE CRIANÇAS NO MATERNAL” ALINE FERNANDES GUIMARÃES RENATA PLETI TARCINALLI .94 III.

brinca com o medo e o monstruoso. Neste contexto o objeto ou brinquedo oferecido pelos adultos tem a função de ajudar a compreender as propriedades e o uso social dos objetos e estabelecer as funções sociais destes no grupo social em que a criança esta inserida.70) Para brincar a criança necessita de tempo. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. desenvolve a atenção.brincar e se divertir. espaço. por exemplo. em suma. onde tem brincadeira existe recreação. Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. distrair-se. reinventa a realidade.p. pois através da brincadeira a criança imita o adulto.109) é enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança.P.1997. A brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psico-social da criança. se diverte enquanto aprende. socializadores . manipula valores (o bem e o mal). A principal atividade da criança é brincar (recrear). Por sua vez o verbo recrear está embutido por diversos significados. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto. exprime emoções e sensações. tanto no aspecto lúdico. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. o raciocínio.1988. 1.sentir prazer ou satisfação. Segundo (Vygotsky. deitar. ao invés de numa esfera visual externa. dos quais pode-se destacar alegrar.95 TEMA: Recreação ALUNOS ENVOLVIDOS: Maternal I (faixa etária de 1 ano e 6 meses a 2 anos e 6 meses )e Maternal II(faixa etária de 2 anos e 6 meses a 3 anos e 6 meses). materiais como brinquedos. . coopera. a criatividade. aprende a tomar decisões.INTRODUÇÃO A palavra latina recreação em sua primeira definição significa ato de recrear-se e na segunda definição significa ocupação agradável para um descanso de um trabalho e recuperação de forças para sua continuação. fantasia. (BROUGÉRE. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento.desenfardar-se. fantasias) com conteúdos sociais. PERÍODO DE REALIZAÇÃO: ano letivo de 2008. reproduz valores culturais.

mas prolonga os mecanismo de assimilação e a construção do real própria ao período sensório-motor anterior (Piaget. Nos espaços livres e áreas de lazer o homem sempre busca novas formas para se recrear. O período sensório-motor é fundamental na recreação. além das sensações ocorre um aumento gradativo na capacidade do bebê em adquirir hábitos. pois ele é o início de tudo. A recreação faz parte da história do homem. sendo ela ainda pré-lógica. um suporte para o ensino. Com a sucção. O período pré-operatório abrange a primeira infância (aproximadamente dos dois aos sete anos) e é anterior ao aparecimento das operações propriamente ditas. dos olhos. Sendo estimulada a partir de objetos concretos. é intuitivo e. porém para elas o jogar e o brincar são momentos que vão além da diversão. suas respostas são apoiadas basicamente na percepção. cognitivo e social). descobrir novos meios e solucionar alguns pequenos problemas (PIAGET. os movimentos das mãos.. dons e atividades. pois elas aprendem o que ninguém pode lhes ensinar. A recreação pode ser desenvolvida em prol do desenvolvimento pleno (motor afetivo. de organizar seus conhecimentos visando sua adaptação. estão descobrindo o mundo e o universo que as cerca. a criança pode recrear-se a partir da exploração do seu sensório-motor.96 dependendo das motivações e tendências internas. Estágios de desenvolvimento segundo Jean Piaget Para Jean Piaget os estágios e períodos de desenvolvimento caracterizam as diferentes maneiras de a criança interagir com a realidade. Existem três manifestações importantes da função simbólica: a . ao considerar o brincar como atividade livre e espontânea da criança e. 1983). (Kishimoto. Ela passa a interiorizar os esquemas de ação (o que faz na ação passa a fazer também em pensamento) e a fazer uso da função simbólica. A teoria froebeliana. coordenar visão e preensão. 1980). coordenar esquemas. etc. O período sensório-motor (do nascimento até dois anos de vida) caracteriza-se pelas sensações e pelas atividades motoras. no período pré-operatório.1996). no plano tridimensional (largura. para a aquisição de conhecimentos que ajudaram na resolução de situações ao longo da vida. Quando as crianças brincam não estão interessadas no resultado da brincadeira em si. etc. e não por incentivos fornecidos por objetos externos. ou seja. Os períodos ocorrem de maneira espiral sendo que cada período engloba o período anterior. comprimento). permite a variação do brincar ora como atividade livre ora orientada. O pensamento da criança.

3-OBJETIVO GERAL * Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar. é a partir da fala que a representação se acentua. o brinquedo simbólico ou “faz de conta”.OBJETIVOS ESPECÍFICOS * Explorar a imaginação. quando a criança passa a imaginar suas brincadeiras e interage em sua imaginação. 2. a coordenação motora fina. * Desenvolver noções espaciais e temporais.1. ajuda-ajuda. que é a mais importante manifestação da função simbólica. criativas e que nos traga prazer. * Desenvolver a cognição e imitação. independência. * Estimular a interação com pessoas e objetos. ritmo e equilíbrio. autonomia. Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer. Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas. 3. criatividade. pegador corrente) . * Desenvolver a identidade.Atividades de corrida (pega-pega. duro ou mole. vivo ou morto. 4-CONTEÚDOS . diminuindo as tensões e preocupações.JUSTIFICATIVA É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança. * Desenvolver a ludicidade. * Explorar os movimentos corporais. e a fala. auto-estima e cooperação. pois uma única palavra pode substituir representar uma diversidade de ações antes efetuadas na prática pela criança. * Explorar a linguagem.97 imitação diferida. quando a criança é capaz de imitar uma determinada situação ou pessoa sem a presença da mesma. o pensamento e a ação. atenção e concentração. * Desenvolver a coordenação motora ampla.

criar novas situações. bastões. pessoas.Rádio e CD’s 6. Jogo. corrida.Danças.Bastão .). etc. cordas.Atividades de arremessos (uso de uma das mãos. p.Ocorrerá de modo contínuo valorizando e respeitando o desenvolvimento e aprendizado da criança. n. dança.ed.(Org). . . Brinquedo. L. etc..1997 Cavallari. 4. C. T. Vania.(org).). 5-RECURSOS . COSTA.Cordas . sucata. A Formação Social da Mente. B. 1988. VYGOTSKY. KISHIMOTO. A. . uso dos dois pés juntos. 2ª.Atividades com salto (uso somente de um pé.AVALIAÇÃO .Brinquedos (carrinho e boneca) .Umuarama. Brinquedo e Cultura.Atividades com brinquedos pedagógicos e outros. 2001. 1.2006. criar personagens. v. mesas. São Paulo: Martins Fontes.etc) . -Atividades com objetos diversos (bolas. S. adaptada por Gisele Wajstop.Atividades de arremesso.Bambolês . carteiras. arremesso com saltos. Recreação em Ação: Recreação na educação infantil. R. São Paulo: Ícone.Maria.ed. RIZZI. São Paulo: Cortez.).Atividades de imitação (imitar animais. . fazer rolamentos. 2ª ed.sociais e estrutura. uso dos dois pés de forma alternada.98 . etc. Brincadeira e Educação. O Período de desenvolvimento das operações formais na perspectiva piagetiana: aspectos mentais.). cantigas de roda ( atirei o pau no gato. arremesso com corridas. . de duas mãos. .29-42. 7-REFERENCIA BROUGÈRE.Bolas . etc.Giles. representar histórias. C. jacaré. M. arcos. etc. 2004. salto. 5. Educere. São Paulo: Cortez.

Projeto de intervenção desenvolvido na instituição UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Faculdade de Ciências .99 IV. BAURU 2008 .Campus Bauru Licenciatura em Pedagogia Projeto de Intervenção ALINE FERNANDES GUIMARÃES CAROLINE PETIT DE ARAGÃO KÉTHLEN DAYANE RODRIGUES TERECIANI O RESGATE DA INFÂNCIA POR MEIO DA BRINCADEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL.

pois em determinados momentos históricos a visão que a sociedade tinha em relação à criança era bem diferente da visão moderna.Introdução A concepção da infância na atualidade é o resultado de transformações históricas e sociais. Os adultos não tinham a menor preocupação sobre a preservação de certos assuntos. que era desconhecida antes da Idade Média. por ser uma fase passageira. Muitos brinquedos e brincadeiras pertencentes ao universo infantil atual (como.100 Resumo Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. Por volta do século XIII. com músculos e traços semelhantes. as representações estéticas (as pinturas) mostravam uma criança semelhante a um adulto. jogos. quanto na participação de conversas. é necessário verificar como a questão da infância era tratada no passado. Caroline Petit de Aragão e Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani. A partir desse momento. Aline Fernandes Guimarães. Entretanto. a infância era vista como a fase na qual a criança ainda não dominava a fala. o pesquisador francês Philippe Ariès retrata a construção histórica do conceito da infância. Em sua obra História Social da Criança e da Família. não existia ainda uma atenção afetiva por parte dos homens que justificasse a necessidade de se preocupar com a infância. Planeja-se realizar essa pesquisa em um instituição pública de educação infantil do município de Bauru. bonecas e marionetes) eram compartilhados entre adultos e crianças. em tamanho reduzido. como raciocínio. falavam . as crianças eram tratadas como adultos em miniatura. 1. assim que a criança desenvolvia um conjunto de habilidades. atitudes e ações. Segundo Áries. O presente pesquisa é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru. Segundo sua pesquisa. Pelo menos não existiam relatos. Portanto. 1981). poderia ser considerada como adulto (em contraposição a infância). brincadeiras e festas. tanto na forma como eram vestidas. sendo então designada como uma fase “irracional”. por exemplo: pega-pega. geralmente em reuniões e datas comemorativas. esconde-esconde. documentos ou pinturas que registravam ou retratavam algum conceito sobre a infância (ARIÉS. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. e não demonstrava ainda os comportamentos esperados pelos adultos.

1981). mas principalmente retratando a construção da infância em camadas abastadas. que defendiam a separação entre adultos e crianças. Diante da elaboração da instituição escolar. a criança exercia na família um papel utilitário. Entretanto. o autor constata que havia uma preocupação com a infância em épocas posteriores e o sentimento de infância era existente durante a Idade Média. o pesquisador Moysés Kuhlmann Jr. houve uma transformação realizada pela Igreja e pelos órgãos públicos. Kuhlmann aponta o caráter unilateral da pesquisa de Ariès. cumprindo funções que contribuíssem com a sociedade. era “normal” que ocorressem eventuais fatalidades. que a criança saiu de seu antigo anonimato. Uma educação informal. nas reuniões coletivas. que direciona seus relatos de modo generalizante. preocupandose com o seu desempenho durante o processo de aprendizagem. 2001). as brincadeiras nas praças. e que se tornou necessário limitar seu número para melhor cuidar dela. através das conversas com os adultos. Foi instituída então. e as taxas de mortalidade eram elevadas. com auxílio dos poderes públicos e também pela própria família (resultados de uma transformação cultural): A família começou então a se organizar em torno da criança e a lhe dar uma tal importância. recebendo uma preocupação com seu bem-estar. Através de diversos documentos históricos. Porém. Era necessário para essa função uma criança saudável. porém existente na vida dessas crianças (KUHLMANN.101 vulgaridades na presença das crianças. a higienização. em sua obra Infância e Educação Infantil: uma abordagem histórica analisa e reinterpreta algumas concepções. por sua vez. supondo então que a educação e o sentimento da infância surgem primeiramente dentro dessas famílias. Por não existir um sentimento por parte da família. Porém. como também a preocupação com a educação e o cuidado com os pequenos. é possível dizer que existia infância dentro das camadas pobres. por ser “natural” e também por desconhecer a inocência e a diferença entre a infância e a fase adulta. Não existiam cuidados específicos que garantiam uma sobrevivência efetiva durante essa fase. p. que se tornou impossível perdê-la ou substituí-la sem uma enorme dor. 1981. que consentia a ida de seu filho a escola. em contraposição sobre algumas idéias. portanto. a prática do abandono era comum. eram consideradas “livres” e “sem-modos”. As camadas populares. que ela não pôde mais ser reproduzida muitas vezes. surgiu um sentimento de afeição e cuidado por parte da família. visão construída pelas camadas dominantes. . a escola (ARIÈS. Dentro deste contexto. As contribuições de Ariès foram extremamente importantes em relação à história da criança. a saúde.12). (ARIÈS. a partir do século XVII. A criança deixa de ser uma utilidade para o trabalho familiar.

A partir da década de setenta a educação de crianças pequenas começa a ser reconhecida através da ampliação das políticas governamentais de atendimento para esta faixa etária.102 Ao abordarmos o tema proposto no referido projeto será necessário analisar a história e a evolução da educação de crianças de 0 a 6 anos no Brasil. Kuhlmann (2001) relata o processo de expansão das creches e pré-escolas no Brasil: As creches e pré-escolas têm vivido um amplo processo de expansão desde o final da década de 1960 na Europa e América do Norte. que sustenta a dinâmica transformadora do que pode ser definido como um novo momento na história da educação infantil. (SAVIANI. essa educação não era assegurada pela legislação. Saviani (2004) esclarece sobre o que a Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional define para educação infantil: No que diz respeito à educação infantil (Seção II. de 1996. básico. artigos 29 a 31). (KUHLMANN. mas para que este direito seja garantido será necessário que haja legislação e recursos específicos. no caso brasileiro.7).30) e que a avaliação será feita pelo acompanhamento e registro do desenvolvimento infantil.31). De início.14) a educação não se reduz ao ensino. o atendimento prestado a crianças de 0 a 6 anos era visto apenas como assistencialismo. que deverá garantir a todas crianças o acesso e a permanência escolar. Essa expansão quantitativa é um elemento fundamental. 2001. ou na década de 1970. Lei nº 9. para crianças de quatro a seis anos (art. Para Saviani (2005. p. material. configura uma situação privilegiada. Entretanto. A Nova Carta Constitucional (1988) reconhece o dever do Estado de garantir creches e pré-escolas para todas as crianças de 0 a 6 anos. Na atualidade verificamos um processo de expansão do atendimento à criança de 0 a 6 anos.394 (1996). abarcando o atendimento dos 0 aos 6 anos de idade. consagrada nas disposições expressas na Constituição de1988. propiciando uma formação de qualidade para a criança. processo acompanhado da ampliação das pesquisas sobre o tema. assim como na lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. a sua organização em creches. sem objetivo de promoção (art. 211). p. 2004.29). sem muita preocupação com o desenvolvimento infantil e suas especificidades. para caracterizar as instituições educacionais pré-escolares. já que sua natureza se encontra na produção do trabalho não-material. para crianças de até três anos de idade e em pré-escolas. dificultando a expansão qualitativa para este nível de ensino. a escola. a partir da qual pode-se detectar a dimensão pedagógica que subsiste no . p. estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases para Educação Nacional. A própria expressão educação infantil foi adotada recentemente em nosso país. a lei se limita a indicar sua finalidade (art. “neste sentido.

Desta forma. sociais. atualmente. 65). a criança de hoje está inserida em um novo contexto: dentro de um mundo globalizado e capitalista. O objetivo da educação infantil. como também em uma outra perspectiva. políticas. A criança desta faixa etária conhece o mundo diferentemente do adulto. A família e a escola dividem e partilham suas responsabilidades no que diz respeito à educação e a socialização das crianças. ambientes e atividades favoráveis para o desenvolvimento da criança é um dos objetivos (e desejos) de ambas as instituições. e nem no preparo para o processo de alfabetização.9). influenciada pelas culturas midiáticas. A relação com o adulto nesta fase do desenvolvimento será essencial para a efetivação desse processo infantil de conhecimento do mundo. Bhering e Nez (2002) definem a importância da relação família e creche nos primeiros anos de aprendizagem da criança. Segundo o autor. pois. conseqüência da terceira revolução industrial (FURLAN e GASPARIN. Apesar de haver diferenças distintas entre as obrigações da família e da escola. Entretanto. considerado um componente importante e necessário para o sucesso das crianças. A educação infantil possui características próprias. trabalhando desde cedo. A escola. A criança encontra-se atualmente em um cenário pós-industrial ou pós-moderno. brincando em espaços reduzidos. 2002. Sendo assim.103 interior da prática social global”. A creche é um dos contextos onde um número bastante expressivo de crianças pequenas passa grande parte de seu tempo. a institucionalização da escola como meio de difusão do saber sistematizado afirma a especificidade da educação. p. fruto da desigualdade social vigente na atualidade. juntas. substituindo as brincadeiras populares por brinquedos eletrônicos. podem promover situações complementares e significativas de aprendizagem e convivência que realmente vão de encontro às necessidades e demandas das crianças e de ambas as instituições. Uma infância em um mundo urbano. é a instituição responsável pela formação da infância. há também responsabilidades e objetivos incomuns entre elas. o envolvimento de pais na escola/creche é. afirmando que: A importância do envolvimento de pais nesta fase é então auto-explicativa: a família e escola/creche. . Criar condições. a qualidade de seus serviços e o atendimento às comunidades carentes é cada vez mais discutido. a formação integral do indivíduo é de finalidade da escola ao passo que tem como objetivo primeiro tornar os alunos cidadãos críticos. não se fundamenta na compensação de deficiências sociais. portanto. possui uma linguagem própria que deverá ser aperfeiçoada no processo de ensino aprendizagem. com uma trajetória escolar caracterizada por imprevistos. p. A família desempenha um papel fundamental. repleto de transformações econômicas. 2002. (BHERING e NEZ. é através dela que a criança será inserida ao mundo ao seu redor. ingressando precocemente em instituições educacionais.

socializadores .1997. na . a criatividade. porém com novos significados. p. Sendo um dos poucos lugares na área da educação onde o lúdico é tratado como natural ou apropriado. pois através da brincadeira a criança imita o adulto. Em sua pesquisa sobre Brinquedos e materiais pedagógicos na educação Infantil a pesquisadora Kishimoto. da formação social.P. de construção e socialização têm percentuais de 4% a 35% nas instituições pesquisadas. um papel amassado se transforma em uma bola de futebol. Porém a brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psicosocial da criança. desenvolve a atenção. manipula valores (o bem e o mal). é apenas com a ruptura do pensamento romântico que a valorização da brincadeira ganha espaço na educação das crianças pequenas. de fantasia. por exemplo. brinca com o medo e o monstruoso. Anteriormente. em suma. reproduz valores culturais. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. da construção cognitiva e crítica. reinventa a realidade.104 A imagem de um adulto em miniatura surge novamente. areia com água vira comidinha de boneca. tanto no aspecto lúdico. Segundo Wajskop (2001). (QUINTEIRO. de amadurecimento”. a brincadeira era geralmente considerada como fuga ou recreação. se diverte enquanto aprende. Segundo a mesma pesquisa a maioria dos materiais são de jogos geométricos e alfabetização. o raciocínio. da autonomia. Todavia. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento. materiais como brinquedos. (BROUGÉRE. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto. Admite-se que a infância é uma fase importante na vida da criança. aprende a tomar decisões. Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. um cabo de vassoura pode virar um foguete. Atualmente as crianças entram cada vez mais cedo nas instituições de educação infantil. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. fantasia. espaço. fantasias) com conteúdos sociais. 2003. como creches e pré-escolas. jogo e brinquedo. 12). “(. por exemplo. exprime emoções e sensações...70) Para brincar a criança necessita de tempo. Na brincadeira de faz-de-conta ou jogo simbólico a criança utiliza-se da imaginação. (2001) revela que os brinquedos destinados às atividades simbólicas. a infância atualmente aparece como um momento em que a criança pode ser ela mesma. por estar relacionada à construção da identidade. coopera.) um intervalo no dia e não como um período peculiar da vida.

( KISHIMOTO. pois brincando a criança vai além do que está acostumada a fazer. . trilha ou dominó. que define como “a descrição de uma ação lúdica envolvendo situações estruturadas pelo próprio tipo de material. etc. p.. (Oliveira.Justificativa Com base nas experiências realizadas durante o período de estágio em escolas de educação infantil. a distância entre o nível real em que a criança é capaz de fazer determinada atividade sozinha e o nível de desenvolvimento potencial. A diferença fundamental entre jogo e brincadeira é que o jogo delimita regras. bolas e outros acessórios enquanto a brincadeira é mais livre podendo existir regra ou não. Alguns pesquisadores diferenciam brinquedo.2001. 2. a criança se relaciona com o significado em questão. podendo necessitar de materiais específicos como quadras. Segundo Vygotsky(1988).p. Mas para brincar a criança precisa de espaço dentro do cotidiano das instituições de educação infantil. ao brincar com a bola de papel amassado. Portanto o papel amassado serve de representação para uma realidade ausente. por parte do sistema educativo do ato de brincar na educação de crianças de 0 a 6 anos. (WAJSKOP. isto é. nível em que a criança precisa da ajuda do adulto para desempenhar determinadas tarefas. Ainda na teoria de Vygotsky. faz a distinção entre a brincadeira – entendida por ela como a “ação que a criança desempenha ao concretizar as regras do jogo. O conceito central na teoria de Vygotsky é o da Zona de Desenvolvimento Proximal. como xadrez. Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto. é o lúdico em ação ” e o jogo. a idéia da bola de futebol e não com o objeto que tem nas mãos. Para a autora Wajskop.21).. o brinquedo também cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança.25). Kishimoto(2001). por exemplo. a menina vira mãe e o menino vira pai. brincadeira e jogo e mostram a importância deles para o desenvolvimento e aprendizado das crianças. ao mergulhar na ação lúdica. 1999. as pesquisadoras perceberam a desvalorização. 1997). tabuleiros. (1999) “a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos”.105 brincadeira de escolinha: a criança imita o papel do professor e dos alunos.

. por meio de intervenções pedagógicas que privilegiem a criança como sujeito ativo durante seu processo de desenvolvimento. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância. Serão realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação. 3. .106 Sendo que o papel da escola de educação infantil.Promover o resgate do conceito de infância através da vivência de brincadeiras populares.Objetivos Específicos . . afetivo e físico das crianças. seja ela em período integral ou não. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento. Objetivos 3. é antes de tudo promover a socialização das crianças e o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização.Explorar a ludicidade através de brinquedos e brincadeiras.Conhecer as diversas formas de brincadeiras populares. Investigação do material para atividades lúdicas disponíveis na escola. que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos.Metodologia Este projeto de intervenção pretende ser desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru.1. 4. estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo. Para a realização do presente trabalho será feita revisão de literatura. com a finalidade de identificar a qualidade e a diversidade de recursos disponíveis para as atividades cotidianas das crianças na instituição. 3. Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo das crianças o presente trabalho pretende resgatar a concepção do conceito de infância através do brinquedo e da brincadeira na educação infantil. socialização.Reconhecer a brincadeira enquanto uma característica fundamental à infância.2. buscando em referências bibliográficas e outras bases de dados a teoria necessária para fundamentar teoricamente o trabalho.Objetivo Geral . Observação do contexto educacional: observação das crianças em situações de brincadeiras.

giz de cera.Brinquedos populares .Cronograma ETAPAS Levantamento Bibliográfico: Fichamento de livros. tesoura.Fotos 6.Sucatas . busca nas bases de dados.Materiais pedagógicos ( sulfite. cola. vídeos.Recursos Materiais . tinta.Avaliação . Elaboração dos instrumentos de pesquisa Observação Elaboração relatório parcial Análise dos dados /Avaliação Redação e revisão para entrega do relatório final D E Z X J A N F E V M A R X X X X X X 8.Brinquedos pedagógicos . CD Room.Recursos Humanos Professora orientadora: Marcia Cristina Argenti Perez Professora avaliadora: Vera Lucia Messias Capellini Fialho Pesquisadoras: Aline Fernandes Guimarães Caroline Petit de Aragão Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani Público em geral: Crianças de 0 a 6 anos 7. etc) . periódicos. pasta.107 5.

Escola e democracia. __________ Brinquedos e materiais pedagógicos nas escolas infantis. WAJSKOP. 6-14 KISHIMOTO. Dermeval. SP: Autores Associados. 1988.S. Philippe. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica.2001. João Luiz. M. 2001. Jogo. 2ª ed. História Social da criança e da família.27. G. Caderno UEM.ed. 9ª ed. T. p. Porto Alegre. adaptada por Gisele Wajstop. 2005. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. B. e DE NEZ. São Paulo: Cortez. . p. S.ed.. 5. São Paulo: Cortez. Campinas. vol. SP: Autores Associados. Brincadeira e Educação. Envolvimento de pais em creche: possibilidades e dificuldades de parceria. p. 33ª ed.63-73. Marta Regina e GASPARIN. Abr 2002. In: Educação e Pesquisa. e Pesq. L. 2001.(org). São Paulo: Scipione. OLIVEIRA. Brincar na pré-escola. J.108 Será realizada durante todo processo. Dermeval. Campinas. Psic. KUHLMANN Junior. 2001.Giles. 1981 BHERING. Brinquedo e Cultura. A Formação Social da Mente.1997 FURLAN.ed. Caderno UEM. Moysés. Mediação. SAVIANI.: Teor. 1. sendo seu ponto principal a elaboração de um portfólio da aprendizagem contendo o registro de todas as etapas do projeto através de fotos registro realizados pelos os alunos. M. 2002. SAVIANI. Brinquedo. 5. Porto Alegre. T. 8-22. BROUGÈRE.Referencias ARIÈS. V. Maringá. 2002. VYGOTSKY. Maringá. QUINTEIRO. 2ª. A emergência de uma sociologia da infância no Brasil.1988. A construção do “ser” criança na sociedade capitalista. Significado e função do brinquedo na criança. 9. RJ:Guanabara-Koogan. São Paulo: Martins Fontes. 2000. .Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico.18. 4ª ed. São Paulo: Cortez. 1997. LEBOVICI. no.n 2. K. E.

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