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FUNDAMENTOS SÓCIO-FILOSÓFICOS DA UFRPE- Licenciatura em

EDUCAÇÃO FÍSICA Educação Física

Resumo do capítulo 2 Educação física Alana Veras


escolar: libertando-se da caverna pela Priscilla Bello-Santana
dialética platônica, do livro Educação Rayanne Vieira
física e filosofia. A relação necessária. Chaianne Magalhães
Cláudio Luís de Alvarenga Barbosa.

A DIALÉTICA DE SÓCRATES E PLATÃO E A ALEGORIA DA CAVERNA

Sócrates, em sua doutrina dogmática, afirmava que o objeto da ciência não é o sensível, o
particular, o individual que passa, mas sim o inteligível, o conceito que se exprime pela
definição. Para ele a missão do filósofo é fazer com que seu interlocutor deixe nascer suas
próprias idéias, atreves da dialética, da discussão no dialogo, interrogando-o, provocando-o a
dar respostas. Para Platão a dialética é o estudo das vias que nos levam à ciência perfeita das
ideias na sua realidade objetiva, ou seja, a dialética nada mais é do que a captação, pela
intuição intelectual, do mundo das ideias, de sua estrutura e do lugar ocupado por cada ideia
em relação às outras. Retomando a teoria de Sócrates a respeito da dialética, Platão procura
determinar a relação entre conceito e realidade. Para este filósofo, existe uma dialética
ascendente que libertando-nos dos sentidos e do sensível, nos conduz às ideias e
posteriormente ascendendo de ideia em ideia, alcança a ideia suprema, assim como, por outro
lado existe também uma dialética ascendente que percorre o caminho inverso, partindo da
ideia suprema, e por um processo de divisão, mediante distinções progressivas das ideias
particulares.

Platão acreditava que os homens eram dotados não só de um corpo mortal, mas também de
uma alma imortal que era imaterial, e da qual provinham todos os conhecimentos. Os
conhecimentos que os homens detinham eram possíveis, pois suas almas já teriam esses
conhecimentos antes de serem aprisionadas no corpo. O conhecimento verdadeiro exigia um
metódico esforço do homem para que sua alma se lembrasse, para que o saber fosse
finalmente adquirido, esse esforço era denominado a dialética platônica. Supunha a existência
de dois mundos: O mundo das ideias, entendidas como invisíveis eternas, incorporas, no
entanto reais e o mundo das coisas sensíveis, o mundo dos objetos e dos corpos que o mundo
os vivemos, é uma cópia imperfeita de objetos e seres perfeitos existentes no mundo das
ideias. As ideias formadas por nós neste mundo terreno são lembranças das ideias eternas, que
por sua vez são objetos do verdadeiro conhecimento. Platão elaborou a alegoria da caverna
onde a caverna representa o mundo terrestre, e nós, os “cavernosos”. Neste contexto, situa o
filósofo como aquele que consegue sair da caverna e ver a ideia como ela é no mundo das
ideias eternas. O instrumento responsável pela libertação do filósofo é a dialética, a visão do

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mundo iluminado é a filosofia. O conhecimento do mundo sensível é reduzido à simples


técnica, já o conhecimento referente ao mundo as ideias era o verdadeiro saber, o verdadeiro
conhecimento, que iluminava o homem, permitindo-lhe melhor conhecer a si e o mundo.

A ALEGORIA DA CAVERNA VERSUS EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

Através da comparação da “alegoria da caverna” como o mundo da educação física escolar,


tentaremos chegar a algumas verdades. Entendendo por verdades respostas por analises
racionais do objeto. Uma parcela considerável dos profissinais de educação física não
consegue relacionar a significação material e simbólica da educação física com a realidade
socioeconômica e cultural que a circunda e da qual o próprio professor faz parte. Muitos
professores sérios se libertam da caverna (a educação física estereotipada), enxergam que a
educação física do “1, 2, 3, 4 ... 4, 3, 2, 1” é como as sombras das paredes da caverna. Percebe
que está inserida numa escola real, que por sua vez também está inserida numa sociedade real,
com todos os seus condicionantes econômicos, políticos e culturais. Mas ao voltar e tentar
convencer os ainda “cavernosos” esse professor é ridicularizado e acaba sendo “morto”.

BUSCA DA VERDADE

O primeiro obstáculo na busca da verdade é a própria proposta pedagógica dos cursos de


Educação Física das universidades, que se espalham rapidamente pelo país. Tais cursos não
têm como objetivo a formação geral da perspectiva e desenvolvimento do caráter pela
aquisição de hábitos de estudo, disciplina, exatidão e compostura e sim a formação técnico-
profissional vinculada à necessidade imediatas do mercado. Nessa perspectiva, seria a partir
desse educativo fundamentado na valorização das leituras e estudos das literaturas, histórias,
políticas, ciências, filosofia, que deveria ser comum a todos os cursos de educação física, que
teríamos como complemento a educação profissional específica. A partir disso, formar um
profissional capaz de pensar, decidir, ter uma verdadeira leitura do mundo. Os professores de
educação física precisam dialogar com interlocutores que possuam opiniões opostas ou
divergentes sobre a maneira dever o mundo e assim passar para conceitos idênticos (e
verdadeiros). Isso é dialética Platônica.

Não há mais lugar para “cavernosos”. E como deixar de ser cavernoso? Através da dialética,
do debate, da discussão, do dialogo entre opiniões contrarias. Enquanto um instrumento de
busca da verdade, a dialética platônica a parece como uma “pedagogia do diálogo”, através da
qual aquele que pretende sair da caverna deve primeiramente dominar seus desejos corporais
e livrar-se do da crença nos fenômenos do mundo sensível.

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